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Numero do processo: 13748.000187/2003-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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COMPROVAÇÃO ANOCALENDÁRIO 2002. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 12 45.750 1ª Turma da DRJ/RJ1, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório proferido pela DRF Nova Iguaçu/RJ (fl.33), que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 01 87 /2 00 3- 19 Fl. 592DF CARF MF 2 negou a compensação declarada, tendo por base o contido no Parecer SEORT nº 178/2008 (fl. 31/33). Reproduzo, a seguir, o relatório resumidamente: Relatório Foram juntados aos autos Relatórios do Sistema IRPJ/CONS/RFB e do Sistema DCTF/RFB (fl. 198/199). Conforme Acórdão 1225.925 – 8ª Turma da DRJ/RJ1, de 28/08/2009 (fl. 203/210), o Despacho Decisório proferido com base no contido no Parecer SEORT nº 178/2008 (fl. 31/33) foi declarado nulo e os autos foram restituídos ao SEORT/DRF Nova Iguaçu/RJ para a que autoridade competente proferisse nova decisão, com ampla análise do direito creditório pleiteado. Em 13/11/2009, foi proferido pela DRF Nova Iguaçu/RJ o Despacho Decisório de fl. 334 que, tendo por fundamento o Parecer SEORT nº 772/2009 (fl. 313/333), reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado nos valores de R$ 39.845,20 e R$ 78.259,69 referentes, respectivamente, aos saldos negativos de CSLL e IRPJ, todos do anocalendário de 2002, homologando as compensações declaradas até o limite do referido crédito. Cientificada em 21/12/2009 (fl. 338) do Despacho Decisório e do Parecer SEORT nº 772/2009 (fl. 313/334), apresentou a interessada, em 18/01/2010, a manifestação de inconformidade de fl. 339/349, juntamente com os documentos de fl. 350/455, por meio da qual alega, em síntese, que o parecer carece de fundamento e que: Carece de fundamento o Parecer, porque a interessada era detentora do crédito que proporcionou a compensação em tela, fato comprovado com a cópia da Declaração de Imposto de Renda do Exercício de 2003, anobase 2002, em anexo, destacandose os valores dos créditos de IRPJ de R$ 82.148,59 e CSLL de R$ 51.657,98; • Mesmo apresentando valores estranhos e uma diferença diante da realidade, de R$ 3.888,90 de IRPJ e de R$ 11.812,78 de CSLL, os demonstrativos constantes do Parecer Seort em tela apresentamse de forma irregular e distante da realidade, sendo contraditórios os números que neles figuram; • Por seu turno, as IN 210, 460 e 600 referidas no Parecer em questão, dentre outras, foram igualmente estabelecidas para regular as compensações, harmonizar os procedimentos e, acima de tudo, garantir aos contribuintes a utilização, de forma correta, de seus créditos; • Os créditos da interessada, de IRPJ e CSLL, foram originários de sua opção pela tributação com base no lucro real; • Mesmo tributada pelo Lucro Real manteve os recolhimentos mensais do IRPJ e da CSLL, por estimativa. Portanto procedia a antecipações que ao final do exercício vieram dar origem aos sobreditos créditos; • A própria opção de tributação estabelece que, ao final de cada exercício, deve ser procedido o balanço e a consequente apuração do lucro real, proporcionando assim o resultado do exercício e a constatação se o imposto pago por estimativa fora suficiente ou não para saldar a obrigação tributária junto à Receita. Neste caso ao final do exercício de 2002 apurouseque os valores pagos foram superiores aos devidos; • Daí, chegase a conclusão de que os valores encontrados pelo digno Auditor e que constam do Parecer em tela, achamse equivocados; Fl. 593DF CARF MF Processo nº 13748.000187/200319 Acórdão n.º 1001000.899 S1C0T1 Fl. 3 3 • Equivocados porque pretendem demonstrar que os créditos acima, constantes da DIRPJ, são diferentes dos valores por ele (Auditor) apurados, uma vez que foram baseados nos exercícios de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, quando na realidade tais créditos (IRPJ R$ 82.148,59 e CSLL R$ 51.657,98) são oriundos tão somente do exercício de 2002. Por meio da Resolução nº 58 – 1ª Turma da DRF/RJ1, de 04/05/2010 (fl. 457/458), o presente Processo Administrativo foi restituído ao SEORT/DRF Nova Iguaçu/RJ para que: fossem efetuadas as compensações tributárias pleiteadas até o limite do direito creditório reconhecido; fosse elaborado relatório que demonstrasse a situação atual de cada DCOMP; e fosse dada ciência à interessada do inteiro teor dos novos fatos ou provas que viessem a ser trazidos aos autos, concedendolhe o prazo de 30 dias para, querendo, aditar razões de defesa à incial sobre os elementos aduzidos. Conforme Informação SEORT nº 23/2010 (fl. 467), foram efetuadas as compensações tributárias até o limite do direito creditório parcialmente reconhecido, deixando de existir o reconhecimento da homologação tácita da DCOMP de fl. 02/03. Tendo em vista não terem sido juntadas planilhas que demonstrassem a operacionalização das compensações e não ter sido dada ciência à interessada da Informação anteriormente citada, os autos foram encaminhados para o SEORT/DRF Nova Iguaçu/RJ para providências (Resolução nº 125 – 1ª Turma da DRJ/RJ1, de 29/09/2010 – fl. 470/471). No Despacho de Encaminhamento de fl. 472/473 proferido pelo SECAT/DRF Nova Iguaçu/RJ em 22/09/2011 consta a informação de que não há planilhas a serem produzidas relativas às compensações efetuadas (foram operacionalizadas no Sistema SIEF/RFB) e foi proposto encaminhamento à ARF Petrópolis para ciência ao contribuinte, cobrança do saldo devedor e abertura de prazo de 30 dias para aditar o recurso apresentado em 18/01/2010. Cientificada em 14/10/2011 (fl. 475) da Resolução nº 58 da DRJ/RJ1, da Informação SEORT/DRF Nova Iguaçu nº 23/2010 e da Resolução nº 125 da DRJ/RJ1, foi apresentada em 11/11/2011 a petição de fl. 476/477, por meio da qual esclarece que os documentos constantes do processo demonstram, com clareza solar, os créditos que proporcionaram as compensações efetuadas e que todos os recolhimentos efetuados foram devidamente alocados no Sistema da Receita. Foram juntados aos autos Relatório do Sistema IRPJ/IRPJ Consulta/RFB (fl. 480), Relatório do Sistema DCTF/RFB (fl. 481) e Relatório do Sistema SIEF/RFB (fl. 482/511). Cientificada em 06/08/2012 (fl. 529), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 04/09/2012 (fl. 530). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Fl. 594DF CARF MF 4 Em seu recurso, a recorrente apresenta, basicamente, as mesmas razões constantes de sua manifestação de inconformidade, como acima transcrito no relatório, que resumo, a seguir: · O direito a compensar e o crédito que deu origem ao aludido direito encontramse provados em várias oportunidades neste processo como, de forma clara, achase explanado e comprovado documentalmente às fls. 338/454; · O parecer SEORT fls.516 demonstra com clareza o equívoco nele contido, uma vez referirse: "O contribuinte vem apurando saldo negativo de CSLL para anos calendários de 1997, 1998,1999,2000 e 2001, os quais serão passíveis de verificação apenas para aferição das compensações efetivadas com estimativas de CSLL, no ano calendário de 2002, conforme declaração de DCTF, visto que na época não era exigida a formalização de pedido junto ao Fisco para compensar débitos e créditos de mesma natureza." · Desta forma, verificase que o parecer do SEORT sinaliza entender, equivocadamente, ser de períodos anteriores o crédito que proporcionou as compensações de 2002, ao passo ser aludido crédito tão somente do ano de 2001, uma vez que de acordo com os valores recolhidos, mensalmente, no decorrer deste ano (2001) e, diante do valor apurado na declaração (DIPJ) do Exercício de 2002 ano Base 2001, apresentada em 19/06/2002, veio a demonstrar créditos apurados de CSLL R$ 29.983,25 e de IRPJ R$ 18.025,74. Apresenta, também, as suas razões de direito , por fim, requer: · Diante do exposto e da realidade dos fatos, requer a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se digne de reformar a r. Decisão, com a conseqüente retificação do Parecer SEORT N°772/2009, que contraria, flagrantemente, as provas contidas nos autos e os elementos constantes da própria Receita, oriundos de informações fiscais prestadas pela Recorrente, determinando a homologação das compensações efetuadas com os créditos existentes e, por fim, julgar extinto o presente processo. Tratase de um processo um tanto complexo onde, inicialmente, o primeiro despacho foi anulado, por decisão da DRJ (fl 203), por falta de fundamentação adequada. Assim, o processo retornou à unidade de origem e uma extensa análise foi efetuada. Também foram garantidos à recorrente o seu direito ao contraditório abrindose os devidos prazos para manifestação. Como resultado da extensa análise (resumida no relatório, acima citado) restou homologada compensação parcial, conforme o voto da DRJ, o qual reproduzo parcialmente: De acordo com o Despacho Decisório de fl. 334 proferido pela DRF Nova Iguaçu em 13/11/2009, que teve por fundamento o contido no Parecer SEORT nº 772/2009 (fl. 313/333), foi reconhecido parcialmente o direito creditório pleiteado nos valores de R$ 39.845,20 e R$ 78.259,69 referentes, respectivamente, aos saldos Fl. 595DF CARF MF Processo nº 13748.000187/200319 Acórdão n.º 1001000.899 S1C0T1 Fl. 4 5 negativos de CSLL e IRPJ, todos do anocalendário de 2002, homologando as compensações declaradas até o limite do referido crédito. Na manifestação de inconformidade, a interessada afirma que o Parecer e o Despacho carecem de fundamento, pois é detentora dos créditos que proporcionaram a compensação em tela, conforme DIPJ, uma vez que mesmo tributada pelo Lucro Real manteve os recolhimentos mensais do IRPJ e da CSLL, por estimativa, procedendo a antecipações que ao final do exercício vieram a dar origem aos sobreditos créditos. Analisandose o disposto no Parecer SEORT nº 772/2009 e as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, verificase o que segue. Inicialmente, devese ressaltar que o Parecer se baseou em informações contidas nos sistemas informatizados da RFB relativas às DIPJ, às DCTF e aos pagamentos realizados pela interessada. Impende observar, ainda, que em que pese a interessada pleitear os valores de R$ 51.657,98 e R$ 82.148,59 a título de saldos negativos de CSLL e de IRPJ do anocalendário de 2002, na manifestação de inconformidade é demonstrada a apuração dos valores de R$ 51.578,93 e de R$ 82.034,09, respectivamente (fl. 345), valores estes que foram objeto de exame pela autoridade administrativa: ... Em consultas aos sistemas informatizados da RFB (fl. 482/483 e fl. 497/498), confirmamse que as estimativas de CSLL e de IRPJ quitadas por pagamento totalizam R$ 41.590,34 e R$ 97.316,46, respectivamente, e não R$ 71.563,78 e R$ 115.342,18, como afirma a interessada. Salientese que não foi juntado aos autos na manifestação de inconformidade, momento propício para contraditar, documentos que corroborassem valores diversos dos apurados no Parecer SEORT nº 772/2009. Quanto às parcelas das estimativas de CSLL e IRPJ que teriam sido compensadas com créditos de períodos anteriores (compensações informadas nas DCTF de 2002), somente foram validados os montantes de R$ 18.239,71 e R$ 14.251,32, respectivamente, conforme Parecer em exame. Esclareçase que a interessada não se manifestou acerca da verificação dos saldos negativos de períodos anteriores (1997 a 2001) efetuada pela autoridade administrativa para aferição das compensações efetivadas com estimativas de CSLL e de IRPJ do anocalendário de 2002. Deste modo, em relação ao total das estimativas consignadas da DIPJ 2003, foram validados os montantes de R$ 59.830,05 (R$ 41.590,34 + R$ 18.239,71) relativo à CSLL e R$ 111.567,78 a título de IRPJ (R$ 97.316,46 + R$ 14.251,32). Apurandose os saldos negativos de CSLL e de IRPJ relativos aos anos calendário de 2002, temse: IRPJ DEVIDO 33.308,09 CSLL Devida 19.984,85 Estimativas confirmadas 111.567,78 Estimativas confirmadas 59.830,05 Fl. 596DF CARF MF 6 Saldo negativo de IRPJ reconhecido no parecer (78.259,69) Saldo negativo de CSLL reconhecido (39.845,20) Por todo o anteriormente exposto, concluise pela manutenção do Despacho Decisório proferido pela DRF Nova Iguaçu/RJ de fl. 334, que teve por fundamento o contido no Parecer SEORT nº 772/2009 (fl. 313/334), visto que não foi apresentado elemento de prova ou de direito capaz de modificálo. Entendo que assiste razão à DRJ, posto que, extenso trabalho de análise foi realizado nos sistemas e o que pode ter sido confirmado o foi e concedido à recorrente. Conforme se observa da análise do Parecer Normativo COSIT n°2/2015: COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302¬002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) 13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB. Assim, voto por manter a decisão da DRJ e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 597DF CARF MF Processo nº 13748.000187/200319 Acórdão n.º 1001000.899 S1C0T1 Fl. 5 7 Fl. 598DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.005803/00-87
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO.
O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração do custo de mercadorias para revenda deve ser feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que a contribuinte tiver direito.
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS OPERACIONAIS
Veículos automotores podem ser úteis e necessários para atividade empresarial, mas o contribuinte deve comprovar tal necessidade e utilidade sempre que questionado pela fiscalização, que pode entender ser tal comprovação insuficiente.
Numero da decisão: 9101-003.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício) e Rogério Aparecido Gil (suplente convocado para eventuais substituições). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração do custo de mercadorias para revenda deve ser feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que a contribuinte tiver direito. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS OPERACIONAIS Veículos automotores podem ser úteis e necessários para atividade empresarial, mas o contribuinte deve comprovar tal necessidade e utilidade sempre que questionado pela fiscalização, que pode entender ser tal comprovação insuficiente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício) e Rogério Aparecido Gil (suplente convocado para eventuais substituições). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto.
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PROD. QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração do custo de mercadorias para revenda deve ser feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que a contribuinte tiver direito. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS OPERACIONAIS Veículos automotores podem ser úteis e necessários para atividade empresarial, mas o contribuinte deve comprovar tal necessidade e utilidade sempre que questionado pela fiscalização, que pode entender ser tal comprovação insuficiente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 58 03 /0 0- 87 Fl. 625DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício) e Rogério Aparecido Gil (suplente convocado para eventuais substituições). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10480.005803/0087 Acórdão n.º 9101003.897 CSRFT1 Fl. 626 3 Relatório Tratase de processo administrativo consubstanciado na lavratura de autos de infração de IRPJ e CSLL (efl 316) no valor total de R$ 448.380,26, referentes ao ano calendário de 1997, acrescido de multa e juros de mora, por suposta subavaliação de estoque final, que levou a majoração indevida de custos e postergação de impostos, além da glosa de despesas desnecessárias às atividades da empresa. Diante de tal autuação, a fiscalizada apresentou impugnação (efl 189202), que foi julgada improcedente pelo acórdão nº 1118.410 (efl 325343), pela 4ª Turma da DRJ/REC, em 16 de março de 2007. Vejase a ementa desta decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1997 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. SUB AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. A subavaliação de estoques acarreta majoração do custo das mercadorias revendidas, com consequente redução do resultado tributável do período. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração do custo de mercadorias para revenda deve ser feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que a contribuinte tiver direito. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106 do Código Tributário Nacional, exonerase a multa isolada lançada por falta de pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos, porquanto revogado o dispositivo legal que amparava a exigência. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte, o ônus da prova da dedutibilidade das despesas que importem redução do crédito tributário, condicionadas à sua efetiva realização, necessidade, normalidade e usualidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CSLL. O entendimento adotado com relação aos autos de infração reflexos acompanha o do auto matriz, em virtude da íntima relação de causa e efeito entre eles. Fl. 627DF CARF MF 4 Inconformada com a manutenção do lançamento, a autuada interpôs recurso voluntário (efl 348365), alegando, em sede preliminar, cerceamento ao amplo direito de defesa pela suposta falta de dispositivo legal específico que tipifique a infração ensejadora do auto de infração. Já no mérito, a autuada manifestouse sobre os seguintes tópicos:(i)a subavaliação de estoque final de mercadorias, postergação e majoração de custos, glosa de custos majorados/postergados (efl 352);(ii)leasing de bem não intrinsecamente relacionado com a atividade operacional da empresa – glosa de despesa de leasing;(iii)contabilidade como meio de prova;(iv)tributação reflexa: CSLL;(v)inaplicabilidade dos juros Selic;(vi)in dubio pro reu; e(vii)compensação. Ato contínuo, o Primeiro Conselho de Contribuintes, do julgamento do mencionado recurso, rejeitou a preliminar de nulidade e deu provimento parcial ao recurso da contribuinte, reconhecendo o lançamento como correto no tocante a subavaliação de estoques, porém entendo como necessária e operacional a despesa com a aquisição do veículo Mitsubishi Pajero para o regular desenvolvimento das atividades da empresa. No que diz respeito a compensação, esta foi indeferida pela falta de comprovação dos valores a serem compensados e da origem do respectivo crédito, sendo considerada insuficiente apenas a apresentação da DIPJ como prova de seu crédito. Os juros moratórios também foram mantidos. Tal decisão ficou registrada sob o acórdão nº 10197.066 (efl 418427); vejase a ementa: PRELIMINAR – NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, se o lançamento esta revestido das formalidades previstas no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. IRPJ. SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUES – POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO – MAJORAÇÃO INDEVIDA DE CUSTOS. A subavaliação de estoques acarreta a postergação do pagamento. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS OPERACIONAIS – Veículos automotores são necessários para atividade empresarial, independentemente do objeto social da empresa, competindo ao Fisco a comprovação de que o referido bem não é utilizado para as atividades empresariais. Na sequência, a União, representada pela PGFN, interpôs recurso especial (e fl 431446) alegando divergência de entendimento sobre da imposição do ônus da prova na comprovação de custos e despesas para fins de sua dedutibilidade perante a legislação do IRPJ. O despacho de admissibilidade (efl 452454) deu seguimento ao recurso, registrando que a simples leitura dos acórdãos paradigmas bastaria para a comprovação da divergência alegada. Confirase : Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou paradigmas abaixo, cujas ementas, no que é pertinente, estão assim redigidas: ●Acórdão n° 10322.318, da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes IRPJ DESPESAS NÃO COMPROVADAS Não tendo a contribuinte logrado comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os dispêndios apropriados como despesas operacionais revelase procedente a glosa fiscal. IRPJ DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTIBILIDADE ÔNUS DA PROVA Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10480.005803/0087 Acórdão n.º 9101003.897 CSRFT1 Fl. 627 5 Compete ao contribuinte, o ônus da prova da dedutibilidade das despesas que importem redução do crédito tributário, condicionadas à sua efetiva realização, necessidade, normalidade e usualidade. ●Acórdão n° 10514.150, da 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes INDEDUTIBILIDADE DE GASTOS COM AUTOMÓVEIS A utilização de veículos de propriedade da empresa, quando não provada a sua utilização no transporte de empregados, diretores e clientes, no desempenho de sua atividade própria, não autoriza a dedutibilidade dos gastos de sua manutenção. A simples leitura das ementas antes reproduzidas mostra o dissenso aventado pela recorrente. De fato, enquanto o Acórdão recorrido fala em impor ao Fisco “a comprovação de que o referido bem não é utilizado para as atividades empresariais”, os paradigmas exprimem posição reversa, o primeiro asseverando competir ao contribuinte, “o ônus da prova da dedutibilidade das despesas que importem redução do crédito tributário, condicionadas à sua efetiva realização, necessidade, normalidade e usualidade”, e o segundo, no mesmo diapasão, que, “quando não provada a sua utilização no transporte de empregados, diretores e clientes, no desempenho de sua atividade própria, não autoriza a dedutibilidade dos gastos de sua manutenção”. Em suma, diante de situação fática com o mesmo contorno, exararamse entendimentos divergentes. As contrarrazões do contribuinte (efl 511518) questionam o conhecimento do recurso especial, dizendo não haver divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas apontados pela PGFN, posto que a situação fática é diferente. Basicamente, para a recorrida, enquanto que o acórdão recorrido autorizou a dedução da despesa com aquisição de veículo necessário para a prática das atividades da empresa, os acórdão paradigmas trataram de situações diversas: “no primeiro, temse uma discussão genérica sobre ônus da prova, mas não se sabe nem qual seria a despesa em discussão (falase até em comprovação da realização da despesa, o que não está em discussão no caso presente); no segundo, baseada em fatos e provas, a Turma Julgadora concluiu que: 1) a atividade da empresa não precisa de Jaguar ou Cherokee; 2) os veículos são de alto luxo; 3)houve intimação da fiscalizada para comprovar a situação dos bens (se ao menos havia uso compartilhado), mas a intimação não foi atendida”. Quanto ao mérito, a contribuinte reforça o argumento de que o acórdão recorrido deve ser mantido porque não há nos autos elementos que indiquem que a utilização do veículo foi em benefício exclusivo do sócio. Ademais, o veículo não é de luxo, como são os citados nos acórdãos paradigmas (Jaguar e Cherokee); em verdade tratase de veículo movido a diesel, tração nas quatro rodas, transmissão manual e apenas 97 HP de potência, sendo sim de grande porte, mas também de alta durabilidade e segurança, requisitos necessários para os sócios que representam a empresa no desenvolvimento de suas atividades. Houve também interposição de recurso especial por parte do contribuinte (e fl 528535), tratando dos efeitos da postergação tributária em relação aos períodos subsequentes à ocorrência do fato gerador. Fl. 629DF CARF MF 6 O despacho de admissibilidade (efl 607610) deu seguimento ao recurso. Transcrevese abaixo as ementas dos acórdãos paradigmas levados em consideração para a determinação da divergência jurisprudencial identificada: Acórdão n° 1101001.241 "GLOSA DE DESPESAS DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE ICMS. POSTERGAÇÃO DE DESPESA. ALEGAÇÃO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Não subsiste a exigência fundamentada em postergação de despesa dissociada de investigação acerca das repercussões tributárias da dedução da despesa nos períodos de competência, além da alegada suspensão da exigibilidade dos débitos tributários, esta hábil a impedir, em tese, a dedução daqueles valores no período de competência." Acórdão nº 1102000.865 “POSTERGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Reconhecese os efeitos da postergação tributária em relação aos períodos subsequentes à ocorrência do fato gerador lançado nos quais o Contribuinte faz prova do recolhimento do tributo postergado." As contrarrazões da Procuradoria (efl 612623) questionam o seguimento do recurso especial, alegando que os requisitos da divergência jurisprudencial e do prequestionamento não foram satisfeitos. Procura afastar a divergência alegada pelo contribuinte, dizendo que o contexto fático dos acórdãos paradigmas e recorrido é diferente, pois, para a Procuradoria o acórdão recorrido, no que pese ter mantido o lançamento, não afirma que a postergação tributária somente pode ser admitida para um único período posterior. Esclarece, ainda, que o excerto abaixo reproduzido, citado pelo despacho de admissibilidade como sendo parte do voto condutor do acórdão recorrido é, na verdade, trecho do Auto de Infração. “percebese a orientação da Câmara a quo no sentido apontado pela recorrente ao se analisar excerto do voto condutor do acórdão recorrido destacado no recurso especial e abaixo reprisado: "a empresa incorreu em postergação do IRPJ e da CONSOC do ano de 1997 até onde os valores positivos dos seus resultados fiscais no ano de 1998 alcançaram as diferenças de estoque identificadas; e, em majoração de custos do ano de 1997 no montante em que essas diferenças de estoque ultrapassam os resultados do 1998". Ainda questiona o fato de que o recurso especial do contribuinte apontou o artigo 6º, §4º, do Decreto Lei 1.598/77, como a legislação que está sendo interpretada de forma divergente, porém tal dispositivo se quer foi citado no acórdão recorrido, não se configurando, portanto, o prequestionamento. No mérito, aduz que não existindo prova do recolhimento postergado, resta somente uma mera alegação de pagamento que não pode ser considerada para fins de lançamento, devendo ser mantido o acórdão recorrido integralmente no tocante a esta matéria, já que o devedor não apresentou provas do pagamento. Finaliza sua argumentação tratando da nulidade. Diz que o possível erro na apuração da base de cálculo não é suficiente para anular o lançamento, sendo este o caso de uma “mera impropriedade que pode ser adequada facilmente”. Afirma, ainda, que o artigo 59 Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10480.005803/0087 Acórdão n.º 9101003.897 CSRFT1 Fl. 628 7 do Decreto nº 70.235/72 não se aplica, pois o lançamento foi realizado por autoridade competente sem a ocorrência da preterição do direito de defesa. A informação fiscal apresentando novo cálculo do imposto devido encontra se às efls 491493. É o relatório. Fl. 631DF CARF MF 8 Voto Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI Relator Conhecimento – Recurso Especial da Procuradoria O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido indicados dois acórdãos paradigmas em relação ao tópico objeto do referido recurso especial, qual seja, imposição do ônus da prova na comprovação de custos e despesas dedutíveis perante a legislação do IRPJ, devidamente considerados no despacho de admissibilidade (p. 452/454) para fins de comprovação da divergência. O contribuinte apresentou contrarrazões (p. 511/518), nas quais questiona o conhecimento do recurso especial da Procuradoria quanto à inexistência de comprovação de divergência entre o v. acórdão recorrido e os ditos paradigmas, dado que a situação fática entre eles seria diferente. Defende o contribuinte que o v. acórdão recorrido fundase em discussão que envolve normalidade, necessidade e usualidade de despesa de leasing com veículo para fins de reconhecimento de sua dedutibilidade e que nos acórdão paradigmas, o primeiro trata de discussão genérica sobre ônus da prova e, o segundo, baseado em fatos e provas, que a atividade da empresa não precisa de um Jaguar ou Cherokee (carros de luxo) e que houve intimação para fiscalizada comprovar a situação dos bens, mas a intimação não foi atendida, para concluir que, no presente caso, a decisão foi no sentido de não ser possível permitirse que a fiscalização simplesmente alegue a indedutibilidade de uma despesa sem indicar ao menos uma consideração fática para tanto, não sendo possível dizer que “a compra de um veículo Mitsubishi constitui, por si só, despesa indedutível. É necessário motivação, até mesmo para possibilitar a defesa. Com a devida vênia, a insurgência do contribuinte quanto ao conhecimento do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, de certa forma, inserese na análise de mérito. Contudo, entendo ter sido demonstrada a divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos à colação em razão de que naquele ficou assentado que “veículos automotores são necessários para atividade empresarial, independentemente do objeto social da empresa”, cabendo ao fisco a comprovação de que não seriam e, nos paradigmas, que “a utilização de veículos de propriedade da empresa, quando não provada a sua utilização no transporte de empregados, diretores e clientes, no desempenho de sua atividade própria, não autoriza a dedutibilidade dos gastos de sua manutenção” (10514.150, da 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes) e que “compete ao contribuinte, o ônus da prova da dedutibilidade das despesas que importem redução do crédito tributário, condicionadas à sua efetiva realização, necessidade, normalidade e usualidade” (10322.318, da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). Desta forma, preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10480.005803/0087 Acórdão n.º 9101003.897 CSRFT1 Fl. 629 9 Conhecimento – Recurso Especial do Contribuinte O recurso especial do Contribuinte é tempestivo, tendo sido indicados dois acórdãos paradigmas em relação ao tópico objeto do referido recurso especial, qual seja, divergência acerca da necessidade de postergação em períodos subsequentes (art. 6º, § 4º, do DecretoLei 1.598/77), tendo em vista subavaliação de estoque final (EF) no encerramento do anocalendário 1997, aumentando, consequentemente, o custo das mercadorias vendidas (CMV = EI + COMPRAS – EF) e, por consequência, postergando o IRPJ e CSLL devidos, devidamente considerados no despacho de admissibilidade (p. 607/610) para fins de comprovação da divergência. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (p. 612/623), nas quais questiona o conhecimento do recurso especial do contribuinte por falta de comprovação da divergência, notadamente em relação ao contexto fático dos acórdãos paradigmas e recorrido serem diferentes. Afirma que o acórdão recorrido, em momento algum, entra na questão específica de se admitir a postergação para um só período ou para períodos subsequentes e que o dispositivo apontado pelo contribuinte – art. 6º, § 4º, do DecretoLei 1.598/77, sequer foi citado, não cumprindo o requisito do prequestionamento. Com a devida vênia, o art. 171, do RIR/80, transcrito pela própria Procuradoria em suas contrarrazões, é cópia do art. 6º, do DecretoLei 1.598/77, de tal forma que, ainda que indiretamente, o assunto foi devidamente prequestionado. A similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas decorre da aplicação do referido dispositivo legal, na medida que a possibilidade de postergação de tributos, no caso, IRPJ e CSLL, decorre da inexatidão de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, acarretando a postergação de pagamento do imposto ou a redução indevida do lucro real em qualquer período base, o que se verifica nos paradigmas acostados – 1101 001.241 e 1102000.865. Desta forma, preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte. Superadas as preliminares de conhecimento, passo ao exame do mérito dos recursos especiais. Em síntese, a Procuradoria traz em seu recurso especial, para fins de análise deste Colegiado, a questão da dedutibilidade de despesa incorrida com leasing de veículo, questionando o v. acórdão recorrido que admitiu, de forma geral, que “veículos automotores são necessários para atividade empresarial, independentemente do objeto social da empresa, competindo ao Fisco a comprovação de que o referido bem não é utilizado para as atividades empresariais”, e apresentando, por outro lado, v. acórdãos paradigmas nos quais não se admite, de maneira geral, que despesas com veículos são necessariamente dedutíveis e o ônus da prova dessa dedutibilidade caberia ao contribuinte. Além da questão de direito subjacente à discussão, mister apresentarse o contexto fático no caso concreto: o contribuinte adquiriu um veículo Mitsubishi Pajero, Fl. 633DF CARF MF 10 descrito em detalhes na nota fiscal de aquisição (p. 185), pelo sistema de leasing e utilizou as despesas com o leasing para deduzir a base de cálculo do IRPJ e CSLL na apuração do lucro real. A empresa contribuinte tem como atividade principal o “Comércio Atacadista de Produtos Farmacêuticos, Médicos, Ortopédicos e Odontológicos” (p. 26), estando sediada na cidade de RecifePE. A fiscalização, para justificar a indedutibilidade dessa despesa, informa, no TVF, às p. 19, item 2., que solicitou as comprovações e as informações a respeito, sendo informado trataremse de arrendamento mercantil feito com a empresa FIBRA LEASING S/A de um veículo importado novo, marca Mitsubishi PAJERO, adquirido para usufruto do seu sócio majoritário. De posse dessa informação, concluiu, nos termos do art. 13, II, da Lei nº 9.249/95, que não sendo comprovado pelo contribuinte que essa despesa estivesse intrinsecamente relacionada com a produção ou comercialização de bens e serviços característicos da atividade desenvolvida pela empresa, estaria vedada a dedução, justificando a sua glosa para fins de apuração do lucro real. Revejase a previsão do dispositivo legal mencionado: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (…) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; (…) (Grifos meus) Pois bem, no caso sob análise, entendo assistir razão a recorrente, pois o laço intrínseco entre a contraprestação de arrendamento mercantil de bem móvel (veículo Mitsubishi Pajero) e a produção ou comercialização dos bens e serviços da empresa não restou suficientemente comprovado nos autos. Se analisarmos com afinco a fundamentação da recorrida desde sua impugnação até suas contrarrazões, percebese que o único momento em que de fato ela se dispõe a justificar com mais detalhes a necessidade do veículo em comento, foi nesta última peça e, ainda assim, não o faz satisfatoriamente, pois apenas informa que é empresa distribuidora e que o usuário precisa deslocarse, especialmente para locais de difícil acesso, a fim de desenvolver sua atividade principal, a venda de produtos químicos e farmacêuticos por todo o Estado de Pernambuco, acrescentando, também, que a escolha do veículo baseouse nos critérios de durabilidade e segurança para as viagens em prol da empresa. Registrese, também, que não é o modelo do veículo em si que levou a lavratura do auto de infração, mas sim o fato de a despesa não ter sido comprovada pelo sujeito passivo como necessária, normal e usual para a empresa. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10480.005803/0087 Acórdão n.º 9101003.897 CSRFT1 Fl. 630 11 Quanto ao recurso especial do contribuinte, pode ser sintetizado, para fins de análise deste Colegiado, na ocorrência de subavaliação de estoque final no encerramento do anocalendário 1997, o que redundou em custo da mercadoria vendida – CMV maior e, consequentemente, redução indevida do lucro real, base de cálculo do IRPJ e CSLL no encerramento do ano – 31.12.1997 e, por outro lado, redução do custo no anocalendário 1998, tendo em vista que o “ESTOQUE FINAL” de 1997 é o “ESTOQUE INICIAL” de 1998, observandose a figura da postergação tributária, devidamente normatizada em seus efeitos no art. 6º, do DL 1.598/77 e art. 171, do RIR/80, fundamento legal do v. acórdão recorrido. Em resumo, insurgese o contribuinte, através de seu recurso especial, pela aparente limitação da fiscalização ao fato ocorrido no encerramento do anocalendário 1997, em 31.12.1997, que, de fato, afetou a apuração do lucro tributável no anocalendário 1998, mas que não considerou o anocalendário 1999, tendo em conta que, à vista da autuação, concluiu se que o contribuinte teve prejuízo fiscal em 1998, não aproveitado em 1999. Esclarecendo os fatos observados pela fiscalização, o contribuinte, ao valorar o seu estoque final em 31.12.1997, por ter mercadorias antigas e novas em estoque, com quantitativo maior de antigas, considerou a média de preços para a apuração do estoque final. A fiscalização, por sua vez, utilizou o valor das últimas compras para dar preço ao estoque e, desta forma, gerouse uma diferença entre o estoque apontado pelo contribuinte e o apurado pela fiscalização no montante de R$ 1.110.393,00. Como já dito alhures, o CMV – Custo da Mercadoria Vendida é apurado pela fórmula – CMV = EI + Compras – EF, onde EI = Estoque Inicial e EF = Estoque Final. Assim, quanto menor o estoque final, maior o custo da mercadoria; se o custo da mercadoria é maior, menor será a base de cálculo do IRPJ e CSLL (lucro); se o lucro é menor, o contribuinte deixou de pagar o IRPJ e CSLL efetivamente devidos em relação ao fato gerador encerrado em 31.12.1997. Mas, como demonstrado na fórmula acima, o EF de 1997 é igual ao EI de 1998. O raciocínio, então, se inverte, pois quanto menor o estoque inicial, menor o CMV, maior a base de cálculo do IRPJ e CSLL e maior o tributo a ser recolhido. Ou seja, o tributo não pago em 1997, acabou sendo pago em 1998, acaso não houvesse nova subavaliação do EF em 1998. Vejamos o disposto no art. 6º, e parágrafos pertinentes, do DL 1.598/77: Art. 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Fl. 635DF CARF MF 12 b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. (...) § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. De se observar que o erro do contribuinte está devidamente normatizado nos parágrafos do art. 6º acima transcrito, justificando o lançamento realizado no contido no parágrafo 5º. Verificase que a fiscalização reconheceu que no fato gerador encerrado em 31.12.1998 o contribuinte pagou mais IRPJ e CSLL, decorrentes da postergação de 1997 e, no cálculo realizado, excluiu o pagamento, realizando a constituição do crédito tributário devido pelo contribuinte, em 31.12.1997, pelo valor líquido. Embora o contribuinte questione a não verificação dos efeitos dessa alteração do valor do estoque final em 31.12.1997 para o fato gerador de 31.12.1999, não traz em sua defesa elementos que permitam, em sede de recurso especial, fazer qualquer juízo de valor quanto aos mesmos, pois não demonstrados. A afirmação de que o ajuste realizado pela fiscalização teria transformado lucro existente em 31.12.1998 em prejuízo, não foi demonstrada e, consequentemente, também não o foi para fins de verificação de eventual inexatidão no lucro/prejuízo de 31.12.1999. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, mantendo o v. acórdão recorrido íntegro por seus próprios fundamentos e pelos argumentos acima dispendidos. É o voto (assinado digitalmente) Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10480.005803/0087 Acórdão n.º 9101003.897 CSRFT1 Fl. 631 13 Demetrius Nichele Macei Fl. 637DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.008656/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010.
No caso sob análise, tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/2010, para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2008.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. No caso sob análise, tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/2010, para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2008. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciarse sobre argüições de inconstitucionalidade de lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 86 56 /2 00 9- 14 Fl. 399DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a empresa SOCIÉTÉ AIR FRANCE (fls. 2/9), para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 35.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a 9 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Segundo a Fiscalização, a Recorrente registrou intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos Despachos de Exportação (DDE) relacionados na planilha juntada à fl. 10 (informações extraídas do SISCOMEX EXPORTAÇÃO), descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Em seu Relatório, afirma o Fisco que a obrigação do transportador encontra se estabelecida no art. 37 do Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Que o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo vôo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DDE). Cientificado do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do lançamento, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Na decisão de piso (prolatada pela DRJ em Florianópolis/SC), destacou o julgador administrativo que “a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, aumentou o prazo para o transportador registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque da mercadoria”, aplicandose retroativamente com base no disposto no art. 106, II, do CTN. Quanto às demais alegações, a DRJ afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 18/11/2010 e, não concordando, interpôs em 16/12/2010 o Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do Auto de Infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, resumida nas seguintes razões: 1) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10715.008656/200914 Acórdão n.º 3402005.878 S3C4T2 Fl. 400 3 2) que a planilha com dados extraídos do SISCOMEX que integra o presente Auto de Infração não indica a data real em que a Recorrente realiza a inserção de dados de embarque no Sistema, razão pela qual, por falha técnica, não ficam registradas as tentativas de inclusão de dados de embarque no SISCOMEX; 3) o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa; 4) que as mercadorias embarcadas no mês de julho de 2005, não podem gerar qualquer espécie de multa à Recorrente, eis que informada tempestivamente, tendo em vista a Solução de Consulta n° 215/04 da RFB, bem como que o Órgão Julgador de primeira instância não apresentou os motivos pelos quais formulou entendimento diverso daquele esposado na mencionada Solução de Consulta. Por fim, acrescentou as seguintes razões: (i) o caráter confiscatório da multa e (ii) da possibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. Sustentou, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF, que após serem analisados, foi proferido o Acórdão nº 3803006.288 (3ª Turma Especial), sessão de 22/07/2014 (fls. 145/152), que no voto condutor, o Relator aduz que "em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. Contudo, dois dos argumentos trazidos pelo Recorrente na segunda instância mostramse cabíveis no presente julgamento". Ao final, decidem que no caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no SISCOMEX, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. E conclui da seguinte forma (fl. 145): "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento". (Grifei) Cientificada do Acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF (Acórdão nº 9303003.791, de 26/04/2016, fls. 311/319), deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela RFB para a prestação de informações à administração aduaneira. Fl. 401DF CARF MF 4 Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Turmas Ordinárias (TO) para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte em seu recurso. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, cabe informar que a Recorrente, lançou mão ao Poder Judiciário e a Fazenda Nacional (PGFN) recorreu da liminar concedida, culminando que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF01, proferiu decisão no Agravo de Instrumento nº 1005165 84.2016.4.01.0000 (Processo Referência: 100696887.2016.4.01.3400), em que restou cassada a liminar concedida do MS 100696887.2016.4.01.3400, impetrante SOCIETE AIR FRANCE (fls. 348/397). Os autos foram distribuídos à esta Turma Ordinária, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do Acórdão proferido na Turma Especial, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do Relator têlos citados em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, apenas os demais argumentos aduzidos no recurso voluntário da Recorrente. Como relatado, a Recorrente alega em sua Impugnação e repisa no recurso que (i) ocorreu erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do SISCOMEX, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Acrescentou no recurso as seguintes alegações: (vii) caráter confiscatório da multa e (viii) impossibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. Sustentou, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas, matéria esta, já enfrentada e decidido pelo seu afastamento pela 3ª Turma da CSRF. 1. Da alegada Nulidade do lançamento Quanto ao argumento sustentado pela Recorrente que é nulo o lançamento, ao fundamento que ocorreu erro na tipificação do Auto de Infração e também que não haveria provas do cometimento da infração, entendo que nos dois argumentos não assiste razão à Recorrente, explico. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10715.008656/200914 Acórdão n.º 3402005.878 S3C4T2 Fl. 401 5 Desta forma aduz a Recorrente, "(...) O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional". Pois bem. Verificase no Auto de Infração, no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl. 5 dos autos), que a Fiscalização enquadrou a infração na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, na alínea “c” do mesmo dispositivo, combinado com dispositivos da IN/SRF nº 28/1994 e IN/SRF nº 510/2005. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga. (Grifei) Como pode ser visto, o alegado enquadramento incorreto não se verifica. De outra forma, a multa em apreço é decorrente, tãosomente, da impontualidade da interessada quanto ao cumprimento da obrigação acessória de que trata a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, infração essa que, se não informada, seria passível de conhecimento pela autoridade aduaneira. Portanto, perfeitamente tipificada a infração. Quanto a alegação de que não haveria provas do cometimento da infração, resta constatado nos autos que os dados que embasaram o lançamento, estão relacionados nos demonstrativos de fl. 10, separado por numero de DDE, sendo que tais informações foram extraídas do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX, módulo EXPORTAÇÃO), um Sistema informatizado que reflete, num único ambiente, onde permanecem gravadas todas as informações relativas ao comércio exterior (incluindo o registro de embarque de mercadorias destinadas ao exterior) e no qual é exercido o controle governamental do Brasil, a partir inclusive, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregados ou representantes legais. Alega também a Recorrente que, "(...) A planilha Siscomex que integra o presente auto de infração não indica a data real em que a Recorrente realiza a inserção de dados de embarque no sistema, razão pela qual, por falha técnica, não ficam registradas as tentativas de inclusão de dados de embarque no Siscomex, conforme comprovado abaixo (...)". Fl. 403DF CARF MF 6 Ora, se houve alguma das informações relacionadas na planilha de forma incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido pela Fiscalização. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar as regras de distribuição do ônus probatório. Contudo, a Recorrente nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas no demonstrativo elaborada pela Fiscalização e anexada à fl. 10. Quanto ao alegado que o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando o cerceamento do direito de defesa, verificase que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente e teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, detalhada no Auto de Infração, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou Impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento de psio, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, foi observado, tanto no lançamento tributário, como no curso do devido processo administrativo fiscal. Assim, a nulidade alegada pela Recorrente quanto ao possível erro de enquadramento legal da penalidade não deve prosperar, haja vista que o tipo infracional está perfeitamente descrito na norma e se coaduna com o fato ocorrido, qual seja, o atraso na prestação dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. No mesmo sentido verificase que as informações das datas foram extraídas do Sistema de controle de exportação, o SISCOMEX. 2. Da contagem do prazo para inserção dados de embarque retroatividade benigna Sustenta a Recorrente que, (...) As mercadorias descritas no item III, embarcadas no mês de julho de 2005, não podem gerar qualquer espécie de multa à Recorrente, eis que informada tempestivamente, tendo em vista a solução de consulta n° 215/04 da Receita Federal, bem como que o Órgão Julgador de primeira instância não apresentou os motivos pelos quais formulou entendimento diverso daquele esposado na mencionada Solução de Consulta". Afirma que a redação da Solução de Consulta n° 215/04, é clara ao afirmar que não há justificativa para que se considere o início da contagem de prazos às sextasfeiras, sábados, domingos e feriados já que "tal procedimento apenas aumenta o Custo Brasil sem nenhum incremento visível de performance da fiscalização aduaneira". Quanto a contagem dos prazos, o Fisco acertadamente considerou a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Art. 210 Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (grifei). Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10715.008656/200914 Acórdão n.º 3402005.878 S3C4T2 Fl. 402 7 No entanto, neste caso, não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública, nem nesta deva ser realizada (obrigação efetuada pela própria Recorrente em seu estabelecimento). Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. Como se observa, o nosso entendimento é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT nº 215, de 2004. Contudo, alerto que além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Desta forma, encontrase correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/vôo, o que totalizou 07 vôos, no caso em apreço, resultando no valor de R$ 35.000,00. No entanto, há que se destacar que o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, alterado pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, desta forma dispunha na época dos fatos (redação dada pela IN RFB 510, de 2005): Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) Considerando o teor do excerto supra e o fato de que a autuação se refere a embarques ocorridos no mês de julho de 2005, é possível constatar que, no momento da ocorrência das infrações apontadas pela Fiscalização, vigia a redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, dada pela IN SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que fixava o prazo de 2 (dois) dias para a prestação das informações no Siscomex. Contudo, posteriormente, foi editada a IN RFB n.º 1.096, de 13 de outubro de 2010, que alargou para 7 (sete) dias o prazo para a prestação das informações de embarque. Vejase: Art. 1º Os arts. 37, 41 e 52 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Grifei) Como se vê do artigo acima, a Instrução Normativa nº 1.096/2010 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no SISCOMEX os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque, e que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como infração aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados, não resta dúvidas quanto à aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Receita Federal Fl. 405DF CARF MF 8 do Brasil deixou de definir como infração, a inserção de dados no SISCOMEX realizada anteriormente ao prazo de 07 dias da data de embarque. No mesmo diapasão, destacase que a aplicação da retroatividade benigna do prazo estabelecido pela IN RFB nº 1.096/2010, também já é matéria pacificada neste Colegiado. Mesmo que haja opiniões divergentes acerca da aplicação a fatos pretéritos das dilações de prazo introduzidas pelas Instruções Normativas que alteraram a IN SRF nº 28/94, o fato é que a própria Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna COSIT nº 08, de 14/02/2008, admitiu tal possibilidade. Vejase no trecho abaixo: “9. Observase que o art. 37, com a redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005, é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. O aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, excluiu de sanções os registros feitos depois de 24 horas e antes de dois dias, bem como os registros feitos depois das 24 horas e antes de 7 dias, na hipótese de embarque marítimo. A legislação tributária deixou de definir, como infração, o registro dos dados nesses intervalos de tempo, o que tornou a nova situação jurídica mais benéfica ao transportador, devendo, portanto, ser aplicada a retroatividade benigna disposta na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pois deixou de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” Ante ao acima exposto, entendo que este Conselho não pode ignorar a interpretação que a própria Administração Tributária deu ao assunto, flagrantemente favorável ao administrado, mesmo que, em alguns casos, a retroação de prazos legais possa parecer indevida. Nesse diapasão, considerando os dados apurados pela Fiscalização presentes no Anexo do Auto de Infração (planilha de fl. 10), devem ser canceladas as parcelas da multa exigidas com base no prazo de 2 (dois) dias, que não excederem o prazo de 07 (sete) dias, tendo em vista o contido no art. 106, II, alíneas "a" e "b" do Código Tributário Nacional (CTN), que trata da retroatividade benigna. Por conseguinte, da análise da tabela acostada aos autos de fl. 10, temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação DDE, cujos embarques foram efetuados e informados nos seguintes dias: 05/12 e 22/12, todos de 2005, visto que ultrapassado o prazo de 07 dias estabelecido para o registro no SISCOMEX, conforme o estabelecido no artigo 37 da IN SRF nº 28/94 (redação dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010), sendo exoneradas as penalidades em que a prestação de informações ocorreu em prazo inferior. Como o critério estabelecido para aplicação da penalidade em considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/vôo e, restaram 02 vôos sujeito à infração, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 10.000,00. 3. Da alegada prova imperfeita indisponibilidades do SISCOMEX Aduz em seu recurso que, "(...) O Siscomex inegavelmente apresenta falhas técnicas (comprovadas abaixo que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa". Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10715.008656/200914 Acórdão n.º 3402005.878 S3C4T2 Fl. 403 9 No que diz respeito ao argumento que atribui à ocorrência de problemas no SISCOMEX como sendo motivador do registro dos dados de embarque fora do prazo fixado, tenhoo como daqueles que não transcende de si mesmo, é genérico e desprovido de elementos de prova, e dessa ocorrência não se teve notícia concreta nos autos. Como já asseverado, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas descrevendo algumas que se teriam verificado inclusive em períodos distintos ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. Assim, a pretensão calçada nesse argumento não tem como prosperar no sentido de afastar a aplicação da multa ora litigada. No que se refere às alegações quanto às informações da Fiscalização de que as datas informadas como sendo do registro dos dados de embarque seriam, na verdade, as datas das averbações ou que as mesmas não refletem as tentativas de registros por parte da transportadora, também são desprovidas de comprovação nos autos. Sobre os argumentos de problemas existentes no registro das informações, as mesmas não foram comprovadas de forma que pudessem afastar a exigência do cumprimento do prazo em questão. Ainda que as decisões administrativa e judicial trazidas aos autos para sustentar sua tese não vincule o julgador, é de se destacar que as ementas aludem à necessária comprovação das falhas no SISCOMEX. Quanto às alegações no tocante à aplicação da IN RFB n.º 835/2008, que trata de normas de contingência, é de se destacar que referida norma traz em seu bojo as situações em que se aplicaria e, principalmente, os ritos para que se contingenciassem problemas de origem técnica determinando procedimentos a serem cumpridos pelos interessados. E como se vê da análise dos autos, nada consta que tais procedimentos tenham sido adotados no período da autuação em relação à autuada. Por fim, no que respeita ao encargo de se provar o que se alega, de se ver o disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que diz: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 1993) Grifei 4. Da alegada inexistência de embaraço à fiscalização Cabe ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28, de 1994, a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37, era entendida pela RFB como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003: “Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: Fl. 407DF CARF MF 10 Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado". Posto isto, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à RFB, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00, prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Assim, para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela Administração Tributária para a apresentação dos dados relativos ao embarque. 5. Violação à proporcionalidade e à razoabilidade caráter confiscatório da multa O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes. Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração Além disso, quanto ao argumento de desproporcionalidade e da razoabilidade, a única possibilidade de não aplicação da multa seria pela declaração de inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 6. Dispositivo Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto e darlhe parcial provimento, para manter o lançamento referente aos embarques informados nos seguintes dias: 05/12 e 22/12, todos de 2005, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 10.000,00 (conforme disposto no item "2" deste voto). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10715.008656/200914 Acórdão n.º 3402005.878 S3C4T2 Fl. 404 11 Fl. 409DF CARF MF
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Numero do processo: 13749.720195/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 3302-005.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13749.720190/2011-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente INDÚSTRIA NACIONAL DE COLCHÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 95 /2 01 1- 77 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13749.720195/201177 Acórdão n.º 3302005.871 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DACON com exigência de crédito tributário no valor de R$ 500,00 e acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o lançamento alegando que em 2009 a empresa era optante pelo Simples Nacional e mudou o regime tributário para Lucro Presumido em Jan/2010, passando a ser obrigada a apresentação do Dacon mensal. Acrescenta que a empresa apresentou o Dacon espontaneamente, para a simples regularização de sua situação cadastral na RFB, uma vez que os impostos foram quitados no período. Ressalta o debate em torno do tema nos tribunais e a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso de confissão espontânea. Cita jurisprudência, o art. 138 do CTN, a Constituição Federal de 1988, o Decreto 2124/84 e a IN 124/86, em sua argumentação. Defende que a multa aplicada por atraso na entrega da Dacon não tem fundamento na lei e portanto é ilegal. A Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão nº 02041.456. Entendeu a Turma que: o argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Intimada do Acórdão de Impugnação, a contribunte ingressou com Recurso Voluntário alegando que: O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DACON, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regime passou a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DACON espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na Receita Federal, uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13749.720195/201177 Acórdão n.º 3302005.871 S3C3T2 Fl. 4 3 Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuintes quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar. Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen". DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.866, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.866): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 03 de janeiro de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 25 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 04 de fevereiro de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta a questão da Denúncia Espontânea. Passase à análise. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13749.720195/201177 Acórdão n.º 3302005.871 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13749.720195/201177 Acórdão n.º 3302005.871 S3C3T2 Fl. 6 5 A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13749.720195/201177 Acórdão n.º 3302005.871 S3C3T2 Fl. 7 6 a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.720701/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NOVA ALEGAÇÃO. APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO. HIPÓTESES DE EXCEÇÃO. NÃO ENQUADRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em petição apresentada ao CARF, as vésperas do julgamento, caso não esteja presente alguma das hipóteses de que trata o art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL.
É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado.
Numero da decisão: 1302-003.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em não conhecer da alegação, suscitada pelo patrono da recorrente em petição juntada aos autos, quanto à aplicação, ao caso concreto, do art. 24 da LINDB na redação dada pela Lei 13.655/2018, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Flávio Machado Vilhena Dias que votaram por conhecer e rejeitar a alegação e, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial da decisão de primeiro grau e, em consequência, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos de relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO. HIPÓTESES DE EXCEÇÃO. NÃO ENQUADRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em petição apresentada ao CARF, as vésperas do julgamento, caso não esteja presente alguma das hipóteses de que trata o art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em não conhecer da alegação, suscitada pelo patrono da recorrente em petição juntada aos autos, quanto à aplicação, ao caso concreto, do art. 24 da LINDB na redação dada pela Lei 13.655/2018, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Flávio Machado Vilhena Dias que votaram por conhecer e rejeitar a alegação e, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial da decisão de primeiro grau e, em consequência, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos de relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 07 01 /2 01 4- 01 Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.529 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em relação ao Acórdão nº 16 73.321, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, de 30 de maio de 2016 (fls. 1.018 a 1.067), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, conforme ementa a seguir: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DA NULIDADE. PREJUÍZO AO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO FISCAL FORMULADA EM CUMPRIMENTO ESTRITO DOS REQUISITOS NORMATIVOS. A admissibilidade de nulidade da autuação fiscal promovese apenas em relação aos atos e termos lavrados por agente incompetente, bem assim aqueles que repercutam na tramitação processual defronte circunstâncias que denotem a ocorrência de preterição do direito de defesa do contribuinte. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO INTERNO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. INCORPORAÇÃO REVERSA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INTERMEDIAÇÃO DO NEGÓCIO ATRAVÉS DE EMPRESAVEÍCULO INTEGRANTE DO MESMO GRUPO SOCIETÁRIO. A outorga da dedutibilidade da amortização do ágio demanda que a reorganização societária esteja regularmente amparada em atos societários que não se manifestem eivados de simulação decorrentes de vício social desenvolvido através medidas seqüências e coordenadas entre entidades participantes do mesmo grupo societário. Demonstrada a falta de lisura na execução da reorganização societária defronte a ausência de propósito negocial e da Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.530 3 artificialidade das operações societárias promovidas intragrupo, torna imperativo a manutenção dos efeitos da glosa efetuada no procedimento de fiscalização em decorrência da caracterização de ágio interno proveniente da realização de incorporação reversa. DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO PROVENIENTE DE AQUISIÇÃO DE EMPRESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES. DEMONSTRAÇÃO DO FUNDAMENTO DO ÁGIO. AVALIAÇÃO PATRIMONIAL DE ATIVOS DA ENTIDADE ADQUIRIDA. ADEQUAÇÃO DA METODOLOGIA DE REALIZAÇÃO DO ÁGIO À EFETIVA MOTIVAÇÃO DETERMINANTE PARA CELEBRAÇÃO DO NEGÓCIO COM PAGAMENTO DO SOBREPREÇO. De acordo com os termos da legislação de regência, a dedutibilidade da amortização de ágio proveniente de aquisição de negócio empresarial mediante processo de incorporação de pessoa jurídica demanda a plena observância dos seguintes requisitos essenciais: (i) a realização da transação societária entre partes não relacionadas e independentes; (ii) o efetivo pagamento do custo aquisição celebrado entre as partes, incluindose o montante do ágio; (iii) demonstração do fundamento econômico do ágio entre aqueles prescritos na legislação tributária de regência. Compulsório que a prova da demonstração do fundamento do ágio designe a representação fidedigna da negociação empresarial e seja contemporânea às efetivas razões da tomada de decisão pelo adquirente para celebração da relação contratual pelo preço estabelecido. A fundamentação econômica do ágio com enfoque na avaliação patrimonial de bens tangíveis e intangíveis do ativo de uma companhia adquirida evidenciase quando o processo de alocação do preço de aquisição do negócio empresarial orientouse pela mensuração individualizada desses elementos patrimoniais a critérios de mercado. Não evidenciada a metodologia de realização do ágio promoveu se em consonância com a motivação determinante da assunção do compromisso de aquisição de empresa com o sobrepreço pactuado, imperativo a manutenção dos efeitos da glosa levada a efeito a partir da reapuração da proporção de amortização mensurada com base na efetiva demonstração de seu fundamento econômico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.531 4 Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhido, mesmo após o encerramento do exercício, e ainda que seja apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pois esta é cabível nos casos de falta de pagamento do valor devido do tributo apurado ao final do anocalendário com base no lucro real anual. Portanto, tratase de infrações distintas e ambas as multas podem ser aplicadas à contribuinte." O presente processo é fruto de procedimento fiscal realizado junto à Recorrente, resultando na lavratura de autos de infração relativos ao IRPJ e CSLL, anos calendários de 2009 e 2010, devido à falta de adição de despesas indedutível na apuração do IRPJ e da CSLL (amortização de ágio), bem como em relação à multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada. Para todas as infrações, foi aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). A decisão recorrida descreve a operação que originou a autuação e o procedimento fiscal, nos seguintes termos: "De acordo com as conclusões firmadas no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade tributária veicula que a fiscalizada (TAESA), originalmente, era controlada pela TERNA PARTICIPAÇÕES LTDA S/A (TERNA), esta última inscrita perante o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica atualmente em uso pela autuada (CNPJ nº 07.859.971/000130). Naquela oportunidade, a TERNA exercia o poder de controle sobre a ETEO – Empresa de Transmissão de Energia do Oeste S/A, CNPJ nº 03.723.755/000102 (ETEO), porquanto subsidiária integral de sua controladora. Supervenientemente, todas as companhias foram incorporadas após a operacionalização de Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.532 5 diversas operações sucessórias. Ao final, o patrimônio da ETEO foi vertido no patrimônio da empresa autuada. Diante de tais circunstâncias, instaurouse o procedimento fiscalizatório que objetivou identificar a natureza da operação de incorporação da controladora da ETEO, passandose pelo exame dos fatos ocorridos em decorrência de sua aquisição, primeiramente pela LOVINA PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ nº 09.047.817/000190 (LOVINA) e a sucessão de eventos de reorganização societária operacionalizados pelo conglomerado, que resultou na incorporação reversa da ETEO em face da adquirente de até então, associada a uma significativa redução de custos operacionais oriundos de vultosas quantias de amortização de ágio. Sob este cenário, discorre que se instauraramse os trabalhos na ETEO com a abertura do MPFF nº 07.1.90.002010014727. A sociedade atuava na área de exploração de concessão de serviços de transmissão de energia e na prestação de serviços públicos de transmissão de dados, telecomunicações e outros complementares ligados às atividades de engenharia, ensaios e de pesquisa. Averiguouse que houve a apresentação de declaração de ajuste anual de 2008 com a opção pelo Lucro Real Anual, contudo, não assinalando a opção pelo RTT. No curso da ação fiscal (02/03/2011), a autuada efetuou a retificação da declaração promovendo a anotação de optante do RTT. Durante a fiscalização, obtevese informação que a ETEO fora sucedida por incorporação pela TAESA consoante os termos a Ata da Assembleia Geral Extraordinária da incorporadora, datada de 31/12/2010. Diante da nova situação, a partir de abril de 2011, redirecionou se o desenvolvimento dos trabalhos perante a TAESA. Aliás, depreendeuse que a operação de incorporação (item 6.4.1 da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da incorporadora, datada de 31/12/2010) não incluía mudança de controle ou mesmo alteração significativa no quadro societário do grupo econômico, mas sim um rearranjo societário intragrupo. Neste contexto, passa a expor com mais detalhes os fatos e as razões que determinaram a caracterização das infrações tributárias. Da aquisição da ETEO Primeiramente, noticia que a LOVINA foi constituída em 14/08/2007, com capital social de R$ 1.000,00 e quotas divididas em partes iguais aos Srs. Marcos Vinicius Gomes Bitencourt, CPF nº 079.268.75740 e Luiz Augusto de Azeredo Osório de Castro, CPF nº 056.742.62705. A empresa não iniciou nenhuma atividade operacional desde a abertura, permanecendo inativa até meados de setembro do ano de 2007, oportunidade em que se Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.533 6 promoveu sua aquisição e a passagem do controle para a TERNA. Certificouse ainda que, naquela mesma época (17/09/2007), firmouse o contrato de compra e venda entre a TOPAZ GROUP SARL, sociedade estrangeira domiciliada em Luxemburgo e a EARTH TECH BRASIL LTDA, CNPJ nº 27.608.694/000109, na qualidade de alienantes da ETEO. A LOVINA, na posição de adquirente. Nesta avença, foram garantidores da operação: (a) a TERNA, controladora da LOVINA, e (b) a TYCO INTERNATIONAL FINANCE, companhia estrangeira sediada em Luxemburgo e no mesmo endereço da TOPAZ. Além disso, pactuouse a intenção de aquisição da empresa detentora do contrato de concessão junto a ANEEL, até então em nome da ETEO. Enfatizouse que em relação ao ato de aquisição da LOVINA, a TERNA e seu sócio minoritário (Sr. Ari César Paiva de Almeida, CPF nº 142.529.77819) conferiram mandato ao Sr. Giovanni Giovannelli, CPF nº 057.856.76793 (diretor da TERNA) e a Sra. Ana Claudia Alves, CPF nº 899.755.37715 para assinatura da primeira alteração contratual da entidade. Não houve nenhuma atividade operacional ou registro de algum fato contábileconômico nos seus livros contábeis até 30/05/2008, oportunidade em que se observou a escrituração do evento atinente à subscrição de capital da TERNA e a correspondente aquisição da ETEO. Acrescenta que a LOVINA localizase no mesmo domicílio de sua controladora. Igualmente, o corpo funcional da controlada possuia empregados de sua controladora. Também não houve nenhum pagamento de prólabore em favor de seus administradores, conquanto deliberado no texto da primeira alteração contratual da empresa, registrada na JUCERJA em 17/09/2007. Meses após (13/12/2007), a LOVINA se transforma em sociedade por ações, permanecendo as participações societárias e os administradores originais designados na primeira alteração societária, definindose uma remuneração da diretoria de R$ 4.800,00 mensais; entretanto, consoante dito anteriormente, nenhum fato contábil desta natureza foi consignada na escrituração da entidade. No ano seguinte (27/05/2008), promoveuse a deliberação em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 27 de maio de 2008, que aprovou o aumento de capital da LOVINA de R$ 1.000,00 (hum mil reais) para R$ 565.001.000,00 (quinhentos e sessenta e cinco milhões e um mil reais) mediante a emissão de 565.000.000 novas ações sem valor nominal e subscritas pela acionista majoritária (TERNA). Deliberouse pela integralização das novas ações até o dia 30 de maio de 2008 e o pagamento do preço de aquisição da ETEO, atribuindo poderes à Diretoria e procuradores para celebrar todos os atos necessários a concretização de tal negócio. Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.534 7 Neste contexto, outorgouse a aquisição da ETEO pela LOVINA por R$ 565.000.000,00, demonstrando um ágio de R$ 398.434.782,20, que, segundo a autuada, tinha fundamento na diferença entre o valor de mercado e o patrimônio líquido da companhia adquirida. Asseverouse que tais eventos foram registrados no Livro Diário em 30/05/2008. Certificase que a única movimentação existente no Diário da LOVINA, desde sua criação, consistiuse na equalização do PL da companhia em decorrência do montante do ágio gerado na aquisição da ETEO. A análise documental revelou a efemeridade desta operação de aquisição societária, visto que, imediatamente após este evento, a ETEO promoveu a incorporação reversa da LOVINA, consoante ata da Assembleia Geral Extraordinária datada de 02/06/2008. Nesta perspectiva, enfatizase que apenas dois dias após a formalização do protocolo de intenções de incorporação e do laudo de avaliação da LOVINA, concluiuse pela avaliação do patrimônio da adquirida no montante de R$ 318.982.102,82, com a geração de uma equalização no Patrimônio Líquido da entidade no montante de R$ 246.018.897,18. Na oportunidade, a incorporadora (ETEO) reconhece um custo de aquisição da transação no valor de R$ 318.982.102,82 e não mais R$ 189.444.095,18 circunstância que determinou o reconhecimento do ágio no valor de R$ 398.434.782,20. Reforça a própria empresa de auditoria responsável pela avaliação do patrimônio reavaliou o impacto do ágio sobre o patrimônio líquido, resultando na aferição de uma provisão R$ 246.018.897,18 atinente ao reflexo do investimento, reduzindo o impacto do ágio no Patrimônio Líquido de R$ 398.434.782,20 para R$ 152.415.875,01. Advertiuse ainda que, no tocante ao Termo de Intimação nº 03, o contribuinte apresentou resposta alegando que a incorporação tem como finalidade a racionalização e simplificação da estrutura societária do conglomerado com a consolidação de duas sociedades, trazendo consideráveis benefícios de ordem administrativa, econômica e financeira, bem assim permitindo um melhor aproveitamento dos seus recursos e a diminuição de custos. Certificouse também que houve apresentação de justificativas sobre as amortizações do ágio computadas na conta “615021155 – Encargos de Amortização” (R$ 45.819.999,59), incluídos na composição do montante do custo evidenciado no item 34 da Ficha 4 da DIPJ AC 2008, com amortizações mensais de R$ 6.545.714,23 no curso daquele períodobase. Ao final de tudo, evidenciouse que, na prática, a fiscalizada amortizou integralmente o ágio ajustado aos demais custos de aquisição de acordo com a IFRS 3. Após os ajustes lançados mediante adições das despesas de compras e da apuração da Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.535 8 mais valia do ativo fixo, salta dos valores originais de R$ 396.535.248,17 para o montante de R$ 398.535.248,17, realizados na composição do custo. Encerrada a digressão preambular atinente a descrição dos fatos constatados no procedimento de fiscalização, passa a detalhar os atributos adstritos à operação de incorporação vinculada ao processo de reorganização societária intrínseca dentro do conglomerado. Da Incorporação Reversa Inicialmente, desenvolvese uma breve síntese do instituto da incorporação, seus fundamentos normativos e pressupostos orientados pela ordem societária. Neste sentido, assevera que a LOVINA foi constituída dias antes da celebração do contrato de aquisição da ETEO, época em que possuía apenas R$ 1.000,00 de capital social. Aliás, certifica que a adquirente da ETEO não possuía nenhum patrimônio, tampouco efetuou alguma transação operacional relevante até 27 de maio de 2008. Naquela data, a TERNA (atual TAESA) subscreveu R$ 565.000.000,00 no capital da LOVINA. A partir do registro desta subscrição de capital, promoveuse a operacionalização da aquisição integral do capital da ETEO, reconhecendose um investimento de participação societária de R$ 189.444.095,18, acrescido de um ágio de R$ 398.434.782,20. O pagamento de haveres e concretização do negócio se dá em 30 em maio de 2008. Exatamente cinco dias após à deliberação da assembléia, ou dois dias após a efetiva compra e pagamento da ETEO (30/05/2008), ou seja, em 02/06/2008, a ETEO incorpora a LOVINA, até então controlada pela TERNA (atual TAESA). A operação registra o ágio que estava contabilizado na LOVINA em conta do ativo diferido e contrapartida de reserva de ágio (patrimônio líquido). Interpreta que um grupo societário na qual uma empresa controla a outra, na hipótese de eventual estratégia de união de ambas em um empreendimento, decerto, o caminho natural é a controladora incorporar sua controlada e não o inverso, como no caso sob exame. A este procedimento dáse o nome de incorporação às avessas ou reversa prevista no art. 264 da Lei 6.404/1976. Não obstante a isto, tal anuência legislativa não afasta a relevância das circunstâncias que podem derivar do caso concreto, sobretudo defronte prática abusiva ou realização de negócio indireto em fraude à lei. A fraude em espécie não se reporta à lei societária, mas sim à lei tributária. A incorporação às avessas apresentase como hipótese do perfil objetivo do instituto jurídico e, por isso, demanda uma razão Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.536 9 específica relevante que afaste a estranheza da operação e que mostre sua perfeita adequação à realidade fática do caso. Enfatizando as lições de Marco Aurélio Grecco, acentua que o elemento relevante quando se está perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal, porquanto, em matéria tributária, tão essencial que o preenchimento das formalidades legais para sua constituição é a identificação do empreendimento que justifica sua existência e que sua criação esteja aderente à vestimenta jurídica adstrito à atividade econômica e profissional organizada. Diante disto, interpreta que a LOVINA enquadrase dentro do contexto de "empresa de passagem" e "sociedade efêmera". Conclui que o caminho natural do processo de aquisição era a TERNA, atual TAESA, adquirir a ETEO e incorporála, ou seja, exatamente aquilo que se materializou, constituindose, atualmente, na efetiva situação patrimonial do conglomerado e que, decerto, não acarretaria na geração de ágio amortizável. Do Ágio Baseado neste aspecto, apresenta o conceito de ágio, seus pressupostos e fundamentos econômicos de validade e existência. No plano da legislação tributária, sintetiza que o tratamento do ágio e do deságio oriundo de investimentos em participações societários disciplinase no art. 385 do RIR/1999, respaldado na matriz legal contida no art. 20 do DecretoLei n° 1.598/1977. Ressalta que o comando legal que determina o reconhecimento patrimonial de investimento em sociedade coligada ou controlada avaliado com base no montante do patrimônio líquido da investida efetuavase com o desdobramento do custo de aquisição, segregandose a parcela do ágio ou deságio decorrente da operação. Interpretouse que a incorporação da LOVINA pela ETEO resultou na escrituração de transferência do ágio (R$ 398.434.782,20) para o Ativo Diferido da incorporadora e, em contrapartida, uma conta de "reserva de ágio" (Patrimônio Líquido). Acentuou que a resposta apresentada pela entidade para justificar a motivação do ágio não prevalece na referida incorporação, porquanto irrazoável que o interessado (ETEO) reconheça na própria contabidade uma estimativa de sua rentabilidade futura, ainda que este valor agregado esteja atrelada a determinados ativos. Segundo a fiscalização, o texto da Instrução Normativa CVM nº 319/99 autocensura o reconhecimento de um acréscimo patrimonial atinente ao próprio ágio, atribuindo a caracterização da falta de fundamento econômico. A partir destas premissas, concluiuse que a ausência do pressuposto Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.537 10 essencial para determinação de sua validade, permitindolhe afirmar que inexiste a figura do ágio para esta operação. Esclarece ainda que em relação ao ágio há uma contraposição de receita e custo entre entidades distintas, ou seja, o alienante da participação societária aufere receita e quem compra incorpora o investimento incorre em um custo pela mais valia. Sob esta ótica, especificamente em relação à incorporação da LOVINA pela ETEO, hoje incorporada pela TAESA, percebeuse que esta contraposição: o próprio interessado registrou contabilmente a importância inerente ao pretenso ágio da operação (custo do investimento) em contrapartida de uma conta de reserva (receita decorrente da mais valia do ativo). No curso da fiscalização, alegouse que o ágio contabilizado, na verdade, consistiase em um ativo diferido. A fiscalização salienta que o art. 179 da Lei 6.404/1976 define que um ativo diferido classificase nas aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o inicio das operações sociais. Nesse sentido, assevera que a leitura da definição legal e a interpretação da melhor doutrina norteiam que apenas serão computadas em conta do Ativo Diferido as aplicações de recursos associadas à despesas incorridas. Paralelamente, esclarece que o art. 299 do RIR/1999 dispõe que são operacionais as despesas necessárias à atividade e à manutenção da empresa. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Ademais, as despesas admitidas devem ser usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Advertese, entretanto, que a quantia contabilizada em conta do Ativo Diferido, a título de ágio, não se enquadra nos conceitos enunciados, razão pela qual não se constitui em despesa paga nem incorrida, porquanto classificado com sua contrapartida em conta de reserva (patrimônio líquido). Caso se enquadre como despesa, o lançamento teria se originado de um pagamento ou de um valor a pagar. Não sendo despesa, por questões óbvias, não poderia ter influenciado a apuração do resultado, pois também não preenche o requisito de despesa necessária. Encerra asseverando que importância evidenciase como um inchaço contábil, fruto de um abuso de direito, porquanto associado à entidade constituída única e exclusivamente para replicar o ágio pago pela TERNA na aquisição das quotas do interessado. Asseverase que a norma tributária, mormente o art. 386, caput e §6º, III do RIR/1999, não foi construída para amparo de malabarismos contábeis destinados à obtenção de benefícios Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.538 11 fiscais por intermédio de um processo artificioso de incorporação às avessas. A questão do abuso de direito Qualifica as circunstâncias observadas acima a prática do abuso de direito na transação societária que acarretou a geração de ágio na aquisição do investimento. Para tanto, lastreia suas inferências em interpretação trazida pela doutrina tributária e em decisão administrativa vertente a DRJ/RJO. Passando a discorrer sobre circunstâncias vinculadas ao Laudo Técnico que ampara as projeções financeiras da fundamentação econômica do ágio gerado no investimento atinente à aquisição da ETEO, instruído às fls. 454/484 do Processo nº 12448.721600/201287. Sob este aspecto, após breve explanação acerca dos requisitos e critérios para legitimidade da determinação do ágio baseado no fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura. Do Laudo Inaugurando o exame de seu conteúdo, acusa que se promoveu a alocação do ágio restritamente pelo fundamento econômico que mais convinha ao conglomerado em termos fiscais, ou seja, desprovido de qualquer menção em separado dos demais requisitos específicos de demonstração, quais sejam o valor de mercado e o fundo de comércio, Reforça a tese interpretando os procedimentos que deveriam ser observados na aplicação do §2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77. Dos dados referentes ao ano de 2009 O ágio oriundo da operação era contabilizado nas contas do ativo n° 132021105L (Máquinas e Equipamentos SE PPA) e n° 132021105M (Máquinas e Equipamentos LT PPA), integrantes do patrimônio da ETEO, perfazendo o valor de R$ 398.434.782,20, até 31/03/2009. No encerramento deste trimestre escriturouse reclassificações e ajustes. Na ocasião, efetuouse a transferência dos valores de ágio para a nova conta n° 132021101E (Concessão) – Extrato do Livro Razão da ETEO (Anexo A – fls. 323/327). Quanto à realização do ágio em 2008, objeto de glosa nos autos do Processo nº 12448.721600/201287, no valor de R$ 45.819.999,59, efetuouse o registro contábil nas contas retificadoras do Ativo da ETEO n° 132021505L (Máquinas e Equipamentos Linha Mais Valia ) e n° 132021505M (Máquinas e Equipamentos Subestação Mais Valia) até 31/03/2009. Na mesma data realizou reclassificações e ajustes contabilizando parte do ágio amortizado para a nova conta nº 132021505L (Concessão) Extrato do Livro Razão da ETEO (Anexo B – fls. 327/333) Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.539 12 Sob este prisma, os custos e despesas com a amortização e/ou depreciação foram contabilizados pelas contas de resultado da ETEO n° 615021153M (Máquinas e Equipamentos LT PPA), n° 615021153N (Máquinas e Equipamentos SE PPA) e n° 615021153M (Concessão) Extrato do Livro Razão da ETEO (Anexo C – fls. 334/341). Baseado neste contexto de informações, elaborouse o demonstrativo abaixo: De acordo com resposta da empresa à intimação emitida pela fiscalização (02/08/2013), o somatório das parcelas de amortizações do ágio reconhecidas na escritura contábil do ano de 2009, resultaria no montate de R$ 40.321.599,62. Assegura se que o ágio apurado teve prazo e percentuais estipulados pela ANEEL. Assinala que o total de R$ 31.342.775,25 (Concessão c/c 615021153M) foi lançado como "Encargos de Amortização" na linha 38 da ficha 04A (Custos de Bens e Serviços Vendidos) da a Declaração de Informações Econômico Fiscais – DIPJ Exercício 2010 (AC 2009) ND 0717287 (ETEO). Além disto, a quantia de R$ 6.799.149,72 (Máquinas e Equipamentos LT PPA – Conta 615021153M) e R$ 2.179.666,79 (Máquinas e Equipamentos SE PPA c/c 615021153N) foram lançados como "Encargos de Depreciação", juntamente com a conta n° 615021153F (Veículos), perfazendo o valor de R$ 14.066.810,51 conforme linha 37 da ficha 04A (Custos de Bens e Serviços Vendidos) da mesma DIPJ Extrato do Livro Razão da ETEO (Anexo D – fls. 342/345). Sob estes prisma, defronte a falta de registro de adição na apuração do lucro real do períodobase da ETEO (Valor de R$ 40.321.599,62), promoveuse a glosa deste montante de ágio reconhecido no custo ao longo do ano calendário 2009. Encerra suas ponderações a respeito das constatações do ano de 2009, assentado que a tipificação das infrações determinaram a incidência da multa de ofício de 75% incidente sobre a base imponível anual e de multas isoladas correspondentes a fração de 50% dos valores das estimativas mensais não recolhidos pelo impugnante. Nesse sentido, evidencia que, em cumprimento ao disposto nos art. 15 e 16 da IN SRF 93/97, efetuouse a recomposição das Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.540 13 bases imponíveis mensais apuradas com base em Balancetes de Suspensão (IRPJ e CSLL), conforme demonstrativo abaixo: (...) Dos dados referentes ao ano de 2010 No tocante ao ano de 2010, enfatiza que a Conta n° 132021505O (Concessão) foi objeto de reclassificação em 1º/08/2010 para conta homônima n° 132021501C. Quanto aos custos e despesas com a amortização e/ou depreciação foram registradas em contrapartida nas contas de resultado n° 615021153M (Máquinas e Equipamentos LT PPA), n° 615021153N (Máquinas e Equipamentos SE PPA) e n° 615021155D (Concessão) Extrato do Livro Razão da ETEO (Anexo E – fls. 342/359) – circunstâncias de definiram a elaboração do quadro abaixo: De acordo com resposta da empresa à intimação emitida pela fiscalização (02/08/2013), o somatório das parcelas de amortizações do ágio reconhecidas na escritura contábil do ano de 2010, resultaria no montante de R$ 38.369.269,56. Igualmente, certificouse o ágio apurado teve prazo e percentuais estipulados pela ANEEL. Assevera que o impugnante efetuou uma redução indevida da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social por meio do do RTT Regime Tributário de Transição, nos itens "Amortização ICPC01" e "Depreciação ICPC01" nos valores de R$ 29.825.198,16 e R$ 13.751.177,21, respectivamente. Adverte que o montante correspondente a R$ 5.207.105,80 , não integrou a a autuação por se tratar de depreciação dos seguintes Ativos Imobilizados : "Máquinas e Equipamentos LT" conta n° 615021153D valor R$ 3.804.058,35 , "Máquinas e Equipamentos SE" conta n° 615021153C valor R$ 1.367.232,94 , "Veículos" conta n° 615021153F, valor R$ 34.825,49 e "() Edificações" conta n° 615021153B, valor R$ 989,03, consoante Livro Registro de Apuração do Lucro Real LALUR, ref. 2010 (doc. 5 – fl. 13 da resposta do contribuinte de 16/04/2013 e Anexo F – RTT). Termina suas ponderações a respeito das constatações do ano de 2009, assentado que a tipificação das infrações determinaram a Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.541 14 incidência da multa de ofício de 75% incidente sobre a base imponível anual e de multas isoladas correspondentes a fração de 50% dos valores das estimativas mensais não recolhidos pelo impugnante. No que tange à autuação das multas isoladas, a fiscalização assinala que, em cumprimento ao disposto nos art. 15 e 16 da IN SRF 93/97, efetuou a recomposição das bases imponíveis mensais com base em Balancetes de Suspensão (IRPJ e CSLL), resultando no demonstrativo abaixo: (...) Por fim, para determinação do percentual da multa de oficio a ser aplicada sobre a diferença de imposto devida, aplicouse o previsto pelo art 44 I da Lei 9.430/96 e alterações promovidas pela Lei 11.488/2007." Na Impugnação de fls. 419 a 487, a autuada alegou que: (i) "não houve nada de anormal ou extravagante na geração do ÁGIO ETEO ou na sua posterior amortização. As operações que o geraram foram claras, legítimas e contaram com o respaldo da autoridade regulatória legalmente responsável, qual seja, a Agência Nacional de Energia Elétrica ("ANEEL")"; (ii) "nenhuma etapa da operação refletiu intenção distinta da vontade real das partes" e houve "estrita observância dos dispositivos legais que regem a formação e amortização fiscal do ágio na aquisição de investimento relevante, em especial com a elaboração de laudo técnico previsto no artigo 385, §3º do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 ("RIR/99")"; (iii) a constituição da Lovina teria finalidade e propósito específicos: "possibilitar a implementação de uma estrutura de aquisição mediante dívida, que não poderia ser implementada caso a Impugnante somente dispusesse da sua própria capacidade de endividamento"; (iv) "a Impugnante, como companhia aberta e com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo ("BOVESPA"), não poderia simplesmente se incorporada pela ETEO. E também não poderia incorporar a ETEO, por conta da expressa proibição da ANEEL quanto à transferência de dívida e riscos estranhos ao objeto da concessão para o patrimônio das concessionárias". Após discorrer acerca da estrutura societária do grupo a que está vinculada, a Impugnante afirma que, em meados de 2007, esteve frente a uma nova oportunidade de investimento, que possibilitaria expandir as suas atividades para o território do Estado de São Paulo: a aquisição de 100% do capital social da ETEO. Não obstante, o valor do financiamento necessário para a aquisição da ETEO (R$ 562,2 milhões) ultrapassava o valor máximo de empréstimos que os bancos envolvidos aceitavam conceder (R$ 350 milhões). Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.542 15 Assim, "a solução encontrada para concretizar a aquisição da ETEO foi estruturar a aquisição levandose em conta, também, a capacidade de endividamento da própria empresa a ser adquirida". Em tal contexto é que teria ocorrido a criação da Lovina pela Impugnante: "tal sociedade captaria parte dos recursos necessários e realizaria, em nome e por conta própria, a aquisição da ETEO e, finalmente, seria extinta e incorporada pela ETEO, a fim de levar parte da dívida para essa empresa". Após detalhar a negociação para a obtenção de recursos, afirma que a incorporação da Lovina pela ETEO foi vetada pela ANEEL, em reunião realizada em 23/04/2008, sendo que a estrutura que teria sido aprovada pela Agência reguladora, em 13/05/2008 (constante da Resolução Autorizativa nº 1.362/08), consistiria: a) a Lovina adquiriria a ETEO da Earth Tech Brasil Ltda. e da Tyco Inter. Holding Sarl; b) a ETEO seria transformada em uma sociedade anônima de capital fechado e, ems eguida, a Lovina seria incorporada pela ETEO; c) "a ETEO emitiria ações preferenciais resgatáveis para a Impugnante, no valor de R$ 123 milhões, que poderiam ser regatadas contra o capital social da ETEO, até atingir o limite de 30% de capital próprio para 70% de capital de terceiros, existente antes da aquisição"; d) "o resgate das ações preferenciais contra reserva de capital da ETEO teria de ser proporcional à amortização do ágio pago pela Lovina na transação". Em decorrência da estrutura aprovada pela ANEEL, a Impugnante voltou a negociar com as instituições financeiras, tendo sido aprovado o financiamento, nas seguintes condições: Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.543 16 Após o início das operações na forma pactuada, sobreveio a crise financeira mundial de 2008, cujos impactos são descritos na Impugnação, mas são irrelevantes para os autos. A Impugnante alega, então: (i) a nulidade do auto de infração, o qual padeceria de precariedade e contrariedade quanto ao ágio, violaria o art 142 do CTN, limitaria o seu direito de defesa e inverteria o ônus da prova; (ii) a possibilidade de dedução fiscal do ágio pago pela Lovina na aquisição da ETEO, o qual foi baseado na expectativa de rentabilidade futura desta sociedade e seu reconhecimento contábil atendeu à legislação que rege a matéria; (iii) que a autoridade fiscal confundiu o momento de geração do Ágio (aquisição das quotas da ETEO junto a terceiros) com o momento da incorporação da Lovina (no qual o ágio passou a configurar Ativo Diferido da ETEO); (iv) que o ágio em questão é legítimo: "nasceu como ágio, foi pago como ágio na aquisição de participação societária e, como a legislação impõe, o fato de ter havido incorporação reversa (ETEO incorporando a Lovina) não o maculou em ABSOLUTAMENTE NADA, nem mesmo teve o condão de alterar sua natureza"; (v) que a amortização do ágio na incorporação reversa seria ratificada pela Instrução Normativa SRF nº 11, de 1999, e a legitimidade da operação derivaria da própria decisão da ANEEL; (vi) que "a incorporação reversa não tem o condão de transformar um ágio legítimo em um 'ágio de si mesmo'"; (vii) que, mesmo que se analise a operação realizada como um planejamento tributário as conclusões da autoridade fiscal são inteiramente improcedentes; (viii) que a figura do abuso de direito não é aplicável ao caso concreto, posto que todos os atos foram realizados em conformidade com o direito vigente, e que não há Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.544 17 disposição na legislação tributária que autorize o lançamento de ofício com base em tal instituto; (ix) que a legislação, particularmente aquela relativa ao Plano Nacional de Desestatização (PND), permitiu que, nas operações realizadas por meio de holdings "a amortização do ágio poderia ocorrer depois que ágio e lucros gerados pela empresa operativa confluíssem para uma mesma entidade, dandose ampla liberdade para que tal propósito fosse alcançado e permitindo ao contribuinte que implementasse operações de fusão, cisão ou incorporação para tanto"; (x) a imprescindibilidade da Lovina na operação da ETEO, frente à impossibilidade, por vedação da ANEEL, de conjugar em uma mesma pessoa jurídica a prestação do serviço público e dívidas desvinculadas desse objeto; (xi) que a Impugnante não possuía, à época dos fatos, "condições de suportar o custo adicional completo da dívida sem ter que se desfazer dos seus ativos"; (xii) a impropriedade de qualificação da Lovina como "empresa veículo", pelas razões já expostas; (xiii) a impropriedade do "caminho natural" apontado pela autoridade fiscal, tendo em vista que não poderia ser realizado, diante do nível de endividamento da Impugnante; (xiv) a inexistência na legislação de ordem de prioridade na fundamentação do ágio; (xv) a impossibilidade de caracterização do ÁGIO ETEO como "ágio interno", posto que envolve partes totalmente independentes entre si; (xvi) a inexistência de disposição legal que imponha a vedação da dedutibilidade do ágio para fins de apuração da CSLL; (xvii) ainda que se admita a extensão das normas do IRPJ à CSLL, que todos os argumentos anteriormente expostos são aplicáveis, de modo reflexo à referida contribuição; (xviii) o descabimento da aplicação de multa isolada em concomitância com a multa de ofício; (xix) a ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Ao final, a Impugnante pugna pela juntada posterior de quaisquer documentos adicionais que possam comprovar as suas alegações. A DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão ora recorrido (fls. 1.018 a 1.067), no qual: a) rejeitou a alegação de nulidade, entendendo que a autoridade fiscal descreveu os fato e fundamentou adequadamente a autuação, em estrita observância aos preceitos normativos, e sem qualquer das violações apontadas o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972; Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.545 18 b) ponderou que a autoridade fiscal não fez nenhuma alusão de que o negócio jurídico se deu entre partes não independentes, razão pela qual a análise se restringiu aos aspectos formais da transação e, em especial, à motivação determinante da autuação; c) afirmou que, ao contrário do alegado na defesa do sujeito passivo, "estrutura de aquisição aprovada não representou uma imposição oriunda do órgão regulador, mas, sim, um planejamento proposto entre seus interessados e, apenas e tão somente, homologado pela ANEEL, restringindo seu exame aos aspectos adstritos à regulação do setor energético"; d) concluiu que a participação da LOVINA se revelou "completamente inócua e irrelevante, do ponto de vista da capacidade de endividamento das empresas envolvidas na operação" e que "a única utilidade da LOVINA no plano levado a efeito era servir de instrumento de passagem de transações societárias conjugadas objetivando a materialização da incorporação reversa que se mostrava necessária para cumprimento artificial dos requisitos formais de outorga da dedutibilidade da amortização do ágio pago na aquisição"; e) decidiu que, conquanto a prática dos atos tenhase "revestido de forma lícita sob a ótica regulatória, o mesmo não se pode atribuir do ponto de vista tributário, sobretudo porque a operação incidiu em artificialismos sem fundamento econômico ou societário, tendentes apenas ao alcance do benefício fiscal disciplinado pelos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97"; f) concluiu, ainda, que a TERNA foi a efetiva investidora e adquirente da ETEO, circunstância que tornaria inadmissível a validação da dedutibilidade do ágio; g) afirmou que "o laudo propugnado pela defesa técnica revela flagrante divergência com as situações fáticas retratadas pelo confronto do acervo documental analisado de forma ordenada e compatibilizada com a avaliação que o impugnante dispunha à época do fechamento do negócio" e que "o serviço de consultoria contratado parte de uma database de apuração do fundamento econômico totalmente dissociado com o marco final de desfecho do negócio, porquanto ocorrida a assinatura do contrato em data precedente a disponibilizaçao do laudo técnico"; h) com base na primazia da essência sobre a forma, concluiu, então, ser "irrelevante a condução aos autos de laudo de avaliação que se revele dissonante da concerta motivação que legitimou a assunção da dívida firmada para aquisição societária nos moldes da relação jurídica instituída"; i) observou que "as companhias (alienantes e adquirente) requisitaram a avaliação patrimonial de seus ativos imobilizados, fixando um levantamento com database em 31 de maio de 2008, ou seja, precedendo ao fechamento da combinação de negócios"; j) asseverou que a conduta das partes "determinou uma aceleração indevida da realização do ágio correlato à operação, encurtandose forçosamente o lapso temporal de amortização do ágio, acarretando no desvirtuamento da aferição da base imponível da tributação do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido dos respectivos anoscalendário"; Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.546 19 k) assim, decidiu pela pertinência da glosa levada a efeito pela autoridade fiscal; l) por fim, em relação à aplicação da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, após o encerramento do período de apuração concluiu que decorre de expressa previsão legal e que não se confunde com a multa de ofício de 75%, por incidirem sobre fatos infracionais distintos. Intimado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1.082 a 1.150, por meio do qual argui, inicialmente, a nulidade da decisão recorrida, tendo em vista que teria se omitido na apreciação das seguintes matérias: a) preliminar de nulidade referente a contradições na acusação; b) ordem de prioridade para avaliação do ÁGIO ETEO; c) reflexos da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL; d) ilegalidade da incidência de juros sobre as multas. Repete, então, a preliminar de nulidade do auto de infração, acrescentando à alegação trazida na Impugnação (suposta contradição na acusação) as alegações de generalidade e a inexistência de indicação de dispositivo legal na fundamentação da autuação. A Recorrente aduz matéria nova, qual seja a decadência do direito de o Fisco questionar a formação do ÁGIO, posto que esta se deu em 2008, portanto, há mais de cinco anos da lavratura do auto de infração sob análise. Em relação à validade das operações e do cumprimento dos requisitos legais para a amortização do ágio, a Recorrente alega, inicialmente, que tais fatos já foram analisados pelo CARF, no âmbito do processo administrativo nº 12448.721600/201278, tendo sido considerados plenamente válidos, com o decorrente cancelamento integral dos autos de infração ali tratados. Posteriormente, sustenta a inteira observação dos preceitos legais referentes à amortização do ágio, e a liberdade dos contribuintes para organizar as suas atividades e usufruírem do direito assegurado em lei. Passa a repetir, então, os argumentos trazidos na Impugnação, em termos similares aos utilizados naquela peça. Em 19 de novembro de 2018, a Recorrente apresentou a petição de fls. 1.511 a 1.524, por meio da qual invoca a aplicação do art. 24 do Decreto Lei nº 4.567, de 4 de setembro de 1942, incluído pela Lei nº 13.655, de 25 de abril de 2018. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.547 20 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 07 de março de 2017 (fl. 1.077), tendo apresentado Recurso Voluntário em 05 de abril de 2017 (fl. 1.079), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado física e digitalmente por Procuradores, devidamente constituídos, conforme fls. 1.434 a 1.446. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Deixo de conhecer, porém, da alegação trazida na petição de fls. 1.511 a 1.524, por haver sido apresentada em desobediência à legislação de regência do processo administrativo fiscal. É que, consoante a norma vigente, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. A nova alegação trazida pela Recorrente não constitui matéria de ordem pública, portanto, somente poderia ser apreciadas pelo CARF, se já houvesse sido invocada desde a Impugnação. Além disso, a inovação legislativa que poderia justificar a juntada do argumento posteriormente à Impugnação, com base em "direito superveniente", deuse em 25 de abril de 2018, data da publicação da Lei nº 13.655. O processo foi distribuído para este Relator em 15 de agosto de 2018. Inexiste, portanto, qualquer justificativa para que a Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.548 21 Recorrente tenha deixado para juntar a alegação às 15:09h da antevéspera do julgamento do processo. Esta Turma adotou o mesmo entendimento no Acórdão nº 1302003.160 (Relator Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa), julgado em 17 de outubro de 2018. Por esta razão, deixo de tomar conhecimento da referida alegação. 2. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Inicialmente, cabe analisar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância sustentada pela Recorrente, posto que teria deixado de analisar algumas das matérias contidas na Impugnação apresentada, quais sejam: a) preliminar de nulidade referente a contradições na acusação; b) ordem de prioridade para avaliação do ÁGIO ETEO; c) reflexos da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL; d) ilegalidade da incidência de juros sobre as multas. Em relação à primeira matéria, não cabe razão à Recorrente, uma vez que a decisão a quo analisou criteriosamente a suposta nulidade do auto de infração, inclusive, referindose expressamente à suposta contradição. Diversamente, contudo, cabe razão à Recorrente quanto às demais matérias. É que, embora a Recorrente tenha dedicado tópicos específicos da sua Impugnação (1.2.6, 1.2.8 e 3, respectivamente), o Acórdão recorrido passou ao largo de tais matérias. A omissão do julgador caracteriza a hipótese de nulidade prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, "preterição do direito de defesa", pois, ao mesmo tempo, não analisa as razões recursais trazidas pelo autuado e não lhe possibilita ter o tema analisado pela segunda instância do contencioso. Destaquese que as matérias são reiteradas no Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, nos mesmos termos trazidos na Impugnação, de modo que a manifestação desta Turma, diante da omissão da autoridade a quo, constituiria supressão de instância. Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma, repetidamente, tem decidido pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É o que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017), Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016), e Acórdãos nº 1302002.562 (sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2018), nº 1302002.267 (sessão de 13 de março de 2018) e 1302003.035 (sessão de julgamento de 17 de agosto de 2018), todos da relatoria deste Conselheiro. Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 12448.720701/201401 Acórdão n.º 1302003.228 S1C3T2 Fl. 1.549 22 De fato, não faz sentido obrigar o julgador de primeira instância a reapreciar todas as matérias já analisadas no Acórdão recorrido, sem que haja qualquer vício na análise já realizada. Cabe comentar a alegação trazida pela Recorrente em relação a julgamento pretérito realizado pelo CARF em relação a amortização de ágio referente à operação em tela (Acórdão nº 1401001.792 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), uma vez que tivesse aquela decisão aplicação aos presentes autos, estarseia diante da hipótese de que trata o art. 59, §3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, na qual se deixaria de pronunciar a nulidade, para decidir o mérito em favor da Recorrente. Ocorre que o cotejo atento dos autos revela que a fundamentação para as duas autuações é completamente distinta: no processo nº 12448.721600/201287, a alegação de ágio interno; nos presentes autos, a artificialidade da situação construída para a amortização do ágio. 3. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade parcial da decisão de primeira instância, para que a autoridade julgadora de primeira instância proceda a julgamento complementar, de modo a se pronunciar sobre todas as matérias suscitadas na peça impugnatória. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720776/2017-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇAO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI N° 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02.
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3º, da Lei 9.430/96.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício aplicada.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇAO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI N° 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02. Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3º, da Lei 9.430/96. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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LEI N° 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02. Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 76 /2 01 7- 24 Fl. 848DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 849 2 consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3º, da Lei 9.430/96. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 0444.741 4a Turma da DRJ/CGE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora recorrente. Adotamos, em parte, o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: Tratase de auditoria fiscal realizada pelo AuditoraFiscal Marta de Barros na sociedade empresária BARRA MANSA COMERCIO DE CARNES E DERIVADOS LIMITADA referentes as contribuições previdenciárias devidas pela empresa para a SEGURIDADE SOCIAL e contribuição social para os TERCEIROS incidentes sobre as aquisições de produtos rurais de pessoas naturais não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP. TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL E TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL FLS. 4 A 137 Relatório de Entradas por Período FLS. 204 A 373 Fl. 849DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 850 3 TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL FLS. 374 A 379 PLANILHA DE CÁLCULOS FLS. 380 A 649 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 16.570.483,64 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 1.578.141,20 TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL fls. 673 a 674 Ciência ao contribuinte em 25/08/2017 por via postal, conforme Aviso de Recebimento de fls. 675 Na impugnação de fls 681 a 713, a sociedade empresária alega, em síntese, que: Dos esclarecimentos sobre a Liminar em vigor em favor da Impugnante e da necessária determinação de suspensão de exigibilidade do feito • Ação mandamental no 001408069.2003.4.03.6102, outrora interposta pela impugnante, da qual decorreu a interposição de Recurso Extraordinário no 727.614/SP e a Ação Cautelar 3312/SP perante o E. STF, não deixa margem a dúvidas quanto à discussão da constitucionalidade da exação denominada FUNRURAL, argumentos de fls. 682 a 686; Da não incidência de multa por força da decisão judicial • Desta feita, em vista de que a Innpugnante preenche os requisitos suscitados no art. 63, (decisão liminar proferida pelo STF e referendada pelo Órgão Especial do TRF da 3a Região), desde já se requer a exclusão das multas aplicadas, como medida de justiça, argumentos de fls. 687 a 689; Da ilegalidade da presente Cobrança com base em julgamento já realizado pelo STF (inciso IV do artigo 30 da Lei 8.212/91) fls. 689 a 692 Decerto, o inciso IV do artigo 30 da Lei 8.212/91, observado a inexistência de Lei editada após a EC no 20/98, mantém o mesmo vicio de inconstitucionalidade que fez com que o STF no RE no 363.8521 e no RE no 596177, firmasse a inconstitucionalidade do dispositivo que pretensamente dava supedâneo à subrrogação da exação "Novo Funrural". Afeto aos mencionados julgados, em especial a vinculação proveniente d'uma repercussão geral, há que ser considerado a solidificação/vinculação de entendimento por parte da Administração Federal, no sentido de reconhecer a inconstitucionalidade de tal subrogação até a presente data. Por tudo quanto foi exposto, restaram demonstrados os inegáveis vícios que padecem o lançamento tributário em epigrafe, a tornar lhe ilegítimo e absolutamente inexigível, Fl. 850DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 851 4 sendo imperioso o provimento deste Tribunal Administrativo para reconhecer a improcedência do Auto de Infração lavrado contra a Contribuinte. Da Resolução do Senado n° 15 de 12 de setembro de 2017 fls 692 a 694 • Nesse sentido, a impugnante contribuinte, sem prejuízo d'uma decisão administrativa nestes autos, dispondo pela ilegalidade do lançamento, já peticionou junto às Secretaria da Receita Federal do Brasil e Procuradoria da Fazenda Nacional, requerendo a aplicação imediata dos efeitos da Resolução do Senado 15/2017, combinada com o § 20 do Decreto 2.346/97, e, por conseguinte, o cancelamento de qualquer cobrança imputada à Contribuinte. Do erro do Lançamento na apuração dos valores imputados à Impugnante fls. 694 • Conforme consta do Relatório de fls. 369 o total de Devolução de Mercadorias (constante do AI e utilizado como informação hábil para apuração dos valores pela Auditoria), perfaz uma base de cálculo R$ 1.160.588,76, referente a várias operações de compra e venda de bovinos que não se concretizaram, de maneira que não deveriam pautar a apuração dos valores devidos. (planilha em anexo). É de se notar que a aquisição do produto rural, nos mencionados casos, não foi levada a fim, inviabilizando a arguição pela existência do Fato Imponível. Nesse contexto, a Auditoria Fiscal apurou indevidamente, a quantia de R$ 26.693,54, (vinte e seis mil, seiscentos e noventa e três reais e cinquenta e quatro centavos) a título de contribuição referentes às operações estornadas, fazendose necessária a retificação dos valores, no sentido de se excluir a cobrança indevida e respectivos consectários (juros e multas). É o que se requer. Impossibilidade de revisão do lançamento / Erro de direito x erro de fato • Também não se pode aventar a hipótese de revisão do lançamento, visto que o erro aqui é de direito e não de fato, argumentos de fls. 694 a 699 Da indevida cobrança do SENAR fls. 699 a 703 Apesar dos Ministros do STF não abordarem diretamente a (in)constitucionalidade da contribuição ao SENAR, prevista no caput do art. 2 da Lei no 8.540/1992, mas pautandose nos argumentos da decisão que declarou inconstitucional a cobrança da exação denominada FUNRURAL, há diversas razões para imputarmos ilegal sua incidência sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 852 5 Desta forma, resta concluir que a cobrança do SENAR transcende os limites da legalidade e da constitucionalidade tornandoa passível de rechaço pela contribuinte e reconhecimento de tal circunstância pela autoridade julgadora. É o que se requer. Do percentual da multa aplicada fls. 703 a 707. Além disso, oportuno lembrar que a existência de medida liminar em favor da contribuinte no período fiscalizado, por certo, inibe a cobrança de qualquer multa punitiva e/ou moratória Da impossibilidade da incidência de juros sobre a multa qualificada fl.707. Não existe aplicar juros sobre a sanção, exceto na hipótese de a mesma se confundir com o próprio valor principal (art. 113, § 30, CTN), o que não é o caso, argumentos de fls. 707 a 712 Considerações finais e Pedidos Quando menos, em caráter subsidiário, requerse a observância da decisão judicial liminar em favor da contribuinte/impugnante, com a consectária exclusão da multa de ofício, e determinação de suspensão do presente feito. Oportuno, suscitar em caráter, outrossim, subsidiário ao pleito discorrido no parágrafo acima, a necessária adequação da multa de ofício, assim como os ajustes dos valores imputados (excluirse as quantias provenientes das notas fiscais de devolução do produto rural). A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 781/792): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS SUBROGAÇÃO. A aquisição de produtos rurais oriundos de produtores pessoas naturais ou intermediários, por pessoa jurídica, há subrogação desta como responsável tributário por substituição pelas contribuições sociais a SEGURIDADE SOCIAL e para TERCEIROS devidas pelos produtores pessoas naturais. Cientificado do inteiro teor da decisão em 22/01/2018 (fl.802), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 19/02/2018 (fls. 805/845), alegando, em síntese, que: 1) O presente processo administrativo fiscal deve ser suspenso até o julgamento do Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte no sentido de discutir a constitucionalidade da exação denominada FUNRURAL. Assim, requer a Fl. 852DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 853 6 suspensão do PAF até o julgamento final do recurso extraordinário 718.874/RS. 2) Não incidência da multa de ofício por força de decisão judicial. 3) Da ilegalidade da presente cobrança com base em julgamento já realizado pelo STF (inciso IV do artigo 30 da Lei 8.212/91). 4) Da aplicabilidade da Resolução nº 15 do Senado Federal. 5) Do erro do Lançamento na apuração dos valores imputados à Recorrente. 6) Da indevida cobrança do SENAR. 7) Do erro no percentual da multa aplicada. 8) Da não incidência de juros sobre a multa de ofício. Por fim, requer seja declarado procedente o recurso e decretada a nulidade do ato fiscal de lançamento vinculado ao PAF nº 19515.720.776/201724. É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações iniciais De início, impende ressaltar que a decisão recorrida deixou de conhecer as razões de defesa afetas à inconstitucionalidade de normas, bem como deixou de reconhecer a concomitância entre o discutido no processo judicial e administrativo. No que pertine a tais matérias, contidas na referida decisão, a contribuinte não recorreu expressamente, limitandose a reiterar os argumentos trazidos por ocasião do protocolo da impugnação, em vasta explanação acerca da inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 10.256/2001, ainda que promulgada sob uma nova ordem constitucional. Destarte, o não conhecimento de matérias pertinentes à inconstitucionalidade e a concomitância dos processos judicial e administrativo, tornaramse definitivos, eis que não são objetos do inconformismo recursal. Não obstante, para a adequada análise dos efeitos da Resolução nº 15, do Senado Federal, sobre o presente processo administrativo fiscal, fazse necessária uma análise dos desdobramentos legislativos que culminaram na nova redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91, dada pela Lei nº 10.256/2001, o que faço nos termos a seguir delineados. Antes, destacaremos a existência de concomitância parcial entre os processos administrativo judicial. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 854 7 Da renúncia parcial ao processo administrativo fiscal Em seu recurso, a recorrente tenta demonstrar que é indevida a subrogação sobre a aquisição de produtos rurais de produtores pessoas naturais, bem como as contribuições devidas ao SENAR, sobre a mesma base de cálculo. A matéria relativa à legalidade/inconstitucionalidade da referida exação e do normativo citado é objeto de discussão judicial, que implica em renúncia ao contencioso administrativo, acarretando o não conhecimento do presente recurso voluntário no que pertine à idêntica matéria. Cumpre observar que existem dois grandes sistemas: o sistema do contencioso administrativo e o sistema de jurisdição única. Alexandre de Moraes (Direito Constitucional Administrativo. Atlas, 2002), traz a seguinte síntese: “O sistema do contencioso administrativo, também conhecido como sistema francês, caracterizase pela impossibilidade de intromissão do Poder Judiciário no julgamento dos atos da Administração, que ficam sujeitos tão somente à jurisdição especial do contencioso administrativo. Dessa forma, há uma divisão jurisdicional entre a Justiça Comum e o Contencioso Administrativo, e somente este pode analisar a legalidade dos atos administrativos. Diversamente, o sistema de jurisdição única, também conhecido por sistema judiciário ou inglês, tem como característica básica a possibilidade de pleno acesso ao Poder Judiciário, tanto nos conflitos de natureza privada, quanto dos conflitos de natureza administrativa. ” Desde a instauração do período republicano, o Brasil sempre adotou o de jurisdição única como forma de controle jurisdicional da Administração Pública, cuja fundamentação encontrase no art. 5°, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988: Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Nesse sentido, as decisões judiciais sobrepõemse às decisões administrativas. Essa matéria já foi objeto de enunciado do Conselho Pleno, tendo sido editad a a Súmula CARF n° 01, transcrita a seguir: Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desse modo, se uma matéria foi submetida à apreciação judicial, não cabe a sua análise na esfera administrativa. Do não cabimento da multa de ofício Fl. 854DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 855 8 De acordo com a decisão de piso, a argumentação da recorrente não procede, pois a autoridade lançadora fundamenta a aplicação da multa de ofício, conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 374/379, item V – da ação cautelar fls. 377/378, in verbis: Pelo exposto, o crédito tributário ora apurado não será constituído com a exigibilidade suspensa, haja vista o reconhecimento da constitucionalidade da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, verificase que até a presente data, não se tem, ainda, o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário 718.874/RS, razão pela qual, o alegado reconhecimento da constitucionalidade dessa matéria, não tinha caráter de imutabilidade na data da constituição do presente crédito tributário. Dessa forma, entendo que o lançamento não poderia ter contemplado a multa de ofício, uma vez que a exigibilidade estava suspensa, por força de liminar concedida em ação cautelar, a favor do sujeito passivo, o que atrai a incidência do Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Portanto, de acordo com a legislação de regência, não caberá multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência. Isto posto, o recurso voluntário merece provimento quanto a este tocante. Da Lei nº 10.256/2001 A matriz legal da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é o art. 25 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Fl. 855DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 856 9 Tendo sido criada antes da edição da Emenda Constitucional (EC) 20/98 por lei ordinária, tal exação teve sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, originalmente, a Carta Magna não previa a receita como fato gerador da contribuição previdenciária a ser criada por lei ordinária. Somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar para incidir sobre fato gerador não enumerado no art. 195 da Constituição Federal. No RE 363.852/MG, julgado em 03/02/2010 e transitado em julgado em 08/06/2011, o plenário do STF enfrentou a questão, tendo concluído o julgamento com as seguintes ementa e decisão: Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 857 10 Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. De fato, até a edição da EC 20/98, a exação em comento não poderia ter sido criada por lei ordinária para incidir sobre fato gerador não previsto até então no art. 195 da CF. Nesse aspecto, seguimos a decisão do RE 363.852 para concluir que o art. 25 da Lei nº 8.212/91 não pode ser aplicado até que lei nova, fundada na EC 20/98, tenha instituído validamente a contribuição. De nossa parte, entendemos que isso ocorreu com a edição da Lei nº 10.256/2001 que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91 em seu art. 1º. Ainda que a nova lei não tenha repetido ou reeditado os incisos e parágrafos do art. 25 da Lei nº 8.212/91 de modo a afastar qualquer dúvida sobre a constitucionalidade do dispositivo alterado, se assumíssemos que os incisos e parágrafos restaram excluídos do ordenamento jurídico estaríamos adotando interpretação por demais formalista e que resultaria em prejuízo para o financiamento solidário da seguridade social previsto no caput do art. 195 da CF. Logo, após a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, respeitada anterioridade nonagesimal, o art. 25 da Lei nº 8.212/91 passa a estar em harmonia com a EC 20/98. Assim, a partir de 11/2001 a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física pode ser exigida. Eventuais lançamentos anteriores a tal data não podem prevalecer por falta de previsão legal. Contudo, a recorrente argumenta que mesmo com a promulgação da EC 20/98, o art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, seria inconstitucional. Não obstante a vedação legal desse Conselho em pronunciarse sobre questões afetas à inconstitucionalidade de normas vigentes, é imperioso destacar que a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação trazida pela Lei nº 10.256/2001, já foi apreciada pelo STF, através do julgamento do Recurso Extraordinário 718.874/RS, nos termos seguintes: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 858 11 Portanto, extraise da supra transcrita ementa que: é constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. O art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, que trata da subrogação na aquisição de produtores rurais pessoas naturais não foi objeto da declaração de inconstitucionalidade no RE 363.852/MG, permanecendo hígido para os fatos geradores a partir de 11/2001. Os fatos geradores objeto do presente lançamento correspondem ao período de 01/2013 a 12/2014. Assim, não há que se falar em aplicação ao decidido no RE 363.852/MG, porquanto a inconstitucionalidade ali declarada diz respeito à ordem jurídica anterior a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, ou seja, fatos geradores anteriores a 11/2001. Diferentemente do argumento recursal, a publicação da Resolução nº 15/2017, do Senado Federal, em nada altera o presente lançamento. Dispõe a mencionada Resolução: “Art. 1º É suspensa, nos termos do artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do artigo 12 da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Leiº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao artigo 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao artigo 30, inciso IV, da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Leiº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852.” Por esta resolução, portanto, há suspensão da execução do inciso VII do artigo 12, da Lei 8.212/1991, bem como artigo 1º, Lei 8.540/92, que deu nova redação ao artigo 12, V, 25, incisos I e II, artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, por força decisão definitiva pelo pleno do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 363.852 (“caso Mataboi”). Como não poderia deixar de ser, a multicitada resolução senatorial tem por escopo conceder efeitos “erga omnes” a todas as situações jurídicas anteriores à promulgação da EC 20/98, não produzindo qualquer efeito em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 11/2001, como é o caso dos autos. É certo que, após a edição da Resolução nº 15, do Senado Federal, foi criada uma expectativa para se saber o posicionamento do STF em relação ao tema, já que o acórdão do julgamento do RE 718.874/RS é anterior à aludida resolução. Todavia, o Pretório Excelso já teve a oportunidade de se pronunciar acerca do tema no julgamento de Embargos de Declaração, em 23/05/2018, o que fez nos termos seguintes: EMENTA : PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS PARA OBTENÇÃO DE CARÁTER INFRINGENTE. INAPLICABILIDADE DA RESOLUÇÃO 15/2017 DO SENADO FEDERAL QUE NÃO TRATA DA LEI 10.256/2001. NÃO Fl. 858DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 859 12 CABIMENTO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS PELA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Não existentes obscuridades, omissões ou contradições, são incabíveis Embargos de Declaração com a finalidade específica de obtenção de efeitos modificativos do julgamento. 2. A inexistência de qualquer declaração de inconstitucionalidade incidental pelo Supremo Tribunal Federal no presente julgamento não autoriza a aplicação do artigo 52, X da Constituição Federal pelo Senado Federal. 3. A Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. 4. A inexistência de alteração de jurisprudência dominante torna incabível a modulação de efeitos do julgamento. Precedentes. 5. Embargos de Declaração rejeitados. Destarte, o entendimento do STF é expresso no sentido que: a Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. Assim, o ato senatorial, vinculado por natureza às declarações de inconstitucionalidade a que se refere, somente atinge a contribuição do empregador rural pessoa física no período anterior à Lei nº 10.256/01. Portanto, o art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, permanece hígido para regular as relações constantes da constituição do presente crédito tributário, estando a empresa recorrente subrogada na obrigação de reter e recolher a contribuição do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita da comercialização de sua produção rural. Feitas essas necessárias ponderações, entendo que, no mais, não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Dos Juros Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, nos seguintes termos: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 860 13 Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcede a insurgência da recorrente. Dos Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Ao contrário da tese defendida pela recorrente, a aplicação de juros sobre a multa de ofício é plenamente regular, na medida em que este faz parte do crédito tributário correspondente apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário junto com o tributo. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2° O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito'não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário e de acordo com o CTN esse decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. O § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, por sua vez, preconiza: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto n° 7.212, de 2010) Fl. 860DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 861 14 §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei n° 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido.(Grifouse). Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as vertentes multas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Tal deve ser a linha de raciocínio para a exegese do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, entendo que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para a exclusão da multa de ofício aplicada. (assinado judicialmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 861DF CARF MF Processo nº 19515.720776/201724 Acórdão n.º 2201004.764 S2C2T1 Fl. 862 15 Fl. 862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001239/2002-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-007.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SELIC. Recorrente TOYOBO DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 12 39 /2 00 2- 09 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 3 2 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 210200.075. Na parte de interesse ao presente julgamento o colegiado a quo não reconheceu o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos efetuadas perante pessoas físicas, nem o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento. O recurso especial foi admitido, consoante despacho do presidente da Câmara competente, com relação às seguintes insurgências da Contribuinte: a interpretação de que as aquisições de insumos de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96; e a interpretação de que não incide correção monetária ou juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. A Fazenda Nacional, devidamente intimada, apresentou contrarrazões ao recurso especial da Contribuinte. É o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.411, de 19/09/2018, proferido no julgamento do processo 13886.001231/200234, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.411): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Contribuinte cingese às seguintes matérias: (i) requer a inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e (ii) postula a aplicação da taxa Selic aos pedidos de ressarcimento. 1. Da inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI A possibilidade de inclusão das aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS, como pessoas físicas e cooperativas, no cálculo do crédito presumido de IPI, foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n.º 993.164/MG, pela sistemática dos recursos repetitivos. O acórdão recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 6 5 sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 7 6 Por força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. 2. Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 8 7 O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício. Portanto, deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado. No caso dos autos, houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi indeferido, nos termos do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP (fls. 87 a 88), direito de crédito indeferido também nas demais decisões da DRJ (fls. 108 a 117) e do CARF, consoante acórdão de recurso voluntário (fls. 138 a 150). Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido, no caso tão somente quanto às aquisições de pessoas físicas, deferida no presente recurso especial. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas." (...)1 "Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, discordo diametralmente de seu entendimento. O Recurso foi apresentado tempestivamente e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, passo a decidir. A matéria divergente posta a julgamento nesta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI a ressarcir, bem como o termo inicial de incidência. Com efeito, na forma reiterada da jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do termo inicial para a incidência da taxa Selic, por ser entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto encontrase no acórdão do processo paradigma (9303007.411). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 9 8 a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Confiramse recentes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERBA HONORÁRIA FIXADA EM R$ 5.000,00. VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA (R$ 200.000,00) E O DECAIMENTO PARCIAL DAS AUTORAS. AGRAVO INTERNO DAS CONTRIBUINTES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Encontrase pacificado o entendimento da 1a. Seção desta Corte de que eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerandose a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feita pelo Contribuinte como um óbice injustificado. Aplicase a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula do STJ, segundo o qual é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A propósito, 1a. Seção do STJ consolidou esse entendimento por ocasião do julgamento do REsp. 1.035.847/RS, relatado pelo ilustre Ministro LUIZ FUX e julgado sob o regime do art. 543C do CPC/1973. 2. O marco inicial da correção monetária só pode ser o término do prazo conferido à Administração Tributária para o exame dos requerimentos de ressarcimento, qual seja, 360 dias após o protocolo dos pedidos. Precedentes: AgInt no REsp. 1.581.330/SC, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 21.8.2017; AgRg no AgRg no REsp. 1548446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 10.12.2015; AgRg no AgRg no REsp. 1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015. [...] 6. Agravo Interno das Contribuintes a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1348672/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. 1. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que éincabível a correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na hipótese de ocorrer "vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 10 9 ingresso no Judiciário", situação em que "postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco" (REsp 1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/00448972, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, Data de Julgamento 24/06/2009, DJe 03/08/2009, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos). 2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que seja proferida decisão administrativa (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), a interpretação literal e teleológica de tal dispositivo legal conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve incidir a correção monetária pela taxa Selic. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1637361/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2017, DJe 13/11/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CRÉDITO ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. LEI 11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de divergência que versam sobre o termo inicial da correção monetária de créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento. 2. Não há similitude entre os acórdãos confrontados, tendo em vista que o acórdão embargado, para decidir a questão relativa ao termo a quo da correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a Administração analisar o pedido de ressarcimento, sendo que essa lei nem sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma. 3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007 a correção monetária de ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, encontrase em conformidade com a jurisprudência das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015; REsp 1.240.714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/9/2013; AgRg no REsp 1.353.195/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/2/2013; AgRg nos EDcl no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015. Os Tribunais vem decidido da mesma forma, ou seja, no que diz respeito a incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários, formulado pela Contribuinte, a eventual "resistência ilegítima" da Fazenda Pública, Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 11 10 configurada pela demora em analisar o pedido, ensejaria a sua constituição em mora, sendo devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido. Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária deve incidir apenas após o encerramento do prazo legal (360 dias contados da data do protocolo administrativo) concedido à autoridade fiscal para analisar os pedidos administrativos de ressarcimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PEDIDO ADMINISTRATIVO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou presumido (quando extrapolado o prazo de análise do pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 1.461.607/SC. (TRF4 AC: 50001491820184047117 RS 500014918.2018.4.04.7117, Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA) Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (3ª Turma da CSRF Acórdão nº 9303007.011, Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018). Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 12 11 Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado pela lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito2, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)3 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...]. 2 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 3 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13886.001239/200209 Acórdão n.º 9303007.424 CSRFT3 Fl. 13 12 Dispositivo Ex positis, em razão da resistência ilegítima configurada, dou provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004929/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS.
Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização.
Numero da decisão: 1401-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10935.004933/2010-69, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10935.004933/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 29 /2 01 0- 09 Fl. 176DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão Turma da DRJ, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada apresentou Pedido de Restituição de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativo à pagamento indevido ou a maior, no código 3333, pelo SIMPLES NACIONAL, recolhido por DASN. O Despacho Decisório indeferiu o pedido porque constatou que o contribuinte desenvolveu atividades de prestação de serviços, cujas alíquotas do Simples Nacional devido são calculados pela tabela do Anexo III – Serviços, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro 2006, não tendo sido confirmada a pretensão do contribuinte de que sua atividade seria indústria, a qual recai na tabela do Anexo II Indústria, o que resultaria nos valores que o contribuinte entende ter recolhido a maior. Houve Manifestação de Inconformidade na qual o interessado assevera: i) Que a atividade da empresa é “recapagem e recauchutagem de pneus”, CNAEF 22.12.900, em que 22.1 é indústria de produtos de borracha, portanto se trata de operação industrial de recondicionamento de pneus usados, ii) Questiona a conclusão fiscal de nos itens 26, 27 de que o Decreto N° 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI) classifica a atividade de recauchutagem de pneus como borracharia que utiliza força motriz, não se enquadrando como indústria; diz que “No item 24. do despacho decisório, o auditor relata que fez uma consulta e empresa tem 12 funcionários, portanto a sua conclusão o item 28, já está "equivocada conforme descrito no item 27.”, porque o art. 7º, para efeitos do art. 5º, II, nos casos dos incisos IV e V, define que oficina é estabelecimento que empregar, no máximo, 5 (cinco) operários e, quando utilizar força motriz, não exceder a potência de 5 (cinco) quilowatts; e o trabalho preponderante é de 60% de mão de obra, no mínimo; iii) Transcreve o art. 4º, V do RIPI, que define industrialização como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo, tal como aquela exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado e que renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento); transcreve Ato Declaratório Normativo – ADN Cosit nº 21, de 21 de agosto de 1996, referente a industrialização, e processos de consulta diversos no mesmo sentido, em apoio à sua tese. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório, sob o entendimento de que correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando os argumentos da impugnação e anexa faturas de energia elétrica para demonstrar o alto consumo da sua atividade, na tentativa de caracterizar atividade de industrialização. É o relatório do essencial. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10935.004929/201009 Acórdão n.º 1401003.076 S1C4T1 Fl. 3 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.019, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10935.004933/2010 69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.019): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Ao contrário do que sustenta a Recorrente, não encontro motivos para reforma da decisão recorrida, vez que por ocasião de seu recurso o pedido de restituição dos alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização. Concluiuse na primeira instancia que o contribuinte, apesar de constar do objeto social a atividade de comércio de pneus e assemelhados, não auferiu receitas de vendas, mas de serviços de recuperação e vulcanização de pneus; conta com 7 (sete) operários nesta atividade; sua clientela contrata esses serviços para consumo próprio e não para comercialização; não há dados suficientes para se apurar se prevalece o custo de mão de obra na proporção de 60%, pois os dados contábeis são discrepantes dos da DASN; tampouco não forneceu informação sobre qual processo de vulcanização executa, se a quente, se a frio, que tipo de equipamentos e qual a potência instalada, não tendo apresentado elementos comprobatórios da sua pretensão de que sua atividade se caracterize como industrialização. As faturas relativas ao elevado consumo de energia elétrica no desenvolvimento da atividade do Recorrente, anexadas ao Voluntário, não se mostram suficientes para elidir às conclusões a que chegaram os julgadores na decisão de piso, vez que, até esta fase o contribuinte não forneceu maiores informações sobre o processo de industrialização que defende. Apenas diz que utiliza poucos empregados, pois utiliza máquinas de última geração que reduzem mão de obra, mas consomem alta demanda de energia. E que nos quesitos elaborados pelo auditor não constam as perguntas, chaves para diferenciam o que é fato uma indústria, ou oficina que utiliza força motriz, por isso, não seriam suficientes a descaracterização da atividade por ele declarada. Quanto aos novos argumentos apresentados, em nada acrescenta à lide, mesmo porque o relator já se debruçou sobre o assunto, de forma precisa. Fl. 178DF CARF MF 4 Entendo que os fundamentos esposados pela turma a quo, não deixa dúvida que se trata de prestação de serviço, não havendo, in casu, qualquer margem para a hipótese de industrialização como alega a recorrente. Não há o que acrescentar, a fundamentação é abrangente e escorreita. Ou seja, continua sem comprovar a natureza de sua atividade como industrial, cujo ônus lhe cabia. Feitas essas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.720329/2016-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI - COMPROVAÇÃO DO ÔNUS SUPORTADO
As contribuições para as entidades de previdência privada e FAPI podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, no percentual de 12%, desde que devidamente comprovado o pagamento pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2002-000.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI - COMPROVAÇÃO DO ÔNUS SUPORTADO As contribuições para as entidades de previdência privada e FAPI podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, no percentual de 12%, desde que devidamente comprovado o pagamento pelo contribuinte.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 03 29 /2 01 6- 17 Fl. 106DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 16 a 21), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a autuação por dedução de Previdência Privada e FAPI e dedução indevida de incentivo. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 05 dos autos, cujas alegações, em síntese foram, conforme relatório da DRJ: no que se refere à dedução indevida de previdência privada, afirma que o pagamento foi efetuado em benefício próprio e o montante deduzido não ultrapassa 12% dos rendimentos declarados. Afirma, ainda, que também efetuou o recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social ou para o regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios; quanto à dedução indevida de incentivo, concorda com a infração. Finaliza requerendo prioridade na análise da impugnação com base no Estatuto do Idoso (art. 69A, inciso I, da Lei nº 9.784/1999). A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, em 26/09/2016, no acórdão 1674.722, às efls. 48 a 51, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 59 a 104, no qual alega, em resumo: · preliminarmente informa o óbito da contribuinte e recorre da glosa da dedução com Previdência Privada e FAPI, vez que todos os documentos comprobatórios foram apresentados; · no mérito, reitera as alegações preliminares. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13876.720329/201617 Acórdão n.º 2002000.364 S2C0T2 Fl. 107 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o inventariante da contribuinte, já falecida, foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 14/10/2016, efls. 57, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 01/11/2016, efls. 59, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como consta no relatório, o contribuinte concorda com a autuação pela dedução indevida com incentivo. Logo, o processo tratase de dedução indevida de Previdência Privada e FAPI. Ainda, o pleito preliminar confundese com o mérito, posto que passase a análise. A dedução de contribuição à Previdência Privada encontrase disposta no artigo 8º, inciso II, alínea e, da Lei nº 9.250, de 1995, como se vê: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas : I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) e) as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no Pais, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (grifos nossos) Ainda, o artigo 11 da Lei nº 9.532/97, prevê que a dedução relativa às contribuições para entidades de Previdência Privada e FAPI, cujo ônus tenha sido da pessoa física, limitase a 12% do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual (DAA). A DRJ entendeu que não há nos autos, qualquer comprovação do pagamento, conforme excerto da decisão: Portanto, da análise dos autos, verificase que não foi acostado nenhum documento que atesta pagamento de contribuição à Previdência Privada e Fapi declarada, apesar de a contribuinte ter sido devidamente intimada. Assim, há que se manter a glosa efetuada, em face da ausência de comprovação hábil e idônea. Transcrevese o art. 73, § 1º do RIR/99: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). (g.n.) §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas Fl. 108DF CARF MF 4 sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). Como vimos, cabe à contribuinte apresentar, além da documentação hábil que identifique a espécie de fundo de previdência privada, a prova do efetivo pagamento dessas contribuições, por meio de cheques nominais, transferências com identificação do beneficiário. Em sede de Recurso Voluntário, o representante da de cujos, visando comprovar o ônus suportado, junta os documentos de efls. 63 a 66 que comprovam o efetivo pagamento do Plano de Previdência contratado. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.903836/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil, que conheceu do recurso por entender que a matéria era competência desta Seção. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.902770/2009-62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE CSLL, PIS/PASEP E COFINS (CÓD. 5952). PAGAMENTO A MAIOR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil, que conheceu do recurso por entender que a matéria era competência desta Seção. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.902770/200962, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 03 83 6/ 20 09 -3 1 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13819.903836/200931 Resolução nº 1302000.640 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão da DRJ de Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrando a seguinte ementa: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. O sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apresentação da DCOMP, logo, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido. A recorrente alega que teria recolhido indevidamente PIS/COFINS/CSLL SERVIÇOS (Código 5952 Contribuições Sociais Retidas na Fonte CSRF). Salientou que, os valores devidos teriam sido recolhidos em duplicidade (as alíquotas de PIS e COFINS foram alteradas de 0,50% para 1,00% e 2,50% para 5,0%. No Despacho Decisório Eletrônico, verificase que a não homologação fundamentouse na inexistência de crédito, face à utilização integral do valor, na forma confessada pela recorrente, em DCTF. A DRJ não acolheu os argumentos da contribuinte por entender que, diante da constatação de que o alegado pagamento indevido estava integralmente alocado a débito confessado em DCTF, nada mais caberia a ser analisado. Se o pagamento estivesse disponível, ai sim a Autoridade Administrativa encarregada da análise do pleito deveria verificar/questionar sua origem na apreciação e, se fosse o caso de indeferimento, justificar a não homologação. Devidamente intimada dessa decisão, apresentou recurso voluntário, tempestivamente, por meio do qual reforçou seus argumento de que teria crédito de pagamento a maior de CSLL, PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.634, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.902770/2009 62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13819.903836/200931 Resolução nº 1302000.640 S1C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302 000.634): "Com a devida vênia ao entendimento externado pelo D. Relator, e entendendo a sua preocupação com a eficiência deste órgão na prestação jurisdicional administrativa, de fato a posição originariamente assumida pela 2ª da Turma Ordinária da 4ª Câmara estava, realmente, correta. Isto porque, não obstante consignar no DARF, origem pretensa do crédito postulado neste feito, código de receita que remete ao recolhimento, por retenção da CSLL, conjuntamente, com a contribuição para o PIS e para a COFINS, é inegável que o próprio contribuinte limite o seu direito creditório a um alegado indébito relativo, exclusivamente, às duas últimas exações. Nesta esteira, a teor dos preceitos do art. 4º, I, observase a competência exclusiva da 3ª Seção para o julgamento de feitos que revolvam as contribuições; como, no caso, não existe, no direito creditório pretendido, a concorrência de outras espécies tributárias, afeitas à competência das demais seções (repitase, a despeito de tratar das Contribuições retidas na fonte, a origem do crédito postulado cinge à contribuição para o PIS e à COFINS), não se aplicam à espécie a regra excepcional dos arts. 7º e 8º, prevalecendo a norma geral de competência preconizada pelo mencionado. art. 4º. É, portanto, inegável a incompetência desta turma para apreciação da matéria em testilha. A luz do exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de, declinando a competência para a análise da matéria posta em exame, determinar a remessa dos autos à 3ª Seção de julgamentos deste CARF." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
