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Numero do processo: 13227.000945/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
Numero da decisão: 3202-001.224
Decisão: Recurso voluntário negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
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decisao_txt : Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 64 1 63 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.000945/200884 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.224 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de maio de 2013 Matéria COFINS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente RICAL RACK INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado por meio de notificação de lançamento, para a cobrança da multa pelo atraso na entrega do Dacon referente ao mês de junho de 2008, no montante de R$ 500,00. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 09 45 /2 00 8- 84 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13227.000945/200884 Acórdão n.º 3202001.224 S3C2T2 Fl. 65 2 Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de multa expedida através da Notificação de Lançamento de fl. 06, decorrente do atraso na entrega do Dacon referente ao mês de junho de 2008, no valor total de R$ 500,00 (valor mínimo). 2. Sendo a data do vencimento da exigência em 03.11.2008, considerase tempestiva a impugnação apresentada em 24.10.2008 (fl.02), na qual a interessada, em síntese, alega: "a referida multa foi gerada devido à mudança de versão do programa, isso é, quando da apresentação do referido demonstrativo, no prazo certo, a versão do programa era 1.1, e não aceitou a entrega nessa versão, onde dava uma mensagem dizendo para aguardar o lançamento de nova versão para a entrega, no entanto, quando a versão nova saiu e que a entrega foi realizada, o programa de versão nova já gerou a multa automática". A 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém proferiu o Acórdão nº 0119.012, em 31 de agosto de 2010 (efolhas nº 24/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. O Dacon relativo ao mês de junho/2008 deveria ser apresentado até o quinto dia útil do mês de agosto/2008. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada regularmente cientificada do Acórdão, em 23/12/2010 (efolhas 30), interpôs Recurso Voluntário em 20/01/2011 (efls. 31/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Como relatado, a Recorrente apresentou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon, relativo ao mês de junho/2008, em 07/10/2008, portanto, fora Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13227.000945/200884 Acórdão n.º 3202001.224 S3C2T2 Fl. 66 3 do prazo legal fixado para todas as pessoas jurídicas optantes pelo sistema de periodicidade de entrega mensal, como é o caso da contribuinte, que era até 07/08/2008, conforme prescreve a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, verbis: Art. 2° A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas a apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e não cumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pela IN SRF n° 708, de 9 de janeiro de 2007) §1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. §2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. Art.3º As demais pessoas jurídicas deverão apresentar o Dacon Semestral, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz. (...) Art.8º O Dacon deverá ser apresentado: Ipelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de referência; (...) A Recorrente reconhece que a entrega ocorreu fora do prazo, entretanto, alega que isso se deu em decorrência de erro no sistema quando da tentativa de entrega da Dacon, na versão 1.1 do Programa Gerador do Dacon MensalSemestral (PGD). Não há como acatar o argumento apresentado pela Recorrente, como muito bem demonstrou o voto condutor da decisão recorrida no trecho abaixo transcrito: 10. Em relação aos PGD's, temse que a versão 1.2 foi aprovada pelo ADE Cotec n° 3, de 10.06.2008 (DOU de 12.06.2008), a partir de quando não mais poderia ser utilizada a versão 1.1. Posteriormente, foi aprovada a versão 1.3 (através da qual houve a entrega em atraso, em 18.09.2008) pelo ADE Cotec n° 5, de 12.09.2008 (DOU de 17.09.2008). 11. Assim, vêse que desde 12 de junho de 2008 já havia sido disponibilizada a versão 1.2 do PGD, com a qual deveria ter sido apresentado o Dacon, dentro do prazo previsto na legislação vigente. Logo, como o Dacon referente ao mês de junho/2008 deveria ter sido entregue até o dia 07/08/2008, a empresa já deveria utilizarse da versão 1.2 do sistema (desde 10/06/2008), portanto, improcedente o argumento de que houve “erro de sistema” quando da entrega da Dacon na versão 1.1. Não foi possível entregar o Demonstrativo na versão 1.1. porque já havia outra versão disponível para a entrega. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13227.000945/200884 Acórdão n.º 3202001.224 S3C2T2 Fl. 67 4 Assim, demonstrado que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo fixado, cabível a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago, reduzida em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), conforme prescreve o artigo 7º da Lei nº 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004, abaixo transcrito: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; IV – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II – a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (...) § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. Dessa forma, no caso em tela a matéria fática mostrase incontroversa, uma vez que restou comprovado nos autos que efetivamente a empresa apresentou o Dacon fora do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13227.000945/200884 Acórdão n.º 3202001.224 S3C2T2 Fl. 68 5 prazo previsto na legislação de regência, de modo que a situação fática subsumese à penalidade prevista no inciso III do art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10240.900024/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.276
Decisão: Visto e discutidos este autos
Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Visto e discutidos este autos Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 6 1 5 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.900024/201071 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.276 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de agosto de 2014 Assunto Compensação Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DE RONDONIA S/A – CERON Recorrida FAZENDA NACIONAL Visto e discutidos este autos Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .9 00 02 4/ 20 10 -7 1 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.900024/201071 Resolução nº 1402000.276 S1C4T2 Fl. 7 2 RELATÓRIO CENTRAIS ELÉTRICAS DE RONDONIA S/A – CERON, , com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre declaração de compensação nº 09843.62604.260307.1.7.029068 (fls.1/13) em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo IRPJ anocalendário 2004 no valor de R$ 1.998.266,62 para compensar débito próprio. Ainda segundo consta do PER/DCOMP, o crédito teria sido originado por retenções na fonte sob os códigos 6147, 3426, 6190 e 8045, pagamentos de estimativa IRPJ (janeiro/2004 e maio/2004) e estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores (março/2004). O mesmo crédito foi utilizado nos PER/DCOMP`s 14595.06588.270307.1.3.020880 e 25485.88635.300507.1.3.023676. Por intermédio do Despacho Decisório nº 857204714 de 10/02/2010 e anexos (fl.14), o direito creditório foi reconhecido em parte (R$ 1.771.593,41) e as compensações, parcialmente homologadas nos seguintes termos: A compensação via PER/DCOMP 09843.62604.260307.1.7.029068 foi integralmente homologada; A compensação via PER/DCOMP 14595.06588.270307.1.3.020880 foi parcialmente homologada; A compensação via PER/DCOMP 25485.88635.300507.1.3.023676 foi declarada não homologada. Como fundamento para o reconhecimento parcial do direito creditório, a unidade de origem afirma que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 16/03/2010 (fls.15/17), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 13/04/2010 (fls.18/21) via procurador (fls.22/24), alegando em síntese que: As retenções que deram origem ao crédito estão de acordo com o art.64 da Lei 9.430/1996 e 34 da Lei 10.833/2003 que dispõem que os pagamentos efetuados por órgãos e fundações da administração pública federal, bem como pelas empresas públicas e sociedades de Fl. 658DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.900024/201071 Resolução nº 1402000.276 S1C4T2 Fl. 8 3 economia mista federais, pelo fornecimento de bens ou pela prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS. A retenção está disciplinada pela Instrução Normativa n° 480/2004 e alterada pela IN 539/2005; (transcreve o art.31 da IN citada); Como acontece anualmente, a maioria dos órgãos públicos não enviam os comprovantes anuais de retenção, inclusive a própria Receita Federal, e essa companhia envia correspondências para suas fontes pagadoras cobrando os comprovantes; Essa companhia emitiu a carta circular CT/CIRC/FGC/067/2006 a suas fontes pagadoras; De posse dos comprovantes recebidos, procedemos retificadoras das DIPJ`s dos anos 2001 a 2006; Observando o Despacho Decisório – Análise de Crédito, nas parcelas “Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas”, verificase diferença de centavos, que ocorrem em função de arredondamento; Anexamos comprovantes de retenção recebidos dos órgãos, cujos valores estão declarados nas DIPJ`s e PER/DCOMP`s; Quanto aos pagamentos efetuados, foi considerado para compor o saldo negativo os valores dos DARF´s efetivamente pagos, sendo R$ 863.672,54 (janeiro) e R$ 737.963,29 (maio), cujos valores são maiores que o imposto de renda a pagar apurado; (indica planilha com as estimativas efetivamente pagas); Referente a estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, foi protocolado na Receita Federal do Brasil em 22/02/2010 manifestação de inconformidade datada de 19/02/2010 referente ao Despacho Decisório nº 854507455, processo de crédito 10240.902219/200912, apresentando os comprovantes de retenções, portanto pendente de análise; Requer o reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: Circular nº 067/2006 (fl.28), resumo retenções, comprovantes de rendimentos, DARF`s SIAFI e respostas fontes pagadoras – anoCalendário 2004 (fls.30/260), cópias de DARF`s pagamentos estimativa IRPJ e DCTF`s (fls.262/265), cópias instruções preenchimento DIPJ (fls.267/270), telas DIPJ 2005 AC2004 (fls.272/276), documentos do processo 10240.902219/200912 saldo negativo IRPJ AC2001 (fls.278/400), despacho (fl.401), Cópia Acórdão 25.778 (fls.402/408), detalhamento do crédito (fls.409/411), detalhamento do débito (fl.412), tela SIEFPERDCOMP (fl.413), telas SIEFFiscal (fls.414/416), DIRF`s (fls.417/489) e fichas DIPJ 2005 (fls.490/502). A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 659DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.900024/201071 Resolução nº 1402000.276 S1C4T2 Fl. 9 4 SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. USO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. Tendo sido não homologadas as compensações de estimativa IRPJ, estas devem ser desconsideradas no ajuste anual. SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO NO AJUSTE ANUAL. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovado o recolhimento de estimativa a maior e que não houve o aproveitamento do indébito em compensação, cabível seu aproveitamento no ajuste anual. SALDO NEGATIVO IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. Tendo sido comprovada a retenção de imposto de renda em função dos documentos apresentados, tais valores integram o ajuste anual. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. No voto condutor do acórdão recorrido consta que o principal motivo da negativa de deferimento integral devese a falta de comprovação de retenções em fonte, conforme abaixo transcrito: “(...) CNPJ 00.381.056/002004: código 6147. Retenção de R$ 318,04. O contribuinte juntou comprovante em cópia simples que teriam sido emitidos pela fonte pagadora. Retenção não confirmada em DIRF. Considerando que o contribuinte não apresentou nenhuma outra prova além da cópia simples, a glosa deve ser mantida. CNPJ 00.394.411/000109: código 6147. Retenção de R$ 10.138,92. O contribuinte juntou comprovante em cópia simples que teria sido emitido pela fonte pagadora. Retenção não confirmada em DIRF. Considerando que o contribuinte não apresentou nenhuma outra prova além da cópia simples, a glosa deve ser mantida. CNPJ 00.394.460/007588: código 6147. Retenção de R$ 1.542,20. O contribuinte juntou comprovante em cópia simples que teria sido emitido pela fonte pagadora. Retenção não confirmada em DIRF. Considerando que o contribuinte não apresentou nenhuma outra prova além da cópia simples, a glosa deve ser mantida. CNPJ 00.452.733/000192: código 6147. Retenção de R$ 1.022,57. O contribuinte juntou comprovantes em cópia simples que teriam sido emitidos pelas fontes pagadoras. Retenção não confirmada em DIRF. Considerando que o contribuinte não apresentou nenhuma outra prova além da cópia simples, a glosa deve ser mantida. CNPJ 03.112.386/002408: código 6147. Retenção de R$ 167,65. O contribuinte juntou comprovantes em cópia simples que teriam sido emitidos pelas fontes pagadoras. Retenção não confirmada em DIRF. Considerando que o contribuinte não apresentou nenhuma outra prova além da cópia simples, a glosa deve ser mantida. CNPJ 37.115.367/002880: código 6147. Retenção de R$ 978,13. O contribuinte juntou comprovantes em cópia simples que teriam sido emitidos pelas fontes pagadoras. Retenção não confirmada em DIRF. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.900024/201071 Resolução nº 1402000.276 S1C4T2 Fl. 10 5 Considerando que o contribuinte não apresentou nenhuma outra prova além da cópia simples, a glosa deve ser mantida. No que se refere aos CNPJ`s 00.464.073/000134, 33.066.408/000115 e 46.151.130/000126, as glosas devem ser mantidas eis que o contribuinte não se manifestou a respeito. (...)” Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 516 a 654, na qual junta documentação que entende comprovar suas alegações quanto as retenções em fonte glosadas. Ao final, requer seja reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso manuseado pela recorrente encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Conforme relatado, o pleito do contribuinte foi deferido parcialmente em face da não comprovação de retenções de tributos em fonte por órgãos públicos, haja vista falta de DIRF e insuficiência da documentação apresentada na manifestação de inconformidade. Junto ao recurso voluntário a Recorrente apresenta complemento dessa documentação, fls. 543654, aduzindo também que em relação a falta de DIRF cumpre a RFB notificar as fontes pagadoras para confirmar os valores retidos e, se for o caso, aplicar as penalidades pertinentes a esses contribuintes. Pois bem, constatei em análise prévia que a documentação ora apresentada faz prova das retenções em fonte, todavia fazse necessário verificar se as receitas foram tributadas pela contribuinte, bem assim a correta contabilização desses valores (Receitas e IRFonte). Conclusão Diante do exposto, cumpre a este colegiado converter o julgamento em diligência para que a fiscalização da DRF de origem efetue as verificações necessárias e, ao final, lavre termo consubstanciado manifestandose sobre as alegações e documentação apresentada. Verificar, inclusive, se algum dos valores que resultaram nas retenções de fonte indicadas não foram oferecidos à tributação, informando, caso positivo, quais valores e o IRRF correspondente. Após, cientificar a Contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. É o voto. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.900024/201071 Resolução nº 1402000.276 S1C4T2 Fl. 11 6 (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 662DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10875.908188/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
DIREITO DE DEFESA. RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO DO DIREITO DE PRODUZIR PROVAS APÓS MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM DESPACHOS AUTOMATIZADOS DE INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO..
Necessário resguardar o direito de defesa quando o contribuinte demonstrar não compreensão suficiente dos motivos da notificação ou autuação.
Numero da decisão: 3401-002.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, POR MAIORIA ANULOU O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU.VENCIDOS OS CONSELHEIROS ROBSON BAYERL E JULIO RAMOS.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Relator.
EROS NOGUEIRA - Redator designado.
EDITADO EM: 10/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosJULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, CLAUDIO MONROE MASSETTI, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI
Nome do relator: Relator Eloy Eros da Silva Nogueira
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO DE DEFESA. RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO DO DIREITO DE PRODUZIR PROVAS APÓS MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM DESPACHOS AUTOMATIZADOS DE INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.. Necessário resguardar o direito de defesa quando o contribuinte demonstrar não compreensão suficiente dos motivos da notificação ou autuação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR MAIORIA ANULOU O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU.VENCIDOS OS CONSELHEIROS ROBSON BAYERL E JULIO RAMOS. JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. RELATOR ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Relator. EROS NOGUEIRA - Redator designado. EDITADO EM: 10/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheirosJULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, CLAUDIO MONROE MASSETTI, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI
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RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO DO DIREITO DE PRODUZIR PROVAS APÓS MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM DESPACHOS AUTOMATIZADOS DE INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.. Necessário resguardar o direito de defesa quando o contribuinte demonstrar não compreensão suficiente dos motivos da notificação ou autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR MAIORIA ANULOU O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU.VENCIDOS OS CONSELHEIROS ROBSON BAYERL E JULIO RAMOS. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Relator. EROS NOGUEIRA Redator designado. EDITADO EM: 10/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 88 /2 00 9- 47 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheirosJULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, CLAUDIO MONROE MASSETTI, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI Relatório Originalmente, este processo tem como objeto declaração de compensação DCOMP com base em credito de COFINS do período de apuração 03/2005 que o contribuinte acredita ter direito. vem para apreciação deste Conselho por Recurso Voluntário contra decisão que não acolheu essa Declaração de Compensação (DCOMP) e que o recorrente entende se tratar de questão cujo fundamento reside na exclusão do ICMS da base de cálculo das Contribuições PIS e Cofins. Indeferida a pretensão por meio de despacho decisório eletrônico, a contribuinte alegou o seguinte na Manifestação de Inconformidade, conforme o relatório da DRJ que reproduzo: A ilegalidade/inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. O conceito constitucional de faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, que consiste apenas no produto da venda de mercadorias e/ou serviços. O valor do ICMS não constitui receita dessas modalidades, mas sim receita dos estados, caracterizandose, pois, como imposto indireto que apenas transita por seu patrimônio. Considerar que tal imposto integra a base de cálculo daquelas contribuições é alterar o conceito de faturamento definido pelo Direito Privado, ofendendose, pois, o art. 110 do Código Tributário Nacional. Também a Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 2008, não pode dar suporte à tal inclusão, pois, por um lado, como dito, o ICMS não compõe o conceito de faturamento, e, por outro, ela não pode validar ato legal editado anteriormente à sua vigência; • A própria Administração Pública reconhece que o valor recolhido a titulo de ICMS não integra o faturamento. Sempre que qualquer contribuinte ajuizar ação objetivando repetição de indébito daquele imposto, a Fazenda Pública Estadual competente invocará em sua defesa a aplicação do art. 166 do Código Tributário Nacional, sustentando que o pedido do contribuinte não pode ser acolhido em razão de ele atuar apenas como intermediário da arrecadação do ICMS, pois o imposto seria pago efetivamente pelo adquirente final do produto. Assim, numa interpretação contrario sensu daquele dispositivo legal, não pode a União considerar como receita bruta da recorrente o valor do ICMS; • Há afronta ao principio constitucional da capacidade contributiva, pois embora atue como sujeito passivo de diversas relações jurídicas tributárias, não o é nas relações que envolve o contribuinte final e o Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10875.908188/200947 Acórdão n.º 3401002.619 S3C4T1 Fl. 88 3 Fisco Estadual, não detendo, assim, capacidade contributiva sobre receitas auferidas pelo Erário; • Aplicase ao caso, por analogia, o estabelecido no art. 212, §1°, da Constituição Federal. Dessa forma, não se pode exigir PIS e Cofins sobre valores transferidos ao Fisco Estadual; • O atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal na apreciação do RE n° 240.785MG, que trata de matéria idêntica presente, corrobora todos os argumentos aqui suscitados. Observese que já foram prolatados seis votos em favor dos contribuintes e apenas um contra. Assim, é notório que deverá ser reformado o Despacho Decisório ora recorrido, para que seja aplicado ao caso o atual posicionamento daquele Tribunal. Ao final, requer: • a reforma do Despacho Decisório, para homologação da compensação realizada; • produção de todas as modalidades de prova admitidas em direito, sob pena de cerceamento de direito de defesa; • sejam as intimações realizadas pessoalmente ou via Correios em nome da própria interessada, bem como em nome dos advogados. A DRJ manteve o indeferimento por interpretar que o ICMS integra, sim, a base de cálculo das duas Contribuições. A Ementa do Acórdão 0530717 ficou assim redigida ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. PIS. COFINS. BASE DE CALCULO. ICMS. O valor do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 No Recurso Voluntário, o contribuinte insiste na compensação, repisando alegações da Manifestação de Inconformidade. E acresce que houve cerceamento à ampla defesa e ao contraditório quando a Delegacia de Julgamento lhe negou produção de provas por entender que esse direito estava precluso. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira. O recurso é tempestivo, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminarmente, entendo que houve o cerceamento à ampla defesa e ao contraditório, como alega o recorrente. Observo que a notificação inicial da não homologação tem sua origem em procedimento realizado automaticamente por sistema informatizado de controle dos pedidos de compensação. O conteúdo desse ato administrativo deve ser considerado suficiente para que o peticionário possa se capacitar a, não só manifestar sua inconformidade, mas desenvolver seus argumentos. Pareceme que não é caso, pois a intimação informa que o pedido de compensação não foi aceito pela insuficiência de crédito, enquanto que o contribuinte em sua manifestação de inconformidade se centra exclusivamente em discutir a exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis da COFINS. Vejamos o texto da notificação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: .R$ 221.580,19. • Valor do crédito original reconhecido: R$ 3.349,77 •, A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima*. identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados; mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do.contribuinte, restando saldo disponível 'inferior ao crédito 'pretendido. . insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.: Diante do exposto. HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10875.908188/200947 Acórdão n.º 3401002.619 S3C4T1 Fl. 89 5 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados para pagamento até 30 /10/2009. A Respeitável 1ª Turma de Julgamento de Campinas ressaltou essa situação ao registrar que o contribuinte transbordou o motivo da decisão de não homologação para adentrar o motivo do próprio direito creditório, trecho que reproduzo a seguir. Sublinho ademais que os Julgadores informam que o motivo da não homologação seria saldo não disponível e que isso seria o mesmo que não haver crédito líquido e certo. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada existia apenas em parte. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar integralmente a nova extinção, desta vez por meio de compensação. Daí a homologação parcial. Registrese que somente créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Em sede de manifestação de inconformidade a interessada, para além de contestar a vinculação parcial do pagamento a débito anterior, avança a questão, expondo as razões pelas quais entende que parte do recolhimento seria indevida. Ou seja, o litígio administrativo ultrapassa a questão da vinculação recolhimento e se instaura sobre a própria razão de formação do apontado direito creditório invocado pela contribuinte. Assim instalada a discussão, o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito. Vejase que a manifestação de inconformidade embute solicitação de desconstituição de confissão de divida anterior e, nesse contexto, deve ela atestar que o direito de crédito aproveitado na compensação tem apoio não s6 legal como documental. Alega a contribuinte que teria direito à excluir da base de cálculo PIS e da Cofins o valor do ICMS, porque ilegal/inconstitucional essa inclusão. (grifos nossos) Em suas ponderações finais, a Turma Julgadora explicou o porquê decidia não atender a produção de provas, como segue, in verbis: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 Não obstante, digase que mesmo se houvesse previsão legal para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins o valor do ICMS, a compensação destes autos não seria passível de homologação. Isso porque a contribuinte não trouxe aos autos a documentação comprobatória de seu direito creditório, quais sejam, documentos de sua escrituração contábil demonstrando os valores da base de cálculo daquelas contribuições efetivamente pagas e os valores que pretenderia excluir. Demais disso, ela veicula como direito creditório na DCOMP destes autos o valor integral do Darf recolhido para a contribuição social do período de apuração em questão. Ora, ao pretender excluir o valor do ICMS da base de cálculo dessas contribuições, apenas uma parte do valor recolhido ser indevida, e não todo ele. Mais uma vez, indispensável a comprovação desse direito creditório. Em se tratando de uma relação processual probatória, os procedimentos de compensação exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Não existe, propriamente, a obrigação de provar, senão com o risco de que, em não se cumprindo o ônus probatório, venha a se ter a não homologação das compensações efetuadas. E, nos termos do art. 16 do decreto n° 70.235, de 1972, as provas documentais devem ser apresentadas pelos contribuintes no momento da manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. Incabível, portanto, deferir o pedido de produção posterior provas. Dessa forma, não comprovada a liquidez e certeza do direito creditório veiculado na compensação destes autos, não cabe reforma do Despacho Decisório. (grifos nossos) Apesar da decisão de 1ª Instância não ter agredido a legislação que rege a matéria e não ter subtraído do interessado a possibilidade de continuar a defesa de seus interesses, direitos e ideias no prosseguimento do contraditório nas instâncias superiores e de apresentar suas alegações e elementos de prova, entendo que, essencialmente, houve supressão de condições de defesa e de contraditamento, pois me parece evidente que, neste caso, o contribuinte não compreendeu o motivo central do indeferimento. Permitir a produção de provas, em situações como essa, concorre para respeitar os princípios da ampla defesa e do contraditório, bem como os princípios que regem os atos da administração pública. Portanto, proponho que a seja acolhida a preliminar e devolvido o processo para que o contribuinte possa apresentar provas e submetêlas à apreciação da 1ª instância. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10875.908188/200947 Acórdão n.º 3401002.619 S3C4T1 Fl. 90 7 Relator Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000284/2009-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009
FALTA DE APRESENTAÇÃO DE REGISTRO DO LIVRO DIÁRIO - EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO - NÃO NECESSIDADE - As empresas optantes pelo lucro presumido estão desobrigadas de registrar a contabilidade.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA - Não havendo intimação para a apresentação de documento, não pode a fiscalização inferir a inexistência deste.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA Não havendo intimação para a apresentação de documento, não pode a fiscalização inferir a inexistência deste. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 02 84 /2 00 9- 02 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16045.000284/200902 Acórdão n.º 2403002.424 S2C4T3 Fl. 94 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, II da Lei 8212/91. De acordo com o Relatório Fiscal a autuada deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Após a impugnação a 6ª Turma da DRJ/CPS julgou procedente a autuação através do Acórdão 0534.041 que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTUAÇÃO CONTABILIDADE. REGISTRO EM CONTAS ESPECÍFICAS. OBRIGATORIEDADE. Constitui infração, passível de aplicação de penalidade, a verificação de contabilidade com deficiência na sua escrituração, consistente na não segregação específica de valores relativos a fatos geradores de contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com referida decisão a empresa apresentou recurso à este conselho alegando em apertada síntese: Afirma que o § 16 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social expressamente desobriga as empresas optantes pelo lucro presumido da apresentação da escrituração contábil; que, conforme documento anexado à impugnação, é optante pelo lucro presumido, tendo sido autuada por erro de escrituração em um livro contábil que não lhe era obrigado, ferindo o princípio da legalidade; Defende que somente estaria obrigada a apresentar o Livro Caixa, livro este que apresenta as formalidades mínimas quanto à escrituração e fica dispensado de qualquer registro, seja em Cartório de Registro Civil, seja em Junta Comercial, porém, o livro caixa não foi solicitado em nenhum momento no procedimento fiscal; que, se tivesse sido solicitado, a empresa o teria apresentado e que a escrituração do livro caixa segue a ordem rotineira de recebimentos e pagamentos. Entende como equivocada a decisão de primeira instância que desconsiderou a não solicitação de tal documento. Requer o cancelamento do débito. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese o entendimento majoritário dos julgadores de primeira instância, entendo caber razão à recorrente. Da análise dos documentos constantes nos autos, verificase que a empresa é optante pelo sistema de lucro presumido e, assim sendo, não está obrigada a registrar a escrituração contábil como previsto no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8212/91. É certo que nos casos de empresas optantes pelo lucro presumido, o livro caixa é documento obrigatório. Porém, não verifiquei nos autos a intimação para apresentação do referido documento, assim, não há como inferir que a recorrente não possua ou tenha se recusado a apresentar um documento que não lhe foi solicitado. A atividade fiscalizatória é procedimento que obedece a formalidades legais objetivas. Sabendo o ilustre Auditor Fiscal que o contribuinte era optante pelo lucro presumido, caberia então proceder a intimação para a apresentação do Livro Caixa e não supor pela inexistência do referido documento. Atualmente o processo administrativo é regido pela Lei 9784/99. Na presente autuação verificamse algumas afrontas às normas contidas no referido diploma legal, vejamos: Lei 9784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16045.000284/200902 Acórdão n.º 2403002.424 S2C4T3 Fl. 95 5 sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. (...) Verificase que a presente autuação fere aos preceitos legais acima colacionados, ferindo ainda o princípio da motivação. Ora exigir um documento que não é de apresentação obrigatória e inferir a inexistência de outro que nunca fora solicitado ao contribuinte vai de encontro também ao princípio do contraditório e da ampla defesa e inverte ilegalmente o ônus da prova. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso declarando insubsistente a autuação. Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000493/95-81
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
ART. 3º DA LEI 8.847/94. REVISÃO DO VTN MÍNIMO SUJEITA À APRESENTAÇÃO DE LAUDO HÁBIL.
A revisão pela administração do VTN mínimo previsto no art. 3º da Lei nº 8.847/94 requer a apresentação de laudo técnico que observe as orientações da NBR 8.799/1995, da ABNT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1994 ART. 3º DA LEI 8.847/94. REVISÃO DO VTN MÍNIMO SUJEITA À APRESENTAÇÃO DE LAUDO HÁBIL. A revisão pela administração do VTN mínimo previsto no art. 3º da Lei nº 8.847/94 requer a apresentação de laudo técnico que observe as orientações da NBR 8.799/1995, da ABNT. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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REVISÃO DO VTN MÍNIMO SUJEITA À APRESENTAÇÃO DE LAUDO HÁBIL. A revisão pela administração do VTN mínimo previsto no art. 3º da Lei nº 8.847/94 requer a apresentação de laudo técnico que observe as orientações da NBR 8.799/1995, da ABNT. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 04 93 /9 5- 81 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e às contribuições à CONTAG, CNA e ao SENAR do anocalendário de 1993, exigindo crédito tributário no montante total de 1.597,28 UFIR relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Alvorada", com área de 961,0 ha e cadastrado na então Secretaria da Receita Federal sob o nº 07403658, localizado no Município de Camapuã/MS. O interessado impugnou o lançamento no tocante ao ITR, visando a redução do Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) tributado, alegando que o imóvel está localizado na região do Rio Verde constituída de solos fracos, onde o VTN corresponde a 239,16 UFIR, conforme Certidão da Prefeitura Municipal de Camapuã que anexa. Acrescentou que em áreas férteis, como os municípios de Dourados e Anaurilândia, os VTNm fixados foram de 599,24 UFIR e 269,65 UFIR, respectivamente, contra as 786,92 UFIR fixadas para o município de Camapuã (fl.6). Juntou documentos e o laudo de fls. 16/19. A instância de primeiro grau julgou, em 23/7/1998, a impugnação improcedente (fls. 21/24), considerando que o laudo apresentado não fora acompanhado da respectiva ART, avaliara o imóvel a preços de julho de 1997, quando deveria ser de dezembro de 1995, e tinha sido elaborado em descordo com a NBR 8.799 da ABNT. Sumarizou o seu entendimento no acórdão assim ementado: VALOR DA TERRA NUA. VTN. O Valor da Terra Nua VTN declarado pelo contribuinte será rejeitado pelo Secretaria da Receita Federal quando inferior ao VTNm/ha fixado para o município de localização do imóvel rural. REDUÇÃO DO VTNM. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. A autoridade julgadora só poderá rever, a prudente critério, o Valor da Terra Nua mínimo VTNm, mediante laudo técnico, elaborado por entidade especializada ou profissional habilitado, obedecidos os requisitos minimos da ABNT e com ART, devidamente registrada no CREA, caso contrário, mantémse o lançamento. Ao final da decisão, foi observado que "todos os ITR/94 dos imóveis localizados no Estado do Mato Grosso do Sul estão sob liminar judicial, aguardando julgamento. Assim a decisão de quitar, imediatamente, o crédito tributário mantido ou aguardar o julgamento do mérito pela Justiça Federal é do contribuinte". Vale anotar que a ART relativa ao laudo de fls.16/19 consta como documento anexado ao processo em data posterior à da decisão, tendo sido aposto "recebido" a título de protocolo no documento que a acompanha, datado de 28/7/1997, mas sem identificação da repartição fazendária ou do servidor responsável pela sua recepção (fls. 31/32). Irresignado, o autuado interpôs recurso voluntário em 27/10/98 (fls. 33/36), alegando ter entregue a ART na Receita Federal em 28/7/1997, e que o laudo foi efetuado em 1997 mas a avaliação corresponde a 31 de dezembro de 1993. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10835.000493/9581 Acórdão n.º 2802003.085 S2TE02 Fl. 62 3 Aduziu que "a certidão do Município de Camapuã também não pode ser descartada como deslinde", e que o valor do VTN constante da impugnação foi confirmado pelas Instruções Normativas da Receita Federal supervenientes. O recurso voluntário teve seguimento negado, face à ausência do depósito recursal então previsto nos termos do § 2º do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e mantevese a suspensa a cobrança, em decorrência da liminar em Ação Civil Pública nº 95.00.029286/MS, a qual questionava a legalidade da Instrução Normativa SRF nº 16, de 27 de março de 1995. Tendo em vista acórdão exarado em 26/8/2010 pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, dando provimento à União na referida ação judicial (fls. 46/48), foram encaminhados os presentes autos ao CARF para julgamento (fl. 58). É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A lide versa sobre a utilização, para fins de cálculo do valor da terra nua do imóvel do contribuinte, do VTNm/ha de 786,92 UFIR para o exercício 1994, previsto no Anexo da IN SRF nº 16/95 (fl.5), valor o qual o referido reputa excessivamente alto. À época dos fatos, o ITR era regido pela Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, cujo artigo 3º trazia as seguintes disposições: Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. (...) § 2º O Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município. § 3º O VTN aceito será convertido em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) pelo valor desta no mês de janeiro do exercício da ocorrência do fato gerador. § 4º A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte. Em sintonia com esses preceitos, a Secretaria da Receita Federal anualmente editava Instrução Normativa fixando os VTNm a serem utilizado para fins de lançamento do Fl. 63DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 ITR relativo ao exercício anterior. Para o exercício 1994, esses valores, levantados com referência a 31/12/1993, foram determinados no mencionado Anexo da IN SRF nº 16/95. Conforme o § 4º do art. 3º da Lei nº 8.847/94, esse VTNm podia ser questionado pelo contribuinte e revisto pela administração, mas a pretensão deveria ser lastreada em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado. A matéria já foi objeto de enunciado sumular do CARF, o qual inclusive detalhou os requisitos exigidos para o indigitado laudo: Súmula CARF nº 23: A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas.(grifei) O contribuinte trouxe dois documentos com vistas a socorrer seu pleito: Certidão do Município de Camapuã/MS, atribuindo ao imóvel em questão o valor de Cr$ 31.571.963,64 em dezembro de 1993 (fl. 7), e Laudo de Avaliação datado de 8/7/1997 (fls. 16/19). A referida Certidão municipal se traduz em mera declaração de ciência de uma situação, pois nesse documento não consta demonstração alguma, ou sequer indicativo, de como se chegou ao valor ali consignado. Ou seja, patente a insuficiência dos elementos necessários para ilidir o VTNm firmado na autuação. No que tange ao laudo, reconheço que se encontra superado um dos defeitos apontados pela DRJ/RPO, a falta da respectiva ART, pois como visto esta se encontra colacionada aos autos à fl. 32. Ainda assim, temse que o laudo apresentado não preenche os requisitos estabelecidos pelas normas de regência para infirmar o VTNm fixado administrativamente. A Norma Brasileira para Avaliação de Bens, Imóveis Rurais, NBR 8.799/1985, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), dispôs que o laudo deverá demonstrar os métodos de avaliação, fontes pesquisadas e data a que faz referência, levando à convicção sobre o valor atribuído ao imóvel por meio de provas materiais idôneas, provenientes de fontes externas, a exemplo de cópias de documentos relativos às transações imobiliárias realizadas no município, anúncios em jornais e revistas, folhetos de publicação geral, informando os preços dos imóveis daquela municipalidade. O laudo examinado não discrimina o grau de precisão/rigor e de fundamentação utilizados nos termos estipulados pela NBR 8.799/1985. Tampouco há qualquer registro fotográfico ou cartográfico, a amparar a sucinta descrição do imóvel nele constante. Por outro lado, verificase que nenhum levantamento dos preços das áreas rurais semelhantes, situadas na região, foi realizado, o que poderia ter sido efetuado via pesquisa em jornais, registros cartorários, junto a corretores, etc. A avaliação não fez menção, Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10835.000493/9581 Acórdão n.º 2802003.085 S2TE02 Fl. 63 5 também, a qualquer metodologia estatística utilizada para fins de apuração do valor da terra nua. De fato, o responsável pelo documento menciona apenas que "o valor corrente de preço de comercialização das terras abertas, formadas e com benfeitorias da Fazenda Alvorada é sempre baseado no preço da vaca boiadeira ou seja 2,0 vacas por hectare". Então, toma o preço estimado desse animal em dez/93, calcula o valor do hectare em UFIR , e por meio da correção desse índice, chega ao valor em reais da propriedade em 1997, ano da lavratura do laudo. A partir daí, atribui valores às benfeitorias, descontandoos do valor total, e, por meio de reconversão em UFIR, obtém valor para a terra nua em 31/12/1993 em UFIR (fls. 18/19). Ora, tal sucinto modo de cálculo não possui o rigor científico apto a amparar laudo com grau de precisão normal, exigível para infirmar o VTNm atacado. Não surpreende, nesse contexto, que o documento em questão não mencione em momento algum, a NBR 8.799/1985, pois à toda evidência, a esta não se reporta. Revelase por todos esses aspectos, consequentemente, ineficaz o laudo apresentado pelo contribuinte para os fins a que se pretende destinar. Por fim, observese que o fato do VTNm fixado para o Município de Camapuã pelas Instruções Normativas exaradas nos anos subsequentes pela Receita Federal, aproximarse do VTN considerado como correto pelo autuado para o exercício de 1994, pode, efetivamente, consubstanciarse em indício de que o VTNm fixado pela IN SRF nº 16/95 não fosse o mais apropriado para avaliar o VTN do imóvel. Contudo, a Lei nº 8.847/94 delineou claramente ser necessário para a revisão do VTNm a apresentação de laudo técnico hábil e idôneo, sendo que a jurisprudência administrativa rumou ao encontro desse preceito, consoante a já transcrita Súmula nº CARF nº 23, de observância obrigatória para este Colegiado por força do art. 72 do RICARF. Nesse compasso, deve ser ressaltado que elementos de natureza meramente indiciária não têm os predicados suficientes para afastar a incidência dessas normas. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 65DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901231/2009-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 12 31 /2 00 9- 62 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901231/200962 Acórdão n.º 3801004.061 S3TE01 Fl. 8 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica, transmitida, por meio da qual a contribuinte solicita a compensação de débito com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para O Programa de Integração Social (PIS). Na apreciação do pleito, manifestouse a D elegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP pela homologação da compensação declarada, mediante Despacho decisório, fazendo o com base na contestação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, descriminado na Dcomp, não foi localizado no sistema. Inconformada com a nãohomologação da compensação, contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que o Darf não foi localizado porque, à época, o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data da arrecadação. Esclarece que a data da arrecadação é a data do vencimento informada, a qual poderá ser consultada nos sistemas da Receita Federal, confirmando o crédito pretendido. Informa que junta aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp, para análise. A contribuinte passa, então, a apresentar os fundamentos legais e tecer considerações sobre o prazo para pleitear restituição. Defende a interessada que tratandose de contribuição sujeita a lançamento por homologação, o prazo decadencial só começa a fluir após decorridos 5 (cinco) anos da data do fato gerador, somados mais 5(cinco) anos se a homologação se der de forma não expressa. Assim, argumenta, dispõe de 10ª nos para pleitear a restituição, sem prejuízo dos acréscimos e demais cominações. A DRJ de Florianópolis (SC) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901231/200962 Acórdão n.º 3801004.061 S3TE01 Fl. 9 3 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADÊNCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Contudo, a contribuinte vem aos autos, consoante requerimento, juntando ainda documentos comprobatórios de capacidade postulatória, requerer o cancelamento do processo. É o sucinto relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901231/200962 Acórdão n.º 3801004.061 S3TE01 Fl. 10 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Como relatado, a Recorrente apresentou requerimento de cancelamento do pedido de compensação. Foi encaminhado a este relator o presente processo com o seguinte Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Considerando que o contribuinte apresentou requerimento de desistência da compensação, que o mesmo apresentou Recurso Voluntário referente ao crédito objeto de Restituição e que não houve o cumprimento da Intimação para comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário, encaminho o processo ao CARF/MF/DF para julgamento O pedido foi formulado pelo sócioadministrador da empresa, consoante pode ser verificado no art. 8º do contrato social da empresa. Deste modo, entendo que o requerimento de cancelamento do pedido formulado pela contribuinte configurase claramente como desistência do pedido a qual ele se funda. Logo, compreendo que ocorreu desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário ora em julgamento. Assim, entendo que no caso de desistência manifestada através de petição nos autos do processo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901231/200962 Acórdão n.º 3801004.061 S3TE01 Fl. 11 5 Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Desse modo, estão configurados todos os requisitos do não conhecimento do Recurso, quais sejam: apresentação de pedido expresso por escrito, sob a forma de petição, em qualquer tempo por representante legítimo do contribuinte. Logo, operamse de imediato e irrevogavelmente todos os efeitos do pedido de desistência: renúncia à pretensão do direito e não conhecimento do recurso. Ante ao exposto, em observância ao disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/7/2009, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13005.001596/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS MODIFICATIVOS. POSSIBILIDADE.
Devem ser admitidos e acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Acórdão Retificado
Numero da decisão: 3102-002.253
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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COMERCIO INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO Interessado BALDO S.A. COMERCIO INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS MODIFICATIVOS. POSSIBILIDADE. Devem ser admitidos e acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão Retificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 31021756, de 31 de janeiro de 2013, que, à época, recebeu a seguinte ementa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 15 96 /2 00 8- 22 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 186 2 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS. As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico. Recurso Voluntário Provido O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento eletrônicos transmitidos pela contribuinte em 25/09/2007, 27/12/2007, 28/08/2007 e 27/12/2007 relativos a valores de PIS nãocumulativo (mercados externo e interno) referentes ao segundo e terceiro trimestres de 2007, onde foram apurados créditos no montante total de R$ 218.439,25, conforme documentos de fls. 01/15. A SAFIS da DRF de origem adotou procedimentos para confirmação da legitimidade do crédito pleiteado, efetuando a necessária fiscalização, emitindo Termo de Intimação Fiscal e procedendo às verificações entendidas cabíveis, tendo sido produzido o Relatório de Ação Fiscal de fls. 25/32, com os demonstrativos de fls. 33/41, onde, em especial, assentou o agente fiscal: Da análise dos documentos e registros apresentados pela empresa foram verificadas irregularidades no preenchimento de determinadas linhas das DACON, que ocasionaram divergências entre os valores de crédito apurados pela empresa e os valores de créditos calculados pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, doravante denominado AFRFB. (fl. 25) Foram excluídos dos valores informados pela empresa nesta linha da Dacon, os montantes referentes a aquisições de soja e ervamate, demonstrados na tabela abaixo (coluna 3), obtidos da planilha demonstrativa das compras destes produtos no período fiscalizado (...) apresentada pela empresa à fiscalização (.). Estes valores foram excluídos da Linha 02 da Ficha 06A da Dacon em razão de que compras de produtos agropecuários (soja e ervamate) são geradoras de crédito presumido, sendo que nesta linha são informados os valores geradores de crédito básico. Isto porque, da análise das informações prestadas pela empresa referentes à composição dos valores informados na linha 02 da Dacon no período de agosto/2006 a setembro/2007, verificouse que foram incluídos valores de aquisição de produtos agropecuários (soja e ervamate). Este procedimento não se harmoniza com o disposto na DI SRF n°660, de 17 de julho de 2006, normatizadora da Lei n°10.925, de 23 de julho de 2004, que instituiu o crédito presumido e que determina, em seu art. 2°, inc. IV, que as vendas de produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos elencados em seu art. 5°, inc. I, sejam efetuadas com suspensão da exigibilidade da contribuição para o PIS, e, em razão desta suspensão nas Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 187 3 operações de venda, a empresa agroindustrial que os adquire poderá descontar crédito presumido, à alíquota de 35% (sobre as compras de soja, até junho/2007, e ervamate em todo o período) e 50% (sobre as compras de soja, a partir de julho/2007) da alíquota normal do PIS [1,65%], na determinação do valor da contribuição apagar. (fls. 26/27) (...), as compras de produtos agropecuários, sejam de pessoas físicas ou jurídicas, geram crédito presumido, em razão de que adquiridas por empresa que exerce atividade agroindustrial sujeita ao regime de nãocumulatividade da contribuição para o PIS, tendo estes produtos servidos de insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos códigos da NCM dispostos nos inc. I e II do art. 5° da IN SRF 660/2006, cujas vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade do PIS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa. (fl. 28) À fl. 43 está anexado o Despacho Decisório DRF/SCS n° 377, de 23/10/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando o Relatório de Ação Fiscal, resolveu: a) reconhecer parcialmente o direito creditório da contribuinte frente à Fazenda Pública da União, no montante de R$ 30.062,70 (trinta mil, sessenta e dois reais e setenta centavos), referente ao PIS nãocumulativo exportação do 2° e 3° trimestres de 2007 e não reconhecer o direito creditório referente ao PIS não cumulativo mercado interno daqueles mesmos trimestres; b) homologar as compensações declaradas e juntadas ao presente processo até o limite do crédito reconhecido anteriormente. Determinou fosse a contribuinte cientificada da decisão exarada, bem como da possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade relativamente àquela decisão. A contribuinte foi cientificada em 05/11/2008— AR de fl. 45. Foram anexados novos PER/DCOMPs, informando compensações. Em 03/12/2008 a contribuinte apresentou, através de procurador, a manifestação de inconformidade de fls. 76/92, argüindo o que, em síntese, está exposto a seguir: DOS FATOS E DO DESPACHO DECISÓRIO ATACADO • a empresa foi intimada de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o seu direito ao ressarcimento de créditos de PIS por operações de exportação realizadas no 2° e 3° trimestres de 2007; • o reconhecimento parcial do crédito está sustentado no entendimento de que a empresa não teria direito à utilização daqueles na forma prevista pelo art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002 (bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bem ou produtos destinados à venda) quando da aquisição de soja e ervamate; • o direito da empresa seria apenas à utilização do crédito presumido previsto nos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, eis que tanto a soja quanto a erva mate seriam produtos agropecuários, na forma do art. 2°, IV, da IN SRF n° 660, de 2006; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 188 4 • sua manifestação de inconformidade busca a reforma do Despacho Decisório e o conseqüente reconhecimento, em sua integralidade, do direito creditório pleiteado. RAZÕES DE REFORMA DO DESPACHO DECISÓRIO RECORRIDO • a questão em análise está centrada, única e exclusivamente, no tratamento conferido pela autoridade fiscal aos créditos oriundos das aquisições de soja e erva mate efetuadas pela empresa; • se tratados como produtos agropecuários destinados à fabricação dos produtos referidos no art. 5°, I, da IN n° 660, de 2006, as aquisições de soja e erva mate confeririam ao seu adquirente o direito ao lançamento de crédito presumido calculados à razão de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente, sobre o valor das aquisições. Se tratados na regra geral de insumos, prevista no art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002, as mesmas aquisições confeririam à empresa o direito ao lançamento de crédito integral, calculado à razão de 7,6% sobre o valor das aquisições. Transcreve parte do Relatório de Ação Fiscal; • conclui que o procedimento adotado pelo Fisco redundou na redução dos créditos pleiteados pela empresa, vez que o cálculo dos créditos presumidos é feito com base na aplicação de alíquota substancialmente menor do que aquela utilizada na apuração dos créditos previstos no art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Dos CRÉDITOS PRESUMIDOS EM MATÉRIA DE PIS E COFINS — ANÁLISE DOS MOTIVOS QUE LEVARAM À SUA INSTITUIÇÃO • traça arrazoado acerca da instituição da sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, estabelecida pelas Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, referindo à legislação, às alterações introduzidas na sistemática e à tentativa de neutralizar os custos suportados pelas pessoas físicas que atuam nos ramos da agricultura e da pecuária. Cita a Lei n° 10.925, de 2004 (posteriormente alterada pela Lei n° 11.051, de 2004), transcrevendo o art. 8°; • entende que a Lei citada, assim como previu a possibilidade de utilização do crédito presumido de PIS e de COFINS quando da aquisição de insumos de pessoas físicas ou cooperado pessoa física, instituiu, também, o direito de aproveitamento do mesmo crédito quando da aquisição de insumos de pessoas jurídicas que exerçam as atividades de agropecuária e/ou de cerealista; • em contrapartida, a Lei determinou a suspensão da cobrança do PIS e da COFINS nas vendas realizadas por aquelas pessoas jurídicas desde que o adquirente apurasse o IR com base no lucro rela, exercesse a atividade agroindustrial (o que deveria ser comprovado mediante a apresentação de declarações) e utilizasse o produto adquirido com suspensão na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal ou classificados no código 22.04 da NCM. Fala sobre esta forma de apuração de créditos. DOS CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÕES DE ERVAMATE CANCHEADA • o Fisco entendeu pela glosa de todos os valores que excederam ao cálculo do crédito presumido de 35% do montante da alíquota do PIS, donde, ao invés de reconhecer o direito da empresa ao lançamento de um crédito integral, calculado mediante a aplicação do percentual de 7,6% sobre as aquisições de ervamate, Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 189 5 permitiu apenas o aproveitamento de créditos da contribuição limitados a 2,66% da compras de tal produto; • a justificativa do Fisco para a limitação do direito creditório pleiteado está única e exclusivamente na aplicação do art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, que determina a suspensão da contribuição na venda dos produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos relacionados no art. 5 0, I, daquele diploma infralegal; • passa a esclarecer as atividades exercidas pela empresa no que tange à compra de insumos e a posterior fabricação de ervamate; • a análise das notas fiscais que deram origem ao crédito de PIS e COFINS cujo ressarcimento ou compensação com outros tributos era pleiteado pela empresa demonstra, sem margem a dúvidas, que os produtos por si adquiridos eram classificados como ervamate cancheada (código NCM 09.03.0010), ou seja, aquela adquirida de produtores rurais e submetida ao processo de trituração das folhas de ervamate que precede a sua industrialização; • há de ser analisado se está correto o enquadramento da ervamate cancheada na hipótese prevista no art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, assim como a necessidade de aplicação da regra de lançamento de créditos presumidos quando da aquisição de tal produto em detrimento do crédito integral garantido pelo art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002; • a primeira inconsistência da tese defendida pelo Fisco para imposição do lançamento de apenas créditos presumidos quando da aquisição de ervamate cancheada está na classificação desta como produto agropecuário. A atividade agropecuária, na forma do art. 3°, § 1°, II, da IN n° 660, de 2006, é aquela consistente do cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2° da Lei n° 8.023, de 1990. No caso em tela, a ervamate cancheada não pode ser considerada um produto agropecuário, à medida que se trata de produto resultante da atividade de extrativismo; • não tendo a ervamate cancheada origem no cultivo da terra, vez que suas folhas são extraídas de árvores pertencentes a reservas naturais em que não houve a atuação do homem (como ocorre em qualquer outra atividade de extrativismo mineral, como a obtenção de carvão, água, petróleo), suas vendas não devem se submeter à regra de suspensão da incidência do PIS e da COF1NS e, conseqüentemente, as despesas com sua aquisição geram direito ao crédito das contribuições na forma prevista nos arts. 3 0, II, das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • o Poder Executivo caracterizou a atividade agropecuária como sendo a atividade econômica de cultivo da terra e/ou criação de aves, peixes e outros animais, donde o produto agropecuário a ser vendido com suspensão da incidência de PIS e COFINS haverá de ser aquele decorrente do exercício daquela atividade; • o ponto nevrálgico da presente discussão é que os créditos lançados pela empresa de maneira integral, tendo como base o disposto nos arts. 2° e 3 0, II, da Lei n° 10.637, de 2002, não obstante decorrentes da aquisição de ervamate (em tese, um produto agropecuário), não tem como origem uma venda realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária; • o fluxo de produção da ervamate passa por diversas fases até chegar à industrialização propriamente dita. A empresa inicia a sua atividade de Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 190 6 industrialização após promover a aquisição da ervamate cancheada, ou seja, aquela que já passou pelo processo de sapeco, secagem e cancheamento; • se a ervamate cancheada fosse adquirida de pessoa física ou jurídica que promovesse o cultivo direto da terra, não haveria dúvidas sobre a necessidade de aproveitamento do crédito presumido. Mas, no caso concreto, a ervamate cancheada é adquirida de pessoas jurídicas que não promovem o cultivo da terra, vez que compram a ervamate de terceiros. Estes, geralmente pessoas físicas, são os que efetivamente promovem a extração da ervamate e repassam a outras pessoas jurídicas para a realização das demais etapas da cadeia produtiva; • no caso concreto, não houve a aquisição de produtos agropecuários beneficiados com a suspensão de PIS e COFINS sobre as receitas auferidas com suas vendas. Isso porque, ao contrário do que entendeu o Fisco, a ervamate cancheada comprada pela manifèstante e que de origem aos créditos glosados foi fornecida por pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, eis que não promovem o cultivo da terra e/ou a criação de aves, peixes e outros animais; • só poderia ter sido promovida a restrição ao direito de crédito caso as aquisições tivessem sido promovidas diretamente daqueles que promovem a extração da ervamate. A existência de uma terceira pessoa, que se insere na cadeia produtiva entre o produtor primário e a pessoa jurídica responsável pela industrialização da ervamate com vistas a realizar uma das etapas de tal processo, impede a incidência da norma de suspensão da incidência das contribuições e, conseqüentemente, torna impossível o aproveitamento do crédito presumido previsto na legislação; • as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa, jamais foram feitas com suspensão de PIS e COFINS prevista na legislação para as hipóteses de vendas realizadas por pessoas jurídicas que exercem atividades agropecuárias. sempre houve a incidência das contribuições sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas vendedoras, com o conseqüente direito ao crédito das contribuições para as adquirentes; • não poderia ser outro o procedimento adotado pelos produtores de ervamate cancheada, porquanto, se pretendessem promover a venda com suspensão da incidência das contribuições, seria absolutamente fácil para o Fisco, a partir do confronto entre as notas fiscais de entrada de ervamate e de saída de ervamate cancheada, comprovar que o exercício da atividade agropecuária estaria concentrado apenas naquele que efetuou a extração vegetal, não se alastrando para a pessoa jurídica que alterou as condições do produto in natura; • a empresa buscou junto aos seus fornecedores de ervamate cancheada declarações de que não executam o cultivo da terra ou atividade extrativa vegetal, de que adquirem de terceiros as folhas e galhos de ervamate utilizada na produção da ervamate cancheada que lhe é vendida e, ainda, de que calculam e recolhem o PIS e a COFINS sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada. Relaciona as empresas e entende serem válidas as declarações; • caso a DRJ repute não serem suficientes os elementos de prova trazidos aos autos, poderá converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos que julgar necessários; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 191 7 • a empresa não poderá ser prejudicada com a suspensão de seus créditos se, ao mesmo tempo, os fornecedores de ervamate cancheada não forem beneficiados com a suspensão de incidência das contribuições. Tendo havido o pagamento do PIS e COFINs na etapa anterior da cadeia produtiva, deve ser reconhecido o crédito em favor do adquirente, sob pena de se colocar à lona a nãocumulatividade almejada pelo legislador; • prova cabal da incidência das contribuições sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa está no fato desta última jamais ter cumprido a exigência constante do art. 40 da IN n° 660, de 2006, no sentido de emitir declarações que pudessem sustentar a venda de insumos para sua produção com suspensão de PIS e COFINS. Não tendo assim procedido, resta evidente que as pessoas jurídicas vendedoras, pela ausência de cumprimento das claras condições estabelecidas na legislação, haveriam de tributar normalmente as vendas, sob pena de posterior autuação por parte do Fisco Federal; • o fato da não expedição das declarações é impossível de ser comprovado pela empresa, vez que se tem, em tal hipótese, a caracterização precisa daquilo que tecnicamente é conhecido como prova negativa; • se o entendimento da empresa não for respaldado pelo DRJ, se estará diante de manifesta ofensa ao princípio da separação dos poderes, fundamental para a manutenção de um Estado Democrático de Direito, porquanto terão as autoridades administrativas responsáveis pela análise do crédito em questão, com a chancela da DRJ, criando nova hipótese de suspensão da incidência do PIS e da COFINS sem o respaldo de qualquer dispositivo legal; • estarseá definindo, pois, a possibilidade de duas suspensões de incidência das contribuições na mesma cadeia produtiva, sendo que apenas uma das vendas (a primeira, de ervamate in natura) é efetivamente realizada por pessoa física que exerce atividade agropecuária, uma vez que a segunda (de ervamate cancheada) é promovida por pessoa jurídica QUE NÃO TRABALHA NO CULTIVO DA TERRA, POIS A ERVAMATE CANCHEADA É RESULTADO DE PROCESSO APLICADO SOBRE VEGETAL CUJA EXTRAÇÃO FOI PROMOVIDA POR TERCEIROS; • conclui ser manifesto o desacerto do Despacho Decisório atacado, devendo os créditos que foram transferidos pelo Fisco da linha 02 para a linha 26 da DACON voltar a sua origem, recalculandose o montante de crédito passível de ressarcimento a que faz jus a empresa em razão da aquisição de ervamate cancheada de fornecedores que não exercem a atividade agropecuária, na forma do art. 3 0, § 1°, II, da IN SRF n° 660, de 2006, e, conseqüentemente, não produzem os produtos agropecuários previstos no art. 2°, IV, do mesmo diploma infralegal. Dos CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÕES DE SOJA • a exemplo da ervamate cancheada, as aquisições de soja também foram consideradas oriundas de pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária; • a empresa informa que, do mesmo modo como ocorrera em relação à ervamate, sempre foram feitas junto a pessoas jurídicas que não exercem a atividade agropecuária definida no art. 30, § 1°, II, da IN n° 660, 2006. A fim de evitar tautologia, não irá repetir os argumentos já apostos em relação à ervamate cancheada; • toda a soja foi comprada de pessoas jurídicas que já a haviam adquirido de produtores rurais, responsáveis pelo cultivo da terra. Assim, a operação realizada Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 192 8 com suspensão de incidência de PIS e COFINS foi aquela realizada entre o produtor e esse adquirente, que posteriormente revendeu tal produto para a empresa; • a receita auferida com a venda de soja para a empresa foi submetida normalmente à tributação pelo PIS e pela COFINS. Como não poderia deixar de ser, gerou, também, o direito ao creditamento de valores a serem calculados sobre o montante despendido em tais aquisições, na forma do art. 3 0, II, das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • refere à provas que diz ter carreado aos autos (cita duas empresas) e entende que para a imposição do lançamento de crédito presumido vinculado às aquisições de soja, não se pode considerar os fornecedores relacionados pelo Fisco como cerealistas, na forma do art. 8°, § 1°, da Lei n° 10.925, de 2004; • se deve reconhecer, também em relação à soja adquirida de pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, o direito a créditos de COFINS calculados de acordo com o previsto nos arts. 2°c 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Do PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA • em itens anteriores, a empresa pleiteou a realização de diligências que têm como objetivo esclarecer, de maneira cabal, a forma como foram realizadas as operações de compra e venda de soja e ervamate cancheada entre ela e seus fornecedores; • tal pedido, além de encontrar arrimo no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, vias, em última análise, à aplicação do princípio da busca da verdade real, norteador do PAF; • a empresa entende que dois devem ser os questionamentos a serem respondidos pela autoridade fiscal, ou por outra que for designada para realização de tal tarefa: 1. os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS glosados compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à manifestante ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? 2. as vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de PIS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? • com base na resposta a tais questionamentos, claro estará que as aquisições promovidas pela empresa foram integralmente tributadas, não havendo razão para a imposição de aproveitamento de apenas créditos presumidos vinculados a tais aquisições; • não se deve alegar que poderia a manifestante ter promovido a juntada de documentos que comprovem as circunstâncias argüidas. Além das declarações que já estão anexadas a esta peça, nenhum outro documento poderia ser juntado, vez que não há qualquer regra que obrigue às pessoas jurídicas vendedoras a concederem vista de seus registros fiscais a terceiros. Somente o Fisco, no exercício de sua atividade fiscalizatória, poderá ter acesso, sem restrições, aos elementos que sustentarão as respostas aos questionamentos formulados; Fl. 423DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 193 9 • caso entenda a DRJ que as declarações anexadas aos autos não são suficientes para demonstrar o direito da empresa ao lançamento dos créditos glosados pelo Despacho Decisório atacado, imprescindível a realização da diligência solicitada, para que se ateste, de maneira inequívoca, o direito à apuração dos créditos de PIS na forma prevista nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Do REQUERIMENTO • a empresa requer: a) a conversão do processo em diligência, a fim de que sejam respondidas pela autoridade responsável pela elaboração do Despacho Decisório ora atacado, ou por outra designada para tal fim, as questões constantes da peça de contestação; b) independentemente da realização de diligência, a reforma do Despacho Decisório atacado, de modo a ser reconhecido o crédito integral de PIS, na forma em que postulado nos PER/DCOMPs que deram origem ao presente processo administrativo. • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos de fls. 93/200 e 203/238. O Órgão de origem anexou cópia de AR de fl. 239 e encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 240). Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 AFRONTA A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questão que envolva possível afronta a princípio constitucional. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 AGROINDUSTRIA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS ADQUIRIDOS SEM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A agroindústria pode calcular créditos da contribuição sobre o valor dos insumos, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, desde que atendidas todas as condições previstas na legislação, dentre elas a de que os bens adquiridos estejam sujeitos ao pagamento da contribuição. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 194 10 As questões de direito foram decididas favoravelmente à recorrente no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento; contudo, foram incluídos nos cálculos dos créditos apenas os valores referentes às aquisições de ervamate e soja das empresas referidas na fundamentação, delimitando a concessão ao universo de empresas identificadas nas declarações anexadas pela Recorrente. A parte requereu, em sede de Recurso Voluntário, a inclusão das demais empresas das quais adquiriu os produtos nas compras objeto da lide. Esclareceu não ter condições de trazer aos autos, ela própria, declarações dos seus fornecedores que atestem a sua condição de contribuintes de PIS e COFINS se estes, de modo voluntário, não o fizerem. O julgamento foi convertido em diligência para que fosse identificada a verdadeira condição dos fornecedores da empresa autuada, com o encaminhamento do processo à repartição de origem para que a fiscalização, a seu juízo, determinasse os esclarecimentos que julgasse necessários à perfeita instrução processual, devendo ainda responder às questões a seguir reproduzidas, em observância ao pleito consignado pela autuada a este Conselho. 1. Os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados (excetuados aqueles já reconhecidos como legítimos pelas autoridades julgadores de primeira instância, vinculados aos fornecedores relacionados na manifestação de inconformidade) compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à recorrente ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? 2. As vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? Atendida a diligência, o processo retorna a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão definitiva. As razões dos Embargos opostos ao Acórdão podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. A ora Embargante foi intimada, no último dia 27 de maio de 2014, acerca do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário interposto no presente processo administrativo. Para sua surpresa, a despeito do provimento integral do recurso, a Embargante foi intimada a promover o pagamento de parte dos débitos que teriam remanescido em aberto, haja vista, no entendimento da RFB, o acórdão proferido por este Colendo Conselho ter redundado no reconhecimento apenas parcial dos créditos de PIS e COFINS pleiteados. Diante de tal cenário, a Embargante buscou junto à RFB a explicação para que a aplicação do decisum tivesse se dado de maneira apenas parcial, uma vez que o parecer que acompanhou o acórdão não explicitou as razões pelas quais o reconhecimento do crédito'complementar tivesse sido apenas parcial. Para sua surpresa, a Delegacia da RFB em Santa Cruz do Sul sustentou que o acórdão proferido pelo CARF determinou, em sua parte dispositiva, que deveria ser reconhecido o direito do crédito básico na compra de ervamate apenas das empresas informadas pela Recorrente na resposta à intimação que havia encaminhado ao Fisco quando do cumprimento da diligência, razão pela qual os Fl. 425DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 195 11 demais créditos ainda discutidos, relativos às empresas que confirmaram ser contribuintes de PIS/COFINS por declarações juntadas ao recurso voluntário, não estariam abrangidas por tal decisão Neste cenário, imperiosa a oposição dos presentes embargos de declaração, a fim de que seja sanada a omissão constante da parte dispositiva do acórdão, com a consequente integração desse para o fim de restar confirmado que o reconhecimento do crédito de PIS/COFINS deve abranger (i) as empresas que confirmaram ser contribuintes, de PIS/COFINS, mediante declarações apresentadas quando da interposição do recurso voluntário, e (ii) aquelas que constaram da resposta apresentada pela Embargante à intimação encaminhada pelo Fisco. Explica que, originalmente, os créditos haviam sido glosados porque, de acordo com o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Embargante apenas fazia jus a créditos presumidos, "eis que a ervamate cancheada seria produto agropecuário cuja incidência de PIS/COFINS estaria suspensa pela aplicação do disposto no art. 2o , IV, da IN 660/2006". Essa premissa foi revista na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quando o direito ao crédito básico foi reconhecido, mas apenas para as empresas que haviam apresentado declaração favorável aos interesses da então impugnante. E explica, Diante de tal entendimento, a Embargante interpôs recurso voluntário, sustentada em duas razões, fundamentalmente. A primeira, no sentido de que a decisão de primeiro grau haveria de ser estendida também às empresas com relação às quais obteve declarações idênticas àquelas juntadas à sua manifestação de inconformidade, a saber: (...) A segunda, apontando a necessidade de ser promovida diligência nos autos do processo administrativo, a fim de que a RFB, único órgão com poderes de fiscalização capazes de esclarecer se as empresas que não emitiram declarações eram ou não contribuintes de PIS/COFINS, esclarecesse tal circunstância. Em tais condições, como foi esclarecido nas considerações precedentes, o julgamento da lide foi convertido em diligência, tendo sido a empresa intimada a prestar esclarecimento com base nos termos por ela mesma propostos. Quanto a isso, a Embargante esclarece. Ao responder tal diligência, a Embargante relacionou todas as empresas que não estavam arroladas em sua manifestação de inconformidade. Não incluiu em tal documento, porém, as empresas com relação às quais havia apresentado as declarações quando da interposição do recurso voluntário, eis que, com relação a estas, a diligência certamente havia se tornado desnecessária. Segundo defende, extraise incontroverso dos autos que este Colegiado decidiu pela inexistência que qualquer entrave ao reconhecimento do direito pretendido pela Embargante. Em suas palavras, Ao apreciar e prover o presente recurso voluntário, esta colenda Turma deixou absolutamente claro que, (i) o Fisco não logrou êxito em demonstrar as razões pelas quais reduziu o crédito pleiteado pela Embargante e, o que é mais importante, (ü) Fl. 426DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 196 12 que "preocupouse a contribuinte em demonstrar que tais empresas não se enquadravam como exercendo atividade agropecuária, estando elas sujeitas ao recolhimento da alíquota normal". Não se precisa fazer maior esforço para depreender, considerando o cenário existente nos autos, que tal entendimento haveria de redundar no reconhecimento do crédito integral pleiteado pela Embargante, uma vez que, para as empresas com relação às quais não existia declaração, definiuse que a RFB não havia trazido aos autos provas suficientes capazes de demonstrar que as mesmas promoviam vendas com suspensão de PIS/COFINS. Com base nisso, defende que a interpretação dada pela Unidade Local à decisão veiculada no Acórdão não pode prosperar. Ora, é evidente que tal interpretação não merece prevalecer, pois contrária à lógica desenvolvida pela DRJ e pelo CARF na análise da questão controvertida. Em primeiro lugar, pois já era suficiente para a DRJ (assim como para o CARF), que a demonstração da condição dos contribuintes dos vendedores se desse por declarações por estes firmadas. Não foi por outro motivo, evidentemente, que a DRJ afastou a glosa do crédito com relação às empresas com relação as quais a Embargante juntou tal declaração. Logo, havendo a juntada de declarações semelhantes no recurso voluntário, por certo a interpretação conferida pelo CARF é exatamente a mesma. Em segundo lugar, pois ainda que houvesse alguma dúvida com relação às declarações juntadas ao recurso voluntário, o acórdão embargado afirma que a RFB, mesmo após a diligência, não cumpriu com sua obrigação de comprovar que as demais empresas não eram contribuintes de PIS/COFINS. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte. Pareceme claro que o entrave na execução do Acórdão está relacionado única e exclusivamente à instrução complementar do Processo, realizada a partir e com base no pedido feito pela própria Embargante de que o julgamento fosse convertido em diligência, a fim de que ficasse demonstrado que as demais empresas das quais adquirira os produtos cujos créditos foram glosados também eram contribuinte das Contribuições para o PIS e para a Cofins, da mesma forma que as empresas que lhe haviam fornecido as declarações anexadas à impugnação ao lançamento, em relação às quais os créditos já haviam sido reconhecidos no julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Buscando elucidar a questão, a então Recorrente pediu que duas questões fossem respondidas. Em um delas, questionava se os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados compuseram a base de incidência para seus fornecedores. Esclareceu no corpo do quesito que essa pergunta não era necessária em relação aqueles já reconhecidos como legítimos pelas autoridades julgadores Fl. 427DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 197 13 de primeira instância, vinculados aos fornecedores relacionados na manifestação de inconformidade. Por exclusão, nos exatos termos em que a diligência foi proposta pela Parte, esse esclarecimento era destinado a todos os demais fornecedores, universo no qual estão fatalmente incluídos os fornecedores que prestaram as declarações encartadas ao Recurso Voluntário. Atendendo a diligência determinada por este Conselho, a Unidade Preparadora intimou o contribuinte a apresentar uma planilha demonstrativa de seus fornecedores, da qual deveriam ser excluídos apenas os que já haviam prestado declaração quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. Confirase o texto. Em atendimento à resolução do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARP, retroanexada, que decidiu por converter o julgamento do presente processo em diligência a fim de que fosse identificada a "condição dos fornecedores dos produtos adquiridos pela empresa como contribuintes ou não de PIS e COFINS, com vistas à correta apuração do crédito a que faz jus a recorrente", intimouse o contribuinte requerente a que apresentasse planilha demonstrativa dos fornecedores pessoa jurídica de ervamate, que efetuaram vendas, no período de agosto/2006 a dezembro/2007, sob as quais o contribuinte apurou créditos de PIS/COFINS calculados à alíquota integral (1,65% e 7,6%, respectivamente), exceto os fornecedores que constaram na relação já apresentada pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade neste processo. (grifos acrescidos) Conforme consta do Relatório de Diligência, com base na planilha fornecida pela ora Embargante, a Unidade Preparadora intimou os fornecedores de ervamate e buscou os demais esclarecimentos que considerou necessários para atestar sua real condição, inclusive mediante consulta aos sistemas informatizados do Órgão, chegando a derradeira conclusão de que nenhum deles aparentava atuar no cultivo de ervamate. O problema é que, dentre os "nenhum deles" acima pronunciado, não estão incluídos os fornecedores que já haviam apresentado as declarações carreadas aos autos pela Parte junto ao Recurso Voluntário, porque o contribuinte entendeu que já não havia mais nenhuma controvérsia em relação a eles, razão pela qual não os incluiu na planilha fornecida ao Fisco. De fato, a empresa, como afirmado por ela própria, partiu do entendimento de que a diligência não seria necessária em relação às empresas para as quais havia apresentado as declarações quando da interposição do recurso voluntário (...). Em sede de Recurso, pleiteou, primeiro, a extensão da decisão de primeiro grau a essas empresas e, segundo, a realização de diligência para as demais. No entanto, segundo me parece, esqueceuse de alterar o quesito que havia formulado por ocasião da impugnação ao lançamento, reproduzindoo, sem nenhuma modificação, no corpo do Recurso Voluntário. Eis aí, a origem de toda a confusão. Isto posto, em que pesem as circunstâncias acima descritas, entendo que, da forma como foi decidido, o Acórdão restou de fato contraditório. Explico. Conforme entendimento expresso desde a decisão pela conversão do julgamento em diligência, este Relator deixou claro que não existiam razões de cunho jurídico Fl. 428DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 198 14 que dessem suporte à glosa dos créditos determinada pela Fiscalização Federal. Que a glosa, por conseguinte, não tinha respaldo legal (o que já havia sido inclusive corrigido pela decisão de piso) e, finalmente, que o ônus de provar havia sido invertido a e exigência de apresentação de provas tinha sido imposta ao administrado sem que tivesse sido oferecida oportunidade. Observemse as considerações feitas no Voto que converteu o julgamento em diligência e, após, na decisão que concedeu o direito pleiteado. Na decisão que converteu o julgamento em diligência: Tal como se depreende dos autos, à inicial, a nãohomologação de parte dos valores declarados nas compensações se deu pelo fato de ter sido apurado “crédito integral de PIS sobre uma parte das compras de soja e de ervamate adquiridas de pessoas jurídicas, sendo que o correto, conforme explicado anteriormente, seria apurar apenas crédito presumido (com base reduzida).” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento reformou a decisão, por considerar impossível que das operações indicadas pela empresa resultem créditos presumidos, nos seguintes termos. (...) Se, conforme entendimento expresso na decisão de piso, “as peças processuais juntadas pela Fiscalização não permite a clara e objetiva interpretação de que às empresas relacionadas (vendedoras) se pudesse aplicar a modalidade de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS”, como se pode inverter o ônus probante, restringindo o direito da contribuinte ao universo de empresas em relação às quais ela pode demonstrar o equívoco da fiscalização? Na decisão final que deu integral provimento ao Recurso Voluntário interposto: Conforme entendimento que fundamentou a decisão tomada em primeira instância, a empresa faz jus ao crédito básico, conforme pretende, desde que os produtos tenham sido adquiridos de pessoa jurídica que não exerça atividade agropecuária. Por sua vez, a Fiscalização Federal decidiu pela glosa dos valores por entender que a aquisição de produtos agropecuários por empresa que, como a Requerente, exerce atividade agroindustrial, se dá com suspensão, na venda, da exigibilidade das Contribuições. A seguir excerto do Relatório Fiscal. (...) Não tendo sido levado em conta que, nos casos de vendas realizadas por pessoa jurídica, apenas as que exercem atividade agropecuária, ao venderem às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos contemplados no texto legal, geram direito a crédito presumido (e não básico), o Fisco terminou por não demonstrar e buscar comprovação para reduzir o direito de crédito pretendido pela Recorrente. A própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento fez menção à ausência de elementos probantes. (...) Fl. 429DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 199 15 A resposta à diligência demandada por este Colegiado não modifica o quadro. Em lugar disso, acrescenta mais um elemento em favor da pretensão da Recorrente. Para partes das empresas, foi obtida informação dando conta de que as vendas não foram efetuadas com suspensão do PIS/COFINS, que não houve declaração da Baldo S.A. que permitisse a nãoincidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as referidas vendas e que a erva mate vendida foi adquirida de produtores/terceiros. Em relação às empresas que não responderam à Intimação do Fisco, constatouse que nenhum possui código Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE que compreenda o cultivo de ervamate, restando, dessa forma, ausente qualquer razão para glosa dos créditos básicos utilizados pela Recorrente. O entendimento que se extrai desses excertos é que, a todo o momento, a fundamentação da decisão caminha no sentido de que (i) a razão inicial para glosa dos créditos pretendidos pela Parte não tinha sustentação jurídica; (ii) a razão para a manutenção da glosa pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento não havia sido comprovada e nem havia sido dado o chance para que o contribuinte comprovasse o contrário e (iii) se as declarações apresentadas em sede de manifestação de inconformidade foram consideradas aptas a comprovar o direito do contribuinte, era necessário a realização de diligência. Por óbvio, tais fundamentos não estão de acordo com a decisão tomada, se dela decorra a recusa ao direito de crédito em relação às aquisições realizadas às empresas que, antes mesmo da realização da diligência demandada, já encontravamse nas mesmas condições das empresas cujos créditos haviam sido reconhecidos pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Ainda mais, se esse Relator a todo tempo defendeu que inexistia motivação jurídica para manutenção da glosa determinada pela Fiscalização Federal nem demonstração fática do novo fundamento indicado pela DRJ, e que cabia ao Fisco demonstrálo, então, de fato, não há como admitir que o provimento integral do Recurso exclua aqueles que já encontravamse nas mesmas condições dos que foram acolhido pela Delegacia. VOTO por acolher os Embargos de Declaração. O dispositivo do Acórdão passa a ser o seguinte. VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao aproveitamento de crédito básico na compra de ervamate das empresas informadas pela Recorrente em resposta à intimação encaminhada pelo Fisco na diligência determinada por este Colegiado e das empresas que apresentaram declaração anexada aos autos pela então Recorrente em sede de Recurso Voluntário de que não exercem atividade agropecuária e recolheram as Contribuições pela alíquota normal nas vendas realizadas à Embargante. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 430DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102002.253 S3C1T2 Fl. 200 16 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000798/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PLANO DE SAÚDE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.
Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção.
CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA.
É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.120/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que deve a alíquota do SAT ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.
Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório.
PAGAMENTOS A DESPACHANTES ADUANEIROS POR MEIO DE SINDICATO DE DESPACHANTE ADUANEIRO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os pagamentos efetuados a despachantes aduaneiros por meio de Sindicatos de Despachantes Aduaneiros representam contraprestação por serviços prestados por contribuintes individuais, sofrendo, portanto,. a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso III da Lei 8.212/91.
CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO POR MEIO DE COMISSÁRIAS DE DESPACHOS. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO CASO DE PROFISSIONAL EMPREGADO DA COMISSÁRIA OU SÓCIO DESTA.
Se a empresa contrata serviço de despachante aduaneiro com comissária de despacho e esta realiza o serviço por meio de profissional empregado ou sócio, não há incidência da contribuição prevista no art. 22, inciso III no caso da contratante. Se o serviço é realizado por meio de profissional não empregado ou não sócio da comissária, a incidência se impõe. Eventual interposição fraudulenta deve ser provada com elementos adicionais ao mandato.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da concessão de planos de saúde a dependentes de segurados empregados, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão da concessão de auxílios específicos de saúde a dirigentes, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que a alíquota SAT seja utilizada por estabelecimento, conforme Parecer da PGFN, nos termos do voto do Relator;b) em dar provimento ao recurso, na questão do seguro de vida, nos termos do voto do Relator; b) em excluir do lançamento os valore pagos a comissária aduaneiras, constantes nos lançamentos RZ, CG e CG1, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei nº 8.212/1991, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei nº 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei nº 8.212/1991, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Andrea Brose Adolfo, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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SALÁRIO IN NATURA CONT. INDIVIDUAIS Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PLANO DE SAÚDE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.120/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que deve a alíquota do SAT ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 98 /2 01 0- 11 Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.121 2 e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. PAGAMENTOS A DESPACHANTES ADUANEIROS POR MEIO DE SINDICATO DE DESPACHANTE ADUANEIRO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos efetuados a despachantes aduaneiros por meio de Sindicatos de Despachantes Aduaneiros representam contraprestação por serviços prestados por contribuintes individuais, sofrendo, portanto,. a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso III da Lei 8.212/91. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO POR MEIO DE COMISSÁRIAS DE DESPACHOS. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO CASO DE PROFISSIONAL EMPREGADO DA COMISSÁRIA OU SÓCIO DESTA. Se a empresa contrata serviço de despachante aduaneiro com comissária de despacho e esta realiza o serviço por meio de profissional empregado ou sócio, não há incidência da contribuição prevista no art. 22, inciso III no caso da contratante. Se o serviço é realizado por meio de profissional não empregado ou não sócio da comissária, a incidência se impõe. Eventual interposição fraudulenta deve ser provada com elementos adicionais ao mandato. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.122 3 a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da concessão de planos de saúde a dependentes de segurados empregados, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão da concessão de auxílios específicos de saúde a dirigentes, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que a alíquota SAT seja utilizada por estabelecimento, conforme Parecer da PGFN, nos termos do voto do Relator;b) em dar provimento ao recurso, na questão do seguro de vida, nos termos do voto do Relator; b) em excluir do lançamento os valore pagos a comissária aduaneiras, constantes nos lançamentos RZ, CG e CG1, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei nº 8.212/1991, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei nº 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Andrea Brose Adolfo, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.123 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação. O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.264.2756, lavrado em 05/08/2010, que constituiu crédito tributário relativo à contribuição patronal e a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho RAT devidas sobre a remuneração de segurados empregados ; a contribuição patronal devida sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais; a contribuição patronal devida pela contratação de serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho e a retenção sobre serviços executados mediante cessão de mão de obra, incidente sobre o valor da nota fiscal de serviços, no período de 01/2007 a 12/2007, com valor total do crédito tributário de R$ 553.168,27, fls. 01. Conforme consta do relatório do Acórdão a quo: 3. Os créditos foram lançados através dos seguintes levantamentos: 3.1. Levantamentos CO e CO1 COOPERATIVA DE TRANSPORTE. As cooperativas contratadas foram a COOPERCARGA Cooperativa de Transporte de Cargas do Estado de Santa Catarina e a COOPERTAXI ES Cooperativa Mista de Motoristas de Táxi do Estado do Espírito Santo. Foi aplicada a alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o percentual de 20% (vinte por cento) das notas fiscais. Período 01a 12/2007. Matriz. 3.2. Levantamentos DS e DS1 Diferença Seguro Acidente do Trabalho. Referente a erro no autoenquadramento efetuado pela empresa, uma vez que não foi considerada a atividade preponderante, que é a atividade econômica que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados. Foi constatado que a atividade preponderante é a da filial de São Paulo, CNPJ 39.373.782/000220, que corresponde, a partir de 06/2007 ao código 46.19200 (representantes comerciais e agentes do comércio de mercadorias em geral não especificado), cuja alíquota é de 2 % (dois por cento). Foi lançada, assim, a diferença de 1% (um por cento) na matriz e nas filiais Rio de Janeiro (0004), Itajaí (0011) e Paranaguá (0014). Período de 06 a 13/2007. Matriz, filiais 0004, 0011 e 0014. 3.3.Levantamentos SS e SS1 Seguro Saúde. Referese ao pagamento de planos de assistência médica aos dependentes dos seus empregados, o que não está previsto na legislação para efeito de isenção de contribuição previdenciária, tomandose, então, salário indireto dos empregados. Período 01 a 12/2007. Matriz, filiais 0002, 0003, 0004 e 0011. 3.4. Levantamento EM Exames médicos diretoria. Referese ao pagamento de despesas de serviços hospitalares e/ou diagnósticos (check up) a determinados empregados, ocupantes Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.124 5 de cargos em nível de diretoria. Como esses benefícios não foram disponibilizados à totalidade dos empregados, conforme dispõe a legislação, tais valores se configuram como salário de contribuição. Período 01, 03 e 04/2007. Filial0002. 3.5. Levantamentos SV e SV1 Seguro de vida não convenção. Referese a pagamento à totalidade dos empregados de seguro de vida em grupo, benefício esse não previsto nas convenções coletivas dos empregados das filiais São Paulo, Rio Grande, Rio de Janeiro, Itajaí e Paranaguá. Apenas as convenções coletivas de trabalho do sindicato tios Empregados no Comércio do Estado do Espírito Santo prevêem pagamento de seguro de vida. Assim, o valor do seguro de vida pago aos empregados dos estabelecimentos cujas convenções não prevêem esse benefício se configura como salário de contribuição. Período 01 a 12/2007. Filiais 0002, 0003, 0004, 0011 e 0014. 3.6. Levantamento RA Artificial retenção não descontada. Referese aos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos pela empresa correspondentes a 11% do valor das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa Artificial Ar Condicionado Ltda. Período 01, 04 e 06/2007. Filial 0002. 3.7. Levantamento RE Eletrotec retenção não descontada. Referese aos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos pela empresa correspondentes a 11% do valor das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa Eletrotec Cabling System Ltda. Período 09, 11 e 12/2007. Filial 0002. 3.8. Levantamento RL Luandre retenção não retida. A empresa Luandre Serviços Temporários foi contratada para fornecimento de mão de obra temporária, tendo deduzido da base de cálculo para incidência da retenção de 11% (onze por cento) o valor da assistência médica concedida aos empregados, não previsto no art. 152 da IN 03/2005, em vigor à época dos fatos geradores. Período 01 a 12/2007. Filial 0002. 3.9. Levantamento RF Fitnessea destacado não retido não recolhido. Referese aos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos pela empresa correspondentes a 11% do valor das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa Fitnessea Atividades Físicas Ltda, que forneceu mão de obra habilitada e qualificada na orientação de atividades de ginástica laborai. Período 02 e 1 l/2007.Filial 0002. 3.10. Levantamento RO Loc retenção não descontada. Refere se aos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos pela empresa correspondentes a 11% do valor das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa LOC Serviços Terceirizados Ltda, que prestou serviços de coleta e entrega de documentos e de secretaria e expediente. Período 01 a 12/2007. Matriz. 3.11. Levantamento RT Trans Tour retenção não descontada. Referese aos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos pela empresa correspondentes a 11% do valor das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa Trans Tour Enviar e Receber Ltda, que prestou serviços de coleta e entrega de documentos e de secretaria e expediente. Período 01 a 12/2007.Filial 0002. Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.125 6 3.12. Levantamento DA e DAI Despachante Aduaneiro. Referese à contribuição patronal incidente sobre pagamentos efetuados a profissionais liberais por serviços de despachos aduaneiros, pagos através de órgãos de classe (sindicatos). Embora quem esteja obrigado a reter e a recolher as contribuições do imposto de renda dos mesmos seja o sindicato, a empresa contratante de serviços deve contribuir com 20% (vinte por cento) sobre o valor pago pela prestação de serviços, a título de contribuição patronal, sendo o sindicato um mero intermediário entre a empresa contratante e o despachante aduaneiro (contribuinte individual).Período 08, 10 e 11/2007 matriz; 06 a 09, 11 el2/2007 filial 0004, 01 a 12/2007 filial 0011. Levantamento RZ Rozemarcia Hon despach arbitrado. Referese à contribuição patronal incidente sobre pagamentos efetuados a Rozemárcia Wise Abrão Silva, pelos serviços prestados como despachante aduaneira (contribuinte individual), aferidos conforme informado no item 3.10 do Relatório Fiscal. Período 06 a 12/2007. Filial 0003. Levantamento CG e CG1 Grijó Hon despach arbitrado.. Referese à contribuição patronal incidente sobre pagamentos efetuados a Carlos Ribeiro Grijó, pelos serviços como despachante aduaneiro (contribuinte individual), aferidos conforme informado no item 3.10 do Relatório Fiscal. Período 01 a 12/2007. Matriz. Após tomar ciência pessoal da autuação em 10/08/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 1094/1126, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 11ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro, no Acórdão de fls. 1748/1776, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 03/10/2011, fls. 773. O recurso voluntário, apresentado em 03/11/2011, fls. 1923/1961, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta que o art. 28, 9º, alínea "q" da Lei 8.212/91 não fez qualquer diferença entre empregados e os respectivos dependentes, exigindo apenas que o benefício esteja disponível para a totalidade de empregados e dirigentes. Ademais, o art. 458, §2º, inciso IV da CLT afasta o caráter remuneratório da assistência médica ao afastar tal utilidade do conceito de salário. As assistências aos empregados e aos dependentes possuem clara vinculação, pois a segunda não existe sem a primeira. No tocante ao pagamento de serviços hospitalares aos ocupantes de cargos de diretoria, argumenta que o oferecimento da cobertura da assistência médica não pode ser analisado de forma qualitativa e sim quantitativa. Se a cobertura médica é oferecida a todos os empregados, não tem relevância se houver diferenciação sob o aspecto qualitativo. Como oferecia planos de saúde à totalidade de seus empregados, entende que desfruta do benefício da isenção sobre todos gastos a esse título. Cita decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.126 7 Sobre o seguro de vida em grupo, cita decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) quando argumenta que não compõem a remuneração do trabalhador, ainda que não previsto em acordo coletivo, como no presente caso. Alerta que o art. 458, §2º, inciso IV da CLT afasta o caráter remuneratório desta utilidade. Com relação à contratação de despachantes aduaneiros, sustenta que não contrata a atuação individual de profissionais e sim, empresas especializadas que contam em seu quadro de funcionários com despachantes aduaneiros e outros profissionais especializados no comércio internacional. Tal situação se assemelha à contratação de serviços de advogado. Não houve a formação de contrato específico com as mencionadas empresas, mas apenas a troca de mensagens e correspondências. Colaciona Solução de Consulta que considerou que a empresa contratada para serviços de despacho deve recolher a contribuição previdenciária de seus empregados, ainda que existam procurações diretamente concedidas aos empregados. Colaciona decisão da Justiça do Trabalho que admitiu o despachante como empregado. Insiste que só contratou o serviço de despachos por meios de empresas especializadas, sendo que estas, em obediência à legislação repassam os honorários aos respectivos sindicatos e estes entregam ao profissional. Tratase, segundo entende, de operação totalmente amparada na legislação e da praxe do comércio internacional. Repete os argumentos acima em relação a cada um dos profissionais enumerados pela fiscalização apontando a respectiva empresa à qual estaria vinculado. Observa que a condição dos profissionais enumerados como empregado ou sócio de cada uma das empresas foi atestada pela fiscalização. Defende seu método de apuração da alíquota do SAT por estabelecimento, conforme súmula do STJ que colaciona. O Acórdão a quo noticiou que a recorrente realizou o pagamento parcial em relação aos levantamentos de cooperativa e de retenção de 11%. É o relatório. Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.127 8 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos de planos de saúde. Requisitos para a isenção. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre fornecimento de planos de saúde tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §11º do art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.128 9 atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.129 10 contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos fornecimentos de planos de saúde quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. A habitualidade, frisamos, é característica comum nesse tipo de utilidade. Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.130 11 Estando no campo de incidência da contribuição, devemos observar quais os requisitos para a isenção e como devemos interpretálos. Os requisitos da isenção estão insertos no art. 28, §9º, alínea “q”, mas, antes de tomar o conteúdo da norma isencional, cabenos estabelecer nossa metodologia de interpretação. Como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Mas restritivo em que? Se adotarmos a corrente doutrinária de Paulo de Barros Carvalho para compreendermos a isenção, teremos que a isenção é a mutilação de um dos aspectos(o autor fala em critérios) do fato gerador – material, espacial, temporal, subjetivo e quantitativo. No caso da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre planos de saúde, temos uma situação de mutilação de um aspecto material (ganhos habituais sob a forma da utilidade plano de saúde), se obedecidas determinadas condições. O que devemos esclarecer é em que medida devemos ser restritivos. Restritivos quanto ao aspecto do fato gerador mutilado ou quanto ao requisito eventualmente existente para o gozo da isenção? Considerando que a isenção é categoria técnica de tributação que não pode ser interpretada dissociada dos desígnios constitucionais que permeiam todo o ordenamento jurídico, não seria apropriado que o resultado hermenêutico, a título de obedecer ao comando restritivo, negasse a finalidade da norma isencional que aponta para algum valor constitucionalmente protegido. Isso já nos aponta algum caminho. A finalidade da norma isencional é definida pelo aspecto do fato gerador mutilado e este há de ser restritivo. Mas as eventuais condições da isenção não devem se submeter à uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade sob pena de negarmos a finalidade do norma isencional. Logo, se a isenção é, por exemplo, para bolsas de estudo do ensino básico e outras relacionadas com capacitação do profissional, não seria adequado ao comando do art. 111 do CTN, por exemplo, estendermos seu alcance para bolsas de estudo para cursos não regulares e não relacionados diretamente com capacitação do empregado. Ou mesmo não seria adequado ao referido comando a extensão do benefício aos dependentes dos empregados. O mesmo raciocínio vale para a isenção concedida para a assistência à saúde (planos de saúde). Eis a maneira de aplicarmos a interpretação restritiva para a isenção. De outro lado, se o benefício está dentro do alcance normal previsto na norma, mas vem a ser questionado quanto ao atendimento das condições legais, podemos interpretar estas considerando a razoabilidade para que não nos afastemos da finalidade para a qual a isenção foi criada sem que isso representa uma ofensa ao art. 111 do CTN. Para prosseguirmos, vejamos o texto legal: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.131 12 (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)); Como podemos extrair do dispositivo isencional, o requisito único é que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. O requisito de que todos os empregados e dirigentes devem ter acesso ao benefício parecenos que pretende afastar a discriminação odiosa, aquela que não guarda, seguindo as lições de Celso Antonio Bandeira de Mello, “correlação lógica entre o fator erigido em critério de discrímen e a discriminação legal decidida em função dele” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antonio. O Conteúdo jurídico do princípio da igualdade. 3. ed. São Paulo: Malheiros , 2001, p. 37). Se a empresa adota como critério de discrímen para a concessão ou não do benefício o cargo ocupado, isso representa à toda vista, uma discriminação injustificada, pois o cargo não possui qualquer relação lógica com a necessidade ou não de uma maior capacitação para o trabalho, pois, afinal, todos os cargos serão melhor desempenhados se os empregados que os exercem alcançarem maior capacitação. Por outro lado, se a empresa coloca como discrímen um tempo mínimo de trabalho na empresa – um ano, por exemplo – é fácil concluir que tal discrímen possui relação lógica com a melhor capacitação para o trabalho daqueles empregados que já revelam a intenção de permanecer prestando serviço ao empregador que lhe concede o benefício. No caso dos autos o que se discute é o pagamento avulso de despesas hospitalares e exames a membros da diretoria e o fornecimento do benefício aos dependentes. Com relação às despesas hospitalares e exames, concordamos com o que afirmado pela fiscalização em fls. 324: "Como esses exames específicos não foram disponibilizados para a TOTALIDADE dos empregados da CISA e apenas para empregados em níveis mais graduados, os valores pagos se configuram como saláriodecontribuição e, portanto, base de cálculo de contribuições previdenciárias." Logo, votamos por manter no lançamento o levantamento EM. Quantos ao benefício oferecido aos dependentes, já nos manifestamos acima que representa violação do texto legal, portanto, votamos por manter na base de cálculo os levantamentos SS e SS1. Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.132 13 Contribuição para financiamento do SAT. Efeitos do Parecer PGFN 2.120/2011. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT — Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei no. 8.212/1991, alterada pela Lei no. 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, vigente à época dos fatos, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.133 14 II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1° As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2° O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5° O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.134 15 cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003). ... Quanto ao argumento de ilegalidade de o Decreto definir os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", repelese tal argüição na medida em que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça já assentou jurisprudência no sentido da legalidade da fixação da alíquota por meio de Decreto. Transcrevemos um Acórdão nesse sentido: “REsp. 386.028RS, D.J. 17.11.2003, Rel. Min. Castro Meira ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO. SAT. GRAU DE RISCO. 1. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. 2. Recurso Especial parcialmente conhecido e improvido." Estabelecida a legalidade da definição dos graus de risco por meio de Decreto, restanos definir outro ponto que é suscitado sobre o assunto: o grau de risco deve ser aferido por estabelecimento ou na totalidade da empresa? A controvérsia, a despeito da explícita referência do art. 22, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c”, bem do art. 202 do Decreto 3.048/99 a atividade preponderante da empresa – e não do estabelecimento , é alimentada pela existência da Súmula 351 do STJ que tem o seguinte conteúdo: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Para compreendermos os fundamentos do surgimento de tal súmula, pesquisamos os precedentes que ensejaram a sua origem. Notamos que em todos eles há uma cadeia de citações de decisões que acabam por ter como origem comum Acórdãos do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR) que se referiam ao regime jurídico da referida exação antes da edição da Lei 8.212/91, especialmente a Lei 6.367/76 e o Decreto 83.081/79. Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.135 16 Verificamos que o art. 15 da Lei 6.367/76 transferiu para o poder regulamentar a competência de classificar os três graus de risco segundo “ a atual experiência de risco”, in verbis: Art. 15. O custeio dos encargos decorrentes desta lei será atendido pelas atuais contribuições previdenciárias a cargo da União, da empresa e do segurado, com um acréscimo, a cargo exclusivo da empresa, das seguintes percentagens do valor da folha de salário de contribuição dos segurados de que trata o Art. 1º: I 0,4% (quatro décimos por cento) para a empresa em cuja atividade o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II 1,2% (um e dois décimos por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado médio; III 2,5% (dois e meio por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado grave. § 1º O acréscimo de que trata este artigo será recolhido juntamente com as demais contribuições arrecadadas pelo INPS. § 2º O Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) classificará os três graus de risco em tabela própria organizada de acordo com a atual experiência de risco, na qual as empresas serão automaticamente enquadradas, segundo a natureza da respectiva atividade Exercendo sua função regulamentadora, o Decreto 83.081/79 trazia textualmente como parâmetro para a definição do grau de risco a separação por CGC, conforme pode ser observado em seu art. 40, a seguir reproduzido: Art. 40. Para os efeitos do artigo 38, a empresa se enquadrará na tabela do Anexo I em relação a cada estabelecimento como tal caracterizado pelo Cadastro Geral de Contribuintes CGC do Ministério da Fazenda. § 1º Quando a empresa ou o estabelecimento com CGC próprio, que a ela se equipara, exercer mais de uma atividade, o enquadramento se fará em função da atividade preponderante. § 2º Para os efeitos do § 1º, considerase atividade preponderante a que ocupa o maior número de segurados. Seguindo tais dispositivos, o TFR assentou entendimento de que era o CGC de cada estabelecimento que determinava o grau de risco das empresas, sendo que, existindo um único CGC, deverseia apurar a atividade preponderante. Fácil notar que nenhum esforço hermenêutico foi necessário para tanto, pois o então Decreto regulamentador já previa que a classificação seria feita por estabelecimento com CGC próprio. Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.136 17 Ocorre que o regime jurídico da contribuição para financiamento do Seguro de Acidente do Trabalho foi modificado com a entrada em vigor da Lei 8.212/91. A nova lei, além de ampliar a destinação dos recursos da contribuição para o financiamento de todos os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, faz referência à atividade preponderante em seu art. 22. Por seu turno, o Decreto 3.048/99, ao exercer a função regulamentadora, não trouxe mais como critério a separação por CGC ou CNPJ, tendo preferido explicitar seu conceito de atividade preponderante em toda a empresa. Logo, com a mudança do regime jurídico, restaram superados os fundamentos da jurisprudência do antigo TFR e, por conseqüência, os fundamentos jurídicos que ensejaram o surgimento da Súmula 351 do STJ, posto que toda a argumentação dos Ministros do STJ nos precedentes da referida súmula amparamse nas superadas decisões do TFR. Mesmo reconhecendo a necessidade de ser preservada a segurança jurídica que as súmulas ajudam a concretizar, não podemos assumir que as decisões judiciais prevaleçam sobre as leis que lhe são posteriores. Modificada a lei que dava fundamento à Súmula, e não tendo esta força vinculante, desaparece sua força como instrumento que viabiliza a segurança jurídica. Por mais que entendamos que o grau de risco a que os trabalhadores estão expostos é melhor avaliado por atividade ou por estabelecimento, com o atual regime jurídico aplicável ao assunto, estaríamos decidindo em ofensa à legislação e, portanto, com desprestígio da segurança jurídica, se tomássemos como critério o estabelecimento ou a atividade dentro de um mesmo estabelecimento. Se o Decreto 3.048/99 regulamentou o grau de risco sem extrapolar os limites do poder regulamentar, como entendemos ser o caso, suas determinações sobre o assunto devem ser acatadas. Assim, a atividade preponderante é aquela que, na empresa, ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, em consonância com o §3º do art. 202 do Decreto 3.048/99. Definida a atividade preponderante, a alíquota aplicável na incidência da contribuição será definida pela consulta à tabela do Anexo V do mesmo Decreto. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A respeito da incidência da contribuição previdenciária sobre o seguro em vida em grupo temos que considerar o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.120/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Diante da existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda, ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.137 18 fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil irá rever de ofício o lançamento que tratar de matérias objeto de parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção do lançamento nesse aspecto, o crédito tributário não prevalecerá para inscrição em dívida ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência. Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremo las para evitarmos a emissão de um ato administrativo (Acórdão) sem finalidade e em homenagem ao princípio da eficiência. Assim, votamos por permitir que a alíquota do SAT seja aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ. Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.138 19 Seguro de vida em grupo. Requisitos para isenção e situações para aplicação do Parecer PGFN 2.119/2011. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre pagamentos de seguro de vida tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.139 20 Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social, é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.140 21 utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Logo, cabenos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de seguro de vida estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar, em relação aos empregados, o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos pagamentos de seguro de vida, quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. Sabendo da dificuldade de conceituarmos o que é habitual, adotaremos a habitualidade como a qualidade daquilo que é freqüente, que é repetido muitas vezes, o que implica tomarmos como habitual aquilo que é, ou poderá ser, repetido mais de três vezes durante a duração do contrato de trabalho. No caso em tela, os pagamentos de seguro de vida preenchem tal requisito, portanto consideramos que são ganhos habituais, ou seja, são ganhos habituais sob a forma de utilidade que sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Estando no campo de incidência, foi instituída uma isenção por meio da norma do art. 214, §9º, inciso XXV do Regulamento da Previdência Social(RPS): Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.141 22 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Portanto, são requisitos da isenção: previsão em acordo coletivo e estar disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A respeito da incidência da contribuição previdenciária sobre o seguro em vida em grupo temos que considerar o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.119/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 04/11/2011, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. Diante da existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda, ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.142 23 § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil irá rever de ofício o lançamento que tratar de matérias objeto de parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção do lançamento nesse aspecto, o crédito tributário não prevalecerá para inscrição em dívida ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência. Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremo las para evitarmos a emissão de um ato administrativo (Acórdão) sem finalidade e em homenagem ao princípio da eficiência. Assim, quando tratamos de contribuição previdenciária incidente sobre seguro de vida em grupo, consideraremos que o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, não integra a base de cálculo da contribuição. In casu, a fiscalização não trouxe elementos que demonstrem que há individualização do montante que beneficia a cada um dos empregados, portanto não há como negarmos a aplicação das conclusões do Parecer PGFN 2.119/2011. Logo, votamos por excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os levantamentos SV e SV1. Levantamento DA. Pagamentos a despachantes aduaneiros por meio de Sindicatos de Despachantes Aduaneiros (SDA) A fiscalização apontou que a recorrente contratou serviços de despachantes aduaneiros e os remunerou por meio de SDA, conforme determina o art. 5º, §2º do Decretolei 2.472/88, sendo que estes são responsáveis pela retenção do imposto de renda. No entanto, a legislação nada fala sobre a contribuição previdenciária, deixando,portanto, prevalecer a regra geral estabelecida pela Lei 8.212/91 nesse tipo de serviço. Logo, os serviços de despachantes Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.143 24 remunerados por meio de SDA submetemse à incidência da contribuição previdenciária por serem pagamentos a contribuintes individuais. Assim, não vemos reparos a fazer no lançamento no que tange ao levantamento DA. Levantamentos RZ, CG e CG1. Serviços de despachante aduaneiro contratados com comissária de despachos. A fiscalização concluiu que a legislação prevê que a contratação de serviços de despachante aduaneiro com comissária de despachos exige que o serviço seja prestado somente pelos sócios dirigentes desta que sejam habilitados. No entanto, se um profissional é empregado da comissária e esta presta serviços, não pode existir incidência da contribuição prevista para prestação de serviço de contribuinte individual, uma vez que não é nessa condição que o serviço foi prestado. O profissional prestou serviço para a comissária como empregado e esta detinha um contrato com a recorrente. Esse caso em tudo se assemelha à prestação de serviços de um escritório de advocacia na qual é o escritório que possui vínculo contratual com a contratante, mas o serviço é prestado por um profissional habilitado empregado do escritório. O profissional que prestou o serviço não possui qualquer vínculo contratual com a contratante e não age como contribuinte individual e sim como empregado da comissária. Logo, inexigível a contribuição prevista no art.22, inciso II da Lei 8.212/91 se o despachante que presta o serviço é empregado da comissária. Assim, como a despachante Rozemárcia era empregada da comissária Abrão, o levantamento RZ não pode prevalecer. No caso dos levantamento CG e CG 1, o Sr. Carlos Ribeiro Grijó era sócio da FullCargo e possuía habilitação de despachante. Se a recorrente mantinha contrato com a FullCargo, como a própria fiscalização admitiu, o fato de as procurações estarem nominais ao profissional não desnatura a contratação, uma vez que é praxe nesse tipo de serviço a identificação do profissional habilitado no mandato. A possibilidade de ter ocorrido fraude na hipótese de o serviço não ser prestado por intermédio da comissária da qual o profissional era sócio devia ter sido provada pela fiscalização com outros elementos e não simplesmente com a procuração nominal ao profissional. A exigência de que o profissional seja sócio dirigente não tem relação com a incidência da contribuição e sim com a possibilidade de a empresa ser considerada comissária de despachos. Assim, votamos por afastar do lançamento o levantamento CG e CG1, uma que o serviço foi prestado por comissária de despacho com uso de profissional que era seu sócio. Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.144 25 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.145 26 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.146 27 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.147 28 · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.148 29 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.149 30 Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário., no sentido de: (a) afastar do lançamento os levantamentos SV, SV1, RZ, CG e CG1; (b) determinar que a alíquota do SAT seja aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ; (c) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, limitar esta a 20%; (d) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000798/201011 Acórdão n.º 2301004.092 S2C3T1 Fl. 2.150 31 concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, manter a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10730.900908/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2004
CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado.
Numero da decisão: 3302-002.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 19/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno OAB/RJ 117908.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 08 /2 00 9- 71 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 EDITADO EM: 19/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno – OAB/RJ 117908. Relatório Adotase o relatório, por bem refletir a contenda. “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada de débito de PIS/Pasep (cód. 691201), relativo ao período de apuração de dez/05, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de PIS/Pasep (cód. 8109) do período de 03/04, recepcionada pela RFB em 13/01/2006, tudo conforme se verifica na cópia da Perd/Comp constante dos autos (fls. 307 e seguintes). A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 312). Cientificada da decisão (fl. 316), em 04/03/09, a contribuinte apresentou, em 03/04/09, Manifestação de Inconformidade (fls. 03/10) alegando, em resumo, que: 1. reconhece que parte da compensação que efetuou foi indevida, pois usou Taxa SELIC acumulada em percentual incorreto, por este motivo recolherá a diferença; 2. quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é do despacho decisório; 3. contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório, pois prestou informações incorretas em documentos fiscais; 4. firmou contratos a preços predeterminados, antes de 31/10/03, com FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL, CERJ/AMPLA e SAMARCO, aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano; 5. as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas à Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03); 6. na mesma direção opinou a ANEEL pelo ofício nº 1.431/2006SFF/ ANEEL, juntado ao presente recurso; 7. equivocadamente, as referidas receitas foram declaradas como sujeitas à Cofins nãocumulativa; Fl. 483DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10730.900908/200971 Acórdão n.º 3302002.602 S3C3T2 Fl. 3 3 8. ao perceber a falha retificou a contabilidade, mas olvidou de retificar a DCTF; 9. ao constatar a situação apresentou Per/Dcomp’s, mas cometeu novo equívoco, ensejando compensação parcialmente indevida, cujo débito será quitado como já exposto; 10. ao não retificar a DCTF, induziu a Autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar; 11. não obstante os erros que estão sendo corrigidos, é indubitável seu direito de reaver o valor recolhido a maior. A contribuinte requer a homologação da compensação declarada. Em 20/04/10, a contribuinte, em Aditamento à Manifestação de Inconformidade, solicita juntada de novas peças aos autos (fls. 286/304). Os autos foram baixados em diligência (fls. 320/321) para a Autoridade a quo: (1) confirmar as receitas decorrentes de cada contrato no período de apuração do crédito;(2) discriminar e quantificar em tabela específica, quando houver, o crédito relativo a cada contrato. A Delegacia de origem, então, informou (fl. 415 e seguintes) que a receita bruta somada à receita recebida no mês em exame (07/04) diminuída da receita diferida resultava no total de R$ 51.469.305,29, equivalendo ao que fora informado pela contribuinte como submetida ao regime cumulativo. A Delegacia, porém, registrou que o valor retido efetivo não correspondia ao considerado pela contribuinte. Cientificada, a contribuinte aditou sua Manifestação de Inconformidade, onde alegou, em resumo, que: 1. a diligência constatou que as receitas vinculadas aos contratos no período equivalem ao valor das receitas consideradas no regime cumulativo; 2. divergiu, porém, do total retido, pois a requerente não conseguiu localizar os documentos comprobatórios; 3. optou por desprezar a citada diferença na composição do seu direito creditório. Pede o reconhecimento do direito creditório no valor remanescente, homologando sua compensação.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão supra em 11.06.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 11.07.2012. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Inicialmente, faço referência às duas causas de nulidade invocadas pelo contribuinte. A primeira, quanto aos termos da IN no. 21/79, conquanto interessante a observação do conceito de contrato prédeterminado com entidades governamentais, não creio que afete esse julgamento, posto que a questão aqui decidida o será por força da própria Lei. A segunda, quanto à inobservância do art. 30 do RPAF, não creio também ser aplicável in casu, uma vez que os pareceres mencionados e que são de vinculação obrigatória são os proferidos pelo Ministério da Fazenda e seus órgãos, e ainda assim dentro de certos parâmetros. Afasto portanto as preliminares de nulidade. Quanto ao mérito, a recorrente alega que, equivocadamente apurou a contribuição do PIS/COFINS com incidência nãocumulativa, quando o correto, segundo seu entendimento, seria com incidência cumulativa. Ao ser julgada sua manifestação, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu de forma contrária, ou seja, que estava correta a apuração da base de cálculo do PIS/COFINS com incidência não cumulativa, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal, inexistindo, portanto, o direito creditório da Recorrente. Nos termos do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, combinado com o artigo 109 da Lei nº 11.196/05, as receitas provenientes de contratos predeterminados estão sujeitas ao regime cumulativo, no seguinte sentido: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa Fl. 485DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10730.900908/200971 Acórdão n.º 3302002.602 S3C3T2 Fl. 4 5 jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; (...)” Lei nº 11.196/05 “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Tal determinação aplicase ao PIS, conforme redação dada pela Lei nº 10.865/04: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (...)” No mesmo sentido, são as prerrogativas prescritas nos artigos 2º e 3º da IN/SRF nº 658/2006: “Do Regime de Incidência Art. 2 º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos Fl. 486DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3 º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 º Ressalvado o disposto no § 3 º , o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2 º , da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” Pois bem, conforme exposto no acórdão recorrido, para ser possível a adoção do regime cumulativo, devese preencher alguns requisitos, sendo dentre eles os seguintes: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/03; 3. contrato para um período superior a 1(um) ano; 4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado. Também, conforme relatado no acórdão proferido pela DRF do Rio de Janeiro, consta dos autos que o Recorrente firmou contratos de fornecimentos de energia elétrica com 05 (cinco) empresas, sendo que da análise desses contratos os i. julgadores elaboraram o seguinte quadro: CONTRATO FURNAS GERASUL (Tractebel) CERJ (Ampla) SAMARCO COELCE (fl. dos autos) (43) (101) (160) (240) (254) Fl. 487DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10730.900908/200971 Acórdão n.º 3302002.602 S3C3T2 Fl. 5 7 Bem / serviço En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica Data 05/05/98 20/10/99 26/06/02 30/09/03 14/10/02 Prazo 20 anos 20 anos 20 anos 30/09/03 a 31/12/06 01/01/03 a 31/12/04 Preço PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u De todo exposto, o ponto crucial para dirimir a controvérsia, provém da definição de contrato a preço predeterminado. O parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006, supracitado prescreve que “O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”. Nesse mesmo sentido é o artigo 109 da Lei n 11.196/06 acima mencionada. Vimos que dispor acerca dos “reajustes de preços” o legislador referese, apenas a reajustes comuns aplicados a quaisquer contratos, de forma genérica, de forma a melhor refletir a variação dos custos de produção e custos dos insumos utilizados. Assim, aplicandose os índices do mercado, caracterizado está o atendimento da exigência do parágrafo 3º da IN nº 658/06, onde está determinado que o reajustes não pode ultrapassar essa variação prescrita na legislação. Todavia, de forma equivocada ao julgar a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, os i. julgadores entenderam que, devido aos contratos serem ajustados anualmente, pelos reais índices inflacionários, no caso o IGPM, a partir desse reajuste a Recorrente deveria computar suas receitas através do regime da nãocumulatividade, pois teria ocorrido neste caso a alteração no preço do fornecimento, o que impõe a exclusão do regime cumulativo. Não compartilho desse entendimento, pois o reajuste de preços realizados anualmente, não descaracteriza os contratos a “preço predeterminado”. Conforme exposto pelo i. Conselheiro relator Ivan Allegretti, em seu voto proferido no acórdão nº 3403002.248: “Quanto ao cerne da aplicação do parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006 e do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, entendo que se destinam deliberadamente a impedir que se possa interpretar a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a “preço predeterminado”. Isto, aliás, justifica a determinação do parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que tal interpretação deve ser tomada em conta desde 1º novembro de 2003, ou seja, tal como se imprimisse efeito declaratório à interpretação do que seja contrato por preço predeterminado, previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Esta nova Lei, portanto, teve a finalidade de integrar o sentido da Lei anterior. A intenção, ao que tudo indica, foi a de alinharse à interpretação que os Tribunais já vinham pronunciando para o dispositivo da Lei nº 10.833/05, antes da Lei nº 11.196/05 ter vindo à lume.” (CARF – Acórdão nº 3403002.248. Rel. Ivan Allegretti. Sessão 23.05.2013) Neste sentido, o Judiciário sem exceção, tem reconhecido o direito dos contribuintes nessa situação. Citemos os seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO À REGRA ESTABELECIDA PELO ARTIGO 10, INCISO XI, CC. ARTIGO 15, INCISO V, DA LEI N° 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/04. ILEGALIDADE. REVOGADA PELA LEI No 11.196, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2005. 1. Discutese a validade da tributação na forma preconizada pelo artigo 10, inciso XI, cc. artigo 15, inciso V, da Lei n° 10.833/03, diante do contrato de concessão firmado com o Poder Público, antes de 31 de outubro de 2003, por período certo, superior a um ano, e a preço determinado, não se sujeitando a ilegal INSRF n° 468/04, que, desbordando do texto legal e alterando os critérios de tributação traçados pela lei, definiu o que vem a ser preço determinado. 2. A INSRF n° 468/04 conferiu interpretação equivocada ao inciso XI, alínea “c” do artigo 10 da Lei 10.833/03. 3. A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, tratou de dissipar eventual dúvida de interpretação nesse sentido, dispondo sobre o tema, em seu artigo 109, que: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” 4. Apelação e remessa oficial improvidas.” (TRF 3ª Região. Rel. ELIANA MARCELO. MAS 200561000030246. DJ 06/12/2007) “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. PERMANÊNCIA NO REGIME DA CUMULATIVIDADE. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. CLÁUSULA DE REAJUSTE. REQUISITOS DO ART. 10, XI, B, DA LEI 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 658/06. INADEQUAÇÃO. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10730.900908/200971 Acórdão n.º 3302002.602 S3C3T2 Fl. 6 9 1. A Secretaria da Receita Federal, ao editar as INs SRF 468/04 e 658/06, impediu que contratos, embora se subsumindo as hipóteses previstas na Lei 10.833/03, usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço. 2. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. 3. Essa desclassificação da natureza jurídica dos contratos com preço preestabelecido pela Receita Federal encontra óbice na inadequação do veículo utilizado: a instrução normativa. 4. Diante da evolução da legislação reguladora da compensação tributária, resta autorizada a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, com qualquer tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, ainda que o destino das arrecadações seja outro, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. 5. Remessa oficial a que se nega provimento.” (TRF 1ª Região. Rel. Des. Fed. MARIA DO CARMO CARDOSO. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007) grifos nossos A Secretaria da Receita Federal, de forma equivocada, bem como utilizando se de norma inadequada para a alteração da legislação, no caso a Instrução Normativa, tentou impedir que os contratos por preços predeterminados usufruíssem do regime da cumulatividade, por entender que a mera atualização monetária acarretaria a mudança no preço, entendimento do qual não compartilho. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Ademais, conforme exposto pela Recorrente, a APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para reajuste de preços dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 10 ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”, cuja resposta provém do Ofício nº 1431/2006SFF/ANEEL, no seguinte sentido: “ (...) Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. (...)” De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Assim, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. Por fim, salientamos que o Ofício supracitado foi expedido pela ANEEL que é agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos, sendo que, uma resposta oficial proveniente dessa agência do Governo sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, em face da segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Finalizando, considerando que o Despacho Decisório na sua origem não analisou os valores dos créditos, importante que a Delegacia de origem apure os respectivos, e que lhe seja concedido o direito sobre os valores ao final calculados. Por todo exposto, conheço do recurso, e doulhe provimento parcial para autorizar a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, sujeita à devida valoração do crédito efetivamente existente. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de maio de 2014. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10730.900908/200971 Acórdão n.º 3302002.602 S3C3T2 Fl. 7 11 Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Como relatado, a empresa Recorrente apresentou Pedido Eletrônico de Restituição de valor tido por ela como pagamento indevido ou a maior de PIS, efetuado no dia 15/03/04. Processado o pedido, o Delegado da DRF em Niterói constatou que o DARF informado no PER foi integralmente utilizado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, não existindo pagamento indevido. Por esta razão, e somente por esta razão, o pedido de restituição foi indeferido. Portanto, o Delegado da DRF em Niterói, única autoridade competente para reconhecer originalmente o direito ao crédito pleiteado, fundamentou sua decisão exclusivamente no fato do DARF estar integralmente alocado a débito declarado em DCTF. Para tomar essa decisão, a autoridade competente da RFB não precisou conhecer das razões que levaram a empresa Recorrente a pleitear a restituição. O fato de não existir pagamento disponível para restituição foi o suficiente para a autoridade competente tomar a sua decisão. E assim o fez. Não se conformando com a decisão, a empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade reconhecendo que não efetuara a retificação da DCTF. Expõe as razões que a levaram a cometer referido erro. Além disso, e principalmente, aduz a empresa interessada as razões que a levaram a efetuar recolhimento a maior de PIS. Diz a recorrente que o pagamento indevido ocorreu porque foi incluído, indevidamente, na base de cálculo do PIS não cumulativo, receitas sujeitas à tributação cumulativa do PIS, pelas razões que cita. Tendo em vista as razões que levaram ao indeferimento do pedido, essas alegações da recorrente não podem integrar a lide porque o Despacho Decisório atacado pela Manifestação de Inconformidade nada disse sobre esta matéria e nela não se fundamentou. Sendo único o fundamento fático para o indeferimento do pedido (Darf alocado a débito regularmente declarado), qualquer outro fato que eventualmente tenha acontecido com a Recorrente não pode integrar a lide estabelecida neste processo. Portanto, enganase a decisão recorrida quando afirma que a questão central do contencioso é a definição do regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas. O resultado da diligência, com o qual concorda a Manifestante, limitouse apenas a apurar as receitas vinculadas aos contratos no PA (do crédito), mas nada informou quanto ao segundo item da diligência pedida relativo ao crédito. Tal item basicamente traduzia se em enfrentar a questão central do contencioso, a de definir o regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas Fl. 492DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 12 Tal matéria não foi apreciada e nem decidida pelo Delegado da DRF em Niterói, autoridade da RFB competente para decidir pedido de restituição. Ao apreciar e decidir tal matéria, que foi alegada em sede de Manifestação de Inconformidade, a Turma de Julgamento da DRJ ultrapassou os limites de sua competência. Além de ter decidido, originalmente, pedido de restituição, a Turma de Julgamento deixou de apreciar as razões da empresa interessada sobre os motivos que a levaram a pedir a restituição sem antes retificar a DCTF. Deveria a Turma de Julgamento ter decidido se é possível ou não apresentar pedido eletrônico de restituição sem retificar a DCTF onde consta o débito que o pagamento foi alocado. Porventura entendesse a Turma de Julgamento da DRJ que o pedido poderia ser realizado sem a prévia retificação da DCTF, o processo deveria retornar à DRF de Niterói para o Delegado apurar a existência de indébito, à luz das alegações trazidas pela empresa interessada e das providencias que entendesse necessárias. Ou seja, afastado o óbice do Despacho Decisório, apurarseia a eventual existência de pagamento indevido. Alias, esse entendimento é pacífico nesta Turma de Julgamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3302002.365, de 26/11/2013 (Processo nº 10650.900486/200923) e 3302 002.210, de 27/06/2013 (Processo nº 10166.908050/200944). Portanto, o entendo que deverseia afastar o motivo de indeferimento do pedido de restituição (DARF alocado a débito declarado em DCTF) e determinar que a DRF apure a eventual existência de pagamento indevido. Havendo pagamento indevido, seria o mesmo restituído à empresa interessada ou utilizado em compensação regularmente declarada, conforme o caso. Estas são as razões pelas quais não posso acompanhar o Ilustre Relator, já que conduzo meu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a razão do indeferimento do pedido de restituição e determinar que o Delegado da DRF em Niterói apure a existência de indébito e, se for o caso, proceda a restituição. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 23/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13706.003467/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE DESPESAS NÃO PLEITEADAS ORIGINALMENTE EM DIRPF.
Em obediência aos princípios da Legalidade e da Verdade Material, devem ser acolhidas as despesas dedutíveis comprovadas do contribuinte na apuração do IRPF por ele devido, ainda que tais despesas não tenham constado da DIRPF originalmente apresentada.
Numero da decisão: 2102-002.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 10/06/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE DESPESAS NÃO PLEITEADAS ORIGINALMENTE EM DIRPF. Em obediência aos princípios da Legalidade e da Verdade Material, devem ser acolhidas as despesas dedutíveis comprovadas do contribuinte na apuração do IRPF por ele devido, ainda que tais despesas não tenham constado da DIRPF originalmente apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 10/06/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 34 67 /2 00 6- 18 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 09/15, por meio do qual lhe foi exigida a importância de R$ 12.933,31, resultante da revisão da DIRPF, já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003, anocalendário 2002. Na descrição dos fatos e do enquadramento legal, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS – TITULAR Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, conforme DIRF da fonte pagadora: SOCIEDADE BRASILEIRA DE INSTRUÇÃO R$ 12.442,46 (...) Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, conforme DIRF das fontes pagadoras: FUND. DE APOIO A PESQ. CIENTIF. TECN. DA UFRRJ R$2.050,00 DECANATO DO CENTRO DE C. JUR. E ECON. DA UFRJ R$13.000,00 (...) IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE TITULAR O valor da Linha 19 Imposto Retido na Fonte Titular, foi alterado em razão da inclusão de valores devidamente comprovados, correspondentes a rendimentos tributáveis que não haviam sido informados na Linha 01 (Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas Titular): SOCIEDADE BRASILEIRA DE INSTRUÇÃO R$ 689,50 FUND. DE APOIO A PESQ. CIENTIF. TECN. DA UFRRJ R$ 148,80 DECANATO DO CENTRO DE C. JUR. E ECON. DA UFRJ R$ 1.156,54 Cientificado do respectivo lançamento fiscal, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 09/15, por meio da qual alegou em suma – que involuntariamente omitiu parte de seus rendimentos, postulando apenas o fato de não terem sido consideradas no Acerto de Declaração as despesas médicas no valor total de R$3.784,84 (três mil, setecentos e oitenta e quatro reais e oitenta e quatro centavos), bem como as despesas com instrução de seus dependentes, no valor total de R$3.555,00 (três mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais), anexando ainda cópia autenticada de comprovante de pagamento realizado à SRF em 16/11/2006, sob o Cód. DARF 2904 à fl. 05, com confirmação no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil à fl. 38. Na análise de suas alegações, os integrantes da 7ª Turma da DRJ/RJ2 decidiram pela procedência do lançamento fiscal, em decisão da qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO INADMISSIBILIDADE DE DEDUÇÃO PÓS Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13706.003467/200618 Acórdão n.º 2102002.969 S2C1T2 Fl. 168 3 LANÇAMENTO Inadmissível depois de lavrado o Auto de Infração, a inclusão de dedução de despesas médicas e com instrução sem pleito na Declaração de Ajuste Anual. Lançamento Procedente Cientificado de tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 58/64, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda o seguinte: De fato, o julgador, no procedimento administrativo terá, por obrigação, que aperfeiçoar o ato administrativo do lançamento, cuja exatidão interessa à Sociedade e não ao Fisco como ex adverso do contribuinte. É, pois, obrigação do Julgador apurar o lançamento, pautado na verdade material. Quando o contraditório administrativo é instaurado, o Auto de Infração/Notificação de Lançamento não acarreta a presunção de liquidez e certeza do tributo lançado. (...) Assim, por força de referido princípio, devem ser devidamente verificados os lançamentos levados a efeito pela fiscalização, a fim de averiguar se os mesmos equivalem a realidade do recorrente, ou seja, se os valores correspondem àqueles supostamente devidos. (...) Desta forma e por tudo que foi dito até então, as deduções relacionadas no item anterior são fatos não conhecidos e não provados a ocasião do lançamento, como preconiza o art. 149, inciso VIII do CTN, já citado, devendo assim ser revistos de ofício. Podendo ainda ser considerados como erros de fato, apuráveis na fase recursal, devendo ser retificados pela autoridade administrativa, com determina o próprio art. 147, § 2º, do CTN. Ainda temse como verdade a existência das deduções e, com apego ao já comentado princípio da verdade material, deverão ser considerados na nova apuração do crédito tributário na fase de recurso. Ainda, o acórdão combatido menciona como intenção do recorrente, a retificação da declaração por sua própria iniciativa. É claro que este não foi o caso, nem tampouco o pedido do recorrente na impugnação apresentada anteriormente à Delegacia de Julgamento. O pedido é o mesmo do agora formulado, ou seja, que, de ofício, em obediência a Lei e aos princípios doutrinários ligados aos atos administrativos, seja revisto o lançamento, utilizandose as deduções relacionadas. (grifos no original) Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 22.05.2009, como atesta o AR de fls. 52. O Recurso Voluntário foi interposto em 05.06.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo originário de lançamento para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. O contribuinte, desde que foi cientificado do lançamento, em nenhum momento questionou a referida omissão, limitandose a afirmar que não teve a intenção de burlar o Fisco e que – considerando a omissão – deveriam também ser considerado o seu direito à dedução de despesas médicas e despesas com instrução. Seu pedido, porém, não foi acolhido pela decisão recorrida sob o argumento de que tais deduções somente poderiam ser pleiteadas em sede de Declaração de Ajuste, e que posteriormente à sua apresentação, o contribuinte não teria mais o direito de pleitear qualquer dedução. Tal decisão merece reforma. Com efeito, a jurisprudência deste Conselho vem caminhando no sentido de permitir que deduções não pleiteadas na Declaração de Ajuste o sejam em fase de revisão de lançamento. Neste sentido: IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS — INCLUSÃO DAS PARCELAS ATINENTES ÀS DEDUÇÕES O intuito de um processo fiscal é buscar a verdade material. Todos as receitas e despesas deverão ser consideradas desde que efetivamente comprovadas. Recurso provido. (Acórdão nº 10421677 do Processo 13639000497200362) Do voto condutor deste julgado, merece transcrição o seguinte trecho, que bem resume o entendimento ora acolhido: A DRJ, em seu julgamento, considerou que não poderiam ser acolhidos os valores referentes às deduções, porquanto tais parcelas somente poderiam ser inseridas na Declaração de Ajuste por meio de uma Retificadora. No r. entendimento daquele órgão administrativo, era defeso ao contribuinte efetuar as deduções, após o inicio do procedimento fiscal com base no art. 832 do RIR/1999. Ao nosso ver, não assiste razão à recorrida, haja vista que o intuito do processo fiscal é a busca da verdade material. O fisco, em sede de tal processo, deve apurar e considerar todos os fatos constatados que sejam pertinentes à questão fiscalizada. Como bem salientou a própria DRJ, erros acontecem com qualquer contribuinte, só que nem sempre eles são percebidos antes do Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13706.003467/200618 Acórdão n.º 2102002.969 S2C1T2 Fl. 169 5 inicio do procedimento fiscal para que possam ser sanados por meio de uma retificadora. Compulsandose os autos, percebese que o recorrente nem sequer contestou as alterações efetuadas na sua Declaração; ao contrário, afirmou que as mesmas estavam escorreitas, requerendo, tão somente, que também fossem considerados os valores atinentes às deduções, os quais também foram omitidos na famigerada Declaração original. Imperioso salientar que se a Declaração de Ajuste fosse preenchida de forma correta, constando na mesma os valores omitidos como renda juntamente com as parcelas referentes às deduções, o contribuinte seria beneficiado, pois restaria uma quantia de imposto a restituir. Tal fato deixa transparecer o indicio de erro e imprudência do recorrente, mas não o intuito de burlar a legislação tributária, como entendeu a DRJ. Cumpre destacar, também, que o art. 145, I e 149 do CTN permitem a alteração do lançamento com base na impugnação do contribuinte. Portanto, devido à idônea documentação acostada no presente recurso, a qual comprova o efetivo gasto com de parcelas dedutíveis, entendemos que as mesmas devem ser consideradas para os efeitos do ajuste fiscal. O Contribuinte deve pagar o que a lei manda. Nem mais, nem menos, independente de qualquer erro seu. Destarte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para que sejam consideradas, no calculo do imposto devido, as parcelas relacionadas às deduções pertinentes nele reinvidincadas. Este raciocínio, tão bem explorado no voto acima transcrito, é o que vem norteando os julgamentos deste Conselho, não só em obediência ao princípio da Verdade Material (que rege os julgamentos administrativos), mas também – e principalmente – em obediência ao princípio da Legalidade, base no nosso Direito Tributário. No caso, o Recorrente pretende que seja reconhecido o seu direito à dedução de despesas médicas no valor de R$ 3.784,84 e com instrução no valor total de R$ 3.555,00. Tais despesas estão devidamente comprovadas pelos documentos de fls. 16/25 (médicas) e 26/30 (instrução). Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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