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Numero do processo: 10120.902767/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.349
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 67 /2 01 1- 23 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902767/201123 Acórdão n.º 3301003.349 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.388. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902767/201123 Acórdão n.º 3301003.349 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902767/201123 Acórdão n.º 3301003.349 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10120.902767/201123 Acórdão n.º 3301003.349 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10120.902767/201123 Acórdão n.º 3301003.349 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.722385/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o recorrente seja intimado a: a) com relação à moléstia grave: apresentar laudo oficial com data do início da moléstia grave, ou na falta deste, documentos complementares que comprovem de forma indubitável a data do início da moléstia grave; e b) com relação aos rendimentos recebidos acumuladamente: apresentar documentação comprobatória da natureza das verbas recebidas decorrente da ação judicial e da composição desses valores, demonstrando também o período de verbas recebidas acumuladamente.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora e Presidente em Exercício.
EDITADO EM: 07/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o recorrente seja intimado a: a) com relação à moléstia grave: apresentar laudo oficial com data do início da moléstia grave, ou na falta deste, documentos complementares que comprovem de forma indubitável a data do início da moléstia grave; e b) com relação aos rendimentos recebidos acumuladamente: apresentar documentação comprobatória da natureza das verbas recebidas decorrente da ação judicial e da composição desses valores, demonstrando também o período de verbas recebidas acumuladamente. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora e Presidente em Exercício. EDITADO EM: 07/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo.
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MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente HAROLDO SAMPAIO RIBEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o recorrente seja intimado a: a) com relação à moléstia grave: apresentar laudo oficial com data do início da moléstia grave, ou na falta deste, documentos complementares que comprovem de forma indubitável a data do início da moléstia grave; e b) com relação aos rendimentos recebidos acumuladamente: apresentar documentação comprobatória da natureza das verbas recebidas decorrente da ação judicial e da composição desses valores, demonstrando também o período de verbas recebidas acumuladamente. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora e Presidente em Exercício. EDITADO EM: 07/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1268.203, da 21ª Turma da DRJ/RJ1 que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito lançado, nos seguintes termos: MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 22 38 5/ 20 13 -4 1 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10140.722385/201341 Resolução nº 2301000.660 S2C3T1 Fl. 3 2 Cabe a isenção prevista no no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, no caso de recebimento de proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, ou suas complementações, a partir da data da emissão do laudo, quando este não especifica a data do início da doença. TRIBUTÁRIO. IRPF. DIRPF RETIFICADORA A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. IMPOSSIBILIDADE. Iniciado o procedimento fiscal, com a ciência do contribuinte, não é mais possível a este apresentar Declaração Retificadora, visto estar excluída sua espontaneidade, na forma do art. 138, parágrafo único do CTN, e art. 7º, inciso I, §1º, do Decreto 70.235/72, que regula o procedimento fiscal. Foi lavrada Notificação de Lançamento em face do contribuinte acima identificado em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício de 2012, Anocalendário de 2011, tendo sido apurado crédito tributário de R$ 6.221,94, já acrescido de multa de ofício e juros de mora. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi constatada omissão de rendimentos recebidos da Fonte Pagadora Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no valor de R$ 167.564,07 e da Fonte Pagadora Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no valor de R$ 134.584,15. Inconformado, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 04/09), instruída com documentos (fls. 11/12), pleiteando isenção dos rendimentos recebidos por ser portador de doença prevista no inciso XIV do art. 6º, da Lei nº 7.713/1988 e ser aposentado. Alegou que não houve omissão de rendimentos, pois estes são isentos por ser portador de moléstia grave; que em 14/03/2012 foi apresentada a declaração de IRPF do ano calendário 2011 no qual consignou como rendimentos tributáveis, o valor de R$ 302.148,22, assim como informou no campo de pagamentos deduções de despesas médicas no valor de R$ 12.125,00. Aduziu que em 18/07/2013 apresentou declaração retificadora e incluiu o valor de R$ 302.148,22 no campo de rendimentos isentos, excluindo do campo de rendimentos tributáveis, mas deixou de informar os valores de despesas médicas. Assim, entende que há que se ajustar o Imposto Suplementar após se considerar os valores das despesas médicas. O contribuinte alega que a autoridade fiscal considerou exclusivamente o Parecer da Junta Médica do Serviço Público Federal emitido em 25/03/2013, não considerando o Laudo Médico emitido pelo Dr. Renato Lima Ferraz, que afirmou que o paciente é vítima de Alzheimer desde 2008 e que a ausência de Parecer da Junta Médica Oficial em data anterior a percepção dos rendimentos não é suficiente, por si só, para qualificar os rendimentos como tributáveis. Discorre sobre a "verdade material", requerendo análise dos laudos médicos não oficiais acostados. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10140.722385/201341 Resolução nº 2301000.660 S2C3T1 Fl. 4 3 Reproduz doutrina acerca dos Princípios da Administração Pública. Dentre os documentos juntados, consta Laudo Médico emitido pelo Dr. Renato Lima Ferraz, declarando que o contribuinte é paciente desde 02/01/2008, sendo portador de Alzheimer, CID G30.0 (fl 11) e Parecer de Junta Médica (fl. 12), concluindo que o periciado,"é considerado, no momento, portador de doença especificada no art. 1º da Lei 11052/04 (alienação mental)", datado de 25/03/2013. A Turma de Primeira Instância reconheceu que os proventos percebidos pelo contribuinte são de aposentadoria. No entanto, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por entender que no Parecer acostado datado de 25/03/2013 não consta a data do início da doença e que laudos particulares não podem ser acatados, pois não possuem o condão de comprovar a existência de moléstia grave. Concluise, então, que o contribuinte passou a ter direito à isenção prevista na Lei nº 7.713/1988, artigo 6º, inciso XIV, com a redação da Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei nº 9.250/1995, a partir de março de 2013 (data da emissão do laudo que reconhece a moléstia grave), momento em que o contribuinte preencheu os dois requisitos essenciais para fruição da isenção pleiteada. Dessa forma, no anocalendário 2011 em questão, o Contribuinte não fazia jus à isenção pleiteada, devendo ser mantida a omissão de rendimentos. Acerca da retificação da declaração do Interessado, entenderam que só poderia ter sido aceita antes de iniciado o procedimento fiscal, conforme dispõe o art 7º, inciso I, § 1º, do Decreto 70.235/72. Em seu recurso voluntário, o recorrente repisa os fundamentos da impugnação apresentada anteriormente. Em sessão de 13/04/2016, esta 1ª Turma decidiu por converter o julgamento em diligência para que o contribuinte fosse intimado a apresentar o LAUDO OFICIAL no qual conste a data do início da doença, nos termos da Resolução nº 2301000.606. Cumprida a diligência e esgotado o prazo concedido ao recorrente, este quedou se inerte. É o relatório. O contribuinte alega ser portador de moléstia grave tipificada como alienação mental e por esta razão, isento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. A turma de primeira instância manteve o lançamento, pois embora tenha reconhecido que os proventos percebidos pelo contribuinte são de aposentadoria, entendeu que o Laudo Médico Pericial acostado (fl. 12), datado de 25/03/2013, não há indicação da data de início da doença, e considerou que o laudo médico particular juntado não pode ser acatado, pois não possui o condão de comprovar a existência de moléstia grave, em conformidade com a legislação de regência. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10140.722385/201341 Resolução nº 2301000.660 S2C3T1 Fl. 5 4 Para o deferimento do benefício pleiteado, o artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Art. 1º O inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle Assim sendo, cabe analisar se os documentos constantes dos autos são hábeis à comprovarem a condição do contribuinte, ou seja, se efetivamente os rendimentos percebidos são de aposentadoria, bem como a existência da moléstia alegada. No tocante ao primeiro requisito, verificase que a decisão a quo reconheceu que os proventos percebidos pelo contribuinte são de aposentadoria, conforme excertos abaixo transcritos: "[...] no documento “Parecer da Junta Médica”, fls. 12, consta indicação de que o contribuinte é servidor aposentado. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10140.722385/201341 Resolução nº 2301000.660 S2C3T1 Fl. 6 5 Ademais, tendo em vista que o Contribuinte nasceu em 1928 no ano de 2011, em questão, completava este 83 anos, sendo razoável concluirse que os proventos em análise referemse a proventos de aposentadoria. Dessa forma, passase a análise do segundo requisito, qual seja, se o contribuinte é portador de moléstia grave, atestada através de Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Foi apresentado pelo contribuinte na impugnação, Laudo Médico (fl. 12), assinado por Peritos do GPM/NE/MS, no qual consta informação de que o contribuinte é portador no "momento" de Alienação Mental, cujo laudo está datado de 25/03/2013. Em fls. 11, consta Laudo emitido pelo profissional Renato Lima Ferraz, no qual é informado que o contribuinte é paciente desde 02 de janeiro de 2008, vítima de Alzheimer CID G30.0. Ocorre que, embora o Laudo Médico Oficial de fl. 12 ateste que o contribuinte é portador de moléstia grave tipificada como alienação mental, a qual se insere nas doenças descritas no art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, com redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541/92, que passou a vigorar com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei 11.052/04, verifica se que o referido laudo não indica a data de início da doença, atestando apenas que no momento da emissão do mesmo (25/03/2013) o paciente era acometido de alienação mental. No entanto, em que pese os documentos supracitados, não consta nos autos Laudo Oficial que ateste a data de início da doença e, mesmo com a diligência solicitada não houve a apresentação do laudo oficial com data do início da doença. Entretanto, tendo em vista que o recorrente não juntou laudo oficial com a data da início da moléstia grave, mas laudo emitido por médico privado, e com base no conjunto probatório, há indícios de verossimilhança das alegações do contribuinte, entendo que deva ser oportunizado ao contribuinte a possibilidade de juntada de documentos que apontem, de forma inconteste a data do início da enfermidade. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que o recorrente seja intimado a apresentar laudo oficial com data do início da moléstia grave, ou na falta deste, documentos complementares que comprovem de forma indubitável a data do início da moléstia grave. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900261/2014-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/08/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 61 /2 01 4- 49 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900261/201449 Acórdão n.º 3401003.666 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900261/201449 Acórdão n.º 3401003.666 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900261/201449 Acórdão n.º 3401003.666 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907201/2012-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2010
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.236
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 01 /2 01 2- 57 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907201/201257 Acórdão n.º 3302004.236 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.838. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907201/201257 Acórdão n.º 3302004.236 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907201/201257 Acórdão n.º 3302004.236 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907201/201257 Acórdão n.º 3302004.236 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907201/201257 Acórdão n.º 3302004.236 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907201/201257 Acórdão n.º 3302004.236 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721895/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência para determinar a vinculação destes autos aos do processo principal 19515.721537/2011-04, bem como o sobrestamento do julgamento do presente processo até a decisão da mesma instância relativa ao processo principal, nos termos do artigo 6o, §5º, do Anexo II do RICARF.O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência para determinar a vinculação destes autos aos do processo principal 19515.721537/2011-04, bem como o sobrestamento do julgamento do presente processo até a decisão da mesma instância relativa ao processo principal, nos termos do artigo 6o, §5º, do Anexo II do RICARF.O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência para determinar a vinculação destes autos aos do processo principal 19515.721537/201104, bem como o sobrestamento do julgamento do presente processo até a decisão da mesma instância relativa ao processo principal, nos termos do artigo 6o, §5º, do Anexo II do RICARF.O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto –Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 89 5/ 20 11 -1 7 Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 19515.721895/201117 Resolução nº 1401000.456 S1C4T1 Fl. 2.618 2 Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, acrescidos de multa de 75% e Juros Selic. O TVF afirma que o procedimento fiscal teve início para a apuração de tributos previdenciários e que, posteriormente, o trabalho foi ampliado para tributos fazendários. Quanto os tributos fazendários, a conclusão da fiscalização foi de que os dispêndios com aluguéis e condomínios relacionados a imóveis utilizados por funcionários da contribuinte consistiram em pagamentos a beneficiários não identificados, dando ensejo ao lançamento do IRRF com base nos artigos 249, I, 251, parágrafo único, 300 e 304 do RIR/99, bem como à glosa das despesas com base no artigo 13, II, da Lei 9.249/1995, consolidado no artigo 351, par. 1, do RIR/99; artigo 74 da Lei 8.383/1991, consolidado no artigo 358 do RIR/99; art. 2o e parágrafos da Lei 7.689/1988; art. 1o da Lei 9.316/1996 e artigo 28 da Lei 9.430/1996; art. 37 da Lei 10.637/2002. Apresentada a impugnação, esta foi julgada improcedente DRJ em São Paulo em 26 de abril de 2013, tendo o acórdão 1646.162 sido assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. HIPÓTESES. De acordo com o regramento normativo vigente na forma do artigo 150, §4°, do CTN, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, desde que observada a existência de pagamento antecipado do tributo correspondente, bem como inocorrência de dolo, fraude ou simulação praticado pelo sujeito passivo. Por seu turno, inexistindo pagamento de idêntica natureza do tributo autuado, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS. INEFICÁCIA DO FEITO POR CONTA DAS AUTUAÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INOCORRÊNCIA DE DEFEITOS FORMAIS E MATERIAIS. É incabível a argüição de nulidade das autuações quando estes se apresentem revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita consonância com as normas de regência, denotando que a fundamentação jurídica e os motivos determinantes da infração certificadas pela autoridade fiscal foram efetivamente reduzidas a termo no encerramento do procedimento de fiscalização e levadas ao conhecimento do sujeito passivo, facultando a plenitude do exercício do contraditório e da ampla defesa mediante interposição regular de sua peça impugnatória. Além disso, a existência de autuações levadas efeito para tributação das contribuições previdenciárias apuradas por arbitramento, consoante disposto no artigo Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 19515.721895/201117 Resolução nº 1401000.456 S1C4T1 Fl. 2.619 3 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8212, de 24/06/1991, baseada nas mesmas circunstâncias e motivações fáticas, em nada comprometem a validade e eficácia da constituição do lançamento de ofício atinente ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Por expressa disposição legal, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado sujeitase à tributação exclusivamente na fonte, com reajustamento da base de cálculo, arcando a fonte pagadora com o ônus do tributo. Nestes termos, demonstrada através da escrituração contábil do contribuinte a existência de pagamentos efetuados, sem que o contribuinte lograsse identificar os efetivos beneficiários dos desembolsos realizados no curso do período fiscalizado, torna imperativo a manutenção dos efeitos da tributação levada a efeito com base no art. 674 do RIR/99. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e/ou cuja operação ou causa não seja comprovada bem como aqueles relativos a benefícios que deveriam integrar a remuneração dos favorecidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. INDEDUTIBILIDADE. De acordo com as legislação de regência, os pagamentos a beneficiários não identificados serão adicionados para fins de apuração do Lucro Real, bem assim para determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, importâncias estas que deverão ser enquadradas como despesas indedutíveis para efeito de cálculo do tributo devido. Na hipótese da constatação de dedução indevida da base imponível do tributo, inferese legítima a autuação levada a efeito com fundamento na referida infração tributária, mormente quando o sujeito passivo não comprova, mediante documentação coincidente em datas e valores, tanto a necessidade e efetividade dos dispêndios, quanto a destinação dos pagamentos ao beneficiário da obrigação conexa à relação jurídica contratual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão pertinente ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) deve nortear as inferências correlatas aos autos de infração decorrentes, tendo em vista que provêm elementos de prova idênticos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 29 de agosto de 2013 (fl. 2.423), a empresa apresentou recurso voluntário em 25 de setembro de 2013, alegando, em síntese: Preliminarmente Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 19515.721895/201117 Resolução nº 1401000.456 S1C4T1 Fl. 2.620 4 (i) nulidade da decisão da DRJ/SP por cerceamento de defesa, em virtude de tal decisão não ter tratado do argumento aventado na impugnação, qual seja, a falta de motivação legal e fática para imputação do IRRF. Reclama que foram ignorados todos os esclarecimentos produzidos pela empresa no sentido de que: (a) os beneficiários dos pagamentos a título de aluguel são os próprios locadores dos imóveis; (b) os contratos de aluguel identificam os nomes dos locadores dos imóveis; (c) as DIRF indicaram os valores de todos os pagamentos realizados e a quem foram levados a efeito; (d) os imóveis eram utilizados por seus empregados, em viagens a serviço, e por funcionários da sócia estrangeira; (e) houve o recolhimento do IRRF devido sobre as importâncias pagas nas locações, consoante demonstrado pela DIRF e DARF anexos como docs. 4 e 5 da Impugnação. Sustenta que não há esclarecimentos sobre a razão pela qual a autoridade autuante afastou tais informações e provas e chegou à conclusão de que os beneficiários dos pagamentos a título de locações seriam outras pessoas que não os locadores. Alega, assim, que não sabe que norma legal teria descumprido. (ii) nulidade do auto de infração de IRPJ e CSLL por falta de motivação, eis que a fiscalização desconsiderou todos os esclarecimentos prestados no sentido de que os imóveis eram utilizados por seus funcionários em viagens a trabalho e por funcionários de sua sócia chinesa em razão de assistência técnica e negócios, razão pela qual são despesas operacionais, passíveis de dedução. (iii) falta de liquidez, certeza e exigibilidade dos créditos tributários de IRPJ e CSLL constituídos, pois caso seja pago o auto de infração de IRRF poderá haver impacto no IRPJ e CSLL devidos no período. (iv) os valores objeto da presente autuação não podem ser exigidos tendo em vista que existem autos de infração previdenciários lavrados justamente sob o argumento de que os valores constantes das contas contábeis ora adicionadas seriam salário indireto (processo 19515.721537/201104). Isso porque, se reconhecido que os valores em questão não são salário in natura e que os imóveis são usados para fins profissionais, a despesa será dedutível do IRPJ e CSLL e os pagamentos aos locadores não poderão ser questionados. Requer, assim, o sobrestamento do presente feito até a decisão naquele processo. No mérito (i) as autuações relativas ao anobase de 2006 devem ser canceladas por conta do decurso do prazo decadencial para lavratura das autuações, nos termos do artigo 150, par. 4o, do CTN. Isso porque o auto de infração cientificado à contribuinte em dezembro de 2011 se refere a diferenças não recolhidas, o que pressupõe portanto recolhimento antecipado, não sendo caso de aplicação do artigo 173, I, do CTN. Aduz, ademais, que recolheu inclusive o IRRF sobre as despesas de locação em discussão, conforme comprova a DIRF anexada ao Doc. 4 da impugnação. (ii) quanto ao IRRF: ii.a) não se aplica o artigo 674 do RIR/99 já que os beneficiários dos pagamentos são os locadores dos imóveis, os quais foram devidamente identificados não só pelos contratos como pela DIRF entregue pela ora Recorrente, tendo sido devidamente recolhido o IRRF, não havendo dúvida de que as operações de locação existiram; defende, ademais, que não se trata de salário indireto pois os valores não se convertem em benefício para Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 19515.721895/201117 Resolução nº 1401000.456 S1C4T1 Fl. 2.621 5 os usuários dos imóveis (funcionários da Recorrente e da empresa chinesa Huawei Tecnologies) eis que a utilização se dá no contexto de viagens a trabalho, no lugar de hotéis nesse ponto, anexa documentação comprobatória de que os seus funcionários possuem residência fixa diversa dos endereços dos imóveis locados e destaca, quanto aos funcionários da empresa chinesa, que estes têm visto de trabalho no Brasil e que os pagamentos realizados são posteriormente ressarcidos (docs. 7 e 8 da impugnação). ii.b) ilegalidade do artigo 674 do RIR/99 por configurar tributação de não receita, desconsiderando a regra matriz de incidência do imposto sobre a renda pela inexistência de renda, sendo na verdade uma punição pela não identificação do beneficiário. (iii) quanto ao IRPJ e CSLL, as despesas são operacionais e dedutíveis nos termos da legislação vigente, eis que não têm vínculo com salário dos funcionários e não se revertem em proveito destes já que os imóveis são utilizados exclusivamente em viagens a trabalho. Alega que a análise do registro dos funcionários revela que nenhum deles possui endereço residencial ou comercial nos imóveis em questão. Defende, assim, que as despesas são "relacionadas intrinsecamente com a produção e comercialização de bens e serviços" e necessárias às atividades da empresa. Recebi o processo em distribuição realizada em 15 de fevereiro de 2017. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme relatado, o procedimento fiscal que resultou no lançamento ora combatido (MPF 08.1.90.002010009476) teve início para apuração de tributos previdenciários. Neste sentido, a decisão recorrida afirma que as mesmas circunstâncias e motivações fáticas do presente processo instruíram os autos do Processo nº 19515.721537/201104, relativamente à cobrança de contribuições previdenciárias, juntando, inclusive, cópia da decisão proferida em tal processo a fls. 2.300 a 2.351, bem como citando trechos desta, inclusive os seguintes: 4.15 A Fiscalização emitiu os Termos de Intimação nº 10 (recebido em23/03/2011), nº 11 (recebido em 12/04/2011), nº 12 (recebido em 25/04/2011), nº14 (recebido em 03/05/2011), nº 15 (recebido em 08/07/2011), e nº 16 (recebidoem 01/08/2011), intimando a empresa a apresentar Contratos de Locação de Imóveis Residenciais, lançados nas contas contábeis Locação Imóveis Residenciais (Dedutíveis e Indedutíveis), bem como relacionar os beneficiários dessas locações. (…) 4.21. E tendo em vista que o Contribuinte não identificou os ocupantes dos imóveis objeto dos lançamentos das referidas contas de Locação de Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 19515.721895/201117 Resolução nº 1401000.456 S1C4T1 Fl. 2.622 6 Imóveis Residenciais, as bases de cálculo e as contribuições devidas foram apuradas por arbitramento, conforme disposto no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8212/91. Temos, assim, que os pagamentos objeto do presente processo deram ensejo, primeiramente, ao lançamento de contribuições previdenciárias, por arbitramento, com base no artigo 33, §§3o e 6o da Lei 8.212/1991, que transcrevo: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O lançamento das contribuições previdenciárias e o dos tributos ora discutidos decorreu de um mesmo procedimento fiscal (MPF 08.1.90.002010009476 cf. fls. 1084). De fato, os termos de intimação naqueles autos e nestes coincidem em número, pedidos e datas. Vejase, neste sentido, o respectivo trecho do Termo de Verificação Fiscal relativo ao presente processo: Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 19515.721895/201117 Resolução nº 1401000.456 S1C4T1 Fl. 2.623 7 Diante disso, entendo que o presente lançamento é reflexo do lançamento das contribuições previdenciárias, nos termos do Regimento Interno do CARF (“RICARF” – Portaria MF 343/2015, Anexo II, grifamos): Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Em consulta ao andamento do processo relativo às contribuições previdenciárias (19515.721537/201104), verifico que este encontrase neste CARF, com recurso voluntário pendente de distribuição na Segunda Seção, que é a competente para tal tributo nos termos do RICARF. Em casos como este, o RICARF estabelece que a Turma deve converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento, aguardando assim a decisão de primeira instância relativa ao processo principal. Vejase, com grifos nossos: Art. 6o. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. (...) § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 19515.721895/201117 Resolução nº 1401000.456 S1C4T1 Fl. 2.624 8 A observância do RICARF é de rigor. Neste sentido, voto por converter o presente julgamento em diligência para determinar a vinculação destes autos aos do processo principal 19515.721537/201104, bem como o sobrestamento do julgamento do presente processo até a decisão mesma instância relativa ao processo principal, nos termos do artigo 6o, §5º, do Anexo II do RICARF. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Fl. 2624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.724352/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
DATA DO FATO GERADOR: 15/09/2009
DESISTÊNCIA.
O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78, parágrafo 2º do RICARF aprovado pela Portaria MF n. 342/2015
Numero da decisão: 3302-004.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78, parágrafo 2º do RICARF aprovado pela Portaria MF n. 342/2015 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Charles Pereira Nunes, Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 53 74 .7 24 35 2/ 20 09 -2 0 Fl. 3.106Fl. 3.106 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária junho de 2017 Processo Administrativo Fiscal Processo Administrativo Fiscal PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRÁS FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 53 74 .7 24 35 2/ 20 09 -2 0 A Fl. 3106DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n. 06120.63214.300608.1.3.04-1647, de crédito no montante de R$ 27.212.386,44, referente a valor que teria sido recolhido a maior em 15/09/2006, a título de COFINS, com débito de IRPJ no valor de R$ 36.734.000,46. O direito creditório não foi reconhecido em despacho decisório que apresenta como razão o fato de não existir "conjunto de elementos necessários para aferição dos créditos pleiteados, apesar de intimado e reintimado, e de diversos pedidos de prorrogação concedidos". Cientificado sobre os motivos que resultaram na não homologação da declaração, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual apresenta os seguintes argumentos: - O curto prazo para a apresentação de provas resultou na impossibilidade de cumprir com a intimação. No entanto, foram encaminhas as comunicações AIF n. 0342, de 10/08/2012; 0384 de 31/08/2012 e AIF de 19/09/2012, que continham as informações capazes de permitir análise do crédito reclamado; - Foram apresentadas provas, mesmo diferentes das exigidas pela fiscalização, são suficientes para verificar a existência do crédito objeto da compensação; - "Na medida em que a autoridade entendeu por rejeitar os créditos com base em inconsistências argüidas na última hora, vale dizer, no próprio despacho decisório, mostrou- se latente o seu manifesto desinteresse em facilitar o exercício dos direitos atribuídos ao contribuinte especialmente quando estava em análise, repisa-se, 43 (quarenta e três) DCOMPs, referentes a três anos de processamento e apuração e cujo teor traz à baila três metodologias distintas de apuração do PIS e da COFINS". A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, em decisão assim sumariada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/09/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que ensejou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 15374.724352/2009-20 Acórdão n.º 3302-004.478 S3-C3T2 Fl. 3.107 3 Voto Conselheira Lenisa Rodrigues Prado A contribuinte foi considerada intimada do acórdão lavrado no julgamento da manifestação de inconformidade em 16/01/2014, conforme atesta o Termo de Abertura de Documento (fl. 2961) e interpôs o recurso voluntário em 12/02/2014 (Termo de Solicitação de Juntada acostado à folha 2963). Diante da tempestividade do apelo e cumpridos todos os requisitos formais, tomo conhecimento do recurso e submete-o a apreciação desta Turma. Em seu apelo, a recorrente alega, em síntese: - A decisão que indeferiu o pedido de compensação é nula, pois não foi realizada a devida análise das provas acarreadas aos autos, por ausência de fundamentação e cerceamento ao seu direito; - Além da indiferença do julgador sobre as provas acostadas aos autos, a contribuinte afirma que não foram analisados os documentos integrantes do Processo n. 16682.721045/2012-71, que também é pertinente para a apuração do crédito reclamado; - Outro fato alegado pelo contribuinte é que a decisão recorrida considerou como data do fato gerador 15/09/2006; contudo, o crédito de COFINS refere-se ao período de apuração de agosto de 200. Em 31/05/2017 foi trazida aos autos petição1 informando a adesão da contribuinte ao Programa de Regularização Tributária consolidado na Medida Provisória n. 766/2017. Os requisitos para a fruição deste programa estão elencados na Instrução Normativa RFB n. 1.687/2017 e, dentre eles, está a necessidade de desistência dos recursos administrativos. Segue o artigo, in verbis: "Art. 5º. A inclusão no PRT de débitos que se encontrem em discussão administrativa ou judicial deverá ser precedida da desistência ou dos recursos administrativos e das ações judiciais que tenham por objeto os débitos que serão liquidados, e da renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundem as referidas impugnações e recursos ou ações judiciais e, no caso de ações judiciais, deverá ser protocolado requerimento de extinção do processo com resolução de mérito". Diante dos esclarecimentos feitos, a contribuinte manifesta sua desistência, de forma irrevogável, dos recursos apresentados neste processo administrativo, "renunciando a qualquer alegação de direitos sobre a qual se funda a ação"' (fl. 3053). Posteriormente, em 09/06/2017 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada acostada à folha 3102 dos autos eletrônicos), a recorrente apresenta o comprovante de 1 Folhas 3051/3053 dos autos eletrônicos. Fl. 3108DF CARF MF 4 pagamento do montante de 20% do débito para comprovar os efeitos jurídicos da adesão, nos ditames da MP n. 766/2017 (fls. 3103). O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 342, de junho de 2015, registra a possibilidade e adequação do pedido de desistência. Segue reprodução do artigo pertinente: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva d o débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Assim, diante da previsão normativa transcrita, não conheço do recurso voluntário. Lenisa Rodrigues Prado - Relatora Fl. 3109DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722131/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2012
PRELIMINAR. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
A suspensão do crédito tributário independe de requerimento à autoridade administrativa, uma vez que decorre de expressa previsão do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional.
REPETIÇÃO/ COMPENSAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS considerou válida a aplicação do novo prazo de 5 anos após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.110.578, submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543- C do Código de Processo Civil/1973, concluiu que a declaração de inconstitucionalidade ou a publicação de Resolução do Senado, são irrelevantes para fins de contagem do prazo decadencial.
COMPENSAÇÃO. CONTESTAÇÃO JUDICIAL
De acordo com o artigo 170-A do Código Tributário Nacional " é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Considerando a falta de comprovação pelo Recorrente de que tenha cumprido as respectivas obrigações acessórias, devem ser considerados procedentes os lançamentos efetuados a esse título.
Numero da decisão: 2202-003.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio De Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A suspensão do crédito tributário independe de requerimento à autoridade administrativa, uma vez que decorre de expressa previsão do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. REPETIÇÃO/ COMPENSAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS considerou válida a aplicação do novo prazo de 5 anos após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.110.578, submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543 C do Código de Processo Civil/1973, concluiu que a declaração de inconstitucionalidade ou a publicação de Resolução do Senado, são irrelevantes para fins de contagem do prazo decadencial. COMPENSAÇÃO. CONTESTAÇÃO JUDICIAL De acordo com o artigo 170A do Código Tributário Nacional " é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 21 31 /2 01 3- 81 Fl. 911DF CARF MF 2 Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Considerando a falta de comprovação pelo Recorrente de que tenha cumprido as respectivas obrigações acessórias, devem ser considerados procedentes os lançamentos efetuados a esse título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor (assinado digitalmente) Marco Aurélio De Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP): Com base no Relatório Fiscal e demais elementos constantes dos autos, depreendese que: 1. Quanto ao inadimplemento relativo à obrigação principal, foram realizados os seguintes lançamentos: · Glosa de compensações indevidas. · Aplicação de multa isolada. 2. As compensações consideradas indevidas são relativas a: Fl. 912DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 912 3 Contribuições sobre remuneração de ocupantes de cargos eletivos (compensações estas realizadas, não obstante já ter ocorrido a prescrição, nas respectivas competências). · Contribuições sobre “verbas indenizatórias”, assim consideradas pelo Contribuinte as seguintes rubricas: insalubridade, periculosidade, horasextras, férias, terço constitucional, auxílio doença, gratificações, plantão, adicional noturno, auxílio maternidade, riscos ambientais do trabalho, verbas não especificadas (competência 04/2010). 3. Quanto à compensação de valores correspondentes a contribuições atingidas pela prescrição, o Relatório Fiscal esclarece: 3.1.3. PRESCRIÇÃO Os valores pleiteados sujeitamse ao prazo prescricional de 05(cinco) anos, contados a partir da data do pagamento indevido até a efetiva compensação. Conforme art. 253, inciso I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999: “O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos, contados da data: I do pagamento ou recolhimento indevido; (...)”. Tendo em vista que a Prefeitura Municipal de Penha informou em GFIP as compensações previdenciárias a partir da competência 10/2009, cujo vencimento da Guia da Previdência Social – GPS – ocorreu no dia 20/11/2009; a princípio, estariam prescritos todos os supostos créditos decorrentes de recolhimentos realizados, pelo menos, antes de 20/11/2004. Ainda assim, por diversos meses, supostos créditos de competências posteriores e prescritos foram indevidamente compensados. A planilha “ANEXO Prescrição Total” demonstra os seguintes campos: A) Competência do Pagamento; B) Valor da Guia (R$) – é o valor pago em Guia da Previdência Social – GPS; C) Data do Pagamento – é a data em que foi paga a respectiva GPS; D) Data da Prescrição – é a data em que ocorre a prescrição para compensação da respectiva GPS, contada 5 anos após seu pagamento; E) “Competência compensação indevida Verbas Indenizatórias” – é a competência em que foram compensados os referidos valores já prescritos, referentes às verbas indenizatórias; F) “Competência compensação indevida – Agentes Eletivos” é a competência em que foram compensados os referidos valores já prescritos, referentes aos agentes eletivos. Desta forma, conforme demonstra a referida planilha, as compensações realizadas a partir de outubro de 2009 a fevereiro de 2011, foram realizadas indevidamente pelo fato de que os supostos créditos já estavam prescritos. (...). 3.2.1.3. PRESCRIÇÃO De plano, verificase que todas as compensações, desta rubrica, referentes aos valores pagos de contribuição previdenciária provenientes dos servidores detentores de mandato eletivo, foram realizadas indevidamente, pois, já estavam alcançadas pela prescrição, conforme abordado no item 3.1.3, acima. 4. Não bastasse a constatação da prescrição, a Fiscalização acrescenta outra circunstância: Fl. 913DF CARF MF 4 3.2.1.5. Além do mais, a Prefeitura de Penha apresentou documentos apenas com os salários dos prefeito, viceprefeito e secretários municipais a partir de01/2002 e dos conselheiros tutelares a partir de setembro/2003, conforme documentos anexos denominados: “Planilha Totalizadora – Prefeito e Vice Prefeito”; “Planilha Totalizadora – Secretários” e “Planilha Totalizadora – Conselheiros Tutelares”. E, mesmo assim, após os cálculos, verificouse que os créditos utilizados não alcançam os valores da Base de Cálculo Informada, conforme planilha abaixo, denominada “Planilha 3”. A planilha abaixo, denominada “Planilha 3”, demonstra nos campos: A Competência do subsídio (R$); B Prefeito e Vice: subsídio informado dos prefeitos e viceprefeitos (R$); C Secretários: subsídio informado dos secretários municipais (R$); D – Conselheiros tutelares: subsídio informado dos Conselheiros tutelares (R$); ETotal subsídio demonstrado: a soma de todos os subsídios por competência (A+B+C) (R$); F Base de Cálculo informada: O valor do subsídio informado pelo sujeito passivo, que serviu de base de cálculo para as compensações, conforme “Planilha 2” acima (R$). (...). 3.2.1.6. Em razão disto, foram solicitadas, através do Termo de Intimação Fiscal – TIF – nº 9, Intimação Seort nº 111/2013, recebido em 25/04/2013, em anexo, informação a respeito de justificação da compensação decorrente de agentes eletivos. Entretanto, tendo expirado os prazos, até o encerramento deste relatório, nenhuma resposta referente a este assunto foi entregue. A solicitação não respondida foi: “Solicitase planilha e/ou documento, informando de forma detalhada, por competência, com nomes, salários e cargos, como chegouse ao valor dos “subsídio”, conforme “Planilha Totalizadora para Compensação – Agentes Políticos”, em anexo. Período: de fev/98 a set/04.” A não entrega da resposta da referida solicitação ensejou o AUTO DE INFRAÇÃO – AI Fundamento Legal – FL 35 DEBCAD NR. 51.037.2694. 5. Os valores lançados, quanto às compensações de contribuições consideradas prescritas, estão consolidados nas planilhas 1 e 2 do Relatório Fiscal (fls. 40/42 e 42/44) e informados no anexo “Prescrição Total” (fls. 74/81). 6. A Fiscalização noticia, quanto à parte das compensações realizadas sob o fundamento de constituírem “verbas indenizatórias”, a existência de processo judicial, que, entretanto, encontravase ainda pendente de decisão definitiva, fazendoo nos seguintes termos: 3.1.4. PROCESSO JUDICIAL NÃO TRANSITADO EM JULGADO – No processo judicial 500108020.2010.404.7208 (Tribunal Regional Federal da Quarta Região), a Prefeitura Municipal de Penha veicula no pólo ativo da ação, referente a contribuições previdenciárias. O referido processo não transitou em julgado e encontrase no Tribunal Regional Federal da Quarta Região, aguardando o julgamento dos Recursos de Apelação. Mesmo assim, a Prefeitura Municipal de Penha utilizouse deste processo para justificar grande parte da feitura das compensações indevidas, como observado em diversos levantamentos descritos a partir do item “3.2.”, abaixo. A legislação tributária veda expressamente a compensação, objeto da discussão judicial, antes Fl. 914DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 913 5 do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. O art. 70 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 aduz: “Art. 70. São vedados o ressarcimento, a restituição, o reembolso e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório”. E, também, o artigo 81 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, diz: “É vedada a compensação do crédito dosujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Desta forma, como o referido processo não transitou em julgado, os levantamentos referentes a: terço constitucional de férias; auxilio doença (pagamento dos 15 primeiros dias de afastamento do trabalho por enfermidade) e exercício de função gratificada, descritos a partir do item “3.2.”, abaixo, foram feitos contrariando a legislação tributária. Já o levantamento referente a Horas Extras foi realizado, mesmo tendo, nesta própria ação, o judiciário afirmado que: “o adicional de horas extras tem natureza salarial, portanto, remuneratória, razão pela qual incide contribuição previdenciária sobre essa verba”. Desta forma, o próprio judiciário considerou as Horas Extras como parcela integrante da contribuição previdenciária; mas, mesmo assim, a Prefeitura de Penha insistiu em compensar os valores pagos nesta rubrica. Ademais, quanto à possibilidade de compensação de valores submetidos à análise do Poder Judiciário antes do julgamento definitivo do mérito, não existe qualquer indício de dúvida, face ao disposto no artigo 170A, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN (D.O.U. de 27 de outubro de 1966), senão vejamos: Art. 170 A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001). Este artigo 170A está citado, inclusive, no próprio processo judicial acima referido. 7. Quanto à imposição de multa isolada, a Fiscalização assim justifica: 3.2.1.8. Multa isolada por falsidade da declaração – Além da Glosa de compensação indevida, esta fiscalização lavrou a multa isolada (MI), pelo fato da Prefeitura Municipal de Penha ter compensado com falsidade. Desta forma, sem qualquer resposta à solicitação descrita no item anterior (3.2.1.6), verificasse claramente, que as compensações referentes a esta rubrica foram realizadas sem qualquer elemento que demonstre a correspondente fonte de eventual pagamento indevido. Somandose ao fato de que estas compensações foram realizadas, de plano, em desconformidade à legislação previdenciária, por ter seus créditos já prescritos. O sujeito passivo, ao fazer inserir, em GFIP, informação de compensação que sabidamente não teria direito, reduziu deliberadamente o valor devido e o subsequente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social. Deste modo, comprovado que a GFIP entregue pelo auditado veiculou uma informação sabidamente falsa, a Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, comina pena de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor das contribuições que se informou ter compensado falsamente. 8. Na sequência (fls. 46/65), o Relatório Fiscal passa a abordar as rubricas consideradas pelo Contribuinte como “verbas Fl. 915DF CARF MF 6 indenizatórias”, vinculandoos às correspondentes planilhas demonstrativas. 9. Quanto aos Autos de Infrações relativos ao descumprimento e obrigações tributárias acessórias, a Fiscalização informa, para cada um dos lançamentos, as razões que os determinaram. 10. Consta, também, que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, nos seguintes termos: 3.4. Representação Fiscal para Fins Penais Os valores apurados correspondem às contribuições previdenciárias relativas à contribuição da Prefeitura Municipal de Penha e dos segurados. Foi verificado durante a ação fiscal que a Prefeitura Municipal de Penha fez inserir em GFIP informação indevida de compensação, no período abrangido pelas competências 10/2009 a 01/2010 e 04/2010 a 12/2012; reduzindo, desta forma, o valor final das contribuições devidas à Previdência social. Tal conduta configura, em tese, crime de Falsidade Ideológica, ilícito tipificado no artigo 299 e crime de Falsificação de Documento Público, ilícito tipificado no artigo 297, ambos do DecretoLei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940 (D.O.U. de 31 de dezembro de 1940) – Código Penal, com a redação dada pela Lei nº 9.983, de 14 de julho de 2000 (D.O.U. de 17 de julho de 2000). O fato será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente, em relatório à parte. Os valores lançados, quanto às compensações de “verbas indenizatórias”, estão informados em demonstrativos anexos ao Relatório Fiscal (fls. 82/171). (...) A Impugnação, em síntese, oferece as seguintes razões de fato e de direito: 1. Quanto à ocorrência da prescrição o Contribuinte defende que deveria ser levada em conta a Lei n° 10.887, de 18/06/2004 (“... eis então, o termo final que engloba o período, o qual a incidência é indevida” – sic), com a qual o Congresso Nacional regularizou a exação, nos termos da “nova conceituação [dada] aos incisos I e II do artigo 195 da Constituição Federal”, nos termos da Emenda Constitucional 20/98, do que extrai a conclusão de que: Portanto, ao contrário do que entende o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, o período compensado de 10/2009 a 12/2012 encontra abrigo na legislação pátria, não existindo fato gerador que justifique a cobrança tributária realizada de forma indevida 2. Ainda quanto à mesma questão, sob a rubrica “2.1.2. Normas que autorizam a compensação” segue defendendo, com base na legislação que transcreve, que: Neste diapasão, assiste ao Impugnante o direito de compensar os valores pagos indevidamente, apurados administrativamente pelo contribuinte, ressalvados os direitos ao Fisco de averiguação ulterior, conforme o presente caso. 3. Passa, então, a tratar da “desnecessidade” de retificação de GFIP como requisito à compensação, em face da prevalência do Fl. 916DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 914 7 princípio da estrita legalidade tributária, fazendo referência ao artigo 97 do CTN, concluindo que: Portanto, para que o Município Impugnante não fique a mercê de uma exigência totalmente ilegal, sob fundamento da ausência de retificação de GFIP´s, fazsenecessário que seja revisto o Auto de Infração e anulado totalmente, reconhecendose como inexigível a retificação. 4. Segue, discorrendo sobre a inconstitucionalidade da cobrança de contribuições previdenciárias sobre remuneração de ocupantes de cargos eletivos. Na sequência, trata dos ocupantes de cargos comissionados, dos membros do conselho tutelar e dos secretários municipais, defendendo, igualmente, a ilegalidade da cobrança de contribuições previdenciárias sobre os respectivos vencimentos, para concluir: Por isso, é devida a restituição ao município ora Impugnante as contribuições sociais incidentes sobre subsídios pagos a detentores de cargos de secretários municipais no período de 02/1997 a 09/2004, portanto, também correta a compensação levada a efeito quanto a estas verbas. 5. Segue, agora discorrendo sobre o que considera “verbas de caráter indenizatório”, que justamente por esta alegada natureza não integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Assim, passa a tratar especificamente das seguintes rubricas: horasextras (“indenização... pelo trabalho exercido de forma extraordinária”), gratificação/função gratificada e abonos (“pois além de não serem pagas de forma habitual, tratase de uma retribuição que perdura apenas enquanto o funcionário estiver desempenhando determinada função”), vale transporte, terço constitucional de férias gozadas ou não (“é nítida a natureza indenizatória, sendo até mesmo ilegal a cobrança de contribuição sobre tal verba, mesmo na hipótese de férias gozadas”), “auxílio maternidade e reflexos” (o que constituiria, inclusive, objeto de questão sujeita à repercussão geral pelo STF), adicional de periculosidade e insalubridade e “seus reflexos” (“forma de indenização, pela diferenciação no ambiente e riscos a que está exposto o funcionário”), adicional noturno “e reflexos” e auxílio doença. 6. Retoma, a seguir, a discussão da ocorrência da prescrição, considerada pela Fiscalização, passando a abordar os efeitos da aplicação da Lei Complementar 118/2005, extraindo a conclusão de que: Ou seja, o entendimento é de que o prazo prescricional é de cinco anos mais cinco, da data do pagamento ou, quando muito, de cinco anos a partir da nova legislação de 2005 (quando seja, 08/06/2010). 7. Quanto às multas aplicadas, requer a anulação, por entender legítimas as compensações (que estariam de acordo com a jurisprudência, inclusive a do STF). Não estaria, assim, caracterizada a sonegação e máfé. Fl. 917DF CARF MF 8 8. Especificamente quanto à multa isolada, defende que seria “desproporcional” ou “desarrazoada”, transcrevendo jurisprudência. 9. Finalmente, defende a inaplicabilidade, neste caso, do artigo 170A do CTN. 10. Quanto ao descumprimento de obrigações tributárias acessórias, assevera que: Por fim, cabe mencionar que deve ser anulada as DEBCAD´s n°s. 51.037.2651, 51.037.2686, 51.037.2694 e 51.037.2708, tendo em vista que a Impugnante atendeu de pronto todas as solicitações de documentações e esclarecimentos[sic]. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2012 JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões acerca da constitucionalidade das leis, em face das disposições do artigo 26A do Decreto n° 70.235/1972. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OCORRÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO FISCAL. A mera alegação genérica da ocorrência de nulidade do lançamento fiscal não é suficiente para demonstrar o vício processual, mormente quando se encontram cumpridas e presentes as formalidades legais que asseguram a regularidade do processo. PERCENTUAIS E VALORES DAS MULTAS APLICADAS. Considerando, inclusive, a legislação formalmente vigente, não é possível, no âmbito do processo administrativo tributário, decidir acerca do questionamento das multas aplicadas, quanto aos seus valores ou percentuais, sob a alegação de que caracterizariam infração a princípios constitucionais princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e até mesmo da vedação constitucional ao confisco. OCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. À prescrição, em matéria de contribuições previdenciárias, deve se aplicar o lapso quinquenal, em face das disposições do inciso I do artigo 253 do Decreto 3.048/1999, o que está de acordo com as regras dos artigos 165 e 168 do CTN (consideradas, inclusive, as diretrizes da LC 118/2005). OCUPANTES DE CARGOS ELETIVOS SEGURADOS OBRIGATÓRIOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Os ocupantes de cargos eletivos (“exercentes de mandato eletivo”), superadas as controvérsias jurídicas causadas pela Fl. 918DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 915 9 inclusão da letra “h” no inciso I do artigo 12 da Lei n° 8.212/1991, devem ser considerados, a partir de 19/09/2004, segurados obrigatórios da Previdência Social (Lei n°10.887/2004, que introduziu o inciso “j” no mesmo artigo 12 da Lei n° 8.212/1991). O demais agentes públicos (ocupantes de cargos omissionados, membros de conselho tutelar e secretários), são segurados obrigatórios da Previdência Social, em face das disposições da letra “g” do inciso I e do parágrafo sexto do artigo 12 da Lei n° 8.212/1991. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO REGRAS DETERMINANTES. A Lei n° 8.212/1991 (artigo 28) e seu Regulamento (artigo 214) estabelecem a regra básica para determinação do saláriode contribuição (todos os valores pagos, a qualquer título, em razão do contrato de trabalho). Os mesmos dispositivos definem, também, as exceções. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Além das disposições gerais, estabelecidas no CTN, às compensações de contribuições previdenciárias aplicamse as específicas, previstas na Lei 8.212/1991 e na legislação pertinente. MULTA ISOLADA APLICABILIDADE PRESENÇA DOS REQUISITOS LEGAIS. A prática do Contribuinte de prestar informação, através de canal formal e oficial a GFIP de que seria credor de tributos (pagos a maior ou indevidamente pagos), quando, na realidade, era mero detentor de suposto crédito decorrente de legislação eventualmente inconstitucional (mas formalmente vigente e não afastada por decisão judicial definitiva), constitui clara situação em que, valendose de um instrumento tributário dotado de efeitos legais (a transmissão de informações à Receita Federal do Brasil através de GFIP), o Contribuinte prestou informação diversa da realidade, fazendo constar, nos registros oficiais de controle da tributação, a existência de débito tributário inferior ao efetivamente devido. MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No âmbito do processo administrativo fiscal as provas têm regras próprias, quanto ao momento em que devam ser apresentadas, bem como condições específicas para posterior apresentação, as quais, quando não demonstradas, impossibilitam o posterior conhecimento, em face da preclusão do direito de fazêlo. Cientificado da decisão acima transcrita (AR fls. 781) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls.782 à 889, no qual reitera as alegações já suscitadas. Fl. 919DF CARF MF 10 É o relatório Voto Vencido Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio O recurso preenche dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Embora sejam extensos a decisão recorrida e o recurso voluntário a lide dos autos é simples e trata, essencialmente, de glosa de compensações efetuadas pelo Recorrente. As razões para glosa foram as seguintes: a) Créditos tributários prescritos relativos ao recolhimento de contribuições de agentes políticos b) Créditos inexistentes relativos a incidência de contribuições sobre "verbas indenizatórias" assim consideradas as rubricas relativas à insalubridade, periculosidade, horas extras, férias, terço constitucional, auxílio doença, gratificações, plantão, adicional noturno, auxílio maternidade, riscos ambientais do trabalho, verbas não especificadas (competência 04/2010). É importante registrar que parte das denominadas "verbas indenizatórias" estavam sendo discutidas no processo judicial nº 500108020.2010.404.7208, o qual encontravase em tramitação no Tribunal Regional Federal da Quarta Região aguardando o julgamento da apelação quando da realização da glosa. Finalmente, é importante destacar que a fiscalização aplicou a multa de 150% por entender presente o elemento de falsidade que caracterizam os crimes contra ordem tributária. Dessa forma, analisaremos, a seguir, as três situações: a) prescrição dos créditos relativos aos agentes políticos; b) falta de certeza do crédito relativo às verbas indenizatórias; c) cabimento da multa de 150%. 1) PRELIMINAR SUSPENSÃO DA TRIBUTAÇÃO Como preliminar o Recorrente "requer a concessão de efeito suspensivo ao presente Recurso Voluntário, restando suspenso (sic) a tramitação, bem como, quaisquer efeitos da autuação e cobrança", sem qualquer alegação que pudesse fundamentar o mencionado requerimento. De todo modo, caso o Recorrente esteja se referindo à suspensão do crédito tributário, essa independe de requerimento à autoridade administrativa, uma vez que decorre de expressa previsão do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. Em face do exposto, não conheço a preliminar. 2) PRESCRIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES RELATIVAS AOS AGENTES POLÍTICOS. Embora a Recorrente discorra extensamente sobre a inconstitucionalidade da incidência das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração dos agentes políticos, a mencionada matéria está fora da lide. Isso porque tanto a fiscalização quanto a DRJ reconhecem que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 351.7171/PR, declarou a Fl. 920DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 916 11 inconstitucionalidade da exigência de contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos agentes eletivos. Essa decisão foi seguida da Resolução nº 26/2005 do Senado Federal. O que motivou a glosa das compensações foi o fato de que os referidos créditos estavam prescritos, conforme se verifica pelo seguinte trecho do trabalho fiscal: Tendo em vista que a Prefeitura Municipal de Penha informou em GFIP as compensações previdenciárias a partir da competência 10/2009, cujo vencimento da Guia da Previdência Social – GPS – ocorreu no dia 20/11/2009; a princípio, estariam prescritos todos os supostos créditos decorrentes de recolhimentos realizados, pelo menos, antes de 20/11/2004. Ainda assim, por diversos meses, supostos créditos de competências posteriores e prescritos foram indevidamente compensados. (...) Desta forma, conforme demonstra a referida planilha, as compensações realizadas a partir de outubro de 2009 a fevereiro de 2011, foram realizadas indevidamente pelo fato de que os supostos créditos já estavam prescritos Em relação a esse ponto (prescrição) alega o Recorrente, basicamente, que: a) Aplicase às contribuições o prazo decenal definido pelo Superior Tribunal de Justiça; b) E, ainda que assim não se entenda, o dies a quo deveria ser contado a partir da Resolução do Senado nº 26/2005 É bem verdade que o STJ, ao julgar a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 118/05, reconheceu que deveria ser aplicável um regra de transição para contagem do prazo prescricional. Em resumo, de acordo com a mencionada regra, às ações de repetição/compensação que fossem ajuizadas posteriormente a LC 118/05 deveria ser aplicada a "tese dos 5 + 5" desde que os recolhimentos indevidos fossem anteriores à referida lei. Tal entendimento, todavia, foi reformado pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, nos seguintes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Fl. 921DF CARF MF 12 A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de trasição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(grifamos) Diante da referida decisão, às ações ou pedidos de repetição/compensação realizados após a vacatio legis da LC nº 118/05 aplicase o prazo de 5 anos nela previsto. Dessa forma, como as compensações foram realizadas a partir de 10/2009, a elas seria aplicável o prazo prescricional de 5 anos. Nesse mesmo sentido já está pacificada a jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica pela Súmula CARF nº 91, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de Fl. 922DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 917 13 tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Quanto à alegação de que o dies a quo da contagem do prazo prescricional deveria se dar a partir da publicação da Resolução nº 26/2005 do Senado Federal, novamente, sem razão o Recorrente. Isso porque, o Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.110.578, submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543 C do Código de Processo Civil, concluiu que a declaração de inconstitucionalidade ou a publicação de Resolução do Senado, são irrelevantes para fins de contagem do prazo prescricional: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233∕RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23∕06∕2009, DJe 10∕08∕2009; AgRg no REsp 759.776∕RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17∕03∕2009, DJe 20∕04∕2009; REsp 857.464∕RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17∕02∕2009, DJe 02∕03∕2009; AgRg no REsp 1072339∕SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03∕02∕2009, DJe 17∕02∕2009; AgRg no REsp. 404.073∕SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726∕RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835∕SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p∕ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24∕03∕2004, DJ 04∕06∕2007; AgRg no Ag 803.662∕SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27∕02∕2007, DJ 19∕12∕2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04∕04∕2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. Fl. 923DF CARF MF 14 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕2008. De acordo com o artigo 62, §1º inciso II, "b " da Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015, RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária (grifamos) Diante do exposto, concluise que os créditos relativos às contribuições previdenciárias dos agentes políticos estão prescritos, seja porque a eles é aplicável o prazo prescricional de 5 anos previsto na Lei Complementar nº 118/05, seja porque a publicação da Resolução do Senado é irrelevante para estabelecer o dies a quo do prazo prescricional. 3) DA COMPENSAÇÃO RELATIVA ÀS "VERBAS INDENIZATÓRIAS" Nesse ponto é importante demonstrar a delimitação da lide. Isso porque, todas as verbas questionadas decorrem de disposição legal. Além disso, conforme mencionado no relatório, parte delas estão sendo discutidas na ação judicial nº 500108020.2010.404.7208. Sendo assim, é inviável o conhecimento, por parte deste tribunal das referidas alegações. Isso porque, em relação às verbas questionadas na mencionada ação judicial aplicase a Súmula CARF nº 1 a qual determina que "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Em relação a inconstitucionalidade/ilegalidade das mencionadas verbas aplicase a Súmula CARF nº 2 a qual determina que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Dessa forma, a lide se resume a discussão da aplicabilidade, ao caso em questão, do disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional. Em relação a esse ponto, alega o Recorrente que ao invés do artigo 170A deveria ser aplicável ao caso em questão o artigo 66 da Lei nº 8383/91. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 918 15 Sem razão o Recorrente. Por qualquer dos critérios de solução de antinomias chegase a conclusão que a regra aplicável ao caso em questão é aquela prevista no artigo 170 A do Código Tributário Nacional. Isso porque, a antinomia entre as regras previstas no artigo 66 da Lei nº 8.383/91 e 170A do CTN é aparente. É princípio básico de hermenêutica que o conflito entre normas resolvese por um dos seguintes critérios: a) cronológico norma posterior prevalece sobre a anterior; b) hierárquico norma superior prevalece sobre a inferior; c) especialidade norma especial prevalece sobre a norma geral. No caso em questão, a prevalência da regra prevista no artigo 170A se dá em razão dos critérios cronológico e hierárquico. Isso porque, a regra nele prevista foi introduzida por meio da publicação da Lei Complementar nº 104/01. Sendo assim, seja pelo critério cronológico (Lei nº 8.383/91 x LC 104/01) ou hierárquico (Lei ordinária x Lei Complementar) a norma aplicável é aquela prevista no artigo 170A do CTN. A referida norma é clara ao dispor que "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." Sendo assim, indevidas as compensações de verbas antes do trânsito em julgado da ação. Corretas, portanto, as glosas efetuadas. 4)MULTA ISOLADA REQUISITOS O Recorrente opõese também à incidência da multa isolada, de que trata o artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 e artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, alegando, em síntese, que não estaria caracterizada a sonegação ou a máfé ou que seria “desproporcional” ou “desarrazoada”. A fiscalização aplicou a multa isolada de 150% prevista no §10º da Lei nº 8.212/91, por entender que que o contribuinte inseriu informação falsa na GFIP, conforme se verifica pelo trecho do relatório fiscal abaixo transcrito: O sujeito passivo,ao fazer inserir, em GFIP, informação de compensação que sabidamente não teria direito, reduziu deliberadamente o valor devido e o subsequente recolhimento de sua obrigação tributrária para com a Seguridade Social. Deste modo, comprovado que a GFIP entregue pelo auditado veiculou uma informação sabidamente falsa, a Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, comina pena de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor das contribuições que se informou ter compensado falsamente. Ao realizar a representação fiscal para fins penais assim se manifestou a autoridade fiscal: 3.4. Representação Fiscal para Fins Penais Fl. 925DF CARF MF 16 Os valores apurados correspondem às contribuições previdenciárias relativas à contribuição da Prefeitura Municipal de Penha e dos segurados. Foi verificado durante a ação fiscal que a Prefeitura Municipal de Penha fez inserir em GFIP informação indevida de compensação, no período abrangido pelas competências 10/2009 a 01/2010 e 04/2010 a 12/2012; reduzindo, desta forma, o valor final das contribuições devidas à Previdência social. Tal conduta configura, em tese, crime de Falsidade Ideológica, ilícito tipificado no artigo 299 e crime de Falsificação de Documento Público, ilícito tipificado no artigo 297, ambos do DecretoLei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940 (D.O.U. de 31 de dezembro de 1940) – Código Penal, com a redação dada pela Lei nº 9.983, de 14 de julho de 2000 (D.O.U. de 17 de julho de 2000). O fato será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente, em relatório à parte. Nesse ponto, entendo corretas as alegações do contribuinte. Isso porque o erro quanto a matéria jurídica (natureza indenizatória ou não das verbas e prescrição dos créditos) não se confunde com a fraude elemento essencial do tipo penal. Nesse sentido, valiosa a decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Habeas Corpus nº 72.5848: CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA ICMS ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS CREDITAMENTO FRAUDE. A fraude pressupõe a vontade livre e consciente. Longe fica de configurála, tal como tipificada no inciso II do art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, o lançamento de crédito, considerada a diferença de alíquotas praticadas no Estado de destino e no de origem. Descabe confundir interpretação errônea de normas tributárias, passível de ocorrer quer por parte do contribuinte ou da Fazenda, com o ato penalmente glosado, em que se presume o consentimento viciado e objetivo de alcançar proveito sabidamente ilícito. Esclarecedor o seguinte trecho do voto do Ministro Relator Marco Aurélio> "conforme salientado pelo Juízo, ao proferir sentença absolutória, passouse ao fisco a informação de que o creditamento resultava da diferença de alíquota, isso mediante lançamento claro e preciso, nas respectivas guias. Como, então, falar em fraude? O que houve foi impropriedade da interpretação conferida à legislação tributária, e isso pode acontecer, sem configuração de crime, na vida de qualquer contribuinte e, também, no atuar da própria Fazenda, o que, aliás, é repetitivo. A "informação falsa" que justifica a imputação da penalidade qualificada de 150% está relacionada a ocultação de fato e não questionamento sobre o seu significado jurídico. Essa distinção fundamental fica mais clara com os exemplos fornecidos por HUGO DE BRITO MACHADO em sua obra "Estudos de Direito Penal Tributário". Vejamos: Primeiro exemplo: dizer que ocorreu ou não ocorreu, um acréscimo patrimonial, em determinada empresa, é uma questão de fato. Dizer que esse acréscimo patrimonial está, ou que não está, determinado de acordo com a legislação tributária é uma questão de direito, como é também uma questão de direito saber Fl. 926DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 919 17 se o dito acréscimo patrimonial é, ou não é, tributável pelo imposto de renda. Segundo exemplo: dizer que determinado produto industrializado tem determinadas características materiais, ou que não as tem, é uma questão de fato. Dizer que o mesmo produto está classificado nesta ou naquela posição da Tabela de Incidências do IPI é uma questão de direito. (...) Muitos outros exemplos podem ser citados. Importante, porém, é perceber que, nas questões de fato, a divergência não se estabelece a respeito do significado jurídico dos fatos, mas sobre os próprios fatos, nos aspectos perceptíveis independentemente de conhecimento jurídico. Dessa forma, para que se pudesse falar em "informação falsa" seria necessário demonstrar, por exemplo, que o Recorrente alegou o recolhimento de salário maternidade quando não possuía qualquer empregada. Inteiramente distinto é entender que o valor recolhido à título de salário maternidade não integra o salário de contribuição e, por isso, foi um recolhimento indevido. Da mesma forma, em relação às contribuições previdenciárias dos agentes políticos, haveria falsidade se o município não possuem em seus quadros os referidos agentes. Todavia, declarar que as contribuições recolhidas sobre remuneração desses agentes é compensável, ainda que prescrita, é matéria jurídica, não justificando, assim, a imputação criminal. Em face exposto, entendo correta a exclusão da multa isolada por ausência de subsunção à hipótese nela descrita. 5) DAS MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Quanto a imputação de descumprimento de obrigação acessória por não ter apresentado a documentação solicitada pela fiscalização, alega o Recorrente que "não discorda que não apresentou toda documentação exigida pelo Fisco, mas não é por isso que não operou dentro dos ditames legais." As obrigações acessórias, são deveres instrumentais dos contribuintes no sentido de colaborar em o exercício da fiscalização. Tratamse de obrigações de fazer, as quais, uma vez não cumpridas, convertemse em multas, conforme disposto no §3º do artigo 113 do CTN. A fundamentação constante dos AI´s DEBCAD´s 51.037.2651, 51.037.268 6, 51.037.2694 e 51.037.2708 deixam fora de dúvida o descumprimento das obrigações acessórias por parte do Recorrente, conforme se verifica pelos trechos abaixo transcritos: Auto de Infração DEBCAD 51.037.2651 3.3.1.2. Sendo assim, em ação fiscal na Prefeitura Municipal de Penha, foram solicitadas através do Termo de Intimação Fiscal – TIF – nº 7, Intimação Seort nº 52/2013, recebido em 11/03/2013, em anexo, as folhas de pagamentos referente ao Fl. 927DF CARF MF 18 período de 02/1998 a 12/2005. Porém, foram entregues arquivos com 268.739 erros, impossibilitando qualquer análise fiscal. E, por esta razão, em 25/04/2013, o pedido foi novamente feito, através do TIF nº 9, Intimação Seort nº 111/2013, recebido em 25/04/2013, em anexo, reintimando o sujeito passivo a apresentar as folhas de pagamentos referente ao período de 02/1998 a 12/2005. Entretanto, tendo expirado os prazos, até o encerramento deste relatório, nenhuma destas folhas de pagamentos foram entregues, deixando de exibir documentos relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. Auto de Infração DEBCAD 51.037.2686 3.3.2.1. Na presente Auditoria Fiscal constatamos que a Prefeitura de Penha deixou de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, da competência 13/2012. 3.3.2.2. Em ação fiscal na Prefeitura Municipal de Penha, verificouse através do sistema de informações utilizado pela Receita Federal do Brasil, denominado “GFIPWEB”, que não havia qualquer informação a respeito de GFIP da competência 13/2012. Sendo assim, foi solicitada à Prefeitura de Penha, através do Termo de Intimação Fiscal – TIF – nº 10, Intimação Seort nº 142/2013, recebido em 15/05/2013, em anexo, apresentar recibo de entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP – apresentar a GFIP impressa e apresentar os arquivos do SEFIP (Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) referente à competência 13 (décimo terceiro) do ano de 2012. Entretanto, tendo expirado os prazos e até o encerramento deste relatório, nenhum destes documentos foram entregues. Auto de Infração DEBCAD 51.037.2694 3.3.3.2. Em ação fiscal na Prefeitura Municipal de Penha, verificouse através do sistema de informações utilizado pela Receita Federal do Brasil, denominado “GFIPWEB”, a compensação realizada na competência 04/2010. Sendo assim, foi solicitada à Prefeitura de Penha, através do Termo de Intimação Fiscal – TIF – nº 11, Intimação Seort nº 160/2013, recebido em 21/06/2013, em anexo, apresentar Demonstrativo Analítico da Compensação de Contribuição Previdenciária, efetuada na competência de 04/2010; de forma impressa, com carimbo e assinatura e, também, em meio digital. Entretanto, tendo expirado os prazos e até o encerramento deste relatório, o referido Demonstrativo Analítico da Compensação de Contribuição Previdenciária NÃO foi entregue. 3.3.3.3. Também, referente ao Termo de Intimação Fiscal – TIF – nº 9, Intimação Seort nº 111/2013, recebido em 25/04/2013, em anexo, apresentar planilha e/ou documento, informando de forma detalhada, por competência, com nomes, salários e cargos, como chegouse ao valor dos “subsídio”, conforme “Planilha Totalizadora para Compensação – Agentes Políticos”, referente ao período: de fev/98 a set/04. Entretanto, tendo Fl. 928DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 920 19 expirado os prazos e até o encerramento deste relatório, o referido documento e/ou planilha NÃO foi entregue. 3.3.3.4. E, também, referente ao Termo de Intimação Fiscal – TIF – nº 10, Intimação Seort nº 142/2013, recebido em 15/05/2013, em anexo, apresentar respostas e esclarecimentos referente à “Planilha Totalizadora para compensação – RAT/FAP”, entregue pela Prefeitura de Penha, referente compensação competência 12/2012. Entretanto, tendo expirado os prazos e até oncerramento deste relatório, os esclarecimentos e respostas NÃO foram entregue. Auto de Infração DEBCAD 51.037.2708: 3.3.4.1. Na presente Auditoria Fiscal constatamos que a Prefeitura de Penha apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP – com incorreções nos campos “Compensação – Período Inicial” e “Compensação Período Final”. Verificouse que os referidos períodos informados em GFIP são totalmente diferentes dos utilizados pelo sujeito passivo para justificar as compensações, conforme documentos em anexo denominados “compensações por competência”. Assim, como corretamente exposto na decisão recorrida, considerando a falta de comprovação pelo Recorrente de que tenha cumprido as respectivas obrigações acessórias, devem ser considerados procedentes os lançamentos efetuados a esse título. 6) CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço em parte do recurso, e, na parte conhecida, dou parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheira Cecilia Dutra Pillar Redatora Designada. MULTA ISOLADA. Peço licença para divergir da ilustre relatora com relação à aplicação da multa isolada de 150%, percentual estipulado por expressa disposição legal que não se trata de multa qualificada. O contribuinte realizou compensações consideradas indevidas, por utilizarse de créditos prescritos relativos a contribuições previdenciárias dos agentes políticos e por aproveitar como crédito, verbas pleiteadas em ação judicial sem trânsito em julgado. Fl. 929DF CARF MF 20 Relativamente à aplicação da multa isolada de 150%, a Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ... § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Da leitura destes dispositivos, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou qualquer uma das figuras penais descritas no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A multa de 150% é cabível não apenas em função da compensação indevida mas pela declaração falsa do contribuinte de possuir créditos em seu favor. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracterizaria a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual foi a situação que ensejou a glosa das compensações. O Relatório Fiscal fornece os fundamentos para a multa, descrevendo os supostos créditos que o contribuinte teria utilizado para as compensações, quais sejam: agentes eletivos e verbas indenizatórias, evidenciando no item 3.1.3 que os valores recolhidos sob a rubrica agentes eletivos já se encontravam prescritos na data das compensações declaradas, o que está corroborado no voto da Relatora acima proferido. O item 3.1.4 do Relatório Fiscal consigna que as verbas indenizatórias utilizadas como crédito pelo contribuinte estavam sendo discutidas na ação judicial nº 500108020.2010.404.7208, sem trânsito em julgado nas datas das compensações. Tais compensações foram indevidas porquanto a Lei não prevê a compensação de valores que estão em discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, muito menos antes de obter decisão favorável. Ademais, o contribuinte utilizou créditos já prescritos, portanto, inexistentes. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 11516.722131/201381 Acórdão n.º 2202003.768 S2C2T2 Fl. 921 21 Assim sendo, as importâncias utilizadas como crédito pelo contribuinte não gozavam do pressuposto de liquidez e certeza, levando à conclusão de que este contribuinte compensouse de créditos inexistentes. Por pertinente, transcrevo trecho do voto vencedor da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido no Acórdão nº 9202004.341, em julgamento na Câmara Superior deste Conselho (sessão de 24/08/2016), sobre a aplicação da multa ora examinada: Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. ... Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: "Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Fl. 931DF CARF MF 22 Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal." ... Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. ... De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. (sem grifos no original.) Deste modo, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, com relação à multa isolada, considerando que a informação em GFIP de compensações realizadas, sem que o contribuinte encontrese exercendo direito líquido e certo, leva sim, a uma declaração falsa, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. A meu ver, restando evidenciado que a declaração em GFIP se revelou falsa, está configurada a situação prevista na Lei para a aplicação da penalidade de 150%. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Fl. 932DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001439/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÕES E OMISSÕES. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE NÃO CONHECEU O RECURSO VOLUNTÁRIO POR PEREMPTO. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Nos casos em que a intimação do contribuinte foi efetuada via postal, sem aviso de recebimento, a intimação será considerada efetivada 15 dias após sua expedição, nos termos do artigo 23, §2º, inciso II, do Decreto 70.235/72, e não da data em que constar entregue a intimação no documento de rastreamento dos correios.
Numero da decisão: 1202-000.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para declarar a tempestividade e tomar conhecimento do recurso. Quanto ao mérito do recurso, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, João Bellini Junior, André Almeida Blanco, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Geraldo Valentim Neto
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÕES E OMISSÕES. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE NÃO CONHECEU O RECURSO VOLUNTÁRIO POR PEREMPTO. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Nos casos em que a intimação do contribuinte foi efetuada via postal, sem aviso de recebimento, a intimação será considerada efetivada 15 dias após sua expedição, nos termos do artigo 23, §2º, inciso II, do Decreto 70.235/72, e não da data em que constar entregue a intimação no documento de rastreamento dos correios.
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CONTRADIÇÕES E OMISSÕES. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE NÃO CONHECEU O RECURSO VOLUNTÁRIO POR PEREMPTO. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Nos casos em que a intimação do contribuinte foi efetuada via postal, sem aviso de recebimento, a intimação será considerada efetivada 15 dias após sua expedição, nos termos do artigo 23, §2º, inciso II, do Decreto 70.235/72, e não da data em que constar entregue a intimação no documento de rastreamento dos correios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para declarar a tempestividade e tomar conhecimento do recurso. Quanto ao mérito do recurso, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, João Bellini Junior, André Almeida Blanco, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 39 /2 01 0- 73 Fl. 9690DF CARF MF Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.905 S1C2T2 Fl. 7 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos contra o Acórdão n.º 1202 000.739, que por unanimidade de votos não conheceu do Recurso Voluntário, por intempestivo, em face de supostas contradições a seguir apontadas pela Embargante: (i) inexiste “aviso de recebimento” declarado como prova da ciência da Recorrente da Decisão da DRJ; (ii) nas folhas mencionadas no voto como sendo “Aviso de Recebimento” vislumbrase somente o histórico de rastreamento da postagem, via site dos correios, informando que a correspondência teria sido entregue em “AC FUNDÃO – FUNDÃO/ES” no dia 18/07/2011. Transcrevo, a seguir, a ementa do Acórdão nº 1202000.739 objeto dos presentes embargos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO Nº 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO – PEREMPÇÃO – NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, por perempto, o recurso do contribuinte apresentado após o decurso do prazo de 30 dias da ciência da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, contado na forma estabelecida pelo artigo 5º do referido diploma legal. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Oportunamente os autos me foram encaminhados para apreciação e julgamento dos Embargos, de modo que requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Os Embargos foram apresentados tempestivamente, motivo pelo qual deles tomo conhecimento e passo a analisar as questões apontadas pela Embargante. A Embargante aponta contradições no acórdão embargado, tendo em vista que o mesmo teria considerado como “Aviso de Recebimento” o simples histórico de rastreamento dos Correios sem assinatura do recebedor. Fl. 9691DF CARF MF Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.905 S1C2T2 Fl. 8 3 Conforme constam nos autos, há às fls. 9618 extrato de rastreamento dos Correios informando que o documento com o acórdão da DRJ tinha sido entregue em 18.07.2011 no domicílio fiscal do Contribuinte. Passados 30 dias sem a apresentação de Impugnação, foi emitido Termo de Perempção (fls. 9622), informando que “teria transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instancia superior da decisão da autoridade de primeira instância”. Tendo em vista referido Termo de Perempção e o extrato dos Correios informando a data em que o documento teria chegado no domicílio da Recorrente, qual seja, 18 de julho de 2011, o Recurso Voluntário apresentado em 18 de agosto de 2011 teria sido intempestivo, por ter transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias, nos exatos termos de Referido Termo de Perempção. Ao reanalisar os autos notase que apenas com o documento de rastreamento dos Correios há indícios mas não é possível afirmar, com absoluto grau de certeza, que houve comprovação do recebimento da decisão pela Recorrente. Ao proferir o voto, levei em consideração os indícios existentes, em especial o Termo de Perempção emitido pela própria Receita Federal, mas não há, de fato, “Aviso de Recebimento” que comprove o recebimento da decisão pela Recorrente. Dessa forma, assiste razão à Recorrente com relação à contradição encontrada no acórdão recorrido. De fato, deve ser corrigido o trecho em que considerei o extrato de rastreamento dos Correios que se encontram as fls. 9618, como “Aviso de Recebimento”. Tendo em vista a ausência de “Aviso de Recebimento” comprovando a ciência do contribuinte em relação ao acórdão da DRJ, deve ser observado o artigo 23, §2º, inciso II, do Decreto 70.235/72, abaixo transcrito: Art. 23. Farseá a intimação(...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (não grifado no original) Assim, como a expedição da notificação se deu em 15/07/2011 o prazo legal começa a contar a partir do dia 01/08/2011, exaurindose em 30/08/2011. Tendo em vista que a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário em 18.08.2011, dentro do prazo legal, o mesmo deve ser conhecido e analisado. Portanto, sanada está a contradição existente no acórdão recorrido. Sanada a contradição, reconheço o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade e conheço do Recurso Voluntário. Passo então à sua análise. Ao realizar um exame detalhado do recurso interposto e de todos os documentos que instruíram o presente processo notei que, entre as matérias afetas ao Fl. 9692DF CARF MF Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.905 S1C2T2 Fl. 9 4 julgamento do presente processo, está a questão inerente ao acesso aos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Tratase, entre outras infrações, de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários em conta corrente cuja origem não foi comprovada mediante documentos hábeis e idôneos. Para ter acesso à conta bancária da Recorrente foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) ao Banco do Brasil (fls. 752/754) e ao Banco Bradesco (fls. 755/757), de maneira que teria ocorrido, em tese, uma possível quebra de sigilo bancário. A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme se passa a demonstrar. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi recorrido via Embargos de Declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/11/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, é dever deste E. Conselho sobrestar o julgamento dos processos que tratam sobre a matéria, conforme dispõe o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, transcrito abaixo: “Art. 62 [....] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Fl. 9693DF CARF MF Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.905 S1C2T2 Fl. 10 5 O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: “Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral.” Cabe, assim, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida, exatamente o caso dos autos. Dessa forma, os Conselheiros deste E. Conselho ficam impedidos de julgar os processos que envolvem a obtenção de extratos bancários diretamente com as instituições financeiras. Por essa razão, o presente julgamento deve ser sobrestado até que seja proferida decisão final, transitada em julgado, no Supremo Tribunal Federal, para que, assim, volte para julgamento. Por todo o acima exposto, acolho os Embargos de Declaração opostos para declarar a tempestividade e tomar conhecimento do Recurso Voluntário, devendo ser sobrestado o presente julgamento, até decisão definitiva do STF sobre a quebra de sigilo bancário. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 9694DF CARF MF Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.905 S1C2T2 Fl. 11 6 Fl. 9695DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.015754/2004-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2000 a 30/06/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - OCORRÊNCIA
Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
BASE DE CÁLCULO
A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência cumulativa é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas outras receitas.
VENDAS DE SUCATAS. INCIDÊNCIA
A sucata decorrente da fabricação de produto industrial constitui subproduto (mercadoria), a receita decorrente de sua venda integra o faturamento e assim está sujeita ao PIS.
PIS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO.
A base de cálculo da contribuição para o PIS, até a vigência da Lei 10.637/2002, era o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-004.549
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, rerratificando o Acórdão embargado, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2000 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - OCORRÊNCIA Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência cumulativa é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas outras receitas. VENDAS DE SUCATAS. INCIDÊNCIA A sucata decorrente da fabricação de produto industrial constitui subproduto (mercadoria), a receita decorrente de sua venda integra o faturamento e assim está sujeita ao PIS. PIS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. A base de cálculo da contribuição para o PIS, até a vigência da Lei 10.637/2002, era o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Embargos Acolhidos.
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BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência cumulativa é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas outras receitas. VENDAS DE SUCATAS. INCIDÊNCIA A sucata decorrente da fabricação de produto industrial constitui subproduto (mercadoria), a receita decorrente de sua venda integra o faturamento e assim está sujeita ao PIS. PIS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. A base de cálculo da contribuição para o PIS, até a vigência da Lei 10.637/2002, era o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Embargos Acolhidos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, rerratificando o Acórdão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 57 54 /2 00 4- 48 Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10680.015754/200448 Acórdão n.º 9303004.549 CSRFT3 Fl. 993 2 embargado, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 963 a 966), interposto pelo sujeito passivo, contra o Acórdão nº 9303002.620, de 12 de novembro de 2013, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 943 a 951), que deu provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2000 a 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência cumulativa é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas outras receitas. VENDAS DE SUCATAS. INCIDÊNCIA A sucata decorrente da fabricação de produto industrial constitui subproduto (mercadoria), a receita decorrente de sua venda integra o faturamento e assim está sujeita ao PIS. PIS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. A base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.637/2002, era o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. A embargante alegou omissão no referido acórdão acerca da tributação pela contribuição social dos ingressos referentes a crédito presumido de IPI e a indenizações por sinistros ocorridos. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10680.015754/200448 Acórdão n.º 9303004.549 CSRFT3 Fl. 994 3 Os embargos foram admitidos pelo Presidente da CSRF, conforme Despacho de fl. 991. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os embargos são tempestivos e apontam omissão, merecendo ser conhecidos. O exame de admissibilidade (efls. 987/990), que acolheu os embargos, constatou a omissão na decisão embargada. A omissão, fundamento legal dos presentes declaratórios, encontravase prevista no art. 65 do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), repetidos pelo art. 65 do novel Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, segundo o qual “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”. Com relação a omissão, seu surgimento se faz presente quando houver pontos sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado e não o fez. De fato, assiste razão à embargante. Compulsando o voto condutor do Acórdão embargado, verifico que o litígio foi circunscrito nos seguintes termos: As matérias a serem apreciadas por esse colegiado são a concomitância, as receitas auferidas com a venda de sucatas e as variações monetárias ativas. Nos termos do acórdão embargado, decidiuse pela inocorrência de concomitância entre processos administrativo e judicial, dandose parcial provimento ao Recurso Especial para excluir da base de cálculo da contribuição os valores referentes às "Variações cambiais ativas", no período de apuração de janeiro de 2000 a novembro de 2002, mantendose a tributação dessas rubricas em relação ao período de dezembro de 2002 e janeiro a junho de 2003, sob o regime da nãocumulatividade, e a autuação com relação às receitas de vendas de sucatas. A parte dispositiva do voto ficou assim redigida: Isso posto, voto pelo provimento parcial do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, tão somente para excluir os valores referentes às receitas financeiras até a competência novembro de 2002. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10680.015754/200448 Acórdão n.º 9303004.549 CSRFT3 Fl. 995 4 Como se vê, mesmo afastando a concomitância, o voto não decidiu expressamente a respeito da tributação pela Contribuição das rubricas referentes a crédito presumido de IPI e a indenizações por sinistros ocorridos, expressamente devolvidas à CSRF, ficando caracterizada a omissão no acórdão embargado. Conforme relatado no acórdão embargado, a autuação ocorreu em virtude de a empresa ter excluído da base de cálculo da contribuição os valores referentes às receitas de venda de sucatas, de recuperações de custos de seguros, de crédito presumido de IPI e de ganhos em operações de hedge, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 19/35, e sintetizado nos demonstrativos de fls. 198/201 Quanto à tributação de valores correspondentes às vendas de sucatas e às recuperações de custos de seguros, aduz a fiscalização que esses o foram por força do art. 392 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda), que os enquadra a título de outras receitas operacionais. Relativamente à tributação de valores atinentes ao crédito presumido de IPI, valeuse a fiscalização de entendimento manifestado em decisão administrativa de primeira instância. De acordo com o apontado pela embargante, a matéria em discussão foi submetida à análise dessa Câmara, no julgamento do processo administrativo nº 10680.015749/200435 (que versa sobre a mesma discussão, porém, em relação à COFINS). Naquela oportunidade a Turma houve por bem dar provimento ao recurso especial da ora Embargante para excluir, da base de cálculo da COFINS, os ingressos relativos ao crédito presumido de IPI e decorrentes da ocorrência de sinistros, visto que estranhos ao conceito de faturamento previsto na Lei n. 9718/98. Trago o voto do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda proferido no Acórdão nº 9303002.902 no julgamento do processo mencionado: Consoante se verifica do Termo de Verificação Fiscal acostado ao auto de infração (fls. 20 a 35), restou patente em diversas passagens que a premissa do lançamento foi o disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, verbis: (...) No contexto da Lei nº 9.718, de 1998, a receita bruta é aquela que representa a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida, a classificação contábil adotada para as receitas, ou mesmo a intenção de se obter ou não sobras no processo produtivo. Conseqüentemente, a alienação da sucata gera ingresso que integra a receita bruta. (...) Em relação ao item 1.2 do Termo de Intimação n° 03/2004, o contribuinte informou que os valores correspondentes ao crédito presumido de IPI (instituído pela Lei 9.363/96) objetivam ressarcir às empresas exportadoras o PIS e a Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10680.015754/200448 Acórdão n.º 9303004.549 CSRFT3 Fl. 996 5 COFINS pagos nas aquisições no mercado interno. Para tanto, cita o art. 1° da referida norma e ainda afirma que: “A intenção do legislador é restituir ao adquirente parcela de seus custos de produção que teve origem na tributação incidente em etapas anteriores. Logo, é mero ressarcimento de custo na aquisição de matériasprimas ou produtos em etapas anteriores. Dada a inegável natureza de recuperação de custo/despesa, os referidos valores devem ser excluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS". Sobre esse assunto, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Porto Alegre no acórdão n° 3.746, de 13 de maio de 2004, assim pronunciou: (...) Com as alterações determinadas pelos arts. 2° e 3º da Lei n° 9.718, de 1998, cujos efeitos produziramse a partir de 1° de fevereiro de 1999 (art. 17, I), passouse a adotar uma base universal para efeito de incidência do PIS e da Cofins, abrangendo, em princípio, todas as receitas da empresa, independentemente da classificação contábil adotada. Dizse em principio, porque a legislação pode, desde que o faça expressamente, excluir dessa incidência algumas receitas Como isso não ocorre com as receitas relativas ao crédito presumido do IN, tornase imperioso concluir pela sua tributação. A receita do crédito presumido de IPI compõe a base de cálculo da Cofins, visto que se enquadra no conceito de receita bruta contido no art 3°, §1° da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998, não sendo excluída ou isenta de incidência, pois estas não foram explicitadas nas legislações que tratam do assunto. O fato de ser um incentivo fiscal, fundamentado na exportação de produtos, não a equipara com a venda de produtos exportados, não violando, assim, o art. 14, inciso 1, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, como observamos no item anterior, até porque as isenções são interpretadas literalmente, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional. Portanto, importante ressaltar que, após as alterações introduzidas pela Lei 9.718/1998, a base de cálculo da contribuição é a totalidade das receitas auferidas pela empresa, sendo condição para excluir do montante tributável a existência de determinação expressa na legislação, como ocorrem para os casos previstos no § 2º do art. 3º da Lei 9.718/1998 e no art. 14 da Medida Provisória 2.15835”. Nada mais resta a discutir, pois a transcrição acima de parte da decisão administrativa esgotou brilhantemente a matéria em pauta. (...) Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10680.015754/200448 Acórdão n.º 9303004.549 CSRFT3 Fl. 997 6 Quanto à recuperação de seguros informou o contribuinte que nesta conta estão contabilizadas as recuperações de custos despendidos na recuperação de bens objeto de sinistros parciais. Explicou que a empresa detém apólice de seguro, visando resguardarse de eventuais perdas advindas de sinistros passíveis de ocorrer em seu processo normal de produção e comercialização. Afirmou ainda que os valores registrados naquela conta nada mais são que as recuperações de custos dos sinistros ocorridos no período e que, quanto aos valores tributados pelo PIS e COFINS a partir de 2002, a empresa estará analisando o procedimento adotado (fls. 139 a 149). Novamente nos reportamos à definição de lucro operacional, nos termos do art. 392, inciso II, do RIR/99, e da receita bruta, no contexto da Lei n° 9.718, de 1998, concluindo pela inclusão da receita recuperação de custos de seguros — no grupo das "Outras Receitas Operacionais", nos mesmos moldes do raciocínio explicitado anteriormente, quando abordamos a receita de vendas de sucata. (...) (grifos e destaques nossos) Não resta dúvida, assim, que o fundamento legal para o lançamento, especificamente para inclusão de todas os ingressos em questão na base de cálculo da COFINS foi o disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A propósito, vale destacar, ainda, que no referido Termo de Verificação Fiscal ainda se registrou que o contribuinte possuía ação própria discutindo a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (Mandado de Segurança nº 200.01.00.0250028/ MG), tendo sido proferida sentença concessiva da segurança, afastando a ampliação da base de cálculo da COFINS através desse dispositivo, que foi posteriormente reformada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Assim, não havia medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário quando da lavratura do auto de infração, No tocante ao mérito, portanto, a questão controvertida diz respeito apenas à aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 à espécie. Ocorre, no entanto, conforme apontado no memorial complementar acostado às fls. 638 a 642 e confirmado no sítio eletrônico do Excelso Supremo Tribunal Federal (www.stf.jus.br), foi proferida decisão transitada em julgada no recurso extraordinário que foi interposto no bojo do mandado de segurança acima referido (Recurso Extraordinário nº 485.162), tendo sido reconhecida a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS nos termos do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. De se destacar, a propósito, a seguinte decisão, proferida pelo Ilustre Ministro Cezar Peluso no RE nº 485.162, cujo trânsito em julgado ocorreu em 15/09/2006, e que acaba por ser fato superveniente que deve ser levado em consideração para se dirimir a presente controvérsia, verbis: Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10680.015754/200448 Acórdão n.º 9303004.549 CSRFT3 Fl. 998 7 DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido por Tribunal Regional Federal, acerca da constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/98. 2. Consistente, em parte, o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo, a ordem, excluir, da base de incidência da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas exlege. Publiquese. Int.. Brasília, 17 de agosto de 2006. Ministro CEZAR PELUSO, Relator (grifos e destaques nossos) Sendo assim, não se afigurando possível exigir os valores da COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98 em razão da inconstitucionalidade do § 1º do seu artigo 3º, o lançamento consubstanciado no auto de infração em apreço não merece ser mantido. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da COFINS as seguintes receitas: crédito presumido e indenização com sinistro. O entendimento exarado no acórdão acima, ao qual eu adoto como razões de decidir e parte integrante do presente voto, é de que a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF, sendo estranhas a esse conceito o crédito presumido do IPI e as indenizações por sinistros ocorridos. Assim, com base nas decisões transitadas em julgado, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins, promovidas pela Lei nº Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10680.015754/200448 Acórdão n.º 9303004.549 CSRFT3 Fl. 999 8 9.718, de 27/11/1998, art. 3º, §1º, devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras, o crédito presumido do IPI e as indenizações por sinistros ocorridos no período de apuração de janeiro de 2000 a novembro de 2002. Já em relação ao período de dezembro de 2002 e janeiro a junho de 2003, não há tal óbice, visto que, com a entrada em vigor da Lei 10.637/2002, o regime passou a ser o da nãocumulatividade e essas receitas passaram a fazer parte da base de cálculo da contribuição para o PIS, por expressa determinação legal. “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput Com essas considerações, com o fito de aclarar o acórdão embargado, conheço dos embargos apresentados e dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, tão somente para excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep os valores referentes às receitas financeiras, ao crédito presumido e a indenização de sinistro até a competência de novembro de 2002. Portanto, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a omissão apontada nos presentes embargos de declaração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 999DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900341/2014-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/08/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 41 /2 01 4- 02 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900341/201402 Acórdão n.º 3401003.714 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900341/201402 Acórdão n.º 3401003.714 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900341/201402 Acórdão n.º 3401003.714 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
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