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Numero do processo: 15504.018469/2009-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam prestadas informações acerca do processo DEBCAD 37.248.329-1, processo nº 15504.018471/2009-17.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Relatório
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam prestadas informações acerca do processo DEBCAD 37.248.329-1, processo nº 15504.018471/2009-17. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam prestadas informações acerca do processo DEBCAD 37.248.3291, processo nº 15504.018471/200917. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 18 46 9/ 20 09 -4 8 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Resolução nº 9202000.136 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.240.3271, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidadoem30/11/2009,novalordeR$26.583,60 (Vinte e seis mil, quinhentos e oitenta e três reais, e sessenta centavos), em razão do contribuinte apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, IV, §5°, da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social. De acordo com o Relatório Fiscal da multa aplicada, fls. 11/14, o valor de R$ 26.583,60 corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observandose os limites mensais previstos nos §§ 4° e 5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.528/97, c/c o art. 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, c/c o art. 92 e art. 102 da Lei n° 8.212/91. O limite legal da multa estabelecido, por competência, em função do número de segurados da empresa, indicado no Anexo VI, foi apurado utilizando o multiplicador correspondente, constante do quadro integrante do §4° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, vezes o valor mínimo previsto no art. 92 da Lei n° 8.212/91. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário na sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 18/09/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.719 (fls. 167/176), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, na questão de mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível Fl. 237DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Resolução nº 9202000.136 CSRFT2 Fl. 4 3 apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 08/01/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 09/01/2014, o presente Recurso Especial (fls. 178/187). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 25/07/2016 (fls.190/193). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32 A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 2301003.719, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 06/09/2016, o contribuinte apresentou, tempestivamente, 21/09/2016, suas contrarrazões (fls. 200/211). Em suas contrarrazões, alega que as duas multas têm naturezas distintas: a do art. 35A é incidente sobre a obrigação principal (valor devido não pago) e é multa por atraso no pagamento; já a do art. 32A é multa penal por não apresentar GFIP ou apresentala com erros de informação. Diz que a Recorrente, no caso a Fazenda Nacional, ao entender que, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (art. 44 da Lei nº 9.430/96), impõe uma multa mais gravosa ao contribuinte, indo na contramão do que dispõe o artigo 106 do CTN, que é o de beneficiar o contribuinte com uma multa menos gravosa. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Resolução nº 9202000.136 CSRFT2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 190. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Preliminar de Diligência As questão objeto do recurso referese, resumidamente, a retroatividade benigna quanto à natureza das multas aplicadas nos autos de infração de contribuições previdenciárias após a MP 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Contudo, por tratarse de AI de obrigação acessória AIOA, para atribuir certeza ao crédito, conforme podemos identificar no relatório fiscal, foram lavrados Autos de Infração de Obrigações Principais conexos ao presente processo, qual seja: nº DEBCAD 37.248.3291, processo nº 15504.018471/200917. Em pesquisa aos sistemas não foi possível identificar decisão final acerca do referido processo. Dessa forma, entendo não ser possível adentrar ao julgamento da procedência da obrigação acessória, independente do encaminhamento que será adotado, sem identificar a situação do AIOP acima descrito. Dessa forma, deve a DRF prestar informações quanto ao andamento do referido lançamento, bem como os fatos geradores lançados e a existência de julgamentos, pedidos de parcelamento, ou qualquer outra informação que possibilite identificar a procedência do lançamento, ou mesmo se existem outros conexos ao presente AIOA. Solicitase a realização de planilha com as informações pertinentes, para que se possa decidir com clareza o resultado da multa aplicada em relação aos fatos geradores omissos descritos em cada um dos autos de infração lavrados durante o mesmo procedimento fiscal. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a DRF preste informações acerca do andamento da obrigação principal que embasou a presente autuação, mais especificamente: DEBCAD 37.248.3291, processo nº 15504.018471/200917. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910337/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. ERROS. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
O valor quitado a título de estimativas é apto a formar saldo negativo desde que o recolhimento ou a compensação sejam demonstrados mediante documentação hábil e idônea.
O IRRF sobre rendimentos ou ganhos de capital poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica desde que o contribuinte comprove a ocorrência da retenção sobre rendimentos que lhe foram pagos, bem como que tais rendimentos foram oferecidos à tributação (Súmula CARF n. 80).
Erros no preenchimento de declarações não são impedimentos para que a Administração reconheça o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP. Todavia, é necessário que tais erros sejam claramente demonstrados, por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhes serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do CTN, e dos artigos 264 e 923 do RIR/99.
Na ausência da documentação contábil que serviu de suporte ao preenchimento dos livros fiscais, assim como na ausência dos documentos que embasam os lançamentos contábeis, consideram-se não provados os fatos e erros apontados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. ERROS. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF O valor quitado a título de estimativas é apto a formar saldo negativo desde que o recolhimento ou a compensação sejam demonstrados mediante documentação hábil e idônea. O IRRF sobre rendimentos ou ganhos de capital poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica desde que o contribuinte comprove a ocorrência da retenção sobre rendimentos que lhe foram pagos, bem como que tais rendimentos foram oferecidos à tributação (Súmula CARF n. 80). Erros no preenchimento de declarações não são impedimentos para que a Administração reconheça o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP. Todavia, é necessário que tais erros sejam claramente demonstrados, por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhes serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do CTN, e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. Na ausência da documentação contábil que serviu de suporte ao preenchimento dos livros fiscais, assim como na ausência dos documentos que embasam os lançamentos contábeis, consideram-se não provados os fatos e erros apontados. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.420 1 1.419 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910337/200840 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.141 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVAS. Recorrente BANCO SUDAMERIS BRASIL SOCIEDADE ANONIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. ERROS. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF O valor quitado a título de estimativas é apto a formar saldo negativo desde que o recolhimento ou a compensação sejam demonstrados mediante documentação hábil e idônea. O IRRF sobre rendimentos ou ganhos de capital poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica desde que o contribuinte comprove a ocorrência da retenção sobre rendimentos que lhe foram pagos, bem como que tais rendimentos foram oferecidos à tributação (Súmula CARF n. 80). Erros no preenchimento de declarações não são impedimentos para que a Administração reconheça o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP. Todavia, é necessário que tais erros sejam claramente demonstrados, por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhes serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do CTN, e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. Na ausência da documentação contábil que serviu de suporte ao preenchimento dos livros fiscais, assim como na ausência dos documentos que embasam os lançamentos contábeis, consideramse não provados os fatos e erros apontados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 03 37 /2 00 8- 40 Fl. 1420DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 1/4) a despacho decisório n° 808261278 (fl. 18), de 24/11/2008, no qual a autoridade não homologou a Declaração de Compensação DCOMP n° 35283.76351.300807.1.3.020752 (fls. 23/28), de débito de IRPJ Entidade Financeira / Estimativa Mensal, de 07/2007 (fl. 27), sob o fundamento de que o interessado informara, na DCOMP (fl. 25), valor original do Saldo Negativo de IRPJ, do anocalendário de 2003, de R$ 2.967.555,49, enquanto, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do ano (fl. 38). não apurara crédito. Cientificado da decisão em 1/12/2008 (fl. 19), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 30/12/2008 (fl. 1), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: a)Teria incorrido em erro no preenchimento da DIPJ do ano calendário de 2003, na Ficha 12B Cálculo do IR sobre o Lucro Real Instituições Financeiras (fl. 38), não incluindo na linha 08 Imposto de Renda Retido na Fonte, o valor de R$ 6.030.396,06, e por ter consignado na linha 12 Imposto de Renda Mensal por Estimativa, o valor de R$ 2.217.038,03, em lugar do valor correto, de R$ 2.197.546,56. Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 16327.910337/200840 Acórdão n.º 1401002.141 S1C4T1 Fl. 1.421 3 b)Da mesma forma, a Ficha 53 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 39), deveria ser retificada para incluir retenções de Imposto de Renda sob o código 5706, nos valores de R$ 966.686,40, R$ 4.065.449,37 e R$ 831.771,88, consoante comprovantes que junta (fls. 20/22). c)Feitas as retificações, o Imposto de Renda a Pagar (linha 14 Ficha 12B Cálculo do IR sobre o Lucro Real Instituições Financeiras) (fl. 38) conteria o Saldo Negativo de IR a Pagar de R$ 6.010.904,55, montante este que teria direito de pleitear. d)Ante o exposto, requer a retificação de oficio da DIPJ de 2003, e a reforma do Despacho Decisório para que se homologue a referida DCOMP até o montante do crédito solicitado, relativo ao Saldo Negativo de IRPJ a Pagar de 2003. Em 2 de setembro de 2011 foi proferido despacho determinando o retorno dos autos à unidade de origem a fim de serem realizadas as seguintes diligências: a) Apuração do direito creditório com base nos comprovantes de Rendimentos e de Retenção de Imposto de Renda (fls. 20/23) indicando o interessado como beneficiário de retenções de IRRF sobre Juros sobre Capital Próprio JCP, código 5706, no total de R$ 5.863.907,65, correspondentes a rendimentos, a esse título, de R$ 39.092.717,66, do anocalendário de 2003. b)Verificação da divergência entre os valores devidos de estimativas consignados em DCTF's recepcionadas, conforme extrato dos sistemas de controle da RFB (fl. 42), com créditos vinculados, num total de R$ 1.337.437,97, e o valor que, na peça irresignatória, em que o interessado afirma ter pago o montante de R$ 2.197.546,56. A autoridade administrativa se manifestou sobre as questões levantadas às fls.123, nos seguintes termos: Quesito 6a) O interessado foi beneficiário do recolhimento de um total de R$ 7.018.381,32 de IRRF, código 5706, efetuado por 51 fontes pagadoras, inclusive aquelas citadas e cujos comprovantes se encontram em fls. 20 a 23 (apresentamos listagem do sistema DIRF em fls. 99 a 117). Por outro lado o interessado declarou em DIRF um Rendimento Tributável de R$ 96.488.254,01, ao qual corresponderia um recolhimento de IRRF no código 5706 de R$ 14.473.238,10 (Tela do sistema DIRF de fls. 118). Entretanto, no ano de 2003, o interessado recolheu neste código 5706 apenas R$ 8.785.487,03 (Telas dos sistemas Sinal e DCTF de fls.119 a 121). Isto nos leva a concluir que o interessado utilizouse da compensação dos valores em que era declarante do recolhimento com aqueles em que era beneficiário. Quesito 6b) No ano de 2003, o interessado efetuou o pagamento de estimativas de IRPJ, código 2319, consignadas em DCTF com créditos vinculados no valor de R$ 1.337.437,97, através de compensações homologadas no processo nº 16327.001841/2003 42 (Tela de fls. 122). Não efetuou qualquer outro recolhimento de estimativas de IRPJ no ano de 2003. Fl. 1422DF CARF MF 4 Foi dada ciência do despacho em 11/5/2012, mas não houve manifestação por parte do contribuinte. Em 13 de maio de 2013, a DRJ em São Paulo não acolheu a manifestação de inconformidade apresentada, proferindo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 9 de agosto de 2013 (fls.176) , a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 181) em 06 de setembro de 2013, repisando os tópicos trazidos na impugnação. Em 11 de setembro de 2013, complementa o seu recurso, anexando documentos aos autos (fls. 194/197), citando jurisprudência e doutrina que ampararia a análise de provas para justificar erro de fato no preenchimento das declarações. Os documentos anexados correspondem a balancetes dos respectivos exercícios, os quais, segundo ela, seriam provas idôneas a comprovar a renda efetivamente auferida, revelando que os valores indicados na DIPJ não correspondem àqueles encontrados no plano fático notadamente o saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2003. Em 26 de novembro de 2014, por meio da Resolução 1401000.331 (fls. 11981202), esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, considerando e concluindo o quanto segue: De fato, agiu com precisão a DRJ em relação a tudo quanto foi aduzido no sentido de demonstrar que a defesa carecia de prova dos erros cometidos, pelo menos em relação aos pagamentos indevidos de estimativas pagas. Em relação à falta de declaração das retenções, concordo parcialmente com a DRJ, pois no contexto da defesa há indícios suficientes de que pode mesmo ter havido omissões de retenções que poderiam ser facilmente verificar nos sistemas da Receita Federal. Porém, com os documentos trazidos aos autos às fls. 325 a 1125 (balancetes), considero que há indícios suficientes de que a Recorrente cometera erro de fato no preenchimento das declarações. À luz deste quadro, entendo, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, que cabe à Receita Federal do Brasil realizar verificações adicionais, levandose em conta: agora a nova documentação acostada pela defesa trazidas como provas dos pagamentos indevidos. Posto isso, e em nome do princípio da verdade material, para não pairar dúvidas quanto à validez e certeza do despacho decisório da DRF, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 16327.910337/200840 Acórdão n.º 1401002.141 S1C4T1 Fl. 1.422 5 Verificar, à luz dos sistemas de informática da Receita Federal e de outra mais a ser exigida durante a diligência, se as indigitadas retenções efetivamente existiram e estão disponíveis, bem assim se as receitas as quais essas retenções se referem foram mesmo oferecidas à tributação; Verificar, à luz dos sistemas de informática da Receita Federal, da documentação acostada pela defesa, e de outra mais a ser exigida, se for o caso, durante a diligência, se de fato houve pagamentos indevidos das estimativas na forma como alega o contribuinte; Se for o caso, apresentar suas considerações, inclusive para se opor às assertivas da Recorrente em fase recursal ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. Se for o caso, refazer os cálculos e após as imputações e atualizações pertinentes, apontar montante de débitos a serem homologados; A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. O Relatório de Diligência de fls. 1.4081.414 apurou o quanto segue: Preliminarmente, devese cotejar as informações constantes da DIPJ/2004, anocalendário 2003, com a composição do saldo negativo que o interessado alega ter apurado, conforme demonstrativo a seguir. O saldo credor pretendido pelo interessado corresponde a R$ 6.010.904,55, resultante da inclusão do IRRF de R$ 6.030.396,06 e da retificação do IR pago por estimativa de R$ 2.217.038,03 para R$ 2.197.546,52, relativamente aos valores originalmente declarados na DIPJ. Cumpre esclarecer que o interessado declarou na Ficha de Ajuste Anual 12B (fls. 1357) como IR mensal pago por estimativa (linha 12) o resultado do somatório do imposto a alíquota de 15% e adicional declarados na Ficha 11 no mês de dezembro (fls. 1356), considerando que apurou o IRPJ com base em balanço de suspensão/redução, deduzido dos incentivos Fl. 1424DF CARF MF 6 fiscais (linha 05), mas sem a dedução do imposto de renda retido na fonte (linha 07) de R$ 19.491,51 que corresponde a diferença entre o valor de estimativa declarado e o pretendido, conforme quadro a seguir. No entanto, esses valores de estimativa que o interessado pretende incluir na composição do alegado saldo negativo de IRPJ não foram integralmente declarados em DCTF. Os valores declarados em DCTF correspondem a R$ 1.337.437,97, através de compensações sem DARF, homologadas no processo nº 16327.001841/200342, conforme consta do relatório às fls. 123 e quadro abaixo. Não houve nenhum pagamento de estimativa além das compensações relacionadas no quadro supra, portanto, constatase que não houve pagamento indevido de estimativa, até porque os valores declarados em DCTF são inferiores as estimativas informadas na DIPJ. Com relação ao IRRF, o interessado pretende deduzir R$ 6.030.396,06 na linha 08 da Ficha 12B, cujas retenções estão discriminadas a seguir. As retenções relacionadas nas linhas 4 a 6 do demonstrativo supra, no valor de R$ 166.488,41, foram declaradas na Ficha 53 da DIPJ/2004 (fls. 1397) e foram deduzidas das estimativas mensais na linha 07 da Ficha 11 (fls. 1353/1356), todavia, só poderiam fazer parte da composição do saldo negativo ou a pagar apurado no ajuste anual se houvesse a comprovação da retenção na fonte e de que os respectivos rendimentos foram levados à tributação. Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 16327.910337/200840 Acórdão n.º 1401002.141 S1C4T1 Fl. 1.423 7 No intuito de atender a solicitação formulada pelo CARF, efetuouse o Termo de Intimação nº 102/2015 para o contribuinte apresentar, em síntese: • cópias do livro Razão Analítico que comprovem que foram oferecidos à tributação os rendimentos correspondentes as retenções que pretende deduzir do imposto apurado no ajuste anual; • informes de rendimentos correspondentes a tais retenções; • esclarecimentos sobre as divergências entre os valores de IRRF como declarante (cód. 5706) que seriam devidos, os declarados em DIRF e os recolhidos, e se houve a compensação de valores de retenção do referido código em que era declarante com os que era beneficiário em 2003; • comprovantes de recolhimento do IRRF (cód. 8045) de R$ 119.604,47, uma vez que se trata de autorecolhimento. Ao analisar a documentação apresentada pelo interessado em atendimento à referida intimação, verificase que apesar de o contribuinte ter juntado informes de rendimentos, com exceção do rendimento de código 8045, o mesmo não apresentou a documentação contábil comprobatória de que os rendimentos foram oferecidos à tributação. Na resposta à intimação, o interessado informa que não localizou as cópias do livro Razão Analítico do ano de 2003, e junta uma planilha em formato excel, a qual não traz nenhum elemento novo e não tem suporte nos livros contábeis. Nas cópias do livro Diário apresentado, não há o registro dos rendimentos que foram oferecidos à tributação. Vale dizer que os rendimentos foram declarados em DIRF pelas fontes pagadoras (fls. 1400/1404), excetuado o rendimento de cód. 8045. Pesquisa ao sistema SIEF às fls. 1405/1407 indica que as fontes pagadoras dos rendimentos de juros sobre capital próprio (cód. 5706) efetuaram os recolhimentos em valores iguais ou superiores aos declarados por elas em DIRF. Com relação ao item 3 da intimação, que requer esclarecimentos quanto as divergências entre o IRRF de juros sobre capital próprio (cód. 5706) que seria devido, o que foi declarado e o pago, o contribuinte declara o seguinte: “Com base nas informações contidas na DIPJ/2004 (documento anexo), a Requerente conseguiu levantar parcialmente as informações decorrentes dos Juros sobre Capital Próprio pagos por ela, relativos ao anocalendário de 2003. De todos os beneficiários, o valor mais representativo foi recolhido a esse título para Sudameris Participações, CNPJ nº: 60.942.638/000173 totalizando o valor de mais de R$ 69.000.000,00 em Juros sobre Capital Próprio. Fl. 1426DF CARF MF 8 Embora não seja possível afirmar com precisão, pela análise da DIPJ/2004 a empresa deduz que esse valor de R$69.000.000,00 foi somado aos aproximadamente R$21.000.000,00 pagos a título de dividendos (que não sofre retenção do IR). Assim, os dois montantes somados atingem um valor muito próximo aos R$ 96.000.000,00. Vejamos com mais clareza: Na citada DIPJ foram declarados diversos pagamentos, sendo o de valor mais significante aquele destinado ao Sudameris Participações, CNPJ nº 05.611.403/000190. Desta forma, a composição dos valores demonstrada na DIPJ é a seguinte: • Dividendos: R$ 21.839.438,82 • JCP: R$ 69.906.572,87 • IRRF s/ JCP: R$ 10.485.985,93 Observese que o IRRF incidente sobre os valores pagos a título de JCP atinge o montante de R$ 10.485.985,93, o que leva a crer que pode ter ocorrido equívoco por parte da Requerente ao informar o valor total do JCP, considerando a tal título, indevidamente, os valores relativos aos dividendos.” Observase na resposta ao item 3 reproduzida acima que o contribuinte baseouse nas informações da DIPJ/2004 e que não comprova através de sua contabilidade, nem tampouco afirma com precisão, apenas apresenta deduções. Cabe destacar que a questão crucial a ser esclarecida nesse item da intimação era além da divergência de valores, se houve compensação de valores de IRRF (cód. 5706) em que era declarante com os de mesmo código em que era beneficiário em 2003, ressaltada no item 4, no entanto, o interessado não comprovou nem esclareceu esse ponto. Ademais, não foram apresentados os comprovantes de recolhimento (cód. 8045), solicitados no item 5 em razão do recolhimento nesse código ser feito, via de regra, pelo próprio beneficiário. Vale dizer que o contribuinte havia apresentado balancetes (fls. 325 a 1125) mas no emaranhado de registros não foram localizados os rendimentos de juros sobre capital próprio. Cumpre ressaltar que os livros Diário e Razão são obrigatórios para pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (DecretoLei nº 486/69, art. 5º, Lei nº 8.218/91, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383/91, art. 62). Com relação à conservação dos livros, o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), no parágrafo único do art. 195, dispõe que: “Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 16327.910337/200840 Acórdão n.º 1401002.141 S1C4T1 Fl. 1.424 9 comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos”. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.”(grifouse) No mesmo sentido, preceitua também o art. 264, caput, do RIR/1999: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º)”.(grifouse) Considerando que o interessado não apresentou as cópias das folhas do livro Razão Analítico nem outra documentação contábil que comprove que os rendimentos foram oferecidos à tributação, não faz jus o contribuinte às respectivas retenções pretendidas. Sendo assim, não se apurou saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2003 e sim saldo de imposto a pagar, conforme demonstrativo abaixo. Cumpre esclarecer que não será formulada representação fiscal para fins de cobrança do imposto a pagar apurado na presente análise em razão da ocorrência da decadência. Dessa maneira, considerando a obrigação legal do contribuinte de conservação do livro Razão enquanto não ocorrer a prescrição dos créditos tributários a que se referem as operações, e que é de quem pleiteia o ônus de comprovar o seu direito à compensação, e ressaltando que não foi apresentada a documentação comprobatória de que os rendimentos foram oferecidos à tributação, não se apurou crédito de saldo negativo e, por conseguinte, não devem ser homologadas as compensações pleiteadas. Diante dos elementos aqui examinados e com as informações ora prestadas, considero como atendida a solicitação formulada pelo CARF e entendo que não devem ser homologadas as Fl. 1428DF CARF MF 10 compensações declaradas na DCOMP nº 35283.76351.300807.1.3.020752. Cientificado do relatório supra em 19 de janeiro de 2017 (fl. 1.416) a empresa não se manifestou. Recebi o processo em distribuição realizada em 26 de julho de 2017. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Conforme relatado, a Recorrente fundamenta seu recurso voluntário nos argumentos de que houve erros no preenchimento de declarações os quais, uma vez reconhecidos e retificados, revelariam o crédito pleiteado na compensação, correspondente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003. Tem razão o contribuinte quando argumenta que erros no preenchimento de declarações não são suficientes para que a Administração não reconheça o seu direito creditório. Todavia, é necessário que tais erros sejam claramente demonstrados, por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. Tendo isso em mente, passamos à análise do caso concreto. O saldo credor pretendido corresponde a R$6.010.904,55, resultante da inclusão do IRRF de R$ 6.030.396,06 e da retificação do IR pago por estimativa de R$ 2.217.038,03 para R$ 2.197.546,52 (diferença de R$19.491,51), nos seguintes termos: Quanto à retificação do IR pago por estimativa, o Recorrente afirma que deixou de declarar na DIPJ uma diferença de passível de dedução de R$ 19.491,51. Já o relatório de diligência reafirma o quanto já confirmado pela reposta ao quesito 6b do relatório de fl. 123 (transcrito na pág. 2 deste acórdão), de que os valores de estimativa que o Recorrente pretende incluir na composição do alegado saldo negativo de IRPJ não foram integralmente declarados em DCTF. Isso porque os valores declarados em DCTF correspondem a R$ 1.337.437,97, através de compensações sem DARF, homologadas no processo nº 16327.001841/200342, não tendo havido nenhum pagamento de estimativa além de tais compensações. Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 16327.910337/200840 Acórdão n.º 1401002.141 S1C4T1 Fl. 1.425 11 Diante disso, temos que não há provas de que houve o alegado pagamento indevido de estimativa. Com relação ao IRRF, o Recorrente pretende o reconhecimento de um total de R$6.030.396,06 na linha 08 da Ficha 12B, referente às seguintes retenções: Conforme apurou o relatório de diligência, as retenções relacionadas nas linhas 4 a 6 acima, no valor de R$ 166.488,41, foram declaradas na Ficha 53 da DIPJ/2004 e foram deduzidas das estimativas mensais na linha 07 da Ficha 11, todavia, só poderiam fazer parte da composição do saldo negativo ou a pagar apurado no ajuste anual se houvesse a comprovação da retenção na fonte e de que os respectivos rendimentos foram levados à tributação. É o que preceitua a Súmula CARF n. 80 (grifamos): Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Solicitado a realizar tal comprovação, o Recorrente apresenta informes de rendimentos (exceto para o rendimento de código 8045, para o qual não há sequer comprovação do recolhimento), mas não demonstra, mediante apontamento claro dos lançamentos efetuados em seus registros contábeis e fiscais, que eles foram oferecidos à tributação. Pelo contrário, informa que não localizou as cópias do livro Razão Analítico do ano de 2003 e junta uma planilha em formato excel. Quanto às retenções relacionadas nas linhas 1 a 3 acima (IRRF de juros sobre capital próprio cód. 5706), o Recorrente também não esclarece mediante demonstração em sua contabilidade sobre as apontadas divergências. Pelo contrário, tece conclusões exclusivamente com base nas informações contidas na DIPJ/2004, com afirmações do tipo "Embora não seja possível afirmar com precisão...". Além disso, o relatório de diligência afirma que "o contribuinte havia apresentado balancetes (fls. 325 a 1125) mas no emaranhado de registros não foram localizados os rendimentos de juros sobre capital próprio." Ausente a efetiva prova de que os erros apontados pelo Recorrente de fato ocorreram não há como serem acolhidas as suas alegações. Em resumo, as provas constantes dos autos não permitem afirmar que se apurou crédito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003 e, por conseguinte, está correta a decisão recorrida ao manter a não homologação das compensações pleiteadas. Fl. 1430DF CARF MF 12 Assim, oriento meu voto pelo não provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1431DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.900090/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis. da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1401-000.627
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis. da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 42): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/12, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos próprios com crédito decorrente de Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, relativo ao 2° trimestre de 2004, no valor de R$ 19.623,35 (fl. 02). Por intermédio do despacho decisório de fl. 16, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologadas as compensações declaradas nas PER/Dcomp de n° 35479.35122.130106.1.3.03 4037 e 26737.11600.150306.1.3.032098, ao fundamento de que "não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa J urídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/Dcornp". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 21/22, na qual alega, em síntese, que: a) em momento algum houve máfé da empresa em créditos indevidos, tanto que na Declaração de Compensação foi declarado os valores das retenções das Pessoas Jurídicas, em notas fiscais de prestação de serviços, e como também informada na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), foram declarados os valores retidos; b) o que de fato ocorreu é que a empresa, na DIPJ/2006, anocalendário 2005, deixou de lançar na Ficha 17 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido; c) para sanar o erro, efetuou a retificação da DIPJ; d) no mérito, alega que parte dos tributos questionados já foram pagos, anexando os documentos comprobatórios de tais recolhimentos. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. A 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por unanimidade, indeferiu a solicitação da interessada, por meio do Acórdão 1428.328, assim ementado (fls. 41): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração. acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária. conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10825.900090/200856 Acórdão n.º 140100.627 S1C4T1 Fl. 72 3 CSLL. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a titulo de saldo negativo de CSLL reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no trimestrecalendário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do Acórdão em 02/06/2010 (fls. 49), a contribuinte, em 05/07/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 5462, , alegando, em síntese, que a contribuinte cometeu simples erros de fato (não materiais), na medida em que “nos formulários de [...] PER/DCOMP foram regularmente declarados os valores das retenções das Pessoas Jurídicas, em notas fiscais de Prestação de Serviços. No mesmo sentido, foram igualmente informados na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Juridica(DIPJ) correspondente ao período base de sua apuração. apresentados em sua manifestação de inconformidade” (v. fls. 5859). Discorreu longamente sobre “aspectos técnicoscontábeis”, analisando a função e o funcionamento de contas contábeis (fls. 5759). Apresentou, outrossim, vasta jurisprudência administrativa, fls. 5961, versando sobre temas bastante diversificados. Nestes termos, requereu que seja dado provimento ao presente recuso voluntário. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Tempestividade A contribuinte tomou ciência do Acórdão 1428.328 da DRJ Ribeirão Preto por meio de Aviso de Recebimento anexado às fls. 49, no qual consta como data de recebimento o dia 02 de junho de 2010, data esta firmada de próprio punho pela pessoa que recebeu aquela comunicação postal e confirmada pelo carimbo dos Correios (unidade de destino). Compulsando os autos, verificase que o recurso somente foi protocolizado em 05/07/2010, conforme se verifica à fl. 54 (carimbo de protocolo). Esta informação é confirmada pela própria data aposta na peça recursal (fls. 55 e 62). Sobre o tema, dispõe o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 52 do mesmo diploma legal, verbis: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na .sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Assim, tendo em vista que o dia 02/06/2010 foi uma quartafeira, e que o dia subsequente também foi dia de expediente normal, a contagem do prazo para interposição de recurso voluntário iniciouse na sextafeira, dia 03/06/2010, devendo expirar no dia 02/07/2010, sextafeira. O referido dia 02/07/2010, contudo, não foi um dia de expediente normal nas diversas unidades da Receita Federal do Brasil, em razão da realização de um jogo da seleção brasileira, válido pela Copa do Mundo. O expediente diferenciado para o referido dia foi formalizado por meio da Portaria nº 491, de 7 de junho de 2010, da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Por esta razão, o termo final do prazo para apresentação do recurso voluntário passou para o dia 05/07/2010, segundafeira. Verificase, portanto, que foi tempestiva a apresentação do presente recurso, o qual merece ser conhecido. Mérito Fl. 83DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10825.900090/200856 Acórdão n.º 140100.627 S1C4T1 Fl. 73 5 A contribuinte baseou seu recurso na alegação de que teria cometido simples erros de fato (não materiais), na medida em que “nos formulários de [...] PER/DCOMP foram regularmente declarados os valores das retenções das Pessoas Jurídicas, em notas fiscais de Prestação de Serviços. No mesmo sentido, foram igualmente informados na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Juridica (DIPJ) correspondente ao período base de sua apuração. apresentados em sua manifestação de inconformidade” (v. fls. 5859). Sobre o tema, assim se pronunciou o acórdão recorrido, fls. 4345 (grifado): Nesse sentido, em 08/03/2007. foi entregue à interessada o Termo de Intimação de fl. 13, solicitando retificação da DIPJ correspondente ou apresentação de PER/Dcomp retificadora. nos seguintes termos: "Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e. se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composiçõo. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação". Nesse particular. cumpre registrar que a recorrente, embora devidamente intimada, não apresentou à autoridade de origem quaisquer esclarecimentos. A par disso, o Despacho Decisório de fl. 16 não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte, uma vez que a contribuinte não apurou saldo negativo de CSLL em sua DIPJ, diferentemente do que informado em sua PER/Dcomp. 0 pleito da interessada, segundo sua manifestação de inconformidade, é direcionado à restituição de retenções de CSLL sobre importâncias pagas por pessoa jurídica a titulo de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica, no anocalendário de 2005, que por equivoco não foi lançada na ficha 17 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. linha 50. CSLL Retida p/ pessoa jurídica de direito privado. Antes de mais nada. ressaltese que incorreu em erro a contribuinte ao informar em sua manifestação de inconformidade que. para comprovar a origem do crédito sob exame, retificou sua DIPJ/2006. anocalendário de 2005. pois o indébito informado em sua PER/Dcomp decorre de saldo negativo de CSLL atinente ao 4° trimestre de 2004 e não de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005. Como se depreende. é de ser considerado, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruido, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 6 [...] Portanto. a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL, apurado no final de cada período. Assim, ao apresentar a manifestação de inconformidade, não basta ao interessado informar a retenção da CSLL na fonte, mas também comprovar a efetiva apuração de saldo negativo de CSLL ao final de cada período e, para tanto, deve demonstrar que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram oferecidas à tributação, condição sine qua non para que o CSLL retida na fonte possa ser aproveitada na compensação da CSI,L apurada no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de CSLL. Mais ainda, para fins de repetição tributária, a certeza e a liquidez do crédito apurado não se configuram em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas em relação ao quantum comprovado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente. sendo a declaração de rendimentos apenas elemento indicativo da apuração do tributo e não prova suficiente do direito creditório, como quer crer a interessada. No caso em tela, a contribuinte deixou de trazer aos autos os comprovantes dos rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos, bem como a prova contábil de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram oferecidas à tributação. [...] Dai porque é imprescindível que venham aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica sujeita ao regime do Lucro Real, para a qual a lei exige contabilidade regular. Dentre outras provas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, etc., tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de CSLL declarado. [...] Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 85DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10825.900090/200856 Acórdão n.º 140100.627 S1C4T1 Fl. 74 7 Da simples leitura deste trecho da decisão recorrida, facilmente se constata que a contribuinte, ora Recorrente, não cometeu “meros erros de fato (não materiais) no preenchimento dos formulários de PER/DCOMP e/ou no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Juridica (DIPJ). As falhas cometidas foram muito mais graves, uma vez que que a contribuinte sequer apurou saldo negativo de CSLL em sua DIPJ, diferentemente do que foi informado em sua PER/DCOMP. Antes mesmo da apreciação do PER/DCOMP pela unidade de origem, foi solicitado à contribuinte que retificasse a DIPJ correspondente ou apresentasse PER/DCOMP retificador, indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e. se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composiçõo. Quaisquer outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período também poderiam ser sanadas, mediante apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido naquela intimação. No entanto, a contribuinte quedouse inerte, abstendose de retificar a DIPJ e/ou o PER/DCOMP. Esgotado o prazo daquela intimação, e diante da total inconsistência dos dados constantes em suas declarações, o pedido de compensação foi indeferido, por ausência de comprovação da liquidez e certeza dos créditos supostamente passíveis de compensação. Em sua manifestação de inconformiade, a contribuinte abstevese de apresentar qualquer elemento de prova, capaz de compovar a existência do crédito que afirmava possuir. Tais provas, conforme bem indicadas no despacho denegatório, consistiam principalmente nos comprovantes dos rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos, bem como a prova contábil de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram oferecidas à tributação. Diante da ausência de comprovação, a DRJ Ribeirão Preto indeferiu o pleito da contribuinte, deixando de reconhecer o direito creditório pleiteado. Vale dizer que o colegiado julgador a quo foi bastante específico, ao enumerar os elementos de prova que deveriam ter sido apresentados pela interessada, fls. 45: Dentre outras provas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, etc., tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de CSLL declarado. Por fim, em sede de recurso voluntário, mais uma vez deixou a contribuinte de trazer aos autos qualquer elemento de prova, tendente a demonstrar a existência do crédito supostamente passível de compensação. Não constam dos autos os comprovantes de retenções supostamente emitidos pelas fontes pagadoras. Não constam dos autos nenhum balanço, balancetes ou demonstração Fl. 86DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 8 de resultado do exercício, capaz de demonstrar a apuração de saldo negativo de CSLL. Também não constam dos autos quaisquer elementos de provas visando demonstrar que as supostas receitas, sobre as quais incidiram as supostas retenções, tenham sido oferecidas à tributação. A este quadro de absoluta carência de provas, somese o fato de que a contribuinte não apurou saldo negativo de CSLL em sua DIPJ, diferentemente do que foi informado em sua PER/DCOMP. Diante destes fatos, é forçoso concluir pela impossibilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado. Por fim, vale dizer que as extensas considerações da Recorrente sobre “aspectos técnicoscontábeis” (fls. 5759), bem como a vasta jurisprudência administrativa versando sobre temas diversificados (fls. 5961) em nada contribui para dar sustentação à veracidade do saldo negativo de CSLL declarado. Afinal, meras alegações são completamente insuficientes para suprir a ausência de provas documentais, capazes de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 87DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS
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Numero do processo: 10880.047749/89-01
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 1999
Ementa: CLASSIFICAÇÃO. TACOGERADOR DE CORRENTE CONTÍNUA.
Classifica-se no código TAB 85.01.01.01.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA PROVIDO.
Numero da decisão: CSRF/03-03.046
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos
do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Henrique Prado Megda.
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO. TACOGERADOR DE CORRENTE CONTÍNUA. Classifica-se no código TAB 85.01.01.01. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA PROVIDO.
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TACOGERADOR DE CORRENTE CONTÍNUA. Classifica-se no código TAB 85.01.01.01. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SEMENS S/A. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Henrique Prado Megda. ON PE - ODRIGUES PRESIDENTE MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATOR Formalizado em: 31 JUL ?i,j00 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, UBALDO CAMPELLO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLI. trnc MINISTÉRIO DA FAZENDA , CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° : 10880.047749/89-01 Acórdão n° : CSRF/03-03.046 Recorrente : SIEMENS S.A Recurso : RD/303-0.155 Interessada : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A SIEMENS S.A., inconformada com a decisão contida no Acórdão n° 303-27.867 da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, apresenta Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em ato de revisão aduaneira, a autoridade fiscal lavrou auto de infração contra a referida empresa, em decorrência de classificação fiscal considerada errônea para "TACOGERADOR DE CORRENTE CONTÍNUA", sendo cobrada diferença de IPI e multa especificada no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (R1121), aprovado pelo Decreto n° 87.981/82. A empresa indicou o código numérico 85.01.01.01 - (II 55% e IPI 5%), que foi desclassificado e reclassificado para o código numérico 90.29.05.99 - (II 45% e IPI 15%), sendo considerado o recolhimento do IPI menor do que o realmente devido. Tendo sido considerada procedente a ação fiscal pela autoridade de 1 a instância, a recorrente apresentou Recurso Voluntário ao Terceiro Conselho de Contribuintes, que através do Acórdão 303-27.867, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso. Após diversas definições e interpretações dos Laudos Periciais apresentados referentes à mercadoria, vislumbra-se um momento de lucidez onde é afirmado: "Resta, pois, resolver a controvérsia quanto à classificação tarifária, considerando as alternativas de ser o produto essencialmente um gerador, na acepção da posição 85.01 (máquina que tem por função produzir energia elétrica) ou parte de um instrumento de medição (taquímetro), do capítulo 90 (fl. 200). 2 .41»1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° :10880.047749189-01 Acórdão n° CSRF/03-03.046 Sobre geradores transcreve o conceito das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado - (NESH-Tomo IV — fl. 2021 - Ed. Aduaneiras), realçando uma observação onde estão excluídos desta posição os geradores do capítulo 90, e questiona se "o Tacogerador, apesar de gerador, é designado mais especificamente noutra posição da nomenclatura". Após diversas citações de trechos das Notas Explicativas da Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira, conclui que o TACOGERADOR, "por se destinar exclusivamente a uma máquina de medição de velocidade, é que se aplica para sua classificação a Nota Legal (90-2), letra b e não "a" como pretende a recorrente". O raciocínio é transferido para a classificação de taquímetro na posição 90.27, no entanto, com a ressalva da Nota 5-b, por se tratar de taquímetros elétricos, a classificação passa a ser na posição 90.28. Por considerar o TACOGERADOR como parte do taquímetro elétrico classifica- o no código tarifário 90.29.05.99, que é específica para partes, peças separadas e acessórios de instrumentos ou aparelhos da posição 90.28. O voto vencido, pelo provimento do apelo, da Ilustre Conselheira Dione Maria Andrade da Fonseca, consiste em transcrição de decisão prolatada em caso idêntico, pelo Conselheiro Humberto Esmeraldo Barreto Filho, através do Acórdão 303-27.757, que está, preponderantemente, voltada para a Nota Legal 90.2.a, onde se determina que "as partes, peças separadas e acessórios para máquinas, aparelhos e instrumentos ou artigos do presente capítulo, que consistam em artigos mencionados como tais em qualquer das posições do presente capítulo ou dos capítulos 84, 85 ou 91 (com exceção das posições 84.65 e 85.28), classificam-se nessas posições. Por parte da recorrente, em destaque, para esclarecimento da matéria, ela indica como subsídios o laudo técnico do engenheiro Manoel Hyppolito do Rego Filho, os argumentos do voto vencido da eminente Conselheira Dione Maria de Andrade da Fonseca e os Acórdãos n° 303- 27.757 e 303-27.574 da Colenda Terceira Câmara. 3 10,;• MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10880.047749/89-01 Acórdão n° : CSRF/03-03.046 A Fazenda Nacional apresentou suas contra-razões declarando incorporar "in totum" a fundamentação expendida pela digna relatora do voto vencedor, cujo Acórdão acolheu o Auto de Infração gerador da controvérsia, e espera que seja mantida a decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° :10880.047749/89-01 Acórdão n° CSRF/03-03.046 VOTO CONSELHEIRO RELATOR MOACYR ELOY DE MEDEIROS As importações do produto foram submetidas a despacho através das Declarações de Importação de n° 06314/87, 06912/87, 06943/87, 07448/87 e 08315/87 tendo como código numérico 85.01.01.01., com estrutura e notas legais da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias com base na Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira (NBM/NCCA), que vigorou até 31/12/88. O fato gerador ocorreu no ano de 1987 e pelas normas então vigentes é que se deve nortear o processo. Encontra-se no mesmo algumas citações e transcrições das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), que somente vigorou a partir de 1989. Sem entrar em discussões infrutíferas e sem exacerbar a dimensão do problema atento, exclusivamente as Regras e as Notas Legais que formam a estrutura da NBM/NCCA, e que trazem alusões explícitas no capítulo 85 a classificação de GERADORES, o que é suficiente para esclarecer o equívoco no posicionamento firmado no Acórdão recorrido. A mercadoria importada (TACOGERADOR) é, segundo parecer técnico, e aceito por todos, um gerador de corrente elétrica (fl. 228 it. 2). Os geradores elétricos estão posicionados no capítulo 85 e na posição 85.01, como bem demonstram as Notas Explicativas da Nomenclatura de Bruxelas - Tomo 3 - fl. 1163 (Ed. Aduaneiras) NBM/NENCCA, que discorrendo sobre o assunto afirma: "a presente posição abrange os geradores de qualquer tipo e para qualquer uso..." "Excluem-se desta posição: 5 , MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10880.047749/89-01 Acórdão n° CSRF/03-03.046 a) os geradores que se empreguem com motores de explosão ou de combustão interna (n° 85.08) e os dispositivos de iluminação e sinalização para velocípedes e automóveis (n° 85.09); b) os geradores do capítulo 90." Como questionamento temos que identificar com o desvelo que se faz mister quais os geradores do capítulo 90. Encontram-se na posição 90.20 os geradores de raios-x e na posição 90.21 os concebidos para a demonstração, não suscetíveis de outros usos. A mercadoria é classificada, portanto, como gerador na posição 85.01. Ora, fazer interpretações extensivas para alcançar outras posições é contrário ao raciocínio das NENCCA, porém foram utilizadas várias Notas Legais para produzir um deslocamento da posição, sem a menor consistência científica, afirmações sem significação, ao descompasso das regras de classificação. A classificação se determina de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulos, sendo utilizados através de métodos, que são incluídos numa ordem na qual se faz mister considerar sucessivamente os elementos disponíveis na classificação. Objetivamente, na prática ao investigar qual a Regra ou Nota que deve ser empregada, só se aplica uma regra posterior quando a regra anterior não solucionar o problema da classificação. Pois bem, quanto ao TACOGERADOR, a decisão de classificá-lo no código numérico 90.29.05.99 fugiu totalmente aos critérios adotados pelas NENCCA. Não aceitando a posição 85.01, torna-se imperioso que se busque outra posição que seja coerente com as características próprias do produto a ser classificado e com observância às peculiaridades dos preceitos que regem a matéria. Porém, desprezando o esclarecimento contido na NENCCA sobre geradores, citado anteriormente, foi identificado o gerador como parte de um taquímetro elétrico, decisão fundamentada na Nota Legal 90.2.b, tendo sido atribuída a classificação 90.29.05.99, assim, 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° : 10880.047749/89-01 Acórdão n° : CSRF/03-03.046 eliminando sem respaldo jurídico as disposições da Nota Legal 90.2.a que diz: a) "As partes, peças separadas e acessórios das máquinas, aparelhos, instrumentos ou outros artefatos deste capítulo que sejam mencionados como tais em qualquer posição do presente capítulo ou dos capítulos 84, 85 ou 91(exceto os n° 84.65 e 85.28) classificam-se pela Posição considerada.,..." Corroborando ainda com o mesmo raciocínio, em esclarecimentos exemplifica citando "um transformador, um eletroiman, um condensador, uma resistência, um retais, uma lâmpada ou válvula, etc., não deixam de ser artefatos do capítulo 85,..." As Notas Explicativas da Nomenclatura de Bruxelas - Tomo 3 - fl. 1274 (Ed. Aduaneiras), esclarecem que" às partes, peças separadas e acessórios que possam reconhecer-se como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas, aparelhos e instrumentos dos n° 90.23, 90.24, 90.26, 90.27 e 90.28, que quaisquer que sejam os aparelhos a que se destinem, são indistintamente classificáveis pela posição coletiva n° 90.29, evidentemente, salvo o caso em que, tratando-se de partes, peças separadas ou acessórios que constituam, por si mesmos, artefatos nitidamente especificados em outras posicões, a regra prevista no anterior parágrafo lhes seja aplicável". O Acórdão 301-25.685 apresentado como paradigma de divergência encontra-se assim ementado: CLASSIFICAÇÃO. "Tacogerador de corrente contínua, tipo... 1Hu1052", classifica-se no código TAB 85.01.01.01, por força da Nota 90-2 (a) da Tarifa Aduaneira do Brasil. Recurso provido à unanimidade. (grifos não são do original ) Outro Acórdão indicado como divergente, o de n° 303- 27.574 tem a seguinte ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NA TM/1'1P'. Tacogerador de corrente contínua tipo 1HU1052 classifica- se pelo código 85.01.01.01 por força da Nota (90-2) letra "a" da Tarifa Aduaneira do Brasil e da TIPI. Recurso provido. (grifos não são do original) MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° : 10880,047749/89-01 Acórdão n° : CSRF/03-03.046 Diante do exposto, acolho as duas decisões como divergentes, embora com a observação crítica de que o caminho utilizado para a solução, pode ser unicamente, a leitura das NENCCA, sobre geradores, retirando as exclusões, pois o problema desta classificação repousa nas considerações dos textos explicativos apenas da posição 85.01. DOU PROVIMENTO ao Recurso, por encontrar nas NENCCA elementos seguros para identificar a posição 85.01 e confirmar a classificação 85.01.01.01. para TACOGERADOR DE CORRENTE CONTÍNUA. Sala das Sessões, 18 de outubro de 1999 MOACYR ELOY DE MEDEIROS 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.910714/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 13/12/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.575
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 13/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 14 /2 01 1- 46 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910714/201146 Acórdão n.º 3402004.575 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.148, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 13/12/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910714/201146 Acórdão n.º 3402004.575 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910714/201146 Acórdão n.º 3402004.575 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910714/201146 Acórdão n.º 3402004.575 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 15455.720051/2014-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2015
IPI. ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. EXTRAVIO. APROVEITAMENTO. DOCUMENTOS COMPROVADAMENTE NÃO-UTILIZADOS. ENTREGUES ANTERIORMENTE.
Na hipótese de não-utilização da autorização no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, poderá ser formalizado novo pedido pelo interessado; neste caso, a autoridade competente para a emissão da autorização da isenção de IPI para táxi poderá, a seu juízo, aproveitar os documentos já entregues pelo requerente, quando constatado o extravio destes, ainda mais que referido infortúnio não dependeu da vontade ou teve a participação do requerente ao benefício.
Numero da decisão: 3001-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. EXTRAVIO. APROVEITAMENTO. DOCUMENTOS COMPROVADAMENTE NÃO UTILIZADOS. ENTREGUES ANTERIORMENTE. Na hipótese de nãoutilização da autorização no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, poderá ser formalizado novo pedido pelo interessado; neste caso, a autoridade competente para a emissão da autorização da isenção de IPI para táxi poderá, a seu juízo, aproveitar os documentos já entregues pelo requerente, quando constatado o extravio destes, ainda mais que referido infortúnio não dependeu da vontade ou teve a participação do requerente ao benefício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vicepresidente) e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 45 5. 72 00 51 /2 01 4- 94 Fl. 165DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 133/149) contra o Acórdão nº 1456.483, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJRPO), da sessão de 29.01.2015 (fls. 126/128), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente (fl. 112), que, na ocasião, não reconheceu o direito à aquisição de veículo com isenção de IPI, para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi). Do Pedido de Isenção I À época, o requerente efetuou, à vista da documentação apresentada (fls. 03/16), pedido de reconhecimento à fruição da isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), na aquisição de automóvel destinado ao transporte autônomo de passageiros (táxi), por entender que preenchia os requisitos exigidos pela Lei nº 8.989 de 24.02.1995 e pela Instrução Normativa RFB nº de 22.12.2009 (fl. 02). Do Despacho Decisório I Em face da análise do referido requerimento, foi exarado, com base em parecer, abaixo reproduzido, o respectivo despacho decisório (fl. 54) e consequente "Autorização de Isenção de IPI para Táxi nº 2439/14" (fl. 56), que assim concluiu: Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª Região Fiscal. Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II DRF/RJO II. Divisão de Orientação e Análise Tributária DIORT/EQIPI. PROCESSO Nº : 15455720.051/201494 INTERESSADO : JOSE AUGUSTO VIEIRA MACHADO CPF Nº: 074.569.53708 Conferida a documentação à vista do determinado pela Instrução Normativa (IN) RFB nº 987/2009 (DOU de 23/12/2009), com as alterações da IN RFB nº 1.368/2013 (DOU de 28/06/2013) vigente à época da protocolização dos autos, proponho o DEFERIMENTO do pedido com lastro na referida IN bem como na Lei nº 8.989/95, de 24 de fevereiro de 1995 (e alterações posteriores). (...) De acordo com a informação supra, que aprovo e adoto, DEFIRO o pedido. Ao CAC CAMPO GRANDE para entrega de 01 (uma) via da AUTORIZAÇÃO ao interessado, mediante recibo aposto na SEGUNDA via. Após, encaminhese o processo para o Arquivo Digital/Rj, pelo prazo de 60 (sessenta) meses. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15455.720051/201494 Acórdão n.º 3001000.019 S3C0T1 Fl. 153 3 Do Extravio de Documentos A "CERTIDÃO DE OCORRÊNCIA Nº 1697/2014", exarada pela autoridade policial da Superintendência Regional no Estado do Rio de Janeiro do Departamento de Polícia Federal SR/DPF/RJ/MJ, dá conta do registro do histórico do plantão do dia 29.07.2014 para o dia 30.07.2014, onde o motorista da empresa Print Transportadora, noticiou o roubo ocorrido na referida data, por volta da 01:00, na BR040 (Petrópolis), tendo sido roubada a carga do caminhão que conduzia, conforme "Termo de Declarações nº 858/2014", no qual resta consignado, em síntese, que o caminhão VW 15190, de cor amarela e placa GFD 8804, ao ser abordado por um indivíduo negro, foi conduzido para o Rio de Janeiro, até o interior de uma favela às margens da Avenida Brasil, ocasião em que teve sua carga saqueada por outros, transportandoas para diversos veículos que se posicionaram, de imediato, ao redor do caminhão, e que, após referido assalto a mão armada, foi liberado pelos criminosos; que então ligou para seu superior para relatar o ocorrido, ocasião que este recomendou que se dirigisse a unidade policial mais próxima para registrar a ocorrência (fls. 72/73). O "BOLETIM DE OCORRÊNCIA Nº XXXXXX", exarado pela 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil e Betim/MG, de 15.08.2014, noticia que o solicitante compareceu à referida unidade policial para comunicar que no dia 13.07.2014 "foi roubado um caminhão da Empresa Brasileira de Correios no Estado do Rio de Janeiro, na Rodovia BR 040, município e Petrópolis RJ, e que junto a carga foi levado um malote com diversos documento da empresa Fiat Automóveis" (fls. 74/75). O "Comunicado da Fiat Automóveis Ltda. a seus Clientes e Fornecedores", publicado no periódico "O DIA", que circulou na quintafeira, 21.08.2014, expõe (fl. 66): A FIAT Automóveis LTDA vem a público comunicar a seus clientes, consumidores e fornecedores que em face do roubo dos malotes dos correios e telégrafos havido em assalto ocorrido no último dia 30 de julho de 2014, no município de Petrópolis a carga não foi até a presente data recuperada pelos responsáveis, e considerando que dentre elas encontravamse todas as documentações de consumidores adquirentes de veículos FIAT em categorias específicas, tornase necessária, com a devida urgência, a presença dos consumidores abaixo relacionados junto às concessionárias FIAT recebedoras dos pedidos de venda, para que sejam adotadas as devidas providências, visando a regularização das documentações extraviadas. (...) JOSÉ AUGUSTO VIEIRA MACHADO (...) Os "Controles Remessa de Malote", números de remessas 5549/5550, referentes ao Malote nº 053, informa os documentos nele constantes, cuja data de remessa é o dia 29.07.2014, procedente do Rio de Janeiro com destino Betim, porém, com a data de recebimento "em branco" (fls. 67/68). O "Relatório de Danos à Carga no Transporte RDCT", embasado no "Resumo de Operação de Linha" e no "Registro Diário de Viagens e Ocorrências", todos documentos emitidos pelos "CORREIOS", consigna que em "30 de Julho de 2014, às 0510h Fl. 167DF CARF MF 4 foi realizada, pelo empregado no final identificado, a apuração da carga transportada pelo veículo a seguir: Veículo Placa: GFD 8804 Transportadora: PRINT Motorista: Robson de Oliveira Scorza Nº da Linha de Transporte: LTN 30205 Data da Ocorrência: 30/07/2014, Tipo de Ocorrência com o veículo: Roubo de carga postal tendo sido subtraía toda a carga do interior do baú, Data do Registro da Ocorrência: 30/07/2014 Órgão Policial: DELDIA Praça Mauá Nº do Documento de Ocorrência: C.O. 1697/2014 e T.D. 858/2014 Local da Ocorrência: BR040, município e Petrópolis" (fls. 69/71). Do Pedido de Isenção II Pelo fato de já ter recebido, à época do primeiro requerimento, a via original da "Autorização de Isenção de IPI para Táxi nº 2439/14", em face dos acontecimentos acima mencionados, o requerente renova seu pedido de isenção para solicitar a emissão de uma nova autorização (2ª via) de isenção do IPI, "já que a montadora (FIAT) extraviou meus documentos" (fl. 60). Do Despacho Decisório II Em face da análise deste novo requerimento, foi exarado, com base em parecer, abaixo reproduzido, o respectivo despacho decisório (fls. 106/108), que assim concluiu: No caso em tela, o interessado requer a emissão de uma segunda via da Carta de Autorização alegando que a que ele recebeu em 23/07/2014 (fl. 56) teria sido extraviada por ocasião de roubo ao caminhão dos Correios ocorrido em 13/07/2014, conforme CERTIDÃO DE OCORRÊNCIA Nº 1697/2014, de fl. 72. Ocorre que a legislação que regula a isenção do IPI não prevê situação para emissão de uma segunda via da Carta. Ao contrário, estabelece que “em qualquer hipótese”, o prazo de 2 anos deverá ser observado para uma nova aquisição de veículo com isenção do IPI (inciso I, § 2º do art. 2º da IN RFB nº 987/2009, alterada pela IN RFB 1.368/2013) Isso posto, e Considerando tudo mais que do processo consta, Proponho o INDEFERIMENTO do pleito por falta de previsão legal para emissão de uma segunda via original da Carta de Autorização. À consideração superior. (...) Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª Região Fiscal. Delegacia da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro – DRF/RJO I. Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT. (...) DESPACHO DECISÓRIO Com fundamento no Parecer Conclusivo nº 070/2014, às fls. 106 a 107, que aprovo e adoto, o qual fica fazendo parte integrante Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15455.720051/201494 Acórdão n.º 3001000.019 S3C0T1 Fl. 154 5 deste Despacho Decisório, como se nele estivesse transcrito, DECIDO, por falta de previsão legal, INDEFERIR o Pedido de ISENÇÃO do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de veículo destinado ao transporte autônomo de passageiros (táxi), tendo em vista as razões expendidas no aludido Parecer. Cabe manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, contra o presente Despacho Decisório dirigida ao Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA. Dêse CIÊNCIA ao interessado deste Despacho Decisório. (...) Da Manifestação de Inconformidade Diante do não reconhecimento da isenção pleiteada, o recorrente apresentou, em 04.11.2014, perante a DRF/RJ2 / CACCAMPO GRANDE, manifestação de inconformidade, de próprio punho; que reproduzo: Eu, José Augusto Vieira Machado, venho por meio desta carta pedir ao senhor(a) encarecidamente atender ao meu pedido. Fui na Milocar Bangu comprar um rna Siena branco 1.6. A Milocar enviou meus documentos para a matriz da Fiat que fica em Minas Gerais, via Correios. Durante a viagem o caminhão dos Correios foi roubado e todos os documentos ali contidos foram extraviados. Peço ao senhor(a) que solicite um novo documento de Redução de IPI junto a Receita Federal para que eu possa dar entrada em um novo processo de compra do veículo. Segue anexo os documentos que comprovam o roubo do caminhão dos Correios emitidos pela 2ª Delegacia de Polícia Civil/Betim. Desde já agradeço a atenção! Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no Acórdão nº 1456.483, da 3ª Turma da DRJ/RPO, da sessão de 29 de janeiro de 2015, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2015 ISENÇÃO. TÁXI. REQUISITO. Fl. 169DF CARF MF 6 O benefício de isenção do IPI na aquisição de automóvel por condutor de táxi está condicionado à apresentação da autorização anteriormente concedida e não utilizada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Voto (...) Tratase de analisar manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu pedido de reconhecimento de isenção de IPI para aquisição de veículo destinado a taxista. Como visto, o pedido foi indeferido em razão da constatação de que a interessada não apresentou a via da autorização concedida no pedido anterior. A interessada aduz que a segunda via da referida autorização foi extraviada. (...) A Instrução Normativa (IN) RFB nº 987, de 22 de dezembro de 2009, art. 4º, IV, inserido pela IN RFB nº 1.368, de 26 de junho de 2013, art. 1º, estabelece como requisito para a concessão da isenção a apresentação da cópia da Nota Fiscal relativa à última aquisição de veículo com isenção ou a via(s) da autorização anteriormente concedida e não utilizada. Dessa forma, não pode a autoridade administrativa fazer interpretação extensiva, para admitir o extravio do documento que obrigatoriamente deve ser apresentado pela requerente, como requisito para obtenção da isenção. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Do Recurso Voluntário Irresignado, o requerente, por meio de seu procurador legalmente constituído, interpôs recurso voluntário, nos seguintes termos: (...) O requerente é taxista e, nessa condição, apresentou requerimento devidamente instruído à Receita Federal do Brasil para habilitarse no benefício de isenção do IPI na compra de veículos automotores, na forma prevista no art. 4º da IN RFB nº 987/2009. (...) Assim, em função do extravio da autorização concessória da isenção do IPI, o Requerente foi impedido de adquirir veículo com a isenção tributária deferida pela Receita Federal do Brasil. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15455.720051/201494 Acórdão n.º 3001000.019 S3C0T1 Fl. 155 7 Veja que já se passaram mais de 180 (cento e oitenta) dias sem que a autorização anteriormente concedida pela Receita Federal do Brasil fosse utilizada pela Requerente. E nem poderia ser diferente, já que essa foi extraviada em razão do roubo na carga do caminhão dos Correios que a transportava. E, nos casos em que a autorização não for utilizada no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, como é o caso dos autos, é permitido que o interessado formalize novo pedido de habilitação de benefício sem a necessidade de apresentar novamente os documentos listados no art. 4º da IN RFB nº 987/2009, aproveitandose a Autoridade da documentação já apresentada quando do primeiro pedido de habilitação. É o que dispõem os parágrafos 3º e 4º do art. 5º da referida Instrução Normativa, in verbis: (...) No caso ora em análise, é irrazoável não conceder a nova autorização em nome do Requerente ou exigir que esse apresente novamente toda a documentação necessária para a fruição do benefício, uma vez que esse já comprovou, no primeiro pedido, fazer jus ao benefício da isenção do IPI. Porém, por fato alheio à sua vontade e devidamente comprovado nos Boletins de Ocorrência acostado ao presente pedido (extravio do caminhão dos Correios), foi impedido de usufruir autorização anteriormente concedida no prazo de 180 (cento e oitenta) dias concedido pela legislação. (...) Destaquese a necessidade de que este procedimento tenha trâmite célere, já que o Requerente utilizará do veículo a ser adquirido como instrumento de trabalho, o que justifica a sua urgência no reconhecimento do seu direito à referida isenção do IPI. Nesses termos, pede deferimento. É o relatório. Voto Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme depreendese do "Despacho de Encaminhamento" exarado pela IPICACCGDDRFRJ2RJORJ, foi protocolado, via e processo, em 20.03.2015 (sextafeira). A ciência ao interessado da decisão de 1º (primeiro) grau, procedida pessoalmente (fls. 130/132), ocorreu em 04.03.2015 (quartafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto nº 7.574 de 29.09.2011, combinado com o artigo 33 do Fl. 171DF CARF MF 8 Decreto nº 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da presente peça recursal. Do Mérito A questão dos autos diz respeito à isenção de IPI para aquisição de táxi. Em face da manutenção do indeferimento do pleito, conforme decidido pela 3ª Turma da DRJRPO (fls. 126/128), a questão posta a apreciação desta Turma de Julgamento cingese em definir se a norma aplicável ao benefício de isenção do IPI na aquisição de automóvel por condutor de táxi condiciona que o requerente apresente a autorização anteriormente concedida e não utilizada, no prazo de mais de 180 (cento e oitenta) dias, ainda este faça prova de que a 1ª via da referida autorização foi extraviada, e mais, que o extravio do referido documento ocorreu por ato alheio a vontade ou participação do requerente. De plano, trago a ementa do Agravo de InstrumentoAI nº 856565 MG, do Supremo Tribunal FederalSTF, apenas no intuito de ilustrar quão pacífica é a jurisprudência que trata dos casos em que foi acometido, ainda que indiretamente, o requerente, haja vista que a vítima primeira do assalto foram os Correios, no sentido de não conferir, neste caso, negligência e/ou responsabilidade objetiva: 1. Tratase de agravo de instrumento contra decisão que indeferiu processamento de recurso extraordinário interposto de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, e assim do: APELAÇÃO EMPRESA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO RESPONSABILIDADE CIVIL ÔNIBUS ASSALTO À MÃO ARMADA TEORIA OBJETIVA NEGLIGÊNCIA DA TRANSPORTADORA INOCORRÊNCIA FORÇA MAIOR EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE CARACTERIZADA. Embora a culpa do transportador seja presumida, certo é que sua responsabilidade objetiva não se reveste de caráter absoluto, cedendo passo à comprovação da ocorrência de caso fortuito, o que implica na exclusão de sua responsabilidade civil. Pelos prejuízos decorrentes de assalto à mão armada, não responde a empresa concessionária do serviço público de transporte coletivo, eis que configurada, na hipótese, a ocorrência de motivo de força maior, inexistindo, em favor do prejudicado,qualquer direito à reparação dos danos extrapatrimoniais que alega ter suportado.”(fl. 259 vol. 2) Sustenta a parte recorrente, com fundamento no art. 102, III, a, violação aos arts. 5º, X, XXXII e XXXV, e 37, § 6º, da Constituição Federal. Apresenta preliminar formal e fundamentada de repercussão geral, na forma do art. 543A, § 2º, do CPC. Argúi, em síntese, que a questão dos autos ultrapassaria os interesses subjetivos da causa e que haveria, além de relevância jurídica, repercussão social. 2. Conquanto admissível o agravo, inviável o recurso extraordinário. Está no acórdão recorrido: (...) Logo, diante das lições de doutrina acima transcritas, evidenciase que, no caso dos autos, a excludente de responsabilidade civil, consistente no caso fortuito, restou plenamente caracterizada, pois o assalto à mão armada ocorrido era inevitável e irresistível e, para a sua existência, não laborou a ré com qualquer parcela de culpa, mormente quando o exercício do Poder de Polícia é atribuição do Estado e não da empresa transportadora. (…) O boletim de Fl. 172DF CARF MF Processo nº 15455.720051/201494 Acórdão n.º 3001000.019 S3C0T1 Fl. 156 9 ocorrência coligido à f. 4244 transcreve pormenorizadamente a ação dos meliantes, atestando que, em plena luz do dia, assaltantes munidos de arma de fogo adentraram o ônibus da ré, efetuando disparos, durante parada em um ponto para embarque de passageiros. Senão vejamos: (...) Destaco, ainda, trecho do relatório final do Inquérito Policial n. 003/2005, elaborado pelo Dr. Pedro Eustáquio de Melo, Delegado de Polícia que conduziu as investigações sobre o caso (f. 3436): (...) Sem dúvida alguma, há de se ter como fortuito externo a tese esposada pela apelante, ao assentar a sua defesa na impossibilidade de se evitar um assalto como o que foi praticado no ônibus de sua propriedade, que conduzia passageiros no sentido BH/Sete Lagoas.”(fls. 273 277 vol. 2) Diante da impossibilidade de, em recurso extraordinário, rever a Corte as premissas de fato em que, para decidir a causa, se assentou o Tribunal de origem, à luz da prova dos autos, é evidente que, para adotar outra conclusão, seria mister reexame prévio do conjunto fáticoprobatório, coisa de todo inviável (súmula 279). 3. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe seguimento (arts. 21, § 1º, do RISTF, 38 da Lei nº 8.038, de 28.5.90, 544, § 4º, II, b, e 557 do CPC). Publiquese. Int. Brasília, 30 de agosto de 2012. Ministro CEZAR PELUSO Relator (STF AI: 856565 MG, Relator: Min. CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 30/08/2012, Data de Publicação: DJe176 DIVULG 05/09/2012 PUBLIC 06/09/2012) Mais especificamente, temos o julgado proferido pela 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 976564/SP, de 20.09.2012, que trata especificamente da exclusão da responsabilidade civil dos Correios, em face do roubo de cargas, por conferirlhe motivo de força maior, vejamos sua ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CORREIOS. ROUBO DE CARGAS. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA. EXCLUSÃO. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. 1. A empresa de Correios é de natureza pública federal, criada pelo Decretolei n. 509/69, prestadora de serviços postais sob regime de privilégio, cuja harmonia com a Constituição Federal, em parte, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADPF n. 46/DF, julgada em 5.8.2009, relator para acórdão Ministro Eros Grau. Os Correios são, a um só tempo, empresa pública prestadora de serviço público em sentido estrito, e agente inserido no mercado, desempenhando, neste caso, típica atividade econômica e se sujeitando ao regime de direito privado. 2. Destarte, o caso dos autos revela o exercício de atividade econômica típica, consubstanciada na prestação de serviço de "recebimento/coleta, transporte e entrega domiciliar aos destinatários em âmbito nacional" de "fitas de vídeo e/ou material promocional relativo a elas", por isso que os Correios se sujeitam à responsabilidade civil própria das transportadoras de carga, as quais estão isentas de indenizar o dano causado na hipótese de força maior, cuja extensão conceitual abarca a ocorrência de roubo das mercadorias transportadas. 3. A força maior deve ser entendida, atualmente, como espécie do gênero fortuito externo, do qual faz parte também a culpa exclusiva de terceiros, os quais se Fl. 173DF CARF MF 10 contrapõem ao chamado fortuito interno. O roubo, mediante uso de arma de fogo, em regra é fato de terceiro equiparável a força maior, que deve excluir o dever de indenizar, mesmo no sistema de responsabilidade civil objetiva. 4. Com o julgamento do REsp. 435.865/RJ, pela Segunda Seção, ficou pacificado na jurisprudência do STJ que, se não for demonstrado que a transportadora não adotou as cautelas que razoavelmente dela se poderia esperar, o roubo de carga constitui motivo de força maior a isentar a sua responsabilidade. 5. Recurso especial provido. Feita essa singela digressão pela jurisprudência que trata do tema que indiretamente atentou contra o pedido de isenção formulado pelo recorrente, trago à colação o disposto no artigo 5º da Instrução Normativa RFB nº 987, de 22.12.2009 (vigente à época), por ser suficiente para a solução do litígio e atendimento do pleito recursal ora em debate: CAPÍTULO III DA CONCESSÃO Art. 5º O Delegado da DRF ou da Derat, se deferido o pleito, emitirá, em três vias, autorização para que o interessado adquira o veículo com isenção do IPI, na forma do Anexo VII, VIII, ou IX, conforme o caso, sendo que as duas primeiras vias serlheão entregues, mediante recibo aposto na terceira via, a qual ficará no processo. § 1º Os originais das duas vias referidas no caput serão entregues pelo interessado ao distribuidor autorizado, com a seguinte destinação: I a 1ª (primeira) via será remetida pelo distribuidor autorizado ao estabelecimento industrial ou equiparado a industrial; e II a 2ª (segunda) via permanecerá em poder do distribuidor. § 2º O prazo de validade da autorização referida no caput será de 180 (cento e oitenta) dias contados da sua emissão. § 3º Na hipótese de nãoutilização da autorização no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, poderá ser formalizado novo pedido pelo interessado. § 4º Havendo novo pedido, a autoridade de que trata o parágrafo único do art. 1º poderá, a seu juízo, aproveitar os documentos já entregues à RFB. § 5º O beneficiário da isenção deverá enviar à DRF ou à Derat: I cópia da Nota Fiscal relativa à aquisição do veículo até o último dia do mês seguinte ao da sua emissão, ou II as duas vias originais da autorização, no caso de não utilização das mesmas, no prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do fim do prazo de validade da autorização. § 6º A cópia da Nota Fiscal ou as duas vias da autorização referidas no § 5º serão anexadas ao processo, que será arquivado somente após este procedimento. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15455.720051/201494 Acórdão n.º 3001000.019 S3C0T1 Fl. 157 11 § 7º A falta de apresentação dos documentos de que trata o § 5º ensejará a aplicação da multa por falta de cumprimento de obrigação acessória prevista na forma dos arts. 508 e 509 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi/2002). Poderíamos enveredarmos pela trilha da não responsabilização do requerente, haja vista que a jurisprudência é uníssona em sequer atribuíla a empresa que se encarregou do transporte dos seus documentos, conforme antes se viu dos excertos colacionados; e, com isto, concluirse, sem óbice, que ao requerente seria dado o direito a usufruir do benefício, ainda que em face do extravio, que é fato inconteste, da "Autorização de Isenção de IPI para Táxi nº 2439/14", mediante a confirmação da existência da 2ª via, à qual o interessado assentou o recebimento de uma das vias da referida autorização (fl. 54). Porém, sequer se faz necessário tal digressão, pois o que o interessado pleiteia é o direito à formalização de novo pedido de habilitação de benefício "sem a necessidade de apresentar novamente os documentos listados no art. 4º da IN RFB nº 987/2009" aproveitandose a Autoridade da documentação já apresentada quando do primeiro pedido de habilitação", e isso, conforme verificase da exegese da norma regulamentadora, acima reproduzida, é plenamente cabível, na medida em que os parágrafos 3º e 4º do art. 5º da referida Instrução Normativa dispõe que "na hipótese de nãoutilização da autorização no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, poderá ser formalizado novo pedido pelo interessado" e em "havendo novo pedido, a autoridade de que trata o parágrafo único do art. 1º poderá, a seu juízo, aproveitar os documentos já entregues à RFB". Dito isto, analisandose os documentos juntados aos autos, verificase que o requerente, além de não ter dado causa ao extravio, embora sequer, na hipótese dos autos, tal fato o impeça de perquirir seu direito, ainda preencheu todos os requisitos exigidos quando da formulação do requerimento à autoridade administrativa competente para a compra do veículo com isenção do IPI, tanto que na ocasião obteve pronto deferimento do pleito. De se ver, nesse caso, a legislação foi interpretada de forma incorreta. Realmente, a mens legis, ao conceder a isenção, visa facilitar a aquisição do automóvel por parte daqueles que sobrevivem dos ganhos obtidos no transporte de passageiros. Não olvidando que os termos da norma isentiva devem ser interpretados de forma restrita (art. 111, II, do CTN). Assim, entendo que deve ser reformada a decisão de primeira instância, para julgar procedente o pedido do interessado, no sentido de conferirlhe o direito de formalizar novo pedido de habilitação do benefício isentivo em questão, aproveitandose, por óbvio, a documentação já apresentada quando da formulação do pedido de habilitação original. Da Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e lhe dar provimento. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Fl. 175DF CARF MF 12 Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35067.001494/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 06 7. 00 14 94 /2 00 7- 34 Fl. 428DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 35067.001494/200734 Acórdão n.º 2202004.284 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902212/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2002
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.700
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-11-08T15:22:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-11-08T15:22:03Z; Last-Modified: 2017-11-08T15:22:03Z; dcterms:modified: 2017-11-08T15:22:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-11-08T15:22:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-11-08T15:22:03Z; meta:save-date: 2017-11-08T15:22:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-11-08T15:22:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-11-08T15:22:03Z; created: 2017-11-08T15:22:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2017-11-08T15:22:03Z; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-11-08T15:22:03Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.902212/201288 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.700 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria PER/DCOMP PIS/COFINS Recorrente ANHAMBI ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2002 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 12 /2 01 2- 88 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.902212/201288 Acórdão n.º 3402004.700 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06041.737, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.902212/201288 Acórdão n.º 3402004.700 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.902212/201288 Acórdão n.º 3402004.700 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.902212/201288 Acórdão n.º 3402004.700 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.902212/201288 Acórdão n.º 3402004.700 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.902212/201288 Acórdão n.º 3402004.700 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.902212/201288 Acórdão n.º 3402004.700 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000062/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. ALTERAÇÃO REGIMENTAL SUPERVENIENTE.
Incabível a exigência de atendimento a requisitos estabelecidos com base no Ricarf aprovado pelas Portarias MF nºs 343, de 2015, e 152, de 2016, em face de Recurso Especial interposto à luz do Ricarf anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009.
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Incabível a conversão em diligência para julgamento em conjunto com outros processos, já que todos eles terão a oportunidade de ser examinados pela Instância Especial, cuja missão primordial é exatamente dirimir divergências jurisprudenciais.
IRPF. SÚMULA CARF 67. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LANÇAMENTO DECORRENTE DE AMPLO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO.
Incabível a aplicação da Súmula CARF 67 aos lançamentos de APD quando restar comprovado por "Demonstrativo da Variação Patrimonial" e ainda por meio de outros meios de prova existência de incremento patrimonial do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Patrícia da Silva, que não conheceram do recurso. Acordam, ainda, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de conversão do julgamento em diligência, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que votaram pela diligência para eventual julgamento conjunto com os recursos especiais nos processos 18471.000061/2007-71, 18471.000064/2007-17, 18471.000065/2007-59 e 18471.000063/2007-60. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento e quanto à prejudicial de conversão do julgamento em diligência, a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. ALTERAÇÃO REGIMENTAL SUPERVENIENTE. Incabível a exigência de atendimento a requisitos estabelecidos com base no Ricarf aprovado pelas Portarias MF nºs 343, de 2015, e 152, de 2016, em face de Recurso Especial interposto à luz do Ricarf anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Incabível a conversão em diligência para julgamento em conjunto com outros processos, já que todos eles terão a oportunidade de ser examinados pela Instância Especial, cuja missão primordial é exatamente dirimir divergências jurisprudenciais. IRPF. SÚMULA CARF 67. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LANÇAMENTO DECORRENTE DE AMPLO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO. Incabível a aplicação da Súmula CARF 67 aos lançamentos de APD quando restar comprovado por "Demonstrativo da Variação Patrimonial" e ainda por meio de outros meios de prova existência de incremento patrimonial do contribuinte.
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. ALTERAÇÃO REGIMENTAL SUPERVENIENTE. Incabível a exigência de atendimento a requisitos estabelecidos com base no Ricarf aprovado pelas Portarias MF nºs 343, de 2015, e 152, de 2016, em face de Recurso Especial interposto à luz do Ricarf anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Incabível a conversão em diligência para julgamento em conjunto com outros processos, já que todos eles terão a oportunidade de ser examinados pela Instância Especial, cuja missão primordial é exatamente dirimir divergências jurisprudenciais. IRPF. SÚMULA CARF 67. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LANÇAMENTO DECORRENTE DE AMPLO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO. Incabível a aplicação da Súmula CARF 67 aos lançamentos de APD quando restar comprovado por "Demonstrativo da Variação Patrimonial" e ainda por meio de outros meios de prova existência de incremento patrimonial do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Patrícia da Silva, que não conheceram do recurso. Acordam, ainda, por maioria de votos, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 00 62 /2 00 7- 15 Fl. 886DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 887 2 rejeitar a prejudicial de conversão do julgamento em diligência, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que votaram pela diligência para eventual julgamento conjunto com os recursos especiais nos processos 18471.000061/200771, 18471.000064/200717, 18471.000065/2007 59 e 18471.000063/200760. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento e quanto à prejudicial de conversão do julgamento em diligência, a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Auto de Infração para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002 e 2003, exercícios 2003 e 2004, incluindo multa de ofício e juros de mora. Entre as infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhada no Termo de Constatação de Infração (efls. 286 e ss), consta a caracterização de acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de janeiro, agosto e dezembro de 2002, caracterizado por excesso de aplicações sobre origens, em decorrência de remessas realizadas para o exterior em dólares. No que tange à movimentação de recursos no exterior há de se esclarecer que os fatos trazidos aos autos foram apurados em nome do Sr. Aldir Raposo Martins durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. Vale mencionar que a fiscalização iniciouse me momento posterior ao falecimento do contribuinte principal, representando este processo parte do crédito apurado, o qual foi desmembrado entre os respectivos herdeiros do de cujus. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 888 3 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, efls. 315, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou parcialmente procedente o lançamento, sendo que na parte na parte que nos interesse concluiu o Redator do voto vencedor haver a fiscalização apresentado provas suficientes que justificassem a remessa de recursos ao exterior como aplicações de recursos para fins de apuração de APD. Cientificado da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário. A 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, nos termos do voto vencedor, deu provimento parcial ao recurso, para excluir da apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD) do exercício de 2003 a remessa de recursos ao exterior no valor de U$60.000,00 e para cancelar a multa de ofício aplicada ao exercício de 2004. Na conclusão do voto entendeuse que ao caso se aplicaria a Súmula CARF nº 67/2010. O Acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A ausência do MPF ou a falta da prorrogação do prazo nele fixado não se constitui ato essencial à validade do lançamento e não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. MULTA DE OFÍCIO 75%. LANÇAMENTO EM NOME DE HERDEIROS. INAPLICABILIDADE. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 889 4 Conforme legislação vigente, o lançamento não comporta multa de ofício de 75% quando o crédito tributário é constituído em nome dos herdeiros após a homologação da partilha. Recurso Voluntário Provido em Parte Contra decisão a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial. Citando como paradigmas os acórdãos 9202002.492 e 280100.245, a divergência foi assim resumida: Enquanto o acórdão recorrido afastou a exigência sob o argumento da fragilidade da prova apresentada pelo Fisco, o acórdão paradigma não cogitou essa possibilidade mantendo o lançamento sob o fundamento de que o ônus da prova nesses casos cabe ao contribuinte. Contrarrazões do contribuinte requerendo o não conhecimento do recurso e o julgamento conjunto deste processo com os demais lavrados contra os outros herdeiros do contribuinte principal. No mérito, requer a manutenção do julgado. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Nos termos do relatório, tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que entendeu não configurada a infração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto por ausência de provas. O exame de admissibilidade, assim caracterizou a divergência: Como se vê, as decisões comparadas se basearam nas provas dos autos, o que, regra geral, impede que a diferença das decisões sirva como fundamento para recurso especial. Entretanto, a Recorrente alega que os fatos são muito similares, e que, a partir de provas muito semelhantes, chegouse a conclusões opostas. Em análise das decisões comparadas, verificase que, além de analisarem fiscalizações oriundas do “Caso Banestado”, os elementos probatórios examinados nos paradigmas e recorrido, em especial o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro, elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal, são muito semelhantes, porém as decisões chegaram a conclusões distintas. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário por considerar que o Fisco não se desincumbiu de seu ônus probatório. Já os paradigmas entenderam que Fisco se desincumbiu do ônus de Fl. 889DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 890 5 tornar evidente o fato constitutivo evidenciado nos autos. Resta, portanto, patente a divergência jurisprudencial alegada. Assim, considerando que os paradigmas foram proferidos por Colegiados diferentes daquele do presente processo e não foram reformados, proponho o seguimento do Recurso Especial da PFN. Como bem colocado pela Recorrida, o recurso especial de divergência não se presta a análise de provas, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma terceira instância, mas sim instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. E é com base nessa premissa da segurança jurídica que este Colegiado tem entendido que em situações excepcionais e desde que se tenha demonstrado a semelhança umbilical entre os fatos analisados pelo acórdão recorrido e paradigma é possível a interposição de recurso especial para dirimir o conflito, evitandose assim que situações iguais tenham resultados diversos. De toda forma, ainda que o recurso tenha sido admitido neste ponto, vale mencionar que o acórdão recorrido de forma expressa cancelou o lançamento sob dois fundamentos: ausência de provas e pela aplicação da Súmula CARF nº 67. Vale transcrever parte do voto vencedor: Desta forma, temse que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que o de cujus realizou as remessas de recursos ao exterior, de modo que tais valores – correspondentes à remessa de recursos ao exterior, devem ser excluídas do demonstrativo de variação patrimonial a descoberto. ... E mais, ainda que se admitisse que o de cujus efetivamente tivesse realizado a remessa de recursos ao exterior, no valor de US$ 60.000,00, estarseia diante da hipótese prevista na Súmula CARF nº 68, abaixo transcrita: 'Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.' Veja que a remessa de recursos ao exterior equivale a uma transferência bancária, de modo que sua inclusão em demonstrativo de apuração de acréscimo patrimonial somente poderia ser admitida, caso restasse comprovado nos autos a destinação dos recursos remetidos ao exterior. Ou seja, a autoridade fiscal teria ainda que demonstrar que tal remessa foi consumida em gastos, aquisições ou aplicações. Sem tal comprovação, a remessa de recursos ao exterior não pode compor planilha de apuração de acréscimo patrimonial. Ocorre que o Recurso Especial não faz qualquer objeção ao uso da Súmula CARF nº 67 pelo colegiado a quo. Ainda que as matérias possam estar relacionadas fato é que Fl. 890DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 891 6 essa última não foi objeto de recurso, até mesmo pela ausência de cumprimento dos requisitos formais para interposição de recursos contra acórdãos que aplicam súmulas. Via de regra, nos termos do art. 67 da então Portaria nº 256/2009, não caberia recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplicasse súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF; mesmo impedimento que consta no atual Regimento Interno. Nessas circunstâncias, conforme previsto no "Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial", perfeitamente aplicável ao caso, embora o recurso não possa ser utilizado como meio para se discutir o conteúdo da súmula utilizada, ele poderá ser admitido nas hipóteses em que o recorrente tenha como objetivo rediscutir se caberia ou não a aplicação da decisão sumulada ao caso enfrentado. Vale citar as explicações do Manual: 2.2.2 Utilização de Súmula do CARF Caso o acórdão recorrido tenha adotado entendimento de Súmula dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso, este não pode ter seguimento, relativamente à matéria sumulada (§ 3º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015). Nesta hipótese de negativa de seguimento não cabe Agravo (art. 71, §2º, inciso VI, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação da Portaria MF nº 152, de 2016). Pode ocorrer, no entanto, de o recorrente questionar a aplicabilidade da súmula ao caso do acórdão recorrido. Nesta situação, o recurso pode ser admitido, desde que o paradigma, posterior à edição da súmula e tratando de situação similar à do recorrido, deixe de aplicar o entendimento nela veiculado, justificando tal posicionamento. Isto porque, se o paradigma não veicula justificativa para a adoção de entendimento contrário à Súmula CARF, sujeitase à vedação contida no art. 67, §12, inciso III, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Observamos, portanto, que o presente recurso não cumpriu os requisitos. O acórdão paradigma 2801.00.245 foi proferido em 21/09/2009, data anterior a aprovação da súmula que se deu em 29/11/2010, já o acórdão 9202002.492, embora proferido após a súmula, não traz em seu inteiro teor qualquer justificativa para não aplicação do entendimento sumulado. Assim, considerando que não foram cumpridos os requisitos específicos para interposição de recurso especial contra acórdão cuja fundamentação tenha sido pela aplicação de súmula, nos termos do Manual de Admissibilidade de Recurso Especial, deixo de conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Da Conversão em Diligência para o Julgamento em Conjunto: Fl. 891DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 892 7 Em sede de contrarrazões o Contribuinte reitera seu pedido de que o presente processo seja julgado em conjunto com os processos lavrados contra os demais herdeiros. Vejamos a manifestação neste sentido: Conforme mencionado quando da análise do conhecimento, estamos diante de processos cujos fatos geradores apurados são decorrentes da mesma atividade de fiscalização, guardando entre eles uma semelhança umbilical que justificaria, a meu ver, a reunião para o julgamento em conjunto. Embora não haja previsão regimental neste sentido, com base no princípio da segurança jurídica o qual inclusive me levaria a conhecer do recurso se não fosse o outro obstáculo mencionado no tópico anterior e considerando a ausência de prejuízo as partes ora envolvidas, julgo pertinente acolher o pedido de diligência para determinar o julgamento conjunto com os recursos especiais nos processos 18471.000061/200771, 18471.000064/200717, 18471.000065/200759 e 18471.000063/200760. Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento e quanto o encaminhamento de julgamento em conjunto dos processos, passo ao mérito cujo objeto é a discussão acerca da aplicabilidade da Súmula CARF nº 67 ao caso concreto. Conforme mencionado no relatório, tratase de auto de infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física lavrado em razão da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. Consta do TVF que a ação fiscal teve como base, entre outros dispositivos, os art. 55, XIII, 806 e 807 do Decreto nº 3.000/99 RIR: Art.55.São também tributáveis: ... XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, Fl. 892DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 893 8 tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art.806.A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, §1º). Art.807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. O acórdão recorrido, analisando o lançamento entendeu pela aplicação da Súmula CARF nº 67, fato contestado pela Fazenda Nacional em seu recurso especial. Referida súmula possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Para melhor interpretação do seu texto, se faz essencial analisarmos o teor dos acórdãos de derem origem a aprovação da súmula que conforme consta no sítio deste Conselho seriam as decisões: CSRF/0104.603, acórdão nº 10617.156, acórdão nº 10615.820, acórdão nº 10419.123 e acórdão nº 10417.359. Todos os acórdãos, julgando lançamentos de IR sobre acréscimo patrimonial a descoberto concluíram ser essencial que a autoridade fiscal demonstre o efetivo ganho patrimonial do contribuinte, não se admitindo a presunção da sua existência por meio da análise de meras transferências bancárias, recebimento de depósitos e emissão de cheques. Salvo melhor juízo, para os citados julgados tais lançamentos somente subsistem se restar comprovado um incremento patrimonial, afinal 'acréscimo patrimonial' denota a idéia de uma riqueza nova a qual se caracteriza pelo excesso verificado entre todos os investimentos e despesas efetuados pelo contribuinte na obtenção desses novos ingressos em seu patrimônio. É em razão disso e com base no art. 55, XIII, 806 e 807 do Decreto nº 3.000/99 RIR que se exige que os lançamentos de APD sejam precedidos pela demonstração da evolução mensal patrimonial do contribuinte com base no seu 'fluxo de caixa' e ainda que haja outros elementos que corroborem com os indícios 'bancários' apurados pela fiscalização. Entre os acórdãos que deram origem à súmula, vale citar a conclusão dos acórdãos 10417.359, 10419.123 e 10617.156. No primeiro acórdão a relatora, conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, nos explica que não há qualquer impropriedade no lançamento de APD quando o levantamento se Fl. 893DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 894 9 dá por meio do confronto entre 'origens/receitas' e 'aplicações/despesas', pois o sujeito passivo tem conhecimento da acusação, da infração tipificada, dos itens que a compõe, das provas levantadas pelo fisco podendo e devendo exercer seu direito de defesa por meio da apresentação de provas; de toda forma, deixa claro que a Fazenda não pode se furtar a comprovar a existência concreta do fato gerador. Neste cenário, derrubou parte do lançamento que tributava APD com base exclusivamente em cheques emitidos, extratos e depósitos bancários tidos como prova bastante da omissão de rendimentos e não apenas como indício a ser investigado e corroborado com outros elementos probatórios que autorizassem, em conjunto, a formação da convicção. No outro acórdão que deu origem à Súmula, o de nº 10419.123, o relator bem delimitou o caso: Não caberia a afirmação de que o lançamento no caso concreto não se baseara exclusivamente em extratos bancários (emissão de cheques), data vênia, improcede posto que não foi trazida aos autos nenhuma prova, ou sequer fortes indícios, de que o contribuinte realizara operações cujos resultados omitira ao fisco, depositados em sua conta corrente bancária Tudo não passou de presunção. E de presunção não autorizada por lei. De qualquer sorte, afigurase inegável, apesar da tributação ter origem em demonstrativos conhecidos por "fluxo de caixa", "fluxo financeiro" e "demonstrativos de origens e aplicações de recursos", "demonstrativos de evolução patrimonial", etc, que a origem da base de cálculo do tributo tomou exclusivamente como objeto de apuração os cheques emitidos (sem investigação) como renda consumida. Ora, tal procedimento que já não encontrava respaldo na jurisprudência do Egrégio Tribunal Federal de Recursos, foi definitivamente afastado pelo Decreto lei n.° 2.471, de 1988. Por fim, vale a análise do acórdão 10617.156 cujos acontecimentos fáticos se deram nas mesmas circunstâncias do lançamento ora analisado caso BANESTADO. No caso lá analisado além do fiscal ter deixado de realizar o confronto com base no 'fluxo de caixa' (conflito entre os recebidos e as aplicações mensais) do contribuinte, entendeu também o Colegiado que as provas eram frágeis; o fiscal no entendimento do colegiado sem qualquer apuração de ganho efetivo utilizouse exclusivamente das informações de remessa de divisa para o exterior à margem do sistema financeiro como prova robusta da ocorrência do fato gerador o que motivou o cancelamento do auto de infração. Importante transcrever parte do voto: A base de cálculo tributável teve origem em transações financeiras efetuadas em contas mantidas nos bancos americanos JP Morgan Chase/Beacon HillChello, Merchants Bank, Lespan Tbl e MTB Hudson Bank, nas quais o recorrente figuraria como ordenante de tais transações. A autoridade autuante converteu cada transação pela taxa de conversão US$/Reais (disponível no sisbacen PTAX) da data da operação, tributando cada valor como omissão de rendimentos, em decorrência de variação patrimonial não respaldada por rendimentos declarados. Como consectário do imposto autuado, Fl. 894DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 895 10 foi lançada a multa de oficio de 150%, já que o AuditorFiscal entendeu que a conduta do recorrente se subsumiu àquela do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. De plano, a autoridade autuante não poderia, simplesmente, considerar que as transações atribuídas ao recorrente seriam a base de cálculo do imposto lançado, como se o contribuinte não tivesse recursos declarados para fazer frente às remessas a si atribuídas. Ora, é cediço que a apuração da infração denominada "Acréscimo Patrimonial a Descoberto" deve ser feita a partir da metodologia de fluxos de caixa mensais, confrontando as origens (rendimentos declarados de todas as origens) com as aplicações de recursos (dispêndios efetuados pelo contribuinte). Assim procedendo, no mês em que as aplicações excederem as fontes de recursos, surge o acréscimo patrimonial a descoberto. Ocorre que a fiscalização assim não procedeu, considerando as meras transações como excesso de aplicações. Não houve qualquer confronto entre as origens e aplicações de recursos, não se podendo dizer, então, em que mês ocorreu o eventual excesso de aplicações sobre as fontes de recursos, ou se efetivamente houve acréscimo patrimonial a descoberto ao cabo de quaisquer dos anoscalendário em debate, já que a autoridade não solicitou esclarecimento sobre as origens de recursos e demais dispêndios do contribuinte, confrontandoos, aplicações e fontes, como exigido pelo art. 806 c/c o art. 807 do Decreto n°3.000/99. E acrescenta: No caso aqui em debate, as transferências em bancos norte americanos, imputadas ao contribuinte, foram consideradas como aplicação de recursos. Para tanto, seria necessário que a autoridade autuante comprovasse como tais transferências beneficiaram o recorrente, quer por consumo, quer por aumento patrimonial, isso, repisese, superando as questões anteriores da fragilidade probatória e da ausência do confronto das origens com as aplicações. Ocorre que não há qualquer prova nos autos demonstrando que o contribuinte tenha se beneficiado das remessas em debate, na via do consumo ou da aplicação de recursos. Observamos, portanto, que a súmula foi editada em um cenário onde a fiscalização de forma equivocada, diante da simples não comprovação pelo contribuinte da origem de valores apurados em razão de informações bancárias, utilizavase de uma presunção cuja aplicabilidade deveria estar acompanhada da existência de outros elementos que levassem a conclusão da ocorrência de um incremento patrimonial. Ou seja, a súmula não afasta a possibilidade de que transferências bancárias sejam classificadas como aplicações de recurso, o que ela veda é que somente essa informação sirva como razão para sustentar lançamento de APD. Partindose dessa premissa nos resta apurar se no caso ora julgado haveria espaço para aplicação da Súmula CARF nº 67. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 896 11 Na parte que nos interessa, o fato gerador atribuído ao contribuinte como acréscimo patrimonial restou caracterizado pela fiscalização em razão da remessa de valores pra contas bancárias de instituições financeiras localizadas no exterior. Tomouse como informações os dados compartilhados entre a Receita Federal do Brasil, a Polícia Federal e órgãos do Poder Judiciário em investigação que ficou conhecida como operação BANESTADO. Diante dos dados analisados pela fiscalização o APD foi assim apurado: Remessa para o exterior Outros dispêndios Conforme informação extraída da documentação constante da Representação Fiscal nº. 3172/05 (fls. ) que registra uma remessa de divisas, da qual o contribuinte seria o ordenante/beneficiário, através de ordem identificada no valor de US$ 60.000,00 (sessenta mil dólares americanos), efetuada em 16/08/2002 (fls), considerando o Laudo nº. 1033/04INC de Exame EconômicoFinanceiro elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Policia Federal (fls), onde está apontada transação em que o Contribuinte em tela aparece como ordenante/beneficiário de divisas, através das contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova York por BHSC Beacon Hill Service Corporation, Agent for Midler Corp., ficou constatado que a origem dos recursos utilizados nesta transação não ficou comprovada pelo Contribuinte, apesar de devidamente intimado e reintimado. O contribuinte foi intimado, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 07/08/2006 (fls.) e reintimado através do Termo de ReIntimação Fiscal lavrado em 24/08/2006 (fls. ) a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, apurados com base em Laudo Pericial Federal nº. 1033/04INC, emitido pelo Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Policia Federal. onde fica identificada transação em que o contribuinte acima qualificado aparece como ordenante/beneficiário de remessa de divisas para o exterior no valor de US$ 60.000,00 (sessenta mil dólares americanos), em 16/08/2002, conforme transferência nº. 398550022FS, para débito de conta mantida no Dresdner Bank Lateinamerika AG, e a crédito de subconta mantida no Banco Chase de Nova York por Beacon Hill Service Corporation, Agent for Midler Corp. Conforme respostas às Intimações, apresentadas por escrito pelo contribuinte em 18/08/2006 e em 29/08/2006 (lis. ), a inventariante, responsável legal pelo espólio do contribuinte , declara desconhecer tal operação. em virtude do óbito da pessoa envolvida ter ocorrido em 23/12/2003. conforme atestado (fls.), sem entretanto comprovar a origem dos recursos remetidos. Dessa forma, elaboramos a planilha do Demonstrativo de Variação Patrimonial (das Origens e das Aplicações) (fls. ), apurada mensalmente através do confronto dos valores que correspondem aos ingressos e às saídas de recursos, incluindo como dispêndio ocorrido o valor de R$ 189.672,00 (cento e oitenta e nove mil e seiscentos e setenta e dois reais), referente a remessa, em 16/08/2002. de US$ 60.000,00 (sessenta mil dólares americanos), convertida para reais pela cotação do dólar fixado Fl. 896DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 897 12 por Ato Declaratório Cosi, para o mês da movimentação, com base nos artigos 5° e 6° da Lei 9250/95, onde fica constatado excesso de dispêndios sobre as origens, caracterizando omissão de rendimentos. (...) Feito o "Demonstrativo da Variação Patrimonial" fundada nas informações coletadas pela fiscalização, revelouse a titularidade de rendimentos auferidos e não submetidos à tributação no importe de US$ 60.000,00. E quanto a este ponto vale destacar a manifestação do Conselheiro Relator do acórdão recorrido as quais tomo como razões de decidir: Cumpre ressaltar todo o trabalho feito nas investigações acerca da sujeição passiva do interessado, minuciosamente, detalhada no acórdão recorrido cujos excertos principais transcrevo: (...fl. 329 verso e seguintes) A fim de subsidiar a ação fiscal, a Equipe Especial de Fiscalização encaminhou a Representação Fiscal n" 3172/05 à Superintendência Regional da 7ª Região Fiscal (fl. 24), na qual foram relacionados os seguintes documentos: Laudo Pericial Federal elaborado para cada conta/subconta onde foram localizadas as transações, relação/transcrição das operações em que o Sr. Aldir aparece como beneficiário, ordenante e/ou remetente de divisas. A fl. 25, consta a descrição da operação da remessa de US$60.000,00 ao exterior, na qual figura o nome do Sr. Aldir como ordenante. Em complemento, às fls. 26 a 38 foi juntado o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro, elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal, onde restam explicitados, em detalhes, todos os procedimentos adotados no curso da investigação. A impugnante restringiu sua argumentação de mérito em alegar que os documentos acostados não são hábeis à comprovação das operações por deixarem dúvidas quanto à autenticidade. E que, dessa forma, não restaria comprovada a materialidade e autoria do ilícito. O presente trabalho fiscal teve origem em investigações anteriores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A Equipe Especial de Fiscalização (Portaria SRF n° 463/04), devidamente autorizada por decisão judicial, emitiu a Representação Fiscal n° 3172/05, descrevendo as operações em que a pessoa física "Aldir Raposo Martins, CPF n° 041.424.38700, aparece como ordenante das remessas, por meio da conta "MIDLER n° 530765055", administrada por "Beacon Hill Service Corporation BHSC". A empresa "Beacon Hill Service Corporation BSHC" foi identificada como intermediária de diversas ordens de pagamento. Sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, ela atuava como preposto bancáriofinanceiro de Fl. 897DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 898 13 pessoas físicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do "JP Morgan Chase Bank", administrando contas ou subcontas específicas, entre as quais a subconta nº 530.765.055, denominada MIDLER CORP. S.A. Assim, embora o contribuinte alegue que não existem provas de que seja ele o responsável pelas remessas, essa não é a verdade dos autos, como se viu, pelo que as provas acostadas são suficientes para comprovar a transferência a ele atribuída e a omissão de rendimentos. Ressalto que a atividade fiscal é vinculada. Diante do ilícito, instituído em lei deve a autoridade cobrar mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Foi o que ocorreu nesse caso, diante das provas levantadas pela Representação Fiscal nº 03172/05, a autoridade procedeu o lançamento. Por sua vez, o autuado, teve totais condições de esclarecer o contrário, inclusive se apresentando junto a instituição financeira competente para esclarecer um possível equívoco de sujeição passiva mas preferiu em todas as fases processuais apenas alegar a ilegitimidade. Diante de tantos argumentos que sustentam a autuação deveria o contribuinte ter indicado fatos, argumentos e provas atestando a impossibilidade da sujeição passiva mas não o fez, apenas alega sem juntar nenhum documento que indique que ele não e a mesma pessoa discriminada na remessa dos US$60,000.00. Neste cenário, diante das provas juntadas aos autos, e considerando que o presente lançamento, como dito acima, é resultado de um amplo aparato de investigação que envolveu diversos órgãos nacionais e estrangeiros, tendo sido deflagrada grande operação de movimentação de recursos à margem do sistema financeiro nacional com a participação de centenas de contribuintes, concluo pela inaplicabilidade da Súmula CARF nº 67 ao caso concreto. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 898DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 899 14 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, bem como relativamente à necessidade de conversão do julgamento em diligência. Quanto ao conhecimento do recurso, minha discordância diz respeito à parte em que o voto da Relatora aplica o Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial para justificar a vedação do apelo à Instância Especial. O Recurso Especial ora analisado foi interposto em 16/07/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 840), portanto na vigência do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Por outro lado, o Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial que se pretendeu aplicar ao presente caso, foi aprovado pela Portaria CARF nº 56, de 2016, na versão vigente a partir de setembro de 2017. Dito Manual foi elaborado com base no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e alterações posteriores, inclusive as promovidas pelas Portarias MF nºs 152, de 2016, e 329, de 2017. Assim, ao tempo da interposição do Recurso Especial ora tratado, em 2014, não havia qualquer ato administrativo adicional, vinculando ou estabelecendo procedimentos específicos atinentes aos Recursos Especiais, portanto não há como exigirse da Recorrente o cumprimento desses requisitos, àquela época. Corroborando esse entendimento, esclareçase que os requisitos relativos aos Recursos Especiais abordando matéria sumulada, transcritos no voto da Ilustre Conselheira Relatora como óbices ao conhecimento do apelo, foram inseridos no Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, na versão vigente a partir de setembro de 2017, tendo em vista basicamente o disposto na Portaria MF nº 152, de 2016, que passou a prever o requerimento de Agravo: "Art. 71. Cabe agravo do despacho que negar seguimento, total ou parcial, ao recurso especial. § 1º O agravo será requerido em petição dirigida ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de cinco dias contado da ciência do despacho que lhe negou seguimento. § 2º O agravo não é cabível nos casos em que a negativa de seguimento tenha decorrido de: (...) VI observância, pelo acórdão recorrido, de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, bem como das decisões de que tratam os incisos I a III do § 12 do art. 67, salvo Fl. 899DF CARF MF Processo nº 18471.000062/200715 Acórdão n.º 9202006.269 CSRFT2 Fl. 900 15 nos casos em que o recurso especial verse sobre a não aplicação, ao caso concreto, dos enunciados ou dessas decisões." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No que tange à preliminar de conversão do julgamento em diligência, tal providência objetivaria a análise conjunta do presente processo com os de nºs 18471.000061/200771, 18471.000064/200717, 18471.000065/200759 e 18471.000063/200760, que teriam origem na mesma ação fiscal. O principal argumento seria a garantia da segurança jurídica. De plano, esclareçase que, como bem reconheceu a Relatora, não existe determinação regimental no sentido da reunião dos processos para julgamento conjunto. Ademais, o Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais é justamente o remédio processual apto a garantir a segurança jurídica, já que é nessa instância que as divergências jurisprudenciais são dirimidas. Ora, se cada um dos processos acima citados tramitou em separado, não haveria porque sobrestar o julgamento de um deles para tratamento em conjunto com os demais, já que todos eles terão a oportunidade de ser examinados pela mesma Instância Superior. Não se pode perder de vista que o Recurso Especial constitui apelo de cognição restrita à demonstração de divergência jurisprudencial, de sorte que qualquer pleito deve ser acompanhado de paradigmas que demonstrem o alegado dissídio. Com efeito, nessa fase processual não há mais que se falar em requerimentos com vistas a retardar o trâmite processual, mormente quando se trata de Recurso Especial interposto pela parte adversa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, rejeito a preliminar de conversão do julgamento em diligência e, no mérito, acompanhando a Relatora, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 900DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.000100/2006-18
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2004
NULIDADES. LANÇAMENTOS TRIBUTÁRIOS.
Não padecem de vícios os lançamentos tributários realizados em estrita observância às normas tributárias. NULIDADES. DECISÃO.
Não padece de vício a decisão administrativa que apreciou as razões de direito e de fato trazidas em impugnação e documentos acostados aos autos.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A tributação erguida sobre a presunção legal de omissão de receitas, evidenciada por créditos bancários cuja origem o contribuinte não justifica, só pode ser ilidida mediante comprovação com documentos hábeis e idôneos de que os valores não constituem receitas omitidas à tributação.
ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-000.569
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
preliminar, afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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LANÇAMENTOS TRIBUTÁRIOS. Não padecem de vícios os lançamentos tributários realizados em estrita observância às normas tributárias. NULIDADES. DECISÃO. Não padece de vício a decisão administrativa que apreciou as razões de direito e de fato trazidas em impugnação e documentos acostados aos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A tributação erguida sobre a presunção legal de omissão de receitas, evidenciada por créditos bancários cuja origem o contribuinte não justifica, só pode ser ilidida mediante comprovação com documentos hábeis e idôneos de que os valores não constituem receitas omitidas à tributação. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova invertese e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora. Fl. 1DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa foi autuada a recolher IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, com os pertinentes acréscimos legais, no valor de total de R$ 83.586,44, relativos aos quatro trimestres de 2003, consoante se verifica dos Autos de Infração juntados às fls. 09 a 38 e demonstrativos de fls. 39 a 41. O Termo de Constatação Fiscal explica que a empresa, optante à época pelo regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado – Simples, intimada a apresentar a contabilidade ou o Livro Caixa, apresentou os Livros Diário e Razão, sem, no entanto, estes espelharem a movimentação bancária real da empresa. A referida movimentação realizada nas contas bancárias mantidas nos Bancos do Brasil (ag. 950, c/c n. 17.3460) e Unibanco (ag. 040, c/c n. 11.2867) não foram escrituradas nos livros contábeis. Os extratos bancários foram entregues pela fiscalizada em resposta a Termo de Intimação Fiscal e encontramse às fls. 382 a 447. Intimada regularmente a justificar a discrepância entre a movimentação financeira e as receitas declaradas e a escriturar as referidas contas bancárias, a empresa respondeu à fiscalização que a contabilidade estava completa e que competia à fiscalização cotejar as movimentações bancárias com os livros contábeis – fls. 465 a 478. A fiscalização então intimou a empresa a justificar a origem dos créditos bancários (após abater as devoluções de cheques) efetuados nestas contas bancárias mantidas à margem da contabilidade. A empresa apresentou uma planilha relacionando algumas Notas Fiscais aos valores depositados nas contas e alegou dificuldades em justificar os depósitos – fls. 500 e 501. A fiscalização analisando as justificativas procedeu à elaboração de novos demonstrativos analíticos de créditos, excluindo valores de resgates de aplicações financeiras, estornos, devolução de cheques, poupança, ourocap e valores de receitas lançadas em duplicidade relativas aos dias 01 a 29/08/2003. Quanto aos valores espelhados nas Notas Fiscais apresentadas a empresa não logrou comprovar a relação causal entre os documentos e os créditos nas contas bancárias (sequer valores e datas). Também não apresentou recibos, boletos ou outros documentos bancários que justificassem os ingressos bancários e a consideração dos valores nas receitas já declaradas. Destarte, foram lavrados os Autos de Infração atacados neste litígio administrativo, com fulcro no artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que disciplina a omissão de receitas apurada por presunção, evidenciada em créditos bancários não justificados quanto à sua origem. Fl. 2DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000100/200618 Acórdão n.º 180100.569 S1TE01 Fl. 2 3 Esclareçase que a fiscalização constatou que a empresa extrapolou os limites legais da receita bruta auferida no anocalendário de 2002 para permanecer no Simples, sendo excluída desta sistemática pelo Ato Declaratório Executivo n. 27/06, expedido pela Delegacia que a jurisdiciona. Todavia, esta matéria é objeto do processo administrativo n. 10840.000924/200671. A empresa foi autuada a recolher os tributos federais relativos ao ano calendário de 2002, sobre diferenças apuradas de ofício, observada a sistemática do Simples, sendo também esta matéria objeto de outro processo administrativo – n. 15956.000099/2006 21. Por conseguinte o presente processo trata das exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, cujas bases de cálculo foram arbitradas a partir dos indícios das omissões de receitas extraídos dos já citados extratos bancários, apenas no que concerne ao anocalendário de 2003. Inconformada com as autuações, a empresa apresentou a impugnação de fls. 739 a 748. Aproveito trechos do relatório do Acórdão n. 1418.851/08 exarado pela Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 831 a 835, para sintetizar as alegações trazidas pela autuada: “Cientificada dos lançamentos em 20/09/2006, a contribuinte não se conformou e por intermédio de seus procuradores legalmente constituídos, apresentou a impugnação de fls. 739/748 alegando, em síntese, que sempre emitiu notas fiscais e que as operações de venda foram devidamente registradas em livro próprios, lançadas à época de suas vendas e não do seu efetivo pagamento, de forma que não se pode falar em omissão de receita, mesmo porque movimentação financeira não representa receita, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes, e que no caso teria ficado fartamente comprovado que a movimentação financeira é decorrente de pagamento parcelado de produtos e equipamentos, recuperação de crédito junto a exclientes, bem como pagamento feito com atraso de produtos e ainda resgate de aplicações financeiras. Contestou a exclusão do Simples alegando não ter ficado comprovado que a movimentação bancária é decorrente de omissão de receita. Alegou ser absurda a imposição da exigência tributária sem levar em consideração os valores já recolhidos pela sistemática do Simples.” O aresto em questão manteve parcialmente os lançamentos tributários, determinando a compensação dos valores lançados com aqueles recolhidos pela contribuinte ainda que pela sistemática do Simples. Extraio trechos que demonstram como restou justificado o votocondutor: “O lucro foi arbitramento com fundamento no art. 530, II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR199), em virtude da impossibilidade de apuração do lucro real pela não apresentação dos documentos e livros fiscais e contábeis. Da tributação com base em depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. A primeira questão a ser analisada é a tributação dos depósitos bancários de titularidade da empresa, não escriturados e de origem não comprovada, os quais serviram de base para o lançamento que se deu com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração da Lei n° 9.481, de 1997, in verbis: Fl. 3DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 [...] A partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n°9.430, de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, conforme dispositivo legal já transcrito. Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o Fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção juris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. É o que se depreende da leitura do artigo 334 do Código de Processo Civil, cujos preceitos aplicamse subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal: [...] As presunções estão, desde há muito, incorporadas à nossa ordem jurídica. Por meio delas, estabelece a lei, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos baseandose, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade , que ocorrida determinada situação fática, podese presumir, até prova em contrário — esta a cargo do contribuinte , a ocorrência da omissão de receitas. Exemplos de hipóteses de presunção legais são aquelas incorporadas ao art. 281 do RIR/99 (mas que desde há muito estão incluídas na legislação fiscal): [...] Portanto, a existência de depósitos bancários não escriturados ou com origem não comprovada é, por si só, nos anoscalendário fiscalizados, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário. Não o fazendo, é lícito concluir que se tratam de receitas tributáveis não incorporadas àquelas registradas na escrituração. [...] Tivesse a autuada escriturado a movimentação bancária ou, ao menos, demonstrado serem os depósitos provenientes de outras fontes que não receitas tributáveis, ou mesmo de receitas contabilmente registradas e, portanto, incluídas na declaração de rendimentos, não teria o fisco, por certo, considerado serem os depósitos representativos de receita omitida. E, como dos autos, seja durante o procedimento fiscal, seja na fase impugnatória, a contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento que pudesse justificar a origem dos depósitos objeto da autuação, nem mesmo que comprovasse suas alegações. [...] A partir dos efeitos da exclusão, ou seja, a partir de 01/01/2003, a contribuinte passou a ficar sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme prevê o art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996. Fl. 4DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000100/200618 Acórdão n.º 180100.569 S1TE01 Fl. 3 5 Por essa razão, agiu corretamente o Fisco intimando a contribuinte a apresentar a escrituração contábil e fiscal (Diário, Razão, Livro de Registro de Entradas e de Saídas, LALUR, Demonstrativo da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, DACON e DCTF) de forma a permitir a apuração do lucro real relativo ao anocalendário de 2003. Não tendo a contribuinte apresentado os documentos solicitados a fiscalização procedeuse corretamente ao arbitramento do lucro com fulcro no art. 530, II, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto n° 3.000, de 29 de março de 1999), abaixo transcritos: [...]” (grifos não pertencem ao original) Tempestivamente, a empresa apresentou o Recurso Voluntário1 reprisando as argüições iniciais, que sintetizo: I) a empresa sempre emitiu Notas Fiscais correspondentes às vendas; apresentou farta colheita de provas desde a impugnação e informou ter recebido valores referentes à recuperação de crédito de clientes inadimplentes, pagamento parcelado de produtos e equipamentos, pagamentos em atraso de produto e resgates de aplicações financeiras; II) discorre sobre a exclusão do Simples; III) ataca os lançamentos tributários por haverem se erguido sobre meras presunções não apresentando qualquer prova da suposta omissão de receitas apurada; IV) os valores de créditos bancários cuja origem resta demonstrada e comprovada – conforme item I acima – não podem ser tributados, pois são valores já oferecidos à tributação quando as vendas foram realizadas, e não nas datas dos efetivos recebimentos, estando tudo registrado na contabilidade, não constituindo receitas novas; V) a fiscalização não apresentou provas irrefutáveis de que os créditos bancários constituem receitas provenientes de vendas ou prestação de serviços realizadas pela empresa, sendo que baseouse em “medíocre presunção”,tampouco há inversão de ônus da prova, conforme alega a turma julgadora de primeira instância; e insiste que o Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) segue o entendimento esposado pela defesa; VI) a simples movimentação bancária não comprova a obtenção de receitas e as informações prestadas pela empresa foram ignoradas; VII) os valores e alíquotas lançados nos Autos de Infração não guardam relação com o determinado pelos artigos 5o e 23 da Lei n. 9.317/96; os Autos não tem capitulação legal das infrações tributárias; resta caracterizado o cerceamento de defesa; VIII) tanto os Autos de Infração são nulos, como o acórdão ora atacado pois não levaram em consideração os esclarecimentos e as relevantes provas apresentadas pela empresa, mais uma vez tendo seu direito de defesa cerceado; 1 Este recurso foi originalmente anexado indevidamente às fls. 560 a 594 do processo nº 15956.000099/200621, devendo ser extraído e juntado ao presente. Foi lido na integralidade poe esta relatora, no eprocesso. Fl. 5DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 IX) o recurso interposto contra o ADE de exclusão ainda não foi definitivamente julgado, razão pela qual os lançamentos não poderiam ter sido efetuados. É o suficiente para o relato. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. Primeiramente, cumpre esclarecer que o litígio instaurado neste processo restringese à exigência de tributos federais, cujas bases de cálculo foram apuradas pelo lucro arbitrado, relativos ao anocalendário de 2003. Não serão apreciadas neste decisório, portanto, as argumentações trazidas no recurso voluntário sobre a exclusão do Simples da empresa, nem sobre as autuações concernentes ao anocalendário de 2002, por consistirem matérias estranhas a este processo. Das Prejudiciais A recorrente entende que os lançamentos tributários objetos deste processo não poderiam ter sido realizados em vista do processo administrativo de exclusão do Simples estar ainda sob julgamento, sem decisão transitada em julgado. De fato, a recorrente era optante do Simples havendo entregue DSPJ relativa ao anocalendário de 2003 e efetuando os recolhimentos dos tributos consoante esta sistemática. Todavia, o Ato Declaratório Executivo (ADE) emitido para a exclusão da recorrente do regime de tributação favorecido, diferenciado e simplificado, pela sua natureza administrativa, goza desde a sua expedição da presunção de legitimidade e os seus efeitos surtem a partir do anocalendário subseqüente, no caso vertente. A partir do termo a quo, definido na norma tributária e reproduzido no referido ADE, portanto, a empresa está sujeita às mesmas normas a que se sujeitam as empresas que estão obrigadas ao Lucro Real. Não apurando o Lucro Real, compete à autoridade fazendária apurar o Lucro Arbitrado da empresa para quantificar as bases de cálculos sobre as quais incidirão os tributos devidos. Daí que, a despeito dos tributos objeto deste processo estarem sendo exigidos fora da sistemática do Simples (para o anocalendário de 2003) , por decorrer o presente procedimento fiscal da exclusão do Simples, não há razão para os lançamentos tributários não serem realizados. A uma, porque isto poderia implicar na perda do direito do fisco constituir o crédito tributário (decadência), dano irreparável à Administração Tributária; a duas, porque, se decidido estarem corretos os lançamentos, a exigibilidade do crédito ora constituído restará suspensa até que o processo de exclusão do Simples esteja findo. Portanto, a decisão sobre o cabimento da exigência tributária na esfera administrativa, ainda que de forma definitiva e em favor da Fazenda Nacional, não acarreta dano à recorrente se a exclusão do Simples não resistir ao embate jurídico e for decidido no processo administrativo n. 10840.000924/200671 que a empresa pode permanecer na referida sistemática de apuração de tributos. Fl. 6DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000100/200618 Acórdão n.º 180100.569 S1TE01 Fl. 4 7 Ademais, não há previsão legal para sobrestar o julgamento de processo administrativo fiscal. Afasto a prejudicial suscitada pela recorrente pelo litígio em questão não ser dependente da decisão proferida em outro processo administrativo, embora a vinculação deste àquele surtirá efeitos quanto à exigibilidade dos créditos tributários ora discutidos. Das Preliminares. Não vejo as nulidades apontadas pela recorrente no caso em concreto. A recorrente alega que nem a fiscalização, nem a turma julgadora de primeira instância apreciaram as provas que foram acostadas aos autos, ou admitiram as suas explicações, que, a seu ver, justificam a origem dos créditos tributários e antecedente tributação dos valores. No entanto, a fiscalização ao lavrar os Autos de infração explicita no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 726 a 733, que os esclarecimentos apresentados pela empresa careceram de documentação comprobatória, in verbis: “Em 27/03/2006, a empresa apresentou em resposta(fls.500/501) somente uma planilha com a indicação de alguns números de notas fiscais referentes às operações de depósitos/créditos junto ao Banco do Brasil, perfazendo somas aproximadas de RS 33.540,00(ano 2002) e R$ 22.520,00(ano 2003), valores estes bem inferiores aos valores totais depositados em suas contas correntes (AC 2002: R$ 533.678,48 ; AC 2003: R$ 600.723,84) No entanto, deixou de apresentar quaisquer documentos de recebimento (recibo, boleto bancário, Doc, Ted etc ) que vinculassem os depósitos às respectivas notas fiscais emitidas pela contribuinte. Muitos dos números das notas fiscais indicadas em sua justificativa para comprovar as origens de recursos, não apresentavam relação em data e valores com os depósitos e créditos de sua conta bancária. Na justificativa da não apresentação das origens de recursos dos depósitos e créditos em conta bancária, a contribuinte mencionou a dificuldade de encontrálos tendo em vista que às vezes eram dados descontos em função de algum problema ocorrido, tais como avaria no transporte, frete não incluso na mercadoria, pedido parcialmente incorreto etc. Informou também que não conseguiu encontrar até o momento, relação de outros bancos onde constem as justificativas para tais depósitos, prometendo assim que forem encontrados os mesmos poderiam ser apresentados.” (grifos não pertencem ao original) Observo também que a fiscalização delineou neste termo os valores que foram efetivamente justificados pela empresa e que constatou não consistir em receitas, tais como aplicações financeiras, estornos, devoluções de cheques etc Da mesma forma, no aresto vergastado restou esclarecido que a empresa não apresentou quaisquer documentos que comprovassem a origem dos valores creditados nas contas bancárias em questão: Fl. 7DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 “E, como dos autos, seja durante o procedimento fiscal, seja na fase impugnatória, a contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento que pudesse justificar a origem dos depósitos objeto da autuação, nem mesmo que comprovasse suas alegações. Nesse momento cabe recordar um brocardo jurídico que se aplica à situação que está sendo apreciada: "Allegatio et non probattio, quasi non allegatio" que significa que "quem alega e não prova, se mostrará como se estivesse calado ou que nada alegasse". Ou seja , não basta questionar graciosamente os argumentos do fisco, deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos. Acrescentese que a impugnação, a qual instaura a fase litigiosa do procedimento, deve, nos termos do art. 15 do Decreto n ° 70.235, de 6 de março de 1972, ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, o que não ocorreu no caso em tela. Apesar das oportunidades, tanto na fase de fiscalização quanto na fase de impugnação, a interessada não trouxe aos autos prova da origem dos depósitos bancários, o que respalda o procedimento fiscal, pois configurado está a materialização da hipótese legal. (grifos não pertencem ao original) Desta forma, concluo que os esclarecimentos e razões de defesa da autuada foram devidamente abordados pelas autoridades administrativas, tanto de julgamento quanto do procedimento fiscal, em nada podendo suscitar cerceamento de defesa. O mesmo em relação à argüição descabida de que nos Autos de Infração não há capitulação legal das infrações tributárias. Não só há nos textos dos próprios Autos – quadro “Enquadramento Legal” – como já havia sido alertada a recorrente das infrações e sujeições às normas especificadas no Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 465 e 466, como, ainda, foram repetidas as normas aplicadas no Termo de Encerramento Fiscal de fls. 726 a 734. Afastadas, portanto, as alegações de nulidade dos Autos de infração, bem como de nulidade do Acórdão por preterido o direito de defesa da recorrente. Do Mérito Em tudo adoto as razões de decidir da turma julgadora a quo. O colegiado de primeira instância minuciosamente explicou à recorrente as alterações no direito tributário advindas com a edição do artigo 42 da Lei n. 9.430/96, dispositivo que deixo de reproduzir por já ter sido feito no acórdão. Torno a tecer considerações, no mesmo diapasão, a respeito das presunções legais, declarando, de pronto, que a fiscalização de longe agiu por mera presunção (ou presunção simples) e sobre a quem compete o ônus da prova no caso das referidas presunções descritas nas normas tributárias. As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador, no caso, a obtenção de receita. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilícito tributário. Situação deveras conhecida, semelhante à ora analisada, é a constatação do saldo credor do caixa – esta situação é materialmente impossível de ocorrer: se a pessoa jurídica não possui dinheiro em caixa, não poderá fazer o pagamento de despesas. Como pode, então, registrar a contabilidade que a despesa foi paga, sem o respectivo numerário? Fl. 8DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000100/200618 Acórdão n.º 180100.569 S1TE01 Fl. 5 9 A situação é tão absurda, que a norma tributária presume o óbvio: em algum momento houve a omissão de receitas. A norma tributária se incumbe de declarar o indício da omissão: é o saldo credor do caixa. Semelhantemente ocorre com o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O numerário depositado em conta bancária, não justificado pelo contribuinte interpelado, constitui omissão de receita. Saliento, por oportuno, que a fiscalizada foi regularmente intimada a justificar os créditos, individualmente, relacionados. Todavia, a simples alegação de que valores são pertinentes a vendas parceladas, recuperações de créditos ou outros fatos concernentes a vendas passadas e cujas receitas já foram oferecidas à tributação sem os elementos correspondentes comprobatórios, documentação idônea e hábil (ou seja compatível com datas e valores) não servem para ilidir a tributação realizada. E, como já relatado, não há nos autos documentos capazes de justificar as origens dos créditos tributários que compuseram as bases de cálculo dos valores exigidos nos Autos de Infração. Não há que se falar em acréscimo patrimonial real, mas presumese a omissão de receitas, já que o contribuinte não comprova que a origem daqueles valores são diversos da obtenção de receita advinda da atividade empresarial, evadida, pois, da tributação. Novamente, notase a seguinte situação excepcional: uma pessoa, jurídica ou física, ao ser fiscalizada, possui ingressos, em conta bancária, em valores superiores àqueles informados ao fisco, como no presente caso (ou não registrados na contabilidade). A norma tributária determina, na verificação desta hipótese, que não sendo demonstrada a origem daquele numerário pressupõese que constitui receita omitida (o fato gerador da obrigação tributária). E a prova, a lei expressamente o declara, caberá ao contribuinte. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. E a autoridade fiscal colheu as provas dos indícios enunciados na norma tributária: os créditos tributários – não da presunção, em si, pois esta já está declarada como ilícito, pela própria norma. A presunção, por conseguinte, erguese sobre indícios que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Art.239.Considerase indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: depósitos não justificados ⇒ omissão de receitas; saldo credor de caixa ⇒ omissão de receitas; passivo fictício ⇒ omissão de receitas, e assim por diante. Fl. 9DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 As presunções enunciadas na norma tributária não são absolutas (juris et juris). São presunções legais relativas (juris tantum) o que significa que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regra geral relativa ao ônus da prova (pertinente ao fisco). A propósito, o artigo 42 não traz qualquer inovação ao ordenamento jurídico quanto à inversão do ônus da prova. Em todos os casos em que a lei expressamente declare a presunção, o ônus da prova é invertido e, na seara tributária, há muitos casos de presunções legais. Assim dispõem os artigos 925 e 926 do RIR/99: Ônus da Prova Art.924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º). Destarte, irrelevante para a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, no lançamento tributário, a identificação da origem dos ingressos nas contas bancárias ou estabelecerse qualquer nexo com o faturamento da empresa, ou outro objeto. E com fulcro no artigo 926 acima reproduzido, quem tem o dever de provar que a origem dos valores depositados em conta de sua titularidade não provêm da obtenção de receitas (fato gerador), até então omitidas, é o sujeito passivo da obrigação tributária. Somente justificando o ingresso de numerários, com documentação hábil, pode ilidir a presunção legal tributária de omissão de receitas. Não o fazendo, repito, entende se ser mera alegação, inapta para ilidir a tributação contra si imposta. Com relação à argüição de alíquotas dos tributos exigidos não guardarem relação com aquelas determinadas pela Lei n. 9.317/96, por não se tratar o presente processo de autuação pela sistemática do Simples, é totalmente infundada, devendo referenciarse a outro processo administrativo. Concluo, por todo o exposto, que os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração de fls. 09 a 38 (IRPJ e tributação reflexa, causada pela omissão de rendas) foram realizados em estrito cumprimento às normas tributárias vigentes e devem ser mantidos na sua integralidade. Voto em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 10DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000100/200618 Acórdão n.º 180100.569 S1TE01 Fl. 6 11 Fl. 11DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1217.14524.YOOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH em 11/07/2011 17:11:48. Documento autenticado digitalmente por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH em 11/07/2011. Documento assinado digitalmente por: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH em 11/07/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/12/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.1217.14524.YOOX Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0AC8B3C7D3AFDB8333537EBDEB3F3F7057B16338 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15956.000100/2006-18. 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