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Numero do processo: 10830.008888/99-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para sanar o vício apontado e rerratificar o Acórdão nº 9303-002.777, de 22 de janeiro de 2014, nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para sanar o vício apontado e rerratificar o Acórdão nº 9303002.777, de 22 de janeiro de 2014, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 88 /9 9- 03 Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303003.350 CSRFT3 Fl. 1.247 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão da CSRF nº 9303002.777, de 22 de janeiro de 2014, sob o argumento de que teria ocorrido “suposta contradição” no acórdão embargado. A ementa da decisão embargada possui a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 1996, 1997, 1998 Laudos Técnicos. Presunção. A presunção que milita em favor dos laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres limitase aos aspectos de natureza técnica, afetos às suas respectivas áreas de competência. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano calendário:1996, 1997, 1998 CLASSIFICAÇÃO FISCAL A mercadoria comercialmente denominada "centrifugadora de roupas", conforme identificada nos autos, classificase nos códigos 8421.19.9900 (exercício de 1996) e 8421.19.90 (nos exercícios de 1997 e 1998) que correspondem à identificação genérica “8421” Centrifugadores, incluídos os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases”, e às sub identificações específicas “19” e “90” “ outros”. REP Negado e REC Provido A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração ao Acórdão nº 9303 002.777, sob os seguintes argumentos: Consta no dispositivo do r. acórdão, verbis: '(...) II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (...)' Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial da Contribuinte e dou provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer parcialmente a multa de ofício no percentual de 75%, que deverá incidir sobre os fatos geradores ocorreram em data posterior à incorporação. Henrique Pinheiro Torres (...)' Outrossim, a d. Conselheira Relatora Designada não contraditou o entendimento do d. Conselheiro Relator Originário. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303003.350 CSRFT3 Fl. 1.248 3 ‘(...) CONCLUSÃO Assim, diante do acima exposto, VOTO no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da contribuinte, de forma a cancelar a exigência imposta, eis que correta a sua classificação fiscal. Maria Teresa Martínez López (...) Assim, salvo engano, o dispositivo do r. acórdão está em manifesta contradição com o v. voto condutor do r. acórdão a respeito do recurso especial da Embargante. PEDIDO Posto isso, a FAZENDA NACIONAL requer o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Tratase de análise de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional. Há de se observar que os embargos são apenas um meio formal de integração do ato decisório, pelo qual se exige do seu prolator uma sentença ou acórdão complementar que opere a dita integração. Consta do voto vencido do Conselheiro Henrique Torres: Cabe a este Colegiado, portanto, decidir acerca de dois pontos: a classificação fiscal dos produtos denominados “extratores centrífugos” e, se mantida a diferença de tributos, a incidência de multa desagravada sobre tais diferenças. (...) Nessa linha, cabe restabelecer parcialmente a exigência de multa sobre as diferenças de imposto decorrentes do erro de classificação dos produtos denominados extratores centrífugos, que será fixada em 75%. De fato, o i. relator (voto vencido) assim se posicionou no início da sessão: Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial da Contribuinte e dou provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer parcialmente a multa de ofício no percentual de 75%, que deverá incidir sobre os fatos Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303003.350 CSRFT3 Fl. 1.249 4 geradores ocorreram em data posterior à incorporação. (destaques, não do original) Por evidente equívoco, deveria, com a devida vênia, uma vez vencido na matéria principal (recurso do contribuinte), ter alterado o seu voto, de forma a refletir o expressado na votação. Uma vez dado provimento ao recurso do contribuinte (cancelada a exigência fiscal, em face da devida classificação fiscal), e sendo esta a única matéria em discussão sobre o qual a multa é analisada, correta a conclusão final "negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional" (incidência de multa desagravada sobre diferenças) conforme, reitero, resultado assim reproduzido: Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López; e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. No entanto, para ser explícito o que implícito está, melhor que se REGISTRE como integrante do acórdão ora embargado, que prejudicado (neste caso NEGADO) a análise do recurso especial da Fazenda Nacional, em face da conclusão do Colegiado de que acertado está a classificação fiscal dos produtos denominados “extratores centrífugos”. Conclusão: Diante do exposto, voto para acolher os Embargos, de forma a esclarecer que uma vez provido o Recurso especial do contribuinte, NEGADO está o recurso especial da Fazenda Nacional, em razão de sua prejudicialidade. Maria Teresa Martínez López Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13607.000385/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS.
Para que se considere o rendimento tributável, oriundo da atividade de serviço de transporte de passageiros, somente 60% do total recebido, é necessário, dentre outros requisitos, que a execução do transporte seja realizada exclusivamente pelo proprietário, ou locatário, do veículo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS. Para que se considere o rendimento tributável, oriundo da atividade de serviço de transporte de passageiros, somente 60% do total recebido, é necessário, dentre outros requisitos, que a execução do transporte seja realizada exclusivamente pelo proprietário, ou locatário, do veículo. Recurso Voluntário Negado
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TRIBUTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS. Para que se considere o rendimento tributável, oriundo da atividade de serviço de transporte de passageiros, somente 60% do total recebido, é necessário, dentre outros requisitos, que a execução do transporte seja realizada exclusivamente pelo proprietário, ou locatário, do veículo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 03 85 /2 00 3- 89 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13607.000385/200389 Acórdão n.º 2201002.908 S2C2T1 Fl. 89 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/BHE(Fls. 38), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra Vicente de Paula Pinto, CPF 249.648.59649, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04 a 11, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 3.346,17, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até março de 2003. Conforme consta do Auto de Infração, o lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, fls. 17 a 19, entre os quais foram alterados os seguintes valores: rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas de R$ 1.767,00 para R$21.967,00 e imposto de renda retido na fonte (IRRF) de R$0,00 para R$ 825,00. Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: arts. 1o a 3o da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. 1o a 3o da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990; arts. 3o, 11 e 32 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Cientificado em 28/03/2003 (Aviso de Recebimento, AR, à fl. 21), em 23/04/2003, o contribuinte apresenta a impugnação de fl. 01, instruída com os documentos de fls. 02 e 03, argumentando, em síntese, que prestava serviços de transporte para a Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves e não recebeu o comprovante de rendimentos tempestivamente. Assim, ao fazer sua declaração, optou por informar recebimento de rendimentos tributáveis de pessoas físicas. Além disso, só sessenta por cento do valor informado pela Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves à Secretaria da Receita Federal deve ser tributado no ajuste anual. A pedido desta julgadora (fl. 26), a fonte pagadora Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves foi intimada a ratificar ou retificar as informações constantes da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). Em resposta, foram juntados os documentos de fls. 31 e 32, confirmando o pagamento de rendimentos tributáveis no total de R$ 20.200,00, com retenção de imposto de renda no montante de R$ 825,00. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13607.000385/200389 Acórdão n.º 2201002.908 S2C2T1 Fl. 90 3 Confirmado o efetivo rendimento tributável auferido pelo contribuinte e seu respectivo imposto retido, ratificase o lançamento com base na documentação constante dos autos. Cientificado em 17/01/2007 (Fls. 44), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 07/02/2007 (fls. 50), argumentando: (...) I Os Fatos O mesmo consta com a prestação de serviço de automotivos(caminhão) sendo que o mesmo recebeu o comprovante para declaração de IRPF da prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves MG, da seguinte forma rendimentos tributáveis 40% e rendimento isentos e não tributáveis 60%, só que declararam a D1RF completa sem rendimentos isentos e não tributáveis, conforme a legislação em vigor; no primeiro auto de infração ou notificação entregue na Delegacia da Receita Federal de Pedro Leopoldo em 23/04/2003, foi relatado a situação e anexo provas; mesmo a prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves MG, recebendo a intimação para retificar a DIRF do ano de referencia 2000 em relação ao mesmo acima citado, ela não deu ciência da intimação. II O Direito II.1 PRELIMINAR Fica o mesmo acima citado lesado por motivo que em 17/01/2007 recebeu a intimação para efetuar o pagamento do imposto de renda do período com multa e juros legais, sendo que o mesmo não e devedor deste valor, por motivo que o erro e da prefeitura municipal de Ribeirão das Neves MG, em declara a DIRF do ano 2000 com o valor total, sem rendimento isento e não tributáveis. II. 2 MÉRITO O mérito que tenho e que não estou errado, mas a prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves MG, esta sem corpo físico adequado para informar tais declarações, até a presente data, conforme que ate hoje não fez a retificação que foi solicitada. ( Anexar as provas, comprovante da mesma enviado para declara). (...) Em 21 de setembro de 2009, (Fls. 62) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência no sentido do retorno dos autos à DRFB de origem, para que a repartição de origem solicitasse da Prefeitura de Ribeirão das Neves, cópia do contrato que embasou o pagamento dos rendimentos ao interessado, no ano calendário de 2000. Respondida a diligência (Fls.73 a 79), o interessado foi intimado da resposta em 16/06/2011 (Fls.82). Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13607.000385/200389 Acórdão n.º 2201002.908 S2C2T1 Fl. 91 4 Em 11/02/2015 (fls. 87), os autos foram distribuídos, por sorteio, a este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como se observa do relatório, a infração objeto da autuação foi a apontada omissão de rendimentos recebidos da Pessoa Jurídica Municipal de Ribeirão das Neves, (CNPJ 18.314.609/000109), e se refere, especificamente, a rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício. Em defesa, alega o contribuinte que se trata de rendimentos provenientes de serviço de automotivos(caminhão) e que o mesmo recebeu o comprovante para declaração de IRPF da prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves MG, da seguinte forma rendimentos tributáveis 40% e rendimento isentos e não tributáveis 60%, estando aí a diferença apurada pela autoridade lançadora. A Turma Julgadora de primeira instância concluiu que não restou demonstrado pelo contribuinte a realização da atividade de serviços automotivos, vez que ausente nos autos documentação hábil a sanar dúvidas acerca da natureza e reais valores dos rendimentos percebidos. Assim foi a conclusão daquele Colegiado: “(...) No caso, além de o pedido do interessado estar sendo formulado após o lançamento, observase que os valores declarados como recebidos de pessoas físicas não guardam correspondência com os valores efetivamente recebidos da Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves. Portanto, não há como aceitar o pedido de exclusão dos valores declarados a título de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Quanto aos rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves, observese que nos documentos de fls. 02 e 03 a natureza dos rendimentos é "locação de veículos". A locação de veículos, diferentemente do que aparenta supor o interessado, não se confunde com a prestação de serviços de transporte de cargas ou de passageiros." (...) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13607.000385/200389 Acórdão n.º 2201002.908 S2C2T1 Fl. 92 5 Em que pese as alegações trazidas pela defesa, não há nos autos nenhum elemento que confirme a existência da prestação de serviços nos moldes apresentados pelo contribuinte, para fazer jus a utilização da base de calculo no valor de 60% do montante declarado pela fonte pagadora. Compulsando os autos, verifico a juntada de um contrato com a prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves MG demonstrando o inteiro teor do documento dissipando dúvidas acerca da natureza e reais valores dos rendimentos percebidos, no qual consta o objeto da prestação de serviço (Fls. 73 a 77), como: (...)" CLÁUSULA PRIMEIRA DO OBJETO 1.1 Constitui objeto do presente contrato a locação de 02 (dois) ônibus especiais, com 44 (quarenta e quatro) lugares, para os alunos da Escola Estadual João de Almeida, situada neste Município, com as especificações abaixo: (...)" Ora, nos termos da legislação que rege a matéria (Lei n° 7.290, de 19 de dezembro de 1984; Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 12; Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999, arts. 47 e 146), para fazer jus à redução do montante a ser tributado, devem ser atendidos cumulativamente os seguintes requisitos: i) ser o rendimento oriundo do trabalho no transporte de carga ou de passageiros; ii) utilização de veiculo de propriedade do contribuinte ou por ele locado; iii) a atividade deverá ser executada exclusivamente pelo proprietário ou locatário do veículo (ainda que este tenha sido adquirido com reserva de domínio ou esteja sob alienação fiduciária). No presente caso, verificase que a documentação acostada ao autos pelo recorrente não faz prova a seu favor, senão vejamos: o Contrato de locação de veículo às fls. 74/77, anexado juntamente com a peça recursal, revela que existia uma relação contratual com a fonte pagadora dos rendimentos para aluguel de 02 (dois) ônibus especiais, com 44 (quarenta e quatro) lugares, e mais, os motoristas deverão estar portando Carteira de habilitação nas categorias D ou E, e autorização de tráfego; É de observar também que o referido contrato indica que os dois veículos tem horários iguais, o que impossibilita que o contribuinte venha a realizar o serviço de forma simultânea; também não se verifica nos autos a Carteira de Habilitação do contribuinte. Portanto, não se encontra presente um dos requisitos fundamentais para a redução do percentual a ser tributado; qual seja a execução do transporte realizada exclusivamente pelo proprietário, ou locatário, do veículo. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13607.000385/200389 Acórdão n.º 2201002.908 S2C2T1 Fl. 93 6 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10540.720133/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente.
ÁREA DE PASTAGENS. ÍNDICE DE RENDIMENTO.
Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considera-se área servida de pastagem a menor entre a declarada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação mínima.
Numero da decisão: 2201-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso, para considerar um acréscimo de 4.640,0 ha. na área de pastagens.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. ÁREA DE PASTAGENS. ÍNDICE DE RENDIMENTO. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considera-se área servida de pastagem a menor entre a declarada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação mínima.
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AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. ÁREA DE PASTAGENS. ÍNDICE DE RENDIMENTO. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área servida de pastagem a menor entre a declarada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação mínima. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso, para considerar um acréscimo de 4.640,0 ha. na área de pastagens. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI – PresidenteSubstituto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidentesubstituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 33 /2 00 7- 27 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/06), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 698.176,86, calculado até 30/12/2007, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Entre Rios”, cadastrado na RFB sob o nº 3.336.3196, com área declarada de 12.500,0 ha, localizado no Município de Cocos – BA. A fiscalização efetuou a glosa integral das áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal de 581,7 ha e 5.160,3 ha, respectivamente, além de rejeitar o VTN declarado de R$ 11.000,00 (R$ 0,88/ha), arbitrando o valor de R$ 1.717.500,00 ou R$ 137,40/ha, correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: faz um breve relato dos fatos relacionados com a presente notificação de lançamento; o crédito tributário apurado e lançado pela fiscalização decorreu de erro no preenchimento da correspondente DITR/2005, quanto às áreas de pastagens efetivamente utilizadas e de reserva legal, todas atestadas através de Laudo Técnico de utilização do imóvel, acompanhado de imagem de satélite, com ART registrada junto ao CREA/GO; com fundamento no art. 145, inciso I, do CTN, pede a alteração do lançamento, por ter ficado caracterizada a hipótese de erro de fato, comprovado com documentos hábeis e idôneos; o item 7.3 do Laudo Técnico destacou e classificou uma área de 581,7 ha em preservação permanente, enquadrados no art. 2º, alínea “a”, itens 2 e 3, alíneas “d” e “e” da Lei 4.771/65; também existe no imóvel uma área de preservada de 2.500,0 ha, correspondente a 20% (vinte por cento) da área do imóvel, tipificada no art. 16 e alíneas da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), que, mesmo não estando averbada à margem da matrícula do imóvel, no competente Cartório de Registro de Imóveis, continua impedida de ser explorada economicamente, por força desse preceito legal; não considerar essa área, apenas por descumprimento de uma formalidade legal, que visa tão somente dar publicidade ao ato para que a área continue a ser preservada pelo novo adquirente, em caso de alienação do imóvel, pune deveras o Contribuinte, inclusive, com a alteração da alíquota de cálculo aplicada no lançamento; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720133/200727 Acórdão n.º 2201002.731 S2C2T1 Fl. 3 3 o Conselho de Contribuinte, atual CARF, vem acatando a área de reserva legal existente de fato no imóvel, quando comprovada através de documentos hábeis e idôneos, evitandose, assim, a interposição de recurso à instância superior, que há tempo vem deferindo essa área como isenta de tributação; a favor da sua tese, cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF (Acórdão 203063262, Acórdão 203 02969, Acórdão 20303149 e Acórdão 20303250, cujas ementas descreve); foi protocolado, em 24/11/2003, o competente Ato Declaratório Ambiental – ADA no IBAMA, doc. anexo; a área de reserva legal foi erroneamente declarada, razão pela qual será providenciada a retificação da mesma para 2.500,0 ha; não obstante incessante negativa dos órgãos de fiscalização da Receita Federal em acatar as áreas de utilização limitada, devido a falta de comprovação do ADA junto ao IBAMA, o Terceiro Conselho de Contribuinte vem acolhendo esse documento, mesmo quando protocolado intempestivamente, não sendo, no entanto, esse o caso do requerente; citando, para exemplificar, ementas dos Acórdãos 30330285 e 30330324; o item 7.1 do referido Laudo Técnico define uma área de 9.393,3 ha em pastagem nativa, classificando seu solo e identificando as principais espécies de forrageiras existentes nas áreas de pastagens nativas daquela região; nessa área, foram apascentadas 1.441 cabeças de gado, durante o exercício ora impugnado, conforme faz prova declaração expedida pelo parceiro pecuário, que teve seu rebanho apascentado na propriedade objeto da presente impugnação, bem como declaração emitida pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia – ACDAB; citando quanto a essa matéria, Acórdão 7999, de 23/10/2003, desta DRJ – 2ª Turma; também foi classificada no item 7.4 do Laudo Técnico anexo, uma área de 25,0 ha ocupadas com benfeitorias, sob forma de cercas e estradas internas do imóvel, e por fim, apresenta as áreas distribuídas e utilizadas do imóvel, apuradas em conformidade com o referido Laudo Técnico e a relação de documentos anexados à sua impugnação, pedindo o seu deferimento. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou parcialmente procedente a Impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: ÁREA DE PASTAGEM ERRO DE FATO A hipótese de erro de fato, no que diz respeito a área servida de pastagens do imóvel, somente cabe ser acatada, quando Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 comprovado nos autos, com documentação hábil, a existência de animais de grande e/ou médio porte apascentados no imóvel, no decorrer do respectivo anobase, em quantidade suficiente para justificar a área servida de pastagem pretendida, observado o correspondente índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP). DAS ÁREAS AMBIENTAIS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL Cabe restabelecer, para fins de exclusão de tributação, a área de preservação permanente declarada, devidamente comprovada nos autos, observada a legislação de regência da matéria. Já em relação a área de utilização limitada/reserva legal, exige se que a mesma, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, tenha sido objeto de ADA protocolado tempestivamente no IBAMA, bem como esteja averbada à margem da matrícula do imóvel, em data anterior à do fato gerador do imposto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Relativamente à decisão recorrida, destacase o seguinte excerto: Por todo o exposto, cabe apenas restabelecer, para fins de exclusão do cálculo do ITR/2005, a área de preservação permanente declarada, de 581,7 ha, com redução das áreas tributável e aproveitável do imóvel, do VTN tributável e, consequentemente, do imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal, conforme demonstrado... (grifei) Intimado da decisão de primeira instância em 28/12/2012 (fl. 77), Florentino Rossato apresenta Recurso Voluntário em 28/01/2013 (fls. 79/86), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral das áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal de 581,7 ha e 5.160,3 ha, respectivamente, além de rejeitar o VTN declarado de R$ 11.000,00 (R$ 0,88/ha), arbitrando o valor de R$ 1.717.500,00 ou R$ 137,40/ha, correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT. Em seu apelo, insurge o suplicante contra a glosa da área de reserva legal, além da área servida por pastagem. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720133/200727 Acórdão n.º 2201002.731 S2C2T1 Fl. 4 5 Quanto à área de reserva legal, cumpre esclarecer que o § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/1965 Código Florestal, com a redação dada pela MP nº 2.16667/2001, determina seu registro à margem da inscrição de matrícula do imóvel: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Pelo que se vê, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Portanto, a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente, o que não ocorreu no presente caso. No que tange à área servida de pastagem, alega o suplicante que, embora não tenha sido objeto de glosa pela autoridade fiscal, houve um erro de fato, já que informou na DITR/2005 o montante de 1.124,0 ha, sendo que efetivamente há na propriedade 9.393,3 ha destinado a pastagem de animais. Pois bem, ainda que a área servida por pastagens não tenha sido objeto de glosa, entendo que as provas constantes dos autos indicam precisamente a área e a quantidade de animais apascentados na propriedade, embora tenha a autoridade recorrida lançado dúvida sobre a sua existência, consoante se extrai da leitura de trecho do voto: No caso, apesar de o contribuinte ter informado na sua DITR/2005, para efeito de apuração da área de pastagem calculada do imóvel, a existência de 295 cabeças de animais de grande porte (às fls. 10), o mesmo, sob a alegação de ter ocorrido erro de fato na informação desse dado cadastral, pretende que sejam consideradas 1.441 cabeças de animais bovinos, de propriedade da sociedade empresária Santa Colamba Agropecuária Ltda, CNPJ 03.785.640/000142, que estariam apascentadas na “Fazenda Entre Rios”, no decorrer do ano de 2004, para efeito de apuração da área de pastagem calculada do imóvel. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Notase que, diante da grande quantidade de animais (1.441 cabeças), seria coerente supor que existisse um Contrato de Comodato firmado em data anterior a 1º/01/2005, estabelecendo cláusulas e condições a serem cumpridas pelos contratantes, não bastando, por si só, a declaração de fls. 38, para comprovação dos fatos alegados. Além disso, constatase que essa declaração foi assinada pelo Sr. Fernando Prado, identificado como gerente da citada sociedade empresária, sem, no entanto, constar dos autos documentos, tais como, contrato social, atestando que o mesmo possui poderes de representação, para emitir tal declaração em nome da citada pessoa jurídica. Pelo que se vê, entendeu a autoridade recorrida que, em razão da grande quantidade de animais, deveria se juntado Contrato de Comodato firmado, em data anterior a 1º/01/2005, estabelecendo cláusulas e condições a serem cumpridas pelos contratantes. Por sua vez, junta o recorrente em seu apelo, fls. 97/98, o Contrato de Arrendamento de Propriedade Rural para Exploração Pecuária, pactuado entre o contribuinte e a Santa Colomba Agropecuária Ltda, indicando a quantidade de animais apascentados na “Fazenda Entre Rios”. Além do mais, foi carreado aos autos, fls. 87/95, a 28ª Alteração do Contrato Social da Santa Colomba Agropecuária Ltda., demonstrando, de forma inequívoca, que o Sr. Fernando Prado possui legitimidade para assinar pela citada empresa. Sobre a Declaração de fls. 39, emitida pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia – ACDAB, entendo que deve ser conhecida, já que declara a quantidade de animais que foram vacinados contra febre aftosa e brucelose, informando, inclusive, que as vacinas encontramse em situação regular. Vejase: Declaramos para os devidos fins que Santa Colomba Agropecuária Ltda., inscrita no CNPJ/MF sob n° 03.785.60/000142, com sede na Fazenda Canguçu, Estrada Cocos/Mambai, km 90, no Município de Cocos, Estado da Bahia, encontrase em situação regular quanto às devidas vacinas contra Febre Aftosa e Brucelose. Consta em nossos arquivos o registro das vacinações realizadas no período de 2002 à 2004, declarada a relação de animais a seguir descritos: ANO QUANTIDADE DE BOVINOS 2002 1.200 2003 1.190 2004 1.441 Nesse passo, para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área servida de pastagem a menor entre a declarada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação mínima. A Instrução Normativa SRF n.º 256/2002, em seu art. 24, preceitua: Art. 24. Área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos em ato da SRF, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720133/200727 Acórdão n.º 2201002.731 S2C2T1 Fl. 5 7 § 1º Para fins do disposto no caput, é considerada área servida de pastagem a área ocupada por forrageira de corte efetivamente utilizada para alimentação de animais do mesmo imóvel rural. § 2º Aplicamse, até ulterior ato em contrário, os índices constantes da Tabela nº 5, Índices de Rendimentos Mínimos para Pecuária, aprovada pela Instrução Especial do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nº 19, de 28 de maio de 1980, aprovada pela Portaria nº 145, de 28 de maio de 1980, do Ministro de Estado da Agricultura, constantes no Anexo I a esta Instrução Normativa. Não obstante sendo a Instrução Normativa de 2002, a mesma continuou utilizando para o cálculo do Índice de Rendimentos Mínimos para a Pecuária os mesmos índices aprovados pela Instrução Especial do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) nº 19/1980, aprovada pela Portaria nº 145/1980, do Ministro de Estado da Agricultura, os quais constam do seu Anexo I. Portanto, embora o presente litígio se reporte ao exercício de 2005, os índices aplicados são os constantes do Anexo I Tabela de Municípios, Localização e Índices de Rendimentos Mínimos para Pecuária, no qual consta para o município de Cocos Bahia a exigência de um rendimento mínimo cab/ha de 0,25. No caso concreto, sendo o Índice de Rendimentos Mínimos para a Pecuária na região de localização do imóvel equivalente a 0,25 cab/ha, fl. 13pdf, com a comprovação da existência de uma média de 1441 animais no imóvel rural, no ano de 2004, fl. 39, para efeitos de cálculo do ITR, a área de pastagens a ser considerada é de 5.764,0 ha. Assim, como o recorrente já havia declarado em sua DITR a área de 1.124,0 ha (aceita pela fiscalização), fl. 05, devese considerar apenas o acréscimo de 4.640,0 ha. Ressaltese que o mesmo laudo técnico carreado aos autos pelo recorrente como foi considerado pela autoridade recorrida como prova da existência da área de preservação permanente na propriedade “... comprovada por meio de “Laudo Técnico”, doc. de fls. 40/47, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo José César Utida da Fonseca, com ART devidamente anotada no CREA (às fls. 53/54)”. Não se pode perder de vista que o § 2º do art. 147 permite a retificação da declaração pela autoridade administrativa a que competir a revisão. Vejase: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º. Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Esse é o entendimento da CSRF, consoante a ementa transcrita: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Rerratificase o Acórdão CSRF/03 04.093“ITR – VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO – ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. – Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DITR, nos termos do § 2º, do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo aos elementos fáticos reais (...) (Acórdão nº. : CSRF/0304.351) Deixo aqui consignado que de acordo com o princípio da verdade material, todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível. Ademais, o citado princípio encontrase respaldo na ordem contida no art. 142 do CTN, já que se deve evitar a formalização de créditos exorbitantes e em descompasso com aquele que realmente seria devido (voto proferido pelo Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, no Acórdão nº 10247.457). Logo, devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da Impugnação e antes da decisão de 2ª instância, mormente porque a necessidade de complementação do conjunto probatório partiu da própria autoridade recorrida. Por fim, o livre convencimento é prerrogativa do julgador na apreciação dos fatos e de sua prova, conforme preceitua o art. 131 do Código de Processo Civil e do art. 29 do Decreto 70.235/1972, verbis: Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que Ihe formaram o convencimento. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar como área de pastagem um acréscimo de 4.640,0 ha. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11516.721755/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/04/2011
IPI. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SUJEITOS AO ISS. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. INDUSTRIALIZAÇÃO.
Não há incompatibilidade na incidência do IPI quando a operação, caracterizada como industrialização, configurar também uma prestação de serviços insertas na lista anexa à LC nº 116/2003.
IPI. CRÉDITOS INEXISTENTES. ESCRITURAÇÃO. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Configura se fraude a escrituração de créditos sabidamente inexistentes no Livro Registro de Apuração do IPI. Conduta tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, pois comprovou se a intenção deliberada de reduzir o montante do imposto devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SUJEITOS AO ISS. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. INDUSTRIALIZAÇÃO. Não há incompatibilidade na incidência do IPI quando a operação, caracterizada como industrialização, configurar também uma prestação de serviços insertas na lista anexa à LC nº 116/2003. IPI. CRÉDITOS INEXISTENTES. ESCRITURAÇÃO. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configura se fraude a escrituração de créditos sabidamente inexistentes no Livro Registro de Apuração do IPI. Conduta tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, pois comprovou se a intenção deliberada de reduzir o montante do imposto devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 17 55 /2 01 4- 61 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 548 2 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 549 3 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito: Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada, no valor total de R$ 24.665.436,88, incluídos nesse valor o IPI, juros de mora e multa proporcional qualificada (150%). Segundo o Termo de Verificação de fls. 296/308, foi apurada a escrituração indevida de créditos, conforme relato abaixo: “O contribuinte informou que os valores escriturados no Livro de Registro de Apuração do IPI, a título de outros créditos, se devem a uma estimativa de eventual restituição decorrente de pagamentos indevidos em razão da discussão acerca da incidência ou não do IPI sobre rótulos e embalagens com composição gráfica. No entanto, analisando a escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI impressos, dos anos de 2009 e 2010 e a Escrituração Fiscal Digital (EFD) dos anos de 2009 a 2011 (fls. 20 a 42), mais especificamente no Demonstrativo de Créditos, linha 005 – outros créditos, verificase que os valores escriturados se referem a ‘IPI PRESUMIDO REF COMPRA INSUMO N/MÊS’, ou seja, ‘crédito ficto’ do IPI referente aos insumos entrados no estabelecimento com alíquota zero, NT ou isento. Em períodos anteriores, nos anos de 1999 a 2005, a empresa já havia sido autuada pela escrituração de créditos indevidos, sobre insumos de alíquota zero, NT e isentos, através dos processos administrativos 11516.000975/200486, 11516.002130/200425, 11516.002446/200417, 11516.002728/200641 e 11516.002719/200456.” 2. Em seguida, a fiscalização aborda matéria referente à incidência de IPI sobre rótulos e embalagens com composição gráfica (produto fabricado pela impugnante), entendendo haver ficado “evidenciado que as operações efetuadas pela empresa se enquadram perfeitamente no conceito de industrialização, na modalidade de transformação, conforme definido nos artigos 3º e 4º, do RIPI/2002 e RIPI/2010, portanto sujeito à incidência do IPI, conforme preceitua a legislação”. 3. Afirma que a análise das DIPJ demonstra claramente que a empresa declarase como industrial, inexistindo registro de receitas decorrentes da prestação de serviços. 4. Justifica, em seguida, a qualificação da multa proporcional: “Nos períodos de julho de 2009 e maio de 2011, o contribuinte fraudou a escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI, mediante o registro reiterado de créditos inexistentes, no Fl. 549DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 550 4 montante de R$ 8.592.073,43, com o intuito doloso de reduzir o montante do imposto devido (IPI) a ser declarado nas DCTFs. Em sua escrita fiscal, no Livro de Registro de Apuração do IPI foi deduzido o montante retro mencionado, no Demonstrativo de Créditos, linha 005 – outros créditos, com a descrição ‘IPI PRESUMIDO REF COMPRA INSUMO N/MÊS’. Não conformada com a perda dos Mandados de segurança, continuou escriturando os créditos indevidos no Livro de Registro de Apuração do IPI, até o mês de maio de 2011. Desde 2004, quando começou a ser autuada, na defesa dos processos administrativos, a empresa se defende alegando que não está sujeita a incidência do IPI e sim do ISS, pois presta serviços de composição gráfica personalizados, apesar de ter se creditado, no Livro de Registro de Apuração do IPI, de ‘IPI PRESUMIDO REF COMPRA INSUMO N/MÊS’. Na resposta a presente fiscalização o contribuinte, também justificou que os valores escriturados no Livro de Registro de Apuração do IPI, a título de outros créditos, se devem a uma estimativa de eventual restituição decorrente de pagamentos indevidos em razão da discussão acerca da incidência ou não do IPI sobre rótulos e embalagens com composição gráfica. É de se perguntar, então, o porquê destacar o IPI nas notas fiscais de saídas, se a empresa tem a convicção de que não está sujeita a incidência do tributo, nas saídas das embalagens e rótulos. Contrariando a tese que defende, de que estaria sujeita a tributação do ISS, a empresa sequer apresentou receitas de prestação de serviço nas DIPJs dos anos calendários de 2009, 2010 e 2011 na Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, nas linhas 05 Receita de Prestação de Serviços Mercado Interno e 06 Receita de Prestação de Serviços Mercado Externo. Desde 1999 a empresa vem sendo autuada pela Receita Federal, pelo registro de créditos fictos do IPI sobre insumos adquiridos sem a incidência do IPI na etapa anterior. E ainda, os 3 Mandados de Segurança (1999.61.000580943 , 2004.61.000012033 e 2004.72.000109083), impetrados pela empresa, questionando os referidos créditos sobre Insumos, foram julgados a favor da União, sendo o último deles julgado no STF RE 468383 em 31/07/2007.” 5. Acrescenta que, por ser o IPI um imposto em que ocorre a transferência do encargo financeiro para os adquirentes, somente estes poderiam solicitar sua restituição ou autorizar a impugnante a recebêla. “Assim, a fraude fiscal realizada pelo contribuinte de escriturar créditos inexistentes, no Livro de Registro de Apuração do IPI, como sendo de ‘IPI PRESUMIDO REF COMPRA INSUMO N/MÊS’ ou como eventual restituição decorrente de pagamentos indevidos em razão da não incidência do IPI sobre rótulos e embalagens, no montante de R$ 8.592.073,43, que reduziram o montante do IPI a ser declarado na DCTF, tratase, Fl. 550DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 551 5 na verdade de APROPRIAÇÃO INDÉBITA do IPI destacado nas notas fiscais de saídas e não Declarados e nem recolhidos aos cofres da União”. 6. Cientificada em 30.06.2014 (fl. 309), a interessada apresentou, tempestivamente, em 29.07.2014, impugnação, na qual apresenta as seguintes alegações: a) Esclarece que os mandados de segurança a que se referiu a fiscalização já haviam sido encerrados antes dos períodos lançados e que na época em que tais medidas judiciais foram intentadas (1999 a 2004), a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal era no sentido de que o contribuinte tinha direito aos créditos presumidos de IPI; b) “Ao responder a intimação em referência, a empresa não fez menção aos processos judiciais mencionados pelo Auditor Fiscal porque não há relação de pertinência entre o que neles fora discutido e o crédito tributário ora glosado”; c) Em seguida referese aos processos administrativos anteriores citados pela autoridade fiscal comentando a solução dada a cada um deles; d) Ressalta haver deixado, a partir de junho de 2011, de adotar o procedimento defensivo de lançar, a crédito, valores que entendia poder vir a ter direito a restituição, uma vez que a incerteza jurídica foi sanada com o julgamento da medida cautelar na ADI 4389, ocorrido em maio de 2011, com efeitos “ex nunc”, no qual restou decidido que incide o ICMS, e não o ISS, sobre embalagens. “Entendeu o STF que a atividade de confecção de embalagens configura industrialização. Consequentemente, incide o ICMS e, conforme o caso, o IPI, mas não o ISS. E isto deu certeza jurídica à empresa de como proceder a partir daquela data”; e) Afirma que, no período de julho de 2009 a maio de 2011, as operações realizadas não estavam submetidas à incidência do IPI e que, mesmo assim, recolheu, nesse período, a quantia de R$ 2.758.743,60; f) “Ora, se as operações realizadas não estavam submetidas à incidência do IPI, mas, mesmo assim, a empresa recolheu a quantia de R$ 2.758.743,60, a título desse imposto, a conclusão lógica é de que ela recolheu indevidamente essa quantia, razão por que, em princípio, lhe assiste direito à restituição desse valor”; g) Discorda do entendimento da fiscalização de que, tendo ocorrido a transferência do encargo financeiro para os adquirentes, somente estes poderiam solicitar sua restituição ou autorizar a impugnante a recebêla; h) “O equívoco desse argumento reside no fato de que o direito à restituição pertence ao contribuinte de direito e não ao contribuinte de fato. E aquele que adquire embalagens para utilizálas em processo produtivo não é contribuinte de direito nem contribuinte de fato em relação às aquisições efetuadas. Contribuinte de direito é quem recolhe ou tem o dever jurídico de recolher o imposto, ao passo que contribuinte de fato, nesta hipótese, é o consumidor final”; i) No mérito defende que a confecção de rótulos e embalagens com composição gráfica não estavam no período sujeitas ao IPI. Cita julgados nesse sentido; j) “Também não procede o argumento utilizado pelo Fiscal de que o fato de a empresa ter se declarado como industrial, inclusive na declaração de imposto de Fl. 551DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 552 6 renda, sujeita à apuração e informações do IPI, seria suficiente para enquadrála como contribuinte desse imposto.”; k) “De igual modo, também não procede o argumento de que o custo dos insumos, por representar mais de 60% do custo dos produtos vendidos e mais de 50% da Receita Líquida, tal como declarado na DIRPJ, seria indicativo de ‘que as operações efetuadas se enquadra perfeitamente no conceito de industrialização, na modalidade de transformação, portanto sujeitas à incidência do IPI’.”; l) Sobre o tema, conclui: “50. Como corolário de tudo o que foi acima afirmado, podese concluir que: a) a confecção de embalagens é uma atividade mista que envolve industrialização e prestação de serviços técnicos especializados; b) a preponderância da atividade de composição gráfica sobre a atividade de industrialização é expressiva e está comprovada por laudo técnico anexo à presente (doc 5); c) a composição gráfica está prevista como prestação de serviços na Lista de Serviços anexa à Lei Complementar n° 116/2003, no item 13.05; d) a jurisprudência encontravase firmada no sentido de que a confecção de embalagens com composição gráfica estava sujeita à incidência do ISS e não do IPI; esse entendimento jurisprudencial somente mudou a partir de maio de 2011, com o julgamento da cautelar na ADI 4389; até essa data, portanto, a atividade da impugnante não estava sujeita à incidência do IPI; e) se não era contribuinte, não pode ser devedora do imposto, razão por que se torna irrelevante o fato de ter deixado de pagar parte do imposto lançado em sua escrita fiscal como imposto devido, porque a compensou com créditos cujo direito ainda não tinha sido reconhecido; se o imposto não era devido, não existe débito; consequentemente, a glosa do crédito indevido não tem o condão de fazer nascer uma obrigação tributária inexistente.” m) Contesta a qualificação da multa aplicada, por inexistir fraude: “53. De fato, a empresa foi autuada em 2004 e em 2006, pelos créditos presumidos relativos à insumos isentos, não tributados e tributados com alíquota zero, os quais foram efetuados pelas razões acima mencionadas. As autuações que constituem o objeto daqueles processos referemse aos períodos de 1999 (processo n° 11516.000975/200486), 2000 a 2004 (processo n° 11516.002130/200425), e julho de 2004 a dezembro de 2005 (processos nrs. 11516.002718/200641 e 11516.002719/2006 95). 54. Não existe, portanto, autuação relativa ao período de janeiro de 2006 a junho de 2009. Conseqüentemente, não é verdadeira a afirmativa de que a empresa vem sendo autuada desde 1999. Tal afirmativa parece ter sido feita com o intuito de corroborar a Fl. 552DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 553 7 tese da fraude. Ademais, os lançamentos a crédito, feitos no período de 1999 a dezembro de 2005, decorreram de causa diversa da que motivou os efetuados no período de julho de 2009 a maio de 2011. Naquele período, a empresa apurava os créditos presumidos e os lançava em sua escrita fiscal por que a jurisprudência dos tribunais superiores, inclusive do STF, era no sentido de que existia o direito aos créditos. E esse direito chegou a lhe ser reconhecido por decisão judicial, a qual amparou a sua conduta no período de julho de 2004 a dezembro de 2005, conforme já mencionado. 55. No que tange ao período de julho de 2009 a maio de 2011, a situação é diversa, haja vista que a empresa fez uma estimativa das possibilidades de restituição que poderia vir a ter direito. Tratase, portanto, de uma compensação antecipada, que não se confunde com créditos presumidos de insumos. 56. O fato de no Livro de Registro e Apuração de IPI os créditos glosados terem sido lançados no ‘DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS’, no item ‘OUTROS CRÉDITOS’, com o subtítulo ‘IPI PRESUMIDO REF COMPRA INSUMO N/MÊS’, não configura fraude, porque não se trata de nenhum artifício doloso tendente a reduzir o montante do imposto devido. Conquanto fosse possível utilizar uma nomenclatura mais adequada para expressar a natureza do crédito, a que foi utilizada revela situação excepcional de crédito, tanto que foi lançada no item ‘outros créditos’, de modo a propiciar a imediata aferição de sua regularidade pela fiscalização tributária. (...)” n) Com relação ao fato de haver destacado nas suas notas de saída o IPI, explica: 71. O Fiscal questiona a razão pela qual a empresa destacou o IPI nas notas fiscais se ela está defendendo o entendimento de que não é contribuinte do IPI. A resposta é muito simples: ela agiu assim porque a Receita Federal nunca aceitou o argumento de que sua atividade é de prestação de serviços e composição gráfica. E isto está patente no presente auto de infração em que o Fiscal tenta, por todos os meios, convencer que o que faz a empresa é industrialização. 72. A empresa não tinha, como ainda não tem, nenhuma decisão judicial definitiva que lhe desse amparo a proceder de forma contrária ao entendimento da Receita Federal: não destacar o IPI nas notas fiscais. Assim, se não tivesse agido como entende a Receita Federal que ela deveria agir destacando o IPI nas notas fiscais e lançandoo em sua escrita fiscal teria sido autuada da mesma forma, não por glosa de créditos, mas sim por falta de destaque do imposto e também por falta de recolhimento, com aplicação em dobro da multa prevista no art. 80 da Lei n° 4.502/1964 (uma vez por falta de destaque do imposto nas notas fiscais e outra vez por falta de recolhimento), como tem procedido a Receita Federal, em casos semelhantes. 73. Como a empresa sabia que a jurisprudência da época (aplicável até maio de 2011) dava amparo à sua pretensão de Fl. 553DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 554 8 não ser considerada contribuinte do IPI, agiu com a expectativa de poder vir a ser restituída dos pagamentos indevidos. 74. Em suma, o seu proceder decorreu, de um lado, da insegurança jurídica acerca de ser ou não ser contribuinte do IPI, e, de outro, da expectativa de direito de poder ser restituída dos pagamentos indevidos, na hipótese de restar vencedora em sua tese.” o) Ao final, requer: “78. Por todo o exposto, requer a essa eminente autoridade julgadora que reconheça a não incidência do IPI sobre as operações comerciais realizadas pela Impugnante, no período de julho de 2009 a maio de 2011, as quais consistiram na confecção de rótulos e embalagens de plástico personalizadas, com composição gráfica, sob encomenda, e, por conseguinte, julgue improcedente o crédito tributário constituído pelo auto de infração ora impugnado. Na hipótese de entender que o crédito tributário deve ser mantido, requer seja afastada a imputação de conduta fraudulenta e, por via de consequência, a multa qualificada de 150%, restringindo a penalidade ao previsto no caput do art. 80 da Lei n° 4.502/64, que é a multa de lançamento de ofício no percentual de 75%.” Ao julgar referida impugnação, a 3ª Turma da DRJ/Belém proferiu o Acórdão nº 0130.372, de 30/10/2014, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/04/2011 INDUSTRIALIZAÇÃO. Somente está fora do conceito de industrialização o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional, sendo considerada oficina o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, quando utilizar força motriz não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e trabalho preponderante aquele que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mão de obra, no mínimo com sessenta por cento. IPI. FATO GERADOR. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADOS. Os serviços de composição e impressão gráficas estão sujeitos à incidência do IPI. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 555 9 Inexiste na legislação do imposto a possibilidade de escrituração no RAIPI, como crédito básico, de valores porventura recolhidos a maior em períodos anteriores, ainda que efetivamente houvesse tal direito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2009 a 30/04/2011 MULTA QUALIFICADA. Restando comprovada hipótese normativa prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, fazse aplicável a multa qualificada imposta sob tais fundamentos. Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual, apresentou basicamente as mesmas questões colocadas em sua impugnação e que podem assim ser resumidas: é pacífica a jurisprudência do STJ e do STF no sentido de que o IPI e o ISS são impostos mutuamente excludentes. Nas denominadas atividades mistas, em que há industrialização e prestação de serviços, incide apenas um deles, de acordo com os critérios da preponderância e da finalidade do negócio jurídico realizado. Neste sentido laudo técnico comprovaria que a atividade de composição gráfica da empresa (prestação de serviços) corresponde a 86,6% do custo final do produto e que a industrialização representa apenas 13,4% desse mesmo custo. Que o próprio acórdão teria reconhecido o exercício da atividade mista pela empresa recorrente; que somente a partir de maio/2011 que o STF no julgamento da Medida Cautelar na ADI 4389, decidiu que a confecção de embalagens com composição gráfica ficava excluída do âmbito de incidência do ISS, incidindo no caso o ICMS e o IPI. Defende, entretanto, que esta decisão tem efeito "exnunc", ou seja, daí para a frente. Como o período autuado é anterior a maio de 2011, não aplicaria a incidência do IPI, não sendo aplicável a autuação ao caso; cita e transcreve precedentes do STF e do STJ que iriam contra a tese da autuação e do acórdão recorrido, de que sobre a atividade de prestação de serviços de composição gráfica incidiria somente o ISS. Neste mesmo sentido cita a Súmula nº 143 do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e a Súmula nº 156 do STJ; transcreve a ementa e trechos do voto do Ministro Teori Zavascki no REsp nº 1.092.206/SP, STJ, cuja decisão foi proferida na sistemática do art. 543C (recurso repetitivo), ressaltando a necessidade de obediência à esta decisão nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Sustenta que apesar da decisão estar se referindo ao ICMS ela é aplicável também ao IPI, por se tratar de imposto com as mesmas características; afirma que não é cabível a aplicação da multa de ofício qualificada em face da inexistência de fraude. Ressalta que o acórdão recorrido equiparou dolo à fraude, quando se sabe que são conceitos jurídicos distintos. Alega que a fraude tem de ser um artifício doloso que tenha como núcleo do seu objeto o "fato gerador da obrigação principal" e isto não teria ocorrido no procedimento adotado pela recorrida. Cita trechos do voto proferido no Acórdão nº 3402002.271 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do 3ª Seção do CARF, Conselheiro relator João Carlos Cassuli Júnior, o qual iria ao encontro de sua tese; Fl. 555DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 556 10 prossegue afirmando que a empresa fez foi deixar de pagar parte do imposto apurado e lançado em sua escrita fiscal, porque se compensou, antecipadamente, de crédito ainda não reconhecido judicialmente, sendo que esta conduta não diz respeito ao fato gerador da obrigação tributária principal. Que o fato de registrar estes créditos no item "OUTROS CRÉDITOS", com o subtítulo "IPI PRESUMIDO REF COMPRA INSUMO N/MÊS" não se configura em nenhum artifício doloso tendente a reduzir o montante do imposto devido. Afirma que só o fato de estar registrado em situação excepcional de créditos (outros créditos) já permite o imediato conhecimento da fiscalização tributária, tanto é que já no Termo de Início do Procedimento Fiscal já houve uma intimação em item específico a respeito da origem e natureza destes créditos. Informa que fez prova que parte do IPI apurado como devido na sua escrita fiscal foi efetivamente recolhido no montante de R$ 2.496.281,19, ou seja, que os créditos glosados referemse apenas a uma parte do imposto devido pelas saídas de mercadorias. É o relatório. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 557 11 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Um das controvérsias do presente processo é referente à incidência de IPI sobre rótulos e embalagens com composição gráfica no período da autuação de jul/2009 a abril/2011. O contribuinte afirma que seria pacífica a jurisprudência do STJ e do STF no sentido de que o IPI e o ISS são impostos mutuamente excludentes, defendendo que neste período só haveria a incidência do ISS. Discordo desta afirmação e então passemos a analisar as decisões judiciais citadas e a sua vinculação ao presente caso. A primeira decisão judicial citada pela defesa foi o RE 111566 da 1ª Turma do STF, relator Ministro Rafael Mayer, publicada no DJ em 12/12/1986. Notese que a decisão foi proferida antes da CF de 1988 e também antes da LC nº 116/2003 que efetivamente trouxeram novos contornos para a discussão e serão objetos de análise mais adiante. Por sua vez a decisão proferida no REsp nº 1092206/SP, 1ª Seção do STJ, Relator Ministro Teori Zavascki, proferida em 2009, já no âmbito da atual CF e da LC nº 116/2003, o objeto da ação era delimitação de competência tributária entre o ICMS e o ISS, nada dispondo sobre o IPI. Na oportunidade decidiuse pela incidência do ISS nas operações mistas (as que agregam mercadorias e serviços) sempre que o serviço agregado estiver compreendido na lista de que trata a LC nº 116/2003, não incidindo o ICMS nestas operações. Ao contrário do que pretende a recorrente, nada dispôs sobre o conflito de competência entre o ISS e o IPI. A Súmula 143 do extinto TFR também não é aplicável ao caso pois foi pronunciada sobre dispositivo de lei, cuja redação, não estava vigente na época da autuação, qual seja, o art. 8º, § 1º, do DecretoLei nº 406/2008. A Súmula 156 do STJ também não socorre o contribuinte. Veja o seu enunciado: Súmula 156 do STJ: a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, esta sujeita, apenas, ao ISS. Conforme informação na página do STJ na internet os precedentes que foram utilizados para embasar a edição da Súmula nº 156 foram os acórdãos proferidos nos Recursos Especiais nº 61.9149/RS, 5.8080/SP, 18.9920/SP e 1.235/SP, os quais possuem as seguintes ementas respectivamente transcritas: TRIBUTÁRIO. SERVIÇOS DE IMPRESSÃO GRÁFICA. INCIDÊNCIA. A prestação de serviços de impressão gráfica, personalizados e sob encomenda, está sujeita ao ISS, a teor do disposto no § 1º do art. 8º do Decretolei nº 406/68. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 558 12 TRIBUTÁRIO – ISS – ICM – ETIQUETAS ADESIVAS FEITAS SOB ENCOMENDA – ADJUNÇÃO A PRODUTOS DESTINADOS A VENDA – DL 406/68 – C. CIVIL ART. 615, § 1º. A composição de etiquetas adesivas, feitas sob encomenda de determinado cliente que as ajuntará a produtos finais como elemento de identificação, garantia, orientação ou embelezamento, é atividade descrita na lista anexa ao DL nº 406/68, como hipótese de incidência do ISS – não de ICM. A circunstância de tais etiquetas serem juntadas a produtos vendidos pelo encomendante, é irrelevante, pois a etiqueta terá perdido identidade, pelo fenômeno da adjunção (C. Civil, art. 615, § 1º). TRIBUTÁRIO – ICM – SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA – FOTOLITOGRAFIA – EMBALAGENS – NÃO INCIDÊNCIA – DL Nº 406/68, ART 8º, § 1º PRECEDENTES STJ. A legislação não faz distinção entre os serviços de composição gráfica, em geral, dos serviços personalizados feitos por encomenda. Os serviços de composição gráfica realizados sob encomenda, na elaboração de embalagens, estão sujeitos ao ISS e não ao ICM. Recurso provido. TRIBUTÁRIO. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. INCIDÊNCIA, APENAS, DE ISS. A feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos e mercadorias sob encomenda e personalizadamente, é atividade de empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos o cliente e encomendante na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiros. Precedentes do STF e do STJ. Recurso provido. Conforme pode se verificar, é evidente que o enunciado da Súmula nº156 do STJ não pode ser aplicado ao presente caso para afastar a incidência do IPI porque os precedentes que embasaram a interpretação referemse apenas ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICMS. Em sua defesa o contribuinte cita o REsp nº 1092206/SP, o qual foi julgado na sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo) e enfatiza que os julgadores do CARF estão vinculados à referida decisão por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. De fato, os conselheiros do CARF estão vinculados às decisões proferidas pelo STJ e pelo STF, em julgados proferidos na sistemática dos art. 543B e 543C do CPC. Porém o resultado dos referidos julgados tem que ser aplicável ao caso concreto em julgamento, o que não se verifica nos presentes autos. Veja o que dispôs a ementa do Acórdão no julgamento do REsp nº 1092206/SP: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DELIMITAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ENTRE ESTADOS E MUNICÍPIOS. ICMS E ISSQN. CRITÉRIOS. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. SÚMULA 156 DO STJ. 1. Segundo decorre do sistema normativo específico (art. 155, II, § 2º, IX, b e 156, III da CF, art. 2º, IV, da LC 87/96 e art. 1º, § 2º, da LC 116/03), a delimitação dos campos de competência Fl. 558DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 559 13 tributária entre Estados e Municípios, relativamente à incidência de ICMS e de ISSQN, está submetida aos seguintes critérios: (a) sobre operações de circulação de mercadoria e sobre serviços de transporte interestadual e internacional e de comunicações incide ICMS; (b) sobre operações de prestação de serviços compreendidos na lista de que trata a LC 116/03 (que sucedeu ao DL 406/68), incide ISSQN; e (c) sobre operações mistas, assim entendidas as que agregam mercadorias e serviços, incide o ISSQN sempre que o serviço agregado estiver compreendido na lista de que trata a LC 116/03 e incide ICMS sempre que o serviço agregado não estiver previsto na referida lista. 2. As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05). Consequentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção. 3. Recurso especial provido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Destaquei) Nem na ementa, acima transcrita e nem no acórdão não se faz qualquer referência à incidência ou não do IPI. Portanto o seu conteúdo não pode ser aplicado para que se afaste a incidência do referido imposto sob o argumento apresentado pelo contribuinte de que o ICMS e o IPI são "impostos de características semelhantes". Entendo também que o fato de a Súmula 156 estar citada na ementa e conter a palavra 'apenas' não caracteriza uma determinação do STJ de que o IPI não incidiria naqueles serviços. Isto porque, conforme já exposto anteriormente, os precedentes de que resultaram a Súmula nº 156 são referentes somente a conflitos de competência entre Estados e Municípios. Acrescenta ainda o contribuinte que a Medida Cautelar concedida na ADI nº 4389, pelo STF, teria decidido definitivamente que até, a concessão da referida medida cautelar, em abril/2011, sobre as embalagens com composição gráfica somente incide o ISS e a partir da decisão, para o futuro, "exnunc", passaria a incidir o IPI. Novamente equivocase o contribuinte, referida decisão novamente só tinha como objeto o conflito de interesses entre a incidência do ICMS e do ISS. Isso porque tratamse de impostos em que a Constituição Federal concedeu tratamento de autosexcludentes. A incidência de um exclui a incidência do outro, situação que não ocorre com o IPI, como veremos mais adiante. Vejam a ementa referente à citada Medida Cautelar na ADI nº 4389: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONFLITO ENTRE IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA E IMPOSTO SOBRE OPERAÇÃO DE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO E DE TRANSPORTE INTERMUNICIPAL E INTERESTADUAL. PRODUÇÃO DE EMBALAGENS SOB ENCOMENDA PARA POSTERIOR INDUSTRIALIZAÇÃO (SERVIÇOS GRÁFICOS). Fl. 559DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 560 14 AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA PARA DAR INTERPRETAÇÃO CONFORME AO O ART. 1º, CAPUT E § 2º, DA LEI COMPLEMENTAR 116/2003 E O SUBITEM 13.05 DA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA. FIXAÇÃO DA INCIDÊNCIA DO ICMS E NÃO DO ISS. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. Até o julgamento final e com eficácia apenas para o futuro (ex nunc), concedese medida cautelar para interpretar o art. 1º, caput e § 2º, da Lei Complementar 116/2003 e o subitem 13.05 da lista de serviços anexa, para reconhecer que o ISS não incide sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens, destinadas à integração ou utilização direta em processo subseqüente de industrialização ou de circulação de mercadoria. Presentes os requisitos constitucionais e legais, incidirá o ICMS.(Destaquei). Ora, a simples leitura da ementa, acima transcrita, é suficiente para evidenciar que nada se decidiu a respeito da incidência ou não do IPI para o período anterior à concessão da medida cautelar. Por fim, ressaltese também que o decidido no RE nº 106.173, Relator Ministro Aldir Passarinho, citado na defesa, contém elementos não aplicáveis ao presente caso, pois data de 1986, situação anterior à atual CF e também à LC nº 116/2003. E além do mais, novamente o seu objeto era conflito de competências entre o ISS e ICMS, conforme depreendese de sua ementa: Ementa: Tributário. Serviços Tipográficos Personalizados. Somente os produtos de impressão tipográfica personalizados, isto é, realizados sob encomendas, por determinado cliente, da natureza prevista na lista a que se refere o DecretoLei nº 406 68, alterado pelo de nº 83469, é que se encontram sujeitos ao ISS, e não ao ICM. (...) Por todo o exposto é de se concluir que a jurisprudência citada pelo contribuinte não autoriza a conclusão de que não incide o IPI sobre as operações realizadas por ele consistentes, entre outras, da realização de atividades mistas nas quais se agregariam a prestação de serviços concomitante a operações de industrialização. Aqui, abrese um parênteses, para destacar um registro constante do Termo de Verificação Fiscal, de que o contribuinte, nas DIPJ correspondentes ao período autuado, não declarou qualquer receita da prestação de serviços, inclusive declarando na ficha inicial tratarse de empresa industrial. Mesmo assim, defende a tese de que se trata de uma empresa com predominância na prestação de serviços e contribuinte unicamente do ISS. Como visto a farta jurisprudência judicial citada não lhe socorre. Por outro lado entendo que a tributação de suas atividades pelo IPI decorre de imposição legal, com o devido aparato constitucional, e que não pode ser afastada no âmbito do presente processo. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 561 15 Note que são três tributos cujas competências são bem distintas. O IPI, cujo fato gerador é a saída de produtos industrializados, de competência da União. O ICMS, cujo fato gerador consiste em operações relativas a circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, de competência dos Estados. Por último o ISS que tem como fato gerador a prestação de serviços de qualquer natureza, não compreendidos no inc. II do art. 155 da CF/88, definidos em lei complementar. É pacífico na doutrina e na jurisprudência que há a coexistência de tributação pelo IPI e pelo ICMS nas operações que ocorram os fatos geradores de ambos tributos, ou seja, quando a operação decorra da saída de um produto industrializado, concomitante com a circulação da mercadoria. A controvérsia a respeito da coexistência de incidência entre o IPI e o ISS iniciouse em razão do que dispôs o § 1º do art. 8º do DecretoLei nº 406/68: Art 8º O impôsto, de competência dos Municípios, sôbre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por emprêsa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. § 1º Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao impôsto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria. § 2º Os serviços não especificados na lista e cuja prestação envolva o fornecimento de mercadorias ficam sujeitos ao impôsto de circulação de mercadorias. § 2º O fornecimento de mercadoria com prestação de serviços não especificados na lista fica sujeito ao impôsto sôbre circulação de mercadorias. (Redação dada pelo decreto Lei nº 834, de 8.9.1969) (Revogado pela Lei Complementar nº 116, de 31.7.2003). (Destaquei) Embora, o citado DecretoLei tinha como objetivo declarado estabelecer normas gerais de direito financeiro, aplicáveis ao ICM e ao ISSQN, acabou por inserir na norma a palavra "apenas" , fato que levou boa parte da doutrina e de nossos tribunais a entender que sobre aqueles determinados serviços só incidiria o ISS. Porém, estamos ao abrigo de uma nova Norma Constitucional que, num primeiro momento, havia recepcionado as disposições do citado DecretoLei. Porém em 2003 foi editada a Lei Complementar nº 116/2003, a qual dispondo sobre o mesmo assunto, deixou claro que em relação aos serviços predeterminados, sobre os quais incidem o ISS, só não podem incidir o ICMS. Veja o que estabeleceu a LC nº 116/2003: Art. 1o O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. § 1o O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 562 16 § 2o Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. Portanto forçoso concluir que o nosso atual sistema constitucional tributário permitiu a coexistência da incidência tributária tanto do IPI com o ICMS quanto do IPI com o ISS, bastando para tanto a realização concomitante das hipóteses de incidência tributária de ambos os tributos numa mesma operação econômica. Não existe, assim como não existe entre o IPI e o ICMS, qualquer impedimento legal para a incidência do IPI em uma operação de prestação de serviços, sujeita ao ISS, quando envolver também uma operação de industrialização definida como tal em sua legislação de regência. Portanto, resta saber, se no caso dos autos configurouse a ocorrência do fato gerador do IPI. Os produtos fornecidos pela recorrente e seu processo de industrialização estão descritos no termo de verificação fiscal e não foram objetos de controvérsia. De fato, o contribuinte só defende que naquela situação há a incidência somente do ISS e não do IPI. Pelo relato o contribuinte fabrica "rótulos de bopp", "embalagens de polietileno com e sem composição gráfica" e "rótulos de papel cervejeiro", cujos procedimentos de industrialização estão relatados em cada caso pela fiscalização. As atividades ali descritas encaixamse no conceito de industrialização e estão submetidas á tributação pelo IPI nos termos do RIPI/2002: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 563 17 (...) Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). (...) Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: (...) II o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); (...) Aplicação da Multa Qualificada Inicialmente o contribuinte afirma que o acórdão recorrido equiparou dolo a fraude, sendo que a autuação teria qualificado a sua multa em função da ocorrência de fraude e o acórdão a manteve em função da prática do dolo. Não foi o caso. Na verdade o acórdão recorrido confirma a prática de fraude e transcreve os dispositivos legais aplicados, no caso o art. 80, caput e § 6º, inc. II, o qual prevê a exigência duplicada da multa de ofício e os art. 71 a 73, os quais definem a sonegação, a fraude e o conluio, todos da Lei nº 4.502/64. Como todos eles exigem a conduta dolosa, achouse importante apresentar a conceituação de dolo, a qual foi feita no contexto do que foi aplicado no auto de infração. A acusação fiscal é clara e usa textualmente a palavra fraude. Vejo o seguinte trecho do termo de verificação fiscal: (...) Nos períodos de julho de 2009 e maio de 2011, o contribuinte fraudou a escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI, mediante o registro reiterado de créditos inexistentes, no montante de R$ 8.592.073,43, com o intuito doloso de reduzir o montante do imposto devido (IPI) a ser declarado nas DCTFs. Em sua escrita fiscal, no Livro de Registro de Apuração do IPI foi deduzido o montante retro mencionado, no Demonstrativo de Créditos, linha 005 – outros créditos, com a descrição “IPI PRESUMIDO REF COMPRA INSUMO N/MÊS”. Desde 1999 a empresa vem sendo autuada pela Receita Federal, pelo registro de créditos fictos do IPI sobre insumos adquiridos sem a incidência do IPI na etapa anterior. E ainda, os 3 Mandados de Segurança (1999.61.000580943 , 2004.61.000012033 e 2004.72.000109083), impetrados pela empresa, Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 564 18 questionando os referidos créditos sobre Insumos, foram julgados a favor da União, sendo o último deles julgado no STF RE 468383 em 31/07/2007. Não conformada com a perda dos Mandados de segurança, continuou escriturando os créditos indevidos no Livro de Registro de Apuração do IPI, até o mês de maio de 2011. Desde 2004, quando começou a ser autuada, na defesa dos processos administrativos, a empresa se defende alegando que não está sujeita a incidência do IPI e sim do ISS, pois presta serviços de composição gráfica personalizados, apesar de ter se creditado, no Livro de Registro de Apuração do IPI, de “IPI PRESUMIDO REF COMPRA INSUMO N/MÊS”. Na resposta a presente fiscalização o contribuinte, também justificou que os valores escriturados no Livro de Registro de Apuração do IPI, a título de outros créditos, se devem a uma estimativa de eventual restituição decorrente de pagamentos indevidos em razão da discussão acerca da incidência ou não do IPI sobre rótulos e embalagens com composição gráfica. É de se perguntar, então, o porquê destacar o IPI nas notas fiscais de saídas, se a empresa tem a convicção de que não está sujeita a incidência do tributo, nas saídas das embalagens e rótulos. Contrariando a tese que defende, de que estaria sujeita a tributação do ISS, a empresa sequer apresentou receitas de prestação de serviço nas DIPJs dos anos calendários de 2009, 2010 e 2011 na Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, nas linhas 05 Receita de Prestação de Serviços Mercado Interno e 06 Receita de Prestação de Serviços Mercado Externo. (...) Entendo que a acusação está bem detalhada e os fatos estão devidamente comprovados. Tanto que a defesa não os nega, apenas tenta justificálos e defender que tais ocorrências não estão tipificadas como fraude. Art. 72 da Lei nº 4.502/64: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Na minha opinião não há dúvida de que o contribuinte utilizouse de artifício doloso com o objetivo de modificar as características essenciais relativas ao fato gerador da obrigação tributária principal visando a reduzir o montante do imposto devido. Cumpre registrar que ele inicia registrando créditos indevidos, sabidos inexistentes, na coluna "outros créditos" do Livro Registro de Apuração do IPI. Efetuou mensalmente o registro com o seguinte histórico dos créditos "IPI PRESUMIDO REF COMPRA INSUMO N/MÊS". Aqui comprovase a primeira inverdade apresentada de forma intencional pelo contribuinte. Conforme demonstrado pela fiscalização, o contribuinte havia intentado três ações judiciais com o objetivo de se creditar do IPI na aquisição de insumos desonerados do imposto. As ações transitaram em julgado e ele foi vencido em todas. Flagrado Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.721755/201461 Acórdão n.º 3301002.895 S3C3T1 Fl. 565 19 pela fiscalização com o registro de créditos presumidos (fictos) sem autorização legal e sem a mínima justificativa, já que havia perdido todas as ações judiciais, ele mesmo confessou que aquele registro teria sido inverídico. Porém justificou os créditos com outro argumento inverídico e sem previsão legal. Afirmou que eram créditos decorrentes de "uma estimativa de eventual restituição decorrente de pagamentos indevidos em razão da discussão acerca da incidência ou não do IPI sobre rótulos e embalagens com composição gráfica. A partir da decisão cautelar na ADI 4389, que decidiu incidir ICMS sobre embalagens, cessou o creditamento de IPI. A decisão do STF foi dada com efeitos ex nunc em 13 de abril de 2011". Como já foi demonstrado anteriormente a ADI 4389 não trata da incidência ou não do IPI, tratase de conflito de competências entre Estados e Municípios a respeito do ICMS e do ISS. Qualquer que seja o seu resultado final não geraria qualquer direito a restituição de crédito de IPI. Além do mais, nos termos do art. 170A do CTN, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Além disso, como bem lembrado pela decisão recorrida, inexiste na legislação do imposto a possibilidade de escrituração do RAIPI, como crédito básico, de valores por ventura recolhidos a maior em períodos anteriores. É notório também que todo pedido de restituição é feito por meio do programa PER/DCOMP, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. No caso, como o contribuinte sabia do insucesso de eventual pedido de restituição por meio do PER/DCOMP, utilizouse do artifício doloso de inserir créditos inexistentes no Livro Registro de Apuração do IPI, com a intenção deliberada de reduzir o montante do imposto devido. Portanto está comprovada a tipificação no art. 72 da Lei nº 4.502/64, restando inócuos todos os argumentos do contribuinte em sentido contrário. Não se trata como alega o contribuinte de simples falta de pagamento parcial do imposto. A falta de pagamento parcial do imposto só se configura quando todos os elementos da conformação do fato gerador estão inseridos corretamente nos registros fiscais do contribuinte. Assim, é irrelevante que os créditos indevidos tenham sido registrados em "outros créditos", bastando para configuração da fraude que, além de inverídicos, foram utilizados artificialmente para redução do montante a ser pago. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 15504.726104/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto.
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 3.230 1 3.229 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.726104/201113 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.462 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 8 de dezembro de 2015 Assunto Contribuições Previdenciárias: Parcelas em folha de pagamento. Diferença contribuição devida em folha de pagamento. Diferença contribuição declarada em GFIP. Recorrente INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES MILITARES DE MG Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 26 10 4/ 20 11 -1 3 Fl. 3230DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.726104/201113 Resolução nº 2401000.462 S2C4T1 Fl. 3.231 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1535.489 (fls. 3.133/3.144): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2006 CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS. CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. REGIME DE COMPETÊNCIA. GERAL. Para fins de composição da base de cálculo para a Previdência Social, adotase, regra geral, o regime de competência, vale dizer, o fato gerador ocorre no momento em que a remuneração se torna devida aos segurados, sendo irrelevante o momento em que se deu o efetivo pagamento pelos serviços prestados. ALEGAÇÕES IMPUGNATÓRIAS GENÉRICAS E SEM LASTRO PROBATÓRIO. Não se conhece de argumentos de defesa quando não se referirem a lançamentos específicos e/ou não forem acompanhados dos elementos de prova adequados. 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 29/39, que o processo administrativo é composto por 2 (dois) Autos de Infração (AI), abrangendo as competências 01 a 11/2006, nos seguintes termos: i) AI nº 37.236.6228, referente às contribuições previdenciárias patronais, previstas nos incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais; e i) AI nº 37.236.6238, referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o seu salário de contribuição. 2.1 As contribuições previdenciárias incidem sobre as remunerações declaradas a menor em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim Fl. 3231DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.726104/201113 Resolução nº 2401000.462 S2C4T1 Fl. 3.232 3 como sobre as remunerações não declaradas em GFIP, que foram apuradas mediante o confronto com os dados constantes das folhas de pagamento de salários, da escrituração contábil e da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). 2.2 No tópico V do relatório fiscal, bem como do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (Rada), acostado às fls. 10/13 e 21/24, a fiscalização demonstra que examinou as GFIPs entregues e processadas antes da data da ciência do termo de início da ação fiscal e apropriou, para fins de dedução, valores recolhidos em Guia da Previdência Social (GPS). 3. Em que pese o início do procedimento fiscal em 21/12/2009, a constituição do crédito tributário foi aperfeiçoada somente em 13/12/2011, com a ciência pessoal do sujeito passivo, tendo o interessado na sequência impugnado a exigência fiscal (fls. 3, 16, 40/41, 2.925/2.930 e 3.037/3.042). 4. Intimada em 16/7/2014 por via postal da decisão de primeira instância, conforme fls. 3.146/3.147, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 18/8/2014 (fls. 3.149/3.156). 5. Na peça recursal, entre outras ponderações, sustenta a extinção parcial do crédito tributário, devido a pagamentos extemporâneos realizados antes do início da ação fiscal. 5.1 Embora reconheça que houve equívocos no processamento das informações inseridas nas folhas de pagamento e na declaração fiscal da retenção do imposto de renda na fonte, afirma que as despesas foram efetivamente liquidadas e pagas, ainda que posteriormente às datas de vencimento do tributo. 5.2 Com o fim de comprovar as suas alegações, a recorrente juntou ao recurso voluntário cópias de documentos e planilhas. Dentre elas, consta uma relação de GPS pagas relativamente ao ano de 2006 (fls. 3.178/3.182). É o relatório, no que interessa. Fl. 3232DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.726104/201113 Resolução nº 2401000.462 S2C4T1 Fl. 3.233 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator 6. Cuidase de crédito tributário referente ao período de 01 a 11/2006, constituído mediante lançamento de ofício em 13/12/2011. 7. Ainda que indeterminado e aberto o conceito de "matéria de ordem pública", prevalece a noção de que a decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento. 8. No âmbito do lançamento de ofício relativo a tributos por homologação, o pagamento parcial antecipado atrai a aplicação da regra decadencial de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, prevista no § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 9. Ao compulsar os autos, verifico, de um lado, que a fiscalização apontou a existência de pagamentos antecipados, que foram utilizados para abatimento do crédito tributário devido. 10. De outra banda, afirma a recorrente que efetuou diversos pagamentos para o período do débito, extemporâneos muitos deles, sendo que, aparentemente, há divergências entre as guias de pagamento indicadas pela recorrente e os recolhimentos apropriados pela fiscalização. 11. Nesse cenário, com o propósito de avaliar questão prejudicial ao exame do mérito, consistente na eventual extinção do crédito tributário apurado pela fiscalização em decorrência da decadência, acredito imprescindível averiguar melhor a existência de pagamentos antecipados, por competência, considerando individualmente as contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo. 12. Dessa feita, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com a finalidade de o Fisco, com base nas GFIP´s entregues e nas GPS´s pagas antes do início do procedimento fiscal, em 29/12/2009, manifestese quanto à existência de pagamento parcial relativamente às seguintes contribuições previdenciárias, por competência: i) da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados (art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991); ii) da empresa, destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho (art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991); iii) da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais (art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991); Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.726104/201113 Resolução nº 2401000.462 S2C4T1 Fl. 3.234 5 iv) do segurado empregado, incidente sobre o seu salário de contribuição (art. 20 e art. 28, inciso I, c/c art. 30, inciso I, alínea "a", todas da Lei nº 8.212, de 1991); e v) do segurado contribuinte individual, incidente sobre o seu salário de contribuição (art. 21 e art. 28, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 4º da Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003). 13. Após a resposta do órgão da RFB, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente, com posterior retorno dos autos para julgamento deste Colegiado. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 19647.010585/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
MULTA AGRAVADA. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS. AGRAVAMENTO DO LUCRO. AUTOS RECONSTITUÍDOS. INFRAÇÃO NÃO CARACTERIZADA.
A multa agravada deve incidir quando o sujeito passivo, devidamente intimado, não presta os esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal, deixando de colaborar com a fiscalização. A falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais e a documentação de suporte, por si só, justifica o arbitramento do lucro, mas não o agravamento da multa. Sendo ônus da fiscalização, a demonstração da infração fica comprometida quando se trata de autos reconstituídos sem todos os elementos que poderiam, eventualmente, caracterizar o embaraço à fiscalização.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF Nº 4).
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ - Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009).
Numero da decisão: 1402-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar a argüição de nulidade, acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos até 28/02/1998, inclusive, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 AUTOS RECONSTITUÍDOS. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A mera reconstituição dos autos com parte dos elementos que subsidiaram o lançamento, por si só, não causa prejuízo à defesa, especialmente quando a descrição dos fatos e os documentos juntados demonstram os motivos da autuação. PROCESSOS REFLEXOS. JULGAMENTO SIMULTÂNEO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É recomendável que os processos caracterizados como reflexos sejam apreciados em conjunto com aquele tido como principal para evitar decisões conflitantes. Por outro lado, o julgamento em momentos distintos não causa prejuízo à defesa quando as razões de decidir nos processo reflexos seguem a linha da decisão proferida no processo principal e, mais ainda, o sujeito passivo foi regulamente intimado de todas as autuações ao mesmo tempo. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 05 85 /2 00 5- 11 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 PIS. COFINS. PRODUTORA DE ÁLCOOL CARBURANTE. ALÍQUOTAS. A pessoa jurídica produtora de álcool carburante não se confunde com a distribuidora desse combustível, e paga o PIS e a Cofins com aplicação das alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 MULTA AGRAVADA. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS. AGRAVAMENTO DO LUCRO. AUTOS RECONSTITUÍDOS. INFRAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. A multa agravada deve incidir quando o sujeito passivo, devidamente intimado, não presta os esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal, deixando de colaborar com a fiscalização. A falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais e a documentação de suporte, por si só, justifica o arbitramento do lucro, mas não o agravamento da multa. Sendo ônus da fiscalização, a demonstração da infração fica comprometida quando se trata de autos reconstituídos sem todos os elementos que poderiam, eventualmente, caracterizar o embaraço à fiscalização. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF Nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar a argüição de nulidade, acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos até 28/02/1998, inclusive, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.010585/200511 Acórdão n.º 1402002.001 S1C4T2 Fl. 638 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Contra a empresa já identificada foram lavrados os Autos de Infração, de fls. 05/08 e 259/261 do presente processo, cujos processos foram juntados por anexação em cumprimento à disposição contida no art. 2° da Portaria SRF n° 6.129, de 02.12.2005 para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referentes aos períodos já mencionados: [...] De acordo com as informações contidas nos Termos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que acompanham os referidos Autos de Infração, foram apuradas as seguintes irregularidades praticadas pela empresa autuada, em relação às contribuições do PIS e da Cofins: 1 Diferença apurada entre o valor arbitrado e o declarado/pago nos valores relacionados. Segundo narrativa do Auditor Fiscal autuante, nos mesmos Termos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal referenciados, a apuração fiscal foi efetivada por meio de arbitramento da base de cálculo dos tributos, lastreadas em informações obtidas junto aos clientes da contribuinte, anexadas aos autos (fls.72/183), em razão desta não haver apresentado os livros fiscais e contábeis reiteradamente solicitados por meio dos Termos de Intimação anexos. Foram ainda anexados aos autos os demonstrativos de fls.3/13, 22 a 71 e 184, nos quais foram apurados as receitas tributáveis e os valores devidos das contribuições. Inconformada com as autuações apresentou a contribuinte as impugnações de fls. 202/220, 454/473, aos 16/03/2006, mediante as quais aduz, em síntese: I que a despeito da viabilidade jurídica do lançamento, há de se considerar, em relação ao lançamento levado a efeito, relativo ao período anterior a 28/12/2000, que esta não pode prosperar, haja vista que realizado após o esgotamento do prazo decadencial de que a fazenda dispõe para constituição dos créditos tributários; II que, assim, consoante as disposições do art.173 I, do CTN, tendo sido a autuação cientificada oficialmente apenas em 28/12/2005, os tributos relativos aos fatos geradores ocorridos até 28/12/2000 não poderiam mais ser objeto de lançamento por parte do fisco federal; III no mérito, alega que houve equivoco na autuação, quanto à aplicação das aliquotas de 6,74% para a Cofins e 1,46% para o PIS, no período de julho de 2000 a dezembro de 2002, previstas no art. 5°, inciso II, da Lei n° 9.718/1998, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.990/2000, uma vez que a alíquota diferenciada é aplicável única e exclusivamente às empresas distribuidoras de álcool carburante, o que notadamente não é o seu caso, pois é empresa industrial, sendo o Fl. 639DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 álcool carburante um dos produtos derivado da cana de açúcar, que resultam da sua atividade fabril; IV conclui que, dessa forma, é impossível deixar de admitir o equívoco da autuação no que diz respeito à não utilização das alíquotas de 3% e 0,65%. V contesta o agravamento da multa de oficio para 112,50%, com base no art.44, inciso I da lei n° 9.430/96, juntamente com a dicção do parágrafo segundo, inicialmente, porque não existe no Termo de Encerramento de Ação Fiscal qualquer explicação acerca do motivo da aplicação de tal penalidade agravada em 50% e depois, porque se a empresa cometeu falhas, estas ocorreram simplesmente com a escrituração irregular de sua contabilidade que a impediu de realizar as demonstrações financeiras exigíveis, no entanto, foram apresentadas declarações ( DCTF, DIPJ, REFIS) à Receita Federal contendo o valor do seu faturamento e indicando a confissão de débitos que a empresa sabia ser de sua responsabilidade, o que não ensejaria a aplicação de uma multa agravada baseada em evidente intuito de fraude, mercê do entendimento que a caracterização da fraude requer um complexo conjunto probatório que indique e tipifique a ação delituosa. VI cita e transcreve jurisprudência sobre o assunto. VIL considera ilegal a aplicação dos juros com base na taxa SELIC na correção do crédito tributário, inclusive, violando o art.920 do Código Civil; VIII ainda, quanto aos juros de mora aplicados, com a taxa Selic, causa, à espécie, bitributação, sendo inconstitucional a sua aplicação para fins tributários, em razão de ter essa taxa, caráter remuneratório do custo do dinheiro e não indexatório da inflação, consoante vem entendendo a nossa corrente doutrinária e a jurisprudência dos tribunais; IX ademais, não se pode desprezar o art.193, § 3 0 da Constituição Federal, a ditar que as taxas de juros reais não podem ser superior a 12% ao ano. Xdiante do exposto, requer: a) inicialmente que seja declarado improcedente o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 28/12/2000, por terem sido atingidos pela decadência; b) que seja utilizada as alíquotás de 3% e de 0,65% no período de julho de 2000 a dezembro de 2002; .; . c) seja reduzida a multa aplicada em percentual agravado de 112,50%, para o percentual normal de 75%, tendo em vista não ter sido verificada qualquer tipicidade na conduta do contribuinte que pudesse impor a sansão; d) sejam recalculados os juros porventura aplicáveis para excluir a aplicação da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife – PE, prolatou o Acórdão 1120.059 considerando parcialmente procedente a intimação. Acolheu o argumento quanto ao equívoco na aplicação da alíquota das contribuições ( 1,46% para o PIS e 6,74% para a Cofins) reduzindoas para 0,65% e 3%, respectivamente. Dessa parte da decisão o Órgão julgador recorreu de ofício a este Colegiado. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresenta recurso voluntário a esta Corte ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.010585/200511 Acórdão n.º 1402002.001 S1C4T2 Fl. 639 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício trata das alíquotas do PIS e da Cofins imputadas ao sujeito passivo nos percentuais de R$ 1,46% e 6,74%; respectivamente. No entendimento da decisão recorrida, estaria certa a interessada em questionar tais percentuais eis que aplicáveis apenas às empresas distribuidoras de álcool carburante, o que não seria o caso. De fato, as considerações feitas pelo acórdão recorrido, embasadas pela transcrição da legislação pertinente, deixam claro que as alíquotas aplicadas pela autoridade lançadora aplicarseiam exclusivamente às distribuidoras de álcool para fins carburantes, e não à produtora ou fabricante como é o caso do sujeito passivo. Nesse caso, prevalece a regra geral dessas contribuiçções com aplicação das alíquotas de 0,65; para o PIS, e 3%, para a Cofins. Sendo assim, a decisão recorrida não merece qualquer reparo, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Tendo em vista que os processos de PIS e Cofins foram juntados para apreciação em conjunto e considerando que os argumentos de defesa são os mesmos para as duas contribuições, analisarei ambos os recursos neste voto como se fossem apenas uma peça de defesa. O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. As autuações do PIS e da Cofins de que trata o presente são lançamentos reflexos do procedimento fiscal para cobrança do IRPJ formalizado nos autos do processo 19647.010586/200566, julgado nesta Corte com decisão transitada em julgado consubstanciada no Acórdão 1202000.990 (cópia anexa). Tratandose de autuações reflexas aplicamse a elas as razões de decidir do processo tido como principal, exceto no que envolver especificidades de cada tributo. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 No que se refere à irregularidade procedimental que teria implicado em cerceamento do direito de defesa, o Acórdão 1202000.990 assim se pronunciou: [...] A recorrente aponta conexão e pede o julgamento conjunto dos processos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, alegando prejuízo à defesa. O recurso referente aos autos de infração de PIS e COFINS (processo nº 19647.010585/200511) encontrase pendente de julgamento, visto que o processo foi sobrestado pela 2ª turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. A conexão, de fato, existe, mas não obriga o julgamento conjunto das matérias. Embora decorram da apuração dos mesmos fatos, nenhum prejuízo há para a defesa com o julgamento deste processo, considerado principal por versar sobre o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), em separado e anteriormente ao julgamento daquele. Para fins de julgamento, assumese que, em razão da reconstituição dos autos, todos os elementos pertinentes à comprovação da infração fiscal foram juntados nos processos reconstituídos, principalmente porque este se trata do processo referente ao tributo principal (IRPJ). Como a recorrente teve acesso a ambos os processos, tanto que em ambos foram apresentados recursos, caberia a ela ter demonstrado que algum elemento de interesse para o deslinde da lide principal estaria juntado no processo referente ao PIS e COFINS, mas não estaria também juntado neste. Essa afirmação sequer ocorreu. A recorrente limitouse a alegar prejuízo à defesa, sem, contudo, demonstralo. A mera reconstituição dos autos não implica, por si só, em causa de nulidade do lançamento, especialmente em se tratando de lançamento sobre o lucro arbitrado em razão de falta de apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais. Ademais, todos os fatos que originaram o lançamento foram descritos no campo próprio dos respectivos autos de infração (“Descrição dos fatos e enquadramentos legais”, fls.18 e 241), de modo claro e preciso, suficiente para justificar o arbitramento do lucro em razão da falta de apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais, atendendo ao pressuposto da motivação do ato administrativo. Inexiste, pois, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, razão de nulidade do lançamento. [...] No que se refere à decadência, há uma diferença em relação ao processo principal. Não houve qualquer pagamento do IRPJ mas, através do REFIS, a interessada efetuou recolhimentos parciais do PIS e da Cofins que foram, inclusive, deduzidos na apuração fiscal. Assim, para essas contribuições o prazo decadencial deve ser contado sob as regras do § 4º, do art. 150, do CTN (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 642DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.010585/200511 Acórdão n.º 1402002.001 S1C4T2 Fl. 640 7 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vêse pela transcrição acima que a Corte submeteu a decisão ao art. 543C do Código de Processo Civil o que significa darlhe efeito repetitivo. Assim, qualquer recurso sobre essa matéria será decidido da mesma forma. Com ciência da autuação em 27/03/2003, foram atingidos pela caducidade os fatos geradores das contribuições ao PIS e à Cofins ocorridos até 28/02/1998, inclusive. Quanto à alegação de arbitramento indevido para essas contribuições importa ressaltar que o cálculo do PIS e da Cofins não ocorreu por arbitramento como não poderia mesmo sêlo, eis que tal sistemática referese exclusivamente à apuração do lucro. O valor arbitrado mencionado na autuação das contribuições referese procedimento de obtenção das receitas junto a terceiros, pois o sujeito passivo não respondeu às intimações para apresentação dos elementos necessários. No que se refere à base de cálculo da Cofins, o vício do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é inaplicável ao caso pois a cobrança da contribuição é tributação reflexa da omissão de receita tida como operacional apurada no procedimento de auditoria do IRPJ. A reclamada busca da verdade material foi prejudicada pelo próprio sujeito passivo que não atendeu às intimações para apresentar elementos da escrituração, obrigando a Fiscalização ao arbitramento do lucro. Não há que se falar em recusa do exame da documentação acostada quando não foi trazido qualquer documento. A autuação foi formalizada com base em informações obtidas junto a clientes da interessada. A incidência da multa agravada foi assim enfrentada no acórdão 1202 000.990: [...] Como se viu, o arbitramento ocorreu no caso concreto haja vista o descumprimento do dever de manter em boa ordem os documentos contábeis. Cabe lembrar que “o arbitramento do lucro não exclui a aplicação das penalidades cabíveis” (art. 538 do RIR/99). De outro lado, é importante frisar que as normas que impõem penalidades devem ser interpretadas restritivamente e em benefício do acusado, a teor do disposto no art. 112 do CTN, sendo ônus da fiscalização demonstrar a conduta irregular do contribuinte. A legislação de regência sobre o fato gerador, no tocante à multa de ofício, era o art.44, §2º, da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito, o qual atualmente corresponde ao art.44, §2º, I, em razão de alteração implementada pela Lei nº 11.488, de 2007. Vejase a redação da época: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) Fl. 644DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.010585/200511 Acórdão n.º 1402002.001 S1C4T2 Fl. 641 9 § 2° Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. A falta de prestação de esclarecimentos, assim, é requisito indispensável à caracterização da infração referida. Sendo dever do contribuinte colaborar com o trabalho da fiscalização que objetive verificar o correto cumprimento das normas tributárias, a imposição de penalidade, nesse caso, visa evitar comportamentos furtivos e que prejudiquem o bom andamento dos trabalhos fiscais. O autuante fez constar na “Descrição dos fatos e enquadramentos legais” do auto de infração (fl.18) que “omitiuse o contribuinte em esclarecer por escrito sobre a não apresentação dos já citados livros e documentos, bem assim silenciando sobre este e quaisquer outros esclarecimentos por escrito, apesar de convidado a isto (...)”. Verificase das intimações, contudo, que a recorrente foi intimada a apresentar os livros e documentos de interesse para a fiscalização, sendo solicitada uma resposta escrita, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, meramente para fins de “indicação dos elementos que estão sendo apresentados” (fl.24). Ou seja, nesse caso, nenhum esclarecimento foi solicitado. A falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais e documentação de suporte, por si só, justifica o arbitramento do lucro. Todavia, a imputação de penalidade mais gravosa exigiria a demonstração clara e objetiva da conduta irregular alegada, o que não se verifica no presente caso. Ademais, a necessidade de reconstituição dos autos, bem como a falta de juntada das respostas aos termos de intimação ou eventuais pedidos de prorrogação, não permitem o exame completo dos elementos trabalhados pela fiscalização, prejudicando a caracterização de embaraço à fiscalização e o conseqüente agravamento da penalidade. Diante disso, deve ser reduzida a multa de ofício ao percentual de 75%. Na linha de que aplicase à autuação reflexa o resultado do julgamento proferido no processo tido como principal, voto por reduzir o percentual da multa de ofício a 75%. A utilização da taxa SELIC como indexador dos juros de mora é matéria consolidada nesta Corte (Súmula CARF nº 4): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em resumo do exposto conduzo meu voto no sentido de rejeitar a argüição de nulidade, acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos até 28/02/1998, inclusive, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 645DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 23034.000097/2002-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1996 a 01/03/1997
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2401-003.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade. Fez sustentação oral a Dra. Ana Claudia Borges de Oliveira. OAB: 28685/DF.
Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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SalárioEducação Recorrente AMICO SAÚDE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 01/03/1997 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade. Fez sustentação oral a Dra. Ana Claudia Borges de Oliveira. OAB: 28685/DF. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 00 97 /2 00 2- 39 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 23034.000097/200239 Acórdão n.º 2401003.953 S2C4T1 Fl. 438 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (DRJ/SP1), cujo dispositivo tratou de não conhecer da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1644.590 (fls. 404/408): ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/1996 a 01/03/1997 PARCELAMENTO. FALTA DE INTERESSE EM RECORRER. O parcelamento do débito configura perda de interesse processual, implicando inadmissibilidade da impugnação. 2. O crédito tributário sob exame foi formalizado mediante notificação emitida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), relativamente à ausência de recolhimento da contribuição social do salárioeducação no período de ago/96 a mar/97, incidente sobre a remuneração de segurados empregados (fls. 30/31). 3. A ciência da notificação, por via postal, deuse em 20/2/2002, com apresentação de impugnação em 7/3/2002 (fls. 206/207 e 208/216, respectivamente). 4. Posteriormente, houve a transferência do controle do débito para a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tendo em conta o disposto no art. 12 do Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006, c/c art. 4º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, onde recebeu o DEBCAD nº 49.905.6620, e prosseguiuse o contencioso administrativo, consoante o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5. Intimada em 12/7/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 413, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 14/8/2013, alegando, em síntese (fls. 414/426): i) tempestividade do recurso, dada a ciência pessoal da decisão de primeira instância em 16/7/2013; ii) os valores cobrados foram objeto de lançamento por parte do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por meio do DEBCAD nº 35.416.3177, cujo débito foi parcelado e liquidado, conforme DEBCAD nº 60.129.5102; e iii) houve extinção dos créditos até a competência fev/97, devido à decadência. É o relatório. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 23034.000097/200239 Acórdão n.º 2401003.953 S2C4T1 Fl. 439 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Tempestividade 6. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 7. Em que pese a alegação de ciência pessoal da intimação da decisão de primeira instância, em 16/7/2013, os documentos juntados aos autos não confirmam tal forma de intimação, nem a data mencionada. 8. De fato, constatase que a recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 12/7/2013, sextafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciouse em 15/7, segunda feira, e finalizou no dia 13/8, terçafeira. 9. Todavia, a recorrente protocolou seu recurso somente em 14/8/2013, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação. 10. Suplantado o permissivo legal, ausente o requisito extrínseco da tempestividade. Portanto, reputo inadmissível o recurso voluntário de fls. 414/426 e dele não tomo conhecimento. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 439DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 10875.004911/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RESSARCIMENTO DE IPI. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. DILIGÊNCIA FISCAL QUE RECONHECE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS.
Uma vez realizada diligência fiscal por meio da qual a Autoridade Administrativa expressamente reconhece que cabe ao contribuinte o aproveitamento do saldo credor de IPI acumulado, impõe-se a procedência do Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3201-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. DILIGÊNCIA FISCAL QUE RECONHECE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. Uma vez realizada diligência fiscal por meio da qual a Autoridade Administrativa expressamente reconhece que cabe ao contribuinte o aproveitamento do saldo credor de IPI acumulado, impõese a procedência do Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 49 11 /2 00 2- 41 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls. 309 /315). Por bem abordar a questão, transcrevo o relatório constante do referido acórdão: A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com fulcro na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, no que concerne ao período em epígrafe, no importe de R$192.037,64. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, SP, com base em informação fiscal, indeferiu o pleito e não homologou as compensações vinculadas, porque não houve esgotamento do saldo credor existente na escrita fiscal em 31/12/1998, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, art. 5º, § 3º; por outro lado, fabricante de produtos não tributados (NT), a contribuinte deixou, quanto ao trimestre em tela, de efetuar os estorno das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados nos produtos NT, conforme a IN SRF nº 33, de 1999, art. 2º, § 3º. Na informação fiscal é relatado, pela autoridade incumbida das averiguações, que, intimada a apresentar um demonstrativo de esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, entre outras coisas (justificativa de aproveitamento de créditos sob a rubrica “Outros Créditos”, com CFOP 4.99), a empresa deixou de apresentar os elementos solicitados e de prestar os esclarecimentos indispensáveis. Insatisfeita com a decisão administrativa, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade, instruída com cópias do livro Registro de Apuração do IPI e de documentos comprobatórios de compensação, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. O pedido de ressarcimento diz respeito apenas a créditos de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos com alíquota zero; 2. Os créditos referentes ao saldo credor do IPI existente em 31/12/1998 foram objeto de pedido de ressarcimento e compensação já liquidado pelo órgão fazendário competente, com o devido estorno no livro Registro de Apuração do IPI, conforma cópias anexadas à manifestação; 3. Que a “sobra” relativa ao saldo credor de foi estornada conforme cópia juntada do livro; 4. Os valores irrisórios de créditos referentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados à industrialização de produtos NT são segregados do saldo credor do imposto e posteriormente estornados, não sendo utilizados os Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10875.004911/200241 Acórdão n.º 3201002.005 S3C2T1 Fl. 387 3 créditos na escrita fiscal ou incluídos em pedidos de ressarcimento; 5. A matéria constante do pleito é regida pela Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, que inovou o assunto (possibilidade de do crédito de IPI nas compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados em produtos tributados com alíquota zero, sendo possível a compensação), e não pelo RIPI/98; Por fim, é requerido o acolhimento da manifestação de inconformidade para a reforma do Despacho Decisório, com o conseqüente deferimento do pedido de ressarcimento e a homologação das compensações. Em seu Recurso Voluntário (fls. 320/334) a Recorrente reiterou os termos de sua impugnação. Os autos foram remetidos a esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por meio da Resolução nº 3803000.230, de 24 de outubro de 2012 (fls. 344/347), determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Como demonstrado no relato acima, a discussão travada é sobre a existência de crédito de IPI, assim em atenção as questões postas, decidese a conversão do julgamento em Diligência para determinar que os autos retornem a unidade origem, autorizando a recorrente a realizar uma nova escrituração nos termos da IN nº 33/1999, apurando o crédito objeto do ressarcimento, identificando os produtos não tributados. Em seguida, após ser emitido parecer da fiscalização, o contribuinte de ser intimado para manifestação no prazo de 30(trinta) dias, em seguida os autos devem retornar ao CARF e ser cientificada Procuradoria da Fazenda Nacional. Por conseguinte, foi elaborada, pela Delegacia da Receita Federal em GuarulhosSP a Informação Fiscal de fls. 360/362, com a seguinte conclusão: Desta forma, com base na Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, e nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779/99, entendo, que cabe ao contribuinte o aproveitamento do saldo credor de IPI acumulado no 3º trimestre do anocalendário 2001, no montante de R$ 488.846,83 (quatrocentos e oitenta e oito mil, oitocentos e quarenta e seis reais e oitenta e três centavos), conforme pleiteado através da formalização do Pedido de Ressarcimento constante do processo nº 10875.004911/200241. Diante disso, proponho o encaminhamento ao SECAT, desta DRF, para ciência da informação fiscal ao contribuinte, conforme pela Resolução nº 3102000.230 / 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 24/10/2012, e posterior envio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF e ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Foi dada ciência ao contribuinte acerca da informação fiscal, tendo este deixado de se manifestar. Após, os autos foram novamente remetidos a este CARF e a mim redistribuídos em face da renúncia da Conselheira Relatora originária. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do Relatório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos, em resposta à solicitação de diligência efetuada por este CARF, reconheceu a totalidade do crédito objeto do pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente: Pelo exposto, nos termos da Informação Fiscal de fls. 360/362, transcrita no relatório e parte integrante também da fundamentação, voto por dar provimento a Recurso Voluntário interposto para confirmar a totalidade do crédito de IPI pleiteado. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001025/2007-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2002
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. CONTABILIDADE.
A obrigação acessória é obrigação tributária como outra qualquer e, não sendo possível, pela sua própria natureza, o recolhimento antecipado, deve a decadência reger-se pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Um único evento em período não decadente caracteriza a infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art. 150, § 4º, do CTN. Vencido o relator, Carlos Alberti Mees Stringari, designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator.
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto vencedor.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: Ronaldo de Lima Macedo
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. CONTABILIDADE. A obrigação acessória é obrigação tributária como outra qualquer e, não sendo possível, pela sua própria natureza, o recolhimento antecipado, deve a decadência reger-se pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Um único evento em período não decadente caracteriza a infração. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art. 150, § 4º, do CTN. Vencido o relator, Carlos Alberti Mees Stringari, designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Jhonatas Ribeiro da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.001025/200790 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.175 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VOLUME CONSTRUCÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. CONTABILIDADE. A obrigação acessória é obrigação tributária como outra qualquer e, não sendo possível, pela sua própria natureza, o recolhimento antecipado, deve a decadência regerse pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Um único evento em período não decadente caracteriza a infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 10 25 /2 00 7- 90 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art. 150, § 4º, do CTN. Vencido o relator, Carlos Alberti Mees Stringari, designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001025/200790 Acórdão n.º 2403001.175 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I, Acórdão 1216.507 da 13ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no Relatório Fiscal: 1. Analisando os recibos de pagamento de serviços prestados por autônomos, demais pessoas físicas e contribuintes individuais apresentados pela empresa, constatouse que a empresa não relaciona a maioria desses segurados em sua folha de pagamento mensal. 2. Por outro lado, as remunerações recebidas pelos segurados empregados referentes ao pagamento de previdência complementar, constatado por esta Fiscalização tratarse de salário indireto, também não estão incluídas nas folhas de pagamento mensal da empresa. 3. A situação descrita acima constitui infração ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, de 24/07/1991, combinado com o artigo 225, inciso I, e parágrafos 9 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, de 06/05/1999, como também, artigo 47, inciso I e parágrafo 4° do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n°2.173, de 05/03/1997, sendo lavrado o presente Auto de Infração AI. 4. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, de 06/05/1999, e nem a atenuante prevista no artigo 291 do mesmo Regulamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Decadência; · Efetuou compensação de Contribuições Previdenciárias pagas indevidamente sobre a remuneração de autônomos e administradores da Lei 7.787/89; · Quanto à impossibilidade de relevação da multa, pedido feito de início pela Recorrente em se tratando de empresa sem antecedentes de autuação do tipo, essa relevação foi negada sob fundamento de que não houve correção da falta dentro do prazo da impugnação, visto Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 ausência de apresentação de GFIP's, mas, resta evidente que tudo tem sido feito pela pessoa jurídica dentro do que manda a legislação de regência, inocorrendo, dentro da realidade fática, incidência ou reincidência de qualquer infração. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001025/200790 Acórdão n.º 2403001.175 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de nº 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. ......................................................................................................... Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No caso presente, tratase de autuação pelo não cumprimento de obrigação acessória (deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos), portanto, não se trata de lançamento por homologação. Não há recolhimento a homologar. Aplico, portanto, a regra do artigo 173 do CTN. Os fatos geradores que motivaram a autuação ocorreram no período de 04/1999 a 03/2002. A ciência do lançamento ocorreu em 03/07/2007. Para esta autuação 1 único evento em período não decadente caracteriza a infração. Uma vez caracterizado evento em período não decadente, entendo não configurada a decadência. RELEVAÇÃO DA MULTA A relevação da multa era prevista no §1°, do Art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e estava condicionada a 3 eventos: formulação de pedido, correção da falta dentro do prazo de impugnação e ausência de circunstâncias agravantes. Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001025/200790 Acórdão n.º 2403001.175 S2C4T3 Fl. 5 7 Conforme citado no acórdão recorrido, não houve a correção da falta, o que impede a relevação da multa. O acórdão recorrido registrou que: “7.14. Não houve a correção da falta dentro do prazo de impugnação. Tal fato é comprovado pela ausência das referidas folhas nos autos do processo, tendose em vista que o causídico não as acostou na peça contestatória. Assim, fica negado o pleito da empresa.” CONCLUSÃO: Voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Vencedor Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencedor. Pelo fato de o ConselheiroRedator Jhonatas Ribeiro da Silva ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Ronaldo de Lima Macedo, nomeado para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que eu (Ronaldo de Lima Macedo), como redator adhoc, fui designado apenas para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento do Conselheiro Redator Designado adhoc. Com isso, este conselheiro não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. Inicialmente, deixo consignado que adoto o relatório do Ilustre Relator. Tratandose de lançamento fundamentado no art. 45 da Lei 8.212/91, impõe se consignar que o prazo decadencial regese pelo Código Tributário Nacional (CTN), nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do E. Supremo Tribunal Federal. Neste passo, acompanho o entendimento do Relator. No entanto, divirjo de seu entendimento em relação ao critério que deve pautar o cálculo do prazo decadencial, na hipótese de descumprimento de obrigação acessória. Entendo que a esse tipo de imposição impõese a aplicação do prazo estabelecido pelo art. 150, § 4º, do CTN, de forma que o termo inicial do prazo é a data do descumprimento da obrigação acessória, quando, então, esta converteuse em principal. Isso porque o art. 113, § 3º, do CTN estabelece que o inadimplemento da obrigação acessória (lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos) convertea em obrigação principal. Nessa linha de raciocínio, o art. 139 do CTN estabelece que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal. E o art. 150, § 4º, do CTN fala que se considera que homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, com o decurso de5 anos contados do fato gerador, com o que é aplicável o prazo decadencial nele contido, em relação às multas. Há precedente nesse sentido da lavra do I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata, o qual, mutatis mutandis, aplicase ao presente caso: PRAZO DECADENCIAL – MULTAS Ao teor do CTN, art. 113, § 3º, o inadimplemento da obrigação acessória (dever de pagar no vencimento as estimativas de IRPJ) convertea em obrigação principal. Conforme o art. 139 do CTN, o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal. E o art. 150, § 4º, do CTN fala “considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito”, Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001025/200790 Acórdão n.º 2403001.175 S2C4T3 Fl. 6 9 com o decurso de 5 anos contados do fato gerador, com o que é aplicável o prazo decadencial nele contido, em relação às multas. (Acórdão 110300.598) Inobstante, as obrigações acessórias são instituídas no interesse da administração tributária e visam, em última análise, permitir a constituição do crédito tributário. Ocorre, no presente caso, que o próprio tributo objeto da lide encontrase fulminado pela decadência, de tal sorte que a obrigação acessória perdeu a sua finalidade. Assim, considerando que os fatos geradores que ensejaram a autuação ocorreram no período de 04/1999 a 03/2002 e que a lavratura do auto deuse em 03/07/2007, dou provimento ao recurso, para declarar a decadência da imposição, com espeque no art. 150, § 4º, do CTN. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, reconhecendo que o crédito tributário lançado foi extinto pela decadência quinquenal. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720338/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - PRECLUSÃO PROCESSUAL
Considera-se intimado o contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário. A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.736
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - PRECLUSÃO PROCESSUAL Considera-se intimado o contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário. A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Relator e Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 03 38 /2 01 1- 29 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720338/201129 Acórdão n.º 2201002.736 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Despacho 80 da 5ª Turma, que não conheceu da impugnação por intempestividade. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega da tempestividade da impugnação. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Por meio do ofício nº 117/2011/DRF/UBE/SAFIS, encaminhouse para a Prefeitura de Patos de Minas o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF e os autos de infração 10970.720338/201129 (debcad 51.006.1460) e 10970.720339/201173 (debcad 37.270.5391 e 37.270.5375). Também deuse ciência que o prazo para impugnação era de 30 dias contados do recebimento do ofício. Conforme AR, folha 15, o ofício foi recebido no dia 24/11/2011. A impugnação foi protocolizada na RFB no dia 30/12/2011 (folha 120). É incontroverso que o intervalo de tempo entre essas duas datas é maior que 30 dias. A recorrente afirma que a impugnação era tempestiva e coloca que a RFB "realizou diligência no sentido de verificação e conferência da numeração dos DEBCAD's, e promoveu alteração na numeração de alguns deles, inclusive tendo expedida, em 1º de dezembro de 2011, nova informação fiscal acerca desse processo.", que "havendo diligência para corrigir a confusa numeração dos DEBCAD's e das possíveis distorções dos valores, não se admite a fluência do prazo nesse interregno, pois, eventual alteração sem cientificar a parte e oportunizar o acesso as informações, dificultaria o exercício do contraditório e da ampla defesa, corolários do devido processo legal (CF, art. 5o, LIV e LV)" e que "o início da contagem do prazo para a apresentação da impugnação seria somente a partir da juntada da informação fiscal expedida em 1° de dezembro de 2011." Ocorre, no entanto que, a própria auditoria fiscal da RFB realizou diligência no sentido de verificação e conferência da numeração dos DEBCAD's, e promover a alteração da numeração de alguns deles, inclusive tendo expedida, em 1o de dezembro de 2011, nova informação fiscal acerca desse processo. Ora, é evidente que, havendo diligência para corrigir a confusa numeração dos DEBCADs e das possíveis distorsões dos valores, não se admite a fluência do prazo nesse interregno, pois, eventual alteração sem cientificar a parte e oportunizar o acesso as informações, dificultaria o exercício do contraditório e da ampla defesa, corolários do devido processo legal (CF, art. 5o, LIV e LV). Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720338/201129 Acórdão n.º 2201002.736 S2C2T1 Fl. 4 5 Desta feita, o início da contagem do prazo para a apresentação da impugnação seria somente a partir da juntada da informação fiscal expedida em 1° de dezembro de 2011, o que atende aos princípios da razoabilidade, lealdade processual e do devido processo legal. Vale lembrar que a impugnação foi protocolizada em 30/12/2011, ou seja, dentro do prazo de 30 (trinta) dias. E mais, a sistemática processual impõe que, havendo necessidade de baixar em diligência o processo, medida que necessária é a suspensão do processo até o seu cumprimento, ou, na eventualidade, a concessão de novo prazo para apresentação de resposta, sob pena de nulidade. A recorrente juntou ao recurso a Informação Fiscal acima mencionada, folha 58. O documento registra que quanto a este processo, nenhuma alteração foi produzida. Para o Processo n°10970.720339/201173 foram alterados apenas nos números de DEBCADs, e concedido novo prazo para impugnação. 1.Estamos reenviando o Termo de Encerramento do Procedimento FiscalTEPF e os Autos de Infração lavrados referente ao Processo n°10.970.720339/201173) sem alteração de valores com alterações apenas nos números de DEBCADs, os quais passam a ser: DEBCAD 37.270.5375, cujo número passa a ser 37.342.0790 DEBCAD 37.270.539l,cujo número passa a ser 37.342.0803. Informamos ainda que no Relatório Fiscal e nos anexos onde por ventura constar os números dos DEBCADs substituídos, os mesmos serão identificados pelos novos números informados 2. O Auto de Infração contido no Processo 10.970.720338/201129 com de número DEBCAD 51.006.1460 não houve alteração de número e nem de valor, permanecendo como foi enviado. 3. Fica ciente o contribuinte que será aberto novo prazo de impugnação ou de regularização dos Autos do 10.970.720339/201173 acima citados a partir da ciência, via postal desta informação fiscal. Não concordo com a recorrente. Quanto a este processo, a Informação Fiscal somente informou que não houve alteração. Não vejo razão para suspensão ou interrupção do prazo. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Entendo a impugnação intempestiva. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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