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Numero do processo: 10380.900759/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 59 /2 00 9- 67 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900759/200967 Acórdão n.º 3101001.719 S3C1T1 Fl. 535 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior da contribuição que pretende utilizar para compensar com seus débitos. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado. Entendeu o órgão julgador de primeiro grau que, a partir de 31/10/03, para fins de apuração da Cofins, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900759/200967 Acórdão n.º 3101001.719 S3C1T1 Fl. 536 3 seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, esta turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. Novamente em pauta para julgamento, esta turma determinou nova conversão do julgamento em diligência, para trazer aos autos complemento do laudo pericial, com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o complemento do Laudo Pericial Técnico elaborado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação, contendo a composição final do preço de venda de energia para a COELCE, com o detalhamento da ponderação dos insumos na composição do preço final de energia. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900759/200967 Acórdão n.º 3101001.719 S3C1T1 Fl. 537 4 A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivoca a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. A incidência nãocumulativa das contribuições de que tratam a Lei n° 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da Lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...] Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900759/200967 Acórdão n.º 3101001.719 S3C1T1 Fl. 538 5 §2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: (i) a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou (ii) da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). O ponto principal para a sujeição ao regime cumulativo é a comprovação de que o reajuste praticado não foi superior à variação dos custos de produção. A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900759/200967 Acórdão n.º 3101001.719 S3C1T1 Fl. 539 6 A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Esta turma de julgamento, em sua composição anterior, em 10 de novembro de 2011, ao determinar a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. A Cláusula 6.3 do Contrato de Fornecimento estabelece que a fórmula de reajuste dos preços seria determinada com base na Resolução ANEEL 22/2001, que previa, para aplicação do limite de repasse dos preços contratuais, o Valor Normativo estabelecido para cada contrato de compra de energia seria atualizado para o mês anterior à data de acordo com a seguinte fórmula: Onde: VNi Valor Normativo reajustado no mês do reajuste das tarifas de fornecimento do concessionário ou permissionário de distribuição; VNoi Valor Normativo vigente no mês de registro do contrato de compra de energia referido ao mês de publicação da resolução; K1 = fator de ponderação do índice IGPM; K2 = fator de ponderação do índice de combustíveis; Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900759/200967 Acórdão n.º 3101001.719 S3C1T1 Fl. 540 7 K3 = fator de ponderação do índice de variação cambial IGPMli valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior a data de atualização do VN; IGPMOi valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; COMBli valor do índice do combustível, no mês anterior a data de atualização do VN; COMBOi valor do índice do combustível, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; IVCli média da cotação de venda do dólar norteamericano, divulgada pelo Banco Central do Brasil, no mês anterior a data de atualização do VN; IVC0i = R$ 1,9633/US$. Já a variação do índice referente ao combustível, a ser utilizado na fórmula de atualização dos Valores Normativos, considera 80% da parcela do preço com reajuste estipulado pelas variações da taxa cambial e do índice de preços ao atacado no mercado dos Estados Unidos da América, e 20% restantes pela variação do IGPM. Portanto, a fórmula para reajustes de preço baseiase em índices que captam a variação geral de preços (IGPM), a variação cambial e a variação setorial (combustível), esse, por sua vez, também derivado da variação cambial. Dessa forma, a variação cambial entra duas vezes na composição da fórmula de reajuste de preços. Estes índices, apesar de contratualmente estipulados e aprovados pela agência reguladora, não representam necessariamente a variação dos custos da produção ou dos insumos utilizados, mas sim a recomposição de preços de mercado. Não foi comprovado que há uma correlação direta entre os componentes da fórmula de reajuste de preços e a variação dos custos de produção. A utilização dos fatores, mesmo ponderados, e dos índices geral, setorial e especialmente o cambial, tendem a restabelecer o preço de mercado, atualizando os custos para os novos empreendimento e não os custos da produção ou dos insumos efetivamente incorridos. Considerando que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, restanos analisála em função da variação do custo de produção. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento, foi dividido em duas partes: (i) a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; (ii) a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900759/200967 Acórdão n.º 3101001.719 S3C1T1 Fl. 541 8 Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. A recorrente apresentou, em atendimento à Resolução desta turma de julgamento, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos: Também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900759/200967 Acórdão n.º 3101001.719 S3C1T1 Fl. 542 9 Constatase, que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005), não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Diante dos fatos apurados, dou provimento parcial ao recurso voluntário, determinando que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003507/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESISTÊNCIA.
O pedido de parcelamento constitui confissão, irretratável, de dívida e traduz-se na concordância do sujeito passivo com a exigência fiscal, implicando na extinção do litígio administrativo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-001.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 14/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 14/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
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DESISTÊNCIA. O pedido de parcelamento constitui confissão, irretratável, de dívida e traduz se na concordância do sujeito passivo com a exigência fiscal, implicando na extinção do litígio administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 14/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 07 /2 00 4- 10 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10280.003507/200410 Acórdão n.º 3201001.725 S3C2T1 Fl. 504 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de autos de infração de Contribuição para o PIS, fls. 043/065, e da Cofins, fls. 359/372, ciência em 30/09/2004, sobre valores não declarados e não recolhidos, no montante de R$ 49.680,59 e R$ 310.397,63, respectivamente, neste incluídos multa de ofício e juros de mora. 2. O auto de infração teve origem, segundo descrição dos fatos de fls. 360 e 053, da constatação de insuficiência de recolhimento de PIS e da Cofins nos anos calendários 2000 a 2003. As receitas mensais e as exclusões da base de cálculo foram obtidas por meio de declarações estaduais DIEFs (Declarações de Informação EconômicoFiscais) e das declarações de receitas do contribuinte de fls. 032/042. A partir das bases de cálculo apuradas, subtraiuse os valores declarados em DCTF e/ou recolhidos. 3. Não concordando com a autuação, o contribuinte apresentou Impugnação de fls. 66/88 e 374/396, em que apresenta os seguinte argumentos, em resumo: a) Houve cerceamento do direito de defesa, tendose em vista que o fiscal, mesmo tendo os livros contábeis à sua disposição, desconsiderou valores escriturados, como, por exemplo, IPI e notas fiscais canceladas; b) Todos os débitos apurados pela empresa referente à Cofins foram pagos (compensados) com o crédito do IPI através do processo 200134000244617, valores considerados pelo fiscal; c) A Fazenda pode calcular, com base nos livros e documentos disponibilizados, o real valor devido; d) Requer perícia contábil para calcular as Contribuições lançadas de ofício. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPOI nº 9.270, de 05/04/2006, fls. 376/384: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. A Lei n° 9.718, de 1998, com alterações dadas pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dispôs sobre as bases de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins e Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10280.003507/200410 Acórdão n.º 3201001.725 S3C2T1 Fl. 505 3 exclusões permitidas, havendo previsão expressa no § 2° do art. 3° da lei citada de exclusão das vendas canceladas. Lançamento Procedente em Parte. Intimado o contribuinte, este peticiona informado do parcelamento do débito. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator Primeiramente, devo ressaltar o teor da petição acostada pela empresa, tomada pelo recurso voluntário, que nada mais é do que a informação de que o débito está parcelado e requerimento de suspensão deste processo. Considerando que o parcelamento da dívida se traduz na concordância do sujeito passivo com a exigência fiscal, bem como não cabe analisar pedido de suspensão do processo. Não existindo mais litígio administrativo, voto por não conhecer do recurso. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2014setembro de 2014 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 10675.906641/2009-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 64 1/ 20 09 -3 7 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906641/200937 Resolução nº 9303000.053 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906641/200937 Resolução nº 9303000.053 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906641/200937 Resolução nº 9303000.053 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10425.001509/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
REEMBOLSO DE SALÁRIO MATERNIDADE.
O lançamento tributário não é a via adequada para discutir o direito do contribuinte ao reembolso de salário maternidade que não foi deduzido no ato do pagamento das contribuições devidas à Previdência Social.
MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. AGRAVAMENTO.
Descabida a multa qualificada quando a fiscalização não demonstra a intenção do sujeito passivo em omitir fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de setenta e cinco por cento.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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O lançamento tributário não é a via adequada para discutir o direito do contribuinte ao reembolso de salário maternidade que não foi deduzido no ato do pagamento das contribuições devidas à Previdência Social. MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. AGRAVAMENTO. Descabida a multa qualificada quando a fiscalização não demonstra a intenção do sujeito passivo em omitir fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 15 09 /2 01 0- 12 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de setenta e cinco por cento. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10425.001509/201012 Acórdão n.º 2402004.170 S2C4T2 Fl. 554 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1133.578 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ RecifePE, f. 432435, com ciência ao sujeito passivo em 11/04/2012 que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP lavrado sob o Debcad no 37.276.5580, com ciência ao sujeito passivo em 22/09/2010, f. 02. De acordo com o relatório fiscal de f. 3238, o AIOP trata de exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados da Prefeitura Municipal e os valores pagos ou creditados aos segurados autônomos, agrupadas conforme classificação abaixo: DF: valores informados nas folhas de pagamento e não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, consignados no “demonstrativo dos valores em folha de pagamento e de GFIP”, f. 251; DE: diferença entre os valores consignados nos empenhos e os informados em folhas de pagamento e que não foi declarada em GFIP, consignados no “demonstrativo dos valores em folha de pagamento e notas de empenho, f. 253; PF: valores de pagamentos a transportadores autônomos não declarados em GFIP, extraídos dos empenhos obtidos por meio de consulta ao sistema SAGRE/PB e de dados disponibilizados pelo contribuinte por meio magnético, consignados no demonstrativo “valores obtidos pelo sistema sagres e CD entregue pelo contribuinte transportador autônomo jan a dez/2009”, f. 296313 RA: valores pagos aos contribuintes individuais, exceto transportadores autônomos, não declarados em GFIP, extraídos dos empenhos obtidos por meio de consulta ao sistema SAGRE/PB e de dados disponibilizados pelo contribuinte por meio magnético, consignados no demonstrativo “valores obtidos pelo sistema sagres e CD entregue pelo contribuinte remuneração de autônomos jan a dez/2009”, f. 273295; RN: valores informados em folha de pagamento que não integraram o salário de contribuição e que não foram declarados em GFIP, correspondentes aos pagamentos efetuados a André T. Silva nas rubricas vencimentos, gratificação e 1/3 de férias, e, aos pagamentos efetuados aos demais servidores a título de horas extras e 1/3 de férias, consignados no demonstrativo “remuneração em folha não considerada base de cálculo pela Prefeitura”, f. 254; Em razão da omissão da declaração desses fatos geradores em GFIP foi aplicada multa qualificada de 150% com base no art. 35A da Lei 8.212/91, conforme autorizado pelo art. 44 § 1o da Lei 9.430/96 c/c art. 71 inc. I da Lei 4.502/64, e foi feita representação ao Ministério Público Federal para, se assim entender, propor ação penal por crime de sonegação de contribuição previdenciária. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. Em 10/05/2012 o sujeito passivo, representado pelo prefeito municipal, interpôs recurso insurgindose contra o agravamento da multa e o não reconhecimento do seu crédito ao reembolso do salário maternidade, e, para tanto, apresentou suas alegações, f. 440 444, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Alega que não agiu com dolo nem houve sonegação, a justificar o agravamento da penalidade, sustentando que deixou de prestar as informações em GFIP na época própria por erro, e que está providenciando a correção da falta. Complementa que o simples erro não justifica a aplicação da multa qualificada. Além disso, entende que as informações que foram omitidas em GFIP estão divulgadas na internet, no sítio do Tribunal de Contas do Estado – TCE/PB, cuja fonte foi consultada pela autoridade lançadora, de modo que não houve sonegação. Expõe que a multa aplicada com base na Lei 9.430/96 tem caráter confiscatório, o que afronta o art. 150 inc. IV da Constituição Federal. Junta documentos que, segundo a recorrente, referemse a valores pagos pela municipalidade a título de licença maternidade. Pede que o débito seja retificado mediante dedução do salário maternidade pago pela municipalidade, que a multa aplicada seja reduzida para 75% e que o saldo devedor após essas alterações seja parcelado com base na Lei 10.522/2002 em 60 parcelas a serem descontadas do Fundo de Participação do Município – FPM, aplicandose a redução da multa prevista para os casos de pedido de parcelamento tempestivo. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10425.001509/201012 Acórdão n.º 2402004.170 S2C4T2 Fl. 555 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis – Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Reembolso de Salário Maternidade A discussão acerca do direito da recorrente ao reembolso do salário maternidade não é admitida nessa via processual, pois essa matéria não foi objeto do lançamento tributário. Os documentos acostados aos autos indicam que a recorrente deixou de consignar em folha de pagamento e em GFIP o reembolso de valores supostamente pagos a título de salário maternidade mediante dedução no ato do pagamento das contribuições devidas à Previdência Social, correspondentes ao mês de competência do pagamento do benefício à segurada. Isso porque as folhas de pagamento elaboradas pela Prefeitura Municipal, do período de janeiro/2009 a dezembro/2009, f. 93170, não identificam os nomes das seguradas em gozo de salário maternidade, nem os valores supostamente pagos a elas e nas GFIP do mesmo período, f. 171249, não foram informados os valores supostamente pagos a este título. Aparentemente a recorrente busca, nessa oportunidade, o reconhecimento do seu direito à compensação do salário maternidade por ela supostamente pago com o débito apurado no presente lançamento tributário. Para tanto, junta atestados médicos, f. 450462, fichas de salário maternidade do ano de 2009, f. 463485 e fichas de salário maternidade dos anos 2005 a 2008, acompanhadas de certidões de nascimento e declarações médicas, f. 486513, com o intuito de comprovar o direito daquelas seguradas ao benefício do salário maternidade, embora em nenhum dos documentos apresentados, nem mesmo nas fichas de salário maternidade, constam os dados relativos ao pagamento do benefício (data e valor). Também não há prova de que a recorrente recolheu as contribuições previdenciárias sem a dedução do valor a reembolsar. De qualquer modo, os débitos aqui apurados somente podem ser compensados com créditos do contribuinte que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou reembolso. Já a compensação, pelo contribuinte, é permitida com débitos vincendos, no termos do art. 251 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012, desde que feita dentro do prazo prescricional. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Multa de Ofício Qualificada A controvérsia recai sobre o agravamento da penalidade pela prática de sonegação com base no art. 35A da Lei 8.212/91 c/c art. 44 inc. I § 1o da Lei 9.430/96, na redação da Lei 11.488/2007, e art. 71 inc. I da Lei 4.502/64. O art. 71 inc. I da Lei 4.502/64 define sonegação: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Vêse que o agravamento da penalidade somente é possível em caso de sonegação dolosa, hipótese em que se verifica a vontade do sujeito passivo de alcançar o resultado consistente em impedir que a autoridade tributária tome conhecimento ou retarde a identificação da ocorrência do fato jurídico tributário, ou de assumir o risco de produzir esse resultado. A autoridade lançadora configurou a sonegação com base no fato de a recorrente ter deixado de informar em GFIP os valores pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, demonstrando que essa conduta omissiva ocorreu em todos os meses do ano de 2009. A conduta descrita, entretanto, não revela o elemento volitivo do infrator, indispensável à configuração da sonegação passível de agravamento da penalidade. Na falta de elementos capazes de demonstrar a intenção do infrator, os fatos imputados ao sujeito passivo pela autoridade lançadora ficam sujeitos à penalidade do art. 44, I, da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/2007, que prevê a incidência de multa de ofício de 75% quando há omissão de declaração e declaração inexata, independente da intenção do infrator. Deixo de apreciar a alegação de incompatibilidade do art.44 da Lei 9.430/96 com o art. 150 inciso IV da Constituição Federal, por força do Enunciado da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrito: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com base no exposto, afasto a qualificadora, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75%. Pedido de Parcelamento Quanto ao pedido de parcelamento da parte incontroversa, cabe ao sujeito passivo formalizálo junto à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil circunscricionante do seu domicílio. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10425.001509/201012 Acórdão n.º 2402004.170 S2C4T2 Fl. 556 7 Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75%. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 559DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.906435/2012-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 24/12/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 35 /2 01 2- 14 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.883, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 28160.01944.180612.1.2.045123, rastreamento nº 041907850, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 6.812,41, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/11/2010, efetuado em 24/12/2010, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906435/201214 Acórdão n.º 3802002.733 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/12/2010 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906435/201214 Acórdão n.º 3802002.733 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906435/201214 Acórdão n.º 3802002.733 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906435/201214 Acórdão n.º 3802002.733 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16643.000083/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
Ementa:
PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA.
A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. ATENDIMENTO INSUFICIENTE AS INTIMAÇÕES FISCAIS
Agrava-se a penalidade, na forma do artigo 44, § 2. °, da lei n.° 9.430, de 1996, quando em procedimento de oficio o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações.
Recurso de ofício negado
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2202-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que provia parcialmente o recurso de ofício para restabelecer na base de cálculo o valor de R$ 840.108,99 em 25/08/2005. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam parcialmante ao recurso para excluir o item 2 do auto de infração (Beneficiário não Identificado). O Conselheiro RAFAEL PANDOLFO apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Humberto Lucas Marine, OAB/RJ 85688. (Assinado digitalmente)
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo Declaração de voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007 Ementa: PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. ATENDIMENTO INSUFICIENTE AS INTIMAÇÕES FISCAIS Agrava-se a penalidade, na forma do artigo 44, § 2. °, da lei n.° 9.430, de 1996, quando em procedimento de oficio o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. Recurso de ofício negado Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que provia parcialmente o recurso de ofício para restabelecer na base de cálculo o valor de R$ 840.108,99 em 25/08/2005. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam parcialmante ao recurso para excluir o item 2 do auto de infração (Beneficiário não Identificado). O Conselheiro RAFAEL PANDOLFO apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Humberto Lucas Marine, OAB/RJ 85688. (Assinado digitalmente) (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
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A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. ATENDIMENTO INSUFICIENTE AS INTIMAÇÕES FISCAIS Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2. °, da lei n.° 9.430, de 1996, quando em procedimento de oficio o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. Recurso de ofício negado Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que provia parcialmente o recurso de ofício para restabelecer na base de cálculo o valor de R$ 840.108,99 em 25/08/2005. QUANTO AO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 83 /2 01 0- 91 Fl. 5822DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 RECURSO VOLUNTÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam parcialmante ao recurso para excluir o item 2 do auto de infração (Beneficiário não Identificado). O Conselheiro RAFAEL PANDOLFO apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Humberto Lucas Marine, OAB/RJ 85688. (Assinado digitalmente) (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 5823DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da Contribuinte, TIM CELULAR S/A, foi lavrado auto de infração (fls. 3.868 a 3.884), acompanhado de Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.885 a 3.912) por meio do qual foram exigidas importâncias de IRRF dos anos calendário 2005 e 2006 e multa agravada de 112.5%. A ciência se deu por via postal em 13.05.2010. O Auto de Infração (fls. 3.917 a 3.933) contém a descrição de duas infrações: 1. Rendimento de residentes ou domiciliados no exterior. Falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. 2. Outros rendimentos – beneficiário não identificado. Falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiário não identificado. A autuante relata que o contribuinte retificou DCTF, em 01.12.2009, 02.12.2009 e 03.12.2009, para reduzir valores de IRRF e de CIDE dos anos de 2005 e 2006. Intimado para prestar esclarecimentos, limitouse a alegar que havia cometido equívocos quanto à constituição dos créditos tributários, sem apresentar nenhum tipo de documento comprobatório. As retificadoras, no entanto, não produziram efeito, tendo em vista que nas datas em que foram transmitidas o contribuinte já tinha a sua espontaneidade excluída, por conta da fiscalização iniciada em 21.09.2009. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, e o relatório da autoridade de primeira instância: A Auditora Fiscal observa que o contribuinte deixou de atender ou atendeu insuficientemente diversas solicitações da fiscalização quanto à apresentação de elementos para o exame de suas obrigações tributárias, afirmando que tal fato não é inédito em relação ao sujeito passivo. Cita como exemplo o processo administrativo nº 18471.000778/200631, com acórdão da DRJ/RJO1 nº 1221.809. Elabora tabela (fls. 3.938 a 3.944) contendo todas as intimações e reintimações realizadas no presente processo e a maneira como foram (ou não) atendidas pelo contribuinte, inclusive com diversas solicitações de prorrogação do prazo para tanto. A autoridade fiscal verificou o pagamento de IRRF sobre remessas ao exterior do período de 01.07.2005 a 31.12.2006, a partir de planilha apresentada pelo contribuinte com 2.523 remessas, das quais selecionou 200 itens, correspondentes aos maiores valores remetidos, totalizando R$ 617.010.034,39, para análise documental (Anexo II do Termo de Intimação nº 02). O sujeito passivo foi intimado a apresentar contratos comerciais entre as partes envolvidas, os contratos de câmbio e as invoices Fl. 5824DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 relativos àqueles 200 itens. A intimação foi atendida parcialmente. Foram realizados cruzamentos, pela data, valor e histórico, entre os valores constantes da planilha e a movimentação bancária do contribuinte, obtida nos arquivos digitais de sua escrituração contábil. A autuante ressalta que os arquivos magnéticos continham informações incompletas em alguns meses, faltando as contrapartidas de lançamentos. Cada remessa constante da planilha recebeu um número referência, que foi anotado ao lado de cada linha de remessa nas contas contábeis dos bancos, de maneira a relacionar as informações da planilha com a escrituração. As remessas a título de roaming internacional foram agrupadas em subtotais, da mesma maneira que constava na escrita contábil, por se apresentarem mais numerosas e frequentes. Como o pagamento de IRRF se dá na mesma data da remessa, os pagamentos a título de roaming internacional foram identificados na contabilidade junto aos respectivos IRRF recolhidos, pela presença dos termos “operação cambial” e “IR roaming” nos históricos dos lançamentos, consideradas as informações de data e valor. As demais remessas foram localizadas na contabilidade pela data, pelo valor e pelo histórico, com a presença dos termos “operação cambial” e “IR fornecedor”. Os campos em branco da planilha, os que continham erro do tipo “#REF!” e os que continham erro na conversão cambial foram corrigidos pela fiscalização quando imprescindíveis para o levantamento de elementos. Nos campos em branco adotaram se os valores encontrados na escrituração, levando em conta a data, o valor e o histórico do lançamento. Quanto aos erros de conversão cambial, foram levadas em conta as taxas de câmbio utilizadas nas outras remessas de mesma data e moeda. Na amostra selecionada constam seis empréstimos de valor elevado, em relação aos quais foram efetuadas remessas a título de pagamentos de empréstimo e de juros, como segue: 1. Telecom Italia Finance (28.07.2005): pagamento de “empréstimo principal – R$ 132.051.438,40”; 2. Telecom Italia Finance (28.07.2005): pagamento de “empréstimo juros – R$ 1.035.909,79”; 3. HP Financial Services (29.09.2005): pagamento de “empréstimo amortização – R$ 2.276.902,09”; 4. Telecom Italia SPA (29.09.2005): pagamento de “empréstimo amortização – R$ 276.780.000,00”; 5. Telecom Italia SPA (29.09.2005): pagamento de “empréstimo juros – R$ 1.189.139,66”; 6. Compaq (29.03.2006): pagamento de “empréstimo amortização – R$ 2.255.059,53”. Fl. 5825DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 4 5 Tais remessas foram selecionadas para análise documental. O contribuinte, apesar de intimado diversas vezes para apresentar os contratos comerciais e de câmbio correspondentes, não apresentou os contratos de empréstimo. Diante da impossibilidade do exame documental, a fiscalização limitou se à verificação da escrita contábil, o que foi documentado na planilha “Verificação dos registros contábeis dos empréstimos do Exterior” (fls. 4.394 e seguintes). Quando a data da contratação cambial foi informada na planilha de remessas, levaramse em consideração as determinações contidas na Instrução Normativa SRF nº 41/1999, que dispõe sobre a taxa de câmbio a ser utilizada na determinação da base de cálculo dos tributos decorrentes das transferências para o exterior e dele provenientes. A autuante, com a finalidade de dar maior visibilidade às informações contidas na planilha entregue pelo contribuinte, bem como para registrar os diversos cruzamentos realizados, elaborou as planilhas constantes em volumes específicos destinados a Anexos. Passa a explicar tais demonstrativos. 1. Demonstrativos mensais de apuração de CIDE pelo sujeito passivo Na planilha entregue, o sujeito passivo demonstrou a apuração da CIDE mensal, o que não permitia a visualização individualizada do tributo devido em cada remessa. A fiscalização, então, reconstituiu as parcelas individualizadas da CIDE, por meio da análise das fórmulas e dos valores utilizados como componentes da sua base de cálculo, o que se encontra demonstrado nas planilhas “Demonstrativo de Apuração da CIDE” (fls. 4.317 e seguintes). 2. Pagamentos extraídos do sistema de pagamentos da SRF As informações sobre o pagamento dos tributos foram extraídas do sistema eletrônico da RFB, e constam nos relatórios “Pagamentos IRRF Remessa Exterior” (fls. 4.661 e seguintes). 3. Planilha de remessas com indicação das contas bancárias das contabilizações das remessas Elaborada a partir da planilha original do contribuinte, para demonstrar as saídas/pagamentos de cada remessa declarada (fls. 4.277 e seguintes). 4. Razões das contas de bancos Os razões contábeis das contas de bancos foram gerados para constituir prova da ocorrência dos fatos geradores do IRRF e da CIDE (fls. 4.397 e seguintes). 5. Amostra auditada – 200 maiores remessas Gerada para demonstrar e documentar a auditoria da amostra selecionada pela fiscalização (fls. 4.366 e seguintes). 6. Apuração da CIDE sobre remessas de Agosto de 2005 pela Fiscalização Demonstra a correta apuração da CIDE devida em 08/2005 em razão de erro de fórmula detectado pela fiscalização na planilha apresentada pelo contribuinte (fls. 4.365 e seguintes). Fl. 5826DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 7. Remessas a título de Roaming Internacional – Apuração da CIDE 10% Apuração da CIDE sobre as remessas a título de roaming internacional (fls. 4.370 e seguintes). 8. Verificação dos registros contábeis dos empréstimos do Exterior Demonstra a verificação da contabilização dos empréstimos do exterior, selecionados entre as 200 maiores remessas, tendo em vista que não foi possível a verificação documental destes itens em razão da não apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização (fls. 4.394 e seguintes). 9. Remessas sem causa e a beneficiário não identificado Remessas não declaradas na planilha apresentada pelo sujeito passivo, e para as quais o fiscalizado deixou de apresentar qualquer esclarecimento ou documentação. Com exceção das remessas identificadas como roaming internacional na escrituração, as demais foram tratadas como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado (fls. 4.390 e seguintes). Continua a Auditora Fiscal relatando que o contribuinte impetrou dois mandados de segurança: Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0013031 (fls. 58 a 228), em que requereu liminar para determinar às autoridades impetradas que se abstivessem de promover atos de cobrança relativos à CIDE Royalties nos termos do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, ou, subsidiariamente, de efetuar a cobrança da contribuição no que tange à inclusão do IRRF em sua base de cálculo, e a segurança definitiva no mesmo sentido, além de autorização para compensar valores indevida e anteriormente recolhidos. Afirma a autoridade fiscal que não houve concessão de liminar, e que, mesmo com sucessivos recursos interpostos, o pleito do fiscalizado não prosperou. Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0065266 (fls. 30 a 55), em que requereu liminar para determinar à autoridade impetrada que se abstivesse de exigir o IRRF nas remessas de recursos à Telecom Italia em função da prestação de serviços de telecomunicação internacional, ou ao menos para efetuar a retenção e/ou recolhimento do imposto sobre os valores efetivamente remetidos ao exterior, depois de realizadas as compensações, e a segurança definitiva no mesmo sentido. A liminar foi deferida em 09.07.2009 para que não fosse exigido o IRRF em questão. Observa a autuante que, apesar de intimado reiteradas vezes, o contribuinte não informou se deixou ou não de recolher os tributos sob o amparo da liminar. Por isso, e tendo em vista a data de expedição da liminar, não considerou como suspensas as exigibilidades dos débitos tributários apurados, aplicandose, inclusive, as multas cabíveis. O lançamento foi realizado tendo em vista a existência de duas infrações. A primeira diz respeito à falta de recolhimento ou recolhimento a menor de IRRF constatados nas remessas constantes da amostragem, com base nos artigos 682, 685, 708, 709 e 710 do RIR/99; no artigo 3º da Medida Provisória nº 2.15970/ 2001; no artigo 17 da Instrução Normativa SRF nº Fl. 5827DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 5 7 252/2002; no artigo 2ºA da Lei nº 10.168/2000, acrescentado pelo artigo 7º da Lei nº 10.332/2001. Destaca a autuante o conceito de royalties dado pela Lei nº 4.506/1964, nos seus artigos 22 e 23. Explica que, com base na metodologia de apuração do IRRF e da CIDE demonstrada pelo próprio contribuinte na planilha apresentada e considerando o disposto nos artigos 682 e 717 do RIR/99, depreende se que ao efetuar os pagamentos aos prestadores de serviços ao exterior, o fiscalizado revestiase da condição de responsável tributário pela retenção e recolhimento do IRRF. Destaca que, com base no artigo 1º, §2º, I da Lei Complementar nº 116/2003, o fiscalizado é responsável pela retenção e recolhimento do ISS do qual o prestador no exterior é o contribuinte. Assim, as bases de cálculo do IRRF foram reajustadas pelo próprio IRRF e pelo ISS, do mesmo modo como já vinha sendo feito pelo contribuinte, nos termos do artigo 725 do RIR/99. As alíquotas do ISS empregadas em cada remessa foram deduzidas a partir das fórmulas contidas nas memórias de cálculo da CIDE contidas na planilha de remessas apresentada pelo contribuinte, o que está demonstrado no “Demonstrativo de Apuração da CIDE” (fls. 4317 e seguintes). As remessas para países não informados pelo contribuinte ou para países sem acordo internacional com o Brasil para evitar a dupla tributação foram reajustadas pela alíquota do IRRF de 15%. Para as remessas aos países com tratado (Alemanha, Chile, Espanha, Holanda e Itália), utilizouse a alíquota nele prevista, conforme a natureza do serviço prestado. A fiscalização passa a fazer algumas observações sobre as seguintes remessas: 1. Remessa do dia 21.07.2005 a Atos Origin: o contrato de câmbio está em nome da empresa Maxitel S/A, e por isso não foi objeto do lançamento; 2. Remessas do dia 27.12.2005 a Tekelec: os valores em dólares foram corrigidos em função do contrato de câmbio nº 05/096746 (folhas 3.121 e seguintes), de 27.12.2005, de USD 191.143,68 para USD 163.126,67; 3. Remessa do dia 16.02.2006 a Telecom Italia SPA: o valor em reais foi alterado, pois o contribuinte utilizou taxa errada de câmbio na planilha original, sendo a taxa correta 2,5090, a mesma usada para os demais itens da mesma data. Prossegue detalhando as infrações. Na amostra das 200 maiores remessas, foram desconsideradas as importações, sobre as quais não há incidência de IRRF, e as Fl. 5828DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 remessas a título de roaming internacional, tratadas em auto e termo próprios. Como o contribuinte não apresentou a maior parte dos contratos comerciais firmados com os beneficiários no exterior, a checagem dos serviços descritos na planilha foi realizada com a análise dos contratos de câmbio e das invoices eventualmente entregues. A planilha “Amostra auditada – 200 maiores remessas” (fls. 4.366 e seguintes) demonstra os recolhimentos a menor e a falta de recolhimento de IRRF sobre remessas ao exterior. O Termo de Verificação Fiscal contém quadro (fl. 3.957) discriminando as remessas, o valor de IRRF devido, o valor pago e a diferença devida, objeto do auto de infração. A segunda infração apurada diz respeito a remessas não comprovadas, consideradas como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Relata a autuante que nos registros contábeis do contribuinte foram localizadas remessas que não constavam na planilha entregue à fiscalização, explicitadas no “Demonstrativo da apuração do IRRF sobre remessas sem causa e a beneficiário não identificado – remessas não constantes na planilha entregue pelo contribuinte” (fls. 4.390 e seguintes). Para tais remessas, os beneficiários e as datas das contratações cambiais são desconhecidos. No caso das remessas a título de roaming internacional, a causa do pagamento pode ser identificada nos históricos dos lançamentos. Para tais remessas, foram apurados créditos tributários de CIDE, objetos de auto e termos de verificação específicos. Para as demais remessas não declaradas na planilha, apesar de intimado diversas vezes, o sujeito passivo não prestou esclarecimentos nem apresentou documentação. Os respectivos lançamentos contábeis não trazem em seus históricos uma indicação da natureza da operação, e por isso foram tratadas como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, sujeitos à incidência de IRRF à alíquota de 35%, nos termos do artigo 674 do RIR/99. Consta no Termo de Verificação (fl. 3.959) tabela com a apuração do imposto devido. A multa de 75%, prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, foi aplicada no lançamento para as duas infrações com a majoração de 50%, nos termos do § 2º, I do inciso I daquele mesmo artigo, tendo em vista que o contribuinte reiteradamente deixou de atender às intimações da fiscalização. Em 21.06.2010 o contribuinte apresentou impugnação (fls. 3969 a 3998), destacando os seguintes pontos: Fl. 5829DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 6 9 Observa que as planilhas e relatórios elaborados pela fiscalização para a apuração dos valores devidos de IRRF não lhe foram entregues quando da ciência do auto de infração, e que o presente processo administrativo ficou disponível para sua consulta em 08.06.2010, quando faltavam apenas 15 dias para o encerramento do prazo para contestação. Além disso, pelo grande volume de documentos acostados ao processo, não seria possível analisálos na repartição, pelo que solicitou a extração de cópias, que, conforme informado pela “Divisão de Arrecadação do Crédito Tributário”, apenas ficariam prontas após 15 dias úteis, ou seja, no dia em que vencia o prazo para a apresentação da impugnação. Com isso, entende que lhe foi ferido o direito à ampla defesa, já que ficou impossibilitado de se defender de todos os aspectos da autuação, especialmente sobre a apuração do IRRF, o que é elemento indispensável para se verificar a legalidade do procedimento fiscal. Requer, por isso, a declaração de nulidade do auto de infração, por cerceamento ao seu direito de defesa. No mérito, argumenta que o artigo 674 do RIR/99 (que tem como fundamento legal o artigo 61 da Lei nº 8.981/95) é inaplicável às remessas ao exterior, já que tal norma consta no Capítulo 4 do RIR/99, que trata sobre “Rendimentos Diversos”, inserido no Título I (“Tributação na Fonte”) do Livro 3 (“Tributação na Fonte e sobre Operações Financeiras”), e apenas abrange os rendimentos auferidos no País, enquanto que é o Capítulo 5 que trata dos “Rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior”. Observa que o próprio artigo 674 faz ressalva quanto ao disposto em normas específicas, no caso, justamente aquelas contidas no Capítulo 5, e lembra que as regras hermenêuticas geralmente estabelecem que as normas mais específicas prevalecem sobre as gerais. O artigo 10, inciso V da Lei Complementar nº 95/98 menciona que o agrupamento de artigos poderá constituir subseções, capítulos, livros, etc, e tal determinação deve ser considerada na interpretação da legislação, na medida em que somente podem ser agrupadas em mesmo capítulo normas que tenham correlação lógica. Procura também demonstrar que a razão para a alíquota de 35%, prevista no artigo 674, era gravar pagamentos feitos a pessoas físicas que não podiam ser identificadas, geralmente funcionários da empresa, tendo em vista que o artigo 74 da Lei nº 8.383/91 estabeleceu a incidência de IR exclusivamente na fonte sobre os benefícios indiretos pagos a administradores, diretores, gerentes e outros funcionários da pessoa jurídica à alíquota de 33%, que equivalia à alíquota máxima de 25% reajustada. Posteriormente, em 1995, a alíquot máxima com reajustamento passou a ser de 35%, e ao final as alíquotas Fl. 5830DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 máximas foram reduzidas para 25% e 27,5%, mas a alíquota de pagamento a beneficiário não identificado permaneceu em 35%. Dessa forma, tal artigo não atinge os pagamentos efetuados a Pessoas Jurídicas, como é o caso dos autos. Além disso, a alíquota máxima majorada aplicável às remessas ao exterior é de 25%, inclusive em relação aos valores remetidos para paraísos fiscais (que geralmente não permitem saber informações dos acionistas ou diversas outras informações do próprio beneficiário do rendimento), não fazendo sentido utilizar alíquota superior a tal limite para outras remessas internacionais. Por fim, os artigos 716 e 880 do RIR/99 determinam que as remessas ao exterior dependem de submeteremse ao Banco Central do Brasil e à RFB os contratos e documentos necessários para justificar a remessa, bem como a prova do pagamento do imposto devido. Ou seja, é impossível realizarse a remessa ao exterior sem a identificação da sua causa e do seu beneficiário, e sem que seja comprovado o pagamento do imposto de renda devido. O Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais vigente à época dos fatos geradores, aprovado pela Circular do BACEN nº 3.280/05, Seção 3, Capítulo 4, Título 1 prevê que é compulsória a identificação das partes contratantes nas operações de câmbio, o que foi mantido pela Circular BACEN nº 3.462/09, atualmente em vigor. Dessa forma, deveria a autoridade fiscal, em conformidade com o constante no artigo 142 do CTN e em prestígio à busca da verdade material, solicitar informações ao BACEN acerca das remessas efetuadas, com base na Lei Complementar nº 105/2001, o Decreto nº 3.724/2001 e a Instrução Normativa nº 165/2002. O contribuinte junta contratos de câmbio referentes a 4 remessas para provar a natureza das operações, os seus beneficiários e o recolhimento do IRRF, nas operações sujeitas ao tributo. Duas das remessas referemse a importação de mercadorias, não se submetendo à tributação pelo IRRF. Comprovado o beneficiário, o contribuinte entende que deve ser afastada a aplicação do artigo 674 do RIR/99 e a tributação à alíquota de 35%. O autuado afirma, por outro lado, ser inaplicável a multa de 112,5%. Alega que atendeu as intimações realizadas pela fiscalização, que exigiam apresentação de volumosa documentação, na estrita medida de suas possibilidades, e que jamais pretendeu prejudicar o procedimento fiscal. Os documentos apresentados, além disso, permitiram à autoridade fiscal lançar as diferenças que entendeu devidas, e por isso o fato de não ter podido atender a todas as informações não pode ser tomado como puro e simples desatendimento no contexto geral da fiscalização. Entende aplicável ao caso também o artigo 112, IV do CTN, no sentido de se interpretar a lei tributária que comina penalidades de maneira mais favorável ao contribuinte, quando há dúvida quanto à natureza ou graduação da penalidade aplicável. Por outro lado, a multa de 112,5% tem caráter confiscatório, o que Fl. 5831DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 7 11 conflita com o artigo 150, IV da CF/88, aplicável também às multas, conforme já decidido pelo STF (Medida Cautelar na ADIN nº 1.0751). Conclui esse tópico afirmando que a multa deve ser reduzida para o percentual de 75%. Ao menos no que se refere ao lançamento realizado com base no artigo 674 do RIR/99 deve a multa agravada ser reduzida a 75%, já que a suposta não identificação do beneficiário já é punida com o agravamento da alíquota do IRRF. Conclui a impugnação pedindo a declaração de nulidade da autuação e o cancelamento da exigência fiscal, ou ao menos o reconhecimento da impossibilidade da exigência do IRRF nos termos do artigo 674 na hipótese de remessas ao exterior. Caso mantida a autuação, requer que a multa seja reduzida ao patamar de 75%, ou, ao menos, a redução em relação aos valores exigidos com base no artigo 674 do RIR/99. Por meio do despacho de fls. 4.123 e 4.124, esta Turma Julgadora encaminhou o processo à unidade de origem, para que fosse franqueada ao contribuinte vista e extração de cópias do processo, reabrindose prazo para impugnar. Ciente do despacho em 01.03.2011, o sujeito passivo teve vistas do processo em 11.03.2011, solicitou cópias de parte dele e em 12.04.2011 apresentou impugnação complementar (fls. 4.131 a 4.137). Reitera todos os argumentos de fato e de direito expostos na impugnação anteriormente interposta, apresentando os seguintes argumentos adicionais. No que se refere ao lançamento decorrente de falta de pagamento ou pagamento a menor de IRRF incidente sobre as remessas constantes da tabela de fl. 3.957, o contribuinte afirma que o valor do imposto devido em agosto de 2005, de R$ 841.604,20, foi recolhido tempestivamente, conforme DARF que junta, no valor de R$ 840.108,99. Observa que, por um mero equívoco, o DARF foi recolhido no nome e CNPJ da Tim Nordeste Telecomunicações S/A, empresa pertencente ao grupo da impugnante e que acabou sendo por ela incorporada. Tais equívocos ocorrem eventualmente quando um mesmo departamento é responsável pela apuração e pagamento de tributos de empresas diferentes. O débito foi declarado em DCTF da Tim Nordeste e não no da impugnante. Além disso, o contrato de câmbio nº 05/01048 indica expressamente o recolhimento do IRRF no valor de R$ 840.108,99. Ademais, a remessa em questão ensejou a incidência da CIDE, devidamente recolhida pela impugnante, havendo apenas uma divergência em relação à taxa de câmbio utilizada para a apuração da base de cálculo. Fl. 5832DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 Afirma que a pequena diferença entre o valor indicado pela fiscalização e o constante do DARF decorre de diferença na taxa de câmbio adotada para apuração da base de cálculo, e tal diferença nas taxas de câmbio é o único motivo que justifica as demais exigências efetuadas neste item da autuação. Dessa forma, entende que deve ser excluído tal montante da exigência, ou, alternativamente, solicita a realização de diligência ou perícia para que seja realizada a necessária verificação. Quanto ao item relativo a pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, o contribuinte junta documentos adicionais, quais seja, telas do sistema SAP referentes às seguintes transações: Remessa para pagamento do fornecedor Tekelec, no valor de R$149.085,31, em 12.01.2006; Remessa para pagamento do fornecedor GSM Association, no valor de R$ 170.119,37, em 27.01.2006; Remessa para pagamento do fornecedor Datamax SPA, no valor de R$ 84.654,05, em 16.01.2006; Remessa para pagamento da empresa Mobistar S/A a título de roaming internacional, no valor de R$ 5.087,23, em 01.07.2006. Acredita que tais documentos identificam os beneficiários, o que implica no afastamento da aplicação do artigo 674 do RIR/99. Encerra requerendo que a autuação seja julgada improcedente. Na eventualidade da sua manutenção, requer a redução da multa para 75%. Quanto ao lançamento de IRRF no valor de R$ 841.108,99, requer, caso a turma julgadora não entenda suficiente o DARF e as DCTF acostadas para provar o pagamento do imposto, a realização de diligência para que a autoridade fiscal examine a escrituração contábil fiscal de ambas as empresas, para que possa concluir que o valor recolhido não era devido pela empresa incorporada. Apresenta os seguintes quesitos para a diligência ou para perícia: (i) queira o i. fiscal verificar através do contrato celebrado entre a Impugnante e a Atos Origin SPA se foi pactuado que a Impugnante efetuaria o pagamento de valores a título de serviços técnicos no ano de 2005; (ii) queira o i. fiscal confirmar se no ano de 2005 a Impugnante efetuou pagamentos dos valores pela prestação dos serviços à Atos Origin SPA, sujeitos ao IRRF e à CIDE; (iii) queira o i. fiscal confirmar se no mês de agosto de 2005 houve pagamento/remessa do montante de US$ 1.854.545,20, ensejando a incidência do IRRF e da CIDE; Fl. 5833DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 8 13 (iv) queira o i. fiscal confirmar se o valor da CIDE incidente nessa remessa foi recolhido pela Impugnante (embora ainda esteja sendo exigida da Impugnante diferença em função da taxa de câmbio adotada, de 2,416); (v) queira o i. fiscal informar se o valor do IRRF incidente nesta remessa, mediante a utilização da taxa de câmbio de 2,416, seria de R$ 840.108,99; (vi) queira o i. fiscal informar se o valor do IRRF foi recolhido através de DARF em nome da TIM Nordeste Telecomunicações; (vii) queira o i. fiscal responder todos os quesitos (i) a (iv) em relação à TIM Nordeste Telecomunicações S.A., ou seja, se esta possuía contrato com a Atos Origin SPA, se efetuou pagamentos pela prestação de serviços no ano de 2005 e se recolheu valores de IRRF e CIDE sobre estes pagamentos; (viii) queira o i. fiscal confirmar se o pagamento do IRRF referente ao mês de agosto de 2005, no valor de R$ 840.108,99, foi equivocadamente efetuado pela TIM Nordeste Telecomunicações S. A., sem qualquer contrato ou fatura que o suportasse. Protesta pela juntada posterior de documentos relevantes e pela apresentação de quesitos adicionais, e indica perito, caso a Turma entenda pela realização de tal procedimento. O processo foi então encaminhado à fiscalização por meio do Despacho nº 70/2011 (fls. 4.741 a 4.745) para realização da diligência requerida. São estes os termos do despacho: (...) No que se refere especificamente ao lançamento decorrente de falta de pagamento ou pagamento a menor de IRRF incidente sobre as remessas constantes da tabela de fl. 3.957, o contribuinte afirma que o imposto devido em agosto de 2005, de R$ 841.604,20, foi recolhido tempestivamente, conforme DARF que junta, no valor de R$ 840.108,99. Observa que, por um mero equívoco, o DARF foi recolhido no nome e CNPJ da Tim Nordeste Telecomunicações S/A, empresa pertencente ao grupo da impugnante e que acabou sendo por ela incorporada. Tais equívocos ocorrem eventualmente quando um mesmo departamento é responsável pela apuração e pagamento de tributos de empresas diferentes. O débito foi declarado em DCTF da Tim Nordeste e não no da impugnante. Além disso, o contrato de câmbio nº 05/01048 indica expressamente o recolhimento do IRRF no valor de R$ 840.108,99. Ademais, a remessa em questão ensejou a incidência da CIDE, devidamente recolhida pela impugnante, havendo apenas uma divergência em relação à taxa de câmbio utilizada para a apuração da base de cálculo. Fl. 5834DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 Afirma que a pequena diferença entre o valor indicado pela fiscalização e o constante do DARF decorre de diferença na taxa de câmbio adotada para apuração da base de cálculo, e tal diferença nas taxas de câmbio é o único motivo que justifica as demais exigências efetuadas neste item da autuação. Dessa forma, entende que deve ser excluído tal montante da exigência, ou, alternativamente, solicita a realização de diligência para que a autoridade fiscal examine a escrituração contábil fiscal de ambas as empresas, para que possa concluir que o valor recolhido não era devido pela empresa incorporada. Apresenta os seguintes quesitos para a diligência: Queira o i. fiscal i) verificar através do contrato celebrado entre a Impugnante e a Atos Origin SPA se foi pactuado que a Impugnante efetuaria o pagamento de valores a título de serviços técnicos no ano de 2005; ii) confirmar se no ano de 2005 a Impugnante efetuou pagamentos dos valores pela prestação dos serviços à Atos Origin SPA, sujeitos ao IRRF e à CIDE; iii) confirmar se no mês de agosto de 2005 houve pagamento/remessa do montante de US$ 1.854.545,20, ensejando a incidência do IRRF e da CIDE; iv) confirmar se o valor da CIDE incidente nessa remessa foi recolhido pela Impugnante (embora ainda esteja sendo exigida da Impugnante diferença em função da taxa de câmbio adotada, de 2,416); v) informar se o valor do IRRF incidente nesta remessa, mediante a utilização da taxa de câmbio de 2,416, seria de R$ 840.108,99; vi) informar se o valor do IRRF foi recolhido através de DARF em nome da TIM Nordeste Telecomunicações; vii) responder todos os quesitos (i) a (iv) em relação à TIM Nordeste Telecomunicações S.A., ou seja, se esta possuía contrato com a Atos Origin SPA, se efetuou pagamentos pela prestação de serviços no ano de 2005 e se recolheu valores de IRRF e CIDE sobre estes pagamentos; viii) confirmar se o pagamento do IRRF referente ao mês de agosto de 2005, no valor de R$ 840.108,99, foi equivocadamente efetuado pela TIM Nordeste Telecomunicações S. A., sem qualquer contrato ou fatura que o suportasse. Do que acima foi exposto, entendo que cabe a realização da diligência, na forma como requerida pelo contribuinte, pois há indícios de que o pagamento em questão foi realizado por equívoco no nome de outra pessoa jurídica do mesmo grupo, especialmente considerando a indicação, no contrato de câmbio, de recolhimento com valor idêntico ao DARF apresentado. Fl. 5835DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 9 15 Dessa forma, proponho o encaminhamento destes autos à Demac/SPO para realização da diligência requerida, com resposta aos quesitos formulados, verificando se, adicionalmente, se o pagamento não foi compensado ou restituído. (...) Às fls. 5.671 a 5.676 encontrase o Termo de Encerramento de Diligência. A Auditora Fiscal observa que ao longo da fiscalização intimou o contribuinte diversas vezes para apresentar o contrato de prestação de serviços técnicos celebrado com a Atos Origin SPA, e que deu origem à remessa ao exterior e ao pagamento de IRRF objeto da presente diligência, sem obter resposta. Tampouco obteve resposta às intimações efetuadas durante a diligência, limitandose o sujeito passivo a apresentar cópia do contrato de câmbio. Afirma que o pagamento pela prestação de serviços está comprovado no contrato de câmbio nº 05/010408 de 25.08.2005 (em que consta a informação de IR recolhido de R$ 840.108,99) e consta na contabilidade da autuada. Nos sistemas eletrônicos da RFB consta um único pagamento em nome da Tim Celular no código de receita 8741 (CIDE Remessas ao exterior – L 10332/01) para o período de apuração de agosto de 2005, no valor de R$ 233.077,26. Explica que a autuada efetuou pagamento de CIDE referente à remessa em questão, porém em valor incorreto, e que por isso foi autuada em outro processo. Confirma que, com a utilização da taxa de câmbio de 2,416, o valor do IRRF devido na remessa seria de R$ 840.108,99. Para a empresa Tim Nordeste Telecomunicações S/A (CNPJ nº 02.336.993/000100) foi localizado um pagamento com código 0422 (IRRF Royalties e assistência técnica) referente ao período de apuração 08/2005, efetuado em 25.08.2005. Continua a autuante afirmando que na contabilidade da Tim Nordeste encontrou apenas um pagamento à Atos Origin com data de 25.08.2005, no valor de R$ 1.521.246,76, com pagamento de IRRF no montante de R$ 231.343,21. Não foram encontrados pagamentos que correspondessem ao montante de US$ 1.854.542,20 em 25.08.2005. O pagamento de R$ 840.108,99 em 25.08.2005, a título de IRRF (código 0422), em nome da Tim Nordeste, foi localizado pela fiscalização. O pagamento de CIDE relativo a tal remessa não foi encontrado em nome daquela empresa. Conclui a autoridade diligenciante que é impossível confirmar se o pagamento do IRRF referente ao mês de agosto de 2005, no valor de R$ 840.108,99, foi equivocadamente efetuado pela Tim Nordeste, sem contrato ou fatura que o suportasse, uma vez que Fl. 5836DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 o contribuinte não apresentou o contrato celebrado com a Atos Origin, e também porque as informações contábeis da Tim Nordeste apresentadas eram precárias. Apesar de intimada e reintimada, a impugnante não apresentou o balancete analítico e o razão contábil das contas que compõem o grupo “Bancos” da incorporada Tim Nordeste do mês de agosto de 2005, apenas entregando um Livro Diário em formato “imagem TIF”, e não em PDF, como solicitado. Em 25.04.2012 este relator determinou que o contribuinte fosse intimado com a informação de que poderia apresentar manifestação acerca do resultado da diligência (fls. 5.681 e 5.682). Ciente em 23.08.2012 (fl. 5.696), a impugnante apresentou em 14.11.2012 a sua manifestação (fls. 5.699 a 5.701). Afirma que a análise conjunta dos itens (i) a (vii) respondidos pela fiscalização evidenciam, a despeito da conclusão esposada no item (viii), a existência de elementos suficientes de prova para determinar a exclusão do valor de R$ 840.108,99 da autuação. Chama a atenção para os seguintes pontos: O valor de US$ 1.854.545,20, remetido ao exterior, foi contabilizado nos seus livros; Os documentos da Tim Nordeste não apontaram qualquer pagamento que corresponda à remessa em questão; O único pagamento realizado pela Tim Nordeste à Atos Origin não corresponde ao fato gerador do IRRF objeto da autuação. Entende que a diligência demonstrou que a impugnante efetivamente praticou o fato gerador, contabilizou a remessa e recolheu PIS e COFINS, à exceção supostamente do IRRF e das diferenças de CIDE apontadas, e a Tim Nordeste recolheu o IRRF sem qualquer razão. Registra que a não apresentação do contrato que embasou a remessa não é circunstância determinante, pois o responsável pela retenção do imposto é a fonte pagadora, independentemente de haver contrato formal e escrito. Comprovado por meio de sua contabilidade e do contrato de câmbio que ela foi a fonte pagadora, e que a Tim Nordeste não praticou no mesmo período fato gerador de que decorresse obrigação de recolher o IRRF naquele valor, somente se pode concluir em favor da impugnante, pela exclusão do montante de R$ 840.108,99 da autuação. Entende que há prova suficiente do fato de defesa alegado, devendo ser prestigiado o princípio da razoabilidade dos atos administrativos. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 5837DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 10 17 Ano calendário: 2005, 2006 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. REMESSA AO EXTERIOR. O artigo 61 da Lei nº 8.981/95 aplica se às hipóteses em que são constatados pagamentos efetuados a beneficiário não identificado, não importando se pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no país ou no exterior. É dever do contribuinte manter em seu poder, para apresentação à autoridade fiscal, os contratos de câmbio relativos às remessas ao exterior, aptos a demonstrarem a natureza da operação e o beneficiário do pagamento. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF EM REMESSAS PARA O EXTERIOR. RECOLHIMENTO DE DARF EM NOME DE OUTRA EMPRESA DO GRUPO. Mantém se o lançamento no que diz respeito à apuração de falta ou insuficiência de recolhimento de IRRF em remessas para o exterior, por não ter demonstrado o contribuinte a regularidade dos recolhimentos, com exceção de remessa para a qual foi comprovado o recolhimento parcial equivocado em nome de terceiro, empresa do grupo, do IRRF devido pela autuada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005, 2006 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR ESCLARECIMENTOS E DOCUMENTOS. O agravamento da multa de ofício imputada pela falta de atendimento de intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos à autoridade fiscal competente aplica se na hipótese de esta falta dificultar a realização do procedimento fiscalizatório, exceto quando a legislação possui preceito próprio para tratar a falta de colaboração na apuração dos tributos e contribuições devidos.. Impugnação Procedente em Parte A autoridade julgadora entendeu por bem excluir o valor de R$ 840.108,99 do lançamento efetuado, referente ao período de apuração de 25/08/2005, bem como desagravar a multa de ofício relativa a infração relacionada a pagamentos a beneficiários não identificados, reduzindoa ao percentual de 75%. A autoridade de primeira instância recorreu de ofício. Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da inaplicabilidade do artigo 674 do RIR/99 às remessas ao exterior; Fl. 5838DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 18 Da redução da multa agravada de 112,5%; Da necessidade de adequação/retificação do acórdão recorrido ao contexto fáticodecisório, uma vez que o acórdão recorrido determinou que caberá ao recorrente solicitar a revisão do débito. É o relatório. Fl. 5839DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 11 19 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício e voluntários reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e devem, portanto, ser conhecidos por esta Turma de Julgamento. QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO A autoridade julgadora afastou do lançamento o valor de R$ 840.108,99, relativo a remessa realizada em 25/08/2005, bem como desagravou a multa no que toca as remessas relativas a beneficiários não identificados ou sem causa. Da exclusão de R$ 840.108,99 da base de cálculo da infração No que toca a exclusão do valor de R$ 840.108,99, a controvérsia gira em torna das provas disponíveis nos autos. Ao apreciar esse ponto assim se manifestou a autoridade recorrida: A impugnante, por sua vez, contesta especificamente apenas a remessa realizada em 25.08.2005 à Atos Origin (contrato de câmbio nº 05/01048), com valor de IRRF devido de R$ 841.604,20, alegando que o imposto foi recolhido tempestivamente, mas, por equívoco, no nome e CNPJ da Tim Nordeste Telecomunicações S/A, empresa pertencente ao mesmo grupo. Informa ainda que o débito foi declarado em DCTF da Tim Nordeste e não na sua declaração. Realizada diligência para constatar se o alegado de fato ocorreu, a autuante informa que o pagamento pela prestação de serviços consta na contabilidade da autuada e esta comprovado no contrato de câmbio nº 05/010408 de 25.08.2005 (fls. 4.259 a 4.261), que contém a informação de IR recolhido de R$ 840.108,99. Explica ainda que a autuada efetuou pagamento de CIDE referente à remessa em questão, porém em valor incorreto, e que por isso foi autuada em outro processo. Para a empresa Tim Nordeste Telecomunicações S/A (CNPJ nº 02.336.993/000100) foi localizado um pagamento com código 0422 (IRRF Royalties e assistência técnica) referente ao período de apuração 08/2005, efetuado em 25.08.2005, e na sua contabilidade foi encontrado apenas um pagamento à Atos Origin com data de 25.08.2005, no valor de R$ 1.521.246,76, com pagamento de IRRF no montante de R$ 231.343,21. Não foram encontrados pagamentos que correspondessem ao montante de US$ 1.854.542,20 (valor da remessa do contrato 05/010408 ) em 25.08.2005. Fl. 5840DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 20 O pagamento de R$ 840.108,99 em 25.08.2005, a título de IRRF (código 0422), em nome da Tim Nordeste, foi localizado pela fiscalização. O pagamento de CIDE relativo a tal remessa não foi encontrado em nome daquela empresa. Confirma que, com a utilização da taxa de câmbio de 2,416, o valor do IRRF devido na remessa seria de R$ 840.108,99. Apesar disso, concluiu que não é possível confirmar se o pagamento do IRRF referente ao mês de agosto de 2005, no valor de R$ 840.108,99, foi equivocadamente efetuado pela Tim Nordeste, uma vez que o contribuinte não apresentou o contrato celebrado com a Atos Origin, e também porque as informações contábeis da Tim Nordeste apresentadas eram precárias, já que não foi apresentado o balancete analítico e o razão contábil das contas que compõem o grupo “Bancos” do mês de agosto de 2005, apenas entregando um Livro Diário em formato “imagem TIF”, e não em PDF, como solicitado. Verifiquei (fls. 5.704 e 5.705) que o pagamento realizado pela Tim Nordeste encontrase alocado a débito de sua titularidade. O contribuinte afirma que a declaração do débito pela Tim Nordeste (fls. 4.772 e 4.773) também foi equivocada. Diferentemente da fiscalização, entendo, pelo que vai acima descrito, que houve a comprovação: da remessa efetuada pela autuada à Atos Origin, que deu causa à tributação em comento; de que a Tim Nordeste não efetuou remessa com as mesmas características; de que o pagamento efetuado pela Tim Nordeste diz respeito à remessa efetuada pela Tim Celular. O fato de não ter sido apresentado o contrato celebrado com a Atos Origin não impediu que a Auditora realizasse o lançamento com base no contrato de câmbio e na contabilidade do contribuinte, e por isso reputo tais elementos suficientes também para fazer prova a favor da empresa autuada Por outro lado, a não apresentação de balancete analítico e razão contábil das contas “bancos” da Tim Nordeste, ao meu ver, não tem o condão de tornar imprestável a contabilidade entregue e analisada pela Auditora, o Livro Diário, ainda que apresentado em “imagem TIF”. A utilização do pagamento de uma pessoa jurídica para abater valores lançados em face de uma outra apenas pode ocorrer em situações excepcionais, posto que o caminho normal é o pedido de restituição ou compensação por quem recolheu tributo indevidamente. Por isso, inclusive, é necessária a autorização expressa de quem pagou. Dadas as circunstâncias do caso em concreto, no entanto, em que a Tim Nordeste foi incorporada pela Maxitel em 30.06.2006 e esta pela Tim Celular em 31.12.2009 (fls. 5.706 a 5.710), acato o pedido da impugnante neste ponto, para excluir o valor de R$ 840.108,99 do lançamento efetuado, referente ao período de apuração 25.08.2005. Fl. 5841DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 12 21 Acompanho o arrazoado da autoridade julgadora. Assim como a mesma entendo que a luz dos elementos presentes nos autos estaria comprovado a causa do pagamento, e teria ocorrido efetivamente um erro de fato no preenchimento do DARF. Deste modo nesta parte, entendo que procedeu corretamente a autoridade de primeira instância. Do Desagravamento da Multa de Ofício em parte do Lançamento A autoridade recorrida reduziu a multa de ofício de 112,5% para 75% no que toca a infração relativa a falta de recolhimento do IRRF sobre pagamento a beneficiários não identificados. Segundo a autoridade recorrida: No caso dos autos, devemos fazer uma distinção entre a infração relacionada aos pagamentos a beneficiário não identificado e aquela referente à falta de pagamento ou pagamento a menor do IRRF. No primeiro caso, como a legislação possui preceito próprio para tratar a falta de colaboração na apuração dos tributos e contribuições devidos, não é cabível o agravamento da multa. Em outras palavras, a falta de esclarecimentos por parte do contribuinte foi a causa determinante do lançamento. Neste ponto acompanho o entendimento da autoridade julgadora, compartilho da convicção de que uma vez que o recorrente não esclareceu a causa ou o beneficiário do pagamento, já lhe foi imputado o lançamento nos termos mais rigorosos. Ante ao exposto nego provimento ao recurso de ofício. QUANTO AO RECURSO VOLUNTARIO Da inaplicabilidade do artigo 674 do RIR/99 às remessas ao exterior O contribuinte argumenta que o artigo 674 do RIR/99, que tem como base o artigo 61 da Lei nº 8.981/95, encontra se inserido no Capítulo 4 do RIR/99, que trata sobre “Rendimentos Diversos”, inserido no Título I (“Tributação na Fonte”) do Livro 3 (“Tributação na Fonte e sobre Operações Financeiras”), e apenas abrange os rendimentos auferidos no País, enquanto que é o Capítulo 5 que trata dos “Rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior”. Registrese que o Capítulo 5, ao tratar dos rendimentos de residentes no exterior, abrange tão somente os casos em que tanto o beneficiário dos rendimentos, como a causa do pagamento, são conhecidos. O artigo 61 da Lei nº 8.981/95, por sua vez, não faz distinção entre beneficiários residentes no país ou no exterior. A questão central que motivou o lançamento, e que deve ser aqui enfatizada, foi a não identificação dos beneficiários das remessas, igualmente não foi comprovada a causa dos pagamentos realizados pela contribuinte dando origem a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os pagamentos efetuados, considerados Fl. 5842DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 22 como pagamentos a terceiros, sem causa, nos termos do art. 674, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, cuja matriz legal é o art. 61 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1o A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2o , do art. 74 da Lei no 8.383, de 1991. §2o Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3o O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O dispositivo acima transcrito prevê a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte em três hipóteses distintas: (a) pagamentos efetuados a beneficiários não identificados, quando a pessoa jurídica, regularmente intimada, não identifica a quem os recursos foram pagos; (b) pagamentos sem causa, quando a pessoa jurídica não comprova a efetividade da operação relacionada ao pagamento; (c) concessão de benefícios indiretos, na situação prevista no art. 74, §2o, da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Nas duas primeiras situações, deve o fisco comprovar a ocorrência do pagamento, uma vez que o fato gerador decorre justamente pela percepção desses valores pelos beneficiários, o que pode ser feito por meio dos registros na contabilidade da própria empresa. Na hipótese “c”, compete ao fisco provar os benefícios indiretos recebidos. Trata de tributação exclusiva na fonte, em que a pessoa jurídica que realizou o pagamento irregular é o sujeito passivo da obrigação tributária. No caso dos autos, os beneficiários do pagamento foram identificados, porém a contribuinte não consegui comprovar a efetividade da operação registrada que teria dado causa ao referido pagamento. Não há irregularidade no lançamento, de modo que correto é o procedimento empregado. As divergências de entendimentos, ainda que respeitáveis, decorrem de interpretações das normas que não consigo estruturar a partir das normas positivas postas.. Não vejo, no caso concreto qualquer impossibilidade a aplicação do artigo 674 do RIR/99 tal como entende o recorrente. Da Multa Agravada Diferente da infração relativa a beneficiários não identificados, a infração em que se apurou a falta ou insuficiência de pagamento do imposto, ficou detalhadamente demonstrado pela fiscalização, quando no termo de verificação fiscal lista as diversas intimações sobre os mesmos assuntos e sem que obtivesse respostas completas e satisfatórias, que o proceder da empresa fiscalizada prejudicou o transcorrer normal da fiscalização. Só para citar um exemplo, o contribuinte, apesar de reiteradamente intimado, não apresentou contratos comerciais que davam suporte às remessas para o exterior, chegando Fl. 5843DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 13 23 ao ponto de solicitar, em diligência, que a análise de um destes contratos fosse feita, porém mais uma vez se recusando a entregálo à fiscalização. Entendo que o sucessivos descumprimentos e a mora no atendimento a intimação por parte permite caracterizar a hipótese de agravamento da penalidade. O agravamento da multa referese à conduta do contribuinte durante a fiscalização, não importando a gravidade dos fatos que deram origem ao nascimento do crédito tributário. Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2. °, da lei n.° 9.430, de 1996, quando em procedimento de oficio o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. A jurisprudência deste Conselho quanto ao agravamento da multa por falta de atendimento as intimações fiscais é extremamente restritiva. Há que se provar nos autos que: i) o Fiscalizado, sabidamente, possuía os documentos solicitados pela Fiscalização; ii) tais documentos ou esclarecimentos eram absolutamente necessários apuração de irregularidades e/ou dos tributos devidos, importando em prejuízo para o lançamento; Ao meu ver, todas essas premissas existem no caso em questão. Citese nesse sentido o acórdão 10246.374 de 16/06/2004: MULTA AGRAVAMENTO Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2.°, da lei n.° 9.430, de 1996, quando em procedimento de oficio o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus a Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. Sobre o tema acórdão trataram também os seguinte acórdãos: 10422618 de 13/09/2007 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVAMENTO DE PENALIDADE FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à intimação formulada pela autoridade lançadora para prestar esclarecimentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio, quando a irregularidade apurada é decorrente de matéria questionada na referida intimação. 201 78413, de 18/05/2005 Ante ao exposto correto o agravamento do item 001 do auto de infração. Da necessidade de adequação/retificação do acórdão recorrido O recorrente entende que uma vez que o acórdão recorrido determinou que caberá ao recorrente solicitar a revisão do débito, deveria existir uma retificação do acórdão. Registrese, por pertinente, que não cabe a autoridade julgadora determinar se outro contribuinte, deverá ou não fazer alguma ato ou ação. Fl. 5844DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 24 O julgador deve se restringir aos fatos do lançamento. No caso concreto, o que interessa em termos práticos é que em função da analise de provas, restou convencida a autoridade julgadora da pertinência dos argumentos do recorrente. Parte do lançamento foi excluído, pela apreciação da provas, beneficiando a TIM CELULAR. A decisão não produz qualquer efeito para TIM Nordeste. O parágrafo questionado pelo recorrente na decisão da autoridade julgadora não tem qualquer efeito jurídico. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 5845DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 14 25 Declaração de Voto Em que pese a análise bem realizada pelo r. voto do Relator, peço licença para divergir. A contribuinte foi autuada, em parte, com base no art. 674 do RIR/99. Segundo o lançamento, a recorrente não teria comprovado a causa ou os beneficiários das remessas efetuadas por ela ao exterior. Fazse necessária a transcrição do dispositivo aplicado: Art. 674. Está sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Entendo que o caput do aludido dispositivo contém duas normas: i) uma de conduta; ii) outra de aplicação do próprio enunciado, esclarecendo sua condição residual nos casos de eventual conflito com outra regra específica de tributação. Noutros termos, a tipificação como pagamento sem causa não prevalece sempre que existir, para determinada situação, norma especial de tributação. No presente caso, tenho que há regra especial positivada no art. 682 do RIR/99, abaixo reproduzido: Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I – pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior; II – pelos residentes no País que estiverem ausentes no exterior por mais de doze meses, salvo os mencionados no art. 17; III – pela pessoa física proveniente do exterior, com visto temporário, nos termos do § 1º do art. 19; IV – pelos contribuintes que continuarem a perceber rendimentos produzidos no País, a partir da data em que for requerida a certidão, no caso previsto no art. 879. Fl. 5846DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 26 É importante esclarecer que a própria Fiscalização, ao qualificar as condutas sujeitas à hipótese normativa tributária aplicada, descreveas como “Remessas ao Exterior”, como retrata o Termo de Verificação Fiscal (fls. 39343961 do eprocesso) : “A planilha apresentada pelo contribuinte (folhas 223/276), considerada em sua forma original com campos e colunas em branco, totalizou um montante de R$ 696.207.666,83 em 2.523 remessas para o Exterior efetuadas entre 01/07/2005 a 31/12/2006. Assim, procedeuse à seleção de amostragem pela qual se efetuou um corte de R$ 350.000,00. (...) 6.2 Remessas ao Exterior não comprovadas – pagamento sem causa ou beneficiário não identificado No processo de extração de informações dos arquivos magnéticos contendo os registros do contribuinte, foram localizadas remessas não declaradas na planilha entregue à fiscalização, as quais se encontram relacionadas na planilha “Demonstrativo da apuração do IRRF sobre remessas sem causa e a beneficiário não identificado – remessas não constantes na planilha entregue pelo contribuinte” – folhas 119 e seguintes do volume Anexo.” (fls. 3944, 3958 do eprocesso). Aliás, as remessas da planilha de fl. 3959 do eprocesso indicam a empresa norteamericana Tekelec como a beneficiária das duas maiores remessas nos valores de R$ 1.098.268,66 e R$ 2.077.414,33 efetuadas, respectivamente, em 27/07/05 e em 29/07/05 (fl. 3959 do eprocesso): Penso, ainda, que a Fiscalização poderia ter solicitado ao Bacen informações sobre os demais destinatários das operações, já que as remessas dependem de prévio registro no Banco Central e são por ele controladas, conforme disposto no art. 716 do RIR/99 : Art. 716. As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferência para o exterior a título de lucros, dividendos, juros e amortização, royalties, assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes deverão submeter aos órgãos competentes do Banco Central do Brasil e da Secretaria da Fl. 5847DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 15 27 Receita Federal e aos contratos documentados que forem considerados necessários para justificar a remessa. Parágrafo único. As remessas para o exterior dependem do registro da pessoa jurídica no Banco Central do Brasil e da prova do pagamento do imposto devido, se for o caso. Uma vez constado que os valores foram remetidos para o exterior a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, ou seja, com base no art. 682 do RIR/99. Assim, relativamente ao lançamento a título de pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa (art. 674 do RIR/99), entendo que o ato administrativo padece de capitulação legal e fundamentação válidas. Reconhecido o envio de numerário ao exterior, a situação não mais se subsume à hipótese de pagamento sem causa, norma geral, mas de remessa ao exterior, norma específica. Não se trata de mera formalidade acusatória, mas equívoco na edificação do fundamento jurídico e na constituição do próprio crédito tributário, pois a alíquota incidente sobre as remessas está limitada em 25%. Desta forma, havendo erro na tipificação e no enquadramento legal, quanto aos depósitos transcritos, estes devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte. Nesse sentido: IRPF – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O erro na tipificação e no enquadramento legal da infração cometida pelo contribuinte, acarreta a nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa do contribuinte. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes.2ª Câmara. Ac. 102 44.466. Rel. Conselheiro Valmir Sandri. Julg. 06/02/01). Nestes termos, voto pelo PARCIAL PROVIMENTO do recurso, nos termos acima consignados. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 5848DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10280.904432/2011-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 12 1 11 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904432/201115 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.525 – 3ª Turma Especial Data 17 de setembro de 2014 Assunto Processo Administrativo Fiscal Recorrente BELEM DIESEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 43 2/ 20 11 -1 5 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 13 2 Relatório. A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/2011 40, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/2011 42 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 14 3 contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 15 4 Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 16 5 se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos Tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 17 6 E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Tratase de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 18 7 é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 19 8 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. Ab initio versam os autos acerca da declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em sessão de julgamento realizada em 10/09/2008, na sistemática de repercussão geral, portanto do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e das implicações dela decorrentes, encontrandose tal decisão respaldada por farta jurisprudência nas esferas judicial e administrativa, das quais destacase a ementa do RE 585.2351/MG, transcrita a seguir: TRIBUNAL PLENO 10/09/2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS. RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTES(S): UNIÃO ADVOGADO(S): PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(A/S): IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(A/S): DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, REL. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No passo seguinte cabe ressaltar que, para além da declaração de inconstitucionalidade, por se constituir a referida decisão em caráter definitivo, na forma do disposto no § 2º do art. 102, CF/88, repercutiu o seu efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Judiciário, inclusive projetandose na Administração Pública direta e indireta em todas as esferas de governo. Por tal razão o citado parágrafo foi objeto de revogação pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que o próprio RICARF/09, por meio do seu art. 62A, vincula os julgamentos realizados no âmbito de seus órgãos judicantes às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C, respectivamente. Cabe registrar, para fins de análise, que as receitas financeiras, quando relacionadas às atividades econômicas da recorrente, devem ser elencadas no grupo de contas Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 20 9 destinadas à receitas não operacionais, por conseguinte devem ser afastadas da base de cálculo da Cofins, para fins de incidência tributária. Isto dito, ante os fatos circunscritos ao campo do direito, cabe aqui o reconhecimento do direito da recorrente quanto ao afastamento da base de cálculo da Cofins, das receitas financeiras apuradas, na data do fato gerador de que tratam os autos. O acórdão recorrido, muito embora haja reconhecido que o tributo é devido, mencionou que a lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e que o julgamento proferido na forma dos arts. 543B e 543C, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes, para justificar que, em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. E assim poder a autoridade administrativa justificar que, para os créditos da recorrente já extintos por pagamento, em momento anterior ao advento do julgado do SRF ou STJ, não mais há como se questionar a validade dos pagamentos efetuados. Logo não merece prosperar esse entendimento profligado no acórdão recorrido, eis que tal inferência, refirome ao Parecer da PGFN nele citado, carece de expresso amparo constitucional, pois se encontra no pretenso plano infralegal da discricionariedade da autoridade administrativa e do julgador, posição firmada essa não se coaduna com o princípio da estrita legalidade, consoante previsto no art. 150, I, CF/88, que não dá margem para a subjetividade. Ademais disso o juízo a quo não poderia utilizar como fundamento das razões de decidir entendimento embasado em parecer da PGFN, pelo simples motivo de que a Fazenda Nacional como representante da Administração é parte, é juíza, no processo subjudice. Creio haver grande equívoco cometido pelo juízo a quo ao formular as assertivas contidas no item (iii) da decisão proferida no acórdão recorrido, não devendo as mesmas serem convalidadas. Certifiquese. A Constituição Cidadã de 1988, que limitou com muita propriedade, a competência do poder de tributar, no § 2º do seu artigo 102, assim assentou: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Grifei). Na esteira desse entendimento encontrase o art. 62A do RICARF/09, que vincula à adoção do entendimento vazado em decisão definitiva pelo STF, para os julgadores do CARF, por ocasião de julgamento de recursos. Quanto a este aspecto nada mais há a se comentar. Ademais disso, sob a hipótese legal de se estar adimplindo com a obrigação principal, portanto efetuandose o pagamento do tributo devido na data do vencimento mensal, até o advento da Lei nº 11.941/09, mesmo na forma da base de cálculo ampliada (revogada pelo art. 79, XII, desta Lei), para aqueles que não ingressaram com demandas judiciais com o Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 21 10 fito de questionar o seu direito acerca do tema ora tratado (a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), a realização da conduta pelo contribuinte, corresponde ao acerto inconteste. Assim para este contribuinte, somente a partir da revogação expressa da regra que permitia o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 11.941/09, é que se tornou disponível o seu direito de postular pela restituição do pagamento indevido. Portanto não há se alegar que não há mais como se questionar a validade dos pagamentos efetuados antes da decisão definitiva do STF ou STJ para aqueles que não demandaram judicialmente. No mesmo sentido, para os casos de repetição de indébito tributário, o art. 3º da LC nº 118/05, publicada no DOU de 09/02/05, ao interpretar o contido no inciso I do art. 168, do CTN, com vistas à extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, determinou o prazo decadencial de dez anos, contados da data do fato gerador, para os eventos ocorridos antes da vigência dessa lei, aplicandose a cada caso a regra do art. 150, § 4º, em caso de realização de pagamento antecipado, ou apresentação de DCTF, ou ainda a regra prevista no art. 173, I, ambos os arts. do CTN, se não houve antecipação de pagamento, nem apresentação de DCTF. Tal entendimento encontrase consubstanciado em larga jurisprudência judicial e administrativa, notadamente no âmbito do CARF. Isto relacionase à questão do alcance do beneplácito obtido pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de calculo da Cofins. Ainda nesta seara há o pleito formulado pela recorrente para o acolhimento da juntada de documentos aos autos, extemporaneamente, notadamente do Livro Razão, sob a alegação de que novos fatos foram trazidos aos autos, por meio do despacho decisório e da decisão recorrida, o que fez com amparo na alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72. Acerca deste tema tenho me pronunciado em outros julgamentos nos quais tenho participado na qualidade de julgador, pelo acolhimento desse tipo pleito, sob o amparo do disposto nos arts. 131 e 333 do CPC, especialmente no que atine ao princípio da verdade material. Bem se vê que tais fundamentos não se contrapõem ao disposto no art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, ao contrário se harmonizam para a integração da legislação tributária, mesmo que subsidiariamente como é o caso dos artigos invocados do CPC. O mesmo entendimento emana do disposto no art. 29 do Dec. Nº 70.235/72, inclusive quanto ao poder discricionário do julgador no que atine à determinação de diligências que entender necessárias ao deslinde da controvérsia, sendo tal faculdade endereçada ao julgador, no auxílio à formação de sua convicção pessoal, com vistas à formação da sua convicção, por ocasião do pronunciamento em sede de julgamento. É com este entendimento que afasto a alegação de preclusão da apresentação de provas extemporaneamente. Adoto a mesma medida para rejeitar as alegações formuladas pela recorrente acerca da imprescindível realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificação da exatidão das informações prestadas, mediante o exame de sua escrituração contábil e fiscal. Logo não há se alegar descumprimento ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, ou a outra qualquer norma infralegal. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 22 11 No que atine à possibilidade de reunião de processos para julgamentos simultâneos, sob a alegação de existência de conexão entre eles, percebese que entre os mesmos é comum o objeto ou e a causa de pedir. No caso vertente também há identidade entre as partes litigantes, mesmo que não sejam oriundos do mesmo crédito, pois a lei não faz esta exigência. Com a finalidade de dar respaldo à proposição formulada pela recorrente em relação a este cenário veio o art. 105 do CPC dispor, in verbis: Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Com fulcro no texto legal acima transcrito acolho o pleito da recorrente de reunião dos processos para que possam se apreciados simultaneamente. A retificação da DCTF, como pressuposto para o reconhecimento do direito creditório arguido pela recorrente, não deve desautorizar outra(s) possibilidade(s) de comprovação do crédito alegado, principalmente quando tais provas encontramse consubstanciadas por meio de documentos hábeis e idôneos a exemplo dos livros de escrituração contábil e fiscal, como o Livro Diário e Razão, do Livro de Registro de Inventário, etc. No caso concreto dos autos o despacho decisório mencionou que no curso da análise do direito creditório apresentado com o PER/DCOMP foram detectadas inconsistências que foram objeto de termo de intimação e que restaram não saneadas pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi confirmada a existência do crédito pleiteado. Significa que o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito, para indeferir o pedido de restituição, com fulcro no art. 165 do CTN. De acordo com esse cenário seguindo o mesmo raciocínio o juízo a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, em razão da preclusão, quando da apresentação da prova documental. O relator colacionou aos autos extratos dos sistemas da RFB, que sinalizam pela inexistência do direito creditório alegado pela recorrente, também aduzindo ser a insuficiência de elementos de prova material prejudicial à formação de seu convencimento, inclusive supondo que o motivo do indeferimento do pedido, apesar de não alegado, seria o cometimento de erro no preenchimento do PER/DCOMP, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado. Em contrapartida há o débito confessado por meio de DCTF em valor atá superior ao do recolhimento, ensejador do pedido de restituição. Com tais argumentos concluiu pela inexistência de saldo passível de restituição, aventando, inclusive, que tal possibilidade, de existência de saldo credor poderia ocorrer, se a recorrente houvesse por bem retificado sua DCTF até a data de transmissão do PER/DCOMP já mencionado. De outra parte a recorrente de boa fé buscou esclarecer ao Fisco acerca da origem do indébito segundo o seu entendimento, colacionando aos autos cópia do DARF que registra o valor do pagamento indevido efetuado em 15/04/99, no valor de R$ 45.396.03 (doc. 03), além de demonstrativo por ela elaborado onde está discriminado o valor das receitas financeiras que foram indevidamente computados à base de cálculo da Cofins (doc. 04), além de cópia do balancete de março/99 com os registros contábeis dos valores que compõem o Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 23 12 crédito aqui pleiteado (doc. 05) e, posteriormente anexou o Livro Razão, que possibilita identificar todas as operações realizadas no período de apuração das receitas financeiras (01/03 a 31/03/99). Entendo que a recorrente procurou, ao seu modo, segundo a sua crença de que os documentos apresentados seriam o suficiente a comprovar o alegado, se desincumbir de sua responsabilidade de demonstrar a existência do crédito alegado na data de transmissão do PER/DCOMP e, com isso, demonstrar o fato constitutivo de seu direito, e extintivo do direito do Fisco. Ou seja, a contribuinte, nos moldes do art. 333 do CPC, buscou demonstrar a existência do seu direito creditório colacionando aos autos os documentos que, no seu entendimento seriam o suficiente ao cumprimento do desiderato. Já a autoridade administrativa admitiu a possibilidade de existência de erro no preenchimento da DCTF e que por tal razão não encontrou o DARF que, no entender da recorrente é o motivo da existência do direito creditório alegado. Diante deste contexto creio não haver como penalizar o sujeito passivo. O atributo da liquidez, certeza e exigibilidade, é imprescindível seja para o Fisco realizar a cobrança do crédito tributário ou, na mesma medida, para a contribuinte obter a repetição do indébito. Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. Isto posto deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição preparadora, bem assim a sua manifestação em relação ao feito, se assim lhe aprouver, em razoável espaço de tempo para, posteriormente retornarem os autos com o fito de dar prosseguimento ao julgamento ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13678.000065/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal - PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional - CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO COM A DIRF.
Mantém-se a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, identificada a partir de DIRF apresentada pela fonte pagadora.
MULTA DE OFÍCIO.
A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO COM A DIRF. Mantémse a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, identificada a partir de DIRF apresentada pela fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 00 65 /2 00 9- 81 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 89 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 9ª Turma da DRJ/BHE (Fls. 30), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento acostada às fls. 10/15, relativa ao imposto de renda pessoa física (IRPF) exercício 2007, que lhe exige o crédito tributário no valor de R$ 13.162,69, assim discriminado: imposto suplementar (2904) R$ 6.709,50 multa de ofício R$ 5.032,12 juros de mora R$ 1.421,07 Total R$13.162,69 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 12/13, o lançamento decorreu da omissão de rendimentos no total de R$42.596,05 e da compensação indevida de imposto de renda no valor de R$1.463,76. Segundo a autoridade lançadora o contribuinte não declarou os rendimentos recebidos da empresa Companhia Cimento Portland Itaú, CNPJ 24.030.025/0001¬04, no valor de R$12.797,14, e declarou a menor R$29.798,91 do total de R$54.655,10 recebido da Votorantin Cimentos Ltda, CNPJ 01.637.895/000132. Ainda, compensou em sua declaração de ajuste anual o valor de R$4.869,87, ao invés de R$3.406,11, a título de imposto de renda retido pela Votorantim Cimentos Brasil S. A., CNPJ 96.824.594/000124. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 90 3 Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/08, onde aduz, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, pugna pela nulidade do lançamento sob o argumento de preterição do direito de defesa. Ressalta que foram feitas alterações em sua declaração de ajuste anual sem comprovação de onde foram extraídos os valores que ensejaram esse procedimento. Salienta que a Receita dispõe de dados obtidos por meio de Dirf Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte entregues pelas empresas que retiveram Imposto de Renda de seus empregados e/ou fornecedores. Esse documento, porém, por ser elaborado apenas pela empresa, é unilateral. Seus beneficiários desconhecem totalmente o valor declarado pela empresa. Qualquer equívoco por parte dela na informação prestada causalhes prejuízo e cerceia o direito deles contraditar tais valores. Diz que a Administração Pública é obrigada a propiciar ao contribuinte o direito à ampla defesa explicitando, de forma pormenorizada, os motivos do lançamento fiscal, o que não ocorreu, pois não há qualquer informação do fisco sobre a origem dos valores glosados e daqueles acrescentados na Notificação de Lançamento. No mérito, esclarece que a Companhia Cimento Portland Itaú CNPJ 24.030.025/000104, foi incorporada pela Votorantim Cimentos Ltda e, posteriormente seus ativos foram transferidos para a Votorantim Cimentos Brasil Ltda. Afirma que os serviços foram prestados, portanto, para uma única empresa, não tendo, as sucessões administrativas, alterado em nada a relação jurídica de tais prestações. Aduz que a maioria dos Recibos de Pagamentos a Autônomos foram emitidos em nome da Companhia Cimento Portland Itaú e os comprovantes de rendimentos fornecidos somente pelas empresas Votorantim Cimentos Ltda e Votorantim Cimentos Brasil Ltda., já que a Companhia Cimento Portland Itaú foi incorporada por estas duas primeiras. Assim, não há qualquer vínculo com a empresa incorporada. Elabora demonstrativo (fl.4) dos valores de rendimentos efetivamente recebidos mensalmente e do imposto retido, totalizando o montante de R$66.415,00 e R$9.294,06, respectivamente. Esclarece que " inicialmente a empresa é quem fazia os próprios cálculos do Imposto de Renda Retido, porém, a partir de abril de 2006 exigiu que os RPA's apresentassem individualmente o valor do IRRF a ser retido do valor do pagamento'" e informa a juntada dos Recibos de Pagamento a Autônomo, com os quais pretende comprovar os rendimentos de fato recebidos. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 91 4 Ressalta que o valor de imposto informado pela fonte pagadora está equivocado pois, conforme seus cálculos mensais, a retenção teria que ser maior que o declarado pela empresa e, mesmo de posse dessa informação, utilizouse da compensação de tão somente R$4.869,87, conforme declarado. Insurgese contra a aplicação da multa no importe de 75%, considerandoa um verdadeiro confisco tributário e alegando que o Código Tributário não estabelece o seu percentual. Assim, a lei ordinária que o determina não tem eficácia jurídica por flagrante violação à Lei Complementar n° 95/98, que disciplina sobre a feitura de lei. Requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito. Passo adiante, a 9ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. IMPOSTO DE RENDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Somente o imposto comprovadamente pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto devido apurado, com vistas a determinar o imposto suplementar a pagar ou a ser restituído na declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. Cientificado em 08/08/2011 (Fls. 37), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/08/2011 (fls. 38 a 48), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Em 19 de novembro de 2013, (Fls. 52) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência no sentido do retorno dos autos à DRFB de origem, para que a autoridade preparadora juntasse aos autos a DIRF e as provas acerca dos objetos do lançamento. Em 21/02/2014, (fls.58) o SACAT da DRF de DIVINÓPOLIS/MG exarou o seguinte DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 92 5 Considerando que o solicitado na Resolução do CARF de fls.52/56 , diz respeito a juntada nos autos de prova da omissão de rendimentos e da origem das diferenças de IRRF, ou seja, provas acerca dos objetos do lançamento, encaminho à SAFIS para providências e posterior remessa à ARF/Passos para ciência ao interessado. Em resposta a DRF de DIVINÓPOLIS/MG juntou às Fls.59 a 80 os seguintes documentos: Termo de Intimação Fiscal para a Votorantin Cimentos do Brasil S/A; AR com data de recebimento 06/01/2009; Extrato da tela do sistema de consulta de situação do CNPJ da Votorantin Cimentos do Brasil S/A; Dados do processamento da Declaração Retificadora do Sr. Antonio Mariosa Martins; Declaração de Ajuste Anual – 2007 do Sr. Antonio Mariosa Martins; Resumo da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, ano calendário 2006; Declarante: Votorantin Cimentos do Brasil S/A; Beneficiário: Sr. Antonio Mariosa Martins; Ofício resposta da Votorantin Cimentos do Brasil S/A; O Termo de Intimação da Votorantin Cimentos do Brasil S/A, solicitando: 1 – Apresentar comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, referente ao ano calendário de 2006, emitidos pelas empresas relacionadas abaixo, do contribuinte Antônio Mariosa Martins, CPF 306.404.90620; 2 – Confirmar os valores informados nas DIRF/2007 apresentadas pelas empresas abaixo ou encaminhar recibo de entrega de DIRF retificadora das mesmas, se for o caso: 01.637.985/000132 – Votorantin Cimentos Ltda; 24.030.025/000104n Cia de Cimento Portland Itaú; 96.824.594/000124 – Votorantin Cimentos do Brasil Ltda. Às Fls. 71 e 72, Recibo de Entrega de DIRF 2007 com exercício 2006 e o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, exercício 2006 da Cia de Cimento Portland Itaú em relação ao Beneficiário Antonio Mariosa Martins; Às Fls.73 e 74 Recibo de Entrega de DIRF 2008 com exercício 2007 e o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, exercício 2007, da Votorantin Cimentos Ltda em relação ao Beneficiário Antonio Mariosa Martins; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 93 6 Às Fls.75 e 76 Recibo de Entrega de DIRF 2009 com exercício 2007 e o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, exercício 2007, da Votorantin Cimentos do Brasil Ltda em relação ao Beneficiário Antonio Mariosa Martins; Procuração da Votorantin indicando os prepostos. Em 25/03/2014 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis/MG, expediu o Termo de Intimação Fiscal para o Recorrente, com o seguinte conteúdo: Fica Vossa Senhoria ciente de que, em atendimento ao determinado pela Resolução n° 2801000.272 1a Turma Especial do CARF, foram juntados ao processo supra mencionado os seguintes documentos: Termo de Intimação Fiscal; AR; Declaração de Ajuste Anual (DIRPF 2007); Extrato das DIRF; Resposta à intimação apresentada pela fonte pagadora; Recibos de entrega das DIRF e comprovantes de Rendimentos. Cópia da Resolução n° 2801000.272 e dos documentos acima estão sendo enviados a Vossa Senhoria, em anexo, para que, querendo, apresente suas considerações, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento deste termo. Em resposta a Intimação o Recorrente anexou Impugnação, alegando em síntese: (...) Todos os valores recebidos a título de serviços prestados na modalidade de autônomo, foram efetivados através dos Recibos de Pagamentos à Autônomos RPA's juntados com a defesa. É estranho, para o signatário/contribuinte fiscalizado, que há declarações de rendimentos pagos pela então COMPANHIA CIMENTO PORTLAND ITAÚ, pois esta, fora incorporada pela Votorantim Cimentos Brasil Ltda. Aliás, E. Julgadores, os valores declarados pelo contribuinte foram extraídos dos RPA's emitidos mensalmente. A Declaração de Rendimento juntadas nos autos não foram encaminhadas ao signatário por ocasião da declaração de ajuste anual, o que causou o transtorno e as divergências ora questionadas. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 94 7 Assim sendo, reitera os termos da defesa, requerendo que se verifique o real valor declarados nos RPA's e, por conseqüência declarados na Declaração de ajuste anual do exercício de 2007. Caso V.Sas, não compartilhe do entendimento retro, que seja, pelo menos excluído os valores das multas aplicadas, tendo em vista a boa fé do contribuinte signatário e a omissão da fonte pagadora em enviar as Declarações de Rendimentos na época oportuna. Finalizada a diligência, o processo voltou a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Trata o lançamento de glosa de compensação de IRRF e de omissão de rendimentos. Quanto a omissão de rendimentos, o contribuinte apenas afirma que não declarou tais rendimentos em razão de não os ter recebido e afirma não haver provas destes supostos pagamentos. Já em seu recurso, o contribuinte combate o lançamento com a argumentação de nulidade da autuação em virtude de cerceamento ao seu direito de defesa, em razão de não apresentação da prova do ilícito cometido. Preliminarmente, da análise dos autos, depreendese que não assiste razão ao recorrente na pretendida nulidade do auto de infração, em razão em razão de não ter sido apresentado a prova do ilícito. O auto de infração em questão se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas posteriormente. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em ofensa ao princípio da verdade material face à motivação posta na autuação, nem tampouco em desrespeito às disposições dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Ademais, após a realização de diligências, foi apurado que a fiscalização providenciou junto as fontes pagadoras todas as informações e documentos que comprovavam os pagamentos que lastrearam o lançamento. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 95 8 Percebo ainda que todos os dados e documentos que lastrearam o auto de infração estão contidos no bojo dos autos e que o contribuinte foi informado da realização das diligências; sendo, inclusive, intimado para se pronunciar sobre as mesmas. Assim, o recorrente teve acesso total aos autos em comento, podendo, inclusive, solicitar cópia integral do mesmo. Portanto, entendo que ao contribuinte foi disponibilizado toda a documentação referente ao auto de infração, e que não houve cerceamento ao seu direito de defesa. Em razão do acima elencado, rejeito a preliminar argüida. Quanto ao mérito, o recorrente afirma que não declarou tais rendimentos em razão de não os ter recebido, que não há provas destes supostos pagamentos e que deve prevalecer os valores constantes em seus Recibos de Pagamentos à Autônomos. Neste ponto, cabe relembrar que, após a realização de diligências, foi apurado que a fiscalização providenciou junto as fontes pagadoras todas as informações e documentos que comprovavam os pagamentos que lastrearam o lançamento. Assim, não há como se acatar a argumentação de inexistência de provas dos pagamentos. Ademais, como bem exposto no acórdão da DRJ, as fontes pagadoras, após regular intimação, confirmaram os pagamentos e apresentaram documentação não desqualificada pelo Recorrente; in verbis: “Quanto à alegação de que a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf é documento produzido apenas pela empresa, portanto unilateral, frisese que o Impugnante não trouxe aos autos elementos que ponham em dúvida a veracidade da informação fiscal, lastreada nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf entregues e confirmadas pelas empresas à Receita Federal. Portanto, entendese que o lançamento amparouse em documentação hábil, não desqualificada pelo impugnante. Acerca dos rendimentos alegados como efetivamente recebidos num total de R$66.415,00, com imposto retido de R$R$9.294,06, o Impugnante também não carreou aos autos documentos que comprovassem a veracidade de sua alegação, em que pese ter mencionado a juntada de recibos à peça impugnatória. Em contrapartida, conforme já registrado, as fontes pagadoras, após a entrega das referidas Dirf, foram intimadas e confirmaram os valores declarados. Nesse contexto, ainda que não concorde com a exigência fiscal, o Impugnante não apresentou elementos que desconstituam o lançamento e é sabido que a resolução da lide está lastreada na força probatória dos elementos acostados aos autos aptos a comprovar os argumentos aduzidos pela defesa.” (pág. 33 dos autos) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 96 9 Embora alertado pela DRJ da existência de provas dos pagamentos, o contribuinte não apresentou qualquer outro tipo de prova; limitandose a repetir as mesmas alegações de sua impugnação. Compulsando os autos, verifico que as observações proferidas pela DRJ em seu acórdão são absolutamente pertinentes e refletem a realidade dos fatos. Assim, não há como acatar as alegações do recorrente. Em relação ao pedido de não aplicação da multa de ofício, não há como ser acatado, em razão do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/ 96, que prega: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso o lançamento promoveu a omissão de rendimentos e a glosa de compensação de IRRF, que carreou na apuração de Imposto de Renda que não foi recolhido. Deste modo, confirmada a omissão de rendimentos e a glosa, é cabível a aplicação da multa de ofício. Já o argumento de inconstitucionalidade da multa aplicada em razão da sua natureza confiscatória não pode ser analisado por este Conselheiro, em razão da Súmula CARF n 2, de aplicação obrigatória; in verbis: SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo apenas estes os argumentos do recorrente para afastar a aplicação da multa do lançamento, é dever manter sua aplicação. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 97 10 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 13706.004709/2002-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
IRPF. IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. MANUTENÇÃO.
Está correta a glosa do valor declarado a título de imposto complementar (cód. 0246) quando não há prova de que o recolhimento declarado tenha sido efetuado.
Numero da decisão: 2102-002.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. MANUTENÇÃO. Está correta a glosa do valor declarado a título de imposto complementar (cód. 0246) quando não há prova de que o recolhimento declarado tenha sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 47 09 /2 00 2- 59 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, relativo ao anocalendário 1999, para formalização do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$7.662,06 (sete mil, seiscentos e sessenta e dois reais e seis centavos). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal através do lançamento foram alteradas as seguintes linhas de sua declaração: * rend./recebidos de pessoas jurídicas para R$ 83.808,32; * imposto de renda retido na fonte para R$ 12.122,63; * imposto complementar para R$ 0,00. Inconformada, a contribuinte ingressou com a Impugnação de f1. 03, alegando, em síntese, que: a) a cobrança não procede uma vez que o imposto reclamado pela Secretaria da Receita Federal encontrase pago desde 27/04/2000 (cópia do documento à fl.07); b) a "omissão de rendimentos" apontada no auto de infração não existe já que a declaração original incluiu tal rendimento como tributável; c) encontrase em andamento na Delegacia da Receita Federal o processo de n° 13706.001458/200251, datado de 01/04/2002, por intermédio do qual a contribuinte solicita reembolso dos impostos sobre a renda já recolhidos, de acordo com os benefícios estatuídos pela Lei n° 8.541, art. 47, de 23/12/1992. Ao apreciar as razões de Impugnação, os integrantes da 2ª Turma da DRJ/RJOII, consideraram como não impugnada a dedução indevida a título de imposto complementar. Quanto ao mérito, o lançamento fiscal foi julgado procedente em parte, reconhecendose o direito da contribuinte à isenção do imposto sobre os proventos de pensão auferidos a partir de agosto de 1998, na forma do disposto pelo artigo 39, inciso XXXI, e §§ 5° e 6°, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 e Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10/1996, sendo refeitos os dados da declaração de ajuste anual/2000 da contribuinte da seguinte forma: APURAÇÃO E CÁLCULO VALORES EM REAIS Rendimentos Tributáveis 64.985,82 Deduções 10.906,59 Base de Cálculo 54.079,23 Imposto 10.551,78 Imposto Retido na Fonte 12.122,63 Imposto a Restituir 1.570,85 A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário às fls. 165/169, por meio do qual alegou, em suma: a) que, no mesmo dia em que efetuou o pagamento do IRPF que lhe fora exigido e cujo lançamento fora cancelado pelo acórdão recorrido, a contribuinte remeteu à RFB Fl. 174DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13706.004709/200259 Acórdão n.º 2102002.937 S2C1T2 Fl. 66 3 declaração retificadora do IRPF, informando a isenção do IRPF sobre proventos de pensão auferidos e que por esta razão não são passíveis de tributação; b) que, apesar ter sido julgado parcialmente procedente a impugnação apresentada, restou omitido ponto acerca do pagamento feito a maior e indevidamente pela contribuinte, no valor de R$3.605,34 (três mil, seiscentos e cinco reais e trinta e quatro centavos), tendo o acórdão recorrido somente noticiado a existência do pagamento, afirmando, porém, que o mesmo não havia sido localizado no sistema da RFB; e c) que deveria ser reconhecido o seu direito à restituição do valor pago a maior e indevidamente pela contribuinte, no valor de R$3.605,34 (três mil, seiscentos e cinco reais e trinta e quatro centavos), conforme comprovante de fls. 7. Os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 14.09.2009, como atesta o AR de fls. 56. O Recurso Voluntário foi interposto em 14.10.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo em que se discute lançamento para exigência do IRPF em razão de alegada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (os quais haviam sido considerados isentos pela Recorrente) e ainda da glosa de imposto complementar declarado. O direito da Recorrente à isenção sobre os rendimentos tidos como omitidos neste lançamento já foi reconhecido pela decisão recorrida – implicando na alteração do resultado de sua declaração de ajuste (de imposto a pagar para imposto a restituir), sendo certo que a matéria que ela pretende submeter a este Conselho diz respeito somente ao pedido de restituição do valor de R$ 3.605,34, declarado como “imposto complementar”. Sua pretensão, porém, não merece acolhida, por dois motivos. Primeiramente, devese esclarecer que o imposto complementar (cod. 0246) é aquele recolhido ao longo do ano (até 31 de dezembro) a título de antecipação do imposto devido. O imposto recolhido pela Recorrente através do DARF de fls. 07 não é imposto complementar, mas sim pagamento do saldo devido no Ajuste Anual (cod. 0211). Assim, está correto o entendimento de que não foi localizado no sistema da RFB qualquer pagamento de imposto complementar no valor informado pela Recorrente, devendo ser mantida a glosa em questão. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Além disso, há que se ressaltar que o pedido de restituição do valor pago por ela a título de imposto apurado após o ajuste é objeto do processo nº 13706.001458/200251, como se depreende da leitura do despacho de fls. 66 – proferido naqueles autos: Em vista do exposto, tanto o pedido de restituição do IRPF referente aos Exercícios de 2000 e 2001 quanto da COTA única do IRPF/2000 (cod.0211) no valor originário de R$ 3.605,34, paga conforme DARF de f1.25 (cópia) e confirmada pelo extrato de fls.57/58, ficarão pendentes de apreciação por esta repartição até que transite administrativamente em julgado as impugnações interpostas. Como se vê, o direito ou não da Recorrente à restituição pretendida já está sendo discutido naqueles autos, não sendo este o âmbito correto para sua análise. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 176DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10480.720125/2007-32
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 01 25 /2 00 7- 32 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 144 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/04, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2005, relativo ao imóvel denominado " Engenho Cruzinha Setor 4 ", localizado' no município de Itaquitinga PE, com área total de 1.302,7 ha, cadastrado na RFB sob o n° 0:124.9185, no valor de R$ 41.108,39 (quarenta e um mil cento e oito reais e trinta e nove centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30111/2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 83.844,66 (oitenta e três mil oitocentos e quarenta e quatro reais e sessenta e seis centavos). 2. O contribuinte foi intimado a apresentar, entre outros; documentos, "Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA", Termo de Intimação Fiscal — TIF no 04101100024/2007, fls. 09/10, Aviso de Recebimento — AR datado de 30/07/2007, fl. 11. 3. Em resposta ao TIF acima referido o intimado requereu dilação do prazo em mais vinte dias, no que foi atendido conforme fl. 12. I 4. Atendendo ao TIF o Intimado apresentou "Laudo de Avaliação de Imóvel Rural", fls. 16/37, "Laudo de Vistoria Referente ao Engenho Cruzinha, Componente das Terras da Usina São José", fls. 38154 e "Laudo de Vistoria Técnica Realizada em Áreas do Engenho Cruzinha da Usina São José", fls. 68169. 5. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2004 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 03, a fiscalização glosou toda a área declarada como de preservação permanente. 6. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 29/1112007, conforme cópia do Aviso de Recebimento — AR, fl. 57. 7. Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou impugnação de fls. 61/64, em 3111212007, fl. 61, alegando em síntese: 1 — a manifesta intempestividade da lavratura do Auto ora questionado, decorrente da conclusão da auditoria fiscal dessa Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 145 3 DRF relativamente à comprovação atendida, dentro do regular prazo concedido, através de Laudo de Avaliação do imóvel rural acima referido, cadastrado sob o NIRF 0.124.9185, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal; II — não há, por parte desta empresa, um específico procedimento para determinar, ano a ano, qual seja o valor que deva ser atribuído à terra nua de suas propriedades agrícolas. O que ocorre, sistematicamente, é um rigoroso controle quanto ao uso e a ocupação das terras agricultáveis; a preservação e a manutenção das áreas obrigadas pela cobertura florística do Bioma Mata Atlântica e das demais áreas de preservação obrigatória por imposição de Lei; a manutenção das benfeitorias necessárias ao desenvolvimento da atividade inerente à empresa; III —faz, sempre que necessário, uma prévia avaliação, a preços de mercado local, para um conhecimento do VALOR TOTAL DOS IMÓVEIS (sic), . objetivando a correta elaboração das respectivas Declarações do ITR; IV — faz guarda dessas avaliações procedidas. Tanto é fato que foram estas que serviram para atender ao Termo de Intimação Fiscal inicialmente enviado por essa DRF, o qual após análise foi considerado insuficiente à comprovação do VTNdeste imóvel; V — Foi apresentado Laudo de Vistoria caracterizando a tipologia das matas preservadas cora o enquadramento que as remete ao tipo de área isenta da incidência tributária do ITR; VI — Causa estranheza e inconformismo nesta empresa impugnaste a decisão que tornou a auditoria dessa SRF ao concluir que não houve comprovação, por meio do Laudo de Avaliação apresentado, do valor da terra nua 'declarado na respectiva Declaração do ITR, para o exercício de 2004. Maior estranheza, ainda, ocorre ao ser verificado que da mesma decisão fica consignado não ter havido a comprovação da isenção da área declarada a título de preservação permanente; VII — faltou ser observado (..) que a legislação tributária vigente,!, em especial a Lei na 9.393, (..) disciplina no inciso I do § 1 ° do Art. 10_ o Valor Terra Nua —VTN para os eitos de apuração do ITR, corresponde ao valor do imóvel EXCLUÍDOS os valores relativos às construções, instalações e benfeitorias; às culturas permanentes e temporárias. Às pastagens cultivadas e melhoradas e às florestas plantadas (sic); VIII — Faltou considerar também que esse disciplinamento e os valores depurados e demonstrados no Laudo apresentado contemplam, a preços de mercado, os valores aplicáveis às benfeitorias reprodutivas e não reprodutivas incorporadas ao imóvel avaliado, demonstrando, ao final, o valor do imóvel que correspondeu para o exercício requerido. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 146 4 IX — conforme se depreende do Art. 1' do mencionado Decreto n° 750, foi disciplinada a proibição de corte, exploração e supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 94/100, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada daquele acórdão em 15/04/2011 (fl. 103), a Contribuinte, representada por seu advogado (fl. 131) interpôs recurso voluntário de fls. 122/129, em 17/05/2011, no qual, em síntese, argumenta ser desnecessário o ADA, que é ato unilateral do contribuinte, eis que, no caso presente, está comprovada a existência da área de preservação permanente em que se preserva e protege a flora e as florestas. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese ao inconformismo do Recorrente em relação à glosa da área de preservação permanente de 521,2 ha. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 147 5 No que tange à exclusão da área de preservação permanente da incidência do ITR, há que se esclarecer que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. A legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR DITR. Entretanto, como a lei não fixou prazo para a apresentação do documento, muitos passaram a defender não ser possível se admitir que isso fosse feito por atos infralegais. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Veja se, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 148 6 Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Ou seja, o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, consoante entendimento dominante da CSRF, aceito a apresentação intempestiva do ADA ou da comunicação da existência das áreas isentas ao órgão de fiscalização ambiental, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. No exame do caso concreto, se faz necessário investigar se a Contribuinte, até o início do procedimento fiscal – 30/07/2007 (fl. 15), já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência da área de preservação permanente e se existe a comprovação de sua existência. Em que pese a Contribuinte atender uma das exigências para que estas áreas sejam dedutíveis da área tributável que é a de efetivamente existirem, conforme afirmou a decisão recorrida, não se verifica nos autos a apresentação do ADA ou da comunicação da existência das áreas isentas ao órgão de fiscalização ambiental. Desta forma, não há como reconhecer a isenção da vindicada área de preservação permanente.. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 149 7 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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