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Numero do processo: 13851.001052/2004-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/2003
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não pode ser conhecido o recurso especial quando não há demonstração e nem mesmo evidência de que as decisões comparadas tenham divergido sobre a correta aplicação da legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.600
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/2003 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não pode ser conhecido o recurso especial quando não há demonstração e nem mesmo evidência de que as decisões comparadas tenham divergido sobre a correta aplicação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 10 52 /2 00 4- 66 Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 9303006.600 CSRFT3 Fl. 725 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3202001.044, de 28 de janeiro de 2014 (fls. 587 a 597 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade suscitada; no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem auto de infração lavrado contra o Contribuinte, constituindo crédito decorrente da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescido de juros e multa proporcional, no valor total de R$ 2.407.837,36. Cientificado, o Contribuinte apresentou impugnação, na qual suscitou preliminares de nulidade do auto de infração, sendo a primeira delas por decadência do direito de lançar os créditos relativos aos fatos geradores anteriores a 29/09/1999, nos termos do Código Tributário Nacional, art. 150, § 4°, transcrevendo julgados dos Conselhos de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais e Superior Tribunal de Justiça. Alegou cerceamento de defesa, em razão da exigência de valores que não foram objeto de intimação da requerente para apresentar esclarecimentos. Tais valores referemse a "supostas diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago", que “não foram objeto da fundamentação do Relatório de Verificação Fiscal". Transcreveu trecho do auto de infração que não teria sido discutido em sede de fiscalização. Além disso, "não foi dada a ora requerente oportunidade de se manifestar sobre as conclusões extraídas no Relatório de Verificação Fiscal". Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 9303006.600 CSRFT3 Fl. 726 3 Por essas razões, transcrevendo trechos de acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, doutrina, e invocando o art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o art. 50, II da Lei n° 9.784, de 1999 (que determinam "que o auto de infração seja lavrado com a descrição e indicação dos fatos e fundamentos jurídicos), propugnou pela nulidade da autuação. No mérito, refutou o valor utilizado na apuração do débito do mês de dezembro de 1999, a título de desconto concedido (R$ 8.002.146,02), alegando que o valor correto seria de R$ 4.378.647,79, conforme folha do Razão que apresentou e foi anexada ao processo. Reclamou da "indevida tributação de receitas de exportação" em outubro de 2000. Argumentou que, em setembro de 1999, auferiu receitas de exportação e submeteuas à tributação pela contribuição, resultando em recolhimento indevido que foi utilizado para compensar com o valor devido em outubro de 2000. Repisou os argumentos já apresentados quando do procedimento fiscal, com relação à caracterização de sua conta "descontos concedidos" como descontos incondicionais, dedutíveis da base de cálculo da contribuição. Argumentou que, em sua atividade, é comum o fornecimento da mercadoria mediante a emissão de fatura para pagamento depois de 1 (um) ano. Assim, o preço faturado é composto do valor da mercadoria e dos encargos financeiros exigidos em contrapartida do prazo de pagamento concedido. Quando os clientes adiantam o pagamento em relação à data de vencimento, a impugnante concede o respectivo desconto, registrado na referida conta. A concessão do desconto se dá independente de qualquer dispositivo contratual, tratandose então de desconto incondicional, uma vez que não estava sujeito a evento futuro e incerto. Como a empresa não auferiu tal receita (relativa ao desconto), obviamente a exclui da base de cálculo da contribuição. Prosseguiu discorrendo longamente sobre o tema, transcrevendo jurisprudência e doutrina para suportar sua tese, alegando que "o faturamento de valores que, posteriormente, não se efetivem, não podem ser considerados como receitas, embora num Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 9303006.600 CSRFT3 Fl. 727 4 primeiro momento, por mera ficção contábil criada pelo regime de competência, utilizado para apuração e recolhimento daquelas contribuições, pudesse se caracterizar tal ingresso". Dissertou sobre a impossibilidade de incidência da contribuição sobre as receitas financeiras, defendendo, em suma, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pela Lei n° 9.718, de 1998, por contrariar o art. 110 do CTN, pela impossibilidade de sua recepção pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998, e por afronta ao princípio da hierarquia das leis, citando jurisprudência e doutrina. Refutou a aplicação da taxa Selic como juros de mora, por não ter sido criada por lei para fins tributários e por não possuir caráter moratória sendo uma mera "taxa de referência" calculada e divulgada unilateralmente pelo BACEN. Por fim, alegou ser abusiva a multa aplicada, pois "as supostas infrações basearamse tão somente em mera presunção de irregularidade apontada pelas DD”. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1422.368. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade suscitada; no mérito, negou provimento ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/2003 DESCONTOS INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais, passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições, são aqueles que não dependem de evento futuro e incerto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 727DF CARF MF Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 9303006.600 CSRFT3 Fl. 728 5 Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/2003 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVA. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para infirmar o lançamento adequadamente realizado. LEI VIGENTE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 613 a 624) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito ao entendimento que os descontos concedidos podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 3402002.092 e 10514.327. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos, documento de fls. 672 a 701. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 708 a 711, sob o argumento que o julgado paradigma (acórdão nº 3402002.092) abordou o tema sob o foco de empresa beneficiária de subvenção/desconto. No entanto, a questão foi profundamente examinada no que concerne à natureza dessas rubricas, de sorte que o tratamento dado pela decisão paradigma, com efeito, diverge da decisão recorrida, caracterizando, pois, o dissenso jurisprudencial, pressuposto de admissibilidade do recurso especial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 714 a 722, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 9303006.600 CSRFT3 Fl. 729 6 É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O recurso interposto pela Contribuinte é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelos seguintes motivos: A controvérsia posta nos presentes autos cingese à definição da natureza dos descontos concedidos pela Contribuinte e seus clientes para fins de composição da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS. No presente caso, o Contribuinte fornece mercadoria mediante a emissão de fatura para pagamento depois de 1 (um) ano. Assim, o preço faturado é composto do valor da mercadoria e dos encargos financeiros exigidos em contrapartida do prazo de pagamento concedido. Quando os clientes adiantam o pagamento em relação à data de vencimento, a impugnante concede o respectivo desconto, registrado na referida conta. A concessão do desconto se dá independente de qualquer dispositivo contratual. Verificase que no caso dos autos em questão, o Contribuinte concede os descontos, portanto não são receitas financeiras, mas sim despesas. Então a discussão neste processo não é se há incidência de PIS e Cofins sobre as despesas, mas se estas podem ser deduzidas da base de cálculo. Já no paradigma, o Contribuinte é quem recebe os descontos e o que se discute é se esses descontos são receitas e se incidem sobre eles as contribuições sociais, senão vejamos, trechos do acordão paradigma n.º 10514327: (...) Em seu Recurso, a autuada reitera os termos contidos em sua Impugnação e aduz o que abaixo segue: Fl. 729DF CARF MF Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 9303006.600 CSRFT3 Fl. 730 7 2) Alega, assim, que a origem dos valores contabilizados equivocadamente na conta de "Receitas Financeiras" foi levantada pela própria fiscalização e que tais valores referemse a descontos e bonificações que obteve junto a seus fornecedores em função de pagamento adiantado ou no vencimento das duplicatas. (...) Conheço do Recurso por ser tempestivo e terem sido arrolados bens visando o seguimento do feito. A contribuinte obteve descontos por pagamentos antecipados, pretendendo serem eles excluídos da base de cálculo do IRPJ e decorrentes, em especial a CSLL objeto deste processo, por não integrarem os mesmos receita bruta da empresa. Neste passo convém esclarecer que os descontos se referiram a pagamentos prematuros, o que os caracteriza como receita financeira e não como custo das mercadorias. Face ao que foi aqui exposto e tudo o mais que dos autos consta, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose na integra a decisão "a quo". Vale ressaltar, que neste processo a discussão é quanto à base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre os valores obtidos em desconto. Há de se ressaltar inclusive que o Recurso Voluntário do Contribuinte foi negado. Ora, o Recurso Especial de Divergência pressupõe a indicação de caso semelhante ao que se discute nos autos, e ao qual, no entanto, tenha sido atribuída solução jurídica diversa. Assim, evidente não ter sido comprovada a divergência jurisprudencial, requisito indispensável ao prosseguimento do recurso especial, pois: (a) não ha similitude fática entre os julgados; e (b) não há dissenso interpretativo, pois o acórdão recorrido e aqueles indicados como paradigma trazem fundamentos jurídicos distintos. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 9303006.600 CSRFT3 Fl. 731 8 Diante do exposto, em razão da não comprovação da divergência jurisprudencial, não deve ser conhecido o Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 731DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000607/2005-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 533 1 532 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.000607/200574 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.311 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 06 07 /2 00 5- 74 Fl. 533DF CARF MF Processo nº 11065.000607/200574 Acórdão n.º 9303005.311 CSRFT3 Fl. 534 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 330100.607, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO O saldo credor trimestral da contribuição para o PIS não cumulativa deve ser apurado levandose em conta que as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros integram a base de cálculo mensal dessa contribuição. O saldo credor apurado exclusivamente pela nãoinclusão de tais receitas na sua base de cálculo não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento e/ ou de compensação. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte requer a reforma do acórdão no que tange à cessão à terceiros do crédito do ICMS, advindos da compra de insumos utilizados em mercadorias exportadas, ao argumento de que “...a recorrente alienou com deságio todos os valores referentes aos créditos de ICMS, não auferindo receita alguma, não podendo subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS”. Alega, ainda, que “...tratase de titulo representantivo de parte patrimonial, mas que é anulada pelo encontro de contas. O que a empresa paga primeiramente, a titulo de 1CMS, tem o direito de creditarse posteriormente, em função de suas exportações. Se a empresa realiza cessão deste crédito, não há tributar a suposta capitalização, porque deixou de levar o suposto débito, quando o pagou.”. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 11065.000607/200574 Acórdão n.º 9303005.311 CSRFT3 Fl. 535 3 Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 11065.000607/200574 Acórdão n.º 9303005.311 CSRFT3 Fl. 536 4 VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) Fl. 536DF CARF MF Processo nº 11065.000607/200574 Acórdão n.º 9303005.311 CSRFT3 Fl. 537 5 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 537DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909622/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente Braslatex Indústria e Comércio de Borrachas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 22 /2 01 1- 17 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A 4ª Turma da DRJ/POR indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.499. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 4 3 · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.392, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, esclarece a autoridade fiscal que o valor da receita apontada pelo contribuinte como indevidamente tributada pela contribuição seria a Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.594, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.594): Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 5 4 "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830 AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgR AgR; AI 799.578 AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 6 5 atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas nãooperacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 7 6 § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 8 7 Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; Ill sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 e guardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 9 8 Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 10 9 A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas nãooperacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 11 10 No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10850.909622/201117 Acórdão n.º 3301004.604 S3C3T1 Fl. 12 11 Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720398/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO.
A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusando-se de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS.
Se os sócios, de fato e de direito, do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra para não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária às pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Se o fisco não logrou comprovar o interesse comum jurídico de determinada pessoa física, tampouco ela figurou como sócia (de direito e de fato) da recorrente, forçoso excluí-la do pólo passivo da responsabilidade solidária.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS.
Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplica-se também à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Numero da decisão: 1401-002.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusando-se de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Se os sócios, de fato e de direito, do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra para não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária às pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Se o fisco não logrou comprovar o interesse comum jurídico de determinada pessoa física, tampouco ela figurou como sócia (de direito e de fato) da recorrente, forçoso excluí-la do pólo passivo da responsabilidade solidária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplica-se também à CSLL, ao PIS e à COFINS.
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CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusandose de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Se os sócios, de fato e de direito, do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra para não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária às pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Se o fisco não logrou comprovar o interesse comum jurídico de determinada pessoa física, tampouco ela figurou como sócia (de direito e de fato) da recorrente, forçoso excluíla do pólo passivo da responsabilidade solidária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 98 /2 01 4- 22 Fl. 3014DF CARF MF 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplicase também à CSLL, ao PIS e à COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.015 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1458.578, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 88.250,26 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 64.236,33, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 178.434,20 e Contribuição para o PIS no valor de R$ 38.660,75, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 1.030.334,99 (fl. 02), em virtude de omissão de receita da atividade (revenda de mercadorias), conforme detalhadamente relatado no Relatório Fiscal – Grupo Restum e no Termo de Verificação Fiscal nº 0001 que fazem parte dos autos de infração lavrados. Para fins de apuração do IRPJ e da CSLL foi o lucro arbitrado com fulcro no art. 530, III, do RIR/99, tendo em vista que a contribuinte, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. Foram relacionados como responsáveis solidários pelo crédito tributário as seguintes pessoas jurídicas e físicas: EMPRESA CNPJ/CPF TOPREADY COMÉRCIO E CONFECÇÕES LTDA 01.921.290/000179 SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA 02.067.055/000144 PLANETGIRLS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 04.740.881/000138 TRADE SPORT COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA ME 05.096.118/000189 HOTMAXI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.515.378/000141 HOTONE COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.524.336/000177 COMPANYFASHION CONFECÇÕES LTDA – EPP 07.251.783/000125 HOT BARÃO COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA – EPP 08.691.953/000155 PORT COMPANY PARTIC. E EMPREENDIMENTOS LTDA ME 10.528.300/000100 J. E. LOGISTICA E TRANSPORTE LTDA 10.692.696/000118 PLANET COSMETICS COMERCIAL E REPRESENTAÇÃO LTDA 11.769.712/000196 POLO WEAR COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 11.774.839/000101 FASHIONROUPAS COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.113.554/000184 PLANET GIRLS COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.154.102/000140 PLANETBARUERI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.234.601/000148 HOTMAXI SHOPPING COMERCIO DE CONFECÇOES LTDA 12.484.212/000170 PLANETOUT LET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 POLO WEAR OUTLET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.484/000132 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.506/000164 BARÃOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 ROBERTO RESTUM 043.261.15840 ADRIANA RESTUM 120.853.19807 VANESSA RESTUM 215.012.64869 FELIPE ROBERTO RESTUM 215.012.76875 DANIELE RESTUM TRALDI 215.012.73850 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 Fl. 3016DF CARF MF 4 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.595.364/000140 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 07.693.822/000144 Foram ainda lavrados autos de infração contra as empresas abaixo relacionadas, integrantes do Grupo empresarial denominado “Restum”, e para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 525/571), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. EMPRESA CNPJ Processo nº INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 07.693.822/000144 19311.720395/201499 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.595.364/000140 19311.720365/201482 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 19311.720362/201449 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECCOES LTDA 12.523.506/000164 19311.720363/201493 BARAOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 19311.720364/201438 FASHIONROUPAS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.113.554/000184 19311.720361/201402 POLO WEAR OUTLET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.484/000132 19311.720368/201416 PLANETOUT LET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 19311.720366/201427 HOTMAXI SHOPPING COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.484.212/000170 19311.720397/201488 PLANETJUNDI MAX COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.372.145/000100 19311.720398/201422 1 – SÍNTESE DO RELATÓRIO FISCAL – GRUPO RESTUM Para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 128/174), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. Conforme “Relatório Fiscal – Grupo Restum” (fls. 128/174) o denominado Grupo Restum é constituído por um aglomerado de empresas (centenas de sociedades empresárias autônomas relacionadas no Anexo I) que atuam nos ramos de roupas, sapatos e acessórios, utilizandose de diversas marcas próprias, entre elas destacamse a Planet Girls, Hot Point, Venom, Polo Wear, A.R. Store, SMK, com o fulcro de atingir o mais variado público consumidor. Para tanto, o Grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. No cada uma das lojas é constituída como uma empresa autônoma, possuindo ato constitutivo e CNPJ distintos, sendo que a pulverização do grupo em inúmeras empresas distintas teve como objetivo desmembrar seu faturamento, encobrindo seu real potencial econômico e mantendo o Fisco à margem de suas atividades, uma vez que os baixos faturamentos apresentados por cada unidade não despertam o interesse fiscal. A autoridade fiscal relacionou no Relatório Fiscal alguns procedimentos, a seguir sintetizados, que teria o grupo utilizado para ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores tributários: 1 Cada uma das empresas componentes cumpriam as obrigações acessórias de entrega de declarações, porém, o faziam inicialmente com valores “zerados” e, Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.016 5 num segundo momento, classificavam suas receitas de forma errônea com aplicação incorreta do coeficiente do lucro presumido, diminuindo sobremaneira os valores dos tributos a pagar, dando ao Fisco a equivocada idéia de que as empresas eram cumpridoras do seu dever fiscal; 2 O Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas e para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; 3 O grupo utilizavase de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”; 4 Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, assim a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”, havendo, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes; 5 As empresas próprias (aquelas em que a família Restum aparece no quadro societário) importavam e/ou industrializavam produtos e revendiam tais mercadorias a empresas fictas (empresas do Grupo constituídas em nome de interpostas pessoas) por valores que praticamente correspondiam aos custos de importação e/ou produção, assim, as empresas próprias não apuravam Lucro e apuravam o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas vendiam estas mercadorias às empresas varejistas do Grupo por valores que se aproximavam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaíam sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas pudessem se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaía às empresas próprias do Grupo. 6 As empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.374.212/000118, IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.431.673/000185, SPR IMPORT BRASIL LOJISTICA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 12.431.674/000120 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.755.478/0001 00 teriam sido constituídas em nome de interpostas pessoas e funcionaram de anteparo formal para acobertar fatos geradores tributários praticados pelo Grupo, cujo real beneficiário seria a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 07.693.822/0001 44; 7 As empresas fictícias não possuíam sequer espaço físico, constituindose em mera formalidade e, desta forma, a importadora do grupo revendia quase a totalidade dos produtos e matérias primas para as empresas fictas as quais mandavam industrializar as matérias primas e revendiam os produtos para as lojas varejistas do Grupo, lojas estas que se creditam dos tributos não cumulativos e que Fl. 3018DF CARF MF 6 tem pouco ou quase nenhum lucro. O passivo tributário recaía quase que totalmente às intermediárias fictícias. 8 Foram criadas novas empresas que praticaram também fatos geradores tributários, porém os valores destas operações decorrentes não foram oferecidos à tributação, tendo sido inclusive escondidos do Fisco Federal na tentativa de serem beneficiados pelo instituto da decadência; 9 Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não eram registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando que seu patrimônio não pudesse ser alcançado em uma execução fiscal; 10 Os imóveis que sediam as diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144, além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo. 1.1 Do Grupo Restum e Suas Operações Comerciais Segundo a fiscalização, o Grupo utilizavase de pessoas ligadas para a constituição de novas empresas, destacandose o Sr. Milson Cesar da Silva – CPF 247.107.34844, empregado com vínculo desde 01/10/2012 da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, empresa pertencente ao Grupo, cujos sócios registrados são Jacques Nehme Rostom e Daniele Restum. Em setembro de 2013 o Sr. Milson era responsável junto à RFB por 47 (quarenta e sete) empresas do Grupo e após um determinado período o controle destas sociedades foi transferido para os sócios de fato e em agosto de 2014 o Sr. Milson passou a constar como sócio de novas empresas do Grupo, conforme mostra os Anexo II e III. O Sr. Nivaldo Sancana Rocha, CPF 120.702.06807, é outra pessoa ligada que aparece como sócio administrador de várias empresas do Grupo, o qual se apresenta como “Controller” do Grupo, informação esta, que estaria corroborada pela outorga de procuração do Sr. Roberto Restum ao Sr. Nivaldo para atender às demandas no curso dos procedimentos fiscais executados pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SEFIS/DRF/JUN). O Sr. Nivaldo seria o responsável pelo preenchimento nas DIPJ´s apresentadas à RFB referentes às empresas oficiais do Grupo (aquelas em que aparecem como sócios o Roberto e Adriana Restum) sendo que todas essas declarações foram apresentadas utilizandose do mesmo endereço IP. Rastreando este endereço IP foram encontradas outras empresas do Grupo, além daquelas chamadas oficiais, que foram constituídas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) ou em nome de familiares dos Restum (Anexo IV). Visando melhor esclarecer como operou o Grupo no ano de 2011 a fiscalização elaborou o diagrama abaixo (Figura 1), no qual as empresas com a inscrição “Própria” têm em seu quadro societário o Sr. Roberto Restum e/ou a Sra. Adriana Restum, já aquelas com a inscrição “Laranjas” tem o quadro societário composto por interpostas pessoas. Os valores sobre as setas representam as vendas realizadas em milhões de Reais e os números abaixo dos nomes das empresas são os CNPJ´s básicos. Segundo a fiscalização, naquele ano a empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (anteriormente chamada Telesa Importação e Exportação Ltda.) era responsável pelas importações do Grupo, bem como pela compra de produtos no mercado interno, seja de matérias primas para Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.017 7 industrialização (própria ou por conta e ordem), seja de produtos acabados para revenda. Já as empresas JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/000118 e Jos COMÉRCIO de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, ambas constituídas em nome de interpostas pessoas, compravam tanto de terceiros no mercado interno como da Invictus, revendendo diretamente para lojas do grupo ou para a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 e para a ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185, as quais por sua vez vendiam seus produtos para as lojas do grupo. A Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100, naquele ano, apesar de estar registrada como comércio, não efetuou nenhuma compra, vendendo, entretanto, vultosas quantias para as lojas do grupo. Essas vendas decorrem de produtos oriundos de industrialização própria efetuada à margem da formalidade. Fl. 3020DF CARF MF 8 Destacou a autoridade fiscal o fato de que coube às empresas cujos quadros societários são compostos de “laranjas” a apropriação da mais valia da operação comercial, conforme vemos na Figura 2 acima, onde compras (custo) no valor total de R$ 83.000.000,00 (oitenta e três milhões de reais) chegam às lojas do Grupo com um custo de R$ 317.000.000,00 (trezentos e dezessete milhões de reais). Assim, de uma receita total estimada de R$ 317.000.000,00 o Grupo reconheceu como base de cálculo a somente R$ 83.000.000,00, havendo uma sonegação de 74% dos tributos totais devidos já que o núcleo do esquema (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e Import Dalamari) nunca recolheu os tributos devidos, sem contar o não recolhimento dos tributos reconhecidos pelo Grupo. Por outro lado, as lojas do Grupo puderam se creditar dos tributos não cumulativos gerados pelo núcleo do esquema. No anocalendário 2012 o modus operandi do Grupo teria permanecido o mesmo, mas seguindo a linha de ação de criação constante de novas empresas, houve alteração nos atores, como mostra a Figura 3 abaixo reproduzida. Assim à Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/0001 44 coube basicamente lidar com as importações enquanto que à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube o mercado interno. A fiscalização chamou atenção para o fato que houve uma reestruturação gerencial inclusive, já que em 2011, com exceção da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 que operou somente no mercado interno, todas as outras empresas do núcleo negociaram com produtos importados e oriundos do mercado nacional, já em 2012, coube à Invictus importar e revender à ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. (atualmente denominada AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda.) CNPJ: 12.595.364/000140, Jos Comércio e Jurecê, às quais recaiu o lucro da operação, e à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube gerenciar as operações de mercado interno. Ocorreu uma departamentalização. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.018 9 No tocante aos tributos federais, até 2011 a prática era da não transmissão de declarações ou quando havia transmissão estas declarações eram “zeradas”. Após 2012, como já dito anteriormente, algumas das lojas passaram a transmitir declarações, porém classificando sua receita bruta no coeficiente de 1,6% (destinado a comerciantes de combustível – Lucro Presumido). A fiscalização destacou a forma adotada para salvaguardar o patrimônio do Grupo: “Utilizandose do conceito de autonomia das pessoas jurídicas e da limitação de responsabilidade ao capital social (art. 1052 da Lei 10.406/02 – Código Civil), uma vez que as empresas operacionais possuem nenhum ou mínimo patrimônio, o Grupo concentra seu patrimônio em duas empresas, a saber: Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144. Estas empresas praticamente não executam atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), tentando assim manterse distante dos fatos geradores tributários. Essa segregação constituise tão somente de outro ardil do Grupo, já que tal patrimônio está intrinsecamente ligado às operações deste, sendo composto, basicamente, de imóveis onde estão localizadas as lojas, de veículos utilizados nas operações comerciais e de suas marcas e patentes. Logicamente há também imóveis e veículos não afetados pelas operações, entretanto, os recursos utilizados na sua aquisição provêm das operações e por conseguinte de créditos tributários sonegados, devendo portanto servir para satisfazer as pretensões fiscais.” Além do Grupo utilizarse de abertura e encerramento de inúmeras empresas, mantendo, inclusive, “estoque” de novas empresas a serem utilizadas em tais operações, bem como da criação de empresas cujo quadro societário é composto por interpostas pessoas, ainda utilizase de estratagemas envolvendo incorporação de empresas, assim descritas pela autoridade fiscal: A empresa Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 11.066.160/0001 50, em 22/10/2010 teve seu quadro societário alterado na JUCESP (Anexo VIII), havendo o ingresso de César Augusto Costa CPF 216.211.04826 (pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo) no lugar da Sra. Adriana Restum, bem como a alteração de seu endereço para Avenida Jurecê, 667, Cj 03, Indianópolis, São Paulo – SP (sobre este endereço ver relato sobre a empresa Jurecê Comércio de Confecções Ltda. do item 2. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS abaixo). Esta foi a última alteração contratual informada à RFB, assim, até a presente data a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. encontrase ATIVA no CNPJ. Contudo, em 23/08/2010, registrouse na JUCESP a incorporação de 42 (quarenta e duas) empresas do Grupo tendo a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda como incorporadora. Na mesma data retirouse da sociedade o Sr. Roberto Restum, sendo admitido em seu lugar Célio Martins de Oliveira – CPF 218.260.75879 (outra pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo). Na data de 27/02/2012 ocorre outra alteração societária, ingressando Allan Borges de Melo – CPF 385.402.37822 e Rodrigo Vieira Rezende – CPF 374.871.71809 em substituição aos anteriores sócios. Em 03/09/2012 é protocolado o Distrato Social, dissolvendo assim a incorporadora. Desta feita, estas operações culminam com o Fl. 3022DF CARF MF 10 desaparecimento das 43 (quarenta e três) empresas do Grupo, entretanto, a grande maioria destas empresas encontrase ativa no CNPJ, conforme vemos na Tabela 1 abaixo. (...) Em pesquisas nos sistemas da RFB constatouse que várias dessas empresas apresentaram DIPJ e GFIP e tiveram movimentação financeira após a sua exclusão do mundo jurídico. (...) Informação adicional considerável é o fato de a empresa Planet Girls Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 04.740.881/0001 38 que consta no CNPJ como ATIVA, DISSOLVIDA na JUCESP e BAIXADA no SINTEGRA teve a maior movimentação bancária entre as empresas do Grupo em 2013, apresentando DIRF e GFIP regularmente. Esta informação fecha o entendimento de que todas as empresas formalmente constituídas pelo Grupo são, na verdade, uma só, tendo sido criadas em demasiado número com o intuito de despistar o Fisco, já que os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circulam indistintamente entre elas, não havendo estanqueidade, senão, de que outra forma uma empresa dissolvida movimentaria tamanho recurso? Como explicar que empresas com emissão milionária de notas fiscais não tenham movimentado um Real sequer em instituições financeiras? A resposta a tais indagações já foi dada. Adiante, na análise detida dos procedimentos fiscais realizados pelo SEFIS/DRF/JUN, traremos adicionais informações que corroboram, de maneira inequívoca, com a conclusão já tirada de que muitas das empresas do Grupo são constituídas em nome de interpostas pessoas, porém, há complementar informação que reafirma tal conclusão. A Sra. Paula Cristina Alves Einchenberger – CPF 215.807.088 97 foi funcionária de duas empresas do Grupo entre 1999 e 2004 e constou como sócia da empresa PlanetPink Comércio de Confecções Ltda. de 29/10/2003 a 21/06/2004, sem, contudo, haver recebido qualquer quantia, seja a título de prólabore, seja a título de dividendos da empresa onde pretensamente era sócia. Esta empresa está bloqueada judicialmente, conforme breve relato da JUCESP (Anexo IX), tendo em vista que a Sra. Paula ingressou em juízo a fim de ver seu nome afastado da sociedade, alegando que o sócio de fato é o Sr. Roberto Restum. Atualmente consta no quadro societário a Sra. Daniele Restum Traldi. Tal esquema pode ser observado na Figura 4 abaixo. Em remate, o Grupo Restum utilizase das mais variadas maneiras com um único propósito: eximirse do pagamento de tributos. 1.2 Dos Procedimentos Fiscais Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.019 11 Segundo a fiscalização, apurouse do procedimento fiscal junto às empresas do chamado núcleo do esquema, bem como das lojas circunscritas pela DRF/JUN, em suma, o que se segue: Primeiramente, há que se dizer que não restou qualquer dúvida de que as empresas constituídas em nome de interpostas pessoas foram assim criadas a mando dos administradores do Grupo. Seria bastante para manter tal afirmação o fato de que estas empresas têm a integralidade de suas operações relacionadas com o Grupo, seja vendendo produtos de suas marcas, seja mandando matéria prima para que terceiros realizassem a industrialização, porém mais provas desta relação foram coletadas. Da análise dos documentos arquivados na JUCESP referentes às empresas do núcleo (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre tais empresas, desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas, até os seus sócios, que se alternam entre as empresas. Curioso notar também que quando há troca de sócios, o sócio dissidente e o sócio ingressante, em muitas vezes, possuem o mesmo endereço, endereços esses que foram visitados pelos AuditoresFiscais e se mostraram inservíveis para localizar tais pessoas. Verificouse inclusive que alguns deles sequer são residenciais. Ainda analisando esses documentos, notase que as assinaturas destas pessoas, por vezes, não são iguais, demonstrando que sequer assinaram tais documentos, muito menos geriram efetivamente as empresas. Esta conclusão decorre também da análise subjetiva dos sócios, que são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a conclusão de serem tão somente pessoas interpostas, conforme se verifica na Tabela 6 abaixo que mostra a movimentação financeira das interpostas pessoas constantes nos quadros societários das empresas fictas do núcleo. DIMOF Valores a crédito Pessoa 2010 2011 2012 2013 ANTONIO MARIANO R$ 15.470,81 R$ 133.869,43 ISABELA LIMA FAGUNDES JOÃO SILVA DE MORAES R$ 30.387,00 R$ 0,00 JOELITON ALVES DOS SANTOS R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 LEILA MARIA BISPO R$ 8.377,00 R$ 60.584,93 R$ 31.386,95 ROGERIO DA SILVA R$ 7.120,03 R$ 18.240,90 R$ 65.085,45 R$ 2.300,00 Outra semelhança está na pessoa do advogado que assina tais documentos, que na maioria das vezes é o Sr. José Ricardo Clerice, CPF 082.586.44882, OAB 170.855/SP. Notese que este advogado assina tanto os documentos das empresas em nome de “laranjas” como das empresas em nome dos administradores do Grupo. Aliás, essa não é a única semelhança entre tais documentos, visto que muitas das testemunhas também permeiam entre eles, bem como o fato de que suas assinaturas se alterem de documento para documento. Fl. 3024DF CARF MF 12 Os primeiros procedimentos fiscais iniciados foram aqueles referentes às lojas varejistas do Grupo. Em todos os casos o Sr. Roberto Restum estabeleceu procuração ao Sr. Nivaldo Sancana Rocha para atender às demandas fiscais. Quando do início da fiscalização das empresas do núcleo, não tendo os AFRFB logrado êxito na localização dessas pessoas jurídicas “laranjas”, inquiriuse o Sr. Nivaldo quanto a tais empresas com quem o Grupo mantinha relação tão estreita: como era de se esperar, o Sr. Nivaldo negou qualquer responsabilidade sobre elas, declarando apenas que quaisquer informações sobre tais contribuintes deveriam ser buscadas com o Sr. Nelson Oliveira dos Santos – CPF 007.260.04898, o qual, segundo o Sr. Nivaldo, seria o contabilista responsável por todas as procuradas. O Sr. Nelson foi convidado a prestar esclarecimentos, havendo comparecido às dependências da Superintendência da Receita Federal na cidade de São Paulo–SP. Suas alegações foram tomadas a termo (Anexo XI). Em resumo, disse que prestava serviços ao Grupo Restum, realizando os trâmites burocráticos de abertura de empresas, atuando junto à JUCESP, Posto Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e Unidades da RFB. Afirmou que quando iniciou seus trabalhos junto ao Grupo a maioria das empresas do núcleo já estava “aberta”, tendo participado da abertura tão somente da Jos Comércio de Confecções Ltda. e/ou JosConf Comércio de Confecções Ltda. Disse ainda que não foi responsável pela emissão de Notas Fiscais de quaisquer dessas empresas, nem foi detentor de seus certificados digitais (o que possibilitaria a entrega de declarações e emissão de documentos fiscais). Afirmou que os serviços lhe eram passados no escritório do Grupo situado à Rua do Consórcio, São Paulo – SP, que tinha contato com vários funcionários do Grupo e que era remunerado sempre em dinheiro recebido das mãos do Sr. Nivaldo ou do Sr. Paulo Fagundes. Ademais relatou que também prestou serviços de encerramento de empresas, as quais eram encerradas para evitar problemas trabalhistas, sendo que em seus lugares eram abertas novas empresas. Quando confrontado com os nomes dos sócios das empresas do núcleo, o Sr. Nelson reconheceu alguns, entre eles o do Sr. Joeliton Alves dos Santos, João Silva de Moraes, Antônio Mariano e Rubens Barros Marinho. Disse que os via eventualmente no escritório do Grupo, em períodos de 30 ou 40 dias, que estes não desenvolviam atividades profissionais e que todos possuíam problemas de alcoolismo. Ao final, reforçou que desconhecia os montantes negociados pelo Grupo, seus fornecedores, clientes, etc. já que não tinha qualquer papel administrativo dentro do Grupo, limitandose a serviços burocráticos de formalização e encerramento de empresas. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.020 13 De tais afirmações, concluise que estas pessoas periodicamente recebiam do Grupo quantia em dinheiro em troca da utilização de seus nomes. Outras informações relevantes apuradas no curso dos procedimentos fiscais são os montantes de movimentação financeira de cada uma das empresas do núcleo, como se vê na Tabela 7 abaixo. CNPJ Razão Social Situação Mov. Fin. 2010 Mov. Fin. 2011 Mov. Fin. 2012 Mov. Fin. 2013 12.165.435/000256 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 0,00 114.117,66 6.426.538,89 5.768.716,97 12.165.435/000175 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 277.058,96 6.136.221,13 4.220.867,82 4.298.960,53 12.595.364/000140 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECCÇÕES LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 17.755.478/000100 JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.674/000120 SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.673/000185 IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.374.212/000118 JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 13.385.771/000196 JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000306 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000225 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000144 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 52.365.830,18 30.239.404,58 25.758.022,85 31.519.478,07 Percebese que somente as empresas próprias possuem movimentação financeira. Quando comparamos a movimentação financeira com a emissão de notas fiscais, notase uma proporção inversa. Do somatório de informações até aqui apresentadas, chegase à conclusão de que as empresas fictas do Grupo simplesmente não existiam fisicamente, sendo meras emissoras de notas fiscais, documentos esses que serviam para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelo Grupo (empresas próprias). 1.3 Breve descrição do que foi apurado nas empresas do grupo. 1.3.1 Invictus Importação e Exportação Ltda / Telesa Importação e Exportação Ltda CNPJ: 07.693.822/000144 ; Período fiscalizado: 2011, 2012 Endereço: Rua Professor João Brito, 105, 2º andar, sala 02, Vila Nova Conceição, São PauloSP, CEP: 04535080 Fl. 3026DF CARF MF 14 Constam no quadro societário o Sr. Roberto Restum e Felipe Roberto Restum. O AFRFB responsável pelo procedimento compareceu ao endereço acima e foi informado pelos funcionários da loja Pólo Wear, localizada nesse endereço, que a Invictus ficava no nº 150, para onde se dirigiu e foi atendido pela advogada Giselle Ap. Gennari Palumbo, que representa as marcas Planet Girls, Pólo Wear, Venom, Hot Point, SMK Rio de Janeiro, Planet Star e AR Adriana Restum. No citado nº 150, situase a loja da Planet Girls Comércio de Roupas Ltda., CNPJ 12.154.102/000140. Apresentou DIPJ do anocalendário 2011 pelo Lucro Presumido com informações nulas. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos (Receita Bruta de R$ 317.664,67), esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. A DCTF de 2011 consta com informações nulas. Quanto à DCTF de 2012, foi enviada retificadora após início do procedimento fiscal informando pagamentos mediante DARF, os quais não constam dos sistemas da RFB. No curso do procedimento apresentou Livros Registro de Entradas (LRE), de Saídas (LRS) e de Apuração do ICMS, relativos ao anocalendário 2012, de uma das filiais (CNPJ 07.693.822/000225). Nenhum outro livro da escrituração contábil e fiscal foi apresentada até a presente data. Destes livros, das informações prestadas pelo sujeito passivo à SEFAZ/SP, no preenchimento da GIAICMS, e dos dados constantes nos sistemas internos da RFB, extraíramse os seguintes valores: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 23.341.988,76 6.212.097,70 10.560.793,90 24.003.343,18 2012 24.369.199,08 4.948.653,23 6.140.092,40 633.173,27 20.827.654,65 26.173.799,52 Analisandose as NFe percebese que as vendas para PJ do grupo correspondem a 85% do total de vendas (Jos Comércio de Confecções – CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, Água Mista Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.595.364/000140, Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100). Os 15% restantes foram para o Grupo Walmart. O Grupo Walmart (Walmart, Lojas Leader, WMS Supermercados, Bom Preço Supermercados) comprou anualmente em torno de R$ 3.500.000,00 em mercadorias (calças jeans, bermudas, camisetas) da Invictus/Telesa em 2011 e 2012, tendo sido intimada a prestar esclarecimentos quanto a essas compras. Em resposta, informou que não tem informações sobre as marcas constantes na etiqueta, pois as compras foram para revenda, que os pagamentos eram efetuados mediante transferências bancárias (TED) na conta da Invictus (Banco Itaú, Ag. 0350, CC 797825 – Rua Joaquim Floriano, 736, Itaim Bibi, São Paulo/SP) e que as mercadorias eram transportadas pelo fornecedor. Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.021 15 Apresentou cópia de acordo comercial assinado em 22/02/2011. Neste documento, aparecem como contatos financeiro e comercial da Invictus a Sra. Paula Serra – Av. Benedita Quina da Silva, 586, Jundiaí/SP, CEP 13.212141 (ana.serra@hotpoint.com.br) e o Sr. Valter Pereira – Rua Mendes Junior, 474, São Paulo/SP, CEP 03013011 (phs@venom.com.br), respectivamente. Importante notar que o endereço da Sra. Paula é o mesmo de uma das filias da SPR Import (empresa em nome de “laranjas”) e o do Sr. Valter é o mesmo de uma das filiais da Import Dalamari (outra empresa em nome de “laranjas”). Atentar também para os emails (Hot Point e Venom). No mesmo endereço cadastral da Invictus, foi aberta na JUCESP a empresa Planet Girls Itaim Comércio de Roupas Ltda. (Constituição 07/11/2012; Ativa; NIRE 35225056142), no entanto, a mesma não foi cadastrada no CNPJ. Também se diligenciou à empresa Terra do Sol Manufatura e Confecção de Roupas Eireli – ME, CNPJ: 01.054.356/000170, já que houve remessas para industrialização em 2011 de aproximadamente R$ 1.200.000,00. Em resposta à intimação, informou que beneficiou e industrializou peças jeans, que tais as peças retornavam ao encomendante sem finalização de acabamento, portanto, sem etiquetas, que os tecidos eram enviados pela Invictus e retornavam para Av. Gerônimo Monteiro, 1000, Centro, Vitória/ES, que o transporte era por conta do remetente. Alegou não ser possível informar nomes de pessoas com os quais tratava na Invictus pois contatavam muitas do departamento comercial. Afirmou não possuir contrato de prestação de serviço. Reintimada a prestar informações quanto à etiqueta dos produtos industrializados, com fulcro no que estabelece o art. 213 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2002), respondeu ter cometido erro na resposta anterior e anexou cópia de modelo de etiqueta onde consta o CNPJ 07.693.822/000144 da Invictus. Como em outras diligências realizadas nas empresas terceirizadas, notase que suas respostas foram extremamente cuidadosas no sentido de não implicar seu cliente, indicando inclusive que o Grupo Restum teve conhecimento de tais diligências e orquestrou as respostas. Contudo, registrese que, segundo o portador que trouxe a documentação, Sr. Célio Fernandes Santos, a empresa localizavase inicialmente em Jundiaí e atualmente está em Indaiatuba e presta serviços exclusivamente para o Grupo Planet Girl e Hot Point. Afirmou que como é motorista da diligenciada, ele próprio retira os tecidos em Jundiaí, em São Paulo e municípios vizinhos, os leva a Indaiatuba para Fl. 3028DF CARF MF 16 industrialização e posteriormente entrega os produtos acabados na Planet Girl que se localiza no Distrito Industrial de Jundiaí. Diligências efetuadas pelos AFRFB comprovam que o centro de distribuição do Grupo localizase no Distrito Industrial de Jundiaí, situado à Av. Benedita Quina da Silva, 586, endereço este que aparece em várias empresas do Grupo, sejam próprias, sejam de “laranjas”, o que nos leva a dar crédito às afirmações do Sr. Célio Fernandes Santos. 1.3.2 Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196; Período Fiscalizado: Anoscalendários 2011 e 2012. Endereço: Av. Benedito Quina da Silva, 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, Jundiaí – SP. Quadro societário composto por Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, sócia administradora com 50% das cotas de capital, endereço cadastral junto à RFB à Alameda Dino Bueno, Apto. 4, Campos Elísios, CEP 01217 000 São PauloSP, e Leila Maria Bispo, CPF 406.612.67822, sócia com 50% das cotas de capital, endereço cadastral à Rua Madalena de Madureira, nº 306, Sítio do Morro, CEP 02551040, São Paulo SP. Consta como ATIVA no CNPJ, porém na JUCESP está conforme distrato social registro nº 176.771/128, de 07/05/2012. Com o distrato social, a sócia administradora Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890 ficou responsável pela guarda dos documentos da empresa. No SINTEGRA tem o status de Inapta. No mesmo local funciona a empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.31568. Veja que a Net Planet é a loja virtual do Grupo (www.planetgirlsstore.com.br). Para o período fiscalizado, anoscalendário 2011 e 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 118.000.000,00, sendo R$ 88.000.000,00 em 2011 e R$ 30.000.000,00 em 2012 tendo vendido somente para empresas do Grupo Restum, segundo suas NFe. Não apresentou DIPJ e DCTF para os anoscalendários 2011 e 2012, não tendo efetuado nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período fiscalizado. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212 141, JundiaíSP, não se encontrou a empresa JOS Comércio de Confecções Ltda., porém constatouse que se trata de um galpão industrial, localizado em condomínio comercial fechado, com intenso movimento de pessoas e mercadorias. No local funciona a expedição de produtos comercializados pela Água Mista para as demais empresas do grupo Restum. Na ocasião da diligência, o AFRFB fora recebido pela Sra. Adriana Restum – CPF 120.853.19807, a qual informou à Fiscalização que trabalha como “designer” do Grupo, Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.022 17 desenvolvendo os modelos das coleções lançadas periodicamente. Disse também que o seu escritório funciona naquele local, tendo recebido a fiscalização diretamente em sua sala de trabalho. Disse ainda não ter informações sobre a empresa JOS Confecções, colocando o AFRFB em contato com o advogado, Sr. Gelson, que ficou de retornar a ligação com informações sobre a empresa, fato que não ocorreu. Como a empresa não foi localizada no domicílio tributário cadastrado, os termos e intimações do procedimento fiscal foram enviados para o endereço da sócia administradora, responsável pela guarda de documentos, Sra. Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, com domicílio à Alameda Dino Bueno, nº 568, Apto. 4, Campos Elíseos, CEP 01217000 – São PauloSP, sendo que tais correspondências foram devidamente entregues pelos Correios, mas as intimações não foram atendidas, bem como não houve nenhum contato da Sra. Alyne com a Fiscalização. As sócias Alyne Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo não possuem capacidade patrimonial para figurarem no quadro societário de empresa com o movimento da JOS Comércio, tampouco receberam dividendos e/ou tiveram movimentação financeira compatível. 1.3.3 JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/0001 18; Período Fiscalizado: Anocalendário 2011. Endereço: Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo – SP. Empresa constituída em 11/08/2010 e dissolvida na JUCESP em 13/05/2011. Baixa do CNPJ na RFB datada de 26/05/2011. Todavia, o contribuinte se encontra como Não Habilitado no cadastro Sintegra/ICMS desde sua inscrição em 13/08/2010. Expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$65,8 milhões, com entradas de R$29,5 milhões; não entregou declarações (DIPJ, DACON e DCTF) para o ano fiscalizado. O Sócio Administrador da empresa à época e atual Responsável pela guarda de seus livros e documentos, João Silva de Moraes CPF 733.595.21820, não pôde ser encontrado pelos Correios em seu endereço cadastral, na Rua Maria de Paula, nº 122 Apto. 609, na Bela Vista São Paulo SP. Este responsável foi então cientificado do Termo de Início do Procedimento Fiscal e Termo de Reintimação mediante edital, porém não atendeu à fiscalização até agora. Os indícios apurados quanto a sua falta de capacidade econômica, inatividade profissional e múltiplos endereços configuram hipótese de interposição de pessoa, isto é, mero “laranja” para ocultar os reais beneficiários. O outro Sócio Administrador à época, Rogério da Silva CPF 093.656.18827, foi alternativamente intimado em seu respectivo domicílio tributário, na Av. São João, nº. 1740 Apto. 33, em Santa Cecília São Paulo SP, porém também não foi Fl. 3030DF CARF MF 18 localizado, restando ainda indícios similares de se tratar de interposta pessoa. Em pesquisa ao banco de dados creditício da Serasa Experian, esta pessoa física já assumiu 7 (sete) outros endereços posteriores àquele informado à Receita Federal do Brasil. Diligenciamos ainda até o último endereço oficial da pessoa jurídica, localizado na Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo SP, onde se encontra o prédio da Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104, cujos funcionários afirmaram desconhecer a procurada Jos Conf, ressaltando que aquele ponto é reconhecido há muito tempo como uma das sedes do Grupo Hot Point (o piso térreo de nº 57 ora comporta a loja Venom e uma porta contígua de nº 55 dá acesso aos escritórios operacionais do grupo nos dois andares superiores). Vale frisar que um folder promocional ali coletado indica dois locais de showroom da marca Venom: um neste próprio endereço visitado e o outro na Rua Mendes Júnior, nº 472 (logradouro também tido como showroom da marca Hot Point no supracitado site www.hotpoint.com.br). Quando questionado por esta fiscalização, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse não representar a JosConf, recomendandonos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, que seria o efetivo contador das seguintes empresas: Import Dalamari Lojística e Comércio Ltda., Jos Comércio de Confecções Ltda., JosConf Comércio de Confecções Ltda., SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. O Sr. Nelson foi diligenciado e suas alegações já constam deste relatório. No intuito de se obter adicionais informações, diligenciouse às empresas Lantana Comércio, Confecções e Presentes Ltda. CNPJ 08.251.691/000108, identificada mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901, emitidas pela JosConf. Através deste procedimento verificouse que os Romaneios para Saída de Tecido emitidos pela JosConf com destino à Lantana eram registrados em formulário com cabeçalho em nome de “Planet Girls A grife das estrelas”, sendo ainda a maioria deles carimbados e assinados por “William Hoffman Gerente Planet Girls RG 32.534.8546”. As notas fiscais de Retorno de Mercadoria CFOP 5902 emitidas pela Lantana tendo como destinatário a JosConf, supostamente sediada na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, muitas vezes trazem a seguinte especificação no campo Informações Complementares: “Endereço de Entrega: Av. Benedita Quina da Silva, 586 Jd. Ermida Jundiaí” (local do supracitado centro de distribuição do grupo). Bem assim, detectamos vários canhotos de recebimento dessas mercadorias pela JosConf sendo de fato assinados por Letícia Cristina de Souza Pinto (funcionária registrada à época na Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. CNPJ 12.772.739/000109), Dircélio Timoteo dos Santos (também da Planet Controle) e ainda Maria Cristina da Silva Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.023 19 (vinculada à J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118. Quando questionado sobre as pessoas habitualmente contatadas na JosConf, o prestador de serviços declarou que: “Não havia uma pessoa específica. Na época, os contatos eram feitos com o departamento de estilo/comercial, pelo telefone +55 (11) 4525 6800.” (central telefônica também apontada pelas empresas Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda., Havan Lojas de Departamentos Ltda. e Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. como pertencente à HotBrás, empresas estas diligenciadas no curso do procedimento fiscal na própria HotBrás,conforme relatado no item 2.8 deste relatório). Importante informar que, durante busca à JosConf, caminhando pela Rua do Consórcio e também no lado oposto dessa quadra pela Rua João Brito, encontrouse estabelecimentos de várias marcas adotadas pelo Grupo Restum, a saber: Planet Girls, Venom, Polo Wear e AR Adriana Restum, verificandose ainda os logotipos de todas essas marcas e ainda da SMK, Glamour Rock e HotPoint estampados na fachada da Invictus Importação e Exportação Ltda. (principal importadora do grupo). O endereço de abertura da JosConf na JUCESP, situado na Avenida Professor Alcebíades Delamare, nº 301, em São Paulo SP, é o mesmo adotado por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. NIRE 35225056797, em nome de Roberto e Adriana Restum; • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35224611151, em nome de Isabella Lima Fagundes, João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • ImportDalamari Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.673/000185, em nome de Antonio Mariano, Joeliton Alves dos Santos, Rogério da Silva, João Silva de Moraes e Maria do Socorro Bispo; • SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, em nome de Isabella Lima Fagundes, Rogério da Silva e João Silva de Moraes (destacase que, além do endereço idêntico, o CNPJ da SPR tem número imediatamente sucessor ao da ImportDalamari, indicando que ambas foram abertas simultaneamente); • R. Preto Comércio e Confecções Ltda. NIRE 35213165014, em nome de Márcia Estela Freitas da Costa, Sidnei Piva de Jesus e Alves Roque da Silva. Outro endereço adotado pela JosConf foi na Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, em Jundiaí, onde também são encontradas as seguintes pessoas jurídicas: Fl. 3032DF CARF MF 20 • NetPlanet Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, em nome de Milson César da Silva, Paulo José Pinto, Roberto Restum e Adriana Restum; • NetPlanet Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35225231661, em nome de Letícia Cristina de Souza Pinto e Paulo José Pinto; • J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, em nome de Daniele Restum e Jacques Nehme Rostom; • ÁguaAzul Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113810, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum; • JOS Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/0001 96, em nome de Aline Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo; • Balfa Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35226553735, em nome de João Guilherme Balota e Ronaldo José Faga. No último endereço da JosConf, na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, encontramse também as seguintes empresas: • Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. CNPJ 12.696.628/000132, em nome de João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224809660, em nome de Cleusson Faria da Silva, Rodrigo Lourençon, Pierre Nehmi Rostom e Nivaldo Sancana Rocha; • Planet RH Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224913637, em nome de Cilene Regina Grossi Teixeira e Milson César da Silva; • Consorte Importação e Exportação Ltda. NIRE 35225143592, em nome de Adilson Bernardo Dias, Mariane de Souza Gomes e Roberto Restum; • Telesa Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (registrada inicialmente no nº 54), em nome de Fábio Pontes, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum; • Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum; • Venom Itaim Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113755 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum. Nota: Na Rua do Consórcio, encontramos ainda no nº 86 a Planet Girls Comércio de Confecções CNPJ 04.740.881/0001 38 (em nome de Adriana Restum, Ataíde Quaresma dos Santos Júnior e Eduardo Bueno) e a Planet Shoes Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.154.257/000187 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum), e no nº 169 outras 3 empresas: Station Sports Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 09.124.696/000132 (em nome de Adriana Restum, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum), VNPS Serviços de Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.024 21 Confecções Ltda. NIRE 35225057203 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum) e Glamour Rock. • Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35227113828 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum). Além dos mesmos endereços compartilhados entre diversas empresas estreitamente ligadas ao Grupo Restum, detectamos ainda que os sócios “laranjas” da JosConf também figuram no quadro societário de diversas outras empresas, conforme resumo abaixo: • Antonio Mariano: consta também da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 (detalhada mais abaixo), da HOP Jabaquara Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.862.039/000105 e da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Joeliton Alves dos Santos: consta também da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Rogério da Silva: consta também da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185; • João Silva de Moraes: consta também da Caparão Lojística e Distribuição Ltda. CNPJ 12.431.686/000154, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132, da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/0001 00, da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. – CNPJ 12.431.674/000120 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185. O Contador Responsável (Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834) e o correio eletrônico (rubenscontdata@hotmail.com) cadastrados no CNPJ da Jos Conf são os mesmos indicados pelas já citadas empresas Hot Brás, PlanetBarueri e Silva & Silva Lojística. Tal contador também aparece no cadastro da Polo Wear Net, porém neste caso o correio eletrônico indicado é o de nivaldo.rocha@planetgirls.com.br. Assim, percebese mais uma vez a confusão entre empresas representadas por Roberto Restum, Adriana Restum e o preposto Nivaldo Sancana Rocha e aquelas outras em nome de “laranjas”. 1.3.4 ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda CNPJ: 12.431.673/000185; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, nº 301, Conjunto 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: Situase no mesmo endereço da SPR Import e de diversas outras empresas associadas ao Grupo Restum, conforme relatado acima. Fl. 3034DF CARF MF 22 Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 19/12/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de Maria do Socorro Bispo CPF 257.482.34866, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase ainda Ativa no cadastro CNPJ. Não entregou DIPJ, DACON e DCTF e não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. No intuito de dar início ao procedimento fiscal, enviouse primeiramente o TIPF à Maria do Socorro (Rua Madalena Madureira, 306, casa, Sítio do Morro, São Paulo/SP), porém correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Intentouse então a ciência no endereço do outro sócio, Sr. João Silva de Moraes (Rua Maria Paula, 122, cj. 609, Bela Vista, São Paulo/SP), havendo a correspondência retornado com a informação “Desconhecido”. Finalmente encaminhouse correspondência ao sócio Rogério da Silva (Av. São João, 1740, ap. 33, Santa Cecília, São Paulo/SP), sendo que esta retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, foi dada a ciência do início do procedimento fiscal à Maria do Socorro Bispo mediante edital. Vêse que os sócios da referida empresa são pessoas recorrentemente utilizadas pelo Grupo, já que atualmente, apesar da dissolução na JUCESP, constam como sócios no CNPJ o Srs. Rogério da Silva CPF 093.656.18827, João Silva de Moraes CPF 733.595.2182 e Maria do Socorro Bispo, CPF 257.482.34866. Já à época da constituição da PJ constavam Joeliton Alves dos Santos CPF 456.307.04591 e Antonio Mariano CPF 766.489.82853, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001 (notar que este endereço é utilizado por vários “laranjas”). Verificouse que não apresentou declarações e tampouco teve movimentação financeira, porém emitiu notas fiscais no montante de R$ 115.514.947,47, como se vê na tabela abaixo. AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 115.514.947,47 Curial informar que as NFe apontam vendas somente para PJ´s do Grupo (lojas varejistas). No mesmo endereço constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto tais empresas não constam do CNPJ: • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/08/2010 (Ativa); NIRE: 35224611151; no endereço foi informado como cj.18; Sócios: Rogério da Silva, CPF 093.656.18827 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001. Em 25/02/2011 houve a inclusão de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 (Residente na Rua Maria Paula, Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.025 23 122, apto. 609, Bela Vista, São Paulo/SP) e a exclusão da sócia Isabella Lima Fagundes; • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056797; no endereço foi informado como cj.18; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Em diligência ao endereço, verificouse tratar de imóvel residencial. O vigia da rua ao lado, Sr. Antonio, que há 30 anos trabalha no local, informou que há aproximadamente 1 (um) ano o imóvel está fechado e que a empresa que ali estava permaneceu por um período aproximado de 8 meses. Não soube dizer ao certo qual era a atividade da empresa. Informou que a proprietária do imóvel, Sra. Cecília não recebia os aluguéis em dia e que o fornecimento de água e luz já foi cortado. A vizinha do imóvel, que reside no local há 40 anos também confirmou que a empresa ficara por 7/8 meses, mas não soube dizer a sua atividade. Outra empresa fictícia do Grupo, a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda, também está cadastrada neste endereço. Há diversas PJ do grupo cadastradas neste endereço, mas supostamente em conjuntos diferentes, contudo o endereço referese a um único imóvel aparentemente residencial. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Prof. João Brito, 85, Vila Nova Conceição, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as empresas abaixo, no entanto estas não foram cadastradas no CNPJ: • SMK Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056207; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • SMK Itaim Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113836; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta constante do CNPJ: • SMK Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.154.256/0001 32; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204814; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. No mesmo endereço da filial que fica na Rua dos Italianos, 55, Bom Retiro, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto não há cadastro no CNPJ: • Bom Retiro Planet Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 12/01/2011 (Ativa); Fl. 3036DF CARF MF 24 NIRE: 35225057181; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Planet Girls Bom Retiro Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113852; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta cadastrada no CNPJ: • Planet Bom Retiro Confecções Ltda. CNPJ: 12.167.004/0001 48; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204881; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Finalmente, constam no mesmo endereço da filial que fica na Rua Mendes Junior, 474, Brás, São Paulo/SP as seguintes empresas sem cadastro no CNPJ: • Brás Hot Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 13/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225057882; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113887; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.5 SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda CNPJ: 12.431.674/000120; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, 301, cj. 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: situase no mesmo endereço da Import Dalamari. Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 22/08/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase Ativa no cadastro CNPJ. Não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. Na tentativa de se iniciar o procedimento de fiscalização, encaminhouse o TIPF ao Sr. Rogério da Silva (Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP), porém a correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, o Sr. Rogério da Silva foi cientificado do início do procedimento fiscal através de edital. Atualmente constam como sócios no CNPJ os Srs. Rogério da Silva, CPF 093.656.188 27, João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, entretanto, à época da constituição da pessoa jurídica constavam somente Rogério da Silva e Isabella Lima Fagundes, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP 01317001. Importante informar que em 07/10/2010 foram abertas filiais na Rua Benedita Quina da Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.026 25 Silva, 586 A, Jd. Ermida, Jundiaí/SP (não tem CNPJ) e na Rua Barão de Jundiaí, 844 A, Centro, Jundiaí/SP (não tem CNPJ), ambos endereços utilizados fisicamente pelo Grupo. Não apresentou declarações (DIPJ, DACON, DCTF) e tampouco teve movimentação financeira, entretanto expediu notas fiscais no valor de R$ 55.120.419,56, conforme tabela abaixo: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 55.120.419,56 Curial informar que as NFe de vendas foram emitidas exclusivamente para as lojas varejistas do Grupo, havendo também simples remessas para tais lojas no montante total de R$ 14.035.160,34. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Barão de Jundiaí, 844, Centro, Jundiaí/SP, consta aberta na JUCESP a PJ abaixo, com CNPJ: • BarãoPlanet Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: 12.523.522/000157; JUCESP: Constituição 09/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224205241; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.6 Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100; Período fiscalizado: 2011 e 2012 Endereço: Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) CEP 04.080012. Empresa constituída na JUCESP em 07/07/2010, em nome de Antonio Mariano e José Balbo Júnior, sendo este último substituído em 18/10/2010 por João Silva de Moraes. Omissão na apresentação de declarações, expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$48 milhões em 2011 e R$40 milhões em 2012, com entradas correspondentes de zero e R$1 milhão, respectivamente. Efetuouse diligência ao endereço da empresa oficialmente cadastrado na RFB, qual seja, Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) – CEP 04.080 012, porém a mesma não foi localizada naquele local, ora completamente ocupado por um prédio residencial em construção identificado como Cyrela Essenza Moema, e não obtivemos quaisquer informações quanto a seu atual paradeiro em consulta à vizinhança. Em buscas pela Internet, encontramos apenas que o número 667 daquela rua anteriormente pertenceu a uma lavanderia da rede DryClean USA International. Nessas circunstâncias, as ciências do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do posterior Termo de Reintimação Fiscal foram Fl. 3038DF CARF MF 26 concretizadas mediante Edital, sem qualquer manifestação do sujeito passivo até o momento. Alternativamente, emitimos um Termo de Ciência e de Reintimação Fiscal e outro Termo de Reintimação, com ciência postal do seu sócio administrador Antonio Mariano – CPF 766.489.82853 em seu domicílio tributário, na Rua Wetecindo Garcia de Freitas, nº 300, em Franco da Rocha, porém também não fomos atendidos dessa forma. Todos os administradores encontrados nos quadros societários da Jurecê apresentam indícios de interpostas pessoas sem efetiva capacidade econômica nem profissional, conforme análises anteriores, configurando hipótese de meros “laranjas” para ocultar os reais beneficiários das operações. Corroborando com a tese de empresa inexistente de fato, constatamos que a Jurecê não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados nos cadastros do Ministério do Trabalho e Emprego, da Previdência Social nem tampouco da Receita Federal do Brasil, segundo consulta aos bancos de dados do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), GFIP (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte). De modo análogo ao caso da JosConf, quando questionado, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse também não representar a Jurecê, recomendando nos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, valendo aqui todas aquelas considerações e declarações anteriores. O endereço cadastral da pessoa jurídica Jurecê Comércio, situado na Avenida Jurecê, nº 667, em Indianópolis São Paulo, é o mesmo adotado na JUCESP por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.066.160/000150, citada inicialmente pelo fato de ter incorporado a Box Fashion e dezenas de outras empresas do mesmo grupo econômico em diferentes Estados e ser então subitamente dissolvida, não antes de substituir seus sócios originais, Roberto e Adriana Restum, pelos supostos “laranjas” César Augusto Costa, Célio Martins de Oliveira, Allan Borges de Melo e Rodrigo Vieira Rezende, além da indicação do endereço fictício em tela para a guarda dos documentos de seu Distrato Social; • Planet Plaza Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 10.766.191/000150, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, substituídos pelos pretensos “laranjas” Célio Martins de Oliveira e César Augusto da Costa antes de formalizar evento de incorporação (sem as devidas justificativas e competente laudo de avaliação) e transferir seu domicílio para o aludido endereço fictício; Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.027 27 • Ibirá Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.650/0001 70, em nome de Isabella Lima Fagundes e João Batista de Araújo Brito, tendo ainda três filiais na conhecida Rua do Consórcio, nos números 57A, 86A e 169ª. Destacase que o suposto “laranja” Célio Martins de Oliveira CPF 218.260.75879 figura ainda como responsável na JUCESP pelos livros e documentos de duas empresas com significativas transações dentro do Grupo Restum: a Hot Bob Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 69.149.862/000187 e a Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 08.691.953/000155, ambas abruptamente dissolvidas para abrigar novas pessoas jurídicas do grupo em seus respectivos endereços. Por sua vez, o supracitado Milson César da Silva CPF 247.107.34844 é mero empregado da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, admitido com vínculo de CLT desde 01/10/2012 até hoje, ao mesmo tempo em que passou a figurar como sócio administrador de dezenas de empresas do Grupo Restum. 1.3.7 AGR Importação e Comércio De Confecções Ltda CNPJ: 12.595.364/000140; Período fiscalizado: Anocalendário 2012 Endereço: Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Galpão A1, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Empresa constituída na JUCESP em 16/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Antes do início do procedimento fiscal, a referida empresa chamavase ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda, tendo com endereço cadastral Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP. Neste mesmo endereço funciona a empresa Água Mista Serviços de Confecções Ltda., com objeto social de confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida, com capital social integralizado de R$ 30.000,00, e quadro societário composto por Roberto Restum CPF 043.261.15840 – Sócio Administrador (participação: 50% capital) e Adriana Restum CPF 120.853.19807 (participação: 50% capital), registrada na JUCESP em 11/01/2011 NIRE: 35225056789, porém não cadastrada no CNPJ. Para o período fiscalizado, anocalendário 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 131.652.969,57, sendo R$ 92.874.249,34 para o estado de SP, e R$ 38.778.720,23 para outros estados, conforme se apura da análise de suas NFe. Vendeu somente para empresas do Grupo Restum, tendo entradas de mercadorias no valor aproximado de R$ 21.000.000,00. Apresentou DIPJ com valores zerados, optando pelo Regime do Lucro Presumido, não havendo apresentado DCTF para o período, por conseguinte não efetuou nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período. Fl. 3040DF CARF MF 28 Para a Fiscalização, apresentou tão somente os Livros Fiscais de Entrada, Saída e Apuração do ICMS. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado à época (Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3 A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP) constatouse que se tratava de um galpão industrial, com pouco movimento de pessoas e mercadorias. No local funcionava a expedição de produtos negociados através de comércio eletrônico, bem como a emissão das notas fiscais para transporte dos produtos vendidos pela então Água Mista para as demais empresas do grupo. Obtevese a informação que apenas a emissão das notas era feita naquele local, visto que os produtos eram expedidos/distribuídos através do depósito localizado em condomínio comercial fechado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Informações prestadas pelo funcionário, Sr. Wallace Wantuel Garcia CPF 332.020.21893 dão conta de que no local funciona “apenas a logística do papel”, e que os produtos são efetivamente distribuídos pelo outro depósito. No curso do procedimento fiscal houve a alteração do endereço para a citada Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, bem como a alteração da razão social, ratificando, assim, à informação acima colhida. Consulta aos sistemas de informação da RFB demonstram que, no anocalendário 2013 o Sr. Wallace Wantuel Garcia recebeu pagamentos através da empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, com domicílio tributário à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.315 68. Observese que o endereço de localização da NETPLANET é o mesmo onde funcionava a empresa JOS Comércio de Confecções, e onde funciona hoje a Transportadora do grupo, e de onde são distribuídos os produtos com notas fiscais emitidas pela Água Mista. 1.3.8 HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/0001 75; Períodos fiscalizados: Anoscalendário 2011 e 2012. Endereço: Rua Mendes Jr., 474, Brás, São Paulo – SP. Empresa constituída na JUCESP em 07/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Não apresentou declarações em 2011. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos, esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. O sócio administrador Roberto Restum nomeou como seus prepostos o contador Nivaldo Sancana Rocha, com escritório na Rua Senador Fonseca, nº 535 sala 11 em Jundiaí e o advogado Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.028 29 Gelson de Stefano, com escritório na Praça Tomás Morus, nº 81 11º andar, em São Paulo. Em diligência inicial ao escritório do contador Nivaldo, constatamos que ele não podia ser localizado no aludido endereço. Após tentativas de contato via telefone, obtivemos então o endereço correto no nº 1035 da mesma rua. O Livro Registro de Saídas apresentado converge, em 2011, para os valores declarados em GIAICMS, no montante de R$4,9 milhões. Em 2012, o Livro Registro de Saídas indica vendas de R$1,18 bilhão, porém com devoluções de R$1,06 bilhão, resultando numa Receita Tributável de R$122 milhões. As NFe’s constantes do SPED ratificam as vendas e as devoluções mencionadas. O contribuinte não forneceu à Fiscalização sua escrituração contábil. Procedeuse circularizações perante alguns prestadores de serviços, identificados mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901 emitidas pela Hot Brás, ou ainda clientes de operações de Venda de Mercadoria, destacandose que: • Addobbo Indústria e Comércio de Artigos do Vestuário Ltda. – CNPJ 07.655.684/000109: este fornecedor declarou textualmente que a natureza dos serviços prestados era: “corte, costura e bordado de artigos do vestuário” e ainda que a marca de fantasia estampada nos produtos era: “POLO WEAR”. As notas fiscais apresentadas de “Industrialização Efetuada para Outra Empresa”, emitidas pela Addobbo com destino à Hot Brás (em São Paulo), tiveram seus canhotos de recebimento assinados por Adriano Aparecido da Silva – RG 41.577.2850, oficialmente registrado à época como Almoxarife CBO 4141 na J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118 (em endereço tido como o centro de distribuição do grupo em Jundiaí). As remessas de itens para industrialização e os correspondentes retornos nunca têm a devida especificação do veículo de transporte (somente a indicação de frete por conta do emitente da NF) e na maioria das vezes não existe nem a declaração do peso bruto da carga; • Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda. CNPJ 64.781.073/000140: o prestador de serviços declarou que seu contato habitual com a Hot Brás era feito através da Sra. Ana Paula Serra Fone (11) 45256801 e email: ana.serra@hotpoint.com.br, a qual de fato era empregada da HotOne Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 05.524.336/000177 (também em Jundiaí) naquele período; • Havan Lojas de Departamentos Ltda. CNPJ 79.379.491/002399: o cliente consignou que adquiria “calças e bermudas jeans masculinas; (...) marca: HOT POINT”, tendo como contatos comerciais “Juliana ou Vitória (11) 45256801” (telefone em Jundiaí também citado pela Aquarela); • Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. CNPJ 03.729.837/000245: o cliente atesta que a natureza de suas operações com a Hot Brás era compra de mercadorias (calças e Fl. 3042DF CARF MF 30 camisetas polo) para comercialização, sendo a “marca de fantasia estampada nos produtos: HOT POINT”, com indicação dos seguintes fabricantes nas etiquetas internas de industrialização: o “Camisas Pólo: Importado por Telesa Importação e Exp. Ltda., CNPJ 07.693.822/000144, Produzido na China” (a principal importadora do grupo, rebatizada como Invictus); o “Calças: Hot Point, Fabricado no Brasil, CNPJ 13.385.771/000196” (não por coincidência, este CNPJ pertence oficialmente à ficta Jos Comércio de Confecções Ltda.); • Dentre os contatos comerciais apresentados, encontramse novamente os telefones (11) 45256801 e 45256830 (em Jundiaí) e também os seguintes endereços eletrônicos: mônica.silva@planetgirls.com.br, ivanice.silva@hotpoint.com.br, valterpereira.hot@terra.com.br, monica.souza@hotpoint.com.br e erica.cavalcanti@planetgirls.com.br, evidenciando mais uma vez a integração entre as diferentes marcas. Em adição, os comprovantes de pagamento fornecidos pela Dimalkon em favor da Hot Brás indicam o endereço desta como sendo na Rua do Rosário, nº 519 em Jundiaí (sede da antiga HotWay Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 69.049.617/000106). Em novas consultas aos bancos de dados da JUCESP, nesse caso encontramos 5 (cinco) contribuintes pretensamente diferentes no endereço cadastral da Rua Mendes Júnior, nº 474, no Brás, em São Paulo SP, novamente com atividades em períodos concomitantes, conforme quadro abaixo: Empresa NIRE CNPJ Constituição Encerramento Sócios HotWorld Comércio de Confecções Ltda 35217728463 05.277.729/000123 10/09/2002 30/06/2010 Roberto e Adriana Restum HotBrás Comércio de Confecções Ltda 35224204920 12.165.435/000175 07/04/2010 Roberto e Adriana Restum Brás Hot Serviços de Confecções Ltda 35225057882 não aberto 13/01/2011 Roberto e Adriana Restum Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda 35227113887 não aberto 07/11/2011 Roberto e Adriana Restum Venom Brás Comércio de Confecções Ltda 35227737317 18.785.616/000180 30/08/2013 Felipe e Vanessa Restum Em diligência ao endereço da matriz da empresa fiscalizada, a mesma não foi localizada na Rua Mendes Júnior, nº 474, São Paulo, tampouco no mais recente, nº 466, constante na JUCESP. Neste endereço, funciona desde 30/08/2013 a Venom Brás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 18.785.616/000180, pertencente ao mesmo grupo econômico (foi encontrado um carimbo da antiga HotBrás na atual loja Venom). O cadastro do Sintegra/ICMS indica o CNPJ 12.165.435/000175 como Não Habilitado desde 15/01/2014 para a Secretaria da Fazenda Estadual. A ciência do TIPF foi então dada à advogada do Grupo Planet Girls, Giselle Aparecida Gennari Palumbo CPF 124.033.128 27, encontrada na sede da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (principal Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.029 31 importadora do grupo), situada na Rua Professor João Brito, nº 150, em São Paulo. O site da Hot Point na Internet, www.hotpoint.com.br, indica que o showroom da marca se localiza na Rua Mendes Júnior, nº 466F/472, em São Paulo (SP). Constatouse a indicação do CNPJ 12.165.435/000175 como fabricante em inúmeras etiquetas internas de industrialização de roupas de diferentes marcas do grupo (camisetas Hot Point, jaquetas Venom, etc.); O Contador Responsável pela HotBrás, Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834, é o mesmo cadastrado para a Polo Wear Net Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. – CNPJ 15.399.036/000167 e também para a JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118. Neste ponto, destacase que tanto a HotBrás quanto a Polo Wear Net estão em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, enquanto a Jos Conf está em nome de “laranjas”. A filial de CNPJ 000256, situada na Rua Antonio Perutti (ou Peruche), nº 111, no Bairro Honório Fraga em Colatina (ES), encontrase muito próxima a 5 (cinco) significativos fornecedores de remessas para industrialização: Mandin S Indústria de Comércio e Conf Ltda. – CNPJ 05.801.793/000161, Pubi Ind e Com de Confecções Ltda.EPP CNPJ 04.572.052/000193, Dian Confecções Ltda.EPP CNPJ 39.378.989/000107, Tutti Fruti Indústria de Confecções Ltda. ME CNPJ 14.954.020/000106 e Palare Ind. de Confecções LtdaME CNPJ 07.729.721/000186. 1.3.9 Lojas Varejistas Além das empresas do núcleo, o SEFIS/DRF/JUN também fiscalizou as lojas varejistas circunscricionadas, a saber: Hot Maxi Shopping Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.484.212/000170, PlanetJundi Max Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.372.145/000100, HotNumberOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.506/000164, Barão Planet Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.523.522/000157, Planet Out Let Comércio de Confecções Ltda., Polo Wear Outlet Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.484/000132 e FashionRoupas Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.113.554/000184. Nos mesmos endereços das sociedades acima havia empresas baixadas pertencentes ao Grupo, motivo pelo qual foram abertas, simultaneamente, diligências nas seguintes: HotMaxi Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.515.378/000141, PlanetMaxi Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.325.725/000161, HotOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.524.336/000177, Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.691.953/000155, Planet Outlet Comércio de Confecções Ltda. – ME – CNPJ 10.666.719/0001 10 e Venom Outlet Comércio de Confecções Ltda. Fl. 3044DF CARF MF 32 Em todos os procedimentos, o sócio administrador Roberto Restum nomeou como seu preposto o contador Nivaldo Sancana Rocha para atender as demandas fiscais. De um modo geral, o que se apurou nesses procedimentos é que os contribuintes não entregaram DIPJ ou as entregaram “zeradas”, entretanto apresentaram GIA à SEFAZ/SP indicando receitas de vendas. No curso do procedimento entregaram DCTF´s retificadores não espontâneas, consignando valores de tributos e indicando que os mesmos foram recolhidos através de DARF, entretanto não constam registro dos referidos pagamentos nos sistemas internos da RFB. Apresentaram Livros Registro de Saída cujos valores estão idênticos ou muito próximo das GIA´s. Não apresentaram escrituração contábil (Livro Caixa e/ou Diário e Razão). 1.4 Da Conclusão da Fiscalização Em síntese, assim concluiu a fiscalização: Assim, considerando a extensa dilação probatória supra postada, convicto se queda de que efetivamente existe o nomeado Grupo Restum, grupo este comandado por Roberto Restum CPF 043.261.15840 e Adriana Restum CPF 120.853.19807, porém composto por toda a família Restum, o qual se utiliza de diversos artifícios com o fulcro de suprimir o pagamento de tributos, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio que poderia servir para satisfazer o crédito tributário. Abaixo vemos diagrama dos titulares do Grupo. (...) Em resumo, verificouse que o referido Grupo, ao invés de constituirse formalmente como uma unidade (matriz e filiais), optou por individualizar cada uma de suas parcelas operacionais. É bem verdade que esta opção, por si só, não configura nenhuma ilegalidade, apesar de não constituir a praxe administrativa, motivo pelo qual deve o Órgão Tributante respeitar tal opção no momento da tributação, entretanto, vai além o contribuinte, utilizase dessa fragmentação para enganar o Fisco, ou ao menos tenta. Valese da formalidade, dos diversos órgãos e cadastros existentes para criar confusão e impedir ou retardar que o Fisco tenha conhecimento do fato gerador do tributo, assim, constitui incontáveis empresas, parte cadastra em todos os órgãos (JUCESP, RFB, SEFAZ, etc.), parte não, da mesma forma age na dissolução, desta feita o órgão tributante é levado a erro, seja na análise da capacidade contributiva do contribuinte, seja no conhecimento do fato gerador antes de decorrida a decadência, seja na identificação correta do sujeito passivo. Mas não se limita a este ardil, utilizase também de interpostas pessoas que constituem empresas a serem empregadas pelo Grupo. Variedade também se verifica no que tange às interpostas pessoas, já que estas por vezes têm seus nomes utilizados sem consentimento e/ou sem participação administrativa (“laranjas”) e em outros casos são pessoas ligadas que emprestam seus nomes (“testas de ferro”). Neste Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.030 33 relatório limitamonos a analisar as interpostas pessoas ligadas às chamadas empresas do núcleo, entretanto há uma infinidade de nomes e empresas utilizada pelo Grupo (Anexo VIII). Esta, aliás, é uma constatação que não deve ser esquecida, tudo o que se apurou e consta deste relatório, é apenas uma parte, estática, referente aos anoscalendário 2011 e 2012, das ações do Grupo. Concentrouse no núcleo do esquema, mas há indícios de outras práticas ilícitas, da existência de outras empresas, outros “laranjas”. Como se viu, a prática engendrosa e ilícita do contribuinte é sobremaneira dinâmica, havendo constante alteração nos atores e ações. Retomando a questão das interpostas pessoas, verificouse que estas são utilizadas para constituir a mais diversa gama de empresas. Parte existe fisicamente, parte inexiste, constituise mera formalidade que acoberta operações comerciais reais. É o que se verificou nas empresas fictícias do núcleo. No anocalendário de 2011, percebese claramente que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185 e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 compuseramse de puro anteparo, estratagema, avatar para as operações da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, já que aquelas adquiriram quase que a integralidade das vendas desta e depois repassaram tais mercadorias, adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo. Assim, toda a mais valia, bem como o ônus tributário, recaíram sobre as fictas, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí decorrente. Corrobora ainda com tal afirmação o fato que as empresas fictas não possuíram movimentação financeira, não contrataram funcionários, seus sócios não possuem capacidade patrimonial, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo, seus fornecedores indicam que negociaram efetivamente com o Grupo (diligências), seus sócios constam também do quadro societários de outras empresas do Grupo, algumas delas inclusive registradas utilizando como razão social as marcas do Grupo. Coube a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 comercializar os produtos produzidos pelo próprio Grupo através de remessas para industrialização a terceiros. Verificouse claramente no procedimento fiscal que estas operações se deram com a organização administrativa do Grupo Restum. Da mesma forma, os clientes da Jurecê não integrantes do Grupo, minoria das comercializações, já que a grande maioria das vendas foram realizadas para lojas do Grupo, textualmente afirmaram que compraram produtos com as marcas do Grupo, havendo negociado diretamente com este. Fl. 3046DF CARF MF 34 De fato, o que se verifica é que também a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100 é anteparo da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, não tendo havido a formalização de compras/vendas entre as empresas, porém a Jurecê era o braço nacional da Invictus, tanto é assim que no anocalendário de 2012 já houve o registro de várias operações comerciais entre ambas, colocandose a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 claramente na posição de empresa ficta interposta da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144. Então, os fatos geradores formalmente atribuídos às empresas fictícias em verdade foram praticados pela Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, a quem se atribuiu o ônus da quitação do crédito tributário. No anocalendário de 2012, mantevese o modus operandi do Grupo, entretanto, houve a mudança de alguns atores. Destarte, pelos mesmos motivos já apontados para o anocalendário anterior, é seguro e certo afirmar que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 13.385.771/000196 e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 constituíramse de meros avatares da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, sendo, portanto, esta última aquela que efetivamente praticou o fato gerador dos tributos. Já as empresas ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. CNPJ: 12.595.364/000140 e HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175, constituídas em nome próprio do Grupo, também sonegaram tributos, entretanto, como não há falsidade em sua constituição, respeitouse a opção do contribuinte em fragmentar o Grupo em diversas empresas, sendo, portanto, a cada uma delas atribuídas as respectivas obrigações tributárias e seus decorrentes créditos tributários. Por todo o exposto, também se conclui que há evidente confusão patrimonial entre as empresas do Grupo, ademais de os bens estarem abrigados por empresas que não praticam corriqueiramente atos de comércio. Viuse que tal situação nada mais é que ardil no sentido de intentar impedir que se alcance o patrimônio do Grupo para satisfazer o crédito tributário, muito embora tais bens estejam diretamente ligados às operações comerciais do Grupo, já que são, em suma, imóveis, veículos e as marcas utilizadas por este; assim, as empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144 devem também responder pelos créditos tributários vencidos e vincendos do Grupo com base no art. 124, I da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). Da mesma forma, devem os sóciosadministradores do Grupo Restum responder com seu próprio patrimônio pelos créditos tributários vencidos e vincendos decorrentes das operações do Grupo com fundamento no art. 135, III do CTN, haja vista a abundante prática de atos ilegais por eles adotada. Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.031 35 Posto isto, concluise o presente relatório com a certeza da vontade sonegadora do Grupo, fato que levou a sua autuação fiscal com a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, I e § 1° da Lei 9.430/96. Esta é a síntese do “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. 2 Do Procedimento Fiscal junto à Empresa PLANETJUNDI MAX COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA.( 12.372.145/000100) Conforme Termo de Verificação Fiscal, a empresa foi constituída em 19 de abril de 2010, tendo como objeto social o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios, cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal, consoante registros na JUCESP, tendo o quadro societário composto por Roberto Restum, inscrito no CPF sob nº 043.261.15840, como sócioadministrador e Adriana Restum, inscrita no CPF sob nº 120.853.19807, como sócia. No CNPJ consta “Ativa” desde sua constituição. No mesmo domicílio tributário onde funciona atualmente a PlanetJundi Max Comércio de Confecções Ltda funcionou a empresa PlanetMaxi Comércio de Confecções Ltda., CNPJ 08.325.725/000161, cujo quadro societário era composto pelo Sr. Roberto Restum, CPF 043.261.15840, sócioadministrador e pela Sra. Adriana Restum, CPF 120.853.19807. A atividade econômica também era a mesma, CNAE 4781400 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios. O início de suas atividades consta registrado na JUCESP no dia 10/03/2003, e a dissolução em junho de 2010, ficando a guarda dos documentos sob a responsabilidade do Sr. Roberto Restum. Entretanto, o CNPJ da empresa junto à Receita Federal do Brasil consta como “Ativa”. O procedimento fiscal teve início em 01/10/2013 com a ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal pela gerente da loja, Sra. Talita Luana Gonçalves, inscrita no CPF sob nº 349.005.68848, por meio do qual foi o sujeito passivo foi intimado a apresentar: 1) Livros Diário e Razão, ou LivroCaixa; 2) Livro Registro de Entradas; 3) Livro Registro de Saídas; 4) Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; 5) Livro Registro de Apuração do ICMS; 6) Contrato Social e suas alterações; 7) Indicação da pessoa habilitada a atender o procedimento fiscal ora demandado, com discriminação do nome, CPF, cargo e instrumento de procuração. Em 17/10/2013 compareceram à Delegacia os prepostos, Sr. Nivaldo Sançana Rocha, contador, inscrito no CPF sob nº 120.702.06807, e o Sr. Gelson de Stefano, advogado, inscrito no CPF sob nº 063.301.70860, para entrega dos seguintes documentos: Documento de representação; Cópia do contrato social; Livro Registro de Entradas nº 02, relativo ao anocalendário 2011, contendo 17 ( dezessete ) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento, estes sem qualquer assinatura; Livro Registro de Saídas nº 02, relativo ao anocalendário 2011, contendo 38 ( trinta e oito) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento, estes sem qualquer assinatura; Livro Registro de Apuração do ICMS nº 02, relativo ao ano calendário 2011, contendo 26 (vinte e seis ) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento, estes sem qualquer assinatura; Livro Registro de Entradas nº 03, relativo ao anocalendário 2012, contendo 20 ( vinte ) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento; Livro Registro de Saídas nº 03, relativo ao anocalendário 2012, contendo 36 ( trinta e seis ) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento; Livro Registro de Apuração do ICMS nº 03, Fl. 3048DF CARF MF 36 relativo ao anocalendário 2012, contendo 26 (vinte e seis ) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento; Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências. Tendo em vista que os Livros Diário e Razão ou o Livro Caixa não foram apresentados, o sujeito passivo foi reintimado a apresentálos mediante o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal nº 0001, cuja ciência pessoal foi dada ao contador Sr. Nivaldo, na data de 30 de outubro de 2013. Não havendo qualquer manifestação, o sujeito passivo foi novamente reintimado pessoalmente na data de 04 de dezembro de 2013, através do Termo de Reintimação Fiscal nº 0002. No dia 09/12/2013 foi requerida prorrogação de prazo por 30 ( trinta ) dias para atendimento às intimações, a qual foi deferida e formalizada mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 0003. Não tendo havido qualqer manifestação do sujeito passivo, a este foi dada ciência de sua mora aos 13/02/2014, à auditoracaixa da loja, Sra. Juliana Tofanin, através do Termo de Intimação Fiscal nº 0004, e posteriormente à auditoracaixa da loja, Sra. Juliana Tofanin, em 07/04/2014 mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 0005, e também à gerente da loja, Sra. Talita Luana gonçalves, em 14/05/2014, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 0006, e ainda foi retintimado o sujeito passivo, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 0007, de acordo com o AR dos Correios, para apresentar a escrituração contábil ou o livrocaixa.. Não havendo manifestação do contribuinte, foi este reintimado por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 0008, a apresentar a escrituração contábil ou o livro caixa, cuja ciência se deu via postal em 21/08/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR, e por fim foi ele reintimado, por meio mo de Intimação Fiscal nº 0009, com ciência postal em 25/09/2014, para apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias a escrituração contábil ou do livrocaixa, com o alerta de que a falta de atendimento implicará em lançamento de ofício com as informações de que se dispuser (artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda). Por fim, como a empresa não se manifestou e não apresentou a escrituração contábil ou o livrocaixa, foi lavrado, em 18/11/2014, o Termo de Constatação Fiscal nº 0002, cientificando o contribuinte que a falta da apresentação da escrituração contábil implicará no arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base no art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995. E assim foi encerrado o Procedimento Fiscal, utilizandose como base os dados e informações disponíveis para a Fiscalização nos sistemas de informação da RFB. 2.1 Da Constituição do Crédito Tributário Omissão de Receitas de Vendas. Constatouse que a contribuinte é omissa de apresentação de DACON para os anos de 2011 e 2012 e com relação à DCTF, no curso do procedimento fiscal, apesar da espontaneidade estar prejudicada, o sujeito passivo apresentou DCTFs originais para todos os meses dos anoscalendário 2011 e 2012, em maio e em junho de 2014, sendo que no mês de junho de 2014 apresentou retificadoras para ambos os períodos. O sujeito passivo optou pela tributação com base no lucro presumido, porém todos os valores informados para o anocalendário de 2011 e para o 1º e 2º trimestre do anocalendário de 2012 constam zerados. Relativamente ao 3º e 4º trimestre de 2012 declarou receitas como se fossem provenientes de venda combustível, sujeitas à base de cálculo de 1,6%. Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.032 37 Constatouse que a contribuinte omitiu as receitas auferidas, não recolheu os tributos devidos, não manteve escrituração contábil nos termos da legislação comercial, descumprindo as obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos anoscalendário 2011 e 2012. O lançamento do IRPJ foi pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado tendo em vista que o sujeito passivo não apresentou sua escrituração contábil nos termos da legislação comercial (Livro Diário e Razão), nem alternativamente seu Livro Caixa, inviabilizando a perfeita a verificação das receitas tributáveis, dos custos incorridos e das despesas dedutíveis. Nessas circunstâncias, considerou completamente prejudicada a apuração tributária tanto no regime do Lucro Presumido quanto no Lucro Real, assim como a averiguação de sua regularidade fiscal, e aplicouse o arbitramento do lucro com fulcro no art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. As receitas brutas omitidas nos anoscalendário de 2011 e 2012, que serviram de base para apuração dos tributos federais a serem constituídos através de autos de infração, foram extraídas dos Livros Fiscais de Saídas apresentados pelo sujeito, sendo que tais valores também foram informados pelo sujeito passivo à SEFAZ SP, no preenchimento da GIA/ICMS. As receitas brutas omitidas no anocalendário de 2010 foram extraídas da GIAICMS. Abaixo as receitas brutas omitidas extraídas dos livros fiscais apresentados e das informações prestadas pelo Sujeito Passivo à SEFAZ SP, no preenchimento da GIAICMS: AC 2010 1º Trim/2010 2º Trim/2010 3º Trim/2010 4º Trim/2010 Total 2010 Livro Reg. Saída GIASaída 350.770,91 242.889,32 826.628,40 1.420.288,63 AC 2011 1º Trim/2011 2º Trim/2011 3º Trim/2011 4º Trim/2011 Total 2011 Livro Reg. Saída 694.398,28 440.052,34 574.227,14 612.502,32 2.321.180,08 GIASaída 694.398,28 440.052,34 574.227,14 612.502,32 2.321.180,08 AC 2012 1º Trim/2012 2º Trim/2012 3º Trim/2012 4º Trim/2012 Total 2012 Livro Reg. Saída 600.369,47 558.728,27 517.617,49 529.622,94 2.206.338,17 GIASaída 600.369,47 558.728,27 517.617,49 529.622,94 2.206.338,17 As supracitadas receitas estão demonstradas mensalmente no anexo ao presente Termo denominado “PLANETJUNDI MAX COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA. – CNPJ 12.372.145 Na apuração do IRPJ, sobre a receita omitida foi aplicado o coeficiente de 9,6% para determinação do lucro arbitrado, sobre o qual foi aplicada a alíquota básica do Imposto de 15% e adicional de 10% sobre a parcela do lucro arbitrado que exceder ao valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do respectivo período de apuração. Na apuração da infração reflexa da CSLL, sobre a receita omitida foi aplicado o percentual do lucro arbitrado de 12% na determinação da base de cálculo da Contribuição, sobre a qual será aplicada a alíquota de 9%. Na apuração das infrações reflexas da Contribuição para o PIS e da COFINS, sobre a receita omitida foram aplicadas as alíquotas do regime cumulativo de 0,65% e de 3%, respectivamente. Fl. 3050DF CARF MF 38 Sobre os tributos e contribuições devidos foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por entender a fiscalização que, conforme circunstanciadamente relatado no Relatório Fiscal Grupo Restum anexo, teria restado caracterizada a ocorrência, em tese, de condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como no art. 1° da Lei 8.137 de 27 de dezembro de 1990, o que exigiu a Representação Fiscal para Fins Penais, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 2.439/10, com alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11. Considerando os fatos apurados e minuciosamente detalhados no Relatório Fiscal Grupo Restum foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário entre as empresas do Grupo Restum em consonância com o art. 124, I do CTN, outrossim dos sócios gerentes com base no art. 135, III do mesmo diploma legal. 3 Da Impugnação. Inconformados, tanto o sujeito passivo quanto os responsáveis solidários, todos intermediados por seu procurador (doc. 01), apresentaram impugnação aduzindo como razões de defesa o seguinte: I – Imputações Alegou que a fiscalização partiuse de constatações genéricas para individualizar tanto um arbitramento, despropositado, como solidarizações fundadas apenas nos dispositivos legais, sem que tenha havido a necessária descrição da conduta de cada contribuinte solidarizado, simplesmente ignorando as disposições legais aplicáveis à espécie e as autônomas personalidades jurídicas. Acrescentou que a Fiscalização não demonstrou, ao menos concretamente em cada auto de infração, quer a viabilidade do arbitramento, quer a possibilidade de solidarização das demais Impugnantes. II – Impossibilidade e inaplicabilidade do arbitramento do lucro Alegou que não havia motivo para o arbitramento do lucro, pois não houve imputação de total ausência de declarações e escrituração e a fiscalização teve inegável acesso a parte da documentação fiscal e contábil, de sorte que nada há que justifique a excepcional medida de arbitramento do lucro, pois era plenamente possível aferir a correta base tributável. Ademais, a desconsideração da opção pela forma de apuração adotada pelo contribuinte esbarrou na legislação de regência e nos precedentes administrativos, que condicionam a adoção do lucro arbitrado quando, devidamente comprovado pela Fiscalização, a impossibilidade de apuração pelo regime indicado pelo contribuinte. Acrescentou que: Observese assim, qualquer qualquer que seja o caso que queira analisar, ainda que se esteja diante de indícios de eventual omissão de receitas, é que: i) o arbitramento é medida excepcional; ii) é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte. Solicitou “que seja afastada no caso concreto a possibilidade de arbitramento, julgandose improcedentes os autos de infração, porquanto a contribuinte apresentou elementos que possibilitavam à Fiscalização adicionar eventual valores tidos por omitidos sem a necessidade de valerse do expediente adotado.” III Solidarização e responsabilização Alegou que a fiscalização arrolou as empresas e os sócios do que seria um conglomerado econômico, aludindo o que dispõem os artigos 124 e 135, do Código Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.033 39 Tributário Nacional, e simplesmente os colocou na posição de devedores solidários, sem qualquer imputação especificada, em relação a qualquer dos solidarizados. No entender da impugnante não se pode conceber a solidarização de dezenas de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, ao mero argumento de que todas participaram de um “grupo econômico”, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação autorizaria a solidarização pura e simples, era mister da Fiscalização, reafirmese, demonstrar a participação individualizada de cada um que reputou solidário ou responsável. Deveria a Fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Alegou que em relação ao Impugnante “Roberto” fora responsabilizado nos termos do artigo 135, III, do CTN, e neste ponto específico, além da mesma imputação genérica, a Fiscalização novamente incorreu em equívoco interpretativo sofrível, porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade. Solicitou que, caso prevaleçam os impugnados autos de infração, que sejam excluídos do polo passivo da presente obrigação tributária todos quantos foram solidarizados e/ou responsabilizados, reconhecendose que a Fiscalização não demonstrou na espécie os motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim, na legalidade. IV Inaplicabilidade da multa qualificada. Alegou que a multa de 150% revelase confiscatória e desproporcional, visto que não apresenta característica de razoabilidade e Justiça e revela imensa discrepância entre o suposto desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica e viola expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal V Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Alegou que ainda que se considerasse procedente a autuação, não se poderia fazer incidir a taxa de juros sobre a multa aplicada, haja vista a previsão legal expressa, a que alude o art. 84 da Lei nº 8.981/1995, de acréscimo de juros apenas aos valores referentes a tributos e contribuições sociais (art. 84 da Lei nº 8.981/1995) Argumentou que deve se ter clara a distinção entre multa e tributo, eis que a primeira é sinônimo de sanção imposta por descumprimento da obrigação tributária, enquanto o segundo se refere a toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada (artigo 3º do Código Tributário Nacional). A multa, assim, é a sanção que decorre, por exemplo, do não pagamento do tributo, com este não se confundindo. Este é o motivo de os juros incidirem apenas sobre o principal, pois a previsão legal estende a sua aplicação somente aos tributos e contribuições sociais, excluindo de sua abrangência a multa. Por derradeiro, alegou que a Lei nº 9.430/96, de igual forma, não autoriza a aplicação de juros sobre a multa de ofício, tratando apenas do caso de multa isolada, consoante jurisprudência acima posta, o que não se verifica nestes autos, evidenciado, portanto, não haver base legal para a aplicação de juros sobre a multa, tal como lançados nos autos de infração, sendo forçoso o seu cancelamento. Fl. 3052DF CARF MF 40 VI – Julgamento conjunto Requereu a reunião dos 10 (dez) processos cujos autos foram lavrados sob o amparo do mencionado “Relatório Fiscal Grupo Restum”, tratandose, portanto, dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos, a fim de que tramitem conjuntamente e sejam conjuntamente julgados, homenageandose, desta forma, o princípio constitucional da razoável duração do processo e evitandose a prolação de decisões conflitantes VII – Dos pedidos Requereu que seja conhecida a impugnação para os fins de julgar insubsistente o Auto de Infração reconhecendo a inaplicabilidade do arbitramento do lucro e, ainda, em pleito alternativo e em caso de prevalência das imputações lançadas acima, que sejam os contribuintes solidarizados devidamente excluídos do polo passivo da obrigação tributária aqui constituída e, de forma igualmente alternativa, requereu a redução da multa aplicada ao patamar mínimo regulamentar, afastandose a multa qualificada; É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1458.578, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE. Comprovado a omissão de receita mediante o confronto entre a DIPJ e as informações extraídas dos Livros Fiscais Registro de Saídas e Apuração do ICMS, combinada com registros das notas fiscais eletrônicas constantes no SPED Sistema Público de Escrituração Digital , e não havendo qualquer contestação quanto à omissão apurada, mantémse o lançamento. ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que a empresa, mesmo intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, nem mesmo o livro Caixa contendo sua movimentação financeira e bancária, cabível o arbitramento do lucro. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (art. 153 e 124, I, do CTN). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.034 41 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 15/06/2015, e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 29/06/2015, juntamente com os responsáveis solidários, todos em uma só peça recursal, os quais repetiram basicamente os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Delimitação da Lide Analisando as razões de recurso voluntário, percebo que a recorrente não "gastou muitas tintas" para combater os fundamentos da DRJ, limitandose apenas em reproduzir os argumentos já apresentados em sede de impugnação, quais sejam: 1) o arbitramento do lucro; 2) a responsabilidade solidária; 3) a multa qualificada de 150%; e 4) a cobrança de juros sobre a multa. Fl. 3054DF CARF MF 42 MÉRITO Preliminarmente, convém rebater os argumentos iniciais da recorrente de que "os fatos, descritos de forma tendenciosa e complexa pela fiscalização, terminam por impressionar e podem redundar em uma conclusão equivocada". Ora, o método dialético tem como desígnio estabelecer a verdade por meios de argumentos fundamentados, atestados de lógica e razão. Assim, devemse apartar os argumentos apenas emocionais, que somente servem para hesitar o avaliador. A partir dessa premissa, deve o julgador formar sua convicção por meio dos elementos de fato e de direito constantes no processo, corroborados por prova inequívoca de suas ocorrências. Não obstante, o espectro que se extrai de um lado e de outro da dialética inevitavelmente é imbuído do emocional: no debate tributárioprocessual, por exemplo, o fisco afirma que o sujeito passivo deve pagar tributo e tenta convencer o avaliador disso; o sujeito passivo, em antítese, entende que a forma escolhida para pagar menos tributo, ou não pagar, é legal e também se serve de seu domínio de convencimento. Deste preceito de cada um entender que está na razão é que surge a dialética processual. Assim, cabe ao avaliador extrair dos argumentos de ambas as partes aquilo que mais se encaixa como verdade, cuja avaliação principia, mesmo que involuntariamente, alicerçada neste trecho musical1: "Há tantos quadros na parede Há tantas formas de se ver o mesmo quadro" E, para se alcançar a verdade, impõese interpretarmos a dialética como aferiu Aristóteles, ao afirmar que ela é a lógica do provável, daquilo que parece ser aceitável a todos ou à maioria, mesmo quando não se pode demonstrar, já que exige apenas que não seja possível eliminar o candidato à verdade. Desta forma, independentemente das acusações impostas pela fiscalização, o que deve prevalecer no caso é um julgamento baseado nas provas acostadas ao processo, que dão suporte à descrição das razões de fato e de direito que induziram a fiscalização a efetuar o lançamento fiscal e ao sujeito passivo a contraargumentar as acusações lhe impostas. II.1 IMPOSSIBILIDADE E INAPLICABILIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente alega que o arbitramento é medida excepcional e de que é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte. Não entendo ter razão a recorrente. 1 Música de Humberto Gessinger: NinguéM = NinguéM Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.035 43 O arbitramento é uma das formas de apuração do IRPJ e da CSLL, e não se trata de punição ao sujeito passivo; é apenas uma forma de apuração do lucro fiscal quando não há elementos suficientes para apurar o lucro de acordo com a configuração escolhida pela empresa. E foi o que ocorreu no caso concreto. A recorrente optou pela forma de tributação pelo lucro presumido. A lei do presumido obriga a manutenção, pelo sujeito passivo, dos livros comerciais, ou, opcionalmente, do livro caixa (Lei 8.981/1995): “Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária.” Conforme divulgado no Termo de Verificação Fiscal, embora regularmente intimada pela fiscalização, a empresa autuada não apresentou livro diário e/ou razão nem no meio papel, tampouco no formato do SPED nem livro caixa. Assim, não há como verificar a apuração correta da movimentação contábil e fiscal da recorrente. Como não apresentou os livros, restou aplicar o arbitramento do lucro conforme Lei nº 8.981/1995, que é a base legal do art. 530, III, do RIR/99: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; A base de presunção do IRPJ de 9,6% (20% sobre a base de 8%) foi aplicada corretamente pela fiscalização, conforme teor dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.249/1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por Fl. 3056DF CARF MF 44 cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. A base de presunção da CSLL (12%) foi efetuada corretamente com fundamento no art. 20 da Lei nº 9.249/1995 c/c art. 27 da Lei nº 9.430/1996, in verbis, respectivamente: Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (...) Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: A imputação da contribuição para o PIS e da COFINS seguiu rigorosamente o mandamento legal que dispõe sobre a tributação pelo regime cumulativo, nos termos dos artigos 8º da Lei nº 10.637/2002 (Pis) e 10 da Lei 10.833/2003 (Cofins), reproduzidos abaixo: Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (VideMedida Provisória nº 497, de 2010).” ____ Art. 10 Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010). Desta forma, correta a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro arbitrado, e do Pis e da Cofins, por conseguinte, pelo regime cumulativo. Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.036 45 III – DA SOLIDARIZAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO Os recorrentes alegam que ".... as solidarizações foram efetivadas sem o menor critério de imputação ....”; que a Fiscalização apenas indicou as pessoas e transcreveu os artigos 124 e 135 do CTN". Aduz que não foi realizada uma única imputação e/ou descrição das condutas e que a fiscalização ignorou a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. Nessa linha, constrói raciocínio de que o que interessa é analisar a modalidade de sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte. Invocando o art. 121 do CTN, argumenta que há necessidade de demonstração de que a pessoa tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, conforme regra do art. 124, I, do CTN. Antes de adentrar no ponto central aqui ventilado a individualização das condutas , mister observar que a recorrente preparou um única peça recursal para todos os lançamentos tributários lavrados em desfavor de todas as empresas do grupo, alterando apenas o nome das recorrentes. Essa constatação é percebida quando se lê a peça recursal. Ou seja, a recorrente replica seus argumentos para todos os fatos imputados em relação a todos os lançamentos tributários aplicados em relação ao Grupo Restum. Pois bem. Como se viu, a fiscalização apurou a responsabilidade solidária com base no art. 124, I, e art. 135, III, ambos do CTN. Veja a redação legal de ambos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, pressupõe a comprovação do interesse comum em praticar a conduta tipificada com crime. Há muito se discute sobre a interpretação da terminologia "interesse comum", pois sua exegese pode desencadear a atribuição de responsabilidade solidária a determinada personalidade. Muitos entendem que o interesse ali descrito é o interesse jurídico, daquele que tenha participado da ocorrência do fato gerador, o que muitos interpretam como aqueles que estejam em um mesmo lado da cadeia da prática do fato gerador, excluindose, por exemplo, empresas que adquirem bens e mercadorias mesmo que sejam daqueles que efetivamente omitiram fato gerador de tributo. Dessa interpretação, mesmo que determinado Fl. 3058DF CARF MF 46 sujeito passivo tenha se beneficiado economicamente, este fato, por si só, não é capaz de concretizar o interesse comum tratado no art. 124, I, do CTN, e a ele ser imputada a responsabilidade solidária. O tributarista Marcos Vinicius Neder de Lima, em obra que versa sobre o critério de aplicação do art. 124, I, do CTN, interpretou o interesse comum inerente à solidariedade de fato: “Solidariedade de Fato (...) 6.2. Conceito de interesse comum O termo “interesse” contém, vários significados, o que dificulta sua exata delimitação semântica na seara jurídica. Um dos desafios mais importantes para todo o desenvolvimento deste ensaio é solucionar a seguinte questão: “Qual significado deveríamos atribuir à expressão ‘interesse comum’ utilizada no art. 124 do CTN?” (...) A palavra interesse, segundo Alf Ross, pode ser tomada em sentido amplo e em sentido estrito. O sentido amplo abrange todo o estado de consciência que encerra uma atitude. Nesse sentido, estamos interessados em tudo aquilo a respeito do que experimentamos; uma atitude positiva ou negativa. Por outro lado, quando dizemos que uma ação nasce dos interesses de uma pessoa, a palavra é tomada em sentido estrito. E prossegue o mestre dinamarquês, os interesses são atitudes baseadas em necessidades, que geram um impulso no sentido de seu atendimento, ao contrário das atitudes morais, que são baseadas em necessidades (desinteressadas). No campo processual, interesse, observa Cândido Dinamarco, associase à idéia de utilidade, de modo que o provimento jurisprudencial postulado pela parte deve ser efetivamente útil ao demandante, operando uma melhora em sua vida comum. O interesse processual, é por essência instrumental. Como o que nos inquieta é o interesse na situação jurídica subjacente ao fato gerador, cumpre examinar o seu significado à luz de uma relação jurídica privada (...). Recorremos, então, aos ensinamentos de Pontes de Miranda para quem os direitos subjetivos surgem apenas a partir da incidência de regras jurídicas que são os veículos aptos a distribuir bens da vida, ou alterar sua distribuição. Se há interesse subjacente a tal distribuição, não pertencem à dimensão jurídica, mas à dimensão política, salvo onde esse interesse á regra jurídica entendeu caber proteção. Assim, ensina o Mestre, os direitos subjetivos como produto da incidência de regra jurídica, protegem determinados interesses. Nos direitos de crédito particular, um dos interesses tutelados, tanto do lado do credor como do lado do devedor, é extinção regular da relação jurídica pelo adimplemento da obrigação pactuada. A partir dessas várias acepções para o vocábulo “interesse”, é possível extrair um elemento significante comum, qual seja: interesse é uma atitude voltada ao atendimento de uma necessidade (v.g., econômica, moral e social) e, no campo obrigacional, estruturamse direitos subjetivos que tutelam tais interesses. (destacouse) Resta, ainda, discorrer a respeito da qualificação “comum” conferida pela lei, ou seja, examinaremos quais as hipóteses em que o “interesse” será considerado “comum” na situação jurídica privada que constitua o fato gerador. No plano das Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.037 47 situações jurídicas, defrontamonos com relações em que participam pluralidade de sujeitos e, por conseguinte, surge uma pluralidade de titulares de direitos (...). Nessas situações, para que se verifique interesses comuns que se irradiam dessa relação jurídica. Alf Ross, com muita habilidade, faz a distinção entre os interesses comuns e coincidentes. Nos primeiros, as pessoas interessadas são vinculadas por circunstâncias externas formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que os une; enquanto, nos coincidentes, o vínculo visa apenas atender a uma necessidade específica (tarefa). Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situamse em cada um pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. (...) Não é outro entendimento de Paulo de Barros Carvalho, que sustenta que, nas ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se, e somente se, for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Também a esta conclusão chegou Hugo de Brito Machado: “O fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir solidariedade entre elas (...). Uma coisa é duas ou mais pessoas terem interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. Comprador e vendedor têm interesse na compra e venda, mas não ser trata de interesse comum e sim de interesses contrapostos”. Concluise, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. (Neder, Marcos Vinícius, in Responsabilidade Tributária / Coordenadores Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder, São Paulo, Dialética, 2007, p. 39/42). (sublinhei) Na mesma linha aqui trazida, o STJ, no julgamento do REsp 884.845SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, entendeu que há necessidade de que as pessoas solidariamente responsabilizadas devem ter dado ensejo à ocorrência do fato imponível: 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isso porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. E assim, firmou sua posição ao concluir o seguinte: 9. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato Fl. 3060DF CARF MF 48 gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." Aplicando tais interpretações ao caso concreto, vêse que o interesse comum jurídico entre as empresas do Grupo Restum, as pessoas físicas e a ora recorrente restou caracterizado, com exceção da responsável solidária Isabelle Restum, sobre a qual tratarei mais adiante. Como amplamente tratado no relatório fiscal preparado pela fiscalização, ficou comprovada a participação de todos os envolvidos, tanto nos fatos geradores dos tributos aqui discutidos, como no deslocamento de faturamento e do lucro a serem tributados, com o nítido intento de transferir para empresas de terceiros ("laranjas) nomeados pelos tutores do Grupo Restum, para que o patrimônio dos solidários pessoas físicas (Família Restum) não fosse alcançado. A confusão patrimonial entre todas as empresas também serve como prova do interesse comum jurídico passível de responsabilização solidária. Outro ponto, é que muitas empresas estavam localizadas em um mesmo endereço perante a Junta Comercial e à Receita Federal. Este fato, por si só, não é capaz de formular prova contundente da caracterização de grupo econômico. Mas, quando converge com outros indícios trazidos ao processo, tornase prova relevante da modelagem de grupo econômico. A recorrente alega falta de demonstração, na espécie, dos motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim na legalidade. Não entendo que tal raciocínio se deve aplicar ao caso concreto. Como bem trazido pela DRJ em seu voto, a delegacia de piso apresentou a conduta dos responsáveis tributários, servindose corretamente do relatório fiscal elaborado pela fiscalização, que, digase, está rico de provas contundentes da conduta praticada pelas pessoas físicas e jurídicas do Grupo Econômico nominado "Grupo Restum". Como se vê do teor do recurso voluntário, a recorrente replicou todos os argumentos já ventilados em sede de impugnação. Desta forma, não restando configurada a dialética processual, proponho também reproduzir a decisão constante no acórdão da DRJ no que se refere à imputação da responsabilidade solidária, exceto quanto a Isabelle Restum, por bem elaborado e por concordar com seus fundamentos, tudo isso suportado pelo dispositivo legal constante no Regimento Interno do CARF (RICARF), reproduzido abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.038 49 III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (negritei) Em relação ao interesse comum, cuja base legal é o art. 124, I, do CTN, assim consignou a delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Em síntese, o que a fiscalização apurou foi que o Grupo denominado Restum (composto por Roberto Restum, Adriana Restum e família) é constituído por centenas de empresas autônomas, algumas tendo membros da família Restum no quadro social (empresas próprias) e outras constituídas por pessoas interpostas (empresas fictas) as quais são utilizadas para constituir a mais diversa gama de empresas. As empresas próprias, entre elas a INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, revendem as mercadorias a empresas fictas por valores que praticamente correspondem aos custos de importação e/ou produção e, assim, as empresas próprias não apuram lucro e apuram o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas, entre elas a JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA e SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA, compram tanto de terceiros no mercado interno como da “Invictus” e revendem diretamente para lojas do grupo (lojas que pertencem ao Grupo Restum) ou para a SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA e para a IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, as quais por sua vez vendem seus produtos para as lojas varejistas do grupo por valores que se aproximam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaem sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas (próprias) possam se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente o ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaem sobre as empresas próprias do Grupo, mas sim sobre as empresas fictas. Mas estas, além de mudarem constantemente de “laranjas” e/ou “testa de ferro”, também não cumprem com suas obrigações tributárias, nem mesmo acessórias, não tem movimentação financeira e algumas sequer possuem espaço físico. Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não são registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais não praticam fatos geradores tributários. Os imóveis utilizados como sede das diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na Fl. 3062DF CARF MF 50 atividade são, em parte, registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144. Diante do que foi apurado, a fiscalização atribuiu responsabilidade solidária às empresas próprias do grupo, relacionadas no Auto de Infração, além dos dirigentes Roberto Restum, esposa e filhos, pelo crédito tributário apurado em cada uma das empresas do grupo. Os impugnantes não contestaram objetivamente qualquer dos fatos acima mencionados, limitandose a alegar, com relação à solidarização atribuída às pessoas físicas e jurídicas, que o argumento da fiscalização de que todas participaram de um “grupo econômico” não é suficiente para atribuir a solidarização, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação, e que deveria a fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e que todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação. Ao analisar o processo de interesse INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA este Relator chegou à seguinte conclusão em relação às empresas fictas: Da análise dos autos e especial dos documentos arquivados na JUCESP (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre as empresas do núcleo (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e Import Dalamari), desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas, até os seus sócios que se alternam, nunca recolheram os tributos devidos, sequer possuíam espaço físico, não possuíam qualquer patrimônio, não contrataram funcionários, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo Restum, omitiram suas operações do conhecimento da RFB, não tiveram movimentação financeira (Anexo VII) embora emitiram milhões em notas fiscais, os sócios das empresas fictas do núcleo são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a convicção de que são interpostas pessoas. As empresas fictas adquiriam quase que a integralidade das vendas da INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e depois repassaram tais mercadorias, adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo, de modo que o ônus tributário recaíam sobre as fictas e que nada recolhiam, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí decorrente. Tal modo de proceder, não deixa dúvida de que essas empresas fictas serviram para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelas empresas próprias do Grupo, ou seja, as empresas próprias do Grupo são as reais operadoras comerciais. Não há dúvida de que todas as empresas do Grupo se beneficiavam do artifício doloso na medida não recolhiam os tributos devidos. Do conjunto de provas trazidas aos autos chego à conclusão de que, de fato, tratase de um grupo empresarial, comandado por Roberto Restum e Adriana Restum, porém composto por toda a família Restum, e todas as empresas às quais foi atribuída responsabilidade solidária foram formalmente constituídas pelo Grupo mas, na verdade, é uma só, e os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circularam indistintamente entre elas, e todas elas se beneficiaram do esquema montado com o objetivo de não pagar tributo, ou seja, todas têm ou tiveram interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Por essa Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.039 51 razão, elas devem ser igualmente responsáveis solidariamente pelo crédito tributário, com fulcro no art. 124, I, do CTN, inclusive as pessoas físicas relacionadas (Roberto Restum; Adriana Restum; Vanessa Restum; Felipe Roberto Restum; Daniele Restum Traldi e Isabelle Restum), pois estas tinham interesse comum nos negócios e deles se beneficiaram. As empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144, também participantes do mesmo Grupo empresarial, praticamente não executaram atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), no entanto, foi em nome destas registrado o patrimônio do Grupo (bens necessários à percepção das receitas das empresas operacionais, bem assim os imóveis e veículos), ficando as empresas operacionais sem nenhum ou o mínimo de patrimônio. Esse modo de proceder é, sem dúvida, uma tentativa de manter essas empresas distante dos fatos geradores tributários. No entanto, pela mesma razão que as demais, devem responder solidariamente pelo crédito tributário. Da análise de todos os elementos constantes dos autos chego à conclusão que de fato ficou caracterizado o grupo empresarial e também ficou evidenciado a utilização de empresas fictas, abertas em nome de “laranjas”, cujo esquema foi montado dolosamente com o fim de não pagar tributo, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio. Chego à essa conclusão independentemente da declaração prestada por Nelson Oliveira dos Santos, o qual atuou como contabilista na abertura de várias empresas, tais como JOS Comércio De Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, e também no enceramento de várias outras, o qual confirmou, em declaração tomada a termo (fl. 1067), que as empresas JOS Comércio de Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, Jurece Comércio de Confecções Ltda, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda são do Grupo Restum e que estas são distribuidoras do grupo, responsáveis por aquisições de mercadorias para revenda para lojas do grupo, e que o escritório em Itaim tinha o total controle sobre estas empresas e confirmou que parte do quadro societário destas empresas era composta por laranjas que freqüentavam, esporadicamente, o escritório do Itaim. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, proponho manter a responsabilidade solidária, que teve como base o 124, I, do CTN, de todas as pessoas jurídicas e pessoas físicas, exceto de Isabelle Restum. Isto porque não há prova material da participação de Isabelle Restum na prática dos fatos geradores que decorreram de fraude perpetrada pelo Grupo Restum. No relatório fiscal do Grupo Restum, ela somente é citada por ser filha de Roberto Restum, mas não há indicativo algum de que tenha participado do esquema ou tenha se beneficiado dele. E isto tem uma razão de ser: Isabelle Restum é menor de idade data de nascimento de 29/04/2005. Como a responsabilidade solidária depende de atos intencionais de fraudar o fisco, tornase complexa a prova de que ela tenha praticado algum ato fraudulento. No Acórdão 1302001.962, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, de 11 de agosto de 2016, que julgou o processo lavrado em desfavor da empresa HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES, também pertencente ao grupo econômico Restum, convém reproduzir os motivos que levaram também à exoneração da responsabilidade Isabelle Restum, os quais passo a adotar como razões de decidir: Fl. 3064DF CARF MF 52 Da responsabilização solidária, contudo, deve ser retirada apenas a pessoa física Isabelle Restum, CPF 417.896.25823, tendo em vista que a sua condição de menor de idade na época dos fatos que levaram a cabo a presente autuação. Explico. Em que pese a patente diferença entre a capacidade tributária independer da capacidade civil das pessoas físicas para sua imposição, isto é, mesmo sendo possível que o menor incapaz seja enquadrado como contribuinte para fins tributários, no caso em espeque, o interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo reclama a celebração de negócios jurídicos que importem no intuito de fraudar o erário. Destarte, verificase que Isabelle Restum, nascida em 24/09/2005, à época dos fatos sob análise tinha menos de dezesseis anos, o que lhe caracteriza como absolutamente incapaz (art. 3º, I, Código Civil). Sendo assim, a incapacidade civil, embora seja dispensável para a imposição tributária, é causa suficiente para a nulidade do negócio jurídico pactuado pela incapaz, não havendo que se falar em obrigação tributária. Portanto, apenas em relação a responsabilidade solidária das pessoas físicas, divirjo da Relatora por entender que os elementos probatórios carreados aos autos são suficientes para imputar a responsabilidade às pessoas físicas relacionadas, à exceção de Isabelle Restum, pois sendo o nulo o negócio jurídico por si pactuado, não há que se falar em obrigação tributária. Assim, voto pela manutenção das pessoas físicas como responsáveis solidárias perante a obrigação tributária em comento, excluindo da lide, unicamente a menor Isabelle Restum, CPF 417.896.25823. Desta feita, proponho dar provimento quanto ao recurso de Isabelle Restum (CPF 417.896.25823). Quanto à responsabilidade solidária com relação ao art. 135, III, do CTN, convém destacar a participação das pessoas físicas na prática das condutas apresentadas pela fiscalização: Como visto, tratase de pessoas ligadas a Roberto Restum, que, pela descrição dos fatos apontados pela fiscalização, juntamente com Adriana Restum, é o mentor de toda a fraude cometida aos cofres públicos. Não obstante sua liderança, seus familiares também participaram do arquétipo perpetrado pelo Grupo Restum, mesmo não pertencendo aos quadros societários de algumas empresas, não cabendo a eles alegarem negligência ou imperícia na condução dos negócios, mormente por se tratarem de pessoas entendedoras do ramo de confecções e do empresariado, o que denota que eram sabedores de suas obrigações. O art. 135, III, do CTN, trata da responsabilidade solidária decorrente da prática de conduta excessiva: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.040 53 A DRJ também manteve a responsabilidade solidária com base no art. 135, III, em relação a todas as pessoas físicas. Como já dito alhures, permitome apenas não concordar com a responsabilidade tributária atribuída a Isabelle Restum, pelos motivos acima já expostos. Entretanto, com relação aos demais, adoto também o que foi deliberado pela delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Também não resta dúvida quanto a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, pois ficou comprovado que a pessoa jurídica, na pessoa de seus sóciosadministradores omitiu receita, com evidente intuito de fraude, com o fim de não pagar ou pagar menos tributo. Todos os fatos apurados e já descritos são causa suficiente à atribuição de responsabilidade aos sóciosadministradores do Grupo Restum, pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social, nos termos do art. 135, III, do CTN. Há nos autos material probatório dos ilícitos apurados, de modo que está plenamente fundamentada a responsabilização dos sócios. É indubitável que a falta de recolhimento do tributo devida à constatação de omissão de receitas constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias, fato agravado pelas circunstâncias que levaram à qualificação da multa e à formalização do processo de representação fiscal para fins penais. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, não há dúvidas de que as pessoas físicas Roberto Restum (CPF 043.261.15840), Adriana Restum (CPF 120.853.19807), Vanessa Restum (CPF 215.012.648 69), Felipe Roberto Restum (CPF 215.012.76875) e Daniele Restum Traldi (CPF 215.012.73850) praticaram condutas com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, devendo ser mantidas as responsabilidades solidárias a elas imputadas. Assim, proponho dar provimento ao recurso de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da ora recorrente e de todos os demais responsáveis solidários pessoas físicas e jurídicas, as quais estão relacionadas no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. IV – INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA A recorrente alega que a multa se aplica somente quando se comprova fraude. Assim, como a fiscalização imputou genericamente a conduta à recorrente, a multa é desproporcional e confiscatória, violando expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Convém destacar, de plano, que a Súmula nº 2 do CARF decreta que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 3066DF CARF MF 54 Por outro lado, não entendo que toda falta de pagamento de tributo deve ser avaliada como fraude. Ao contrário, há que se diferenciar, nesse emaranhado de interpretações, o inadimplente do sonegador. Prefiro devanear que o inadimplente compõe a regra. É aquele sujeito passivo que cumpre suas obrigações fiscais, mesmo que somente as obrigações acessórias de apresentar livros e de declarar tributos. Penso que o contribuinte se torna inadimplente por carecer de maiores recursos para manter "de pé" sua atividade. Sabese que as obrigações de um empresário são tamanhas (funcionários, estoques, liquidez) que por vezes se vê obrigado a deixar de recolher os tributos que lhe seriam devidos para deslocar os recursos para a manutenção da sua atividade empresarial. Todavia, como se trata de pessoas de boa índole e cumpridoras de suas obrigações, declaram seus tributos mesmo que não tenham condições momentâneas de recolhêlos. Já o sonegador não se importa com os malefícios que traz para a sociedade. Este, em sua visão deturpada do capitalismo, apenas e tão somente busca pelo bem que mais lhe traz prazer, o dinheiro. Para tanto, cria todo tipo de ardil capaz de gerar riqueza, mesmo que sua conduta esteja inserida na legislação penal tributária. Este sonegador, em uma das acepções do verbete romano de "dar a César o que é de César", deve ser punido veementemente com todos os rigores da Lei. E a lei tributária, ciente deste imperativo, demarcou que a multa qualificada deve ser imputada em decorrência da prática das condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, conforme ditado pelo inciso § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.041 55 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Sempre digo em meus votos que é difícil adentrar à mente do praticante da conduta para saber efetivamente se restou caracterizado o elemento subjetivo do núcleo do crime de sonegação fiscal (em sentido amplo), que é o dolo. Isto se deve principalmente porque estamos sempre a avaliar as condutas praticadas no passado; às vezes, um passado bem remoto. Maria Rita Ferragut muito bem define o poderdever de investigar da administração e de angariar provas da veracidade dos fatos: Assim, tem a Administração Pública o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do ponto de vista jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível2. Assim, há que se investigar, com as ferramentas que instrumentalizam o processo administrativo fiscal, se os atos praticados e os resultados auferidos subsumem à prática delituosa de crime contra a ordem tributária. Como se vê do Relatório Fiscal Grupo Restum, anexado a este processo, o grupo econômico planejou e executou formas de ludibiriar o fisco e recolher menos tributos em relação aos que deveria recolher caso suas declarações condizessem com o que ocorrera no mundo fenomênico. A maneira pela qual foi arquitetado todo o arquétipo empresarial com criação de inúmeras empresas em nome de "laranjas", algumas com endereços diversos, com fornecedores e clientes pertencentes, direta ou indiretamente, aos mesmos donos evidencia a máfé patente no caso aqui a ser julgado. No caso concreto, vêse que a empresa, e todo o Grupo Restum, apresentavam declarações com valores zerados ou valores reduzidos, digase, bem inferiores aos efetivamente praticados (como o valor do faturamento, por exemplo). 2 Presunções no Direito Tributário, 2ª Edição, Editora Quartier Latin, São Paulo, 2005, página 193. Fl. 3068DF CARF MF 56 A quantidade de empresas, com intuito de repartição das receitas auferidas pelo Grupo Restum denota a intenção dolosa em se omitir a grandeza do Grupo, a fim de não chamar a atenção do fisco. Tanto é que, somente após o início dos procedimentos fiscais imputados às empresas do grupo, é que algumas empresas entregaram DIPJ retificadora e, mesmo assim, os valores estavam bem aquém daqueles apurados efetivamente por elas, conforme se depreende do cotejo entre a informação contida nas notas fiscais eletrônicas extraídas do SPED e os valores informados nas DIPJs retificadoras. Outro ponto a se destacar é que as empresas do grupo Restum eram constituídas e encerradas com o intuito de obstar o conhecimento do fisco quanto aos fatos geradores praticados, ou, também, a impedir que fossem responsabilizados os verdadeiros arquitetos da fraude fiscal, quais sejam, seus sócios de fato, quando delegavam a "laranjas" a atribuição de figurarem como sócios de direito nas empresas de "fachada". Vejase nos trechos do Relatório Fiscal que a empresa praticou várias condutas que se subsumem ao conceito de sonegação, fraude e conluio (efl. 129): Mas não é só aí que reside a fraude. Além de possuir um grande número de empresas ativas, o Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas (usamos o verbo no passado já que os fatos apurados correspondem aos períodos de 2010, 2011 e 2012, se bem que há fortes indícios que o modus operandi perdure hodiernamente). Desse modo, quando determinada empresa começava a “interessar” ao Fisco, esta era sumariamente encerrada e uma outra era colocada no seu lugar. Para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade. Em conclusão, no caso dos autos, todas as provas acostadas ao processo, seguidas de descrição detalhada sobre o modus operandi desenvolvido e praticado por todo o grupo econômico Restum, em relevo por seus sócios de fato, levamnos a concluir pela procedência da imputação perpetrada pela autoridade fiscal.. Dessa forma, mister se faz necessária a manutenção da multa qualificada. V – ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Alega que não há previsão legal de incidência de juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício, mas tão somente em relação a tributos e contribuições sociais. Não entendo possuir amparo a alegação da recorrente. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescese de juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Já a parte final da redação do supra dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 19311.720398/201422 Acórdão n.º 1401002.319 S1C4T1 Fl. 3.042 57 O art. 142 do CTN, por sua vez, apresenta a definição de crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme se extrai da cláusula legal, o crédito tributário é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível. Da intersecção dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Desta forma, nego o pedido quanto ao afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. VI – JULGAMENTO CONJUNTO A recorrente pede pelo julgamento em conjunto de dez processos lavrados em desfavor do "Grupo Restum", por tratarem dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos. Com relação a este pedido, convém ressaltar que a recorrente não logrou comprovar que os processos em questão tratam da exigência de mesmo crédito tributário, ou que seja o seu pedido fundamentado em fato idênticos, razão pela qual o pedido da recorrente tornase insubsistente. Não obstante, informo que 9 (nove), dos 10 (dez) processos do Grupo Restum, serão julgados em conjunto, já que 1 (um) deles já havia sido julgado pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na sessão de 11/08/2016 processo nº 19311.720362/201449, empresa HotBrás Comércio de Confecções Ltda. Fl. 3070DF CARF MF 58 Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e NEGAR provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3071DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901978/2013-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.620
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo para aguardar o julgamento conjunto com o PA nº 10825.720191/2012-21, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho MachadoPresidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira FilhoRelator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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IRRF SOBRE REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURE. Recorrente COMPANHIA AGRÍCOLA QUATÁ (INCORPORADORA DE COMPANHIA AGRÍCOLA LUIZ ZILLO E SOBRINHOS) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo para aguardar o julgamento conjunto com o PA nº 10825.720191/201221, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho MachadoPresidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira FilhoRelator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RELATÓRIO Adoto, em parte, o relatório do acórdão recorrido, por bem descrever os fatos: Tratase da manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório da DRF Bauru (SP) que não homologou compensações de débitos tributários diversos com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008, valorado em R$ 2.629.199,72. O saldo negativo resultou de retenções de imposto de renda na fonte, porquanto não houve imposto de renda apurado no período. As retenções correspondem basicamente a imposto sobre remuneração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 97 8/ 20 13 -7 3 Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 10825.901978/201373 Resolução nº 1302000.620 S1C3T2 Fl. 2.463 2 debêntures, emitidas por Usina Barra Grande de Lençóis – empresa do mesmo grupo econômico – no valor de R$ 2.624.590,79. A DRF Bauru não reconheceu o saldo negativo pleiteado por considerar descumpridos os requisitos previstos no art. 170 do CTN: liquidez e certeza do crédito. A decisão baseouse nos mesmos elementos que levaram à formalização dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) contra a emissora das debêntures, por irregularidade na dedução de despesas financeiras e em exclusões do lucro real, conforme processo administrativo 16561.720147/201416. A fiscalização reputou que a operação com debêntures seria desprovida de substrato negocial e objetivaria a redução drástica do pagamento de tributos. No entender fiscal, somente o fato de emitente e subscritora serem empresas pertencentes aos mesmos sócios justificaria a emissão das debêntures, uma vez que não houve captação de recursos novos, os acertos de direitos e obrigações entre as partes ocorreram sem transferência de recursos (por mero encontro de contas) e a remuneração dos títulos se deu, além dos juros de 12% a.a., pela elevada participação nos lucros no percentual de 50%. Segundo a unidade fiscal, a vantagem tributária para a emissora dos títulos se daria pela redução das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, decorrentes de despesas registradas com a remuneração dos títulos, bem como pela não tributação dos prêmio na emissão dos títulos; e, para a sucessora da debenturista, pelo impacto tributário nulo representado pelas remunerações, uma vez que habitualmente apresenta resultado negativo em suas atividades e tem prejuízo ou base de cálculo negativa a compensar (atividade rural não se submete à trava dos 30%), e pela possibilidade de amortizar prêmio pago na aquisição das debêntures (art. 442, III, do RIR/99). (...) Além das razões recuperadas das autuações, a restituição também foi reprovada porque representaria economia fiscal adicional: com a incorporação das subscritoras pela requerente, a tributação incidente sobre pagamento dos juros e lucros das debêntures acabaria sendo anulada pelos acumulados prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL – valores que seriam compensáveis inclusive sem a necessidade de observância do limite de 30%, já que se trata de pessoa jurídica que explora a atividade rural. A interessada foi intimada do despacho decisório em 3/3/15 e apresentou manifestação de inconformidade em 2/4/15. A contribuinte pede o reconhecimento da integralidade do crédito pleiteado e a homologação das compensações. Supletivamente, requer a reunião com o processo 16561.720147/201416, de forma a possibilitar o julgamento conjunto das demandas, porque discutiriam o tratamento a ser dado à mesma operação com debêntures. Quanto ao menos, requer o sobrestamento deste processo até o julgamento definitivo daquele processo. Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10825.901978/201373 Resolução nº 1302000.620 S1C3T2 Fl. 2.464 3 As razões da inconformidade são, basicamente, estas: a) o saldo negativo apurado é regular e independe da desconsideração dos efeitos fiscais das debêntures; b) a decisão deste litígio é reflexo do resultado consignado para os autos de infração; c) a regularidade dos efeitos fiscais da transação com debêntures só poderia ser questionada até 2007, uma vez que os títulos foram emitidos no ano de 2002 (decadência, conforme art. 150, § 4º, do CTN); d) as justificativas para o indeferimento da restituição e compensações não demonstram a prática de operação abusiva, uma vez que não foi avaliado se as debêntures serviram ao financiamento das atividades produtivas da emissora e se o prêmio pago e percentual de participação nos lucros não se justificavam economicamente, considerando o retorno esperado com o montante recebido, além de não ter sido comparada a redução da carga tributária mediante financiamento via debêntures com participação no lucro (DPL) face a obtenção de empréstimo bancário ou pagamento de juros sobre o capital próprio; e) a transação praticada tem fundamentos econômicos, pois os parâmetros definidos na emissão das debêntures e os valores pagos em resgate à debenturista são explicáveis, comutativos e inferiores aos custos de um financiamento perante instituição independente ou por pagamento de juros sobre o capital próprio, ao passo que a transação também foi lucrativa para a requerente; f) as autoridades fiscais são incompetentes para qualificarem atos jurídicos como abusivos ante a ausência da regulamentação do art. 116, parágrafo único, do CTN; g) transcorreu o prazo fixado no direito civil para anulação de atos considerados abusivos; e h) há prejuízo fiscal para compensar a integralidade do imposto de renda devido no anocalendário 2008. A 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob os argumentos assim ementados: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 REUNIÃO DE PROCESSOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ E CSLL E RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. TITULARES DIFERENTES. QUESTÕES DE FUNDO SIMILARES. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal não prevê a reunião de processo de exigência tributária de IRPJ com de restituição/compensação de saldo devedor de IRPJ, sobretudo quando são distintos os titulares e porque já houve julgamento em primeira instância. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 10825.901978/201373 Resolução nº 1302000.620 S1C3T2 Fl. 2.465 4 Não há autorização legislativa para o sobrestamento do processo administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes envolvidas, não possuindo caráter normativo, exceto nos casos previstos em lei. DEBÊNTURES. ATOS CONSIDERADOS ABUSIVOS. DESCARACTERIZAÇÃO DE OPERAÇÃO. É inoponível ao fisco a operação com debêntures realizada apenas entre empresas do mesmo grupo, sem captação efetiva de recursos novos, dissociada de realidade negocial efetiva e levada a efeito em condições anormais e não usuais, com o objetivo de eliminar a incidência dos tributos incidentes sobre o lucro. RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO BASEADA EM REMUNERAÇÃO CUJA CAUSA FOI DESCONSIDERADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. TITULARIDADE SOBRE EVENTUAL CRÉDITO. Com a descaracterização dos efeitos da operação sobre a qual se baseou a retenção de imposto de renda na fonte, o pagamento deve ser considerado sem causa, passível de tributação por alíquota diferenciada, tributação exclusiva na fonte e base de cálculo reajustada. Na hipótese de existir eventual indébito, o titular para reivindicálo seria a fonte pagadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Nãoresignada, a Empresa apresentou recurso voluntário, alegando resumidamente o seguinte: 2.1. Regularidade do saldo negativo apurado independentemente da desconsideração dos efeitos fiscais das debêntures. Admitindose, somente para argumentar, que as debêntures em exame deveriam ter o seu tratamento fiscal afastado a partir dos elementos expostos, mesmo assim é inafastável o direito ao saldo negativo. Afinal, a Recorrente recebeu rendimentos tributados na fonte como antecipação do devido e no encerramento do período não tinha IRPJ a recolher em razão de o lucro apurado ser compensável com prejuízo fiscal sem o limite de 30%, como faculta a própria legislação. 2.2. Decadência. Impossibilidade de o Fisco impugnar as operações mais de 5 anos após terem sido realizadas, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. As debêntures resgatadas em 2008 foram emitidas em 2002. Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 10825.901978/201373 Resolução nº 1302000.620 S1C3T2 Fl. 2.466 5 Logo a regularidade dos efeitos fiscais da transação só poderia ser questionada até 2013 e não como feito em 2015 por meio do despacho decisório inicialmente recebido. 2.3. Reunião do presente feito ao processo originário dos autos de infração em que glosadas as despesas com as debêntures. Na eventualidade de os argumentos anteriores não serem acatados, requerse a reunião do presente feito com o PA 16561.720147/201416 decorrente dos AIs com as glosas das despesas com as debêntures pois ambos tratam da mesma transação e, se decididas separadamente, correse o risco de se ter conclusões diversas, o que é injustificável. Quando menos, deve ser sobrestada a solução do presente litígio até que seja encerrado o PA 16561.720147/201416, na medida em que esse constitui feito principal, enquanto o presente qualificase como reflexo. A solução que vier a ser dada no processo principal vinculará o resultado do presente, que trata de um reflexo (saldo negativo fruto de IRRF) da transação lá impugnada. 2.4. Inexistência de operação abusiva. 2.4.1. Ausência de demonstração da prática de operação abusiva. Os elementos levantados não se mostram hábeis e suficientes a autorizar a conclusão adotada, no sentido de que teria se dado a prática de operações abusivas. Para que pudesse realizar tal avaliação, seria necessário verificar/avaliar: (1) se as debêntures serviram ao financiamento das atividades produtivas da emissora; (2) se o prêmio pago e o percentual de participação nos lucros não se justificavam economicamente, bem como confrontar o retorno esperado com o montante recebido; e (3) se houve redução de carga tributária, a partir de demonstração comparativa, com a opção pelo financiamento via DPLs, ao invés de obtenção de empréstimo bancário ou JCPs. Nenhuma das medidas descritas foi adotada no caso concreto, o que era imprescindível. A título de homologar o saldo negativo, o despacho se apressou em concluir pela existência de operação abusiva tão só em razão de a emissora e emitente serem controladas pelas mesmas pessoas, as debêntures preverem remuneração parcial em lucros e a Recorrente, sucessora por incorporação da subscritora original, possuir resultados fiscais negativos passíveis de compensação sem a necessidade de observância da trava de 30%, circunstâncias insuficientes para servirem de motivação à glosa realizada; e 2.4.2. A transação praticada tem fundamentos econômicos. Os parâmetros definidos na emissão das debêntures e os valores pagos à debenturista em resgate são explicáveis, comutativos e inferiores aos custos que seriam incorridos caso houvesse a opção pela obtenção de financiamento junto à instituição independente ou pelo pagamento de juros sobre o capital próprio. Do lado da Recorrente, a transação foi igualmente lucrativa. Logo, o tratamento tributário aplicado configura exercício regular de direito. 2.5. Impossibilidade de desconsideração dos efeitos fiscais ao argumento da ocorrência de abuso de direito. 2.5.1. Incompetência das autoridades fiscais para qualificarem atos jurídicos como abusivos ante a ausência da edição de lei regulamentando o artigo 116, parágrafo único, do CTN. Ainda que Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 10825.901978/201373 Resolução nº 1302000.620 S1C3T2 Fl. 2.467 6 representassem abuso de direito, assunção aceita unicamente a título de argumentação, as operações não poderiam ser impugnadas sob tal fundamento, na medida em que a Lei Complementar 104/01, que introduziu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN justamente com o objetivo de afastar os efeitos fiscais de operações abusivas, é norma de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária inexistente até o presente. 2.5.2. Impossibilidade de qualificação das operações como abusivas com fundamento na legislação de direito privado. Transcurso do prazo prescricional fixado. Mesmo que pudessem ser classificadas como abuso de direito, tal como disciplinado no direito privado, ilação admitida tão só para argumentar, as operações avaliadas não permitiriam a glosa dos créditos realizada, haja vista o transcurso do prazo, igualmente fixado no direito civil, para a anulação de atos abusivos. 2.6. Existência de prejuízo fiscal no valor de R$ 17.854.995,70, suficiente para autorizar a formação do saldo negativo apurado e a integralidade das compensações. A controvérsia acerca dos valores referentes ao prejuízo fiscal aproveitável pela Recorrente decorre de autos de infração que, ou já definitivamente foram julgados favoravelmente à mesma, ou pendem de análise pelo CARF. É o relatório. VOTO Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, assim, dele conheço. O saldo negativo declarado em Dcomp é composto pelos seguintes IRRF: 0001.CNPJ da Fonte Pagadora: 45.036.639/000165 Código da Receita: 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa Retenção efetuada por Órgão / Entidade da Administração Pública: NÃO Valor 0,88 0002.CNPJ da Fonte Pagadora: 45.631.926/000113 Código da Receita: 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa Retenção efetuada por Órgão / Entidade da Administração Pública: NÃO Valor 1.282,06 0003.CNPJ da Fonte Pagadora: 51.422.921/000183 Código da Receita: 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa Retenção efetuada por Órgão / Entidade da Administração Pública: NÃO Valor 2.624.590,79 0004.CNPJ da Fonte Pagadora: 60.855.574/000173 Código da Receita: 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa Retenção efetuada por Órgão / Entidade da Administração Pública: NÃO Valor 3.325,99 Total 2.629.199,72 Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 10825.901978/201373 Resolução nº 1302000.620 S1C3T2 Fl. 2.468 7 O presente julgamento diz respeito à pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.629.199,72 (dois milhões, seiscentos e vinte e nove mil, cento e noventa e nove reais e setenta e dois centavos), apurado no anocalendário 2008 por Companhia Agrícola Luiz Zillo e Sobrinhos, CNPJ nº 45.036.647/000101, decorrente de IRRF retido no recebimento de rendimentos de debêntures lançadas por empresa do mesmo grupo econômico, tendo sido sucedida pela Companhia Agrícola Quatá. Consta, também, que a Empresa, dedicada à atividade rural (portanto sem a trava de 30%), compensou prejuízos fiscais de exercícios anteriores com um excedente de R$3.868.711,33 (fl. 110). Destaco, inicialmente, que o Despacho Decisório (DD) apresenta aparente imprecisão quanto à consideração ou não do prejuízo fiscal a menor, levandose em conta que aumentaria o imposto a pagar, embora influencie o resultado na apuração da base de cálculo. Assim se manifesta o DD: Fica claro, portanto, que as operações realizadas apenas tiveram como objetivo a economia fiscal, estando desprovidas de substrato negocial que as justifique, sendo assim inoponíveis ao Fisco, razão pela qual os valores referentes a remuneração percebida em decorrência de aludidas operações serão excluídos do lucro líquido (R$ 18.964.610,76, dos quais R$ 16.014.610,76, referemse a Participação nos lucros s/ aquisição debêntures (conta contábil 0035001158) e R$ 2.950.000,00, referemse a Juros sobre as debêntures (conta 0035001107)), com a consequente glosa do IRRF a eles correspondentes (R$ 2.624.590,79). Impende consignar que a contribuinte efetuou compensação de prejuízos fiscais da atividade rural de anos anteriores com a totalidade do lucro do anocalendário sob apreço, no valor de R$ 17.854.995,70. No entanto, conforme consulta aos sistema da RFB (fls. 108/110), cujos dados são lastreados pelas informações prestadas pela interessada nas DIRPJ/DIPJ, a contribuinte possuía um saldo de prejuízos fiscais de R$ 13.986.284,37 para utilização no anocalendário de 2008, inferior, portanto, ao valor utilizado na ficha 09A da DIPJ/2008 (R$ 17.854.995,70), o que reduziu indevidamente o lucro real e, consequentemente, o imposto de renda devido. Tendo em vista todo o exposto, não há como reconhecer o saldo negativo pleiteado, haja vista que não se reveste da liquidez e certeza necessárias ao seu reconhecimento, conforme disposto pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) pelo que se propõe a não homologação das compensações solicitadas. O DD considera que o crédito apresentado na DComp não se coaduna com o crédito líquido e certo descrito no artigo 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Todos os recolhimento de fonte são confirmados às folhas 1459 a 1468. Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 10825.901978/201373 Resolução nº 1302000.620 S1C3T2 Fl. 2.469 8 A glosa do IRRF relativo às operações com debênture, qual seja, no valor de R$2.624.590,79, como expressamente consignado no DD, por si só, não tornaria ilíquido o crédito da Recorrente, uma vez que restariam incólumes os outros três impostos recolhidos na fonte, sobre os quais o DD silencia. A compensação de prejuízos excedente foi objeto de lançamento, controlado no processo 10825.720191/201221, cientificado em 30 de janeiro de 2012, impugnado e pendente de julgamento na primeira instância. Nele é consignado que a Recorrente compensou prejuízos da atividade rural em montante superior ao saldo desse prejuízo, no anocalendário de 2008. O valor do excesso é exatamente o referido no DD: R$3.868.711,33 (diferença entre o prejuízo compensado R$17.854.995,70 e o saldo R$13.986.284,37). Assim, temos valores concretos, definidos antes de exarado o Despacho Decisório (datado de 2015), conforme o DD: o IRRF que deveria ser glosado, uma vez que decorrente de operação simulada dentro de um grupo econômico e o prejuízo compensado em montante superior ao saldo já objeto de lançamento. Sobre a operação com debêntures, os rendimentos obtidos pela Recorrente, como adquirente dos títulos, não foram glosados em nenhum procedimento fiscal, tendo sido oferecidos à tributação e compensados à integralidade com prejuízos da atividade rural. Na emitente das debêntures foi suprimida a eficácia dos efeitos da operação, tendo sido glosadas as despesas por meio de autos de infração, já julgados no CARF. A existência, contudo, do lançamento relativo ao excesso de prejuízo retira a certeza do crédito, haja vista que a regularidade da utilização do valor do prejuízo fiscal considerado excedente ao saldo pende de auto de infração ainda não julgado e, dependendo do resultado, adimplido. Assim, entendo que este processo deva ser sobrestado até o julgamento do processo nº 10825.720191/201221, que trata do lançamento relativo ao prejuízo fiscal compensado a maior. Considerando que o processo 10825.720191/201221 está no SECOJ da DRJ de Ribeirão Preto, este processo deve ser encaminhado àquela Unidade para ser juntado por apensação. Após o julgamento de primeira instância do processo 10825.720191/201221, com interposição de Recurso Voluntário ou transitado em julgado, os dois processos devem ser encaminhados a esta Turma Ordinária para prosseguimento. Feitas estas considerações voto por converter o julgamento em diligência para sobrestar o julgamento do presente processo, que deve ser encaminhado à DRJ de Ribeirão Preto para juntada por apensação ao processo 10825.720191/201221. Após o julgamento deste último processo, com Recurso Voluntário ou transitado em julgado, devem ser, os dois, encaminhados a esta Turma Ordinária para prosseguimento. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 2469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13894.720170/2013-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 72 01 70 /2 01 3- 61 Fl. 58DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0363.503 da 4ª Turma da DRJ/BSB, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos para com a Secretaria da Receita Federal, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: É tempestiva e atende aos demais requisitos legais de admissibilidade a manifestação de inconformidade manejada pelo interessado, razão por que merece ser conhecida. Acerca dos procedimentos para se efetuar a opção de ingresso ao Simples Nacional, temse, no campo infralegal, a Resolução CGSN nº 94/2011: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção. A DRF de origem traz aos autos, telas de sistemas da RFB (fls. 29 a 31) que permitem verificar que o débito previdenciário 407791477 estava incluído em parcelamento ao término do prazo regulamentar. Pesquisas nos sistemas da RFB (fls. 39 a 41) permitem verificar que o débito de natureza não previdenciária PA 16/04/2010 foi quitado em 30/01/2013. Quanto ao débito de natureza previdenciária de competência 11/2012, telas de sistemas da RFB (fls. 36 a 38) permitem verificar que só foi regularizado em 19/02/2013. Sendo assim, em vista dos elementos contidos nos autos, não se comprovou a plena regularização das pendências que motivaram Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13894.720170/201361 Acórdão n.º 1001000.412 S1C0T1 Fl. 3 3 o indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013 no prazo regulamentar (31/01/2013). Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade e, no mérito, julgála improcedente. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto n° 70.235/72 e, portanto, dele eu conheço. A Recorrente, em seu Recurso Voluntário, em preliminar, apenas reitera o seu pedido de permanência no Simples Nacional, porém, não trouxe aos autos provas da regularização das pendências, apontadas no Termo de Indeferimento, no prazo legal. Ao contrário, na descrição dos fatos, afirma que efetuou o recolhimento de um débito previdenciário em 19/02/2013, portanto, após o prazo legal que era 31/01/2013, tal como apontado pela DRJ em sua decisão, como acima transcrita. De acordo com o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Consequentemente, mantenho integralmente a decisão da DRJ e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Recurso voluntário negado, sem crédito em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 60DF CARF MF 4 Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12893.000071/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.INEXISTÊNCIA.
Deixa-se de acolher os embargos de declaração apresentados pelo embargante, quando não comprovada a existência do alegado vício de omissão no Acórdão embargado.
Numero da decisão: 3302-005.410
Decisão: Embargos Rejeitados.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.INEXISTÊNCIA. Deixa-se de acolher os embargos de declaração apresentados pelo embargante, quando não comprovada a existência do alegado vício de omissão no Acórdão embargado.
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decisao_txt : Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
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OMISSÃO.INEXISTÊNCIA. Deixase de acolher os embargos de declaração apresentados pelo embargante, quando não comprovada a existência do alegado vício de omissão no Acórdão embargado. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 00 71 /2 00 7- 69 Fl. 249DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Embargos opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3403002.929, proferido em 24/04/2014, pela 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2002 PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS.APLICAÇÕES DAYTRADE.JUROS ATIVOS. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. ALUGUEL. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Não configuram receita da venda de bens e serviços, assim não se submetendo à incidência de PIS/Cofins, as receitas financeiras tais como ganhos com operações daytrade, juros ativos e variações monetárias ativas , além de descontos incondicionais obtidos e de receitas de aluguel, quando o objeto social não alcança a atividade locatícia. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE.IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Na apuração da base de cálculo da Cofins não se pode excluir o valor do ICMS pago pelo contribuinte, pois o valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito ao PIS/Cofins, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda. Precedentes deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça. A possibilidade de se excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins pelo argumento de obediência ao conceito constitucional de faturamento, previsto no art. 195, II da Constituição, exigiria pronunciamento quanto à constitucionalidade das leis de regência, o que extrapola a competência do Conselho (Súmula CARF nº 2). Encontrase em andamento o julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785 e da ADC nº 18, não se podendo dizer que já exista decisão do Supremo Tribunal Federal quanto ao tema. Recurso parcialmente provido Fl. 250DF CARF MF Processo nº 12893.000071/200769 Acórdão n.º 3302005.410 S3C3T2 Fl. 342 3 Argui a embargante, vício de omissão nos seguintes termos: Pelo exame do Acórdão 3403002.929, constatase a existência de omissão, pois a e. 3ª Turma Ordinária não se pronunciou sobre a prescrição do pedido de restituição feito pela contribuinte. O contribuinte efetuou recolhimento a maior de Cofins em 30/04/2002, mas somente em 09/05/2007 protocolou o pedido de restituição. Convém destacar que o STF, no RE 566.621/RS, reconheceu a aplicação do prazo prescricional de dez anos somente para os pedidos de restituição ajuizados antes do início de vigência da LC nº 118/2005. Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 246/248, com fundamento no art. 65, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o presidente da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, reconheceu a procedência do alegados vício de omissão, nos seguintes termos: Interpretando o disposto na Lei Complementar nº 118/05, a Suprema Corte definiu que o prazo decadencial de cinco anos para o pedido de restituição aplicase para as ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005. Tratase de uma decisão de observação obrigatória pelas turmas do CARF e que pode afetar a deslinde deste processo. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de omissão. Da inexistência de prescrição A matéria suscitada pela embargante foi decidida pela CSRF, a exemplo dos Acórdãos nºs 9303001.831, 9303001.845, 846 e 847, de 02/02/2012 e 9900000.943, 09/12/2014. Nesse sentido trago à colação o voto do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, exarado no Acórdão nº 9900000.943, de 09/12/2014: Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Fl. 251DF CARF MF 4 Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido.(grifei). Ocorre que o pedido de restituição foi apresentado em 09/05/2007, fl.02, relativo à Contribuição para o Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), referente ao período de apuração de abril/2002. Nesse mister, verificase dos autos os seguintes dados, conforme demonstrativo de fl. 05: Os dados acima demonstrados indicam não assistir razão a embargante, visto que a data referida pela embargante de 30/04/2002, como sendo do recolhimento da citada contribuição, na realidade corresponde ao período de apuração. Ademais, constatase que sendo o vencimento em 15/05/2002 e tendo sido efetuado o pedido de compensação em 14/05/2002, por meio de compensação, fl.04, não houve prescrição do presente pedido de restituição, protocolado em 09/05/2007. Diante do exposto, voto por rejeitar os presentes embargos, por não restar configurada a omissão suscitada. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000192/2009-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 92 /2 00 9- 43 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 219 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403002.826, prolatado pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 06 de novembro de 2014 (efls. 174 a 182). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 LUCRO DISTRIBUÍDO. NÃO INCIDÊNCIA. O lucro regularmente distribuído não se sujeita à tributação par a previdência social. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) determinar a exclusão dos valores referentes ao Levantamento "CLD Crédito Lucro Distribuído"; (ii) determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 10/03/2015 (efl. 183) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresentou, em 16/03/2015 (e fl. 194), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 184 a 193). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF em 07/05/2009, no âmbito do Acórdão no. 240100.127, bem como em relação ao decidido, em 04/02/2009, no Acórdão no. 20601.782, Fl. 219DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 220 3 de lavra da 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, de ementas e decisões a seguir transcrita: Acórdão 240100.127 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas ate a competência 11/2000; II) Por Fl. 220DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 221 4 maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei no. 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Acórdão 20601.782 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA RETROATIVIDADE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 222 5 Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para adequar o valor da multa ao disciplinado pela MP n° 449/2008. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; c) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no Fl. 222DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 223 6 lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto às matérias, para reformar o acórdão recorrido, no ponto impugnado. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 196 a 202. Cientificada a autuada em 07/04/16 (efls. 206), esta quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. O feito foi colocado em pauta, na sessão de 27 de fevereiro de 2018, tendo se decidido, ali, sentido de converter o julgamento do recurso em diligência (Resolução no. 9202 000.185) , para que o processo fosse apensado ao de n°. 18088.000189/200920, que trata de obrigação principal, de cujo deslinde dependia o presente, e se encontrava em prazo de interposição recursal pelo contribuinte, após ciência de Acórdão oriundo da 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara desta Seção (Acórdão 2403002.828, de 06/11/2014). De se notar que o lançamento de obrigação principal mencionado, a que este processo se vincula (Proc. 18088.000189/200920), foi ali mantido quanto ao valor principal, já tendo sido, este valor, agora, após o esgotamento do prazo recursal supra sem manifestação da autuada, objeto de trânsito em julgado administrativo. Assim, a esta altura, não há óbice a que se proceda o julgamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo à sua análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia Fl. 223DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 224 7 intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que Fl. 224DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 225 8 mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 225DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 226 9 inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o Fl. 226DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 227 10 defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 227DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 228 11 devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos da redação do artigo 32A da Lei no. 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Fl. 228DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 229 12 Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as Fl. 229DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 230 13 prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de Fl. 230DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 231 14 infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, limitado o somatório destas com as aplicadas no lançamento da obrigação principal vinculada ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a Fl. 231DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Acórdão n.º 9202006.879 CSRFT2 Fl. 232 15 sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 232DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.002214/96-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.744
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo.
Relatório
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèroulède - Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèroulède Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório do acórdão do Recurso Especial de fls.652663: Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em violação à legislação tributária. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, para a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com fundamento em auditoria de produção. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 02 21 4/ 96 -5 4 Fl. 901DF CARF MF Processo nº 13819.002214/9654 Resolução nº 3302000.744 S3C3T2 Fl. 3 2 Nos termos do relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento: “Segundo o termo de verificação fiscal (fls. 98/102), a descrição dos fatos de fl.s 106, os demonstrativos de fls. 273/300, e o Termo de Rerratificação de fls. 304/306, a fiscalização, através de auditoria de produção no ano de 1994, constatou que nos meses de maio, junho, julho e outubro, o consumo registrado de monômero de estireno (insumo básico) foi superior ao quantitativo, em quilos, efetivamente consumido na produção de poliestireno (produto acabado), fato que caracteriza saída de produtos tributados sem emissão de nota fiscal (omissão de receitas). Nos demais meses, foi verificado insuficiência de matériaprima (monômero de estireno) em relação ao consumo realizado, o que significaria compras de insumo sem o devido registro. Neste processo, cuja a exigência referese ao IPI, foram lançados somente os impostos relativos as omissões de receitas ocorridas em maio, junho, julho e outubro de 1994, ou seja, naqueles meses em que se constatou excesso de matériaprima em relação as saídas de produtos acabados.” No caso, o contribuinte foi autuado. Apresentou impugnação (fls. 114/122) e laudo (fls. 238/243). A Delegacia da Receita Federal de Campinas, às fls. 268/271 dos autos propôs diligência, suscitando uma série de pontos, no auto de infração, dos quais assomavam questões a serem esclarecidas. Lavrouse, então, Termo de Rerratificação de Auto de Infração (fls. 304/306). Às fls. 312/313 dos autos, consta respostas às dúvidas suscitadas pela DRJ/Campinas. O contribuinte apresentou nova impugnação às fls. 320/330 dos autos, e novo Laudo da empresa Ernest & Young, às fls. 333/339. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 355/363, julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1994 Ementa: NULIDADE. OFENSA AO DIREITO CONSTITUCIONAL DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O direito ao contraditório e à ampla defesa é garantido nos processos administrativos, que se iniciam somente com a lavratura do auto de infração e abertura do prazo para impugnação. Durante os procedimentos de fiscalização, não há ofensa a este direito, visto que ainda não se instaurou o processo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1994 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 902DF CARF MF Processo nº 13819.002214/9654 Resolução nº 3302000.744 S3C3T2 Fl. 4 3 Anocalendário: 1994 Ementa: AUDITORIA DE PRODUÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. O levantamento da produção por elementos subsidiários (matériaprima), a partir da técnica de auditoria de produção, é procedimento legitimo, previsto na lei de regência do imposto. Uma vez apurado um excesso de matériaprima registrada, em relação ao consumo efetivo no processo industrial, partindose de dados fornecidos pela própria contribuinte, fica a diferença correspondente caracterizada como omissão de receitas operacionais, realizadas à margem da escrita contábilfiscal regular, por meio de vendas de produtos sem registro. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Se as premissas em que se assentam a auditoria de produção foram informadas pela empresa ou se retiradas de seus livros fiscais, a esta cabe o ônus da prova para que possam ser retificados. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 373/388 dos autos. A antiga Terceira Câmara do Segundo Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 402/410) deu provimento ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. O recebimento de intimações procedidas por agentes fiscais, e atendimento destas por parte do contribuinte, permite ao mesmo precisar o andamento da ação fiscal, bem como prever seus desdobramentos, inocorrendo, em tal situação, nulidade nos trabalhos de apuração, descabendo argüição em tal sentido pautada no artigo 345 do RIPI/82. Preliminar rejeitada. IPI. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. APURAÇÃO QUE DESCONSIDEROU A SISTEMÁTICA DE INDUSTRIALIZAÇÃO OBSERVADA PELA EMPRESA. INVALIDADE DO TRABALHO FISCAL. A auditoria de produção deve considerar, fidedignamente, o modo de operação/industrialização praticado por determinada empresa cuja produção é auditada, sob pena de proceder a levantamento de fatos incondizentes à realidade da fábrica. A desconsideração do processo de industrialização praticado pela empresa, ou a adoção de modelo distinto na auditoria de produção, invalida toda a apuração tributária baseada em tal expediente. Recurso provido. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração às fls. 412/413, os quais restaram rejeitados. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 422/427 dos autos. Suscitou violação ao artigo 108 da Lei n° 4.502/64. Segundo a recorrente: Como se vê, a conclusão da Câmara a quo pela ilegitimidade da auditoria de produção se baseou na interpretação de que esse procedimento "não se pode apresentar lastreado em apenas um item empregado na fabricação de certo produto" (fl. 408). (...)Depreendese do dispositivo supratranscrito que não há exigência legal no sentido de que sejam analisadas matériasprimas de diversas espécies. Dita exigência, Fl. 903DF CARF MF Processo nº 13819.002214/9654 Resolução nº 3302000.744 S3C3T2 Fl. 5 4 aliás, seria disparatada, porquanto, no processo de polimerização, basicamente uma única matériaprima é utilizada. O polímero é, portanto, o resultado da união de monômeros. Assim sendo, a auditoria de produção de um polímero deve justamente se ater aos monômeros, não tendo sentido levarse em consideração qualquer outra matériaprima. A hipótese dos autos cuida do polímero poliestireno, formado basicamente a partir do encadeamento de diversas cadeias de monômero de estireno, de modo que a interpretação adotada pela Corte é, com a devida vênia, incoerente com a lógica do processo de produção sob análise. Tanto é assim que, no laudo apresentado pela recorrida, esta se limita a afirmar que a movimentação de apenas um insumo "distorce, substancialmente a apuração, conforme demonstrado no Anexo' E" (fls. 337); contudo, nem o anexo E de fl. 345 nem qualquer informação constante dos autos socorrea. De fato, não demonstrou a proporção dos demais insumos na formação do poliestireno. Por outro lado, a administração fiscal comprovou, à fl. 78, que o monômero de estireno, nos termos acima explicitados, "representa mais de 90% do peso total de matériaprima aplicada nos produtos, tendo, portanto, representatividade suficiente para embasar o trabalho de auditoria fiscal" (acórdão de primeira instância, à fl. 362). Desta forma, postulou pela reforma do acórdão recorrido. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 462/477. Postulou pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda. Argumentou que, no mérito, na decisão recorrida, em verdade, não houve julgamento por maioria de votos, é dizer, não houve divergência sobre a solução de mérito, mas apenas no que tange à conversão do julgamento em diligência. A decisão proferida pela CSRF deu provimento parcial ao Recurso Especial para determinar o retorno dos autos à esta Câmara para que seja decidido se o montante exigido é ou não correto, bem como apreciar as demais matérias suscitadas pela Recorrente que não foram objeto de análise. Às fls. 803804 consta petição da Recorrente requerendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso III, do artigo 151, do CTN e, informando que no Relatório de Situação Fiscal consta erroneamente a informação de que o débito está "EM NEGOCIAÇÃO DE PARCELAMENTO", quanto deveria constar "SUSPENSO" em razão da pendência de julgamento. Juntou o citado relatório às fls. 855 e ss. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 904DF CARF MF Processo nº 13819.002214/9654 Resolução nº 3302000.744 S3C3T2 Fl. 6 5 O recurso voluntário interposto pela devedora solidário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe notícia que no Relatório de Situação Fiscal consta erroneamente a informação de que o débito está "EM NEGOCIAÇÃO DE PARCELAMENTO", quanto deveria constar "SUSPENSO" em razão da pendência de julgamento, gerando dúvida quanto a existência ou não de parcelamento. Neste ponto, ressaltase que havendo parcelamento dos créditos ficam os órgãos administrativos julgadores impedidos de julgar impugnações e recursos apresentados pelos contribuintes. Assim, entendo por bem baixar o presente processo em diligência para que a unidade de origem verifique se todos os débitos objeto dos autos estão parcelados e, qual a data do parcelamento realizada pelo contribuinte. Após, retornese os autos à este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Fl. 905DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.727336/2009-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.727006/2009-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.727006/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 36 /2 00 9- 30 Fl. 279DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, para exigência de crédito tributário, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA julgado a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento, prolatandose com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso”. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, que interpôs, tempestivamente, o presente Recurso Especial, objetivando a reforma do acórdão recorrido em relação à incidência de IRPF sobre diferenças de URV pagas aos magistrados da Bahia. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade exarado pelo Presidente da Câmara. A recorrente afirma que o acórdão recorrido, ao isentar do IRPF verbas referentes às diferenças de URV pagas aos magistrados do Estado da Bahia, ofende os artigos 111 do CTN e 150, §6º da Constituição Federal e ressalta que a legislação que dispor sobre isenção deve ser interpretada literalmente, como também a necessidade de lei específica para concessão de isenção. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10580.727336/200930 Acórdão n.º 9202006.500 CSRFT2 Fl. 3 3 Salienta que os rendimentos objeto do presente lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003, que em seu art. 2º dispõe sobre “diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade real de Valor – URV”; conversão esta realizada mês a mês no período de abril de 1994 a agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário, portanto, de natureza eminentemente salarial. Argumenta que o entendimento de que haveria isenção sobre esses valores com base na resolução nº 245/2002 (que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais) não pode prosperar, uma vez que tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos membros da Magistratura Estadual, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Lembra ainda que o artigo 111 do CTN dispõe que todo dispositivo legal que trate de isenção, suspensão, exclusão de crédito tributário deve receber interpretação restritiva; e portanto, descabido conferir às leis mencionadas alcance que não contêm. Cientificada do Acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, a contribuinte apresentou, tempestivamente, suas contrarrazões. Em suas contrarrazões, a contribuinte cita o artigo 150, inciso II da Constituição Federal e ainda argumenta: · Diz que tal dispositivo tratase do Princípio da Isonomia e visa a garantia do indivíduo, evitando perseguições e favoritismos; e que está sendo violado em casos como o presente quando a PGFN promove ações judiciais contra os Magistrados e membros do Ministério Público do Estado da Bahia, deixando de lado os casos dos Magistrados Federais. Acrescenta que não é razoável confirmar a isenção para os servidores da alçada federal e não para os da alçada estadual, quando é sabido que a lei da Magistratura é única. · Traz doutrinas de juristas de renome que tratam do tema, como também um julgamento recente do STJ, do Resp nº 1187109 de relatoria da Ministra Eliana Calmon, que entendeu pela aplicabilidade da resolução nº 245 do STF também para os magistrados estaduais. · Ressalta que as decisões divergentes colacionadas pela Procuradoria da Fazenda, ao desconsiderarem a lei Estadual por entenderem que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica (§6º do art. 150 da CF/1988), nada mais fizeram que apreciar a in(constitucionalidade) da Lei Estadual, uma vez que afastou sua aplicabilidade por considerála incompatível com dispositivo da Constituição Federal, o que é expressamente vedado pelo art. 62 do RICARF. · Acrescenta que, ainda que tenha prevalecido o fundamento de que a legislação estadual não seria competente e legítima para versar sobre norma de isenção relativa a imposto federal, a sua aplicação deveria ter sido preservada, até para preservar a segurança jurídica entre o Fisco e o Cidadão; até porque o controle de constitucionalidade é instituto do direito para o qual se prevê procedimento específico, Fl. 281DF CARF MF 4 sendo o CARF órgão absolutamente incompetente para apreciar a (in)constitucionalidade de uma lei. · Argumenta que cabia à Fazenda Nacional ajuizar uma ADI, nos termos do art. 102, I, “a” da Carta Magna, mas jamais proceder como fez, desconsiderando Lei estadual válida e eficaz. · Afirma que o acórdão recorrido, ao dar provimento ao Recurso Voluntário, aplicando a resolução nº 245 do STF, acertadamente reconheceu a natureza indenizatória das verbas recebidas a título de URV pela ora Recorrida · Por fim, salienta que, caso o recurso da Procuradoria seja provido no mérito, o lançamento deverá ser revisto, uma vez que foi feito em uma base de cálculo completamente inadequada: ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de URV recebido, a fiscalização deveria ter refeito as três DIRFs (2004, 2005 e 2006) da Contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores de imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos. Isto porque, como é sabido, a legislação do imposto de renda prevê a declaração de ajuste anual, onde o Contribuinte tem a possibilidade de excluir da base de cálculo do tributo determinadas parcelas isentas, passando normalmente a ter imposto a restituir no exercício seguinte. E mais ainda: ao importar os valores apresentados pelo Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária do Tribunal de Justiça da Bahia – IPRAJ para os cálculos trazidos no “Demonstrativo do Imposto de Renda Apurado”, a fiscalização levou em consideração todo o valor recebido pelo contribuinte (URV, juros e correção); e da mesma forma que não há incidência de Imposto de Renda sobre o pagamento de URV (por ser verba de natureza indenizatória), o entendimento da doutrina e da jurisprudência é de que não incide IR sobre os juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.493, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10580.727006/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.493): Pressupostos de Admissibilidade Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10580.727336/200930 Acórdão n.º 9202006.500 CSRFT2 Fl. 4 5 O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Delimitação da Lide Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Magistratura da Bahia. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF N 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Embora o recorrente entenda ter a turma a quo acertado na decisão proferida, colacionando outros argumentos para reforçar a tese, entendo que não seja a interpretação mais acertada, conforme exposto a seguir. Competência para legislar sobre IR Primeiramente, conforme descrito no acórdão a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse Fl. 283DF CARF MF 6 necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...] § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subssume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da devida correção salarial decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia), face a competência instituída pelo texto constitucional. Incidência sobre valores de diferenças de URV Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subsequentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.727336/200930 Acórdão n.º 9202006.500 CSRFT2 Fl. 5 7 Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Fl. 285DF CARF MF 8 Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerando o como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.727336/200930 Acórdão n.º 9202006.500 CSRFT2 Fl. 6 9 compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Fl. 287DF CARF MF 10 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. "No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.727336/200930 Acórdão n.º 9202006.500 CSRFT2 Fl. 7 11 indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988." Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Quanto a necessidade de prévia declaração de inconstitucionalidade da lei estadual. Quanto a argumentação de que necessário, antes de efetivar ao lançamento, ter declarada a inconstitucionalidade da lei Estadual, entendo não ser esse o melhor entendimento aplicável. Conforme acima esclarecido a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Contudo, não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de´contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Magistrados da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, afasto a argumentação, de que necessário primeiramente declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como Fl. 289DF CARF MF 12 isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Quanto as demais questões trazidas em sede de contrarrazões deixou de apreciálas, considerando a existência de outros argumentos trazidos ainda em sede de recurso voluntário, mas não apreciados pela turma a quo frente ao encaminhamento do relator de no mérito dar provimento ao recurso. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 290DF CARF MF
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