Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19740.000408/2008-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/01/1999
LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL DECADÊNCIA. INOVAÇÕES NO LANÇAMENTO.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos.
Numero da decisão: 9202-006.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1996 a 31/01/1999 LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL DECADÊNCIA. INOVAÇÕES NO LANÇAMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19740.000408/2008-10
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5871884
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.680
nome_arquivo_s : Decisao_19740000408200810.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 19740000408200810_5871884.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7335111
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310136561664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1615; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000408/200810 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202006.680 – 2ª Turma Sessão de 17 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente BOLSA DE VALORES DO RIO DE JANEIRO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/01/1999 LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL —DECADÊNCIA. INOVAÇÕES NO LANÇAMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 08 /2 00 8- 10 Fl. 987DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2401002.483, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito tributário (AI n° 37.179.5583) pertinente às contribuições previdenciárias relativas à rubrica segurados. O valor do presente lançamento é de R$ 89.818,00, consolidado em 01 de setembro de 2008. A apuração deuse com base no instituto da solidariedade paritária, previsto no art. 31 da Lei n° 8212/91, decorrente da execução de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa LINARI ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA, CNPJ 01.101.681/000147, uma vez que a contratante não comprovou o escorreito cumprimento dos deveres jurídicotributários substanciais da contratada. O Auto de Infração tem por objetivo o de substituir em parte a NFLD n° 35.005.8423, julgada nula por vício formal em decisão proferida pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, por meio do acórdão n° 2492, de 25/10/2005. O Contribuinte apresentou impugnação às fls. 96/122. A 13ª Turma DRJ/RJ1, às fls. 815/825, julgou parcialmente procedente o lançamento, para considerar devido o crédito tributário nos termos da nova composição de valores exposta no Demonstrativo Analítico do Débito Retificado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 858/907. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 916/927, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/01/1999 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.° 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 19740.000408/200810 Acórdão n.º 9202006.680 CSRFT2 Fl. 10 3 LANÇAMENTO CONTENDO CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. SANEAMENTO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DENULIFICAÇÃO DO CRÉDITO. Verificandose a exigência de contribuições improcedentes, deve o órgão de julgamento afastálas, mantendo o crédito na parte cobrada regularmente, não havendo necessidade de nulificação integral do crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1996 a 31/01/1999 LANÇAMENTO NULIFICADO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DE DECADÊNCIA. Declarada a nulidade do crédito por vício formal, a Fazenda dispõe de cinco anos para reconstituílo, prazo esse contado da data da decisão anulatória, não tendo o mesmo qualquer relação com a ocorrência dos fatos geradores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/01/1999 DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DEOBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora. LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GUIAS DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO/NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ESPECÍFICA. Na apuração da responsabilidade solidária do tomador para com o prestador do serviços executados mediante cessão de mãodeobra, somente são admitidas, para efeito de aproveitamento, as guias de recolhimento inequivocamente vinculadas ao serviço prestado. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. As empresas optantes pelo SIMPLES são obrigadas a reter e recolher à Seguridade Social a contribuição dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Negado Às fls. 934/974, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: correta aplicação do comando do Fl. 989DF CARF MF 4 CTN, art. 173, inciso II. Afirma que o presente lançamento é um novo lançamento e não um lançamento substitutivo do anteriormente anulado, por vício formal. O fisco inovou nas bases de cálculo e consequentes contribuições apuradas, não só nos seus valores, mas também nos critérios de mensuração e de identificação dos fatos geradores vinculados em comparação a tais elementos extrínsecos à anulada NFLD. Entende que o correto seria a decisão de primeira instância administrativa cancelar o novo lançamento para que um verdadeiramente substitutivo ao anteriormente anulado fosse constituído. Porém, a decadência, mesmo na forma do inciso II do art. 173 do CTN deveria ser aplicada, posto ter decorrido mais de cinco anos daquela decisão de nulidade. Ressalta a divergência entre os julgados: enquanto o acórdão recorrido entendeu como possível que um novo lançamento seja transformado em um lançamento substitutivo, apenas com alteração do seu valor final apontado como devido, o acórdão paradigma determina o cancelamento do lançamento, não se prestando para remendar o lançamento para tentar passálo como se substitutivo do anteriormente anulado fosse. Diz que da leitura do acórdão paradigma, bem se percebe que não basta, apenas, serem os valores finais lançados mensalmente como devidos, similares. Ambos os lançamentos como um todo (o anulado por vício formal e o que o substitui), observados todos os elementos intrínsecos que os compõem, devem ser idênticos para se configurar um como substitutivo do outro. Às fls. 971/974, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência relativa à contagem do prazo decadencial, previsto no art. 173, II do CTN no caso de autuação decorrente de lançamento anterior, anulado por vício formal com inovações no lançamento. Às fl. 976/985, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ratificando os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito tributário (AI n° 37.179.5583) pertinente às contribuições previdenciárias relativas à rubrica segurados. O valor do presente lançamento é de R$ 89.818,00, consolidado em 01 de setembro de 2008. A apuração deuse com base no instituto da solidariedade paritária, previsto no art. 31 da Lei n° 8212/91, decorrente da execução de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa LINARI ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA, CNPJ 01.101.681/000147, uma vez que a contratante não comprovou o escorreito cumprimento dos deveres jurídicotributários substanciais da contratada. O Acórdão recorrido negou provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à interpretação da aplicação da decadência no caso de Fl. 990DF CARF MF Processo nº 19740.000408/200810 Acórdão n.º 9202006.680 CSRFT2 Fl. 11 5 autuação decorrente de lançamento anterior, anulado por vício formal com inovações no lançamento. A norma legal define que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos (nos casos em que este tenha superado o previsto no art. 173, I do CTN) Observo que no caso em tela o acórdão recorrido decidiu de forma arbitrária ao entender que todo lançamento deveria ser considerado decaído. Em havendo o segundo lançamento deve ser apenas parcialmente cancelado, de forma que somente a parte do lançamento referente aos fatos inovados deve ser considerada como decaída, devendo ser mantida a regra de decadência estabelecida pelo art. 173, II, do CTN para os demais fatos. E assim considero que somente a parte que se refere as inovações, para as quais se aplica o prazo decadencial original se encontram decaídas, conforme, inclusive pontuei em voto anteriores deste mesmo contribuinte quando se tratava de recurso Especial da Fazenda Nacional. Na hipótese dos autos assiste razão a DRJ quando pontuou que o lançamento deve ser lapidado nos termos do lançamento sobre o qual recaiu o reconhecimento de vício formal, sendo excluídos dele somente as inovações sobre as quais se aplicaria o prazo decadencial mais exíguo previsto no 173, I, do CTN. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pelo Contribuinte para no mérito negarlhe provimento. É como voto (assinatura digital) Ana Paula Fernandes. Fl. 991DF CARF MF 6 Fl. 992DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000335/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA DE RECURSO DE OFÍCIO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inteligência da Súmula n. 25 do CARF. A pretensão de redução da multa já foi atingida em primeira instância administrativa, tornando-se definitiva a decisão face a ausência de Recurso de Ofício.
INFORMAÇÕES Bancárias. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente, cuja origem não seja comprovada, presumem-se receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita.
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados.
ERRO DE DIREITO. LUCRO ARBITRADO. NÃO CABIMENTO.
O ato de exclusão teve efeitos à partir do exercício seguinte. não há o que se falar em erro de direito quando se interpretou a legislação aplicável nos moldes do que determina o CTN e, se exige do Recorrente o pagamento de tributo apurado nos moldes da sua escolha de tributação.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, COFINS E PIS. Solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, estende-se no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
SIMPLES. EXCLUSÃO. CABIMENTO.
Procedente o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples por restar comprovada a causa da exclusão, qual seja, o aferimento de receita bruta em montante superior ao limite previsto no regime unificado e simplificado.
Numero da decisão: 1401-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA DE RECURSO DE OFÍCIO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inteligência da Súmula n. 25 do CARF. A pretensão de redução da multa já foi atingida em primeira instância administrativa, tornando-se definitiva a decisão face a ausência de Recurso de Ofício. INFORMAÇÕES Bancárias. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente, cuja origem não seja comprovada, presumem-se receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. ERRO DE DIREITO. LUCRO ARBITRADO. NÃO CABIMENTO. O ato de exclusão teve efeitos à partir do exercício seguinte. não há o que se falar em erro de direito quando se interpretou a legislação aplicável nos moldes do que determina o CTN e, se exige do Recorrente o pagamento de tributo apurado nos moldes da sua escolha de tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, COFINS E PIS. Solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, estende-se no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. CABIMENTO. Procedente o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples por restar comprovada a causa da exclusão, qual seja, o aferimento de receita bruta em montante superior ao limite previsto no regime unificado e simplificado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10976.000335/2010-34
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5867641
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.633
nome_arquivo_s : Decisao_10976000335201034.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIEL RIBEIRO SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10976000335201034_5867641.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7310550
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310141804544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 771 1 770 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.000335/201034 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.633 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria IRPJ e Reflexos Recorrente SBM SUCATA BERNARDO MONTEIRO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA DE RECURSO DE OFÍCIO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inteligência da Súmula n. 25 do CARF. A pretensão de redução da multa já foi atingida em primeira instância administrativa, tornandose definitiva a decisão face a ausência de Recurso de Ofício. INFORMAÇÕES Bancárias. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente, cuja origem não seja comprovada, presumemse receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 03 35 /2 01 0- 34 Fl. 771DF CARF MF 2 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. ERRO DE DIREITO. LUCRO ARBITRADO. NÃO CABIMENTO. O ato de exclusão teve efeitos à partir do exercício seguinte. não há o que se falar em erro de direito quando se interpretou a legislação aplicável nos moldes do que determina o CTN e, se exige do Recorrente o pagamento de tributo apurado nos moldes da sua escolha de tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, COFINS E PIS. Solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, estendese no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. CABIMENTO. Procedente o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples por restar comprovada a causa da exclusão, qual seja, o aferimento de receita bruta em montante superior ao limite previsto no regime unificado e simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 772 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG), que julgou parcialmente procedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, para manter em parte o crédito tributário exigido. Conforme Termo de Verificação Fiscal – “TVF” às fls. 37/46, “ de acordo com a documentação apresentada pela fiscalizada e com a movimentação bancária não justificada, apurouse uma diferença a menor entre os valores por ela declarados e tributados em sua DSPJ do anocalendário de 2006 e aqueles auferidos como receita tributável, consubstanciados nos lançamentos a seu favor em suas contas bancárias. De fato, a fiscalizada não tributou integralmente a base de cálculo do SIMPLES, sua receita bruta nos meses de 2006, motivo pelo qual lançouse de ofício o crédito tributário apurado” Ainda de acordo com o TVF, os atos praticados pela empresa fiscalizada constituemse de “crime contra a ordem tributária, previsto nos artigos 1°, incisos I e II e 2°, inciso I da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990, pela prestação de informações falsas à autoridade fazendária e por fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos e omitindo operações em documentos e livros exigidos pela lei fiscal, em virtude de haver movimentado vultosos valores em suas contas bancárias sem o correspondente lançamento em livros e registros obrigatórios e sem as necessárias tributações, caracterizando também, a sonegação e a fraude previstos em lei”. Ao compulsar dos autos, notase que “mediante processo de nº 10976000339/201012, juntado ao processo em epígrafe, a empresa foi excluída da opção pela sistemática de pagamento dos impostos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei 9.317/96, denominada SIMPLES, a partir de 01/01/2007, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/CON n° 116/2010”. As exigências tributárias referemse às supostas infrações a legislação tributária – “OMISSÃO DE RECEITAS”. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA” atinentes aos anoscalendário de 2004, 2006 e 2007, conforme crédito tributário lançado de ofício e indicados nas tabelas abaixo: IRPJ Principal R$78.712,97 Multa R$ 116.797,02 Fl. 773DF CARF MF 4 Juros R$ 32.735,31 Valor Total: R$ 223.245,30 CSLL Principal R$ 79.963,37 Multa R$ 118.645,26 Juros R$ 33.350,50 Valor Total: R$ 231.959,13 COFINS Principal R$ 234.694, 51 Multa R$ 348.228, 31 Juros R$ 97.900, 46 Valor Total: R$ 680.823,28 CONTRIBUIÇÃO INSS Principal R$ 676.453,92 Multa R$ 1.003.705,29 Juros R$ 281.917,36 Valor Total: R$ 1.962.076,57 PIS/PASEP Principal R$57. 598,39 Multa R$ 85. 465,91 Juros R$ 23. 958,22 Valor Total: R$ 167. 022,52 Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 773 5 DAS IMPUGNAÇÕES: No volume III, do processo principal, “fls. 480 a 667, encontram cinco peças impugnatórias, de igual teor, inclusive com a mesma numeração original consignada pela impugnante”. A IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA apresentada em 13/09/2010 (fls. 433/479) trouxe as seguintes razões: 1. DO ERRO QUANTO A FORMA DE TRIBUTAÇÃO: Aduz que “o lançamento está maculado por erro de direito que desqualifica totalmente a pretensão fiscal. Isso porque foi utilizada a forma de tributação pelo SIMPLES, quando a lei impõe o arbitramento do lucro”. E que “conforme o disposto nos artigos 193, 195, V, e 196, V, a fiscalizada deve ser excluída de ofício do SIMPLES a partir de janeiro de 2006, mês em que ocorreu a prática de infração à legislação tributária apontada, inclusive com multa qualificada (omissão de receita presumida a partir de depósitos bancários)”. 2. DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA: Afirma “que a forma de tributação utilizada, a. título de omissão de receitas com base em presunção legal (art. 42 da Lei n° 9.430/96), não da azo à aplicação da multa qualificada”. “O conceito de evidente intuito de fraude não se presume e escapa à simples omissão de rendimentos quando ausente conduta material bastante para sua caracterização, sendo injustificada a multa qualificada imposta”. (...) Nesse sentido, inadmissível a qualificação da multa de ofício em razão da suposta falta de comprovação da origem dos recursos depositados em conta corrente bancária, eis que se trata de simples presunção de omissão de receitas, não tendo sido comprovado o evidente intuito de fraude. Com efeito, não basta ao fisco entender presentes "fortes evidências de intuito de fraude": é preciso comproválo”. 3. DA FRAGILIDADE DAS BASES MATERIAIS DA AUTUAÇÃO: Diz que “são diversas as possibilidades de valores movimentados nas contas correntes que não caracterizariam rendimentos tributáveis, de forma que, para a validade da presunção, a Fazenda Pública deverá procurar outros elementos probatórios de que se trata de disponibilidade de riqueza nova, ou seja, de renda ou de proventos de qualquer natureza”. 4. Requereu o cancelamento do auto de infração impugnado. Fl. 775DF CARF MF 6 Da impugnação no processo apenso de exclusão do SIMPLES: 1. A impugnante discorre acerca DA ILEGALIDADE DA EXCLUSÃO RECEITA PRESUMIDA NÃO É RECEITA BRUTA, ao indagar “se a receita presumida com base em depósitos bancários pode ser considerada receita bruta para efeito da aplicação do limite previsto no art. 9°, II, da Lei n° 9.317/96. Entende que a resposta é negativa, confirmada, segundo seu entendimento, pela própria legislação do Simples. Transcreve a legislação que entende suportar O seu raciocínio, para concluir”: “Nesse sentido, inadmissível a exclusão do Simples em decorrências de recursos depositados em contacorrente bancárias, eis que se trata de simples presunção de omissão de receitas, a partir de tais depósitos, por falta de previsão legal para tanto. O art. 9”, inciso II, da Lei n” 9.317/96 não prevê como hipótese de exclusão do Simples a caracterização da presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários”. 2. Afirma ainda em seu tópico: A RECEITA PRESUMIDA APURADA No AUTO DE INFRAÇÃO NÃO É DEFINITIVA que a exclusão deve ser cancelada “tendo em vista que se questionou em processo próprio a legalidade do lançamento fiscal e que a legislação do Simples não prevê a exclusão do sistema enquanto não for definitivo o ato administrativo que apurou a suposta ultrapassagem do limite legal de receita bruta:” "Deve prevalecer à regra geral prevista no artigo 151 do CTN, segundo o qual as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos temos das leis reguladores do processo administrativo tributário. Portanto, apenas após o fim do processo administrativo do Auto de infração é que se poderá cogitar de uma "presunção de receitas " definitiva”. O Acórdão ora Recorrido (0229.657 – 4ª Turma da DRJ/BHE) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA QUALIFICADA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2006 . OMISSÃO DE RECEITAS. DEPOSITOS BANCARIOS CUJA ORIGEM NAO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 774 7 PIS/COFINS/CSLL e INSS TratandoSe de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa O procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 _ EXCLUSÃO DO SIMPLES. Procedente o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples por restar comprovada a causa da exclusão, qual seja, o aferimento de receita bruta em montante superior ao limite previsto no regime unificado e simplificado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “a exclusão foi levada a termo pela constatação de auferir receita bruta superior ao limite legalmente estabelecido e não pela constatação de prática reiterada de infração à legislação tributária como quer a impugnante. Por conseqüência, a exclusão somente pode surtir efeitos a partir do ano seguinte do excesso de receita, ou seja, 01 de janeiro de 2007, nos termos consignados no ADE 116/2010, em perfeita consonância com a legislação indicada nos atos administrativos constantes dos presentes autos”. Tendo constatado que “existem basicamente duas condutas consideradas impróprias: escrituração irregular e omissão de registro do movimento bancário, a possível justificativa para qualificação da multa pela constatação de escrituração irregular está de imediato, afastada. Resta, pois, a possibilidade pela omissão do registro do movimento bancário”. Reiterouse, portanto, “que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação e o fato desconhecido de auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas não declaradas”. Dessa forma, “tendo deixado de comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias arroladas nos autos, restou caracterizada a presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, de que os valores creditados advieram de receitas não oferecidas à tributação”. Acerca da exclusão do Simples, considerou a turma, “A fiscalização constatou que a impugnante movimentou em suas contas bancárias o montante de R$8.148.267,32. Regularmente intimada, não logrou comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Depois de efetuados os ajustes e exclusões, a fiscalização levou à tributação o valor que a impugnante não logrou comprovar a origem. Na Fl. 777DF CARF MF 8 fase de contestação, a impugnante tão somente apresenta uma relação de valores que entende devem ser excluídos”. Restouse decidido pela turma, julgar: 1. IMPROCEDENTE a impugnação contra a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. 2. PROCEDENTE EM PARTE, por força do afastamento da multa qualificada, a impugnação contra o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e tributos decorrentes, subsistindo, por consequência, a aplicação da multa de 75%. Ciente da decisão do Acórdão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 10/01/2011 (fls. 718/751), alegando praticamente as mesmas razões daquelas apresentadas em sede de impugnação administrativa, acrescentando apenas os seguintes parágrafos: 1. Afirma que “é absurda porque foi aplicada multa qualificada de 150% em todos os meses de 2006. Como aplicar multa, se não houve prática de infração à legislação? E, se atingiu todos os meses de 2006, não se tratou de prática reiterada?”. 2. Diz que “a peça fiscal, equivocadamente, tributou segundo a legislação do SIMPLES, quando na verdade deveria ter arbitrado o lucro. E, demonstrado que houve erro de direito no lançamento impugnado (erro na definição da legislação aplicável), ele deve ser cancelado pela autoridade julgadora, não cabendo sua alteração”. 3. No presente caso, “o lançamento está maculado por erro de direito que desqualifica totalmente a pretensão fiscal. Isso porque foi utilizada a forma de tributação pelo SIMPLES, quando a lei impõe, segundo os fatos narrados pelo autuante, o arbitramento do lucro”. 4. Diz que “se a fiscalizada, segundo a lei, deve ser excluída do SIMPLES a partir de janeiro de 2006 e ela não possui escrituração contábil e fiscal hábil para apuração do Lucro Real e a escrituração do livro Caixa também foi considerada imprestável, impõese como único procedimento legal”. 5. Aduz que “sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade, o que se deve tributar é a renda e não qualquer valor que porventura ingresse no Caixa da empresa ou em contas bancárias. Noutro giro, se adotado o lucro arbitrado, a cobrança não teria o vulto que alcançou especialmente quanto à Contribuição Para a Seguridade Social na sistemática do Simples, visto que se trata de empresa com pequeno contingente de empregados”. 6. Requereu a reforma do Acórdão recorrido e o cancelamento do auto de infração. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 775 9 Às fls. 752/766 em 11/01/2011 2º Recurso Voluntário quanto à exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2007, trazendo em seu bojo as seguintes razões: 1. PRIMEIRA RAZÃO: RECEITA PRESUMIDA NÃO É RECEITA BRUTA: Diz que “é inadmissível a exclusão do Simples em decorrência de recursos depositados em conta corrente bancária, eis que se trata de simples presunção de omissão de receitas, a partir de tais depósitos, por falta de previsão legal para tanto. A presunção de omissão de receita decorre de “uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal: necessariamente desconhecido” (Acórdão CC n° 106 14.512) Como se percebe, “presunção de receita” não é “receita bruta” tal como definida pela legislação tributária e, por isso, não autoriza a exclusão do Simples”. 2. A RECEITA PRESUMIDA APURADA NO AUTO DE INFRAÇÃO NAO E DEFINITIVA: Afirma que “a postura de excluir a impugnante do Simples com base em algo que ainda é incerto não encontra respaldo no princípio da moralidade administrativa, nem nas disposições da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal”. 3. A RECEITA PRESUMIDA APURADA NO AUTO DE INFRAÇÃO ESTÁ INCORRETA E NÃO EXCEDE O LIMITE: Aduz que no Auto de Infração, “o AuditorFiscal não retirou dos valores tributados a título de depósitos bancários, dentre outros, a receita da fiscalizada, que transitou pelas contas bancárias apontadas. Obedecendo ao conceito de renda referido no artigo 43 do CTN, base de cálculo do tributo, impõese fazer a exclusão do valor da receita já declarada e tributada, assim como também se impõe excluir outros valores que são apontados no recurso”; Da mesma forma, “devem ser excluídos os valores de notas promissórias descontadas, créditos relativos à concessão de empréstimo pela instituição financeira, além de transferências entre contascorrentes da pessoa jurídica e transferências entre agências (dinheiro), que, pela sua natureza, não representam renda tributável”. 4. Requereu a anulação do Despacho decisório de nº 1170/2010 da Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte, e a exclusão do Simples por ela promovida. É o relatório do essencial. Fl. 779DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Inicialmente cumpre ressaltar que, em que pese a DRJ tenha proferido um único Acórdão apreciando as duas impugnações do contribuinte, e o contribuinte tenha apresentado 2 recursos voluntários, assim como fez a DRJ, julgarei os dois recursos nesse mesmo Acórdão. Assim, passo à análise do Recurso Voluntário apresentado contra o presente lançamento fiscal. Como já acima exposto, da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado, a exceção da preliminar já analisada, constituise de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 776 11 partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida, na parte que se aplica uma vez que, a desqualificação da multa não é objeto de Recurso de Ofício e a exclusão do SIMPLES será analisado no processo próprio: A empresa toma ciência dos autos de infração em 17/08/2010 (fls. 30, 31, 52, 63 e 74) e apresenta sua impugnação em 14/09/2010 (fls. 423/658), acompanhada de documentos fls. 659/665. Repitase que se encontram cinco peças impugnatórias, de igual teor, inclusive com a mesma numeração original consignada pela impugnante de 01 a 47. Em 16/09/2010, conforme Aviso de Recebimento, de fls. 32, toma ciência do ADE DRF/CON n° 116/2010 e em 20/09/2010 apresenta sua impugnação, de fls. 33/47, acompanhada dos documentos de fls. 48/55, do processo juntado. Atendidos os pressupostos legais, tomase conhecimento das impugnações. A impugnante apresenta transcrições de julgados administrativos e judiciais. Ilá de se destacar que entendimentos exarados em decisões prolatadas pelo Judiciário, decisões administrativas e posições doutrinárias, mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados tributaristas, não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo nos termos do art. 100 do CTN. I DO LANÇAMENTO IRPJ E TRIBUTOS DECORRENTES LAVRADO NO PROCESSO PRINCIPAL 2.1 ERRO DE DIREITO A impugnante entende que o lançamento está maculado por erro de direito porque foi utilizada a forma de tributação pelo SIMPLES, “quando a lei impõe, segundo os fatos narrados pelo autuante, o arbitramento do lucro.” Destaca que: Pelos elementos arrolados na peça fiscal foi inclusive aplicada multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) para todos os meses de Fl. 781DF CARF MF 12 2006. Portanto, teria havido 'prática reiterada de infração à legislação tributária " em todos os meses do ano de 2006. Em face disso, conforme o disposto nos artigos 193, 195, V, e 196, V, a fiscalizada deve ser excluída de oficio do SIMPLES a partir de janeiro de 2006, mês em que ocorreu a prática de infração à legislação tributária apontada, inclusive com multa qualificada (omissão de receita presumida a partir de depósitos bancários). " Ocorre que em nenhum momento o autor do feito menciona “prática reiterada de infração à legislação tributária” que a impugnante entende deveria ser aplicada. Os artigos 193, 195 e 196 do RIR/99 e os artigos 23 e 24 da In SRF 355/2003, transcritos pela impugnante, sequer são mencionados em qualquer ato da autoridade tributária. A Representação Fiscal Para Fins de Exclusão do Simples, de fls. O1/05, do processo juntado, elimina qualquer dúvida, ao indicar, às fls. 04, a capitulação legal: "Art. 9. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: 1 na condição de microempresa que tenha auferida, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); (Redação dada pela Lei n° 11.307. de 2006) 11 na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferida, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); [Redação dada pela Lei n° 11.307 de 2006)” Da mesma forma, o Despacho Decisório DRF/CON n° 1170, de 31 de agosto de 2010, que subsidiou o Ato Declaratório Executivo n° 116, de 31 de agosto de 2010, registra como enquadramento legal o inciso II, do art. 9° da Lei 9.317/1996. Vide fls. 28/29 do processo juntado. Portanto, a exclusão foi levada a termo pela constatação de auferir receita bruta superior ao limite legalmente estabelecido e não pela constatação de prática reiterada de infração à legislação tributária como quer a impugnante. Por conseqüência, a exclusão somente pode surtir efeitos a partir do ano seguinte do excesso de receita, ou seja, 01 de janeiro de 2007, nos termos consignados no ADE 116/2010, em perfeita consonância com a legislação indicada nos atos administrativos constantes dos presentes autos. Afastada pois a pretensão de se capitular no art. 14, inciso V, da Lei 9.317/96. A impugnante pretende, ainda, que o seu lucro deveria ter sido arbitrado, por entender que o autuante ao explicitar as falhas/lacunas/equívocos de sua escrituração forçosamente deveria proceder ao arbitramento. Sob este entendimento, afirma: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 777 13 “Ora, se assim é, a escrituração é imprestável e 0 lucro deve ser arbitrado, conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n 3000/1999 RIR/99: Art. 530. O imposto devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n” 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n“9.430, de 1996, art. 1"): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado 0 contribuinte revelar indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; I o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 52 7; (...) VI O contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Se a fiscalizada, segundo a lei, deve ser excluída do SIMPLES a partir de janeiro de 2006 e ela não possui escrituração contábil e fiscal hábil para apuração do Lucro Real e a escrituração do livro Caixa também foi considerada imprestável, impõese como único procedimento legal o arbitramento do lucro. Após transcrever ementas de decisões administrativas, conclui taxativamente: “Portanto, a peça fiscal, equivocadamente, tributou segundo a legislação do SIMPLES, quando na verdade deveria ter arbitrado o lucro. " Concluise, pelos argumentos apresentados, mormente pelos destaques, que a impugnante não apenas admite como pretende que se aceite que praticou atos graves com o deliberado objetivo de se filrtar às obrigações tributárias. No entanto, pretende mais. Pretende que a prática dos atos lesivos lhe sirva de anteparo. Não é inusitada e nem criativa tal pretensão. Em diversas ocasiões, e não apenas no direito tributário, aparecem registros de tais pretensões. No direito penal estes argumentos são recorrentes, por força, até mesmo, de algumas previsões legais, tais como arrependimento eficaz, delação premiada, etc. No direito tributário estas previsões não existem. Por outro lado, a estratégia Fl. 783DF CARF MF 14 da impugnante é um pouco mais engenhosa. Conclui que a fiscalização deveria ter arbitrado o lucro para finalizar que, acatado o seu argumento, o lançamento não poderia ser refeito, por ter ocorrido, segundo seu entendimento, erro de direito. No entanto, ainda que a impugnante pretenda ter o seu lucro arbitrado, o procedimento fiscal de apurar os tributos com base na legislação do simples está perfeitamente correta. O arbitramento é medida extrema que deve ser adotada quando não houver a mínima condição de se apurar o lucro pelas demais formas previstas em lei. E, desta maneira, agiu a autoridade fiscal. Ainda que tenha constatado todas as anomalias da escrituração entendeu que tinha condições de apurar a base tributável segundo a legislação favorecida. Por conseqüência, mediante os autos de infração constantes dos autos, procedeu ao lançamento, para exigir a diferença de tributos não declarados, considerando a impugnante ainda como optante pelo Simples, no ano calendário de 2006, por força da legislação pertinente, destacandose: “Lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Ora, o auditor fiscal obedeceu rigorosamente às determinações legais. O artigo 24 determina que, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Portanto, não se configura qualquer erro de direito como pretende a impugnante. Os fatos estão corretamente descritos e a capitulação legal está correta. Pelo exposto, finalizo pela total procedência do lançamento no que diz respeito em considerar a impugnante enquadrada no SIMPLES para o ano calendário de 2006, tributandose os valores apurados com base na legislação de regência do SIMPLES, indicada nos respectivos autos de infração. 2.2 DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA A impugnante traz diversos argumentos .e citações para sustentar o descabimento da aplicação da multa qualificada. Direcionaremos a atenção para apenas a Portaria MF n° 383, de 12 de julho de 2010: “Art. 1” Fica atribuído às sumulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Súmula CARF n 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n"4.502/64." Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 778 15 (...) 2.3 FRAGILIDADE DAS BASES MATERIAIS DA AUTUAÇÃO Neste tópico, após transcrever os artigos 43'e 44 do Código Tributário Nacional, a impugnante argumenta: "A simples presunção, sem lastro em prova cabal de existência de ganho de renda tributável, por si só não significa a ocorrência do fato gerador do imposto devido. A presunção de omissão de renda tributável com base apenas nos depósitos bancários de origem não comprovada não pode levar à conclusão da existência de fato gerador do imposto de renda. Para tanto deverão existir outros elementos, decorrentes da atividade fiscalizadora, que corroborem a presunção. Mesmo porque os valores detectados poderão ter se originado de renda não tributável ou até mesmo de tenda já tributada. (...) No caso dos autos, o AuditorFiscal não retirou dos valores tributados a título de depósitos bancários não comprovados, dentre outros, a receita da fiscalizada, que transitou pelas contas bancárias apontadas. Obedecendo ao conceito de renda referido no artigo 43 do CTN, base de cálculo do tributo, impõese fazer a exclusão do valor da receita já declarada e tributada, assim como também se impõe excluir outros valores que são apontados nesta Impugnação. O lançamento tributário não pode se fundamentar apenas na impossibilidade de apresentar justificativas para uma gama de operações bancárias realizadas num prazo de até cinco anos. (...) O lançamento com base em depósitos bancários só é válido se ficar comprovado o real acréscimo patrimonial da pessoa jurídica. Ressaltese, para aferir esse acréscimo, no presente caso, haveria de se considerar os valores do custo de aquisição dos bens negociados. Isso porque ficou demonstrado é que o autor do feito deveria ter adotado o lucro arbitrado, o que implica em estimar o lucro a partir de parâmetros definidos na legislação." Postula pela exclusão dos valores que, segundo seu entendimento, referemse a vendas de 2005, notas promissórias descontadas, créditos relativos a concessão de empréstimos, transferências entre contas Fl. 785DF CARF MF 16 correntes próprias. Para tanto, apresenta a relação de fls. 465/469, explicitando o banco, data, histórico, valor e razão da exclusão. De plano, há de se ressaltar que a legislação de regência não condiciona a caracterização de omissão de receita a acréscimo patrimonial. Até houve época que esta interpretação teve alguma guarida para tributação de pessoa física. O aperfeiçoamento dos instrumentos de sonegação demonstrou a facilidade de se ocultar patrimônio, tais como imóveis, carros, etc. De qualquer forma, perguntase: não haveria aumento patrimonial quando se registra vendas de pouco menos de 300 mil reais e se tem créditos em conta corrente de mais de oito milhões de reais? Crédito em conta corrente também é patrimônio. Dinheiro também é patrimônio. Afirmar que estes valores foram aplicados em despesas, custos, bens de capital, etc, seria confessar que foram auferidos. Mas a impugnante não trilha este caminho. Apenas afirma que não existe prova concreta do acréscimo patrimonial. Como se disse, a legislação não condiciona. Vejamos o inteiro teor do art. 42 da Lei n° 9.430/96, citada como fundamento legal nos respectivos autos de infração: "Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. " Pela leitura do Termo de Verificação Fiscal e documentos acostados aos autos, verificase que a autoridade fiscal intimou reiteradamente a empresa para comprovar a origem dos recursos, mediante planilha indicativa de cada depósito (fls. 95/116). Na ausência da comprovação da origem dos valores depositados em suas contas correntes, quando intimada, o agente público procedeu ao lançamento nos exatos termos da legislação de regência. Via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador, contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador as chamadas presunções legais a produção de tais provas é dispensada. A criação de presunções legais em nosso sistema jurídico está prevista na Lei n° 5.869, de ll de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil CPC), que assim dispõe em seus arts. 333 e 334: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 779 17 IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. " Portanto, as presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato pela dedução tirada de outro fato ou de um direito por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções juris et jure e em relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação. Os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tomem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, fica invertido o ônus da prova, cabendo à fiscalizada comprovar a sua improcedência, mediante prova da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários apontados nos autos. Cumpre ao fisco, em tais circunstâncias, tãosomente provar o indício, como de fato foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que toma lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída à contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas. Reiterese, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação e o fato desconhecido de auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas não declaradas. Dessa forma, tendo deixado de comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias arroladas nos autos, restou caracterizada a presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, de que os valores creditados advieram de receitas não oferecidas.à tributação. Fl. 787DF CARF MF 18 A impugnante assinala ainda que a fiscalização não exclui o valor da receita já declarada e tributada, bem como valores que entende comprovados, apresentados nesta fase de impugnação, mediante relação de fls. 512/516. No que diz respeito ao valor da receita já declarada, a autoridade fiscal registra que: “Assim, os valores dos depósitos bancários não comprovados serão considerados como receita emitida a serem submetidos á tributação de oficio no ano 2006; digase, de passagem, que estes valores não podem ser considerados integrantes dos totais declarados pela fiscalizada em sua DSPJ devido à recusa da mesma em apresentar comprovação bastante de tal fato (exceção feita aos dois lançamentos citados a seguir no item Intimação a Clientes), não possuindo sequer a conta Banco em sua escrita contábil, nem apresentando justificativa aceitável quando intimado. (...) Os documentos em resposta aos termos enviados aos terceiros constam de fls. 384 a 419. Esta documentação apresentada abarca basicamente notas fiscais de saída da SBM. Ao analisarmos as notas fiscais emitidas pela fiscalizada pudemos constatar que estas constam de seu livro de Registro de Saídas, fls. 234 a 244, e que os valores das notas fiscais emitidas compõem a totalidade da saída/receita mensal declarada em sua DSPJ em diversos meses. Tal fato poderia sugerir que estes valores declarados já estariam lançados em sua DSPJ, devendo, pois, serem excluídos da movimentação bancária nãojustificada. Entretanto, ao cotejarmos os lançamentos bancários de pagamentos efetuados pelas clientes da fiscalizada, na quase totalidade dos casos, constatamos que estes não constam dos lançamentos de créditos apurados nos extratos bancários apresentados. Como exceções constatadas temos apenas o lançamento no valor de R$1.650,00, em 22/05/2006, efetuado pela Magotteaux Brasil, fls. 385, e lançamento no valor de R$20.000,00 em 06/02/2006, efetuado pela Helur Indústria e Comércio, fls. 393, ambos relativos a pagamentos por venda efetuada pela fiscalizada; estes lançamentos foram por nós excluídos da relação de créditos não comprovados, deixando de compor a base tributada de oficio neste procedimento. " Desta maneira, constatase que a fiscalização intimou os clientes da fiscalizada, cotejou os lançamentos bancários dos respectivos pagamentos com os créditos apurados nos extratos bancários e verificou que apenas dois faziam parte da receita declarada pela impugnante. Logo, há de se concluir que os demais valores foram recebidos por outro meio alheio ao movimento bancário. Por outro lado, a relação apresentada pela impugnante é insuficiente. Limitase a registrar que determinado valor é receita de exercício anterior; que não é receita, mas sim empréstimo; que não é receita, mas transferência entre contas correntes ou que é receita já tributada. A impugnante Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 780 19 apresenta cinco cópias da mesma impugnação, mas não apresenta sequer um documento para comprovar efetivamente a origem dos recursos. Simplesmente afirmar que tal valor tem como origem determinada operação não é suficiente. Há de se comprovar com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Pelo simples enunciado não se tem a mínima condição de se afirmar a procedência das alegações. Vale registrar que a fiscalização informa, às fls. 41, tópico DOS VALORES OMITIDOS APURADOS E DE SUA TRIBUTAÇÃO, do Termo de Verificação Fiscal: “Para fins de satisfação ao Inciso 1, do parágrafo 3, do art. 42, da Lei 9. 430/96, foram identificados e excluídos os lançamentos identificados como transferências entre contas de mesma titularidade, cheques devolvidos e lançamentos relativos a outros períodos de apuração presentes em Relação Anexa aos Termos de Intimação; tais valores foram excluídos para fins de apuração do valor tributável final, constante da RELAÇÃO DE DEPÓSITOS/CRÉDITOS TRIBUTÁVEIS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, de fls. 84 a 89. " Por tudo que foi acima evidenciado e pela total ausência de documentos comprobatórios da origem dos valores depositados, concluo pela manutenção dos lançamentos nos exatos moldes dos respectivos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal. II. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES (...) CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de, no mérito, julgar a) IMPROCEDENTE a impugnação contra a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. b) PROCEDENTE EM PARTE, por força do afastamento da multa qualificada, a impugnação contra o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e tributos decorrentes, subsistindo, por conseqüência, a aplicação da multa de 75%. Ora, da análise da decisão recorrida entendo que não há o que modificála na parte que foi devolvida para apreciação. Fl. 789DF CARF MF 20 No que se refere à alegação recursal de aplicação "absurda de multa qualificada de 150%", ressalto que a referida multa foi reduzida por entender a DRJ que não houve prova do dolo, razão pela qual a fundamento resta prejudicado. Ademais, toda a base de defesa se funda em suposto erro de direito por defender a Recorrente que praticou infração de forma reiterada e que, portanto, a sua exclusão do simples deveria ser retroativa ao dia 01/01/2006 e, desconsiderada sua escrita fiscal para arbitrar seu lucro. Primeiro, chega a ser contraditório o Recorrente defender a aplicação de multa qualificada de 150%, que não mais subsiste após a decisão da DRJ, para justificar sua exclusão retroativa. Outrossim, ao assumir a prática reiterada ele acaba por reforçar a aplicação da multa qualificada, que não pode mais ser revista por não ser objeto de Recurso de Ofício. Ademais, não pode o Recorrente defender a aplicação de uma regra mais gravosa quando ela sequer foi objeto do lançamento. Na interpretação da autoridade fiscal a exclusão foi levada a termo pela constatação de auferir receita bruta superior ao limite legalmente estabelecido e não pela constatação de prática reiterada de infração à legislação tributária como quer a recorrente. Outrossim, na linha do que dispõe o CTN, em havendo dúvidas a interpretação tem que ser a mais benéfica ao contribuinte. No caso do SIMPLES, em se tratando de regime de tributação simplificada anual, o enquadramento como prática reiterada, a meu ver, se daria na repetição das infrações por mais de um exercício fiscal. E ao assim fazer o autuante acabou mantendo a Recorrente na opção de tributação escolhida por ela própria no referido exercício, garantindolhe tratamento mais benéfico. Assim, não há o que se falar em erro de direito quando se interpretou a legislação aplicável nos moldes do que determina o CTN e, se exige do Recorrente o pagamento de tributo apurado nos moldes da sua escolha de tributação. Outrossim, o optante do SIMPLES tem um tratamento quanto à escrituração fiscal diferenciado, bem como a tributação como regra decorre de um percentual sobre o faturamento. Desta feita, não há sentido em se questionar os custos da atividade, créditos, efetivo acréscimo patrimonial, etc, quando tais elementos são estranhos à forma de tributação escolhida pelo Recorrente. Desta feita, tendo o autuante identificado claramente a receita omitida, não há o que se falar em necessidade de arbitramento tendo em vista que a forma de tributação escolhida pela Recorrente decorre da aplicação de um percentual legal à referida receita. Quanto à repetição do argumento da necessidade de exclusão de alguns valores listados em planilha junto ao Recurso, esta é insuficiente. De fato, o Recorrente limitase a registrar que determinado valor é receita de exercício anterior; que não é receita, mas sim empréstimo; que não é receita, mas transferência entre contas correntes ou que é receita já tributada. Entretanto não apresenta nenhum documento. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 781 21 Para elidir a presunção legal, há de se comprovar com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Pelo simples enunciado não se tem a mínima condição de se afirmar a procedência das alegações. Ademais, o TVF descreve que já procedeu a exclusão dos valores identificados como transferências entre contas de mesma titularidade, cheques devolvidos e lançamentos relativos a outros períodos de apuração presentes em Relação Anexa aos Termos de Intimação; tais valores foram excluídos para fins de apuração do valor tributável final, constante da RELAÇÃO DE DEPÓSITOS/CRÉDITOS TRIBUTÁVEIS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, de fls. 84 a 89. Quando ao argumento relativo à exclusão da base tributada do valor já declarado, como ficou esclarecido, o autuante intimou os clientes da fiscalizada, cotejou os lançamentos bancários dos respectivos pagamentos com os créditos apurados nos extratos bancários e verificou que apenas dois faziam parte da receita declarada pela impugnante. Logo, há de se concluir que os demais valores foram recebidos por outro meio alheio ao movimento bancário. Por tudo que foi acima evidenciado e pela total ausência de documentos comprobatórios da origem dos valores depositados, concluo pela manutenção dos lançamentos nos exatos moldes dos respectivos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal. Passo a analisar os argumentos apresentados contra a Exclusão do SIMPLES. Da Exclusão do SIMPLES. Inicialmente cumpre ressaltar que, no presente julgamento este Relator acaba de confirmar o lançamento tributário em razão da omissão de receitas na ordem de aproximados R$ 8,5 milhões de reais. Assim, no que se refere ao fato de que o contribuinte excedeu o limite legal para enquadramento no SIMPLES ele resta definitivo para fins de apreciação do presente recurso. Desta feita, entendo restar prejudicado o argumento recursal que questiona a legalidade da aplicação da presunção legal que acarretou na omissão de receitas. Também resta prejudicado o argumento acerca da impossibilidade de se excluir do SIMPLES antes de definitivamente julgado o lançamento que apura a omissão de receitas, primeiro porque o julgamento do recurso já ocorreu e, segundo, porque a Súmula Carf 77 dispõe que: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Assim, restando confirmada a omissão de receitas, resta verificar a conseqüência legal de tal fato. Fl. 791DF CARF MF 22 A falta da comunicação quanto a esta situação acarreta a exigência da multa prevista no art. 21 da Lei n° 9.317/96. O art. 14 da Lei n° 9.317/96, ao prever as hipóteses de exclusão de oficio, dispõe no inciso I: Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Quanto aos efeitos da exclusão do SIMPLES, o inciso IV do art. 15 da mencionada lei determina: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9° Assim, a aplicação da legislação pertinente foi feita de forma adequada, razão pela qual entendo que a exclusão da Recorrente do SIMPLES à partir de 01/01/2007 foi correta, razão pela qual nego provimento ao seu recurso voluntário. Em resumo, nego provimento à pretensão recursal. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 792DF CARF MF Processo nº 10976.000335/201034 Acórdão n.º 1401002.633 S1C4T1 Fl. 782 23 Fl. 793DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720330/2014-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2013
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. PROPÓSITO NEGOCIAL. A validade do planejamento tributário é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Todavia, estará o contribuinte no campo da ilicitude se demonstrada a ausência de propósito negocial.
SIMULAÇÃO. CONCEITO. Considera-se simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder à devida tributação.
FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe o comprovado intuito de fraude, nos exatos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, que é o doloespecíficoda condutapraticada.A não convalidação de planejamento tributário, por si só, não justifica a qualificação da multa, pois a discussão sobre desqualificação do planejamento tributário é matéria diversa e tem base em premissas jurídicas distintas daquelas que devem equacionar a aplicabilidade da multa qualificada. Logo, mesmo que o planejamento fiscal não possa ser convalidado, a qualificação da multa apenas se impõe, se preenchidos os seus próprios requisitos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2013
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. PROPÓSITO NEGOCIAL. A validade do planejamento tributário é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Todavia, estará o contribuinte no campo da ilicitude se demonstrada a ausência de propósito negocial.
SIMULAÇÃO. CONCEITO. Considera-se simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder à devida tributação.
FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe o comprovado intuito de fraude, nos exatos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, que é o doloespecíficoda condutapraticada.A não convalidação de planejamento tributário, por si só, não justifica a qualificação da multa, pois a discussão sobre desqualificação do planejamento tributário é matéria diversa e tem base em premissas jurídicas distintas daquelas que devem equacionar a aplicabilidade da multa qualificada. Logo, mesmo que o planejamento fiscal não possa ser convalidado, a qualificação da multa apenas se impõe, se preenchidos os seus próprios requisitos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: i) por maioria de votos, em reconhecer a ocorrência de simulação nas operações entre a Tozetto & Cia. e a responsável solidária. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Liziane Angelotti Meira. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), que davam provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Fará declaração de voto a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que integrará o voto da relatora; ii) por voto de qualidade, em afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Valcir Gassen; iii) por unanimidade de votos, em manter a responsabilidade solidária da empresa Louis Dreyfus; e iv) por maioria de votos, em manter a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12571.720330/2014-33
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868383
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.593
nome_arquivo_s : Decisao_12571720330201433.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 12571720330201433_5868383.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: i) por maioria de votos, em reconhecer a ocorrência de simulação nas operações entre a Tozetto & Cia. e a responsável solidária. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Liziane Angelotti Meira. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), que davam provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Fará declaração de voto a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que integrará o voto da relatora; ii) por voto de qualidade, em afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Valcir Gassen; iii) por unanimidade de votos, em manter a responsabilidade solidária da empresa Louis Dreyfus; e iv) por maioria de votos, em manter a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7316403
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2013 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. PROPÓSITO NEGOCIAL. A validade do planejamento tributário é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Todavia, estará o contribuinte no campo da ilicitude se demonstrada a ausência de propósito negocial. SIMULAÇÃO. CONCEITO. Considera-se simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder à devida tributação. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe o comprovado intuito de fraude, nos exatos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, que é o doloespecíficoda condutapraticada.A não convalidação de planejamento tributário, por si só, não justifica a qualificação da multa, pois a discussão sobre desqualificação do planejamento tributário é matéria diversa e tem base em premissas jurídicas distintas daquelas que devem equacionar a aplicabilidade da multa qualificada. Logo, mesmo que o planejamento fiscal não possa ser convalidado, a qualificação da multa apenas se impõe, se preenchidos os seus próprios requisitos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2013 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. PROPÓSITO NEGOCIAL. A validade do planejamento tributário é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Todavia, estará o contribuinte no campo da ilicitude se demonstrada a ausência de propósito negocial. SIMULAÇÃO. CONCEITO. Considera-se simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder à devida tributação. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe o comprovado intuito de fraude, nos exatos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, que é o doloespecíficoda condutapraticada.A não convalidação de planejamento tributário, por si só, não justifica a qualificação da multa, pois a discussão sobre desqualificação do planejamento tributário é matéria diversa e tem base em premissas jurídicas distintas daquelas que devem equacionar a aplicabilidade da multa qualificada. Logo, mesmo que o planejamento fiscal não possa ser convalidado, a qualificação da multa apenas se impõe, se preenchidos os seus próprios requisitos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso voluntário parcialmente provido.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310152290304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2462; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 7.454 1 7.453 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.720330/201433 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.593 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2018 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente Tozetto & Cia Ltda e Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2013 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. PROPÓSITO NEGOCIAL. A validade do planejamento tributário é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Todavia, estará o contribuinte no campo da ilicitude se demonstrada a ausência de propósito negocial. SIMULAÇÃO. CONCEITO. Considerase simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder à devida tributação. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe o comprovado intuito de fraude, nos exatos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, que é o doloespecíficoda condutapraticada.A não convalidação de planejamento tributário, por si só, não justifica a qualificação da multa, pois a discussão sobre desqualificação do planejamento tributário é matéria diversa e tem base em premissas jurídicas distintas daquelas que devem equacionar a aplicabilidade da multa qualificada. Logo, mesmo que o planejamento fiscal não possa ser convalidado, a qualificação da multa apenas se impõe, se preenchidos os seus próprios requisitos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 03 30 /2 01 4- 33 Fl. 7454DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.455 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2013 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. PROPÓSITO NEGOCIAL. A validade do planejamento tributário é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Todavia, estará o contribuinte no campo da ilicitude se demonstrada a ausência de propósito negocial. SIMULAÇÃO. CONCEITO. Considerase simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder à devida tributação. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe o comprovado intuito de fraude, nos exatos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, que é o doloespecíficoda condutapraticada.A não convalidação de planejamento tributário, por si só, não justifica a qualificação da multa, pois a discussão sobre desqualificação do planejamento tributário é matéria diversa e tem base em premissas jurídicas distintas daquelas que devem equacionar a aplicabilidade da multa qualificada. Logo, mesmo que o planejamento fiscal não possa ser convalidado, a qualificação da multa apenas se impõe, se preenchidos os seus próprios requisitos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: i) por maioria de votos, em reconhecer a ocorrência de simulação nas operações entre a Tozetto & Cia. e a responsável solidária. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Liziane Angelotti Meira. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), que davam provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Fará declaração de voto a Conselheira Liziane Fl. 7455DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.456 3 Angelotti Meira, que integrará o voto da relatora; ii) por voto de qualidade, em afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Valcir Gassen; iii) por unanimidade de votos, em manter a responsabilidade solidária da empresa Louis Dreyfus; e iv) por maioria de votos, em manter a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de autos de infração de PIS e COFINS, dos períodos de apuração compreendidos entre 31/01/2010 e 31/12/2013, lavrados contra o sujeito passivo Tozetto & CIA Ltda, e como responsável solidária a Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A., no valor total de R$ 56.376.559,28. Foi aplicada a multa qualificada. O lançamento decorreu de glosas de créditos gerados em operações de compra simuladas de derivativos de soja, no mercado interno. Para a fiscalização, os créditos foram criados artificialmente. No caso, a Tozetto e a Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A. teriam simulado operações de compra e venda com a finalidade de exportação com o objetivo de realizar a transferência de créditos das contribuições (PIS e Cofins), que são acumulados pela Louis Dreyfus, para a Tozetto. Assim, as glosas geraram à Tozetto a insuficiência no recolhimento de PIS e COFINS de suas atividades no mercado interno. Nesse contexto, a Louis Dreyfus não exportaria diretamente seus produtos aos clientes no exterior, para, em uma operação simulada, vender seus produtos para a Tozetto e, que em seguida, os revenderia para exportação. A fiscalização aponta que as transações financeiras são casadas: a Tozetto paga diretamente à Louis Dreyfus e a comercial exportadora paga à Tozetto. Com isso, a Louis Dreyfus deixa de acumular créditos de PIS e Cofins e a Tozetto paga menos tributo, pois, passa a ser detentor de uma grande quantidade de créditos. Relata a fiscalização que todos os produtos comercializados para as exportadoras são derivados de soja: “farelo de soja”, “óleo de soja refinado” e “óleo de soja degomado” comprados da Louis Dreyfus, durante os anos de 2010 a 2013, no valor total de aquisições de R$ 227.486.115,04. Valor próximo ao valor total que a fiscalizada declarou no DACON como base de cálculo de créditos vinculados à receita de exportação. A Louis Dreyfus seria a empresa qualificada para adquirir, processar e exportar produtos agrícolas, possuindo toda a estrutura de parceria com produtores para suprir Fl. 7456DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.457 4 suas matériasprimas, de plantas industriais para processar seus produtos, de logística formada por grandes armazéns e depósitos servidos por diversos modais de transportes com ligação direta para os portos, de recintos alfandegados próprios, de pessoal técnico especializado em comércio exterior, etc. A autoridade fiscal afirma que não foram apresentados contratos entre as partes, a partir do que aduziu que: “Considerando que não há como ter provas da real intenção dos envolvidos nas negociações, as provas serão sobre as circunstâncias que envolveram as transações, indicando indiretamente a real intenção destas empresas. A seguir são apresentadas e descritas tais provas.” Extraise do Termo de Verificação (efls. 4.8504.887): 3.2.1 – Ausência de infraestrutura e experiência da fiscalizada para operar derivados de soja A fiscalizada é uma rede local de supermercados que opera na cidade de Ponta Grossa, contando atualmente com cinco estabelecimentos. Seu ramo de atuação, como ela é conhecida na cidade de Ponta Grossa, é a venda no varejo ao consumidor final. O próprio sítio da empresa na Internet <http://www.tozetto.com.br/>, com acesso em 20/11/2014, trata apenas e tão somente de atividades de supermercado, sem qualquer menção a atividades de compra e venda de derivados de soja. A seguir é apresentada uma figura obtida por meio de um “print scrin” de uma das telas do sítio, onde a empresa conta sua história, fazendo alusão somente a atividades de supermercado. (...) Fica claro que o “negócio” da fiscalizada é o ramo de supermercados. É certo que a importação e a exportação de farelo de soja, óleo de soja degomado a granel estejam previstas no contrato social, tal como transcrito acima. Contudo, notase a inserção destes produtos, que têm toda uma logística própria, no rol de dezenas de produtos de varejo vendidos normalmente em um supermercado. Ademais, a simples inserção de uma atividade em um contrato social de uma empresa não significa que ela esteja apta a operar esta atividade. No caso em tela, houve preocupação em dar aparência de legalidade ao esquema, logo a inserção da exportação de derivados de soja no objeto social da fiscalizada se coaduna com isso. Outro aspecto a ser ressaltado é que foi solicitado à fiscalizada, por meio do termo de intimação n° 129/2014 (fls. 410 a 412), que ela apresentasse sua infraestrutura de imóveis destinados à exportação nos seguintes termos: De acordo com os documentos apresentados em atendimento ao Termo de Intimação nº 87/2014, observouse, no período fiscalizado, a aquisição de farelo de soja, óleo de soja degomado e óleo de soja refinado no valor total ao redor de R$ 230.000.000,00 junto à pessoa jurídica LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S/A, CNPJ Nº 47.067.525/009750. Produtos estes que foram revendidos com fim específico de exportação. Especificamente em relação a estas operações, solicitase: (...) Fl. 7457DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.458 5 2 – Apresentar relação de imóveis (armazéns, silos, equipamentos, instalações, etc) utilizados para as operações de compra e de venda para exportação dos citados produtos. A relação deverá conter a individualização do imóvel, valor contábil, número da matrícula e nome do cartório onde o imóvel esteja registrado. Caso o contribuinte não seja proprietário das instalações utilizadas nas compras e vendas de produtos destinados à exportação, apresentar contratos, ou qualquer ou tipo de documentos, que tenham sido usados para locação ou uso destes imóveis. Em resposta, a fiscalizada assim se manifestou (fl. 651): b) Em relação ao item 2 do Termo de Intimação nº 129/2014, a empresa contribuinte esclarece que não possui imóveis de armazenagem, silos ou equipamentos similares para as operações de compra e venda dos produtos objeto da fiscalização, conforme demonstrado nas notas fiscais de Armazenagem entregues juntamente com o termo de Intimação Fiscal nº 87/2014 recebido por vossa senhoria em 23/04/2014, onde ficou claro que todas as armazenagens feitas pela Tozetto foram em armazéns de terceiros, porém, como é de praxe para estas operações não existe contrato formal e sim notas fiscais de cobrança as quais já foram entregues para vossa senhoria. (grifos do original) Assim, uma empresa local da cidade de Ponta Grossa, com mais de 60 anos de tradição no comércio de varejo ao consumidor final, sem qualquer estrutura de armazéns, silos e equipamentos para proceder a compra e venda de derivados de soja, tendo que pagar para terceiros por toda a logística, e sem qualquer experiência neste ramo, simplesmente inicia este novo negócio com total sucesso, tanto que adquiriu para a venda, em um período de apenas 4 anos, ao redor de R$ 227.500.000,00 em derivados de soja. 3.2.2 – Utilização da infraestrutura da LOUIS DREYFUS Esta potência do comércio exterior mundial, entre as centenas (talvez milhares) de unidades processadoras que possui ao redor do mundo, possui uma delas localizada no município de Ponta Grossa. Essa unidade, cujo CNPJ é 47.067.525/009750, tem como atividade econômica principal no cadastro do CNPJ, a “Fabricação de óleos vegetais em bruto, exceto óleo de milho”, conforme consulta pública a este sistema na página da RFB na Internet, com acesso em 21/11/2014 (ver figura a seguir). Foi esta filial da LOUIS DREYFUS, que, ao que tudo indica, a partir da matéria prima soja, produziu os derivados de soja em questão (farelo de soja, óleo de soja refinado e óleo de soja bruto). E foi esta filial que comprovadamente vendeu estes produtos para a fiscalizada, como se constata na tabela de fls. 280 a 369, elaborada a partir dos arquivos XML apresentados pela própria fiscalizada. Além de ter produzido os produtos, constatouse a utilização da estrutura da LOUIS DREYFUS existente no porto de Paranaguá para a exportação destes produtos. A própria fiscalizada, ao apresentar os documentos comprovantes dos créditos de PIS e de COFINS, apresentou diversas notas fiscais de prestação de serviços emitidas por outra filial da própria LOUIS DREYFUS, CNPJ n° 47.067.525/005410 (fls. 39 a 279). Nestas notas, consta o código do Serviço / Atividade: “20.01 / 2001 – Serviços portuários, ferroportuários, utilização de porto, movimentação de passageiros, reboque de e”. Fl. 7458DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.459 6 A utilização da infraestrutura da LOUIS DREYFUS também é comprovada observandose o campo “Informações Complementares de Interesse do Contribuinte” de grande parte das notas fiscais, tanto nas de vendas da LOUIS DREYFUS para a fiscalizada, como nas de venda da fiscalizada para as comerciais exportadoras. (...) Analisandose o campo “Informações Complementares de Interesse do Contribuinte” das notas fiscais de vendas da fiscalizada para as empresas comerciais exportadoras, constatase que tal campo informa, na maior parte das vezes, que a mercadoria está depositada ou sairá do terminal da LOUIS DREYFUS em Paranaguá. A título de exemplo, segue a descrição da nota fiscal n° 13.030, chave n° 41110680221013000120550010000130301000130300, que trata da venda 65.663 kg de farelo de soja da fiscalizada para a comercial exportadora FIAGRIL LTDA: Informações do contribuinte: Não incidência do ICMS conf. art. 3º, § único, Dec.1980/07 RICMS/PR. A mercadoria será remetida para NETHGRAIN B.V.WESTBLAAK, 92 COMETONGEBOUWN 3012 KM ROTTERDAM HOLANDA Mercadoria será embarcada no "M/V OCEAN EAGLE". Local da Saída: Terminal da LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S/A, AV.PORTUÁRIA, S/Nº CAIS DO PORTO PARANAGUAPR CNPJ: 47.067.525/005410 IE.: 9025256295 Terminal Alfandegado, conforme ato declaratório executivo nº 32 de 22/06/09. de acordo com o Convênio 83/06. Favor considerar o valor unitário correto com seis casas decimais = R$ 0,573804. (grifouse) Há também informações, nestas notas fiscais de venda da fiscalizada para as comerciais exportadoras, que as mercadorias estão depositadas ou sairão da “Cattalini Term Marítimos ltda”, “COTRIGUACU COOPERATIVA CENTRAL” e “UNIAO VOPAK ARMAZENS GERAIS LTDA”. Tal como ocorreu nas notas fiscais de venda da LOUIS DREYFUS para a fiscalizada. Temos, então, que a filial da LOUIS DREYFUS em Ponta Grossa vende derivados de soja para a fiscalizada, também localizada em Ponta Grossa. Estes produtos, ao invés de serem transportados para as instalações da fiscalizada, seguem para instalações de terceiros. A maior parte, contudo, segue para outra filial da própria LOUIS DREYFUS em Paranaguá, de onde serão exportados. Neste tipo de venda, portanto, a participação da fiscalizada é apenas documental. Nunca ocorre a entrega da mercadoria ou a “tradição”, que caracterizaria de fato a venda de bens móveis, conforme Arts. 1.226 e 1.267 do Código Civil de 2.002. 3.2.3 – Contratos e alegações apresentados pelas comerciais exportadoras Considerando que não foi apresentado um instrumento de contrato que dispusesse os direitos e obrigações da fiscalizada e da LOUIS DREYFUS em relação às transações entre estas duas empresas, uma das formas de suprir tal ausência foi por meio de pesquisas junto a terceiros também envolvidos com o processo de exportação de derivados de soja. Fl. 7459DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.460 7 Assim, foram encaminhados termos de intimação para algumas das comerciais exportadoras a quem a fiscalizada vendeu derivados de soja com o fim de exportação (fls. 414 a 645). Anexo a cada termo, também foram enviados os DANFEs das notas fiscais eletrônicas ou cópias das notas fiscais em papel referentes às vendas da fiscalizada para cada comercial exportadora. Estes termos solicitavam documentos relativos a estas exportações e faziam alguns questionamentos sobre tais operações, nos seguintes termos: 2 Em procedimento de fiscalização junto à pessoa jurídica TOZETTO & CIA LTDA, CNPJ n° 80.221.013/000120, foi constatado que esta efetuou operações de venda mercadorias (farelo de soja e/ou óleo de soja) com fim específico de exportação, cujo comprador foi o contribuinte em epígrafe. As cópias das notas fiscais ou DANFEs destas operações seguem em anexo. Em relação a tais operações, solicito: 2.1 Apresentar os dados referentes às exportações de tais mercadorias (nome do destinatário, nome do país do destinatário, data de embarque e o número do despacho); 2.2 – Apresentar os comprovantes de exportações destas mercadorias; 2.3 – Detalhar qual a participação da pessoa jurídica LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL SA, CNPJ n° 47.067.525/000108, ou de qualquer uma de suas filiais, nestas operações; 2.4 – Apresentar o original ou cópia autenticada de contrato, termo ou qualquer documento que tenha sido firmado entre o contribuinte e a pessoa jurídica TOZETTO & CIA LTDA, CNPJ n° 80.221.013/000120 e entre o contribuinte e a LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S A ou com qualquer uma de suas filiais, e que diga respeito às compras e exportações das mercadorias em questão; 2.5 – Considerando que foi constatado que todas as mercadorias em questão foram antes processadas pela unidade de Ponta Grossa – PR da LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL SA, CNPJ 47.067.525/009750, e vendidas ao TOZETTO & CIA LTDA, CNPJ n° 80.221.013/000120, explicar porque tais mercadorias não foram adquiridas pelo contribuinte diretamente da LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL SA. Esclarecer qual a vantagem ou interesse do uso de um intermediário nestas transações. Os documentos apresentados e as respostas das comerciais exportadoras, conforme se pode constatar às fls. 663 a 3.187, deixam claro que, embora a fiscalizada tenha vendido derivados de soja diretamente a estas, era a LOUIS DREYFUS quem tinha todo o controle sobre o processo. A maioria das comerciais exportadoras tinha contrato somente com a LOUIS DREYFUS, tendo adquirido da fiscalizada por indicação desta. Abaixo, a título de exemplo, seguem transcritas, total ou parcialmente, algumas destas respostas. A Agrivale S/A, CNPJ n° 01.014.748.0001/09, adquiriu da fiscalizada 240.964 kg de óleo de soja degomado no valor total de R$ 488.070,00, conforme nota fiscal n° 16.507 (fl. 625). Em resposta, esta empresa apresentou as seguintes respostas aos questionamentos (fl. 2.947): 2.3 – A Agrivale executou uma operação de Performance no valor de US$ 300.000,00 (trezentos mil dólares), realizada em outubro de 2011. Essa operação foi feita através da Fl. 7460DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.461 8 empresa corretora de câmbio, Dourada, localizada em CuritibaPR. A corretora de câmbio intermediou a contratação da pessoa jurídica LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL, e esta, foi a responsável por realizar as exportações e nos orientar com todos os documentos necessários para a conclusão da Performance. 2.4 – Não foi realizado qualquer contrato direto com a empresa TOZETTO & CIA LTDA e sim com a DREYFUS, segue em anexo o comprovante de performance que nos foi enviado pela corretora de câmbio Dourada. (grifouse) 2.5 – A resposta para este item pode ser verificada diretamente com a empresa LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL. A Agrivale apenas seguiu as orientações das empresas Dourada e Dreyfus para que a operação de performance fosse concluída. (grifouse) A VANGUARDA DO BRASIL S.A, CNPJ nº 01.672.342/000110, adquiriu da fiscalizada o total de 4.979.204 Kg de derivados de soja pelo valor total de R$ 3.958.892,62, por meio das notas fiscais n°s 17.507, 17.807 e 18.861 (fls. 565 a 568). Em resposta, apresentou cópia autenticada do contrato com a LOUIS DREYFUS e argumentou (fl. 2.251): Com relação aos contratos exigidos, o contribuinte apresenta contrato junto a Louis Dreyfus, onde, foi firmado que Dreyfus é responsável por disponibilizar os produtos da performance e, se não possuir as partes acordavam que a Dreyfus disponibilizasse de terceiros para fornecedor os produtos, neste caso a Tozetto. (grifouse) A FIAGRIL LTDA, CNPJ nº 02.734.023/000155, adquiriu da fiscalizada o total de 2.700.671 Kg de derivados de soja pelo valor total de R$ 3.840.1419,24, por meio das notas fiscais n°s 11.806, 11.929, 12.201, 12.212, 12.748, 12.957, 13.007, 13.030, 14.822, 14.823 e 14.825 (fls. 497 a 507). Em resposta, após afirmar que possui contrato somente com a LOUIS DREYFUS, cuja cópia autenticada foi apresentada, e detalhar o procedimento de performance, conclui (fl. 1.626): A operação então ficou da seguinte maneira: a LOUIS DREYFUS se tornou “intermediaria” da operação, a FIAGRIL LTDA adquiriu por ordem da Louis Dreyfus (conforme previsão contratual – clausula 2°, §1°) mercadoria com destino exportação da TOZETTO CIA LTDA, para depois efetuar a exportação. (grifos do original) A TOZAN ALIMENTOS ORGÂNICOS LTDA, CNPJ nº 04.362.548/000132, adquiriu da fiscalizada 80.332 Kg de óleo de soja degomado, pelo valor de R$ 162.367,43, conforme nota fiscal n° 16.509 (fl. 416). Respondendo a termo de intimação, ela apresentou cópia de contrato firmado com a LOUIS DREYFUS e explicou como ocorreu a operação, por fim alegando (fl. 2.858): Considerando essa possibilidade contratual (cláusulas acima destacadas), a DREYFUS indicou a empresa Tozetto e Cia Ltda (CNPJ n. 80.221.013/000120) para efetivar a operação contratada com a Peticionáira. Conforme email enviado em 04/08/2011, por intermédio do endereço cintya.quadrado@ldcommodities (doc. 12), a DREYFUS determinou que a Peticionária deveria pagar o valor de USD 102.150,00, na conta bancária da TOZETTO, em razão da compra de mercadoria destinada à exportação, conforme imagem abaixo: (grifouse) Fl. 7461DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.462 9 Os emails enviados pela LOUIS DREYFUS às comerciais exportadoras serão abordados no item seguinte. A IPA INDÚSTRIA DE PISOS DA AMAZÔNIA LTDA, CNPJ nº 07.832.409/000113, adquiriu da fiscalizada, farelo de soja pelo valor total de R$ 2.229.780,48, conforme notas fiscais n° 50.868 e 51.296 (fls. 457 e 458). Em resposta a termo de intimação, ela apresentou cópia de contrato firmado com a LOUIS DREYFUS e informou como era sua relação com a fiscalizada (fl. 1.026): 2.5 Conforme descrevemos acima, tínhamos um contrato específico de exportação firmado com a empresa “Dreyfus”. No momento de que precisávamos do embarque conforme “Janela de Embarque” citada no contrato, a empresa “Dreyfus” nos informou que não dispunha naquele momento de carga disponível e direcionounos à empresa “TOZETTO” que segundo eles tinham disponibilidade. Como tal informação não teria como ser checada pela nossa empresa e considerando que para nossa empresa não haveria nenhuma alteração no contexto comercial, aceitamos a venda da empresa “TOZETTO” e performamos nossa exportação. Não conhecíamos a empresa “TOZETTO” anteriormente à essa primeira venda e nosso contato era com a empresa “Dreyfus”. Não houve, de nossa parte, nenhuma vantagem ou interesse em comprar e exportar o produto da empresa “TOZETTO”, visto que as condições comerciais foram exatamente as mesmas que as contratadas com a empresa “Dreyfus”, conforme o contrato 053/13. (grifouse) A TROPICAL BIOENERGIA S.A., CNPJ nº 08.195.806/000194, adquiriu da fiscalizada, óleo de soja degomado ao valor total de R$ 5.029.980,54, conforme notas n°s 2464 e 5456 (fls. 629 e 630). Em resposta ao termo de intimação n° 172/2014, ela apresentou cópia de contrato firmado com a LOUIS DREYFUS e, entre outras alegações, declarou (fl. 2.972): No caso em tela, a Dreyfus apontou a Tozetto e Cia Ltda. (Tozetto) para fornecer à Tropical produtos a serem exportados, para cumprimento do contrato de compra e venda mencionado acima. A Tropical pagou diretamente à Tozetto o valor do prêmio pela aquisição das mercadorias com a finalidade específica de exportação. (grifouse) A CTS EXPORTADORA DE FUMO EIRELI – ME, CNPJ nº 09.237.378/000188, adquiriu da fiscalizada 13.024.467 Kg de derivados de soja ao valor total de R$ 10.217.443,06, por meio das notas fiscais n°s 13.025, 13.036, 13.083, 13.135, 14.760, 18.851, 19.566, 20.222, 30.719, 33.274 e 33.284 (fls. 634 a 644). Não obstante a este expressivo valor, tal empresa, por meio de resposta ao termo de intimação n° 177/2014, alegou não possuir contrato com a fiscalizada, mas somente com a LOUIS DREYFUS, contratos estes que foram apresentados. Além disso, deixou claro o papel de mero intermediário da fiscalizada em relação às aquisições de derivados de soja vendidos pela LOUIS DREYFUS (fl. 3.014): 2.5 – Parte das mercadorias vendidas pela LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S.A. foram adquiridas pela CTS EXPORTADORA DE FUMO EIRELIME através da pessoa jurídica TOZETTO & CIA., por orientação da primeira. (grifou se) A COMPANHIA SIDERÚRGICA VALE DO PINDARÉ, CNPJ nº 22.016.026/0001 60, adquiriu da fiscalizada 4.755.065 kg de óleo de soja, totalizando o valor de R$ Fl. 7462DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.463 10 10.582.328,49, conforme notas fiscais 4.823, 6.645, 6.661, 7.029 e 8.042 (fls. 586 a 590). Em resposta ao termo de intimação n° 181/2014, apresentou o contrato firmado com a LOUIS DREYFUS, declarando ser esta empresa quem indicou a fiscalizada para a venda de derivados de soja (fl. 2.448): Esclarece ainda a Requerente que de acordo com o parágrafo segundo da cláusula primeira do contrato celebrado “a Dreyfus está autorizada pela Requerente, a adquirir produtos de terceiros (contratar) “performances” e aplicálas no presente contrato, sendo que, nesse caso, o respectivo pagamento será realizado conforme instrução da Dreyfus, permanecendo a Dreyfus responsável, todavia, perante a Requerente pelo cumprimento de todas as suas obrigações.” Dessa forma, considerando a previsão expressa do contrato celebrado entre as partes e para dar pleno cumprimento ao referido instrumento, a Dreyfus indicou a empresa Tozetto & Cia Ltda para que esta fornecesse as mercadorias que seriam exportadas pela Requerente. (grifouse) Da mesma forma, as empresas constantes da tabela 02, apresentada a seguir, também adquiriram derivados de soja da fiscalizada, mas, em resposta a termos de intimação, argumentaram ter contrato somente com a LOUIS DREYFUS, tendo adquirido produtos da fiscalizada por indicação desta trading. Os contratos, alegações e demais documentos apresentados por estas empresas constam dos autos, estando os números das folhas dos autos informados na citada tabela. 3.2.4 – Louis Dreyfus determinava a quem seriam feitos os pagamentos das vendas da fiscalizada A LOUIS DREYFUS tinha tanto controle sobre as vendas de derivados de soja da fiscalizada para as comerciais exportadoras, que chegava ao ponto de determinar a estas para quem devia ser feito o pagamento por estas vendas. Algumas comerciais exportadoras, em resposta a termos de intimação, declararam exatamente isso, anexando comprovantes, como contratos, cartas e emails enviados pela LOUIS DREYFUS: A COROL Cooperativa Agroindustrial, CNPJ nº 80.906.779/000148, apresentou contrato com a LOUIS DREYFUS e declarou (fl. 710): 2 Para os itens 2.3 e 2.4 apresentamos cópia do contrato de compra e venda de mercadorias para entrega futura com fim específico de exportação nº 024/12, firmado Fl. 7463DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.464 11 entre a LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S. A. e a COROL, para que a cooperativa pudesse cumprir as obrigações anteriormente assumidas; anexamos ainda em referência a este contrato cópia da CESSÃO DE CRÉDITO envolvendo a DREYFUS, COROL e o BANCO BBM, que no seu anexo I, a LOUIS DREYFUS autoriza que o pagamento seja efetuado diretamente na conta da empresa TOZETO & CIA. LTDA.. (grifouse) 3 – Quanto ao item 2.5 esclarecemos que foi cumprido, à época, o parágrafo 2º, da cláusula 1ª, que especificava o seguinte: “Parágrafo 2º: Os tipos e quantidades de PRODUTOS a serem vendidos à COMPRADORA ficarão a critério exclusivo da DREYFUS, cujo valor total de exportação deverá atingir aquele previsto na cláusula 1ª acima, ficando a DREYFUS desde já autorizada pela COMPRADORA, a adquirir produtos de terceiros (contratar “performances”) e aplicálas no presente contrato, sendo que, nesse caso, o respectivo pagamento será realizado conforme instrução da DREYFUS, permanecendo a DREYUFS responsável, todavia, perante a COMPRADORA pelo cumprimento de todas as suas (DREYFUS) obrigações estabelecidas neste instrumento” (grifos do original) Como se observa acima, a LOUIS DREYFUS, além de determinar o pagamento dos derivados de soja vendidos pela fiscalizada, era responsável pelo cumprimento de todas as obrigações relativos ao fornecimento destes produtos, mesmo que, em termos de documentação, os produtos tenham sido vendidos pela fiscalizada. A FIAGRIL LTDA, CNPJ nº 02.734.023/000155, em resposta a termo de intimação, apresentou cópia de um email enviado pela LOUIS DREYFUS (fl. 1.782), em que é solicitado que parte dos pagamentos de duas operações sejam efetuados por meio de depósito em conta da fiscalizada, Banco Sicredi S/A, Ag. 0730 – C.C 318744, Favorecido Tozetto e Cia Ltda. A AGRICOLA CANTELLI LTDA, CNPJ nº 03.328.956/000105, em resposta a termo de intimação, também apresentou um email enviado pela LOUIS DREYFUS (fl. 2.045), em que se solicita que se faça o pagamento de uma operação de Performance, por meio de TED, em conta da fiscalizada. Da mesma forma, a NPK TRANS OPERADORA LOGISTICA LTDA, CNPJ nº 06.335.225/000185, também apresentou um email enviado pela LOUIS DREYFUS (fls. 1.860 e 1.861) com instruções semelhantes. Como se observa nestes três emails, eles seguem exatamente o mesmo padrão. O cabeçalho dos emails também indica o mesmo remetente, quer seja, LOUIS DREIFUS COMMODITIES BRASIL S/A Cintya Quadrado – email: cintya.quadrado@ldcommodities.com Fone: (11) 30396936 – Fax: (11) 30396726. Além disso, o banco, a agência e número da conta da fiscalizada para depósito são exatamente iguais. Além de emails, há também uma cópia de um ofício elaborado pela LOUIS DREYFUS (fl. 2.083) e enviado para a CCQM COMERCIAL CATARINENSE QUÍMICA E METAIS LTDA, CNPJ nº 07.202.699/000111, e apresentado por esta empresa em atendimento a termo de intimação. Neste documento, a LOUIS DREYFUS Fl. 7464DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.465 12 informou que, cumprindo cláusula de compromisso assinado com a CCQM, foram embarcados produtos agrícolas pelo Porto de Paranaguá, cujas mercadorias foram supridas por Tozetto & Cia Ltda, sendo que o pagamento devia ser feito por meio de depósito bancário na conta da fiscalizada, exatamente a mesma descrita nos emails anteriores. Neste aspecto, é importante salientar que uma das características deste esquema, conforme relatado no item 3.1, é que o fluxo de dinheiro ocorre de acordo com fluxo o documental. Ou seja, o varejista realmente recebe pagamento pelas suas vendas de derivados de soja. Isso é exatamente o que é demonstrado pelos documentos acima citados, em que foi determinado que as comerciais exportadoras pagassem à fiscalizada. Ocorre que, ao invés da fiscalizada, quem detinha o poder de determinar a quem e como deveriam ser feitos os pagamentos das compras para exportação era a LOUIS DREYFUS, o que demonstra que ela era a vendedora de fato destes derivados de soja. 3.2.5 – Ausência de propósito negocial De acordo com os contratos, depoimentos e demais documentos apresentados, constatase que a LOUIS DREYFUS, dentro de suas atividades normais, executa operações denominadas de “performance” junto a comerciais exportadoras. Grosso modo, a performance de exportação consiste na compra do direito de exportação, de uma empresa exportadora para outra, realizada através de um contrato de compra de performance de exportação, sempre que a empresa compradora não possuir a mercadoria para embarcar. Por que a LOUIS DREYFUS se envolve neste tipo de operação ao invés de exportar seus produtos diretamente??? Ocorre que a performance de exportação é utilizada por muitas empresas para captação de recursos com custo mais baixo que os praticados no mercado interno e também para troca de dívidas de curto prazo por médio ou longo prazos. Assim, tornase vantajoso para muitas empresas participar desta operação para se financiar. Esta vantagem faz com que também possa ser vantajoso para a LOUIS DREYFUS participar desta operação ao invés de exportar diretamente. Neste sentido, uma das comerciais exportadoras, PASTIFÍCIO SANTA AMÁLIA S/A, CNPJ nº 22.229.207/000175, explica o uso deste tipo de exportação (fl. 2.344): Sobre estas aquisições de soja efetuadas com objetivo de exportação, operações comerciais estas usualmente chamadas de “performance”, vale destacar que o objetivo desta Contribuinte foi viabilizar a realização de financiamento de capital de giro através da contratação de ACCs – Adiantamento de Contrato de Câmbio junto às instituições financeiras, com a celebração de Contratos de Câmbio de Compra – Tipo 01 Exportação, a fim de obter fluxo de caixa com custo menor que o ofertado em financiamentos normais bancários. A empresa, precisando de liquidez em seu caixa, viabilizou o negócio, eis que abarcado por suas atividades sociais. Passou a adquirir o farelo de soja dos fornecedores com os quais tinha contato na época, aleatoriamente, com o intuito de exportar, o que lhe permitia, no moroso curso da operação (aquisição, exportação e recebimento do valor pelo importador), ter disponibilizado em seu caixa relevantes valores a baixo custo financeiro. (grifouse) Fl. 7465DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.466 13 Diante do exposto, observase que existe um propósito negocial nas vendas de derivados de soja, seja da fiscalizada seja da LOUIS DREYFUS, para as empresas comerciais exportadoras, as quais irão exportálos em seu próprio nome. Por outro lado, não existe qualquer propósito negocial nas vendas de derivados de soja da LOUIS DREYFUS para a fiscalizada, conforme tabela de fls. 280 a 369, e para as vendas desta para as comerciais exportadoras (tabela de fls. 407 a 409). A LOUIS DREYFUS não tem nenhum motivo para colocar um intermediário nas suas vendas paras as empresas comerciais exportadoras. Isto gera um custo totalmente desnecessário, sem qualquer agregação de valor, já que a fiscalizada não possui qualquer estrutura para exportação, como ela mesmo alegou (fl. 651). Tanto a LOUIS DREYFUS não precisa da fiscalizada como intermediária para a venda de derivados de soja, que vende regularmente este mesmo tipo de produtos para as mesmas comerciais exportadoras que compraram da fiscalizada. Analisandose as notas fiscais de saída da LOUIS DREYFUS, que foram solicitadas por meio do termo de intimação nº 211/2014 (fls. 646 a 647), encontrouse centenas de notas de vendas neste sentido. Com base nestas notas, elaborouse a tabela de fls. 3.363 a 3.369, que apresentam notas fiscais de vendas de derivados de soja efetuados pela LOUIS DREYFUS. Tal tabela contém a chave de cada nota fiscal eletrônica. Com este número, basta entrar no sítio da Nota Fiscal Eletrônica na Internet <http://www.nfe.fazenda.gov.br/> e observar a nota fiscal completa. Comparandose esta tabela com a tabela de fls. 407 a 409, a qual contém as vendas de derivados de soja efetuadas pela fiscalizada, constatase que nada menos que 29 comerciais exportadoras compraram derivados de soja tanto da fiscalizada como da LOUIS DREYFUS, empresas estas relacionadas na tabela abaixo. Neste sentido, uma das comerciais exportadoras, o PASTIFÍCIO SANTA AMÁLIA S/A, CNPJ nº 22.229.207/000175, afirma que adquiria mercadorias diretamente da LOUIS DREYFUS, apresentando notas fiscais para comprovação. Além disso, afirmou que esta empresa vendia para a fiscalizada, a qual revendia para a comercial exportadora por valores insignificantes (fl. 2.345): As notas fiscais anexas (Doc. 04) comprovam, por amostragem, a aquisição direta desta Contribuinte da LOUIS DREYFUS COMOODITIES BRASIL S/A. Esta empresa inclusive fornecia tais mercadorias à TOZETTO e CIA LTDA., que as revendia por Fl. 7466DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.467 14 diferenças valorativas insignificantes frente à urgência de determinadas demandas desta Contribuinte. (grifouse) 3.2.6 – Pagamentos desprezíveis de PIS e de COFINS por causa do esquema A fiscalizada possui 5 grandes supermercados na cidade de Ponta Grossa. Seu faturamento anual ultrapassa 350 milhões de reais, conforme última DIPJ entregue à RFB. Considerando que a esmagadora maioria dos itens de um supermercado é tributada pelo PIS/COFINS na sua saída, seria esperado que a fiscalizada recolhesse valores consideráveis destes tributos, tal como ocorre com outros contribuintes na mesma situação de atividade e faturamento. No entanto, nos 48 meses do período sob análise, a fiscalizada somente recolheu os tributos em questão em 4 meses, não recolhendo qualquer valor nos demais meses. Recolheu o valor total de R$ 539.144,98 a título de COFINS e R$ 116.971,54 a título de PIS. Se não houvesse o esquema em questão, ela deveria ter recolhido, a mais, os totais de R$ 16.996.760,19 e R$ 3.690.089,34, respectivamente, de COFINS e PIS. Estes valores foram obtidos a partir dos DACONs apresentado pela própria fiscalizada, os quais foram confirmados pelas DCTFs, e se encontram detalhados nas tabelas 06 e 07 apresentadas adiante. Além disso, em grande parte dos meses, os créditos totais eram até superiores aos débitos. Com isso, a fiscalizada quase sempre não utilizava totalmente os valores de créditos advindos de compras para exportação. Utilizava somente o suficiente para não pagar PIS/CONFIS no mês, deixando valores para serem utilizados nos meses seguintes. Há até valores de remanescentes de créditos destes tributos para serem utilizados após 12/2013. Este controle de créditos é melhor detalhado adiante, sendo seus os números apresentados na tabela 08. A autuação foi devidamente impugnada pelas empresas, mas a 2ª Turma da DRJ/BSB, no acórdão n° 0368.944, negou provimento às impugnações, com decisão assim ementada: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. MERCADO INTERNO. GLOSA. Restando comprovada a simulação das operações de compra e venda no mercado interno, o crédito não cumulativo da contribuição deve ser glosado. NÃO CUMULATIVIDADE. GLOSA DE CRÉDITOS. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Na sistemática da não cumulatividade a ausência de recolhimentos está, normalmente, relacionada com a apuração de créditos em montante superior ao valor da contribuição devida, sendo que a glosa de créditos pode ocasionar lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento, na medida em que os créditos que Fl. 7467DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.468 15 acobertavam os débitos apurados deixam de existir em virtude das glosas. MULTA QUALIFICADA. DOLO. O ajuste doloso pactuado entre duas pessoas jurídicas, tendente a reduzir o pagamento de tributos devidos por meio da apropriação ilegal de créditos de contribuições sociais não cumulativas, é circunstância qualificativa da infração tributária, ensejando o agravamento da penalidade aplicada no lançamento de ofício. SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSÁVEL. SOLIDARIEDADE. De acordo com a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional CTN são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Em seu recurso voluntário, a Tozetto: · Reitera as preliminares aduzidas na impugnação; · Alega que o direito não exige forma escrita para os contratos de compra e venda, que as notas fiscais correspondentes, as notas de armazenamento e os pedidos são provas suficientes da ocorrência do negócio entre ela e a Louis Dreyfus; · Que a figura do abuso de direito não se aplica ao direito tributário; · Que não há no ordenamento jurídico a figura do propósito negocial; · Defende a legitimidade das operações de compra e venda com a Louis Dreyfus; · Alega que não estão presentes os pressupostos de aplicação da multa qualificada. Em seu recurso voluntário, a Louis Dreyfus aduz: · A nulidade da decisão recorrida por desconsideração da documentação acostada; · Iliquidez da autuação – a fiscalização não utilizou o valor relativo às notas fiscais, mesmo dispondo de tais documentos; · Impossibilidade de ser considerada sujeito passivo por solidariedade; · A lei não exige a forma escrita para as operações de compra e venda; Fl. 7468DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.469 16 · As partes cumpriram suas respectivas obrigações de entregar a mercadoria e pagar o respectivo preço. Foram emitidas as correspondentes notas fiscais, que foram devidamente tributadas; · Há a comprovação de pagamento das operações; · Houve tradição simbólica, uma vez que houve emissão de fatura e recebimento do preço; · Não houve uso gratuito da sua estrutura de armazenamento; · A Tozetto fica responsável pelos riscos inerentes ao negócio: perda, roubo e perecimento; · A Tozetto e a Louis Dreyfus trabalham em regime de parceria, razão pela qual não haveria necessidade de grandes distorções nos preços praticados; · Desenvolve as atividades de performances de exportação; · Ratifica a existência das operações com a Tozetto: há notas fiscais de venda para a Tozetto; há notas fiscais de serviço onerosos de armazenagem; há comprovantes de pagamentos de todas as operações; há as notas fiscais de venda às comerciais exportadoras e a efetiva exportação; · O propósito negocial resta demonstrado, porque: antecipa o recebimento de caixa resultante das operações de venda, que é condição financeira mais vantajosa se comparada à exportação direta e maximiza os resultados financeiros e operacionais, por operar diretamente e com o embarque de produtos de terceiros; · Inexistência de lesão ao erário, por decorrência lógica do regime da nãocumulatividade; · Ilegalidade da cobrança de juros sobre multa. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Os recursos voluntários são tempestivos e reúnem os pressupostos legais de interposição, deles, portanto, tomo conhecimento. PRELIMINARES Necessária aplicação do at. 146 e do art. 100, parágrafo único do CTN Fl. 7469DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.470 17 A Tozetto alega nulidade do auto de infração, por violação dos art. 100, III, 142 e 146, do CTN, já que a RFB tinha conhecimento prévio (desde 29/10/2009) das exportações realizadas, devido ao ofício respondido pela empresa, no qual explicitou a operação. Não há inovação dos argumentos da Recorrente, diante disso, nos termos do art. 57, § 3º, do RICARF, com redação da Portaria n° 329, de 2017, proponho a adoção dos termos da decisão recorrida, por com eles concordar, verbis: Notese que na situação tratada pelo art. 100 do CTN, o contribuinte não terá que arcar com as penalidades caso tenha seguido orientação emanada por atos normativos, ou decisões dos órgãos singulares ou colegiados a que a lei atribua eficácia normativa, ou práticas reiteradamente observadas; ou ainda seja autuado em face de mudança de critério jurídico originado de normas complementares. Ou seja, de acordo com aquele dispositivo, o sujeito que tiver agido segundo certa norma complementar fica livre de penalidade caso essa norma venha a ser modificada. Não é o caso dos autos. Notase que em nenhum momento a RFB chancelou, quer normativamente, quer através de prática reiterada, as atividades de exportação supostamente realizadas pela Tozetto como licitas ou legalmente válidas. Por outro lado, o art. 146 do CTN visa impedir o lançamento de ofício, quando a situação jurídica está consolidada com fulcro nos critérios jurídicos vigentes à época do fato gerador da obrigação tributária. Destarte, estabelece, tal dispositivo, que a mudança de critério jurídico só atingirá futuros fatos geradores e não os pretéritos, mudança esta que somente pode ser introduzida de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial. Também não é o caso dos autos. Vejase que o fato da RFB saber previamente das atividades desenvolvidas pela Tozetto nem de longe se trata de ato administrativo concreto ou norma complementar. O acompanhamento que a RFB faz em relação aos contribuintes de relevante interesse vai ao encontro do princípio constitucional da eficiência sendo uma atividade específica da RFB definida legalmente na Portaria MF nº 203 de 14/05/2012 e consiste no monitoramento da arrecadação, na análise do comportamento econômicotributário e no tratamento diferenciado às ações, pendências e passivo tributário relacionados aos contribuintes. Nesta seara, nos termos da Portarias RFB nº 11.211 de 07 de novembro de 2007 e RFB nº 2.356, de 14 de dezembro de 2010 (que tratam exatamente do acompanhamento econômico tributário diferenciado de pessoas jurídicas) – vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores – os casos de indícios de Fl. 7470DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.471 18 evasão tributária serão encaminhados à área competente pela seleção e programação de fiscalização dos contribuintes diferenciados para inclusão na programação de fiscalização, que tem até 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador para, caso necessário, proceder ao lançamento. Por seu turno, as comunicações e as solicitações feitas pela RFB a determinados contribuintes não se configuram em adoção de um ou outro critério jurídico, que somente pode ser definido pela publicação de um ato administrativo concreto, específico. Nulidade da decisão recorrida Alega a Louis Dreyfus que a decisão de piso é nula, por ausência de análise de vários documentos juntados aos autos que comprovariam a existência das operações. Não há nulidade da decisão, que fundamentou as razões pelas quais entendeu ter havido a simulação das operações, o inconformismo da Recorrente é matéria é totalmente voltada à análise do mérito. Iliquidez da autuação A Louis Dreyfus alega a falta de liquidez do crédito tributário, porquanto a fiscalização não utilizou o valor relativo às notas fiscais, mesmo dispondo de tais documentos. Entendo não haver nulidade, diante do fato de a fiscalização ter afastado as operações de compra e venda entre as Recorrentes, por considerálas simuladas. Informou a fiscalização (efl. 4.874): Os cálculos de apuração e lançamentos dos tributos foram realizados a partir das declarações da própria fiscalizada, quer seja o DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais e a DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Tais declarações foram transmitidas pela própria fiscalizada ao fisco federal por meio da Internet. Pela primeira, a fiscalizada demonstrou detalhadamente os valores de apuração do PIS e da COFINS. Pela segunda, a fiscalizada declarou os valores de débitos tributários e de que forma foram pagos. Todos os DACONs transmitidos pela fiscalizada no período fiscalizado estão anexos às fls. 3.370 a 4.849. Para apuração dos valores lançados, não se utilizou qualquer valor relativo às notas fiscais apresentadas pela fiscalizada. Isso porque, conforme já explicado anteriormente, diferentemente de fiscalizações de omissão de receitas, ou de débitos relativos às saídas de produtos, em que o fisco deve provar a omissão ou as saídas, na fiscalização de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação aos valores de créditos que ele possa ter. Isso porque a existência de maiores valores de Fl. 7471DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.472 19 créditos PIS e COFINS diminui os valores a recolher destes tributos. A fiscalizada, por meio do DACON, declarou os valores de créditos constantes na tabela 01. Por meio do termo de início de fiscalização n° 45/2014 e do termo de intimação n° 87/2014, foi dado à fiscalizada a oportunidade de comprovar estes valores. Contudo, ela não o fez, já que as operações de compras de derivados de soja foram consideradas como simulação, consequentemente, inexistentes. Logo, tais valores declarados a título de aquisição de bens e serviços para exportação foram glosados. Isso diminuiu os valores de créditos da fiscalizada e, por consequência, aumentou os valores de PIS e de COFINS a recolher, gerando, por sua vez, os valores lançados. Ressaltese que a própria fiscalizada, ao não apresentar as tabelas solicitadas pelo termo de início de fiscalização, afirmou que “as informações principais já foram expressas nas DACONs relativas ao período.” (fl. 12). Nas tabelas 04 e 05, apresentadas a seguir, estão detalhados os créditos vinculados a receitas de exportação, respectivamente, de COFINS e de PIS apresentadas pela fiscalizada por meio de transmissão de DACON (fichas 06A e 16A). Enquanto a tabela 01, apresentada anteriormente, somente demonstrava o valor da base de cálculo vinculada à exportação, estas tabelas demonstram os valores finais de PIS e de COFINS (Créditos após ajustes), já submetidos às alíquotas de 7,6% e 1,65%, que a fiscalizada tinha disponível para abater seus débitos destes tributos. Também os valores de base de cálculo são divididos entre os bens para revenda, ou seja, os derivados de soja adquiridos, e as despesas de frete e armazenagem destes produtos. Como se observa, o total dos bens da revenda – R$ 229.539.008,29 fica bem mais próximo do total das aquisições da LOUIS DREYFUS (tabela de fls. 280 a 369), que é de R$ 227.486.115,04. Conforme já citado, não se entrará aqui no mérito desta diferença, uma vez que é obrigação da fiscalizada demonstrar os créditos que possa ter. Ademais, o fato é que os créditos inequivocamente vieram de compras de derivados de soja para exportação, operações estas totalmente glosadas. Ao contrário do que sustentam as Recorrentes, não há nulidades, por ausência de violação às prescrições dos art. 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. Observase que a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu às empresas identificarem o fundamento da exigência fiscal. Consta nos autos, que as Recorrentes foram intimadas de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertadas as impugnações ao lançamento e apresentados os recursos voluntários. Outrossim, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos Fl. 7472DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.473 20 todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em nulidade. MÉRITO A controvérsia reside na interpretação das operações de compra e venda interna com o fim específico de exportação de derivados de soja: farelo de soja, óleo de soja refinado e degomado. Divergem o fisco e as Recorrentes quanto aos efeitos. Para a fiscalização, teria havido um conluio entre a Louis Dreyfus e a Tozetto, estas operações teriam como finalidade a transferência ficta dos créditos de PIS e Cofins para a Tozetto, pois, ao final e ao cabo tais operações teriam sido efetuadas pela Louis Dreyfus e não pela Tozetto. Isso porque, o PIS e a Cofins não incidirão sobre as receitas decorrentes das operações de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (Lei nº 10.833/2003, art. 6º), entretanto a aquisição de produtos para tal finalidade gera direito a crédito (Lei nº 10.833/2003, art. 6º, § 1º c/c art. 3º). No caso em comento, os créditos foram glosados, pois seria a Louis Deyfus quem, de fato e de direito, realizou as operações de exportação, sendo a Tozetto, um terceiro artificialmente inserido nas operações de exportação. Posição da Relatora quanto à aplicação da figura do propósito negocial Há um problema semântico de vaguidade quanto ao instituto do planejamento tributário. Genericamente, todo o procedimento com vistas à redução da carga tributária é denominado planejamento tributário. Contudo, a organização das atividades negociais com o objetivo de obter economia tributária pode representar tanto uma conduta lícita quanto ilícita, por isso, é fundamental o delineamento entre elisão fiscal (conduta dentro do código de licitude do sistema do direito positivo) e evasão fiscal (conduta vedada pelo sistema do direito positivo). O planejamento tributário demanda duas diferentes perspectivas de análise: de um lado o contribuinte que legitimamente pode e deve, com segurança jurídica, planejar suas ações com o escopo de reduzir a carga tributária que suporta e, de outro, a autoridade administrativa que busca encontrar o que supostamente seriam os “limites” ao ato de planejar do contribuinte. Na construção dos “limites” ao planejamento tributário, é possível identificar a aplicação acrítica, por alguns, de “teoria antielisiva” do direito estrangeiro, a teoria do propósito negocial (business purpose test). A teoria do propósito negocial tem origem no direito suíço, com grande desenvolvimento no direito norteamericano. Sua base é de construção jurisprudencial que identifica no caso concreto além da economia fiscal, um propósito negocial. Isso quer dizer que deverá haver outras “motivações” que não a exclusiva de economizar tributos para que a operação de planejamento tributário se legitime. Dessa forma, se a operação tiver apenas o propósito de economizar tributo os efeitos da operação de planejamento não seriam legítimos. Fl. 7473DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.474 21 Na doutrina, Marco Aurélio Greco, dentre outros juristas, defende a linha da “existência de justificativa” para a validade do planejamento tributário e o faz nos seguintes termos: O Estado brasileiro evoluiu de um Estado Liberal para um Estado Social de Direito, dessa forma a capacidade contributiva prevista no artigo 145 da CF e a solidariedade social prevista no artigo 3º a CF se sobreporiam à legalidade: embora não previsto especificamente, o caso deve ser considerado dentro da incidência.1 Discordo da aplicação da teoria do propósito negocial, isso porque exigir como requisito para o planejamento tributário qualquer uma das teorias antielisivas estrangeiras, é aplicar norma inexistente no sistema jurídico brasileiro. A interpretação dos negócios jurídicos e de seus efeitos deve ser feita, impreterivelmente, segundo as prescrições do direito positivo brasileiro, do contrário, ela será inválida. Nesse sentido, a lição de Paulo Ayres Barreto: No Direito Brasileiro, o requisito de existência de propósito negocial para legitimidade da operação foi endossado diversas vezes pela doutrina e pela jurisprudência, e influenciou até mesmo a edição de textos normativos, muito embora não haja, como afirmado, dispositivo legal que vede a realização de negócios jurídicos com a finalidade única de diminuir a carga fiscal, o que muitas vezes compromete o rigor com o qual o tema é aqui tratado. Inversamente ao que ocorreu com o direito norte americano, aliás, a tendência brasileira foi a de passar a aceitar a utilização desses institutos como fundamentos de desconsideração de operações cada vez mais nos tempos atuais, especialmente no que tange à jurisprudência administrativa. (...) Para que importada, a doutrina há de ser minimamente compreendida, e não reproduzida como se apta a introduzir novos regramentos ao comportamento dos contribuintes sem regulamentação legal. A inexistência de critérios claros para a análise da questão do propósito negocial, aliás, faz com que haja grande margem de subjetividade ao agente fiscal responsável pela autuação, o que não condiz com a necessária vinculação do ato administrativo do lançamento. (...) É dizer, num sistema jurídico em que vigora o princípio da legalidade, do qual decorre a liberdade dos cidadãos para fazer tudo que não for legalmente proibido, somente com a previsão legal de ilicitude da conduta perpetrada será legítima 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2004, p. 186. Fl. 7474DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.475 22 a atuação estatal tendente a restringir tal liberdade – possíveis juízos que extrapolem a esfera do direito positivo estarão impedidos de embasar a autuação. Sem a devida subsunção da situação à hipótese proibitiva legal, que implica também, por óbvio, a apresentação de elementos comprobatórios bastantes à caracterização da ilegitimidade da conduta, carecerá a autuação da devida motivação, do que decorrerá sua incontestável nulidade. (Planejamento tributário, limites normativos. São Paulo: Noeses, 2016, pp. 207 a 2015). Em suma, o propósito negocial, por si só, é insuficiente para oferecer o devido embasamento jurídico de desconsideração de negócios jurídicos realizados no exercício da liberdade e da livre iniciativa dos contribuintes, por afrontar a livreiniciativa e o princípio da legalidade, nas suas vertentes privada e pública. Então, a validade do planejamento é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Estará o contribuinte no campo da ilicitude se o negócio jurídico for simulado ou se houver a ocorrência do disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, ou seja, se as condutas esconderem, modificarem ou excluírem o fato jurídicotributário. Logo, se a conduta estiver no campo da licitude estaremos diante da elisão fiscal e se no campo da ilicitude, da evasão fiscal. Vejase decisão nesse sentido: DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de ofício, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado à lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento Fl. 7475DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.476 23 tributário para reduzir sua carga tributária. O fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vício. Estranho seria supor que as pessoas pudessem buscar economia tributária lícita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. CARF, Acórdão nº 110100.708, julg. 11/04/2012. O artigo 167, § 1º do Código Civil dispõe que haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira e III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Na seara da tributação, para que haja simulação que legitime a desconsideração do negócio jurídico, é necessário: (i) conluio entre as partes; (ii) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado; e (iii) intenção de lograr o Fisco2. A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Desse modo, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. Importa distinguir a simulação em absoluta e relativa. A simulação absoluta referese a negócio jurídico inexistente, sendo nulo ab initio. A simulação relativa envolve um negócio simulado e outro dissimulado, subsistindo este nos termos do art. 167 do Código Civil. Confirase novamente a lição de Paulo Ayres Barreto: Desdobramento importante para o Direito Tributário decorre da classificação das espécies de simulação em absolutas ou relativas. A simulação é absoluta se “a declaração de vontade exprime aparentemente um negócio jurídico, não sendo intenção das partes efetuar negócio algum”. O ato ou negócio jurídico simplesmente não ocorreu. É meramente ilusório ou fictício. Na simulação relativa, também denominada dissimulação, há, consoante ensina Silvio Rodrigues, dois negócios jurídicos: “um, simulado, ostensivo, aparente, que não representa o íntimo querer das partes; e outro, dissimulado, oculto, que justamente constitui a relação jurídica verdadeira”. Em célebre analogia, Francesco Ferrara afirma que se a simulação é um fantasma, a dissimulação é uma máscara. 2 “Os atos tendentes a ocultar ocorrência de fato jurídico tributário configuram operações simuladas, pois não obstante a intenção consista na prática do fato que acarretará o nascimento da obrigação de pagar tributo, este, ao ser concretizado, é mascarado para que aparente algo diverso do que realmente é.” (Derivação e Positivação no Direito Tributário. Vol. 1. São Paulo: Editora Noeses, 2013, p. 80). Fl. 7476DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.477 24 (Planejamento tributário, limites normativos. São Paulo: Noeses, 2016, pp. 143144). A consequência da distinção reside no fato de que o art. 167 do Código Civil estabelece que, na simulação relativa, subsiste o negócio que se dissimulou, ou seja, o negócio jurídico que se pretendeu ocultar através de outro aparente/simulado. Em suma, no caso em comento, não se trata de aferir a existência de propósito negocial nas operações de compra e venda internas para posterior exportação, mas sim de identificar as provas da ocorrência ou não dessas operações internas. Declaração de Voto da Conselheira Liziane Angelotti Meira A posição majoritária obtida na votação da matéria, entende que o planejamento tributário deve ser afastado diante da ausência de propósito negocial. Assim, em sentido contrário ao defendido pela Relatora, a existência ou não de propósito negocial é ferramenta válida para se aferir a ocorrência ou não de simulação, afastando, por conseguinte, os negócios jurídicos maculados. Restou clara a ausência de propósito negocial, diante da comprovação de que de um lado a Louis Dreyfus buscou a diminuição do estoque de créditos e, de outro, a Tozetto o acúmulo de créditos, com a indevida redução de tributos. Os contratos, depoimentos e demais documentos apresentados permitem afirmar que a Louis Dreyfus, dentro de suas atividades normais, executa operações denominadas de “performance” junto às comerciais exportadoras, logo não há fundamento para que ela faça contrato com a Tozetto ao invés de exportar seus produtos diretamente. Há propósito negocial nas vendas de derivados de soja da Louis Dreyfus para as empresas comerciais exportadoras, as quais irão exportálos em seu próprio nome. Entretanto, não existe qualquer propósito negocial nas vendas de derivados de soja da Louis Dreyfus para a Tozetto, porquanto tal operação gera um custo alto, não agrega valor e a Tozetto carece de qualquer estrutura para exportação. Ademais, a Tozetto revendia as mercadorias adquiridas da Louis Dreyfus, por diferenças valorativas insignificantes. A fiscalização foi diligente ao constatar que a Louis Dreyfus vende regularmente as mesmas mercadorias para as mesmas comerciais exportadoras que compraram da Tozetto. Logo, a compra e venda para a qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível ao Fisco. Então, negada eficácia fiscal ao arranjo contratual sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS pela Tozetto, sendo correta a glosa efetuada e a consequente recomposição da apuração de PIS e COFINS devidos no mercado interno. Fl. 7477DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.478 25 Quanto aos elementos para a caracterização da simulação, a posição majoritária também identificou aqueles constantes no voto da Relatora, no tópico “Dos elementos dos autos que permitem identificar a ocorrência de simulação”, que segue abaixo. Ressaltese que tais elementos são inerentes à demonstração da ausência de propósito negocial. Dos elementos dos autos que permitem identificar a ocorrência de simulação Entendo que os elementos colacionados permitem se afirmar que as operações de compra e venda internas não ocorrem de fato, apenas de direito. E, se não ocorrem, não há créditos lícitos advindos de tais operações. É possível essa afirmação, construída a partir da análise dos elementos que constam neste processo: Não foram apresentados os contratos que prescrevessem o total de produtos a serem comprados pela Tozetto, as garantias pelos pagamentos etc. Não foram apresentados os contratos entre a Tozetto e as sociedades comerciais exportadoras. A Tozetto não possui nenhuma infraestrutura física para vender os derivados de soja para empresas comerciais exportadoras, dessa forma não adquire de fato a mercadoria, por impossibilidade de seu armazenamento. As mercadorias são produzidas pela Louis Dreyfus e são transportados diretamente ao terminal portuário da própria LOUIS DREYFUS em Paranaguá ou de terceiros, de onde são exportados em nome de empresas comerciais exportadoras; Todos os adquirentes de soja da Tozetto são empresas comerciais exportadoras, que firmaram contrato com a Louis Dreyfus, para as operações denominadas “performance”. Há cláusula nos contratos entre a Louis Dreyfus e as comerciais exportadoras que permitem a esta empresa indicar terceiro para fornecer os derivados de soja. No caso, a Louis Dreyfus indicou a Tozetto. A indicação da Tozetto seria justifica pelo fato de a Louis Dreyfus não possuir naquele momento a quantidade solicitada pela comercial exportadora. Entretanto, tais produtos foram produzidos por ela própria Louis Dreyfus. A Louis Dreyfus firmava contratos de “compra e venda de mercadorias para entrega futura com fim específico de exportação” com as exportadoras intimadas no curso do processo, que seriam as clientes da Tozetto. Os adquirentes das mercadorias exportadas pelos clientes da Tozetto, as exportadoras, os “importadores” são coligadas da Louis Dreyfus, tal como a Louis Dreyfus Commodities Suisse SA. Fl. 7478DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.479 26 O parágrafo segundo da cláusula primeira dos contratos de performance prescreve que a Louis pode inserir a figura de terceiro, no caso a Tozetto, mas sem perder a titularidade das operações: Como titular dos contratos, a Louis Dreyfus determinava às empresas comerciais exportadoras que elas deveriam pagar à Tozetto pelas vendas. Contudo, não há qualquer informação sobre lucratividade ou formação de preço pela Tozetto. A Louis Dreyfus vende os mesmos produtos para as mesmas comerciais exportadoras que adquiriram derivados de soja da Tozetto, com base nos mesmos contratos. A Tozetto não fica responsável pelo cumprimento de todas as obrigações relativas aos fornecimentos dos produtos que seriam, posteriormente, exportados; O controle das operações de exportação é exclusivo da Louis Dreyfus, pois é ela que determina todos os parâmetros das exportações, para qual exportadora a Tozetto deve vender as mercadorias, o valor das transações entre a Tozetto e as exportadoras e o local em que as operações de exportação deveriam ocorrer: Fl. 7479DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.480 27 Fl. 7480DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.481 28 O local definido pela Louis Dreyfus voltase à garantia da realização da exportação tal como previsto no contrato de performance: Fl. 7481DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.482 29 O controle de qualidade perante o importador é exclusivo da Louis Dreyfus: Não consta nos autos a informação de composição do preço praticado entre a Tozetto e as exportadoras: não se observa a recuperação de custos com armazenagem e embarque. Não consta nos autos prova de que a Tozetto tenha recebido o “prêmio”, conforme a clausula terceira dos contratos de performance firmados com as exportadoras: A Tozetto não adquiriu soja de nenhum outro grande fornecedor, como Bunge e Cargill, mas mantevese na operação com baixíssima ou nenhuma lucratividade. A Tozetto não realizou qualquer venda direta às sociedades comercias exportadoras, apenas por intermédio da Louis Dreyfus. Quanto ao argumento da Tozetto de que teve aumento no seu faturamento, recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, como bem apontado pela decisão de piso, segundo a própria Tozetto (efl. 5.524, nota 2) o seu faturamento com soja nos anos de 2009 a 2013 foi de R$ 227.370.880,01; contudo, os custos com produtos para exportação informados no Dacon (entre 2010 e 2013, efl. 4.855) somam R$ 232.539.637,41. A Tozetto ao revender a soja para as comerciais exportadoras não tinha lucro, como se observa na efl. 2.345, informação prestada pela comercial exportadora Pastifício Santa Amália S/A: As notas fiscais anexas (Doc. 04) comprovam, por amostragem, a aquisição direta desta Contribuinte da LOUIS DREYFUS COMOODITIES BRASIL S/A. Esta empresa inclusive fornecia tais mercadorias à TOZETTO e CIA LTDA., que as revendia por diferenças valorativas insignificantes frente à urgência de determinadas demandas desta Contribuinte. Fl. 7482DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.483 30 As DACON e DCTF apontam que a Tozetto utilizou os créditos referentes a aquisição de derivados de soja conforme a necessidade, somente no valor suficiente para atingir saldo negativo a pagar de PIS e COFINS. Os créditos restantes eram deixados para o mês seguinte. Por sua vez, os créditos de aquisições destinadas ao mercado interno foram utilizados no próprio mês de sua obtenção. Dos 36 meses fiscalizados, 32 não tiverem saldo de PIS e COFINS a serem recolhidos. Apontam as Recorrentes que cumpriram com suas respectivas obrigações de entregar a mercadoria e pagar o respectivo preço. Foram emitidas as correspondentes notas fiscais, que foram devidamente tributadas. Entendo que todo esse conjunto de documentos integra a simulação das operações de compra e venda. Sustentam que houve tradição simbólica, uma vez que houve emissão de fatura e recebimento do preço. Discordo, diante do fato que a qualidade das mercadorias, o embarque e toda a gestão das vendas às exportadoras era, exclusivamente, da Louis Dreyfus. Afirma a Dreyfus que não houve uso gratuito da sua estrutura de armazenamento, mas as despesas de armazenamento e embarque sequer aparecem como custos recuperados pela Tozetto. Defende a Dreyfus que a Tozetto fica responsável pelos riscos inerentes ao negócio: perda, roubo e perecimento, mas não há contrato que afirme esse fato, em contrapartida os contratos de performance imputam exclusivamente à Louis Dreyfus toda a responsabilidade perante o importador. Alegam as Recorrentes que trabalham em regime de parceria, razão pela qual não haveria necessidade de grandes distorções nos preços praticados. Todavia, a fiscalização apontou que para a Tozetto as operações eram deficitárias. Diz a Tozetto que as operações aumentaram seu lucro contábil, entretanto não se deteve em impugnação ou em recurso voluntário a fazer tal demonstração. A Louis Dreyfus aduz que há propósito negocial, porque: antecipa o recebimento de caixa resultante das operações de venda, que é condição financeira mais vantajosa se comparada à exportação direta (o pagamento na exportação direta é posterior à remessa) e maximiza os resultados financeiros e operacionais, por operar diretamente e com o embarque de produtos de terceiros. Entendo que tais argumentos ficam diluídos face ao total controle das exportações nos contratos de performance, o que envolve nenhum ato real entre a Tozetto e os exportadores. Multa Qualificada A fiscalização assim justificou a imposição de multa qualificada: De acordo com a definição estampada no transcrito Art. 73 e considerando tudo o que foi abordado anteriormente, verificase que houve conluio entre a fiscalizada e LOUIS DREYFUS visando fraude à legislação tributária. A simulação de venda no mercado interno foi uma ação dolosa tendente a reduzir o montante dos tributos devidos da fiscalizada, por meio da transferência ilegal de créditos de PIS e COFINS. Fl. 7483DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.484 31 A aplicação da multa qualificada pressupõe o comprovado intuito de fraude, nos exatos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, que é o dolo específico da conduta praticada. Entendo que a ocorrência de simulação não está obrigatoriamente vinculada à imposição de multa qualificada: Nesse sentido: Acórdão n° 9101002.189, julg. 20/01/2016 MULTA QUALIFICADA. Para que se possa preencher a definição do evidente intuito de fraude que autoriza a qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, é imprescindível identificar a conduta praticada: se sonegação, fraude ou conluio respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. A mera imputação de simulação não é suficiente para a aplicação da multa de 150%, sendo necessário comprovar o dolo, em seus aspectos subjetivo (intenção) e objetivo (prática de um ilícito). E, Acórdão n° 1401000.850, julg. 11/09/2012 LANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO. No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Dito de outra forma: a não convalidação de planejamento tributário, por si só, não justifica a qualificação da multa. A discussão sobre desqualificação do planejamento tributário é matéria diversa e tem base em premissas jurídicas distintas daquelas que devem equacionar a aplicabilidade da multa qualificada. Logo, mesmo que o planejamento fiscal não possa ser convalidado, a qualificação da multa apenas se impõe, se preenchidos os seus próprios requisitos. Assim, se as partes realizaram as operações às claras, cumpriram obrigações acessórias, não falsificaram documentos, não resta comprovado o “evidente intuito de fraude”. No caso em exame, não se verifica o “evidente intuito de fraude”, para fins de aplicação da qualificadora, diante dos seguintes elementos: Fl. 7484DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.485 32 A fiscalização afastou de responsabilização os exportadores, clientes que adquiriram a soja da Tozetto; A fiscalização atestou que os valores de apuração do PIS e da COFINS informados à RFB por meio de transmissão de Declarações, via Internet, estavam corretos e foram utilizados na lavratura do auto de infração. Os créditos glosados também estavam declarados nas fichas do DACON, cf. efl. 4874: Os cálculos de apuração e lançamentos dos tributos foram realizados a partir das declarações da própria fiscalizada, quer seja o DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais e a DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Tais declarações foram transmitidas pela própria fiscalizada ao fisco federal por meio da Internet. Pela primeira, a fiscalizada demonstrou detalhadamente os valores de apuração do PIS e da COFINS. Pela segunda, a fiscalizada declarou os valores de débitos tributários e de que forma foram pagos. Todos os DACONs transmitidos pela fiscalizada no período fiscalizado estão anexos às fls. 3.370 a 4.849. No objeto social da Tozzetto já constava a atividade de exportação de soja, em contrato social registrado anteriormente ao período fiscalizado: Constitui objeto da sociedade, “SUPERMERCADO”, comércio de mercadorias em rede de varejo e atacado, sendo comércio de produtos contra insetos, produtos e materiais de limpeza e higiene, produtos para defesa à saúde, ferramentas e ferragens, cutelaria, discos, fitas, CD e DVDs, matéria de iluminação, eletrodomésticos, pneus, combustíveis, lubrificantes em geral, tintas e vernizes, sementes, materiais de escritório, materiais escolares papeis, livros, borrachas e materiais plásticos, mangueiras e materiais acessórios de construção, artigos de mobiliário, faqueiros e talheres, artigos e utensílios de utilidades doméstica, recipientes e embalagens, alimentos para animais, roupas de cama e banho, artigos para limpeza, roupas e acessórios do vestuário e artigos viagens, jogos, brinquedos e passatempos, artigos de ginástica, esporte, caça e pesca, gênero alimentícios, carnes e derivados, ovos, peixes, frutos do mar, frutas, legumes, verduras, cereais, óleos comestíveis, condimentos e essências alimentícias, café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e leite, massas alimentícias, farinhas, fermentos, produtos de panificação, pães, biscoitos, bolachas, pizzas, canapés, sanduíches, bolos e doces, açúcar e adoçantes, sal, carvão, gelo, água, artigos para fumantes e cigarros, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos, insumos agrícolas em geral, farelo de soja, óleo de soja degomado a granel, inclusive a importação e exportação de todos os produtos acima mencionados, serviços de transporte de mercadorias e cargas, embalagens de mercadorias e armazenamento, serviços Fl. 7485DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.486 33 de alimentação, lanchonete, restaurantes, e comércio e serviços e administração de valesalimentação e refeição. A fiscalização expressamente considerou como válidos os contratos entre a Louis Dreyfus e as comerciais exportadoras (efl. 4.873): Logo, são nulas todas as operações simuladas de compra e revenda realizadas pela fiscalizada, subsistindo os negócios realizados entre LOUIS DREYFUS e as comerciais exportadoras. Os créditos de PIS e COFINS são legalmente aceitos no presente caso, mas o detentor desse direito é a LOUIS DREYFUS, que produziu e encaminhou os bens até as comerciais exportadoras, não havendo direito à fiscalizada de utilizar esses créditos para diminuir o pagamento de seus tributos. A Tozetto, sujeita a acompanhamento diferenciado, quando intimada pela Receita Federal, não omitiu as operações realizadas. Constou da intimação: “Tendo em vista que a empresa apresentou redução no nível de recolhimento de tributos e contribuições federais este ano de 2009, em relação a 2008, solicitamos vossos bons préstimos em apresentar esclarecimentos para o ocorrido.” A resposta da Tozetto foi: PIS e COFINS – Também observando o demonstrativo acima, pode se verificar que a partir de maio de 2009 começamos a fazer uma operação de exportação estruturada com a empresa Louis Dreyfus Commodities Brasil SA, onde adquirimos farelo de soja e óleo de soja degomado e vendemos com fins específicos de exportação, na comora gera um crédito de PIS e COFINS e quando da venda é isento, dessa forma fica reduzido o nosso imposto a recolher e em alguns meses até fica saldo credor. O pressuposto de aplicação da multa qualificada é a aplicação de artifício doloso. Eis que, no que tange às infrações tributárias, o dolo não se presume, deve ser provado: Sendo assim, ao compor em linguagem o fato ilícito, além de referir os traços concretos que perfazem o resultado, a autoridade fiscal deve indicar o nexo entre a conduta do infrator e o efeito que provocou, ressaltando o elemento volitivo (dolo ou culpa, conforme o caso), justamente porque integram o vulto típico da infração. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário Linguagem e Método. 6.ed. São Paulo: Noeses, 2015, p. 857). Imperiosa a conclusão de que nestes autos não há provas do dolo deliberado, que justifique a aplicação da multa qualificada de 150%. Fl. 7486DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.487 34 Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão n° 9101 003.365, julg. 18/01/2018: MULTA QUALIFICADA. A acusação de artificialismo de uma operação baseada na ausência de seu propósito negocial revelada pela geração de ágio interno e com uso de empresa veículo, sem a demonstração cabal de invalidades efetivas e do intuito de fraudar, sonegar ou atuar em conluio do sujeito passivo, com a devida subsunção aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64 não autoriza a qualificação da multa de ofício, independentemente do posicionamento que se tenha quanto à dedutibilidade do ágio na questão. E também, o acórdão n° 910101.404, julg. 17/07/2012: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Assim, voto por desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75%. Reponsabilidade tributária por interesse comum A sujeição passiva solidária da Louis Dreyfus foi assim sustentada: De tudo que foi exposto, fica claro a existência de conluio entre LOUIS DREYFUS e a fiscalizada, fraudando a legislação tributária que veda a transferência de créditos de um contribuinte a outro. Desta ação dolosa, ambas as empresas saíram beneficiadas. A fiscalizada, que conseguiu abater um enorme valor de seus pagamentos de PIS e de COFINS, conforme tabelas apresentadas anteriormente. A LOUIS DREYFUS auferiu vantagens, pois, ao invés de se submeter aos Fl. 7487DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.488 35 trâmites da RFB para receber seus créditos, os transferiu à fiscalizada. Logo, as duas empresas tiveram interesse no ilícito. Não seria justo que apenas a fiscalizada respondesse por isso. Desta forma, na presente ação fiscal, incidiu a sujeição passiva solidária, pois restou caracterizada a situação prevista no inciso I do Art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; A Louis Dreyfus requer o afastamento de sua responsabilização, em virtude de: não ter qualquer relação com os supostos créditos indevidos ou a insuficiência do recolhimento de PIS e COFINS pela Tozetto, não tem interesse comum nesse fato jurídico (que é hipótese de incidência do PIS e da COFINS) e as operações efetivamente ocorreram, com se observa dos pagamentos e outros documentos comprobatórios. Sustenta que não se constitui um interesse comum pessoas que estão em posições antagônicas. E, conclui que “não tem interesse comum no recolhimento a menor do PIS e COFINS da empresa Tozetto & Cia Ltda. Ora, se o objeto dos autos de infração é exatamente esse resta claro que o vendedor (Louis Dreyfus) jamais poderá ser responsabilizado solidariamente com tal obrigação.” Na conceituação de “interesse comum”, socorrome da lição de Maria Rita Ferragut: O artigo 124, I e II, do CTN, adota dois critérios para estabelecer o vínculo de solidariedade passiva entre os devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário; e (ii) designação expressa em lei. Iniciemos com o interesse comum. Muito embora o direito positivo não tenha elucidado o conteúdo semântico desse critério, entendemos como sendo a ausência de interesses jurídicos opostos na situação que constitua o fato jurídico tributário, somada ao proveito conjunto dessa situação. Não é necessário que os sujeitos encontremse no mesmo polo da relação jurídica de direito privado, para que se obriguem mutuamente pelo pagamento da dívida tributária (tal como ocorre com o alienante do imóvel, que deseja vendêlo, e do adquirente, que pretende comprálo). (Maria Rita Ferragut, Reponsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2013, p. 80). Fl. 7488DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.489 36 Entendo que o interesse comum resta demonstrado, eis que reside no interesse econômico, ou seja, interesse nas consequências oriundas da realização da operação simulada, beneficiandose os dois polos do uso indevido dos créditos. Entendo que o art. 124, I não se restringe às partes que realizem conjuntamente o fato gerador do tributo. O fato jurídico tributário no caso em comento referese à “transferência de créditos decorrentes da venda para exportação”, da Louis Dreyfus para a Tozetto. Dessa forma, configurada a simulação, na acepção técnicaestrita do termo, todas as empresas envolvidas serão responsabilizadas pelas consequências do negócio real, uma vez que a simulação tem como principal característica o ajuste entre as partes. Por isso, concluo que a responsabilização solidária, com fundamento no art. 124, I do CTN foi corretamente constituída. Juros sobre a multa de ofício Quanto à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício aplicada, não há razão no pleito de afastamento. O art. 161 do CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta". O crédito é decorrente da obrigação principal, que " surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária". Logo, nos termos dos artigos 113, § 1º, e 139 do mesmo Diploma, há base legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício. Em suma, correta a incidência de juros sobre multa de ofício. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial aos recursos voluntários apenas para afastar a qualificação da multa de ofício, mantendo o restante da autuação, bem como a responsabilidade solidária da empresa Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 7489DF CARF MF Processo nº 12571.720330/201433 Acórdão n.º 3301004.593 S3C3T1 Fl. 7.490 37 Fl. 7490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000295/2007-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório.
REP Negado e REC Negado
Numero da decisão: 9303-006.386
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. REP Negado e REC Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15940.000295/2007-56
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863841
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.386
nome_arquivo_s : Decisao_15940000295200756.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 15940000295200756_5863841.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7288990
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310165921792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15940.000295/200756 Recurso nº 1 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303006.386 – 3ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES. RESSARCIMENTO. Recorrentes VITAPELLI LTDA. EM RECUPERACAO JUDICIAL E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. REP Negado e REC Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 02 95 /2 00 7- 56 Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3102001.481, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMPRESA INAPTA. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Art. 82 da lei n° 9.430/96. Não comprovada a eletiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN n° 200 de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO A TERCEIROS. Não caracterizada relação jurídica negocial. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI não integra a base de cálculo da Cofins e do PIS. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão na parte em que houve reconhecimento pelo Colegiado a quo da não incidência de PIS/Cofins sobre o crédito presumido de IPI. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, defendendo que o crédito presumido de IPI não possui natureza de receita. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 4 3 Insatisfeito, o sujeito passivo também interpôs Recurso Especial contra o acórdão nº 3102001.481 na parte desfavorável, requerendo o afastamento das glosas de créditos das contribuições relativos às aquisições efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato e a correção dos créditos pela Selic. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo, apenas quanto à discussão acerca das aquisições perante fornecedores inexistentes de fato. O Despacho de Reexame de Admissibilidade manteve, na íntegra, o Despacho do Presidente de Câmara. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que seja negado provimento ao recurso do contribuinte, mantendose a decisão recorrida nesse ponto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.324, de 20/02/2018, proferido no julgamento do processo 10835.000067/200689, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.324): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos – eis que atendidos, para tanto, os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Para melhor elucidar, importante recordar que, quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, houve insurgência da discussão acerca da incidência ou não de PIS/Cofins sobre as receitas referentes a crédito presumido de IPI. O acórdão recorrido entendeu que o crédito presumido do IPI não integra a base de cálculo da contribuição, por não ter natureza de receita, mas de recuperação de custos. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma decidiu que “o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363/96, receita que é, inclui se naquela base”. Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 5 4 Sendo assim, no que tange ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, vez que comprovada a divergência suscitada. Quanto ao recurso interposto pelo sujeito passivo que, por sua vez, suscitou divergências em relação às aquisições perante fornecedores inexistentes de fato, vêse que o acórdão recorrido considerou como não comprovada a operação de aquisição de insumos junto as empresas inaptas por inexistência de fato. Argumenta que os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200 de 2002. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma firma entendimento diverso, ao tratar das aquisições junto as pessoas jurídicas fornecedoras inexistentes de fato, considerando que a inidoneidade de documentos fiscais, originadores de créditos, emitidos pelas pessoas jurídicas declaradas inidôneas, com fundamento na inexistência de fato, nas circunstâncias presentes, geraria efeitos a partir da publicação do Ato Declaratório Executivo. Em vista do exposto, é de se conhecer o recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Do Mérito Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a discussão trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional – qual seja, sobre a incidência ou não de PIS/Cofins sobre o crédito presumido de IPI. Em relação a essa discussão, antecipo meu entendimento de que tais créditos não conferem a natureza de receita. Para melhor elucidar, importante trazer os ensinamentos de ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” ao tratar o conceito de receita: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo.” Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo”. Cabe trazer que em consonância com o entendimento de que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC – a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 6 5 I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido.” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008)” Consoante esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: “Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, se subvenção ou recuperação de custo. A discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita e faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS e, no caso dos créditos presumidos de IPI. Para melhor compreensão e por não considerar tal crédito presumido como receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1.1. Hipótese: Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 7 6 Critério Material: auferir receita. Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 1.2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo, Estado – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Critério Material: ser autoridade fazendária Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Consequente: Critério pessoal: Estado – autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. Portanto, crucial afastar o r. crédito da tributação das contribuições, pois não se configura juridicamente como tal, independentemente do registro contábil adotado ou adotável. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito pelo PIS e Cofins pois de receita auferida não se trata, tampouco de um ingresso que configuraria recomposição do patrimônio, até então decomposto pelo custo arcado com o pagamento do tributo. Indiscutível que seu efeito econômico não caracteriza nova riqueza, comportando somente a recomposição do patrimônio anteriormente desfalcado ou recomposição da mesma disponibilidade preexistente. Sendo assim, o crédito presumido de IPI não ostenta natureza de receita ou faturamento, mas mera recomposição do patrimônio, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Vêse que a operação de obtenção dos créditos, considerando até mesmo a essência contábil e sua primazia, deve ocorrer com a escrituração na contabilidade da empresa para posterior utilização. O que, por consequência, constatase que os créditos não utilizados se constituem em meros direitos. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 8 7 E, em respeito à Regra Matriz de incidência das contribuições ao PIS e Cofins, bem como a análise da essência do r. crédito, não há que se falar em tributação, pois forçoso se tributar tais direitos pelas r. contribuições. Nesse ínterim, é de se ressurgir com o conceito trazido pelo CPC 30: “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. ” O que, por conseguinte, facilmente constatável que contabilmente tais créditos também não conferem natureza de receita. Frisese ainda tal entendimento o acórdão 9303005.495 de nossa turma, que consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. ” O que, para melhor elucidar o entendimento desse Colegiado acerca da matéria, peço licença para transcrever parte do voto vencedor escrito pelo ilustre ex Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas: [...] No mérito, entendo que o crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito decorre dos insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrial exportador. A exigência do Fisco centrase no argumento de que a Lei nº 9.718/98 ampliou a base de cálculo de ambas as contribuições, constituindo regra a inclusão de qualquer receita auferida, inclusive os valores em questão, considerados como outras receitas operacionais, e exceção apenas as exclusões expressamente previstas na Lei. Assevera que, apesar de o crédito instituído pela Lei nº 9.363/96 ter como objetivo o ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre matérias Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 9 8 primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos exportados, o ressarcimento em si é meramente presumido, não havendo como assemelhálo a uma restituição de tributos, porque não houve pagamento indevido de PIS e COFINS. Conclui afirmando que o crédito é receita nova, decorrente de benefício concedido, e não recuperação de custos. Em relação ao crédito presumido, o legislador, dentro da máxima econômica de que 'não se exportam tributos, buscou dar incentivo às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e COFINS, embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados, concebendo um benefício fiscal consubstanciado no crédito presumido de IPI, para ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI. Ou seja, o produtorexportador se apropria de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. Entretanto, a seguir a dicção da Lei, o incentivo não se direciona precipuamente ao imposto em comento, senão que o intento primeiro foi exonerar o pagamento das exações previstas nas Leis Complementares nº 7 e 8/70 e 70/91. Daí que a perspectiva adotada pelo criador da norma não pode ser distorcida de modo a colocar na base de cálculo do PIS e da COFINS importâncias que derivam, em última análise, da dispensa do pagamento das próprias contribuições. Isso implicaria diminuir o benefício fiscal, fazendo com que a desoneração pretendida ocorra de forma parcial. Do ponto de vista econômicofinanceiro e contábil, o incentivo instituído pela Lei nº 9.363/96, na verdade, não constitui receita, mas um valor retificador de custo. O que efetivamente gera o crédito presumido são os insumos comprados pelo industrial, em cujo preço foram adicionados os valores do PIS e COFINS, de forma cumulativa. Se a legislação oferecesse a esses tributos o mesmo tratamento jurídico dado ao IPI, a conta de insumos refletiria apenas o custo efetivo da matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois dele seriam expungidas as contribuições ao PIS e à COFINS, cujos valores seriam lançados na conta contábil pertinente, para posterior recuperação. Logo, ainda que o PIS e a COFINS a recuperar constituíssem um direito da empresa contra o Fisco, não representam ingresso de receita, seja na acepção contábil, seja na econômicofinanceira. Cumpre assinalar que esse raciocínio fundase na teleologia da norma inserta na Lei nº 9.363/96, uma vez que não há que falar, obviamente, em nãocumulatividade de PIS e COFINS, antes do advento da Lei nº 10.637/2002. Há que terse em vista a finalidade a ser atingida pelo incentivo às exportações. Se o crédito presumido receber o mesmo tratamento jurídico de rendimentos obtidos em aplicações financeiras, por exemplo, a empresa, na prática, pagará PIS e COFINS sobre os insumos consumidos no processo de industrialização, os quais são a causa da existência do crédito. Concordo que o crédito presumido não se equipara a restituição de tributos, mas também não entendo que seja equiparado a uma receita de venda, para fins contábeis e tributários. Na análise contábil, se a aquisição do insumo utilizado na industrialização de produtos exportados não estivesse onerada de PIS e COFINS, o valor lançado à conta de "Estoque de MatériaPrima" estaria livre de tributos e, consequentemente, o valor apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" seria menor. Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 10 9 Melhor explicando, o valor do crédito presumido apurado, dentro do mês de competência a que se referem as exportações, não transitaria por conta de resultado a título de receita, mas sim como recuperação de custo, creditandose o valor do crédito presumido apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" e debitandose na conta "IPI a recuperar". Lançamento: IPI a Recuperar a Custo dos Produtos Vendidos Supondose, no entanto, que os contribuintes devessem incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS sobre o faturamento o valor do crédito presumido em questão, então, estarseia pagando PIS e COFINS sobre insumos aplicados no processo industrial de fabricação dos produtos exportados, quando foi justamente esta a razão da criação deste crédito: desonerar o custo de produção dos produtos exportados. De qualquer modo, o referido crédito presumido é ressarcimento de custo e ressarcimento de custo não é receita. Desse modo, se o objetivo da norma é desonerar as exportações, é irracional qualquer pretensão de exigir tais contribuições justamente sobre o benefício fiscal instituído para incentivar tais operações. O acórdão recorrido também traz que as próprias Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, ao disporem no §3º sobre as receitas que integram a base de cálculo, conferem natureza de receita às reversões de provisões e às recuperações de crédito baixados como perda, que foram expressamente excluídas da base, indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Também não concordo com tais argumentos, pois só haveria sentido que as Leis citadas previssem expressamente a exclusão do crédito presumido do conceito de receita se, em algum momento de todo o histórico normativo sobre o tema, as normas tivessem o considerado como receita, o que não me parece ter ocorrido.” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...)1 "Com a devida venia à ilustre conselheira relatora, mas divirjo do seu entendimento nas matérias relativas a ambos recursos. Porém fui designado para redigir o voto vencedor somente em relação ao recurso especial interposto pelo contribuinte, já que restei vencido quanto ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria do recurso especial do contribuinte referese à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS, da não cumulatividade, nas aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato. Antes de adentrar o mérito, é importante registrar que o contribuinte obteve provimento judicial em agravo de instrumento nos seguintes termos, conforme noticia os documentos de efls. 4345/4431: 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou das glosas dos créditos de aquisições efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato, pois seu entendimento foi vencido, não se aplicando na solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto encontrase no Acórdão 9303006.324 (processo 10835.000067/200689 paradigma). Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 11 10 (...) Ante o exposto, julgo prejudicado o agravo interno e, com fulcro no art. 932, V, "b", do Código de Processo Civil, dou provimento ao agravo de instrumento, para reformar a r. decisão agravada e determinar à parte agravada que aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como que o faça com observância do decidido pelo E. STJ no REsp repetitivo n° 1.148.444/MG. (efl. 4353) (...) Portanto, transcrevese abaixo a ementa do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NAO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP , Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG , Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP , Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu , ao alienante). 3. In casu , o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 12 11 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc , o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como percebese tal decisão segue o rito dos recursos repetitivos previstos no art. 543C, do CPC, e, seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido no âmbito dos julgamentos deste colegiado. Portanto era desnecessário o contribuinte ter obtido provimento judicial neste sentido. O que necessitamos então é verificar se a situação fática do presente processo encaixase ao ditame do que foi decidido no âmbito do citado repetitivo. Observemos então que a tese firmada pelo próprio STJ em relação a este julgamento é a seguinte: O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação.(Tema 272 do STJ) Na minha avaliação, a tese firmada pelo STJ é perfeita e visa proteger o adquirente de boa fé, que adquire a mercadoria e comprova a veracidade da compra e venda efetuada. Mas, com a devida venia, os fatos minuciosamente levantados pela fiscalização no presente processo demonstram que o contribuinte, além de não agir de boa fé, não comprovou a veracidade da compra e venda efetuada. Penso que tal situação está inequivocamente demonstrada nos presentes autos. Referida fiscalização teve início em 16/01/2006, para análise dos créditos relativos ao período de outubro/2002 a junho/2007. Importante registrar que no TVF a justificativa para as glosas não foram a existência de Atos Declaratórios de Inaptidão da Pessoa Jurídica, mas sim as diligências realizadas nos supostos fornecedores, as quais comprovaram a impossibilidade de ter havido a transação comercial, quer pela inexistência destes, quer pela falta de comprovação do pagamento. Podese ver que no item "10. Das Glosas", efl. 1933, seu item "10.1 Diligências a empresas fornecedoras" seu conteúdo demonstra que a razão das glosas foram as diligências realizadas pela fiscalização. Transcrevo abaixo excertos retirados do Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 1916/1949), no qual consta todas as evidências que justificaram a glosa dos referidos créditos: (...) Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federai do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 13 12 (...) Tal fato demonstra que a fiscalização somente emitiu os ADE DE INAPTIDÃO após comprovar a inexistência das pessoas jurídicas, ou seja, ditos atos declaratórios não foram o ponto de partida para a glosa. Seguimos com mais excertos do TVF: (...) No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato contínuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. (...) Também efetuamos glosas de créditos do PIS/COFINS referentes a aquisições de empresas representadas pela Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente), relacionadas através de Ofício proveniente do Delegado Regional Tributário. As empresas, bem como os motivos para a glosa, estão relacionadas abaixo: a) Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA, CNPJ n° 02.987.722/000107. A data de início da situação é 03/10/2002. Os motivos descritos na representação são: Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais. Portanto, podese concluir pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002, glosando os créditos solicitados a partir desta data. Além disso, houve diligência à referida empresa, conforme item 10.1. b) Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda, CNPJ n° 04.842.983/000164. O motivo da representação é a inidoneidade de documentos fiscais. No presente caso, a empresa estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999. Portanto, não estava autorizada a emitir notas fiscais a partir da data em tela. A glosa dos créditos deverá ocorrer a partir das notas fiscais emitidas posteriormente à data em questão. (...) A empresa Vitapelli Ltda em vez de efetuar pagamento diretamente ao fornecedor efetuou pagamentos para outras empresas através de Cessão de Créditos a terceiros com autorização do fornecedor. Para subsidiar a fiscalização foram selecionadas, por amostragem, algumas empresas abaixo relacionadas, que receberam tais créditos, e estas foram intimadas a responderem alguns quesitos, conforme abaixo, in verbis: (...) Após esse trecho segue o relato da investigação em diversos cessionários de crédito e não se conseguiu comprovar a operação de pagamento. Os que a fiscalização obteve êxito em encontrálos, todos negaram relação negocial com o contribuinte. Alguns que não foram encontrados comprovouse que sequer tinham movimentação bancária no período como no exemplo a seguir: (...) 11.2. Fábio Benvindo Freitas Maia Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 15940.000295/200756 Acórdão n.º 9303006.386 CSRFT3 Fl. 14 13 A pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRF revela que a referida empresa não apresentou nenhuma movimentação financeira nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e apresentou DIPJ na condição de "INATIVA" nos anoscalendário de 2002 a 2005. (...) Em conclusão, a razão principal das glosas não foi em decorrência de procedimentos formais nos quais a inexistência da relação comercial dáse por presunção, como são os casos decorrentes da simples existência de atos declaratórios de inaptidão da pessoa jurídica. Ao contrário, como visto, a fiscalização efetuou um minucioso trabalho de investigação e demonstrou a inexistência de relação negocial entre o contribuinte e vários de seus supostos fornecedores. Tal fato, afasta todo o argumento do voto vencido e do contribuinte de que as glosas só poderiam realizarse a partir da data de emissão dos atos declaratórios de inaptidão das pessoas jurídicas. Cumpre destacar que o contribuinte teve todo direito de defesa, com apresentação de impugnação, recurso voluntário e agora o presente recurso especial. Poderia ter se dedicado mais a descontruir as provas da fiscalização, comprovando de forma inequívoca a regularidade de seus créditos. Porém não obteve sucesso e tenta afastar as glosas utilizando, a meu ver, indevidamente, com apego a aspectos meramente formais, o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1148444, definitivamente não aplicável ao presente caso. Além de tudo o que já foi exposto, é importante ressaltar que estamos diante de um pedido de ressarcimento decorrentes de créditos de PIS e Cofins, no qual cumpre ao contribuinte, de maneira inequívoca, comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, os recursos especiais da Fazenda Nacional e do contribuinte foram conhecidos e, no mérito, o colegiado negoulhes provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3032DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13019.000015/2005-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INÉPCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO. CABIMENTO.
O julgamento pela DRJ de manifestações de inconformidade contra despachos decisórios só é possível quando, cumulativamente (a) essas se refiram a questões expressamente apreciadas no despacho decisório e (b) a contribuinte demonstre sua irresignação contra o que foi decidido.
Se a interessada não contesta os fundamentos da decisão recorrida, o mesmo não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, torna-se inepta e não há como dele conhecer.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. NÃO CONHECIMENTO. CABIMENTO.
Questões não apreciadas na origem transbordam a competência de julgamento das DRJ (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010).
Numero da decisão: 1001-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e em conhecer parcialmente do recurso voluntário para discutir incompetência da DRJ para a retificação do pedido de compensação e o não conhecimento da manifestação de inconformidade devido a preclusão pela falta de embate em relação aos argumentos do despacho decisório e, no mérito, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INÉPCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO. CABIMENTO. O julgamento pela DRJ de manifestações de inconformidade contra despachos decisórios só é possível quando, cumulativamente (a) essas se refiram a questões expressamente apreciadas no despacho decisório e (b) a contribuinte demonstre sua irresignação contra o que foi decidido. Se a interessada não contesta os fundamentos da decisão recorrida, o mesmo não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, torna-se inepta e não há como dele conhecer. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. NÃO CONHECIMENTO. CABIMENTO. Questões não apreciadas na origem transbordam a competência de julgamento das DRJ (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010).
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13019.000015/2005-33
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873684
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.559
nome_arquivo_s : Decisao_13019000015200533.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
nome_arquivo_pdf_s : 13019000015200533_5873684.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e em conhecer parcialmente do recurso voluntário para discutir incompetência da DRJ para a retificação do pedido de compensação e o não conhecimento da manifestação de inconformidade devido a preclusão pela falta de embate em relação aos argumentos do despacho decisório e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7347507
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310190039040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 120 1 119 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13019.000015/200533 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.559 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente RANDON AGROPECUÁRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INÉPCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO. CABIMENTO. O julgamento pela DRJ de manifestações de inconformidade contra despachos decisórios só é possível quando, cumulativamente (a) essas se refiram a questões expressamente apreciadas no despacho decisório e (b) a contribuinte demonstre sua irresignação contra o que foi decidido. Se a interessada não contesta os fundamentos da decisão recorrida, o mesmo não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, tornase inepta e não há como dele conhecer. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. NÃO CONHECIMENTO. CABIMENTO. Questões não apreciadas na origem transbordam a competência de julgamento das DRJ (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e em conhecer parcialmente do recurso voluntário para discutir incompetência da DRJ para a retificação do pedido de compensação e o não conhecimento da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 9. 00 00 15 /2 00 5- 33 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13019.000015/200533 Acórdão n.º 1001000.559 S1C0T1 Fl. 121 2 manifestação de inconformidade devido a preclusão pela falta de embate em relação aos argumentos do despacho decisório e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 72/80) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 1036.056 (efls. 60/62), de 13/12/2011, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, objetivando a reforma do referido julgado. A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (efls. 02/06) em 31/01/2005, através de formulário, informando como crédito o recolhimento indevido ou a maior no valor original de R$ 9.241,96, efetivado em 30/10/2003, a título de estimativa mensal do IRPJ (cód 2362), relativo ao período de apuração de Set/2003 e requereu a compensação de débito de estimativa mensal da IRPJ (cód 2362), referente ao PA de Dez/2004. Mediante despacho decisório (efls. 16/17), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul não homologou a compensação com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004 que estabelece que o valor recolhido a título de estimativa somente pode ser utilizado para a quitação do tributo devido apurado ao final do anocalendário ou para compor o saldo negativo. Na manifestação de inconformidade apresentada (efls. 24 a 30), a manifestante alega que: ...recolheu estimativas de IRPJ em todos os meses do ano, porém, ao encerrar o exercício, verificou que estes valores não eram devidos, e, portanto, foram utilizados para compensar com outros tributos em 2005. O total das estimativas pagas compõe exatamente o saldo credor de IRPJ no encerramento do exercício, porém, erroneamente, os pedidos de compensação foram efetuados com base nas estimativas pagas indevidamente, como recuperação de valor pago a maior, ao invés de utilizar o saldo negativo de IRPJ do período. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13019.000015/200533 Acórdão n.º 1001000.559 S1C0T1 Fl. 122 3 O crédito existe e é exatamente este, porém, a nomenclatura é que está diferente, devido à legislação considerar que estimativa paga não é imposto pago a maior, portanto, não passível, de compensação, tendo que aguardar a apuração anual para então solicitar a restituição do saldo negativo. A seguir, a manifestante relaciona os valores das estimativas pagas no AC2003, com monta de R$88.498,85, demonstra o cálculo que o saldo credor do IRPJ foi de R$86.799,45 e relaciona os processos e Dcomp com os pedidos de compensação. Por fim, alega que como a empresa já foi baixada não foi possível retificar a nomenclatura da origem do crédito nas Dcomp e solicita a homologação das compensações "considerando que a origem do crédito é, de fato, o saldo negativo de IRPJ". A DRJ não conheceu a Manifestação de Inconformidade por falta de competência (art. 229, III, da Portaria nº 587, Regimento Interno da RFB), pois o processo administrativofiscal não se presta a retificação da declaração de compensação, somente via do programa PER/Dcomp, enquanto possível e porque a interessada não ataca os fundamentos do Despacho Decisório (pelo contrário, ao buscar alterar a declaração de compensação reconhece estar correto o Despacho Decisório). Deste modo entendeu a DRJ que não se firmou o litígio. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. O julgamento pela DRJ de manifestações de inconformidade contra despachos decisórios só é possível quando, cumulativamente (a) essas se refiram a questões expressamente apreciadas no despacho decisório e (b) a contribuinte demonstre sua irresignação contra o que foi decidido. Questões não apreciadas na origem transbordam a competência de julgamento das DRJ (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010). Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Ciente da decisão de primeira instância em 30/11/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 66, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 14/12/2012, conforme carimbo aposto à efl. 72. É o Relatório. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13019.000015/200533 Acórdão n.º 1001000.559 S1C0T1 Fl. 123 4 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Em seu recurso voluntário, a recorrente, em preliminar, pede a nulidade da decisão recorrida pois demonstrou na manifestação de inconformidade que em momento algum concordou com a autuação fiscal, que cometeu um equívoco na nomenclatura do crédito e que "tampouco pretendeu a recorrente que a DRJ realizasse a retificação" da Dcomp, conforme o excerto da manifestação de inconformidade transcrito no relatório, mas aqui novamente exposto, já que foi repetido no recurso voluntário: O crédito existe e é exatamente aquele informado, porém, a nomenclatura é que está diferente, devido à legislação considerar que estimativa paga não é imposto pago a maior, portanto, não passível compensação, tendo que aguardar a apuração anual para então solicitar a restituição do saldo negativo. Por fim, refaz as demonstrações do cálculo do saldo credor de IRPJ e as demais alegações apresentadas em sede de primeira instância e cita decisões do Carf em favor de sua tese. Da Nulidade do Acórdão do DRJ Em primeiro lugar, cumpre salientar que as hipóteses de nulidade de decisões administrativas estão previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcrito. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso em tela, o Acórdão do DRJ foi proferido pela autoridade competente e não se verifica a preterição do direito de defesa, o que afasta a possibilidade de nulidade. Portanto, voto por REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade da decisão recorrida. Quanto às razões para o não conhecimento da manifestação de inconformidade, de que "o contribuinte não ataca os fundamentos do Despacho Decisório" e Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13019.000015/200533 Acórdão n.º 1001000.559 S1C0T1 Fl. 124 5 que "o processo administrativo fiscal não se presta a retificação da declaração de compensação", passo a analisar: Da apreciação do recurso voluntário Conforme disposição constitucional, a seguir transcrito, o processo administrativofiscal também se rege pelos princípios do devido processo legal, duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; O Decreto 70.235/72, ao dispor sobre o processo administrativofiscal, segue os comandos constitucionais supracitados, estabelecendo o Recurso Voluntário como meio apto para submeter as decisões exaradas pelas Delegacias Regionais de Julgamento ao duplo grau de jurisdição, in casu, a ser exercido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. In verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Outrossim, é cediço que para se conhecer do recurso é necessário que, além do prazo recursal, outros pressupostos ou requisitos devem ser atendidos, constituindose em elementos indispensáveis a: (i) expressa insatisfação com a decisão impugnada, bem como (ii) exposição das razões que levaram ao contribuinte a demonstrar seu inconformismo com a decisão atacada, ex vi dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Havendo decisão de primeira instância proferida por uma Delegacia Regional de Julgamento é sempre cabível o competente Recurso Voluntário, porém, é importante frisar, este deve ser interposto por pessoa legitimada. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13019.000015/200533 Acórdão n.º 1001000.559 S1C0T1 Fl. 125 6 Tal entendimento está em linha com o disposto pelo art. 63 da Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, conforme se transcreve: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. Assim, resta evidente que o juízo de admissibilidade do Recurso Voluntário devese voltar tão somente para a verificação do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade supra colacionados, não devendo o conhecimento do recurso se confundir com a própria análise do mérito da decisão do juízo a quo. Importa registrar que o não conhecimento do recurso voluntário implica o trânsito em julgado da decisão nos termos propostos pela primeira instância. Por outro lado, caso se entenda que a decisão de piso merece reparos de qualquer ordem, tal modificação só pode ocorrer por ocasião do julgamento do mérito recursal, o que só ocorre quando conhecido o Recurso. No caso presente, verificase o cumprimento dos requisitos de admissibilidade do recurso voluntário apresentado pelo recorrente, visto que foi protocolizado no prazo regulamentar (art.15 do Decreto nº 70.235/72) e apresentado por representante legal devidamente qualificado. Porém, dele CONHEÇO PARCIALMENTE, ou seja, somente para discutir a falta de competência da DRJ para promover/analisar o pedido de retificação da declaração de compensação e a não ocorrência do litígio, pois a interessada não atacou na manifestação de inconformidade os fundamentos do Despacho Decisório, que a DRJ assim considerou e impediu a discussão do mérito. Quanto à decisão da DRJ, importa delimitar a lide, para o qual faço um breve resumo dos fatos: Tratase de processo de compensação cujo crédito estaria consubstanciado em recolhimento indevido a maior em 30/10/2003, a título de estimativa mensal do no valor original de R$ 9.241,96, não homologada pela DRF em Caxias do Sul, pois o valor recolhido a título de estimativa deve ser utilizado para a quitação do tributo devido apurado ao final do anocalendário ou para compor o saldo negativo. Na manifestação de inconformidade a interessada afirma que as estimativas compõe o saldo credor de IRPJ apurado no término do anocalendário, que os pedidos de compensação foram efetuados com erro pois foram “efetuados com base nas estimativas pagas indevidamente, como recuperação de valor pago a maior, ao invés de utilizar o saldo negativo do período”, que apurou o saldo negativo (fl. 28), mas que o crédito existe, mas a nomenclatura seria outra mas devido a baixa da Randon ficou impossível retificar a declaração de compensação. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13019.000015/200533 Acórdão n.º 1001000.559 S1C0T1 Fl. 126 7 A DRJ não conheceu a Manifestação de Inconformidade (efls. 2733) por falta de competência (art. 229, III, da Portaria nº 587, Regimento Interno da RFB), pois o processo administrativofiscal não se presta a retificação da declaração de compensação, somente via do programa PER/Dcomp, enquanto possível e porque a interessada não ataca os fundamentos do Despacho Decisório (pelo contrário, ao buscar alterar a declaração de compensação reconhece estar correto o Despacho Decisório). Deste modo entendeu a DRJ que não se firmou o litígio. Na leitura da manifestação de inconformidade constatase que realmente a interessada apenas discorreu sobre o erro no seu pedido de compensação, requerendo a correção pelo órgão de julgamento, que não possui competência para tal. Quanto ao despacho decisório, a interessada apenas buscou na fundamentação da decisão a motivação para a retificação do pedido de compensação, não apresentando argumentos contrários àquela decisão. Veja que a recorrente tenta alterar as suas alegações para conseguir o seu objetivo de reconhecimento do direito creditório, quando percebe que o mesmo está em erro, já que tenta compensar sem manter o regime adotado para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução), o que afasta a aplicação da Súmula Carf nº 84. Neste sentido, correta foi, portanto, a decisão de primeira instância em não conhecer da manifestação de inconformidade, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, completandoo ao final: (grifos não constam no original) O Despacho Decisório não reconhece direito creditório em função do recolhimento de estimativas, forte no art. 10 da Instrução Normativa nº 460, de 2004. O contribuinte reconhece o erro no preparo da declaração de compensação. Reafirma a existência do crédito sob outra nomenclatura: saldo negativo. O que o contribuinte intenta, por meio da petição ora em análise, é retificar a declaração de compensação. A petição em pauta não pode ser conhecida por esta Delegacia de Julgamento, por duas razões: (a) o processo administrativo fiscal não se presta a retificação da declaração de compensação; a retificação, quando possível, se dá por via do programa PER/Dcomp, o mesmo utilizado na geração da declaração de compensação, segundo os arts. 67, 76 a 82 da Instrução Normativa nº 900, de 30 de dezembro de 2008; (b) o contribuinte não ataca os fundamentos do Despacho Decisório que não lhe reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por ele proposta; pelo contrário, ao buscar alterar a declaração de compensação reconhece estar correto o Despacho Decisório. Não se firmou, deste modo, o litígio hábil a firmar a competência da DRJ – determinada pelo art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587, de 21 de dezembro de 2010 –, que é restrita ao julgamento de questões previamente apreciadas: Art. 229 Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13019.000015/200533 Acórdão n.º 1001000.559 S1C0T1 Fl. 127 8 especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: ..................................................................................................... IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. (grifouse) (omissis) Assim sendo, a petição não pode ser conhecida por esta DRJ, por absoluta falta de competência para tanto, o que tornaria eventual apreciação nula. Da inépcia da manifestação de inconformidade Como se dessume do relatório acima, em nenhuma parte da manifestação de inconformidade a interessada se insurge contra os fundamentos do despacho decisório, o que prejudica o conhecimento da matéria, ex vi dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, verbis: (grifos não constam do original) “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13019.000015/200533 Acórdão n.º 1001000.559 S1C0T1 Fl. 128 9 § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” (destacado) A preclusão se verifica pela não dedução de todos os argumentos de defesa no recurso inaugural, isto é, as matérias de direito que pretendia questionar, decorrendo daí a perda da oportunidade processual de contestação, valendo acentuar que o recurso voluntário, como dito, é totalmente distinto da impugnação, chegando mesmo, em alguns pontos, a serem mutuamente contraditórios. Na lição de Fredie Didier Júnior (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 11ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. JusPodium, Salvador: 2009. Pág. 283.), a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual, por já haver sido exercida, pouco importando se bem ou mal. Uma vez praticado o ato processual, não mais é possível corrigilo, melhorálo ou repetilo, eis que já consumado. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13019.000015/200533 Acórdão n.º 1001000.559 S1C0T1 Fl. 129 10 De outro ângulo, significa dizer que não basta a interessada manifestar, apenas a vontade de recorrer; mas, também, deve dar os motivos pelos quais recorre, alinhando as razões de fato e de direito que embasam sua discordância com a decisão recorrida, daí resultando o pedido de nova decisão, se for o caso. Essa dialeticidade, que deve ser constatada em qualquer recurso, é necessária porque sua ausência, dentre outras implicações, poderá resultar em inobservância ao princípio do contraditório, princípio este fundamental a ampla defesa dos litigantes, de sorte que, ausentes referidos requisitos estará o recurso impossibilitado de ser apreciado. Assim, voto para REJEITAR a PRELIMINAR de nulidade da decisão recorrida e para CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário para discutir incompetência da DRJ para a retificação do pedido de compensação e o não conhecimento da manifestação de inconformidade devido a preclusão pela falta de embate em relação aos argumentos do despacho decisório e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720395/2014-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO.
A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusando-se de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS.
Se os sócios de fato do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra, com o nítido propósito de não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária a todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
OMISSÃO DE RECEITA MEDIANTE USO DE INTERPOSTAS EMPRESAS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NO EFETIVO BENEFICIÁRIO. FALTA DE QUESTIONAMENTO.
Não obstante a recorrente não ter apresentado argumentos referentes à desconsideração de determinadas personalidades jurídicas em razão de interposição fraudulenta, apurado o real beneficiário de operações formalmente praticadas com utilização das referidas interpostas empresas, as quais não ofereceram devidamente os resultados à tributação, correta a lavratura de auto de infração, por omissão de receita, contra a empresa efetivamente responsável.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS.
Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplica-se também à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Numero da decisão: 1401-002.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusando-se de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Se os sócios de fato do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra, com o nítido propósito de não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária a todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITA MEDIANTE USO DE INTERPOSTAS EMPRESAS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NO EFETIVO BENEFICIÁRIO. FALTA DE QUESTIONAMENTO. Não obstante a recorrente não ter apresentado argumentos referentes à desconsideração de determinadas personalidades jurídicas em razão de interposição fraudulenta, apurado o real beneficiário de operações formalmente praticadas com utilização das referidas interpostas empresas, as quais não ofereceram devidamente os resultados à tributação, correta a lavratura de auto de infração, por omissão de receita, contra a empresa efetivamente responsável. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplica-se também à CSLL, ao PIS e à COFINS.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19311.720395/2014-99
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5860420
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.318
nome_arquivo_s : Decisao_19311720395201499.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19311720395201499_5860420.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7270110
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310212059136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 58; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2048; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 5.788 1 5.787 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720395/201499 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.318 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS GRUPO ECONÔMICO; INTERPOSTAS PESSOAS Recorrente INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusandose de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Se os sócios de fato do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra, com o nítido propósito de não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária a todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 95 /2 01 4- 99 Fl. 5788DF CARF MF 2 De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITA MEDIANTE USO DE INTERPOSTAS EMPRESAS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NO EFETIVO BENEFICIÁRIO. FALTA DE QUESTIONAMENTO. Não obstante a recorrente não ter apresentado argumentos referentes à desconsideração de determinadas personalidades jurídicas em razão de interposição fraudulenta, apurado o real beneficiário de operações formalmente praticadas com utilização das referidas interpostas empresas, as quais não ofereceram devidamente os resultados à tributação, correta a lavratura de auto de infração, por omissão de receita, contra a empresa efetivamente responsável. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplicase também à CSLL, ao PIS e à COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Fl. 5789DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.789 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1458.570, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Contra a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 9.858.126,09, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 4.457.756,73, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 12.382.657,62 e Contribuição para o PIS no valor de R$ 2.682.909,15, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 81.519.498,64 (fl. 02), em virtude de omissão de receita da atividade (venda/revenda de mercadorias) praticada pelas empresas INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDDA, JOS – COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, JURECE COMÉRCIOI DE CONFECÇÕES LTDA, IMPORT DALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA e SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA, conforme detalhadamente relatado no Relatório Fiscal – Grupo Restum e no Termo de Verificação Fiscal nº 0001 que fazem parte dos autos de infração lavrados. Para fins de apuração do IRPJ e da CSLL foi o lucro arbitrado com fulcro no art. 530, III, do RIR/99, tendo em vista que a contribuinte, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. Foram relacionados como responsáveis solidários pelo crédito tributário as seguintes pessoas jurídicas e físicas: EMPRESA CNPJ/CPF TOPREADY COMERCIO E CONFECÇÕES LTDA 01.921.290/000179 SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA 02.067.055/000144 PLANETGIRLS COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 04.740.881/000138 TRADE SPORT COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA ME 05.096.118/000189 HOTMAXI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.515.378/000141 HOTONE COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.524.336/000177 COMPANYFASHION CONFECÇÕES LTDA – EPP 07.251.783/000125 HOT BARAO COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA – EPP 08.691.953/000155 PORT COMPANY PARTIC. E EMPREENDIMENTOS LTDA ME 10.528.300/000100 J. E. LOGISTICA E TRANSPORTE LTDA 10.692.696/000118 Fl. 5790DF CARF MF 4 PLANET COSMETICS COMERCIAL E REPRESENTAÇÃO LTDA 11.769.712/000196 POLO WEAR COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 11.774.839/000101 FASHIONROUPAS COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.113.554/000184 PLANET GIRLS COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.154.102/000140 PLANETBARUERI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.234.601/000148 HOTMAXI SHOPPING COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.484.212/000170 PLANETOUT LET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 POLO WEAR OUTLET COMERCIO DE CONFECCOES LTDA 12.523.484/000132 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECCOES LTDA 12.523.506/000164 BARÃOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 ROBERTO RESTUM 043.261.15840 ADRIANA RESTUM 120.853.19807 VANESSA RESTUM 215.012.64869 FELIPE ROBERTO RESTUM 215.012.76875 DANIELE RESTUM TRALDI 215.012.73850 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 AGR IMPORTAÇÃO E COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.595.364/000140 PLANETJUNDI MAX COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.372.145/000100 Foram ainda lavrados autos de infração contra as empresas abaixo relacionadas, integrantes do Grupo empresarial denominado “Restum”, e para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 525/571), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. EMPRESA CNPJ Processo nº INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 07.693.822/000144 19311.720395/201499 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.595.364/000140 19311.720365/201482 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 19311.720362/201449 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECCOES LTDA 12.523.506/000164 19311.720363/201493 BARAOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 19311.720364/201438 FASHIONROUPAS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.113.554/000184 19311.720361/201402 POLO WEAR OUTLET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.484/000132 19311.720368/201416 PLANETOUT LET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 19311.720366/201427 HOTMAXI SHOPPING COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.484.212/000170 19311.720397/201488 PLANETJUNDI MAX COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.372.145/000100 19311.720398/201422 1 – SÍNTESE DO RELATÓRIO FISCAL – GRUPO RESTUM Para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 128/174), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. Conforme “Relatório Fiscal – Grupo Restum” (fls. 128/174) o denominado Grupo Restum é constituído por um aglomerado de empresas (centenas de sociedades empresárias autônomas relacionadas no Anexo I) que atuam nos ramos de roupas, sapatos e acessórios, utilizandose de diversas marcas próprias, entre elas destacamse a Planet Girls, Hot Point, Venom, Polo Wear, A.R. Store, SMK, com o Fl. 5791DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.790 5 fulcro de atingir o mais variado público consumidor. Para tanto, o Grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. No cada uma das lojas é constituída como uma empresa autônoma, possuindo ato constitutivo e CNPJ distintos, sendo que a pulverização do grupo em inúmeras empresas distintas teve como objetivo desmembrar seu faturamento, encobrindo seu real potencial econômico e mantendo o Fisco à margem de suas atividades, uma vez que os baixos faturamentos apresentados por cada unidade não despertam o interesse fiscal. A autoridade fiscal relacionou no Relatório Fiscal alguns procedimentos, a seguir sintetizados, que teria o grupo utilizado para ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores tributários: 1 Cada uma das empresas componentes cumpriam as obrigações acessórias de entrega de declarações, porém, o faziam inicialmente com valores “zerados” e, num segundo momento, classificavam suas receitas de forma errônea com aplicação incorreta do coeficiente do lucro presumido, diminuindo sobremaneira os valores dos tributos a pagar, dando ao Fisco a equivocada idéia de que as empresas eram cumpridoras do seu dever fiscal; 2 O Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas e para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; 3 O grupo utilizavase de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”; 4 Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, assim a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”, havendo, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes; 5 As empresas próprias (aquelas em que a família Restum aparece no quadro societário) importavam e/ou industrializavam produtos e revendiam tais mercadorias a empresas fictas (empresas do Grupo constituídas em nome de interpostas pessoas) por valores que praticamente correspondiam aos custos de importação e/ou produção, assim, as empresas próprias não apuravam Lucro e apuravam o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas vendiam estas mercadorias às empresas varejistas do Grupo por valores que se aproximavam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaíam sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas pudessem se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaía às empresas próprias do Grupo. Fl. 5792DF CARF MF 6 6 As empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.374.212/000118, IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.431.673/000185, SPR IMPORT BRASIL LOJISTICA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 12.431.674/000120 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.755.478/0001 00 teriam sido constituídas em nome de interpostas pessoas e funcionaram de anteparo formal para acobertar fatos geradores tributários praticados pelo Grupo, cujo real beneficiário seria a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 07.693.822/0001 44; 7 As empresas fictícias não possuíam sequer espaço físico, constituindose em mera formalidade e, desta forma, a importadora do grupo revendia quase a totalidade dos produtos e matérias primas para as empresas fictas as quais mandavam industrializar as matérias primas e revendiam os produtos para as lojas varejistas do Grupo, lojas estas que se creditam dos tributos não cumulativos e que tem pouco ou quase nenhum lucro. O passivo tributário recaía quase que totalmente às intermediárias fictícias. 8 Foram criadas novas empresas que praticaram também fatos geradores tributários, porém os valores destas operações decorrentes não foram oferecidos à tributação, tendo sido inclusive escondidos do Fisco Federal na tentativa de serem beneficiados pelo instituto da decadência; 9 Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não eram registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando que seu patrimônio não pudesse ser alcançado em uma execução fiscal; 10 Os imóveis que sediam as diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144, além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo. 1.1 Do Grupo Restum e Suas Operações Comerciais Segundo a fiscalização, o Grupo utilizavase de pessoas ligadas para a constituição de novas empresas, destacandose o Sr. Milson Cesar da Silva – CPF 247.107.34844, empregado com vínculo desde 01/10/2012 da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, empresa pertencente ao Grupo, cujos sócios registrados são Jacques Nehme Rostom e Daniele Restum. Em setembro de 2013 o Sr. Milson era responsável junto à RFB por 47 (quarenta e sete) empresas do Grupo e após um determinado período o controle destas sociedades foi transferido para os sócios de fato e em agosto de 2014 o Sr. Milson passou a constar como sócio de novas empresas do Grupo, conforme mostra os Anexo II e III. O Sr. Nivaldo Sancana Rocha, CPF 120.702.06807, é outra pessoa ligada que aparece como sócio administrador de várias empresas do Grupo, o qual se apresenta como “Controller” do Grupo, informação esta, que estaria corroborada pela outorga de procuração do Sr. Roberto Restum ao Sr. Nivaldo para atender às demandas no curso dos procedimentos fiscais executados pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SEFIS/DRF/JUN). O Sr. Nivaldo seria o responsável pelo preenchimento nas DIPJ´s apresentadas à RFB referentes às empresas oficiais do Grupo (aquelas em que aparecem como sócios o Roberto e Adriana Restum) sendo que todas essas declarações foram apresentadas utilizandose do mesmo endereço IP. Rastreando Fl. 5793DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.791 7 este endereço IP foram encontradas outras empresas do Grupo, além daquelas chamadas oficiais, que foram constituídas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) ou em nome de familiares dos Restum (Anexo IV). Visando melhor esclarecer como operou o Grupo no ano de 2011 a fiscalização elaborou o diagrama abaixo (Figura 1), no qual as empresas com a inscrição “Própria” têm em seu quadro societário o Sr. Roberto Restum e/ou a Sra. Adriana Restum, já aquelas com a inscrição “Laranjas” tem o quadro societário composto por interpostas pessoas. Os valores sobre as setas representam as vendas realizadas em milhões de Reais e os números abaixo dos nomes das empresas são os CNPJ´s básicos. Segundo a fiscalização, naquele ano a empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (anteriormente chamada Telesa Importação e Exportação Ltda.) era responsável pelas importações do Grupo, bem como pela compra de produtos no mercado interno, seja de matérias primas para industrialização (própria ou por conta e ordem), seja de produtos acabados para revenda. Já as empresas JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/000118 e Jos COMÉRCIO de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, ambas constituídas em nome de interpostas pessoas, compravam tanto de terceiros no mercado interno como da Invictus, revendendo diretamente para lojas do grupo ou para a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 e para a ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185, as quais por sua vez vendiam seus produtos para as lojas do grupo. Fl. 5794DF CARF MF 8 A Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100, naquele ano, apesar de estar registrada como comércio, não efetuou nenhuma compra, vendendo, entretanto, vultosas quantias para as lojas do grupo. Essas vendas decorrem de produtos oriundos de industrialização própria efetuada à margem da formalidade. Destacou a autoridade fiscal o fato de que coube às empresas cujos quadros societários são compostos de “laranjas” a apropriação da mais valia da operação comercial, conforme vemos na Figura 2 acima, onde compras (custo) no valor total de R$ 83.000.000,00 (oitenta e três milhões de reais) chegam às lojas do Grupo com um custo de R$ 317.000.000,00 (trezentos e dezessete milhões de reais). Assim, de uma receita total estimada de R$ 317.000.000,00 o Grupo reconheceu como base de cálculo a somente R$ 83.000.000,00, havendo uma sonegação de 74% dos tributos totais devidos já que o núcleo do esquema (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e Import Dalamari) nunca recolheu os tributos devidos, sem contar o não recolhimento dos tributos reconhecidos pelo Grupo. Por outro lado, as lojas do Grupo puderam se creditar dos tributos não cumulativos gerados pelo núcleo do esquema. Fl. 5795DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.792 9 No anocalendário 2012 o modus operandi do Grupo teria permanecido o mesmo, mas seguindo a linha de ação de criação constante de novas empresas, houve alteração nos atores, como mostra a Figura 3 abaixo reproduzida. Assim à Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/0001 44 coube basicamente lidar com as importações enquanto que à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube o mercado interno. A fiscalização chamou atenção para o fato que houve uma reestruturação gerencial inclusive, já que em 2011, com exceção da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 que operou somente no mercado interno, todas as outras empresas do núcleo negociaram com produtos importados e oriundos do mercado nacional, já em 2012, coube à Invictus importar e revender à ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. (atualmente denominada AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda.) CNPJ: 12.595.364/000140, Jos Comércio e Jurecê, às quais recaiu o lucro da operação, e à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube gerenciar as operações de mercado interno. Ocorreu uma departamentalização. No tocante aos tributos federais, até 2011 a prática era da não transmissão de declarações ou quando havia transmissão estas declarações eram “zeradas”. Após 2012, como já dito anteriormente, algumas das lojas passaram a transmitir declarações, porém classificando sua receita bruta no coeficiente de 1,6% (destinado a comerciantes de combustível – Lucro Presumido). A fiscalização destacou a forma adotada para salvaguardar o patrimônio do Grupo: “Utilizandose do conceito de autonomia das pessoas jurídicas e da limitação de responsabilidade ao capital social (art. 1052 da Lei 10.406/02 – Código Civil), uma vez que as empresas operacionais possuem nenhum ou mínimo patrimônio, o Grupo concentra seu patrimônio em duas empresas, a saber: Port Fl. 5796DF CARF MF 10 Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144. Estas empresas praticamente não executam atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), tentando assim manterse distante dos fatos geradores tributários. Essa segregação constituise tão somente de outro ardil do Grupo, já que tal patrimônio está intrinsecamente ligado às operações deste, sendo composto, basicamente, de imóveis onde estão localizadas as lojas, de veículos utilizados nas operações comerciais e de suas marcas e patentes. Logicamente há também imóveis e veículos não afetados pelas operações, entretanto, os recursos utilizados na sua aquisição provêm das operações e por conseguinte de créditos tributários sonegados, devendo portanto servir para satisfazer as pretensões fiscais.” Além do Grupo utilizarse de abertura e encerramento de inúmeras empresas, mantendo, inclusive, “estoque” de novas empresas a serem utilizadas em tais operações, bem como da criação de empresas cujo quadro societário é composto por interpostas pessoas, ainda utilizase de estratagemas envolvendo incorporação de empresas, assim descritas pela autoridade fiscal: A empresa Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 11.066.160/0001 50, em 22/10/2010 teve seu quadro societário alterado na JUCESP (Anexo VIII), havendo o ingresso de César Augusto Costa CPF 216.211.04826 (pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo) no lugar da Sra. Adriana Restum, bem como a alteração de seu endereço para Avenida Jurecê, 667, Cj 03, Indianópolis, São Paulo – SP (sobre este endereço ver relato sobre a empresa Jurecê Comércio de Confecções Ltda. do item 2. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS abaixo). Esta foi a última alteração contratual informada à RFB, assim, até a presente data a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. encontrase ATIVA no CNPJ. Contudo, em 23/08/2010, registrouse na JUCESP a incorporação de 42 (quarenta e duas) empresas do Grupo tendo a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda como incorporadora. Na mesma data retirouse da sociedade o Sr. Roberto Restum, sendo admitido em seu lugar Célio Martins de Oliveira – CPF 218.260.75879 (outra pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo). Na data de 27/02/2012 ocorre outra alteração societária, ingressando Allan Borges de Melo – CPF 385.402.37822 e Rodrigo Vieira Rezende – CPF 374.871.71809 em substituição aos anteriores sócios. Em 03/09/2012 é protocolado o Distrato Social, dissolvendo assim a incorporadora. Desta feita, estas operações culminam com o desaparecimento das 43 (quarenta e três) empresas do Grupo, entretanto, a grande maioria destas empresas encontrase ativa no CNPJ, conforme vemos na Tabela 1 abaixo. (...) Em pesquisas nos sistemas da RFB constatouse que várias dessas empresas apresentaram DIPJ e GFIP e tiveram movimentação financeira após a sua exclusão do mundo jurídico. (...) Informação adicional considerável é o fato de a empresa Planet Girls Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 04.740.881/0001 Fl. 5797DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.793 11 38 que consta no CNPJ como ATIVA, DISSOLVIDA na JUCESP e BAIXADA no SINTEGRA teve a maior movimentação bancária entre as empresas do Grupo em 2013, apresentando DIRF e GFIP regularmente. Esta informação fecha o entendimento de que todas as empresas formalmente constituídas pelo Grupo são, na verdade, uma só, tendo sido criadas em demasiado número com o intuito de despistar o Fisco, já que os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circulam indistintamente entre elas, não havendo estanqueidade, senão, de que outra forma uma empresa dissolvida movimentaria tamanho recurso? Como explicar que empresas com emissão milionária de notas fiscais não tenham movimentado um Real sequer em instituições financeiras? A resposta a tais indagações já foi dada. Adiante, na análise detida dos procedimentos fiscais realizados pelo SEFIS/DRF/JUN, traremos adicionais informações que corroboram, de maneira inequívoca, com a conclusão já tirada de que muitas das empresas do Grupo são constituídas em nome de interpostas pessoas, porém, há complementar informação que reafirma tal conclusão. A Sra. Paula Cristina Alves Einchenberger – CPF 215.807.088 97 foi funcionária de duas empresas do Grupo entre 1999 e 2004 e constou como sócia da empresa PlanetPink Comércio de Confecções Ltda. de 29/10/2003 a 21/06/2004, sem, contudo, haver recebido qualquer quantia, seja a título de prólabore, seja a título de dividendos da empresa onde pretensamente era sócia. Esta empresa está bloqueada judicialmente, conforme breve relato da JUCESP (Anexo IX), tendo em vista que a Sra. Paula ingressou em juízo a fim de ver seu nome afastado da sociedade, alegando que o sócio de fato é o Sr. Roberto Restum. Atualmente consta no quadro societário a Sra. Daniele Restum Traldi. Tal esquema pode ser observado na Figura 4 abaixo. Em remate, o Grupo Restum utilizase das mais variadas maneiras com um único propósito: eximirse do pagamento de tributos. 1.2 Dos Procedimentos Fiscais Segundo a fiscalização, apurouse do procedimento fiscal junto às empresas do chamado núcleo do esquema, bem como das lojas circunscritas pela DRF/JUN, em suma, o que se segue: Primeiramente, há que se dizer que não restou qualquer dúvida de que as empresas constituídas em nome de interpostas pessoas foram assim criadas a mando dos administradores do Grupo. Seria bastante para manter tal afirmação o fato de que estas empresas têm a integralidade de suas operações relacionadas com o Grupo, seja vendendo produtos de suas marcas, seja mandando matéria prima para que terceiros realizassem a Fl. 5798DF CARF MF 12 industrialização, porém mais provas desta relação foram coletadas. Da análise dos documentos arquivados na JUCESP referentes às empresas do núcleo (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre tais empresas, desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas, até os seus sócios, que se alternam entre as empresas. Curioso notar também que quando há troca de sócios, o sócio dissidente e o sócio ingressante, em muitas vezes, possuem o mesmo endereço, endereços esses que foram visitados pelos AuditoresFiscais e se mostraram inservíveis para localizar tais pessoas. Verificouse inclusive que alguns deles sequer são residenciais. Ainda analisando esses documentos, notase que as assinaturas destas pessoas, por vezes, não são iguais, demonstrando que sequer assinaram tais documentos, muito menos geriram efetivamente as empresas. Esta conclusão decorre também da análise subjetiva dos sócios, que são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a conclusão de serem tão somente pessoas interpostas, conforme se verifica na Tabela 6 abaixo que mostra a movimentação financeira das interpostas pessoas constantes nos quadros societários das empresas fictas do núcleo. DIMOF Valores a crédito Pessoa 2010 2011 2012 2013 ANTONIO MARIANO R$ 15.470,81 R$ 133.869,43 ISABELA LIMA FAGUNDES JOÃO SILVA DE MORAES R$ 30.387,00 R$ 0,00 JOELITON ALVES DOS SANTOS R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 LEILA MARIA BISPO R$ 8.377,00 R$ 60.584,93 R$ 31.386,95 ROGERIO DA SILVA R$ 7.120,03 R$ 18.240,90 R$ 65.085,45 R$ 2.300,00 Outra semelhança está na pessoa do advogado que assina tais documentos, que na maioria das vezes é o Sr. José Ricardo Clerice, CPF 082.586.44882, OAB 170.855/SP. Notese que este advogado assina tanto os documentos das empresas em nome de “laranjas” como das empresas em nome dos administradores do Grupo. Aliás, essa não é a única semelhança entre tais documentos, visto que muitas das testemunhas também permeiam entre eles, bem como o fato de que suas assinaturas se alterem de documento para documento. Os primeiros procedimentos fiscais iniciados foram aqueles referentes às lojas varejistas do Grupo. Em todos os casos o Sr. Roberto Restum estabeleceu procuração ao Sr. Nivaldo Sancana Rocha para atender às demandas fiscais. Quando do início da fiscalização das empresas do núcleo, não tendo os AFRFB logrado êxito na localização dessas pessoas jurídicas “laranjas”, inquiriuse o Sr. Nivaldo quanto a tais empresas com quem o Grupo mantinha relação tão estreita: como era de se esperar, o Sr. Nivaldo negou qualquer responsabilidade sobre elas, declarando apenas que quaisquer informações sobre tais contribuintes deveriam ser buscadas com o Sr. Nelson Oliveira dos Santos – CPF 007.260.04898, o qual, segundo o Sr. Fl. 5799DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.794 13 Nivaldo, seria o contabilista responsável por todas as procuradas. O Sr. Nelson foi convidado a prestar esclarecimentos, havendo comparecido às dependências da Superintendência da Receita Federal na cidade de São Paulo–SP. Suas alegações foram tomadas a termo (Anexo XI). Em resumo, disse que prestava serviços ao Grupo Restum, realizando os trâmites burocráticos de abertura de empresas, atuando junto à JUCESP, Posto Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e Unidades da RFB. Afirmou que quando iniciou seus trabalhos junto ao Grupo a maioria das empresas do núcleo já estava “aberta”, tendo participado da abertura tão somente da Jos Comércio de Confecções Ltda. e/ou JosConf Comércio de Confecções Ltda. Disse ainda que não foi responsável pela emissão de Notas Fiscais de quaisquer dessas empresas, nem foi detentor de seus certificados digitais (o que possibilitaria a entrega de declarações e emissão de documentos fiscais). Afirmou que os serviços lhe eram passados no escritório do Grupo situado à Rua do Consórcio, São Paulo – SP, que tinha contato com vários funcionários do Grupo e que era remunerado sempre em dinheiro recebido das mãos do Sr. Nivaldo ou do Sr. Paulo Fagundes. Ademais relatou que também prestou serviços de encerramento de empresas, as quais eram encerradas para evitar problemas trabalhistas, sendo que em seus lugares eram abertas novas empresas. Quando confrontado com os nomes dos sócios das empresas do núcleo, o Sr. Nelson reconheceu alguns, entre eles o do Sr. Joeliton Alves dos Santos, João Silva de Moraes, Antônio Mariano e Rubens Barros Marinho. Disse que os via eventualmente no escritório do Grupo, em períodos de 30 ou 40 dias, que estes não desenvolviam atividades profissionais e que todos possuíam problemas de alcoolismo. Ao final, reforçou que desconhecia os montantes negociados pelo Grupo, seus fornecedores, clientes, etc. já que não tinha qualquer papel administrativo dentro do Grupo, limitandose a serviços burocráticos de formalização e encerramento de empresas. De tais afirmações, concluise que estas pessoas periodicamente recebiam do Grupo quantia em dinheiro em troca da utilização de seus nomes. Outras informações relevantes apuradas no curso dos procedimentos fiscais são os montantes de movimentação financeira de cada uma das empresas do núcleo, como se vê na Tabela 7 abaixo. Fl. 5800DF CARF MF 14 CNPJ Razão Social Situação Mov. Fin. 2010 Mov. Fin. 2011 Mov. Fin. 2012 Mov. Fin. 2013 12.165.435/000256 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 0,00 114.117,66 6.426.538,89 5.768.716,97 12.165.435/000175 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 277.058,96 6.136.221,13 4.220.867,82 4.298.960,53 12.595.364/000140 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECCÇÕES LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 17.755.478/000100 JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.674/000120 SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.673/000185 IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.374.212/000118 JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 13.385.771/000196 JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000306 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000225 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000144 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 52.365.830,18 30.239.404,58 25.758.022,85 31.519.478,07 Percebese que somente as empresas próprias possuem movimentação financeira. Quando comparamos a movimentação financeira com a emissão de notas fiscais, notase uma proporção inversa. Do somatório de informações até aqui apresentadas, chegase à conclusão de que as empresas fictas do Grupo simplesmente não existiam fisicamente, sendo meras emissoras de notas fiscais, documentos esses que serviam para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelo Grupo (empresas próprias). 1.3 Breve descrição do que foi apurado nas empresas do grupo. 1.3.1 Invictus Importação e Exportação Ltda / Telesa Importação e Exportação Ltda CNPJ: 07.693.822/000144 ; Período fiscalizado: 2011, 2012 Endereço: Rua Professor João Brito, 105, 2º andar, sala 02, Vila Nova Conceição, São PauloSP, CEP: 04535080 Constam no quadro societário o Sr. Roberto Restum e Felipe Roberto Restum. O AFRFB responsável pelo procedimento compareceu ao endereço acima e foi informado pelos funcionários da loja Pólo Wear, localizada nesse endereço, que a Invictus ficava no nº 150, para onde se dirigiu e foi atendido pela advogada Giselle Ap. Gennari Palumbo, que representa as marcas Planet Girls, Pólo Wear, Venom, Hot Point, SMK Rio de Janeiro, Planet Star e AR Adriana Restum. No citado nº 150, situase a loja da Planet Girls Comércio de Roupas Ltda., CNPJ 12.154.102/000140. Fl. 5801DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.795 15 Apresentou DIPJ do anocalendário 2011 pelo Lucro Presumido com informações nulas. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos (Receita Bruta de R$ 317.664,67), esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. A DCTF de 2011 consta com informações nulas. Quanto à DCTF de 2012, foi enviada retificadora após início do procedimento fiscal informando pagamentos mediante DARF, os quais não constam dos sistemas da RFB. No curso do procedimento apresentou Livros Registro de Entradas (LRE), de Saídas (LRS) e de Apuração do ICMS, relativos ao anocalendário 2012, de uma das filiais (CNPJ 07.693.822/000225). Nenhum outro livro da escrituração contábil e fiscal foi apresentada até a presente data. Destes livros, das informações prestadas pelo sujeito passivo à SEFAZ/SP, no preenchimento da GIAICMS, e dos dados constantes nos sistemas internos da RFB, extraíramse os seguintes valores: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 23.341.988,76 6.212.097,70 10.560.793,90 24.003.343,18 2012 24.369.199,08 4.948.653,23 6.140.092,40 633.173,27 20.827.654,65 26.173.799,52 Analisandose as NFe percebese que as vendas para PJ do grupo correspondem a 85% do total de vendas (Jos Comércio de Confecções – CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, Água Mista Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.595.364/000140, Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100). Os 15% restantes foram para o Grupo Walmart. O Grupo Walmart (Walmart, Lojas Leader, WMS Supermercados, Bom Preço Supermercados) comprou anualmente em torno de R$ 3.500.000,00 em mercadorias (calças jeans, bermudas, camisetas) da Invictus/Telesa em 2011 e 2012, tendo sido intimada a prestar esclarecimentos quanto a essas compras. Em resposta, informou que não tem informações sobre as marcas constantes na etiqueta, pois as compras foram para revenda, que os pagamentos eram efetuados mediante transferências bancárias (TED) na conta da Invictus (Banco Itaú, Ag. 0350, CC 797825 – Rua Joaquim Floriano, 736, Itaim Bibi, São Paulo/SP) e que as mercadorias eram transportadas pelo fornecedor. Apresentou cópia de acordo comercial assinado em 22/02/2011. Neste documento, aparecem como contatos financeiro e comercial da Invictus a Sra. Paula Serra – Av. Benedita Quina da Silva, 586, Jundiaí/SP, CEP 13.212141 (ana.serra@hotpoint.com.br) e o Sr. Valter Pereira – Rua Mendes Junior, 474, São Paulo/SP, CEP 03013011 (phs@venom.com.br), respectivamente. Fl. 5802DF CARF MF 16 Importante notar que o endereço da Sra. Paula é o mesmo de uma das filias da SPR Import (empresa em nome de “laranjas”) e o do Sr. Valter é o mesmo de uma das filiais da Import Dalamari (outra empresa em nome de “laranjas”). Atentar também para os emails (Hot Point e Venom). No mesmo endereço cadastral da Invictus, foi aberta na JUCESP a empresa Planet Girls Itaim Comércio de Roupas Ltda. (Constituição 07/11/2012; Ativa; NIRE 35225056142), no entanto, a mesma não foi cadastrada no CNPJ. Também se diligenciou à empresa Terra do Sol Manufatura e Confecção de Roupas Eireli – ME, CNPJ: 01.054.356/000170, já que houve remessas para industrialização em 2011 de aproximadamente R$ 1.200.000,00. Em resposta à intimação, informou que beneficiou e industrializou peças jeans, que tais as peças retornavam ao encomendante sem finalização de acabamento, portanto, sem etiquetas, que os tecidos eram enviados pela Invictus e retornavam para Av. Gerônimo Monteiro, 1000, Centro, Vitória/ES, que o transporte era por conta do remetente. Alegou não ser possível informar nomes de pessoas com os quais tratava na Invictus pois contatavam muitas do departamento comercial. Afirmou não possuir contrato de prestação de serviço. Reintimada a prestar informações quanto à etiqueta dos produtos industrializados, com fulcro no que estabelece o art. 213 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2002), respondeu ter cometido erro na resposta anterior e anexou cópia de modelo de etiqueta onde consta o CNPJ 07.693.822/000144 da Invictus. Como em outras diligências realizadas nas empresas terceirizadas, notase que suas respostas foram extremamente cuidadosas no sentido de não implicar seu cliente, indicando inclusive que o Grupo Restum teve conhecimento de tais diligências e orquestrou as respostas. Contudo, registrese que, segundo o portador que trouxe a documentação, Sr. Célio Fernandes Santos, a empresa localizavase inicialmente em Jundiaí e atualmente está em Indaiatuba e presta serviços exclusivamente para o Grupo Planet Girl e Hot Point. Afirmou que como é motorista da diligenciada, ele próprio retira os tecidos em Jundiaí, em São Paulo e municípios vizinhos, os leva a Indaiatuba para industrialização e posteriormente entrega os produtos acabados na Planet Girl que se localiza no Distrito Industrial de Jundiaí. Diligências efetuadas pelos AFRFB comprovam que o centro de distribuição do Grupo localizase no Distrito Industrial de Jundiaí, situado à Av. Benedita Quina da Silva, 586, endereço este que aparece em várias empresas do Grupo, sejam próprias, sejam de “laranjas”, o que nos leva a dar crédito às afirmações do Sr. Célio Fernandes Santos. 1.3.2 Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196; Período Fiscalizado: Anoscalendários 2011 e 2012. Fl. 5803DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.796 17 Endereço: Av. Benedito Quina da Silva, 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, Jundiaí – SP. Quadro societário composto por Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, sócia administradora com 50% das cotas de capital, endereço cadastral junto à RFB à Alameda Dino Bueno, Apto. 4, Campos Elísios, CEP 01217 000 São PauloSP, e Leila Maria Bispo, CPF 406.612.67822, sócia com 50% das cotas de capital, endereço cadastral à Rua Madalena de Madureira, nº 306, Sítio do Morro, CEP 02551040, São Paulo SP. Consta como ATIVA no CNPJ, porém na JUCESP está conforme distrato social registro nº 176.771/128, de 07/05/2012. Com o distrato social, a sócia administradora Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890 ficou responsável pela guarda dos documentos da empresa. No SINTEGRA tem o status de Inapta. No mesmo local funciona a empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.31568. Veja que a Net Planet é a loja virtual do Grupo (www.planetgirlsstore.com.br). Para o período fiscalizado, anoscalendário 2011 e 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 118.000.000,00, sendo R$ 88.000.000,00 em 2011 e R$ 30.000.000,00 em 2012 tendo vendido somente para empresas do Grupo Restum, segundo suas NFe. Não apresentou DIPJ e DCTF para os anoscalendários 2011 e 2012, não tendo efetuado nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período fiscalizado. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212 141, JundiaíSP, não se encontrou a empresa JOS Comércio de Confecções Ltda., porém constatouse que se trata de um galpão industrial, localizado em condomínio comercial fechado, com intenso movimento de pessoas e mercadorias. No local funciona a expedição de produtos comercializados pela Água Mista para as demais empresas do grupo Restum. Na ocasião da diligência, o AFRFB fora recebido pela Sra. Adriana Restum – CPF 120.853.19807, a qual informou à Fiscalização que trabalha como “designer” do Grupo, desenvolvendo os modelos das coleções lançadas periodicamente. Disse também que o seu escritório funciona naquele local, tendo recebido a fiscalização diretamente em sua sala de trabalho. Disse ainda não ter informações sobre a empresa JOS Confecções, colocando o AFRFB em contato com o advogado, Sr. Gelson, que ficou de retornar a ligação com informações sobre a empresa, fato que não ocorreu. Como a empresa não foi localizada no domicílio tributário cadastrado, os termos e intimações do procedimento fiscal foram Fl. 5804DF CARF MF 18 enviados para o endereço da sócia administradora, responsável pela guarda de documentos, Sra. Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, com domicílio à Alameda Dino Bueno, nº 568, Apto. 4, Campos Elíseos, CEP 01217000 – São PauloSP, sendo que tais correspondências foram devidamente entregues pelos Correios, mas as intimações não foram atendidas, bem como não houve nenhum contato da Sra. Alyne com a Fiscalização. As sócias Alyne Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo não possuem capacidade patrimonial para figurarem no quadro societário de empresa com o movimento da JOS Comércio, tampouco receberam dividendos e/ou tiveram movimentação financeira compatível. 1.3.3 JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/0001 18; Período Fiscalizado: Anocalendário 2011. Endereço: Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo – SP. Empresa constituída em 11/08/2010 e dissolvida na JUCESP em 13/05/2011. Baixa do CNPJ na RFB datada de 26/05/2011. Todavia, o contribuinte se encontra como Não Habilitado no cadastro Sintegra/ICMS desde sua inscrição em 13/08/2010. Expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$65,8 milhões, com entradas de R$29,5 milhões; não entregou declarações (DIPJ, DACON e DCTF) para o ano fiscalizado. O Sócio Administrador da empresa à época e atual Responsável pela guarda de seus livros e documentos, João Silva de Moraes CPF 733.595.21820, não pôde ser encontrado pelos Correios em seu endereço cadastral, na Rua Maria de Paula, nº 122 Apto. 609, na Bela Vista São Paulo SP. Este responsável foi então cientificado do Termo de Início do Procedimento Fiscal e Termo de Reintimação mediante edital, porém não atendeu à fiscalização até agora. Os indícios apurados quanto a sua falta de capacidade econômica, inatividade profissional e múltiplos endereços configuram hipótese de interposição de pessoa, isto é, mero “laranja” para ocultar os reais beneficiários. O outro Sócio Administrador à época, Rogério da Silva CPF 093.656.18827, foi alternativamente intimado em seu respectivo domicílio tributário, na Av. São João, nº. 1740 Apto. 33, em Santa Cecília São Paulo SP, porém também não foi localizado, restando ainda indícios similares de se tratar de interposta pessoa. Em pesquisa ao banco de dados creditício da Serasa Experian, esta pessoa física já assumiu 7 (sete) outros endereços posteriores àquele informado à Receita Federal do Brasil. Diligenciamos ainda até o último endereço oficial da pessoa jurídica, localizado na Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo SP, onde se encontra o prédio da Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104, cujos funcionários afirmaram desconhecer a procurada Jos Conf, ressaltando que aquele ponto é reconhecido há muito tempo como uma das sedes do Grupo Hot Point (o piso térreo de Fl. 5805DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.797 19 nº 57 ora comporta a loja Venom e uma porta contígua de nº 55 dá acesso aos escritórios operacionais do grupo nos dois andares superiores). Vale frisar que um folder promocional ali coletado indica dois locais de showroom da marca Venom: um neste próprio endereço visitado e o outro na Rua Mendes Júnior, nº 472 (logradouro também tido como showroom da marca Hot Point no supracitado site www.hotpoint.com.br). Quando questionado por esta fiscalização, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse não representar a JosConf, recomendandonos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, que seria o efetivo contador das seguintes empresas: Import Dalamari Lojística e Comércio Ltda., Jos Comércio de Confecções Ltda., JosConf Comércio de Confecções Ltda., SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. O Sr. Nelson foi diligenciado e suas alegações já constam deste relatório. No intuito de se obter adicionais informações, diligenciouse às empresas Lantana Comércio, Confecções e Presentes Ltda. CNPJ 08.251.691/000108, identificada mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901, emitidas pela JosConf. Através deste procedimento verificouse que os Romaneios para Saída de Tecido emitidos pela JosConf com destino à Lantana eram registrados em formulário com cabeçalho em nome de “Planet Girls A grife das estrelas”, sendo ainda a maioria deles carimbados e assinados por “William Hoffman Gerente Planet Girls RG 32.534.8546”. As notas fiscais de Retorno de Mercadoria CFOP 5902 emitidas pela Lantana tendo como destinatário a JosConf, supostamente sediada na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, muitas vezes trazem a seguinte especificação no campo Informações Complementares: “Endereço de Entrega: Av. Benedita Quina da Silva, 586 Jd. Ermida Jundiaí” (local do supracitado centro de distribuição do grupo). Bem assim, detectamos vários canhotos de recebimento dessas mercadorias pela JosConf sendo de fato assinados por Letícia Cristina de Souza Pinto (funcionária registrada à época na Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. CNPJ 12.772.739/000109), Dircélio Timoteo dos Santos (também da Planet Controle) e ainda Maria Cristina da Silva (vinculada à J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118. Quando questionado sobre as pessoas habitualmente contatadas na JosConf, o prestador de serviços declarou que: “Não havia uma pessoa específica. Na época, os contatos eram feitos com o departamento de estilo/comercial, pelo telefone +55 (11) 4525 6800.” (central telefônica também apontada pelas empresas Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda., Havan Lojas de Departamentos Ltda. e Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. como pertencente à HotBrás, empresas estas diligenciadas no Fl. 5806DF CARF MF 20 curso do procedimento fiscal na própria HotBrás,conforme relatado no item 2.8 deste relatório). Importante informar que, durante busca à JosConf, caminhando pela Rua do Consórcio e também no lado oposto dessa quadra pela Rua João Brito, encontrouse estabelecimentos de várias marcas adotadas pelo Grupo Restum, a saber: Planet Girls, Venom, Polo Wear e AR Adriana Restum, verificandose ainda os logotipos de todas essas marcas e ainda da SMK, Glamour Rock e HotPoint estampados na fachada da Invictus Importação e Exportação Ltda. (principal importadora do grupo). O endereço de abertura da JosConf na JUCESP, situado na Avenida Professor Alcebíades Delamare, nº 301, em São Paulo SP, é o mesmo adotado por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. NIRE 35225056797, em nome de Roberto e Adriana Restum; • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35224611151, em nome de Isabella Lima Fagundes, João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • ImportDalamari Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.673/000185, em nome de Antonio Mariano, Joeliton Alves dos Santos, Rogério da Silva, João Silva de Moraes e Maria do Socorro Bispo; • SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, em nome de Isabella Lima Fagundes, Rogério da Silva e João Silva de Moraes (destacase que, além do endereço idêntico, o CNPJ da SPR tem número imediatamente sucessor ao da ImportDalamari, indicando que ambas foram abertas simultaneamente); • R. Preto Comércio e Confecções Ltda. NIRE 35213165014, em nome de Márcia Estela Freitas da Costa, Sidnei Piva de Jesus e Alves Roque da Silva. Outro endereço adotado pela JosConf foi na Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, em Jundiaí, onde também são encontradas as seguintes pessoas jurídicas: • NetPlanet Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, em nome de Milson César da Silva, Paulo José Pinto, Roberto Restum e Adriana Restum; • NetPlanet Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35225231661, em nome de Letícia Cristina de Souza Pinto e Paulo José Pinto; • J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, em nome de Daniele Restum e Jacques Nehme Rostom; • ÁguaAzul Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113810, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum; • JOS Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/0001 96, em nome de Aline Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo; Fl. 5807DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.798 21 • Balfa Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35226553735, em nome de João Guilherme Balota e Ronaldo José Faga. No último endereço da JosConf, na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, encontramse também as seguintes empresas: • Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. CNPJ 12.696.628/000132, em nome de João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224809660, em nome de Cleusson Faria da Silva, Rodrigo Lourençon, Pierre Nehmi Rostom e Nivaldo Sancana Rocha; • Planet RH Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224913637, em nome de Cilene Regina Grossi Teixeira e Milson César da Silva; • Consorte Importação e Exportação Ltda. NIRE 35225143592, em nome de Adilson Bernardo Dias, Mariane de Souza Gomes e Roberto Restum; • Telesa Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (registrada inicialmente no nº 54), em nome de Fábio Pontes, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum; • Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum; • Venom Itaim Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113755 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum. Nota: Na Rua do Consórcio, encontramos ainda no nº 86 a Planet Girls Comércio de Confecções CNPJ 04.740.881/0001 38 (em nome de Adriana Restum, Ataíde Quaresma dos Santos Júnior e Eduardo Bueno) e a Planet Shoes Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.154.257/000187 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum), e no nº 169 outras 3 empresas: Station Sports Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 09.124.696/000132 (em nome de Adriana Restum, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum), VNPS Serviços de Confecções Ltda. NIRE 35225057203 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum) e Glamour Rock. • Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35227113828 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum). Além dos mesmos endereços compartilhados entre diversas empresas estreitamente ligadas ao Grupo Restum, detectamos ainda que os sócios “laranjas” da JosConf também figuram no quadro societário de diversas outras empresas, conforme resumo abaixo: • Antonio Mariano: consta também da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 (detalhada mais Fl. 5808DF CARF MF 22 abaixo), da HOP Jabaquara Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.862.039/000105 e da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Joeliton Alves dos Santos: consta também da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Rogério da Silva: consta também da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185; • João Silva de Moraes: consta também da Caparão Lojística e Distribuição Ltda. CNPJ 12.431.686/000154, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132, da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/0001 00, da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. – CNPJ 12.431.674/000120 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185. O Contador Responsável (Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834) e o correio eletrônico (rubenscontdata@hotmail.com) cadastrados no CNPJ da Jos Conf são os mesmos indicados pelas já citadas empresas Hot Brás, PlanetBarueri e Silva & Silva Lojística. Tal contador também aparece no cadastro da Polo Wear Net, porém neste caso o correio eletrônico indicado é o de nivaldo.rocha@planetgirls.com.br. Assim, percebese mais uma vez a confusão entre empresas representadas por Roberto Restum, Adriana Restum e o preposto Nivaldo Sancana Rocha e aquelas outras em nome de “laranjas”. 1.3.4 ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda CNPJ: 12.431.673/000185; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, nº 301, Conjunto 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: Situase no mesmo endereço da SPR Import e de diversas outras empresas associadas ao Grupo Restum, conforme relatado acima. Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 19/12/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de Maria do Socorro Bispo CPF 257.482.34866, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase ainda Ativa no cadastro CNPJ. Não entregou DIPJ, DACON e DCTF e não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. No intuito de dar início ao procedimento fiscal, enviouse primeiramente o TIPF à Maria do Socorro (Rua Madalena Madureira, 306, casa, Sítio do Morro, São Paulo/SP), porém correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Intentouse então a ciência no endereço do outro sócio, Sr. João Silva de Moraes (Rua Maria Paula, 122, cj. 609, Bela Vista, São Paulo/SP), havendo a correspondência retornado com a Fl. 5809DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.799 23 informação “Desconhecido”. Finalmente encaminhouse correspondência ao sócio Rogério da Silva (Av. São João, 1740, ap. 33, Santa Cecília, São Paulo/SP), sendo que esta retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, foi dada a ciência do início do procedimento fiscal à Maria do Socorro Bispo mediante edital. Vêse que os sócios da referida empresa são pessoas recorrentemente utilizadas pelo Grupo, já que atualmente, apesar da dissolução na JUCESP, constam como sócios no CNPJ o Srs. Rogério da Silva CPF 093.656.18827, João Silva de Moraes CPF 733.595.2182 e Maria do Socorro Bispo, CPF 257.482.34866. Já à época da constituição da PJ constavam Joeliton Alves dos Santos CPF 456.307.04591 e Antonio Mariano CPF 766.489.82853, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001 (notar que este endereço é utilizado por vários “laranjas”). Verificouse que não apresentou declarações e tampouco teve movimentação financeira, porém emitiu notas fiscais no montante de R$ 115.514.947,47, como se vê na tabela abaixo. AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 115.514.947,47 Curial informar que as NFe apontam vendas somente para PJ´s do Grupo (lojas varejistas). No mesmo endereço constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto tais empresas não constam do CNPJ: • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/08/2010 (Ativa); NIRE: 35224611151; no endereço foi informado como cj.18; Sócios: Rogério da Silva, CPF 093.656.18827 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001. Em 25/02/2011 houve a inclusão de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 (Residente na Rua Maria Paula, 122, apto. 609, Bela Vista, São Paulo/SP) e a exclusão da sócia Isabella Lima Fagundes; • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056797; no endereço foi informado como cj.18; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Em diligência ao endereço, verificouse tratar de imóvel residencial. O vigia da rua ao lado, Sr. Antonio, que há 30 anos trabalha no local, informou que há aproximadamente 1 (um) ano o imóvel está fechado e que a empresa que ali estava permaneceu por um período aproximado de 8 meses. Não soube dizer ao certo qual era a atividade da empresa. Informou que a Fl. 5810DF CARF MF 24 proprietária do imóvel, Sra. Cecília não recebia os aluguéis em dia e que o fornecimento de água e luz já foi cortado. A vizinha do imóvel, que reside no local há 40 anos também confirmou que a empresa ficara por 7/8 meses, mas não soube dizer a sua atividade. Outra empresa fictícia do Grupo, a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda, também está cadastrada neste endereço. Há diversas PJ do grupo cadastradas neste endereço, mas supostamente em conjuntos diferentes, contudo o endereço referese a um único imóvel aparentemente residencial. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Prof. João Brito, 85, Vila Nova Conceição, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as empresas abaixo, no entanto estas não foram cadastradas no CNPJ: • SMK Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056207; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • SMK Itaim Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113836; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta constante do CNPJ: • SMK Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.154.256/0001 32; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204814; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. No mesmo endereço da filial que fica na Rua dos Italianos, 55, Bom Retiro, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto não há cadastro no CNPJ: • Bom Retiro Planet Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 12/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225057181; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Planet Girls Bom Retiro Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113852; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta cadastrada no CNPJ: • Planet Bom Retiro Confecções Ltda. CNPJ: 12.167.004/0001 48; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204881; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Finalmente, constam no mesmo endereço da filial que fica na Rua Mendes Junior, 474, Brás, São Paulo/SP as seguintes empresas sem cadastro no CNPJ: Fl. 5811DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.800 25 • Brás Hot Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 13/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225057882; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113887; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.5 SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda CNPJ: 12.431.674/000120; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, 301, cj. 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: situase no mesmo endereço da Import Dalamari. Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 22/08/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase Ativa no cadastro CNPJ. Não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. Na tentativa de se iniciar o procedimento de fiscalização, encaminhouse o TIPF ao Sr. Rogério da Silva (Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP), porém a correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, o Sr. Rogério da Silva foi cientificado do início do procedimento fiscal através de edital. Atualmente constam como sócios no CNPJ os Srs. Rogério da Silva, CPF 093.656.188 27, João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, entretanto, à época da constituição da pessoa jurídica constavam somente Rogério da Silva e Isabella Lima Fagundes, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP 01317001. Importante informar que em 07/10/2010 foram abertas filiais na Rua Benedita Quina da Silva, 586 A, Jd. Ermida, Jundiaí/SP (não tem CNPJ) e na Rua Barão de Jundiaí, 844 A, Centro, Jundiaí/SP (não tem CNPJ), ambos endereços utilizados fisicamente pelo Grupo. Não apresentou declarações (DIPJ, DACON, DCTF) e tampouco teve movimentação financeira, entretanto expediu notas fiscais no valor de R$ 55.120.419,56, conforme tabela abaixo: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 55.120.419,56 Curial informar que as NFe de vendas foram emitidas exclusivamente para as lojas varejistas do Grupo, havendo Fl. 5812DF CARF MF 26 também simples remessas para tais lojas no montante total de R$ 14.035.160,34. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Barão de Jundiaí, 844, Centro, Jundiaí/SP, consta aberta na JUCESP a PJ abaixo, com CNPJ: • BarãoPlanet Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: 12.523.522/000157; JUCESP: Constituição 09/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224205241; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.6 Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100; Período fiscalizado: 2011 e 2012 Endereço: Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) CEP 04.080012. Empresa constituída na JUCESP em 07/07/2010, em nome de Antonio Mariano e José Balbo Júnior, sendo este último substituído em 18/10/2010 por João Silva de Moraes. Omissão na apresentação de declarações, expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$48 milhões em 2011 e R$40 milhões em 2012, com entradas correspondentes de zero e R$1 milhão, respectivamente. Efetuouse diligência ao endereço da empresa oficialmente cadastrado na RFB, qual seja, Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) – CEP 04.080 012, porém a mesma não foi localizada naquele local, ora completamente ocupado por um prédio residencial em construção identificado como Cyrela Essenza Moema, e não obtivemos quaisquer informações quanto a seu atual paradeiro em consulta à vizinhança. Em buscas pela Internet, encontramos apenas que o número 667 daquela rua anteriormente pertenceu a uma lavanderia da rede DryClean USA International. Nessas circunstâncias, as ciências do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do posterior Termo de Reintimação Fiscal foram concretizadas mediante Edital, sem qualquer manifestação do sujeito passivo até o momento. Alternativamente, emitimos um Termo de Ciência e de Reintimação Fiscal e outro Termo de Reintimação, com ciência postal do seu sócio administrador Antonio Mariano – CPF 766.489.82853 em seu domicílio tributário, na Rua Wetecindo Garcia de Freitas, nº 300, em Franco da Rocha, porém também não fomos atendidos dessa forma. Todos os administradores encontrados nos quadros societários da Jurecê apresentam indícios de interpostas pessoas sem efetiva capacidade econômica nem profissional, conforme análises anteriores, configurando hipótese de meros “laranjas” para ocultar os reais beneficiários das operações. Corroborando com a tese de empresa inexistente de fato, constatamos que a Jurecê não possui quaisquer vínculos de Fl. 5813DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.801 27 empregados ou prestadores de serviços registrados nos cadastros do Ministério do Trabalho e Emprego, da Previdência Social nem tampouco da Receita Federal do Brasil, segundo consulta aos bancos de dados do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), GFIP (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte). De modo análogo ao caso da JosConf, quando questionado, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse também não representar a Jurecê, recomendando nos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, valendo aqui todas aquelas considerações e declarações anteriores. O endereço cadastral da pessoa jurídica Jurecê Comércio, situado na Avenida Jurecê, nº 667, em Indianópolis São Paulo, é o mesmo adotado na JUCESP por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.066.160/000150, citada inicialmente pelo fato de ter incorporado a Box Fashion e dezenas de outras empresas do mesmo grupo econômico em diferentes Estados e ser então subitamente dissolvida, não antes de substituir seus sócios originais, Roberto e Adriana Restum, pelos supostos “laranjas” César Augusto Costa, Célio Martins de Oliveira, Allan Borges de Melo e Rodrigo Vieira Rezende, além da indicação do endereço fictício em tela para a guarda dos documentos de seu Distrato Social; • Planet Plaza Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 10.766.191/000150, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, substituídos pelos pretensos “laranjas” Célio Martins de Oliveira e César Augusto da Costa antes de formalizar evento de incorporação (sem as devidas justificativas e competente laudo de avaliação) e transferir seu domicílio para o aludido endereço fictício; • Ibirá Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.650/0001 70, em nome de Isabella Lima Fagundes e João Batista de Araújo Brito, tendo ainda três filiais na conhecida Rua do Consórcio, nos números 57A, 86A e 169ª. Destacase que o suposto “laranja” Célio Martins de Oliveira CPF 218.260.75879 figura ainda como responsável na JUCESP pelos livros e documentos de duas empresas com significativas transações dentro do Grupo Restum: a Hot Bob Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 69.149.862/000187 e a Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 08.691.953/000155, ambas abruptamente dissolvidas para abrigar novas pessoas jurídicas do grupo em seus respectivos endereços. Por sua vez, o supracitado Milson César da Silva CPF 247.107.34844 é mero empregado da J. E. Logística e Fl. 5814DF CARF MF 28 Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, admitido com vínculo de CLT desde 01/10/2012 até hoje, ao mesmo tempo em que passou a figurar como sócio administrador de dezenas de empresas do Grupo Restum. 1.3.7 AGR Importação e Comércio De Confecções Ltda CNPJ: 12.595.364/000140; Período fiscalizado: Anocalendário 2012 Endereço: Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Galpão A1, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Empresa constituída na JUCESP em 16/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Antes do início do procedimento fiscal, a referida empresa chamavase ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda, tendo com endereço cadastral Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP. Neste mesmo endereço funciona a empresa Água Mista Serviços de Confecções Ltda., com objeto social de confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida, com capital social integralizado de R$ 30.000,00, e quadro societário composto por Roberto Restum CPF 043.261.15840 – Sócio Administrador (participação: 50% capital) e Adriana Restum CPF 120.853.19807 (participação: 50% capital), registrada na JUCESP em 11/01/2011 NIRE: 35225056789, porém não cadastrada no CNPJ. Para o período fiscalizado, anocalendário 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 131.652.969,57, sendo R$ 92.874.249,34 para o estado de SP, e R$ 38.778.720,23 para outros estados, conforme se apura da análise de suas NFe. Vendeu somente para empresas do Grupo Restum, tendo entradas de mercadorias no valor aproximado de R$ 21.000.000,00. Apresentou DIPJ com valores zerados, optando pelo Regime do Lucro Presumido, não havendo apresentado DCTF para o período, por conseguinte não efetuou nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período. Para a Fiscalização, apresentou tão somente os Livros Fiscais de Entrada, Saída e Apuração do ICMS. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado à época (Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3 A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP) constatouse que se tratava de um galpão industrial, com pouco movimento de pessoas e mercadorias. No local funcionava a expedição de produtos negociados através de comércio eletrônico, bem como a emissão das notas fiscais para transporte dos produtos vendidos pela então Água Mista para as demais empresas do grupo. Obtevese a informação que apenas a emissão das notas era feita naquele local, visto que os produtos eram expedidos/distribuídos através do depósito localizado em condomínio comercial fechado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Fl. 5815DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.802 29 Informações prestadas pelo funcionário, Sr. Wallace Wantuel Garcia CPF 332.020.21893 dão conta de que no local funciona “apenas a logística do papel”, e que os produtos são efetivamente distribuídos pelo outro depósito. No curso do procedimento fiscal houve a alteração do endereço para a citada Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, bem como a alteração da razão social, ratificando, assim, à informação acima colhida. Consulta aos sistemas de informação da RFB demonstram que, no anocalendário 2013 o Sr. Wallace Wantuel Garcia recebeu pagamentos através da empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, com domicílio tributário à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.315 68. Observese que o endereço de localização da NETPLANET é o mesmo onde funcionava a empresa JOS Comércio de Confecções, e onde funciona hoje a Transportadora do grupo, e de onde são distribuídos os produtos com notas fiscais emitidas pela Água Mista. 1.3.8 HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/0001 75; Períodos fiscalizados: Anoscalendário 2011 e 2012. Endereço: Rua Mendes Jr., 474, Brás, São Paulo – SP. Empresa constituída na JUCESP em 07/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Não apresentou declarações em 2011. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos, esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. O sócio administrador Roberto Restum nomeou como seus prepostos o contador Nivaldo Sancana Rocha, com escritório na Rua Senador Fonseca, nº 535 sala 11 em Jundiaí e o advogado Gelson de Stefano, com escritório na Praça Tomás Morus, nº 81 11º andar, em São Paulo. Em diligência inicial ao escritório do contador Nivaldo, constatamos que ele não podia ser localizado no aludido endereço. Após tentativas de contato via telefone, obtivemos então o endereço correto no nº 1035 da mesma rua. O Livro Registro de Saídas apresentado converge, em 2011, para os valores declarados em GIAICMS, no montante de R$4,9 milhões. Em 2012, o Livro Registro de Saídas indica vendas de R$1,18 bilhão, porém com devoluções de R$1,06 bilhão, resultando numa Receita Tributável de R$122 milhões. As NFe’s constantes do SPED ratificam as vendas e as devoluções mencionadas. O contribuinte não forneceu à Fiscalização sua escrituração contábil. Fl. 5816DF CARF MF 30 Procedeuse circularizações perante alguns prestadores de serviços, identificados mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901 emitidas pela Hot Brás, ou ainda clientes de operações de Venda de Mercadoria, destacandose que: • Addobbo Indústria e Comércio de Artigos do Vestuário Ltda. – CNPJ 07.655.684/000109: este fornecedor declarou textualmente que a natureza dos serviços prestados era: “corte, costura e bordado de artigos do vestuário” e ainda que a marca de fantasia estampada nos produtos era: “POLO WEAR”. As notas fiscais apresentadas de “Industrialização Efetuada para Outra Empresa”, emitidas pela Addobbo com destino à Hot Brás (em São Paulo), tiveram seus canhotos de recebimento assinados por Adriano Aparecido da Silva – RG 41.577.2850, oficialmente registrado à época como Almoxarife CBO 4141 na J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118 (em endereço tido como o centro de distribuição do grupo em Jundiaí). As remessas de itens para industrialização e os correspondentes retornos nunca têm a devida especificação do veículo de transporte (somente a indicação de frete por conta do emitente da NF) e na maioria das vezes não existe nem a declaração do peso bruto da carga; • Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda. CNPJ 64.781.073/000140: o prestador de serviços declarou que seu contato habitual com a Hot Brás era feito através da Sra. Ana Paula Serra Fone (11) 45256801 e email: ana.serra@hotpoint.com.br, a qual de fato era empregada da HotOne Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 05.524.336/000177 (também em Jundiaí) naquele período; • Havan Lojas de Departamentos Ltda. CNPJ 79.379.491/002399: o cliente consignou que adquiria “calças e bermudas jeans masculinas; (...) marca: HOT POINT”, tendo como contatos comerciais “Juliana ou Vitória (11) 45256801” (telefone em Jundiaí também citado pela Aquarela); • Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. CNPJ 03.729.837/000245: o cliente atesta que a natureza de suas operações com a Hot Brás era compra de mercadorias (calças e camisetas polo) para comercialização, sendo a “marca de fantasia estampada nos produtos: HOT POINT”, com indicação dos seguintes fabricantes nas etiquetas internas de industrialização: o “Camisas Pólo: Importado por Telesa Importação e Exp. Ltda., CNPJ 07.693.822/000144, Produzido na China” (a principal importadora do grupo, rebatizada como Invictus); o “Calças: Hot Point, Fabricado no Brasil, CNPJ 13.385.771/000196” (não por coincidência, este CNPJ pertence oficialmente à ficta Jos Comércio de Confecções Ltda.); • Dentre os contatos comerciais apresentados, encontramse novamente os telefones (11) 45256801 e 45256830 (em Jundiaí) e também os seguintes endereços eletrônicos: mônica.silva@planetgirls.com.br, Fl. 5817DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.803 31 ivanice.silva@hotpoint.com.br, valterpereira.hot@terra.com.br, monica.souza@hotpoint.com.br e erica.cavalcanti@planetgirls.com.br, evidenciando mais uma vez a integração entre as diferentes marcas. Em adição, os comprovantes de pagamento fornecidos pela Dimalkon em favor da Hot Brás indicam o endereço desta como sendo na Rua do Rosário, nº 519 em Jundiaí (sede da antiga HotWay Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 69.049.617/000106). Em novas consultas aos bancos de dados da JUCESP, nesse caso encontramos 5 (cinco) contribuintes pretensamente diferentes no endereço cadastral da Rua Mendes Júnior, nº 474, no Brás, em São Paulo SP, novamente com atividades em períodos concomitantes, conforme quadro abaixo: Empresa NIRE CNPJ Constituição Encerramento Sócios HotWorld Comércio de Confecções Ltda 35217728463 05.277.729/000123 10/09/2002 30/06/2010 Roberto e Adriana Restum HotBrás Comércio de Confecções Ltda 35224204920 12.165.435/000175 07/04/2010 Roberto e Adriana Restum Brás Hot Serviços de Confecções Ltda 35225057882 não aberto 13/01/2011 Roberto e Adriana Restum Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda 35227113887 não aberto 07/11/2011 Roberto e Adriana Restum Venom Brás Comércio de Confecções Ltda 35227737317 18.785.616/000180 30/08/2013 Felipe e Vanessa Restum Em diligência ao endereço da matriz da empresa fiscalizada, a mesma não foi localizada na Rua Mendes Júnior, nº 474, São Paulo, tampouco no mais recente, nº 466, constante na JUCESP. Neste endereço, funciona desde 30/08/2013 a Venom Brás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 18.785.616/000180, pertencente ao mesmo grupo econômico (foi encontrado um carimbo da antiga HotBrás na atual loja Venom). O cadastro do Sintegra/ICMS indica o CNPJ 12.165.435/000175 como Não Habilitado desde 15/01/2014 para a Secretaria da Fazenda Estadual. A ciência do TIPF foi então dada à advogada do Grupo Planet Girls, Giselle Aparecida Gennari Palumbo CPF 124.033.128 27, encontrada na sede da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (principal importadora do grupo), situada na Rua Professor João Brito, nº 150, em São Paulo. O site da Hot Point na Internet, www.hotpoint.com.br, indica que o showroom da marca se localiza na Rua Mendes Júnior, nº 466F/472, em São Paulo (SP). Constatouse a indicação do CNPJ 12.165.435/000175 como fabricante em inúmeras etiquetas internas de industrialização de roupas de diferentes marcas do grupo (camisetas Hot Point, jaquetas Venom, etc.); O Contador Responsável pela HotBrás, Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834, é o mesmo cadastrado para a Polo Wear Net Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. – CNPJ 15.399.036/000167 e também para a JosConf Comércio de Fl. 5818DF CARF MF 32 Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118. Neste ponto, destacase que tanto a HotBrás quanto a Polo Wear Net estão em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, enquanto a Jos Conf está em nome de “laranjas”. A filial de CNPJ 000256, situada na Rua Antonio Perutti (ou Peruche), nº 111, no Bairro Honório Fraga em Colatina (ES), encontrase muito próxima a 5 (cinco) significativos fornecedores de remessas para industrialização: Mandin S Indústria de Comércio e Conf Ltda. – CNPJ 05.801.793/000161, Pubi Ind e Com de Confecções Ltda.EPP CNPJ 04.572.052/000193, Dian Confecções Ltda.EPP CNPJ 39.378.989/000107, Tutti Fruti Indústria de Confecções Ltda. ME CNPJ 14.954.020/000106 e Palare Ind. de Confecções LtdaME CNPJ 07.729.721/000186. 1.3.9 Lojas Varejistas Além das empresas do núcleo, o SEFIS/DRF/JUN também fiscalizou as lojas varejistas circunscricionadas, a saber: Hot Maxi Shopping Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.484.212/000170, PlanetJundi Max Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.372.145/000100, HotNumberOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.506/000164, Barão Planet Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.523.522/000157, Planet Out Let Comércio de Confecções Ltda., Polo Wear Outlet Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.484/000132 e FashionRoupas Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.113.554/000184. Nos mesmos endereços das sociedades acima havia empresas baixadas pertencentes ao Grupo, motivo pelo qual foram abertas, simultaneamente, diligências nas seguintes: HotMaxi Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.515.378/000141, PlanetMaxi Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.325.725/000161, HotOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.524.336/000177, Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.691.953/000155, Planet Outlet Comércio de Confecções Ltda. – ME – CNPJ 10.666.719/0001 10 e Venom Outlet Comércio de Confecções Ltda. Em todos os procedimentos, o sócio administrador Roberto Restum nomeou como seu preposto o contador Nivaldo Sancana Rocha para atender as demandas fiscais. De um modo geral, o que se apurou nesses procedimentos é que os contribuintes não entregaram DIPJ ou as entregaram “zeradas”, entretanto apresentaram GIA à SEFAZ/SP indicando receitas de vendas. No curso do procedimento entregaram DCTF´s retificadores não espontâneas, consignando valores de tributos e indicando que os mesmos foram recolhidos através de DARF, entretanto não constam registro dos referidos pagamentos nos sistemas internos da RFB. Apresentaram Livros Registro de Saída cujos valores estão idênticos ou muito próximo das GIA´s. Não apresentaram escrituração contábil (Livro Caixa e/ou Diário e Razão). 1.4 Da Conclusão da Fiscalização Fl. 5819DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.804 33 Em síntese, assim concluiu a fiscalização: Assim, considerando a extensa dilação probatória supra postada, convicto se queda de que efetivamente existe o nomeado Grupo Restum, grupo este comandado por Roberto Restum CPF 043.261.15840 e Adriana Restum CPF 120.853.19807, porém composto por toda a família Restum, o qual se utiliza de diversos artifícios com o fulcro de suprimir o pagamento de tributos, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio que poderia servir para satisfazer o crédito tributário. Abaixo vemos diagrama dos titulares do Grupo. (...) Em resumo, verificouse que o referido Grupo, ao invés de constituirse formalmente como uma unidade (matriz e filiais), optou por individualizar cada uma de suas parcelas operacionais. É bem verdade que esta opção, por si só, não configura nenhuma ilegalidade, apesar de não constituir a praxe administrativa, motivo pelo qual deve o Órgão Tributante respeitar tal opção no momento da tributação, entretanto, vai além o contribuinte, utilizase dessa fragmentação para enganar o Fisco, ou ao menos tenta. Valese da formalidade, dos diversos órgãos e cadastros existentes para criar confusão e impedir ou retardar que o Fisco tenha conhecimento do fato gerador do tributo, assim, constitui incontáveis empresas, parte cadastra em todos os órgãos (JUCESP, RFB, SEFAZ, etc.), parte não, da mesma forma age na dissolução, desta feita o órgão tributante é levado a erro, seja na análise da capacidade contributiva do contribuinte, seja no conhecimento do fato gerador antes de decorrida a decadência, seja na identificação correta do sujeito passivo. Mas não se limita a este ardil, utilizase também de interpostas pessoas que constituem empresas a serem empregadas pelo Grupo. Variedade também se verifica no que tange às interpostas pessoas, já que estas por vezes têm seus nomes utilizados sem consentimento e/ou sem participação administrativa (“laranjas”) e em outros casos são pessoas ligadas que emprestam seus nomes (“testas de ferro”). Neste relatório limitamonos a analisar as interpostas pessoas ligadas às chamadas empresas do núcleo, entretanto há uma infinidade de nomes e empresas utilizada pelo Grupo (Anexo VIII). Esta, aliás, é uma constatação que não deve ser esquecida, tudo o que se apurou e consta deste relatório, é apenas uma parte, estática, referente aos anoscalendário 2011 e 2012, das ações do Grupo. Concentrouse no núcleo do esquema, mas há indícios de outras práticas ilícitas, da existência de outras empresas, outros “laranjas”. Como se viu, a prática engendrosa e ilícita do contribuinte é sobremaneira dinâmica, havendo constante alteração nos atores e ações. Retomando a questão das interpostas pessoas, verificouse que estas são utilizadas para constituir a mais diversa gama de Fl. 5820DF CARF MF 34 empresas. Parte existe fisicamente, parte inexiste, constituise mera formalidade que acoberta operações comerciais reais. É o que se verificou nas empresas fictícias do núcleo. No anocalendário de 2011, percebese claramente que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185 e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 compuseramse de puro anteparo, estratagema, avatar para as operações da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, já que aquelas adquiriram quase que a integralidade das vendas desta e depois repassaram tais mercadorias, adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo. Assim, toda a mais valia, bem como o ônus tributário, recaíram sobre as fictas, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí decorrente. Corrobora ainda com tal afirmação o fato que as empresas fictas não possuíram movimentação financeira, não contrataram funcionários, seus sócios não possuem capacidade patrimonial, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo, seus fornecedores indicam que negociaram efetivamente com o Grupo (diligências), seus sócios constam também do quadro societários de outras empresas do Grupo, algumas delas inclusive registradas utilizando como razão social as marcas do Grupo. Coube a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 comercializar os produtos produzidos pelo próprio Grupo através de remessas para industrialização a terceiros. Verificouse claramente no procedimento fiscal que estas operações se deram com a organização administrativa do Grupo Restum. Da mesma forma, os clientes da Jurecê não integrantes do Grupo, minoria das comercializações, já que a grande maioria das vendas foram realizadas para lojas do Grupo, textualmente afirmaram que compraram produtos com as marcas do Grupo, havendo negociado diretamente com este. De fato, o que se verifica é que também a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100 é anteparo da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, não tendo havido a formalização de compras/vendas entre as empresas, porém a Jurecê era o braço nacional da Invictus, tanto é assim que no anocalendário de 2012 já houve o registro de várias operações comerciais entre ambas, colocandose a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 claramente na posição de empresa ficta interposta da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144. Então, os fatos geradores formalmente atribuídos às empresas fictícias em verdade foram praticados pela Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, a quem se atribuiu o ônus da quitação do crédito tributário. Fl. 5821DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.805 35 No anocalendário de 2012, mantevese o modus operandi do Grupo, entretanto, houve a mudança de alguns atores. Destarte, pelos mesmos motivos já apontados para o anocalendário anterior, é seguro e certo afirmar que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 13.385.771/000196 e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 constituíramse de meros avatares da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, sendo, portanto, esta última aquela que efetivamente praticou o fato gerador dos tributos. Já as empresas ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. CNPJ: 12.595.364/000140 e HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175, constituídas em nome próprio do Grupo, também sonegaram tributos, entretanto, como não há falsidade em sua constituição, respeitouse a opção do contribuinte em fragmentar o Grupo em diversas empresas, sendo, portanto, a cada uma delas atribuídas as respectivas obrigações tributárias e seus decorrentes créditos tributários. Por todo o exposto, também se conclui que há evidente confusão patrimonial entre as empresas do Grupo, ademais de os bens estarem abrigados por empresas que não praticam corriqueiramente atos de comércio. Viuse que tal situação nada mais é que ardil no sentido de intentar impedir que se alcance o patrimônio do Grupo para satisfazer o crédito tributário, muito embora tais bens estejam diretamente ligados às operações comerciais do Grupo, já que são, em suma, imóveis, veículos e as marcas utilizadas por este; assim, as empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144 devem também responder pelos créditos tributários vencidos e vincendos do Grupo com base no art. 124, I da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). Da mesma forma, devem os sóciosadministradores do Grupo Restum responder com seu próprio patrimônio pelos créditos tributários vencidos e vincendos decorrentes das operações do Grupo com fundamento no art. 135, III do CTN, haja vista a abundante prática de atos ilegais por eles adotada. Posto isto, concluise o presente relatório com a certeza da vontade sonegadora do Grupo, fato que levou a sua autuação fiscal com a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, I e § 1° da Lei 9.430/96. Esta é a síntese do “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. 2 Da Omissão de Receitas de Vendas e da Constituição do Crédito Tributário em nome da Invictus Importação e Exportação Ltda/Telesa Importação e Exportação Ltda. A fiscalização somou as receitas brutas omitidas pelas pessoas jurídicas fictícias constituídas por interpostas pessoas às receitas brutas próprias da Invictus e Fl. 5822DF CARF MF 36 a totalidade das receitas foi lançada na Invictus, considerada a real beneficiária de todas as operações formalmente atribuídas às aludidas empresas simuladas. A fiscalização assim justificou: Conforme relatado nos itens precedentes e no “Relatório Fiscal – Grupo Restum” anexo, o citado Grupo valeuse da interposição de diversas pessoas jurídicas e físicas de modo a evitar a subsunção do verdadeiro interessado à regra matriz de incidência. Por todo o exposto, demonstrado e comprovado no presente Termo e no “Relatório Fiscal –Grupo Restum” anexo, constatouse que as pessoas jurídicas JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/000118, Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/0001 96, Spr Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185 e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100, são empresas criadas pelo Grupo Restum, cujo quadro societário é composto por interpostas pessoas, com o firme propósito de suprimir o recolhimento de tributos, bem como impedir que a RFB tivesse conhecimento dos fatos geradores tributários e, nos casos em que RFB porventura tivesse conhecimento, que os reais beneficiários das operações não pudessem ser alcançados a fim de responderem pelo crédito tributário. Desta forma, os fatos geradores formalmente atribuídos às empresas fictícias em verdade foram praticados pela Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, constituída em nome próprio do Grupo, a quem se atribuiu o ônus da obrigação tributária e da quitação do crédito tributário. Já as empresas AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.595.364/000140 e HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175, constituídas em nome próprio do Grupo, também sonegaram tributos, entretanto, como não há falsidade em sua constituição, respeitouse a opção do contribuinte em fragmentar o Grupo em diversas empresas, sendo, portanto, a cada uma delas atribuídas as respectivas obrigações tributárias e seu decorrente crédito tributário. Segundo a fiscalização todo o esquema de interposição fraudulenta foi criado deliberada e intencionalmente para suprimir o pagamento de tributos, seja levando o Fisco ao erro na identificação do sujeito passivo, seja suprimindo informações que levariam à correta apuração do quantum tributário, seja na proteção e ocultação do patrimônio do Grupo de uma eventual execução fiscal e, assim, todas as empresas do Grupo omitiram as receitas auferidas, não recolheram os tributos devidos e não mantiveram escrituração contábil nos termos da legislação comercial, descumprindo as obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos anos calendário 2011 e 2012. O quadro a seguir representa o total de receitas omitidas imputadas à Invictus. ANOCALENDÁRIO 2011 PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITAS – R$ Fl. 5823DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.806 37 JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA CNPJ 13.385.771/000196 88.863.546,96 JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA CNPJ 12.374.212/000118 14.775.371,12 IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA CNPJ: 12.431.673/000185 115.517.863,54 SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA CNPJ: 12.431.674/000120 52.324.711,01 JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA CNPJ 12.755.478/000100 49.683.457,06 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA CNPJ: 07.693.822/000144 3.770.152,84 TOTAL 324.935.102,53 ANOCALENDÁRIO 2012 PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITAS – R$ JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA CNPJ 13.385.771/000196 30.016.422,21 JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA CNPJ 12.755.478/000100 40.503.510,04 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA CNPJ: 07.693.822/000144 17.300.218,50 TOTAL 87.820.150,75 A autoridade fiscal em seu Termo de Verificação 0001 (fls. 2812 em diante) esclareceu que as receitas brutas são provenientes de vendas de produção do estabelecimento e vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros às lojas varejistas, em sua grande maioria do próprio Grupo, conforme notas fiscais eletrônicas extraídas pelo SPED e demonstradas detalhadamente nos anexos ao Termo de Verificação. Acrescentou que do montante total de vendas omitidas já constam descontadas as vendas da Invictus para cada uma das empresas para não incorrer em bis in idem. Com relação à INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA esclareceu que, no anocalendário 2011, foram tributadas a título de omissão de vendas diretas da Invictus às lojas varejistas terceiras não pertencentes ao Grupo, as receitas brutas provenientes de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros ( CFOP 5102 e 6102 ), conforme notas fiscais eletrônicas extraídas pelo SPED e demonstradas detalhadamente no anexo ao presente Termo. No anocalendário 2012, foram omitidas receitas brutas provenientes de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros ( CFOP 5102 e 6102 ) no valor de R$ 4.008.175,34, as quais são constituídas em grande parte de vendas da Invictus às lojas varejistas terceiras não pertencentes ao Grupo. No mesmo ano há omissão de receitas de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não deva por ele transitar ( CFOP 6106 ) no montante de R$ 12.083.397,52, bem ainda receitas brutas provenientes de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros ( CFOP 5102 ) no valor de R$ 1.208.645,64, que consistem nas vendas da Invictus à pessoa jurídica AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.595.364/000140 constituída em nome próprio do Grupo, totalizando R$ 13.292.043,16. Referidos valores foram levados à tributação como omissão de receita da atividade para fins de apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 5824DF CARF MF 38 Justificando o arbitramento do lucro a autoridade fiscal ressaltou que a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA exerceu a opção pelo lucro presumido, todavia, intimada por diversas vezes para apresentação da escrituração contábil, o sujeito passivo não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial, ou o livro Caixa, o que levou a fiscalização a arbitrar o lucro, com fulcro no art. 47, III, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, tendo em vista o não cumprimento das determinações legais exigidas para o lucro presumido e a impossibilidade de apuração do lucro real. Na apuração do IRPJ, sobre a receita omitida foi aplicado o coeficiente de 9,6% para determinação do lucro arbitrado, sobre o qual foi aplicada a alíquota básica do Imposto de 15% e adicional de 10% sobre a parcela do lucro arbitrado que exceder ao valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do respectivo período de apuração. Na apuração da infração reflexa da CSLL, sobre a receita omitida foi aplicado o percentual do lucro arbitrado de 12% na determinação da base de cálculo da Contribuição, sobre a qual será aplicada a alíquota de 9%. Na apuração das infrações reflexas da Contribuição para o PIS e da COFINS, sobre a receita omitida forma aplicadas as alíquotas do regime cumulativo de 0,65% e de 3%, respectivamente. Sobre os tributos e contribuições devidos foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por entender a fiscalização que, conforme circunstanciadamente relatado no Relatório Fiscal Grupo Restum anexo, teria restado caracterizada a ocorrência, em tese, de condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como no art. 1° da Lei 8.137 de 27 de dezembro de 1990, o que exigiu a Representação Fiscal para Fins Penais, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 2.439/10, com alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11. Considerando os fatos apurados e minuciosamente detalhados no Relatório Fiscal Grupo Restum foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário entre as empresas do Grupo Restum em consonância com o art. 124, I do CTN, outrossim dos sócios gerentes com base no art. 135, III do mesmo diploma legal. 3 Da Impugnação. Inconformados, tanto o sujeito passivo INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA quanto os responsáveis solidários, todos intermediados por seu procurador (doc. 01), apresentaram a impugnação de fls. 4549/4582 aduzindo como razões de defesa o seguinte: I – Imputações Alegou que a fiscalização partiuse de constatações genéricas para individualizar tanto um arbitramento, despropositado, como solidarizações fundadas apenas nos dispositivos legais, sem que tenha havido a necessária descrição da conduta de cada contribuinte solidarizado, simplesmente ignorando as disposições legais aplicáveis à espécie e as autônomas personalidades jurídicas. Acrescentou que a Fiscalização não demonstrou, ao menos concretamente em cada auto de infração, quer a viabilidade do arbitramento, quer a possibilidade de solidarização das demais Impugnantes. II – Impossibilidade e inaplicabilidade do arbitramento do lucro Alegou que não havia motivo para o arbitramento do lucro, pois não houve imputação de total ausência de declarações e escrituração e a fiscalização teve Fl. 5825DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.807 39 inegável acesso a parte da documentação fiscal e contábil, de sorte que nada há que justifique a excepcional medida de arbitramento do lucro, pois era plenamente possível aferir a correta base tributável. Ademais, a desconsideração da opção pela forma de apuração adotada pelo contribuinte esbarrou na legislação de regência e nos precedentes administrativos, que condicionam a adoção do lucro arbitrado quando, devidamente comprovado pela Fiscalização, a impossibilidade de apuração pelo regime indicado pelo contribuinte. Acrescentou que: Observese assim, qualquer qualquer que seja o caso que queira analisar, ainda que se esteja diante de indícios de eventual omissão de receitas, é que: i) o arbitramento é medida excepcional; ii) é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte. Solicitou “que seja afastada no caso concreto a possibilidade de arbitramento, julgandose improcedentes os autos de infração, porquanto a contribuinte apresentou elementos que possibilitavam à Fiscalização adicionar eventual valores tidos por omitidos sem a necessidade de valerse do expediente adotado.” III Solidarização e responsabilização Alegou que a fiscalização arrolou as empresas e os sócios do que seria um conglomerado econômico, aludindo o que dispõem os artigos 124 e 135, do Código Tributário Nacional, e simplesmente os colocou na posição de devedores solidários, sem qualquer imputação especificada, em relação a qualquer dos solidarizados. No entender da impugnante não se pode conceber a solidarização de dezenas de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, ao mero argumento de que todas participaram de um “grupo econômico”, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação autorizaria a solidarização pura e simples, era mister da Fiscalização, reafirmese, demonstrar a participação individualizada de cada um que reputou solidário ou responsável. Deveria a Fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Alegou que em relação ao Impugnante “Roberto” fora responsabilizado nos termos do artigo 135, III, do CTN, e neste ponto específico, além da mesma imputação genérica, a Fiscalização novamente incorreu em equívoco interpretativo sofrível, porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade. Solicitou que, caso prevaleçam os impugnados autos de infração, que sejam excluídos do polo passivo da presente obrigação tributária todos quantos foram solidarizados e/ou responsabilizados, reconhecendose que a Fiscalização não demonstrou na espécie os motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim, na legalidade. IV Inaplicabilidade da multa qualificada. Alegou que a multa de 150% revelase confiscatória e desproporcional, visto que não apresenta característica de razoabilidade e Justiça e revela imensa discrepância entre o suposto desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica e viola expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal Fl. 5826DF CARF MF 40 V Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Alegou que ainda que se considerasse procedente a autuação, não se poderia fazer incidir a taxa de juros sobre a multa aplicada, haja vista a previsão legal expressa, a que alude o art. 84 da Lei nº 8.981/1995, de acréscimo de juros apenas aos valores referentes a tributos e contribuições sociais (art. 84 da Lei nº 8.981/1995) Argumentou que deve se ter clara a distinção entre multa e tributo, eis que a primeira é sinônimo de sanção imposta por descumprimento da obrigação tributária, enquanto o segundo se refere a toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada (artigo 3º do Código Tributário Nacional). A multa, assim, é a sanção que decorre, por exemplo, do não pagamento do tributo, com este não se confundindo. Este é o motivo de os juros incidirem apenas sobre o principal, pois a previsão legal estende a sua aplicação somente aos tributos e contribuições sociais, excluindo de sua abrangência a multa. Por derradeiro, alegou que a Lei nº 9.430/96, de igual forma, não autoriza a aplicação de juros sobre a multa de ofício, tratando apenas do caso de multa isolada, consoante jurisprudência acima posta, o que não se verifica nestes autos, evidenciado, portanto, não haver base legal para a aplicação de juros sobre a multa, tal como lançados nos autos de infração, sendo forçoso o seu cancelamento. VI – Julgamento conjunto Requereu a reunião dos 10 (dez) processos cujos autos foram lavrados sob o amparo do mencionado “Relatório Fiscal Grupo Restum”, tratandose, portanto, dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos, a fim de que tramitem conjuntamente e sejam conjuntamente julgados, homenageandose, desta forma, o princípio constitucional da razoável duração do processo e evitandose a prolação de decisões conflitantes VII – Dos pedidos Requereu que seja conhecida a impugnação para os fins de julgar insubsistente o Auto de Infração reconhecendo a inaplicabilidade do arbitramento do lucro e, ainda, em pleito alternativo e em caso de prevalência das imputações lançadas acima, que sejam os contribuintes solidarizados devidamente excluídos do polo passivo da obrigação tributária aqui constituída e, de forma igualmente alternativa, requereu a redução da multa aplicada ao patamar mínimo regulamentar, afastandose a multa qualificada; É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1458.570, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITA MEDIANTE USO DE INTERPOSTAS EMPRESAS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NO EFETIVO BENEFICIÁRIO. Fl. 5827DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.808 41 Apurado o real beneficiário de operações formalmente praticadas com utilização de interpostas empresas, as quais não ofereceram devidamente os resultados à tributação, correta a lavratura de auto de infração, por omissão de receita, contra a empresa efetivamente responsável. ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que a empresa, mesmo intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, nem mesmo o livro Caixa contendo sua movimentação financeira e bancária, cabível o arbitramento do lucro. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (art. 153 e 124, I, do CTN). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 06/08/2015, e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 01/07/2015, juntamente com os responsáveis solidários, todos em uma só peça recursal, os quais repetiram basicamente os argumentos apresentados na impugnação. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 5.764 a 5.775) ao recurso voluntário, pugnando pela manutenção da autuação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. Fl. 5828DF CARF MF 42 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Delimitação da Lide Analisando as razões de recurso voluntário, percebo que a recorrente não "gastou muitas tintas" para combater os fundamentos da DRJ, limitandose apenas em reproduzir os argumentos já apresentados em sede de impugnação, com a ressalva de que não reproduziu no recurso voluntário os argumentos que tratavam da desconsideração da personalidade jurídica efetuada pela fiscalização em relação às empresas JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/000118, Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, Spr Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/0001 20, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185 e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100. Sendo assim, tornase preclusa a questão da suposta desconsideração da personalidade jurídica de tais empresas. E, mesmo que fosse enfrentada tal questão, como foi apurado pela fiscalização que o real beneficiário das operações formalmente praticadas com utilização das referidas interpostas empresas tratase da empresa ora recorrente, correta a lavratura de auto de infração lavrado em desfavor da recorrente. Assim, as questões a serem debatidas neste voto são as que seguem: 1) o arbitramento do lucro; 2) a responsabilidade solidária; 3) a multa qualificada de 150%; e 4) a cobrança de juros sobre a multa. MÉRITO Preliminarmente, convém rebater os argumentos iniciais da recorrente de que "os fatos, descritos de forma tendenciosa e complexa pela fiscalização, terminam por impressionar e podem redundar em uma conclusão equivocada". Ora, o método dialético tem como desígnio estabelecer a verdade por meios de argumentos fundamentados, atestados de lógica e razão. Assim, devemse apartar os argumentos apenas emocionais, que somente servem para hesitar o avaliador. Fl. 5829DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.809 43 A partir dessa premissa, deve o julgador formar sua convicção por meio dos elementos de fato e de direito constantes no processo, corroborados por prova inequívoca de suas ocorrências. Não obstante, o espectro que se extrai de um lado e de outro da dialética inevitavelmente é imbuído do emocional: no debate tributárioprocessual, por exemplo, o fisco afirma que o sujeito passivo deve pagar tributo e tenta convencer o avaliador disso; o sujeito passivo, em antítese, entende que a forma escolhida para pagar menos tributo, ou não pagar, é legal e também se serve de seu domínio de convencimento. Deste preceito de cada um entender que está na razão é que surge a dialética processual. Assim, cabe ao avaliador extrair dos argumentos de ambas as partes aquilo que mais se encaixa como verdade, cuja avaliação principia, mesmo que involuntariamente, alicerçada neste trecho musical1: "Há tantos quadros na parede Há tantas formas de se ver o mesmo quadro" E, para se alcançar a verdade, impõese interpretarmos a dialética como aferiu Aristóteles, ao afirmar que ela é a lógica do provável, daquilo que parece ser aceitável a todos ou à maioria, mesmo quando não se pode demonstrar, já que exige apenas que não seja possível eliminar o candidato à verdade. Desta forma, independentemente das acusações impostas pela fiscalização, o que deve prevalecer no caso é um julgamento baseado nas provas acostadas ao processo, que dão suporte à descrição das razões de fato e de direito que induziram a fiscalização a efetuar o lançamento fiscal e ao sujeito passivo a contraargumentar as acusações lhe impostas. II.1 IMPOSSIBILIDADE E INAPLICABILIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente alega que o arbitramento é medida excepcional e de que é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte, pois havia apresentado suas declarações. Não entendo ter razão a recorrente. O arbitramento é uma das formas de apuração do IRPJ e da CSLL, e não se trata de punição ao sujeito passivo; é apenas uma forma de apuração do lucro fiscal quando não há elementos suficientes para apurar o lucro de acordo com a configuração escolhida pela empresa. E foi o que ocorreu no caso concreto. 1 Música de Humberto Gessinger: NinguéM = NinguéM Fl. 5830DF CARF MF 44 A recorrente e as demais empresas envolvidas nesta autuação fiscal optaram pela forma de tributação pelo lucro presumido. A lei do presumido obriga a manutenção, pelo sujeito passivo, dos livros comerciais, ou, opcionalmente, do livro caixa (Lei 8.981/1995): “Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária.” Conforme amplamente divulgado no Termo de Verificação Fiscal, embora regularmente intimadas pela fiscalização, as empresas não apresentaram livro diário e/ou razão nem no meio papel, tampouco no formato do SPED nem livro caixa. Assim, não há como verificar a apuração correta da movimentação contábil e fiscal da recorrente. Como não apresentaram os livros, restou aplicar o arbitramento do lucro conforme Lei nº 8.981/1995, que é a base legal do art. 530, III, do RIR/99: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; A base de presunção do IRPJ de 9,6% (20% sobre a base de 8%) foi aplicada corretamente pela fiscalização, conforme teor dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.249/1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Fl. 5831DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.810 45 A base de presunção da CSLL (12%) foi efetuada corretamente com fundamento no art. 20 da Lei nº 9.249/1995 c/c art. 27 da Lei nº 9.430/1996, in verbis, respectivamente: Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (...) Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: A imputação da contribuição para o PIS e da COFINS seguiu rigorosamente o mandamento legal que dispõe sobre a tributação pelo regime cumulativo, nos termos dos artigos 8º da Lei nº 10.637/2002 (Pis) e 10 da Lei 10.833/2003 (Cofins), reproduzidos abaixo: Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (VideMedida Provisória nº 497, de 2010).” ____ Art. 10 Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010). Desta forma, correta a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro arbitrado, e do Pis e da Cofins, por conseguinte, pelo regime cumulativo. III – DA SOLIDARIZAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO Os recorrentes alegam que ".... as solidarizações foram efetivadas sem o menor critério de imputação ....”; que a Fiscalização apenas indicou as pessoas e transcreveu os Fl. 5832DF CARF MF 46 artigos 124 e 135 do CTN". Aduz que não foi realizada uma única imputação e/ou descrição das condutas e que a fiscalização ignorou a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. Nessa linha, constrói raciocínio de que o que interessa é analisar a modalidade de sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte. Invocando o art. 121 do CTN, argumenta que há necessidade de demonstração de que a pessoa tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, conforme regra do art. 124, I, do CTN. Antes de adentrar no ponto central aqui ventilado a individualização das condutas , mister observar que a recorrente preparou um única peça recursal para todos os lançamentos tributários lavrados em desfavor de todas as empresas do grupo, alterando apenas o nome das recorrentes. Essa constatação é percebida quando se lê a peça recursal. Ou seja, a recorrente replica seus argumentos para todos os fatos imputados em relação a todos os lançamentos tributários aplicados em relação ao Grupo Restum. Pois bem. Como se viu, a fiscalização apurou a responsabilidade solidária com base no art. 124, I, e art. 135, III, ambos do CTN. Veja a redação legal de ambos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, pressupõe a comprovação do interesse comum em praticar a conduta tipificada com crime. Há muito se discute sobre a interpretação da terminologia "interesse comum", pois sua exegese pode desencadear a atribuição de responsabilidade solidária a determinada personalidade. Muitos entendem que o interesse ali descrito é o interesse jurídico, daquele que tenha participado da ocorrência do fato gerador, o que muitos interpretam como aqueles que estejam em um mesmo lado da cadeia da prática do fato gerador, excluindose, por exemplo, empresas que adquirem bens e mercadorias mesmo que sejam daqueles que efetivamente omitiram fato gerador de tributo. Dessa interpretação, mesmo que determinado sujeito passivo tenha se beneficiado economicamente, este fato, por si só, não é capaz de concretizar o interesse comum tratado no art. 124, I, do CTN, e a ele ser imputada a responsabilidade solidária. O tributarista Marcos Vinicius Neder de Lima, em obra que versa sobre o critério de aplicação do art. 124, I, do CTN, interpretou o interesse comum inerente à solidariedade de fato: “Solidariedade de Fato Fl. 5833DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.811 47 (...) 6.2. Conceito de interesse comum O termo “interesse” contém, vários significados, o que dificulta sua exata delimitação semântica na seara jurídica. Um dos desafios mais importantes para todo o desenvolvimento deste ensaio é solucionar a seguinte questão: “Qual significado deveríamos atribuir à expressão ‘interesse comum’ utilizada no art. 124 do CTN?” (...) A palavra interesse, segundo Alf Ross, pode ser tomada em sentido amplo e em sentido estrito. O sentido amplo abrange todo o estado de consciência que encerra uma atitude. Nesse sentido, estamos interessados em tudo aquilo a respeito do que experimentamos; uma atitude positiva ou negativa. Por outro lado, quando dizemos que uma ação nasce dos interesses de uma pessoa, a palavra é tomada em sentido estrito. E prossegue o mestre dinamarquês, os interesses são atitudes baseadas em necessidades, que geram um impulso no sentido de seu atendimento, ao contrário das atitudes morais, que são baseadas em necessidades (desinteressadas). No campo processual, interesse, observa Cândido Dinamarco, associase à idéia de utilidade, de modo que o provimento jurisprudencial postulado pela parte deve ser efetivamente útil ao demandante, operando uma melhora em sua vida comum. O interesse processual, é por essência instrumental. Como o que nos inquieta é o interesse na situação jurídica subjacente ao fato gerador, cumpre examinar o seu significado à luz de uma relação jurídica privada (...). Recorremos, então, aos ensinamentos de Pontes de Miranda para quem os direitos subjetivos surgem apenas a partir da incidência de regras jurídicas que são os veículos aptos a distribuir bens da vida, ou alterar sua distribuição. Se há interesse subjacente a tal distribuição, não pertencem à dimensão jurídica, mas à dimensão política, salvo onde esse interesse á regra jurídica entendeu caber proteção. Assim, ensina o Mestre, os direitos subjetivos como produto da incidência de regra jurídica, protegem determinados interesses. Nos direitos de crédito particular, um dos interesses tutelados, tanto do lado do credor como do lado do devedor, é extinção regular da relação jurídica pelo adimplemento da obrigação pactuada. A partir dessas várias acepções para o vocábulo “interesse”, é possível extrair um elemento significante comum, qual seja: interesse é uma atitude voltada ao atendimento de uma necessidade (v.g., econômica, moral e social) e, no campo obrigacional, estruturamse direitos subjetivos que tutelam tais interesses. (destacouse) Resta, ainda, discorrer a respeito da qualificação “comum” conferida pela lei, ou seja, examinaremos quais as hipóteses em que o “interesse” será considerado “comum” na situação jurídica privada que constitua o fato gerador. No plano das situações jurídicas, defrontamonos com relações em que participam pluralidade de sujeitos e, por conseguinte, surge uma pluralidade de titulares de direitos (...). Nessas situações, para que se verifique interesses comuns que se irradiam dessa relação jurídica. Alf Ross, com muita habilidade, faz a distinção entre os interesses comuns e coincidentes. Nos primeiros, as pessoas interessadas são vinculadas por circunstâncias externas formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que os Fl. 5834DF CARF MF 48 une; enquanto, nos coincidentes, o vínculo visa apenas atender a uma necessidade específica (tarefa). Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situamse em cada um pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. (...) Não é outro entendimento de Paulo de Barros Carvalho, que sustenta que, nas ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se, e somente se, for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Também a esta conclusão chegou Hugo de Brito Machado: “O fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir solidariedade entre elas (...). Uma coisa é duas ou mais pessoas terem interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. Comprador e vendedor têm interesse na compra e venda, mas não ser trata de interesse comum e sim de interesses contrapostos”. Concluise, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. (Neder, Marcos Vinícius, in Responsabilidade Tributária / Coordenadores Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder, São Paulo, Dialética, 2007, p. 39/42). (sublinhei) Na mesma linha aqui trazida, o STJ, no julgamento do REsp 884.845SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, entendeu que há necessidade de que as pessoas solidariamente responsabilizadas devem ter dado ensejo à ocorrência do fato imponível: 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isso porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. E assim, firmou sua posição ao concluir o seguinte: 9. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." Fl. 5835DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.812 49 Aplicando tais interpretações ao caso concreto, vêse que o interesse comum jurídico entre as empresas do Grupo Restum, as pessoas físicas e a ora recorrente restou caracterizado, com exceção da responsável solidária Isabelle Restum, sobre a qual tratarei mais adiante. Como amplamente tratado no relatório fiscal preparado pela fiscalização, ficou comprovada a participação de todos os envolvidos, tanto nos fatos geradores dos tributos aqui discutidos, como no deslocamento de faturamento e do lucro a serem tributados, com o nítido intento de transferir para empresas de terceiros ("laranjas) nomeados pelos tutores do Grupo Restum, para que o patrimônio dos solidários pessoas físicas (Família Restum) não fosse alcançado. A confusão patrimonial entre todas as empresas também serve como prova do interesse comum jurídico passível de responsabilização solidária. Outro ponto, é que muitas empresas estavam localizadas em um mesmo endereço perante a Junta Comercial e à Receita Federal. Este fato, por si só, não é capaz de formular prova contundente da caracterização de grupo econômico. Mas, quando converge com outros indícios trazidos ao processo, tornase prova relevante da modelagem de grupo econômico. A recorrente alega falta de demonstração, na espécie, dos motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim na legalidade. Não entendo que tal raciocínio se deve aplicar ao caso concreto. Como bem trazido pela DRJ em seu voto, a delegacia de piso apresentou a conduta dos responsáveis tributários, servindose corretamente do relatório fiscal elaborado pela fiscalização, que, digase, está rico de provas contundentes da conduta praticada pelas pessoas físicas e jurídicas do Grupo Econômico nominado "Grupo Restum". Como se vê do teor do recurso voluntário, a recorrente replicou todos os argumentos já ventilados em sede de impugnação. Desta forma, não restando configurada a dialética processual, proponho também reproduzir a decisão constante no acórdão da DRJ no que se refere à imputação da responsabilidade solidária, exceto quanto a Isabelle Restum, por bem elaborado e por concordar com seus fundamentos, tudo isso suportado pelo dispositivo legal constante no Regimento Interno do CARF (RICARF), reproduzido abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao Fl. 5836DF CARF MF 50 início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (negritei) Em relação ao interesse comum, cuja base legal é o art. 124, I, do CTN, assim consignou a delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Ao contestar a solidarização atribuída às pessoas físicas e jurídicas, os impugnantes alegaram que argumento da fiscalização de que todas participaram de um “grupo econômico” não é suficiente para atribuir a solidarização, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação, e que deveria a fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e que todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação. Do conjunto de provas trazidas aos autos chego à conclusão de que, de fato, tratase de um grupo empresarial, comandado por Roberto Restum e Adriana Restum, porém composto por toda a família Restum, e todas as empresas às quais foi atribuída responsabilidade solidária foram formalmente constituídas pelo Grupo mas, na verdade, é uma só, e os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circularam indistintamente entre elas, e todas elas se beneficiaram do esquema montado com o objetivo de não pagar tributo, ou seja, todas têm ou tiveram interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Por essa razão, elas devem ser igualmente responsáveis solidariamente pelo crédito tributário, com fulcro no art. 124, I, do CTN, inclusive as pessoas físicas relacionadas (Roberto Restum; Adriana Restum; Vanessa Restum; Felipe Roberto Restum; Daniele Restum Traldi e Isabelle Restum), pois estas tinham interesse comum nos negócios e deles se beneficiaram. As empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144, também participantes do mesmo Grupo empresarial, praticamente não executaram atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), no entanto, foi em nome destas registrado o patrimônio do Grupo (bens necessários à percepção das receitas das empresas operacionais, bem assim os imóveis e veículos), ficando as empresas operacionais sem nenhum ou o mínimo de patrimônio. Esse modo de proceder é, sem dúvida, uma tentativa de manter essas empresas distante dos fatos geradores tributários. No entanto, pela mesma razão que as demais, devem responder solidariamente pelo crédito tributário. Da análise de todos os elementos constantes dos autos chego à conclusão que de fato ficou caracterizado o grupo empresarial e também ficou evidenciado a utilização de empresas fictas, abertas em nome de “laranjas”, cujo esquema foi montado dolosamente com o fim de não pagar tributo, seja dissimulando o fato Fl. 5837DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.813 51 gerador, seja omitindo o patrimônio. Chego à essa conclusão independentemente da declaração prestada por Nelson Oliveira dos Santos, o qual atuou como contabilista na abertura de várias empresas, tais como JOS Comércio De Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, e também no enceramento de várias outras, o qual confirmou, em declaração tomada a termo (fl. 1067), que as empresas JOS Comércio de Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, Jurece Comércio de Confecções Ltda, Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda são do Grupo Restrum e que estas são distribuidoras do grupo, responsáveis por aquisições de mercadorias para revenda para lojas do grupo, e que o escritório em Itaim tinha o total controle sobre estas empresas e confirmou que parte do quadro societário destas empresas era composta por laranjas que freqüentavam, esporadicamente, o escritório do Itaim. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, proponho manter a responsabilidade solidária, que teve como base o 124, I, do CTN, de todas as pessoas jurídicas e pessoas físicas, exceto de Isabelle Restum. Isto porque não há prova material da participação de Isabelle Restum na prática dos fatos geradores que decorreram de fraude perpetrada pelo Grupo Restum. No relatório fiscal do Grupo Restum, ela somente é citada por ser filha de Roberto Restum, mas não há indicativo algum de que tenha participado do esquema ou tenha se beneficiado dele. E isto tem uma razão de ser: Isabelle Restum é menor de idade data de nascimento de 29/04/2005. Como a responsabilidade solidária depende de atos intencionais de fraudar o fisco, tornase complexa a prova de que ela tenha praticado algum ato fraudulento. No Acórdão 1302001.962, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, de 11 de agosto de 2016, que julgou o processo lavrado em desfavor da empresa HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES, também pertencente ao grupo econômico Restum, convém reproduzir os motivos que levaram também à exoneração da responsabilidade Isabelle Restum, os quais passo a adotar como razões de decidir: Da responsabilização solidária, contudo, deve ser retirada apenas a pessoa física Isabelle Restum, CPF 417.896.25823, tendo em vista que a sua condição de menor de idade na época dos fatos que levaram a cabo a presente autuação. Explico. Em que pese a patente diferença entre a capacidade tributária independer da capacidade civil das pessoas físicas para sua imposição, isto é, mesmo sendo possível que o menor incapaz seja enquadrado como contribuinte para fins tributários, no caso em espeque, o interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo reclama a celebração de negócios jurídicos que importem no intuito de fraudar o erário. Destarte, verificase que Isabelle Restum, nascida em 24/09/2005, à época dos fatos sob análise tinha menos de dezesseis anos, o que lhe caracteriza como absolutamente incapaz (art. 3º, I, Código Civil). Sendo assim, a incapacidade civil, embora seja dispensável para a imposição tributária, é causa suficiente para a nulidade do negócio jurídico pactuado pela incapaz, não havendo que se falar em obrigação tributária. Fl. 5838DF CARF MF 52 Portanto, apenas em relação a responsabilidade solidária das pessoas físicas, divirjo da Relatora por entender que os elementos probatórios carreados aos autos são suficientes para imputar a responsabilidade às pessoas físicas relacionadas, à exceção de Isabelle Restum, pois sendo o nulo o negócio jurídico por si pactuado, não há que se falar em obrigação tributária. Assim, voto pela manutenção das pessoas físicas como responsáveis solidárias perante a obrigação tributária em comento, excluindo da lide, unicamente a menor Isabelle Restum, CPF 417.896.25823. Desta feita, proponho dar provimento quanto ao recurso de Isabelle Restum (CPF 417.896.25823). Quanto à responsabilidade solidária com relação ao art. 135, III, do CTN, convém destacar a participação das pessoas físicas na prática das condutas apresentadas pela fiscalização: Como visto, tratase de pessoas ligadas a Roberto Restum, que, pela descrição dos fatos apontados pela fiscalização, juntamente com Adriana Restum, é o mentor de toda a fraude cometida aos cofres públicos. Não obstante sua liderança, seus familiares também participaram do arquétipo perpetrado pelo Grupo Restum, mesmo não pertencendo aos quadros societários de algumas empresas, não cabendo a eles alegarem negligência ou imperícia na condução dos negócios, mormente por se tratarem de pessoas entendedoras do ramo de confecções e do empresariado, o que denota que eram sabedores de suas obrigações. O art. 135, III, do CTN, trata da responsabilidade solidária decorrente da prática de conduta excessiva: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A DRJ também manteve a responsabilidade solidária com base no art. 135, III, em relação a todas as pessoas físicas. Como já dito alhures, permitome apenas não concordar com a responsabilidade tributária atribuída a Isabelle Restum, pelos motivos acima já expostos. Entretanto, com relação aos demais, adoto também o que foi deliberado pela delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Também não resta dúvida quanto a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, pois ficou comprovado que a pessoa jurídica, na pessoa de seus sóciosadministradores omitiu receita, com evidente intuito de fraude, com o fim de não pagar ou pagar menos tributo. Todos os fatos apurados e já descritos são causa suficiente à atribuição de responsabilidade aos sóciosadministradores do Grupo Restum, pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social, nos termos do art. 135, III, do CTN. Há nos autos material probatório dos ilícitos apurados, de modo que está plenamente fundamentada a responsabilização dos sócios. Fl. 5839DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.814 53 É indubitável que a falta de recolhimento do tributo devida à constatação de omissão de receitas constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias, fato agravado pelas circunstâncias que levaram à qualificação da multa e à formalização do processo de representação fiscal para fins penais. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, não há dúvidas de que as pessoas físicas Roberto Restum (CPF 043.261.15840), Adriana Restum (CPF 120.853.19807), Vanessa Restum (CPF 215.012.648 69), Felipe Roberto Restum (CPF 215.012.76875) e Daniele Restum Traldi (CPF 215.012.73850) praticaram condutas com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, devendo ser mantidas as responsabilidades solidárias a elas imputadas. Assim, proponho dar provimento ao recurso de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da ora recorrente e de todos os demais responsáveis solidários pessoas físicas e jurídicas, as quais estão relacionadas no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. IV – INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA A recorrente alega que a multa se aplica somente quando se comprova fraude. Assim, como a fiscalização imputou genericamente a conduta à recorrente, a multa é desproporcional e confiscatória, violando expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Convém destacar, de plano, que a Súmula nº 2 do CARF decreta que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por outro lado, não entendo que toda falta de pagamento de tributo deve ser avaliada como fraude. Ao contrário, há que se diferenciar, nesse emaranhado de interpretações, o inadimplente do sonegador. Prefiro devanear que o inadimplente compõe a regra. É aquele sujeito passivo que cumpre suas obrigações fiscais, mesmo que somente as obrigações acessórias de apresentar livros e de declarar tributos. Penso que o contribuinte se torna inadimplente por carecer de maiores recursos para manter "de pé" sua atividade. Sabese que as obrigações de um empresário são tamanhas (funcionários, estoques, liquidez) que por vezes se vê obrigado a deixar de recolher os tributos que lhe seriam devidos para deslocar os recursos para a manutenção da sua atividade empresarial. Todavia, como se trata de pessoas de boa índole e cumpridoras de suas obrigações, declaram seus tributos mesmo que não tenham condições momentâneas de recolhêlos. Já o sonegador não se importa com os malefícios que traz para a sociedade. Este, em sua visão deturpada do capitalismo, apenas e tão somente busca pelo bem que mais lhe traz prazer, o dinheiro. Para tanto, cria todo tipo de ardil capaz de gerar riqueza, mesmo que sua conduta esteja inserida na legislação penal tributária. Fl. 5840DF CARF MF 54 Este sonegador, em uma das acepções do verbete romano de "dar a César o que é de César", deve ser punido veementemente com todos os rigores da Lei. E a lei tributária, ciente deste imperativo, demarcou que a multa qualificada deve ser imputada em decorrência da prática das condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, conforme ditado pelo inciso § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Sempre digo em meus votos que é difícil adentrar à mente do praticante da conduta para saber efetivamente se restou caracterizado o elemento subjetivo do núcleo do crime de sonegação fiscal (em sentido amplo), que é o dolo. Isto se deve principalmente porque estamos sempre a avaliar as condutas praticadas no passado; às vezes, um passado bem remoto. Maria Rita Ferragut muito bem define o poderdever de investigar da administração e de angariar provas da veracidade dos fatos: Assim, tem a Administração Pública o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários Fl. 5841DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.815 55 à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do ponto de vista jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível2. Assim, há que se investigar, com as ferramentas que instrumentalizam o processo administrativo fiscal, se os atos praticados e os resultados auferidos subsumem à prática delituosa de crime contra a ordem tributária. Como se vê do Relatório Fiscal Grupo Restum, anexado a este processo, o grupo econômico planejou e executou formas de ludibiriar o fisco e recolher menos tributos em relação aos que deveria recolher caso suas declarações condizessem com o que ocorrera no mundo fenomênico. A maneira pela qual foi arquitetado todo o arquétipo empresarial com criação de inúmeras empresas em nome de "laranjas", algumas com endereços diversos, com fornecedores e clientes pertencentes, direta ou indiretamente, aos mesmos donos evidencia a máfé patente no caso aqui a ser julgado. No caso concreto, vêse que a empresa, e todo o Grupo Restum, apresentavam declarações com valores zerados ou valores reduzidos, digase, bem inferiores aos efetivamente praticados (como o valor do faturamento, por exemplo). A quantidade de empresas, com intuito de repartição das receitas auferidas pelo Grupo Restum denota a intenção dolosa em se omitir a grandeza do Grupo, a fim de não chamar a atenção do fisco. Tanto é que, somente após o início dos procedimentos fiscais imputados às empresas do grupo, é que algumas empresas entregaram DIPJ retificadora e, mesmo assim, os valores estavam bem aquém daqueles apurados efetivamente por elas, conforme se depreende do cotejo entre a informação contida nas notas fiscais eletrônicas extraídas do SPED e os valores informados nas DIPJs retificadoras. Outro ponto a se destacar é que as empresas do grupo Restum eram constituídas e encerradas com o intuito de obstar o conhecimento do fisco quanto aos fatos geradores praticados, ou, também, a impedir que fossem responsabilizados os verdadeiros arquitetos da fraude fiscal, quais sejam, seus sócios de fato, quando delegavam a "laranjas" a atribuição de figurarem como sócios de direito nas empresas de "fachada". Vejase nos trechos do Relatório Fiscal que a empresa praticou várias condutas que se subsumem ao conceito de sonegação, fraude e conluio (efl. 129): Mas não é só aí que reside a fraude. Além de possuir um grande número de empresas ativas, o Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas (usamos o verbo no passado já que os fatos apurados correspondem aos períodos de 2 Presunções no Direito Tributário, 2ª Edição, Editora Quartier Latin, São Paulo, 2005, página 193. Fl. 5842DF CARF MF 56 2010, 2011 e 2012, se bem que há fortes indícios que o modus operandi perdure hodiernamente). Desse modo, quando determinada empresa começava a “interessar” ao Fisco, esta era sumariamente encerrada e uma outra era colocada no seu lugar. Para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade. Em conclusão, no caso dos autos, todas as provas acostadas ao processo, seguidas de descrição detalhada sobre o modus operandi desenvolvido e praticado por todo o grupo econômico Restum, em relevo por seus sócios de fato, levamnos a concluir pela procedência da imputação perpetrada pela autoridade fiscal.. Dessa forma, mister se faz necessária a manutenção da multa qualificada. V – ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Alega que não há previsão legal de incidência de juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício, mas tão somente em relação a tributos e contribuições sociais. Não entendo possuir amparo a alegação da recorrente. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescese de juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Já a parte final da redação do supra dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. O art. 142 do CTN, por sua vez, apresenta a definição de crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme se extrai da cláusula legal, o crédito tributário é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível. Da intersecção dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Fl. 5843DF CARF MF Processo nº 19311.720395/201499 Acórdão n.º 1401002.318 S1C4T1 Fl. 5.816 57 Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Desta forma, nego o pedido quanto ao afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. VI – JULGAMENTO CONJUNTO A recorrente pede pelo julgamento em conjunto de dez processos lavrados em desfavor do "Grupo Restum", por tratarem dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos. Com relação a este pedido, convém ressaltar que a recorrente não logrou comprovar que os processos em questão tratam da exigência de mesmo crédito tributário, ou que seja o seu pedido fundamentado em fato idênticos, razão pela qual o pedido da recorrente tornase insubsistente. Não obstante, informo que 9 (nove), dos 10 (dez) processos do Grupo Restum, serão julgados em conjunto, já que 1 (um) deles já havia sido julgado pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na sessão de 11/08/2016 processo nº 19311.720362/201449, empresa HotBrás Comércio de Confecções Ltda. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e NEGAR provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 5844DF CARF MF 58 Fl. 5845DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.006795/2002-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1993
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Deve-se utilizar a UFIR do dia do efetivo pagamento quando o indébito é decorrente do pagamento indevido. A utilização da UFIR do mês gera crédito indevido, de modo que constatada a insuficiência do crédito para compensar todos os débitos objeto de DCOMP pelo contribuinte, mantém-se a decisão da autoridade a quo.
Numero da decisão: 2301-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: 31336549858 - CPF não encontrado.
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1993 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Deve-se utilizar a UFIR do dia do efetivo pagamento quando o indébito é decorrente do pagamento indevido. A utilização da UFIR do mês gera crédito indevido, de modo que constatada a insuficiência do crédito para compensar todos os débitos objeto de DCOMP pelo contribuinte, mantém-se a decisão da autoridade a quo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.006795/2002-81
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873642
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.260
nome_arquivo_s : Decisao_10680006795200281.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : 31336549858 - CPF não encontrado.
nome_arquivo_pdf_s : 10680006795200281_5873642.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7346873
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310238273536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.006795/200281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.260 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2018 Matéria Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF Recorrente AUGUSTO OCTAVIO LEITE CANABRAVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1993 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Devese utilizar a UFIR do dia do efetivo pagamento quando o indébito é decorrente do pagamento indevido. A utilização da UFIR do mês gera crédito indevido, de modo que constatada a insuficiência do crédito para compensar todos os débitos objeto de DCOMP pelo contribuinte, mantémse a decisão da autoridade “a quo”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 67 95 /2 00 2- 81 Fl. 366DF CARF MF 2 AUGUSTO OCTAVIO LEITE CANABRAVA recorre do ato do Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte, fls. 228 a 232, que lhe reconheceu o direito ao crédito de imposto de renda pessoa física do exercício 1994 no montante de 25.667,79 UFIR e do imposto recolhido em 29/04/1994 no valor de CR$ 2.341.303,95, não homologou as compensações declaradas nas DCOMP 18503.79045.160309.2.3.547750, 40202.78912.040411.2.3.540733 e 27823.91396.150310.2.3.546292 e o intimou a pagar os débitos indevidamente compensados. A autoridade "a quo" justifica a não homologação das referidas DCOMP em razão de o crédito reconhecido no valor de 25.667,79 UFIR referente à DIRPF de 1994 e no valor de CR$ 2.341.303,95 referente ao DARF recolhido em 29/04/1994 não ser suficiente para compensar todos os débitos objeto de compensação pelo contribuinte, conforme demonstrativo de fls. 220 a 223. Ocorrida a ciência em 10/02/2014, o ora Recorrente apresentou, em 19/02/2014, a manifestação de inconformidade às fls. 264 e 265, instruída com os documentos às fls. 266 a 279, a seguir resumida. A divergência entre os valores compensados e considerados na decisão contestada tem origem na declaração retificadora do imposto de renda pessoa física apresentada pelo requerente, relativa ao exercício de 1994, ano base 1993, em 17 de fevereiro de 1999. Na referida declaração foi apurado saldo de imposto a restituir igual a 30.133,03 UFIR. Alega, ainda, o ora Recorrente que em nenhum momento a Receita Federal colocou em dúvida a exatidão dos números apresentados naquela declaração, portanto, há praticamente 15 anos. O contribuinte, após ter o direito à compensação assegurado em duas ações judiciais impetradas, passou, anualmente, a apresentar a declaração de compensação, conforme demonstrativo de controle do imposto a ser compensado, até o exaurimento do valor. Assim, a Receita Federal teria deixado de computar, para efeito de cálculo do imposto a restituir, o valor constante do DARF, recolhido em 29/04/1994 pelo requerente de 4.465,24 UFIR, que em cruzeiros reais, correspondiam a 2.341.303,95. O DARF em questão teria sido apurado com base na declaração apresentada em abril de 1994, não questionada pelo fisco, e decorre do seguinte cálculo: 4.465,24 UFIR x CR$ 524,34 = CR$ 2.341.303,95, sendo que o valor da UFIR mensal é indicado para ser utilizado no DARF pela própria Receita Federal no Manual de Instrução para Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do exercício 1994. A Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, determina, em seu art. 2º que o termo "UFIR mensal" é a UFIR com o seu valor no primeiro dia do respectivo mês. A UFIR mensal de abril de 1994 era igual a CR$ 524,34. Por fim, o ora Recorrente cancelamento da intimação contestada, uma vez que compensou em 10 declarações consecutivas exatamente o valor correspondente a 30.133,03 UFIR a que tinha direito. O Acórdão da DRJ de n. 0257.251 (fls. 292 e ss) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10680.006795/200281 Acórdão n.º 2301005.260 S2C3T1 Fl. 3 3 Anocalendário: 1993 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Constada a insuficiência do crédito para compensar todos os débitos objeto de DCOMP pelo contribuinte, mantémse a decisão da autoridade “a quo”. Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 306 e ss) reiterando os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A manifestação de inconformidade atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações e dela tomase conhecimento. Vale lembrar que o potencial crédito do Recorrente se origina de recebimento em programa de demissão voluntária. A questão da isenção de tais recebimentos surge específica para servidores públicos civis a partir da Medida Provisória n. 1.5301/96, convertida na Lei n. 9.468/97, que assim dispõe: Art. 14. Para fins de incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de rendimentos, serão considerados como indenizações isentas os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário. Tal isenção é prevista também no âmbito do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), que assim estabelece: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XIX o pagamento efetuado por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário (Lei nº 9.468, de 10 de julho de 1997, art. 14); (...) § 9o O disposto no inciso XIX é extensivo às verbas indenizatórias, pagas por pessoas jurídicas, referentes a programas de demissão voluntária. Fl. 368DF CARF MF 4 Dessa forma, além de repetir o já disposto no artigo 14 da Lei n. 9.468/97 vai além e estende a isenção às verbas indenizatórias pagas por pessoas jurídicas (que podem ser de direito privado) referentes a programas de demissão voluntária. Ocorre que, a meu ver, não se trata de regra isentiva, mas de explicitação de não incidência do imposto de renda, tendo em vista o caráter indenizatório do valor recebido em função do programa de demissão voluntária. Dessa forma, ainda que à época do recebimento não existisse norma estipulando que tal verba não entraria no cômputo do rendimento bruto, entendo que há possibilidade de retificação da declaração para que o rendimento seja classificado como isento ou não tributável. Vale citar, ainda, o texto da Instrução Normativa SRF n. 165/98, que assim dispõe: Art. 1o Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente à incidência do Imposto de Renda na fonte sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária. Art. 2o Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar total ou parcialmente os respectivos créditos da Fazenda Nacional. § 1o Na hipótese de créditos constituídos, pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a matéria de que trata o artigo anterior. No caso em tela, não se discute a natureza da verba que deu origem ao crédito do contribuinte, uma vez que o entendimento da Receita Federal é pela não tributação da indenização recebida a título de PDV. Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, consta dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil declaração do exercício 1994 entregue em 29/04/1994, apresentando como resultado do ajuste anual saldo de imposto a pagar no valor de 4.463,24 UFIR. A declaração retificadora na qual foi apurado saldo de imposto a restituir de 30.133,03 UFIR pelo contribuinte foi apresentada para instrução do processo administrativo de pedido de restituição em 17/02/1999. Ocorre que na decisão às fls. 94 e 95, indeferiuse o pedido de restituição em decorrência do decurso do prazo decadencial para sua formalização. Não houve análise do mérito, por conseguinte, a declaração que instruía o processo não produziu nenhum efeito. Inconformado com a decisão administrativa, o contribuinte optou pela via judicial, obtendo provimento do seu pedido, nos seguintes termos, fls. 61 e 62: Por tais razões, rejeito as preliminares processuais e a prejudicial de prescrição suscitadas, julgo procedente o pedido e declaro o direito do autor à compensação dos valores retidos a título de imposto de renda incidente sobre a verba paga sob a denominação de gratificação, quando da rescisão do contrato de trabalho celebrado com Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, em virtude de adesão a programa de incentivo à demissão voluntária, com correção pela UFIR até 31/12/1995 e pela Selic, a partir de 1º/1/1996, até o mês anterior ao da compensação, mais 1% relativamente ao mês em que for efetuada. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10680.006795/200281 Acórdão n.º 2301005.260 S2C3T1 Fl. 4 5 Na sentença relativa aos embargos de declaração interpostos pelo contribuinte, fl. 66, consta que foi assegurada “a implementação da compensação pelo próprio contribuinte, sujeitandoa a ulterior conferência e homologação pela autoridade administrativa”. No voto da apelação, o relator dispôs: Sobre a restituição ou a possibilidade de se compensar os valores indevidamente retidos, temse entendido que ao Poder Judiciário incumbe apenas declarar se os créditos são compensáveis, a liquidez e certeza dos créditos devem ser examinadas na esfera administrativa conforme se verifica do acórdão cuja ementa vai abaixo transcrita. O contribuinte na declaração de ajuste anual apresentada para instrução do pedido de restituição do valor do imposto descontado sobre o valor recebido por adesão a programa de demissão voluntária, incluiu na linha relativa a Imposto Complementar, acrescentando a observação DARF, fl. 17, o valor de 4.465,24 UFIR. Sobre o imposto complementar assim dispõe o art. 7º da Lei nº 8.383, de 1991: Art. 7° Sem prejuízo dos pagamentos obrigatórios estabelecidos na legislação, fica facultado ao contribuinte efetuar, no curso do ano, complementação do imposto que for devido sobre os rendimentos recebidos. O recolhimento complementar pode ser efetuado no curso do anocalendário, até o último dia útil de dezembro. Como se verifica dos documentos constantes dos autos e da informação constante da própria impugnação, o valor de 4.465,24 UFIR informado não corresponde a imposto complementar recolhido no anocalendário 1993, mas a recolhimento do imposto de renda apurado na declaração originariamente apresentada efetuado em 29/04/1994 no valor de CR$ 2.341.303,95. Assim sendo, não há como considerálo como dedução do imposto no ajuste anual do exercício 1994. Observese que se não fosse a informação indevida de imposto complementar na declaração, o resultado do ajuste anual do exercício 1994 seria de imposto a restituir de 25.667,80 UFIR, conforme segue e apurado no Despacho Decisório contestado, que faz referência ao Despacho Decisório nº 375, emitido pelo Seort, em 13/04/2006, fl. 230 (valores em UFIR): Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas 124.004,71 Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas 124.004,71 Contribuição Prev. Oficial 485,26 Dependentes 480,00 Despesas com Instrução Despesas Médicas 1.076,40 Pensão Judicial Fl. 370DF CARF MF 6 Contribuições e Doações 31,87 2.073,53 Base de Cálculo 121.931,18 Imposto Devido 26.342,80 Imposto Retido na Fonte 52.010,59 Carnêleão Imposto Pago 52.010,59 Saldo de Imposto a Restituir (25.667,80) Assim, apurandose imposto a restituir no exercício 1994, o recolhimento efetuado do valor de CR$ 2.341.303,95, em 29/04/1994, fl. 269, a título imposto a pagar do ajuste anual do exercício 1994, tornouse indevido, sendo passível de compensação com débitos do contribuinte, como considerado no despacho decisório. O contribuinte discorda do valor da UFIR utilizado para conversão dos CR $2.341.303,95 nos cálculos realizados na compensação, afirmando que, de acordo com a legislação vigente, para recolhimento do imposto a pagar apurado na declaração deveria ser utilizada a UFIR mensal, que em abril de 1994 era igual a CR$ 524,34. Por conseguinte, o valor recolhido indevidamente e passível de compensação seria de 4.465,24 UFIR (CR$ 2.341.303,95: 524,34), correspondente ao imposto apurado na declaração de ajuste anual originariamente apresentada. Portanto, teria compensado corretamente as 30.133,03 UFIR a que fazia jus. De fato, para recolhimento do imposto a pagar apurado na declaração de ajuste anual do exercício 1994 era prevista a utilização da UFIR mensal. Assim, tendo sido apurado imposto a pagar de 4.465,24 UFIR, liquidaria o débito o montante de CR$ 2.341.303,95. Com a alteração do resultado do ajuste anual para saldo de imposto a restituir, considerase indevido o pagamento de CR$ 2.341.303,95 efetuado em 29/04/1994, não sendo esse vinculado ao débito anterior, que deixou de existir. Assim, correta a conversão do valor recolhido indevidamente pela UFIR da data do pagamento indevido (CR$ 728,54), conforme consta do demonstrativo analítico de compensação às fls. 223 e 224. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributo em 1994, a compensação ou restituição será pelo valor do tributo corrigido monetariamente com base na variação da UFIR até 31/12/1995 (Lei nº 8.383/91, art. 66, § 3º e Lei nº 9.069/95, art. 58). O valor assim quantificado em UFIR será convertido em reais, com base na UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, correspondente a R$0,8287, passando a ser acrescido de juros Selic acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que houver a entrega da Declaração de Compensação (Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, art. 72, inc. II; Instrução Normativa RFBnº 1.300, de 20/11/2012, art. 43). Cumpre salientar que na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos são valorados conforme explanado anteriormente e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação (Instrução Normativa SRF nº 210, de 30/12/2002 , art. 28; Instrução Normativa SRF nº 460, de 18/10/2004, art. 28; Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, art. 28; Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, art. 36; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012, art. 43). Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10680.006795/200281 Acórdão n.º 2301005.260 S2C3T1 Fl. 5 7 No caso, os cálculos da correção dos créditos e consolidação dos débitos, constam do demonstrativo analítico de compensação às fls. 222 a 224. Considerandose a homologação tácita, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, das DCOMP nºs 07.461.13607.080407.2.3.544909, 23238.44645.300608.2.3.541101, 34922.14786.010708.2.3.545458, transmitidas respectivamente em 08/04/2007, 30/06/2008 e 01/07/2008, restam os saldos devedores em valores originais das seguintes DCOMP não homologadas: DCOMP Data de Transmissão Saldo Devedor Situação 18503.79045.160309.2.3.547750 16/03/2009 8.073,12 Não Homologada 27823.91396.150310.2.3.546292 15/03/2010 7.589,39 Não Homologada 40202.78912.040411.2.3.540733 04/042011 8.997,27 Não Homologada Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, negarlhe provimento, mantendo o decidido no Acórdão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.008689/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
Ementa:
EMBARGOS INOMINADOS. Embargos acolhidos para tornar sem efeito os despachos da fiscalização, e ratificar o decidido no acórdão embargado de nº 1301-002.613, considerando quitado o parcelamento em discussão nos autos.
Numero da decisão: 1301-003.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para tornar sem efeito os despachos de fls. 2199-2201 e fls. 2462- 2485, e ratificar o decidido no acórdão 1301-002.613, considerando quitado o parcelamento em discussão nos autos.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. Embargos acolhidos para tornar sem efeito os despachos da fiscalização, e ratificar o decidido no acórdão embargado de nº 1301-002.613, considerando quitado o parcelamento em discussão nos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10768.008689/2009-49
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868689
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.024
nome_arquivo_s : Decisao_10768008689200949.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10768008689200949_5868689.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para tornar sem efeito os despachos de fls. 2199-2201 e fls. 2462- 2485, e ratificar o decidido no acórdão 1301-002.613, considerando quitado o parcelamento em discussão nos autos. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7317751
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310242467840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.845 1 2.844 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.008689/200949 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301003.024 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria APURAÇÃO INCORRETA DIVERSOS Embargante COMPANHIA SIDERURGICA NACIONAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. Embargos acolhidos para tornar sem efeito os despachos da fiscalização, e ratificar o decidido no acórdão embargado de nº 1301002.613, considerando quitado o parcelamento em discussão nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para tornar sem efeito os despachos de fls. 21992201 e fls. 2462 2485, e ratificar o decidido no acórdão 1301002.613, considerando quitado o parcelamento em discussão nos autos. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 86 89 /2 00 9- 49 Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301003.024 S1C3T1 Fl. 2.846 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de parcelamento ou pagamento à vista de débitos, nos termos do art. 3º da Medida Provisória nº 470/09, com a regulamentação dada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 9/09 e Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 12/10. A Embargada ingressou com Manifestação de Inconformidade (fls. 1.329/1.343) e as petições fls. 1.070/1.085 e 1.395/1.417, a qual foi julgada improcedente pela 8ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.863/1.905), o qual contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Ademais, em 20/04/2016, a Embargada apresentou nova petição (fls. 1.944/1.954), na qual informa a existência de legislação superveniente relativa à matéria (Lei 13.043/2014) e a quitação saldo remanescente do parcelamento depois de realizada a inclusão dos débitos do processo administrativo fiscal n° 16682.720452/201181 no parcelamento da Lei n° 12.865/2013. Este colegiado, por meio do acórdão n° 1301002.152, deu provimento ao recurso voluntário, por meio do acórdão n° 1301002.152, a fim de que o saldo remanescente do parcelamento pudesse ser quitado com os benefícios previstos na referida Medida Provisória no prazo de 30 dias, a contar da intimação da última decisão administrativa no PAF nº 16682.720452/201181. Contra decisão, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (2.084/2.087) para que seja sanada a omissão e a obscuridade verificada no v. acórdão embargado. Em despacho às fls. 2.091/2.092 os embargos foram admitidos com amparo nas disposições do no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno. Contra o acórdão de embargos de nº 1301002.282 proferido por este Colegiado (fls. 2.093/2.096), a contribuinte, ora Embargante, propôs Embargos de Declaração para sanar a omissão decorrente da ausência de indicação sobre qual pagamento referese a quitação do parcelamento MP nº 470/09. Insta salientar que a unidade preparadora opôs também embargos de declaração (fls. 2.104/2.107) apontando o suposto mesmo equívoco. Em novo despacho às fls. 2.177/2.181, foi acolhido a alegação de omissão trazida pela embargante, a qual deve ser sanada, bem como acolhido de forma supletiva os embargos opostos pela unidade preparadora, uma vez que ambos tratam do mesmo suposto equivoco. Por meio da resolução nº 1301002.613, os embargos foram providos para sanar a omissão revelada para determinar que à autoridade de origem aloque o pagamento, por meio dos DARFs (fl. 1877) no importante de R$ 41.753.724,18 na quitação integral do parcelamento, objeto desse processo. Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301003.024 S1C3T1 Fl. 2.847 3 A DERAT apresentou embargos discordando do cômputo da selic sobre o valor remanescente, o qual foi rejeitado por meio de despacho pelo ilustríssimo Presidente desta turma, visto que o recurso pretendia reinaugurar a discussão de mérito, o que não é permitido em sede de embargos. Ademais, entendeu o douto Presidente que a questão posta pela DERAT seria de mera execução dos procedimentos de cobrança. Em face da nova cobrança em relação ao saldo residual do parcelamento, a contribuinte opôs embargos inominados, questionando a nova cobrança, pois entende que já havia dada a quitação do parcelamento em tela. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator Primeiramente, impende destacar que os embargos são cabíveis quando for constatada obscuridade, omissão a decisão e os seus fundamentos, ou quando há inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, nos termos dos artigo 65 e 66, do Anexo II, do Regimento Interno. Os embargos inominados são tempestivos, portanto, dele conheço. Cuidase de embargos inominados (fls. 2.5012.520) opostos pela Recorrente em face do disposto no despacho de fls. 2.1992.201, exarado pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento e posterior decisão de rerratificação ao despacho de fls. 911922. Assim consta no referido despacho de fls. 21992201: A Delegacia Especial da Receita de Administração Tributária em São Paulo opôs Embargos de Declaração face ao acórdão no 1301002.613 prolatado pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O referido acórdão visou sanar a omissão revelada no tocante a indicação sobre qual pagamento referese a quitação do parcelamento MP no 470/09, determinando que a autoridade de origem aloque os R$ 41.753.724,18 na quitação integral do parcelamento objeto deste processo. Isso porque a decisão embargada havia incorrido num equívoco ao indicar o valor de R$ 102.562.811,28, em vez do valor de R$ 41.753.724,18 que foi o valor efetivamente pago para a quitação do saldo do parcelamento relativo ao programa veiculado pela MP 470/09. Assim, destacouse que o saldo restante do parcelamento, o qual a Embargada recolheu por meio de alguns DARFs é o valor de R$ 41.753.724,18 (fl. 1877), em consonância com os DARF's juntados aos autos (fls. 1504 a 1512). Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301003.024 S1C3T1 Fl. 2.848 4 Ocorre que, conforme demonstrativo de fls. 2.191 (reproduzido a seguir), a Embargante revela que a SELIC compreendida entre 27/11/2009 e 29/11/2013 foi 36,72%, de modo que, para o contribuinte quitar integralmente o saldo residual do parcelamento da MP 470 em 29/11/2013 era R$ 42.811.325,90, e, não apenas R$ 41.753.724,18. Assim, conforme a tabela acima, bem como o formulado pelo GTMP470 de fls. 786, haveria um novo resíduo de R$ 1.057.601,72, mesmo computando os pagamentos dos DARF juntados às fls. 1.5041.512. Com base em tal conclusão, a Embargante assim requereu em sua peça recursal: (a) se deve ser registrada – de forma obrigatória –a quitação integral do parcelamento, mediante a utilização de pagamentos que totalizam R$ 41.753.724,18, recolhidos em 29/11/2013, quando o saldo do parcelamento era R$ 42.811.325,90, concedendo um benefício adicional de R$ 1.057.601,72, ou, (b) se devem ser utilizados os DARF recolhidos em 29/11/2013 para amortizar o saldo do parcelamento da MP470, com os benefícios do artigo 3º dessa MP, remanescendo o valor de R$ 1.057.601,72 (base 29/11/2013) ou R$ 773.553,04 (base 27/11/2009), ou seja, sem a quitação integral do parcelamento. Ora, os pontos abordados pela Embargante já foram devidamente esclarecidos pela decisão embargada, a qual se limitou a determinar a alocação das DARFs pagas no valor R$ 41.753.724,18, com vistas à quitação do parcelamento veiculado pela MP 470/09. Os embargos de declaração contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis apenas quando estas contiverem obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do referido artigo 65 do Anexo II do RICARF, a seguir reproduzido: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. O mesmo regulamento descreve as hipóteses para interposição de embargos inominados. Vejase: Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301003.024 S1C3T1 Fl. 2.849 5 Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Contudo, conforme se observa, a questão trazida aos autos nos embargos apresentados pela unidade de origem não se enquadram como embargos de declaração, tampouco como embargos inominados. Isso porque a dúvida trazida diz respeito à análise da quitação integral do parcelamento, bem como a determinação se há ou não saldo devedor a ser adimplido, conforme a conta corrente da Embargada. Tais matérias efetivamente não dizem respeito ao mérito do julgamento, mas sim a procedimentos de cobrança que são de competência da própria Delegacia da Receita Federal. Uma vez alocado o valor R$ 41.753.724,18 a que se refere o acórdão embargado na quitação do parcelamento objeto deste processo, remanescendo saldo a ser cobrado, assim deverá proceder a unidade de origem, não se inserindo na competência do CARF eventuais recursos contra atos proferidos na fase de cumprimento de seus acórdãos, nos termos do § 1º do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Conclusão Por todo o exposto, entendo que a embargante não demonstrou qualquer vício no acórdão embargado, inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, razão pela qual REJEITO os embargos de declaração em tela, em caráter definitivo, nos termos do artigo 65, caput e §3º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Retornemse os autos à unidade de origem para ciência do presente despacho e demais providências de sua alçada. Do exposto, inferese que a discussão então tratada dizia respeito aos efeitos dos acórdãos proferidos quanto à quitação integral, ou não, do parcelamento em questão. No despacho em questão, concluiuse que deveria ser utilizado o DARF de R$ 41.753.724,18 para amortização do saldo devedor do parcelamento, e, se esse pagamento não fosse suficiente para quitação integral do saldo, que a unidade de origem procedesse à cobrança, salientandose que não se insere na competência do CARF eventuais recursos contra atos proferidos na fase de cumprimento de seus acórdãos, nos termos do § 1º do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Ocorre que, em decorrência disso, a unidade de origem exarou novo despacho (de rerratificação) às fls. 2.462/2.485 cobrando os valores que entendia devido, que surpreendentemente chegam ao montante de R$ 177.972.834,26. Nos embargos inominados apresentados pela Embargante em apertada síntese, alegase que houve lapso manifesto no despacho de fls. 2.1992.201 porque nos acórdãos proferidos pelo colegiado restaria claro que a quitação do parcelamento teria sido Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301003.024 S1C3T1 Fl. 2.850 6 integral, não havendo que se falar qualquer procedimento por parte da unidade de origem que implicasse cobrança de qualquer saldo referente ao parcelamento em tela. Pois bem, este Colegiado já havia se posicionado com relação ao valor efetivamente pago para a quitação do saldo do parcelamento relativo ao programa veiculado pela MP 470/09, a fim de deixar claro que o saldo restante do parcelamento o qual a contribuinte recolheu, por meio de algumas DARFs juntadas aos autos às fls. 1.504 a 1.512. Dessa forma determinou à autoridade de origem a alocação tais pagamentos no importante de R$ 41.753.724,18 na quitação integral do parcelamento, objeto desse processo. Após esta decisão, novamente o delegado questionou que o saldo do parcelamento para quitação seria de R$ 42.811.325,90, e que a decisão ao dar quitação integral ao parcelamento com a alocação do R$ 41.753.724,18 estaria concedendo um benefício adicional em favor do contribuinte de R$1.057.601,72. Tais embargos, como visto, não foram admitidos pelo i. Presidente deste Colegiado, porquanto a dúvida permanecia acerca da análise da quitação integral do parcelamento, bem como o saldo devedor a ser adimplido. De tal forma, entendeu que tal questionamento não seria de ordem de mérito de julgamento, mas sim de procedimento de cobrança que são de competência da própria Delegacia da Receita Federal. Todavia, a partir desse despacho, a unidade de origem entendeu que haveria um saldo remanescente de R$ 1.057.601,72 (base 29/11/2013) ou R$ 773.553,04 (base 27/11/2009 a ser cobrado. Desse modo, a outrora Recorrente opôs os presentes embargos inominados em virtude desse despacho da delegacia de fls. 21992201, por entender que os acórdãos proferidos pelo colegiado restaria claro que a quitação do parcelamento teria sido integral, não havendo que se falar qualquer procedimento por parte da unidade de origem que implicasse cobrança de qualquer saldo referente ao parcelamento em tela. Entendo que tal questão já havia sido sanada por este Colegiado, uma vez a decisão de nº 1301002.152 deu provimento ao Recurso Voluntário para que o saldo remanescente pudesse ser quitado com o benefícios Medida Provisória 470/09. Tal entendimento foi ratificado, por meio do acórdão de nº 1301002.613, em que demonstra que a contribuinte realizou o pagamento do saldo remanescente do parcelamento, por meio de recolhimento de algumas DARF's no valor de R$ 41.753.724,18 (fl. 1.877), em consonância com as DARF's juntadas aos autos às fls. 1.504 a 1.512. Em que se pese, a DRF de origem, conforme demonstrativo (fls. 291) abaixo, entender que haveria um saldo residual do parcelamento de R$ 1.057.601,72 (base 29/11/2013) oriunda da taxa SELIC compreendida entre 27/11/2009 e 29/11/2013 de 36,72%, entendo que este Colegiado havia consignado que o saldo de parcelamento veiculado pela MP 470/09 encontrase quitado. Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301003.024 S1C3T1 Fl. 2.851 7 Adiante, ressaltase que a Embargante havia realizado o cálculo com base na Selic acumulada de dezembro de 2008 a 2013, no percentual de 45,49%, de forma que os pagamentos foram realizados a partir da planilha juntada pela fiscalização (fls. 784/792). Dessa forma, a Embargante afirma que os pagamentos de acordo com o mês de competência indicado em tais planilhas (fl. 782), de forma que o racional utilizado foi aplicar o percentual da Selic sobre o valor total de R$ 86.986.900,68 soma R$ 130.550.341,12. Esses valores somados resultam no valor de R$ 417.537.241,80, que por sua vez, ao ser aplicado o percentual de 10% indica o valor de R$ 41 .753.724,18, conforme tabela apresentada: De acordo com a tabela acima exposta, claro está que houve a quitação do parcelamento, conforme valores expostos ao longo da duração do processo, como também os documentos acostados aos autos. Portanto, quando a unidade de origem exarou novo despacho (de rerratificação) às fls. 2.462/2.485, retificando o despacho de fls. 911/922 e cobrando os valores que entendia devido, que surpreendentemente chegam ao montante de R$ 177.972.834,26, extrapolou em muito a razoabilidade e o comando apresentado no Acórdão nº 1301002.152, qual seja o de dar quitação ao parcelamento. Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301003.024 S1C3T1 Fl. 2.852 8 Vejamos o escopo do despacho de rerratificação: 30.1 Implementar o Acórdão CARF n 1301002.152 combinado com Acórdão CARF nº 1301002.613; 30.2 Determinar o resultado da proposta efetuada pela Representação copiada às fls. 2253/2257 30.3 Analisar os resultados dos limites informados pela Diligência efetuada no processo 16561.720063/201474; 30.4 Analisar a possibilidade de alteração da utilização de PF/BCN deferidos pelo despacho de fls. 911/922; 30.5 Apreciar os efeitos de eventual alteração do PF/BCN do despacho de fls. 911/922 à luz da alteração efetuada pelo artigo 36 da Lei 13043/2014, e 30.6 Apresentar valores para recolhimento. É certo que ao apresentar o escopo do despacho, a Unidade de origem trouxe novas questões no momento da liquidação do julgado, além de violar frontalmente o artigo 149 do CTN, pois tal rerratificação se configura verdadeira revisão de ofício do lançamento tributário. Ao meu sentir, há ainda a violação expressa ao disposto nos artigos 42 e 45 do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, e dispõem que são definitivas as decisões proferidas no âmbito administrativo, após o esgotamento dos prazos recursais, consoante in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I (...); II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III (...). Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio. Com efeito, no caso em epígrafe, a DERATSP, sob pretexto de dar executoriedade ao que foi julgado por este Colegiado, está claramente alterando o critério jurídico adotado anteriormente, modificando o despacho decisório primitivo, a ele acrescentando novos argumentos, o que lhe é vedado pelo artigo 146, do CTN. Por fim, entendo que tal despacho de rerratificação afronta o quanto foi decidido no acórdão exarado, quando do julgamento do Recurso Voluntário da Embargante, bem como atenta contra a Segurança Jurídica. Conseqüentemente não há outra solução jurídica possível, a não ser tornálo sem efeito, portanto, anulálo. Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301003.024 S1C3T1 Fl. 2.853 9 CONCLUSÃO Assim, mantenho a decisão deste Colegiado no sentido de dar quitação integral do parcelamento, uma vez reconhecido os pagamentos no importe de R$41.753.724,18, conforme exarado no Acórdão 1301002.613 e já transitado em julgado. Portanto, não havendo algo mais a questionar a Delegacia de origem em relação a este parcelamento, bem como em relação aos seus benefícios concedidos pela Medida Provisória nº470/09. Na hipótese de haver algo a ser cobrado, questionado, apontado, consolidado em relação ao Contribuinte, por parte da Unidade de origem, que se faça em procedimento administrativo próprio, conforme disposto no ordenamento jurídico pátrio. Ou seja, que se inaugure processo administrativo para tal mister, posto que este já se encontra decidido e protegido pela coisa julgada administrativa. Decido também pela anulação do despacho de rerratificação de fls. 2.462/2.485, bem como pela anulação do despacho de fls. 2.199/2.201, posto que esse último foi a motivação para o proferimento do despacho de rerratificação, que também considero anulado pelas razões já explanadas. Ante todo o exposto, conheço dos embargos e, no mérito, doulhes provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 2853DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000119/2002-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/1997
NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprovado.
Numero da decisão: 9303-006.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprovado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.000119/2002-22
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873333
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.677
nome_arquivo_s : Decisao_10580000119200222.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10580000119200222_5873333.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7345773
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310256099328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 152 1 151 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.000119/200222 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.677 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COREMAL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES MAIA LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprovado”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380301.313, de 1º/03/2011, proferido pela 3ª Turma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 01 19 /2 00 2- 22 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10580.000119/200222 Acórdão n.º 9303006.677 CSRFT3 Fl. 153 2 Especial da 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa transcrita abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes." No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra o cancelamento do auto de infração, alegando, em síntese, que o fundamento utilizado para o lançamento foi "a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata"; o contribuinte entendeu o fundamento da autuação, já que suas manifestações traz maiores informações sobre a ação judicial intentada por ele e que, a seu ver, serviria como fundamento para a compensação dos débitos, objetos do lançamento em discussão; só existe nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, se caracterizado o óbice ao exercício do seu direito; assim, deve ser mantido o lançamento para prevenir a decadência, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Por meio do despacho às fls. 133/136, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria oposta nesta instância especial se restringe ao cancelamento do lançamento por falta e/ ou alteração da motivação e fundamentação legal. O auto de infração em discussão decorreu da auditoria interna da DCTF do primeiro trimestres de 1997, conforme consignado à fl. 15, onde consta: "4 Demonstrativo de Crédito Tributário"; "4.1 Contribuição (ANEXO III DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10580.000119/200222 Acórdão n.º 9303006.677 CSRFT3 Fl. 154 3 TRIBUTÁRIO A PAGAR"; "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL PIS/1997". No campo intitulado "Descrição", temse "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL. DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III", "DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO TRIBUTADO A PAGAR, em anexo". Na sequência, consta todo o enquadramento legal. Já no "Anexo I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS" (fl. 16) consta, na coluna "OCORRÊNCIA", o fundamento "Proc. jud. não comprovado". O colegiado da Câmara baixa entendeu que a substituição da fundamentação fática não era correta, devido a alteração da motivação e falta de competência legal para sua realização, dando provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Conforme demonstrado no acórdão recorrido e se verifica do auto de infração, sua fundamentação está incompleta e equivocada. O processo judicial nº 95.00.003775 indicado na DCTF, de fato existe. Se o contribuinte não pode apresentar as razões corretas para sua defesa, em ambas as instâncias administrativas, não pode a autoridade julgadora superior suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora, agravando sua exigência ou modificando os argumentos, fundamentos e motivação, implicando em inovação. A motivação do ato administrativo, no ordenamento pátrio é obrigatória como pressuposto de existência ou como requisito de validade, conforme entendimento da doutrina, confirmada por meio da norma positiva, nos termos do art. 2º da Lei nº 4.717/1965. Mais recentemente, a Lei nº 9.784/1999 corroborou a imprescindibilidade da motivação como sustentáculo do ato administrativo, literalmente: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...). § 1ª A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do e seu resultado, invalidao por completo. Disto resulta a teoria dos motivos determinantes. Segundo Hely Lopes Meirelles, "tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade" (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Ed. Lumen Juris, 1999, pág. 81). Assim, demonstrado e comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e que a compensação foi amparada nele, mostrase incorreto o pressuposto fático Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.000119/200222 Acórdão n.º 9303006.677 CSRFT3 Fl. 155 4 que deu suporte ao auto de infração, em relação ao débito lançado sob o fundamento de "Proc jud não comprovado". Neste mesmo sentido, existem precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme transcrito abaixo: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso negado.” (Ac. nº 9303002.326, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20/06/2013). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO EM FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE DO PROCESSO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento motivado em "declaração inexata" em razão de "processo judicial não comprovado" deve ser julgado improcedente, caso o contribuinte comprove a existência e regularidade do processo judicial e, portanto, da situação do crédito tributário corretamente declarado na DCTF. Recurso negado.” (Ac. nº 9303.002.914, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Maria Teresa Martínez López, unânime, sessão de 10/04/2014). À luz do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730062/2016-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012, 2013
CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada.
MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas.
Numero da decisão: 1402-003.203
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por sobrestar o processo até a resolução no mérito, em mesma instância, sobre a homologação da compensação referente à multa isolada aplicada. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2012, 2013 CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.730062/2016-99
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5870826
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.203
nome_arquivo_s : Decisao_11080730062201699.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCO ROGERIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 11080730062201699_5870826.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por sobrestar o processo até a resolução no mérito, em mesma instância, sobre a homologação da compensação referente à multa isolada aplicada. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7328612
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310277070848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 281 1 280 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.730062/201699 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.203 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria PENALIDADES/DIVERSOS COMPENSAÇÃO: CRÉDITO OU DÉBITO OBJETO DE DCOMP NÃO HOMOLOGADA Recorrente BANCO DO BRASIL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012, 2013 CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal STF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por sobrestar o processo até a resolução no mérito, em mesma instância, sobre a homologação da compensação referente à multa isolada aplicada. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 62 /2 01 6- 99 Fl. 281DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 282 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação da agora recorrente. Da autuação: Tratase o presente de uma notificação de lançamento de multa isolada, no valor total de R$ 125.934.201,57, referente a não homologação de compensações tratadas no processo administrativo nº 10166.905166/201570, com base na fundamentação legal do § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração promovida pela Lei nº 12.249/2010. O valor não homologado no processo administrativo nº 10166.905166/2015 70 foi de R$ 251.868.403,14, que vem a ser a base de cálculo da multa isolada ora aplicada (50%). As Dcomps não homologadas foram as seguintes: DCOMP Valor não homologado (R$) 061252880527091213020397 139.089.687,85 079108237829051313020496 101.478.356,46 270667048430081213029282 11.300.358,83 Total não homologado 251.868.403,14 Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Cientificada da Notificação de Lançamento em 05/12/2016 (Termo de Ciência à fl. 07, a interessada apresentou em 19/12/2016 (fl. 08) a impugnação de fls. 09 a 18, acompanhada dos documentos de fls. 19 a 224, onde alega, em síntese: solicita o apensamento dos autos ao processo n° 10166.905166/201570; que o fato gerador da presente autuação não mais subsiste em relação à Dcomp n° 27066.70484.300812.1.3.029282, a qual foi homologada em parte; a nulidade da autuação por vício, omissão ou incorreção; Fl. 283DF CARF MF 4 que a penalidade aplicada é injusta, desarrazoada e totalmente desproporcional, havendo duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas, pois aplica multa moratória sobre os débitos não homologados e também agora cobra vultosa multa de ofício diante da não homologação das Dcomps e cita a Súmula/CARF n° 105; a inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, por violar o exercício regular do direito de petição e o devido processo legal assegurados pela CF/88, traduzindose em sanção política, cuja cobrança abusiva e desarrazoada atenta contra o direito de propriedade e o postulado da proporcionalidade, conforme jurisprudência citada; que a imposição da multa seria cabível somente em caso de máfé por parte do contribuinte, e que nem de longe é a situação fática vivenciada no presente feito; que a multa aplicada em face da não homologação das Dcomps apresentadas, além de indevida tem intuito nitidamente arrecadatório, violando preceitos constitucionais. Ao final requer seja acolhida a impugnação para reconhecer a improcedência da autuação lavrada, declarando insubsistente a crédito tributário impugnado, diante da decisão proferida pela própria DRF que reconheceu parcialmente o direito creditório declarado em uma das Dcomps objurgadas, estando assim comprometido tanto o enquadramento legal da autuação quanto a inexigibilidade da multa aplicada. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR integralmente a impugnação da recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal STF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 283 5 incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: quanto a solicitação de anexação do presente processo ao processo administrativo nº 10166.905166/201570, nos termos do art. 3º da Portaria RFB nº 1668/2016, a autoridade julgadora a quo entendeu que não era cabível, pois o art. 4º da mesma portaria disciplina que a apensação processo só valeria a partir da data da formalização, o que não seria o caso. Ademais, enquanto não julgado em definitivo o processo que base ao presente, haverá suspensão da exigibilidade de ambos; no que tange a alegação da impugnante que a Dcomp n° 27066.70484.300812.1.3.029282 foi parcialmente homologada, o que diminuiria a base de cálculo da autuação presente, ao que a autoridade julgadora a quo informa que o lançamento já levou em consideração a homologação parcial; a autoridade julgadora a aquo rebateu também as alegações de que houve nulidade por conta da autuação conter vício, omissão ou incorreção, pois não houve comprometimento do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, e nem que houve cerceamento de defesa; quanto à alegação de que a multa isolada viola os princípios da razoabilidade, não confisco, proporcionalidade, direito de petição e direito de propriedade, rebateu a autoridade julgadora a quo que está adstrito ao art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e da súmula CARF nº 2; quanto à alegação que não agiu de máfé, coube decidir que o §17 do art. 74 da lei nº 9.430/1996 não estabelece máfé como condição para a imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. A única ressalva é por conta de falsidade, o que a qualifica; quanto à alegação de duplicidade de autuações cumulação na cobrança de multas, pois haveria moratória sobre os débitos não homologados e a multa isolada de ofício diante da não homologação. A autoridade julgadora a quo entendeu que a multa de mora prescinde de lançamento de ofício, enquanto a multa isolada sobre compensação não homologada está prevista em lei, tendo ambas hipóteses de incidência distintas. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 22/06/2017, a recorrente apresentou recurso voluntário em 19/07/2017, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: Fl. 285DF CARF MF 6 quanto a anexação do presente processo ao processo base da autuação 10166.905166/201570, deve ser revista a posição da DRJ, pois a Portaria vigente na época da formalização do processo1 também continha o mesmo comando de apensação; quanto a discussão da dcomp nº 27066.70484.300812.1.3.029282, que a DRJ entendeu que o lançamento já levara em consideração a homologação parcial, insurgese a recorrente pois no seu entender o fato de ter sido parcial, afastaria a incidência do § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996, pois no seu entender, agiu com boafé ao buscar a compensação; houve nulidade da autuação, por vício, omissão ou incorreção, bem como é uma penalidade injusta, não razoável e desproporcional, ofendendo a legalidade pertinente; há uma violação aos princípios constitucionais pela aplicação da multa isolada, quais sejam, da razoabilidade, proporcionalidade, não confisco, direito de propriedade e direito de petição, pois é necessário a máfé para ocorrer o lançamento da multa prevista no § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996, citando excertos de uma decisão do STF sobre o tema2; houve no caso duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas, ao aplicar sobre o mesmo fato gerador, multa moratória sobre os débitos não homologados e, também, fazer incidir multa isolada diante da não homologação das Dcomps e parcial de uma delas. Adiciona nos seus argumentos da proibição da concomitância de multa de ofício nos termos da Súmula CARF nº 105. É o relatório. 1 Portaria RFB n.° 354, de 11.3.2016 2 AD1173, JOAQUIM BARBOSA, STF AC 000179205.2012.4.01.4300/TO, TRF1, 7a Turma, Rel. Des. Federal Ângela Catão, eDJFl 14.08.2015 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 284 7 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O caso acima relatado versa sobre a não homologação das compensações declaradas pela contribuinte, objeto do processo n° 10166.905166/201570, que levou à lavratura da notificação de lançamento para imposição da multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação pela Lei nº 12.249/2010. Na sua impugnação, a recorrente solicita o apensamento dos autos ao processo objeto da não homologação, bem como alega que uma das Dcomps foi homologada parcialmente, o que não teria sido considerado no lançamento. Ademais, suscita argumentos de nulidade da autuação por vício, omissão e incorreção, e também uma penalidade injusta, desarrazoada e desproporcional, pela duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas. Igualmente, suscita inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, por violação do exercício regular do direito de petição e o devido processo legal. Na decisão a quo, houve o entendimento que a necessidade do apensamento só vigeria após os processos formalizados em litígio, e ademais, a multa isolada fica suspensa até o trânsito em definitivo do processo objeto do lançamento 10166.905166/201570. Que a homologação parcial foi sim considerada no lançamento. Não conhece das alegações em relação à constitucionalidade, razoabilidade, proporcionalidade ou restrição ao direito de petição, por não serem matérias de competência administrativa. Quanto a alegação de não agiu de máfé, entendeu a autoridade a quo que a legislação pertinente não estabelece máfé ou ilicitude do ato como condições para imposição da multa, e a ressalva remete a caso de multa isolada qualificada. A súmula nº 105 do CARF não se aplica ao caso, e há previsão legal para ambas multas impostas de mora e isolada. No seu recurso voluntário, a recorrente ataca a decisão recorrida, se manifestando nos mesmos argumentos da sua peça impugnatória, sem nada relevante acrescentar. Da questão da multa isolada aplicada e sua legalidade Antes de adentrar no mérito da peça recursal apresentada, cabe uma análise da multa isolada que está sob discussão no presente processo. Fl. 287DF CARF MF 8 O foco da questão é a Lei n 9.430, de 1996, em seu artigo 74, § 17, cuja redação, à época da transmissão da declaração de compensação e vige até hoje, assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Aplicando a norma supra, autoridade fiscal exige do sujeito passivo a multa de 50%, no caso isolada, sobre o valor do débito de compensação que deixou de ser homologada. No parágrafo seguinte, há uma vinculação do processo da exigência da multa isolada do processo que o motivou, o de objeto de declaração de compensação não homologada: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Primeiramente, há que se observar que o §17 do art. 17 da Lei nº 9.430/1996, na redação da sua primeira parte, não estabelece condições especiais, baseadas na máfé por parte do contribuinte ou ilicitude do ato, como condições para imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. Na sua redação, ao excluir a declaração não homologada em virtude de falsidade (uma das espécies de fraude ou irregularidade dolosa), o legislador decidiu não deixar impune tal hipótese, mas aplicar sobre ela uma sanção mais onerosa. Com efeito, sendo comprovada falsidade, a multa elevase a 150% do valor do débito, conforme a legislação consolidada na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, artigo 45, § 1º, inciso II, legislação vigente à época dos fatos aqui discutidos3: 3 Esta Instrução Normativa foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17 de julho de 2017, publicada no DOU em 18/07/2017. Contudo, a redação desta matéria ficou praticamente inalterada: Art. 74. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os acréscimos legais previstos na legislação. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 285 9 Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; ou I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1573, de 09 de julho de 2015) II de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) Ou seja, há uma previsão legal bem clara a respeito dos fatos inerentes à imposição da multa isolada por conta da declaração de compensação não homologada, qual seja, de 50% se o pleito de compensação foi indeferido, independente da máfé do contribuinte, e 150% se comprovada a máfé, no caso, ipsis litteris, falsidade da declaração do sujeito passivo. Há que se analisar que o uso de uma Dcomp como meio extintivo do crédito tributário pode gerar outros efeitos além da eventual inadimplência envolvida do débito ao não ser aceito o crédito pleiteado. A sua apresentação, realizada pelo contribuinte, pressupõe a existência de um crédito apurado, e tem efeitos constitutivos sob condição resolutiva de posterior homologação da compensação. A decisão da autoridade administrativa fiscal que a homologa, ao reconhecer o direito creditório, é meramente declaratória. Não ocorrendo a decisão da autoridade administrativa, ocorre a homologação tácita, por decurso do prazo decadencial de 5 anos. Neste ínterim, entre a apresentação da Dcomp e a sua homologação, já passa a ocorrer efeitos positivos ao contribuinte, pois os seus débitos ficam como extintos, podendo ocorrer a retirada a certidão negativa, por exemplo. Assim, a multa isolada objetiva penalizar o contribuinte por ter criado esta situação tributária benéfica a si, ao ser melhor analisado pela autoridade administrativa fiscal, verifica como indevido seu pleito. Aqui não se confunde a multa isolada com o débito que passa a ficar exigível, cabendo seu pagamento por os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo do contribuinte: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. A I de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; ou II de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 289DF CARF MF 10 multa isolada não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, como se ele não estivesse declarado, e sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da Dcomp como meio de extinção do crédito tributário. Destarte, a multa isolada por compensação indevida é uma infração que o legislador entendeu merecer uma penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Tal tema foi brilhantemente trabalho pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no acórdão 1101001.261, sessão de 03 de março de 2015, apesar de ser em redação anterior do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que a aplicação multa isolada cingiase mais aos casos da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 (redações anteriores à Lei nº 12.249/2010), mas qual aproveito o seguinte excerto, em que analisa a materialidade da Dcomp e seus efeitos jurídicos: E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Em tais condições fica evidente que duas condutas estão sendo punidas: a falta de declaração e recolhimento do tributo (da qual decorre o lançamento de ofício do principal e da multa de ofício acessória) e o uso abusivo e/ou fraudulento da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário (do qual decorre o lançamento de ofício da multa isolada). Contudo, a partir de 2010, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, quis legislador aplicar outra tônica ao pleito do contribuinte inerente às Dcomps apresentadas. Ao longo dos anos seguintes, apesar de algumas alterações no texto, passouse a ter uma mesma essência de a Dcomp apresentada não sendo homologada, passarseia à imposição da penalidade da multa isolada. Notese, com importante relevância ao tema, a penalidade sobre o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, apesar de ter surgido concomitante ao da não homologação da compensação, no teor da redação ao § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela Lei nº 12.249/2010, foi revogado a partir Medida Provisória nº 656/2014, com retroatividade benigna, dadas as discussões e decisões judiciais próprias de tipo de pleito do contribuinte, acatando a jurisprudência formada a respeito. O Pedido Eletrônico de Restituição, Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 286 11 Ressarcimento, Reembolso PER, como o próprio nome diz, é um pedido, sendo que o ato que altera sua condição jurídica é somente o despacho que o defere (este que terá efeitos constitutivos). Até ocorrer uma decisão a respeito do PER, não há geração de nenhum efeito. E ademais, com a revogação do § 15, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, todo o contribuinte tem o direito de pleitear o ressarcimento. Se cumular este pedido de ressarcimento com uma compensação é que poderão advir os efeitos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, são duas situações distintas, com efeitos jurídicos próprios. Cabe, adicionalmente, em caráter informativo, pois até ocorrer a repercussão geral necessária aos julgamentos desta corte administrativa não geram efeitos, tal tema, qual seja, da constitucionalidade dos §§ 15 (agora prejudicado) e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 estão sendo objeto de apreciação de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, através dos ADI 4905 e RE 796.936, ambos com relatores distintos, mas sem posicionamento ainda a respeito da matéria. Exposto o acima, para contextualizar a legislação aplicável, vamos à análise dos pontos suscitados na peça recursal. Das questões suscitadas na peça recursal Preliminares da alegação de nulidade da autuação A recorrente se insurge na sua peça recursal, alegando a nulidade da autuação fiscal, por vício, omissão ou incorreção. Agrega que há ofensa ao art. 149 do CTN, o qual o ente fiscal tem o dever de revisar de ofício o lançamento tributário. Contudo, não vislumbro a nulidade suscitada pela recorrente, a qual repete na sua peça impugnatória. Há ali no seu teor argumentativo alegações de ordem constitucional, e nenhuma de ordem material. Sua irresignação insurge a não aceitação do lançamento fiscal sofrido, pois não houve nenhuma situação capitulável como ensejador de nulidade. Todos os requisitos legais foram atendidos, e não houve cerceamento de defesa. E não se aplica ao caso o dever de revisar de ofício pretendido, pois a exigência está sendo aplicada dentro da determinação legal pertinente. Dito isto, NEGO PROVIMENTO às alegações de nulidade suscitadas no recurso voluntário. da alegação de apensamento ao processo objeto da dcomp não homologada Como já exposto no relatório, a presente notificação de lançamento decorre do processo nº 10166.905166/201570, que trata das Dcomps não homologadas. A recorrente Fl. 291DF CARF MF 12 solicita que o presente processo seja anexado a este processo, na sua peça impugnatória, nos termos do art. 3º da Portaria RFB nº 1668, de 29/11/2016. A autoridade julgadora a quo entendeu que a vigência da Portaria RFB nº 1668, de 29/11/2016 é posterior à data formalização do presente processo (ocorrida em 24/11/2016), e por consequência, também, ao processo 10166.905166/201570. Agregou que naquele momento do julgamento, ambos os processos estavam em instâncias de julgamento distintas, o que inviabilizaria o apensamento. No seu recurso voluntário, a recorrente alega que a portaria vigente na época da formalização do presente processo Portaria RFB nº 354, de 11/03/2016 também continha o mesmo comando de apensação da Portaria RFB nº 1.668, de 29/11/2016, o que entende o bastante para ocorrer o solicitado. Primeiramente, analisando a Portaria RFB nº 354, de 11/03/2016, há ali a redação que os autos serão juntados por apensação nas circunstâncias do presente caso. Contudo, o processo que denegou a compensação 10166.905166/201570 foi protocolizado em 25/09/2015, em vigia outra Portaria RFB que dispõe sobre a formalização de processos relativos a seus tributos a Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008, com alterações promovidas pela Portaria RFB nº 2.324, de 02/12/2010, e nesta não há nenhum comando de apensamento para as circunstâncias envolvidas no presente caso. Após a formalização do processo 10166.905166/201570, ele já passa a seguir seu rito própria, tendo a recorrente nele apresentado sua manifestação de inconformidade em 15/01/2016. O presente processo de notificação de lançamento foi formalizado somente em 24/11/2016, ou seja, não foram nem proximamente temporalmente, estando em esferas distintas, e já etapas processuais administrativas distintas. Nestes casos, apesar da dependência de um processo ao decidido no outro, há uma discussão aqui no presente própria. A própria legislação protege os contribuintes na redação do parágrafo seguinte § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, como já citado anteriormente, e que não custa repetir para reforçar este ponto: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Ou seja, não importa o decidido no presente processo de multa isolada, sua exigibilidade ficará suspensa até a decisão definitiva do processo que não homologou compensação via Dcomp. Não haverá prejuízo algum ao recorrente nestas circunstâncias, pois se numa eventualidade o presente processo foi decidido em definitivo na esfera administrativa, ao retornar para iniciar os procedimentos de cobrança, ficará sobrestado aguardando o decidido no processo principal, e se for o caso, até sofrer recálculo (no caso do presente processo ter seu lançamento mantido). Ademais, na data do presente julgamento, o processo 10166.905166/201570 está decisão prolatada em 10/04/2018, pela 1ª Turma Ordinária, da Segunda Câmara da Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 287 13 Primeira Seção, conforme ata já que a resolução ainda não foi publicada, para conversão do julgamento em diligência. Agregase a tudo isso o fato que as Portarias que dispõem sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela RFB não tem o caráter tão imperativo assim, tendo o caráter mais administrativo interno, pois o que importa é materialidade inserta nos processos, e eventuais divergências ao seu teor não causariam, tiradas raríssimas exceções, nenhum prejuízo ao contribuinte envolvido, sendo facilmente sanáveis. No presente caso, mesmo nos casos de apensados, haveria a necessidade de discussão próprias das matérias de ambos processos, o que já está ocorrendo. Como já frisado, há uma proteção já prevista em lei quanto a exigibilidade do lançado, até definição da sua base de cálculo. Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao pleito de apensamento dos processos da recorrente. quanto à homologação parcial caracterizar boafé e não sujeitaria ao lançamento Alega a recorrente que quanto a discussão da Dcomp nº 27066.70484.300812.1.3.029282, a autoridade julgado a quo ao decidir que o lançamento se baseara em uma homologação parcial, este fato, o de ter sido parcial, afastaria a incidência do § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996, pois no seu entender, agiu com boafé ao buscar a compensação. Contudo, conforme já exposto anteriormente, na análise da legislação aplicável ao caso, o § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996 não estabelece, para sua aplicação, a máfé, bastando a não homologação da compensação declarada, ressalvando apenas os casos de falsidade, que remeteria a uma penalidade maior. Ou seja, considerando a taxatividade da imputação legal ao caso, não há esta margem de consideração em prol ao alegado pela recorrente. E nem o fato de ter sido parcial a homologação poderia criar dúvidas quando cotejado com o teor do texto legal, pois ali fala em valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada (...), ou seja, não é uma multa em decorrência de uma declaração totalmente não homologada, podendo ser parcial a quitação do débito pretendido, remanescendo o restante novamente em pendência após a decisão de não homologação parcial. Ademais, o crédito também não é único, e em muitas circunstâncias, a sistemática de apuração do seu direito creditório pode ser entendida a adequada pela recorrente, mas não aceita pela autoridade administrativa fiscal, remanescendo um crédito menor. Nesta sistemática, que pode surgir em várias circunstâncias de embates de posicionamento contribuinte x fisco, é relativamente comum haver direito parcial em parte do pleito, e ela será utilizado para extinção do débito, e não será base de cálculo da apuração da multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996. Fl. 293DF CARF MF 14 Assim, entendo que mesmo nos casos de homologação parcial, aplicase a multa isolada sobre a parte da compensação não compensada. Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao pleito da recorrente de que ao ter tido uma Dcomp homologada parcialmente estaria agindo com boafé, e não se sujeitaria à imputação legal em comento. quanto à alegação de concomitância e cumulação na cobrança de multas Alega a recorrente que houve, no caso, duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas, ao aplicar sobre o mesmo fato gerador, multa moratória sobre os débitos não homologados e, também, fazer incidir multa isolada diante da não homologação das Dcomps e parcial de uma delas. Adiciona nos seus argumentos da proibição da concomitância de multa de ofício nos termos da Súmula CARF nº 105. Tal pleito já ocorrera na sua peça impugnatória, a qual foi negado pela autoridade a quo, pelo argumento de que a multa de mora prescinde de lançamento de ofício, sendo um mero acréscimo legal decorrente de falta de pagamento do tributo no prazo de vencimento. Há previsão legal distinta para ambas as situações, e as circunstâncias motivadoras são distintas, e isto não bastaria para aplicação da súmula CARF nº 105 ao caso. Quanto à questão da súmula CARF nº 105, salientese ser inaplicável no caso, posto que a mesma trata da falta de recolhimento de estimativas, concomitante com a multa de ofício, e ademais, ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Ou seja, não é aplicável ao caso, em nenhuma circunstância. Mesmo usandoa como eventual referência de contexto jurídico, a respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício ou de mora (o que é o presente caso), de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de mora devida aplicável ao caso, conforme já analisado no item deste voto sobre a legislação aplicável ao caso. Pelos motivos elencados, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. quanto às alegações de ilegalidade, não razoável, desproporcional, e de violação a princípios constitucionais A recorrente, na sua peça recursal, se insurge, trazendo uma série de alegações de cunho constitucional, permeado em praticamente todos os tópicos alegados. No seu entender, é uma penalidade injusta, não razoável e desproporcional, ofendendo a legalidade pertinente, bem como há uma violação aos princípios constitucionais pela aplicação da multa isolada, quais sejam, da razoabilidade, proporcionalidade, não confisco, direito de propriedade e direito de petição. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 288 15 Contudo, compreendo que tal questão afastase das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, não conheço desta matéria do recurso voluntário. Conclusão: Destacandose a previsão legal do §18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, voto por NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
