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Numero do processo: 13502.720940/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não se conhecer do recurso por ser intempestivo.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido. Recurso voluntário não conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não se conhecer do recurso por ser intempestivo. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 09 40 /2 01 3- 32Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Alberga o presente processo auto de infração de PIS/Pasep e Cofins, apurado na sistemática não cumulativa, para constituição de crédito tributário decorrente da errônea adoção do regime cumulativo de apuração destas contribuições, consoante entendimento da fiscalização. Segundo a autuação, o contribuinte qualificou suas atividades como obras de construção civil, quando, a partir dos contratos firmados, verificouse que se cuidavam de atividades relacionadas à área de engenharia. Em impugnação o contribuinte defendeu, preliminarmente, a abusividade e o caráter confiscatório da multa aplicada e, no mérito, o enquadramento de suas atividades como construção civil, pelo que deveria apurar as contribuições sob o regime cumulativo. A DRJ Belém/PA deu parcial provimento ao recurso para tãosomente afastar o agravamento da multa infligida, entendendo que as atividades exercidas pelo contribuinte não compunham o rol das obras de construção civil. Em recurso voluntário o contribuinte sustentou o enquadramento de suas atividades como obras de construção civil, o que lhe garantiria a manutenção no sistema cumulativo de apuração do PIS/Pasep e Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Examinando os documentos que instruem os autos verifico que a ciência da decisão recorrida efetivouse por meio de acesso e consulta ao portal eCAC, conforme “Termo de Abertura de Documento”, cujo teor reproduzo: “O contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 30/01/2014 13:09h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Impugnação Comunicação de Resultado de Julgamento Relação de Créditos Tributários do Processo Darf Contribuinte: 00.856.405/000126 CEMON ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 30/01/2014”. (destacado) Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.720940/201332 Acórdão n.º 3401002.645 S3C4T1 Fl. 11 3 A intimação eletrônica foi instituída pela Lei nº 11.196/2005 e regulada pela Lei nº 12.844/2013, tendo ambas alterado o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 para prever tal forma de comunicação, encontrandose o dispositivo com redação consolidada nos seguintes termos: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.720940/201332 Acórdão n.º 3401002.645 S3C4T1 Fl. 12 5 autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência)” (destacado) Portanto, à luz destes elementos, temse que o termo inicial do prazo recursal é 30/01/2014, quintafeira, que, contado na forma do art. 5º do Decreto nº 70.235/72, resulta como termo final a data de 01/03/2014, sábado, postergandose para o primeiro dia útil seguinte, dia 06/03/2014, quintafeira, em razão dos feriados de carnaval. Nesta senda, considerando que o recurso foi protocolado em 13/03/2014, com inobservância do prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a perempção da peça. Assim, considerando que o recurso não atende a requisito essencial de admissibilidade, qual seja, a tempestividade, voto por não conhecêlo. Robson José Bayerl Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 12898.002394/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/12/2009
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, j DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, j do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES
Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal.
Meras alegações não se prestam a desconstituir o lançamento, fundamentados em registros contábeis apurados nos livros dos recorrentes verificados durante o procedimento fiscal.
A superficialidade do recurso, onde o contribuinte defende-se de autuação diversa reforça não ter o recorrente comprovado ser equivocada a autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 18/12/2009 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, j DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, j do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal. Meras alegações não se prestam a desconstituir o lançamento, fundamentados em registros contábeis apurados nos livros dos recorrentes verificados durante o procedimento fiscal. A superficialidade do recurso, onde o contribuinte defende-se de autuação diversa reforça não ter o recorrente comprovado ser equivocada a autuação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2185; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.002394/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.316 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente LABO CINE DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/12/2009 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal. Meras alegações não se prestam a desconstituir o lançamento, fundamentados em registros contábeis apurados nos livros dos recorrentes verificados durante o procedimento fiscal. A superficialidade do recurso, onde o contribuinte defendese de autuação diversa reforça não ter o recorrente comprovado ser equivocada a autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 23 94 /2 00 9- 17 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.002394/200917 Acórdão n.º 2401003.316 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.222.0940, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 36 e seguintes, a empresa deixou de exibir os documentos contábeis dos lançamentos efetuados na conta n° 6047000 Serviços Diversos, para o período de junho a dezembro de 2005, no livro diário n° 9, registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA sob o n° 1757/2006, em 26/09/2006, apesar de solicitado através do Termo de Intimação Fiscal n° 5, emitido em 08/12/2009. Auto de Infração e em decorrência da infração está sendo aplicada a multa cabível nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e art.283, inciso II, alínea " j " e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, no valor de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). O valor da multa foi calculado com base no art. 8o , inciso VI, da Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12 de fevereiro de 2009 D.O.U. de 13/02/2009. Destacase, ainda no referido relatório a aplicação da multa mais benéfica de acordo com o disciplinado na lei 11.941/2009. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 22/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 50 a 52, onde alegou: 1. As diferenças apuradas decorrem exclusivamente da inobservância, por parte do Auditor fiscal, do seu dever de ofício de busca da verdade material, ao se basear em valor diverso do escriturado pela impugnante em seu livro diário, bem como nas folhas de pagamento; 2. As folhas de pagamento que haviam sido extraviadas já estão à disposição do Fisco de forma a viabilizar a verificação do correto recolhimento 3. Por se tratar de um espaço dominado pelo princípio da legalidade, tendente à proteção da esfera privada dos arbítrios do poder, a investigação dos fatos no processo administrativo fiscal está submetida a um princípio inquisitório e a sua valoração a um princípio da verdade material. 4. Colaciona doutrina e menciona que as decisões administrativas devem sempre observar para com o seu encargo de prova e dever de investigação (sic); 5. Solicita o provimento do recurso de forma a anular integralmente o presente AI. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 107 a 113. ASSUNTO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Data do fato gerador: 22/12/2009 NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS RELACIONADOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL . Constitui infração ao artigo 33, parágrafos 2o e 3o da Lei 8.212/91, cumulado com o art. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a não apresentação (ou a apresentação deficiente) de documentos ou livros relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91. CRÉDITO TRIBUTÁRIO FATO EXTINTIVO ÔNUS DA PROVA . A alteração do crédito tributário constituído deve se basear em fatos extintivos ou modificativos, arguidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. RELEVAÇÃO –IMPOSSIBILIDADE Após a revogação do Art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, pelo Decreto n° 6.727, de 2009, não há mais a possibilidade da relevação da penalidade pecuniária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 88 a 95, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 6. A autuação deuse em função de ausência de informação em GFIP de segurados que lhe prestaram serviços. 7. Para comprovar a imputação a fiscalização anexou por amostragem cópias de folhas de pagamento das competências fev, mar e junho de 2005, Ao assim proceder, a R e c o r r i d a acabou por considerar números que não refletiam a realidade dos segurados prestadores de serviços à Recorrente . 8. Dessa forma, por considerar que a Recorrida a deixou de apreciar todos os meios de prova disponibilizados, notadamente quanto à comprovação do número de segurados vinculados à Recorrente no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2005, é apresentada a presente impugnação, buscando ver reconhecido o seu direito de não se sujeitar à cobrança, no que ultrapassar o valor efetivamente devido. 9. Devese notar que a Recorrente já possui todas as folhas de pagamento relativas ao período acima citado, para fins de comprovação do número real de funcionários, sendo certo que, à época do procedimento fiscal, parte de referidos documentos haviam sido extraviados. 10. Intimada da lavratura do auto de infração, a Recorrente apresentou tempestivamente sua impugnação informando que havia procedido ao correto recolhimento das contribuições Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.002394/200917 Acórdão n.º 2401003.316 S2C4T1 Fl. 4 5 previdenciárias, conforme se verifica de seu livro diário. Contudo, a 13a Turma da Delegacia de Julgamento DRJ/RJ1, no acórdão que julgou improcedente a impugnação, se limitou a dizer que "o contribuinte não adunou argumentos ou provas de sua escorreita atitude" e que "não é mais permitido à Administração Tributária aplicar o beneficio fiscal da relevação nos casos de penalidades aplicadas por descumprimento de dispositivos da legislação tributário previdenciária". 11. Como se verá adiante, o valor supostamente devido deve ser determinado mediante a apreciação de todas as informações e documentos da R e c o r r i d a , em observância ao princípio inquisitório e ao princípio da verdade material que orientam o processo administrativo fiscal, como corolários do princípio de legalidade aplicável ao Direito Tributário. 12. Traz diversas outras considerações acerca da autuação da GFIP. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Considerando a inexistência nos autos do AR com a ciência do recorrente, nem mesmo o carimbo da postagem, para que se determinasse a ciência após 15 dias da postagem, passo a análise do recurso considerando que a DRFB encaminhou o mesmo, sem qualquer indicação acerca da intempestividade. DO MÉRITO No mérito, foram trazidos os mesmos argumentos da impugnação, ou seja, o recorrente alega que ocorreu o efetivo recolhimento , e que as folhas de pagamento para comprovar suas alegações encontramse à disposição da fiscalização. Além desses fatos traz diversas argumentações acerca da autuação em GFIP. Ora, ao recorrente dáse o direito de insurgirse contra as autuações que lhe foram imputadas, colacionando alegações que demonstrem a fragilidade do mesmo, mas desde que, para tanto, demonstre inexistir os fatos que ensejaram a autuação. Conforme descrito no relatório fiscal a autuação pautouse em dispositivo diverso o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, no caso, não apresentou o detalhamento da conta contábil que ensejou pagamentos a contribuintes individuais de 06 a 12/2005. Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Simplesmente alegar, ou mesmo dizer que as folhas de pagamento extraviadas à época da fiscalização, encontramse à disposição, de forma alguma, determina a procedência de suas alegações. Durante o procedimento o contribuinte é intimado a apresentar Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.002394/200917 Acórdão n.º 2401003.316 S2C4T1 Fl. 5 7 os documentos que determinam a sua regularidade em relação as contribuições previdenciárias dos segurados pessoas físicas contratados para lhe prestar serviços. Bastanos uma simples leitura do relatório fiscal, fl. 36 e seus anexos, para que se perceba, que auditor desincumbiuse de identificar claramente não apenas a falta imputada como toda a legislação que fundamenta o lançamento. Se existem folhas de pagamentos, bastaria a empresa apresentálas. A indicação dos fatos geradores e das faltas cometidas apurados durante o procedimento fiscal, realmente é da competência da autoridade fiscal, que tem o dever de efetuar o lançamento de forma clara, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório, porém a partir do momento que não são apresentados documentos que comprovem o recolhimento não basta simplesmente a empresa alegar que os documentos encontramse à disposição. Dessa forma, a decisão que manteve a integralidade da autuação não merece qualquer reparo, considerando que meras alegações do recorrente, sem ter o mesmo colacionado qualquer prova contundente da veracidade das mesmas, não torna indevido o presente auto de infração. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005247/98-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 30/04/1998
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE.
Para ser conhecido recurso especial de divergência há que ser feito o cotejo analítico entre os acórdãos divergentes. No presente caso, o acórdão paradigma trata de tema diverso aquele que foi fundamento do Acórdão recorrido, de tal modo que não há como ser admitido o recurso.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso especial, por falta de paradigma. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Susy Gomes Hoffmann- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 30/04/1998 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Para ser conhecido recurso especial de divergência há que ser feito o cotejo analítico entre os acórdãos divergentes. No presente caso, o acórdão paradigma trata de tema diverso aquele que foi fundamento do Acórdão recorrido, de tal modo que não há como ser admitido o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso especial, por falta de paradigma. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 52 47 /9 8- 71 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial, sob a alegação de que há contradição entre o acórdão recorrido e a decisão proferida pela 2ª Câmara do extinto 3º Conselho de Contribuintes. Contra a Contribuinte, foi lavrado auto de infração (fls.01/08), com base no laudo técnico n. 20812/98, elaborado, de acordo com a IN SRF 14/85, pelo LABANA, fl. 21, o qual identificou a amostra analisada como "preparação medicamentosa constituída de fosfato de tilosina, amido e partes de plantas pulverizadas na forma de grânulos, acondicionada em embalagem para venda a retalho.” Concluiu a autoridade fazendária que a mercadoria descrita na Declaração de Importação (DI), estava discordante daquela que efetivamente ingressou no país. Consequentemente, constituiu crédito tributário no valor de R$ 132.099,96 (cento e trinta e dois mil, noventa e nove reais e noventa e seis centavos), sendo que: R$ 19.477,17 (dezenove mil, quatrocentos e setenta e sete reais e dezessete centavos), referentes à diferença de Imposto de Importação que passou a incidir sob a alíquota de 11%; R$ 629,11 (seiscentos e vinte nove reais e onze centavos), referentes à juros de mora calculados até 30/06/98; R$ 14.607,88 (quatorze mil seiscentos e sete reais e oitenta e oito centavos), referentes à multa do Imposto de Importação (II), artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96 ; R$ 97.385,80 (noventa e sete mil, trezentos e oitenta e cinco reais e oitenta centavos), referentes à multa do controle administrativo de importação, artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro. Devidamente notificada, a Contribuinte apresentou Impugnação, (fls.27/36). Às fls. 91/93 dos autos, foi proferido despacho convertendo o julgamento em diligência, para que novos quesitos formulados pela autoridade fazendária fossem respondidos pelo Laboratório Nacional de Análises “Luiz Angerami” (LABANA). Por intermédio da Informação Técnica nº 109/2001 (fls. 96/115), todos os quesitos foram respondidos. Notificada para apresentar manifestação sobre a informação técnica (fls.118), a contribuinte nada alegou. Ao julgar os presentes autos (fls.120/126), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo SP considerou ser o lançamento procedente em parte, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II. Data do fato gerador: 30/04/1998 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.005247/9871 Acórdão n.º 9303002.385 CSRFT3 Fl. 418 3 Ementa: Classificação fiscal. Multa tributária e Administrativa Mercadoria identificada em análise laboratorial como sendo "uma Preparação Medicamentosa à base de Fosfato de Tilosina (antibiótico). Amido e partes de plantas pulverizadas, na forma de grânulos" não se classifica no código 3004.20.29, como pretende a Fiscalização, por não preencher os requisitos estabelecidos pelas Notas Explicativas da posição 3004 para produtos acondicionados para venda a retalho, sendo cabível a penalidade administrativa do art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro. Lançamento Procedente em Parte. A parte final do referido Acórdão determinou que: No caso presente, verificase que a interessada solicitou licença para importar "Fosfato de Tilosina", tendo omitido, em sua descrição, que a mercadoria importada continha também Amido e Partes de Plantas Pulverizadas, conforme análise laboratorial. Tais substâncias se revelaram vitais para a perfeita identificação e enquadramento tarifário da mercadoria, conforme se viu na abordagem do mérito relativo ao Imposto de Importação, tendose, portanto, configurado descrição incompleta na Dl e, em conseqüência, a infração capitulada no artigo 526, inciso II, do RA, em razão do que é perfeitamente cabível a penalidade aplicada. Diante do exposto, voto pelo deferimento parcial da impugnação apresentada, declarando procedente em parte o lançamento consubstanciado no Auto de Infração, na forma do demonstrativo abaixo, expresso em reais.... Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 129/146), que foi julgado procedente pela 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes (fls. 328/333), e restou assim ementado: CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Dec. 91.030/85 onde houve a regular expedição de Licença de Importação para a mercadoria em causa. Recurso voluntário provido. Intimada do acórdão, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de Divergência (fls. 336/343), alegando haver contradição entre a decisão recorrida e a proferida pela 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Juntou aos autos o acórdão paradigma (fls. 344/371). O despacho de fls. 373/375, considerou presentes os requisitos essenciais para admissibilidade do Recurso Especial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls.380/392). Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 E com fundamento na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, ADI nº1976, e no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 09/2007, requereu a expedição de ofício ao respectivo órgão de registro, determinando o cancelamento dos bens arrolados para interposição do Recurso Voluntário (fls. 402/405). É o Relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente Recurso Especial é tempestivo. Todavia não preenche os demais requisitos de admissibilidade Alega a Contribuinte às fls. 384 dos autos, que não há divergência quanto a interpretação da lei tributária, uma vez que o acórdão recorrido parte da mesma interpretação dada à lei pelo suposto acórdão paradigma. Com razão a Contribuinte. No acórdão apontado como paradigma, o órgão julgador aplicou a multa alegando que a descrição da mercadoria importada e consequentemente a declaração de importação (DI) não estava exata. E o acórdão contra o qual se insurge a recorrente foi claro ao considerar indevida a aplicação da multa, porque houve a regular expedição de licença de importação (LI). Notese, que no caso dos presentes autos, a classificação e declaração do produto importado constituiuse em questão já superada pelo julgamento realizado em primeira instância, que inclusive adotou a classificação do Contribuinte, desprezando a da fiscalização por julgála inadequada. Assim, para caracterizar a divergência quanto à interpretação da lei tributária, deveria a Fazenda Nacional juntar aos autos acórdão paradigma que mantivesse a permanência da multa do artigo 526, II, mesmo obtendo o importador a regular licença de importação. Até porque, a licença de importação (LI) não substitui a declaração de importação (DI), pois, são institutos com finalidades diferentes no despacho aduaneiro. Desta feita, acolho a preliminar suscitada pela Contribuinte para não conhecer do Recurso Especial, pois, entendo não caracterizada a divergência quanto à interpretação da lei tributária, nos acórdãos colacionados aos presentes autos. É como voto. Susy Gomes Hoffmann Fl. 455DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000973/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que não tenham sido objeto de qualquer pagamento antecipado, como também nos casos de fraude, é o estabelecido no artigo 173, inciso I, do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria relacionada a inclusão do responsável tributário no pólo passivo da obrigação tributária quando este em sede impugnatória não contesta tal matéria, vindo a fazê-lo apenas em sede recursal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. INVIABILIZADO POR RECUSA, DO CONTRIBUINTE, EM PRESTAR INFORMAÇÕES.
Pedido de diligência formulado pelo responsável solidário resta inviabilizado, senão por outras razões, pela recusa do contribuinte, - a quem compete efetuar os registros contábeis e guardar a documentação relativa às operações -, em prestar à autoridade fiscal informações complementares para a apuração dos tributos devidos.
MÉRITO. SIMULAÇÃO. TRANSFERÊNCIA APARENTE DE QUOTAS PARA FRAUDAR NORMA DE LEI. OCORRÊNCIA. Constitui típica operação de simulação, a celebração de contrato de mútuo, sem propósito negocial e sem transferência efetiva de numerário, envolvendo vultosa soma de dinheiro "emprestada" da empresa quotista a funcionário, com o único fito de fraudar artigo de lei que torna tributáveis as operações de Fundo Imobiliário.
ADIÇÃO INDEVIDA DE VENDAS CANCELADAS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA.
É da lógica da contabilidade tributária, sob pena de redução indevida de tributos, que valores de "vendas canceladas" somente possam ser lançados a débito em conta de receitas, com redução de bases tributáveis, se tais receitas canceladas tiverem sido tributadas no exercício atual ou em anterior.
INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA. DESCABIMENTO.
O fato de uma entidade não possuir personalidade jurídica não a exime de ser sujeito passivo tributário, sabendo-se que o artigo 2o da Lei 9.779/99 estipula que o fundo de investimento imobiliário, - que, pelo artigo 1º da Lei 8.668/93, não é pessoa jurídica -, sujeita-se à tributação aplicável as pessoas jurídicas, quando aplica recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador ou construtor, quotista detentor de mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo.
SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA.
A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, econômicos e convergentes.
MULTA QUALIFICADA. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO PARA O AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Na hipótese de simulação de transferência de quotas realizada por quotista majoritário com o fim de manter isenção tributária de Fundo de Investimento Imobiliário inexiste erro de identificação de sujeito passivo quando a multa agravada é lançada contra o Fundo, porque, nesse caso não se pode negar que o próprio Fundo, através do órgão supremo de deliberação, a Assembléia Geral dos quotistas, onde o fraudador tem assento, teve conhecimento e aprovou a simulação feita.
APROVEITAMENTO DO IRRF NO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Falece legitimidade ativa ao contribuinte Fundo Imobiliário para pleitear o eventual aproveitamento, contra créditos constituídos no lançamento, de valores de IRRF alegadamente recolhidos por ocasião de pagamentos feitos aos quotistas, em razão do fato de tal direito, se existir, pertencer aos beneficiários dos rendimentos, não à fonte pagadora.
PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. NÃO DEDUÇÃO DOS CRÉDITOS DE CUSTOS NO REGIME NÃO-CUMULATIVO. RECUSA PARA PRESTAR INFORMAÇÕES.
Inexistindo informações adequadas, por recusa do contribuinte em fornecê-las, para eventual aplicação do regime cumulativo, ou para dedução de créditos relativos a custos no regime não-cumulativo, deve ser aplicado o regime prevalente de tributação normal das pessoas jurídicas, que, tratando-se de Fundo Imobiliário, é o não-cumulativo, no caso, sem dedução de eventuais créditos de custos.
MULTA PUNITIVA NO DIREITO TRIBUTÁRIO. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. NÃO APROVEITAMENTO.
A multa punitiva no Direito Tributário, segundo o STF, reveste-se de natureza patrimonial, não lhe aproveitando o aceno à aplicação da norma superior de personalização, consentânea com os princípios do Direito Penal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Pela relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica.
Numero da decisão: 1401-001.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares, afastar a decadência e, por maioria NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta quanto á qualificação da multa e aos juros sobre a multa
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Pedido de diligência formulado pelo responsável solidário resta inviabilizado, senão por outras razões, pela recusa do contribuinte, - a quem compete efetuar os registros contábeis e guardar a documentação relativa às operações -, em prestar à autoridade fiscal informações complementares para a apuração dos tributos devidos. MÉRITO. SIMULAÇÃO. TRANSFERÊNCIA APARENTE DE QUOTAS PARA FRAUDAR NORMA DE LEI. OCORRÊNCIA. Constitui típica operação de simulação, a celebração de contrato de mútuo, sem propósito negocial e sem transferência efetiva de numerário, envolvendo vultosa soma de dinheiro "emprestada" da empresa quotista a funcionário, com o único fito de fraudar artigo de lei que torna tributáveis as operações de Fundo Imobiliário. ADIÇÃO INDEVIDA DE VENDAS CANCELADAS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. É da lógica da contabilidade tributária, sob pena de redução indevida de tributos, que valores de "vendas canceladas" somente possam ser lançados a débito em conta de receitas, com redução de bases tributáveis, se tais receitas canceladas tiverem sido tributadas no exercício atual ou em anterior. INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA. DESCABIMENTO. O fato de uma entidade não possuir personalidade jurídica não a exime de ser sujeito passivo tributário, sabendo-se que o artigo 2o da Lei 9.779/99 estipula que o fundo de investimento imobiliário, - que, pelo artigo 1º da Lei 8.668/93, não é pessoa jurídica -, sujeita-se à tributação aplicável as pessoas jurídicas, quando aplica recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador ou construtor, quotista detentor de mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, econômicos e convergentes. MULTA QUALIFICADA. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO PARA O AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de simulação de transferência de quotas realizada por quotista majoritário com o fim de manter isenção tributária de Fundo de Investimento Imobiliário inexiste erro de identificação de sujeito passivo quando a multa agravada é lançada contra o Fundo, porque, nesse caso não se pode negar que o próprio Fundo, através do órgão supremo de deliberação, a Assembléia Geral dos quotistas, onde o fraudador tem assento, teve conhecimento e aprovou a simulação feita. APROVEITAMENTO DO IRRF NO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Falece legitimidade ativa ao contribuinte Fundo Imobiliário para pleitear o eventual aproveitamento, contra créditos constituídos no lançamento, de valores de IRRF alegadamente recolhidos por ocasião de pagamentos feitos aos quotistas, em razão do fato de tal direito, se existir, pertencer aos beneficiários dos rendimentos, não à fonte pagadora. PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. NÃO DEDUÇÃO DOS CRÉDITOS DE CUSTOS NO REGIME NÃO-CUMULATIVO. RECUSA PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. Inexistindo informações adequadas, por recusa do contribuinte em fornecê-las, para eventual aplicação do regime cumulativo, ou para dedução de créditos relativos a custos no regime não-cumulativo, deve ser aplicado o regime prevalente de tributação normal das pessoas jurídicas, que, tratando-se de Fundo Imobiliário, é o não-cumulativo, no caso, sem dedução de eventuais créditos de custos. MULTA PUNITIVA NO DIREITO TRIBUTÁRIO. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. NÃO APROVEITAMENTO. A multa punitiva no Direito Tributário, segundo o STF, reveste-se de natureza patrimonial, não lhe aproveitando o aceno à aplicação da norma superior de personalização, consentânea com os princípios do Direito Penal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Pela relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica.
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INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que não tenham sido objeto de qualquer pagamento antecipado, como também nos casos de fraude, é o estabelecido no artigo 173, inciso I, do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria relacionada a inclusão do responsável tributário no pólo passivo da obrigação tributária quando este em sede impugnatória não contesta tal matéria, vindo a fazêlo apenas em sede recursal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. INVIABILIZADO POR RECUSA, DO CONTRIBUINTE, EM PRESTAR INFORMAÇÕES. Pedido de diligência formulado pelo responsável solidário resta inviabilizado, senão por outras razões, pela recusa do contribuinte, a quem compete efetuar os registros contábeis e guardar a documentação relativa às operações , em prestar à autoridade fiscal informações complementares para a apuração dos tributos devidos. MÉRITO. SIMULAÇÃO. TRANSFERÊNCIA APARENTE DE QUOTAS PARA FRAUDAR NORMA DE LEI. OCORRÊNCIA. Constitui típica operação de simulação, a celebração de contrato de mútuo, sem propósito negocial e sem transferência efetiva de numerário, envolvendo vultosa soma de dinheiro "emprestada" da empresa quotista a funcionário, com o único fito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 73 /2 00 9- 42 Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.374 2 de fraudar artigo de lei que torna tributáveis as operações de Fundo Imobiliário. ADIÇÃO INDEVIDA DE VENDAS CANCELADAS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. É da lógica da contabilidade tributária, sob pena de redução indevida de tributos, que valores de "vendas canceladas" somente possam ser lançados a débito em conta de receitas, com redução de bases tributáveis, se tais receitas canceladas tiverem sido tributadas no exercício atual ou em anterior. INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA. DESCABIMENTO. O fato de uma entidade não possuir personalidade jurídica não a exime de ser sujeito passivo tributário, sabendose que o artigo 2o da Lei 9.779/99 estipula que o fundo de investimento imobiliário, que, pelo artigo 1º da Lei 8.668/93, não é pessoa jurídica , sujeitase à tributação aplicável as pessoas jurídicas, quando aplica recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador ou construtor, quotista detentor de mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. MULTA QUALIFICADA. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO PARA O AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de simulação de transferência de quotas realizada por quotista majoritário com o fim de manter isenção tributária de Fundo de Investimento Imobiliário inexiste erro de identificação de sujeito passivo quando a multa agravada é lançada contra o Fundo, porque, nesse caso não se pode negar que o próprio Fundo, através do órgão supremo de deliberação, a Assembléia Geral dos quotistas, onde o fraudador tem assento, teve conhecimento e aprovou a simulação feita. APROVEITAMENTO DO IRRF NO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Falece legitimidade ativa ao contribuinte Fundo Imobiliário para pleitear o eventual aproveitamento, contra créditos constituídos no lançamento, de valores de IRRF alegadamente recolhidos por ocasião de pagamentos feitos aos quotistas, em razão do fato de tal direito, se existir, pertencer aos beneficiários dos rendimentos, não à fonte pagadora. PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. NÃO DEDUÇÃO DOS CRÉDITOS DE CUSTOS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. RECUSA PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. Inexistindo informações adequadas, por recusa do contribuinte em fornecê las, para eventual aplicação do regime cumulativo, ou para dedução de créditos relativos a custos no regime nãocumulativo, deve ser aplicado o regime prevalente de tributação normal das pessoas jurídicas, que, tratandose de Fundo Imobiliário, é o nãocumulativo, no caso, sem dedução de eventuais créditos de custos. Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.375 3 MULTA PUNITIVA NO DIREITO TRIBUTÁRIO. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. NÃO APROVEITAMENTO. A multa punitiva no Direito Tributário, segundo o STF, revestese de natureza patrimonial, não lhe aproveitando o aceno à aplicação da norma superior de personalização, consentânea com os princípios do Direito Penal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares, afastar a decadência e, por maioria NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta quanto á qualificação da multa e aos juros sobre a multa (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.376 4 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP. Tratase de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativos aos anoscalendário 2004 e 2005. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1854 a 1894, o Fundo de Investimento Imobiliário Superquadra 311 Norte se utilizou de pessoa interposta, Sr. Francisco Sebastião Ferreira Sobrinho, para através de aparente transferência de quotas do quotista Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda para a referida pessoa física, evitar a incidência da norma prevista no art. 2° da Lei n.° 9.779/99, a qual determina que se sujeita à tributação aplicável às pessoas jurídicas o Fundo de Investimento Imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isolada ou conjuntamente, mais de 25% das quotas do Fundo. Consta do TVF: (...) o quotista Sebastião iniciou sua participação no Fundo por meio da aquisição de cotas de propriedade da empresa Paulo Octávio (que além de quotista era também construtora/incorporadora dos empreendimentos imobiliários do Fundo), tendo como objetivo afastar a incidência de norma tributária mais gravosa art. 2o da Lei n° 9.779, de 19/01/1999. A empresa Paulo Octávio, que antes da vigência da Lei n° 9.779/99 possuía 60% das quotas do Fundo, transferiu paulatinamente ao Sr. Sebastião parte destas, com o intuito de manter sua participação em um percentual inferior a 25%, e, por conseqüência, o Fundo continuou usufruindo do benefício fiscal previsto no art. 16 da Lei n° 8.668/93. Pelas razões expostas ao longo deste Relatório Fiscal, concluímos que Sebastião é mera interposta pessoa do quotista Paulo Octávio, e que o negócio celebrado entre ambos (transferência onerosa de quotas detidas no Fundo) não teve outra causa que não a economia tributária. Portanto, pelo disposto no art. 2o da Lei n° 9.779, de 19/01 /1999, procedemos, através deste Auto de Infração, à constituição dos créditos tributários relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes aos anos calendário de 2004 e 2005, no FIISQN 311. (...) No dia 18 de setembro de 1998 foi realizada a Assembléia Geral de Quotistas para a constituição do FI1 SQN 311, o qual foi criado, segundo seu Regulamento (fls. 691 a 706), para "captar recurso para investimento exclusivamente na aquisição dos terrenos e na realização de obras de construção de 11 (onze) prédios residenciais, de uma escola, de um jardim de infância, de instalações destinadas à Fl. 3377DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.377 5 administração da quadra, de urbanização e do infraestrutura da quadra que comporão o empreendimento imobiliário a ser edificado na SQN 311, em Brasília, DF, descrito e caracterizado no Anexo 01 que integra o prospecto de lançamento das quotas, com a finalidade de venda das unidades construídas". De acordo com a ata da referida assembléia, o FI1 SQN 311 foi aprovado com um patrimônio inicial de R$ 50.795.000,00, correspondente ao valor de 507.950 quotas subscritas (R$ 100,00 cada quota), a serem integralizadas parceladamente em 26 séries, sendo que a primeira série foi integralizada na própria data da assembléia de constituição do Fundo, ou seja, 18/09/98. Conforme a Lista de Presença de subscritores, as quotas subscritas estavam assim distribuídas entre os quotistas do Fundo: Quotistas N° de Quotas Participação Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda 304.770 60,00% CONBRAL S / A Construtora Brasília S/A 101.590 20,00% Fundação dos Economiários Federais FUNCEF 101.590 20,00% TOTAL 507.950 100,00% Ressaltase que os quotistas Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Lida e CONBRAL S/A Construtora Brasília S/A eram também contratados pelo Fundo corno construtores/incorporadores do empreendimento imobiliário a ser edificado na SQN 311, em Brasília, DF. Portanto, na constituição do Fundo, antes da vigência da Lei n° 9.779/99 (art. 2o), notese que havia um quotista, pessoa jurídica, que detinha mais de vinte e cinco por cento das quotas subscritas do mesmo. Com a entrada em vigor desta Lei, o Fundo, que estava enquadrado no art. 16 da Lei n° 8.668/93, como isento de imposto de renda, sujeitarseia à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas. Por meio do "Instrumento Particular de Mútuo para Subscrição de Quotas" (fls. 498 a 500), a empresa Paulo Octávio, na qualidade de mutuante, se comprometia a emprestar ao Sr. Sebastião (mutuário), "a quantia de até R$ 17.778.250,00 (dezessete milhões, setecentos e setenta e oito mil e duzentos e cinqüenta reais), que seria liberada em parcelas, representadas por Notas Promissórias, com o objetivo único e exclusivo do MUTUÁRIO adquirir 35% (trinta e cinco por cento) dos títulos do Fundo de Investimento Imobiliário Superquadra 311 Norte, administrado pela Mercúrio S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, constituído conforme Ata de Reunião da Diretoria realizada em 25 de março de 1.998". A cláusula quinta do "Instrumento Particular de Mútuo para Subscrição de Quotas" (fls. 499), estabelecia que o "MUTUÁRIO oferece à MUTUANTE, como garantia do presente empréstimo, as mesmas quotas do Fundo Imobiliário que ora se propõe a adquirir, sendolhe vedado, sem prévia e expressa anuência da MUTUANTE, a sua negociação, venda, consignação, concessão em garantia ou qualquer outro ato que possa onerar ou indisponíbilizar as cotas de sua propriedade". 2.2.1. Das transferências das quotas do quotista Paulo Octávio para o novo quotista Sebastião Em sua cláusula segunda, o "Instrumento Particular de Mútuo para Subscrição de Quotas" (fls. 498), esclarecia que as parcelas "serão emprestadas pelo MUTUANTE ao MUTUÁRIO, de acordo e nas mesmas datas e valores da sua Fl. 3378DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.378 6 subscrição e integralização das quotas daquele Fundo Imobiliário, podendo os respectivos valores ser transferidos diretamente para o Fundo ou compensados diretamente com a MUTUANTE". Pela informação apresentada pela administradora do FII SQN 311, a partir da edição da Medida Provisória n° 1.788, de 29 de dezembro de 1998 (que foi convertida na Lei n° 9.779/99), a empresa Paulo Octávio, à medida que integralizava suas quotas subscritas, transferia, na mesma oportunidade, parte delas ao Sr. Sebastião, de forma a sempre manter a sua participação no FII SQN 311 inferior a 25% (vinte e cinco por cento) do total das quotas integralizadas, conforme demonstrativo (Quadro I) a seguir. PAULO OCTÁVIO 1NVES. IMOBILIÁRIOS L'IDA SEBASTIÃO LUÍS FERREIRA SOBRINHO Data da integralização / transferência N° do quotas integralizadas N° quotas transferidas Saldo acumulado % N° quotas integralizadas do fundo N° de quolas adquiridas da P.O Saldo acumulado % N° quotas integralizadas do fundo 18/09/98 1.260 1.260 60,000% 0,000% 30/10/98 4.822 6.082 60,004% 0,000% 30/12/98 3.883 5.814 4.151 24,989% 5.814 5.814 35,001% 30/01/99 4.352 2.539 5.964 24,991 % 2.539 8.353 35,001% 28/02/99 5.186 3.026 8.124 24,990% 3.026 11.379 35,003% 30/04/99 5.618 3.277 10.465 24,993% 3.277 14.656 35,003% 30/05/99 5.618 3.277 12.806 24,995% 3.277 17.933 35,001% 30/06/99 8.884 5.182 16.508 24,997% 5.182 23.115 35,001% 30/07/99 9.361 5.461 20.408 24,997% 5.461 28.576 35,002% 30/08/99 11.729 6.843 25.294 24,996% 6.843 35.419 35,002% 30/09/99 14.220 8.295 31.219 24,997% 30/Î0/99 9.440 5.507 35.152 24,997% 30/11/99 3.036 1.771 36.417 24,997% 30/11/99 11.600 6.767 41.250 24,997% 30/12/99 3.420 1.995 42.675 24,997% 30/12/99 9.946 5.802 46.819 24,997% 30/01/00 5.700 3.325 49.194 24,998% 30/01/00 7.338 4.280 52.252 24,998% 29/02/00 10.693 6.237 56.708 24,998% 29/02/00 4.158 2.426 58.440 24,998% 30/03/00 14.278 8.329 64.389 24,998% 30/04/00 7.476 4.361 67.504 24,999% 30/05/00 3.324 1.939 68.889 24,999% 30/06/00 2.580 1.505 69.964 24,999% De acordo com os recibos e notas promissórias fornecidas pelo Sr. Sebastião durante a ação fiscal realizada pela Delegacia de Anápolis (fls. 54.5 a 574), os recursos do mútuo teriam sido disponibilizados a ele parceladamente entre os meses de dezembro/1998 a junho/2000, exatamente nas mesmas datas em que ocorreram as transferências especificadas no Quadro I deste Relatório. Vale ressaltar que, nos recibos apresentados, o Sr. Sebastião atesta, expressamente, que recebeu recursos financeiros da empresa Paulo Octávio. No entanto, pela análise da escrituração da concessão do mútuo, na contabilidade da firma Paulo Octávio (fls. 376 a 484), foi constatado que na verdade não houve nenhuma disponibilização de recursos financeiros ao Sr. Sebastião. Fl. 3379DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.379 7 Como já mencionado anteriormente, à medida que as quotas eram integralizadas pela empresa Paulo Octávio, parte delas era transferida, na mesma oportunidade, ao Sr. Sebastião. A contabilidade daquela empresa revela que essa transferência de quotas não transitava por nenhuma conta de disponibilidade financeira (caixa, bancos c/ movimento, etc), simplesmente havia uma permuta do valor das quotas transferidas entre as contas de ativo representativas das quotas integralizadas (creditada) e do direito a receber do Sr. Sebastião (debitada) (fls. 376 a 484). A própria empresa confirmou, em sua resposta datada de 29/08/2007, que "o mútuo foi disponibilizado ao Sr. Sebastião através das cotas do Fundo de Investimento Imobiliário Superquadra 311 Norte" (fl. 1636). (...) Conforme se observa pelo demonstrativo constante do Anexo II do presente relatório, o pagamento das cotas adquiridas pelo Sr. Sebastião foi feito, à empresa Paulo Octávio, de forma parcelada, à medida que os rendimentos do FIISQN 311 iam sendo disponibilizados a ele. No entanto, a cláusula terceira do "Instrumento Particular de Mútuo para Subscrição de Quotas" (fls. 498 a 500), que dispunha sobre o prazo e pagamento do empréstimo, estabelecia que este venceria "trinta dias após a concessão do habitese do quinto prédio construído", sendo que na data de vencimento as partes fixariam a forma de pagamento, que poderia se dar de "forma parcelada com a incidência de juros de 12% ao ano e correção monetária ou mediante dação em pagamento das quotas a serem adquiridas pelo MUTUÁRIO". Caso não fosse possível estabelecer o parcelamento em comento, o empréstimo seria "considerado como integralmente vencido, podendo a MUTUANTE exercer a garantia prestada neste instrumento e promover a adjudicação das quotas do Fundo Imobiliário adquiridas pelo MUTUÁRIO, ou vendêlas para terceiros, sendo que, em qualquer hipótese o presente empréstimo se reputará quitado independente do valor de mercado das quotas no momento de sua transferência ou venda pra terceiros, não assistindo a qualquer das partes o direito, ao qual expressamente renunciam, de exigir qualquer diferença de preço, ressarcimento, indenização ou lucros cessantes". O parágrafo terceiro da cláusula em comento dispunha ainda que: "caso o MUTUÁRIO venha a receber antes do vencimento do presente contrato qualquer valor proveniente do Fundo Imobiliário, seja a título de dividendos, distribuição de lucros ou qualquer outro, tal quantia deverá ser integralmente destinada ao pagamento parcial dos juros deste empréstimo, e estando estes quitados, do principal, pelo que o MUTUÁRIO deverá informar à administradora do Fundo Imobiliário sobre esta cláusula, determinando que todos os pagamentos ou distribuição a ele destinados sejam feitos diretamente à MUTUANTE". (...) Intimada no curso da presente ação fiscal, a empresa Paulo Octávio apresentou planilha complementar de atualização do empréstimo (fls. 1598 e 1613 a 1615) para o período de janeiro de 2004 até dezembro de 2007 (segundo planilhas apresentadas pela RIO BRAVO e Paulo Octávio Investimentos Imobiliários não houve pagamentos a título de amortização de quotas e distribuição de rendimentos ao quotista Sebastião a partir de janeiro de 2008 até junho de 2009, não havendo repasses desse último quotista para a Construtora Paulo Octávio), pela qual se verifica que, diferentemente da planilha apresentada anteriormente (fl. 1852), de 01/01/2004, em diante, foram utilizadas taxas de poupança + 1% ao mês. Conforme Fl. 3380DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.380 8 planilha apresentada, o saldo devedor do "mútuo" celebrado entre a construtora Paulo Octávio e o Sr. Sebastião era de R$ 684.554,95 em 01/06/2009 (fls. 1613 a 1615). Com relação a este saldo devedor, a construtora Paulo Octávio foi questionada, no curso da presente ação fiscal, sobre a previsão para a liquidação do mesmo. Em sua resposta (fl. 1613), a empresa informou que "não existe previsão temporal para a liquidação do empréstimo de mútuo referido na presente intimação, uma vez que ainda persistem créditos de mutuários adquirentes de unidades imobiliárias do Fundo 311 Norte, que irão demandar algum tempo para a sua liquidação, assim como a existência de uma unidade imobiliária disponível para a venda. Enquanto não se efetivarem essas operações entendemos que o Fundo 311 Norte não poderá proceder a sua liquidação, consequentemente persistindo a relação do contrato de mútuo entre a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda e o Sr. Sebastião Luis Ferreira Sobrinho". Em resposta ao Termo de Intimação desta fiscalização (fls. 1398/1404), o Sr. Sebastião respondeu que o empréstimo/mútuo celebrado com a construtora Paulo Octávio não fora quitado até o momento. Questionado também sobre a previsão de quitação do mesmo, respondeu que "depende do efetivo recebimento dos valores ainda pendentes no fundo imobiliário", e que as 97.958 quotas, hoje em seu poder, não serão devolvidas ao mutuante, já que o Fundo será liquidado. Segundo se pode perceber, apesar do denominado "empréstimo" ter vencido no dia 25 de janeiro de 2001, conforme estava estabelecido no "Instrumento Particular de Mútuo para Subscrição de Quotas", os pagamentos do mesmo só tiveram início em fevereiro de 2002, exatamente quando o Sr. Sebastião começou a receber os rendimentos oriundos de suas quotas no FII SQN 311, e só terão fim quando este for liquidado.(...) Consta ainda do TVF, que, consoante mostrado no Anexo I – “Participação dos Quotistas no FII SQN 311, conforme Atas das Assembléias” (fls. 1.895 a 1.897), o quotista POII LTDA detinha, no anocalendário de 2004, até 15/06/2004, 41% do capital subscrito, e, por isso, o Fundo já estaria, apenas por este fato, sujeito à tributação aplicável às pessoas jurídicas em geral, uma vez que o artigo 2º da Lei 9.779/99, ao se referir a “quotas de fundo” não especifica se seriam subscritas ou integralizadas; no que tange às quotas integralizadas, o referido quotista detinha 24,999% em virtude do mencionado contrato de mútuo Foi lavrado, também, Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1.975 e 1.976) contra a PAULO OCTÁVIO 1NVES. IMOBILIÁRIOS L'IDA, tendo em vista que essa empresa montou a operação de transferência de quotas para o Sr. SEBASTIÃO LUÍS FERREIRA SOBRINHO para evitar que permanecesse com o antigo percentual de participação, que, se mantido, submeteria o Fundo à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, em razão da edição da Lei 9.779/99; o artigo 124 do CTN estipula que são solidariamente obrigadas, com relação à obrigação tributária, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Conforme notícia divulgada no sítio da Procuradoria da República do Distrito Federal, o Ministério Público Federal ajuizou em 20/05/2005, Ação Civil de Responsabilidade por Ato de Improbidade Administrativa, atualmente pendente de decisão no STF, contra 39 pessoas, entre as quais, a POII Ltda, relacionada a manobras de quotistas do FII SQN 311 para fraudar o Fundo em detrimento de outro quotista a Fundação dos Economiários Federais – Fl. 3381DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.381 9 FUNCEF; desde a sua constituição o Fundo apresenta várias irregularidades, todas com a intenção de propiciar ganhos aos construtoresquotistas em detrimento do quotista FUNCEF DEFESA DO AUTUADO FII Cientificado do lançamento, em 24/09/2009 (fls. 1.919, 1.926, 1.937 e 1.948), o autuado, FII SQN 311, impugnou o Auto de Infração em 27/10/2009 (fl. 2.332), oferecendo, em resumo, as seguintes razões: em PRELIMINAR, somente o quotista POII LTDA, que supostamente teria praticado o ato fraudulento, poderia ser responsabilizado pela multa agravada de 150%, não o autuado, o FII SQN 311, dado o caráter personalíssimo daquela multa, conforme o artigo 5º, inciso XLV da CF, doutrina e julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cujos excertos colaciona; os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos em 30/06/2004, e os fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos entre 31/01/2004 e 31/08/2004 teriam sido alcançados pela decadência, pois, não sendo caso de prática fraudulenta e tratandose de tributo sujeito à homologação, o prazo decadencial do lançamento seria o previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, não o do artigo 173, inciso I, do referido Código, não se aplicando às contribuições sociais o prazo decadencial previsto na Lei 8.212/91, questão esta pacificada no STF e objeto da Súmula Vinculante nº 08; em conseqüência estariam extintos os correspondentes créditos tributários em razão do disposto nos incisos V e VII, do artigo 156 do CTN; no MÉRITO, os créditos tributários exigidos não teriam atendido os requisitos de liquidez e certeza, conforme o artigo 142 do CTN, os artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72, e segundo doutrina e julgados do CARF, tendo em conta conter erros materiais: IRPJ e CSLL a autoridade realizou adição indevida das vendas canceladas dos anos anteriores, decorrentes de distratos, para apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2004 e 2005, sob o argumento de que as receitas em questão não teriam sido oferecidas à tributação; não haveria necessidade de oferecer tais receitas à tributação pois que o autuado gozava do benefício da isenção prevista no artigo 16 da Lei 8.668/93; e mesmo que tais receitas tivessem que ser oferecidas à tributação no ano calendário de 2003, em razão da norma contida no artigo 2º da Lei 9.779/99, a adição não poderia ser feita em razão do transcurso do prazo decadencial de 5 anos para a Fiscalização questionar o fato, conforme entendimento do CARF manifestado em Acórdãos cujos excertos colaciona; PIS e COFINS na condição de Fundo de Investimento Imobiliário, que não possui personalidade jurídica, não estaria sujeito à tributação do PIS e COFINS aplicável às pessoas jurídicas; Fl. 3382DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.382 10 tendose em conta o regime de nãocumulatividade do PIS e da COFINS, a autoridade não excluiu, mas adicionou, as vendas canceladas às bases de cálculo das referidas contribuições, não deduziu os créditos relativos aos custos incorridos e incluiu as receitas de variações monetárias ativas; mesmo que tais receitas (canceladas) tivessem que ser oferecidas à tributação no anobase de 2003, por força do artigo 2º da Lei 9.779/99, a adição não poderia ser feita em razão do transcurso do prazo decadencial para a Fiscalização questionar o fato; a autoridade possuía documentos hábeis e necessários para a validação dos créditos relativos aos custos, cuja utilização, diferentemente do entendimento da autoridade e segundo doutrina cujos excertos colaciona, não exige vinculação com as compras e vendas, sob pena de restrição ao direito constitucional de sua dedução; a autoridade também ignorou os demais créditos a que teria direito, tais como, aquisição de bens para revenda, utilizados como insumo, energia elétrica, aluguéis de prédio, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica, conforme previsto nos artigos 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/03; no caso das pessoas jurídicas tributadas no regime de PIS e COFINS não cumulativo a alíquota incidente sobre as receitas financeiras foi reduzida a zero com a publicação do Decreto 5.164/2004, revogandose tacitamente a IN SRF 247/2002; a autoridade deveria ter atribuído aos rendimentos pagos aos quotistas a natureza de dividendos, que são isentos do IRPJ, nos termos do artigo 10 da Lei 9.249/95, do que se conclui que a retenção do IR na fonte por ocasião dos pagamentos foi realizada indevidamente pelo autuado, e, sendo assim, deveria ser reconhecido o crédito daí decorrente; não se confundindo os conceitos de tributo e multa, não podem ser exigidos juros sobre a multa de ofício lançada, por falta de previsão legal, o que desrespeita o princípio constitucional da legalidade previsto nos artigos 5º, inciso II, e 37 da CF, uma vez que o artigo 13 da Lei 9.065/95 c/c o artigo 84 da Lei 8.981/95 estabelece a cobrança de juros apenas sobre tributos, conforme entendimento do CARF contido nos excertos de Acórdãos, que colaciona; nem se poderia alegar que tal cobrança estaria amparada pelo artigo 43 da Lei 9.430/96, uma vez que esse dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa isolada. DEFESA DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO – POII LTDA Da mesma forma, cientificada do lançamento em 30/09/2009 (fls. 1.975 e 1976), o responsável solidário, empresa POII LTDA, apresentou impugnação em 29/10/2009 (fl. 2.512), oferecendo, em resumo, as seguintes razões, tais quais constam no relatório de primeira instância: tendo em vista possuir mais de 25% das quotas do FII SQN 311, decidiu alienar parte suficiente de suas quotas para pessoa física de seu convívio e confiança, como forma de manter a integridade do fundo de investimento, como também permitir transação benéfica tanto a si como ao novo adquirente das quotas, ainda que tal estrutura pudesse significar maior carga tributária no total da operação; a aquisição das quotas do fundo pelo Sr. SLFS, bem como o contrato de mútuo foram operações lícitas, não se podendo sobre elas alegar qualquer vício; Fl. 3383DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.383 11 a acusação de simulação não se sustenta, haja vista que a tributação do conjunto das operações é mais gravosa do que seria a tributação com base na pessoa jurídica, fato que elimina qualquer acusação; deuse a decadência dos fatos geradores do PIS e COFINS ocorridos até 31/08/2004, e do IRPJ e CSLL até 30/06/2004, aplicandose o artigo 150, parágrafo 4o, do CTN; mediante remuneração de juros, que montaram a R$ 2.876.926,74 no período de 01/2004 a 06/2009, forneceu recursos ao Sr. SLFS para adquirir quotas no FII SQN 311, o que gerou ao Sr. SLFS benefício próximo a R$ 1 milhão, permitindolhe adquirir a maioria do capital da Rádio Principal FM Ltda; não há dúvida nos autos de que o recebimento dos valores correspondentes à distribuição de rendimentos do Fundo efetivamente ocorreu em conta do Sr. SLFS, que, por certo, os utilizava para quitação de sua dívida perante o impugnante; se a concessão do mútuo foi para a aquisição das quotas, nada mais correto do que permitir a sua quitação quando do recebimento dos dividendos do próprio fundo de investimento; os juros foram fixados por acordo entre as partes, em ato sinalagmático, ainda que não escrito, nada havendo de ilegal; aceitar o conceito de simulação por vício de vontade leva à insegurança jurídica pois que ninguém pode aferir tal vontade última, subjetiva; o agente público deve se afastar do conteúdo subjetivo e se ater aos princípios constitucionais da legalidade e da tipicidade, bem como os da moralidade e da impessoalidade, devendo observar os fatos objetivamente, sem a impossível perquirição subjetiva de vontades; o propósito negocial do impugnante foi realmente negociar as quotas, obtendo para si um lucro com os juros do empréstimo concedido a pessoa de sua confiança, a qual também lucrou com a operação; as divergências entre disposições contratuais e novas negociações realizadas pelas partes no decorrer da realização do contrato não são suficientes para ensejar qualquer prova de simulação: a negociação é livre entre as partes, que são capazes, legítimas e competentes, sendo lícito o objeto e não sendo prescrita em lei, a forma; o percentual de subscrição perdurou superior a 25% apenas até 15/06/2004, período já alcançado pela decadência, tendose em conta que não existe possibilidade de fraude no fato de se manterem as quotas subscritas e depois cancelálas, devendo ser aplicado para a decadência, o artigo 150, parágrafo 4o, do CTN. A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: Fl. 3384DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.384 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. INVIABILIZADO POR RECUSA, DO CONTRIBUINTE, EM PRESTAR INFORMAÇÕES. Pedido de diligência formulado pelo responsável solidário resta inviabilizado, senão por outras razões, pela recusa do contribuinte, a quem compete efetuar os registros contábeis e guardar a documentação relativa às operações , em prestar à autoridade fiscal informações complementares para a apuração dos tributos devidos. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. • O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que não tenham sido objeto de qualquer pagamento antecipado, como também nos casos de fraude, é o estabelecido no artigo 173, inciso I, do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MÉRITO. SIMULAÇÃO. TRANSFERÊNCIA APARENTE DE QUOTAS PARA FRAUDAR NORMA DE LEI. OCORRÊNCIA. Constitui típica operação de simulação, a celebração de contrato de mútuo, sem propósito negocial e sem transferência efetiva de numerário, envolvendo vultosa soma de dinheiro "emprestada" da empresa quotista a funcionário, com o único fito de fraudar artigo de lei que torna tributáveis as operações de Fundo Imobiliário. MULTA AGRAVADA. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO PARA O AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de simulação de transferência de quotas realizada por quotista majoritário com o fim de manter isenção tributária de Fundo de Investimento Imobiliário, inexiste erro de identificação de sujeito passivo quando a multa agravada é lançada contra o Fundo, porque, nesse caso, não se pode negar que o próprio Fundo, através do órgão supremo de deliberação, a Assembléia Geral dos quotistas, onde o fraudador tem assento, teve conhecimento e aprovou a simulação feita. IRPJ E CSLL. ADIÇÃO INDEVIDA DE VENDAS CANCELADAS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. É da lógica da contabilidade tributária, sob pena de redução indevida de tributos, que valores de "vendas canceladas" somente possam ser lançados a débito em conta de receitas, com redução de bases tributáveis, se tais receitas canceladas tiverem sido tributadas no exercício atual ou em anterior. APROVEITAMENTO DO IRRF NO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Falece legitimidade ativa ao contribuinte Fundo Imobiliário para pleitear o eventual aproveitamento, contra créditos constituídos no lançamento, de Fl. 3385DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.385 13 valores de IRRF alegadamente recolhidos por ocasião de pagamentos feitos aos quotistas, em razão do fato de tal direito, se existir, pertencer aos beneficiários dos rendimentos, não à fonte pagadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005 INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA. DESCABIMENTO. O fato de uma entidade não possuir personalidade jurídica não a exime de ser sujeito passivo tributário, sabendose que o artigo 2o da Lei 9.779/99 estipula que o fundo de investimento imobiliário, que, pelo artigo Io da Lei 8.668/93, não é pessoa jurídica , sujeitase à tributação aplicável eis pessoas jurídicas, quando aplica recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador ou construtor, quotista detentor de mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. REGIME CUMULATIVO. NÃO DEDUÇÃO DOS CRÉDITOS DE CUSTOS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. RECUSA PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. Inexistindo informações adequadas, por recusa do contribuinte em fornecê las, para eventual aplicação do regime cumulativo, ou para dedução de créditos relativos a custos no regime nãocumulativo, deve ser aplicado o regime prevalente de tributação normal das pessoas jurídicas, que, tratandose de Fundo Imobiliário, é o nãocumulativo, no caso, sem dedução de eventuais créditos de custos. ARBITRAMENTO. DESCABIMENTO. O arbitramento é cabível, entre outras, na hipótese de os registros contábeis se mostrarem imprestáveis para a apuração das bases de cálculo dos tributos, imprestabilidade esta que não se verificou no presente processo. ADIÇÃO INDEVIDA DE VENDAS CANCELADAS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. É da lógica da contabilidade tributária, sob pena de redução indevida de tributos, que valores de "vendas canceladas" somente possam ser lançados a débito em conta de receitas, com redução de bases tributáveis, se tais receitas canceladas tiverem sido tributadas no exercício atual ou em anterior. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. CABIMENTO. As alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de nãocumulatividade foram reduzidas a zero, a partir de 02/08/2004, pelo Decreto 5.164/2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2004, 2005 INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA. DESCABIMENTO. Fl. 3386DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.386 14 O fato de uma entidade não possuir personalidade jurídica não a exime de ser sujeito passivo tributário, sabendose que o artigo 2o da Lei 9.779/99 estipula que o fundo de investimento imobiliário, que, pelo artigo Io da Lei 8.668/93, não é pessoa jurídica , sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas, quando aplica recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador ou construtor, quotista detentor de mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. REGIME CUMULATIVO. NÃO DEDUÇÃO DOS CRÉDITOS DE CUSTOS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. RECUSA PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. Inexistindo informações adequadas, por recusa do contribuinte em fornecê las, para eventual aplicação do regime cumulativo, ou para dedução de créditos relativos a custos no regime nãocumulativo, deve ser aplicado o regime prevalente de tributação normal das pessoas jurídicas, que, no caso de Fundo Imobiliário, é o nãocumulativo, no caso, sem dedução de eventuais créditos de custos. ARBITRAMENTO. DESCABIMENTO. O arbitramento é cabível, entre outras, na hipótese de os registros contábeis se mostrarem imprestáveis para a apuração das bases de cálculo dos tributos, imprestabilidade esta que não se verificou no presente processo. ADIÇÃO INDEVIDA DE VENDAS CANCELADAS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. É da lógica da contabilidade tributária, sob pena de redução indevida de tributos, que valores de "vendas canceladas" somente possam ser lançados à débito em conta de receitas, com redução de bases tributáveis, se tais receitas canceladas tiverem sido tributadas no exercício atual ou em anterior. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. CABIMENTO. As alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de nãocumulatividade foram reduzidas a zero, a partir de 02/08/2004, pelo Decreto 5.164/2004. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. INOCORRÊNC1A. Improcede a alegação de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, quando no lançamento fiscal tais encargos estão incidindo apenas sobre o tributo, calculados a partir das datas dos respectivos vencimentos. No caso, a DRJ excluir do lançamento apenas os valores resultantes da inclusão das receitas financeiras nas bases de cálculo do PIS e da COFINS, a partir 08/2004. Em tempo o responsável tributário foi cientificado em 07/04/2011 pelo AR de fls. 2873. Irresignada com a decisão de primeira instância, as interessadas (contribuinte e responsável solidário) interpuseram recursos voluntários a este CARF (fls. 2.604 a 2.658 e Fl. 3387DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.387 15 3295/3332. contra a parte mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: RECURSO DO AUTUADO (FII) Tratemos, primeiramente da razões recursais trazidas pelo Fundo de Investimento Imobiliário (fls. 2.604 a 2.658): Alegou, preliminarmente, a adoção de premissas falsas pela fiscalização, notadamente à simulação, uma vez que todos os atos mencionados foram efetivamente praticados' e não houve qualquer participação da Administradora do Fundo ou demais quotistas na operação realizada entre os dois particulares (Paulo Octávio Investimentos Imobiliários e Francisco Sebastião Ferreira Sobrinho). Para tentar demonstrar o apontado no tópico anterior, o autuado tece uma série de considerações históricas e de funcionamento do referido Fundo Imobiliário a fim, segundo ele, de “que essa atividade não se confunda com os atos praticados por seu quotista (POII), como inapropriadamente fez a DRJ na decisão ora recorrida.”: No Brasil, alguns fundos de investimento possuem tratamento expressamente previsto em lei, tal como ocorre com o FII, que foi instituído Lei n° 8.668/93 (posteriormente alterada pelas Leis n° 8.894/94, 9.779/99 e 11.196/05). Com base na competência conferida pelo artigo 4o da Lei n° 8.668/93, está hoje em vigor a Instrução CVM 472/08 (revoga a Instrução CVM n° 205/94), que dispõe sobre a constituição, a administração, o funcionamento, a oferta pública de distribuição de cotas e a divulgação de informações dos FII. Também é importante destacar a Instrução CVM n° 206/94, que dispõe sobre normas contábeis aplicáveis às Demonstrações Financeiras dos FII. Os FII são instrumentos utilizados para a captação de recursos para investimento em empreendimentos imobiliários, ou seja, uma importante ferramenta que permite a reunião de diversos investidores para a formação de um volume expressivo de capital necessário à realização de investimentos em empreendimentos que normalmente exigem grandes aportes de dinheiro. Tratase de entidade que não possui personalidade jurídica, constituída na forma de "condomínio fechado" (artigo 2o da Lei n° 8.668/93), caracterizada pela comunhão de recursos captados por meio do Sistema de Distribuição de Valores Mobiliários e destinados à aplicação em empreendimentos imobiliários. Conforme doutrina aduz que os Fundos de Investimento (tais como o FII) são titulares de direitos e obrigações, e estão numa situação intermediária entre a personalidade jurídica própria e o condomínio do Código Civil. Neste sentido, apesar de não possuírem personalidade jurídica, os FII possuem (i) capacidade processual (representados pela instituição administradora); (ii) patrimônio próprio (distinto do patrimônio da instituição administradora e do patrimônio dos quotistas); (iii) escrituração contábil própria; e (iv) órgão representativo de investidores (Assembléia Geral). DAS FALSAS PREMISSAS ADOTADAS NA DECISÃO RECORRIDA: Fl. 3388DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.388 16 Com efeito, conforme se depreende do voto proferido pela DRJ, as premissas para a manutenção da responsabilidade do FII SQN 311 pelo ato infracional supostamente cometido foram que: Premissa 1: o contrato de mútuo entre a POII e o Sr. Sebastião, bem como a posterior transferência das quotas do FII SQN 311, teriam sido simulados. Premissa 2: todos os quotistas teriam conhecimento dessa suposta simulação, uma vez que a POII participava da Assembléia Geral de Quotistas (AGQ). Premissa 3: a aprovação das contas do FII SQN 311 pela AGQ provaria que todos os quotistas tinham conhecimento da suposta simulação Premissa 4: a AGQ teria poder para decidir sobre a alteração e manutenção da proporção da participação dos quotistas no FII SQN 311 (ocorrida com a transferência das quotas da POII para o Sr. Sebastião), o que também provaria a responsabilidade do Fundo pela suposta infração. Conclusão: o FII SQN 11 deve responder também pela suposta simulação. Nenhuma das premissas alegadas pela DRJ pode prosperar, motivo pelo qual deverá ser reformada parcialmente a decisão ora recorrida, com o conseqüente cancelamento integral dos créditos tributários originários do presente processo administrativo. As presentes premissas, utilizadas pela DRJ como parâmetro para a manutenção dos autos de infração, demonstram que os Julgadores a quo não tiveram a devida diligência na análise e entendimento da atividade operacional dos Fundos de Investimentos Imobiliários. verificase o total descabimento da alegação de que todos os quotistas teriam conhecimento dos fatos supostamente simulados alegados no presente caso. Isto porque, conforme já demonstrado, tratamse de negócios jurídicos {(a) mútuo e (b) aquisição de quotas da Rádio Principal FM) praticados entre particulares (apenas entre a POII e Sr. o Sebastião), utilizados para justificar a transferência de recursos do Sr. Sebastião para a POII. Não há, nesses negócios jurídicos, qualquer ingerência por parte dos demais quotistas. Ao prevalecer tal premissa, seria necessário admitir, por exemplo, que numa sociedade por ações, todos os acionistas minoritários teriam pleno conhecimento dos atos praticados pelo acionista controlador e pelo adquirente, numa eventual alienação de participação societária. Assim sendo, conforme legislação vigente, qualquer transação de transferência de quotas entre particulares não depende de aprovação prévia dos demais quotistas ou do administrador, bastando a materialização da vontade destes para concretização da transação (o que se verifica nas ordens de transferência de quotas dadas pela POII ao agente custodiante). Fl. 3389DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.389 17 Portanto, verificase que além não haver simulação na transferência de quotas, todas as demais premissas firmadas pela DRJ são falsas, pois mesmo que tivesse ocorrido eventual fraude ou simulação nessa transferência de quotas, o que se alega apenas a título argumentativo, fato é que nem a administradora nem os demais quotistas poderiam impedila, ou precisariam com ela anuir de qualquer forma. Alega, também, por fim ainda a ausência de responsabilidade pela multa agravada de 150%, uma vez que, se existente alguma fraude, esta foi praticada pelo quotista Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda. Destarte, em razão do caráter personalíssimo da multa, somente este pode ser responsabilizado, jamais o Fundo de Investimento. Alega também a impossibilidade do Fisco questionar a legalidade da transferência das quotas, uma vez que transcorrera o prazo de decadência/preclusão de cinco anos contados do fato 'originário' da cessão de quotas'" Afirma também o decurso do prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários com base na regra do art. 150, §4° do CTN. No mérito, defende a iliquidez e incerteza dos créditos tributários lançados, pois ao adicionar as vendas canceladas ao lucro líquido de 2004 e 2005, o autuante terminou por oferecer à tributação as vendas que foram realizadas em 2003 ou em anos anteriores, o que não se pode admitir, já que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre a ocorrência do suporto fato infracional (não oferecimento à tributação das receitas ocorridas em 2003) e a lavratura dos autos de infração em questão, que somente ocorreu em 24/09/2009" Relativamente ao PIS e COFINS não cumulativos alega que as receitas das vendas canceladas não integram a base de cálculo da exação, conforme previsão do art. 3° das Leis n.° 10.637/2002 e 10.833/2002, respectivamente. Afirma que o fiscal deixou de deduzir da base da tributação os custos concernentes à venda de imóveis nos anoscalendários de 2004 e 2005 (regime da nãocumulatividade), bem assim outros créditos, a exemplo da aquisição de bens e serviços para revenda. Assevera que mesmo admitido como possível a tributação do Fundo como pessoa jurídica, a Fiscalização deveria ter atribuído aos rendimentos pagos aos quotistas a natureza de dividendos, os quais são isentos do IRPJ, nos termos do art. 10 da Lei n.° 9.249/95. Dessa forma, afirma que como não há incidência do IRPJ sobre os rendimentos pagos pela pessoa jurídica aos sócios quotistas, o IR/Fonte retido foi realizado indevidamente, motivo pelo qual requer o reconhecimento do direito de aproveitamento do crédito decorrente desse pagamento indevido em favor dos sócios quotistas. Defende, por fim, a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, por falta de previsão legal, eis que os regramentos de regência determinam unicamente a incidência de juros sobre tributos. RECURSO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Em fase recursal o responsável solidário (POII) muda substancialmente o seu tema de defesa. Na fase impugnatória, conforme já detalhadamente relatado, sua defesa restringiuse a questões de mérito do auto de infração e na tentativa de desqualificação da simulação. Em fase recursal limitase fundamentalmente a tentar provar a sua ilegitimidade para constar do pólo passivo da exigência tributária como responsável tributário, bem assim na Fl. 3390DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.390 18 questão meritória, insurgese contra o indeferimento da diligência, nos termos que serão melhor explicitados no voto. Contrarrazões da PGFN fls. 2823/2863. É o relatório. Fl. 3391DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.391 19 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos do contribuinte (Fundo de Investimento ImobiliárioFII) e do responsável solidário (Paulo Octávio Investimento Imobiliário – POII) preenchem os requisitos de admissibilidade. Cabe esclarecer, primeiro, que apesar de os temas abaixo terem sido defendidos ora pela Recorrente, ora pelo responsável solidário, serão tratados como um todo, cabendo a indicativa do autor do discurso somente quando esse fato for relevante. DELIMITAÇÃO DA LIDE Como se verá mais adiante no voto considerouse preclusa a matéria relacionada a inclusão do responsável tributário no pólo passivo da obrigação tributária, pois este em sede impugnatória não contestou tal matéria, vindo a fazêlo apenas em sede recursal. Portanto, tal matéria está fora da lide. DECADÊNCIA Em relação à decadência, faço uso da tese jurisprudencial adotada pelo STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, §4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento ou diante de fraude, dolo o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ, que na essência foi seguida pela DRJ para todos os impostos, inclusive para o caso que se cuida, o IRRF: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ..... 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária – tributo sujeito a lançamento por homologação – cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o Fl. 3392DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.392 20 acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. ..... 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1120220 / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 3393DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.393 21 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). ..... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A Recorrente alega que a tese do STJ não se aplica ao caso concreto, uma vez que o precedente invocado no r. aresto recorrido (REsp n° 963.820/SC) é inaplicável ao presente feito, em função de não haver similitude entre a base fática do julgado paradigma com a do caso ora em julgamento. Segundo ela, seriam situações totalmente diversas. Uma coisa seria não proceder ao pagamento antecipado de tributos por não estar obrigado por lei a fazêlo (por estar amparado por isenção fiscal, por exemplo); outra coisa, bem diferente, é não proceder ao pagamento antecipado de tributos mesmo estando obrigado por lei a fazêlo. Na primeira hipótese está inserido o FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO SUPERQUADRA 311 NORTE; na segunda, se encontra o contribuinte do caso concreto julgado pelo STJ. Não procede tal raciocínio. A regra estabelecida pelo STJ se aplica de forma objetiva e generalizante para todos os casos da forma já acima explanada. Os parâmetros são apenas se houve ou não pagamentos; se houve ou não fraude o dolo. No caso concreto, não houve pagamentos, não importando o motivo que deu azo a esse ensejo. A regra não está penalizando mais ou menos o contribuinte que por exemplo estaria isento, mas sim dando um prazo maior na ausência para o fisco constituir o crédito tributário caso esse parâmetro (pagamentos) não ocorra. Só isso. Ademais, no caso concreto nem mesmo esse “escudo” a Recorrente em tese poderia se valer, pois justamente se trata de auto de infração em período em que não mais estaria coberto pela isenção, daí a necessidade de constituição do auto de infração por falta de pagamento. Despiciendo analisar a questão do dolo ou fraude nesse momento, uma vez que, não havendo pagamentos, mantémse a regra do art. 173, I do CTN o que de plano afasta a decadência nos termos já traçados pela DRJ. Porém, como se verá mais adiante neste voto, a recorrente entraria de qualquer forma na regra do 173,I do CTN em função da presença do dolo e da fraude presente na simulação. Portanto, afasto a decadência Perícia/Diligência O responsável tributário requer a realização de diligência bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Nesse ponto reproduzo as bem colocadas razões de decidir da DRJ que para justificaram bem a negativa de se baixar o feito em diligência: O pleito de diligência formulado mostrase, de plano, inviabilizado, pelo fato de a própria Administradora do Fundo, que, segundo o artigo 16, inciso V, do Regulamento do Fundo ( fl. 15), é responsável pelos registros contábeis das operações e do patrimônio do Fundo, bem como de manter a documentação relativa aos imóveis e às operações, intimada a prestar informações, que incluiriam as Fl. 3394DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.394 22 destacadas pelo responsável solidário, requeridas para fins de apuração do Lucro Real e das bases de cálculo do PIS e COFINS, nos termos do detalhamento constante dos itens 4, 5 e 6 (fls. 1.388 e 1.389) do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, já se recusou a prestar as informações solicitadas, alegando não estar sob obrigação legal para fazêlo, in verbis: “Sendo assim , a Rio Bravo jamais elaborou ou transmitiu qualquer documento fiscal ou contábil considerando a tributação dos rendimentos do FII Superquadra pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos termos da Lei nº 9.430/1996, tal como solicita a fiscalização, uma vez que, conforme disposto na legislação aplicável a fundos de investimentos imobiliários, a elaboração de tais documentos não se encontra no rol de obrigações dos administradores destes tipos de fundos.” (...) “Desta forma, entende a Rio Bravo não ser possível o cumprimento da intimação contida no Termo de Constatação e de Intimação ora respondido (...).” (fl. 1.392). Em razão dessa resposta, decidiu a autoridade proceder ao lançamento fiscal com base nos documentos e registros contábeis do Fundo então já disponíveis. Assim, rejeitase o pedido de diligências formulado. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. Por fim, alegou a empresa que ela não teria responsabilidade por problemas gerados por terceiros (autuado), cabe salientar que essa situação infelizmente faz parte do instituto da responsabilidade solidária. A Recorrente foi arrolada com responsável tributário não por ter dado causa ao fato gerador ou têlo descumprido, ou como no caso concreto, não ter apresentado as provas necessárias para o aproveitamento do crédito, mas sim por motivos outros que pode ser uma situação de fato ou de direito que a Lei traça em abstrato e que colhe terceiros como responsáveis tributários para garantir o crédito tributário perante a Fazenda Nacional. Portanto, indefiro o pedido de perícia e diligência. Mérito Conforme relatado, segundo a fiscalização o Fundo de Investimento Imobiliário Superquadra 311 Norte se utilizou de pessoa interposta, Sr. Francisco Sebastião Ferreira Sobrinho, para através de aparente transferência de quotas do quotista Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda para a referida pessoa física, evitar a incidência da norma prevista no art. 2° da Lei n.° 9.779/99, a qual determina que se sujeita à tributação aplicável às pessoas jurídicas o Fundo de Investimento Imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isolada ou conjuntamente, mais de 25% das quotas do Fundo. Passase a contextualizar melhor essa importante questão: Até o da Lei n.° 9.779/99, os rendimentos e ganhos de capital decorrentes de Fundos de Investimentos Imobiliários, regulados pela Lei n.° 8.668/93, eram isentos do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, assim como de Imposto de Renda: Fl. 3395DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.395 23 Art. 16. Os rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos Fundos de investimento Imobiliário ficam isentos do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, assim como do Imposto sobre a Renda e Proventos de qualquer natureza". Com a edição da Lei n.° 9.779/98 essa isenção ficou condicionada ao fato do fundo de investimento não ter como sócio, incorporador ou construtor, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo: Art. 2°. Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas, o fundo de investimento imobiliário de que trata a Lei no 8.668, de 1993, que aplicar recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. Na hipótese dos autos, o FII, constituído em 18.09.98 tinha a seguinte composição: Quotistas N° de Quotas Participação Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda. 304.770 60,00% CONBRAL S/A Construtora Brasília S/A 101.590 20% Fundação dos Economiários Federais FUNCEF 101.590 20,00% Total 207.950 100,00% A partir do farto conjunto probatório coligido pelo autuante é de concluir mesmo que as operações realizadas (contrato de mútuo e aquisição de quotas do Fundo de Investimento Imobiliário) ocorreram de forma simulada, sem qualquer propósito negocial a não ser fraudar a incidência da norma prevista no art. 2° da Lei n.° 9.779/99. E para isso se valeu de interposta pessoa, Sr. Francisco Sebastião Ferreira Sobrinho que serviu como ponto chave para consolidar a aparente transferência de quotas do quotista Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda para a referida pessoa física, evitando assim a incidência da norma. É de se ver. Passemos para isso a tratar agora dos indícios convergentes muito bem delineados pela fiscalização a indicar a simulação e falta de propósito negocial do contrato de mútuo , objetivando a transferência de cotas do quotista majoritário, incorporador/construtor para pessoa física ligada (Sr. Francisco Sebastião Ferreira Sobrinho), fugindo assim da tributação da novel legislação: É inconteste que a POII LTDA detinha 60% (fls. 1.858 e 1.861) das quotas do Fundo, imediatamente antes do aparecimento da nova legislação que mudou as regras do jogo em relação à isenção (art. 2° da Lei n.° 9.779/99). Também é verdade que partir de contrato de mútuo sem substância, celebrado entre o quotista Paulo Octávio Investimento Imobiliários Ltda (mutuante) e Francisco Sebastião Ferreira Sobrinho (mutuário), teve como único propósito a disponibilidade de recursos para aquisição de quotas do Fundo de investimento e essas quotas de titularidade do mutuante foram paulatinamente sendo Fl. 3396DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.396 24 transferidas à pessoa física do mutuário, de forma a manter participação daquele abaixo do percentual de 25%, senão vejamos: PAULO OCTÁVIO 1NVES. IMOBILIÁRIOS L'IDA SEBASTIÃO LUÍS FERREIRA SOBRINHO Data da integralização / transferência N° do quotas integralizadas N° quotas transferidas Saldo acumulado % N° quotas integralizadas do fundo N° de quolas adquiridas daP.O Saldo acumulado % N° quotas integralizadas do fundo 18/09/98 1.260 1.260 60,000% 0,000% 30/10/98 4.822 6.082 60,004% 0,000% 30/12/98 3.883 5.814 4.151 24,989% 5.814 5.814 35,001% 30/01/99 4.352 2.539 5.964 24,991 % 2.539 8.353 35,001% 28/02/99 5.186 3.026 8.124 24,990% 3.026 11.379 35,003% 30/04/99 5.618 3.277 10.465 24,993% 3.277 14.656 35,003% 30/05/99 5.618 3.277 12.806 24,995% 3.277 17.933 35,001% 30/06/99 8.884 5.182 16.508 24,997% 5.182 23.115 35,001% 30/07/99 9.361 5.461 20.408 24,997% 5.461 28.576 35,002% 30/08/99 11.729 6.843 25.294 24,996% 6.843 35.419 35,002% 30/09/99 14.220 8.295 31.219 24,997% 30/Î0/99 9.440 5.507 35.152 24,997% 30/11/99 3.036 1.771 36.417 24,997% 30/11/99 11.600 6.767 41.250 24,997% 30/12/99 3.420 1.995 42.675 24,997% 30/12/99 9.946 5.802 46.819 24,997% 30/01/00 5.700 3.325 49.194 24,998% 30/01/00 7.338 4.280 52.252 24,998% 29/02/00 10.693 6.237 56.708 24,998% 29/02/00 4.158 2.426 58.440 24,998% 30/03/00 14.278 8.329 64.389 24,998% 30/04/00 7.476 4.361 67.504 24,999% 30/05/00 3.324 1.939 68.889 24,999% 30/06/00 2.580 1.505 69.964 24,999% Fica claro que tais operações tiveram como finalidade única manter a participação do quotista majoritário e também incorporador, Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda, abaixo do patamar previsto no art. 2° da Lei n.° 9.779/99, impedindo, assim, a tributação sobre os rendimentos e ganhos de capital do Fundo de Investimento. Também ficou provada que interposta pessoa, Sr. SLFS, era funcionário de carreira da empresa POII Ltda há mais de dez anos e, na ocasião da transferência das quotas, ocupava o cargo de confiança de "encarregado de tesouraria". Em que pese ter o Sr. SLFS atestado, mediante recibos (fls. 553 a 574), o recebimento de recursos financeiros da POII LTDA, a análise da escrituração da empresa POII LTDA evidenciou que não teria havido nenhuma disponibilização de recursos ao Sr. SLFS. verificandose que a transferência de quotas não transitava por nenhuma conta de disponibilidade financeira (caixa, bancos etc), mas simplesmente havia uma permuta do valor das quotas transferidas entre as contas de ativo representativas das quotas integralizadas a própria POII LTDA, em resposta ao pedido de esclarecimento se teria havido efetiva disponibilização de recursos financeiros (fl. 1.631), confirmou (fl. 1.636) que "o mútuo foi disponibilizado ao Sr. Sebastião através das cotas do Fundo de Investimento Imobiliário Superquadra 311 Norte"; O mecanismo era simulado de forma a fechar uma operação bem casada: os rendimentos oriundos do Fundo eram recebidos pelo Sr. Sebastião e, simultaneamente, repassados à empresa Paulo Octávio: "[...] verificase que o Sr. Sebastião começou a receber valores oriundos do FIISQN 311, a título de distribuição de rendimentos e amortização de quotas, a partir do mês de Fl. 3397DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.397 25 fevereiro de 2002. A partir dessa mesma data, começaram também os repasses dos valores recebidos do Fundo, à empresa Paulo Octávio, a título de quitação do 'mútuo' discriminado anteriormente". "[...] Logo, do total recebido pelo Sr. Sebastião do Fundo, como amortização de quotas e distribuição de rendimentos (R$ 25.285.610) foram desembolsados a título de repasse à empresa Paulo Octávio e de encargo de CPMF o equivalente a 99,15% (R$ 25.070.641,43) ". o vencimento, segundo instrumento contratual, ocorreu em 25 de janeiro de 2001, porém o pagamento do empréstimo somente teve início em fevereiro de 2002, "coincidentemente" na mesma data em que os rendimentos do Fundo começaram a ser distribuídos ao Sr. Sebastião, mostrando mais uma vez a simulação do mecanismo utilizado. Causa grande estranheza também, fugindo dos padrões convencionais, a concessão de empréstimo por parte de um empresa, de vultosa soma dinheiro, no caso, de R$ 17.778.250,00, em 30/09/98 (fl. 500), a um seu funcionário de tesouraria, cujo salário mensal, na data em que foi exonerado, em 02/05/2001, era de R$ 4.118,14 (fl. 1.651) reforçado ainda o item o anterior o fato de o mutuário não tinha qualquer autonomia ou poder de disposição quer do montante do empréstimo, quer das quotas para cuja aquisição se destinava, no percentual de 35%, pois que lhe era vedada a venda ou qualquer ato, conforme a cláusula quinta do contrato (fl. 499), a seguir reproduzida, que viesse a onerar ou indisponibilizar as quotas adquiridas. CLÁUSULA QUINTA DAS GARANTIAS O MUTUÁRIO oferece à MUTUANTE, como garantia do presente empréstimo, as mesmas quotas do Fundo Imobiliário que ora se propõe a adquirir, sendolhe vedado, sem prévia e expressa anuência da MUTUANTE, a sua negociação, venda, consignação, concessão em garantia ou qualquer outro ato que possa onerar ou indisponibilizar as cotas de sua propriedade. Esta vedação se tornará automaticamente nula após a total quitação do presente mútuo. (fl. 499) Como se sabe, um dos mecanismos que acontecem em uma operação simulada é a necessidade peremptória que os agentes tem de terem que desfazer certos efeitos indesejados pelas simulação. São os chamados mecanismos neutralizadores. Bem se vê que a cláusula acima limitando a autonomia do mutuário bem se encaixa nesse contexto. Outros fatores apontam ainda para caracterizar o mútuo como fictício e sem substância alguma: apesar de o empréstimo ter vencido em 25/01/2001, os pagamentos somente iniciaram em 02/2002, quando o Sr. SLFS começou a receber os rendimentos oriundos de suas quotas. A teor de respostas obtidas com respeito a saldo devedor e atualização do empréstimo (fls. 1.598, 1.613 a 1.615, 1.797, 1.850 a 1.853, 1.901), os pagamentos só terminariam com a liquidação do Fundo, estando evidenciado que as taxas de juros, nos demonstrativos apresentados, eram fixadas unilateralmente, com o objetivo de aproximar o saldo devedor do empréstimo, dos valores recebidos a título de amortização e quotas e rendimentos do Fundo pelo Sr. SLFS. intimada sobre o assunto, a empresa POII LTDA informou que hão teria havido formalização do pagamento do empréstimo (fl. 1.797, item 1); constatouse, ainda, que, consoante mostrado no Anexo I "Participação dos Quotistas no FII SQN 311, conforme Atas das Assembléias" (fls. 1.895 a 1.897), o quotista POII LTDA detinha, no anocalendário de 2004, até 15/06/2004, 41% do capital subscrito, e, por isso, o Fundo já estaria, apenas por este fato, sujeito à tributação aplicável às pessoas jurídicas em geral, uma vez que o artigo 2o da Lei 9.779/99, ao se referir a "quotas de fundo" não especifica se seriam subscritas ou integralizadas; no que tange às quotas integralizadas, o referido quotista detinha 24,999% em virtude do mencionado contrato de mútuo; Fl. 3398DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.398 26 Fica bastante claro que os valores elevados do referido empréstimo e a não formalização das condições de pagamento (sem fixação de parcelas, taxas de juros mensais, multas e outros) revelam grande confiança entre as partes envolvidas, não comum em transações semelhantes nos mercado em geral, que pressupõe partes autônomas e independentes. O que ficou cristalinamente demonstrado é que o quotista/incorporador POII LTDA nunca teve, na prática, a intenção de alienar mesmo as quotas que detinha no Fundo de Investimentos, muito menos o Sr. Sebastião de realizar o contrato de mútuo para obtenção de recursos financeiros com o fim de participar do referido Fundo. Diante desses fatos, a mesma estranheza causada ao fiscal, de fato não poderia ser respondida com algo substancial mesmo: “Como se percebe, este contrato de mútuo, no mínimo, causa estranheza, pois qual a razão de uma pessoa efetuar empréstimo a outrem para esta adquirir especificamente um determinado bem da própria pessoa que emprestou os recursos?” A construtora POII LTDA caracterizase como verdadeiro outorgado dos direitos provenientes das quotas, sendo o Sr. SLFS mero artifício utilizado, como interposta pessoa, para encobrir o beneficiário real; ainda, o negócio de alienação e transferência de quotas do Fundo, da construtora POII LTDA para o Sr. SLFS não possuiria propósito negocial, vez que teve como único objeto manter a participação do quotista POII LTDA inferior a 25%; o próprio Sr. SLFB declarou que "o motivo do empréstimo foi tãosomente a aquisição de quotas do fundo imobiliário (...), certo ainda que os valores referentes foram diretamente entregues ao fundo". Esse abuso de formas, descamba um abuso de direito, simulação ou fraude à lei. O Fiscal aponta o ocorrido como sendo uma simulação. Porém, a descrição dos fatos nem precisava chegar a uma conclusão perfeita sobre o instituto aqui utilizado (fraude à lei, simulação, abuso de direito, abuso de formas ou mesmo uma combinação deles), uma vez que não há uniformidade de entendimento a respeito desses metaconceitos por demais abstratos, e uma mínima diferença de concepção em um instituto afeta o entendimento do outro, acarretando conclusões díspares no caso concreto. O que importa é que os fatos estejam narrados de uma forma tal que o julgador possa inferir deles os institutos, se for o caso, e não que o fiscal diga precisamente que instituto é esse que está sendo aplicado, pois o que importa é que qualquer que sejam eles, os efeitos dos negócios jurídicos contornados ou simulados não são oponíveis ao fisco. Entretanto, o fiscal deve atribuir as conseqüências tributárias pertinentes de forma a e dar a melhor conformação possível a esse negócio jurídico situandoo diante das leis e do ordenamento jurídico. E a meu juízo, foi o que o fiscal fez perfeitamente na medida em que deixou bem claro que o Mutuante, a POII Ltda, fez foi dar aparência de transferência de quotas, ato, que, pelos termos contratuais impostos, não teve como conseqüência a transmissão efetiva do direito de propriedade das quotas, já que o mutuário não poderia delas dispor. Foi negócio aparente, sem propósito real, se não manter a empresa POII Ltda, no papel, com participação inferior a 25% das quotas do FII SQN 311, com a pretensão de, assim, não estar sujeita às obrigações tributárias impostas pelo artigo 2o da Lei 9.779/99. E nesse mister, a própria recorrente em seu recurso confessa categoricamente na tentativa de justificar a licitude do mesmo, que de fato perpetrou os atos ora em questionamento apenas como intuito de manter a situação jurídica anterior à mudança legislativa: Querse, com isso, dizer que, diante da não conservação do regime tributário inaugural da Lei n° 8.668/93 para os fundos de investimento imobiliário instituídos antes da edição da Lei n° 9.779/99, e considerando a jurisprudência administrativa que à época avalizava e privilegiava o Princípio da Estrita Legalidade em casos de planejamento tributário, a Recorrente foi forçada a adequarse à nova ambiência regulatória, para assim preservar os legítimos interesses de todos os quotistas do Fl. 3399DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.399 27 fundo, daí originando o negócio jurídico travado licitamente com o Sr. SEBASTIÃO LUIZ FERREIRA SOBRINHO. No caso concreto, apenas para argumentar, mesmo que consideremos verdadeira a premissa de que os "atos negociais" praticados pela Paulo Octávio Investimento Imobiliário e o Sr. Sebastião Luis, de fato existiram, isso não afasta a possibilidade de considerálos como simulados, se observado que seus substratos não condizem com as finalidades dos institutos utilizados e até por esse motivo a situação se aproxima da chamada “Fraude à lei”. Em resumo, a Simulação no caso está bem caracterizada e se apóia em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Responsabilidade tributária – Paulo Octávio Ltda PRECLUSÃO Em primeiro lugar, há de se dizer que os indícios convergentes acima apontados serve como uma luva também para demonstrar a pertinência do quotista Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda ser considerado responsável tributário no caso concreto, bem assim com interesse comum na interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ex vi art. 124, I do CTN, sendo despiciendo tecer considerações adicionais a esse respeito. Porém, como tal matéria (exclusão do responsável tributário Paulo Octávio Ltda do pólo passivo) não foi questionada na fase impugnatória, considerase matéria preclusa, não fazendo parte da lide e definitivamente constituída na instância administrativa. Da Responsabilização do Fundo de Investimento Imobiliário Superquadra 311 Norte pelos atos praticados pela empresa Paulo Octávio A Recorrente adiciona novo argumento em seu recurso no sentido de que mesmo em se admitindo a ocorrência da fraude, o FII não poderia ser responsabilizado pelos atos da Paulo Octávio Investimentos Imobiliários e do Sr. Sebastião, vez que não houve qualquer ingerência por parte dos demais quotistas no negócio jurídico efetivado. Para tanto alega que a transação de transferência de quotas entre particulares não depende de aprovação prévia dos demais quotistas ou do administrador, conforme Instrução CVM n.° 205/94. Como bel colocado pela decisão de piso, o Fundo de Investimento, mesmo que não possua personalidade jurídica (art. 1°, caput, da Lei n.° 8.668/93), pratica atos pelos quais responde através da Administração do Fundo e da Assembléia Geral dos Quotistas (Lei n.° 8.668/93). Assembléia Geral dos Quotistas, conforme o art. 21 do Regulamento do Fundo tem como competência privativa examinar, anualmente, as contas do Fundo e deliberar sobre as demonstrações financeiras apresentadas pela Administradora. O art. 41, II, da Instrução Normativa n.° 205 da CVM, de 1994, também dispõe que constituirão encargos do Fundo as "taxas, impostos ou contribuições federais, estaduais, municipais ou autárquicas que recaiam ou vierem a recair sobre os bens, direitos e obrigações que compõem o patrimônio do Fundo". O próprio regulamento do FUNDO em seu art. 29 indica os tributos como de responsabilidade do Fundo: DAS DESPESAS E ENCARGOS DO FUNDO Fl. 3400DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.400 28 Art. 29 Constituem encargos do FUNDO as seguintes despesas que • lhe serão debitadas peia INSTITUIÇÃO ADMINISTRADORA: (...) II. as taxas, impostos, ou contribuições federais, estaduais, municipais ou autárquicas, que recaiam ou venham a recair sobre os bens, direitos e obrigações do FUNDO; Ora, é clarividente que o favorecido pelo negócio fraudulento foi o próprio Fundo de Investimento Imobiliário, e por conseqüência, todos os quotistas, uma vez que o Fundo autuado deixou de sujeitarse à tributação aplicável as demais pessoas jurídicas, nos termos da Lei n.° 9.779/99. Este fato, é o tanto quanto basta para imputar a responsabilidade do Fundo pelos tributos que deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos, uma vez que a própria Lei n.° 9.779/99 é clara ao atribuir ao Fundo a condição de responsável principal pelas obrigações tributárias. Diz expressamente o art. 2° desse diploma legal: "Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas, o fundo de investimento imobiliário [...]". Por tudo, não restam dúvidas de que o Fundo é o sujeito passivo da obrigação tributária obrigado pelo pagamento dos tributos. Supostos erros na apuração da base de cálculo Repisa os tópicos trazidos anteriormente na fase impugnatória, contestando como pretensos erros materiais praticados no lançamento a não utilização dos créditos de PIS e COFINS relativos aos custos; a adição indevida às bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de vendas canceladas; e, por fim, o não abatimento de IRRF recolhido sobre dividendos pagos, nos tributos lançados. Vejo que todos esses tópicos foram muito bem enfrentados e respondidos pela DRJ, a cuja decisão me filio, traçando abaixo algumas considerações adicionais. Alega a Recorrente que o autuante não observou o cumprimento da sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS e acabou infringindo os artigos 3o, incisos II, § 3o, incisos II c III, das Leis n°'s 10.637/03 e 10.833/03. A esse respeito, restou assentado no acórdão recorrido: Com respeito à afirmativa de que a autoridade não teria deduzido os créditos de PIS e COFINS relativos aos custos e a outros insumos, impende observar que, à semelhança do ocorrido com a apuração do 1RPJ e CSLL, a autoridade esclarece no Relatório de Verificação Fiscal (fl. 1.888) que, tendo intimado o contribuinte autuado a apresentar planilha indicando todos os imóveis vendidos cujos preços foram recebidos em 2004 e 2005, com o custo de cada imóvel, nada foi apresenta do. Assim, informa a autoridade, ficou impossibilitada de aplicar o que prevê a legislação fiscal no que tange à utilização dos créditos relativos aos custos, no regime de não cumulatividade (art. 4o, caput e parágrafo 3o, c/c o artigo 16, todos da Lei n" 1'0.833/'2003), bem como o crédito presumido. 29. O procedimento adotado pela autoridade em não considerar os eventuais créditos relativos aos custos foi legítimo, pois possui respaldo no artigo 79 do Decretolei 5.844/'03, reproduzido no artigo 845 do RIR/99, a seguir transcrito, que estipula que, na falta de esclarecimentos por parte do contribuinte, o lançamento não deve considerar as parcelas objeto do pedido de esclarecimento." Fl. 3401DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.401 29 A decisão de piso ratificou acertadamente o procedimento adotado pela autoridade lançadora, pois quando intimado a prestar esclarecimentos sobre os custos de cada imóvel cujos preços foram recebidos em 2004 e 2005, para fins de apuração dos respectivos créditos, não apresentou os dados solicitados, razão pela qual a autuação baseouse nos dados até então disponíveis. O art. 845 do RIR/99 é bem claro quanto aos efeitos de não se prestar os esclarecimentos pertinentes: Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 2 5.844, de 1943, art. 79): (...) II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; § 2 Na hipótese de lançamento de ofício por falta de declaração de rendimentos, a não apresentação dos esclarecimentos dentro do prazo de que trata o art. 844 acarretará, para as pessoas físicas, a perda do direito de deduções previstas neste Decreto (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 79, § 22). (destaquei) (...) A empresa apresentou apenas parte do que fora solicitado, segundo consta do TVF, o que foi completamente insuficiente: Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal LS n° 03/2009 (fls. 1221 a 1223 e 1316 a 1325), a fiscalizada apresentou relação dos imóveis vendidos e respectivos custos, nos anoscalendário de 2004 e 2005. Porém, é preciso contextualizar melhor a questão, o que não feito adequadamente pela Recorrente. É que tais informações não seriam suficientes para a concessão do crédito. Havia necessidade de informações mais detalhadas a respeito da forma de pagamento e de como se deram os recebimentos ao longo do tempo e não tão somente o custo em si. E nesse ponto, a Empresa não apresentou mesmo mais nada, nem na fase inquisitorial, nem na fase de defesa (impugnatória e recursal). Eis os termos adicionais do TVF que contextualiza melhor a questão: Através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal LS n° 06/2009 (fls. 1387 a 1390), solicitouse à fiscalizada que elaborasse planilha referente a todos os imóveis vendidos e cujos preços foram recebidos nos anoscalendário de 2004 e 2005 (a vista ou de forma parcelada), contendo: a data da venda, a identificação do imóvel, o preço da venda, o custo, e o valor recebido em cada um dos .eses dos anos de 2004 e 2005. Em resposta, a fiscalizada nada apresentou coliforme já transcrito neste Relatório. Dessa forma, esta Fiscalização ficou impossibilitada de aplicar, para a fiscalizada, o disposto na legislação fiscal para a utilização dos créditos incorridos após o início da nãocumulatividade (art. 4o caput e § 3o da Lei n° 10.833/2003 c/c o art. 16 da mesma Lei) e do crédito presumido (art. 12 caput e § 4o c/c art. 16 ambos da Lei 10.833/2003). (destaquei) Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.402 30 Se entende a defesa que a verdade material não foi alcançada, se não fez na época oportuna, deveria no mínimo ter tentado trazer ao processo elementos probantes do contrário, não sendo bastante suficiente a apresentação de incompletas de dados, pois para caracterizar a prova não é bastante trazer aos autos informações de forma desarticulada e incompletas, como fez a recorrente na fase inquisitorial. A propósito, sobre a apresentação de provas e conforme jurisprudência deste Conselho, a prova deve estar perfeitamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, mas sim da recorrente. E isso ele não fez, repitase novamente, nem na fase inquisitorial quando lhe foi solicitado, nem na fase impugnatória e nem agora na fase recursal. Em relação ao não abatimento das retenções de IR na fonte que o fundo efetuou por ocasião dos pagamentos, penso que esse seja o espaço apropriado para esse pleito, de todo modo cabe reproduzir a decisão de piso que muito bem apontou o cerne da questão: Quanto à demanda que faz com respeito ao tratamento de "recolhimento indevido" que a autoridade deveria ter dado às retenções de IR na fonte que efetuou por ocasião dos pagamentos feitos aos quotistas, impende esclarecer que se algum direito existir para o aproveitamento desses recolhimentos como créditos em face do Fisco, tal direito pertence aos quotistas, cujos rendimentos foram taxados. Tais quotistas é que arcaram com o ônus do tributo, não o contribuinte autuado. Portanto, falece legitimidade ativa ao contribuinte autuado para pleitear o eventual aproveitamento dos referidos recolhimentos no presente lançamento. Outrossim, de fato, o art. 10 da Lei n.° 9.249/95 estabelece que "Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior". Vendas canceladas A esse respeito a Recorrente traz contestações genéricas e não adentra o méritos dos cálculos de apuração efetuados pela autoridade, arguindo apenas que os valores de "vendas canceladas" (receitas de exercícios anteriores canceladas no exercício corrente) não poderiam ser oferecidos à tributação porque se refeririam a receitas de períodos anteriores quando gozava da isenção prevista no artigo 16 da Lei 8.668/93. Mesmo assim, a DRJ faz um esforço lógico para demonstrar que em tese a Recorrente não poderia ter mesmo esse direito ao abatimento por inexistir motivo para tal. Aponta uma contradição em seu discurso: Ora, é da lógica da contabilidade tributária que valores de "vendas canceladas" somente serem lançados a débito em conta de receitas, com redução de bases tributáveis, essas vendas canceladas tiverem sido tributadas no exercício atual ou em anteriores. Na hipótese dos autos, que referese a receitas de exercícios anteriores canceladas no exercício corrente, a redução da base tributável somente poderia se dar como compensação para a tributação ocorrida nos exercícios anteriores. Caso não seja esta a situação, a exclusão dos referidos valores representará redução indevida, por inexistir motivo para compensação, não somente da base de cálculo do PIS e COFINS, reduzindo o faturamento, como também da base de cálculo do IRPJ e CSLL, via diminuição do lucro líquido contábil. 23. O contribuinte autuado não provou que os valores de 'vendas canceladas" em questão foram tributados em anos anteriores, sendo que, pelo contrário, confirma o fato ao afirmar que não ofereceu tais valores à tributação Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.403 31 porque gozava da isenção concedida pelo artigo 16 da Lei 8.668/93 {"Os rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos Fundos de Investimento Imobiliário ficam isentos do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, assim como do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza "). Portanto, a não tributação de tais vendas em exercícios anteriores lhe retira o eventual direito à exclusão dos respectivos valores na apuração dos tributos devidos dos anos calendário de 2004 e 2005. Novamente há de sublinhar a respeito da apresentação de provas. Conforme jurisprudência deste Conselho, a prova deve estar perfeitamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, mas sim da recorrente. E isso ele não fez nem na fase impugnatória e nem agora na fase recursal. Em fase recursal, a Recorrente é mais silente apenas preocupandose em afirmar que vendas canceladas não entram na base de cálculo do tributo. De fato, não entra. Mas, como já se disse para ter esse direito a exclusão, no mínimo a base tem que tinha que ter sido tributada o que não aconteceu. Multa qualificada Sobre os valores de tributos e contribuições apurados foi aplicada acertadamente a multa qualificada de 150% conforme previsto no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, que se refere aos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. De fato, houve ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que configura fraude, tendo em vista que o suposto empréstimo celebrado entre a construtora POII Ltda e o Sr. SLFS e que envolveu a transferência de quotas do FII SQN 311, teve como objetivo apenas afastar a incidência do artigo 2o da Lei 9.779/99 e, o mais importante, deixando evidenciado aqui o dolo, o Sr. SLFS funcionou como interposta pessoa de POII Ltda, situação esta que se enquadra no artigo 167, caput e parágrafo 1ª, inciso I do Código Civil, como simulação por interposição de pessoa. Defende ainda o Fundo recorrente a ausência de responsabilidade pela multa qualificada, visto que a "suposta fraude" foi praticada pelo quotista majoritário Paulo Octávio Investimentos Imobiliários. Assim, em razão do caráter personalíssimo da multa somente este pode ser responsabilizado pela multa agravada no percentual de 150%. Com efeito, o princípio da personalização da pena, segundo o qual a punição não deve passar da pessoa do infrator, se refere unicamente às penas intransmissíveis, dispostas nas leis penais, que são aquelas que possuem como característica a "corporalidade", ou seja, tratam de punições corporais. O Supremo Tribunal Federal já se posicionou nesse mesmo sentido, no Recurso Extraordinário n.° 83.613/SP: RE 83613 / SP "[...] A multa punitiva no Direito Tributário, que se distancia de outros ramos da Ciência Jurídica principalmente por sua autonomia dogmática, revestese de natureza patrimonial, não lhe aproveitando o aceno à aplicação da norma superior de personalização, consentânea com os princípios do Direito Penal." Ademais, as multas, conforme o art. 113 do CTN, são obrigações tributárias e o sujeito passivo é tanto responsável pelo pagamento da obrigação principal como acessória (art. 121, CTN). Fl. 3404DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.404 32 Dessa forma, o Fundo de Investimento Imobiliário deve responder mesmo pela qualificação da multa de ofício aplicada na condição de sujeito passivo da obrigação tributária. Juros de mora sobre Multa de Ofício Insurgese a Recorrente contra a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Na defesa desse tese, geralmente se utilizam do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa estaria consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento da Recorrente no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se Fl. 3405DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.136 S1C4T1 Fl. 3.405 33 ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício. Lançamentos decorrentes Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa, nos casos em que não houve elemento de prova novo ou argüição de matéria específica. Por todo o exposto, rejeito as preliminares, afasto a decadência e nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3406DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001954/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS-
Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço.
Numero da decisão: 2301-003.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 19 54 /2 01 0- 47 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o inciso I, alínea “a”, do art. 30, da Lei 8.212/91, e art. 4, “caput”, da Lei 10.666/03, c/c o art. 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.34), da análise da documentação apresentada, verificouse a existência pagamentos a prestadores de serviço, pessoas físicas, consideradas pela fiscalização como sendo segurados contribuintes individuais, e a transportadores rodoviários autônomos, sem que houvesse sido realizado o desconto de contribuição devida pelo trabalhador, conforme determina o art. 216, I, “a”, da Lei de custeio da Previdência Social. A autoridade autuante anexa relatórios relacionando os prestadores de serviços, com data, valor e tipo de serviço realizado, incluindo os transportadores rodoviários autônomos, e esclarece que as informações detalhadas, bem como a documentação comprobatória da prática dolosa do contribuinte, encontramse no processo 11522.001798/201014, que discute o Auto de Infração principal. Segundo Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, a penalidade foi agravada tendo em vista a ocorrência da hipótese prevista nos incisos I e II do art. 290, do RPS. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0122.323, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 57), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 77), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Sustenta que, para a aplicação das penalidades gravosas, há que se provar a ocorrência de dolo, ou que efetivamente não foi feito, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Alega descabimento da multa regulamentar, argumentando que, não bastasse os valores lançados a título de multa de mora e de ofício, a autoridade fiscal lavrou, adicionalmente, outros 09 autos de infração, com a cobrança de multas isoladas, o que, segundo entende, possui efeito de confisco. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001954/201047 Acórdão n.º 2301003.352 S2C3T1 Fl. 83 3 Ressalta a peculiaridade da multa prevista na Lei 8.218/91, que não é calculada sequer sobre o valor do tributo que teria deixado de ser recolhido pelo contribuinte, mas sobre o faturamento, o que demonstra absoluta ausência de razoabilidade da penalidade aplicada. Observa que as diversas multas previstas nos arts 11 e 12, da Lei 8.218/91 não guardam qualquer parâmetro com as condutas que se pretende evitar, violando assim os princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Finaliza requerendo o conhecimento do Recurso Voluntário para que sejalhe dado provimento, com a reforma integral do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega decadência do direito de a autoridade cobrar créditos tributários relativos às competências anteriores a dezembro de 2005, a teor do disposto nos artigos 150, § 4o. Contudo, é objeto do presente processo administrativo o Auto de Infração aplicado por ter a Santista Distribuições Ltda descumprido a obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados a seu serviço. A penalidade pela infração transcrita acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de competências em que as contribuições devidas pelo segurado deixaram de ser arrecadadas pela empresa. Ou seja, basta o contribuinte deixar de arrecadar, mediante desconto de sua remuneração, apenas uma contribuição devida pelo segurado contribuinte individual que tenha lhe prestado serviços, em uma única competência não alcançada pela decadência, que estará configurada a infração.. Portanto, não há que se falar em decadência dos créditos lançados, já que ficou configurada infração em competências posteriores a 12/2005, ou seja, não alcançadas pela decadência prevista nos dispositivos legais citados pela recorrente. Ademais, como visto acima, tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, lançamento de ofício, caso em que se aplica a regra decadencial prevista no art. 173 do Código Tributário Nacional. Assim, não há que se falar em decadência. No mérito, a recorrente insurgese contra a aplicação das penalidades gravosas, entendendo que há que se provar a ocorrência de dolo, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Ora, mas tudo o que a fiscalização relatou no processo principal, de nº 11522001798/201014,demonstra o dolo, a intenção de sonegar tributo, por parte da recorrente. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001954/201047 Acórdão n.º 2301003.352 S2C3T1 Fl. 84 5 O fato de informar, em folha de pagamento e em GFIP, remuneração de seus empregados em valor menor ao que foi efetivamente por ela pago, bem como a simulação de contratação de empregados por meio de empresa interposta, ou mesmo o não registro de alguns segurados empregados que lhe prestaram serviços deixam clara a intenção da recorrente em omitir fato gerador da contribuição previdenciária, para pagar menos tributo. A fiscalização verificou que a recorrente remunerava pessoas físicas, pagando dias trabalhados, salário, valetransporte e horas extras e constatou que tais trabalhadores não constavam dos livros de registros de empregados da empresa. Contatase, ainda, que as irregularidades apontadas pela fiscalização foram cometidas de forma sistemática, em várias competências, caracterizando, assim, uma prática reiterada de omissão dos referidos fatos geradores, numa clara tentativa de elidir o tributo devido. Vale observar que a recorrente não afastou, de forma específica, nenhuma das acusações feitas pela fiscalização, ou trouxe qualquer documento para provar suas alegações, se limitando a fazer afirmações genéricas, discorrendo sobre conceitos jurídicos, sem, contudo, juntar qualquer elemento que pudesse afastar, ou ao menos por em dúvidas as acusações da auditoria da RFB. Já a autoridade lançadora juntou farta documentação, comprovando a existência de dolo. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A recorrente apenas alega, mas não prova, que não houve dolo. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Assim, está correta a caracterização de dolo, realizada pela fiscalização. A recorrente tenta demonstrar, ainda, que a cobrança de multa isolada com a lavratura de 09 autos de infração caracteriza confisco. Entretanto, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Cumpre esclarecer que a vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal, dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento, mas, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. A penalidade aplicada por meio do AI em tela, bem como sua gradação, encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Todos os autos citados pela recorrente em seu recurso, foram lavrados ou por falta do cumprimento de obrigação principal, como também por descumprimento de obrigações acessórias. E se foram lavrados 09 com a cobrança de multa isolada, é porque a recorrente descumpriu várias obrigações acessórias e, para cada uma delas, a Lei estabelece uma penalidade. Observase que em nenhum momento de seu recurso a recorrente negou que tenha deixado de arrecadar, mediante desconto de suas remunerações, as contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais e transportadores autônomos, apontados no relatório fiscal da infração E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. O auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de arrecadar a contribuição devida pelos segurados que prestaram serviços à autuada. Assim, conforme exposto acima, houve a infração à legislação previdenciária. E, reiterase, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, impondo a penalidade prevista nos normativos legais para esse tipo de infração, em observância à legislação que trata da matéria. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001954/201047 Acórdão n.º 2301003.352 S2C3T1 Fl. 85 7 É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10921.000133/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/04/2010
Multa pela Prestação de Informações em Desacordo com a Legislação. Agente Marítimo. Responsabilidade.
Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória.
Denúncia Espontânea. Obrigações Acessórias. Descabimento
As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN.
Cobrança de Multa Isolada. Legalidade
A incidência de multa isolada, decorrente do descumprimento de obrigação acessória, encontra-se plenamente amparada pela legislação que disciplina o Controle Aduaneiro.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/04/2010 Multa pela Prestação de Informações em Desacordo com a Legislação. Agente Marítimo. Responsabilidade. Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Denúncia Espontânea. Obrigações Acessórias. Descabimento As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN. Cobrança de Multa Isolada. Legalidade A incidência de multa isolada, decorrente do descumprimento de obrigação acessória, encontra-se plenamente amparada pela legislação que disciplina o Controle Aduaneiro. Recurso Voluntário Negado
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AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE. Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCABIMENTO As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN. COBRANÇA DE MULTA ISOLADA. LEGALIDADE A incidência de multa isolada, decorrente do descumprimento de obrigação acessória, encontrase plenamente amparada pela legislação que disciplina o Controle Aduaneiro. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 01 33 /2 01 0- 28 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 81 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O presente Auto de Infração, no valor de R$ 240.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04/07), as informações foram registradas pelo autuado após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005. Informa que a apuração da infração dáse a cada viagem do veículo transportador em que tenha havido o registro de dados de embarque fora do prazo estipulado pela RFB, cujas cargas estão amparadas nas Declarações de Despacho de Exportação – DDEs constantes da relação de fl. 12, na qual também consta os nomes dos navios, as datas dos embarques, as datas dos fatos geradores e as datas dos registros dos respectivos dados, extraídos das consultas ao sistema Siscomex. Frisa que não é determinante para o cálculo do valor da multa a quantidade de despachos de exportação cujos dados de embarques não foram informados tempestivamente. Intimada do lançamento (fl. 16), a interessada apresentou a impugnação de fls. 18/24, na qual, em breve síntese: Afirma que não deixou de prestar as informações e como não é uma empresa de transporte internacional, nem tampouco um agente de carga (agente desconsolidador), não há, na espécie, tipicidade legal para o seu enquadramento no art. 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37, de 1966, na redação que lhe foi dada pela Lei 10.833, de 2003. Alega que não ficou demonstrado pela autoridade aduaneira qual o embaraço ou impedimento causado à ação de fiscalização em razão do atraso nas informações. Alega que não é parte legítima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que, na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora, não responde por eventuais tributos ou obrigações acessórias devidos por esta. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 82 3 Aduz que o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária. Aduz que a aplicação da multa ofende aos princípios da legalidade e motivação, eis que não ficou demonstrado qualquer prejuízo ou resultado negativo que a justifique. Ademais, as informações foram prestadas antes que o procedimento fiscal fosse instaurado, o que caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Requer, pelos motivos expostos, seja reconhecida a improcedência da autuação em tela. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa e arguir a) ilegitimidade passiva; b) atipicidade da conduta; e c) falta de elemento essencial para constituição de obrigação acessória. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Analiso separadamente cada um dos fundamentos acerca dos quais cabe a este Colegiado se manifestar. 1 Legitimidade Passiva do Agente Marítimo O primeiro elemento relevante para aferição da responsabilidade, a meu ver, é extraído do extrato colacionado à fl.121 Da sua análise é possível verificar que o CNPJ da recorrente encontramse consignados no campo “Transportador”, bem assim que a mesma foi a responsável pela inclusão dos dados de embarque da mercadoria naquele sistema. Tais dados autorizam que se chegue a duas conclusões: perante o fisco, a recorrente não atuou como mero preposto do transportador, mas como o transportador propriamente dito, e que esta mesma pessoa jurídica foi efetivamente quem perpetrou a conduta de prestar informações em desacordo com o que preceitua a legislação de regência. A junção desses elementos, a meu ver, determina a aplicação do art. 95, I do Decretolei nº 37, de 1966, que fixa: 1 Fl. 14, se considerada a numeração digital. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 83 4 Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Por outro lado, ainda que não se considere que a recorrente assumiu o lugar do próprio transportador, certamente haveria responsabilidade solidária em razão da coautoria da conduta de prestar informações em dissonância com as exigências fixadas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nesse ponto, cabe registrar a opinião deste relator no sentido de que a ausência de menção expressa à figura do agente marítimo nos incisos II a VI desse mesmo art.952 não conduz à impossibilidade de impor a tal agente a coresponsabilidade pela infração. Com efeito, como é possível perceber, tal e qual se verifica no art. 124 do Código Tributário Nacional3, o legislador estabeleceu duas modalidades de solidariedade, a factual e a decorrente da fixação legal. Nesse aspecto, afirma Maria Rita Ferragut4: O art. 124, I e II do CTN, adota dois critérios para estabelecer o vínculo de solidariedade passiva entre os devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário e (ii) designação expressa em lei. (...) Qual a diferença, então, entre os incisos I e II do artigo 124? Entendemos que, no inciso II, as pessoas solidariamente obrigadas não têm interesse comum no fato jurídico tributário, já que, se tivessem, enquadrarseiam na hipótese contemplada no inciso I. Trazendo tal debate doutrinário para o presente litígio, o que se verifica é, feitas as devidas adaptações, o mesmo fenômeno: a imposição de penalidade com fundamento no inciso I do art. 95. De fato, os incisos II a VI tratam da responsabilidade de terceiros que, independentemente da coautoria ou participação, responderão pela infração enquanto que o inciso I trata das hipóteses em que a coresponsabilidade é fruto da coautoria ou participação. 2 II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) 3 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. 4 Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002.São Paulo. Noeses, 2005, p. 69. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 84 5 Observese, por outro lado, o que diz o art. 136 do CTN (os destaques não constam do original): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Acerca dessa modalidade de responsabilidade solidária, lembro a lição de Luciano Amaro5, que, analisando o art. 136 do CTN, esclarece: “Responsabilidade aí nada tem a ver com a sujeição passiva indireta; é responsabilidade noutra acepção, qual seja, a sujeição de alguém às conseqüências dos seus atos. Se cometi uma infração, ‘respondo’ por ela. Ora, nesse sentido, a responsabilidade tanto se aplica ao sujeito passivo indireto (responsável), como ao contribuinte (sujeito passivo direto), como, ainda, a outras pessoas que não são contribuintes, não são responsáveis, mas eventualmente descumprem algum dever acessório (obrigação acessória ou obrigação formal). Se o indivíduo descumpre uma obrigação formal, embora não deva nada de tributo, sofre as conseqüências do seu ato, ou seja, ‘responde’ pelo seu ato.” Ou seja, o artigo 136 codificado, apesar de não cindir as duas modalidades de agente, tal e qual o art. 124 do mesmo código estabeleceu a responsabilidade por infração factual. Ou seja, que decorre da ação ou omissão do responsável pela sua perpetração. Finalmente, descabe falar em violação à Súmula nº 192 do TFR, na medida em que, como é cediço a responsabilidade tributária do agente resta perfeitamente delineada no parágrafo único do art. 32 do Decretolei nº 37, de 1966, cuja redação atual, fornecida pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, é a seguinte: Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; 2 Tipicidade da Conduta Na linha do que foi exposto no item precedente, também não vejo como acatar a alegação de atipicidade da conduta. Eis a sua capitulação: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) 5 Infrações Tributárias, apud Paulsen, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre. 2007. Livraria do Advogado. 9ª ed. p. 925 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 85 6 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Como já antecipado, a recorrente atuou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil na condição de responsável pela prestação de informações a cargo do transportadora e, no exercício desse mister, deixou de prestar informações no prazo regulamentar. Tal conduta, com a devida licença, subsumese perfeitamente ao artigo que instituiu a penalidade litigiosa. 3Denúncia Espontânea Noutro giro, após nova leitura dos argumentos pró e contra, passei a entender que o instituto da denúncia espontânea é inaplicável à penalidade em discussão. Os motivos que me levaram a tal conclusão foram expostos no voto condutor do Acórdão 3102001.800, de lavra do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que, aliás, traz à colação o voto de outro Conselheiro que retornou definitivamente a este Colegiado, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Transcrevo trecho do voto condutor do aresto: A infração por deixar de fazer no prazo, ao contrário do exemplo proposto, nasce com o transcurso do prazo para adimplemento da obrigação. Não se percebe, assim, completamente reproduzida a situação na qual a infração decorre precisa e indistintamente da ação espontânea, conforme é o caso da infração por fazer em atraso. Inobstante, não me parece que esse fato possa alterar os efeitos decorrentes da prestação espontânea. Ainda que ausente um dos elementos que lhe destituem a função excludente, permanece o outro, qual seja, a exata coincidência entre a ação espontânea e a conduta sancionada, ou, pelo menos, uma das condutas sancionadas na norma. Deixar de fazer no prazo e fazer fora do prazo são diferentes apenas em relação ao momento a partir do qual a infração se encontra materializada (uma a partir do vencimento, outra a partir da ação). Contudo, uma vez que o contribuinte age, identificam conduta idêntica (não fazer no prazo, igual a fazer fora dele) e constituída pela ação espontânea. Ademais, a meu sentir, o que há de mais importante em infrações desta natureza é a presença expressa do elemento temporal. Quando o legislador pretende punir o atraso, não a omissão, pode se referir ao fato sem se atentar a todas essas particularidades. Referese assim, indistintamente à infração por prestar fora do prazo, não prestar no prazo, atraso na entrega Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 86 7 etc. O que pretende coibir, contudo, não me parece que seja outra coisa, se não o atraso. Nesta linha de raciocínio foi editada a Súmula 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A seguir transcrevo a ementa de alguns dos Acórdãos que deram respaldo à Súmula. 10709.410 Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. 10709330 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, não alcança as infrações decorrentes do nãocumprimento de obrigações acessórias autônomas. Cabível a multa por atraso na entrega da entrega da declaração de rendimentos, mesmo que espontaneamente apresentada. 10516.676 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EX: 1999 a 2003 IRPJ MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO A partir de primeiro de janeiro de 1995, a apresentação da declaração de rendimentos, fora do prazo fixado sujeitará a pessoa jurídica à multa pelo atraso. (Art. 88 Lei nº 8.981/95 c/c art. 27 Lei nº 9.532/97, Art. 7º da LEI nº 10.426/2002). Inaplicável a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. 10809029 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – DENÚNCIA ESPONTÂNEA ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN Cabível a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos devida pela sua apresentação fora do prazo estabelecido, ainda que a contribuinte a faça espontaneamente. Inaplicável a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 87 8 10809029 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – DENÚNCIA ESPONTÂNEA ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN Cabível a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos devida pela sua apresentação fora do prazo estabelecido, ainda que a contribuinte a faça espontaneamente. Inaplicável a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. Vêse que as decisões não estão fundamentadas na natureza da infração ou na precisa tipificação da pena. Multa por atraso na entrega, entendeuse, não pode ser excluída pela ação espontânea. Ainda mais, o tipo legal da infração prevista no artigo 7º da Lei 10.426/02, citado em uma das ementas acima, é em idêntica ao da infração cometida pela Recorrente. Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos meus) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 88 9 cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) De se acrescentar que, com base nesses mesmos pressupostos, não vejo razões para entender que a modificação introduzida no parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66 tenha trazido tão grande inovação ao mundo jurídico. Ao referir que a denúncia espontânea seja acompanhada do pagamento se for o caso, o artigo 138 do Código já previa a possibilidade de que outras infrações, não relacionadas à inadimplência da obrigação de pagar, fossem excluídas pela ação espontânea. Não me parece que as infrações administrativas estivessem privadas do instituto da espontaneidade. A modificação introduzida pela Lei nº 12.350, de 2010 não inaugura novo tratamento, apenas ratifica a regra insculpida na orientação de base. Sobre o assunto, pela excelência na abordagem empregada, transcrevo excertos do Voto proferido pelo i. Colega, Conselheiro José Fernandes do Nascimento, nos autos do processo 11128.002765/200749, Acórdão 380200.568, datado de 05 de julho de 2011. Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 89 10 determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. (...) Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 90 11 multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, a meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 91 12 É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. Para encerrar, não será demais acrescentar questão de natureza principiológica, relacionada à motivação pela qual o legislador previu a exclusão da responsabilidade pela infração nos casos de ação espontânea do contribuinte. Como é de amplo conhecimento, o instituto da espontaneidade destinase a incentivar o sujeito passivo a regularizar sua situação tributária por iniciativa própria, sem a necessidade de que o Fisco empregue qualquer esforço neste desiderato. Em tais condições, se vê afastada a infração que, como se disse, perdurou por certo tempo, mas que, regularizada, nenhum prejuízo acarretou aos cofres públicos. Terminam as duas partes, sujeito passivo e Administração, favorecidos pela medida, um dispensado da alocação de recursos adicionais na promoção da arrecadação, outro exonerado da multa decorrente da prática da infração. Com efeito, tomando emprestadas as ponderações acima transcritas, passei a concluir que o pressuposto para que o sujeito passivo aproveite a exclusão de penalidade prevista no art. 1386 do CTN é muito semelhante ao benefício fixado no art. 15 do Código Penal7: em ambos, a ação do infrator há que ser eficaz. A meu ver, essa é a única dicção possível para a expressão “se for o caso”, gizada no art. 138. Tratandose de falta de pagamento, o “arrependimento” só é eficaz se o agente recolhe o tributo que deixou de ser recolhido acrescido de juros, ou seja, se adota providência capaz de reparar o prejuízo. Noutro giro, caso se esteja diante de outra obrigação, de fazer ou não fazer, cabe ao intérprete averiguar, caso a caso, de acordo com o bem jurídico tutelado, se a ação do infrator é capaz de reparar o prejuízo. Caso não se demonstre apto, imagino, não há espaço para afastar a penalidade. Tratase de medida ineficaz. 4 Aplicabilidade da Multa Independentemente do Prejuízo Tributário Imediato Insurgese ainda a recorrente contra a aplicabilidade, em abstrato, da multa. 6 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 7 Desistência voluntária e arrependimento eficaz Art. 15 O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 3102002.077 S3C1T2 Fl. 92 13 Essencialmente, sustenta que o descumprimento do prazo não representaria qualquer prejuízo à arrecadação ou fiscalização dos tributos. Peço licença mais uma vez para discordar das considerações da Recorrente. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. O “interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, a meu ver não assume a conotação defendida pela recorrente. Tal interesse não é fixado em razão das conseqüências pelo descumprimento, mas pelo bem jurídico tutelado por tais obrigações. Ou seja, é fato incontroverso que a ausência de informações acerca da carga transportada fragiliza o controle aduaneiro que, dentre outros objetivos, zela pelos interesses da Fazenda Nacional. Com relação a esse aspecto, cabe relembrar o que diz o art. 237 da Constituição Federal de 1988: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. 5 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13502.902682/2012-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 26 82 /2 01 2- 20 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902682/201220 Acórdão n.º 3803006.257 S3TE03 Fl. 86 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 13 de agosto de 2012, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IPI, no valor de R$ 43.822,89, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/11/2007 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 7 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 1º de novembro do mesmo ano e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902682/201220 Acórdão n.º 3803006.257 S3TE03 Fl. 87 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902682/201220 Acórdão n.º 3803006.257 S3TE03 Fl. 88 4 De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902682/201220 Acórdão n.º 3803006.257 S3TE03 Fl. 89 5 ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10074.000225/2005-79
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/06/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INDEFINIÇÃO DA CONSTITUIÇÃO QUÍMICA DOS COMPOSTOS ORGÂNICOS IMPORTADOS.
Produto químico designado como: anidrido succínico de alquileno (ASA), conhecido como anidrido alquenil succínico com grupo alquenila de C16 a C18, classifica-se no código 3809.92.90 da NCM, por força da Primeira e da Sexta Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado, assim como pela Regra Geral Complementar n° Um.
APLICAÇÃO DE MULTAS
As multas previstas em lei são exigidas em conformidade com a legislação de regência. Recurso Voluntário, ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Adriene Maria de Miranda Veras, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência justificada de Solon Sehn
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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INDEFINIÇÃO DA CONSTITUIÇÃO QUÍMICA DOS COMPOSTOS ORGÂNICOS IMPORTADOS. Produto químico designado como: anidrido succínico de alquileno (ASA), conhecido como anidrido alquenil succínico com grupo alquenila de C16 a C18, classificase no código 3809.92.90 da NCM, por força da Primeira e da Sexta Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado, assim como pela Regra Geral Complementar n° Um. APLICAÇÃO DE MULTAS As multas previstas em lei são exigidas em conformidade com a legislação de regência. Recurso Voluntário, ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Adriene Maria de Miranda Veras, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência justificada de Solon Sehn AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 02 25 /2 00 5- 79 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Segundo se observa dos autos, a ação fiscal objetivou auditar a operação de importação para o fim de verificar a regularidade da classificação fiscal apontada na Adição 001 da Declaração de Importação nº 01/06379822, registrada em 27.06.2001, na qual a contribuinte (INPAL) promoveu a internação das mercadorias descritas como sendo “Anidrido Succínico de Alquileno” e “Anidrido Succínico de OctadecenoS”, classificandoas no código NCM 2917.19.90. Salienta a fiscalização que tal procedimento decorreu da constatação de que a classificação fiscal retro mencionada diferia daquela definida na Solução de Consulta COANA nº 01, 19.07.2004, concernente ao produto denominado Anidrido Alquenil Succínico, protocolada pela Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (ABIFINA), na qual a autuada é também associada (processo nº 10768.000712/200442). A autoridade lançadora informa que da análise da documentação disponibilizada pela empresa auditada, referentes aos produtos discriminados na Adição 001, 1ª e 2ª ocorrência, foi possível confirmar que ambos produtos são idênticos, para fins de classificação fiscal, àquele objeto da consulta solucionada pela COANA, ou seja “anidrido succínico de alquileno, também denominado de anidrido alquenil succínico com grupo alquenila de C16 a C18, conforme Decisão do Grupo de Nomenclatura do Comitê Técnico nº 1 do Mercosul”, que concluiu que o código 3809.92.90 da NCM constante da TEC, aprovado pela Resolução Camex nº 42, de 26.12.2001, republicada em 09.01.2002, e alterações posteriores. Diante dessas circunstâncias, a fiscalização procedeu às fls. 14 a 18, a juntada, em cópia, da referida solução de consulta, esclarecendo, inclusive, que seus fundamentos são parte integrante e indissociável do presente auto de infração. Esclarece também a autoridade lançadora que além de erro no enquadramento tarifário, a contribuinte não descreveu as mercadorias importadas em apreço de forma correta e suficiente, uma vez que não mencionou sua composição química, bem como não informou que eram destinadas especificamente à indústria do papel. Os citados equívocos resultaram num pagamento inferior ao devido do imposto de importação e em importação sem licença (LI), uma vez que a existente está calcada num outro tipo de mercadoria, ou seja, aquela classificável no código NCM 2917.19.90 e não naquela efetivamente importada, classificável no código NCM 3809.92.90, motivando a lavratura do presente auto de infração, formalizado para cobrar a diferença do imposto de importação (II), acrescido da multa de ofício de 75% do II e Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.000225/200579 Acórdão n.º 3802002.375 S3TE02 Fl. 257 3 juros de mora, calculado até 28.02.2005, além da multa do controle administrativo das importações, equivalente a 30% do V.A. das mercadorias, em face da falta de LI, totalizando um montante de crédito tributário lançado da ordem de R$ 33.933,82. Ciente da autuação, a interessada protocolou a impugnação de fls. 46 a 50, acompanhada dos documentos de fls. 51 a 76, para argumentar que: o “Anidrido Succínico de Alquileno” tem uma composição química definida, logo, foi corretamente classificado na posição genérica do código NCM 2917.19.90; as mercadorias importadas estão suficientemente descritas com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário; não há que se falar em erro de classificação tarifária, até porque a classificação adotada pelo Fisco, na posição 38.09 da NCM, referese a preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, o que não é o caso do Anidrido (Octadeceno), que encontra perfeita classificação na posição 29.17 da NCM; caso ainda houvesse erro de enquadramento tarifário das mercadorias importadas, jamais poderia ser impingida a pagar pela diferença de imposto e multas, por não haver cometido qualquer infração; o AD(N) COSIT nº 10, de 1997, não deixa dúvida quanto à legalidade e boa fé da recorrente, demonstrando que a presente exigência contraria a legislação de regência, uma vez que preencheu a guia de importação de acordo com as especificações fornecidas pelo fabricante do produto; os produtos em tela eram enquadrados no código 29.17 e somente em Dez/2001, portanto, depois do registro da DI em comento, a Resolução CAMEX nº 42 decidiu enquadrar os referidos produtos no código 38.09; não é crível que a referida resolução retroaja no tempo para alcançar também importações ocorridas antes de sua edição, uma vez que a lei não pode prejudicar o ato jurídico perfeito. Ao final, a impugnante requer a anulação da desclassificação efetuada, mantendose o produto no código informado na DI e, por conseguinte, seja cancelada da presente exação. De outra forma, protesta pela produção de prova pericial e documental suplementar, bem como solicita seja as intimações endereçadas para o seguinte endereço: avenida Marechal Câmara, nº 271, sala 1101, Castelo – Rio de Janeiro – RJ. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0711.402, de 07/12/2007, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, às fls. 78/81, cuja ementa dispõe, verbis: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/06/2001 PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. LAUDO PERICIAL. LIMITES OBJETIVOS. O deferimento do pedido de perícia não se justifica se os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão. A perícia objetiva convencer o julgador, limitandose, quando for o caso, ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo e não como meio para suprir a ausência de prova que já deveriam constar dos autos. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. O produto químico denominado anidrido succínico de alquileno (ASA), também conhecido como anidrido alquenil succínico com grupo alquenila de C16 a C18, classificase no código 3809.92.90 da NCM constante da TEC, conforme Decisão do Grupo de Nomenclatura do Comitê Técnico nº 1 do Mercosul. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. MULTA POR FALTA DE LI. Quando o produto importado não foi corretamente descrito com todos os elementos necessários à sua classificação fiscal, fica o importador sujeito ao recolhimento da multa por falta de guia ou documento equivalente (LI). REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE LESÃO A ATO JURÍDICO. O desembaraço aduaneiro não se caracteriza como homologação de lançamento, sendo legítima a atividade de reexame do despacho de importação, tornandose, pois, incabível a argüição de lesão a ato jurídico perfeito. Lançamento Procedente.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta a necessidade de prova pericial, houve cerceamento de defesa, solicitando anulação dos autos. O processo foi convertido em diligência, através da Resolução320100.134, de 25/05/2010, para esclarecimentos, conforme: se, à época, com a nova reclassificação fiscal, de fato, a importação estava sujeita a licenciamento nãoautomático, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96 de forma automática ou não automática. Entendo, pois, que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.000225/200579 Acórdão n.º 3802002.375 S3TE02 Fl. 258 5 correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Qual a data de protocolização da consuta referente ao processo de n° 1076800712/200442, em nome da ABIFINA, onde a autuada também é associada? Ainda, sejam anexadas as Resoluções Camex n° 42, de 26/12/2001 e a vigente, à época do registro da DI em litígio, ou seja, 27/06/2001. Enfim, qual a tributação, à época da importação. Em resposta da demanda acima, às fls 215 e ss, informa que o processo de consulta foi protocolado em 28/01/2004. Discorre sobre a necessidade de licenciamento, nos termos da legislação em regência. Não houve inovação, pois a Resolução Camex apenas deu nova roupagem à legislação já vigente àquela data. Por fim, não houve cerceamento de defesa, pois a empresa tinha conhecimento da motivação da desclassificação fiscal, ou seja da indefinição da constituição química dos compostos orgânicos importados. O processo foi redistribuído a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente quanto ao argumento do pedido de perícia não se justifica se os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão. A perícia objetiva convencer o julgador, limitandose, quando for o caso, ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo e não como meio para suprir a ausência de prova que já deveriam constar dos autos. O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as modificações, descreve que: A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Da mesma forma, quanto ao cerceamento de defesa, direito a ampla defesa foi plenamente assegurado, já que a recorrente teve acesso a todos os elementos constantes das peças de autuação e conforme preceitua o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, teve prazo para apresentação de suas defesas, pois, nos termos de suas peças impugnatória e recursal, fica evidenciado que a mesma conhecia os textos e códigos da NCM vigente e compreendeu perfeitamente o motivo da desclassificação fiscal indefinição da constituição química dos compostos orgânicos importados. Ultrapassada fase das preliminares, passemos ao mérito: Trata o presente processo de exigência de crédito tributário resultante da divergência de classificação fiscal, que resultaram num pagamento inferior ao devido do imposto de importação e em importação sem licença (LI), uma vez que a recorrente classificca no código NCM 2917.19.90 e a fiscalização, classifica no código NCM 3809.92.90, motivando a lavratura do presente auto de infração, formalizado para cobrar a diferença do imposto de importação (II), acrescido da multa de ofício de 75% do II e juros de mora, calculado até 28.02.2005, além da multa do controle administrativo das importações, equivalente a 30% do V.A. das mercadorias, em face da falta de LI, totalizando um montante de crédito tributário lançado da ordem de R$ 33.933,82. A recorrente INPAL promoveu a internação das mercadorias descritas como sendo “Anidrido Succínico de Alquileno” e “Anidrido Succínico de OctadecenoS”, classificandoas no código NCM 2917.19.90. No mérito, a interessada sustenta que a mercadoria foi corretamente classificada no código NCM 2917.19.90, por se tratar de uma composição química definida, não havendo divergência, quanto aos seus elementos constitutivos, que justifique seu reposicionamento na TEC ou a acusação de descrição incompleta. A classificação da importadora é: 29.17ÁCIDOS POLICARBOXÍLICOS, SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. 2917.19Outros 2917.19.90Outros A classificação da fiscalização é: 38.09 AGENTES DE APRESTO OU DE ACABAMENTO, ACELERADORES DE TINGIMENTO OU DE FIXAÇÃO DE MATÉRIAS CORANTES E OUTROS PRODUTOS E PREPARAÇÕES (POR EXEMPLO, APRESTOS PREPARADOS E PREPARAÇÕES MORDENTES) DOS TIPOS UTILIZADOS NA INDÚSTRIA TÊXTIL, NA INDÚSTRIA DO PAPEL, NA INDÚSTRIA DO COURO OU EM INDÚSTRIAS SEMELHANTES, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES. 3809.92 Dos tipos utilizados na indústria do papel ou nas indústrias semelhantes. 3809.92.90Outros Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.000225/200579 Acórdão n.º 3802002.375 S3TE02 Fl. 259 7 Quanto à desclassificação fiscal da mercadoria importada, como visto no relatório, a autuação decorreu pelos fundamentos da Solução de Consulta nº 01, de 2004, quando a CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA), analisando o mesmo produto, concluiu que sua classificação correta é a do código 3809.92.90 da NCM constante da TEC, uma vez que se trata de um produto constituído de hidrocarboneto alifático, insaturado, contendo uma dupla ligação, também denominado alquileno ou hidrocarboneto olefínico, ligado ao anidrido succínico, cujo alquileno presente na molécula do produto compõemse de uma mistura de cadeias de 16 a 18 átomos de carbono, podendo chegar até 22 átomos de carbono, ou seja, há uma indefinição da constituição química dos compostos orgânicos importados. Observase na referida Solução de Consulta: Ademais, a referida solução de consulta, em seus fundamentos legais, esclarece que o anidrido succínico de alquileno (ASA) é empregado no processo de encolagem alcalino, que utiliza carbonato de cálcio, cola ASA e amido catiônico, o que permite, segundo as NESH da posição 38.09, concluir que a mercadoria em apreço, por força da Primeira e da Sexta Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado, assim como pela Regra Geral Complementar Um (RGI 1ª, RGI 6ª e RGC1), tem sua classificação no item 3809.92.90 “Outros”. Quanto à alegada retroação dos fundamentos da classificação em trato, no sentido de que até a vigência da Resolução CAMEX nº 42, de 2001 os referidos produtos eram posicionados no código NCM 29.17 da TEC, pois referida norma foi editada com o intuito de somente proceder à alteração da Nomenclatura Comum do Mercosul e da Tarifa Externa Comum, não se referindo em absoluto às regras e/ou normas concernentes à classificação fisco tarifária das mercadorias nelas mencionadas. O que referida resolução proporcionou, de efetivo, foi o acréscimo de 1,5 (um e meio) pontos percentuais à TEC, assim como a republicação da lista de exceções, de convergência de BIT e de medicamentos com tarifa reduzida a zero até 31.08.2002 (ajuste da modificações do Sistema Harmonizado 2002), nada mais que isso, mesmo porque não é por meio deste instrumento legal (Resolução CAMEX) que a União procede à alteração dos fundamentos de classificação fiscal de mercadorias importadas. Ademais, somente para esclarecer, os fundamentos legais da autuação são os ditados pelo Decreto nº 3.704, de 27.12.2000. Por fim, quanto à alegação da autuada, ainda com relação à Resolução CAMEX nº 42, de 2001, de que a lei não pode retroagir para alcançar fatos geradores anteriores a sua edição, posto que prejudicaria o ato jurídico perfeito, uma vez mais não lhe assiste razão, pois o desembaraço da mercadoria não impede a realização do procedimento de revisão do respectivo despacho aduaneiro com fulcro na retificação do código NCM/TEC erroneamente empregado pela recorrente. O ato administrativo de desembaraço da mercadoria não tem o condão de convalidar a incorreção cometida pelo importador, estando dito ato sujeito à revisão pela Administração Pública, desde que tal revisão seja perpetrada dentro do prazo legal previsto. Os arts 455 a 457 do Regulamento Aduaneiro/85 (Decreto de n° 91.030/85), vigente à época, prevêem que, enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, a autoridade fiscal pode, após o desembaraço da mercadoria, pode proceder Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 com a revisão aduaneira, que consiste em reexaminar o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação quanto a seus aspectos fiscais e outros. Logo, a fiscalização utilizouse da revisão aduaneira, recorrendo corretamente ao instituto da prova emprestada no caso da DI 103.264/94, da qual não havia sido coletada amostra. Quanto à multa por falta de Guia de ImportaçãoGI/licença de Importação, prevista no inciso II, “a”, do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, no percentual de trinta por cento sobre o valor aduaneiro, pela importação de mercadoria sem Guia de importação/licença de importação ou documento equivalente. No caso em tela, temos que o importador obteve licença para importar produto, que conforme restou evidenciado é de natureza diversa daquele que foi efetivamente licenciado, posto que não se trata de produto de constituição química definida, mas de um mistura especificamente empregada na indústria papeleira, uma vez que tinha por finalidade melhorar sua imprimibilidade, alisamento e brilho, conferindo ao papel boa aptidão para a escrita, além de aumentar a resistência. Desta forma, a LI original não acobertou a mercadoria efetivamente importada, pois a descrição, tal como feita pelo importador não foi suficiente para a perfeita identificação do produto, não fazendo jus ao AD(N) COSIT nº 12/97. Cabível, portanto, a multa de que trata o art. 526, II, do RA, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, tendo em vista que a mercadoria efetivamente importada não corresponde àquela que foi licenciada no SISCOMEX. Assim sendo, as mercadorias importadas pela recorrente não estavam declaradas corretamente na Declaração de Importação, e em consequência, foram reclassificadas para outros códigos tarifários. Portanto, a Guia de Importação emitida anteriormente referiase às descrições e às mercadorias e códigos tarifários informados pelo contribuinte, entretanto, não acobertam as mercadorias efetivamente importadas e constadas na ocasião do despacho aduaneiro de importação. Destarte, descrição incorreta da mercadoria na Guia de Importação/ Licença de importação, logo, configurase a infração do art 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro/85. Não se aplicando ao caso, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97. Portanto, o erro do importador descaracterizou a operação originalmente licenciada, ainda mais porque as mercadorias efetivamente importadas são substancialmente distintas das declaradas (e licenciadas). Esta distinção é tão profunda que as mercadorias sequer são classificadas no mesmo capitulo da TEC, pois, no campo da Química, há grande diferença entre compostos com constituições químicas definidas (capitulo 29) e compostos com constituições químicas indefinidas (capitulo 38). Além disso, produtos dos tipos utilizados na indústria do papel também são classificados em posições diferentes dos demais, indicando a existência de características próprias, distintas dos demais para fins de classificação fiscal Por tudo que foi exposto, afasto preliminares suscitadas e no mérito, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.000225/200579 Acórdão n.º 3802002.375 S3TE02 Fl. 260 9 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902164/2013-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 4/ 20 13 -4 9 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902164/201349 Resolução nº 3801000.682 S3TE01 Fl. 57 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 352,37. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF, juntando documentação comprobatória. O processo foi encaminhado a este Conselho para fins de apreciação da lide tendo em vista a interposição de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902164/201349 Resolução nº 3801000.682 S3TE01 Fl. 58 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Preliminarmente, deixo consignado que o presente processo foi encaminhado conjuntamente com outros do mesmo sujeito passivo que tratam de matéria idêntica, qual seja, o direito ao crédito de PIS e COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Em atendimento ao princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual que importa é a finalidade do ato e não ele em si mesmo e considerandose os recursos interpostos nos demais processos julgados conjuntamente, tomo conhecimento do presente processo em sede de recurso voluntário. No entanto, para que se possa sanear o processo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para a Delegacia de origem: a) Informar sobre a existência de Decisão de 1ª Instância e Recurso Voluntário interposto no presente processo, colacionandoos aos autos e, posteriormente, retornar o mesmo a este CARF para julgamento; b) caso contrário, encaminhar a Delegacia de Julgamento para análise da Manifestação de Inconformidade e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904239/2012-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 42 39 /2 01 2- 55 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904239/201255 Acórdão n.º 3803006.097 S3TE03 Fl. 68 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904239/201255 Acórdão n.º 3803006.097 S3TE03 Fl. 69 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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