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Numero do processo: 11065.001527/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS.
Poderão ser registrados como perda os créditos sem garantia, de valor acima de R$5.000,00 (cinco mil reais) até R$30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém mantida a cobrança administrativa.
MULTA QUALIFICADA. Evidenciado pelas provas dos autos que o sujeito passivo incorreu em hipótese de sonegação, fraude ou conluio é cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Poderão ser registrados como perda os créditos sem garantia, de valor acima de R$5.000,00 (cinco mil reais) até R$30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém mantida a cobrança administrativa. MULTA QUALIFICADA. Evidenciado pelas provas dos autos que o sujeito passivo incorreu em hipótese de sonegação, fraude ou conluio é cabível a qualificação da multa de ofício.
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É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Poderão ser registrados como perda os créditos sem garantia, de valor acima de R$5.000,00 (cinco mil reais) até R$30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém mantida a cobrança administrativa. MULTA QUALIFICADA. Evidenciado pelas provas dos autos que o sujeito passivo incorreu em hipótese de sonegação, fraude ou conluio é cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 15 27 /2 00 8- 89 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 470 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEGISLAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADES E ILEGALIDADES. Os julgadores administrativos não têm competência para analisar a constitucionalidade ou legalidade de dispositivos de lei. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. IRPJ. CSLL. IRFF. CUSTOS AMPARADOS EM DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. MULTA MAJORADA. PAGAMENTO A PESSOAS NÃO IDENTIFICADAS. Legítima a glosa de custos suportados por documentação inidônea, apurada mediante criterioso trabalho fiscal, inclusive com diligência junto ao suposto prestador de serviço, demonstrando a não realização da operação. A liquidação das pseudo obrigações, implica o lançamento do IRFonte (Pagamento a beneficiário não identificado), com multa majorada de 150%. IRPJ. CSLL PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REQUISITOS As perdas no recebimento de créditos, quando referentes a operações sem garantia e em valor superior a trinta mil reais, somente poderão ser deduzidos como despesa, para efeito de determinação do lucro real, se iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. IRPJ. CSLL. APLICAÇÕES ESCRITURADAS COMO DESPESA. NÃO QUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO. Preclui a possibilidade de alegação em 2ª instância sobre matéria não questionada na impugnação ao lançamento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese, no que couber, aos demais Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Em ação fiscal foram lavrados contra a empresa acima, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 302), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 316) e Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 325). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 4.469.271,05, calculado até 30/04/2008. A contribuinte impugnou tempestivamente as exigências, através do arrazoado de fls. 377 a 409. RAZÕES DE AUTUAÇÃO A autuada tem por objeto social a indústria, comércio, importação e exportação de calçados e insumos. Os resultados nos anoscalendário em que houve autuação – 2004, 2005 e 2006 – foram apurados pela sistemática do lucro real trimestral. Foram identificadas três infrações: (a) aplicações de capital escrituradas como despesa; (b) indevida dedução de despesa com perda no recebimento de créditos e, (c) dedução de despesas inexistentes. Essa última infração, além da glosa de despesas, implicou na exigência de IRRF por pagamento sem causa comprovada. Vejamos as infrações. a) Aplicações escrituradas como despesa A autuada teria escriturado, como despesa, a aquisição de materiais elétricos utilizados na confecção de uma nova instalação elétrica, em substituição à existente, que teria se tornado inadequada. O autuante entende que teria ficado caracterizada a aplicação de capital, com base no art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR99), já que o conjunto de bens tem valor superior a R$ 326,61 e vida útil superior a um ano, devendo ser ativado para posterior depreciação. Na autuação foi procedida a ativação do bem, observada a taxa anual de depreciação de 10%. b) Dedução de despesa com perda no recebimento de créditos A contribuinte escriturou o valor de R$ 93.739,58, relativo a venda que efetuou para empresa sediada no exterior, a débito da conta de resultado “Devedores Incombráveis”, por considerar que seria inviável economicamente efetuar a cobrança judicial. O autuante entendeu, com base no art. 340 do RIR/99, que as perdas dessa natureza somente podem ser deduzidas como despesa quando referentes a operações sem garantia e em valor superior a trinta mil reais, se vencidas há mais de um ano e desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. Considerou indedutível a alegada perda em virtude de o contribuinte não ter ajuizado qualquer ação de cobrança. c) Dedução de despesas tidas como inexistentes Fl. 472DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 471 5 A empresa escriturou, no período fiscalizado, um total de R$ 1.790.000,00 a título de despesas com departamento de vendas e apresentou notas fiscais emitidas por Evany Manoel das Neves, CNPJ 91.590.406/000127, que usa o nome de fantasia “Jornal Regional”. Nas notas fiscais a descrição dos serviços prestados consta como “Assessoria e Marketing com desenvolvimento de Produtos e Projetos de Expansão ref. ao mês...”. Não haveria contratação escrita entre as partes e os pagamentos teriam sido efetuados em dinheiro. Intimada, a empresa não apresentou documentos que comprovassem a efetiva prestação de serviços. No entanto, juntou fotos em que o Sr. Evany aparece com políticos e autoridades religiosas, afirmou que ele faz pesquisas na Internet e em revistas de moda para identificar as tendências para novos modelos de produtos. A empresa Evany Neves ME, apresentou declaração de inatividade nos anos calendário de 2004 a 2006, que é o período autuado. Após ciência, pela autuada, de termo de intimação solicitando as notas fiscais emitidas pela Evany Neves ME, esta empresa apresentou declarações de IRPJ retificadoras, informando a opção pelo lucro presumido, com receita bruta igual ao valor das notas emitidas em favor da autuada. Após isso e, em tendo a fiscalização intimado a empresa a apresentar mais quatro notas fiscais referentes ao anocalendário 2004, a Evany Neves ME voltou a retificar sua Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, agora para incluir mais o valor dessas 4 notas fiscais. O Sr. Evany prestou informações, confirmando a prestação de serviços, mas sem apresentar documentos. Informou que a empresa não tinha funcionários, nem contratou serviço de terceiros. O autuante concluiu que os serviços nunca foram prestados e que as notas fiscais estão eivadas de falsidade ideológica e em função disso, ao efetuar o lançamento dos tributos, agravou a multa para o percentual de 150%, em virtude do evidente intuito de fraude. Foi efetuada a glosa de despesas e exigido Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF – por pagamento sem causa comprovada. Afirma que a contabilidade faz prova de que foram efetuados os pagamentos. RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO a) Perdas no recebimento de créditos A impugnante alega que o art. 340 do RIR/99 permite a dedução de valores até R$ 30.000,00, como perdas no recebimento de créditos, apenas com cobrança administrativa. Pede que o valor da infração seja reduzido em R$ 30.000,00, em obediência ao dispositivo citado. b) Custos e despesas não comprovadas A conclusão do agente fiscal de que uma empresa de comunicação não poderia desenvolver atividade de marketing estaria em frontal desacordo com a a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) que enquadra a Assessoria em Marketing dentro do grupo Publicidade, bem como, diverge da realidade de centenas de empresas de comunicação autuantes no país. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Afirma que o Sr. Evany tinha qualificação suficiente para prestar serviços de assessoria de marketing. Refere outras histórias de vida em que pessoas com formação em uma área se destacam em área distinta. Diz que foram apresentadas provas relativas à prestação dos serviços, mas desconsiderada pelo agente do fisco, que teria um juízo préestabelecido acerca da existência do delito. A presunção de cometimento de fraude violaria a garantia constitucional de presunção do estado de inocência. A aplicação da penalidade agravada pelo suposto dolo, extrapola os limites da proporcionalidade e razoabilidade. A impugnante ratifica como razões de impugnação os esclarecimentos prestados às fls. 136/138, 162/163, 232/235 e 252/253. A autuada afirma, também, que não incorreu em nenhuma das modalidades da culpa stricto sensu; que a sua conduta não foi dolosa, que não houve fraude e que teria agido de boafé. Diz que a fiscalização não estaria praticando ato discricionário, mas sim, um ato plenamente vinculado e, com isso, não poderia limitarse a citar artigos de lei, pois isso conduziria à nulidade do auto de infração. Não teria sido garantido à empresa o devido processo legal e o contraditório. O ato administrativo atacado feriria o princípio a razoabilidade ou da proporcionalidade, já que a medida imposta à Impugnante não é necessária (fls. 392). A exigência materializada nos autos de infração representa um verdadeiro desvio e abuso de poder, especialmente porque pune confiscatoriamente a contribuinte. Vários outros princípios teriam sido violados, como o da livre iniciativa e da livreconcorrência. Assevera que exigir multa e juros configura bis in idem, invocando o previsto nos arts. 408 até 417 do Código Civil, que assegurariam a impossibilidade de coexistência de duas verbas com a mesma finalidade. Diz que a multa aplicada deveria ser, ao menos, reduzida, por ser abusiva. Invoca o Decretolei nº 1.184/71, que dispõe sobre liquidação dos débitos fiscais de empresas em difícil situação financeira, para concluir que a exigência merece ser reformada para minorar as conseqüências funestas que terá sobre a economia da empresa. Diz que os autos de infração são nulos por conterem vício de forma e ilegalidade do objeto e, também, em face da inexistência de motivos de fato que autorizem a sua lavratura. Afirma (fls. 406): “Portanto, evidenciado que o ato impugnado apresenta: VÍCIO DE FORMA, pela inexistência de fundamentos de fato nele explicitados. NULIDADE DO OBJETO, por não observar regras constitucionais. INEXISTÊNCIA DE MOTIVOS, conforme amplamente suprademonstrado. Impõese o reconhecimento da NULIDADE do AI. “ Entre outros requerimentos, pede que tanto a impugnante quanto o seu procurador sejam intimados dos atos processuais, sob pena de nulidade. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 472 7 A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação, em especial que: a) para valores até R$30.000,00 não há necessidade de ajuizamento de demanda judicial, bastando cobrança administrativa. Assim, do total lançado (R$93.739,58) deve ser mantido tão somente o valor de R$63.739,58; b) a glosa das despesas com publicidade (Sr. Evani) foi feita por presunção; c) não há culpa (negligência, imprudência, imperícia) na conduta da recorrente. Não existe responsabilidade objetiva no direito tributário, assim como no direito penal; d) há violação aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco; e) há vício de forma, pela inexistência dos fundamentos de fato explicitados no auto de infração, nulidade do objeto, por não observar regras constitucionais, e inexistência de motivos. É o relatório. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. De acordo com o art. 9º, §1º, II, “c”, da Lei nº 9.430/96 (verbis) podem ser registrados como perda os créditos, sem garantia de valor, superiores a R$30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: ... II sem garantia, de valor: c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; A recorrente confessa que não promoveu a competente ação judicial porque era inviável economicamente, postulando a reconsideração do montante de R$30.000,00 reais, que no seu entender estaria dentro do limite estabelecido pela alínea “b”, verbis: b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; (grifo nosso) Ocorre que a alínea “b” é clara ao dispor que os créditos deverão ser considerados por operação. E no caso vertente, tratase de apenas uma operação, no valor de R$93.739,58 (fl.339 Relatório de Ação Fiscal), que levou a apenas um lançamento na conta de resultado 321020600000000 Devedores Incobráveis. Desta forma, o enquadramento da dedução é feito pela alínea “c” e não pela alínea “b”, impossibilitando qualquer dedução. No que tange à glosa de valores pagos ao Sr Evany e ao lançamento de IRRF, remetome ao voto condutor do acórdão recorrido, que abordou com clareza solar o tema. Despesas inexistentes Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 473 9 A empresa escriturou pagamentos em favor de Evany Neves ME ou “Jornal Regional”, a título de “promoção de vendas” ou “despesas de promoção de marcas” ou “despesas de promoção de marcas e produtos”. O valor dos pagamentos foi: Em 2004 R$ 310.000,00 Em 2005 R$ 400.000,00 Em 2006 R$ 1.080.000,00 Total R$ 1.970.000,00 Os pagamentos teriam sido efetuados sempre em dinheiro. A empresa foi intimada a descrever os serviços que teriam sido prestados e a juntar comprovantes (relatórios, atas, correspondências), conforme se vê às fls. 86/90. Afirmou (fls. 138) que a contratada se inseriu num contexto de crescimento e modernização da empresa. Afirma: “E foi aí que se encaixou a empresa de Evany Neves ME credenciada junto ao governo federal, estadual e municipal, bem como na associação de imprensa nacional, para inclusive nos representar nos eventos públicos e sociais no intuito de expansão de nossa marca.”. Não juntou documentos comprobatórios da prestação de serviços. Foi reintimada (fls. 157/159) a comprovar com documentos a prestação de serviços e intimada a informar sobre a equipe profissional da empresa contratada e sobre o tipo de credenciamento que a empresa teria junto a órgãos públicos. Na resposta (fls. 162/163) descreve, agora, as atividades como “complementação do trabalho executado referente desenvolvimento do produto” e foram anexadas algumas fichas técnicas que teriam dado origem a modelos exportados. As fichas técnicas estão às fls. 164/185 e não trazem qualquer dado acerca de quem teria desenvolvido o produto. Foram juntados documentos diversos que mostram que o Sr. Evany atuava como jornalista, participava de eventos e documentos outros acerca da publicação denominada Jornal Regional. Outra vez reintimada a empresa (fls. 228/230) acerca da atuação do Sr. Evany, respondeu (fls. 232/235) que os serviços “consistiam justamente nesta pesquisa, junto a publicações nacionais e internacionais, bem como através de sites da internet.”. Identificando tendências, o Sr. Evany Neves compilava publicações, desenhos e fotografias, com objetivo de, a partir de então, pesquisar quais os insumos e fornecedores que mais ensejariam a relação custo/benefício”. Juntou fotografias e fichas técnicas. Ouvido o Sr. Evany (fls. 290/293), informou que o seu trabalho era fornecer idéias sobre a criação de modelos de calçados, em reuniões que não eram documentadas. Não tinha empregados nem equipe. Disse que pesquisava tendências em revistas e sites de moda, mas, naquele momento, não lembrou de nenhum desses sites. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Como se vê, a própria empresa tem dificuldade de informar quais os serviços teria recebido do Sr. Evany e pelos quais pagou quase dois milhões de reais. Inicialmente era a representação da empresa em eventos sociais, depois o desenvolvimento de produtos, mais especificamente a pesquisa de tendências em revistas e sítios da internet, com vistas ao desenvolvimento de produtos. Em que pese a liberdade de a empresa gastar seus recursos conforme os proprietários/administradores entenderem conveniente, é desmedido um gasto de, exemplificativamente, um milhão e oitenta mil reais em 2006, para que alguém folheie revistas e visites sítios na internet. E, digase, sítios na internet dos quais o suposto prestador de serviços, quando ouvido pela fiscalização, não conseguiu lembrar de nenhum. Muitas outras são as incoerências na versão apresentada pela empresa. Essas incoerências foram bem apontadas no relatório fiscal e não foram rebatidas na impugnação, por isso, não me alongo. Apenas aponto detalhes como: (1) o fato de a contratante não saber o endereço do contratado – que em final de 2004 passou a ser em São Leopoldo, enquanto a autuada disse que usava o endereço antigo, na cidade de Salvador do Sul; (2) o fato de o contratado não ter tido equipe ou funcionários; (3) o fato de o Sr. Evany não possuir patrimônio no momento e apontar ter gasto os valores recebidos com tratamento de saúde sua esposa, na Santa Casa de Porto Alegre, enquanto essa instituição informou que os gastos foram de menos de R$ 300,00 (notese a disparidade; R$ 1.970.000,00 para R$ 300,00). Ora, a toda evidência, não houve qualquer prestação de serviços. Caso tivesse ocorrido, dada a magnitude dos valores envolvidos, haveria de ter gerado um fluxo de papéis, ainda que mínimo, que poderia demonstrar a atuação do contratado. Mas, mesmo intimada, a empresa não traz um único elemento que demonstre a atuação do Sr. Evani. Depois de a empresa ir mudando as versões acerca do qual trabalho faria efetivamente o contratado, arrematou com o folhear de revistas e navegação na internet, o que é uma agressão à mais mediana das inteligências – dados os valores envolvidos. Afora esses pontos, importante referir que cabe à contribuinte manter os documentos que comprovem as operações que escriturou. O parágrafo único do art. 251 do RIR/99, estabelece que a escrituração dos contribuintes deve abranger todas as operações da empresa. Já o art. 264, do mesmo regulamento, define que cabe à pessoa jurídica conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, caso em que se enquadram os pagamentos efetuados pela suposta prestação de serviços. Compete ao contribuinte provar a veracidade dos dados que lança em sua escrita. Uma nota fiscal, por si só, não comprova uma prestação de serviços, mais ainda no caso presente, em que há fundados indícios a demonstrar não ter havido a prestação de serviços. É assim que o Egrégio Conselho de Contribuintes tem decidido: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 474 11 IRPJ CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS Glosa de Despesas Remuneração das Esposas dos Sócios A dedutibilidade de dispêndios a título de despesas operacionais está condicionada à comprovação da efetividade da prestação dos serviços e ao atendimento dos pressupostos fiscais da necessidade, usualidade e normalidade dos gastos aos desenvolvimento das operações da empresa. (Acórdão 103.18474, da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, sessão de 18/03/1997). A contribuinte, intimada e reintimada, nada trouxe que demonstrasse a efetividade da prestação de serviços pelo emitente das notas fiscais. Também com a impugnação nada veio. A empresa se esmera em argumentos para tentar mostrar que o sr. Evany teria condições de prestar os serviços, mas não mostra que tenha efetuado qualquer trabalho. E, mesmo no tocante as habilidades do suposto contratado, nada consegue provar. Frente a isso é forçoso reconhecer o acerto da imposição fiscal. Face ao exposto, é de ser mantida a exigência relativa à glosa de despesas. IRRF Pagamento sem causa comprovada A contabilidade da empresa faz prova de que foram efetuados pagamentos amparados por documentário que, já concluímos, é ideologicamente falso. Os pagamentos não são remuneração pela atuação da empresa “Evany Manoel das Neves ME” prestando “assessoria” à autuada. Com isso, em que pese a escrituração demonstrar que ocorreram pagamentos , a causa dos mesmos não restou comprovada. Assim, é acertada a incidência do art. 674, do RIR/99: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Fl. 479DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 No recurso voluntário não são apresentadas quaisquer provas da execução do serviços contabilizados, o que autoriza a glosa, porquanto a despesa, para ser dedutível, deve ser paga ou incorrida na realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, devendo ainda ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Cabível, também, a meu ver, o lançamento do IRRF, porquanto não restou demonstrada a causa do pagamento. Vale lembrar, ainda, porquanto ressaltado no recurso voluntário, que a responsabilidade tributária, em regra, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No caso vertente, verificase que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% para as glosas de perdas no recebimento de créditos e dedução como despesa de ativo imobilizado. Todavia, para a glosa relativa à despesas inexistentes aplicou a multa de 150%, a qual possui caráter subjetivo, exigindo a comprovação do dolo e da sonegação, fraude ou conluio. Ocorre que, a despeito do esforço produzido pela fiscalização para elucidar a questão, a causa da operação não foi comprovada, e as deduções feitas resultaram na indevida redução do IRPJ e reflexos dos períodos fiscalizados. A recorrente, por sua vez, produziu provas (lançou as despesas) que atestassem no sentido da dedução indevida. Em suma, produziu provas para provar eventos que não existiram, e que resultaram na redução de quase dois milhões de reais de sua base de cálculo. A título exemplificativo, menciona a fiscalização Concluímos que os serviços em tela nunca foram prestados, tratandose, portanto, de despesas inexistentes. Ou seja, as notas fiscais apresentadas pela fiscalizada para comprovar as despesas são notas fiscais eivadas de falsidade ideológica, por descreverem operações de prestação de serviços que não correspondem à realidade. A fiscalização, por fim, conclui pela presença do dolo e pela prática de fraude, situações que autorizam a exasperação da multa de ofício. A recorrente não logrou desincumbirse das acusações feitas nas peças recursais a que teve oportunidade de apresentar. Neste sentido, meu voto é para manter a multa qualificada. Também se insurgiu a recorrente contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, em especial, a violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 475 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a alegação de que há vício de forma, pela inexistência dos fundamentos de fato explicitados no auto de infração, nulidade do objeto, por não observar regras constitucionais, e inexistência de motivos, vêse do relatório de ação fiscal e do auto de infração que a forma escrita foi observada, os fundamentos de fato e os motivos foram declinados no corpo do auto de infração e no relatório de ação fiscal. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 481DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.722312/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Há que se negar provimento ao recurso de ofício em face de decisão que cancela parte do lançamento, por restar demonstrada a origem dos respectivos ingressos na conta bancária.
Não logrando a recorrente comprovar a origem de ingressos na sua conta bancária, deve ser mantida a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96.
O fato de a receita que ingressou na conta bancária ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que cabia a contribuinte.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Há que se negar provimento ao recurso de ofício em face de decisão que cancela parte do lançamento, por restar demonstrada a origem dos respectivos ingressos na conta bancária. Não logrando a recorrente comprovar a origem de ingressos na sua conta bancária, deve ser mantida a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. O fato de a receita que ingressou na conta bancária ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que cabia a contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS.
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Recorrente PANORAMA FUNDIÇÃO DE METAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Há que se negar provimento ao recurso de ofício em face de decisão que cancela parte do lançamento, por restar demonstrada a origem dos respectivos ingressos na conta bancária. Não logrando a recorrente comprovar a origem de ingressos na sua conta bancária, deve ser mantida a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. O fato de a receita que ingressou na conta bancária ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que cabia a contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 12 /2 01 2- 48 Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri. Relatório Versa o presente processo sobre recursos de ofício e voluntário, interpostos em face do Acórdão nº 1441.577 da 3ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. DUPLICATAS. DESCONTO. COBRANÇA. No caso de desconto de duplicatas ou de sua cobrança, a presunção de omissão de receita só é afastada quando comprovada a contabilização da respectiva receita. TRANSFERÊNCIAS. CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. COMPROVAÇÃO. Somente excluemse da tributação os créditos bancários que, comprovadamente, forem provenientes de outras contas de mesma titularidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O voto vencedor da decisão recorrida assim sustentou: “No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes e ela não logrou fazêlo. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem relativamente à totalidade dos depósitos questionados durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou evidenciada. Assim descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados. Na fase impugnatória, a contribuinte alega que o procedimento fiscal ofendeu o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, pois o autuante declarou no Termo de Verificação Fiscal que “Tendo em vista que a maioria dos lançamentos contábeis engloba vários valores e não coincide com os valores nos extratos, não foi possível fazer a conciliação por lançamento de forma individualizada”. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.722312/201248 Acórdão n.º 1302001.469 S1C3T2 Fl. 1.240 3 Não prospera tal alegação, pois o autuante examinou individualmente cada crédito efetuado nas contas correntes da contribuinte, excluindo as transferências entre contas, os empréstimos, os estornos, cancelamentos, etc. Feita essa análise inicial, intimou a contribuinte a comprovar a origem de cada um dos créditos efetuados e, somente depois, quando a autuada não apresentou qualquer documento, é que excluiu os valores contabilizados como débitos nas contas contábeis “Bancos” do livro Razão, estes sim escriturados englobando vários valores. Assim, não houve qualquer desrespeito ao citado dispositivo legal. Alega, também, que ocorreu erro de fato na planilha integrante da peça acusatória, (à fl.02), em relação à diferença existente, no mês de dezembro, entre os valores lançados nas colunas “Total dos Créditos não Justificados (Extratos)” e “Entradas nas contas Contábeis Bancos (Débitos Contábeis)”, em que o valor da coluna “entradas” foi maior que aquele lançado na coluna “Total dos Créditos” no montante de R$ 2.332.683,80. Afirma que tal valor deve ser excluído da base de cálculo do referido mês. Quanto a essa “diferença” existente no mês de dezembro, verificase que a citada planilha espelha o valor dos créditos bancários efetuados naquele mês que a contribuinte não justificou, no total de R$ 2.032.206,07, e discrimina os registros contábeis a débito efetuados no citado mês na conta “bancos”, que totalizam R$ 4.364.889,87. Tais constatações levam à conclusão de que, no mês de dezembro, não houve omissão de receitas apurada com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada. Ou seja, os registros contábeis de entradas nas contas bancárias foram maiores do que aqueles questionados pelo fisco, não implicando, esse fato, que tais entradas na conta “bancos” a maior devem servir como justificativa para os créditos bancários efetuados nos meses anteriores, para os quais a contribuinte não apresentou provas de que se tratavam de valores correspondentes a receitas já tributadas, isentas, não tributáveis, ou a valores não correspondentes a receitas (empréstimos, etc.). É improcedente, portanto, a solicitação para se excluir tal diferença de R$ 2.332.683,80. A contribuinte argumenta, ainda, que devem ser excluídos da tributação os valores relativos a desconto de duplicatas e cobrança desses títulos, uma vez que se originaram de notas fiscais regularmente emitidas por seu titular. Ora, se são valores relativos a notas fiscais regularmente emitidas, deve a contribuinte comprovar a contabilização e a tributação da receita correspondente a tais notas fiscais de venda. A existência de duplicatas denota que houve o faturamento, não podendo ser desconsiderado o crédito dele decorrente sem a comprovação de que a receita correspondente foi tributada. Devese acrescentar que o autuante excluiu da tributação os valores registrados a débito da conta “bancos” do livro Razão, dentre os quais estão aqueles registrados a título de duplicatas recebidas, conforme consta no TVF. Assim, não se altera a tributação do referido valor. Quanto à alegação de que foram feitas transferências eletronicamente diretamente de banco a banco, entre contas correntes de mesma titularidade, conforme relação de fls. 856 a 862, verificase que a simples indicação de que se trata de transferência bancária (como foi feito na impugnação) não é suficiente. É necessário comprovar que as contas de onde vieram os valores transferidos são de titularidade da contribuinte, o que não ficou provado na impugnação. A contribuinte indicou operações bancárias com os seguintes históricos: “Créd.Transf. entre ContasTransf. Da 8/9001337” (fl.148), “Mov.Tit.de 0770/854941” (fl.399), “Mov.Tit. de 0770 848547”, “Ag. TEF 0770.84854 Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 7” (fl. 399), “Transf.TB” (fl.523), “Transf. Ag. Dinh” (fls.158, 171), ou, ainda “Transferência de Saldo” (fl.538). Entretanto, como se vê, tais históricos não permitem vislumbrar se a conta de onde provêm os valores transferidos são da contribuinte ou de terceiros. Caberia à contribuinte apresentar os documentos bancários que deram suporte a tais transferências, comprovando assim que foram feitas de outras contas de titularidade da autuada. Não tendo sido anexados tais comprovantes, não se altera o lançamento. Consta às fls. 1167 a 1171 a planilha por mim elaborada com os históricos constantes dos extratos bancários, conforme antes relatado, observandose, inclusive, que consta em alguns históricos que a transferência foi feita por outra pessoa jurídica (por exemplo: Asper Jato Ind.Com. – fl.171). Constam nessa planilha os valores por mim considerados como sendo relativos a transferências entre contas de mesma titularidade (cujo histórico é Transf. Ag.Cheq.O próprio favorecido), no valor de R$ 327.219,00 (abril/2008), R$ 151.790,00 (maio/2008), R$ 131.000,00 (setembro/2008), R$ 32.152,47 (outubro/2008), e que serão excluídos da tributação. Relativamente, à argumentação de que foram tributados valores transferidos mediante a emissão de cheques pela própria impugnante (fls. 889 a 1152 e planilha de fls. 850 a 856), anexei às fls. 1172 a 1179 o demonstrativo que contém a indicação dos créditos admitidos como sendo provenientes de depósitos em cheque da própria contribuinte, os quais serão excluídos da tributação, bem assim daqueles não excluídos com a respectiva justificativa. Estão sendo excluídos os créditos bancários relativos a essa alegação nos seguintes valores: TOTAL TRANSF.CHEQUES EXCLUÍDAS ........................................................................................................................................” A contribuinte foi cientificada da decisão recorrida em 24/06/2013 (AR a fls. 1207) e interpôs recurso voluntário em 12/07/2013 (doc. a fls. 1209 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que o ato (ou procedimento) administrativo de lavra do Auditor Fiscal é nulo, visto que, ao descumprir o previsto em lei – visto sua atividade ser absolutamente vinculada, não sendo admitida qualquer discricionariedade – veio a preterir o direito de defesa do contribuinte; b) que o próprio autuante reconhece, por meio da peça acusatória, haver adotado procedimento em absoluto descompasso à determinação legal, visto que se manifesta dizendo que “não foi possível fazer a conciliação por lançamento de forma individualizada”, sendo que aquela é clara o suficiente de maneira a não deixar dúvidas, ao determinar que “para feito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente...”; JANEIRO 28.000,00 ABRIL 98.600,00 MAIO 148.000,00 JUNHO 732.740,00 JULHO 571.100,00 AGOSTO 762.760,00 SETEMBRO 427.960,00 OUTUBRO 1.351.343,00 NOVEMBRO 35.000,00 Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.722312/201248 Acórdão n.º 1302001.469 S1C3T2 Fl. 1.241 5 c) que os trabalhos fiscais, em sua totalidade, foram realizados em outro local que não o estabelecimento do contribuinte, sem que neste o Auditor Fiscal sequer tenha comparecido, o que ofende o disposto no art. 915 do RIR/99, pois o contribuinte foi compelido, por meio de várias intimações, a apresentar uma série de livros e documentos, sem, entretanto, ter tido a posse de qualquer termo escrito lavrado pela autoridade fiscal, de maneira a comprovar a efetividade do atendimento daqueleas determinações, logo, foram utilizados elementos que, em tese, não deveriam, ao menos oficialmente, encontraremse sob a tutela da Autoridade Fiscal, motivo pelo qual tornam nulas as exigências; d) que a Súmula CARF nº 6 leva a outro significado que não aquele adotado pelo Auditor Fiscal titular da ação fiscal, qual seja, a de que a verificação (de livros e/ou documentos) se dar fora do estabelecimento do contribuinte, por ocasião de flagra de determinada irregularidade praticada, isto é, exemplificadamente, mercadorias desacompanhadas de documentos fiscais detectadas pela fiscalização ou ainda, que sejam objeto de descaminho ou contrabando; e) que, no mês de dezembro de 2008, a somatória dos créditos apontados como não justificados correspondeu a R$ 2.032.206,07, enquanto que os valores escriturados, a débito, na conta “bancos”foi de R$ 4.364.889,87, ou seja, nesta foi escriturado valor superior àquele supostamente omitido, no importe de R$ 2.332.683,80, logo, tal excesso deveria ser excluído da base de cálculo do período correspondente, até porque o contribuinte apurou seus resultados trimestralmente e com base no lucro real, o que levaria com que a base de cálculo do 4º Trimestre do AC 2008 seia reduzida a R$ 2.792.308,06, ao invés de R$ 5.124.991,86, equivocadamente utilizada; f) que, não obstante a recorrente tenha elencado a totalidade de depósitos feitos com cheques de sua própria emissão, inclusive juntado cópia microfilmadas deles, a decisão recorrida reconheceu valores aquém daqueles efetivamente comprovados, razão pela qual, entende que devam ser excluídos das bases de cálculo os seguintes valores: R$ 1.605.173,88 (1º Trimestre/2008), R$ 2.265.217,96 (2º Trimestre/2008), R$ 2.563.888,37 (3º Trimestre/2008) e R$ 1.469.649,22 (4º Trimestre/2008); g) que, com relação à Cofins e PIS/Pasep, deveriam ter sido excluídos os seguintes valores: R$ 210.005,60 (jan/2008); R$ 213.073,36 (fev/2008); R$ 1.182.094,92 (mar/2008); R$ 1.084.080,96 (abril/2008); R$ 593.945,92 (maio/2008); R$ 587.191,08 (junho/2008); R$ 1.225.914,93 (jul/2008); R$ 728.050,88 (agos/2008) R$ 609.922,56 (set/2008); R$ 887.360,46 (out/2008); R$ 334.481,40 (nov/2008); e R$ 147.806,36 (dez/2008); h) que, com relação às inúmeras operações financeiras levadas a efeito pela recorrente junto às mais diversas instituições financeiras, elas se davam mediante a apresentação, pela recorrente, de garantias representadas por títulos de sua emissão e que correspondiam elas a descontos, assim como a cobrança de duplicatas que, na essência, viriam a representar o ingresso (créditos) de valores em contascorrentes bancárias de titularidade da contribuinte, razão pela qual, já que totalmente respaldada em títulos de Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 sua emissão os créditos advindos de tais operações, deve ser reformado, no tocante a tal item, o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço, para negarlhe provimento, pois a planilha elaborada pelo Relator do voto vencedor da decisão recorrida aponta com amparo em provas coligidas aos autos a razão de cada uma das exclusões da base de cálculo. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1227, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, afasto a preliminar de nulidade suscitada, relativa ao local onde realizado o trabalho fiscal, pois se equivoca a contribuinte quanto ao sentido da norma insculpida no art. 915 do RIR/99 e da Súmula CARF nº 06, pois o termo de apreensão de documentos não é condição para que os trabalhos fiscais possam se realizar fora do estabelecimento do fiscalizado, mas ato necessário para que o Fisco possa conservar em seu poder os livros da fiscalizada. Ocorre, porém, que a intimação para apresentação de documentos dispensam a lavratura do termo de apreensão e são provas inconteste da detenção de tais documentos em poder do Fisco, quando atendidas pelo contribuinte, como é o caso. Quanto à alegação de que teria sido descumprida a norma que determinaria a conciliação por lançamento de forma individualizada, a recorrente incorre novamente em equívoco, se não vejamos o que se segue. Vale, antes de mais nada, trazer à colação o teor do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º Omissis. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.722312/201248 Acórdão n.º 1302001.469 S1C3T2 Fl. 1.242 7 ............................................................................................................................” Assim, a teor do disposto no dispositivo legal acima transcrito, caberia ao autuante individualizar os depósitos e intimar a recorrente a comprovar a origem de cada um deles com documentação idônea. Isso foi feito, tanto que a fls. 713 e segs, consta o Termo de Intimação datado de 12/06/2012, cujo anexo individualizou cada um dos lançamentos que caberiam a recorrente comprovar a origem do ingresso em conta bancária. Cada um dos depósitos que a contribuinte não conseguiu comprovar a origem deveria compor a base tributável do lançamento fundamentado na presunção de omissão de receitas do art. 42 em tela. Ocorre, entretanto, que a Fiscalização da Receita Federal tem adotado uma interpretação mais favorável aos contribuintes totalmente desprovida de base legal, a qual consiste em abater do valor total dos depósitos não comprovados o valor de entradas contabilizadas, decorrendo disso uma redução indevida da base tributável. Ora, por esse entendimento da Receita Federal, se do total do faturamento, metade é escriturado e a outra metade transita por conta bancária não escriturada, não haveria omissão de receita, já que um valor anula o outro. Essa exegese não cabe nos parâmetros hermenêuticos do art. 42, o qual inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar que o ingresso na conta bancária corresponde a um determinado lançamento contábil, sendo totalmente desarrazoado que o Fisco presuma do jeito que o fez nesse e em outros casos já julgados por este Colegiado. De qualquer forma, a tal conciliação feita pelo autuante nos autos desse processo, embora sem base legal, só beneficiou a contribuinte, pois a ela cabia provar que os registros contábeis correspondiam aos ingressos na conta bancária. O Fiscal, ao abater indevidamente valor de ingressos contabilizados dos ingressos não comprovados na conta bancária, terminou por dispensar a recorrente do ônus que a Lei lhe impunha. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento, nem teria a recorrente legitimidade para alegálo, por ter se beneficiado de uma interpretação equivocada da Fiscalização, a qual reduziu a base tributável (pas de nullité sans grief). Por essa mesma razão, afasto a alegação de que o saldo contabilizado a maior no mês de dezembro de 2008 deveria abater o valor não contabilizado de meses anteriores. Ora, se o valor contabilizado em dezembro de 2008 correspondia a ingressos na conta bancária em meses anteriores, caberia a recorrente demonstrar, com documentação idônea, a correlação entre os lançamentos, a ponto de justificar o equívoco na escrituração. Da mesma forma, não procede a alegação da recorrente de que a decisão recorrida deixou de considerar comprovada a origem de ingressos que teriam sido decorrentes de depósitos com cheques emitidos por ela mesma. A planilha elaborada pelo Relator do voto vencedor (doc. a fls. 1.167) justificou o acolhimento ou não de cada um dos elementos probatórios apresentados pela recorrente. A título de exemplo, vejamos que o cheque no valor de R$ 15.200,00 apresentado pela recorrente (doc. a fls. 889) não foi acolhido por que não correspondia a nenhum ingresso objeto da fiscalização, nem pelo valor nem pela data. Por sua vez, o cheque no valor de R$ 16.000,00 (doc. a fls. 890) foi acolhido e o valor foi excluído da base tributável, conforme informa a referida planilha a fls. 1.172. Ademais, a recorrente não se insurge contra nenhum ponto específico da referida planilha, pois apenas faz alegação genérica de que cheques por ela emitidos não teriam sido acolhido pela decisão recorrida, sem enfrentar as razões apontadas para o não acolhimento. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário também nesse ponto. Por esses mesmos motivos, também não há que prosperar as alegações de que não teriam sido consideradas operações comerciais respaldadas em títulos emitidos pela recorrente (duplicatas), cujos descontos teriam gerado os ingressos que ora se discute neste autos. Observo que é perfeita a decisão recorrida, quando sustenta que: “Ora, se são valores relativos a notas fiscais regularmente emitidas, deve a contribuinte comprovar a contabilização e a tributação da receita correspondente a tais notas fiscais de venda. A Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 existência de duplicatas denota que houve o faturamento, não podendo ser desconsiderado o crédito dele decorrente sem a comprovação de que a receita correspondente foi tributada”. Ora o art. 42 apenas dispõe sobre um meio de prova indireta da omissão de receita, sendo que o fato de a receita ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que caberia a recorrente. Assim, se ingressos em conta bancária decorreram de descontos de títulos, caberia a recorrente provar que, de tais operações de desconto de títulos, decorreram ingressos em conta bancária em valor e data correspondente ao que visa comprovar e, além disso, que as receitas foram oferecidas a tributação. No presente caso, a recorrente sequer trouxe, aos autos, qualquer demonstrativo que visasse comprovar a vinculação de operações de desconto de títulos com ingressos ora discutidos e, muito menos, que tais ingressos foram oferecidos à tributação, razão pela qual também nego provimento ao recurso neste ponto. Em face do exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 16561.000183/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PARCELAMENTO. LEI 11.941/2009. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DO RECURSO.
A opção do contribuinte, devidamente consignada no processo, pelo parcelamento especial criado pela Lei 11.941/2009 acarreta, conforme a determinação constante no art. 5°, a confissão extrajudicial do débito e a conseqüente desistência de seu recurso.
Numero da decisão: 1301-001.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de voto negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário em virtude de expressa desistência. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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LEI 11.941/2009. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. A opção do contribuinte, devidamente consignada no processo, pelo parcelamento especial criado pela Lei 11.941/2009 acarreta, conforme a determinação constante no art. 5°, a confissão extrajudicial do débito e a conseqüente desistência de seu recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de voto negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário em virtude de expressa desistência. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 83 /2 00 7- 22 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Em síntese o relatório do necessário para decidir. A autuação decorreu de fiscalização empreendida junta a empresa acima identificada com a finalidade de se verificar a observância da legislação relativa a Preços de Transferência no que diz respeito às suas exportações efetuadas no período de 01/01/2002 a 31/12/2005. Do arbitramento O artigo 19 da Lei n° 9.430/96 (artigo 14 da IN SRF n° 243/2002) determina que estão sujeitas ao controle de preços de transferência as exportações cujo valor não alcance o limite de 90% do respectivo preço de venda no mercado interno. Do cálculo do preço praticado e do preço parâmetro nas exportações o artigo 16 da IN SRF n° 243/2002 considera que o preço médio será apurado em função das quantidades transacionadas. Dos métodos para apuração do preço parâmetro Nas exportações sujeitas ao controle de preços de transferência, o preço parâmetro a ser utilizado na comparação com o preço praticado poderá ser calculado por um dos métodos previstos no artigo 19, § 3o , da Lei n° 9.430/96: PVEx (Preço de Venda nas Exportações); PVA (Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro); PVV (Preço de Venda a Varejo no País de Destino, Diminuído do Lucro) e CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro). Da metodologia Os itens importados no período foram objeto de análise pela fiscalização por amostragem, com os limites estabelecidos pelos dados informados pela contribuinte, apresentados nas respectivas tabelas de banco de dados, certificadas digitalmente. Ou seja, a fiscalização se pautou exclusivamente, para a realização dos cálculos, nas informações prestadas pela contribuinte, que, mediante a assinatura de Termo de Certificação Digital, atestou sua veracidade e validade jurídica, de modo conclusivo. De acordo com os dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização apurou os preçosparâmetro de todos os itens não dispensados pelo critério da margem de 90% conforme art. 19 da Lei n° 9.430/96 e artigo 14 da IN SRF n° 243/2002) pelo método CAP, conforme disposto no artigo 26 da referida IN SRF n° 243/2002. Todas as planilhas, demonstrativos, cálculos e dados utilizados para a apuração dos ajustes acima constam dos anexos do presente Termo, e são parte integrante deste e do respectivo Auto de Infração. Em todos os cálculos foi utilizado arredondamento para 2 casas decimais. Dos lançamentos Fl. 566DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 12 3 Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano calendário de 2002: IRPJ no valor de R$ 2.919.693,91 e CSLL no valor de R$ 1.051.089,77, incluídos multa de 75% e juros de mora, com ciência em 21/12/2007. IMPUGNAÇÃO, alega: DA DECADÊNCIA A impugnante apura e recolhe o IRPJ e a CSLL de acordo com o regime de lucro real anual (apurado em bases mensais). Ou seja, nos meses em que há pagamentos, estes são efetuados em bases mensais. E se há pagamentos mensais de tributos ao longo do período base, é evidente que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorrem mensalmente. Tanto isso é verdade que, caso o contribuinte não realize os recolhimentos mensais por estimativa, a fiscalização exige a multa isolada e também eventuais diferenças dos tributos, não sendo permitido ao contribuinte sustentar que o fato gerador do IRPJ e da CSLL só ocorre em 31 de dezembro do respectivo ano calendário. Assim, temse que a presente autuação somente poderia se referir a fatos geradores ocorridos a partir de 21/12/2002 (5 anos antes da lavratura do Auto de Infração), não podendo atingir operações realizadas antes desse período. Destaquese que, por serem o IRPJ e a CSLL tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e por não ter havido falta de pagamento desses tributos, a contagem do prazo decadencial, no presente caso, deve se pautar no disposto no artigo 150, § 4o., e não no artigo 173, inciso I, do CTN. DA COMPROVAÇÃO DAS REGRAS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO O artigo 35 da IN SRF n° 243/2002 prevê que o contribuinte pode comprovar a adequação às regras de preços de transferência com os próprios documentos da operação de exportação realizada se, no ano em que foram realizadas tais exportações para pessoas vinculadas, ficar comprovado que foi obtido lucro líquido, antes da provisão do IRPJ e da CSLL, em valor equivalente a, no mínimo, 5% das receitas. No caso em questão, verificase na planilha de resultados da contribuinte (doc. n° 04, fl. 413) que o total de receitas de exportação para pessoas vinculadas em 2002 foi de R$ 333.180.848,87, e o lucro líquido apurado ao final do período foi de R$ 45.671.951,43, que equivale a 13,71% desse total. Em vista disso, a impugnante solicita, preliminarmente, que todas as suas operações de exportação sejam consideradas válidas, com base nos próprios documentos de exportação apresentados à fiscalização, e que o Auto de Infração seja cancelado de plano. DO MÉRITO COLOCAÇÃO DA QUESTÃO Em resumo, a autuação deve ser cancelada pelos seguintes motivos: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 1. no que diz respeito à soja, não devem ser aplicadas as normas de preços de transferência, uma vez que: a) a contribuinte é mera intermediária na exportação; e b) as operação foram analisadas no âmbito da Louis Dreyfus Commodities S.A. ("LDC"); 2. no caso do óleo essencial de laranja, existem ajustes que devem ser feitos, na medida em que a fiscalização considerou 2 tipos de produtos distintos no cálculo do preço médio de exportação; e 3. quanto ao suco de lima ácida, ao aroma de laranja em fase aquosa e ao terpeno de laranja, não pode a fiscalização arbitrar um preço de exportação para produto derivado de commodity negociada no mercado internacional, que sofre interferência de inúmeros fatores ambientais e políticos. A seguir, discorre sobre cada um dos produtos contestados pela fiscalização. DA MULTA E DOS JUROS A multa aplicada é abusiva e confiscatória, em total confronto com o artigo 150, inciso, IV, da CF/88, devendo ser reduzida. Quanto aos juros de mora, a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para esse fim, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPO I ), decidiu a matéria por meio do Acórdão, 1622.818, de 15/09/2009, (fls. 432 e ss), considerando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ Ano calendário: 2002 DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA. Em caso de apuração anual do imposto, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do ano calendário, em 31 de dezembro. A partir dessa data, e não da data dos recolhimentos antecipados, tem início a contagem do prazo decadencial. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. SALVAGUARDA. ("SAFE HARBOUR"). A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. Condição não satisfeita pela contribuinte. EXPORTAÇÃO DE SOJA. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. MÉTODO CAP. Quando a exportação é intermediada por empresa na condição de comercial exportadora, o valor de aquisição pode ser considerado o próprio preço parâmetro segundo o método CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Fl. 568DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 13 5 Tributos e Lucro), sem novo acréscimo da margem de lucro de 15%. Exigência exonerada. EXPORTAÇÃO DE ÓLEO ESSENCIAL DE LARANJA. MÉTODO CAP. Constatado equívoco na apuração, pela fiscalização, dos ajustes de preço de transferência na exportação do óleo essencial de laranja, exonerase parcialmente a exigência. EXPORTAÇÃO DE COMMODITIES (SUCO DE LIMA ÁCIDA, AROMA DE LARANJA EM FASE AQUOSA E TERPENO DE LARANJA). MÉTODO CAP. Inexistindo impedimento legal para a adoção do método CAP para o cálculo dos ajustes relativos a commodities (suco de lima ácida, aroma de laranja em fase aquosa e terpeno de laranja), mantémse a exigência. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. É o relatório. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas De início assinale que a autoridade julgadora de primeiro grau, manteve parcialmente os lançamentos, exonerando a exigência fiscal decorrente dos ajustes realizados pela fiscalização em relação as exportações do Produto Soja e, parcialmente, do Óleo Essencial de Laranja, pelo que recorre de ofício. O valor do crédito exonerado supera o limite que sujeita a decisão à revisão necessária. Em sendo assim, cabe analisar em primeiro plano o Recurso de Ofício. Neste particular tomo de empréstimo a síntese constante da bem fundamentada decisão recorrida. PRODUTO SOJA: Conforme planilhas de fls. 215, 325 e 415/419, a contribuinte adquiriu da Louis Dreyfus Commodities S.A. 24.916.000 Kg de soja, as quais foram totalmente exportadas para Nethgrain B.V. Esse fato, corroborado pelas notas fiscais de fls. 420/425, comprovam a condição de empresa comercial exportadora da contribuinte, com relação a essas operações. Assim, há que se aplicar o disposto no § 4 o do artigo 26 da IN SRF n° 243/2002, adotando, como preçoparâmetro segundo o método CAP o próprio valor de aquisição, ou seja, R$ 0,395268923 (fl. 325), a ser comparado com o preço médio de exportação, de R$ 0,392634148 (fl. 325), resultando num ajuste unitário de R$ 0,002634775. Considerando, no entanto, que o preçoparâmetro e o preço praticado da exportação, divergem em menos de 5%, inexiste ajuste a ser efetuado, nos termos do artigo 38 da IN SRF n° 243/2002, in verbis: Art. 38. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Parágrafo único. Nessa hipótese, nenhum ajuste será exigido da empresa na apuração do imposto de renda, e na base de cálculo da CSLL. Dessa forma, há que se excluir da tributação o ajuste apurado pela fiscalização com relação à exportação de soja. PRODUTO ÓLEO ESSENCIAL DE LARANJA: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 14 7 Com relação ao óleo essencial de laranja, alega a impugnante que a fiscalização considerou 2 tipos de produtos distintos no cálculo do preço médio de exportação: óleo especial de laranja e terpeno de laranja na fase oleosa. Ao analisarmos as planilhas relativas ao cálculo do preço médio praticado na exportação (fls. 217/219) e do preçoparâmetro segundo o método CAP (fls. 329/333), observamos que, de fato, a fiscalização considerou, indevidamente, o conjunto de 2 tipos de produtos distintos (observese inclusive, que a planilha de fls. 217/219 referese a "33011290 ORANGE OIL E VARIANTES"), ao passo que a legislação de preços de transferência determina a apuração de ajustes produto a produto. De acordo com os demonstrativos e planilhas apresentados, as informações relativas a apenas o terpeno de laranja na fase oleosa restam validados os cálculos apresentados pela impugnante no demonstrativo de fl. 375. Dessa forma, com relação ao óleo essencial de laranja, há que alterar o ajuste a título de preço de transferência, de1 R$ 3.305.906,92, para R$ 2.341.907,47, conforme cálculos acima efetuados.” Não faço reparos, pois, à decisão recorrida e nego provimento ao Recurso de Ofício, o qual se relaciona ao item “Ajuste do preço de transferência do produto Soja”, exoneração total e, item “Produto de Óleo Essencial de Laranja’, exoneração parcial. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. No entanto, a apreciação de mérito da questão encontrase prejudicada, visto que a interessada protocolizou em 25/07/2011, pedido de desistência do recurso dirigido ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (doc. de fls. 502 e ss), no qual informa que incluiu o débito ora em discussão no programa de parcelamento de débitos tributários instituído pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, dentro do prazo especificado no artigo 1o., inciso IV, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2, de 03/02/2011. Aduzindo mais que “Assim sendo, em atenção ao que dispõe a Lei n° 11.941/2009 e o artigo 13 da mesma Portaria n° 2/11, a Requerente manifesta a desistência do Recurso Voluntário interposto no presente processo administrativo, assim como renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se funda o referido recurso. Ao final, a Requerente requer seja arquivado o presente processo.” Por pertinente transcrevo os artigos 9o. e 13 da Portaria Conjunta (RFB/PGFN) 2, de 2011, bem como o art. 78 da Portaria (MF) 256, de 2009 que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 9º Para a consolidação de modalidade de parcelamento ou de pagamento à vista com a utilização de crédito decorrente de Prejuízo Fiscal ou de Base de Cálculo Negativa de CSLL, nos períodos de que trata o art. 1º, o sujeito passivo deverá indicar: I os débitos a serem parcelados ou aqueles que foram pagos à vista; (...) Fl. 571DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 § 2º A indicação dos débitos de que trata o inciso I do caput deverá ser efetuada por intermédio dos sítios da RFB ou da PGFN na Internet nos endereços mencionados no § 2º do art. 1º, ainda que o sujeito passivo tenha anteriormente prestado esta informação perante unidade da RFB ou da PGFN ou em razão do cumprimento do disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 29 de abril de 2010, e, sendo o caso, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 11, de 24 de junho de 2010. (...) Art. 13. O prazo para desistência de impugnação ou de recurso administrativos ou de ação judicial de que tratam o caput e o § 1º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, ficam reabertos até o último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da respectiva modalidade de parcelamento ou da conclusão da consolidação de que trata o art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. § 1º O sujeito passivo deverá selecionar débito com exigibilidade suspensa no momento em que prestar as informações necessárias à consolidação de cada modalidade, ainda que a desistência e a renúncia de que trata o caput sejam: I formalizadas pelo sujeito passivo após a apresentação das informações necessárias à consolidação; ou II analisadas e acatadas pelo órgão ou autoridade competente, administrativo ou judicial, em momento posterior à apresentação das informações necessárias à consolidação. Portaria MF,. 256, de 2009: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (...) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Como visto, trata os autos do presente processo de apreciação de recurso de Ofício e Recurso Voluntário, restando, no caso, verificar quais são os débitos discutidos e que foram indicados pela recorrente quando da sua opção ou consolidação do parcelamento de que trata a Lei 11.941/2009 (total ou parcial), haja vista o disposto no § 3º do art. 78 do RICARF acima. Nesse passo, os autos do presente processo foram baixado em diligência (Resolução 1301000.043, em sessão de 31/01/2012), nos seguintes termos: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 15 9 Neste sentido, em homenagem ao princípio da verdade real, voto por converter o julgamento em diligencia para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição da contribuinte junte aos autos documentação relativo ao pedido do parcelamento em apreço, discriminando com relação aos crédito tributários exigidos nestes autos, quais parcelas foram objeto de sua opção ou consolidação, principalmente, no sentido de elucidar se a desistência fora total ou parcial, visto não restar claro na petição apresentada. Após tal providência deverá ser lavrado relatório consubstanciado com a finalidade de dar ciência à interessada para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo no prazo adequado. A seguir, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para conclusão do seu julgamento. Pois bem. Retorna os autos, após diligencia efetuada, da qual reproduzo o relatório. “Da análise Consta as folhas 514/522, o pedido de desistência do Recurso Voluntário interposto pela empresa e protocolado nesse órgão, para ingresso no parcelamento da Lei 11.941/2009. O crédito tributário em questão foi apartado de acordo com o valor mantido em julgamento(DRJ) e transferido para o processo nº 18208.086328/201113(extrato de folhas 547/550). Consta as folhas 551/552, o Extrato da consta PAEX – Consulta Consolidação do Optante na modalidade LEI 11.941/2009 – RFBDEMAISART 1, o processo nº 18208086328/201113, cujos débitos correspondem ao crédito tributário mantido objeto do recurso voluntário (IRPJ, valor original R$ 722.523,33, multa de oficio R$ 541.892,49; e CSLL, principal R$ 260.108,40 e multa de oficio R$ 195.081,30). Face ao exposto, ficou demonstrado quais débitos e valores que foram incluídos no regime de parcelamento da Lei 11.941/2009, em relação ao crédito tributário exigido neste processo. Cientifico a empresa interessada desse relatório, para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo, no prazo de 15 (quinze) dias.” Através do seu procurador a interessada se manifesta, simplesmente, requerendo seja confirmado o cancelamento da exigência de IRPJ e CSL relacionada às operações soja e óleo essencial de laranja, com o posterior arquivamento dos autos do presente processo. De fato, a Lei 11.941/2009 trouxe vários benefícios para o adimplemento de débitos por parte dos sujeitos passivos, mas, também, trouxe série de obrigações, como a desistência dos recursos administrativos interpostos, com a respectiva confissão (art. 5o. ). Lei 11.941/2009: Art. 5º A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Fl. 573DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Assim, confirmado nos autos de que houve confissão do débito objeto do lançamento de ofício e mantido na decisão de primeira instância, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO por expressa desistência e, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 574DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10814.006071/2005-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/09/2000
REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO.
Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostra-se cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyasaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/09/2000 REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO. Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostrase cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyasaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 60 71 /2 00 5- 18 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Tratase de recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, onde postula a restituição de imposto de importação que teria pago a maior em razão de não ter utilizado da redução do imposto, prevista no Regime automotivo da Lei 10.182/2001. O pleito do sujeito passivo foi negado sob o argumento de que, para fruição do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001, a certidão de regularidade fiscal apresentada pela contribuinte perante a SECEX/MIDCT, quando do pedido de habilitação ao benefício deveria ter sido apresentada perante à Secretaria da Receita Federal, quando da solicitação da fruição do benefício para o qual a contribuinte se habilitara previamente junto à SECEX. O argumento para se indeferir a restituição pleiteada foi no sentido de que a Certidão Negativa de Débitos CND deveria ser apresentada por ocasião do registro de cada Declaração de Importação. A recorrente defende que a regularidade fiscal deve ser exigida, apenas e tão somente, na data da concessão do benefício, devendo ser afasta a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do despacho aduaneiro das mercadorias importadas. O especial do sujeito passivo foi admitido pelo Presidente da Câmara a quo, no tocante à questão do momento em que se deve exigir a apresentação da CND para fruição do benefício acima aludido. Regularmente intimada, a PGFN apresentou contrarrazões, onde defende a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei nº 10.182/2001. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante a SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a prova da regularidade fiscal deve ser feita no momento da fruição do benefício, que se dá a cada importação da mercadoria com a redução do imposto. É nesse momento que se deve provar a regularidade fiscal exigida por lei. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.006071/200518 Acórdão n.º 9303002.820 CSRFT3 Fl. 350 3 Essa matéria foi muito bem enfrentada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a quem rendo as devidas homenagens e peço licença para transcrever excerto de seu voto como fundamento desta decisão. Cumpre iniciar sua análise pela delimitação da questão posta a debate. Resumese ela ao momento em que deve ser apresentada a prova da regularidade fiscal de que trata o art. 60 da Lei 9.069/95. Já está assentado, portanto, que ela se aplica à hipótese aqui discutida – regime automotivo de que cuida a Lei 10.182/2001 – e que essa regularidade se há de demonstrar por meio de certidão negativa de débito (CND). Essa conclusão se impõe quando se vê que a própria decisão aceita como demonstradora da divergência não as rejeitou, apenas estendeu ao benefício aqui discutido – regime automotivo – a conclusão do ministro Fux válida para o drawback. Em outras palavras, no entender da Câmara paradigmática, sempre que se tratar de aplicação do art. 60 da Lei 9.069, a exigência de CND tem de ser única: ou ela é exigida no momento da “concessão” ou no do reconhecimento. Assim, equiparando a figura da habilitação prevista explicitamente na Lei 10.182 à da expedição do ato concessório que se realiza no âmbito do drawback, a Câmara entendeu que, uma vez exigida a CND na habilitação, não cabe exigila de novo, tal qual, segundo o STJ, não cabe fazêlo quando se trata de drawback. Ocorre que os dois institutos, embora benefícios fiscais ambos, não são, a meu ver, equivalentes. De fato, pelo menos duas diferenças são significativas. A primeira, e mais relevante, é que a exigência de comprovação de regularidade fiscal não consta nas disposições da legislação aduaneira atinentes ao drawback (Decreto lei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I) mesmo com o “disciplinamento” que lhes dão as normas dos diversos regulamentos aduaneiros baixados, a exemplo dos arts. 335 a 355 do Decreto 4543. No drawback, portanto, toda a exigência se encontra lastreada exclusivamente na própria Lei 9.069/95, que é posterior ao ato legal que instituiu o regime. Nesses termos, a extensão realizada na decisão paradigma somente se poderia efetuar validamente se o regime automotivo, de modo semelhante ao regime aduaneiro especial em causa, não contivesse em sua legislação a exigência. Completamente diversa é, no entanto, a situação do Regime Automotivo: a própria lei que o instituiu – art. 6º, I da Lei 10.182 – já exigiu a “comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais”, aqui equiparada à exibição de CND (ponto sobre o qual também não se instaurou a divergência). Isso é, aliás, reconhecido pela própria recorrente. Ou seja, de um lado se tem um regime aduaneiro especial para cuja validade somente era originalmente exigida, grosso modo, a comprovação da efetiva exportação de certa quantidade de produtos, e ao qual se passou a aplicar adicionalmente a exigência genericamente prevista na Lei 9.069, e, do outro, um regime que, desde o seu nascedouro, já contém tal exigência de forma explícita. Notese que se trata de legislação posterior à Lei 9.069 e específica para o benefício. A segunda diferença é que no drawback se tem, desde o ato concessório, claramente definidos os parâmetros em que a suspensão, isenção ou restituição se dará, cabendo tãosomente ao interessado, após obter tal ato, exportar a quantidade compromissada – modalidade suspensão. Nas duas outras modalidades, tudo já é provado no primeiro momento, isto é, a importação, com pagamento de tributo, de quantidade equivalente àquela objeto da isenção ou da restituição postulada. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 De se notar que, mesmo assim, a decisão do sr. Ministro Fux não chegou ao ponto de afirmar que seria dispensada a CND para novos requerimentos do mesmo contribuinte. Ou seja, da decisão proferida o que se extrai – ao menos é o que extraio eu – é a dispensa da exigência de nova CND no momento do desembaraço da quantidade cuja importação com isenção ou suspensão previamente fora deferida; novos pedidos requererão nova CND. A aplicação “analógica” desse entendimento, portanto, levaria, a meu sentir, à conclusão oposta à que chegou a câmara paradigmática: a cada importação, no caso do regime automotivo, nova CND há de ser exigida, pois é aí que se tem de fato a concessão ou o reconhecimento para uma dada quantidade e qualidade de mercadoria a ser importada. E essa conclusão se vê reforçada pelo entendimento, já não mais objeto de controvérsia, de que a ele se aplica o art. 60 da Lei 9.069, em adição ou complemento à Lei 10.182, ainda que seja esta última específica do regime e posterior àquela e somente preveja a comprovação da regularidade no momento da habilitação. Por isso é que entendo que somente acatando a pretensão da empresa de que a Lei 9.069 não se aplica ao benefício em causa se poderia cogitar da dispensa da exigência debatida. Pacificada a questão, ao seu recurso especial há de ser negado provimento. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000522/2002-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/01/1996 a 30/01/1999
COFINS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA EM CONFORMIDADE AO ART. 173, I DO CTN. INAPLICABILIDADE DO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62-A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009).
O direito de a fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados mas não pagos decai, conforme o julgamento do STJ do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em consonância ao que dispõe o artigo 173, I do CTN. Afasta-se, portanto, a decadência reconhecida pelo acórdão a quo no que tange aos fatos geradores ocorridos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência do auto de infração pelo contribuinte se deu em 26/03/2002.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.872
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/01/1996 a 30/01/1999 COFINS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA EM CONFORMIDADE AO ART. 173, I DO CTN. INAPLICABILIDADE DO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62-A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). O direito de a fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados mas não pagos decai, conforme o julgamento do STJ do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em consonância ao que dispõe o artigo 173, I do CTN. Afasta-se, portanto, a decadência reconhecida pelo acórdão a quo no que tange aos fatos geradores ocorridos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência do auto de infração pelo contribuinte se deu em 26/03/2002. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/01/1996 a 30/01/1999 COFINS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA EM CONFORMIDADE AO ART. 173, I DO CTN. INAPLICABILIDADE DO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). O direito de a fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados mas não pagos decai, conforme o julgamento do STJ do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em consonância ao que dispõe o artigo 173, I do CTN. Afastase, portanto, a decadência reconhecida pelo acórdão a quo no que tange aos fatos geradores ocorridos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência do auto de infração pelo contribuinte se deu em 26/03/2002. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 05 22 /2 00 2- 38 Fl. 746DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de n.º 20313.397, proferido pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, (i) deu provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência do direito da fiscalização constituir créditos tributários de COFINS relativos aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1996 e março de 1997, tendo em vista que a ciência do lançamento pelo contribuinte apenas ocorreu em 26/03/2002. Considerou, para tanto, o prazo decadencial o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN e não o de 10 (dez) anos previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional por meio da Súmula Vinculante nº 8 do STF; e (i) negoulhe provimento quanto ao mérito, entendendo ser cabível a incidência da COFINS sobre as receitas oriundas da locação de imóveis eis que estas estariam englobadas no conceito de “serviços de qualquer natureza” a que o artigo 2º da Lei Complementar 70/91 faz referência, conforme ementa a seguir: “COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DO CTN. LEI COMPLEMENTAR. Para à Cofins, corroborado pela Súmula Vinculante n° 08/STF, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4 o do CTN, afastandose a incidência do art. 45 da Lei n° 8212/91 por esta se tratar de lei ordinária, sendo a decadência matéria reservada a lei complementar por força do art. 146, III, b da Constituição Federal. INCIDÊNCIA SOBRE LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. A receita decorrente da locação de imóveis próprios revestese da natureza de venda de serviços de "qualquer natureza", nos termos que dispõe o art. 2º da Lei Complementar n° 70/91, desta forma sobre ela incide a Cofins. Recurso provido em parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, no qual suscitou que acórdãos utilizados como paradigmas teriam entendido que não havendo pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte, o prazo decadencial de 5 (cinco) Fl. 747DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13808.000522/200238 Acórdão n.º 9303001.872 CSRFT3 Fl. 747 3 anos a ser observado deveria ser aquele previsto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e não aquele previsto no artigo 150, §4º desse mesmo Código, devendo a sua contagem ter como termo inicial o primeiro dia útil do exercício seguinte ao fato gerador. Assim, a Fazenda Nacional requereu que apenas as exigências relativas aos fatos geradores ocorridos em 30/01/1996 e em 28/02/1996 fossem atingidas pela decadência, devendo todas as outras serem mantidas. Em despacho de fls. 515/516, o i. Auditor Fiscal da Receita Federal opinou pelo seguimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, tendo o i. Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF aprovado aludido despacho às fls. 517. Regularmente intimado do teor do acórdão, bem como do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e do seu respectivo despacho de admissibilidade, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 554/561, requerendo fosse negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, de forma que fosse mantida a decisão a quo no que tange à decadência, bem como interpôs recurso especial de divergência para solicitar reforma do acórdão a quo no que tange à matéria relativa à incidência da COFINS sobre as receitas oriundas de locação de imóveis, embasandose, para tanto, no entendimento esposado no acórdão de nº 20212.363, o qual foi utilizado como paradigma. Em despacho de fls. 659, com anexo às fls. 660/666, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF entendeu por negar seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, tendo em vista que o acórdão utilizado como paradigma em aludido recurso, qual seja, o de nº 20212.363, foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, não servindo, portanto, como paradigma apto a ensejar a interposição de recurso especial conforme disposição expressa do artigo 67, §10º do Regimento Interno do CARF. Em despacho de fls. 571 o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou o despacho de fls. 566, mantendo integralmente o seu teor no sentido de negar seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Regularmente intimado de aludidos despachos, o contribuinte apresentou a petição de fls. 628/629 na qual informou já ter protocolado, em 30/11/2009, momento anterior ao próprio exame de admissibilidade, o qual foi proferido em 19/08/2010, pedido de desistência de seu recurso especial para fins de adesão ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, eis que tempestivo e, a meu ver, restaramse presentes todos os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA 4 Conforme se depreende do relatório, a controvérsia aduzida nos presentes autos consiste na estipulação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos em casos que o contribuinte tenha deixado de realizar pagamento antecipado do tributo exigido. Para tanto, cingese o presente em definir se é cabível a aplicação do artigo 150, §4 do CTN ou a aplicação do artigo 173, I desse mesmo Código. A controvérsia é relevante nos presentes autos para os fatos geradores compreendidos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência da autuação pelo contribuinte se deu em 26/03/2002. Quanto aos fatos geradores ocorridos em 30/01/1996 e em 28/02/1996, o reconhecimento da decadência relativa às exigências concernentes aos mesmos já fez coisa julgada, tendo em vista que independentemente de se considerar o artigo 150, §4º ou o artigo 173, I, ambos do CTN, as mesmas estarão abrangidas pela decadência. Em que pese o meu entendimento pessoal sobre a matéria in casu, não posso deixar de aplicar, em respeito ao disposto no artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, que prevê que este Conselho deve reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, a decisão proferida no recurso especial representativo de controvérsia, REsp nº 973.733, o qual considerou certas regras para a aplicação dos dispositivos do CTN referentes à decadência, conforme trecho de referido acórdão a seguir transcrito: “(...) 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).” 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 749DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13808.000522/200238 Acórdão n.º 9303001.872 CSRFT3 Fl. 748 5 previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou Fl. 750DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA 6 simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória.(...)” (g.n.) Dessa forma, considerando que o presente caso se enquadra na regra (i), eis que a COFINS se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, e, também, que não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, conforme atestam as fls. 335/338 do auto de infração, cabe a aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 173, I do CTN em detrimento ao prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo150, §4º, do CTN, cabendo o termo inicial de aludido prazo ser dado no primeiro dia útil do exercício seguinte ao fato gerador. Face ao exposto, conheço do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento para afastar a decadência do direito da fiscalização constituir os valores de COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre 30/03/1996 e 30/03/1997, tendo em vista que a ciência do lançamento pelo contribuinte se deu em 26/03/2002 e que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos se deu no exercício seguinte aos mesmos, conforme determina o artigo 173, I do CTN. Nanci Gama Fl. 751DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002383/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
EMBARGOS. ERRO MATERIAL.
Cabem embargos para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto.
PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1).
Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes
Numero da decisão: 2801-003.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar o Acórdão nº Acórdão nº 2801-003.180, de 17/09/2013, com efeitos infringentes, para não conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ERRO MATERIAL. Cabem embargos para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar o Acórdão nº Acórdão nº 2801003.180, de 17/09/2013, com efeitos infringentes, para não conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 83 /2 00 9- 17 Fl. 914DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.002383/200917 Acórdão n.º 2801003.553 S2TE01 Fl. 915 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por intermédio do Acórdão nº 2801003.180 (fls. 875/893 deste processo digital), de 17/09/2013, este colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo ora Embargado. Após o julgamento, a Secretaria da Segunda Seção emitiu o Despacho de Encaminhamento de fl. 895, para que a DRF de origem cientificasse o sujeito passivo e tomasse as demais providências cabíveis. Ato contínuo, a DRF de origem fez juntar aos autos os documentos de fls. 898/910, dando conta de que o Interessado havia ajuizado ação perante o Poder Judiciário com o mesmo objeto deste processo administrativo, após a lavratura do Auto de Infração e antes do julgamento de segunda instância administrativa. A solicitação de juntada dos documentos foi solicitada anteriormente ao julgamento do recurso voluntário. Por intermédio do recurso de fls. 912/913 os presentes embargos foram admitidos pela Presidente desta Turma de Julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Os documentos anexados aos autos em fls. 898/910 evidenciam que, anteriormente ao julgamento do recurso voluntário apresentado pelo ora Embargado, já tramitava, no Poder Judiciário, ação com o mesmo objeto do presente processo administrativo, o que significa dizer que o Interessado já havia renunciado à via administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF nº 1, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse contexto, voto por retificar o Acórdão nº 2801003.180, de 17/09/2013, no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 915DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.002383/200917 Acórdão n.º 2801003.553 S2TE01 Fl. 916 3 Fl. 916DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002216/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1995
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. IN/SRF 21/1997
Consoante determinava o artigo 14 da IN/SRF 21/1997, quando de sua vigência, a utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada mediante pedido de restituição ou de ressarcimento ao qual deve ser anexado uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação.
PRAZO PARA A COMPENSAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
O prazo para realizar a compensação de valores reconhecidos por meio de decisões judiciais transitadas em julgado, a teor do art. 165, inc. III c/c o art. 168, inc. I, do CTN, é de cinco anos, a contar da data do trânsito em julgado da decisão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1995 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. IN/SRF 21/1997 Consoante determinava o artigo 14 da IN/SRF 21/1997, quando de sua vigência, a utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada mediante pedido de restituição ou de ressarcimento ao qual deve ser anexado uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. PRAZO PARA A COMPENSAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. O prazo para realizar a compensação de valores reconhecidos por meio de decisões judiciais transitadas em julgado, a teor do art. 165, inc. III c/c o art. 168, inc. I, do CTN, é de cinco anos, a contar da data do trânsito em julgado da decisão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 22 16 /2 00 8- 30 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI 2 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de Florianópolis: Trata o presente processo de Declarações de Compensação eletrônicas – DCOMP, mediante a qual a contribuinte requer a compensação de débitos tributários com créditos de Finsocial, cujo direito foi reconhecido no Mandado de Segurança nº 91.00.057290. Na análise da solicitação, a autoridade fiscal relata que fezconsulta processual nos sítios do TRF da 4ª Região e STF a fim de reconstituir o histórico da discussão judicial decorrente da impetração do citado Mandado de Segurança pela contribuinte. Como a decisão judicial transitou em julgado em 06 de junho de 1995 e a contribuinte somente apresentou as DCOMP em 13 de agosto de 2003, concluiu a DRF/Blumenau que já havia transcorrido o prazo legal de cinco anos para a contribuinte pleitear a restituição, o que resultou na não homologação das compensações. A autoridade fiscal informa, ainda, que juntou aos autos cópia das DCTF,relativas a fatos geradores ocorridos em 1999, apresentadas intempestivamente, em que a interessada confessa débitos de Cofins, os quais foram compensados por meio das DCOMP apresentadas. Inconformada com a não homologação das compensações, a contribuinte alega que, em 28 de agosto de 2003 apresentou as DCTF referentes ao segundo e terceiro trimestres do ano calendário 1999, nas quais informa as compensações efetuadas com o crédito tributário originado da ação judicial que lhe deu provimento. A contribuinte argumenta que a afirmação da autoridade fiscal de que já havia transcorrido cinco anos do trânsito em julgado, quando solicitou as compensações é inverídica. Explica que os débitos compensados referemse às competências de maio, junho e julho de 1999, portanto, dentro do prazo legal. A interessada defende que a entrega da DCTF é uma mera informação e que a Instrução Normativa nº 21/1997, vigente à época dos fatos geradores, determinava que os créditos decorrentes de pagamento indevido poderiam ser utilizados, mediante Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13971.002216/200830 Acórdão n.º 3801003.139 S3TE01 Fl. 12 3 compensação, independente de requerimento. Explica que somente apresentou DCOMP porque o programa gerador da DCTF, apresentada intempestivamente, solicitava o número da DCOMP. Por fim, a contribuinte alega que o Superior Tribunal de Justiça adotou o entendimento segundo o qual, para as hipótese de devolução de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, ou seja, dez anos. Ao analisar o problema apresentado, a DRJ de Florianópolis ponderou que a Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, veio a disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, onde estabelecia, em seu artigo 26, § 10, que o sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo. E que posteriormente, foi editada a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que mantêm o prazo de cinco anos para ingressar com o pedido de compensação, quando o contribuinte não apresentou pedido de restituição ou ressarcimento anteriormente no prazo legal. Aduz ainda que essa mesma orientação encontrase vigente atualmente, disciplinada na IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Conclui, assim, que o sujeito passivo que obtém decisão judicial transitada em julgado, reconhecendo créditos em seu favor, tem o prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisão para utilizar administrativamente esses créditos, mediante compensação, restituição ou ressarcimento. E que se o crédito que se pretende utilizar na Declaração de Compensação não tiver sido objeto de pedido de restituição formalizado antes do prazo de cincos anos, contados da data do trânsito em julgado de decisão judicial, não pode ser ele utilizado para fins de compensação. Asseverou que não consta dos autos qualquer informação acerca de pedido de restituição solicitado pela contribuinte no prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisão judicial, ou seja, até 04 de março de 2001. Desta forma, ao apresentar a DCOMP, em 15 de agosto de 2003, já havia decaído o direito da contribuinte em pleitear compensação. Desta forma, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Indignado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que a DRJ de Florianópolis embasou sua decisão nas orientações contidas nas Instruções Normativas de no. 460/2004, 600/2005 e 900/2008, todas posteriores ao momento em que as compensações foram realizadas, quando vigia a Instrução Normativa no. 21/97. Alega que a IN SRF 21/1997 dispunha, em seu artigo 14, que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, independentemente de requerimento. E que a exigência para a apresentação de Declaração de Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI 4 Compensação somente passou a existir com a introdução no texto da IN/SRF 210/2001 do parágrafo 6o. do art. 21, através da IN/SRF 323, de 24/04/2003. Prossegue reforçando todos os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pois bem. Alega a Recorrente ter procedido à compensação dos créditos reconhecidos judicialmente em 1995, no ano de 1999, quando vigente a IN/SRF no. 21/97, a qual dispunha que a compensação poderia ser realizada independentemente de qualquer requerimento. Sendo assim, incabível falar em prescrição do seu direito de aproveitamento do crédito tributário reconhecido em decisão transitada em julgado. E que gerou as Dcomps em 2003 apenas para cumprir formalidade requerida pelo Programa Gerador de DCTF, tendo em vista que as compensações perpetradas em 1999 somente foram declaradas em DCTF em 2003, de forma intempestiva, é claro, o que a levou inclusive ao pagamento de multa. Ocorre que muito embora o artigo 14 da Instrução Normativa no. 21 previsse que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica independentemente de requerimento; fato é também que esse mesmo instrumento normativo previu, em seu § 6º, que a utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. Transcrevase, assim, o mencionado artigo 17: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13971.002216/200830 Acórdão n.º 3801003.139 S3TE01 Fl. 13 5 Da leitura do citado dispositivo, inferese que o Recorrente deveria, sim, à época da alegada compensação, nos idos de 1999, formalizála com um Pedido de Restituição, ao qual deveria ser anexado o inteiro teor do processo a que se referia o crédito compensado, determinando, assim, sua compensação. Esse requisito era, sim, indispensável para fins de formalização da compensação. E, por todo o exposto pela própria Recorrente, não observado à ocasião. Pelo que, via de conseqüência, não há como admitir que tal compensação ocorreu em 1999. Por outro lado, é de se investigar se a compensação, mesmo que realizada em 2003, seria tempestiva, considerando que os créditos a ela atinentes remetem à decisão transitada em julgado em 1996. Ocorre que o prazo para realizar a compensação de valores reconhecidos por meio de decisões judiciais transitadas em julgado, a teor do art. 165, inc. III c/c o art. 168, inc. I, do CTN, é de cinco anos. Transcrevase: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados: I – na hipótese dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Portanto, dispõe o contribuinte de cinco anos para iniciar a compensação, contados do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito ao crédito. Nesse passo, como a decisão judicial transitou em julgado em 6 de junho de 1995, teria o Recorrente até 6 de junho de 2000 para começar a compensar os créditos tributários reconhecidos judicialmente. Como o pedido de habilitação dos créditos o qual interrompe o prazo prescricional foi protocolado em 2003, esta incorreu em prescrição do seu direito de compensar os créditos tributários. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI 6 Não há que se alegar que, à época em que efetuou a compensação, ou seja, em agosto de 2003, prevalecia o entendimento do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual, para as hipótese de devolução de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, ou seja, dez anos. Isso porque o direito de pleitear a restituição dos valores indevidamente pagos a título de Finsocial fora exercido pela Recorrente, via ação mandamental por este impetrada, que veio, justamente, assegurarlhe o direito ao crédito. Quando da impetração do mandado de segurança, poderia, sim, o Recorrente, ter pleiteado o seu direito líquido e certo de reaver os valores indevidamente pagos a título de Finsocial no decêndio que antecedeu a sua propositura. Tendo sido proferida a decisão judicial que lhe garantiu esse direito, e tendo essa decisão transitado em julgado, passou o Recorrente a ter o prazo de 5 anos para executála, o que não foi feito. Por essas razões, julgo improcedente o Recurso Voluntário, mantendose, assim, a decisão que não homologou a compensação. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10880.944101/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/01/2000
DCOMP. COMPENSAÇÃO. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
Tendo o contribuinte informado DARF inexistente e, intimado pela RFB, não atende à intimação, há que se ratificar a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada.
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/01/2000 DCOMP. COMPENSAÇÃO. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo o contribuinte informado DARF inexistente e, intimado pela RFB, não atende à intimação, há que se ratificar a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
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COMPENSAÇÃO. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo o contribuinte informado DARF inexistente e, intimado pela RFB, não atende à intimação, há que se ratificar a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 41 01 /2 00 8- 45 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944101/200845 Acórdão n.º 3302002.632 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 15/06/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 049992), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 2.398.754,04, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 14/01/2000, através de DARF no valor de R$ 2.487.408,88, relativo ao PA 12/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 28/03/2008, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 754679735. A empresa Recorrente não atendeu à intimação. Na DCTF Original entregue à RFB, a Empresa Recorrente vinculou ao débito da Cofins do PA 12/99 um único DARF de mesmo valor do débito (R$ 15.821.821,16), pago no dia 14/01/2000. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 4º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 12/99, no valor de R$ 15.821.821,16. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 2.784.892,41 por compensação com parte do pagamento da COFINS do PA 11/96, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 13.036.928,75 com a utilização parcial do pagamento de R$ 15.821.821,16, efetuado no dia 14/01/2000. Com a utilização parcial do pagamento de R$ 15.821.821,16, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 2.784.892,41 passível de restituição ou compensação e é exatamente parte desse o crédito (R$ 2.398.754,04) que está sendo pleiteado neste processo. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944101/200845 Acórdão n.º 3302002.632 S3C3T2 Fl. 4 3 Por meio do Despacho Decisório nº 795093993, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o DARF indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 3.750.673,72, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 31/12/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em dezembro de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 13.036.928,70, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 15.821.821,16, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Declara que, efetuada compensação de parte deste crédito por meio de outras PER/DCOMP’s, lhe teria restado saldo no valor de R$ 2.784.892,41. Menciona, ainda, que, a fim de operacionalizar a compensação do débito ora exigido, procedeu à entrega da PER/DCOMP 33704.03141.150604.1.3.049992, demonstrando o referido crédito e sua utilização parcial. Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que não teria sido localizado o DARF no valor de R$ 2.487.408,88, e concluindo que não restariam créditos disponíveis para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944101/200845 Acórdão n.º 3302002.632 S3C3T2 Fl. 5 4 compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1635.993, de 02/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/01/2000 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Diante da confirmação da inexistência do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) informado na declaração de compensação, impõese ratificar os termos da decisão administrativa que não reconheceu direito creditório tipificado na qualidade de pagamento indevido ou a maior, bem como manter os efeitos legais decorrentes da nãohomologação da compensação declarada. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 05/06/2013, com recurso voluntário, no qual defende que o DARF informado no PER/DCOMP é o mesmo utilizado para quitar o débito do PA 12/99 apurado na DCTF Original, posto que o valor do principal coincide com o informado no PER/DCOMP, tendo ocorrido erro no preenchimento do PER/DCOMP, passível de retificação. Cita decisões do 1º Conselho de Contribuintes e da CSRF. Por entender importante, a Recorrente tece comentários sobre o prazo prescricional para pleitear restituição, posto que a DCTF retificadora do 4º trimestre de 1999, transmitida em 2003, se utilizou de créditos de períodos compreendidos entre 1994 e 1996, Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944101/200845 Acórdão n.º 3302002.632 S3C3T2 Fl. 6 5 para concluir que o prazo para a propositura de ação de repetição de indébito é de 10 (dez) anos a contar do fato gerador e que a Lei Complementar nº 118/2005 aplicase unicamente os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de dezembro de 1999. O pagamento informado no PER/DCOMP ocorreu no dia 14/01/2000, no valor original de R$ 2.487.408,88. O DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB, razão pela qual o pedido foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada. Pelas alegações da Recorrente, o crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), do pagamento feito no dia 14/01/2000, no valor original de R$ 15.821.821,16, existindo R$ 2.784.892,41 passível de restituição ou compensação. A decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto neste voto: Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a não confirmação da existência do crédito informado, tendo em vista a não localização, nos sistemas da Receita Federal, do DARF discriminado na DCOMP. Ressaltese que o sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, se condiciona à comprovação da liquidez e certeza do crédito, nos termos do artigo 170, caput do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcrito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal como documental. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifos nossos) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944101/200845 Acórdão n.º 3302002.632 S3C3T2 Fl. 7 6 Cabe observar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a conseqüente extinção dos débitos vinculados. E, invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso em tela, temse que o contribuinte declarou débitos de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão, que aponta como causa da não homologação da compensação o fato de não ter sido localizado o pagamento indicado na DCOMP como origem do crédito. É de se destacar, ainda, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, antes da emissão do referido Despacho Decisório, de 07/10/2008, o contribuinte, por meio do Termo de Intimação com n.º de rastreamento 754679735, foi informado da não localização do DARF discriminado na DCOMP 33704.03141.150604.1.3.049992 e intimado, em 04/04/2008, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados na DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado, na mesma oportunidade, que a conseqüência da falta de saneamento no prazo concedido poderia acarretar o indeferimento/não homologação da DCOMP. Cabe salientar, também, que a cópia do DARF que a empresa anexa, em sua manifestação de inconformidade, no valor total de R$ 15.821.821,16, não corresponde àquele informado na DCOMP objeto do Despacho Decisório. Ressaltese, assim, que a empresa não trouxe aos autos nada que conseguisse demonstrar a existência do DARF indicado em sua DCOMP. Deste modo, temse que o contribuinte não conseguiu comprovar, aqui, a existência de indébito tributário, sendo que o DARF informado na DCOMP, que poderia, eventualmente, demonstrar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior, gerandolhe crédito, não foi localizado, e ele, quando intimado a sanar tal irregularidade, não o fez, daí decorrendo a não homologação da compensação declarada. Ao contrário do alegado, aqui não se trata de erro material porque a Recorrente, intimada da não localização do DARF informado no PER/DCOMP poderia ter retificadoo. Se não atendeu à intimação do Fisco, é porque entendeu que tinha razão e, nesta hipótese, correta a decisão da Autoridade da RFB de indeferir o pleito. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944101/200845 Acórdão n.º 3302002.632 S3C3T2 Fl. 8 7 Pelo modus operandi constante dos outros processos em julgamento nesta Sessão de Julgamento (P. ex. 10880.915845/200852), também de interesse da Recorrente, mesmo que este Colegiado admita a existência de erro material, passível de retificação, ainda assim não merece prosperar o recurso em julgamento. Isto porque, ao contrário do argüido pela Recorrente, o caso em tela não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte, escriturada em sua contabilidade e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em janeiro de 2000. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 14/01/2000 (data do vencimento da COFINS do PA 12/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui também foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS de 11/96 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 12/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de janeiro de 2000, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS de 11/96, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 12/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 12/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944101/200845 Acórdão n.º 3302002.632 S3C3T2 Fl. 9 8 Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944101/200845 Acórdão n.º 3302002.632 S3C3T2 Fl. 10 9 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10945.002731/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Quando a fiscalização faz constar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessárias a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como demonstra de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, não deve ser acatada a alegação de ofensa ao art. 142 do CTN.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇAO. VALE MOTORISTA. ADIANTAMENTO DE VALORES PARA VIAGEM SEM A CORRELATA COMPROVAÇÃO DOS GASTOS EFETUADOS OU RESSARCIMENTO AO CONTRATANTE. INCLUSÃO. O salário de contribuição, conforme a regra do art. 28, I da Lei 8.212/91 engloba todos os valores creditados aos segurados empregados, seja a que titulo for e que lhe sejam creditados pelo trabalho. Em se tratando da concessão de adiantamento de valores destinados a cobrir gastos e despesas com viagens de segurados empregados para o transporte de cargas, estando ausente qualquer prova da prestação de contas de referidos valores ou mesmo do respectivo desconto nos salários pagos, resta caracterizada a natureza salarial dos mesmos, devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo da recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro Vieira e Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Quando a fiscalização faz constar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessárias a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como demonstra de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, não deve ser acatada a alegação de ofensa ao art. 142 do CTN. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇAO. VALE MOTORISTA. ADIANTAMENTO DE VALORES PARA VIAGEM SEM A CORRELATA COMPROVAÇÃO DOS GASTOS EFETUADOS OU RESSARCIMENTO AO CONTRATANTE. INCLUSÃO. O salário de contribuição, conforme a regra do art. 28, I da Lei 8.212/91 engloba todos os valores creditados aos segurados empregados, seja a que titulo for e que lhe sejam creditados pelo trabalho. Em se tratando da concessão de adiantamento de valores destinados a cobrir gastos e despesas com viagens de segurados empregados para o transporte de cargas, estando ausente qualquer prova da prestação de contas de referidos valores ou mesmo do respectivo desconto nos salários pagos, resta caracterizada a natureza salarial dos mesmos, devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo da recorrente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro Vieira e Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrente TRANSMATIC TRANSPORTE E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Quando a fiscalização faz constar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessárias a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como demonstra de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, não deve ser acatada a alegação de ofensa ao art. 142 do CTN. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇAO. VALE MOTORISTA. ADIANTAMENTO DE VALORES PARA VIAGEM SEM A CORRELATA COMPROVAÇÃO DOS GASTOS EFETUADOS OU RESSARCIMENTO AO CONTRATANTE. INCLUSÃO. O salário de contribuição, conforme a regra do art. 28, I da Lei 8.212/91 engloba todos os valores creditados aos segurados empregados, seja a que titulo for e que lhe sejam creditados pelo trabalho. Em se tratando da concessão de adiantamento de valores destinados a cobrir gastos e despesas com viagens de segurados empregados para o transporte de cargas, estando ausente qualquer prova da prestação de contas de referidos valores ou mesmo do respectivo desconto nos salários pagos, resta caracterizada a natureza salarial dos mesmos, devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo da recorrente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 27 31 /2 00 8- 49 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro Vieira e Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10945.002731/200849 Acórdão n.º 2402003.257 S2C4T2 Fl. 150 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TRANSMATIC TRANSPORTE E COMÉRCIO LTDA, irresignada com o acórdão de fls. 666/672, por meio do qual fora mantida a integralidade do Auto de Infração n. 37.205.0476, lavrado para a cobrança de contribuições sociais parte dos empregados, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos do trabalho e incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. O lançamento compreende as competências de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 17/12/2008 (fls. 01) Constou do relatório fiscal que a empresa fornece mensalmente aos seus segurados empregados VALES, geralmente aos que exercem a função de motorista, sendo pagos através da Empresa Auto Posto Oeste Verde Ltda e contabilizados na conta do Passivo de "Fornecedores — Auto Posto Oeste Verde Ltda" (201010101). Não obstante, também restou verificado pelo fiscal que segurados empregados que exercem outras funções na empresa, como por exemplo, contador e encarregada de escrita fiscal, também são favorecidos por pagamentos a título de "vale motorista", sem figurar nos descontos das folhas de pagamento. Em seu recurso, defendeu, em preliminar o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que o relatório fiscal apontou fatos genéricos de deixou de narrar e/ou especificar fatos certos e determinados, o que configurou ofensa ao art. 142 do CTN. Ademais, sustenta o desacerto do v. acórdão recorrido baseando sua argumentação no fato de que a recorrente que possui uma frota de mais de 80 caminhões para prestarem serviços no território nacional ou mesmo fora dele, situação que exige adiantamentos de valores aos seus motoristas para a cobertura de despesas, tais como: abastecimentos; pedágios; consertos de pneus; descarregamento e carregamento de cargas; chapas; agenciadores de cargas; etc, sendo que tais valores não se incluíam na remuneração dos motoristas, que atuavam como mero depositários dos valores, que após eram devolvidos, caso não utilizados. Acrescenta que também é proprietária do Posto Oeste Verde (Posto Gasparim), por isso, emite um documento interno numerado (com o nome e carimbo da Transmatic), que é pago pelo Posto, para reembolsos dos montantes ao motorista ou funcionário, antes do início das viagens. Quando o motorista ou funcionário retornam da viagem prestam contas dos valores gastos (documentos de despesas) para fins de reembolso, ou devolvem os valores (gastos menores que adiantamentos). O mesmo procedimento é adotado com relação aos mecânicos (compra de peças ou serviços de borracharia), ao contador da empresa Sr. Alves Antonio Damian (recolhimento de guias e despesas de viagens) e auxiliares da contabilidade. Justifica que para se ressarcir dos valores pagos, o Auto Posto Oeste Verde, do mesmo grupo econômico, emite faturas relacionando todos os vales, recibos, notas fiscais e adiantamentos para cobrir as despesas de viagens dos motoristas, e que tais valores são rotulados como "Vale Motorista", não importando a natureza dos pagamentos realizados; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Arremata argumentando que nunca houve qualquer desconto nos salários dos empregados que recebiam o Vale Motorista, pois não integravam o seu salário, requerendo, ainda o afastamento da multa por ser confiscatória Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, os autos vieram a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10945.002731/200849 Acórdão n.º 2402003.257 S2C4T2 Fl. 151 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Não há qualquer cerceamento de defesa a ser reconhecido em razão da não observância pela fiscalização do art. 142 do CTN. Conforme se depreende do relatório fiscal do Auto de Infração o fiscal autuante exerceu a contento as suas prerrogativas. Nas 04 páginas que compõem o documento restou demonstrada de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador das contribuições objeto do lançamento, bem como fora apontada pormenorizadamente os fundamentos de fato e de direito considerados pela fiscalização para considerar como adiantamento a parcela denominada pela recorrente de VALE MOTORISTA, com a indicação dos fundamentos legais aplicáveis a espécie, seja com relação ao valor principal, ou mesmo a multa aplicada. Tais indicações, sem sombra de dúvidas, garantiram ao recorrente o pleno exercício de seu direito de defesa e do contraditório em respeito determinado no art. 142 do CTN e 37 da Lei 8.212/91. Não há que se falar em qualquer indicação genérica ou narrativa de fatos indeterminados, como pretende fazer crer a recorrente. Logo, rejeito a preliminar aventada. MÉRITO Cingese a discussão ora sob exame em determinarse o acerto ou não do v. acórdão recorrido na manutenção dos valores pagos a título de VALE MOTORISTA como insertos no salário de contribuição dos segurados empregados da recorrente. E na análise dos fundamentos de defesa objeto da impugnação, além da farta documentação juntada aos autos, o julgamento de primeira instância achou por bem manter a integralidade do lançamento sob o fundamento de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar que os valores adiantados aos seus motoristas e que deveriam ser despendidos com os gastos incorridos em viagem, estariam fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. O principal fundamento utilizado foi o de que não havia a comprovação da prestação de contas dos valores recebidos pelos motoristas e outros segurados, em correlação com os gastos, seja a título de alimentação, consertos, etc, que tiveram que ser suportados durante a viagem entre a origem e destino das cargas transportadas. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 O procedimento se dava da seguinte forma: o motorista recebia da recorrente um vale, uma ordem de adiantamento de valores, denominado VALE MOTORISTA, e de posse desse vale, se dirigia ao Posto Oeste Verde, repitase, de propriedade da recorrente, e fazia o saque de referido valor, cuja finalidade era a de garantir que pudessem ser suportados eventuais gastos no trajeto de viagem para a execução dos serviços prestados pela recorrente. Após, o Posto Peste Verde, emitia uma fatura, agora em nome da recorrente, que lhe ressarcia dos valores constantes no VALE MOTORISTA. Neste momento tenho a colocar que não entende ser desproporcional e dessarazoada a alegação da recorrente no sentido de que o motorista incorre em gastos durante o trajeto da viagem, gastos estes que, em determinadas e poucas vezes sequer são passíveis de obtenção de nota ou recibo de serviços. Entretanto, da análise dos autos e da documentação apresentada, outro entendimento não me parece mais acertado do que aquele esposado pelo v. acórdão recorrido, pois durante todo o período fiscalizado, em momento algum o recorrente demonstrou que os valores adiantados sofreram qualquer tipo de prestação de contas, ou que in totum e na exata medida de seu recebimento vieram a ser descontados nos contracheques dos segurados que os receberam. A ausência do desconto de tais valores no salário dos empregados é fato confirmado pela recorrente em seu recurso. Por tal motivo, a assertiva de que tais valores foram pagos para o trabalho e não pelo trabalho, como pretende fazer crer a recorrente, não vem acompanhada de qualquer prova neste sentido. Ao revés, o trabalho levado a efeito pela fiscalização, a meu ver com bastante zelo, não foi abalado pelos argumentos constantes nos autos e pelas provas carreadas que ao contrário demonstram que o procedimento de adiantamento citado no relatório fiscal, de fato ocorria da forma como discriminado. Para fins previdenciários, há que se buscar na legislação a definição do salário de contribuição. E sobre o assunto, assim dispõe o art. 28, I da Lei 8.212/91, a seguir: "Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua fbrma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela lei n°9.528, de 10.12.97) Percebese, pois que o salário de contribuição é composto pela totalidade das parcelas auferidas durante o mês, seja a que título for, com a finalidade de retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10945.002731/200849 Acórdão n.º 2402003.257 S2C4T2 Fl. 152 7 Ora, se os motoristas da recorrente recebiam valores que supostamente se destinavam a cobrir gastos com viagens e tais gastos não foram comprovados, ou mesmo a devolução de tais valores para a recorrente, certo é que tais valores foram, de fato, creditados aos motoristas, conforme bem ponderou o v. acórdão de primeira instância. E em assim sendo, encontramse insertos no salário de contribuição nos termos do disposto no art. 28, I da Lei 8.212/91, já que não se trata de nenhum dos casos de exclusão legal também previstos na legislação previdenciária. Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001666/2009-52
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
EXPORTAÇÃO. DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO.
Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornou-se certo e determinado.
Numero da decisão: 3803-005.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 EXPORTAÇÃO. DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO. Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornou-se certo e determinado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO. Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornouse certo e determinado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 16 66 /2 00 9- 52 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de auto de infração com valor total de R$ 30.000,00, em decorrência do cumprimento intempestivo de obrigação tributária acessória de informar os dados de embarques de mercadorias realizados em outubro de 2004 no Siscomex. Irresignado, o sujeito passivo apresentou impugnação onde alega: a) ilegitimidade para figurar no pólo passivo da autuação por não se tratar de transportador marítimo ou representante deste, mas de agente marítimo; b) a multa não pode ser aplicada ao agente marítimo por falta de previsão legal e que, por não se tratar de responsabilidade pelo recolhimento do imposto de importação, não há solidariedade, c) realizou denúncia espontânea, visto que informou os dados no sistema antes da lavratura do Auto de Infração; d) a penalidade deveria ser aplicada uma única vez para punir uma só infração praticada de forma continuada, e) não houve atraso na prestação da informação, mas retificação, a qual independe de sua vontade por depender de informações prestadas pelos exportadores, desta feita, a presunção de sua boafé exclui a ilicitude diante da total ausência de qualquer dano ou prejuízo ao erário. Ao final, requer o apensamento dos processos administrativos fiscais 11050.002445/200811, 11050.002450/200823, 11050.000312/200991, 11050.000310/2009 00, 11050.000230/200946, 11050.001038/200977, 11050.001410/200945 e 11050.001367/200918, com fulcro no § 1º do art. 9° do Decreto n.° 70.235, de 1972, e solicita o cancelamento do Auto de Infração hostilizado. A 2ª Turma da DRJ/FNS julgou a Impugnação improcedente e manteve o crédito tributário. Desconsiderou as alegações do contribuinte ao afirmar: a) o impugnante é, no País, representante do transportador estrangeiro, expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação nos casos em que se opera a transferência de responsabilidade pelo pagamento desse imposto e obrigado a cumprimento das obrigações acessórias. Além disso, por ser mandatário de transportador, é pessoalmente responsável pela infração. b) não há denúncia espontânea, uma vez que a infração se dá por informar intempestivamente os dados no Siscomex e o cumprimento intempestivo de obrigações acessórias autônomas não é alcançado pelo instituto da denúncia espontânea. c) o contribuinte não é penalizado observandose a quantidade de dados de embarque que deixou de informar relativamente ao carregamento de um determinado navio, mas por embarques distintos em navios distintos, onde a multa é aplicada uma única vez por embarque, dessa forma não há uma infração continuada; d) a informação intempestiva dos dados no Siscomex é de responsabilidade do agente marítimo, nada importando se esses dados venham a ser posteriormente retificados Fl. 454DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11050.001666/200952 Acórdão n.º 3803005.285 S3TE03 Fl. 11 3 no sistema pelo exportador, além disso, não há qualquer documento que dê amparo a alegativa de que as informações prestadas a destempo tratavamse de retificações. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual alega: a) há denúncia espontânea, uma vez que as informações retificadas pelo Requerente, foram inseridas no Siscomex antes da lavratura do auto de infração, prejudicando totalmente o auto de infração, à vista disso há exclusão da punibilidade; b) não houve atraso na prestação de informações, mas sim, simples retificação, que não dificulta ou impede a fiscalização. Desta forma devese presumir a boafé do contribuinte de forma a excluir a punibilidade. c) não deixou de prestar informação no prazo e, por não ser uma empresa de transporte internacional, nem tampouco um agente de carga, não há tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar. Ao final requer que seja reformada a decisão recorrida, julgandose totalmente improcedente o lançamento fiscal e arquivese o presente processo. É o relatório Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Depreendese do processo que a questão principal se encontra na intempestividade de prestação de obrigação autônoma. Porém à época dos fatos ainda não vigorava a Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que instituiu o prazo de 7 dias para se efetuar o registro no sistema de dados por meio de alteração do artigo 37 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 27 de abril de 1994. Até então o artigo 37 da IN SRF nº 28/1994, em sua redação original, assim versava: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 A conduta típica descrita na norma em evidência não se restringe simplesmente à omissão na prestação da informação exigida, abrangendo, também, a forma e o prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, isso em relação às informações sobre a carga transportada em veículo de transporte de carga internacional, é o que se extrai da redação do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, abaixo reproduzido: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas:[...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):[...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e” (Negritamos) Dessa forma, patente está que a conduta praticada pela recorrente apenas se subsume a hipótese da infração descrita no referido preceito legal caso seja incontroverso o fato de que a prestação das informações sobre a carga embarcada se deu depois do prazo definido à época pela Administração TributárioAduaneira. Isto posto, devese interpretar o artigo 37 da IN SRF nº 28/94 sem as alterações posteriores à data dos fatos, de forma a esclarecer qual era o prazo estabelecido para que se registrassem os dados no SISCOMEX. Percebese que o artigo contém a expressão “imediatamente após” para regulamentar o tempo de que o contribuinte dispunha para informar os dados do embarque. Sobre tal assunto colaciono entendimento da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento na sessão de 26 de novembro de 2013 por meio do Acórdão nº 3202000.997: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN/SRF nºs. 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF n.º 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF n.º 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário provido. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11050.001666/200952 Acórdão n.º 3803005.285 S3TE03 Fl. 12 5 Tal acórdão utilizouse do raciocínio do então Conselheiro José Luiz Novo Rossari, relator do processo administrativo nº. 10715.004710/200952 (Acórdão CARF/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária nº. 320200.359), citase: Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não é próprio dos diplomas pátrios norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade certa. A respeito, vêse que o Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002) refere a prazos em horas, dias, meses e anos (arts. 132 et alia), o que traduz quantificação em números certos e induvidosos. Também a Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe sobre o processo administrativo, expressa prazos em dias, meses e anos (art. 66), revelando quantificação certa. O Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece todos os seus prazos em dias, também com quantificação certa. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF nº 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex nº 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação Fl. 457DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF nº 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB nº 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação vigente, que desde a Medida Provisória nº 135/2003 tem tipificação legal distinta. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei nº 37/1966, na redação que lhe deu a Lei nº 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF nº 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 3/8 e 15/8/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, “a”, da Constituição Federal e pelo art. 2º, parágrafo único, XIII, da Lei nº 9.784, de 1999, que rege o processo administrativo. Em face dos elementos constantes dos autos e da legislação aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos básicos tendentes à caracterização de infração, resultando desnecessária a apreciação das demais alegações da recorrente. Conclusão Em concordância com o todo o exposto, concebese que na data em que foram realizados os embarques não havia prazo para registro dos dados no Siscomex, de forma que não se fundamenta a punição por entrega intempestiva destes. Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e pela IMPROCEDÊNCIA de todo o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11050.001666/200952 Acórdão n.º 3803005.285 S3TE03 Fl. 13 7 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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