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Numero do processo: 10820.003097/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 16/11/2003 a 22/11/2003
IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - SOCIEDADE COOPERATIVA - NOTAS FISCAIS - DUPLICATA
Conforme o art. 20, § 1º da Lei nº 5.474/68 é permitido às sociedades cooperativas a emissão de faturas e duplicatas, desde que discriminem a natureza dos serviços prestados.
IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - PROVA DA RETENÇÃO - CONGRUÊNCIA DE VALORES CONSTATADA PELA FISCALIZAÇÃO
Uma vez reconhecido pela própria Fiscalização que os valores apresentados pelo contribuinte, a título de retenção sofrida, foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas apresentadas, deve ser homologada a compensação requerida.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barrando de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 16/11/2003 a 22/11/2003 IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - SOCIEDADE COOPERATIVA - NOTAS FISCAIS - DUPLICATA Conforme o art. 20, § 1º da Lei nº 5.474/68 é permitido às sociedades cooperativas a emissão de faturas e duplicatas, desde que discriminem a natureza dos serviços prestados. IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - PROVA DA RETENÇÃO - CONGRUÊNCIA DE VALORES CONSTATADA PELA FISCALIZAÇÃO Uma vez reconhecido pela própria Fiscalização que os valores apresentados pelo contribuinte, a título de retenção sofrida, foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas apresentadas, deve ser homologada a compensação requerida. Recurso voluntário provido.
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IRPF COMPENSAÇÃO DE IRRF PROVA DA RETENÇÃO CONGRUÊNCIA DE VALORES CONSTATADA PELA FISCALIZAÇÃO Uma vez reconhecido pela própria Fiscalização que os valores apresentados pelo contribuinte, a título de retenção sofrida, foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas apresentadas, deve ser homologada a compensação requerida. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 30 97 /2 00 8- 78 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barrando de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003097/200878 Acórdão n.º 2202002.867 S2C2T2 Fl. 474 3 Relatório 1 Declaração de Compensação Em 28/11/03, a recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação (fls. 0311 do eprocesso), informando a compensação dos débitos referentes ao Código Receita 05881 IRRF – Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício nos valor de R$ 5.776,03 (referente à 4ª semana de novembro de 2003). Na oportunidade foi informado que os valores abaixo listados corresponderiam ao crédito da contribuinte, referente à IRRF pago pelas Cooperativas: Mês CNPJ da Fonte Pagadora Valor Outubro 51.528.560/000154 27,09 Outubro 51.663.763/001044 11,58 Outubro 51.660.942/000137 11,43 Outubro 60.851.961/000131 15,24 Outubro 00.360.305/000104 14,33 Outubro 01.597.168/001322 498,94 Outubro 01.597.168/001322 1.398,24 Outubro 01.597.168/000601 138,29 Outubro 01.597.168/000601 408,13 Outubro 01.597.168/001080 50,37 Outubro 01.597.168/001080 94,67 Outubro 53.907.341/000705 16,24 Outubro 01.597.168/000784 98,97 Outubro 01.597.168/000784 97,96 Outubro 01.597.168/001160 15,38 Outubro 01.597.168/001160 65,60 Outubro 51.528.289/000157 11,25 Outubro 43.430.099/000174 41,29 Outubro 54.721.808/000197 113,89 Outubro 55.926.919/000100 16,12 Outubro 57.266.207/000120 61,45 Outubro 44.530.327/000140 12,56 Outubro 51.657.005/000122 16,96 Outubro 51.657.005/000122 17,38 Outubro 51.528.560/000154 43,57 Outubro 49.859.952/000154 26,34 Outubro 47.463.179/000187 140,23 Outubro 02.136.480/000148 15,17 Outubro 03.226.149/002478 99,89 Outubro 54.409.461/002438 162,57 Outubro 51.666.279/000188 55,31 Outubro 51.665.727/000129 225,47 Outubro 51.660.876/000103 84,80 Outubro 03.444.193/000168 14,51 Outubro 03.767.376/000114 42,16 Outubro 01.597.168/001080 50,18 Outubro 60.409.075/044524 13,86 Outubro 51.660.942/000137 61,56 Outubro 01.597.168/004267 11,57 Outubro 01.597.168/004267 30,52 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 Outubro 54.721.808/000197 124,02 Outubro 44.998.185/000221 10,87 Outubro 54.721.808/000197 118,62 Outubro 51.528.289/000157 12,18 Outubro 51.528.289/000157 16,07 Outubro 51.528.289/000157 15,01 Outubro 01.597.168/003295 12,35 Outubro 51.660.876/000103 45,73 Outubro 47.597.083/000101 234,93 Outubro 47.597.083/000101 226,80 Outubro 01.498.887/000152 11,74 Outubro 55.618.128/000105 58,59 Outubro 55.618.128/000105 56,32 Outubro 44.530.855/000108 28,67 Outubro 44.534.089/000141 66,72 Outubro 44.534.089/000141 67,03 Outubro 03.444.193/000168 23,17 Outubro 54.721.808/000197 121,40 Outubro 45.986.700/000216 10,48 Outubro 47.463.179/0001/87 19,93 Outubro 47.463.179/0001/87 21,54 Outubro 46.227.849/000101 20,77 Outubro 01.597.168/000601 32,80 Outubro 01.597.168/000601 89,22 Total 5.776,03 Também foram apresentados aos autos Declarações de IRRF – Resumo do Beneficiário – Detalhamento Mensal dos seguintes contribuintes: Caixa Econômica Federal; 37 Batalha de Infantaria Motorizado; CEMIC Centro de Estudos do Menor e Int Comunidade; Bertin Ltda.; Unimed do Centro Paulista Fed. Reg. das Coop. Medica; AFUPEGE – Associação dos Func. da Penitenciária de Getulina; Sanofi Pasteur Ltda.; Medial Saúde S/A; Unimed Est. S.P. Conf. Esta. Coop. Medica; Lins Country Club; Nava e Cia Ltda.; Intermedica Sistema de Saúde S.A; Caixa de Assistencia dos Advogados de São Paulo; Café Canecão Ltda.; Assoc. Benef. e Recreativa dos Func das Empresas Bertin; Assoc dos Funcionários da Justiça da Comarca de Lins; Instituto Americano de Lins da Igreja Metodista; Lojas Tanger Ltda.; Fundação Paulista de Tecnologia e Educação; Comapi Agropecuária Ltda.; Instituto Educacional Piracicabano; Sind dos Func e Servidores Publicos Municipais de Lins; Cooperativa de Lacticinios de Promissão; Nestlé Brasil Ltda.; Assoc. a Assist. Mutua a Saude SBC; Fundação SABESP de Seguridade Social – SABESPREV; Unimed de Ituverava Coop. Trabalho Médico (fls. 1239 do eprocesso). Todas as declarações tinham como beneficiária a recorrente. 2 Parecer Saort A Delegacia da Receita Federal em Araçatuba – SP, em 12/06/08, através da Seção de Orientação e Análise Tributária, proferiu o Parecer (fls. 5354 do eprocesso), propondo a homologação parcial dos débitos constantes do PER/Dcomp nº 36602.67624.281103.1.3.055430, correspondentes ao IRRF incidente sobre rendimentos do trabalhado prestado por médicos cooperados, apurado nos mês de novembro de 2003, regulamente confessados em DCTF, até o limite do crédito reconhecido, de R$ 3.435,73. Salientouse que foi retida, relativamente, ao mês de novembro de 2003, a importância de R$ 3.435,73, no período referido no PER/Dcomp. Entretanto, no caso, a compensação realizada monta R$ 5.776,03, demonstrando insuficiência de crédito de R$ 2.340,30, motivo pelo qual não poderiam ser integralmente homologadas. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003097/200878 Acórdão n.º 2202002.867 S2C2T2 Fl. 475 5 3 Decisão Tendo em vista o Parecer Saort, a fiscalização, em 12/06/08, homologou (fls. 5556 do eprocesso) parcialmente a compensação requerida, decidindo: a) reconhecer o direito creditório da recorrente, no montante de R$ 3.435,73, referente ao IRRF por pessoas jurídicas em razão de serviços prestados por profissionais médicos associados à cooperativa de trabalho, no mês de outubro de 2003; b) homologar em parte da Declaração de Compensação que constitui objeto deste processo, por ter sido demonstrada a inexistência parcial dos créditos relativos à retenção do IRRF, pelas beneficiárias da prestação de serviços de assistência médica pela recorrente, conforme tabela abaixo: c) não homologar a compensação do débito restante, em virtude de ter sido realizada com o aproveitamento de crédito de IRRF em montante superior ao reconhecido. A recorrente foi intimada da decisão em 23/06/08. 4 Impugnação Inconformada com a Decisão, a recorrente apresentou, em 22/07/08, impugnação (fls. 7174 do eprocesso) alegando que: a) a fiscalização somente homologou a compensação baseada nas DIRF apresentadas pelas pessoas jurídicas beneficiárias dos serviços, contudo, as demais compensações são legítimas e de acordo com a legislação; b) a divergência se deve ao fato da fiscalização verificar junto às DIRF’s apresentadas pelos pessoas jurídicas beneficiárias dos serviços, o fato dos contratantes da impugnante não declararem a retenção e pagamentos das fatos em DIRF não pode servir de argumento para o não acolhimento da compensação; c) para comprovar a legitimidade das compensações anexa planilha onde demonstra todas as operações realizadas, inclusive as que não constam em DIRF. Em anexo, a recorrente apresentou, dentre outros documentos, a planilha denominada “Relatório DIRF versos faturas compensadas” (fls. 113191 do eprocesso). 5 Acórdão de Manifestação de Inconformidade A solicitação foi indeferida pela 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade (fls. 194198). Os fundamentos foram os seguintes: Débito P.A Vencimento Valor IRRF (0588) 4ª semana 11/2003 26/11/2003 3.447,34 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 a) o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado; b) resta à administração, à luz do disposto na legislação de regência, verificar se o pedido de restituição/compensação encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados; c) o documento apresentado (Relatório DIRF vs. Faturas Compensadas) não substitui a documentação fiscal para efeitos da instrução probatória. 6 Recurso Voluntário Notificada da decisão em 14/09/11, a recorrente, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 206210) em 30/09/11, nos seguintes termos: a) a recorrente é sociedade cooperativa, nos termos da Lei nº 5.764/71 e seus Estatutos Sociais e se encontra devidamente autorizada à emissão de faturas, sendo totalmente descabida a exigência de notas fiscais; b) as faturas emitidas e acostadas aos presentes autos comprovam que as retenções foram sofridas posto que todas se encontram devidamente destacadas e sofrem, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.541/92, retenção do IRRF à alíquota de 1,5%; c) os saldos devedores acumulados em decorrência dessas retenções que a cooperativa sofre são os valores que são utilizados para compensação com o IRRF, por ocasião dos repasses de produção efetuados aos seus sócios; d) apresenta cópia da conta que registra as retenções sofridas no livro razão analítico, e pede a baixa dos autos em diligência para verificar a idoneidade dos crédito utilizados por meio de prova pericial. 7 Da Conversão em Diligência Em 13/08/13, esta 2ª Turma Ordinária determinou, na Resolução nº 2202 000.528 (fls. 422425 do eprocesso), a conversão do julgamento em diligência, para: a) intimação da recorrente para que apresentasse cópia integral do livro “razão auxiliar dos clientes”, de modo a corrigir a falha da prova apresentada (ausência das páginas 152186); b) b) solicitação à Fiscalização para que confrontasse os valores contidos nas duplicatas (fls. 167187 e 189209 do eprocesso) com os lançados no Livro Razão apresentado pela recorrente, de modo a verificar se todos os valores apresentados a título de retenção sofrida estavam devidamente comprovados por esses documentos. 8 Da Diligência Fl. 478DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003097/200878 Acórdão n.º 2202002.867 S2C2T2 Fl. 476 7 A recorrente foi intimada, em 25/03/14, para atendimento da diligência. (fls. 429430 do eprocesso). Foram juntados ao processo, às fls. 431465 do eprocesso, o Livro Razão Auxiliar de Clientes. A fiscalização, através da Informação Fiscal (fls. 466467 do eprocesso), constatou que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas, conforme se depreende do trecho abaixo: “3) Os valores contidos nas duplicatas (fls. 167/187 e 189/209 do eprocesso) foram conferidos integralmente com os valores lançados no Livro Razão Auxiliar de Clientes apresentado pela interessada. 4) Foi verificado que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e estes conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas. 5) Sem mais, encaminho para prosseguimento. (fl. 467)” É o relatório. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme se verifica, a controvérsia ora analisada por ser sintetizada do seguinte modo: a) a decisão recorrida manteve o reconhecimento do direito creditório da recorrente no montante de R$ 3.435,73 e homologou, em parte, a Declaração de Compensação que constitui objeto deste processo, por ter sido demonstrada a existência parcial dos créditos relativos à retenção do IRRF, pelas beneficiárias da prestação de serviços de assistência médica pela recorrente, pois a documentação apresentada pela recorrente não substituiria a documentação fiscal para efeitos da instrução probatória; b) a recorrente entende que por ser sociedade cooperativa, encontrase devidamente autorizada a emitir faturas, as quais comprovam que as retenções foram sofridas. A recorrente é sociedade cooperativa que congrega médicos cooperados, nos termos do art. 45 da Lei nº 5.764/71, e desenvolve apenas a prestação de serviço aos seus cooperados para que esses possam desenvolver a atividade de medicina. Desta forma, a recorrente sofre a retenção na fonte do Imposto de Renda à alíquota de 1,5%, sendo o valor retido recolhido pelos contratantes dos serviços cooperados: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. Conforme art. 20, § 1º, da Lei nº 5.474/68, pode a recorrente emitir faturas e duplicatas, desde que discriminem a natureza dos serviços prestados: Art. 20. As emprêsas (sic), individuais ou coletivas, fundações ou sociedade civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. Assim, as faturas apresentadas pela recorrente são documentos hábeis a comprovar a existência do direito à compensação pleiteada pela recorrente – pois discriminam o serviço prestado – desde que acompanhadas de escrituração que corrobore as informações contidas nas referidas faturas. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003097/200878 Acórdão n.º 2202002.867 S2C2T2 Fl. 477 9 Entendo que Assiste razão à recorrente. A um, porque em face da plausabilidade das alegações e comprovações então existentes (da análise da documentação apresentada, constatouse que as duplicatas apresentadas conferiam com o relato apresentado no pedido de compensação), esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a contribuinte apresentasse cópia integral do livro “razão auxiliar de clientes”, de modo a corrigir a falha da prova apresentada (não havia nos autos a cópia integral do referido livro), e para que, ato contínuo, a fiscalização confrontasse os valores contidos nas duplicatas com os lançados no livro apresentado, de modo a verificar se todos os valores informados a título de retenção sofrida estariam devidamente comprovados por esses documentos (fls. 466467 do eprocesso). De acordo com a informação fiscal, todas as duplicatas trazidas pela recorrente conferem integralmente com os valores apresentados a título de retenção por ela sofrida, os quais foram devidamente escriturados no Livro Razão Auxiliar de Clientes: “1) Em conformidade com o entendimento do CARF consubstanciado no voto do Conselheiro Relator Rafael Pandolfo, contido na Resolução nº 2002000.523, de 13/08/2013 da 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, fls. 443/446, realizamos uma Diligência Fiscal junto à interessada, na qual a intimamos, através da Intimação SAORT n.º 10820/043/2014, fls. 1450/451, a apresentar os seguintes elementos: a) Livro “razão auxiliar de clientes”, relativo ao ano calendário 2003 em papel e em meio digital; b) Disponibilizar os documentos comprobatórios (faturas, duplicatas) relativos ao ano 2003 que corroborem os lançamentos, no livro razão citado; c) Demais informações que julgar necessárias. 2) Os elementos citados foram apresentados dentro do prazo da intimação. Juntei, às fls. 452/486 do eprocesso, as cópias das folhas faltantes do Livro Razão Auxiliar (folhas 152/186). 3) Os valores contidos nas duplicatas (fls. 167/187 e 189/209) do eprocesso foram conferidos integralmente com os valores lançados no Livro Razão Auxiliar de Clientes apresentado pela interessada. 4) Foi verificado que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e estes conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas.” (fls. 487488 do eprocesso). A dois, porque conforme art. 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos Fl. 481DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. No caso, o atendimento da contribuinte à diligência corrigiu a falha da prova trazida aos autos, tornando a documentação apresentada, no caso, o livro “razão auxiliar de clientes” prova dos fatos nela registrados e das alegações da recorrente. A própria fiscalização, quando da análise da documentação apresentada em diligência é clara no sentido de que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e estes conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas. A três, porque uma vez constatado que os valores referentes à retenção sofrida pela recorrente foram devidamente lançados no Livro Razão Auxiliar e conferem total e integralmente com os contidos nas duplicatas e no pleito da contribuinte, a exigência de notas fiscais – considerando que a recorrente pode emitir faturas e duplicatas, nos termos do art. 20, § 1º, da Lei nº 5.474/68, mostrase incompatível com o princípio da proporcionalidade (subprincípio da necessidade), pois não poderiam tais notas fiscais sobreporse à realidade acobertada pela prova constante nos autos. Sobre a interação entre os subprincípios da necessidade e da adequação, versa o Ministro Gilmar Mendes: O subprincípio da adequação (Geeignetheit) exige que as medidas interventivas adotadas mostremse aptas a atingir os objetivos pretendidos. O subprincípio da necessidade (Notwendigkeit oder Erforderlichkeit) significa que nenhum meio menos gravoso para o indivíduo revelarseia igualmente eficaz na consecução dos objetivos pretendidos. Em outros termos, o meio não será necessário se o objetivo almejado puder ser alcançado com a adoção de medida que se revele a um só tempo adequada e menos onerosa. Ressaltese que, na prática, adequação e necessidade não têm o mesmo peso ou relevância no juízo de ponderação. Assim, apenas o que é adequado pode ser necessário, mas o que é necessário não pode ser inadequado. Pieroth e Schlink ressaltam que a prova da necessidade tem maior relevância do que o teste da adequação. Positivo o teste da necessidade, não há de ser negativo o teste da adequação. Por outro lado, se o teste quanto à necessidade revelarse negativo, o resultado positivo do teste de adequação não mais poderá afetar o resultado definitivo ou final. (MENDES, Gilmar. O princípio da proporcionalidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: novas leituras. Revista Diálogo Jurídico, Salvador, CAJ Centro de Atualização Jurídica, v. 1, nº. 5, agosto, 2001. Disponível em: <http://www.direitopublico.com.br>. Acesso em: 02 de março de 2012.) Ademais, a própria Lei nº 9.784/99, em seu art. 2º, parágrafo único, inciso VI, explicita o princípio da informalidade, ou do formalismo valorativo: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003097/200878 Acórdão n.º 2202002.867 S2C2T2 Fl. 478 11 Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Portanto, deve ser acolhido o pleito da contribuinte no sentido de que a documentação por ela apresentada comprova, integralmente, os valores apresentados a título de retenção sofrida e devem, portanto, ser totalmente restituídos. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que seja reconhecido e homologar o direito creditório da recorrente, como integralmente pleiteado. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 483DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10580.727637/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.182
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. . Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.727637/200963 Resolução n.º 220200.182 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 64.151,47, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.727637/200963 Resolução n.º 220200.182 S2C2T2 Fl. 3 3 d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do acórdão DRJ/SDR n° 1527.170, de 18 de maio de 2011 (fls. 93/99), cuja ementa segue abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.727637/200963 Resolução n.º 220200.182 S2C2T2 Fl. 4 4 Devidamente intimado, a recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.727637/200963 Resolução n.º 220200.182 S2C2T2 Fl. 5 5 Voto O presente processo administrativo, versa sobre autuação omissão de rendimentos, onde há a discussão de rendimentos recebidos de forma acumulados decorrentes de processo trabalhista . Tendo em vista que a partir de 21 de dezembro de 2011, os conselheiro do CARF são obrigados a observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que foi alterado pela Portaria MF n° 586, de 2010 abaixo transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Desta forma, a partir de 21 de dezembro de 2011, devemos sobrestar os julgamentos em que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Neste sentido, proponho o sobrestamento do julgamento do presente caso até que o STF decida sobre a matéria de sorte a suspender o sobrestamento efetuado. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904979/2012-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 79 /2 01 2- 53 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904979/201253 Acórdão n.º 3801004.525 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904979/201253 Acórdão n.º 3801004.525 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904979/201253 Acórdão n.º 3801004.525 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904979/201253 Acórdão n.º 3801004.525 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904979/201253 Acórdão n.º 3801004.525 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904979/201253 Acórdão n.º 3801004.525 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904979/201253 Acórdão n.º 3801004.525 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10880.007462/00-07
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE DATA
A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalidada o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 7).
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. REVISÃO.
A revisão da declaração de rendimentos, por parte das repartições fiscais, poderá ser feita de três formas, alternativamente: ou com os elementos de que dispuser a repartição, ou mediante esclarecimentos verbais ou escritos solicitados ao contribuinte, ou, ainda, por outros meios facultados no Decreto regulamentar.
PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO. EFEITOS.
O início do procedimento fiscal traz consequências jurídicas para o contribuinte, dentre elas a exclusão da espontaneidade e, no caso específico do imposto sobre a renda da pessoa física, o efeito de obstar a retificação da declaração de rendimentos por iniciativa do contribuinte.
ESPONTANEIDADE. REAQUISIÇÃO.
A reaquisição da espontaneidade pressupõe a inércia da Administração Tributária por um período de sessenta dias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE DATA A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalidada o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 7). DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. REVISÃO. A revisão da declaração de rendimentos, por parte das repartições fiscais, poderá ser feita de três formas, alternativamente: ou com os elementos de que dispuser a repartição, ou mediante esclarecimentos verbais ou escritos solicitados ao contribuinte, ou, ainda, por outros meios facultados no Decreto regulamentar. PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO. EFEITOS. O início do procedimento fiscal traz consequências jurídicas para o contribuinte, dentre elas a exclusão da espontaneidade e, no caso específico do imposto sobre a renda da pessoa física, o efeito de obstar a retificação da declaração de rendimentos por iniciativa do contribuinte. ESPONTANEIDADE. REAQUISIÇÃO. A reaquisição da espontaneidade pressupõe a inércia da Administração Tributária por um período de sessenta dias. Recurso Voluntário Negado
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OMISSÃO DE DATA A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalidada o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 7). DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. REVISÃO. A revisão da declaração de rendimentos, por parte das repartições fiscais, poderá ser feita de três formas, alternativamente: ou com os elementos de que dispuser a repartição, ou mediante esclarecimentos verbais ou escritos solicitados ao contribuinte, ou, ainda, por outros meios facultados no Decreto regulamentar. PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO. EFEITOS. O início do procedimento fiscal traz consequências jurídicas para o contribuinte, dentre elas a exclusão da espontaneidade e, no caso específico do imposto sobre a renda da pessoa física, o efeito de obstar a retificação da declaração de rendimentos por iniciativa do contribuinte. ESPONTANEIDADE. REAQUISIÇÃO. A reaquisição da espontaneidade pressupõe a inércia da Administração Tributária por um período de sessenta dias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 74 62 /0 0- 07 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 232 2 Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório da decisão de 1ª instância administrativa (fls. 172 e 174 deste processo digital), reproduzido a seguir: O contribuinte acima identificado insurgese contra o Auto de Infração de fls. 11 a 15, apresentando, por intermédio de seu representante legal (fl. 17), a petição de fls. 1 a 10, acompanhada dos documentos de fls. 16 a 52. 2. O Auto de Infração em foco referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 1.998 (anocalendário 1.997), majorou os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, alterandoos de R$ 21.920,00 (fls. 36, 40 e 61) para R$ 55.354,27, incluiu a dedução do respectivo imposto retido na fonte, no valor de R$ 1.340,13 (fls. 14, 65 e 67), bem como glosou, em parte, a dedução do imposto retido na fonte, pleiteada pelo contribuinte na declaração de ajuste anual do IRPF/1.998, glosa essa na quantia de R$ 702,00 (fl. 14). 3. Na impugnação apresentada, o contribuinte alega, em síntese, que: 3.1 a respeito da referida declaração do exercício 1.998 (ano calendário 1.997), ele, impugnante, já houvera recebido da Receita Federal um Termo de Constatação Fiscal, decorrente da revisão, o qual foi atendido em 13 de abril de 2.000, conforme fazem prova as cópias reprográficas do texto integral da "Contranotificação/Resposta com esclarecimentos e entrega da Declaração Retificadora", ofertada à Delegacia da Receita Federal em São Paulo, na referida data, conforme documentos juntados à presente impugnação (fls. 18 a 30 e 41 a 52); 3.2 de fato, apresentou sua declaração do imposto de renda na forma tal qual foi constatada pela fiscalização, porém, em atendimento ao oficio requisitório, exerceu seu direito retificação da declaração originariamente apresentada, involuntariamente, de maneira incompleta; 3.3 na "Contranotificação/Resposta com esclarecimentos e entrega da Declaração Retificadora" encontramse expostos e documentados os valores corretos, acompanhados da documentação que lhes dão sustentação, fazendo prova de que o Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 233 3 contribuinte tendo, tempestivamente, atendido à determinação da Administração Tributária, regularizou a sua obrigação tributária; 3.4 o Decreto n° 3.000/99 (RIR) faculta ao Fisco o direito de realizar uma revisão preliminar das declarações para, só então, se não atendida, implementar as medidas que visem à cobrança coercitiva (reproduz o art. 835, caput e §§, do RIR/99); 3.5 assim sendo, o Regulamento do Imposto de Renda, a par da faculdade que reserva à Administração Tributária para decidir sobre a necessidade da revisão com oferta de esclarecimentos, determina, imperativamente, sobre a concessão do prazo de 20 (vinte) dias para a resposta do contribuinte e, somente na hipótese do nãoatendimento, é que poderá ocorrer o lançamento de oficio, nos termos do art. 841 e do § 4° do art. 835, ambos do RIR/99; 3.6 aplicase, no presente caso, o principio e os benefícios da denúncia espontânea, assegurados pelo art. 138 do Código Tributário Nacional, até porque a exigência abrupta de valores elevados, própria para hipóteses de sonegação voluntária, não deve ser aplicada ao presente caso, sob pena de ocorrer verdadeiro confisco, em ofensa ao principio constitucional da capacidade contributiva; 3.7 a oferta da oportunidade do procedimento da revisão é medida de caráter democrático, do beneficio da dúvida dada ao contribuinte para que corrija involuntário erro de fato ou de direito, para que seja, também, respeitado o principio do contraditório assegurado a todos pela Constituição Federal de 1.988, segundo insculpido no inciso LV, do art. 5° (reproduz o referido inciso); 3.8 o Conselho de Contribuintes já se manifestou em seus acórdãos no sentido da admissão da retificação da declaração de rendimentos, mesmo após a notificação de lançamento, desde que comprovada a ocorrência de erro de fato, bem como na direção da possibilidade de revisão; 3.9 a medida mais acertada, mais justa, e de conformidade com as previsões regulamentar e jurisprudencial seria a de considerar a presente fase processual adstrita à faculdade da "Revisão da Declaração", consubstanciada na oportunidade do cancelamento do Auto de Infração e Imposição de Multa, uma vez que o contribuinte não agiu contra a lei; 3.10 requer, por fim, o acolhimento e deferimento da presente impugnação, para que seja decretada a improcedência do Auto de Infração e de Imposição de Multas. O lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 168/184 deste processo digital, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 234 4 Anocalendário: 1997 Ementa: MAJORAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E INCLUSÃO DA RESPECTIVA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. GLOSA PARCIAL DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Comprovado que o contribuinte recebeu os rendimentos que foram objeto de inclusão no lançamento, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, bem como a inclusão da correspondente dedução do imposto retido na fonte, inclusões essas que não foram objeto de impugnação. Mantémse, ainda, a glosa parcial da dedução do imposto de renda retido na fonte, uma vez não haver nos autos elementos capazes de elidila. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Iniciado o procedimento fiscal, não pode o contribuinte obter a retificação da declaração de rendimentos visando a redução ou a exclusão de tributo. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Com o inicio do procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade, ficando sujeito à aplicação da multa de oficio. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Em consonância com a legislação em vigor, a apuração de omissão de rendimentos enseja o lançamento da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento). Cientificado da decisão de primeira instância em 20/12/2007 (fl. 189), o contribuinte interpôs, em 21/01/2008, via postal, o recurso de fls. 196/228. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE O Requerente prestou informações em 13/04/2000, nesta ocasião fazendo pela segunda vez, em atendimento ao Termo de Constatação Fiscal datado de 25/02/2000, quando postou no correio esclarecimentos e cópias de uma gama de documentos, inclusive da respectiva Declaração Retificadora, que já houvera entregado para a Administração Tributária em 27/03/2000. O expediente formal, adicionalmente oferecido para Administração Tributária, foi endereçado à Agente Fiscal de Tributos Federais, Sra. Maria Irene Moura de Almeida, e nele foi expresso: "Muito embora tenha já feito a entrega de suas razões de defesa, em texto idêntico ao presente, diretamente na CAC/LUZ DRF/SP/012100 – Nº 62, AV. Prestes Maia, 773, em 27.03.2000 (xerox da via protocolada em anexo), por orientação ali recebida, também o faz, no momento presente, à atenção de V. Sas., valendose dos serviços do correio com Aviso de Recebimento, de vez que viuse impedido de fazêlo pessoalmente, em razão do movimento de greve deflagrada pelas repartições fiscais federais, sob a coordenação da Unafisco Sindical". Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 235 5 Nada adiantou ao Recorrente oferecer, tempestivamente, em duas oportunidades e para dois níveis hierárquicos distintos da Administração Tributária, todos os documentos e a Declaração Retificadora, pois nesse ínterim o Auto de Infração e Imposição de Multa foi lavrado com o vicio insanável da omissão de data, e, pelo que se vê do voto (item 4), a Administração Tributária de São Paulo também deve estar enfrentando problemas originados pela greve de então, pois não foi capaz de localizar o Aviso de Recebimento respectivo. O trecho do voto revela os desacertos administrativos oriundos do movimento grevista da época dos fatos que ocasionou, generalizadamente, extravios documentais. Os expedientes elaborados pelo Recorrente e entregues para a Administração Tributária, com os documentos pertinentes, aptos à revisão da correspondente Declaração, em estrito cumprimento das disposições constantes do artigo 835 do RIR/1999, e que evitariam a lavratura do auto de infração, certamente não foram levados em consideração, Há, pois, que se considerar negado ao ora Recorrente o seu direito de revisão (agravado com a aplicação arbitrária de penalidade) por evidente erro de fato, o que caracteriza sim o viciado, ilegítimo, cerceamento de defesa por via transversa. Constatase, na prática, um procedimento arbitrário consubstanciado na sumária e célere lavratura de um auto de infração (não datado) e imposição de exorbitante multa, sem nenhuma consideração ao esforço despendido pelo Recorrente, a fim de atender o Termo de Constatação Fiscal, em busca da revisão garantida pelo artigo 835 do RIR/1999. O procedimento da Administração Tributária foi não só arbitrário. Foi também um ato nulo ou inexistente. MÉRITO A Administração Tributária não faz prova de que tenha dado ao contribuinte e nem quando lhe tenha dado, antes, a oportunidade de fazer contestar os documentos comprobatórios da omissão e de fazer a inclusão não só dos rendimentos omitidos, mas também das deduções válidas e valor do imposto retido na fonte. O fisco não fez prova de que houvesse oferecido ao contribuinte o exercício do seu direito de efetuar a revisão da respectiva Declaração de Rendas (de deduções e IR retido na fonte), conforme a lei lhe garante. Por outro lado, é muito importante ressaltar que o Termo de Fiscalização vale pelo prazo de 60 (sessenta) dias prorrogável sucessivamente, por igual período, com qualquer ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Os termos decorrentes da atividade fiscalizadora serão lavrados, sempre que possível, em livro fiscal apropriado, extraindose cópia para anexação ao processo, com entrega de cópia autenticada à pessoa sob fiscalização. Não existe no processo qualquer ato escrito, nas condições assim descritas, com ciência do Recorrente, não sendo lícito se falar em exclusão da espontaneidade. O Auto de Infração não tem legitimidade para caracterizar a exclusão da espontaneidade do contribuinte que, em data eficaz retificou a respectiva Declaração de Rendas, exercitando a correção de erro de fato, com a inclusão válida de despesas médicas, despesas de instrução, IR retido pela fonte pagadora, etc. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 236 6 O Conselho de Contribuintes, ao manifestarse sobre a questão do erro de fato, através do Acórdão 110035/74, de 10/10/1974, entendeu admitida a retificação da declaração de rendimentos mesmo após a notificação de lançamento, desde que comprovada a ocorrência de erro de fato. A odiosa figura do confisco não tem merecido o pretenso apoio do Poder Judiciário, o qual habitualmente a rechaça por entendêla abusiva e contrária ao princípio da capacidade contributiva. Vejase, com base nos dados reais evidenciados na Declaração Retificadora, sustentados em documentação idônea, cujas cópias foram oferecidas ao fisco, que o valor do débito fiscal do Recorrente era de apenas R$ 635,65 e jamais o absurdo valor de R$ 7.536,43, valor este que, acrescido de multa e atualização monetária, supera a importância de 30.000,00. Concluise, em face de todo o exposto, não ter havido origem ilegítima no procedimento adotado pelo Recorrente, mas sim erro de fato que tentou corrigir; que os seus ganhos mensais são de nível muito inferior ao valor de cobrança injusta de multa e de acréscimos eventualmente reclamados; pelo inegável vício do confisco escamoteado pela falsa aparência de legitimidade; pela impossibilidade material do Recorrente arcar com o pesado ônus, que afrontaria a sua capacidade contributiva. PEDIDO Requer seja declarado nulo e/ou improcedente o presente Auto de Infração. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Admissibilidade do recurso Aprecio, de início a (in) tempestividade do recurso. O Interessado foi cientificado da decisão de piso em 20/12/2007 (quinta feira), conforme Aviso de Recebimento AR acostado aos autos em fl. 189, o que significa dizer que o prazo recursal iniciouse em 21/12/2007 (sextafeira). O trigésimo dia seguinte à ciência da decisão ocorreu em 19/01/2008 (sábado). A “capa do envelope” adunada aos autos em fl. 194 evidencia que o recurso foi postado nos Correios em 21/01/2008 (segundafeira). Logo, a insurgência recursal é tempestiva, porquanto “Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato” (Decreto nº 70.235/1972, art. 5º, parágrafo único). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 237 7 À fl. 34 foi anexada procuração outorgando poderes ao patrono do Recorrente para representálo perante à Administração Tributária federal. Assim, conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar Nulidade do Auto de Infração por omissão de data Afastase, inicialmente, a alegação de nulidade do Auto de Infração por vicio insanável de omissão de data, com base na Súmula nº 7 deste Conselho, de observância obrigatória pelos membros do CARF (Regimento Interno, art. 72, caput), cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalidada o lançamento de ofício. Mérito Revisão da declaração Sustenta o Recorrente que os documentos entregues à Administração Tributária são aptos à revisão da declaração de ajuste anual do anocalendário 1997, com fundamento no art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999, uma vez que teria ocorrido erro de fato na declaração primeva. O dispositivo normativo citado e seus parágrafos estão assim descritos: Art.835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). §1ºA revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. §2ºA revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, §1º). §3ºOs pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei nº3.470, de 1958, art. 19). §4ºO contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 841 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, §3º, e Lei nº5.172, de 1966, art. 149, inciso III). Fl. 237DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 238 8 A leitura dos trechos em destaque revela que a revisão da declaração de rendimentos, por parte das repartições fiscais, poderá ser feita de três formas, alternativamente: ou com os elementos de que dispuser a repartição, ou mediante esclarecimentos verbais ou escritos solicitados ao contribuinte, ou, ainda, por outros meios facultados no Decreto regulamentar. Na espécie, optou a Autoridade lançadora por efetuar a revisão da declaração de ajuste anual do Interessado com base em elementos de que dispunha, vale dizer, das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF enviadas à Receita Federal pelas fontes pagadoras, as quais se encontram anexadas aos autos às fls. 136 (Bradesco Seguros S/A, CNPJ 33.055.146/000193), 134 (Prefeitura Municipal de Osasco, CNPJ 46.523.171/000104), 130 (Associação Regional dos Servidores Públicos, CNPJ 46.929.667/000174) e 128 (Clinica Jardim Paulista Comercial Ltda., CNPJ 00.170.389/000113). Nesse ponto, portanto, nenhum reparo merece a decisão de piso, que assim rechaçou a pretensão do contribuinte: 16. Concluise que o Fisco, ao proceder à revisão da declaração de ajuste anual do IRPF/1.998, possuía elementos suficientes para fazêlo, motivo pelo qual, com supedâneo na legislação em vigor, prescindiu da prestação de esclarecimentos por parte do contribuinte, o qual por sua vez, posteriormente ao lançamento, confirmou, vale repisar, as inclusões ali efetuadas pelo Fisco, não apresentando, outrossim, elementos que pudessem elidir a glosa parcial da dedução do imposto retido na fonte. Efeitos do início do procedimento fiscal É sabido que o início do procedimento fiscal traz consequências jurídicas para o contribuinte, dentre elas a exclusão da espontaneidade e, no caso específico do imposto sobre a renda da pessoa física, o efeito de obstar a retificação da declaração de rendimentos por iniciativa do contribuinte. É o que prevê, respectivamente, o Decreto nº 70.235/1972 (art. 7º, I c/c § 1º) e o RIR/1999, (art. 832, caput), assim descritos: Decreto nº 70.235/1972 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. RIR/1999 Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado Fl. 238DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 239 9 erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). A ciência lançada no documento de fl. 150 evidencia que o procurador do Interessado (procuração à fl. 152), Sr. Nelson Zaffarani, recebeu o Termo de Constatação Fiscal lavrado pela Autoridade lançadora em 25/02/2000, o que implica dizer que, com base exclusivamente nos documentos constantes dos autos, esta é a data que deve ser considerada para a produção das consequências jurídicas acima mencionadas. Em resposta ao Termo de Constatação Fiscal recebido em 25/02/2000, o Recorrente protocolizou na DRF/São Paulo/CAC/Luz, em 27/03/2000, a impugnação de fl. 66, relatando que havia recebido tão somente o referido Termo e que os dados do Auto de Infração e Imposição de Multa não lhe foram fornecidos. Posteriormente, em 13/04/2000, o Interessado reapresentou, via postal, a impugnação ao Termo de Constatação, reafirmando que os dados do Auto de Infração e Imposição de Multa não lhe haviam sido entregues (fls. 36/64), mas que estava apresentando novamente as suas razões de defesa por orientação recebida no CAC/Luz. Confira (fls. 37/38): JOARY DE PINHO, inscrito no CPF(MF) sob nº 049.728.212 72, (...) vem à presença de Vossa Senhoria, tempestivamente, apresentar a inclusa IMPUGNAÇÃO à pretendida lavratura de Auto de Infração e Imposição de Multa, cujos dados não lhe foram fornecidos, de vez que lhe foi entregue, tão somente, o TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL, datado de 25.02.2000 (doc. 02), o que ora faz, pelas razões de fato e de direito expostas abaixo: Muito embora tenha já feito a entrega de suas razões de defesa, em texto idêntico ao presente, diretamente na CAC/LUZ DRF/SP/012100 – Nº 62, Av. Prestes Maia, 773, em 27.03.2000, (xerox da via protocolada em anexo), por orientação ali recebida, também o faz, no momento presente, à atenção V.Sas., valendose dos serviços do correio com Aviso de Recebimento, de vez que viuse impedido de fazêlo pessoalmente, em razão do movimento de greve deflagrada pelas repartições fiscais federais, sob a coordenação da Unafisco Sindical. Oportuno observar que foi nessa oportunidade (13/04/2000), ou seja, na reapresentação da impugnação ao Termo de Constatação, que o Recorrente apresentou o seu pedido de acolhida da Declaração Retificadora, consoante se verifica nos seguintes excertos extraídos do mencionado documento, a ver (fls. 40 e 42): Diante do recebimento do Termo de Constatação inicialmente referido, dandolhe conta de possível inclusão em Auto de Infração com a temida exigência de valores que venham a comprometer, seriamente, seus recursos de sobrevivência, viuse o Requerente obrigado a resgatar documentos de seu interesse os quais comprovam a verdadeira situação dos fatos imponíveis e excludentes de natureza tributária, de tal sorte poder apresentar nova declaração, em caráter de retificação segue anexa à presente Impugnação. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 240 10 (...) Com fundamento, portanto, no comando regulamentar ora reproduzido é que o Requerente valese do texto da presente Impugnação ao Auto de Infração e Imposição de Multa para formalizar o seu pedido de acolhida da Declaração Retificadora que a instrui (doc. 04), à qual seguem juntados os documentos que lhe dão sustentação e suficientes ao inteiro e melhor conhecimento da Administração Tributária. Um dia depois, no dia 14/04/2000, o Interessado foi cientificado do Auto de Infração, desta feita em sua integralidade (folha de rosto do AI, instruções de pagamento do imposto calculado antes da revisão e do imposto suplementar, mensagens, alterações efetuadas sem verificação de incidência de infração à legislação tributária, bem como demonstrativo de infrações, às fls. 22/30), vindo a impugnálo no dia 15/05/2000 (fls. 2/20). Embora não conste do processo o Aviso de Recebimento AR do Auto de Infração, o próprio Recorrente, à época Impugnante, revelou, no preâmbulo da peça impugnatória (fl. 2), a data em que foi intimado. Confira: JOARY DE PINHO, inscrito no CPF(MF) sob nº 049.728.21272, (...) vem à presença de Vossa Senhoria, tempestivamente, apresentar a inclusa IMPUGNAÇÃO ao Auto de Infração e Imposição de Multa IR exercício 1998 ano calendário 1997, número da declaração 08/30.101.973, caso/c.s 4875/33, local/município 0812100/7107. n.p/distribuição 827/4.500.320), recebido em 14.04.2000, o que ora faz, pelas razões de fato e de direito expostas abaixo: Assim, a ausência nos autos do AR do Auto de Infração não tem o condão de inquinar de nulidade a constituição do crédito tributário, haja vista que, ainda que por outros meios (afirmação do próprio Interessado), restou comprovada a intimação e, em consequência, a inexistência de prejuízo ao Recorrente. Resumindo os fatos narrados em ordem cronológica temse que: em 25/02/2000 o contribuinte foi intimado do Termo de Constatação Fiscal (fl. 150); em 27/03/2000, o contribuinte apresentou a impugnação ao Termo de Constatação Fiscal (fl. 66); em 13/04/2000, o contribuinte reapresentou, via postal, a impugnação ao Termo de Constatação (fls. 36/64), ocasião em que pleiteou, pela primeira vez, a acolhida da Declaração Retificadora (fls. 40 e 42); em dia 14/04/2000 o Interessado foi cientificado do Auto de Infração; em 15/05/2000 o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 2/20). O resumo cronológico evidencia, de forma incontroversa, que a retificação da declaração foi solicitada após o início do procedimento fiscal. A consequência prática deste fato é a impossibilidade de o Interessado retificar a declaração de rendimentos, bem como de se valer dos efeitos da denúncia espontânea (pagamento do tributo devido sem a incidência da Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 241 11 multa de ofício), por força do disposto, respectivamente, na Súmula CARF nº 33 e no § único do art. 138 do CTN, de cujo teor se extrai as seguintes dicções: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Registro, ainda, por importante, que descabe cogitar, aqui, da aplicação do instituto da “reaquisição da espontaneidade”, que pressupõe a inércia da Administração Tributária por um período de sessenta dias (Decreto 70.235/1972, art. 7º, § 2º), haja vista que, entre a intimação do Termo de Constatação Fiscal, que ocorreu em 25/02/2000, e a cientificação do Auto de Infração, que se deu em 14/04/2000, passaramse exatos quarenta e nove dias. Logo, podese afirmar, com base exclusivamente nos elementos constantes dos autos, que não houve a reaquisição da espontaneidade pelo contribuinte, o que reforça a impossibilidade de retificação da declaração. Irrelevância da existência ou não de erro de fato O Recorrente alega, também, que as infrações apontadas pela Fiscalização teriam decorrido de erro de fato no preenchimento da declaração original. Ocorre que a apresentação da segunda declaração após o início do procedimento fiscal já é, por si só, fato impeditivo à retificação dos dados da declaração original, de modo que me abstenho de tecer qualquer consideração acerca de um suposto erro de fato cometido pelo Interessado. Em outras palavras: encontrando motivação suficiente para fundar a decisão, não fica o julgador obrigado a rechaçar, uma a uma, as alegações do Recorrente, mormente quando desinfluentes para a solução da controvérsia. Observo, por fim, apenas a título de argumentação, que se a Administração Tributária admitisse a retificação da declaração original nas hipóteses de omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda na fonte, após o início do procedimento fiscal, poucos contribuintes preencheriam as suas declarações adequadamente. Bastaria esperar a ação fiscal para, em seguida, alegar que incorreram em erro de fato e retificar as declarações. Se o Fisco não iniciasse o procedimento fiscal no tempo permitido pela legislação, deixariam de recolher o imposto devido. Afinal, quem gosta de pagar tributos? Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10880.007462/0007 Acórdão n.º 2801003.687 S2TE01 Fl. 242 12 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10280.005811/2005-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000, 2001, 2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO NO AUTO DE INFRAÇÃO. DESNECESSIDADE.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, que somente se aplica aos despachos e decisões. A responsabilidade tributária pode ser atribuída em termo específico e em data posterior ao lançamento.
IPI - DECADÊNCIA. DOLO E/OU FRAUDE.
Constatado o dolo e/ou fraude, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contando-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte a aquele em que o sujeito passivo poderia ter tomado a iniciativa do lançamento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONDIÇÃO DE ADMINISTRADOR. COMPROVAÇÃO PELO FISCO.
Para a responsabilização tributária de terceira pessoa é indispensável que o fisco comprove de maneira inequívoca a condição de administrador.
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 e contado da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-004.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos:
I - em negar provimento ao recurso voluntário do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque e manter sua responsabilidade tributária;
II - em dar provimento ao recurso voluntário e excluir a responsabilidade tributária do Sr. Pedro da Costa Duarte Filho;
III - em não conhecer do recurso voluntário interposto pelo Sr. Aílton César Alves de Aviz por intempestivo.
Fez sustentação oral em causa própria o coobrigado Dr. Pedro da Costa Duarte Filho, OAB/PA nº 10.384.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Coobrigados: LUCILEIDE SANTOS SOARES, EDMILSON SANTANA PEREIRA, AILTON CESAR ALVES DE AVIS, PEDRO DA COSTA DUARTE FILHO E RAIMUNDO MAGNO DE SENA ALBUQUERQUE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000, 2001, 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO NO AUTO DE INFRAÇÃO. DESNECESSIDADE. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, que somente se aplica aos despachos e decisões. A responsabilidade tributária pode ser atribuída em termo específico e em data posterior ao lançamento. IPI DECADÊNCIA. DOLO E/OU FRAUDE. Constatado o dolo e/ou fraude, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contandose a partir do primeiro dia do exercício seguinte a aquele em que o sujeito passivo poderia ter tomado a iniciativa do lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONDIÇÃO DE ADMINISTRADOR. COMPROVAÇÃO PELO FISCO. Para a responsabilização tributária de terceira pessoa é indispensável que o fisco comprove de maneira inequívoca a condição de administrador. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 e contado da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 58 11 /2 00 5- 74 Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 11 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I em negar provimento ao recurso voluntário do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque e manter sua responsabilidade tributária; II em dar provimento ao recurso voluntário e excluir a responsabilidade tributária do Sr. Pedro da Costa Duarte Filho; III em não conhecer do recurso voluntário interposto pelo Sr. Aílton César Alves de Aviz por intempestivo. Fez sustentação oral em causa própria o coobrigado Dr. Pedro da Costa Duarte Filho, OAB/PA nº 10.384. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Em procedimento de fiscalização, a DRF Belém informa haver apurado que a empresa acima identificada, localizada na Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS), deu destinação diversa a produtos adquiridos com o benefício do IPI próprio daquela área de exceção, sendo responsável pelo imposto que deixou de ser lançado, conforme relato abaixo: a) Respondendo solicitação da Delegacia da Receita Federal em Macapá/AP, a Suframa remeteu o Ofício n° 037/2002 (fl. 03 – Anexo II), através do qual encaminhou relatório de notas fiscais emitido pelo seu sistema operacional, relativo às mercadorias recebidas pela empresa interessada (o referido relatório compõe o conjunto de provas “B” – fls. 04/46 do Anexo II); b) Da mesma forma, a empresa transportadora Bento Belém, CNPJ 02.968.074/000141, que realizou o serviço de transporte dessas mercadorias, após intimação, apresentou os conhecimentos de transporte das cargas, estando dentre os mesmos aqueles cujas mercadorias, destinadas à Amapaluz, foram entregues no Município de Belém, fora da ALCMS (as cópias dos manifestos compõem o conjunto de provas “C” – fls. 47/212 do Anexo II); c) Esclareceu ainda a empresa transportadora que o frete era contratado no trajeto São Paulo/Belém, sendo as mercadorias retiradas do seu depósito por representantes da Amapaluz para consolidação da carga e transporte fluvial até Macapá/AP. Algumas vezes as mercadorias eram entregues em um depósito localizado na Av. Senador Lemos, 4.130, Belém/PA, mesmo endereço da empresa Artluz Comércio Ltda – EPP, CNPJ 04.301.170/000167; d) Segundo os responsáveis pela Amapaluz, a empresa que efetuava o transporte fluvial até Macapá era a Transportadora A. Oliveira da Silva Transporte (Amazônia Transportes), localizada na Pass. Eunice Weaver, 115 – Belém/PA, sendo a pessoa encarregada do recebimento e consolidação das cargas o Sr. Augusto Aviz, irmão do Sr. Ailton Aviz, gerente da Amapaluz, além de sócio majoritário de outra empresa em Belém (Lumiere Comercial Ltda. – CNPJ 04.889.707/000151); e) O Sr. Ailton Aviz, em correspondência enviada à Fiscalização, confirmou ser o gerente da Amapaluz e que realmente a Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 13 4 transportadora entregava as cargas em Belém, para consolidação (fls. 11/12 do Anexo III); f) A Amazônia Transportes enviou à Fiscalização a relação dos conhecimentos de carga emitidos em nome da Amapaluz para o transporte de mercadorias até Macapá/AP (conjunto de provas “F” – fls. 14/32 do Anexo III); 2. Com base nas informações obtidas junto à Suframa, Bento Belém, e Amazônia Transportes, a Fiscalização elaborou relatório “MERCADORIAS RECEBIDAS EM BELÉM E NOTAS FISCAIS SUFRAMADAS”, relativo aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, identificando as notas fiscais destinadas à Amapaluz que foram entregues em Belém, tiveram suas notas “suframadas”, mas não foram enviadas ao seu destino final, permancendo fora da ALCMS (conjunto de provas “G” – fls. 34/40 do Anexo III), caracterizando o desvio de destinação, sendo lançado crédito de R$ 555.509,47. 3. Na segunda parte da descrição dos fatos, a Fiscalização da DRF Belém trata da responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado, conforme segue: a) Inicialmente, registra que a Amapaluz foi constituída em 08.02.1999, tendo como sócios a Sra. Izabel dos Santos Dias e o Sr. Abel Duarte Medeiros, e domicílio fiscal em Macapá/Ap, na Av. Sebastião Queiroz de Alcântara, n° 68, tendo sido o endereço alterado em 08.10.1999 para a Rua Mato Grosso, n° 918, e em 06.06.2000 para a Rua Leopoldo Machado, n° 4142; b) Em 23.10.2000, as cotas da Sra. Izabel foram transferidas para a Sra. Lucileide Santos Soares e as do Sr. Abel para o Sr. Edmilson Santana Pereira, sendo a Sra. Lucileide indicada como sóciaadministradora no CNPJ (tais alterações compõem o conjunto de provas “H” – fls. 42/53 do Anexo III); c) Ocorre que no mês de dezembro de 2002, a Fiscalização, ao tentar dar ciência do Termo de Início, verificou que a empresa não mais funcionava no seu domicílio, tendo sido lavrado termo de constatação para o fato e feita a intimação por edital. Somente em outubro de 2003 o procurador da empresa, Sr. André Luiz Arguelhes dos Santos, apresentou justificativas, informando haver sido a empresa desativada em dezembro de 2002, deixando de funcionar em seu último endereço, sem indicar novo domicílio, pelo que, em 13.10.2004, a inscrição da empresa no CNPJ foi tornada inapta (os documentos compõem o conjunto de provas “I” – fls. 55/67 do Anexo III); d) No dia 11.02.1999, a então sóciagerente, Sra. Isabel, nomeou como procurador da empresa o Sr. Pedro da Costa Duarte Filho, outorgandolhe, segundo a Fiscalização, “poderes que extrapolam ao que é corrente nas práticas comerciais, notadamente quando o outorgado é pessoa estranha ao quadro societário”, tais como: “amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar todos os negócios”, “usar poderes ‘ad Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 14 5 judicia’, mesmo os excetuados pelo Código Civil”, “abrir e movimentar contas correntes”, etc. (fl. 69 do Anexo III); e) A Sra. Lucileide, antes mesmo de adquirir as cotas da empresa, também nomeou seu procurador, em 06.06.2000, o Sr. Pedro da Costa Duarte Filho, com amplos poderes, inclusive “comprar, vender, ceder direitos, alugar, arrendar, ou por qualquer outra forma alienar bens e imóveis” (fl. 70 do Anexo III); f) Posteriormente, em 19.09.2000, a Sr. Lucileide também nomeou seu procurador o Sr. Ailton César Alves de Aviz, citado na primeira parte deste relato como gerente da Amapaluz, a quem conferiu amplos poderes, inclusive “comprar, vender, ceder direitos, alugar, arrendar, ou por qualquer outra forma alienar bens e imóveis, inclusive ações” (fl. 71 do Anexo III); g) Em 25.09.2000, o Sr. Pedro da Costa Duarte Filho substabeleceu ao Sr. José Humberto de Souza somente poderes de representação junto a autoridades, pessoas físicas e repartições públicas (fl. 72 do Anexo III), sendo que no dia 28.12.2000, a Sra. Lucileide, então sóciaadministradora da Amapaluz, outorgou poderes mais amplos ao Sr. José Humberto de Souza, sem revogar os anteriormente concedidos ao Sr. Pedro da Costa Duarte Filho (fl. 73 do Anexo III); h) Em 18.02.2003, foram revogados os poderes concedidos por substabelecimento (item 3.“g”) ao Sr. José Humberto de Souza (fl. 74 do Anexo III), sendo que no dia seguinte o Sr. Pedro da Costa Duarte Filho fez novo substabelecimento, com poderes de representar a Amapaluz junto a autoridades, pessoas físicas e repartições públicas, ao Sr. André Luiz Arguelhes dos Santos (fl. 75 do Anexo III); i) Em 10.12.2003, o Sr. Pedro da Costa Duarte Filho renunciou aos poderes de representar a empresa, outorgados em 11.02.1999 (item 3.“d”), exceto no caso dos substabelecidos em 05.08.1999 ao Sr. Francisco Carlos da Costa Nascimento, referente à representação junto a repartições públicas (fl. 76/77 do Anexo III); j) Há ainda o registro de que a empresa Artluz Comércio Ltda., em cujo endereço as mercadorias da Amapaluz eram entregues (ver item 1.“c”) para consolidação da carga, nomeou, no dia 03.09.2001, seus procuradores os Srs. Ailton César Alves de Aviz (sócio majoritário da empresa Lumiere Comercial Ltda, em Belém – ver item 1.“d”) e Raimundo Magno Sena de Albuquerque (fl. 78 do Anexo III); k) Menciona a Fiscalização que, ao impugnar lançamento de ofício feito pela DRF/Macapá/AP, a Sra. Lucileide afirma que pretendia pagar o devido, através dos Srs. Raimundo Magno Sena de Albuquerque e Ailton César Alves de Aviz, sendo o primeiro exconsultor/representante da empresa Philips do Brasil Ltda (fls. 80/83 do Anexo III). Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 15 6 4. Dessa forma, entendeu a Fiscalização haver ficado provada a estreita relação dos Srs. Pedro da Costa Duarte Filho e Ailton César Alves de Aviz, com a prática dos atos dolosos acima descritos, motivo pelo qual os mesmos foram trazidos aos autos como sujeitos passivos solidários, juntamente com os sócios da empresa, Sra. Lucileide Santos Soares e Sr. Edmilson Santana Pereira. 5. Relata a Fiscalização haver agravado a multa em virtude dos fatos não deixarem dúvidas de que o sujeito passivo agiu dolosamente com o intuito de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador, suas naturezas ou circunstâncias materiais, conforme arts. 477, 480 e 488 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI (Ripi/2002). 6. Constata, por fim, inexistir impedimento quanto ao instituto da decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário, tendo em vista a existência de procedimento doloso, fato que leva o termo inicial do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte a aquele em que o sujeito passivo poderia ter tomado a iniciativa do lançamento. Foi apurado um crédito total no valor de R$ 555.509,47. 7. Cientificada em 05.12.2005, através de seu procurador Sr. Ailton César Alves de Aviz (fl. 33) a Amapaluz apresentou, tempestivamente, em 04.01.2006 impugnação na qual alega que: a) O fato da mercadoria haver sido entregue no endereço da empresa Artluz, cujo sócioadministrador atual é o Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque, tendo como recebedores os funcionários dessa empresa, aponta para a responsabilidade da transportadora Bento Belém, que teria “conivência com as irregularidades praticadas pelo Sr. Raimundo Magno, pois o frete das mercadorias era contratado para ser entregue em Macapá/AP”. Tendo as mercadorias tomado outro rumo, seria da transportadora a responsabilidade; b) A transportadora auferia vantagem sobre os fatos narrados, pois cobraria frete até Macapá e entregaria a mercadoria em Belém, para onde o valor do frete é bem menor; c) “Para a empresa transportadora impõemse limites legais, devendo a mesma assumir a conduta não contrária a lei de incentivo, pois o seu comportamento importou em redução de tributo, razão pela qual deve responder como sujeito passivo solidário e também pelas práticas contrárias a legislação de incentivo, conforme determina o art. 11 da Lei n° 8.137/90, cujo texto já se transcreveu, acima.”; d) Há omissão da transportadora em, constatando o desvio da carga, não haver comunicado o Fisco, conforme prevê o art. 264 Ripi/2002; e) Tendo a Suframa concedido certificado de formalização do internamento das mercadorias na ALCMS, e considerando que legalmente a esta Autarquia cabe a comprovação do ingresso Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 16 7 das mesmas, resta a presunção absoluta do cumprimento das normas legais, motivo pelo qual as obrigações suspensas foram convertidas em isenção, sendo inexigíveis os créditos tributários; 8. Por fim, solicita: a) A oitiva da empresa Philips do Brasil S/A, do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque e dos representantes da empresa Artluz, por meio de diligência, na forma do art. 16, IV c/c § 1º do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF), face aos motivos apontados que dão conta de sua conivência com os fatos narrados, bem como a decretação de sua solidariedade; b) As oitivas dos funcionários da Artluz que recebiam as mercadorias e da transportadora Bento Belém, para apresentar explicações sobre a entrega da mercadoria em Belém, quando era contratada para entregar em Macapá, conforme conhecimentos de carga; c) A nulidade do termo de responsabilidade em relação à recorrente, uma vez que já houve certificado da Suframa de que as mercadorias ingressaram em Macapá. 9. Na mesma data – 04.01.2006 – apresentou sua impugnação o Sr. Ailton César Alves de Aviz (Volume II do presente processo – fl. 205/472), com os seguintes argumentos: a) Discorda do Termo de Sujeição passiva que lhe imputa responsabilidade, sendo que, se suas argumentações fossem investigadas, certamente a Fiscalização concluiria pela responsabilidade do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque e sua empresa Artluz, além da Philips; b) Faz relato do que diz ser a real versão dos acontecimentos, iniciada em convite efetuado pelo Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque para que o Impugnante, após expirado o prazo de seu contrato de estágio na Philips do Brasil, gerenciasse as vendas da empresa Artluz, que diz ser de propriedade do Sr. Raimundo Magno desde sua criação, ainda que seu nome não aparecesse no contrato em virtude de seu vínculo empregatício com a Philips. Atualmente este último é sócio da empresa; c) O Sr. Raimundo Magno propôs ao Impugnante que o mesmo atuasse como gerente de vendas da Amapaluz em Belém, ficando a gerência de Macapá com o Sr. Humberto de Souza, através de procuração substabelecida pelo Sr. Pedro da Costa Duarte Filho. Ressalta que o vínculo entre o Sr. Raimundo Magno e o Sr. Pedro decorre do fato do segundo ser contador da empresa Artluz, ficando esclarecido o aparecimento do mesmo como procurador com amplos poderes da Amapaluz, da qual foi responsável pela constituição; d) Os sócios da Amapaluz são todos laranjas, sendo o Sr. Abel Duarte sobrinho do Sr. Pedro Costa, a Sra. Izabel Dias funcionária do seu escritório de contabilidade, e a Sra. Lucileide Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 17 8 juntamente com o Sr. Edmilson, sócios atuais, pessoas humildes que não possuem bens para responder pela exigência tributária, os quais foram inseridos após desentendimento entre o Sr. Raimundo Magno e o Sr. Pedro Costa, que pressionou o primeiro a retirar do quadro seu sobrinho e sua funcionária; e) Afirma que sua função era de gerente da Artluz nas atividades de venda na praça de Belém, não possuindo poderes de gerência na Amapaluz, da qual era apenas empregado, sendo o Sr. Raimundo Magno o único responsável, o que fica patente pela análise da conta pessoal do mesmo, cujas cópias anexou, através dos extratos de pagamento de duplicatas em favor da Philips para pagamento de mercadorias da Amapaluz, em cheque (cópias anexas – fls. 312/381) e em dinheiro, o que prova sua relação direta com a empresa; f) Aponta quadro extraído do processo n° 10235.000306/200406 (fls. 212/213), relativo a outro Auto lavrado também contra a Amapaluz, pela DRF Macapá, onde consta comparação entre débitos da conta do Sr. Raimundo Magno e créditos na conta da Philips, no mesmo valor, afirmando que se tratam de apenas algumas operações, sem incluir os pagamentos feitos em dinheiro diretamente na conta da Philips, fatos esses que indicam o vínculo do mesmo com o débito tributário lançado, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; g) Denuncia que após a extinção da Amapaluz, o Sr. Raimundo Magno criou a empresa Prolux Comércio de Materiais Elétricos Ltda. – EPP, tendo como sócios fictícios o Sr. Humberto Souza (gerente da Amapaluz) e a Sra. Maria Iranilde Teixeira Lima, a qual também compõe o quadro societário da Artluz e que havia outorgado procuração ao Sr. Raimundo Magno para representar esta última empresa; h) Ressalta ser inverídica a afirmação feita pela Fiscalização de que detinha procuração da empresa Amapaluz com amplos poderes, nomeado pela Sra. Lucileide Soares, uma vez que tal procuração é da pessoa física da Sra. Lucileide para o Impugnante e não da empresa, da qual afirma nunca ter sido procurador; i) Acusa estranheza pelo fato do Sr. Raimundo Magno jamais haver sido importunado pela Fiscalização, uma vez que seu nome foi citado pelas pessoas que prestaram depoimento durante a ação fiscal, solicitando que o mesmos seja intimado a apresentar sua manifestação sobre os fatos narrados; j) Entende que a Philips do Brasil deva ser chamada para responder pelos débitos, uma vez que concedeu à Amapaluz grande crédito mensal sem conhecer a origem da empresa, somente sendo isso possível com o aval do Sr. Raimundo Magno. Solicita diligência para que a Philips seja instada a manifestar se sobre os fatos narrados. Aduz que a Philips seria contribuinte substituta nos termos do art. 27 do Ripi/2002; Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 18 9 k) Rechaça a afirmação da Fiscalização de que seria o responsável pela consolidação das cargas em Belém, uma vez que quem fazia isso eram os funcionários da Artluz, apontando para a responsabilidade da transportadora Bento Belém, que teria “conivência com as irregularidades praticadas pelo Sr. Raimundo Magno, pois o frete das mercadorias era contratado para ser entregue em Macapá/AP”. Tendo as mercadorias tomado outro rumo, seria da transportadora a responsabilidade; l) A transportadora auferia vantagem sobre os fatos narrados, pois cobraria frete até Macapá e entregaria a mercadoria em Belém, para onde o valor do frete é bem menor; m) “Para a empresa transportadora impõemse limites legais, devendo a mesma assumir a conduta não contrária a lei de incentivo, pois o seu comportamento importou em redução de tributo, razão pela qual deve responder como sujeito passivo solidário e também pelas práticas contrárias a legislação de incentivo, conforme determina o art. 11 da Lei n° 8.137/90, cujo texto já se transcreveu, acima.”; n) Há omissão da transportadora em, constatando o desvio da carga, não haver comunicado o Fisco, conforme prevê o art. 264 Ripi/2002; o) Tendo a Suframa concedido certificado de formalização do internamento das mercadorias na ALCMS, e considerando que legalmente a esta Autarquia cabe a comprovação do ingresso das mesmas, resta a presunção absoluta do cumprimento das normas legais, motivo pelo qual as obrigações suspensas foram convertidas em isenção, sendo inexigíveis os créditos tributários; 10. Por fim, solicita: a) A rejeição de sua responsabilidade solidária por não ser o responsável pelas atividades da Amapaluz; b) A oitiva da empresa Philips do Brasil e do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque, por meio de diligência, na forma do art. 16, IV c/c § 1º do PAF, face aos motivos apontados que dão conta de sua conivência com os fatos narrados, bem como a decretação de sua solidariedade; c) As oitivas dos funcionários da Artluz que recebiam as mercadorias e da transportadora Bento Belém, para apresentar explicações sobre a entrega da mercadoria em Belém, quando era contratada para entregar em Macapá, conforme conhecimentos de carga; d) A expedição de ofício para a Caixa Econômica solicitando informar se há nos cadastros do FGTS e CAJED os nomes dos três funcionários apontados; e) A oitiva do Sr. José Humberto de Souza, por ser mesmo representante da Amapaluz; Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 19 10 11. Também em 04.01.2006 apresentou sua Impugnação da Sr. Lucileide Santos Soares (fls. 475/576 – com anexos), com os seguintes argumentos: a) Discorda do Termo de Sujeição passiva que lhe imputa responsabilidade, sendo que, se suas argumentações fossem investigadas, certamente a Fiscalização concluiria pela responsabilidade do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque e sua empresa Artluz, além da Philips; b) Faz relato do que diz ser a real versão dos acontecimentos, iniciada em convite efetuado pelo Sr. Raimundo Magno para que a Impugnante ingressasse no quadro de sócios da Amapaluz, uma vez que o mesmo não poderia participar por ser gerente da Philips, sendo he oferecida uma casa e um salário mínimo por mês; c) Afirma que durante o período de funcionamento da empresa, diversas vezes compareceu ao cartório para outorgar procurações a pessoas indicadas pelo Sr. Raimundo Magno, como aconteceu com os Srs. Pedro da Costa, José Humberto e para o próprio Raimundo Magno; d) Pede exclusão de seu nome das responsabilidade tributária, uma vez que não tem condições de pagar o débito, tendo apenas erradamente emprestado seu nome para enriquecimento de outros; e) Acusa estranheza pelo fato do Sr. Raimundo Magno jamais haver sido importunado pela Fiscalização, uma vez que seu nome foi citado pelas pessoas que prestaram depoimento durante a ação fiscal, solicitando que o mesmos seja intimado a apresentar sua manifestação sobre os fatos narrados; f) Entende que a Philips do Brasil deva ser chamada para responder pelos débitos, uma vez que concedeu à Amapaluz grande crédito mensal sem conhecer a origem da empresa, somente sendo isso possível com o aval do Sr. Raimundo Magno. Solicita diligência para que a Philips seja instada a manifestar se sobre os fatos narrados. Aduz que a Philips seria contribuinte substituta nos termos do art. 27 do Ripi/2002; g) Alega que o fato da mercadoria haver sido entregue no endereço da empresa Artluz, cujo sócioadministrador atual é o Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque, tendo como recebedores os funcionários dessa empresa, aponta para a responsabilidade da transportadora Bento Belém, que teria “conivência com as irregularidades praticadas pelo Sr. Raimundo Magno, pois o frete das mercadorias era contratado para ser entregue em Macapá/AP”. Tendo as mercadorias tomado outro rumo, seria da transportadora a responsabilidade; h) A transportadora auferia vantagem sobre os fatos narrados, pois cobraria frete até Macapá e entregaria a mercadoria em Belém, para onde o valor do frete é bem menor; Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 20 11 i) “Para a empresa transportadora impõemse limites legais, devendo a mesma assumir a conduta não contrária a lei de incentivo, pois o seu comportamento importou em redução de tributo, razão pela qual deve responder como sujeito passivo solidário e também pelas práticas contrárias a legislação de incentivo, conforme determina o art. 11 da Lei n° 8.137/90, cujo texto já se transcreveu, acima.”; j) Há omissão da transportadora em, constatando o desvio da carga, não haver comunicado o Fisco, conforme prevê o art. 264 Ripi/2002; k) Tendo a Suframa concedido certificado de formalização do internamento das mercadorias na ALCMS, e considerando que legalmente a esta Autarquia cabe a comprovação do ingresso das mesmas, resta a presunção absoluta do cumprimento das normas legais, motivo pelo qual as obrigações suspensas foram convertidas em isenção, sendo inexigíveis os créditos tributários; 12. Por fim, solicita: a) A rejeição de sua responsabilidade solidária por não ser o proprietária da Amapaluz; b) A oitiva da empresa Philips do Brasil e do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque, por meio de diligência, na forma do art. 16, IV c/c § 1º do PAF, face aos motivos apontados que dão conta de sua conivência com os fatos narrados, bem como a decretação de sua solidariedade; c) As oitivas dos funcionários da Artluz que recebiam as mercadorias e da transportadora Bento Belém, para apresentar explicações sobre a entrega da mercadoria em Belém, quando era contratada para entregar em Macapá, conforme conhecimentos de carga; d) A expedição de ofício para a Caixa Econômica solicitando informar se há nos cadastros do FGTS e CAJED os nomes dos três funcionários apontados; 13. A impugnação do Sr. Edmilson Santana Pereira (fls. 577/677 – com anexos), também protocolizada em 04.01.2006, possui teor igual ao da Sra. Lucileide, diferenciandose apenas na alegada remuneração pelo “empréstimo” no nome que, no caso, não incluiu a casa, e no fato do Impugnante afirmar que era chamado para assinar “documentos da empresa”, ao passo que a Sra. Lucileide afirmou assinar procurações. 14. A Impugnação do Sr. Pedro da Costa Duarte Filho foi postada nos correios, via Sedex (fl. 683) no dia 16.02.2006 e juntada ao presente processo às fls. 684/790 – com anexos, com os seguintes argumentos: a) Preliminarmente, alega o Impugnante sua ilegitimidade de parte para responsabilidade tributária, tendo em vista que a procuração serviu somente para a abertura da empresa autuada, Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 21 12 que se completou com a abertura de conta no BASA, em Macapá/AP, não tendo feito mais nenhum procedimento junto ao banco citado, outra instituição financeira ou pessoas jurídicas que o caracterizasse como mandatário da Amapaluz ou condizente com atitudes ilícitas. Além disso, entende haver cessado o mandato na forma dos incisos III e IV do art. 682 do Código Civil; b) Em nenhum momento foi intimado a prestar esclarecimentos sobre o procedimento, vindo a saber da existência do Auto através de um dos Fiscais responsáveis; c) Com a mudança no quandro societário da empresa, a procuração teria perdido a validade de forma tácita, tornando nulos os substabelecimentos feitos a outras pessoas, uma vez que os novos sócios nunca lavraram termo procuratório para o Impugnante; d) Entende não poder ser atribuída sujeição passiva solidária, uma vez que isso somente pode ocorrer em relação a pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou aquelas expressamente designadas em lei. No caso, não haveria constatação de vantagem auferida pelo Impugnante e nem qualquer participação comprovada; e) Ainda em preliminar, alega que o fato de possuir mandato procuratório com amplos poderes não significa que o detentor teria feito uso em sua íntegra, tendo o Impugnante utilizado os poderes apenas para a abertura da empresa, além dos substabelecimentos; f) Em momento algum é citado como agente que tenha efetuado ato de comércio em geral, a não ser pelas suas próprias atividades profissionais, inexistindo vedade material para o caso em tela e muito menos a certeza de participação dolosa ou culposa no processo; g) O Termo de Sujeição Passiva Solidária não possui as comprovações fáticas alegadas pela Fiscalização, com total abstração da norma legal que deveria constar no termo; h) Não conhece a Sra. Lucileide, de quem possui procuração com amplos poderes, nunca tendo prestado serviços para a mesma, tendo sido a procuração lavrada em cartório sem o seu consentimento; i) reafirma não haver provas de sua participação em atos de comércio, as quais cabem à Fiscalização, tendo sido as acusações decorrentes de seu estreito relacionamento com o Sr. Ailton Aviz, tendo sido ferido o princípio da legalidade; j) reclama ter havido cerceamento no seu direito de defesa em virtude de não ter tido oportunidade de fazer vistas aos autos, pois sempre que se dirigia às Unidades da RF, os mesmos haviam sido enviados a outros locais; Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 22 13 k) No mérito, narra sua versão dos fatos, desde a primeira procuração recebida para abertura da Amapaluz, a qual alega não haver renunciado por descuido, sendo que posteriormente substabeleceu poderes a pedido dos Srs. Aílton e Raimundo Magno; l) Reforça sua idéia de que a procuração estaria inválida a partir do momento e que finalizou seu trabalho de abertura da empresa e cadastramento na Suframa ou ainda na alteração do quadro societário; m) Reclama a necessidade de inclusão do Sr.Raimundo Magno no pólo passivo, o qual, juntamente com o Sr. Ailton Aviz, devem ser responsabilizados pelo ocorrido; n) Chama atenção para diversos fatos relativos ao modus operandi da infração praticada, da qual não teve participação, além decitar diversos julgados em situações semelhantes; o) Por fim, requer: I) sejam apreciadas as preliminares para cancelamento as sujeição passiva (vício formal; falta de fundamentação legal; e não se trata de sujeição solidária, mas sim subsidiária); II) diligências e perícias para positivar sua não participação nos atos de comércio da empresa, nomeando seus peritos, relação de empresas que devem atender suas solicitações e relacionando os quesitos que pretende ver respondidos (fls. 711/713). 15. Entendendose ser necessária a apuração da responsabilidade do Sr. Raimundo Magno, assim como melhor análise acerca da participação do Sr. Pedro Duarte Filho, solicitouse diligência (fls. 796/806) para: “a.1) confirmar a idoneidade dos documentos trazidos junto às impugnações apresentadas, em especial os de fls. 245 a 381, apresentados pelo Sr. Ailton Aviz, e, no caso de convencimento da autoridade autuante quanto à participação do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque nas infrações, incluílo como responsável solidário na forma do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; a.2) realizar outras diligências, apresentar quaisquer informações e anexar documentos que considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo, em especial ao subitem a.1 supra; a.3) atender ao pedido de diligência proposto pelo Sr. Pedro da Costa Duarte Filho, para que seja verificada a participação do mesmo nas infrações objeto do presente processo; a.4) anexar ao presente processo as ciências dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, para que seja verificada a tempestividade das impugnações apresentadas.” Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 23 14 16. Em agosto de 2009 o processo retornou sem cumprimento do requerido, constando apenas manifestação do Sr. Raimundo Magno (fls. 808/813) que, aparentemente, referiase aos termos da diligência. 17. Diante da situação, solicitouse em 04.09.2009 nova diligência à Unidade (conforme despacho – inicialmente nas fls. 816/817 e atualmente nas fls. 839/840, após renumeração) para cumprimento do requerido, sendo refeitas as providências solicitadas. No retorno observase que a primeira diligência foi atendida, tendo ocorrido o equívoco da Unidade em enviar o processo sem anexar os documentos correspondentes. 18. Em cumprimento à diligência inicial, a DRF Belém anexou Termos de Encerramento de Diligência (fls. 810/830), com ciências pessoais de Raimundo Magno de Albuquerque na fl. 816, Ailton César Aviz na fl. 823 e Pedro Duarte Filho na fl. 830, além de Termo de Sujeição Passiva Solidária de Raimundo Sena de Albuquerque, nas fls. 808/809. 19. Cientificado do Termo de Sujeição em 30.03.2009 e do Termo de Encerramento de Diligência em 31.03.2009, o Sr. Raimundo Sena de Albuquerque apresentou em 29.04.2009 impugnação na qual: a) Nega haver sido sócio da Amapaluz, tendo seu nome sido incluído supostamente por haver realizado pagamentos de faturas da empresa em 1999; b) Acusa ser o Sr. Ailton Aviz o verdadeiro dono da empresa; c) Requer a nulidade do lançamento por não haverem os responsáveis solidários sido incluídos no Auto; d) Discute o valor legal dos cheques apresentados pelo Sr. Ailton Aviz, por não haverem sido preenchidos pelo impugnante e por se referirem a 1999, ano diverso das notas fiscais apresentadas, não podendo ser comprovado que serviram para pagamento das faturas; e) Afirma que no processo Administrativo Fiscal n° 10235.000306/200406, da Delegacia da Receita Federal de Macapá/AP, teria ficado claro e comprovado quem seriam os verdadeiros responsáveis pela empresa Amapaluz, relatando o teor dos depoimentos dos Srs. Ailton Aviz e Abel Medeiros; f) “Outrossim, por mais que o Impugnante fosse considerado responsável tributário pela empresa Amapaluz, o que se admite apenas pelo mero dever de argumentar, os valores atribuídos nos Autos de Infrações, são totalmente ilusórios e desprovidos de qualquer fundamentação legal, pelo que se impugna desde já os valores apurados.” g) “Ademais, a multa imposta no aludido auto é exorbitante, extrapolando a seara da tributação, adentrando no confisco patrimonial, prática considerada inconstitucional pois, por Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 24 15 expressa determinação legal, é ilegal a cobrança de multa em percentuais superiores a 20% do valor do débito, conforme já julgado pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN nº 551/93, violando, ainda, o princípio da capacidade contributiva”; h) Requer ao final a realização de diligência para anexação das cópias dos depoimentos dos Srs. Ailton Aviz e Abel Medeiros, constantes do processo n° 10235.000306/200406 e a realização de perícia técnica no sentido de comprovar que o preenchimento dos cheques não foi realizado pelo impugnante. A DRJ em Belém (PA) julgou improcedentes as impugnações, fls. 870 a 878, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. As decisões judiciais ou aquelas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e Delegacias de Julgamento não constituem normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, os pedidos de diligência ou perícia. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Mantémse a responsabilidade tributária em terceiro não integrante do quadro societário do sujeito passivo quando restar comprovado sua participação na administração da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001, 2002 RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE NOME NO AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A instrumentalização mediante Termo de Responsabilidade Tributária supre perfeitamente a necessidade de ciência do suposto responsável quanto à exação fiscal, desde que a ele seja informada a infração cometida pela pessoa jurídica e os elementos probantes da vinculação entre contribuinte e Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 25 16 responsável. O art. 10, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972 não restringe que a necessidade de qualificação de todos os autuados obrigatoriamente ocorra no próprio auto de infração, podendo se dar também, no que tange ao responsável, mediante instrumento anexo (Termo de Responsabilidade Tributária). Cientificado da decisão de primeira instância, o coobrigado Raimundo Magno Sena de Albuquerque interpôs recurso voluntário, fls. 885 a 888, instruído com o documento de fl. 889. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente que: ao contrário do entendimento do acórdão recorrido, entende que a identificação do autuado é necessária e obrigatória no auto de infração, conforme o art. 10, I, do Decreto nº 70.235/72; outro ponto a ser observado diz respeito à decadência do direito da Fazenda Pública em constituir os créditos tributários referentes aos anos de 2000 a 2002, tendo em vista que o recorrente só foi notificado do auto de infração em 30/03/2009; as cópias de cheques apresentados pelo Sr. Aílton César de Aviz e que serviram, segundo entendimento, como prova irrefutável de pagamento de duplicatas em nome da Amapaluz, na verdade por si só, não se traduz em nenhuma prova de que o impugnante era quem pagava pelas mercadorias adquiridas da Philips pela Amapaluz; outro ponto a ser reformado é o indeferimento da produção de prova material, posto que cabe ao julgador a busca da verdade dos fatos, a verdade material; se o impugnante fosse, de fato, responsável pelo pagamento das faturas em questão, existiriam cheques e ordens de pagamento dos anos anteriores ou seguintes a 1999 e não apenas naquele ano. para que haja a responsabilização tributária esta deve estar cabalmente e robustamente comprovada por provas, cabendo esse ônus a autoridade fiscal competente; teve notícia de que o débito que está sendo cobrado através do auto de infração em discussão, já havia sido quitado pela empresa Philips do Brasil, devendo ser realizada diligências no sentido de apurar os fatos. Por fim, o interessado Raimundo Magno Sena de Albuquerque requereu que fosse conhecido e provido seu Recurso Voluntário. Às fls. 894 a 896 consta que o coobrigado Pedro da Costa Duarte Filho teve vista deste processo e recebeu cópias da fls. 870 a 891. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 26 17 Tendo em vista que o processo não foi preparado adequadamente pela autoridade administrativa local, o processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem: a) cientificasse os demais responsáveis tributários, a empresa Amapá Luz Engenharia e Comércio Ltda, Lucileide Santos Soares, Edmilson Santana Pereira, Aílton César Alves de Aviz, Pedro da Costa Duarte Filho, quanto ao teor do acórdão da DRJ para, desejando, interpor recurso no prazo legal; b) informasse sobre uma provável extinção do crédito tributário referente a este auto de infração por meio de pagamento efetuado pela empresa Philips do Brasil. A Delegacia de origem atendeu o solicitado na Resolução e deu ciência aos demais responsáveis tributários conforme documentação anexada ao processo e informou que não foram encontrados pagamentos feitos pela Philips do Brasil com o objetivo de extinguir o processo. Cientificado da decisão de primeira instância, o coobrigado Pedro da Costa Duarte Filho interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente que: a falta de apreciação em sua integralidade das preliminares suscitadas na impugnação; o termo de responsabilidade tributária mantido, objeto deste recurso, não contém em seu corpo as comprovações fáticas alegadas pelo ilustre fiscal, com total abstração da norma legal que devia constar do próprio termo, mas dele foi omitida; ratifica que vagas são as acusações contra o ora recorrente, fracas e sem amparo legal, posto que em momento algum se caracterizou, seja por provas documentais, seja por depoimentos, a efetiva participação do recorrente nas decisões da autuada, tão pouco provado o excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto, conforme dispõe o art. 135 do CTN, logo, descaracterizada está a acusação a mim imputada, caindo por terra as alegações que constam no termo de Responsabilidade Tributária Solidária; não ficou provado a relação de nexo de causalidade entre o fato gerador da obrigação principal e o terceiro a quem foi atribuída a responsabilidade; que em um dos cartórios de Macapá/AP solicitou esclarecimentos para um dos serventuários, em que ele informou que qualquer pessoa pode outorgar mandato de procuração para outra pessoas, sem necessitar que a mesma esteja presente, sendo apenas necessário que se tenha conhecimento dos dados pessoais do outorgado; Colaciona doutrina e jurisprudências administrativa e judicial. Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 27 18 Por fim requer: seja cancelada e tornada insubsistente a sujeição passiva atribuída ao Sr. Pedro Duarte em face do auto de infração lavrado contra a empresa Amapaluz Engenharia e Comércio Ltda pelos vícios e nulidade que o cercam; que sejam consideradas como provas emprestadas, todos os documentos acostados. Alternativamente requer: a conversão em diligência a fim de positivar a não participação deste impugnante na geração dos fatos geradores, atos de comércio, práticas de movimentação bancária de contas da empresa, de contas dos sócios de direito e de fato, recebimento e pagamento de clientes e fornecedores em geral; que seja oficiado para a empresa Philips do Brasil, visando esclarecer se houve ou não a quitação do IPI; que nomeia contadores que devem atender as solicitações da Receita Federal. Após ter ciência da decisão de primeira instância, o coobrigado Aílton César Alves de Aviz também interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Sustenta que o recorrente tinha a função apenas de receber mercadorias e repassar as mesmas para a cidade de Macapá, sob a orientação do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque, não havendo nenhuma gerência significativa a ponto de definir a destinação da mercadoria, ou seja, se a mercadoria devesse ficar em Belém ou em Macapá. Argumenta que cabia ao recorrente somente verificar se a carga (mercadoria) tinha sido transportada de forma adequada, sendo responsável pelo armazenamento e recebimento na cidade de Macapá sempre sob a orientação do seu Raimundo Magno Sena de Albuquerque. Aduz que a gerência realizada era de caráter técnico, portanto o recorrente não pode ser confundido com gerente administrativo. Pontua que não há no processo administrativo fiscal nenhuma prova de que o recorrente realiza atos mercantis, que realizava pagamentos ou recebimentos de contas em nome da empresa Amapaluz Engenharia e Comércio Ltda, ou que tenha tido proveito econômico das operações realizadas pela empresa Amapaluz. Insiste que a procuração concedida pela sócia administradora da empresa Sra. Lucileide não é um documento hábil a comprovar a gerência de uma empresa na forma do art. 135 do CTN. Defende a tese de que não basta ser sócio da empresa, de fato ou de direito, mas se torna imprescindível participar com a prática de atos típicos de administração, obter proveito dos atos de comércio, para, só então responder com seu patrimônio particular. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 28 19 Reitera a inexistência de proveito econômico em favor do recorrente relativo ao fato gerador praticado pela citada empresa. Sustenta, ainda, que é indevida a multa de 150%, uma vez que o fato gerador do IPI se consolidou na sua inteireza na saída do estabelecimento do fabricante sem qualquer influência do recorrente. Destaca que até a própria fiscalização reconhece que o tributo deve ser exigido, face a inexistência de isenção, conforme conclusão da fiscalização, assim, a multa a incidir é a prevista no Decreto 4.544/02 (já revogado), mas, vigente à época do fato gerador, que em seu art. 488, I, prevê a multa de 75% (setenta e cinco por cento). Argumenta a decadência dos períodos de janeiro a dezembro de 2000, visto que para o IPI se aplica as regras do artigo 150 § 4º do CTN. Desta forma, considerando a data de conhecimento do lançamento do recorrente ocorrida em 05/12/2005, só poderia a Fazenda Pública lançar o tributo a partir de 01/2001. De outro lado, argumenta que existem provas que as mercadorias ingressaram na praça de Macapá, pois para que houvesse a concessão de benefícios fiscais de IPI, haveria a necessidade da fiscalização pela SUFRAMA sobre a área de livre comércio (ALCMS). De sorte que tornamse inexigíveis os créditos de IPI, cobrados no auto de infração, pois, na medida que a Suframa, concedeu a certificação de entrega e internação da mercadoria na área de livre comércio, houve no ato administrativo de certificação de internação com a respectiva comprovação pelo Fisco Federal do cumprimento dos requisitos legais ensejadores da suspensão do pagamento do IPI. De outro giro, argumenta que a transportadora possui responsabilidade tributária, haja vista que entregou a mercadoria em locais diversos do constante da nota fiscal (frete calculado até a cidade de Macapá), tendo em vista que se a empresa de transporte foi contratada para fazer o transporte e não entregava a mercadoria no destino ajustado, tem ela participação nas irregularidades. Ademais, a empresa de transporte auferia vantagem, pois o valor do frete era pago até a cidade de Macapá cujo valor financeiro é bem maior do que o frete na cidade de Belém. Por último requer: que seja excluída a responsabilidade do recorrente Ailton César Alves de Aviz; que seja reconhecida a decadência dos períodos de jan. a dezembro de 2000; que seja aplicada multa penal de 75% (setenta e cinco por cento); extensão da responsabilidade da empresa transportadora e consolidação da responsabilidade do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque. Consta, ainda, petição do coobrigado Pedro da Costa Duarte Filho comprovando a protocolização do recurso voluntário em 25/02/2013. É o relatório. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 29 20 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes De início, delimitase o litígio. Assim, do exame dos autos constatase que a empresa Amapaluz Engenharia e Comércio Ltda e os coobrigados Lucileide Santos Soares e Edmilson Santana Pereira não apresentaram recurso voluntário, portanto em relação a eles o lançamento é definitivo com a consequente responsabilidade tributária. Os responsáevis tributários Raimundo Magno de Sena Albuquerque, Pedro da Costa Duarte Filho e Ailton Cesar Alves de Avis apresentaram recursos voluntários, os quais serão apreciados individualmente. 1. Do recurso voluntário do Sr. Raimundo Magno de Sena Albuquerque O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O recorrente, em preliminar, sustenta a nulidade do procedimento fiscal uma vez que não consta no auto de infração a qualificação do autuado como responsável tributário. Não assiste razão ao recorrente, pois a exigência de crédito tributário por meio de lançamento de ofício deve observar os procedimentos previstos no Decreto nº 70.235/72, em especial os requisitos formais estabelecidos nos arts. 9 e 10. Do exame do lançamento em questão, constatase que estes requisitos foram observados pela autoridade fiscal, de sorte que não há que se falar em nulidade do lançamento por falta de qualificação do recorrente no auto de infração. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que o auto de infração foi lavrado por servidor competente e o inciso II aplicase, apenas, aos casos de despachos e decisões, ressaltando que o auto de infração enquadrase na categoria de atos e termos processuais prevista no inciso I do aludido artigo. Não se pode perder de vista que o lançamento de ofício contém todos os elementos necessários e suficientes para a constituição do crédito tributário, em especial a descrição dos fatos foi pormenorizada. De sorte que não há que se falar em nulidade em razão de que a responsabilidade tributária foi atribuída em termo específico e em data posterior ao lançamento. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 30 21 Ademais, é fato que o Termo de Responsabilidade Tributária contém todos os requisitos para se atribuir a responsabilidade ao requerente, tanto é assim que foi apresentada robusta impugnação, além das razões coerentes desse recurso voluntário. Nesses recursos evidenciamse a correta percepção da atribuição da responsabilidade tributária. Por tais razões, são insubsistentes as alegações de nulidade porque não consta do auto de infração a qualificação do requerente. Por outro lado, o recorrente sustenta à decadência do direito da Fazenda Pública em constituir os créditos tributários referentes aos anos de 2000 a 2002, tendo em vista que somente foi notificado do auto de infração em 30/03/2009. Mais uma vez não tem razão o recorrente. Para efeitos da contagem do prazo decadencial do Fisco para a constituição de crédito tributário o art. 129 do RIPI/2002 dispõe: "Art. 129. O direito de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados: I da ocorrência do fato gerador, quando, tendo o sujeito passivo antecipado o pagamento do imposto, a autoridade administrativa não homologar o lançamento, salvo se tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação (Lei n° 5.172, de 1966, art. 150, § 4 ° ); II do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo já poderia ter tomado a iniciativa do lançamento (Lei n° 5.172, de 1966, art. 173, inciso I); ou III (...)" (grifouse) Destarte, no caso vertente, ocorrência de dolo e/ou fraude, não se aplica a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Acertadamente, a autoridade fiscal adotou o prazo estabelecido no inciso II, assim, o prazo de 05 (cinco) anos é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo já poderia ter tomado a iniciativa do lançamento. Como visto, a matéria em litígio corresponde aos períodos de apuração de 20/05/2000 a 30/11/2002 e a ciência do lançamento de ofício ocorreu em 05/12/2005, fl. 160. E, iniciada sua contagem em 05/12/2005, constatase que os períodos de apuração objeto do lançamento não foram alcançados pela decadência, como bem assentado pela decisão recorrida. Cabe, mais, acrescentar que a decadência não se opera especificamente em relação a um responsável tributário pessoa física. No caso em exame, a atribuição da responsabilidade tributária ocorreu antes do julgamento de primeira instância, de sorte que não existiram quaisquer prejuízos ao amplo direito de defesa do interessado. O crédito tributário é único e foi regulamente constituído. O STJ inclusive admite a atribuição de responsabilidade na fase de execução fiscal. Veja neste sentido a decisão prolatada no AgRg no Recurso Especial nº 1.248.451 – SC: Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 31 22 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CABE AO SÓCIO/ADMINISTRADOR O DEVER DE PROVAR QUE NÃO AGIU COM EXCESSO DE PODER, INFRAÇÃO A LEI OU AO CONTRATO SOCIAL EM SUA GESTÃO QUANDO O SEU NOME CONSTA NA CDA. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA: RESP. 1.104.900/ES, REL. MIN. DENISE ARRUDA, DJE 01.04.2009. RESSALVA DO PONTO DE VISTA DO RELATOR. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Como o fundamento da responsabilidade do sócio/administrador em matéria tributária depende da verificação de uma das hipóteses do art. 135, III do CPC, essa prova deve ser prévia, admitindo, que, no mínimo, seja feita por meio de incidente processual em que garantido o exercício do direito de defesa. 2. O só fato de constar o nome do sócio na CDA, nos casos em que o lançamento é feito pelo Fisco, não o legítima automaticamente para a execução tributária sob um dos fundamentos do art. 135, III do CTN, se este fundamento não veio especificado quando de sua inclusão como coobrigado no título executivo, isto é, quando não houve procedimento administrativo prévio tendente à apuração dessas circunstâncias, ou quando não indicado, no curso do processo, os fatos autorizativos da transferência de responsabilidade. 3. A presunção de liquidez e certeza da CDA, para esse fim, deve ser relativizada, competindo ao Fisco o ônus da prova de que o indicado agiu com infração à lei ou ao contrato ou que houve a dissolução irregular da sociedade; isso porque, nessa hipótese, o sócio não participa da formação do título executivo. Se o nome do sócio sequer consta do título executivo e pretendese o redirecionamento, a situação é ainda mais grave, pois está se admitindo que prossiga uma execução sem título contra ele. 4. Todavia, a 1a. Seção dessa Corte, reafirmou o Documento: 32094148 RELATÓRIO E VOTO Site certificado Página 3 de 6 Superior Tribunal de Justiça entendimento esposado na decisão recorrida em sede de Recurso Especial representativo de controvérsia, ao decidir que, se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, a ele incumbe o ônus da prova de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no art. 135 do CTN. 5. Agravo Regimental desprovido. (grifouse) Resta examinar a imputação de responsabilidade tributária ao interessado. Em suas razões o requerente sustenta que a responsabilização tributária não ficou cabalmente demonstrada. Por pertinente, por concordar e para que não se tenha duas decisões distintas em relação a mesmo fato jurídico, adoto os fundamentos da decisão unânime proferida no processo de lançamento de IRPJ nº 10235.000306/200406, acórdão 140200.755, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/1ª Seção: Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 32 23 Da análise da responsabilidade tributária imputada a Raimundo Magno Sena Albuquerque Raimundo Magno de Sena Albuquerque foi arrolado por atuar como sócio oculto e “gerente financeiro” da empresa Apamapaluz. Em sua defesa, Ailton César Alves Aviz alega que o “verdadeiro dono” da empresa Amapaluz era Raimundo Magno de Sena Albuquerque. As manifestações de Ailton e de Raimundo indicam, ao que parece, que houve desacerto comercial entre ambos que se acusam mutuamente. Assim, diante da aparente inimizade, não as levarei em consideração. Vou me limitar a outras provas existentes nos autos. É fato incontroverso que uma das principais fornecedoras da fiscalizada era a empresa Philips, da qual Raimundo, conforme informação prestada pela própria empresa e não refutada por Raimundo, era funcionário. A empresa fiscalizada iniciou suas atividades no mês de fevereiro de 1999. As fotocópias dos cheques existentes nos autos referentes à conta nº 097408, da Ag. 1580, do Banco Itaú, na cidade de Belém, indicam que esta foi aberta em janeiro de 1999 (fl. 5.980). Examinando os exemplares dos cheques existentes nos autos, dentre os quais cito os de fls. 4.998 a 5.017 e confrontando com o de fl. 5.980, verifico que inicialmente constava dos cheques apenas o nome de Raimundo e posteriormente passou a contar o nome de Raimundo e Ailton (fl. 5.980), o que indica que a conta bancária passou a ser conjunta e, pelos elementos que se têm dos autos, dita conta era utilizada para pagamento das obrigações da Amapaluz, em especial os fornecedores. Não há como acolher a alegação de Raimundo quando diz que forneceu cheques a Ailton, que foram utilizados para pagamento de mercadorias da Amapaluz, por ter sua cunhada adquirido quotas da empresa Paraluz, da qual a esposa de Ailton era sócia. Dita transação, pelo que demonstra a alteração contratual de fls. 5.981 a 5.983, deuse em 19/10/1999 e em data anterior a esta os cheques emitidos por Raimundo, cuja conta posteriormente passou a ser conjunta com Ailton, já eram utilizados no pagamento das mercadorias adquiridas pela Amapaluz. Necessário registrar que a responsabilidade de Raimundo, na condição de terceiro não contribuinte, não decorre do fato deste ter fornecido cheques para pagamento de obrigações da empresa Amapaluz e nem por ser sócio de fato desta, mas sim porque, junto com Ailton, idealizou e movimentou a empresa ocultando as operações praticadas por esta. Sustenta, ainda, a defesa de Raimundo que o auto de infração é nulo por não ter constado o nome de Raimundo. Sem razão quanto a este argumento. Não se discute que a conduta Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 33 24 praticada pelo terceiro responsável deve estar devidamente descrita, assim como sua qualificação. No entanto, dado o formulário utilizado nos autos de infração, nada impede que dita conduta, assim como a qualificação, esteja descrita em separado, em termo próprio que integra o auto de infração. Neste sentido, nego provimento ao recurso de Raimundo Magno Sena de Albuquerque. Assim sendo, mantémse a responsabilidade de Raimundo Magno Sena de Albuquerque. 2 Do recurso voluntário do Sr. Pedro da Costa Duarte Filho O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Mantém se a coerência e também se adota o decidido no processo de lançamento de IRPJ nº 10235.000306/200406, acórdão 140200.755, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/1ª Seção porque os elementos de prova levam a essa mesma conclusão: A autoridade fiscal, conforme especifica à fl. 588, atribuiu responsabilidade tributária a Pedro da Costa Duarte Filho imputandolhes as seguintes condutas que tipificariam a incidência da norma de responsabilidade tributária de que trata o artigo 135, II: a) ter recebido uma procuração em nome da empresa; b) por ser contador, ficava responsável da fiscalizada junto ao fisco; c) a empresa apresentou DIPJ de fls. 04 a 25 sem receitas declaradas; d) o sócio Abel era sobrinho de Pedro e Izabel pessoa tímida, fato que demonstrava a ascendência de Pedro sobre estes; e) ambos se tornariam seus empregados no escritório de contabilidade com o nome fantasia de AUDICON, tudo a permitir a ilação de que se tratavam de interpostas pessoas (fl. 588); f) que apesar de Pedro declarar que não conhecia Lucileide dos Santos Soares, que em 30/06/2000 veio a se tornar sócia da empresa, há procuração desta outorgada em Cartório onde consta Pedro como outorgado. É fato incontroverso de que Pedro da Costa Duarte Filho, residente em Belém, recebeu a procuração de fl. 486, datada de 11/02/1999, outorgada por instrumento público pela empresa Amapaluz e que, na mesma data, a utilizou para assinar “ficha proposta de abertura de conta” junto ao Banco da Amazônia, cuja cópia consta da fl. 476. Dita procuração caracterizase por não conter poderes específicos. São poderes gerais e irrestritos, à semelhança do que estamos acostumados presenciar nas procurações por instrumento público ou privado, para que o outorgado possa realizar determinados atos em favor do outorgante. A propósito dos poderes outorgados na procuração, há que se destacar que a responsabilidade do mandatário não advém dos poderes constantes da procuração, mas sim dos atos praticados na condição de procurador. É possível que alguém outorgue Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 34 25 procuração em nome do outrem, por instrumento público ou particular, sem que o outorgado sequer tenha conhecimento. Daí a razão pela qual a análise deve ser feita pelos atos praticados pelo outorgado e não pelos termos constantes da procuração. Ademais, o mandatário, enquanto terceiro, só será responsável pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Assim, se o mandatário receber procuração para vender imóvel, abrir conta bancária, cobrar fornecedores, agindo dentro dos limites constantes da procuração, sem empregar conduta para fraudar a lei, não pode vir a ser chamado a responder pelo crédito tributário. No caso dos autos, o único ato que se tem notícia que foi praticado por Pedro é a assinatura da “ficha proposta de abertura de conta”, o que não caracteriza excesso de poderes e nem infração à lei. Somase a isto que os elementos de prova constantes da planilha de fls. 553 e seguintes demonstram que na data da abertura da referida conta ainda não havia sido praticada nenhuma operação comercial pela empresa, tendo a primeira ocorrida em 25/02/1999. Não se tem notícia de nenhum cheque emitido por Pedro, não se tem notícia de nenhum funcionário da Amapaluz dizendo ter se dirigido a Pedro para tratar de assunto de interesse da empresa. Não se tem notícia de que Pedro tenha exercido qualquer poder de comando junto à empresa. O que se tem de concreto são as declarações de Izabel dos Santos Dias (fl. 4.985 vol. XXVII) e Abel Duarte de Medeiros (fl. 4.987 vol. XXVII), sócios da Amapaluz, dizendo que a procuração se destinava à abertura de conta bancária junto ao Banco da Amazônia, em Macapá, e cadastro da empresa junto à Suframa e outros órgãos, se ainda fosse necessário. Por sua vez, Francisco Carlos Costa Nascimento (fl. 4.986 – vol. XXVII), funcionário da Amapaluz, também afirma desconhecer qualquer relação habitual ou atuação contínua de Pedro da Costa Duarte Filho com a empresa Amapaluz, nem mesmo como contador. A autoridade fiscal, segundo relata à fl. 596, também tomou o depoimento de José Humberto de Souza que afirmou ser funcionário da Amapaluz no período de maio de 2000 a dezembro de 2001, exercendo a atividade de vendedor na cidade de Macapá, dirigindose a Ailton Aviz como responsável pela empresa e que somente conheceu Pedro da Costa Duarte Filho quando este, por orientação de Ailton, substabeleceu os poderes constantes da procuração outorgada em 11/02/1999, mas somente para representar a empresa junto aos órgãos públicos. Tal fato, somado às outras provas, dão conta de que Pedro não participava da vida comercial e nem exercia atividades de comando na empresa Amapaluz. Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 35 26 Diz a autoridade fiscal que Pedro “por ser contador, ficava responsável da fiscalizada junto ao fisco”. No entanto, tal afirmação é presunção. Partindo da premissa de que Pedro é contador, presumiu que devia ser responsável pela empresa junto ao fisco. Contudo, ao se analisar os elementos existentes nos autos, em especial as DIPJs de fls. 04 a 25, tal prova não existe. Não há nos autos informação dando conta de que Pedro sequer fosse contador da empresa. E mais, ainda que contador fosse, como tal estava obrigado a lançar na DIPJ as informações prestadas pela empresa. O contador, à semelhança do advogado, só tem condições de se manifestar em relação aos dados e documentos que lhes são submetidos para exame, sendo impossível lhes atribuir responsabilidade em relação ao que não lhe é submetido à apreciação. Quanto ao argumento de que o sócio Abel era sobrinho de Pedro e Izabel pessoa tímida, fato que demonstrava a ascendência de Pedro sobre estes é preciso que se tenha presente que não é o vínculo parentesco, de amizade ou de subordinação que conduz o terceiro à condição de responsável tributário, mas sim os atos praticados por este com excesso de poder ou infração à lei, o que inexiste em relação a Pedro da Costa Duarte Filho. A autoridade fiscal ainda cita que Pedro e Izabel teriam vindo a trabalhar em escritório de contabilidade com o nome fantasia de AUDICON, da qual Pedro é um dos associados ou teria parceria. Efetivamente, ao prestar esclarecimentos, conforme relatado na letra “g” da fl. 594, Abel afirma que no período de julho de 2000 a novembro de 2001 trabalhou na empresa Pontual Ltda, de nome fantasia de AUDICON, dizendo que Pedro é um dos associados. Izabel, por sua vez, conforme relatado pela fiscalização, à fl. 594, letra h, também afirma que a partir de julho de 2000 começou a trabalhar na empresa AUDICON, da qual Pedro é um dos associados. Pedro nega ser associado da empresa AUDICON. Em sustentação oral disse ter seu escritório de contabilidade em Belém e, pelo que se depreende dos autos, a referida empresa estaria situada em Macapá, onde residem Abel e Izabel. Da análise da prova formei convencimento, o que vou demonstrar mais adiante, de que Abel, Izabel, Edimilson e Lucileide não eram os efetivos sócios da empresa. No entanto, isto não permite dizer que Pedro era sócio de fato. Percebo que os empregados ou pessoas que efetivamente tinham ligação com a empresa sequer conheciam Pedro, mas todos conheciam Ailton, que costumava emitir cheques, fazer pedidos, receber prestação de contas, em fim, era quem comandava a empresa. As procurações de fls. 407 a 409, elaboradas no mês de junho de 2000, no mesmo cartório, a primeira tendo como outorgado Pedro Duarte e as outras duas Ailton Aviz, estão a demonstrar de que Ailton, ao colocar Lucileide como sócia na Amapaluz, informando seu próprio endereço residencial como sendo o dela, também providenciou procuração em favor de Pedro da Costa Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 36 27 Duarte Filho que diz não conhecer Lucileide. Se considerarmos que Lucileide indica como endereço residencial o mesmo de Ailton este, ao que parece, se encarregou de obter procuração em nome do contador Pedro, prevenindose para o caso de necessitar dos serviços do citado profissional para diligenciar em favor de Lucileide. O que existe em relação a Pedro da Costa Duarte Filho são suposições sem identificação de fato concreto e sem provas. Assim, à luz do artigo 112 do CTN, e dos fundamentos jurídicos que declinei quando analisei os pressupostos para responsabilidade de terceiros, inclusive do mandatário, excluo a responsabilidade tributária atribuída a Pedro da Costa Duarte Filho. Em remate, excluise a responsabilidade de Pedro da Costa Duarte Filho. 3 Do recurso voluntário do Sr. Aílton César Alves de Aviz O recurso não satisfaz os pressupostos recursais, uma vez que é intempestivo, portanto, dele não se toma conhecimento. No caso vertente, segundo provas documentais (Aviso de Recebimento de fls. 1636 numeração digital), a ciência da decisão de 1ª instância ocorreu em 25/01/2013, enquanto o recurso voluntário foi interposto em 01/03/2013, fl.1.737, portanto intempestivamente, uma vez que o prazo vencia em 26/02/2013. Desta forma, o recurso foi apresentado fora do prazo de trinta dias contados da ciência da decisão, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual não se toma conhecimento do recurso voluntário. Ademais, nos autos administrativo não consta informação a respeito de uma possível dilatação deste prazo e o interessado não discutiu a tempestividade de seu recurso Dessa forma, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pelo Sr. Aílton César Alves de Aviz, tendo em vista que foi apresentado intempestivamente. 3 Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do Sr. Raimundo Magno Sena de Albuquerque e manter sua responsabilidade tributária, dar provimento ao recurso voluntário e excluir a responsabilidade tributária do Sr. Pedro da Costa Duarte Filho e não conhecer do recurso voluntário interposto pelo Sr. Aílton César Alves de Aviz por intempestivo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.005811/200574 Acórdão n.º 3801004.109 S3TE01 Fl. 37 28 Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.903274/2008-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/05/2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista, Adriana Oliveira e Ribeiro e Ivan Allegretti, que votaram por converter o julgamento em diligência. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/05/2004 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/05/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista, Adriana Oliveira e Ribeiro e Ivan Allegretti, que votaram por converter o julgamento em diligência. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 32 74 /2 00 8- 75 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de declaração de compensação vinculadas a créditos da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), em que a recorrente pleiteia o crédito excedente de R$ 42.401,46 decorrente do pagamento duplicado das empresas ‘’DANSKE BANKE’’ (montante de R$ 15.276,90) e da empresa ‘’PICTET & CIE’’ (montante de R$ 27.124,56). A Compensação foi negada pela autoridade fazendária pois, os fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito excedente é prérequisito indispensável; não foi admitida a mera alegação de erro, sendo votado por unanimidade a improcedência da Manifestação de Inconformidade por falta de provas. Na Manifestação de Inconformidade, a recorrente alegou os seguintes fatos: Apurou débito de CPMF no valor de R$ 42.401,46. Para o pagamento do debito a Recorrente efetuou o pagamento no valor de R$ 15.276,90, referente à empresa DANSKE BANKE, e o valor de R$ 27.124,56 referente a empresa PICTET & CIE; entretanto, por usar duas memórias de cálculo distintas, o pagamento foi efetuado em duplicidade. A manifestação foi negada, pois, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, as declarações e documentos prestados pela própria recorrente, revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Não havia saldo disponível para suportar nova extinção por meio de compensação, já fora utilizado na extinção de outros créditos. Tal fato decorre de pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito. As duas operações tributárias em que foi alegada a dupla retenção foram analisadas separadamente pela DRJ. Nas fls. 24 da numeração manual, existe uma retenção de R$ 15.276,90 que corresponderia débito em conta no valor de R$ 4.035.514,24, ambas datadas de 23 de abril de 2004. Na sequência as mesmas operações são registradas em 26 de abril de 2004, tanto referente à retenção quanto ao débito que representa seu fato gerador. Portanto, retratam os extratos duas operações que constituem fatos geradores de CPMF, justificando então a dupla retenção que lhes corresponde; sendo assim, não há dupla retenção indevida, e sim duas operações tributáveis distintas. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.903274/200875 Acórdão n.º 3403003.322 S3C4T3 Fl. 153 3 Em nada muda o fato de que a instituição financeira tenha devolvido ao seu cliente valores, pois, se tratam de dois fatos tributáveis diferentes. No segundo caso analisado pelo DRJ, envolvendo o cliente Pictet & Cie, o crédito corresponderia a diversas operações, um grupo de dez no total. A título de comprovação, a contribuinte traz planilhas que retratariam o crédito, além de extratos que registram as retenções tidas por indevidas e também o que seriam seus estornos. Entretanto, na planilha, não existem comprovações demonstrativas, e esta deveria se arrimar com o demonstrado nos extratos. Os documentos falham neste propósito. A simples comprovação da existência de retenções nos extratos não é suficiente para comprovar que são indevidas. A força probatória cessa na efetividade das retenções, faltando outros elementos que evidenciassem serem elas indevidas. Diante o exposto, a recorrente não consegue concertar os erros que alega, nem tão pouco comprovar os créditos que pretende ressarcimento. Por fim, a contribuinte requereu a realização de diligências; este foi negado pela DRJ, a diligência somente será cabível se perante a presença de indícios ou inícios de prova que provoquem dúvidas na formação da convicção do julgador, o que não se aplica a este caso. Portanto, concluiu a DRJ que a recorrente não conseguiu prova o que alegou, sendo então indeferida a solicitação, ratificando a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações declaradas. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que, basicmente, reitera a sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista A discussão do presente processo se tornou célebre no meio jurídico e, sobretudo, no CARF. A questão que se coloca é se a Recorrente tem direito à análise de seu crédito, mesmo não tendo apresentado dados corretos em sua DCTF identificando justamente a existência do crédito, a qual foi retificada logo em seguida do Despacho Decisório. Ou se, por outro lado, a ausência da informação da DCTF levaria, invariavelmente, à negativa do pleito da Recorrente, que deveria apresentar ao Fisco declaração de compensação com todos os dados a serem cruzados e analisados por software da Receita Federal do Brasil. Tratase, portanto, de uma discussão quanto ao alcance e os efeitos da forma, que, embora singela, possui um enorme impacto, pois produz consequências sobre declarações de compensação de milhares de contribuintes na mesma situação. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 4 É importante ressaltar que, em verdade, esse tipo de litígio não existiria se, nos processos de análise de crédito, de compensação e de ressarcimento, houvesse a previsão expressa de retificação, pelo próprio contribuinte, quando constatado pelo Fisco a divergência de informações. Aliás, não posso deixar de abrir um parêntese no presente Acórdão, para expressar a necessidade de um dispositivo com tal na legislação processual tributária, que, inegavelmente, reduziria em muito a discussão em processos de compensação e ressarcimento caso o Fisco, de forma transparente, dê a oportunidade ao contribuinte se manifestar ou corrigir informações em seus próprios documentos, evitando, assim, o desdobramento do processo e a movimentação da máquina administrativa. E aqui um detalho de extrema importância! Um mero detalhe! Não está claro na legislação que o contribuinte, que teve uma determinada compensação negada, poderá requerêla novamente, eis que a Lei n 9.430/1996, em seu parágrafo 3 , dispõe sobre a impossibilidade de nova compensação para débito que tenha sido objeto de nova compensação não homologada ou para pedido de restituição ou ressarcimento anteriormente negado. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: ... V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Ainda que o inciso V, do parágrafo 3 , do artigo 74 da Lei n 9.430/1996 disponha expressamente sobre débito e não crédito, a interpretação desse artigo tem sido realizada de todas as formas possíveis que encontram apenas um ponto em comum, a negativa de uma nova compensação pelo contribuinte. Isso significa dizer que a não aceitação de retificação de DCTF realizada posteriormente, pelo contribuinte, como no presente caso, não dá ao contribuinte outra alternativa senão ingressar no Judiciário e percorrer o conhecido, e ainda tortuoso, caminho do solve et repet. E a moderna Receita Federal do Brasil, a própria República Federativa do Brasil, nos tempos atuais, tem expressado o posicionamento da necessidade de redução da Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.903274/200875 Acórdão n.º 3403003.322 S3C4T3 Fl. 154 5 litigiosidade, e da resolução de conflitos de forma justa e eficaz, não se harmonizando, portanto, o exagerado apego às formas com o olvido do direito do contribuinte. Após esta digressão pertine, pois, ressaltar que justamente para evitar a criação de um ambiente injusto, diante de um mero lapso da Recorrente, devese admitir a apresentação posterior da DCTF retificadora, aproveitandose o presente processo para a devida análise do crédito reclamado. Pois bem. Analisando os documentos de fls. 25 e 26, que se referem às retenções da CPMF, supostamente em duplicidade, não ficou suficientemente claro que houve duplicidade de lançamentos no dia 23 e 26 de abril, pois a referência da descrição encontrase distinta. De acordo com a Recorrente houve lançamento de operação de câmbio indevida, o que teria gerado o lançamento da CPMF. Assumindose como verdadeira a descrição da Recorrente não se trata, então, de lançamento em duplicidade, mas de lançamentos distintos, sendo que o 2 lançamento seria indevido, na visão da Recorrente, que o qualificou como indevido. É certo que a Recorrente devolveu a CPMF cobrada para o DANSKE BANKE, o que tanto pode ser decorrência de um mero ajuste privado, como, o que seria mais provável, de que a Recorrente efetivamente cometeu um equívoco ao realizar o 2 lançamento da CPMF. Quanto à segunda hipótese, ela me parece ligeiramente mais clara, pois às fls. 30/31 consta um extrato de venda de ações por PICKET&CIE, em que a CPMF foi descontada regularmente, porém tais operações, na descrição da Recorrente, não sofrem a incidência da CPMF, o que levou ao estorno dos valores, pela Recorrente, ao seu cliente. A questão que se coloca é por quê foram realizadas retenções da conta do cliente se ele era investidor estrangeiro e estava negociando com ações, visto que, nessa hipótese, o próprio sistema da Recorrente não selecionaria essas operações como passíveis de incidência da CPMF. A Autoridade Julgadora afirma, nesse último caso, que não haveria provas suficientes, mas apenas meros extratos que não indicariam nada além da retenção da CPMF. Sobre tal assertiva, que não deixa de ser verdadeira, não posso deixar de ressaltar a dificuldade da coleta de documentação para tornar uma situação em que as operações são dinâmicas, as qualificações eletrônicas, e as operações ocorrem no sistema, mediante registro eletrônico. Nessa hipótese, em meu pensar, basta que a Recorrente evidencie com maior clareza o status da PICKET&CIE, para demonstrar cabalmente a existência de seu crédito, pois, realmente, tudo indica que a Recorrente faz jus ao crédito ora pleiteado, apenas faltando, em meu pensar, poucos documentos a comproválo. Dessa forma, tendo em vista que a Autoridade Julgadora não analisou a DCTF retificadora da Recorrente, converto o julgamento em diligência para que os autos retornem à primeira instância, intimandose a Recorrente a juntar prova que a segunda operação de câmbio, em 26 de abril de 2008, do DANSKE BANKE S.A. era realmente indevida, indicando a utilização correta dos valores objeto dessa operação de câmbio, bem Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 6 como demonstrar efetivamente a condição de não incidência nas operações da PICKET&CIE, informando porque houve a retenção da CPMF em diversos lançamentos. Após o retorno da diligência, que a Autoridade analise as informações prestadas pela Recorrente, cotejandoas com a DCTF retificadora, e produza relatório da diligência, respondendo ao seguinte: (i) se houve prova efetiva do crédito de CPMF em favor da Recorrente; (ii) se a Recorrente não aproveitou, em caso positivo, o referido crédito anteriormente. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern , redator designado Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.903274/200875 Acórdão n.º 3403003.322 S3C4T3 Fl. 155 7 I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como pré requisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.903274/200875 Acórdão n.º 3403003.322 S3C4T3 Fl. 156 9 de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar planilhas demonstrativas, desamparadas de qualquer formalidade e desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já se encerrou a instrução processual. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente, e a DTCF retificada em momento em que o contribuinte já não dispunha de espontaneidade para fazêlo, conforme se dessume do disposto na Súmula Carf n° 331. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – 1 Súmula CARF nº 33, aprovada em 08/12/2009: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 10 ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 14 de outubro de 2014 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.903274/200875 Acórdão n.º 3403003.322 S3C4T3 Fl. 157 11 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11330.000972/2007-63
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2003
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO: GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação, passível de autuação.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: I- excluir da autuação fiscal as competências 05/2000 a 11/2001, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; II- aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. Sustentação oral Advogado Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
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Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2003 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO: GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação, passível de autuação. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: I excluir da autuação fiscal as competências 05/2000 a 11/2001, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; II aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. Sustentação oral Advogado Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 09 72 /2 00 7- 63 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 573 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 574 3 . Relatório Tratase de auto de infração, AI n° 37.059.5785 (CFL 68), de 31/05/2007, por omissão ou informação a menor das remunerações pagas pela empresa aos seus empregados e contribuintes individuais, prestadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, ensejando a lavratura da autuação, conforme previsto na Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e § 5o, também acrescentado pela Lei 9.528 de 10/12/1997 combinado com art 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. Os cálculos estão demonstrados na planilha "Cálculo de Valor da Multa e Quantidade de Segurados por Competência", anexos aos autos. O sujeito passivo foi cientificado da autuação fiscal, apresentando impugnação. O órgão julgador de primeiro grau administrativo emitiu decisão considerando o lançamento fiscal procedente. O contribuinte foi cientificado da decisão, irresignado apresentou Recurso Voluntário, argumentando em síntese: a autuação foi lavrada após o termino do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal "MPF" e deve ser cancelada; a decadência parcial da autuação; não é possível exigir da recorrente multa formal pela apresentação das GFIP's com erros de preenchimento e, ao mesmo tempo, cobrar os valores supostamente devidos a titulo de contribuição previdenciária propriamente dita; a legislação aplicada é ilegal e inconstitucional. o cálculo da multa aplicada deveria ser único e não por competência; por fim, requer o cancelamento da autuação fiscal. É o Relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 575 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de lima. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, desse modo será analisado. DA DECADÊNCIA Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/91, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso em concreto, tratase de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores), período de 05/2000 a 12/2003 (planilha, fl. 101). Destarte, deve ser aplicada a regra Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 576 5 do art. 173, inciso I, do CTN. O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal em 04/06/2007 (fl. 2 dos autos digitalizados). REGRA DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Destarte, as competências lançadas para o período de 05/2000 a 11/2001, inclusive, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial. A contar de 01/01/2002 fluiria o prazo final para o lançamento fiscal em 31/12/2006. A ciência do contribuinte se deu em 04/06/2007. A competência 12/2001 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento do prazo legal para cumprimento da obrigação, ou seja, em janeiro de 2002; assim o prazo decadencial, para esta competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2003, o qual findaria em 31 de dezembro de 2007. O contribuinte foi cientificado da notificação fiscal em 04/06/2007. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ quando decidiu quanto a contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, para a competência dezembro: Processo : EEARES 200401099782EEARES – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 674497 , Relator(a) MAURO CAMPBELL MARQUES ,Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:26/02/2010 Decisão : Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN.DECADÊNCIA.ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 577 6 em questão são relativos ao períodode1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partirdejaneirode1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Data da Decisão 09/02/2010 , Data da Publicação 26/02/2010 Destarte, encontramse abrangido pela fluência do prazo decadencial as competências 05/2000 a 11/2001, inclusive, nos termos do art. art. 173, inciso I do CTN. MPF Consta nos autos demonstrativo de emissão e prorrogação de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (fl. 14) com validade até 28/07/2007, portanto a autuação está coberta pelo prazo de validade do MPF. O contribuinte tem acesso pela internet para verificar o controle das prorrogações do MPF. A prorrogação do MPF está disciplinada no art. 13 da Portaria RFB 4.066 de 02 de maio de 2007. Ademais, de acordo com o disposto no Enunciado nº 25 do CRPS, não há ressalva do tipo de ciência que será conferida ao contribuinte: pessoal, postal com aviso de recebimento ou por edital. Não havendo ressalva do tipo de ciência, não pode o intérprete reduzir o alcance de tal dispositivo. Enunciado Nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. Desse modo, a autuação foi lavrada dentro do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA TRIBUTÁRIA Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 578 7 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária, nos termos dos artigos 114 e 155 do CTN, respectivamente. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o Auto de Infração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. A multa decorrente do descumprimento da obrigação principal está prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. De outro modo, a multa por descumprimento de obrigação acessória, no caso em comento, está prevista no art. 32, IV, e § 5o, da Lei 8.212/91. Portanto, multas distintas, com capitulação legal distintas, sendo suas exigências válidas no ordenamento jurídico brasileiro. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A multa aplicada na autuação fiscal encontra respaldo na lei 8.212/91, conforme demonstrado nos Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa. Aplicada a multa na forma da lei não pode ser considerada ilegal, pois este juízo de admissibilidade já foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto 70.325/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n° 2 do CARF: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 579 8 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÃO POR COMPETÊNCIA DESCRIÇÃO SUMARIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. O contribuinte é sabedor de que a GFIP deve ser apresentada mensalmente, assim, se existe incorreções em vários meses o cálculo da multa deve ser feito por mês apresentado incorretamente, tanto quantos estiverem com incorreções. Desse modo, é de difícil compreensão escolher apenas uma competência para efetuar o cálculo da multa, porquanto subestimado o valor. A autuação fiscal é única e compreende o cálculo das competências em que a GFIP foi apresentada com incorreção. O respaldo legal e normativo é o art. art. 32, IV, e §§ 3o, 4o. e 5o, da Lei 8.212/91 c/c o art. 647 da Instrução Normativa/SRP n° 03, de 14/07/2005, A recorrente não contestou diretamente os levantamentos que resultaram nos cálculos da multa da autuação fiscal. Assim, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente, nos termos do art. 17 do Decreto 70. 235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, no âmbito federal. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas em GFIP foram alteradas pela lei 11.941/09, que beneficiam a recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 579DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 580 9 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). A conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei 8.212 de 1991. Agora, com a Lei 11.941/2009, a tipificação passou a ser: “apresentar a GFIP com incorreções ou omissões”, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. No caso em debate não há dúvida de que o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN é plenamente aplicável. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para: I excluir da autuação fiscal as competências 05/2000 a 11/2001, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; Fl. 580DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 581 10 II aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. . Fl. 581DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10552.000433/2007-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005
NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 04 33 /2 00 7- 57 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. 2 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 097, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 081, que decidiu dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005 GFIP. INFORMAÇÕES PRESTADAS. EFEITO DECLARATÓRIO E DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Com fulcro nos artigos 33, §§ 6º e 7º, da Lei n. 8.212/1991, e 225, do Decreto n° 3.048/99, as informações prestadas em GFIP's serão admitidas como base de cálculo das contribuições previdenciárias e como confissão de dívida na hipótese de não recolhimento. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A TÍTULO DE JUROS MORATÓRIOS DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. Taxa Selic é legalmente aplicada a título de juros moratórios incidente sobre os créditos tributários constituídos (Lei n. 9.250/1995), ajustando se ao disposto do art. 162, do CTN. (ADRESP 200500950874, DENISE ARRUDA, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/04/2009) APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte 3 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), de retificar a decisão recorrida e a NFLD objeto do presente processo administrativo no sentido que a multa moratória que deve ser aplicada sobre os créditos lançados é a disposta no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo. Em síntese, o litígio em questão trata de forma de aplicação da regra de retroatividade da lei, determinada pelo art. 106 do CTN, em lançamento de obrigação tributária principal. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que a decisão foi equivocada e solicita que a multa deve ser mantida, mas limitada em 75% (setenta e cinco por cento). Por despacho, fls. 0284, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que o recurso não deve ser conhecido e, caso seja, que seja improvido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. 4 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão, verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 5 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 6 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. 7 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar, de entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. 8 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas, e dou razão à recorrente nos termos solicitados. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto EM DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira 9 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10675.906644/2009-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2004
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 66 44 /2 00 9- 71 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 265 2 Maria Teresa Martínez López Relatora Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual lhe foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir reproduzo: Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 266 3 entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 267 4 instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. A recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Alega contrariedade à coisa julgada, eis que possue decisão transitada em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Na sessão de novembro de 2013, em suposta obediência ao que dispunha o Regimento do CARF, art. 62A (sobrestamento do julgamento) o processo foi suspenso por meio de Resolução, “ até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372).” Em face da revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF, o processo retorna em pauta para seguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Conforme relatado a recorrente possui decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 268 5 Cabe, no entender desta Conselheira, analisar os efeitos da decisão do STF transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782. I Entende a recorrente que a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. II Entende a fiscalização que, ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que a recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias”. 1 A contribuinte tem decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Nem se afirme que dúvidas poderiam existir, para aqueles que ainda não possuem uma decisão do Judiciário, eis que a matéria, envolvendo base de cálculo para as instituições financeiras, ainda (até junho/14) não foi julgada pelo STF. Isto porque, no meu sentir, o conceito fixado pelo Pleno, não pode ser alterado até que uma nova decisão do Pleno venha a alterar o conceito. Explico. Fazse necessária breve explanação histórica da jurisprudência da Corte no que toca ao tema em referência. Em 2005, no julgamento dos recursos extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 – Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 – Rel. Min. Marco Aurélio), houve amplo debate no Plenário do STF acerca do conceito constitucional de faturamento, para fins de verificação da constitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, à luz do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1988, no período anterior à Emenda Constitucional 20/1998. Ficou definido que faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, nos termos da seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº. 20, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para 1 em razão deste entendimento, optei no passado pela escolha da via do sobrestamento do julgamento ao caso de outra financeira, pelo STF. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 269 6 envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. 2 Na ocasião, o Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, parcialmente vencido no julgamento, reconheceu que a jurisprudência do STF, exposta na ADC 1 (Rel. Min. Moreira Alves, DJ 16.06.95), fixou esse mesmo conceito de faturamento. Ao final de seu voto, porém, entendeu que faturamento deveria ser entendido não só como “receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços”, mas também como a “somas das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”.3 É importante ressaltar que, todavia, esse significado externado pelo referido Ministro não prevaleceu, porque o Plenário entendeu que extrapolava o objeto do recurso. O Exmo. Sr. Ministro Marco Aurélio, redator do acórdão, expressamente consignou que, se houvesse dúvida quanto ao conceito de faturamento para instituições financeiras, seguradoras, ou para outras hipóteses de receitas, a questão deveria ser analisada em recurso próprio: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO: Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 170.755/PE, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR): Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa por nossa cabeça. No caso em discussão, a bem da verdade, sob a análise desse mesmo Ministro CEZAR PELUSO, o que se percebe é que a matéria não foi enfrentada. Por outro lado, não houve recurso da Procuradoria Geral da Fazenda. É importante também observar que somente com a alteração ocorrida a partir de 2014, pela edição da Medida Provisória nº 627/2013, art. 49 4 transformada na Lei nº 12.973, de 2014, que alterou a legislação federal – as instituições financeiras terão que recolher PIS e Cofins sobre uma base maior, ou seja, o faturamento incluindo o spread. Se foi preciso alteração da norma é porque antes não era devido a inclusão de receitas sobre o conceito mais largo de Receita. 2 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Ementa, p. 1. 3 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Voto Ministro Cezar Peluso, p. 84. 4 altera o art. 12 do DL nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 270 7 Nesse sentido consta da exposição de motivos da MP 627, de 2013 o que a seguir transcrevo: Sublinhamos, ainda, a inovação proporcionada pela alteração do art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, no que se refere a ampliação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS ao se tributar, a partir deste momento, as receitas da atividade principal da pessoa jurídica. Assim, além do produto da venda de bens, de serviços e o resultado auferido nas operações de conta alheia, passase a tributar, como fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário, as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. Merece destaque a lição do i. Prof. Humberto Theodoro Júnior (2002), em seu livro Curso de Direito Processual Civil (38. ed., Ed. Forense, v. 1, p. 485), trazida pelo patrono do recorrente: "A coisa julgada material abrange o deduzido e o deduzível. Por isso, não se podem levantar, a respeito da mesma pretensão, "questões arguidas ou que o podiam ser , se com isso se consiga diminuir ou atingir o julgado imutável e, consequentemente, a tutela jurisdicional nele contida. Com todo o respeito, olvidou a Fiscalização que a Procuradoria da Fazenda Nacional poderia e devia ter embargado a decisão do STF se entendesse que interpretação a ser dada era limitada. Se não o fez á época, o acórdão transitou em julgado sem limitações ao pedido efetuado pela recorrente. Inclusive, durante o curso do processo, a Procuradoria da Fazenda Nacional em nenhum momento suscitou a diferenciação do conceito de faturamento para cada setor da atividade econômica. A despeito da unilateralidade no estabelecimento desse conceito alargado, pois decorrente exclusivamente do “ponto de vista” de um dos julgadores “Ministro César Peluzo”, decisões monocráticas de outros Ministros, 5 algumas já confirmadas pelas respectivas Turmas, utilizaram dessa definição, sempre citando o precedente do atual Presidente do STF, como se fosse aquela estabelecida pelo Plenário da Suprema Corte. Outrossim, no julgamento da Questão de Ordem no RE 585.235 (Repercussão Geral DJ 28.11.08 – Rel. Min. Cezar Peluso), que vislumbrou apenas reafirmar a jurisprudência do STF sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, também foi indevidamente inserida a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. 6 5 várias decisões monocráticas podem ser colhidas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. decisões monocráticas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. 6 O alvo da questão de ordem era legítimo: evitar a subida de recursos extraordinários sobre a controvérsia, já devidamente pacificada pelo Plenário do STF. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 271 8 O objetivo, todavia, não era reabrir o debate acerca do conceito de faturamento, o que sequer seria possível, pois (i) o representativo da controvérsia pretendeu apenas reafirmar a jurisprudência, de modo que não poderia, consequentemente, modificála; e (ii) porque a questão relativa ao conceito de faturamento já estava afetada ao Plenário para apreciação no RE 400.479, que discute o conceito à luz das receitas das instituições financeiras e seguradoras, matéria cuja repercussão geral foi reconhecida, posteriormente, no RE 609.096 (ambos os recursos pendentes de julgamento). Realmente, não teria sentido o STF apreciar os limites do conceito de faturamento e, posteriormente, fazêlo novamente nos RE’s 400.479 e 609.096. No caso em análise, ao analisar a decisão transitada em julgado em favor da recorrente, o respeitável Ministro não ressaltou a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. É importante reiterar essa observação. Até porque, seria uma decisão em contradição à solução dada pelo Plenário nos leading cases do STF sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9718/98. Assim sendo a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Penso, com todo o respeito àqueles que de mim divergem, que uma vez reconhecido a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja a empresa financeira, comercial ou industrial, a revogação da norma se aplica indistintamente para todos os seguimentos. É estranho se pensar que a depender da atividade econômica possa se ter um conceito de receita/faturamento diferente. A base de cálculo deve estar limitada à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação se serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 272 9 O fato do STF ter reconhecido a repercussão geral da matéria atinente à base de cálculo do PIS para instituições financeiras (vide RE nº 609.096/RS) reforça o posicionamento de que as coisas julgadas em outros processos decorrentes da aplicação do anterior julgamento da matéria pelo Pleno do STF, como ocorreu no presente caso, têm conteúdo jurídico delimitado, com a definição do conceito estrito de faturamento, vinculado à venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Reitero. Caso seja alterado o posicionamento do STF, haverá a produção dos efeitos somente para os processos ainda em andamento, não podendo atingir o conteúdo jurídico em ofensa à coisa julgada e à vedação à sua relativização (Súmula 487 do STJ) – às decisões definitivamente proferidas, como é o caso em análise. 7 No caso concreto da recorrente, vejase não ter ocorrido diferenciação do conceito de faturamento por setor econômico. Caso houvesse, o pedido não poderia ter sido julgado totalmente procedente. O resultado seria o de reconhecer a inconstitucionalidade da lei em parte? Ou, seria, constitucional apenas para as instituições financeiras? Seria um contra senso, admitir que a contribuinte foi ganhador na ação judicial, mas perante a Receita, não. Julgarseia procedente um pedido que contrariaria o que foi pedido na exordial. Ademais, se assim o fizesse, o Ministro Cezar Peluso, relator do acórdão, não poderia fazer monocraticamente e muito menos com base no art. 557, § 1°A. Deveria, então, levar o processo novamente para julgamento pelo Pleno, pois poderia haver uma alteração do entendimento já consolidado nos leading cases mencionados. Ao prever os efeitos preclusivos da coisa julgada, o art. 474 do CPC, determina que passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. Para Rodolfo Mancuso, a técnica da eficácia preclusiva acolhida por este dispositivo legal opera como uma válvula de segurança do sistema, de modo a imunizar as questões deduzidas e deduzíveis, mas desde que atinentes ao núcleo do tema decidido, isto é, ao preciso objeto litigioso. 8 Barbosa Moreira entende que há uma relação de instrumentalidade entre os limites objetivos da coisa julgada e a sua eficácia preclusiva, pois enquanto os limites objetivos geram a imutabilidade do julgado, no que tange à parte dispositiva, a eficácia preclusiva consiste no impedimento que surge à discussão e apreciação de questões suscetíveis de influir neste julgado, cobrindo o deduzido e dedutível. Assim, pode suceder que, de fato, não tenham sido exaustivamente consideradas, no processo, as questões que poderiam influir na decisão, sendo vedado que depois de findo o processo se viesse a pôr em dúvida o resultado atingido, acenandose com tal ou qual questão que haja ficado na sombra e que, porventura trazida à luz, teria sido capaz de levar o órgão judicial à conclusão diferente da corporificada na sentença (ressalvados os casos restritos de rescindibilidade do julgado). 9 Na lição de Fredie Didier 10 transitada em julgado a decisão definitiva da causa, todas as alegações e defesas que poderiam ter sido formuladas para o acolhimento ou 7 nesse sentido, vide Acórdão nº 3403001.945, 8 MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Jurisdição Coletiva e Coisa Julgada: teoria geral das ações coletivas. São Paulo: RT, 2006, pp. 29,236. 9 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. A eficácia preclusiva da coisa julgada material no sistema do processo civil brasileiro. Temas de Direito Processual. 1ª série, São Paulo: Saraiva, 1977, pp. 98103 10 Fredie Didier, in Curso de Direito Processual Civil . Salvador/BA: Editora Juspodivm, vol. II, 4ª ed., 2009, p. 426. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 273 10 rejeição do pedido reputamse arguidas e repelidas; tornamse irrelevantes todos os argumentos e provas que as partes tinham a alegar ou produzir em favor da sua tese. Com a formação da coisa julgada, preclui a possibilidade de rediscussão de todos os argumentos alegações e defesas, na dicção legal que poderiam ter sido suscitados, mas não foram. A coisa julgada torna preclusa a possibilidade de discutir o deduzido e torna irrelevante suscitar o que poderia ter sido deduzido (o dedutível ). CONCLUSÃO Diante do acima exposto, tendo em vista que a recorrente é possuidora de decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, VOTO, no sentido de lhe dar provimento, e assim homologar a compensação efetuada. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Embora a clareza e proficiência com que a i. Conselheira Relatora do Processo fundamentou a decisão proposta, ouso divergir de suas conclusões pelas razões que a seguir serão expostas. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.000.7782, que tramitou na 1ª Vara Federal de Uberlândia/MG. Informa a Recorrente que o Mandado de Segurança foi impetrado “em 16 de fevereiro de 2000, com pedido para que fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reconhecendo o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 1°/01/2001, à alíquota de 0,65% sobre seu efetivo faturamento que engloba a receita decorrente da prestação de serviços a seus clientes”. Adiante conclui, No entanto, o Recurso Extraordinário foi não só conhecido como foi integralmente provido o pedido do Requerente, pelo STF: A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim, a noção de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 274 11 faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n. 346.084PR, Rei. orig. Min. Ilmar Galvão; RE n. 357.950RS, RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n. 408, p. 1). Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Embora o caso em tela envolva provimento jurisdicional específico, a solução da lide, segundo me parece, guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil11. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco 11 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 275 12 Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 197012, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras13. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I 12 A constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias art. 72, inciso V, destinou uma parcela da Contribuição para o PIS devida pelas instituições financeiras ao Fundo Social de Emergência, fixando alíquotas e definindo a base de cálculo como sendo a receita bruta operacional. A Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões ou deduções dessa base. 13 § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 276 13 do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro14, sem nenhuma menção à receita. É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 14 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 277 14 (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. O Relatório do Ministro Ilmar Galvão delimita com rapidez e precisão os liames da lide. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ILMAR GALVÃO (Relator) : Recurso que, pela letra a do permissivo constitucional, foi interposto contra acórdão que concluiu pela legitimidade da ampliação da base de cálculo da COFINS até então restrita às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” conforme definido pela Lei Complementar n.° 70/91 (art. 2.°), para nela fazer compreender “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, efetuada por meio de lei ordinária (Lei n.° 9.718/98, art. 3.°, § 1.°), alteração que teve por vigente a partir de 1.° de fevereiro de 1999, como estabelecido no art. 17, I, do referido diploma normativo. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 278 15 Sustenta a recorrente que, ao assim decidir, o acórdão ofendeu o inciso I e o § 4.° do art. 195 e, por conseqüência, o inciso I do art. 154, ambos da CF. Sustenta, ainda, haver a decisão recorrida contrariado, por igual, o § 6.° do mencionado art. 195, por haver considerado que a alteração passou a produzir efeito a partir da edição da primeira medida provisória e não da EC 20, de 15 de dezembro de 1998 , que, a seu ver, não poderia constitucionalizar norma editada com ofensa à Constituição. Regularmente processado, foi o recurso admitido na origem, havendo a douta ProcuradoriaGeral da República, em parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nãoconhecimento. É o relatório. Se bem posso traduzir em poucas palavras o relatório acima transcrito, diria tratarse de um litígio que se travou em torno da constitucionalidade do alargamento da base de cálculo, (i) à luz do conceito de faturamento vigente à época da formulação da exigência fiscal e (ii) da possibilidade de que se reconhecesse a constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. A ementa do decisum confirma a circunscrição da lide nos termos em que está acima definida. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 32, § l2, DA LEI Na 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Ne 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § Ia DO ARTIGO 3 a DA LEI Na 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional na 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § lº do artigo 3º da Lei na 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Uma vez especificado o que havia por decidir no âmbito do Recurso Extraordinário nº 346.0846, relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros que participaram do processo de formação do Ato Decisório, até o último Extrato de Ata emitido pela Secretaria, em 09 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE ATA Fl. 278DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 279 16 RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.0846 PROCED.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: MIN. ILMAR GALVÃO RELATOR PARA O ACÓRDÃO: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.: DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNHOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET E OUTROS RECDA.: UNIÃO ADV.: PFN RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, pediu vista o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente., o Dr. Helenilson Cunha Pontes, e, pela recorrida, o Dr. Francisco Targino da Rocha Meto, Procurador da Fazenda Nacional. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 12.12.2002. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, e dos votos dos Senhores Ministros Gilmar Mendes e Presidente, Ministro Maurício Corrêa, que conheciam do recurso, mas negavamlhe provimento, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Não participou da votação o Senhor Ministro Carlos Britto por suceder ao Senhor Ministro limar Galvão que proferira voto anteriormente. Plenário, 01.04.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo lº da Resolução nu 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência, em exercício, do Senhor Ministro Nelson Jobim, VicePresidente. Plenário, 13.05.2004. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence, conhecendo e provendo o recurso, nos termos dos seus respectivos votos, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º. do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa, e o Presidente (Ministro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Não participaram da votação os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau por serem sucessores dos Senhores Ministros limar Galvão e Maurício Corrêa que proferiram voto. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005;. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Presentes â sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 280 17 ProcuradorGeral da. República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário Percebese acima que, o núcleo da discussão até que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos autos, girava em torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. Essa circunstância está estampada no excerto a seguir reproduzido, extraído do próprio Voto do Ministro Cezar Peluso. Admitido o recurso, o relator, Min. ILMAR GALVÃO, deulhe parcial provimento, para julgar inconstitucional a majoração da base de cálculo da COFINS, na forma do art. 39 da Lei ne 9.718/98, até a edição da EC ns 20/98, que “veio emprestarlhe o embasamento constitucional de que carecia, ao dar nova redação ao art. 195 da Carta de 88, para dispor que a COFINS passaria a incidir sobre ‘b) a receita ou o faturamento’“. O Min. GILMAR MENDES, em votovista, entendeu constitucional a majoração, pelos seguintes fundamentos: (...) Este entendimento foi acompanhado pelo Min. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto, julgou constitucional a majoração. Nessa fase do julgamento, foi, então, justamente o Ministro Cezar Peluso que, como se lê nas transcrições acima, abriu a divergência na decisão que vinha sendo proposta à lide, para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidade do “parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social”. Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento15. 15 Interessante observar, inclusive, que o Ministro Carlos Velloso, apontado como vencedor no Acórdão, acompanhou o Ministro Cezar Peluso em usa decisão. "Concluo o meu voto. Com a vénia do eminente Relator, que já não está aqui, acompanho o voto do Ministro César Peluzo. Nos demais recursos extraordinários, com o eminente MinistroRelator, Ministro Marco Aurélio". Fl. 280DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 281 18 Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. Outrossim, identificase ao longo de todo o processo decisório uma única menção, de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a inconstitucionalidade do artigo 3º como um todo. O Ministro, contudo, assim como o Ministro Cezar Peluso, foi, ao final, declarado parcialmente vencido. É de grande interesse conhecer, da leitura dos excertos que seguem, como os Ministros se manifestaram a respeito do conceito de faturamento para fins tributários, assunto a respeito do qual, repitase, não há registro de divergência. Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. (...) Fl. 281DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 282 19 Ministro Gilmar Mendes Nessa breve história legislativa da COFINS percebese, desde logo, que já sob o regime da Lei Complementar de 1991 a acepção de faturamento adotada pelo legislador não correspondia àquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou seja, já sob o império da Lei Complementar n° 70 se verificara o abandono do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercialista que se refere, grosso modo, a operações de venda de mercadorias já concluídas e registradas em fatura. Esse conceito técnicocomercial é invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF A discussão quanto à legitimidade dessa perspectiva adotada pelo legislador, de abandono de eventuais préconcepções da expressão “faturamento”, não é estranha para este Tribunal. No RE 150.755, da relatoria do Ministro Carlos Velloso (redator do acórdão o Min. Sepúlveda Pertence), em que se discutia a constitucionalidade da contribuição do FINSOCIAL, tal como fixada no art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989, admitiuse como legítima a assimilação do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente, registra a parte final da ementa: 8. A contribuição social questionada se insere entre as previstas no art. 195, I, CF e sua instituição, portanto dispensa a lei complementar: no art. 28 da L. 7.738/89, a alusão a “receita bruta”, como base de cálculo do tributo, para conformarse ao art. 195, I, da Constituição, há de ser entendida segundo a definição do Dl. 2.397/87, que é equiparável à noção corrente de “faturamento” das empresas de serviço.” Especificamente sobre a alegação de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 não se enquadraria na definição constitucional de faturamento, assentou o Ministro Sepúlveda Pertence: “(...) 43. Convencime, porém, de que a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento cuja procedência teórica não questiono , não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei. 44. Baixada para adaptar a legislação do imposto sobre a renda à Lei das Sociedades por Ações, dispusera o Dl. 1.598, 26.12.77: (...) O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ministro Eros Grau Fl. 282DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 283 20 “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social “dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros” art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre “a receita ou o faturamento” e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria “sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros”. 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento”, poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, Fl. 283DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 284 21 com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento”. Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito “receita” no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. Ministro Marco Aurélio (Relator) Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 285 22 Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo faturamento sem dar lhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarse ia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhandose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. (...) Não fosse o § lº que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1 1/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso se vê em diversos dos debates colhidos das notas taquigráficas. Seguese um deles. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça, Fl. 285DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 286 23 O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (...) No curso do julgamento, o Colegiado chegou inclusive a adentrar à questão (preocupação mais uma vez manifesta pelo Ministro Cezar Peluso) dos demais parágrafos do artigo 3º da Lei 9.718/98, sem, contudo, chegar a uma conclusão a esse respeito. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Presidente, só uma ponderação. Como o artigo 3º não tem um único parágrafo, mas vários, se for declarada a inconstitucionalidade do caput, os outros parágrafos ficarão soltos, perderão o seu objeto de referência. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Ministro, eles ficam soltos e vêm soltos porque se referem ao parágrafo lº: "§ 2º Para. fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta:” Que receita bruta? A que está no § lº. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é de que haja algum parágrafo que, depois, ganhe certa autonomia e gere dificuldade. É isso que me preocupa. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Todos eles são dependentes do § 1º. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Todos eles regulam a base de cálculo da COFINS. Se estamos entendendo que o conceito básico e a disciplina do COFINS já estão declarados constitucionais pelo Tribunal... O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Estou apenas ponderando quanto ao risco de eventuais incertezas futuras. A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE (PRESIDENTE) Ainda teremos uma sessão de julgamento em que o Ministro Eros Grau trará o seu voto e poderemos eventualmente reajustar. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 287 24 Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento16“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. 16 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 288 25 E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, Fl. 288DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 289 26 revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0117. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Muito diferente é o que ocorre, por exemplo, com a atividade de locação. Como apontado pelo Ministro Cesar Peluso, justamente no votovista em que propôs a inclusão de todas as receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica na base de cálculo das Contribuições, “a Corte julgou inconstitucional a exigência de imposto sobre serviços na ‘locação de bens móveis’, por delirar do conceito de serviços pressuposto pela Constituição na outorga de competência aos municípios. Da ementa consta: RE 116.1213 “TRIBUTO FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosarse a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto Sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, praticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável art. 110 do Código Tributário Nacional.” 17 Como disse antes, faço remissão à Cofins mesmo que o assunto dos autos restrinjase ao PIS. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 290 27 Por todo o exposto, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. Ricardo Paulo Rosa Fl. 290DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10746.904187/2012-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 18 7/ 20 12 -0 2 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.836, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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