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Numero do processo: 15374.919866/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Baeta Ippolito, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Baeta Ippolito, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. Relatório
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Baeta Ippolito, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de análise da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 07822.83129.031006.1.7.027588 e outras relacionadas, por meio das quais a interessada RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 19 86 6/ 20 08 -8 1 Fl. 946DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/11/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.919866/200881 Resolução nº 1201000.134 S1C2T1 Fl. 3 2 pretendeu utilizar crédito no valor de R$ 50.563.713,58, referente a saldos negativos de IRPJ do período de apuração de 2004, para a compensação de tributos. O Despacho Decisório eletrônico de n° 868493380 (fls. 17 a 24) não homologou as compensações declaradas, em razão de só ter sido confirmado o valor de R$ 9.050.858,98, montante que sequer foi suficiente para quitar o IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Em face dessa decisão, o contribuinte apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alegou que: 1. Juntou os comprovantes de retenções na fonte; 2. Pretendeuse revisar a apuração do saldo negativo de 2004 (R$ 49.308.292,38), já atingido pela decadência. A situação jurídica já se encontra consolidada, não podendo mais ser alterada; 3. Com a extinção do crédito tributário pela homologação, inferese a definição com certeza e exatidão da apuração feita pelo contribuinte, pois se reconhece, ainda que por ficção, que todo o tributo devido no período foi pago; 4. Os resultados apresentados nas declarações fiscais somente poderão ser questionados dentro do prazo de que se dispõe para a constituição do crédito tributário; 5. Nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, passados mais de cinco anos a contar do fato gerador, não mais subsiste a obrigação da guarda da documentação. O julgamento foi convertido em diligência (fls. 261/262) para verificar a natureza do negócio realizado com a empresa Vale Trading, bem assim confirmar o fluxo financeiro correspondente às operações que geraram os IRRF (docs. fls. 225/229 e 231). Em atendimento à intimação (fls. 266/268), o interessado apresentou a resposta de fls. 272/273 e documentos de fls. 274/652. Em conclusão à diligência, foi elaborado o termo de fls. 653/655. Cientificado do termo da diligência, o interessado aditou razões de defesa, nas quais alegou que a diligência confirmou a higidez das retenções do imposto de renda. Em sessão de 17 de agosto de 2012, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial à manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 19.621.447,25, com os acréscimos legais, homologando as compensações até esse limite. As ementas a seguir representam o entendimento exarado naquela instância de julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/11/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.919866/200881 Resolução nº 1201000.134 S1C2T1 Fl. 4 3 SALDO A RESTITUIR DE IRPJ INDICADO NA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O saldo a restituir, ou também chamado saldo negativo, indicado na declaração de imposto sobre a renda é passível de verificação, quanto a sua certeza e liquidez. Os arts. 150 e 173 do CTN estabelecem prazo decadencial para constituir o crédito tributário, não implicando em homologação tácita do saldo a restituir informado na declaração. GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Enquanto perdurar o prazo de exame do direito creditório, o contribuinte deverá manter sob guarda a respectiva documentação. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. DOCUMENTO BASE. O documento base para comprovação dos IRRF é o informe de rendimento fornecido pela fonte pagadora. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimado da decisão, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, nos basicamente repetiu os argumentos trazidos na impugnação, que podem ser resumidos nos termos a seguir: 1. Necessidade de se considerar as retenções sofridas em nome da fonte pagadora Vale Couros, ante o recebimento líquido e o oferecimento à tributação reconhecidos em diligência; 2. O que ocorreu foi mero erro de preenchimento na DIPJ; 3. Foram comprovadas outras retenções de imposto de renda sofridas no ano calendário de 2004; 4. Apresentou novas DIRFs que são prova inequívoca das retenções nelas indicadas, que devem ser reconhecidas para a composição dos saldos negativos de IRPJ; 5. Houve decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 948DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/11/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.919866/200881 Resolução nº 1201000.134 S1C2T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. A matéria debatida nos autos é de natureza probatória e diz respeito, fundamentalmente, a dois pontos: a) a composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004 e b) a existência e o montante dos créditos passíveis de compensação em razão de retenções na fonte sofridas pela Recorrente. Quanto ao primeiro ponto, a decisão recorrida constatou que o saldo negativo apurado no período não estava correto, conforme transcrito a seguir: Inicialmente verificase que o saldo negativo apurado na declaração de IRPJ, no valor de R$ 49.308.292,38 (fls. 32 e 253), não está correto. Para o IRPJ de R$ 22.500.906,94 (R$ 13.514.944,16 + R$ 8.985.962,78), o interessado indicou sua amortização com o montante de R$ 49.308.292,38 a título de IRRF e R$ 22.500.906,94 de antecipações mensais. Ocorre que só foram recolhidos R$ 30,00 de estimativas mensais, sendo R$ 10,00 em 27/2/2004, R$ 10,00 em 30/7/2004 e R$ 10,00 em 31/1/2005 (fl. 701). Adicionalmente, o interessado apresentou uma declaração de compensação (PER/DCOMP 37332.18003.100304.1.7.038972) para amortizar a estimativa do mês de janeiro, no valor de R$ 2.103.265,03. Posteriormente, esta declaração foi retificada pelo PER/DCOMP 38263.08789.260906.1.7.033402, no qual mantevese o débito indicado. Até o momento não houve pronunciamento sobre o pleito. Entretanto, ainda que venha a ser indeferido e visto que a declaração de compensação constitui confissão de dívida, nos termos do art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, tal valor será considerado na apuração do saldo negativo do IRPJ. Cabe ainda destacar que durante o exame do crédito o interessado foi intimado para a regularização da declaração de IRPJ ou do PER/DCOMP, conforme documentos de fls. 13/16, mas não tomou qualquer providência. A partir dessas constatações, a decisão recorrida passa a analisar as retenções indicadas na DIPJ como IRRF e conclui, ao final, que o saldo a restituir seria de R$ 19.621.447, 25. Ocorre que a Recorrente, na peça recursal, afirma ter direito a outros créditos, relativos a retenções que poderiam ser confirmadas com a juntada dos extratos anexados às fls. 909 a 934 e que tais montantes, decorrentes de aplicações financeiras em renda fixa, não foram considerados nas decisões da DEMAC e da Delegacia de Julgamento. Em homenagem ao princípio da verdade material, entendo que os extratos colacionados representam indícios de eventuais direitos creditórios da Recorrente, cuja pertinência ao caso em tela precisa ser efetivamente comprovada, até porque uma das páginas não consta dos autos. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/11/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.919866/200881 Resolução nº 1201000.134 S1C2T1 Fl. 6 5 Ante o exposto, voto por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, para que a autoridade de jurisdição do contribuinte adote as seguintes providências: a) Intime o contribuinte a comprovar a origem das retenções trazidas no recurso voluntário e demonstre a efetiva contabilização de tais montantes; b) Elabore parecer conclusivo no sentido de apurar o real valor do saldo negativo do anocalendário de 2004, bem assim o montante dos créditos que podem ser objeto de compensação, considerando todos os documentos já trazidos ao processo, sem prejuízo de qualquer consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; c) Indique se os créditos porventura apurados não foram objeto de compensação com outros tributos; d) Ao final, dê ciência das conclusões ao contribuinte para que este, no prazo máximo de trinta dias, formule as alegações que julgar conveniente. Adotadas tais providências, os autos deverão retornar a este Conselho e Relator, para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 950DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/11/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900064/2012-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 00 64 /2 01 2- 05 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.900064/201205 Acórdão n.º 3803006.720 S3TE03 Fl. 198 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 231,29. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/11/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.900064/201205 Acórdão n.º 3803006.720 S3TE03 Fl. 199 3 Data do Fato Gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Em 09/09/2013, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.722669/201321, contendo a Declaração de Compensação (DCOMP) do crédito controvertido nestes autos. Submetida a DCOMP à apreciação da autoridade administrativa de origem, emitiuse despacho decisório de não homologação da compensação declarada, considerando que o direito creditório já havia sido indeferido no presente processo. Cientificado, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação, repisando os argumentos de defesa. Adicionalmente, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. A DRJ Ribeirão Preto/SP mais uma vez não reconheceu o direito creditório, tendo sido o novo acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.900064/201205 Acórdão n.º 3803006.720 S3TE03 Fl. 200 4 Não é cabível a rediscussão de direito creditório vinculado a pedido de restituição, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, a restituição/compensação resta impossibilitada por falta de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado das decisões de primeira instância em 18/06/2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/07/2014 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias de planilha de cálculo, do livro Razão e do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.900064/201205 Acórdão n.º 3803006.720 S3TE03 Fl. 201 5 configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e declaração de compensação relativos a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.900064/201205 Acórdão n.º 3803006.720 S3TE03 Fl. 202 6 de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.900064/201205 Acórdão n.º 3803006.720 S3TE03 Fl. 203 7 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois nenhum elemento de prova adicional foi trazido aos autos, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.900064/201205 Acórdão n.º 3803006.720 S3TE03 Fl. 204 8 Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10280.901059/2012-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 208 1 207 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.901059/201213 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.545 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2014 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento combinado com Declaração de Compensação, fundados em créditos de Cofins nãocumulativo vinculados à exportação, relativos ao 1º trimestre de 2008 (fls.2/4). A Fiscalização reconheceu apenas parte do direito de crédito pleiteado (Despacho Decisório de fls. 5/6), realizando as seguintes glosas, descritas em Relatório Fiscal (fls. 128/133): 1) “O contribuinte apresentou uma extensa relação de bens adquiridos utilizados para crédito de PIS. Destacamos da Planilha Insumos Glosas os itens considerados MATÉRIA PRIMA (MP) pelo contribuinte, mas que não cabem no conceito de Insumo para gerar direito a crédito como o ÁCIDO SULFÚRICO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 01 05 9/ 20 12 -1 3 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3403000.545 S3C4T3 Fl. 209 2 que é utilizado como material de limpeza. As glosas demonstradas na Planilha Insumos Glosas, item OUTROS INSUMOS são de bens que não se enquadram como Insumos ou são descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento de crédito. Exemplo: MATERIAIS DIVERSOS;” (fl. 130; grifo editado); 2) “CRÉDITOS DECORRENTENTES DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Serviços glosados por não serem considerados como utilizados diretamente na produção da Alumina (produto final) conforme Planilha Serviços Glosas em anexo”; 3) “CRÉDITOS DECORRENTES DO ATIVO IMOBILIZADO: O contribuinte apurou crédito de depreciação em duas modalidades: 1/48 avos para bens adquiridos de Maio/2004 a Dezembro/2005 e 1/12 avos para as aquisições posteriores. Consideramos as glosas realizadas em procedimento fiscal formalizado no Processo 10280722272200965 para as aquisições de Maio/2004 a Dezembro/2005 (1/48 avos) e de fevereiro a dezembro de 2007 (1/12 avos) da seguinte forma: (...)” A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 8/61) alegando, em síntese, que: · foram glosados materiais empregados diretamente no processo produtivo, tratandose de insumos imprescindíveis para a fabricação e exportação de alumina, como o óleo BPF, o Ácido Sulfúrico e Inibidores de Corrosão; detalhando que o óleo BPF é utilizado como combustível e permite o funcionamento de fornos em que ocorre a calcinação de hidrato e a geração de vapor nas caldeiras, etapas do processo de produção de alumina; · o Ácido Sulfúrico seria empregado na limpeza dos caloríficos por onde circula o licor enriquecido de alumina, de maneira que a higienização do mecanismo seria fundamental para manter a eficiência das trocas térmicas e a estabilidade dos reagentes, o que permitiria a eficácia do processo produtivo; · os Inibidores de Corrosão formam uma película protetora que inibe o desgaste das tubulações de água de resfriamento que por sua vez é essencial para evitar o superaquecimento do maquinário; · não seria coerente a atitude de glosar insumos classificados como Edificações sob o argumento de que são bens que não poderiam integrar o ativo imobilizado e nem se trata de bem empregado no processo produtivo; · ainda que as máquinas, equipamentos, peças e acessórios pudessem ser classificadas como integrantes do Ativo Imobilizado e Edificações da empresa, poderia ser realizado o creditamento desses bens, desde que eles sejam diretamente utilizados no processo produtivo, porque assim determina a legislação tributária; O contribuinte protesta contra o fato de não ter sido realizada nenhuma vistoria ou visitação à sede da empresa, de maneira que a Fiscalização não poderia ter obtido resultados Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3403000.545 S3C4T3 Fl. 210 3 conclusivos a respeito da real natureza dos bens empregadas no complexo processo de refinamento de alumina. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0126.290, de 14 de maio de 2013 (fls. 134/154), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arte. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. COFINS. NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do Cofins NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS. NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado,adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas pelo sujeito passivo somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3403000.545 S3C4T3 Fl. 211 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 157/205), no qual reitera os mesmo fundamentos da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 16/03/2012 (fl. 441), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 15/02/2012 (fl. 439). Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma contra o acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Tratase de verificar se procedem ou não as glosas realizadas pela Fiscalização em relação às operações que o Recorrente sustenta configurarem hipóteses que geram direito ao crédito de Cofins nãocumulativo. Ocorre que, por algum defeito de instrução, não se encontram nos autos do presente processo eletrônico as planilhas que são referidas pelo Parecer que contém a motivação e a fundamentação do Despacho Decisório. Encontramse nestas planilhas o detalhamento dos insumos e serviços glosados, em relação aos quais o Recorrente entende ter direito de crédito. Sem apreciar estas planilhas não há como realizar o julgamento. Ante o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem restabeleça a ordem do presente processo eletrônico, organizando os atos processuais na sequência em que foram praticados e trazendo as cópias das planilhas e de todo o material de apoio que tenha sido efetivamente utilizada pelo Auto de Infração. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10730.903118/2010-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/04/2005
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 31 18 /2 01 0- 81 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903118/201081 Acórdão n.º 3801004.338 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903118/201081 Acórdão n.º 3801004.338 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903118/201081 Acórdão n.º 3801004.338 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903118/201081 Acórdão n.º 3801004.338 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720549/2010-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
NORMAS PROCESSUAIS - RECUSO ESPECIAL - REQUISITO.
Constitui requisito para o recurso especial a demonstração da divergência arguida mediante indicação de decisão que, diante de situação fática semelhante, adotou interpretação diversa. Se a situação fática analisada pelo paradigma não se identifica com a do acórdão recorrido, não se caracteriza o dissídio de interpretação.
Numero da decisão: 9101-002.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 NORMAS PROCESSUAIS - RECUSO ESPECIAL - REQUISITO. Constitui requisito para o recurso especial a demonstração da divergência arguida mediante indicação de decisão que, diante de situação fática semelhante, adotou interpretação diversa. Se a situação fática analisada pelo paradigma não se identifica com a do acórdão recorrido, não se caracteriza o dissídio de interpretação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 NORMAS PROCESSUAIS RECUSO ESPECIAL REQUISITO. Constitui requisito para o recurso especial a demonstração da divergência arguida mediante indicação de decisão que, diante de situação fática semelhante, adotou interpretação diversa. Se a situação fática analisada pelo paradigma não se identifica com a do acórdão recorrido, não se caracteriza o dissídio de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 49 /2 01 0- 29 Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720549/201029 Acórdão n.º 9101002.078 CSRFT1 Fl. 3 2 Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL contra o Acórdão nº 1301001.188, de 11/04/2013, o qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício. A recorrente alega divergência jurisprudencial da decisão proferida, que cancelou o lançamento pelo fato de a autuação não ter demonstrado a omissão ou incorreção das informações prestadas no fornecimento de arquivos magnéticos que ensejou a aplicação da multa. Afirma que a decisão diverge de outras decisões administrativas, que consideraram que a imprecisa descrição dos fatos ou a confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, caracteriza o cerceamento do direito de defesa, devendo ser anulado lançamento por vício formal. Indica como paradigmas: o acórdão nº 20309.332, de 02/12/2003 e o Acórdão nº 320100.248, de 10/07/2009, cujas ementas assentam: Acórdão nº 20309.332 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IMUNIDADE NULIDADE POR VICIO FORMAL — A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento, de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio. Acórdão nº 320100.248 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. O Presidente da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF deu seguimento ao Recurso. É o relatório. Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720549/201029 Acórdão n.º 9101002.078 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso especial de divergência tem por objetivo uniformizar a jurisprudência e se legitima quando, diante de situações fáticas semelhantes, a legislação tributária aplicável seja interpretada de forma distinta por diferentes colegiados. Os acórdãos trazidos como paradigma tratam de anulação do lançamento por vício na formalização. Em ambos, não se levantou qualquer dúvida sobre a existência da infração. O Acórdão 320100.248, que confirmou decisão de primeira instância negando provimento ao recurso de ofício, trata de lançamento de multa decorrente da conversão da pena de perdimento. O lançamento foi anulado não por pairar qualquer dúvida quanto à infração (dano ao erário), mas por inexistirem nos autos “quaisquer demonstrativos de cálculo que evidenciem de forma clara e exata a determinação da matéria tributável, não atendendo a esse objetivo a planilha de fls. 05, a qual é omissa e inconsistente”. O Acórdão 20309332 trata de lançamento por falta de recolhimento da Cofins. O lançamento foi anulado por conter a legislação específica da Cofins, apenas se reportando ao art. 32 da Lei nº 9.430/96, como se fosse decorrente do IR. Não há qualquer dúvida quanto à infração (falta de recolhimento), mas apenas a formalização do auto de infração está viciada. Em ambos os casos, o vício pode ser saneado sem necessidade de novas investigações, de novas intimações ao contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. São situações totalmente distintas da que foi objeto do acórdão recorrido, que cancelou o lançamento de multa relacionada com a apresentação de arquivos magnéticos, indicada no auto de infração como “multa regulamentar, equivalente a 5 (cinco) por cento sobre o valor da operação omitida ou cuja informação solicitada tenha sido prestada incorretamente, limitada a 1 (hum) por cento da Receita Bruta da Pessoa Jurídica no Período”. O acórdão guerreado confirmou decisão de primeira instância que cancelou o lançamento da multa por não ter restado demonstrado o cometimento da infração, em razão de vício no procedimento de fiscalização (não na formalização). No Termo de Início o auditor intimou o contribuinte a apresentar (em arquivo magnético), entre outros elementos, a relação de todos os produtos vendidos pela empresa durante o ano calendário objeto de fiscalização e os arquivos magnéticos de registros da relação Insumo/Produto (4.6.1 Arquivo de Insumos Relacionados). A infração está assim descrita no auto de infração: “Consta no RELATÓRIO DE PREÇO LÍQUIDO UNITÁRIO DE VENDAS E CUSTO TOTAL UNITÁRIOAPRESENTADO PELO CONTRIBUINTE, anexo, a relação de "TODOS" os produtos Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720549/201029 Acórdão n.º 9101002.078 CSRFT1 Fl. 5 4 fabricados e vendidos pelo Contribuinte no anocalendário de 2006, cuja estrutura deveriam constar no arquivo magnético 4.6.1 Ocorre que, dos produtos relacionados no Relatório mencionado no parágrafo acima, apenas alguns tiveram sua estrutura apresentada, conforme relatório denominado ESTRUTURAS DE PRODUTOS FORNECIDAS PELA EMPRESA, anexo. Confrontandose os dois Relatórios acima mencionados, conclui se pela AUSÊNCIA das estruturas de diversos produtos fabricados e comercializados pela empresa, os quais estão evidenciados no relatório denominado ESTRUTURAS DE PRODUTOS NÃO FORNECIDAS PELA EMPRESA, anexo.”. Impugnando a exigência, alegou a empresa que não cometeu a falta que lhe foi imputada, e que a autuação baseiase em suposição de omissão de informações no Formulário 4.6.1, por ter a autoridade fiscal partido da premissa equivocada de que todos os produtos vendidos pela Requerente foram por ela fabricados naquele período. O Acórdão guerreado ratificou a decisão de primeira instância por seus mesmos fundamentos. Em síntese, o julgador não tinha como aferir a concretização das alegadas omissões passíveis de multa, por vício no procedimento de fiscalização, consignando o voto condutor que os pedidos elencados nos Termos de Reintimações demonstram que a Fiscalização em momento algum apontou como dúvida e/ou pediu que a Fiscalizada comprovasse ou demonstrasse os porquês das ausências de ESTRUTURAS DE ALGUNS PRODUTOS FORNECIDOS PELA EMPRESA, ao contrário, só intimou a apresentar arquivos corrigindo erros de LAYOUT encontrados, conforme planilhas que a mesma anexou às Reintimações. Ou seja, não restou comprovado o cometimento da infração e, diferentemente dos paradigmas, o vício pode ser saneado sem necessidade de nova intimação ao contribuinte para prestar informação. Como visto acima, os aspectos fáticos que orientaram as decisões confrontadas justificam perfeitamente os posicionamentos distintos dos colegiados. Pelas razões expostas, não conheço do recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 20 de janeiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720549/201029 Acórdão n.º 9101002.078 CSRFT1 Fl. 6 5 Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.926598/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado.
Numero da decisão: 3802-003.924
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 65 98 /2 00 9- 72 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 29/32 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, onde o direito creditório aduzido diz respeito a parte de pagamento de COFINS efetuado em 15/02/2002, que a interessada buscava compensar com débito da própria COFINS vencido em 13/10/2006. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e ainda, que a realidade não se enquadrava dentre as possibilidades de afastamento de norma inconstitucional elencadas pelo Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/08/2011 (fls. 35). Inconformada, a mesma apresentou, em 02/09/2011, o recurso voluntário de fls. 36/39, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Requer, ao final, seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.926598/200972 Acórdão n.º 3802003.924 S3TE02 Fl. 44 3 O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.926598/200972 Acórdão n.º 3802003.924 S3TE02 Fl. 45 5 Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. Digno de nota o entendimento exarado no Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11/03/2013, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda de 02/07/2013, segundo o qual nova interpretação assumida pela Fazenda Nacional também deverá ser seguida pelas autoridades julgadoras no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento/DRJ quanto aos processos que estejam aguardando julgamento na primeira instância administrativa, em cumprimento ao disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Vale lembrar, no entanto, que quando proferido o julgado de primeira instância referido Parecer ainda não tinha sido editado. Assim, não obstante a legitimidade do direito aduzido pela reclamante em vista da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, e: a) considerando que não foi acostada aos autos nenhuma documentação comprobatória do direito reclamado; b) considerando, ainda, que não consta do processo comprovação de que o sujeito passivo não pleiteia o mesmo crédito mediante ação judicial; voto para dar parcial provimento ao recurso para que a primeira instância de julgamento, considerando a inconstitucionalidade da norma em evidência, se manifeste sobre a materialidade do direito reclamado pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 12 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 13864.000528/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Presidente em Exercício
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente temporariamente, o Presidente Julio Cesar Vieira Gomes.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Presidente em Exercício Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente temporariamente, o Presidente Julio Cesar Vieira Gomes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .0 00 52 8/ 20 10 -4 1 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 13864.000528/201041 Resolução nº 2402000.476 S2C4T2 Fl. 865 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0533.983 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Campinas (SP), fl. 647651, com ciência ao sujeito passivo em 12/09/2011, fl. 668, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 37.316.8209, da qual o sujeito passivo tomou ciência em 22/12/2010, fl. 437. De acordo com o relatório fiscal de f. 438441, o lançamento trata de exigência das contribuições patronais devidas para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas com base na técnica do arbitramento, no período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Ficou consignado no relatório fiscal que as bases de cálculo do lançamento foram extraídas da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e se referem a pagamentos feitos a empregados e a prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício que não constaram das folhas de pagamento disponibilizadas à fiscalização em meio digital, das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nem da contabilidade, e que deixaram de ser justificadas pela empresa após ter sido intimada a fazêlo. Foi elaborada planilha contendo a relação nominal dos trabalhadores e dos valores envolvidos, fl. 448. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que efetuou o pagamento das contribuições apuradas no lançamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2007 AFERIÇÃO INDIRETA. É legitima a aferição indireta realizada com base na Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF) se a empresa não justificou as divergências com a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). RECOLHIMENTOS. A mera juntada de guias de recolhimentos sem a demonstração da vinculação delas aos fatos geradores das contribuições sociais exigidas não é prova de pagamento do crédito constituído. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 13864.000528/201041 Resolução nº 2402000.476 S2C4T2 Fl. 866 3 Em 13/10/2011, a autuada, por meio de procuradora qualificada nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, fl. 670685, repetido às fl. 731744 e 793786, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega conexão deste processo com os demais processos de lançamento constituídos na mesma ação fiscal, e, por conseguinte, a necessidade de julgamento conjunto para evitar decisões contraditórias. Também em preliminar, sustenta a nulidade do acórdão recorrido porque deixou de apreciar as guias de recolhimento apresentadas na impugnação, incorrendo em cerceamento de defesa. No mérito, afirma que as guias apresentadas na impugnação comprovam que a recorrente efetuou o recolhimento dos valores lançados. Afirma também que a obrigação tributária em questão é da empresa incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, e que no momento da incorporação o crédito tributário dela decorrente não estava constituído, motivo pelo qual não tem responsabilidade sobre a multa aplicada, sustentandose no art. 132 do CTN e em jurisprudência do STJ no sentido de que a possibilidade de responsabilização do incorporador por multas só existe quando essa tiver sido aplicada antes da incorporação. Ao final, requer: (i) que seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida (ii) o cancelamento integral do crédito tributário lançado, e, subsidiariamente (iii) que seja reconhecida sua ilegitimidade para responder por multas da empresa incorporada. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 13864.000528/201041 Resolução nº 2402000.476 S2C4T2 Fl. 867 4 VOTO Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. De acordo com o relatório fiscal, os valores lançados originamse de pagamentos não declarados em GFIP e não incluídos em folhas de pagamento, de modo que as contribuições daí decorrentes não foram recolhidas pela empresa. A recorrente rebate este argumento afirmando que os valores lançados foram devidamente pagos, tendo apresentado, com a impugnação, as guias de pagamento (GPS) supostamente comprobatórias do alegado, as quais foram juntadas às fl. 524644. Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, sendo que, na espécie, a vinculação darseia mediante retificação, pela empresa, das GFIP entregues com omissão dos fatos geradores aqui tratados. Não há, nos autos, notícia quanto à adoção ou não deste procedimento por parte da recorrente. De qualquer sorte, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é facultado ao contribuinte solicitar a imputação do indébito a créditos tributários constituídos em seu desfavor. Portanto, é relevante para a solução do caso que sejam prestadas essas informações, as quais, saliento, não estão disponíveis nos autos. Com relação aos pagamentos realizados pela recorrente, inferese dos autos que as GPS de fl. 524644, relativas aos estabelecimentos 0001 a 0009, eram de conhecimento da fiscalização, conforme Relatório de Documentos Apresentados RDA, fl. 1112, e que as GPS não foram apropriadas ao presente lançamento, tendo sido, as vinculadas ao estabelecimento 0001, apropriadas ao documento “Excl 09.473.3193”. E, quanto aos pagamentos vinculados aos demais estabelecimentos, não há informação de apropriação, conforme leitura do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, fl. 2023, e Relatório Discriminativo do Débito – DD, fl. 57. Diante disso, entendo que o processo não está em condições de ser apreciado, carecendo, antes, de manifestação motivada da autoridade lançadora quanto ao que foi afirmado pela recorrente, mediante esclarecimento dos seguintes pontos: a) em quais documentos de débito foram apropriados os pagamentos efetuados pela recorrente, disponíveis em seu contacorrente, sendo relevante que essa informação fique consignada em demonstrativo no qual sejam identificados os créditos e débitos da recorrente no período do lançamento; b) informar se a recorrente providenciou a inclusão, em GFIP retificadora, dos fatos geradores aqui lançados, e se há pagamento dos valores declarados; Fl. 867DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 13864.000528/201041 Resolução nº 2402000.476 S2C4T2 Fl. 868 5 c) informar se no período do lançamento há valores recolhidos excedentes aos valores declarados em GFIP, e se o valor excedente já foi apropriado a algum débito da recorrente ou se foi objeto de compensação ou restituição. Em suma, a autoridade fiscal deverá examinar os documentos apresentados, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, inclusive prestando informações adicionais e juntando documentos que entender necessários, intimar a interessada do relatório da diligência e conceder prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. Conclusão Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES
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Numero do processo: 36958.000807/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1998 a 30/08/2005
DIÁRIAS. VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO.
Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa.
AJUDA DE CUSTO. NATUREZA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Integra o salário de contribuição a ajuda de custo paga ao empregado quando não fica demonstrado que os pagamentos destinam-se a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não há prestação de contas dos gastos realizados pelo empregado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-004.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular por vício formal a parte do lançamento relativa ao pagamento de diárias e por não conhecer do recurso de ofício.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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COMISSÕES. Recorrentes UNIÃO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 30/08/2005 DIÁRIAS. VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO. Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa. AJUDA DE CUSTO. NATUREZA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE PROVA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo paga ao empregado quando não fica demonstrado que os pagamentos destinamse a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não há prestação de contas dos gastos realizados pelo empregado. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 95 8. 00 08 07 /2 00 7- 65 Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular por vício formal a parte do lançamento relativa ao pagamento de diárias e por não conhecer do recurso de ofício. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.474 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário interpostos em face do Acórdão n.º 0934.026 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), fl. 13311345, com ciência ao sujeito passivo em 26/04/2011, fl. 1389, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 35.778.8354, da qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 12/12/2005, fl. 2. De acordo com o relatório fiscal de fl. 156162, o lançamento trata de exigência de contribuições destinadas à Seguridade Social devidas pelos segurados empregados, pelos segurados autônomos/contribuintes individuais e pela empresa, inclusive as destinadas ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como as contribuições devidas aos terceiros (salário educação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE). De acordo com o relatório fiscal, fl. 156162, as contribuições referemse ao período de 02/1998 a 08/2005 e incidiram sobre: a) valores pagos a motoristas a título de diárias de viagens em valor excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal, identificados nos registros contábeis da conta “4.1.02.01.0004 viagens e estadias”; b) valores pagos a supervisores de vendas a título de ajuda de custo de despesas de viagens sem comprovação, identificados em folhas de pagamento; e c) valores pagos aos representantes comerciais autônomos a título de comissões, identificados nos registros contábeis, na conta “4.2.01.01.0006 comissões de representantes”. Foram juntados os seguintes demonstrativos dos fatos geradores: a) planilha “Diárias de Motoristas”, contendo relação nominal dos motoristas, valor dos proventos, das diárias, da contribuição retida e da contribuição a recolher; fl. 204557, acompanhada de documentos da empresa denominados “acertos de motoristas”, juntados por amostragem, fl. 558568; e b) planilha “Ajuda de Custo”, contendo relação nominal dos beneficiários do pagamento de ajuda de custo, o valor recebido e a diferença de contribuição do segurado a recolher, fl. 569632. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, fl. 640667, sustentando, em síntese, que os pagamentos de diárias e de ajuda de custo destinamse a ressarcimento de despesas, que os pagamentos de diárias não coincidem com a data da viagem do motorista, de modo que não são representativos da competência do fato gerador, e que os valores pagos aos representantes comerciais são, na verdade, repasses dos incentivos/gratificações dados pelos fornecedores aos representantes de seus produtos. Juntou documentos de acerto de viagens de alguns motoristas, acompanhados de relatórios de notas fiscais e de recibos de pagamentos diversos, fl. 676772. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) em Uberlândia (MG) converteu o julgamento em diligência, fl. 776. Em atendimento à diligência, foi emitida informação fiscal, fl. 778783, reiterando as exigências incidentes sobre pagamentos feitos aos supervisores de vendas e aos representantes comerciais, e, com relação aos pagamentos de diárias aos motoristas, reconheceuse que a Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 competência do fato gerador é o mês do deslocamento do empregado, o que nem sempre coincide com o mês do registro contábil da despesa referente ao acerto de viagem, adotada no lançamento para identificar a competência do fato gerador. Diante disso, a fiscalização sugeriu o desmembramento da parte do lançamento relativa às diárias, para revisão. Acompanharam a informação fiscal os seguintes demonstrativos: a) “planilha de verificação do valor das diárias utilizadas efetivamente dentro do mês de viagem”, fl. 784794, b) “demonstrativo atual do valor básico de diárias por rota a partir de janeiro/04, aproximadamente”, fl. 795800; c) documentos de acertos de motoristas, f. 802862. A respeito da informação fiscal houve manifestação da interessada às fl. 879 882. A impugnação foi considerada improcedente e foi mantido o lançamento tributário, conforme julgamento da Seção do Contencioso Administrativo da SRP em Uberândia (MG), nos termos da DecisãoNotificação (DN) nº 11.430.4/0190/2006, fl. 883897. A autuada recorreu da decisão, fl. 909944, e o recurso foi julgado por este Conselho, que decidiu pela nulidade da decisão recorrida, nos termos do Acórdão CARF nº 230100.154 da 3a Câmara/1a Turma Ordinária/2a Seção de Julgamento, sessão de 04/05/2009, rel. Marco André Ramos Vieira, fl. 961964. O julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1998 a 30/08/2005 VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Processo Anulado Segue trecho do fundamento adotado no voto condutor: A Decisão de primeira instância não afastou os argumentos colacionados pela fiscalização. O julgador a quo não afirmou porque não deveriam ser desmembrados os autos, tampouco superou a afirmação fiscal de que algumas viagens possuem os acertos efetuados em mês posterior ao da viagem. E como é cediço a autoridade julgadora não pode substituir a autoridade lançadora, se esta afirmou que pôde identificar lançamentos indevidos, deveria a autoridade julgadora considerar e ter pelo menos julgado procedente em parte o lançamento. Com isso, os autos retornaram à origem para emissão de nova decisão, agora pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) em Juiz de Fora (MG), a qual, em 06/04/2010, converteu o julgamento em diligência, fl. 974979. Em atendimento, a fiscalização emitiu informação fiscal às fl. 9971003, e sugeriu, com base na análise da contabilidade da empresa em cotejo com os documentos de acertos de viagem, a retificação da parte do lançamento relativa às contribuições incidentes sobre o pagamento de diárias diante da necessidade de adequar a competência do fato gerador à data da viagem do motorista, que não correspondia, necessariamente, à data do registro contábil do pagamento de diárias, tendo elaborado os seguintes documentos emitidos de acordo com a nova sistemática: a) planilha por estabelecimento contendo relação nominal do Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.475 5 motorista, sua remuneração, valor da diária e diferença de contribuição do segurado, fl. 1004 1309, e b) acertos de motoristas não contabilizados, fl. 13101325. Em substituição à decisão anulada, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG) emitiu o Acórdão n.º 0934.026, e julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário lançado, com exclusão das competências anteriores a 12/2000 em razão da decadência, bem como dos valores indevidos de contribuições incidentes sobre diárias pagas aos motoristas após acerto da competência do fato gerador, nos termos da informação fiscal de fl. 9971003. O julgado restou assim ementado: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA ANULADA POR FALTA DE CLAREZA NA MANIFESTAÇÃO DA AUTORIDADE LANÇADORA. O reconhecimento pela autoridade lançadora da possibilidade de inadequação na apuração da competência equivalente à ocorrência do fato gerador ocasiona dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito tributário. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. No âmbito do lançamento por homologação, havendo algum pagamento, o prazo para constituir de ofício o crédito tributário relativo a eventuais diferenças encontradas pelo Fisco deve observar a regra de decadência estabelecida no artigo 150, § 4o, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADOS E DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AJUDA DE CUSTO DIÁRIAS. COMISSÕES. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo em desacordo com as hipóteses de exclusão estabelecidas pela legislação previdenciária. A legislação previdenciária prevê a integração do total das diárias pagas ao salário de contribuição quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal. Entendese por salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais a remuneração por eles auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de suas atividades por conta própria. E devida a contribuição previdenciária sobre pagamento de remunerações a título de comissões a segurados contribuintes individuais. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas durante o mês. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Considerando o valor do crédito tributário exonerado, a decisão foi submetida a este Conselho para reexame necessário. Em 25/05/2011, a autuada, por meio de seus representantes legais e de advogado, interpôs recurso voluntário parcial, fl. 13901426, repetido às f. 14301467, no qual deixou de contestar a parte do lançamento tributário relativa aos valores pagos aos representantes comerciais autônomos a título de comissões. Com relação às demais matérias apresentou suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega invalidade do lançamento por entender que os vícios apontados no acórdão que anulou a decisão de primeira instancia não foram sanados, considerando que a decisão recorrida manteve os valores pagos aos motoristas pelo ressarcimento de suas despesas de viagens, presumindo a natureza de diária com base apenas nos registros contábeis. Alega, também, cerceamento de defesa diante da falta de demonstração numérica do cálculo do valor das diárias e de fundamentação fática e jurídica quanto ao uso da técnica do arbitramento. Argumenta que o prazo de trinta dias é insuficiente para analisar os dados da “planilha 01”, de modo que solicita prorrogação do prazo para complementação da defesa e apresentação de provas, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Alega que a autoridade lançadora desconsiderou formais registros contábeis da recorrente, presumiu a ocorrência do fato gerador e arbitrou o crédito tributário adotando a metodologia de cálculo narrada no relatório fiscal. Acrescenta que não questiona a utilização do critério de presunção e arbitramento, mas discorda da ausência da descrição, no relatório fiscal, do uso do arbitramento, dos critérios adotados e do correspondente fundamento legal. Justifica sua tese afirmando que constitui arbitramento considerar pagamentos realizados a título de contraprestação de despesas operacionais como se salários fossem, contrariando os registros contábeis e fiscais da empresa. Cita decisões administrativas reconhecendo a nulidade do lançamento por falta de fundamentação legal do arbitramento. No mérito, insurgese contra a incidência de contribuições sobre os pagamentos realizados aos supervisores de vendas e aos motoristas. Com relação à ajuda de custo paga aos supervisores de venda, argumenta que se trata de indenização de despesas de viagens com veiculo próprio, como combustível e quilometragem, e demais despesas de alimentação, hospedagem, ligações telefônicas, etc, de caráter indenizatório, de modo que não integra o salário, conforme art. 457 § 2o da CLT, e também não integra o salário de contribuição por aplicação analógica das alíneas “b”, “m” e “s” do § 9o do artigo 28 da Lei 8.212/91. Acrescenta que a habitualidade do pagamento não lhe retira o caráter indenizatório, conforme jurisprudência e doutrina citadas. Com relação às diárias pagas aos motoristas, argumenta que não ocorreram pagamentos de diárias excedentes a cinqüenta por cento do salário mensal e que a conclusão da fiscalização está equivocada porque não considerou a competência correta do pagamento da diária, que é o mês do envio da carga ao motorista, demonstrando, por amostragem, equívocos Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.476 7 cometidos nos cálculos das diárias dos motoristas Edson Pereira Fades e Alexsandro Romero de Aguiar, conforme documentos em anexo. Explica que distribui seus produtos em sistema de transbordo, o qual consiste no envio de várias cargas através de carretas conduzidas pelos motoristascarreteiros, para distribuição pelos motoristasentregadores, os quais permanecem na região de entrega por várias semanas, ultrapassando o limite de um mês, chegando até a três meses. A recorrente faz adiantamentos de valores para despesas de viagem ao motoristaentregador antes dele sair de viagem e a cada nova carga a ele enviada pelo sistema de transbordo. O desembolso dos valores é efetuado pela empresa quando da emissão das notas fiscais e envio da carga para entrega, enquanto que o acerto da viagem com apuração das diárias de viagem, compreendendo as várias cargas distribuídas, é realizado no retorno do motoristaentregador à sede da empresa. Alega também que na apuração do valor das diárias indevidamente foram considerados pagamentos de despesas operacionais. Cita, a título de exemplo, os casos dos motoristas Adalberto José Rafael e Alex Rosa de Lima para demonstrar que se considerou diária pagamento de guincho, refeição do período excedente (caminhão estragado) e despesas do motorista trainee, conforme documentos em anexo. Explica que essas despesas foram contabilizadas indevidamente como diárias. Com base nos documentos anexos aos autos, relativos ao motoristacarreteiro Juvenal Pereira de Rezende, esclarece que os motoristascarreteiros não auferem diárias, mas tão somente adiantamento para despesas de viagem (refeições, hospedagem, etc) com prestação de contas quando do retorno, ocasião em que são efetivamente contabilizadas tais despesas, o que é feito a título de diárias. Sustenta que as diárias de viagens que ultrapassem o percentual de cinqüenta por cento não constituem salário desde que o empregador demonstre que as diárias, ainda que elevadas, visam a atender às necessidades com viagens, conforme jurisprudência colacionada. Pede que seja dado provimento ao recurso. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Diárias. Preliminar de invalidade do lançamento. Insuficiente Demonstração da base de cálculo. Presunção e Arbitramento. A controvérsia se refere à insuficiente demonstração dos dados quantitativos que compõem a base de cálculo do lançamento e se este foi feito com base em presunção. As contribuições incidentes sobre diárias pagas aos motoristas foram inicialmente apuradas com base nos lançamentos contábeis contendo histórico de diárias, registrados na conta contábil “viagens na distribuição”, considerandose ocorrido o fato gerador na data do registro contábil do pagamento da diária. Admitindo tese da defesa, a fiscalização propôs a retificação do lançamento, o que foi acatado pela decisão de primeira instância ora recorrida, passandose a considerar a ocorrência do fato gerador na data da viagem do motorista ou na data da emissão da nota fiscal da mercadoria transportada. As datas e os valores das diárias pagas foram então apurados com base na contabilidade da empresa, mediante cotejo dos dados dos lançamentos contábeis efetuados nas contas nº 3.1.01.01.0001, denominada “venda de mercadorias mercado interno”, com código reduzido “392”, e conta nº 4.1.02.01.0004, denominada “viagens na distribuição”, com código reduzido “326”. Os pagamentos a título de diárias foram extraídos dos lançamentos contábeis efetuados na conta nº 326, e nessa conta, em regra, o histórico do lançamento vincula a diária ao número da carga. Conforme visto, a diária é devida na data da viagem ou na data da emissão da nota fiscal da mercadoria transportada, momento da ocorrência do fato gerador. Como a data do lançamento contábil nem sempre coincide com a data do fato gerador do tributo, a fiscalização, com base no número da carga, identificou, na conta nº 392, a data da viagem que gerou o pagamento da diária. Considerando que a empresa contabiliza na conta contábil nº 392 os pagamentos de diárias juntamente com pagamentos de despesas de viagem relativas à manutenção do veículo, alimentação do motorista, pedágio, despesas com guinchos, dentre outras, a fiscalização analisou os registros da conta contábil nº 392 e selecionou aqueles com histórico de pagamento de diárias e excluiu os registros contábeis que entendeu impertinentes, adotando os seguintes critérios, conforme consignado na segunda informação fiscal de fl. 997 1003: Da seleção dos lançamentos excluímos os transbordos, despesas de viagens, deixando um único lançamento para cada carga; Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.477 9 A conta 392 registra geralmente dois lançamentos para um mesmo número de carga, essa duplicidade foi excluída para possibilitar a conciliação correta; Acertos de diárias da conta 326, no período de 2000 a 2002, foram contabilizados em grupos, de modo que trazem diversas cargas num único lançamento. Em casos assim consideramos somente um número de carga, geralmente o último, mas quando esse número estava incompleto adotamos o primeiro da linha; Valores lançados a crédito foram confrontados com os valores a débito da mesma carga e deduzidos; Os arquivos magnéticos do Razão na competência 09/2000, fornecidos pela empresa em 2005, continham na verdade lançamentos de 08/2000. Solicitamos essa documentação no Termo de Intimação Fiscal 01, mas não fomos atendidos, dai a redução de lançamentos de diárias deste período. A planilha juntada às fl. 10041309 consigna o resultado obtido desse processo analítico, qual seja, o valor total devido a título de diárias aos motoristas no período do lançamento não atingido pela decadência. Vêse que, para chegar ao valor das diárias devidas aos motoristas na competência da viagem adotouse um método que envolveu a análise qualitativa e quantitativa de diversos lançamentos contábeis, sendo que somente o resultado deste processo foi demonstrado. Com efeito, a planilha citada apresenta valores agrupados, não há demonstração analítica do resultado anunciado, dos valores individuais que compuseram o total das diárias, os lançamentos contábeis originários não estão identificados e não ficou demonstrada a relação entre a data do registro contábil e a competência do lançamento tributário. Entretanto, ao contrário do alegado, esse defeito não atinge o fato gerador do lançamento porque não é suficiente para infirmar quaisquer dos elementos da regra matriz de incidência ou da relação tributária. O fundamento jurídico do lançamento é o pagamento de diárias e está claramente identificado no relatório fiscal e nas informações fiscais que o acompanham, sendo que os documentos juntados aos autos, a priori, não são capazes de provar que se trata de verbas ressarcitórias de despesas de viagem. Existem nos autos recibos de pagamento de arrastamento de caminhão e recibos emitidos por restaurantes, alguns com descrição de pagamento de refeições e outros sem especificação do serviço prestado. Os recibos estão acompanhados dos documentos da empresa chamados de “acertos do motorista”. É a prestação de contas do motorista, onde se registram os débitos, geralmente valor da mercadoria transportada e numerário de adiantamento de viagem, e os créditos, tais como, pagamento da mercadoria, mercadorias devolvidas, numerários devolvidos, despesas de viagem e diárias. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 De acordo com a sistemática adotada pela empresa, os recibos juntados aos autos referemse à prestação de contas de despesas que são ressarcidas pela recorrente e que são controladas nos acertos dos motoristas, onde são identificadas pela rubrica “despesas de viagem”. Essas despesas são controladas nos acertos dos motoristas separadamente das diárias. Com relação às diárias, não há qualquer documento relacionado aos seus valores, podendose afirmar que os gastos vinculados às diárias não estão sujeitos à prestação de contas. As planilhas abaixo demonstram a análise de todos os documentos juntados ao processo, a qual embasa as conclusões aqui expostas: Tabela 1 – Documentos Anexos à Impugnação e Analisados na Informação Fiscal de fl. 778783 (Primeira Informação Fiscal) Motoris ta Acerto do Motorista Recibos Despesas Viagem Despesa Viagem (R$) Diárias (R$) fls Data Valor (R$) fls Descrição Recibo Conclusão Edson Pereira Frades 0,00 159,00 677 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 240,00 681 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 173,00 685 0,00 diárias sem prestação de contas Total 0,00 572,00 0,00 Alexsa ndro Romero de Aguiar 0,00 196,00 692 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 199,00 696 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 177,00 700 0,00 diárias sem prestação de contas Total 0,00 572,00 0,00 Adalber to Jose Rafael 220,00 315,00 706 10/02/2004 50,00 708 arrastamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 07/02/2005 50,00 708 arrastamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 08/02/2005 50,00 708 arrastamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem s/data 70,00 709 n/c diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 220,00 315,00 220,00 Alex Rosa de Lima 0,00 194,00 718 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 167,00 715 0,00 diárias sem prestação de contas 90,00 168,00 721 09/06/2005 15,00 724 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 10/06/2005 15,00 724 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 07/06/2005 15,00 725 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 08/06/2005 15,00 725 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 06/06/2005 15,00 726 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 05/06/2005 15,00 726 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 90,00 529,00 90,00 Juvenil P.Reze nde 108,00 0,00 730 09/03/2005 108,00 731 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 732 10/03/2005 54,00 733 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 734 14/03/2005 72,00 735 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 736 19/03/2005 108,00 737 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 738 19/03/2005 72,00 739 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 740 26/03/2005 72,00 741 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 90,00 0,00 742 31/03/2005 90,00 743 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 744 07/04/2005 108,00 745 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 747 12/04/2005 72,00 747 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 748 15/04/2005 54,00 749 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.478 11 108,00 0,00 750 22/04/2005 108,00 751 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 752 27/04/2005 72,00 753 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 126,00 0,00 754 06/05/2005 126,00 755 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 138,00 0,00 756 12/05/2005 138,00 757 758 refeição/des pesa Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 90,00 0,00 759 19/05/2005 90,00 760 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 761 24/05/2005 54,00 762 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 162,00 0,00 763 06/06/2005 162,00 764 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 765 11/06/2005 108,00 766 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 767 14/06/2005 54,00 768 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 126,00 0,00 769 18/06/2005 126,00 770 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 771 23/06/2005 108,00 772 refeiçao Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) Total 1.956,00 0,00 1.956, 00 Tabela 2 – Documentos Anexos à Informação Fiscal de fl. 778783 (Primeira Informação Fiscal) Motorista Acerto do Motorista Recibos Nº Despesa Viag (R$) Diárias (R$) fls Data Valor (R$) fls Descrição Recibo Conclusão João Severino G Neto 24570 50,00 0,00 802 01/04/2004 50,00 803 despesa com arrasto caminhão Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 26054 120,00 0,00 804 29/04/2004 120,00 805 despesa com arrasto caminhão Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 170,00 0,00 170,00 Luiz Mauro dos Santos 53743 118,00 0,00 806 28/04/2005 108,00 807 6 refeições de R$18,00 Valor de diária conforme doc. Anexo (ver a linha abaixo) 53677 0,00 108,00 808 810 Anexo ao acerto 53743 56672 54,00 0,00 815 18/05/2005 54,00 816 3 despesas (restaurante) Valor de diária conforme doc. Anexo (ver a linha abaixo) 56593 0,00 54,00 817 818 Anexo ao acerto 56672 Total 172,00 162,00 108,00 Luiz Mário de Carvalho 55561 108,00 0,00 811 12/05/2005 108,00 812 refeição Valor de diária conforme doc anexo (ver a linha abaixo) 55554 0,00 108,00 813 814 Anexo ao acerto 55561 Total 108,00 108,00 108,00 Cadimo Duarte Raposo 56513 90,00 0,00 819 18/05/2005 90,00 820 5 despesas (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 58301 90,00 0,00 821 02/06/2005 90,00 822 5 refeições Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 51827 90,00 0,00 823 13/04/2005 90,00 824 5 refeições Valor de diária conforme doc anexo (ver a linha abaixo) 51820 0,00 90,00 825 826 Anexo ao acerto 51827 Total 270,00 90,00 270,00 Rogerio Silva Freitas 35937 15,00 133,00 827 27/09/2004 15,00 828 despesa de transbordo diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 15,00 313,00 15,00 Vladimir Domingos Souza 27769 15,00 104,00 829 31/05/2004 15,00 830 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33254 15,00 98,00 831 18/08/2004 15,00 832 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33969 15,00 99,00 833 29/08/2004 15,00 834 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 31757 15,00 139,00 835 29/07/2004 15,00 836 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33580 15,00 86,00 837 25/08/2004 15,00 838 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25710 30,00 0,00 849 20/04/2004 30,00 850 2 despesas (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 105,00 526,00 105,00 Serapião 29333 30,00 98,00 839 20/06/2004 30,00 840 2 refeições diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Ferreira Leal rubrica despesas de viagem 24904 25,00 0,00 847 10/04/2004 25,00 848 despesa (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 55,00 98,00 55,00 Abadio Almeida Ribeiro 26965 15,00 0,00 841 12/05/2004 15,00 842 despesa (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25336 15,00 0,00 843 14/04/2004 15,00 844 despesa (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 29922 15,00 107,00 845 01/07/2004 15,00 846 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 24904 15,00 113,00 853 14/07/2004 15,00 854 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25710 15,00 97,00 855 04/08/2004 15,00 856 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 35947 15,00 122,00 857 13/10/2004 15,00 858 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33075 15,00 120,00 859 19/08/2004 15,00 860 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 35946 15,00 96,00 861 24/09/2004 15,00 862 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 120,00 655,00 120,00 Alex Rosa de Lima 36856 15,00 186,00 851 11/04/2004 15,00 852 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 15,00 186,00 15,00 O problema levantado pela recorrente é que os valores que integram a rubrica “despesas de viagem” em alguns casos foram contabilizados com o histórico de diárias, de modo que, a fiscalização, ao adotar o critério do histórico da conta contábil, sem analisar os documentos de caixa a eles correspondentes, efetuou o lançamento por presunção. Essa alegação não é capaz de macular a identificação do fato gerador, pois o fato tributário foi extraído da contabilidade da empresa, segundo a classificação por ela adotada, e a contabilidade faz prova contra as sociedades empresariais, conforme estatui o Código Civil, art. 226 e do Código de Processo Civil, art. 378. Código Civil Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Código de Processo Civil Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. A eficácia probatória da contabilidade só pode ser afastada diante de prova contundente do erro cometido, cujo ônus é da recorrente. A recorrente apresentou, por amostragem, os documentos vinculados aos motoristas Adalberto José Rafael, Alex Rosa de Lima e Juvenil Pereira de Rezende (relacionados na Tabela 1 deste voto), a fim de comprovar que sua contabilidade classificou como diárias o que na verdade são ressarcimentos de despesas de viagem de motoristas. Esses documentos foram analisados pela fiscalização na primeira informação fiscal de fl. 778783, conforme consta da Tabela 1 deste voto. A fiscalização identificou despesas de arrasto de caminhão contabilizadas pela empresa com o histórico de diárias, que é o caso do motorista João Severino G. Neto (ver tabela 2 deste voto). Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.479 13 Além disso, a fiscalização afirmou que os recibos contendo despesas com refeições foram ressarcidos pela recorrente quando do acerto de viagens, e que, independente disso, a recorrente pagou diárias sem exigir prestação de contas, conforme ficou demonstrado nas Tabelas 1 e 2 deste voto (ver os casos em que se concluiu pela existência de “diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem”). Mas a fiscalização também analisou alguns documentos de despesas de viagem e concluiu que se tratavam de pagamento dissimulado de diárias. Explicou que o valor das diárias é tabelado, mas identificou casos em que a empresa pagou diárias muito superiores ao que seria devido no mês e que essa situação não foi justificada pela empresa, citando, como exemplo, os pagamentos feitos em 2004 ao motorista Abadio Almeida Ribeiro. Quanto ao motorista Juvenil Pereira de Rezende, constatou que o valor dos recibos de alimentação é muito alto e é múltiplo de dezoito reais, que é o valor tabelado das diárias (ver Tabela 1 deste voto). Observou que isso ocorreu em todos os recibos apresentados pela empresa em 2005, sendo que, em alguns deles, o recibo consigna a quantidade multiplicada por R$ 18,00, citando, como exemplo, o acerto 56672 (ver Tabela 2 deste voto). Identificou acertos de viagens de motoristas que registram despesas de viagem mas o documento a ele anexo trata o mesmo valor como diárias pagas (ver na tabela 2 deste voto os exemplos de valores analisados pela fiscalização como pagamentos de diárias “conforme doc. Anexo”, sendo que o Anexo também está identificado na tabela 2). Entretanto, nem as informações fiscais nem a decisão recorrida deixam claro se no lançamento tributário esses documentos foram considerados despesas ou diárias e, por conseguinte, se esses valores foram excluídos ou não da base de cálculo. Repito que a dificuldade da análise dessa questão, neste foro, decorre da ausência de informação detalhada da composição da base de cálculo. Constatase, entretanto, que os documentos apresentados não desnaturam o fato gerador, ao contrário, o confirmam. De todo o exposto é possível afirmar que o vício apontado alcança somente o documento de formalização do crédito tributário (auto de infração). Tratase, portanto, de vício formal, conforme explica Paulsen1: Vício formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei. A formalização insuficiente dificulta a análise do processo a ponto de inviabilizar o contraditório, cerceando o direito de defesa do sujeito passivo. Constatado o prejuízo, cabe reconhecer a nulidade do ato viciado, conforme preconiza o art. 55 da Lei 9.784/99, contrario sensu: 1 Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Na espécie, o vício atinge somente a parte do lançamento relativa ao pagamento de diárias, devendo ser desconstituído somente o crédito tributário decorrente deste fato gerador. Por fim, é recomendável a realização de lançamento substitutivo. Mérito Por incompatibilidade, deixo de apreciar as questões de mérito do recurso voluntário relacionadas ao lançamento sobre pagamento de diárias. A matéria relativa ao pagamento de comissões aos representantes autônomos não foi contestada no recurso, restando preclusa. Passo à análise das demais matérias. Ajuda de Custo. Natureza. Prova Cabe aqui analisar a natureza jurídica da ajuda de custo paga pela empresa aos supervisores de vendas. A recorrente explica que essa verba é paga aos supervisores de vendas em ressarcimento a despesas inerentes ao trabalho, como quilometragem pelo uso de veículo para fazer frente às despesas com combustível e desgaste do automóvel, ligações telefônicas e despesas de alimentação e hospedagem decorrentes de viagens a serviço, mas deixou de demonstrar, com documentos e demais meios de prova, que os pagamentos tiveram essa finalidade. As parcelas destinadas ao ressarcimento de despesas necessárias à execução do trabalho não integram o salário de contribuição, pois não são pagas em retribuição ao trabalho, mas, para isso, deve ficar comprovada a despesa incorrida. Nessa linha, a Lei 8.212/91, art. 28, § 9o, “s” expressamente prevê que os pagamentos feitos para ressarcir as despesas pelo uso de veiculo do empregado não integram o salário de contribuição, desde que devidamente comprovadas. Art. 28... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.) A alínea “m” do mesmo artigo, invocada pela recorrente, não se aplica à espécie, pois cuida da hipótese de indenização ao empregado nos casos de remoção, ou seja, quando há alteração do local de prestação de serviço previsto no contrato de trabalho sem Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.480 15 mudança de domicílio (caput do artigo 469 da CLT). Diferenciase das viagens a serviço, onde o empregado se desloca para outras localidades sem que haja alteração do seu domicílio nem do contrato de trabalho quanto ao local da prestação do serviço. Art. 28 ..... m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) O artigo 457, § 2o da CLT, também suscitado pela recorrente, realmente exclui do salário a parcela paga pela empresa a título de ajuda de custo. Entretanto, não se aplica à espécie, pois, conforme entendimento de grande parte da doutrina, a ajuda de custo de que trata este dispositivo legal não é a parcela paga para fazer frente a despesas relacionadas ao exercício regular da atividade laboral, mas sim aquela “correspondente a um único pagamento, efetuado em situações excepcionais, em geral para fazer face às despesas de transferência do empregado ocorridas no interesse do empregador” 2. Em suma, não ficou comprovado que os pagamentos feitos a título de ajuda de custo destinamse a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não ficou comprovada a prestação de contas dos gastos realizados. Na falta da prova do caráter ressarcitório das verbas pagas, independentemente de sua denominação, esses valores são considerados remuneração e integram o saláriodecontribuição. Recurso de Ofício. Decadência. Exclusão de pagamentos lançados a título de Diárias O crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera o valor de um milhão de reais, pressuposto do recurso de ofício, cabendo a este Conselho o reexame da decisão, nos termos da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A decisão de primeira instância excluiu do lançamento as contribuições lançadas no período anterior a dezembro de 2000 em aplicação à tese de decadência quinquenal com base no art. 150 § 4o do CTN, por ter constatado, em consulta ao banco de dados de arrecadação da Receita Federal do Brasil (RFB), recolhimentos de contribuições. O período 2 DE BARROS, Alice Monteiro. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Ed. LTR, 2011, p. 636. A autora também afirma que essa é a posição de grande parte da doutrina, como Amauri Mascaro Nascimento (O Salário. São Paulo: LTr, 1996, edição facsimilada, p. 327), Orlando Gomes e Élson Gottschalk (Curso de Direito do Trabalho. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 239 – atualizador: José Augusto Rodrigues Pinto), Arnaldo Sussekind (Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. OP.cit., 1964, vol. II, p. 36), Adriano Capanhole (Prática e Jurisprudência Trabalhistas, 1962, p. 321), Marly Cardone (Viajantes e Pracistas no Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 51) e Délio Maranhão (Direito do Trabalho. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1979, p. 193). Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 atingido pela decadência abrange somente as contribuições lançadas sobre os pagamentos de diárias. Além disso, o acórdão recorrido acatou exclusões de valores da base de cálculo do lançamento relativo às diárias, sugeridas na segunda informação fiscal, fl. 9971003. Enfim, o recurso de ofício tem por objeto a parte do lançamento relativa ao crédito tributário decorrente do pagamento de diárias, a qual está fulminada por nulidade. Portanto, deixo de conhecer do recurso de ofício por perda de objeto. Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, anulando, por vício formal, a parte do lançamento relativa ao crédito tributário decorrente do pagamento de diárias e por não conhecer do recurso de ofício. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.004501/2003-44
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A hipótese ventilada no art. 16 da Portaria SRF nº 3007/2001, além de não implicar em nulidade dos atos praticados, refere-se à impossibilidade de indicação do mesmo Auditor-Fiscal para execução de fiscalização tão somente em casos de extinção do MPF pelo decurso do prazo, com emissão de outro para conclusão de procedimento fiscal anteriormente iniciado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve em consonância com as normas que o regulam.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, ainda que parcial, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4); b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplica-se a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR. MOMENTO.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula CARF nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO.
Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas previstas no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO DO PAF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. PRESCINDIBILIDADE.
Somente é justificável o deferimento de diligências e perícias cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revela-se prescindível a diligência ou a perícia acerca de matéria que poderia ser elucidada pelo próprio contribuinte mediante a juntada dos comprovantes de depósitos realizados em suas contas correntes bancárias.
Pedido de Realização de Diligências e Perícias Indeferido
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de realização de diligências e perícias, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 45.000,00. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A hipótese ventilada no art. 16 da Portaria SRF nº 3007/2001, além de não implicar em nulidade dos atos praticados, referese à impossibilidade de indicação do mesmo AuditorFiscal para execução de fiscalização tão somente em casos de extinção do MPF pelo decurso do prazo, com emissão de outro para conclusão de procedimento fiscal anteriormente iniciado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve em consonância com as normas que o regulam. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, ainda que parcial, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4); b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 01 /2 00 3- 44 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 437 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR. MOMENTO. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO. Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas previstas no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO DO PAF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. PRESCINDIBILIDADE. Somente é justificável o deferimento de diligências e perícias cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revelase prescindível a diligência ou a perícia acerca de matéria que poderia ser elucidada pelo próprio contribuinte mediante a juntada dos comprovantes de depósitos realizados em suas contas correntes bancárias. Pedido de Realização de Diligências e Perícias Indeferido Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de realização de diligências e perícias, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ Fl. 437DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 438 3 45.000,00. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 683.040,32, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificada, em procedimento fiscal instaurado em face do contribuinte, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do “Termo de Verificação Fiscal”, às fls. 104/105 deste processo digital, que: A movimentação financeira informada pelos bancos se mostrou incompatível com os rendimentos do contribuinte, referente ao período de 1998, dada a condição de "OMISSO" em que o mesmo se encontrava em relação à sua Declaração de Imposto de Renda de 1999 — DIRPF/99. Em atendimento à intimação constante do Termo de Início de Fiscalização, de 18/06/03, o contribuinte apresentou extratos de 1998 dos seguintes bancos: Banco Itaú S/A e Banco do Estado de São Paulo S/A. Mediante os extratos apresentados apurouse, em ambas as instituições financeiras, um total de R$ 980.285,05 de depósitos efetuados em 1998, sendo que, deste total, R$ 136.313,78 se referem a soma de depósitos individuais iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 e R$ 843.971,27 se referem a soma de depósitos individuais superiores a R$ 12.000,00. O contribuinte foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos bancários efetuados em seu nome. No entanto, até a presente data, em que pese o suficiente prazo concedido, além dos dias excedentes, o mesmo não apresentou nenhum documento de forma a atender as exigências solicitadas. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 439 4 Assim, foi considerada como omissão de rendimentos a totalidade dos depósitos efetuados em 1998, no valor de R$ 980.285,05, cujas fontes de recursos não foram comprovadas, razão pela qual, em obediência ao art. 42 da Lei 9.430/96, foi submetido à tributação mediante a lavratura do competente Auto de Infração. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 115/120. O lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 199/208, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF Com o advento da Lei n° 10.174/2001, resguardado o sigilo na forma da legislação aplicável, é legítima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da referida Lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. DESCABIMENTO. Não tendo o contribuinte cumprido a incumbência de trazer aos autos, tanto durante a fiscalização quanto na impugnação, documentos e esclarecimentos que tivessem o condão de elidir a tributação em questão, é de se indeferir a solicitação do pedido de diligência/perícia com o intuito de suprir a ausência de provas que o contribuinte já poderia ter juntado à impugnação. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/07/2008 (fl. 216), o Interessado interpôs, em 13/08/2008, o recurso de fls. 220/253, acompanhado do “Rol de Diligências e Perícias” de fls. 254/257 e dos documentos de fls. 258/432. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Preliminarmente Decadência Foi cientificado do lançamento em 11/12/2003. O fato gerador aconteceu no ano de 1998. O prazo decadencial de 05 (cinco) anos findouse em 31/12/2002. Portanto, a Autoridade administrativa perdeu o direito de cobrar do contribuinte qualquer imposto relativo ao ano de 1998. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 440 5 Em consonância com o § 4º do art. 150 do CTN, o crédito tributário deve ser exigido somente até 05 (cinco) anos da data do fato gerador. Assim, o contribuinte, ora Recorrente, não pode ser acionado nem cobrado pela Autoridade administrativa, pois está extinto o crédito em face da decadência ocorrida, conforme entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. No caso de não ser acolhida a decadência na forma mencionada acima, deve ser aplicada ao caso em tela a decadência mensal, conforme decisão dada no processo n° 10510.003107/200526, Acórdão 10422.439, Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Portanto, o Recorrente requer que seja aplicada a decadência mensal nos últimos 05 (cinco) anos contados da data do lançamento de ofício, ou seja, de 11/12/2003. Logo a apuração deverá abranger apenas o período de 12/12/1998 a 31/12/1998. Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal Contra o Recorrente foi aberto o MPF n° 0813400 2001 00773 4, em nome do AuditorFiscal da Receita Federal Sr. Milton Hirotsugu Inoue, tendo sido extinto pelo decurso do prazo de validade. Porém, foi reaberto outro MPF n° 08.1.90.0020030097251 em nome do mesmo Auditor, em total desrespeito ao disposto no parágrafo único do artigo 16 da Portaria SRF n° 3007, de 26/11/2001. O artigo 7º da mesma Portaria exige forma e requisitos específicos que deverão conter no MPF e que não foram cumpridos, quais sejam: o prazo de duração do MPF, o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRF responsável pela execução do mandado; o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; o código de acesso à internet que permitiria ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF, tudo em total afronta aos incisos IV, VI, VII e VIII do referido artigo. O Contribuinte não tomou ciência no Termo de Início de Fiscalização, fl. 43, onde se solicitava a apresentação de documentos e a comprovação de origem de recursos, pois o local para tanto está em branco. Cerceamento de defesa Com a falta de orientação do AuditorFiscal no sentido de cumprir a determinação prevista no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, o Recorrente deixou de apresentar as exigências do decreto, juntando apenas os extratos bancários e os contratos das empresas, apesar de constarem nos contratos todas as informações, nomes e endereços que facilitariam a realização das diligências. Assim, sem a comunicação da negativa da diligência, o Recorrente não teve como buscar por meios próprios a obtenção dos comprovantes de depósitos que estão em poder das empresas. As instituições financeiras seguem as normas constitucionais e possuem procedimentos internos que não permitem a quebra de sigilo ou a violação de informações que transcendam às do próprio correntista, motivo pelo qual o contribuinte requereu as diligências, pois estas seriam requisitadas pela autoridade administrativa e não seriam negadas, comprovando a origem dos créditos também através das perícias solicitadas. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 441 6 Portanto, o Recorrente teve cerceado o seu direito de defesa, pois não foi comunicado que as diligências não seriam realizadas e, desta forma, ficou impedido de providenciar os referidos comprovantes para instruir sua impugnação, que seriam requeridos perante as instituições financeiras e também perante as empresas através da via judicial. Em nenhum momento foi dada oportunidade ao contribuinte para que recebesse por escrito a informação objetiva e correta sobre o que estava sendo fiscalizado e de que forma poderia provar ao Fisco as suas razões. Em nenhum dos Termos de Inicio de Fiscalização ou MPF Complementares existe a assinatura do Contribuinte. Apenas tomou ciência e assinou o termo de comparecimento e retenção de documentos. Mérito Exclusão dos valores de origem comprovada de aplicações/resgates de mesma titularidade e dos valores com retenção na fonte Conforme Planilha de Conferência de Depósitos de fls. 95 à 101, verificamos que o AuditorFiscal deixou de excluir os seguintes valores de origem comprovada: a) o total de R$ 165.200,00 são valores depositados pela Empresa Meta Telecomunicações Ltda., pertencente ao Recorrente e seu sócio Roberto Almada, conforme prova o contrato de fls. 132/134, e devem ser excluídos, pois são de origem comprovada, cuja identificação é feita pelo n° da Conta Corrente da Meta, ou seja, agência 0715, conta n° 38502 7. b) o total de R$ 45.000,00 são valores depositados pela Empresa Sul América Seguros, para ressarcir o Recorrente pelo roubo de seu veiculo, sinistro n° 2114478, conforme faz prova os documentos juntados neste ato com o presente recurso (docs.04/05), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor. c) o total de R$ 13.730,00 são valores depositados pela Empresa Peg Ligue Classificados S/C Ltda., pertencente ao sócio do Recorrente, o Sr. Roberto Almada, conforme faz prova os contratos juntados neste ato com o presente recurso (docs.06/10D), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, ou seja, conta da Peg Ligue, agência 0189, conta n° 393895. d) o total de R$ 2.500,00 são valores depositados pelo sócio do Recorrente o Sr. Roberto Almada, conforme documento juntado neste ato (docs.11/14), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, ou seja, conta do Sr. Roberto Almada, agência 0715, conta n° 384657. e) o total de R$ 5.299,77 são valores depositados pela Empresa Fort House Administradora de Condomínios, que repassava os valores referentes à locação de imóvel e telefone pertencentes ao Recorrente, conforme faz prova os documentos juntados neste ato com o presente recurso (docs. 15/24), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, ou seja, conta da Fort House, agência 1000, conta n° 606937 (esclarece que as iniciais FH constantes no histórico é de Fort House). f) o total de R$ 5.000,00 são valores depositados pelo Dr. Paulo Octaviano D. Junqueira Neto, advogado contratado pelo Recorrente, que repassou o valor recebido em juízo, Fl. 441DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 442 7 conforme faz a prova os documentos juntados neste ato (docs.25/26), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, ou seja, conta do Sr. Paulo Octaviano, agência 0735, conta n° 084907. g) o total de R$ 5.000,00 são valores depositados pela inquilina Márcia Regina Delphino, referente a pagamento de aluguel ao Recorrente, conforme faz prova os contratos juntados neste ato (docs.27/31), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, conta corrente da Márcia, agência 0072, conta 17221 6. h) o total de R$ 1.000,00 são valores depositados pelo Sr. Rogério De Marchi Galante, sobrinho do Recorrente, filho de sua irmã Maria Rosa De Marchi, dai o MR no depósito, conforme pesquisa realizada na Agência do Recorrente, onde a gerente informou que a conta estava encerrada e o titular da conta é Sr. Rogério De Marchi Galante, agência 2552, conta n° 031953. i) o total de R$ 678.425,74 são valores depositados através de cheques e que serão comprovados pelo Recorrente, que não o fez até a presente data em virtude da negativa da diligência e perícia em razão da falta de informação por parte do Auditor que não explicou corretamente como deveria ser feito o pedido de diligência. Portanto, o Recorrente juntou apenas os extratos a pedido do Auditor e contratos na impugnação, motivo pelo qual pede em liminar a devolução do prazo para juntada dos comprovantes, pois não teve as informações corretas e confiou nas diligências a serem realizadas pela autoridade administrativa, para, ao final, excluir os valores que lista na peça recursal. O Recorrente requer a exclusão dos valores acima comprovados nos itens "a" até "h" e a determinação de devolução do prazo para comprovar a origem dos valores discriminados na letra "i". Após a verificação final, existindo a remota possibilidade de ter que pagar os valores apurados pelo Auto de Infração, requer o Recorrente que seja abatido o valor de R$ 27.847,06 já retidos na fonte no ano de 1998, conforme valores discriminados no "Dossiê de Contribuinte Siga PF", às fls. 19/22. Inconstitucionalidade A autoridade administrativa afirma não ter competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis, portanto deixou de aplicar o disposto no art. 5°, V, XII da Constituição Federal, que não permite a violação à intimidade, a vida privada, sigilo da correspondência e de dados, de todo cidadão e em especial do contribuinte que teve o sigilo bancário quebrado, sem que houvesse uma ordem judicial ou mesmo um Mandado de Procedimento Fiscal MPF aberto. Quebra de sigilo bancário A investigação pode e deve ocorrer através do levantamento da movimentação bancária, pela CPMF, das situações em que já houver Mandado de Procedimento Fiscal em curso. Portanto, para dar continuidade e conclusão ao mesmo, mas nunca o inverso, ou seja, aproveitarse de informações bancárias sem nenhum Mandado de Procedimento Fiscal, para que se possa propiciar um procedimento investigatório, sob pena não Fl. 442DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 443 8 só da ilegalidade de tal ato, como também de desrespeito ao princípio da motivação dos atos administrativos, da segurança jurídica e da liberdade democrática. Diligências e Perícias O Recorrente teve seu pedido de diligência e perícia negado pela 2ª Turma da DRJ/STM. Ocorre que o Recorrente em momento algum foi orientado pelo Auditor que deveria apresentar os requisitos previstos no inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, muito menos sabia da existência dos mesmos. O Recorrente cumpriu todas as solicitações e determinações feitas pelo Auditor, tanto que juntou todos os extratos bancários solicitados, justificando a origem dos depósitos na confiança de que estava cumprindo integralmente todas as exigências para comprovação da origem dos créditos. Esclarece o Recorrente que interpôs a impugnação juntando à mesma os contratos de sua empresa e das empresas que efetuaram os créditos em sua conta, agindo, mais uma vez, na confiança de que estaria comprovando a origem dos depósitos, pois com tais documentos seria possível a realização das diligências para a comprovação individual dos depósitos, colocando desta forma um ponto final na discussão sobre a origem dos referidos créditos. Ocorre que, mais uma vez por falta de orientação do Auditor, o Recorrente não apresentou na sua impugnação os requisitos exigidos para realização das diligências, caindo por terra todos os seus esforços de juntar os contratos para comprovação da origem dos créditos com a realização da diligência/perícia em seus extratos e contratos. Informa o Recorrente que tem todo o interesse em solucionar todas e quaisquer dúvidas da autoridade administrativa, tanto é que todas as exigências feitas pelo Auditor foram cumpridas. Para não ocorrer mais nenhum prejuízo ao Recorrente junta, ao presente recurso, documentos que comprovam a origem dos créditos e pede a devolução do prazo para apresentar a microfilmagem/listagem dos depósitos efetuados em suas contas. Equiparação da pessoa física a pessoa jurídica O Recorrente exercia sua atividade de prestador de serviços de telecomunicações como pessoa jurídica de fato e com a utilização de sua conta pessoal de pessoa física, tendo em vista a urgência dos contratos celebrados com as empresas do Rio de Janeiro, pois residia e trabalhava em São Paulo na época. Em seguida, constituiu a empresa Meta Telecomunicações Ltda., com a qual exerceu as mesmas atividades. Solicita mais uma vez diligências junto às empresas citadas e ao final relacionadas para comprovar a origem dos créditos, haja vista que na contabilidade das mesmas deverão constar os pagamentos efetuados ao Recorrente, bem como os recolhimentos do Imposto de Renda na fonte que as mesmas deverão comprovar em seus livros e documentos, pois são de responsabilidade fiscal delas. Solicita, também, diligências e perícias junto às agências do Banco Itaú e do Banespa, atual Santander, ao final relacionadas no rol de diligências e perícias, para comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas correntes através da microfilmagem dos documentos de crédito. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 444 9 Já foram solicitadas aos bancos as microfilmagens dos documentos que deram origem aos créditos, decorrendo daí a necessidade de prazo para o direito de ampla defesa, corno também a necessidade de diligências e perícias para que possam garantilos e comproválos. Depósitos bancários O Auditor poderia, desde o início, ter pedido ao Recorrente que apresentasse os documentos que comprovassem a origem dos depósitos, demonstrando naquela etapa de apuração a origem dos depósitos de forma individual com os nomes dos depositantes, evitando assim a burocracia absurda de fazer com que o Recorrente viesse a apresentar impugnação e agora o presente recurso. Diante do exposto, não se pode falar que o Recorrente deixou de apresentar os comprovantes de depósitos, ou mesmo os requisitos da diligência para comprovar a origem individual dos mesmos, pois em momento algum o Auditor solicitou tais documentos, sendo certo que o Recorrente somente tomou conhecimento de todas as exigências após a decisão de primeira instância. Pedidos Solicita seja recebido e provido o presente recurso em suas preliminares. Caso contrário, que seja recebido e provido no mérito para serem excluídos os valores comprovados e devolvidos, bem como sejam descontados os valores já retidos na fonte. Solicita, também, que sejam realizadas todas as diligências e perícias necessárias à comprovação da origem dos créditos e para que sejam determinados os verdadeiros responsáveis pelos mesmos, com diligências e quesitos para perícia relacionados ao final deste. Pede, por fim, que seja designado o perito contábil ao final qualificado e com respectivo endereço para a realização das perícias que se fizerem necessárias. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Analiso, inicialmente, as preliminares suscitadas pelo Recorrente. PRELIMINARES Decadência do direito do Fisco em constituir o presente crédito tributário Fl. 444DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 445 10 Observo, por primeiro, que a Súmula CARF nº 38 dispôs sobre o momento da ocorrência do fato gerador do imposto de renda nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários com origem não comprovada, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Por outro lado, já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na espécie, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e decorre da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Houve retenção de imposto de renda na fonte durante o anocalendário de 1998, conforme comprova o “Dossiê de Contribuinte SIGA PF” acostado aos autos em fls. 38/44. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 150, § 4º, do CTN, cujo termo a quo é a data da ocorrência do fato gerador (31/12/1998). A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 108, revela que o mesmo foi lavrado em 04/12/2003 e que o Interessado foi cientificado do lançamento, pessoalmente, em 11/12/2003. Logo, não ocorreu a decadência do direito de o Fisco constituir o presente crédito tributário, porquanto o termo final do lustro decadencial se deu em 31/12/2003. Mandado de Procedimento Fiscal Alega o Recorrente que MPF n° 0813400 2001 00773 4, aberto em nome do AuditorFiscal da Receita Federal Milton Hirotsugu Inoue, foi extinto pelo decurso do prazo de validade. Porém, foi reaberto outro MPF n° 08.1.90.0020030097251 em nome do mesmo Auditor, em total desrespeito ao disposto no parágrafo único do artigo 16 da Portaria SRF n° 3007, de 26/11/2001. Ressalto, inicialmente, que o primeiro MPF emitido não foi o de nº 08.1.90.0020030097251 (fl. 2), como quer fazer crer o Interessado, mas sim o MPF nº 08.1.90.002003009725, datado de 11/03/2003 (fl. 14), cujos Auditores designados foram Roberto Jorge Salama e Márcio Ruiz. Somente após a emissão deste MPF é que foi emitido o MPF Complementar nº 08.1.90.0020030097251 (fl. 2), por intermédio do qual houve a substituição do Auditor anteriormente indicado, Márcio Ruiz, pelo Auditor que concluiu a Fiscalização, Milton Hirotsugu Inoue. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 446 11 Registro, também, por oportuno, que a hipótese ventilada no art. 16 da Portaria SRF nº 3007/2001, além de não implicar em nulidade dos atos praticados, referese à impossibilidade de indicação do mesmo AuditorFiscal para execução de fiscalização tão somente em casos de extinção do MPF pelo decurso do prazo, com emissão de outro para conclusão de procedimento fiscal anteriormente iniciado, não se aplicando aos casos de emissão de um segundo MPF sem que a fiscalização que seria instaurada pelo primeiro tenha sequer se iniciado, como soe acontecer no presente caso. Confira a redação do dispositivo: Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13; Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. No caso concreto, a instauração do procedimento fiscal por intermédio do MPF n° 0813400 2001 00773 4, emitido em 26/03/2001 (fl. 5), não chegou a se consumar, haja vista que o “Termo de Início de Fiscalização”, emitido em 11/04/2001 (fl. 34), não surtiu os efeitos lhe são próprios (abertura do procedimento fiscal), pois não foi recebido pelo contribuinte, conforme atesta o “Termo de Constatação Fiscal” de fl. 33 (“contribuinte mudou se”). A segunda tentativa de cientificar o contribuinte do “Termo de Início de Fiscalização” emitido em 11/04/2001 também foi infrutífera, consoante “Termo de Constatação Fiscal” de fl. 35, no qual está escrito: “Dona Maria Izabel da Costa Torres, moradora do endereço acima, afirma ter adquirido a casa há mais ou menos 03 (três) anos e desde então reside na mesma. Afirma não ter comprado a casa do contribuinte acima e diz que não o conhece”. O início do procedimento fiscal somente veio a ocorrer por intermédio do “Termo de Início de Fiscalização” de fl. 45, emitido em 18/06/2003 e enviado ao contribuinte juntamente com o MPF nº 08.1.90.0020030097251, conforme atesta o aviso de recebimento de fl. 46, também datado de 18/06/2003. Após o início do procedimento fiscal o Interessado compareceu a então Secretaria da Receita Federal – SRF e apresentou os extratos bancários solicitados pela Fiscalização, consoante “Termo de Comparecimento e Retenção de Documentos” de fl. 47, datado de 10/09/2003, vindo, a partir daí, a fluir normalmente o curso do procedimento fiscal. Em resumo: inaplicável, à espécie, o art. 16 da Portaria SRF nº 3007/2001, porquanto não houve extinção de MPF por decurso de prazo. O que ocorreu foi a emissão de um segundo MPF em 2003 para instauração de outro procedimento fiscal, uma vez que o procedimento fiscal anterior, que seria instaurado pelo MPF emitido em 2001, sequer se iniciou. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 447 12 Aduz o Recorrente, também, ainda em relação ao MPF, que os requisitos do art. 7º da Portaria SRF nº 3007/2001 não foram cumpridos. Segundo o Interessado não constou do MPF o seu prazo de duração, o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRF responsável pela execução do mandado, o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato e o código de acesso à internet que permitiria ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF. Sem razão o Recorrente. É que, conforme observado acima, o MPF que instaurou o procedimento fiscal não foi o de nº 08.1.90.0020030097251 (MPF Complementar, à fl. 2), mas sim o MPF nº 08.1.90.002003009725, emitido em 11/03/2003, à fl. 14. Todos os requisitos citados pelo Recorrente encontramse no MPF de fl. 14, de modo que também esta alegação deve ser afastada. Anoto, por fim, apenas a título de argumentação, que as normas que regulamentam o MPF são normas interna corporis, o que significa dizer que eventuais vícios na sua emissão e execução, acaso existentes, só maculam o lançamento se houver prejuízo ao contribuinte, o que não ocorreu na hipótese vertente. Cerceamento de defesa Sustenta o Interessado que em virtude da falta de orientação do Auditor Fiscal não mencionou, na impugnação, as exigências previstas no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, juntando apenas os extratos bancários e os contratos das empresas que continham as informações, nomes e endereços que facilitariam a realização das diligências. O dispositivo legal citado pelo Recorrente determina que o contribuinte mencione, na peça impugnatória, as diligências ou perícias que pretende sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. À evidência, a Autoridade fiscal não está obrigada a informar ao contribuinte aquilo que já está previsto legalmente, haja vista que “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, art. 3º). Assim, não merece acolhida a tentativa do Recorrente de transferir à Fiscalização o ônus que lhe cabia de, no momento oportuno, indicar os requisitos legais necessários à realização das diligências ou perícias. Afirma o Interessado, ademais, que em nenhum momento lhe foi dada a oportunidade para que recebesse por escrito a informação objetiva e correta sobre o que estava sendo fiscalizado e de que forma poderia provar ao Fisco as suas razões. Segundo o Recorrente, em nenhum dos Termos de Inicio de Fiscalização ou MPF Complementares existe a sua assinatura. O “Termo de Início de Fiscalização” de fl. 45, emitido em 18/06/2003, enviado ao contribuinte juntamente com o MPF nº 08.1.90.0020030097251 (aviso de recebimento à fl. 46) e o Termo de Intimação Fiscal de fls. 96/103, datado de 21/10/2003 e recebido pessoalmente pelo Recorrente na mesma data, evidenciam que as afirmações do Interessado estão em descompasso com a realidade. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 448 13 Portanto, a insurgência do Recorrente se mostra inverossímil por duas razões: a uma, por ter sido devidamente intimado a apresentar os extratos bancários e a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados; a duas, porque, mesmo após a intimação, o Interessado se manteve inerte, não se desincumbindo de fazer prova da origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Assim, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve em consonância com as normas que o regulam. Sigilo bancário A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que, inclusive, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a Autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de crédito tributário anterior à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543 C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 449 14 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 450 15 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 451 16 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. MÉRITO Depósitos bancários com origem não comprovada Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 452 17 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Assim, o deslinde da controvérsia passa, necessariamente, pelo entendimento do que seja comprovar “a origem dos recursos utilizados nessas operações”, condição necessária para desfazer a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. A Fiscalização, em regra, interpreta o vocábulo “origem” de maneira abrangente, entendendo que a origem abarca a necessidade de se comprovar também a causa ou motivação da operação, sendo irrelevante o aspecto temporal da comprovação. Assim, seja na fase anterior à autuação, seja na fase do contencioso administrativo, não bastaria comprovar a mera origem dos depósitos bancários, com informação de quem seria o depositante e a motivação abstrata do depósito, mas seria necessário, ainda, comprovar, documentalmente, tanto quem fez o depósito bancário, quanto a motivação da operação, para então ser afastada a presunção legal. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF vem entendendo, no entanto, que na fase do procedimento fiscal, antes da constituição do crédito tributário, basta a comprovação da origem dos depósitos bancários, sem necessidade de comprovação da motivação da operação. Nessa linha de raciocínio, caberia à Autoridade fiscal, após a comprovação da origem dos depósitos bancários, submeter os valores depositados às normas de tributação específicas, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 (Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos). Nesse sentido, o seguinte precedente: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/1996. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei n° Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 453 18 9.430, de 1996, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. (Acórdão nº 2202002.199 da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 21 de fevereiro de 2013). Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente seria elidida se ele comprovasse, também, que os valores não eram tributáveis. Em outras palavras: transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, os contribuintes deveriam sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderia ser afastada se o contribuinte comprovasse, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Nesse sentido, o seguinte precedente: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES INEXISTÊNCIA – HIGIDEZ DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA PELOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caso o contribuinte faça a prova da origem dos depósitos após a fase da autuação, ou seja, na impugnação ou no recurso voluntário, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 10617.093, da extinta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 8 de outubro de 2008). A razão deste entendimento é óbvia: a possibilidade de comprovação exclusiva da origem na fase contenciosa tornaria inócua a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. É que os contribuintes esperariam a autuação e, em sede de contencioso administrativo, afastariam a presunção de omissão de rendimentos tão somente com a comprovação da origem dos depósitos, sem a necessidade de se comprovar que os rendimentos estariam fora do campo da tributação. Penso ser mais razoável o entendimento esposado pela jurisprudência administrativa, em detrimento do entendimento ainda prevalente na Fiscalização da RFB. Assim, comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas específicas de tributação, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 454 19 autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. No caso concreto, o Interessado foi intimado, no curso do procedimento fiscal, a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, mas quedou se inerte, vindo a colacionar aos autos, à época da impugnação, contratos de prestação de serviços firmados com empresas de telecomunicação (fls. 121/195) que, a meu ver, não comprovam os depósitos efetuados em suas contas bancárias e nem revelam a natureza dos valores depositados (se tributáveis ou não). Nesta sede, o Interessado pleiteia a exclusão de valores que entende que foram comprovados, indicandoos na peça recursal (fls. 233/239), e anexa os documentos de fls. 258/432. Observo, no entanto, que em relação à presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada não basta a indicação dos valores desacompanhada de prova material (materializada em documentos) que lhes dê sustentação. Uma verificação percuciente do acervo documental carreado aos autos evidencia que apenas o documento de fl. 262 é hábil a comprovar a origem de um depósito, no valor de R$ 45.000,00, efetuado em 12/03/1998 em uma das contas do Recorrente. Tal documento demonstra que o Interessado foi ressarcido pelo roubo de um veículo pela empresa Sul América Seguros. Por se tratar de verba destinada a recompor o patrimônio do contribuinte, revelase como verba não tributável, devendo ser excluída da base de cálculo do lançamento. Em relação ao restante dos valores depositados nas contas correntes do Interessado não houve, em meu entendimento, a juntada ao recurso de nenhuma prova material hábil e idônea suficiente à comprovação da origem dos recursos, tampouco de que tais recursos estão fora do campo de tributação. Assim, na completa ausência de prova material da origem dos recursos, com exceção do comprovante de pagamento de sinistro no valor de R$ 45.000,00, é razoável presumir que os valores creditados nas contas bancárias configuram renda, na medida em que o fato descrito na norma que contém a presunção (depósito sem origem) é relevante, enquanto hábil a revelar a capacidade contributiva relacionada com o fato previsto na norma que cria a obrigação tributária principal (renda). Ressalto, ainda, por importante, que o lançamento, além de encontrar base legal no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, o que autoriza a sua lavratura com fulcro no art. 149, I, do Código Tributário Nacional CTN, não está amparado unicamente na existência dos depósitos, mas sim na ausência de elucidação, por parte do contribuinte, acerca da origem dos valores depositados, a autorizar a sua caracterização como receitas ou rendimentos omitidos. Assim, o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si mesmos considerados, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles. Dessa forma, diante da não demonstração da origem dos valores depositados em contas de sua titularidade, bem como da ausência de qualquer início de prova material que fundamente a explicação para o significativo volume de recursos que transitaram na conta corrente do Interessado no período (exceto o comprovante de pagamento de sinistro no valor de R$ 45.000,00), mostrase legítima a tributação dos valores como se rendimentos omitidos fossem, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 455 20 Valores retidos na fonte discriminados no "Dossiê de Contribuinte Siga PF" O Recorrente requer seja abatido o valor de R$ 27.847,06 já retidos na fonte no ano de 1998, conforme valores discriminados no "Dossiê de Contribuinte Siga PF". A quase totalidade dos valores retidos na fonte, constantes do “Dossiê de Contribuinte Siga PF” (fls. 22/24), referemse à tributação exclusiva na fonte, decorrentes de aplicações financeiras, que não se sujeitam ao ajuste anual. Os demais são relativos a “juros sobre o capital próprio”, em valores irrisórios, mas que não foram lançados na declaração de ajuste anual porque o Interessado não apresentou declaração no anocalendário de 1998. Nesse contexto, entendo que descabe o abatimento pretendido. Equiparação da pessoa física a pessoa jurídica Aduz o Recorrente que exercia sua atividade de prestador de serviços de telecomunicações como pessoa jurídica de fato e com a utilização de sua conta pessoal de pessoa física. Os documentos carreados aos autos, no entanto, não permitem concluir que os depósitos efetuados na conta corrente pessoal do Interessado sejam oriundos da prestação de serviços pela suposta pessoa jurídica de fato. Demais disso, para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 a comprovação da origem dos depósitos há de ser individualizada, de forma que tal alegação não tem o condão de elidir o procedimento fiscal. Apreciação de inconstitucionalidade no âmbito do PAF Sobre este ponto, transcrevo a Súmula CARF nº 2, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diligências e Perícias Somente é justificável o deferimento de diligências e perícias cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revelase prescindível a diligência ou a perícia acerca de matéria que poderia ser elucidada pelo próprio contribuinte mediante a juntada dos comprovantes de depósitos realizados em suas contas correntes bancárias. Assim, sou pelo indeferimento do pedido de realização de diligências e perícias formulado pelo Recorrente, adotando, como razão para o indeferimento, os seguintes fundamentos articulados na decisão de piso: Por outro lado, a realização de diligências pressupõe que o fato a ser provado necessite de comprovantes hábeis e/ou esclarecimentos adicionais que, por algum motivo justificável, não foi possível ao contribuinte fazêlo quando da apresentação de sua impugnação, fato este que não se aplica à presente situação. Em se tratando de contas bancárias de titularidade do próprio contribuinte não se vislumbra qualquer óbice a que ele Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 456 21 diretamente solicitasse às instituições financeiras cópias de documentos relativos à sua movimentação bancária. Nas autuações com base em depósitos bancários de origem não comprovada o ônus da prova é do próprio contribuinte. Não é lícito obrigarse o Fisco a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia. Cabe, ainda, esclarecer que a realização de perícia destinase, precipuamente, a esclarecer ponto controvertido ou questão técnica levantada no processo fiscal, esclarecimento este que necessita ser dado por especialista, detentor de reconhecido saber, habilidade e experiência. Não é o que ocorre na presente situação. A prova do fato aqui alegado claramente não depende de conhecimento específico de técnico especialista para ser produzida. O próprio impugnante poderia durante o procedimento de fiscalização ter apresentado todos os seus esclarecimentos e documentos ao fiscal autuante em atendimento às intimações feitas, notadamente em relação à origem dos recursos depositados em suas contas bancárias no período em questão. É inadmissível que as diligências e perícias possam ser utilizadas para suprir a ausência de provas que a parte já poderia ter juntado à impugnação ou para, por via indireta, reabrir a ação fiscal. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar o pedido de realização de diligências e perícias, por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 45.000,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10314.013990/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
LEGITIMIDADE PASSIVA
Subsume-se à regra legal da responsabilidade solidária, devendo, pois, ser inserida na relação jurídico-tributária, o real adquirente de mercadorias importadas, por se encontrar vinculado ao fato jurídico tributário.
DIREITO DE DEFESA AO VALOR ADUANEIRO APURADO. INEXISTÊNCIA OFENSA AO ART 148 DO CTN.
O momento para apresentação da contestação aos fatos, valores aduaneiros levantados e lançamento efetuados é na impugnação, pois é por meio desta que se instaura a fase litigiosa do procedimento.
SUBFATURAMENTO. VALORAÇÃO ADUANEIRA
Constatada a existência de fraude e de subfaturamento, o valor aduaneiro declarado pelo importador pode ser desconsiderado pela fiscalização, e o valor real praticado pode ser apurado mediante o emprego das regras sobre a valoração aduaneira do GATT/1994.
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS
As provas coletadas na Operação Dilúvio e carreada aos autos demonstram que as operações de importação registradas pelo GRUPO MAM, independente da forma como foram declaradas, caracterizam-se como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem de terceiros, com a ocultação dos reais adquirentes.
PENALIDADES. CONFISCO. OFENSA PRINCÍPIOS PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE
A instância administrativa de Julgamento não possui competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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DIREITO DE DEFESA AO VALOR ADUANEIRO APURADO. INEXISTÊNCIA OFENSA AO ART 148 DO CTN. O momento para apresentação da contestação aos fatos, valores aduaneiros levantados e lançamento efetuados é na impugnação, pois é por meio desta que se instaura a fase litigiosa do procedimento. SUBFATURAMENTO. VALORAÇÃO ADUANEIRA Constatada a existência de fraude e de subfaturamento, o valor aduaneiro declarado pelo importador pode ser desconsiderado pela fiscalização, e o valor real praticado pode ser apurado mediante o emprego das regras sobre a valoração aduaneira do GATT/1994. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS As provas coletadas na Operação Dilúvio e carreada aos autos demonstram que as operações de importação registradas pelo GRUPO MAM, independente da forma como foram declaradas, caracterizamse como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem de terceiros, com a ocultação dos reais adquirentes. PENALIDADES. CONFISCO. OFENSA PRINCÍPIOS PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE A instância administrativa de Julgamento não possui competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 39 90 /2 00 8- 21 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 936 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA, CNPJ 74.514.928/000120. O recurso voluntário visa desconstituir a decisão proferida em 15 de dezembro de 2011 pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, por meio do Acórdão nº 1756.227 1ª Turma da DRJ/SP2, cujos membros, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/01/2004 Pena de perdimento. Mercadorias não encontradas. Incidência da multa proporcional ao valor aduaneiro. O lançamento ocorreu dentro do prazo regulamentar, não estando eivado pela decadência. Foi demonstrado a conveniência do modus operandi descrito à empresa que deve figurar no pólo passivo da presente autuação. O real valor aduaneiro de transação foi apurado pela fiscalização, cabendo a empresa autuada suportas os efeitos previstos na Lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Fl. 936DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 937 3 Na origem, tratamse de autos de infração, lavrados em 02/12/2008, em face do sujeito passivo em epígrafe e de outros abaixo identificados, para formalização de exigência do Imposto de Importação (efls. 32/49); Imposto sobre Produtos Industrializados (efls. 50/67), contribuições da Cofins –Importação (efls. 68/79) e PIS – Importação ( efls. 80/91), todos apurados sobre diferenças de valores de mercadorias importadas decorrentes de apontada ocorrência de subfaturamento, acrescidos de juros de mora e multa qualificada, além de Lançamentos da Multa do Controle Administrativo das Importações, conforme inciso I do art. 633 do Decreto nº 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro) e da multa conforme art. 631 do Decreto no 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro) aplicada em virtude de o produto estrangeiro em situação irregular ter sido entregue a consumo e incidente sobre o valor comercial das mercadorias, no Auto do IPI. Ainda foram identificados como sujeitos passivos as empresas: OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA, CNPJ nº 01.184.974/0001 35.(contribuinte) MEGA COMERCIO IMP. E EXP. LTDA, CNPJ nº 68.428.275/0001 64.(responsável solidário) LANSARET COM. DE INFORMATICA, CNPJ nº 05.540.292/000179. .(responsável solidário) Do Relatório Fiscal de efls. 92/169, parte integrante dos Autos de Infração, extraise que os presentes autos de infração têm origem na denominada “Operação Dilúvio” deflagrada pela Policia Federal e Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, no Estado do Paraná, na qual foram constatadas diversas irregularidades e esquemas fraudulentos operacionalizados através das empresas controladas por Marco Antonio Mansur, chamado de grupo MAM, as quais prestavam serviços de importações para diversas empresas do Brasil, inclusive para a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA , ora recorrente. Em razão disto, foi realizado procedimento fiscal na empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA para verificar a regularidade das operações de importação realizadas pelas empresas relacionadas no relatório de auditoria, tendo ao final sido informada pela fiscalização a participação da mesma como sendo a real adquirente das mercadorias importadas nas Declarações de Importações DI relacionadas nos autos. Menciona o Auditor Fiscal que a OPERAÇÃO DILÚVIO consistiu de um conjunto de procedimentos adotados pela Policia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias sob controle de MARCO ANTONIO MANSUR. Segundo afirma, tratase de um conjunto de empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interposta pessoas que atuavam, de forma dissimulada, como importadores ou como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais adquirentes destas mercadorias, estes sim, reais importadores que adquiriam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como importadores, tampouco como adquirentes, perante os controles administrativos e aduaneiros. Afirma ainda que, além da ocultação dos reais adquirentes, as empresas importadoras e distribuidoras controladas por MARCO ANTONIO MANSUR; denominada Fl. 937DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 938 4 GRUPO MAM, em conluio com seus clientes, praticavam também de forma sistemática o subfaturamento dos preços declarados. O extenso Relatório de Auditoria (efls 92 a 169) registra, entre outros, o contexto dos fatos analisados, as empresas envolvidas, o modus operandi e as infrações apuradas, segundo os itens e sub itens a seguir relacionados, sobre alguns dos quais, para melhor compreensão, relatase sucintamente as descrições efetuadas pelos autuantes: 1 INTRODUÇÃO 1.1 Contexto 1.1.1 Da Operação Dilúvio 1.1.2 Do Grupo MAM Etapas: 1.1.2.1 — Fluxo das mercadorias 1.1.2.2 — Fluxo Financeiro 1.1.2.3 — Parte Visível da Operação 1.1.2.4 Vantagens Obtidas Pelas Empresas Clientes 1.2 Metodologia de Trabalho “Tendo em vista o fato de que as operações de importação registradas pelo GRUPO MAM, independente da forma como foram declaradas, caracterizamse como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem de terceiros (reais adquirentes), o presente procedimento fiscal foi focado no adquirente, restringindose, portanto às importações registradas pelas empresas relacionadas no presente Relatório de Auditoria por conta e ordem da empresa "FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA", CNPJ n° 74.514.928/000120, e todos os demais estabelecimentos que transacionaram com mercadorias de procedência estrangeira.” 1.2.1 Termos e Anexos 1.3 Resumo 2 DAS EMPRESAS 2.1 FLORENCIO BIJOUTERIAS LTDA “Esta empresa era uma das clientes do grupo e real adquirente de mercadorias importadas, oculta em todas as fases do procedimento de importação, utilizandose de empresas do grupo MAM para efetuar e registrar as operações de importação. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 939 5 O modus operandi das importações destinadas a "FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA", envolvia empresas ditas de fachada, que simulavam a entrada e a saída das mercadorias, tendo como importadora registrada nas Declarações de Importação, em todos os casos analisados, a empresa "OPUS – TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA"; CNPJ n° 01.184.974/000135, ora atuando como importadora por Conta Própria, ora atuando por conta e ordem de terceiros. Algumas dessas importações tinham como adquirentes registradas nas respectivas Declarações de Importação as empresas: "LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA", CNPJ n° 05.540.292/000179, que aparece como adquirente em sete das Declarações de Importação envolvidas, e "MEGA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDAEPP", CNPJ n° 68.428.275/000164, que aparece como adquirente em apenas uma das DIs registradas.” 2.2 OPUSTRADING AMÉRICA DO SUL LTDA 2.2.1 Breve Histórico 2.2.2 Quadro Societário 2.3 LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA 2.3.1 Breve Histórico 23.2 Quadro Societário 2.4 MEGA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA 2.4.1 Breve Histórico 2.4.2 Quadro Societário 3 MODUS OPERANDI 3.1 Considerações Gerais sobre o Esquema de Fraudes “A organização é formada por importadoras, distribuidoras, transportadoras, empresas de assessoria comercial e participação societária, aparentemente distintas umas das outras, mas que, de fato, constituem um conjunto de empresas funcionando sob um único comando, denominado GRUPO MAM, alvo da OPERAÇÃO DILÚVIO. 0 GRUPO MAM especializouse na prestação de serviços, de importação a diversos clientes, viabilizando significativa, e ilícita redução dos tributos devidos, seja na fase de nacionalização, seja nas etapas subseqüentes de comercialização dos produtos no mercado interno. Para tal, foram praticadas inúmeras irregularidades, a saber: falsificação de documentos, subfaturamento dos valores declarados nas operações de importação, ocultação dos reais Fl. 939DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 940 6 intervenientes, simulação de operações comerciais, remessa de divisas à margem do controle legal, geração de créditos tributários fraudulentos e, utilização de benefícios fiscais relativos ao ICMS (tributo estadual incidente em operações de importação). Pelas investigações realizadas, constatase que o GRUPO MAM desenvolveu dois grandes esquemas de simulação: o primeiro com vistas a ocultar os reais adquirentes de mercadorias importadas, fonte maior dos rendimentos obtidos pelo grupo; e outro para, ocultar os principais responsáveis pelo esquema; bem como o patrimônio obtido. O complexo esquema engendrado propiciava amplo suporte documental, cambial, logístico e jurídico aos clientes da organização.” 3.1. 1 Estabelecimentos Equiparados a Industrial 3.2Habilitação para atuar no comércio exterior 3.3 Os Adquirentes/Distribuidores ``LARANJAS” “Uma das características marcantes do GRUPO MAM consistia no reiterado uso de empresas "laranjas" ou fantasmas", geralmente como "distribuidores" de fachada elemento "D"do esquema. Estas eram apresentadas perante o Fisco como sujeito passivo das obrigações tributárias, sejam decorrentes da nacionalização, quando eram apresentadas como adquirentes em operações (pretensamente) por sua conta e ordem; sejam oriundas da comercialização dos produtos no mercado interno, etapa seguinte a nacionalização. Das investigações da OPERAÇÃO DILÚVIO, podese identificar as seguintes empresas com essas características: GHATS; CONTROL; DELPHIS, MEGA, LANSARET e MM13. Dessa forma, as empresas "laranjas" no esquema do GRUPO MAM (elemento "D") acumulam grande parte dos créditos tributários com o intuito de não honrálos. Os clientes, nessa variação da fraude, recebiam a mercadoria "esquentada", pouco devendo recolher aos cofres públicos relativamente aos tributos e contribuições nãocumulativos incidentes sobre a receita. O esquema viabilizava ainda outra vantagem: o envio de divisas ao exterior, travestido de distribuição de lucros ao sócio estrangeiro, caso este integrasse o quadro societário de alguma dessas empresas do GRUPO MAM.” 3:4 Os Exportadores Fictícios 3.5Benefícios Fiscais Estaduais e Venda de Créditos do ICMS 4 DOS FATOS ANALISADOS Fl. 940DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 941 7 4.1 As Declarações de importação nas quais houve simulação Neste sub item consta a listagem das Declarações de Importação em que, segundo a fiscalização, a FLORÊNCIO BIJOUTERIAS utilizouse dos serviços do grupo MAM na simulação de operações comerciais. Registra: “Em todos os casos analisados, a empresa OPUS TRADING está registrada nas Declarações de Importação como importadora, ora atuando como importadora por conta própria, ora atuando por conta e ordem de terceiros. Já a empresa LANSARET está registrada como adquirente em sete das Declarações envolvidas, enquanto a empresa MEGA7 está registrada em apenas uma. Essas empresas eram apenas importadoras e adquirentes de fachada, não traduzindo a realidade das operações comerciais que tiveram como real adquirente a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS.” 4.2 Dos Fatos 4.2.1 FATO 1 Controle e Solicitação de Numerários 4.2.2 FATO 2 Demonstrativos de despesas das importações; transferências bancárias em favor da OPUS TRADING e negociações da real adquirente FLORÊNCIO BIJOUTERIAS com a empresa exportadora HAPPY 4.2.3 FATO 3 Subfaturamento dos preços declarados nas importações 4.2.4 FATO 4 Troca de Mensagens por MSN 5 DA SUJEIÇÃO PASSIVA Neste item, ressalva o autuante: “Tendo em vista essas notas relativas à sujeição passiva, vejamos a que conduz o que se mostrou nos capítulos referentes a "Introdução", ao "Modus Operandi" e "Dos Fatos Analisados", acerca das operações de importação subanalise que, além do subfaturamento eventualmente provado, padecem de vício relativo à ocultação do sujeito passivo. Neste contexto, avulta o cuidado na identificação do sujeito passivo, pois na ocultação do sujeito passivo por interposição fraudulenta, o que se da é simulação tributária por transferência subjetiva, isto é, estimase que da aplicação do critério Subjetivo que permitiria levar a bom termo a sujeição passiva, surja um outro que não aquele que deveria ser obrigado ou, o que é o caso concreto, surja apenas um dos obrigados ao pagamento dos tributos, ocultandose justamente aquele que demonstra a capacidade contributiva. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 942 8 Como se demonstrou nos capítulos acima referidos, a organização denominada Grupo MAM e os reais adquirentes de mercadorias, conjuntamente, utilizandose de diversas empresas, simulavam operações de comércio exterior, tanto na modalidade de importação por conta própria (importação direta) em que supostamente seriam titulares das operações as empresas "importadoras" da organização, quanto na modalidade por conta e ordem de terceiros em que as empresas "importadoras” juntavamse as empresas distribuidoras para figurar como adquirentes das mercadorias importadas. Deste modo, tanto em uma modalidade de importação quanto na outra, ocultavamse aos olhos do fisco os reais adquirentes das mercadorias, verdadeiros titulares das operações de comércio exterior, no caso em questão a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS.” 5.1 Diversas obrigações surgidas com a importação de produtos estrangeiros 5.1.1. Imposto de Importação (II) Assim menciona o Auditor fiscal: “Estabelecidos, então, os papeis da pessoa jurídica importadora OPUSTRADING AMÉRICA DO SUL LTDA, CNPJ 01.184.974/000135 e da empresa adquirente FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA, CNPJ 74.514.928/000120,0 nas operações em que aquela procedia importação por conta e ordem desta, resta identificar a que correspondem tais atuações — da importadora e do adquirente — em termos de sujeição passiva. Vejamos. Fato é que as declarações de importação foram registradas pela pessoa jurídica importadora OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA, CNPJ 01.184.974/000135, isto é, foi a tal pessoa jurídica, ainda que por conta e ordem de outrem, quem submeteu a despacho aduaneiro as mercadorias estrangeiras, com o fito de que fossem desembaraçadas e, portanto, pudessem circular economicamente sendo incorporadas ao aparelho produtivo nacional. Nessa condição, a pessoa jurídica importadora, mesmo que atuando por conta e ordem de terceiros, pratica ato para internação das mercadorias quando ainda eram estrangeiras e, conseqüentemente, é contribuinte do imposto de importação. (...). Quanto à empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA, CNPJ 74.514.928/000120 há sujeição passiva enquanto responsável solidário decorrente da sua caracterização como adquirente das mercadorias de procedência estrangeira tal como demonstrado no tópico "Dos Fatos Analisados.” De tudo o que foi exposto, concluise que embora o importador seja o contribuinte dos tributos federais incidente sobre as importações, o adquirente das mercadorias é responsável solidário pelo recolhimento desses tributos, seja porque Fl. 942DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 943 9 ambos têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos, seja por previsão expressa de lei. Nesse mesmo contexto, as empresas distribuidoras de fachada , LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA., CNPJ n° 05.540.292/000179 e MEGA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDAEPP, CNPJ n° 68.428.275/000164, foram utilizadas como adquirentes "laranjas", tendo sido registradas como adquirentes em algumas das importações destinadas a FLORÊNCIO BIJOUTERIAS. No caso das empresas LANSARET e MEGA configurase, da mesma forma, o interesse comum nas situações constituintes dos fatos geradores. Sendo assim, tais empresas também são responsáveis solidárias pelo Crédito tributário decorrentes das importações em que participaram como adquirentes "laranjas". De acordo com o parágrafo único do art 124 do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária não comporta beneficio de ordem, assim a exação pode ser feita contra apenas um dos sujeitos passivos (no caso, o importador, empresas distribuidoras de fachada ou o adquirente, sem ordem de preferência) ou contra todos.” 5.1.2 IPI vinculado a Importação 5.1.3 PIS/PASEPImportação e COFINSImportação 5.2 Penalidades Pecuniárias Responsabilidade 6 DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES 6.1 Declaração Inexata 6.2 Ocultação do Real Adquirente “Como visto anteriormente, o esquema fraudulento controlado por MARCO ANTONIO MANSUR dedicavase à realização de importações por conta de ordem de terceiros, porém com ocultação dos reais adquirentes das mercadorias estrangeiras, possibilitando, assim, a realização de inúmeras infrações tributárias e outras, tais como a quebra da cadeia do IPI e o subfaturamento dos pregos declarados. A prática adotada pela organização era de criar uma cadeia comercial fictícia, na qual figuravam um importador operando por conta própria ou por conta de terceiros (de fachada) e uma ou mais empresas distribuidoras de fachada, que atuavam, de forma fictícia, como compradores de mercadorias importadas ou como adquirentes de importações por sua conta e ordem, que davam saída para o real adquirente. As operações comerciais ou de serviços, que se operavam dentro desta cadeia, não passavam de atos dissimulados com vistas a produzir uma aparente normalidade comercial, mas que servia apenas para formalizar uma entrada de mercadorias no estabelecimento do real adquirente como se fossem aquisições nacionais, quando de fato a verdadeira operação comercial, ou seja, aquela ,realizada entre este Fl. 943DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 944 10 adquirente e o seu real fornecedor no exterior, permanecia oculta.” 6.3 Penalidades 6.3.1 Subfaturamento 6.3.2 Entregar a Consumo ou Consumir 6.4 Lançamento e Valores Lançados 6.4.1 Da Valoração Aduaneira 6.4.1.1 Primeiro Método de Valoração 6.4.1.2 Preços Efetivamente Pagos ou a Pagar 6.4.1.3 Arbitramento “No processo de valoração, às importações subfaturadas foi aplicado o "1° método de valoração", definido no AVA/GATT e baseado no valor da transação, tendo em vista que os documentos apreendidos revelaramse como elementos de prova suficientes para quantificar os valores reais das operações comerciais, sem que fosse necessária a aplicação de métodos substitutivos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira.” 6.4.2 Do Produto Estrangeiro em Situação Irregular Consumo ou Entrega a Consumo 7 DECADÊNCIA 8 REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS 9 CONCLUSÃO “A documentação apreendida na OPERAÇÃO DILÚVIO é farta em demonstrar que houve uma construção minuciosa, um planejamento criterioso, um esquema em conluio que visava angariar vantagens ilegítimas em detrimento dos cofres públicos. Neste Relatório Fiscal expôsse o objetivo ilícito que os agentes pretendiam alcançar, os meios empregados e as conseqüências dos atos praticados.” À empresa "Florêncio Bijouterias", que se encontra ativa, foi dada ciência pessoal do Auto de Infração. A ciência via postal para as empresas MEGA e LANSARET foi infrutífera, sendo as mesmas cientificadas via edital, haja vista que constam no cadastro (informações do sistema CNPJ) como inaptas por motivos de inexistência de fato. E a empresa "OpusTrading América do Sul Ltda”, sediada na cidade de Maringá, PR., foi também cientificada por edital. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 945 11 Embora cientificadas na forma da lei, as empresas OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA, MEGA COMERCIO IMP. E EXP. LTDA e LANSARET COM. DE INFORMÁTICA não impugnaram os lançamentos. Apenas a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA que foi cientificada dos autos de infração pessoalmente em 05/12/2008 (fls. 33) protocolizou impugnação de efls. 831 à 842, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Transcrevese do Acórdão recorrido as alegações de defesa efetuadas pela empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA: “Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: DA DECADÊNCIA. O direito de efetuar o lançamento decaiu, já que decorridos cinco anos da data do registro da declaração de importação ou da data da pratica da infração. O prazo decadencial acima citado é contado da data do registro da declaração de importação, pois, ainda que a materialidade desse tributo seja o ingresso da mercadoria em território nacional, aquele é o momento escolhido pelo legislador como o de ocorrência do fato signo ensejador do respectivo dever de recolher aos cofres públicos a prestação. DA ILEGITIMIDADE DE PARTE. É a impugnante parte ilegítima para figurar como devedora do crédito tributário levado a efeito pela fiscalização da Receita Federal. A impugnante é empresa comercial, que adquiriu mercadorias importadas das empresas importadoras autuadas e pagou por elas. A relação havida entre as partes era certa e determinada, com inicio na formalização de pedido e encerramento no pagamento do mesmo. Caso as empresas importadoras autuadas tenham infringido a legislação quando da importação dessas mercadorias comercializadas com a impugnante, deverão elas responder pelos créditos tributários apurados. Ressaltese, que as empresas importadoras nunca necessitaram de qualquer adiantamento de recursos da impugnante, motivo pelo qual as importações nunca se realizaram sob a forma de importação de conta e ordem de terceiro. De fato, nunca foi a impugnante que possuía a capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, das importações ao fornecedor estrangeiro. A impugnante comprou mercadorias das empresas importadoras. Tais mercadorias sempre foram recepcionadas com suas respectivas notas fiscais e estas sempre foram pagas. Essas mesmas mercadorias foram posteriormente revendidas e todos os encargos tributários foram devidamente quitados, não havendo então nenhuma irregularidade nos negócios realizados pela impugnante. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 946 12 A boafé se presume enquanto o seu contraponto deve ser provado e, em nenhum momento o relatório fiscal, que serviu de base para a lavratura do auto de infração em testilha, fez menção a qualquer irregularidade que possa ser atribuída à impugnante. A legislação e a jurisprudência dos Tribunais pátrios não deixam dúvidas que: nenhuma sanção pode passar da pessoa do infrator para terceiro de boafé. A fiscalização entendeu que a impugnante era a real adquirente das mercadorias importadas, no entanto, tal situação nunca ocorreu, vez que, conforme já exposto acima, a impugnante apenas encomendava as mercadorias através das empresas importadoras, sendo todas as despesas e os impostos devidos pagos com os recursos das importadoras, inclusive a modalidade de importações por encomenda só veio a surgir com o advento da Lei no 11.281, de 20/02/2006, a qual criou essa nova modalidade de importação justamente para cobrir a lacuna deixada pela modalidade de importação por conta e ordem de terceiros. Portanto, caso tenha ocorrido as irregularidades descritas no auto de infração nas importações realizadas pelas importadoras (subfaturamento), a impugnante não pode ser responsabilizada por tais situações já que nunca efetuou qualquer importação, sendo parte ilegítima para figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Expõe também a aplicação do principio da razoabilidade em matéria de penalidades pecuniárias. A Carta Constitucional em seu art. 150 IV veda a exigência de tributo com efeito de confisco. Ou seja, cobrança de tributo que implique na perda de bens e condição econômica. Reclama a ausência de valoração com base no art. 84 do regulamento aduaneiro, do acordo de valoração aduaneira do GATT e em contrariedade ao art. 148 do CTN, pois o fisco não respeitou a última parte do artigo quando esta aduz que tal processo de arbitramento, seja ele judicial ou administrativo, deva ser feito respeitandose o contraditório e ampla defesa em caso de contestação. Portanto, a fiscalização não respeitou esse preceito magno, já que de qualquer episódio do qual se verifique possibilidade de sanção ao patrimônio e liberdade do cidadão garantese o direito de defesa. Desta forma, há de a fiscalização nulificar o perdimento e motivar o ato à vista de confrontação com o contribuinte, não cabendo mero arbitramento com base em perícia unilateral com base em paradigmas absolutamente diferentes. A fiscalização também não seguiu a valoração das mercadorias em critério metodológico fornecido pelo acordo de valoração aduaneira GATT, e a IN/SRF 327/03. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 947 13 Logo, à vista dessa ausência, imprestável a alegação de subfaturamento. Em nenhum momento restou provada pela fiscalização aduaneira a ocorrência de qualquer irregularidade no valor praticado nas operações de importação, pois o preço praticado é aquele que constou nas faturas comerciais apresentadas pelas empresas importadoras que ampararam as mercadorias importadas. Ressaltese que o método primeiro de valoração aduaneira estabelecido pelo GATT é o valor efetivamente pago pela mercadoria no exterior, ou seja, o valor de face das faturas comerciais apresentadas pelas empresas importadoras por ocasião do registro das declarações de importação, o que não foi observado pela fiscalização. DA INEXISTÊNCIA DE OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. As empresas importadoras nunca necessitaram de qualquer adiantamento de recursos da impugnante, motivo pelos quais as importações nunca se realizaram sob a forma de importação por conta e ordem de terceiro. De fato, nunca foi a impugnante que possuía a capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, das importações ao fornecedor estrangeiro. As importadoras pagavam as importações diretamente aos seus fornecedores com recursos próprios, sendo que os pagamentos realizados pela impugnante às importadoras referiamse às compras feitas no mercado interno. Inclusive, somente com o advento da Lei no 11.281, de 20/02/2006, criouse a nova modalidade de importação (importação por encomenda), a qual passou a regrar também esse tipo de importação que a impugnante realizava através das empresas importadoras. Portanto, antes do advento da Lei no 11.281/2006, as aquisições de mercadorias pela impugnante na forma de encomenda através das empresas "tranding" eram totalmente regulares, haja vista que não havia legislação que amparasse tal procedimento. DO EXPOSTO, requer a esta D. autoridade julgadora, exercido o controle negativo do ato de lançamento, julgue improcedente a presente ação fiscal, decretando a insubsistência do lançamento fiscal contra a impugnante, com o seu arquivamento em definitivo, acolhida totalmente a presente impugnação.” Efetuado o julgamento da impugnação interposta, por meio do Acórdão nº 1756.227 1ª Turma da DRJ/SP2, entendeu a turma pela improcedência da impugnação, mantendo os lançamentos efetuados. Consoante consta do Despacho de efl 930 da Inspetoria da Receita Federal do Brasil de São Paulo, a ciência da decisão de 1ª Instância Administrativa por via postal das empresas OPUS TRADING, MEGA e LANSARET foi infrutífera, sendo as mesmas cientificadas por meio de EDITAL. Esgotado o prazo legal, não se manifestaram. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 948 14 Por intermédio da Intimação nº 549 (efl. 885), a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA foi devidamente cientificada do Acórdão de 1ª Instância Administrativa por via postal em 26/12/2011 (AR de efl. 895) e apresentou Recurso Voluntário em 26/01/2012 (efls. 904 a ), reprisando as alegações anteriormente apresentadas na impugnação, exceto quanto à preliminar de decadência que não mais argúi, segundo os itens e subitens a seguir: I Os Fatos II O DIREITO II.l PRELIMINAR a) DA ILEGITIMIDADE DE PARTE II. 2 MÉRITO 2.1) AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA A SUPOSTA FALSIDADE DE PREÇO. AUSÊNCIA DE VALORAÇÃO COM BASE NO ART. 84 DO REGULAMENTO ADUANEIRO, DO ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA DO GATT E EM CONTRARIEDADE (ART. 148 DO CTN). 2.2) DA INEXISTÊNCIA DE OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS 2.3) DAS MULTAS 2.4) A MULTA E AS SANÇÕES TRIBUTÁRIAS 2.5) PROPORCIONALIDADE DE JUSTA MEDIDA ADEQUAÇÃO III A CONCLUSÃO Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto A empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA apresentou, tempestivamente e com representatividade válida, o Recurso Voluntário, motivo pelo o qual dele se conhece. Apenas para lembrar, as empresas OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA, MEGA COMERCIO IMP. E EXP. LTDA e LANSARET COM. DE INFORMÁTICA não impugnaram e nem recorreram dos lançamentos, não instaurando litígio. Em conseqüência, as responsabilidades solidárias atribuídas às empresas tornaramse definitivas. No mérito, devese aplicar às mesmas o que for decidido neste julgamento. Como é sabido, o recurso voluntário devolve à instância superior o reexame de matéria decidida na 1ª instância administrativa e contestada pela a recorrente. Desta forma, Fl. 948DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 949 15 persiste em litígio em face do recurso voluntário apresentado pela empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA as seguintes questões: 1) Preliminar de ilegitimidade de parte; 2) No Mérito Valoração Aduaneira: arbitramento (contrariedade ao art. 148 do CTN); Ausência de valoração com base no art. 84 do Regulamento Aduaneiro, do acordo do GATT; 3) Da Inexistência de Ocultação do Real Adquirente das Mercadorias 4) Multas Arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Passase à análise de cada uma das questões, segundo a ordem do recurso. 1) Preliminar de ilegitimidade de parte A recorrente alega ser parte ilegítima para figurar como devedora do crédito tributário levado a efeito pela fiscalização da Receita Federal, posto tratarse de empresa comercial, de boafé, que adquiriu mercadorias importadas das empresas importadoras autuadas e pagou por elas. A relação havida entre as partes era certa e determinada, com início na formalização de pedido e encerramento no pagamento do mesmo. Ainda alega que “a fiscalização entendeu que a recorrente era a real adquirente das mercadorias importadas, no entanto, tal situação nunca ocorreu. Alega que não operava no comércio exterior. Apenas verificava as mercadorias oferecidas pelos exportadores na China e as encomendava através das empresas importadoras (Opus, Lansaret, etc), as quais ficavam sob a responsabilidade de importar essas mercadorias, pagar todos os impostos para a nacionalização das mesmas e, posteriormente, depois de totalmente desembaraçadas nas alfândegas, comercializálas com a recorrente.” Ressalta que a modalidade de importações por encomenda só veio a surgir com o advento da Lei n° 11.281, de 20/02/2006, a qual criou essa nova modalidade de importação justamente para cobrir a lacuna deixada pela modalidade de importação por conta e ordem de terceiros. Aduz que “a legislação e a jurisprudência dos Tribunais pátrios não deixam dúvidas que: nenhuma sanção pode passar da pessoa do infrator para terceiro de boafé.” Pois bem, embora com alegações genéricas tente demonstrar a sua boa fé e a ilegitimidade da apontada sujeição passiva nos lançamentos, o que se constata nos autos é exatamente a real participação da recorrente no esquema fraudulento montado. Ao contrário do alegado, a fiscalização demonstra e comprova, com base na documentação apreendida na Operação Dilúvio, além de informações obtidas pelos Escritórios de Pesquisa e Investigação na 5° e na 9° RF, que houve uma construção minuciosa, um planejamento criterioso, um esquema em conluio que visava angariar vantagens ilegítimas em detrimento dos cofres públicos, no qual a empresa OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA figurava como a importadora, aquela que viabilizava a operação de importação, com a entrega da declarações de Importações, submetendo à despacho aduaneiro as mercadorias Fl. 949DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 950 16 estrangeiras, com o fito de que fossem desembaraçadas. Mas esta atuava por conta e ordem do real adquirente das mercadorias de procedência estrangeira, que ficava oculto, conforme se demonstrará no item específico da Ocultação do Real Adquirente das Mercadorias. Devidamente demonstrada que a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA era a real adquirente das mercadorias e quem, na verdade, comercializava com o real exportador, encontrandose, portanto, vinculada ao fato jurídico tributário, esta subsumese à regra legal da responsabilidade solidária, devendo, pois, ser inserida na relação jurídico tributária, consoante regra contida nos dispositivos a seguir ressaltados: O Código Tributário Nacional assim disciplina: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. ... Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. ... CAPÍTULO V Responsabilidade Tributária SEÇÃO I Disposição Geral Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 951 17 ... Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I ... II ... III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. SEÇÃO IV Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Em face das regras acima mencionadas do Código Tributário Nacional, as legislações específicas passaram a definir os contribuintes e responsáveis solidários. Imposto de Importação (II) O Código Tributário nacional, em seu art. 22 define o contribuinte do imposto de importação: “Art. 22. Contribuinte do imposto é. I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados.” Por sua vez, o Decretolei n°37, de 18 de novembro de 1966 dispõe em seus artigos 1º, 31 e 32 acerca do contribuinte e do responsável solidário: “Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional." Art.31 É contribuinte do imposto: (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...); Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei n o 2.472, de 01/09/1988) (...) Fl. 951DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 952 18 Parágrafo único. É responsável solidário: ( Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I (...) II – (... ) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. ( Incluído pela Medida Provisória n o 2.15835, de 2001 ) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; ( Incluída pela Lei n o 11.281, de 2006 ) (...).” IPI vinculado à Importação A respeito da definição do contribuinte e do responsável solidário dispõe o Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados): "Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: I o importador em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea b) (...): III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); Art. 27. São solidariamente responsáveis: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, pelo pagamento do imposto e acréscimos legais (Decretolei n2 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso III, e Medida Provisória n2 2.15835, de 2001, art. 77).” Neste mesmo sentido são as regras de definição dos contribuintes e responsáveis solidários contidas nos artigos 5º e 6º da Lei n° 10.865/20041. 1 CAPÍTULO III DO SUJEITO PASSIVO Art. 5º. São contribuintes: Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 953 19 Assim, estão solidariamente obrigados a contribuinte, a pessoa jurídica importadora OPUSTRADING AMÉRICA DO SUL LTDA, que procedeu a importação por conta e ordem da empresa adquirente, e o responsável solidário, adquirente das mercadorias, a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA. Não há, portanto, incorreção da indicação da recorrente como sujeito passivo dos lançamentos ora questionados. Valoração Aduaneira: arbitramento (contrariedade ao art. 148 do CTN); Ausência de valoração com base no art. 84 do Regulamento Aduaneiro, do acordo do GATT A recorrente faz menção ao fato de a fiscalização ter citado acerca da possibilidade de se desconsiderar o preço declarado e outro arbitrar em seu lugar. Mas, aduz que o arbitramento do fisco em procedimento unilateral e inquisitivo, não permite contrariedade. Daí a absoluta impropriedade de qualquer valoração feita, pois o fisco não respeitou a última parte do art. 148 do CTN, que exige o respeito ao contraditório e ampla defesa em tal processo de arbitramento, seja ele judicial ou administrativo, em caso de contestação. Cita a ementa do CARF acerta de necessidade de motivação do relatório e decisão baseado nos elementos probatórios. Em outra direção, aduz que a fiscalização também não seguiu a valoração das mercadorias em critério metodológico fornecido pelo acordo de valoração aduaneira GATT, e a IN/SRF 327/03. Logo, à vista dessa ausência, imprestável a alegação de subfaturamento.Transcreve ementa de decisão da DRJ/FNS. I o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Parágrafo único. Equiparamse ao importador o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente e o adquirente de mercadoria entrepostada. Art. 6º. São responsáveis solidários: I o adquirente de bens estrangeiros, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; II o transportador, quando transportar bens procedentes do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; III o representante, no País, do transportador estrangeiro; IV o depositário, assim considerado qualquer pessoa incumbida da custódia de bem sob controle aduaneiro; e V o expedidor, o operador de transporte multimodal ou qualquer subcontratado para a realização do transporte multimodal. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 954 20 E argúi mais: “ainda que se cogite de eventual fraude no preço, causa para a aplicação de multa regulamentar, a fiscalização desrespeitou a ordem seqüencial do art. 84 do RA e não motivou o porquê disso.” Improcede tais alegações. O art. 148 do CTN, mencionado pela recorrente, encontrase inserido na Seção II Modalidades de Lançamento e assim estabelece: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada. em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Pois bem, consoante está demonstrado nos autos e conforme se extrai do relatório de auditoria, os dados registrados nas declarações de importação objetos das autuações, não correspondem à realidade das operações comerciais, uma vez que a empresa que se apresenta como importadora, é, de fato, prestador de serviços, nunca tendo realizado qualquer operação comercial de compra de mercadorias estrangeiras. E que, os valores das transações declarados são subfaturados. Daí, é que a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, órgão competente para exercer a fiscalização e controle do Comércio exterior2, com base na documentação disponibilizada na Operação Dilúvio, levantou os reais valores praticados, tudo em conformidade com a legislação, conforme se analisará em item seguinte. No decurso do procedimento de auditoria, os agentes fiscais intimam a fiscalizada a apresentar documentos e informações, podendo intimar terceiros. Com a ciência do(s) lançamento(s) iniciase o prazo legal para efetuar o pagamento dos tributos lançados ou apresentar as contestações, se for o caso Portanto, o momento para apresentação da contestação aos fatos, valores aduaneiros levantados e lançamento efetuados é na impugnação, pois é por meio desta que se instaura a fase litigiosa do procedimento, consoante dispõe o art. 14 do Decretolei nº 70.232/72 (PAF), in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” E, de acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. 2 Constituição Federal de 1988 Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 955 21 Vêse que no caso concreto, a ora recorrente, naquela oportunidade, apresentou a sua impugnação. Portanto, não se constata ofensa ao disposto no art. 148 do CTN. Igualmente, é inconsistente a alegação de ausência de valoração com base no art. 84 do Regulamento Aduaneiro e do acordo do GATT. Vejamos. Nas importações analisadas no tópico 4.2.3 do Relatório de Auditoria (Fato 3 — Subfaturamento dos pregos declarados nas importações), ficou perfeitamente caracterizado, que os valores declarados nas DI são muito inferiores aos valores efetivamente praticados, comprovados pelos documentos. Nas tabelas ali elaboradas, o autuante destaca para cada item da DI, o valor unitário declarado em U$ e o valor real em U$. Consta dos autos as informações da devida comprovação da prática do subfaturamento nas seguintes Declarações de Importação importações destinadas a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS, consoante destaca o acórdão recorrido, cujos termos adoto e ratifico, com fulcro. no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: 1) Declaração de Importação n°04/06081802, registrada em 24/06/2004; 2) Declaração de Importação n°05/05184200, registrada em 19/05/2005. 3) Declaração de Importação nº05/08580786, registrada em 11/08/2005. 4) Declaração de Importação nº05/12016016, registrada em 07/11/2005. Sendo assim, verificase ser improcedente a alegação da recorrente quando esta afirma que “em nenhum momento restou provada pela fiscalização aduaneira a ocorrência de qualquer irregularidade no valor praticado nas operações de importação, pois o preço praticado é aquele que constou nas faturas comerciais apresentadas pelas empresas importadoras que ampararam as mercadorias importadas”. Com as suas genéricas alegações a recorrente não consegue afastar os fatos apontados. Constatada a existência de fraude e de subfaturamento, o valor aduaneiro declarado pelo importador pode ser desconsiderado pela fiscalização, e o valor real praticado pode ser apurado mediante o emprego das regras sobre a valoração aduaneira, do GATT/1994. O autuante registra: “Como visto anteriormente no tópico que trata dos Fatos Analisados (4.2.3 Fato 3 Subfaturamento dos preços declarados nas importações), os elementos de fato das transações comerciais ficaram perfeitamente caracterizados a partir dos documentos e arquivos magnéticos encontrados tanto na empresa importadora como na empresa adquirente de fato, por conta de quem, as operações foram registradas. Foi possível, portanto, reconstituir as operações comerciais Fl. 955DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 956 22 efetivamente realizadas e identificar com total segurança os verdadeiros intervenientes, comprador, vendedor, bem como os preços efetivamente praticados.” E, tendo em vista os fatos demonstrados nos autos, adoto e ratifico os termos destacados pelo o voto do Acórdão recorrido, que a seguir se transcreve: “ A base de cálculo do imposto de importação é o valor aduaneiro, determinado nos termos do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira – AVA), promulgado pelo Decreto nº 1.355/94. O AVA prevê a aplicação sucessiva de seis métodos de valoração, observada a ordem seqüencial nele estabelecida. O primeiro e principal método de valoração aduaneira é baseado no valor de transação das mercadorias importadas em operação comercial de compra e venda, conforme disposto no artigo 1 do referido acordo, in verbis: "Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação,.. A ação da fiscalização é pautada no próprio artigo 1º do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira – AVA), promulgado pelo Decreto nº 1.355/94, na medida em que foi apurado o real valor de transação das Declaração de Importações assinaladas em clara prática fraudulenta aos controles aduaneiros.” Relativamente ao art. 84 do Decreto nº 4.543, de 26 de Dezembro de 2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002) invocado pela recorrente, este estabelece o arbitramento da base de cálculo dos tributos e ou contribuições no comércio exterior nos seguintes termos: “Art. 84. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos ou contribuições e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88): I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado.” (grifei). Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 957 23 Desta forma, tendo sido a ação da fiscalização pautada no próprio artigo 1º do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira – AVA), promulgado pelo Decreto nº 1.355/94, na medida em que foi apurado o real valor de transação das Declaração de Importações, verificase a desnecessidade de adoção de um dos critérios de arbitramento previstos nos incisos e alíneas do art. 84 do Regulamento Aduaneiro de 2002 acima transcrito, haja vista que o arbitramento efetuado com base na regra desse dispositivo só deve ser efetuado quando impossível apurar o real valor de transação, o que foi o caso. O real valor aduaneiro de transação foi apurado pela fiscalização, cabendo a empresa autuada suportar os efeitos previstos na Lei. Da Alegação de Inexistência de Ocultação do Real Adquirente das Mercadorias Como relatado, neste item a recorrente reafirma que apenas realizou a encomenda das mercadorias importadas através das empresas importadoras denominadas "tradings" as quais eram as responsáveis pela importação, pagamento de todos os impostos relativos a nacionalização e demais despesas, sendo as mercadorias vendidas à recorrente. E que as empresas importadoras nunca necessitaram de qualquer adiantamento de recursos da recorrente, motivo pelos quais as importações nunca se realizaram sob a forma de importação por conta e ordem de terceiro. E, ainda, que somente com o advento da Lei n° 11.281, de 20/02/2006, criouse a nova modalidade de importação (importação por encomenda), a qual passou a regrar também esse tipo de importação que a recorrente realizava através das empresas importadoras. Portanto, complementa, nunca houve a ocultação do real adquirente das mercadorias, haja vista que a recorrente era apenas a encomendante das mercadorias importadas pelas "tradings" o que ocorreu antes do advento da Lei n° 11.281/2006, sendo certo que não havia legislação específica para que a encomendante figurasse nas operações de importação. As provas coletadas na Operação Dilúvio e carreada aos autos, conforme a seguir relacionado, vão de encontro à tais alegações: 1) FATO 1 CONTROLE DE NUMERÁRIO FLORÊNCIO BIJOUTERIAS efls 310 a 317, VII; 2) FATO 1 SOLICITAÇÕES DE NUMERÁRIO – efls 318 a 324, VII; 3) FATO 2 DEMONSTRATIVOS DE DESPESAS DAS IMPORTAÇÕES – efls 325 a 327, VII; 4) FATO 2 TRANSFERÊNCIAS BANCARIAS EM FAVOR DA OPUSTRADING – efls 328 a 329, VII; 5) FATO 2 NEGOCIAÇÕES DA REAL ADQUIRENTE FLORÊNCIO BIJOUTERIAS COM A EMPRESA EXPORTADORA HAPPY TRADING – efl. 330, VII. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 958 24 Consoante consta no Relatório de Auditoria de efls 94 a 169, as ocorrências dos Fatos 1 e 2 ali relatados e devidamente comprovados com os documentos e informações obtidas pela triagem dos dispositivos magnéticos apreendidos na Operação Dilúvio, acima relacionados, denotam, consoante descreve o autuante, que “a origem dos recursos empregados no desembaraço das mercadorias era da empresa,FLORÊNCIO BIJOUTERIAS, que fazia o depósito para o pagamento das despesas de importação. As empresas ,que estavam registradas nas Declarações de Importação serviam apenas como prestadoras de serviço para a real adquirente, a qual permanecia oculta. Chamam atenção nas planilhas os itens "Taxa Administrativa Trading" e "Taxa Administrativa Distribuidora", que deixam claro que as empresas de fachada atuavam apenas como prestadoras de serviço e para isso até cobravam uma taxa.” Foram encontrados controles de numerário para as importações efetuadas através das seguintes Declarações de Importação 03/07129050, 03/08618917, 04/00127207, 04/00979505, 04/03651160, 04/06081802 e 04/08631982. Já as solicitações de numerdrio estão relacionadas as seguinte importações: 03/08618917, 04/00127207, 04/03651160, 04/06081802, 04/08631982, 04/09852370. Os documentos mencionados no Fato 2, atinentes aos Demonstrativos de despesas das importações, transferências bancárias em favor da OPUS TRADING e negociações da real adquirente FLORÊNCIO BIJOUTERIAS com a empresa exportadora HAPPY TRADING demonstram, ao contrário do alegado, que a FLORÊNCIO BIJOUTERIAS era a empresa que efetivamente negociava, que possuía os recursos financeiros e que realizava os pagamentos, e que a OPUS TRADING apenas atuava como interposta pessoa. Por sua vez, as mensagens trocadas por MSN entre o Gerente do Departamento Operacional da OPUS TRADING e a pessoa identificada como contato da empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS nas transações do grupo, obtidas do relatório "Informação de Pesquisa e Investigação" dos Escritórios de Pesquisa e Investigação na 5ª e na 9ª RF (efls. 382 e 383) e mencionadas no FATO 4 do Relatório de Auditoria demonstram como se dava a Confecção das faturas comerciais (invoices) no Brasil, e desta forma, a manipulação de preços e o esquema de internalização da mercadoria importada, em que as empresas do grupo MAM funcionavam como importadoras e adquirentes de fachada, sendo a real adquirente a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS. Portanto, sem razão a recorrente. Das Multas – Da Arguição de Confisco e Desrespeito aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade. Depois de tecer comentários sobre a natureza jurídica das multas, de uma forma geral, e das sanções tributárias, ressaltando que em se tratando de sanção jurídica, ela não constitui um fim em si mesma, mas um mero instrumento para alcançar uma finalidade de interesse público, consubstanciada na busca de concretização de uma regra ou princípio protegidos pela ordem jurídica, destacando o que se convencionou denominar função extrafiscal da tributação, bem como ressaltando os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, a recorrente acusa que as penalidades aplicadas à recorrente, somadas ao valor principal, implicam em verdadeiro confisco, em ofensa à Carta Constitucional em seu art. 150 IV que veda a exigência de tributo com efeito de confisco. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 959 25 Ao final, requer o afastamento da penalidade imposta e do crédito constituído, para que se respeite o princípio e garantia fundamental à vedação ao confisco, ao amparo do art. 150, IV, da CF. A análise de ofensa de leis instituidoras de penalidade aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e de confisco é de natureza constitucional. Como é sabido, a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre a constitucionalidade de leis vigentes no país, e o contencioso administrativo não é o foro próprio para discussões desta natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos arts. 97 e 102 da Carta Magna. Por esta razão, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) já decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária, consubstanciada na Súmula CARF nº 2, de adoção obrigatória e abaixo reproduzida. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desta forma, estando as penalidades aplicadas em conformidade com a legislação vigente, não há como a autoridade administrativa afastálas com base em arguições de inconstitucionalidade. CONCLUSÃO Diante de tudo o que foi acima exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário lançado. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 959DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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