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Numero do processo: 18470.724867/2013-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO.
Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento
da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que
eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do
procedimento.
Numero da decisão: 1001-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do procedimento.
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PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 48 67 /2 01 3- 14 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 51 a 56) interposto contra o Acórdão nº 0129.484, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 39 a 48), que, por unanimidade, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de quarenta e cinco dias para impugnação do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, contados deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação e não instaura a fase litigiosa do procedimento. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o processo de manifestação de inconformidade da interessada contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, da DRF/RIO DE JANEIRO II RJ, de 10/01/2013, nº de registro 00.05.42.35.60, de 25/04/2013, fls. 36/38, que impediu sua adesão ao Simples Nacional. O motivo do indeferimento foi: “ Débito previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. [...] Débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. [...] Débito inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria–Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 4 3 [...] Os débitos foram listados em valor original.” Inconformada, em 28/05/2013, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/09), onde alega o que segue: 1) Requer que toda e qualquer comunicação inerente ao presente feito seja encaminhada ao seguinte endereço: Rua Santo Amando, 234, Campo Grande, CEP 23052430, aos cuidados do Senhor Alair Maquinez da Cruz, ou através do FAX 21 24160709; 2) Cita doutrina e jurisprudência; 3) A empresa foi impedida de ingressar no Simples Nacional por possuir débito tributário anteriores a sua opção pelo recolhimento feito através dessa sistemática.Tal descoberta se deu apenas através de consulta feita péla Internet, pois não fora enviada notificação por A.R., ou outra forma de notificação pessoal do contribuinte, informando que a impugnante teria tido seu requerimento rejeitado. A notificação ao administrado deve ser feita através de intimação pessoal ou por via postal e na ultima hipótese por Edital quando não localizado o endereço; 4) Devido à falta da regular notificação da exclusão do Simples Nacional, ocasionou o Requerido o cerceamento de defesa da parte Requerente, desrespeitando os princípios constitucionais ao direito a Ampla Defesa e ao Contraditório, bem como o disposto no parágrafo único, V do artigo 2° da Lei 9784/1999. Não tendo a Requerente sido excluída formalmente do Simples Nacional, não poderia o Fisco excluíla do SIMPLES NACIONAL, o que configura o ato nulo. 5) Argui inconstitucionalidade e ilegalidades. Anexei os documentos de fls. 31/38." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que não conheceu da manifestação de inconformidade em razão da extemporaneidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando que não foi intimada regularmente do Indeferimento da Opção e que tomou conhecimento apenas em 25/04/2013 da negativa; bem como reiterou a ofensa aos primados constitucionais como fundamento para a reforma do ato administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, dele conheço apenas parcialmente. Passo a explicar as razões para o parcial conhecimento. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 5 4 Se faz oportuno salientar que nos casos em que o Recurso Voluntário é interposto contra decisão que não conheceu das razões iniciais oferecidas pelo contribuinte, seja por ocasião de Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, a cognição deve se restringir tão somente aos fundamentos e conclusões que nortearam a decisão de primeira instância pelo não conhecimento da medida processual interposta. Destarte, no caso deste Conselho entender que a decisão de piso errou ao não conhecer do processo, deve se limitar a anular o julgamento de primeira instância e determinar a baixa dos autos para que se realize novo julgamento, desta vez analisando o mérito. Assim, sendo exatamente esta a situação concreta dos presentes autos, esclareço que analisarei tão somente as questões que ensejaram o NãoConhecimento da presente medida por parte da DRJ de origem. Superada esta questão, passo à análise do recurso e da decisão ora atacada. Por ocasião do presente recurso, a Recorrente pretende refutar a intempestividade declarada pela decisão de primeiro grau com base no argumento de que só tomou conhecimento do indeferimento em data de 25/04/2013, data que teria espontaneamente acesso ao sistema eletrônico. Primeiramente, insta dizer que a apresentação do termo de indeferimento com a data do acesso, não produz qualquer prova a favor do contribuinte, porquanto não demonstra que existiu circunstância que impossibilitou o acesso do mesmo ao documento até tal data. Digase, nem sequer comprova que o primeiro acesso ocorreu realmente na data indicada. Ademais, conforme cediço, a Lei Complementar 123/06 estabelece meio próprio para comunicações e intimações via o Portal próprio na internet para questões atinentes ao Simples Nacional, conforme o art. 16, §1ºB, inciso I, abaixo transcrito: Art. 16.A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) §1ºA. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, destinado, dentre outras finalidades, a: Icientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais; IIencaminhar notificações e intimações; e IIIexpedir avisos em geral. §1ºB. O sistema de comunicação eletrônica de que trata o § 1o A será regulamentado pelo CGSN, observandose o seguinte: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 6 5 I as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, em portal próprio, dispensandose a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; Outrossim, conforme bem asseverado pela decisão de primeira instância, a data constante do termo de indeferimento (fls. 39 e 48) da opção disponibilizada regularmente pelos meios próprios, deve ser considerada para o início da contagem de 15 dias prévios à abertura dos prazos, não sendo óbice qualquer se eventualmente esta data tenha coincidido ou não com a data do requerimento. Por economia processual, e por entender que bem esgotou a análise legal do tema, transcrevo abaixo o trecho da decisão da DRJ de origem que merece ser aqui destacado: " A propósito da tempestividade, cabe transcrever os arts. 5º, 15 e 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações vigentes por ocasião da ocorrência dos fatos relatados, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 64DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 7 6 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) grifos acrescentados A Lei Complementar nº 123 de 14/12/2006, estabeleceu o contencioso administrativo nos casos de exclusão e indeferimento de opção para ingresso ao Simples Nacional, atribuindo a competência ao órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de ofício, nos seguintes termos: Art.39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. O art. 110 da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, dispõe sobre a possibilidade de notificação eletrônica dos atos de exclusão do Simples Nacional, que também pode ser aplicada ao indeferimento da opção pelo Simples Nacional. “Da Intimação Eletrônica Art. 110. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, a ser disponibilizado no Portal do Simples Nacional, destinado, dentre outras finalidades, a: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, §§ 1 º A a 1 º D) I cientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais; II encaminhar notificações e intimações; e III expedir avisos em geral. § 1 oQuando disponível, o sistema de comunicação eletrônica de que trata o caput observará o seguinte: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 1 º B) Fl. 65DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 8 7 I as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, no Portal do Simples Nacional, dispensandose a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; II a comunicação feita na forma prevista no caput deste artigo será considerada pessoal para todos os efeitos legais; III a ciência por meio do sistema de que trata o caput deste artigo com utilização de certificação digital ou de código de acesso possuirá os requisitos de validade; IV considerarseá realizada a comunicação no dia em que o sujeito passivo efetivar a consulta eletrônica ao teor da comunicação; e V na hipótese do inciso IV, nos casos em que a consulta se dê em dia não útil, a comunicação será considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte. § 2 º Quando disponível o sistema de comunicação eletrônica, a consulta referida nos incisos IV e V do § 1º deverá ser feita em até quarenta e cinco dias contados da data da disponibilização da comunicação no portal a que se refere o inciso I do § 1º , sob pena de ser considerada automaticamente realizada na data do término desse prazo. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 1 º C) § 3 º Enquanto não disponível o aplicativo relativo à comunicação eletrônica do Simples Nacional, os entes federados poderão utilizar sistemas de comunicação eletrônica, com regras próprias, para as finalidades previstas no caput. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 1 º D) § 4 º O sistema de comunicação eletrônica do Simples Nacional, previsto neste artigo: I não exclui outras formas de intimação previstas nas legislações dos entes federados; (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 39, caput ) II não se aplica ao MEI. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 39, inciso I, § 6 º )” Como se pode observar da legislação citada, os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, e somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, e a impugnação deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. No caso concreto, levandose em conta que, consoante Detalhamento das Solicitações de Opção pelo Simples Nacional, fl. 32, a data do indeferimento foi 11/02/2013 (segundafeira de Carnaval). Assim, a contagem do prazo iniciarseá somente em dia de funcionamento normal da repartição, ou seja, na quintafeira, dia 14/02/2013. Em vista disso, considerase a empresa cientificada no dia 01/04/2013 (segundafeira), havendo se iniciado nessa data a contagem do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação da manifestação de inconformidade da interessada. Isto posto, o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade encerrouse em 02/05/2013 (terçafeira). Como a manifestação de inconformidade foi apresentada apenas em 28/05/2013, é intempestiva, uma vez que já havia decorrido o prazo de trinta dias, previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 9 8 À luz, pois, do arts. 14 e 21 do Decreto nº 70.235/72, a intempestividade do pedido implica a revelia, não se instaurando a fase litigiosa do procedimento. Não havendo lide, não há que se falar em julgamento." Destarte, uma vez que não foi superada a intempestividade reconhecida pela decisão de piso, entendo que resta prejudicada eventual análise dos demais argumentos esposados pela Recorrente em seu Recurso. Por derradeiro, diante de tudo o que foi exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721165/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02
É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02.
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, torna-se incabível seu pedido de inclusão.
Numero da decisão: 1001-000.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmentel)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmentel)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: 06094153952 - CPF não encontrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmentel) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmentel) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, tornase incabível seu pedido de inclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmentel) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmentel) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 11 65 /2 01 2- 13 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 3 2 EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 70 a 78) interposto contra o Acórdão nº 0129.679, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 52 a 67), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, tornase incabível seu pedido de inclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o processo de manifestação de inconformidade da interessada contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, da DRF/CONTAGEM MG, de 02/01/2012, nº de registro 00.04.74.80.29, de 15/03/2012, fls. 26/32, que impediu sua adesão ao Simples Nacional. O motivo do indeferimento foi: “ Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 4 3 Lista de Débitos (...) Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos (...) Lista de Parcelamentos 1)Parcelamento: Empresa possui irregularidade de recolhimento nos parcelamentos PAEX.” Inconformada, em 27/03/2012, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/05), onde, em síntese, alega que: 1) A interessada efetuou o pagamento dos débitos consignados no Termo de Indeferimento supracitado; 2) A Lei 10.522/2002 instituiu, no âmbito da RFB e da PGFN, o parcelamento ordinário de tributos devidos; 3) Finalmente requer sua inclusão no Simples Nacional." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que (i) a decisão ora recorrida feriu a Constituição Federal; e (ii) as contribuinte não detinha qualquer débito exigível à época dos fatos narrados. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 5 4 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente alega em seu recurso que o indeferimento de sua opção pelo Simples feriu os dispostos na Constituição Federal, mais especificamente, os de seus artigos. 146 e 5º, inciso II. Ocorre que é vedado aos julgadores administrativos analisarem a inconstitucionalidade de lei. Tal entendimento já foi sumulado por meio do enunciado CARF de nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, tal impeditivo impossibilita o acolhimento das razões da parte enquanto aos argumentos de inconstitucionalidade, razão pela qual afastoos de plano, sem a necessidade de maiores analises quanto ao tema. Superada as argumentações da inconstitucionalidade, a Recorrente, em breves linhas, reiterou as afirmações de primeira instância de que não teria qualquer pendência exigível que obstasse sua opção pelo Simples. Contudo, não apresentou qualquer prova ou argumentação mais consistente que pudesse infirmar tudo o que já fora analisado e concluído pela decisão de piso. Desta forma, em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) A questão em foco pautase no reconhecimento, ou não, da possibilidade de ingresso na sistemática de tributação em apreço, uma vez que a situação da interessada junto ao Portal do Simples Nacional na internet é de que existiam situações impeditivas, consoante tela, fls. 12/13: “ Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Parcelamentos 1)Parcelamento: Empresa possui irregularidade de recolhimento nos parcelamentos PAEX.” Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 6 5 Registrese que, conforme fls. 26/32, verifiquei que a empresa efetuou a solicitação da opção pelo Simples Nacional em 02/01/2012, embora a data de registro seja 15/03/2012. Quanto ao mérito, por oportuno, reproduzimos abaixo o diploma legal ao norte mencionado: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); II que tenha sócio domiciliado no exterior; III de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; IV (REVOGADO); V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...........................................................]” Em sua Manifestação de Inconformidade à fls. 03, a empresa alega que os débitos que impediram sua inclusão no Simples Nacional foram pagos ou parcelados. Discordo. Consoante telas do SIEF às fls. 33/34, verifiquei que, com relação aos débitos relativos à CPMF, códigos 7213 e 7226, não constam pagamentos para os mesmos. O artigo 6º da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, assim dispunha: “Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2 º ) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 7 6 § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo;” É de suma importância observar que as presunções “juris tantum”, muito embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidílas. Esse também é o entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, exarado no Acórdão do 1º CC nº 010.071/1980, do qual se destaca o seguinte trecho: “O certo é que cabendo ao fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, sob pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Pareceme elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte.” A jurisprudência administrativa é mansa e pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fito de se elidir a tributação erigida por lançamento. À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Cabe ao litigante provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito. Cumpre reproduzir aqui o disposto no art. 16, III e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: ............ III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ............. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Não comprovada as alegações do sujeito passivo, tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento do imposto correspondente. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 8 7 Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Em vista disso, a empresa estava impedida de ingressar no Simples Nacional, em virtude de não haver solucionado tempestivamente, até 31/01/2012, as pendências com a Fazenda Nacional que a impediram de ingressar no Simples Nacional. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmentel) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002230/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Admitem-se, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF.
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula Carf 28 vinculante)
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008
SUJEIÇÃO PASSIVA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. INTERPOSTA PESSOA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. A autuada, na condição de efetiva tomadora do trabalho de segurados que lhe prestam serviços através de interposta pessoa, é obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do artigo 142 do CTN e do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, mormente quando o sujeito passivo está devidamente caracterizado pelo conjunto probatório trazido aos autos.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO E DE EMPRESA. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do artigo 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212, de 1991.
Para a verificação da ocorrência do fato gerador (artigo 116 do CTN) das contribuições previdenciárias, é condição necessária e suficiente a caracterização da condição de segurado e de empresa, o que se procede mediante a subsunção dos fatos analisados às normas contidas na Lei n° 8.212, de 1991.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE.
O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para a qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS.
Os documentos "Relação de Co-Responsáveis - CORESP, "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
Numero da decisão: 2301-005.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de Declaração e dos Embargos Inominados com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403-002.351, de 19/11/2013, retificar o acórdão embargado para conhecer em parte do recurso voluntário, desconhecendo das alegações referentes à representação fiscal para fins penais, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que, negando efeitos infringentes aos embargos, deram provimento ao recurso e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que deram provimento ao recurso apenas na questão dos juros de mora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitem-se, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF. EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula Carf 28 vinculante) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. INTERPOSTA PESSOA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. A autuada, na condição de efetiva tomadora do trabalho de segurados que lhe prestam serviços através de interposta pessoa, é obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do artigo 142 do CTN e do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, mormente quando o sujeito passivo está devidamente caracterizado pelo conjunto probatório trazido aos autos. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO E DE EMPRESA. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do artigo 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212, de 1991. Para a verificação da ocorrência do fato gerador (artigo 116 do CTN) das contribuições previdenciárias, é condição necessária e suficiente a caracterização da condição de segurado e de empresa, o que se procede mediante a subsunção dos fatos analisados às normas contidas na Lei n° 8.212, de 1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE. O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para a qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. Os documentos "Relação de Co-Responsáveis - CORESP, "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de Declaração e dos Embargos Inominados com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403-002.351, de 19/11/2013, retificar o acórdão embargado para conhecer em parte do recurso voluntário, desconhecendo das alegações referentes à representação fiscal para fins penais, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que, negando efeitos infringentes aos embargos, deram provimento ao recurso e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que deram provimento ao recurso apenas na questão dos juros de mora. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitemse, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF. EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula Carf 28 vinculante) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. INTERPOSTA PESSOA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. A autuada, na condição de efetiva tomadora do trabalho de segurados que lhe prestam serviços através de interposta pessoa, é obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 22 30 /2 01 0- 58 Fl. 759DF CARF MF 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do artigo 142 do CTN e do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, mormente quando o sujeito passivo está devidamente caracterizado pelo conjunto probatório trazido aos autos. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO E DE EMPRESA. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do artigo 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212, de 1991. Para a verificação da ocorrência do fato gerador (artigo 116 do CTN) das contribuições previdenciárias, é condição necessária e suficiente a caracterização da condição de segurado e de empresa, o que se procede mediante a subsunção dos fatos analisados às normas contidas na Lei n° 8.212, de 1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE. O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para a qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. Os documentos "Relação de CoResponsáveis CORESP”, "Relatório de Representantes Legais RepLeg” e “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de Declaração e dos Embargos Inominados com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403002.351, de 19/11/2013, retificar o acórdão embargado para conhecer em parte do recurso voluntário, desconhecendo das alegações Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 759 3 referentes à representação fiscal para fins penais, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que, negando efeitos infringentes aos embargos, deram provimento ao recurso e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que deram provimento ao recurso apenas na questão dos juros de mora. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 707/716) interpostos pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução, com fulcro no inciso V, § 1º do Art. 65 do RICARF, contra o Acórdão nº 2403002.351 (efls. 681/699) da extinta 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INADEQUADA. MÉRITO. O lançamento que não se sustenta mediante a apresentação de provas, torna nulo o ato de forma insanável. Também a inadequada fundamentação legal inquina o lançamento de vício que enseja nulidade. Entretanto, o § 3º, inciso II, artigo 59 do Decreto 70.235/72, admitida a nulidade, determina que: “ § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei n 8.748, de 1993) Recurso Voluntário Provido. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Fl. 761DF CARF MF 4 em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição, rerratificando o Acórdão no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Alega o embargante a existência de omissão da Turma Julgadora na análise de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado no julgamento do processo, atraindo a possibilidade de oposição dos embargos, a teor da parte final do caput do art. 65 do RICARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (grifei) Justifica que, na condução do voto do relator, em relação ao mérito, foi analisado somente a não exclusão do Simples das empresas ditas interpostas em relação à autuada, todavia a turma teria deixado de apreciar o ponto central da autuação que foi a caracterização de vínculo empregatício de segurados contratados simuladamente por outras pessoas jurídicas. Cientificado do resultado do julgamento e dos embargos opostos em 05/06/2015 (efl. 719), o contribuinte apresentou "manifestação acerca dos embargos declaratórios" (efls. 721/726) requerendo que fossem desprovidos sob os seguintes fundamentos: a) falta de indicação precisa do vício embargado; b) impossibilidade de rediscussão do mérito via embargos declaratórios; e c) da existência de fundamento autônomo não impugnado. Os embargos foram admitidos nos termos do Despacho s/nº de efls. 746/747. Além da omissão apontada pelos embargos já acolhidos, foram constatados evidentes lapsos manifestos no Acórdão nº 2403002.351, por não terem sido apreciadas e votadas as seguintes alegações constantes do Recurso Voluntário (efls. 577/637): a) preliminares: a.1) nulidade da autuação, por erro na identificação do sujeito passivo; a.2) impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária aos representantes legais constantes do Relatório de Vínculos; b) no mérito: b.1) afastamento da taxa Selic sobre a multa de ofício; e b.2) impossibilidade do seguimento de Representação Fiscal para Fins Penais antes do julgamento definitivo do presente processo. O artigo 66 do RICARF dispõe que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto existentes na decisão deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. É o relatório. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 760 5 Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora EEMMBBAARRGGOOSS IINNOOMMIINNAADDOOSS Além da omissão apontada pelos embargos já acolhidos, foram verificados lapsos manifestos pela falta de apreciação e julgado de algumas matérias apontadas no recurso voluntário do contribuinte. Proponho, pois, a admissão e acolhimento dos embargos inominados, com base no art. 66 do RICARF, para que os lapsos manifestos sobre as seguintes matérias sejam corrigidos: a) preliminares: a.1) nulidade da autuação, por erro na identificação do sujeito passivo; a.2) impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária aos representantes legais constantes do Relatório de Vínculos; b) no mérito: b.1) afastamento da taxa Selic sobre a multa de ofício; e b.2) impossibilidade do seguimento de Representação Fiscal para fins penais antes do julgamento definitivo do presente processo. EEMMBBAARRGGOOSS DDEE DDEECCLLAARRAAÇÇÃÃOO Os embargos são tempestivos e foram regularmente admitidos pelo Presidente desta Turma. Portanto, dele conheço. Os embargos de declaração são cabíveis para: a) esclarecer obscuridade, suprir omissão ou eliminar contradição entre a decisão e seus fundamentos; e b) suprir omissão de ponto sobre o qual devia se pronunciar a turma julgadora. Em hipóteses excepcionais, podem serlhes dados efeitos infringentes. Os embargos foram admitidos conforme despacho s/nº nos seguintes termos: "Mediante análise dos autos, verificase que assiste razão à embargante, uma vez que a turma deixou de analisar e se manifestar acerca de ponto central da autuação, qual seja, a constatação de vínculo empregatício de segurados contratados pela empresa Indústria de Relógios Herweg SA por interpostas pessoas jurídicas (EGM e QUARTZ), através de simulação de prestação de serviços." Do voto do relator do acórdão embargado é possível verificar que, ao analisar o mérito, este conclui que a motivação para o lançamento teria sido a prestação de serviços de locação de mãodeobra pelas empresas QUARTZ e EGM para a autuada, e não o uso de Fl. 763DF CARF MF 6 interpostas pessoas jurídicas através de simulação, conforme os excertos colacionados abaixo, com os grifos do original (efls. 697/698): No item 4 do Relatório Fiscal de fls. 70, as Autoridades autuantes registram que o crédito tributário não foi constituído em razão de inadimplências do sujeito passivo do lançamento em comento mas sim sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento das empresas E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. Afirma ainda que as irregularidades foram amplamente demonstradas na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. “ 4. A remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, no período abaixo, é a base de cálculo da contribuição lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua orientação, supervisão e subordinação, fato que foi amplamente demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda.” No Recurso Voluntário de fls.580, a Recorrente afirma que na forma do processo de n° 13971.001447/200311 a empresa QUARTZ Industria e Comercio Ltda, interpusera Manifestação de Inconformidade sobre Ato Declaratório n° 111 de Exclusão do SIMPLES e que até 11/06/2010 não houvera sido cientificada de qualquer decisão. Pesquisa no eprocesso realizada em 01/02/2013, revela que a empresa interpôs Recurso Voluntário que ainda não foi sorteado para julgamento. Na seqüência, no que se refere a empresa E.G.M. Industria e Comércio Ltda, recorrendo de Ato Declaratório n° 34 de Exclusão do SIMPLES, na forma do processo de n° 13971.001444/200388, em 12/08/2010, o Recurso Voluntário interposto junto a este Conselho lhe dera provimento cujo Acórdão afirma ter colacionado em sede de impugnação. Às fls. 219, consta o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU n° 034, de 10 de setembro de 2007 conforme proposto pela Autoridade autuante a empresa E.G.M. INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA EPP, fora excluída do Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples): “ (..) Situação excludente (evento 321) Descrição: realizar operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 761 7 Fundamentação Legal: Lei n° 9.317/96: alínea " f do inciso XII do artigo 9° combinado com o inciso I do artigo 14, o artigo 12, os incisos II, e os parágrafos terceiro e quarto, todos do artigo 15.”(grifos de minha autoria) Na oportunidade, por unanimidade, fora concedido provimento ao Recurso Voluntário Interposto que recorrera da decisão da DRJ Florianópolis. A síntese do “decisium” se expressa na ementa do referido voto: PROVA. A pessoa jurídica não pode ser excluída do SIMPLES no caso de não restar evidenciada, de forma inequívoca, a situação excludente descrita expressamente no ato declaratório de exclusão, cujos fundamentos de fato e de direito vinculam a Administração Pública. ” ( grifos de minha autoria) Consulta ao eprocesso revela : processo excluído. Como se observa, a motivação para se exarar o Ato Declaratório consta registrada na forma abaixo transcrita do documento de fls. 219: “ Situação excludente (evento 321) Descrição: realizar operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra.” Desse modo, tendo sido desconsiderado o Ato Declaratório, desconsidera foi a razão de sua edição ou seja: não se configurou que a empresa realizava operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra. Como visto alhures, o Auto de Infração em tela foi lavrado pelo fato de as Autoridades autiauntes terem se convencido de que as empresas empresas E.G.M. Industria e Comércio Ltda e da QUARTZ Industria e Comercio Ltda. realizavam operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra para a autuada. Na forma do multicitado item 4 do Relatório Fiscal de fls. 70, as Autoridades autuantes registram que o crédito tributário não foi constituído em razão de inadimplências do sujeito passivo do lançamento em comento mas sim sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da das empresas E.G.M. Industria e Comércio Ltda e da QUARTZ Industria e Comercio Ltda em razão de a autuada ser a beneficiária dos serviços prestados por esses segurados: ... Assim, desmaterializado o fato gerador da constituição do crédito e uma vez resgatada a condição de empresa ao SIMPLES, a tributação deve observar a legislação de regência. Os créditos constituídos da forma como foram não podem prosperar tendo em vista que o fizeram como se a empresa estivesse definitivamente excluída do regime especial. Fl. 765DF CARF MF 8 Não há no citado voto do relator qualquer análise referente à caracterização dos segurados empregados das empresas interpostas (QUARTZ e EGM) como segurados empregados da empresa HERWEG. Assim, resta claro que o ponto basilar da autuação não foi analisado, assistindo razão à embargante, devendo ser admitidos os embargos de declaração opostos. Admitidos ambos os embargos, passo à análise dos pontos omissos no acórdão atacado. PPRREELLIIMMIINNAARREESS AA)) NNUULLIIDDAADDEESS As nulidades no Processo Administrativo Fiscal estão previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, e art. 142 do CTN: Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Estando pressentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. BB)) EERRRROO NNAA IIDDEENNTTIIFFIICCAAÇÇÃÃOO DDOO SSUUJJEEIITTOO PPAASSSSIIVVOO Argui a recorrente a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. Alega que o fisco promoveu uma grande "confusão" ao desconsiderar os vínculos empregatícios com as empresas Quartz e EGM, deslocandoos para a autuada; que o correto seria, se fosse o caso, a exclusão do Simples dessas empresas e consequente cobrança das contribuições previdenciárias devidas delas. Verificado o inadimplemento das contribuições previdenciárias o Auditor fiscal tem o dever de constituir o lançamento mediante o respectivo auto de infração contra o sujeito passivo identificado. O art. 22, I da Lei nº 8.212/91 estabelece que as contribuições previdenciárias patronais incidem sobre "o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços". Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 762 9 De acordo com o relatório fiscal as empresas QUARTZ e EGM existiam apenas para abrigar a mãodeobra da recorrente (IND. RELÓGIOS HERWEG), ficando configurada a realização de ato simulado. Em decorrência, as empresas interpostas foram baixadas de ofício por inexistentes de fato. Para a verificação da ocorrência do fato gerador (art. 116 do CTN) das contribuições sociais previdenciárias, é condição necessária e suficiente a caracterização da condição de segurado e de empresa, o que se procede mediante a subsunção dos fatos analisados às normas contidas na Lei n° 8.212/91. Assim pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material. Ressaltese que o procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado, posto que baseado nos princípios acima citados, torna irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. Ademais, o lançamento atendeu a todos os requisitos do art. 142 do CTN não se verificando a ocorrência de quaisquer vícios na sua constituição: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ficando comprovado que a real empregadora é a recorrente não há que se falar em erro na sua identificação como sujeito passivo da obrigação tributária. BB)) RREESSPPOONNSSAABBIILLIIDDAADDEE DDOOSS SSÓÓCCIIOOSS Com relação à arguição de nulidade da autuação pela responsabilidade atribuída aos sócios por meio do Relatório de Vínculos, tal matéria já foi sumulada, firmando o entendimento de que tal documento tem a função meramente informativa: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sem razão à recorrente. CC)) AAUUTTOO AAPPLLIICCAABBIILLIIDDAADDEE DDOO PPAARRÁÁGGRRAAFFOO ÚÚNNIICCOO DDOO AARRTT.. 111166 CCTTNN Fl. 767DF CARF MF 10 Também não merece prosperar o argumento de que o parágrafo único do art. 116 do CTN careceria de regulamentação por lei ordinária, implicando em nulidade da autuação. A permissão legal para que a autoridade fiscal possa realizar o lançamento decorrente de atos simulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com o art. 149, VII, ambos do CTN ponto que será analisado com mais profundidade no mérito. Sobre a auto aplicabilidade do parágrafo único do art. 116 do CTN, defende Leandro Paulsen1: Autoaplicabilidade: "...por já existir, no âmbito federal, uma extensa regulamentação do Processo Administrativo Fiscal (PAF) por meio do Decreto 70235/1972 em que se disciplinam os procedimentos de fiscalização e de julgamento, bem como o processo de consulta e, subsidiariamente pela Lei 9784/1999 que regula o processo administrativo federal no âmbito federal enquanto gênero a desconstituição dos atos e negócios dissimulados prevista no parágrafo único do artigo 116 do CTN independe de novo disciplinamento procedimental, uma vez que PAF já se orienta pelos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório e a Administração Tributária Federal, na fase oficiosa do procedimento fiscal conforme previsto em regulamentos específicos e em manuais de fiscalização , já vem atuando com a participação ativa dos contribuintes na produção do conjunto probatório que embasará eventual lançamento de ofício (REIS, Helcio Lafetá. Planejamento Tributário abusivo: violaçao da imperatividade da norma jurídica, RDDT 209/57, fev/2013) " Portanto, afasto as preliminares de nulidade arguidas. MMÉÉRRIITTOO AA)) CCOOMMPPRROOVVAAÇÇÃÃOO DDOO VVÍÍNNCCUULLOO EEMMPPRREEGGAATTÍÍCCIIOO CCOOMM AA RREECCOORRRREENNTTEE O Auto de infração foi lavrado contra a empresa Indústria de Relógios Herweg Ltda em razão da constatação de que teria se utilizado de interpostas pessoas jurídicas para a contratação de seus empregados, através de ato simulado, conforme extraise do relatório fiscal: 1. Este relatório é integrante do Auto de Infração referente ao lançamento fiscal de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à contribuição devida pela empresa, incidente sobre a remuneração de segurados empregados, contribuintes individuais e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 2. Em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas empresas E.G.M. Indústria e Comércio Ltda e QUARTZ Indústria e Comércio Ltda constatouse que estas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, e foram concebida com o propósito de abrigar mão de obra necessária ao 1 in Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência, 16.ed., Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2014, fl. 1018 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 763 11 desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que todos os recursos eram provenientes da autuada. Pretendeuse desta forma elidirse da incidência da contribuição previdenciária patronal que recairia sobre a folha de pagamento dos empregados e contribuintes individuais da autuada alocandoos na EGM e QUARTZ, empresas optantes pelo SIMPLES. 3. Tal fato foi objeto de Representação Fiscal para Baixa de Ofício da inscrição no CNPJ da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, com base no disposto no artigo 28, inciso II, alínea "a" da IN RFB n° 1.005 de 8 de fevereiro de 2010. 4. A remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, no período abaixo, é a base de cálculo da contribuição lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua orientação, supervisão e subordinação, fato que foi amplamente demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. 5. No período fiscalizado a E.G.M. Indústria e Comércio Ltda e a QUARTZ Indústria e Comércio Ltda eram optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal (até 06/2007) e Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL (a partir de 07/2007). 6. A Autuada, no mesmo período, era tributada pelo Lucro Real, desta forma, a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados então registrados na E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, a qual era substituída pela contribuição do SIMPLES, está sendo objeto de apuração no presente AI. 7. No Anexo 4 consta cópia das Representações Fiscais para Baixa e o seus anexos das empresas QUARTZ Indústria e Comércio Ltda e E.G.M. Indústria e Comércio Ltda. 7.1. O anexo (Anexo 4) das representações é único, mas contém todos os documentos citados em ambas as Representações Fiscais para Baixa. ... Caracterização de Segurados Empregados 10. A Indústria de Relógios Herweg S/A utilizase de subterfúgios ilegais para poder manter uma média de 176 empregados seus alocados em 2 empresas distintas, constituídas em separado para serem optantes pelo SIMPLES e com isso Fl. 769DF CARF MF 12 afastarem as contribuições destinadas à seguridade social, tais empresas operam no mesmo parque fabril e a sua receita advém exclusivamente da Indústria de Relógios HERWEG S/A e de empresas a ela ligada, com maquinários por ela cedidos, e criadas com sócios ("testas de ferro") ligados a Ind. Relógios HERWEG. 11. Pelas evidências encontradas e relatadas nas Representações Fiscais para Baixa de Ofício (cópia Anexo 4) formouse a convicção desta fiscalização de que a Ind. Relógios HERWEG administra e gerencia diretamente a totalidade dos empregados das empresas Ind. Relógios HERWEG, QUARTZ e EGM. Pressupostos Necessários à Condição de Empregado 12. Em decorrência dos fatos relatados, foram realizadas Representações Fiscais para Baixa do CNPJ da QUARTZ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e E.G.M. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA por inexistência de fato, e seus empregados e contribuintes individuais caracterizados como segurados da empresa INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HERWEG S/A, consoante o disposto no art. 3° da CLT (DecretoLei n.° 5.452, de 01/05/1943) e o art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n." 8.212, de 24/07/1991, como segue: 13. PESSOALIDADE: (...) 14. NÃOEVENTUALIDADE: (...) 15. SUBORDINAÇÃO: (...) 16. ONEROSIDADE: (...) ... ... O retrocitado relatório explicita que foi constatado através de auditoria nas três empresas que: as empresas E.G.M. e QUARTZ "não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, e foram concebidas com o propósito de abrigar mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada", com o intuito de deixar de recolher contribuição previdenciária patronal. Foram feitas as representações fiscais para a baixa de ofício das empresas interpostas e o valor da remuneração dos segurados empregados constante das folhas de pagamento foi atribuído à recorrente real sujeito passivo da obrigação tributária. A recorrente, por sua vez, alega que o fisco promoveu uma grande "confusão" ao desconsiderar os vínculos empregatícios com as empresas Quartz e EGM, deslocandoos para a autuada. Expõe que havia, na prática, apenas a terceirização de mãode obra. Afirma que não há ilegalidade nessa prática, tampouco na contratação de empresas cujos sócios sejam exempregados da contratante. Destaca que o maquinário necessário para as atividades das empresas contratadas foi cedido em regime de comodato. Também entende não ser suficiente para o lançamento, nem ilegal, que a mesma empresa de contabilidade preste serviços a todas as empresas. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 764 13 Sustenta que inexistem os citados vínculos empregatícios dos empregados das empresas QUARTZ e EGM com a recorrente e que a fiscalização não teria demonstrado a existência de tais vínculos. Esclarece que, em virtude de sido incluída no polo passivo de ações trabalhistas, "estabeleceu políticas de fiscalização e controle das terceirizadas, mais precisamente, as empresas QUARTZ e EGM, a tal ponto de aferir a confecção de folhas salariais, o pagamento de salários e encargos, bem como dos tributos, tudo para afastar a solidariedade imposta pela fiscalização". Por fim, que não houve a desconsideração dos negócios jurídicos, tampouco a exclusão do Simples das empresas ditas interpostas, ademais, entende inaplicável o art. 116, parágrafo único do CTN. Conforme citado, a motivação do lançamento decorreu da análise de todo um conjunto fáticoprobatório que demonstrou que as empresas não possuíam "patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social", o que levou à consequente baixa de ofício dos respectivos CNPJ. A ocorrência do uso simulado de interpostas pessoas jurídicas está claramente demonstrada no relatório fiscal e anexos, em especial o Anexo 4 (efls. 96 e ss), do qual transcrevo os principais argumentos, de forma resumida: · no período fiscalizado as empresas QUARTZ e EGM eram optantes pelo Simples e a HERWEG tributada pelo Lucro Real; · a HERWEG, durante os anos de 1997/1998, demitiu a maioria de seus empregados (de 194 em nov/1997 apenas 12 permaneciam em nov/1998 na maioria do setor administrativo); · no mesmo período foram criadas 3 novas empresas (QUARTZ, EGM e Plausi esta última incorporada pela EGM em 04/06/2001), todas optantes pelo Simples, situadas no mesmo endereço da autuada (Rua Uruguai, 240 Timbó/SC) e gerenciadas por exempregados da autuada; · os sócios das empresa QUARTZ e EGM estão diretamente ligados à empresa autuada (exempregados, exsócios em outras empresas ou vínculo familiar próximo); · o capital social das empresas QUARTZ e EGM é irrisório comparado com o nº de segurados registrados; · não há qualquer separação física nos galpões da HERWEG que demonstrem quais atividades são desenvolvidas pelas empresas QUARTZ e EGM (ou seja, o espaço físico é utilizado de forma conjunta); · as empresas QUARTZ e EGM não possuem maquinário próprio, sendo todas as atividades desenvolvidas pelo empregados em máquinas de propriedade da HERWEG que, por meio de contrato de comodato, cede o uso às empresas interpostas; Fl. 771DF CARF MF 14 · em entrevista realizada com empregados na sede da autuada, mesmo os empregados registrados nas outras empresas confirmaram que o responsável pela empresa seria o sóciogerente da autuada, inclusive o sócio da empresa Quartz fez tal afirmação; · na contabilidade da empresa HERWEG foram encontrados pagamentos de despesas das empresas QUARTZ e EGM (pagamentos referente a salários, FGTS e despesas com refeições); · a prestação de serviços contábeis e financeiros é feita para todas as empresas pelo escritório CSI Contabilidade Ltda (também constituída por exempregados da autuada e com mesmo endereço da autuada até 05/2009); cheques e rescisões de contrato de trabalho são confeccionadas pela CSI e assinados por suas sócias, que possuem procuração de todas as empresas; · na contabilidade das empresas QUARTZ e EGM os registros de despesas referemse apenas a mão de obra e seus encargos e aos impostos incidentes; não há registro de despesas com energia elétrica, manutenção predial, de máquinas e equipamentos, material de escritório ou material de consumo, ou seja, todas as despesas necessárias para a atividade fabril são suportadas pela autuada; · o faturamento da empresa Quartz nos anos de 2005 e 2006 advinha exclusivamente de receitas de prestação de serviços à autuada, enquanto nos anos seguintes (2007 e 2008) passou a ser de mais de 90%; · mais de 60% do faturamento da empresa EGM, nos anos de 2005 a 2008, era proveniente da prestação de serviços à empresa autuada. Por seu turno, a recorrente rebate as situações descritas no relatório fiscal alegando: a) com relação às despesas das empresas interpostas suportadas pela recorrente: adiantamentos são procedimentos contábeis legais, no pagamento final são deduzidos os valores adiantados, inexistindo óbice na legislação do Imposto de Renda; b) sócios das empresas interpostas são exempregados da recorrente: não há impedimento legal a tal procedimento, constituindo em incentivo aos exempregados; c) terceirização dos serviços de contabilidade e pessoal das empresas interpostas: não há impedimento legal, sendo prática usual no mercado; d) constituição das empresas interpostas com capital social irrisório: cada pessoa jurídica possui personalidade própria e autonomia para estabelecer o seu capital social.; não há determinação legal estabelecendo valor mínimo e máximo para constituição do capital social; e) existência de pessoas ligadas à recorrente nas empresas interpostas: não há previsão legal que impossibilite ser empregado/sócio de prestadora de serviço, tendo sido empregado da atual tomadora de serviço; Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 765 15 f) estabelecimento no parque fabril da recorrente: legal, mediante contrato de locação; g) máquinas e equipamentos fornecidos sem ônus pela contratante: através de comodato de equipamentos firmado pela recorrente com as empresas prestadoras de serviços, sendo instrumento legítimo e celebrado nos termos da lei civil. h) exclusividade na prestação de serviços: por opção da prestadora, desde 2007 não havia mais a exclusividade; i) patrimônio e capacidade operacional: "ambas as empresas são pessoas jurídicas, de direito privado, contendo seus atos constitutivos os elementos essenciais exigidos pelo Código Civil". A empresa "possui os requisitos fundamentais e necessários à realização de seu objeto , inclusive o seu capital social fora devidamente integralizado. Tanto é que possui empregado, contrata terceiros, realiza negócios jurídicos, ou seja, incorre na atividade econômica de risco." Todavia a recorrente não demonstrou a razão da transferência da maioria dos empregados da recorrente para as empresas interpostas, mantendo apenas ocupantes de cargos administrativos e de supervisão, conforme excerto do relatório constante do anexo 4 (efl.s 100/101): 2.3 As três empresas criadas tem suas sedes no mesmo endereço da Ind. Relógios HERWEG, e os empregados estão nos galpões onde funcionava o setor de produção da Ind. Relógios HERWEG, passando a realizar o processo de produção que era executado unicamente pela empresa Ind. Relógios HERWEG. O número de empregados no endereço "Rua Uruguai n° 240 Bairro Imigrantes Timbó SC" permaneceu estável no ano de 1998, apenas os empregados foram registrados em empresas distintas, (...) 2.4 Os empregados que eram da Ind. Relógios HERWEG foram distribuídos pelas três empresas criadas. Em 03/1998 dos 111 empregados admitidos pelas empresas (QUARTZ/EGM/PLAUSI) cerca de 90 deles eram empregados da Ind. Relógios HERWEG até o mês anterior (02/1998). 2.4.1 Somente alguns empregados/diretores, os quais ocupavam, com poucas exceções, cargos administrativos e de supervisão, como podese observar na planilha abaixo, permaneceram com vínculos na Ind. Relógios HERWEG. Também não trouxe qualquer documento comprobatório das alegadas antecipações de despesas ou dos valores recebidos pelo comodato do maquinário. Apenas juntou notas de serviços da empresa de contabilidade para demonstrar que esta prestava serviços a outras empresas. Destaco ainda o item 2.5 do relatório de efl. 101 que comprova a simulação do negócio jurídico: 2.5 Na teoria a Ind. Relógios HERWEG apenas compra as matériasprimas e manda industrializálas nas empresas Fl. 773DF CARF MF 16 terceirizadas, mas na prática nada mudou na empresa, os empregados estão em um único parque fabril, sob orientação, supervisão e subordinação da empresa Ind. Relógios HERWEG. Por todo o conjunto de provas anexados aos autos, constatase que a operação de "transferência de operações fabris" realizada entre a recorrente e as empresas QUARTZ e EGM não se reveste de mera terceirização, mas sim de simulação de transferência de empregados, na qual a recorrente arca com toda a manutenção de maquinário e instalações, inclusive despesas das empresas interpostas, com o evidente intuito de sonegar a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a folha de pagamento, ficando demonstrado que as empresas interpostas não existiam de fato, sendo todas uma mesma entidade. Como visto, tratase da aplicação do princípio da primazia da realidade, princípio emprestado do Direito do Trabalho, plenamente aplicável ao Direito Tributário. Sobre a matéria cito excerto do voto do conselheiro André Luís Mársico Lombardi (Ac. 2302003.144, sessão de 13/05/2014): Com efeito, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. E nem se diga que não há amparo no Direito Tributário para a conduta adota pela autoridade fiscal. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ªEdição). O Código Civil Brasileiro de 2002 considera nulo o negócio jurídico simulado e assim apresenta as hipóteses em que resta ocorrida a simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. §1°Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados Notese que o conceito de simulação, que, em síntese, consiste em fingir negócio jurídico inexistente, envolve a concepção de dissimulação, que consiste na prática de negócio jurídico para ocultar, encobrir ou disfarçar um negócio jurídico existente. E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 766 17 Diante do quadro normativo exposto, podese concluir que, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. Assim, na hipótese de simulação, a autoridade fiscal deve superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária ao negócio jurídico dissimulado. No caso em tela, a simulação ocorreu por intermédio daquilo que se denomina de abuso de forma jurídica, incorrendo a recorrente em modalidade de evasão fiscal (art. 149, VII, e 116, § único, do CTN). Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento: CTN Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo,ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, o procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN. Portanto, no caso concreto, estamos diante da presença de diversos indícios concordantes, os quais, analisados conjuntamente são prova, conforme excerto de voto do Acórdão CSRF/01 02.743, que evocando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal citada por Hely Lopes Meirelles: “Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que “indícios Fl. 775DF CARF MF 18 vários e concordantes são prova”, com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado”. (STF, RTJ 52/140 apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22a ed., 1997, p. 97.) De todo o exposto, concluise que, a soma dos elementos trazidos aos autos e não afastados pelo recorrente são suficientes para demonstrar a correção do lançamento fiscal, pelo uso de interpostas pessoas jurídicas (QUARTZ e EGM) pela recorrente (HERWEG) mediante a prática de simulação. BB)) JJUURROOSS SSOOBBRREE AA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO A recorrente alega que, embora a multa de ofício seja parcela integrante do crédito tributário, a aplicação de juros sobre esta é impossível em face de ausência de previsão legal que autorize tal incidência. Sobre essa matéria, as três turmas da Câmara Superior têm se manifestado pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, cito acórdãos nº 9101003.469 –1ª Turma sessão 7/03/2018 relatora Adriana Gomes Rêgo; nº 9202006.473 – 2ª Turma sessão de 30/01/2018 relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos e nº 9303006.008 3ª Turma sessão 29/11/2017 redator voto vencedor Andrada Márcio Canuto Natal. Transcrevo excerto do voto do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que, ao redigir o voto vencedor no citado acórdão nº 9303006.008 expõe com minuciosa precisão a matéria: De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e Fl. 776DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 767 19 três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 777DF CARF MF 20 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por todo o exposto, a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Para reforçar este entendimento, transcrevo abaixo precedentes judiciais e administrativos elaborado pela assessoria jurídica do CARF em estudos internos a respeito da matéria. Julgamento da matéria nos Tribunais Superiores Em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº1.129.990 PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 768 21 A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em 18 de maio de 2010, replicou este entendimento ao decidir o Recurso Especial nº 834.681MG, sob relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Também se tratava, neste caso, de legislação estadual. Em 04 de dezembro de 2012, a 1ª Turma manteve este posicionamento no julgamento de Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relatado pelo Ministro Benedito Gonçalves: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Neste caso, a multa de ofício fora lançada com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e o sujeito passivo alegava a inexistência, no referido dispositivo legal, de qualquer menção sobre a cobrança de juros de mora. Por fim, em 07 de junho de 2016, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça mais uma vez aplicou a jurisprudência pacífica do Tribunal, agora em face de Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 870.973MG, sob relatoria do Ministro Humberto Martins: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Fl. 779DF CARF MF 22 MATÉRIA DE CUNHO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. REEXAME. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC/73 quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. 3. Da leitura do acórdão recorrido, depreendese que a questão acerca da base de cálculo do ICM/ST foi debatida pelo Tribunal de origem com fundamento eminentemente constitucional, sendo a sua apreciação de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do permissivo constitucional Agravo interno improvido. A análise recaiu, assim, sobre legislação do Estado de Minas Gerais. O Superior Tribunal de Justiça, portanto, não apreciou as questões colocadas em face da redação do art. 61, caput e §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Ementas de acórdãos recentes da CSRF Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, Relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Acórdão nº 9202004.250, de 23 de junho de 2016, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado Acórdão nº 9303004.570, de 8 de dezembro de 2016, Redator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 769 23 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [...] Sobre a aplicação da taxa Selic, colaciono a Súmula CARF nº 4 que firma o posicionamento a ser seguido por este Colegiado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Valhome das razões acima, para negar provimento ao recurso voluntário nessa matéria. CC)) IIMMPPOOSSSSIIBBIILLIIDDAADDEE DDOO SSEEGGUUIIMMEENNTTOO DDEE RREEPPRREESSEENNTTAAÇÇÃÃOO FFIISSCCAALL PPAARRAA FFIINNSS PPEENNAAIISS AANNTTEESS DDOO JJUULLGGAAMMEENNTTOO DDEEFFIINNIITTIIVVOO DDOO PPRREESSEENNTTEE PPRROOCCEESSSSOO Sustenta o recorrente a impossibilidade de edição de Representação Fiscal para Fins Penais antes da decisão definitiva na esfera administrativa. Por força da Súmula CARF nº 28 (Vinculante) o Carf não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Deixo de conhecer das alegações acerca da Representação Fiscal para Fins Penais. Pelo exposto, no mérito, deixo de conhecer da RFFP e nego provimento às demais alegações do recorrente. AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS EEMM MMAANNIIFFEESSTTAAÇÇÃÃOO CCOONNTTRRAA EEMMBBAARRGGOOSS AA))EEXXIISSTTÊÊNNCCIIAA DDEE FFUUNNDDAAMMEENNTTOO AAUUTTÔÔNNOOMMOO NNÃÃOO IIMMPPUUGGNNAADDOO O sujeito passivo, em sua manifestação sobre os embargos, sustenta que a decisão embargada não estaria fundamentada exclusivamente na improcedência da autuação pela não exclusão do Simples das empresas prestadoras de serviços. Que há um "outro argumento que fundamentou a decisão abaixo, podendo inclusive ser considerado um dos mais fortes expostos no acórdão embargado, se trata do reconhecimento da inexistência de norma antielisiva que possibilite a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN.". E destaca o seguinte trecho do voto do relator: Fl. 781DF CARF MF 24 Como se nota passou desapercebido pelo instância “ ad quod ” a parte final do exortado art. 116 do CTN onde se determina obrigatório observar os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Assim fazse necessário que a desconsideração de negócio jurídico tenha suporte em lei ordinária própria a qual deve constar da fundamentação legal. Neste mesmo diapasão, também se observa que o referido parágrafo 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91 trazido à colação pelo i. Julgador não se coaduna com os fatos em comento em razão do lançamento não se tratar de sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. Alega que, mesmo que haja manifestação sobre os argumentos do embargante, não haveria alteração do resultado do julgado, "posto que o acórdão embargado está alicerçado em fundamento autônomo apto, por si só, a manter o julgado". Entende aplicável a Súmula nº 283 do STF. Súmula nº 283 STF Enunciado: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Cabe tecer alguns comentários acerca da questão. Inicialmente, entendo que o enunciado da Súmula retrotranscrita não é aplicável no caso de embargos, visto que este deve aterse ao ponto "obscuro, omisso ou contraditório" do acórdão embargado, não necessitando atacar todos os pontos do acórdão. A turma do acórdão embargado, por unanimidade de votos, julgou favorável o mérito do lançamento, deixando de declarar a nulidade, com fundamento no § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72, não constando na parte dispositiva do acórdão qualquer referência à manifestação dos conselheiros sobre a nulidade arguida pelo relator originário, conforme registro da parte dispositiva da ementa e conclusão do voto do relator: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição, rerratificando o Acórdão no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. VOTO ... DA NULIDADE E DO MÉRITO Embora maculado pela incorreta fundamentação legal que ensejaria a nulidade do lançamento, sob o comando do § 3º do art. 59 do decreto 70.235/72, reiterado no § 3º do art. 12 do Decreto 7.574, de setembro de 2011 , quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, verbis: “ Art. 59. São nulos: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 770 25 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta.( Incluído pela Lei n 8.748, de 1993 ) ” Assim , em face de tudo que foi exposto, cumpre dar provimento às alegações da recorrente que por economia processual deixo de enfrentálas pontualmente. CONCLUSÃO Conheço do recurso para, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO. (grifos no original) Por todo o exposto no presente voto, a pretensa nulidade resta aqui afastada. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO Pelo exposto, voto por acolher os embargos de declaração e os embargos inominados, para, suprindo a omissão e os lapsos manifestos e dandolhe efeitos infringentes, retificar o acórdão embargado, conhecendo em parte do recurso voluntário, exceto com relação à matéria Representação Fiscal para Fins Penais, afastar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Fl. 783DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720117/2015-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LUCRO REAL. HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO. É ilegal o lançamento com base no lucro real nas hipóteses em que a escrita contábil do contribuinte torna-se imprestável, devendo a autoridade administrativa proceder o arbitramento, nos termos dos arts 529 e 530 do RIR e art. 47 da Lei no. 8.981/95.
ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE REGIME JURÍDICO. A modificação do regime jurídico de apuração do tributo do lucro real para o arbitrado, não é um mero ajuste na base calculada do imposto lançado, caracteriza-se como erro na fundamentação jurídica do lançamento, cuja resolução implica incidência de outra norma jurídica. Tal equivoco não pode simplesmente ser corrigido pela administração, em garantia as disposições dos artigos 142 e 149 do CTN, muito menos em sede de processo administrativo. É necessário a realização de outro ato de lançamento (aplicação), respeitando-se o prazo decadencial, pois o fundamento jurídico será diferente daquele que o Contribuinte impugnou no processo.
Numero da decisão: 1401-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Ailton Neves da Silva.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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LUCRO REAL. HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO. É ilegal o lançamento com base no lucro real nas hipóteses em que a escrita contábil do contribuinte tornase imprestável, devendo a autoridade administrativa proceder o arbitramento, nos termos dos arts 529 e 530 do RIR e art. 47 da Lei no. 8.981/95. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE REGIME JURÍDICO. A modificação do regime jurídico de apuração do tributo do lucro real para o arbitrado, não é um mero ajuste na base calculada do imposto lançado, caracterizase como erro na fundamentação jurídica do lançamento, cuja resolução implica incidência de outra norma jurídica. Tal equivoco não pode simplesmente ser corrigido pela administração, em garantia as disposições dos artigos 142 e 149 do CTN, muito menos em sede de processo administrativo. É necessário a realização de outro ato de lançamento (aplicação), respeitandose o prazo decadencial, pois o fundamento jurídico será diferente daquele que o Contribuinte impugnou no processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Ailton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 17 /2 01 5- 26 Fl. 8044DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife (PE) que manteve o crédito tributário decorrente de supostas infrações à legislação tributária, exigindose do contribuinte o IRPJ, CSLL, Cofins e PIS. O crédito tributário total importou em R$ 130.296.760,31, fl. 2354. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 2194/2220, o lançamento, que se refere aos anos calendário 2010, 2011 e 2012, decorreu da glosa de custos contabilizados com base em documentos inidôneos, tendo enquadramento legal no art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e artigos 217, 247, 248, 249, inciso I, 251, 256, 277, 278, 289 e 290 do RIR/1999, conforme valores discriminados na tabela abaixo: IRPJ R$62.822.473,62 CSLL R$ 22.619.268,26 COFINS R$ 36.827.324,09 PIS R$ 8.027.694,34 Extraise do Termo de Verificação Fiscal – TVF e Constatação de Irregularidades às fls. 2200/2210 dos autos, que “foram glosadas todas as aquisições de matériasprimas e/ou prestação de serviços que a Metallica informou como tendo sido efetuadas às empresas NEO, LINGUES E MAVERIC”. O auto de infração indica como responsáveis solidários pelo crédito tributário “o Sr. Roberto Costilas Júnior (CPF nº 056.931.13817), Sra. Nívea dos Santos Costilas (CPF nº 087.883.48857), Empresa Europarts Administração de Bens Ltda. (CNPJ nº 03.920.391/000150) e Empresa Eurocon Consultoria e Negócios Ltda. (CNPJ nº 03.430.508/000118). A responsabilidade solidária foi imputada com base no disposto no artigo 124 c/c art. 135, inciso III e art. 17 do Código Tributário Nacional, CTN. e art. 210, inciso VI e parágrafos do RIR/1999”. Fl. 8045DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.045 3 Extraise do TVF, que o "Sr. Roberto Costilas Junior é o mentor intelectual de um grande esquema montado com o intuito de sonegar tributos, utilizandose de pessoas jurídicas de fachadas constituídas como sócios "laranjas", girando milhões de reais para atingir seus fins ilegais". Afirma que “as empresas Metallica, Stillo e Cobrenet são empresas constituídas por laranjas, por pessoas que não possuem nenhuma capacidade empresarial, inclusive houve a suspensão de uma alteração contratual da empresa Stillo por suspeita de [falsificação de assinatura]". Acrescenta ainda, que "as empresas Stillo e Cobrenet simularam a venda para a Metallica, principalmente de sucatas, vergalhões e barras de cobre e bronze, já que a mesma atua no setor de transformação de cobre e suas ligas, desenvolvendo e fabricando produtos laminados como bobinas e tiras, produtos extraídos como barras, perfil, anodos e granalhas, além de fios de cobre”. Acerca da fraude realizada pela autuada, sustenta a fiscalização que restou comprovado “a interposição fraudulenta pelos seguintes motivos: a) Realização de operações milionárias, sem possuírem, no mundo fenomênico, qualquer condição operacional para tal; b) Sócios "laranjas" sem o suficiente poder aquisitivo para movimentar milhões de reais; c) Situação cadastral, ora nula, ora baixada; d) Em nenhuma das empresas, foi constatada a sua existência física, quando em diligências em seus endereços; e) O fato da METALLICA ser o maior (e suposto) comprador das empresas fraudulentas; f) A empresa responsável pelos imóveis supostamente utilizadas pelas empresas Lingues e Neo. é a mesma (FORVM), com o mesmo escritório, fato este que é, no mínimo, um indício de que a pessoa responsável (de fato) por ambas é a mesma pessoa". Cientificado da autuação, o interessado apresenta quatro Impugnações Administrativas, trazendo em seu bojo as seguintes razões: · Impugnação I (apresentada em 14/12/2015 – fls. 2.386/2.395 por NIVEA DOS SANTOS COSTILAS): 1. DO NÃO ENQUADRAMENTO — INFRAÇÕES A LEI: Afirma que “inexistiu a indicação pelo Fisco de favorecimentos, vantagens ou recursos para os terceiros implicados, procedentes das empresas ou dos negócios comerciais fiscalizados nos anos de 2010 a 2012. (...) Ainda, para se falar de interesses no afã de aplicar o art. 124 do CTN necessário seria a comprovação que afastasse qualquer dúvida porque a simples alegação, ou mera presunção não se firma a esse fim”. 2. DA INADEQUAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DO CTN: Diz que “não existe Lei que atribua à responsabilidade pessoal e direta de terceiros na exigência tributária. A intenção de implicar e coobrigar pessoas a crédito tributário somente acontecerá se existir motivação amparada em robustas provas, que possa enquadrar em um dos dispositivos do Código Tributário Nacional. Não se pode exigir o mesmo crédito tributário de uns e outros como Fl. 8046DF CARF MF 4 se faz no presente caso. Porque se pessoal a responsabilização, excluída estaria a obrigação do contribuinte”. 3. DO NÃO EXCESSO PRATICADO NA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: Afirma que “descortinase a imputação de responsabilidade sob meras suposições, sem a prova concludente e necessária a legitimar a questão. Mas, poderá resultar no confisco de toda a propriedade do implicado, excesso que já se mostra abusivo. Se considerado o fato de não ter sido indicado nenhum patrimônio a descoberto, a não ser bens adquiridos sob justificada prestação de serviços; não comprovada a participação societária nas empresas com inaptidão cadastral, ou desclassificada as operações comerciais propriamente ditas os tais e supostos negócios simulados em nome da Autuada, cabe atentarse para os excessos dos agentes”. 4. DA INEXISTÊNCIA DE PROVAS: Aduz que não se apresentou nenhuma prova da aventada simulação ou mesmo caracterizado desvios e favorecimentos. E que, “para se falar em interesses deveria estar demonstrado patrimônios indevidos ou vantagens ilícitas, a partir do fato gerador da obrigação, situação não indicada nos autos. O foco são negócios comerciais entre a Autuada e as sociedades Neo, Lingues e Maverick, no ano de 2010, 2011 e 2012. Já os elementos probantes seriam aqueles de uma outra fiscalização levada a efeito no ano de 2008, não se coadunando uma coisa com outra”. 5. Requereu a rejeição do Termo de sujeição passiva solidária, “sob pena dos excessos praticados resultarem em esbulho patrimonial e confisco de propriedades, configurando um abuso”. · Impugnação II apresentada em 14/12/2015 – fls. 2.529/2.577 pela Pessoa Jurídica – METALLICA INDUSTRIAL S/A: 1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA: Ressalta que “a empresa autuada insurgese, impugnando integralmente o auto de infração, quer seja quanto a pretensão de impostos (IRPJ, REFLEXOS E IPI) multas, juros, correção, como em relação às alegações, exigências, valores e o enquadramento legal. As narrativas inspiradas ou extraídas do outro TVF, ante a seriedade das acusações, mostramse aqui como premissas inválidas para determinação da persistência de elementos probantes e continuidade de práticas ilícitas. Não se prestam, pois, ao raciocínio de interposição de pessoas, simulação de negócios, benefícios a terceiros, estoques sem comprovações”. 2. Alega que “promoveram quebra de sigilos bancários, após fixação de editais na sede da DRF/São Paulo. Identificaram quantias procedentes da STILLO e METALLICA para um terceiro, Sr. Roberto Costilas Junior, e relegando os documentos que respaldavam o recebimento dos valores, insinuaram tratarse de desvios”. 3. DO ATENDIMENTO AOS TERMOS DE DILIGÊNCIA/SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS: Afirma que “as empresas Neo, Lingues e Maverick Fl. 8047DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.046 5 atenderam ao Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos através dos seus respectivos sócios” E que “os documentos mostram a distância da Impugnante em relação às fornecedoras, ratificando a distinção jurídica entre elas, bem como indicam os gestores das empresas, assim como caracterizam a disparidade dos interesses”. 4. DA CAPACIDADE ECONÔMICA: Alega que “a falta de capacidade econômica de sócios de fornecedores não é causa para a imputação de crédito tributário aos adquirentes das mercadorias, em nada influenciando as atividades de gestão mesmo quando a riqueza do cidadão não corresponda a expectativa do Fisco”. 5. DA REGULARIDADE CADASTRAL DAS DILIGENCIADAS: Ressalta que “a pesquisa realizada na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, o Sr. Auditor Fiscal demonstra que, na época da celebração dos negócios, as empresas fornecedoras estavam regulares também perante o Cadastro de Contribuintes do ICMS”. 6. DAS VENDAS — MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS: Afirma que “cogitamos a confirmação de que as empresas possuíram capacidade financeira quando operaram os seus comércios, atenderam à altura aos seus propósitos estatutários e negociaram com inúmeros outros adquirentes de mercadorias, além da Impugnante. Os dados apresentados servem de prova à eficiência com que se postaram no mercado, comercializando produtos com diferentes outras empresas e, a nosso ver, fragilizam a aplicação da IN 1511 da RBF, datada de 6/11/2014”. 7. DAS COMPRAS PELAS EMPRESAS DILIGENCIADAS: Diz “que dentre os documentos solicitados não se encontra o pedido de notas de compra de mercadorias. No processo administrativo existem notas que indicam remessa de material para industrialização em terceiros (Doc. 7b). Comum no mercado, assumirem material de qualidade inferior (sucata e resíduos) e através de processos chegarem, por exemplo, a mercadoria com pureza ideal para consumo. A nota fiscal eletrônica, n. 4159, emissão de Transformadores Jundiaí Ltda. (encartada) mostra essa situação de remessa para processamento comprovando o acima mencionado. Aliás, a própria Impugnante adotou esse procedimento, além de ter realizado venda de resíduos para essas empresas, segundo notas fiscais em anexo (Doc.7)”. 8. DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 1511 DE 6/NOVEMBRO/2014: Alega que “os sócios foram localizados e atenderam a fiscalização, municiandoa com documentos que estão incluídos no processo, suficientes para provar a capacidade operacional em instalações alugadas (contratos de aluguéis) (Doc. 13, 14,15), declarações de colaboradores arquivadas em pastas 46 e 64 do PAD (Doc. 16) atendimento de obrigações tributárias (DCTF, DIPJ), vendas no mercado. Em suas DIRPF constatase rendimentos e bens e direitos, segundo o relatado no TVF. Na oportunidade dos negócios todas empresas estavam regulares, ativas perante a SRF. As declarações ao Fisco mostram oferecimento de receitas para tributação. O levantamento de notas eletrônicas de venda caracterizou volume de faturamentos”. Fl. 8048DF CARF MF 6 9. DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA EMPRESA AUTUADA: Diz que "a Metallica é uma empresa com atividades no mercado de metais não ferrosos, produzindo semiacabados de cobre, com duas linhas de produção (laminação e extrusão de metais). É uma das poucas empresas no setor de cobre e suas ligas, disputado por cerca de quatro indústrias nas atividades de laminação e não mais de seis outras voltadas para o setor de extrusão”. 10. DO DEMONSTRATIVO DAS COMPRAS DA METALLICA: Afirma que “o isolamento da compra de um único fornecedor dá visão distorcida da situação operacional. As compras acontecem na necessidade, aproveitam a oportunidade, se sujeitam a disponibilidade, têm certa regularidade. A compra de matéria prima se fez junto a essas três indicadas e a outras fornecedoras, também fiscalizadas, a se ver pag. 4/27 do TVF. (...) Caracteriza e comprova que a Autuada sempre se afastou de irregularidades, posto que negociava com as empresas e delas se afastou quando houveram problemas condições, qualidade, relacionamento e etc”. 11. CONSTITUIÇÃO SOCIAL — METALLICA – FORNECEDORES: Afirma que “de tudo, cabe liquidar a pecha de tratarse de 'empresa de papel' com pessoas fictas em sua gestão, organizada para fraudes e envolvida em ilícitos. Embora o discurso sobre o planejamento para responsabilizar uns acobertados por outros, não existem provas da materialidade. Importante, à luz do aqui exposto, repensar a narrativa de pag. 17/27 e 18/27 do TVF que emolduram a Metallica em fotografia de caso do passado, lançando matizes sem chegar às atuais e verdadeiras cores do retrato. A planta industrial da Impugnante não sobrevive com fraudes, ilícitos ou esquemas. Tem a mesma direção desde o ano de 2002. Seus documentos a SRF demonstram a sua capacidade operacional. A empresa está no ramo 40 industrial e disputa preços e condições para comprar/vender. Não exerce poder policial, arranjando, pesquisando, ou sondando coisas reservadas dos seus fornecedores”. 12. COOBRIGADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO: Salienta que é “cabível registrar que os coobrigados na exigência tributária, a despeito de todo esforço do Fisco para ligálos à Autuada, dela não participam nem a administram ou representam. A relação mantida com essas pessoas tem caráter meramente profissional. Os atos constitutivos e societários bem como documentação de serviços prestados, constam do Processo Administrativo Fiscal, comprovando a alegação. Mesmo que convergindo os interesses quando de negócios, aqueles pertinentes a cada uma das pessoas, físicas ou jurídicas, são contrapostos com a figuração das partes em poios opostos da obrigação”. 13. DAS EMPRESAS DECLARADAS INAPTAS EM 2015: Afirma que "das empresas declaradas inaptas, acostamos o dossiê contendo seus estatutos, contratos de alugueis, autorizações fiscais e pesquisas no sistema de cadastro de impostos estadual e em associações e empresas que indicam negativados em crédito, atos publicados e até fotos do estabelecimento. Dossiê cadastral da Empresa Neo (Doc. 13); Lingues (Doc. 14) e Maverick. (Doc. 15). Notamos que esses documentos foram oferecidos a fiscalização, encontrandose arquivados no processo administrativo fiscal. Mais, através das pesquisas realizadas diligentemente pelo Sr. Auditor Fiscal, ganharam autenticidade e foram validados para a época dos negócios”. Fl. 8049DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.047 7 14. ATUAÇÃO NA GESTÃO/ADMINISTRAÇÃO DA METALLICA: Diz que “os dirigentes, Sr. Luiz Carlos Diogo e Sr. Edvan Moura de Queiroz podem não apresentar riquezas à expectativa e conceito do Fisco, porém não podem ser julgados incapazes ou distantes da função que exercem. A experiência adquirida na prática, vivência no negócio, a cultura e o autodidatismo, além de valores morais e motivações pessoais, afora critérios íntimos de investimentos e imobilizações, precisam estar no horizonte para um julgamento como o pretendido pelos agentes fiscais. O Presidente, firmando esta Impugnação, registra ser o contabilista que oferece dados importantes para a própria RFB, tipo as DIPJ, detentor de anos de experiência na metalurgia, com o registro n° 1SP184011/08 CRC/São Paulo (Doc. 19)”. 15. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS PARA FRAUDES: Afirma que “a questão de entrada e saída de sócios, decorrentes da análise dos contratos sociais, cotejada com datas de compras pela Metallica, aventada com indício de premeditação de ilícitos (pag. 20/27 do TVF), deve ser tratada com o rótulo que lhe foi dado: coincidências. Não existe qualquer sinal da intervenção da Metallica ou dos Coobrigados na ocorrência. É uma possibilidade levantada pelo Sr. Auditor Fiscal, ao interesse de criar elementos favoráveis à sua tese”. 16. GLOSA DOS CUSTOS — TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL: Diz que “o somatório das notas fiscais glosadas, R$ 155.271.612,30 foi considerado como lucro real e sujeitado à alíquota de 15% para imposto e mais 10% de adicional. Desconsiderado foram todos os custos em clara confusão da renda e lucro. Determinado pois incorreção por vicio insuperável no lançamento, há que se anular o Auto de Infração sobre o IRPJ e os seus reflexos”. 17. DA DECADÊNCIA: Afirmouse “aplicar a decadência naqueles documentos do exercício de 2010 e 2011 segundo o preceito do Código Tributário Nacional, pedese, também, a anulação do Auto de Infração o qual, por sua vez, compõese com valores indevidos”. 18. DAS MULTAS: “Excedendo as permitidas e representando confisco, no presente caso temos aplicação de multa na ordem de 150%, com amparo no art. 44 da Lei 9430/96, redação pelo art. 14 Lei 11.488/07. A penalização da Autuada decorre não de seus atos, conduta ou procedimento; mas, sim de ação de terceiros pois fornecedoras de outrora não foram localizadas quando da fiscalização Não se comprova, como seria necessário, o intuito de fraude ou dolo por parte da autuada que recebe a multa de forma agravada”. 19. Requereu “a procedência da presente Impugnação com a anulação da pretensão do Fisco, extinção do crédito tributário e da respectiva solidariedade de terceiros”. · Impugnação III apresentada em 14/12/2015 – fls. 7.155/7.173 pela Pessoas Jurídicas – EUROCON BRASIL CONSULTORIA E Fl. 8050DF CARF MF 8 NEGOCIOS LTDA e EUROPARTS ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA: 1. Afirma que “tratandose de auto com a infração calcada na inidoneidade de documentos fiscais, necessário seria colocar as impugnantes na gestão, representação ou gerência das fiscalizadas, em condutas e interesses que justificassem a excepcionalidade da hipótese. Em todo o contexto do Termo de Verificação Fiscal, não é demonstrado nada a respeito. As impugnantes demostraram a higidez dos seus ativos. Comprovaram a capacidade financeira para os bens e patrimônios. Mostraramse distantes dos negócios sob suspeitas. Carece então o Auto de Infração de elementos para estabelecer solidariedade tributária entre as pessoas jurídicas, não persistindo aqueles de outrora, chamados para apoiar este caso”. 2. DAS PROVAS PARA A ACUSAÇÃO: Diz que “não há qualquer materialidade a apoiar a tese sobre as transações mercantis, verificadas com superficialidade porque disponibilizado ao Fisco dossiê com a nota, transporte, peso, quitação das mercadorias. De tudo, no contexto fica a confirmação da conduta licita e íntegra, de boafé por parte da adquirente”. 3. APLICAÇÃO INADEQUADA DOS DISPOSITOS DO CTN: Aduz que “não existindo a hipótese nas normas tributárias da atribuição direta da responsabilidade solidária há que se ter em mente que qualquer desconsideração da personalidade jurídica do contribuinte é um ato grave com séria repercussão na estabilidade e confiança dos institutos. Necessário e inexistente nesse processo administrativo fiscal, motivação que conduza os terceiros para dentro da exigência tributária. Alegações são genéricas e imprecisas se referindo a infrações à Lei, sem, porém, conquistar o amparo dos artigos utilizados para a responsabilização das Impugnantes”. 4. DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IPI: Diz que “na existência de outro processo administrativo, relativo à imposição de auto de infração sobre o Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI, de nº 16095.720118/201571, necessário determinarse, também, a exoneração das Impugnantes naqueles autos”. · Impugnação IV Apresentada pelo Sr. Roberto Costilas Junior: 1. Alega tão somente que prestou serviços de consultoria para a empresa Distribuidora de Metais Stilo, que é sócio das empresas Eurocon e Europarts, e que é marido da Sra. Nívea. Entende restar justificada a relação societária e jurídica. O Acórdão ora Recorrido (1154.379 3ª Turma da DRJ/REC) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 8051DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.048 9 Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE.CERCEAMENTO. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamentos ou se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deslocase a tipificação legal do artigo 150, § 4º, para o artigo 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE. O sujeito passivo contribuinte não tem legitimidade para apresentar impugnação em nome do responsável solidário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL. ADMINISTRADOR DE FATO. Constatado que terceira pessoa não mandatária representa e administra de fato a sociedade, cabível a sua responsabilização pelo crédito tributário, em razão de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, nos termos do art. 135, III, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Fl. 8052DF CARF MF 10 COMPROVAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE. Os documentos emitidos por pessoa jurídica que não existe de fato, apesar de constituída formalmente, consideramse inidôneos, não se prestam para comprovar a realização das compras de matérias primas neles discriminadas nem produzem efeitos tributários em favor de terceiros. LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. A glosa de custos ou despesas só torna a escrituração imprestável para determinação do lucro real quando abrange todos ou quase todos os gastos. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Isto porque, segundo entendimento da turma, “para constituir o crédito tributário não é necessário seguir ou esperar o rito procedimental apontado para declarar a inaptidão ou baixa de ofício do CNPJ das empresas referidas. Foi exatamente o procedimento adotado pela autoridade fiscal, lançando de ofício, juntando aos autos farta instrução probatória, a qual demonstra que a fiscalizada simulou compras de matéria prima junto às empresas de fachada na intenção de justificar a origem de seus estoques, não justificada”. Entendeu a DRJ que “se estabelece que os valores constantes de documento de sociedade inapta não poderão ser deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Cabe ressaltar que também na Instrução Normativa RFB nº 1.634, de 06 de maio de 2016, que atualmente se encontra em vigor, consta norma dispondo sobre a inadmissibilidade de dedução, para efeito de apuração do lucro real, dos valores constantes de documento emitido por empresa inapta. Por tudo que consta nos autos, concluise que nunca foram adquiridas matérias primas junto às empresas supostamente fornecedoras, pela Metallica. A conclusão decorre da comprovação de que as empresas nunca existiram de fato, eram empresas de fachada, constituídas para simular o fornecimento de matéria prima visando dar origem às compras realizadas pela Metállica e ocultar seus reais beneficiários”. Verificouse a turma julgadora, que “qualquer custo ou despesa só é admitido se for necessário à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora dos bens ou serviços por ela gerados e estiverem suportadas por documentos hábeis e idôneos. Os documentos fiscais emitidos pelas empresas fornecedoras, pessoas jurídicas que não existem de fato, apesar de constituídas formalmente, são inidôneos, conforme legislação vigente e aqui já apreciada. O gasto ou a despesa não será considerado comprovado quando os documentos comprobatórios forem emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta, extinta ou baixada no órgão competente. Esses documentos Fl. 8053DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.049 11 não produzirão nenhum efeito tributário em favor de terceiro por caracterizarem hipótese de inidoneidade. (...) A autuada não demonstrou que as empresas tinham capacidade operacional e efetivamente efetuaram as vendas de matérias primas conforme documentos fiscais emitidos. Não refutou convincentemente os fatos narrados, nem os documentos trazidos pela autoridade lançadora, os quais compuseram um forte conjunto probatório e conduziram à conclusão que a impugnante utilizavase dessas supostas fornecedoras (empresas de fachada) para arquitetar um planejamento tributário ilícito e não recolher corretamente os tributos devidos em razão de se valer de custos inexistentes para apuração do lucro tributável. A glosa deve ser mantida conforme efetuada”. Acerca da responsabilidade solidária, “no caso em análise, o que se conclui dos autos é que os sócios que constavam nos atos constitutivos das empresas METALLICA, NEO, LINGUES E MAVERIC são realmente pessoas interpostas por terceiros (laranjas). Os fatos narrados nos Termo de Verificação Fiscal IRPJ e reflexos anocalendário 2008 e no Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades anoscalendário 2010, 2011 e 2012, devidamente documentados nos autos, demonstram essa conclusão. Ressaltese, a título de exemplo, a situação financeira e a atividade econômica dos sócios formais são totalmente incompatíveis com a posição de sócio e administrador das empresas. Em suma, não foi encontrada qualquer correlação entre as atividades da empresa e seus sócios formais. A interposição fraudulenta restou plenamente comprovada pelos seguintes fatos, conforme relatado às fls. 2211/2212”. Aduziu ainda que “os impugnantes coobrigados tinham interesse comum nos negócios da METALLICA, uma vez que, conforme demonstrado neste processo, deles se beneficiaram. Resta claro, então, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN), que são as receitas e os lucros, dolosamente omitidos, obtidos por meio das operações mercantis da sociedade e que foram repassados aos impugnantes. Verificouse a existência de um esquema fraudulento em que eram simuladas aquisições de matérias primas a empresas noteiras, constituídas de interpostas pessoas, sendo os recursos financeiros, ao final, destinados às pessoas físicas e jurídicas que simulavam as operações. Assim, o Sr. Roberto Costilas Junior e a Sra. Nívea dos Santos Costilas, na condição de sócios de fato e mentores do esquema fraudulento composto por empresas de fachada e interpostas pessoas foram considerados responsáveis solidários com base no art. 124, inciso I c/c o art. 135, inciso III do CTN. Enquanto que as empresas Eurocon e Europarts foram responsabilizados com base no art. 124, inciso I do CTN”. Decidiuse a turma julgadora, por afastar as preliminares de nulidade e decadência, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, julgar improcedente a impugnação para manter, conforme lançado, o crédito tributário em litígio e confirmar a imputação de responsabilidade solidária do Sr. Roberto Costilas Júnior, da Sra. Nívea dos Santos Costilas e das pessoas jurídicas Europarts Administração de Bens Ltda. e Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda. Ciente da decisão do Acórdão em 09/02/2017 (fls. 7.769), que julgou parcialmente procedente as impugnações apresentadas, o contribuinte interpõe 03 Recursos Voluntários, trazendo em seu bojo as seguintes razões: Fl. 8054DF CARF MF 12 · Recurso Voluntário I (apresentado em 06/03/2017 pela Pessoa Jurídica – METALLICA INDUSTRIAL S. A. [fls.7.783/7.822] ): 1. DA NULIDADE: Afirma que fazse necessário “se aplicar a vedação legal, determinandose a nulidade, porque a própria constituição de provas resulta prejudicada já que as apresentadas não atenderam a necessidade e em relação às empresas e seus negócios mas são as disponíveis e acessíveis à Recorrente”. E que, “os documentos fiscais acostado no processo administrativo relativos a compras pelas investigadas, bem como outras notas comprovando mercadorias na posse das investigadas, fls. 2834 a 2894, e até documentação de roubo de produto fls. 3454 a 3459, não foram consideradas. O dossiê composto pelos documentos fiscais de compras da Autuada junto a essas diligenciadas, o controle gerencial indicando o ingresso de mercadoria para industrialização e a quitação através de bancos das aquisições feitas, foram esquecidos quando da análise e julgamento da Impugnação”. 2. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Diz que “ao realizar o julgamento da Impugnação, a DRJ/Recife negou, entendendo ser desnecessário, a realização de diligência pleiteada pela Autuada. O objetivo seria a confirmação da lisura nas transações comerciais, a regularidade dos documentos fiscais, a contabilização das notas de compras com o respectivo pagamento das mercadorias, (documentalmente demonstrado em fls.3588 a 7141) de forma a afastar qualquer dúvida quanto a boafé da adquirente”. 3. DA DECADÊNCIA: Afirma que fazse necessário “determinar a caducidade dos documentos, implicando na anulação do auto de infração, com o arquivamento do processo porque na composição e exigência do crédito tributário existiria vicio insanável”. 4. DA INCONSTITUCIONALIDADE: Diz que a DRJ “descuidouse da observância imposta à validade de atos administrativos abandonando o princípio da necessária publicidade para os seus efeitos. Fugiu do aspecto da moralidade, legalidade, razoabilidade para dar firmeza às ações dos órgãos públicos. Convalidou possibilidade de confisco, não se atendo a imposição de penalidades excessivas, inadequadas”. 5. DA GLOSA DE CUSTOS CONTABILIZADOS: Argumenta que ”as certidões emitidas pela Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, acostadas ao presente recurso (Doc A), mostram que tanto os sócios de ambas as empresas, como os seus endereços e estabelecimentos são diferentes”. (...) “Assim, não há nos autos nenhum dado concreto ou mesmo indicio da participação da impugnante em suposta fraude que teria sido empreendida por suas fornecedoras (Remiol e Fl. 8055DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.050 13 Interplastic) não sendo demais lembrar que não pode ser transferia aos contribuintes a obrigação, privativa do poder público, de promover a fiscalização uns dos outros”. 6. DA INIDONEIDADE: Diz que “deve ser enfatizado que o legislador resguardou a situação fática que ora se apura no presente caso, declarando que não haverá produção de efeitos tributários apenas para os documentos da pessoa jurídica que "já tenha sido considerada ou declarada inapta". No RIR/99, está replicada a norma, também tratando a circunstância no tempo passado. Não pode ser diferente, sob pena de se atropelar princípios constitucionais, dentre eles o da publicidade dos atos públicos e o da legalidade, validando retroação sobre negócios realizados na boafé, quando de nada se sabia”. 7. DAS TRANSAÇÕES COMERCIAIS: Enfatizase “a lisura, a boafé, a efetividade dos negócios, insistindo em argumentar e comprovar a realização dos mesmos, chamando atenção para as alegações, registros e informações constantes nas fls.2539 a 2540”. (...) “O Fisco embasa as acusações em presunções e indícios da inexistência das fornecedoras, simulação de negócios, interposição de pessoas. Isto é insuficiente para a constituição de crédito tributário. Alegaram, mas não provaram”. 8. DA DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DAS COMPRAS REALIZADAS: Afirmouse que “não só ignorou os esclarecimentos e comprovações da Autuada, mas claramente cerceou a defesa, porque, arbitrariamente, manifestou a Julgadora não existir legitimidade da Autuada para os questionamentos ou comprovações”. 9. DA APLICAÇÃO RETROATIVA DE ATOS ADMINISTRATIVOS: Aduz que “a fiscalização e a DRJ, atingiram negócios jurídicos que já estavam perfectibilizados. Atropelaram o art. 82 da Lei 9.430/1996 e feriram inúmeros preceitos constitucionais. Ensejaram a glosa de custos, tirando a qualidade de documentos fiscais que estavam contabilizados, eram regulares, representavam comercialização com a quitação das mercadorias”. 10. DA TRIBUTAÇÃO LUCRO REAL: Afirma que “se a fiscalização entendeu existirem indícios de fraude, e o cálculo se origina de tal constatação, a norma claramente prevê que se deve elaborar cálculo de lucro arbitrado, conforme as regras atinentes à formação desta base de cálculo, para, então, fazer incidir a alíquota do IRPJ, diferentemente de como se procedeu no cálculo do lançamento tributário, fazendo incidir a alíquota sobre o valor total da notas glosadas e mantendo a Fl. 8056DF CARF MF 14 apuração na forma trimestral, não aplicando a apuração na FORMA DO LUCRO ARBITRADO”. 11. EQUÍVOCO NO LANCAMENTO TRIBUTÁRIO DA CSLL, PIS E COFINS: “Os agentes de fiscalização somaram o valor total das notas fiscais glosadas das empresa Neo, dos meses de janeiro, fevereiro e março da daquele ano, totalizando a quantia de R8293.649,71. E mais, erroneamente consideraram este valor como base de cálculo para apuração da CSLL, aplicando sobre este, o percentual de 9% como se este fosse o lucro real”. 12. NULIDADE DO LANÇAMENTO: Afirma que “para a validade, o lançamento deve respeitar o fato gerador (art. 113 do CTN) e ser constituído respeitando o art. 142 do Código Tributário Nacional. Portanto, os limites para o lançamento estão na lei, não podendo os agentes fiscais ultrapassálos de forma arbitrária”. 13. COOBRIGADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO: Diz que “o Fisco intentou trazer para este, situação noticiada em outro processo administrativo entendendo ser essa pratica fraudulenta uma continuidade de atos, possibilitando a, Autuada juntar provas que a isentam, mostrando sua distância em interesses, bens, coisas e estatutos de todos os demais indicados”. 14. IPI IMPOSTO DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS: Diz que “prevalente a falta de provas para se transferir a responsabilidade de fornecedores para o adquirente de mercadorias, afastandose a suposição de fraude que, se existente, dela a Autuada não participou pedese que se reproduza naqueles autos a favorável decisão do presente”. 15. Requereu a declaração da nulidade do v. acórdão proferido pela DRJ, e o acolhimento do presente recurso voluntário. 16. Requereu o acolhimento de todos os documentos e provas que acompanham a impugnação ao auto de infração combatendo a “a decisão do julgamento em primeira instância exarada no Acórdão 1154.379, bem como sejam consideradas aquelas inclusas e constantes do processo administrativo, para fins de que ratifiquem argumentação da Recorrente complementando os documentos já outrora juntados e as demais informações constantes do Termo de Verificação Fiscal”. 17. Subsidiariamente, requereu o reconhecimento da "impropriedade do lançamento efetivado como glosa de despesas pela desconsideração da contabilidade e de documentos de despesas emitidos por outras empresas prestadoras de serviço, o que se traduz em nulidade do lançamento. O arbitramento feito de oficio é o recurso da Fl. 8057DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.051 15 fiscalização da Receita Federal quando se vê impossibilitada de aceitar ou de apurar o lucro real da pessoa jurídica”. · Recurso Voluntário II (apresentado em 06/03/2017 pelas Pessoas Jurídicas – EUROCON BRASIL CONSULTORIA E NEGÓCIOS LTDA e EUROPARTS ADMINSTRAÇÃO DE BENS LTDA [fls.7.844./7.878.] ): 1. DA ATIVIDADE EMPRESARIAL DAS RECORRENTES DIVERSA DA EXERCIDA PELA AUTUADA E SUAS FORNECEDORAS: Afirma que “as Recorrentes, prestadoras de serviço que são, com personalidade jurídica própria e absoluta autonomia no que tange à sua gestão, não se confundem, representam, participam, gerenciam ou administram a autuada METALLICA e aquelas empresas arroladas como suas fornecedoras (NEO, LINGUES, MAVERICK)”. (...) Demostrou que “as premissas em que se baseou a acusação fiscal atribuindo responsabilidade passiva às Recorrentes, em verdade, indicam que a autuada METALLICA, bem como as empresas NEO, LINGUES E MAVERICK estavam em efetivo funcionamento quando das transações comerciais, apesar de eventuais irregularidades que possam, agora, terem sido encontradas pela fiscalização empreendida”. 2. DO PATRIMÔNIO DA RECORRENTE E SUA ORIGEM: Diz que “não se pode olvidar que mesmo as receitas advindas da STILLO (única das fornecedoras à qual está atrelado algum recebimento) tiveram a origem esclarecida existindo, nos autos documentos confirmatórios, o que faz cair por terra à nódoa que paira sobre a escorreita conduta das Recorrentes, que não bastasse declarar e adimplir seus débitos para com o Fisco, quando, lamentavelmente, imbricados em uma autuação carente de fundamento, não mediram esforços para demonstrar a lisura e correção de seus proceder”. 3. DA INAPTIDÃO DAS RECORRENTES: Aduz que “mesmo estando em continuo contato com os representantes das Recorrentes, antes mesmo que lhe fossem dado a oportunidade da apresentação de livros contábeis e fiscais hábeis a demonstrar o regular funcionamento da empresa, sobreveio a temerária declaração de inaptidão. (...) se a inaptidão que porventura pesou contra as Recorrentes no momento da imputação de responsabilidade solidária sobre os débitos tributários de outrem não subsiste, não há razões a respaldar que grave acusação se perpetue em desfavor delas”. 4. DA NÃO SUBSUNÇÃO DA RECORRENTE À HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA — ARTIGO 124 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Frisouse que “que há certa incongruência até mesmo no quanto pretendido pela fiscalização quando inclui no rol de responsáveis pelos tributos, em tese, pagos a menor pela METALLICA, a empresa Eurocon, que não tinha qualquer laço com Fl. 8058DF CARF MF 16 aquele apontado como mentor intelectual de uma fraude engendrada contra o Fisco. A fiscalização do período em debate, anos 2010, 2011 e 2012, assumiu que o conjunto probante, à luz da continuidade das irregularidades do ano de 2008, persistiria para suportar a acusação às empresas Eurocon e Europarts”. (...) “Não pode o simples reflexo do interesse econômico de uma determinada situação ou fato jurídico sujeito à hipótese de incidência tributária servir de esteio para pressupor coincidência de interesse jurídico, que depende de realização conjunta daquele mesmo fato tributável. O recebimento pela prestação de serviços nem de longe se amolda ou se confunde com aquela renda percebida pela realização do negócio, decorrente da atividade empresária a Que a autuada METALLICA ou ainda aquelas empresas fornecedoras de matéria prima (NEO, LINGUES MAVERICK) se dedicam”. 5. DA NÃO SUBSUNÇÃO DAS RECORRENTES À HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS — ARTIGO 135 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Argumenta que “a responsabilização das Recorrentes pressupunha que as mesmas tivessem, na autuada, poder de mando ou direção na condução da atividade empresarial explorada pela empresa METALLICA, o que somente pessoas naturais poderiam fazêlo. Destacandose, “que ao assumir os elementos de provas daquela fiscalização do ano de 2008 (processos 19515.720865/201348) sem incluir qualquer nova prova para justificar a autuação do período de 2010, 2011 e 2012, temos a prevalência da situação, com o impeditivo da aplicação pretendida”. 6. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS EM SEDE DE TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: Destacouse “que a imputação de responsabilidade às Recorrentes pelos tributos devidos por outrem, placidamente acatada pelo Acórdão recorrido, deveria, ao menos, ter fulcro em elementos de prova suficientes para sua manutenção”. Restou comprovado nos autos, “que tanto a empresa METALLICA, quanto a STILLO, há muito funcionam e mantêm relação comercial com outras empresas além da Recorrente, que afirmaram isso, inclusive, quando intimadas a esclarecer a natureza do vínculo havido, a justificar e comprovar a diversidade da origem de suas receitas. Os sócios da empresa METALLICA, bem como da STILLO, tidos pela fiscalização como "laranjas", participaram ativamente da condução dos negócios, celebrando contratos, dando ordens de pagamento e etc., em nada influenciando o fato de sua situação financeira não se coadunar com aquela esperada pelo Fisco, tampouco sendo causa hábil a responsabilizar terceiros por eventual insuficiência de recolhimento de tributos das empresas que representam”. 7. Ressalta “a existência dos processos administrativos de no 16095.720118/201571, decorrente do mesmo procedimento fiscalizatório e com exigência do IPI bem como o de 10875.720300/201720 decorrente do julgamento em primeira instância do referido”. 8. Requereu a procedência do Recurso Voluntário, a fim de que, em razão do seu não enquadramento em quaisquer das hipóteses legais Fl. 8059DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.052 17 utilizadas pela autoridade fiscal para responsabilizála pelos tributos devidos pela METALLICA (artigos 124 e 135, III, do CTN), sejam excluídas as responsabilidades tributárias a elas impostas, revogandose quaisquer constrições que recaiam sobre seus bens em virtude de Termo de Arrolamento de Bens. · III Recurso Voluntário (apresentado em 07/03/2017 pelos sócios – ROBERTO COSTILAS JÚNIOR e NÍVEA DOS SANTOS COSTILA [fls.7.971./ 7.997 ): 1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA: Argumenta que “nunca tiveram a oportunidade de esclarecimentos antes do lançamento tributário, cujo conhecimento se deu por via postal. Obrigados ao pagamento, os Recorrentes estão impedidos de se defender sendolhes subtraído direitos constitucionais. Essa é uma motivação suficiente para a anulação do Julgamento e consequentemente arquivamento do processo, com o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária”. Requereu a suspenção daquele outro processo (10875.720300/201720) e da cobrança pertinente à parte não impugnada”. 2. DAS IMPLICAÇÕES DA SRA. NIVEA DOS SANTOS COSTILAS: Alega que “não ocorreu o atendimento ao art. 10 do Decreto 70.235/72, afetando o disposto no art. 142 do CTN, ensejando a nulidade do lançamento porquanto ocorre a excepcionalidade da desconsideração da personalidade jurídica de contribuintes, com a condução de terceiro à obrigação. Com razoável dúvida, faltando fundamentos e provas às acusações da Fazenda Pública, pedese de pronto a exclusão do nome de Nivea dos Santos Costilas das exigências, com o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária”. 3. DA ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO RECORRENTE, CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS: Afirma que atua “no mercado de metais não ferroso, ramo no qual trabalha há mais de 25 anos. Começou como empregado, segundo atesta cópia da Carteira de Trabalho ora inclusa. Há mais de dez anos possui empresas para prestação de serviços no ramo, as quais também realizam negócios e administram bens”. E que “a participação do Recorrente nas empresas Europarts e Eurocon, é necessidade para prestação de serviços sem vínculo empregatício, mas com contratos ou sob emissão de notas fiscais. Estas, escrituradas, garantem custos à clientes e dão origem aos patrimônios. A informalidade para o atendimento as firmas é que seria condenável em face dos autos. Já a participação do cônjuge na sociedade é atendimento a exigência legal”. Fl. 8060DF CARF MF 18 4. DA ATIVIDADE DAS SOCIEDADES EMPRESARIAS IMPUGNANTES, RECEITAS AUFERIDAS E INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE AS RECEITAS E OS VALORES APONTADOS COMO SONEGADOS NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS: Aduz que “o agente fiscalizador não atentou para o fato das receitas identificadas terem sido auferidas quando o Recorrente e suas empresas exerciam o seu objeto social em contrato de serviços ou por emissão de notas fiscais. Em outras palavras, prestando serviços obtiveram rendas mas que não se prestam, nem de longe, a canalizar o apontado desvio”. E que, “as receitas auferidas pelas sociedades administradas pelo Recorrente, com origem das empresas Stillo e Metallica se constituem em não mais de 25% das receitas totais auferidas no ano calendário de 2008. No que diz respeito ao processo administrativo a que nos reportamos a realidade não se alterou, não existindo sequer indicação, anotação ou informação por parte do Fisco quanto a isto”. 5. Do mérito do auto de infração: Alega que “não existem valores a contestar ou a explicar que não aqueles do exercício de 2008 aos quais o Recorrente se reportou comprovando se tratarem de prestação de serviços contratados com a Stillo ou recebidos com notas fiscais contra a Metallica, segundo documentos encartados em fls. 7279 a 7292; e, 7293 a 7294, respectivamente”. Diz que O cerne da questão, “é o procedimento de compras, recepção de mercadorias, contabilização e pagamento de produto entre a empresa autuada e três fornecedoras, para deslindar a acusação de simulação nos negócios. O recorrente não consegue executar essa tarefa em nome da Autuada”. E que, “pode sim o Recorrente, testemunhar a não existência de simulação de compra e venda de materiais, que o favoreça em desvio de recursos. Provou não ser o sócio ou o administrador da Metallica e, por todo o relato, mostrouse distante, alheio às demais empresas”. 6. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DE NÍVEA DOS SANTOS COSTILAS: Afirma que “a Sra. Nivea não conhece as pessoas informadas no Termo de Verificação, não possui qualquer poder de mando e sequer aparece em alguma operação comercial narrada no termo. O único fato descrito no termo é o fato de ser esposa do Sr. Roberto Costilas Júnior. Tratase, portanto, de uma responsabilização reflexa ou ricochete, sem qualquer nexo de causalidade. Desta forma, resta claro que o fisco não se desincumbiu de sua obrigação de provar, principalmente em relação a esta impugnante, os fatos e as condições que pudessem atrair para ela a excepcionalidade de responsabilidade solidária, decorrente do auto de infração lavrado contra terceiros”. 7. APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DO CTN: Diz que “não existe Lei que atribua à responsabilidade pessoal e direta Fl. 8061DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.053 19 de terceiros na exigência tributária. A intenção de implicar e coobrigar pessoas a credito tributário somente acontecerá se existir motivação amparada em robustas provas que possa, sem quaisquer dúvidas, enquadrar em um dos dispositivos do CTN”. Afirma ainda, “que a qualificação dos Recorrentes como sócios ou gerentes não ficaram comprovadas. A alegada persistência de provas não alcança o presente processo. Não foi trazido nenhum elemento novo que justificasse a excepcionalidade, muito menos restou demonstrado qualquer excesso ou infração à Lei, até porque os procedimento sobre os anos de 2010,2011 e 2012, se restringem à inidoneidade de fornecedoras das quais nem a Autuada participou. Necessário o afastamento da pretensão de impor responsabilidade subsidiária e responsabilidade pessoal aos Recorrentes, na falta de provas para a aplicação dos dispositivos do Código Tributário Nacional”. 8. Requereu a procedência do Recurso Voluntário interposto para excluir a responsabilidade tributária dos sócios. 9. Requereu ainda: (i) que seja obstado o processo de cobrança objeto da intimação DRF/GUA/SECT 064/2017„ processo n. 10875.720300/201720 anulado o julgamento na parte que lhe toca; (ii) o acolhimento de todos os documentos e elementos juntados aos autos, os quais reforçam as alegações e argumentos agora colocados demonstrando a total e completa ausência de responsabilidade tributária dos impugnantes pelos tributos apontados como eventualmente não recolhidos; (iii) a procedência do Recurso voluntário interposto para excluir a responsabilidade solidária dos impugnantes relativos aos processos administrativos fiscais de n. 16095;720117/201426 e 16095.720118/201571; (iv) que sejam revogados os termos de Arrolamento de Bens lavrados em relação aos impugnantes. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relator Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pela autuada e responsáveis solidários. Fl. 8062DF CARF MF 20 De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 2194/2220, o lançamento, que se refere aos anos calendário 2010, 2011 e 2012, decorreu da glosa de custos contabilizados com base em documentos inidôneos. De início, ressaltese que a contribuinte já foi autuada anteriormente, referente ao exercício de 2008, onde foram glosados os custos de aquisições de fornecedores diversos, que também integrariam o suposto esquema fraudulento. Em verdade, da análise do presente TVF, exceto na parte que trata da análise das operações com os fornecedores da autuada, a parte inicial se limita a tecer comentários sobre o PAF 19515.720865/201347, por ora sendo confuso ver que se refere a fornecedores estranhos ao presente lançamento. Analisarei as razões recursais preliminares e de mérito em conjunto, depois passarei a analisar a sujeição solidária. De pronto, indefiro o pedido de diligência realizada por entender que constam nos autos todos os elementos de prova necessários ao meu convencimento. No que se referese às preliminares, as Recorrentes embaralham uma série de argumentos que segundo ela ensejariam em nulidade, ora por cerceamento do direito de defesa, ora por ausência de fundamento legal, ora pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo, e ora por utilização de critério equivocado (entende que o lançamento deveria ser arbitrado). No que se refere à preliminar de nulidade em razão da ausência de fundamentação legal entendo que a mesma não merece acolhida. A glosa de custos fundados em documentos inidôneos guarda perfeita tipificação legal. A infração está bem definida e amparada na legislação, tal qual a penalidade para ela decorrente. A fiscalização pode desconsiderar documentos que sejam classificados como inidôneos pela legislação. No caso concreto, a ausência de comprovação da realização das operações, dos pagamentos, do porte econômico dos fornecedores, da ausência de aquisição de matéria prima por esses fornecedores para posterior revenda, bem como a irregularidade da própria pessoa jurídica são elementos absolutamente suficientes para desconsiderar tais operações. Da mesma forma não merece guarida a alegação de inconstitucionalidade por quebra de sigilo, cumpre ressaltar que dispõe a Súmula CARF nº 2, a qual é de aplicação vinculante: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não cabe a este colegiado exercer qualquer função de controle de constitucionalidade com redução de texto. Outrossim, mesmo que assim não fosse, em que pese este Relator não concorde com o seu resultado, o STF no julgamento da ADI 2390 em 18.02.2016 entendeu ser constitucional a lei que permite ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. Desta feita, não acolho as preliminares. No que se refere à preliminar relativa à ilegalidade do procedimento de lançamento adotado, nesta feita, entendo assistir razão aos Recorrentes. Fl. 8063DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.054 21 É necessário diferenciar a glosa de custos de insumos essenciais, tal qual no presente caso, de uma glosa de despesas fictas quaisquer. Fossem despesas de consultoria inexistente, ou outro custo não inerente à atividade, por exemplo, a glosa, mesmo de valores exorbitantes, em principio nada afetaria a consistência da apuração do lucro liquido da empresa. Mas a glosa do principal insumo, por si só, retira totalmente a credibilidade da escrita contábil da empresa, para fins de apuração dos tributos federais em comento. Em que pese a glosa não tenha sido de 100% dos insumos adquiridos pela contribuinte, ela correspondeu a aproximadamente 70% da totalidade das suas aquisições do período, indicadas nos demonstrativos de apuração do período fiscalizado. Ao que parece, e isso em momento algum foi questionado pela fiscalização, o restante das aquisições efetivamente ocorreu. O que parece, no presente caso, é que a contribuinte usava empresas em nome de laranjas para simular aquisições de matéria prima, inflando os custos e, portanto, afetando diretamente a apuração do lucro líquido dos exercícios. A base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica é o lucro, definido conforme as suas três formas de apuração: real, arbitrado ou presumido, de acordo com o art. 44 do CTN. Segundo o art. 6° do Decretolei 1.598/77, o lucro real é o lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação própria. Por sua vez, o lucro líquido deve ser apurado com observância das disposições da lei comercial. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado de acordo com as prescrições da legislação específica. Ao se deparar com custos contabilizados em valores fictos que representavam mais de 70% das receitas contabilizadas, cuja glosa implicavam em elevar o Lucro Real da empresa para mais de 60% dessas receitas, o único procedimento aplicável que coaduna com a legislação tributária em vigor seria o arbitramento dos lucro, bem como a apuração do PIS e Cofins no regime cumulativo. Veja que a própria sistemática do lucro arbitrado possui índices muito inferiores à proporção das receitas no presente caso. Esse seria um limite razoável e claro para confirmar os vícios existentes na escrita. Ora, se a inexistência de escrituração resultaria no arbitramento em valores muito inferiores aos lançados, como considerar válida a escrituração do contribuinte? Entendo que a legislação a indicar a regra de apuração pelo lucro arbitrado, cuja alíquota corresponde a aproximados 10% das receitas, ao se deparar com uma escrituração em que o agente fiscal glose despesas que resultariam em 60% das receitas declaradas, resta claro que a contabilidade seria imprestável. No presente caso, de forma inquestionável, a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II do artigo 47 da Lei no 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado Entendo que no presente caso o correto é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Arbitrado e do PIS/Cofins pelo regime cumulativo. Fl. 8064DF CARF MF 22 Este também foi o entendimento da Conselheira Aurora Tomazinni (Acórdão 1401001.727), julgado recentemente, por esta mesma turma, no lançamento relativo a este mesmo contribuinte (anocalendário 2008). No referido julgamento, por maioria de votos, o lançamento foi anulado. Permitome valer do voto da referida conselheira vez que, o TVF em grande parte é quase que cópia ou apenas referência do relativo ao outro lançamento: Nos termos da legislação vigente, não compete à Fiscalização eleger que forma de apuração dos tributos adotar, quando diante de caso em que não há competente escrita fiscal. Nessas hipóteses, por expressa determinação da lei, deve ser feita a apuração dos tributos devidos com fundamento no lucro arbitrado. Essa é a única interpretação possível da regra do art. 47 da Lei no. 8.981/95: “Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real (...), não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal (...); (...) VII – o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário”. A regra do artigo, que regulamenta as situações do arbitramento enuncia: “será”, não “poderá”. Em termos semânticos, o vocábulo “será” corresponde logicamente ao modal “obrigatório”, enquanto o “poderá” ao facultativo. O legislador, era livre para escolher o termo “poderá”, mas escolheu o “será”. De modo que, se for a ocorrência de algumas das situações enunciadas acima o arbitramento não é uma faculdade (permissão), é uma obrigação do fisco perante o sujeito passivo tributário e um direito deste em relação ao fisco. No caso concreto, caracterizada a imprestabilidade da escrituração, a lei determina que a base de cálculo originariamente prevista na legislação (lucro real) seja substituída por outra legalmente prevista (lucro arbitrário). O fato da fiscalização desconsiderar quase a totalidade (70%) das despesas apuradas como custo na determinação do lucro real, em razão da não comprovação da sua materialidade e tendo em vista terem as notas sido geradas dentro de um Fl. 8065DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.055 23 esquema fraudulento, torna a escrituração, apresentada pela Contribuinte, imprestável para determinar o lucro real da empresa. Situação que se enquadra na hipótese do art. 47 inciso II “b” do acima citado e enseja o arbitramento. A hipótese normativa é bem delimitada: H: Se a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiência que a tornarem imprestáveis para determinar o lucro real; deve ser – C: o dever do fisco efetuar o lançamento pelo lucro arbitrado. No caso concreto, toda a fundamentação dos autos de infração, feita no TVF (3228/3331) se volta para caracterizar uma operação fraudulenta. Nos termos da fiscalização, os custos envolvidos no esquema da fraude foram glosados em razão de sua comprovação inidônea. Tais custos, representam mais de 70% dos considerados pela empresa na apuração da base tributária naquele anocalendário. Se há o comprometimento de mais de 70% da escrituração fiscal da Contribuinte, não há como não dizer que ela se presta para determinar o lucro real. Certamente, neste caso, a base tributária não aferirá o lucro, mas a receita da empresa. Por este motivo, deve ser desconsiderada e o lucro arbitrado. Não se sustenta o argumento da fiscalização de que a despesa glosada não representam o total das aquisições da matéria prima da Recorrente, mas tão somente relativas a dois fornecedores, pois se tratam dos dois maiores fornecedores da empresa. No DRE do ano calendário de 2008 a Recorrente tinha como custo de fabricação de seus produtos comercializados o valor de R$ 93.157.953,97 (noventa e três milhões, cento e cinqüenta e sete mil, novecentos e cinqüenta e três reais e noventa e sete centavos). A glosa procedida foi de R$ 65.195.384,07 (sessenta e cinco milhões, cento e noventa e cinco mil, trezentos e oitenta e quatro reais e sete centavos), representando quase 100% dos insumos adquiridos, considerado que os outros custos referemse à mão de obra, energia elétrica etc. No caso concreto, embora não demonstrada a origem e materialidade dos custos, há comprovação de que houve dispêndio de recursos da empresa na aquisição de matéria prima, E, esta não está sendo levada em conta na composição da base tributária, se feita nos moldes apurados pela fiscalização (lucro real). A apuração pelo lucro arbitrado toma implicitamente em conta parcela dos custos e despesas automaticamente computadas mediante a aplicação de coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, fazendo com que, ainda que de forma presumida, a base tributária denote a renda e não a receita da empresa. Certamente que este entendimento amparase na materialidade constitucional dos tributos exigidos, no entanto, ainda que não considerado o âmbito da delimitação da competência tributária, Fl. 8066DF CARF MF 24 que impõe à legislação tributária infraconstitucional a limitação da tributação sobre a renda da pessoa jurídica (mesmo porque estou impedida de fazer esta análise em cumprimento à Súmula no. 2 deste Conselho), existe a previsão legal expressa do art. 47 inciso II “b” da Lei no. 8.981/95 e dos artigos 530 e 531 do RIR de que o lucro deve ser arbitrado se a escrituração apresentada pelo contribuinte revelar indícios de fraude ou vícios que a tornem imprestáveis. No caso concreto, a glosa das despesas pela fiscalização, sob a alegação de fraude, por corresponder a valores importantes do custo de produção, torna a escrituração apresentada pela Contribuinte imprestável. Assim, não resta dúvida, que em razão da obrigatoriedade imposta pelas regras acima mencionadas, que o arbitramento aqui é um direito do Contribuinte e um dever do fisco. Nesse mesmo sentido, são inúmeros os precedentes deste Conselho, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 DESPESAS E CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO INTEGRAL. LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O lucro arbitrado deve ser realizado quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária todos os documentos comprobatórios de despesas e custos, sendo incabível o lançamento que considera lucro real a totalidade das receitas auferidas. (1ª. Turma da DRJ/SP1, de no.1627.397, em 27/10/2010) Nestes termos, por ser ilegal a tributação com base no lucro real nas hipóteses em que a escrita contábil o contribuinte tornase imprestável, nego provimento ao Recurso de Ofício. Como já afirmado acima, comungo do entendimento da referida conselheira, por entender que, no caso concreto, tratase de clara hipótese de aplicação do lucro arbitrado. Ademais, a legislação impõe o dever da apuração arbitrada quando imprestáveis os documentos contábeis, o que efetivamente ocorreu. Ademais, não posso deixar de registrar que, para este Relator é lamentável proferir tal decisão uma vez que, da análise dos documentos e dos autos, estou plenamente convencido da existências do esquema fraudulento relatado. Entretanto, o erro da fiscalização foi primário nesse aspecto, e entendo que este Conselho não pode dar guarida a irregularidades e descumprimento expresso de legislação que rege a fiscalização, atividade esta, plenamente vinculada. Outrossim, em que pese o agente fiscal autuante tenha baseado todo o seu lançamento e TVF no elaborado nos autos do PAF 19515.720865/201347, é necessário Fl. 8067DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.056 25 ressaltar que ele apenas foi concluído em 05/11/2015. Nesta esteira, em 25.04.2014, decidiu a 5ª Turma da DRJ/RPO, em julgamento daquele PAF (relativo ao exercício de 2008), pela necessidade de arbitramento do lucro, em razão da contabilidade da Contribuinte ter ficado imprestável. Ora, mesmo sendo tão clara a legislação, o agente autuante poderia verificar sobre o resultado do julgamento do lançamento originário, no qual ele se baseou, e teria constatado, 01 ano e meio antes de formalizar o seu TVF, o equívoco na forma de apuração. Ademais, não se poderia, neste momento, simplesmente ajustar o lançamento promovendo uma reapuração, sob a sistemática do lucro arbitrado. Este também foi o posicionamento da Conselheira Aurora, cujo voto novamente permitome citar: Insurgese a Contribuinte, no entanto, contra a decisão recorrida por entender que a alteração do regime tributário não implica simplesmente em novos cálculos, como se posicionou a DRJ, mas em novo lançamento. E que, reconhecido o vício na apuração da base de cálculo dos tributos constituídos nos autos de infração deste processo, há de se reconhecer a nulidade do lançamento. Até aqui concordamos integralmente com as conclusões dos julgadores da DRJ. Todavia, neste ponto, venho discordar e acolher as razões da Recorrente. A mudança para a sistemática do lucro arbitrado não pode ser realizada no julgamento administrativo, pressupõe procedimento próprio, isto é, novo lançamento tributário. Nas hipóteses de arbitramento, devese seguir a rígida observância do princípio da reserva legal, do qual se infere que os atos de administração tributária, dentre os quais se destaca o lançamento, são atos administrativos vinculados. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, compete privativamente à autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Art. 142. Lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O arbitramento representa um processo técnico alternativo para apuração do tributo devido. Tanto assim é que o artigo 148 do CTN fala em processo regular e ressalva no fim do texto a possibilidade de avaliação contraditória, administrativa ou judicialmente, por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo Fl. 8068DF CARF MF 26 regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. (grifamos) Ao proceder o lançamento sob a sistemática do lucro real a fiscalização incidiu em erro de direito material. Equivocouse com relação a norma jurídica aplicada ao caso concreto. Sobre o erro de direito já tive oportunidade de me manifestar: Analisando o direito como corpo de linguagem, PAULO DE BARROS CARVALHO apresenta uma solução simples, mas muito bem elaborada, para a delicada questão do erro de fato e do erro de direito. Segundo o autor, visto o fato na sua contextura de linguagem, o “erro de fato” seria um problema de utilização inadequada das técnicas lingüísticas de certificação do evento, verificado quando o enunciado factual não correspondesse às provas produzidas, enquanto o “erro de direito” seria um problema de subsunção, causado quando o enunciado protocolar constituído como fato jurídico busca fundamento numa norma, quando na verdade deveria buscar em outra. O “erro de fato” é um engano com relação aos recursos de linguagem utilizados para a produção do fato jurídico, é relativo às provas; aparece quando da releitura dos enunciados probatórios, nova situação jurídica, diferente daquela descrita pelo fato jurídico, é percebida. Já o “erro de direito” é uma confusão com relação à norma aplicada. É verificado quando, após a produção da norma individual e concreta constatase que a norma aplicada não deveria ser aquela, mas outra. (Curso de Teoria Geral do Direito – o Constructivismo Lógico Semântico, p. 442) Caracterizado o erro de direito, constatase um equivoco na fundamentação jurídica do lançamento. A norma utilizada pela fiscalização no processo de subsunção do fato e constituição da relação jurídica tributária não é aquela que deveria ser incidida no caso concreto. Tal equivoco não pode simplesmente ser corrigido pela administração, em garantia as disposições dos artigos supra citados, muito menos em sede de processo administrativo. Ele torna todo o procedimento de aplicação realizado nulo. É condição do lançamento, como ato administrativo vinculado, ter seu conteúdo atrelado à norma jurídica que lhe fundamenta. Nesse sentido é válido os esclarecimentos do Prof. Eurico Marcos Diniz de Santi: "No ato norma de lançamento tributário, o motivo do ato é o fato jurídico tributário, i.e a ocorrência da vida real que satisfaz a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese tributária. Quando o art. 142 dispõe em seu parágrafo único que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, prescreve como devem ser arranjados os pressupostos do suporte fático do ato norma de lançamento. Nos atos administrativos vinculados Fl. 8069DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.057 27 existe prévia e objetiva tipificação legal do único comportamento possível da administração em face de dado fato jurídico". (Lançamento Tributário,2a. ed, Max Limonad, p. 165) Prescreve o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional que "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional" É de se verificar do exposto até aqui que não é o ato norma que recebe o qualificativo de vinculado, discricionário ou obrigatório: é a atividade que o precede, consubstanciada no suporte fáctico do fato jurídico suficiente para edição do ato norma administrativo (Lançamento Tributário, p. 172 Max Limonad) No caso em questão a modificação do regime jurídico de apuração, não é um mero ajuste na base calculada do imposto lançado, implica a incidência de nova norma jurídica. Aqui cabe a lição de Prof. Paulo de Barros Carvalho, ao estabelecer diferença entre a norma geral e abstrata (regra matriz de incidência tributária) aplicada, que fundamenta o ato de lançamento e a norma individual e concreta, que constitui o fato jurídico tributário e a relação jurídica tributária introduzida pelo ato de lançamento, como seu conteúdo: Eis o conteúdo ou objeto do ato jurídico administrativo do lançamento tributário: introduzir no ordenamento positivo uma norma individual e concreta que guarde subsunção à regra matriz de incidência, isto é, a norma geral e abstrata instituidora do gravame. (Curso de Direito Tributário, p. 428. Ed. Saraiva) "Não há como aplicar duas normas de conteúdos diferentes num único ato administrativo que deve conter motivo, objeto e finalidades específicas" (Curso de Direito Tributário, 26a. ed. Saraiva, p 428 e.462). A alteração do regime jurídico de apuração do tributo do lucro real para o arbitrado, como já pontuamos, é um erro de direito material, acarreta alteração da norma aplicada, mais precisamente do critério quantitativo, base de cálculo, da regra matriz de incidência tributária. É necessário, assim, a realização de outro ato de lançamento (aplicação), para que a nova norma produza efeitos no mundo jurídico, respeitandose o prazo decadencial, tendo em vista, com a alteração, a norma aplicada será outra e o fundamento jurídico será diferente daquele que o Contribuinte impugnou neste processo. A autuação que aqui se discute traz por fundamento legal as normas atinentes ao lucro real, não faz qualquer menção aos artigos 529 e 530 do RIR ou 47 da Lei no. 8.981/95, que determinam as situações em que o lucro arbitrado deve ocorrer. A alteração, se promovida nos moldes do entendimento da DRJ, procedendose apenas o recálculo do tributo, geraria um confronto entre a norma fundamento de validade do ato e seu conteúdo, divergência que, por si só, já implicaria a nulidade do Fl. 8070DF CARF MF 28 ato dado a incompatibilidade do seu conteúdo à sua fundamentação. Nestes termos, dado a irregularidade do lançamento impugnado, o arbitramento demanda novo lançamento (regular), onde seu conteúdo esteja de acordo com a norma que lhe dá fundamento. Neste sentido já se posicionou este E. Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 GLOSA TOTAL DE CUSTOS E DESPESAS, NÃO CABIMENTO.. Não é cabível a glosa total de custos e/ou despesas da pessoa jurídica por falta de comprovação. Se a escrituração da empresa não possui lastro em documentos hábeis e idôneos,a sua contabilidade não se presta a apurar o lucro real, de modo que o arbitramento do lucro deve ser adotado como forma de apuração dos tributos devidos (110200.366 2" Turma Ordinária 16 de dezembro de 2010) Reconhecida a imprestabilidade da contabilidade da Contribuinte para fins de apuração da base de cálculo pelo lucro real, deve ser feito o arbitramento, mediante novo lançamento, constituindose em erro material os autos de infração na forma em que foram realizados. Se o caso é de lucro arbitrado e não lucro real, não é possível corrigir o vício no julgamento. É preciso um novo lançamento adotando a sistemática do regime pelo lucro arbitrado, fundamentado nas normas a ele relativas. Neste sentido, acolho a tese recorrente de anulação do lançamento pelos vícios apontados. Assim, diante do exposto, e nos mesmos termos do precedente desta turma, acolho a alegação suscitada pelo contribuinte julgando insubsistente o lançamento por vício material. Ademais, mesmo restando prejudicadas as demais questões, verifico que esse não foi o único equívoco da autoridade fiscal. Isto porque, no que se refere à responsabilização dos solidários, da análise do TVF não se verifica nenhuma explicação da participação dos referidos solidários no esquema fraudulento. Em verdade, parece que o fiscal autuante achou suficiente citar a existência de outro procedimento fiscalizatório para justificar a responsabilidade solidária. De fato, no TVF constante do PAF 19515.720865/201347, o agente autuante delimitou de forma bastante clara a atuação de cada um dos agentes, demonstrando claramente todo o esquema fraudulento. Entretanto, no presente lançamento, no que se refere às partes imputadas como solidárias, o agente autuante simplesmente informa que os mesmos foram indicados Fl. 8071DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.058 29 como solidários, não se dando ao trabalho de sequer explicar a atuação de cada agente, senão vejamos os trechos em que eles são citados: Ora, da análise do recorte do TVF nos únicos 2 trechos onde os solidários foram citados é possível perceber que o agente autuante absolutamente nada tratou sobre eles. Ao contrário do que fez em relação às fornecedoras da autuada, bem como das interpostas pessoas (laranjas) que compunham as referidas sociedade, as quais (sejam sócias ou as pessoas jurídicas), nenhuma delas integrou o lançamento como responsáveis solidários. Tal fato foi percebido pela DRJ, que manteve a solidariedade relatando toda a construção do esquema fraudulento e atuação de cada um dos responsáveis solidários na Fl. 8072DF CARF MF 30 fraude. Entretanto, fez isso com base nas informações constantes de outro TVF, não o que fundamentou o presente lançamento. Assim, diante de tudo o quanto exposto, voto pelo provimento do Recurso do contribuinte para julgar insubsistente o lançamento em razão do vício material na apuração da base de cálculo, restando prejudicadas as demais razões recursais. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 8073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10600.720043/2014-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e as normas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-006.874
Decisão: .
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e as normas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 43 /2 01 4- 11 Fl. 3037DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3201002.881, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO, MOTIVOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não merece prosperar o lançamento que não observa os requisitos dispostos no Art. 142 do CTN, assim como a decisão que não aprecia as alegações das partes, porque dificulta a defesa do contribuinte e fere disposições expressas. Contudo, se eventual nulidade possa ser sanada nos moldes do Art. 59 do Decreto 70.235/72, o lançamento não pode ser considerado nulo e a decisão de primeira instância não pode ser reformada. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência de Termo de Acordo e Protocolo de Intenções, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.038 3 (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos ou recuperação de custos e não receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO, MOTIVOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não merece prosperar o lançamento que não observa os requisitos dispostos no Art. 142 do CTN, assim como a decisão que não aprecia as alegações das partes, porque dificulta a defesa do contribuinte e fere disposições expressas. Contudo, se eventual nulidade possa ser sanada nos moldes do Art. 59 do Decreto 70.235/72, o lançamento não pode ser considerado nulo e a decisão de primeira instância não pode ser reformada. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência de Termo de Acordo e Protocolo de Intenções, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos ou recuperação de custos e não receita.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial datado de 5 de setembro de 2017 contra o r. acórdão, alegando que a subvenção discutida nos autos se configura como subvenção de custeio, e não de investimento, trazendo, entre outros, que: · A subvenção é um tipo de despesa pública, que é objeto das normas de direito financeiro. A realização dessa despesa pelo Estado, como Fl. 3039DF CARF MF 4 todas as demais, depende de norma legal autorizativa e da existência de dotação orçamentária; · De acordo com o art. 24, I e §1º da Constituição Federal de 1988, a competência para legislar sobre o direito financeiro é concorrente entre a União, Estados e Municípios, cabendo à União editar normas gerais sobre a matéria. A norma geral de direito financeiro é a Lei 4.320/64; · A destinação dos recursos recebidos, portanto, é importante na determinação da subvenção para investimentos, que se caracteriza pela aplicação dos recursos correspondentes na implantação ou expansão de empreendimento econômico; · Os recursos transferidos devem corresponder a instrumento de implementação de políticas públicas de desenvolvimento da produção regional. E não há qualquer dúvida que a implementação dessa política ocorrerá com a efetiva e específica aplicação dos valores percebidos pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; · É forçoso reconhecer que o benefício fiscal, caracterizado pela redução do valor a ser arrecadado pelo contribuinte, não pode ser qualificado como subvenção para investimento, mas para custeio, devendo seus valores serem computados na base de cálculo do PIS e COFINS, na forma determinada pela autoridade fiscal nos presentes autos. Em Despacho às fls. 2908 a 2912, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · Os acórdãos indicados como paradigmas apenas tratam da caracterização ou não de uma determinada subvenção concedida pelo Estado de Rondônia como de custeio ou de investimento para fins de incidência de IRPJ; Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.039 5 · Os acórdãos indicados não discutem se os valores do crédito presumido de ICMS se caracterizariam como uma receita para fins de incidência de PIS e Cofins ou se seriam meras recuperações ou reduções de despesas; · Não há demonstração da legislação tributária interpretada de forma divergente, vez que os acórdãos indicados versam sobre a interpretação da legislação de IRPJ e CSLL; · O Acórdão recorrido não dispensou a necessidade de comprovação dos recursos subvencionados, como quer fazer crer a Fazenda Nacional, mas consignou expressamente que as provas e documentos foram juntados aos autos. Há expressa menção de que foram juntadas provas sobre o funcionamento do Centro de Distribuição, que gerava centenas de empregos na região. Inclusive a construção do Centro de Distribuição. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não foram atendidos os pressupostos de admissibilidade de recurso previstos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O acórdão recorrido tratou da discussão acerca dos indícios de falta ou insuficiência de recolhimento do PIS e Cofins não cumulativo em razão da não inclusão de “receitas” de crédito presumido de ICMS (Paraíba) na base de cálculo das contribuições relativos aos anos calendários de 2009, 2010 e 2011. Recordase que o acórdão recorrido entendeu que os créditos presumidos de ICMS reduções foram conferidos, durante a vigência de Termo de Fl. 3041DF CARF MF 6 Acordo e Protocolo de Intenções, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos ou recuperação de custos e não receita. Para tanto, para fins de elucidar os fundamentos que inclinaram para essa decisão, cabe transcrever: 1. Parte do voto constante do acórdão recorrido (Grifos meus) com minhas breves considerações: “[...] Logo nesta primeira análise é possível verificar que não se trata de um contrato sem exigências ou contrapartidas como fez crer a fiscalização. Destacase também que o contribuinte juntou todos os documentos solicitados durante a fiscalização, como as NFs de entrada e saída de mercadorias e serviços dos períodos fiscalizados em fls. 2189, assim como juntou planilha com os empregados do Centro de Distribuição em fls. 2598. A partir destas constatações já se torna desnecessário tratar da natureza do ingresso, uma vez que a atividade deste conselho é vinculada e deve observar a aplicação de disposição expressa que neste caso, é suficiente para que o lançamento não prospere. Mas não são todos os casos em que tais dispositivos puderam ser aplicados, o que levou inúmeros julgamentos deste Conselho a debater a natureza das subvenções de investimento para fins de incidência das contribuições sob o regime não cumulativo e decidir pela possibilidade da exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins (a exemplo os recentes Acórdãos 910100.566 CSRF, 3402003.042, 3301002.970 e 3402002904). [...] Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.040 7 Considerando o voto trazido em acórdão recorrido, vêse que não houve discussão sobre a natureza do incentivo fiscal – se subvenção de custeio ou para investimento, eis que, a partir dos documentos acostados nos autos, o colegiado entendeu ser desnecessário tratar da natureza do ingresso, vez que comprovaram que a situação ora discutida envolvia o direcionamento dos recursos para o desenvolvimento de uma região”. 2. Parte do voto (Grifos meus) com minhas breves considerações: “[...] Tais valores representam mero ingresso na contabilidade do contribuinte, com roupagem de ressarcimento e não de receita, porque o contribuinte adianta o investimento da construção e instalação do parque fabril e o Estado lhe assegura o reembolso dos valores gastos dos incentivos. Diante de alguns precedentes deste Conselho, como os 203 13.634, 203.13050 e 3401001.976, assim como diante da legislação e das normas de Direito Tributário correlatas e da semântica tributária e contábil, é possível concluir que os incentivos tributários são redutores de despesas (do saldo devedor), recuperações de custos e não receita ou faturamento, ainda mais se feitos de forma escritural, como é o caso do contribuinte. [...] Contudo, o que se verifica diante destas constatações é que a União, por meio das autuações fiscais, trabalha para ter um controle dos incentivos fiscais estaduais de forma que possa verificar se as mencionadas subvenções, para investimento ou custeio, ocorreram e se o Pis e Cofins estão sendo corretamente adimplidos ou não. O procedimento da União é correto porque está é competente, contudo, a indefinição da jurisprudência neste Conselho e a definida jurisprudência no âmbito judicial, em especial do Fl. 3043DF CARF MF 8 STJ REsp 1.025.833/RS de 2008 e REsp 596212/PR de 2014, deixa claro que o crédito presumido de ICMS não constitui receita, mas sim recuperação de custo. [...] Mas por fim, é importante registrar que tratase, no caso dos autos, de um incentivo fiscal, concedido pelo estado no formato de crédito presumido de ICMS com exigências e contrapartidas, de forma que possa sim, ser configurada como uma subvenção para investimento e fomento da região e não como uma subvenção para custeio. É relevante lembrar que esta própria Turma de julgamento já tratou da matéria e reconheceu que as subvenções para investimento podem ser deduzidas da base de cálculo do Pis e Cofins por não se enquadrarem no conceito de receita bruta ou mesmo de faturamento, conforme Acórdãos 3201002.228, 3201002.229.[...]” O fundamento crucial adotado no acórdão recorrido é a natureza de ressarcimento – redução e custo. E não a discussão acerca da caracterização ou não como subvenção para investimento ou de custeio, vez que com base nas documentações acostadas – não caberia mais essa discussão naquele momento. Sendo assim, temse que o acórdão recorrido contempla o que segue: · Fatos: Com base nos documentos acostados, os valores de crédito presumido de ICMS foram direcionados para o desenvolvimento da região; · Fundamento: Com base nos documentos acostados, a natureza de ingresso é de “ressarcimento/redução de custo”, com base nos precedentes do STJ e do CARF. Não caberia a discussão da natureza do incentivo – se subvenção para investimento ou de custeio. Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.041 9 Enquanto no acórdão indicado como paradigma de nº 1401 001.621, importante ressurgir que: · Tratouse de exclusão da base do IRPJ de valores a título de subvenções governamentais; · Naquele caso, a fiscalização solicitou que a contribuinte apresentasse documentação comprobatória da operação de empréstimo de R$ 9,2 milhões dos sócios Eugênio Odilon Ribeiro e Euflávio Odilon Ribeiro para a Ciclo Cairu Ltda e a efetiva entrega dos recursos financeiros (cópias autenticadas), bem como comprovante dos tributos recolhidos referentes a tal operação (PIS/COFINS/IOF). No entanto, a contribuinte apresentou cópias autenticadas de contratos de adiantamento para futuro aumento de capital, assinados pelos sócios, totalizando R$ 9,2 milhões. No entanto, não apresentou os comprovantes da efetiva entrega dos recursos financeiros. · O voto vencedor trouxe como fundamento (Grifos meus): “[...] Que a subvenção seria considerada como de custeio que, por sua vez, conforme art. 392, inciso I, do RIR/99, deveria ser classificada como “Outros Resultados Operacionais” – na modalidade subvenções correntes para custeio ou operação”. [...] para que a subvenção de investimento deixe de ser computada na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas que apuram o imposto pelo lucro real a beneficiária deve proceder de acordo com o que estabelece o art. 15 da Lei nº 11.941, de 2009. Passando à análise do caso concreto, vejome forçado a concluir que não se vislumbram nos referidos dispositivos da legislação do estado de Rondônia a vinculação e a estrita correspondência entre os benefícios financeiros concedidos e o destino desses recursos. Fl. 3045DF CARF MF 10 Além disso, a própria descrição que a empresa faz das suas contrapartidas ao benefício fiscal concedido indica haver a indispensável aplicação da subvenção na aquisição de bens ou direitos caracterizados como investimentos. Tais aquisições, contudo, não restaram comprovados nos autos. [...] Considerando que a contribuinte, em sua peça recursal, não trouxe quaisquer elementos de prova adicionais, considero plenamente válida a conclusão constante da decisão de piso, no sentido de que as subvenções recebidas pela contribuinte constituem subvenções para custeio e, como tal, devem se sujeitar à tributação pelo IRPJ e CSLL. [...]” É de se constatar, assim, que o acórdão indicado como paradigma contempla: · Fatos: A contribuinte não trouxe quaisquer elementos de provas adicionais. · Fundamento: Considerando que a contribuinte não trouxe elementos de prova adicionais. Concluise que as subvenções recebidas constituem subvenções para custeio. Em vista do exposto, em síntese, temos que: · Os fatos descritos nos arestos recorrido e indicado como paradigma são diferentes: ü No acórdão recorrido, os documentos apresentados pelo sujeito passivo comprovaram que os recursos foram utilizados para o desenvolvimento da região, inclusive com a construção do Centro de Distribuição; ü No acórdão indicado como paradigma, não houve apresentação de documentos que pudessem atestar o direcionamento do recurso. Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.042 11 Portanto, não há como se considerar que houve a divergência da legislação tributária quando os fatos são diversos. · Os Fundamentos nos arestos recorrido e indicado como paradigma são diferentes: ü No acórdão recorrido, entrouse na discussão acerca da natureza do ingresso – se encartamse no conceito de receita ou não para fins de tributação pelo PIS e Cofins, não sendo citado em nenhum momento a legislação do lucro real; ademais, foi desconsiderada a discussão acerca da natureza do incentivo – se subvenção para investimento ou não; ü No acórdão indicado como paradigma, houve menção a diversos dispositivos que tratam do lucro real, inclusive o da Lei 11.941/09 – que citou dispositivo que trata da subvenção para fins de lucro real – não sendo mencionado em nenhum momento o dispositivo que trata de PIS e Cofins – que seria o art. 21, parágrafo único da Lei 11.941/09: “[...] Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e [...]” A conclusão do acórdão indicado como paradigma é de que o incentivo seria subvenção de custeio, pois a contribuinte não teria apresentado documentos comprobatórios. Em vista de todo o exposto, entendo não ser possível o conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, vez que no Fl. 3047DF CARF MF 12 “teste de aderência”, não há similitude fática entre os arestos, bem como a fundamentação e normas utilizadas como fundamentos são totalmente diferentes. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 3048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675905/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2003
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 59 05 /2 00 9- 70 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.707, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720082/2013-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PIS/COFINS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL. BASE DE CÁLCULO. CONCOMITÂNCIA, INEXISTÊNCIA.
Na instância administrativa a matéria em litígio é a exigência do PIS e da Cofins com base no faturamento mensal, assim entendido, a receita operacional bruta decorrente da prestação de serviços, nos termos dos arts. 2º e 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998, enquanto que, na ação judicial, a matéria em discussão é a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, desta mesma lei, que tratava da tributação de receitas não operacionais. Portanto não caracterizada a concomitância entre o processo administrativo e o judicial.
Numero da decisão: 9303-006.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial para reconhecer a concomitância entre o processo judicial e administrativo, cancelando a multa de ofício de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL. BASE DE CÁLCULO. CONCOMITÂNCIA, INEXISTÊNCIA. Na instância administrativa a matéria em litígio é a exigência do PIS e da Cofins com base no faturamento mensal, assim entendido, a receita operacional bruta decorrente da prestação de serviços, nos termos dos arts. 2º e 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998, enquanto que, na ação judicial, a matéria em discussão é a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, desta mesma lei, que tratava da tributação de receitas não operacionais. Portanto não caracterizada a concomitância entre o processo administrativo e o judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial para reconhecer a concomitância entre o processo judicial e administrativo, cancelando a multa de ofício de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 82 /2 01 3- 92 Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte PERNAMBUCANAS FINANCIADORA S/A CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (fls. 1.024 a 1.049) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, buscando a reforma do Acórdão nº 3301002.885 (fls. 970 a 992) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 16 de março de 2016, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. A base de cálculo do PIS e da COFINS em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS e da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. PIS E COFINS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. Recurso voluntário negado. O presente processo tem origem em Auto de Infração lavrado para a cobrança de PIS e COFINS (fls. 160 a 172), dos períodos de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2008, Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 4 3 decorrentes de recolhimento a menor em razão da exclusão da base de cálculo das demais receitas operacionais, fazendo incidir as contribuições tão somente sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas na conta Cosif nº 7.1.7.00.00.9. A Contribuinte procedeu dessa forma com amparo em medida liminar concedida em seu favor nos autos do mandado de segurança nº 2006.61.00.0214374, impetrado em 29/09/2006, para “determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98”. Posteriormente, foi proferida sentença nos autos do mandado de segurança favorável à Contribuinte. Após intimada da autuação, a PERNAMBUCANAS apresentou impugnação (fls. 554 a 574), julgada improcedente e mantido o auto de infração nos termos do Acórdão nº 1259.395 (fls. 904 a 919), proferido pela 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro I em 11/11/2013, cujos argumentos foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. O conceito de receita bruta sujeita ao PIS envolve não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. Para as instituições financeiras, a receita bruta operacional como definida nos artigos 226 e 227, do Decreto nº 1.041, de 11/01/1994, inclui as receitas provenientes de intermediação financeira, ou seja, aquelas oriundas da atividadefim dessas instituições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. O conceito de receita bruta sujeita à Cofins envolve não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. Para as instituições financeiras, a receita bruta operacional como definida nos artigos 226 e 227, do Decreto nº 1.041, de 11/01/1994, inclui as receitas provenientes de intermediação financeira, ou seja, aquelas oriundas da atividadefim dessas instituições. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 5 4 MULTA DE OFICIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a suspensão da exigibilidade na data do lançamento de ofício, cabível a multa de ofício, nos termos da legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. INCORREÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Nos termos do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Cabe, portanto, à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 926 a 952), ao qual foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 3301002.885 (fls. 970 a 992) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 16 de março de 2016, por ter entendido o Colegiado, em síntese, que: (a) não há coincidência entre os objetos do mandado de segurança e do processo administrativo, pois "[...] (a) o provimento judicial obtido no caso concreto silenciou em relação à abrangência do que seriam receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias das instituições financeiras (e, por exclusão, do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras) para fins de tributação pelas contribuições; e (b) a discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência das contribuições não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF.; (b) devem ser incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS a totalidade das receitas decorrentes da atividade operacional típica prevista no objeto social da PERNAMBUCANAS. Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 1.001 a 1.005) alegando omissão e obscuridade, em especial quanto ao fato de ter sido discutido nos autos do mandado de segurança, por iniciativa da União, a possibilidade de Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 6 5 tributação das receitas de intermediação financeira. Os aclaratórios foram rejeitados (fls. 1.009 a 1.016). Na sequência, a autuada interpôs recurso especial (fls. 1.024 a 1.049) alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito da concomitância da ação judicial e do processo administrativo para o afastamento do alargamento da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS. Colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 3402002.601 e 3402002.788. Em suas razões recursais, aduz em síntese que: (a) este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive por sua 3ª Turma da CSRF, analisando a mesma legislação em casos semelhantes, chegou à conclusão distinta do acórdão ora recorrido, no sentido de que deve ser reconhecido que as decisões judiciais proferidas em favor dos contribuintes suspendem a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas de intermediação financeira, podendo o Fisco, em última análise, proceder ao lançamento apenas para prevenir a decadência, sem a multa de ofício de 75%; (b) o Acórdão nº 3402002.601, proferido em seu próprio favor e já confirmado pela Câmara Superior, em análise da mesma legislação e dos mesmos fatos chegou à conclusão de que o mandado de segurança 2006.61.00.0214374 permitiu à Recorrente não recolher o PIS e a COFINS sobre as receitas de intermediação financeira, revelando que a exigibilidade das mesmas estava suspensa e, por conseguinte, ensejando o cancelamento da multa de ofício de 75% aplicada; (c) a decisão recorrida deverá ser reformada para: (i) reconhecerse que a Contribuinte, com a liminar e a sentença proferidas em sede de mandado de segurança estava autorizada a deixar de recolher o PIS e a COFINS sobre as receitas de intermediação financeira; e (ii) por conseguinte, declarar que quando o auto de infração foi lavrado, a exigibilidade das contribuições sobre as receitas financeiras estava suspensa em razão do provimento judicial, impondo a própria não realização do lançamento ou, ao menos, a sua lavratura tão somente para prevenir a decadência; (d) foi levada aos autos do mandado de segurança, de modo expresso, pela União, a discussão específica acerca do faturamento das instituições financeiras, se abarcam ou não as receitas de intermediação financeiras, tendo sido inteiramente afastadas as suas irresignações posto que a sentença foi de total procedência do pedido; (e) requer seja cancelado o auto de infração, uma vez amparada em provimento judicial ou, subsidiariamente, seja cancelada a multa de ofício de 75%, pois se válido o lançamento, este apenas pode servir à prevenção da decadência; (f) ao final, ao requer seja provido o recurso especial. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº (fls. 1.095 a 1.100), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com base no Acórdão paradigma nº 3402002.601. Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 7 6 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.096 a 1.101) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio eletrônico, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Discutese nos autos a cobrança das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as receitas operacionais de instituição financeira e a abrangência da decisão judicial, ainda não transitada em julgado, proferida em sede do mandado de segurança nº 2006.61.00.0214374, favorável à Contribuinte, no sentido de afastar o alargamento da base de cálculo das exações prevista no §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e delimitar a sua incidência tão somente sobre as receitas oriundas da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em sede de recurso especial, dáse a controvérsia em torno do reconhecimento da concomitância da discussão judicial e administrativa para o afastamento do alargamento da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Ao apreciar a matéria, decidiu o Colegiado a quo pela não coincidência de objetos entre o mandado de segurança impetrado pela Contribuinte e a discussão travada nos autos deste processo administrativo e, por conseguinte, inexistência de concomitância. Do exame dos provimentos judiciais extraiu as seguintes conclusões: [...](a) o provimento judicial obtido no caso concreto silenciou em relação à abrangência do que seriam receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias das instituições financeiras (e, por exclusão, do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras) para fins de tributação pelas contribuições; e (b) a discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência das contribuições não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF." Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 8 7 Postula a Contribuinte, no apelo especial, o cancelamento integral do auto de infração, em razão de suposto descumprimento de ordem judicial ou, alternativamente, o cancelamento da multa de ofício aplicada, consoante art. 63 da Lei nº 9430/96. O mandado de segurança foi impetrado com o objetivo de ver concedido pedido, em sede de decisão liminar, para: [...] determinar à Autoridade Coatora: a.1) que se abstenha, pessoalmente ou por seus subordinados, de autuar as Impetrantes pelo recolhimento do PIS/PASEP e da COFINS sempre que estas contribuições forem calculadas apenas sobre seu faturamento (receita decorrente de todas as suas vendas de mercadorias e serviços), e não sobre a totalidade das receitas por elas auferidas (ante a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98); consequentemente, a.2) recolhidos e calculados o PIS/PASEP e a COFINS com base no faturamento (receita decorrente de todas as vendas de mercadorias e serviços), que se abstenha de tomar qualquer medida que importe denegação de certidões negativas ou inscrição do nome das Impetrantes no CADIN, até decisão final do presente mandado de segurança. [...] d) a concessão da segurança ao final para o fim de que: d.1) seja declarada a inexistência de relação jurídica que obrigue as impetrantes ao recolhimento do PIS/PASEP e da COFINS sobre receitas de natureza diversa à de faturamento (venda de mercadorias e serviços), reconhecendose, in casu, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; e cumulativamente, d.2) seja declarado, na esteira da Súmula nº 213 do STJ, o direito das Impetrantes de compensarem os valores indevidamente recolhidos a título de PIS/PASEP e de COFINS, calculados com base no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, valendose as Impetrantes dos mesmos índices de correção utilizados pela Fazenda Nacional para a cobrança de seus créditos (SELIC), observado o lapso prescricional. [...] (grifouse) Em sede de decisão liminar do mandado de segurança, foilhe concedido o pleito para [...] determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS nos termos do §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, abstendose a ré de proceder qualquer ato de cobrança das referidas exações, bem como de impedir a expedição de certidões negativas ou de inscrever os nomes das impetrantes no CADIN". A medida liminar foi confirmada em sede de sentença proferida nos autos do mandamus, concedendo integralmente à impetrante a segurança requerida. Assim, restou suspensa a exigibilidade do PIS e da COFINS nos termos do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, bem como foi assegurado o direito à compensação dos valores pagos indevidamente, observado o prazo de prescrição de 5 (cinco) anos. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 9 8 O processo judicial aguarda a conclusão do julgamento do recurso de apelação interposto pela União Federal perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Com amparo nos provimentos judiciais, a Contribuinte efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as receitas decorrentes da comercialização de mercadorias e da prestação de serviços, excluídas aquelas originadas das atividades de intermediação financeira, as denominadas receitas financeiras. No entanto, a Receita Federal ao efetuar a análise do mandado de segurança entendeu de forma diversa, no sentido de que o PIS e a COFINS deveriam incidir sobre a receita operacional total da Recorrente, compreendendose ali as receitas de intermediações financeiras. Nessa esteira, foi lavrado o auto de infração, pelos seguintes fundamentos expostos no Termo de Verificação Fiscal, in verbis: [...] Verificouse então que a Pernambucanas Financiadora entendeu que a base de cálculo do PIS e COFINS é composta somente com as rendas de prestação de serviços (COSIF 7.1.7.00.009). Declarou em DCTF e recolheu DARF dessas contribuições utilizando como base de cálculo somente essas receitas. A Pernambucanas Financiadora Impetrou Mandado de Segurança (Processo Judicial nº 2006.61.00.0214374) com pedido de liminar e ao final a segurança definitiva para que fosse declarada a inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento do PIS e da COFINS sobre receitas de natureza diversa à de faturamento (venda de mercadorias e serviços), reconhecendose a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e cumulativamente que fosse declarado, na esteira da Súmula nº 213 do STJ, o direito de compensação dos valores indevidamente recolhidos, calculados com base no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em 23.10.2006 foi concedida a segurança requerida para determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS nos termos do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, bem como assegurar o direito à compensação dos valores pagos indevidamente. A Pernambucanas Financiadora, com sede em São Paulo, conforme Contrato Social em vigor, tem como objeto social a prática de operações de Crédito, Financiamento e Investimento. O faturamento das instituições financeiras compreende a totalidade das atividades desenvolvidas em torno do seu objeto social. Conforme o Estatuto Social da Pernambucanas Financiadora, Artigo 4º, a Sociedade tem por objeto: "a prática de todas as operações de crédito, financiamento e investimentos, permitidos pelas leis e regulamentos aplicáveis à espécie, atuais ou futuras, tais como:" (destacamos) [....] O artigo 17 da Lei no. 4.595/64 traz o conceito legal das empresas do setor financeiro, in verbis: Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 10 9 Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI nº 2591, entendeu por submeter às atividades do setor financeiro à disciplina do Código de Defesa do Consumidor, em face do disposto no §2º do art. 3º da Lei 8.078/1990, que delimita o serviço como "qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária. financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista". O artigo 2º da Lei nº 9718 de 1998 definiu que a base de cálculo para o PIS e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento. O Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 357.9509/RS, ao examinar os arts. 2º e 3º da Lei no. 9.718, de 1998, abaixo transcritos in verbis, considerou inconstitucional apenas o §1º do art. 3º, estando em desacordo, portanto, apenas a expansão da base de cálculo das contribuições em questão. [...] No Parecer nº 2773/07 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Coordenação Geral de Assuntos Tributários, concluiuse que "têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada" (destacamos). A declaração de inconstitucionalidade do §1º, art. 3º, da lei 9.718/98 não implica que as receitas financeiras, as rendas de operações de crédito com empréstimos e financiamentos e de aplicação de depósitos interfinanceiros, das instituições financeiras, não estão sujeitas ao PIS e COFINS, estando estas compreendidas no conceito de faturamento. Portanto tais receitas devem ser consideradas como resultado operacional, conforme a própria Pernambucanas Financiadora apresenta no demonstrativo de provisão, integrando a base de cálculo do PIS e da COFINS. Essas operações estão contempladas em seu objeto social, conforme artigo 4º de seu Estatuto Social, exposto acima. [...] A Pernambucanas Financiadora considerou somente as rendas de prestação de serviços (COSIF 7.1.7.00.009) na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ela não tem amparo legal para não considerar as demais receitas que a legislação considera componentes da base de cálculo. [...] Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 11 10 Comparandose o objeto do mandado de segurança e deste processo administrativo, com a devida vênia ao entendimento do acórdão recorrido, verificase a coincidência de matérias em discussão: a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas operacionais da Recorrente (receitas de intermediação financeira) frente à declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. No mesmo sentido, foi decidido nos autos do processo administrativo nº 16327.000258/201043, no qual figurava como Sujeito Passivo a Pernambucanas Financiadora S/A, em decorrência da análise também do mandado de segurança nº 2006.61.00.0214374, sendo prolatado o Acórdão nº 3402002.601, de relatoria do Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, cujos fundamentos são abaixo transcritos e passam a fazer parte da presente decisão: [...] Preliminarmente, identifico que a discussão travada nestes autos são idênticas as travadas no Mandado de Segurança nº 2006.61.00.0214374, senão vejamos: O mandado de segurança visou afastar o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovido pelo § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a natureza jurídica das receitas que devem compor o conceito de faturamento das instituições financeiras e a possibilidade de compensação dos valores que, porventura, tenham sido recolhidos indevidamente. Essas informações foram extraídas das peças do processo judicial que compõe esse processo administrativo. No processo administrativo ora em julgamento, o recorrente busca aplicar a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou a regra do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, bem como discutir se as receitas por ele recebidas se subsumem ao conceito de faturamento. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal e na lide proposta no Poder Judiciário, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial. Quando há processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, podem resultar em efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 12 11 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota, como já mencionado, o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Posta assim a questão, entendo que este Colegiado não pode apreciar matéria já submetida ao Poder Judiciário, na linha da Súmula Carf nº 01. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2006.61.00.0214374, ainda em trâmite na justiça federal, e neste recurso administrativo. A segunda matéria trazida aos autos diz respeito a multa de ofício lançada na vigência de sentença judicial. Quanto à essa matéria identifico todos os requisitos de admissibilidade, de forma que passo ao mérito. A multa de ofício tem por objetivo a punição pelo não recolhimento de crédito tributário, ao qual estaria obrigado o contribuinte por determinação legal, apurado e constituído pela Administração no exercício de suas atribuições de fiscalização, conforme determinado no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Existem, porém, situações nas quais o contribuinte se encontra dispensado de tal recolhimento por expressa autorização judicial. Para estas situações determinouse a dispensa da constituição da multa de ofício, pelo artigo 63 da referida lei, nos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Portanto, uma vez caracterizado que o contribuinte, por determinação judicial, não se encontrava, à data de início da fiscalização, obrigado ao recolhimento do tributo apurado e tido como devido pela autoridade administrativa, não há como se manter a fundamentação fática da multa de ofício, qual seja, o descumprimento de norma administrativa pelo contribuinte, uma vez que tal comportamento estava autorizado expressamente pela autoridade judicial, não havendo, portanto, ato ou omissão a ser punido pela Administração. Esta é a inteligência correta do artigo 63 acima citado, abaixo transcrito: “Art. 63 – Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do artigo 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.” Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 13 12 No presente caso, consta nos autos que o crédito tributário constituído por meio do ato administrativo impugnado estava com a exigibilidade suspensa por força da sentença proferida pelo Poder Judiciário, de acordo com o art. 151 do CTN. Portanto, entendo que a multa de ofício deve ser exonerada, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996. Isto posto, não conheço da matéria levada ao clivo do Poder Judiciário, e na parte conhecida, dou provimento parcial para afastar aplicação da multa de ofício. É como voto. [...] Referido julgado foi confirmado por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em julgado de relatoria desta Conselheira, cujos fundamentos foram consignados no Acórdão nº 9303003.485, de 25 de fevereiro de 2016, in verbis: [...] Da análise dos casos confrontados, verificase que, embora ambos versem sobre o alcance de decisões judiciais prolatadas em discussões referentes à declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, tendolhes sido atribuídas soluções jurídicas diferentes perante o órgão administrativo, o acórdão nº. 3302001873 não pode ser considerado como paradigma, pois trata de materialidade diferente daquela discutida nos presentes autos, conforme se passa a explanar. Nos termos do que consignado pela Contribuinte em suas contrarrazões, o acórdão adotado como paradigma pela Fazenda Nacional "foi proferido em processo administrativo que discute autuação levada a cabo contra uma sociedade seguradora, e o cerne da controvérsia consiste em definir se os valores recebidos por esse contribuinte a título de prêmios devem se submeter à exigência do PIS/PASEP e da COFINS, não obstante o reconhecimento da inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98." (grifos no original) Fato é que, por serem figuras jurídicas distintas, com regramento por legislações diferentes, não se pode aplicar às seguradoras o mesmo tratamento jurídico dispensado às instituições financeiras. Tanto é assim que o próprio Supremo Tribunal Federal, ao analisar a matéria atinente à base de cálculo do PIS e da COFINS, quanto às instituições financeiras e às seguradoras o faz em recursos extraordinários distintos, a saber RE nº 609.096 e RE nº. 400.479, respectivamente. Isso porque com relação às instituições financeiras o que se discute é a possibilidade de serem tributadas pelas contribuições as receitas financeiras, enquanto que com relação às seguradoras perquirese a inclusão dos valores recebidos pelo contribuinte a título de prêmio na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por serem grandezas distintas (receitas financeiras e prêmios) não podem ser objeto de discussão no mesmo processo judicial e/ou administrativo. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 14 13 [...] De outro lado, ainda que seja superado o argumento acima, igualmente não merece ser admitido o recurso da Fazenda Nacional, uma vez tendo as ações judiciais subjacentes a cada processo administrativo, o deste processo e do acórdão paradigma, trâmites processuais diferentes, os mesmos levarão a conclusões distintas: [...] em relação ao contribuinte que já possui decisão com trânsito em julgado, eventual autuação que desrespeite a coisa julgada deve ser cancelada; quanto ao contribuinte que possui uma decisão ainda passível de alteração, eventual auto de infração não deve ser conhecido, devido à concomitância. [...] Assim, foi reconhecido, por maioria de votos, além da inexistência de divergência jurisprudencial, a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, digase, ambos decorrentes do mesmo mandado de segurança e tendo como Sujeito Passivo idêntico Contribuinte que figura nos presentes autos. Inequivocamente igual entendimento aplicase a este apelo especial. No processo administrativo citado, portanto, prevaleceu o entendimento no sentido de ser excluída a multa de ofício e, quanto ao crédito tributário principal, determinada a sua vinculação à ação judicial: enquanto vigente a sentença proferida no mandado de segurança e não havendo o trânsito em julgado da demanda, a exigibilidade deveria permanecer suspensa. Remetidos os autos à DEINF/SP, embora tenha excluído a multa de ofício, determinou o pagamento do principal. Por conseguinte, para dar efetividade ao julgado proferido por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, a Contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 0020588 80.2016.4.03.6100, cuja liminar, embora não deferida em primeiro grau, foi concedida em sede de agravo de instrumento julgado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Na decisão do Tribunal, cujos fundamentos foi reiterados em sede de julgamento de apelação, foi reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário principal por força de sentença judicial proferida no primeiro mandado de segurança o mesmo em discussão neste processo administrativo e da decisão administrativa do CARF: "Dessa forma, constatase que a cobrança levada a efeito pela autoridade coatora (Id. 240186) é, em princípio, indevida, posto que a exigibilidade do crédito tributário em debate está suspenso por força de sentença judicial e da decisão administrativa do CARF. (...) Ante o exposto, DEFIRO em parte a tutela recursal antecipada, para determinar à agravada que suspenda os procedimentos de cobrança do crédito tributário objeto do PTA n. 16327.000258/201043 (...)." Concluise existir a concomitância entre a ação judicial da Contribuinte e o presente processo administrativo. Portanto, deve ser cancelada a multa de ofício de 75% tendo em vista estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário principal por decisão do mandado de segurança, consoante disposto no art. 63, §1º da Lei nº 9.430/96. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 15 14 Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte para reconhecer a concomitância entre o processo judicial e administrativo, devendo ser cancelada a multa de ofício de 75%, em razão de estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário principal por decisão judicial, abstendose a Autoridade Fazendária de proceder à cobrança do crédito tributário principal até o trânsito em julgado do mandado de segurança. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito à ilustre relatora, discordo de seu entendimento quanto à existência de concomitância entre a matéria em discussão no processo administrativo e a levada ao Poder Judiciário. Na ação judicial, mandado de segurança nº 2006.61.00.0214374, o contribuinte pleiteou a suspensão da exigência das contribuições para o PIS e Cofins, nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que havia ampliado a base de cálculo dessas contribuições de receita operacional bruta para a totalidade das receitas da pessoa jurídica, ou seja, com tributação das receitas não operacionais. A sentença judicial proferida naquele mandado de segurança restringiuse a afastar a incidência das contribuições sobre as receitas não operacionais (base de cálculo ampliada), com fundamento na ocorrência de vício de inconstitucionalidade. A liminar e a sentença foram concedidas somente para; “determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98”. No julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B da Lei nº 5.689/73 – Código de Processo Civil, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou incidentalmente a inconstitucionalidade apenas e tão somente do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que havia ampliado a base de cálculo do PIS e da Cofins, para incluir receitas não operacionais. A exigência, nos termos do art. 2º e do art. 3º, exceção do § 1º, foi mantida para ambas as contribuições. Já a matéria em discussão na instância administrativa é a exigência das contribuições para o PIS e Cofins, sobre o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim entendido, a receita operacional bruta decorrente da prestação de serviços, nos termos da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, arts. 2º e 3º, §§ 5º e 6º, que assim dispõem: "Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 16 15 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (...)." Conforme demonstrado nos autos, mais especificamente no Termo de Verificação, parte integrante, dos autos de infração, a base de cálculo tributada foi o faturamento mensal do contribuinte, assim entendido, sua receita operacional bruta decorrente da prestação de serviços financeiros, nos termos dos dispositivos legais citados e transcritos acima. No acórdão recorrido, a Ilustre Relatora da Câmara Baixa demonstrou com esmero e correção que a receita operacional das empresas do setor financeiro, dentre elas as sociedades de crédito, financiamento e investimento, como no presente caso, abrange todas as receitas decorrentes de suas atividades operacionais, ou seja, de seu objetivo econômico e social. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 9303006.311 CSRFT3 Fl. 17 16 Tomo a liberdade de utilizar parte do conceito de faturamento do acórdão recorrido, cujo excerto transcrevo e adoto como fundamento, para meu voto: " que ora reproduzo: "A noção de faturamento está intrinsecamente relacionada ao resultado financeiro decorrente do exercício das atividades principais das empresas, ou seja, aquelas vinculadas ao seu objeto e que se referem, em regra, à maior parcela do ingresso de valores da pessoa jurídica, em respeito aos princípios da isonomia, capacidade contributiva e, também, aos princípios que regem a seguridade social: universalidade, solidariedade e equidade na forma de participação do custeio. No caso em comento, tendo em vista que as receitas financeiras resultam de operações desenvolvidas pela Recorrente no desempenho de sua atividade empresarial típica, de rigor a incidência do PIS e da COFINS sobre tais receitas;" Nos autos está demonstrado e comprovado que o faturamento utilizado como base de cálculo para a exigência das contribuições, mediante os lançamentos em discussão, foi o faturamento mensal, assim entendido, a receita operacional bruta do contribuinte, decorrente da prestação de serviços financeiros, neles incluídas as receitas financeiras típicas de suas atividades econômicas. Assim, inexiste a suscitada concomitância entre o processo administrativo e ação judicial, mandado de segurança nº 2006.61.00.0214374. Na ação judicial o contribuinte a exigência das contribuições sobre a base de cálculo ampliada, incluindo as receitas não operacionais, nos termos do 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, já revogado, por força da declaração de sua inconstitucionalidade pelo STJ. Já no processo administrativo, insurge contra a exigência das contribuições sobre a receita operacional, nos termos dos arts. 2º e 3º, caput, daquela mesma leis. Quanto à multa de ofício, como não foi reconhecida a concomitância e, consequentemente, que o lançamento não foi efetuado para prevenir a decadência nem se encontra com sua exigibilidade suspensa, por força da referida ação judicial, a penalidade deve ser mantida. Por fim, esclareço que comungo integralmente com o voto constante do acórdão recorrido e, neste sentido, utilizoo também como fundamento das minhas razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720155/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
Relatório
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 19515.720155/201236, em face do acórdão nº 1653.405, julgado pela 18ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), em sessão realizada em 04 de dezembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 15 5/ 20 12 -3 6 Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 19515.720155/201236 Resolução nº 2202000.813 S2C2T2 Fl. 3.295 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: " Trata o presente de impugnação contra Auto de Infração de fls. 2.921/2.925, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2007, que apurou crédito tributário no valor de R$ 10.679.967,87, sendo R$ 4.807.471,16 referente ao imposto, R$ 2.266.893,35 referente aos juros de mora calculados até 30/12/2011 e R$ 3.605.603,36 referente à multa de ofício. A presente Ação Fiscal teve início, conforme termo do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002010036066 (fl. 02). Em 25/10/2010, foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal, que teve o intuito de solicitar à contribuinte documentação/esclarecimentos, tendo em vista a orientação de elaborar a análise dos ganhos líquidos em renda variável, no ano calendário de 2007, em operações realizadas na Bolsa de Valores. Foram enviadas outras intimações e reintimações Após análise dos documentos apresentados e informações constantes em DIRF em nome da contribuinte, verificouse expressiva movimentação financeira expressa em alienações em Liquidação de Operações em Bolsa de Valores. Preenchidos os requisitos legais, foram emitidas Solicitações de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação (RMF) endereçadas às instituições financeiras Interbolsa do Brasil Administradora de Bens Ltda. (antiga FINABANK CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA.) e BM&F BOVESPA S.A. – Bolsa de Valores, Mercadoria e Futuros, que enviaram documentação solicitada relativa às operações realizadas pela contribuinte no período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Assim, os dados em arquivos magnéticos, relativos a todas as notas de corretagem, foram inseridos na ferramenta da Secretaria da Receita Federal do Brasil denominada “CONTÁGIL”, que gerou planilhas por ativo e por data, apresentando de forma individualizada valores transacionados nas modalidades “OPERAÇÕES NORMAIS” e “OPERAÇÕES DAY TRADE”. Da análise dos ativos e da análise da documentação disponível no curso da ação fiscal, foram apuradas as infrações conforme abaixo discriminados: Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 19515.720155/201236 Resolução nº 2202000.813 S2C2T2 Fl. 3.296 3 a) Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável – Operações Comuns Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões, encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.903/2.915). Cientificada do lançamento em foco, em 31/01/2012 (fl. 2.926), a interessada apresentou, em 01/03/2012, impugnação de fls. 2.929 a 2.953, aduzindo o que se segue: 1) Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, o trabalho fiscal baseouse em dados que teriam sido fornecidos pela BM&F Bovespa e pela NOVINVEST Corretora de Câmbio e Valores Ltda. A Impugnante não tem e nunca teve qualquer relacionamento com a segunda instituição financeira e, se foi efetivamente baseado em informações por ela prestadas, o trabalho fiscal padece de absoluta nulidade. 2) Consta no Termo de Verificação Fiscal que a Impugnante não atendeu aos pedidos de informações formulados. A realidade é que a Impugnante, por procurador, compareceu tempestivamente ao órgão fiscalizador e entregou as informações, como afirma a própria AFRFB que subscreve o Termo de Verificação Fiscal. 3) Foi emitida a Solicitação de Emissão de Requisição (RMF) para solicitar dados diretamente da Bovespa e da corretora, desprezando os dados informados pela contribuinte. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 19515.720155/201236 Resolução nº 2202000.813 S2C2T2 Fl. 3.297 4 4) O pedido de expedição da RMF foi baseado na hipótese de que haveria indício de que a Impugnante seria interposta pessoa do titular de fato das operações analisadas, porque sua movimentação financeira superaria em mais de dez vezes a renda disponível declarada. 5) Nas palavras da autora do Auto de Infração foi verificada movimentação financeira da ordem de R$ 384 milhões, somente em alienações informadas em DIRF, e em análise da DIRPF da contribuinte foi observado rendimentos totais declarados da ordem de R$ 7.321.044,79, sendo a relação entre a movimentação financeira e os rendimentos totais declarados de cerca de cinquenta e duas vezes. 6) As vendas de ações separadas das compras não podem ser consideradas movimentação financeira e para fins fiscais as operações em bolsa são consideradas mês a mês e em nenhum deles a venda de ações ultrapassou R$ 73 milhões. 7) Portanto, não havia indício de que a Impugnante fosse interposta pessoa agindo em nome de outrem. E inexistindo fundamentação legal para a expedição da RMF, os dados trazidos aos autos são imprestáveis do ponto de vista jurídico e não podem constituir prova contra a contribuinte. 8) Em face disso, impõese a decretação da nulidade deste feito administrativo a partir da expedição da RMF, cujos dados devem ser desconsiderados – até porque a Impugnante apresentou a tempo as informações solicitadas, complementadas por tudo mais que a fiscalização considere necessário e que a Impugnante está disposta, como sempre esteve, a fornecer. 9) Da inconsistência da acusação fiscal: 26. A autuação fiscal é inconsistente: 27. De acordo com “FINABANK Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários Ltda.” (hoje denominada “INTERBOLSAS BRASIL Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários LTDA.”), instituição financeira com quem sempre trabalhou a Impugnante, dispunha ela ao final do ano de 2006 de valores em custódia no montante de R$ 39.749.058, sendo R$ 27.749.058 em ações e R$ 12.144.065 em operações a termo (doc. n. 7). A informação coincide com aquela obtida (ilicitamente) de “BM&F Bovespa” (R$ 39.432.088) e que consta do processo administrativo (doc.n. 8). 28. De conformidade com a autuação fiscal, sobre essa base a Impugnante conseguiu produzir um lucro líquido de R$ 35.412.432,29, num só ano! Ou seja, deu às suas ações uma eficiência – em termos de produção de ganhos financeiros – de cerca de 90%. Tratase de acontecimento extraordinário no mundo das finanças e que, se tornado público, sem dúvida atrairá as atenções de Warren Buffet, George Soros e outros magos das finanças mundiais para a genialidade da Impugnante. 29. Em verdade, por sua impossibilidade fática, esse fato tido como verdadeiro pela autora do AI revela, na verdade, a inconsistência do trabalho fiscal por ela realizado. Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 19515.720155/201236 Resolução nº 2202000.813 S2C2T2 Fl. 3.298 5 30. E tal inconsistência não para por aí. Se a Impugnante durante 2007 ganhou, líquidos, R$ 35.412.432,29, esse valor teria de ter transitado por sua conta corrente junto à Corretora “INTERBOLSAS DO BRASIL”. Mas lá ele não aparece, como se pode ver (doc. n. 9). Ao revés, tal conta corrente iniciase com um valor a crédito de R$ 5.622.745,78 e termina com um valor a crédito ligeiramente inferior, de R$ 4.893.022,75. Mesmo que se considerasse que a diferença foi sacada (e não o foi nesse montante), totalizaria R$ 729.723,03 – muito distante dos mais de R$ 35 milhões que teriam sido ganhos pela defendente. 31. E nem se diga que esse espetacular e inusitado pretenso resultado das operações em Bolsa da Impugnante aumentou o seu patrimônio. A comparação do seu valor através das declarações de bens relativas a 31/12/06 (doc. n. 10) e a 31/12/07 (doc. n. 11), revela que não houve incremento do patrimônio em mais de R$ 35 milhões, como asseverou a autora do feito fiscal. 32. Como é impossível que um ganho dessa magnitude desapareça das contas da Impugnante, só se pode concluir que nunca existiu. 10) “Vendas a descoberto”. A autuação fiscal é improcedente porque a autora não considerou a existência nas operações de Bolsa das chamadas “vendas a descoberto” (“shorting”) e atribuiu valores de custo a ações calculados por “critérios completamente descolados da realidade e das previsões legais”. 11) A “venda a descoberto” de ações e outros títulos nas bolsas de valores, também conhecida pela expressão inglesa “shorting”, consiste em um investidor tomar emprestado um título custodiado por uma corretora, pertencente a ele ou a outro investidor, e vendêlo no mercado com a intenção de recomprálo no futuro para reembolsar o empréstimo. O objetivo do locatário é ganhar com uma possível desvalorização desse título ao longo do tempo, ou seja, entre o momento em que é alugado pelo investidor e vendido no mercado e o momento em que é recomprado por esse mesmo investidor no mercado e devolvido à corretora. 12) Essas operações foram objeto das Instruções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nº 51, de 09/06/1986, nº 249, de 11/04/1996, e nº 283, de 10/07//1998, e da Resolução nº 3.539, de 28/02/2009, do Conselho Monetário Nacional. 13) No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a matéria foi objeto inicialmente da IN nº 742, de 24/05/2007, cujas disposições vieram a ser incorporadas posteriormente pela IN nº 1.022, de 05/04/2010. 14) O disposto no art. 3º da IN RFB nº 742/2007 e repetido no art. 60 da IN RFB nº 1.022/2010, determina que o resultado é apurado por ocasião da recompra das ações. 15) Embora, seja evidente, da análise das atividades em Bolsa da Impugnante, que opera largamente como locatária de ações, haver inúmeros lançamentos de pagamento de alugueres na sua conta corrente junto à corretora, essas norma da RFB foram ignoradas pela Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 19515.720155/201236 Resolução nº 2202000.813 S2C2T2 Fl. 3.299 6 autora do auto de infração e substituídas por critérios ilegais tanto no cálculo de ganho de renda variável quanto da época de sua apuração. 16) Operações com ações BOVH 3. Tratase de ações emitidas pela Bovespa, que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte efetuou uma venda de 200.000 ações no dia 26/10/2007 sem possuir o ativo em estoque, ficando com saldo negativo. Se a impugnante não possuía essas ações em estoque e as alienou, a conclusão óbvia seria tratarse de uma operação de “venda a descoberto”. 17) Verificase que a Impugnante sofreu um prejuízo com a operação: 49. Levandose em consideração a nota de corretagem de venda de 200.000 ações em 26/10/07 (doc. n. 12), temos que a Impugnante recebeu o valor líquido de R$ 6.463.880,19, equivalente a R$ 32,3194 por ação alienada. 50. Examinandose as recompras, temos o seguinte quadro: em 29/10/07 a Impugnante adquiriu 103.000 dessas ações pelo valor médio de R$ 32,33, perfazendo um total de R$ 3.329.504,50 (doc. n. 13); e em 30/10/07 comprou mais 56.800 delas, pelo preço médio de R$ 31,28, totalizando R$ 1.777.00,50 (doc. n. 14). 51.Assim, ao final de outubro de 2007 a situação era a seguinte: 200.000 ações tomadas de empréstimo haviam sido recompradas 159.800; utilizandose o preço médio da venda, a Impugnante apurara com a venda de 159.800 ações o valor de R$ 5.132.321; e gastara para recomprar essa mesma quantidade de ações o montante de R$ 5.106.545,00 – obtendo dessarte um ganho de capital em renda variável de R$ 25.806. 52. Restaram, portanto, depois das operações de outubro, 40.200 ações alugadas e não devolvidas (do lote de 200.000 emprestadas e vendidas em 26/10/07). Conforme se vê da nota de corretagem de 28/12/07 (doc. n. 15), foram recompradas 40.200 ações ao preço médio de R$ 33,20, que permitiram liquidar a operação de empréstimo das 200.000 ações tomadas em 26/10/10. 53. A apuração do resultado, em dezembro de 2007, apresenta uma receita de R$ 1.295.219,88 (40.200 x R$ 32,2194) e uma despesa de R$ 1.334.640,00, resultando numa perda em operação de renda variável de R$ 39.420,12. 54. Assim, se considerarmos toda a operação (ganho de R$ 25.806 em outubro de 2007 e perda de R$ 39.420), verificase que a Impugnante sofreu em realidade um prejuízo com essa operação – e jamais existiu o lucro tributável de R$ 6.451.782,19 apontado pela autora do feito fiscal. 18) Operações com ações Vale. Se é verdade que, em 18/01/07, a Impugnante contava com 70 dessas ações em estoque e vendeu em Bolsa 20.000, é evidente que tomou por empréstimo 19.930 ações da Vale, obtendo uma receita bruta de R$ 1.092.572,50, equivalente a R$ 54,82 por ação, conforme nota de corretagem (doc. n. 16). Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 19515.720155/201236 Resolução nº 2202000.813 S2C2T2 Fl. 3.300 7 19) No mês de abril, a Impugnante recomprou 15.000 dessas ações no dia 20 (doc. n. 17), ao preço médio de R$ 71,72; e recomprou mais 5.000 no dia 27 (doc. n. 18), ao preço médio de R$ 69,50, liquidando o empréstimo feito em janeiro, tendo como gasto total de R$ 1.423.372,50, que, contra a receita auferida em janeiro de R$ 1.092.572,50, resulta numa perda de R$ 330.800. 20) Outras operações de “venda a descoberto”. O mesmo equívoco cometeu a AFRF aoexaminar as demais operações (exceto os da “Telefônica”, antiga “Telesp”). Asconclusões do Termo de Verificação Fiscal não correspondem à realidade dos fatos estampada nas inúmeras notas de corretagem. 21) Operações com ações da “Telefônica”, antiga “Telesp”. Conforme declaração de bens da Impugnante, de sua DIRPF do ano base de 2006, era proprietária de ações da TELESP e da TELESP Celular, Esses títulos foram objeto de diversos agrupamentos e cisões, até se transformarem nas ações TEFC 11. Em janeiro de 2007, a Impugnante dispunha de um estoque suficiente para vender 586.888 ações, zerando sua participação acionária nessa companhia, conforme declaração de bens relativa ao ano base de 2007. 22) Outra prova de que a Impugnante dispunha das ações alienadas no curso de 2007 está nos dividendos recebidos da “Telefônica” e da “Telesp” durante esse exercício, indicadas no item próprio da declaração de rendimentos relativa ao ano base de 2006. Assim, a Impugnante conclui e requer, em síntese: a) O feito fiscal é nulo a partir da expedição da RMF, sendo indispensável que se refaça o trabalho fiscal a partir das informações prestadas pela Impugnante. b) As conclusões que levaram à lavratura do AI são absolutamente inconsistentes, porque o lucro que a AFRFB supõe auferido pela Impugnante destoa dos ganhos habituais que se verificam no mercado de ações, dos valores que transitaram pela conta corrente da Impugnante em sua corretora e pelos montantes de seu patrimônio. c) A autuação fiscal revelase totalmente improcedente porque (i) desconsiderou a existência da regulamentada “venda a descoberto” precedida de aluguel de ações, (ii) arbitrou de forma ilegal e arbitrária valores de custo a ações e (iii) desconsiderou o estoque de ações emitidas pela TELESP/TELEFÔNICA de propriedade da defendente. A impugnante apresentou na impugnação, dentre outros, os seguintes documentos: 1) Extrato Geral de Posições em Custódia de ações, emitido pela Interbolsa, referente ao período de 12/2006 (fls. 2.991/2.992); 2) Documentos emitidos pela BM&F BOVESPA, com posição das ações em nome da Impugnante em 28/12/2006 (fls. 2.993/2.995); 3) Extrato de Contas Correntes de janeiro de 2007 até dezembro de 2007, emitido pela Interbolsa (fls. 2.996/3.025). Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 19515.720155/201236 Resolução nº 2202000.813 S2C2T2 Fl. 3.301 8 Em 07/08/2012, o processo foi encaminhado à DEFIS/SP para que fosse confirmado se os dados contidos nos documentos apresentados na impugnação já estavam inseridos no aplicativo “Contágio”, para a apuração do ganho de renda variável. Conforme Relatório Fiscal Para Fins de Instrução Processual (fl. 3.131), a Fiscalização confirmou que os dados constantes nas notas de corretagem e no extrato de posição das ações em 31/12/2006, apresentados na impugnação, já estavam inseridos no programa “Contágil”, na forma descrita no Termo de Verificação Fiscal. A Interessada foi intimada para vistas do processo, facultando complementação à impugnação, em 17/10/2013, conforme fls. 3.074 e 3.132/3.134. Em 29/10/2013, apresentou complementação à impugnação (fls. 3.140 a 3.144), na qual alega, em síntese, algumas razões já anteriormente expendidas na referida impugnação de fls. 2.929 a 2.953 e outras, conforme relatadas a seguir. Alega a contribuinte que o trabalho fiscal padeceu de diversas nulidades e inconsistências, que levariam ao cancelamento do auto de infração, e que “a própria Delegacia de Julgamento já percebeu alguns destas nulidades tanto que pelo r. despacho de fls. 3069/3070...”. Em resumo, alega que os documentos que somente agora foram juntados pela fiscalização, conforme determinação da Delegacia de Julgamento, já haviam sido juntados pela defesa, e demonstram, além da nulidade do auto de infração, a sua total inconsistência. Por fim, aduz em sua impugnação: Destarte, em face dos documentos ora juntados, que já haviam sido juntados pela defesa, reitera os termos do pedido inicial para: A.1. – a decretação da improcedência da autuação fiscal e o consequente arquivamento deste feito fiscal; ou, alternativamente, A.2. – que se reconheça a nulidade praticada com a emissão da RMF, determinandose retorne o trabalho fiscal ao estágio posterior à primeiras informações prestadas pela Impugnante e que devem ser tidas na devida conta; ou, ainda, A.3. – que se reconheça a inconsistência e conseqüente imprestabilidade do trabalho fiscal e se determine seja ele refeito com observância dos ditames da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em especial da IN SRFB n. 749/07 e IN SRFB n. 1.022/10." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pel\ contribuinte, mantendose, assim, o crédito tributário lançado. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 3.176/3.201, reiterando as alegações expostas em impugnação. Após, a contribuinte apresentou manifestação, às fls. 3.205/3.210, onde promove a juntada dos seguintes documentos: Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 19515.720155/201236 Resolução nº 2202000.813 S2C2T2 Fl. 3.302 9 Doc. 1: anexos fornecidos pela BM&F BOVESPA quanto a regulamentação das operações (fls. 3.202/3.248); Doc. 2: documentação da BM&F BOVESPA referente, segundo a contribuinte, as locações de ações, sob titularidade dela, realizadas no anocalendário 2007 (fls. 3.249/3.253). Por fim, apresentou a contribuinte memorial, onde promove a junta de anexos (fls. 3292 e 3293). É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Documentos juntados após o julgamento de primeira instância Consoante já relatado, a contribuinte apresentou manifestação, às fls. 3.205/3.210, realizou a juntada dos seguintes documentos: Doc. 1: anexos fornecidos pela BM&F BOVESPA quanto a regulamentação das operações (fls. 3.202/3.248); Doc. 2: documentação da BM&F BOVESPA referente, segundo a contribuinte, as locações de ações, sob titularidade dela, realizadas no anocalendário 2007 (fls. 3.249/3.253). Em diversos julgados já me manifestei pelo recebimento de documentos após a impugnação, ou ainda, tal como no caso em análise, após a apresentação de recurso voluntário, em razão do princípio da verdade material e do formalismo moderado. No entanto, importa destacar que a admissibilidade dos documentos após a apresentação da impugnação é uma exceção à regra, pois disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235 que os documentos devem ser apresentados junto com a impugnação, salvo as hipóteses expressamente contempladas no parágrafo quarto do referido dispositivo legal. Compartilho do entendimento exarado no acórdão 9303004.406, da 3a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em sessão de 10 de novembro de 2016, que somente naqueles casos em que tal documento tenha a capacidade, por si só, de desconstituir o lançamento é que essa regra pode ser flexibilizada em respeito ao princípio da verdade material. A referida decisão foi unânime. No presente caso, no entanto, verificase que os documentos apresentados tão somente corroboram as provas já existentes nos autos em favor da tese da contribuinte, de modo que, ao meu entender, necessários se faz que a Unidade de origem se manifeste sobre os mesmos, apresentando relatório consubstanciado e conclusivo sobre o ganho de capital Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 19515.720155/201236 Resolução nº 2202000.813 S2C2T2 Fl. 3.303 10 apurado, considerando no referido relatório que houve empréstimo de ações, devendo ainda se manifestar sobre o cálculo apresentado pela contribuinte de fls. 3292 e 3293. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, devendo a Unidade de origem, considerar todos os documentos apresentados pela contribuinte até então aos autos e, com base nestes, realizar relatório consubstanciado e conclusivo sobre o ganho de capital apurado, devendo ser considerado no referido relatório que houve empréstimo de ações, devendo, por fim, manifestarse sobre o cálculo apresentado pela contribuinte de fls. 3292 e 3293. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 3303DF CARF MF
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Numero do processo: 14751.000790/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil.
Numero da decisão: 2201-004.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 416 1 415 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000790/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.403 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente OMEGA CONSTRUTORA E IMOBILIÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 07 90 /2 00 9- 91 Fl. 427DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 395 a 401) da decisão de fls. 378 a 388 que julgou procedente o lançamento decorrente de aferição indireta, através do Custo Unitário Básico CUB. O lançamento objeto de discussão referese à exigência das contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos empregados correspondente à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). De acordo com a fiscalização, após o exame da escrituração contábil do Autuado constatou os seguintes fatos: a) O contribuinte lançou de maneira inapropriada os custos de pagamento de serviços prestados por pessoas jurídicas em conta própria para o registro de pessoas físicas, notadamente na conta “l0l0205.0106SERVIÇO DE TERCEIRO PF”, no período de 01/2004 a 02/2005, conforme cópias das folhas 165 e 191 do Livro Razão/2004 e cópias das notas fiscais de serviço que ensejaram tais lançamentos; ` b) No período de 12/2004 a 05/2005, a empresa não declarou mãodeobra nas GFIP e não lançou, em sua contabilidade, qualquer valor concernente a mãodeobra empregada na obra. No entanto, foram verificados lançamentos de custos de aquisição de material destinado ao Ed. Hannover. A aquisição desse material demonstra que a empresa utilizou mãodeobra sem que tenha registrado os valores de remuneração nos registros contábeis. c) A empresa deixou de lançar na contabilidade a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme valores apurados nas folhas de pagamento. d) A empresa empregou o serviço de gesseiro e graniteiro que pode ser comprovado pela aquisição de grande quantidade de gesso e granito para o Ed. Hannover, conforme notas fiscais anexas. No entanto, não consta de suas folhas de pagamento mãodeobra especializada para esses serviços. Intimada a apresentar documentos que comprovassem o pagamento a esses profissionais, a empresa não atendeu à requisição fiscal. Assim, o fisco concluiu que a contabilidade omite informação, não reflete a realidade dos custos incorridos na obra e não demonstra a totalidade da remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços. Em conseqüência, procedeu à aferição indireta do valor do saláriodecontribuição necessário à execução da obra, nos termos dos §§3°., 4°. e 6°. do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. Pela infração à legislação previdenciária, foi aplicado o auto de infração n°. 37.215.7726. A aferição indireta foi feita com base no Custo Unitário Básico (CUB) divulgado pelo Sindicato da Construção Civil (SINDUSCON). A área construída, de 10.245,51m2 , foi obtida no quadro I das informações para arquivo no registro de imóveis Fl. 428DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 417 3 fornecidas pelo Autuado (f. 100 do AI 37.215.7700). Como o contribuinte não discriminou as áreas passíveis de aplicação de redutores no projeto arquitetônico, foram considerados os redutores identificados pelo Autuado no mesmo quadro, chegandose a uma área construída de 8.478,50m2 (f. 100 do AI 37.215.770O). O lançamento também levou em consideração as remunerações lançadas em GFIP dos empregados vinculados à obra. Os elementos de prova foram juntados no AI 37.215.7700, lavrado na mesma ação fiscal, ao qual os autos estão apensado. Cientificado do crédito tributário em 08/04/2010 (f. 1), o ora Recorrente apresentou impugnação ao lançamento (fls. 35/56) alegando em apertada síntese: 1. a tempestividade da impugnação; 2. cerceamento do direito de defesa, já que: 2.1. a fiscalização não demonstrou em pormenores, no relatório fiscal da infração (item 6.2, “c”) quais os trabalhadores em gozo de férias e os indenizados com os seus respectivos valores para que a impugnante os examinasse; 2.2. no item 6.2, “b” não cita o nome dos trabalhadores que supostamente eram gesseiros prestadores de serviços e suas remunerações inferidas pelo Fisco. De igual modo não foram citados os nomes dos graniteiros no item 6.2, “d”; 3. não há embasamento para a desconsideração da contabilidade para fins previdenciários; 4. que no lançamento de folha 165 e 191 no livro Razão houve equívoco na classificação dos documentos e, por conseguinte, lançado na conta de pessoa física. Constatado até mesmo pelo Fisco, este fato não acarretou qualquer prejuízo para a Previdência Social, uma vez que 0 lançamento contábil não é gerador de obrigação tributária. Houve falha, mas não omissão de registro. A impugnante não o fez por simulação para mascarar o resultado; 5. Os serviços para a aplicação dos materiais adquiridos no período de 12/2004 a 04/2005 foram executados por pedreiros especializados da própria empresa, e com supervisão de engenheiro, sendo todos com registro profissional em carteira de trabalho, conforme documentos anexos (doc. 37/ 108). São serviços de reparos de apartamentos ou de outras áreas, inevitáveis ao final da obra, não havendo necessidade de contratação de pessoal uma vez que a lmpugnante já possuía pessoal que deslocou para o serviço, aliás, prática essa usada durante todo o período de execução da obra. Não existem nos autos elementos de prova que justifiquem que aqueles serviços foram prestados por pessoas outras contratadas pela Impugnante. Fl. 429DF CARF MF 4 6. Quanto aos valores supostamente não contabilizados (item 6.2, “c” do relatório fiscal): 6.1. as referencias feitas às indenizações e férias não citam os nomes dos beneficiários, o valor por eles recebido e a data do pagamento, que e' fundamental para se saber se a contabilidade registrou o pagamento na data certa; 6.2. a contabilidade efetuou corretamente os lançamentos referentes àqueles documentos, com exceção do lançamento da mãodeobra na conta de materiais na competência 04/04. Mesmo assim, não houve prejuízo para a Previdência Social, uma vez que houve recolhimento sobre a totalidade da folha do mês. 6.3. Os valores foram contabilizados conforme segue: Comp Vlr. Folha Contabilização mãodeobra Contabilização matérias Doc. 04/04 12.793,18 2.058,28 10.734,90 05/06 09/04 8.583,20 8.583,20 07/08 10/04 7.046,40 7.046,40 09/10 11/04 6.273,75 6.273,75 11/21 6.4. não houve indenizações/rescisões na competência 09/2004; 6.5. As férias foram corretamente contabilizadas conforme os seguintes valores: Comp Vlr. Folha Contabilização mãodeobra Contabilização matérias Doc. 10/04 963,87 963,87 12/12 11/04 208,76 208,76 22/23 7. Quanto à utilização de gesseiro/graniteiros: 7.1. os serviços já se encontravam concluídos em 10/12/2004, data do habitese, em flagrante contradição com o item 8, “h” do relatório fiscal, que considera o encerramento da obra em 05/2005, ocasionando o arbitramento de mais 6 meses para determinar a área decadente; 7.2. o auditor não trouxe elementos de prova para assegurar que a houve aplicação de mãodeobra por pessoas outras, que não as registradas; 8. Quanto aos princípioscontábeis da oportunidade e competência, ambos foram seguidos à risca pela contabilidade do Impugnante, e os saldos das contas do balanço e do resultado estão corretos. Ao afirmar que os saldos das contas estão defeituosos, o Fisco deveria obrigatoriamente demonstrar essa discrepância; 9. O livro Diário não tem rasura, os lançamentos têm forma contábil, possuem termo de abertura e encerramento e cumpriu todas as formalidades internas e externas; Fl. 430DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 418 5 10. Quanto à aferição indireta: 10.1. O lançamento das contribuições previdenciárias somente poderá ser aferido indiretamente quando a fiscalização não possuir os meios necessários à valoração do fenômeno que se quer medir; 10.2. Não há que se falar em desqualificação da escrita, uma vez que os registros estão corretos e são confiáveis; 10.3. não há legalidade no emprego do CUB, criado em conseqüência da Lei 4.591/64 para fim diverso daquele determinado no instrumento legal; 10.4. O cálculo da área é feito para apuração de orçamento com auxílio do CUB. Os custos informados na NBR 12.721 são custos orçados, ainda não executados, e que, portanto, inservíveis para serem utilizados no cálculo das contribuições apuradas por aferição indireta, devendo ser utilizada a área anotada no Alvará expedido pela Prefeitura (doc. 32), cuja metragem da área é de 8.000,55m2; 10.5. o mês de conclusão da obra foi 12/2004, como afirmado pelo Fisco em algumas oportunidades do seu relatório. A prova está no alvará fornecido pela Prefeitura (doc. 24); 10.6. ao calcular o período decadente, amplia o prazo em mais 5 meses sob a alegação de que a Impugnante deveria ter consignado despesas com pessoal, de 12/2004 a 05/2005; 10.7. o inciso V do art. 480 da IN 100/2003 determina que 0 último mês a ser considerado é aquele no qual haja recolhimento ou comprovação de realização de serviços na obra. Como o fisco não comprovou a realização de serviços e sim a existência de notas fiscais de materiais, o término efetivo da obra se deu em 12/2004; 10.8. Assim, o cálculo correto seria 9 meses nao decadentes, em lugar dos .14, o que corresponderia a 18/75% do período total de 48 meses. Ao final, apresenta jurisprudência administrativa e judicial. Com a impugnação, o Autuado apresentou cópia dos seguintes documentos: contrato social (fls. 57/61); MPF (fls. 62); documento de identificação de representante legal (fls. 63/64); Folhas de pagamento e diário (fls. 65/97); registro de empregados (fls. 98/ 108). Distribuídos os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), decidiram por julgar o Lançamento Procedente, com os seguintes fundamentos, de forma resumida: (...) Das deficiências apontadas na contabilidade Fl. 431DF CARF MF 6 A desconsideração da contabilidade para fins previdenciários, nos termos empregados pelo Fisco no seu relatório (fl. 11), teve fundamento no art. 33, §§3°., 4°. e 6°. da Lei n°. 8.212/91. Da leitura do relato fiscal, conjuntamente com os dispositivos legais indicados, vêse que o Fisco está a apontar as falhas verificadas na contabilidade do Autuado que caracterizam a sua apresentação deficiente, nos termos do §3°., art. 33 da Lei n°. 8.212/91 c/c par. único do art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99. Assim, referindose à desconsideração da contabilidade, o Fisco está a dizer que, em conseqüência da sua apresentação com vício, a contabilidade não poderia ser utilizada para apuração das contribuições devidas, porque não registra o movimento real de remuneração dos segurados. Em outras palavras, a contabilidade não poderá ser utilizada para fins de apuração das contribuições previdenciárias. Quanto ao lançamento de receitas de serviços prestados por pessoas jurídicas na conta de serviços prestados por pessoas físicas, a lmpugnante reconhece o equívoco apontado pelo Fisco. E o lançamento de informação diversa da realidade é circunstância suficiente para caracterizar a deficiência do documento, nos termos do já citado par. único do an. 233 do RPS. Embora a hipótese não exija a verificação ou comprovação da ocorrência de prejuízo, ele de fato ocorreu, ao contrário do que afirma o Impugnante, na medida em que dificultou a fiscalização e impossibilitou a apuração das contribuições devidas com base na remuneração dos segurados, exigindo a aferição indireta das bases de cálculo. A ausência de simulação, como argúi o Impugnante, também não tem o condão de afastar a deficiência na escrituração. A empresa reconhece, ainda, o emprego de mãodeobra para aplicação dos materiais adquiridos no período de 12/2004 a 04/2005, mas alega que os serviços foram executados por pedreiros especializados da própria empresa, e com supervisão de engenheiro. Deveria, portanto, ter elaborado folhas de pagamento específicas para a obra, incluindo a remuneração destes trabalhadores, têlos informado na GFIP associada à obra, bem como apropriado os respectivos custos. Não havendo assim procedido, agiu com acerto a Fiscalização, ao apontar falha na contabilidade, por não apropriar o custo da mãodeobra empregada na construção do ed. Hannover no período de 12/2004 a 04/2005. Observese que, em nenhum momento, o Fisco afirmou que tais serviços não teriam sido executados por empregados da Impugnante, mas reclamou da total ausência de registro de pagamento de remuneração para a obra nesse período. Quanto às remunerações apontadas pelo Fisco como não contabilizadas (fl. 14), vejamos: Valores apurados pelo Fisco Valores impugnação Fl. 432DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 419 7 comp conta contábil Folha de pagamento Fls. Autos Valor mãode obra na contabilidade Valor mão deobra na contabilidade abr/04 10102005.0038 mão de obra 12.793,18 213 2.058,28 2.058,28 set/04 10102005.0038 mão de obra 9.138,72 222 8.583,20 8.583,20 set/04 10102005.0038 indenizações/rescisões 683,55 222 out/04 10102005.0038 mão de obra 8.089,69 7.046,40 7.046,40 out/04 10102005.0059 Férias 1.783,28 222 963,87 963,87 nov/04 10102005.0038 mão de obra 7.565,28 225 6.273,75 6.273,75 nov/04 10102005.0059 Férias 1.185,47 225 208,76 208,76 Consoante registrado no relatório fiscal, os valores das remunerações foram apurados pelo Fisco nas folhas de pagamentos, conforme cópias juntadas aos autos (fls.213, 222 e 225). De notarse que os valores das remunerações constantes das folhas de pagamentos trazidas com a impugnação (fls. 271/278) são inferiores àqueles registrados nos documentos fornecidos à Fiscalização (fls. 213, 222 e 225). Não havendo a Impugnante justificado a divergência, temse por corretas as remunerações apuradas nos documentos apresentados pela empresa ao Fisco, e entendese que, na impugnação, 0 sujeito passivo apenas apresentou parcialmente as folhas de pagamentos das competências indicadas. Assim, não comprovado qualquer erro nos documentos, nada há que retificar no lançamento. O Impugnante, por sua vez, reconhece que R$ 10.734,90 referente a remunerações, foram lançadas em conta de materiais, na competência 04/2004. Embora reconheça o equívoco, o Autuado não apresenta qualquer justificativa para o mesmo. A falha apontada representa o lançamento de informação diversa da realidade, sendo circunstância suficiente para caracterizar a deficiência do documento, nos termos do parágrafo único do art. 233 do RPS. Ressaltese que, no caso sob exame, a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados, que foi escriturada em conta com outra destinação. A autoridade lançadora nada mencionou acerca da existência de rasuras nos livros contábeis, que os lançamentos não têm forma contábil, não possuem termo de abertura e encerramento ou de não foram cumpridas formalidades internas e externas. Não havendo controvérsia, nada há que pronunciar sobre o tema. ' Fl. 433DF CARF MF 8 Quanto às demais competências, inclusive nos lançamentos a título de férias e indenizações/rescisões, o Autuado argúi que a contabilidade efetuou corretamente os lançamentos, apontando como contabilizados, os mesmos valores apurados na contabilidade pelo Fisco. No entanto, não se desincumbiu de comprovar onde estão contabilizadas as diferenças de remunerações, já que os valores apurados nos documentos trazidos pelo Fisco (fls. 213, 222 e 225) são superiores àqueles contabilizados. Assim, não comprovada a escrituração da totalidade das remunerações constantes nas folhas de pagamentos, resta caracterizado, mais uma vez, que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados. Em conseqüência, autorizada a aferição indireta das remunerações utilizadas na execução da obra, nos termos do §6°., do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. Uma vez que a contabilidade deixou de registrar as despesas com a obra, restou violado o princípio contábil da competência que, como diz o Impugnante (fl. 253), “obriga que as receitas e despesas sejam elas, recebidas e pagas ou não, lançadas no exercício em que surgirem” (sic). Resta demonstrado, a violação aos princípios contábeis, conforme declinado pelo Fisco. Da data da conclusão da obra O impugnante pretende considerar como data de conclusão da obra, a data constante do “Habitese”, 10/12/2004. No entanto, após a expedição do Habitese, diversos serviços complementares continuaram sendo executados, inclusive pequenos reparos. O próprio Autuado reconhece, na sua impugnação (fl. 249), que se trata de “serviços de reparos de apartamentos ou de outras áreas, inevitáveis ao final da obra”. O autuado informa que utilizou pessoal próprio. Nesse caso, deveria ter elaborado folhas de pagamento específicas para a obra, incluindo a remuneração destes trabalhadores, têlos informado na respectiva GFIP, bem como apropriado os custos à obra, conforme determina o §9°. do art. 225 do RPS. Como o Autuado reconhece a utilização de mãodeobra própria (f. 249), e conseqüente realização de serviços após 10/2004, concluise que a obra teve seguimento após o alvará de habite se. Não houve, em conseqüência, a argüida inobservância ao disposto no inciso V do art. 480 da IN 100/2003, dado que mencionando comando determina que o último mês a ser considerado para o período decadente, é aquele no qual haja recolhimento ou comprovação de realização de serviços na obra, sendo este último o que efetivamente se observou no caso em apreço. A continuidade da obra até 05/2005 e corroborada pela aquisição de material destinado à mesma. Acrescentese, por fim, que a escrituração contábil vai confirmar a continuidade dos serviços após a expedição do Habitese, Fl. 434DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 420 9 somente encerrando a conta contábil da obra do Ed. Hannover em 07/2005, conforme cópia do Livro Diário trazida pelo Autuado na impugnação (fl. 294). Rejeitada, portanto, a reclamação quanto à data de encerramento da obra. Em decorrência, não acatando a revisão da data de encerramento da obra, nada há que retificar no cálculo das competências decadentes. Da aferição indireta Como já dito, uma vez demonstrado que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados, resta autorizada a aferição indireta da mãodeobra utilizada na execução da obra, nos termos do §6°., do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. O emprego do custo unitário básico (CUB) para a aferição indireta da jmãodeobra tem autorização legal no §4°., art. 33, da já referida lei de custeio da Seguridade Social. Vejamos: Art. 33 Omissis §4º Na falta de prova regular e formalizado, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n” 449, de 2008) Nos termos do relatório fiscal (fi. 16), a área construída de 10.245,51m2 foi obtida no Quadro I das informações para arquivo da obra no registro de imóveis (NBR 12.721/92), juntadas pelo Fisco (fls. 101). Como o contribuinte não discriminou, no projeto arquitetônico, as áreas passíveis de aplicação de redutores, foram considerados os redutores identificados no mesmo quadro, chegando à área de 8.478,50m2. O lmpugnante, por sua vez, requer que seja utilizada a área constante do Alvará de licença para construção, expedido pela prefeitura em 21/12/2000 (fl. 299). A área constante desse documento demonstra apenas a autorização para a construção, não comprovando a área efetivamente construída. Observese que não basta que o Autuado requeira que seja considerada outra área, mas é necessário que demonstre que a área utilizada pelo Fisco está errada. Em principio, a área constante nos assentos do registro de imóveis (e utilizada pelo Fisco) tem fé pública, somente merecendo revisão com a apresentação da comprovação do erro. Fl. 435DF CARF MF 10 Ademais, observese que o Alvará de licença para construção foi expedido em 21/12/2000, data anterior àquela constante do quadro para registro do imóvel (jan/2001). Assim, agiu com acerto o Fisco ao considerar a data da última declaração feita pelo Autuado. Não havendo se desincumbido do ônus da prova em contrário, nada há que revisar na área construída. Conclusão Pelas razões já expostas, rejeitadas todas as reclamações do autuado, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 190 a 196), praticamente repete os argumentos lançados em sede de impugnação,em apertada síntese alegou: ll. 1 Das Preliminares 1.1 Do Cerceamento do direito de defesa O Acórdão ora atacado não se encontra suficientemente claro, de modo a permitir o sagrado direito de defesa tendo em vista que julga procedentes os argumentos apresentados quanto aos profissionais gesseiros e graniteiros cujos nomes não foram citados,( item 62d) do relatório fiscal verbis: “A empresa empregou em larga escala, o serviço de gesseiro e graniteiro (...)que pode ser comprovado pela grande quantidade de gesso e granito” (...) o fisco aproveita da contabilidade para informar que houve aquisição de gesso e granito comprovados por notas fiscais, deveria o fisco também comprovar a existência da mão de obra e não desclassificar a contabilidade para apurar seus créditos por aferição. Se a obra já estava encerrada em 10 de dezembro de 2004 data do habitese (doc.no processo) e os materiais foram comprados após essa data é óbvio que não seria possível a aplicação de desses materiais, requerendose assim a precisa verificação por parte do auditor, inclusive com o laudo da fiscalização da Prefeitura que concedeu o referido habitese. Cabe ao notificante o ônus de comprovar que houve a utilização em larga escala de gesseiros e ganiteiros, o que não o fez Persiste então o cerceamento de defesa pois a DRJ/REC não diligenciou para emitir seu julgamento considerando a aferição correta, quando nesses casos há nítida necessidade de comprovação do afirmado. Ademais vêse no corpo do relatório fiscal (item 6) DA DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS, na verdade observase que o Fisco inovou, ao criar um título ou capítulo não contemplado em nenhuma legislação tributária, pelo que se requer, in limine, a completa anulação do presente Acórdão. II.2 Do Mérito Fl. 436DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 421 11 Acaso ultrapassada a preliminar suscitada, o que não se espera, no mérito alega a impugnante quanto ao Acórdão prolatado pela 7”. Turma da DRJ/REC em seus itens seguintes: Em primeiro lugar,considerando que os julgadores ao emitir o Acórdão acima epigrafado 0 fizeram sem considerar o resultado do auto de infração (37.215.7726) aplicado em razão de suposta irregularidade na contabilidade. Considerando que a contabilidade da recorrente é merecedora de crédito e fé pública, até porque arquiva seus livros contábeis na Junta Comercial deste Estado, também comprovado. Considerado que no auto de infração aplicado em razão da contabilidade há a citação de documentos atingidos pela prescrição/decadência. Considerando que o resultado do julgamento do auto de infiação da contabilidade a favor da recorrente desencadeará a anulação de todos os demais autos dele dependente, considerando por fim o princípio da ampla defesa e da transparência, requer por absoluta cautela, sejam todos os autos, objeto de RECURSO VOLUNTÁRIO, apreciados em conjunto, requerendose a juntada dos mesmos nesta oportunidade, sendo eles: Processo 1475l.000794/200970 AI n°. 37.215.7726 “ “ 1475l.000793/200925 AI n°. 37.315.7734 “ “ l475l.000790/200991 AI n°. 37.215.7700 “ “ l475l.000789/200967 AI n°. 37.215.7696 Do direito de defesa. Este item não merece prosperar porque ao longo da impugnação (docs processo) ficou comprovado que a contabilidade efetuou os registros e todos foram devidamente apresentados inclusive com o demonstrativo elucidativo às fls. ll da defesa administrativa que não foi devidamente observada pela turma julgadora. A folha de pagamento de abril/04 foi lançada realmente na conta Materiais, mesmo assim consta do registro contábil, não podendo dizer que houve falha de omissão de registro. Quanto as remunerações apontadas pelo fisco às fls. 180, a recorrente apresentou uma relação explicativa desses lançamentos contábeis, que sequer foram considerados pelos julgadores da primeira instância. Da data da conclusão da obra A Receita Federal do Brasil não emite CND nem considera que a DISO (Declaração sobre a Obra) seja apresentada sem que a obra seja concluída, e, um documento extremamente necessário e definitivo é a carta de habitese, onde a Prefeitura local atesta a regularidade da edificação, depois de fiscalizar a obra in loco, Fl. 437DF CARF MF 12 fornecendo o referido documento. Do mesmo modo, para começo da obra a Prefeitura emite um Alvará de construção tomando por base os dados do projeto arquitetônico. Para este documento a fiscalização reconhece plenamente, para o término não aceita o constante no final na carta de habitese. São dois pesos e duas medidas que ficam exclusivamente ao sabor da auditoria fiscal, produzindo assim sérios prejuízos ao contribuinte, pela absoluta falta de critério. A conclusão de que a obra teve seqüência após o habitese é infundada, até porque os trabalhadores são destacados de outras obras para serviços emergenciais, e relacionados em GFIP, o que aliás digase a bem da verdade nenhuma irregularidade foi observada quanto à emissão de GFIP. A aferição indireta é medida extrema que ao Fisco somente é permitido quando é absolutamente impossível e impraticável exercer a plena e completa fiscalização. Não é esse o caso telado Senhores Julgadores, pois a contabilidade da recorrente é de excelente qualidade, pelo que não se deve desconsiderála, a não ser no interesse dela utilizar para fim de cobrança previdenciária. Portanto a recorrente mantém os argumentos esposados na impugnação. A NBR 12. 721 estabelece, ao contrário do INSS que toma este valor como "definitivo e representativo" das obras , que este calculo área x custo unitário básico somente deve ser utilizado no início das incorporações, quando ainda não se dispõe de todos os projetos construtivos. Ou seja, é um orçamento simplificado que deverá ser corrigido no andamento da obra Por fim convém reafirma que o Relatório Fiscal da autuação como se observa, contém uma cadeia de citações visando incluir a recorrente em qualquer situação que se possa apresentar, não se fixando como deveria no cerne preciso da questão. Desqualificase a contabilidade e o mais será acrescentado esse entendimento do Fisco deve de pronto ser rejeitado. Os relatos fiscais são confusos, o auditor notificante procurou enquadrar a recorrente em situações que levassem a Receita Federal a ampliar seus créditos, com o uso de autuações várias, cujos relatos são semelhantes e geram dúvidas não somente para quem defende, como também para os julgadores, quer na primeira instância como nas superiores. É o relatório do necessário, passo ao Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 438DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 422 13 Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Rejeito as preliminares arguídas, tendo em vista que acabam por se confundir com o mérito discutido nos presentes autos. Conforme se verifica do relatório, o lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.7.2001) (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03, DE 14 DE JULHO DE 2005 Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com Fl. 439DF CARF MF 14 fundamento nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; (...) III da quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; (...) §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente semi obtida: (...) II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; Da análise dos autos, verificase que não é o caso de aferição indireta, conforme preceitua a IN SRP nº 3, de 2005, uma vez que só se aplica a casos extremos e que não se verifica nos presentes autos. A aferição indireta é uma forma presumida de apuração da base de cálculo dos tributos que só pode e deve ser adotada em casos excepcionais em que a contabilidade não registra o real movimento da remuneração dos segurados ou a receita ou o faturamento ou até mesmo o lucro; quando o contribuinte não apresenta ou se recusa a apresentar documentos, sonega informações ou mesmo apresenta documentação insuficiente, ou mesmo quando as informações prestadas não merecem fé. Somente com a constatação de uma das circunstâncias mencionadas acima é que autoriza o emprego desta medida extrema. Mesmo se identificada uma das hipóteses acima mencionada, a meu ver, deve haver uma correlação lógica que justifique a utilização deste método de aferição do tributo. Ao adotar esta atitude de forma legítima, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Do relatório (fls. 11/19) consta a seguinte afirmação para justificar a medida extrema: (...) 6.2 Assim sendo, foi analisada a escrituração contábil da empresa em todo o periodo fiscalizado,Livros Diário n° 11 e 12 referentes aos anos de 2004 e 2005 e Livros Razão de 2004 e 2005 e ainda a documentação apresentada pelo contribuinte, solicitada através de TIPF e TIF, e constatamos as seguintes impropriedades: , Fl. 440DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 423 15 a. O contribuinte lançou, de maneira inapropriada os custos de pagamento de serviços prestados por pessoas jurídicas em conta própria para _o registro de pessoas fisicas, notadamente na conta 10102050106 “SERVIÇO DE TECEIRO PF", Tal fato ocorreu no período de 01/2004 a 02/2005. Como prova, seguem, anexas, cópias das folhas 165 e 191 do Livro Razão de 2004 e cópias de notas fiscais de serviço NFS que ensejaram tais lançamentos. b. No periodo de 12/2004 a 05/2005, a empresa não declarou mãodeobra nas GFIP e não lançou, em sua contabilidade, qualquer valor concernente a mãodeobra empregada na obra. No entanto, no exame dos livros contábeis, em especial os Livros Razão de 2004 e 2005, na conta 1010205.0022 "Materiais", foram verificados lançamentos de custos de aquisição de material destinado ao Ed. Hannover. Da análise das notas fiscais que ensejaram os lançamentos, podese perceber que tratase de material que exige mãodeobra especializada para a sua aplicação tais como tomadas, tubos de pvc, luvas de pvc, lavatórios, tinta acrílica dentre tantos outros. A aquisição desse material demonstra que a empresa utilizou de mãodeobra própria sem que tenha registrado os valores de remuneração nos registros contábeis. Copias de notas fiscais de aquisição de material e de lançamentos no Livro Razão seguem anexas a esse relatório . c. No confronto dos lançamentos contábeis com os valores constantes das folhas de pagamento e os resumos da folhas entregues a fiscalização, foi verificado que a empresa deixou de lançar a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Copias da folhas do Livro Razão e dos resumos das folhas de pagamento, que comprovam os fatos, seguem anexas ao relatorio. Tal fato ocorreu nas competèncias e nos valores discriminados na planilha abaixo: Valores apurados pelo Fisco Valores impugnação comp conta contábil Folha de pagamento Fls. Autos Valor mãode obra na contabilidade Valor mão deobra na contabilidade abr/04 10102005.0038 mão de obra 12.793,18 213 2.058,28 2.058,28 set/04 10102005.0038 mão de obra 9.138,72 222 8.583,20 8.583,20 set/04 10102005.0038 indenizações/rescisões 683,55 222 out/04 10102005.0038 mão de obra 8.089,69 7.046,40 7.046,40 out/04 10102005.0059 Férias 1.783,28 222 963,87 963,87 nov/04 10102005.0038 mão de obra 7.565,28 225 6.273,75 6.273,75 nov/04 10102005.0059 1.185,47 225 208,76 208,76 Fl. 441DF CARF MF 16 Férias d. A empresa empregou, em larga escala, o serviço de gesseiro e graniteiro (especialista em corte e assentamento de granito) que pode ser compravado pela aquisição de grande quantidade de gesso e de granito. Cópias de notas fiscais de compra de gesso e granito para o Ed. Hannover encontramse anexas a esse relatório. Os serviços já se encontram concluídos desde 10 de dezembro de 2004, data do habitese. No entanto, não consta de suas folhas de pagamento mãodeobra especializada para esse serviço e não foram encontrados, em sua contabilidade, os lançamentos dos valores pagos a esses prestadores de serviços, Cabe salientar que ao contribuinte foi solicitada, através do TIF n° 5, a apresentação dos documentos que comprovassem os pagamentos a esses profissionais, assim como indicasse quais foram os lançamentos contábeis correspondentes. A empresa não atendeu a solicitação. 6.3 A prova de que os lançamentos de fatos contábeis (sejam eles permutativos ou modificativos) não foram efetuados ou foram efetuados em desrespeito aos Principios Contábeis, principalmente os da Oportunidade e da Competência, significa_que os demonstrativos contábeis não refletem a real situação patrimonial .da empresa induzindo, portanto, os usuários da contabilidade a erro na sua análise. Se, por exemplo, os saldos finais no exercício encerrado estão incorretos, evidente que os saldos iniciais do exercício subsequente também o estarão, e assim, sucessivamente em todos exercícios posteriores. Embora alguns dos fatos contábeis relacionados acima não constituam fato gerador de contribuições previdenciárias, o fato desses valores não se encontrarem registrados, reforça a evidência de que a contabilidade verdadeira, e não reflete a realidade dos custos incorridos na obra. 6.3.1 O principio contábil da Oportunidade referese, simultaneamente, à tempestividadee à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações; determina que os registros do patrimônio e de suas variações sejam feitos de imediato e com a extensão correta, Como resultado da observância desse principio, surge a necessidade de se efetuar provisões, pois o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência. Já o princípio da Competência estabelece que as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do periodo em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou de pagamento. 6.4 Todos os fatos acima expostos possibilitaram a fiscalização constatar que a escrituração contábil apresentada pelo contribuinte demonstra impropriedades no tocante aos preceitos definidos na Legislação Previdenciária, mormente o previsto no inciso ll e § 13 do art. 225, do Regulamento da Previdência Social RPS (Decreto n° 3.048/99, de 06/05/99), e na Legislação Fl. 442DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 424 17 Empresarial, especificamente às formalidades intrínsecas que este último ramo do direito determina, bem com não registra a totalidade dos custos envolvidos na execução da obra de construção civil e não demonstra a totalidade da remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços. 6.5 De todo o relatado, verificase que não restou a fiscalização outra alternativa senão proceder à aferição indireta do valor do salário de contribuição necessário à execução .das referidas obras, conforme previsto nos §§ 3°, 4° e 6°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 473, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. (...) Neste sentido, razão assiste ao Recorrente quando diz: Ora Doutos julgadores o fisco aproveita da contabilidade para informar que houve aquisição de gesso e granito comprovados por notas fiscais, deveria o fisco também comprovar a existência da mão de obra e não desclassificar a contabilidade para apurar seus créditos por aferição. Se a obra já estava encerrada em 10 de dezembro de 2004 data do habitese (doc.no processo) e os materiais foram comprados após essa data é óbvio que não seria possível a aplicação de desses materiais, requerendose assim a precisa verificação por parte do auditor, inclusive com o laudo da fiscalização da Prefeitura que concedeu o referido habitese. Cabe ao notificante o ônus de comprovar que houve a utilização em larga escala de gesseiros e ganiteiros, o que não o fez. Em outros termos, o Fiscal se utiliza da contabilidade para apontar as deficiências e ato seguinte, acaba por desconsiderálas por completo, causando dúvida quanto a legitimidade da aferição indireta utilizada. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 240102.161, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Fl. 443DF CARF MF 18 Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 425 19 Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãodeobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Os §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, é claro ao estabelecer as hipóteses que trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, ou seja, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Verificada a hipótese de aplicação da aferição indireta, deve ser negado provimento ao recursos. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.009111/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
PRELIMINAR DE NULIDADE.
Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal.
DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO.
Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos apurados pela fiscalização com base nas notas fiscais de serviço, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Cobra-se através de lançamento de oficio as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior.
Numero da decisão: 1302-002.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos apurados pela fiscalização com base nas notas fiscais de serviço, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cobra-se através de lançamento de oficio as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos apurados pela fiscalização com base nas notas fiscais de serviço, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cobrase através de lançamento de oficio as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 91 11 /2 00 8- 79 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 259 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Versa o processo sobre recurso voluntário, interposto pela contribuinte face ao Acórdão nº 1126.262 da 4ª Turma da DRJ/REC. Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 260 3 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 261 4 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 262 5 Após análise das razões de impugnação, a DRJ/REC decidiu pela sua improcedência e manteve o crédito tributário, como denota a ementa do julgado a seguir transcrito: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 263 6 Notificado da decisão de 1ª instância o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando, em apertada síntese, que: a) Houve cerceamento de defesa em razão da “falha interna” do Fisco que ocasionou o não recebimento da documentação entregue pelo contribuinte às mãos da auditoria responsável pela fiscalização e por este motivo os procedimentos passaram a correr à revelia do contribuinte; b) Ocorreu o vencimento do prazo decadencial para revisão de ofício do lançamento; c) Há necessidade de reforma do acórdão visto que: c.1) “se a fiscalização possuía provas, estas não foram apresentadas”, “todos os procedimentos de lançamento, (...), foram realizados de forma precipitada, visando a não ocorrência do decurso do prazo decadencial” Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 264 7 c.2) “se as notas fiscais que deram azo aos lançamentos não se encontram registradas nos livros fiscais da Recorrente, caberia à fiscalização, cientificar a mesma da divergência ocorrida, permitindolhe o direito ao contraditório”, c.3) alegou ainda o caráter confiscatório da multa de 75%; É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do presente Recurso. Após exame do Recurso Voluntário, não vejo motivo para reforma do Acórdão recorrido. Ressalto apenas, com relação a revisão de ofício ocorrida, que essa se procedeu inteiramente antes do término do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, conforme disposição do art. 149, § único, CTN. Outrossim, após tal revisão, a interessada foi informada de todos os procedimentos de apuração do crédito tributário, inclusive com o recebimento dos elementos de provas desta apuração; foilhe concedido novo prazo para apresentar impugnação, tendo a recorrente assim feito. Portanto, não resta configurada a hipótese de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Feito esse reforço, adoto as razões da decisão recorrida, com as quais alinho meu entendimento, nos termos do § 3, do art. 57 do RICARF, que passa a integrar este voto: “Consta deste processo os autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, e Contribuição do INSS no SIMPLES, referentes ao ano calendário de 2004. Na autuação das empresas que optaram pelo SIMPLES, no caso da autuada, destacamse os Demonstrativos de Apuração que acompanham os autos de infração. Primeiramente o Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta, às fls. 02/03. Neste demonstrativo estão elencados os seguintes itens: Na primeira coluna o Mês/ano; na segunda coluna a Receita Bruta Mensal, ou seja, a declarada pela contribuinte; na terceira coluna estão as Diferenças Apuradas; na quarta coluna constam as receitas brutas acumuladas durante os meses do anocalendário que servem para o enquadramento da empresa em um dos percentuais do SIMPLES. Também, consta deste demonstrativo o enquadramento legal perfeito das alíquotas aplicáveis a cada nível de receita bruta da contribuinte. Em seguida temos o Demonstrativo de Apuração dos Valores não recolhidos, às fls. 04/06, onde se destaca a receita bruta declarada, o percentual do simples, o valor a ser recolhido, o valor pago e a diferença a Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 265 8 ser cobrada de oficio. Também consta o demonstrativo de apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas, às fls. 07/10. Todos estes demonstrativos visam a consolidar a apuração do SIMPLES e a repartição do valor apurado unifícadamente entre os imposto e contribuições que compõem o sistema integrado. Diante dos valores devidos de cada imposto/contribuição são lançados os valores em cada auto de infração. REVISÃO DE OFÍCIO. Após a apresentação da impugnação no dia 15/01/2009, às fls. 120 a 129, a DRFB de MaceióAL detectou que durante o procedimento fiscal a contribuinte havia entregue parte da documentação solicitada e esta, por falha interna, não chegou às mãos da auditora responsável pela fiscalização. Assim, para se efetuar corretamente o procedimento, foram verificados os livros e documentos apresentados pela empresa. Diante dos livros e dos documentos anteriormente coletados (notas fiscais junto a empresa para a qual a contribuinte prestou serviço) a fiscalização realizou nova verificação. Desta verificação constatou que os valores das notas fiscais das fls. 86 a 98, realmente não tinham sido oferecidos a tributação integralmente, ou seja, os valores de receita bruta, destas notas fiscais de prestação de serviço, não foram incluídos em sua totalidade na declaração anual simplificada do Ano Calendário 2004. Assim, os valores principais do crédito tributário dos imposto e contribuições foram mantidos. Porém, a multa de oficio que tinha sido aplicada de forma agravada no percentual de 112,5%, foi revista, pois não mais caberia o agravamento, tendo em vista que a empresa tinha atendido a intimação. Portanto, na revisão de oficio o percentual da multa foi reduzido para 75%. A revisão de oficio foi regularmente aprovada pela autoridade jurisdicionante da contribuinte, ou seja, pelo DRF de MaceióAL através do Despacho Decisório da fl. 148. A contribuinte foi cientificada de todos os elementos da revisão no dia 29/01/2009 e teve a oportunidade de apresentar nova impugnação, e assim o fez. IMPUGNAÇÕES. Em suas impugnações, antes da revisão das fls. 120 a 129 e após a revisão 173 a 187, a contribuinte requer a nulidade dos autos de infração do presente processo alegando cerceamento do direito de defesa por falta de descrição dos fatos e por falta de comprovação da infração apurada. Contesta também, em relação a revisão de oficio, que já teria decaído o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito quando da revisão. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 266 9 Neste ponto, para que não reste dúvida acerca do procedimento fiscal vamos destacar os elementos constantes do processo, incluindo intimações e documentos comprobatórios: a) O procedimento fiscal teve início no dia 15/09/2008 por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 68/69, com ciência através do AR da fl. 71. em resposta a este termo a contribuinte solicitou a concessão de 15 (quinze) dias apresentação dos documentos, prazo este que foi concedido pela autoridade fiscal. No dia 09/10/2008, novamente a empresa solicita a prorrogação do prazo para atendimento do Termo de Início por mais 15 (quinze) dias. Novamente o solicitado foi concedido. Foram emitidos ainda mais dois termos de reintimação para apresentação dos documentos. b) A contribuinte apresentou os documentos solicitados, no caso, o Contrato social e a primeira e segunda alteração, o Livro de Registro do ISS e o Livro Caixa referente ao Ano Calendário 2004, no dia 31/10/2008, antes do recebimento do primeiro termo de reintimação. Contudo, deste item verificamos que a empresa foi intimada a apresentar os documentos regularmente, conforme a legislação. c) Através do dados das DIRF a fiscalização tinha os indícios que a empresa havia prestado serviços e não tinha declarado em sua Declaração anual simplificada. Para que não fosse efetuada a autuação com base nas DIRF, a S/A Usina Coruripe Açúcar e Álcool, CNPJ: 12.229.415/000110, foi intimada a informar se empresa autuada havia prestado serviço a Usina. Em resposta, à fl. 84, foram anexadas as notas fiscais emitidas pela contribuinte fiscalizada no Ano Calendário 2004. Diante destas notas fiscais a fiscalização procedeu a comparação com os valores declarados (confessados) pela empresa para o Ano Calendário 2004.Foram encontradas valores de receita bruta não oferecidos a tributação. No dia 23/11/2008 a empresa foi cientificada do Termo de Solicitação de Esclarecimentos, às fls. 78/79, no qual a fiscalização narra a apuração efetuada e as diferenças de valores não tributados apurados, inclusive com um quadro demonstrativo e principalmente com o envio das cópias das notas fiscais de prestação de serviço. Ou seja, a empresa foi cientificada de todos os procedimentos da fiscalização, tinha conhecimento, mesmo antes da autuação, das notas fiscais, de como estas foram obtidas, dos valores de receita bruta apurados e pode, ainda durante o procedimento de auditoria, contestar tais valores e as diferenças encontradas. No entanto, a contribuinte especificamente não apresentou qualquer justificativa ou esclarecimento em relação ao apurado pela fiscalização. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 267 10 Assim, diante destes fatos fica sem sentido afirmar que a empresa teve seu direito de defesa cerceado, quando foi informada de todos os procedimentos de apuração do crédito tributário, inclusive com o recebimento dos elementos de provas desta apuração. A autuação não se baseia em meros indícios ou presunção, e sim em provas. A contribuinte emitiu notas fiscais de prestação de serviço para a S/A Usina Coruripe Açúcar e Álcool, CNN: 12.229.415/000110 e não declarou/confessou em sua declaração anual simplificada a totalidade dos valores de receita constantes destas notas fiscais. Este é um fato não é uma presunção. Ainda, todos estes documentos citados, no relatório e no voto fazem parte do presente processo e sempre estiveram a disposição da empresa para vista e até mesmo solicitação de cópia. d) Quando da verificação por parte da fiscalização de que não tinha observado a documentação apresentada pela empresa, para que o processo não tivesse seguimento sem análise dos documentos, a autoridade fiscal autorizou a revisão do lançamento. Foi emitido o Parecer n°01/2009, às fls. 144 a 147, com todas as informações acerca da análise e do resultado desta. Novamente a contribuinte foi regularmente intimada desta revisão de oficio e teve a oportunidade de apresentar nova impugnação. e) A contribuinte alega em sua impugnação cerceamento do direito de defesa, porém, em todas as fases do procedimento fiscal foi regularmente intimada e comunicada de todas as apurações. f) Cabe destacar que todos os requisitos do lançamento determinados pelo art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 Processo Administrativo Fiscal PAF e art 142 do Código Tributário Nacional foram rigorosamente cumpridos, constando identificação do sujeito passivo, descrição dos fatos, enquadramento legal, matéria tributável, identificação e assinatura da autuante, ordem de intimação e demais requisitos. Assim, diante da análise acima e comprovado que a contribuinte teve a sua disposição todos os elementos para exercer seu direito de defesa, rejeito a nulidade requerida pela impugnante. Na impugnação das fls. 173 a 187 requer o cancelamento dos autos de infração do presente processo tendo em vista ter decaído, quando da revisão de oficio, o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do Ano Calendário 2004. No entanto, se considerarmos o início do prazo decadencial, de acordo com o §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, como o primeiro fato gerador, na posição mais favorável a contribuinte (lançamento por homologação com antecipação do pagamento), janeiro de 2004(31/01/2004) o prazo final para constituição do crédito tributário seria 31/01/2009. Como o lançamento (cientificado em 19/12/2008, AR à fl. 117) e Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 268 11 a revisão deste lançamento (cientificada em 29/01/2009, documento da fl. 148) foram cientificados antes de 31/01/2009, não há que se falar em decadência, pois os lançamentos e sua revisão ocorreram antes do término do prazo decadencial. Assim, rejeito esta preliminar suscitada pela impugnante. No mérito a contribuinte em sua impugnação referese novamente a forma de apuração da infração alegando que foi efetuada com base em indícios. Este ponto já foi ressaltado acima, porém cabe ratificar que a apuração foi baseada em provas, ou melhor, em notas fiscais de prestação de serviço, emitidas pela própria contribuinte, e que, em nenhum momento, negou que tenha emitido ou mesmo prestado este serviço para a Usina Coruripe Açúcar e Álcool S/A, CNPJ: 12.229.415/000110. Portanto, não há como considerar a alegação de que a infração foi apurada sem a apresentação de provas. Como salientado, os livros da contribuinte foram analisados durante a revisão do lançamento, porém como a infração se referia a falta de declaração/confissão de valores constantes nas notas fiscais, não alteraria o resultado do lançamento se estas notas fiscais estivessem regularmente escrituradas nos livros contábil e fiscal, pois continuaria a infração de não ter confessado espontaneamente tais valores de receita bruta de prestação de serviço. Também cabe destacar que os imposto e as contribuições foram apurados seguindo os ditames da Lei n° 9.317/1996 que rege a tributação dos optantes pelo Simples, ou seja, não foi aplicada as regras do arbitramento do lucro. Por fim cabe rejeitar o pedido de realização de diligência ou perícia fiscal, pois todos os elementos necessários a comprovação da infração e exercício do direito de defesa pela empresa estão presentes nos autos, ou seja, é desnecessária a realização de diligência ou perícia contábil. MULTA DE OFÍCIO. Quando a emissão dos autos de infração do presente processo foi aplicada multa de oficio no percentual de 112,5%(75% agravada em 50%), tendo em vista que a contribuinte não atendeu as intimações para apresentação da documentação solicitada. Após ciência dos autos de infração e apresentação da impugnação a fiscalização detectou que por erro de procedimento da DRFB de MaceióAL não foi verificado que a empresa tinha apresentado a documentação solicitada. Assim, foi efetuada a revisão e reduzido o percentual da multa de 112,5% para 75% já que não existia mais a motivação para a aplicação da multa de forma agravada. Cabe nesta instância de julgamento concordar com a redução da multa e convalidar a aplicação do percentual de 75%. Como no sistema de controle do processo, conforme extratos às fls. 198 a 202, já foi efetuada a revisão dos valores conforme autorização do DRF de MaceióAL, cabe aqui nesta instância julgadora manter a decisão de reduzir a multa de oficio de Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10410.009111/200879 Acórdão n.º 1302002.774 S1C3T2 Fl. 269 12 112,5% para 75% e considerar PROCEDENTE o lançamento, conforme revisão de oficio. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 269DF CARF MF
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