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Numero do processo: 11020.001879/2010-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.216
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 01 87 9/ 20 10 -7 5 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 561 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0933.871 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.277.8496, no montante original de R$ 165.367,83. Conforme o Relatório Fiscal: 3.1. Este relatório é integrante do Auto de Infração das contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, bem como das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 6 DOS FATOS GERADORES 6.1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, assim como as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo. 7 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 7.1. Tendo por objeto social a indústria, o comércio, a importação e a exportação de relógios, cronômetros, ótica em geral, jóias, bijuterias e assemelhados, em 16 de setembro de 2002 o sujeito passivo requereu adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES retroativamente ao início de suas atividades, em I o de junho de 2001. 7.2. A análise do pedido, consubstanciado no processo administrativo n° 13018.000174/200203, motivou a realização de diligência fiscal, a qual concluiu pela constituição da pessoa jurídica ora autuada por interposta pessoa e, via de conseqüência, pela anulação de ofício de sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, em razão do que expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 25, de 27 de maio de 2003, que anulou a referida inscrição, e indeferido, por despacho decisório de 20 de novembro de 2003, o pedido de inclusão retroativa no SIMPLES. 7.2.1 A então requerente insurgiuse contra o ato administrativo através do Mandado de Segurança n° 2003.71.07.0081833, em trâmite junto à Vara Federal de Execuções Fiscais de Caxias do Sul, nos autos do qual deferida liminar para suspender o ADE DRF/CXL n° 25, de 2003, até o julgamento do mérito. Em razão da decisão judicial, foi Fl. 562DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 562 3 emitido o ADE DRF/CXL n° 32, de 04 de agosto de 2003, suspendendo os efeitos do Ato Declaratório Executivo que anulara, de ofício, sua inscrição no CNPJ. 7.2.2 Uma vez denegada a segurança, e como a decisão não enfrentasse o mérito da questão inerente à desconsideração dos atos constitutivos da empresa, restringindose à alegada violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório, bem como à alegada inaplicabilidade do parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional CTN, foi restabelecida a anulação do CNPJ, emitindose o ADE DRF/CXL n° 10, de 12 de março de 2004. Negado provimento à apelação, assim como aos embargos de declaração, a ora autuada interpôs recurso especial, o qual, após ter sido admitido pelo Tribunal Regional Federal da 4 a Região, deverá ser remetido ao Superior Tribunal de Justiça, conforme consulta processual ao portal daquele órgão na Internet. 7.2.3. Outro Mandado de Segurança, tombado sob o n° 2004.71.07.0014174, ajuizado perante a Vara Federal de Execuções Fiscais de Caxias do Sul, foi distribuído por dependência à ação mandamental n° 2003.71.07.0081833, tendo sido extinto sem julgamento de mérito. 7.2.4. Irresignada, a ora autuada ajuizou então a Ação Ordinária n° 2004.71.04.0036532, junto à 2 a Vara Federal de Passo Fundo. Concedida parcialmente antecipação de tutela para determinar o imediato restabelecimento do CNPJ e a reintegração da empresa no SIMPLES. Proferida sentença ratificando a liminar que determinara a reativação do CNPJ e a reinserção da empresa no SIMPLES e julgando procedentes os pedidos para declarar a regularidade do ato de constituição, decretar a nulidade do cancelamento do CNPJ e reconhecer o direito da empresa a permanecer no SIMPLES. Depois de negado provimento à apelação da União, restou inadmitido o recurso especial interposto, tendo a União agravado a referida decisão (AI n° 001734141.2010.404.0000), também como demonstra consulta processual ao sítio da Justiça Federal da 4 a Região. 7.3. À parte a discussão judicial, que, por ora, garante sua inscrição no CNPJ e permanência no SIMPLES, em 2009 a empresa foi submetida à ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.002009003129, de que resultaram os processos n° 11020.003765/200926 e 11020.003766/200971, relativos, o primeiro, a Autos de Infração de Imposto de Renda sobre o Lucro Arbitrado IRPJ, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, de contribuição para o Programa de Integração Social PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, bem como à sua exclusão do SIMPLES e, o segundo, a Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 7.3.1. Diante da constatação da emissão de notas fiscais com valores abaixo do efetivamente negociado e da não escrituração da real movimentação bancária, o que caracterizaria prática reiterada de infração à legislação tributária notadamente o art. 14, inciso V, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e Fl. 563DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 563 4 institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, assim como o art. 195, inciso V, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 , a ora autuada foi excluída da sistemática simplificada de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3 o da já citada Lei n° 9.317, de 1996, tendo a exclusão, com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 2004, sido formalizada através do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 95, de 30 de novembro de 2009. 7.3.2. Como resultassem improfícuas as tentativas de intimação por meio pessoal ou por via postal, a ciência dos Autos de Infração e do Ato Declaratório Executivo se deu por edital1 , conforme art. 23, § I o , inciso I I , e § 2 o , inciso IV, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o processo administrativo fiscal. Os Editais ARF/Guaporé n° 004/MPF 10.1.06.002009003129, correspondente ao Auto de Infração de I P I , e n° 005/MPF 10.01.06.002009 00312 9, correspondente aos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como ao ADE que excluíra a empresa da sistemática simplificada prevista na Lei n° 9.317, de 1996, foram publicados na Agência da Receita Federal do Brasil em Guaporé, onde permaneceram afixados de 15 a 30 de dezembro de 2009. 7.3.3. Não obstante a ciência se considerasse ocorrida quinze dias após a publicação do Edital, sendo contado dali o prazo de trinta dias para apresentação de manifestação de inconformidade da declaração de exclusão, ainda em 05 de janeiro de 2010 a ora autuada veio a impugnar os Autos de Infração e o Ato Declaratório Executivo já mencionados, tendo as referidas impugnações sido encaminhadas à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, onde aguardam apreciação. 8 DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS EM RAZÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 8.1. Em que pese ainda não ter se tornado definitiva, a exclusão da empresa do regime simplificado faz restabelecer a exigibilidade dos impostos e contribuições antes nele abrangidos, notadamente as contribuições patronais previdenciárias, como se vê dos arts. 3o e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, (...) 8.2. As contribuições para a Seguridade Social, a cargo da ora autuada, devidas em razão de sua exclusão do SIMPLES, e não recolhidas, são aquelas previstas no art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, que instituiu o Plano de Custeio, 8.3. No que diz respeito à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão dos riscos ambientais do trabalho, contemplada no inciso I I do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, à atividade preponderante é dado, até maio de 2007, enquadramento conforme CNAE, e grau de risco conforme Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999; a partir de junho de 2007, o enquadramento passa a ser dado conforme CNAE 2.0, e, o grau de risco, conforme redação dada ao Anexo V do RPS pelo Decreto n° 6.042, de 12 de janeiro de 2007. 8.3.1. Nesse sentido, a atividade preponderante desenvolvida pela ora autuada enquadrase, de janeiro de 2005 a maio de 2007, no código 36.919 da CNAE lapidação de pedras preciosas e semipreciosas, Fl. 564DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 564 5 fabricação de artefatos de ourivesaria e joalheria e, de junho de 2007 em diante, no código 3211 6/02 da CNAE 2.0 fabricação de artefatos de joalheria e ourivesaria , sendo que, ao primeiro enquadramento, corresponde grau de risco máximo, com contribuição calculada à razão de 3%, e, ao segundo, grau de risco mínimo, com contribuição calculada à razão de 1% da remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados e trabalhadores avulsos a serviço da empresa. 8.4. Além de incluir no pagamento mensal unificado as contribuições patronais previdenciárias, o SIMPLES dispensava microempresas e empresas de pequeno porte do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, assim consideradas aquelas destinadas a entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical e demais entidades de serviço social autônomo. Com a exclusão da empresa do regime simplificado, restabelecemse igualmente as contribuições destinadas a tais entidades e fundos, as quais, contudo, são objeto do Auto de Infração DEBCAD n° 37.277.8500. 10 DOS LEVANTAMENTOS 10.3. Levantamento FP Folha de Pagamento Empregados 10.3.1. Em razão da exclusão da empresa do SIMPLES, este levantamento engloba as contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, relativamente às competências 01/2005 a 06/2007, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, bem como as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho 10.4. Levantamento FC Folha de Pagamento Contribuintes Individuais 10.4.1. Em razão da exclusão da empresa do' SIMPLES, este levantamento engloba as contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, relativamente às competências 01/2005 a 06/2007, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a título de pro labore aos sócíosadministradores, contribuintes individuais que são. 10.5. Levantamento CV Comissões sobre Vendas 10.5.1. Este levantamento engloba as contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a contribuintes individuais, a título de comissões sobre vendas, no período de 01/2005 a 06/2007. 11. As alíquotas aplicáveis ao cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada pela ora autuada aos segurados empregados a seu serviço, destinadas à Seguridade Social, são as seguintes: • 20% Previdência Social; • 3%, até 05/2007, e 1%, a partir de 06/2007 financiamento dos benefícios de aposentadoria especial e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT). 13 DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES RELACIONADAS À GFIP 13.1. No que diz respeito às contribuições previdenciárias e àquelas destinadas a outras entidades e fundos, a MP Fl. 565DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 565 6 n° 449, de 2008, depois convertida na Lei n° 11.941, de 2009, acrescentou à Lei n° 8.212, de 1991, o art. 35A, alterando a fundamentação legal da multa em lançamento de ofício, a qual passou a ser regida pelo art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A multa prevista no inciso I do referido dispositivo corresponde a 75% do tributo devido e visa a penalizar, de forma conjunta, tanto o não pagamento quanto a inexatidão da declaração apresentada. 13.1.1. Dessa forma, para fatos geradores ocorridos até a publicação da citada Medida Provisória, ou seja, até 11/2008, a aplicação da penalidade mais benéfica, em observância ao princípio da retroatividade benigna, insculpido no art. 106, inciso I I , alínea V , do Código Tributário Nacional, deve levar em consideração a comparação entre a multa de mora do art. 35, inciso II (24% das contribuições previdenciárias em atraso), MAIS a multa pela omissão de fatos geradores em GFIP, prevista no § 5o do art. 32 (100% das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas, limitada ao valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo da penalidade pecuniária aplicável ao descumprimento de obrigação acessória para a qual não haja penalidade expressamente cominada, em função do número de segurados a serviço da empresa, por competência, correspondente ao Código de Fundamento LegalCFL 68), ou a multa pela não apresentação da GFIP, prevista nos §§ 4o e 7o do art. 32 (multa variável equivalente a um multiplicador sobre o mesmo valor mínimo, também limitada em função do número de segurados, acrescida de 5% por mêscalendário ou fração, a partir do mês subsequente àquele em que o documento deveria ter sido entregue, por competência, correspondente ao Código de Fundamento Legal CFL 67), todos da Lei n° 8.212, de 1991, E a multa de ofício do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996 ( 7 5% do tributo devido). 13.1.2. Para essas mesmas competências, se o descumprimento da obrigação acessória não apresentação da GFIP ou apresentação com omissões ou incorreções só se consubstanciar na vigência da lei nova, não haverá que falar em qualquer comparação, cabendo apenas a cobrança da multa de mora, de 24% das contribuições previdenciárias em atraso, além da imposição das penalidades agora previstas no art. 32A, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 1991 (de R$ 20,00 para cada grupo de até dez informações incorretas ou omitidas, e de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, no caso de falta de entrega da declaração ou de entrega após o prazo, limitada a 20%, observados, em qualquer caso, os limites mínimos por competência a que se refere o § 3 o do mesmo dispositivo, de R$ 200,00 para omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores, e de R$ 500,00 para os demais casos), acrescentado pela Medida Provisória em tela, convertida na Lei n° 11.941, de 2009. 13.1.3. De outra banda, para fatos geradores ocorridos após a publicação da MP n° 449, ou seja, a partir de 12/2008, tampouco haverá que falar em comparação, cabendo apenas o lançamento de ofício, a que corresponde multa de 75% do tributo devido, aplicável ao descumpr/mento tanto da obrigação principal quanto da obrigação acessória. E em havendo recolhimento sem declaração correspondente, Fl. 566DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 566 7 serão aplicadas tãosomente as penalidades a que se refere o art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991, explicitados no subitem anterior. Conforme observa o relatório da decisão de primeira instância, foi juntado, às fls 86. o Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 95. de 30 de novembro de 2009, que declarou a empresa excluída do SIMPLES: "em virtude da constatação da emissão de noteis fiscais com valores abaixo do efetivamente negociado e a não escrituração da sua real movimentação bancária, o que caracteriza prática reiterada de infração à legislação tributária a que se refere o inciso V. do art. 14°. da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e inciso V, do art. 195 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999." O período do débito, conforme o Anexo do Relatório Fiscal é de 01/2005 a 06/2007. A Recorrente teve ciência do AIOP em 07.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Salienta que o presente Al decorre do procedimento fiscal n° 10.1.06.002009003129, quando a fiscalização lavrou os Autos de Infração n° 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926 para fins de lançamento tributário de IRP.Í, CSLL. PIS. COF1NS, exclusão do SIMPLES e IPI, tudo em decorrência de suposto subfaturamento realizado pela contribuinte, razão pela qual pleiteia a suspensão do presente processo administrativo até decisão definitiva nos AI mencionados. Preliminarmente, alega nulidade do Al por afronta ao art. 151, III. do CTN, tendo em vista o ato de exclusão do SIMPLES estar pendente de decisão administrativa, havendo, do contrário, ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Cita decisões judiciais. Alternativamente, pleiteia a análise do mérito, impugnado abaixo, somente após o julgamento definitivo dos autos mencionados, no caso de sua procedência. Inicialmente, alega ilegalidade e inexigibilidade da contribuição previdenciária patronal sobre as verbas relativas ao terço constitucional de férias, ao aviso prévio indenizado e sobre os valores pagos aos trabalhadores afastados de suas atividades nos primeiro quinze dias do auxíliodoença. Cita decisões judiciais. Em relação ao terço de férias, alega sua natureza indenizatória e cita o inciso IV do § 9 o do art. 214 do RPS, segundo o qual não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional. Em relação ao aviso prévio indenizado, alega também sua natureza indenizatória. pelo que vislumbra a ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 567 8 Entende que o pagamento relativo aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado não constitui verba remuneratória, estando, por essa razão, fora do campo de incidência da contribuição previdenciária. Alega, em seguida, a inexigibilidade da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão dos riscos ambientais do trabalho, prevista no inciso II do art. 22 da Lei n° 8.212. de 1991. Nesse sentido, alega ilegalidade e inconstitucionalidade da referida cobrança, nascida a partir de parâmetros quantitativos e qualitativos estabelecidos discricionariamente por ato da administração e não pela lei. constituindo afronta aos princípios da segurança jurídica, da legalidade e da tipicidade cerrada. Afirma a inconstitucionalidade dos Decretos n° 83.081, de 1979; 612, de 1992: 2.173. de 1997: e 3.048. de 1999. por afronta ao princípio da legalidade, não sendo possível ao Fisco lidimamente exigir as contribuições de SAT e respectivo adicional, até que lei ordinária venha a definir o conceito de atividade preponderante e os conceitos de risco leve, médio e grave. Alega, alternativamente, a inexigibilidade do SAT em percentual superior à alíquota mínima de 1% sobre a remuneração dos trabalhadores empregados, enquanto lídima legislação não regule a matéria. Em seguida, argui inexigibilidade do SAT sob a atividade da empresa como um todo. desconsiderando as particularidades do ambiente laborativo e o efetivo bem segurado. Cita decisões judiciais e afirma ha\er ofensa ao disposto no § 5o do art. 195 da Constituição Federal de 1988 e do princípio da moralidade pública, pois se estaria favorecendo o locupletamento do ente fiscal. Continuando, alega inconstitucionalidade da Lei n° 9.732, de 1998, e do Decreto n° 3.048, de 1999, os quais seriam instrumentos regulamentares impróprios para instituir a Contribuição Adicional ao Seguro de Acidentes do Trabalho Adicional ao SAT, o que se traduz em afronta ao princípio da legalidade e inobservância do art. 195, § 5o da Constituição Federal. Considera confiscatório o percentual da penalidade aplicada, que caracteriza ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Diz serem os valores exigidos ilegais e inconstitucionais, nulificando o Al impugnado, em virtude do excesso de exação nele contido. Cita doutrina. Diz ser inaplicável aos supostos débitos, como juros de mora, a taxa SEL1C. em razão da limitação destes juros dada pelo CTN. Cita doutrina e decisões judiciais. Ao fim. requer a suspensão da apreciação do presente AI até decisão definitiva nos AI 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926. nos termos do art. 151, III, do CTN ou. alternativamente, caso julgados Fl. 568DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 568 9 definitivamente os referidos AI, seja desconstituído o presente, pelo acima exposto. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte em parte a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 0933.871 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis c atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado a partir da ocorrência do lato gerador. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Ainda, a decisão de primeira instância manteve o crédito tributário em parte ao aplicar a decadência parcial até a competência 06/2005, com base no art. 150, § 4º, CTN: Em consonância com o entendimento acima expresso, aplicando o art. 150. §4° do CTN. considerase decaído o direito de lançar o crédito previdenciário nas competências 01/2005 e 06/2005, passando o valor total originário do crédito tributário de RS 73.395,53 para RS 58.772,35, Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação. Em julgamento nesta Colenda Turma, sendo relator o Ilustre Conselheiro Cid Marconi, converteuse o processo em Diligência, nos seguintes termos: Considerando que a grande celeuma do caso em tela referese ao fato da auditoria ter lavrado auto de infração cujo objeto é a cobrança de valores referentes às contribuições patronais e as relativas ao SAT decorrente da exclusão da empresa do SIMPLES (período 01/2005 a Fl. 569DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 569 10 06/2007), por ter sido constatada a emissão de nota fiscal com o valor abaixo do negociado na realidade acompanhada da falta de escrituração na real movimentação bancária, configurandose como prática reiterada de infração à legislação tributária Considerando que o ato que determinou a exclusão do SIMPLES deve possuir caráter definitivo. Considerando que de acordo com as informações trazidas aos autos, o ADE n 95 de 30/11/2009, que excluiu a recorrente do regime simplificado de arrecadação, provocou a insatisfação do contribuinte mediante impugnação e o conseqüente início de um processo administrativo tributário (13018.000174/200203). Entendo, portanto, que seja imprescindível verificar se a empresa estar definitivamente excluída do regime simplificado de tributação, o que só pode ser confirmado com a decisão de última instância do referido processo. Nesse processo, segundo os autos e conforme informações obtidas do sítio do Ministério da Fazenda de consulta processual <comprot.fazenda.gov.br>, só houve o julgamento por parte da DRJ, ou seja, não há como saber se uma das turmas da 1 Seção de Julgamento do CARF, competentes para apreciar situações que envolvam a inclusão/exclusão da empresa do SIMPLES, já se pronunciou acerca da matéria. Além disso, há dois processos em discussão neste Contencioso cuja autuação é decorrente também da exclusão da empresa do SIMPLES, os processos 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926. O primeiro encontrase ainda para ser julgado pela 2 Turma Ordinária da 3 Câmara da 3 Seção de Julgamento, já o segundo, foi julgado pela 1 Turma Ordinária da 3 Câmara da 1 Seção de Julgamento, tendo ficado decidido que o lançamento deverá ser mantido. Assim, para que haja um julgamento mais acertado, tornase imprescindível saber a situação da recorrente perante o regime simplificado de tributação, o que só será possível com a realização de diligência que tenha como objetivo verificar a atual posição do processo 13018.000174/200203, inclusive se o mesmo já foi apreciado pelo CARF, pois é este o processo que visa ratificar ou anular o Ato Declaratório Executivo 95, de 30 de novembro de 2011. Posteriormente, houve a Informação Fiscal emitida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul / RS: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 570 11 Em julgamento realizado em 14.05.2013, esta Colenda Turma de Julgamento deliberou em baixar o processo em Diligência para informação da Unidade da Receita Federal do Brasil RFB de Jurisdição do Recorrente informasse: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe: (i) o resultado final dos julgamentos dos processos administrativos nº 13018.000174/200203 e nº 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a conseqüente coisa julgada administrativa; (ii) bem como, se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. Após, em 01.11.2013, a Unidade da RFB informa às fls. 558: INTERESSADO: ICARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 571 12 C.N.P.J........…: 04.526.876/000127 PROCESSO…..: 11020.001879/201075 Na condição de ocupante do cargo de auditor fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, no exercício do cargo de chefe do Secat/DRF/CXL/RS, INFORMAMOS: 1) que a decisão definitiva quanto ao pedido objeto do processo administrativo fiscal nº 13016.000174/200203 ocorreu na data do trânsito em julgado (18/04/13) da decisão judicial na ação ordinária ajuizada pela pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA., sob nº 2004.71.04.0036532 (recurso especial RESP nº 1.277.129), através da qual o poder judiciário determinou: 1.1) o cancelamento do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03, então instrumento formal do cancelamento da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ: e, 1.2) a inclusão da pessoa jurídica no regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente ao ano calendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 2) que, portanto, a decisão definitiva no processo nº 13016.000174/200203, não guarda relação direta com os lançamentos objetos dos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (IRPJ, CSLL , COFINS e PIS), 11020.003766/200971 (IPI), 11020.001879/201075 (contribuições previdenciárias), e 11020.001880/201008 (contribuições sociais gerais terceiros ), haja vista que tal decisão judicial referese ao ano calendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 3) que o ADE DRF/CXL nº 95, de 30/11/09, através do qual formalizouse a exclusão da pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. do regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, o qual guarda relação direta com os lançamentos objetos deste processo e do processo nº 11020.001880/201008, está sob julgamento nos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (aguardando decisão em recurso voluntário) e 11020.003766/2009 –71 (aguardando decisão em recurso especial); e, 4) que, no hábeas corpus nº 211393/STJ objeto do processo nº 2011/01501154/ STJ, o poder judiciário pronunciouse acerca de provas apreendidas e carreadas para os processos administrativos fiscais. Ao SECAM/4ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 572 13 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 501. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0933.871 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.277.8496, no montante original de R$ 165.367,83. Conforme o Relatório Fiscal, os processos de exclusão do SIMPLES se referem ao processo n º 13018.000174/200203 e ao processo n º 11020.003765/200926: 7.1. Tendo por objeto social a indústria, o comércio, a importação e a exportação de relógios, cronômetros, ótica em geral, jóias, bijuterias e assemelhados, em 16 de setembro de 2002 o sujeito passivo requereu adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES retroativamente ao início de suas atividades, em I o de junho de 2001. 7.2. A análise do pedido, consubstanciado no processo administrativo n° 13018.000174/200203, motivou a realização de diligência fiscal, a qual concluiu pela constituição da pessoa jurídica ora autuada por interposta pessoa e, via de conseqüência, pela anulação de ofício de sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, em razão do que expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 25, de 27 de maio de 2003, que anulou a referida inscrição, e indeferido, por despacho decisório de 20 de novembro de 2003, o pedido de inclusão retroativa no SIMPLES. 7.3. À parte a discussão judicial, que, por ora, garante sua inscrição no CNPJ e permanência no SIMPLES, em 2009 a empresa foi submetida à ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.002009003129, de que resultaram os processos n° 11020.003765/200926 e 11020.003766/200971, relativos, o primeiro, Fl. 573DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 573 14 a Autos de Infração de Imposto de Renda sobre o Lucro Arbitrado IRPJ, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, de contribuição para o Programa de Integração Social PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, bem como à sua exclusão do SIMPLES e, o segundo, a Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. A Diligência Fiscal requerida por esta Colenda Turma foi no sentido de se informar o resultado do processo de exclusão do SIMPLES, processo nº 13018.000174/200203, posto que a competência para tal julgamento é da 1 ª Seção do CARF: Considerando que a grande celeuma do caso em tela referese ao fato da auditoria ter lavrado auto de infração cujo objeto é a cobrança de valores referentes às contribuições patronais e as relativas ao SAT decorrente da exclusão da empresa do SIMPLES (período 01/2005 a 06/2007), por ter sido constatada a emissão de nota fiscal com o valor abaixo do negociado na realidade acompanhada da falta de escrituração na real movimentação bancária, configurandose como prática reiterada de infração à legislação tributária Considerando que o ato que determinou a exclusão do SIMPLES deve possuir caráter definitivo. Considerando que de acordo com as informações trazidas aos autos, o ADE n 95 de 30/11/2009, que excluiu a recorrente do regime simplificado de arrecadação, provocou a insatisfação do contribuinte mediante impugnação e o conseqüente início de um processo administrativo tributário (13018.000174/200203). Entendo, portanto, que seja imprescindível verificar se a empresa estar definitivamente excluída do regime simplificado de tributação, o que só pode ser confirmado com a decisão de última instância do referido processo. Assim, para que haja um julgamento mais acertado, tornase imprescindível saber a situação da recorrente perante o regime simplificado de tributação, o que só será possível com a realização de diligência que tenha como objetivo verificar a atual posição do processo 13018.000174/200203, inclusive se o mesmo já foi apreciado pelo CARF, pois é este o processo que visa ratificar ou anular o Ato Declaratório Executivo 95, de 30 de novembro de 2011. A seguir, a Informação Fiscal emitida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul / RS não aborda diretamente tal requerimento feito, ou seja, a de informar qual o resultado do julgamento no âmbito do CARF do processo de exclusão do SIMPLES, processo nº 13018.000174/200203. Outrossim, A Recorrente apresentou tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, dentre outros argumentos, o de que os processos administrativos nº 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES encontramse em fase de Recurso no âmbito do CARF. Em julgamento realizado em 14.05.2013, esta Colenda Turma de Julgamento deliberou em baixar o processo em Diligência para informação da Unidade da Receita Federal do Brasil RFB de Jurisdição do Recorrente informasse: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 574 15 CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe: (i) o resultado final dos julgamentos dos processos administrativos nº 13018.000174/200203 e nº 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a conseqüente coisa julgada administrativa; (ii) bem como, se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. Após, em 01.11.2013, a Unidade da RFB informa às fls. 558 que os processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (aguardando decisão em recurso voluntário) e 11020.003766/2009 –71 (aguardando decisão em recurso especial) guardam relação direta como o presente AIOP nº 37.277.8496: INTERESSADO: ICARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. C.N.P.J........…: 04.526.876/000127 PROCESSO…..: 11020.001879/201075 Na condição de ocupante do cargo de auditor fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, no exercício do cargo de chefe do Secat/DRF/CXL/RS, INFORMAMOS: 1) que a decisão definitiva quanto ao pedido objeto do processo administrativo fiscal nº 13016.000174/200203 ocorreu na data do trânsito em julgado (18/04/13) da decisão judicial na ação ordinária ajuizada pela pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA., sob nº 2004.71.04.0036532 (recurso especial RESP nº 1.277.129), através da qual o poder judiciário determinou: 1.1) o cancelamento do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03, então instrumento formal do cancelamento da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ: e, 1.2) a inclusão da pessoa jurídica no regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente ao ano calendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 2) que, portanto, a decisão definitiva no processo nº 13016.000174/200203, não guarda relação direta com os lançamentos objetos dos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (IRPJ, CSLL , COFINS e PIS), 11020.003766/200971 (IPI), 11020.001879/201075 (contribuições previdenciárias), e 11020.001880/201008 (contribuições sociais gerais terceiros ), haja vista que tal decisão judicial referese ao ano calendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 3) que o ADE DRF/CXL nº 95, de 30/11/09, através do qual formalizouse a exclusão da pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. do regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, o qual guarda relação direta com os lançamentos objetos Fl. 575DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 575 16 deste processo e do processo nº 11020.001880/201008, está sob julgamento nos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (aguardando decisão em recurso voluntário) e 11020.003766/2009 –71 (aguardando decisão em recurso especial); e, 4) que, no hábeas corpus nº 211393/STJ objeto do processo nº 2011/01501154/ STJ, o poder judiciário pronunciouse acerca de provas apreendidas e carreadas para os processos administrativos fiscais. Ao SECAM/4ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF. Em consulta ao sistema COMPROT do Ministério da Fazenda (http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp), em 18.01.2014, temos que os processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 e nº 11020.003766/2009 –71 encontramse com a situação em andamento no âmbito do CARF: Fl. 576DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 576 17 Ainda, em 17.01.2014, o Recorrente apresenta Memoriais, recebido por este Relator por intermédio da Secretaria desta 4ª Câmara, na qual requer: a) Preliminarmente: por força da decisão judicial do STJ no HC nº211.393/RS, em decorrência dele, se há nulidade no processo de constituição do crédito tributário pela ilegalidade na forma de obtenção das ‘supostas’ provas que consubstanciaram os autos de infração (provas estas devem ser devolvidas), e da quebra do sigilo bancário, SEJA DECLARADO NULO O LANÇAMENTO, SENDO CANCELADA INTEGRALMENTE A PEÇA FISCAL. Acerca da diligência determinada pela resolução 2403000.152, tanto o processo 11020.003765/200926 (informação processual do site do CARF Anexo II), quanto o processo 18013.000174/200203 (informação processual – Anexo III) não possuem coisa julgada administrativa. E, existe processo judicial, ajuizado pela ora Recorrente, acerca de sua exclusão do simples, com trânsito em julgado de decisão favorável à contribuinte no STJ (Resp. 1.277.129 e outros – Anexo IV), demandando, ao menos em relação ao processo Fl. 577DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 577 18 mais antigo acerca da exclusão do SIMPLES, a extinção do feito administrativo 13018.000174/200203. a SUSPENSÃO DO PRESENTE FEITO, ANTE À SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS SUPOSTOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS NELE CONSUBSTANCIADOS, DIANTE A INEXISTÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA NOS PROCESSO ADMINISTRATIVOS Nº. 11020.003765/200926 E Nº. 11020.003766/200971, dos quais este decorre. b) As presentes atuações decorrem do equivocado entendimento do Fisco que determinou aplicação dos efeitos da exclusão do SIMPLES anteriores a 30.11.2009 (quando foi emitido o Ato Declaratório DRF/CXL nº. 95), malsinando a aplicação do art. 15, II, da Lei nº. 9.317/96, mais benéfica à contribuinte/Recorrente, na qual a dita exclusão do simples somente surtirá seus efeitos “a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder a exclusão” – ou seja, apenas em data posterior ao ato declaratório executivo que determinar a exclusão do contribuinte; b) Ainda que não aplicado o tratamento isonômico ao processo 11020.001880/201008, pelo reconhecimento da decadência, tal qual já procedido no processo 11020.001879/201075 (que possui identidade de partes, de supostos fatos geradores, de período idênticos), resta, em ambos, operada a decadência de parte dos créditos tributários constituídos nos Autos de Infração nº. 37.277.8496 e nº. 37.277.8500 (sendo nesta já reconhecida), em relação ás competências compreendidas entre 01/2005 e 07/2005, ante o fato de que, sendo ciente da autuação apenas 05.07.2010 e de que a autoridade lançadora não fez constar do relatório fiscal nenhuma situação comprovada que pudesse caracterizar as situações de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, justificando a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN; d) A multa de ofício aplicada não está sujeita aos juros de mora pela taxa SELIC, pelo fato de que a multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Sua origem decorre dos termos do artigo 44 da lei nº. 9.430/96 – de forma a que descabe a aplicação da SELIC sobre multa, no entendimento desta Egrégia Corte Administrativa Superior desde o julgamento do Recurso nº. 161331, que resultou no Acórdão n.º: 10323428 processo nº. 10680.002472/200723. A receita tributária é composta tão somente de impostos, taxas e contribuições , não se incluindo, as multas dela decorrentes, que são declaradas como categorias autônomas. Desta forma, requerse seja julgado TOTALMENTE PROCEDENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO – nº. 911.178, declarando a inexistência do crédito tributário constituído em nome da Recorrente, em relação ao processo nº. 11020.001880/201008/Acórdão nº. 09 33.872 (5ª Turma da DRJ/POA), e, por conseqüência, anulandose inteiramente a peça fiscal em questão, inclusive no que concerne a juros, correção monetária e multa. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 578 19 DA NECESSIDADE DE NOVA DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento dos processos administrativos, processo nº 11020.003765/200926 e nº 11020.003766/2009 –71 posto que tais processos produzem efeitos diretamente no presente processo nº 11020.001879/201075 veiculado pelo AIOP nº 37.277.8496. Anotese ainda que a competência para o julgamento de processo de exclusão do SIMPLES é da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme se depreende do art. 2º, V, do Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; {2} V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.001879/201075 Resolução nº 2403000.216 S2C4T3 Fl. 579 20 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente: (i) Anexe aos autos o resultado final dos julgamentos dos processos administrativos nº processo nº 11020.003765/200926 e nº 11020.003766/2009 –71, de exclusão do SIMPLES, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a conseqüente coisa julgada administrativa; (ii) bem como, se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativo tributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 580DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10865.903920/2008-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 03 92 0/ 20 08 -2 1 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903920/200821 Resolução nº 1802000.544 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1433.111, às fls. 49 a 57: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro “Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP”, os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP nºs 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, “que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência”. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903920/200821 Resolução nº 1802000.544 S1TE02 Fl. 4 3 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011. Em 08/10/2013, esta Turma Julgadora do CARF iniciou o exame do recurso, e naquela ocasião exarou a Resolução nº 1882000.333 (fls. 633 a 644), demandando realização de diligência pela Delegacia de origem. Cumprida a resolução, o processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 664 a 670, para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903920/200821 Resolução nº 1802000.544 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 09/11/2004 (fls. 39 a 43), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de janeiro/2003, no valor total de R$ 858.160,00 (principal mais acréscimos). A compensação é para quitação de débito de IR Fonte com data de vencimento em 10/11/2004, no valor de R$ 35.867,86. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 858.160,00 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da Contribuinte, que estariam especificados em outros PER/DCOMP, conforme as numerações e valores discriminados no Despacho Decisório de fls. 44. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, demonstrando que os valores apropriados nestes outros PER/DCOMP eram diferentes daqueles informados no despacho decisório, e que estas outras compensações não teriam consumido todo o crédito, ao contrário do alegado pela Delegacia de origem. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconheceu que os valores dos débitos objeto dos outros PER/DCOMP eram diferentes (e bem menores) que aqueles mencionados pelo despacho decisório que não homologou a presente compensação e, superando esse óbice, deu prosseguimento ao exame do reivindicado direito creditório. Nesse contexto, a DRJ consignou que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário não seriam pagamentos passíveis de compensação, e que, assim, caberia examinar a eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo no período em questão. Contudo, diante do que havia nos autos, concluiu a DRJ que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. A Contribuinte apresentou recurso voluntário para reverter essa decisão, e a apreciação do recurso resultou na referida Resolução nº 1882000.333. Naquela ocasião, foi esclarecido que não mais poderia subsistir o argumento contido na decisão recorrida, defendendo restrições para restituição ou compensação de recolhimentos indevidos ou a maior a título de estimativas mensais, inclusive porque o CARF já havia sumulado a matéria afastando tal restrição (Súmula CARF nº 84). Também foram feitas várias observações sobre a dinâmica de produção de prova nos processos de iniciativa dos contribuintes, para evidenciar que a formação gradativa da prova era comum aos processos de restituição/compensação, não havendo que se falar em Fl. 680DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903920/200821 Resolução nº 1802000.544 S1TE02 Fl. 6 5 inovação nos fundamentos da negativa por parte da DRJ, nem na necessidade de elaboração de novo despacho decisório, nem em situação que poderia dar ensejo ao reconhecimento da homologação tácita da compensação, etc. Nesse contexto, concluiuse que a medida correta era examinar os documentos que a Contribuinte juntou aos autos na fase recursal, em razão das considerações contidas na decisão recorrida sobre a necessidade de comprovação do indébito. A referida resolução foi assim finalizada: [...] Procurando comprovar a existência e a disponibilidade de seu direito creditório, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário: Demonstrativo de todas as compensações realizadas com o crédito ora examinado; DIPJ do anocalendário 2003; DCTF´s trimestrais referentes ao ano calendário 2003; cópia do Livro Diário contendo Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos no Período, referentes aos anos de 2003 a 2005; Demonstrativo da composição da receita bruta mensal abrangendo o período em questão; Lançamentos realizados na conta “1.1.34.1.1.234IRPJ2003DARF Rec Indevido”; Balancetes Analíticos de 2003; e LALUR de maio/2003 em diante. Pela ficha 11 da DIPJ, e também pela DCTF, o valor da estimativa de janeiro/2003 seria de R$ 162.507,07. As estimativas foram apuradas com base na “receita bruta e acréscimos” até o mês de abril, e a partir do mês de maio a apuração das estimativas se deu mediante balancetes de suspensão/redução. De acordo ainda com a DIPJ, a Contribuinte apurou prejuízo em 2003, e todas as antecipações ao longo do ano, a título de recolhimento de estimativa (R$ 250.122,08) e de retenção de IR na fonte (R$ 193.631,24), converteramse em saldo negativo no montante de R$ 443.753,32. Esse saldo negativo englobou apenas o valor de R$ 162.507,07 como estimativa de janeiro. A indicação, portanto, é de que houve recolhimento a maior para a referida estimativa, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a sua disponibilidade para as várias compensações realizadas pela Contribuinte, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903920/200821 Resolução nº 1802000.544 S1TE02 Fl. 7 6 É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF nº 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. A diligência foi realizada, e o processo devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 664 a 670. No atendimento à resolução, a Delegacia de origem apresentou uma detalhada relação de todos os PER/DCOMP em que a Contribuinte utilizou outras parcelas do mesmo crédito aqui examinado, registrando que algumas dessas compensações já haviam sido homologadas. Quanto à estimativa de IRPJ de janeiro/2003, esclareceu: que a receita constante da DIPJ foi confirmada no Livro Razão; que a estimativa de IRPJ sobre essas receitas deveria ser de R$ 175.678,89, e não R$ 162.507,07; que a divergência entre o valor apurado na diligência e o informado pela Contribuinte decorria da aplicação do coeficiente de 8% sobre receitas que não se enquadravam no conceito de “receita bruta” (variações cambias, outros ganhos financeiros, etc.); que o valor declarado tanto em DIPJ quanto em DCTF para a estimativa de IRPJ de janeiro/2003 era R$ 162.507,07, e que esse débito estava extinto por um outro DARF, distinto do que gerou o crédito aqui em debate, e por mais três PER/DCOMP; e que o pagamento indicado como crédito neste processo (R$ 858.160,00) não foi utilizado para a extinção do débito de estimativa de IRPJ de janeiro/2003, conforme declarado em DCTF. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903920/200821 Resolução nº 1802000.544 S1TE02 Fl. 8 7 Quanto à disponibilidade do pagamento de R$ 858.160,00 para utilização no PER/DCOMP objeto destes autos, apresentou um extrato SIEF indicando que uma parte dele estava bloqueado/reservado em razão das compensações já homologadas e também em razão do processo nº 10865.906007/200967, referente ao PER/DCOMP nº 31174.29044.140704. 1.3.045847, que também se encontra no CARF, com recurso voluntário a ser apreciado. O quadro contido na informação fiscal indica as Declarações de Compensação ou Processos com os respectivos valores bloqueados/reservados do pagamento, bem como o saldo disponível para outras compensações: Declaração de Compensação/Processo Valor Bloqueado/Reservado do Pagamento Saldo Disponível 28623.05598.250804.1.3.047067 1.959,26 22743. 16824.020904.1.3.040251 17.649,30 088916.0465.080904.1.3.045809 27.748,54 30276.47095.140904.1..049480 15.394,36 15738.53242.210906.1.7.045707 2.042,88 10865.906007/200967 347.125,54 446.240,12 O somatório dos valores bloqueados/reservados corresponde a R$ 411.919,88, e o saldo disponível de R$ 446.240,12 é exatamente a diferença entre os R$ 858.160,00 e os valores bloqueados/reservados. Considerando, então, o saldo existente de R$ 446.240,12, conforme registrado no extrato SIEF, a Delegacia de origem apresentou um quadro indicando as compensações passíveis de serem homologadas, levando em conta a utilização parcial e sucessiva do referido saldo, ressaltando ainda que os saldos remanescentes não correspondiam à simples subtração do débito compensado, em razão do cômputo de acréscimos legais. Os encontros de contas e a evolução do saldo de crédito constam do Demonstrativo de Compensação às fls. 697 a 700 do processo nº 10865.903909/200861, que também está sendo examinado nesta mesma sessão de julgamento. De acordo com a Informação Fiscal, remanesceriam um PER/DCOMP passível de homologação parcial e nove PER/DCOMP não passíveis de homologação, por insuficiência de crédito. A Contribuinte foi intimada das conclusões da diligência, e o processo retornou ao CARF. A Delegacia de origem atendeu de forma muito clara e detalhada todas as solicitações da diligência, mas ainda há um ponto de dúvida. É que para a elaboração dos demonstrativos ela partiu do saldo constante do extrato SIEF, ou seja, do valor de R$ 446.240,12, como indicado no quadro acima. A dúvida reside na dedução (bloqueio) relativa ao processo 10865.906007/2009 67, que se refere ao PER/DCOMP nº 31174.29044.140704.1.3.045847. Primeiro, porque essa compensação ainda não foi homologada, como ocorreu com as outras cinco indicadas no quadro acima. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903920/200821 Resolução nº 1802000.544 S1TE02 Fl. 9 8 O segundo problema, esse bem mais relevante, é que o bloqueio (ou reserva) deveria recair sobre o débito compensado, no valor de R$ 18.036,19 (conforme indica a tabela de fls. 666 da própria Informação Fiscal), e não sobre R$ 347.125,54, que corresponde ao valor original do crédito na data da transmissão do PER/DCOMP. O extrato SIEF, ao registrar um saldo de crédito de R$ 446.240,12, computou como valor a ser bloqueado relativamente ao processo 10865.906007/200967 o valor que é indicado como “Crédito Original na Data da Transmissão”, incorrendo no mesmo erro que vem incidindo desde o início deste processo, e que vem reduzindo indevidamente o saldo disponível para as compensações subseqüentes. Apesar de terem sido detalhadamente prestadas todas as informações solicitadas, o demonstrativo final da Informação Fiscal ainda não possibilita uma decisão sobre a suficiência ou não do direito creditório para as várias compensações em julgamento nessa sessão, porque ele parte de um saldo de crédito que, tudo indica, não está correto. O processo deve novamente ser enviado à Delegacia de origem para que seja revisado o saldo de crédito constante do extrato SIEF, e se for o caso de modificálo, como parece ser, que sejam refeitos os demonstrativos (de encontro de contas e os demais) a partir do saldo correto, com nova ciência para manifestação da Contribuinte. Deste modo, voto no sentido de converter novamente o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904439/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 39 /2 01 2- 16 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904439/201216 Acórdão n.º 3803004.789 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904439/201216 Acórdão n.º 3803004.789 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904439/201216 Acórdão n.º 3803004.789 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10735.720074/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. RELATÓRIO Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento adoto o relatório elaborado pela DRJ/Rio de Janeiro I, abaixo transcrito: 1. Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte Unimed Petrópolis Cooperativa de Trabalho Médico, pertinente à falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade (COFINS) de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, conforme elementos acostados às fls. 4043 a 4059, no valor de R$ 10.015.064,43, incluindo principal e juros de mora calculados até 30/12/2010. 2. Às fls. 4027 a 4042, consta o Auto de Infração pertinente à falta de recolhimento da Contribuição para o Pis de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .7 20 07 4/ 20 11 -9 6 Fl. 4482DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10735.720074/201196 Resolução nº 3301000.186 S3C3T1 Fl. 4.483 2 valor de R$ 1.721.519,64, incluindo principal e juros de mora calculados até 30/12/2010. 2. Na Descrição dos Fatos dos respectivos lançamentos, a Autoridade Fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece que o valor foi apurado de acordo com o contido no Termo de Verificação Fiscal. 3. No Termo de Verificação Fiscal às fls 3981 a 3989, consta que: 3.1 Os lançamentos referemse às diferenças de Pis faturamento e Cofins não declaradas. 3.2 O contribuinte declarou e recolheu a Contribuição para o Pis sobre a folha de pagamentos, entretanto não recolheu qualquer valor a título de Pis faturamento, bem como nenhum valor foi declarado ou recolhido a título de Cofins. 3.3 Os primeiros demonstrativos das bases, elaborados pela fiscalizada, não atendiam aos termos da intimação. Isto porque cada demonstrativo limitavase a indicar, a cada mês, o total das receitas e, a seguir, um valor bastante elevado a título de "exclusões admitidas às sociedades cooperativas". Não foi informada a natureza das exclusões consideradas, nem tampouco as rubricas contábeis correspondentes. As exclusões computadas representavam valores elevados, que quase absorviam as receitas auferidas em cada mês. Em contato telefônico, foi obtida a informação de que os valores das exclusões eram resultado de um cálculo de rateio. 3.4 A empresa utilizou, na apuração das bases de PIS/COFINS, metodologia inteiramente diversa daquela prevista na legislação aplicável. Os valores denominados "exclusões permitidas às sociedades cooperativas", nos demonstrativos da contribuinte, nada mais são que as receitas que esta atribuiu a atos cooperativos (principais e auxiliares). A contribuinte calculou o PIS FATURAMENTO apenas com base nas demais receitas, isto é, aquelas atribuídas a atos não cooperativos. 3.5 Nos anos 2006 e 2007, a contabilidade da UNIMED PETRÓPOLIS não segregava as receitas e despesas entre atos cooperativos principais, cooperativos auxiliares e não cooperativos; o critério adotado pela empresa foi o de rateio, utilizandose a proporção das despesas com pagamentos a médicos cooperados, hospitais, clínicas, laboratórios e médicos não cooperados (despesas dos grupos 41, 43 e 44). Este critério é demonstrado nas denominadas Planilhas de Cálculo dos Rateios. As referidas planilhas demonstram que a contribuinte classificou as despesas da seguinte maneira: . Ato Cooperativo Principal (ACP) pagamentos a médicos cooperados e demais despesas diretas;. Ato Cooperativo Auxiliar (ACA) pagamentos a hospitais, laboratórios e clínicas;. Ato Não Cooperativo (ANC) pagamentos a médicos não cooperados. 3.6 Com base nesta classificação, apuravase o percentual de cada categoria no total dos pagamentos do mês. Em seguida, os percentuais apurados eram aplicados ao total das receitas, chegandose, assim, aos valores de receitas com atos cooperados e não cooperados considerados pela contribuinte. 3.7 No ano de 2008, adotouse o Plano de Contas Padrão da ANS, com a contabilização já segmentada entre atos cooperativos principais, auxiliares e não cooperativos. 3.8 A sistemática adotada não tem relação com a legislação aplicável, no período fiscalizado. O PIS FATURAMENTO e a COFINS incidem sobre a totalidade das receitas, permitidas exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Fl. 4483DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10735.720074/201196 Resolução nº 3301000.186 S3C3T1 Fl. 4.484 3 3.9 Lavrouse o Termo de Intimação 5 (ciência em 04/10/2010), solicitando a apresentação de demonstrativo que identificasse os valores efetivamente passíveis de exclusão ou dedução, nos termos da lei. O Termo relacionou as exclusões e deduções admitidas, a fim de que a contribuinte indicasse aquelas a que teria direito, em cada período de apuração, com a correspondente rubrica contábil. 3.10 Em resposta, a fiscalizada apresentou planilha denominada "Pagamento dos Eventos". Esta planilha relaciona os eventos pagos pela cooperativa a cada mês, bem como os valores recebidos pela cooperativa em ressarcimento, por intercâmbio (co responsabilidade). Estes são os dados necessários para apurar a dedução prevista na Lei 9.718/98, art. 3º, § 9°, III: "§ 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: III – o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades." 3.11 Conferindo a planilha "Pagamento dos Eventos" com balancetes e Razões, verificouse que a contribuinte considerou, como eventos efetivamente pagos, em cada período, os valores lançados a débito das contas de Passivo que registram os eventos a pagar: produção a pagar de hospitais, laboratórios e serviços, médicos cooperados e nãocooperados (2.2.1.1.1.1.11 a 2.2.1.1.1.1.23). Como valores ressarcidos, foram considerados os lançamentos a crédito da conta de Ativo que registra os Intercâmbios a Receber (1.2.3.7.3.1.11.1.1.1.01). 3.12 Foram analisados os Razões das contas em questão, e verificouse a adequação do critério adotado pela contribuinte. Os débitos efetuados contra as contas de Produção a Pagar/Eventos a Liquidar (Passivo) correspondem, quase exclusivamente, ao pagamento das referidas obrigações. De forma semelhante, os créditos efetuados contra a conta de Intercâmbio a Receber (Ativo) correspondem, quase inteiramente, a ressarcimentos recebidos, no contexto de coresponsabilidade. As eventuais diferenças correspondem a glosas de pouca expressão, no contexto dos valores movimentados. 3.13 Os balancetes contábeis permitiram identificar outros valores passíveis de exclusão/dedução, na forma da lei. Passouse, então, a reconstituir as bases de cálculo de PIS e COFINS do período fiscalizado, apurando os valores de PIS FATURAMENTO e COFINS devidos, conforme demonstrativos das bases de cálculo mensais, partes integrantes deste auto. Verificando que a fiscalizada declarou valores de PIS, nas DCTF de JAN/2006 a DEZ/2008, bem como efetuou os correspondentes recolhimentos, embora sob o código 8301 (PIS FOLHA), elaborouse demonstrativo de apuração das diferenças de PIS FATURAMENTO devidas e não declaradas, o qual também é parte integrante deste auto de infração. Estas diferenças são objeto de lançamento de ofício. Quanto à COFINS, a fiscalizada não declarou valores em DCTF, razão pela qual os valores devidos são integralmente lançados de ofício. 4. Às fls. 4177 a 4282, foram anexadas as impugnações aos lançamentos. Nestas o contribuinte alega, em síntese, que: 4.1 A autuação não tem o menor suporte jurídico, pois a COFINS não incide sobre a atuação da Requerente, pois esta se enquadra na disposição contida no art. 6º, inciso I, da Lei Complementar nº 70/91, cuja vigência é incontestável em face das manifestações jurisprudenciais. Fl. 4484DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10735.720074/201196 Resolução nº 3301000.186 S3C3T1 Fl. 4.485 4 4.2 A Medida Provisória nº 1858/99 (que revogou o referido inciso I, do art. 6º), no seu artigo 15, determina que serão excluídos da base de cálculo das cooperativas os valores que a Unimed recebe em nome dos associados, o que torna essas parcelas (denominadas de ingressos, ou seja, receitas em nome de terceiros) não incidentes do tributo. 4.3 Como cooperativa singular, atua exclusivamente no repasse aos seus associados (cooperados) das quantias recebidas dos usuários inerentes à sua atividade objeto (planos de saúde). 4.4 Não foi considerada, também, a circunstância sucessiva que determinaria a redução da base de cálculo, em face do objeto econômico da impugnante (operadora de planos de saúde classificada de acordo com a Lei n. 9.656/98). Ou seja, mesmo que considerada como da cooperativa, a base de cálculo do tributo seria reduzida, pois a mesma MP acima indicada determina que, do faturamento, sejam excluídos o custo dos serviços assistenciais prestados aos pacientes (usuários dos planos de saúde). Nesse sentido é o artigo 2°, § 8º, da Medida Provisória n. 1.858/99, que altera o artigo 3º, § 9º, III, da Lei n. 9.718/98. 4.5 A auditoria fiscal não levou em consideração os créditos da Requerente relativos à indevida retenção do tributo na fonte (pelas empresas contratantes), conforme comprovam os documentos inclusos. 4.6 Deve ser decretada a nulidade dos lançamentos, exonerando a Unimed da absurda quantia que lhe está sendo cobrada. 4.7 Não incidência tributária sobre a produção dos cooperados, pois é uma sociedade cooperativa, do ramo de trabalho, estando classificada como cooperativa singular, conforme dispõe o art. 6º, inciso I, da Lei n. 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas). Atua como "operadora de planos de saúde", estando inscrita na Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS. 4.8 As Unimeds, enquadradas como cooperativas de trabalho, não têm fins lucrativos e não possuem receita de sua atividade operacional, pois agem sempre em nome dos médicos cooperados. 4.9 Não existe incidência tributária sobre a sua atuação econômica, pois os tributos recaem exclusivamente sobre os médicos (sócios cooperados). 4.10 A Medida Provisória 1858/99, depois de várias reedições, transformada na Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogou a não incidência (tratada como isenção) contida no inciso I, do art. 6º, da LC 70/91, mas esta revogação foi considerada inconstitucional pelo Superior Tribunal de Justiça (Resp. 2002/00819215, Rel. Min. Luiz Fux). 4.11 Sem entrar no mérito da inconstitucionalidade da revogação do inciso I, do artigo 6º, da LC 70/91, o art. 15 da MP que hoje vigora, reduz a base de cálculo do COFINS e do PIS das sociedades cooperativas, dispondo que estas "poderão excluir da base de cálculo" desses tributos "os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa", compreendendo como produto evidentemente a atividade dos sócios cooperados (art. 15, inciso I, da MP 1858/99). 4.12 Ainda que opere com planos de saúde, é uma cooperativa, cuja tributação segue a regra prevista no artigo 15, inciso I, da Medida Provisória n. 1.858/99. Entretanto, mesmo considerada como operadora de planos de saúde, os tributos federais Fl. 4485DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10735.720074/201196 Resolução nº 3301000.186 S3C3T1 Fl. 4.486 5 (PIS/COFINS) não incidiriam sobre a totalidade da arrecadação da impugnante, tendo em vista a regra contida no artigo 2º, § 8º, da Medida Provisória 1858/99, que alterou a redação do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Segundo esta regra, as operadoras de planos de saúde poderão deduzir da base de cálculo desses tributos, além de outras parcelas, o valor relativo ao custo dos serviços (indenização correspondente aos eventos ocorridos). A disposição é clara e não permite tergiversações: "§ 9º. Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II – a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III – o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades". 4.13 A base de cálculo da contribuição nunca seria o valor recebido pela Unimed das contratações realizadas em nome de seus sócios, pelo enquadramento da Requerente como "operadora de planos de saúde". A regra que trata da base reduzida das operadoras não foi considerada pela auditoria fiscal. 4.14 Como o faturamento da Requerente é realizado em nome de seus sócios, não ocorre a implicação tributária ora questionada, razão pela qual a cobrança objeto da autuação é absolutamente indevida e não poderá prosperar. 4.15 As cooperativas de trabalho não são titulares da receita decorrente da sua atividade objeto, pois esta (contratos de planos de saúde) é realizada pelos médicos cooperados (a Unimed apenas os representa nas contratações), obviamente não estão enquadradas na circunstância hipotética que dá origem à implicação tributária estabelecida na regra da COFINS. 4.16 Se não possui receita da sua atividade objeto, pois os recebimentos são realizados para os associados (médicos cooperados), o tributo objeto da autuação é indevido. 4.17 A Requerente, como cooperativa de trabalho (acima de se enquadrar como operadora nas atividades legalmente abrangidas pela Lei n. 9.656/98), está abrangida pela não incidência definida no art. 15, da Medida Provisória nº 2.15835, especificamente pelo "caput" do artigo e pelo seu inciso I, pelos quais se conclui que a atividade econômica realizada pela cooperativa em nome dos seus sócios não está incluída na sua receita bruta ou faturamento, para os fins dos artigos 2º e 3º, da Lei n. 9.718/98. 4.18 Não incidência dos tributos federais nos mais recentes pronunciamentos dos tribunais federais e do Superior Tribunal de Justiça. 4.19 Os ingressos recebidos em nome dos cooperativos devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS e do PIS, visto que não são legalmente considerados como receita da sociedade. 4.20 A autuação não pode prosperar, devendo ser anulada por ato do Órgão Julgador de Primeira Instância dessa Delegacia. 5. Ao final, requer, com o provimento da impugnação, que o Órgão Julgador se digne decretar que não incide a COFINS/PIS e os valores provenientes da atuação dos sócios da Impugnante, reconhecendo que a atividade desta consiste em organizar as atividades que envolvam os interesses dos médicos cooperados sua área de atuação, estabelecida no Estatuto Social. Fl. 4486DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10735.720074/201196 Resolução nº 3301000.186 S3C3T1 Fl. 4.487 6 A DRJ/Rio de Janeiro I, ao julgar a referida impugnação proferiu acórdão cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. INCIDÊNCIA. Incide a Cofins sobre a receita bruta auferida pela Cooperativa, deduzidas as exclusões admitidas na legislação em vigência. DEDUÇÕES PREVISTAS EM MEDIDA PROVISÓRIA As deduções da base de cálculo da contribuição previstas na Medida Provisória 2.158 35/2001 não se aplicam às cooperativas prestadoras de serviços médicos. RETENÇÃO NA FONTE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. INCIDÊNCIA. Incide a Contribuição para o Pis sobre a receita bruta auferida pela Cooperativa, deduzidas as exclusões admitidas na legislação em vigência. DEDUÇÕES PREVISTAS EM MEDIDA PROVISÓRIA As deduções da base de cálculo da contribuição previstas na Medida Provisória 2.158 35/2001 não se aplicam às cooperativas prestadoras de serviços médicos. RETENÇÃO NA FONTE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com referido julgamento, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repete basicamente as mesmas teses trazidas na impugnação e que podem assim ser resumidas: a) que diferentemente de uma sociedade mercantil a expectativa da cooperativa é o serviço prestado aos cooperados e não o lucro e, sendo assim, não pode haver incidência tributária para atos cooperados; b) cita os artigos 43 e 44 do CTN que tratam da incidência do IRPJ para concluir “... tendo em vista as entidades cooperativas serem, pela previsão da lei de regência, sociedades sem fins lucrativos – uma vez criadas, única e exclusivamente, para fins sociais – e considerando a base de cálculo do imposto de renda levar em conta a obtenção de lucro, logo Fl. 4487DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10735.720074/201196 Resolução nº 3301000.186 S3C3T1 Fl. 4.488 7 elas não estão sujeitas ao recolhimento desse imposto incidente sobre a renda, bem como de seus reflexos, traduzidos estes nas tributações pertinentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, COFINS E PIS”; c) defende que as cooperativas não têm receita ou faturamento, base imponível do PIS e da Cofins, pois à luz da Lei nº 5.764/71, art. 79, parágrafo único, o ato cooperativo não implica “operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, de forma a não motivar a produção de receita ou de faturamento para a cooperativa”; d) faz todo um estudo legislativo, doutrinário e jurisprudencial, para demonstrar o conceito de ato cooperativo. Que numa visão dinâmica, a sociedade cooperativa realiza os ‘negóciosfim’ e os ‘negóciosmeio’, sendo os primeiros relativos àquelas operações para as quais a cooperativa foi criada e os segundos seriam os negócios auxiliares, ou seja, são aqueles necessários para a ocorrência dos negóciosfim. Não seriam as práticas principais, entretanto imprescindíveis para que essas se realizem. Neste sentido defende que os atos com não cooperados, como os serviços de laboratórios, clínicas e hospitais inseremse nos chamados negóciosmeio pois não podem ser apartados dos serviços prestados pelos cooperados e, portanto não seria legítimo a classificação destes serviços como atos nãocooperativos; e) que a receita federal “persiste na autuação dessas entidades sob o fundamento de que, resultante dessas transações, terseia um ato, na verdade, não cooperativo, por consubstanciarse em atividade ‘estranha’ à finalidade da cooperativa. Um arrematado despropósito”; f) que “não é dado ao fisco, visando, única e exclusivamente, à imposição fiscal, descaracterizar a natureza jurídica das entidades cooperativas utilizandose do próprio documento de autuação – até porque seu objeto é legalmente definido pelo art. 142, do CTN – sem, para tanto, instaurar o devido processo legal administrativo”. Ao fazer desta forma não é oportunizado ao contribuinte a prática do seu direito de contraditório e ampla defesa insculpido no art. 5º, LV da Constituição Federal; g) alega inconstitucionalidade formal da Medida Provisória nº 18586/1999, atual MP nº 2.15835/2001, já que revogou a isenção da Cofins prevista na LC nº 70/91. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que esta revogação fere o princípio da hierarquia das leis; h) volta a alegar a inconstitucionalidade formal da MP nº 1858/99 e reedições, desta vez por violar o art. 246 da CF, pelo qual “é vedada a adoção de Medida Provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de Emenda Constitucional promulgada a partir de 1995”; i) que a auditoria fiscal desconsiderou os créditos da impugnante relativo às retenções do tributo na fonte, conforme provam os documentos inclusos. A PGFN apresentou Contrarazões ao recurso voluntário que, após repassar a legislação de alcance da tributação do PIS e da Cofins e a jurisprudência sobre o assunto, defende a manutenção integral das autuações diante das seguintes conclusões: i) após a MP 1.8589/99, atual MP nº 2.15835/01, a tributação incide sobre atos cooperados e não cooperados, com as exclusões legais gerais das pessoas jurídicas, das cooperativas e das operadoras de planos de saúde (regime cumulativo); Fl. 4488DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10735.720074/201196 Resolução nº 3301000.186 S3C3T1 Fl. 4.489 8 ii) Como a receita da Unimed Petrópolis decorre da comercialização de planos de saúde, o que configura faturamento, por ser prestação de serviço, bem como considerando que a comercialização de planos de saúde se caracteriza como ato de mercancia (RESp 237348), deve ser mantida a autuação, tendo em vista se tratar de faturamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Após os lançamentos tributários de que tratam o presente processo houve a inclusão do § 9ºA ao art. 3º da Lei 9.718/98 o qual trata justamente das exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins relativas às operadoras de planos de assistência à saúde. Por ocasião do lançamento tributário a redação do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 tinha a seguinte redação: Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §9oNa determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Icoresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIo valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) A inclusão do § 9ºA no art. 3º da Lei nº 9.715/98 foi efetuada pelo art. 19 da Lei nº 12.873, de 25/10/2013, in verbis: Art. 19. A Lei no9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3o. .........………………….................................... ...................................................................................…..... Fl. 4489DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10735.720074/201196 Resolução nº 3301000.186 S3C3T1 Fl. 4.490 9 § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Ou seja a alteração legislativa foi implementada no sentido de dar uma interpretação legal do que seria a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no inc. III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. De acordo com o art. 106, inc. I do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (grifei) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No presente caso, verificase que, durante a ação fiscal, este item de exclusão, inc. III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.715/98, foi objeto de ajustes efetuados pela fiscalização. É notório que a interpretação trazida pelo § 9ºA traz um conceito mais abrangente do que seria “indenizações correspondentes aos eventos ocorridos” pois insere na exclusão “o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida”. Sabese que a interpretação deste dispositivo era uma questão polêmica, sendo que a própria SRF, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 6/2010 oficializou entendimento diverso do ora formalizado pela Lei nº 12.873/2013. Solução de Consulta Cosit nº 6/2010 DOU de 11/11/2010: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória No 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/ credenciada de Fl. 4490DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10735.720074/201196 Resolução nº 3301000.186 S3C3T1 Fl. 4.491 10 profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. DISPOSITIVOS LEGAIS: §§ 2º e 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória No 2.15835, de 2001. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória No 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Cofins, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Cofins o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. DISPOSITIVOS LEGAIS: §§ 2º e 9º do art. 3º da Lei No 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória No 2.15835, de 2001. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral Sendo assim, resguardando os interesses da Fazenda Nacional, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora faça os ajustes ao lançamento tributário, considerando a interpretação dada pelo § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/98 incluído pelo art. 19 da Lei nº 12.873, de 25/10/2013. Do resultado dos ajustes apresentar relatório circunstanciado ao recorrente, abrindolhe prazo legal para manifestação se assim lhe convier. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 4491DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 19515.000003/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA. LANÇAMENTO SOBRE CONTA CORRENTE MANTIDA NO EXTERIOR. TITULARIDADE.
Não há que se falar em ilegitimidade passiva por falta de provas acerca da titularidade da conta no exterior, quando consta dos autos conjunto probatório fornecido pelo próprio agente bancário estrangeiro, analisado pelas autoridades americanas e brasileiras e periciado por órgão técnico da Polícia Federal brasileira, emitindo-se inclusive laudo atestando a autenticidade dos registros. Assim, incabível a alegação de ilegitimidade passiva quando ficar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome do próprio contribuinte. Situação que torna lícito o lançamento sobre o verdadeiro sujeito passivo
PROVAS PERICIAIS. ADMISSIBILIDADE. ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. CONVÊNIOS E ACORDOS INTERNACIONAIS. COLETA DE INFORMAÇÕES - Os órgãos da Secretaria da Receita Federal e os órgãos correspondentes dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, bem como os órgãos administrativos e judiciais permutarão entre si, mediante convênio ou pela forma que for estabelecida, as informações fiscais de interesse recíproco. A prova emprestada deverá ser examinada em si mesma, pois em certos casos, devem servir como indicador da irregularidade e não como fato incontestável, sujeito à incidência do imposto na esfera federal. A fiscalização pode valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer, mormente se a autoridade lançadora se aprofundou nas investigações com vistas a caracterizar, adequadamente, a matéria tributável.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
Cabível a aplicação da multa de ofício sobre diferenças do imposto lançados de ofício. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei.
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 27/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA. LANÇAMENTO SOBRE CONTA CORRENTE MANTIDA NO EXTERIOR. TITULARIDADE. Não há que se falar em ilegitimidade passiva por falta de provas acerca da titularidade da conta no exterior, quando consta dos autos conjunto probatório fornecido pelo próprio agente bancário estrangeiro, analisado pelas autoridades americanas e brasileiras e periciado por órgão técnico da Polícia Federal brasileira, emitindo-se inclusive laudo atestando a autenticidade dos registros. Assim, incabível a alegação de ilegitimidade passiva quando ficar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome do próprio contribuinte. Situação que torna lícito o lançamento sobre o verdadeiro sujeito passivo PROVAS PERICIAIS. ADMISSIBILIDADE. ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. CONVÊNIOS E ACORDOS INTERNACIONAIS. COLETA DE INFORMAÇÕES - Os órgãos da Secretaria da Receita Federal e os órgãos correspondentes dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, bem como os órgãos administrativos e judiciais permutarão entre si, mediante convênio ou pela forma que for estabelecida, as informações fiscais de interesse recíproco. A prova emprestada deverá ser examinada em si mesma, pois em certos casos, devem servir como indicador da irregularidade e não como fato incontestável, sujeito à incidência do imposto na esfera federal. A fiscalização pode valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer, mormente se a autoridade lançadora se aprofundou nas investigações com vistas a caracterizar, adequadamente, a matéria tributável. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Cabível a aplicação da multa de ofício sobre diferenças do imposto lançados de ofício. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 27/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira lima.
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ILEGITIMIDADE PASSIVA. MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA. LANÇAMENTO SOBRE CONTA CORRENTE MANTIDA NO EXTERIOR. TITULARIDADE. Não há que se falar em ilegitimidade passiva por falta de provas acerca da titularidade da conta no exterior, quando consta dos autos conjunto probatório fornecido pelo próprio agente bancário estrangeiro, analisado pelas autoridades americanas e brasileiras e periciado por órgão técnico da Polícia Federal brasileira, emitindose inclusive laudo atestando a autenticidade dos registros. Assim, incabível a alegação de ilegitimidade passiva quando ficar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome do próprio contribuinte. Situação que torna lícito o lançamento sobre o verdadeiro sujeito passivo PROVAS PERICIAIS. ADMISSIBILIDADE. ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. CONVÊNIOS E ACORDOS INTERNACIONAIS. COLETA DE INFORMAÇÕES Os órgãos da Secretaria da Receita Federal e os órgãos correspondentes dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, bem como os órgãos administrativos e judiciais permutarão entre si, mediante convênio ou pela forma que for estabelecida, as informações fiscais de interesse recíproco. A prova emprestada deverá ser examinada em si mesma, pois em certos casos, devem servir como indicador da irregularidade e não como fato incontestável, sujeito à incidência do imposto na esfera federal. A fiscalização pode valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer, mormente se a autoridade lançadora se aprofundou nas investigações com vistas a caracterizar, adequadamente, a matéria tributável. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 03 /2 00 7- 56 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 3 2 Cabível a aplicação da multa de ofício sobre diferenças do imposto lançados de ofício. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 27/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 189 a 199: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 97/98, acompanhado dos demonstrativos de fls. 99/100 e Termo de Verificação de fls. 90/91 (planilhas de fls. 92/96), relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anocalendário de 2001. por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 3.521.680,12, dos quais, R$ 1.386.324,50 são referentes a imposto, R$ 1.039.743,37 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 1.095.612.25 correspondem a juros de mora calculados até 30/11/2006. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 4 3 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 98, a exigência decorreu da omissão de rendimentos apurado conforme Termo de Verificação. Os valores tributáveis, as datas dos fatos geradores e enquadramento legal encontramse descritos à fl. 98. A multa de ofício foi aplicada no percentual de 75%, com base no art. 44. inciso l, da Lei n° 9.430/96 (II. ÍOO). O Termo de Verificação de lis. 90/91, esclarece que foram considerados como omissão de rendimentos os valores das transferências bancárias entre contas mantidas nos Bancos Merchants Bank e MTB lludson Bank com indicação do nome do contribuinte como beneficiário final dos recursos, não tendo havido comprovação da origem dos recursos. Consta, ainda, no mesmo termo, que em vista da tributação das remessas para o exterior estarem sendo tributadas na ação fiscal, os pertinentes valores mensais foram considerados como recursos no Demonstrativo da Evolução Patrimonial Mensal, não resultando da mesma variação patrimonial a descoberto. Cientificado pessoalmente do lançamento em 29/12/2006 (fl. 97), na pessoa de seu procurador (documento de fl. 82), o contribuinte apresentou, em 10/01/2007, subscrita pelo mesmo procurador, a impugnação de fls. 103 a 128, na qual, alega, inicialmente, que o auto de infração deve ser anulado pela ausência de provas a demonstrar que os depósitos bancários no exterior tinham como beneficiário o impugnante, pautandose a autoridade fiscal em meras presunções e suposições o que afronta os princípios da verdade material, segurança jurídica, legalidade e vinculação. Discorre sobre os Laudos de exame econômicofinanceiro acostados aos autos, transcrevendo alguns trechos, para concluir que o material sobre o qual pautouse a autoridade fiscal para autuar o impugnante, em momento algum mencionou o seu nome, identificando, apenas, os senhores Luis Felipe Malhão e Souza, Victor Manuel da Silva e Souza e José Mendes Povoação, como responsáveis pela movimentação financeira da conta n° 030102375 Biscay Trading LTD. deixando de identificar os responsáveis pela movimentação da conta n° 30101433 Orange International LTD. BVL. Não ficou demonstrado, assim, a relação entre os supracitados senhores e o impugnante e nem poderia ser diferente já que o mesmo desconhece as movimentação no exterior e nunca teve qualquer relação com tais senhores. Salienta que o seu nome constou, apenas, do Termo de Verificação Fiscal lavrado, sem comprovar qualquer relação com as pessoas citadas e, sem prejuízo do fato de que qualquer pessoa poderia se utilizar indevidamente dos dados do impugnante, certo é que a afirmação de que o contribuinte sob fiscalização consta como beneficiário de recursos financeiros movimentados no exterior pautada em laudos que não mencionam o seu nome é autuar com base em meras presunções e suposições. Transcreve ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes que trata de renda arbitrada por margem de ganho no caso de atividade de doleiro. Ad argumentanditm lantuin, caso superadas as questões já postas, requer seja reconhecida a decadência para os fatos geradores ocorridos no ano de 2001, aplicandose o disposto no artigo 150, §4°, do CTN, transcrevendo jurisprudência administrativa. Por fim, alternativamente, requer a redução do percentual adotado a título de multa, de forma a adequálo ao que prescreve a Constituição Federal, dado o Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 5 4 flagrante confisco representado pelo percentual empregado (transcreve doutrina e jurisprudência). Cita, ainda, o art. 1 12 do CTN defendendo que milita a favor do impugnante a presunção de boa fé. Por fim. questiona o cálculo dos juros moratórios com base na Taxa Selic por sua composição deixar de refletir uma natureza indenizatória, refletindo natureza remuneratória, transcrevendo ementa de acórdão proferido pelo STJ. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou no sentido de rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário constituído, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 200 DECADÊNCIA . A partir do Anocalendário de 1991. o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigido mensalmente, à medida que os rendimentos fossem sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, do ajuste anual estabelecido pela Lei n° 8.134/90. razão pela qual o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Tratandose de lançamento ex officio. a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MEIOS DE PROVA.REMESSAS AO EXTERIOR. As informações constantes de relatório da Receita Federal do Brasil, decorrentes de mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Justiça Federal, constituem prova suficiente da omissão de rendimentos. MULTA DE OFÍCIO. A penalidade aplicável aos casos de omissão de rendimentos no lançamento de ofício são as previstas no art. 44 da Lei n° 9.430/96, conforme o caso. ATOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. Refoge à competência da autoridade administrativa a apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. TAXA SELIC. A utilização da taxa SLL1C como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 6 5 não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 213 a 237, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume no seguinte excerto: Dada a ausência de provas a demonstrar que os depósitos bancários no exterior tinham como beneficiário o Recorrente, devese afastar o lançamento, pautandose a d. autoridade fiscal em meras presunções e suposições para lavrar o presente auto de infração; a absoluta afronta ao principio da verdade material, á segurança jurídica, ao princípio da legalidade e da vinculação, os quais impedem a autuação com base em presunções e suposições. Caso assim não entenda este E. Órgão Julgador, requer seja provido o presente recurso para o fim de reduzir o percentual adotado a titulo de multa, de forma a adequálo ao que prescreve a Constituição Federal, dado o flagrante confisco representado pelo percentual empregado, e. por fim, expurgar os valores obtidos mediante a adoção da taxa Selic, como o recomendam o Direito e a Justiça. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO LANÇAMENTO O lançamento, fls. 97 a 101, trata de Omissão de Rendimentos conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.90 a 96, cuja origem da base de cálculo seriam remessas ao exterior, conforme tabela abaixo: DA SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 7 6 Toda a defesa do recorrente desde a fase impugnatória se resume em negar a sujeição passiva, ou seja, que não seria a pessoa indicada na documentação como a responsável pelas transações bancárias indicadas na documentação. Em sua impugnação o contribuinte se auto qualifica assim: Nesse ponto, esclareço que o julgador, no dever do livre convencimento, pode fiarse em fatos públicos e notórios para firmar sua convicção acerca da matéria em litígio. Nesse passo, em consulta ao RELATÓRIO FINAL COMPLETO– “CPI DOS BINGOS” do sito do Senado Federal, [http://www.senado.gov.br/atividade/comissoes/cpi/relatoriofinalbingos.asp], encontramos as seguintes informações: (...fls. 109/110) Esta CPI também tentou tomar o testemunho dos Srs. Jair da Ressurreição, sócio dos Bingos Imperador, Imperatriz e Itaim; Artur José Valente de Oliveira Caio e José Paulo Teixeira Cruz Figueiredo, das empresas FABAMA, Brasil Games e São Paulo Games; Alejandro e Johnny Ortiz, da Bingo Matic e de outras empresas de vídeobingo; e José Renato Granado, da Associação de Bingos do Rio de Janeiro. No entanto, nenhum deles 110 compareceu à CPI quando marcados os seus depoimentos, justificando que se encontravam no exterior. (...fls. 167) Com base nessas afirmações, esta CPI aprovou requerimentos para transferência dos sigilos telefônico, fiscal e bancário dos Srs. Artur José Valente de Oliveira Caio, o Caio; José Paulo Teixeira Cruz Figueiredo, o Vadinho; Rui Manuel Mendes Francisco; e Roberto Carlos Kurzweil, bem como das empresas de Caio e Vadinho. Também foi aprovada a convocação dos investigados supracitados e dos sócios atuais e anteriores das principais empresas de Caio e Vadinho localizadas no Brasil. Caio e Vadinho eram formalmente sócios de um complexo de empresas ligadas ao jogo de bingo no Brasil. A Fabama – Fábrica Brasileira de Máquinas Automáticas Ltda. era responsável pela produção das máquinas de bingos. A Icloma Industrial e Comercial Ltda. tem como principal atividade a produção de gabinetes de madeira para jogos eletrônicos. A PSG Comércio Importação e Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 8 7 Exportação Ltda. tem como atividade principal a elaboração de programas de jogos eletrônicos, voltado tanto para o mercado nacional quanto para o exterior. A empresa São Paulo Games Comercial Ltda. tem por objeto a compra, especialmente do exterior, e locação de máquinas de vídeobingo para casas de bingos, prática conhecida como “distribuição” no setor. Geralmente, o distribuidor recebe 50% do lucro da máquina. O pool de empresas de Caio, Vadinho e Rui Mendes conta com outra empresa específica para “distribuição” de máquinas equipadas com software de vídeobingo, a Brasil Games Ltda., considerada, entre 2002 e 2003, como a segunda maior do ramo no Brasil. (...fls. 170) Esta CPI obteve informações sobre as empresas de Caio, Vadinho e Rui Mendes a partir de dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo, de dados dos sigilos bancário e fiscal das citadas empresas e de depoimentos dos sócios e ex sócios de Caio e Vadinho. O cidadão angolano Rui José Rei da Costa Monteiro afirmou que: (...) foi sócio da Empresa BRASIL GAMES juntamente com os senhores ARTUR JOSÉ VALENTE DE OLIVEIRA CAIO, JOSÉ PAULO TEIXEIRA CRUZ FIGUEIREDO e RUY MANOEL MENDES FRANCISCO; QUE a empresa foi constituída em 1996; QUE o principal objeto da empresa era a exploração de maquinas de caça níqueis fabricadas pela empresa FABAMA, de propriedade dos Srs. ARTUR JOSÉ VALENTE DE OLIVEIRA CAIO e JOSÉ PAULO TEIXEIRA CRUZ FIGUEIREDO; QUE referida exploração ocorre através de uma modalidade de locação dessas máquinas; QUE pela cessão das máquinas a empresa BRASIL GAMES recebia 50% do faturamento das mesmas, as quais eram colocadas em determinados pontos na cidade de São Paulo/SP; QUE a empresa BRASIL GAMES apenas explorava máquinas produzidas pela empresa FABAMA; QUE a empresa BRASIL GAMES foi vendida no ano de 2005 para o senhor DOMINGOS EDGAR ROQUE MACEDO; QUE o depoente recebeu pela transação o valor de R$200.000,00, parcelado em 10 vezes, em moeda corrente; QUE já conhecia DOMINGOS EDGAR ROQUE MACEDO há mais de trinta anos quando ainda ambos residiam em Angola; QUE foi sócio da empresa QUIEVE –Comercio Importação e Exportação, juntamente com os Srs. ARTUR JOSÉ VALENTE DE OLIVEIRA CAIO e JOSÉ PAULO TEIXEIRA CRUZ FIGUEIREDO; QUE o objeto da empresa seria exportação de alimentos para ANGOLA; QUE a empresa em questão jamais chegou a executar qualquer ato de comercio, possuindo apenas uma existência formal; QUE essa empresa ainda permanece formalmente constituída; QUE foi sócio da empresa GOLDEN COIN juntamente com os Srs. ARTUR JOSÉ VALENTE DE OLIVEIRA CAIO, JOSÉ PAULO TEIXEIRA CRUZ FIGUEIREDO e RUI MANUEL MENDES FRANCISCO; QUE o objetivo da empresa GOLDEN COIN, constituída no ano de 2001, seria funcionar da modalidade de LAN HOUSE, contudo, jamais chegou a funcionar de fato; QUE a titularidade da empresa foi transmitida ao senhor DOMINGOS EDGAR ROQUE MACEDO, juntamente com a venda da empresa BRASIL GAMES; QUE figura como sócio da empresa PSG COMÉRCIO Fl. 247DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 9 8 IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, detendo um percentual de 20% de suas cotas; QUE ainda figuram como sócios MARCELO REINALDIS e MARIA EUGÊNIA; QUE a empresa é diretamente administrada pelo senhor MARCELO REINALDIS; QUE não sabe informar o faturamento médio da empresa; QUE a empresa PSG COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA tem como atividade principal a elaboração de programas de jogos eletrônicos, voltado, sobretudo, para o exterior; QUE não sabe informar quem seja o principal cliente da referida empresa; QUE o depoente ingressou na empresa PSG COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA em substituição ao senhor ARTUR JOSÉ VALENTE DE OLIVEIRA CAIO, pagando por essa transação o valor de R$120.000,00; QUE ainda quando residia em Angola, há mais de 30 anos, já conhecia os senhores ARTUR JOSÉ VALENTE DE OLIVEIRA CAIO e JOSÉ PAULO TEIXEIRA CRUZ FIGUEIREDO; (grifos nossos) (...fl. 173) SR. RELATOR SENADOR GARILBALDI ALVES FILHO (PMDBRN): Os proprietários da FABAMA são os senhores Caio Vadinho? SR. RUI MANUEL MENDES FRANCISCO: Sim, são os senhores Arthur Caio e José Paulo Figueiredo. Dos excertos acima, além de inúmeras outras referências, encontramos a pessoa de ARTUR JOSÉ VALENTE DE OLIVEIRA CAIO e suas empresas, quais sejam, Fabama (Fábrica Brasileira de Máquinas Automáticas Ltda), Brasil Games Ltda., GOLDEN COIN e FBM. Da declaração do IRPF 2002, entregue pelo contribuinte encontramos as seguintes informações: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS (Fl. 04) DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS (Fl. 06) Fl. 248DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 10 9 Dessa forma, com o liame, entre o nome completo, nacionalidade (angolano) e empresas que é o proprietário, resta inconteste que o Recorrente é a mesma pessoa investigada na CPI do referido relatório do Senado Federal. Já em relação ao objeto do litígio, qual seja a sujeição passiva destes dos depósitos no exterior que culminaram no lançamento esta informação consta nos formulários das fls.19, 21 e 22, dos autos da seguinte forma: Retornando ao relatório da CPI, temos o seguinte, fl. 184: Em relação ao sigilo bancário de Artur José Valente de Oliveira Caio, verificouse a existência de 31 contas bancárias distribuídas em 2 bancos, Sudameris e Citibank Um aspecto que merece destaque são os valores de lançamentos a crédito e a débito efetuados no conjunto das contas bancárias de Artur José Valente Oliveira. Apurouse, entre 2001 e 2005, um volume de movimentação financeira de R$ 27,1 milhões, sendo R$ 13,6 milhões relacionados aos totais de lançamentos a crédito e R$ 13,5 milhões referentes a lançamentos a débito. Os registros apurados estão discriminados abaixo: Conforme tabela abaixo, verificase que, em relação aos depositantes, até a data de 19 de maio de 2006 constava na base de dados desta CPI um montante de R$ Fl. 249DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 11 10 9,2 milhões ainda não informado pelos estabelecimentos bancários detentores das contas correntes que originaram os créditos. Ressaltese ainda que, em relação aos respectivos beneficiários dos recursos, até a data de 19 de maio de 2006 constava na base de dados desta CPI um montante de R$ 4,8 milhões ainda não informado pelos estabelecimentos bancários detentores das contas correntes favorecidas dos débitos. Não obstante, procurouse evidenciar os principais beneficiários dos lançamentos efetuados a débito, conforme a tabela que segue: Comparando com a documentação bancária que fundamentou a autuação, temos no que tange ao interessado a seguinte igualdade: Do comprovante de transferência bancária, fls.19, 21 e 22: Do Relatório da CPI:, fl. 186: Ressalto que às fls. 186 do Relatório da CPI, consta: A princípio, não foi identificada nenhuma irregularidade nesses pagamentos já identificados. Todavia, é oportuno que a Receita Federal identifique se os montantes pagos foram declarados pelos recebedores dos valores supraelencados. Os dados corroboram a análise de sigilo fiscal de que Caio tenha sonegado impostos, visto que a movimentação financeira está incompatível com sua renda declarada. Também Fl. 250DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 12 11 chama a atenção a pequena percentagem de seus pagamentos para a Receita Federal, de apenas 2,37%. Convém destacar que a maior parte de seus rendimentos é oriunda de lucros e dividendos, que são isentos de tributação. A renda declarada à Receita Federal por Artur Caio, conforme se pode observar no quadro abaixo, é totalmente incompatível com sua movimentação bancária e com os dados de recolhimento da CPMF, nos anos de 2000, 2003 e 2004. No ano de 2004, a incompatibilidade se dá por uma base de cálculo de CPMF inferior, o que é um indício de que possa ter havido fraude para sonegar pagamento de CPMF, bem como por movimentação bancária muito superior à renda. No ano de 2005, não há dados suficientes para se tirar conclusões. Também chama a atenção no sigilo fiscal de Artur Caio e de Vadinho o fato de ambos possuírem vários imóveis em conjunto e declararem os mesmos imóveis com valores diferentes. A título de exemplo, ambos citam em sua declaração de imposto de renda de 2004 um terreno, com 5.000 metros quadrados, situado no Condomínio Águas Finas, na Bahia, Lote n 81, com construção de casa e benfeitorias no local. No entanto, Vadinho declara que o imóvel vale R$ 316.403,36, enquanto Artur Caio declara que vale R$ 140.787,71. No cartório de Registro de Imóveis, consta que o bem pertence a ambos, sem diferenciação de participação no valor. Esta CPI identificou também algo curioso: a aquisição, em 23 de novembro de 2005, de outro terreno também localizado em Lauro de Freitas/BA, em conjunto por Artur Caio e a exesposa de Vadinho, Maria Eugênia Machado Morais Sousa Louro Cruz Figueiredo. Também chama a atenção o fato de Artur Caio e Vadinho disporem do mesmo endereço em Miami/EUA. Ainda, do Relatório Final – “CPI dos Bingos” (Sumário Executivo) [http://www.senado.leg.br/comissoes/CPI/Bingos/ResumoCPIBingos.pdf ] se extrai o seguinte: RELATÓRIO FINAL – “CPI DOS BINGOS” (SUMÁRIO EXECUTIVO) (...fl. 20) Rogério Buratti também afirmou que a contribuição de $ 1 milhão foi efetuada por dois empresários de jogos angolanos, Artur José Valente de Oliveira Caio e José Paulo Teixeira Cruz Figueiredo, o Vadinho. Roberto Carlos Kurzweil teria feito a aproximação desses angolanos com Palocci.. (...fl. 21) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 13 12 A análise de sigilo telefônico de Artur Caio e de Ademirson Ariovaldo Silva mostra uma clara triangulação entre Caio, Kurzweil e Ademirson, similar ao que se verificou no caso Gtech entre Rogério Buratti, Ralf Barquete e Ademirson. (...das fls, 87 em diante) RELATÓRIO FINAL DA CPI DOS BINGOS RESUMO 14. QUALIFICAÇÃO DE CONDUTAS O extenso trabalho de investigação exposto neste Relatório forneceu a esta CPI elementos suficientes para concluir pela existência de indícios que permitem qualificar as condutas de pessoas físicas e jurídicas citadas, nos seguintes termos: (...) ARTUR JOSÉ VALENTE DE OLIVEIRA CAIO – incurso no art. 1º, § 1º, inciso II, combinado com o art. 1º, caput, inciso V, da Lei nº 9.613/98 (lavagem de dinheiro); e nos arts. 1º, inciso II, e 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90 (crime contra a ordem tributária); (...) 15. ENCAMINHAMENTOS Esta CPI decide pelos seguintes encaminhamentos: (...) b.3) em cooperação com a Interpol, os negócios dos empresários Artur José Valente de Oliveira Caio, José Paulo Teixeira Cruz Figueiredo e Rui Manuel Mendes Francisco e suas possíveis ligações com as organizações internacionais sob investigação (item 6.3. deste Relatório); (...) g) encaminhar o presente Relatório e seus anexos à Secretaria de Receita Federal e à Secretaria da Receita Previdenciária, para que proceda à abertura de procedimentos e ações fiscais a fim de investigar e punir, administrativa e criminalmente, as pessoas físicas e jurídicas supracitadas, especialmente Artur José Valente de Oliveira Caio, José Paulo Teixeira Cruz Figueiredo, Rui Manuel Mendes Francisco, Roberto Carlos da Silva Kurzweil, Red Star Ltda. e Paulo Tarciso Okamotto, bem como seus sócios e principais fontes e destinatários de recursos (item 6.3. deste Relatório); De tudo que consta no Relatório da CPI, o recorrente, Artur José Valente de Oliveira Caio foi identificado nesse relatório como responsável pelas remessas no valor de R$ 3.788.741,04 sob o nome [Artur Jose V O Caio] e, assim, qualificado nas condutas de lavagem de dinheiro e crime contra a ordem tributária. Cumpre ressaltar todo o trabalho feito nas investigações acerca da sujeição passiva do interessado, minuciosamente, detalhada no acórdão recorrido cujos excertos principais transcrevo: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 14 13 (...fl. 194) Em relação às contas ORANGE INTERNATIONAL LTD 30101433 e BISCAY TRADING LTD 030102375, mantidas no MTBCBC HUDSON BANK, foram elaborados os Laudos de Exame EconômicoFinanceiro n° 144/2006LNC (fls. 65 a 73) e n° 2504/2005INC (fls. 53 a 64), nos quais se verifica que a íntegra das informações existentes nas ordens de pagamento encontradas no material disponibilizado pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, constaram dos anexos dos Laudos em meio magnético. Os dados de tais anexos foram gravados em um meio digital de armazenamento denominado CDR (Compact Disc Recordable), tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores, e, para garantir a integridade das informações armazenadas no CDR, foi efetuada autenticação eletrônica dos arquivos utilizandose um programa que implementa o algoritmo de domínio público MD5. que funciona como uma função matemática que trabalha sobre o conteúdo de um arquivo e produz um resultado específico (a integridade do conteúdo é garantida em razão da ínfima probabilidade de que dois ou mais arquivos produzam o mesmo resultado). Ao contrário do alegado pelo impugnante, a fiscalização trouxe aos autos a prova da ocorrência do fato gerador, que lhe cabia. O documento de fls. 19 a 21, comprova que o impugnante constou como beneficiário de 03 ordens de pagamento no valor total de US$ 2.300.000.00, e como já relatado, originouse a partir dos dados e arquivos eletrônicos disponibilizados pela Justiça Federal, e dos Laudos Periciais elaborados pelo INC. constatado nos documentos acostados aos autos o rigor na elaboração dos laudos supracitados, a lisura dos peritos criminais do Departamento de Polícia Federal envolvidos e a confiabilidade dos dados (pela total impossibilidade de eles sofrerem qualquer tipo de alteração), não havendo necessidade de qualquer outra prova adicional, como provar a relação entre os responsáveis pelas contas no exterior e o impugnante. As alegações do impugnante de que desconhece as movimentações no exterior e que qualquer um poderia utilizarse dos seus dados, não se sustentam. Como já dito. o referido documento (Us. 19/21). que é prova, tem força probante suficiente para sustentar a ocorrência das transferências de recursos e do beneficiário de tais transferências, sendo que é esse fato que dá sustentação à imputação de que houve omissão de rendimentos. Assim, caberia ao impugnante exercitar seu direito de defesa para demonstrar que tal fato não ocorreu. Poderia, para esse fim. por exemplo, conseguir declaração do MTBCBCHUDSON BANK de Nova York de que nunca foi beneficiário de ordens de pagamento provenientes daquele banco e/ou de que o beneficiário das transferências em tela seria outra pessoa. Outrossim, não se verifica nos autos qualquer indicação de que o contribuinte tenha tomado qualquer medida, seja perante a Polícia ou perante o Poder Judiciário, para verificação da utilização indevida de seu nome nestas operações. Assim, conquanto o contribuinte alegue que não existem provas de que seja ele o beneficiário das remessas, essa não é a verdade dos autos, como se viu, pelo que as provas acostadas são suficientes para comprovar transferências a ele atribuídas e a omissão de rendimentos. Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou apontou indício demonstrando a impossibilidade da acusação. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 15 14 pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Em se tratando de uma questão de prova, incumbe o seu ônus a quem alega ou aproveita. É princípio consagrado em direito “quem alega tem que provar”. Allegatio et non probatio quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). Por todo o exposto resta claro nesse processo, que essas informações são suficiente para que seja subsumida ao recorrente as respectivas transações bancárias a ele imputadas as remessas que deram origem ao lançamento. MULTA DE OFÍCIO. Salientamos que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim enganase a impugnante ao reclamar da multa aplicada, pois ela é conseqüência pelo não recolhimento da contribuição, apurada em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. Com fundamento legislação regente indicada e aplicável ao fato julgado, não há possibilidade legal para se considerar a exclusão ou redução da multa no lançamento impugnado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic é matéria que não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCINALIDADES Acerca das alegações de inconstitucionalidade, v.g., alegações que a cobrança em pauta é confiscatória, cumpre esclarecer que também é matéria que não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 2 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000003/200756 Acórdão n.º 2102002.670 S2C1T2 Fl. 16 15 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O Recorrente, além da questões de sujeição passiva, multa e Taxa Selic mais nada contestou. Ante o exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10680.901880/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 88 0/ 20 12 -2 7 Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.166 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SAMARCO MINERAÇÃO S/A contra Acórdão nº 0246.032, de 8 de julho de 2013, proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de sorte a: · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de energia elétrica, recompondo o crédito, nos valores constantes na planilha nº 15 da fiscalização (fl. 879); e · Cancelar em parte as glosas efetuadas em relação aos bens do ativo imobilizado, recompondo o crédito, nos valores constantes na coluna “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do DOC. 01 do aditamento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte; · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: proceder à Recomposição dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação, conforme planilhas nºs 26 e 27 da fiscalização, homologando a(s) Dcomp apresentada(s), até o limite dos créditos apurados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de Cofins nãocumulativa – Exportação, relativo ao 3º trimestre de 2010, no valor de R$ 30.934.836,09, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito, além de Dcomp relativa ao mês de julho, no valor de R$ 15.585.574,21. Os documentos tiveram processamento eletrônico, com intervenção manual do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para verificação quanto à procedência dos créditos. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 40.396.183,94, em face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. Os dispositivos legais infringidos constam no Relatório Fiscal relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 06101002011.014270 (fls. 963/983). Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.167 3 Em conseqüência, houve homologação parcial de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394485, emitido em 04.05.2012 (fl. 432), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à fl. 985. Em 13.06.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 02/53 (anexos às fls. 55/431), contendo os elementos que se seguem. TEMPESTIVIDADE Informa sobre as datas de ciência do Despacho Decisório e da apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. 2. OS PONTOS DISCORDANTES QUANTO AOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS. BREVE RELATO DOS FATOS. Nesse item, foram levantados os pontos de discordância em relação ao Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados: a) Que a fiscalização demonstra contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; b) Que a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter sido contabilizados como bens do ativo imobilizado; d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo o fisco, estaria impedido pelo § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Que a fiscalização entende que a empresa não poderia se creditar dos dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, mas apenas com a compra de energia, o que a contribuinte considera um absurdo, já que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia; f) Que, apesar de a contribuição para o PIS e a Cofins terem como base a totalidade das receitas, a fiscalização não reconhece a contrapartida (despesas e custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.168 4 da empresa geram direitos a créditos, (...)”, glosando itens diversos. Sobre esses itens, discorre, de forma individual, a saber: f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não cumulatividade. f.2) Demais Serviços – que os créditos foram glosados por referiremse a gastos com serviços utilizados indiretamente na produção do minério, não se enquadrando no conceito de insumo e que a fiscalização elenca alguns desses serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue: f.2.1) Aluguel de Veículos – que, segundo a fiscalização, não se encontra listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, a contribuinte alega que os créditos se referem a equipamentos e máquinas empregados em seu processo produtivo. f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários – que a fiscalização desconsiderou a atividade de administração do porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as dragas são utilizadas na mineração. f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a reclamante, faltaram motivo e motivação para a glosa, cuja fundamentação foi apenas no sentido de não se constituírem insumos. Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está inserido diretamente no processo produtivo. f.2.4) Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas – que, segundo a fiscalização, são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A contribuinte, por outro lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços. f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias – que as glosas também foram motivadas com base no conceito de insumo – do qual a reclamante discorda – e devido ao entendimento de que não se tratam de bens e serviços em contato direto com o produto final f.3) Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por não se amoldarem ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.169 5 tais obras se referem a manutenção das barragens, e, portanto, essenciais e intrínsecas ao seu processo produtivo. Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de defesa. 3. RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO. No que diz respeito às glosas efetuadas sobre produtos adquiridos com alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido. 4. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO. Seguindo em sua explanação, a contribuinte afirma que o lançamento está eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos, sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. 5. NOTAS INTRODUTÓRIAS. A ATIVIDADE DA REQUERENTE E SEU OBJETO SOCIAL. A PECULIARIDADE DA SUA PLANTA, DESDE A SUA CONCEPÇÃO. No item 5 de sua manifestação de inconformidade, a reclamante faz uma detalhada descrição do objeto social da empresa, do seu processo produtivo e da sua planta integrada. Sobre o seu objeto social, destacase que envolve a pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Sobre seu processo produtivo, explica que é integrado, da mina ao porto, sendo essa a concepção desde sua origem. Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), passando pelos processos de separação do rejeito, moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade de Ubu, em Anchieta (ES), por meio de minerodutos, terminando na etapa de Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.170 6 pelotização, citando inclusive os diversos produtos utilizados como agentes nesse processo, explicando sua ação. E sobre sua planta integrada, discorre sobre a sua concepção, ressaltando que não se trata de apenas uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da total integração do seu processo produtivo. Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela empresa, ressaltando a sua importância. 6. MÉRITO. NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS E OS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Nesse item, a manifestante inicia com uma longa explanação sobre a legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre o assunto, incluindose a relação com as legislações do IRPJ e do IPI. A seguir, adentra na questão da interpretação do conceito de insumos, defendendo, a partir dos dispositivos constitucionais e legais, que todo bem ou serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido como gerador de crédito de PIS e Cofins. Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a definição do setor econômico ao qual se destinaria a nãocumulatividade; que não se pode utilizar, para a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o conceito de insumo que serve para o IPI, dadas as diferenças entre tais tributos, inclusive no que diz respeito aos serviços, não incluídos neste (nesse sentido, cita decisões judiciais que consideram a essencialidade como a condição a ser observada na determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido). Cita alguns exemplos do que classifica como “equívocos cometidos pela fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na Mina, solicitando que esta DRJ considere insubsistentes a glosas efetuadas ou, caso assim não entenda, que considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que seja feita prova pericial, a fim de demonstrar que todos os créditos glosados se referem a produtos e serviços essenciais à atividade da empresa e, portanto, legítimos. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.171 7 A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO: Em relação às glosas efetuadas por terem sido considerados créditos relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega falta de motivação do lançamento, pela fiscalização. Acusa, ainda, a falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu entendimento, se a fiscalização, ao recompor a conta gráfica da empresa, não considerou as parcelas já devidas com base na depreciação, o crédito tributário resultante das glosas caracterizase insubsistente. Em última instância, entende que tal recomposição deva ser feita pela fiscalização, caso não se considere o crédito integralmente. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos denominados TUSD). No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria sentido em a aquisição de energia das concessionárias gerar mais créditos que a autoprodução, uma vez que o Governo Federal incentiva os investimentos com produção de energia elétrica. Acrescenta que a energia elétrica é essencial ao processo produtivo da empresa e ressalta que a nãocumulatividade não é benefício fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido antes. Quanto aos gastos empregados nos encargos de distribuição, segundo o entendimento da reclamante, estão contidos nos custos incorridos com energia elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o fato de os custos relativos à distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra, como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é irrelevante para a sua classificação como créditos de PIS e Cofins passíveis de aproveitamento. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.172 8 Sobre as glosas dos créditos relativos a serviços, a reclamante contesta, de forma geral, a sua falta de enquadramento, pela fiscalização, do conceito de insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço. Serviços prestados no mineroduto: Em relação aos serviços prestados no mineroduto, insiste no conceito de planta única de produção, na qual o mineroduto seria apenas uma das etapas, a saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu entendimento sobre a possibilidade de creditamento desses serviços, com o questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF, que também transcreve. Aluguel de veículos: Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o contrato também prevê a locação de equipamentos, como caminhões e tratores utilizados na mineração, cujos créditos são os únicos tomados pela empresa e, portanto, dentro da previsão do inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários: O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação de dragas e reboque e aos serviços de rebocador e portuários. Acrescenta que, nesse item, a legislação sequer fala em insumos, mas simplesmente exige que tais máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a natureza do afretamento, concluindo que nada mais são, em sua essência, que contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento por viagem e por tempo) possuem um caráter híbrido, pois, nesses casos, está incutido um misto de locação e de prestação de serviço, já que os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do contratante (afretador). No sentido de firmar esse entendimento, cita decisão do STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF, versando sobre créditos de aluguéis. Por fim, alega que a própria fiscalização mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde seriam empregadas as dragas cujo crédito fora glosado, e acrescenta que tais dragas também são utilizadas na atividade de mineração, como provam as notas Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.173 9 fiscais que listam serviços realizados na unidade de Mariana/MG, de forma que requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item. Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos: Sobre os créditos relativos a serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços. Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo. Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas: Em relação aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante, juntando notas fiscais como prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os serviços de terraplanagem, e decisões sobre o entendimento do que seja considerado o processo produtivo, para efeito de beneficiamento do ICMS, argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias: No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas hidrelétricas próprias, o argumento é no sentido de que os insumos utilizados na autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que já foi longamente abordado. Obras de construção civil: E, sobre os créditos decorrentes dos serviços denominados “obras de construção civil”, afirma que tais obras se referem a manutenção das barragens essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela fiscalização, e que a simples análise dos contratos já permite se verificar que os serviços cujo crédito fora glosado são imprescindíveis ao processo produtivo da mineração. 7. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.174 10 Após todos os seus apontamentos e argumentações sobre a improcedência das glosas efetuadas, conforme acima sintetizado, a contribuinte aborda a necessidade de se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um assistente técnico para a solicitada perícia. Entre os pontos levantados, a reclamante questiona: sobre as atividades realizadas pela empresa e sobre como a empresa foi concebida, em sua origem; sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição do crédito levantado pela fiscalização; sobre o enquadramento dos encargos de energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a abrangência de determinadas rubricas que tiveram seus créditos glosados. Pede, ainda, que sejam relacionados (em planilhas) os itens glosados (bens e serviços), com informações diversas relativas ao produto, sua essencialidade para as atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de IRPJ e CSLL. 8. DO PEDIDO. Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos. Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação de inconformidade. 9. ADITAMENTO. Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls. 448/517), solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente. Inicialmente, faz um breve relato dos fatos, resumindo os pontos de discordância em relação às glosas efetuadas, já longamente abordados na manifestação de inconformidade original. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.175 11 Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual já havia reconhecido inicialmente como devida, acrescenta planilhas, demonstrando os valores em relação ao total do crédito glosado, por trimestre, e detalhando os valores recolhidos com seus acréscimos moratórios, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Quanto aos créditos relativos a aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado tais créditos e recomposto sua conta, já que procedeu a lançamento tributário. Acrescentou planilhas demonstrativas dos créditos inicialmente aproveitados em relação aos créditos devidos sobre o ativo imobilizado, com as respectivas diferenças apuradas, as quais, segundo entende, devem substituir as glosas efetuadas, além de outros documentos, no sentido de comprovar a procedência desses valores. Embora não conste na manifestação inicial, a reclamante se insurge aqui contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas Gerais – CCMG, relativa ao ICMS. Defende que esta DRJ deve julgar “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores. Conclui, pedindo, mais uma vez, que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos, além de requerer a reformulação do crédito tributário cobrado, considerandose o pagamento parcial, conforme comprovado. E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários ao julgamento. 10. DILIGÊNCIA. Em 11.03.2013, esta DRJ emitiu Resolução, convertendo o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.176 12 Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo Horizonte procedeu à abertura do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2013 004204, intimando a contribuinte, em 16.04.2013, a apresentar a documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013. Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu, em 20.05.2013, Relatório Fiscal, com as conclusões abaixo transcritas, em resposta aos questionamentos desta DRJ: 1. As máquinas e equipamentos foram adquiridos de pessoas jurídicas e foram utilizadas na produção de bens destinados à venda e/ou prestação de serviços, conforme determinam a legislação de regência; 2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade de 17/07/2012, relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que foram objetos de glosas por esta fiscalização, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Em 22.05.2013, a contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal, com o resultado da diligência, não apresentando, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À USINA. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.177 13 Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados a mineroduto, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE DRAGAS, LOCAÇÃO DE REBOQUE, SERVIÇO DE REBOCADOR, SERVIÇOS PORTUÁRIOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações, por falta de previsão legal, nem os serviços relacionados ao porto, que não sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se classificarem como insumos na produção de minério. Não se pode considerar o simples fato de uma determinada atividade constar no objeto social da empresa suficiente para que todo e qualquer serviço relacionado diretamente a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido pela empresa. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.178 14 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Os gastos com serviços empregados em edificações somente podem gerar crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas de forma nãocumulativa, em relação aos respectivos encargos com depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 4 de outubro de 2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma sucessiva: · Decretar a insubsistência do despacho decisório, porque não houve inspeção in loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no processo produtivo da Recorrente; o ato administrativo do lançamento não tem a correta motivação, o que impede o direito de defesa pela Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.179 15 recorrente e não pode a Fiscalização elencar os produtos e serviços apenas de maneira exemplificativa, pois novamente fere o direito de defesa da recorrente; · Ad argumentandum, se assim não entender, devem os autos serem baixados em diligência para que a Receita Federal do Brasil informe, detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma vez que a ausência da memória de cálculo impede que a recorrente verifique a exatidão dos números apontados como remanescentes do crédito tributário. Além disso, deverão ser descontados todos os combustíveis que participam do processo produtivo (com base na planilha elaborada pela fiscalização) a fim de que se dê efetividade à decisão da DRJ. · Ainda de forma sucessiva, a decisão recorrida merece ser anulada, retornando os autos à origem para elaboração da prova pericial ou, se assim não entender, que esta prova se realize por determinação da segunda instância administrativa. Ad argumentandum, se por absurdo o CARF não entender pela nulidade da decisão recorrida pela não realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta, por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam os autos baixados em diligência para que a fiscalização responda aos quesitos acima mencionados, concedendo vista a recorrente para que também se manifeste sobre a apuração da fiscalização; · No mérito, merece ser reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a reforma parcial da decisão recorrida e conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são consumidos no processo produtivo, sendo essencial a este; todos os serviços são utilizados diretamente no processo produtivo, assim, em homenagem a não cumulatividade e aos precedentes administrativos e judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.180 16 É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 4 de outubro de 2013, apresentando a recorrente recurso voluntário em 17 de outubro de 2013. Depreendendose da análise dos processos vêse que a lide em comento envolve a liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela recorrente decorrente de vários eventos. Quanto ao conceito de Insumos, primeiramente, descreve a recorrente as atividades vinculadas ao seu objeto social, trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu estatuto social: “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.” Descreve, assim, que a Samarco, quanto: 1. ao Objeto Social: · Detém a tecnologia e as instalações necessárias à extração de minério, seu beneficiamento, pelotização e embarque; Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.181 17 · Por meio de permanente evolução técnica, extrai minério de baixo teor de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de forma rentável e competitiva; · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro; · Para atender às exigências dos clientes em escala global, produz e comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas; · Esta flexibilidade engloba demandas específicas, conforme o tipo de tecnologia de redução adotada pelo cliente, seja altoforno ou redução direta; · A pelota de minério de ferro, dentre as matériasprimas utilizadas na fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que garante aos processos de redução direta e altoforno elevada produtividade e estabilidade; 2. Ao Processo Produtivo da Samarco: · Executa três atividades principais, quais sejam, extração do minério de ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das pelotas; Sendo: 1ª Etapa – processo de tratamento de minério bruto (objeto da lavra): o minério lavrado passa por uma instalação de peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os prémoinhos que alimentarão os moinhos primários. 2ª Etapa – processo de concentração do teor do minério de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa alimenta os espessadores. 3ª Etapa – processo de bombeamento do concentrado para a Usina: A polpa é transferida para os tanques de estocagem para, então, ser bombeada pelo mineroduto até as usinas de pelotização em Ubu. 4ª Etapa – processo de preparação do minério concentrado: A polpa recebida passa por diversas etapas de preparação Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.182 18 do minério, sendo elas: torre de recebimento, espessamento, tanques homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura). 5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das pelotas: Após receber as adições de insumos (carvão, calcário e aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia a formação das pelotas cruas. Ao serem descarregadas dos discos, as pelotas cruas passam por um processo de classificação nas mesas de rolos, sendo posteriormente reclassificadas na alimentação do forno de endurecimento. 6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam por um conjunto de peneiras que separam as pelotas. As pelotas são empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque. 3. À concepção de planta integrada: · Possui um processo de produção integrado, da mina ao porto, que garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais; · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai o minério, passando este por um processo produtivo que agrega valor ao produto, uma empresa exportadora – o que justifica o processo produtivo ser integrado – de Minas Gerais (onde está a matéria prima) ao Espírito Santo (onde se encontra o porto); · A integração das plantas de MG e do ES busca maximizar o processo produtivo, agregar valor ao minério e deixar o produto pronto para ser exportado; · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação. Descritas todas as etapas de produção e justificação da adoção da planta para observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos. O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que: Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.183 19 · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação da não cumulatividade; · Mesmo que se aceite as limitações constantes nos textos legais, o conceito de insumo não poderia ser amesquinhado com a analogia ao IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo; · A Fiscalização desconsiderou o conceito restritivo trazido pela própria RFB. Com efeito, traz que com o advento da EC 42/2003, a faceta exclusiva da não cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12 ao art. 195 da CF/88: “Art. 195(...) § 12 A Lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.” Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada dispôs sobre os contornos desta sistemática não cumulativa imposta (extensão e efeitos do creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria natureza do fato imponível destas contribuições, em muito divergente da materialidade dos demais tributos não cumulativos. Em face da amplitude da materialidade dos tributos incidentes sobre a receita, desenvolve a recorrente que o cumprimento da não cumulatividade deveria necessariamente partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que tais despesas forem efetivamente suportadas pelo contribuinte e se mostrarem necessárias à atividade produtiva do contribuinte. Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.184 20 mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica. Traz ainda: · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS; · que a não cumulatividade estabelecida para o PIS e a COFINS possui suas bases nos art. 195 e foi instituída de forma ampla, visando o afastamento da sobreposição tributária; · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar em consideração a própria natureza do fato gerador da obrigação tributária e a amplitude da base de incidência econômica de modo a possibilitar a efetiva depuração de base, afastando a incidência em cascata da tributação, premissa maior da adoção da sistemática não cumulativa em qualquer espécie tributária; o que, portanto, devese reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham constituído receita de outras pessoas jurídicas em razão do produto ou serviços adquiridos, evitandose a sobreposição tributária; · a impossibilidade de se aplicar, por analogia, as regras atinentes à não cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime de não cumulatividade imposto pela CF ao PIS e a COFINS – o que afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na sistemática dos impostos, denominase crédito físico, pois as despesas que afetam a receita tributável do contribuinte não necessariamente se relacionam ou integram o produto final no processo produtivo; · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do creditamento do PIS e da COFINS; Não obstante a posterior constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma interpretação restritiva das legislações, entendendo que o conceito de insumos deveria buscar o conceito do IPI; Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.185 21 · O que, enfatiza que, de acordo com a RFB, a CF teria conferido a lei ordinária poderes para delimitar os contornos de uma não cumulatividade que a própria CF não limitou. Dessa forma, conclui a recorrente que se torna necessário afastar qualquer espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo, sendo restritivas apenas as vedações expressamente estabelecidas por lei. Continuando, manifesta que houve equívocos cometidos pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos, em relação a glosa de produtos que participam do processo produtivo da Empresa, tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o crédito. Assim, traz que a fiscalização ignorou que nessa mesma planilha também constava expressamente a pergunta “usa no processo”. Dos produtos utilizados no processo produtivo Para a recorrente, os créditos de combustíveis já foram restabelecidos pela decisão da DRJ na fundamentação, pois seguindo o entendimento fiscal, deveriam ter sido glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi feito, pois os lubrificantes que muito embora participassem do processo produtivo não entravam em contato direto com o minério, foram glosados pela fiscalização, mas mantidos pela DRJ. O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.186 22 coerência fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em respeito a assentada decisão. Para tanto, cita alguns produtos glosados pela Fiscalização e que são diretamente utilizados no processo produtivo, tais como: · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e para gelatinizar o amido; · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar as partículas minerais de seus contaminantes (sílica). Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada Para o pedido de consideração desses combustíveis para fins de creditamento das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis ao processo produtivo, mas a fiscalização glosou créditos de gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos. Etapa primordial e nuclear de seu processo produtivo na pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ ainda que não seja aplicado diretamente no produto, mas nos fornos que são utilizados na produção do minério. Dos serviços utilizados como insumos Quanto aos créditos sobre serviços utilizados como insumos, manifesta a recorrente que a fiscalização glosou serviços essenciais e intrinsecamente ligados à atividade produtiva da empresa, tais como: · Serviços prestados no mineroduto; · Aluguel de veículos; · Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; · Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.187 23 · Consorcio UHE GuilmanAmorim, operação, Manutenção e Conservação UHE Muniz Freire; · Obras de Construção Civil. Contesta, portanto, os serviços glosados, trazendo defesa para cada serviço. O que passo a discorrer: Do Serviços prestados no mineroduto Menciona a recorrente que o processo produtivo iniciase em Germano e finaliza com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo: · a extração de minério e a remoção de material estéril realizadas utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso de sistema de correias transportadoras; · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até a unidade de UBU pelos minerodutos; · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa da pelotização; · Posteriormente, os produtos são exportados. Descreve a recorrente que a fiscalização entendeu que todos os insumos e serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento, pois os atos normativos impõem como requisito indispensável para ser considerado como insumo que o bem ou serviço seja aplicado ou consumido diretamente na produção ou fabricação de bens destinados a venda. Do aluguel de veículos equipamentos Especificamente a essa questão, ao citar o art. 3º, IV das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a Fiscalização entende que o dispositivo não citou aluguel de veículos, o que conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito. Não obstante, observa que a empresa não toma o crédito com o transporte de pessoas, mas apenas a locação de equipamentos. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.188 24 A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora a locação tenha sido de máquinas e equipamentos, e não aluguel de veículos, não restou comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo. Quanto à locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IV autorizam o creditamento dos valores de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Traz que não se mencionam processo produtivo, insumos, nada disso. O único critério é que os prédios, as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. Aduz que a decisão da DRJ afastase da literalidade da lei na medida em que insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas seriam somente de transporte. A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante o período fiscalizado. Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa.” Quanto aos contratos de afretamento de embarcações, temse que há três espécies diferentes de contrato de afretamento: Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.189 25 · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio e será responsável por providenciar tripulação, manutenção, abastecimento, etc. · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma única viagem, com destino e carga préestipulados. Todos os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador; · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo. Assim como nos afretamento por viagem, os custos permanecem nas mãos do fretador; Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas atividades do porto, atividade da empresa frente ao objeto que consta de seu objeto social, também é utilizada na mineração. Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata de locação de equipamentos para uma atividade da empresa – sendo essencial ao processo produtivo e sua atividade. Quanto aos serviços de limpeza, descreve a recorrente que a fiscalização apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento. Traz também que, apesar da nomenclatura dos serviços, não se tratam especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço, mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos. E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no sistema produtivo. Quanto ao pedido da recorrente, caso não fosse acatado tal prova, solicita a baixa dos autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o teor de cada uma destas atividades. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.190 26 Quanto aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam de etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo e, por isso, a lei não assegura o creditamento. Porém, a DRJ reconhece a imprescindibilidade dos serviços: “nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, (...) são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade.” A recorrente manifesta também, porém, que as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estaria comprometido. Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental. Quanto aos serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das despesas com energia elétrica especialmente os insumos e serviços utilizados nas Usinas próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia. A DRJ quanto a transmissão de energia e sua distribuição entendeu pela procedência da manifestação de inconformidade, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa”. Concluiu a DRJ que “independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pela contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.191 27 Quanto aos insumos utilizados nas Usinas da empresa, entendeu a fiscalização que os serviços empregados na Usina dizem respeito à operação, manutenção, limpeza e conservação. Quanto às obras de construção civil, a recorrente menciona que, diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade de produção de minério, não podendo os serviços nela empregados serem considerados insumos. Quanto aos serviços glosados, tais como desassoreamento, manutenção mecânica, paradas de pátio, a recorrente traz que somente consta da manifestação de inconformidade que os serviços não estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo da empresa. Sendo assim, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; o esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901880/201227 Resolução nº 3202000.241 S3C2T2 Fl. 1.192 28 · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 10920.911132/2012-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 32 /2 01 2- 82 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911132/201282 Acórdão n.º 3801003.329 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911132/201282 Acórdão n.º 3801003.329 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911132/201282 Acórdão n.º 3801003.329 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911132/201282 Acórdão n.º 3801003.329 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911132/201282 Acórdão n.º 3801003.329 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911132/201282 Acórdão n.º 3801003.329 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911132/201282 Acórdão n.º 3801003.329 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911132/201282 Acórdão n.º 3801003.329 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.010779/2008-24
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 01/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL POSSIBILIDADE. EMBARGOS ACOLHIDOS, EFEITOS MERAMENTE INTEGRATIVOS.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator, com o fim de corrigir a inexatidão material, pois o número correto do processo é 10120.010779/2008-24, e assim deve ser considerado no Acórdão 2803-002.841, atribuindo a estes embargos efeito meramente integrativo.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Embargante FAZENDA NACIONAL. Interessado OLIVEIRA MELO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 01/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL POSSIBILIDADE. EMBARGOS ACOLHIDOS, EFEITOS MERAMENTE INTEGRATIVOS. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator, com o fim de corrigir a inexatidão material, pois o número correto do processo é 10120.010779/200824, e assim deve ser considerado no Acórdão 2803002.841, atribuindo a estes embargos efeito meramente integrativo. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 07 79 /2 00 8- 24 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.010779/200824 Acórdão n.º 2803003.341 S2TE03 Fl. 550 2 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.180.9460, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores que prestaram serviços na execução da obra de construção civil identificada nos autos, relativamente a rubrica segurados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 33 a 48, com período de apuração de 01/2003 a 10/2007. O Auto de Infração é composto pelo levantamento denominado DRO – AFERIÇÃO OBRA CONF ARO e FP – CONTR SEGURADO NAO DECLARADO, conforme Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 11. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 18/08/2008, Folha de Rosto do Auto de Infração, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 51 a 77, recebida, em 16/09/2008, acompanhada dos documentos, de fls. 78 a 199; 202 a 399; 402 a 483. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 485 e 486. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0330.580 5ª, Turma DRJ/BSB, em 20/04/2009, fls. 487 a 495. No qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 22/12/2009, AR, de fls. 497. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 499, recebido, em 19/01/2010, conforme carimbo de recepção, com razões recursais, as fls. 500 a 520, acompanhada do documento, de fls. 521. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 523. Os autos subiram ao CARF, fls. 523. Na sessão de novembro/2013 o recurso foi julgado, tendo sido negado, Acórdão 2803002.841 Ocorre que à DRF origem verificou a ocorrência de Inexatidão Material no acórdão e apresentou o despacho, datado de 11/03/2014, onde informa a ocorrência e que foi recebido como Embargos de Declaração. Admiti os embargos pelo despacho nº 2803103, datado de 11/04/2014, fls. 547 e 548. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.010779/200824 Acórdão n.º 2803003.341 S2TE03 Fl. 551 3 É o Relatório. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.010779/200824 Acórdão n.º 2803003.341 S2TE03 Fl. 552 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os Embargos de Declaração foram recebidos e admitidos, assim merecem ser apreciados. A inexatidão material apontada nos embargos existem e este serve como meio de corrigila. Desta forma, no trecho abaixo transcrito, isto é, no cabeçalho do Acórdão do Recurso Voluntário, onde está escrito Processo nº 10120.010777/200835 devese ler processo 10120.010779/200824, pois esta é a sua designação correta. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.010777/200835 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.841 3ª Turma Especial Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria CP: CONSTRUÇÃO CIVIL: ARBITRAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES. Recorrente OLIVEIRA MELO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. Assim sendo, corrigida fica a inexatidão material apontada. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por acolher os Embargos de Declaração com o fim de corrigir a inexatidão material, pois o número correto do processo é 10120.010779/200824, e assim deve ser considerado no Acórdão 2803002.841, atribuindo a estes embargos efeito meramente integrativo. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.010779/200824 Acórdão n.º 2803003.341 S2TE03 Fl. 553 5 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.902881/2010-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.141
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 02 88 1/ 20 10 -1 2 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.902881/201012 Resolução nº 1103000.141 S1C1T3 Fl. 412 2 Relatório Tratase de três declarações de compensação, transmitidas pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, que receberam a seguinte identificação: nº 09044.23324.240708.1.7.039070; nº 27970.17294.240708.1.7.039065; nº 39258.27109.181108.1.3.037235. Todas utilizamse de pretenso crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 2007, que teria sido composto por valores de imposto de renda retido na fonte e pagamentos de estimativas mensais. No Despacho Decisório emitido em 09/03/2010 (fl. 09), não foram homologadas as compensações declaradas, sob a alegação de que: 1) o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP e na DIPJ foi de R$42.013.263,28; 2) a CSLL devida foi de R$210.715.688,80; 3) o valor das parcelas que compuseram o crédito na DIPJ foi de R$252.728.952,06; 4) contudo, o valor das parcelas que compuseram o crédito e informados no PER/DCOMP foi de R$42.474.389,21, resultado da soma de valores confirmados pela Receita Federal de retenção na fonte de R$461.125,93, e pagamentos de estimativas mensais de R$42.013.263,28; 5) diante da divergência entre o valor das parcelas que compuseram o crédito informado na DIPJ (R$252.728.952,06) e informado e confirmado pela Receita Federal no PER/DCOMP (R$42.474.389,21), o despacho decisório tomou como base o valor declarado na declaração de compensação; 6) assim, considerando que a CSLL devida foi de R$210.715.688,80, e o total de IRPJ retido na fonte ou antecipado por meio de pagamento teria sido de R$42.474.389,21, concluiu o despacho eletrônico que não foi apurado saldo negativo; 7) nesse sentido, não foram homologadas as compensações. Cientificada da decisão proferida, em 12/03/2010, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 15/25. Por sua vez, decidiu a 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgar a manifestação de inconformidade procedente em parte, na sessão realizada em 16 de agosto de 2010, nos termos da seguinte ementa: Fl. 412DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.902881/201012 Resolução nº 1103000.141 S1C1T3 Fl. 413 3 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Somente é reconhecido o direito credit6rio pleiteado com a Fazenda Nacional, quando atendidos aos requisitos de liquidez e certeza. Entendeu a turma julgadora da DRJ que a comprovação parcial deuse no valor de R$33.130.864,96, inferior ao montante de saldo negativo pleiteado pela contribuinte (R$42.013.263,28). Cientificada em 23/11/2010 (“AR” fl. 188), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 20/12/2010 de fls. 190/204, no qual discorre sobre pontos descritos a seguir. afirma que, ao compor o saldo negativo ao final do anocalendário para o PER/DCOMP em análise, informou equivocadamente retenções na fonte sofridas no valor de R$461.125,93, o que resultou em um total de crédito pleiteado de saldo negativo de R$42.474.389,21; ocorre que tal valor diverge do saldo negativo informado na DIPJ, de R$42.013.263,28, e que por esse motivo a Receita Federal não homologou a compensação; a diferença entre o saldo negativo pleiteado de R$42.474.389,21 e o valor retido na fonte (R$461.125,93) informado equivocadamente é precisamente R$42.013.263,28, o valor informado na DIPJ; a decisão da DRJ efetuou recomposição errônea do saldo negativo, reconhecendo o direito creditório de R$33.130.864,96; a DRJ incorreu em dois equívocos, (1) ignorou as retenções efetuadas por pessoas jurídicas de Direito Privado (linha 57 da ficha 17 da DIPJ, no valor de R$461.124,93) e (ii) considerou que o crédito utilizado nas outras compensações compunha o saldo negativo do período (item 4 da tela acima, no valor de R$ 8.421.273,37); a CSLL apurado no anocalendário de 2007 foi de R$210.715.688,76, e as estimativas pagas no período foram de R$252.267.827,13 e as retenções na fonte por pessoas jurídicas de Direito Privado de R$461.124,93; a existência de mero erro no preenchimento da declaração fiscal não tem o poder de criar débito tributário inexistente ou elidir o reconhecimento de crédito tributário; o acórdão recorrido consignou que o montante de R$8.421.273,37 já teria sido utilizado em outras compensações, razão pela qual tal valor deveria ser suprimido do saldo a restituir da recorrente; diferentemente do que foi afirmado pela DRJ, os PER/DCOMPs citados no parágrafo 18 do acórdão recorrido não poderiam fazer uso do saldo negativo apurado na DIPJ/2008, vez que créditos decorrentes de pagamento a maior não compõem o saldo negativo do período e os PER/DCOMP foram transmitidos no decorrer do ano de 2007, quando ainda não havia sido apurado o saldo negativo do período; diante do exposto, pede a recorrente que seja dado provimento ao recurso voluntário. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.902881/201012 Resolução nº 1103000.141 S1C1T3 Fl. 414 4 É o relatório. Voto O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. O caso em tela trata de pretenso crédito de saldo negativo apurado pela recorrente no anocalendário de 2010, que foi utilizado para extinguir débitos confessados em três declarações de compensação. As compensações não foram homologadas pelo despacho decisório eletrônico, que, ao analisar as informações prestadas pela contribuinte, concluiu que, para o ano calendário de 2007, não havia saldo negativo a ser aproveitado. A DRJ Rio de Janeiro I, por sua vez, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado pela recorrente (R$42.013.263,28), no valor de R$33.130.864,96. São os fatos. A princípio, cumpre discorrer sobre situação que tem se tornado corriqueira na análise dos processos de reconhecimento de direito creditório, especificamente quando se trata de saldo negativo. O caso em tela trata de CSLL apurada anualmente, no qual foram recolhidas estimativas mensais, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução. Consumase o saldo negativo quando se verifica que a soma dos valores pagos a titulo de estimativa com os retidos na fonte é superior ao tributo apurado ao fim de ano. Vale recorrer a um exemplo, com valores, para ilustrar melhor o contexto. Constatase que foi pago 100 a título de estimativa, foi retido na fonte 50, e a apuração no fim do ano resultou em 110, o que resulta em um saldo negativo de 40. Ocorre que vários contribuintes, no preenchimento das declarações de compensação, para pleitear a utilização do saldo negativo de 40, não informam no PER/DCOMP a totalidade os valores recolhidos a título de estimativa e retidos na fonte. Entendem que apenas seria necessário informar o excedente, que corresponde ao exato valor do crédito pleiteado. Portanto, tais declarantes, ao preencherem o PER/DCOMP, informam apenas a ocorrência de pagamentos a título de estimativa no valor de 40, montante exato do saldo negativo. Por sua vez, a Receita Federal, ao fazer o batimento dos valores informados no PER/DCOMP e na DIPJ, constata que o tributo apurado anualmente foi de 110, e, de acordo com o informado na declaração de compensação, teriam ocorrido apenas pagamentos de estimativa de 40. Indeferese, portanto, o saldo negativo. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.902881/201012 Resolução nº 1103000.141 S1C1T3 Fl. 415 5 Percebese, com base nos valores apresentados na situação hipotética, erro no preenchimento da PER/DCOMP, que deveria ter informado todos os valores pagos a título de estimativa (100) e todos os valores retidos na fonte (50), de maneira que possa refletir, com precisão, a soma dos valores pagos por estimativa e retidos na fonte (150), que, uma vez cotejados com o saldo anual informado na DIPJ (110), resulte no saldo negativo de 40. O exemplo trata, precisamente, do caso concreto apreciado nos presentes autos. A recorrente informou o seguinte: 1) em DIPJ, na apuração anual de CSLL, declarou o valor de R$210.715.688,80; 2) a soma de recolhimentos de estimativa mensal e retenções na fonte foi de R$252.728.952,06; 3) apurou, portanto, saldo negativo de R$42.013.263,28; 4) contudo, ao preencher as declarações de compensação, em vez que informar todos os pagamentos a título de estimativa e retenções na fonte (o que totalizaria o valor de R$252.728.952,06), informou, apenas, valores recolhidos a título de estimativa e retenções na fonte (R$42.474.389,21), que, de acordo com a sua interpretação, seriam suficientes para adimplir o crédito pleiteado, qual seja, o saldo negativo de R$42.013.263,28. Portanto, cabe esclarecer que a recorrente equivocase, ao dispor que o despacho decisório não teria homologado as compensações porque ela teria incluído erroneamente o valor retido na fonte de R$461.125,93, que subtraído dos valores de estimativa pagos informados (R$42.474.389,21), resultaria no valor de R$42.013.263,28, que é o montante do saldo negativo pleiteado. Não foi isso. Caso a recorrente não tivesse informado o valor retido na fonte de R$461.125,93, a decisão no despacho decisório continuaria no sentido de não homologar as compensações, vez que, o valor de pagamentos de estimativa de R$42.013.263,28 não seria suficiente para comprovar saldo negativo, diante da CSLL anual apurada de R$210.715.688,80. Portanto, o despacho decisório não homologou as compensações porque, no preenchimento dos PER/DCOMP, não foram informadas a totalidade dos pagamentos de estimativas mensais e de retenções na fonte no período. Isso é fato. Para seguir adiante, registro que uma revisão no quantum do crédito, como no caso em análise, sem alteração no aspecto temporal, e no qual resta evidenciada a confusão da contribuinte, somente é admissível na presente fase processual caso esteja lastreada por documentação apta a comprovar o alegado, em homenagem ao princípio da verdade material. No acórdão da DRJ, após pesquisa em sistemas internos da Receita Federal, constatase que foram confirmados uma série de pagamentos a título de estimativa mensal de CSLL. Na DIPJ, observase a apuração anual de CSLL no valor de R$210.715.688,80 na Ficha 17, e na Ficha 16, o demonstrativo das estimativas mensais, no qual se observa a dedução de Fl. 415DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.902881/201012 Resolução nº 1103000.141 S1C1T3 Fl. 416 6 uma série de retenções na fonte ocorridas a cada mês. Assim, com base nessas informações, convém apresentar o quadro a seguir. Apuração da CSLL Balanço ou Balancete de Suspensão Extinção/Dedução da CSLL Apurada CSLL Estimativa CSLL Devida de Meses Anteriores CSLL Estimativa a Pagar Pagamento DARF Retenção Na Fonte Soma = DARF + Retenções na Fonte Mês A B C = A B D E F = D + E jan 25.269.668,97 0,00 25.269.668,97 32.176.844,51 471.873,12 32.648.717,63 fev 44.707.444,44 25.269.668,97 19.437.775,47 18.711.863,13 883.309,61 19.595.172,74 mar 66.265.341,89 44.707.444,44 21.557.897,45 22.257.599,28 333.572,29 22.591.171,57 abr 85.567.650,55 66.265.341,89 19.302.308,66 18.845.968,35 456.340,31 19.302.308,66 mai 108.941.035,25 85.567.650,55 23.373.384,70 22.978.498,25 394.886,45 23.373.384,70 jun 131.679.832,78 108.941.035,25 22.738.797,53 20.457.816,54 432.943,43 20.890.759,97 jul 151.545.089,61 131.679.832,78 19.865.256,83 18.633.642,94 406.056,14 19.039.699,08 ago 173.972.791,63 151.545.089,61 22.427.702,02 21.956.349,67 471.352,35 22.427.702,02 set 207.187.633,44 173.972.791,63 33.214.841,81 32.824.434,26 390.407,55 33.214.841,81 out 232.002.580,28 207.187.633,44 24.814.946,84 24.449.237,65 365.709,19 24.814.946,84 nov 252.267.827,13 232.002.580,28 20.265.246,85 19.885.811,55 379.435,30 20.265.246,85 dez 210.715.688,76 252.267.827,13 41.552.138,37 TOTAL 253.178.066,13 4.985.885,74 258.163.951,87 Há que se registrar, ainda, a retenção na fonte de R$461.125,93, que já foi confirmada no PER/DCOMP, e que deve ser levada em consideração ao se efetuar a apuração anual. Também que, no caso de estimativas mensais, só há que se considerar os valores efetivamente pagos. Esclareço isso porque a recorrente acostou aos autos cópias de DCTF. Ocorre que, em se tratando de estimativas mensais, valores declarados em DCTF não podem ser inscritos em Dívida Ativa, que pressupõe a existência de crédito tributário regularmente constituído e cingido dos atributos da certeza e liquidez, conforme pronunciamento da Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011. Voltando ao quadro, há que se analisar, para a composição do saldo negativo de CSLL: 1) o valor de estimativas pagas no montante de R$253.178.066,13; 2) as retenções na fonte informadas pela recorrente, na Ficha 16 da DIPJ, no total de R$4.985.885,74. Quanto à retenção na fonte, há que se apreciar dois requisitos para que possa ser efetivamente comprovada: (1º) que o contribuinte faça prova de que efetivamente ocorreram as retenções de CSLL e (2º) que os correspondentes rendimentos tenham sido Fl. 416DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.902881/201012 Resolução nº 1103000.141 S1C1T3 Fl. 417 7 oferecidos à tributação. Contudo, não localizei nos autos nenhum documento que possa comprovar a efetiva retenção dos valores de CSLL, e tampouco demonstrativo, acompanhado de livro contábil ou fiscal, apto a comprovar que os rendimentos submetidos à retenção na fonte foram efetivamente oferecidos á tributação, ou seja, de que integraram a base de cálculo da CSLL na apuração anual do anocalendário de 2007. Por sua vez, no que concerne aos pagamentos no montante de R$253.178.066,13, a DRJ, em pesquisa nos sistemas internos da Receita Federal, informou que parcela correspondente ao valor de R$8.421.273,37 estaria sendo utilizada em outras compensações tributárias. Assim, sob pena de ser usado em duplicidade, tal importância deveria ser excluída do crédito a ser apreciado nos presentes autos. Apesar de a recorrente afirmar que seria impossível a utilização de tal valor, porque as declarações de compensação foram enviadas no decorrer do ano de 2007, antes de se consumar a apuração do saldo negativo do anocalendário de 2007 em debate, não lhe assiste razão. Isso porque as declarações de compensação do qual se refere à DRJ podem se tratar de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, que já podem ser utilizados imediatamente no mês subseqüente. Há fortes evidências de que isso ocorreu. Basta observar que, de acordo com a DIPJ/2008, em janeiro foi apurada estimativa mensal a pagar de R$25.269.668,97, e foi recolhido DARF no valor de R$32.176.844,51. Também em março ocorreu um pagamento a maior. De qualquer forma, entendo que a situação apresentada merece uma análise mais detalhada. Como se pôde observar, os elementos trazidos aos autos não se mostram conclusivos, mas carregam evidências de que o crédito pleiteado pela recorrente (ainda que não seja na integralidade do quantum) revestese dos atributos de liquidez e certeza. Tratase de situação em se que mostra plenamente justificável uma diligência, prevista no art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo administrativo fiscal (PAF). Pelo exposto, voto no sentido de encaminhar os autos para a unidade preparadora, para tomar as seguintes providências referentes à apuração da CSLL do ano calendário de 2007, mediante pesquisa nos sistemas internos da Receita Federal e intimações que se fizerem pertinentes à contribuinte: 1) confirmar a ocorrência das retenções na fonte no valor de R$4.985.885,74 e se as correspondentes receitas que deram origem à retenção foram efetivamente submetidas à tributação; 2) diante da informação da DRJ de que parte dos pagamentos de estimativas estaria sendo utilizado como crédito em outras compensações tributárias, elaborar demonstrativo relacionando, para cada declaração de compensação que se utilizou de tais pagamentos de estimativa como direito creditório, (a) o número da declaração, (b) a natureza do crédito e (c) o valor do crédito utilizado. Os resultados deverão ser apresentados em relatório fiscal, acompanhados das telas de consulta dos sistemas internos da Receita Federal. A contribuinte deve ser cientificada do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, apresentar recurso Fl. 417DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.902881/201012 Resolução nº 1103000.141 S1C1T3 Fl. 418 8 voluntário, dispondo estritamente sobre o conteúdo diligenciado, no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 418DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 13971.903959/2011-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 345 1 344 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.903959/201124 Recurso nº 13.971.903959201124 Voluntário Acórdão nº 3403003.077 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria PIS/PASEP PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 39 59 /2 01 1- 24 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. transmitiu, em 25/08/2009, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 06437.27293.250809.1.1.080968, de créditos da apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep exportação no valor de R$ 17.078,21, referente ao segundo trimestre de 2009. O Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 2 a 41 apurou glosa no valor total de R$ 10.029,71 em razão das seguintes irregularidades: Glosa 021– Bens utilizados como insumos – relacionada aos combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo nos caminhões que transportam madeira do reflorestamento e outros veículos que transportam toros, lubrificantes para máquinas e caixas hidráulicas, gás utilizado nas empilhadeiras. Foram definidos os percentuais quanto à utilização na fábrica e nas florestas/reflorestamento? Glosa 022– Bens utilizados como Insumos – Combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos que transportam madeira dos reflorestamentos para a fabrica? Glosa 023– Bens utilizados como insumos – relacionada a valores de créditos de exaustão, com origem na aquisição de Ativo Imobilizado, em razão de não haver previsão legal para apuração de créditos sobre os encargos de exaustão suportados pelas pessoas jurídicas. Outro motivo para a glosa se deve ao fato de que as aquisições são de Ativo Imobilizado, pelas quais não caberiam os créditos, conforme o artigo 3º., parágrafos 2º., incisos II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, visto que as receitas de venda de bens do ativo imobilizado não estão sujeitas ao pagamento da contribuição, conforme o art. 1º., §3º., VI da Lei nº. 10.637/2002 e art. 1º.,§3º., II, da Lei nº. 10.833/2003? Glosa 031– Serviços utilizados como insumos – Serviços de extração, baldeamento e carregamento de árvores nos reflorestamentos? Glosa 032– Serviços utilizados como insumos – fretes em transferência de insumos de uma unidade para outra da empresa para industrialização (CFOP 1151)? Glosa 033 – Fretes nas aquisições de pessoas físicas? Glosa 035 – Serviços Utilizados como Insumos – Fretes relativos a aquisições de períodos anteriores sem crédito? Glosa 036 Serviços Utilizados como Insumos – Fretes sem comprovação? Glosa 101 Bens do Ativo Imobilizado (Com base no valor de aquisição ou de construção). Segundo o fisco, a contribuinte , ao informa todos os seus créditos referentes ao Fl. 346DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.903959/201124 Acórdão n.º 3403003.077 S3C4T3 Fl. 346 3 Ativo Imobilizado na linha 10 do Dacon, exerceu a opção pela recuperação acelerada previstas no parágrafo 14 do art. 3o e no inciso II do art. 15 da Lei n . 10.833, de 2003 (1/48), no art. 2o da Lei n . 11.051, de 2004 (1/24) e no art. Io da Lei n . 11.774, de 2008 (1/12), relativas a créditos sobre valores de aquisição, nesses trimestres. Dada a especificidade das hipóteses creditórias quando das apurações segundo diferentes fatores (1/48, 1/24 ou 1/12), coube verificar o direito ao crédito com base nos permissivos legais, onde o fisco concluiu que: quanto aos créditos com base no fator 1/48, são passíveis de reconhecimento apenas os relativos à máquinas e equipamentos que compões o quadro elaborado no item 94 do relatório fiscal? quanto aos créditos com base no fator 1/24, são passíveis de reconhecimento os montantes apresentados na tabela do subitem 93.1, à exceção dos bens relativos a "Instalações Gerais" e os das classificações fiscais constantes da tabela do item 94, letra “b”, em "Máquinas e Equipamentos", por estas não constarem das tabelas dos Decretos 4.955 e 5.173, ambos de 2004? 3) quanto aos créditos com base no fator 1/12, são passíveis de reconhecimento apenas os relativos a Máquinas e Equipamentos, cujos totais são transcritos no quadro do item 94, letra “c”. Ressalta o fisco que a categorização dos bens, expressas como "Descrição do gênero do bem", são as feitas pela contribuinte, não tendo havido qualquer alteração na presente análise. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório de fls. 258 e 259, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 7.048,50. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 262 a 282), o interessado contestou as glosas com a seguinte argumentação: Glosa 021 e 022 Bens utilizados como insumos combustíveis e lubrificantes: alega, em síntese, que exerce a atividade de fabricação de portas e batentes de madeira de pinus, destinando sua produção ao mercado exterior, de forma que o preparo do seu produto final engloba etapas de produção que vão desde a extração da madeira em florestas próprias ou de terceiros, recebimento da madeira na planta industrial, seleção, tratamento, beneficiamento, processamento, embalagem, estocagem até a efetiva venda? que todas essas etapas, por mais variadas que sejam, encontramse interligadas de tal modo que a existência de uma não seria possível sem a existência da anterior? que é nesse contexto que se insere o transporte dos insumos dentro das florestas e delas até a fábrica, pois sem esta movimentação dos insumos, a produção industrial não aconteceria? que, desta forma, os combustíveis e lubrificantes utilizados nestas operações devem ser qualificados como insumo. Continua, em sua defesa, trazendo o conceito de insumo como sendo toda a despesa e investimento para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final, ou seja, o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Glosa 023 Bens utilizados como insumos aquisição de ativo imobilizado compra de floresta crédito de exaustão oriundo da extração da madeira: alega que, conforme prevê o artigo 108 do CTN, a omissão de dispositivo legal expresso sobre determinada matéria enseja a aplicação da analogia, dos princípios gerais de direito tributário, dos princípios gerais de direito público e da equidade, ou seja, na ausência de dispositivo legal expresso sobre Fl. 347DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 determinado tema, deverá o julgador analisar o tema com base nos demais parâmetros integrativos do direito. Remete ao Regulamento do Imposto de Renda, art. 418, e alega que a depreciação é técnica de redução do valor do bem ao ativo imobilizado decorrente do seu uso, com o que se confundiria a exaustão, que se dá em razão da diminuição do valor de recursos florestais. Traz ementa da consulta nº. 154 de 15 de maio de 2009. Sustenta que a não cumulatividade está prevista na Constituição Federal de 1988 de forma ampla, não havendo que se falar em possibilidade de restrição aos créditos prevista na legislação infraconstitucional. Caso não seja este o entendimento, complementa a contribuinte, deve a autoridade administrativa considerar a operação realizada como compra de insumo, na medida em que houve a aquisição de floresta destinada ao processo produtivo da recorrente, conforme comprovariam os contratos e notas fiscais já apresentados. Glosa 031 Serviços, utilizados como insumos Prestação de serviços de extração, baldeamento e carregamento de árvores nas áreas de reflorestamento. alega que os serviços prestados são, na verdade, insumos utilizados no processo produtivo, uma vez que o processo produtivo se inicia já na extração da madeira em florestas próprias, sendo que a extração, o baldeamento e o carregamento das árvores contribuem para que seja alcançado o produto final. Remete ao art. 3º., inciso II, das Leis nº. Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003. Glosa 032 Serviços utilizados como insumos Frete Transferência para industrialização: alega que o direito ao crédito referente ao frete pago para o transporte de insumos é previsto no art. 3º., inciso II, da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002, pelo qual o serviço que for utilizado como insumo possibilita à pessoa jurídica o desconto do montante tributável. Alega que o frete pode ser considerado insumo, haja vista que sem ele, não consegue fabricar seus produtos e vendêlos. Colaciona a ementa da Consulta nº. 234 de 13/08/2007, onde ressalta que “o valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos do PIS. Glosa 033 Serviços utilizados como insumos – frete Aquisições de pessoas físicas: alega não há no dispositivo legal – art. 3º., inciso II das Leis nº. 10.637/2002 e 10.833/2003 qualquer ressalva quanto à necessidade dos bens terem sido serem adquiridos de pessoas jurídicas e que em nenhum momento existe menção de que a base de cálculo do crédito da contribuição para o Pis e Cofins seria determinada apenas sobre as aquisições decorrentes de operações tributadas pelas contribuições. Segundo a contribuinte, caso houvesse interesse em vedar o creditamento em tais hipóteses, o legislador teria de ter previsto expressamente esta hipótese, conforme exigência prevista no artigo 150, I, da Constituição Federal. Ressalta que existe expressa vedação para a hipótese de insumos adquiridos de pessoas físicas, porém, o que busca é a geração de crédito na situação em que o serviço foi prestado por pessoa jurídica no transporte dos insumos. Glosa 034– Serviços utilizados como insumos – Frete Aquisições de mercadorias importadas para industrialização: sustenta que o transporte contratado para o transporte de matériasprimas importadas é enquadrado no conceito de insumo e que não há na legislação a exigência de que a matériaprima transportada seja tributada. Glosa 035– Serviços utilizados como insumo – Fretes Aquisição em períodos anteriores: remete ao art. 3º. , §1º, I das Leis nº. 10637/2002 e 10.833/2003 para alegar que o § 4º. é claro ao dispor que o crédito não aproveitado em determinado mês, poderá ser aproveitado nos meses subseqüentes. Aduz que não se pode desconsiderar as aquisições de insumos e o respectivo direito aos créditos pelo simples fato de que foram escrituradas em momento posterior, destacando que não houve prejuízo ao fisco. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.903959/201124 Acórdão n.º 3403003.077 S3C4T3 Fl. 347 5 GLOSA 101 Depreciação Bens não considerados: Veículos, construções e instalações: contesta as razões do fisco, alegando que não importa a forma de cálculo, se é com base nos encargos de depreciação ou no valor de aquisição ou de construção. Se o bem é passível de creditamento, sustenta que o fiscal deveria ter elaborado o cálculo da forma correta e ter concedido o crédito, ainda que menor do que foi solicitado. Remete ao art. 3º., § 1º. das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e termina por alegar que, seja por meio da depreciação pelo valor da aquisição/construção do bem ou com base no valor da depreciação pela vida útil, certo é que há direito ao crédito relativo aos veículos, construções e instalações que sofreram redução do valor financeiro no mês. Aliás, devemos destacar que um mero erro na utilização da linha correta do DACON não pode ser suficiente para limitar o direito ao crédito da recorrente, que possui bens em seu ativo imobilizado que sofreram depreciação. A imprecisão na indicação não gerou nenhum prejuízo ao fisco, sendo cabível, portanto, o direito ao crédito. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 07027.952, de 26 de março de 2012, fls. 290 a 316, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. TRANSPORTE. As despesas de transporte passíveis de créditos no regime da nãocumulatividade são àquelas que podem ser consideradas como insumos na prestação de serviços de transportes quando é esse o ramo de atividade da empresa; àquelas que se referem ao custo do frete na aquisição do produto, quando suportado pelo adquirente; e às despesas com o frete na venda do produto acabado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. EXAUSTÃO DE BENS. A perda do valor decorrente de direitos de exploração de florestas, constantes do Ativo Imobilizado, corresponde à exaustão, para a qual não há previsão de desconto de créditos no regime nãocumulativo, e não se confunde com a depreciação, que é a apropriação ao resultado da perda de eficiência ou da capacidade de produção de bens tangíveis que servem à produção de vários ciclos de produção e não se destinam à venda. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os créditos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, informados na linha 10 do Dacon, relativos à opção pela depreciação acelerada, são calculados conforme o enquadramento de cada bem às hipóteses legais: a) 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado; b)1/24 (um vinte e quatro avos) do valor de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados nos Decretos nos 4.955, de 15 de janeiro de 2004, e 5.173, de 6 de agosto de 2004, conforme disposição constante do Decreto nº 5.222, de 30 de setembro de 2004, destinados ao ativo imobilizado e empregados em processo industrial do adquirente; c) 1/12 (um doze avos) do valor de aquisição de máquinas e equipamentos, novos, destinados à produção de bens e serviços, nos termos do art. 1º da Lei nº 11.774, de 17 de Setembro de 2008. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 320 a 341, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as alegações tendentes a combater as glosas 021, 022, 023, 031, 032, Glosa 021 e 022 Bens utilizados como insumos combustíveis e lubrificantes: alega, em síntese, que exerce a atividade de fabricação de portas e batentes de madeira de pinus, destinando sua produção ao mercado exterior, de forma que o preparo do seu produto final engloba etapas de produção que vão desde a extração da madeira em florestas próprias ou de terceiros, recebimento da madeira na planta industrial, seleção, tratamento, beneficiamento, processamento, embalagem, estocagem até a efetiva venda? que todas essas etapas, por mais variadas que sejam, encontramse interligadas de tal modo que a existência de uma não seria possível sem a existência da anterior? que é nesse contexto que se insere o transporte dos insumos dentro das florestas e delas até a fábrica, pois sem esta movimentação dos insumos, a produção industrial não aconteceria? que, desta forma, os combustíveis e lubrificantes utilizados nestas operações devem ser qualificados como insumo. Continua, em sua defesa, trazendo o conceito de insumo como sendo toda a despesa e investimento para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final, ou seja, o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Glosa 023 Bens utilizados como insumos aquisição de ativo imobilizado compra de floresta crédito de exaustão oriundo da extração da madeira: alega que, conforme prevê o artigo 108 do CTN, a omissão de dispositivo legal expresso sobre determinada matéria enseja a aplicação da analogia, dos princípios gerais de direito tributário, dos princípios gerais de direito público e da equidade, ou seja, na ausência de dispositivo legal expresso sobre determinado tema, deverá o julgador analisar o tema com base nos demais parâmetros integrativos do direito. Remete ao Regulamento do Imposto de Renda, art. 418, e alega que a depreciação é técnica de redução do valor do bem ao ativo imobilizado decorrente do seu uso, com o que se confundiria a exaustão, que se dá em razão da diminuição do valor de recursos florestais. Traz ementa da consulta nº. 154 de 15 de maio de 2009. Sustenta que a não cumulatividade está prevista na Constituição Federal de 1988 de forma ampla, não havendo que se falar em possibilidade de restrição aos créditos prevista na legislação infraconstitucional. Caso não seja este o entendimento, complementa a contribuinte, deve a autoridade administrativa considerar a operação realizada como compra de insumo, na medida Fl. 350DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.903959/201124 Acórdão n.º 3403003.077 S3C4T3 Fl. 348 7 em que houve a aquisição de floresta destinada ao processo produtivo da recorrente, conforme comprovariam os contratos e notas fiscais já apresentados. Glosa 031 Serviços, utilizados como insumos Prestação de serviços de extração, baldeamento e carregamento de árvores nas áreas de reflorestamento. alega que os serviços prestados são, na verdade, insumos utilizados no processo produtivo, uma vez que o processo produtivo se inicia já na extração da madeira em florestas próprias, sendo que a extração, o baldeamento e o carregamento das árvores contribuem para que seja alcançado o produto final. Remete ao art. 3º., inciso II, das Leis nº. Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003. Glosa 032 Serviços utilizados como insumos Frete Transferência para industrialização: alega que o direito ao crédito referente ao frete pago para o transporte de insumos é previsto no art. 3º., inciso II, da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002, pelo qual o serviço que for utilizado como insumo possibilita à pessoa jurídica o desconto do montante tributável. Alega que o frete pode ser considerado insumo, haja vista que sem ele, não consegue fabricar seus produtos e vendêlos. Colaciona a ementa da Consulta nº. 234 de 13/08/2007, onde ressalta que “o valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos do PIS. Glosa 033 Serviços utilizados como insumos – frete Aquisições de pessoas físicas: alega não há no dispositivo legal – art. 3º., inciso II das Leis nº. 10.637/2002 e 10.833/2003 qualquer ressalva quanto à necessidade dos bens terem sido serem adquiridos de pessoas jurídicas e que em nenhum momento existe menção de que a base de cálculo do crédito da contribuição para o Pis e Cofins seria determinada apenas sobre as aquisições decorrentes de operações tributadas pelas contribuições. Segundo a contribuinte, caso houvesse interesse em vedar o creditamento em tais hipóteses, o legislador teria de ter previsto expressamente esta hipótese, conforme exigência prevista no artigo 150, I, da Constituição Federal. Ressalta que existe expressa vedação para a hipótese de insumos adquiridos de pessoas físicas, porém, o que busca é a geração de crédito na situação em que o serviço foi prestado por pessoa jurídica no transporte dos insumos. Glosa 034– Serviços utilizados como insumos – Frete Aquisições de mercadorias importadas para industrialização: sustenta que o transporte contratado para o transporte de matériasprimas importadas é enquadrado no conceito de insumo e que não há na legislação a exigência de que a matériaprima transportada seja tributada. Glosa 035– Serviços utilizados como insumo – Fretes Aquisição em períodos anteriores: remete ao art. 3º. , §1º, I das Leis nº. 10637/2002 e 10.833/2003 para alegar que o § 4º. é claro ao dispor que o crédito não aproveitado em determinado mês, poderá ser aproveitado nos meses subseqüentes. Aduz que não se pode desconsiderar as aquisições de insumos e o respectivo direito aos créditos pelo simples fato de que foram escrituradas em momento posterior, destacando que não houve prejuízo ao fisco. GLOSA 101 Depreciação Bens não considerados: Veículos, construções e instalações: contesta as razões do fisco, alegando que não importa a forma de cálculo, se é com base nos encargos de depreciação ou no valor de aquisição ou de construção. Se o bem é passível de creditamento, sustenta que o fiscal deveria ter elaborado o cálculo da forma correta e ter concedido o crédito, ainda que menor do que foi solicitado. Remete ao art. 3º., § 1º. das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e termina por alegar que, seja por meio da depreciação pelo Fl. 351DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 valor da aquisição/construção do bem ou com base no valor da depreciação pela vida útil, certo é que há direito ao crédito relativo aos veículos, construções e instalações que sofreram redução do valor financeiro no mês. Aliás, devemos destacar que um mero erro na utilização da linha correta do DACON não pode ser suficiente para limitar o direito ao crédito da recorrente, que possui bens em seu ativo imobilizado que sofreram depreciação. A imprecisão na indicação não gerou nenhum prejuízo ao fisco, sendo cabível, portanto, o direito ao crédito.03 3 e 101 já oferecidas na Manifestação de Inconformidade. Pede provimento. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720733/200975, 13971.720734/200910, 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/200940, 13971.720779/2009 94, 13971.720782/200916, 13971.720926/200764, 13971.903959/201124, 13971.903960/201159, 13971.904248/201177, 13975.000308/200501 e 13975.000309/200547, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 320 a 341 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07027.952, de 26 de março de 2012. Devolvemse a esta Turma Recursal as discussões a respeito das glosas (021 e 022) dos créditos tomados sobre as despesas com a aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos, tratores e outras máquinas ou implementos nas florestas/reflorestamentos e nos caminhões que transportam madeira do reflorestamento para a fábrica; (023) dos créditos tomados sobre as despesas de exaustão oriundo da extração da madeira de florestas incorporadas ao Ativo Imobilizado; (031) dos créditos tomados sobre o custo dos serviços de extração, baldeamento e carregamento de árvores nas áreas de reflorestamento; (032) dos créditos tomados sobre o custo dos serviços de transporte contratados de terceiros para a transferência de madeira das florestas próprias ou de terceiros até a sua fábrica; (033) dos créditos tomados sobre o custo dos serviços de transporte de insumos adquiridos a pessoas físicas; (034) dos créditos tomados sobre o custo dos serviços de transporte de mercadorias importadas sob o RAE o custo dos serviços de transporte Drawback para industrialização; (035) do creditamento extemporâneo sobre despesas com materiais e serviços; e (101) dos créditos tomados sobre a despesa de depreciação acelerada de veículos, construções e instalações.o ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do direito à tomada de crédito sobre as despesas de amortização do valor dos contratos de Fl. 352DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.903959/201124 Acórdão n.º 3403003.077 S3C4T3 Fl. 349 9 aquisição de florestas, sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e fumigação de contêineres. Tenho notícia de que ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA, ora recorrente, ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 500358476.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do SulSC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado – aquisição de florestas seja por nota fiscal, seja por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na presente peça exordial, os quais foram glosados pela autoridade fiscal nos processos administrativos nºs 13975.000461/200368, 13975.000462/200311, 13975.000495/200352, 13975.000019/2004 12, 13975.000197/200524, 13975.000196/200580, 13975.000189/2005 88, 13975.000187/200599, 13975.000185/2005 08, 13975.000183/200519, 13971.720004/200838, 13971.720005/200882, 13971.720006/200827, 13971.720007/2008 71, 13971.720729/200915, 13971.720730/200931, 13971.903970/201194, 13971.903957/201135, 13971.903961/2011 01, 13971.903963/201192, 13971.911478/2011 92, 13971.911479/201137, 13971.002001/200657, 13975.000190/2005 11, 13975.000188/200533, 13975.000186/200544, 13975.000184/200555, 13971.002002/2006 00, 13971.720008/2008 16, 13971.720009/200861, 13971.720010/200895, 13971.720011/200830, 13971.720012/200884, 13971.720726/2009 73, 13971.720727/2009 18, 13971.720728/200962, 13971.903971/201139, 13971.903958/201180, 13971.903962/2011 48, 13971.903964/201137, 13971.911480/201161, 13971.911481/2011 14, corrigidos monetariamente pela taxa referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos. Como se vê, à exceção da discussão a respeito do creditamento extemporâneo, as demais matérias foram submetidas à tutela hegemônica do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face da renúncia à discussão administrativa dessas matérias, só se conhecerá das alegações recursais atinentes à glosa 035 Serviços Utilizados como Insumos Fretes relativos a aquisições de períodos anteriores sem crédito. Mérito possibilidade de creditamento extemporâneo A glosa em questão deveuse fundamentalmente ao fato de que as operações, enquadradas nos CFOP 1.151 e 3.127, correspondentes a Transferência para industrialização e Compra para industrialização sob o regime de drawback , não ensejavam a tomada de Fl. 353DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 10 créditos. Nada obstante, a Fiscalização ainda objetou que as aquisições estariam relacionadas a períodos anteriores. A decisão recorrida manteve a glosa sob a consideração de que não é possível o aproveitamento direto de créditos resultantes da aquisição de um determinado insumo em mês diverso da aquisição. O que é possível é aproveitar o saldo de créditos, remanescentes após o confronto entre créditos e débitos de um determinado mês, pelo qual poderá restar saldo de créditos a serem aproveitados nos meses subseqüentes. O recorrente, por sua vez, remete a discussão às Leis de Regência, para argumentar que o 4 do art. 3° é claro ao dispor que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá ser aproveitado nos meses subseqüentes. Aduz que não se pode desconsiderar as aquisições de insumos e o respectivo direito aos créditos pelo simples fato de que foram escrituradas em momento posterior. A par da discussão que o recorrente trava junto ao Poder Judiciário, no que pertine à possibilidade de creditamento extemporâneo, a matéria já tem entendimento pacificado neste colegiado, plasmado, por exemplo, no Acórdão nº 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar a formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. Conclusão Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, quanto ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte, por negar provimento. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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