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Numero do processo: 10783.906287/2008-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade sem a existência de prévio e expresso ajuste com o Anunciante para repasse da importância correspondente ao Desconto-Padrão, consoante regra legal.
Numero da decisão: 3803-005.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade sem a existência de prévio e expresso ajuste com o Anunciante para repasse da importância correspondente ao “DescontoPadrão”, consoante regra legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 62 87 /2 00 8- 32 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 166 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase de recurso contra a decisão da DRJ do Rio de Janeiro, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte. Assim, por considerar que o relatório elaborado pela DRJ abordou as questões principais discutidas no PAF, peço licença para reproduzilo. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 25033.87151.150904.1.304 0500, em 15/09/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 30/08/2002, a título de Cofins com débito da mesma contribuição relativo a agosto de 2004. A DRF de Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 30, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 02/10/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados (fl. 117). Irresignada, apresentou, em 03/11/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do "faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 167 3 Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. E imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4a Região Fiscal da Receita Federal do Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP de n.º 25033.87151.150904.1.304 0500, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 168 4 Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente] dos valores recebidos no período autuado; e queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos! contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor) informar o valor desse repasse. Informa que está levando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados o que será apresentado a esta SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada a produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondido os seguintes quesitos: 1) queira o Senhor Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e 2) queira o Senhor Perito, informar mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor do repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 146 a 148 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. Às fls. 123/131 a DRJ negou provimento ao recurso, sob o pressuposto de que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da COFINS o valor devido às agências de publicidade, em razão da falta de previsão legal. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 169 5 Alegam os julgadores de piso que o contribuinte sustenta o seu direito na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17/2007, elaborada com fundamento no Parecer COSIT n° 08/2001. Entretanto, o citado parecer teve a parte conclusiva alterada pela Consulta Interna Cosit n° 21/2008. Assim, a interpretação que vigora é a de que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo das contribuições o valor devido às agências de publicidade, por falta de previsão legal. A DRJ citou também dispositivos da Lei n.º 4.680/65, Decreto n° 57.690/66 para fundamentar o entendimento de que os pagamentos são efetuados pelos anunciantes diretamente à TELEVISÃO VITÓRIA S.A pelo valor bruto da fatura. Os julgadores concluíram ainda que somente em momento “posterior” ao pagamento pelos anunciantes, a Recorrente paga à agência o valor denominado "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra o veículo de divulgação. Já às fls. 137/154 o contribuinte apresenta Recurso Voluntário contra a decisão exarada pela DRJ do RJ2 e alegou: a) Nos termos das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03 as contribuições sociais não podem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica,; b) a doutrina defende que somente configura hipótese de incidência o faturamento de valores que ingressem ao patrimônio da empresa e não meros ingressos de valores que transitam por sua contabilidade; c) os valores recebidos pela cessão de espaço não integra a base de cálculo das contribuições, pois além de terem sido transferidos para às agências de publicidade, não agregam ao seu patrimônio; d) o Segundo Conselho de Contribuintes Federal, 1a Câmara, Processo n° 10950.002334/9919, já decidiu que não configura receita os valores recebidos pelas empresas de telefonia a título de “roaming”, por não se tratar de receita própria, mas sim de terceiro; e) o fato de o entendimento da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17/2007 e do Parecer COSIT n° 08/2001, ter sido alterado pela Consulta Interna Cosit n° 21/2008, não pode gerar efeitos retroativos. Além do que, destaca que a compensação foi realiza na vigência das consulta que assegurava o direito a dedução reclamada. Por fim, requer a suspensão do crédito tributário discutido no presente PAF, bem como extinção do crédito tributário exigido e seja homologada a compensação. É o relatório. Voto Vencido Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 170 6 Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente é preciso dizer que este conselheiro já havia votado, em julgamento de outro processo pertencente ao mesmo contribuinte, no sentido de que os veículos de divulgação não poderiam excluir da base de cálculo das contribuições o valor devido às agências de publicidade em razão da falta de previsão na legislação. Entretanto, agora compulsando melhor os autos e refletindo a respeito dos argumentos de defesa apresentados pela Recorrente, conclui que o contribuinte possui razão. A questão ora em deslinde limitase em saber se as verbas recebidas pelo veículo de comunicação em sua totalidade representam a base de cálculo para o recolhimento do PIS e da COFINS, inclusive as que são repassadas para as agências Em verdade, o próprio Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por compreender por “receita bruta” a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Neste sentido, o STF ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou amparado no fato de que ao ser ampliado o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita violouse a noção de faturamento pressuposto no art. 195, I, "b" da CF/88, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Assim, em que pese a falta de previsão expressa nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/033, visto que nelas há a disposição de que se compreende por faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, ainda assim, compreendo que o pleito do contribuinte deve ser acolhido. É preciso compreender que apesar da empresa registrar na contabilidade o ingresso de numerários, estes valores apenas transitando graficamente pela contabilidade do veículo de comunicação, não integram seu patrimônio e, por conseqüência, tais entradas de dinheiro são incapazes de exprimir o contorno de sua capacidade contributiva, conforme exige o art. 145 da Constituição Federal. Data vênia, entendimento contrário, compreendo que todo o veículo de divulgação, ou seja, rádio e televisão, jornais e revistas figura apenas como mero intermediário dos serviços prestados pelas agências de publicidade, logo neste caso o valor transferido às agências não configura despesa do veículo, pois não se trata de insumo dos seus serviços. A Segunda Turma do TRF 5ª Região já apreciou recentemente esta matéria e decidiu em negar provimento a apelação da Fazenda Nacional que pretendia afastar a pretensão do contribuinte. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 171 7 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VALORES REPASSADOS ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE PELOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...) O colendo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE nº 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que entende "por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." Esta discussão hoje resta superada com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/033, após a alteração do referido dispositivo constitucional, sendo a definição de faturamento a mais ampla, a saber, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. In casu, todavia, não se pode concluir que as verbas que ingressam na contabilidade do veículo de comunicação para pagamento das agências de publicidade, nos termos do art. 11 da Lei nº 4.680/65, podem ser caracterizadas como receitas auferidas por aquela pessoa jurídica. Tais valores apenas transitam nas contas das empresas de comunicação com a finalidade de pagamento das agências de publicidade, não se podendo falar em faturamento a ensejar a tributação do PIS e da COFINS. Ademais, temse que as agências de publicidade agem como mandatárias da empresa anunciante, perante o veículo de divulgação e, por sua vez, as quantias por elas recebidas decorrem dessa mediação. Cabível a restituição ou compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente com a incidência dos consectários legais nos termos do Manual de Cálculos da Justiça Federal, obedecida a limitação do art. 170A do CTN. Precedente desta eg. Corte: (APELREEX12164/PE, DES. FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS, Segunda Turma, DJE 02/12/2010). Apelação improvida e remessa parcialmente provida. (grifo) (TRF 5ª Região Apelação / Reexame Necessário n.º 00009715220114058300, Data de Julgamento: 16.10.2012). No mesmo sentido, acerta o contribuinte ao colacionar aos autos julgado do antigo Conselho de Contribuintes referente a não incidência das contribuições sobre os valores recebidos pelas empresas de telefonia denominados “roaming”. Neste caso o colegiado compreendeu, ainda que por maioria, que a base de cálculo da COFINS é a receita própria, não o mero ingresso de valores globais. Com efeito, embora o contribuinte tenha citado em seu Recurso Voluntário o julgamento ocorrido no PAF n° 10950.002334/9919, verificase em rápida pesquisa junto ao “site” do CARF que há outras decisões neste sentido, como por exemplo, Acórdão nº 40202218 do Processo 10166000888200131 e Acórdão nº 40202223 do Processo 10166005507200291 , ambos julgados na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 172 8 Como se não bastasse os argumentos aqui apresentados no sentido de admitir a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores transferidos às agências de publicidade, ainda não se pode ignorar o fato de que a Consulta Interna Cosit n° 21/2008 somente pode gerar efeitos para o futuro e jamais alcançar fatos pretéritos, pois como bem se sabe o art. 100 do CTN dispõe que os atos normativos expedidos pela Administração são complementares às leis. Além do que, é importante mencionar que discussão semelhante já ocorreu no STJ em relação a definição de receita para a base de cálculo do ISS. Neste caso, compreendeu o tribunal, por meio do Resp n.º 77771/MG, que a base de cálculo do ISS deve ser reduzida nos serviços de locação de mãodeobra, passando o imposto a incidir somente sobre o valor da “taxa de administração” que é cobrada pela empresa prestadora de serviços em razão do trabalho de intermediação entre o contratante e os trabalhadores contratados. Por fim, uma vez verificado que o contribuinte possui direito a exclusão pretendida, sugiro que os autos sejam encaminhados para a repartição de origem a fim de que a empresa seja intimada a juntar aos autos provas dos valores transnsferidos às agências de publicidade. Destarte, é verdade que o mais adequado talvez fosse elaborar uma resolução para primeiramente reconhecer o direito conforme requerido pelo sujeito passivo. Depois, num segundo momento os autos seriam encaminhados para a repartição de origem para que esta se pronunciasse, exclusivamente, quanto as provas, isto é, apontasse quais valores a empresa efetivamente repassou às agência de publicidade. Todavia, em que pesem estas considerações, optei em adotar uma decisão para o caso em exame, ainda que esta tenha sido proferida de forma ilíquida, devido ao fato de que não há no presente PAF as provas necessárias para apurar os créditos pleiteados. Ante o exposto, dou provimento ao apelo. É como voto. Sala das sessões, fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O fato jurídico em torno do qual a Contribuinte disputa o direito de não incluir seus valores na base de cálculo da contribuição é no seu dizer cessão de seu espaço para agências de publicidade, sob o argumento de que tais valores não permanecem em seu faturamento, sendo a estas repassados. A Recorrente é lacônica na exposição desse fato constitutivo do seu direito, deixando de referir acerca da sua dinâmica operacional envolvendo as agências e os anunciantes, de sorte a identificar no desenvolvimento da sua defesa o seu liame com direito Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 173 9 aplicável no campo privado das relações jurídicas e, via de consequência, a regramatriz da incidência tributária para a espécie. A falta dessa menção impelenos a considerar o que regem as NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão[1] [2] , órgão privado de regulação das práticas no tópico Das Relações entre Agências, Anunciantes e Veículos, em disciplina ao que dispõem a Lei nº 4.680/65 e os Decretos nº 57.690/66 e 4.563/02: 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou 1 O Conselho Executivo das NormasPadrão CENP é uma entidade criada por entidades de classe do mercado publicitário para zelar pela observância das NormasPadrão da Atividade Publicitária, documento básico com recomendações e princípios éticos que buscam assegurar as melhores práticas comerciais no relacionamento mantido entre os principais agentes da publicidade brasileira. 2 Compete ao Conselho Executivo das NormasPadrão ou simplesmente CENP: a) avaliar e propor eventuais alterações a este instrumento e a seus anexos, face à dinâmica da evolução da atividade; b) esclarecer os interessados sobre o sentido de suas regras; c) outorgar os “Certificados de Qualificação Técnica” de que trata o item 2.5.1 deste instrumento; d) credenciar os institutos de pesquisa e seus respectivos serviços e informações, conforme previsto no item 2.5.4 deste instrumento; e) promover em conjunto com as Entidades participantes deste acordo o permanente aperfeiçoamento dos padrões qualitativos do mercado nos seus três segmentos, inclusive no que toca à ativa e leal concorrência dos que nele atuam. 7.2 O Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 174 10 cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. O fato jurídico em torno do qual a Contribuinte disputa o direito de não incluir seus valores na base de cálculo da contribuição é no seu dizer cessão de seu espaço para agências de publicidade, sob o argumento de que tais valores não permanecem em seu faturamento, sendo a estas repassados. A Recorrente é lacônica na exposição desse fato constitutivo do seu direito, deixando de referir acerca da sua dinâmica operacional envolvendo as agências e os anunciantes, de sorte a identificar no desenvolvimento da sua defesa o seu liame com direito aplicável no campo privado das relações jurídicas e, via de consequência, a regramatriz da incidência tributária para a espécie. A falta dessa menção impelenos a considerar o que regem as NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão[3] [4] , órgão privado de regulação das práticas no tópico Das Relações entre Agências, Anunciantes e Veículos, em disciplina ao que dispõem a Lei nº 4.680/65 e os Decretos nº 57.690/66 e 4.563/02: 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de 3 O Conselho Executivo das NormasPadrão CENP é uma entidade criada por entidades de classe do mercado publicitário para zelar pela observância das NormasPadrão da Atividade Publicitária, documento básico com recomendações e princípios éticos que buscam assegurar as melhores práticas comerciais no relacionamento mantido entre os principais agentes da publicidade brasileira. 4 Compete ao Conselho Executivo das NormasPadrão ou simplesmente CENP: a) avaliar e propor eventuais alterações a este instrumento e a seus anexos, face à dinâmica da evolução da atividade; b) esclarecer os interessados sobre o sentido de suas regras; c) outorgar os “Certificados de Qualificação Técnica” de que trata o item 2.5.1 deste instrumento; d) credenciar os institutos de pesquisa e seus respectivos serviços e informações, conforme previsto no item 2.5.4 deste instrumento; e) promover em conjunto com as Entidades participantes deste acordo o permanente aperfeiçoamento dos padrões qualitativos do mercado nos seus três segmentos, inclusive no que toca à ativa e leal concorrência dos que nele atuam. 7.2 O Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 175 11 espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. De se ver que a relação jurídica se dá entre o Anunciante e o Veículo de Comunicação, sendo desta para o primeiro a fatura do valor bruto, contabilizando o pagamento correspondente como receita própria do Veículo. A normatização não exclui a excepcionalidade do prévio e expresso ajuste quanto à mecânica de segregação dos efeitos comerciais e, consequentemente, os fiscais, no bojo relação contratual, conforme itens 2.4.2 e 2.4.3, o que não se há de considerar, por não ser este o ponto invocado e descrito pela Recorrente. Como receita própria, ocorrente no recinto da regra básica fixada para este tipo de relação negocial, a exclusão da base de cálculo há de ser autorizada por lei específica, o que não se verificar haver no texto da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10;833/2003, como, inclusive, não o aponta a Recorrente. Por falta da previsão legal vislumbro é que vem de ser Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10783.906287/200832 Acórdão n.º 3803005.567 S3TE03 Fl. 176 12 sucinta na descrição do fato e parcimoniosa no fundamento jurídico, erigindo o seu argumento em torno da digressão sobre o alcance da expressão receitas auferidas. Lembro que as Soluções de Consulta vinculam a Administração Tributária apenas ao consulente, e não compõem o acervo da legislação tributária nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional, estando inviabilizado o argumento que invoca a de nº 17, de 30 de abril de 2007, da SRRF 4ª RF/Disit. Enfim, bem andou a decisão recorrida, não merecendo reparo, pelo que corroborando os fundamentos ali fixados nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI
score : 1.0
Numero do processo: 10715.006494/00-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/02/1997
ALEGAÇÃO DE INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDENTE.
Não há que se falar em intempestividade do Recurso Voluntário quando a notificação que foi feita no endereço do representante legal da empresa não encontra previsão legal e por este motivo não pode ser considerada.
CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL.
O recurso somente pode ser conhecido em razão dos fundamentos articulados. Quando o lançamento possui temas distintos e o recurso trata apenas de um deles, ainda que o pedido seja genérico, deve ser conhecido e julgado apenas o recurso no que tange à matéria efetivamente aduzida na peça recursal.
MULTA POR FALTA DE FATURA COMERCIAL.
Equipara-se à falta de fatura comercial, punível com a multa prevista em lei, a apresentação de fatura comercial que não descreve exatamente os produtos indicados na DI, mormente quando submetida a importação ao canal verde, em que não há conferência física.Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Susy Gomes Hoffmann (Relatora), que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, que se declarou impedida de votar.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurrélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/02/1997 ALEGAÇÃO DE INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDENTE. Não há que se falar em intempestividade do Recurso Voluntário quando a notificação que foi feita no endereço do representante legal da empresa não encontra previsão legal e por este motivo não pode ser considerada. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. O recurso somente pode ser conhecido em razão dos fundamentos articulados. Quando o lançamento possui temas distintos e o recurso trata apenas de um deles, ainda que o pedido seja genérico, deve ser conhecido e julgado apenas o recurso no que tange à matéria efetivamente aduzida na peça recursal. MULTA POR FALTA DE FATURA COMERCIAL. Equipara-se à falta de fatura comercial, punível com a multa prevista em lei, a apresentação de fatura comercial que não descreve exatamente os produtos indicados na DI, mormente quando submetida a importação ao canal verde, em que não há conferência física.Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/02/1997 ALEGAÇÃO DE INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDENTE. Não há que se falar em intempestividade do Recurso Voluntário quando a notificação que foi feita no endereço do representante legal da empresa não encontra previsão legal e por este motivo não pode ser considerada. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. O recurso somente pode ser conhecido em razão dos fundamentos articulados. Quando o lançamento possui temas distintos e o recurso trata apenas de um deles, ainda que o pedido seja genérico, deve ser conhecido e julgado apenas o recurso no que tange à matéria efetivamente aduzida na peça recursal. MULTA POR FALTA DE FATURA COMERCIAL. Equiparase à falta de fatura comercial, punível com a multa prevista em lei, a apresentação de fatura comercial que não descreve exatamente os produtos indicados na DI, mormente quando submetida a importação ao canal verde, em que não há conferência física.Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Susy Gomes Hoffmann (Relatora), que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 64 94 /0 0- 15 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 249 2 Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, que se declarou impedida de votar. (assinado digitalmente) Marcos Aurrélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em violação à legislação tributária. Temse que o contribuinte submeteu a despacho aduaneiro 379.326 comprimidos de Nabumetona 500 mg (relifex), 2.469.200 comprimidos de Cimetidina 400 mg (tagamet 400), 548.864 comprimidos de Cimetidina 800 mg (tagamet 800) e 213.221 unidades de comprimidos de Albendazole 400 mg (Zentel 400), todos classificados na DI pelo contribuinte na posição NCM 3004.90.99. O contribuinte solicitou a redução da alíquota do II, de acordo com o previsto no Acordo de Complementação Econômica n°18, que exige, para a comprovação de que o produto advém de país signatário, o certificado de origem. A fiscalização apurou que o contribuinte indicou o certificado de origem n° 095366, ao passo que instruiu o despacho de importação com o certificado n° 096223. Constatouse, também, que as mercadorias relacionadas nas DIs divergem das descritas no certificado que instruiu o despacho. Diante disso, desconsiderouse o certificado de origem apresentado, cobrandose o II sem a redução anteriormente pleiteada pelo contribuinte. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 22/25 dos autos. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 250 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 67/76 dos autos, julgou procedente o lançamento, com base na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Importação II. Data do fato gerador: 20/02/1997. Ementa: FATURA COMERCIAL. DI. CERTIFICADO DE ORIGEM. A fatura comercial informada na DI deve corresponder à transação empreendida na mercadoria submetida a despacho de importação. Lançamento Procedente. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário (fls. 95/104). A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, às fls. 152/163, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre Importação II. Data do fato gerador: 20/02/1997. Ementa: RECURSO TEMPESTIVO. Comprovado nos autos, mediante Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), que a interessada mudou de endereço e que a intimação foi enviada para o antigo endereço, temse como ciência a data em que a mesma compareceu aos autos, apresentando o respectivo recurso voluntário. FATURA COMERCIAL. DI. CERTIFICADO DE ORIGEM. Comprovada a assertiva da interessada no sentido de que ocorreu mero erro de fato na indicação do número do Certificado de Origem e da Fatura Comercial que instruíram a Declaração de Importação (DI), deve ser dado provimento ao recurso do contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, com base em violação à legislação tributária (fls. 167/172). Preliminarmente, suscitou a intempestividade do recurso voluntário do contribuinte. Narrou que o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ no dia 16 de maio de 2005, sendo que somente veio interpor o recurso voluntário na data de 22 de agosto daquele ano, pois alegou que não foi intimado da decisão da DRJ. No entanto, argumentou a recorrente, que à época ainda não vigorava a ordem de preferência entre os meios de intimação do contribuinte, uma vez que a Lei n° 11.196/2005, que a instituiu, somente passou a viger em 21 de novembro de 2005. Assim, seria cabível a intimação por via postal, em detrimento da pessoal. Ressaltou que a correspondência fora recebida no endereço do destinatário. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 251 4 Alegou, por outro lado, que houve preclusão da classificação fiscal determinada pela fiscalização, pois que não foi contestada na impugnação, havendo referência, somente, à inexatidão da certidão e à inexistência de fatura comercial. A matéria não foi, também, debatida no recurso voluntário. Não houve qualquer alegação recursal quanto ao tema do Imposto de Importação. Tratando da multa por falta de fatura, ressaltou, inicialmente a inexistência de fatura. Relatou que o número da fatura constante da Declaração de Importação não corresponde à efetiva transação submetida ao despacho aduaneiro, não sendo apta a instruir a DI. Neste passo, aduziu que: “Ora, se a fatura comercial e o certificado de origem são inservíveis para embasar a Declaração de Importação, porque as mercadorias declaradas nos mesmos divergem das efetivamente transacionadas, por óbvio, tais documentos são tidos como inexistentes. Pensar o contrário seria ir de encontro a toda sistemática estabelecida em sede de direito aduaneiro, tendo em vista que o despacho aduaneiro é o procedimento administrativo destinado a fiscalizar a regularidade da entrada e saída de mercadorias pelas fronteiras do país, com observância obrigatória dos ditames da legalidade”. Assim, argumentou no sentido do cabimento da multa em questão, prevista no artigo 94 da Lei n° 10.833/03, que revogou o artigo 106, inciso IV, alínea “a” do Decretolei n°37/66, e artigo 70, inciso II, alínea “b”, item 1, da Lei n° 10.833/03. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 191/197. Aduziu, no que tange à intimação, que, primeiramente, a intimação destinou se à Rua Cordovil, “tendo retornado negativo”. Posteriormente, fora expedida ao endereço do antigo presidente da empresa, na rua Abade Ramos, n° 112, ap. 301, jardim Botânico, sendo que, além de o antigo presidente não residir em tal imóvel desde 2005, este não pode ser o endereço eleito para as suas intimações. Argumentou que o artigo 23, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, dispõe que intimação do contribuinte deve ser feita “por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”. E que tal dispositivo foi introduzido pela lei n° 9.532/97, e não, conforme alega a Fazenda Nacional, com a Lei n° 11.196/2005. Ressaltou que a discussão não se restringe à ordem de preferência entre os meios de intimação, mas recai, especialmente, sobre a validade da intimação efetuada no presente caso, por via postal. No mérito, argumentou que, em relação à diferença de II lançada, a Recorrente nada alegou, de modo que tal matéria não pode ser enfrentada como objeto do recurso especial. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 252 5 Relativamente à questão do certificado de origem e da fatura comercial, alegou que: “conforme detidamente demonstrado nesses autos, e reconhecido, inclusive, pela Delegacia de julgamento, a referência equivocada na DI quanto ao certificado e à fatura que lastreavam as mercadorias deveuse a mero erro no momento do preenchimento. Com efeito, conforme destacado no voto vencido proferido pelo Relator André Suaki dos Santos, da Delegacia de Julgamento de Florianópolis, quando da entrega à repartição aduaneira do extrato da declaração, os documentos que a acompanharam foram as vias originais do certificado de origem n° 096223 e da fatura comercial n° 000300000345, ou seja, a documentação correta, a demonstrar serem tais documentos que respaldavam a importação em tela, nada obstante seus números terem sido reproduzidos incorretamente na DI”. No que concerne à divergência parcial entre as mercadorias, ressaltou que assim que constatou o equívoco, requereu à unidade aduaneira a retificação das informações prestadas, o que revela a sua boafé, conforme se reconheceu, expressamente, no próprio relatório da autuação. Segundo o contribuinte: “Os erros verificados na DI quanto à indicação do certificado de origem e da fatura comercial não significam inexistência de tais documentos, que, no caso em comento, como dito, apesar de equivocamente referidos, foram devidamente instruídos por oportunidade da entrega do extrato da DI, a evidenciar que eram estes que realmente estavam vinculados às mercadorias”. E, finalmente, quanto à alegada preclusão da discussão relativa à classificação fiscal perpetrada pela fiscalização, sustentou que: “há que se repisar que o eventual erro de classificação fiscal mencionado no auto não implicou na cominação de penalidade, de modo que sempre se afigurou desnecessária qualquer discussão quanto a este tópico. Ainda que tenha a fiscalização entendido pela reclassificação das mercadorias de 3004.90.99 para 3004.9059, 3004.90.63, fato é que a preferência do ACE n° 18 Mercosul era prevista para todos os desdobramentos da posição 3004”. Diante disso, postulou para que seja negado provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Subsidiariamente, postulou pelo reconhecimento de que o recurso especial não pode afastar o cancelamento da autuação relativamente ao II, multa e juros de mora, porque a recorrente somente se insurgiu contra a aplicação da multa pela suposta inexistência de fatura comercial. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 253 6 Encaminhado para julgamento, foi este convertido em diligência (fls.237/242), para que a Secretaria da Receita Federal informasse qual a situação cadastral do Contribuinte ao tempo da decisão proferida pela DRJ e de sua respectiva intimação (março de 2005 a julho de 2005). Atendendo a solicitação supra, a Alfândega no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, informou que: a) o Auto de Infração (fls. 02/04), foi lavrado em nome da filial da Empresa, inscrita no CNPJ nº 33.247.743/00462. b) o documento nº 4, acostado a fl. 149 dos autos, referese ao cadastro da Matriz da Empresa, inscrita no CNPJ nº 33.247.743/000110. c) e no cadastro da filial, objeto da autuação, o endereço perante a Receita Federal no período de março a julho de 2005 é o mesmo que constou na intimação de fls. 78, permanecendo inalterado até a presente data, (4 de abril de 2013). Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora (vencida quanto à multa por falta de fatura comercial) O presente recurso especial é tempestivo. Quanto aos demais requisitos, cabe fazer algumas ponderações. O Recurso Especial foi interposto com base em violação à legislação tributária e a decisão recorrida foi tomada por maioria de votos e o pedido do Recurso Especial requer que seja mantido o lançamento tributário em sua íntegra. Todavia, o lançamento tributário objeto deste processo administrativo trata de dois temas: cobrança do imposto de importação acrescido de seus consectários legais e a multa por falta de fatura comercial. O Acórdão recorrido, além de ultrapassar o tema preliminar da intempestividade do recurso voluntário, tratou de forma clara e específica sobre os dois temas constantes do lançamento. Por sua vez, o Recurso Especial proposto pela Fazenda Nacional tratou apenas de dois destes três temas: a intempestividade do recurso voluntário e a multa por ausência de fatura comercial. Portanto, conheço do Recurso Especial somente quanto a estes dois temas, não sendo o Recurso Especial conhecido quanto ao tema do Imposto de Importação, por não ter sido articulado fundamento recursal quanto a este tema. Inicialmente, passo à análise da preliminar de intempestividade do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 254 7 Para tanto, é de se ter que a intimação, por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio, demanda prova do seu recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. É o que dispõe o artigo 23, inciso II, do Decreto n° 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Tal norma, quando prescreve a imprescindibilidade da prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, quer deixar claro que a validade da intimação condicionase à sua efetiva ocorrência, de modo a surtir o efeito que lhe é inerente: dar ciência de um ato praticado no processo e chamar o intimado à prática de um outro ato consequente, se for o caso. Na hipótese dos autos, isto não ocorreu. Devese ter por base que quando da lavratura do auto de infração, foi a Contribuinte devidamente notificada por via postal no endereço de sua filial na Rua Cordovil, nº 1420. E ao apresentar sua impugnação em 25 de agosto de 2000, juntou documentação que indicava todos os endereços em que poderia ser notificada. Vejamos: Às fls. 26, foi juntado aos autos o CNPJ da matriz, com seu respectivo endereço, Avenida Comandante Guaranys, nº 447, Jacarepaguá, Rio de Janeiro RJ. Às fls. 27/35, juntou a Contribuinte alteração de seu contrato social em que consta às fls. 27, item 2, novamente o endereço da matriz. E também às fls. 29, na cláusula IV, Sede, além de constar uma vez mais o endereço da matriz, estão indicadas ainda as 14 cidades em que possui escritórios, com seus respectivos endereços. Outrossim, devese observar que às fls. 80, o A.R., encaminhado à Rua Cordovil, que objetivava realizar a intimação do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, com a observação: “mudouse”. Notese que aqui, a autoridade preparadora, com base nas normas processuais administrativas, poderia, em tese, ter considerado que o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ; todavia, a autoridade preparadora, faz nova intimação, o que obriga a termos o pressuposto de que, implicitamente, anulou a intimação feita à rua Cordovil. O segundo AR, visando realizar a mesma intimação foi destinado em nome da empresa, ao antigo endereço do presidente da empresa, situado na Rua Abade Ramos, n° 112, apto. 301, Jardim Botânico, local onde não mais residia desde 2005. Ora, esta segunda notificação é totalmente irregular, pois não há previsão legal para que o contribuinte, pessoa jurídica, possa ser notificado de qualquer ato processual em endereço do representante legal da empresa. Observese, ainda, que se efetivamente o representante legal da empresa tivesse assinado o recebimento da notificação, ainda poderia ser discutida a possibilidade de eventual convalidação do ato; todavia, a correspondência foi Fl. 336DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 255 8 recebida por funcionário da portaria do endereço residencial do antigo presidente da empresa. Ora, totalmente irregular tal notificação. Não obstante a ocorrência de tais percalços, para realizar a correta intimação da Contribuinte, às fls. 185, a Fazenda Nacional finalmente valeuse do endereço da matriz para efetivar a intimação do acórdão proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes e da interposição do presente Recurso Especial, justificando–se nos seguintes termos: “Ressaltamos que estamos efetuando a notificação no endereço da Matriz, tendo em vista que a notificação anterior feita no endereço da filial, que é objeto da autuação em tela, se mostrou ineficaz.” Ora, não podia a Fazenda Nacional, após realizar a primeira intimação de forma equivocada, ter efetuado a segunda nos exatos termos como fez às fls.185, evitando assim, que ocorresse novo erro quanto a notificação da Contribuinte? Até porque os documentos com o endereço da matriz constam nos autos desde a apresentação da impugnação. Neste sentido, correto o entendimento da Relatora Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, que ao proferir seu voto em sede de Recurso Ordinário nos presentes autos, assim se manifestou: Particularmente, entendo que no tocante à notificação, sua importância para o processo tributário administrativo é comparável à citação do réu, no processo civil. Com efeito, é a partir da notificação que o sujeito passivo passa a poder se defender da exigência fiscal. Por isso, tenho sempre sustentado que a notificação de lançamento deve ser efetivada de maneira cuidadosa pela Autoridade Fiscal e que as disposições do Decreto n° 70.235/72, que tratam da notificação de lançamento, devem ser analisadas de maneira criteriosa. Nesse esteio, importa, para que a notificação seja considerada válida, que a mesma atenda ao disposto no art. 23 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações havidas pela Lei n° 9.532/97,(...): Não procede, portanto, a presunção perpetrada no recurso especial nos seguintes termos: “A referida correspondência, em nome do sujeito passivo e do administrador da empresa, foi prontamente recebida na citada localidade, segundo fl. 85, o que nos leva a crer que foi enviada corretamente ao endereço do destinatário, até porque ninguém recebe correspondência de outrem.” Até porque, ao contrário do que se sustenta no recurso, a necessidade de prova do recebimento da intimação visa justamente assegurarse que o contribuinte fora efetivamente intimado. E no que se refere às informações prestadas pela Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, quando convertido o julgamento em diligência, entendo que devido a farta prova documental presente nos autos, não são as informações prestadas pelo Fl. 337DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 256 9 Fisco passíveis de alterar o entendimento até aqui exposto, pois, tratase de assegurar os princípios do contraditório e da ampla defesa dentro do processo administrativo fiscal. Desta forma, não há que se falar em intempestividade do recurso voluntário a que se deu provimento. Passo agora à análise do mérito do recurso especial. Neste passo, importante observar, novamente, que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional só foi colocado em face da segunda infração, a saber, a falta de fatura comercial. A Fazenda em suas razões recursais não se investiu contra a primeira infração, ou seja, sobre a inexatidão do certificado de origem que acarretaria a cobrança do Imposto de Importação e de seus consectários legais. Assim, para fins de determinação da lide recursal, especifico que está encontrase apenas no que tange à segunda infração, ou seja, ausência de fatura comercial. Importante entender o objeto da autuação. Consta do AIIM (fls 4) 001 INEXATIDÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM Em ato de revisão aduaneira da DI n°97/01199910, registrada em 20/02/1997 e desembaraçada em 22/02/1997 pelo canal verde, foi verificado que o importador submeteu a despacho 379.326 unidades de comprimidos de Nabumetona 500 mg (Relifex),2.469.200 unidades de comprimidos de Cimetidina 200 mg (Tagamet 200), 1.253.308unidades de comprimidos de Cimetidina 400 mg (Tagamet 400), 548.864 unidades de comprimidos de Cimetidina 800 mg (Tagamet 800) e 213.221 unidades de comprimidos de Albendazole 400 mg (Zentel 400), todos classificados na DI pelo importador na posição tarifaria (NCM) 3004.90.99. 0 importador solicitou a redução da aliquota do Imposto de Importação prevista no Acordo de Complementagão Econômica N°18, ratificado pelo Decreto N° 550/92, que para a comprovação que a mercadoria é originária de pais signatário do acordo, exige o certificado de origem. Ocorre que o importador indicou na DI que o certificado/tie origem que acobertaria as mercadorias desembaraçadas seria o de número 095366, enquanto que instruiu o despacho de importação com o certificado de origem n° 096223. Ressaltese que, inclusive, as mercadorias relacionadas na DI divergem, parcialmente, daquelas descritas no certificado que instruiu o despacho. Em vista disso, desconsiderase o certificado de origem apresentado, cobrandose o Imposto de Importação devido, apurado em face do não reconhecimento da redução do imposto, somado aos acréscimos legais devidos. Adicionalmente, foi constatada a classificação incorreta das mercadorias desembaraçadas pela referida DI, que devem ser reclassificadas conforme indicado a seguir: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 257 10 Para a posição tarifária 3004.90.59, com aliquota de 8% para o II: 379.326 unidades de comprimidos de Nabumetona 500 mg (Relifex); Para a posição tarifaria 3004.90.62, com aliquota de 14% para o II: 2.469.200 unidades de comprimidos de Cimetidina 200 mg (Tagamet 200), 1.253.308 unidades de comprimidos de Cimetidina 400 mg (Tagamet 400), 548.864 unidades de comprimidos de Cimetidina 800 mg (Tagamet 800); Para a posição tarifária 3004.90.63, com aliquota de 14% para o II: 213.221 unidades de comprimidos de Albendazole 400 mg (Zentel 400). Para fins de apuração dos impostos devidos neste Auto, as mercadorias da posição 3004.90.59 foram consideradas na Adição 001, as da posição 3004.90.62 na Adição 002, enquanto que as da posição 3004.90.63 foram consideradas na Adição 003. Por não haver elementos que indiquem intuito doloso ou ma fé por parte do contribuinte, é aplicável o Ato Declaratório (Normativo) COSIT N° 10/97, dispensandose as multas previstas no art.44 da Lei N°9.430/96. ... 002 INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL Na continuação da revisão aduaneira da DI n°97/01199910, foi verificado que o importador indicou na DI que a fatura comercial que acobertaria as mercadorias desembaraçadas seria a de número ST 6/97, enquanto que instruiu o despacho de importação com a fatura comercial n° 000300 000245. Ressaltese que as mercadorias relacionadas na DI divergem, parcialmente, daquelas descritas na fatura comercial que instruiu o despacho. Em vista disso, está caracterizada a infração prevista na alínea "a", do inciso III, do artigo 521do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030/85. Então, em razão da divergência no Certificado de Origem e na Fatura Comercial, a Recorrida perdeu, por meio do lançamento, a preferência tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n. 18 – Mercosul, e foi autuada para pagamento da multa por falta de fatura comercial. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 258 11 A defesa da contribuinte foi no sentido de que tais erros foram retificados e foram somente erros. Quanto ao tema do certificado de origem e da imposição do imposto de importação o tema está superado pela preclusão lógica, tornandose já coisa julgada administrativa, no tema do imposto de importação. Importante observar que à época do registro da Declaração de Importação n° 97/01199910, ocorrido em 20/02/1997, havia a obrigação, no despacho aduaneiro, de apresentação das vias originais do Certificado de Origem e da Fatura Comercial, a saber a IN 69 de 10/12/1996. Após a recepção do extrato da declaração e dos respectivos documentos, o servidor da Receita Federal selecionava a DI para um dos canais de conferência aduaneira. Todos os documentos de instrução do despacho ficavam arquivados na Secretaria da Receita Federal, para servir de base a uma eventual, posterior, revisão aduaneira. Diante de tal panorama, partilho do entendimento externado no acórdão recorrido, e no voto vencido proferido no julgamento de primeira instância. Constou do voto vencido que Assinalese, outrossim, que não se vislumbra qualquer motivo plausível para que a importadora instruísse o despacho com documentos que não correspondessem ás informações que se desejava prestar na declaração, inclusive porque na hipótese de seleção para conferencia aduaneira a incorreção seria facilmente detectada, não havendo razão para deliberadamentecorrer tal risco. Superada essa questão, cumpre analisar a descrição do quarto produto constante da adição 001 da DI sob exame, consignada pela interessada como sendo "548.864 unidades de comprimidos de Cimetidina 800mg (Tagamet 800) a granel equivalentes a 346,84 kg de comprimidos", preço unitário US$ 0,0529, ao passo que na Fatura Comercial n° 000300 000345 o quarto item constante da relação está descrito como "548.864 unidades de comprimidos de Albendazole 200mg (Zentel 200) a granel equivalentes a 346,84 kg de comprimidos", prego unitário US$ 0,05285. É, importante notar que a contribuinte, constatando a citada divergência, requereu A unidade de despacho a retificação das informações prestadas (processo administrativo n° 10715.000522/9751, citado na impugnação), conforme se depreende de trecho do relatório do Acórdão DRJ/JFA n° 6.875, de 08/04/2004, transcrito a seguir (processo n° 10074.000977/0054, referente a multa regulamentar do IPI imposta à mesma interessada): Verificase na norma transcrita que, diferente do que ocorre atualmente, após a edição da IN SRF n° 111/1998 e posteriormente da IN/SRF n° 206/2002, A época do registro da Fl. 340DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 259 12 Declaração de Importação (DI) n° 97/01199910, ocorrido em 20/02/1997, em todo despacho aduaneiro era obrigatória a apresentação de via original do Certificado de Origem e da Fatura Comercial, sendo que somente após a recepção do extrato da declaração e dos documentos que a instruíssem, por servidor da Receita Federal, ocorria a seleção da DI para um dos canais de conferencia aduaneira. Assim, mesmo quando a DI fosse selecionada para o canal verde, como no caso em tela, o importador deveria necessariamente entregar todos os documentos de instrução do despacho, ficando tais documentos arquivados na repartição da SRF com vistas a subsidiar uma eventual revisão aduaneira, dentro do prazo previsto na legislação. Ressaltese que depois do advento das normas citadas no parágrafo anterior essa obrigatoriedade existe apenas quando as DIs são selecionadas para os canais amarelo, vermelho ou cinza, sendo os documentos devolvidos ao importador após a conferencia aduaneira, que deve mantelos sob sua guarda para fins de apresentação à SRF, quando solicitada. Plenamente admissivel, portanto, em virtude da legislação então vigente, a assertiva da interessada de que houve erro de fato na indicação do número do Certificado de Origem (095366) e da Fatura Comercial (ST 6/97) que instruíram a DI n° 97/0119991 0 (fl. 65), visto que juntamente corn o extrato da declaração foram entregues à repartição de despacho as vias originais do Certificado de Origem n° 096223 (fls. 18 e 19) e da Fatura Comercial n° 000300 000345 (fl. 15), de onde se infere que eram tais documentos que realmente estavam associados ao despacho aduaneiro em tela. Assinalese, outrossim, que não se vislumbra qualquer motivo plausível para que a importadora instruísse o despacho com documentos que não correspondessem ás informações que se desejava prestar na declaração, inclusive porque na hipótese de seleção para conferencia aduaneira a incorreção seria facilmente detectada, não havendo razão para deliberadamente correr tal risco. Superada essa questão, cumpre analisar a descrição do quarto produto constante da adição 001 da DI sob exame, consignada pela interessada como sendo "548.864 unidades de comprimidos de Cimetidina 800mg (Tagamet 800) a granel equivalentes a 346,84 kg de comprimidos", preço unitário US$ 0,0529, ao passo que na Fatura Comercial n° 000300 000345 o quarto item constante da relação está descrito como "548.864 unidades de comprimidos de Albendazole 200mg (Zentel 200) a granel equivalentes a 346,84 kg de comprimidos", prego unitário US$ 0,05285. É, importante notar que a contribuinte, constatando a citada divergência, requereu A unidade de despacho a retificação das informações prestadas (processo administrativo n° Fl. 341DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 260 13 10715.000522/9751, citado na impugnação), conforme se depreende de trecho do relatório do Acórdão DRJ/JFA n° 6.875, de 08/04/2004, transcrito a seguir (processo n° 10074.000977/0054, referente a multa regulamentar do IPI imposta à mesma interessada): ... Impende observar que a aludida comunicação da impugnante, de que a mercadoria submetida a despacho mediante a DI n° 97/01199910 era Albendazole 200mg (Zentel 200) e não a Cimetidina 800mg (Tagamet 800), foi protocolada perante a Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro em 26/02/1997. Mostrase de bom alvitre, portanto, frisar que a proximidade entre as datas do registro da DI em comento (20/02/1997), do desembaraço dos produtos pelo canal verde (22/02/1997) e da comunicação efetuada pela autuada â SRF quanto à incorreção na DI (26/02/1997) evidencia a ocorrência de boafé por parte daquela na informação da irregularidade cometida, inclusive pela espontaneidade de se submeter a eventual procedimento de fiscalização na zona secundária. Ainda em função das datas citadas, podese presumir que a carta protocolada na unidade de despacho deve ter sido motivada pela conferência realizada no momento da entrada dos produtos importados na unidade fabril da contribuinte, quando provavelmente foi detectado o engano cometido. Destarte, é de se acatar a alegação da interessada de que houve erro na digitação da descrição do produto em tela, fato também corroborado pela coincidência entre a quantidade de comprimidos, peso e preço unitário constantes da Fatura Comercial e da DI. Isto posto, considerando que o Certificado de Origem n° 096223, corretamente embasado na Fatura Comercial n° 0003 00 000345, consoante consignado no campo 7, indiscutivelmente ampara a importação das mercadorias que foram efetivamente submetidas a despacho aduaneiro, oriundas da Argentina, resta cabível a preferência percentual de 100% no Imposto de Importação pretendida pela interessada (ACE n° 18 Mercosul). Na esteira das considerações precedentes, não há como se manter a imposição da multa por inexistência de Fatura Comercial, prevista no art. 521, inciso III, alínea "a", do RA11985, devendo o valor lançado a esse titulo ser exonerado. Ressaltese, por fim, que como na presente autuação não houve a cominação de penalidade relativa a erro de classificação fiscal, é despicienda a discussão a respeito do correto enquadramento Fl. 342DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 261 14 tarifário dos produtos importados, haja vista a precitada preferência percentual de 100% no II e a aliquota de 0% para o IPI, vigente para todos os desdobramentos da posição 3004. Com efeito, não haveria razão para que o contribuinte, sabendo que a documentação apresentada viria a ser retida pela autoridade fiscal, se arriscasse, intencionalmente, apresentando documentos que não correspondessem às informações que se desejava prestar na declaração de importação. Fica evidente que houve, realmente, erro de fato na indicação do número do Certificado de Origem (095366) e da Fatura Comercial (ST 6/97), documentos que instruíram a Declaração de Importação. Isto porque, com o extrato da declaração, foram entregues à repartição responsável pelo despacho as vias originais do Certificado de Origem n° 096223 e da Fatura Comercial n° 00030 000345, documentos estes que estavam vinculados ao despacho aduaneiro. Ora, inadmissível a alegação da recorrente no sentido de que os documentos apresentados pelo contribuinte para instruir a declaração de importação, por divergirem dos documentos apresentados no Despacho Aduaneiro, são inexistentes. Isto porque, a divergência neles verificadas deramse por erro de fato, conforme se entendeu no acórdão combatido. Desta forma, não cabe multa por falta de fatura comercial. Relativamente à alegação da recorrente de preclusão da matéria referente à classificação fiscal perpetrada pela fiscalização, não cabe aqui qualquer discussão a respeito, pois este tema não houve o Recurso da Fazenda quanto ao imposto de importação e ainda que houve, é certo que assiste razão ao contribuinte em suas contrarrazões, tendo em vista que, seja sob a classificação fiscal por ela adotada seja pela classificação determinada pela autoridade fiscal, o Acordo Econômico n° 18 aplicavase a todos os desdobramentos da posição n° 3004. Assim, irrelevante perquirirse acerca da preclusão da discussão sobre a classificação fiscal. Em face do exposto, CONHEÇO EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, em preliminar afasto a alegação de intempestividade do Recurso Especial, e no mérito, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. Susy Gomes Hoffmann Voto Vencedor Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 262 15 Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado (quanto à multa por falta de fatura comercial) Incumbiume a Presidência da redação do acórdão quanto à manutenção da multa por falta de fatura comercial, ponto sobre o qual divergiu o colegiado do voto da i. relatora. Para tanto, revelouse decisiva a seguinte passagem da acusação fiscal: Na continuação da revisão aduaneira da DI n°97/01199910, foi verificado que o importador indicou na DI que a fatura comercial que acobertaria as mercadorias desembaraçadas seria a de número ST 6/97, enquanto que instruiu o despacho de importação com a fatura comercial n° 000300 000245. Ressaltese que as mercadorias relacionadas na DI divergem, parcialmente, daquelas descritas na fatura comercial que instruiu o despacho Ou seja, nem mesmo a fatura “substitutiva”, apresentada espontaneamente após o registro da DI no sistema Siscomex contemplava exatamente as mercadorias objeto da importação. Esse fato não é contestado pela autuada, que expressamente reconhece em sua impugnação: 8. A mercadoria recebida na Smithkline Beecham foi realmente a mercadoria embarcada na Argentina, ocorre que na digitação da DI, foi mencionada por engano 548.864 unidades de comprimidos de CIMET1DINA 800 mg (TAGAMET), quando o faturado e recebido pela Fábrica foi 548.864 unidades de comprimidos de ALBENDAZOLE 200 mg (ZENTEL), conforme fatura 345 em 14102197 e Certificado de Origem n.° 096223, portanto esta utilizada para o desembaraço da mercadoria, constatando que a Impugnante em momento algum violou a Legislação Aduaneira. Ora, até seria possível aceitar que tivesse havido erro na indicação do número da fatura quando do registro da DI, mas aceitar que, além disso, também houve erro na indicação dos produtos na efetivamente importados e constantes da fatura substitutiva já nos pareceu um pouco demais. Com efeito, sabendose que não houve conferência física das mercadorias no momento da efetiva entrada, fato também incontroverso, o mínimo que se pode exigir é que os produtos constantes da DI registrada no siscomex correspondam rigorosamente àqueles constantes da fatura comercial – pelo menos a substitutiva – sob pena de se ter de meramente aceitar o que quer que os importadores venham a alegar depois de efetuado o desembaraço. Registro que, pelo mesmo motivo, também restou plenamente configurada, no meu entendimento pessoal, a outra infração constante do lançamento. Mas esse ponto não foi objeto de deliberação pelo colegiado porque realmente não foi questionado pela Fazenda Nacional em seu recurso, que apenas menciona a multa por falta de fatura comercial. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10715.006494/0015 Acórdão n.º 9303002.870 CSRFT3 Fl. 263 16 Com essas considerações, é que deu o colegiado provimento ao recurso da Fazenda Nacional. E esta é a parte do acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos – Redator Designado Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904537/2012-03
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/02/2008
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 37 /2 01 2- 03 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904537/201203 Acórdão n.º 3801002.339 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904537/201203 Acórdão n.º 3801002.339 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904537/201203 Acórdão n.º 3801002.339 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904537/201203 Acórdão n.º 3801002.339 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 10970.000786/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO EMPREGADOR E GIILRAT. ENTIDADE REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. VÍCIO MATERIAL.
Aplicação da norma vigente à época dos fatos geradores. Instrução Normativa SRP n° 03/2005. O hospital que fornece ao médico espaço para atendimento de seus pacientes não responde por quaisquer encargos previdenciários, salvo nos casos em que comprovado que não se trata de mero repassador. No caso em análise, o contribuinte conseguiu comprovar que parte dos pagamentos a médicos se tratavam de meros repasses. Cancelamento do crédito nestes casos. Na parte em que a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a relação entre hospital e médico, necessária a manutenção do auto de infração. MULTA APLICADA. A Fiscalização aplicou multa prevista pelo art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, entretanto, a referida penalidade é aplicável somente nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar documentação necessária à verificação da ocorrência do fato gerador. No presente caso, apesar de considerada insuficiente pela fiscalização, a documentação foi disponibilizada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade por vício material dos levantamentos RH, RH1 e RH2 e para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrente HOSPITAL SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO EMPREGADOR E GIILRAT. ENTIDADE REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. VÍCIO MATERIAL. Aplicação da norma vigente à época dos fatos geradores. Instrução Normativa SRP n° 03/2005. O hospital que fornece ao médico espaço para atendimento de seus pacientes não responde por quaisquer encargos previdenciários, salvo nos casos em que comprovado que não se trata de mero repassador. No caso em análise, o contribuinte conseguiu comprovar que parte dos pagamentos a médicos se tratavam de meros repasses. Cancelamento do crédito nestes casos. Na parte em que a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a relação entre hospital e médico, necessária a manutenção do auto de infração. MULTA APLICADA. A Fiscalização aplicou multa prevista pelo art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, entretanto, a referida penalidade é aplicável somente nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar documentação necessária à verificação da ocorrência do fato gerador. No presente caso, apesar de considerada insuficiente pela fiscalização, a documentação foi disponibilizada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade por vício material dos levantamentos RH, RH1 e RH2 e para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 07 86 /2 01 0- 21 Fl. 873DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000786/201021 Acórdão n.º 2402003.752 S2C4T2 Fl. 874 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado sob o DEBCAD n°, 37.289.9323, referente a contribuições a cargo do empregador e destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 168/178, “o fato gerador das contribuições lançadas é constituído pelos valores pagos a prestadores de serviços pessoas físicas, considerados como segurado empregado”. Ainda de acordo com a fiscalização, “os serviços prestados por profissionais da saúde, em regime de plantão, pelas suas características, não são excepcionais ou transitórios, mas inseridos diretamente no contexto das atividades normais e permanentemente desenvolvidas pelo contribuinte, não se caracterizando, portanto, como uma necessidade esporádica ou emergencial.”. Sendo assim, aplicável o disposto no art. 6°, XXVI, da IN SRP n° 03/2005, que caracteriza o médico ou profissional da saúde plantonista como segurado obrigatório perante o RGPS. A autoridade fiscal esclarece que no caso em análise, a entidade hospitalar Recorrente contrata profissionais da saúde não credenciados ou conveniados para execução dos serviços relativos aos respectivos convênios, restando descaracterizado o repasse de honorários que ocorre quando os médicos são conveniados a planos de saúde, em que a responsabilidade de recolhimento das contribuições é da cooperativa (operadora do plano de saúde). Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 515/532 que, às fls. 791/803, foi julgada parcialmente procedente para reconhecer a exclusão do agravamento da multa aplicada, reduzindoa a 75%. Na parte mantida do débito, foram fundamentos: a) Necessária a observância ao que dispõe a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/05, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores; b) O contribuinte não apresentou as informações solicitadas (demonstrativo de repasses de honorários) e solicitou prorrogação de prazo, que foi indeferida; c) A fiscalização verificou que os valores dos honorários foram declarados pelo contribuinte em DIRF, que é a declaração feita pela fonte pagadora, com o objetivo de informar à SRFB o valor do imposto de renda e/ou contribuições retidos na fonte, dos rendimentos pagos ou creditados aos beneficiários; d) Os valores registrados no livro “tesouraria” não foram devidamente escriturados e a Recorrente não comprovou sua condição de mera repassadora de honorários. Houve declaração de voto (fls. 802/803) a favor da nulidade do processo por falta de clareza e coerência no relatório fiscal e, ainda, por falha na indicação da fundamentação legal. Ainda de acordo com a declaração de voto, o arbitramento por aferição Fl. 875DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 indireta ocorreu somente em relação ao levantamento ‘Livro Tesouraria’, com base em duas das hipóteses previstas pelo art. 33 da Lei n° 8.212/91. Ademais, o Ilma Redatora destacou a utilização de contabilidade não formalizada, vez que não registrada na Junta Comercial. Face ao resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 811/830, alegando em suma: 1) A Recorrente juntou cópia de suas demonstrações contábeis que apontam, pormenorizadamente, o repasse feito a cada médico e, em relação aos comprovantes de pagamento dos repasses anotados, a Recorrente solicitou prazo para levantamento e este não foi concedido; 2) Quanto ao arbitramento por aferição indireta relativo ao levantamento LT e LT1 – LIVRO TESOURARIA, houve contradição uma vez que ora a fiscalização entendeu ser a contabilidade imprestável para demonstrar as reais atividades do contribuinte e ora utilizouse da mesma para justificar a autuação; 3) A adoção de metodologia equivocada da fiscalização (utilização de contabilidade não registrada na Junta Comercial – tida como imprestável – e, ao mesmo tempo, a sua dispensa para justificar a aferição indireta) impõe a anulação total do auto de infração; 4) O serviço hospitalar não se confunde com o serviço médico prestado em consultórios médicos situados dentro ou fora de hospitais, cujo objeto é a mera consulta de pacientes; 5) A Recorrente presta serviços hospitalares e não serviços médicos. Os serviços médicos prestados em suas dependências ocorrem apenas em decorrência da disponibilização de seu espaço físico para que os sócios (médicos) possam exercer livremente sua atividade; 6) Quando do recebimento dos valores devidos pelos clientes a título de contraprestação dos serviços hospitalares prestados pela Recorrente e dos serviços médicos prestados pelos sócios, por vezes a recorrente faz o recebimento do valor total, repassando, posteriormente, o valor relativo aos serviços médicos aos respectivos médicos que prestaram o serviço. Tal recebimento não faz parte do faturamento da Recorrente, vez que os valores sequer transitam em conta de resultados; 7) São três provas de que os valores não fazem parte do faturamento da Recorrente: i) tais valores são integralmente repassados aos médicos que efetivaram o serviço; ii) tais valores não compõem a conta de resultado da Recorrente, sendo lançados somente em ativo e passivo; iii) a Recorrente não presta serviços médicos, somente hospitalares; e) Nos termos do § 1°, do art. 278 da IN 03/2005, assim como no art. 206, § 1° da IN 971/09, a utilização das dependências do hospital pelo médico não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa e, nesta hipótese, a entidade hospitalar se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, sendo que o responsável pelo pagamento da contribuição devida pela empresa será o SUS ou a empresa de plano ou seguro de saúde; f) Em relação aos valores pagos diretamente aos médicos, a Recorrente alega que tais valores nunca foram recebidos pelo Hospital, pois as consultas médicas Fl. 876DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000786/201021 Acórdão n.º 2402003.752 S2C4T2 Fl. 875 5 eram acertadas diretamente entre o médico e os pacientes. A Recorrente não tem sequer o controle dos valores recebidos, pois tais são devidos aos médicos e não a ela. Ao final, requer a improcedência do lançamento e o conseqüente cancelamento do crédito tributário. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Preliminarmente Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. No Mérito A matéria ora analisada encontravase expressamente regulada pela IN/SRP n° 3 de 2005, vigente à época dos fatos geradores observados na presente autuação: Art. 278: A utilização das dependências ou dos serviços da empresa que atua na área da saúde, pelo médico ou profissional da saúde, pelo atendimento de seus clientes particulares ou conveniados, percebendo honorários diretamente desses clientes ou de operadora ou seguradora de saúde, inclusive do SUS, com quem mantenha contrato de credenciamento ou convênio, não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa locatária ou cedente. § 1º Na hipótese prevista no caput, a entidade hospitalar ou afim se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, os quais não deverão constar em contas de resultado de sua escrituração contábil, sendo que o responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida pela empresa e pela arrecadação e recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual será, conforme o caso, o ente público integrante do SUS, ou de outro sistema de saúde, ou a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou diretamente o segurado. § 2º Comprovado que a entidade hospitalar ou afim não se reveste da qualidade de mera repassadora, o crédito previdenciário será lançado: I com base nos valores registrados nas contas de receitas e de despesas de sua escrituração contábil; II mediante arbitramento quando for constatado que os honorários não constam em contas de receita e de despesa de sua escrituração contábil. Nos termos do regulamento supra descrito, o hospital que fornece ao médico o espaço para atendimento de seus pacientes, seja de forma onerosa (locação) seja de forma gratuita (cessão), não responde por quaisquer encargos de ordem previdenciária, salvo nos casos em que comprovado que a entidade hospitalar não se configura mera repassadora dos honorários. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000786/201021 Acórdão n.º 2402003.752 S2C4T2 Fl. 876 7 No caso em tela, dos documentos acostados como prova no auto de infração não é possível verificar com certeza o vínculo empregatício e/ou a natureza de prestação de serviços dos médicos em relação a Recorrente. Intimada a apresentar de forma detalhada a forma de repasse e as informações quanto a consultas médicas realizadas em suas dependências, a Recorrente apresentou planilhas com informações no sentido de que os valores recebidos a título de consulta médica, em verdade, não passavam de repasses aos médicos. Entretanto, tal afirmativa somente é verificada nos valores relacionados na conta “REPASSE DE HONORÁRIOS”, sendo que nas demais contas acostadas aos autos não se pode chegar a conclusão idêntica. Somente na conta REPASSE DE HONORÁRIOS é possível verificar que os valores recebidos foram integralmente repassados aos médicos, não ficando a Recorrente com qualquer valor que pudesse configurar contratação dos serviços médicos. A simples suposição da existência de serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção fática à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Destarte, considerando a ausência de comprovação pelo Fisco, no que diz respeito especificamente à conta “REPASSE DE HONORÁRIOS”, nos termos do § 2°, do art. 278 da IN/SRP n° 3/05, voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir tais valores, uma vez que das informações acostadas, não é possível a desconfiguração da natureza de mera repassadora da Recorrente. Neste sentido este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já julgou: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/11/2004 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONVÊNIO MÉDICO. HOSPITAL. MERO REPASSADOR DE HONORÁRIOS MÉDICOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Na hipótese de a entidade hospitalar se revestir da qualidade de mera repassadora dos honorários médicos será a responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida e pelo recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou o segurado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido Parcialmente. 1 Por sua vez, os outros levantamentos realizados nas contas “PLANTÕES MÉDICOS” e “TESOURARIA”, não se referem a valores repassados, pelo que subsiste o lançamento. 1 CARF, PAF n° 35254.002328/200586, Acórdão n° 2301002.430, Cons. Relator DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Sessão 27/10/2011. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Multa No que diz respeito à penalidade aplicada – multa de ofício , a autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração decidiu pela aplicação do disposto no art. 44, § 2°, I, da Lei n° 9.430/96. Entretanto, assim como verificado pela autoridade julgadora em sede de acórdão n° 0935.863 da 5ª Turma da DRJ/JFA, a majoração da multa de ofício de que trata a lei é aplicável apenas nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar a documentação necessária a verificação da ocorrência do fato gerador. No caso em tela, apesar de considerada insuficiente pela autoridade fiscal, o contribuinte apresentou parcialmente a documentação, sendo afastada a hipótese de majoração legalmente prevista, bem como cabível o recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para excluir do lançamento os débitos referentes às contas REPASSE DE HONORÁRIOS, por vício material, bem como para recalcular a multa aplicada nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 880DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001663/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE.
Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança.
Numero da decisão: 1201-000.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, tendo sido substituído pelo Conselheiro suplente André Almeida Blanco. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pela Conselheira suplente Maria Elisa Bruzzi Boechat, tendo a sessão de julgamento sido presidida pelo Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco (Suplente).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, tendo sido substituído pelo Conselheiro suplente André Almeida Blanco. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pela Conselheira suplente Maria Elisa Bruzzi Boechat, tendo a sessão de julgamento sido presidida pelo Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco (Suplente).
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INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, tendo sido substituído pelo Conselheiro suplente André Almeida Blanco. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pela Conselheira suplente Maria Elisa Bruzzi Boechat, tendo a sessão de julgamento sido presidida pelo Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco (Suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1634.767, exarado pela 10ª Turma da DRJ em São Paulo SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 63 /2 01 0- 89 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001663/201089 Acórdão n.º 1201000.976 S1C2T1 Fl. 3 2 Conforme relatado em seu termo de verificação fiscal (TVF), a autoridade tributária acusa a contribuinte de não haver adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2005, o valor do PIS/Cofins cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança (fl. 79 e ss.). Em virtude da infração acima apontada a autoridade lavrou auto de infração apenas para reduzir o valor da base de cálculo negativa da contribuição social apurada na DIPJ/2006, não havendo sido apurada CSLL a pagar (fl. 82 e ss.). Inconformada com a autuação a contribuinte propôs impugnação ao lançamento aduzindo, em síntese, o seguinte (fl. 87 e ss.): a) o art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95, que prevê a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, é aplicável tão somente à apuração do IRPJ, não alcançando a CSLL; b) é também inaplicável ao caso o art. 13, I, da Lei nº 9.249/95, uma vez que tributos com exigibilidade suspensa não são provisões. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pela improcedência da impugnação em acórdão assim ementado (fl. 142 e ss.): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 BASE DE CÁLCULO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151, II a IV, do Código Tributário Nacional. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar questões relacionadas à inconstitucionalidade de leis ou à ilegalidade de normas infralegais, matérias estas reservadas ao Poder Judiciário. Irresignada a interessada interpôs recurso voluntário reproduzindo, em síntese, as razões expostas na impugnação (fl. 150 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso Fl. 180DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001663/201089 Acórdão n.º 1201000.976 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Das Provisões Indedutíveis A matéria litigiosa que ora se apresenta é meramente de direito. Tratase aqui da falta de adição ao lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, do valor do PIS/Cofins cuja exigibilidade encontravase suspensa. Mais especificamente é necessário determinar se, sob o ponto de vista jurídico, o PIS/Cofins cuja exigibilidade esteja suspensa por medida liminar em mandado de segurança tem, ou não, a natureza de provisão pois, em caso positivo, incide o disposto no abaixo transcrito art. 13, I, da Lei nº 9.249/95: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (...) Esta Turma já examinou a matéria em outras oportunidades, havendo, em todas elas, decidido que o PIS/Cofins cuja exigibilidade esteja suspensa por medida liminar em mandado de segurança têm a natureza jurídica de provisão. O fundamento dessa afirmação encontrase no uso corrente do termo provisão no âmbito das Ciências Contábeis e, também, no Pronunciamento Ibracon NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, que assim estabelece: DEFINIÇÕES 6. Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: (...) ii. Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos. (...) Ora, o PIS/Cofins cuja exigibilidade esteja suspensa por medida liminar em mandado de segurança é um passivo de prazo e valor incertos. É incerto o prazo para recolhimento porque não é possível determinarse previamente o tempo de duração da medida liminar e nem quando será prolatada a decisão definitiva no respectivo processo judicial. E é Fl. 181DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001663/201089 Acórdão n.º 1201000.976 S1C2T1 Fl. 5 4 incerto o valor devido a título de PIS/Cofins pois este também só será determinado quando do transito em julgado do processo. Portanto, tendo a natureza de provisão, a ora recorrente deveria ter adicionado ao lucro líquido, para determinação da base de cálculo da CSLL, o PIS/Cofins cuja exigibilidade encontravase suspensa. Não é outro também o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por meio do Acórdão nº 910100.592, exarado na sessão de 18 de maio de 2010, pacificou a questão, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Por fim, devese reconhecer que assiste razão à recorrente quando afirma que art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95, mencionado no TVF, não é aplicável à CSLL. No entanto esse não foi o único fundamento da autuação. De fato, no auto de infração encontrase como enquadramento legal do ilícito o a seguir transcrito o art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88 que determina a adição à base de cálculo da CSLL das provisões não dedutíveis na apuração do lucro real: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) (...) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Seja como for, conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, eventual erro ou incompletude no enquadramento legal da infração não é causa de nulidade do lançamento se os fatos ilícitos foram corretamente identificados na peça acusatória, como no Fl. 182DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001663/201089 Acórdão n.º 1201000.976 S1C2T1 Fl. 6 5 caso destes autos (falta de adição de tributos com exigibilidade suspensa na determinação da base de cálculo da CSLL). 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/03/2014 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904419/2012-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Vooluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Vooluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 14 1 13 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.904419/201227 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.006 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente RSA IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 44 19 /2 01 2- 27 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 15 2 Recurso Vooluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da DRJ/POR, referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/RPO, que assim relata: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Declaração de Compensação e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter compensado crédito. Em seu pedido, a contribuinte expressamente declara no campo próprio que "o crédito não tem como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal". Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, sob o fundamento de que os pagamentos localizados foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte ingressou, com a manifestação de inconformidade e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 17 4 1. Preliminarmente, reclama o recebimento do recurso, não obstante a intimação ter sido recebida eletronicamente e considerar tal via em desacordo com os fatos, emfunção das garantias constitucionais e legais que aponta, dentre elas o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430/1996, e o art. 35, do decreto70.235/1972. 2. Alega a nulidade do Despacho Decisório decorrente da insuficiência de fundamento, dado que não foi esclarecida a indisponibilidade de crédito tampouco houve intimação da empresa para esclarecer o porquê de ter considerado o recolhimento indevido ou a maior, e, em conseqüência, não teria sido efetivamente julgado o motivo da restituição. Cita o art. 37, da Constituição Federal, e os artigos 2º, inciso VIII, e 50, da Lei nº 9.784/1999. Afirma que o despacho eletrônico não teria passado pelo crivo de um auditor fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade de crédito. Entende que o indeferimento se deveu exclusivamente ao encontro de contas entre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF e que não teria sido investigadas as possíveis causas para restituição, sequer aquelas reconhecidas pela própria Receita Federal no art. 2º da IN nº 900/2008. Reforça a argüição de nulidade com fundamento no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, pois a falta de explicação sobre os motivos da suposta indisponibilidade de crédito tornaria a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência do crédito. Traz decisão administrativa. 3. Alega também ter havido cerceamento do direito de defesa, citando o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e doutrina. Fundamenta a alegação no fato de que a autoridade administrativa não teria analisado o mérito do pedido nem intimado a empresa para prestar esclarecimentos, nos termos do art. 65, da IN nº 900/2008, o que teria violado o direito à ampla defesa e o dever de eficiência dos atos administrativos. Expõe também que a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram seu entendimento e que tal falta de motivação obstaria até mesmo a produção de provas necessárias, já que sequer seria sabido o que não foi reconhecido. 4. No mérito, afirma a legitimidade do crédito postulado. Esclarece que procedeu ao envio eletrônico do pedido de restituição/compensação, em atendimento ao disposto na IN RFB nº 900/2008, tendo utilizado para tanto o programa PER/DCOMP, e, no entanto, a análise da restituição/compensação se deu também por via eletrônica sem considerara causa do pedido, que teria sido a utilização da base de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Portanto, o pedido formulado tem como base declaração de Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 18 5 inconstitucionalidade já transitada em julgado, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996. 5. Clama pela produção posterior de provas, conforme regra autorizadora do art. 16, §4º, alínea a, a ser realizada no momento em que a lide esteja delineada nos seus termos, considerando que nem a autoridade administrativa nem a impugnante sabem ao certo o motivo do indeferimento, em virtude da omissão dos motivos do indeferimento pela autoridade administrativa e da falta de oportunidade para esclarecimentos por parte da empresa, conforme já defendido nos outros pontos da manifestação da contribuinte. Conclui requerendo o recebimento do recurso, em seus efeitos devolutivo e suspensivo, para seu julgamento, a declaração de nulidade do Despacho Decisório, a remessados autos à Delegacia de origem para que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, o julgamento pela total procedência do recurso, caso não sejam reconhecidas as nulidades argüidas, com o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, e a produção de todos os meios de prova admitidos em direito,em especial prova documental, bem como o direito de produzilas em momento posterior. É o relatório. Acordaram os membros da Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, restando assim a ementa do referido julgado com o seguinte teor, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO GENÉRICA. Não pode prosperar a alegação genérica de que são inconstitucionais as normas aplicáveis ao caso concreto e/ou a menção a teses tributárias e jurisprudência não especificadas, por impossibilitar à instância julgadora identificar suficientemente os argumentos a serem apreciados. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 19 6 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada apresenta a contribuinte Recurso Voluntário, onde apresenta resumo dos fatos, e após, nas razões de direito, requer a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação, bem como pela falta das diligências necessárias à comprovação do crédito pela Delegacia de origem. Por fim, caso não sejam acolhidas as nulidades argüidas, requereu que seja reconhecido o direito creditório. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 20 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, não se vislumbra razões para reforma do acórdão da DRJ de Ribeirão Preto (SP), conforme se verá a seguir. Em recurso voluntário a contribuinte requereu a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação do despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido tratou com perfeição o assunto. No tocante às preliminares de nulidade, não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende a contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação do crédito alegado, como também, não se caracteriza cerceamento de defesa o fato de a Contribuinte não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, como será demonstrado. Com relação ao instituto da compensação cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 21 8 créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O PER/DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevêm a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. No caso concreto, a contribuinte declarou débitos de PIS, COFINS e IPI, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior” . Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a integralmente utilizado, não havendo, portanto, o referido “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR” do tributo em exame. Assim, a análise declaração prestada pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito pretendido pela compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pela contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que motivou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório. Em suma, os motivos da não homologação da compensação pleiteada residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Cabe observar ainda que o fato de o Contribuinte não ter sido previamente intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar prova sobre o alegado crédito indicado na Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"), objeto do despacho decisório, não configura cerceamento de defesa. Isso porque o referido e fundamentado Despacho foi exarado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dele foi a contribuinte regularmente cientificada, sendolhe possibilitada a apresentação, no prazo regulamentar de 30 dias a manifestação de inconformidade, tal como fez, contudo desacompanha de documentos comprobatórios do direito alegado. Acrescentase que, distintamente do que ocorria no regime de compensação por requerimento (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua redação original), quando o contribuinte deveria apresentar prova do seu crédito quando da formalização do pedido de restituição ou compensação, já que compete ao requerente provar o seu direito, a partir da vigência da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, dentro, portanto, do regime de compensação por via declaratória (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua nova redação), não é exigido que a prova documental do indébito acompanhe a Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"). Ao contrário do que alega a impugnante, o art. 65 da IN n°900/08 faculta à autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 22 9 a compensação, que se condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, quando houver necessidade de se comprovar a exatidão das informações prestadas, o que não ocorreu no presente caso. A Autoridade da RFB competente dispunha de todos os dados necessários, informados pelo próprio contribuinte, para decidir sobre o referido pedido de compensação, não caracterizando cerceamento de defesa a sua não intimação. Cabe observar ainda que o artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972 prescreve que "A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, sendo tal disciplina, afeta ao Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, aquela que rege o contencioso concernente à nãohomologação da compensação. Assim, temos que Despacho Decisório não homologatório de compensação não se confunde com lançamento ou revisão de lançamento, estando ligado ao instituto da compensação, enquanto a manifestação de inconformidade obedece ao mesmo rito processual que também submete a impugnação do lançamento, conforme comanda o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96. Portanto, é a partir da não homologação da Declaração de Compensação que o contribuinte poderá opor resistência à pretensão, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, como ocorreu no presente caso. Não se vislumbra, assim, no Despacho Decisório recorrido qualquer ofensa ao princípio da ampla defesa, visto que ele foi plenamente observado pela Autoridade que o proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos os elementos próprios devidos ao processo foram respeitados, em estreita obediência aos ditames da Lei n° 9.784/99 e do Decreto n° 70.235/72, não se observando, ainda, qualquer das situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de se rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, pois não há qualquer razão para que seja considerado inválido o Despacho Decisório recorrido. Assim, consoante restou apreciado pela DRJ de Ribeirão Preto, verificase que em seus pedidos originais, a contribuinte informou, no campo próprio da PER/DCOMP, que a restituição pleiteada se fundava em “pagamento indevido ou a maior” e não há registro nesse documento que indique se tratar de pedido fundado em alegação de inconstitucionalidade de norma jurídica. Ao contrário do afirmado na manifestação de inconformidade e recursos voluntário, o campo referente à existência de fundamento de inconstitucionalidade, a seguir transcrito, está preenchido com informação negando se tratar dessa situação para os casos ali expressamente identificados: O CRÉDITO, perfeitamente identificado no presente documento eletrônico, TEM como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal? NÃO (grifouse) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 23 10 Deste modo, a contribuinte para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, acena com a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS alegando hipoteticamente e genericamente que haveriam afrontas a Constituição Federal, apesar de ter respondido “NÃO” ao questionamento da PER/DCOMP, consoante se verifica a fl. 02 do presente processo administrativo fiscal. Assim, temos que a contribuinte apresentou em Manifestação de Inconformidade pretensão de revisão do valor do débito confessado por ter utilizado equivocadamente a base de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, “de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”. Quanto a referida alegação de inconstitucionalidade, não vislumbro motivos para alterar os argumentos trazidos no voto da DRJ de origem, in verbis: “Em primeiro lugar, a alegação de inconstitucionalidade como fundamento para o pedido deve ser analisada considerando os termos em que o próprio pedido foi materializado. O fundamento apontado no momento do registro do pedido original pela requerente foi o “pagamento indevido ou a maior”, complementado pela informação de que não se trata de “alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal”. Portanto, se no momento da impugnação é explicitado pela requerente tratarse de fundamento de inconstitucionalidade, esse só poderá ser considerado dentro do contorno estabelecido no pedido inicial, sob pena de se caracterizar inovação e, conseqüentemente, restar configurado novo pedido. Além do mais, para pedido a partir da vigência da MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que alterou a redação do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, considerase não declarada a compensação cujo crédito tenha como fundamento alegação de inconstitucionalidade fora daquelas hipóteses; portanto, a alegação de inconstitucionalidade só pode ser conhecida no regime de apreciação da manifestação de inconformidade dentro das hipóteses que não caracterizariam a compensação como não declarada. Nesses termos, há que se enquadrar o fundamento de inconstitucionalidade em uma das quatro hipóteses descritas nos parágrafos anteriores. No entanto, a precariedade da descrição do fundamento não permite sequer adentrar essa seara. A contribuinte limitase a mencionar genericamente “teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”, sem sequer indicar uma decisão Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 24 11 específica ou dispositivos legais objeto dessas teses, apenas se referindo a receitas que não deveriam compor a base de cálculo do tributo e a inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo declarada em ação já transitada em julgado. A fundamentação apresentada é tão genérica que a contribuinte sequer esclarece em seu instrumento quais seriam as parcelas indevidamente incluídas na base de cálculo ou se a contribuição seria aquela sujeita ao regime cumulativo ou ao regime nãocumulativo, apenas aponta o tipo de contribuição, o período de apuração e o valor pleiteado. Dentre outras não menos relevantes, também a omissão do regime de tributação é essencial, pois cada regime se encontra sujeito a arcabouço normativo distinto e, portanto, eventuais inconstitucionalidades seriam atribuídas a leis distintas, leis essas também não citadas na singela argumentação apresentada. Ora, a omissão, pela manifestante, da natureza das parcelas questionadas, dos dispositivos legais que estariam eivados de inconstitucionalidade, da explicitação da tese de inconstitucionalidade sustentada e das decisões de tribunais que tenham discutido a matéria impede a consideração dessa linha de argumentação por total impossibilidade de identificação da tese a ser debatida e dos elementos fáticos correspondentes. Logo, é improcedente a alegação genérica da contribuinte.” Salientase ainda que diante da alegação da contribuinte de inconstitucionalidade de lei tributária, necessária a aplicação ao presente caso do disposto na Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, deixou de fazer pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, por força do disposto na Súmula acima transcrita. Ainda, cumpre registrar que a contribuinte não traz em momento algum aos autos qualquer documento/prova que dê sustentação a qualquer de suas alegações, tratando sempre de forma genérica. Ou seja, as conjecturas aventadas não são suficientes para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, tal como expressamente referido no pedido de compensação (PER/DCOMP). O chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o sujeito passivo assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza nos termos do disposto no art.170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 25 12 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Ao não trazer aos autos documentos que comprovem suas alegações, a contribuinte viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende dos artigos 15, caput, e 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 1972, abaixo transcrito: "Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. " Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do Código de Processo Civil: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Necessário destacar que o presente Recurso Voluntário, tal qual a Manifestação de Inconformidade, vieram desacompanhados de qualquer documento comprobatório do direito alegado. Diante disto, resta devidamente demonstrado que competia à contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904419/201227 Acórdão n.º 3801003.006 S3TE01 Fl. 26 13 liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é um requisito indispensável e cabe ao suposto credor fazêla. No entanto, a Manifestante não logrou tal comprovação. Assim, não vislumbrase nenhuma nulidade, não existindo violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no art. 5°, LV, da CF/88, devendo ser afastadas por completo a preliminares de nulidade do Acórdão recorrido. Deste modo, em conformidade com o art. 170 do CTN, bem como com ao art. 333, I, do CPC e também com os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72, verificase que as razões expostas no Recurso Voluntário da contribuinte não procedem. Quanto a alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, aplicável ao caso concreto a Súmula 02 do CARF, não sendo o presente Conselho competente para análise de tal matéria. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721740/2012-77
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010
DECLARAÇÃO. ATRASO NA ENTREGA.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
Numero da decisão: 1803-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ATRASO NA ENTREGA. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 40 /2 01 2- 77 Fl. 21DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.721740/201277 Acórdão n.º 1803002.000 S1TE03 Fl. 22 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Neudson Cavalcante Albuquerque. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.721740/201277 Acórdão n.º 1803002.000 S1TE03 Fl. 23 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 9 e 10): Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DIRPJ DECLARAÇÃO ANUAL SIMPLIFICADA com exigência de crédito tributário no valor de R$ 200,00 e acréscimos legais, período de apuração 2009. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 02) contra o lançamento, alegando que a declaração foi feita de modo indevido por uma pessoa leiga, instruída erroneamente por um atendente da Receita Federal, que assinalou a situação de extinção, que não era o caso. A declaração deveria ter sido feita na situação simples. Solicita que a declaração errada seja desconsiderada e que sejam levados em consideração o pagamento e a declaração corretos, pois a aceitação desta impugnação é o que falta para o encerramento da baixa da empresa. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 9): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DIPJ. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 05/03/2013 (fls. 15 numeração digital ND), a tempo, em 27/03/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 17 (ND), instruído com os documentos de fls. 18 e 19 (ND), nele argumentando da seguinte forma: Fl. 23DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.721740/201277 Acórdão n.º 1803002.000 S1TE03 Fl. 24 4 Em mesa para julgamento. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.721740/201277 Acórdão n.º 1803002.000 S1TE03 Fl. 25 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme se verifica de fls. 19 (ND), a empresa foi considerada extinta pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais apenas em 13/04/2010. 5. A referência que consta de fls. 18 (ND), datada de 25/02/2000, se reporta, apenas, ao cancelamento de seu registro na mencionada Junta, com a perda automática da proteção de seu nome empresarial, passando a ser considerada inativa, por não ter procedido a qualquer arquivamento no período de dez anos consecutivos, na forma do art. 60, e § 1º, da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 25DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13116.902544/2011-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 44 /2 01 1- 13 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902544/201113 Acórdão n.º 3803005.363 S3TE03 Fl. 81 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 1º de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 182,89. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 25 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902544/201113 Acórdão n.º 3803005.363 S3TE03 Fl. 82 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902544/201113 Acórdão n.º 3803005.363 S3TE03 Fl. 83 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10467.903011/2009-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE DÉBITO. CRÉDITO COMPROVADO.
Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização para a extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação - PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1802-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE DÉBITO. CRÉDITO COMPROVADO. Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização para a extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 30 11 /2 00 9- 66 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903011/200966 Acórdão n.º 1802002.018 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1136.323, às fls. 114 a 120: A interessada acima qualificada formalizou pedido de compensação, PER/DCOMP 00873.63624.250809.1.7.040276, relativo a suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo do IRPJ pago por estimativa, código 2362, referente ao período de apuração de 31/12/2007, com débito de COFINS (cód. 5856) – dezembro/2008. O crédito informado, no valor original de R$ 349.641,10, seria decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF de R$ 394.250,00, recolhido em 31/01/2008. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, às fls. 07, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Qual seja, do valor original total de R$ 394.250,00 já havia sido utilizado para quitar débito cód. 2362, período de apuração 31/12/2007, no mesmo valor, não restando crédito passível de compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 09/16, alegando que: A situação resultou de um mero equívoco, ERRO DE FATO, no preenchimento da DCTF do período de apuração (12/2007) a que se refere o pagamento realizado a maior. Ao preencher a DCTF MENSAL, período de apuração: 12/2007, Ficha Débito Apurado e Créditos VinculadosR$, referente ao IRPJ — código 236201, na Linha correspondente ao DÉBITO APURADO, foi informado, equivocadamente o valor que foi pago de R$ 394.250,00, quando, de fato, o correto que deveria ter sido informado é o valor efetivamente devido de R$ 44.608,90. De forma que, a realidade, inclusive evidenciada na DCTF retificadora em anexo, bem como na DIPJ 2008 do ano calendário de 2007, é de que, de fato, restou um pagamento a maior a título de IRPJ — código 2362, período de apuração 12/2007, no valor de R$ 349.641,10 (R$ 394.250,00 R$ 44.608,90), o qual foi corretamente utilizado na compensação como pleiteada pela empresa requerente. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903011/200966 Acórdão n.º 1802002.018 S1TE02 Fl. 4 3 Na DIPJ 2008, anocalendário de 2007, cópia em anexo, Ficha 11 — Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, na Linha 12 — IMPOSTO DE RENDA A PAGAR, na ficha referente ao mês de dezembro/2007, consta o valor que efetivamente era devido de R$ 44.608,90. De forma que ao efetivar o pagamento de R$ 394.250,00, conforme constante do DARF próprio e também reconhecido no r. Despacho Decisório em apreço, restou por realizar um pagamento a maior de R$ 349.641,10, o que corretamente utilizou na compensação que originou o presente processo. Tem que se ter bem presente que o simples erro de fato no preenchimento de declarações não tem o condão de transformar se em fato gerador de obrigação tributária, ou seja, não pode fundamentar qualquer exação tributária; assim incabível a exigência quando comprovada a sua ocorrência, ou seja, torna insubsistente a exigência fiscal; principalmente quando verificado que os valores corretos não justificam o surgimento de qualquer fato gerador de tributo; ainda mais que simples erro de fato no preenchimento de declaração é passível de correção a qualquer tempo. Com vista a priorizar a verdade material, ou verdade real, a administração deve se ater à realidade fática tal como se apresenta. O Estado não pode se valer de aspecto meramente formal, em desprezo realidade fática, para impor a exigência de tributos. Tudo isso é o que nos ensina os relevantes precedentes do Egrégio Conselho de Contribuintes. (A Impugnante transcreveu ementas de acórdãos do CARF). Isto posto, invocando os sábios suplementos de Vossas Excelências, confia a Requerente em que darseá provimento à presente Manifestação de Inconformidade, com a reforma, ou até anulação, do respeitável Despacho Decisório recorrido, de forma que seja reconhecido o direito creditório em sua totalidade, como originalmente requerido no pedido de compensação em apreço. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903011/200966 Acórdão n.º 1802002.018 S1TE02 Fl. 5 4 A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 29/03/2012 (quintafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/04/2012 (segundafeira), onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Em 06/12/2012, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.137, às fls. 176 a 184, demandando realização de diligência pela unidade de origem. Cumprida a resolução, o processo retornou ao CARF com o Relatório de Diligência de fls. 220, para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903011/200966 Acórdão n.º 1802002.018 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação – DCOMP, em que utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, relativamente à estimativa mensal de dezembro de 2007. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em suas peças de defesa, a Contribuinte vem informando que recolheu R$ 394.250,00 a título de estimativa de IRPJ do mês de dezembro/2007, quando o recolhimento correto deveria ser de R$ 44.608,90; que também incorreu em erro ao informar o valor de R$ 394.250,00 em DCTF; que a DIPJ do anocalendário de 2007 e a DCTF retificadora evidenciam a ocorrência de pagamento a maior em relação ao referido período; que na ficha 11 da DIPJ, referente ao mês de dezembro/2007, consta o valor que efetivamente era devido, de R$ 44.608,90; que ao efetivar o pagamento de R$ 394.250,00, restou por realizar um pagamento a maior de R$ 349.641,10. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à pretendida compensação. Esta decisão indica com precisão a data dos eventos: a Contribuinte apresentou em 12/12/2008 DIPJ retificadora para o ano calendário de 2007 (fls. 67 a 111), onde consta IRPJ/Estimativa de dezembro de 2007 no valor de R$ 44.608,90 (fls. 75); a PER/DCOMP em lide (fls. 25/30) foi transmitida em 25/08/2009; o Despacho Decisório, às fls. 07, foi emitido em 07/10/2009; a DCTF retificadora foi apresentada em 09/11/2009. Seus fundamentos estão assim descritos: [...]Os valores informados em DIPJ possuem mero caráter informativo, enquanto que os valores a pagar informados em DCTF vão ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, constituindo verdadeira confissão de dívida. Dos fatos narrados acima verificamos que a Delegacia da Receita Federal em João PessoaPB, ao examinar a existência, Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903011/200966 Acórdão n.º 1802002.018 S1TE02 Fl. 7 6 ou não, do pretendido direito creditório, não poderia nortear sua análise senão a partir dos elementos contidos na Declaração de Compensação e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, entregues pela contribuinte e constantes dos sistema de controle da RFB (DCTF entregue em 11/02/2008, onde consta IRPJ – cód. 2362 no valor de R$ 394.250,00). Não merece reparo, portanto, a decisão prolatada por aquela autoridade, não homologando a compensação declarada. Se a contribuinte verificou a ocorrência de erro na apuração da CSLL informada em DCTF, deveria ter providenciado a entrega da correspondente DCTF retificadora, antes da Administração Tributária ter indeferido seu pleito mediante o Despacho Decisório em lide. A retificação da DCTF, para reduzir ou eliminar débitos declarados, feito após a decisão da Autoridade Fiscal que examinou a existência do crédito, não pode, simplesmente, ser acolhido, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na análise do crédito da contribuinte, em relação aos dados constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são constituídos pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DCTF, DIRF, etc., na data da emissão do Despacho Decisório. Alias, a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas para que pudesse comprovar o que alega a respeito do recolhimento indevido. Por oportuno, mesmo que a solicitação de retificação da declaração tivesse sido apresentada antes do recebimento do Despacho Decisório, teria de ser acompanhada da prova. (...) A respeito desses parâmetros e com relação ao presente processo, constatase que a Impugnante não apresentou os Livros Fiscais e Contábeis com os respectivos documentos comprobatórios que viessem a demonstrar o erro dos valores informados em DCTF e que justificassem a sua retificação. Não restou, portanto, comprovado o erro de fato alegado pela contribuinte. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903011/200966 Acórdão n.º 1802002.018 S1TE02 Fl. 8 7 Pelo exposto, não tendo ficado comprovado no processo a existência de crédito por parte da impugnante e considerando que a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos da contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e manutenção do Despacho Decisório da DRF/João Pessoa/PB, de fls. 07. Contra essa decisão foi apresentado recurso voluntário, que foi inicialmente examinado por esta turma julgadora do CARF em 06/12/2002, data em que foi exarada a referida Resolução nº 1802000.137. Naquela ocasião, foram feitas várias considerações sobre a composição do ônus da prova nos processos que tratam de compensação/restituição de indébito, registrandose ainda que a Contribuinte não havia sido em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Também pesava a favor da Contribuinte o fato de que a DIPJ já indicava o valor de débito que ela alegava como correto, e a Receita Federal não podia ter simplesmente desconsiderado este dado. Concluiuse, então, que a decisão do presente processo demandava uma instrução complementar. Se, por um lado, os elementos constantes dos autos não permitiam ainda verificar a certeza e a liquidez do crédito compensado, por outro, a Receita Federal precisava tomar as rédeas desta verificação, estabelecendo parâmetros para a composição do ônus da Contribuinte. Deste modo, a decisão, naquela ocasião, foi no sentido de afastar o problema da falta de retificação da DCTF antes do envio da DCOMP, para que a Delegacia de origem, à luz dos elementos que entendesse necessários (declarações, livros contábeis e fiscais, contratos, notas fiscais, etc.) verificasse junto à Contribuinte qual era efetivamente o valor do débito a título de estimativa de IRPJ em dezembro/2007, informando ainda, em relatório circunstanciado, se havia ou não pagamento a maior para esse período. Solicitouse ainda que, antes de o processo retornar ao CARF, a Contribuinte fosse intimada para se manifestar sobre as conclusões da diligência fiscal. A resolução foi plenamente atendida, e o processo foi devolvido ao CARF com o Relatório de Diligência de fls. 220, cujos esclarecimentos transcrevo abaixo: Em diligência solicitada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, [...] [...] De acordo com a DIPJ (fl. 72) o resultado antes do IRPJ e CSLL foi de R$ 3.004.201,74, em dezembro de 2007, e está devidamente escriturado na contabilidade conforme a Demonstração do Resultado do Exercício (fl. 198). Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903011/200966 Acórdão n.º 1802002.018 S1TE02 Fl. 9 8 Após as adições e exclusões exigidas pela legislação fiscal, apurouse um lucro real de R$ 3.294.190.271,05, que serviu de base de cálculo para o saldo do IRPJ a pagar (PA 12/2007): Base de cálculo do IRPJ R$ 3.294.358,98 IRPJ apurado R$ 799.589,75 () IRPJ pago antecipadamente (suspensão) R$ 643.940,53 () IRRF R$ 72.144,17 () IR Retido na fonte por Órgãos, Aut. e Fund. R$ 19.130,00 dos Est., DF e Mun. IRPJ a pagar R$ 44.608,90 Portanto o valor do débito a título de estimativa de IRPJ em dezembro/2007 é de R$44.608,90, mas o contribuinte pagou, em 31/01/2008, o valor de R$ 394.250,00 a título de IRPJ (cod. 2362), PA 12/2007, conforme comprovantes anexos às fls.194 e 219, logo, pagou a maior a quantia de R$ 349.641,10. Observo que as rubricas do quadro acima não resultam matematicamente em um saldo de IRPJ pagar no valor de R$ 44.608,90. É que o quadro deixou de mencionar as “Deduções de Incentivos Fiscais”, no valor de R$ 19.766,15 (fls. 77), e só com o cômputo desta dedução é que o saldo de IRPJ a pagar chega realmente no montante de R$ 44.608,90. Esse mero erro formal no preenchimento do demonstrativo de cálculo do imposto, contudo, em nada prejudica o resultado da diligência, pois não há dúvidas de que a unidade de origem fundamentadamente reconheceu o pagamento a maior na quantia de R$ 349.641,10 Restou, portanto, caracterizada a ocorrência de pagamento a maior (crédito), conforme vinha alegando a Contribuinte. Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização para a extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação – PER/DCOMP. Deste modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a compensação, no limite do crédito reconhecido, observados os acréscimos legais cabíveis, conforme a data de envio do PER/DCOMP. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903011/200966 Acórdão n.º 1802002.018 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13609.000536/2003-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI.
Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, tem-se como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 - ou do RIPI/2002.
Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto.
O regime da não-cumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao
tributo incidente sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam
consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega.
Numero da decisão: 3802-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 05 36 /2 00 3- 89 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Trata o presente processo a DCOMP, formalizada pela contribuinte onde se pretendeu a extinção de débitos, apontando crédito originário de Ressarcimento de IPI apurado no trimestre referido na ementa, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/99. A Fiscalização verificou tratarse de empresa que “realiza serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus, trabalhando sempre por encomenda de seus clientes, isto é, a empresa não compra as carcaças de pneus para revendêlas após o recondicionamento, mas executa as reformas nas carcaças fornecidas pelos próprios clientes, sob encomenda. Além disso, a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus”. Acrescentou, ainda, a autoridade fiscal que “pelo Livro Registro de Saídas ... verificase que todas as notas fiscais ali registradas são de prestação de serviços” e que “toda a receita consignada no Livro Razão provém da prestação de serviços ou são receitas financeiras ou recuperação de algum tipo de despesa”. Destacouse, ainda, no Relatório Fiscal, que o contrato social da empresa e alterações posteriores indica que o objeto social é o “serviço de reforma e conserto de pneus em geral”. Concluindo que o estabelecimento não se caracteriza como industrial, pois as operações que realiza não se distinguem como industrialização, conforme o art. 4º do RIPI/1998 e o inciso XI do art. 5º1 do mesmo regulamento [que exclui as operações ali indicadas do conceito de industrialização]. Logo, indicou o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, “por ineficácia dos mesmos, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte do imposto”. Assim sendo, foi proferido Despacho Decisório com base nas constatações contidas no Relatório Fiscal, ou seja, indeferindo o direito creditório e não homologando a DCOMP. Argumenta na manifestação de inconformidade, o seguinte: alega que o relatório de auditoria fiscal distorce a aplicação da legislação e omite partes do processo industrial, ao procurar descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizado renovando ou restaurando o produto para utilização, nos termos do inciso V do art. 4º do RIPI/1998; 1 Art. 5º Não se considera industrialização: XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000536/200389 Acórdão n.º 3802002.878 S3TE02 Fl. 230 3 pondera que descaracterizada estaria a industrialização se estivesse consertando um pneu que ainda possui vida útil mas que necessite de reparo (como numa borracharia) e o devolvendo ao cliente, o que não é o caso, haja vista que o pneu “reformado”, antes da reforma, não possuía mais vida útil; destaca o conceito de pneu ou pneumático reformado dado pelo art. 2º, III da Resolução nº 258/99, do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente: “todo pneumático que foi submetido a algum tipo de processo industrial com o fim específico de aumentar sua vida útil de rodagem em meios de transporte, tais como recapagem, recauchutagem ou remoldagem, enquadrandose, para efeitos de importação, no código 4012.10 da Tarifa Externa Comum – TEC”; argumenta que o pneu recauchutado é um produto novo, classificado na NCM 40.12 – Pneumáticos recauchutados ou usados de borracha; protetores, bandas de rodagem para pneumáticos e ‘flaps’ de borracha – à qual é atribuída alíquota zero, enquanto que os pneus novos classificamse na NCM 40.11 – Pneumáticos novos, de borracha; acrescenta que “tem sua atividade principal classificada de acordo com o CNAE 2.0 enquadrada na subclasse 22.12.9.00 – ‘REFORMA DE PNEUMÁTICOS USADOS’, que pertence à seção C – ‘INDUSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO’, divisão 22 – ‘FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA E DE MATERIAL PLÁSTICO’, grupo 221 – ‘FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA’ e classe 22129 – ‘REFORMA DE PNEUMÁTICOS USADOS’” e conclui que “caso a reforma de pneumáticos usados não fosse uma atividade industrial a CONCLA – Comissão Nacional de Classificação, responsável pelas normas de utilização e padronização das classificações estatísticas nacionais, teria colocado esta atividade em outra seção que não fosse a seção C que contempla apenas as atividades das INDUSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO”; pondera que houve afronta à jurisprudência do Conselho de Contribuinte que afirma que o recondicionamento é um processo de industrialização, nos termos do Acórdão 20208348, de 20/03/1996; contesta a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a atividade exercida não caracteriza industrialização e afirma que a atividade de recauchutagem é efetiva industrialização na medida em que aperfeiçoa o produto para consumo, nos termos do conceito dado pelo § único do art. 46 do CTN; menciona ainda que não pode ser considerado oficina seja pelo número de empregados (em média 25), seja pelo parque industrial (dotado de diversos equipamentos de potência superior ao limite fixado pela lei), seja pela utilização de mãodeobra que representa cerca de 15% do custo do produto final; cita a Solução de Consulta DISIT/SRRF/10ª RF nº 245, de 18/12/2007, que conclui que as atividades de recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados configuram operações de industrialização, sendo irrelevante ou não a incidência do ISS, excepcionando, de tal conceito de industrialização quando tais atividades forem realizadas por encomenda direta do consumidor ou usuário na residência do preparador ou oficina com preponderância do trabalho profissional; menciona estar juntando, por amostragem, cópias de notas fiscais de entrada e de saída de 1999 e 2001 [que na realidade compõem o ANEXO I do processo nº 13609.000326/200391] por meio das quais pretende demonstrar que é falso afirmar que todos os clientes fornecem as carcaças para a recauchutagem; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 pede, ao final, seja declarada a insubsistência do indeferimento do pedido de ressarcimento e da nãohomologação da compensação. A DRJ solicitou diligência para verificar a existência, no período a que se refere o pleito, de saídas para terceiros encomendantes estabelecidos com o comércio dos produtos recondicionados pela empresa, ou seja, caso em que a operação de recondicionamento não estaria excluída do conceito de industrialização, e que não se aplicaria, pois, o disposto no inciso XI do art. 5º do RIPI/1998 e, se for o caso, apurar o valor dos créditos passíveis de ressarcimento. Concluiuse que: i não houve saídas de produtos a terceiros encomendantes que sejam estabelecidos com o comércio de produtos recondicionados, segundo informação do próprio contribuinte; ii verificando os livros apresentados pelo contribuinte constatamos que este realizou corretamente o estorno dos créditos pleiteados. Empresa foi cientificada e reforça os argumentos da manifestação de inconformidade no sentido de reconhecimento imediato da atividade industrial do contribuinte, pois que sua produção de pneumáticos recauchutados é diferente dos pneumáticos novos, conforme tabela do IPI; que sua atividade não se confunde com a atividade de borracharia que faz remendos e reparos em pneus danificados restabelecendo sua condição de uso; que a carcaça é utilizada como matériaprima no processo industrial que entrega um produto novo, ou seja, pneu recauchutado, produto este diferente do pneumático novo. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: RECAUCHUTAGEM DE PNEUS SOB ENCOMENDA DE CONSUMIDOR FINAL. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99 decorre do saldo credor do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos que estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus é efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante [excludente do conceito de industrialização, na forma do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002], situação esta não afastada pela interessada, mediante apresentação de provas documentais, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO I COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto das DCOMPS em análise, cabe a não homologação das compensações sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de ressarcimento. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000536/200389 Acórdão n.º 3802002.878 S3TE02 Fl. 231 5 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Enfatiza que coleta carcaça e entrega pneus usados. O resultado é pneu reformado destituído de qualquer marca. Argumenta que o julgamento da 1 ª decisão deve ser nulo, inclusive por inovar, quando do pleito de diligência realizado. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de indeferimento do direito creditório decorrente da constatação, pela Fiscalização, de que a empresa realiza os serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus por encomenda de seus clientes, que se tratam de consumidores finais e não de comerciantes de pneus. Dessa forma, afasta a atividade realizada pela empresa do conceito de industrialização prescrito no art. 4º, V2, do RIPI/1998 (renovação ou recondicionamento) e a enquadra na hipótese de exclusão de tal conceito indicada no art. 5º, XI3, do mesmo regulamento. Inicialmente, observase que o objeto social é o serviço de reforma e conserto de pneus em geral. Consta no Relatório de Auditoria Fiscal, tratarse de empresa que “realiza serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus, trabalhando sempre por encomenda de seus clientes, isto é, a empresa não compra as carcaças de pneus para revendêlas após o recondicionamento, mas executa as reformas nas carcaças fornecidas pelos próprios clientes, sob encomenda. Além disso, a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus”. 2 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). 3 Art. 5º Não se considera industrialização: XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Bem como “pelo Livro Registro de Saídas (....) verificase que todas as notas fiscais ali registradas são de prestação de serviços” e que “toda a receita consignada no Livro Razão provém da prestação de serviços ou são receitas financeiras ou recuperação de algum tipo de despesa”. A questão resumese se o estabelecimento exerce atividade de industrialização, ou a atividade encontrase afastada do conceito de industrialização, por conta de estar inserida na exclusão do conceito de industrialização. Antes de adentrar no mérito, argumenta a recorrente que houve inovação, quando do pedido de diligência pela DRJ. Transcrevo passagem do texto motivador da mesma pela decisão a quo: Contrapondo a motivação do indeferimento com a demonstração, pela requerente, mediante notas fiscais de saída apresentadas por amostragem, da existência de saídas para terceiros que, pela atividade exercida [comércio varejista ou atacadista de pneumáticos e câmaras de ar], s.m.j, tratamse de pessoas jurídicas estabelecidas com o comércio dos produtos por ela recondicionados, entendeu esta Relatora pela necessidade de retorno do processo à DRF de origem, em diligência, para verificar a existência, no período a que se refere o pleito, de saídas para terceiros encomendantes estabelecidos com o comércio dos produtos recondicionados pela contribuinte [caso em que a operação de recondicionamento não estaria excluída do conceito de industrialização, não se aplicando, pois, o disposto no inciso XI do art. 5º do RIPI/1998] e, se fosse o caso, apurar o valor dos créditos passíveis de ressarcimento. Em resposta à diligência, conclui a fiscalização que (já relatado, inclusive): não houve saídas de produtos a terceiros encomendantes que sejam estabelecidos com o comércio de produtos recondicionados, segundo informação do próprio contribuinte; verificando os livros apresentados pelo contribuinte constatamos que este realizou corretamente o estorno dos créditos pleiteados. A recorrente foi cientificada e, inclusive, apresentou razões adicionais de defesa, no sentido de reconhecer a sua atividade industrial, uma vez que sua produção de pneumáticos recauchutados é diferente dos pneumáticos novos, conforme tabela do IPI; que sua atividade não se confunde com a atividade de borracharia que faz remendos e reparos em pneus danificados restabelecendo sua condição de uso; que a carcaça é utilizada como matéria prima no processo industrial que entrega um produto novo, ou seja, pneu recauchutado, produto este diferente do pneumático novo. De pronto, afasto as alegações da recorrente, pois não houve inovação nos autos, tampouco cerceamento de defesa; não ensejando nulidade de julgamento e sim pleito para esclarecimentos adicionais para convencimento do julgador. Passando ao mérito, a recorrente apresentou, através das cópias de notas fiscais de entrada e de saída de 1999 e 2001, anexadas por amostragem (ANEXO I do processo nº 13609.000326/200391) e informa que não trabalha somente por encomenda de clientes consumidores finais, mas, que adquire as carcaças de pneus de diversos fornecedores, executa a operação de recondicionamento, e revende o produto a uma terceira pessoa (distinta do fornecedor das carcaças). Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000536/200389 Acórdão n.º 3802002.878 S3TE02 Fl. 232 7 Em análise das notas fiscais de saída apresentadas, notase, no Quadro Dados Adicionais, Campo Informações Complementares, a indicação do número da Nota Fiscal de Entrada. Este fato configura a situação do art. 5º, inciso XI, na forma do art. 333, IV, § 1º, do RIPI/2002 [art. 310, IV, §1º no RIPI/1998], ou seja: Art. 333. A Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A, será emitida: IV na saída, em restituição, do produto consertado, restaurado ou recondicionado, nos casos previstos no inciso XI do art. 5º; § 1º Da nota fiscal prevista no inciso IV do caput constará a indicação da nota fiscal emitida, pelo estabelecimento, por ocasião do recebimento do produto. [destaques da Relatora]. Consta da maioria das notas fiscais de saída apresentadas, a indicação do CFOP 5.99 e a descrição da natureza da operação “Reformas”. Algumas poucas apresentam o CFOP 6.99, com descrição de operação “Reformas fora do Estado”. A apresentação das notas fiscais não logrou êxito em contrapor a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a atividade encontrase afastada do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º, inciso XI, do RIPI/2002 [ou do RIPI/1998]. Ao contrário, a emissão das notas fiscais de saída da forma mencionada revela que ela dá saída aos produtos recondicionados para o próprio autor da encomenda, para uso deste, ou seja, o encomendante é o consumidor final do produto, não o revende, enquadrando a atividade exercida, portanto, como prestação de serviços sujeita somente ao ISS. A decisão a quo, menciona dois Pareceres que esclarecem, em termos de conceituação do que seja operação de recauchutagem, bem como a destinação do produto é determinante se a operação é tributada ou não pelo IPI, isto é, se está enquadrada ou não no conceito de industrialização, conforme: O PARECER NORMATIVO CST nº 299/70, que dispõe: A recauchutagem de pneus, operação consistente em restaurar ou recapear os pneus usados, de forma a restaurar a sua utilização, caracterizase como "renovação" (RIPI4, art. 1º , § 2º , inc. V) e, pois, industrialização; o estabelecimento que a executa será, para os efeitos do IPI, um estabelecimento industrial e o seu titular será, em consequência, contribuinte do imposto, com relação aos mencionados produtos, saídos de seu estabelecimento (RIPI, art. 53, inciso I). ......... Todavia, "exvi" do disposto no inciso I, § 4º , do referido art. 1°, a citada operação não será considerada industrialização quando executada em pneus usados, por encomenda direta de terceiros, não estabelecidos com o comércio de tais produtos, ou seja, sem intuito de revenda. Nessa hipótese e, em consequência, a saída dos produtos acabados não obriga ao pagamento do imposto. 4 O regulamento a que se reporta o parecer é o RIPI/67 [ Decreto nº 61.514, de 12/10/1967]. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 As empresas recauchutadoras, segundo declara a respectiva entidade de classe, executam a mencionada operação, nas seguintes modalidades: a) por encomenda direta do proprietário, para uso deste; b) por encomenda do proprietário, para uso deste, mas por intermédio do borracheiro; c) por conta própria, para a revenda; d) por encomenda do borracheiro, para a revenda. Nenhuma dúvida subsiste nas modalidades descritas em "a", "c" e "d": eis que no primeiro caso, a operação se equipara a conserto, não alcançada pelo imposto, enquanto que as duas outras ("c" e "d") configuram renovação, sujeitas ao tributo às respectivas saídas. Merece, contudo, algumas considerações a modalidade descrita em "b". Então, não há dúvidas quanto à atividade de recauchutagem de pneus tratar se de operação de industrialização. No entanto, a destinação do produto recondicionado [se para revenda a terceiros ou para uso do autor da encomenda] é que determinará se a operação é tributada ou não pelo IPI, isto é, se está enquadrada ou não no conceito de industrialização. Da mesma forma o PARECER NORMATIVO CST nº 437/70: Isto posto, somos de parecer que a operação de industrialização de objetos usados adquiridos de particulares para revenda a terceiros efetivamente se enquadra no conceito de "renovação ou recondicionamento" a que se refere o RIPI, o já transcrito inc. V, § 2º , art. 1º . Só nesse conceito, e não noutro. Portanto, se o produto usado submetido a um processo de recondicionamento ou renovação for destinado ao encomendante proprietário da carcaça do pneu, para uso deste (consumidor final), a operação equiparase a conserto, não alcançada pelo IPI. Se o encomendante for revender o produto recondicionado, caso em que o encomendante comerciante será estabelecimento equiparado a industrial, por força do inciso IV do art. 9º do RIPI/1998 (ou do RIPI/2002). No entanto, no Termo de Verificação Fiscal consta que “a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus” foi confirmada pela recorrente. Assim sendo, conceitualmente, será industrialização se o pneu for recauchutado para venda. Como se trata de encomenda do usuário, a exclusão do conceito de industrialização depende da atividade deste último: se for estabelecido com o comércio de pneus, é; do contrário, não, nos termos do inciso XI do art. 5º RIPI/98 e 2002. Por final, a recorrente limitouse a discutir que sua atividade está inserida no processo de industrialização, não aduzindo provas que lhe dessem respaldo para alcance do seu pleito. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000536/200389 Acórdão n.º 3802002.878 S3TE02 Fl. 233 9 direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifei) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos do IPI, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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