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Numero do processo: 13052.000160/2005-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante.
APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF.
Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS NÃO CUMULATIVA.
O crédito presumido do IPI constitui receita sujeita à incidência da COFINS não cumulativa.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Joel Miyazaki.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Joel Miyazaki - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS NÃO CUMULATIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 01 60 /2 00 5- 16 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 498 2 O crédito presumido do IPI constitui receita sujeita à incidência da COFINS não cumulativa. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Joel Miyazaki. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Joel Miyazaki Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 412 a 433) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 389 a 397) que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da COFINS das parcelas relativas ao crédito presumido de ICMS e ao crédito presumido de IPI. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 12 DO ART. 32 DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CALCULO DA COFINS. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 499 3 O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Recurso provido. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, defendendo, em síntese, com arrimo em divergência jurisprudencial, a inclusão do crédito presumido do ICMS e do IPI na base de cálculo da COFINS. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 445 a 446. Contrarrazões do contribuinte às fls. 451 a 478. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, o v. acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Inicialmente, é de se destacar que os créditos de COFINS exigidos através do auto de infração em questão dizem respeito aos fatos geradores de 01/01/2001 a 31/12/2004. O presente processo, portanto, cuida em um período da COFINS cumulativa (01/01/2001 a 31/01/2004) e em outro da COFINS não cumulativa (01/02/2004 a 31/12/2004), nos termos da Lei nº 10.833/2003, artigo 93, inciso I. Com relação ao período em que se exigiu a COFINS cumulativa (01/01/2001 a 31/01/2004), deve ser observado o entendimento adotado pelo Excelso Supremo Tribunal Federal quanto à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Este dispositivo, como se sabe, foi declarado inconstitucional pela Excelsa Corte em sede de controle difuso de constitucionalidade, o que limita a eficácia da decisão às partes do litígio. É de se notar, todavia, que este entendimento já foi objeto de decisões reiteradas pela Excelsa Corte, tendo sido, inclusive, cristalizado de forma definitiva pelo seu órgão plenário, com a reafirmação da jurisprudência no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, pela edição de súmula vinculante: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da Fl. 499DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 500 4 inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (grifos e destaques nossos) Aplicável à espécie, portanto, o disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1 não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento , da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O Regimento Interno do CARF, ao seu turno, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 501 5 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal, proferida em sede de repercussão geral, também deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vale reforçar por último quanto a esse ponto que a Excelsa Corte reafirmou a sua jurisprudência acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, determinando, ainda, a edição de súmula vinculante. Por conseguinte, incabível a tributação dos valores referentes aos créditos presumidos de ICMS e IPI pela COFINS cumulativa (01/01/2001 a 31/01/2004), pois restou fixado que tal tributo incidiria apenas sobre o faturamento, equivalente à receita bruta, entendida como o total de receitas auferidas com a venda de mercadorias e/ou serviços. Por outro lado, quanto ao período referente à COFINS não cumulativa (01/02/2004 a 31/12/2004), a questão é diversa. Com efeito, na vigência da sistemática não cumulativa a quaestio juris passa a ser a seguinte: os créditos presumidos de ICMS e IPI são receitas, considerando que, em princípio, todas as receitas, independentemente da denominação ou classificação contábil, são incluídas na base de cálculo da COFINS? Nesse ponto, entendo que deve prevalecer a posição adotada no voto vencedor do v. acórdão recorrido, da lavra da Ilustre relatora, Conselheira Nadja Rodrigues Fl. 501DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 502 6 Romero, ou seja, que as parcelas relativas ao crédito presumido de ICMS e ao crédito presumido de IPI não fazem parte da base de cálculo COFINS. Em razão dos preciosos argumentos expendidos, pedese vênia para transcrever trecho do voto condutor, verbis: (...) Quanto ao mérito, no caso do crédito presumido de ICMS, não cabe a sua inclusão na base de cálculo da Cofins, pois o mesmo configurase mero registro contábil redutor em conta de custos, não podendo ser tratado como receita para fins de ser tributado pela contribuição, por não se tratar de ingresso de recursos, seja por Regime de Caixa ou por Regime de Competência, uma vez que não houve ingresso de recursos financeiros na empresa e tampouco houve qualquer redução na base de cálculo da Cofins por força do beneficio fiscal estadual. Este é o entendimento da Administração Tributária Federal expresso na Decisão SRRF/3 RF/Disit n' 47, de 11/12/1998, esclarecedor sobre a natureza dos créditos de ICMS escriturados em razão de aquisição de mercadorias, mantidos e não utilizados na conta gráfica e realizados por uma das modalidades previstas pela legislação do ICMS, inclusive transferência a terceiros. Transcrevo ementa e fundamentos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. INCIDÊNCIA. O recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas e escrituradas pela empresa, e a recuperação de créditos do ICMS, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação especifica, não constituem fato gerador para a Contribuição para o PIS/PASEP. Dispositivos Legais: Artigos 2° e 3° da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998. (.) FUNDAMENTOS LEGAIS A principio, cumpre observar que, conforme dispõe o 5S. 3° do artigo 231 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/1/94 RIR/94, os impostos não cumulativos, recuperáveis mediante créditos na escrita fiscal, não integram o custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas na produção. Nesse sentido, sendo o ICMS nãocumulativo, os valores pagos na aquisição de matérias primas e mercadorias não integram o respectivo custo, constituem crédito compensável com o que for devido na saída subseqüente. Entretanto, ocorrendo a hipótese Fl. 502DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 503 7 de não incidência na saída subseqüente com manutenção do direito ao crédito, caso das operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados, fica inviabilizada a compensação pela sistemática usual, restando a empresa adotar as formas alternativas de recuperação do crédito disciplinadas pelo artigo 69 do Regulamento do ICMS 1 . Mister se faz ressaltar que a recuperação de créditos do ICMS, escriturados em conta patrimonial representativa de direitos a recuperar, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação de regência, constitui fato administrativo permutativo, uma vez que apenas modifica a composição dos bens e direitos integrados ao patrimônio, não altera a situação liquida da empresa. Da mesma forma, não altera o patrimônio liquido, o recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas pela empresa, devidamente contabilizadas e computadas no resultado do exercício, por tratarse de fato administrativo permutativo." Não existe dúvida de que a realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui receita e, portanto, o seu valor não pode integrar a base de cálculo da Cofins a que se referem os arts. 2º e 3º da Lei n° 9.718/98 e o art. 12 da Lei n° 10.637/2002. No tocante ao crédito do IPI, incluído pela fiscalização na base de cálculo da Cofins, não assiste razão ao lançamento realizado, a legislação que rege a matéria é expressa ao caracterizar o crédito presumido como tendo a natureza jurídica de ressarcimento de tributo, como reza o art. 12 da Lei n2 10.637/2002: "Art. 1°. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares es de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." Ademais, ressarcimento de parcela de tributo anteriormente pago, não é passível de ser considerado como receita, unicamente porque se trata de parcela de tributo que compôs o custo dos insumos adquiridos, mesmo que de forma presumida, o qual deixou de ser devido por força de lei. Deixando de ser devido o tributo anteriormente pago, via preço, entendo não poder tal parcela receber o tratamento de componente da base de cálculo das mesmas contribuições nas quais teve origem. (grifos e destaques nossos) Por último, e corroborando os termos do voto proferido na Colenda Câmara Ordinária pela Ilustre Conselheira Nadja Rodrigues Romero, mister destacar, também, o voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Teresa Martinez López em caso análogo ao presente, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 504 8 o qual, em razão da sua percuciência e erudição, também peço vênia para adotar como razão de decidir, verbis: (...) A questão pode ser analisada por duas frentes: a primeira diz respeito à natureza do crédito presumido; a segunda, a interpretação pelo principio da razoabilidade. O crédito presumido de IPI foi instituído pela Lei no 9.363/96 objetivando incentivar a atividade de exportação, gerando condições favoráveis para aqueles que, se dedicando a este campo de atuação, tivessem possibilidade de concorrer no mercado internacional reduzindo sua carga tributária. Deste modo, o contribuinte produtorexportador de mercadorias nacionais passou a ter direito a um crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como “ressarcimento” das contribuições à Cofins e ao PIS incidentes sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno para utilização na fabricação de produtos destinados à exportação (Lei n°9.363/96). Assim, o produtorexportador pode utilizar o valor do crédito presumido para abater do WI devido no próprio período de apuração ou nos períodos subsequentes ao da apuração do crédito. Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido para compensação com o WI devido pelo produtorexportador nas operações de venda no mercado interno, poderá requerer o "ressarcimento" em moedacorrente, compensálo com débitos relativos a outros tributos e contribuições federais ou transferilo para outros estabelecimentos da mesma empresa, observadas as normas pertinentes. Não é objeto de análise a cessão desse crédito para outros estabelecimentos. O crédito presumido do WI definitivo tem sido definido por alguns como uma espécie de recuperação de custos. Por outros, tecnicamente, como subvenção. A Procuradoria, por meio do Parecer PGFN/CAT/N° 3092/2002, posicionouse no sentido de ser o crédito presumido do 1131 um incentivo fiscal, caracterizado como um "ressarcimento" das contribuições instituídas pelas Leis Complementares n°7 e n° 8, de 1970, e n° 70, de 1991 (PIS/PASEP e COFINS). Vejase excertos do texto; Conforme a Lei n°9.363, de 1996, o crédito presumido do um incentivo fiscal. caracterizado como um "ressarcimento" das contribuições instituídas pelas Leis Complementares n°7 e n°8, de 1970, e no 70, de 1991 (P1S/PASEP e COF1NS) "incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" (art. 1º). Fl. 504DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 505 9 Para melhor elucidação dos fatos, vejase um simples exemplo de crédito presumido do IPI: valor total dos insumos utilizados na produção em um determinado período: R$ 1.000.000,00; receita operacional bruta auferida no mesmo período: R$ 1.600.000,00; receita de exporta cão dos produtos no mesmo período: R$ 600.000,00. Com base nos valores acima, temos: Relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do período em questão: R$ 600.000.00x 100 = 37,5% R$ 1.600.000,00 O percentual acima apurado é aplicado sobre o valor total dos insumos utilizados na produção do mesmo período, para a apuração da parcela relativa a fabricação dos produtos exportados: 37,5% x R$ 1.000.000,00 = Id 375.M1,00 Valor do crédito presumido do 1PI acumulado no período: 5,37% (*) x RS 375.000,00 = RS 20.137,50 (*) Percentual fixado pelo art. 2°, § 1°, da Lei n°9.363/96. Assim, no exemplo hipotético acima, tendo a empresa apurado crédito do IN no valor de R.$ 20.137,50, um dos procedimentos contábeis é registrar esse valor a débito da conta de IN a Recolher ou mesmo na conta WI a Recuperar, em contrapartida a crédito da conta de "Crédito Presumido do IPI" cm conta de resultado, qual seja, conta retificadora de custo dos produtos vendidos. Não há dúvidas que, em se tratando de recuperação de custos, o crédito presumido do WI não integra a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, eis que Receita não é. Tenho, no entanto, h exemplo do exaustivo estudo elaborado pelo conceituado doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira, me manifestado de forma a conceituar o crédito presumido do WI como sendo uma subvenção. Nesse sentido o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n° 9.363/96, tem natureza jurídica de subvenção governamental em prestígio ao setor exportador I . Tal posicionamento, a meu ver, não modifica a conclusão acima, de que ainda sob este aspecto igualmente de "receita" não se trata. O crédito presumido se apresenta, como uma concessão governamental visando incrementar as exportações de produtos Fl. 505DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 506 10 brasileiros, tendo, portanto, a natureza de uma subvenção, a16 porque subvenções são definidas como "as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas", distinguindose as subvenções sociais e as econômicas, consideradas estas "as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril" (Lei no 4.320, de 17.3.1964, art. 12, parágrafo 3°). Ricardo Mariz, na obra já citada, após estudo da verdadeira identidade dos créditos fiscais a titulo de incentivo, e após a conclusão de que eles silo subvenções para custeio de operações, e que estas, tanto quanto as subvenções para investimento, 2 não se identificam como receitas, formula um silogismo a partir de duas premissas verdadeiras, e que, portanto, conduzem a uma conclusão logicamente correta, qual seja: as subvenções governamentais, tanto para investimento quanto para custeio de opera cães, não são receitas sujeitas a COFINS e a contribuição ao PIS (premissa maior); ora, os créditos fiscais a titulo de incentivos fiscais são subvenções governamentais para custeio de operações (premissa menor); logo, os créditos fiscais a titulo de incentivos fiscais não são receitas sujeitas à contribuição ao PIS e II COFINS Nem de outra forma poderia ser porque, se assim não fosse, bastaria um lançamento i conta de receita para incidirem as duas contribuições, ou um não lançamento a essa conta para eliminálas. Portanto, pressupõese que a contabilidade vi procurar o conceito de receita fora dos seus procedimentos, e que estes o adotem corretamente. Após a análise do que vem a ser receita, oportuno transcrever as conclusões a que chegou Ricardo Mariz de Oliveira, ao tratar exaustivamente da matéria: : a aquisição do direito aos créditos fiscais a titulo de incentivo, que tenham a natureza jurídica de subvenções econômicas pare custeio de operações, não é receita nem é sujeita à incidência da COFINS e da contribuição ao PIS; a simples realização desses créditos fiscais perante o próprio Poder Público e pelas formas originárias da lei reguladora de cada crédito compensação tributária ou ressarcimento em dinheiro representa a realização financeira do próprio direito e também não é receita tributável pela COFINS e pela contribuição ao PIS; (grifos e destaques nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 506DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 507 11 Voto Vencedor Conselheiro Joel Miyazaki, Redator Designado O auto de infração abrangeu o período de 01/01/2001 a 31/12/2004, tendo sido lançados os fatos geradores de 01/01/2001 a 31/01/2004, com base na Lei no. 9.718/98, período de incidência cumulativa da COFINS. Os fatos geradores subseqüentes, ocorridos entre 01/02/2004 e 31/12/2004, foram lançados com base na Lei no. 10.833/2003, período de incidência da COFINS nãocumulativa. Com relação ao período da COFINS cumulativa, vigência da Lei no. 9.718/98, não houve divergência em relação ao voto do ilustre relator e nem poderia haver, em vista do comando do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Dessa forma, adotase a decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucionais as alterações na base de cálculo da COFINS, promovidas pela referida Lei, para afastar a incidência da contribuição sobre as receitas em discussão, nos períodos de competência de janeiro de 2001 a janeiro de 2004. Já com relação ao período da nãocumulatividade, com a devida vênia, ouso divergir de seu entendimento. Em primeiro lugar, o crédito presumido de IPI não se confunde com uma restituição de tributos e nem com uma “recuperação de despesa”, já que o crédito, como o próprio nome já diz, é presumido, conforme brilhantemente esclarecido pela douta procuradora da fazenda nacional em sua peça recursal, cujo excerto peço vênia para abaixo transcrever: Apesar de o credito instituído pela Lei no. 9.363/96 ter como objetivo o ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos exportados, o ressarcimento em si é meramente presumido, não havendo como assemelhálo a uma restituição de tributos, porque não houve pagamento indevido de PIS e COFINS. Ao contrário, o credito presumido do IPI representa, efetivamente, um aumento patrimonial para a empresa beneficiária, pois ela deduz integralmente as despesas pelo PIS/Cofins como custo e, ainda, recebe um credito de IPI para abater débitos, também de IPI. O ganho auferido com o credito presumido do IPI, portanto, deve tributado pela Cofins, na forma do art. 2o. e 3o. da Lei 9.718/99. Ultrapassada esta questão, verificamos que o crédito presumido de IPI, sendo um incentivo fiscal, ao ser utilizado pela contribuinte , tem um efeito patrimonial positivo, caracterizandose como receita. Neste ponto, peço vênia para transcrever excerto de voto da ilustre conselheira Nayra Bastos Manatta no acórdão no. 20400.700 de 08/11/2005 que trata justamente do crédito presumido de IPI como receita tributável pela COFINS. No que diz respeito a inclusão do crédito presumido do IPI, da variação cambial de investimentos mantidos no exterior e avaliados pela equivalência patrimonial, bem como de Fl. 507DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 508 12 recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, é preciso, antes de qualquer coisa, conceituar o que seria considerado como receita para efeito da base de cálculo das contribuições sociais, conforme definido na Lei n°9.718/98. Anteriormente a Lei n° 9.718/98 o conceito de receita utilizado na base de calculo do PIS e da Cofins era o coincidente com o conceito de faturamento, ou seja, limitavase as receitas decorrentes da venda de bens e serviços, não abrangendo, portanto, as demais receitas auferidas pelas pessoas jurídicas. Com o advento da Lei n° 9.718/98 a base de cálculo das contribuições passou a ser considerada como sendo a receita bruta, permitindo algumas exclusões previstas no seu art. 3°, §2°. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior correspondente a receita bruta da pessoa jurídica. §1° Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (grifo nosso). § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sabre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos Serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadora expedidas pelo Poder Executivo; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 509 13 IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. O legislador ao se reportar a base de cálculo das contribuições sociais não cuidou de definir, expressamente, o que afinal integraria a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, limitandose apenas a dizer que não importaria a atividade exercida ou a classificação contábil adotada para as receitas. É na legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica iremos encontrar a conceituação do que seja "receita bruta", segundo preceituou a referida Lei 9.718/98. A Lei n° 4.506, de 1964, art. 44, e o DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12 matriz legal do art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 explicita o que seja uma receita bruta e os critérios para que possa ser identificada como tal. Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Assim; objetivando expandir a base de cálculo destas contribuições, a norma jurídica fez com que incidisse sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, conceito este mais abrangente que o de faturamento. A conceituação dada pelo Instituto Brasileiro de Contabilidade, por meio das disposições contidas no Pronunciamento XIV — "Receitas e Despesas/Resultado", é que "receita corresponde a acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos, reconhecidos e medidos em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultantes de diversos tipos de atividades que possam alterar o patrimônio liquido". Eldon S. Hendriksen e Michael F. Van Breda (1999) conceituaram o que seria aceito como receitas: Receitas podem ser definidas, em termos gerais, como o produto gerado por uma empresa. Tipicamente, são medidas em termos de preços correntes de troca. Devem ser reconhecidas após um evento critico ou assim que o processo de venda tenha sido cumprido em termos substanciais. Na prática, isto normalmente significa que as receitas são reconhecidas no momento da venda... Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 510 14 As receitas são o fluído vital da empresa. Sem receitas, não haveria lucros. Sem lucros, não haveria empresa. Dada sua importância, tem sido difícil definir a receita como um elemento contábil. O que ocorre com as receitas também ocorre com as despesas, que são de definição igualmente difícil. Em termos ideais, deve ser possível, dado que receitas e despesas são elementos do lucro. Em seu nível mais fundamental, receita é um aumento de lucro. Tal conto o lucro, tratase de um fluxo — a criação de bens ou serviços por uma empresa durante um período. Estes autores reconhecem que outros ingressos que não só os decorrentes do faturamento também seriam conceituáveis como receita: Os autores deste livro preferem distinguir entre as atividades produtoras de riqueza da empresa e as transferências inesperadas de riquezas decorrentes de doações ou eventos imprevistos. Em outras palavras, todas as atividades, sejam importantes ou não, relacionadas às atividades produtoras de riqueza da empresa, seriam incluídas na categoria geral de receitas. Daí resultaria uma visão mais abrangente da receita. Entre os que adotaram tal visão abrangente da receita está o APB, em seu Pronunciamento numero 4. Além de vendas e serviços, incluise nas receitas a venda de recursos que não sejam produtos, tais como instalações de equipamentos, ativos financeiros. Paton e Littlefield também consideram que embora o "fluxo de concretização" fosse a principal fonte de receita, toda a gama de bens e serviços oferecidos pela empresa, independente do valor relativo de determinado item, era incluída na receita... Com efeito, os autores ao sintetizarem a conceituação do que seja receita ensinam quatro acepções possíveis: na primeira, receita é vista como produto da empresa (faturamento); na segunda, consistiria no produto da empresa transferido a seus clientes; na terceira, corresponde à entrada de ativos na empresa (fluxo de entrada);e na última, a receita representaria o aumento bruto de ativos (patrimônio). O patrimônio é a composição representada pelo ativo menos o passivo, sendo o diferencial entre os dois grupos — ativos e passivos, exatamente o que se denomina de "patrimônio liquido". Este patrimônio é aumentado pela receita, seja a decorrente do faturamento ou de outros ingressos, e diminuído pelos custos e/ou despesas. Para Lopes de Sá (1993), a receita representa recuperação dos investimentos, renda produzida por um bem patrimonial e o valor que representa a parte positiva no sistema de resultados. Também é o resultado de uma operação produtiva e o provento ou remuneração por serviços prestados. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 511 15 Verificase, portanto, que o conceito de receita encontrase intimamente relacionado com o patrimônio, representando, assim, o conjunto de valores que ingressam no patrimônio de determinada pessoa, aumentandoo.(destaquei) ... Mesmo se considerarmos o conceito de receita na teoria econômica, verifica se que esta representa o "acréscimo de valor patrimonial (riqueza nova, acréscimo de riqueza), representativo da obtenção de produto, da ocorrência de fluxo de riqueza ou de simples aumento no valor do patrimônio, de natureza material ou imaterial, acumulado ou consumido, que decorre ou não de uma fonte permanente, que decorre ou não de uma fonte produtiva, que não necessariamente esta realizado, que não necessariamente está separado, que pode ou não ser periódico ou reprodutível, normalmente liquido, e que pode ser de índole monetária, em espécie ou real", segundo Belsunce in "El concepto de redito em la doctrina y em el derecho tributário". Verificase dai que receita na concepção da Lei n° 9.718/98 é todo ingresso financeiro que entre na contabilidade do contribuinte, seja ele "entrada financeira" (não há o ingresso no patrimônio da pessoa), "renda" (auferida de determinada fonte de propriedade da pessoa), "preço" (auferido da venda de um bem material ou de um serviço) ou "receita" (soma de valor que entra para o patrimônio da pessoa). No que tange á exclusão da base de cálculo da contribuição do crédito presumido do IPI, é de se observar, como bem frisou a decisão recorrida, que o crédito presumido do IPI, como o próprio nome diz representa um crédito, devendo como tal ser contabilizado (negrito nosso). ... O crédito presumido do IPI constitui, em verdade, um incentivo fiscal à exportação representando um ingresso financeiro na contabilidade do contribuinte, alterando o seu patrimônio, conceituandose, pois, como receita e como tal deve ser tributado (negritei). Concluímos, então que o Crédito Presumido de IPI se trata de uma receita tributável pela COFINS no regime da não cumulatividade, pois a Lei 10.833/2003, no caput de seu art. 1o e no § 1o. desse mencionado artigo, deixa bastante claro o alcance do conceito de faturamento como sendo o “total das receitas auferidas”, sendo irrelevante sua denominação ou classificação contábil. Verificamos ainda que no § 3o. do referido artigo, são elencadas, numerus clausus, a meu ver, aquelas receitas que não integram a base de cálculo, e entre elas, não figuram os créditos presumidos de IPI. Para maior clareza, abaixo reproduzo o mencionados comandos legais: Fl. 511DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 512 16 CAPÍTULO I DA COBRANÇA NÃOCUMULATIVA DA COFINS Art. 1ºA Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008)(Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13052.000160/200516 Acórdão n.º 9303002.825 CSRFT3 Fl. 513 17 VI (Vide Art. 9º e Art. 22 da Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008) VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009) VII (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) VIII (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) IX (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) X (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) XI (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) XII (Vide arts. 52 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) Com estas considerações, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda, para manter o lançamento quanto aos fatos geradores ocorridos entre 01/02/2004 a 31/12/2004. Joel Miyazaki Fl. 513DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalment e em 21/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10540.720319/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ/CSLL E DECORRENTES. OMISSÃO DE COMPRAS. OMISSÃO DE PAGAMENTOS.
Constatada omissão na contabilização de compras efetivamente pagas, provado está o fato índice necessário a que se aplique a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 40 da Lei n° 9.430/96 (RIR/99, art. 281, II). A presunção é de que recursos marginais, frutos de uma anterior omissão de receitas, foram utilizados para os pagamentos não registrados
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/SEM CAUSA.
Deve ser mantido o lançamento do IRRF sobre os pagamentos efetuados pela contribuinte, quando ela deixa de provar a identificação dos beneficiários ou a comprovar as operações e suas causas.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC E MULTA DE OFÍCIO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic (Súmula CARF nº 4).
A falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados enseja o lançamento de oficio, com a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos lançados de ofício, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I , da Lei nº 9.430/96 .
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1301-001.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Participou do julgamento o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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OMISSÃO DE COMPRAS. OMISSÃO DE PAGAMENTOS. Constatada omissão na contabilização de compras efetivamente pagas, provado está o fato índice necessário a que se aplique a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 40 da Lei n° 9.430/96 (RIR/99, art. 281, II). A presunção é de que recursos marginais, frutos de uma anterior omissão de receitas, foram utilizados para os pagamentos não registrados PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/SEM CAUSA. Deve ser mantido o lançamento do IRRF sobre os pagamentos efetuados pela contribuinte, quando ela deixa de provar a identificação dos beneficiários ou a comprovar as operações e suas causas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC E MULTA DE OFÍCIO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic (Súmula CARF nº 4). A falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados enseja o lançamento de oficio, com a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos lançados de ofício, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I , da Lei nº 9.430/96 . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 19 /2 01 0- 81 Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Participou do julgamento o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10540.720319/201081 Acórdão n.º 1301001.406 S1C3T1 Fl. 11 3 Relatório Por bem descrever os fatos transcrevo o minudente relatório do voto recorrido. Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2007, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 04 a 08, no valor de R$1.793,69; de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, às fls. 09 a 15, no valor de R$224,31; de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, às fls. 16 a 20, no valor de R$904,63; de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 21 a 26, no valor de R$1.071,29 ; e de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$64.802,80 , acrescidos da multa de ofício no percentual de 75%, e de juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização dos pagamentos das mercadorias adquiridas por meio das notas fiscais nº 8.795, 8.981 e 9.411, emitidas pela empresa “Megafruty”. O enquadramento legal aponta o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; e arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do RIR/1999. Os Autos de Infração relativos à CSLL, ao PIS (parte) e à COFINS decorreram do Auto de Infração de IRPJ, ao contrário do IRRF, referente a pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem causa, que traz como enquadramento legal o art. 674 do RIR/1999. O enquadramento legal do Auto de CSLL aponta infração ao art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996; art. 28 da Lei nº 9430, de 1996; e art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. O enquadramento legal do Auto de PIS aponta infração aos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 07, de 1970; e arts. 2º, inciso I, alínea “a”, e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 de Decreto nº 4.524, de 2002. No Auto da COFINS, o enquadramento legal aponta infração aos arts. 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.833, de 2003. No Relatório de fls. 36 a 38, o Autuante declara, em síntese, que: – o Termo de Início de Fiscalização foi cientificado em 18/11/2009, solicitando livros fiscais e contábeis, bem como outros documentos. Em 07/12/2009 foram entregues alguns documentos e os livros Diário e Razão. Outros livros não foram apresentados sob a alegação de que estavam retidos na Sefaz/BA. Em 25/01/2010, o contribuinte tomou ciência do Termo de Constatação nº 0001, no qual a Fiscalizada foi intimada a registrar os livros de registro obrigatório e a apresentar o plano de contas. Em 04/02/2010, deuse ciência do Termo de Intimação nº 0001, solicitando os demonstrativos de vendas com cartão de crédito e de apuração do PIS e COFINS não cumulativos, além dos livros ainda não entregues. Diante da insistência em não fornecer os elementos solicitados, emitiuse, em 15/03/2010, o Termo de Reintimação Fiscal nº 0001. Em resposta, foi informado, entre outras coisas, que não seria possível gerar demonstrativo com as vendas separadas por meio de pagamento. Em 19/05/2010, foi cientificado o Termo Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 de Ciência e de Solicitação de Documentos nº 0001, apontando discrepâncias entre a receita informada à RFB e à Sefaz/BA, através da DMA; – constatouse que a Fiscalizada recolheu tributos por meio de Darf e fez compensações através de Perdcomp, contudo, não informou os valores devidos em DIPJ e nem os declarou em DCTF. Diante disso, permitiuse, à luz do art. 9º da IN RFB nº 974/2009, a retificação das DCTF, de forma a vincular os pagamentos feitos antes do início do procedimento fiscal aos tributos devidos. A empresa então retificou DIPJ e DCTF informando aqueles valores registrados em Perdcomp e pagos através de Darf. Encontrouse ainda divergência entre os valores devidos a título de Pis/Pasep não cumulativo e aqueles recolhidos ou compensados, no mês de abril de 2007, no valor de R$27,92, conforme demonstrativo intitulado “Cotejo das Informações Contábil Fiscais”, em anexo; – diligências foram efetuadas nos principais fornecedores da empresa, sendo que, nas compras feitas junto a “Megrafruty”, constatouse que os pagamentos relativos a quatro notas fiscais (nº 8.795, 8.941, 9.411 e 11.415) não constavam da escrituração da Fiscalizada. Segundo a Diligenciada, os pagamentos eram feitos à vista. Em 11/06/2010, cientificouse a Fiscalizada da existência de tais pagamentos com recursos não contabilizados, através do Termo de Constatação Fiscal nº 0002. A empresa alegou, no caso das três primeiras notas, que os pagamentos foram feitos em dinheiro e que não foi dada a baixa dos títulos por um lapso do responsável pelos pagamentos, e ainda que os lançamentos teriam sido efetuados em 2008. A alegação de lapso não procede, pois a escrituração contábil deve refletir fielmente a realidade. Não houve prova de que a retificação da contabilidade foi feita antes de iniciado o procedimento fiscal. Aliás, o livro Diário de 2007 só foi registrado na JUCEB em 02/02/2010, quase três anos depois de emitida a última nota fiscal não contabilizada. Serão consideradas como receitas omitidas os valores das três notas fiscais citadas, no valor de R$11.903,25, a teor dos artigos 251 e 288 do RIR/1999. Procede a justificativa em relação à nota fiscal nº 11.415, de 30/12/2007, no valor de R$8.322,00, que só foi registrada em 02/01/2008; – foram verificados diversos pagamentos a cartões de credito e débitos autorizados, sem a descrição clara da causa do pagamento e de seu beneficiário. Intimada a comproválos, a Fiscalizada apresentou apenas algumas faturas de cartões de crédito pagas com recursos da empresa, alegando que “os valores utilizados referentes às despesas pessoais entraram nos recibos de distribuição de lucros retirados pelos sócios e contabilizados”. Como não houve a comprovação de tais alegações nem a identificação dos beneficiários e a causa dos pagamentos, serão tributados os valores relacionados na condição de pagamentos a beneficiários não identificados ou pagamentos sem causa, como disposto nos artigos 674 e 675 do RIR/1999. Os rendimentos serão considerados líquidos, cabendo o reajustamento da base de cálculo, na forma da IN SRF nº 15/2001 e conforme demonstrativo anexo. Às fls. 1.526 a 1.556, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: • preliminarmente, cita diversos doutrinadores, para arguir a nulidade do lançamento, em virtude de violação ao art. 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal, que consagra o devido processo legal e assegura aos litigantes o contraditório e a ampla defesa. No caso presente, há cerceamento de defesa, uma vez que o auto de infração foi lavrado com base em extratos de cartão de crédito de titularidade da Defendente, sem a apresentação de uma planilha com as despesas apontadas como beneficiárias a terceiros, nem tampouco os valores corretos das despesas e as empresas recebedoras dos valores supostamente pagos, um a um, ou seja, utilizouse de mera presunção para lançamento do crédito tributário ora impugnado. Em síntese, o agente fiscal Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10540.720319/201081 Acórdão n.º 1301001.406 S1C3T1 Fl. 12 5 concluiu que todos os valores existentes nas faturas dos cartões de crédito seriam destinados a beneficiários não identificados, sem ao menos considerar que a Defendente é uma empresa de porte médio e que paga boa parte de suas compras através dos referidos cartões de crédito; • juntase à presente impugnação cópias de notas fiscais em nome da Defendente, devidamente lançadas em seus livros contábeis, que foram quitadas com os cartões de crédito próprios. Notase que estamos diante de uma patente ilegalidade, ao passo que a autuação foi fundamentada em meras presunções e, pior, inconstitucionalidade, na medida em que não foram listados os pagamentos nem as empresas vendedoras, apurandose apenas valores, sem excluir os destinados à própria Defendente, como faz prova as notas fiscais anexadas, havendo cerceamento ao pleno exercício do direito de defesa. A planilha constante do Termo de Verificação de Irregularidades Fiscais é genérica e apenas fornece os valores mensais, sem a discriminação de datas e valores individuais, o que impossibilita a apresentação de defesa. Ressaltese que o contribuinte, quando solicitado, apresentou todos os documentos necessários à conclusão do lançamento tributário, não se podendo admitir a idéia de pagamento sem causa, sendo o ônus da prova do Fisco, nos termos do art. 142 do CTN. Nada disso foi feito, caracterizando cerceamento de defesa e, por conseguinte, nulidade do lançamento. Nesse sentido transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes; • outro ponto deve ser levantado a título de preliminar e que macula o presente lançamento. No tocante à acusação de pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, a autoridade lavrou auto de infração tendo por supedâneo mera presunção, sem demonstrar, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato tributário, o que é arbitrário, inadmissível e ilegal. Após transcrever textos doutrinários, conclui que o auto de infração impugnado é fruto de presunção ad hominis, sem embasamento em prova que possa vaticinar a conduta praticada pela autoridade administrativa. Assim sendo, na improvável hipótese de serem superados os argumentos acima, requerse a realização da prova pericial; • no mérito, a respeito da omissão de receitas, diz que o lançamento encontra se embasado no fato de que algumas notas fiscais foram pagas e escrituradas, faltando apenas a necessária baixa dos títulos na contabilidade da Impugnante, conforme se afere do relatório fiscal. Resta claro que não houve omissão de receitas, pois houve a escrituração de todas as notas fiscais, com o consequente pagamento dos tributos incidentes sobre elas. Tanto é assim que o agente fiscal retirou do tópico ora analisado a nota fiscal 11.415, eis que restou comprovado o registro da baixa do pagamento realizado no dia 02/01/2008. Bastaria, portanto, ao Impugnante realizar a baixa contábil das notas fiscais remanescentes para o cancelamento da presente autuação. De fato, a contabilidade se equivocou ao não dar baixa nos pagamentos realizados quanto às notas fiscais 8.795, 8.981 e 9.411. Ocorre que o total das três notas monta a R$11.903,25 e o caixa da Impugnante no ano de 2007 era bem superior a este valor, não podendo ficar negativo quando da aquisição das mercadorias constantes dessas notas; • então, vejamos: “Nota Fiscal 008795, data de entrada: 17/01/2007; saldo de caixa: R$501.945,82. Nota Fiscal 008981, data de entrada: 06/02/2007; saldo de caixa: R$459.561,39. Nota Fiscal 009411, data de entrada: 13/04/2007; saldo de caixa: R$567.295,28”. Não houve qualquer prejuízo ao Erário Público, eis que as notas fiscais foram devidamente lançadas nos livros contábeis, suas saídas registradas através de cupons fiscais, as mercadorias foram pagas com moeda corrente e os tributos incidentes sobre essas aquisições devidamente quitados. Tanto Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 é assim que a presente acusação se debruça no fato de que não houve a baixa contábil do pagamento realizado, sendo que em nenhum momento questiona a realização ou não do pagamento ou uma possível falta de escrituração das notas fiscais em questão. Diante dos fatos narrados, espera que sejam excluídos os valores em questão, relativos a inexistente omissão de receitas sobre as notas fiscais 8.795, 8.981 e 9.411, o mesmo ocorrendo quanto à tributação reflexa no PIS, COFINS e CSLL; • no caso dos pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa, acaso superadas as nulidades apontadas preliminarmente, apesar de não ser obrigação da defendente, juntase à impugnação planilha detalhada contendo os pagamentos realizados com cartões de crédito, com a indicação da nota fiscal de compra de mercadorias relativas ao pagamento realizado, bem como os seus devidos lançamentos contábeis nos livros próprios. Notese que o lançamento fiscal levou em consideração apenas a totalização das faturas dos cartões, se esquecendo de que a grande maioria dos pagamentos descritos nas faturas foi realizada em virtude da aquisição de mercadorias para revenda. Em síntese, o Defendente, mesmo não tendo a descrição dos pagamentos ditos não identificados, fato que cerceou seu direito de defesa, diligenciou às empresas operadoras dos seus cartões, obteve cópia das faturas, planilhou os pagamentos realizados, identificou as notas fiscais relativas às mercadorias adquiridas, bem como seus lançamentos contábeis. E nem se discute a ocorrência do pagamento de tais produtos, uma vez que esse pagamento, conforme salientado no auto de infração, por meio dos cartões de crédito, se dá através de débito em conta; • e mais, a análise das faturas dos cartões de crédito comprovam outra falha contábil da Defendente, na medida em que existem pagamentos a hotéis, passagens aéreas, abastecimento de combustíveis de veículos próprios, que não foram, sequer, lançados como despesas da empresa, embora tais valores digam respeito a viagens realizadas pelos seus sócios, para a cidade de São Paulo, a fim de realizar compras de mercadorias para revenda e, como é sabido, essas despesas podem e devem ser abatidas do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Ou seja, ao invés de se beneficiar com o pagamento a beneficiários não identificados, o contribuinte deixou de se beneficiar de deduções possíveis, numa clara comprovação de falta de interesse de lesar o fisco; • acaso superadas as alegações elencadas, resta um último esclarecimento. Retirando do presente lançamento os valores relativos às aquisições de mercadorias para posterior revenda, conforme planilha anexa, restam valores relativos à antecipação de dividendos, os quais, posteriormente, seriam abatidos do caixa da empresa. Isso porque a impugnante possuía lucro acumulado de R$1.326.858,33, em 31/12/2006, sendo que os sócios resolveram distribuir o equivalente a R$60.000,00 em cada trimestre do ano subsequente. O sócio Humberto Carlos Fagundes Ribeiro, que é também titular dos cartões de crédito em nome da impugnante, optou por adiantar os recebimentos dos seus dividendos em pagamentos de despesas pessoais realizadas pela impugnante, para que, ao final do trimestre, momento da distribuição dos lucros acumulados, fossem abatidas suas despesas e complementado em moeda corrente o valor remanescente, para “bater” os R$60.000,00; • na referida planilha foi detalhado cada pagamento de todas as suas faturas do ano de 2007, constando mês a mês todas as despesas consideradas no presente lançamento. Nas compras de mercadorias para revenda, consta ainda o nº da nota fiscal, bem como a página do livro de entrada. Vêse que, diante de cada pagamento realizado, há a demonstração da origem e destino de tais valores. Juntase ainda, como meio de prova, cópia da declaração de imposto de renda do sócio Humberto, bem como da distribuição de lucro realizada no ano de 2007, no qual foram realizadas quatro distribuições ao sócio, ao final de cada trimestre, de R$60.000,00, no total de R$240.000,00, devidamente registradas na contabilidade, assim como na Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10540.720319/201081 Acórdão n.º 1301001.406 S1C3T1 Fl. 13 7 declaração de imposto de renda do sócio. Juntase também cópia dos cartões da Defendente, nos quais há a autorização para que o sócio Humberto assine pela empresa, como seu representante legal e também titular da conta; • em síntese, a empresa distribuía seus lucros aos sócios, em especial ao sócio Humberto, de duas formas. A primeira, antecipando dividendos, por meio de gastos pessoais efetuados nos cartões de crédito da impugnante. A segunda ocorria depois de apurados tais valores, sendo o remanescente pago em moeda corrente. As antecipações ocorriam com certa periodicidade, tendo em vista que o sócio Humberto era o responsável pelas compras da cidade de São Paulo e em outras cidades importantes do país. Por isso, a grande maioria dos gastos pessoais antecipados pela impugnante ocorria em São Paulo, nas mesmas empresas em que eram adquiridos produtos para revenda. Logo, não estamos diante da existência de beneficiários não identificados, conforme sustenta o lançamento impugnado, eis que o beneficiário é o próprio sócio da impugnante e o dinheiro utilizado é parte da antecipação de dividendos que ele tem direito pela sociedade. Nenhum único centavo deixou de ser recolhido aos cofres públicos. A empresa possuía caixa e distribuiu lucros ao sócio que utilizou seus cartões, em forma de antecipação de dividendos em razão de lucros acumulados, para cobrir despesas pessoais e da própria empresa. Portanto, em razão dos elementos ora elencados, imperioso se faz o cancelamento da autuação fiscal, em relação ao presente tópico; • quanto aos juros Selic aplicados, temse que os juros são devidos à razão de 1º ao mês, nos termos do art. 161, § 1º do CTN, tendo como pressuposto o fato de que este é o limite máximo para sua fixação, e não mero parâmetro para tanto. Ainda que assim não seja, quando menos, a taxa de juros precisa estar quantificada em lei. Admitir, em matéria tributária, que os juros sejam equivalentes a taxas do mercado financeiro, implica admitir também que o valor final da obrigação seja fixado pelo próprio Ente Tributante, que controla o aludido mercado, e não pelo Poder Legislativo, em desrespeito ao art. 150, inciso I, da Constituição Federal. Ademais, o art. 161, § 1º, do CTN é expresso no sentido de que se a Lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora serão calculados à taxa de 1% ao mês; • a multa aplicada, no percentual de 75%, também ofende o princípio da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, LIV) e da proibição do confisco (art. 150, IV), previstos na Constituição Federal, principalmente em virtude da impugnante, em momento algum, ter sonegado as informações solicitadas. Portanto, é forçoso o cancelamento da multa imposta. No entanto, tendo em vista seu caráter confiscatório, esta deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20%, conforme o art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96, retificandose o auto de infração lavrado; • como se observa, haverá incidência de juros SELIC sobre o montante cobrado a título de multa. Contudo, isso não procede, na medida em que, se os juros remuneram o credor, por ficar privado do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que não foi passado aos cofres públicos, que diz respeito tão somente à obrigação principal. Ademais, não existe previsão legal para a incidência dos juros de mora sobre a multa, o que contraria o disposto no art. 97, V, do CTN, bem como o disposto no art. 5º, II, da Constituição Federal de 1988; • posto isto, requer, pelas questões acima expostas, a improcedência do lançamento e que seja reconhecida a inaplicabilidade da taxa SELIC, bem como seja reconhecido o caráter confiscatório da multa aplicada, devendo a mesma ser redimensionada para 20%. Finalmente, requer, quando do julgamento, seja o patrono do recorrente intimado, para que possa sustentar oralmente as suas razões, sob pena Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 de cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 1.557 a 1.707. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SALVADOR/BA) decidiu a lide que vem consubstanciada no Acórdão 15030.461, de 25/04/2012, julgando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 NULIDADE. Verificandose que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente, e em consonância com a legislação vigente, descabe arguir sua nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que o sujeito passivo teve acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo, proporcionandolhe o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, consideramse irrelevantes as alegações de cerceamento de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. A falta de registro contábil de pagamentos efetuados caracteriza a existência de receitas omitidas, caso o sujeito passivo não consiga provar a improcedência da presunção legal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2007 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA E SEM CAUSA. O pagamento, contabilizado ou não, efetuado a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa, sujeita a pessoa jurídica à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, cabendo ainda o reajustamento da base de cálculo do imposto. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10540.720319/201081 Acórdão n.º 1301001.406 S1C3T1 Fl. 14 9 A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) obedece estritamente aos preceitos legais e não caracteriza confisco. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC está amparada em legislação ordinária e não contraria disposições constitucionais. É o relatório. Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Constatase do relatório e voto recorrido que o lançamento do IRPJ, relativo ao ano calendário de 2007, decorreu da verificação de omissão de receitas, resultante da existência de três notas fiscais correspondentes à compra de mercadorias efetuada junto à empresa Megafruty Comercial e Importadora de Hortifrutigranjeiros Ltda., que não foram contabilizadas, gerando, em consequência, tributação reflexiva da CSLL, do PIS e da COFINS. Tributouse também a diferença entre o valor da Contribuição para o PIS recolhida e/ou compensada, em abril de 2007, e o valor apurado conforme planilha anexa, bem como, a título de IRRF, vários pagamentos cuja causa e/ou beneficiários não foram claramente identificados, conforme artigos 674 e 675 do RIR/1999. Na peça recursal a contribuinte repete as argumentações iniciais (impugnação), aduzindo, traduzidas nos seguintes tópicos: I) Preliminares de Nulidade e Cerceamento de Defesa; II) No mérito contesta a alegada Omissão de Receitas e Presunção de Pagamento sem Causa ou Beneficiários não Identificados; III) Multa de Ofício e Juros Selic além da não incidência de juros sobre a multa. PRELIMINARES Alega a recorrente, em síntese, “o cerceamento de defesa em razão da não demonstração dos elementos, provas, que influenciaram o Agente Fiscal à realizar a lavratura do Auto de Infração que carreia o presente processo administrativo.” Aduz, mais, “Notase nobres julgadores, que estamos diante de uma patente ilegalidade, ao passo que a presente autuação se deu fundamentada em meras presunções, e o pior, estamos diante de patente inconstitucionalidade, na medida em que não foram listados os pagamentos, nem tampouco a relação das empresas vendedoras, apurouse, apenas, valores (planilhas com valores mensais), sem excluir àqueles destinados para a própria recorrente, como fez prova as notas fiscais constantes dos autos.” Concluindo que o referido Auto de infração é fruto de presunção ad hominis, sem embasamento em qualquer elemento de prova. Cita doutrina e jurisprudência em reforço a sua tese. As nulidades, no âmbito do processo administrativo fiscal, são aquelas previstas no artigo 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.235/72, com a ressalva do artigo 60, relativamente às não previstas no artigo anterior, e suas conseqüências. Relativamente ao auto de infração e às peças que o compõem, inexistem as alegadas nulidades, posto que sequer se subsumem à precitada norma, tampouco ensejam cerceamento do direito de defesa. Os fatos estão corretamente delineados, a capitulação legal é pertinente aos mesmos e o crédito tributário foi apurado com base em dados concretos, de sorte Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10540.720319/201081 Acórdão n.º 1301001.406 S1C3T1 Fl. 15 11 a se afirmar, com segurança, que o procedimento fiscal está de pleno acordo com as disposições do artigo 142 do CTN e do artigo 10 do precitado decreto. Aliás, observase certa incoerência por parte da recorrente, que, não obstante os pontos de discórdia exibidos em sua preliminar, demonstra, em suas razões de mérito, ter integral conhecimento da imputação que lhe fora feita pela fiscalização. MÉRITO a) Omissão de Receitas Aqui, para melhor compreensão da lide convém transcrever trechos do voto recorrido, a saber: “Passando ao mérito, o Auto de Infração de IRPJ decorreu da verificação de que não foram contabilizados os pagamentos referentes a aquisições de mercadorias, de acordo com as notas fiscais de nos 8.795, 8.981 e 9.411, às fls. 71 a 73, emitidas pela empresa “Megafruty”, o que configurou a existência de omissão de receitas. A propósito, a legislação do imposto de renda estabeleceu como hipótese de presunção legal de omissão de receitas a ausência de contabilização dos pagamentos efetuados, tal como explicitado no artigo 281, inciso I, do RIR/1999, in verbis: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º; e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III – a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. O agente fiscal realizou diligências nos maiores fornecedores da Fiscalizada, tendo constatado, em princípio, que quatro notas fiscais correspondentes a compras de mercadorias feitas junto à “Megafruty” não haviam sido contabilizadas. Além das três notas indicadas acima, incluiu também a de nº 11.415. Lavrou, então, o Termo de Constatação Fiscal nº 0002, às fls. 212 a 214, cientificado em 11/06/2010, no qual solicitou que a Contribuinte justificasse tal fato, acrescentando, ainda, que a referida Fornecedora afirmou que os pagamentos das mercadorias adquiridas foram efetuados à vista. Em resposta, à fl. 215, a empresa declarou que os pagamentos relativos às notas fiscais nos 8.795 e 9.411, emitidas, respectivamente, em 17/01/2007 e 13/04/2007, foram feitos à vista, em moeda corrente, mas que não foram baixados no sistema de contas a pagar, não sendo os valores retirados do saldo do caixa, que era mais do que compatível para suportálos. A nota fiscal nº 8.981, emitida em 06/02/2007 não foi localizada, enquanto a nota fiscal nº 11.415, emitida em 30/12/2007, foi registrada no livro de entradas em 02/01/2008 e, por isso, não constou no movimento de 2007. Acrescentou que só percebeu a falta da baixa dos títulos após o fechamento do exercício de 2007, sendo os lançamentos de baixa efetuados em 02/01/2008. Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 Ressaltese que, com relação à nota fiscal nº 11.415, foi constatada a veracidade da justificativa da Contribuinte, não vindo a ser tributado no Auto de Infração o valor constante dessa nota fiscal, consoante esclarecido no Relatório Fiscal, às fls. 36 a 38.” É assente na doutrina e na jurisprudência que nas presunções legais de omissão de receitas ao fisco cabe fazer prova do fato indiciário para, a partir dele, presumir a omissão de receitas. Constatada omissão na contabilização de compras efetivamente pagas, provado está o fato índice necessário a que se aplique a presunção legal de omissão de receitas. A presunção legal é de que recursos marginais, frutos de uma anterior omissão de receitas, foram utilizados para os pagamentos não registrados. A não explicação convincente para a falta de registro dos pagamentos das compras leva a fiscalização a lançar mão da presunção legal de omissão de receitas. Deveras, dificilmente a fiscalizada aceitará abrir seus controles de recursos mantidos à margem da escrituração. Face ao exposto e à vista de tudo quanto consta dos autos, mantenho as exigências, principal e decorrentes, originadas da presunção legal de omissão de pagamentos por compras não registradas. b) Pagamentos a beneficiários não identificados/sem causa Consta do voto recorrido: “No caso concreto, os referidos pagamentos correspondem a dispêndios efetuados com cartões de crédito do Bradesco, nos meses de janeiro a dezembro de 2007, do Banco do Brasil (Ourocard), no mês de abril de 2007, bem como de débito autorizado na Caixa Econômica Federal, em abril de 2007, conforme lançamentos extraídos do livro Razão, constantes do chamado “Anexo D”, à fl. 198. Consoante Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos nº 0001, às fls. 186 e 187, cientificado em 19/05/2010, a Interessada foi intimada a justificar tais lançamentos, apresentando a documentação que os embasou e, no caso de pagamento de faturas de cartões de crédito, estas deveriam ser apresentadas juntamente com os documentos relativos a todas as compras efetuadas com os cartões. Em resposta, à fl. 201, a Fiscalizada declarou que, para atender ao solicitado, necessitaria dos livros de Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS e juntou, às fls. 176 a 184, as faturas do cartão de crédito do Bradesco, com vencimentos nos meses de fevereiro, março e junho a dezembro de 2007. Logo em seguida, em 28/05/2010, os referidos livros foramlhe devolvidos, conforme Termo de Devolução de Documentos, à fls. 210 e 211. Em 21/06/2007, complementou a Contribuinte, à fl. 163, declarando que parte daqueles dispêndios trata de gastos da própria empresa e parte de gastos pessoais dos sócios, sendo que estes estariam incluídos nos recibos de distribuição de lucros retirados pelos sócios e contabilizados. Diz que os lançamentos contábeis foram feitos “tirando dos bancos e enviando para o caixa”, para depois efetuar a quitação da despesa pelo caixa. Diante do quadro que se apresentava, não restava alternativa ao agente fiscal que não fosse a de considerar tais dispêndios como pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem causa. Os extratos dos cartões de crédito apresentados pela Contribuinte eram parciais, não abrangendo todos os meses de 2007 nem, Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10540.720319/201081 Acórdão n.º 1301001.406 S1C3T1 Fl. 16 13 consequentemente, todos os gastos feitos com os cartões naquele ano, constantes do “Anexo D”. Além disso, os referidos extratos mostram as datas das compras, os valores e as empresas vendedoras, mas não apontam, obviamente, os verdadeiros beneficiários das mercadorias compradas. Intimada nesse sentido, a Interessada não esclareceu os fatos e não apresentou os documentos comprobatórios requeridos, embora tenha admitido que parte das mercadorias adquiridas com os cartões de crédito de titularidade da pessoa jurídica se referia a despesas pessoais de seus sócios. Já na impugnação, a Autuada acrescentou que o sócio Humberto Carlos Fagundes Ribeiro era seu representante legal, cujo nome também constava dos cartões de crédito e, portanto, era quem efetuava as compras em nome da empresa, e que a grande maioria dessas compras reportavase a mercadorias para revenda, enquanto as demais eram despesas particulares do Sr. Humberto Carlos, relativas a adiantamento de dividendos a serem recebidos pelo sócio, em quatro parcelas de R$60.000,00, ao final de cada trimestre do ano de 2007, das quais teriam sido abatidos os valores antecipados, sendo a diferença paga em moeda corrente. Afirmou ainda que as faturas mensais dos cartões de crédito foram pagas através de débito em conta corrente bancária e juntou cópia das faturas do cartão de crédito do Bradesco, vencidas em todos os meses de 2007, das notas fiscais referentes às compras feitas com os cartões, das folhas do livro de Registro de Entradas, contendo a escrituração das aludidas notas fiscais, de folha do livro Razão registrando a distribuição de lucros ao sócio, da declaração de IRPF do sócio, bem como de planilhas mensais, contendo as datas e os valores de cada operação, o fornecedor, o número das notas fiscais, as datas dos lançamentos correspondentes a essas notas e o nome dos beneficiários (a empresa, o sócio Humberto Carlos e a própria administradora, no caso do pagamento de taxas do cartão), tudo anexado às fls. 1.567 a 1.707. Observase então que a comprovação solicitada, e não atendida durante a ação fiscal, foi apresentada agora, na fase impugnatória. Assim, dos valores considerados como pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem causa, restaram comprovados os pagamentos relativos às compras de mercadorias para revenda efetuadas com o cartão de crédito Bradesco, em todos os meses de 2007, os pagamentos relativos às taxas pagas à administradora do referido cartão, no valor de R$12,57, nos meses de junho e julho de 2007, bem como o débito autorizado efetuado na conta corrente da empresa na Caixa Econômica Federal, no valor de R$4.040,00, em 24/04/2007. Entretanto, o mesmo não se pode dizer em relação aos pagamentos correspondentes às compras particulares feitas pelo sócio Humberto Carlos, utilizando tanto o cartão Bradesco, em todos os meses de 2007, quanto o cartão Ourocard, do Banco do Brasil, no valor de R$3.336,33, com vencimento em 16/04/2007, ambos de titularidade da Autuada, compras essas que, ao contrário do que afirma a Impugnante, representam a maior parcela dos valores relacionados nas faturas dos cartões de crédito. Na verdade, ainda que se considere que tais aquisições foram mesmo destinadas ao Sr. Humberto Carlos, caso em que ele seria o beneficiário de parte substancial dos pagamentos questionados, não se justifica a utilização de cartões de crédito do sujeito passivo para o pagamento de despesas pessoais do sócio. Também não existem provas nos autos do processo que confirmem que o referido sócio tivesse reembolsado a empresa por tais pagamentos. Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 Os mencionados recibos correspondentes a antecipações de lucros distribuídos não foram apresentados, assim como não constam das folhas dos livros anexados pela Requerente lançamentos contábeis relativos à retirada de recursos dos Bancos para o Caixa da empresa, nem do registro contábil de possíveis adiantamentos concedidos pela empresa ao sócio, mas apenas a escrituração, no livro Razão, dos quatro pagamentos trimestrais, à fl. l.605, no valor de R$60.000,00 cada um, perfazendo o total de R$240.000,00, a título de lucro distribuído para o sócio, no ano de 2007, em virtude da existência de lucros acumulados em 31/12/2006, sem dedução alguma dos valores adiantados ao sócio por meio do pagamento de suas despesas particulares. Logo, não restou comprovada a causa dos pagamentos feitos pela Autuada, presumivelmente para quitar despesas pessoais do sócio Humberto Carlos realizadas com a utilização de cartões de crédito de titularidade da pessoa jurídica. Tais valores devem remanescer, sendo, contudo, excluídos de tributação aqueles pagamentos correspondentes à aquisição, por parte da empresa, de mercadorias para revenda, assim como os pagamentos de taxas cobradas pelas administradoras dos cartões de crédito, de acordo com o relatado acima.” Como visto da leitura acima a recorrente não logrou êxito em identificar os beneficiários de diversos pagamentos registrados em sua contabilidade, conforme relação contida no TFV e Voto recorrido. Sobre o assunto o art. 61 da Lei nº 8.981/95 assim estabelece: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Pois bem, a norma acima aplicase igualmente aos beneficiários pessoas físicas e aos beneficiários pessoas jurídicas. O fato é que a recorrente, com exceção às compras de mercadorias para revendas, não conseguiu provar mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários de diversos dos pagamentos relacionados, insistindo em sua defesa que a acusação fiscal está fundada em meras presunções. Razão pela qual devese manter o IRRF lançado. c) Da não incidência de juros sobre a multa, taxa Selic e multa de ofício no percentual de 75%. A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10540.720319/201081 Acórdão n.º 1301001.406 S1C3T1 Fl. 17 15 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......)” Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. Não obstante a remansosa jurisprudência do CARF pela sua pertinência, foi publicada a Súmula CARF nº 4, de observância obrigatória por todos os membros do Órgão, que resolve a questão, ao prescrever como escorreita a cobrança dos débitos para com a União relativos a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal de acordo com a taxa Selic para títulos federais. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ademais, cediço que, no âmbito do julgamento administrativo, não possui o julgador competência para deixar de aplicar lei sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, conforme entendimento que inclusive já foi objeto de súmula específica editada pelo CARF, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A Recorrente finalmente opõe se, à aplicação da multa de ofício (75%), alegando seu caráter confiscatório. Destarte, a falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados enseja o lançamento de oficio, com a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos mantidos lançados de ofício, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Portanto, a cobrança dos tributos tem como supedâneo o mandamento legal conforme acima mencionado que não pode ser afastado por ato discricionário da autoridade administrativa. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, COFINS, PIS Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 16 A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Por tudo que foi exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e cerceamento do direito de defesa, e por NEGAR provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 13971.720779/2009-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL
O cálculo da relação percentual entre as receitas sujeitas e não sujeitas à incidência não-cumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, deve considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas a esses dispêndios, sob pena de se distorcer esse resultado caso se excluam as receitas decorrentes de vendas com suspensão ou sujeitas a alíquota zero.
Recurso Voluntário Negado na parte conhecida
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL O cálculo da relação percentual entre as receitas sujeitas e não sujeitas à incidência não-cumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, deve considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas a esses dispêndios, sob pena de se distorcer esse resultado caso se excluam as receitas decorrentes de vendas com suspensão ou sujeitas a alíquota zero. Recurso Voluntário Negado na parte conhecida Direito Creditório Não Reconhecido
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PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL O cálculo da relação percentual entre as receitas sujeitas e não sujeitas à incidência nãocumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, deve considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas a esses dispêndios, sob pena de se distorcer esse resultado caso se excluam as receitas decorrentes de vendas com suspensão ou sujeitas a alíquota zero. Recurso Voluntário Negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 79 /2 00 9- 94 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA transmitiu, em 15/06/2009, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 23850.52140.150609.1.1.090640, de créditos da apuração nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins exportação no valor de R$ 190.798,35, referente ao quarto trimestre de 2008. O Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 233 a 266, inicialmente, explicita os critérios adotados ante as discrepâncias verificadas entre os montantes das operações de aquisição de bens e serviços, apurados por CFOP, registrados no LRE e os consignados na memória de cálculo (referentes aos valores informados nas respectivas linhas do Dacon): (i) em sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, adotou tal valor como base sobre a qual efetuou as glosas pelas notas fiscais desconsideradas na análise, resultando em valor ajustado pela diferença (ii) quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória de cálculo, a diferença foi glosada por falta de comprovação e o valor do LRE foi adotado como base paras as glosas, e (iii) quando o valor apurado no LRE foi superior ao da memória de cálculo, sobre ele foram efetuadas as glosas dos valores das notas fiscais desconsideradas: se o valor resultante foi superior ao informado na memória, validouse o valor da própria memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise se o valor resultante foi inferior ao informado na memória, considerouse este como sendo o valor ajustado (e o máximo admissível). Para os montantes das operações registradas, apurados por CFOP das entradas, apuraramse os valores ajustados ou valores da memória validados na análise (máximo admissível por CFOP), cujo somatório foi adotado como o máximo admissível em relação à respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem. A partir dessa sistemática, apurouse glosa no valor total de R$ 129.316,02 em razão das seguintes irregularidades: a) aquisições de insumo da linha 02 das fichas 16A e 16B do Dacon: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720779/200994 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 479 3 as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações os valores das notas fiscais de aquisição de bens que não se enquadram no conceito de insumo dentre os quais, os valores de aquisições de bens que foram imobilizados, em relação aos quais a contribuinte informou se referirem a compras de reflorestamento, sendo feito o crédito pela exaustão as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 02 do Dacon. b) aquisições de serviços linha 03 das fichas 16A e 16B do Dacon: as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações os valores das notas fiscais de aquisição de serviços que não se enquadram no conceito de insumo as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 03 do Dacon c) despesas com energia elétrica linha 04 da ficha 16A do Dacon: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes a doações, Cosip, créditos de ICMS a compensar, parcelamentos e benefício fiscal d) despesas com locação de máquinas e equipamentos: glosaramse os valores referentes às despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., pois, de acordo com a NCM, caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina e) despesas com armazenagem e frete na operação de venda: glosaramse os valores referentes a serviços portuários, quais sejam os serviços de posicionamento, levante, fumigação, retirada de vazios e descarga de contêineres f) encargos com depreciação: glosaramse os valores da depreciação de máquinas e equipamentos que não são utilizados da atividade industrial e os valores referentes a despesas e investimentos em fazendas que compõem projetos florestais, sujeitos a quotas de exaustão a) aquisições de insumo da linha 02 das fichas 16A e 16B do Dacon: g) as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações? Fl. 480DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 h) os valores das notas fiscais de aquisição de bens que não se enquadram no conceito de insumo? dentre os quais, os valores de aquisições de bens que foram imobilizados, em relação aos quais a contribuinte informou se referirem a “compras de reflorestamento, sendo feito o crédito pela exaustão”? i) as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 02 do Dacon. j) b) aquisições de serviços linha 03 das fichas 16A e 16B do Dacon: k) as diferenças verificadas nos casos em que os montantes indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações? l) os valores das notas fiscais de aquisição de serviços que não se enquadram no conceito de insumo? m) as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 03 do Dacon? n) c) despesas com energia elétrica linha 04 da ficha 16A do Dacon: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes a doações, Cosip, créditos de ICMS a compensar, parcelamentos e benefício fiscal? o) d) despesas com locação de máquinas e equipamentos: glosaramse os valores referentes às despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., pois, de acordo com a NCM, “caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”? p) e) despesas com armazenagem e frete na operação de venda: glosaramse os valores referentes a serviços portuários, quais sejam os serviços de posicionamento, levante, fumigação, retirada de vazios e descarga de contêineres? q) f) encargos com depreciação: glosaramse os valores da depreciação de máquinas e equipamentos não utilizados da atividade industrial e os valores referentes a despesas e investimentos em fazendas que compõem projetos florestais, sujeitos a quotas de exaustão?e as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito informado no Dacon. Ainda, para o mês de novembro de 2008 foram ajustados os encargos de depreciação de 1/12 para 1/48 dos itens: 1046? 1 047, 1048, 1049, 1050, 1051, 1052 e 1053 o que eleva o valor da base de cálculo a ser desconsiderada? para o mês de dezembro de 2008 foram recalculados os encargos de depreciação de 1/12 para 1/48 dos itens: 1055 e 1056? as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito informado no Dacon. e as diferenças Fl. 481DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720779/200994 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 480 5 entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores máximos a serem admitidos para o crédito informado no Dacon. Ainda, considerando que a proporção de receitas vinculadas ao mercado interno e ao mercado esterno, discriminadas nas fichas 16A, 16B e 17A do Dacon, apresentaram significativas discrepâncias nos meses que compõem o trimestre em análise, a Fiscalização adotou para efeitos de cálculo dos créditos de mercado interno e externo, a proporção das receitas discriminadas na ficha 17A do Dacon, conforme Quadro 01 que segue: Proporção das receitas declaradas na ficha de apuração da contribuição do Dacon MÊS MERCADO INTERNO MERCADO EXTERNO OUTUBRO 74, 66% 25,34% NOVEMBRO 60, 71% 39,29% DEZEMBRO 56, 77% 43,23% A DRFBlumenauSC, acolhendo o referido Relatório de Auditoria Fiscal, expediu o Despacho Decisório de fls. 269, deferindo o pleito parcialmente, em R$ 61.482,33. Em Manifestação de Inconformidade, fls. 281 a 290, o interessado contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo, argumentando que as receitas não tributadas no mercado interno, no caso, as tributadas à alíquota zero e de vendas de bens do ativo permanente, apresentadas, respectivamente, nas linhas 04 e 06 do Dacon, não podem ser consideradas para compor o cálculo da proporção, como, equivocadamente, fez a autoridade fiscal e que a autoridade fazendária considerou, para fins de cálculo da proporção do mercado interno, além do valor das linhas 04 e 06 do Dacon, o valor da receitas auferidas informadas na coluna receita das linhas 01 e 02, onde deveria ter considerado os valores da coluna base de cálculo aduz que procedendo assim, a autoridade fiscal acabou por considerar em duplicidade os valores de receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno. Defende os percentuais para a receita vinculada ao mercado externo de contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo, argumentando que as receitas não tributadas no mercado interno, no caso, as tributadas à alíquota zero e de vendas de bens do ativo permanente, apresentadas, respectivamente, nas linhas 04 e 06 do Dacon, não podem ser consideradas para compor o cálculo da proporção, como, equivocadamente, fez a autoridade fiscal? e que a autoridade fazendária considerou, para fins de cálculo da proporção do mercado interno, além do valor das linhas 04 e 06 do Dacon, o valor da receitas auferidas informadas na coluna “receita” das linhas 01 e 02, onde deveria ter considerado os valores da coluna “base de cálculo”? aduz que procedendo assim, a autoridade fiscal acabou por considerar em duplicidade os valores de receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno. Defende os percentuais para a receita vinculada ao mercado externo de 96,37%, no mês de outubro; 96,75% no mês de novembro, e; 97,94%no mês de dezembro. Em relação a glosa de aquisições de bens, alega que não há amparo legal para a autoridade fiscal glosar os créditos referentes à compra de floresta para extração de madeira utilizada em seu processo produtivo. Alega que as aquisições glosadas referemse a compra de Fl. 482DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 floresta para dela extrair sua matéria prima? consistindo, portanto, de aquisição de insumo de gera crédito da não cumulatividade. Esclarece que a compra foi lançada no ativo imobilizado, com a devida incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Todavia, não tendo sido a extração promovida em um único momento, o pedido de crédito ocorreu em etapas, à medida que as árvores eram extraídas, fato comprovado pelas notas fiscais de transferência juntadas (CFOP 1.151), colacionadas por amostragem, haja vista o grande número de notas fiscais existentes. Quanto aos encargos de depreciação inicialmente informa que a glosa se deu em relação aos seguintes números e descrições de bens informados: 129 aquisição de caminhão trator? 403 aquisição de caminhão trator? 773 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças? 774 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças e serviços? 775 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças? 776 reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças? 862 acréscimo referente reforma do trator florestal aquisição de peças? 873 acréscimo referente reforma do trator florestal aquisição de peças? 1034 reforma do trator Michigam 55C com aquisição de molas, mangueira, conj. Válvula, tampa? 1035 reforma do trator Michigam 55C com aquisição de rolamentos, discos, molas, defletor, anel e pistões e 1036 reforma do trator Michigam 55C com aquisições de bomba, filtro, anel, placa, turbina, tela, impulsor. . Reconhece que os bens adquiridos são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, não podendo se fazer distinção entre os que são e não utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços? ainda que se queira dar uma interpretação restritiva à lei de regência, não há como negar que os bens objeto da glosa fiscal são efetivamente máquinas ou equipamentos, ou seja, não há como negar, por exemplo, que um caminhão trator ou um trator seja uma máquina? não há a necessidade de maiores explicações para que se entenda que os tais bens são utilizados na produção de bens destinados à venda, já que sua descrição fala por si. Por fim, alega que a autoridade administrativa teve todos os subsídios necessários para comprovar as aquisições em comento, com a possibilidade de análise das notas fiscais e que, em assim sendo, se havia qualquer tipo de dúvida quanto a natureza e destinação do bem, esta poderia ter intimado a recorrente para prestarlhe todo e qualquer tipo de esclarecimento. Em relação aos ajustes dos encargos de depreciação da proporção 1/12, utilizados pela empresa, para o equivalente a 1/48, defende que se utilizou corretamente dos encargos de depreciação, consoante se verifica no artigo 1º da Lei n 11.774/2008. Alega que de acordo com este dispositivo, a partir de maio de 2008, o crédito referente aos encargos de depreciação será apurado na proporção de 1/12, corroborando o procedimento adotado pela requerente. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente para recalcular os percentuais das receitas a serem considerados no rateio dos custos comuns, com a exclusão, do montante da receita bruta, dos valores das receitas de vendas de bens do ativo permanente (linha 06) e para reverter a glosa de R$ 1.513,37 (= R$ 6.053,22 – R$ 4.539,85) no mês de outubro, R$ 2.233,92 no mês de novembro e R$ 11.672,67 no mês de dezembro, referente à depreciação na proporção 1/12. O Acórdão nº 07028.692, de 4 de maio de 2012, fls. 388 a 409, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720779/200994 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 481 7 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. Os percentuais a serem estabelecidos entre as receitas sujeita e as não sujeitas à incidência nãocumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, devem considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam a estes dispêndios associadas, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade, os que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bem destinado à venda. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 441 a 449, após síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre o sistema de distribuição do ônus da prova no processo administrativo, articulandoo com o princípio da verdade material, para concluir que não se pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No mérito, reportandose à Ficha do Dacon própria para o cálculo da contribuição no regime nãocumulativo, contesta o cálculo do rateio proporcional de receitas, pugnando pela adoção dos valores consignados na coluna “Base de cálculo”, e não da coluna “Receitas”, como fez a Fiscalização, e pela exclusão do montante da receita bruta total do valor das receitas tributadas a alíquota zero (linha 04) e das receitas com suspensão das contribuições (linha 09), o que levaria os percentuais de exportação a 96,37%, no mês de outubro; 96,75% no mês de novembro, e; 97,94%no mês de dezembro, conforme minuta de cálculo que anexa à peça recursal. Quanto à glosa dos créditos em função das aquisições para reflorestamento ou oriundos de quotas de exaustão, explica que, como o contrato de compra e venda juntado aos autos, comprou uma floresta, incorporandoa ao seu Ativo Imobilizado, e dela extrai sua matériaprima. Ao invés de tomar o crédito de uma só vez, ao comprar a floresta, apropria o crédito à medida que a floresta é abatida e a madeira extraída, como comprovarias as notas fiscais de transferência juntadas quando da apresentação de manifestação de inconformidade. Entende resguardado seu direito de crédito, nos termos da Solução de Consulta nº 153, de 15 de maio de 2009, que transcreve. Contesta também a glosa dos créditos tomados a título de insumo dos custos de formação de floresta, a serem incorporados ao valor desse bem, registrado no ativo imobilizado. Alega que o bem adquirido é efetivamente integrado ao ativo imobilizado e é diretamente utilizado no processo produtivo dos bens fabricados e destinados à venda, não se podendo fazer distinção entre os que são e não são utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Aduz que se houvesse qualquer dúvida quanto à natureza e destinação do bem, a autoridade fiscal poderia ter intimado a recorrente para prestarlhe todo e qualquer tipo de esclarecimento. Pede provimento. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/2009 40 e 13971.720926/200764, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Fl. 485DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720779/200994 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 482 9 Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 441 a 449 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07028.692, de 388 a 409. Devolvemse a esta Turma Recursal as discussões a respeito do ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do método de rateio proporcional de custos, despesas e encargos comuns; do direito à tomada de crédito sobre encargos de exaustão e sobre as despesas de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Tenho notícia de que ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA, ora recorrente, ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 500358124.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do SulSC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado – aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na presente peça exordial, os quais foram glosados pela autoridade fiscal nos processos administrativos nºs 13975.000463/200357, 13975.000464/200300, 13975.000496/200305, 13975.000018/2004 78, 13975.000217/200567, 13975.000215/200578, 13975.000213/2005 89, 13975.000212/200534, 13975.000210/2005 45, 13975.000199/200513, 13971.720021/200875, 13971.720022/200810, 13971.720023/200864, 13971.720024/2008 17, 13971.720025/200853, 13971.720026/200806, 13971.910941/201189, 13971.910944/201112, 13971.910945/2011 67, 13971.910950/201170, 13971.910958/2011 36, 13971.910959/201181, 13975.000218/200510, 13975.000216/2005 12, 13975.000214/200523, 13975.000224/200569, 13975.000209/200511, 13971.001997/2006 83, 13971.001996/2006 39, 13971.720016/200862, 13971.720017/200815, 13971.720018/200851, 13971.720019/200804, 13971.720020/2008 21, 13971.910942/2011 23, 13971.910943/201178, 13971.910946/201110, 13971.910949/201145, 13971.910960/2011 13, 13971.910955/201101, corrigidos monetariamente pela taxa referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos. Como se vê, à exceção das duas primeiras matérias, as demais foram submetidas à tutela do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face da renúncia à discussão administrativa dessas matérias, só se conhecerá das alegações recursais atinentes (i) ao ônus da prova nos processos administrativos Fl. 486DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 10 de iniciativa do contribuinte e (ii) sobre os percentuais a serem estabelecidos entre as receitas sujeita e não sujeitas à incidência nãocumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional previsto na legislação de regência, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns. Ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte Em que pese a dissertação da recorrente, comungo integralmente com as considerações sobre a distribuição do ônus probatório tecidas pela relatora da decisão recorrida, AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes. Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 487DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720779/200994 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 483 11 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência Fl. 488DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 12 probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Mérito – tomada de crédito sobre os fretes pagos na aquisição de insumos Conforme relatado, em face das discr4pâncias verificadas na proporção de receitas vinculadas ao mercado interno e ao mercado externo, discriminadas nas fichas 06A, 06B e 07A do DACON, a Fiscalização adotou a proporção das receitas discriminadas na ficha 17A do DACON para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e de mercado externo. Na reclamação, as relações percentuais Receita de Mercado Interno (RMI) / Receita Bruta (RB) e Receita de Mercado Externo (RME) / Receita Bruta (RB) foram contestadas, objetando se a inclusão, no cálculo, das receitas tributadas à alíquota zero e de vendas de bens do ativo permanente, e apontandose duplicidade de inclusão das receitas das linhas 01 e 02, já incluídas nas linhas 04 e 11. A decisão recorrida, quando foi o caso, acolheu parcialmente a objeção e somente excluiu do cálculo as receitas de venda de bens do Ativo Permanente, nos meses em que elas efetivamente ocorreram, ante sua interpretação da legislação de regência, especialmente o inc. II do § 8° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. No recurso voluntário, o contribuinte refutou o cálculo da DRJ/FNS, insistindo na adoção dos valores consignados na coluna “Base de cálculo”, e não da coluna “Receitas”, e na exclusão do montante da receita bruta total do valor das receitas tributadas a alíquota zero (linha 04) e das receitas com suspensão das contribuições (linha 09). Bem esclarecido na decisão recorrida, diante de custos, despesas e encargos comuns, para os quais não haja, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita, tornase necessário fazer o rateio proporcional a fim de determinar em que percentual os créditos estão associados a cada tipo de receita (tributadas pelo regime cumulativo, tributadas pelo regime não cumulativo, sujeita a alíquota zero, isentas, incidência suspensa etc.). Os créditos apurados segundo cada uma das relações percentuais merecerão tratamentos distintos, de acordo com a legislação. Por exemplo, as receitas isentas, sujeitas a alíquota zero ou mesmo decorrentes de vendas com suspensão da contribuição ou infensas a ela não impedem que o contribuinte mantenha os créditos a elas vinculados; as receitas vinculadas às vendas para o mercado externo ensejam ressarcimento em espécie dos créditos respectivos, ao passo que os créditos associados às demais receitas só podem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição ou, em as sobejando, na compensação com débitos próprios de outros impostos e contribuições... Com esse fim em mente, fica patente a impropriedade da objeção recursal. Retirar do cálculo da receita bruta o valor das receitas sujeitas a alíquota zero ou decorrentes de vendas com suspensão da contribuição distorceria a relação proporcional assim obtida. Por Fl. 489DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720779/200994 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 484 13 conta disto é que na receita bruta total devem ser incluídas todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns, e não aquelas que, por sua natureza, não se associam a esses montantes, como é o caso, por exemplo, das receitas de venda de bens do ativo permanente. Do mesmo modo, não há sentido algum em tomar os valores informados na coluna Base de Cálculo , pois é na coluna “Receita” que está consignado o valor total do faturamento auferido no período, correspondente à receita bruta, assim entendida o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil adotada para essas receitas, já diminuído das receitas informadas nas Linhas 04 a 11. Na coluna "Base de Cálculo", deve ser informado o valor constante do campo "Receita" líquido das exclusões previstas em lei (descontos incondicionais concedidos, quando computados como receita bruta vendas canceladas, após deduzidos os valores dos descontos incondicionais concedidos IPI, quando destacado na nota fiscal ICMS, quando recolhido na condição de substituto tributário reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Assim, julgo irretocável o cálculo do rateio proporcional procedido efetuado na decisão recorrida. Conclusão Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário (direito à tomada de crédito sobre encargos de exaustão e sobre as despesas de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado) e, na parte conhecida, quanto ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte e ao método de rateio proporcional, por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 16004.000013/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 13 /2 00 6- 82 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de Belém (PA), que julgou procedente o auto de infração de fls. 04/19, cientificado à contribuinte em 12/01/2006 (fl. 04), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001, 2002, 2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. ILEGITIMIDADE ATIVA. Incabíveis a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, se não àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional(CTN). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. De acordo com a decisão recorrida a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial (CNPJ nº 61.149.589/011032) para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363,de 1996. Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 16004.000013/200682 Acórdão n.º 3301001.742 S3C3T1 Fl. 331 3 Cientificada em 09/01/2012 (AR – fl. 302) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 305 e seguintes, em 206/02/2012, aduzindo, em síntese, que na condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/000189), utilizouse de créditos presumidos de IPI, calculados e transferidos por aquela Matriz para a filial, ora Recorrente, creditandose no seu Livro de Registro de Apuração do IPI, pelos créditos transferidos correspondentes aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, por meio de Notas Fiscais de Transferência, utilizandoos para compensação com débitos do mesmo IPI. Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. De acordo com seu entendimento, a Cooperativa é quem pode registrar e compensar o crédito presumido do IPI, por conta e ordem de cada cooperado, tendo em vista ser ela a MANDATÁRIA LEGAL das suas afiliadas, para todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, agindo em nome das filiadas nos atos negociais de comercialização dos produtos. Assim, embora a COPERSUCAR não fabrique os produtos exportados, pode realizar todos os cálculos do referido incentivo fiscal, em razão de deter todos os dados necessários para tanto, uma vez que também é responsável, na condição de substituto tributário do IPI devido pelas cooperadas, conforme disposto no art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96, e ainda a responsável pelo recolhimento das contribuições PIS e COFINS de suas cooperadas, de acordo com o art. 66, da Lei nº 9.430/96. Aduz ainda que as vendas são efetuadas são dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. À fl. 706, consta informação de que o mandado de segurança nº 0009641 68.2010.403.6102, impetrado pela Recorrente, foi específico quanto ao regular processamento e julgamento da impugnação apresentada, não produzindo efeitos quanto à apresentação de recursos. Essa informação é confirmada pela decisão da Des. Cecília Marcondes, Relatora do Reexame Necessário Cível (000964168.2010.4.03.6102/SP), determinando o prosseguimento de eventual recurso interposto nos autos do processo administrativo nº 15956.000322/200711. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 16004.000013/200682 Acórdão n.º 3301001.742 S3C3T1 Fl. 332 5 condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador, entretanto, de acordo com a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 16004.000013/200682 Acórdão n.º 3301001.742 S3C3T1 Fl. 333 7 Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Fl. 348DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 16004.000013/200682 Acórdão n.º 3301001.742 S3C3T1 Fl. 334 9 Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 349DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 16004.000013/200682 Acórdão n.º 3301001.742 S3C3T1 Fl. 335 11 Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 351DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 13884.901146/2009-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 11 46 /2 00 9- 64 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração abril de 2003, no valor original de R$ 8.034,40, com débitos de COFINS que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.901146/200964 Acórdão n.º 3803005.713 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.901146/200964 Acórdão n.º 3803005.713 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.901146/200964 Acórdão n.º 3803005.713 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 13004.000010/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador, 28/09/2001, 30/09/2002, 30/09/2003, 30/09/2004, 30/09/2005, 10/07/2006, 29/09/2006, 10/10/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO.
O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, nas Dcomp, implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62-A, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 606.107/RS, reconhece-se a não incidência da Cofins não cumulativa sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros.
Numero da decisão: 3301-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luciano Ogawa, OAB/SP nº 195.564.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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(ARACRUZ RIOGRANDENSE LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. DESCONTOS. CONTRIBUIÇÃO. AQUISIÇÃO. DESONERADA. As aquisições de bens desonerados da contribuição não geram créditos passíveis de dedução do valor apurado sobre o faturamento mensal. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 606.107/RS, reconhecese a não incidência da Cofins não cumulativa sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador, 28/09/2001, 30/09/2002, 30/09/2003, 30/09/2004, 30/09/2005, 10/07/2006, 29/09/2006, 10/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, nas Dcomp, implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 4. 00 00 10 /2 00 7- 31 Fl. 906DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luciano Ogawa, OAB/SP nº 195.564. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre (RS) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou, em parte, a compensação dos débitos fiscais declarados nas Declarações de Compensação (Dcomps), objeto deste processo, com saldo credor de créditos de Cofins não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre homologou parcialmente as compensações declaradas até o limite do crédito financeiro reconhecido à recorrente. O reconhecimento parcial do crédito financeiro decorreu da glosa de créditos escriturados indevidamente sobre notas fiscais de produtor rural, emitidas pela própria recorrente; e da não inclusão das receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros da na base de cálculo da contribuição, conforme Despacho Decisório às fls. 180 e Informação Fiscal às fls. 168/172. Inconformada com a homologação parcial, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 227/253), insistindo na homologação integral das compensações dos débitos declarados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: Que se dedica às atividades de (a) fabricação, aquisição, venda, importação e exportação de tábuas de madeira, compensado e outros produtos derivados de árvores; (b) exploração de atividades agrícolas, inclusive extrativas vegetais e; (c) florestamento, reflorestamento e demais atividades relacionadas à silvicultura; que para o exercício de suas atividades compra de UBS Timber Investors Brasil Ltda., atualmente denominada Florestal Guaíba Ltda. (UBS), troncos de madeira com determinada especificação, denominados Troncos Classe A e que esses troncos são a principal matériaprima para produção das lâminas e compensados industrializados e comercializados pelo contribuinte. Na seqüência, discorre sobre os negócios jurídicos celebrados com a empresa UBS e a empresa Klabin Riocell (Klabin). Diz que a aquisição da matériaprima junto a UBS tem origem no negócio jurídico firmado em 21 de fevereiro de 2001, Após relato dos fatos referentes ao contrato retrocitado, explicitandoo sob sua ótica de interpretação, faz considerações sobre os créditos objeto de pedido de ressarcimento e da decisão denegatória alegando, de forma resumida que: Fl. 907DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13004.000010/200731 Acórdão n.º 3301002.197 S3C3T1 Fl. 621 3 a) administra áreas de destocagem – hortos, condição assumida pelo interesse e obrigação que tem de adquirir da UBS Toras Classe A, que são extraídas das florestas – hortos – pertencentes à UBS; b) adquiriu direitos referentes ao cultivo das florestas, mas não o domínio destas, não sendo proprietária dos hortos; segue discorrendo sobre a forma como adquire da UBS Toras Classe A e como paga os valores correspondentes a esta aquisição; c) o fato de ter inscrição como produtora rural não significa que tenha propriedade sobre esses hortos; que emite nota fiscal de transferência, pela necessidade de transportar as Toras Classe A de um estabelecimento para outro, conforme preconiza o art. 43 da Lei Estadual nº 8.820/89 (lei do ICMS no Estado do Rio Grande do Sul); d) o fato de emitir notas de transferência de mercadorias de um estabelecimento seu a outro em nada afeta o seu direito ao crédito da contribuição, decorrente da aquisição de Toras Classe A da UBS, e que o fato da UBS não emitir nota fiscal relativamente à venda das Toras Classe A para a manifestante em nada compromete a apropriação de créditos da contribuição; e) correta a contabilização dos valores pagos a UBS a débito da conta de custo de produtos vendidos (CPV), com contrapartida na conta de fornecedores, bem como a impossibilidade de contabilização como imobilizado; f) o princípio da não cumulatividade do PIS e COFINS incide sobre os custos, despesas e encargos necessários e a produção e que os valores pagos à UBS vêm sendo oferecidos à incidência do PIS e da COFINS, conforme expressa afirmação da UBS; g) mesmo que fosse considerada como correta a interpretação de que uso e exploração de florestas deve ser contabilizado como ativo imobilizado e sujeito à amortização, conforme art. 328 do RIR/1999 e art. 183, §2º da Lei 6.404/1976, esta (amortização) seria dedutível como custos de produção e passível de gerar créditos de PIS e COFINS nãocumulativos, nos termos do art. 3º, §1º, inciso III, das Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS). Alem disto, não poderia haver o lançamento de ofício sobre a transferência de créditos de ICMS, de forma a diminuir o valor a ser ressarcido. Em primeiro lugar, não poderia ter havido a diminuição do ressarcimento devido à compensação de débitos que não foram lançados através de Auto de Infração, nos termos do art. 9º do Decreto 70.235/1972. Em segundo lugar, os créditos de ICMS transferidos a terceiros não são receita, mas sim mero ressarcimento de custo, referentes à atividade exportadora, nos termos da legislação tributária e da jurisprudência. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1021.006, datado de 18/09/2009, às fls. 593/603, sob as seguintes ementas: “DIREITO DE USO E EXPLORAÇÃO DE FLORESTAS – ATIVO IMOBILIZADO – AMORTIZAÇÃO – PAGAMENTO DO CONTRATO – NÃO CONFUSÃO COM COMPRA DE MATÉRIASPRIMAS – CARACTERIZAÇÃO PELO CONTRATO DE CESSÃO DE DIREITOS E PELA NOTA FISCAL DE SAÍDA E ENTRADA EM NOME DO CONTRIBUINTE. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A aquisição do uso e exploração de florestas deve ser classificada no Ativo Imobilizado, sofrendo a incidência da perca de valor no tempo pela amortização, tendo em vista que o contrato de cessão tem prazo determinado e valores pré definidos, que prevê hipótese de pagamento independentemente da quantidade das madeiras colhidas, em respeito ao princípio contábil da competência. Por isso, o pagamento da cessão de direitos não pode ser confundido com aquisição de matérias primas, as quais já estavam incluídas no contrato de uso e exploração de florestas, demonstrado pela operação jurídica e pela emissão de nota fiscal de produtor, de saída das madeiras das florestas, e de entrada no estabelecimento industrial em nome e CNPJ do contribuinte. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS – AMORTIZAÇÃO DO IMOBILIZADO – CRÉDITO – NECESSIDADE DE CONTABILIZAÇÃO CORRETA – RESTRIÇÃO. O direito de crédito de PIS e COFINS, ambos não cumulativos, de bens utilizados na produção através de depreciação e amortização estão condicionados a correta escrituração e contabilização dos bens e direitos, obrigação do contribuinte. Ademais, mesmo que corretamente contabilizada, a amortização e a depreciação de bens e direitos adquiridos antes de 01 de maio de 20004 somente pode ser utilizada para aferição de crédito das contribuições até 31/07/2004, nos termos da legislação. CESSÃO DE ICMS – INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS. A cessão de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e COFINS até a edição dos arts. 7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (606/615) requerendo a sua reforma, a fim que se reconheça seu direito aos créditos da Cofins não cumulativa, apurados sobre as toras de madeira recebidas da UBS, bem como a não incidência desta contribuição sobre a cessão de créditos de ICMS para terceiros, e homologue, na íntegra, as compensações declaradas, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, ou seja, que compra as toras de madeira da UBS e as utiliza em seu processo produtivo. Alega, ainda, que o fato de a UBS não emitir notas fiscais de vendas das toras em nada comprometeria a apropriação dos créditos da Cofins, tendo em vista que nenhum dispositivo legal o exige, mas tão somente a aquisição dos bens utilizados como insumos na produção dos produtos industrializados. Também, nesse mesmo passo, a UBS não precisava emitir documento fiscal para respaldar a transferência física das toras de madeira, pois, ainda que não tivesse a propriedade, tinha a posse dos hortos (terras) para a realização das atividades de gerenciamento, assumidas no contrato de destoca. Quanto à cessão de créditos de ICMS para terceiros, os ingressos decorrentes não constituem receitas e sim mero ressarcimento de custos. É o relatório. Voto Fl. 909DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13004.000010/200731 Acórdão n.º 3301002.197 S3C3T1 Fl. 622 5 Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. As questões de mérito se restringem ao direito de a recorrente se creditar da Cofins não cumulativa incidente sobre toras de madeira cedidas a ela, por produtor rural, pessoa jurídica, mediante notas fiscais de transferência e de entradas, ambas emitidas pela própria recorrente, em pagamento por cessão de uso e exploração de florestas, bem como a incidência desta contribuição nas cessões onerosas de ICMS para terceiros. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime com incidência não cumulativa para a Cofins, assim dispõe: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de Fl. 910DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...]. II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...].” Ora, conforme se verifica destes dispositivos legais, as aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da Cofins, utilizados como insumos na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, não geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada e devida mensalmente. O regime da não cumulatividade da Cofins tem como objetivo eliminar o pagamento de contribuição sobre contribuição, permitindo ao contribuinte se creditar do valor pago a título dessa contribuição nas aquisições de bens para revenda e/ ou de bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e/ ou na prestação de serviços, para deduzilo da contribuição apurada sobre o faturamento mensal. Se não houve pagamento da contribuição na aquisição dos bens e/ ou serviços, não há que se falar em créditos. Já em relação à exclusão das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros da base de cálculo da contribuição, no regime com incidência não cumulativa, tais receitas integram a base de calculo da contribuição para o PIS, conforme estabelece o art. 1º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente. No entanto, no julgamento do RE 606.107/RS, em 22 de maio de 2013, acórdão publicado em 25 de novembro de 2013, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, sob o regime de repercussão geral, que as receitas da cessão de créditos de ICMS para terceiros, decorrentes de exportações de mercadorias e serviços, não são tributadas pelo PIS/Cofins, ambas com incidência não cumulativa, nos termos da seguinte ementa: Fl. 911DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13004.000010/200731 Acórdão n.º 3301002.197 S3C3T1 Fl. 623 7 “. . . IV – O art. 155, § 2º, X, ‘a’, da CV – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadoria nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos –, imuniza as operações de exportação e assegura a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. . . . VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. . . . IX Ausência de afronta aos arts. 155 , § 2º , X , 149 , § 2º , I , 150 , § 6º , e 195 , caput e inciso I , “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Dessa forma, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, a decisão do STF, naquele recurso extraordinário, para reconhecer a não incidência da Cofins sobre as receitas de cessão de créditos ICMS a terceiros. Quanto à homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nas Dcomps em discussão, nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente faz jus a crédito financeiro suplementar, decorrente do reconhecimento da não incidência da contribuição sobre as receitas de cessão de créditos de ICMS a terceiros. Como o ressarcimento declarado nas Dcomp foi apurado pela autoridade administrativa levando em conta a incidência da contribuição sobre aquelas receitas, o valor inicialmente reconhecido e compensado deverá ser recalculado e as compensações declaradas homologadas até o limite apurado. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a não incidência da Cofins não cumulativa sobre as receitas de cessão de créditos de ICMS para terceiros, cabendo à autoridade administrativa recalcular o ressarcimento a que a recorrente faz jus, levandose em conta a imunidade destas receitas, e homologar as compensações declaradas nas Dcomp, em discussão, até o limite do crédito apurado, exigindo possível(s) saldo(s) remanescente(s). Fl. 912DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19515.000944/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2008
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. O dispositivo legal que estabelecia a imposição de multa isolada em decorrência do indeferimento de compensação na hipótese em que não caracterizado o evidente intuito de fraude deixou de vigorar no período de vigência da Lei n. 11.051, de 2004. Lançamento improcedente ante a aplicação do princípio da retroatividade benigna.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 1102-000.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTAVIO OPPERMANN THOMÉ- Presidente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes , João Carlos de Figueiredo Neto, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Marcos Vinicius Barros Ottoni .
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2008 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. O dispositivo legal que estabelecia a imposição de multa isolada em decorrência do indeferimento de compensação na hipótese em que não caracterizado o evidente intuito de fraude deixou de vigorar no período de vigência da Lei n. 11.051, de 2004. Lançamento improcedente ante a aplicação do princípio da retroatividade benigna. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOÃO OTAVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes , João Carlos de Figueiredo Neto, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Marcos Vinicius Barros Ottoni . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 44 /2 00 9- 51 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I – SP – PE contra acórdão assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do procedimento no qual os atos administrativos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais, afastandose a hipótese. de cerceamento de defesa, caso a infração encontrese plenamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos pressupostos e preceitos legais. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ADMISSIBILIDADE DO LANÇAMENTO. É aplicável o lançamento de multa isolada nas hipóteses em que restar configurado o exercício do contribuinte em proceder a utilização de créditos de terceiros e/ou de natureza não tributária para fins de compensação de impostos e contribuições administrados pela RFB. MULTA ISOLADA. AFRONTA DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. EXIGÊNCIA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuandose as súmulas e/ou sentenças prolatadas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 4 3 O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O presente processo versa acerca de auto de infração (fls. 129/133), emitido em 20/03/2009, atinente à MULTA ISOLADA constituída em outubro do anocalendário de 2007, correspondendo ao importe de RS 16.164.809,36 (dezesseis milhões, cento e sessenta e quatro mil, oitocentos e nove reais e trinta e seis centavos). O referido auto de infração decorreu de infração caracterizada em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, ante o contexto norteado pela Representação Fiscal controlada pelo Processo Administrativo n° 10880.720160/200587, cujos autos ampararam a análise das DCOMP eletrônicas n° 36774.78779.161104.1.3.578990, 36991.62147.071204.1.3.57 2408, 12296.42511.091204.1.3.576326 e 05012.84073.101204.1.3.570722 que pleiteavam a utilização de créditos originários de ação judicial inerente a indenização, relacionada à posse de terras denominadas "Apertados", sitas no distrito de Jatahy e comarca de Tibagy, no estado do Paraná, da qual a União foi condenada a pagar por sentença com transitado em julgado no STJ, em 09/06/1999, ao rejeitar embargos declaratórios no âmbito do Recurso Especial n° 37.056 — Paraná (93/00203169). Sob este prisma, ante a negativa de admissão das compensações declaradas pelo contribuinte, consoante cópia do despacho decisório integrante das folhas 5/9, restou configurada a hipótese de infração sujeita à aplicação de penalidade decorrente da formalização de compensação indevida de tributos federais mediante aproveitamento de créditos desvinculados de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conjugado ao fato de representarem créditos de terceiros, procedimento segundo o qual encontra expressa vedação legal, tipificada pelo art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, alterada pelas redações dadas pelas Leis n° 11.051, de 2004, 11.196, de 2005 e pelo art. 18, da Lei n. 11.488, de 2007, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais encontramse detalhados no corpo do mencionado auto de infração e pormenorizados no Termo de Constatação (fl 122/18), ora parte integrante do lançamento. Regularmente cientificado dos aludidos Despachos Decisórios, por via postal, em 02/04/2009, consoante AR anexado à fl. 135, o contribuinte apresentou impugnação em 17/04/2009 (fls. 139/145), na qual requer a anulação do auto de infração, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Em caráter preliminar, após breve relato dos fatos, amparando em diversos conceitos estabelecidos pela doutrina tributária, inicia suas argüições asseverando que o auto de infração possui erro latente uma vez que não é o competente meio para efetivação da cobrança da exigência fiscal, visto que a característica precípua deste instrumento é representar um ato Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 5 4 constitutivo do lançamento de "crédito tributário tendente a verificar a ocorrência de fato gerador e a obrigação correspondente, conforme define o art. 142 e seguintes do CTN; 2) Questiona que as autoridade competente pretende transformar tal instrumento em auto de infração e imposição de multa, no entanto, argumenta que à luz do disposto na legislação tributária, verificase que ao agente fiscal cabe apenas destacar, constatar e descrever a infração. Completa que o CTN prevê a apuração dos créditos tributários por meio de procedimento de lançamento, na qual cabe à autoridade administrativa propor a aplicação de penalidade cabível, mediante elaboração de relatório circunstanciado e a capitulação, sem a imputação da sanção, sob o risco de usurpar a função privativa do órgão judicante e representando afronta ao art. 50, inciso LV da CF/88; 3)Nestes termos, reivindica que o auto de infração sem prévia anuência do acusado é absolutamente nulo, haja vista que se condenada a pagar a importância lançada, estará sendo despojada de seus bens, sem qualquer oportunidade de defesa, fato que ofende de forma absoluta os princípios constitucionais; 4) Conclui, apoiandose em interpretações emanadas pela doutrina tributária, que o fiscal pode propor, mas não impor a multa, vez que o auto de infração é meramente declaratório e, não, ato constitutivo, angariando a personalidade de um lançamento de ofício que deverá descrever a subsunção do conceito do fato ao conceito da norma, deixando a valoração ou cognição do conteúdo para o órgão judicante que realmente tem competência para apreciar e rever, não só os aspectos de direito como os de fato e deduzir se ocorreram ou não os efeitos legais; 5) No campo do mérito, atesta que mesmo não tendo prestado as informações corretamente no momento da entrega DCTF do 4° trimestre de 2004, ao verificar , tal situação, procedeu a informação correta acerca dos débitos quando solicitou a restituição e a declaração de compensação dos referidos valores, acrescidos de multa de mora de 20% e juros moratórios; 6) Certifica que a empresa declarou no formulário a existência dos referidos débitos, assim, entende que o lançamento de oficio não se torna necessário, visto que o fisco poderá propor a ação de cobrança a partir da exigência fiscal declarada pelo contribuinte; 7) Afirma, portanto, que a multa aplicada de 75% é indevida, e não pode ser computada ao saldo devedor apurado a partir da declaração formulada pelo próprio contribuinte, cujo documento supre o lançamento e serve para inscrição em divida ativa; 8) Fazendo menção ao art. 150, inciso IV da CF188 e jurisprudência proferida pelo STF, enfatiza que a cobrança de multa equivalente a porcentagem da contribuição, como está Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 6 5 sendo cobrado, é absolutamente extorsiva, chegando a configurar verdadeiro confisco ao patrimônio do contribuinte; 9) Ressalta que a empresa efetivamente não procedeu a compensação, posto que formulou à compensação que, por sua vez, não foi aceita, sendo, portanto, compelida ao pagamento do crédito tributário agregado aos acréscimos moratórios; 10) A empresa, ao contrário da alegação do agente fiscal, narra que se tomou titular do direito de um crédito e com base neste direito pleiteou a compensação. Assim, interpreta que a compensação não foi aceita, assim, não se poderia presumir que o contribuinte tenha tentado burlar o fisco; 11) Por fim, reafirma não houve máfé do contribuinte, não sendo constitucional a cobrança da multa objeto da autuação. Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SPI para julgamento da impugnação. É o relatório.”” O acórdão acima ementado rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que (i) a formalização da presente exigência decorreu de ação fiscal regular, com as respectivas peças impositivas, tendo sido lavradas nos termos da lei, no caso, o art. 142 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), observando ainda todos os requisitos constantes do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972; (ii) “a realização da compensação indevida, mediante flagrante desobediência de pressuposto legal relativo à formalização e apresentação da Declaração de Compensação (DCOMP), cuja transmissão apresentase em desacordo com a legislação de regência, fez surgir, como conseqüência, a constituição da multa isolada em litígio, cujo conteúdo é a penalidade pecuniária prevista no art. 10.833, de 29/12/2003, com a redação dadapelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007”. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de manifestação de inconformidade, especialmente no que se refere a: (i) “erro latente” do auto de infração, pois este “não seria meio competente para efetivação da cobrança”; (ii) ilegitimidade da cobrança de multa isolada (a) pelo fato de a base de incidência respectiva (débitos) estar informada em declarações ao Fisco; (b) por alegado caráter confiscatório e (c) por estar caracterizada a boafé da Contribuinte, que apenas teria pleiteado a compensação. Foram apresentadas contrarazões pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme salientado em sede de relatório supra, tratamse de autos de infração para exigência de multa isolada decorrente do indeferimento de pedidos de compensação formulados pela Contribuinte com créditos de terceiro e de natureza não tributária, em 16/11/2004 (36774.78779.161104.1.3.578990 – fls. 10/40), em 07/12/2004 (36991.62147.071204.1.3.572408 – fls. 41/78), em 09/12/2004 (12296.42511.091204.1.3.57 6326 – fls. 79/82) e em 10/12/2004 (05012.84073.101204.1.3.570722 – fls. 83/86). Os argumentos aduzidos pela Contribuinte contra o lançamento são improcedentes, pois, como bem assinalado pelo acórdão recorrido: (i) o auto de infração está lavrado adequadamente, com observância aos requisitos de forma previstos no art. 10 do Decreto n. 70.235/72. A obrigação tributária encontrase devidamente circunstanciada no lançamento, com precisa indicação dos dispositivos legais que justificaram sua lavratura; (ii) o lançamento é “meio competente” para constituição de crédito de multa isolada, por expressa disposição legal; (iii) é indiferente ao lançamento da multa isolada a boafé e o fato de o débito estar confessado pelo contribuinte em declaração, já que sua exigência encontra previsão legal e em nada se relaciona com a exigência do tributo objeto do pedido de compensação; (iv) a alegação de natureza confiscatória da multa não é matéria cognoscível em instância administrativa, por implicar juízo de constitucionalidade sobre a legislação de regência, conforme entendimento sumulado desta Corte Administrativa. Nada obstante tais considerações, entendo que o recurso voluntário merece provimento. Adotarseá como premissa fundamental a assertiva de que o exame da legitimidade da multa isolada por indeferimento de compensação deve ser feito à luz dos fatos narrados pela Fiscalização e das regras vigentes ao tempo da formalização de cada uma das declarações de compensação pela Contribuinte. Tal assertiva é corroborada por remansosa orientação da E. Primeira Seção do E. Superior Tribunal de Justiça sobre o instituto da compensação tributária, pela qual a E. Corte Especial assentou o entendimento de que a legislação aplicável ao procedimento de compensação realizado pelo contribuinte deve ser aquela vigente na data do encontro entre débitos e créditos [ou seja, a data da formalização do pedido respectivo], afastandose a aplicação retroativa de sucessivos regimes legais de compensação tributária. Verbis: “TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. PIS E TRIBUTOS DE DIFERENTE ESPÉCIE. SUCESSIVOS REGIMES DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DO DIREITO SUPERVENIENTE. INVIABILIDADE EM RAZÃO DA INCOMPATIBILIDADE COM A CAUSA DE PEDIR. ..................................................................................................... Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 8 7 4.Diante do quadro legislativo acima traçado, e atendendo à regra geral segundo a qual a lei aplicável à compensação é a vigente na data do encontro entre os débitos e créditos, resulta que (a) até 30.12.91, não havia, em nosso sistema jurídico, a figura da compensação tributária; (b) de 30.12.91 a 27.12.96, havia autorização legal apenas para a compensação entre tributos da mesma espécie, nos termos do art. 66 da Lei 8.383∕91; (c) de 27.12.96 a 30.12.02, era possível a compensação entre valores decorrentes de tributos distintos, desde que todos fossem administrados pela Secretaria da Receita Federal e que esse órgão, a requerimento do contribuinte, autorizasse previamente a compensação, consoante o estabelecido no art. 74 da Lei 9.430∕96; (d) a partir de 30.12.02, com a nova redação do art. 74 da Lei 9.430∕96, dada pela Lei 10.637∕02, foi autorizada, para os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação de iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação; (e) as limitações percentuais trazidas pelo art. 89 da Lei 8.212∕91, por expressa determinação do dispositivo, aplicamse tãosomente às contribuições recolhidas ao INSS. (EREsp 488.992/MG; Primeira Seção, Rel.: Min. Teori Albino Zavascki, j. 26/05/2004, DJ 07.06.2004 p. 156.” A matéria relativa à imposição de multa de ofício isolada por declarações de compensação indeferidas pela SRF sofreu inúmeras alterações no decorrer do tempo, o que impõe a breve exposição de histórico legislativo para adequada compreensão do tema. Nos termos da redação original da Medida Provisória n. 2.15835/01 (art. 90), estabeleceuse que seriam objeto de lançamento as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo decorrentes de compensação indevida ou não comprovada. A penalidade nos casos de compensação nãoadmitida pela SRF, portanto, era imposta em conjunto com a cobrança do tributo respectivo. Verbis: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” A partir de 29.12.2003, o lançamento de ofício de que trata o citado dispositivo passou a contemplar exclusivamente a imposição de multa sobre as diferenças apuradas por conta do reconhecimento da improcedência da compensação. A redação original do art. 18 da Lei n. 10.833/2003 afastou a obrigatoriedade de lavratura de auto de infração para constituição de crédito relativo ao montante principal (do tributo indevidamente compensado) e aos juros respectivos. Apenas a multa (e, por isso, multa isolada) seria objeto de lançamento. Referido dispositivo estabeleceu ainda que a citada multa isolada seria aplicada tãosomente nas hipóteses de compensação indevida por conta de utilização de créditos vedados por expressa determinação legal ou de natureza nãotributária ou, ainda, para as hipóteses em que restasse caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 9 8 Lei n. 4.502, de 30.11.64. Essa penalidade poderia ser imposta nos percentuais definidos no artigo 44, incisos I e II da Lei n. 9.430/96 (75% e 150%, respectivamente), conforme o caso. Vejase, nesse sentido, redação originária do art. 18, caput e § 2º da Lei n. 10.833/03, verbis: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2. A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do artigo 44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso.” Em 29.12.2004, um ano após a edição da citada legislação, foi sancionada a Lei n. 11.051/04, pela qual foi significativamente alterada a matéria relativa à compensação tributária. No que interessa ao objeto desse processo, a citada legislação instituiu nova modalidade de indeferimento do pleito de compensação formulado pelo contribuinte (compensações nãodeclaradas, ao lado da já existente “compensação nãohomologada”) e criou nova restrição à imposição da multa isolada em referência, admitindoa apenas nos casos em que restassem comprovadas pela Fiscalização a sonegação, fraude ou conluio. Verbis: “Art. 4o O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ............................................................................ ............................................................................ § 3o ............................................................................ ............................................................................ IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. ............................................................................ § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 10 9 I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação." (NR) ................................................................................................... Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) .....................................................................” A partir da edição da Lei n. 11.051/2004 (art. 25), portanto, a imposição de multa isolada pelo indeferimento dos pleitos de compensação restou limitada às hipóteses em que estivessem caracterizadas as infrações definidas nos artigos 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, seja nos casos de “nãohomologação” da compensação (Lei n. 10.833/03, art. 18, caput), seja nas hipóteses em que a compensação fosse tida como não declarada pela SRF (Lei n. 10.833/03, art. 18, § 4º). Ante a indispensável presença do evidente intuito de fraude no comportamento do contribuinte, inclusive nos casos de compensação tida por não declarada pela SRF, estabeleceuse que referida multa apenas poderia ser aplicada no percentual de 150% Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 11 10 (cento e cinqüenta por cento) do valor da compensação pretendida. Vejase, nesse sentido, o disposto no § 2º do art. 18 da Lei n. 10.833/03, com redação dada pela Lei n. 11.051/04, verbis: “§ 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Em 21.11.2005, a Lei n. 11.196/05 modificou novamente a matéria para admitir a imposição de multa isolada por compensação indeferida pela SRF (inclusive nas hipóteses de compensação tida por nãodeclarada) nos casos em que não estivesse presente o evidente intuito de fraude de que trata a Lei n. 4.502/64 (arts. 71 a 73). Citada legislação restabeleceu a previsão legal de imposição de multa isolada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do valor indevidamente compensado, inclusive nas hipóteses em que a compensação fosse tida por não declarada pela SRF, mantendose a penalidade prevista no art. 44, II da Lei n. 9.430/96 exclusivamente para os casos em que presente o evidente intuito de fraude do contribuinte no procedimento de compensação. Vejase, nesse sentido, o tratamento dado pela Lei n. 11.196/05 (art. 117) à matéria, em especial no que se refere ao art. 18, § 4º da Lei n. 10.833/03, verbis: “Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. ..... ........................................................................................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo." (grifos nossos) A Medida Provisória n. 351/07, convertida na Lei n. 11.488, de 2007, modificou novamente a regulamentação normativa do tema, especialmente para estabelecer que a multa de ofício em referência seria imponível em razão de não homologação da compensação quando comprovada eventual falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, mantendose no mais as demais disposições da legislação anterior. Vejase, nesse sentido, o disposto no art. 18 de referida MP, verbis: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 12 11 “O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ..................................................................................................... § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ...................................................................................................... § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo.” Pois bem. Conforme se constata do histórico legislativo supra, durante o período de vigência da Lei n. 11.051/04, não havia previsão legal para a imposição de multa isolada por compensação nãoadmitida pela SRF nas hipóteses em que ausente o evidente intuito de fraude no comportamento do contribuinte. Essa penalidade apenas foi restabelecida com a edição da Lei n. 11.196, de 2005. No caso, a Fiscalização não apontou qualquer indício que sugerisse a prática pela Contribuinte de qualquer das condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n. 4.502/64 que justificasse a aplicação da multa isolada na modalidade qualificada. É prova dessa assertiva o próprio lançamento, que se utilizou do percentual de 75% para aplicação da multa de ofício impugnada. Ante tal fato, conforme havia me manifestado em sessão de julgamento de dezembro de 2006, as multas isoladas impostas à Recorrente pelas compensações realizadas até 29.12.2004 (véspera da data de publicação da Lei n. 11.051/04) merecem ser afastadas por conta da aplicação do princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, II, “a”), posto que, como se viu, citada penalidade foi suprimida do ordenamento jurídico a partir da edição da Lei n. 11.051/04. Referido entendimento encontra respaldo na iterativa jurisprudência do CARF, verbis: “Trecho do relatório Sobre a multa isolada, afirma que ao tempo da conclusão do lançamento vigia o art. 18 da Lei 10.833/2003, que previa o Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 13 12 lançamento da multa isolada sobre compensação indevida por ser o crédito de natureza não tributária ou ficar caracterizada a prática das infrações nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502, de 30.11.1964. Referida disposição legal teria sido alterada pela Lei n. 11.051, de 29.12.2004, passando a ser aplicada a multa isolada somente nos casos da prática das disposições do art. 106, inciso II, alínea ‘a’, do Código Tributário Nacional, com vistas à desoneração desta multa isolada. ................................................................... Trecho do voto Sobre a multa isolada, tem razão a recorrente. De fato a nova redação do art. 18, da Lei n. 10.833, de 2003, é a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964 (Redação dada pela Lei n. 11.051, de 2004). No presente lançamento a multa isolada corresponde a 75% do crédito compensado e não homologado em outros processos aos quais a recorrente já teria parcelado segundo o Acórdão recorrido. Não houve a configuração das infrações definidas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502, de 30.11.1964. Como sabido, quando isto ocorre a multa de ofício exigida corresponde ao percentual de 150%. Advinda a previsão legal benéfica ao contribuinte, conforme se constata, nos termos do art. 106, inciso II, “a”, do Código Tributário Nacional, há que ser aplicada. Excluise, portanto, do lançamento a multa isolada.” (Processo n. 10.980.006959/2004 58, Acórdão n. 10615.776, 6ª Câmara, Rel.: Dr. José Ribamar Barros Penha, sessão de 17.08.2006 grifos nossos) No mesmo sentido: “(...) MULTA DE OFÍCIO DE 75%. DÉBITOS COMPENSADOS COM CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de ofício relativa ao lançamento decorrente da glosa de compensação de crédito presumido de IPI, pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN. (...) (Segundo Conselho de Contribuintes, Proc. n. 11543.001080/200431, Acórdão 20218278, Relator: Antonio Zomer, sessão de 19/09/2007, DOU 15.05.2008) No mesmo sentido: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 14 13 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI 11.051 DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei 11.051 de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude, situação que vigorou até a publicação da Lei 11.196, de 2005. Recurso de ofício negado e voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Acórdão 20179.389, Recurso 130.482, Relatora Josefa Maria Coelho Marques) No mesmo sentido: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (Medida Provisória nº. 303, de 29/06/2006, e art. 106 do CTN). Recurso provido. (Proc. n. 10380.016708/200106, Quarta Câmara, Rel.: Maria Helena Cotta Cardozo, sessão 17/08/2006) No mesmo sentido: MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI MAIS BENÉFICA. A Lei nº 11.051, de 2004, manteve a aplicação da multa isolada em lançamento de ofício somente nos casos de sonegação, fraude ou conluio, aplicandose aos fatos anteriores e ocorridos durante a sua vigência, ainda que alterada por legislação posterior. Recurso de ofício negado. (Segundo Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara, Proc. n. 13881.000145/200416, Acórdão 20179619, Rel. José Antonio Francisco, sessão de 21.09.2006) No mesmo sentido: MULTA. LANÇAMENTO DECORRENTE DE COMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF E NÃO HOMOLOGADA. DOLO NÃO CARACTERIZADO. LEI Nº 11.051, DE 30/12/2004. RETROATIVIDADE BENIGNA. CANCELAMENTO DA PENALIDADE. Nos termos do art. 18, caput e § 2º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004, a multa sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração dolosa, no percentual qualificado de cento e cinqüenta por cento. Na situação em que a compensação é declarada em DCTF com base em ação judicial, não resta caracterizado dolo e por isto a multa de ofício é cancelada. Recurso provido em parte. (Acórdão 20311530, Relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis, sessão de 09.11.2006 – grifos nossos) Por derradeiro, reiterese que não é legítima a pretensão de se aplicar em matéria de compensação tributária a lei na sua redação atual ao fato pretérito. As declarações de compensação de que trata o caso dos autos foram formalizadas no curso do anocalendário Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000944/200951 Acórdão n.º 1102000.823 S1C1T2 Fl. 15 14 de 2004 e, portanto, sob a égide da a Lei n. 10.833/03 original (tempus regit actum). A penalidade relativa à compensação não admitida pela SRF (sem a ocorrência de fraude) foi retirada do ordenamento jurídico brasileiro pela Lei 11.051/2004. Apenas com a edição da Lei 11.196/05, referida penalidade voltou a ter previsão legal específica. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário da Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento para afastar a multa isolada em referência por aplicação ao caso do princípio da retroatividade benigna. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 10073.902022/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 22 /2 00 9- 52 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902022/200952 Acórdão n.º 3802003.080 S3TE02 Fl. 125 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. 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MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10073.902044/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 44 /2 00 9- 12 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902044/200912 Acórdão n.º 3802003.102 S3TE02 Fl. 125 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902044/200912 Acórdão n.º 3802003.102 S3TE02 Fl. 126 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero da decisão: 3802-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 25 /2 00 9- 96 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. 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Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902025/200996 Acórdão n.º 3802003.083 S3TE02 Fl. 126 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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