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Numero do processo: 15586.000615/2007-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2006
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009.
Verificada a omissão acerca das razões consideradas para definição da natureza do vício inquinado, impõe-se o esclarecimento devido.
Embargos de declaração da Fazenda Nacional parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado do julgamento
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos em parte, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a omissão pertinente, esclarecendo que o vício que levou a improcedência da autuação - descrição insuficiente dos fatos geradores se trata de vício material.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Andre Luis Marsico Lombardi, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2006 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a omissão acerca das razões consideradas para definição da natureza do vício inquinado, impõe-se o esclarecimento devido. Embargos de declaração da Fazenda Nacional parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado do julgamento Embargos Acolhidos em Parte.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2006 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a omissão acerca das razões consideradas para definição da natureza do vício inquinado, impõese o esclarecimento devido. Embargos de declaração da Fazenda Nacional parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado do julgamento Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos em parte, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a omissão pertinente, esclarecendo que o vício que levou a improcedência da autuação descrição insuficiente dos fatos geradores se trata de vício material. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 15 /2 00 7- 54 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.000615/200754 Acórdão n.º 2803001.969 S2TE03 Fl. 193 2 Oséas Coimbra Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Andre Luis Marsico Lombardi, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior. Relatório Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.000615/200754 Acórdão n.º 2803001.969 S2TE03 Fl. 194 3 Tratase de embargos, fls. 267/268 e ss, opostos tempestivamente, contra acórdão 2803001.515. Entende a recorrente, em síntese, que o acórdão foi contraditório, pois o argumento ligado à violação do art. 142 por questões relacionadas à falha na descrição dos fa tos geradores enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não, o seu cancelamento. Por fim, a recorrente solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, sanando a contradição existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.000615/200754 Acórdão n.º 2803001.969 S2TE03 Fl. 195 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra A decisão embargada não explicita a natureza do vício constante no levantamento ZEX ZARAS EXPRESS, o que inclusive levou a improcedência parcial do mesmo. O acórdão embargado esclarece o seguinte: O Relatório de lançamentos, em relação a prestadora FREE FAST,indica como fato gerador a nota fiscal examinada, com o seguinte histórico: Nf [...] Serviços de entrega Motoboy . O relatório fiscal não traz maiores esclarecimentos acerca do serviço prestado. No levantamento ZEX o quadro se repete,constando do relatório de lançamentos o histórico: Serviços de entregas co m Motociclistas/motoboys. Apenas na competência 06/2005 há expressa menção “NF 576 Serviços de entregas de documentos com Motociclistas. A legislação retro determina que apenas os serviços de entrega de contas e documentos sujeitamse a retenção obrigatória, dess a feita, como consta apenas no relatório de lançamentos serviços de entrega com motoboy/motociclista, não vejo como enquadrar o fato descrito à norma posta, uma vez que há várias modalidades de serviços de entrega que não se referem a contas e documentos. Nesse caso, deveria o Auditor notificante ter solicitado esclarecimentos a empresa fiscalizada e, somente na falta destes, poderseia admitir o devido arbitramento, o que não ocorreu. Resta demonstrado que a razão da improcedência foi a falha na descrição dos fatos geradores, como bem apontado pela douta Procuradoria. Cabe agora, através dos aclaratórios, sanar a omissão referente à natureza do vício descrito. A insuficiência na descrição dos fatos geradores sequer comprova a existência destes; se o relatório não descreve de forma clara o fato imponível, a ponto de a autoridade julgadora não considerar a situação descrita como tributável, não há que se falar em fato gerador, pois este não restou demonstrado. Tal situação se caracteriza como vício material, pois se refere ao conteúdo do ato administrativo e não a questões relacionadas a sua forma. Senão vejamos jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.000615/200754 Acórdão n.º 2803001.969 S2TE03 Fl. 196 5 VÍCIO FORMAL — NULIDADE — INEXISTÊNCIA — Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação. No caso em análise, havia possibilidade de conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas, posto que complexas. Recurso de ofício provido. Processo n°. : 10140.002672/2001 06. Sessão de 15 de outubro de 2003 _____________ “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo acolhimento parcial dos embargos apresentados, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a omissão pertinente, esclarecendo que o vício que levou a improcedência da autuação – descrição insuficiente dos fatos geradores – se trata de vício material. Oséas Coimbra Relator Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.000615/200754 Acórdão n.º 2803001.969 S2TE03 Fl. 197 6 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001214/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Relatório
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 01 21 4/ 20 10 -3 4 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.001214/201034 Resolução nº 2401000.266 S2C4T1 Fl. 196 2 Relatório Insurgiuse o sujeito passivo contra o Acórdão n.º 0534.638 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Campinas (SP), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração – AI n.º 37.316.432 7. O crédito em questão contempla as contribuições patronais previdenciárias, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT. De acordo com o fisco a empresa declarou em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) a remuneração dos segurados empregados a seu serviço. Todavia, ao se declarar optante pelo Simples Nacional, deixou de confessar as contribuições patronais, as quais são exigidas na autuação sob julgamento. Além disso, foram exigidas as contribuições incidentes sobre a remuneração arbitrada de Mário Rodrigues Vasques, administrador da empresa, enquadrado como segurado empregado. No seu recurso voluntário a empresa insiste pela sua manutenção no regime tributário do Simples Nacional desde 2008 e afirma que vem discutindo administrativamente essa questão no bojo do processo n.º 12670.001973/200818. Afirma que prestou todas as declarações e recolheu os tributos na condição de optante do regime simplificado, não sendo crível que os seus administradores tivessem requerido a sua saída do Simples Nacional. Alega que não cometeu as infrações imputadas e que não é cabível a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais. Afirma ser abusiva a multa aplicada. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.001214/201034 Resolução nº 2401000.266 S2C4T1 Fl. 197 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de sobrestamento do feito Verifico na espécie que o deslinde da presente contenda reclama a solução de um outro processo administrativo que sabemos ainda não foi concluído. Tratase do processo n.º 12670.001973/200818, em que o sujeito passivo recorreu ao CARF para contestar a sua exclusão do Simples Nacional, o qual se encontra pendente de distribuição, conforme consulta realizada no sítio do CARF nesta data. Ao contrário do entendimento firmado na decisão da DRJ, vislumbramos que, tendose em conta o caráter de prejudicialidade do mencionado processo frente o AI que ora se julga, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente suba para apreciação por esse colegiado, quando se tenha o trânsito em julgado do processo em que se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10980.008107/99-77
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:20/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM:20/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 81 07 /9 9- 77 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:20/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.008107/9977 Acórdão n.º 9900000.569 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 02 02.860, proferido pela 2ª Turma da CSRF em 28/01/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso Especial do Procurador Negado.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0400.810), no ponto em que entendeu que o prazo prescricional para que o contribuinte pleiteie a repetição do PIS pago com fulcro nos DecretosLeis n" 2.445 e 2.449, de 1988, tem início na data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 1995. Segue abaixo a ementa do paradigma: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) Explica que a divergência jurisprudencial reside no fato de a decisão recorrida acolher a tese de que o termo a quo do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para o pleito de restituição é a data da publicação da Resolução do Senado n° 49, de 1995, que estendeu os efeitos da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em controle difuso, dos Decretos Lei n° 2.445 e 2.449, ambos de 1998. Por outro lado, argumenta que o acórdão paradigma acima colacionado suscita a tese de que tributos pagos indevidamente, ainda que o motivo do indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade, podem ser objeto de pedidos de restituição, desde que não esgotado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos contados da data do pagamento antecipado. No mérito, afirma que a decisão atacada desrespeitou os arts. 168 e 165 do CTN, bem como os arts. 3º e 4º da Lei Complementar n° 118, de 2005. Observa que a decisão recorrida respaldouse em posicionamento superado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 declaração de inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo decadencial para a repetição do indébito. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.282, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarazões. Eis o breve relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.008107/9977 Acórdão n.º 9900000.569 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.008107/9977 Acórdão n.º 9900000.569 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (04/05/1999), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 04/05/1989. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000370/99-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-001.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por descrever os fatos com fidelidade e clareza, adoto o relatório do Acórdão 1224.711, da 8ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro I, in verbis: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 03 70 /9 9- 95 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 “O presente processo originouse a partir de pedidos de compensação diversos, todos convertidos em declaração de compensação por força do art 49 § 4° da Lei 10.637/2002 , que deu nova redação ao art 74 da lei 9.430/1996. Os pedidos de compensação que constam dos autos são: • fls 01, data de protocolo — 17/06/99; • fls 66, data de protocolo — 30/06/99; • fls 68, data de protocolo — 09/07/99; • fls 74, data de protocolo — 20/07/99; • fls 75, data de protocolo — 29/07/99; • fls 76/77, data de protocolo — 06/08/99; • fls 83, data de protocolo — 30/08/99; • fls 86, data de protocolo — 03/09/99; • fls 92, data de protocolo — 17/09/99; • fls 95, data de protocolo — 30/09/99; • fls 99, data de protocolo — 06/10/99; • fls 100, data de protocolo — 06/10/99; • fls 103, data de protocolo —19/10/99; • fls 105, data de protocolo —29/10/99; • fls 108, data de protocolo — 09/11/99. O crédito informado nos pedidos acima relacionados alcança o montante de R$ 5.607.165,76 e é oriundo de ação de repetição de indébito (ação n° 9271546) na qual a interessada pleiteou a atualização monetária de valores referentes ao IOF, objeto de pleito anterior e que já teriam sido restituídos à interessada. O trânsito em julgado da ação ajuizada ocorreu em 04/08/98 (fls 145) e em 09/06/1999 a interessada requereu ao juízo competente a desistência da execução da sentença (fls 09), tendo em vista interesse de utilizar diretamente, via compensação, o direito creditório que lhe fora reconhecido, conforme planilha de fls 22/23. Às fls 110, 153, 170/171 e 198 constam despachos emitidos, respectivamente, pelo CAC Campo Grande, Derat e PFN. Tais despachos tiveram como objeto eliminar duplicidade de débitos, atualização dos arquivos da SRFB com os valores acertados dos referidos débitos, considerações sobre o montante do crédito pleiteado e instrução dos autos com a sentença que teria homologado a desistência da execução da ação que transitou em julgado . Em 13//02/07 a Equipe de Compensação Judicial da DERAT prolatou o despacho de 181/183 (sic) do qual constou o seguinte comando conclusivo : ‘ ...após a confirmação da homologação da desistência da execução de sentença pelo juízo competente, conforme solicitação da PFN ao juízo (fls 171), encaminhar o p.p à Derat/Diort/RJ para proceder às compensações e apurar os Fl. 411DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13702.000370/9995 Acórdão n.º 3403001.830 S3C4T3 Fl. 12 3 débitos remanescentes, se houver, lembrando que a interessada tem um total de R$ 375.238,04 de crédito, valores de 31/12/2005’. O despacho que homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido foi datado de 10/10/2008 e juntado às fls 225. Não consta dos autos o documento que comprovaria a data da ciência à intimação 91/09 (fls 226), emitida em 03/02/2009 e que tinha como objeto o referido despacho. Em 09/03/2009 a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 231/249 na qual alega, em síntese, a homologação tácita das compensações declaradas.” (Os grifos não são do original.) Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 09/04/2010 (fl. 379), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/05/2010 (fl. 384), alegando, em síntese, a ocorrência da homologação tácita. Atacou o fundamento da decisão de primeira instância, pois no seu entender o art. 17, § 1º da IN SRF nº 21/97, não indica expressamente o tipo de procedimento a ser utilizado para a comprovação da desistência da execução do título judicial, o que afasta o posicionamento da DRJ em admitir somente a comprovação por ato homologatório do juiz. Tendo a recorrente apresentado as petições relacionadas à renúncia e à desistência da execução do julgado, incluindo honorários e os ônus de sucumbência, restaram integralmente cumpridas as exigências da IN nº 21/97. A DRJ criou uma exigência não prevista em lei. Além disso, o art. 70 da IN RFB 900/08 veio a estabelecer claramente que a desistência tanto pode ser comprovada por meio da homologação do pedido pelo Poder Judiciário, quanto pela apresentação da petição de renúncia à execução do principal, dos honorários e das verbas de sucumbência. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. É incontroverso nos autos que o contribuinte apresentou petição ao juiz da causa solicitando a desistência da execução do título judicial em relação ao principal, aos honorários e aos ônus da sucumbência. Entenderam a autoridade administrativa e a decisão recorrida que, com base no art. 17, § 1º, da IN SRF nº 21/97, essa desistência somente estaria comprovada com a apresentação da homologação do pedido pelo juiz. Como bem apontou a defesa, a instrução normativa não exige a homologação do juiz, ela apenas exige a “desistência” do contribuinte em relação à execução do principal, dos honorários e da verba de sucumbência. O art. 74, § 4º da Lei nº 9.430/96 converteu em declaração de compensação todos os pedidos de compensação pendentes de análise por parte da autoridade administrativa, não estabelecendo nenhuma ressalva ou exceção. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96 não prevê nenhuma hipótese de suspensão ou de interrupção do prazo ali estabelecido. Assim, ainda que no caso concreto se pudesse considerar como válida a exigência da homologação judicial da desistência, o despacho de não homologação de cada declaração de compensação teria que ter sido exarado em cinco anos, contados das datas dos respectivos protocolos. Todos os pedidos de compensação tratados neste processo foram apresentados ao longo do ano de 1999, mas o despacho decisório de não homologação das compensações só foi exarado em 10/10/2008, conforme se comprova na fl. 225. Se a Administração considerava que era necessária a homologação judicial da desistência, poderia ter indeferido de plano os pedidos de compensação antes que se convertessem em declarações de compensação, pois entre as datas de protocolo e o advento da Lei nº 10.637/2002 transcorreram mais de três anos. Com a introdução do § 5º no art. 74 da Lei nº 9.430/96 por meio da Lei nº 10.833, de 30/12/2003, a administração teve até o dia 16/06/2004 para exarar o despacho de não homologação da primeira declaração tratada neste processo (apresentada de 17/06/1999). Os prazos quanto às demais declarações de compensação tratadas neste processo foram se exaurindo ao longo do ano de 2004, mas a Administração só exarou o despacho em 2008. Não tendo se desincumbido do seu encargo legal dentro do prazo estipulado no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, todas as compensações tratadas neste processo foram homologadas por decurso de prazo. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para considerar homologadas as declarações de compensação tratadas neste processo, com base no disposto no art. 74, §§ 4º e 5º da Lei nº 9.430/96. Antonio Carlos Atulim. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903350/2008-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL.
O processo Administrativo Fiscal rege-se pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. A identificação de fato que configure de forma clara e pontual a duplicidade de confissão e extinção do débito resgata a verdade material que deve ser homenageada no processo.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern (Relator), que negou provimento. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern Presidente e relator
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. O processo Administrativo Fiscal rege-se pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. A identificação de fato que configure de forma clara e pontual a duplicidade de confissão e extinção do débito resgata a verdade material que deve ser homenageada no processo. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1997; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 1 98 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.903350/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.714 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2012 Matéria COFINS DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente CONGESA ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO. PARCELA. CONFISSÃO EM DUPLICIDADE. ERRO DE FATO. CANCELAMENTO. A duplicidade na confissão de parcela do débito apurado no mês, consubstanciada em declaração de compensação, uma vez comprovada a absorção do seu valor pelo pagamento integral do débito, efetuado posteriormente, configura erro de fato, a ensejar o cancelamento da DComp transmitida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. O processo Administrativo Fiscal regese pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. A identificação de fato que configure de forma clara e pontual a duplicidade de confissão e extinção do débito resgata a verdade material que deve ser homenageada no processo. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern (Relator), que negou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 33 50 /2 00 8- 76 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN 2 provimento. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório CONGESA ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. transmitiu o PER DComp nº 18354.85783.120804.1.3.044781, fls. 38 a 42, pretendendo extinguir débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins referente a julho de 2004, no valor de R$ 3.600,00, pela via de sua compensação com crédito por pagamento a maior da Cofins do período de apuração de maio de 2001. O Despacho Decisório Eletrônico nº 781202234, fl. 44, indeferiu o pleito repetitório e não homologou a compensação porque o pagamento aventado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para quitação do débito informado na Dcomp. Em Manifestação de Inconformidade, o interessado alegou que o débito que pretendia compensar já estava pago e que não formulou pedido de cancelamento da Dcomp por desconhecer os procedimentos para tanto. Entendendo que não houve prejuízo ao Erário, requer o cancelamento da Dcomp e da exigência dos débitos que emergiram da não homologação da compensação. Instruiu sua peça de reclamação com cópia da DIPJ referente ao AC2004 (retificada em 09/05/2007), que informa os valores da contribuição efetivamente devidos; cópia dos DACON correspondentes, e; cópia dos DARF que comprovariam os recolhimentos alegados. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 7ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 0537.509, de 4 de abril de 2012, fls. 53 a 56, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CANCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento de declaração de compensação (Dcomp) está submetido a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903350/200876 Acórdão n.º 3803003.714 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/CPS7ª Turma. O arrazoado de fls. 63 a 71, após sintetizar os fatos relacionados com a lide, explica que se equivocou ao tachar de indevido o pagamento de Cofins referente ao PA 05/2004 e que, da mesma forma, se equivocou ao declarar a compensação do débito da contribuição de 07/2004, posto que tal débito fora integralmente recolhido por DARF. Esclarece ainda que, ao deduzir sua pretensão defensiva perante a Administração Tributária, requereu, com absoluta imprecisão terminológica, o cancelamento do PER/DComp, quando em verdade postulava o reconhecimento da inexistência do débito considerado como "não quitado" pelo indigitado Despacho Decisório. Nada obstante, sustenta que essa imprecisão terminológica não seria hábil a afastar do órgão julgador o controle de legalidade do Despacho Decisório em questão, uma vez que o expediente de defesa apresentado continha elementos suficientes para que o julgador administrativo reconhecesse o manifesto erro cometido pelo sujeito passivo ao transmitir PER/DComp cujo crédito e débito inexistiam. Discorre sobre o princípio da verdade material, ilustrando seus argumentos com ementas de julgados administrativos. Da mesma forma, transcreve excertos de julgados administrativos que admitiram o cancelamento da cobrança do débito emergente de compensação não declara quando comprovada a sua inexistência. Finalmente, alerta que, quando da apresentação da sua defesa inicial, franqueou à DRJ todos os documentos que lhe permitiriam apurar o equívoco perpetrado com a transmissão do referido PER/DComp e que esses documentos não foram avaliados. Entende que este Colegiado possui duas formas de resolver o litígio sob análise: a primeira, demandaria a anulação da decisão de 1a instância e o retorno dos autos para que a DRF aprecie e constate a inexistência do débito confessado e a consequente impropriedade de sua exigência, ou; a segunda, com o pronto reconhecimento da inexistência do débito, pela análise da documentação comprobatória, solução autorizada pelo § 3o, do art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual instruiu a peça recursal com cópia da DCTF correspondente ao crédito indevidamente pleiteado no PER/DComp; cópia da DCTF correspondente ao débito (inexistente) confessado no PER/DComp; cópia da DIPJ que comprova o valor do débito (inexistente) confessado no PER/DComp; cópia do DACON com o débito indevidamente confessado no PER/DComp. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 63 a 71 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS7ª Turma nº 0537.509, de 4 de abril de 2012. Diante de pedido expresso de cancelamento da DComp, formulado após a edição do despacho decisório, o colegiado de piso, louvandose no art. 59 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro e 2005, e em jurisprudência do CARF, indeferiu a solicitação. O voto condutor do acórdão recorrido destacou ainda que a DComp de que se trata foi transmitida em 12/08/2004, antes do efetivo recolhimento do DARF em 13/08/2004 (fls. 23). Nada a reparar nessa decisão, que se deu em perfeita harmonia com o regramento da matéria. Notese que, em face do pedido formulado, o colegiado de piso não estava constrangido a apreciar os documentos que instruíram a peça de reclamação, razão pela qual não há cogitar em cerceamento do direito de defesa, que foi exercitado plenamente. Em sede de recurso voluntário, o interessado abandonou o pedido de cancelamento da DComp, restringindose ao de cancelamento da exigência do débito que emergiu da não homologação da compensação, que estaria extinto por pagamento. Nesse sentido, instruiu a peça recursal com novos documentos. A propósito da possibilidade de exame destes novos documentos, acostados aos autos no momento processual da interposição do recurso voluntário, valhome das considerações do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, exaradas por ocasião do votocondutor do Acórdão nº 20218.597, de 12 de dezembro de 2001, da Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que adoto plenamente como razão de decidir: “A possibilidade de exame destes novos documentos deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. Dispõe o Decreto nº 70.235/72, verbis: ‘Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903350/200876 Acórdão n.º 3803003.714 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, é na impugnação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN 6 desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. Desta forma, deixo de considerálos no julgamento da presente lide. Ancorandose nas premissas de que todo o valor recolhido destinouse ao pagamento da Cofins devida em maio de 2004 e de que o pagamento que teria extinto o débito confessado foi efetuado em data posterior à de transmissão da DComp de que se trata, o colegiado de piso refutou implicitamente a alegação de erro na confissão. E fêlo apreciando as provas carreadas aos autos na Manifestação de Inconformidade. Sublinho as conclusões do voto condutor da decisão recorrida: na data em que foi feita a confissão, 12/08/2004, o débito não estava extinto, já que o pagamento que pretensamente o extinguiu só foi efetuado em 13/08/2004, conforme cópia do DARF na fl. 23. Corroborando o entendimento da 7ª Turma da DRJ/CPS, não houve erro na confissão que possa ensejar o cancelamento do débito oposto na compensação declarada na DComp nº 18354.85783.120804.1.3.044781. Se algum direito assiste ao ora recorrente, o que deverá ser cabalmente demonstrado em processo próprio, ele diz respeito ao pagamento representado pelo DARF de fl. 23. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa redator designado Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903350/200876 Acórdão n.º 3803003.714 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 7 A divergência erigida no presente voto fundase no entendimento de que o d. Relator teve uma percepção parcial dos fatos que subjazem neste processo, de que consta nos autos a prova da inexistência da parcela do débito do mês de julho de 2004, compensado na DComp sob análise, no valor de R$ 3600,00, e de que o âmbito do Processo Administrativo Fiscal abarca o argumento de defesa de sua inexistência, em contraponto ao aduzido pelo Relator, conforme fragmento do seu voto: “Notese que, em face do pedido formulado, o colegiado de piso não estava constrangido a apreciar os documentos que instruíram a peça de reclamação, razão pela qual não há cogitar em cerceamento do direito de defesa, que foi exercitado plenamente.”. Primeiro, reprisese, o despacho decisório certifica o pagamento de Cofins, código de receita 2172, do período de apuração (PA) maio de 2004, no valor R$ 3.600,00, arrecadado em 15/06/2004, integralmente aplicado na quitação do débito do mesmo mês, a que estava vinculado, não restando, de fato, crédito para utilização em DComp. Em sua defesa, desde a manifestação de inconformidade, a Defendente reconhece a inexistência do crédito utilizado na DComp sob análise, mas aponta para a inexistência do débito nesse mesmo valor, relativo ao mês de julho de 2004 nela compensado. Para demonstrálo anexou à defesa apenas cópias da DComp e dos DARFs de pagamento relativo ao mês de julho. A bem da verdade, somente no recurso voluntário, a Recorrente cuida de anexar cópias da DIPJ/2005, retificada em 09 de maio de 2007, e do Dacon, terceiro trimestre de 2004, retificado em 21 de maio de 2005, e da DCTF original transmitida em 11 de novembro de 2004. É relevante considerar que estes instrumentos de transmissão de dados econômicofiscais e de confissão de dívida para a Receita Federal são originais, para os efeitos legais, pois, quanto aos retificados, estes tiveram tal providência em data anterior ao procedimento de auditoria de compensação efetuado eletronicamente por meio do Sistema de Controle de CompensaçãoSCC. Estas obrigações acessórias refletem a apuração do débito pela Contribuinte e dão conta, conjuntamente, da existência do débito de Cofins para o mês de julho de 2004 de R$ 49.189,06 (confessado na DCTF no valor de R$ 48.960,21), no regime não cumulativo, e de R$ 334,95 no regime cumulativo. Estes valores foram pagos em 13 de agosto de 2004, portanto, quitando a contribuição declarada e confessada (ressalvada a diferença não confessada de R$ 228,85). Sendo estes os débitos apurados, refletidos em declaração original (DCTF) e legalmente com efeito de originais (Dacon e DIPJ), a DComp transmitida, em 12 de agosto de 2004, um dia antes do pagamento, anteciparase em compensar parcela do débito no regime não cumulativo, com suposto pagamento a maior de R$ 3.600,00, relativo à contribuição de maio. Em vista dos eventos desvendados no curso deste processo, o ato foi tacitamente invalidado com o pagamento integral do débito que a Contribuinte apurara e que, posteriormente, no interstício de sua espontaneidade, veio a confessar, R$ 48.189,21 (mais R$ 334,06 no regime cumulativo), embora não tenha requerido o cancelamento da DComp. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Do voto proposto extraise que o d. Relator não captou dos autos estes fatos, decerto induzido pelo equívoco de percepção do d. Julgador de piso, como se pode ver do excerto abaixo, ao sublinhar a sua conclusão: de impossibilidade de erro na confissão do débito na DComp pelo fato de o pagamento que o extinguiu ter sido efetuado um dia após à sua transmissão: Ancorandose nas premissas de que todo o valor recolhido destinouse ao pagamento da Cofins devida em maio de 2004 e de que o pagamento que teria extinto o débito confessado foi efetuado em data posterior à de transmissão da DComp de que se trata, o colegiado de piso refutou implicitamente a alegação de erro na confissão. Sublinho as conclusões do voto condutor da decisão recorrida: na data em que foi feita a confissão, 12/08/2004, o débito não estava extinto, já que o pagamento que pretensamente o extinguiu só foi efetuado em 13/08/2004, conforme cópia do DARF na fl. 23. Corroborando o entendimento da 7ª Turma da DRJ/CPS, não houve erro na confissão que possa ensejar o cancelamento do débito oposto na compensação declarada na DComp nº 18354.85783.120804.1.3.044781.[grifos aqui] O fato de inexistir crédito hábil para a parcela de débito da DComp adicionado ao fato de que o pagamento que teria extinto tal débito somente ter ocorrido no dia seguinte à data da transmissão da DComp, não leva à conclusão de que não houvera erro de confissão do débito na DComp. A visão oblíqua dos fatos conduziu à conclusão impertinente de que o débito objeto da compensação não estava extinto, já que o pagamento que pretensamente o extinguiu só foi efetuado no dia seguinte, em 13 de agosto de 2004. Ora, o dia da transmissão da Dcomp, 12 de agosto de 2004, não era ainda a data de vencimento do débito, data em que este foi efetivamente pago, 13 de agosto. Daí, ter vindo primeiro o aproveitamento do crédito que a Contribuinte julgara possuir, embora erroneamente, mediante a compensação. Não há nenhuma incongruência, ante o conjunto de fatos que dos autos se desvenda, em ter a Defendente afirmado olhando para os fatos todos já transcorridos que o débito do período já estava pago. Não caberia têlo afirmado no dia 12 de agosto de 2004. Ante o que está exposto acima, não há qualquer direito da Contribuinte no tocante ao pagamento do DARF de fl. 23, no valor de R$ 48.189,21, de modo que descabe a conclusão do d. Relator ao apontar para a eventualidade desse direito no desfecho do voto, porquanto este valor quita o débito confessado, verbis: Se algum direito assiste ao ora recorrente, o que deverá ser cabalmente demonstrado em processo próprio, ele diz respeito ao pagamento representado pelo DARF de fl. 23. Ante tudo o que está demonstrado, podese atribuir a ocorrência de erro de fato substancial da Contribuinte no ato de transmitir DComp. Erro sobre o fato de julgar estar a ermo o pagamento de R$ 3.600,00, DARF representativo de parcela da contribuição apurada em maio/2004. Serviuse do suposto crédito no dia 12 de agosto e no dia 13 efetuou o pagamento integral (ressalvada a insuficiência residual apontada retro). Tratase de erro que “interessa ao objeto principal da declaração...”, vale dizer, o débito que a Contribuinte confessa, adicionalmente informa por meio de duas outras obrigações acessórias, e extinto nessa medida, segundo os termos do art. 139, do Código Civil, ao definir o erro de fato substancial. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903350/200876 Acórdão n.º 3803003.714 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 9 Erro de fato substancial, na lição de Francisco Amaral “é aquele de tal importância que, sem ele, o ato não se realizaria. Se o agente conhecesse a verdade, não manifestaria vontade de concluir o negócio jurídico.” 2 Não se olvida que a vontade não é elemento existencial do ato jurídico strictu senso (diferentemente do que o exige o negócio jurídico), uma vez que os seus efeitos são aqueles préestabelecidos na lei. No dizer de Antonio Junqueira de Azevedo ela é incorporada e absorvida pela declaração, e pode, depois, influenciar a validade do ato e às vezes também a eficácia. Segundo essa vertente da doutrina, temos, no caso, comprometida a DComp no seu plano de eficácia, eis que consubstancia uma confissão de dívida em que esteve vulnerada a manifestação de vontade da Contribuinte, presente o vício de consentimento, por ausente o seu objeto, em face do pagamento integral do débito, um dia após. Já da lição de Fabiana Del Padre Tomé3, no excerto abaixo, deduzemse afetados os planos de existência e de validade da declaração: O raciocínio é claro: se confissão é declaração de vontade, e se essa vontade é viciada, a confissão não tem objeto. E declaração sem objeto é o mesmo que declaração inexistente. Essa assertiva ainda mais se avulta em Direito Tributário: se a obrigação tributária decorre da concretização, no mundo fenomênico, daquele fato abstratamente previsto na norma jurídica (hipótese de incidência), a confissão somente tem validade na medida em que efetivamente corresponder ao fato. Em não havendo essa correlação, a declaração viciada de vontade em nada interessa ao Direito Tributário. Na intrepidez do seu ensino a Professora vai inda mais adiante, em demonstrar que não só o erro de fato, mas, também, o erro de direito enseja a revogabilidade da confissão: Por regra geral o erro de direito, isto é, sobre os efeitos jurídicos do ato, não motiva a revogação da confissão, porque não impede que o fato seja certo; mas se o erro de direito conduz à confissão de uma obrigação que não existe ou ao negar a existência de um direito que se tem, apresentase, também, em última instância, como um erro de fato, e, por conseguinte, aquele é apenas a causa deste, que autoriza sua revogação. Se o erro de fato serve para revogar a confissão, não importa que se origine a partir de um erro de direito.) 2 Amaral Francisco. Direito Civil. São Paulo: Renovar, 2003, p. 500. 3 TOMÉ, Fabiana Del Padre. Defesa e Provas no Processo Administrativo Tributário Federal: Momento para sua produção, espécies probatórias possíveis e exame de sua admissibilidade. In: Processo Administrativo Tributário Federal e Estadual. Organizadores: Marcelo Vianna Salomão e Aldo de Paula Júnior. São Paulo: MP Editora, 2005, p.1579. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Moacyr Amaral dos Santos4, corroborao quando leciona acerca da revogação da confissão, por faltarlhe objeto, na hipótese de erro fundado na falsidade do fato confessado: Dado que o confitente, por engano, narre o fato de forma diversa daquela por que se passou, há erro e, como tal, a confissão pode ser revogada, desde que o erro seja essencial. A confissão é o reconhecimento da verdade de um fato; se o fato confessado é falso, a confissão não tem causa, faltalhe objeto. Quem admite um fato, devido a erro, na realidade não confessa: non fatetur qui errat. Com esta orientação converge também Américo Masset Lacombe5, ao afirmar que “a confissão pode, pois, ser revogada se houver erro de fato.” Repisese sucintamente: a confissão em DCTF é original, a DIPJ e Dacon possuem efeito de original, todos antecedentes ao despacho decisório, todos, conjuntamente, demonstram o débito apurado foi pago (vide ressalva), abarcando a parcela contida na DComp. Assim, o conflito sob exame deve ser resolvido pelo cancelamento da declaração de compensação, sob pena de ferir, igualmente, além da verdade material que exsurge do que está provado nos autos e ora demonstrado, os princípios da legalidade e da moralidade, que devem ser obedecidos pela Administração Pública Federal, segundo o ditame do art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, a impedir, no caso, que se exija da Contribuinte tributo que já está pago, decorrente do ato de não homologação da DComp sob análise. Pelo exposto, por comprovada a inexistência do débito, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a declaração de compensação. Sala das sessões, 23 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 4 SANTOS, Moacyr Amaral. Comentários ao Código de Processo Civil. V. IV. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1994, p.111. 5 LACOMBE, Américo Lourenço Masset. A caracterização do parcelamento para fins tributários e criminais (novação da dívida ou mera confissão de fatos): a jurisprudência do STJ. In: Revista Internacional de Direito Tributário da ABRADT. Vol. VI. Belo Horizonte: Del Rey, 2007, p.2356. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10783.904838/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
Inexiste previsão legal para a incidência de atualização monetária sobre créditos de IPI objetos de pedido de restituição, quando não há resistência da administração pública.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso interposto.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso interposto. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Leonardo Mussi da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para a incidência de atualização monetária sobre créditos de IPI objetos de pedido de restituição, quando não há resistência da administração pública. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso interposto. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Leonardo Mussi da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 48 38 /2 00 9- 12 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instancia: Trata o presente processo de Declaração de Compensação Eletrônica, PER/DCOMP 13072.85873.300705.1.3.012160, onde o estabelecimento em epígrafe solicita a compensação de débitos próprios com o saldo credor de IPI do estabelecimento matriz relativo ao 1º trimestre do anocalendário de 2003, no montante de R$ 21.129,08, apurado segundo o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999: A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 08, com o deferimento do saldo credor indicado homologação parcial das compensações, fundamentandose o ato nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$21.129,08 Valor do crédito reconhecido: R$ 21.129,08 O valor do crédito solicitado/utilizado foi integralmente reconhecido. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 6.006,19 1.201,22 3.911,22 A homologação parcial se deveu ao fato de os débitos estarem vencidos quando da apresentação da Declaração de Compensação. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/05, onde vem argumentando que, devido a demora do fisco em apreciar o seu requerimento, o seu saldo credor deveria ser corrigido pela taxa Selic. Argumenta ainda que, no caso de se considerar improcedente a correção do saldo credor, estaria obstada a cobrança devido à remissão prevista no artigo 14 da Medida Provisória nº 449/2008. Ao final vem solicitar o reconhecimento do crédito com a conseqüente homologação da compensação e a suspensão da cobrança até o julgamento definitivo dos recursos administrativos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG indeferiu o pedido da contribuinte, conforme Decisão DRJ/JFA n.º 34.335, de 08/04/2011, assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.904838/200912 Acórdão n.º 3201001.138 S3C2T1 Fl. 75 3 CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Intimado o contribuinte da decisão, apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos do processo, o contribuinte busca a correção monetária sobre os créditos de IPI. O STJ já se manifestou sobre o assunto, somente permitindo a correção monetária quando havia resistência do Fisco no seu deferimento (Súmula n.º 411). Este não é o caso. Somese a isso o fato da jurisprudência unânime desta Corte, como vemos: ACÓRDÃO 20180377, de 20/06/2007 Ementa: (...) RESSARCIMENTO DE IPI. JUROS SELIC. Inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto de ressarcimento. Recurso negado (D.O.U. de 14/08/2007, Seção 1, pág. 297) ACÓRDÃO 20180.643, de 21/09/2007 Ementa: (...) RESSARCIMENTO DE IPI. JUROS SELIC. Inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto de ressarcimento. ACÓRDÃO 20217.728, de 27 de fevereiro de 2007 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 inseriu no seu comando a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo. Recurso negado Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 ACÓRDÃO 20312.320, de 14 de agosto de 2007 TAXA SELIC. A Taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal.Recurso negado ACÓRDÃO 20177618, Data da Sessão: 12/05/2004 “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO. UFIR. TAXA SELIC. Incabível qualquer forma de atualização do crédito presumido de IPI, diante da inexistência de previsão legal. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ANALOGIA. EQÜIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RESSARCIMENTO. DISTINÇÃO. Tratandose o ressarcimento de créditos de IPI de instituto diverso da repetição de indébito, inclusive com distinção contemplada em lei, descabe a aplicação da analogia ou da eqüidade para fins de concessão da atualização pleiteada. Recurso negado.” Por fim, inexiste previsão legal para a referida correção. Assim, não há como dar guarida à pretensão da recorrente. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 25 de outubro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 13982.000548/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/11/2008
CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. DESVINCULAÇÃO REMUNERAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO VIA LEI COMPLEMENTAR MUNICIPAL ESPECÍFICA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO PARECER AGU N° AC 030. ANALOGIA.
Em observância aos preceitos inscritos no Parecer AGU n° AC 030/2005, aplicado por analogia à hipótese vertente, a verba paga aos servidores municipais a título de auxílio alimentação, com base na Lei Complementar Municipal (Chapecó) n° 130/2001, está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, em face da sua natureza indenizatória, reconhecida pela própria legislação específica que regulamentou a matéria, a despeito da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não se pode cogitar em nulidade do lançamento.
TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE.
Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.
Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir os levantamentos pertinentes ao auxílio alimentação. Ausência momentânea Marcelo Freitas de Souza Costa.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. DESVINCULAÇÃO REMUNERAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO VIA LEI COMPLEMENTAR MUNICIPAL ESPECÍFICA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO PARECER AGU N° AC 030. ANALOGIA. Em observância aos preceitos inscritos no Parecer AGU n° AC 030/2005, aplicado por analogia à hipótese vertente, a verba paga aos servidores municipais a título de auxílio alimentação, com base na Lei Complementar Municipal (Chapecó) n° 130/2001, está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, em face da sua natureza indenizatória, reconhecida pela própria legislação específica que regulamentou a matéria, a despeito da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não se pode cogitar em nulidade do lançamento. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir os levantamentos pertinentes ao auxílio alimentação. Ausência momentânea Marcelo Freitas de Souza Costa. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. DESVINCULAÇÃO REMUNERAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO VIA LEI COMPLEMENTAR MUNICIPAL ESPECÍFICA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO PARECER AGU N° AC 030. ANALOGIA. Em observância aos preceitos inscritos no Parecer AGU n° AC 030/2005, aplicado por analogia à hipótese vertente, a verba paga aos servidores municipais a título de auxílio alimentação, com base na Lei Complementar Municipal (Chapecó) n° 130/2001, está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, em face da sua natureza indenizatória, reconhecida pela própria legislação específica que regulamentou a matéria, a despeito da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 05 48 /2 00 9- 31 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 especialmente artigo 142 do CTN, não se pode cogitar em nulidade do lançamento. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir os levantamentos pertinentes ao auxílio alimentação. Ausência momentânea Marcelo Freitas de Souza Costa. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13982.000548/200931 Acórdão n.º 2401002.777 S2C4T1 Fl. 175 3 Relatório FUNDAÇÃO DE AÇÃO SOCIAL DE CHAPECÓ, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão n° 09 37.172/2011, às fls. 139/144, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela autuada, concernentes à parte do segurado, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como acréscimos legais de guias recolhidas a destempo, em relação ao período de 05/2005 a 11/2008, conforme levantamentos abaixo listados, devidamente explicitados no Relatório Fiscal, às fls. 32/33, senão vejamos: 1) DES – Desconto Autônomos; 2) DS – Desconto Auxílio Alimentação; 3) DS1 – Desconto Salário; 4) DS2 – Desconto Salário; 5) DAS – Desconto Auxílio Alimentação; 6) Z2 – Transferência do Levantamento DS – Desconto Auxílio Alimentação; Tratase de Auto de Infração (obrigações principais), lavrado em 10/08/2009, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 234.187,02 (Duzentos e trinta e quatro mil, cento e oitenta e sete reais e dois centavos). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 146/165, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, mormente em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação, por entender não ter natureza salarial, conforme devidamente prescrito na Lei Complementar Municipal n° 130/2001 – Estatuto dos Servidores Municipais de Chapecó – SC. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Opõese à multa aplicada, por considerála confiscatória, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do débito em questão, sobretudo por violar o princípio da capacidade contributiva. Argui a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, aduzindo para tanto que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Infere, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13982.000548/200931 Acórdão n.º 2401002.777 S2C4T1 Fl. 176 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Preliminarmente, pugna a contribuinte pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, às fls. 27/28, e Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 32/33, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como das folhas de pagamento, notas fiscais, recibos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 MÉRITO De conformidade com os elementos que instruem o processo, a presente autuação fiscal encontrase lastreada nos seguintes levantamentos: 1) DES – Desconto Autônomos; 2) DS – Desconto Auxílio Alimentação; 3) DS1 – Desconto Salário; 4) DS2 – Desconto Salário; 5) DAS – Desconto Auxílio Alimentação; 6) Z2 – Transferência do Levantamento DS – Desconto Auxílio Alimentação; Relativamente aos levantamentos DES, DS1 e DS2, em seu recurso voluntário, a contribuinte não se insurge contra as exigências ali consubstanciadas, suscitando tão somente a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da multa e aplicação da Selic, impondo reconhecer ter havido aceitação da imputação fiscal, na forma constituída, devendo ser mantido o crédito tributário inserido nestes levantamentos. Por outro lado, quanto aos levantamentos DS, DAS e Z2, consoante se positiva dos autos, mais precisamente do Relatório Fiscal, às fls. 32/33, o crédito tributário objeto da presente Autuação fora constituído com base nas remunerações dos segurados empregados, assim considerado o auxílio alimentação concedido aos funcionários da contribuinte, em razão da não comprovação da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, infringindo o disposto no artigo 214, inciso III, parágrafo 9o, do RPS. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a integralidade da exigência fiscal, aduzindo para tanto que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, auxílio alimentação, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de saláriodecontribuição. A corroborar sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade o auxílio alimentação, trazendo à colação as normas de regência, doutrina e jurisprudência em defesa de seu entendimento, concluindo estar fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, sobretudo quando concedido com base em Lei Complementar Municipal, onde restou consignada a natureza indenizatória de tal verba. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito adotadas pelo nobre julgador de primeira instância, concluise que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, encontrando guarida em Parecer da Advocacia Geral da União, como passaremos a demonstrar. Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que a Advocacia Geral da União, mediante aprovação do Parecer n° AC 030/2005, afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos servidores da administração federal, a despeito da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, senão vejamos: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13982.000548/200931 Acórdão n.º 2401002.777 S2C4T1 Fl. 177 7 “EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA DE SERVIDORES PELA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. LEI nº 8.745/93. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO E AUXÍLIO PRÉ ESCOLAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. I Não são devidas contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação e auxílio pré escolar aos servidores contratados nos termos da Lei nº 8.745/93, a despeito de sua vinculação ao Regime Geral de Previdência Social, tendo em vista o disposto no artigo 22 da Lei nº 8.460/92 e no artigo 7º do Decreto nº 977/93.” Em que pese o Parecer da Advocacia Geral da União, com sua ementa acima transcrita, contemplar o caso de pagamento/concessão de auxílio alimentação aos servidores públicos temporários no âmbito federal, se presta a elucidar a controvérsia posta nos autos, sobretudo com arrimo no princípio da analogia. Isto porque, além da verba sob análise possuir a mesma natureza e ter destinação idêntica nos dois casos (servidores municipais ou federais), a não incidência das contribuições previdenciárias, ou melhor, a desvinculação da remuneração, encontrase amparada pela própria legislação de regência que trata de referido beneficio. Na hipótese do servidor público federal, com fundamento nos preceitos contidos no artigo 22 da Lei n° 8.460/92. Na mesma linha, para os servidores municipais de Chapecó, com esteio no artigo 65 da Lei Complementar Municipal n° 130/2001, in verbis: “SUBSEÇÃO VIII DO ADICIONAL DE ALIMENTAÇÃO Art. 65 O Adicional de Alimentação será concedido aos servidores públicos municipais ativos ocupantes de cargos de provimento efetivo e em comissão, a exceção dos agentes políticos, aos inativos e pensionistas, no valor mensal de R$ 49,00 (quarenta e nove reais), em pecúnia, mediante o lançamento na respectiva folha de pagamento. § 1º O valor previsto no caput deste artigo será atualizado, anualmente, no mês de maio, na negociação coletiva entre o Município e o sindicato da categoria, no mínimo pelo percentual acumulado no período do Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC ou outro que venha a substituílo. § 2º Fará jus ao benefício integral, o servidor com carga horária de 40 (quarenta) horas ou 36 (trinta e seis) horas semanais, estas em turnos ininterruptos, estabelecendose a proporcionalidade para aquele com carga horária inferior. § 3º O Adicional de Alimentação: I não tem natureza vencimental e não será incorporado, para quaisquer efeitos aos vencimentos, vantagens ou gratificações percebidas pelo servidor; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 II não constitui base de cálculo para a incidência de contribuição previdenciária e do imposto de renda; III não poderá, em hipótese alguma, ser acumulado com outros benefícios cujo objetivo seja idêntico ou assemelhado, mesmo que tenham nomenclatura ou forma de concessão diferenciadas; IV não poderá ser concedido ao servidor recluso, afastado ou licenciado do serviço em virtude de: a) licença para o tratamento de interesses particulares, prestação de serviço militar obrigatório ou mandato eletivo; b) suspensão decorrente de sindicância ou inquérito administrativo disciplinar. [...]” (grifamos) Diante das razões supra, ainda que o Parecer AGU n° AC 030 se refira aos servidores federais, com arrimo no princípio da analogia, o entendimento ali inserido deve prevalecer no caso dos autos, o que rechaça a incidência de contribuições sobre aludida verba, em face da sua natureza eminentemente indenizatória, assim definida pela própria legislação que regulamentou o tema. Partindo dessas premissas, impõese reconhecer a improcedência dos levantamentos DS, DAS e Z2, os quais contemplam a tributação dos valores concedidos aos servidores municipais a título de auxílio alimentação. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13982.000548/200931 Acórdão n.º 2401002.777 S2C4T1 Fl. 178 9 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. DA MULTA E DA TAXA SELIC Por fim, insurgese a contribuinte contra a aplicação da multa moratória e da Taxa Selic, por entender ser ilegal e inconstitucional, entendimento que, igualmente, não tem o condão de macular a exigência em questão. Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Por sua vez, de conformidade com o artigo 35, inciso I, da Lei 8.212/91, vigente à época, as contribuições previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: [...]” Nesse sentido, devida à contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 e, bem assim, da multa moratória, nos termos do artigo 35 do mesmo Diploma Legal. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, no que tange aos levantamentos DES, DS1 e DS2, escorreita a decisão recorrida devendo ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para excluir os levantamentos DS, DAS e Z2 da exigência fiscal, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13982.000548/200931 Acórdão n.º 2401002.777 S2C4T1 Fl. 179 11 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.000461/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 28/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 28/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 28/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. 5. O processo em exame, composto de 43 (quarenta e três) volumes e numerado até a folha 8.545, versa sobre dois lançamentos de ofício efetuados contra o contribuinte acima pela DEFIS/SPO (antiga DEFIC/SPO) em 29/03/2007 em virtude da insuficiência de declaração e recolhimento dos débitos de Cofins e Pis relativos a diversos períodos de apuração dos anos de 2001 a 2006, demonstrada pelo autor do feito nas planilhas anexas às fls. 212/227, 231 e 233. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 46 1/ 20 07 -9 5 Fl. 8842DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 3 2 6. O lançamento da Cofins se acha formalizado no auto de infração anexo às fls. 250/253, cujos demonstrativos constam nas fls. 241/249; já o do Pis figura no auto de infração das fls. 264/267, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 255/263. A autoridade fiscal lavrou ainda dois termos de constatação fiscal (fls. 211 e 230), relativos às planilhas citadas, bem como um termo de verificação fiscal (fls. 237/240), em que relata pormenorizadamente o desenrolar da fiscalização, assim como os fatos apurados. 7. O crédito tributário exigido, composto de principal, multa proporcional e juros de mora e calculado até 28/02/2007, perfaz os seguintes montantes: R$ 11.037.816,46 no caso da Cofins (fl. 250) e R$ 3.266.692,25 no caso do Pis (fl. 264). 8. Irresignada, a contribuinte impugnou ambos os feitos fiscais por meio dos arrazoados anexos às fls. 271/310 do volume 2 (Cofins) e 2.085/2.124 do volume 11 (Pis), cujo teor resumo a seguir. Acompanhaos copiosa documentação, a qual ocupa a maior parte das folhas numeradas de 311 a 2.084 (Cofins) e 2.125 a 3.878 (Pis). 8.1. Inicialmente argúi a nulidade da autuação, requerendolhe o imediato cancelamento, pelas seguintes razões: a) Irregularidade do MPF. Afirma que, em desacordo com o art. 7o, § 1o, da Portaria SRF nº 6.087/2005 (reproduzido nas fls. 275 e 2.089), esse documento indica haverse instaurado o procedimento fiscal para verificar tão somente o recolhimento de IRPJ, não mencionando nem o Pis nem a Cofins. Cita como subsídio, nas fls. 275/276 e 2.089/2.090, alguns acórdãos administrativos de primeira e segunda instância. b) Falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores relativos às contribuições exigidas. Alega que a autoridade fiscal não descreveu de forma clara e detalhada os fatos justificativos da falta de recolhimento nem aduziu elementos de prova que a demonstrassem. Acoima de vago o relato contido nos itens XI e XII do termo de verificação fiscal (fls. 238/239), que a seu ver não faz menção a nenhum fato ou elemento específico de prova que ateste a referida infração. Citando diversos princípios jurídicos — dentre eles os da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e da verdade material — assevera caber à Administração o ônus da prova no procedimento administrativo, a qual não pode invertêlo a seu alvedrio, como fez a autoridade fiscal, que, em vez de demonstrar a ocorrência do fato gerador, intimou a impugnante a “comprovar com documentos hábeis e idôneos a falta (sic) de recolhimento da Cofins e do Pis” (fls. 279 e 2.093). Invocando a autoridade de dois doutrinadores (fls. 281/282 e 2.095/2.096), acrescenta que, se no processo judicial há a supremacia do princípio da verdade formal (cabendo às partes provar o alegado, dado o conflito de interesses), opera no processo administrativo o princípio da verdade material, que obriga o Fisco a demonstrar a legalidade de sua invasão em patrimônio alheio. Conclui que os lançamentos em apreço, “sem a verificação da ocorrência do fato gerador, sem elementos de prova e sem a plena descrição dos fatos” (fls. 279 e 2.093), padecem de nulidade, visto não possuírem os requisitos obrigatórios e essenciais. c) Equívocos cometidos na fixação das bases de cálculo da Cofins e do Pis. Observa que, sem prejuízo dos fatos acima expostos, os quais, por si sós, já evidenciam a nulidade dos lançamentos em apreço, a autoridade fiscal — afirmando haverse apoiado nas declarações (DCTF, DIPJ, DACON, etc.) e balancetes da empresa, bem como em guias de recolhimento — “apurou valores de receitas em total desacordo com a escrituração contábil da Impugnante” (fls. 286 e 2.100). Procura demonstrar essa asserção valendose das planilhas constantes nas fls. 287/290 e 2.101/2.104, nas quais aponta supostas discrepâncias entre as receitas apuradas pela fiscalização e aquelas extraídas de seus balancetes de verificação, juntados aos autos em cópia Fl. 8843DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 4 3 simples sob o título “doc. 28” — fls. 1.169 (vol. 6) a 2.084 (vol. 11) e fls. 2.963 (vol. 15) a 3.878 (vol. 20). d) Invalidade da inclusão de “outras receitas” (receitas financeiras) nas bases de cálculo da Cofins e do Pis. Assevera que as receitas relacionadas nas fls. 291 e 2.105, por não comporem o conceito de faturamento, foram incluídas indevidamente nas bases de cálculo dessas contribuições, uma vez que o art. 3o da lei nº 9.718/98, que lhes ampliou a base de cálculo, tem sido reiteradamente declarado inconstitucional pelo STF, como atestam os arestos citados nas fls. 293/295 e 2.107/2.109. Acrescenta que, segundo já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, “os órgãos administrativos judicantes não somente podem, como devem deixar de aplicar norma inconstitucional” (fls. 293 e 2.107), cabendo ao Conselho de Contribuintes orientarse de acordo com a decisão do STF sobre a matéria. 8.2) Invocando jurisprudência do STJ (fls. 284 e 2.098) e do Conselho de Contribuintes (fls. 285 e 2.099), procura demonstrar, em ligeira dissertação, que os fatos geradores ocorridos no período de julho de 2001 a março de 2002 já haviam sido atingidos pela decadência antes mesmo que a defendente tomasse conhecimento dos lançamentos ora impugnados, o que ocorreu apenas em 30/03/2007. 8.3) Insurgese contra a apuração do Pis e da Cofins pelo regime nãocumulativo, afirmando que as receitas decorrentes de contratos de longo prazo a preço predeterminado deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo em virtude do disposto nos arts. 10, XI, b, e 15, V, da lei nº 10.833/2003. A fim de exemplificar sua assertiva, apresenta, sob o título “doc. 7”, cópias de alguns contratos nas fls. 409 (vol. 3) a 1.089 (vol. 6) e 2.223 (vol. 12) a 2.883 (vol. 15). 8.4) Acrescenta que, a prevalecer o regime não cumulativo, adotado nos lançamentos em exame, seria necessário levar em conta os créditos de Pis e Cofins a que tem direito, nos termos do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do art. 3º da lei nº 10.833/2003, os quais não foram considerados pela autoridade fiscal. 8.5) Afirma ser indevido o agravamento da multa de ofício em virtude das seguintes razões: a) Observa que, por estearse no art. 46 da lei nº 9.430/96, já expressamente revogado pela MP nº 351/2007, a multa agravada de 112,5% não possui fundamento legal. Conclui daí ser necessário afastarlhe a aplicação, “sob pena de flagrante afronta ao princípio da legalidade” (fls. 299 e 2.113). Cita, a título de exemplo, um aresto do Conselho de Contribuintes (fls. 298/299 e 2.112/2.113). b) Esclarecendo que a aplicação da multa agravada se deve à falta de atendimento da intimação recebida em 16/11/2006 (“doc. 17” — fls. 1.121/1.122 do vol. 6 e fls. 2.915/2.916 do vol. 15), alega como justificativa a exigüidade do prazo concedido (5 dias) e a dificuldade de elaborar ou localizar os documentos solicitados. Acrescenta que, ao ser reintimada em 18/12/2006 (“doc. 18” — fls. 1.123/1.125 do vol. 6 e fls. 2.917/2.919 do vol. 15), atendeu a intimação prontamente no prazo de 5 dias fixado pelo Fisco (“doc. 19” — fls. 1.126/1.127 do vol. 6 e fls. 2.920/2.921 do vol. 15). No intuito de demonstrar a “plena e absoluta regularidade de sua conduta durante o procedimento de fiscalização” (fl. 300), lista a seguir, nas fls. 300/302 e 2.114/2.116, as intimações recebidas da autoridade fiscal, bem como as respostas que lhe apresentou, juntando aos autos esses documentos sob os títulos “docs. 8 a 27” (fls. 1.090/1.168 do vol. 6 e fls. 2.884/2.962 do vol. 15). Declara que tanto a lista quanto a documentação apresentada demonstram haver atendido todas as intimações recebidas no decurso da ação fiscal, não tendo havido portanto falta de cooperação de sua parte. Em remate, assinala que o próprio Conselho de Contribuintes reconhece a necessidade de afastar a Fl. 8844DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 5 4 multa agravada quando não se comprove o dolo do contribuinte, como atesta o acórdão citado nas fls. 303 e 2.117. c) Assevera que, embora somente se justifique a aplicação da penalidade agravada na hipótese de haver “estreita e indissociável ligação entre a informação ocultada pelo contribuinte e o crédito tributário constituído pela autoridade administrativa” (fls. 304 e 2.118), não se vislumbra no caso nenhuma ligação entre os documentos solicitados na intimação de 16/11/2006 (esclarecimentos relativos à DIPJ e mapas de liquidação de “vendors”) e os lançamentos em apreço, baseados, segundo afirma o próprio auditor fiscal, nas DCTF, balancetes e guias de recolhimento relativas ao período autuado. Conclui daí não haver praticado nenhum ato que pudesse haver influenciado ou dificultado a ação fiscal. 8.6) Discorrendo longamente sobre a matéria e invocando jurisprudência do STJ (fls. 308 e 2.122), contesta a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios, procedimento a seu ver flagrantemente ilegal e inconstitucional. Reitera ainda que o tribunal administrativo tem competência para examinar questões de legalidade e constitucionalidade, consoante o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já mencionado anteriormente. 8.7) Encerrando o arrazoado, requer se julguem integralmente improcedentes ambos os autos de infração, protestando “provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sobretudo pelos documentos que seguem anexos, bem como pela juntada de outros documentos que se façam necessários” (fls. 309 e 2.123), tudo nos termos do art. 15 e seguintes do decreto nº 70.235/72 (PAF). 9. Tendo em vista a necessidade de sanear as lacunas existentes na instrução processual e elucidar algumas dúvidas suscitadas pelos argumentos da defendente, conforme assinalei à época no despacho anexo às fls. 3.912/3.916 (volume 20), o então presidente desta Turma de Julgamento autorizou a devolução dos autos à DEFIS/SPO para que esse órgão, dentre outras providências, intimasse o contribuinte a regularizar sua representação processual, verificasse a veracidade das novas bases de cálculo que ele apresentara nos quadros das fls. 287/290 (Cofins; vol. 2) e 2.101/2.104 (Pis; vol. 11) e, finalmente, informasse se o regime adotado para apurar essas contribuições estava de fato correto em face da legislação de regência. 10. Os autos foram encaminhados ao próprio autor do feito, o qual, tomando apenas parte das providências solicitadas, apresentou, em relatório anexo às fls. 4.922/4.925 (volume 25), um resumo dos fatos apurados no decurso da diligência, informando em síntese que a impugnante não conseguira comprovar documentalmente as novas bases de cálculo e que parte da documentação por ela fornecida estava em idioma estrangeiro, em desacordo com o art. 269 do RIR/99. 11. Cientificada do teor do relatório, a defendente apresentou manifestação nas fls. 4.932/4.953 (volume 26), na qual externa sua discordância em relação aos resultados da diligência, alegando que a autoridade fiscal, em desacordo com o disposto no art. 38 da lei nº 9.784/99 (reproduzido na fl. 4.938), não teria apreciado os documentos já apresentados em atendimento a suas intimações nem justificado a conclusão de que as bases de cálculo empregadas nos autos de infração estariam em conformidade com a contabilidade da empresa. Salienta que tal fato evidencia a nulidade da instrução levada a cabo pelo autuante. À vista disso, requer se analisem esses documentos, bem como a documentação complementar que acompanha sua manifestação, anexa às fls. 4.953/5.411 (volumes 26 a 28). Tratase, segundo ela, de documentos exigidos em intimação expedida no curso da diligência, os quais não apresentara à época em virtude do “elevado grau de dificuldade na localização e organização dos documentos solicitados” (fls. 4.936). Requer também se apreciem os Fl. 8845DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 6 5 novos esclarecimentos que apresenta nas fls. 4.939/4.949 e se cumpram as demais providências solicitadas no despacho das fls. 3.912/3.916, em relação às quais não foi intimada. 12. Dadas as questões suscitadas pelo contribuinte e a persistência de algumas lacunas na instrução do processo, este foi baixado em diligência novamente, por meio do despacho proferido nas fls. 5.414/5.417 (volume 28), para que o órgão fiscalizador tomasse as seguintes providências: Renumerar o processo, tendo em vista a existência de uma folha não numerada entre as folhas 4.952 e 4.953 (volume 26); Reintimar o contribuinte a regularizar sua representação processual; Verificar se têm respaldo na contabilidade do contribuinte as bases de cálculo apresentadas nos quadros das fls. 287/290 do volume 2 (Pis) e 2.101/2.104 do volume 11 (Cofins), levando em conta os novos documentos por ele fornecidos (fls. 4.953/5.411); Informar se as bases de cálculo utilizadas nos lançamentos incluem receitas oriundas dos contratos de longo prazo mencionados no art. 10, XI, b, da lei nº 10.833/2003 (contratos de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, firmados antes de 31/10/2003 e com prazo superior a 1 ano); Sendo afirmativa a resposta, elaborar um demonstrativo, discriminando por período de apuração essas receitas e os créditos correspondentes que não tenham sido utilizados pelo contribuinte nem considerados na autuação, nos termos do art. 3º da lei n º 10.637/2002 e do art. 3º da lei 10.833/2003; Emitir parecer conclusivo sobre os fatos apurados. 13. Recebendo novamente o processo, o autor do feito levou a cabo segunda diligência e elaborou o relatório anexo às fls. 7.687/7.689 (volume 39), no qual relata em síntese que: o processo foi renumerado; a defendente regularizou sua representação processual; “as receitas oriundas de contratos de longo prazo mencionadas no art. 10, XI, b, da Lei nº 10.833/2003, foram consideradas para fins de cálculo do PIS e da COFINS como cumulativas e, devidamente recalculadas conforme demonstrativos anexos” (fl. 7.688); os créditos que o contribuinte possui, tendo sido declarados em DACON, já haviam sido considerados quando da lavratura dos autos de infração; a impugnante comprovou documentalmente parte das diferenças que apontara (vejase resumo nas fls. 7.688/7.689, itens “5.a” a “5.i”); para melhor elucidação, elaborou as planilhas anexas às fls. 7.690/7.714, as quais fazem parte integrante do despacho. 14. Cientificada do teor do relatório, a impugnante apresentou manifestação nas fls. 7.716/7.719 (vol. 39) e 7.722/7.726 (vol. 40), cujo teor resumo a seguir. Fl. 8846DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 7 6 Assinala que o autor do feito, reconhecendo a existência de equívocos nas bases de cálculo utilizadas, os corrigiu e recalculou o crédito tributário, apurando o montante supostamente devido de R$ 946.681,83, como se observa na planilha anexa à fl. 7.714. Adverte, todavia, que tal montante é indevido, visto corresponder em parte a crédito tributário abarcado pela decadência e em parte a “receitas não incluídas na base de cálculo do PIS e COFINS cumulativo (Lei nº 9.718/98)” (fl. 7.718). Retoma a discussão da decadência, reafirmando que ela teria atingido os fatos geradores ocorridos no período de julho de 2001 a março de 2002. Discorre sobre a invalidade da inclusão das chamadas “outras receitas” na base de cálculo do Pis e da Cofins, valendose dos mesmos argumentos que já apresentara nas impugnações. Acrescenta que a orientação do STF sobre essa matéria já vem sendo aplicada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como atestam os acórdãos citados nas fls. 7.724/7.725. Informa que grande parte das “outras receitas” é oriunda da renegociação de contratos de “leasing” ocorrida em agosto de 2002, estando claramente fora do campo de tributação legal do Pis e da Cofins; Anexa cópias dos referidos contratos às fls. 7.756/7.919 (volume 40) e 7.922/8.106 (volume 41), parte deles em inglês, observando que juntará posteriormente tradução juramentada. 15. Por fim, em princípios de janeiro do ano corrente, quando os autos já se achavam nesta Turma de Julgamento, a impugnante apresentou a petição das fls. 8.112/8.117 (volume 42), na qual tece as seguintes considerações: Informa estar juntando, sob o título “doc. 1” (fls. 8.119 do vol. 42 a fls. 8.533 do vol. 43), tradução juramentada dos contratos apresentados quando da entrega da manifestação das fls. 7.716/7.726, os quais se referem à renegociação de operações de arrendamento mercantil (leasing) realizada em agosto de 2002. Observa que, segundo as planilhas elaboradas pelo auditor fiscal, reproduzidas sob o título “doc. 2” (fls. 8.534/8.535 do vol. 43), as receitas provenientes dessa renegociação, classificadas como “outras receitas” perfazem o montante de R$ 13.876.661,47 — ao qual corresponde, a título de Pis e Cofins devidos, a importância total de R$ 506.214,77. No entanto — alega — tais valores não podem ser considerados como receita para fins de incidência do Pis e da Cofins porque se devem a mero ajuste contábil decorrente do estorno de despesas relativas aos contratos de “leasing”, o qual realizou em virtude da renegociação dos valores devidos e da liquidação dessas operações, que foram convertidas em operações de compra e venda. A seguir, nas fls. 8.114/8.116, descreve de forma pormenorizada os lançamentos resultantes do aludido ajuste, anexando, a título de subsídio, dois quadros demonstrativos (“doc. 4” — fls. 8.537/8.538 do vol. 43). Conclui daí que a parcela de R$ 13.459.576,47 lançada como outras receitas não pode ser considerada base de cálculo do Pis e da Cofins, visto tratarse de receita meramente escritural, ou seja, que visa apenas à anulação de despesas registradas anteriormente. Esclarece que a outra parcela, no valor de R$ 385.665,12, que também lançou a crédito em “outras receitas”, se deve à baixa de contratos de financiamento celebrados Fl. 8847DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 8 7 com o Banco Citybank, como atestam os documentos intitulados “Accounts Payable Trial Balance” e “Account Analisys Report” (“doc. 5” — fls. 8.539/8.543 do vol. 43). Acrescenta tratarse de ganho apurado na renegociação do contrato de financiamento, o que também impossibilita a incidência do Pis e da Cofins, “já que não se trata de receita operacional da Requerente” (fl. 8.116). Afirma que o valor restante considerado pela autoridade fiscal (R$ 31.419,88) tampouco poder ser incluído na base de cálculo dessas contribuições, visto tratarse de mera receita de juros, ou seja, receita financeira, como demonstra o documento intitulado “Razão de outras Receitas Agosto 2002” (“doc. 6” — fl. 8.544 do vol. 43). Concluindo o raciocínio, assevera que, como as receitas descritas nos itens “e”, “f” e “g” acima — as quais perfazem o montante de R$ 13.876.661,47 citado no item “b” supra — não decorrem da venda de mercadorias e/ou serviços, é ilegítima sua tributação pelo Pis e pela Cofins. Finalmente, reitera o pedido de correção das planilhas apresentadas pela autoridade fiscal nas fls. 7.690/7.714 para que se excluam os valores indevidos relativos ao crédito tributário abarcado pela decadência e às receitas não incluídas na base de cálculo do Pis e da Cofins cumulativos. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ano calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Em se verificando que o contribuinte não declarou nem recolheu parte dos débitos apurados com base em sua escrita contábil e fiscal, cabe à autoridade tributária lançálos de ofício. BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. Com o advento da lei nº 9.718/98, a base de cálculo da Cofins passou a abranger a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da atividade ou da classificação contábil adotada. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, ficará sujeito à aplicação de multa agravada. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, visto estar amparada em lei (art. 61, § 3º, da lei nº 9.430/96). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Em se verificando que o contribuinte não declarou nem recolheu parte dos débitos apurados com base em sua escrita contábil e fiscal, cabe à autoridade tributária lançálos de ofício. BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. Com o advento da lei nº 9.718/98, a base de cálculo do Pis passou a abranger a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da atividade ou da classificação contábil adotada. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, ficará sujeito à aplicação de multa agravada. Fl. 8848DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 9 8 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, visto estar amparada em lei (art. 61, § 3º, da lei nº 9.430/96). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no exercício do controle difuso de constitucionalidade não vinculam senão as partes litigantes, produzindo efeitos erga omnes apenas na hipótese de o Senado Federal emitir resolução suspendendo a execução da norma declarada inconstitucional. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72. CITAÇÕES DE JURISPRUDÊNCIA. No julgamento de primeira instância, a autoridade julgadora observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada ao entendimento firmado pelo órgão julgador de segunda instância. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MPF. FINALIDADE E ALCANCE. O MPF (Mandado de Procedimento Fiscal), sendo mero instrumento de controle da Administração Tributária, não tem o condão de comprometer a validade do ato administrativo de lançamento, o qual se rege pelo CTN, que prevalece sobre quaisquer normas de caráter infralegal. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A intimação para que o contribuinte justifique as diferenças apontadas pelo autor do feito não implica inversão do ônus da prova, quando se verifica que a referida autoridade, observando o princípio da verdade material, as apurou por meio do exame da escrita da empresa e de outros elementos por esta fornecidos no curso da fiscalização. AÇÃO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicamse apenas ao processo administrativo tributário, tendo em vista que o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitória, nos moldes do inquérito policial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. No que respeita às contribuições sociais, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 anos, consoante a Súmula Vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da lei nº 8.212/91. Segundo o Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, havendo pagamento antecipado da contribuição — ainda que parcial — o termo a quo será a data de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, parágrafo 4o, do CTN. Por outro lado, não havendo pagamento ou verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início do prazo decadencial se dará no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, conforme dispõe o art. 173, I, do referido código. SÚMULAS VINCULANTES. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A Administração Pública está sujeita à estrita observância das súmulas Fl. 8849DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 10 9 vinculantes editadas pelo STF, devendo darlhes imediato cumprimento a partir de sua publicação, como dispõem o art. 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, e o art. 2º da Lei n° 11.417/2006. PARECERES DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN). FORÇA NORMATIVA. Os pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, quando aprovados pelo Ministro da Fazenda, adquirem força normativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sujeitando este órgão à rigorosa observância das normas neles contidas. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão que exonerou crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. Reafirma entendimento de que o Auto de Infração é nulo, pela falta de requisitos obrigatórios à constituição do crédito tributário – indicação do fato gerador, comprovação, descrição dos fatos. Considera ter havido indevida inversão do ônus da prova, ante a falta de demonstração do fato “ou mesmo a um especifico elemento de prova que atestem que a Recorrente procedeu à falta de recolhimento da exação fiscal em questão”. Invalidade da inclusão de Outras Receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, em vista da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo introduzido pela Lei 9.718/98. Além do mais, que em agosto de 2002 a base de cálculo no montante de R$ 13.876.661,47 corresponde a estorno de despesas de leasing lançadas em sua contabilidade, mas não realizadas. Explica. Nesse sentido, o somatório das despesas de leasing até então incorridas pela Recorrente (R$ 33.711.890,53) foi registrado como despesa com base no principio contábil da competência, sendo que, desse montante, R$ 20.312.314,06 já havia sido pago e o restante (R$ 13.459.576,47) já era devido (doc. 03 da petição de fls. 8.112/8.117). Em Agosto de 2002, todavia, verificouse a ocorrência de um fato superveniente, qual seja, uma transação na qual foram renegociados os valores devidos e liquidadas as operações de leasing. E que o valor de R$ 385.665,12, também foi lançada a crédito em "outras receitas" decorre de uma baixa dos contratos de financiamento junto ao Banco Citibank, motivada pela renegociação do contrato de financiamento, não se constituindo em receita operacional. Por fim, que o valor de R$ 31.419,88, “tampouco pode ser considerado na base de cálculo dessas contribuições, por se tratar apenas de receita de juros”. Indevido agravamento da multa de ofício, por (i) ter sido fundamentada em dispositivo legal revogado; (ii) ter atendido integralmente a todas as intimações e (iii) inexistir qualquer relação entre o fato utilizado como fundamento para aplicação da multa e o crédito tributário constituído. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 8850DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 11 10 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. A preliminar de nulidade do Auto de Infração não merece ser acolhida. De se observar, inicialmente, que não foi reproduzido em sede de Recurso a alegação de nulidade decorrente de irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, apenas pela ausência de requisitos obrigatórios à constituição do crédito tributário, quais sejam, a indicação do fato gerador, a comprovação do ilícito e descrição dos fatos. A falta apontada pela defesa relacionase á condução do procedimento, pela intimação dirigida ao sujeito passivo, solicitando que justificasse as diferenças apontadas pela Fiscalização Federal, com base na documentação que lhe fornecera no curso da ação fiscal. Tal foi considerado pela defesa indevida inversão do ônus da prova. Como é de sabença, a comprovação do fato é ônus de quem alega. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa assim a responsabilidade. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No entanto, na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado essa máxima requer a observação de certas particularidades. No direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos passíveis de comprovação. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. Nem mesmo se pode falar em pacto formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter ou reconheça sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Não há razão, portanto, para que se fale em inversão do ônus da prova. A Fiscalização efetuou os levantamentos com base na documentação apresentada pela empresa. Uma vez que apurou saldo a pagar, intimou o contribuindo a prestar esclarecimentos, sob pena de constituição do crédito em Auto de Infração. É o que se constata do excerto abaixo, extraído do Termo de Constatação às folhas 232 do processo. À folha 233 consta a planilha (anexo) com os cálculos da diferença apurada. 1) De acordo com o quadro demonstrativo anexo em 1 (uma) folha que fica fazendo parte integrante deste Termo de Constatação, foi apurado falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento do Programa de Integração Social PIS nos períodos de Janeiro de 2006 a Dezembro de 2006, conforme valores indicados no referido quadro na coluna diferença apurada. 2) A verificação foi realizada através de análise das guias de recolhimentos dos DARF verificados no Sistema da SRF, DCTF, DACON e, valores escriturados nos livros comerciais, fiscais e valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica. Fl. 8851DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 12 11 INTIMAMOS o Contribuinte acima identificado a, no prazo de 5 (cinco) dias a contar da data do recebimento desta, confirmar ou, se for o caso, comprovar com documentos hábeis e idôneos a falta de recolhimento do PIS dos referidos períodos. No caso de não atendimento a esta INTIMAÇÃO, os valores constantes no demonstrativo anexo, serão objetos de lançamento em Auto de Infração. Passo ao mérito. Assiste razão à recorrente na parte em que alega inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo introduzido pela Lei 9.718/98. A Lei 9.718/98 promoveu o alargamento na base de cálculo, incluindo na base tributável toda e qualquer receita independentemente de sua classificação contábil, nos seguintes termos. Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. A inconformidade dos contribuintes alcançados pelo alargamento levou o assunto ao Poder Judiciário. A matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, considerada como de repercussão geral, nos seguintes termos. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Dispõe o artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, conforme alteração introduzida pela Portaria 586/2010, que as matérias de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 8852DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 13 12 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) A conclusão é de que a decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 585.235 é de observação obrigatória nos litígios que versem sobre o assunto. Sobrevém, então, questão sobre os o preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso por que, a despeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, cujos efeitos tributárias serão melhor examinadas adiante, a alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, com possível repercussão na definição da base imponível das Contribuições, e todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos subsequentes do mesmo artigo não foram em nenhum momento considerados inconstitucionais nem revogados. Para melhor decidir a lide, fundamental revisitar os acontecimentos em torno do evento em exame. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP estava definida na Lei Complementar 07/70 e a da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, como sendo essa o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. A tentativa de redefinila veio com a Lei 9.718/98, que embora tenha mantido o faturamento como sendo a base de cálculo da Contribuição, incluiu em seu conceito toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O problema adveio do fato de a Constituição Federal, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, determinar em seu artigo 195, inciso I, que a seguridade social fosse financiada por contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: Fl. 8853DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 14 13 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; O RE 585.235, acima transcrito, como está claro e parece mesmo ser assunto incontroverso, referiuse exclusivamente à inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, assim o declarando. É de amplo conhecimento que o Supremo Tribunal Federal manifestouse a respeito dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, esclarecendo que, a contrario senso, o caput do artigo 3º era constitucional, como a seguir se vê no entendimento expresso ao longo do Voto proferido pelo Ministro Cezar Peluso, encontrado pelo menos nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (grifos meus) Foi nesse contexto instaurada a controvérsia acerca dos efeitos da Lei na base de cálculo das Contribuições, mais especificamente sobre o conceito atribuído às expressões receita bruta e faturamento, assunto sobre o qual o Ministro Cezar Peluso também se manifestou. Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento” Ao longo de seu Voto, o Ministro Cezar Peluso analisa detidamente tais conceitos, esclarecendo as razões porque entende que a base de cálculo das Contribuições inclui outras receitas, além das que decorrem da venda de mercadorias e serviços. 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, Fl. 8854DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 15 14 seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. 7. Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) “por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas”. A Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976) prescreve que a escrituração da companhia “será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos” (art. 177), e, na disposição anterior, toma de empréstimo à ciência contábil os termos com que regula a elaboração das demonstrações financeiras, verbis: A questão, é claro, foi analisada pelos demais Ministros integrantes da Suprema Corte. Os apontamentos a seguir, extraídos do Voto proferido nos autos do RE 346.084 pelo Ministro Ilmar Galvão, trazem esclarecimentos de grande relevo sobre o tema. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. Com efeito, embora o assunto venha recebendo diferentes interpretações, acredito que, uma vez que reconhecida a constitucionalidade do caput do artigo 3º, insofismável distinguir que, segundo disposição literal de Lei, a base de cálculo, que até então esteve expressa como receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza passou a constar, simplesmente, como de receita bruta. Fl. 8855DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 16 15 Em tais circunstâncias, pareceme mais do que razoável a interpretação de que a modificação considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal diga respeito exclusivamente à inclusão, indistintamente, da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, tal como ampliava o parágrafo primeiro. E não passa despercebido o fato de que a alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 02/98 teve por escopo justamente permitir que a receita fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Ao observador desatento pareceria inadmissível cogitar que a receita bruta já tivesse se tornado a base de cálculo antes da EM 20, quando justamente ela parece ter introduzido tal possibilidade no mundo jurídico. Contudo, o que precisa ficar claro é que a base imponível das Contribuições ao tempo das Leis Complementares nº. 70/91 e 07/70 já estava definida como receita bruta, embora restrita àquela decorrente das vendas de mercadorias e serviços. A modificação rejeitada pela decisão tomada no âmbito do Supremo Tribunal Federal foi a que ampliou a base de cálculo das Contribuições para além do faturamento, limitação fixada no texto constitucional, incluindo deliberadamente toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica. Não me parece que a intenção tenha sido de restringir a base de cálculo à receita proveniente do faturamento oriundo de determinadas atividades empresariais, como desejam os que defendem a sua circunscrição à receita da venda de bens e de serviços. Embora em muitas decisões os Ministros do Supremo Tribunal Federal tenham reproduzido tal definição, fica claro das manifestações antes transcritas que seu fundamento nunca foi “a constitucionalização eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, e que não “havia um específico conceito constitucional de faturamento”, cabendo ao legislador fixálo. Mas não é somente na interpretação acima defendida que esse entendimento encontra respaldo. Como dito de início, a declaração de inconstitucionalidade alcançou exclusivamente o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, do que resulta que não somente o caput do artigo, mas toda a regulamentação superveniente deixou de ser atingida e permanece em vigor. Considerado isso tudo, emerge a necessidade de que o procedimento fiscal leve em conta a origem da receita da pessoa jurídica na apuração da base de cálculo das Contribuições, de tal sorte a identificala como decorrente de suas atividades típicas ou não. No caso concreto, a teor do excerto do Voto condutor da decisão de piso, abaixo reproduzido, essa discriminação não foi feita. 58. Com efeito, a partir de 1o de fevereiro de 1999, quando entraram em vigor os arts. 2o e 3o da lei nº 9.718/98, as contribuições em apreço passaram a apresentar uma base de cálculo universal, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da atividade ou da classificação contábil adotada. O texto desses dispositivos reproduzido abaixo corresponde à redação vigente à época dos fatos geradores. [...]59. Assim, ambas as contribuições passaram a incidir sobre qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, inclusive receitas financeiras, ressalvadas as receitas taxativamente previstas no § 2° do art. 3°. Inconformados com essa ampliação da base de cálculo, vários contribuintes recorreram ao Poder Judiciário, obtendo não raro decisões favoráveis, as quais todavia somente produziram efeitos entre as partes. Fl. 8856DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.000461/200795 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.238 S3C1T2 Fl. 17 16 60. Tampouco possuem caráter vinculante os acórdãos do STF mencionados pelo sujeito passivo nas fls. 293/295 e 2.107/2.109, visto que essa corte os proferiu no exercício do controle difuso de constitucionalidade, em que seus pronunciamentos carecem de efeito erga omnes. Para que produzissem tal efeito, vinculando a Administração Pública, seria necessário o concurso do Senado da República, órgão a que incumbe, nos termos do art. 52, X, da atual Carta Magna, emitir resolução suspendendo expressamente a execução da norma declarada inconstitucional na via difusa. 61. Assim, cabe à autoridade administrativa aterse ao fiel cumprimento da norma ora impugnada até que seja retirada do mundo jurídico por outra superveniente ou por ato do STF ou do Senado Federal dotado de força vinculante. Assim, vejo necessidade que sejam apartadas as receitas do sujeito passivo decorrentes de suas atividades próprias daquelas a ela não vinculadas. Como o trabalho fiscal se desenvolveu quando o parágrafo do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 ainda não havia sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral, nenhum esforço foi feito com vistas ao enquadramento das receitas como decorrentes ou não das atividades típicas da empresa. Para o melhor deslinde do litígio, VOTO pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Fiscalização Federal identifique a origem das receitas especificadas nas planilhas de fls. 7.690/7.714 do processo, informando, em parecer fundamentado, se as atividades das quais decorrem estão, segundo entendimento do Fisco, incluídas dentre atividadesfim da sociedade empresária. Após, dêse ciência ao sujeito passivo, e abrase prazo de dez dias para manifestação. Atendida a diligência, o processo deve retornar a este Colegiado para decisão final. Sala de Sessões, 28 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8857DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19311.000178/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA. FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO. Inexistindo pagamento e, ainda, tendo sido arbitrado o lucro do contribuinte, pelo que não foi homologada sua atividade original, a decadência do IRPJ e CSLL deve ser feita na forma do art. 173 do CTN
LUCRO ARBITRADO. VALOR DAS COMPRAS. Correto o arbitramento do lucro com base no valor das compras quando a escrituração da contribuinte revele vícios e irregularidades que a torne imprestável à determinação não só do lucro real, mas também da receita bruta auferida no período Presentes os pressupostos que justificam o arbitramento do lucro, torna-se irrelevante a discussão sobre a margem de lucro normal obtida pela empresa em suas transações comerciais;
MULTA DE OFÍCIO. TRANSFERÊNCIA DE QUOTAS REPRESENTATIVAS DO CAPITAL SOCIAL. Tendo em conta que a multa de ofício foi exigida da pessoa jurídica e que não ocorreram eventos de incorporação, fusão ou transformação, não se aplicam os artigos 132 e 133 do Código Tributário Nacional, sendo devida pela autuada, sujeito passivo da obrigação tributária.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO. Inexistindo pagamento e, ainda, tendo sido arbitrado o lucro do contribuinte, pelo que não foi homologada sua atividade original, a decadência do IRPJ e CSLL deve ser feita na forma do art. 173 do CTN LUCRO ARBITRADO. VALOR DAS COMPRAS. Correto o arbitramento do lucro com base no valor das compras quando a escrituração da contribuinte revele vícios e irregularidades que a torne imprestável à determinação não só do lucro real, mas também da receita bruta auferida no período Presentes os pressupostos que justificam o arbitramento do lucro, tornase irrelevante a discussão sobre a margem de lucro normal obtida pela empresa em suas transações comerciais; MULTA DE OFÍCIO. TRANSFERÊNCIA DE QUOTAS REPRESENTATIVAS DO CAPITAL SOCIAL. Tendo em conta que a multa de ofício foi exigida da pessoa jurídica e que não ocorreram eventos de incorporação, fusão ou transformação, não se aplicam os artigos 132 e 133 do Código Tributário Nacional, sendo devida pela autuada, sujeito passivo da obrigação tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicandose a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 01 78 /2 00 9- 11 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório FARMAVIDA JUNDIAI LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, cientificados à contribuinte em 12 de maio de 2009, conforme ARAviso de Recebimento de fl. 158, no valor total de R$ 2.376.157,19, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ: “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Rela, em virtude dos erros e falhas enumeradas no Termo de Constatação Fiscal que acompanha o presente Auto de Infração. Enquadramento Legal: A Partir de 01/04/1999. Art. 530, inciso II, do RIR/99. Receita Bruta Não Conhecida. Arbitramento com base no valor das compras – Empresas Comerciais Valor arbitrado sobre o valor das compras de mercadorias efetuadas no períodobase [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, anocalendário de 2004; valor tributável ou imposto e percentual da multa de ofício (75%)] Enquadramento Legal: Art. 535, inciso V, do RIR/99.” Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 3 2. A autoridade fiscal elaborou o Termo de Constatação Fiscal de fls. 146/155, que se transcreve parcialmente: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, CONSTATAMOS as irregularidades descritas a seguir: DA APURAÇÃO DOS FATOS E CONSTATAÇÕES FISCAIS Iniciamos, em 08/08/2008, o cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n°.2008006494, mediante diligência efetuada ao endereço cadastral da Farmavida Jundiaí Ltda., na Rua do Rosário, 821 Centro em Jundiaí (CEP 13.201014), a fim de darmos ciência pessoal ao T e r m o de Início do Procedimento Fiscal TIPF. Bem assim, fomos atendidos pelo Sr. Inimá Costa Almeida CPF 446.858.31691, que se apresentou como gerente da rede de lojas da Farmavida e, nessa condição, foi devidamente cientificado quanto ao início e natureza dos trabalhos de fiscalização e assinou o aludido termo. Em 29/08/2008, foram apresentados pelo contribuinte, mediante Termo de Retenção, seu contrato social e alterações, livros contábeis e fiscais e extratos bancários disponíveis relativos ao Banco Itaú e Bank Boston (hoje Itaubank), ocasião em que o mesmo foi reintimado a fornecer os arquivos digitais contábeis no padrão vigente e a confirmar a(s) pessoa(s) habilitada(s) a atender a essa fiscalização, exibindo ainda os dados de seus representantes legais. Em 10/09/2008, foi lavrado novo Termo de Retenção em atendimento à parte das pendências acima, concedendose prazo extra para apresentação dos arquivos digitais da contabilidade. Destacase, nesta data, a exibição de procuração eletrônica confirmando os contadores Ataíde Quaresma dos Santos Júnior CPF 102.257.008l 08 e Ademir Escrivão Balbino CPF 207.991.60849 como sendo as pessoas designadas a acompanhar os procedimentos fiscais em curso. Em 07/11/2008, foi dada ciência pessoal ao contribuinte, na pessoa de seu contador Ataíde Quaresma dos Santos Júnior, quanto ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal emitido naquela mesma data , tratando de: a) insuficiência dos extratos bancários apresentados para demonstrar a integralidade da movimentação diária e mensal do anobase 2004 por haver vários períodos faltantes em todas as contas relacionadas, sendo a Farmavida reintimada a fornecer os extratos bancários completos de todas as suas contas correntes, de poupança e de aplicações financeiras, bem como justificar as divergências detectadas de saldos e principalmente de montantes transacionados entre os extratos anteriormente entregues e a escrituração contábil do Livro Diário Geral n°.07, registrado em 07/10/2005 no Cartório Civil de Jundiaí sob n°.82.783, e do correspondente Razão; b) comportamento atípico da conta Duplicatas a Receber código 1.1.2.15.00155, conforme evidenciado em gráfico anexo, sendo o contribuinte intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, todas as receitas escrituradas e os respectivos ingressos de recursos no Caixa da empresa, bem assim apresentar os comprovantes relativos a uma operação no valor de R$ 477.299,14 reduzindo, no último dia do exercício fiscal, o saldo de Duplicatas a Receber para quitação de obrigações trazidas de anos anteriores e mantidas em Contas a Pagar 2.1.1.06.01243; Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 4 c) aparentes inconsistências no registro de mercadorias em estoque, segundo dados anexos extraídos da escrituração contábil, sendo o sujeito passivo intimado a justificar tais constatações e apresentar os correspondentes livros fiscais de Registro de Inventário, de Entradas e de Saídas. Na ocasião, o mesmo foi ainda reintimado a fornecer relação de veículos e imóveis integrantes do Ativo Imobilizado e confirmar as pessoas habilitadas a assinar débitos de natureza tributária, com apresentação de instrumento de procuração, se necessário. Em 21/11/2008, o contribuinte solicitou dilatação do prazo para atendimento das intimações fiscais anteriores e ainda apresentou manifestação por escrito (anexa) sobre suas dificuldades em obter a totalidade dos extratos bancários demandados, autorizando, dessa forma, a Receita Federal do Brasil a requisitar tais informações diretamente às instituições financeiras envolvidas. Assim, nessa mesma data, foi expedida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF junto aos bancos envolvidos (Banco Itaú S/A e Banco Itaubank S/A), de acordo com o Art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2011, (...). Em 25/11/2008, recebemos, através de Termo de Retenção, os livros de registro de inventário, entradas e saídas (ressaltase que os mesmos não estão registrados e nem sequer assinados) referentes aos 5 (cinco) estabelecimentos da Farmavida, além da cópia do instrumento de procuração vigente e a resposta por escrito da mesma quanto às intimações não atendidas até então. Dos esclarecimentos prestados, conforme documento anexo, destacamse: a) quanto às divergências questionadas entre os extratos já disponíveis e a escrituração contábil, o contribuinte se limitou a informar, textualmente, que "os lançamentos dos extratos bancários foram feitos mediante soma total do período e lançados no final de cada mês". Nada foi explicado no tocante às diferenças de saldos mensais e tampouco houve qualquer justificativa para elucidar as constatações de que os volumes de débitos e créditos movimentados nas contas correntes eram significativamente maiores do que os lançamentos escriturados, ainda que efetuados de forma englobada. Outrossim, ressaltase que não foi apresentado nenhum livro auxiliar, contendo o registro individualizado dos fatos contábeis, muito menos foram fornecidos à fiscalização os respectivos documentos comprobatórios das transações efetuadas, conforme exigências do Art. 1.184, § 1°, do Código Civil Lei 10.406/02; b) quanto à comprovação das receitas escrituradas e dos respectivos ingressos de recursos no Caixa da empresa, o sujeito passivo tão somente atestou que "não haverá a documentação dos Recebimentos pois a conta 1.1.2.15.00155 (Duplicatas a Receber) era usada como uma conta transitória junto com a conta do Caixa. Conforme precisava de caixa tirava da conta 1.1.2.15.00155" (grifos nossos). Relativamente à operação reduzindo o saldo dessa conta em R$ 477.299,14, no último dia do exercício fiscal , foi dito que "o lançamento 4801 foi feito conforme tinha saldo na conta 1.1.2.15.00155 e foi lançado para dar baixa na conta 2.1.1.06.01243 (Contas a Pagar), sendo que o mesmo não foi transitado pelo Caixa, que seria o lançamento correto mediante a justificativa do item 5" (grifos nossos novamente). Mais uma vez nenhum documento foi apresentado para lastrear os lançamentos contábeis; Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 5 c) quanto às inconsistências no giro de mercadorias em estoque verificadas na escrituração contábil, foram apenas fornecidos os livros fiscais supracitados, não sendo oferecidas quaisquer justificativas por escrito; d) quanto à existência de veículos ou imóveis atualmente integrando o Ativo Imobilizado, o contribuinte declarou não possuir bens dessa natureza. Em 21/01/2009, foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal para exibição do Registro de Inventário do estabelecimento de CNPJ 67.220.822/000159, abrangendo todos meses do anocalendário 2004. Em 22/01/2009 foram apresentados os livros faltantes mediante o correspondente Termo de Retenção. Com base nos dados dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, foram expedidos 3 (três) MPFDiligência, vinculados à presente ação fiscal, para a circularização das compras efetuadas pelo contribuinte junto a seus principais fornecedores de medicamentos. Assim em 11/02/2009, os distribuidores Sagra Produtos Farmacêuticos Ltda. CNPJ 54.427.257/0001 53, Servimed Comercial Ltda. CNPJ 44.463.156/000184 e Distribuidora de Medicamentos Santa Cruz Ltda. CNPJ 61.940.292/000137 foram regularmente intimados a informar todas as notas fiscais de vendas direcionadas aos estabelecimentos da Farmavida. Em 18/02/2009, foi dada ciência pessoal ao sujeito passivo de novo Termo de Intimação Fiscal, requisitando: a) Comprovação do efetivo pagamento indicado nos lançamentos contábeis relacionados no anexo Pagamentos a Comprovar, que acompanha o presente relatório fiscal; b) Justificativa, através de documentação hábil e idônea, da natureza e motivação dos recebimentos detectados nos extratos bancários da Farmavida devidamente obtidos junto às instituições financeiras, conforme planilha anexa; c) Identificação individualizada, na escrituração contábil do contribuinte, de todos os depósitos bancários mencionados no item anterior, a fim de se apurar sua correspondência às receitas oficialmente auferidas. Em 16/03/2009, a empresa apresentou à fiscalização duplicatas e notas fiscais alusivas somente à parte dos pagamentos constantes da intimação fiscal, sendo assim expedido o Termo de Ciência e Concessão de Prorrogação de Prazo, em que restou constatado o não atendimento às exigências do mês anterior, relativas à comprovação de pagamentos efetuados e depósitos recebidos, sendo concedido prazo adicional para a manifestação do contribuinte, conforme sua solicitação por escrito. Finalmente, em 23/03/2009, o contribuinte apresentou, mediante novo Termo de Retenção, suas justificativas por escrito em atenção às pendências anteriores, dentre o que merece menção: a) Dos pagamentos anteriormente relacionados, todos aqueles escriturados em 31/12/2004 no Livro Diário Geral e Razão, no montante de R$1.083.249,75, carecem de documentos comprobatórios que fundamentem os respectivos lançamentos contábeis. Dentre estes, o único documento apresentado foi a Nota Fiscal n°.046433 alusiva à compra de um automóvel Fiat Uno Mille Fire pelo valor de R$13.180,00 junto à DHJ Comércio de Veículos Ltda. CNPJ 03.974.905/000150, todavia mesmo esse lançamento Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 6 não pode ser acatado por esta fiscalização, em razão de tal comprovante fiscal ter sido expedido em 29/07/2003, relacionandose, portanto, ao exercício fiscal anterior ao em tela; b) Quanto aos recebimentos detectados nos extratos bancários da Farmavida, a mesma se limitou a informar que se originam de vendas efetuadas segundo as modalidades de pagamento em dinheiro, em cheques, convênios e cartões de débito ou crédito. Nenhum documento fiscal de venda referente ao período amostral de 01 a 31/12/2004 foi apresentado para lastrear as receitas declaradas nesse período no montante de R$834.183,47. Apenas uma cópia simples de Registro ECF foi anexada às justificativas, exibindo as seguintes Modalidades Recebidas pelo contador geral CNF4170 em 19/12/2004: [Demonstrativo de fl. 150] Entretanto, o aludido comprovante serve tão somente para indicar que as vendas efetuadas em dinheiro têm uma participação importante dentro do montante transacionado, sendo obviamente insuficiente para embasar o total já informado de receitas no período, além de não ter sido possível encontrarmos valores e datas coincidentes com o exposto na escrituração contábil e extratos bancários da empresa; c) No tocante à identificação individualizada, na escrituração contábil do contribuinte, de todos os depósitos bancários mencionados no item anterior, o contribuinte afirma apenas que: "Todos os depósitos bancários foram lançados na Contabilidade mediante valor total do mês e lançados tudo no dia 31/12/2004, sem ter Livro Auxiliar para demonstrar os lançamentos individualmente" (grifos nossos). Ainda quanto à significativa diferença entre o volume de transações detectado nos extratos bancários em comparação com os lançamentos no Livro Diário e Razão, nenhuma documentação ou justificativa foi prestada. Assim, exauridos todos os comprovantes relacionados pelo contribuinte como documentação hábil e idônea para atendimento à presente ação fiscal e concluída a conferência de todos os dados apresentados, foram lançados de ofício os créditos tributários adiante justificados. Por derradeiro, em 28/04/2009, foi lavrado Termo de Devolução de Documentos, em que foram retornados ao contribuinte todos os livros e demais documentos auditados, no mesmo estado em que foram fornecidos a essa fiscalização. DA DESCONSIDERAÇÃO DA ESCRITA E ARBITRAMENTO DO LUCRO Introdutoriamente, há de se consignar que o contribuinte sob análise adota como forma de tributação a apuração do Lucro Real em regime trimestral, conforme manifestado em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2005 (ND 0567787) relativa ao anocalendário 2004 e em seus livros comerciais e fiscais, sujeitandose, dessa forma, ao disposto no Art. 7º do DecretoLei n° 1.598/77 e Art. 251 do Decreto n° 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Em adição, ressalta se que não basta a simples elaboração de livros se a pessoa jurídica não mantiver, em perfeita guarda, todos os documentos e comprovantes que embasaram sua escrituração, conforme exigido pelo DecretoLei n° 486/69 em seu Art. 4º e Art. 10 e regulamentado no RIR/99, Art. 264. No presente caso concreto, ocorre que a escrituração contábil do sujeito passivo não reflete fidedignamente a totalidade dos atos e operações relativos Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 7 à sua atividade cotidiana e, quando intimado pela fiscalização a elucidar as inconsistência detectadas, o mesmo não dispõe de quaisquer meios de prova hábeis e idôneos para justificar os lançamentos escriturados. Como exemplo das irregularidades apuradas, dentre outras de menor relevância, podemos citar: a) Ainda que regularmente intimado em diversas oportunidades e com a concessão de prazos adicionais para atendimento, conforme relatos anteriores, o contribuinte não forneceu à fiscalização nenhum comprovante fiscal (cupom fiscal eletrônico, nota fiscal de venda emitida manualmente ou qualquer outro documento válido) a fim de respaldar tanto as receitas de revenda de mercadorias, quanto os direitos lançados em duplicatas a receber, assim como as entradas de recursos escrituradas nas contas contábeis de Caixa e Bancos. Diante desse quadro, tornase impossível ao fisco a averiguação e confirmação das informações expressas nos livros comerciais do sujeito passivo e tanto menos afasta a possibilidade de haver eventuais receitas ou rendas não devidamente declaradas, isto é, omissão de rendimentos tributáveis; b) Além das dificuldades de rastreamento das transações em dinheiro vivo, que têm significativa participação nas operações do contribuinte em razão do grande volume de vendas à vista ao consumidor final com pagamento em espécie, ocorre ainda que o numerário que efetivamente circula pelas contas bancárias de titularidade da Farmavida não é fielmente escriturado, tanto pelo fato de os lançamentos serem efetuados de forma englobada sem o respaldo de livros auxiliares exigidos nessas condições, quanto pela constatação de que apenas 42% das transações efetuadas em 2004 foram transcritas nos livros contábeis. Sob outro enfoque, podese inferir que mais da metade da movimentação financeira não foi contabilizada. O Quadro 1 anexo detalha mensalmente, para cada contacorrente, os ingressos de recursos encontrados nos extratos bancários obtidos mediante RMF (totalizando R$11.942.391,94 no período) em comparação com todos os valores lançados em contas relacionadas a Bancos no Livro Diário e respectivo Razão (no montante de R$5.048.093,96). O gráfico a seguir ilustra a defasagem entre os volumes mensais de entradas de recursos extraídos dos extratos bancários e os respectivos registros contábeis: [Gráfico de fl. 151] O Quadro 2 adiante demonstra ainda que nem ao menos os saldos bancários, escriturados ao final de cada mês, coincidem com aqueles constantes dos documentos fornecidos pelas instituições financeiras. De modo geral, a evolução dos saldos contábeis converge para os dados bancários apenas em 31/12/2004, ou seja, somente no fechamento do exercício; c) Se por um lado existe imprecisão na apuração das receitas efetivamente auferidas, por outro se verificou que alguns dos custos e despesas escriturados não foram comprovados, por se relacionarem a pagamentos sem demonstração de sua natureza e/ou s em identificação dos correspondentes beneficiários. Como exemplos, citamos os R$592.770,61 registrados como pagamentos a Fornecedores Diversos nos lançamentos contábeis 4680, 4681, 4682 e 4683 e também os R$477.299,14 lançados sob n°. 4801 como quitação de Contas a Pagar, ambos escriturados em 31/12/2004 sem haver a documentação comprobatória que lhes dê suporte. Outrossim, o pagamento de R$13.180,00 por um veículo Uno Mille Fire 2003, assinalado novamente em 31/12/2004, deve ser desconsiderado pelo Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 8 fisco em face de o fato ter ocorrido no anocalendário anterior ao fiscalizado, segundo nota fiscal anexa. Diante do exposto, configurase a imprestabilidade da escrituração comercial do contribuinte tanto para fins da identificação de sua efetiva movimentação financeira (que obviamente deve incluir a bancária), quanto para a perfeita determinação do Lucro Real, materializandose, nessas circunstâncias, as hipóteses legais que obrigam o procedimento de ofício de apuração do lucro através de arbitramento, segundo o comando do Art. 47 da Lei 8.981/95 e Art. 530 do RIR/99. Nessa linha, primeiramente há de se frisar que a receita bruta da Farmavida não é confiavelmente conhecida, tendo em vista os erros, vícios e deficiências verificados no Livro Diário e Razão, igualmente reproduzidos no Registro de Saídas e declarados em DIPJ, cujos valores consignados constituem letra morta sem a positiva comprovação dos documentos fiscais que ensejaram os respectivos lançamentos. Por conseguinte, o lucro tributável deverá ser determinado mediante a utilização de um dos critérios estabelecidos pelo Art. 51 da Lei 8.981/95 e Art. 535 do RIR/99. Dentre eles, considerandose a atividade meramente comercial do contribuinte e a consistência das informações de compras verificadas através de procedimentos de circularização junto aos respectivos fornecedores, será adotado como parâmetro de aferição o valor das mercadorias adquiridas para revenda durante o período fiscalizado, extraídos do Livro de Registro de Entradas de cada estabelecimento e corroborados, por amostragem, pelas notas fiscais de vendas emitidas por empresas distribuidoras dos medicamentos, conforme quadroresumo abaixo: [Demonstrativo de fl. 153] Assim, o lucro arbitrado deverá ser calculado pela aplicação do coeficiente 0,4 (quatro décimos) sobre o valor das mercadorias compradas em cada mês, adotandose para fins de tributação o regime de apuração trimestral, com montantes centralizados no estabelecimento matriz de CNPJ 67.220.822/000159, e suas implicações tanto no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ quanto na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme disposto no Art. 27, parágrafo 2º da Lei 9.430/96 e Art. 55 da Lei 8.981/95. As bases de cálculo, alíquotas, juros de mora, multas e demais informações necessárias à apuração d o s créditos tributários de IRPJ e CSLL ora lançados estão detalhada mente discriminados nos respectivos Autos de Infração e seus Demonstrativos anexos. Por oportuno, neste termo, notificamos ainda ao contribuinte que foram glosados, para fins de compensação em exercícios futuros, o Prejuízo Fiscal Compensável com o Lucro Real de R$15.244,85 e a Base de Cálculo Negativa da CSLL de igual valor, ambos declarados na DIPJ 2005 (ND 0567787), referente ao ano calendário 2004. Bem assim, fica o mesmo intimado a proceder às devidas retificações em seu Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. No caso em análise, será formalizada Relação de Bens e Direitos para Arrolamento, de acordo com a Lei 9.532/97 em seu Art. 64 e Art. 64A e Instrução Normativa SRF nº 264/02. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 9 E, para constar e surtir seus efeitos legais, lavramos o presente Termo em 03 (três) vias de igual teor e forma, assinado por este AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cuja ciência do sujeito passivo darseá pela via postal, mediante Aviso de Recebimento AR. (...)” 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 169/207, em 09 de junho de 2009, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Pleiteia a decadência parcial da exigência fiscal, referida aos meses de janeiro a abril de 2004, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que lançamento foi formalizado em 28/04/2009 e cientificado no mês de maio de 2009. Colaciona ampla doutrina e jurisprudência. Em suas palavras: “Desta forma, não tendo a fiscalização cogitado acerca da existência de dolo, fraude ou simulação, incide a regra do art 150, par. 4º do CTN, de maneira que se operou a decadência quanto aos créditos tributários relativos aos meses de janeiro a abril de 2004, revelandose a cobrança de supostos créditos relativos ao período já especificado arbitrária e ilegal, motivo pelo qual deverá ser prontamente cancelada.” 3.2. Aduz que o processo administrativo está submetido aos princípios da verdade material e da legalidade. E as autoridades fiscais, aos princípios da moralidade administrativa, eficiência, razoabilidade, entre outros, o que implica que as provas apresentadas pela empresa são válidas e devem ser consideradas como regulares em todos seus efeitos. 3.3. No entanto, o lançamento foi efetuado por arbitramento e aferição indireta, com fundamento no artigo 530, inciso II, do RIR/99, não tendo a autoridade fiscal se desincumbido de demonstrar de forma cabal a imprestabilidade de sua contabilidade, não justificando o arbitramento adotado. Em suas palavras: “De fato, como se observa do “termo de constatação fiscal” a Impugnante, durante todo o processo de fiscalização, não se furtou a atender a qualquer intimação dos agentes da fiscalização, justificando os procedimentos adotados e trazendo à baila documentos que comprovam a regularidade dos lançamentos efetuados em sua escrita fiscal. Se alguma irregularidade permaneceu, contudo, insanada, isso deveuse principalmente à dificuldade da Impugnante em fornecer explicações e localizar todos os documentos solicitados dentro dos exíguos prazos estabelecidos pela fiscalização e relativamente à período em que os atuais sócios não constavam dos quadros societários da empresa. Referidas irregularidades, todavia, não são “data vênia” suficientes, por si só, para justificarem a desconsideração completa da escrituração fiscal da Impugnante, de modo a ensejar medida tão gravosa ao contribuinte quanto o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Diante dessas considerações, é razoável, à luz dos princípios mais basilares de direito público e especificamente do princípio da verdade material a que se submetem os processos administrativos, que se afaste de plano o procedimento fiscal no sentido de desconsiderar a escrita fiscal e lavrar o Auto de Infração com o conseqüente arbitramento do lucro. Isto porque, como cediço o arbitramento do lucro no momento do lançamento de ofício é medida de exceção, devendo ser utilizada em casos extremos, ou Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 10 seja, quando não houve qualquer elemento que possibilite auferir os rendimentos da empresa, vejamos: [jurisprudência, fls. 180/182] Pois bem. A par de algumas irregularidades terem sido supostamente constatadas no presente caso, tais vícios não são graves o suficiente para que toda a contabilidade da empresa seja tida por imprestável, valendo ressaltar que, durante todo o procedimento de fiscalização, em momento algum, se cogitou de dolo, fraude ou simulação da Impugnante, tampouco de sua boafé e disposição para com os agentes fiscais, tanto assim que a multa punitiva sequer foi aplicada em sua modalidade agravada. Como conseqüência, o procedimento da fiscalização, que considerou imprestável a contabilidade da Impugnante, procedendo, por conseqüência, ao arbitramento do lucro tributável, não encontra fundamento nem nos fatos, nem na norma legal por ela mesmo invocada, de modo que se pode afirmar que se trata de procedimento totalmente imotivado, acarretando a nulidade do Auto de Infração como um todo.” 3.4. Referese aos artigos 531 e 532, do RIR/99, bem como aos artigos 518 e 519. Acrescenta que, embora sua receita bruta fosse passível de ser aferida, pois se encontrava escriturada em sua contabilidade e alicerçada nos documentos fiscais correspondentes, a fiscalização procurou desconsiderar seus apontamentos, conforme justificativa presente no Termo de Constatação Fiscal. 3.5. Todavia, a autoridade fiscal não explicitou correta e devidamente quais seriam os “erros, vícios e deficiências verificados no Livro Diário e Razão, igualmente reproduzidos no Registro de Saídas e declarados em DIPJ” que estariam a obstar que a receita bruta apurada em seus registros fosse considerada para o arbitramento dos valores. 3.6. Disserta sobre a motivação do ato administrativo e sobre o princípio da legalidade. Acrescenta que o ato administrativo para ser válido deve apoiarse numa disposição legal que o preveja e, ao mesmo tempo, deverá ser praticado apenas e tão somente se a situação de fato concretamente verificada for aquela que a própria lei contempla como autorizadora de sua prática. 3.7. E continua: “Portanto, a indicação do motivo legal e a precisa e perfeita descrição dos fatos são requisitos indispensáveis à validade do ato administrativo sempre que a aplicação da lei o exigir ou quando houver atingimento de situações jurídicas subjetivas, merecendo ser ressaltado que não é apenas em casos de total ausência de motivação que o ato fica viciado. Isto ocorre também nos casos em que não seja pertinente ou seja inaplicável o dispositivo legal invocado. Ou, ainda, se os motivos que levaram à prática dos atos que não guardam qualquer correlação entre si, dando ensejo a diversas interpretações. Em todas estas situações o ato é imotivado e, como conseqüência, passível de invalidação, como ocorre no caso concreto. De fato, como já se demonstrou anteriormente, no presente caso, não há no auto de infração uma precisa indicação dos “erros, vícios e deficiências” que ensejaram a desconsideração da receita bruta da Impugnante com base para aplicação dos percentuais previstos no artigo 519 do RIR para fins do Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 11 arbitramento do lucro tributável, de maneira que o mesmo deverá ser considerado insubsistente, eis que maculado por vicio de motivação.” 3.8. Argumenta que, ainda que os livros fiscais apresentassem vícios que impedissem o aferimento direito da receita bruta, cabia à fiscalização o ônus de, ao menos, procurar fixar de maneira mais exata possível a materialidade, de modo que o arbitramento levasse em conta parâmetros mínimos de consistência com o resultado apurado pela empresa no anocalendário de 2004. 3.9. Enfim, a autoridade fiscal somente poderia se utilizar dos critérios estabelecidos pelo artigo 51, da Lei n.º 8.981, de 1995 e art. 535, do RIR/99, de aplicação subsidiária àqueles fixados nos artigos 531 e 532 do RIR/99, após esgotadas as possibilidades de fixação da receita bruta, na medida em que esse é o único elemento que poderia dimensionar o arbitramento do lucro tributável dentro de padrões que, ao menos, relacionemse com sua situação concreta e específica. 3.10. Aduz que, desprezada a receita bruta, o arbitramento foi realizado sem a devida conexão com os critérios legais que norteiam a fixação do lucro tributário, do que decorre a ausência de certeza e liquidez do crédito tributário. Menciona jurisprudência. Acrescenta que o critério previsto nos dispositivos legais utilizados, escolhido pela autoridade fiscal, padece de logicidade e razoabilidade e não pode ser utilizado. 3.11. Recorre ao artigo 148, do CTN. Doutrina, fls. 195/196. Reitera que ao proceder o arbitramento o Fisco deve buscar a verdade, adotando processo racional, lógico e motivado, o que não foi adotado pela autoridade fiscal, além de assegurar lhe o direito de contestar o arbitramento. 3.12. Diz que os parâmetros de lucro utilizados são absolutamente inaplicáveis às farmácias em geral e a seu caso, em particular. Em suas palavras: “De fato, o critério de arbitramento cominado à Impugnante parte da premissa de que a margem de lucro da Impugnante seria de 40% sobre o valor de compra dos remédios destinados à revenda, o que implica dizer que o valor de venda desses medicamento aos consumidores finais teria de ser, ao menos, 120% do que custam para as farmácias, a fim de que pudessem ser repassados ao preço final também os custos relativos às demais despesas necessárias ao regular desenvolvimento das atividades, tais como despesas com folha de salário, contribuições previdenciárias e demais tributos federias, estaduais e municipais, etc. Tal presunção, contudo, é absolutamente desarrazoada e não encontra qualquer lastro no que se refere às atividades farmacêuticas. Aliás, o distanciamento de tal critério da realidade fática fica bastante evidente quando se analisa o caso concreto da Impugnante, bastando que se verifique o seguinte: O lucro tributável de uma empresa é o resultado (acréscimo patrimonial) resultante de operação de subtração entre a totalidade de receitas e despesas apuradas durante um período. Lucro é, portanto receitas menos despesas. A operação inversa também é verdadeira, sendo receita igual à soma de todas as despesas e do lucro obtido na atividade comercial. Pois bem. O valor de compra das mercadorias destinadas à revenda pela Impugnante – e que serviu de base para arbitramento dos créditos tributários ora Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 12 impugnados – foi apurado com base nos livros fiscais da própria empresa e confirmado por meio do termo de circularização de mercadorias segundo informações prestadas por seus fornecedores, totalizando o importe de R$ 7.564.279,07 para anocalendário de 2004. O lucro arbitrado, por meio do procedimento adotado pelo fisco, foi da ordem de 40% sobre o valor dessas mercadorias, o que significa dizer que a base tributável para o anocalendário de 2004 totalizou R$ 3.025.711,63. Consoante a DIPJ/05 da Impugnante, descontado o custo das mercadorias de revenda, somente as despesas passíveis de dedução do IRPJ, dentre as quais folhadesalário, contribuições previdenciárias, PIS, COFINS e ICMS, já importavam cerca de R$ 3.140.000,00. Daí que, com base nesses valores, seria de se assumir que a receita bruta mínima da Impugnante no período importaria em aproximados R$ 14.000.000,00. Ocorre que tal valor distanciase inteiramente de qualquer resquício da realidade, sendo ele sequer compatível com a movimentação bancária da Impugnante no período. De fato, com consta do próprio termo de constatação fiscal, a movimentação bancária da ora Impugnante para o período colacionado foi de R$ 11.942.391,94. Aproximadamente, portanto, 18% menos que os valores assumidos como sendo sua receita bruta. Tal discrepância, pó si só, demonstra a falta de consistência dos critérios do arbitramento levado a termo para fixação do lucro no presente caso, valendo ressaltar que, se a movimentação bancária da ora Impugnante foi utilizada pela fiscalização como indício suficiente para descaracterizar toda a contabilidade da empresa, justificando, a seu ver, o procedimento de arbitramento no presente caso, também ela deve servir para inequivocamente demonstrar a desarrazoabilidade e inconsistência dos critérios adotados pela fiscalização para o arbitramento da base de cálculo do IRPJ. Daí porque afigurase patente a falta de logicidade do critério adotado pela fiscalização para realização do arbitramento, em manifesta violação ao art. 148 do CTN, na medida em que afastase integralmente de parâmetros mínimos de consistência para apuração do lucro tributável – base de cálculo do IRPJ e CSLL. Pelas razões evidenciadas, portanto, certamente no procedimento da fiscalização não há critério de pertinência ou razoabilidade, a denotar o vício insanável que fulmina de nulidade o lançamento efetuado, não podendo dessa forma prevalecer.” 3.13. Insurgese contra a exigência de juros moratórios com base na taxa Selic, por entendêla contrária ao artigo 161, do CTN; ao princípio da legalidade; por albergar a lei verdadeira delegação de competência ao Banco Central do Brasil. Transcreve jurisprudência. 3.14. Afirma que, consoante se comprova da Nona Alteração e Consolidação Contratual, em 04 de abril de 2006 ocorreu a comercialização da totalidade das cotas sociais da Impugnante, com a conseqüente alteração integral dos quadros societários da empresa situação essa que se amolda aos artigos 128, 132 e 133 do Código Tributário Nacional. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 13 3.15. Acrescenta que a responsabilidade do sucessor tributário restringese ao valor da obrigação principal, conforme interpretação do artigo 132 do CTN, no sentido de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, sob pena de contrariar as disposições dos artigos 129 e 136, também do CTN. Transcreve doutrina e jurisprudência. 3.16. Diz que a autuação fiscal deuse em momento muito posterior à alteração de seu quadro societário, sendo impossível aos atuais sócios preverem o cômputo de tais valores no passivo fixado à época da aquisição da empresa. Portanto, a multa punitiva deve ser cancelada, em observância ao disposto no artigo 132, do CTN. 3.17. Por fim, requer que as intimações e notificações sejam encaminhadas ao endereço de seus representantes legais, no endereço detalhado à fl. 206. A decisão recorrida está assim ementada: LUCRO ARBITRADO. VALOR DAS COMPRAS. Correto o arbitramento do lucro com base no valor das compras quando a escrituração da contribuinte revele vícios e irregularidades que a torne imprestável à determinação não só do lucro real, mas também da receita bruta auferida no período. Presentes os pressupostos que justificam o arbitramento do lucro, tornase irrelevante a discussão sobre a margem de lucro normal obtida pela empresa em suas transações comerciais; MULTA DE OFÍCIO. TRANSFERÊNCIA DE QUOTAS REPRESENTATIVAS DO CAPITAL SOCIAL. Tendo em conta que a multa de ofício foi exigida da pessoa jurídica e que não ocorreram eventos de incorporação, fusão ou transformação, não se aplicam os artigos 132 e 133 do Código Tributário Nacional, sendo devida pela autuada, sujeito passivo da obrigação tributária. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário. Impugnação Improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 3/04/2012, fls. 1123 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: . É o relatório. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 14 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência de IRPJ e CSLL, mediante arbitramento do lucro, que foi levado a efeito tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte era imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas enumeradas no Termo de Constatação Fiscal parte integrante dos Auto de Infração. Em face da impossibilidade da determinação da receita bruta, o valor do lucro arbitrado foi definido sobre o valor das compras de mercadorias efetuadas no ano de 1994. A Decisão de 1a. instância manteve integralmente a exigência. Passo a apreciar as alegações recursais. Preliminar de decadência A recorrente repisou a alegação de decadência do 1o. e 2o. trimestres de 2004. Afasto de plano. Isso porque a pessoa jurídica foi cientificada do lançamento em 12 de maio de 2009, fl. 161, tendo sido constado em consulta ao Sistema IRPJ, da Secretaria da Receita Federal, que não houve, para o primeiro e segundo trimestres do ano calendário de 2004, na DIPJ apresentada, a apuração de IRPJ ou CSLL a Pagar. Conseqüentemente, não houve quaisquer pagamentos, a título do imposto ou da contribuição exigidos pelo lançamento. Tal qual asseverado na decisão de 1a. instância na ausência de pagamentos, não há o que homologar. Em conseqüência, não se aplica o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN, e a decadência regese pelo artigo 173, I do CTN, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Uma vez que os fatos geradores são trimestrais, para o dois primeiros trimestres do anocalendário de 2004 a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, em 1º de janeiro de 2005, consumandose tal prazo em 31 de dezembro de 2009. Além disso, em se tratando de lançamento de oficio no qual foi arbitrado o lucro, não sendo acatada a modalidade de lançamento original do contribuinte, aplicase o artigo 149 do CTN, afastandose a hipótese de homologação da atividade anteriormente exercida. Está é mais uma razão para aplicarse a forma de contagem do prazo decadencial estabelecida no art. 173 do CTN. Rejeito a preliminar. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 15 Mérito. A recorrente contesta o arbitramento dos lucros, afirmando que a Fiscalização deixou de demonstrar as irregulares que ensejaram o procedimento. A meu ver não lhe cabe razão, conforme muito bem decido em 1a. instância. Vejamos os fundamentos: 24. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), dispõe fartamente sobre a dimensão mensurável do fato gerador, especificando a forma como se dá a medida da renda das pessoas jurídicas, conceituando seja ela determinada sob três diferentes regras, a saber: a) lucro real; b) lucro presumido; c) lucro arbitrado. Para a adoção de uma forma de cálculo em detrimento à outra se presume o atendimento de condições específicas, previstas nas normas em regência. 25. O lucro real, regra geral, sobrepõese naturalmente às demais modalidades de apuração, justamente por representar a renda efetivamente auferida, considerados todos os aspectos envolvidos na sua geração, precisamente determinados, em discriminado período de tempo. No entanto, referida forma de apuração desencadeia maior ônus procedimental por parte da contribuinte, mormente no que diz respeito à obrigatoriedade de manutenção de escrituração comercial e fiscal regular e completa. 26. Por tal razão, facultou o legislador, à exceção das hipóteses por ele selecionadas, previstas no art. 246 do RIR/99, a adoção, pela contribuinte, de forma de apuração do lucro mais simplificada, segundo as regras do presumido, a qual, no entanto, também se baseia em alguns dados de escrituração obrigatória. A opção, contudo, deve ser efetuada pela própria pessoa jurídica, na forma determinada pela legislação. 27. É importante ressaltar, portanto, que tanto nas regras do lucro real quanto do lucro presumido, impõese à contribuinte o dever de guarda e conservação dos livros contábeis e/ou fiscais pertinentes a cada uma dessas modalidades de apuração do lucro, bem como da documentação que acoberta os registros escriturados. 28. O lucro arbitrado, forma excepcional de se quantificar a renda tributável, é utilizado, via de regra, pela Administração Tributária, em casos falta de apresentação, de inexistência, omissões ou erros graves constatados na escrituração na qual se deve respaldar a contribuinte. E este é o fato determinante para a adoção dessa modalidade de apuração do lucro, em detrimento daquela eventualmente formalizada pela pessoa jurídica em sua declaração de rendimentos e/ou em seus registros contábeis/fiscais. 29. Enfatizese que a causa do arbitramento, no caso presente, é a caracterização da imprestabilidade da escrituração comercial da contribuinte, tanto para identificação de sua efetiva movimentação financeira, quanto para a perfeita determinação do Lucro Real, materializandose, segundo a autoridade fiscal, as hipóteses legais previstas no artigo 47, da Lei n.º 8.981, de 1995 e artigo 530, do RIR/99. 30. Insurgese a contribuinte quanto ao arbitramento efetuado, alegando ausência de motivação, tendo em conta que, segundo ela, a par de algumas Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 16 irregularidades eventualmente existentes, os vícios encontrados não se mostraram graves nem suficientes para a caracterização da imprestabilidade de sua escrituração contábil. 31. Nesse sentido, fato não contestado pela contribuinte, relata a autoridade fiscal que, intimada à comprovação dos efetivos pagamentos indicados em anexo elaborado para este fim, escriturados no Livro Diário Geral e Livro Razão na data de 31/12/2004, valor total de R$ 1.083.249,75, eles carecem de documentos comprobatórios que lhes dêem respaldo, à exceção da apresentação de nota fiscal alusiva à compra de um automóvel, valor de R$ 13.180,00, a qual, todavia, mostrou se relativa ao anocalendário de 2003 e não ao período de apuração fiscalizado (AC 2004). 32. Diz a autoridade fiscal, no que se refere aos depósitos/recebimentos presentes nos extratos bancários, que a autuada limitouse a informar que tais valores originaramse em vendas efetuadas, cujos recebimentos deramse em dinheiro, cheques, convênios e cartões de débitos ou créditos, sem a necessária apresentação dos documentos que lhes dessem suporte. 33. E acrescenta que a cópia do Registro ECF apresentada mostrouse insuficiente para embasar o total informado de receitas auferidas no período, além da impossibilidade de se encontrar os valores e datas coincidentes com os presentes na escrituração e nos extratos bancários, mostrandose tais documentos apenas aptos a indicar que as vendas em dinheiro têm participação importante no total das receitas auferidas. 34. Especificamente em relação aos depósitos/créditos bancários, a empresa limitouse a afirmar que tais montantes eram lançados na contabilidade mediante valor total do mês, sem a necessária escrituração dos Livros Auxiliares para a individualização dos lançamentos. Também não houve a apresentação de quaisquer justificativas para a significativa diferença entre o volume das transações presentes nos extratos bancários com aqueles escriturados. 35. Convém destacar que os fatos relatados acima em nenhum momento foram refutados pela empresa, que em sua impugnação restringese a contestálos ora genericamente, ora apegandose a princípios gerais de direito que diz não terem sido observados, sem, no entanto, apresentar quaisquer justificativas ou esclarecimentos concretos que pudessem elucidar os fatos levantados pela autoridade fiscal, que confirmam de forma efetiva a imprestabilidade de sua escrituração contábil e fiscal. 36. Continuando, em relação aos questionamentos da base de cálculo utilizada, convém enfatizar que a autoridade fiscal não se limitou a afirmar, como pretende a contribuinte, que a receita bruta não é confiavelmente conhecida em vista dos erros, vícios e deficiências encontrados nos Livros Diário, Razão, Registro de Saídas e na DIPJ, mas houve sim a especificação de tais circunstâncias, como se depreende do seguinte relato: “a) Ainda que regularmente intimado em diversas oportunidades e com a concessão de prazos adicionais para atendimento, conforme relatos anteriores, o contribuinte não forneceu à fiscalização nenhum comprovante fiscal (cupom fiscal eletrônico, nota fiscal de venda emitida manualmente ou qualquer outro documento válido) a fim de respaldar tanto as receitas de revenda de mercadorias, quanto os direitos lançados em duplicatas a receber, assim como as entradas de recursos escrituradas nas contas contábeis de Caixa e Bancos. Diante desse quadro, tornase impossível ao Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 17 fisco a averiguação e confirmação das informações expressas nos livros comerciais do sujeito passivo e tanto menos afasta a possibilidade de haver eventuais receitas ou rendas não devidamente declaradas, isto é, omissão de rendimentos tributáveis; b) Além das dificuldades de rastreamento das transações em dinheiro vivo, que têm significativa participação nas operações do contribuinte em razão do grande volume de vendas à vista ao consumidor final com pagamento em espécie, ocorre ainda que o numerário que efetivamente circula pelas contas bancárias de titularidade da Farmavida não é fielmente escriturado, tanto pelo fato de os lançamentos serem efetuados de forma englobada sem o respaldo de livros auxiliares exigidos nessas condições, quanto pela constatação de que apenas 42% das transações efetuadas em 2004 foram transcritas nos livros contábeis. Sob outro enfoque, podese inferir que mais da metade da movimentação financeira não foi contabilizada. O Quadro 1 anexo detalha mensalmente, para cada contacorrente, os ingressos de recursos encontrados nos extratos bancários obtidos mediante RMF (totalizando R$11.942.391,94 no período) em comparação com todos os valores lançados em contas relacionadas a Bancos no Livro Diário e respectivo Razão (no montante de R$5.048.093,96). O gráfico a seguir ilustra a defasagem entre os volumes mensais de entradas de recursos extraídos dos extratos bancários e os respectivos registros contábeis: [Gráfico de fl. 151] O Quadro 2 adiante demonstra ainda que nem ao menos os saldos bancários, escriturados ao final de cada mês, coincidem com aqueles constantes dos documentos fornecidos pelas instituições financeiras. De modo geral, a evolução dos saldos contábeis converge para os dados bancários apenas em 31/12/2004, ou seja, somente no fechamento do exercício; c) Se por um lado existe imprecisão na apuração das receitas efetivamente auferidas, por outro se verificou que alguns dos custos e despesas escriturados não foram comprovados, por se relacionarem a pagamentos sem demonstração de sua natureza e/ou sem identificação dos correspondentes beneficiários. Como exemplos, citamos os R$592.770,61 registrados como pagamentos a Fornecedores Diversos nos lançamentos contábeis 4680, 4681, 4682 e 4683 e também os R$477.299,14 lançados sob n°. 4801 como quitação de Contas a Pagar, ambos escriturados em 31/12/2004 sem haver a documentação comprobatória que lhes dê suporte. (...) Diante do exposto, configurase a imprestabilidade da escrituração comercial do contribuinte tanto para fins da identificação de sua efetiva movimentação financeira (que obviamente deve incluir a bancária), quanto para a perfeita determinação do Lucro Real, materializandose, nessas circunstâncias, as hipóteses legais que obrigam o procedimento de ofício de apuração do lucro através de arbitramento, segundo o comando do Art. 47 da Lei 8.981/95 e Art. 530 do RIR/99.” 37. Diante da impossibilidade de se apurar e confirmar a receita bruta auferida ao longo do período de apuração, a autoridade fiscal optou pela circularização das compras efetuadas pela contribuinte junto a seus principais fornecedores, procedimento este formalizado pela expedição dos MPFDiligência respectivos, e, Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 18 diante da consistência das informações assim obtidas, a autoridade fiscal adotou como parâmetro para o arbitramento o valor das compras de mercadorias ocorridas no período, enfatizandose que os dados obtidos no Livro Registro de Entradas foram corroborados pela circularização efetuada. 38. Correto, portanto, o procedimento da autoridade fiscal, ao utilizarse da base de cálculo que mostrouse mais confiável, tendo em conta que os valores escriturados pela contribuinte foram confirmados por fontes externas à empresa, ou seja, mediante circularização nos principais fornecedores da autuada. 39. No mesmo sentido, a jurisprudência co CARF – Conselho administrativo de Recursos Fiscais: “ARBITRAMENTO. Em procedimento de ofício destinado a arbitrar o lucro do sujeito passivo, quando não conhecida a receita bruta, é válido o uso do valor de 40% das compras para aferir a receita bruta.”[Acórdão CSRF/01 05.899, de 23 de junho de 2008] LUCRO ARBITRADO. Correto o arbitramento do lucro com base no valor das compras quando a escrituração da contribuinte revele vícios e irregularidades que a torne imprestável à determinação não só do lucro real, mas também da receita bruta auferida no período.”[Acórdão nº 120100.367, 2ª Câmara, 1º Turma Ordinária, de 15 de dezembro de 2010] 40. Tal procedimento não demonstra nenhuma contradição da autoridade fiscal ao realizar o arbitramento face à imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal detectada, pois, se esta revelouse imprópria e imprestável para a determinação do lucro real, diante das inconsistências detalhadas e delimitadas, notadamente quanto às receitas escrituradas bem como aos pagamentos, os dados relativos às compras mostraramse compatíveis com as informações obtidas junto aos fornecedores da empresa, circularização esta que se mostraria totalmente inviável se realizada junto aos clientes (consumidores) da empresa para obter o total da receita bruta, em função da atividade exercida (comércio varejista de produtos farmacêuticos). 41. Enfim, o que se observa, a partir da confirmação, pela circularização, dos dados escriturados relativos às compras, que faz parte dos custos da empresa, é que ela, autuada, optante pelo lucro real, demonstrou muito mais zelo e eficiência em escriturar seus custos e despesas do que ao escriturar as receitas auferidas. 42. Ademais, presentes os pressupostos que justificaram o arbitramento do lucro, tornase irrelevante a discussão sobre as margens de lucro da empresa em suas transações comerciais. (...) Ora, restou claro nos autos que o montante das compras da empresa superaram em muito as receitas registradas, apenas essa fato já é suficiente para ensejar o arbitramento, pois, do contrário, a alternativa seria tratar o valor das compras não registradas como oriundas de receitas omitidas (art. 40 da Lei 9.430/1996), o que implicaria em exigir tributo sobre o patrimônio e não sobre a renda, em face dos montantes envolvidos. Cumpre então manter a autuação nesse parte. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 19 Multa de oficio. No que se refere as alegações contra a imposição da multa de ofício, em vista da alteração do quadro societário da empresa, verificase que por meio da “Nona Alteração e Consolidação Contratual” da empresa que na data de 10 de fevereiro de 2005 os antigos sócios, Senhores Claudeir Soares de Oliveira e Mônica Soares Silva, únicos sócios da empresa, transferiram integralmente suas quotas sociais para os Senhores Ricardo Taralo e Estanislau dos Santos, continuando a empresa com a mesma razão social e o mesmo objeto. Correto a decisão recorrida ao esclarecer que a situação acima descrita não se amolda ao artigo 132, do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Isso porque, no presente caso, não houve incorporação, cisão ou transformação, mas sim a transferência da titularidade das quotas representativas do capital social. Pertinentes também os fundamentos a seguir transcritos: 46. Ademais, o parágrafo único estabelece que a sucessão prevista no caput somente será aplicável quando ocorrer a extinção da pessoa jurídica, somado ao fato de as atividades então por ela exercidas serem continuadas por algum dos exsócios ou pelo seu espólio, independentemente da razão social da nova sociedade. 47. Especificamente no caso de transformação, ela consiste em ato jurídico que resulta na alteração da espécie societária, alteração essa promovida segundo as regras que regulamentam a constituição e o registro do tipo a ser adotado, tal como ocorre com a transformação de uma sociedade anônima em limitada, por exemplo, também não se aplicando ao caso concreto dos autos. 48. Por sua vez, convém esclarecer que a multa de ofício não está sendo exigida dos sócios da empresa, pessoas físicas ou naturais, mas sim da pessoa jurídica que praticou os fatos geradores da obrigação tributária, sendo ela responsável tanto pelos tributos como pelos acréscimos legais, inclusive pela multa de ofício. 49. Enfim, não se vislumbra nos autos a presença de qualquer “Termo de Sujeição Passiva” ou “Termo de Responsabilidade” em nome pessoal dos sócios da empresa, razão pela qual também não se aplica o artigo 133, do CTN. 50. De qualquer forma, ainda que os atuais sócios venham, em algum momento, a ser responsabilizados pessoalmente pela multa de ofício, como em eventual execução fiscal, por exemplo, e ainda que se admitia aplicável o artigo 133, do CTN, na interpretação legislativa, não há como aplicar somente o método gramatical, sob pena de se reduzir a ação do intérprete a sucessivas consultas ao léxico. Há que se buscar a exegese de forma completa, estudando o preceito em Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 20 relação ao sistema em que se insere – considerando a própria lei a que pertence e o sistema geral do direito positivo em vigor – alcançando seu sentido pleno. 51. O artigo 133 do CTN está contido no Livro Segundo, Título II, Capítulo V, Seção II do CTN, que tem como dispositivo legal introdutório o art. 129, in verbis: “Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data” (grifouse). 52. Tal artigo enuncia regra geral aplicável a todas as disposições sobre a responsabilidade dos sucessores, logo, não se pode interpretar o art. 133 do CTN de molde a exonerar o sucessor da responsabilidade pelas multas. Observese que, quando o legislador teve a intenção de afastar a responsabilidade pela multa de ofício, empregou disposição expressa, a teor do art. 134, parágrafo único, do CTN. . Portanto, não há como afastar a imposição da multa de ofício. Ainda quanto a imposição da multa de oficio e juros de mora à taxa Selic, registro que tal qual as DRJ, este Conselho também não é competente para analisar questões de ilegalidade de atos normativos infralegais. Tratase, inclusive de matéria sumulada no CARF. A exigência da multa de oficio 75% e juros de mora a taxa Selic estão de acordo com a legislação. A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000178/200911 Acórdão n.º 1402001.258 S1C4T2 Fl. 0 21 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10293.720049/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO COMPROVADA EM LAUDO DE AVALIAÇÃO OFERTADO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE.
Havendo a fiscalização acolhido, para o fim de arbitrar o montante de ITR aplicável, o valor do VTN apontado em laudo de avaliação acostado pelo próprio contribuinte, resta comprovada a subavaliação feita por ocasião da entrega da DIAT.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO COMPROVADA EM LAUDO DE AVALIAÇÃO OFERTADO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. Havendo a fiscalização acolhido, para o fim de arbitrar o montante de ITR aplicável, o valor do VTN apontado em laudo de avaliação acostado pelo próprio contribuinte, resta comprovada a subavaliação feita por ocasião da entrega da DIAT. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 00 49 /2 00 8- 53 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720049/200853 Acórdão n.º 2101001.994 S2C1T1 Fl. 156 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 88/103) interposto em 17 de fevereiro de 2012 contra o acórdão de fls. 78/82, do qual a Recorrente teve ciência em 18 de janeiro de 2012 (fl. 87), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 37/41, lavrado em 04 de agosto de 2008, em decorrência de falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO Cabe manter o VTN arbitrado pela fiscalização, com base em Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 78). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No tocante ao mérito, observo que o lançamento, consoante se denota do documento de fl. 40 (“Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido”), está adstrito, única e exclusivamente, à verificação do VTN aplicável à espécie, se o valor arbitrado pela Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720049/200853 Acórdão n.º 2101001.994 S2C1T1 Fl. 157 3 fiscalização, no montante de R$ 160,00/ha. ou outro. Absolutamente inaplicáveis, pois, diversos argumentos ventilados no recurso voluntário da contribuinte, relativos à demonstração das áreas de preservação permanente e de reserva legal, eis que já foram acatados pela fiscalização. Quanto à decadência do direito de lançar o crédito tributário, com fundamento no artigo 150, §4º, do CTN, igualmente verifico tratarse de alegação genérica, absolutamente inaplicável à hipótese vertente, na medida em que o auto de infração, referente ao exercício de 2005, foi lavrado em 2008, antes do termo ad quem do prazo legal. Feitas as precedentes ressalvas, cumpre mover ao mérito, em si, do recurso, atinente à legalidade do arbitramento realizado pela fiscalização quanto ao VTN aplicável à espécie. Em relação ao referido aspecto, entendo que a irresignação da contribuinte não merece prosperar. De fato, analisandose os documentos acostados aos autos do presente processo administrativo, observo que a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar o competente laudo de avaliação, no sentido de demonstrar a exatidão do VTN apontado em DIAT. Em atendimento à solicitação elaborada pela RFB, a contribuinte apresentou o laudo de avaliação de fls. 16/30, no qual a Engenheira Agrônoma responsável, Sra. Waldete Helena de Almeida Cavalcante, estimou como preço justo para o cálculo do VTN o valor de R$ 160,00/ha. Justamente com base no valor apontado no laudo de avaliação acostado pela própria contribuinte, pois, a fiscalização lavrou o auto de infração ora combatido, recalculando o valor do ITR com base no preço indicado da terra por hectare no referido documento e lançando a diferença entre o quanto foi pago pela contribuinte e aquilo que seria devido. Ora, em que pese à controvérsia acerca da observância, ou não, das regras previstas pela ABNT na elaboração do laudo de avaliação acolhido pela autoridade responsável, na medida em que não consta qualquer Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), bem como sequer a adoção dos métodos de avaliação previstos nas normas expedidas pelo referido órgão, fato é que a fiscalização acolheu o referido laudo de avaliação, elaborado por determinação do próprio contribuinte, por ocasião de sua intimação, no ano de 2008. Nesse sentido, vale notar que os valores apontados no SIPT pela Prefeitura de Sena Madureira para imóveis análogos ao do Recorrente, situados em região próxima, alcançaram a cifra de R$ 800,00/ha (2004), R$ 650,00/ha (2005) e R$ 286,38/ha (2006), conforme apontado pela fiscalização à fl. 38, razão pela qual o acolhimento pelo Fisco do montante apontado no laudo de avaliação, inferior àquele apontado no SIPT, consistiu em benefício em favor da Recorrente, ainda que discutíveis os métodos utilizados para o referido cálculo. De mais a mais, cumpre destacar que, havendo a Recorrente apresentado, sponte propria, ainda que intimada a comprovar o valor do VTN aplicável à espécie, laudo de avaliação apontando para o valor posteriormente utilizado pela fiscalização para a lavratura do auto de infração, não poderia, mais adiante, questionar o próprio cálculo apresentado, na Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720049/200853 Acórdão n.º 2101001.994 S2C1T1 Fl. 158 4 medida em que não é dado à contribuinte, como também à União, venire contra factum proprium, violando os ditames da boafé no trato com a Administração Pública. Assim, sendo certo que não compete ao CARF refazer o auto de infração, desconsiderandose os valores apontados no laudo de avaliação, entendo por bem manter o auto de infração nos seus próprios termos, considerando, assim, para o cálculo do VTN, o valor de R$ 160,00/ha, tal como previsto no laudo de avaliação de fls. 16/30. Friso, por derradeiro, que a alegação da contribuinte, no sentido de que os valores por hectare na referida região, tal como apontados em decisão de desapropriação, seriam inferiores àqueles apontados para o imóvel em tela, não merece guarida, seja porque as peças das referidas ações judiciais de desapropriação, supostamente relativas a imóveis análogos aos da Recorrente, apontam para exercícios distintos daquele discutido in casu, seja, ainda, porque os valores lá apontados se referem a imóveis distintos, cujas condições e mesmo circunstâncias da desapropriação são desconhecidas. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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