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Numero do processo: 16832.001167/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Fábia Regina Freitas.
RELATÓRIO
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Fábia Regina Freitas. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Fábia Regina Freitas. RELATÓRIO Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ ddo Rio de Janeiro: Versa o presente processo administrativo fiscal sobre auto de infração lavrado contra o interessado ora em epígrafe em 21/12/2009 (fls. 114 a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 68 32 .0 01 16 7/ 20 09 -8 1 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 3302000.223 S3C3T2 Fl. 845 2 117). Foi constituído crédito tributário de multa isolada (150%) — compensação indevida, no valor de R$ 4.588.202,47. A autoridade administrativa, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizoua no Termo de Verificação Fiscal anexo (fls. 96 a 101). Aduz que o interessado enviou DCOMP em 06/07/2004, imbricada com crédito oriundo da ação judicial autuada sob o n° 1059/57. Observa que a ação judicial foi ajuizada por terceiros e que não trata de crédito de natureza tributária. Assim, a DCOMP foi considerada não declarada e foi aplicada a multa de 150% prevista no art. 18, § 40, da Lei 10.833/2003 e art. 44, § 1°, da Lei 9.430/1996, considerando os débitos confessados na aludida declaração de compensação. Regularmente cientificado em 23/12/2009 (fl. 115), apresentou o interessado sua impugnação em 21/01/2010 (fls. 129 a 157), por meio da qual argumenta, em síntese, que: foram ajuizadas diversas ações de execuções fiscais em face do interessado; que o advogado contratado para representála nessas ações judiciais enviou a DCOMP em comento, com o fito de extinguir os débitos cobrados; que há erro na DCOMP, pois não é contribuinte do IPI; que há outros erros no que tange aos débitos confessados; que os débitos são inexistentes e que não correspondem aos débitos cobrados nas ações de execuções fiscais; que ajuizou ação anulatória de débitos fiscais para não ser compelida a pagar os débitos confessados na DCOMP; que o presente auto de infração é nulo, pois a decisão que considerou como não declarada a DCOMP está eivada de ilegalidade, ao ferir os princípios da irretroatividade e da legalidade; que ocorreu a decadência; que há violação ao principio da irretroatividade da lei tributária, anterioridade e legalidade tributária, visto que os débitos são inexistentes e que não ocorreu o processamento da DCOMP; que não há conduta dolosa comprovada a justificar a multa qualificada; requer a produção de prova, em especial, que seja efetuada fiscalização, com o objetivo de que seja comprovada a inexistência dos débitos fiscais declarados na DCOMP; requer ainda o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 3302000.223 S3C3T2 Fl. 846 3 A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não cabe a alegação de nulidade do lançamento de oficio quando a autoridade administrativa observa os procedimentos fiscais previstos na legislação tributária. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No caso de lançamento de oficio, o prazo quinquenal decadencial se.conta a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado, como determina o art. 173 do Código Tributário Nacional (Cm). COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Enseja o lançamento da multa isolada de oficio, as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n.° 4.502, de 1964. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. PERCENTUAL QUALIFICADO. APLICABILIDADE. Inserir informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu envio por meio eletrônico e dar aparência de regularidade à utilização de créditos de natureza não tributária inexistentes, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude que devem ser penalizados com o lançamento de multa qualificada no percentual de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Contra esta decisão foi apresentado Recurso alegou em síntese que: a) entre os anos de 2001 a 2003 a PGFN promoveu diversas execuções fiscais contra a Recorrente e que após não conseguir garantilas com Títulos da Eletrobrás, seu ex patrono, sem sua autorização, enviou Declaração de Compensação (06/07/2004) como forma de quitação de débitos junto a Fazenda Nacional; b) seu expatrono juntou a respectiva DCOMP nos executivos fiscais e requereu a suspensão dos mesmos até a homologação das compensações pelo fisco. O justiça Federal não tomou conhecimento do pedido efetuado e procedeu a penhora em cada uma das execuções fiscais em andamento; c) promoveu ação indenizatória contra expatrono (juntou cópia não assinada da petição inicial) Fl. 912DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 3302000.223 S3C3T2 Fl. 847 4 c) os débitos tributários declarados nas DCOMPs são inexistentes, não constam dos relatórios de débitos da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional e tampouco foram declarados em DCTFs, estando declarados como devidos inclusive tributos que a Recorrente não está obrigada, como o caso do IPI, uma vez se tratar de empresa comercial; d) requereu desde o principio um inspeção fazendária para verificar a real existência dos débitos e que não foi atendida, tendo por conseqüência sofrido cerceamento do direito de defesa; e) o auto de infração sob análise fundamentouse no § 4º do art. 18 da Lei 10.833/03, o que o tornaria nulo uma vez que se tratando de compensação apresentada em 06/07/2004, não se poderia considerála não declarada tendo em vista que tal situação somente passou a existir com o advento da alteração legislativa promovida pela Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004; f) a decadência do direito ao lançamento da multa isolada uma vez que já havia passado cinco anos do fato gerador, não sendo aplicável o art. 173, I do CTN; g) são ilegais as alterações fáticas promovidas pela decisão recorrida e que não houve o dolo apontado pela fiscalização uma vez que os débitos declarados de fato não existiam; É o relatório. VOTO Conselheiro Alexandre Gomes – Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe destacar que a DCOMP que deu origem ao presente auto de infração foi controlada pelo processo nº 15374.720171/200924, e, por ter sido considerada não declarada, ainda que eventualmente de forma irregular, não permitiu ao Recorrente a apresentação de manifestação de inconformidade e por conseqüência a instauração do devido Processo Administrativo Fiscal, tudo nos termos do Decreto 70235/72. Importante lembrar também que, a época dos fatos, o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 previa que a fazenda pública teria o prazo de cinco anos para analisar as Declarações de Compensação apresentadas, sob pena de não o fazenda estarem estas homologadas tacitamente. Considerando que a declaração de compensação que deu origem ao presente auto de infração foi apresentada em 06/07/2004, teríamos que o prazo para sua análise se encerraria em 06/07/2009. Também é evidente que a figura da declaração de compensação não declarada decorrente de créditos de terceiros ou de natureza não tributária somente passou a existir a partir de 29/12/2004. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 3302000.223 S3C3T2 Fl. 848 5 Faço tais esclarecimentos apenas para fins de contextualização da matéria a ser discutida mais à frente. Contudo, como bem salientou a decisão recorrida, o processo que está sob análise neste momento, trata da multa isolada que foi aplicada ao Recorrente em decorrência das compensações efetuadas no âmbito de processo diverso deste. Não obstante, existe informação nestes autos, acompanhada de cópia da inicial e aditamento, dando conta que a Recorrente propôs Ação Anulatória de Débitos visando declaração judicial de que os débitos informados na declaração de compensação controlada pelo processo administrativo nº 15374.720171/200924 são inexistentes. Requer também que a Dcomp apresentada não deve ser considerada, nem muito menos gerar efeitos jurídicos e que a decisão da Receita Federal que considerou as compensações não declaradas é ilegal. Ao contrário do que afirma a decisão recorrida, as decisões exaradas no referido processo judicial e eventuais antecipações de tutela podem influenciar, ainda que indiretamente, o destino do presente processo administrativo. Do que se extrai da inicial do processo judicial juntado aos autos, há contestação direta aos fundamentos que foram utilizados pela Receita Federal para considerar não declarada as compensações efetuadas, inclusive relacionadas à existência de fraude ou dolo. Neste contexto, diante da ausência de maiores informações a cerca do andamento do referido processo, e das possíveis implicações das decisões nele contidas em relação ao processo 15374.720171/200924, e tendo por norte o fato que o processo que neste momento julga é decorrente daquele, entendo ser necessário baixar o presente processo em diligência para que se: a) traga aos autos informações a cerca do andamento da Ação Anulatória informada pelo Recorrente; b) informe a atual situação dos débitos informados como devidos na declaração de compensação controlado pelo processo administrativo nº 15374.720171/200924; c) traga quaisquer outras informações que se entenda necessárias ao bom deslinde do presente processo; e, Por fim, deve o Recorrente ser intimado a se manifestar à cerca do resultado da presente diligência. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 914DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000623/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 636/2006. Tendo sido regulamentada a suspensão da incidência do PIS/COFINS, prevista pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/04, com o advento da IN SRF nº 636, de 24 de março de 2006, deve ser garantido o direito ao crédito correspondente.
COFINS. ESTOQUE DE ABERTURA. CRÉDITO. Na apuração do crédito relativo ao estoque de abertura, houve clara opção legislativa no texto do art. 12 e seus parágrafos, da Lei n° 10.833/03, devendo ser reconhecido o direito do contribuinte ao crédito relativo ao estoque de abertura adquirido de pessoas jurídicas.
COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS. EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Quanto à glosa efetuada pela fiscalização relacionada às exportações que teriam sido realizadas pelo recorrente, não há nos autos prova da alegada exportação, nem que teriam sido atendidos os requisitos legais para o aproveitamento do crédito respectivo, portanto, impossível dar provimento ao apelo.
Numero da decisão: 3201-000.929
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, quanto ao crédito nas aquisições de insumos sujeitos à suspensão, vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, quanto crédito de insumos adquiridos de pessoas jurídicas.
Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso no que se refere a vendas para exportação.
Por unanimidade de votos negado provimento ao pedido de ressarcimento quanto a créditos em decorrência da redução da base de cálculo.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 636/2006. Tendo sido regulamentada a suspensão da incidência do PIS/COFINS, prevista pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/04, com o advento da IN SRF nº 636, de 24 de março de 2006, deve ser garantido o direito ao crédito correspondente. COFINS. ESTOQUE DE ABERTURA. CRÉDITO. Na apuração do crédito relativo ao estoque de abertura, houve clara opção legislativa no texto do art. 12 e seus parágrafos, da Lei n° 10.833/03, devendo ser reconhecido o direito do contribuinte ao crédito relativo ao estoque de abertura adquirido de pessoas jurídicas. COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS. EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Quanto à glosa efetuada pela fiscalização relacionada às exportações que teriam sido realizadas pelo recorrente, não há nos autos prova da alegada exportação, nem que teriam sido atendidos os requisitos legais para o aproveitamento do crédito respectivo, portanto, impossível dar provimento ao apelo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2.048 1 2.047 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.000623/2008 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 3201000.929 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente COOPERATIVA TRITICOLA ERECHIM LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 636/2006. Tendo sido regulamentada a suspensão da incidência do PIS/COFINS, prevista pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/04, com o advento da IN SRF nº 636, de 24 de março de 2006, deve ser garantido o direito ao crédito correspondente. COFINS. ESTOQUE DE ABERTURA. CRÉDITO. Na apuração do crédito relativo ao estoque de abertura, houve clara opção legislativa no texto do art. 12 e seus parágrafos, da Lei n° 10.833/03, devendo ser reconhecido o direito do contribuinte ao crédito relativo ao estoque de abertura adquirido de pessoas jurídicas. COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS. EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Quanto à glosa efetuada pela fiscalização relacionada às exportações que teriam sido realizadas pelo recorrente, não há nos autos prova da alegada exportação, nem que teriam sido atendidos os requisitos legais para o aproveitamento do crédito respectivo, portanto, impossível dar provimento ao apelo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, quanto ao crédito nas aquisições de insumos sujeitos à suspensão, vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, quanto crédito de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso no que se refere a vendas para exportação. Por unanimidade de votos negado provimento ao pedido de ressarcimento quanto a créditos em decorrência da redução da base de cálculo. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de análise e controle de PER/DCOMP transmitido em 08/11/2007 relativo ao primeiro trimestre de 2005 (COFINS nãocumulativa — mercado interno), totalizando o valor de R$ 1.757.857,64 (fls. 02/03). A Seção de Fiscalização diligenciou no sentido da verificação da legitimidade do direito ao ressarcimento pleiteado, tendo anexado documentos e produzido o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 20/22, onde relata, basicamente, as irregularidades fiscais encontradas: a) as vendas efetuadas com suspensão de PIS e de COFINS não cumulativas (art. 9 0 da Lei n° 10.925, de 2004) realizadas antes de 04/04/2006 não têm guarida legal, representando base de cálculo daquelas contribuições; b) em relação ao crédito decorrente dos estoques de abertura (art. 12 da Lei n° 10.833, de 2003), o crédito presumido advindo de aquisições de pessoas físicas não são admitidos, tendo sido Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11030.000623/2008 Acórdão n.º 3201000.929 S3C2T1 Fl. 2.049 3 excluídos e transferidos para os respectivos períodos de apuração; c) a empresa adicionou como vendas de exportação de mercadorias com destino A exportação para o exterior, vendas realizadas por outra indústria. Tais mercadorias saíram do estabelecimento industrial da Cooperativa e não seguiram diretamente para porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado; d) a legislação não admite a compensação ou o ressarcimento de saldos de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos apurados em decorrência da reduzida base de cálculo daquelas contribuições (exclusões previstas no art. 15 da MP n°2.15835, de 2001, e no art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003). Na fl. 24 consta o Despacho Decisório DRF/PFO de 26/08/2008, por meio do qual foi indeferido o direito creditório contra a Fazenda Pública da Unido no valor de R$ 1.757.857,64 decorrente de COFINS nãocumulativa — mercado interno que teria sido apurado no 1° trimestre de 2005. Determinouse a ciência da contribuinte, possibilitando a contestação da decisão administrativa. A contribuinte foi cientificada em 29/01/2009 (fls. 26/27) e, não conformada com o decidido administrativamente apresentou em 02/03/2009, através de procurador, sua manifestação contrária (fls. 28/60), onde, em síntese, alega: Vendas com suspensão do PIS e da COFINS nãocumulativos • o argumento utilizado pela autoridade administrativa desconsidera os efeitos produzidos pelos atos administrativos expedidos pela RFB. Registra legislação (arts. 9°, 17 e 18 da Lei n° 10.925, de 2004), traça arrazoado a propósito da classificação das normas, cita posicionamentos do Poder Judiciário a respeito do art. 3°, § 2°, III, da Lei n° 9.718, de 1998, concluindo que, de fato, a disposição contida no § 2° do art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004, era norma de eficácia limitada, que para sua aplicabilidade dependia de expedição de regramento; • registra legislação (IN SRF n° 636, de 2006, e IN SRF n° 660, de 2006, além da Solução de Consulta n° 39, de 2007), fala sobre os elementos indispensáveis para que o ato administrativo possa produzir os efeitos que lhe são inerentes, faz exposição acerca da revogação de um ato, perguntando se a decisão administrativa pretendeu atribuir efeitos ex tunc ao atos praticados sob o império da IN SRF n° 636, de 2006, em razão de sua revogação pela IN SRF n° 660, de 2006. Cita entendimentos da doutrina e do Poder Judiciário; • conclui que merece reforma a decisão administrativa que indeferiu o pedido de ressarcimento decorrente de vendas suspensas, ao argumento de que somente a partir de 04/04/2006 seria possível efetuarse venda com suspensão, eis que aquele Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 ato desconsidera os efeitos produzidos por atos administrativos expedidos pela RFB, notadamente a IN SRF n° 636, de 2006. Constituição e cobrança de crédito tributário sobre as vendas efetuadas com suspensão no período anterior a 04/04/2006 • a decisão recorrida, de oficio e sem nenhum procedimento administrativo de regular constituição do crédito tributário, refez a base de cálculo do tributo, incluindo nela as vendas suspensas e abatendo do saldo credor o tributo correspondente As vendas com suspensão; • faz referências ao instituto do lançamento, A DCTF e a auto de infração (lançamento), citando legislação e posicionamento do atual CARP (antes, Conselho de Contribuintes), entendendo devesse ser reformada a decisão administrativa que compensou crédito de oficio, sem efetuar o necessário lançamento tributário. Crédito presumido sobre estoque de abertura • a Fiscalização considerou como base de cálculo para crédito presumido sobre o estoque de abertura apenas os valores relativos ao grupo Embalagens, desprezando os demais estoques, sob a alegação de que seriam provenientes de pessoas físicas. Transcreve a composição dos estoques das unidades nas quais houve glosas de valores relativos aos estoques; • a Fiscalização considerou como provenientes de pessoa jurídica apenas o estoque de embalagens, o que não condiz com a realidade porque: a) quanto aos produtos acabados (carnes suínas, aves e queijo), embora parte da matériaprima principal seja proveniente de pessoa física, a composição do custo de sua fabricação (valor do estoque) não corresponde apenas A matériaprima, ou sej a, são agregados outros custos relativos a codimentos, embalagens, energia elétrica, depreciação etc., cujos insumos foram adquiridos de pessoas jurídicas, tendo direito a crédito; b) a Fiscalização não evidenciou a parcela do custo dos estoques correspondente a matériaprima oriunda de pessoas físicas. Faz relatório analítico demonstrando a posição dos estoques de produtos acabados suínos e aves em 31/07/2004. Além disso, boa parte da matériaprima do frigorífico de suínos (suínos para abate) e a totalidade da matéria prima do frigorífico de aves (aves para abate), são obtidos através do sistema de produção integrada. Traça arrazoado acerca deste sistema, dizendo que outros itens nele se enquadrariam; c) não há dúvida que quanto aos itens codimentos, almoxarifado e embalagens e codimentos, tais insumos são fornecidos por pessoas jurídicas. Diz ter acostado notas fiscais de compra que provam o alegado, não procedendo o motivo da glosa realizada pela Fiscalização. Exclusão das vendas com fim especifico de exportação • no período objeto de análise, a Cooperativa efetuou exportações indiretas, tendo observado todos os procedimentos Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11030.000623/2008 Acórdão n.º 3201000.929 S3C2T1 Fl. 2.050 5 de ordem formal para a realização das operações. As glosas efetuadas dizem respeito apenas às exportações indiretas de frango e seus derivados, as quais foram feitas através da Doux Frangosul S.A., o que está comprovado pelos memorandos de exportações acostados; • a autoridade fiscal, em nenhum momento, infirma a exportação, não tendo, também, declinado quais seriam as notas fiscais que teriam sido remetidas para a indústria e não para exportação, o que, no mínimo, constitui cerceamento do direito de defesa; • refere à legislação acerca da imunidade das contribuições sociais relativamente As exportações e cita entendimentos doutrinários e do Poder Judiciário, que, conclui, fundamentam que a receita decorrente de exportação, nos termos da CF, está abarcada pela imunidade; • tendo a Cooperativa efetivamente exportado mercadorias, merece reforma a decisão atacada, também porque ela constituiu crédito tributário, tendo refeito a base de cálculo do tributo, incluindo nela as receitas de exportação e abatendo do saldo credor o tributo correspondente àquelas receitas. Saldo credor advindo do mercado interno • o saldo credor do PIS e da COFINS acumulado não decorre de exclusões da base de cálculo previstas no art. 15 da MP n° 2.15835, de 2001, e no art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003. E proveniente da aplicação das regras de cobrança não cumulativa daquelas contribuições (art. 21 da Lei n° 10.865, de 2004); • as exclusões previstas naquelas normas não acarretam acúmulo de saldo credor, porquanto não tratam apenas de exclusões da base de cálculo, ou seja, somente com a observância das normas relativas A cobrança nãocumulativa é que as sociedades cooperativas de produção agropecuária passaram a ter direito a descontar créditos ordinários e fazer jus a créditos presumidos; • refere ao art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, dizendo que a Cooperativa efetuou vendas com suspensão, vendas não alcançadas pela incidência e vendas de produtos sujeitos A alíquota zero, operações em relação As quais é assegurada a manutenção dos créditos a elas vinculados. Resta evidente que o saldo credor de PIS e de COFINS gerados, decorreu de operações com produtos suspensos, não sujeitos à incidência ou tributados A alíquota zero, o que infirma a afirmação fiscal (o saldo credor objeto de pedido de ressarcimento decorre de exclusões da base de cálculo nas operações com associados — ato cooperativo); • cita o art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, entendendo que no caso concreto estão presentes as hipóteses legais para a utilização do crédito mediante ressarcimento em espécie ou Fl. 228DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 compensação, merecendo o despacho decisório ser reformado também nesta parte. Pedido • considerando que a decisão atacada decidiu contrariamente A Lei, doutrina e Jurisprudência, a Cooperativa tem motivo justo e procedente de pleitear a reforma do ato prolatado que glosou valores de COFINS nãocumulativa; • requer a produção de provas por todos os meios em direito admitidos, especialmente a pericial; • requer seja o recurso recebido nos efeitos suspensivo e devolutivo; • requer seja determinada a aplicação da taxa SELIC entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito; • espera seja sua manifestação conhecida, sendo lhe dado provimento, julgandose procedente a pretensão da Cooperativa, nos termos que formulou, com o que se estará fazendo prevalecer o Direito e a Justiça. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos de fls. 61/166. A repartição preparadora despachou na fl. 167, atestando a tempestividade da peça de contestação e encaminhando o processo a este Órgão. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Restando clara a base legal utilizada, havendo a correta descrição dos fatos e a apreciação do pedido de ressarcimento ou4 'compensação por autoridade competente, ficam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUICAO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. MERCADO INTERNO. REGULAMENTAÇÃO: Os créditos passíveis de ressarcimento por operações no mercado interno devem estar vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11030.000623/2008 Acórdão n.º 3201000.929 S3C2T1 Fl. 2.051 7 incidência da contribuição e somente podiam ser ressarcidos após a sua regulamentação. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. ESTOQUE DE ABERTURA. Na sistemática de tributação pela forma de incidência não cumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto ao crédito presumido sobre o estoque de abertura de bens e insumos adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas da COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim especifico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESE. IMPOSSIBILIDADE. As exclusões de base de cálculo da COFINS, nos termos do art. 11 da IN SRF n° 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 8 Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Quanto às vendas com suspensão do Pis e da Cofins nãocumulativos e a alegada aplicabilidade dos atos administrativos e da nulidade da compensação de créditos de ofício, sem lançamento tributário, observo que a Lei n° 10.925/04, em seu art. 9°, estabeleceu a suspensão do PIS e COFINS, na venda dos produtos especificados e que seu parágrafo 2°, determina que a suspensão deva se dar com termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. É o seguinte o texto legal: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. § 1º O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas A pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. Art. 17. Produz efeitos: III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8° e 9° desta Lei; Art. 18. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. A Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, regulamentou o disposto no parágrafo 2°, art. 9º, da Lei nº 10.925/04, nos seguintes termos: Do Âmbito de Aplicação Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11030.000623/2008 Acórdão n.º 3201000.929 S3C2T1 Fl. 2.052 9 Art. 1° Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004. Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Art. 2° Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: III de produtos agropecuários, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária; e IV efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agrícola ou por cooperativa de produção agropecuária, de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da Tipi. § 1° Para os efeitos deste artigo, entendese por: III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2° A suspensão de que trata este artigo alcança somente as vendas efetuadas pessoa jurídica agroindustrial de que trata o art. 3°. § 3° A pessoa jurídica adquirente dos produtos deverá comprovar a adoção do regime de tributação pelo lucro real mediante apresentação, perante a pessoa jurídica vendedora, de declaração firmada pelo sócio, acionista ou representante legal da pessoa jurídica adquirente. § 4º E vedado as pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a IV do caput o aproveitamento de créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes de aquisição de insumos relativos aos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência dessas contribuições. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 10 Das Disposições Finais Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 10 de agosto de 2004. Aponto que há Solução de Consulta n° 39, de 04 de abril de 2007, que reconheceu peremptoriamente que a regulamentação do dispositivo em comento ocorreu com a edição da IN SRF nº 636/06, assim: SOLUÇÃO DE CONSULTA DE 04 DE ABRIL DE 2007 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS/PASEP. EMENTA: SUSPENSÃO. VENDAS DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS E CREDITO PRESUMIDO. Enquanto não expedida regulamentação por parte da Receita Federal do Brasil, encontravase inaplicável a suspensão da incidência do PIS/PASEP prevista no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004. A regulamentação ocorreu com o advento da IN SRF n° 636, de 24 de março de 2006, revogada pela IN SRF N° 660, de 17 de julho de 2006. Pouco menos de noventa dias depois, veio a lume a Instrução Normativa SRF n° 660, de 17 de julho de 2006, a dispor, dentre outras coisas, sobre a suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre a produção de efeitos em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, assim. Do Âmbito de Aplicação Art.1° Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8 2,99 e 15 da Lei n2 10.925, de 2004. Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições dos produtos vendidos com suspensão Art.2° Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas As vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11030.000623/2008 Acórdão n.º 3201000.929 S3C2T1 Fl. 2.053 11 Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 22; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 22. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outro sanimais, nos termos do art. 2 2 da Lei n2 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da— produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º Conforme determinação do inciso II do § 4º do art. 8º e do § 4º do art. 15 da Lei n2 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput, deverão estornar os créditos referentes à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. § 3º No caso de algum produto relacionado no art. 22 também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 42 prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. Das condições de aplicação da suspensão Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 22 somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 12 H exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º § 1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I Declaração do Anexo 1, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II Declaração do Anexo II, nos demais casos. § 22 Aplicase o disposto no § 1 2 mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. Das Disposições Finais Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cofins de que trata o art. 22, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa ns 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei ns 10.925, de 2004; e II em relação aos arts. 5º a 8º, a partir de 1º de agosto de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006. Como se verifica do TERMO DE VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL, o entendimento fiscal é que “as vendas efetuadas com suspensão de tributos do PIS e da Cofins não cumulativa, antes de 04/04/2006 não encontram guarida legal e, portanto, são base de cálculo destas contribuições e estão demonstradas na 2° linha "Vendas suspensas" da planilha do Período de apuração ...”, isto porque “somente a partir desta data (04/04/2006), é que se tornou possível efetuar vendas com a referida suspensão” (fls. 21). Por outro lado, a recorrente defende que (fls. 196): ... a r. decisão recorrida merece reforma, pois além de negar os efeitos da IN SRF 636/06, por vias transversas, CONSTITUIU E COBROU O CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOBRE AS VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO NO PERÍODO ANTERIOR A 04/04/06. Ou seja, a r. decisão recorrida, de oficio e sem nenhum procedimento administrativo de regular constituição do crédito tributário, refez a base de cálculo do tributo, incluindo nela as Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11030.000623/2008 Acórdão n.º 3201000.929 S3C2T1 Fl. 2.054 13 vendas suspensas e abatendo do saldo credor o tributo correspondente as vendas com suspensão. De fato, o art. 142 do CTN estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo Único A atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Entendo que a autoridade fiscal não pode compensar créditos de ofício, sem proceder ao lançamento tributário, pois tal procedimento viola o artigo 142 do CTN, acima transcrito, logo, VOTO por dar provimento ao recurso voluntário neste particular, seja pelo motivo acima ou pela existência da regulamentação no parágrafo 2° do art. 9º da Lei nº 10.925/04. Quanto à apuração do crédito relativo ao estoque de abertura, houve clara opção legislativa no texto do art. 12 e seus parágrafos, da Lei n° 10.833/03, que tem o seguinte texto: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 30, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de inicio da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1° O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2° 0 crédito presumido calculado segundo os §§ 1°, 9° e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei n° 10.925, de 2004) § 3o O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 14 § 4o A pessoa jurídica referida no art. 4o que, antes da data de início da vigência da incidência nãocumulativa da COFINS, tenha incorrido em custos com unidade imobiliária construída ou em construção poderá calcular crédito presumido, naquela data, observado: I no cálculo do crédito será aplicado o percentual previsto no § 1o sobre o valor dos bens e dos serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, utilizados como insumo na construção; II o valor do crédito presumido apurado na forma deste parágrafo deverá ser utilizado na proporção da receita relativa à venda da unidade imobiliária, à medida do recebimento. § 5o A pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido ou optante pelo SIMPLES, passar a ser tributada com base no lucro real, na hipótese de sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, terá direito ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo, calculado sobre o estoque de abertura, devidamente comprovado, na data da mudança do regime de tributação adotado para fins do imposto de renda. § 6o Os bens recebidos em devolução, tributados antes do início da aplicação desta Lei, ou da mudança do regime de tributação de que trata o § 5o, serão considerados como integrantes do estoque de abertura referido no caput, devendo o crédito ser utilizado na forma do § 2o a partir da data da devolução. § 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição. § 8o As disposições do § 7o deste artigo não se aplicam aos estoques de produtos adquiridos a alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela incidência da contribuição. § 9o O montante do crédito presumido de que trata o § 7o deste artigo será igual ao resultado da aplicação do percentual de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre o valor do estoque. § 10. O montante do crédito presumido de que trata o § 7o deste artigo, relativo às pessoas jurídicas referidas no art. 51 desta Lei, será igual ao resultado da aplicação da alíquota de 3% (três por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos até 31 de janeiro de 2004, e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos a partir de 1o de fevereiro de 2004. (grifos acrescidos ao original) Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11030.000623/2008 Acórdão n.º 3201000.929 S3C2T1 Fl. 2.055 15 Aponto que a recorrente indica que o estoque seria composto não somente pelos insumos adquiridos de pessoas físicas, mas também que “são agregados outros custos relativos a condimentos, embalagens, energia elétrica, depreciação, etc., cujos insumos foram adquiridos de pessoas jurídicas, portanto, com direito a crédito”. Neste particular, entendo correta a decisão recorrida, cujo fundamento adoto como minhas razões para decidir esta matéria, nos seguintes termos: Ademais, cumpre salientar que: a) quanto às notas fiscais de compra anexadas nas fls. 112/166, estão elas fora do período admitido para cálculo do valor do estoque de abertura, eis que a legislação vigente (relativa à COFINS) determinava que os estoques de abertura de bens destinados à venda e de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, de que tratava o art. 3°, incisos I e II da Lei n° 10.833, de 2003, deveria ser o existente na data de inicio da incidência nãocumulativa da contribuição, ou seja, 01/02/2004 (todas as notas fiscais apresentadas foram emitidas em períodos posteriores a esta data limite); b) conforme o Estatuto Social da Entidade (art. 6° com seus parágrafos fl. 74), de regra os associados da Cooperativa serão pessoas físicas. Não há no processo qualquer elemento que permita a conclusão de que as compras a que refere a interessada tenham sido realizadas de pessoas jurídicas, donde não há possibilidade de calcularse crédito presumido referente ao estoque, decorrente de tais compras; c) no que concerne ao sistema de produção integrada, dito de forma sintética, tal atividade é realizada pelo sistema de criação (frangos, suínos, etc.) usualmente denominado de integração, tradicionalmente empregado no setor avícola. mediante formalização de contratos de parceria entre a agroindústria processadora (parceira outorgante) e o produtor integrado (parceiro outorgado), pessoa física que exerce atividade rural. Via de regra, ambas as partes assumem o risco do negócio: se o produtor rural não logra fazer com que os animais atinjam um peso previamente estabelecido no contrato, este fica rescindido e a parcela delas criados caberá ao produtor, não havendo qualquer pagamento da agroindústria a ele. Contudo, essa atividade não altera a essência do produto adquirido: os animais obtidos serão usados pela agroindústria como insumos de sua produção, devendo ser reconhecido o direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8 ° da Lei n° 10.925, de 2004 (nunca crédito presumido do estoque de abertura). Entendo que o crédito, do ponto de vista meramente legal, respeitada a limitação de competência deste Colegiado, foi limitado no caput do artigo 12 acima transcrito, Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 16 portanto, não vejo ser possível dar provimento neste ponto ao recurso em exame, contudo, reconheço o direito do contribuinte ao crédito relativo ao estoque de abertura adquirido de pessoas jurídicas, o que deverá ser apurado, na execução do acórdão pela autoridade a que está submetida a recorrente. Quanto à glosa efetuada pela fiscalização relacionada às exportações que teriam sido realizadas pelo recorrente, observo que não há nos autos prova da alegada exportação, nem que esta teria atendido os requisitos legais para o aproveitamento do crédito respectivo, portanto, não vejo como dar provimento ao apelo neste particular. Por fim, quanto à glosa dos créditos relativos às vendas com suspensão no mercado interno, como bem apontou a decisão recorrida, tratase, em verdade, de ajuste realizado com créditos relativos à redução da base de cálculo, ou seja, exclusão de receitas relativas a operações com associados e custos agregados ao produto agropecuário quando de sua comercialização, o que somente seria possível, na forma do artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, se as vendas da recorrente estivessem sujeitas à suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, o que não é o caso. Por estas razões, VOTO por conhecer o recurso voluntário para darlhe provimento parcial. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13558.001865/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO -
NULIDADE.
INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do
CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos
fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações
que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver
plenamente suas peças impugnatória e recursal.
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVAR A EFETIVIDADE
DO PAGAMENTO INDEVIDO.
O reconhecimento do direito creditório exige que seja demonstrada a
efetividade do pagamento e que este era indevido. Na ausência de provas dos
pagamentos não há como ser reconhecido tal direito.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN,
NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS
PELA LEI 11.941/09.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II,
do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário
Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos
termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a
redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao
contribuinte
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA
LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de
mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic
para títulos federais. Acrescente-se
que, para os tributos regidos pela Lei
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.507
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a
aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro
José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no
mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais
benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro
Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a). Redator Designado: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVAR A EFETIVIDADE DO PAGAMENTO INDEVIDO. O reconhecimento do direito creditório exige que seja demonstrada a efetividade do pagamento e que este era indevido. Na ausência de provas dos pagamentos não há como ser reconhecido tal direito. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2287; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 82 1 81 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.001865/200985 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.507 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria CONT. PREV. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Recorrente MUNICÍPIO DE VALENÇA PREF MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVAR A EFETIVIDADE DO PAGAMENTO INDEVIDO. O reconhecimento do direito creditório exige que seja demonstrada a efetividade do pagamento e que este era indevido. Na ausência de provas dos pagamentos não há como ser reconhecido tal direito. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Designado: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13558.001865/200985 Acórdão n.º 230102.507 S2C3T1 Fl. 83 3 Relatório Tratase de Lançamento por meio de Auto de Infração, lavrado em 31/08/2009, por ter o contribuinte acima identificado, segundo Relatório Fiscal, fls. 20/22, promovido compensações indevidas de contribuições previdenciárias, nas competências 05/2008 a 11/2008, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 1.533.461,15. A autoridade fiscal, após várias intimações à interessada, não conseguiu obter as justificativas para as compensações, o que permitiu que concluísse que não houve obediência ao art. 89 da Lei 8.212/91. Após tomar ciência postal da autuação em 10/12/2009, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 24/44, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Salvador, no Acórdão de fls. 57/61, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 11/03/2011, fls. 65. O recurso voluntário, protocolizado em 29/03/2011, fls. 66/79, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Defende que o STF já declarou a inconstitucionalidade da alínea “h” do art. 12 da Lei 8.212/91, o que sustentaria a legalidade da compensação efetuada. Os pagamentos de contribuições incidentes sobre o salário de agentes políticos no período de 11/1997 a 08/2004 seriam ao motivo da compensação. Aponta que a IN 133/2006 determinou que nem fossem constituídos créditos tributários referentes a tal matéria. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13558.001865/200985 Acórdão n.º 230102.507 S2C3T1 Fl. 84 5 não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Compensações. Ausência de provas sobre os pagamentos. No que concerne à legalidade das compensações, esta só pode ser aferida diante de provas de que houve pagamento indevido, em conformidade com o caput do art. 89 da Lei 8.212/91. Para tanto, é preciso que seja demonstrado que houve um pagamento não atingido pela decadência do direito de pleitear a restituição ou compensação e que tal pagamento é indevido. A recorrente preocupouse em demonstrar somente que os supostos pagamentos eram indevidos, em vista de a norma que autorizava a incidência do tributo ter sido afastada do mundo jurídico por Resolução do Senado Federal de 2005. No entanto, não apresentou provas para a autoridade fiscal, apesar de intimada para tanto, ou mesmo junto a seu recurso, a respeito da efetividade dos pagamentos que foram feitos de modo a permitir a análise quanto a caducidade de seu direito à restituição ou compensação ou mesmo quanto ao montante de seu direito que remanescia não atingido pela caducidade ( 2003 em diante). Assim, não há como acatarmos seus argumentos de que houve um pagamento de tributo e que este pagamento era indevido, o que resulta na negativa de reconhecimento da existência de um direito creditório que pudesse autorizar a compensação glosada. Logo, não há reparos a fazer no procedimento fiscal. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13558.001865/200985 Acórdão n.º 230102.507 S2C3T1 Fl. 85 7 entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13558.001865/200985 Acórdão n.º 230102.507 S2C3T1 Fl. 86 9 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado Multa Não obstante o aprofundado voto do Ilustre Conselheiro relator há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13558.001865/200985 Acórdão n.º 230102.507 S2C3T1 Fl. 87 11 uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Aqui reside a divergência com o voto do Ilustre Conselheiro Relator. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para determinar a aplicação da multa prevista no artigo 35 caput da Lei 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. Adriano Gonzáles Silvério – Conselheiro Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722215/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por desistência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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GILRAT/SAT Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE PIMENTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por desistência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 22 15 /2 01 1- 86 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 16/09/2011 (fl. 30), decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal) e da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT), no período de 01/02/2007 a 31/12/2007. O Recorrente interpôs impugnação (fls. 32/210) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte –MG, ao analisar o presente caso (fls. 212/218), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) não há que se falar em nulidade da autuação em relação à multa aplicada, eis que foram devidamente demonstradas a motivação, o percentual aplicado, os fundamentos legais e a competência, tendo sido utilizada a multa mais benéfica ao Recorrente; (ii) não houve parcelamento das competências tratadas nesta autuação; (iii) não há que se falar em nulidade da autuação o fato do Recorrente não ter sido intimado para esclarecimentos enquanto a fiscalização ainda estava em curso; (iv) não houve a individualização dos segurados não incluídos em GFIP em razão de não terem sido autuadas as contribuições a cargo dos segurados empregados e dos contribuintes individuais; (v) não há coisa julgada que acoberte o Recorrente; (vi) não pode este órgão julgador desconsiderar norma válida para aplicar o entendimento da jurisprudência; (vii) não há que se falar em diligência pelo fato de que os valores aqui autuados não foram parcelados. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 222/240) argumentando que: (i) deve ser realizada uma perícia para se verificar a legitimidade da autuação; (ii) não há embasamento legal que justifique a aplicação da multa imposta; (iii) a autoridade fiscal não identificou as competências, as pessoas que estariam fora das GFIPs e as irregularidades que justificaram a aplicação da multa, cerceando a defesa do Recorrente e ofendendo o princípio da segurança jurídica; (iv) os valores exigidos foram devidamente parcelados; (v) devem ser aplicados os juros e a multa previstos na legislação anterior por serem mais benéficos; (vi) é nula a atuação pelo fato da autoridade tributária não ter intimado o Recorrente no curso da fiscalização para esclarecimentos, pois violou o princípio do contraditório e da ampla defesa; (vii) não foram indicadas as alíquotas aplicadas, bem como a base de cálculo sobre a qual elas incidiriam; e (viii) deve ser aplicada a alíquota de 11% trazida pela Medida Provisória nº 529/2011. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10665.722215/201186 Acórdão n.º 2402003.529 S2C4T2 Fl. 245 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os autos, verifico que o contribuinte desistiu do recurso interposto, em virtude de pedido de parcelamento junto a Receita Federal do Brasil e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por desistência. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.007130/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário:
2004
SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Os efeitos da exclusão do SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei
para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o
contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes.
DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer
modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo
objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão
de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo
judicial. (Sumula 1 do CARF).
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Sumula 1 do CARF). Recurso voluntário Negado.
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EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Sumula 1 do CARF). Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10945.007130/200741 Acórdão n.º 140200.941 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório EDITORA GAZETA DO IGUACU LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 16), mediante o qual é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$ 11.435,76, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativa aos quatro trimestres de 2004. O lançamento foi efetuado com fundamento nos dispositivos legais indicados no quadro 05 (“Descrição dos Fatos/Fundamentação”) do referido auto de infração. Cientificada do lançamento em 05/11/2007 (AR, fl. 78), a interessada, por meio de procurador (mandato de fl. 14), interpôs em 30/11/2007 a impugnação de fls. 01/12, instruída com os documentos de fls. 13/70, a seguir sintetizada. Informa que por meio da Informação Fiscal Secat/DRF/Foz n.º 0157/2006, foi excluída de ofício do Simples, com efeitos retroativos, alcançando todas as situações jurídicas ocorridas desde 1º de janeiro de 2002, pelo que foi intimada a elaborar e transmitir as DCTF em causa. Argumenta que desde de janeiro de 1999 até janeiro de 2005, quando solicitou sua exclusão, recolheu tributos e apresentou declarações com base na sistemática do SIMPLES, nos termos da Lei n.º 9.317, de 1996, sem qualquer oposição do fisco. Sustenta que a prévia e inequívoca adesão ao SIMPLES é condição necessária para dispensála da apresentação de DCTF, não podendo ser apenada com multa por atraso na entrega dessas declarações relativas ao anocalendário de 2002, conforme estabelecia o art. 3º, caput da IN SRF n.º 126, de 1998; cita, a propósito, ementas de julgados administrativos (fl. 05); diz que somente deveria apresentar DCTF a partir do 1º semestre do ano subseqüente ao da exclusão, ou seja, a partir do ano calendário de 2005. Diz que não se pode invocar para o caso a IN SRF n.º 255, de 2002, posto que é “legislação ulterior a fatos jurídicos já ocorridos”. Fala, também, que atendeu à intimação Secat n.º 153/2006, no que se refere à apresentação da DCTF 2002 como substitutiva da declaração anual simplificada, ou seja, entende que alegada infração (falta/atraso na entrega de DCTF) já teria sido objeto de notificação por parte do fisco, que teria concedido prazo para a apresentação da declaração, que foi cumprido fielmente, pelo que não poderia ser punida por algo que, notificada, cumpriu de maneira adequada e tempestiva. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10945.007130/200741 Acórdão n.º 140200.941 S1C4T2 Fl. 0 3 Diz que jamais teve intenção de não apresentar DCTF, ou apresentála em atraso, ou mesmo de não pagar tributos, o que mais uma vez corroboraria a irregularidade da autuação. Na seqüência, no item “Da Inaplicabilidade da Taxa Selic”, alega não ser cabível, no caso, a eventual exigência da taxa Selic no que diz respeito à cobrança de juros de mora. Por fim, requer o reconhecimento da improcedência do lançamento. À fl. 79, despacho do Secat/DRF/Foz do Iguaçu, atestando a tempestividade da impugnação. A decisão recorrida está assim ementada: SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do SIMPLES. são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. Impugnação improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido e, ao final, concluir e requer o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10945.007130/200741 Acórdão n.º 140200.941 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Tratase de exigência de multa por atraso na entrega da DCTF em face de exclusão retroativa do Simples. A recorrente contesta a exigência retroativa das DCTF e da multa por atraso. Todavia, a meu ver, os fundamentos da decisão recorrida não merece reparos nessa parte, pelo que peço vênia para adotálos como razões de decidir. Outrossim, no recurso voluntário foi informado pelo próprio representante da contribuinte que a empresa ingressou com ação judicial para contestar a retroatividade da exclusão do Simples (verbis): “(...)E mais, ern 26 de julho de 2007 foi proposta pela Recorrente, no âmbito judicial, a Ação Ordinária no 2007.70.02.0054989, em trâmite perante a 2' Vara Federal da Subseção Judiciária de Foz do Iguaçu — Seção Judiciária do Paraná, visando a nulidade do Processo Administrativo Fiscal n° 10945.001633/200622 e, consequentemente, do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, bem como a nulidade dos efeitos retroativos do referido ato que se reportam a 1° de janeiro de 2002, uma vez que tal medida afronta os princípios constitucionais da irretroatividade, da segurança jurídica e ofende o artigo 146 do Código Tributário Nacional. A sentença, publicada na data de 28 de fevereiro de 2008, concedeu 'parcialmente procedente o pedido da Autora para que a exclusão do Simples gere efeitos a partir do dia 25 de outubro de 2006, nos termos da fundamentado", in verbis: (...)” Logo, nessa parte não cabe apreciação do litígio em face da concomitante ação judicial. Nesse sentido é a sumula 1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 10932.000043/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/02/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA.
A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, g do Regulamento da Previdência Social.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário cuja totalidade das alegações nele aviadas inovam o Processo Administrativo Fiscal.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Recorrente e que não sejam objeto da exigência fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário cuja totalidade das alegações nele aviadas inovam o Processo Administrativo Fiscal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 43 /2 01 0- 16 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Recorrente e que não sejam objeto da exigência fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Data da lavratura do Auto de Infração: 22/02/2010. Data de ciência do Auto de Infração: 24/02/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa acima identificada, em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Autuado em face do lançamento aviado no Auto de Infração nº 37.217.4876, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 4º, §1º da Lei nº 10.666/2003 c.c. art. 216, I, ’a’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de este ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 08. CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 146 3 Informa a Autoridade Lançadora que a autuada não fez a arrecadação, prevista da legislação, da contribuição de 11% sobre os pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais indicados no Demonstrativo a fl. 08, cujos fatos geradores houveram se por apurados mediante o exame de notas fiscais, faturas e recibos apresentados pela empresa à Fiscalização. A obrigação principal da Empresa relativa aos fatos geradores ora em debate houvese por formalizada mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.217.4944, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10932.000039/201040. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, no valor básico de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30 de dezembro de 2009, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 09. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 61/70. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no acórdão a fls. 103/108, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa em 09/01/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 111. Não se conformando com a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, o Autuado ofereceu Recurso Voluntário a fls. 112/119, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a ação fiscal foi concluída mais de 01 ano após a emissão do MPF, sem haver emissão e ciência de MPF complementar; · Que as formalidades necessárias à validade do MPF não foram respeitadas, pois deixou de constar quais os documentos inicialmente exigidos para a fiscalização dos tributos fiscalizados e que não foram entregues pela Recorrente, bem como a fixação do prazo para o término da fiscalização; · Que, extrapolado o prazo de 120 dias sem renovação ou lavratura do Auto de Infração, é necessária a emissão de novo MPF e a nomeação de um novo agente fiscal para realizar o trabalho; · Que a autuação efetuada sob a rubrica “011 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL” referese a prestadores de serviços através de pessoas jurídicas; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que a norma que determina a retenção na fonte e torna a empresa contratante de serviços pessoalmente responsável não pode ser interpretada literalmente; · Que não há incidência do dever de retenção em serviços de transporte; Ao fim, requer o reconhecimento da nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, e que seja reconhecida a não incidência de verbas previdenciárias nos tributos apontados pela fiscalização. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A apresentação do Recurso Voluntário se deu no prazo e na forma previstos na legislação, como assim atesta o documento a fl. 144. 2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega que a ação fiscal foi concluída mais de 01 ano após a emissão do MPF, sem haver emissão e ciência de MPF complementar. Assevera que as formalidades necessárias à validade do MPF não foram respeitadas, pois deixou de constar quais os documentos inicialmente exigidos para a fiscalização dos tributos fiscalizados e que não foram entregues pela Recorrente, bem como a fixação do prazo para o término da fiscalização. Argumenta que, extrapolado o prazo de 120 dias sem renovação ou lavratura do Auto de Infração, é necessária a emissão de novo MPF e a nomeação de um novo agente fiscal para realizar o trabalho. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 147 5 Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 148 7 Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude da preclusão. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DOS FATOS GERADORES A Recorrente alega que a autuação efetuada sob a rubrica “011 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL” referese a prestadores de serviços através de pessoas jurídicas. Aduz haver dispensa do dever da retenção de 11%, uma vez que os serviços foram prestados pelo próprio contratado, sem a utilização de empregado, conforme art. 148 da Instrução Normativa – IN MPS/SRP nº 3/2005. Argumenta que a norma que determina a retenção na fonte e torna a empresa contratante de serviços pessoalmente responsável não pode ser interpretada literalmente. Aduz não haver incidência do dever de retenção em serviços de transporte. Em primeiro lugar, há que se destacar que o vertente processo não comporta qualquer lançamento tributário referente a obrigação principal, mas, tão somente, lançamento decorrente do descumprimento de obrigação acessória, em razão de não haver sido arrecada pela empresa as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no mês, mediante desconto das respectivas remunerações, e o Recorrente das importâncias assim arrecadas, conforme determinação expressa inscrita no art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Inexiste no vertente processo qualquer lançamento de obrigação tributária principal referente à rubrica “011 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL”, motivo pelo qual deixamos de apreciar tal alegação, eis que se revelam alheias ao objeto da autuação. O Recorrente alega, igualmente, que o art. 148 da IN SRP nº 3/2005 preceitua que “não está sujeito à retenção do INSS o valor pago pela prestação de serviços, no caso em que o prestador de serviços não possuir empregados, e que o serviço for prestado pessoalmente pelo sócio”. Revelase totalmente impertinente a referência ao art. 148 da IN SRP nº 3/2005, pois este trata, tão somente, da retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, hipótese que não guarda qualquer relação com as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, as quais se encontram previstas no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, muito menos com a obrigação acessória inscrita no art. 4º da Lei nº 10.666/2003, cujo descumprimento objetivo constituise, exatamente, no objeto e motivação da lavratura do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Também se revela totalmente alheia à realidade dos autos a alegação de não haver incidência do dever de retenção em serviços de transporte, uma vez que a obrigação tributária ora em trato não versa sobre a retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, mas, sim, sobre o desconto das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais prevista no art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Como dito, o caso em estudo trata da obrigação acessória da Empresa contratante de mão de obra de segurados contribuintes individuais de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias de que trata o art. 21 da Lei nº 8.212/91, a cargo dessa categoria de segurados obrigatórios do RGPS, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.666/2003, e a de recolher a importância assim arrecada aos cofres da Autarquia Previdenciária Federal, no prazo e na forma fixada na legislação de regência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei , na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §2o É de 11% (onze por cento) sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do saláriodecontribuição a alíquota de contribuição do segurado contribuinte individual que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, e do segurado facultativo que optarem pela exclusão do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. (Incluído pela Lei Complementar nº 123/2006). §3o O segurado que tenha contribuído na forma do §2o deste artigo e pretenda contar o tempo de contribuição correspondente para fins de obtenção da aposentadoria por tempo de contribuição ou da contagem recíproca do tempo de Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 149 9 contribuição a que se refere o art. 94 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, deverá complementar a contribuição mensal mediante o recolhimento de mais 9% (nove por cento), acrescido dos juros moratórios de que trata o § 3o do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o A contribuição complementar a que se refere o §3o deste artigo será exigida a qualquer tempo, sob pena de indeferimento do benefício. (Incluído pela Lei Complementar nº 128/2008) Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003. Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. §1º As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia quinze do mês seguinte ao de competência a que se referir. §2º A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a efetuar a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social INSS dos seus cooperados e contratados, respectivamente, como contribuintes individuais, se ainda não inscritos. (...) Art. 13. Aplicamse ao disposto nesta Lei, no que couber, as disposições legais pertinentes ao Regime Geral de Previdência Social. (grifos nossos) Reiterese que a autuação fiscal sub examine louvouse na infração perpetrada pelo Recorrente à obrigação acessória assentada no art. 4º da Lei nº 10.666/2003, a qual finca o dever instrumental de o sujeito passivo arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, a contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, e de recolhêlas no prazo legal. Nesta vertente, mostrase auspicioso destacar que, em razão da previsão expressa emoldurada no art. 13 da citada Lei nº 10.666/2003, são aplicáveis às disposições insculpidas nessa Lei, os preceptivos aviados na Lei Orgânica da Seguridade Social. O alcance da norma tributária assinalada nas orações anteriores estendese, por óbvio, àquela estatuída no art. 92 da Lei nº 8.212/91, eis que plenamente cabível. Diante desse quadro, atendendo à normatividade exigida pelo dispositivo legal em ênfase, foi editado o Decreto nº 4.729/2003, cuja primazia foi a de conferir nova redação à alínea ‘a’ do inciso I do art. 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, assim destacando: Regulamento da Previdência Social. Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) A conduta omissiva conformada de forma genérica e abstrata nos parágrafos precedentes configurase infração às disposições inscritas no art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o art. 13 da Lei nº 10.666/2003 c.c. o art. 92 da Lei nº 8.212/91 aviaram norma sancionatória prevendo a punição do obrigado em caso de infração à obrigação instrumental em realce, sujeitando o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme disposição analítica assentada no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Ancorado no dispositivo legal acima revisitado, a alínea ‘g’ do inciso I do art. 283 do Regulamento da Previdência Social especificou a inflição de penalidade pecuniária a ser aplicada à empresa que deixar de efetuar os descontos das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais a seu serviço, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 4.862/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 150 11 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado ad hoc, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/ 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, o valor mínimo previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91 houve se por reajustado mediante a Portaria Interministerial MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009, que fixou em R$ 1.410,79 o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social. Não procede a alegação de que “a norma que determina a retenção na fonte e torna a empresa contratante de serviços pessoalmente responsável não pode ser interpretada literalmente”. A obrigatoriedade inescusável da arrecadação, mediante desconto das contribuições devidas dos respectivos Salários de Contribuição, encontrase plasmada no art. 33 da Lei nº 8.212/91, cujo §5º estatui a presunção absoluta de que o desconto da contribuição ora em debate sempre tenha sido feito pelo Contratante, a este não sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando ele diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições que reteve, bem como pelas importâncias que eventualmente tenha deixado de reter, ou que houver retido em desacordo com a legislação. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 151 13 único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) Dessarte, a empresa contratante de mão de obra de segurados contribuintes individuais tem, por força de lei formal, o dever jurídico de operar a retenção das contribuições previdenciárias de que trata o art. 21 da Lei nº 8.212/91, conforme previsto na legislação vigente, ficando diretamente responsável pelo recolhimento da importância retida, assim como por aquela que deixou de reter ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. Cumpre frisar que a obrigação principal referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas creditadas ou devidas aos segurados contribuintes individuais ora em questão figura como objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10932.000039/201040, formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal 37.217.4944, o qual foi julgado integralmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, nos termos do acordão 0535.320 – 9ª Turma da DRJ/CPS. O Contribuinte efetivou a consolidação do débito acima referenciado no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009, na modalidade Débitos Previdenciários não Parcelados Anteriormente, não havendo naqueles autos registro de Recurso Voluntário interposto em face da decisão de 1ª Instância. O Parcelamento acima citado foi liquidado em 29/07/2011, como assim atesta despacho a fl. 196 do PAF nº 10932.000039/201040. Tal procedimento, nos termos do art. 5º da Lei nº 11.941/2009, importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos. Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Art. 5o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 354 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. A nãointerposição de Recurso Voluntário nos autos do PAF nº 10932.000039/201040 e a confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo e por ele indicados para compor os referidos parcelamento implicam o Trânsito em Julgado da Decisão de Primeira Instância Administrativa e o reconhecimento da ocorrência dos fatos geradores correspondentes. Nessa prumada, reconhecido formalmente a ocorrência de pagamentos remuneratórios a segurados contribuintes individuais a seu serviço, deveria a empresa ter procedido à arrecadação, mediante desconto das respectivas remunerações, das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais em foco, e ao recolhimento das importâncias assim arrecadas. Resta configurada, portanto, a infração ora em testilha, circunstância que implica a procedência da autuação. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13819.001184/2002-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. QUESTÕES IMPUGNADAS. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO. NULIDADE. CABIMENTO.
A falta de pronunciamento sobre a regularidade formal da compensação e a documentação comprobatória do direito creditório, apresentada como parte da impugnação ao auto de infração, matérias não apreciadas na ação judicial que reconheceu o direito material à compensação, acarreta nulidade da decisão de primeira de instância, por cerceamento de direito de defesa, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3102-001.892
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencida a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que superava a nulidade e dava provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a advogada Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento- Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. QUESTÕES IMPUGNADAS. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO. NULIDADE. CABIMENTO. A falta de pronunciamento sobre a regularidade formal da compensação e a documentação comprobatória do direito creditório, apresentada como parte da impugnação ao auto de infração, matérias não apreciadas na ação judicial que reconheceu o direito material à compensação, acarreta nulidade da decisão de primeira de instância, por cerceamento de direito de defesa, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Decisão de primeira instância anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencida a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que superava a nulidade e dava provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a advogada Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento- Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. QUESTÕES IMPUGNADAS. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO. NULIDADE. CABIMENTO. A fal ta de pronunciamento sobre a regularidade formal da compensação e a documentação comprobatória do direi to creditório, apresentada como parte da impugnação ao auto de infração, matérias não apreciadas na ação judicial que reconheceu o direito material à compensação, acarreta nulidade da decisão de primeira de instância, por cerceamento de direi to de defesa, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencida a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que superava a nulidade e dava provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a advogada Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 11 84 /2 00 2- 22 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 28/33), resultado do trabalho de auditoria interna, realizada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 2º trimestre de 1997, que resultou na não confirmação dos valores dos créditos vinculados aos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de maio e junho de 1997, em face da não localizado/comprovação do processo judicial nº 97.63046. Em sede de impugnação, a interessada contestou a exigência fiscal, com base no argumento de que a exigência fora motivada, exclusivamente, por erro no preenchimento da DCTF do 2º Trimestre de 1997, na qual foi informado incorretamente o número do processo judicial de nº 97.63046 quando o correto seria 97.00063046. Sobreveio o acórdão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Capinas/SP, em que, por unanimidade, foi considerada procedente em parte a impugnação, para manter os valores principais dos débitos lançados e exonerar a multa de ofício aplicada, com base nas seguintes razões: a) a propositura de ação judicial com o mesmo objeto da lide administrativa, por concomitância, impedia julgamento na esfera administrativa; b) a propositura da ação judicial, antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculizava a formalização do lançamento; e c).em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, era incabível aplicação da multa de ofício sobre débitos declarados em DCTF. Ainda no referido acórdão, alertou a Turma de Julgamento de primeiro grau que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal de origem atentasse para: [...] a existência de decisão judicial transitada em julgado, com a conseqüente necessidade de, anteriormente à cobrança e considerando outros débitos que tenham sido vinculados à mesma ação judicial, verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito reconhecido judicialmente, para fins de compensação com os débitos aqui autuados. Em 13/3/2012, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 12/4/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 472/499, em que reafirmou os argumentos de defesa aduzidos na fase de impugnação. Em aditamento, alegou a nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, com base no argumento de que o órgão de julgamento a quo não analisou a regularidade da compensação, realizada em conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, nem examinou a prova documental carreada aos autos na fase de impugnação. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13819.001184/200222 Acórdão n.º 31023.102.001.892 S3C1T2 Fl. 10 3 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em preliminar, a recorrente alegou a nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que o órgão de julgamento a quo não analisara a regularidade formal da compensação nem examinara a prova documental carreada aos autos. De fato, com base no argumento de que o objeto da presente controvérsia e o da referida ação judicial eram concomitantes, tais questões não foram analisadas no julgado recorrido. Não decidiu bem o órgão de julgamento de primeiro grau. A ação judicial em destaque tratou apenas das questões atinentes: a) à inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, com base nos Decretoslei nºs 2445/88 e 2449/88; b) ao direito de a recorrente efetivar a compensação de eventual indébito sem as limitações impostas pela Instrução Normativa SRF nº 67, de 1992; e c) à forma de correção do eventual indébito. Nesse sentido, em decisão final, transitada em julgado em 2/6/2000, foi reconhecido, em favor da recorrente, o direito de compensar o indébito tributário decorrente dos valores por ela pagos a maior a título de Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos da Lei 8.383/1991, ou seja, por sua própria iniciativa e sem a necessidade de prévia da autorização da autoridade fiscal, ressalvado ao fisco o direito de analisar a regularidade da compensação efetivada. Além disso, em 13/3/2002, data da ciência do Auto de Infração, a decisão judicial já havia transitado em julgado, consequentemente, a matéria, relativa ao direito material concernente à compensação em apreço já se encontrava definitivamente reconhecido na esfera judicial, portanto, indevida e inoportuna a alegada concomitância. Por outro lado, as questões atinentes ao reconhecimento do direito creditório e a regularidade formal da compensação, que não foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário, inexplicavelmente, não foram apreciadas pelo órgão de julgamento de primeiro grau. É oportuno ainda esclarecer que, na fase de impugnação, a recorrente comprovou a existência da ação judicial e, em atendimento a intimação de fls. 147/148, apresentou a documentação solicitada pela autoridade fiscal (fls. 156/238), que, sem qualquer justificativa nos autos, não foi analisada pela autoridade fiscal nem no julgamento de primeiro grau. Por todas essas razões, a meu ver, resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa da recorrente de ver apreciada a regularidade formal da Fl. 722DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 compensação por ela realizada, vício indelével de legalidade do Acórdão recorrido, sanável apenas com a declaração da sua nulidade, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF). Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para declarar a nulidade do Acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos ao Órgão de julgamento de primeiro grau, para que outra decisão seja proferida em boa e devida forma. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 723DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10293.720004/2008-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 17/03/2008, a Notificação de Lançamento nº 02301/00003/2008 (às fls. 98/102), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 14.627,44, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2005, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Seringal Recife II”, cadastrado na RFB, sob o nº 4.140.6150, com área declarada de 12.427,0 ha, localizado no Município de Sena Madureira/AC. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 93 .7 20 00 4/ 20 08 -8 9 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10293.720004/200889 Resolução nº 2801000.222 S2TE01 Fl. 170 2 A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 01/02, exigindose a apresentação de: 1º Cópia do ADA Ato Declaratório Ambiental; 2º Cópia da Matrícula do registro imobiliário, com averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; e, 3º Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB. Em resposta, foram apresentados os documentos/extratos de fls. 09/97. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Contribuinte, e das informações constantes das DITR/2005, decidiuse alterar o VTN declarado de R$ 240.000,00 para o arbitrado de R$ 8.077.550,00, com base no valor de R$ 650,00/ha indicado no SIPT, com conseqüente aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar de R$ 8.731,44, conforme demonstrado às fls. 101. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de ofício e dos juros de mora, encontramse descritos às folhas 99/100 e 102. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 31/03/2008 (fls. 105), a Impugnante, por meio de procurador legalmente constituído, fls. 15, protocolou em 30/04/2008, fls. 106, a impugnação de fls. 106/107, lida nesta Sessão e instruída com os documentos de fls. 108. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: • apresenta um relato dos fatos da presente Notificação de Lançamento e esclarece que a ora postulante apresentou o Laudo de Técnico de Avaliação de Imóvel Rural; • esclarece ainda, que o laudo apresentado indica o objetivo da avaliação, fundamentação, a metodologia aplicada, o período de execução e vistoria, descrição e característica do imóvel, a especificação das áreas estruturadas do imóvel, bem como a respectiva avaliação; • requer que seja cancelado o lançamento. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10293.720004/200889 Resolução nº 2801000.222 S2TE01 Fl. 171 3 digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 120/125, que restou assim ementado: DO VALOR DA TERRA NUA _ SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2004), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 24/01/2012 (AR fls. 129/130), a interessada, representada por seu advogado (fl. 15), interpôs o recurso de fls. 131/143, em 23/02/2012. Em sua defesa, alega que não se sustenta o arbitramento do VTN procedido neste caso, tendo em vista o Oficio da Prefeitura Municipal de Sena Madureira solicitando a desconsideração e anulação da tabela de preços apresentada à RFB (fls. 145/146). É o relatório. VOTO Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento cuida de alteração do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Quanto à alteração procedida pela fiscalização do VTN, verificase que não constam dos autos as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que foram utilizadas pela autoridade fiscal para proceder o arbitramento contestado pela recorrente. Dessa forma, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade competente anexe aos autos as informações do SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que embasaram o procedimento fiscal em apreço, e esclareça se a informação constante do Oficio da Prefeitura Municipal de Sena Madureira solicitando a desconsideração e anulação da tabela de preços apresentada à RFB (fls. 145/146) teria alguma repercussão na análise do litígio em questão. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001482/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS.
Verificado que o lançamento tributário versou não-homologação às declarações apresentadas, cujas bases de cálculo foram impactadas pela despesa considerada indedutível, verifica-se que a insurgência fiscal não se dá no tocante à contabilização da despesa, mas, quanto à sua utilização.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO OU DEFICÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo em vista que a Fiscalização discriminou detidamente os fatos imputados, permitindo à Recorrente exercitar, com plenitude e suficiência, sua defesa técnica e bem fundamentada, verifica-se a total ausência de prejuízo ao contribuinte, bem como de pecha capaz de inquinar de nulidade o feito.
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA.
A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O abuso de direito pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violá-los. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deu-se, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. LANÇAMENTO DECORRENTE - Repousando o lançamento da CSLL nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma.
Numero da decisão: 1301-001.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, mas, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para, reformando a decisão recorrida, reconhecer legítima a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Valmir Sandri. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS. Verificado que o lançamento tributário versou não-homologação às declarações apresentadas, cujas bases de cálculo foram impactadas pela despesa considerada indedutível, verifica-se que a insurgência fiscal não se dá no tocante à contabilização da despesa, mas, quanto à sua utilização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO OU DEFICÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo em vista que a Fiscalização discriminou detidamente os fatos imputados, permitindo à Recorrente exercitar, com plenitude e suficiência, sua defesa técnica e bem fundamentada, verifica-se a total ausência de prejuízo ao contribuinte, bem como de pecha capaz de inquinar de nulidade o feito. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O abuso de direito pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violá-los. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deu-se, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. LANÇAMENTO DECORRENTE - Repousando o lançamento da CSLL nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, mas, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para, reformando a decisão recorrida, reconhecer legítima a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Valmir Sandri. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. NÃOHOMOLOGAÇÃO DAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS. Verificado que o lançamento tributário versou nãohomologação às declarações apresentadas, cujas bases de cálculo foram impactadas pela despesa considerada indedutível, verificase que a insurgência fiscal não se dá no tocante à contabilização da despesa, mas, quanto à sua utilização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO OU DEFICÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo em vista que a Fiscalização discriminou detidamente os fatos imputados, permitindo à Recorrente exercitar, com plenitude e suficiência, sua defesa técnica e bem fundamentada, verificase a total ausência de prejuízo ao contribuinte, bem como de pecha capaz de inquinar de nulidade o feito. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 82 /2 01 0- 52 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. LANÇAMENTO DECORRENTE Repousando o lançamento da CSLL nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, mas, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para, reformando a decisão recorrida, reconhecer legítima a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Valmir Sandri. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo administrativo acerca de autos de infração (fls. 375 – 413), lavrados contra a Recorrente para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao IRPJ e à CSLL. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 415 – 442) foram apuradas, resumidamente, as seguintes irregularidades: AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ 1 – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração, do qual faz parte integrante. Enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. 2 – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração, do qual faz parte integrante. Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1o, inciso IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 e art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. AUTO DE INFRAÇÃO CSLL 1 – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NÃO NECESSÁRIAS. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de Infração, do qual faz parte integrante. Enquadramento legal: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 1o da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. 2 – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de Infração, do qual faz parte integrante. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 Enquadramento legal: Art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; Art. 58 da Lei nº 8.981/95, art. 16 da Lei nº 9.065/95; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. 3 – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração, do qual faz parte integrante. Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1o, inciso IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 e art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Temse em síntese, portanto, autuação atinente aos anoscalendário 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, decorrente da glosa de despesa deduzida pela Recorrente referente à amortização fiscal de ágio, que no entender da Fiscalização fora gerado “intragrupo” e seria, destarte, indedutível. De acordo com a Fiscalização a dedução da despesa teria reduzido indevidamente as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, além de resultar na insuficiência do pagamento de estimativas dos dois tributos e na compensação indevida de base negativa de CSLL. Nessa ordem de idéias, atestou o agente fiscalizador que o procedimento fiscal teve início com o Termo de Início de Fiscalização lavrado em 29.07.2009, com ciência da Recorrente em 30.07.2009, com o objetivo de analisaremse as despesas contabilizadas no período de 2004 a 2009 como amortização de ágio, reportando que iniciados os procedimentos de fiscalização, foi solicitado à Recorrente que fornecesse, entre outros documentos, cópia da justificativa econômica fundamentada para a constituição, em 30 de novembro de 2004, do ágio no valor de R$ 560.852.903,00 (Quinhentos e sessenta milhões oitocentos e cinqüenta e dois mil novecentos e três reais), valor sobre o qual incidiriam, nos meses subsequentes, despesas com sua amortização, redutoras da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor mensal de R$ 5.842.217,74 (Cinco milhões oitocentos e quarenta e dois mil duzentos e dezessete reais e setenta e quatro centavos) . Seguiu a Fiscalização dando conta de que este valor mensal corresponde a 1/12 do valor anual de R$ 70.106.612,88 (Setenta milhões cento e seis mil seiscentos e doze reais e oitenta e oito centavos), que por sua vez corresponde a 1/8 do total a ser amortizado de R$ 560.852.903,00 em oito anos, uma vez que o prazo estabelecido em lei é de no mínimo 60 (sessenta) meses para amortizações do ágio sobre investimentos (vide Termo de Início de Fiscalização). Atesou a Fiscalização que de acordo com as informações prestadas pela Recorrente, tomouse conhecimento dos atos societários que envolveram a empresa no período que antecedeu a constituição do mencionado ágio no ano de 2004 e que resumidamente são descritos abaixo: (i) Em 01.11.2004, a empresa de consultoria Ernst & Young Consultores Associados Ltda havia encaminhado à General Motors Acceptance Corporation, dos Estados Unidos, um laudo de avaliação encomendado por esta sobre o valor de mercado do Banco Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 4 5 General Motors S.A., antiga denominação do Banco Gmac S.A., levando em conta a expectativa de seus rendimentos futuros. (ii) O laudo de avaliação apresentado pela Ernst & Young estima, com as fórmulas e metodologia de cálculos que descreve, que o valor justo de mercado do Banco naquela data, baseado em sua rentabilidade esperada entre julho de 2004 e dezembro de 2020, portanto, um período de 16 (dezesseis) anos e 6 (seis) meses, é de R$ 957.414.000,00 (Novecentos e cinqüenta e sete milhões quatrocentos e quatorze mil reais), valor que inclui a perspectiva de lucro do Consórcio Nacional GM Ltda no período de julho de 2004 a dezembro de 2008. fls. 17 a 58. (iii) Antes disso, em 15.09.2004 foi constituída uma empresa denominada Mynchuan Participações Ltda, CNPJ 07.021.761/000179, com capital de R$ 100,00 (cem reais) dividido em 100 (cem) quotas de R$ 1,00 (hum) real, com sede na Rua Boa Vista, 254, 7º andar sala 721, Centro, São Paulo/SP, tendo como sócios quotistas uma empresa denominada Schaft Participações Ltda., CNPJ 03.347.239/000120, com sede no mesmo endereço, detentora de 99 (noventa e nove) quotas, e outra empresa denominada Gesellschaft Participações Ltda., CNPJ 04.654.506/000175, com sede no mesmo endereço, detentora de 1 (uma) quota (fls. 59 a 70). (iv) Em alteração de contrato social datada de 19.11.2004, a Schaft Participações Ltda., cedeu suas 99 quotas de R$ 1,00 cada para a General Motors Acceptance Corporation, sociedade com sede nos Estados Unidos da América e a Gesellschaft Participações Ltda, cedeu sua única quota de R$ 1,00 para o sr. Rudolfus Robertus Grin, holandês, casado, portador da Cédula de Identidade para Estrangeiros RNE nº V330772U, CPF nº 227.856.58850, domiciliado na Av. Indianópolis, nº 3.096, Planalto Paulista, São Paulo/SP, para onde, nesse mesmo ato, foi transferida a sede social da Mynchuan Participações Ltda e sua razão social foi alterada para Braco Participações Ltda (fls. 71 a 86). (v) Em 23.11.2004, os sócios da Braco Participações decidiram aumentar o capital social da sociedade de R$ 100,00 para R$ 957.414.000,00 (novecentos e cinqüenta e sete milhões quatrocentos e quatorze mil reais) mediante a criação de 957.414.000 (novecentos e cinqüenta e sete milhões e quatrocentos e quatorze mil) novas quotas de R$ 1,00 cada, todas subscritas pela General Motors Acceptance Corporation, e integralizadas mediante a conferência de 396.561.097 (trezentos e noventa e seis milhões quinhentos e sessenta e um mil e noventa e sete) quotas representativas de parte do capital social da General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150 de titularidade da General Motors Acceptance Corporation. (vi) No dia 24.11.2004, a General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150 promoveu uma redução no valor de R$ 396.561.097,00 (trezentos e noventa e seis milhões quinhentos e sessenta um mil e noventa e sete reais) de seu capital social, valor esse representado pela sua participação no capital do Banco General Motors S. A. para entregar esses haveres à Braco Participações Ltda., que passa a ser detentora desse valor no capital do Banco General Motors S.A. e se retira da participação no capital da General Motors do Brasil S.A. (fls. 109 a 120.). (vi) Em 03.12.2004, o Banco General Motors S.A. realizou sua 47a Assembleia Geral Extraordinária, para deliberar sobre a incorporação da Braco Participações Ltda., (incorporação reversa, pois as quotas do capital do Banco Gmac pertenciam à Braco Participações), cujo capital em 23.11.2004 era de R$ 957.414.000,00. O capital do Banco, que era de R$ 268.862.720,13 (duzentos e sessenta e oito milhões oitocentos e sessenta e dois mil setecentos e vinte reais e treze centavos) passou para R$ 268.862.820,13 (duzentos e sessenta e oito milhões oitocentos e sessenta e dois mil oitocentos e vinte reais e treze centavos), representando um aumento de capital de apenas R$ 100,00, que era o valor antes de 23.11.2004 (fls.121 a 127). Verificados esses passos, de acordo com a Fiscalização, as alterações societárias efetuadas ocorreram em empresas componentes de um mesmo grupo econômico, sendo efetuadas de acordo com comando único, no caso a General Motors Corporation, sociedade empresária sediada nos Estados Unidos da América, e que tinham por fim exclusivo Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 6 uma reorganização de seus negócios com segregação da atividade industrial da atividade financeira, tendo como pano de fundo os acontecimentos que vieram a público nos últimos anos, com a crise vivida pela General Motors que se viu bem perto da bancarrota, sendo salva, como é fato notório, por ato do Governo dos Estados Unidos. Destacouse ainda, que em 31/12/2003, consoante informação constante na DIPJ da General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150, seu capital era detido em 47,20% pela General Motors Pacific Holdings, pessoa jurídica com sede nos Estados Unidos da América (CNPJ 05.734.503/000104) e 52,77% pela General Motors Corporation, pessoa jurídica também com sede nos Estados Unidos da América (CNPJ 05.724.664/000117). Já com relação ao Banco General Motors S.A, CNPJ 59.274.605/000113, seu capital era detido em 31/12/2003 em 99,97% pela General Motors do Brasil Ltda, CNPJ 59.275.792/000150, de sorte que, segundo a Fiscalização, seria evidente a existência de controle comum, verificandose que até 24.11.2004 a General Motors Acceptance Corporation E.U.A. possuía uma participação de R$ 701.632.799,00 (setecentos e um milhões seiscentos e trinta e dois mil setecentos e noventa e nove reais) no capital da General Motors do Brasil Ltda., e esta, por sua vez, era detentora do capital integral do Banco General Motors S.A., no valor de R$ 396.561.097,00. A partir dessa data, a General Motors do Brasil deixa de ser acionista do Banco General Motors e entrega o capital do Banco General Motors à Braco Participações Ltda., controlada da General Motors Acceptance Corporation E.U.A. Considerando que o capital efetivo do Banco General Motors era de R$ 396.561.097,00 e o valor de integralização das novas quotas da Braco Participações era de R$ 957.414.000,00, verificou a Fiscalização que a diferença de R$ 560.852.903,00 seria justificada pelo valor justo de mercado do Banco Gmac S.A. (antigo Banco General Motors) em dezembro de 2020 dezesseis anos e seis meses depois previsto no relatório da empresa Ernst & Young (fl. 18). No entendimento do autuante, a esse procedimento, dáse o nome de ágio interno e o exame dos atos praticados demonstraria não ter havido qualquer saída de caixa (pagamento) nessa operação da qual se originou o ágio ora deduzido pelo Banco General Motors S.A. De acordo com a Fiscalização, na realidade, a Braco Participações Ltda., embora legalmente constituída, nunca foi uma empresa de fato. Com capital de apenas R$ 100,00, não tinha sede própria, nem funcionários, nem administradores e não exercia nenhuma atividade com a finalidade de obter lucro, finalidade essa embutida no conceito de empresa, destacando que o dito procedimento teria servido apenas de meio pelo qual o ágio criado na reorganização societária veio a ser, posteriormente, deduzido dos resultados operacionais do Banco General Motors S.A. Ressaltase que essa "empresa" não operacional (era de participações, com um capital de R$ 100,00), após apenas dois meses de sua constituição, passou por um aumento de capital espetacular com um acréscimo de quase R$ 1 bilhão em seu capital, com o propósito de viabilizar a constituição de um ágio em seu ativo pela incorporação de uma fração de participação societária na General Motors do Brasil Ltda., fração essa que representava de fato o valor do Banco General Motors. Assinalou ainda, que em sua trajetória meteórica a Braco Participações, empresa já com capital registrado de R$ 957.414.100,00, através de um simples ato de incorporação reversa, deixa de existir, viabilizando o início da dedutibilidade do ágio adrede preparado, na visão do autuante, portanto, essa sociedade (Braco Participações) foi constituída Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 5 7 com o propósito único de deixar de existir e gerar um benefício fiscal para seus idealizadores gerando artificialmente um ágio meramente contábil de R$ 560.852.903,00, que sua incorporadora utilizou para diminuir a base de cálculo de seus tributos ao longo dos oito anos seguintes. Quanto ao laudo apresentado, destacou a Fiscalização que o trabalho de avaliação "foi feito com base em informações contábeis e gerenciais fornecidas pelos executivos e funcionários do BGM Brasil e GMB e foram consideradas verdadeiras, uma vez que não faz parte do escopo deste projeto qualquer tipo de procedimento de auditoria, desta forma, a Ernst & Young não assume qualquer responsabilidade futura pela precisão das informações históricas utilizadas neste relatório”. Concluiuse que o ágio não pago e que se origina entre entidades pertencentes ao mesmo grupo econômico não é aceitável, pois esse "ágio interno" não decorre de uma operação com propósito negocial num mercado livre e aberto em que o comprador e o vendedor têm que chegar a um denominador comum sobre o preço a ser pago pelo bem que está sendo vendido, levando em consideração o lucro que esse bem proporcionará ao seu comprador e que a precificação no ágio interno não se fundamenta nessas premissas, assinalando que o critério adotado como base de valor na mensuração contábil de ativos e passivos, em condições normais de continuidade de uma empresa, é o custo histórico. Destacouse ainda que a teoria contábil daria respaldo apenas ao ágio pago numa negociação entre comprador e vendedor não relacionados entre si e que o ágio gerado internamente não decorre de uma operação com propósito negocial, considerando que inexistiu um desembolso, que servisse para chancelar uma transação livre da qual emergisse o valor justo de um ativo negociado por partes independentes, não tendo havido negociação, nem compra, nem venda, nem mercado livre e aberto. Após tecer outras tantas considerações, a Fiscalização registrou que o art. 20 do Decreto Lei nº 1.598 de 26/12/1977 e o art. 7º da Lei nº 9.532 de 10/12/1997, que tratam do registro contábil do ágio ou deságio e sua amortização permitem a contabilização do ágio (ou deságio) e sua amortização desde que haja livre negociação entre as partes e que o investidor justifique e fundamente o pagamento do ágio sobre a parte ou o total do capital da empresa investida, sendo certo que o parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional estabelece que "a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária". Em conclusão, afirmou a Fiscalização que a operação de reorganização societária que resultou da simples transferência de ativos pertencentes ao grupo General Motors de dentro da empresa industrial para outra empresa especialmente criada para isso, totalmente inoperante no momento anterior à transação, com manutenção integral do controle por parte do grupo General Motors, fazendo surgir ágio na "aquisição de participação societária" caracteriza o denominado ágio interno, que não é aceito pela ciência contábil, nem pode ser aceito como dedutível na apuração dos tributos de competência da Fazenda Pública da União, sendo que a operação engendrada não evidenciaria propósito negocial, que pode ser caracterizado como o conjunto de razões de caráter econômico, comercial, societário ou financeiro que justifique a adoção dos atos e negócios jurídicos, além da finalidade de pagar menos tributos, caracterizando abuso de direito, porquanto realizada em curto espaço de tempo Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 8 (cinco dias), evidenciando a presença de sociedade efêmera que serviu de mero veículo para a obtenção de um objetivo planejado de gerar ágio interno, em que não há o pagamento desse ágio e com isso obter vantagem fiscal. Nesse curto período de cinco dias a sociedade efêmera, formada com capital de R$ 100,00 faz aumento de capital em quase R$ 1 bilhão, tornandose importante sócia da General Motors do Brasil, resolvendo no dia seguinte sair da sociedade levando ativo relevante e no dia seguinte é extinta por incorporação por sua controlada, motivo pelo qual procedeu à glosa das despesas mensais de ágio nos anos de 2005 a 2009, aplicando as multa isoladas ante óbvio impacto nas bases estimadas. Apurouse ainda a compensação indevida de bases negativas da CSLL e de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente apresentava em seus assentamentos contábeis, em 31.12.2004, o valor de R$ 57.921.673,33 de saldo de bases negativas de anos anteriores de CSLL. Em 2005 e nos anos seguintes, compensou, em cada período, os valores correspondentes a 30% das bases de cálculo declaradas deduzindo, aqueles valores do saldo acima e devido às glosas de despesas anuais no valor de R$ 70.106.612,88, o lucro anual da Recorrente e a base de cálculo da CSLL foram alterados para maior, revelando, no caso da CSLL, mudanças significativas nos valores compensados. A Fiscalização, portanto, aplicou o percentual de 30% (trinta por cento) sobre a nova base por entender que tal procedimento era amplamente favorável à Recorrente e como consequência, a partir de 2006, os saldos de bases negativas tenham se revelado insuficientes para cobrir os valores efetivamente compensados, caracterizandose, no entender da Fiscalização, a compensação indevida. Na planilha "CSLL Compensação Indevida" (fl. 374), o autuante demonstrou os efeitos da alteração de bases de cálculo que foram objeto da infração correspondente à compensação indevida de CSLL e no termo de Constatação consta que a Recorrente deveria proceder às alterações necessárias em seus livros fiscais para adequálos aos novos saldos de Bases Negativas de CSLL e de Prejuízos Acumulados (fl. 442). Cientificada das imputações fiscais, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 454 a 531), acompanhada de documentos (fls. 532 a 854), alegando em síntese que a exigência fiscal referese a valores de tributos que derivaram diretamente de operações ocorridas no período base de 2004, de forma que toda a autuação já se encontra irremediavelmente fulminada pela decadência, porquanto o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial conferido às autoridades fiscais para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN. Alegou, portanto, que os supostos fatos geradores das obrigações tributárias constantes da exigência fiscal ocorreram ainda no anocalendário 2004 em relação à amortização de ágio, uma vez ocorrida a incorporação, já nasce o direito de a sociedade sobrevivente amortizar o ágio no prazo previsto na legislação e tanto isso seria verdade, que anteriormente à edição da Lei n° 9.532/1997, que atualmente regula a amortização fiscal de ágio, o DecretoLei n° 1.598/1977 previa que a despesa correspondente ao ágio era integralmente dedutível no momento da incorporação sendo que somente com a Lei nº 9.532/97 é que essa despesa passou a ser obrigatoriamente diferida em no mínimo cinco anos, e considerando que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação, afirmou a Recorrente que o prazo para questionar os efeitos fiscais dessas operações ocorridas ao longo do anocalendário 2004 expirou em 31/12/2009, aduzindo ainda, que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para fins de contagem da decadência. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 6 9 Aduziu ainda, que haveria erro de enquadramento legal nos lançamentos, em ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e ao art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, já que em vez de motivar a autuação com a indicação das específicas normas tributárias que teriam sido supostamente infringidas e com uma explicação clara, a Fiscalização limitouse a listar um apanhado de normas tributárias, sem estabelecer a necessária relação entre seus respectivos conteúdos e os fatos que originaram o processo administrativo, afirmando que a algumas das normas citadas pela Fiscalização nem mesmo poderiam ser aplicáveis aos fatos tratados no Termo de Verificação e Constatação. Aduziu ainda, que os artigos 299 e 300 do RIR/99, por exemplo, invocados pela Fiscalização para lavrar a autuação, tratam das regras gerais sobre a dedutibilidade de despesas e custos operacionais incorridas pela pessoa jurídica, mas não se aplicam a casos de amortização fiscal de ágio relativo à aquisição de participação societária, que é tratada de forma específica nos artigos 385 e 386 daquele Regulamento e que as despesas de ágio relativas a participações societárias não se confundem com custos de produção dos lucros do negócio da pessoa jurídica ou com as despesas ligadas à produção desses lucros, que constituem o objeto dos artigos 299 e 300 do RIR/99, sendo que os artigos 249 e 251 do RIR/99 determinam apenas regras gerais de escrituração contábil, para fins da determinação do lucro real tributável e a Fiscalização não teria apresentado nenhuma relação entre os dispositivos utilizados para fundamentar a autuação e os fatos descritos no Termo de Verificação, o que no seu entender, enseja o cancelamento da presente autuação. Em relação à CSLL, argumentou que todos os dispositivos citados pela Fiscalização são igualmente genéricos, ora disciplinando a apuração da base de cálculo, que de forma geral deve seguir a do IRPJ, ora estabelecendo alíquotas específicas, mas sem que nenhum deles se relacione, nem mesmo indiretamente, aos fatos descritos no Termo de Verificação e que a incorreta ou imprecisa fundamentação legal leva ao cancelamento imediato do lançamento, porquanto afronta os artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72. Quanto ao mérito argumentou a Recorrente que a despeito das falhas de enquadramento legal da presente autuação, acima comentadas, se consideradas somente as afirmações constantes do Termo de Verificação, se verificaria que a premissa adotada pela Fiscalização foi a de que a Recorrente teria, sem nenhuma razão empresarial ou econômica, executado operações societárias com o exclusivo propósito de obter um indevido benefício fiscal de amortização fiscal de ágio e que a premissa adotada pela Fiscalização é equivocada e, com isso, toda a autuação fiscal é improcedente merecendo ser integralmente cancelada. Aduziu que os fatos discutidos no presente processo administrativo devem ser analisados no contexto da segregação mundial das atividades "automotivas" e "financeiras" do grupo General Motors, que em um processo de concentrar mundialmente as sociedades financeiras de todo o grupo sob o controle societário direto da GMAC, o grupo General Motors buscava não só possibilitar que a GMAC aprimorasse a eficiência da gestão de suas operações financeiras em todo o mundo, mas também se preparar para a venda global do controle dessa empresa, que acabou ocorrendo no anocalendário 2006. Destacou ainda que as operações examinadas nestes autos, executadas fora e dentro do País, foram todas motivadas por razões empresariais e econômicas legítimas, que eram anteriores e independentes de seus efeitos tributários, porquanto o propósito maior almejado pelo grupo General Motors com as operações examinadas nestes autos era o de transferir a participação detida na Recorrente, da GMB para a GMAC, segregando suas Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 10 atividades financeiras e automotivas no Brasil em canais de negócios distintos, preparandose para a possível venda global do canal de negócios financeiro a terceiros e que foram também razões empresariais e econômicas não tributárias, ligadas à situação da GM e da GMAC no mercado norte americano, que exigiam que essa transferência fosse feita nas chamadas condições arm's length, ou seja, a valor justo de mercado, afirmando que a necessidade de preservação de registro de capital estrangeiro junto ao Banco Central do Brasil constitui outra razão empresarial não tributária para a estruturação dessa transferência com a participação da sociedade Braco Participações Ltda. Seguiu arrazoando que esse aspecto foi, inclusive, objeto de análise prévia pelo Banco Central do Brasil, o que também demonstra que são infundadas as alegações feitas pela Fiscalização de que a Braco seria uma mera empresa veículo, criada sem outra finalidade que não a de permitir uma amortização fiscal de ágio, apresentando um histórico com explicações sobre o processo de segregação da GM e da GMAC, abordando o Grupo General Motors e a sua origem no Brasil, bem como os panoramas internacional e nacional anteriores à segregação, aludindo a documentos e protestando – nos termos do art. 16, § 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/1972 pela juntada de documentos em tradução para o Português por tradutor juramentado, os quais não teria conseguido obter a tempo para juntada aos autos (itens 49 a 72 da impugnação; fls. 465 a 471). Argumentou acerca dos fatores empresariais e econômicos de definição da estrutura do negócio, assinalando serem descabidas as suspeitas que Fiscalização pretende levantar quanto ao curto prazo de realização das operações em exame, porquanto o processo de transferência da responsabilidade administrativa pelas operações da Recorrente para a GMAC começou a ser discutido ainda na década de 90, para, em 2001, ser regulado no MdE, e, em janeiro de 2004, ser ainda objeto de regulação pelo MTTA. Sustentou que o Contrato de Separação apenas concluía todo esse processo e determinava a necessidade de implementação dessa transferência ainda no anocalendário 2004, mencionando que a GM somente podia realizar negócios em bases comutativas (arm's lentgh) com a GMAC (nos termos do Acordo de Bases Comutativas submetido à SEC no Formulário 8K de 23.10.2001), necessitava fortemente de caixa para suas operações automotivas, enquanto que a GMAC possuía uma situação mais equacionada em suas operações financeiras. Por outro lado, desde 2001, com a celebração do MdE, a GM e a GMAC já haviam começado a transferir a responsabilidade administrativa pelas operações da Recorrente para a GMAC, de forma a preparar a futura transferência definitiva do controle societário direto da Recorrente no Brasil para a GMAC, que viria a ocorrer no ano de 2004, justificando, que por todas essas razões empresariais e econômicas, era natural que a GM e a GMAC pretendessem implementar a transferência dela para a GMAC em um curto espaço de tempo, enfatizando o ponto de que, a exemplo dos demais negócios realizados entre a GM e a GMAC, a transferência da participação detida na Recorrente também devia ser feita, obrigatoriamente, a valor justo de mercado (arm's length), ou seja, tal como se praticada entre terceiros não relacionados, em cumprimento ao Acordo de Bases Comutativas, que foi inclusive registrado perante a SEC por meio do Formulário 8K de 23.10.2001 (doc. n° 14, acima mencionado). Concluiu a Recorrente, que a totalidade das suas ações à época era detida pela GMB, empresa automotiva diretamente detida pela GM, a transferência das ações da Recorrente para a GMAC teria igualmente de ser tratada como um negócio a ser feito entre a GMAC e a GM em bases arm's length, ou seja, a valor justo de mercado e por esse motivo, a GMAC solicitou à empresa internacional de auditoria independente Ernst & Young Consultores Associados Ltda. ("E&Y"), uma avaliação completa do valor justo de mercado da Impugnante à época, com base em uma estimativa de sua rentabilidade futura, utilizandose o Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 7 11 método do fluxo de caixa descontado para dezesseis anos e seis meses, o qual foi emitido com data de 1.11.2004 (doc. n° 18), sendo que a E&Y, empresa reconhecidamente independente e especializada nesse tipo de avaliação econômico/financeira, concluiu que o valor justo de mercado da Recorrente era de R$ 957.414.000,00, o que, em dólares, correspondia a US$ 335.510.937,00 (trezentos e trinta e cinco milhões, quinhentos e dez mil, novecentos e trinta e sete dólares americanos), conforme cotação disponibilizada pelo Banco Central para o dia 1.11.2004 (doc. n° 19) e, portanto, em um negócio feito em condições verdadeiramente comutativas (arm's length), esse deveria ser o valor justo de mercado a ser pago pela GMAC à GM em contrapartida ao recebimento da participação na Recorrente. Ou seja, de acordo com a Recorrente, as empresas estavam obrigadas a aceitar, para a conclusão do negócio, o valor que fosse obtido pela empresa independente, fosse ele qual fosse e assim foi feito, a GMAC pagou esse exato valor à GM, por meio de uma transferência bancária de recursos, onde houve o efetivo pagamento em dinheiro entre as empresas, cujo comprovante de transferência do valor em questão ela colaciona aos autos (doc. n° 20), ficando, segundo sustenta a contribuinte, comprovada a improcedência da afirmação feita pela Fiscalização de que não teria havido nenhuma circulação de recursos financeiros na operação. Mencionou a Recorrente que ao contrário do que supôs a Fiscalização, houve um efetivo pagamento, da GMAC (adquirente) para a GM (vendedora) no exterior; naquele momento, essas empresas já operavam como sociedades completamente independentes e não relacionadas, e esse pagamento foi feito suportado em laudo de avaliação devidamente preparado por empresa especializada e absolutamente independente sendo que todo o negócio de transferência da participação detida na Recorrente para a GMAC estava sendo discutido e ajustado entre as sociedades controladoras GMAC e GM no exterior, e não com a GMB no Brasil, porquanto a Recorrente encontravase no canal de negócios automotivo da GM e, no âmbito de um negócio global de transferência dela para o canal de negócios financeiro do grupo, acordouse que o caixa que seria pago pela GMAC como preço dessa negociação deveria ser pago à própria GM, tendo se cogitado então, efetuar uma redução de capital da GMB, com a entrega das ações da Recorrente à GM, de modo que a GM pudesse proceder à alienação das ações da Recorrente a valor de mercado (arm's length) para a GMAC, porém, uma regra cambial em vigor à época (Circular do Banco Central n° 2.997, de 16.8.2000), aliada ao cenário então vigente de desvalorização acumulada do real frente à moeda estrangeira, faria com que essa eventual alternativa (de redução de capital da GMB para entregar as ações da Impugnante diretamente para a GM no exterior) levasse a GM a uma perda importante de valor no registro de investimento externo direto (Registro de Investimento Estrangeiro Investimento Externo Direto "RDEIED") que passaria a manter junto ao Banco Central em relação a esse investimento detido diretamente na Recorrente. Na mesma ordem de idéias, aduziu que a Circular 2.997/00 determinava que na hipótese de redução de capital com entrega de participação societária a sócio estrangeiro, seria cancelada parte do RDEIED detido pela parte estrangeira (GM) em relação à sociedade brasileira que estivesse reduzindo o capital (GMB) e, em seu lugar, um outro RDEIED seria criado relativamente ao investimento que a estrangeira (GM) passaria a deter na sociedade cuja participação lhe havia sido entregue (Recorrente), como esse novo RDEIED que seria detido pela GM em relação à Recorrente teria necessariamente de ser constituído à taxa de câmbio vigente na data dessa redução de capital, as sucessivas e acumuladas desvalorizações ocorridas na moeda brasileira até aquele momento fariam com que o valor em moeda estrangeira desse Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 12 novo RDEIED (detido em relação à Recorrente) não correspondesse ao montante que teria sido cancelado no RDEIED da GMB, mas sim a um montante bastante inferior. Em outras palavras, sustentou a contribuinte que essa possível alternativa de reduzir o capital da GMB para entregar a Recorrente à GM no exterior provocaria uma perda importante de valor no novo RDEIED que seria detido diretamente na Recorrente. Afirmou ainda, que uma alternativa seria fazer a GMAC adquirir da GM, no exterior, uma quantidade de quotas da própria GMB que, em última análise, corresponderia ao valor justo de mercado da Recorrente, para em seguida, ser realizada redução de capital da GMB com a entrega da participação detida na Recorrente diretamente para a GMAC, porém, em função da mesma Circular 2.997/00, a GMB também não poderia proceder a uma redução do seu capital social para entregar a totalidade das ações da Recorrente diretamente para a GMAC, uma vez que essa situação levaria igualmente a GMAC a perder valor em moeda estrangeira no RDEIED que deteria em relação à Recorrente. Após este histórico das opções, atestou a Recorrente que optouse por uma estrutura em que a GMAC iria ainda adquirir quotas da GMB no exterior a valor de mercado, com o efetivo pagamento de caixa à GM, mas, em seguida, a GMAC contribuiria (mediante integralização do aumento de capital) com essas quotas da GMB adquiridas no exterior, pelo mesmo valor, para uma outra sociedade no Brasil, a Braco (Braco Participações Ltda); com isso, a GMAC preservaria o valor do RDEIED que passaria a deter na Recorrente, pois a redução de capital da GMB com a entrega das ações da Recorrente seria então feita em relação à Braco, sem mais impactos no RDEIED do investimento, mencionando, por fim, que havia a Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 3.040, de 28.11.2002 que passou a exigir a interposição de sociedade holding entre instituições financeiras Brasileiras e sua controladoras que não fossem constituídas como instituições financeiras no exterior; como a Recorrente havia sido constituída anteriormente à publicação da Resolução 3.040/02, ainda não havia certeza ou garantias legais de que a Recorrente poderia ser detida diretamente pela GMAC que não era instituição financeira no exterior, sem a obrigação de o seu capital social ser detido por sociedade holding brasileira, como passou a exigir a referida Resolução; por outro lado, constatouse que a eventual manutenção da Braco na posição de holding detentora do capital da Recorrente resultaria em custos adicionais para o canal de negócios financeiro da GMAC. Justificou a Recorrente, portanto, que todas essas razões acima, foram submetidas à análise prévia do Banco Central do Brasil, conforme formalizadas em carta enviada àquele órgão em 17.12.2004, por meio da qual solicitavase aprovação para a incorporação da Braco (doc. n° 21), sendo que havia motivos relevantes e não tributários para a inclusão da Braco na estrutura de transferência da Recorrente para a GMAC, assim como havia razões negociais para a sua posterior incorporação, motivos que eram também independentes do registro do ágio ora discutido e suficientes para impor à Recorrente esse modelo de negócio, de modo que não caberia falar em empresa veículo criada exclusivamente para fins tributários neste caso, uma vez que uma estrutura diferente causaria às partes, como visto, ineficiências, despesas e custos, financeiros e negociais, prejudiciais e absolutamente evitáveis, restando demonstrado que todos esses pontos acima assinalados constituíam razões empresariais e econômicas legítimas vivenciadas por cada uma das partes, que tinham objetivos anteriores e independentes dos efeitos de amortização fiscal de ágio ora discutidos. Após tecer tais considerações, a Recorrente passou a comentar, nos itens 101 a 133 de sua impugnação (fls. 477 a 485), cada etapa das operações que levaram à transferência do seu controle direto, que, segundo ela, estariam respaldadas pela doutrina e jurisprudência, que validariam a obtenção de economias tributárias quando a estrutura não tenha sido Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 8 13 implementada com fins exclusivamente fiscais, mas sim por razões empresariais que sejam legítimas e anteriores a seus possíveis efeitos tributários. Em continuidade, sustentou que embora não exista no Brasil legislação que obrigue expressamente a ter sempre razões empresariais e extra tributárias para que suas operações sejam admitidas como válidas, sabese que, nos anos mais recentes, notadamente nos últimos cinco anos, doutrina e jurisprudência têm se orientado no sentido de que o exame da validade das operações deve passar pelo exame das razões empresariais e extra tributárias que tenham motivado essas suas operações; assim, mesmo sob esse novo enfoque, afirmou que suas operações devem aceitas como válidas e legítimas, já que estão comprovadamente baseadas em razões empresariais e extra tributárias verdadeiras, mencionando que a doutrina mais autorizada sobre a matéria questiona somente as operações que sejam praticadas com o fim único e exclusivo de buscar a economia fiscal, sem qualquer outro propósito a lhes motivar, no entanto, nos casos em que a operação tenha por base razões empresariais extra tributárias, essas operações devem ser consideradas legítimas e válidas para todos os fins de direito no Brasil, inclusive fiscais. A partir dessas considerações, concluiu que as despesas de amortização de ágio deduzidas no período de 2005 a 2009 foram válidas e não podem ser glosadas pela Fiscalização com base em alegações totalmente destoantes do contexto fático e negocial evidenciado. Quanto aos fundamentos de Direito, aduziu que o ponto central em discussão no presente processo administrativo referese à equivocada premissa adotada pela Fiscalização de que a Recorrente teria efetuado operações societárias dentro do seu grupo econômico com o único propósito de gerar despesas de amortização de ágio, ao contrário do que ocorreu e que as operações em questão foram estruturadas em um contexto específico de uma segregação de duas linhas de atividades distintas, fato que, inclusive, foi expressamente reconhecido pela Fiscalização, no Termo de Verificação, não se podendo acatar o argumento de que tiveram o exclusivo intuito de gerar despesas de amortização de ágio, reiterando os argumentos já expendidos. Por fim, reputou que a multa de ofício aplicada é abusiva, ultrapassando os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, e que exigência concomitante da multa isolada e de ofício é abusiva, insurgindose ainda contra a utilização da Taxa Selic. Após o encaminhamento do processo à DRJ/SP, a Recorrente peticionou em 31/01/2011 (fls. 860 a 862), solicitando a juntada de versões notarizadas, consularizadas e traduzidas por um tradutor juramentado para o português de seis documentos (fls. 863 a 906), conforme havia adiantado em sua impugnação, alegando dificuldades em obtêlos a tempo de colacionálos no momento da sua interposição, em razão do tempo decorrido desde a celebração dos mesmos e do fato de serem mantidos em arquivos no exterior. Atestouse que foi providenciado no âmbito da DRJ/SP a juntada da petição e dos documentos ao processo (fl. 907, fl. 915), sendo encaminhado à Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro, em razão da transferência de competência do seu julgamento para esta DRJ, conforme Portaria Sutri nº 2.563, de 27/04/2011, publicada no DOU de 28/04/2011 (fl. 916). A 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, por seu turno, nos termos do acórdão e voto de folhas 917 a 960, julgou o lançamento procedente, atestando de início a Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 14 tempestividade da Impugnação, bem como admitindo, com base no princípio da verdade material, os documentos juntados após o protocolo da Impugnação. Afastouse a preliminar de erro quanto ao enquadramento legal, considerando que não houve qualquer prejuízo à defesa e, no tocante a alegada decadência, reconheceuse a regência do dito prazo, para os tributos sujeitados ao lançamento por homologação em que haja prova do efetivo pagamento, da norma disposta no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, afirmandose, todavia, que considerandose a antecipação do pagamento, temse que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário 2005, apurado pelo lucro real anual, consolidouse em 31/12/2005, não se podendo acatar a argumentação da Recorrente no sentido de que o lançamento não poderia se reportar a fatos do anocalendário 2004, pois, na verdade, o auto de infração se refere à glosa de dedução de despesa referente ao anocalendário 2005 e seguintes. Registrouse que o mesmo raciocínio valeria para a Contribuição Social, porquanto o prazo de cinco anos é contado não da incorporação ou amortização contábil, mas sim do encerramento do período de apuração no qual a despesa foi deduzida, exceto na hipótese de dolo ou fraude. Evidentemente, antes da dedução da despesa, não poderia haver a autuação, ainda que o ágio seja constituído com infração à lei, de modo que o fato gerador referente ao período mais antigo ocorreu em 31/12/2005, o final do prazo decadencial deuse em 31/12/2010 e, considerando que o lançamento de ofício se formalizou em 19/11/2010, concluiuse que à época da lavratura dos autos de infração não havia decaído o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário em relação aos fatos geradores atinentes ao ano calendário 2005, bem como aos seguintes. Afirmouse ainda, que se não houvesse antecipação do pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário teria se extinguido após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173 do CTN. Assim, na hipótese de inexistência de pagamento, levandose em conta que o lançamento relativo ao fato gerador referente ao período mais antigo (31/12/2005) só poderia ser feito a partir de 01/01/2006, o prazo decadencial se iniciaria em 01/01/2007 e terminaria em 31/12/2011, motivos pelos quais não procederia a alegação de decadência suscitada pela Recorrente. Superada esta questão, a decisão recorrida passou a analisar se o valor de R$ 350.533.064,40, do total de R$ 560.852.903,00 contabilizado pelo interessado como ágio na incorporação de seu acionista controlador (Braco Participações), pode ou não ser deduzido como despesa de amortização de ágio e impactar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Procedendo tal análise, ressaltou o aresto impugnado que o autuante não questionou a validade formal dos atos praticados, mas sim a dedutibilidade da despesa, para fins de apuração de IRPJ e de CSLL. A decisão recorrida realizou detida recapitulação dos procedimentos que resultaram no referido ágio, para então afirmar que a despeito de a Recorrente alegar que a Braco não poderia ser entendida como "empresa veículo" por não ter sido criada exclusivamente para a obtenção de economia fiscal, restaria evidenciado que a referida empresa, de vida curta, não produziu qualquer riqueza. No tocante às alegações quanto à existência de razões empresariais ou econômicas, anteriores e independentes de seus efeitos tributárias, para as operações realizadas, registou a decisão que não se contestava a intenção da General Motors de concentrar Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 9 15 mundialmente as sociedades financeiras de todo o grupo sob o controle societário direto da GMAC e de aprimorar a eficiência da gestão das operações financeiras da GMAC em todo o mundo e que também não se duvidava do propósito do grupo General Motors de transferir a participação detida na Recorrente, da GMB para a GMAC, segregando as atividades financeiras e automotivas no Brasil. Registrouse ainda, que da mesma forma, não se contesta a alegação da Recorrente de que a americana GM estaria obrigada a realizar negócios em bases comutativas (arm's lentgh) com a americana GMAC e que a primeira necessitava fortemente de caixa para suas operações automotivas, enquanto que a segunda possuía uma situação mais equacionada em suas operações financeiras, porquanto não se verificaria, em princípio, qualquer indício de irregularidade na cópia do documento apresentado (fls. 783 a 789) para comprovar a existência de transferência bancária em 22/11/2001, no valor de US$ 335.510.937,00, a título de pagamento da GMAC para a GM, pela aquisição de 396.561.097 quotas da GMB, de sorte que não haveria razão para não acatar como idôneo o documento apresentado para contestar a alegação do autuante de que não teria havido qualquer saída de caixa (pagamento) na operação da qual teria se originado o ágio deduzido pelo Banco. Contudo, segundo entendimento da decisão recorrida, mesmo levando em conta a transferência de numerário entre as empresas americanas em razão da aquisição de quotas da GMB, não se verifica, nas demais operações que se seguiram envolvendo as empresas brasileiras, qualquer saída de numerário na transferência do ágio, que passou a ser deduzido pela Recorrente, tendo esta demonstrado que as operações foram submetidas à análise prévia do Banco Central do Brasil, em carta enviada àquele órgão em 17.12.2004, por meio da qual ela solicitava aprovação para a incorporação da Braco (doc. n° 21), mas, não demonstrou efetivamente a sua alegação de que a redução do capital da GMB com a entrega direta da participação no Banco à GM no exterior para alienála à GMAC provocaria uma perda importante de valor no registro de investimento externo direto (RDEIED), que seria detido diretamente na Recorrente. Concluiuse ainda que a argumentação de que todas as operações em exame deveriam ser tratadas como tendo sido realizadas entre sociedades não relacionadas em razão do Acordo de Bases Comutativas celebrado entre as empresas americanas não pode ser aceita, uma vez que a GM e a GMAC eram sociedades relacionadas e pertencentes ao mesmo grupo econômico, já que a segunda era subsidiária integral da primeira e, na realidade, considerando se todas as operações de reorganização societária ocorridas, o controle da Recorrente nunca saiu do grupo societário. Segundo a decisão recorrida, ao final das operações, a americana GM continuou a controlar indiretamente a Recorrente, além disso, ainda que não se conteste a idoneidade do laudo confeccionado e pela empresa Ernst & Young Consultores Associados Ltda, não se pode olvidar que a empresa autora do trabalho consignou que ele "foi feito com base em informações contábeis e gerenciais fornecidas pelos executivos e funcionários do BGM Brasil e GMB” e que ela “não assume qualquer responsabilidade futura pela precisão das informações”. Quanto ao preço de mercado da Recorrente àquela época, mencionou a decisão recorrida que ainda que não se discuta a idoneidade do laudo para a avaliação do preço e a idoneidade da empresa contratada, não se pode deixar de considerar que o preço (apurado com base em uma expectativa de rentabilidade para os próximos dezesseis anos) que a Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 16 americana GMAC estava disposta a pagar à americana GM (sua controladora) pela aquisição do Banco no contexto da viabilização da reorganização societária do grupo, pode não ser o preço que um terceiro totalmente independente estivesse disposto a pagar. No tocante à questão do ágio propriamente dito, salientou a decisão recorrida, consoante doutrina e jurisprudência citadas, que os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e a existência de fundamento econômico, concluindo que a Recorrente, ao incorporar a Braco, contabilizou o ágio transferido (R$ 560.852.903,00) em conta do ativo diferido e passou a amortizálo, apesar de não ter recebido qualquer participação societária, considerandose que as próprias ações representativas do capital não são participações societárias, uma vez que nenhuma empresa participa de si mesma. Ela pode ter ações em tesouraria, que é bem diferente de deter participação societária. As ações recebidas foram restituídas à GMAC, seu acionista majoritário, visto a não emissão de novas ações correspondentes. Portanto, o primeiro pressuposto do ágio (participação societária) não foi atendido. Entendeuse ainda, que o motivo que justificou a contabilização do ágio na Braco foi a rentabilidade futura da Recorrente, no entanto, este motivo não pode prevalecer na incorporação levada a efeito, pois não se justifica o contribuinte constituir um lançamento em sua contabilidade da própria rentabilidade futura, ainda que esta rentabilidade estivesse atrelada a determinados ativos. Anotouse que a própria CVM se autocensura quanto ao procedimento de contabilização do próprio ágio, reconhecendo que lhe falta fundamento econômico. Desta forma, no caso ora examinado, entendeu que revelouse ausente também o segundo pressuposto do ágio fundamento econômico. Além do mais, observouse que no ágio há uma contraposição de receita e custo entre entes diferentes. Quem vende o investimento aufere receita e quem compra incorpora ao valor investido um custo pela mais valia e não se observaria na incorporação da Braco pela Recorrente esta contraposição, de sorte que a Recorrente teria contabilizado o ágio como um ativo diferido, que é definido no art. 179 da Lei 6.404/1976 como “as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais”, sendo que o ativo diferido é formado por despesas ou custos já incorridos, em face de um benefício futuro que elas trarão e o valor contabilizado pela Recorrente em conta de ativo diferido, a título de ágio, não se enquadra nos conceitos acima. Reafirmouse que a empresa Braco foi constituída para replicar o ágio pago pela GMAC na aquisição das quotas da GMB representativas das ações que ela detinha da Recorrente e o mesmo ágio, inicialmente pago, está duplicado na Braco, que, pela incorporação, é transferido para Recorrente, cujo controle direto apenas circulou dentro do grupo de empresas, mantendose o controle indireto sempre na empresa original, assinalando que o art. 386 do RIR/1999 dispõe sobre o tratamento tributário a ser dado ao ágio ou deságio nos casos de incorporação, fusão ou cisão e que o § 6º, inc. II, deste artigo prevê que o tratamento é também aplicado quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária, destacando, contudo, que devese entender que a aplicação do dispositivo só se revela cabível se a compra da participação societária com ágio e a posterior incorporação da investida tiver por finalidade a utilização dos ativos na atividade da empresa, havendo fundamento econômico plausível. Na sequência, a decisão recorrida enfrentou a questão correlata ao abuso de direito, imputado pela Fiscalização à Recorrente, para concluir que no caso sob exame, Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 10 17 verificase o excesso, observandose que a Braço não estava estruturada para operacionalizar uma atividade econômica. Possuía somente um conjunto líquido de ativo, não tendo produtos, serviços, clientes, empregados etc. e a americana GMAC poderia ter adquirido o controle direto da Recorrente, sem necessidade imprescindível de constituição de uma nova entidade. Concluiuse assim, que a despeito das várias razões aduzidas pela impugnante como motivos econômicos para fundamentar o ágio, revelase predominante, sem dúvida, a motivação tributária para o melhor aproveitamento econômico do ágio pela controladora no sentido de reduzir o pagamento do IRPJ e da CSL, considerando indiscutível que figurava como objetivo da operação, dentre os outros aludidos, a amortização do vultoso ágio para fazer frente aos lucros que seriam gerados pela sociedade controlada, resultando em aumento da capacidade de geração de caixa do investimento. Não sendo razoável supor que esse objetivo era apenas secundário, mantendo, assim, a glosa implementada. Quanto ao tópico atinente à compensação indevida de bases de cálculo de CSLL, entendeu a decisão recorrida que uma vez demonstrada a procedência da glosa das despesas de ágio da Recorrente efetuada pela Fiscalização, confirmamse as alterações para maior das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, cabendo considerar que a busca dos efeitos da limitação em 30% na compensação de prejuízos não pode ficar restrita, isoladamente, a cada período de apuração ou aos períodos abrangidos pela ação fiscal. Cabe à Fiscalização, tendo como limite temporal o último período de apuração exigível ao término da ação fiscal, e observado o limite legal, levar em conta valores apurados nos períodos fiscalizados, recompondo, inclusive, as compensações efetuadas pelo contribuinte. No mais, mantevese, as multas isoladas a utilização da Taxa Selic. Devidamente cientificada da decisão desfavorável a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a preliminar de decadência e os argumentos de mérito já relatados. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas Contrarrazões, defendendo o acerto da decisão recorrida e desprovimento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 18 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade, admitoo para julgamento. A questão colocada relacionase, em sua essência, na glosa implementada na dedutibilidade de despesas com amortização de ágio, deduzidas pela Recorrente, nos anos calendário de 2005 a 2009. Segundo a Fiscalização e a chancela da decisão aqui impugnada, o mencionado ágio não satisfaria, na sua formação, os requisitos impostos pela legislação de regência em vista das peculiaridades que revestiram a operação e que serão adiante descortinadas, considerando que a operação de reorganização societária nutrira o escopo de criar a despesa amortizável, sem razão empresarial ou econômica efetiva. Considerando o conteúdo da peça recursal, antes mesmo de enveredarse no mérito da questão que desencadeou o presente processo administrativo, de bom alvitre analisar se eventual extinção do crédito tributário pela ocorrência do fato decadencial. Acerca da decadência, a Recorrente sustenta que a exigência fiscal em trato se refere a operações ocorridas no períodobase de 2004, situação que imporia o reconhecimento da decadência, presente para a espécie a norma de regência contida no artigo 150, § 4º do CTN, por se tratar de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Segundo afirma a contribuinte, tal conclusão se deve ao fato de que ocorrida a incorporação, já nasce o direito de a sociedade sobrevivente amortizar o ágio no prazo previsto na legislação, de sorte que o prazo para questionar os efeitos fiscais dessas operações ocorridas ao longo do anocalendário 2004, teria expirado em 31/12/2009, citando diversos precedentes administrativos que entende favoráveis à tese por ela defendida. A decisão recorrida, por seu turno, apreciando a coincidente alegação assim se manifestou à folha 942, in verbis: “(...) Considerandose que a antecipação do pagamento, temse que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário de 2005, apurado pelo lucro real anual, consolidouse em 31/12/2005, não se podendo acatar a argumentação da impugnante no sentido de que o lançamento não poderia se reportar a fatos do anocalendário de 2004, pois, na verdade, o auto de infração se refere à glosa de dedução de despesa referente ao anocalendário de 2005 e seguintes. O mesmo raciocínio vale para a Contribuição Social. O prazo de cinco anos é contado não da incorporação ou amortização contábil, mas sim do encerramento do período de apuração no qual a despesa foi deduzida, exceto na hipótese de dolo ou fraude. Evidentemente, antes da dedução da despesa, não poderia haver a autuação, ainda que o ágio seja constituído com infração à lei. (...)” Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 11 19 Tem razão o aresto impugnado, conquanto a Fiscalização repute inaceitável a formação da própria despesa, é a sua utilização em concreto que foi glosada, portanto, a insurgência da Fiscalização, ao meu sentir, deuse com a “não homologação” das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL impactadas pelo ágio contabilizado e não o ágio registrado em si, de sorte que o fato gerador mais remoto, ocorrido em 31/12/2005, e a ciência dos autos de infrações de IRPJ e CSLL em 19/11/2010 (fls. 376 e 387, respectivamente), não autorizam o reconhecimento da decadência, motivo pelo qual, afasto a preliminar suscitada. No tocante à alegação, ainda preliminar, de nulidade decorrente de erro e/ou confusão no enquadramento legal das imputações, entendo que a Fiscalização discriminou detidamente os fatos imputados permitindo à Recorrente exercitar, com plenitude e suficiência, sua defesa técnica e bem fundamentada, a indicar a total ausência de prejuízo ao contribuinte, bem como de pecha capaz de inquinar de nulidade o feito, motivo pelo qual, também neste ponto em particular, reafirmo o conteúdo da decisão recorrida e afasto a preliminar. Superadas as questões preliminares, passase ao enfrentamento do mérito envolvido na autuação em apreço, relembrando que a Recorrente teve glosadas despesas deduzidas a título de amortização fiscal de ágio, que no entender da Fiscalização fora gerado “intragrupo” situação que revestiria a citada despesa de indedutibilidade. Segundo posição da Fiscalização e da própria decisão recorrida, a dedução da despesa teria reduzido indevidamente as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, além de resultar na insuficiência do pagamento de estimativas dos dois tributos e na compensação indevida de base negativa de CSLL. Consoante o TVF, ao analisaremse as despesas contabilizadas no período de 2004 a 2009 com amortização de ágio, foi solicitado à Recorrente que fornecesse, entre outros documentos, cópia da justificativa econômica fundamentada para a constituição, em 30 de novembro de 2004, do ágio no valor de R$ 560.852.903,00, valor sobre o qual incidiriam, nos meses subsequentes, despesas com sua amortização, redutoras da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor mensal de R$ 5.842.217,74. Registouse que este valor mensal corresponde a 1/12 do valor anual de R$ 70.106.612,88, que por sua vez corresponde a 1/8 do total a ser amortizado de R$ 560.852.903,00 em oito anos, uma vez que o prazo estabelecido em lei é de no mínimo 60 meses para amortizações do ágio sobre investimentos (vide Termo de Início de Fiscalização). As informações prestadas pela Recorrente deram conta dos atos societários que envolveram a empresa no período que antecedeu a constituição do mencionado ágio no ano de 2004, que a despeito de comporem o relatório acima minudenciado, devem ser novamente descritos abaixo: (i) Em 01.11.2004, a empresa de consultoria Ernst & Young Consultores Associados Ltda havia encaminhado à General Motors Acceptance Corporation, dos Estados Unidos, um laudo de avaliação encomendado por esta sobre o valor de mercado do Banco General Motors S.A., antiga denominação do Banco Gmac S.A.,levando em conta a expectativa de seus rendimentos futuros. (ii) O laudo de avaliação apresentado pela Ernst & Young estima, com as fórmulas e metodologia de cálculos que descreve, que o valor justo de mercado do Banco naquela data, baseado em sua rentabilidade esperada entre julho de 2004 e dezembro de 2020, portanto, um período de 16 anos e 6 meses, é de R$ 957.414.000,00, valor Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 20 que inclui a perspectiva de lucro do Consórcio Nacional GM Ltda no período de julho de 2004 a dezembro de 2008. Fls. 17 a 58. (iii) Antes disso, em 15.09.2004 foi constituída uma empresa denominada Mynchuan Participações Ltda, CNPJ 07.021.761/000179, com capital de R$ 100,00 (cem reais) dividido em 100 quotas de R$ 1,00, com sede na Rua Boa Vista, 254 7º andar sala 721, Centro, São Paulo/SP, tendo como sócios quotistas uma empresa denominada Schaft Participações Ltda., CNPJ 03.347.239/000120 com sede no mesmo endereço, detentora de 99 quotas, e outra empresa denominada Gesellschaft Participações Ltda., CNPJ 04.654.506/000175, com sede no mesmo endereço, detentora de 1 (uma) quota (fls. 59 a 70). (iv) Em alteração de contrato social datada de 19.11.2004, a Schaft Participações Ltda., cedeu suas 99 quotas de R$ 1,00 cada para a General Motors Acceptance Corporation, sociedade com sede nos Estados Unidos da América e a Gesellschaft Participações Ltda cedeu sua única quota de R$ 1,00 para o sr. Rudolfus Robertus Grin, holandês, casado, portador da Cédula de Identidade para Estrangeiros RNE nº V330772U, CPF nº 227.856.58850, domiciliado na Av. Indianópolis, nº 3.096, Planalto Paulista, São Paulo/SP, para onde, nesse mesmo ato, foi transferida a sede social da Mynchuan Participações Ltda e sua razão social foi alterada para Braco Participações Ltda. Fls. 71 a 86. (v) Em 23.11.2004, os sócios da Braco Participações decidiram aumentar o capital social da sociedade de R$ 100,00 para R$ 957.414.100,00 mediante a criação de 957.414.000 novas quotas de R$ 1,00 cada, todas subscritas pela General Motors Acceptance Corporation, e integralizadas mediante a conferência de 396.561.097 quotas representativas de parte do capital social da General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150 de titularidade da General Motors Acceptance Corporation. (vi) No dia 24.11.2004, a General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150 promoveu uma redução no valor de R$ 396.561.097,00 de seu capital social, valor esse representado pela sua participação no capital do Banco General Motors S. A. para entregar esses haveres à Braco Participações Ltda., que passa a ser detentora desse valor no capital do Banco General Motors S.A. e se retira da participação no capital da General Motors do Brasil S.A. (fls. 109 a 120.). (vi) Em 03.12.2004, o Banco General Motors S.A. realizou sua 47a Assembleia Geral Extraordinária, para deliberar sobre a incorporação da Braco Participações Ltda., (incorporação reversa, pois as quotas do capital do Banco Gmac pertenciam à Braco), cujo capital em 23.11.2004 era de R$ 957.414.000,00. O capital do Banco, que era de R$ 268.862.720,13 passou para R$ 268.862.820,13, representando um aumento de capital de apenas R$ 100,00, que era o valor antes de 23.11.2004 (fls.121 a 127). Avaliando as operações acima traduzidas, a decisão recorrida assim se manifestou à folha 946, litteris: “(...) Observase que a Braco pode se enquadrar perfeitamente nessas situações. Foi criada para receber as ações do capital da impugnante, transmitidas pela empresa GMB, acrescidas de um ágio oriundo da aquisição pela GMAC de parte da participação que a GM detinha na GMB, equivalente às ações do capital da impugnante. Tal ágio, resultante da operação realizada entre GM e GMAC, foi contabilizado na Braco em face do investimento na GMB, recebido na integralização ocorrida por ocasião de seu aumento de capital. Depois, ainda permaneceu contabilizado na Braco, quando esta recebeu da GMB, em troca do cancelamento das quotas que nela detinha, toda a participação que a segunda detinha no BGM. Em seguida, a Braco, ao ser incorporada pela impugnante, transmitiulhe o ágio (R$ 560.852.903,00). A impugnante, por sua vez, restituiu à GMAC as ações de seu capital, visto que o ato de incorporação não resultou em um aumento de capital equivalente, contabilizando o ágio (R$ 560.852.903,00) em conta do ativo diferido, passando a amortizalo. Em suma, o papel da Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 12 21 fundamental da Braco foi replicar o ágio pago inicialmente pela GMAC à GM pela aquisição das quotas da GMB equivalentes ao capital do Banco, transferindo a ele o próprio ágio, que passou a ser por ele amortizado, gerando despesa deduzida na apuração do IRPJ e da CSLL. A despeito de a impugnante alegar que a Braco não poderia ser entendida como "empresa veículo" por não ter sido criada exclusivamente para a obtenção de economia fiscal, resta evidenciado que a referida empresa, de vida curta, não produziu qualquer riqueza. (...)” Constatou a decisão recorrida, portanto, que a Fiscalização acertou ao imputar à transação efetivada o nominado “abuso de direito”, porquanto a Braco teria se prestado unicamente à criação do ágio, e que a transação realizada com o mesmo grupo econômico não refletiria o conteúdo econômico indissociável à dedutibilidade da despesa em trato. Assim verificado, a questão que se coloca gira em torno do chamado “ágio interno”, devendose verificar quais as balizas legais acerca da matéria, bem como analisar detidamente os aspectos próprios das operações ocorridas nestes autos. Sabidamente, o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de determinado investimento e o seu valor patrimonial, de sorte que ele, falo do ágio, se apresenta sempre que uma das partes, munida de desígnios variados, a exemplo da expectativa de rentabilidade futura, propõese a pagar pelo investimento um valor maior do que aquele que corresponde ao seu patrimônio líquido. Tratássemos aqui de uma operação envolvendo empresas completamente independentes entre si, sem maiores dificuldades se verificaria a legitimidade da dedutibilidade do ágio em questão, já que o laudo sobre o qual se apoia o fundamento do ágio não foi questionado pela Fiscalização. Contudo, a celeuma se instala justamente quando se pretende atribuir que esta precificação superior ao valor patrimonial somente seria legítima se avençada por partes totalmente independentes entre si, ou seja, que não pertençam ao mesmo conglomerado econômico. Os precedentes que se formaram neste âmbito administrativo, nos quais se inadmitiu o chamado “ágio interno”, sempre louvaram o bem fundamentado magistério de Jorge Vieira da Costa Jr. e Eliseu Martins, segundo os quais, o ágio somente poderia existir validamente se as partes envolvidas fossem independentes e não relacionadas, isso porque, segundo sustentase nestes casos, à luz da teoria da contabilidade, não seria admissível a geração de ágio em uma operação ocorrida dentro de um mesmo grupo econômico. Tal como citado pela própria decisão recorrida, e nos muitos casos em que as semelhantes glosas subsistiram, este mesmo entendimento é prestigiado pela Comissão de Valores Mobiliários, nos precisos termos do Ofíciocircular CVM SNC/SEP nº 01/2007, segundo o qual “... é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método de equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 22 terceiros. Assim não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo...”. Necessário, todavia, tratandose de lançamento tributário no qual se ventile glosa a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio, perquirir se os conceitos acima citados, que embasaram os precedentes conhecidos, hospedam a compreensão tributária sobre o tema. Luís Eduardo Schoueri, em obra intitulada “Ágio em Reorganizações Societárias, Ed. Dialética”, ao fazer coincidente esforço investigativo, exemplifica na página 105 em diante, que estes conceitos encerram bom exemplo acerca da divergência entre as disciplinas contábil e tributária, porquanto embora contabilmente o ágio exija uma participação de terceiros, no âmbito da legislação tributária, que rege o lançamento, não existe semelhante imposição. Para o apontado professor, para os fins tributários, o investidor deve sempre registrar um ágio que corresponda à diferença positiva entre o valor patrimonial e o preço efetivamente pago, concluindo que o pressuposto contábil de “precificação com terceiro”, não fora contemplado pelo legislador tributário. Nessa ordem de ideias, apresentase conveniente reproduzir o que dispõem os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 13 23 incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Ora, pela leitura dos dispositivos acima reproduzidos, resta verificado que de fato não há na legislação de regência qualquer óbice ao “ágio interno”, situação que se referenda pelo fato de o próprio artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, que respaldo o artigo 385 do RIR/99, já prever a necessidade, em caso de aquisição de investimento em sociedade coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, o custo de aquisição ser desdobrado entre o valor do patrimônio líquido e a diferença entre o custo de aquisição do investimento e este valor, que resultariam em ágio ou deságio, de sorte que a única questão que Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 24 pode obstar a dedutibilidade é aferir o conteúdo econômico e o contemplálo à luz do imputado abuso de direito que a Recorrente teria cometido, já que, segundo a decisão recorrida: “ motivo que justificou a contabilização do ágio na Braco foi a rentabilidade futura da impugnante. No entanto, este motivo não pode prevalecer na incorporação levada a efeito, pois não se justifica o próprio constituir um lançamento em sua contabilidade da própria rentabilidade futura, ainda que esta rentabilidade estivesse atrelada a determinados ativos”. Vêse assim, que a decisão recorrida estipula que as justificativas dadas pela Recorrente para o implemento da transação, não hospedariam a legitimidade para deduzirse a despesas, eis que a Braco teria sido mera “empresa veículo”, surgida com o intuito preponderante, senão único, de criarse o ágio. Mas, se como vimos acima, a lei tributária não traz vedação ao ágio interno, de fato se precisa aferir se a Recorrente agiu com abuso de direito, de sorte que a questão, para além da formação ágio, cujo laudo – repito – não foi contestado, passa pelo enfrentamento da questão da elisão fiscal, porquanto, segundo premissa estabelecida pela própria decisão recorrida, o condenável não é a alienação “intragrupo” de determinado investimento com ágio, o que se repugna é a simulação e o abuso de direito. Confirase o entendimento conferido pela decisão recorrida acerca da matéria: “(...) Em suma, não há dúvida de que a impugnante tem o direito, previsto na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito. Como tal, uma vez provado tratarse de operação com esta razão principal, como restou evidenciado nos autos pelos motivos expostos neste voto, pode o Fisco recusarse a aceitar seus efeitos no âmbito tributário de modo a neutralizar os efeitos fiscais do excesso abusivo. (...)” (meus os destaques) Com tais premissas estabelecidas pela decisão recorrida, convém registrar que minha análise dos autos afasta por completo qualquer abuso de direito praticado pela Recorrente, bem como, na legislação de regência, não encontro fundamento válido para impor se a glosa unicamente porque o contribuinte realizou estruturação societária de forma menos onerosa do ponto de vista tributário, contrário disso, observo legítimos os procedimentos regulares de elisão fiscal. Tanto é assim, que Celso Ribeiro Bastos, in Comentários ao Código Tributário Nacional, Ed. Saraiva, pág. 193, ao descortinar o parágrafo único, do artigo 116, do Código Tributário Nacional, assim arremata: “(...) o parágrafo único do dispositivo posto à análise ainda é, não obstante seu tempo de vigência no ordenamento, bastante debatido na doutrina. E isso porque instituiu no país o que muitos denominam equivocadamente norma geral antielisiva. Para explicar melhor, é importante mencionar que, antes do referido dispositivo, prevalecia a ideia de plena liberdade de planejamento tributário, sendo a [única barreira posta a este os Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 14 25 casos de simulação. O contribuinte tinha plena liberdade de reestruturar seus negócios e de economizar o tributo] (...) A norma em tela, no entanto, não inibe o planejamento tributário, que é aquilo que não ofende as leis vigentes, o ordenamento. O planejamento, ou melhor, elisão tributária, continua válida no país. O que a nova norma dispõe é acerca das hipóteses de dissimulação, um ato que omite a ocorrência do fato gerador ou oculta a natureza de um negócio, de uma transação tributável. A norma, portanto, é antievasão. Apenas deixou mais claro aquilo que já constituía o ilícito tributário. (...)” Não parece legítimo, destarte, concluir que a simples intenção da Recorrente em proceder de forma a gerar economia de tributo possa desnaturar e invalidar os efeitos da transação, mesmo que tais efeitos tenham implicado na geração de um ágio interno, por absoluta falta de previsão legal para esta conclusão. Em hipótese alguma, a simples intenção de efetivarse um planejamento tributário (fundamento da decisão recorrida), pode indicar abuso de direito, necessitandose, para esta configuração, demonstrar que a Recorrente tenha agido de forma dissimulada, abstraindo se houve ou não o propósito negocial que autorize o ágio, situação eu será enfrentada a seguir, cuidandose do abuso de direito, ressalvada as hipóteses de simulação, não verifico que a intenção de elisão fiscal possa acarretar os efeitos dados pela decisão recorrida. Aliás, para que se configure a simulação, imprescindível seja demonstrado um descompasso entre a intentio facti e o intentio júris, sem os quais, não se pode falar em simulação, já que esta pressupõe operação que não existe, falseiase a realidade do que efetivamente ocorreu, ou seja, ocorre a desconformidade consciente e querida da declaração com a vontade, mas é preordenada com a parte à qual a declaração se dirige e acordado com ela, a fim de enganar terceiros. In casu, os fatos ocorridos não foram fingidos nem simulados e tampouco dissimularam outro fato. Todas as circunstâncias fáticas levantadas no auto de infração realmente aconteceram na realidade negocial e não tiveram o objetivo de encobrir outros fatos, não sendo legítimo deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formadas como negócios simulados, com fraude à lei ou com dolo que causem prejuízo ao Erário Público. Bem assim, não pode se negar que os contribuintes utilizam formas simuladas para esconder dolosamente fatos geradores. Contudo, não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legítimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo no ordenamento jurídico vigente e qualificá las como simuladas. Com efeito, acerca do tema esta Turma decidiu, por ocasião do julgamento do PA nº 18471.000999/200529: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 26 Ementa: SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. (...) ABUSO DE DIREITO A figura de “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. (...) Ora, se a própria decisão recorrida assenta que a intenção da Recorrente sempre foi realizar a operação da forma menos onerosa, nada há de simulado ou abusivo nisso, de sorte que não vejo no caso em exame a dissimulação de qualquer aspecto da legislação de regência, já que inexistiu abuso do direito, da forma jurídica ou da interpretação da mens legis, eis que os negócios jurídicos praticados pela Recorrente tiveram evidente motivação no plano societário, como notoriamente conhecido, e não se resumiram apenas a provocar a economia do imposto, conforme visto pelo Nobre Julgador da decisão recorrida, bastando verificar que semelhantes operações ocorreram, com o mesmo grupo econômico, na Suécia e na Alemanha. Portanto, analisando todas as etapas do negócio jurídico levado a efeito, até os resultados concretos que redundaram no aproveitamento do ágio não vejo como enquadrar esta operação como sendo um planejamento tributário abusivo, conforme entendeu a r. decisão recorrida, mesmo porque, para restar compreendida como abusiva, uma conduta deve refletir um conflito entre forma e substância, e a prova de tal conflito deve ser feita com base em elementos objetivos, sem uma justificativa razoável para tal operação, a qual não seja mera vantagem fiscal, o que, digase de passagem, em nenhum momento ficou comprovado nos autos. Ademais, o artigo 7º da Lei nº 9.532/97, estabelece apenas o termo “a quo” para o exercício do direito de deduzir o ágio (opção fiscal), ao condicionar a dedutibilidade do ágio a partir do evento incorporação, fusão ou cisão, consoante explicitado no dispositivo, sendo imperioso extrairse daí que a decisão sobre o evento de incorporação, fusão ou cisão compete exclusivamente aos acionistas das empresas, a ninguém mais, razão pela qual não vejo como atribuir mácula de abusividade nas operações praticadas pela contribuinte com o intuito de aproveitar a despesa com ágio se a materialidade do laudo com a perspectiva de rentabilidade futura não foi questionada, tampouco sua higidez discutida. Rejeito, portanto, o fundamento da decisão recorrida segundo o qual teria havido abuso de direito, passandose a analisar o segundo fundamento concernente ao propósito negocial, situação que deve ser aferida do ponto de vista factual, assentado que está, ao meu sentir, a possibilidade do ágio interno. A este propósito torno a lembrar que o fundamento central da decisão para inquinar de abusivo esta incorporação, seria o fato de inexistir um interesse econômico, sendo Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 15 27 que a alegada agregação de empresas como sendo uma finalidade do instituto da incorporação, acarretaria a necessidade de terse um cunho econômico. Neste aspecto específico, equivocouse, data vênia, a decisão recorrida, pois a incorporação fica ao alvedrio exclusivo dos acionistas, inclusive de empresas ditas “veículos”, bem como a sua extinção por incorporação, independe de qualquer motivação econômica ou financeira, pois está na órbita exclusiva da decisão dos sócios, como já se decidiu no acórdão 1301000.711, de relatoria do eminente Dr. Valmir Sandri citando o professor Renato Ventura Ribeiro, arremata que: "Os motivos para incorporação de companhia controlada são bem variados, como concentração empresarial, para ganhos de eficiência, possibilidade de maior crescimento, benefícios tributários, oportunidades de aquisição a preços baixos, integrações verticais, proteção contra ofertas hostis, entre outros. A decisão da incorporação, independente da motivação, decorre apenas de uma única vontade, a dos controladores da incorporadora. Com isso, ela diferenciase das incorporações nas quais estão envolvidas sociedades com controladores distintos, pois uma das particularidades da incorporação de companhia controlada, como já dito, é a existência de apenas uma única vontade." Ainda por ocasião do acórdão 1301000.711, registrouse que idêntico raciocínio serviria para a incorporação da controladora pela controlada, já que o artigo 8º da Lei nº 9.532/97, prescreve que a dedutibilidade do ágio está garantida, inclusive na incorporação reversa, a saber: "Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária." Sendo assim, desacertado o entendimento segundo o qual haveria na espécie um planejamento inoponível ao fisco, por não ter havido razão econômica de modo a possibilitar a dedução do ágio, mesmo porque, como também já se reconheceu anteriormente, esta exigência não encontra respaldo na legislação de regência. Tornando a citar o que decidido no acórdão nº 1301000.711, observo que antes de a Lei nº 9.532 tratar da questão, o ágio na baixa do investimento mediante incorporação, fusão e cisão era considerado uma perda de capital, plenamente dedutível para efeito de imposto de renda, nos termos do artigo 34 do DecretoLei nº 1.598/77: “Art. 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 28 I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos;” Ora, até o advento da Lei nº 9.532/97, quando da liquidação do investimento, a dedutibilidade do ágio decorria de sua própria natureza de perda de capital, que afetava o lucro contábil da empresa, reduzindo, por conseguinte, imediatamente, o lucro tributário, sendo certo que a Lei nº 9.532/97, deu um tratamento diverso ao ágio reconhecido nos termos do artigo 20 do Decretolei n. 1598/77, e o fez apenas para efeito fiscal, tratando o aproveitamento do ágio condicionado ao evento absorção do patrimônio e montante ao longo de determinado prazo. Com efeito, o inciso III do artigo 7º da Lei 9532/97, prescreve o seguinte: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...). III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;” Assim, este dispositivo previu a amortização do ágio com fundamento em rentabilidade futura apenas para efeitos fiscais, tanto que a norma fala em “balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração”. Ou seja, temse estabelecido no dispositivo uma regra para a utilização do ágio, diferente daquela prevista anteriormente, possibilitando o contribuinte, sob determinada condição (absorver o patrimônio) e por prazo certo, forma de reduzir a base de cálculo do IRPJ mensalmente por, ao menos, 60 meses. No presente caso, o auto de infração e a decisão recorrida suprimiram este benefício fiscal ao criarem condições inexistentes na própria legislação tributária, mais precisamente, no inciso II, do artigo 7º, da Lei nº 9.532/97. Esse dispositivo condicionou a amortização do ágio apenas e tão somente à absorção do patrimônio da investida pela investidora ou viceversa (art. 8º da norma legal), absorção esta que só pode ocorrer mediante incorporação, cisão ou fusão, a independer do conteúdo econômico. A despeito destas premissas jurídicas, reveladoras da suficiência para reformar a decisão recorrida, mesmo que se pretenda analisarse os fatos em busca de um critério econômico para a operação em questão, se vai verificar o desacerto do aresto impugnado, porquanto os fatos descritos nestes autos, precisam ser examinados sob o enfoque da “segregação mundial das atividades automotivas e financeiras do grupo General Motors”, mais pontualmente, as operações efetuadas no ano de 2004 para transferir a totalidade das ações da Recorrente, então denominada Banco General Motors S.A., da sua controladora à época, a General Motors do Brasil Ltda., para a então holding financeira mundial do grupo, a General Motors Acceptance Corporation LLC. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 16 29 Segundo afirmou a Recorrente no mister de assentar a legitimidade das operações, a citada transferência era necessária, dentre outros motivos, para reunir as sociedades financeiras do grupo em todo o mundo, sob o controle exclusivo da GMAC, pretendendo assim, unificar o controle financeiro do grupo e permitir a subsequente venda mundial do controle dessa empresa a terceiros, razão pela qual haveria nítido contesto empresarial nas operações e não apenas o conteúdo eminentemente tributário. Com efeito, demonstrou a Recorrente existir um propósito, almejado pelo grupo General Motors, consistente em transferir a participação detida na Recorrente, da GMB para a GMAC, segregando suas atividades financeiras e automotivas no Brasil em canais de negócios distintos, justificado, falo do negócio na formatação adotada, pela necessidade de preservação de registro de capital estrangeiro junto ao Banco Central do Brasil, que como tem justificado a contribuinte, constitui outra razão empresarial para a estruturação dessa transferência com a participação da sociedade Braco Participações Ltda., sendo que esse aspecto foi, inclusive, objeto de análise prévia pelo Banco Central do Brasil, demonstra não prospera o entendimento da decisão recorrida de que a Braco foi mera empresa veículo, criada sem outra finalidade que não a de permitir uma amortização fiscal de ágio, apresentando um histórico com explicações sobre o processo de segregação da GM e da GMAC. Diante disso, ao menos duas inegáveis razões empresariais defluem do caso apresentado: (i) a premente necessidade de transferência do controle acionário da Recorrente (ii) a preservação do registro de capital estrangeiro perante o Banco Central do Brasil. No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. Concluo, destarte, no sentido de rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, mas no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para, reformando a decisão recorrida, reconhecer legítima a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio. Sala das Sessões, em 11 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 11080.729251/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.366
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 29 25 1/ 20 12 -9 5 Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999, bem como os valores relativos à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2008 a 12/2008. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal informa que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 37.376.4871à referese às contribuições sociais relativas à parte patronal, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, no caso, a Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda.; e acréscimos legais sobre pagamentos efetuados, com atraso, em Guias da Previdência Social (GPS); 2. DEBCAD 37.376.4880à relativo à retenção sobre a remuneração de serviços prestados com cessão de mão de obra ou empreitada de mão de obra; 3. DEBCAD 37.343.6424 à por descumprimento de obrigação tributária acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias), Código de Fundamento Legal CFL 68. Esse Relatório Fiscal informa ainda que, com relação ao AIOP DEBCAD 37.376.4871, o fato gerador da contribuição previdenciária, de 15% sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços por cooperado por intermédio de cooperativa de trabalho, é o contrato firmado entre a autuada e a Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda., já que parte dos pagamentos efetuados à cooperativa não foram declarados em GFIP nem recolhidas as contribuições sobre eles incidentes. Destaca, com relação ao AIOP DEBCAD 37.376.4880, que “(...) as notas fiscais de serviço dos prestadores CONSTRURBAN ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, CONFIANÇA TRANSPORTES E TURISMO LTDA, DELTA CONSTRUÇÕES S/A, J P AGUIAR TRANSPORTES LTDA, JULIO SIMÕES LOGÍSTICA S/A, MRC Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 4 3 TRANSPORTES LTDA, MUGICA TRANSPORTES LTDA,QUALIX SERVIÇOS AMBIENTAIS LTDA, TRANSPORTES R N FREITAS LTDA ME, RTM TRANSPORTES LTDA, TRANSSABARÁ TRANSPORTES LTDA, TRANSPORTES SIÇA E DHARA LTDA, SIRCEK TRANSPORTES LTDA, SIL SOLUÇÕES AMBIENTAIS LTDA, TRANSPORTADORA BELÉM LTDA, TRANSCELAUS TRANSPORTES LTDA, TRANSFROES TRANSPORTES LTDA, TRANSPORTES GUASSELLI LTDA, TRANPICASSO TRANSPORTES LTDA, TERRAPLENAGEM ERONI MACHADO LTDA, TRANSPORTES SATURNOS LTDA, TRANSBILHAN TRANSPORTES LTDA e TRANSVIVI TRANSPORTES LTDA, não discriminam os valores relativos a equipamentos e materiais, incidindo, portanto, a retenção dos 11%, sobre o valor bruto da nota fiscal de serviço. No caso, a retenção, quando efetuada, foi menor do que a devida, conforme demonstrado nas planilhas ‘Prestadores de Serviços – Retenção Não Efetuada’ e ‘Locação de Veículos Retenção Não Efetuada’, em anexo.” Informa que as notas fiscais das empresas Transportes Redivo Ltda. e Transportes Provim Ltda. – excetuadas as notas fiscais nº 167 e 170, desta última – trazem a discriminação de valores relativos a equipamento e material, havendo incidência de contribuição sobre o percentual mínimo de 50% do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, conforme demonstrado na planilha “Locação de Veículos – Retenção Não Efetuada”; que não houve o destaque da retenção dos 11%, nem a discriminação dos valores relativos a equipamento e material, nas notas fiscais da empresa Transportes Kuhn Ltda. Com relação à prestação de serviço da Associação de Triadores de Resíduos Sólidos Domiciliares da Lomba do Pinheiro, informa que “(...) os ‘Relatórios Custo Convênio Associação X DMLU’ (não há emissão de nota fiscal de serviço), não discriminam os valores relativos a equipamentos e materiais e, portanto, a retenção dos 11% incide sobre o ‘valor do repasse’, conforme demonstrado na planilha ‘Prestadores de Serviços Retenção Não Efetuada’, em anexo. O valor fixo de R$5.000,00 (cinco mil reais) repassado à conveniada para os custeios de manutenção, não foi utilizado como base para a retenção.” A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 16/08/2012 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. entende haverem sido corretas e integrais as contribuições incidentes sobre o valor das notas fiscais dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, assim como corretas as declarações em suas GFIP, citando dispositivos da Lei 8.212/1991, Regulamento da Previdência Social (RPS) e Instrução Normativa SRF nº 971/2009, afirmando que “(...) neste sentido restando destacado nas notas fiscais expressamente o valor de repasse da remuneração aos associados e havendo previsão no contrato das despesas com materiais ou equipamentos próprios ou de terceiros, foi utilizado como base de cálculo aquele valor destacado, sendo sobre ele realizando o recolhimento da contribuição previdenciária devida (15% quinze por cento), bem como informado regularmente na GFIP os valores dos pagamentos realizados à cooperativa, razão pela qual deve ser reconhecido que houve o recolhimento correto da contribuição previdenciária e a declaração correta dos pagamentos na GFIP”; Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 5 4 2. em relação às notas fiscais de serviço de transporte dos prestadores Contrurban Engenharia e Construções Ltda., Confiança Transportes e Turismo Ltda., Delta Construções S/A, J P Aguiar Transportes Ltda., Julio Simões Logística S/A, MRC Transportes Ltda., Mugica Transportes Ltda., Qualix Serviços Ambientais Ltda., Transportes R N Freitas Ltda. ME, RTM Transportes Ltda., Transsabará Transportes Ltda., Transportes Siça e Dhara Ltda., Sircek – Transportes Ltda., Sil Soluções Ambientais Ltda., Transportadora Belém Ltda., Transcelalis Transportes Ltda., Transfroes Transportes Ltda., Transportes Guasseli Ltda., Transpicasso Transportes Ltda., Terraplanagem Eroni Machado Ltda., Transportes Saturnos Ltda., Transbilhan Transportes Ltda. e Transvivi Transportes Ltda., que “(...) os valores retidos nas respectivas notas fiscais foram efetivados no percentual de 11%, adotando como base de cálculo o percentual da mão de obra previsto nos contratos e lançados nas notas fiscais, não sendo razoável que seja desde logo entendido que a retenção procedida tenha sido a menor, pois a retenção de 11% foi procedida exatamente sobre a parcela que lhe serve como base para o cálculo, ou seja, a de mão de obra”; 3. em relação às empresas Transportes Redivo Ltda. e Transportes Provim Ltda., que estas sempre observaram, em suas notas fiscais, o destaque dos valores relativos a mão de obra como previsto nos contratos administrativos e planilhas de composição de preços; 4. quanto à empresa Transkuhn Transportes Kuhn Ltda., afirma ter esta apresentado suas notas fiscais sem qualquer destaque para retenção por entender haver amparo, para isto, no inciso XIX do parágrafo 2º do artigo 219 do RPS, na redação do Decreto 4.729/2003, que determinava retenção apenas para o transporte de passageiros, “razão pela qual não havia retenção a ser procedida”; 5. requer a improcedência e a anulação dos Autos de Infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS – por meio do Acórdão 1040.699 da 7a Turma da DRJ/POA – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, com a manutenção total do crédito tributário exigido, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que não é devido os valores apurados pelo Fisco, já que não está configurada a contratação de serviços de cooperativa de trabalho nem a cessão de mão de obra. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Porto Alegre/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões do recurso da Recorrente diz respeito à matéria fática relacionada com a base de cálculo e com o enquadramento da cessão de mão de obra, bem como a caracterização da prestação de serviços por cooperado, realizado por intermédio de cooperativa de trabalho: Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada (base de cálculo), o Fisco informa que as notas fiscais dos prestadores de serviços a Recorrente, mediante cessão de mão de obra e por intermédio de cooperativa de trabalho, não discriminam os valores relativos a equipamentos e materiais, incidindo a retenção dos 11% sobre o valor bruto da nota fiscal de serviço, assim como incidindo 15% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviço prestados pelos cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho (Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda). Em sentido contrário, a Recorrente afirma que há um erro na apuração da base de cálculo do lançamento fiscal, já que os contratos firmados, acompanhados de notas fiscais emitidas, apontam a distinção entre os valores oriundos exclusivamente do serviços e os valores oriundos dos materiais e equipamentos, delineados em planilhas de custos das empresas envolvidas, dentre elas: Delta Construções S.A.; Qualix Serviços Ambientais Ltda; Terraplenagem Eroni Machado Ltda; SIL Soluções Ambientais Ltda. Com relação à caracterização da cessão de mão de obra, o Fisco afirma que houve a contratação de empresas para a prestação de serviços contínuos, entretanto a Recorrente aponta que não está caracterizada a cessão de mão de obra, já que realizou os serviços por meio de empreitada total e por de meio de Convênio com a Entidade beneficente (Associação de Triadores de Resíduos Sólidos Domiciliares da Lomba do Pinheiro), inclusive em alguns casos ocorreu o transporte de carga e não coleta de resíduos, relacionado com as seguintes empresas: SIL Soluções Ambientais Ltda; Transporte KUHN Ltda; Transbilhan Transportes Ltda; Transportes RN Freitas Ltda; Terraplenagem Eroni Ltda; dentre outras. Nesse passo, a Recorrente também afirma que não houve a caracterização da realização dos serviços prestados pelos cooperados da Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda. Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal e na peça de impugnação. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 7 6 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório – inclusive cópias de documentos –, submetidos à controvérsia instaurada no presente processo. Com isso, após a alegação fática posta na peça recursal, é necessário que o Fisco verifique a apuração da base de cálculo e a caracterização da cessão de mão de obra e da prestação de serviços pelos cooperados da Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda, observando a escrituração contábil dentro de um contexto fático da atividade desenvolvida pela empresa e a apuração dos valores da base de cálculo das notas fiscais apresentadas pela Recorrente. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 8 7 concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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