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Numero do processo: 10935.904710/2012-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/08/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/08/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 47 10 /2 01 2- 65 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904710/201265 Acórdão n.º 3801002.432 S3TE01 Fl. 89 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904710/201265 Acórdão n.º 3801002.432 S3TE01 Fl. 90 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904710/201265 Acórdão n.º 3801002.432 S3TE01 Fl. 91 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904710/201265 Acórdão n.º 3801002.432 S3TE01 Fl. 92 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012036/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRRF. VALORES DECLARADOS E COMPENSADOS ALÉM DO EFETIVO RECOLHIMENTO.
No cálculo do IR devido, são compensáveis apenas os valores de imposto retido na fonte efetivamente recolhidos. As diferenças dos valores declarados e não comprovadamente pagos deverão ser glosados e lançados de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRRF. VALORES DECLARADOS E COMPENSADOS ALÉM DO EFETIVO RECOLHIMENTO. No cálculo do IR devido, são compensáveis apenas os valores de imposto retido na fonte efetivamente recolhidos. As diferenças dos valores declarados e não comprovadamente pagos deverão ser glosados e lançados de ofício. Recurso Voluntário Negado
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VALORES DECLARADOS E COMPENSADOS ALÉM DO EFETIVO RECOLHIMENTO. No cálculo do IR devido, são compensáveis apenas os valores de imposto retido na fonte efetivamente recolhidos. As diferenças dos valores declarados e não comprovadamente pagos deverão ser glosados e lançados de ofício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 20 36 /2 00 8- 43 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012036/200843 Acórdão n.º 2102002.618 S2C1T2 Fl. 3 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 22 a 25: A Notificação de Lançamento de fls. 03/05, lavrada em 08/09/2008, exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$21.913,95, assim discriminado: Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na declaração de ajuste anual de fls. 13/16, em nome do interessado, referente ao exercício 2007, ano calendário 2006, quando foram constatadas infrações fiscais, relativas A omissão de rendimentos e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF. Conforme expresso no item "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" da Notificação de Lançamento, a fl. 04 (verso/anverso), constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$5.840,36, referente A fonte pagadora Super Lanche Ltda., CNPJ n° 16.643.850/000148, assim como glosa no valor total de R$13.890,64, compensado indevidamente a titulo de IRRF, relativamente As fontes pagadoras Associação Comercial de Minas, CNPJ n° 17.268.822/000150 (R$5.736,14) e Magazine Luiza S/A, CNPJ n°47.960.950/0001 21 (R$8.154,50). Cientificado pessoalmente do lançamento, em 15/09/2008, o interessado apresentou na DRF/BH em 17/09/2008, impugnação de fls. 01/02, instruída com documentos de fls. 06/09, alegando, resumidamente, que: não procede a glosa de compensação indevida de IRRF em sua declaração, referente às fontes pagadoras Associação Comercial de Minas Gerais e Magazine Luiza S/A, pois no momento da elaboração da sua DIRPF/2007, ano calendário 2006, não estava de posse dos Comprovantes de Rendimentos recebidos no ano calendário 2006, e desse modo, tendo ciência dos valores recebidos mensalmente, conforme recibos de aluguéis emitidos, utilizou da ferramenta disponível no próprio site da Receita Federal, conforme cópias anexas As fls. 06/09; em momento algum teve a intenção de informar valores maiores em sua declaração, e, sendo assim, não pode ser punido pelo erro de elaboração das DIRF apresentadas pelas empresas citadas, assim como não foi comunicado da necessidade de retificar sua declaração; pelo exposto considera ter direito à impugnação da notificação de lançamento em epígrafe. Diante desses fatos, as alegações da impugnação – que foi parcial, referente somente as glosas de IRRF e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador Fl. 48DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012036/200843 Acórdão n.º 2102002.618 S2C1T2 Fl. 4 3 de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhados de provas suficientes, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento,resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Quando, na impugnação apresentada pelo contribuinte, a matéria do lançamento não foi por ele expressamente contestada, não há de se apreciar o seu mérito. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.GLOSA. A glosa é devida sempre que não restar comprovada a retenção do imposto de renda na fonte pleiteada como dedução do imposto devido. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 31/32, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume no seguinte: I. Que ao elaborar a declaração não teve acesso aos valores reais retidos do IR e por isso fez os cálculos conforme aplicativo disponível no sítio da RFB e por isso não deve ser apenado por erro desse aplicativo e II. Caso seja mantida a exigência, requer que os débitos sejam incluídos em parcelamento. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO LITÍGIO Tratamos nesse recurso exclusivamente das seguinte glosas: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012036/200843 Acórdão n.º 2102002.618 S2C1T2 Fl. 5 4 MÉRITO De acordo com as Dirfs de fls. 20/21 os valores glosados não merecem reparos considerando que nenhuma prova de pagamento superior aos valores ali considerados foram apresentados. Esclareço que o aplicativo citado para a finalidade de se encontrar alíquota efetiva de tributação utilizado pelo contribuinte não se presta para a finalidade que o recorrente pretendeu e por essa razão houve a discrepância e a glosa. Deveria sim o contribuinte a época da declaração ter se informado com a fonte pagadora ou através da Dirf eletrônica como bem assentou a autoridade recorrida acerca dos valores reais retidos. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 17460.000219/2007-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2403-000.005
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
converter o julgamento do recurso em diligência a fim de cientificar o contribuinte da decisão da DRJ e abrir prazo para interposição de recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator. Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausente o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000219/2007-79 Despacho n.º 2403-00.005 S2-C4T3 Fl. 215 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso de ofício apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 14- 17.129 - 9ª Turma, que julgou nulo o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória por ter sido a multa aplicada em valor inferior ao devido. O crédito inicialmente lançado era de R$ 1.646.741,42. A fiscalização, no Relatório Fiscal da Infração, folhas 15 e 16, assim descreveu os fatos que motivaram a autuação: 2. A empresa apresentou o documento previsto no artigo 32, inciso IV da Lei n2 8.212 de 24/07/1991, acrescentado pela Medida Provisória 1596-14/1997, convertida na Lei n° 9.528 de 10/12/1997, regulamentada pelo Decreto n° 2.803 de 20/10/1998 e Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°3.048/99 as Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP's e Guias de Recolhimentos Rescisórios do FGTS e Informações à Previdência Social — GRFP, do período objeto de fiscalização (01/1999 a 10/06), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições. Este procedimento constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 5. 2 , da Lei n. 8212, de 24/07/91, acrescentado pela Lei n. 2 9.528/97, para o período de 01/99 a 10/2006, conforme destacamos: 2.1. Remuneração pagas e/ou creditadas a contribuintes individuais (autônomos) constantes de Planilha anexa, conforme Códigos de Levantamento incluído na NFLD No. 37069.625-5: LEVANTAMENTO PLA-PRO-LABORE E AUTÔNOMOS Período de 01/99 a 08/2006; 22. Remuneração pagas e/ou creditadas a contribuintes individuais (Pró-labore a Autônomos), constantes de Planilha Anexa, cujas contribuições foram regularmente recolhidas. 2.3. Remuneração pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (empresários) das empresas LA DOS SANTOS GARCIA CALÇADOS LTDA—EPP, LC FINATI CALÇADOS LTDA—EPP, GONÇALEZ & BOSQUETTE LTDA—EPP, DEBORTOLI & DEBORTOLI CALÇADOS LTDA—EPP, V A VITORETTE CALÇADOS LTDA—EPP e STÁBILE & BENASSE CALÇADOS LTDA—EPP, todos considerados pela fiscalização como empregados da BICAL – BIRIGUI CALÇADOS IND. E COM. LTDA, face a existência dos pressupostos caracterizadores da relação de emprego: não eventualidade, pessoalidade, onerosidade e subordinação. Os valores constam de Planilhas Anexas e foram incluídos na NFLD No. 37.069.622-0 A ciência do lançamento ocorreu em 17/04/2007, após o que a recorrente apresentou impugnação. A DRJ, na sessão de 04 de outubro de 2007, onde foi proferido o Acórdão n° 14- 17.129 - 9ª Turma, por unanimidade de votos, entendeu que houve a infração porém, como o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000219/2007-79 Despacho n.º 2403-00.005 S2-C4T3 Fl. 216 3 valor da multa aplicada estava incorreto decidiu pela nulidade do auto de infração e assim se manifestou: Quanto ao valor da multa aplicada, a mesma foi calculada, conforme já dito, com base na Portaria MPS 342, de 16 de agosto de 2006 (DOU 17/08/2007)(sic) que estabelece R$ 1.156,95 (um mil cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos) como o valor mínimo da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS para a qual não haja penalidade expressamente cominada. Ocorre que tal Portaria foi revogada pela Portaria MPS 142, de 11 de abril de 2007 que estabeleceu, a partir de 01/04/2007, o valor mínimo da multa pelas infrações mencionadas no parágrafo anterior, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos). A Portaria 142 foi publicada no DOU de 12/04/2007 e seu artigo 12 dispõe que a mesma entra em vigor na data de sua publicação. Tendo sido lavrado o auto-de-infração em 13/04/2007, se sujeita o mesmo aos valores estabelecidos pela Portaria 142, publicada no dia anterior. Assim, o fundamento legal, no que tange à Portaria de atualização dos valores da multa aplicada, está incorreto, e conseqüentemente, o valor mínimo que foi levado em consideração para cálculo da multa nas competências: 05 a 08/2003, 10/2003, 11/2003, 01 a 11/2004, 01 a 12/2005 e 01 a 10/2006 está a menor posto que a fiscalização utilizou como tal R$ 1.156,95 (com base na Portaria 342) quando o correto seria R$ 1.195,13 (Portaria 142). A Portaria RFB 10.875, de 16 de agosto de 2007 (DOU 24/08/2007), ao dispor em seu artigo 28, que serão sanadas as irregularidades, incorreções e omissões diversas daquelas previstas no artigo 27, refere-se aos vícios passíveis de saneamento. No presente caso é impossível corrigir o valor do auto-de- infração para maior, sendo que o sistema que gerencia os processos decorrentes de lançamentos efetuados pela fiscalização não admite essa possibilidade. Considerando o vício formal insanável relatado nos parágrafos anteriores, não serão apreciadas as argüições preliminares formuladas pela autuada. Assim, diante da situação apresentada, não resta a este órgão julgador outra decisão que não seja o reconhecimento e a declaração da NULIDADE do presente auto-de-infração em decorrência do mesmo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000219/2007-79 Despacho n.º 2403-00.005 S2-C4T3 Fl. 217 4 ter sido lavrado em valor a menor, e o conseqüente CANCELAMENTO da multa aplicada. Registro que não há no processo registro da ciência da contribuinte do resultado do julgamento realizado pela DRJ, nem recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000219/2007-79 Despacho n.º 2403-00.005 S2-C4T3 Fl. 218 5 VOTO Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O processo administrativo fiscal é regido por um conjunto de princípios, dentre os quais o contraditório e a ampla defesa. Neste processo se verifica o vício de não ter sido dado ciência à contribuinte do resultado do julgamento efetuado pela DRJ, o que impede o contraditório e a ampla defesa Entendendo que é possível sanar o vício acima apresentado. Para tanto, faz-se necessário converter o julgamento do recurso em diligência a fim de cientificar o contribuinte da decisão da DRJ e abrir prazo para interposição de recurso voluntário. É como voto. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10945.900068/2013-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/12/2011
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 23/12/2011 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 68 /2 01 3- 15 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900068/201315 Acórdão n.º 3801003.019 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900068/201315 Acórdão n.º 3801003.019 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900068/201315 Acórdão n.º 3801003.019 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900068/201315 Acórdão n.º 3801003.019 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900068/201315 Acórdão n.º 3801003.019 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900068/201315 Acórdão n.º 3801003.019 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900068/201315 Acórdão n.º 3801003.019 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10840.907141/2009-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que ainda tenha sido objeto de aproveitamento em compensação ou ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que ainda tenha sido objeto de aproveitamento em compensação ou ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, tornao líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que ainda tenha sido objeto de aproveitamento em compensação ou ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 71 41 /2 00 9- 63 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de pedido de compensação não homologado decorrente de direito de crédito tributário oriundo de pagamento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, relativo ao período de apuração 01.03.2004 a 31.03.2004 no valor de R$ 3.021,62 (três mil e vinte um reais e sessenta e dois centavos). A Recorrente insurgiu contra a não homologação da Dcomp nº 13955.71918.150506.1.3.048392, por meio da qual pretendia compensar débito da Cofins apurado em abril de 2006 no valor R$ 216,48 com créditos referentes à Cofins recolhida a maior em 15/04/2004 relativa ao período de 03/2004. O pleito restou indeferido. Ciente da decisão foi apresentado Manifestação de Inconformidade, anexado cópia da DIPJ e cópia do DARF. Sustenta que o pedido está consubstanciado nos dados registrados nos livros fiscais e contábeis e declarados por meio da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A decisão hostilizada afastou os argumentos da Recorrente escorado ao fato de que a DIPJ não se revelar documento hábil e capaz de provar a existência do crédito que se está pleiteando. Afirma também se existisse deveria ter sido apresentado DCTF retificadora. Na fase recursal a Recorrente cuidou de trazer à colação cópia dos livros contábeis, notas fiscais e planilhas de cálculos buscando demonstrar a real base de cálculo e o valor correto do débito apurado, que comparado com o DARF de pagamento restaria confirmado o recolhimento a maior do que o devido. Por meio da Resolução nº 3403000.291 de 13 de fevereiro de 2012 essa Turma decidiu em transformar o julgamento em diligência para que fosse apurado a existência de saldo credor favorável ao contribuinte com base nos documentos fornecidos e outros procedimentos que entendesse necessário para apurar a verdade. Concluído a diligência esses autos retornam a esse Colegiado com o parecer da fiscalização informando a existência de saldo disponível para ser utilizado na DCOMP de R$ 3.021,62 (três mil e vinte um reais e sessenta e dois centavos), como se infere do próprio relatório aqui transcrito: “Processo 10840.905.880/200911 Contribuinte SERVIÇOS MÉDICOS E ASSISTENCIAIS DE BARRINHA S/S LTDA EPP CNPJ/CPF 03.330.439/000170 Sr. Chefe, O presente processo trata de manifestação de inconformidade através da qual o contribuinte se insurgiu contra a não homologação da Dcomp nº 31767.74988.170205.1.3.04 0519, por meio da qual pretendia compensar a Cofins incidente em 01/2005 (R$ 237,80) com créditos referentes à Cofins recolhida a maior em 15/03/2004 (período 02/2004). O contribuinte transmitiu mais 4 Dcomp’s nas quais pretendia aproveitar o mesmo crédito: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.907141/200963 Acórdão n.º 3403002.715 S3C4T3 Fl. 8 3 Nº PER/Dcomp Processo PER/Dcomp Valor pleiteado Situação 04156.64662.160904.1.3.048371 10840.903511/200811 R$ 72,42 não homologado 23049.63496.151004.1.3.047151 10840.903512/200857 R$ 71,34 não homologado 20983.30832.121104.1.3.04 7474 10840.903515/200891 R$ 95,77 não homologado 35244.18523.130105.1.3.041035 10840.905879/200996 R$ 43,58 Recurso voluntário O despacho decisório proferido em 25/05/2009 não homologou a compensação, em virtude do pagamento de Cofins já ter sido integralmente utilizado (f. 7), já que na DCTF, o valor devido da Cofins coincidia com o valor total do pagamento (R$ 1.098,10). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (f. 11), alegando que a DIPJ é que conteria o valor correto da Cofins devida em 02/2004: R$ 610,30. O processo foi encaminhado para a DRJ, que jugou a manifestação improcedente através do acórdão nº 14 31.048, de 28/09/2010 (fs. 127133). O contribuinte apresentou recurso, encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que através da Resolução nº 3403000.291 (fs. 166168), de 13/02/2012, converteu o julgamento em diligência: “Diante do exposto, voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para que os autos retornem a Autoridade de Piso para apurar com base nos elementos fornecidos e outros procedimentos que se fizerem necessários o valor correto do indébito. Deise vista a Interessada, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, após retorne os autos esse Colegiado.” Os autos foram encaminhados a este Setor. Inicialmente, cabe observar que o ramo de atividade do contribuinte na época era clínica médica (CNAE nº 85.13 8/01). A partir de 02/2004, conforme a Lei nº 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins era composta por: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” Sendo o contribuinte optante da tributação pelo lucro real, em 02/2004, apurava a Cofins pelo regime nãocumulativo. De acordo com as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte (fs. 140145), o Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados (f. 139), a DIPJ (f. 91) e a Dacon (f. 178), o total da base de cálculo da Cofins no período 02/2004 era R$ 27.791,06. De acordo com o artigo 2º da Lei nº 10.833/2003, a alíquota da Cofins era de 7,6%. Assim, temse que: Período Base de Cálculo Cofins Valor da Cofins 02/2004 R$ 27.791,06 R$ 2.112,12 Do valor da Cofins apurada, a Lei nº 10.833/2003 permitia que fossem descontados créditos calculados, entre outros itens, em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços (inciso II do artigo 3º). Conforme a DIPJ (f. 79), a Dacon (f. 177) e as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte (fs. 146155), foram descontados os seguintes créditos relativos a serviços e mercadorias utilizados como insumos: Tipo de Insumo Notas Fiscais Valor total Serviços 4996, 5050, 58613, 4494, 61807, 2244 R$ 5.190,18 Mercadorias 6897, 19393, 70595, 127063 R$ 1.228,20 Apesar de algumas aquisições de mercadorias terem sido efetuadas em 01/2004, foi considerado que as mesmas gerariam crédito para o período 02/2004, em virtude do parágrafo 4º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003: “§ 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes.” O inciso III do mesmo artigo previa ainda que poderiam ser descontados créditos referentes à energia elétrica. Conforme a nota fiscal constante à f. 156, e o informado na DIPJ (f. 79) e Dacon (f. 177), o gasto de energia elétrica em 02/2004 foi de R$ 1.407,15. Portanto, o contribuinte tem direito aos seguintes créditos de Cofins: Bens utilizados como insumos R$ 1.228,20 Serviços utilizados como insumos R$ 5.190,18 Despesas de energia elétrica R$ 1.407,15 Total de créditos R$ 7.825,53 Créditos de Cofins (alíquota 7,6%) R$ 594,74 O contribuinte descontou ainda a Cofins retida na fonte por Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.907141/200963 Acórdão n.º 3403002.715 S3C4T3 Fl. 9 5 outras pessoas jurídicas, conforme artigos 30 e 31 da Lei nº 10.833/2003: “Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (…) Art. 31 . O valor da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, de que trata o art. 30, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente.” Nas notas fiscais emitidas pelo contribuinte Serviços Médicos e Assistenciais de Barrinha S/S Ltda. EPP (fs. 140145), pela prestação de seus serviços, pôdese verificar que houve retenção da Cofins à alíquota de 3%, conforme tabela a seguir: Nota Fiscal Valor Total do Serviço Cofins retida 159 R$ 13.000,00 R$ 390,00 160 R$ 1020,00 R$ 30,60 161 R$ 9.181,20 R$ 275,43 162 R$ 863,85 R$ 25,99 165 R$ 1.283,19 R$ 0,00 166 R$ 2.442,82 R$ 73,28 Total R$ 795,30 Observese que na nota fiscal nº 165, f. 144, constava retenção apenas de IRRF, e não de Cofins. Tal informação foi confirmada pelo total da nota, que correspondia à soma do valor do serviço prestado adicionado apenas do IRRF retido. Ressaltese ainda que na tabela de f. 136, constava que a nota nº 158, de 26/01/2004, faria parte das receitas do mês 02/2004 e que a retenção de Cofins a ela correspondente, comporia o total a ser deduzido da Cofins devida em 02/2004. Tal informação está incorreta. Primeiramente, verificase que o total das receitas de 02/2004 correspondia à soma das notas de nº 159 a 166 (R$ 27.791,06), não incluindo a nota nº 158. Além disso, sendo referente ao mês de 01/2004, não há porque a retenção de Cofins efetuada naquele mês ser somada às retenções de 02/2004. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Portanto, o total da Cofins retida com base no artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 no período 02/2004 foi de R$ 795,30. Concluindo, a Cofins a pagar apurada em 02/2004 está demonstrada a seguir: Receita da Prestação de Serviços (BC Cofins) R$ 27.791,06 Cofins (7,6%) R$ 2.112,12 () Créditos descontados no mês R$ 594,74 (=) Cofins após desconto dos créditos R$ 1.517,38 () Cofins retida na fonte R$ 795,30 (=) Cofins a pagar R$ 722,08 Pagamento efetuado em 15/03/2004 R$ 1.098,10 Total do pagamento que restou disponível para compensação, após amortizar a Cofins incidente em 02/2004 R$ 376,02 Portanto, após análise, foi apurado que o valor da Cofins devida em 02/2004 é R$ 722,08. Como o contribuinte havia alegado que o valor correto da Cofins devida em 02/2004 era R$ 610,30, foram glosados R$ 111,78. Considerando o pagamento realizado em 15/03/2004, o total de créditos de Cofins disponíveis para compensação é de R$ 376,02. Observese que a Dcomp nº 35244.18523.130105.1.3.04 1035 (processo nº 10840.905879/200996) se refere ao mesmo crédito que o pleiteado no presente processo, e também foi submetida à diligência por esta DRF. À consideração superior.(Assinado digitalmente) Denise Aparecida Aguiar Vilas Boas Fantinel AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula 1.220.539 Data: 05/04/2013. De acordo. Encaminhese o processo à Eqorc/Seort/DRF/RPO para que o contribuinte seja cientificado da Resolução de fs. 166168 e deste despacho, e apresente manifestação no prazo de 30 dias, se assim desejar. Após a ciência, retornar este processo ao CARF”. Instado a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente quedou se. É o Relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda neste caderno gira em torno da existência de saldo credor favorável a Recorrente, cujo pleito restou indeferido, assim como, restou mantido pela decisão ora recorrida. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.907141/200963 Acórdão n.º 3403002.715 S3C4T3 Fl. 10 7 Pouco há de se discutir e acrescentar ao trabalho da diligência efetivada em razão da clareza, a qual possibilita o julgador a decidir alicerçado em dados concretos. A interessada foi intimada a se manifestar não se opôs ao resultado da diligência fiscal. Tomando os cálculos contidos na diligência como embasamento para decidir, conforme transcrito aqui: “Considerando o pagamento realizado em 15/03/2004, o total de créditos de Cofins disponíveis para compensação é de R$ 376,02.” “Observese que a Dcomp nº 35244.18523.130105.1.3.041035 (processo nº 10840.905879/200996) se refere ao mesmo crédito que o pleiteado no presente processo, e também foi submetida à diligência por esta DRF”. ”. Em assim sendo, norteado no parecer fiscal de fls. 180/184 que aponta existência de crédito decorrente de pagamento a maior da COFINS disponível para compensação ou restituição no total de R$ 376,02 (trezentos e setenta e seis reais e dois centavos) impõe em reconhecer o direito buscado pelo contribuinte. Diante do exposto conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento parcial para assegurar o direito de compensar débitos até o limite apontado no relatório fiscal observando as compensações solicitadas com o mesmo crédito. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10580.002899/2001-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1993, 1994, 1996, 1997, 1998
PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
A teor do RE nº 566.621, julgado na sistemática do art. 543-A do CPC, o prazo de prescrição do direito à restituição é de dez anos para os pedidos formulados até de 09 de junho de 2005.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de processo de restituição, cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A teor do RE nº 566.621, julgado na sistemática do art. 543A do CPC, o prazo de prescrição do direito à restituição é de dez anos para os pedidos formulados até de 09 de junho de 2005. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de restituição, cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 28 99 /2 00 1- 64 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de pedido de restituição por pagamento indevido ou a maior formalizado em formulário de papel em 15/05/2001, relativo aos recolhimentos informados na fl. 09, efetuados entre 31/08/1993 e 30/04/1998. A este processo o contribuinte vinculou várias declarações de compensação eletrônicas. O contribuinte anexou ao pedido de restituição a petição de fls. 2 a 8. Na referida peça o contribuinte discorre sobre vários assuntos e não é conclusivo quanto ao motivo do indébito. Do que ali se encontra escrito, o único motivo plausível que renderia ensejo ao indébito seria a denúncia espontânea. Os pagamentos relativos aos vários tributos teriam sido efetuados em situação de espontaneidade, mas com a inclusão de juros e multa de mora. Por meio do despacho decisório de fls. 322/329, a autoridade administrativa indeferiu a restituição, sob o argumento de que o contribuinte não comprovou a certeza e a liquidez do indébito alegado e que ocorreu a prescrição de uma parte dos supostos pagamentos indevidos. Quanto à falta de comprovação do direito de crédito, o despacho decisório esclarece que o contribuinte simplesmente teria alegado que os pagamentos se encontram "disponíveis" no sistema da RFB denominado SINCOR, não demonstrando que os pagamentos efetuados foram superiores às respectivas obrigações tributárias. Indeferido o crédito, foram declaradas tacitamente homologadas as declarações de compensação de fls. 46/53 e não homologadas as demais compensações. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) nulidade do despacho decisório; 2) que possui direito líquido e certo à restituição pleiteada; 3) que tem direito liquido e certo a utilizar esse crédito para compensação de outros tributos; 4) que o prazo decadencial para o pedido de restituição só pode começar a correr a partir da publicação da Resolução do Senado, conforme decisão do STJ. Por meio do Acórdão 28.131, de 31 de agosto de 2001, a 2ª Turma da DRJ Salvador julgou a manifestação de inconformidade improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Tendo o despacho decisório preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições de o interessado apresentar a sua manifestação de inconformidade, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1993, 1994, 1996, 1997, 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Prescreve em cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário, o direito de pleitear a restituição por pagamento a maior ou indevido. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.002899/200164 Acórdão n.º 3403002.812 S3C4T3 Fl. 4 3 Indeferemse os pedidos de restituição e compensação, quando não resta comprovada a liquidez e certeza do crédito tributário informado pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 23/08/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/09/2012, no qual reafirmou seu direito à restituição e compensação, transcrevendo excertos de decisões judiciais que confirmam seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. São duas questões a serem analisadas por este colegiado: (i) a prescrição do direito à restituição do indébito e (ii) a comprovação da certeza e liquidez do indébito alegado pelo contribuinte. A questão do prazo de decadência do direito dos contribuintes solicitarem a repetição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação trilhou um caminho tortuoso. Atualmente esta questão está pacificada em razão do advento do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e a evolução jurisprudencial que culminou na declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, sob o regime do art. 543A do CPC. Em pesquisa efetuada na página de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, verificase que a questão da eficácia retroativa da Lei Complementar nº 118/2005 foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática do art. 543A do CPC no Recurso Extraordinário nº 566.621. Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543A do CPC, Recurso Extraordinário nº 566.621, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO (SIC) LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado desta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Recurso extraordinário desprovido.” Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. No caso dos autos, verificase que o pedido de restituição foi formalizado em 15/05/2001, o que significa que nenhum dos pagamentos relacionados na fl. 09 dos autos, tidos como indevidos pelo contribuinte, foram atingidos pela prescrição. Entretanto, o contribuinte em momento algum conseguiu demonstrar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.002899/200164 Acórdão n.º 3403002.812 S3C4T3 Fl. 5 5 O contribuinte, em sua petição inicial, discorreu sobre uma série de fatos e assuntos, mas não estabeleceu uma correlação lógica entre eles. Do que ali está escrito, a única razão que poderia fundamentar o pedido de restituição seria os pagamentos terem sido efetuados em condição de espontaneidade e com a adição dos encargos da mora. Reforça essa conclusão o fato de o contribuinte ter relacionado na fl. 09 pagamentos relativos a várias espécies tributárias e não ter indicado em relação a cada uma delas, de modo específico, a razão pela qual considera o pagamento indevido. A Súmula 360 do STJ estabelece o seguinte: "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." Inexistindo prova nos autos de que os pagamentos relacionados à fl. 09 foram feitos em relação a tributos que não se encontravam declarados, há que se indeferir o pleito do contribuinte, pois o STJ não considera em situação de espontaneidade os pagamentos relativos a débitos declarados efetuados após o vencimento legal da obrigação. Inadimplência não se confunde com denúncia espontânea. Ademais, o art. 170 do CTN estabeleceu que a compensação tributária deve ser efetuada entre débitos e créditos líquidos e certos do mesmo contribuinte. A certeza mencionada no referido dispositivo legal se refere à certeza jurídica da existência do direito ao crédito, enquanto que a liquidez se refere à comprovação do valor do indébito. No caso deste processo, o contribuinte não demonstrou a certeza jurídica quanto ao direito de crédito, pois (i) se o fundamento do pedido foi a denúncia espontânea, não demonstrou que os pagamentos relacionados na fl. 09 antecederam a declaração do tributo; e (ii) se o fundamento do indébito foi outro motivo qualquer, deixou de declinar esse motivo em relação a cada uma daquelas espécies tributárias. O contribuinte também não demonstrou a liquidez do valor pleiteado, pois deixou de trazer aos autos documentos contábeis aptos a comprovarem as bases de cálculo corretas ou os valores que deveriam ter sido corretamente recolhidos. Tratandose de processo de restituição, cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos de seu direito, a teor do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Não tendo o contribuinte se desincumbido desse ônus processual, só resta a este colegiado negar o direito à restituição e manter a decisão recorrida e o despacho decisório da autoridade administrativa. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10830.720004/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
Base de Cálculo. Matéria já Apreciada.
No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de oficio, que teria retificado a base de cálculo do tributo em período anterior, objeto de julgamento em outro processo.
Por ter sido levada a discussão de mérito da exigência formalizada no presente auto de infração ao conhecimento e pronunciamento definitivo dos órgãos judiciais competentes para decidir a questão, com força de coisa julgada, a autoridade administrativa deve deixar de se pronunciar dado o princípio da unicidade da jurisdição e à prevalência hierárquica da decisão judicial sobre a administrativa.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Liminar em Mandado de Segurança. Suspensão da Exigibilidade. Débitos Lançados versus Débitos Compensados.
A decretação judicial da suspensão da exigibilidade dos débitos, objeto de lançamento de oficio, não abrange os débitos compensados com o direito creditório, cuja certeza e liquidez ficou comprometida pela recomposição de oficio da base de cálculo.
Estimativas. Extinção. Comprovação.
Devem ser invalidadas as compensações de estimativas, efetuadas com saldos negativos de períodos anteriores, completa ou parcialmente absorvidos por lançamento de oficio, assim como aquelas cujo direito creditório utilizado nas compensações não foi comprovado.
Mudança de Critério Jurídico.
Incabível no presente litígio a argüição de mudança de critério jurídico, quando se verifica que o ato de não-homologação das compensações vinculadas ao saldo negativo é mera repercussão de lançamentos de efetuados em outros processos.
CONSULTA. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO.
Somente a apresentação de Consulta formal sobre a interpretação da legislação tributária nos termos definidos no Processo Administrativo Fiscal se incluem entre as normas complementares a que alude o art. 100, do CTN.
Compensação Não-Homologada. Incidência de Acréscimos Moratórios. Juros Selic.
Legítima a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos indevidamente compensados com direito creditório, cuja certeza e liquidez teria ficado comprometida após lançamento de oficio, julgado procedente em decisão definitiva na esfera administrativa, e validado por sentença denegatória em mandado de segurança.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
Numero da decisão: 1301-001.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakskon da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Matéria já Apreciada. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de oficio, que teria retificado a base de cálculo do tributo em período anterior, objeto de julgamento em outro processo. Por ter sido levada a discussão de mérito da exigência formalizada no presente auto de infração ao conhecimento e pronunciamento definitivo dos órgãos judiciais competentes para decidir a questão, com força de coisa julgada, a autoridade administrativa deve deixar de se pronunciar dado o princípio da unicidade da jurisdição e à prevalência hierárquica da decisão judicial sobre a administrativa. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Liminar em Mandado de Segurança. Suspensão da Exigibilidade. Débitos Lançados versus Débitos Compensados. A decretação judicial da suspensão da exigibilidade dos débitos, objeto de lançamento de oficio, não abrange os débitos compensados com o direito creditório, cuja certeza e liquidez ficou comprometida pela recomposição de oficio da base de cálculo. Estimativas. Extinção. Comprovação. Devem ser invalidadas as compensações de estimativas, efetuadas com saldos negativos de períodos anteriores, completa ou parcialmente absorvidos por lançamento de oficio, assim como aquelas cujo direito creditório utilizado nas compensações não foi comprovado. Mudança de Critério Jurídico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 00 04 /2 00 9- 35 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Incabível no presente litígio a argüição de mudança de critério jurídico, quando se verifica que o ato de nãohomologação das compensações vinculadas ao saldo negativo é mera repercussão de lançamentos de efetuados em outros processos. CONSULTA. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO. Somente a apresentação de Consulta formal sobre a interpretação da legislação tributária nos termos definidos no Processo Administrativo Fiscal se incluem entre as normas complementares a que alude o art. 100, do CTN. Compensação NãoHomologada. Incidência de Acréscimos Moratórios. Juros Selic. Legítima a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos indevidamente compensados com direito creditório, cuja certeza e liquidez teria ficado comprometida após lançamento de oficio, julgado procedente em decisão definitiva na esfera administrativa, e validado por sentença denegatória em mandado de segurança. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakskon da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.720004/200935 Acórdão n.º 1301001.657 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase de compensação (DCOMPs relacionadas), vinculados ao saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 2001, conforme DIPJ de fls. 34/40, no valor originário respectivamente de R$ 5.409.565,30. A DRF Campinas/SP elaborou o Despacho Decisório n° 15/2009 de fls. 50/53, sob os seguintes fundamentos: • que o saldo negativo de CSLL no valor de R$ 5.409.565,30 seria oriundo de antecipações de estimativas mensais dos meses de janeiro a junho de 2001, no total de R$ 5.365.732,09 e de retenções por órgãos públicos no valor de R$ 43.833,21; • que as estimativas teriam sido compensadas com saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997; • que teria sido lavrado auto de infração contra a empresa, no processo n° 10830.002286/0095, tendo por objeto exigência de CSLL nos anoscalendário de 1997 e 1998, nos valores respectivamente de R$ 37.674.398,96 e R$ 10.510.279,08; • que já teria sido proferida decisão administrativa definitiva, favorável à procedência das exigências e os débitos teriam sido encaminhados para inscrição em Dívida Ativa; • que o lançamento de oficio de CSLL do anocalendário de 1997, no valor de R$ 37.674.398,96, seria suficiente para desconstituir o saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ de R$ 23.827.399,16; • que com a reversão do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997, não poderiam ser confirmadas as compensações das estimativas mensais devidas no anocalendário de 2001; • que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998 também não teria sido reconhecido, conforme decisão prolatada no âmbito dos autos 10830.901327/200685 pela DRJ/Campinas; • que a CSLL retida por órgãos públicos pode ser confirmada no valor de R$ 43.833,21. Diante de tais suportes fáticos, a DRF Campinas/SP homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001, no valor de R$ 43.833,21. A manifestação de inconformidade traz em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito. Diz que teria apresentado as DCOMP apreciadas no âmbito dos presentes autos para compensar o crédito de saldos negativos de IRPJ e CSLL do período de outubro a dezembro de 2000. Afirma que as DCOMP teriam sido reunidas nos processos n° Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 10830.72004/200935 (este) e 10830.720010/200992, mas apenas haveria decisão nos autos do processo n° 10830.72004/200935, sendo indevidas as cobranças dos débitos do processo n° 10830.720010/200992. Requer a decretação da nulidade da cobrança dos débitos vinculados ao processo n° 10830.720010/200992, por ausência de motivação e cerceamento ao direito de defesa. Assevera que a exigência decorrente do processo n° 10830.72004/200935 (este) seria insubsistente por estar desacompanhada da devida motivação e implicar cerceamento ao direito de defesa. Adiante afirma violação ao direito de petição, ao devido processo legal, à ampla defesa e ao dever de motivar. Em suas palavras: "De fato, com relação a esse processo, a Impugnante desconhece as razões para indeferimento de sua pretensão, o que impede o exercício do direito de defesa que, segundo a Constituição Federal, há de ser garantido de forma ampla ". Questiona as autuações formalizadas no âmbito do processo n° 10830.002286/0095 que teriam fundamentado a nãohomologação das compensações ora sob apreciação. Afirma mudança de critério jurídico, na medida em que teria solicitado obtido autorização do Secretário da Receita Federal — SRF, na Nota/MF/SRF/Cosit/GAB n° 157, de 1998, para o lançamento do débito quitado, mediante novação formalizada com a Fundação CESP, como despesa operacional, e a dedução integral das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, no exercício de 1997. A DRF em Campinas, com base em Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, teria questionado a CoordenaçãoGeral de Tributação — Cosit sobre o alcance de referida Nota. Em resposta, a Cosit teria emitido a Nota/SRF/Cosit/DIRPJ no 21 de 17/01/2000, para alterar o entendimento antes manifestado, e concluir que a Nota n° 157, de 1998, não se aplicaria ao caso, por não se tratar de novação. Diante disso, teriam sido efetuados os lançamentos de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1997 e 1998 (processo no 10830.002286/0095). Como não teria obtido êxito para cancelar as autuações na esfera administrativa, a empresa teria impetrado Mandado de Segurança n° 2003.61.05.0056568 na 6a. Vara Federal Cível de Campinas/SP. Aduz que, na vigência da liminar obtida no MS no 2003.61.05.0056568, teria sido lavrado outro lançamento, relativo ao anocalendário de 1999 (processo n° 10830.009444/200342), por compensação indevida de prejuízo fiscal, dando repercussão da recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, efetuada no processo n° 10830.002286/0095, nos períodos subseqüentes. Referese também aos lançamentos efetuados e relativos ao período de apuração de 01/10 a 31/12/2000, efetuados no âmbito dos processos administrativos n° 10830.000040/200555 (IRPJ) e 10830.000041/200508 (CSLL), respectivamente. Invoca também a nulidade do despacho decisório por ter sido desconsiderada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diz que a base tributável apurada no processo administrativo n° 10830.002286/0095, e a conseqüente reversão da situação da Impugnante de credora para devedora, não gozariam de presunção de certeza e liquidez, na medida em que submetidas à apreciação da administração e do judiciário. Referese à liminar Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.720004/200935 Acórdão n.º 1301001.657 S1C3T1 Fl. 13 5 concedida no âmbito do Mandado de Segurança n° 2003.61.05.0056568, confirmada por decisão singular nos autos do Agravo de Instrumento no 2003.03.00.0317262. Assevera ainda que o "estoque negativo" de IRPJ e CSLL no período de outubro a dezembro de 2000 seria objeto de outra ação judicial — Medida Cautelar 2007.61.050115750, na qual teria sido oferecida Carta Fiança com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, garantia que foi aceita pelo juízo que concedeu o provimento cautelar. Em seu entender, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto dos lançamentos constantes dos processos n° 10830.000040/200555 e 10830.000041/200508, impediria a desconsideração dos saldos negativo de IRPJ e CSLL, apontados nas DCOMP como direitos creditórios a serem compensados com os débitos ali informados. Reafirma que quando da transmissão das DCOMP, objeto do presente processo, estaria suspensa a exigibilidade do crédito tributário lançado no processo administrativo n° 10830.002286/0095, que daria margem à reversão da situação da Impugnante de credora para devedora, nos termos da medida liminar obtida no processo n° 2003.61.05.0056568, confirmada por decisão singular nos autos do Agravo de Instrumento n° 2003.03.00.0317262. Em suas palavras: "Ora se ao Judiciário pareceram relevantes e suficientes os fundamentos aduzidos pela Impugnante para suspender a exigibilidade das importâncias exigidas com relação à glosa da compensação efetuada nos exercícios de 1997 e 1999, haveria a autoridade administrativa de, em acatamento à decisão proferida no referido processo, absterse da exigência ora impugnada, que reflete glosa de compensação dos mesmos prejuízos fiscais (saldo remanescente), no ano de 2000, alicerçandose nos mesmos fundamentos que levaram a suspensão da exigência do auto procedente por suspeita de falta de legitimidade, liquidez e certeza ". A cobrança dos débitos compensados nas DCOMP sob apreciação afrontaria o princípio da eficiência, na medida em que o procedimento da contribuinte estaria amparado em orientação da própria Administração, e cuja legitimidade estaria sendo reconhecida pelo Poder Judiciário. Junta jurisprudência para afirmar não ser possível a autuação, a inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da ação na pendência de medida liminar suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Assevera que a manutenção da cobrança dos débitos compensados acarretará gastos para o Erário Público com condenação na esfera judicial. Reitera a alegação de nulidade das autuações constantes do processo n° 10830.002286/0095, por mudança de critério jurídico. Defende a vinculação da Administração à resposta dada à consulta. Propugna que a interpretação consagrada na Nota n° 157 estaria em estrita consonância com a Lei, na medida em que o negócio jurídico celebrado entre a CPFL e a Fundação CESP teria configurado novação, " de vez que a extinção da dívida antiga e sua substituição por outra está perfeitamente caracterizada, assim como a alteração do objeto, tanto que um débito de natureza previdenciária foi substituído por outro, de natureza financeira ". Diz Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 haver juntado Parecer elaborado por um dos advogados signatários da peça de defesa, cujos argumentos estariam sendo reiterados como se o inteiro teor de referido trabalho estivesse transcrito na manifestação de inconformidade. Invoca os arts. 109 e 110 do CTN para afirmar a impossibilidade de alteração dos institutos de direito privado, para concluir: "(..) Não há Lei que impeça o contribuinte de deduzir as despesas relativas ao débito extinto por novação. Logo, à autoridade administrativa não cabe contornar a ausência de Lei alterando o conteúdo e o alcance desse instituto de direito privado, para negar a natureza de NOVAÇÃO a negócio jurídico que verdadeiramente a ostenta ". Subsidiariamente, requer: (i) a exclusão dos encargos das penalidades, dos juros de mora e da atualização monetária, por força do art. 100 do CTN; (ii) a exclusão da cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, por ofensa ao art. 192, §3° da CF e ao art. 161, § 1° do CTN, e por configurar juros remuneratórios, enriquecimento ilícito do Estado, ofensa ao princípio da legalidade e da capacidade contributiva, implicando confisco. Transcreve jurisprudência do STJ. Requer a juntada do processo administrativo que teria dado origem à Nota n° 157 e do processo administrativo n° 10830.002286/0095. A DRJ/CAMPINAS (SP) decidiu a matéria através do Acórdão 0525.820, de 02/06/2009 (fls. 330), não conhecendo das razões já apreciadas em outros processos administrativos ou levados à apreciação do Poder Judiciário, e não homologar as compensações vinculadas as bases negativas de CSLL do ano calendário de 2001, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 Base de Cálculo. Matéria já Apreciada. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de oficio, que teria retificado a base de cálculo do tributo em período anterior, objeto de julgamento em outro processo. Por ter sido levada a discussão de mérito da exigência formalizada no presente auto de infração ao conhecimento e pronunciamento definitivo dos órgãos judiciais competentes para decidir a questão, com força de coisa julgada, a autoridade administrativa deve deixar de se pronunciar dado o princípio da unicidade da jurisdição e à prevalência hierárquica da decisão judicial sobre a administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 Liminar em Mandado de Segurança. Suspensão da Exigibilidade. Débitos Lançados versus Débitos Compensados. A decretação judicial da suspensão da exigibilidade dos débitos, objeto de lançamento de oficio, não abrange os débitos compensados com o direito creditório, cuja certeza e liquidez ficou comprometida pela recomposição de oficio da base de cálculo. Estimativas. Extinção. Comprovação. Devem ser invalidadas as compensações de estimativas, efetuadas com saldos negativos de períodos anteriores, completa ou parcialmente absorvidos por lançamento de oficio, assim como aquelas cujo direito creditório utilizado nas compensações não foi comprovado. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.720004/200935 Acórdão n.º 1301001.657 S1C3T1 Fl. 14 7 Compensação NãoHomologada. Incidência de Acréscimos Moratórios. Legítima a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos indevidamente compensados com direito creditório, cuja certeza e liquidez teria ficado comprometida após lançamento de oficio, julgado procedente em decisão definitiva na esfera administrativa, e validado por sentença denegatória em mandado de segurança. Mudança de Critério Jurídico. Incabível no presente litígio a argüição de mudança de critério jurídico, quando se verifica que o ato de nãohomologação das compensações vinculadas ao saldo negativo é mera repercussão de lançamentos de efetuados em outros processos. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal ratifica as argumentações iniciais (impugnação), com pequenas variações relativas à decisão recorrida. De inicio é importante frisar que a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema faço referência as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e Resp. 876271/SP, julgado em 13/02/2007, cujas ementas são enfáticas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...). 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater se aos fundamentos por elas indicados.”(REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.” (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifei). A recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados nos votos condutores dos acórdãos, cada uma das alegações articuladas nas defesas, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto n° 70.235 de 1972, com redação dada pela Lei n° 8.748 de 1993. Cabe ainda esclarecer que na apreciação da prova, a autoridade julgadora pode formar livremente sua convicção fundamentada nos elementos produzidos nos autos, amparada no princípio da persuasão racional (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Passo então a apreciar as alegações do recorrente respeitando os tópicos conforme recurso. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.720004/200935 Acórdão n.º 1301001.657 S1C3T1 Fl. 15 9 Primeiro bloco referese as alegações de nulidade, a saber: 1) NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO COM RELAÇÃO AO PA 10830.720010/200992 e, 2) NULIDADE DA R. DECISÃO RECORRIDA POR DESCONSIDERAR A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE TRIBUTÁRIA. Alegações da recorrente quanto ao primeiro tópico: “Como descrito na impugnação, a Intimação SEORT/DRF/CPS/032/2009 encaminha DARF para pagamento das importâncias objeto do PA 10830.72010/200992, relativo a base de cálculo negativa de CSLL e IRPJ apuradas no período de outubro a dezembro de 2000. Ocorre que tal DARF veio desacompanhado do respectivo despacho que haveria de decidir, nos termos dos arts. 29 e 48 da IN SRF 600/2005, acerca do pedido de compensação apresentado nos termos da legislação em vigor (art. 26 da IN/SRF 600/2005).” Como bem assentado no voto condutor, ressaltese, que o processo n° 10830.720004/200935, que ora se examina, teria sido formalizado para receber as DCOMP eletrônicas vinculadas ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001. Todavia, o controle efetivado no âmbito destes autos restringese, por limitações operacionais, ao crédito utilizado nas compensações, ou seja, ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001. Impôsse, assim, a necessidade de formalização de um outro processo (n° 10830.720010/2009 92) para controle da extinção e/ou cobrança dos débitos compensados nas DCOMP ora sob apreciação. Podese verificar facilmente que os débitos cobrados conforme Darf de fls. 57/60 e vinculados ao processo de cobrança (n° 10830.720010/200992) são justamente aqueles informados como objeto de compensação nas DCOMP ora apreciadas às fls. 09, 13, 17, 21, 25 e 29. Com relação ao segundo tópico (suspensão da exigibilidade), extraise do voto recorrido: Patente, assim, que a concessão da liminar para suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, objeto de lançamento de ofício, não tem o condão de validar, ainda que precariamente, o direito creditório invocado nas DCOMP e, conseqüentemente, a compensação efetuada pela contribuinte. A suspensão da exigibilidade dos débitos compensados nas DCOMP sob apreciação decorre exclusivamente da presente manifestação de inconformidade ora apreciada, nos exatos termos dos §§ 9° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 (§§ incluídos pela Lei n° 10.833, de 2003): § 9° É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7° apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. ... Fl. 479DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Desta forma, completamente improcedente a invocação de nulidade do despacho decisório de não homologação da compensação, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído nos processos n° 10830.002286/0095. Acrescento mais, antes disso, há apenas decisões judiciais ou depósitos que suspendem a exigibilidade do crédito tributário (lançamento de ofício), mas não o extinguem nem atribuem certeza e liquidez às antecipações para validar a apuração credora defendida pela contribuinte recorrente. Pelo exposto é de se rejeitar as nulidades argüidas. Num segundo bloco, em conjunto, apreciaremos três pontos tendo em vista a correlação das matérias recorridas. 3) NULIDADE DA R. DECISÃO RECORRIDA POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE JUNTADA DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DOS QUAIS O PRESENTE É DECORRENCIAL. 4) NULIDADE DA AUTUAÇÃO POR REPRESENTAR ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO CONSTANTE DE ATO INDIVIDUAL APERFEIÇOADO E CIENTIFICADO AO CONTRIBUINTE, RELATIVAMENTE AO MESMO FATO GERADOR. 5) DA CORREÇÃO DO ENTENDIMENTO ESPOSADO NA NOTA 157 DETERMINAÇÃO DO SALDO NEGATIVO A COMPENSAR. No conjunto, insurgese a ora recorrente sob os seguintes argumentos, em síntese: Utilizandose das garantias supra transcritas (art 5o. da CF e 2o. da Lei 9784/99), a recorrente, requereu, quando do oferecimento da impugnação, a juntada do processo administrativo que deu origem à Nota 157 e, ainda, do processo administrativo 10830.002286/0095, a que se reportam à autuação. Tal requerimento tem a finalidade de demonstrar que naqueles autos restou, efetivamente, reconhecido que o negócio jurídico realizado com a Fundação CESP constitui verdadeira novação, a ensejar a dedutibilidade do débito por este meio quitado e, em conseqüência, a validar o crédito que a r. decisão recorrida reputa inexistente. A produção dessa prova foi indeferida pela r . decisão recorrida, adotando, como razão de decidir voto proferido nos autos do PA 10830.009444/200342, segundo o qual não teria sido formalizado o processo de consulta. (...) Fl. 480DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.720004/200935 Acórdão n.º 1301001.657 S1C3T1 Fl. 16 11 Consoante acima exposto, o procedimento do contribuinte, impugnado com o lançamento recorrido, foi adotado com base em orientação exarada pela autoridade fiscal, em resposta a consulta que a recorrente lhe dirigiu, manifestada na NOTA MF/SRF/COSIT/GAB no 157 de abril de 1989. A autuação em tela é manifestamente insubsistente uma vez que a orientação contida na NOTA 157, exarada em resposta à consulta formulada pela recorrente está em estrita consonância com a lei. Com efeito, o negócio jurídico celebrado entre a CPFL e a Fundação CESP configurou efetivamente NOVAÇÃO, conforme reconheceu a autoridade fiscal na NOTA 157, ao autorizar o lançamento do débito quitado segundo esse instituto jurídico como despesa operacional e a dedução integral do respectivo montante da base de cálculo do IR e da CSLL, no exercício de 1997, de acordo com o art. 301 do RIR/94, com a conseqüente apuração de um Prejuízo Fiscal e transformação de importâncias recolhidas a titulo de imposto e de contribuição na forma de estimativa ao longo daquele exercício e do inicio de 1998 em crédito a favor do contribuinte por tributos recolhidos a maior. A novação é instituto de direito privado que não pode ser modificado pelo direito tributário, que pode apenas dar a ela efeitos tributários. Não há lei que impeça o contribuinte de deduzir as despesas relativas ao débito extinto por novação. Logo, à autoridade administrativa não cabe contornar a ausência de lei alterando o conteúdo e o alcance desse instituto de direito privado, para negar a natureza de NOVAÇÃO a negócio jurídico que verdadeiramente a ostenta. Do voto recorrido transcrevese: Dos pedidos de juntadas de outros processos Quanto ao pedido de juntada aos autos do processo administrativo que teria dado origem à Nota Cosit n° 157, já se pronunciou a Ilma. Conselheira Sandra Maria Faroni, no Acórdão n° 10195.186, de 13 de setembro de 2005, (processo n° 10830.009444/200342), segue: "Sobre a recusa da juntada do ‘feito' de consulta: A Recorrente afirma não ser crível que a consulta formulada e a respectiva Nota 157 não tenham dado origem a procedimento administrativo, com a formação e autuação do respectivo processo. Todavia, tal não é só crível, como nem mesmo é razoável que ocorra o contrário, isto é, que todas as correspondências dirigidas ao Sr. Secretário sejam formalizadas como processo, tomando um número de protocolo e sob esse número correndo. Na verdade, quando se trata de consulta institucionalizada, conforme previsto em Lei, o expediente é protocolizado e encaminhado à autoridade competente para resposta, seguindo o procedimento previsto na Lei (Decreto 70.235/72 com as alterações da Lei 9.430/96). Casos de correspondências dirigidas ao Sr. Secretário em caráter não institucional não tomam habitualmente número de protocolo nem formam processo, ficando apenas arquivadas, com controle da correspondência que as respondeu (no caso, Oficio MF/SRF 643 de 09104/1998). Assim, no presente caso, parece nada haver mais a ser juntado ao processo, eis que já constam dos autos cópias requerimento dirigido pela CPFL ao Sr. Secretário da Receita Federal (fls. 183 a 190) e da correspondente resposta (Oficio 643 e Nota 157, às fls. 191/193). O requerimento da CPFL não faz menção de estar anexando cópia do contrato em torno do qual gira todo o questionamento. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 É verdade que na cópia do Oficio MF/SRF 643, de 0910411998 dirigido ao Presidente da CESP (fls. 524), consta ao alto a seguinte anotação manuscrita: Processo n° SRF 9811, de 06/03/1998. Esse número, todavia, não indica haver processo formalizado, eis que a numeração dos processos que tramitam neste Ministério é formada por cinco algarismos iniciais, que indicam o órgão no qual foi protocolizado o expediente, seguido de seis algarismos que indicam a ordem seqüencial de entrada, uma barra a separar o ano da protocolização e, finalmente, dois dígitos verificadores. Rejeito a preliminar de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa. Uma vez que não existe o processo administrativo cuja juntada se requer, seu indeferimento não caracteriza cerceamento de defesa. E, mais. Importante também esclarecer que não poderão ser reapreciados, no âmbito dos presentes autos, os fundamentos fáticos e jurídicos que teriam levado à glosa dos valores, contabilizados como despesas operacionais pela Companhia Paulista de Força e Luz/CPFL, com base em contrato celebrado com Fundação Cesp, em 31/10/1997, e que teriam redundado na recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 1997 e 1998, mediante lançamentos formalizados no âmbito do processo administrativo n° 10830.002286/0095. Além da definitividade da decisão na esfera administrativa acerca da validade dos lançamentos formalizados no âmbito do processo n° 10830.002286/0095, este órgão de julgamento está impedido de se pronunciar sobre o mérito daqueles atos administrativos, também dado o princípio da unicidade da jurisdição, consagrado no art. 5o. XXXV, da Constituição Federal e à prevalência hierárquica da decisão judicial sobre a administrativa, tendo em conta que o litígio correspondente foi levado ao conhecimento e pronunciamento dos órgãos judiciais competentes para decidir a questão, com força de coisa julgada. (...) Da mesma forma, não poderá ser reapreciada a glosa da compensação de bases de cálculo negativas de CSLL, nos períodos de apuração de 01/01/2000 a 30/09/2000, e de 01/10/2000 a 31/12/2000, efetuada no âmbito dos processos n° 10830.000039/200521 e 10830.000041/200508, respectivamente, em decorrência daquele lançamento anterior (reversão da base de cálculo negativa apurada em 1997). Conforme já informado pelo órgão local, os lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1997 e 1998, efetuados no âmbito do processo n° 10830.002286/0095, teriam sido julgados procedentes na primeira instância administrativa, conforme decisão de fls. 250/257. Em decorrência de o recurso à segunda instância, ter sido apresentado, após o prazo regulamentar, configurandose intempestivo (informação disponível no site do Conselho de Contribuintes fls. 249), aquela decisão teria se tornado definitiva. Da mesma forma, os lançamentos relativo à CSLL dos períodos de apuração de 01/01 a 30/09/2000 e de 01/10 a 31/12/2000, efetuados no âmbito dos processos administrativos n° 10830.000039/200521 e 10830.000041/200508, fundamentados na glosa da compensação da base de cálculo negativa, revertida pelo lançamento anterior, também já teriam sido apreciados administrativamente, tendo a Primeira Turma da DRJ Campinas, nos Acórdãos n° 9.447 e 9.449, de 20 de maio de 2005, julgado procedentes os lançamentos (fls. 258/269 e 270/281). As decisões teriam sido cientificadas à contribuinte em 27/06/2005 (fls. 293/294) e não consta registro nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil de recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.720004/200935 Acórdão n.º 1301001.657 S1C3T1 Fl. 17 13 Desta feita, como a recomposição das bases de cálculo da CSLL dos anos calendário de 1997, 1998 e de 01/01 a 30/09/2000 e de 01/10 a 31/12/2000, já teriam sido apreciadas, na esfera administrativa, agora, no âmbito da apreciação do direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL de 2001, cumpre apenas dar repercussão àquelas recomposições no direito creditório, e apreciar as matérias vinculadas exclusivamente à composição do referido saldo negativo, ao ato de não homologação das compensações e à cobrança dele decorrente. Verificase que, mesmo diante da decretação judicial da validade do lançamento, efetuado para exigir IRPJ e CSLL sobre base de cálculo não oferecida à tributação, nos anoscalendário de 1997 e 1998, a contribuinte não teria cancelado as DCOMP para compensação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, direito creditório cuja certeza e liquidez não teria subsistido após a retificação de oficio das bases de cálculo dos períodos anteriores e do próprio período. Observese que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, no valor de R$5.409.565,30, apurado na DIPJ 2002 (fls. 40), é formado basicamente de antecipações mensais de estimativas no valor total de R$ 5.365.732,09 e de retenções por órgãos públicos de R$ 43.833,21, valor já validado pela DRF Campinas. Segundo afirmado pelo órgão local, a contribuinte não teria recolhido as estimativas mensais de CSLL de janeiro a junho de 2001 apuradas na Ficha 16 da DIPJ/2002 (fls. 36/39), mas compensado, sem processo, com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores. Compulsando os dados das DIPJ apresentadas (fls. 309/325) e os lançamentos de oficio acima referidos, verificase que os saldos negativos de CSLL apurados a partir do anocalendário de 1997 teriam sido integralmente absorvidos pela matéria tributada em procedimento de oficio, à exceção do valor remanescente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997, no valor de R$ 2.299.171,18. Entretanto, tal valor remanescente do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1997, também seria formado por antecipações de estimativas devidas no valor de R$23.727.102,82 (apurado na DIPJ — fls. 310/311), que não teriam sido pagas, mas compensadas com créditos de origem não identificada nas DCTF de fls. 326, conforme demonstrado abaixo, procedimento igualmente não passível de validação sem a apresentação de mais informações e elementos de prova. Ademais, ainda que se pudesse falar em saldo disponível para as compensações requeridas no âmbito dos presentes autos, após a consideração da autuação consta do processo n° 10830.901327/200685, relativo às DCOMP vinculadas ao saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 1998 (fls. 282/291), que o saldo negativo de CSLL de 1997 teria sido utilizado, também, para a compensação das estimativas devidas em 1998. Evidenciase, assim, que não remanesceria qualquer valor do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1997 para a compensação das estimativas devidas no anocalendário de 2001.” Acrescento mais: primeiro, o instituto da consulta fiscal garante ao contribuinte o direito de obter manifestação formal da Administração Tributária, em caso de dúvida sobre a interpretação de dispositivo específico da legislação tributária, e, até que obtenha essa manifestação, o consulente fica “protegido”, no que se refere à matéria objeto da consulta, contra sanção pelo não pagamento ou pelo pagamento a menor de tributos e, mesmo Fl. 483DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 de ação fiscal sobre a matéria consultada. Lógico que estamos falando da consulta formalizada nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (arts. 46 a 58). Ao analisarmos o citado Decreto (70.235/72) identificaremos que ele é composto por quatro capítulos, a saber: capítulo I referese ao processo fiscal, capítulo II ao processo de consulta, capítulo III às nulidades e capítulo IV referente às disposições finais e transitórias. No capítulo referente ao processo de consulta (artigos 46 a 58), consta todo o procedimento a ser adotado pelo sujeito passivo e pela administração pública. Chamo atenção para o art. 54 que define as competências de julgamento em primeira e segunda instâncias e define que terá instância única as consultas relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e formuladas sobre classificação fiscal de mercadorias, formuladas pelos órgãos centrais da administração pública e por entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais, de âmbito nacional. Neste caso em exame, cabe ressaltar que, além do requerimento dirigido ao Secretário da Receita Federal do Brasil e do Ofício resposta nenhum outro documento foi carreado aos autos comprovando a apresentação de Consulta formal sobre a interpretação da legislação tributária pela empresa recorrente ou pela Fundação CESP. Resta evidente que o requerimento dirigido ao Sr. Secretário não constitui Consulta formal nos termos do Decreto nº 70.235, 1972, e da IN SRF nº 740, de 02/05/2007, por não atender aos requisitos neles previstos. Segundo, no intento de coordenar as instâncias administrativa e judicial, a lei de um lado estabelece que a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF), e de outro lado, veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial” (art. 170A do CTN inserido pela LC nº 104, de 10 de janeiro de 2001. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública – dada a inexistência do título que autorizaria a restituição/compensação, os de débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). 6) PEDIDO SUBSIDIÁRIO: EXCLUSÃO DOS ENCARGOS POR FORÇA DO ART. 100 CTN E TAXA SELIC. Subsidiariamente, a recorrente requer o conhecimento e provimento do presente recurso, com reforma da r. decisão recorrida, em atenção aos arts. 109, 110 e 146 CTN. Ainda subsidiariamente, caso seja indeferido o pedido supra aduzido, o que a recorrente admite apenas à guisa de argumentação, requer o conhecimento e provimento do presente recurso para que sejam excluídas as penalidades, a cobrança dos juros de mora e a atualização monetária, em atenção ao art. 100, I, parágrafo único, ou, pelo menos, que sejam canceladas as verbas correspondentes à aplicação da Taxa SELIC. Convém para melhor exposição do entendimento, reproduzir o citado art. 100 do CTN: Fl. 484DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.720004/200935 Acórdão n.º 1301001.657 S1C3T1 Fl. 18 15 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II – as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III – as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV – os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O CTN, neste dispositivo, diferencia as fontes formais que integram a legislação tributária em dois grupos: as leis, os tratados ou convenções internacionais e os decretos, que podem ser denominados fontes formais primárias; e as normas complementares a estes atos, estabelecidas nos incisos deste artigo, denominadas fontes formais secundárias. As normas complementares correspondem a instrumentos legislativos hierarquicamente inferiores aos decretos, de menor porte, notadamente de cunho instrumental e operacional, com a função de explicitar de forma subsidiária o conteúdo de normas tributárias, mas sem inoválas. Observese que as citadas normas complementares restringemse a atos normativos da administração tributária ou decisões administrativas com eficácia normativa, das práticas reiteradas da administração tributária e dos convênios entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. No tocante ao parágrafo único deste artigo, extraise que a observância das normas complementares, vigentes, apesar de não excluir a possível cobrança de valor principal de tributo ou contribuição, afasta a incidência de multas, juros e a atualização monetária da base de cálculo. O que se buscou com esta regra foi disciplinar os efeitos da interpretação da legislação tributária, prevendo o legislador que aqueles contribuintes que seguissem as orientações emanadas da própria administração tributária dispostas na legislação, não seriam punidos nem estariam sujeitos a mora mesmo que o tributo se revelasse, a posteriori, devido. Tal previsão, contudo, não afasta a incidência de multa e juros de mora em situações de observância decorrente de “Nota” em resposta a consulta informal, posto não se tratar de norma complementar. Em sendo esta a situação da recorrente, que alega ter seguido a orientação de uma Nota objeto de consulta informal ao Secretário da Receita Federal, concluise que a situação exposta nos autos não se enquadra entre as hipóteses passíveis de exclusão da multa Fl. 485DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 16 de ofício e dos juros de mora (de se lembrar que nem mesmo o decreto presidencial se incluem entre as normas complementares). Mesmo porque, outros aspectos relacionados a Nota 157 como sendo um ato concreto da autoridade administrativa dirigido ao sujeito passivo consultante, foi submetido ao Poder Judiciário, e, portanto, não pode ser conhecido. Relativamente à apreciação em seara administrativa de eventuais inconstitucionalidades/ilegalidade de leis e à aplicação da taxa de selic, em virtude de reiteradas decisões no mesmo sentido, foram editadas as súmulas nºs 2 e 4, abaixo reproduzidas, que são de adoção obrigatória pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do parágrafo 4º do art. 72 do Regimento Interno (ANEXO II). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, considerado tudo que do processo consta, rejeito as preliminares, deixo de conhecer as questões submetidas ao Poder Judiciário, e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário com relação as demais matérias. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 15504.729654/2012-67
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADO - PLR. PAGAMENTO DO BENEFÍCIO EM DESACORDO COM AS DISPOSIÇÕES DA LEI Nº 10.101, DE 2000. CONSEQUENCIAS.
De acordo com a letra j do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, a participação nos lucros ou resultados da empresa não sofrerá incidência de contribuição previdenciária, quando o benefício for pago ou creditado de acordo com a lei específica, in casu, a Lei nº 10.101, de 2000.
O cumprimento do disposto na legislação específica não ocorreu segundo consta no acórdão recorrido (fls. 743 / 744).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.950
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Alex dos Santos Ribas, OAB/MG nº 83.823.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Alex dos Santos Ribas, OAB/MG nº 83.823. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADO PLR. PAGAMENTO DO BENEFÍCIO EM DESACORDO COM AS DISPOSIÇÕES DA LEI Nº 10.101, DE 2000. CONSEQUENCIAS. 1. De acordo com a letra “j” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, a participação nos lucros ou resultados da empresa não sofrerá incidência de contribuição previdenciária, quando o benefício for pago ou creditado de acordo com a lei específica, in casu, a Lei nº 10.101, de 2000. 2. O cumprimento do disposto na legislação específica não ocorreu segundo consta no acórdão recorrido (fls. 743 / 744). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Alex dos Santos Ribas, OAB/MG nº 83.823. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 96 54 /2 01 2- 67 Fl. 898DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729654/201267 Acórdão n.º 2803003.950 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729654/201267 Acórdão n.º 2803003.950 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias (parte patronal), bem como as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2009 a 12/2009. Os fatos geradores que ensejaram o lançamento foram os seguintes: rubricas da folha de pagamento não incluídas na base tributável para a Previdência Social; pagamento de salários não incluídos em GFIP e folha de pagamento; pagamento de lucros e resultados a empregados, em desacordo com a Lei nº 10.101/2000; pagamento de remuneração indireta a empregados (mensalidade escolar); pagamento de lucros aos sócios em valor superior ao saldo contábil; pagamento de previdência privada por conta dos sócios. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de dezembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A partir da publicação da Súmula Vinculante STF nº 08, a decadência no âmbito previdenciário passa a ser regida pelo CTN. SOMENTE A GUIA QUITADA ATÉ A DATA DA CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO, INCLUSIVE, É CONSIDERADA PARA FINS DE RETIFICAÇÃO. A guia de recolhimento quitada após a ciência do auto de Infração não acarreta a retificação do lançamento no julgamento administrativo, devendo ser apropriada pelo setor competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil da jurisdição da impugnante. Ocorrendo recolhimentos de valores lançados dentro do prazo de impugnação, configurase a anuência total ou parcial do sujeito passivo ao débito e o órgão de origem deve tomar as providências cabíveis para apropriar os valores recolhidos. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729654/201267 Acórdão n.º 2803003.950 S2TE03 Fl. 5 4 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A Recorrente, inconformada com o restante dos débitos das contribuições sociais que lhe foram imputados, apresentou impugnação, a qual foi acolhida parcialmente pela ilustre 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP para, em síntese, determinar a exclusão de parte dos valores exigidos sob o código PP2 – Previdência Privada, referentes à parcela da contribuição ao SAT/RAT. Preliminarmente. O Auto de Infração é nulo, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa, por vulneração dos artigos 31 e 59, II, ambos do Decreto nº 70.235, de 1972 e artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento não apreciou integralmente os fundamentos de irresignação da Recorrente concernentes à defesa da isenção dos pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados com relação ao pessoal (i) administrativo e (ii) das obras Filial Serra/ES e CSN da Filia volta Redonda/RJ. Temse que a postura assumida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no processo administrativo em tela, não se alinha com as atitudes esperadas das autoridades tributárias julgadoras da controvérsia de acertamento da relação jurídicotributária, que devem ser pautadas pela eficiência e pela persecução da finalidade de interesse público insculpida no Decreto nº 70.235, de 1972 e na Lei nº 9.784, de 1999. Disto, resulta como consequência indeclinável a decretação da nulidade do v. acórdão recorrido, forte nas disposições dos artigos 31 e 59, II, ambos do Decreto nº 70.235, de 1972 e artigo 2º da lei nº 9.784, de 1999. No Relatório Fiscal não consta a fundamentação legal do lançamento, situação que afronta os artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, artigo 142 do CTN e artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999. Mérito. Não incide contribuições sociais sobre pagamento de PLR. Não incide contribuições sociais sobre empréstimos a Diretor. Pelo exposto, confia e espera a Recorrente que este Colegiado reconheça a nulidade do presente lançamento, uma vez que não foram apontados os fundamentos de fato e/ou de Direito que sustentam a cobrança das contribuições sociais sobre os pagamentos efetuados aos trabalhadores alocados na Obra 2001 da Arcelor Mittal na Filial João Fl. 901DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729654/201267 Acórdão n.º 2803003.950 S2TE03 Fl. 6 5 Monlevade/MG a título de participação nos lucros, bem como decorrentes do código PP2 – Previdência Privada. Se assim não se entender, o que se suscita apenas em apreço ao debate, requerse que, reconhecendo a violação pelo v. acórdão hostilizado ao seu direito constitucional de defesa, determine a sua anulação com consequente retorno dos autos à instância a quo, de maneira que outra decisão seja exarada, apreciandose todos os fundamentos da impugnação atinentes ao direito de não recolhimento de contribuições sociais sobre pagamentos efetuados a título de participação nos lucros. Caso assim não se entenda, o que se admite ad argumentadum tantum, requerse a reforma em parte do v. acórdão de fls., inclusive em apreço ao comando do artigo 62, parágrafo único, inciso II, alínea “a”, da Portaria do Ministro da Fazenda nº 256, de 2009 e ao Ato Declaratório PGFN n. 03/2001, para que, do crédito tributário em questão, sejam expurgados os valores atinentes às contribuições sociais incidentes sobre as importâncias pagas a título de participação nos lucros e resultados, e sobre empréstimos ao Diretor Renato Vieira Ribeiro de Souza, equivocadamente escriturado como saldo devedor na conta Reserva de lucros. E ainda que se entenda que são devidas as contribuições sociais sobre os montantes pagos pela Recorrente em decorrência de programas de participação nos lucros ou resultados, o que se admite apenas para argumentar, rogase que o crédito tributário em questão devidamente ajustado, de maneira que seja aferido sobre as importâncias efetivamente pagas aos trabalhadores alocados no escritório central e até mesmo, identificadas pelo agente fiscal no item 2.3.4.27.5 do Relatório Fiscal, deduzindose, além disso, os valores que foram atribuídos a trabalhadores demitidos e que, por isso, jamais tiveram natureza remuneratória. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729654/201267 Acórdão n.º 2803003.950 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar o contribuinte requer a nulidade do julgamento de primeira instância administrativa, sob a alegação de ter havido cerceamento do direito de defesa por vulneração dos artigos 31 e 59, II, ambos do decreto nº 70.235, de 1972, e artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999. O requerimento da nulidade, segundo o contribuinte, embasase no fato de o julgador, ao apreciar a resistência oposta na impugnação, se absteve de analisar e, por conseguinte, julgar a legitimidade de todos os pagamentos efetuados a título de PLR que foram autuados. No ponto, há que se considerar a suposta abstenção de analisar apontamentos constantes da impugnação. Sobre o assunto, consta na decisão recorrida o seguinte: Registrese que a auditoria fiscal quando abordou esta rubrica no RF, o fez analisando os pagamentos efetuados e a documentação pertinente apresentada, individualmente por obra e setor administrativo da empresa. Na impugnação, a autuada apenas traz, a título exemplificativo, argumentações relativas às obras de João Monlevade e a obra localizada na V & M do Brasil, identificada no RF como sendo obra Vallourec & Mannesmann, e junta documentos relativos a estas obras e a obra da Aços Vilares. Tendo em vista que a fiscalização discorreu individualmente sobre cada obra/setor da empresa, cada um tendo seus critérios e documentos específicos, não se pode aceitar que a documentação apresentada pela impugnante seja considerada extensiva a todas as obras, ela se refere a três obras e somente a elas poderá surtir efeitos nesse julgamento administrativo. Desta forma, para as demais obras e pessoal administrativo, não tendo havido nenhuma alegação específica, considerase como não impugnado o lançamento, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72, tornandose incontroversos os valores lançados, nos termos determinados pela fiscalização em seu RF. Como se pode observar do texto acima transcrito, o argumento de que o julgador a quo se absteve de analisar todos os pagamentos que foram autuados a título de PLR cai por terra, tendo em vista a parcialidade da impugnação, considerando que os documentos Fl. 903DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729654/201267 Acórdão n.º 2803003.950 S2TE03 Fl. 8 7 apresentados dizem respeito a somente três obras específicas, situação que não pode ser estendida para a totalidade das obras referidas no auto de infração. Desse modo, rejeito esta preliminar, porquanto correta a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Na segunda preliminar o contribuinte requer a nulidade do auto de infração, alegando que o Relatório Fiscal vulnerou os artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, o artigo 142 do CTN, bem como os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999. De igual modo que na primeira preliminar, desde a impugnação o contribuinte, de forma genérica, tenta desconstituir o lançamento, trazendo à baila argumentos desconexos e sem qualquer embasamento para atingir seus objetivos. Analisando os autos, não vislumbrei qualquer falha da fiscalização, bem como do julgador de primeira instância, em suas fundamentações legais / motivação para sustentar a validade do lançamento. Os artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e o artigo 142 do CTN, ao contrário das afirmações do contribuinte, foram, sim, respeitados, não havendo, portanto, qualquer margem para discussões a esse título. Não houve, também, desrespeito aos artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999. Aliás, esta lei não rege o processo administrativo fiscal, devendo ser utilizada somente de forma subsidiária, quando for verificada alguma omissão no Decreto nº 70.235, de 1972, que é o instrumento legal específico que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Rejeito, pois, esta segunda preliminar. No que diz respeito ao mérito sobre o pagamento de PLR, sem qualquer razão o contribuinte. De acordo com a letra “j” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, a participação nos lucros ou resultados da empresa não sofrerá incidência de contribuição previdenciária, quando o benefício for pago ou creditado de acordo com a lei específica, in casu, a Lei nº 10.101, de 2000. O cumprimento do disposto na legislação específica não ocorreu segundo consta no acórdão recorrido (fls. 743 / 744), verbis: Nos itens 2.3.4.28.5.2 e 2.3.4.28.5.5 do RF, a fiscalização esclarece que o pagamento do PLR 2008, ocorreu conforme planilha disponibilizada. O Acordo Coletivo do Trabalho, firmado em 12/02/2008, com vigência entre 01/11/2007 e 30/10/2008, estabeleceu as metas a serem cumpridas pelos empregados para o recebimento do PLR. Pelo TIF nº 02, de 30/07/2012, itens 7 e 8, a empresa foi intimada a apresentar os instrumentos de negociação específicos para o referido pagamento, e, posteriormente, pelo TIF nº 04, de Fl. 904DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729654/201267 Acórdão n.º 2803003.950 S2TE03 Fl. 9 8 08/10/2012, foram solicitados outros documentos necessários à comprovação da legalidade dos pagamentos e a empresa não disponibilizou, não sendo possível a confirmação de que houve as avaliações de desemprenho dos empregados relativamente às metas estabelecidas no referido Acordo. (grifouse e negritouse) Da leitura do texto acima transcrito, notadamente nos pontos destacados, resta amplamente evidenciado que a empresa não colaborou com a fiscalização, deixando de apresentar documentos solicitados que poderiam esclarecer as dúvidas da autoridade administrativa. Agindo como agiu, não paira qualquer dúvida sobre a inobservância da lei específica que rege a PLR. Com relação às contribuições incidentes sobre empréstimos a Diretor melhor sorte não assiste ao contribuinte, conforme se pode observar da abalizada consideração dos julgadores de primeira instância. Não tendo sido comprovada pelas folhas do Livro Razão juntadas a ocorrência de empréstimo ao sócio Sr. Renato Vieira Ribeiro de Souza, e tendo adotado medidas para descaracterizar os lançamentos fiscais feitos somente após a atuação fiscal, e mais, não restando efetivamente comprovado que as verbas aqui consideradas pela fiscalização como tributáveis não se enquadram na definição de salário de contribuição, nenhuma retificação é cabível nos lançamentos efetuados no levantamento PL. Como não foi verificada qualquer falha procedimental desde a lavratura do auto de infração e estando o acórdão recorrido em perfeita conformidade com a legislação que rege o processo administrativo fiscal, mantenho o lançamento pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729654/201267 Acórdão n.º 2803003.950 S2TE03 Fl. 10 9 Fl. 906DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.001337/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. MESMO GRUPO ECONÔMICO.
Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico - Súmula CARF nº 47.
JUROS DE MORA. FLUÊNCIA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais - Súmula CARF nº 4.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária - Súmula CARF nº 2.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral - Súmula CARF nº 5.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
aaa
Numero da decisão: 1102-001.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. MESMO GRUPO ECONÔMICO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico - Súmula CARF nº 47. JUROS DE MORA. FLUÊNCIA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais - Súmula CARF nº 4. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária - Súmula CARF nº 2. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral - Súmula CARF nº 5. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. aaa
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(Incorporadora de REPRESENTAÇÕES RECKITT & COLMAN BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA DISTINTA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Súmula CARF nº 1. Hipótese em que a ação judicial discutia o direito de compensação sem a limitação de 30% do lucro líquido ajustado, enquanto o recurso administrativo defende a impossibilidade de simples glosa da compensação dos prejuízos, devendose considerar o fato como mera postergação de tributo. Tratandose de matéria distinta da constante do processo judicial, os argumentos da defesa merecem ser conhecidos. aaa aaa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 37 /2 00 3- 13 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 546 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ACIMA DO LIMITE DE 30%. POSTERGAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA DEFESA. A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente Súmula CARF nº 36. Hipótese em que o contribuinte não comprovou que pagou IRPJ em período posterior em decorrência da falta de saldo de prejuízos a compensar, sendo seu o ônus dessa prova, no temos do verbete sumular. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF. SALDO CREDOR. LUCRO INFLACIONÁRIO. A diferença da correção monetária entre o IPC e o BTNF, no ano de 1990, também é calculada sobre o saldo de lucro inflacionário a realizar em 31/12/1989, controlado na Parte B do Lalur, e deve ser computada na apuração do lucro real de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, a partir do períodobase de 1993. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. MESMO GRUPO ECONÔMICO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico Súmula CARF nº 47. JUROS DE MORA. FLUÊNCIA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Súmula CARF nº 4. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 2. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral Súmula CARF nº 5. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 547 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, para cobrar imposto de R$ 500.705,86, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora (fls. 2 e 212 a 220). O relatório do acórdão de primeira instância assim descreveu os fundamentos da autuação (fls. 288 a 290): 02. Segundo o descrito no “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 209/212), as irregularidades que motivaram mencionado lançamento consistiram em, verbis: “........, sobre revisão sumária da Declaração do Imposto de Renda – Pessoa Jurídica, exercício 1998, anobase 1997 (ND3072594), da empresa INCORPORADA: REPRESENTAÇÕES RECKITT & COLMAN BRASIL LTDA, CNPJ: 54.428.842/000178, objetivando única e exclusivamente o cumprimento do disposto na Norma de Execução Cofis nº 001, de 6 de maio de 2002 e artigos 1º, 2º e 3º da Instrução Normativa da SRF nº 94, de 24.12.97, art. 835, do RIR/99, após terem sido realizadas as devidas verificações, por amostragem, nos diversos sistemas da SRF e confrontadas com o relatório de inconsistência apresentada pelo Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal, Lucro Inflacionário e Base Negativa da CSLL (Sapli), VERIFICAMOS que houve infringência aos dispositivos legais vigentes, falta e/ou insuficiência de recolhimentos, nem foram promovidos os respectivos lançamentos, referente aos tributos, abaixo discriminados: 1) Descrição dos fatos: 1.1) O contribuinte efetuou entrega da Declaração do Imposto de Renda – Pessoa Jurídica, nº 3072594, exercício 1998, anocalendário 1997, tributada pelo Lucro Real; Fl. 549DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 548 4 1.2) O contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação nº 01, de 12.02.2003, a prestar esclarecimentos, justificando ou comprovando a compensação e/ou recolhimento do tributo, encaminhada por via postal com aviso de recebimento (AR), recebida em 20.02.2003; 1.3) Em 12.03.2003 foi intimado através do Termo de Constatação e Intimação nº 02, a prestar esclarecimentos, sobre a realização do lucro inflacionário diferido dos períodos anteriores, pois em resposta à intimação 01, o contribuinte alegou que não havia saldo a realizar (juntamente com a intimação foi entregue ao contribuinte o Demonstrativo do Lucro Inflacionário do sistema SAPLI); 1.4) Compensação a maior do Prejuízo Fiscal na apuração do Lucro Real: o contribuinte efetuou compensação no valor de R$3.340.678,00, lançado na DIRPJ/98, na Ficha 7 (Demonstração do Lucro Real), linha 32 (compensação de Prejuízos Fiscais de períodosbase anteriores – Atividade Geral), não obedecendo o limite de 30% (R$1.613.242,10), conforme previsto no art. 42, da Lei nº 8.981/95 e art. 15, da Lei nº 9.065/95, logo, há uma inconsistência (compensação a maior) no valor de R$1.727.435,84; 1.4.1) Com base naquelas informações (item 1.4), elaboramos o demonstrativo abaixo: Lucro Real (R$) Compensação (R$) Valores devidos (R$) DIRPJ DIRPJ Sapli IRPJ Adicional (1) (2) (3) = {(1) x 30%} 4 = {(2)(3}) x 15% (4) = {(2)(3)}x10% 5.377.473,84 3.340.678,00 1.613.242,10 259.115,38 172.743,58 1.5) Falta de adição ao lucro líquido do período da parcela de realização do lucro inflacionário diferido dos períodos anteriores: o contribuinte não efetuou a adição no valor de R$275.387,62, que deveria ter sido lançada na DIRPJ/98, na Ficha 7 (Demonstração do Lucro Real), linha 10 (Lucro Inflacionário Realizado), não obedecendo ao percentual mínimo de realização de 10%, conforme previsto no Art. 3º, inciso II da Lei nº 8.200/91; 1.5.1) Com base naquelas informações (item 1.5), elaboramos o demonstrativo abaixo: Lucro Inflac. Realizado A realizar (R$) Valores devidos (R$) DIRPJ DIRPJ IRPJ Adicional (1) (2) (3) = (2) x 15% (3) = (2) x 10% 0,0 275.387,62 41.308,14 27.587,62 Obs.: 1) Valores devidos (IRPJ e Adicional): não estão incluídos juros moratórios e multa de ofício 2) Sapli = Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal, Lucro Inflacionário e Base Negativa da CSLL. 1.6) A empresa impetrou Mandado de Segurança nº 95.00583593 junto à Justiça Federal da Seção Judiciária de São Paulo. Em 21/12/95 obteve liminar junto ao TRF da 3ª Região, garantindo a compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados (processo nº 95.03.1036909). Em 31/03/97 foi proferida sentença, denegando a segurança. O contribuinte apresentou recurso de apelação junto ao Fl. 550DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 549 5 TRF da 3ª Região (processo nº 1999.03.99.0266429), sendo este julgado em 21/06/2000 e mantendo a sentença de 1ª instância. Após essa decisão o contribuinte apresentou Recurso Especial e Recurso Extraordinário, não sendo julgados até o momento. Isto posto, procederseá a constituição do crédito tributário SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA; 1.7) Também será efetuada a constituição do crédito tributário relativa à não adição ao lucro líquido do período da parcela de realização do lucro inflacionário diferido dos períodos anteriores, uma vez que de acordo com os esclarecimentos prestados pelo contribuinte em 21/03/97, este reconhece a não declaração desses valores. 2) Ações Judiciais: 2.1) O contribuinte impetrou Mandado de Segurança junto à 5ª Vara Cível Federal de São Paulo, processo nº 95.00583593. Solicitou liminar junto ao TRF da 3ª Região (processo nº 95.03.1036909), obtendoa em 31/03/97. Em 31/03/97 foi proferida sentença, denegando a segurança; 2.2) O contribuinte apresentou recurso de apelação junto ao TRF da 3ª Região (processo nº 1999.03.99.0266429), cujo julgamento de 21/06/2000 manteve a sentença de 1ª instância; 2.3) Estão pendentes de julgamento os Recurso Especial e Recurso Extraordinário. 3) Termos lavrados: 3.1) Em 12/02/2003, o “Termo de Intimação Fiscal nº 01”; 3.2) Em 12/03/2003, o “Termo de Constatação e Intimação nº 02”. 4) Enquadramento legal: 4.1) Arts. 193, 196, inciso III, 195, inciso I, 197, parágrafo único e 418 do RIR/94; 4.2) Arts. 8 e 15, parágrafo único, da Lei nº 9.065/95; 4.3) Arts. 6 e 7, da Lei nº 9.249/95. 5) Conclusão: 5.1) O contribuinte não comprovou os recolhimentos do imposto (itens 1.4 e 1.5) e também não constam quaisquer pagamentos nos sistemas da SRF (sinal 8); 5.2) Os débitos não estão declarados em DCTF e no REFIS, portanto, estamos efetuando o presente lançamento de ofício, conforme valores discriminados nas colunas 3 dos Demonstrativo de Prejuízos Fiscais (item 1.4.1) e do Demonstrativo de Lucro Inflacionário Realizado (item 1.5.1), nos termos dos arts. 836, 841 e 926 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/99, tendo em vista que foram apuradas infrações aos dispositivos legais mencionados (itens 4.1 a 4.3). E, para constar e produzir os devidos efeitos legais, lavramos o presente termo em.......” 02.01. Pela prática de tais irregularidades, foram dados por infringidos os seguintes dispositivos legais: arts. 193, 196, inciso III, 197, parágrafo único, todos Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 550 6 do RIR/1999; arts. 8º e 15, parágrafo único, da Lei nº 9.065/1995; arts 195, inciso I, e 418, do RIR/1994, e; arts. 6º e 7º, da Lei nº 9.249/1995 (fls. 217). IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 244 a 268), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância na parte em que descreve os termos desse recurso (fls. 290 a 292): Preliminarmente 03.01. como o lançamento se deu em 09/04/2003, exigindo tributo que, supostamente seria devido em 31/12/1997, é patente a nulidade do procedimento fiscal em razão de haver decaído o direito de o fisco constituílo, contrariando o mandamento trazido pelo art. 156, V, do CTN; 03.01.01. isto em razão de que, após o advento da Lei nº 8383/91, o IRPJ ficou sujeito ao lançamento por homologação, cujas regras obrigam o contribuinte a antecipar o pagamento da obrigação, submetendose a ulterior homologação do fisco, na forma do art. 150, também do CTN. Portanto, ao proceder ao lançamento tributário após o prazo de cinco anos contado da data do fato gerador, a ação fiscal é ilegítima e ilegal.Tal prazo é fixado pelo art. 156, § 4º, do CTN (sic); 03.01.02. e as eventuais dúvidas existentes sobre o regime de lançamento relativo ao IRPJ deixaram de existir após o advento do art. 38 da Lei nº 8383/91 (repetido pelo art. 1º da Lei nº 8541/92), que determinou que o “imposto será devido mensalmente, à medida que os lucros forem apurados”, demonstrando que, a partir de então, o fato gerador ocorre a cada mês, ficando obrigado, o sujeito passivo, a proceder ao recolhimento do devido ao Erário e aguardar a homologação por parte do fisco, nos termos do já mencionado § 4º do art. 150 do CTN; 03.01.03. dessa forma, sendo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo que o sujeito ativo tem para efetuar o lançamento deve ser contado a partir da data do fato gerador do tributo. É o que fala a jurisprudência, tanto administrativa como judicial, trazida; 03.01.04. assim, absolutamente nulo o auto de infração ora impugnado por ter sido lavrado após o escoamento do prazo decadencial para a realização do lançamento tributário que, repitase, deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador ocorrido em 1997. O prazo fatal para a realização do lançamento deu se em 31 de dezembro de 2002. 03.02. Além do acima, há que se dizer que o procedimento fiscal foi iniciado e concluído sem a prévia emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em ofensa ao Decreto nº 3724/01; 03.02.01. a exigência de tal documento, como condição de legitimidade do procedimento fiscal, está prevista no mencionado Decreto, assim como na Portaria SRF nº 3007/01 (modificada pela de nº 1238/02, sem alteração, entretanto, de sua substância). Tais Atos estabelecem, em sua essência, a obrigatoriedade da prévia emissão do MPF, dispensandoo somente em situações especiais. Em decorrência da falta do MPF, os atos não foram validamente praticados, o que inquina de nulidade o ato administrativo do lançamento tributário.; Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 551 7 03.02.02. tudo se passou como se o MPF fosse dispensável, sem função prática e jurídica, quando na verdade a sua função é assegurar ao contribuinte amplo conhecimento do objeto da fiscalização. Dessa forma, por ter sido consumada em flagrante desobediência à legislação tributária, a ação fiscal não pode ser legitimada sob pena de corrosão da força normativa do princípio da legalidade que informa toda e qualquer ação estatal.... Do mérito 03.03. Não bastasse o acima expendido, o auto de infração é nulo, visto que adotado critério imprestável para apuração do lucro real, visto que não foram observados os critérios estabelecidos pelo Parecer Normativo Cosit nº 02/96, para interpretação da legislação; 03.03.01. isto em razão de que os critérios adotados pela ação fiscal pressupõem de que o valor de prejuízo fiscal compensado a maior é indevido e não uma simples diferença temporária, cujos efeitos fiscais foram examinados pelo mencionado Parecer. Em ocorrendo, tratase, ainda segundo referido Ato, de mera postergação e não ausência de recolhimento do tributo, visto que a compensação de prejuízos a maior, apenas difere o pagamento do imposto para um futuro momento, efeito que não existiria se os prejuízos fiscais não existissem e, frisese, a autoridade fiscal não nega a existência de prejuízos fiscais.; 03.03.02. dessa forma, a questão situase no aspecto temporal do pagamento, e não em seu não recolhimento, sendo que o autuante deveria recompor o lucro real referente aos períodos seguintes, aferindo a eventual existência de imposto pago que seria menor se aproveitados os prejuízos glosados em períodos anteriores. É o que fala jurisprudência administrativa trazida, de maneira que o lançamento é nulo, visto que deveria ser procedido à recomposição do lucro real de períodos seguintes, em obediência ao mencionado Parecer Normativo. 03.04. Visando dar suporte à parcela da exigência, a autoridade fiscal apresenta cálculo sobre a evolução do lucro inflacionário apurado em períodos anteriores, apurando tributo em decorrência da falta de realização mínima obrigatória em 31/12/1997. E mencionada exigência encontrase fundamentada na diferença IPC/BTNF, que a juízo da douta autoridade fiscalizadora, deveria ser aplicada sobre o lucro inflacionário acumulado em 31 de dezembro de 1990.; 03.04.01. tal entendimento é equivocado, visto que a Lei nº 8200/91, por seus artigos de 3º a 5º, em nenhum momento determina que os efeitos decorrentes da diferença entre IPC e BTNF sejam considerados em relação ao lucro inflacionário acumulado em 31/12/1990, como supôs o autuante; a determinação trazida é no sentido de que tais efeitos somente deveriam ser considerados em relação à escrituração contábil (demonstrações financeiras) das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, e não em relação aos valores diferidos e registrados na escrituração fiscal, levados à parte B do Lalur, como pressupôs a autoridade fiscal; 03.04.02. Em relação à figura do lucro inflacionário, a única referência feita na lei é no sentido de equiparar a ele o saldo credor eventualmente apurado na correção das demonstrações financeiras. E a ausência de determinação legal nesse sentido não pode ser interpretada como uma lacuna ou insuficiência significativa de seus preceitos; mantendose silente, a lei quis, ostensivamente, não abranger ou não estender os efeitos citados para os valores controlados na Parte B do LALUR..., delimitando o campo de incidência às “demonstrações financeiras”, não fazendo Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 552 8 expressa referência aos valores registrados e controlados na Parte B do Lalur, até porque estes não integram o conceito daquelas; 03.04.03. dessa forma, a Lei nº 8.200/91 não determinou a correção dos valores registrados na parte B do LALUR. Essa exigência foi criada por um diploma normativo subalterno à lei, no caso o art. 40 do Decreto nº 332/91. Observase, assim, um descompasso entre a lei e o decreto que a regulamentou, visto que este não pode extrapolar o conteúdo daquela; 03.04.04. além de que, o saldo do lucro inflacionário a realizar representa uma obrigação potencial que não pode sofrer alteração que a torne mais onerosa com base em norma posterior ao estabelecimento da relação jurídica da qual é objeto. Dessa forma, os valores que têm sua tributação diferida, após o advento do Decreto lei nº 1598/77, ensejam a constituição de provisão respectiva, para fins do IRPJ e ainda que potencial, na forma do PN CST nº 108/78. É o caso do lucro inflacionário, cujo valor não pode sofrer alteração que torne mais onerosa tal obrigação senão com infração à garantia constitucional do princípio da irretroatividade.; 03.04.04.01. a tributação do lucro inflacionário se faz mediante sua realização, segundo critérios existentes quando de sua formação (diferimento), sendo que a pretensão fiscal existe desde então, não podendo vir a ser alterada posteriormente, tornandoa mais onerosa, ainda que o adimplemento ocorra após aquele momento. E, ainda que a própria Lei nº 8200/91 previsse tal agravamento, teria sua validade contaminada, conforme jurisprudência trazida; 03.04.05. e, se tal jurisprudência considera que os efeitos da diferença de correção monetária deveriam ser imediatamente considerados pelo sujeito passivo, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade, o que se dizer se a mesma implicar em aumento da carga tributária. E, enquanto o ordenamento jurídico admite normas com efeito retroativo, desde que em benefício do contribuinte, proíbe, ao mesmo tempo, a edição de normas que venham a abarcar situações não reguladas, ou reguladas de outra forma, à época em que ocorridas. É a situação presente, onde o decreto ofende a Lei nº 8200/91, ao criar obrigação nela não contemplada e, por decorrência, também aos arts. 97 e 99 do CTN, além dos princípios da legalidade e da irretroatividade. É o que fala jurisprudência reproduzida; 03.04.06. dessa forma, o auto de infração é nulo de pleno direito, visto que a impugnante agiu em estrita conformidade com a lei. Caso assim não seja considerado, haverá exigência do tributo com base em diploma subalterno à lei, que veio a agravar a tributação em manifesta afronta à garantia constitucional da vedação a leis retroativas que criam ou exacerbam gravames. 03.05. Não bastasse o exposto, a impugnante não pode se responsabilizada por penalidades relativas a atos praticados por empresa por ela incorporada mas, tão somente, pelos tributos devidos pela sucedida, conforme preceitua o artigo 132 do CTN. É o que fala jurisprudência citada; 03.05.01. conforme mencionado dispositivo, a sucessão alcança apenas os tributos, e não as penalidades; por mais essa ilegalidade, a pretensão fiscal não pode prosperar, sendo, portanto, nula de pleno direito. Isto em razão de que a incorporação se deu antes da autuação fiscal, além de que era de desconhecimento da impugnante haver a incorporada infringido disposição tributária. De fato, a simples existência de decisões divergentes sobre a matéria objeto da autuação fiscal já indica se o procedimento da sucedida sempre foi conforme o Direito. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 553 9 03.06. Enquanto pendente de apreciação a impugnação apresentada ao presente lançamento, que tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito constituído, na forma do inciso III do art. 151 do CTN, suspensão essa que prorroga o vencimento da obrigação até que haja a manifestação da Administração em relação à defesa apresentada. Incabível, portanto, enquanto não decidida a lide, a exigência de juros moratórios. 03.07. Além dos argumentos já expendidos, o Auto de Infração ora impugnado também é nulo no que tange à aplicação da taxa SELIC para a atualização dos créditos supostamente devidos pela IMPUGNANTE. É o que fala decisão proferida pelo STJ no Resp nº 291.257/SC, conforme ementa reproduzida. 03.08. Pede, ao final, diante de todo o exposto, o provimento da impugnação apresentada, cancelandose o Auto de Infração. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou o lançamento procedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 286 a 301): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Em não tendo se dado o recolhimento do imposto apurado, não há que se falar no prazo decadencial prescrito pelo art. 150 do CTN, visto que o mesmo, com o não recolhimento, tem seu início deslocado para aquele previsto pelo art. 173, inciso I, do mesmo Código, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente deverão ser taxados de nulos aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstâncias estabelecidas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Por se tratar de instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, sua simples ausência não pode obstar o exercício da atividade de lançamento, estabelecida por força de Lei e, tampouco torná lo nulo, fato este que somente se daria em ocorrendo o previsto pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Preliminar rejeitada. MÉRITO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM PERCENTUAL SUPERIOR AO ESTABELECIDO EM LEI. Não se toma conhecimento da impugnação apresentada, no tocante à matéria objeto de discussão na via judicial, constituindose, definitivamente, na instância administrativa, o crédito tributário referente à mesma matéria. Correta a exigência. DIFERENÇA IPC/BTNF. LUCRO INFLACIONÁRIO. TRATAMENTO FISCAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. REALIZAÇÃO MÍNIMA. A partir do anocalendário de 1993, o saldo devedor da diferença IPC/BTNF deveria ter Fl. 555DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 554 10 sido adicionado ao saldo do lucro inflacionário acumulado, passando, a partir de então, a ter o mesmo tratamento fiscal e sujeitandose, portanto, à correção monetária e à sua realização em percentual mínimo legal. Correta a exigência ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA DA INCORPORADORA. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DE SUA EXIGIBILIDADE ENQUANTO PENDENTE DE APRECIAÇÃO A LIDE ADMINISTRATIVA. TAXA SELIC. Correta a exigência relativa à multa de ofício exigida da empresa incorporadora, visto esta suceder em todos os direitos e obrigações a empresa sucedida. Correta, por igual, a exigência relativa aos juros de mora aplicados em percentuais correspondentes à variação da Taxa Selic, visto prevista em Lei, não havendo, na hipótese, suspensão de sua exigibilidade conforme, também, previsão legal. Por absolutamente vinculada a atividade de lançamento, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil há que se limitar a aplicar o determinado em Lei, sob pena de, em não o fazendo, vir a ser responsabilizado funcionalmente, na forma do parágrafo único do art. 142 do CTN. Quanto aos juros de mora, enquanto pendente de decisão administrativa, face a impugnação apresentada e, até por integrarem o crédito tributário constituído, terão sua exigibilidade suspensa, na forma do inciso III do art. 151 do CTN Lançamento Procedente Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de decadência, por se entender aplicável ao caso a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, por não ter havido pagamento antecipado; b) o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, e sua ausência não tem o condão de macular a ação fiscal; c) a impugnação apresentada não foi conhecida na parte que toca a compensação de prejuízos fiscais, diante do fato de o contribuinte haver levado a discussão de tal tema ao Poder Judiciário, onde ainda se encontra pendente de uma final decisão, caracterizando, com tal fato, renúncia às instâncias administrativas; d) considerouse correta a exigência formulada, no que toca ao lucro inflacionário, visto que, ainda que restando saldo a ser tributado, o contribuinte deixou de oferecer a parcela mínima obrigatória à tributação; e) a incorporadora é responsável pela multa de ofício devida pelas infrações cometidas pela incorporada; f) aplicamse juros de mora sobre o tributo devido, mesmo se o lançamento está pendente de decisão administrativa; Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 555 11 g) a exigência dos juros de mora em percentual equivalente à variação da taxa Selic decorre de lei. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância em 1º/10/2007 (fl. 309), o contribuinte apresentou, em 10/10/2007 o recurso voluntário de fls. 311 a 355. O relatório do acórdão do Conselho de Contribuintes que primeiro analisou o caso assim descreveu os argumentos do recurso (fls. 462 a 464): Preliminarmente, requer a nulidade do auto de infração por considerar que sendo o IRPJ tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase o disposto no art. 150, §4° do CTN, tendo, portanto, decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao anocalendário de 1997, uma vez que o auto de infração somente foi lavrado em 9 de abril de 2003, ou seja, após lapso temporal superior a cinco anos. Esclarece que o art. 150, §4° do CTN, não faz qualquer ressalva quanto ao pagamento do tributo, mas apenas afirma que o prazo decadencial iniciase na data do fato gerador, no presente caso, 31/12/1997. Destaca, ainda, que a autoridade administrativa homologa o lançamento, seja ele acompanhado ou não do pagamento. Sendo assim, não há que se falar na aplicação do art. 173 do CTN em detrimento do art. 150 do mesmo diploma legal. Ademais, observa que no final do exercício apurou saldo negativo, razão pela qual não foi apurado tributo a pagar. Salienta, que ainda que se aplique o disposto no art. 173 do CTN, o lançamento estará comprometido pela decadência, pois o fato gerador ocorrido em 31.12.1997 somente poderia ter sido lançado até 31.12.2002 e não até 31.12.2003, como sustenta o acórdão recorrido. Afirma, ainda em sede preliminar, que a autuação também não merece prosperar face à ausência de mandado de procedimento fiscal válido. Nesse sentido, esclarece que o procedimento fiscal foi iniciado e concluído sem a prévia emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em evidente desrespeito ao disposto no Decreto nº 3.724/01 e na Portaria/SRF n° 3.007/01. Também no mérito, afirma que o lançamento não merece prosperar, uma vez que foi adotado critério imprestável para apuração do lucro real, visto que não foram observados os critérios estabelecidos pelo Parecer Normativo Cosit n° 02/96, para interpretação da legislação. Isto porque, entende que os critérios adotados pela ação fiscal pressupõem que o valor de prejuízo fiscal compensado a maior é indevido e não uma simples diferença temporária. Em ocorrendo, tratase, ainda segundo referido Ato, de mera postergação e não ausência de recolhimento do tributo, visto que a compensação de prejuízos a maior, apenas difere o pagamento do imposto para um futuro momento, efeito que não existiria se os prejuízos fiscais não existissem. Destaca, ainda, que a autoridade fiscal não nega a existência de prejuízos fiscais. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 556 12 Ressalta que a questão situase no aspecto temporal do pagamento, e não em seu não recolhimento, sendo que o autuante deveria recompor o lucro real referente aos períodos seguintes, aferindo a eventual existência de imposto pago que seria menor se aproveitados os prejuízos glosados em períodos anteriores. É o que fala jurisprudência administrativa trazida, de maneira que o lançamento é nulo, visto que deveria ser procedido à recomposição do lucro real de períodos seguintes. Entende que os julgadores de primeira instância deixaram de apreciar os argumentos nesse sentido, limitandose a ancorarse na suposta concomitância entre a matéria ora analisada e a discutida no processo judicial. Entretanto, alega que não existe concomitância, devendo os argumentos apresentados serem analisados. Salienta que visando dar suporte à parcela da exigência, a autoridade fiscal apresenta cálculo sobre a evolução do lucro inflacionário apurado em períodos anteriores, apurando tributo em decorrência da falta de realização mínima obrigatória em 31/12/1997. E mencionada que a exigência encontrase fundamentada na diferença IPC/BTNF, que no entender da autoridade fiscalizadora, deveria ser aplicada sobre o lucro inflacionário acumulado em 31 de dezembro de 1990. Esclarece que tal entendimento é equivocado, visto que a Lei n° 8200/91, por seus artigos de 3° a 5º, em nenhum momento determina que os efeitos decorrentes da diferença entre IPC e BTNF sejam considerados em relação ao lucro inflacionário acumulado em 31/12/1990, como supôs o autuante; a determinação trazida é no sentido de que tais efeitos somente deveriam ser considerados em relação à escrituração contábil (demonstrações financeiras) das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, e não em relação aos valores diferidos e registrados na escrituração fiscal, levados à parte B do Lalur, como pressupôs a autoridade fiscal. Aduz que em relação à figura do lucro inflacionário, a única referência feita na lei é no sentido de equiparar a ele o saldo credor eventualmente apurado na correção das demonstrações financeiras. E a ausência de determinação legal nesse sentido não pode ser interpretada como uma lacuna ou insuficiência significativa de seus preceitos; mantendose silente, a lei quis, ostensivamente, não abranger ou não estender os efeitos citados para os valores controlados na Parte B do LALUR, delimitando o campo de incidência às "demonstrações financeiras", não fazendo expressa referência aos valores registrados e controlados na Parte B do Lalur, até porque estes não integram o conceito daquelas. Dessa forma, a Lei n° 8.200/91 não determinou a correção dos valores registrados na parte B do LALUR. Essa exigência foi criada por um diploma normativo subalterno à lei, no caso o art. 40 do Decreto n° 332/91. Observase, assim, um descompasso entre a lei e o decreto que a regulamentou, visto que este não pode extrapolar o conteúdo daquela. Alega que o saldo do lucro inflacionário a realizar representa uma obrigação potencial que não pode sofrer alteração que a torne mais onerosa com base em norma posterior ao estabelecimento da relação jurídica da qual é objeto. Dessa forma, os valores que têm sua tributação diferida, após o advento do Decretolei n° 1598/77, ensejam a constituição de provisão respectiva, para fins do IRPJ e ainda que potencial, na forma do PN CST n° 108/78. É o caso do lucro inflacionário, cujo valor não pode sofrer alteração que torne mais onerosa tal obrigação senão com infração à garantia constitucional do princípio da irretroatividade. Esclarece, também, que a tributação do lucro inflacionário se faz mediante sua realização, segundo critérios existentes quando de sua formação (diferimento), sendo Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 557 13 que a pretensão fiscal existe desde então, não podendo vir a ser alterada posteriormente, tornandoa mais onerosa, ainda que o adimplemento ocorra após aquele momento. E, ainda que a própria Lei n° 8.200/91 previsse tal agravamento, teria sua validade contaminada, conforme jurisprudência que transcreve. Sendo assim, destaca que se tal jurisprudência considera que os efeitos da diferença de correção monetária deveriam ser imediatamente considerados pelo sujeito passivo, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade, o que se dizer se a mesma implicar em aumento da carga tributária. E, enquanto o ordenamento jurídico admite normas com efeito retroativo, desde que em beneficio do contribuinte, proíbe, ao mesmo tempo, a edição de normas que venham a abarcar situações não reguladas, ou reguladas de outra forma, à época em que ocorridas. É a situação presente, onde o decreto ofende a Lei n° 8200/91, ao criar obrigação nela não contemplada e, por decorrência, também aos arts. 97 e 99 do CTN, além dos princípios da legalidade e da irretroatividade. Afirma que o auto de infração é nulo de pleno direito, visto que a contribuinte agiu em estrita conformidade com a lei. Caso assim não seja considerado, haverá exigência do tributo com base em diploma subalterno à lei, que veio a agravar a tributação em manifesta afronta à garantia constitucional da vedação a leis retroativas que criam ou exacerbam gravames. Destaca que não pode ser responsabilizada por penalidades relativas a atos praticados por empresa por ela incorporada, mas tão somente, pelos tributos devidos pela sucedida, conforme preceitua o artigo 132 do CTN. Ressalta que conforme mencionado dispositivo, a sucessão alcança apenas os tributos, e não as penalidades; por mais essa ilegalidade, a pretensão fiscal não pode prosperar, sendo, portanto, nula de pleno direito. Isto em razão de que a incorporação se deu antes da autuação fiscal, além de que era de desconhecimento da contribuinte haver a incorporada infringido disposição tributária. De fato, a simples existência de decisões divergentes sobre a matéria objeto da autuação fiscal já indica se o procedimento da sucedida sempre foi conforme o Direito. Afirma que enquanto pendente de apreciação, a impugnação apresentada ao presente lançamento, tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito constituído, na forma do inciso III do art. 151 do CTN, razão pela qual é incabível a exigência de juros moratórios enquanto não decidida a lide. Por fim, insurgese face à aplicação da taxa SELIC para a atualização dos créditos supostamente devidos. Corroborando seu entendimento menciona decisão proferida pelo STJ no Resp n° 291.257/SC. Pelas razões anteriormente expostas, requer a contribuinte o provimento do recurso voluntário interposto, anulandose o auto de infração lavrado. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 558 14 DECISÃO DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E EMBARGOS A 1a Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 101 96.964, prolatado na sessão de 15 de outubro de 2008 (fls. 454 a 466), acolheu a preliminar de decadência e cancelou o auto de infração, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Verificado a ausência do mesmo, não há que prosperar o lançamento. PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Voluntário Provido. Entendeu a Turma Julgadora que deveria se aplicar ao caso a regra do art. 150, §4o, do CTN, estando o lançamento decaído. Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fls. 470 a 472), afirmando haver obscuridade e omissão no julgado, que se manifestou sobre o MPF apenas na ementa, mas não no acórdão e no voto. Contudo, o despacho de fls. 474 a 475 rejeitou de plano os embargos, entendendo inexistirem os vícios apontados, pois, uma vez acatada a preliminar da decadência, as demais matérias litigiosas perderam o objeto. DECISÃO DA CSRF Em seguida, a Fazenda Nacional manejou recurso especial (fls. 478 a 485) para discutir a decadência, admitido pelo despacho de fls. 487 a 488, com contrarrazões do contribuinte nas fls. 494 a 510. Por meio do Acórdão nº 9101001.773, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, prolatado na sessão de 17 de outubro de 2013 (fls. 533 a 542), deuse provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, afastandose a preliminar de decadência, e determinandose o retorno à câmara de origem para exame das demais matérias. A decisão restou assim ementada: Fl. 560DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 559 15 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 – CPC As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62 A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782). Entenderam o julgadores que, diante da inexistência de pagamento, aplicase ao caso a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Assim, como o fato gerador do IRPJ ocorreu no dia 31/12/1997, iniciouse a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, no primeiro dia do ano de 1999, expirandose esse prazo em 31/12/2003. Tendo o lançamento de ofício sido cientificado ao contribuinte em abril de 2003, temse por não consumada a decadência. Dandose cumprimento à decisão da CSRF, este processo foi a mim distribuído numerado digitalmente até a fl. 543 (na verdade a de nº 544, haja vista a repetição da numeração nas duas últimas páginas). Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 560 16 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O lançamento sob análise decorreu de revisão sumária da Declaração do Imposto de Renda – Pessoa Jurídica, exercício 1998, da empresa REPRESENTAÇÕES RECKITT & COLMAN BRASIL LTDA (fls. 25 a 58), incorporada pelo contribuinte destes autos antes da lavratura do auto de infração. Foram lançadas duas infrações: (a) compensações de prejuízos fiscais a maior do que o permitido, uma vez que não se observou o limite de 30% previsto no art. 42 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e no art. 15 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995; e (b) falta de adição ao lucro líquido do período da parcela de realização mínima de 10% do lucro inflacionário diferido dos períodos anteriores, como previsto no art. 3o, inciso II, da Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991. Tendo a questão da decadência sido definitivamente afastada pelo Acórdão nº 9101001.773, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, permanecem em discussão as seguintes matérias: a) nulidade do lançamento por ausência de mandado de procedimento fiscal regular; b) quanto ao prejuízo fiscal compensado a maior, necessidade de aplicação dos efeitos da postergação, nos termos do Parecer Normativo Cosit n° 02, de 28 de agosto de 1996; c) desnecessidade de que os efeitos decorrentes da diferença entre IPC e BTNF sejam considerados em relação ao lucro inflacionário acumulado em 31/12/1989 na parte B do LALUR; d) responsabilidade da incorporadora por penalidades relativas a atos praticados pela incorporada; e) não incidência de juros de mora enquanto não for proferida decisão administrativa; f) impossibilidade do uso da Taxa Selic para a atualização dos créditos supostamente devidos. Passemos à análise de cada tópico. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 561 17 1 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MPF O recorrente defende a nulidade do lançamento devido à falta de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Na época do início da ação fiscal que originou o lançamento sob análise, vigia a Portaria SRF nº 3007, de 26 de novembro de 2001, que regulava a emissão do MPF. E seu art. 11, inciso V, determinava que o MPF não seria exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). Ora, o Termo de Verificação Fiscal é explícito ao esclarecer que o lançamento decorreu de procedimento fiscal de revisão sumária da Declaração do Imposto de Renda – Pessoa Jurídica, exercício 1998, anobase 1997, da empresa incorporada pelo contribuinte, em cumprimento dos arts. 1º, 2° e 3° da Instrução Normativa SRF nº 94, de 24 de dezembro de 1997 (fl. 212), enquadrandose o caso, desse modo, em uma das exceções à obrigatoriedade do MPF. Ademais, devo registrar que é o entendimento majoritário desta Turma, apesar de não unânime, de que o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. Como exemplo, cito o Acórdão nº 1102000.911, julgado na sessão de 7 de agosto de 2013, de relatoria do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. No mesmo sentido, transcrevo ementa de decisão unânime da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101001.457, proferida na sessão de 15 de agosto de 2012, tendo por relator o Conselheiro Valmir Sandri: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – VALIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 562 18 2 – EFEITOS DA POSTERGAÇÃO O recorrente defende que a Fiscalização não poderia ter simplesmente glosado o excesso de compensação de prejuízos no ano de 1997, mas que deveria ter considerado o fato como mera postergação de tributos, com o pagamento do imposto em momento posterior, nos termos do Parecer Normativo Cosit n° 02, de 1996. A decisão de primeira instância não conheceu a impugnação nessa parte, sob o argumento de que o contribuinte teria levado a discussão ao Judiciário, caracterizando renúncia às instâncias administrativas. Nesse aspecto, penso que se equivocou o julgador a quo. O mandado de segurança impetrado buscava proceder à compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados até 31 de dezembro de 1994, sem a limitação de 30% do lucro líquido ajustado, com os resultados positivos apurados a partir de 1° de janeiro de 1995 (fls. 89 a 108). Já o recurso administrativo não pleiteia o direito de compensação integral dos prejuízos, mas apenas defende que o critério de apuração do lucro real pelo lançamento foi incorreto. Ora, a Súmula CARF nº 1 determina que cabe a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse sentido, os argumentos que afirmam a necessidade de se reconhecer os efeitos da postergação do tributo merecem ser conhecidos e enfrentados. Essa matéria já está definitivamente pacificada na seara administrativa desde a publicação da Súmula CARF nº 36, que possui o seguinte enunciado: A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. Assim, de fato, quando o contribuinte compensa prejuízos fiscais acima do limite de 30% do lucro real em um ano, e posteriormente apura imposto a pagar em período posterior por não ter mais saldo de prejuízos a compensar, devese reconhecer a postergação do pagamento do IRPJ, e excluir da exigência a parcela paga posteriormente. Contudo, é ônus do contribuinte a prova de que houve o pagamento indevido posteriormente. No caso, o recorrente simplesmente alega a necessidade de se reconhecer os efeitos da postergação, mas não prova que, de fato, existiu essa postergação. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 563 19 Na verdade, como a empresa que compensou os prejuízos foi incorporada pelo contribuinte destes autos no ano seguinte ao lançamento (1998 – fls. 6 e 7), somente nesse momento poderia ter sido pago imposto pela falta de prejuízos a compensar. Contudo, não existem nos autos informações sobre esse período. De qualquer modo, como já dito, nos termos do verbete sumular, seria ônus da defesa essa comprovação. Não tendo sido feita, não há qualquer correção a ser feita no lançamento. 3 – CORREÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO PELA DIFERENÇA IPC/BTNF O lançamento exigiu o percentual mínimo de 10% de realização do lucro inflacionário diferido dos períodos anteriores, que não havia sido adicionado ao lucro real na DIRPJ/98. Parte desse valor correspondia à correção monetária do saldo de lucro inflacionário a realizar em 31/12/1989, relativa à diferença entre a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, nos termos do inciso II do art. 3o da Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991, abaixo transcrito: Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entra a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: (...) II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. Contudo, o recorrente afirma que se deu interpretação errônea a esse dispositivo, que, em nenhum momento, determinou que os efeitos decorrentes da diferença entre IPC e BTNF fossem considerados em relação ao lucro inflacionário acumulado em 31/12/1989, controlado na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real Lalur, mas sim que tais efeitos somente fossem considerados em relação à escrituração contábil (demonstrações financeiras) das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Isso porque, ao se referir a demonstrações financeiras, a lei inclui apenas a escrituração contábil, mas não a fiscal . Assim, a lei não teria estendido os efeitos citados para os valores controlados na Parte B do Lalur, o que só ocorreu no art. 40 do Decreto nº 332, de 4 de novembro de 1991. Conclui que, por trazer determinação não prevista em lei, tal decreto seria ilegal. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 564 20 Acrescenta que o saldo do lucro inflacionário a realizar representa uma obrigação potencial que não pode sofrer alteração que a torne mais onerosa com base em norma posterior ao estabelecimento da relação jurídica da qual é objeto. Na verdade, a obrigação de correção dos valores controlados na Parte B do Lalur se encontra, além de no art. 40 do Decreto nº 332, de 1991, no art. 32 do mesmo ato legal, ao qual o primeiro dispositivo se refere. Transcrevo: Art. 32. As pessoas jurídicas que, no exercício financeiro de 1991, períodobase de 1990, tenham determinado o imposto de renda com base no lucro real deverão proceder a correção monetária das demonstrações financeiras desse período com base no índice de Preços ao Consumidor (IPC). (...) § 4º A correção monetária deverá ser registrada contabilmente no curso do períodobase de 1991, mas referida a 31 de dezembro de 1990. Art. 40. Os valores que constituirão adição, exclusão ou compensação a partir do períodobase de 1991, registrados na parte B do livro de Apuração do Lucro Real, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, serão corrigidos na forma deste capítulo, e a diferença de correção será registrada em folha própria do livro, para adição, exclusão ou compensação na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993. (...) § 3º O valor da adição relativa à diferença de correção do lucro inflacionário a tributar será computada na determinação do lucro real de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, a partir do períodobase de 1993. (...) A decisão recorrida entendeu que a adição ao lucro líquido do saldo credor da diferença IPC/BTNF era obrigatória, e que a Lei nº 8.200, de 1991, atribuiu a ele o mesmo tratamento a que se submeteria o lucro inflacionário diferido de períodos anteriores, que já era objeto de correção monetária, conforme determinação trazida pelo art. 21, § 3º, da Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989. Com razão o julgador a quo. Transcrevo o art. 21, § 3º, da Lei nº 7.799, de 1989, acima citado: Art. 21. Considerase lucro inflacionário, em cada períodobase, o saldo credor da conta de correção monetária ajustado pela Fl. 566DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 565 21 diminuição das variações monetárias e das receitas e despesas financeiras computadas no lucro líquido do períodobase. (...) § 3° O lucro inflacionário a tributar será registrado em conta especial do Livro de Apuração do Lucro Real, e o saldo transferido do períodobase anterior será corrigido monetariamente, com base na variação do valor do BTN Fiscal entre o dia do balanço de encerramento do períodobase anterior e o dia do balanço do exercício da correção. Acrescentese que o art. 10 da Lei nº 7.799, de 1989, determinava que a correção monetária das demonstrações financeiras seria procedida com base na variação diária do valor do BTN Fiscal, ou de outro índice que viesse a ser legalmente adotado. E que a Lei nº 8.200, de 1991, alterou o índice de correção para a variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Ao mesmo tempo, estabeleceu o tratamento fiscal a ser dado à parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que correspondesse à diferença entre o IPC e o BTN Fiscal, determinando ser obrigatória a adição ao lucro líquido do saldo quando credor, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado. Assim, se tanto as demonstrações financeiras quanto o lucro inflacionário a tributar eram corrigidos pela BTNF, obviamente para ambos vale o regramento que determina o reconhecimento da diferença de correção entre o IPC e a BTNF. Desse modo, quando os arts. 32 e 40 do Decreto nº 332, de 1991, determinaram a correção monetária dos valores do lucro inflacionário a realizar, controlados na Parte B do Lalur, não inovaram no ordenamento, mas apenas indicaram valores já sujeitos à correção monetária pelas leis já citadas. Além disso, a necessidade de correção monetária do lucro inflacionário a realizar decorre da própria lógica no sistema de correção monetária, como bem observado pelo Conselheiro Luiz Martins Valero, relator do Acórdão n° 10707.890, da 7a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, prolatado na sessão de 2 de dezembro de 2004, que restou assim ementado. IRPJ/CSLL DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF/90 APLICAÇÃO O mecanismo da correção monetária do balanço tem por finalidade a eliminação dos efeitos inflacionários nos resultados do período de incidência, sem macular o necessário equilíbrio das contas patrimoniais. Se a Lei n° 8.200/91 acatou o IPC como índice de correção monetária do balanço de 1990, este índice deve ser aplicado tanto ao ativo sujeito a correção monetária quanto ao patrimônio liquido. Eventual saldo credor ou devedor decorre da exposição dos fatores empresariais à inflação, revelando ganho ou perda inflacionária. IRPJ/CSLL DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF/90 APLICAÇÃO SOBRE OS VALORES Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 566 22 DIFERIDOS NO LALUR A correção aplicada ao LALUR tem por fim anular o efeito da mesma correção a débito do resultado comercial, que foi calculada sobre um PL maior, por conta do lucro inflacionário diferido apenas no LALUR. Transcrevo os argumentos do voto: A sistemática de correção monetária do balanço tem "duas pernas". É dizer, a sistemática foi engendrada para a eliminação dos efeitos inflacionários, sem macular o necessário equilíbrio das contas patrimoniais. Se a Lei n° 8.200/91 acatou o IPC como índice de correção monetária do balanço de 1990, este índice deve ser aplicado tanto ao ativo sujeito a correção monetária quanto ao patrimônio líquido. Eventual saldo credor ou devedor decorre da exposição dos fatores empresariais à inflação, revelando ganho ou perda inflacionária. Não é a renda da correção monetária que se tributa, mas sim o ganho inflacionário. Da mesma forma, tivesse o contribuinte saldo devedor na conta de correção monetária do balanço, este reduziria a resultado tributável. Nesse ponto o Decreto n° 332/91 foi fiel à Lei que regulamentou. Como dito a correção monetária tem por função a mera recomposição de valores históricos. E por que a correção monetária não pode ser desconsiderada no LALUR? Exatamente porque a correção aplicada ao LALUR tem por fim anular o efeito da mesma correção a débito do resultado comercial, que foi calculada sobre um PL maior, por conta do lucro inflacionário diferido apenas no LALUR. Essa matéria foi também analisada pela 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n° 910100.648, julgado pela na sessão de 30 de agosto de 2010, tendo por relatora a Conselheira Karem Jureidini Dias, restando assim ementado: IRPJ, LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. DIFERENÇA IPC/BTNF. A Lei n° 8.200, de 1991, instituiu, como índice de correção monetária das demonstrações financeiras de que trata a Lei n° 7.799, de 1989, a partir de fevereiro de 1991, o INPC. Ao mesmo tempo, estabeleceu o tratamento fiscal a ser dado à parcela da correção monetária das demonstrações financeiras relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal. Assim, a falta ou insuficiência de realização do lucro inflacionário, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 567 23 Apesar de a análise da legislação ter sido um pouco diferente da suscitada pela defesa neste processo, a CSRF entendeu que a regulamentação da Lei nº 8.200, de 1991, pelo Decreto nº 332, de 1991, foi adequada. Transcrevo os argumentos do voto: Verifico que a lide no presente caso se dá em torno da legalidade da determinação do artigo 32 do Decreto n° 332/91, em face do que dispunha a Lei n° 200/91.Vejase a citada legislação: (...) Argumenta o Recorrente, com base em acórdão paradigma, que a Lei n° 8200/91, ao usar os vocábulos "poderão" e "poderá" em seus artigos 2° e 3°, não determina a apuração compulsória do resultado decorrente da diferença entre o BTN e o IPC. Tal determinação só veio com o Decreto 332/91, o qual teria extrapolado a lei. Primeiramente, cumpre assinalar que ao presente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é outorgado afastar lei sobre argumento de sua inconstitucionalidade. A discussão fica restrita, portanto, em saber se a Lei n° 8200/91, ao reconhecer a diferença de correção monetária das demonstrações financeiras em 1991, tomou ou não sua apuração obrigatória. Pela leitura do artigo 3º, inciso II da Lei n° 8.200/91, entendo que se trata de determinação obrigatória, ao estabelecer que a diferença IPC/BTNF "será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor". Este também tem sido o entendimento pacificado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se verifica de diversos julgados, tal como o acórdão n° 10197.048 (Recurso nº 155.329, sessão de 16/12/2008, Rel, Cons. Sandra Maria Faroni) e o acórdão n° 19700042 (Recurso n° 157.846, sessão de 20/10/2008, Rel. Cons. Leonardo Lobo de Almeida), dos quais transcrevo os seguintes trechos dos respectivos votos condutores: “A Lei n° 8.200, de 1991, instituiu, como índice de correção monetária das demonstrações financeiras de que trata a Lei nº 7.799, de 1989, a partir de fevereiro de 1991, o INPC. Ao mesmo tempo, estabeleceu o tratamento fiscal a ser dado à parcela da correção monetária das demonstrações financeiras relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal. A "correção monetária complementar IPC/BTNF90", prevista no art. 3° da Lei n° 8,200/91, é obrigatória, e deveria ser feita em 1991, mas referida ao balanço de 1990. Determinou o art 3º da Lei que os efeitos fiscais do resultado (credor ou devedor) dessa correção monetária complementar fossem extracontábeis. De acordo com o inciso II do art. 3° da Lei n° 8.200, de 1991, se o saldo dessa correção complementar resultasse credor, seria computado na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado.” Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 568 24 “Em relação à obrigatoriedade de se computar na apuração do Lucro Real, a partir do anocalendário 1993, o saldo de correção monetária das demonstrações financeiras que, no ano base 1990, corresponder à diferença entre o 1PC e o BTNF, tal previsão está contida no art. 3° da Lei n° 8,200/91. A matéria não é nova, havendo diversos precedentes desta Corte Administrativa. IRPJ — DIFERENÇA — IPC/BTNF — TRATAMENTO O Saldo Credor da Correção Monetária da diferença IPC/BTNF/90, conforme o art. 3° da Lei No. 8.200/91, deverá ter o mesmo tratamento fiscal e contábil do Lucro Inflacionário, (1° CC – 3a Câmara Recurso n° 149446 — Relator Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe julgado em 27/05/2008) DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF A norma que determina que o saldo credor da diferença IPC/BTNF será computado na apuração do lucro real a partir do anocalendário de 1993 é impositiva, e não facultativa. Inadmissível o cômputo no lucro real de períodos anteriores a 1993, para absorver prejuízo fiscal prestes a decair (1° CC – 1a Câmara Recurso n° 159671 — Relatara Conselheira Sandra Maria Faroni – julgado em 07/12/2007) IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO CORREÇÃO MONETÁRIA DIFERENÇA DE ÍNDICES (IPC X BTNF) REALIZAÇÃO A MENOR. O saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF, corrigido pelos índices próprios, deve ser somado ao montante de lucro inflacionário acumulado em 31 de dezembro de 1992, recebendo, a partir de 1°/01/93, o mesmo tratamento dado ao saldo do lucro inflacionário acumulado a realizar (1° CC – 7a Câmara Recurso n° 128823 — Relatar Conselheiro Octávio Campos Fischer — julgado em 10/08/2005).” Neste passo, tendo em vista que a Lei nº 8.200/91 impôs comportamento obrigatório ao contribuinte em relação à apuração da diferença da correção monetária IPC/BTNF, não há que se falar em ilegalidade do lançamento, tampouco da regulamentação trazida pelo Decreto n° 332/91. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 569 25 4 RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA POR PENALIDADES RELATIVAS A ATOS PRATICADOS PELA INCORPORADA O recorrente defende que não pode ser responsabilizado por penalidades relativas a atos praticados por empresa por ela incorporada, mas tãosomente pelos tributos devidos pela sucedida, conforme preceitua o artigo 132 do Código Tributário Nacional – CTN. Essa matéria também se encontra pacificada na seara administrativa com a publicação da Súmula CARF nº 47, que possui o seguinte enunciado: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Assim, quando a sucessora pertencia ao mesmo grupo econômico da sucedida, é razoável supor que a primeira tinha conhecimento das infrações cometidas pela última, devendo se responsabilizar pelas penalidades. No processo, não existem informações sobre a quais grupos econômicos pertenciam as empresas incorporada e incorporadora, nem constam cópias dos atos ou da DIPJ de incorporação. Mas é fato notório que, no final da década de 1990, ocorreu a fusão internacional da Reckitt & Colman e da Benckiser, como esclarecido no seguinte endereço da Internet (consultado em 5 de novembro de 2014): http://www.rb.com/rbworldwide/rbhistory Do mesmo modo, REPRESENTAÇÕES RECKITT & COLMAN BRASIL LTDA foi extinta em 31/12/1998 (fl. 6), e incorporada pela RECKITT BENCKISER (BRASIL) LTDA na mesma data (fl. 7), sendo que ambas as empresas possuem o mesmo endereço cadastral (fls. 5 e 6). Assim, sem maiores necessidades de produção de provas, é possível concluir que a incorporação se deu no contexto de fusão entre dois grandes grupos econômicos, e que a incorporadora tinha pleno conhecimento dos fatos ocorridos na incorporada, sendo responsável pelas penalidades decorrentes das infrações por esta cometidas. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 570 26 5 – JUROS DE MORA Quanto aos juros de mora incidentes sobre o crédito tributário lançado, o contribuinte tem dois pleitos. O primeiro diz respeito à não incidência de juros de mora enquanto não for proferida decisão administrativa. A incidência de juros de mora sobre o crédito não pago no vencimento decorre do art. 161 do CTN, abaixo transcrito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Atualmente, a base legal para os juros de mora é o art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que possui a seguinte redação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Dessa forma, vêse que a lei apenas exclui a incidência de juros de mora no caso de pendência de consulta. Salvo quando existir depósito no montante integral, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em nada altera a fluência de juros de mora, que serão calculados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, quando o principal voltar a ser exigível. É esse o conteúdo da Súmula CARF nº 5: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19515.001337/200313 Acórdão n.º 1102001.257 S1C1T2 Fl. 571 27 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. O segundo pleito da defesa nessa matéria diz respeito à impossibilidade do uso da Taxa Selic para a atualização dos créditos supostamente devidos. Contudo, esse assunto não comporta mais discussão no âmbito do CARF com a publicação da Súmula CARF nº 4 (antigas Súmulas nos 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte e 3 do 2º Conselho de Contribuinte), que possui o seguinte conteúdo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese, ainda, que não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). 6 – CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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Numero do processo: 11065.002034/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos.
Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3101-000.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada.
EDITADO EM: 02/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos. Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
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Recorrida DRJ PORTO ALEGRE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 20 34 /2 00 7- 85 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.002034/200785 Acórdão n.º 3101000.909 S3C1T1 Fl. 162 2 (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa. Em Despacho Decisório a Delegacia da Receita Federal competente deferiu parcialmente o pleito, em razão da contribuinte não ter incluído, na base de cálculo da contribuição, valores relativos a cessão onerosa de créditos do ICMS. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que a cessão de créditos de ICMS a terceiros não se conceitua como receita, não integrando, portanto, a base de cálculo das contribuições sociais. A DRJ de Porto Alegre indeferiu o pleito de ressarcimento, nos termos do Acórdão 1018.107, de 17 de dezembro de 2008, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a COFINS. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, alegando, em preliminar, que o entendimento da DRJ não pode prosperar, pois contraria decisão judicial proferida pelo TRF da 4ª Região no julgamento da apelação interposta em Mandado de Segurança ajuizado pela empresa. No mérito, defende a não incidência das contribuições sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS, além de requer a incidência da Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento que foram indeferidos pela.autoridade administrativa. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.002034/200785 Acórdão n.º 3101000.909 S3C1T1 Fl. 163 3 Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 160, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.909, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. A Recorrente insurgese, inicialmente, contra o fato de a DRJ recorrida não ter reconhecido o direito a excluir a cessão onerosa de créditos do ICMS da base de cálculo da contribuição, pois tal direito lhe foi garantido na esfera judicial. A empresa impetrou o Mandado de Segurança nº 2005.71.08.0105600, no qual foi proferido, pelo TRF da 4ª Região, o Acórdão de fls. 135 a 141, que possui a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. 1. A inclusão dos valores provenientes da transferência de saldo credor do ICMS, obtido em razão do beneficio fiscal concedido às empresas exportadoras, a fornecedores ou terceiros, na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, consoante entendimento manifestado pelo Fisco, ofende a regra de imunidade prevista no art. 155, § 2°, inciso X, da Constituição Federal e regulamentada pelo art. 25, §§ 1° c 2°, da Lei Complementar n.° 87/96, o princípio federativo e o da proibição do bis in idem. Precedentes desta Corte. 2. Por operação de exportação devese entender não só o produto da venda realizada ao exterior, mas toda a receita ou resultado decorrente do complexo mecanismo de exportação, inclusive aquela decorrente da transferência dos eventuais créditos de ICMS incidentes nas operações anteriores. 3. Sentença reformada. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.002034/200785 Acórdão n.º 3101000.909 S3C1T1 Fl. 164 4 Constatase que o Mandado de Segurança 2005.71.08.0105600 foi impetrado em 2005 e os fatos geradores do presente processo ocorreram em 2007, estando, indubitavelmente, alcançados pelo MS. E o objeto da ação judicial, conforme atesta a transcrição da ementa do acórdão do TRF, é o mesmo da controvérsia deste pleito administrativo: incidência das contribuições sociais sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS acumulados em razão de benefício fiscal concedido às empresas exportadoras. Aplicável, portanto, a súmula CARF nº 1, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, não se conhece do recurso voluntário na parte em que a contribuinte defende a nãoincidência das contribuições sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS acumulados em decorrência de exportações efetuadas, discussão levada à esfera judicial. Resta apreciar a questão relativa à incidência da Selic sobre os créditos indeferidos pela unidade de origem, matéria não abordada no MS impetrado pela empresa. Os créditos glosados se referem à não inclusão da cessão onerosa de créditos do ICMS na base de cálculo das contribuições, questão a ser definida pelo Poder Judiciário. Todavia, caso a contribuinte venha a ter seu direito reconhecido na esfera judicial, não terá direito à incidência da Selic sobre os mencionados créditos, em razão da existência de proibição legal expressa à atualização monetária ou incidência de juros sobre o ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas (artigos 13 e 15, VI, da Lei 10.833, de 2003). Nestes termos, o colegiado não conheceu do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, negou provimento. E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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