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Numero do processo: 10830.007447/2004-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000
Substituição Tributária. Combustíveis. Base de Cálculo. Preço de Venda.
A comercialização de mercadorias a varejo, sujeitas ao regime de substituição tributária, por preço inferior ao da base de cálculo presumida do tributo, fixada em lei, sobre a qual o tributo foi apurado e pago pelo substituto, não gera direito a restituição da diferença.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Duroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Combustíveis. Base de Cálculo. Preço de Venda. A comercialização de mercadorias a varejo, sujeitas ao regime de substituição tributária, por preço inferior ao da base de cálculo presumida do tributo, fixada em lei, sobre a qual o tributo foi apurado e pago pelo substituto, não gera direito a restituição da diferença. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Duroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 74 47 /2 00 4- 22 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição protocolado em 20/12/2004, no valor de R$ 112.513,77, correspondente a pagamentos de Cofins sobre o faturamento de combustíveis, nos períodos de apuração entre 01/01/1999 a 30/06/2000. Em seu pedido, a contribuinte fundamenta da seguinte forma sua pretensão: Nos termos da legislação tributária vigente na época (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998), a requerente, na qualidade de contribuinte substituída, sofreu a retenção de valores a título de COFINS, por parte da refinaria de petróleo, contribuinte substituída, calculado sobre uma base de cálculo presumida, conforme valores lançados nas respectivas notas fiscais de vendas, emitidas pelas distribuidoras no período compreendido entre 1º de janeiro de 1999 à 30/06/2000. Ocorre que, os preços efetivos e comprovadamente praticados pela requerente, nas suas vendas de combustíveis a consumidor final, foram inferiores àqueles calculados de forma presumida pela refinaria. A DRF de Campinas indeferiu o pedido com base nos seguintes argumentos: Percebese, portanto, que a substituição tributária para os combustíveis é uma previsão legal e imputada à pessoa que faz as vezes do substituto tributário. Sendo, pois, um tributo recolhido pelo distribuidor, não cabe ao comerciante varejista pleitear indébito nesse sentido, pois fica claro não ter sido este último quem arcou com o ônus dos recolhimentos dos tributos questionados. (...) Concluise, então, que não existe direito creditório a ser reconhecido ao interessado, conforme pleiteado, pois primeiramente não se configura a relação jurídica de sujeito passivo e sujeito ativo para esse fim, pois conforme demonstrado o sujeito passivo na situação aludida é o distribuidor de combustível, portanto, cabe a ele, se for o caso, pleitear qualquer pagamento a maior que porventura tenha efetuado, desde que baseado em documentação hábil e legal para tal. Além disso, é importante ressaltar que a condição de substituto tributário é estabelecida em Lei, de acordo com os atos legais citados anteriormente, ficando expressamente determinado em lei quem seja o sujeito passivo de direito na relação existente. Em consulta ao sistema SIEF e COMPROT/Internet, constatei que, até o presente momento, não há Declaração de Compensação vinculada a este processo, conforme telas impressas dos sistemas, folhas 65 e 66. Em sua manifestação de inconformidade a interessada alegou, em síntese, que Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10830.007447/200422 Acórdão n.º 3302002.244 S3C3T2 Fl. 99 3 a) o indeferimento em tela foi alicerçado em total dissonância às mais recentes jurisprudências havidas sobre a mesma matéria, qual seja, baseou tal decisão, num prematuro e irrelevante fundamento, sobre a ilegitimidade do contribuinte, ora requerente. Melhor dizendo, a este título, está pacífico em nossos Tribunais, que o ora Requerente (contribuinte substituído), por ser ele quem sofre efetivamente o ônus da imposição fiscal, é parte legítima ad causam para requerer a restituição dos valores recolhidos a título de tributo (COFINS). Desta feita, não merece prevalecer o entendimento do presente julgado, eis que, segundo este, tal legitimidade seria da refinaria de petróleo e ou distribuidora, ora ambas contribuintes SUBSTITUTAS; b) o Requerente, perante o regime da Substituição Tributária, é considerado o CONTRIBUINTE SUBSTITUÍDO das operações realizadas. (...) Conveniente, porém, se torna para o caso, a aplicação obrigatória da interpretação literal dessa legislação tributária, pois, esta é clara, quando se refere que a refinaria de petróleo e ou as distribuidoras de álcool, somente são obrigadas a cobrança (retenção) e o seu posterior recolhimento (repasse à União), mas que, na verdade quem sofre o ônus da carga tributária nessas operações, é o contribuinte SUBSTITUÍDO; c) fica claro que a intenção da Lei, é reduzir as fases de cobrança dos tributos, deixando assim, a refinaria como responsável pela retenção e recolhimento desses, pertinente aos contribuintes varejistas, e não a reconhecendo como parte legítima ao mesmo pleito. A DRJ de Campinas, por sua vez, após analisar os argumentos oferecidos na manifestação, entendeu por bem indeferir o pedido em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: : 01/01/1999 a 30/06/2000 Restituição. Legitimidade Ativa. A falta de prova de legitimidade ativa inviabiliza o deferimento de pedido de restituição/compensação. Substituição Tributária. Fato Gerador Presumido. No caso de substituição tributária só é cabível a restituição da quantia paga na hipótese de não se realizar o fator gerador presumido. Solicitação Indeferida. Contra referida decisão foi interposto Recurso Voluntário que, citando jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, requer a reforma da decisão para determinarse a legitimidade do comerciante varejista de combustíveis para pleitear a restituição da diferença dos valores entre a base de cálculo retida pela refinaria e o da venda real aos contribuintes. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. São dois os temas submetidos à análise no presente processo: (i) a legitimidade do Recorrente para solicitar eventuais retenções de COFINS efetuadas a maior por conta do regime de substituição; e, (ii) o direito a restituição da diferença entre o valor retido, a título de substituição tributária, e o valor real de venda ao consumidor final. A sistemática da substituição tributária encontra fundamento legal em nossa Constituição que assim prescreve: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Em relação a COFINS a Lei 9.718/98 assim regulou a substituição tributária em relação a cadeia de comércio dos combustíveis derivados de petróleo: Art. 4º. As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. Importante observar que a na substituição tributária não há alteração dos contribuintes do imposto. Ocorre apenas a determinação de que um dos elos da cadeia comercial será responsável pela retenção e recolhimento das contribuições devidas pelos demais. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10830.007447/200422 Acórdão n.º 3302002.244 S3C3T2 Fl. 100 5 No presente caso, a Refinaria retem e recolhe a COFINS devida pela distribuidora e pelo comércio varejista de combustíveis em relação a operações comerciais que cada uma delas efetua. Não há modificação do contribuinte, ou do sujeito passivo. Tratase, na verdade, de mera técnica de arrecadação, uma vez que o substituto recolhe as contribuições que incidirão nas operações a serem realizadas pela Distribuidora e pelos postos de combustíveis. A questão da legitimidade para postular a devolução dos alegados recolhimentos a maior em virtude da não ocorrência do fato gerador presumido tem encontrado muita divergência na jurisprudência. Em decisões recentes o STJ tem se manifestado no seguinte sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COFINS. SUBSTITUIÇÃO PARA A FRENTE. LEGITIMIDADE ATIVA DO SUBSTITUÍDO. PRECEDENTES. 1. Hipótese em que o embargante se insurge contra decisão que entendeu pela legitimidade ativa do substituído para questionar a exigência da Cofins, defendendo que o direito de pleitear a repetição do indébito, mediante restituição ou compensação, depende da demonstração de que o substituído suportou o encargo, não repassando o preço cobrado para o consumidor final. 2. No regime de substituição tributária para a frente, o comerciante varejista de combustível, substituído tributário, é parte legítima para questionar a exigência do Pis e da Cofins incidentes no comércio de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes. Precedente: EREsp 648.288/PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 11/9/2006. 3. Agravo regimental não provido. 1 Ocorre, contudo, que esta discussão perde relevância diante da inexistência do direito a devolução da diferença entre a base de cálculo estimada e o valor real da operação, nos termos proclamados pelo Supremo Tribunal Federal. O Tribunal Pleno do STF, responsável maior pela interpretação dos dispositivos constitucionais, ao analisar a sistemática prevista no § 7º, do art. 150 da Carta Magna, nos autos da ADI 1.815/AL, fixou o entendimento de que "o fato gerador presumido, por isso mesmo, não é provisório, mas definitivo, não dando ensejo a restituição ou complementação do imposto pago, senão, no primeiro caso, na hipótese de sua não realização final. Admitir o contrário valeria por despojarse o instituto das vantagens que determinaram a sua concepção e adoção, como a redução, a um só tempo, da máquinafiscal 1 AgRg no REsp 1098320/RS Agravo Regimental no Recurso Especial nª 2008/02224026. 1ª Turma. Relator Ministro Benedito Gonçalves. DJE 25/09/2009. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 e da evasão fiscal a dimensões mínimas, propiciando, portanto, maior comodidade, economia, eficiência e celeridade às atividades de tributação e arrecadação No presente caso, tratase de pedido de restituição da diferenças entre a base de cálculo presumida e o valor real praticado, ou seja, o fato gerador realizouse ao final. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907581/2011-54
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 75 81 /2 01 1- 54 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 64), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 55). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907581/201154 Acórdão n.º 3802002.929 S3TE02 Fl. 67 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.014650/2007-43
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003, 2004, 2005
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ e de CSLL.
COMPETÊNCIA. ATO ADMINISTRATIVO.
Um dos elementos do ato administrativo é a competência, que é a condição primeira para a validade do ato administrativo. Nenhum ato pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para praticá-lo, sob pena de nulidade. Em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, deve ser declinada a competência de julgamento à 3º Seção/CARF.
Numero da decisão: 1803-002.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (1) negar provimento ao recurso voluntário, em relação à matéria do IRPJ e da CSLL decorrente do processo nº 10380.014657/2007-65 e (2) em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, declinar a competência de julgamento à 3º Seção, nos termos do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ e de CSLL. COMPETÊNCIA. ATO ADMINISTRATIVO. Um dos elementos do ato administrativo é a competência, que é a condição primeira para a validade do ato administrativo. Nenhum ato pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para praticá-lo, sob pena de nulidade. Em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, deve ser declinada a competência de julgamento à 3º Seção/CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (1) negar provimento ao recurso voluntário, em relação à matéria do IRPJ e da CSLL decorrente do processo nº 10380.014657/2007-65 e (2) em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, declinar a competência de julgamento à 3º Seção, nos termos do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ e de CSLL. COMPETÊNCIA. ATO ADMINISTRATIVO. Um dos elementos do ato administrativo é a competência, que é a condição primeira para a validade do ato administrativo. Nenhum ato pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para praticá lo, sob pena de nulidade. Em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, deve ser declinada a competência de julgamento à 3º Seção/CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (1) negar provimento ao recurso voluntário, em relação à matéria do IRPJ e da CSLL decorrente do processo nº 10380.014657/200765 e (2) em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, declinar a competência de julgamento à 3º Seção, nos termos do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 46 50 /2 00 7- 43 Fl. 3568DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.569 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0522 com a exigência do crédito tributário no valor de R$225.222,18 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional pelo regime de cumulatividade no período de janeiro a dezembro dos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, e pelo regime de nãocumulatividade no período de fevereiro a abril de 2004 tendo em vista a falta de recolhimento. Consta na Descrição do Fatos: Omissão de Receita caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada, conforme explicado a seguir: No termo de inicio anexo a folha 74, intimamos o contribuinte a apresentar os extratos das contas bancárias da empresa. O contribuinte respondeu, conforme anexo à folha 80, apresentando os extratos da conta 212.0003 da agência 36552 do Banco do Brasil S/A, não informando, no entanto, sobre a existência de qualquer outra conta. Porém, no curso da fiscalização e, examinando a venda de um apartamento feita pelo proprietário da empresa, sr. Rui Castelo Branco, verificamos que o comprador havia depositado, o valor da compra, na conta corrente número 210.060 6 da agência 36552 do Banco do Brasil S/A, de propriedade da empresa CCB – Construtora Castelo Branco. Conta, esta, cuja existência não havia sido informada e cuja movimentação financeira não era contabilizada pela empresa. Intimei, então, o contribuinte a apresentar o extrato da referida conta bancária e identificar suas entradas (depósitos). A empresa apresentou os extratos e identificou suas entradas (recebimentos). identificou todos os depósitos como tendo sido feitos pelos proprietários dos prédios (condomínios) em construção, conforme planilhas anexas às fls. 86/143. Resumi os depósitos identificados pelo contribuinte, nos anos de 2002, 2003 e 2004, nas Colunas A das planilhas mostradas às folhas 24/25. Parte destes depósitos foram transferidos para as contas bancárias dos condomínios, conforme informou o contribuinte nos documentos apresentados às folhas 52/73 deste Auto de Infração. Consolidei essas transferências nas Colunas B das planilhas mostradas às folhas 24/25. Transportei para as Colunas C das mesmas planilhas, os valores dos pagamentos das despesas de construção dos condomínios, feitos com valores saídos, diretamente, da conta bancária da CCB, conforme informou o contribuinte, às folhas 27/32. Nas Colunas D, apurei, por subtração (o total da Coluna A, menos o da coluna B, menos o da Coluna C), os totais anuais dos recursos, dessa conta bancária, utilizados sem identificação de finalidade. Considerei que a empresa utilizou, em beneficio próprio, apenas os 12% acordados nas atas de constituição dos condomínios (receita esta que registrei nas Colunas F, no mês de dezembro). A construtora CCB movimentava livremente os recursos da conta bancária omitida sem fazer qualquer registro contábil. Não contabilizava o recebimento destes valores e, também, não contabilizava (conforme verifiquei em sua escrita Fl. 3569DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.570 3 contábil), a utilização dos mesmos. Utilização que pode ter sido para as aquisições de materiais de construção, despesas gerais de construção dos condomínios ou, para qualquer outra finalidade. As comissões de administração (receitas) contabilizadas pela CCB (docs. anexos às fls. 41/49, referiamse, apenas aos custos e despesas gerais de construção pagos com cheques emitidos pelos condomínios. Referiamse, pois, apenas aos custos e despesas de construção pagas com a utilização dos recursos depositados nas contas correntes dos condomínios. A empresa silenciava sobre os recursos depositados em sua conta bancária como, também, sobre as comissões sobre os mesmos. Conforme identificou o contribuinte, no documento apresentado às folhas 96/143 parte dos depósitos efetuados para a construção dos apartamentos eram feitos na conta bancária "oculta" da Construtora CCB. Parte dos depósitos, aí realizados, eram, posteriormente, transferidos (vide doc. anexo as fls. 52/73 ) para as contas dos condomínios. Sobre a parte que permanecia na conta da Construtora e que era utilizada para o pagamento de custos e despesas das construções, ou que tinha qualquer outro destino, a empresa mantinha total silêncio contábil/fiscal. A empresa utilizava essa parte dos depósitos que permaneciam em sua conta bancária e a omitia como receita ou como base de cálculo da receita (comissão de administração da obra 12%). Ressaltese aqui, que as atas de constituição dos condomínios estabeleciam que a taxa de administração da construção a ser paga A construtora CCB, seria de 12% do custo global da construção. Exemplificando, anexei a ata do Condomínio Emilio Hinko, no qual, em seu parágrafo primeiro do artigo sexto, fixa esta taxa de administração (vide fl. 148). Relacionei (doc. anexo à f1. 41) toda a receita lançada na contabilidade da empresa, referente aos anos de 2002 a 2004. Constatei, então, a ausência de contabilização das receitas dos serviços prestados, em diversos meses, aos diversos condomínios de prédios em construção. Questionei sobre a omissão dos valores depositados na sua conta corrente e intimei (doc. anexo à fl. 90) o contribuinte a apresentar os documentos referentes a essas receitas. Ao que ele respondeu conforme documento anexo às fls. 92/93, 54/73 e 26/32. No documento da folha 26 ele informa, em vermelho, o total de receita não faturada, e, em azul, o total da receita faturada. Nos documentos anexos às folhas 27/32 ele informa os totais das despesas e custos gerais de construção pagas a partir das contas dos condomínios e aquelas pagas a partir da conta bancária da CCB. A receita total, faturada ou não faturada mostrada, pelo contribuinte, na planilha da folha 26, foi calculada pela multiplicação das despesas de construção mostradas às folhas 26/32, pela taxa de 12% fixada nos contratos. Para tornar mais clara a forma de cálculo das receitas omitidas pelo contribuinte, apresentei as planilhas anexadas às fls. 33/38 . Nelas, separei as receitas não faturadas (quadro 2), conseqüentes de despesas de construção pagas a partir da conta bancária da CCB (quadro 3), das receitas não faturadas (quadro 4), oriundas de despesas de construção pagas a partir das contas bancárias dos condomínios (quadros 5). No quadro 2 da folha 33 , está demonstrado como o contribuinte calculou, para o ano de 2002, R$305.287,95 de receita não faturada sobre os R$2.544.066,25 de despesas dos condomínios pagos com valores sacados diretamente da conta bancária da CCB. Na planilha mostrada na folha 24, verificamos que do total depositado na conta bancária da CCB (R$4.889.946,54), R$ 2.544.066,25 foram utilizados para o pagamento de despesas e custos gerais de construção dos condomínios, R$2.405.495,60 foram transferidos para as contas bancárias dos condomínios, e que houve, adicionalmente, uma utilização de R$216.337,50 dos Fl. 3570DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.571 4 depósitos feitos em sua conta. Para calcular a receita não faturada sobre esses R$216.337,50 fizemos o mesmo procedimento de cálculo da receita não faturada sobre os desembolsos identificados (R$305.287,95 = 12% x 2.544.066,25). Calculamos uma omissão de receita adicional, em 2002, de R$25.960,50 (12% x R$ 216.337,50) sobre os valores utilizados sem identificação de finalidade. Nas planilhas mostradas nas folhas 24/25 mostramos os cálculos das receitas omitidas nos anos de 2003 (R$117.889,48) e 2004 (R$148.465,40), sobre os recursos depositados na conta bancária da CCB, cuja utilização não foi identificada pelo contribuinte fiscalizado. Procedimentos de cálculo semelhantes ao explicado, no parágrafo anterior, para o ano de 2002. [...] O contribuinte vendeu, em 14.10.2004 (conf. documentação anexa às fls. 156/160) , sua cota de participação no condomínio Mucuripe Plaza (apartamento 1500, a ser construído), por R$900.000,00. Destes, R$ 430.000,00 referiamse à taxa de adesão ao Condomínio (valor que é, pois, base de cálculo da COFINS cumulativa) e os R$470.000,00, restantes, referiamse ao valor estimado a ser gasto na construção do apartamento. Os R$470.000,00 foram, posteriormente, utilizados pelo Condomínio para a construção do apartamento e, sobre este valor, foi calculada, com a utilização do percentual de 12%, na infração anterior, a receita omitida pela CCB. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º. art. 3º e art. 5º da Lei nº10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. O lançamento de Cofins é decorrente das exigências de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) formalizadas no processo nº 10380.014657/200765, que se encontra com o regular julgamento do litígio instaurado em segunda instância de acordo com o Acórdão 1ª TO/1ª Câmara/1ª SJ nº 1101000935, de 10.09.2013, fls. 35363554 e ainda com o Recuso Especial oposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), fls. 35553567, em que questiona o reconhecimento da decadência dos primeiro e terceiro trimestres do anocalendário de 2002. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 172177, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e alega que: A fiscalização imputou ora impugnante omissão de receitas descritas em dois tópicos, a saber 1) receitas não contabilizadas de prestação de serviços (taxa de administração da construção de imóveis) e 2) resultados não operacionais não declarados, referente à venda de cota de participação em condomínio. Para exame das questões, não só quanto a preliminar de decadência; para os fatos geradores ocorridos até o mês de outubro de 2002, quanto ao mérito, reportase as razões apresentadas no processo principal de exigência de IRPJ e CSLL, que faz anexar por cópia ao presente, visto que solicitou a reunião dos processos para exame em conjunto. Fl. 3571DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.572 5 Entretanto, outras razões adicionais para o PIS e COFINS são necessárias visto que houve a concordância relativa ao item 2 do auto de infração, mas somente quanto ao IRPJ e CSLL, discordando da exigência para essas contribuições. Isto, porquanto não há incidência dessas contribuições para venda de bens do ativo imobilizado, como foi o caso da venda de cota de participação em condomínio que integra o Ativo Permanente da requerente. Em relação a tributação efetivada para a contribuição ao PIS, fatos geradores de dezembro/2002 a abril de 2004; e COFINS, fatos geradores de fevereiro de 2004 a abril de 2004, esta não pode prosperar, dado que as exigências foram lançadas sob a sistemática da nãocumulatividade inserida no ordenamento jurídico pátrio através das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Ocorre, que, por força de comandos legais da Lei nº 10.833, de e 2003, as receitas da ora Impugnante permanecem tributadas sob o regime de cumulatividade, haja vista os dispositivos insertos no artigo 10, inciso XI, alínea "b", inciso XX, e art. 15 da citada lei. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, conversão da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, instituiu o regime nãocumulativo para a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), produzindo efeitos, no que tange a introdução deste regime, a partir de 1º de dezembro de 2002. O regime nãocumulativo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) teve origem na Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, a qual foi posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, produzindo efeitos com relação a sistemática da nãocumulatividade a partir de 1º de fevereiro de 2004. Entretanto, a Lei n° 10.833, de 2003, manteve como obrigatoriamente sujeitas à sistemática anterior, ou seja, sob incidência cumulativa do PIS e da COFINS, sem direito a créditos e sem alteração de alíquota, um extenso rol de receitas percebidas pelas pessoas jurídicas, listadas em seu art. 10, dentre as quais se incluem as receitas auferidas pela ora impugnante [...]. Assim, verificase que a Lei n° 10.833, de 2003, em seu art. 10, estabelece as receitas percebidas pelas pessoas jurídicas que devem ser excluídas da sistemática da nãocumulatividade, dentre as quais, na alínea "b" do inciso XI e no inciso XX, encontramse listadas as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço pré determinado, de bens ou serviços, e as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil. A mesma regra encontra aplicabilidade para a contribuição ao PIS, conforme dispõe o inciso V, do art. 15, da mesma lei. Desta forma, em virtude de as receitas da ora impugnante se enquadrarem nos dispositivos legais acima transcritos é imperioso que se reconheça a impropriedade em que incorreu a fiscalização ao tributar referidas, receitas utilizando as regras da sistemática da nãocumulatividade. Conclui que: À vista do exposto, reclama a impugnante pelo acolhimento da preliminar de decadência e, no mérito pela improcedência dos lançamentos decorrentes, ou ainda, Fl. 3572DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.573 6 pela decretação da improcedência da autuação para a contribuição para o PIS, fatos geradores de dezembro de 2002 a abril de 2004, e para a COFINS, fatos geradores de fevereiro de 2004 a abril de 2004, bem como a exclusão da incidência sobre a venda de bens do ativo imobilizado. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 0823.614, de 08.06.2012, fls. 34253456 que a impugnação é procedente em parte, tendo em vista: reconhecimento da decadência para os fatos geradores janeiro/2002 a outubro/2002, excluída a competência abril/2002: PA Valor Tributável (R$) Alíquota (%) Valor Decaído (R$) Jan/2002 30.807,65 3,00 924,23 Fev/2002 31.366,62 3,00 940,99 Mar/2002 14.071,80 3,00 422,15 Mai/2002 31.601,77 3,00 948,05 Jun/2002 38.950,99 3,00 1.168,53 Jul/2002 67.875,68 3,00 2.036,27 Ago/2002 63.358,78 3,00 1.900,76 Set/2002 73.904,61 3,00 2.217,14 Out/2002 87.760,93 3,00 2.632,83 Total 13.190,90 alteração dos valores lançados nos meses de dezembro dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, processada nos seguintes termos: PA Receita Lançada Receita Cancelada Receita Mantida Cofins Lançada Cofins Mantida Cofins Cancelada Dez/2002 150.946,30 124.985,80 25.960,50 4.528,39 778,82 3.749,57 Dez/2003 181.197,63 117.889,48 63.308,15 5.435,93 1.899,24 3.536,68 Dez/2004 224.903,95 148.465,40 76.438,55 6.747,12 2.293,16 4.453,96 Totais 16.711,44 4.971,22 11.740,22 manutenção do lançamento para os fatos geradores dos meses de abril e novembro de 2002; janeiro a novembro de 2003; e janeiro a novembro de 2004. Restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. FATOS GERADORES JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2004. CIÊNCIA EM 29/11/2007. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO PARCIAL. Fl. 3573DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.574 7 Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, sem a existência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial iniciase no dia seguinte ao da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Por outro lado, nas hipóteses em que não há pagamento, o prazo decadencial contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível (art. 173, inc. I, do CTN). VENDA DE COTA DO CONDOMÍNIO MUCURIPE. ALEGAÇÃO DE TRATARSE DE ALIENAÇÃO DE BEM DO ATIVO PERMANENTE, A SER EXCLUÍDA DA RECEITA BRUTA NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões de prova que possuir, devendo a prova documental ser apresentada conjuntamente com a impugnação. Não o fazendo, preclui o direito do sujeito passivo, a menos que demonstre haver incidido alguma das condições expressamente elencadas no § 4º do art. 57 do Decreto nº 7.574, de 2011. TRIBUTAÇÃO DA COFINS SOB A SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE NOS MESES DE FEVEREIRO/2004 A ABRIL/2004. IMPUGNAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Em face da produção dos efeitos legais estabelecidos pela Lei nº 10.865, de 2004, consoante o regramento geral determinado pelo art. 53 da referida norma, somente as receitas havidas a partir de 1º de maio de 2004, decorrentes da execução por administração de obras de construção civil, sujeitamse às regras da cumulatividade da apuração da Cofins e do PIS/Pasep. Em assim sendo, a não cumulatividade alcança o período compreendido entre fevereiro/2004 e abril/2004. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. RECONHECIMENTO DA RECEITA. PRINCÍPIO DA REALIZAÇÃO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A receita é considerada realizada, sendo devido o seu registro contábil, à medida que os serviços são prestados, configurandose a omissão de receitas na hipótese de o sujeito passivo não contabilizar tais valores, na proporção em que os serviços são prestados. CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS. EXECUÇÃO DA OBRA POR ADMINISTRAÇÃO. CONTACORRENTE NÃO CONTABILIZADA. PAGAMENTO DE DISPÊNDIOS COM RECURSOS DA CONTA NÃO ESCRITURADA. OMISSÃO DE RECEITA EQUIVALENTE À APLICAÇÃO DA TAXA DE ADMINISTRAÇÃO SOBRE TAIS VALORES. NÃO CONTABILIZAÇÃO DE DESPESAS DOS CONDOMÍNIOS PAGAS COM RECURSOS DEPOSITADOS NAS CONTAS DOS CONDOMÍNIOS. REGULARIDADE DA TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS SOBRE DESPESAS NÃO IDENTIFICADAS. TRIBUTAÇÃO NA CONDIÇÃO DE RECEITAS OMITIDAS. INCORREÇÃO. PROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. Fl. 3574DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.575 8 Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todos os pagamento efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, ressalvado o disposto em normas especiais. Constatada imputação distinta, formalizada pela autoridade lançadora, a parcela do lançamento deve ser cancelada, exonerandose o sujeito passivo de sua cobrança. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Notificada em 24.11.2012, fl. 3516, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08.08.2012, antecipadamente, fls. 34643470, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado regularmente e suscita que: DA VENDA DE COTA DE PARTICIPAÇÃO NO CONDOMÍNIO MUCURIPE PLAZA (AP. 1500) Em 14 de outubro de 2004, a Construtora Castelo Branco vendeu uma cota de participação no Edifício Diogo de Leppe do Condomínio Mucuripe Plaza (ap. 1500), bem integrante do seu ativo permanente. Sobre a receita proveniente de operações dessa natureza, não há se falar em incidência da Cofins nem da contribuição para o PIS. DO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE Não podem prosperar a exigência da contribuição para o PIS, fatos geradores de dezembro de 2002 a abril de 2004, nem a exigência da Cofins, fatos geradores de fevereiro de 2004 a abril de 2004, porque lançadas sob a sistemática da não cumulatividade inserida no ordenamento jurídico pátrio por intermédio das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Com efeito, por força de comandos legais da Lei nº 10.833, de 2003, as receitas da ora impugnante permanecem tributadas sob o regime de cumulatividade, consoante determina o seu artigo 10, inciso XI, alínea "b", e inciso XX, bem como o seu artigo 15. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, conversão da Medida Provisória 66, de 29 de agosto de 2002, instituiu o regime nãocumulativo para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), produzindo efeitos, no que tange à introdução deste regime, a partir de 1º de dezembro de 2002. O regime nãocumulativo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) teve origem na Medida Provisória 135, de 30 de outubro de 2003, a qual foi posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, produzindo efeitos com relação à sistemática da nãocumulatividade a partir de 1º de fevereiro de 2004. Entretanto, a Lei n° 10.833, de 2003, manteve como obrigatoriamente sujeitas à sistemática anterior, ou seja, sob incidência cumulativa do PIS e da COFINS, sem direito a créditos e sem alteração de alíquota, um extenso rol de receitas percebidas pelas pessoas jurídicas, listadas em seu art. 10, dentre as quais se incluem as receitas auferidas pela ora impugnante [...]. Fl. 3575DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.576 9 Assim, verificase que a Lei n° 10.833, de 2003, em seu art. 10,estabelece as receitas percebidas pelas pessoas jurídicas que devem ser excluídas da sistemática da nãocumulatividade, dentre as quais, na alínea "b" do inciso XI e no inciso XX, encontramse listadas as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, e as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil.a mesma regra encontra aplicabilidade para a contribuição ao PIS, conforme dispõe o inciso V, do artigo l5, da mesma lei. Dessa forma, em virtude de as receitas da ora impugnante se enquadrarem nos dispositivos legais acima transcritos é imperioso que se reconheça a impropriedade em que incorreu a fiscalização ao tributar referidas receitas utilizando as regras da sistemática da nãocumulatividade. Conclui que: Pelo exposto, requer, o integral provimento deste recurso voluntário com a consequente declaração de insubsistência do remanescente lançamento dos créditos tributários litigiosos. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica. Estes atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº Fl. 3576DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.577 10 O Auto de Infração foi lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda do crédito tributário de Cofins constituído pelo lançamento de ofício. O lançamento de Cofins é decorrente das exigências de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) formalizadas no processo nº 10380.014657/200765, que se encontra com o regular julgamento do litígio instaurado em segunda instância de acordo com o Acórdão 1ª TO/1ª Câmara/1ª SJ nº 1101000935, de 10.09.2013, fls. 35363554 e ainda com o Recuso Especial oposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), fls. 35553567, em que questiona o reconhecimento da decadência dos primeiro e terceiro trimestres do anocalendário de 2002. Tem cabimento transcrever o Voto condutor do Acórdão 1ª TO/1ª Câmara/1ª SJ nº 1101000935, de 10.09.2013, fls. 35363554: Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo, consoante atesta o despacho de encaminhamento de fls. 4140, de modo que imperioso o seu conhecimento. Tendo em vista o quanto decidido pela DRJ – e dada a não interposição de Recurso de Ofício –, discutese unicamente a fração do lançamento atinente à suposta omissão de receitas de Taxa de Administração de Obras conduzidas pela autuada. De acordo com a fiscalização, a autuada não ofereceu à tributação as receitas correspondentes à aplicação do percentual de 12% sobre uma série de despesas dos condomínios, despesas essas pagas tanto com recursos da conta bancária da contribuinte quanto com recursos das próprias contas dos condomínios. Inicialmente, rejeito a preliminar suscitada pelo ora Recorrente, eis que não visualizo o pretenso desprezo à verdade material suscitado pelo sujeito passivo. Com efeito, as autuações imputam à Recorrente a omissão de receitas aqui controvertida em decorrência das avenças existentes, que atestam inequivocamente 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 3577DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.578 11 que o sujeito passivo faria jus à Taxa de Administração de 12% sobre o custo global das obras que administrava. Assim sendo – e a não ser que haja prova em contrário –, o fato de haver algum dispêndio atinente a tais obras acarretava o nascimento de um direito creditório em favor da construtora, direito creditório esse cujo advento importa reconhecimento contábil de receita, ante a imperiosidade do regime de competência na situação em vergaste. O lançamento, na única fração que ainda é controvertida, cingese a inequívocos dispêndios com os condomínios – arcados pela conta bancária da Recorrente ou pelas contas dos próprios condomínios –, que, apesar de tal circunstância, não compuseram a base da Taxa de Administração em testilha, exclusão essa que se não coaduna com os termos das avenças firmadas com os condomínios. Frisese que não há dúvidas de que todos os ingressos aqui discutidos são oriundos dos condôminos – circunstância essa afirmada pelo contribuinte e aceita pela fiscalização –, inexistindo dúvida também no que tange ao emprego desses valores, que foram utilizados em prol das edificações. Tais assertivas demonstram que, hialinamente, o labor fiscal foi no sentido de cotejar os inequívocos fatos com as previsões contratuais – induvidosos gastos com os condomínios e receita empresarial calculada a partir do custo global –, donde – frisese, por essencial: a não ser que houvesse prova em sentido contrário – obviamente emergiria a receita tributável, base das exigências aqui encerradas. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Em relação ao mérito, penso que o Recurso Voluntário deve ser parcialmente provido. Com efeito, no que tange à pretensa inexistência de receitas derivadas de dispêndios com os condomínios antes que esses estivessem formalmente constituídos –argumentação atinente aos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill –, entendo que não tem razão o sujeito passivo. Deveras, os próprios atos constitutivos desses condomínios atestam que, ao tempo dessa constituição formal, os terrenos nos quais seriam edificadas as construções já tinham sido adquiridos, sendo que o próprio contribuinte admite que a existência de sua conta transitória deviase também ao fato da necessidade de pagamento de despesas antes dessa formalização. Ora, os valores aqui discutidos são oriundos dos próprios condôminos e foram empregados em benefício do condomínio, inexistindo qualquer elemento que leve a afastar o entendimento de que tais dispêndios integram o custo global das ditas obras, e isso ainda que incorridos antes da constituição formal dos condomínios. A corroborar esse entendimento, temse que, em situação parecida, logrou o contribuinte trazer aos autos um elemento que, salvo melhor juízo, mostrase determinante, a saber, a declaração prestada pelo Condomínio Mucuripe Plaza (fl. 914) no sentido de que certos gastos anteriores à constituição do condomínio não compuseram o custo global da obra, razão pela qual não ensejaram a taxa de administração à Recorrente. No caso do Condomínio Mucuripe Plaza – ao contrário dos casos dos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill –, existe o elemento que dá suporte às Fl. 3578DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.579 12 afirmações de préoperacionalidade das despesas discutidas, prestadas pelos próprio condomínio, que, entendo, jamais declararia à Receita Federal que não pagou uma quantia efetivamente desembolsada. Esse o discrimen entre as duas situações, a determinar a procedência dos lançamentos em relação às despesas dos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill, e a improcedência no que tange ao Mucuripe Plaza. Em relação aos Condomínios Santiago de Compostela e Emílio Hinko, entendo que devem ser mantidos os lançamentos fiscais. De fato, o contribuinte trouxe aos autos acordos firmados com tais condomínios no sentido de que a Recorrente apenas receberia os valores correspondentes às taxas de administração quando da alienação de todas as unidades. A validade desse acordo não pode ser questionada. Contudo, tais avenças – que postergam o recebimento das taxas de administração por parte da Recorrente – não têm o condão de afastar a aplicação do regime de competência a que está submetida a autuada, de modo que, em se perfectibilizando a situação que dá origem ao crédito da Recorrente em desfavor dos condomínios, de rigor o reconhecimento das correspondentes receitas, sendo que os ditos créditos surgem à medida que os custos da construção se materializam (leiase, à medida em que são feitos dispêndios com a obra). Salientese que a empresa alega, em seu Recurso Voluntário, que certas desses pagamentos postergados de taxa de administração sequer tinham tido lugar ao tempo da interposição do recurso. É o que se depreende da leitura do seguinte trecho, constante desse inconformismo, litteris: No curso da ação fiscal, em resposta a Termo de Intimação específico, a fiscalizada informou o montante que havia faturado, bem como identificou a sua expectativa de faturamento futuro, fato, naquele momento, ainda pendente da anuência de cada uma das Comissões de Representantes dos respectivos condomínios, portanto, meras contingências. Com o passar do tempo, essa expectativa de faturamento não se confirmou. (fl. 4.094; sem grifos no original) A ser correta a assertiva da contribuinte, ela só teria que reconhecer as receitas da taxa de administração ao tempo do seu pagamento, o que significaria dizer que ela poderia convencionar acerca do regime de competência, de modo a vir a ser regida pelo regime de caixa, o que não pode prosperar. Por fim, penso que o contribuinte tem razão em relação às despesas atinentes aos Condomínios Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco. Quanto a esses, há nos autos declarações de cada um dos condomínios atestando que teria havido majorações no custo global das obras, sendo que a Recorrente não teria feito jus à taxa de administração em relação a esses gastos suplementares e em relação aos valores residuais, que correspondem a dispêndios realizados após a entrega das obras. A exemplo do que se passa em relação ao Condomínio Mucuripe Plaza, entendo que tais declarações são contundentes e não podem ser desprezadas, os Fl. 3579DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.580 13 condomínios não declarariam à Receita Federal que não desembolsaram valores vertidos à Recorrente pelos serviços prestados. Nada obstante, as despesas do mês de junho/2002 não são alcançadas pelas declarações prestadas pelos condomínios Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco, de modo que a exigência sobre elas deve prevalecer. Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir as exigências atinentes às despesas havidas com o Condomínio Mucuripe Plaza, Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco – ressalvadas, quanto aos dois últimos, as despesas atinentes ao mês de junho/2002, sobre as quais incide a Taxa de Administração. Deve ser refeita a compensação de prejuízos apurados até 2001, para que, obedecendo aos limites percentuais normativamente previstos, seja ajustada ao resultado deste julgamento. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A autuada trabalha com construção de imóveis sob o regime de administração, cuja taxa de administração, fixada em contrato, é cobrada sobre todos os gastos reais mensais da obra, conforme por ela declarado às fls. 62/65. Os agentes fiscais identificaram conta bancária por ela mantida e não contabilizada. Intimada, a contribuinte identificou todos os depósitos como tendo sido feitos pelos proprietários dos prédios (condomínios) em construção. Informou também, à fiscalização, as transferências feitas a partir daquela conta para os condomínios de 2002 a 2004, bem como os pagamentos efetuados diretamente, relativos a compras destes condomínios (fls. 74/102). A autoridade fiscal tomou por referência os depósitos bancários não contabilizados excluídos das transferências e dos pagamentos de despesas de construção dos condomínios, apurando os recurso, dessa conta bancária, utilizados sem identificação de finalidade. E, a partir deles, considerou que a empresa utilizou, em benefício próprio, apenas os 12% acordados nas atas de constituição dos condomínios. Registrou, ainda, que a autuada somente reconheceu como receitas as comissões de administração referentes aos custos e despesas pagos com cheques emitidos pelos condomínios, silenciando sobre a parte que permanecia na conta da Construtora e que era utilizada para o pagamento de custos e despesas das construções ou que tinha qualquer outro destino. Intimada a demonstrar as transferências feitas para cada um dos condomínios, bem como as despesas mensais de cada um deles (fl. 72), a contribuinte indicou nos demonstrativos de fls. 97/103 as despesas e custos gerais de construções pagos a partir da conta bancária da CCB, e a receita não faturada, correspondente a 12% do primeiro montante. No anocalendário 2002, a autuação teve em conta a receita não faturada calculada naqueles demonstrativos pela contribuinte (R$305.287,95 = R$ Fl. 3580DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.581 14 2.544.066,25 x 12%), bem como a parcela de R$ 25.960,50, equivalente a 12% de outros depósitos também utilizados pela contribuinte naquele período mas não identificados pela fiscalizada. Nos anoscalendário 2003 e 2004, as receitas omitidas totalizaram R$740.678,73 e R$604.583,33, como informado pela contribuinte às fls. 106/108, e foram acrescidas da parcelas R$117.889,48 e R$148.465,40, também em razão de despesas não identificadas, consoante cálculos da Fiscalização às fls. 110/111. Impugnando a exigência, a contribuinte alegou, dentre outros aspectos, que restou acorda entre a construtora e os condôminos que estes cobririam o rateio das unidades remanescentes (não vendidas) e a CCB não cobraria taxa de administração naquele momento, até que todas as unidades fossem vendidas, ou na medida de saldo disponível de caixa, sendo feito um “acerto de contas” ao final do empreendimento e conclusão das vendas. Observou que no caso do Condomínio Santiago de Compostela a taxa aplicada foi inferior à contratada e no caso do Condomínio Emílio Hinko não houve qualquer pagamento de taxa, por ainda possuir unidades à venda. Mais à frente, enfatizou que os valores informados à Fiscalização corresponderiam a valor a faturar no futuro, e abordou o procedimento a ser observado para faturamento em face dos condomínios. A Turma Julgadora de 1ª instância reconheceu a decadência das exigências pertinentes ao 1º e 3º trimestres/2002, dado que no 2º trimestre/2002 não foram apurados recolhimentos. A recorrente não reitera a argüição de decadência, mas tratandose de matéria de ordem pública, entendo que devem ser afastadas, também, as exigências verificadas no 2º trimestre/2002, dado que os recolhimentos somente não se verificaram porque houve a apuração de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, consoante consta às fl. 598verso e 601verso, correspondentes à reprodução da DIPJ apresentada pela contribuinte. Esclareço que esta conclusão é afetada pelas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 3581DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.582 15 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraio deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Vejo claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser Fl. 3582DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.583 16 orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como é possível inferir a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4ª do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindo aqui a livre convicção acerca de sua definição. Importa assim, ter em conta a peculiaridade das obrigações acessórias impostas aos contribuintes, dentre os quais se insere a recorrente, ao optarem pela apuração do lucro real anual. Cumprelhes escriturar contabilmente suas operações, apurar mensalmente a necessidade de recolher antecipações (estimativas), apurar o resultado do exercício em seus livros contábeis, promover ajustes previstos em lei (adições, exclusões e compensações) para determinar o lucro real no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR ou a base de cálculo da CSLL em outros demonstrativos, aplicar sobre estes as alíquotas correspondentes e do resultado deduzir as parcelas previstas na legislação, recolher o tributo eventualmente apurado, declarálo em DCTF e, no exercício subsequente, informar esta apuração em DIPJ. No cumprimento destas obrigações acessórias, pode o sujeito passivo não chegar, em sua apuração, a base de cálculo sujeita à incidência tributária, não só porque seu resultado do exercício já foi negativo ou igual a zero, como também porque os ajustes ao lucro líquido contábil geraram resultado igual a zero ou prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL. Neste caso, é possível que apenas em razão do menor sucesso em suas atividades, o sujeito passivo não recolha tributo, nada tenha a declarar em DCTF, e apenas informe ao Fisco sua apuração no momento da entrega da DIPJ. Em tais condições, o sujeito passivo não se enquadra em uma hipótese na qual a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, nem mesmo naquela onde, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. E isto porque há uma situação intermediária na qual a lei prevê o pagamento antecipado da exação, mas admite que ele não seja feito se a apuração do sujeito passivo disto o dispensar. E, para esta hipótese intermediária, não vejo como negar que o prazo previsto no art. 150 do CTN também seja aplicável. Por tais razões, encerrado o período de apuração em 30/06/2002, tinha o Fisco a possibilidade de constituir o crédito tributário não recolhido até 30/06/2007, motivo pelo qual DECLARO a decadência do crédito tributário constituído em 30/11/2007. Em conseqüência, restabeleço para a interessada o prejuízo fiscal de R$1.529,34 originalmente apurados pela contribuinte, bem como o prejuízo fiscal de R$25.485,26 e a base de cálculo negativa de R$25.945,07 utilizados pela autoridade julgadora para reduzir as exigências, inclusive permitindo sua utilização em períodos subseqüentes autuados, caso mantidas as demais exigências. Fl. 3583DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.584 17 A Turma Julgadora também cancelou as exigências sobre as receitas presumidas a partir das despesas não identificadas. Excluiu da base de cálculo as parcelas de R$25.960,50 em 2002; R$117.889,48 em 2003; e R$148.465,40 em 2004 acolhendo os argumentos da interessada contra a presunção construída pela Fiscalização, e complementando que em caso de despesas não identificadas, o lançamento deveria ter sido fundamentado no art. 61 da Lei nº 8.981/95. Além disso, como já antes apontado, embora mantendo as demais infrações imputadas à interessada, a autoridade julgadora de 1ª instância admitiu a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados até 31/12/2001, reduzindo não só as exigências do 2º trimestre/2002, como também do 1º ao 3º trimestre/2003 e no 1º trimestre/2004, no que tange ao IRPJ, e do 4º trimestre/2002 a 2º trimestre/2003 relativamente à CSLL. As demais exigências foram mantidas especialmente porque: A ata de constituição dos condomínios fixam a taxa de administração para construção do edifício residencial em 12% do custo global de construção, e estipulam seu pagamento até o terceiro dia útil do mês seguinte àquele a que se referem as despesas; A contribuinte não justificou o por quê da não contabilização da conta; As receitas deveriam ter sido reconhecidas em observância ao regime de competência, em conformidade com o progresso das obras, quando verificada a disponibilidade jurídica da receita calculada a partir dos serviços praticados; Ainda que comprovado tratarse de dispêndios préoperacionais, estes ensejariam a taxa de administração, porque inseridos no valor global da obra; A celebração de acordos com os condomínios Santiago de Compostela e Emílio Hinko para diferir o pagamento da taxa de administração não pode prevalecer ante a aplicabilidade do regime de competência, até porque não foi demonstrado em que momento as receitas diferidas teriam sido oferecidas à tributação; Ofenderia a praxe de mercado a afirmação de que a partir do 2º semestre de 2002 não mais incidiu a taxa de administração sobre os valores que não se enquadravam no orçamento original previsto para os Condomínios Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco. Se houve trabalho prestado, sobre ele deveria se reconhecida a disponibilidade jurídica da renda, ainda que o seu posterior não recebimento pudesse ensejar outros reflexos contábeis. Frente a este cenário, preliminarmente acompanho o I. Relator em suas razões para REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento. Acrescento, apenas, que a motivação da exigência não foi a inobservância do regime de competência, e a abordagem do voto condutor do acórdão recorrido neste sentido decorreu da alegação incomprovada da impugnante de que as receitas teriam sido diferidas para recebimento em momento futuro. A acusação fiscal está fundamentada na constatação de receitas que não foram faturadas no momento em que despesas foram incorridas para execução das obras em referência. Logo, se há justificativa para estas receitas competirem a período futuro, e não àqueles autuados, esta matéria toca ao mérito da exigência e será mais à frente apreciada. Quanto às alegadas despesas préoperacionais, as justificativas apresentadas pelo I. Relator para rejeitálas em relação aos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill, além de suportadas nos atos constitutivos dos condomínios, também Fl. 3584DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.585 18 encontram amparo especificamente no art. 6º, parágrafo único, daqueles atos, que estabelecem o cálculo da taxa de administração a partir do custo global da construção, sem restringir a base de cálculo aos valores empenhados após a constituição do Condomínio. Ademais, o Artigo Quarto da Ata de Constituição dos Condomínios evidencia a existência de um orçamento inicial da obra elaborado em momento passado (março/2001 para o Condomínio Maison Cheverny e janeiro/2003 para o Condomínio Notting Hill), a partir do qual foram fixadas as contribuições dos condôminos, a vincular a autuada à execução da obra deste então. Acrescento que não se verifica, no caso, presunção de omissão de receitas, mas sim de receitas comprovadas pela Ata de Constituição dos Condomínios e pelo reconhecimento de que despesas foram incorridas nas correspondentes obras, o que traduz disponibilidade jurídica de renda em favor da autuada, equivalente a 12% daqueles gastos. Assim, também voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às receitas omitidas em razão de taxas de administração devidas pelos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill. Já com referência ao Condomínio Mucuripe Plaza, o I. Relator exonera a exigência em razão do documento que integra a fl. 808 dos autos (digitalizada à fl. 918), no qual José Nasser Hissa e Francisco Nasser Hissa, afirmandose integrantes da Comissão de Representantes do Condomínio Mucuripe Plaza, declaram a pedido da autuada: Que a CCB, administradora da obra sob o regime de Administração a Preço de Custo, fez jus à remuneração de 12% dos custos da obra por todo o período de execução, de 2004 a 2006, exceto nos meses de janeiro a março de 2004, período em que embora tenham sido incorridos algumas despesas, as mesmas foram consideradas despesas préoperacionais por terem sido ocorridas antes do início da obra e até mesmo antes da abertura do CNPJ de número 06.133.836/000140 que é datado de 10 de março de 2004 [...]. Não tendo sido reconhecido qualquer serviço prestado pela CCB ao condomínio naquele período que justificasse a remuneração da taxa de administração. Esta informação, ora prestada, sem dúvida está respaldada na total ausência de emissão de faturas por parte da Construtora bem como ausências de emissão de Nota Fiscal de Serviço neste período. Inicialmente registro que a Ata de Constituição do Condomínio acusa Francisco Nasser Hissa como membro da Comissão de Representantes, e José Nasser Hissa apenas como suplente. Indica como presidente da Comissão e Síndica Andréa Rios de Alencar, que não subscreve a referida declaração. Naquele ato, Andréa Rios de Alencar foi representada por Francisco Abner Peixoto de Alencar, que está indicado na subscrição da declaração em referência, mas não a assinou. Além disso, a Ata de Constituição do Condomínio atribui à Comissão de Representantes o poder de representação, de onde se infere que a declaração deveria ser firmada por todos os integrantes da comissão. Para além disso, a contribuinte informou à fl. 108 a existência de receita a faturar em face do Condomínio Mucuripe Plaza nos valores de R$6.474,58 em janeiro/2004, R$3.914,22 em fevereiro/2004 e R$39.459,12 em março/2004. A partir daí a planilha está zerada, de onde se infere que todas as receitas foram faturadas, mormente tendo em conta que a decisão recorrida afastou a omissão de receita residual imputada pela Fiscalização nos meses de dezembro de cada ano. Fl. 3585DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.586 19 O documento de fl. 807 indica a abertura da inscrição do Condomínio no CNPJ em 10/03/2004. A Ata de Constituição do Condomínio decorre de assembléia realizada em 15/12/2003, mas segundo carimbo do Registro de Títulos e Documentos foi apresentada para registro em 10/03/2004. Contudo, o artigo oitavo da Ata diz que em 15/12/2003 foi apresentado orçamento geral atualizado de custo da obra, e que a variação entre este e o orçamento original foi aceita por todos os condôminos. Por sua vez, o artigo nono fixa a obrigação de pagamento da taxa de administração até o quinto dia útil do mês subseqüente àquele a que se refere a despesa. Assim, alinho meu entendimento àquele expresso pela autoridade julgadora de 1ª instância: se tais recursos foram pagos para fazer face a despesas dos condomínios, como afirmado pela litigante durante a auditoria fiscal, não há dúvida de que sobre os mesmos incidiu a taxa de administração de 12%, consoante cláusula contratual estabelecida em todas as atas de constituição dos condomínios. Por tais razões, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário também em relação às receitas vinculadas ao Condomínio Mucuripe Plaza. Quanto aos Condomínios Santiago de Compostela e Emílio Hinko, acompanho o I. Relator porque vislumbro no acordo abaixo transcrito apenas a postergação do recebimento das receitas, e não do direito da autuada à correspondente receita: A Comissão de Representantes do Condomínio Edifício Santiago de Compostela, investida das atribuições de representar os interesses de todos os condôminos, vem por meio desta requerer de V.Sa., que tendo em vista que o Condomínio, ora está sendo instalado sem que todas as unidades estejam vendidas e vendidas sejam por nos custeadas ate a efetiva venda e ainda tendo em vista que é que diante do pleito dessa Construtora de que nessas 8 (oito) unidades ainda vendidas sejam por nós custeadas até a efetiva venda e ainda tendo em vista que é sabida a adesão insuficiente de alguns últimos condôminos adquirentes que ainda não atingiram o grau médio de contribuição, para se dar inicio às obras de forma segura e continuada e tendo sido solicitado por essa construtora um aumento na quota, para fazer compensar essas faltas. Essa comissão propõe à CCB a diminuição do ritmo das obras, bem como a postergação do pagamento da taxa de administração da Construtora. Essa proposta revestese de sentido prático, vista que em contato com diversos condôminos sentimos a inviabilidade desse adicional para cobrir as unidades não vendidas bem como os déficits das adesões recentes, mesmo sabendo que esses valores serão a nós ressarcidos, no faturo por ocasião das vendas das unidades remanescentes. Em aceitando a nossa proposta evitaríamos possível discussão judicial, ficando o acerto da remuneração da obra para após a viabilidade de CAIXA e vendidas todas as unidades autônomas. Observo, ainda, que a recorrente também menciona, aqui, a imputação de receitas anteriores à constituição do Condomínio, argumento que não merece acolhida pelas razões antes expostas. Desta forma, também NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às receitas decorrentes das obras nos Condomínios Santiago de Compostela e Emílio Hinko. Por fim, o I. Relator propõe a exclusão de parte das receitas vinculadas aos Condomínios Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco em razão Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.587 20 das declarações juntadas aos autos atestando que em razão das majorações no custo global das obras, a recorrente não teria feito jus à taxa de administração em relação a esses gastos suplementares e em relação aos valores residuais, que correspondem a dispêndios realizados após a entrega das obras. A declaração referente ao Condomínio Forest Hill consta à fl. 731 nos seguintes termos: Que a CCB fez jus à remuneração de 12% dos custos da obra por todo o período de execução, exceto no período posterior a julho de 2002, até o final da obra em 31 de janeiro de 2003, por terem sido despesas incorridas acima do valor do orçamento, aprovado no inicio da obra, gerando um aumento do custo da obra de cerca de 5% (cinco por cento). Houve, portanto de julho de 2002 até 31 de janeiro de 2003 despesas adicionais de obra e seus reflexos residuais ate junho de 2003, sem que houvesse o reconhecimento do trabalho da CCB por serem estes gastos considerados um"PLUS" ao orçamento original e por ter sido entendido como mínimo o trabalho prestado pela Construtora nesta fase final da obra. Esta informação ora prestada, sem dúvida está respaldada na total ausência de emissão de faturas por parte da Construtora, ausências de emissão de Nota Fiscal de Serviço neste período, bem como esses fatos se encontram escriturados na contabilidade do Condomínio registrado à época da construção [...]. A declaração está assinada por Carlos Roberto Barroso Bessa e Marcos Costa Oliveira. Vera Mamede Acioly consta da subscrição, mas não assinou o documento. De outro lado, estas três pessoas compõem a Comissão de Representantes do Condomínio, e Marcos Costa de Oliveira está indicado como Síndico. Assim, referida declaração pode ser admitida. Quanto ao seu conteúdo, observo que os condôminos estavam obrigados ao pagamento de parcelas calculadas a partir de um orçamento inicial da obra elaborado em abril/99, corrigidos mensalmente pelo INCC, mas arcariam com tudo aquilo que disser respeito à construção em si, suportando os encargos da obra dentro do fator de proporcionalidade da fração ideal do terreno. A remuneração da construção, por sua vez, seria calculada sobre o custo global da construção, inexistindo qualquer disposição específica acerca dos gastos que excedessem o valor orçado originalmente, ou que fossem realizados depois da alegada inauguração do edifício, que a recorrente pretende provar por meio de imagem da placa que estaria afixada no prédio. Assim, é razoável admitir que esta omissão fosse decidida pela Assembléia Geral do Condomínio, acordandose que a recorrente não faria jus à remuneração sobre as parcelas que excedessem o custo da obra. Todavia, este ajuste não se prova mediante declaração do Condomínio, mas sim por meio de Ata de Assembléia. Na medida em que os gastos com a obra foram realizados pela interessada, em princípio vigora a Ata da Assembléia Geral de Constituição do Condomínio que obrigava os condôminos a remunerála pelo serviço. Se houve um acordo informal que dispensou os obrigados deste recolhimento, ele não se presta a desconstituir a receita auferida com a execução da obra, e poderia apenas ensejar o reconhecimento posterior de uma perda, desde que devidamente provado. Quanto aos gastos incorridos depois da inauguração do edifício, a imagem da placa a ele afixada não permite afirmar que a construção foi concluída. Esperado seria, ao menos, a apresentação do “Habitese” para suportar esta alegação. Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.588 21 As declarações prestadas pelo Condomínio Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco estão assinadas por pessoas que integravam a Comissão de Representantes dos Condôminos, sendo um deles o Síndico nomeado. Contudo, seu teor e as deliberações expressas na Ata de Constituição do Condomínio são idênticas àquelas abordadas em relação ao Condomínio Forest Hill. Por estas razões, divirjo do I. Relator e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às receitas vinculadas aos Condomínios Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco. Ao final, portanto, em razão da declaração da decadência do crédito tributário lançado no 2º trimestre/2002, admito que o prejuízo fiscal originalmente apurado no 2º trimestre/2002 (R$1.529,34), bem como o prejuízo fiscal utilizado para reduzir a infração daquele período (R$25.485,26), sejam utilizados até o limite legal de 30% para compensação com o lucro real apurado pela Fiscalização a partir do 2º trimestre/2003, quando esgotada a utilização, pela autoridade julgadora de 1a instância, dos saldos acumulados até 31/12/2001. Quanto à base de cálculo negativa utilizada para reduzir a incidência de CSLL no 2º trimestre/2002 (R$25.486,27) sua utilização também se torna possível, pelas mesmas razões, a partir do 2º trimestre/2003. Em conseqüência, os quadros finais da decisão recorrida, evidenciando o crédito tributário remanescente nestes autos, são assim reconstituídos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) PA Receita Omitida Prejuízo DIPJ Prejuízo Per. Anteriores Vl a Tributar Imposto Adicional Total Devido 4º trim/2002 303.904,19 91.171,26 212.732,93 31.909,94 15.800,89 47.710,83 1º trim/2003 179.065,94 1.501,46 53.269,34 124.295,14 18.644,27 6.429,51 25.073,78 2º trim/2003 236.744,27 18.963,69 65.334,17 152.446,41 22.866,96 9.244,64 32.111,60 3º trim/2003 206.622,04 27.301,43 20.936,55 158.384,06 23.757,61 9.838,41 33.596,01 4º trim/2003 215.021,04 215.021,04 32.253,16 21.502,10 53.755,26 1º trim/2004 221.265,94 39.041,55 182.224,39 27.333,66 12.222,44 39.556,10 2º trim/2004 102.393,60 102.393,60 15.359,04 10.108,90 25.467,94 3º trim/2004 151.826,90 151.826,90 22.774,04 15.182,69 37.956,73 4º trim/2004 462.727,66 462.727,66 69.409,15 41.304,01 110.713,16 Totais 2.079.571,58 86.808,13 230.711,33 1.762.052,12 264.307,82 41.304,01 405.941,41 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) PA Receita Omitida BC Negativa CSLL Adicional Total Devido 4º trim/2002 303.904,19 91.171,26 17.018,63 2.127,33 19.145,96 1º trim/2003 179.065,94 53.719,78 11.281,15 11.281,15 2º trim/2003 236.744,27 71.023,28 14.914,89 14.914,89 3º trim/2003 206.622,04 21.139,90 16.693,39 16.693,39 4º trim/2003 215.021,04 19.351,89 19.351,89 1º trim/2004 221.265,94 19.913,93 19.913,93 2º trim/2004 102.393,60 9.215,42 9.215,42 3º trim/2004 151.826,90 13.664,42 13.664,42 4º trim/2004 462.727,66 41.645,49 41.645,49 Totais 2.079.571,58 237.054,22 163.699,23 2.127,33 165.826,56 Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.589 22 Os sistemas de controle de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL devem ser ajustados para: 1) restabelecer o prejuízo declarado no 2º trimestre/2002, no valor de R$1.529,34; 2) desconstituir, no 2º trimestre/2002, a compensação de prejuízos fiscais no valor de R$25.486,27 e de bases negativas no valor de R$25.945,07; 3) destinar o valor assim disponibilizado para aumentar a compensação de prejuízos fiscais no 2º e 3º trimestres/2003 e de base negativa de CSLL nos 2º e 3º trimestres/2003, nos valores acima indicados. É como voto. (documento assinado digitalmente) Voto Vencedor EDELI PEREIRA BESSA Conselheira O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 2. Os lançamentos de PIS e de COFINS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados às exigências de CSLL e de IRPJ. Temse que nos estritos termos legais que aos procedimentos ficais não cabe qualquer reparo, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, a Recorrente apresenta razões em especial, que “não podem prosperar a exigência da contribuição para o PIS, fatos geradores de dezembro de 2002 a abril de 2004, nem a exigência da Cofins, fatos geradores de fevereiro de 2004 a abril de 2004, porque lançadas sob a sistemática da não cumulatividade inserida no ordenamento jurídico pátrio por intermédio das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003”. O Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; Um dos elementos do ato administrativo é a competência, que é a condição primeira para a validade do ato administrativo. Nenhum ato pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para praticálo, sob pena de nulidade. Nesse sentido, 2 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.590 23 em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, deve ser declinada a competência de julgamento à 3º Seção/CARF. Em assim sucedendo, voto por: (1) negar provimento ao recurso voluntário, em relação à matéria do IRPJ e da CSLL decorrente do processo nº 10380.014657/200765 e (2) em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, declinar a competência de julgamento à 3º Seção, nos termos do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 15540.000306/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório do Relator.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Carlos de Figueiredo Neto- Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório do Relator. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ João Carlos de Figueiredo Neto- Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório do Relator. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .0 00 30 6/ 20 07 -1 9 Fl. 854DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.616 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão no. 1224.531 (fls. 1421/1431) proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), em sessão de 10 de junho de 2009, que, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo, com isto, o prejuízo fiscal declarado (IRPJ) e a base de cálculo negativa da CSLL. Em suma, o ato inaugural deste processo foi a lavratura do auto de infração pela DRF Niterói (RJ), anocalendário 2002, que consistiu no ajuste do prejuízo fiscal (do IRPJ) e da base de cálculo negativa (da CSLL) no montante de R$ 3.009.993,09 (fls. 13/16) através da glosa de determinados valores. Importante citar primeiro que a Recorrente teve suas contas relativas ao ano calendário de 1998 fiscalizadas, resultando no Processo Administrativo n° 10730.003796/200312, já julgado pela Quinta Câmara do Conselho de Contribuintes, através do Acórdão no. 10517.247, em sessão de 15/10/2008 (fls. 1383). Naquele processo, que ainda carece de apreciação de Recurso da Recorrente à Câmara Superior, restou apreciado que esta não comprovou empréstimos obtidos perante a empresa Tozzco / Brasnefro e perante a NMC do Brasil Ltda. Referidos valores continuam mantidos em seu balanço estando sujeitos a variação de juros. A fiscalização retornou a apreciar as contas da Recorrente e, conseqüentemente, lavrou auto de infração em decorrência de efeitos continuados. O Acórdão ora combatido foi assim fundamentado pela autoridade fiscalizadora (fls. 1.423): “2.1 Custos ou despesas não comprovadas (R$ 418.350,01) – para comprovação dos pagamentos à empresa Morita Importação e Exportação Ltda, o interessado apresentou notas fiscaisfaturas, sendo que grande parte delas constituídas de outras vias que não as lª vias e de cópias. Não apresentou as duplicatas ou qualquer outro documento comprovando a quitação dos valores contabilizados. 2.2 Glosa de despesas financeiras (R$ 2.591.643,08) – despesas financeiras referentes a empréstimos não comprovados em fiscalização anterior (processo n°10730.003796/200312), sendo R$ 485.993,28 da Brasnefro Participações Ltda (antiga Tozzco Participações S/C Ltda) e R$ 2.105.649,80 da NMC do Brasil Ltda.” Os integrantes da DRJ/RJ1, por unanimidade, julgaram procedentes em parte os lançamentos, ou seja, mantiveram a glosa de despesas financeiras no valor de R$ 485.993,28, conseqüentemente o prejuízo fiscal declarado (IRPJ) ficou alterado de R$ 4.560.072,32 (fl. 22) para R$4.074.079,04, igual valor para a base negativa da CSLL (fls. 1.427/8). Os fundamentos apresentados no Acórdão combatido (nº 1224.531), para redução do auto de infração, podem ser assim resumidos (Fls. 1421/1.431): Custos ou despesas não comprovadas R$ 418.350,01 (fls. 1426) O fiscal deveria ter demonstrado o efeito no resultado de transferir valores que estavam no ativo; a despeito de o contribuinte não ter apresentado a 1ª via da NF, apresentou as demais que possuem valor jurídico; a dedutibilidade de custo ou despesa independe de pagamento; Fl. 855DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.617 3 o lançamento realizado não foi acertado, tornandoo inapto e incerto, ocasionando, portanto, sua inexigibilidade. Glosa de despesas financeiras “não cabe nova apreciação do passivo com a Brasnefro, pois significaria rever o acórdão do Conselho de Contribuintes [Processo no. 10730.003796/200312,]. Em sendo assim, se este passivo é ficto, a respectiva despesa financeira, de R$ 485.993,28, deve ser glosada.” (fls. 1427). “Por outro lado, o passivo e a despesa financeira do empréstimo com a NMC será apreciado, visto que no lançamento anterior não houve exame de documentos (a matéria foi considerada preclusa, por falta de questionamento à primeira instância)”. “Com relação a estes empréstimos (da NMC – valor de R$ 2.105.649,80), os documentos juntados às fls. 673/688 comprovam a existência do passivo, não se justificando a autuação.” (fls. 1427). assim, mantida a glosa da despesa financeira com a Brasnefro no valor de R$ 485.993,28; logo, o prejuízo fiscal declarado (IRPJ) fica alterado de R$ 4.560.072,32 (fl. 22) para R$ 4.074.079,04.” (fls.. 1427). CSLL “Na apreciação dos documentos relativos aos empréstimos com a Brasnefro, o Conselho de Contribuintes considerou o passivo ficto. Ora, se inexiste contabilmente o passivo, consequentemente inexiste a despesa financeira e o resultado apurado pelo interessado deve ser ajustado, excluindose tal despesa. Se assim não fosse, estaria fazendo da legislação comercial tabula rasa, ou seja, qualquer valor poderia ser contabilizado sem qualquer compromisso com a verdade. Portanto, com a glosa da despesa financeira, no valor de R$ 485.993,28, a base de cálculo negativa da CSLL declarada (fl. 32) fica alterada de R$ 4.560.072,32 para R$ 4.074.079,04.” (fls. 1428) Intimada a Recorrente em data de 20/07/2009 via AR. (fls. 1603), apresentou Recurso Voluntário em data de 19/08/2009 (fls. 1607 e segs.). No recurso interposto pelo contribuinte, foram apresentadas as seguintes razões para reforma do capítulo do Acórdão nº 1224.531, da 2ª Turma da DRJ/RJ1, referente à glosa de despesas financeiras no valor de R$ 485.993,28: Da nulidade do acórdão recorrido a) “ainda que ambos os processos tratem de matérias relacionadas, a análise do conjunto de argumentos e provas constituído no presente processo administrativo não tem qualquer relação de dependência com o primeiro e, justamente por este motivo, deve haver sua necessária apreciação.” Fl. 1.613; b) “Tanto isto é verdade, que, se, ao contrário, o primeiro lançamento tivesse sido cancelado pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, a exigência feita nestes autos não estaria automaticamente afastada, podendo ser, inclusive, proferida decisão no sentido de sua manutenção.” Fl. 1.613; c) “Não é demais lembrar que o resultado obtido nos autos daquele processo administrativo deveuse, em grande parte, ao fato de que a apresentação das provas para o afastamento da exigência ocorreu apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, o que acabou por interferir na sua correta apreciação.” Fl. 1.614; d) “Ademais, não se deve olvidar que a decisão proferida nos autos daquele processo administrativo não é definitiva, tendo em vista que, além de não ter a Fl. 856DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.618 4 Recorrente sido formalmente dela intimada, ainda poderá apresentar recursos para a sua reforma.” Fl. 1.615; e) “a Recorrente ainda poderá dispor de todos os recursos previstos na legislação para a sua reforma, bem como poderá discutir judicialmente a exigência.” Fl. 1.615; f) Alega que, pelos motivos acima elencados, “a e. Turma Julgadora incorreu na nulidade prevista pelo art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72”; g) Pediu, por fim, a anulação do acórdão no capítulo referente à “à glosa de despesas financeiras relativas à empresa Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.), para que outro seja proferido, analisandose os documentos apresentados.” Fl. 1.616; No mérito h) Cita que, no processo administrativo nº 10730.003796/200312, houve entendimento por parte da Fazenda que a Brasnefro Participações Ltda. e a ora recorrente eram a mesma pessoa jurídica; Fl. 1.617; i) Em face dos documentos apresentados pela Recorrente em sua impugnação, não é possível manterse tal conclusão, pois possuem CNPJ diferentes, objetos sociais diferentes, endereços diferentes, etc.” Fl. 1.617; j) Alega que, por ausência de previsão legal, não há como pretender aplicar à CSLL às disposições da legislação do IRPJ para fins de glosa de despesas não comprovadas (Fl. 1.621). Invoca o art. 5º, II, da CF/88, os arts. 97 e 108, do CTN, a Lei nº 7.689/88 e a Instrução Normativa nº 390/04; k) A fiscalização procedeu à glosa de despesas no valor de R$ 485.993,28, objeto de juros incorridos no exercício 2002, incidente sobre o valor total de R$ 4.275.378,61, composto de (Fl. 1.624): Pessoa Jurídica Valor Operação Conta Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) R$ 1.861.343,00 Empréstimo 2.1.1.13.007 Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) R$ 1.476.101,89 Cessão de direitos e obrigações 2.1.1.13.007 Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) R$ 125.020,00 Empréstimo 2.1.1.13.007 Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) R$ 812.913,72 Empréstimo 2.1.1.13.007 TOTAL R$ 4.275.378,61 l) Alega que o passivo não é fictício, e apresenta informações e documentos. Da não liquidação dos empréstimos Os passivos permanecem em aberto, “em virtude dos investimentos que tiveram que ser realizados em cumprimento às disposições legais.” (Fl. 1.692); Alega que a clínica teve de recorrer a financiamento junto a terceiros para realizar investimentos e para atender às necessidades de caixa (Fl. 1.694); Fl. 857DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.619 5 Da ilegitimidade da glosa de despesas financeiras a título de juros sobre empréstimos “...uma vez comprovado que os empréstimos realizados caracterizavamse, efetivamente, como passivos, como exaustivamente demonstrado, e como tal estão contabilizados, não se pode admitir a glosa dos valores relativos a juros, porque decorrentes da obrigação principal (empréstimos).” Fl. 1.696; Do pedido Por fim, pediu a anulação do acórdão nº 1224.531, e, na eventualidade, o provimento do recurso voluntário (fls. 1.697) Em decorrência da inclusão deste processo na pauta de julgamento, a recorrente apresentou Memorial, noticiando que: Em 25/04/2006, os débitos com a Brasnefro (antiga Tozzco) foram renegociados e consolidados, incluídos os valores de R$ 1.861.343,00, R$ 125.020,00, R$ 1.476.101,89 e R$ 812.913,72. Definiuse que o débito consolidado da CDR frente à Bransnefro era R$ 9.269.418,22, sendo R$ 4.005.438,84 (R$ 125.020,00 + R$ 1.206.162,12 + R$ 1.861.343,00 + R$ 812.913,72) de principal e R$ 5.263.979,38 de juros, até 31/03/2006; Foi estabelecido novo termo para pagamento do débito, o dia 31/12/2010; Estabeleceuse, também, que sobre o principal incidiria 1% de juros ao mês; Em 01/07/2008, a Brasnefro utilizou o crédito de R$ 10.343.336,60 que possuía frente à Recorrente para integralizar a totalidade do aumento do capital social, qual seja, R$ 34.449.390,00, tornandose, assim, acionista da CDR; A capitalização do crédito ocorreu após a Recorrente ter aumentado seu capital social de R$ 489.376,58 para R$ 34.938.766,58; Essa operação tem fundamento legal no § 2º, do art. 171, da Lei nº 6.404/1976; A liquidação dos empréstimos comprovam que não há passivo fictício a legitimar a glosa da despesa financeira. Juntou cópia do “Instrumento particular de consolidação de empréstimos, confissão de dívida e outras avenças” e a “Ata de assembléia geral extraordinária realizada em 1 de julho de 2008”. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.620 6 Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre delimitar as questões que foram postas à apreciação desta Turma, quais sejam: · Decidir se as transações financeiras travadas entre a Recorrente e a pessoa jurídica Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) estão efetivamente provadas ou não, se os montantes correspondem aos valores neste processo apontados. · No que tange à CSLL, julgar se as despesas da pessoa jurídica precisam ser comprovadas para que sejam consideradas na determinação da base de cálculo deste tributo; Não deve ser relevado neste momento a decisão proferida no Acórdão combatido nº. 1224.531 (fls. 1421/1431) proferido pela 2ª Turma da (DRJ/RJ1): · “não cabe nova apreciação do passivo com a Brasnefro, pois significaria rever o acórdão do Conselho de Contribuintes . Em sendo assim, se este passivo é ficto, a respectiva despesa financeira, de R$ 485.993,28, deve ser glosada.” Fl. 1.427. isto deve ao fato da existência do processo administrativo nº 10730.003796/200312 Acórdão de nº 10517.247. Em verdade, o próprio auditor fiscal afirmou que as despesas financeiras decorrentes dos empréstimos nos valores de R$ 1.861.343,00, R$ 1.476.101,89, R$ 125.020,00 e R$ 812.913,72, devidos à empresa Tozzco / Brasnefro, deveriam ser glosadas, pois, em verdade, não houve transação financeira, mas omissão de receita, especialmente porque em anterior fiscalização considerouse pela inexistente de tal obrigação. Assim fundamentou o auto de infração. Em contrapartida, merece atenção a cópia de Ata de Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 1 de julho de 2008, registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, onde a credora – Tozzco / Brasnefro converte seus haveres em ações do capital da Recorrente. Desse modo, conduzo o voto no sentido de ser necessário o retorno dos autos à unidade de origem, para que autoridade fiscal analise o direito com base em todas as provas constantes dos autos, e com a utilização das premissas definidas neste julgamento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: a) dê ciência desta resolução ao contribuinte para que, desejando, entregue documentos, informações e planilhas para a melhor análise da fiscalização; Fl. 859DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.621 7 b) analise todas as provas e argumentos trazidos sob as seguintes premissas, verificando: b.1) a existência ou não dos contratos firmados com as empresas cedentes de financiamento; b.2) o registro dos contratos pela Recorrente buscando constatar a real movimentação financeira entre as partes envolvidas; b.3) o efetivo registro contábil do passivo na empresa Recorrente; b.4) a efetiva tributação da receita financeira pelas empresas que emprestaram os valores à Recorrente; b.5) declarar se a despesa financeira lançada a resultado está ou não provada, podendo ou não ser considerada dedutível e o porquê, em caso contrário; c) caso se considere impossível a utilização do critério de rateio do item “b.3”, enviar ao contribuinte documento com a exposição detalhada das dificuldades do cálculo, intimandoo a comprovar o rateio que entende correto, concedendo o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para tanto; d) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando o total de despesas com variações cambiais a que o contribuinte tem direito, e, por consequência, qual o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 passível de restituição/compensação; e) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 860DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 13906.000091/2003-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 6. 00 00 91 /2 00 3- 82 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000091/200382 Acórdão n.º 9303003.036 CSRFT3 Fl. 258 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial fundado no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, interposto em face do Acórdão nº 280300.030. Eis a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 extinguese em cinco anos, contados de 10/10/1995, data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 49. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, com base nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n°. 1.212, de 1995, extinguese em cinco anos, contados a partir da publicação do acórdão definitivo que julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN. Recurso Provido em Parte. A PGFN apresentou Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Pede a reforma do julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Tratase de pedido de restituição protocolado em 31 de março de 2003, relativos aos fatos geradores ocorridos entre 01/04/1993 a 30/09/1995. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000091/200382 Acórdão n.º 9303003.036 CSRFT3 Fl. 259 3 Não assiste razão à PGFN, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Não haverá, no presente caso, prescrição. Tendo em vista que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 31/03/2003, somente os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição, o que não ocorreu in casu. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, existe parte do período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 12466.002891/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/01/2003 a 03/10/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. OCORRÊNCIA.
Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Acórdão Rerratificado
Numero da decisão: 3102-002.258
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Ausente momentaneamente o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão Rerratificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Ausente momentaneamente o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 310200.566, de 03 de dezembro de 2009, que, à época, recebeu a seguinte ementa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/01/2003 a 03/10/2006 DECADÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 91 /2 00 8- 14 Fl. 7197DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 186 2 O prazo decadencial para cobrança de imposto de importação iniciase do primeiro dia útil após o registro da respectiva declaração de importação. Considera se realizado o lançamento na data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. Uma vez que o Contribuinte não logrou desconstituir a presunção do art. 27 da Lei n° 10.637/2002, nem demonstrou que a importação foi realizada por encomenda, devese acolher a presunção legal de que ditas operações foram realizadas por "conta e ordem" de terceiros, com ocultação dos reais importadores. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA QUE NÃO SEJA LOCALIZADA OU QUE TENHA SIDO CONSUMIDA. Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem solidariamente pela penalidade aplicada todas as empresas que concorreram para sua prática, ou dela se beneficiaram. O dano ao erário decorrente desta infração será punido com a pena de perdimento das mercadorias que, no entanto, convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei IV Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão e não a pena de perdimento. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002. A Autoridade Fiscal relata que o Contribuinte promoveu diversas importações de mercadorias, declarando as operações como se fossem por conta própria. O Contribuinte figurava, assim, como importador e adquirente das mercadorias importadas. No entanto, as operações seriam, em verdade, realizadas por conta e ordem de terceiros, mediante a ocultação dos reais importadores, com o uso de recursos deles provenientes. A corroborar com sua afirmação, a Autoridade Fiscal aduz argumentos e documentos que levariam a estas conclusões: a) que as negociações para importação seriam integralmente realizadas por terceiros; b) que o Contribuinte não teria capacidade econômica para arcar com toda a movimentação comercial do período fiscalizado; c) que os preços dos produtos importados estariam subfaturados. Dessa forma, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias, como previsto no parágrafo 10 do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, pela caracterização do disposto no inciso V do mesmo artigo. Em razão de as mercadorias já haverem sido consumidas ou não localizadas, foi lavrado auto de infração para exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, como previsto no parágrafo 3° do mesmo artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Fl. 7198DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 187 3 Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência à fl. 2) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas no documento cito às fls. 163 à 199 e 202 à 209, com os documentos de fls. 210 à 273. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente o lançamento, por entender que a houve, de fato, ocultação do real sujeito passivo nas operações de importação, devendo ser aplicada a pena de perdimento. Contudo, a DRJ entendeu que a decadência já teria atingido parte do litígio, motivo pelo qual a declarou sobre o período anterior a 21 de agosto de 2003 (fls. 376383). Contra a decisão regional, o Contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo, lastreado nos seguintes argumentos: a) A Instrução Normativa SRF n° 228/2002 teria sido mal aplicada no caso concreto, porquanto não houve "qualquer inexatidão contábil ou erro documental ou mesmo mera suposição fiscal que faz com que seja imotivadamente instaurado o procedimento especial de fiscalização contra o contribuinte, visando, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, a declaração de inaptidão da sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica" (sic, fl. 415); b) O auto de infração estaria fundamentado em indícios e presunções. Frisa que o contrato de câmbio referente às operações de importação realizadas por conta própria da Recorrente foram devidamente fechados pela mesma, com a remessa oficial da quantia respectiva à exportadora, utilizando se de recursos financeiros próprios (fls. 422423); c) A Recorrente seria tradicional empresa comercial importadora e exportadora, sendo, assim razoável pressupor que ela poderia adquirir mercadorias no exterior para revenda a qualquer interessado, para cumprimento de contrato de compra e venda previamente celebrado com eventual compromissário comprador, no mercado interno. Aplicação do art. 11 da Lei n°11.281/2006 (fls. 423424); d) Distingue as expressões "importações por conta própria" e "por conta e ordem de terceiros"; e) De acordo com a autoridade fiscal, eventual penalidade a ser aplicada ao importador ostensivo no caso de comprovação de cessão de nome seria de, no máximo, multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação. Cita precedentes. Em face da declaração de decadência, os autos vieram a análise, também, em sede de recurso de oficio. As razões dos Embargos opostos ao Acórdão podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. Como reconhece o v. Acórdão ora recorrido (f Is. 599/v), estamos diante de um processo de auto de infração lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no par. 3º do artigo 23 do Decretolei no. 1.455/1976 com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº. 10.637/2002 verbis: Fl. 7199DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 188 4 "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no par. 3º, do art. 23 do DecretoLei nº. 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no. 10.637/2002." Daí, observamos as CONTRADIÇÕES, levandose em conta que na ementa e em outro trecho do v. Acórdão ora embargado, consta que o auto de infração se referiu a cobrança de IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, litteris: "DECADÊNCIA. O prazo decadencial para cobrança de imposto iniciase do primeiro dia útil após o registro da respectiva declaração de importação." (f Is. 599, ementa) "Considerando o prazo de 5 (cinco) anos a contar da ciência do auto de infração, que ocorreu em 21 de agosto de 2008, decaiu o direito de cobrança do Imposto de Importação referentes às Declarações de Importação anteriores a 21 de agosto de 2003, listadas às fls. 147 a 152 do auto de infração." (f Is. 599/v) 3. Ex positis, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, a fim de serem sanadas as CONTRADIÇÕES ora apontadas, devendo ser analisar apenas a questão da decadência do direito de lançar a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no par. 3º, do artigo 23 do Decretolei no. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Não se trata de simples erro na confecção da ementa que reduz a decisão ao que nela expresso. Conforme a seguir se vê, também a fundamentação do Voto, que neste particular, ainda que assim intitulado, não é vencido, refere a decadência do direito à constituição do Imposto de Importação, se não vejamos, O acórdão recorrido declarou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos a contar da autuação. De acordo com a DRJ, para a contagem do prazo decadencial do Imposto de Importação, devese considerar a data de ciência do auto de infração, que o perfectibiliza. O início do prazo decadencial, por sua vez, deve ser o registro das Declarações de Importação para consumo, que coincide com o marco de ocorrência do fato gerador para efeito de cálculo do tributo em exame (fls. 282283). Com efeito, há decadência a ser declarada nos autos, uma vez que há Declarações de Importação anteriores ao final do prazo decadencial, registradas entre 10 de janeiro de 2003 e 14 de agosto de 2003. Considerandose o prazo de 5 (cinco) anos a contar da ciência do auto de infração, que ocorreu em 21 de agosto de 2008, decaiu o direito de cobrança do Imposto de Importação referentes às Fl. 7200DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 189 5 Declarações de Importação anteriores a 21 de agosto de 2003, listadas às fls. 147 à 152 do auto de infração. Aplicação dos arts. 138 e 139 do DecretoLei n° 37/66. Nego provimento ao recurso de oficio. Necessário que tais apontamentos sejam revistos, pois resta incontroverso nos autos que a lide referese exclusivamente à multa equivalente ao valor da mercadoria pela conversão da pena de perdimento dos bens não localizados ou consumidos. Para certificarse disso, basta consultar, à folha 01 do Processo, o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo. Portanto, nenhuma razão para que se fale em impostos nem em contagem de prazo decadencial que lhes seja própria. Conforme prescrito pelo Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/88, o prazo para imposição de penalidade se extingue em cinco anos, contados da data da infração. Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contar seá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. É como consta também no texto do atual Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759/09. Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 139). No mesmos diploma legal, encontrase descrita a infração de que foi acusada a empresa. A tipificação é a seguinte. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (grifos acrescidos) § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decreto Lei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Salvo melhor juízo, ainda que se possa ventilar do processo de formação do fato imputável, pareceme que a infração somente se perfectibiliza na data do registro da declaração de importação correspondente. Antes de que a importação ocorra, não vejo como se possa cogitar de imposição da pena nem de ocorrência da infração tributária sub examine. Fl. 7201DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 190 6 Embora o Acórdão tenha buscado fundamento em disposição normativa não aplicável ao caso concreto, uma vez que o prazo decadencial tenha sido contado considerando a data de registro das declarações de importação, identificase exata coincidência entre o prazo considerado e o aplicável à lide. Parte da ementa deve ser retificada, para fazer constar: DECADÊNCIA. O prazo para imposição de penalidade aduaneira extinguese em cinco anos, contados da data da infração. Considerase realizado o lançamento na data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração. VOTO por acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para rerratificar o Acórdão. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 7202DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10930.001822/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95.
A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer em parte o recurso voluntário e , na parte conhecida, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello conheciam o recurso integralmente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Julianna Bandeira Toscano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer em parte o recurso voluntário e , na parte conhecida, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello conheciam o recurso integralmente. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (Assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer em parte o recurso voluntário e , na parte conhecida, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello conheciam o recurso integralmente. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 18 22 /2 00 9- 15 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 2 Julianna Bandeira Toscano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2006, decorrente da glosa da dedução indevida com incentivo e com despesas médicas, resultando em cobrança suplementar de IRPF, no valor de R$4.515,44, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Conforme se depreende da descrição dos fatos e do enquadramento legal da Notificação de Lançamento (fls. 15), o mesmo foi justificado pela falta previsão legal para dedução de doação ao Centro de Apoio de Dependentes e com relação às despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento pelos serviços prestados e por falta de previsão legal para dedução com despesas de cirurgia plástica. O contribuinte apresentou impugnação sustentando ter apresentado à fiscalização recibos e declarações firmadas pelos prestadores de serviços, que consistiria em documentação hábil a comprovar a realização dos serviços, não havendo fundamento legal para a exigência de comprovação do efetivo pagamento. Contenta, ainda a aplicação de multa em patamar superior a 150%, por considerar confiscatória e a aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em Curitiba considerou o lançamento impugnado parcialmente, ante a ausência de impugnação expressa acerca das despesas cuja dedução foi considerada sem previsão legal pela autoridade lançadora (nos valores de R$100,00, R$2.500,00 e R$2.405,14) e manteve integralmente a glosa da dedução das despesas médicas, sob o fundamento de que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar a procedência das mesmas, em acórdão cuja ementa é a seguinte (fls. 31/34): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em seu recurso voluntário (fls. 50/69 do processo eletrônico) o contribuinte sustenta, em preliminar, que impugnou o débito em sua integralidade, tendo apresentado recibos e declarações firmadas pelos prestadores de serviços à fiscalização, em resposta às notificações recebidas. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 10930.001822/200915 Acórdão n.º 2802002.743 S2TE02 Fl. 48 3 No mérito, sustenta que a exigência pela efetiva comprovação do pagamento das despesas não está amparada na legislação vigente, bastando, para comprovar a validade das deduções com despesas médicas, que o contribuinte apresente, quando intimado a tanto, os recibos e declarações dos respectivos prestadores. Insiste o contribuinte no caráter confiscatório da aplicação de multa em patamar superior a 150% e na ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheira Julianna Bandeira Toscano, Relatora. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe afastar a preliminar levantada pelo recorrente, no sentido de que a impugnação apresentada às fls. 01/13 teria abrangido a totalidade do débito lançado. Com efeito, o que se nota na descrição dos fatos e enquadramento legal da Notificação de Lançamento, às fls. 15, é que a fiscalização glosou as deduções efetuadas pelo contribuinte por dois fundamentos diferentes, senão vejamos: “Dedução Indevida de Incentivo Glosa do valor de R$100,00, indevidamente deduzido a titulo de Dedução de Incentivo, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Poderão ser deduzidas a titulo de Dedução de Incentivo, apenas as doações realizadas aos Fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, de incentivo à cultura e de incentivo às atividades audiovisuais, até o limite de 6% (seis por cento) do imposto apurado na declaração. No valor de R$100,00 referente a doação ao Centro Apoio a Dependentes.” “Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$16.056,14, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Pela falta de comprovação de forma irrefutável do efetivo pagamento, vale dizer, do trânsito dos recursos financeiros, único meio factível de comprovação (cheques nominais compensados, DOC, TED, depósitos identificados, transferências bancárias identificadas, etc, coincidentes em datas e valores) relativamente aos Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 4 beneficiários CPF 020.717.83999 no valor de R$ 5.175,00 (dentista), CPF 935.044.97904 no valor de R$ 5.976,00 (dentista). OUTROS MOTIVOS: No valor de R$ 2.500,00 referente ao CNPJ 78.613.841/000161, por tratarse de cirurgia plástica pacote mama, lipo, abdomem conforme comprovante apresentado, referente ao CNPJ 33.719.485/000127 no valor de R$2.405,14 não comprovados.” Como se observa, o lançamento decorreu em razão da falta de previsão legal para a dedução de incentivo no valor de R$100,00, da necessidade da comprovação do efetivo pagamento de despesas médicas nos valores de R$5.175,00 (dentista) e de R$5.976,00 (dentista), da falta de previsão legal para dedução de despesas com cirurgia plástica no valor de R$2.500,00 e pela falta de comprovação da despesa de R$2.405,14. Notase que o teor da impugnação apresentada pelo contribuinte, apesar de pugnar pela improcedência do débito, não contém argumentos expressos acerca das despesas com incentivo, da validade da dedução da despesa com cirurgia plástica e sobre a alegada falta de apresentação de comprovante relativo à despesa no valor de R$2.405,14, estando correto o entendimento da DRJ em Curitiba de que a impugnação foi apenas parcial. Ultrapassada a preliminar, o litígio se resume na necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, do efetivo pagamento das despesas médicas como condição para sua dedutibilidade na DIRPF, na aplicação de multa em patamar superior a 150% e na utilização de juros calculados à taxa SELIC. A DRJ Curitiba manteve o lançamento por entender ser válida a exigência da comprovação do pagamento de despesas médicas. Destacase do referido acórdão o seguinte (fls. 33): “11. Conforme se observa na legislação acima transcrita, de fato, há previsão legal para a dedução de despesas médicas na base de cálculo do Imposto de Renda, sendo que tal dedução está sujeita à comprovação por parte do contribuinte. Além do mais, considerando que na apreciação da prova a autoridade fiscal formará livremente sua convicção, a esta é autorizado exigir outros elementos de prova quando a documentação apresentada não constituir prova inequívoca dos pagamentos, o que aconteceu no presente caso. 12. Acrescentese que o Fisco, por imposição legal, deve tomar as cautelas necessárias a fim de preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 73, do Decreto n° 3.000/99. 13. Cabe esclarecer, ainda, que a glosa também pode ser efetivada pela falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas objeto da dedução, haja vista o disposto no § I o do art. 11 do DecretoLei n° 5.844, de 1943.” Nesse aspecto, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Apenas na hipótese de ausência dos recibos na forma determinada pela Lei nº 9.250/95, ou em havendo fortes indícios de que a documentação apresentada seria inidônea, estaria a autoridade lançadora autorizada a exigir a prova do efetivo pagamento. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 10930.001822/200915 Acórdão n.º 2802002.743 S2TE02 Fl. 49 5 Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, independentemente da comprovação do efetivo pagamento. Com efeito, pela documentação acostada ao recurso voluntário, entendo estarem presentes os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95 para a dedução das seguintes despesas declaradas pelo contribuinte: PROFISSIONAL VALOR COMPROVANTE PATRICIA DA SILVA LOPES 5.976,00 Fls. 74/78 (processo eletrônico) FLAVIO JOSÉ SAMBATTI PIERALISI 5.175,00 Fls. 79/83 (processo eletrônico) Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e a ele dar provimento para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$11.151,00, relativas ao exercício de 2006. (Assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO
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Numero do processo: 12782.000012/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, DANIEL MARIZ Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, DANIEL MARIZ Gudino.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, DANIEL MARIZ Gudino. Referese o presente processo a auto de infração teve como origem trabalhos de fiscalização que tiveram como objetivo verificar o cumprimento das obrigações fiscais da ora; em especial apurar o subfaturamento nas importações realizadas por conta e ordem da empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA (doravante denominada MUDE), no período de janeiro a julho de 2007. O procedimento fiscal originouse de investigações propiciadas pelo Procedimento Criminal Diverso n° 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal de São Paulo/SP, no âmbito da chamada "Operação Persona", deflagrada pela Polícia RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 27 82 .0 00 01 2/ 20 10 -4 3 Fl. 9137DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12782.000012/201043 Resolução nº 3201000.472 S3C2T1 Fl. 94 2 Federal, em que se apurou que equipamentos de telecomunicações eram importados acompanhados dos respectivos softwares, embora esse fato não fosse declarado à Receita Federa, o que redundaria em redução indevida da base de cálculo dos tributos incidentes na importação. A decisão da Delegacia de Julgamento, que julgou improcedente as impugnações apresentadas, foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA ORIUNDA DE QUEBRA DE SIGILO. ACEITABILIDADE. EXEGESE DO ART. 5o, XII DA CF Sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua posterior utilização em processo administrativo fiscal, ressalvada a autorização por magistrado competente. NULIDADES. INOCORRÊNCIA Em sede de processo fiscal tributário, são nulos somente os atos e termos lavrados por agente incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Poderão ainda ser cominados com nulidade os lançamentos que contenham vícios formais relevantes à matéria deduzida na autuação. Referidas hipóteses, todavia, não estão presentes nos autos. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. A impugnação apresentada fora do prazo previsto no Decreto n° 70.235/72 não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 SUJEITO PASSIVO. IMPORTADOR. O importador é sujeito passivo, na condição de contribuinte, em relação aos tributos e contribuições incidentes na internação de mercadorias de de comércio exterior realizadas pela autuada, Fl. 9138DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12782.000012/201043 Resolução nº 3201000.472 S3C2T1 Fl. 95 3 por conta e ordem de terceiros, sem atender às condições da legislação de regência, tipifica a figura da Interposição Fraudulenta. VALOR ADUANEIRO. EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS COM SOFTWARE INCORPORADO. No caso de equipamentos eletrônicos (hardwares) importados com os respectivos softwares já instalados, inexiste previsão legal para exclusão do valor aduaneiro do custo ou valor de softwares contidos em circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, ainda que este valor ou custo encontrese destacado no documento de aquisição. SUBFATURAMENTO. PENALIDADES. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas Declarações de Importação e correspondentes faturas comerciais que instruíram os despachos para consumo não correspondiam à realidade das transações efetuadas, na medida em que o valor correspondente aos softwares era ocultado, mediante a simulação documental de uma separação (splif) entre hardware e software que de fato nunca ocorreu, resta caracterizado o subfaturamento. Em conseqüência, são exigíveis os tributos aduaneiros incidentes nas operações de comércio exterior, acrescidos da multa de ofício qualificada e dos juros de mora, bem assim a multa calculada sobre a diferença entre o valor real e o declarado. CUMULAÇÃO DE MULTAS. PREVISÃO LEGAL. POSSIBILIDADE. Não há que se falar na impossibilidade da cumulação das multas por subfaturamento (parágrafo único do art. 88 da MP 2.158 35/2001) e de ofício (art. 44 da Lei 9.430/96), posto que autorizada por expressa disposição legal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INFRAÇÕES. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Essa é a síntese do necessário. É o relatório. Fl. 9139DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12782.000012/201043 Resolução nº 3201000.472 S3C2T1 Fl. 96 4 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o presente processo tem no pólo passivo diversos sujeitos passivos solidários, que apresentaram os respectivos recursos voluntários. Não obstante, o solidário Carlos Roberto Carnevali, devidamente notificado do acórdão da Delegacia de Julgamento, não teve nos autos, o seu recurso voluntário juntado. Não obstante, o seu patrono apresentou petição a este Colegiado, comprovando a interposição do competente recurso voluntário, tempestivamente. Nesse contexto, voto pela conversão do presente processo em diligência, para que seja juntado o recurso voluntário de Carlos Roberto Carnevali aos autos. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 9140DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004784/2003-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/1999, 31/12/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3401-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria dos votos, não conhecer dos
presentes embargos.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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NÃO CONHECIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria dos votos, não conhecer dos presentes embargos. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 84 /2 00 3- 24 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório Por suficiente para a compreensão do processo, adoto o relatório proferido por esta Câmara, na ocasião do julgamento do Recurso Voluntário da contribuinte: “Em 22.12.2003, foi lavrado Auto de Infração contra a contribuinte Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CNPJ 61.418.026/000149) exigindo o recolhimento de crédito tributário de COFINS no valor de R$ 2.188.127,29 (atualizado até 28.11.2003), composto da seguinte forma: Contribuição: R$ 1.294.645,06 Juros de mora: R$ 893.482,23 O lançamento referese à falta/insuficiência de recolhimento da COFINS para os fatos geradores de 30.11.1999 e 31.12.1999. Segundo o Termo de Constatação: Em 28.1.2004, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Impugnação ao lançamento, na qual alega que: a) obteve medida cautelar (processo n° 2000.61.00.0070076 da 1ªa Vara Federal em São Paulo) suspendendo a exigibilidade dos fatos geradores de julho/1999 a janeiro/2000. Essa suspensão deverá ser mantida até que seja proferida uma decisão definitiva nas ações impetradas pela contribuinte, sendo o presente lançamento formalizado apenas para prevenir eventual decadência. Deve se restringir aos fatos geradores ocorridos nos meses de novembro e dezembro de 1999, não considerados no lançamento formalizado em procedimento fiscal anterior. b) tendo em vista a suspensão judicial da exigibilidade, não há vencimento, nem mora até o deslinde do feito. Inexistindo mora, não ocorrem seus consectários, a multa e os juros de mora; c) o art. 161, § 1º o do Código Tributário Nacional dispõe: ‘Art.161... Parágrafo 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês’ Portanto, apenas a lei pode estabelecer a taxa de juros de mora, sendo inadmissível o Poder Executivo, por meio do Banco Central, definir a taxa SELIC. Os cálculos devem ser refeitos com o emprego da taxa de 1% ao mês; d) a Auditora Fiscal deixou de informar os parâmetros que justificam a base de cálculo da COFINS por ela informada, e que deram origem ao valor tributável. A ausência dos mencionados parâmetros anula o auto de infração; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 19515.004784/200324 Acórdão n.º 3401001.996 S3C4T1 Fl. 550 3 e) pela análise da planilha elaborada pela contribuinte (fls.311), é possível concluir que a Sra. Auditora Fiscal deixou de incluir na base de cálculo inúmeras exclusões permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835 e pelo art. 17 da Lei n° 10.684/03 e art. 33 da IN/SRF n° 247/2002, alterada pela IN/SRF n° 358/2003, que retroagiram seus efeitos a 1º de novembro de 1999, atingindo os fatos geradores objeto desta autuação. É necessária perícia contábil para comprovar a inconsistência da acusação fiscal. Em sessão de 23.10.2007, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP acordou, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento. Segundo o voto: a) a impugnação aduz matérias distintas das levadas à discussão judicial, devendo o processo administrativo prosseguir normalmente, quanto a estas matérias; b) a fiscalização apurou as bases de cálculo da contribuição a partir dos demonstrativos elaborados pela contribuinte, não merecendo prosperar a afirmação desta não ter sido informada dos parâmetros da base cálculo; c) cabe à contribuinte produzir a prova de que se encontra registrado em sua documentação contábil e fiscal, não podendo transferir o ônus da produção da prova ao julgador administrativo. A contribuinte não apresentou documentação comprobatória de que os cálculos efetuados na planilha anexada (fls. 311) é que estariam corretos, nem tampouco, mencionou eventual equívoco efetuado por ocasião da elaboração dos primeiros demonstrativos, sendo, portanto, rejeitado o pedido de realização de diligência; d) a suspensão do crédito tributário não impede providências administrativas preparatórias de cobrança, muito menos o julgamento de feitos administrativos que impugnam o lançamento, porém, em razão da suspensão da exigibilidade da imposição fiscal, o Poder Público não poderá inscrever o débito na Dívida Ativa da União; e) o artigo 161 do CTN dispõe sobre os juros de mora da seguinte forma: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito." Fl. 551DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 Portanto, os juros de mora são devidos a partir do vencimento, qualquer que seja o motivo determinante da falta; f) quanto à alegação de ilegalidade da exigência de juros de mora com base na variação da Taxa SELIC, não cabe à autoridade administrativa apreciar essas questões. Em 15.5.2008, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual: a) alega que a Lei n° 10.684/03 alterou a base de cálculo da COFINS; em razão disso, os valores devidos seriam outros, diversos daqueles originalmente apontados no Auto de Infração, diante da necessidade de aplicação retroativa dessa norma aos fatos geradores abrangidos pelo lançamento impugnado. Tendo em vista a alteração da base de cálculo, foi apresentada a planilha rejeitada pela DRJ/SPOI; b) foi negada a possibilidade de perícia contábil para provar que os valores lançados estão incorretos. Negar a possibilidade de prova configura evidente mácula ao direito constitucional à ampla defesa em sede administrativa. Em decisão do antigo Conselho de Contribuintes, em outra autuação da contribuinte correspondente a COFINS sobre atos cooperados de outros meses, foi determinada diligência para exata e correta aferição da base de cálculo; c) reitera os argumentos referentes à aplicação de juros de mora e taxa SELIC. É o Relatório” Em 28.10.2010 a 4ª Câmara /1ª Turma Ordinária deste Conselho não conheceu o Recurso Voluntário da contribuinte, tendo em vista a súmula nº 1 do CARF, a qual é taxativa ao dizer que consiste renúncia à instância administrativa a propositura de ação judicial com o mesmo objetivo do processo administrativo. Em 28.1.2012, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 2.2.2012, protocolou Embargos de Declaração, alegando, em síntese: a) Enquanto na esfera judicial se questiona a revogação, por meio de medida provisória, de isenção concedida por lei complementar, no presente processo administrativo se discute a mensuração de tal incidência (na hipótese de a tese judicial sobre irrevogabilidade restar superada); b) A própria administração tributária reconheceu que a peça impugnatória apresentada pelo contribuinte aduz outras matérias distintas das levadas à discussão judicial, merecendo o processo administrativo prosseguir normalmente quanto a estas matérias. Por fim, a contribuinte requer que sejam analisados os pontos levantados na decisão anterior que não estão em discussão na esfera judicial (cálculo correto da COFINS dos fatos geradores em referência, se devido for o tributo). É o relatório. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 19515.004784/200324 Acórdão n.º 3401001.996 S3C4T1 Fl. 551 5 Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Analisando o caso concreto, verifico que a contribuinte utilizouse dos embargos para argumentar que o fato de possuir processo judicial não impede a análise do seu pleito em processo administrativo. Segundo o art. 65, do Regimento Interno deste Conselho, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não vislumbrando a ocorrência de qualquer destas hipóteses no caso em tela, constatase que os embargos apresentados pela contribuinte buscam o reexame do mérito, o que não é possível nesta via. Portanto, voto por não conhecer dos presentes embargos, visto inexistir omissão, contradição ou erro no acórdão embargado. Sala das Sessões, em 27 de setembro de 2012. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator Fl. 553DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900257/2012-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 57 /2 01 2- 32 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 35/38 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 720,28, referente ao mês de set/2004, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900257/201232 Acórdão n.º 3802003.611 S3TE02 Fl. 159 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 40). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 42/47, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 40). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900257/201232 Acórdão n.º 3802003.611 S3TE02 Fl. 160 5 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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