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Numero do processo: 13808.001765/97-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1991
DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA LEI N° 8.383/91 LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO. Até o ano-calendário de 1991 o IRPJ era um tributo cujo lançamento considerava-se efetuado por declaração, sobrevindo a Lei nº 8.383/1991, vigente a partir do ano-calendário de 1992, em que passou a ser apurado em bases correntes mensais, transmudando-se sua natureza para lançamento por homologação.
DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE/ IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - ILL - ART. 35 DA LEI Nº 7.713/1988. A incidência do ILL dava-se na apuração do lucro liquido, distribuído ou capitalizado, constituindo-se, pois, em atividade obrigatória do sujeito passivo, efetuar a apuração e o pagamento do tributo tão logo o apurasse.
IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - ILL - INCONSTITUCIONALIDADE. A exação foi declarada inconstitucional pelo STF em relação às sociedades anônimas porque, nesse caso, não há distribuição automática de lucros. A mesma decisão foi adotada com relação aos sócios de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, quando não estiver prevista no contrato social a distribuição automática de lucros.
Numero da decisão: 9101-001.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1991 DECADÊNCIA — IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA — LEI N° 8.383/91 — LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO. Até o anocalendário de 1991 o IRPJ era um tributo cujo lançamento consideravase efetuado por declaração, sobrevindo a Lei nº 8.383/1991, vigente a partir do ano calendário de 1992, em que passou a ser apurado em bases correntes mensais, transmudandose sua natureza para lançamento por homologação. DECADÊNCIA — IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE/ IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL ART. 35 DA LEI Nº 7.713/1988. A incidência do ILL davase na apuração do lucro liquido, distribuído ou capitalizado, constituindose, pois, em atividade obrigatória do sujeito passivo, efetuar a apuração e o pagamento do tributo tão logo o apurasse. IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL INCONSTITUCIONALIDADE. A exação foi declarada inconstitucional pelo STF em relação às sociedades anônimas porque, nesse caso, não há distribuição automática de lucros. A mesma decisão foi adotada com relação aos sócios de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, quando não estiver prevista no contrato social a distribuição automática de lucros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 17 65 /9 7- 56 Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Extraise do Despacho nº 1.200000.037/2012, de 16/02/2012 (fls. 1.527) que tratase de recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 1.0571 a 1.080) contra o acórdão nº 107 08.155 (fls. 1.118 a 1.159) que acolheu embargos de declaração da contribuinte para retificar o Acórdão nº 10707.416 (fls. 1.015/1.047) e dar provimento parcial ao recurso voluntário. Após o saneamento do processo, em relação a encaminhamentos até então equivocados, retorna os autos à CSRF para a análise do quanto foi admitido através do Despacho nº 1200.0.136/2009, de 07/05/2009 (fls. 1.202 e 1.203), o qual, em sede de agravo, o acolheu parcialmente, dando seguimento ao recurso apresentado pela PFN exclusivamente em relação à contagem do prazo decadencial, considerando caracterizada a divergência mediante confronto com o acórdão paradigma nº CSRF/0103.103, de 12/09/2000 (fls. 1.090), assim ementado: IRPJ LANÇAMENTO EX OFFICIO PRAZO DECADENCIAL Tratandose de lançamento de oficio, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Consta do voto condutor do acórdão paradigma que: No caso presente, o primeiro exercício financeiro fiscalizado foi o de 1988, logo, por força do artigo 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguirseia com o transcurso do prazo de 5 anos contados do 1º dia do exercício seguinte, com termo final em 31 de dezembro de 1993. A contribuinte foi cientificada da autuação em 03/08/1993 (fls. 02), portanto, antes de esgotado o prazo decadencial (...). O acórdão contestado, na parte que requer nossa análise, considerou que (fls. 1.042) até o advento da Lei nº 8.383/91, o IRPJ era tributo com lançamento por declaração, aplicandose a contagem do prazo decadencial previsto no inciso I, do art. 173, do CTN, mas que era antecipado para a data seguinte ao da entrega da declaração, aplicandose o parágrafo único do mesmo dispositivo, com início na data seguinte à entrega da Declaração de Rendimentos. Tal regra aplicarseia até o anobase de 1991, inclusive. A entrega da declaração do IRPJ foi efetuada em 04/05/1992, conforme consta do carimbo de recepção aposto pelo Banco Real no recibo apresentado na fase impugnativa (doc. 5) às fls. 995. Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.001765/9756 Acórdão n.º 9101001.520 CSRFT1 Fl. 9 3 Para efeito de considerar qual a data da ciência do auto de infração, devem ser analisados os seguintes fatos: i) a fiscalização não conseguiu dar ciência pessoal ao responsável pela fiscalizada, tendo a mesma sido efetuada no seu endereço residencial, mediante a entrega de envelope lacrado na portaria do Condomínio, conforme recibo de entrega de documentos de fls. 777, firmado nos seguintes termos: Recebemos nesta data, dos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional abaixo identificados, um envelope lacrado, contendo documentos relativos a empresa "AMI DO BRASIL Repr., Asses. e Consultoria Ltda.", que consistem em uma via do Termo de Constatação de 290497, e anexos descritos no termo, dos autos de infração IRPJ e reflexos e do Termo de Encerramento de Ação Fiscal. Os documentos acima deverão ser entregues aos Srs. Renato José de Brito e Samira Fares FaHuh Fuerte, no 17º andar deste edifício. São Paulo, 30 de abril de 1997.(negritei) ii) a contribuinte fez constar na sua impugnação (fls. 826) que: 2. Envelopes fechados foram entregues nas Portarias dos Edifícios Itaquere e Amélia, aos respectivos Recepcionista e Zelador, que os fizeram chegar ás mãos dos destinatários indicados e representantes legais da Autuada, em 06.05.97 (Docs. 3/4). Abertos, nessa data, os referidos envelopes, constatouse que se tratavam de Autos de Infrações e um Termo de Constatação (doc. 5), todos sem data e decorrentes de uma mesma ação fiscal, sendo certo que todos eles estão sendo objeto de Impugnações, na presente data. (negritei) iii) dessa forma, consta do voto condutor da decisão recorrida que fora considerado o mencionado dia 06/05/1997 como sendo a data em que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo (fls. 1.043). Quanto à decadência do IRRF, consta ainda da mesma folha do voto condutor que para os tributos lançados por homologação, tendo o lançamento sido efetuado em 06/05/1997, não mais poderiam ser objeto de lançamento os fatos ocorridos até abril de 1992, aplicandose ao caso a regra do § 4º, do art. 150, do CTN, contandose esse prazo também a partir do dia seguinte à data da entrega da DIRPJ, ou seja, 04/05/1992. O aresto recorrido foi assim ementado (f ls. 1.118): DECADÊNCIA — IMPOSTO DE RENDA — LEI N° 8.383/91 — LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO — ART. 173, I DO CTN. Até o advento da Lei n.° 8.383/91, o IRPJ era considerado tributo com lançamento por declaração. Assim, o prazo decadencial era o constante do art. 173, I do CTN, mas que, em função do parágrafo único desse mesmo dispositivo, poderia ser antecipado para a data da entrega da declaração. No presente caso, entre a data da entrega da declaração e o lançamento de Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 oficio transcorreramse mais de 05 (cinco) anos, motivo pelo qual se operou a decadência. DECADÊNCIA — IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — §4° DO ART. 150 DO CTN. Ao Imposto de Renda na Fonte aplicase o §4° do art. 150 do CTN, para fins de cômputo do prazo decadencial. Desta forma, os fatos ocorridos em período superior ao prazo de cinco anos até o lançamento de oficio foram alcançados pela decadência, não podendo ser tocados pelo Poder Público. No agravo que deu seguimento à matéria em causa, a agravante (PFN) tece as considerações a seguir (fls. 1.192): 34. Ora, no primeiro Recurso Especial (fls. 1.057 a 1.113), foram acostados os inteiros teores de 2 (dois) paradigmas, a saber, Acórdão C5RF/0101.994 (fls. 1.081 a 1.095) e Acórdão C5RF/0102.403 (fls. 1.096 a 1.113). Estes paradigmas visavam a demonstração do equivoco da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, ao ter sido reconhecida a decadência no tocante ao IRPJ e IRF, cujos fatos geradores ocorreram no anobase 1991, exercício 1992, valendose da regra do artigo 150, par. 4º do CTN e não do artigo 173, inciso I. do CTN. Mister que se atente para as teses em confronto, porquanto a ementa do acórdão recorrido, acima transcrita, faz ver que foi aplicado ao IRPJ do períodobase de 1991 a contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, I, parágrafo único, do CTN, antecipado para a data da entrega da declaração, considerando que até o advento da Lei n.° 8.383/91, o IRPJ era considerado tributo com lançamento por declaração, tendo sido aplicado o § 4º, do art. 150, do CTN apenas ao IRRF. Temse, assim, duas situações a serem analisadas quanto à caracterização do dissídio jurisprudencial, quais sejam: 1ª) se o prazo decadencial do IRPJ do períodobase de 1991 tem início no dia seguinte à entrega da declaração de rendimentos, conforme foi decidido pela Câmara a quo,e 2ª) se na contagem do prazo de caducidade do lançamento do IRRF, deve ser aplicado o § 4º, do art. 150, do CTN, contandose esse prazo também a partir do dia seguinte à data da entrega da DIRPJ. No que diz respeito ao IRRF, cuja matriz legal para o lançamento foi o art. 35 da Lei n.º 7.713/88, mais um fato importante deve ser trazido à baila, o qual não foi ventilado em qualquer das fases de julgamento, qual seja, a inconstitucionalidade desse dispositivo legal, declarada pelo STF para as sociedades limitadas que não tivessem expressamente previsto no contrato social a distribuição automática dos lucros apurados e às sociedades anônimas. É o relatório. Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.001765/9756 Acórdão n.º 9101001.520 CSRFT1 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator. Extraise do relatório que, inicialmente, são duas as situações sobre cada uma das quais o dissenso jurisprudencial deve ser analisado, quais sejam: 1ª) se a contagem do prazo decadencial do IRPJ, referente ao períodobase de 1991, exercício de 1992, tem início no dia seguinte à entrega da declaração de rendimentos, conforme foi decidido pela Câmara a quo, e 2ª) se na contagem do prazo de caducidade do lançamento do IRRF deve ser aplicado o § 4º, do art. 150, do CTN, contandose esse prazo também a partir do dia seguinte à data da entrega da DIRPJ. O acórdão paradigma defende a tese de que, em se tratando de lançamento de oficio, o prazo decadencial sempre é contado pela regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, Dessa forma, entendo caracterizado o dissenso jurisprudencial, devendo o recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ser conhecido. Iniciemos nossa análise pelo IRPJ, o qual se refere ao períodobase de 1991, exercício de 1992, cuja declaração de rendimentos, àquela época, tinha o efeito de também ser notificação de lançamento, consoante RECIBO DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO, acostado, por cópia, às fls. 35 e 995 do autos. Sobre a constituição do credito tributário ser efetuado por intermédio da apresentação de declaração, o Superior Tribunal de Justiça – STJ firmara esse entendimento com base no artigo 5.º, parágrafo 1.º, do DecretoLei n.º 2.124, de 1984, verbis: Art. 5.º (...). § 1.º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de credito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido credito. Sem embargo, a jurisprudência dominante, na longínqua data em que a decisão em causa foi proferida, era a de que o IRPJ é um tributo cujo lançamento é efetuado por declaração, até que sobreveio a Lei nº 8.383/1991, quando o mesmo, a partir do ano calendário de 1992, passou a ser apurado em bases correntes mensais, transmudandose sua natureza para lançamento por homologação. Certo é, pois, que a contagem do prazo decadencial, no lançamento por declaração, se faz pela forma descrita no inciso I do art 173 do CTN, devendo ser observado o Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 parágrafo único do mesmo dispositivo, sendo, portanto, antecipado para o dia seguinte ao da entrega da declaração, quando assim dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II – (...). Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (negritei) Sendo assim, nesse ponto entendo que a decisão recorrida não merece reparo, pois, se a declaração do IRPJ foi entregue em 04/05/1992, a contagem do prazo decadencial teve inicio no dia seguinte, em 05/05/1992, expirandose esse prazo qüinqüenal em 05/05/1997. Como a data da ciência do auto de infração deve ser considerada como sendo a data em que o envelope contendo os documentos referentes à sua lavratura foram entregues aos responsáveis pela pessoa jurídica, ocorrida em 06/05/1997, vêse que no dia imediatamente anterior já havia decaído o direito de a fazenda pública constituir o crédito tributário, mediante lançamento de oficio. Impende ressaltar que essa data de 06/05/1997 foi aceita pela decisão recorrida e pela própria DRJ, consoante se extrai dos excertos a seguir transcritos: DECISÃO DRJ – Fls. 1030 (d) A única questão preambular relevante referese à data da ciência dos Autos de Infração. Assim, após tratar do modo como procedeu o Fisco para notificar os representantes da Recorrente, considerou que não restou claro que o endereço utilizado para deixar as notificações era, de fato, "...o domicilio tributário da empresa autuada,..., uma vez que o endereço residencial dos precitados representantes legais do contribuinte autuado, bem assim, o respectivo endereço comercial não se revestem, necessariamente, da condição de domicilio tributário desta ou daquela empresa, a qual, porventura, representem. (...) Assim sendo,....os lançamentos em pauta,..., não foram aperfeiçoados nas datas de entrega dos documentos notificatórios..., mas sim na data em que o impugnante, nos termos de sua própria defesa, admite ter sido notificado, qual seja, 06/05/1997" (fls. 929); (negritei) (e) Todavia, não foi aceito o argumento da decadência, relativamente ao anobase de 1991, para o IRPJ e IRRF, bem assim para o IRRF sobre os fatos ocorridos até 06.05.92, pois em caso de não pagamento aplicase o inciso I do art. 173. É que quando for o caso do contribuinte ter declarado prejuízo fiscal em determinado período e, assim, inexistir imposto a pagar, não há o que se homologar. Todavia, ainda que adotado o dia da entrega da declaração, não ocorrera a decadência, eis que tal fato ocorreu em 24.05.1992 e o lançamento se aperfeiçoou em 06.05.97. Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.001765/9756 Acórdão n.º 9101001.520 CSRFT1 Fl. 11 7 Com relação ao IRRF, a decadência também teria se operado, porquanto a incidência do art. 35 (Imposto sobre o Lucro Liquido – ILL) da Lei 7.713, de 1988, davase na apuração do lucro liquido, distribuído ou capitalizado, constituindose, pois, em atividade obrigatória do sujeito passivo, efetuar a apuração e o pagamento do IRRF tão logo o apurasse. Sendo assim, a jurisprudência administrativa, espelhada em reiteradas decisões judiciais, considera tratarse de lançamento por homologação, sendo, portanto, regido pelo § 4º, do art. 150, do CTN, a exemplo do que foi decidido pela extinta 7.ª Câmara do 1.º Conselho de Contribuintes, na decisão recorrida. Para os que consideram relevante a existência de pagamento antecipado do imposto, cumpre ressaltar que houve retenção na fonte sobre rendimentos pagos, declarada no Anexo 3 – “Discriminação das fontes retentoras de imposto compensável na declaração”, fls. 40 do vol. 1. Entretanto, mesmo se não bastasse a inviabilidade do lançamento em face da sua decadência, mais um ingrediente deve ser levado em consideração, o qual, ao que tudo indica, até então passara despercebido, mas que definitivamente fulmina qualquer pretensão fazendária quanto ao seu restabelecimento. Refirome à inconstitucionalidade do art. 35 da Lei n.º 7.713, de 1988, assim declarada pelo STF em relação às sociedades anônimas porque, nesse caso, não há distribuição automática de lucros, o mesmo ocorrendo com relação aos sócios de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, quando não há previsão contratual de distribuição automática de lucros, como no presente caso, conforme se depreende da leitura do art. 8º, fls. 18. Portanto, a exação não poderia ser exigida também por esse segundo fundamento. A inconstitucionalidade do mencionado dispositivo legal levou a própria administração tributária a editar a Instrução Normativa SRF n.º 63, de 24 de julho de 1997, nos termos a seguir: Instrução Normativa SRF nº 63, de 24 de julho de 1997 DOU de 25/07/1997, pág. 16041 Determina a dispensa da constituição de créditos daFazenda Nacional e o cancelamento do lançamento nos casos que especifica. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e em vista do que ficou decidido pela Resolução do Senado nº 82, de 18 de novembro de 1996, e com base no que dispõe o Decreto nº 2.194, de 7 de abril de 1997, resolve: Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do períodobase de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Art. 2º Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito da Fazenda Nacional. Art. 3º Caso os créditos de natureza tributária, oriundos de lançamentos efetuados em desacordo com o disposto no art. 1º, estejam pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a aplicação da lei declarada inconstitucional. Art. 4º O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica às empresas individuais. Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogase as disposições em contrário. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. E como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908055/2009-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
Não se toma conhecimento de recurso interposto fora do prazo legal.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3403-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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score : 1.0
Numero do processo: 10950.723030/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
COOPERATIVA. VENDA DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. ATO COOPERADO. NÃO CONFIGURADO.
A Lei 5.764/71 não cria uma não-incidência em função da pessoa (subjetiva), mas sim em função do ato praticado (objetiva), de tal forma que só há falar em não-incidência tributária quando o ato for praticado entre a cooperativa e seus associados (art. 79), razão pela qual, fora dessa hipótese, a cooperativa sofre tributação como qualquer outra pessoa jurídica.
A venda de estabelecimento industrial não pode ser enquadrada como ato cooperativo, já que se trata de atividade não-operacional.
DA VENDA DOS ESTOQUES INTEGRANTES DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. ATO COOPERATIVO. INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL.
Na venda dos estoques integrantes do estabelecimento industrial, não há que se falar em apuração de ganho de capital, por se tratar de atividade operacional da empresa, revestida da natureza de ato cooperativo, sendo inaplicável o artigo 183 do RIR/99.
REPASSE DE DÍVIDAS. PARCELA DO GANHO DE CAPITAL.
A realização financeira de tal receita deverá levar em conta as particularidades da cláusula contratual que repassou a dívida ao comprador, de tal sorte que. há que se considerar financeiramente realizada a receita, na mesma proporção e momento, em que a recorrente ficou liberada da dívida perante o seu credor, pelo pagamento ou assunção da dívida pelo comprador.
RESERVA DE REAVALIAÇÃO. VENDA DE ATIVO PERMANENTE.
A reavaliação é sempre neutra do ponto de vista tributário, não devendo levar a resultado tributário diferente daquele que seria obtido caso ela não fosse realizada.
Se o custo reavaliado do bem vai ser reconhecido na proporção da receita recebida, a adição ao lucro real da contrapartida da reavaliação deverá ser feita na mesma proporção, sob pena de se adicionar contrapartida de reavaliação da parte do custo ainda não reconhecida no cálculo das bases tributáveis.
Numero da decisão: 1302-001.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reduzir a base tributável do fato gerador de 28/02/2008 do item 001 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL de R$ 10.544.613,07 para R$ 2.034.650,57, vencido o Conselheiro Márcio Frizzo que dava provimento em maior extensão; b) reduzir a base tributável do item 002 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL de R$ 25.425.270,30 para R$ 10.407.580,14; c) afastar do lançamento o ganho de capital relativo à parcela do estoque de cana-de-açúcar, no montante de R$47.562.900,32, vencido neste ponto o Conselheiro Relator Alberto Pinto. Designado o Conselheiro Márcio Frizzo para redigir o voto vencedor relativo à parte em que restou vencido o Relator.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR- Relator.
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Redator designado.
EDITADO EM: 03/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 COOPERATIVA. VENDA DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. ATO COOPERADO. NÃO CONFIGURADO. A Lei 5.764/71 não cria uma não-incidência em função da pessoa (subjetiva), mas sim em função do ato praticado (objetiva), de tal forma que só há falar em não-incidência tributária quando o ato for praticado entre a cooperativa e seus associados (art. 79), razão pela qual, fora dessa hipótese, a cooperativa sofre tributação como qualquer outra pessoa jurídica. A venda de estabelecimento industrial não pode ser enquadrada como ato cooperativo, já que se trata de atividade não-operacional. DA VENDA DOS ESTOQUES INTEGRANTES DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. ATO COOPERATIVO. INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. Na venda dos estoques integrantes do estabelecimento industrial, não há que se falar em apuração de ganho de capital, por se tratar de atividade operacional da empresa, revestida da natureza de ato cooperativo, sendo inaplicável o artigo 183 do RIR/99. REPASSE DE DÍVIDAS. PARCELA DO GANHO DE CAPITAL. A realização financeira de tal receita deverá levar em conta as particularidades da cláusula contratual que repassou a dívida ao comprador, de tal sorte que. há que se considerar financeiramente realizada a receita, na mesma proporção e momento, em que a recorrente ficou liberada da dívida perante o seu credor, pelo pagamento ou assunção da dívida pelo comprador. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. VENDA DE ATIVO PERMANENTE. A reavaliação é sempre neutra do ponto de vista tributário, não devendo levar a resultado tributário diferente daquele que seria obtido caso ela não fosse realizada. Se o custo reavaliado do bem vai ser reconhecido na proporção da receita recebida, a adição ao lucro real da contrapartida da reavaliação deverá ser feita na mesma proporção, sob pena de se adicionar contrapartida de reavaliação da parte do custo ainda não reconhecida no cálculo das bases tributáveis.
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VENDA DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. ATO COOPERADO. NÃO CONFIGURADO. A Lei 5.764/71 não cria uma nãoincidência em função da pessoa (subjetiva), mas sim em função do ato praticado (objetiva), de tal forma que só há falar em nãoincidência tributária quando o ato for praticado entre a cooperativa e seus associados (art. 79), razão pela qual, fora dessa hipótese, a cooperativa sofre tributação como qualquer outra pessoa jurídica. A venda de estabelecimento industrial não pode ser enquadrada como ato cooperativo, já que se trata de atividade nãooperacional. DA VENDA DOS ESTOQUES INTEGRANTES DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. ATO COOPERATIVO. INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. Na venda dos estoques integrantes do estabelecimento industrial, não há que se falar em apuração de ganho de capital, por se tratar de atividade operacional da empresa, revestida da natureza de ato cooperativo, sendo inaplicável o artigo 183 do RIR/99. REPASSE DE DÍVIDAS. PARCELA DO GANHO DE CAPITAL. A realização financeira de tal receita deverá levar em conta as particularidades da cláusula contratual que repassou a dívida ao comprador, de tal sorte que. há que se considerar financeiramente realizada a receita, na mesma proporção e momento, em que a recorrente ficou liberada da dívida perante o seu credor, pelo pagamento ou assunção da dívida pelo comprador. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. VENDA DE ATIVO PERMANENTE. A reavaliação é sempre neutra do ponto de vista tributário, não devendo levar a resultado tributário diferente daquele que seria obtido caso ela não fosse realizada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 30 30 /2 01 2- 54 Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.679 2 Se o custo reavaliado do bem vai ser reconhecido na proporção da receita recebida, a adição ao lucro real da contrapartida da reavaliação deverá ser feita na mesma proporção, sob pena de se adicionar contrapartida de reavaliação da parte do custo ainda não reconhecida no cálculo das bases tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reduzir a base tributável do fato gerador de 28/02/2008 do item 001 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL de R$ 10.544.613,07 para R$ 2.034.650,57, vencido o Conselheiro Márcio Frizzo que dava provimento em maior extensão; b) reduzir a base tributável do item 002 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL de R$ 25.425.270,30 para R$ 10.407.580,14; c) afastar do lançamento o ganho de capital relativo à parcela do estoque de canadeaçúcar, no montante de R$47.562.900,32, vencido neste ponto o Conselheiro Relator Alberto Pinto. Designado o Conselheiro Márcio Frizzo para redigir o voto vencedor relativo à parte em que restou vencido o Relator. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. MARCIO RODRIGO FRIZZO Redator designado. EDITADO EM: 03/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.680 3 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 0638.104 da 2ª Turma da DRJ/CTA, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. REPRESENTAÇÃO. GERENTE ADMINISTRATIVO FINANCEIRO. Os cônjuges, procuradores bastantes, tutores, curadores, diretores, gerentes, síndicos, liquidatários são representantes das pessoas jurídicas, descabendo alegar nulidade do auto de infração recebido por gerente administrativo financeiro, por suposta falta de representação, sobretudo se a pessoa recebeu outros termos no decorrer da ação fiscal. MPF. FALTA DE MENÇÃO EXPRESSA DO TRIBUTO. IDENTIDADE DE ELEMENTOS DE PROVA. Em caso de MPF aberto para fiscalização do IRPJ, se a CSLL foi apurada com base nos mesmos elementos de prova utilizados na apuração do IRPJ, a contribuição é tida como incluída no procedimento de fiscalização, descabendo alegar nulidade, por falta de menção expressa no MPF. OITIVA DE TESTEMUNHAS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, não há previsão para oitiva de testemunhas, os pedidos de perícia devem ser indeferidos, quando impertinentes ou desnecessários ao deslinde da causa, e toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO. De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, sem previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.681 4 Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COOPERATIVA. VENDA DE BEM DO ATIVO PERMANENTE/IMOBILIZADO. ATO NÃO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA. A venda bem do ativo permanente/imobilizado, por envolver participação de terceiros, não se configura como ato cooperativo, sujeitandose, portanto, à incidência do IRPJ e da CSLL. LEI DAS COOPERATIVAS. HIPÓTESES DOS ARTS. 85 A 88. ROL NÃO TAXATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. SÚMULA 26 DO STJ. Para efeito de interpretação da Lei das Cooperativas, não se sustenta a tese da “nãoincidência” das receitas de venda de bem do ativo permanente, sob alegação de não constar dentre as hipóteses de tributação fixadas nos artigos 85 a 88 da Lei n° 5.764/1971, já que o rol não é taxativo, pois alcança as receitas financeiras das cooperativas, conforme súmula 26 do STJ. VENDAS A LONGO PRAZO. ATIVO PERMANENTE. LUCRO REAL. RECONHECIMENTO DO LUCRO. PROPORÇÃO DO RECEBIMENTO. Nas vendas a longo prazo de bens do ativo permanente, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. REALIZAÇÃO DO BEM. PROPORÇÃO DO RECEBIMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A reserva de reavaliação deve ser adicionada ao lucro real em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, descabendo alegar adição proporcional ao recebimento, por falta de previsão legal. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Improcedente Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.682 5 Cientificada da decisão em 08/10/2012 (AR a fls. 1.614), a recorrente interpôs recurso voluntário em 26/10/2012 (doc. a fls. 1.615 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: i) que a recorrente vendeu a prazo uma destilaria de álcool (imóveis e bens integrantes do ativo permanente) à empresa Vale do Ivaí S/A, em 28/02/2008 e que ofereceu à tributação os valores recebidos em 2008; ii) que, no caso de venda de bens integrantes do ativo permanente, utilizados em operações praticadas com cooperados e não cooperados, o ganho de capital deve ser rateado entre essas atividades, proporcionalmente às receitas derivadas das mesmas operações, e que, na alienação objeto da fiscalização, utilizouse o índice de 6,87%, resultado da média ponderada das operações com terceiros na destilaria nos últimos cinco exercícios que antecederam a sua alienação; iii) que a prova pericial, por ela requerida, é imprescindível para demonstrar que os fatos descritos no auto de infração são imprestáveis para fundamentar os lançamentos, porque englobam valores oriundos de atos cooperativos, deturpando a base de cálculo; iv) que a prova testemunhal requerida é absolutamente pertinente para demonstrar a veracidade das afirmações feitas pela recorrente; v) que o processo administrativo fiscal deve ser decretado nulo, por evidente cerceamento do direito de defesa cometido pelo julgador de primeira instância, ao indeferir as provas requeridas pelo recorrente; vi) que a autuação referente à CSLL é nula, tendo em vista que, não fazendo parte da fiscalização que deu origem ao crédito tributário exigido, deveria ser apurada em procedimento próprio, em atenção aos princípios da objetividade, da segurança jurídica e do devido processo legal; vii) que a autoridade julgadora sustenta que não haveria nulidade porque a CSLL foi apurada com base nos mesmos elementos de prova utilizados na apuração do IRPJ, com base no contido no art. 8º da Portaria RFB nº 3.014/2011; viii) que a portaria em questão, notadamente, em relação ao artigo mencionado, não pode se sobrepor ao que diz a Constituição Federal e o CTN, razão pela qual é ilegal e inconstitucional e não deve ser aplicada ao caso em tela; ix) que o art. 146, III, c, da Constituição Federal impõe que a legislação infraconstitucional deve dar adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas; x) que o art. 111 da Lei nº 5.764/71 estabelece que serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 da mesma Lei, ou seja, dispositivos que dizem respeito a atos não cooperativos, isto é, resultante de operações com não associados; xi) que as atividades regulares das cooperativas, como na hipótese decorrente de venda de ativo imobilizado com o intuito de manter a boa administração da cooperativa sem Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.683 6 a finalidade lucrativa, não estão sujeitos à tributação, eis que não se inserem nas taxativas hipóteses de tributação previstas nos arts. 85, 86 e 88 da Lei Cooperativista; xii) que, no caso em tela, há similitude fática com o que fora julgado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 58124/SP; xiii) que os ativos foram alienados com a finalidade de cumprir o seu estatuto social e expandir as atividades da cooperativa, ou seja, reinvestir nela própria e, por conseguinte, em nome e benefício de seus cooperados, não havendo que se falar em ganho auferido na venda, por ausência de previsão nesse sentido nos arts. 85, 86 e 88 da Lei Cooperativista; xiv) que a alegação de que o rol não seria taxativo por força do contido na Súmula 262 do STJ não convence porque decorre da interpretação dada ao art. 79 e parágrafo único da Lei Cooperativista; xv) que, ao editar a Súmula, o que fez o STJ não foi acrescentar hipótese ao art. 111 da Lei Cooperativista, mas, sim e apenas, dizer que as aplicações financeiras realizadas pelas cooperativias não se enquadram no conceito de ato cooperativo estabelecido pelo art. 79 da Lei Cooperativista; xvi) que, tendo em vista que os bens integrantes do ativo permanente alienado foram adquiridos e utilizados não só pelos seus cooperados (atos cooperativos), como também por não associados (atos não cooperativos), pagou os tributos incidentes sobre o ganho financeiro na operação de venda exclusivamente nas operações praticadas com terceiros, mediante um percentual obtido pela média ponderada das operações com não associados na destilaria nos últimos cinco exercícios que antecederam a sua alienação; xvii) que, conforme boletim da OCERGS, o Parecer CST 49/87 determina que os custos, encargos, provisões e outros valores indedutíveis sejam adicionados ao lucro tributável das sociedades cooperativas, na proporção das operações com terceiros e que, por analogia, o mesmo critério se aplica para a realização da reserva de reavaliação e que não há previsão legal para a tributação do ganho obtido na alienação de bens do ativo imobilizado, nas sociedades cooperativas, em face do disposto no art. 111 da Lei nº 5.764/71 e art. 183, RIR/99; xviii) que a questão sobre a tributação da venda de bens integrantes do ativo permanente da cooperativa deve ser examinada sob o enfoque da não incidência do tributo e, na espécie, como visto, a receita oriunda de tal fato não configura hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL, consoante se extrai dos arts. 85, 86, 88 e 111 da Lei 5.764/71, daí porque os lançamentos ora impugnados vulneram o princípio da estrita legalidade; xix) que, destacase, nesta parte, o Parecer Jurídico nº 001/2008 (anexado à defesa), da lavra do Dr. Paulo Roberto Störbel, Assessor Juridico da OCEPAR Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, datado de 17/01/2008, que opina pela possibilidade de alienação de ativo (patrimônio) da sociedade cooperativa por extinção de uma das atividades econômicas desta, no seguinte trecho: “(...) Entendemos possível juridicamente a extinção de uma das atividades econômicas da Cooperativa desde que através de assembleia geral. A sociedade é livre para modificar seu objeto, tal entendimento encontrase embasada no comando do artigo Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.684 7 38 da lei Federal 5.764/71, corroborado com o texto do artigo 60 e seguintes que trata de desmembramento. O âmago da cooperação encontra fulcro no comando do artigo 39 da lei cooperitivista e a legislação, em diversos momentos, objetiva sempre a continuidade da cooperativa evitando, quanto possível, a extinção da sociedade...” xx) que, na impugnação, a Recorrente formulou pedido para que fosse determinada a conformação da base de cálculo de toda a tributação exigida (IR e CSLL) de acordo com os valores que efetivamente ingressaram no patrimônio dela, tendo em vista que se o pagamento ainda não foi feito integralmente pela vendedora, não é possível que o tributo seja cobrado sobre o valor cheio das securitizações e da reavaliação; xxi) que o pedido foi indeferido na decisão recorrida, com base no fundamento de que, nas vendas a longo prazo de bens do ativo permanente, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração, mas que a reserva de reavaliação deve ser adicionada ao lucro real em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, descabendo alegar adição proporcional ao recebimento, por falta de previsão legal; xxii) que, da mesma forma, a Receita Federal entendeu que a soma das dívidas repassadas pela recorrente à compradora, no contrato de alienação da destilaria, no importe de RS 19.268.780,50, deveria ser contabilizada integralmente no ano de 2008 (recebida), resultando numa base de cálculo proporcional de RS 10.544.613,01; xxiii) que, no entanto, não se poderia considerar como valor recebido em 2008 a totalidade das dívidas repassadas no contrato, tendo em vista que essas dívidas não seriam liquidadas à vista pela compradora, nos termos do item 4.2.3.1 do "instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Estabelecimento Industrial e Outras Avenças; xxiv) que, desse modo, não há se falar em acréscimo patrimonial da totalidade das dividas repassadas, mas, sim, proporcionalmente e na medida em que os pagamentos das dívidas repassadas (Securitizações PR e GO) sejam pagos pela vendedora (Vale do Ivai) e assim procedeu a recorrente, em atendimento ao conceito de renda estabelecido implicitamente pela Constituição e expressamente pelo CTN, mesmo porque essas dividas são públicas e o ente público credor pode conceder remissão parcial ou até mesmo total, como forma de incentivo, como já ocorreu com a Lei nº 11.775/08; xxv) que, igualmente, no que toca à questão da reserva de reavaliação, integralmente tributada pelo fisco no exercício fiscalizado (2008), o art. 4º da Lei nº 9.959/00 afastou expressamente a possibilidade de a reavaliação de bens de pessoa jurídica ser computada, para fins de tributação, antes de ocorrer a efetiva reavaliação do bem avaliado; xxvi) que, de tudo que foi exposto e considerado, temse que, ao contrário do que entendeu a autoridade julgadora, não há demonstração de forma clara e adequada da hipótese de incidência, com ofensa ao princípio da tipificação; Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.685 8 xxvii) que a multa de 75% é evidentemente desarrazoada e desproporcional, com nítido efeito confiscatória, o que está vedado pela Constituição da República, a rigor do art. 150, IV, por isso pede que se reduza a multa para o patamar de 10%. É o relatório. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.686 9 Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogados investidos de poderes para tanto, conforme instrumento de mandato a fls. 1557, razão pela qual dele conheço. Preliminarmente, cabe ressaltar que não procede a alegação de cerceamento do seu direito de defesa, em razão de a autoridade julgadora de primeira instância ter negado os pedidos de perícia e de oitiva de testemunhas, pelas seguintes razões. Primeiro, conforme pacífica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, só há falar em cerceamento do direito de defesa in casu, se demonstrado o prejuízo causado pela não realização da perícia e da oitiva requeridas, o que a recorrente não logrou demonstrar. Com efeito, a recorrente jamais poderia demonstrar tal prejuízo, já que os pontos postos, para julgamento neste colegiado, são unicamente questões de direito, como restará demonstrado mais a frente, logo, restam despiciendas quaisquer provas periciais e testemunhais. Ademais, a prova pericial tem como destinatário o julgador e só ele pode avaliar a sua necessidade, a qual, por óbvio, não se faz necessário para conhecimento das questões postas em julgamento nos presentes autos; por sua vez, a prova testemunhal pode ser até admitida em situações extraordinárias, o que não é caso dos autos, que demandam apenas a resolução de questões de direito. Da mesma forma, deve ser afastada a alegação de nulidade do auto de infração da CSLL, por entender a recorrente de que tal contribuição não fazia parte da fiscalização por não constar do Termo de Início a fls. 21, que reproduziu o objeto contido no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09.1.05.002011000700. Como bem sustentou a autoridade julgadora de primeira instância, o artigo 8° da Portaria RFB nº 3.014/11, que disciplina a emissão de MPF, dispensa a menção expressa de todos os tributos, desde que os lançamentos tenham por base os mesmos fatos. No caso em tela, é irrefragável que a exigência da CSLL decorreu dos mesmos elementos de prova utilizados para o lançamento do IRPJ, mesmo porque se referem às mesmas circunstâncias fáticas. Vale a transcrição do art. 8º da Portaria RFB nº 3.014/11, in verbis: “Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF.”. Na sua peça recursal, a recorrente alega que o art. 8º da Portaria nº 3.014/11 é inconstitucional e ilegal. Equivocase a contribuinte, pois o lançamento de ofício sempre pôde ser feito sem se abrir um procedimento de fiscalização, bastando para tanto que a Receita Federal já tenha as provas necessárias para lastrear o lançamento. Assim, por exemplo, ocorre com os lançamentos decorrentes de revisão de declaração. Com efeito, uma vez reunidas as provas que provocaram o lançamento do IRPJ, tendo elas também o condão de ensejar a exigência de CSLL, está a autoridade fiscal obrigada a lavrar o auto de infração da CSLL, por Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.687 10 força do parágrafo único do art. 142 do CTN. Isso porque, não há que se falar em contraditório e ampla defesa antes de devidamente cientificada a contribuinte do lançamento, salvo em extraordinárias situações em que a legislação determine a oitiva do fiscalizado antes da lavratura do auto de infração, como por exemplo, na hipótese do art. 42 da Lei nº 9.430/96 – que não é o caso dos presentes autos. Por sua vez, a finalidade do termo de início de fiscalização é definir o momento em que a contribuinte perde a espontaneidade, nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN, não tendo qualquer função de limitar a atuação da autoridade fiscal. Assim, in casu, a recorrente só perdeu a espontaneidade, com relação à CSLL, no momento em que tomou ciência do auto de infração, sendo esse o único efeito da falta de indicação da CSLL no termo de início de fiscalização. Por essas razões, afasto também a preliminar de nulidade do lançamento da CSLL. Adentrando no mérito, de plano, refuto as alegações da recorrente de que as únicas rendas tributáveis das cooperativas sejam aquelas a que dizem respeito os arts. 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764/71. Da simples leitura do art. 111 da Lei nº 5.764/71, concluise que ele não estabeleceu de maneira exaustiva as hipóteses em que as cooperativas podem se sujeitar a imposições tributárias. A CF/88 não concedeu imunidade tributária às cooperativa, mas apenas estabeleceu que lhes fossem dado tratamento tributário adequado. Por sua vez, o legislador ordinário, ao estabelecer o tratamento adequado previsto na CF/88, também não concedeu qualquer isenção subjetiva às cooperativas, mas apenas estabeleceu que o ato cooperado não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria (art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/71), do que então, decorre a nãoincidência tributária sobre ele. Notese, assim, que tal dispositivo legal não cria uma nãoincidência em função da pessoa (subjetiva), mas sim em função do ato praticado (objetiva), de tal forma que só há falar em nãoincidência tributária quando o ato for praticado entre a cooperativa e seus associados (art. 79, caput, da Lei 5.764/71), razão pela qual, fora dessa hipótese, a cooperativa sofre tributação como qualquer outra pessoa jurídica. Além disso, o ato cooperado é aquele decorrente da exploração do objeto da sociedade cooperativa, ou seja, daquele fim último da cooperativa que justifica o tratamento tributário diferenciado de que trata a CF/88. Lógico que as cooperativas não têm por fim último aplicar recursos dos associados em operações financeiras, razão pela qual a Súmula STJ 262 entende que tais rendimentos sofrem incidência tributária. Da mesma forma, os associados não constituem uma cooperativa agropecuária e industrial com a finalidade de vender e comprar estabelecimentos agroindustriais, razão pela qual, tais operações não se constituem ato cooperado e o ganho de capital deve ser tributado. Com relação ao REsp 58124/SP, equivocase mais uma vez a recorrente, pois tal julgado, claramente, limita o entendimento ali exarado aos casos de “venda isolada de máquinas ou veículos desgatados e obsoletos, integrantes do patrimônio permanente das cooperativas, se vendidos com o objetivo de substituílos por novos, com idêntica finalidade, sem que tenha atividade lucrativa”. Isso não se confunde com a venda de estabelecimento – complexo de bens organizados para exercício da empresa (art. 1.142 do Código Civil) – e, a contrário senso, levanos a conclusão justamente diversa, ou seja, que, nesse caso, há incidência tributária. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.688 11 Ressaltese que o fato de a alienação do estabelecimento industrial da cooperativa não ser vedado em lei, não significa que o ganho de capital dela decorrente não seja tributado. Assim, o fato de a venda da destilaria com o fim de parar com a exploração daquela atividade econômica ter sido decidida pela Assembléia Geral dos associados, conforme exige o art. 38 do Estatuto das Cooperativas é irrelevante para a questão sub examine. Por sua vez, se a venda de estabelecimento industrial não pode ser enquadrada como ato cooperativo, já que se trata de atividade nãooperacional e realizada com não associados, não há porque ratear o ganho de capital dela decorrente como fez a recorrente. Diz a recorrente que utilizou índice resultado da média ponderada das operações com terceiros nos últimos cinco exercícios que antecederam a sua alienação. Ou seja, a recorrente criou uma norma tributária, pois tal preceito não está previsto no ordenamento jurídico. Por que a média ponderada das operações com terceiros nos últimos cinco anos? Por que não das operações dos últimos três anos? Por que não das dos últimos dois anos? O princípio da legalidade tributária não admite interpretações legislativas tão criativas. Na atividade operacional, é possível se identificar as operações com associados e com não associados, de tal forma que se possa segregar as receitas, para lhes conferir os tratamentos tributários adequados. Todavia, não há como se segregar o ganho de capital da alienação de ativo em dois: um tributável e outro não tributável, utilizando critérios de ponderação sem qualquer amparo em lei. DOS ESTOQUES DO ESTABELECIMENTO Noutro ponto, há também que se ressaltar que a recorrente alienou o estabelecimento industrial, ou seja, todo o complexo de bens organizados para a exploração daquela indústria, conforme expressamente disposto no “Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Estabelecimento Industrial e outras avenças” a fls. 216 e segs., razão pela qual não há porque se entender que se possa segregar a venda do estoque, para lhe dar tratamento de ato cooperado. Alienouse o complexo de bens organizados para o exercício da indústria – estabelecimento industrial, sendo o ganho de capital decorrente desta operação resultado nãooperacional, sujeito a tributação. Para estancar qualquer dúvida, vale a transcrição dos seguintes excertos do referido instrumento de compromisso de compra e venda, in verbis: “3. COMPRA VENDA DOS ATIVOS. 3.1 Estabelecimento e Imóveis. No que se refere aos lmóveis, incluindo suas acessões, benfeitorias e edificações, bem como a todos os demais bens que compõem o Estabelecimento, a operação de compra e venda referida em 2.1, supra, será efetivada na Data de Fechamento, mediante (i) a outorga, pela Cocari à Vale do Ivaí, das escrituras definitivas de venda e compra dos referidos Imóveis, na forma das minutas que integram o presente instrumento como seu Anexo 3.1, (ii) a imissao da Compradora na posse dos referidos Imóveis e (iii) a tradição, pela Vendedora à Compradora, de todos os bens móveis que compõem o Estabelecimento. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.689 12 ......................................................................................................... 3.1.3.5. Estoque de Álcool. Fica esclarecido que todo o estoque de álcool produzido no Estabelecimento anteriormeute a 0:00 hora da Data de Fechamento será de propriedade da Vendedora, enquanto o estoque produzido a partir de então será de propriedade da Compradora. A Vendedora declara que, na Data de Fechamento, haverá no Estabelecimento um estoque de álcool hidratado de cerca de l.000 m3 (“Estoque da Vendedora”). A Compradora deverá manter o Estoque da Vendedora armazenado durante o prazo máximo de 6 (seis) meses, contados a partir da Data de Fechamento, mediate o pagameuto, pela Vendedora, dos custos de armazenagem desde logo fixados em R$ 5,25 por m3 por mês, não incluído o custo de seguro, declarandose a Vendedora ciente de que a taxa de evaporação e perda do produto é de 0,25% ao mês, sendo as perdas disso decorrentes suportadas pela Vendedora. A partir do término desse prazo, caso a Vendedora não haja removido o referido Estoque do Estabelecimento, a Compradora fica, desde logo, autorizada a fazélo, às expensas da Vendedora. 3.1.3.6 Demais Estoques. No que tange aos estoques de insumos, matériasprimas, almoxarifado agrícola e industrial, viveiros e quaisquer outros que se encontrem no Estabelecimento na Data de Fechamento, tais estoques pertencerão exclusivamente à Vale do Ivaí, estando os respectivos valores já contemplados no Preço de Aquisição. A Cocari declara e garante que não haverá variações significativas em tais estoques entre a presente data e a Data de Fechamento, salvo aquelas decorrentes do curso normal de seus negócios.” Assim, fica claro que: não houve venda de estoque de álcool, já que todo o estoque existente na data de fechamento era da recorrentealienante; por sua vez, os demais estoques, como não poderia deixar de ser, foram considerados como bens integrantes do Estabelecimento, logo, seus valores já estavam incluídos no valor de venda do estabelecimento, além do mais, como elemento do estabelecimento, poderia a vendedora utilizálos nas operações normais da empresa até a data do fechamento, sem que houvesse qualquer alteração no preço de venda. Em face do exposto, não há que se segregar a venda dos estoques, para considerála ato cooperado. REPASSE DE DÍVIDAS No que tange ao reconhecimento da parte do ganho de capital relativa à parcela do preço que foi quitada com o repasse de dívidas da recorrente ao comprador do estabelecimento, cabe, de plano, ressaltar que também se aplica a tais receitas o disposto no § 2º do art. 31 do DL nº 1.598/77. Assim, essa parte da receita de venda também pode ser Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.690 13 reconhecida pelo regime de caixa, ou seja, não basta que seja um crédito líquido e certo, mas fazse necessário que tenha ocorrido a sua realização financeira, para que seja tributada. No termo de verificação fiscal a fls. 7, a autoridade lançadora limitase a afirmar que a dívida foi repassada. Já a autoridade julgadora de primeira instância afirma que: “A controvérsia referese às parcelas relativas a dívidas de contratos de securitização, nos valores de R$ 16.563.417,56 e R$ 2.705.362,94, que foram assumidas pela compradora, como parte do pagamento, e que foi considerada pela fiscalização como incorrida em 2008. O contribuinte alega que as dívidas não seriam liquidadas à vista, sugerindo que parte delas permaneceria em seu passivo em períodos posteriores a 2008. No entanto, verificase que os lançamentos contábeis efetuados pela fiscalizada contradizem essa assertiva. Conforme relata o auditor fiscal, no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 06, no dia 28/02/2008, ou seja, na data do fechamento do negócio, houve lançamentos, nos valores de R$ 16.563.417,56 e R$ 2.705.362,94 a débito de contas do ativo e a crédito da conta “Sobras a Realizar” do grupo do patrimônio líquido da empresa, o que denota que nenhum valor permaneceu no passivo, no que concerne àquelas dívidas.”. Com a devida vênia, entendo que a autoridade julgadora de primeira instância se equivoca, pois o lançamento acima descrito apenas registra, pelo regime de competência, aquela parte da receita de venda do estabelecimento, gerando um direito no ativo da recorrente em contrapartida de sobras líquidas no PL. Assim, tal afirmativa em nada prova se houve ou não baixa da conta passiva (dívidas com a Sec. Goiás e Sec. Paraná), aliás, a manutenção no ativo da recorrente de tais direitos contra o comprador indica que as dívidas não foram baixadas do seu passivo. No ponto ora sub examine, não está em discussão o valor total do ganho de capital ou custo dos bens vendidos na operação, mas tãosomente a parcela do ganho de capital que deveria ter sido reconhecida, nas bases tributárias, do ano de 2008. Logicamente que a análise da realização financeira de tal receita deverá levar em conta as particularidades da cláusula contratual que repassou a dívida ao comprador. Com efeito, há que se considerar financeiramente realizada a receita, na mesma proporção e momento, em que a recorrente ficou liberada da dívida perante o seu credor. Assim, por exemplo, se houve assunção da dívida (art. 299 do Código Civil) pelo comprador, a recorrente ficaria exonerada da dívida, o que implicaria na baixa da conta passiva e, consequentemente, deverseia considerar realizada financeiramente a receita. Por outro lado, se não houve assunção de dívida, não ocorreu a substituição da recorrente do pólo passivo da relação creditícia, o chamado “repasse de dívida” nada mais é do que um direito pessoal da recorrente em face do comprador, cujo crédito será realizado financeiramente a medida que a dívida for sendo quitada. Com relação à Securitização Paraná, no valor de R$ 2.705.362,94, referente aos Contratos de Securitização nºs 97/702005, 96/700742 e 97/701025, os quais são denominados dívidas “BB Transferidas” (item 4.2.3.2.3 do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Estabelecimento Industrial e outras avenças), o item 4.3 Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.691 14 do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Estabelecimento Industrial e outras avenças assim dispõe: “Já no que tange às Dívidas Badep e BB Transferidas, a Vale do Ivaí deverá formalizar, junto aos respectivos credores, a assunção de tais Dívidas até o dia 30 de outubro de 2008 com a conseqüente desoneração da Cocari e a liberação das garantias por ela outorgadas, elencadas no Anexo 4.3 ao presente Compromisso (as “Garantias da Cocari”), observandose, em caso de não realização dessa assunção ou em caso de não liberação das Garantias da Cocari no prazo aqui assinalado, o disposto em 4.3.2, infra. As Dívidas referidas neste item serão assumidas pelos valores que apresentarem na data de sua efetiva assunção, podendo haver, sem que isso implique qualquer alteração nos valores das outras Parcelas do Preço de Aquisição, variações em relação aos valores das Dívidas acima fatores previstos nos contratos que instrumentalizam referidas Dívidas, ressalvado o disposto em 4.3.4, infra” Por tal dispositivo, fica evidente que ficou pactuada a assunção da dívida pela compradora com a consequente liberação da recorrente. Somese a isso o fato de que a cláusula 4.3.2 prevê que, em caso de eventual nãoassunção da dívida, a compradora se obrigava a antecipar o pagamento de toda a dívida no prazo máximo de 60 dias a contar de 30 de outubro de 2008, ou seja, dentro do ano de 2008, se não vejamos como dispunha: 4.3.2 Eventual NãoAssunção das Dívidas BB Transferidas e Badep. Caso a assunção pela Vale do Ivaí das Dívidas BB Transferidas e Badep e a conseqüente liberação das Garantias da Cocari que asseguram o pagamento dessas Dívidas não venham a ocorrer no prazo para tanto estabelecido em 4.3, supra, seja por negativa dos respectivos credores, seja por qualquer outra razão, a Vale do Ivaí deverá liquidar tais Dívidas nãoassumidas antecipadamente junto aos respectivos credores no prazo máximo de 60 dias, contados a partir do termo final do prazo referido em 4.3, supra. Caso, neste último prazo, a Vale do Ivaí não logre liquidar antecipadamente as Dívidas BB Transferidas e a Dívida Badep junto aos respectivos credores, então a Vale do Ivaí obrigase e comprometese a efetuar o pagamento da totalidade do saldo dessas duas Dívidas em favor da Cocari para que ela as liquide junto aos respectivos credores, sendo que, caso a Vale do Ivaí não efetue esse pagamento no prazo máximo de 5 dias, contados a partir do término do último prazo acima mencionado, incidirão sobre o valor em atraso os mesmos consectários moratórios referidos em 4.2.3.1, inƒine, supra;”. Diante desse conjunto probatório, caberia à recorrrente apresentar prova de que não houve nem a assunção da dívida nem o pagamento antecipado, mas isso não logrou fazer no seu recurso. Posteriomente à apresentação do recurso voluntário, a recorrente pediu a juntada de memorial e documentos anexos, nos quais alega que a assunção de dívida foi negada pelo credor (Banco do Brasil) e alega como prova disso o item 1.2 do Segundo Aditamento ao Compromisso de Compra e Venda, o qual juntou aos autos também nesse momento. Ao se analisar o item 1.2. do referido Aditamento, fica claro que não é prova de que não houve a Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.692 15 assunção da dívida, tanto que o item 1.3 (do Aditamento) trata da hipótese de eventual não assunção da dívida. Vale a transcrição do que foi acrescentado, pelo item 1.2 do Aditamento, ao item 4.3 do Compromisso, in verbis: “No que se refere a esses últimos Benefícios, a Cocari declara que realizou, no prazo previsto na mencionada lei, a opção de renegociação das Dívidas BB Transferidas, comprometendose, outrossim, a praticar todos os demais atos e a firmar todos os demais documentos necessários à obtenção dos Benefícios concedidos por aquela lei. A Vale Ivaí deverá fornecer à Cocari, até a véspera da data em que se fizerem exigíveis, os recursos necessários à liquidação das Dívidas BB Transferidas sob o regime previsto na Lei 11.775/08.”. Vale ressaltar que no referido memorial apresentado a posteriori, a recorrente reconhece que houve pagamento da dívida em 2008 no montante de R$ 1.234.016,41. Não obstante, concluo que a recorrente, no tocante à dívida Sec. Paraná (BB Transferidas) não logrou comprovar que não tenha havido a assunção da dívida pelo comprador nem que não tenha havido a liquidação antecipadada no próprio ano de 2008, inclusive se valendo dos benefícios da Lei 11.775/08, razão pela qual concluo que houve a realização da parcela do ganho de capital no montante de R$ 2.705.362,94. Com relação à Securitização Goiás, no valor de R$ 16.563.417,56, referente aos Contratos de Securitização nºs 97/700777, 96/700785 e 96/7001033, os quais são denominados dívidas “BBCerrado”, o item 4.2.3.1 do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Estabelecimento Industrial e outras avenças dispõe que elas serão pagas pela Vale do Ivaí à Cocari nos respectivos vencimentos, mas também prevê que elas não serão assumidas pela Vale do Ivaí perante o Banco do Brasil S.A., permanecendo, portanto, a Cocari como responsável perante aquela instituição pela liquidação de tais dívidas e cumprimento de todas as demais obrigações decorrentes dos Contratos BBCerrado. Diante disso, cabia a autoridade lançadora verificar quais os pagamentos que ocorrem no ano de 2008, o que não foi feito. A recorrente, por sua vez, no memorial e documentos anexos apresentados após a interposição do recurso voluntário, especialmente o Ofício DIR 285/08 e extratos bancários apresentados, prova que houve pagamento, em 2008, da dívida BBCerrado no montante de R$ 1.012.705,49. Logo, concluo que o total apurado pela autoridade lançadora como valores recebidos em 2008 relativos às dívidas repassadas, no montante de R$ 19.268.780,50, deve ser reduzido para R$ 3.718.068,43, o que implica na seguinte alteração da base de cálculo do item 001 do auto de infração: Descrição do Valor Recebido Valor Recebido (R$) % R$ Total Sec. Repassada 3.718.068,43 2,074% 2.034.650,57 Valor Recebido em 17/003/2008 39.663.976,53 22,125% 21.705.643,77 Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.693 16 Valor recebido em 30/10/2008 30.000.000,00 16,735% 16.417.146,49 Totais em 2008 73.382.044,93 40,934 % Assim, concluo que, no tocante ao fato gerador de 28/02/2008 do item 001 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, a base tributável deve ser reduzida de R$ 10.544.613,07 para R$ 2.034.650,57. RESERVA DE REAVALIAÇÃO O § 2º do art. 31 do DL nº 1.598/77 dispõe que nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do exercício social seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada períodobase. Ao assim dispor, a norma possibilitou ao contribuinte o reconhecimento da receita (preço de venda) pelo regime de caixa com o consequente reconhecimento do custo proporcional a receita reconhecida. Ora, se o custo reavaliado do bem vai ser reconhecido na proporção da receita recebida, entendo que a adição ao lucro real da contrapartida da reavaliação deverá ser feita na mesma proporção, sob pena de estarmos adicionando contrapartida de reavaliação da parte do custo ainda não reconhecida no cálculo das bases tributáveis. A reavaliação é sempre neutra do ponto de vista tributário, não devendo levar a resultado tributário diferente daquele que seria obtido caso ela não fosse realizada. Se no passado poderia haver um reconhecimento prévio da contrapartida da reavaliação, antes da realização do bem, o que poderia gerar efeitos na apuração das bases tributáveis, como por exemplo, influenciar no cálculo do adicional ou na trava de compensação de prejuízo, isso, hoje, não pode ocorrer em razão da regra do art. 4º da Lei nº 9.959/00. Todavia, no caso em tela, reconhecer intregralmente a contrapartida da reavaliação no ano da alienação romperia com a neutralidade fiscal buscada, já que se estaria obrigando, no ano da alienação, ao reconhecimento de um resultado tributável superior ao que seria obtido caso a reavaliação não tivesse sido efetuada. O art. 35, § 1º, do DL 1.598/77 não tem o condão de anular o regime especial de reconhecimento do ganho de capital estabelecido pelo § 2º do art. 31 do DL nº 1.598/77, o que poderia acontecer, por exemplo, se o custo reavaliado fosse muitas vezes maior do que o custo originário. Entendo que, nessa situação fática, a norma geral do art. 35, § 1º, deve ser interpretada em conjunto com o § 2º do art. 31 do DL nº 1.598/77, para se concluir que a contrapartida da reavaliação seja reconhecida proporcional ao custo reavaliado reconhecido nas bases tributáveis do período em curso. Ora, sabemos que a adição da contrapartida da reavaliação às bases tributáveis é devida para anular os efeitos do custo aumentado pela reavaliação do ativo, o qual reduz o ganho de capital. Logo, quando esse custo reavaliado impactar as bases tributáveis na proporção da receita recebida, por óbvio que o ajuste deverá ser feito com a adição proporcional da contrapartida da reavaliação. Ademais, impor a adição total da contrapartida da reavaliação no ano da alienação, no caso em tela, seria obrigar o reconhecimento antecipado de Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.694 17 lucro tributável desproporcional à receita recebida, o que estaria em descompasso com o regime especial de reconhecimento estabelecido pelo § 2º do art. 31 do DL nº 1.598/77. É verdade que o art. 4º da Lei nº 9.959/00 determina que a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. A redação da norma não prima pela melhor técnica legislativa, pois, ao utilizarse da palavra “poderá”, leva ao falso entendimento de que seria facultativa a adição às bases de cálculo da contrapartida da reavaliação em caso de realização do bem. Na verdade, o art. 4º em tela, objetiva apenas proibir o reconhecimento antecipado (antes da realização do bem), nas bases tributáveis, da contrapartida da reavaliação, com o fito de evitar planejamento tributários, por exemplo, que pudessem burlar a trava das compensações de prejuízos fiscais. Assim, não há incompatibilidade entre a regra geral do art. 4º da Lei 9.959/00 e o regime especial de reconhecimento do ganho de capital estabelecido pelo § 2º do art. 31 do DL 1.598/77, mesmo porque, ainda que houvesse, lex posterior generalis non derogat priori speciali. Assim, entendo que a base tributável do item 002 do auto de infração do IRPJ deve ser reduzida, de forma que se considere realizada a reserva de reavaliação no mesmo percentual de reconhecimento do ganho de capital no período. Conforme tabela acima, o percentual de reconhecimento do ganho de capital no período é de 40,934%, logo, a base tributável do item 002 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL deve ser reduzida de R$ 25.425.270,30 para R$ 10.407.580,14. Ressaltese que, ao compulsar os autos, não encontrei qualquer prova de que a recorrente tivesse adicionado tal contrapartida da reavaliação às bases tributáveis de períodos posteriores, razão pela qual, afasto assim qualquer análise de aplicação do § 5º do art. 6º do DL 1.598/77 ao caso em tela. DA MULTA DE OFÍCIO É totalmente descabido o pleito da recorrente para que se reduza a multa de ofício aplicada no percentual legal de 75% para um percentual proposto de 10%, pois só a lei poderia autorizar tal redução, por força do disposto no art. 97, V, do CTN. Quanto à alegação de que a multa de ofício no percentual de 75%, seria confiscatória, cabe ressaltar que não compete a essa instância administrativa apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei, nos termos da Súmula CARF nº 2. Em face do exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para: a) reduzir a base tributável do fato gerador de 28/02/2008 do item 001 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL de R$ 10.544.613,07 para R$ 2.034.650,57; e b) reduzir a base tributável do item 002 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL de R$ 25.425.270,30 para R$ 10.407.580,14 . Alberto Pinto Souza Junior – Relator Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.695 18 Voto Vencedor Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. Adoto integralmente o relatório e fundamentação apresentados no voto do relator em virtude da sua perfeição técnica, de modo a evitar repetições desnecessárias. O conselheiro relator Alberto Pinto Souza Junior foi vencedor no que diz respeito ao (i) afastamento das preliminares suscitadas; no mérito (ii) quanto à redução da base tributável do fato gerador de 28/02/2008 do item 001 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL de R$ 10.544.613,07 para R$ 2.034.650,57; e (iii) à redução a base tributável do item 002 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL de R$ 25.425.270,30 para R$ 10.407.580,14. Entretanto, ficou vencido no que se refere à venda dos estoques do estabelecimento, uma vez que a turma entendeu, neste ponto, da forma que adiante segue declinado. DA VENDA DOS ESTOQUES DO ESTABELECIMENTO A Recorrente traz em seus memoriais de julgamento a alegação de que deveria ser excluído da base de cálculo do “ganho de capital” apurado na venda do ativo imobilizado e do estoque, o valor relativo à venda do estoque de canadeaçúcar, conforme alegação de fls. 1781 e seguintes, haja vista a sua natureza operacional na atividade da recorrente. A conclusão do Relator se deu em sentido contrário, fundamentando que a operação de venda foi da “venda do estabelecimento” como um todo, e não de ativo imobilizado e ativo circulante (conta estoque). Assim, peço venia para discordar, sob dois fundamentos: a) O estoque faz parte da atividade da cooperativa, ou seja, está inserido no conceito de ato cooperativo, e o AFRFB em momento algum questiona este fato; b) O estoque jamais poderia ser tributado na forma e sob o fundamento jurídico do artigo 183 do RIR/99, que dispõe sobre a apuração do ganho de capital sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à finalidade das cooperativas, o que não é o caso. Evidente que venda de ativo circulante – “ESTOQUE” – é atividade operacional e deve ser tributado como tal pela sociedade cooperativa, como sua receita (faturamento). Assim, passo a esclarecer o raciocínio no subtópico adiante elencado, para bem demonstrar minhas razões de convencimento. DA ILEGALIDADE DA TRIBUTAÇÃO DO ESTOQUE NO IRPJ E CSLL EM VIRTUDE DE CONSIDERAR A VENDA COMO DE “ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL”. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.696 19 Como já bem demonstrado na leitura do relatório, a Recorrente é cooperativa agropecuária e industrial e tem como atividade operacional a compra e venda de álcool e cana deaçúcar, produzindo e industrializando estes produtos. Tal situação por si só já torna nula a autuação em relação ao item “estoque”, uma vez que se baseou e utilizou como fundamento legal o artigo 183 do RIR, conforme fl. 10 do PAF, que assim dispõe: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei n º 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei n º 9.430, de 1996, arts. 1 º e 2 º ): (grifamos) Porém, mesmo que se parta da premissa de que eventualmente estivesse certa a tributação do estoque com base no artigo 183 do RIR, como ganho de capital (matéria que será analisada em tópico mais adiante), ainda assim estaria a autuação equivocada, uma vez que se trata de “ato cooperativo”, haja vista ser atividade operacional da cooperativa. Vejamos a apuração do ganho de capital efetuado pelo AFRFB: A Lei 5.764/1971, que define a política nacional de cooperativismo, assim dispõe em seu artigo 3º: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. O estoque vendido, ainda que inserido em contrato onde também ocorra a compra e venda de parte do ativo imobilizado, não tem o poder de transformar o “estoque” em ativo imobilizado, ou seja, cada item desta venda deve ser tributado separadamente segundo suas características peculiares. Tal contrato não pode transformar uma venda operacional (receita, faturamento) em “ganho de capital”, situação esta que traria inclusive distorção dos balanços e resultados contábeis da empresa. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.697 20 Quando temos a venda de um “estoque”, este ainda que vendido em conjunto com parte do ativo imobilizado da sociedade ou com qualquer outro bem ou direito, aquele (estoque) mantém suas características particulares de Ativo Circulante e como este deve ser tributado. Mesmo com a venda em conjunto cabe à recorrente reconhecer tais valores (recebimentos do estoque) como receita e/ou faturamento, e este valor passa a fazer parte da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ICMS, e não como ganho de capital, pois este último não é tributado no PIS, COFINS e ICMS. Em contrapartida, o custo do estoque não pode ser estimado, deve ser o real valor apropriado em sua contabilidade. No presente caso, entendo que exerce a Recorrente, na figura de sociedade cooperativa, atividade operacional quando da venda do seu estoque, mesmo que este seja vendido em conjunto com parte do ativo imobilizado e assim esteja obrigada a reconhecer estas receitas (venda de estoque) como operacionais e incluílas na base de cálculo dos tributos acima mencionados. Isso incorre em grandes implicações, principalmente no tocante às normas contábeis, com relação à apuração do resultado operacional e a própria distribuição das sobras aos cooperados, diferentemente do que ocorre na venda de ativo imobilizado. É primordial diferenciarmos dois pontos: uma coisa é a venda de equipamentos ou imóveis, inclusive por acessão (que ficam permanentes num determinado bem) e outra é a venda de bens (mercadorias) contabilizados e registrados no ativo circulante – “estoque”. Assim define a doutrina: a) Estoques são bens tangíveis ou intangíveis adquiridos ou produzidos pela empresa com o objetivo de venda. (Manual de contabilidade societária / Sérgio Iudícibus . . . [et. Al.]. São Paulo: Atlas, 2010, pg. 72) b) Imobilizado é um ativo tangível que: (i) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos. E que (ii) se espera utilizar por mais de um ano. (Manual de contabilidade societária / Sérgio Iudícibus . . . [et. Al.]. São Paulo: Atlas, 2010, pg. 222) Assim, a tributação do estoque se faz duplamente equivocada: a) não posso tributar o estoque com base no artigo 183 do RIR/99, que regula o ganho de capital; e b) não posso tributador ato cooperativo no IRPJ e CSLL. No Relatório de Atividade Fiscal (fls. 03/11) não há qualquer alusão ou fundamentação do porquê o AFRFB tributou o estoque como ganho de capital, ou por que não o tributou como uma venda de mercadoria, nem definiu por que sua venda seria “atividades estranhas à finalidade das cooperativas” (venda de ativo permanente). Inclusive no seu voto o Relator, para fundamentar tal procedimento, está por entender que houve venda de “estabelecimento empresarial”. Tal fundamento, trazido somente no voto do Ilustre Relator, já que não há qualquer menção no Relatório Fiscal quanto a natureza dessa venda, de se tratar de “venda de Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.698 21 estabelecimento empresarial”, a meu ver caracterizaria cerceamento ao direito de defesa, por somente agora tal alegação ser apontada como fundamento da autuação. Entendo, com a devida vênia, que mesmo se considerar a venda como um todo “estabelecimento empresarial”, cada item que a compõem deve ser tributado segundo suas características particulares. O lançamento fiscal se utilizou como metodologia para apuração da base de cálculo (art. 42 do CTN) equivocada, já que deveria o AFRFB ter tributado as receitas da venda do estoque como operacionais, e não apurado o ganho de capital com a venda do ativo imobilizado. Aqui estamos diante de uma empresa Cooperativa, que faz jus a uma tributação favorecida e protegida pela Carta Magna, o que faz presumir que a venda do “estoque” como receita operacional teria menor tributação do que a venda do “estoque” como “ativo imobilizado”. Porém, cabe lembrar que esta não é a regra, ou seja, qualquer empresa comercial ou industrial de atividade privada ao vender mercadorias em conjunto com parte do ativo imobilizado, não pode escolher tributar as mercadorias no ganho de capital e deixar de pagar sobre elas PIS, COFINS e ICMS (uma vez que o IRPJ e CSLL são pagos em ambas as modalidades de apuração – ganho de capital e venda operacional). Caso assim não fosse, planejamentos tributários surgiriam aos montes evitando a incidência do PIS, COFINS e ICMS na venda de estoque junto à parte do ativo imobilizado. Não concordo com este precedente e assim divirjo do voto do relator. A venda do “estoque”, mesmo quando adquirido em conjunto com parte do ativo imobilizado, deve ser tributada como atividade operacional e sofrer a incidência de toda a carga tributária a ela pertinente (PIS, COFINS, ICMS, IRPJ e CSLL) e não apenas ser tributado na forma de ganho de capital. Todavia, no presente caso há uma exceção, onde em virtude de ser a recorrente uma cooperativa e esta dispor de benefícios legais constitucionais, que lhe conferem uma tributação mais favorável. Ressalto a problemática em entender que o “estoque” vendido como “ativo permanente” resultaria em vários problemas de ordem fiscal, inclusive para o próprio adquirente. Por exemplo, como fará a adquirente (Vale do Ivaí S.A.) para apurar os seus créditos de PIS, COFINS e ICMS com a aquisição da matériaprima (canadeaçúcar) que adquiriu nesta operação? Evidente que este “estoque” lhe dá direito a crédito, e qual será a sistemática para a sua apuração? Irá aproveitálo na proporção de 1/48 avos na depreciação? Haja vista ser a adquirente (Vale do Ivaí S.A.) pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade anônima (disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/cnpj/cnpjreva/cnpjreva_solicitacao.asp) e ao que tudo indica tributada pelo lucro real (ressaltese a operação de compro da usina de álcool da recorrente ter se dado por cerca de R$ 180.000.000,00). Assim, teve a Vale do Ivaí S.A. que contabilizar o estoque como estoque (ativo circulante), para assim poder se apropriar dos eventuais créditos de PIS, COFINS e ICMS e abatêlos no momento seguinte à venda, afinal, o que foi efetivamente adquirido foi “estoque”, o que irá ensejar a venda do produto acabado objeto de sua atividade operacional. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.699 22 Não cabe a nós julgadores mudar os conceitos contábeis estabelecidos por esta ciência específica, autônoma, conforme disposição expressa do Código Tributário Nacional: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Não é admissível exigir que um adquirente ou vendedor de “estoque” altere toda a sua contabilidade e apuração tributária para definilo como “ativo imobilizado”, exigindo que efetue a venda de canadeaçúcar e faça o lançamento contábil na conta “ativo imobilizado”. Na operação em questão houve um evidente equívoco do AFRFB em virtude de ambos os bens (“estoque” – ativo circulante; e imóveis – ativo imobilizado) constarem em operação de um mesmo contrato, o que não poderia ser diferente, uma vez que as partes eram as mesmas, porém a compra era de bens distintos. Ou deveria a recorrente e a adquirente dividir a venda em dois contratos? Fazêlos como se em datas diferentes tivessem ocorrido as operações? Somente assim estaria alterada a situação fática? Somente com a venda do estoque por meio de contrato específico é que o “estoque” pode ser caracterizado como tal? Da forma como realizado pela recorrente, o “estoque” se transformou em “ativo permanente”? Evidente que as respostas dos questionamentos acima são claras e convergem para o mesmo sentido. Não cabe a nós julgadores nem a lei mudar o conceito e as definições de atos e bens do mundo jurídico. Principalmente no caso em tela, onde abriríamos um precedente, onde a venda de “estoque” em conjunto com “ativo imobilizado” afastaria a necessidade de tributação por meio do PIS, COFINS e ICMS, em contrapartida assim mesmo se creditaria o adquirente de tais tributos. No presente caso, por ser o “estoque” ato cooperativo, e em momento algum desclassificado como tal pelo AFRFB, não é tributado. Assim entendo que o “estoque” tem que ser classificado única e exclusivamente como “estoque”, onde a sua comercialização é receita operacional da sociedade cooperativa e a fiscalização se equivocou completamente: primeiro na fundamentação legal da autuação (utilização do art. 183 do RIR para apurar “ganho de capital sobre estoque”) e segundo por não ter enquadrado (ou desqualificado, se acaso não fosse) como ato cooperativo. Mais uma vez o artigo 183 do RIR/99: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei n º 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei n º 9.430, de 1996, arts. 1 º e 2 º ): (grifamos) Ficou muito bem demonstrado no presente processo administrativo que a recorrente é cooperativa agropecuária e industrial e no estabelecimento vendido e objeto do presente Auto de Infração realizava, dentre outras, a atividade de aquisição de canadeaçúcar Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.700 23 de seus cooperados e industrialização da mesma para a posterior venda de álcool. Por óbvio, como bem informou a Recorrente, que a matériaprima da produção do álcool, no caso, a cana deaçúcar, era sua matéria prima. O fato de ter sido alienado o estoque de cana na mesma operação da venda integral do estabelecimento, não desvirtua a sua natureza, com base nas razões acima expostas. Independente se realizada a referida alienação por meio de um ou mais contratos para cada parte dos bens vendidos, tal fato não desvirtua a real natureza da operação. A consequência da operação seria a mesma, o fim atingido pela cooperativa também seria o mesmo, de modo que não seria esta simples formalidade que daria a real natureza da operação, ao passo do entendimento já consolidado dessa turma. Por fim, vêse que o Estoque apurado pelo AFRFB, conforme quadro abaixo, para fins de apuração do ganho de capital obtido com alienação do mesmo, foi avaliado no montante de R$ 48.110.773,10. Vejamos: Como se vê, o estoque não era composto somente por canadeaçúcar, posto que conforme informado no quadro acima, também estão sendo considerados no montante de R$ 48.110.773,10, “almoxarifado e viveiro”. Desta forma, estes bens (almoxarifado e viveiro) não devem receber o mesmo tratamento da “canadeaçúcar”, posto que a venda isolada destes não se enquadra como atividade operacional da cooperativa. Desta forma, com base na informação prestada pela própria empresa e relatada pelo AFRFB no Relatório Fiscal (fls. 04/05), entendo que deve ser excluído somente o montante referente a canadeaçúcar, que conforme Of. Dir. 039/2012, em resposta ao Termo de Intimação de 23/01/2012, é no montante de R$ 47.562.900,32, o que corresponde a 98,86% do total do estoque. Eis o relatório fiscal: Assim, concluo que a venda realizada do “estoque” de canadeaçúcar da recorrente deve ser tributada de acordo com a sua real natureza, ou seja, como ato cooperativo, Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.701 24 não podendo ser desvirtuada por qualquer formalidade que optou ou deixou de optar o contribuinte para a alienação do estoque. Por esta razão, entendo que procede a alegação da recorrente na parte em que pleiteia a exclusão do valor do recebimento proporcional do estoque de canadeaçúcar no ano calendário de 2008 da base de cálculo do ganho de capital apurado pelo AFRFB, por se tratar a referida venda de bem pertencente ao ativo circulante da empresa, venda esta que é a própria atividade operacional da cooperativa, revestida inclusive de ato cooperativo que merece tratamento diferenciado, conforme expressa previsão constitucional, devendo assim ser excluído da base de cálculo o correspondente a 98,86% (proporção relativa a canadeaçúcar R$ 47.562.900,32) do ganho de capital apurado pelo AFRFB na alienação do estoque. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo relator designado. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.702 25 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Em que pesem as bem fundamentadas razões apresentadas pelo d. conselheiro relator em seu voto concernente à manutenção do lançamento quanto ao ganho de capital apurado pela alienação dos estoques, dele divergi, neste ponto, pelas razões que passo a expor. Em meu entendimento, o fato de um único contrato ter abrangido a venda não apenas das instalações industriais como também dos estoques não me parece ser suficiente para alterar a natureza jurídica do ato de venda do produto (cana de açúcar) entregues pelos cooperados. Pelo que restou esclarecido durante os debates ocorridos no julgamento, de fato, a maior parte dos estoques vendidos referemse à compra antecipada da produção futura de cana de açúcar pelos cooperados da recorrente pela empresa adquirente do parque industrial da usina de açúcar e álcool, vendido pela cooperativa. Tratase, portanto, de aquisição não propriamente do estoque existente na data da venda em poder da cooperativa, mas sim de compra antecipada, para entrega futura, de toda a safra de cana que vier a ser produzida pelos cooperados nos anos seguintes e que serão entregues diretamente à adquirente da usina. Tal venda, intermediada pela cooperativa, ainda que para entrega futura, enquadrase perfeitamente como ato cooperativo, tal qual se daria se a venda ocorresse, paulatinamente, a cada safra que viesse a ser entregue pelos cooperados à cooperativa e fosse repassada à mesma empresa adquirente das instalações industriais. Assim, entendo que a parcela relativa a venda os estoques deve ser excluída da base de cálculo do ganho de capital, para receber o tratamento tributário dispensado aos atos cooperativos. É como voto. Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.703 26 Declaração de Voto Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. No que se refere ao repasse da dívida “Securitização Paraná”, peço venia para divergir do conselheiro relator, razão pela qual apresento declaração de voto neste ponto específico, o que faço com base nos fundamentos seguintes. No voto, o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior concluiu pela redução do valor da base de cálculo de R$ 19.268.780,50 para R$ 3.718.068,43 relativamente aos valores efetivamente recebidos pela recorrente a título de dívidas repassadas no anocalendário de 2008. A conclusão obtida pelo conselheiro foi que, com relação à Securitização Goiás, no valor de R$ 16.563.417,56, referente aos Contratos de Securitização nºs 97/700777, 96/700785 e 96/7001033, denominados “BBCerrado”, foi efetivamente recebido pela recorrente, quanto a estas dívidas, o montante de R$ 1.012.705,49. Já quanto à Securitização Paraná, esta no valor de R$ 2.705.362,94, referente aos Contratos de Securitização nº.s 97/702005, 96/700742 e 97/701025, também denominados dívidas “BB Transferidas” (item 4.2.3.2.3 do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda) entendeu o relator que a recorrente não comprovou que não houve a assunção da dívida ou o pagamento antecipado da mesma no próprio ano de 2008, concluindo pela manutenção do seu valor na base de cálculo das dívidas repassadas e apuração do ganho relativo ao anocalendário de 2008. Com relação a este ponto específico, peço venia para discordar, nos seguintes termos. Compulsando os autos e em especial os Memoriais de Julgamento apresentados pela recorrente, primeiramente chego a conclusão no sentido de que a assunção de dívida mencionada no Contrato de Compromisso de Compra e Venda (item 4.2.3.2.3, fls. 228) acabou não concretizada, em virtude da liquidação por iniciativa da própria recorrente, a qual foi inclusive mencionada no item 1.2. do Segundo Aditamento ao Contrato de Compromisso de Compra e Venda, aditamento este trazido ao processo no Anexo III dos já mencionados memoriais, às fls. 1729/1738. Sem a ocorrência da assunção da dívida, os contratos denominados “Sec. Paraná” continuaram sendo de titularidade da recorrente, conforme noticiado pela mesma, eis o disposto no item 1.2. do Segundo Aditamento de fls. 1732: “Já no que tange às Dívidas Badep e BB Transferidas, a Vale do Ivaí deverá formalizar, junto aos respectivos credores, a respectiva assunção ou liquidação, até o dia 30 de dezembro de 2008, com a consequente desoneração da Cocari e a liberação das garantias por ela outorgadas, elencadas no Anexo 4.3 ao presente Compromisso (as “Garantias da Cocari”), observandose, em caso de não realização dessa assunção ou liquidação ou em caso de não liberação das Garantias da Cocari no prazo aqui assinalado, o disposto em 4.3.2. infra. As dívidas referidas neste item serão assumidas ou liquidadas pelos valores que apresentarem na data de sua efetiva assunção ou liquidação, podendo haver, sem que isso implique qualquer alteração nos valores das outras parcelas do preço de Aquisição, variações em relação aos valores das Dívidas acima indicados, seja em função de amortizações realizadas neste ínterim, seja em Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.704 27 função de quaisquer outros fatores previstos nos contratos que instrumentalizam referidas Dívidas, ressalvado o disposto em 4.3.4, infra, seja ainda, no caso das Dívidas BB Transferidas, em função dos benefícios previstos na Lei nº. 11.775/08 (“Benefícios”). No que se refere a esses últimos Benefícios, a Cocari declara que realizou, no prazo previsto na mencionada lei, a opção de renegociação das Dívidas BB Transferidas, comprometendose, outrossim, a praticar todos os demais atos e a firmar todos os demais documentos necessários à obtenção dos Benefícios concedidos por aquela lei”. (grifamos) Ademais, entendo que em seus memoriais a recorrente logrou comprovar que efetivamente arcou com a dívida dos contratos denominados “Securitização Paraná”, no valor de R$ 1.234.016,41, pagamento datado de 03/11/2008, conforme se comprova pelos seguintes documentos: a) Ofício de autorização ao Banco do Brasil para realização de débito em conta corrente, no valor de R$ 1.514.040,55 referente, dentre outros, aos Contratos de Securitização nº. 96/700742, 97/701025 e 97/702005, fls. 1740; b) Extrato de conta corrente de titularidade da recorrente junto ao Banco do Brasil com a demonstração de débitos na referida conta nos valores de R$ 1.177.090,26 (em 03/11/2008, referente ao Contrato nº. 961700742, fl. 1742), R$ 11.323,59 (em 31/10/2008, referente ao Contrato nº. 97/70200 5, fl. 1744) e R$ 45.602,56 (em 31/10/2008, referente ao Contrato nº. 97/701025, fl. 1744), perfazendo o montante de R$ 1.234.016,41; c) E o pagamento destes valores pela Vale do Ivaí S.A. se comprova mediante o lançamento a crédito na referida conta, em razão de depósito de cheque da Vale do Ivaí S.A., no valor de R$ 1.262.023,54, fls. 1745, datado de 30/12/2008, conforme comprovante abaixo: Assim, restando devidamente comprovada a solicitação da recorrente ao Banco do Brasil para que efetuasse o débito em sua conta, entendo que a dívida efetivamente não foi transferida a terceiro. Por que a empresa pagaria (solicitando lançamento a débito em sua conta corrente) uma dívida que seria de terceiro? Na verdade, não houve a assunção da dívida. E mais, a devolução dos valores mediante o lançamento a crédito na conta, conforme tela reproduzida acima, em data posterior a do lançamento a débito na mesma conta, faz presumir que quem assumiu os “riscos” do pagamento da dívida foi a própria recorrente. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.723030/201254 Acórdão n.º 1302001.087 S1C3T2 Fl. 1.705 28 Especificamente à quitação dos Contratos de Securitização nºs 97/702005, 96/700742 e 97/701025 (denominados “Sec. Paraná”), diante do ofício da Recorrente ao Banco do Brasil solicitando o débito em sua conta referente a estes contratos, e posteriormente o depósito desta quantia em sua conta, atribuído à Vale do Ivaí S.A., concluo pelo pagamento destas dívidas por parte da Recorrente, visando se utilizar dos benefícios legais para sua quitação, conforme informado na cláusula 1.2. do Segundo Aditamento de fl. 1732, anteriormente reproduzido. Tal fato, inclusive, seria apto a afastar a inclusão de tal valor da base de cálculo do ganho de capital na alienação do imobilizado da Recorrente. Porém, esta produziu uma prova contra suas próprias alegações, pois afirma e comprova que recebeu o valor (R$ 1.234.016,41) da Vale do Ivaí S.A. mediante o depósito indicado, na data de 30/12/2008, no valor de R$ 1.262.023,54, conforme tela do extrato reproduzida infra. O referido pagamento tem a natureza de quitação da dívida relacionada como forma de pagamento da operação, devendo adentrar na base de cálculo da apuração do ganho de capital no ano de 2008, porém, limitado ao valor efetivamente repassado, no caso, a quantia de R$ 1.262.023,54, valor este efetivamente depositado pelo “terceiro adquirente” para a Cocari, conforme extrato de fls. 1745, mais uma vez reproduzido: Desse modo, voto por reduzir a base de cálculo do ganho de capital relativo ao item 001 do Auto de Infração, no tocante ao ganho de capital das dívidas repassadas Sec. Paraná, reduzindo a sua base de cálculo de R$ 2.705.362,94, para o efetivamente recebido no anocalendário de 2008, no montante de R$ 1.262.023,54. Nesse sentido, declaro meu voto. (Assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado di gitalmente em 03/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por A LBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004122/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
ANO-CALENDÁRIO: 2006
ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE.
MILITAR DA RESERVA REMUNERADA.
"Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada,
motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de
moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a
aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula 43).
Recurso Voluntário dado provimento
Numero da decisão: 2101-001.456
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR DA RESERVA REMUNERADA. "Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula 43). Recurso Voluntário dado provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. RELATÓRIO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 13 a 15, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, para exigir a importância total de R$1.601,11 acrescido de cominações legais. A apuração do imposto suplementar exigido está alicerçada na omissão de rendimentos no valor total de R$ 205.572,00, informado na Declaração Anual de Ajuste como isentos e não tributáveis (fls.122). IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, onde afirmou, em síntese, que: a) É inativo da reserva remunerada da Polícia Militar do Estado do Amazonas desde 26/06/95, conforme cópia do Decreto de 14/12/07, publicado no Diário Oficial do Estado do Amazonas, às fls. 17/19. b) Conforme laudo médico acostado à impugnação elaborado pela Junta Médica da Polícia Militar do Estado do Amazonas, de 07/05/2008, constatase que o impugnante é portador de cardiopatia grave e esta doença acomete o impugnante desde outubro/2004, mês que sofreu o primeiro infarto agudo do miocárdio, fls.21/27. Por fim, cita jurisprudência sobre casos análogos, requerendo o cancelamento do débito fiscal e o reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda no anocalendário de 2006. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fl.64). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ANOCALENDÁRIO: 2006 ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR DA RESERVA REMUNERADA. Não estão abrangidos pela isenção do Imposto de Renda os proventos do servidor militar transferido para a reserva remunerada mesmo que portador de moléstia relacionada no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/88. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 18/08/2009 (fl. 74), o recorrente impugna o lançamento efetuado, tempestivamente, reafirmando as alegações apresentadas em primeira instância. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.004122/200865 Acórdão n.º 2101001.456 S2C1T1 Fl. 2 3 É o relatório. VOTO Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. No caso, o pedido do contribuinte de que fossem considerados isentos os rendimentos percebidos da AMAZONPREV – Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas – CNPJ – 04.986.163/000146, no anocalendário 2006, foi indeferido no julgamento de primeira instância por um motivo: a não abrangência da reserva remunerada pelo no inciso XIV do artigo 6° da Lei n° 7.713/88, com redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e artigo 30, § 2° da Lei n° 9.250/95. Quanto ao óbice gerador do indeferimento, cabe destacar que o entendimento deste Conselho, expresso na Súmula n° 43, é de que: "Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda." (grifos acrescidos). A Instrução Normativa SRF nº 15 de 6 de fevereiro de 2001, em seu artigo 5º, Inciso XII, §§ 1º a 2º, disciplina quanto à isenção ou não sujeição ao imposto de renda dos proventos de aposentadoria ou reforma motivadas, dentre outros motivos, por portadores de cardiopatia grave, in verbis: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose); § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Assim sendo, cabe analisar se os documentos que constam dos autos são hábeis para comprovarem a condição previdenciária do contribuinte, ou seja, se efetivamente está amparado por decreto a reserva remunerada a que se diz enquadrado, bem como a existência da moléstia alegada. O documento de fls. 17 a 19, contém o decreto de 14/11/2007, o qual retifica o decreto de 26/06/1995. Em que pese o primeiro tratarse de uma retificação, fácil é comprovar a regularidade do decreto retificado, através do sítio da Imprensa Oficial do Estado do Amazonas, decreto esse que, publicado na página 2, efetivamente trata da transferência do contribuinte para a reserva remunerada. Portanto, no que concerne à condição previdenciária o impugnante está apto para usufruir o benefício da isenção bastando, porém, provar a moléstia contraída. O documento de fls. 21, cuja identificação do serviço médico oficial é a JUNTA POLICITAL MILITAR E SAÚDE, comprova a existência de cardiopatia grave desde outubro de 2004. Os documentos de folhas 24 a 30 corroboram as declarações constantes no Laudo de folhas 21. Nesse contexto, entendo que os documentos carreados aos autos são suficientes para a comprovação do direito ao benefício invocado. Portanto, como pleiteado, devem ser excluídos da tributação os rendimentos percebidos pelo interessado da fonte pagadora de CNPJ 04.986.163/000146, que totalizaram R$205.572,00. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (assinado eletronicamente) Relatório Voto Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.004122/200865 Acórdão n.º 2101001.456 S2C1T1 Fl. 3 5 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16327.909129/2009-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 91 29 /2 00 9- 89 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909129/200989 Acórdão n.º 3801001.843 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I (SP) (fl. 62), abaixo transcrito: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 38284.55.487.170106.1.7.045370), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração encerrado em 30/04/2004. Apesar de mencionar ter anexado cópia da DCOMP (DOC 03), não há este documento. Em tal referência se encontra parte da DCTF retificadora. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 40 o contribuinte foi cientificado, em 03/03/2009 (fls. 60), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 32.410,05). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 01/04/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 04, alegando, em apertada síntese, que: 4.1 Incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em abril de 2004, PIS a pagar no montante de R$ 356.130,99, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 382.119.32). 4.2 Identificado o equívoco, o recorrente constituiu crédito tributário no valor de R$ 25.988,33 que foi utilizado para compensar débito de COFINS apurado em novembro de 2005 – PA Nov/2005. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, alterando os valores de PIS apurado, o que, segundo o Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909129/200989 Acórdão n.º 3801001.843 S3TE01 Fl. 13 3 mesmo, estaria condizente com o apurado na época, conforme cópia da ficha 22B da DIPJ anexada em fls. 58. 4.5 Condicionar a compensação a qualquer outra condição não estabelecida em lei, ainda mais na modalidade acessória, se constitui em burla ao Art. 170 do CTN e ao Art. 368 do Código Civil. Nesta linha, sustenta que se a obrigação acessória culmina na redução do direito creditório, tal situação deve ser afastada de imediato sob pena de se reportar a gravame novo, ferindo o princípio da legalidade. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. Analisando o litígio, a DRJSão Paulo I/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 62 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ao analisar o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, no qual este alegou, em síntese, que houve a comprovação dos créditos indicados no pedido de compensação, com a retificação da DCTF e com os demais documentos acostados aos autos, esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem determinar a realização de diligência pela Delegacia Fiscal, para que, com base nas retificações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao Recurso Voluntário, fosse apurado se os valores dos créditos indicados nas compensações são suficientes para liquidar os débitos compensados. Realizada a diligência, em manifestação acostada aos autos, a douta delegacia fiscal conclui que “tendo em vista o Demonstrativo de Compensação juntado ao presente expediente, verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado: 7987 COFINS 15/12/2005 R$32.410,05.” Devidamente intimado para se manifestar acerca da Diligência realizada, o Recorrente reiterou os argumentos apresentados em seu Recurso Voluntário e requereu o provimento deste, para que reste homologada a compensação apresentada. É o relatório Voto Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909129/200989 Acórdão n.º 3801001.843 S3TE01 Fl. 14 4 Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados, no voto em que houve a determinação de convolação do julgamento em diligência. Pois bem. No presente caso, como relatado acima, não restam dúvidas de que os créditos indicados pelo contribuinte na Declaração de Compensação apresentada são suficientes para quitar os débitos ali também indicados. Na diligência realizada, a própria fiscalização, ao analisar as declarações retificadas pelo Recorrente (DCTF e DIPJ) e os documentos por ele acostados aos autos, constatou que, de fato, “verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado”. Não há controvérsia, portanto, que é direito do Recorrente ver sua declaração de compensação homologada, mesmo que, em um primeiro momento, tenha ocorrido um erro no preenchimento das obrigações acessórias. Como as declarações foram devidamente retificadas pelo contribuinte, deve, in casu, ser privilegiado o princípio da verdade material. Este Conselho, em inúmeras oportunidades, já se manifestou pela aplicação do referido princípio no processo administrativo fiscal. Aqui é importante citar novamente decisões proferidas neste sentido. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909129/200989 Acórdão n.º 3801001.843 S3TE01 Fl. 15 5 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) Portanto, comprovada a existência de créditos suficientes para liquidar o débito indicado no pedido de compensação apresentado pelo Recorrente, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, ficando, desde já, homologada a compensação objeto do presente processo administrativo fiscal. É como voto. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 37005.002094/2004-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 70 05 .0 02 09 4/ 20 04 -5 3 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 37005.002094/200453 Resolução nº 2401000.291 S2C4T1 Fl. 172 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo acima identificado, fls. 82/93, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF em Juiz de Fora (MG), que denegou pedido de reconhecimento de isenção da cota patronal previdenciária. A referida decisão, fls. 77/78, tomou como justificativa para indeferimento do pleito o fato de existirem débitos relativos às contribuições sociais em nome do sujeito passivo. Vale a pena transcrever excerto do pronunciamento da administração tributária: “4. A Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, pessoa jurídica de direito privado, beneficente de assistência social, está em débito com o sistema da seguridade social, o que constitui impedimento ao deferimento do pedido até que seja regularizada a situação.” Inconformada, a entidade interpôs recurso (fls. 82/93), no qual, em apertada síntese, alegou que: a) em 15/06/2004, requereu a renovação do reconhecimento de isenção das contribuições sociais e somente foi notificada do seu indeferimento em 15/06/2004, o qual foi fundamentado na existência de débitos da recorrente para com a Seguridade Social; b) relativamente aos débitos consubstanciados pelas NFLD n° 35.584.1843, 35.584.2335, 35.584.2327 e AI n° 35.584.2343, todos encontramse com a exigibilidade suspensa, por força da antecipação de tutela deferida nos autos do processo n° • 2005.38.010042256; c) o crédito representado pelo DCG n.º 36.006.1338 foi baixado por nulidade, conforme documento de fls. 127/128; d) não persistem, portanto, os motivos que ensejaram o indeferimento do pleito isentivo, devendo ser reconhecida a sua condição de isenta. Ao final, pede pelo provimento do recurso. O art. 44 do Decreto n.º 7.237/2010 determina que os requerimentos de isenção não definitivamente julgados devem ser encaminhados a unidade da RFB circunscricionante do domicílio do sujeito passivo para que se verifique se houve o cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente quando da ocorrência do fato gerador. Em razão desse dispositivo o processo foi remetido à DRF em Juiz de Fora para análise do cumprimento das exigências necessárias à concessão do pedido isencional. Num primeiro pronunciamento, fls. 135/136, a DRF apresentou extrato dos débitos da entidade, em 01/08/2011, concluindo que a entidade estaria débito com a Seguridade Social, sendo tal fato impeditivo do deferimento do pedido de isenção. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 37005.002094/200453 Resolução nº 2401000.291 S2C4T1 Fl. 173 3 Novamente se manifestando à fl. 149, a DRF afirmou que a recorrente obteve através do Processo 2005.38.01.0042256 a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários resultantes das NFLD' s 35584.1843, 35584.2327, 35584.2335, 35584.2343. Informa a existência de Acórdão publicado no eDJF1, em 01/06/2012 e Recursos Especiais e Extraordinários, de 27/11/2012. Conclui que, sendo os créditos supra mencionados os motivos do indeferimento do pedido de isenção, resta prejudicada a decisão que indeferiu o pleito. Fato novo surgiu com a apresentação de memoriais ao CARF. A empresa alega que era detentora do direito adquirido à isenção, posto desde antes da publicação do Decreto Lei n. 1.572/1977 possuía o Titulo de Reconhecimento de Utilidade Pública emitido pelo Governo Federal, mediante o Decreto n. 48.237/1960, mantido pelo Decreto n. 27/1992, e Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos, por prazo indeterminado, concedido pelo Conselho Nacional de Serviço Social em 26/09/1975. Sustenta ainda ser incontroverso nos autos o fato de que os seus diretores não recebiam remuneração. Afirma ainda que o seu direito adquirido à isenção não foi objeto do Ato Cancelatório, previsto no art. 206 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 37005.002094/200453 Resolução nº 2401000.291 S2C4T1 Fl. 174 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Diante dos fatos acima narrados, a solução da lide exige que conste dos autos a informação se o presente requerimento de reconhecimento da isenção das contribuições previdenciárias decorreu de seu anterior cancelamento ou se foi protocolizado em razão do INSS não haver acatado a existência de direito adquirido da recorrente ao benefício fiscal. Devem então os autos retornarem à DRF de origem para que se responda o questionamento apresentado no parágrafo precedente, facultandose ao sujeito passivo manifestarse no prazo legal acerca da informação prestada. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13971.912271/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO.
Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização
ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a
apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI. Recurso Voluntário Negado
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OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.912271/200911 Acórdão n.º 330201.592 S3C3T2 Fl. 171 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 140 a 145) apresentado em 22 de junho de 2011 contra o Acórdão no 1433.323, de 13 de abril de 2011, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 134 a 137), cientificado em 31 de maio de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de IPI do 1º trimestre de 2004, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. O pedido foi apresentado em 15 de fevereiro de 2006 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório eletrônico de fl. 88. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente homologou as compensações declaradas, em razão da glosa de fornecedores optantes pelo SIMPLES. Alega a interessada que, nos termos do artigo 142 do CTN, o Despacho deve ser anulado por falta de motivação do ato, sendo que não há qualquer dispositivo legal que vede o aproveitamento dos créditos em questão, conforme o princípio constitucional da nãocumulatividade a Constituição, ademais os fornecedores não seriam optantes, conforme extrato do SIMPLES NACIONAL. Conforme ementa reproduzida, a DRJ indeferiu a manifestação. No recurso, a Interessada alegou que, a fundamentação legal, não teria sido citado dispositivo algum que vedasse a utilização dos créditos. Ademais, a Constituição federal não teria criado restrição alguma quanto à não cumulatividade do IPI. Finalmente, alegou que não caberia ao contribuinte verificar a forma de tributação das empresas fornecedoras. É o relatório. Voto Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.912271/200911 Acórdão n.º 330201.592 S3C3T2 Fl. 172 3 Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O despacho decisório especificou que houve glosa de créditos considerados indevidos e, conforme ressaltado pela Primeira Instância, no detalhamento da glosa (do que foi dado ciência à Interessada), ficou esclarecido que “os créditos glosados advinham de empresas optantes pelo Simples Federal”. Em relação às notas fiscais do estabelecimento optante pelo Simples, considerou a Primeira Instância que o estabelecimento estaria impedido de transferir créditos, razão pela qual não tinha o dever de confrontar os créditos com os débitos e efetuar o recolhimento do saldo. Muito embora o estabelecimento fornecedor tenha incorrido em irregularidade grave ao emitir nota fiscal que não poderia emitir e, ainda, destacar o IPI devido na saída como se não fosse optante pelo Simples, cabe razão à Primeira Instância ao fazer as seguintes considerações: Pela leitura do texto legal acima citado, depreendese que, ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. A LC nº 123/2006 revogou a Lei nº 9.317/96, porém manteve a vedação ao crédito na aquisição de fornecedores optantes pelo SIMPLES no artigo 23: “Art.23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional.” Relativamente ao argumento de boa fé, cabe ponderar que na situação em comento, referese a uma relação negocial envolvendo de um lado empresa comercial que adquire insumos e de outro, suposta, empresa fornecedora, o que, de plano, exige se um dever mínimo de cautela entre as partes envolvidas, ou seja o dever acautelatório necessário às boas práticas comerciais. No caso, uma empresa optante do SIMPLES emite um documento com destaque do IPI, como se fosse um contribuinte ordinário, o que resulta que esse fornecedor ao emitir um documento inválido lesou o adquirente que não tomou as cautelas necessárias. Admitir que um documento inidôneo confere direito ao crédito do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe é devido, pois, inerente ao risco da atividade mercantilista, ou mesmo, de qualquer negócio. Por outro lado, nada impede que a pessoa lesada busque no Poder Judiciário o ressarcimento das perdas e danos que o(s) vendedor(s) possa(m) ter causado Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.912271/200911 Acórdão n.º 330201.592 S3C3T2 Fl. 173 4 Por outro lado, se o fornecedor não agiu de má fé, como é optante do SIMPLES e não devia destacar e pagar o IPI, tratase de recolhimento indevido, o que não se enquadra como ressarcimento ao adquirente, mas, sim, como restituição ao vendedor nos termos dos artigos 165 e 166 do CTN. Quanto à consulta ao SIMPLES NACIONAL juntada pela defesa, verifico nos sistemas da Receita Federal do Brasil que, por ocasião da emissão das indigitadas notas fiscais, os fornecedores eram optantes do SIMPLES FEDERAL, o que, como já visto, não permite nenhum aproveitamento dos supostos créditos. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 12269.000617/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS INCORRETOS. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Deve ser aplicada a multa prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), à empresa que tenha deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.691
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa de acordo com o resultado no processo principal e, após, que à multa remanescente seja aplicada a regra do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS INCORRETOS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser aplicada a multa prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), à empresa que tenha deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa de acordo com o resultado no processo principal e, após, que à multa remanescente seja aplicada a regra do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado e Carlos Henrique de Oliveira.
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APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS INCORRETOS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), à empresa que tenha deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa de acordo com o resultado no processo principal e, após, que à multa remanescente seja aplicada a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 06 17 /2 00 8- 29 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado e Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12269.000617/200829 Acórdão n.º 2402003.691 S2C4T2 Fl. 216 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 30/07/2008 (fl. 20) para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/01/2003 a 31/12/2006. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 22/69) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS, ao analisar o presente caso (fls. 73/78), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) os contratos demonstram que a Recorrente é responsável pelo pagamento dos serviços; (ii) as orientações fornecidas pela UNIMED para não efetuar as retenções nos pagamentos realizados se referem às contribuição ao PIS/PASEP, COFINS e CSLL; (iii) não demonstrou que cumpriu todos os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91 que justifiquem a sua suposta imunidade; (iv) a esfera administrativa não é competente para discutir a ilegalidade ou a inconstitucionalidade das normas; (v) a autoridade fiscal considerou a individualização dos valores dos atos cooperativos principais e auxiliares; (vi) os documentos trazidos pela Recorrente apresentam apenas um resumo mensal das consultas médicas destacadas nos extratos; e (vii) não há prova de erro material pelo fato de eventuais faturas não terem sido pagas. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 81/105) argumentando que: (i) a Recorrente é parte ilegítima para figurar como sujeito passivo, pois é mera intermediária do contrato; (ii) a Recorrente é imune às contribuições previdenciárias, segundo prescreve o art. 195, § 7º da CF; (iii) por não ter sido instituída através de lei complementar, e possuir a mesma base de cálculo do ISS, a contribuição previdenciária exigida é indevida; (iv) a tributação deve incidir apenas sobre o ato médico, e não sobre o total da fatura; (v) a fatura nº 2331/04 não deve compor a base de cálculo da contribuição em tela, pois foi substituída; e (vi) é indevida a multa aplicada. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A presente autuação foi lavrada para exigir multa em razão do descumprimento da obrigação acessória pelo fato da Recorrente ter apresentado as suas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Tal obrigação está intrinsecamente vinculada ao resultado do Processo Administrativo Fiscal nº 12269.000612/200804, já julgado por este Conselho, lavrado para exigir a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Julgando o processo principal este Conselho decidiu dar parcial provimento ao recurso interposto, a fim de que a base de cálculo relativa ao período de 11/2004 fosse ajustada, levandose em conta o valor de R$ 250.072,13 em vez do valor de R$ 501.777,13. Considerando que parte dos valores exigidos no auto de infração em que se discute a contribuição previdenciária foi julgada improcedente, os efeitos dessa exclusão deverão ser reproduzidos na presente autuação. Assim, a multa pela não apresentação de GFIP com os fatos geradores relativos à competência 11/2004 deverá incidir sobre os fatos geradores considerados pela decisão proferida no Auto de Infração nº 12269.000612/200804. Em relação à penalidade exigida no processo ora julgado, constatase que esta foi aplicada de acordo com o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991. Ocorre que, tal infração passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/19911, que leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) e não o montante que deixou de ser informado, como ocorria durante a vigência da legislação anterior. Sendo assim, a fim de que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, para que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “(...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. 1 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)” Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12269.000617/200829 Acórdão n.º 2402003.691 S2C4T2 Fl. 217 5 A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo32, inciso IV , da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5° ,do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo32A da Lei n° 8.212/91,o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.Recurso especial provido em parte.” (CARF, CSRF, 2ª Turma, PAF nº 36378.002129/200615, Acórdão nº 920201.636, Red. Des. Gonçalo Bonet Allage, Sessão de 25/07/2011) Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando que (i) a multa pela não apresentação de GFIP com os fatos geradores relativos à competência 11/2004 incida sobre os fatos geradores considerados pela decisão proferida no Auto de Infração nº 12269.000612/200804, bem como (ii) o recálculo da multa imposta nos termos da fundamentação acima, aplicandose a que for mais benéfica. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10140.720770/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2010
COMPENSAÇÃO. JUROS SIMPLES.
Nos termos do §4º do art. 89 da Lei 8.212/91, o valor a ser restituído ou compensado a título de pagamento indevido de contribuições previdenciárias será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. O regime aplicado é o de juros simples.
COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. CINCO ANOS CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. APLICÁVEL APENAS A PAGAMENTOS EFETUADOS APÓS SUA ENTRADA EM VIGOR.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo ocorrido pagamento antes da entrada em vigor da LC 118/05, prevalece o entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o prazo prescricional para requerer a restituição ou a compensação só tem inicio após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação, se esta for tácita.
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO ENTE FEDERATIVO.
O art. 41 do Código Civil, em seu inciso III, confere personalidade jurídica de direito público interno aos municípios, sendo estes titulares dos direitos, inclusive o de compensar tributos, referentes a todos os seus órgãos, em que se inclui a Prefeitura e a Câmara Municipal.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento à preliminar de prescrição. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões. Por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, vencidos o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive, na forma do voto divergente vencedor. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Participaram à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO. JUROS SIMPLES. Nos termos do §4º do art. 89 da Lei 8.212/91, o valor a ser restituído ou compensado a título de pagamento indevido de contribuições previdenciárias será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. O regime aplicado é o de juros simples. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. CINCO ANOS CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. APLICÁVEL APENAS A PAGAMENTOS EFETUADOS APÓS SUA ENTRADA EM VIGOR. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo ocorrido pagamento antes da entrada em vigor da LC 118/05, prevalece o entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o prazo prescricional para requerer a restituição ou a compensação só tem inicio após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação, se esta for tácita. RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO ENTE FEDERATIVO. O art. 41 do Código Civil, em seu inciso III, confere personalidade jurídica de direito público interno aos municípios, sendo estes titulares dos direitos, inclusive o de compensar tributos, referentes a todos os seus órgãos, em que se inclui a Prefeitura e a Câmara Municipal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 07 70 /2 01 0- 10 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 3 2 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento à preliminar de prescrição. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões. Por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, vencidos o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive, na forma do voto divergente vencedor. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Participaram à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal no 37.283.8413, lavrado em face de PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ, no valor de R$ 7.543.712,90 (sete milhões quinhentos e quarenta e três mil setecentos e doze reais e Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 4 3 noventa centavos), referentes à glosa de compensação indevida da contribuição previdenciária patronal, bem como das destinadas ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91 e RAT, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, conforme se infere do Relatório Fiscal. Nos termos do Relatório Fiscal, o crédito do contribuinte diz respeito às contribuições previdenciárias incidentes sobre os salários de contribuição dos ocupantes de cargo eletivo declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em sede do Recurso Extraordinário nº 351.7171, tendo a Resolução do Senado Federal nº 26 de 21/06/2005 suspendido a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. Ocorre que a Recorrente teria aplicado, sobre o valor original a ser restituído, juros compostos. Além disso, teria incluído valores que não haviam sido previamente informados em GFIP ou confissão de dívida e recolhidos. Por fim, não respeitou, na compensação, o prazo prescricional. Ciente da autuação em 14/12/2010, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 13/01/2011. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2010 DOS JUROS SELIC. DA NÃO APLICAÇÃO DE JUROS COMPOSTOS O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. DA DECADÊNCIA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O direito de efetuar compensação ou de solicitar restituição prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento. DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Não basta a alegação de que houve erro na apuração dos valores pela Autoridade Fiscal, o contribuinte deve demonstrar os valores que questiona. A Autoridade Fiscal deve analisar o pedido de compensação. O contribuinte deve retificar os pedidos de restituição que estiverem com erros. PRESSUPOSTO PARA REALIZAR A COMPENSAÇÃO O direito de compensar pagamentos indevidos decorrentes de norma declarada inconstitucional, tem, como pressuposto, a retificação das GFIP relativamente às contribuições originalmente declaradas nos moldes da norma inconstitucional. O Município é que possui personalidade jurídica e não a Prefeitura Municipal e nem e a Câmara Municipal. Não há óbice para a análise das compensações efetuadas pela Prefeitura Municipal e pela Câmara Municipal na mesma ação fiscal pois ambas se referem ao mesmo Ente. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 5 4 Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Os juros aplicados estão corretos, pois ao valor original pago indevidamente somase 1%, após, somamse as taxas de juros SELIC do período e 1% no mês da compensação, conforme preceitua o artigo 89, §4º,da Lei 8.212/91, tendo o Recorrente recorrido ao sítio do Banco Central do Brasil para apurar o quantum devido, e obteve o valor que fora compensado. 2) Somente a homologação do valor lançado pelo contribuinte dá ensejo ao início da contagem do prazo prescricional para a restituição ou compensação de valores pagos indevidamente. Assim sendo, o prazo para compensação dos tributos lançados por homologação é de 10 anos, resultado dos 5 anos para homologação mais cinco anos após esta data, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. 3) Não houve inclusão de valores não informados e recolhidos, pois os recolhimentos eventualmente não efetuados em um dos meses, foram feitos cumulativamente em meses posteriores. 4) Em relação à glosa de despesas referentes a compensações que foram realizadas pelo Poder Legislativo Municipal, nas GFIP das competências entre 08/2007 e 08/2010, a Receita Federal do Brasil não pode glosar compensações do Executivo Municipal em detrimento de compensações realizadas pelo Legislativo, pois a titularidade das relações previdenciárias do Município é do Poder Executivo, conforme entendimento pacífico das doutrinas e tribunais, nãp possuindo a Câmara Municipal capacidade para assumir ônus, contratar, constituir dívidas que no fundo serão absorvidas pela Fazenda Municipal. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Mérito Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 6 5 Dos juros Nos termos do §4º do art. 89 da Lei 8.212/91, o valor a ser restituído ou compensado a título de pagamento indevido de contribuições previdenciárias será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Como bem apontou a decisão ora recorrida, a autuação não considerou incorreto o valor utilizado a título da SELIC, mas tão somente a forma de cálculo, que aplicou juros compostos, próprios das aplicações financeiras, mas incabíveis no caso de tributos federais. A utilização dos juros compostos pode ser confirmada através do próprio sítio do Banco Central, o que torna a ferramenta utilizada pela Recorrente incompatível com a finalidade de compensação das contribuições previdenciárias, pelo que, nesse ponto, não merece reforma o Acórdão de primeira instância. Do prazo prescricional A Recorrente alega que o prazo prescricional para pleitear a restituição ou compensação de contribuição previdenciária seria de dez anos, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos de entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça havia pacificado entendimento no sentido de que o prazo para requerer a restituição ou compensação só teria inicio após o decurso do prazo para homologação, sendo esta tácita. Com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, o entendimento antes adotado pelo referido Tribunal restou superado, pelo que dispõe o art. 3º da Lei, in verbis: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Ressaltese, contudo, que a Corte Superior afastou, ao dispositivo acima colacionado, a aplicação do art. 106, I, do CTN, que autoriza a retroatividade de normas meramente interpretativas, posto que a Lei alterou materialmente o termo inicial do prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Dessa forma, o dispositivo deve ser aplicado para todos os pagamentos realizados a partir da entrada em vigor da LC 118/2005, que ocorreu em 09/06/2005. Nesse sentido: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 7 6 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118∕2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não nadata do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juízes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118∕2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118∕2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118∕2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida. (AI no EREsp nº 644.736/PE, Rel. Min TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgado em 06/06/07, DJe de 27/08/2007). Observese, ainda, trecho do voto do Relator: Assim, na hipótese em exame, com o advento da LC 118∕05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 8 7 pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Verificase, portanto, que a inovação da LC 118/05 não pode ser aplicada ao caso em exame, uma vez que os pagamentos que deram origem ao crédito do Recorrente ocorreram antes de sua entrada em vigor. Diante do exposto, nesse aspecto, assiste razão à Recorrente ao afirmar que não decorreu o prazo prescricional para requerer a compensação em questão, contudo, não porque este prazo seja de dez anos, e sim porque a contagem do prazo de cinco anos só tem início após o decurso dos cinco anos referentes ao prazo para o Fisco homologar o pagamento, no caso de homologação tácita, conforme entendimento pacificado pelo STJ, aplicável a todos os pagamentos anteriores à vigência da LC 118/2005. Cumpre ressaltar, contudo, que a ocorrência de prescrição no que diz respeito ao requerimento da compensação não foi o único fundamento para o seu indeferimento, uma vez que, a Recorrente teria aplicado, sobre o valor original a ser restituído, juros compostos. Além disso, teria incluído valores que não haviam sido previamente informado em GFIP ou confissão de dívida e recolhidos. Da inclusão, na compensação de valores não declarados e não recolhidos: preclusão sobre matérias não impugnadas. No que diz respeito à alegação de que não houve inclusão de valores não informados e recolhidos, pois os recolhimentos eventualmente não efetuados em um dos meses foram feitos cumulativamente em meses posteriores, observase que, como bem destacou a decisão recorrida, o contribuinte se limitou a apresentar uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. A Recorrente sequer mencionou quais os valores teriam sido equivocadamente considerados como indevidamente inclusos pela fiscalização, tendo esta se baseado na documentação (GFIP) fornecida pelo próprio contribuinte. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 9 8 Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da competência do Município de Corumbá para compensar créditos de titularidade da Prefeitura e da Câmara Municipal. O art. 41 do Código Civil confere personalidade jurídica de direito público interno aos municípios, portanto, são eles titulares dos direito e obrigações, no que diz respeito a todos os seus órgãos. Dessa forma, o Município de Corumbá é sujeito passivo de todo e qualquer crédito tributário incidente sobre fatos realizados por seus órgãos, bem como é o titular do direito à restituição ou compensação por eventual pagamento indevido. Ademais, como bem observou a decisão recorrida, o próprio Recorrente requereu compensação considerando valores pagos tanto pela Câmara Municipal quanto pela Prefeitura, o que reforça a unicidade acima explanada, pelo que também este argumento não merece prosperar. Da Multa Aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 10 9 relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 11 10 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 12 11 Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra se vincula à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 13 12 Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para afastar a ocorrência da prescrição quanto ao pedido de compensação, bem como para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de julho de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 14 13 E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 15 14 jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 16 15 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.283.8413, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de dezembro/2006 a fevereiro/2010. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de Fl. 238DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 17 16 vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que mesmo um computador, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 18 17 previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 19 18 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 20 19 Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 21 20 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 22 21 Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) prevêem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 23 22 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazida pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720770/201010 Acórdão n.º 2302002.568 S2C3T2 Fl. 24 23 máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado em qualquer caso, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto Conselheiro Arlindo Costa e Silva, Redator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10540.001307/2003-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. TERMO INICIAL. ARTS. 150, §4º E 173, I, DO CTN. - Consoante decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, sob o rito do art. 543-C, do CPC, na hipótese de ausência de recolhimento de tributos submetidos ao lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o estipulado no art. 173, I, do CTN e, na hipótese de pagamento insuficiente, aplica-se a regra do art. 150, §4º, do Codex. OMISSÃO DE RECEITAS. MANUTENÇÃO DE OBRIGAÇÕES E AQUISIÇÕES A MARGEM DA ESCRITURAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ART. 228, DO RIR/99. A manutenção de obrigações sem a necessária comprovação e a constatação de compras feitas a margem da contabilidade autorizam a presunção de omissão de receitas. MULTA ISOLADA. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. - Improcede o lançamento da multa de ofício em razão da ausência de recolhimento de estimativas após o término do exercício. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. COMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA N.° 2 - Consoante Súmula n.° 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUMULAS N.° 3 E N°4, DO CARF. Pacifico e sumulado o entendimento quanto à aplicação da Taxa SELIC para tributos federais
Numero da decisão: 1102-000.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pelo Cons. Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, por ausência de razões recursais, vencido o Cons. Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento para reconhecer de ofício a decadência dos fatos geradores da COFINS e do PIS ocorridos até 15 de dezembro de 1998 e para cancelar a multa isolada com base na ausência de recolhimento de estimativas, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Leonardo de Andrade Couto, que mantinham a aplicação da multa isolada sobre as estimativas. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plínio Rodrigues Lima.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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Recorrida 2ª TURMA DRJ/SDR Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. TERMO INICIAL. ARTS. 150, §4º E 173, I, DO CTN. Consoante decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, sob o rito do art. 543C, do CPC, na hipótese de ausência de recolhimento de tributos submetidos ao lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o estipulado no art. 173, I, do CTN e, na hipótese de pagamento insuficiente, aplicase a regra do art. 150, §4º, do Codex. OMISSÃO DE RECEITAS. MANUTENÇÃO DE OBRIGAÇÕES E AQUISIÇÕES A MARGEM DA ESCRITURAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ART. 228, DO RIR/99. A manutenção de obrigações sem a necessária comprovação e a constatação de compras feitas a margem da contabilidade autorizam a presunção de omissão de receitas. MULTA ISOLADA. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Improcede o lançamento da multa de ofício em razão da ausência de recolhimento de estimativas após o término do exercício. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. COMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA N.° 2 Consoante Súmula n.° 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUMULAS N.° 3 E N°4, DO CARF. Pacifico e sumulado o entendimento quanto à aplicação da Taxa SELIC para tributos federais Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10540.001307/200325 Acórdão n.º 110200.525 S1C1T2 Fl. 2.645 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pelo Cons. Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, por ausência de razões recursais, vencido o Cons. Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento para reconhecer de ofício a decadência dos fatos geradores da COFINS e do PIS ocorridos até 15 de dezembro de 1998 e para cancelar a multa isolada com base na ausência de recolhimento de estimativas, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Leonardo de Andrade Couto, que mantinham a aplicação da multa isolada sobre as estimativas. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plínio Rodrigues Lima. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente em exercício. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente da turma em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcos Vinícius Barros Ottoni (suplente convocado), Leonardo de Andrade Couto e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e multa isolada, cuja ciência pela Recorrente ocorreu em 15 de dezembro de 2003, relativos a fatos geradores do período de 31/01/96 a 31/12/98., em decorrência de omissões de receitas, caracterizadas pela manutenção em conta do passivo de obrigações com exigibilidade não comprovada (passivo fictício) e compras de mercadorias não escrituradas; glosa de despesas por força da não apresentação da necessária comprovação da sua efetividade e necessidade; ausência de declaração na DCTF do IRPJ do anocalendário de 1999 informado na DIPJ; ausência de declaração de receitas, apuradas através do Livro de Apuração de ICMS, e de receitas operacionais escrituradas a título de bonificações, apresentada DIPJ do anocalendário de 2000 zerada e, ainda, não recolhidas as estimativas mensais. Consoante descrição dos fatos contida nos Autos de Infração, a auditoria fiscal intimou cliente da Recorrente (MakroAtacadista S/A), com o objetivo de verificar se as obrigações decorrentes das compras de mercadorias teriam sido devidamente escrituradas no passivo do contribuinte e se teria ocorrido a baixa quando da efetivação dos respectivos pagamentos e obteve a informação de que não constavam compras ou obrigações relacionadas à Recorrente. Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10540.001307/200325 Acórdão n.º 110200.525 S1C1T2 Fl. 2.646 3 Intimada para se manifestar em relação às informações prestadas por seu suposto cliente, a Recorrente defendeu que teria se equivocado quando do lançamento das contas e que o montante de R$ 126.237,79 representaria resgate de aplicação financeira, não se desincumbido do ônus de comprovar a inexistência de passivo fictício, de acordo com a autoridade fiscal. Através do procedimento de circularização junto aos principais fornecedores da Recorrente e do confronto dos valores contabilizados, foi constatada, após intimação da Recorrente, a inexistência de escrituração de diversas notas fiscais de compras no valor total de R$ 232.888,14 em 1997 e de R$ 74.054,33, em 1998, caracterizandose como omissão de receitas, sob a presunção de que as aquisições foram efetuadas com recursos auferidos a margem da escrituração. Intimada para comprovar a efetividade de despesas classificadas como operacionais no período de 1996 a 1999, a Recorrente informou que não mais teria os documentos, o que ensejou a glosa e aumento do lucro real apurado nos exercícios envolvidos. Constatada a insuficiência de recolhimento do IRPJ do anocalendário de 1999, com base em informações prestadas em DIPJ, foi lançado o tributo, por não ter a declaração apresentada caráter de confissão de dívida. Nos anoscalendário de 1997 e 1998, foi constatada a divergência entre o Livro de Registro de Apuração do ICMS e os Livros Diário e Razão do mesmo período utilizados como base para apresentar as declarações a Receita Federal, ensejando o recolhimento a menor de tributos e, ainda, receitas operacionais escrituradas a título de bonificações nos anos de 1997 a 1999. No tocante ao ano de 2000, considerando que zeradas as declarações, a autoridade fiscal utilizouse do Livro de Registro de Apuração de ICMS e apurou lucro operacional de R$ 134.203,36. Cientificada das exigências, a Recorrente apresentou Impugnações para cada um dos tributos envolvidos, aduzindo, na referente ao IRPJ, que as receitas omitidas não poderiam ter sido tratadas como renda, pois a constatação de compras a fornecedores deveria ser tratada, no máximo, como omissão de registro de compras. Assevera que a multa isolada não poderia ser aplicada quando acumulado prejuízos no período e insurgese contra a tributação reflexa, sob o entendimento de que renda e faturamento seriam conceitos distintos. No tocante ao PIS, rechaça a exigência nos meses de março de 1997 a março de 1999, por entender que a Medida Provisória n.° 1.212/95 não teria sido convertida em lei no prazo de 30 dias e requer o reconhecimento do caráter confiscatório da multa e da ilegitimidade da Taxa Selic. Na Impugnação referente à CSLL, além de repisar os argumentos já expostos, pugnou pela realização de perícia, afirmou que o Auto de Infração teria sido lavrado sem esclarecer como teriam sido apurados os valores e indica assistente técnico com quesitos nas fls. 2.479/2.480 que, em resumo, solicitam esclarecimentos quanto aos procedimentos adotados para apuração do crédito tributário. Para rechaçar a exigência da COFINS, apenas requereu a distinção da base de cálculo em relação ao IRPJ e se insurgiu contra o percentual da multa aplicada e taxa Selic. Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10540.001307/200325 Acórdão n.º 110200.525 S1C1T2 Fl. 2.647 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador indeferiu o pedido de perícia, por entender presentes os elementos necessários à apreciação do lançamento e manteve em parte o lançamento, em razão do reconhecimento de ofício da decadência do IRPJ relativo ao exercício de 1997, com base no art. 173, I, do CTN, por entender aplicável o art. 45, da Lei n.° 8.212/91, o que ensejou o restabelecimento do prejuízo fiscal declarado no exercício de 1997, bem como para reduzir a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, com base na retroatividade prevista no art. 106, do CTN. Cientificada do acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, limitandose a afirmar que repisa os argumentos postos na Impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O Recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Inicialmente, analiso de ofício o transcurso do prazo decadencial, considerando que se trata de lançamento referente a fatos geradores ocorridos nos exercícios de 1997 a 2001, cuja ciência do contribuinte ocorreu em 15 de dezembro de 2003 e que a DRJ cancelou a exigência de IRPJ referente ao exercício de 1997, com base art. 173, I, do CTN, mantendo as demais com base no art. 45, da Lei n.º 8.212/91. Aplicando o entendimento consagrado no âmbito do Colendo Superior Tribunal de Justiça e já submetido ao rito dos recursos repetitivos previsto no art. 543C, do CPC, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é a ocorrência do fato gerador, na hipótese de pagamento parcial e o primeiro dia do exercício subsequente, na hipótese de ausência de pagamento, conforme demonstra ementa que a seguir transcrevo, verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ICMS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTO A MENOR. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 20, § 4°, E 21, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. 1. Agravo regimental no recurso especial em que se discute o prazo para a constituição de crédito tributário remanescente de ICMS, no caso em que ocorre o pagamento a menor do tributo. 2. Nos tributos cujos sujeitos passivos têm o dever de antecipar o pagamento sem que haja prévio exame da autoridade administrativa, caso se apure saldo remanescente, a Fazenda deverá constituílo no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, sob pena de ocorrer a extinção Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10540.001307/200325 Acórdão n.º 110200.525 S1C1T2 Fl. 2.648 5 definitiva do crédito, nos termos do parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Precedentes: AgRg no REsp 1.152.747/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 22/2/2011; AgRg no REsp 1.192.933/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 11/2/2011; AgRg no REsp 1.182.862/RS, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 2/2/2011. 3. Ademais, a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 973.733/SC, realizado nos termos do art. 543C e sob a relatoria do Ministro Luiz Fux, sedimentou o entendimento de que o art. 173, I, do CTN se aplica aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou, quando, a despeito da previsão legal, não há o pagamento, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação. 4. Honorários advocatícios fixados em 0,5% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 20, § 4º e 21, § 1º, do CPC. 5. Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 1172391/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/08/2011, DJe 10/08/2011) No caso ora analisado, a Recorrente fez recolhimentos insuficientes de PIS e COFINS, fazendo incidir a regra da contagem do prazo decadencial, a partir da ocorrência do fato gerador, consoante guias acostadas aos autos (fls. 2421/2424, 2543/2548) e demonstrativo do crédito tributário contido nos autos de infração, e não recolheu IRPJ e CSLL por ter apurado prejuízos até o anocalendário de 1999 (fl. 2.316), o que dá azo à aplicação da regra prevista no art. 173, I, do CTN. Haja vista a ciência do lançamento em 15 de dezembro de 2003, reconheço a decadência dos créditos tributários referentes ao PIS e a COFINS cujos fatos geradores ocorreram até 15 de dezembro de 1998 e da CSLL e IRPJ referentes aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 1996 e 31 de dezembro de 1997 No tocante ao pedido de produção de prova pericial, não merece reparos a decisão da DRJ, que explicitou o alcance e o objetivo da regra encartada no art. 18, do Decreto n.º 70.235/72, além de registrar a presença de todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, inclusive no tocante aos quesitos apresentados que se limitam a fazer solicitações ao perito para que confirme ou não as próprias infrações imputadas pelo autuante, sem apresentar qualquer argumento ou elemento de prova em contrário. No mérito, defendeu a Recorrente que os valores apurados e tratados pela fiscalização como omissões de receita, em decorrência de compras não escrituradas, não se caracterizariam como renda, o que exigiria o abatimento dos custos., quando se sabe que são necessários recursos para as aquisições – desembolsos de caixa – que comprovadamente não foram contabilizados. Constato, portanto, que, além de não comprovada a exigibilidade de obrigações constantes no balanço de encerramento, através de documentos hábeis e idôneos, Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10540.001307/200325 Acórdão n.º 110200.525 S1C1T2 Fl. 2.649 6 foram realizadas compras que não foram registradas, o que impõe a aplicação da presunção legal do art. 228, do RIR/99, consoante determinado pela DRJ verbis: “Art. 228. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decreto lei n.º 1,598/77, art. 12, §2º). Parágrafo único. Caracterizase também, como omissão de receitas: a) a falta de registro na escrituração comercial de aquisições de bens ou direitos, ou da utilização de serviços prestados por terceiros, já quitados; b) a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada.” Além das genéricas alegações e indagações feitas na peça impugnatória incapazes de afastar a presunção legal de omissão de receitas, defendeu a Recorrente o afastamento da multa isolada aplicada em decorrência da ausência de recolhimento de estimativas, já reduzida a 50% pela DRJ, com base na retroatividade benigna, sob o entendimento de que indevidas quando não apurado lucro no período. De fato, entendo não cabível a aplicação da multa isolada em decorrência da ausência de recolhimento de estimativas, haja vista que se caracterizam como meras antecipações, atos preparatórios ao recolhimento do tributo devido no final do exercício, de sorte que, após o seu encerramento, cabível apenas a exigência do tributo apurado, acrescido da multa de ofício, consoante entendimento expresso na ementa a seguir transcrita, verbis: “EMENTA: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10540.001307/200325 Acórdão n.º 110200.525 S1C1T2 Fl. 2.650 7 recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado.” (Recurso 143920, Rel. Conselheiro Marcus Vinícius Neder de Lima, Acórdão CSRF /0105.875, Sessão do dia 23/06/2008) Insurgese, ainda a Recorrente quanto à incidência do PIS sobre o faturamento, alegando deveria ser aplicada a regra da semestralidade, em completo descompasso com a legislação vigente à época, que impõe o recolhimento da contribuição sobre o faturamento mensal e, ainda, tenta afastar a tributação reflexa, quando se sabe que, uma vez caracterizada a omissão de receitas, inexorável a exigência das contribuições exigidas sobre o faturamento PIS/COFINS. No que pertine à aplicação da Taxa Selic e à tentativa de caracterizar como excessiva e confiscatória a multa de ofício de 75% posta em lei, invoco as súmulas n º 2, 3 e 4, do CARF, verbis: “SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. “SÚMULA Nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” “SÚMULA Nº 4 do CARF: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Em face do exposto, dou parcial provimento para reconhecer de ofício a decadência dos fatos geradores da COFINS e do PIS ocorridos até 15 de dezembro de 1998 e para afastar a multa isolada com base na ausência de recolhimento de estimativas. É como voto. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME
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