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Numero do processo: 10120.008806/2010-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - GLOSA.
As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO INDEVIDA GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 88 06 /2 01 0- 13 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Federal do Brasil RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 340 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – ITAPURANGA PREFEITURA MUNICIPAL contra Acórdão nº 0344.322 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.274.9313, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 1.272.509,40. O crédito previdenciário se refere a glosas em compensações de contribuições sociais previdenciárias, decorrente de pagamentos a maiores de contribuições e, também, pagamentos de contribuições indevidas a agentes políticos, declaradas inconstitucional conforme Resolução do Senado Federal, de 21/06/2005, no período de 06/2008 a 12/2009. O Relatório Fiscal, às fls. 22 a 27, informa: 4. Fazem parte do crédito previdenciário ora levantado as glosas de compensações em contribuições do empregado, autônomos e patronais devidas pela notificada, destinadas à Seguridade Social, correspondentes aos valores devidos pela prefeitura para o financiamento do custeio de benefícios da Previdência Social e os decorrentes de acidentes do trabalho GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados servidores públicos e autônomos. 5. A auditoria fiscal constatou na documentação apresentada quando da fiscalização, o fato do contribuinte declarar indevidamente valores no campo "compensação" na GFIP, o que diminuiu ou suprimiu a contribuição previdenciária devida, que configura, EM TESE, a infração penal tipificada no art. 297, inciso Ill do parágrafo terceiro, do DecretoLei n° 2.848 de 07/12/1940 — Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000. Também, os dirigentes da prefeitura, por não retificarem a GFIP para o período de 06/2000 a 12/2002, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, Prefeito e Vice, conforme parágrafo 4 e 5 do art. 6 da IN SRP n. 15 de 12/09/2006, em TESE, incorreram no mesmo crime, ou seja, inciso Ill do parágrafo terceiro do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Isto posto, a fiscalização emitiu em nome da PREFEITURA, Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista, em TESE, a pratica por parte do contribuinte de falsificação de documento publico. Em relação ao período objeto das compensações, informa ainda o Relatório Fiscal que: (a) nas competências 06/2008 a 11/2008: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 6. Da analise das GFIPs e GPS nos sistemas informatizados da Receita Federal, e através das informações declaradas nos mesmos, a auditoria concluiu que a prefeitura em questão, para os meses compreendidos entre 06/2008 a 11/2008, inseriu, declarou no campo compensação da GFIP, valores a titulo de pagamentos indevidos de contribuições previdenciárias, diminuindo assim os valores de contribuições recolhidas nos meses citados. Intimada através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal — TIPF, a apresentar a documentação suporte probatória das compensações efetuadas: Memória de calculo, Planilha, Folha de Pagamento, Balancetes Contábeis, GPS e outros esclarecimentos necessários, o contribuinte no prazo estabelecido e até a lavratura deste Al, não apresentou os documentos probatórios ou esclareceu os valores objeto das compensações, motivo pelo qual as mesmas foram glosadas, e apuradas neste Al como créditos para a Previdência Social. (b) nas competências de 11/2009 a 12/2009, e 02/2010 a 06/2010: A Prefeitura efetuou compensações de contribuições previdenciárias pagas indevidamente no período de 02/1998 a 05/2003, tributadas nas remunerações de agentes políticos, e declarou em campo próprio da GFIP, porém já prescrito o prazo de cinco anos para se efetivar tais compensações, suprimindo assim a totalidade das contribuições a serem pagas nestes meses. “8. Entretanto para que estas compensações produzissem os seus efeitos legais as mesmas deveriam ter sido efetuadas em consonância com as condições estabelecidas na Instrução Normativa SRP n. 15, de 12/09/2006, conforme abaixo, e que não foram confirmadas na presente auditoria, motivo este pelo qual as mesmas foram glosadas. Art. 3° 0 direito de efetuar compensação ou de solicitar restituição a que se refere esta Instrução Normativa prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP n° 18, de 10/11/2006)” 9. Em relação a prescrição conforme Art. 3 acima, constatamos que o contribuinte, para as compensações de contribuições pagas indevidamente dos agentes políticos, não observou o prazo de cinco anos após a data de pagamento das contribuições, conforme Planilha apresentada e aqui anexada, e também, Relatório com datas de paga mento de GPS extraído dos sistemas da RFB, em anexo. Mesmo assim efetuou as compensações e as declarou na GFIP, produzindo efeitos financeiros ao suprimir a totalidade das contribuições a serem pagas nestes meses com prejuízos para a Previdência Social, portanto passível de glosa realizada por esta auditoria, objeto deste Auto de Infração. Em relação a retificação da GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, ficou constatado que Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 341 5 no período de 06/2000 a 12/2002 na GFIP da Prefeitura o Prefeito não foi excluído, e de 06/2000 a 01/2001 o Vice Prefeito também não foi excluído, não cumprindo desta forma com o requisito da IN SRP n. 15, de 12/09/2006. Do exposto acima, esta auditoria fiscal concluiu que o contribuinte em questão não cumpriu com as condições necessárias constantes da IN 15 para as compensações efetuadas pelo mesmo, motivo pelo qual procedemos a glosa das compensações de contribuições indevidas dos agentes políticos, apurando tais créditos previdenciários neste Al, lavrado em desfavor da Prefeitura de ltapuranga. Em relação ao cálculo das multas, informa o Relatório Fiscal: 13.Para as competências de 04/2008 a 11/2008, objeto de apuração neste AI, portanto passível de comparação conforme acima, não foi necessária a comparação, tendo em vista que as GFIPs aqui consideradas, a ultima entregue antes do inicio da Auditoria fiscal conforme data do TIPF, para as competências citadas, contém datas de entrega posterior a 03/12/2008, data da MP 449, conforme abaixo, portanto, a multa a ser aplicada por descumprimento da obrigação acessória é a prevista no art. 32 A, inciso II, incluído pela MP n. 449/08 e Lei 11.941/09(Cód. De Fundamentação Legal 78), e a multa moratória a ser aplicada é a prevista no art. 35, da Lei 8.212/91 e art. 89, parágrafo 9 da mesma Lei, de 20% sobre a obrigação principal não declarada em GFIP ou declarada incorretamente, constituída neste Al por descumprimento da mesma, tendo em vista que o lançamento reportase legislação vigente à época da data da entrega da GFIP Legislação posterior à MP 449/08. COMPETÊNCIA DATA DA ENTREGA 06/2008 02/04/2009 07/2008 02/04/2009 08/2008 02/04/2009 09/2008 02/04/2009 10/2008 03/04/2009 11/2008 01/04/2009 Portanto, o lançamento constante deste Al, para o débito referente às glosas de compensações, aplicamse às multas de mora previstas no art.35 da Lei n° 8212/91, em face o disposto no §9° do art.89 da mesma lei, na redação dada pela Lei n° 11.941/09. Multa de mora: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 até a competência 11/2008(anterior): 24% a partir da competência 12/2008(atual): 0,33% por dia atraso, até máximo 20%. Evidentemente que para os lançamentos relativos às contribuições devidas a partir da competência 12/2008, foi aplicada a multa atual, por estarem sob a vigência da nova ordem legal. A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 11, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 04, é de 06/2008 a 12/2009. O contribuinte teve ciência do AIOP em 22.10.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 55 a 62, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) que, com relação aos valores relativos ao movimento da Prefeitura, observase, pelos Demonstrativos de Valores Declarados X Valores Recolhidos (CCORGEFIP) / Parcelados (CCONCERD), em anexo, que na maioria das competências, a soma dos valores recolhidos com os parcelados supera os valores declarados, comprovando que houve duplicidade na apuração anterior de débitos; (ii) que o Município pagou contribuições sobre fatos geradores considerados inconstitucionais, efetuados a agentes políticos, no período de 01/2001 a 07/2004, além de valores relativos às remunerações pagas ao prefeito e viceprefeito, no período de 01/99 a 04/04. Afirma que a omissão de retirar das GFIP da Prefeitura as referidas remunerações serão corrigidas oportunamente; (iii) que a Lei nº 9.506/9 instituiu inicialmente a obrigatoriedade do recolhimento de contribuições sobre a remuneração paga aos agentes políticos ao acrescentar a alínea “h”ao art. 12, da Lei nº 8.212/91, atribuindo a este a condição de segurado do RGPS, na qualidade de empregado. No entanto, em virtude da citada Lei se constituir em lei ordinária e não haver previsão constitucional, via art. 195 da CF/88, para esta espécie remuneratória, fora declarada pelo STF, em decisão da RE 351.717/PR, em 08/10/2003; (iv) porém, naquele momento a decisão beneficiava somente o autor daquela RE, sendo que em 22/06/2005, fora suspensa a execução da alínea “h” do inciso I, do art. 12, da Lei nº 8.212/91, pelo Senado Federal, quando nasceu o direito do não pagamento das contribuições instituídas de forma inconstitucional, bem como oficializando o recolhimento indevido das contribuições do período de 02/1998 a 09/2004; (v) que, no entanto, a RFB só publicou a IN 15, em 12/09/2006, disciplinando a forma de concretização da compensação de tais valores, dispondo em seu art. 3º que: o direito de efetuar a compensação... prescreve em cinco anos, contados a partir de 22 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 342 7 de junho de 2005, data da publicação da resolução número 26 do Senado Federal, e posteriormente alterada, pela IN 18, de 10/11/06, para a fixação do prazo a partir do pagamento, o que já prejulgou o direito de restituir os recolhimentos realizados, no período de 02/98 a 10/01, e que torna ilegítimo o direito de compensação de tais valores indevidos. (vi) Dessa forma, julgar inconstitucional o pagamento e tornar inviável a correção plena da irregularidade fere frontalmente o princípio da legalidade e da isonomia do direito tributário. (vii) Ante o exposto, requer seja suspensa a exigibilidade do presente crédito previdenciário até sua apreciação e que o mesmo não seja objeto de óbices para emissão de Certidão Positiva de Débitos Com Efeito de Negativa CPDEn. (viii) Requer, ainda, em caso de dúvidas na composição dos diversos demonstrativos acostados ao AI, que sejam nomeados peritos para a determinação do montante dos créditos que o Município possui junto à Previdência Social, objeto de pagamentos e parcelamentos realizados em duplicidade ou a maior e aqueles proveniente de recolhimentos. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0344.322 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF , conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2010 AIOP DEBCAD Nº 37.274.9313 DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES ENTRE A FOLHA DE PAGAMENTO, GFIP E O VALOR RECOLHIDO. Presumemse verdadeiros os valores lançados como base de cálculo pela autoridade fiscal fundamentados nas folhas de pagamento, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário COMPENSAÇÃO. GLOSA. As contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, pagas ou recolhidas indevidamente, somente podem ser compensadas pelo sujeito passivo com contribuições da mesma espécie. Serão glosados pelo fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo, conforme previsão legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar sem motivação ou prescindíveis. Impugnação Improcedente Fl. 344DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 321 a 330, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação e combatendo a decisão da instância “a quo”, em apertada síntese: (i) que, com relação aos valores relativos ao movimento da Prefeitura, observase, pelos Demonstrativos de Valores Declarados X Valores Recolhidos (CCORGEFIP) / Parcelados (CCONCERD), em anexo, que na maioria das competências, a soma dos valores recolhidos com os parcelados supera os valores declarados, comprovando que houve duplicidade na apuração anterior de débitos; (ii) que o Município pagou contribuições sobre fatos geradores considerados inconstitucionais, efetuados a agentes políticos, no período de 01/2001 a 07/2004, além de valores relativos às remunerações pagas ao prefeito e viceprefeito, no período de 01/99 a 04/04. Afirma que a omissão de retirar das GFIP da Prefeitura as referidas remunerações serão corrigidas oportunamente; (iii) que a Lei nº 9.506/9 instituiu inicialmente a obrigatoriedade do recolhimento de contribuições sobre a remuneração paga aos agentes políticos ao acrescentar a alínea “h”ao art. 12, da Lei nº 8.212/91, atribuindo a este a condição de segurado do RGPS, na qualidade de empregado. No entanto, em virtude da citada Lei se constituir em lei ordinária e não haver previsão constitucional, via art. 195 da CF/88, para esta espécie remuneratória, fora declarada pelo STF, em decisão da RE 351.717/PR, em 08/10/2003; (iv) porém, naquele momento a decisão beneficiava somente o autor daquela RE, sendo que em 22/06/2005, fora suspensa a execução da alínea “h” do inciso I, do art. 12, da Lei nº 8.212/91, pelo Senado Federal, quando nasceu o direito do não pagamento das contribuições instituídas de forma inconstitucional, bem como oficializando o recolhimento indevido das contribuições do período de 02/1998 a 09/2004; (v) que, no entanto, a RFB só publicou a IN 15, em 12/09/2006, disciplinando a forma de concretização da compensação de tais valores, dispondo em seu art. 3º que: o direito de efetuar a compensação... prescreve em cinco anos, contados a partir de 22 de junho de 2005, data da publicação da resolução número 26 do Senado Federal, e posteriormente alterada, pela IN 18, de 10/11/06, para a fixação do prazo a partir do pagamento, o que já prejulgou o direito de restituir os recolhimentos realizados, no período de 02/98 a 10/01, e que torna ilegítimo o direito de compensação de tais valores indevidos. (vi) Dessa forma, julgar inconstitucional o pagamento e tornar inviável a correção plena da irregularidade fere frontalmente o princípio da legalidade e da isonomia do direito tributário. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 343 9 (vii) Ante o exposto, requer seja suspensa a exigibilidade do presente crédito previdenciário até sua apreciação e que o mesmo não seja objeto de óbices para emissão de Certidão Positiva de Débitos Com Efeito de Negativa CPDEn. (viii) Requer, ainda, em caso de dúvidas na composição dos diversos demonstrativos acostados ao AI, que sejam nomeados peritos para a determinação do montante dos créditos que o Município possui junto à Previdência Social, objeto de pagamentos e parcelamentos realizados em duplicidade ou a maior e aqueles proveniente de recolhimentos. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação acostada aos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. O crédito previdenciário se refere a glosas em compensações de contribuições sociais previdenciárias, decorrente de pagamentos a maiores de contribuições e, também, pagamentos de contribuições indevidas a agentes políticos, declaradas inconstitucional conforme Resolução do Senado Federal, de 21/06/2005, no período de 06/2008 a 12/2009. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.274.9313 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da AIOP nº 37.274.9313) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 344 11 I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 348DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: (a) IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; (b) DD Discriminativo do Débito, que apresenta em cada competência os respectivos salários de contribuição, as alíquotas aplicadas, os valores devidos separados por rubrica, os eventuais créditos gerados por recolhimentos ou deduções e o saldo devido, com todos os valores em moeda originária; (c) RDA Relatório de Documentos Apresentados, que relaciona por competência e por estabelecimento as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas resultantes de recolhimentos, valores espontaneamente confessados e por valores que tenham sido objeto de notificações anteriores; (d) RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, que demonstra todos os recolhimentos, parcelamentos e lançamentos ocorridos, tanto nos seus valores totais quanto naqueles apropriados para apuração dos valores deste lançamento; (e) FLD Fundamentos Legais do Débito, que identifica a legislação pertinente às contribuições devidas e aos seus respectivos prazos para recolhimento, bem como aos acréscimos legais; (f) VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; (g) Relatório Fiscal Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Fl. 349DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 345 13 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.274.9313, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (B) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Dessa forma, julgar inconstitucional o pagamento e tornar inviável a correção plena da irregularidade fere frontalmente o princípio da legalidade e da isonomia do direito tributário. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 350DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (viii) NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL. Requer, ainda, em caso de dúvidas na composição dos diversos demonstrativos acostados ao AI, que sejam nomeados peritos para a determinação do montante dos créditos que o Município possui junto à Previdência Social, objeto de pagamentos e parcelamentos realizados em duplicidade ou a maior e aqueles proveniente de recolhimentos. Analisemos. Não vislumbro afronta ao direito de defesa da Recorrente pois a decisão de primeira instância fundamentou ser desnecessária a perícia posto que os quesitos apresentados pelo contribuinte estariam já esclarecidos nos autos, conforme se observa às fls. 321 a 330: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 346 15 Quanto ao pedido de diligência e perícia contábil, não vimos necessidade de autorização desse procedimento, uma vez que o auto de infração está revestido de todas as formalidades legais e apresenta todos os elementos para a defesa da impugnante. Vejamos o que estabelecem os artigos 18 e 28 do Decreto 70.235, de 1972 a respeito da produção de prova pericial e/ou testemunhal: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) A realização de diligência e/ou de perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do Julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Os documentos utilizados pela fiscalização são documentos pertencentes à empresa, que teve todas as condições para contestar o lançamento se assim o quisesse, sem necessidade de realização de perícia, razão pela qual indeferese o pedido por entendêlo prescindível à solução do litígio. Assim, a autuação em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto e consoante o que prescreve a legislação descrita no Relatório de Fundamentos Legais – FLD Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (vii) Ante o exposto, requer seja suspensa a exigibilidade do presente crédito previdenciário até sua apreciação e que o mesmo não seja objeto de óbices para emissão de Certidão Positiva de Débitos Com Efeito de Negativa CPDEn. Analisemos. Os efeitos da impetração do Recurso Voluntário são os determinados pela legislação tributária que aponta pela suspensão da exigibilidade do crédito previdenciário, conforme disciplinado no Código Tributário Nacional. Diante do exposto, não há o que se pronunciar a tal respeito. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 (i) que, com relação aos valores relativos ao movimento da Prefeitura, observase, pelos Demonstrativos de Valores Declarados X Valores Recolhidos (CCORGEFIP) / Parcelados (CCONCERD), em anexo, que na maioria das competências, a soma dos valores recolhidos com os parcelados supera os valores declarados, comprovando que houve duplicidade na apuração anterior de débitos; (ii) que o Município pagou contribuições sobre fatos geradores considerados inconstitucionais, efetuados a agentes políticos, no período de 01/2001 a 07/2004, além de valores relativos às remunerações pagas ao prefeito e viceprefeito, no período de 01/99 a 04/04. Afirma que a omissão de retirar das GFIP da Prefeitura as referidas remunerações serão corrigidas oportunamente; (iii) que a Lei nº 9.506/9 instituiu inicialmente a obrigatoriedade do recolhimento de contribuições sobre a remuneração paga aos agentes políticos ao acrescentar a alínea “h”ao art. 12, da Lei nº 8.212/91, atribuindo a este a condição de segurado do RGPS, na qualidade de empregado. No entanto, em virtude da citada Lei se constituir em lei ordinária e não haver previsão constitucional, via art. 195 da CF/88, para esta espécie remuneratória, fora declarada pelo STF, em decisão da RE351.717/PR, em 08/10/2003; (iv) porém, naquele momento a decisão beneficiava somente o autor daquela RE, sendo que em 22/06/2005, fora suspensa a execução da alínea “h” do inciso I, do art. 12, da Lei nº 8.212/91, pelo Senado Federal, quando nasceu o direito do não pagamento das contribuições instituídas de forma inconstitucional, bem como oficializando o recolhimento indevido das contribuições do período de 02/1998 a 09/2004; (v) que, no entanto, a RFB só publicou a IN 15, em 12/09/2006, disciplinando a forma de concretização da compensação de tais valores, dispondo em seu art. 3º que: o direito de efetuar a compensação... prescreve em cinco anos, contados a partir de 22 de junho de 2005, data da publicação da resolução número 26 do Senado Federal, e posteriormente alterada, pela IN 18, de 10/11/06, para a fixação do prazo a partir do pagamento, o que já prejulgou o direito de restituir os recolhimentos realizados, no período de 02/98 a 10/01, e que torna ilegítimo o direito de compensação de tais valores indevidos. Analisemos conjuntamente os itens (i) a (v). Observese que, por ocasião do levantamento do AIOP nº 37.274.9313, a Fazenda Pública deve proceder ao lançamento de débito, pois, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional razão pela a autoridade fiscal procedeu à lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e Fl. 353DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 347 17 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 354DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e saláriomaternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora, conforme o art. . 89, § 4º, Lei 8.212/1991. O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, conforme se depreende da IN RFB 900/2008: Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1º Também poderão ser restituídas pela RFB, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos administrados pela RFB. § 2º A RFB promoverá a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf e GPS que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 348 19 § 3º Compete à RFB efetuar a restituição dos valores recolhidos para outras entidades ou fundos, exceto nos casos de arrecadação direta, realizada mediante convênio. Caso o contribuinte não recolha espontaneamente os valores compensados de forma indevida, cabe ao Fisco a glosa da compensação efetuada. Também cabe referida glosa na hipótese de compensação efetuada sem que houvesse recolhimento ou pagamento indevido; ou atualizada em desconformidade com os índices de correção previstos na legislação previdenciária; ou sem decisão judicial que tenha autorizado a compensação. Por fim, não houve qualquer ato perfeito e acabado, posto que uma compensação indevida não pode ser considerada como um ato jurídico perfeito, já que se sujeita à verificação de sua regularidade pela fiscalização. Como se vê, a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do contribuinte, mas com risco para ele. A compensação feita, no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. DA DECADÊNCIA. Outrossim, para o deslinde da questão, devemos verificar a decadência do direito de pedir a restituição ou a compensação. A primeira hipótese surgida é a utilização do prazo de 10 anos a partir de decisões do STJ que reconheceram a tese dos 5 + 5: REsp nº 1002932/SP proferido pelo STJ com fulcro no rito dos Recursos Repetitivos art. 543C, CPC. Ou seja, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Porém surgiu a controvérsia em relação à aplicação do art. 3º e 4º , LC 118/2005 que alterou o CTN: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. O STF no RE nº 566621/RS enfrentou a questão acerca da aplicação dos art. 3º e 4º, LC 118/2005. Este acórdão proferido pelo STF no RE 566621/RS, com fulcro no rito da Repercussão Geral art. 543B, CPC, estabeleceu que para as ações ajuizadas a partir de Fl. 356DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 09.06.2005, data da vigência do art. 3º, LC 118/2005, aplicase o prazo decadencial previsto na LC 118/2005 que é de 5 anos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Anotese a mudança jurisprudencial do STJ, a partir do REsp 1269570/MG, julgado em 23.05.2012, no qual superou o entendimento exposto no REsp nº 1002932/SP a fim de aderir ao posicionamento do STF veiculado no RE 566621/RS: Fl. 357DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 349 21 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n.566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n.1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1269570/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/05/2012, DJe 04/06/2012) Fl. 358DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 Portanto, se depreende que os entendimentos do STF (RE 566621/RS) e do STJ (REsp 1269570/MG) estão alinhados acerca do prazo prescricional para repetição do indébito: a partir de 09.06.2005: aos pedidos de restituição de indébito protocolados a partir de 09.06.2005 aplicase o prazo de 5 anos contados no momento do pagamento antecipado (indevido ou feito a maior). até 08.06.2005: aos pedidos de restituição de indébito, aplica se o prazo prescricional de 10 anos (tese do 5 + 5) contados da data do pagamento indevido. COMPENSAÇÕES EFETUADAS. Analisemos os períodos das glosas de compensação efetuadas. (a) nas competências de 11/2009 a 12/2009, e 02/2010 a 06/2010: A Prefeitura efetuou compensações de contribuições previdenciárias pagas indevidamente no período de 02/1998 a 05/2003, tributadas nas remunerações de agentes políticos, e declarou em campo próprio da GFIP, porém já prescrito o prazo de cinco anos para se efetivar tais compensações, suprimindo assim a totalidade das contribuições a serem pagas nestes meses. Neste período de 11/2009 a 06/2010, com compensações efetuadas depois de 09.06.2005, inclusive, aplicase os entendimentos do STF (RE 566621/RS) e do STJ (REsp 1269570/MG) que estão alinhados acerca do prazo prescricional para repetição do indébito, na qual aos pedidos de restituição de indébito protocolados a partir de 09.06.2005 aplicase o prazo de 5 anos contados no momento do pagamento antecipado (indevido ou feito a maior). Desta forma, diante do entendimento do entendimentos do STF (RE 566621/RS) e do STJ (REsp 1269570/MG), como os pagamentos antecipados foram feitos pelo contribuinte de 02/1998 a 05/2003, constatase que já se operara a decadência posto esta ser contada no prazo de 5 anos a partir da data do pagamento antecipado. Diante do exposto, não prospera as alegações do Recorrente para as compensações efetuadas no período 11/2009 a 06/2010. (b) nas competências 06/2008 a 11/2008: 6. Da analise das GFIPs e GPS nos sistemas informatizados da Receita Federal, e através das informações declaradas nos mesmos, a auditoria concluiu que a prefeitura em questão, para os meses compreendidos entre 06/2008 a 11/2008, inseriu, declarou no campo compensação da GFIP, valores a titulo de pagamentos indevidos de contribuições previdenciárias, diminuindo assim os valores de contribuições recolhidas nos meses citados. Intimada através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal — TIPF, a apresentar a documentação suporte probatória das compensações efetuadas: Memória de calculo, Planilha, Folha de Pagamento, Balancetes Contábeis, GPS e outros Fl. 359DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.008806/201013 Acórdão n.º 2403001.793 S2C4T3 Fl. 350 23 esclarecimentos necessários, o contribuinte no prazo estabelecido e até a lavratura deste Al, não apresentou os documentos probatórios ou esclareceu os valores objeto das compensações, motivo pelo qual as mesmas foram glosadas, e apuradas neste Al como créditos para a Previdência Social. Neste período de 06/2008 a 11/2008, com compensações efetuadas depois de 09.06.2005, inclusive, aplicase os entendimentos do STF (RE 566621/RS) e do STJ (REsp 1269570/MG) que estão alinhados acerca do prazo prescricional para repetição do indébito, na qual aos pedidos de restituição de indébito protocolados a partir de 09.06.2005 aplicase o prazo de 5 anos contados no momento do pagamento antecipado (indevido ou feito a maior). Outrossim, depreendese da decisão de primeira instância, após a manifestação do contribuinte em sede de Impugnação, que as compensações se referem a pagamentos indevido,s ou a maior, também no período 02/1998 a 05/2003. Anotese que em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente não contestou tal posicionamento da decisão de primeira instância que veiculou as compensações feitas no período de 06/2008 a 11/2008 a pagamentos indevidos, ou a maior, feitos no período 02/1998 a 05/2003. Desta forma, diante do entendimento do entendimentos do STF (RE 566621/RS) e do STJ (REsp 1269570/MG), como os pagamentos antecipados foram feitos pelo contribuinte em 02/1998 a 05/2003, constatase que já se operara a decadência posto esta ser contada no prazo de 5 anos a partir da data do pagamento antecipado. Diante do exposto, não prospera as alegações do Recorrente para as compensações efetuadas no período 06/2008 a 11/2008. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO NEGARLHE provimento. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 360DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15374.966357/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS PAGAS A
MAIOR QUE O DEVIDO.
O pagamento espontâneo de parcela de estimativa de imposto em valor superior ao que seria devido, se calculado de acordo com a legislação tributária aplicável, constitui pagamento a maior, nos termos do artigo 165 do CTN. Nos termos das leis reguladoras do instituto da compensação, tal crédito do sujeito passivo pode ser objeto de compensação tão logo se concretize o pagamento a maior, não havendo a obrigatoriedade de aguardar o encerramento do período de apuração anual, para somente então computá-lo
na apuração do imposto anual.
Numero da decisão: 1102-000.704
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: João Otavio Opperman Thome
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Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS PAGAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O pagamento espontâneo de parcela de estimativa de imposto em valor superior ao que seria devido, se calculado de acordo com a legislação tributária aplicável, constitui pagamento a maior, nos termos do artigo 165 do CTN. Nos termos das leis reguladoras do instituto da compensação, tal crédito do sujeito passivo pode ser objeto de compensação tão logo se concretize o pagamento a maior, não havendo a obrigatoriedade de aguardar o encerramento do período de apuração anual, para somente então computá lo na apuração do imposto anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15374.966357/200928 Acórdão n.º 110200.704 S1C1T2 Fl. 87 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório No presente recurso insurgese a recorrente contra a decisão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 que não acolheu a solicitação de reforma do despacho eletrônico da Derat/RJ, o qual por sua vez, não homologara as compensações por ela pretendidas. Na Declaração de Compensação apresentada, o contribuinte informou possuir crédito de R$ 130.149.830,53, oriundo do pagamento indevido da estimativa do imposto de renda de janeiro de 2007, o qual foi utilizado na compensação do débito fiscal decorrente da estimativa do mesmo imposto de junho daquele ano. Ainda na mesma PER/DCOMP, o DARF que contém o alegado crédito é identificado como tendo sido recolhido em 28/02/2007, no valor de R$ 201.266.569,82. De acordo com o Despacho Decisório nº 848602531 (fls. 08), não foi confirmada a existência do crédito alegado, pois o pagamento por ela informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da interessada. Cientificada do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 10 a 12), argumentando, em síntese, que o DARF de IRPJ de janeiro/2007, origem do crédito, no valor total de R$ 201.266.569,82 foi informado na DCTF como totalmente utilizado para o pagamento do débito do período, mas que, todavia, outro DARF, no valor de R$ 217.374.343,14, foi informado na DCTF com sobra de crédito, e que, desta forma, para a regularização da informação declarada, procedeu à retificação das informações do IRPJ na DCTF de janeiro/2007 para a perfeita demonstração do crédito no valor de R$ 130.149.830,53, conforme os documentos que anexa. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao fundamento de que os valores de pagamento a maior de estimativas mensais só podem ser usados na apuração do imposto devido anual, nos termos do que dispõe o artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que, à época da transmissão do PER/DCOMP, disciplinava a restituição e a compensação de tributos. Merece registro a existência de voto vencido, do relator Léo da Silva, que destacou o fato de que, na DCTF originalmente enviada à RFB, o débito de IRPJ apurado em janeiro de 2007 era de R$ 636.015.256,10, mas que tal débito fora reduzido para R$ 505.865.425,57 em 03.09.2007, por ocasião da primeira retificação da DCTF, procedida muito antes da expedição do despacho decisório – que só se deu em 07.10.2009 – e de que este novo valor não foi mais retificado após aquela data. Assim, ante a confirmação dos pagamentos efetuados (três, ao total), alcançando a cifra de R$ 636.015.256,10, confirmada a existência do direito creditório, o qual, em consulta ao Sistema de Informações Econômico Fiscais – SIEF, da RFB, continuava disponível, ou seja, não alocado a nenhum outro débito (fls. 56). O Acórdão 1230.602, fls. 57 a 60, está assim ementado: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15374.966357/200928 Acórdão n.º 110200.704 S1C1T2 Fl. 88 3 “RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A compensação de valor pago a maior a título de estimativa mensal só pode ser feita no cálculo do imposto devido anual.” Cientificada desta decisão em 04/06/2010, conforme AR de fls. 63, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 16/06/2010, fls. 64 a 82, no qual contesta o fundamento utilizado pela decisão recorrida, que se baseia exclusivamente no descumprimento do art. 10 da Instrução Normativa – IN SRF n° 600/2005. Destaca o entendimento extraído do voto do julgador, da DRJ/RJ1, Léo da Silva, em outro processo (n° 15374.972158/200959), no qual ele corrobora o pensamento da recorrente, no sentido de que o art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, afrontava o art. 165 do CTN, que assegura ao sujeito passivo o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador ocorrido, e de que o disposto na IN SRF n° 900, de 2008, que já não mais traz a restrição lá imposta, deveria ser aplicado retroativamente para alcançar o caso. Sustenta que a nãoaplicação retroativa dos arts. 2°, 4° e 11 da IN SRF n° 900 ao caso em análise contraria o disposto no art. 105 do CTN, pois a legislação tributária deve ser aplicada imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116 do CTN. Uma vez que a homologação da compensação estava pendente de apreciação pela Receita quando da entrada em vigor da IN SRF 900, de 2008, esta deve ser aplicada ao caso. Transcreve dispositivos da lei que versam sobre a compensação e diz que o art. 10 da IN/SRF n° 600/2005 é ilegal e viola o princípio da hierarquia das normas, invadindo matéria reservada à lei, e, pior, colidindo frontalmente com ela. Transcreve jurisprudência do Supremo Tribunal Federal acerca dos limites a serem seguidos por instrução normativa dentro do princípio da hierarquia da legislação tributária. Finaliza requerendo a reforma da decisão recorrida, e a homologação da compensação efetuada. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Cediço que o artigo 165 do CTN assegura ao sujeito passivo o direito, à restituição total ou parcial do tributo, nos casos de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15374.966357/200928 Acórdão n.º 110200.704 S1C1T2 Fl. 89 4 Neste diapasão, firmo o entendimento de que, se o pagamento espontâneo de certa parcela de estimativa de imposto se deu em valor superior ao que seria devido se calculado de acordo com a legislação tributária aplicável, há o direito à sua restituição. Por outro lado, o CTN prevê, no seu artigo 170, a possibilidade de compensação, dos créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública, com créditos tributários. Referido artigo é peremptório ao determinar que cabe à lei ordinária, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar dita compensação. A Lei nº 9.430/96, na redação original do seu artigo 74, atribuiu à Secretaria da Receita Federal o poder de autorizar, com base em requerimento do contribuinte, a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de tributos e contribuições sob sua administração. Entretanto, a Medida Provisória nº 66/02, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/02, ao alterar a redação original do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, alterou substancialmente esta realidade, ao criar a Declaração de Compensação. A própria Lei nº 10.637/02, bem como as demais leis a ela posteriores, que introduziram sucessivas alterações na redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuidaram de estabelecer as hipóteses em que determinados créditos (ou débitos) não seriam aceitos para fins de compensação. É certo que desde a alteração originalmente introduzida pela Lei nº 10.637/02, sempre constou a expressa autorização para que a Secretaria da Receita Federal disciplinasse o disposto no referido artigo, entretanto, entendo que tal autorização não inclui a previsão de outras hipóteses de vedação à compensação que não aquelas já exaustivamente previstas em lei. A despeito disto, tanto a IN SRF nº 460, de 2004, quanto a IN SRF nº 600, de 2005, traziam, nos seus respectivos artigos 10, restrição no sentido de que as estimativas mensais pagas a maior que o devido somente poderiam ser aproveitadas na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao final do período de apuração, ou então para compor o respectivo saldo negativo do período. A IN SRF nº 900, de 2008, contudo, deixou de trazer a referida restrição, consoante a redação do seu artigo 11, conforme já sobejamente relatado. Observo ainda que, do mesmo modo, tal restrição tampouco existia nas redações das instruções normativas que antecederam a IN SRF nº 460, de 2004. Ou seja, a referida restrição à compensação dos créditos oriundos das estimativas pagas a maior teria sido estabelecida para vigorar somente por determinado período de tempo, sem que tenha havido, neste interregno (desde a edição da Lei nº 10.637/02 até os dias atuais), qualquer alteração legal que pudesse dar margem à interpretação de que existisse, de fato, tal vedação. Neste contexto, alinhome ao voto proferido pelo relator vencido da decisão recorrida, Léo da Silva, no sentido de que a IN SRF nº 900, de 2008, reparou o equívoco cometido por ocasião da edição das instruções normativas 460/2004 e 600/2005, não havendo motivos para que não fosse aplicada imediatamente aos casos ainda não definitivamente julgados, como o presente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15374.966357/200928 Acórdão n.º 110200.704 S1C1T2 Fl. 90 5 Aliás, a própria Secretaria da Receita Federal editou orientação neste sentido, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, verbis: “O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.” Quanto ao montante do crédito, conforme visto, tendose em conta o valor da estimativa devida de IRPJ, declarada em DCTF anterior à emissão do Despacho Decisório (R$ 505.865.425,57), e o valor dos pagamentos confirmados relativos ao período de apuração de janeiro de 2007 (R$ 636.015.256,10), inequívoca a existência do direito creditório alegado de valor de R$ 130.149.830,53. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001906/2008-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL.
Não tendo a autoridade autuadora apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas e da efetiva prestação dos serviços, é de se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso, demonstrando que há vícios nos comprovantes trazidos aos autos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. Não tendo a autoridade autuadora apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas e da efetiva prestação dos serviços, é de se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso, demonstrando que há vícios nos comprovantes trazidos aos autos. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 14/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. Não tendo a autoridade autuadora apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitandose a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas e da efetiva prestação dos serviços, é de se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso, demonstrando que há vícios nos comprovantes trazidos aos autos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 19 06 /2 00 8- 18 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 14/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.2326), referente ao exercício 2004, anocalendário de 2003, em razão de suposta dedução indevida de despesas médicas por falta de comprovação ou por falta de previsão legal, acrescendose não ter havido prova de efetivo desembolso. Impugnou o lançamento (fls. 12) aos seguintes fundamentos: que apresentou a documentação comprobatória de suas despesas médicas em fase de fiscalização; que as despesas médicas estão devidamente comprovadas de acordo com os recibos do prestador de serviços, devidamente identificados, com a descrição dos serviços realizados, sendo que os pagamentos foram feitos em moeda corrente no país. Em julgamento, a 9ª Turma da DRJ/BHE, em sessão realizada no dia 07/02/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que admitemse recibos e notas fiscais como prova de pagamento de despesas médicas, desde que atendam às exigências do RIR/99, mas em caso de dúvidas pode o fisco exigir outros elementos de prova, a seu juízo, tais como cópias de cheques ou outros elementos de prova de efetivo pagamentos dos valores em questão; que não foram apresentados pelo contribuinte, nem na fase de fiscalização, nem quando da impugnação, documentos comprobatórios de efetivo desembolso das despesas médicas em questão, que lhe foram exigidos. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 36, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 37, atacando a decisão exarada pela DRJ e repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, a glosa de deduções com despesas médicas. Exigese do contribuinte prova de efetivo desembolso de despesas médicas, quando apresentou recibos. Pouco importa se tenham sido tais recibos apresentados em fase de fiscalização ou de impugnação, pois nem o auto de infração nem a DRJ invocam qualquer vício constante nos comprovantes apresentados pelo contribuinte, não aferem se atendem ou não aos requisitos legais para sua aceitação como fundamento documental à dedução pleiteada, nem exibem razões para sustentar que há dúvida quanto a sua idoneidade.. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13609.001906/200818 Acórdão n.º 2802002.122 S2TE02 Fl. 49 3 Sendo assim, o lançamento de ofício não pode prevalecer diante dos recibos apresentados pelo contribuinte aos quais a autoridade fiscal não atribui vício algum, exceto a necessidade de comprovação de efetivo desembolso. Se considera a fiscalização que a documentação é inidônea para comprovar as despesas informadas, deveria se haver desincumbido de apontar as razões para tanto. Por esta razões, não se pode aqui adentrar a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que não fundouse o auto de infração ou a decisão da DRJ na indicação de qualquer deficiência dos mesmos. Caberia, pois, à autoridade dizer exatamente o porquê de sua recusa aos comprovantes apresentados pelo ora Recorrente para justificar a dedução das despesas médicas objeto de glosa. Pontuese que consta nos documentos apresentados o endereço “R. Bernadio Vaz de Melo 64 Progresso”, restando infundada a alegação de que inexiste tal informação nos respectivos recibos. O artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Ora, se o contribuinte não apresentasse qualquer comprovação ou justificativa para as deduções questionadas, dúvida não haveria em manterse o lançamento, mas, tendo apresentado comprovantes, como já dito, deveria a fiscalização apontar as razões pelas quais não os acolhe, já que não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. O mesmo se diga da exigência de efetividade da prestação dos serviços. Desta forma, voto por dar provimento ao recurso, no sentido de restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas pelo auto de infração, no montante de R$ 22.000,00, nos termos dos comprovantes de fls.0718, desconstituindose integralmente o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 11065.721806/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009
AUTO DE INFRAÇÃO -NULIDADE - AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF - INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA - INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA.
O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório.
No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI.
Quanto aos argumentos de que a empresa na verdade realizava planejamento tributário, o que demonstra a prática de elisão fiscal, e não evasão fiscal entendo que nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - AI nº 37.329.563-4 - AI nº 37.329.564-2 - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AI - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CORRELATOS CORRELATAS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
OMISSÃO EM GFIP - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, rejeitar o pedido de compensação com os recolhimentos realizados no âmbito do SIMPLES pela empresa Max Beneficiamento de Calçados Ltda. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que admitia a compensação. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial para aplicar a regra mais benéfica ao contribuinte e limitar o valor da multa nos termos do art. 32-A, inciso II da Lei nº 8.212/91. Vencidos ao conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que aplicavam a regra do art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa no AI de obrigação principal correlata. III) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para os demais AI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 18 06 /2 01 1- 68 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32 A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte deixou de apresentar Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com as informações relativas a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa mais benéfica a ser aplicada, o disposto no art. 32A, II da Lei 8.212/91. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Quanto aos argumentos de que a empresa na verdade realizava planejamento tributário, o que demonstra a prática de elisão fiscal, e não evasão fiscal entendo que nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AI nº 37.329.5634 AI nº 37.329.5642 ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AI OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CORRELATOS CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721806/201168 Acórdão n.º 2401002.806 S2C4T1 Fl. 3 3 OMISSÃO EM GFIP MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, rejeitar o pedido de compensação com os recolhimentos realizados no âmbito do SIMPLES pela empresa Max Beneficiamento de Calçados Ltda. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que admitia a compensação. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial para aplicar a regra mais benéfica ao contribuinte e limitar o valor da multa nos termos do art. 32A, inciso II da Lei nº 8.212/91. Vencidos ao conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que aplicavam a regra do art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa no AI de obrigação principal correlata. III) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para os demais AI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório A presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. nº 37.329.5677 e 37.329.5685 e AI de Obrigação Acessória 37.329.5634 e 37.329.5642, encontrase assim identificado: 1. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito na empresa Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda., foram lavrados os seguintes Autos de Infração – AI: 2. 1) AI nº 37.329.5677: no valor de R$ 962.962,29 (novecentos e sessenta e dois mil, novecentos e sessenta e dois reais e vinte e nove centavos), consolidado em 06/05/2011, referente a contribuições previdenciárias patronais, tendo como base de cálculo a remuneração, aferida indiretamente, de segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento da empresa Max Beneficiamento de Calçados Ltda, nas competências 01/2008 a 06/2009; 3. 2) AI nº 37.329.5685: no valor de R$ 247.544,32 (duzentos e quarenta e sete mil, quinhentos e quarenta e quatro reais e trinta e dois centavos), consolidado em 06/05/2011, referente a contribuições para outras entidades e fundos: Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (SalárioEducação), Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Serviço Social da Indústria – SESI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, tendo como base de cálculo a remuneração, aferida indiretamente, de segurados empregados constantes das folhas de pagamento da empresa Max Beneficiamento de Calçados Ltda, nas competências 01/2008 a 06/2009; 4. 3) AI nº 37.329.5634 (Código de Fundamento Legal 68): no valor de R$ 106.649,90 (cento e seis mil, seiscentos e quarenta e nove reais e noventa centavos), consolidado em 09/05/2011, lavrado conforme dispõe o parágrafo 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, da mesma Lei nº 8.212/91, por deixar de informar, em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, o valor dos pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, nas competências 01/2008 a 07/2008; 5. 4) AI nº 37.329.5642 (Código de Fundamento Legal 78): no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais), consolidado em 09/05/2011, lavrado conforme dispõe o artigo 32A, caput e parágrafo 3º, inciso II, da Lei nº 8.212/91, por declarar GFIP sem relacionar todos os pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, como disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, nas competências 08/2008 a 11/2008. Conforme consta no relatório fiscal o procedimento fiscal foi realizado por arbitramento dos valores, como disposto no artigo 33, parágrafos 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento da empresa Max Beneficiamento de Calçados Ltda. Descreve auditor que as empresas Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. e Max Beneficiamento de Calçados Ltda. “simulam uma situação, a fim de utilizar tratamento tributário diferenciado com o propósito de evadir as contribuições previdenciárias patronais”. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721806/201168 Acórdão n.º 2401002.806 S2C4T1 Fl. 4 5 Relata a autoridade fiscal com fundamentos para o lançamento as seguintes informações constatadas durante o procedimento fiscal: A empresa autuada está enquadrada na forma de tributação do lucro real para apuração do imposto de renda pessoa jurídica e que a empresa Max Beneficiamento de Calçados Ltda. era optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, instituído pela Lei n.º 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL, instituído pela Lei Complementar n.º 123, de 14 de dezembro de 2006, tendo sido excluída, em 30/12/2010, por Ato Administrativo da Receita Federal do Brasil. Que, segundo informações prestadas pelo sócio administrador da empresa Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda., esta adquire matéria prima para confecção de solados e sandálias e a entrega, para beneficiamento, à empresa responsável pela confecção dos calçados. Este serviço era executado pela Max Beneficiamento de Calçados Ltda. e, atualmente, é executado pela empresa Fanfa Beneficiamento de Solados e Calçados Ltda., ambas optantes pelo SIMPLES e SIMPLES NACIONAL. Que a Max Beneficiamento de Calçados Ltda. atuou até o início de 2009, quando foi substituída pela Fanfa Beneficiamento de Solados e Calçados Ltda., que tem como sócio Vanderlei Luis Fanfa, exempregado da Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. e Max Beneficiamento de Calçados Ltda. Que a autuada e as demais empresas citadas têm o mesmo endereço: Estrada Birckenthal, 1110, Picada São Paulo, Morro Reuter, RS; que o acesso e a recepção são únicos para todas. Analisando o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA da Max Beneficiamento de Calçados Ltda., para o período 06/2008 a 05/2009, constatou que o leiaute atual permanece o mesmo. Apensa croqui de planta baixa, fotos e documentos da Max Beneficiamento de Calçados Ltda. que fazem referência à empresa Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. À Fiscalização foram disponibilizados os documentos solicitados em uma sala pertencente a Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda., atualmente ocupada por empregados da Fanfa Beneficiamento de Solados e Calçados Ltda., pessoas Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 anteriormente ligadas a Max Beneficiamento de Calçados Ltda. O Relatório Fiscal traz planilha com amostragem das transferências de empregados entre as empresas Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda., Max Beneficiamento de Calçados Ltda. e Fanfa Beneficiamento de Solados e Calçados Ltda. Informa que os dados da empresa Fanfa Beneficiamento de Solados e Calçados Ltda. foram extraídos das GFIP por ela declaradas. Da análise da contabilidade das empresas Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. e Max Beneficiamento de Calçados Ltda. constatou que a relação entre receita e custo com pessoal é, para a empresa Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda., de 2,74% e 3,89%, a despesa com pessoal em relação ao faturamento, nos anos de 2008 e 2009, respectivamente, enquanto que, para a empresa Max Beneficiamento de Calçados Ltda., a relação entre a massa salarial e o faturamento passa para 140,51%, em 2008 e 10.630,98% em 2009. Assim, a receita da Max Beneficiamento de Calçados Ltda. é insuficiente para suportar seus custos/despesas com pessoal, ao passo que, em relação a Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda., este custo/despesa é extremamente reduzido. O Relatório Fiscal informa que, em 31/12/2008, conforme sua folha de pagamento, a Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. tinha cinco segurados a sua disposição – neste número incluído seu sócioadministrador –, enquanto que a folha da Max Beneficiamento de Calçados Ltda. relacionava 157 segurados envolvidos com a área de produção. Apresenta planilha demonstrativa com dados extraídos das GFIP e folhas de pagamento das duas empresas. Relata que, na relação massa salarial x faturamento, os custos/despesas com pessoal foram alocados, quase que exclusivamente, na empresa Max Beneficiamento de Calçados Ltda., que era optante pelo SIMPLES. Com relação à prestação de serviços observa que 99,7% dos serviços da Max Beneficiamento de Calçados Ltda. foram prestados para a Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. Quanto à venda de produtos, existe apenas um lançamento para empresa distinta da Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. Informa que a Max Beneficiamento de Calçados Ltda. nada vende porque nada compra, pois toda a matéria prima por ela utilizada é de propriedade da Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. Declara que a Max Beneficiamento de Calçados Ltda. foi criada para fornecer a mãodeobra necessária para a atividadefim da Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721806/201168 Acórdão n.º 2401002.806 S2C4T1 Fl. 5 7 Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda., conforme objeto social definido em contrato: Fabricação de placas de EVA e solados de borracha e fabricação de artefatos diversos de borracha. Todas as despesas com água e energia elétrica dos prédios que abrigam ambas as empresas estão lançadas na contabilidade da Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. As máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo são de propriedade da Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda., cedidos a Max Beneficiamento de Calçados Ltda. através de locação, sendo que do contrato consta, clausula quarta, que a locatária manterá o bem segurado, zelando por seu uso e por sua manutenção. Os custos da manutenção são lançados na contabilidade da Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. Demonstra em planilha que a Max Beneficiamento de Calçados Ltda. adquiriu, no tocante a uniformes e equipamentos de segurança de pessoal, 51 itens para atender 240 empregados, enquanto que a Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda., no mesmo período, adquiriu 3.830 itens para atender 4 empregados. Conclui, o Relatório Fiscal, que as empresas Filippsen Componentes e Equipamentos para Calçados Ltda. e Max Beneficiamento de Calçados Ltda. “simulam uma situação que não aparenta a realidade dos fatos apurados, a fim de utilizar tratamento tributário diferenciado com o propósito de evadir as contribuições previdenciárias patronais”. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 06/05/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 09/06/2011. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 330 a 335. Pretende demonstrar que não há que se cogitar na hipótese de efetiva caracterização de grupo econômico a justificar a presente autuação. Explana que grupo econômico, aventado pelo Direito Tributário, é definido como a figura resultante da vinculação que se forma entre dois ou mais entes, favorecidos direta ou indiretamente pelo mesmo contrato de trabalho, em face da existência de laços de direção ou coordenação decorrentes das atividades de natureza econômica. Uma ou mais empresas, tendo personalidade jurídica própria, sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica que serão solidariamente responsáveis, como forma de garantia do crédito tributário. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Afirma que “não há como concordar com a autuação arbitrária, ao arrepio da lei, levada a efeito por parte dos agentes fiscais, no que tange à alentada configuração do grupo econômico, ponto de partida para a autuação lavrada”, já que necessário processo de cognição tributária “com amplas prerrogativas de alegação, defesa e provas que lhe são inerentes, o que não ocorreu”. Alega que, muito embora os estabelecimentos empresariais se encontrem sediados praticamente no mesmo endereço, o que decorre da ausência de numeração no local, a empresa MAX não estava sob direção, controle ou administração da impugnante, desempenhando suas atividades e mantendo relações comerciais com outras empresas. Entende que, afastado o tipo legal de grupo econômico, não mais existe substrato fático e jurídico que embase a autuação, devendo ser declarada sua nulidade e desconstituição. Alega, também, cerceamento ao livre direito constitucional de dispor livremente de seu patrimônio, pela emissão do termo de arrolamento de bens e direitos, onde está estabelecido o prazo de 05 dias para informação à Receita Federal do Brasil – RFB, quando da alienação, transferência ou qualquer oneração dos bens arrolados, já que, antes do período de impugnação, o crédito tributário não se encontra revestido dos requisitos de certeza, liquidez e exigibilidade. Requer o reconhecimento da ilegalidade de tal constrição. Mesmo entendendo que o AI deva ser desconsiderado pela ausência de configuração de grupo econômico, alega, conforme o princípio da eventualidade, ser absurdo o montante das sanções de multa cominadas. Expõe que a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto uma obrigação de fazer ou não fazer, prevista em favor da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e que, consoante a ADInMC 1.075, do Supremo Tribunal Federal –STF, que questionava o artigo 3º da Lei nº 8.846/94, revogada pela Lei nº 9.532/97, que estabelecia multa de 300%, também as multas fiscais estão sujeitas ao princípio constitucional da vedação ao confisco, denominado princípio da proporcionalidade razoável, artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988 – CF/88. “Outrossim, não obstante o valor da obrigação principal se restrinja à certa importância, temse que, a partir da cominação da penalidade de multa, o total do crédito tributário apurado no processo atinge absurdo montante, que praticamente inviabiliza a continuidade do exercício de suas atividades empresariais, de sorte que, com arrimo nos argumentos doutrinários e jurisprudenciais supra declinados, resta patente o caráter confiscatório da obrigação acessória, devendo restar procedida, se caso, sua redução.” Requer a desconstituição dos autos de infração lavrados, pela ausência da efetiva caracterização de grupo econômico e, se caso, pela redução do montante cominado sob a rubrica de multa. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721806/201168 Acórdão n.º 2401002.806 S2C4T1 Fl. 6 9 A Decisão de Primeira Instância confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 362 a 369. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. Não cabe a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ examinar matéria estranha às suas atribuições. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 375 a 379. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 6. Destaca que não há de se confundir elisão, tal como ocorrido nos autos com evasão fiscal, que é a utilização de meios ilícitos para evitar o pagamento de taxas, impostos e outros tributos. 7. A elisão configurase num planejamento que utiliza métodos legais para diminuir o peso da carga tributária em um determinado orçamento, tal como a situação ora retratada, em que a empresa Filippsen, através de seu administrador, respeitando ordenamento jurídico, fez escolhas prévias, antes de eventos que sofrerão agravo fiscal, optando por terceirizar sua produção, o que permitiu minorar o impacto tributário dos gastos do ente administrado. 8. Conforme defendido na peça impugnatória, os estabelecimentos empresariais se encontram sediados no mesmo endereço, em decorrência da ausência de numeração no local, sendo identificada por meio do termo “Prédio A”. 9. No que diz respeito as multas, ao contrário do alegada impossibilidade de apreciar a constitucionalidade ou legalidade de norma, impende observar que a administração Pública possui o poder de autotutela, segundo qual tem a permissão de rever seus atos e anulálos ou revogalos em casos de ilegalidade, bem como inoportunidade e inconveniência, respectivamente. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 10. Quanto ao arrolamento de bens e direitos, eximiuse a autoridade fazendária julgadora do enfrentamento desta questão, alegando ter o respectivo termo sido emitido com base na legislação de regência da espécie, sendo que o reconhecimento de sua ilegalidade, se afiguraria estranha às atribuições das DRJ. Assim, pretende seja declarada a nulidade da decisão de primeira instância face o não enfrentamento de todos os argumentos invocados pela parte. 11. Não há de se falar em mera prestação de informação à Receita Federal, quanto a alienação ou transferência ou qualquer oneração dos bens arrolados, uma vez que a partir da certidão de registro do veiculo já restou levada a efeito a averbação de tal restrição, o que tem inviabilizado a sua venda. 12. Quanto a compensação pleiteada, requer sejam considerados os valores recolhidos pela empresa por meio do SIMPLES. A unidade da DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721806/201168 Acórdão n.º 2401002.806 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 375. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: QUANTO AO ARROLAMENTO DE BENS No que tange a argüição de nulidade da Decisão de primeira instância, face a ausência de fundamentação por parte da autoridade julgadora, entendo que razão não assiste ao recorrente. Conforme descrito pela autoridade julgadora a alegação de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições ou mesmo sobre a necessidade de arrolamento de bens durante o procedimento fiscal, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as regras elencadas na legislação previdenciária, bem como as descritas no Processo Administrativo fiscal. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade do arrolamento de bens, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, ou mesmo ilegal. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Superadas as preliminares passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto aos argumentos de que a empresa na verdade realizava planejamento tributário, o que demonstra a prática de elisão fiscal, e não evasão fiscal entendo que nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. No mesmo sentido, não houve por parte do recorrente em sua peça impugnatório, ou mesmo na recursal a apresentação de provas e argumentos com vistas a comprovar que a empresa MAX, não só existia no papel, com a indicação de endereço “prédio A”, como também existia de fato, com estrutura física regular, assim, como com autonomia contábil e financeira capaz de gerir suas atividades. Na impugnação tentou o recorrente discutir a inexistência de “grupo econômico”, porém como bem descreveu a autoridade julgadora dita fato nem mesmo restou apreciado, uma vez que não foi esse o fundamento para o lançamento. No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a trazer argumentos “novos”, o que impede sua apreciação, conforme destacado acima. Dessa forma, em relação aos fatos geradores descritos nos Autos de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. nº 37.329.5677 e 37.329.5685, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisãode Primeira Instância presumese a concordância da recorrente com a referida decisão. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida o acordão proferido quanto ao mérito. Quanto aos argumentos de que a empresa na verdade realizava planejamento tributário, o que demonstra a prática de elisão fiscal, e não evasão fiscal entendo que nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Ressalto, apenas, que ao contrário do que tentou demonstrar o recorrente a autoridade fiscal, em seu detalhado relatório, demonstrou não apenas que apesar da descrição do endereço junto a Junta Comercial, não havia de fato estrutura Física, capaz de possibilitar a empresa MAX, a exploração de atividade de prestadora de serviços, como tentou demonstrar o recorrente, razão porque correto o enquadramento realizado. Teve o recorrente oportunidade Fl. 399DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721806/201168 Acórdão n.º 2401002.806 S2C4T1 Fl. 8 13 quando da apresentação da defesa, de demonstrar tratar de empresa regular, com identidade jurídica e fática diversa, razão porque procedentes os AI lavrados. COMPENSAÇÃO Quanto a este ponto embora tenha sido arguido apenas em sede de recurso, entendo deva ser esclarecido a impossibilidade de tal prática, tendo em vista que a empresa MAX, continua a existir no plano fático e jurídico, portanto devida contribuição sobre seu faturamento, sendo impossível aproveitar os recolhimentos cuja base de cálculo é o faturamento são diversos, com os fatos geradores ora lançados. Caso ocorresse a efetiva desconsideração da pessoa jurídica até poderíamos falar em compensação, mas Entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a condição de vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu o auditor fiscal ao redirecionamento do vínculo empregatício para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. Assim, as contribuições apuradas não se referem a empresa MAX, mas a efetiva prestação de serviços a FILIPPSEN Pela análise do relatório fiscal, resta claro que não houve simplesmente caracterização do vínculo de emprego, visto que os segurados já estavam enquadrados como empregados nas empresas auditadas em conjunto; porém constatouse que as características inerentes ao vínculo de emprego levaram a autoridade fiscal a desconsideração das contratações de determinadas empresas fiscalizadas em conjunto, vinculando seus supostos empregados a empresa notificada, já que constatou que a mesma é que preenchia os condição de empregadora, gerenciando de fato toda a atividade. Tais procedimentos e artifícios, conjugados com a utilização dos mesmo empregados, entre as empresas, conspiraram para o mesmo resultado: Sonegação de tributos devidos à Previdência Social, que agora, os lançamentos fiscais buscaram resgatar. A aparente distinção entre as empresa permitiu aos empresários usufruírem indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei nº 9317/96 (Lei do Simples), mas constatandose que na verdade quem detinha a gerência sobre toda a atividade era a empresa notificada. O que ocorreu durante o procedimento fiscal, por meio de diversos elementos de prova, observados pontualmente durante o procedimento de auditoria, foi a constatação, por parte do auditor fiscal, de que não existiam realmente diversos empregadores, e sim, que as empresas criadas não assumiram verdadeiramente o poder de direção, estando todos os empregados vinculados enquanto trabalhadores a um único empregador, qual seja a empresa FILIPPSEN. Assim, procedente o lançamento realizado. AUTO DE INFRAÇÃO – AI 68 GFIP Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Justificável apenas a necessária vinculação do desfecho do julgamento do AI que indicou como fatos geradores as remunerações pagas pela contratação irregular por meio de empresa interposta, acima descritos. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721806/201168 Acórdão n.º 2401002.806 S2C4T1 Fl. 9 15 Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 402DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Contudo a partir da publicação da lei 11.941/2009, em relação as GFIP entregues após a publicação da lei, deverseá adotar o cálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A, caput, inciso I e parágrafos 2 e 3, conforme descrito acima. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas em relação aos períodos anteriores a Mp 449, convertida na lei 11.941. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. AI COD. 78 Lavrado conforme dispõe o artigo 32A, caput e parágrafo 3º, inciso II, da Lei nº 8.212/91, por declarar GFIP sem relacionar todos os pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, como disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, nas competências 08/2008 a 11/2008. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721806/201168 Acórdão n.º 2401002.806 S2C4T1 Fl. 10 17 Assim, como o fez em relação ao AI 68, procedeu a autoridade fiscal, ao comparativo da multa mais benéfica, devendo apenas ser observado, conforme descrito às fls. 44 e 45 anexas ao REFISC: c) "AI 78 E MULTA ANTERIOR" houve entrega de GFIP após 03/12/2008 e o débito da competência foi lavrado, considerando se a multa de mora de 24% ou 12% e mais o AI 78, porém desprezandose os valores dos AI 68 ou 69, mesmo que listados; d) "AI 78 E MULTA ATUAL" houve entrega de GFIP após 03/12/2008 e o débito da competência foi lavrado, considerando se a multa de ofício de 75% e ou a multa de mora por compensação indevida, calculada com a alíquota de 0,33% ao dia, limitada a 20%, e mais o AI 78. Assim, a referida autuação referese apenas as GFIPs entregues após a publicação da lei 11.941/2008, razão porque correto o procedimento realizado. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa do DEBCAD 37.329.5634, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa no AI de obrigação principal correlata. Para os demais AI, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 404DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator Designado Em que pese o costumeiro brilhantismo da Eminente Relatora, ouso dela divergir no que se refere ao fundamento legal a ser adotado para o recálculo da multa mais benéfica a ser aplicada ao contribuinte em decorrência das alterações legislativas trazidas à lume com a edição da Lei 11.941/09. Sobre o assunto, inicialmente, há que se considerar a redação dos artigos 32 A e 35A, respectivamente, acrescentados na Lei 8.212/91 em virtude da promulgação da Lei 11.941/09, os quais dispõem o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 405DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.721806/201168 Acórdão n.º 2401002.806 S2C4T1 Fl. 11 19 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estaria sujeito o contribuinte. A meu ver, sobre o assunto não resta outra conclusão, senão acatar a tese sustentada no Recurso Voluntário. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões, quando comparada com as disposições do art. 35A da mesma legislação. Por tais motivos, a meu ver, deve ser esta, aquela cuja aplicação deve se dar no presente caso, obviamente caso venha a ser mais benéfica ao recorrente, na forma a ser apurada pela autoridade fiscal. Assim, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito, não vejo outra solução passível de ser adotada, senão pela aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 ao presente caso.Vejamos o que preleciona citado artigo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ante todo o exposto voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja efetuado o cálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art 32A, II, da Lei 8.212/91, acompanhado os demais argumentos constantes do voto da Em. Relatora. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 407DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10325.000487/2005-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO
Ante a ausência de previsão legal expressa para que a comprovação dos depósitos bancários cuja origem seja questionada em procedimento de fiscalização seja feita com coincidência exata de datas e valores (art. 42 da Lei nº 9.430/96) e logrando o contribuinte comprovar que dispunha de montante suficiente a justificar parte dos depósitos bancários transitados por suas contas, deve esta comprovação ser aceita, e excluído o referido montante da base de cálculo do lançamento.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 14/05/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 5 1 4 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10325.000487/200534 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.639 – 2ª Turma Sessão de 24 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSÉ DÁRIO GOMES PEREIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO Ante a ausência de previsão legal expressa para que a comprovação dos depósitos bancários cuja origem seja questionada em procedimento de fiscalização seja feita com coincidência exata de datas e valores (art. 42 da Lei nº 9.430/96) e logrando o contribuinte comprovar que dispunha de montante suficiente a justificar parte dos depósitos bancários transitados por suas contas, deve esta comprovação ser aceita, e excluído o referido montante da base de cálculo do lançamento. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 04 87 /2 00 5- 34 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2101 00.407, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção em 02 de fevereiro de 2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício. Segue abaixo sua ementa: “IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS —RENDIMENTOS DECORRENTES DA ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS NOS CRÉDITOS BANCÁRIOS Quando, em ação fiscal resta determinada a similitude entre os valores dos rendimentos decorrentes da atividade rural e aqueles apurados como omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, cabível que se admita que os frutos do exercício atividade rural sejam aptos a comprovar a origem dos créditos em conta bancária. RENDIMENTOS DECORRENTES DA ATIVIDADE RURAL — FALTA DE ESCRITURAÇÃO — ARBITRAMENTO A falta de escrituração dos recursos provenientes da atividade rural implicará no arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. Recurso de Oficio Negado.” Explica a PGFN que, tendo em vista a exoneração do crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, foi interposto recurso de oficio, ao qual foi negado provimento pelo acórdão recorrido, que, em decisão unânime, manteve a exclusão da infração correspondente aos depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10325.000487/200534 Acórdão n.º 9202002.639 CSRFT2 Fl. 6 3 Diz que o colegiado a quo considerou comprovada a origem dos depósitos bancários, sem que houvesse uma exata correspondência com os recursos apontados para justificalos, individualmente em datas e valores. Nesse ponto, considera que tal decisão diverge do paradigma que apresenta, cuja ementa será reproduzida a seguir: Acórdão 10421.400 “DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nQ. 70.235, de 1972 e artigo 5Q da Instrução Normativa SRF n° 94, de 1997, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO RETROATIVIDADE DA LEI NJ° 10.174, de 2001 Não há vedação constituição de credito tributário decorrente de procedimento de fiscalização que teve por base dados da CPMF. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n°9.311, de 1996, a Lei n° 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, aplicandose, no caso, a hipótese prevista no § 1° do art. 144 do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DEPÓSITOS DE VALOR INDIVIDUAL INFERIOR A R$ 12.000,00 TRATAMENTO Nos lançamentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, devem ser desprezados os depósitos de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00, quando sua soma, no ano, não ultrapasse a R$ 80.000,00. Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido." Destaca que o paradigma concluiu que o contribuinte, para elidir a presunção legal relativa do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, deve trazer aos autos provas com coincidência de datas e valores para provar a origem dos rendimentos omitidos. Registra que em nenhum momento o próprio contribuinte vinculou, demonstrando de forma precisa com indicação da origem e com coincidência de datas e valores, os depósitos bancários de origem não comprovada a rendimentos oriundos exclusivamente da atividade rural. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Sustenta que, à luz da Lei n.º 9.430/96, cabe ao sujeito passivo demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o beneficio que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Ao final, requer o provimento de seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 210000.025/2011, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Insurgese absolutamente contra o Crédito Tributário auferido no Auto de Infração, em virtude da inexistência do fato gerador tributável. Diz que as informações e os documentos pertinentes foram regularmente apresentados à Fazenda Nacional junto ao processo administrativo original do presente recurso. Frisa que na defesa administrativa foram colacionados extratos bancários, recibos de pagamento e recibos que comprovam a revenda dos produtos que comercializa nos valores especificados. Destaca a incerteza do crédito por parte da recorrente, o que torna nulo o Auto de Infração, uma vez que no referido Auto existem parcelas tributárias exorbitantes ao valor efetivamente devido, conforme decisão em sede de Recurso de Oficio. Pondera que o Imposto de Renda só pode ser cobrado quando identificado, de forma insofismável, o montante tributável nos momentos acima descritos. Ressalta que não impugnou o valor de R$ 2.073,00 (dois mil e setenta e três reais), declarados como rendimentos recebidos de pessoa jurídica como dirigente industrial, fato que gera a prescrição lógica ao ato de recorrer. Ao final, requer o não provimento do recurso em comento. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige dos contribuintes a comprovação dos recursos que justifiquem a origem dos depósitos bancários e não a coincidência de datas e valores, até porque não há obrigação legal para as pessoas físicas de escrituração. Portanto, ante a ausência de previsão legal expressa para que a comprovação dos depósitos bancários cuja origem seja questionada em procedimento de fiscalização seja feita com coincidência exata de datas e valores (art. 42 da Lei nº 9.430/96) e logrando o contribuinte comprovar que dispunha de montante suficiente a justificar parte dos depósitos bancários transitados por suas contas, deve esta comprovação ser aceita, e excluído o referido montante da base de cálculo do lançamento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10325.000487/200534 Acórdão n.º 9202002.639 CSRFT2 Fl. 7 5 Precedente: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO Comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado. Comprovado a origem do depósito bancário, devese afastar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado. (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 19515.002869/200378, Acórdão n° 920201.385, Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgado em 11/04/2011) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10746.000474/2007-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos, é de prover-se os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão. Embargos de Declaração acolhidos.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2403-001.909
Decisão: Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher o embargo de declaração.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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CONTRADIÇÃO. Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos, é de proverse os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão. Embargos de Declaração acolhidos. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher o embargo de declaração. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 04 74 /2 00 7- 76 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator “ad hoc” Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10746.000474/200776 Acórdão n.º 2403001.909 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargo contra o Acórdão 240300.637, da 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em função de contradição entre a ementa, o dispositivo e o voto. O acórdão foi relatado pelo conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Em razão de o relator não mais pertencer aos quadros do CARF, fui designado relator “ad hoc” A contradição está abaixo apontada. A decisão da Turma foi por unanimidade, reconhecer a decadência até a competência 03/2002. “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência das competências até 03/2002, inclusive, com base no art. 150 § 4º do CTN. No mérito, em negar provimento ao recurso.” A ementa contém o período de apuração de 01/03/1996 a 30/06/1998, enquanto o lançamento compreende o período de 03/1998 a 12/2006. Também o voto do Relator acabou por declarar a decadência de todo o lançamento, com base tanto na forma de contagem prevista no art. 173, I, do CTN, quanto no art. 150, §4º. “Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constata se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional.” Abaixo transcrevo o relatório do acórdão recorrido . Adoto integralmente o relatório de fls. 407/410, in verbis: Tratase de crédito tributário constituído contra BLOCO ENGENHARIA E COMERCIO LTDA, por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD Fl. 449DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DEBCAD n°370844513, no período fiscalizado que compreende os meses de janeiro/1997 a dezembro/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, às fls. 54/57, a presente notificação abrange as competências entre março/1998 a dezembro/2006, sendo objeto do lançamento as contribuições previdenciarias de contribuintes individuais, não retidas pela empresa, e diferenças de acréscimos legais sobre recolhimentos em atraso; calculando o montante do tributo devido em RS 4.037,71 (quatro mil, trinta e sete reais e setenta e um centavos), consolidado em 18/04/2007. Informa a Fiscalização que os fatos geradores foram verificados por meio de folhas de pagamento de pessoal, folhas de pagamento de prólabore e GF1P's, entregues pelo sujeito passivo. O valor discriminado do débito corresponde ao montante das contribuições devidas pelo empregador, abatido deste montante os valores recolhidos em GPS. O contribuinte foi cientificado da notificação em 20/04/2007. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a notificada contestou o lançamento, tempestivamente, em 04/05/2007, sendo a seguinte razão de defesa suscitada contra a NFLD em epígrafe: Alega que a empresa sempre utilizou os percentuais previstos em lei juntamente com os indices da tabela SELIC para atualização das contribuições recolhidas em atraso. Por fim, anexa diversas cópias de todos os recolhimentos do INSS, correspondente ao período fiscalizado”. A instância “a quo” analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação de fls. 407/410, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2006 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. MULTA. TAXA DE JUROS SELIC. As contribuições sociais pagas em atraso estão sujeitas a juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, como também à multa.Os percentuais são determinados pelos arts. 34 e 35 da Lei 8212/91. Lançamento Procedente A Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, às fls. 420/427, onde alega, em preliminar a Decadência e no mérito a inexistência de prova do recolhimento a menor, o excesso de execução pela aplicação da taxa Selic. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10746.000474/200776 Acórdão n.º 2403001.909 S2C4T3 Fl. 4 5 Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal informou que a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo e encaminhou ao Conselho os autos para análise e decisão. Encaminhado o recurso a instancia “ad quem”. É o relatório Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Os embargos apontam contradição na questão da decadência entre a ementa, o dispositivo e o voto. A presente manifestação se aterá à questão da decadência. A decisão (não embargada) foi por unanimidade de votos em reconhecer a decadência das competências até 03/2002, inclusive, com base no art. 150 § 4º do CTN e no mérito, em negar provimento ao recurso. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência das competências até 03/2002, inclusive, com base no art. 150 § 4º do CTN. No mérito, em negar provimento ao recurso. Está documentada a ciência do lançamento por parte da recorrente em 20/04/2007 e constam apropriações de guias de recolhimento ao lançamento. Reconheço a existência da contradição e entendo que deva ser sanada. O período do lançamento efetivamente referese ao período não contínuo de 03/1998 a 12/2006 e a ementa do acórdão embargado contém a informação incorreta que o período de apuração foi de 01/03/1996 a 30/06/1998. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Deve ser considerado correto o período de apuração de 01/03/1998 a 31/12/2006, conforme consta da ementa deste acórdão. Aponta o embargo da procuradoria que “o voto do Relator acabou por declarar a decadência de todo o lançamento, com base tanto na forma de contagem prevista no art. 173, I, do CTN, quanto no art. 150, §4º” e transcreve trecho do voto que antecede a conclusão. Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O que se decidiu, por unanimidade, foi o provimento parcial do recurso, reconhecendo a decadência até a competência 03/2002, inclusive, com base no art. 150 § 4º do CTN, visto que o lançamento estendese até 12/2006. CONCLUSÃO Voto por dar provimento aos embargos para sanar as contradições apontadas, retificando o período de apuração contido na ementa para “Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2006” e para fundamentar a decadência (parcial) até a competência 03/2002, inclusive, exclusivamente no § 4º do artigo 150 do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 452DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001821/2003-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1994, 1995
CONTRIBUIÇÕES CSL/COFINS. PRAZO DECADENCIAL DE DEZ ANOS. INCONSTITUCIONALIDADE.
São inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Numero da decisão: 9101-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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Numero do processo: 10830.720004/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Não comprovada a área declarada como de produção vegetal, é lícita a sua glosa pelo Fisco e a consequente exigência de eventual diferença de imposto, mediante lançamento de ofício.
ITR. ÁREA INCORPORADA AO PERÍMETRO URBANO. COMPROVAÇÃO. A incorporação de imóvel ao perímetro urbano e a consequente exclusão do mesmo da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR deve ser comprovada, de forma inequívoca, com documentos hábeis e idôneos.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza, que deu provimento integral ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 06 de maio de 2013
Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Não comprovada a área declarada como de produção vegetal, é lícita a sua glosa pelo Fisco e a consequente exigência de eventual diferença de imposto, mediante lançamento de ofício. ITR. ÁREA INCORPORADA AO PERÍMETRO URBANO. COMPROVAÇÃO. A incorporação de imóvel ao perímetro urbano e a consequente exclusão do mesmo da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR deve ser comprovada, de forma inequívoca, com documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. Recurso negado
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NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Não comprovada a área declarada como de produção vegetal, é lícita a sua glosa pelo Fisco e a consequente exigência de eventual diferença de imposto, mediante lançamento de ofício. ITR. ÁREA INCORPORADA AO PERÍMETRO URBANO. COMPROVAÇÃO. A incorporação de imóvel ao perímetro urbano e a consequente exclusão do mesmo da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR deve ser comprovada, de forma inequívoca, com documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza, que deu provimento integral ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 00 04 /2 01 0- 79 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 06 de maio de 2013 Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Relatório PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJDRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 136) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 4/8, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR referente ao exercício de 2007, no valor de R$ 682.028,15, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.363.578,87. Segundo o relatório fiscal, o lançamento decorre da revisão da DITR/2007 da qual foi glosado o valor declarado como área de produtos vegetais, conforme descrição dos fatos a seguir reproduzida: Área de Produtos Vegetais informada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área efetivamente utilizada para plantação com produtos vegetais declarada. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. REVISÃO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL DITR/2007 QUADRO 11 DA DECLARAÇÃO: DISTRIBUIÇÃO DA ÁREA UTILIZADA NA ATIVIDADE RURAL (Item 11: ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS): 1 Na DITR/2007, o contribuinte informou no Quadro 11 Distribuição da Área Utilizada na Atividade Rural, no item 11 deste Quadro, área ocupada com produtos vegetais no total de 404,7 hectares. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.720004/201079 Acórdão n.º 2201002.070 S2C2T1 Fl. 3 3 2 Através do Termo de Intimação Fiscal n° 08104/00023/2009 foi solicitada a comprovação da referida área, relativamente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007, mediante a apresentação de: Notas fiscais do produtor; Notas fiscais de insumos; certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto); contratos ou cédulas de crédito rural; outros documentos que comprovem a área ocupada com produtos vegetais. 3 Na resposta encaminhada por via postal (TRIBUTÁRIO/RFISCO/RFF 0322/2009, datada de 16 de outubro de 2009), o contribuinte não apresentou a documentação solicitada, deixando de comprovar, desta forma, o que declarou na DITR/2007, ou seja, a área ocupada com produtos vegetais no total de 404,7 hectares. 4 Em consequência do exposto, referida área (item 11 da DITR/2007) foi desconsiderada, refletindose em alteração no resultado da Declaração, pois foi apurado Imposto a Pagar Suplementar, com os devidos acréscimos legais, objeto da presente Notificação de Lançamento. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a multa de 75% tem caráter confiscatório e é inconstitucional; que o imóvel em questão está localizado no perímetro urbano do Município de Paulista/SP desde 1976, ano da publicação da Lei Municipal nº 540, de 06 de agosto de 1976, o que comprova por meio de declaração emitida pelo Município de Paulista e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA; que no próprio registro das áreas mencionadas consta, na forma de averbação, a indicação de que o imóvel foi incorporado ao perímetro urbano do Município de Paulista, o que confere publicidade e autenticidade ao fato, bem como permite a sua legal oposição a terceiros. Por fim, pede a produção posterior de prova e que seja julgado improcedente o lançamento. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a alegada natureza confiscatória da multa, a DRJCAMPO GRANDE/MS observou que refoge competência aos órgãos julgadores administrativos de examinarem argüição de inconstitucionalidade de lei; e quanto ao pedido de dilação probatória registrou que, segundo as normas que regem o processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas com a impugnação, não sendo dado ao julgador administrativo deferir pedido de dilação. Quanto ao mérito, relativamente à alegação de que o imóvel estaria inserido no perímetro urbano do Município da Paulista, a DRJ registra que, para ser eficaz, a Certidão apresentada de que o imóvel estaria inserido no perímetro urbano deveria trazer, necessariamente, a data em que o imóvel passou a integrar o perímetro urbano; que, no caso, a certidão não traz esta data e, como foi emitida em 1º de janeiro de 2007 e todos os demais documentos remetem ao ano de 2008, não restou comprovada a alegação. Quanto à área declaradamente utilizada com produtos vegetais, a DRJ limita se a observar que a Autuada reconheceu o erro ao declarar tal área, não merecendo, pois, revisão o lançamento. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 11/04/2012 (fls. 146) e, em 10/05/2012, interpôs o recurso voluntário de fls. 149/160, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Conselheiro O recurso é tempestivo e atende aos demais requisito de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação. Como se colhe do relatório, a infração que ensejou o lançamento foi apenas a glosa de valor declarado como área de produção agrícola. O Contribuinte, embora reconhecendo ter errado quanto à declaração da área de produção agrícola, afirma que o imóvel está inserido na área urbana do Município de Paulínia e, portanto, não estaria mais sujeito ao ITR. Para demonstrar o fato apresenta Certidão daquela municipalidade (fls. 96) e certidão do Incra dando conta do cancelamento de cadastro naquele órgão em razão da incorporação do imóvel ao perímetro urbano. Ocorre que, como ressaltado pela decisão de primeira instância, o lançamento referese a fato gerador ocorrido em 1º/01/2007, e tanto a certidão da Prefeitura de Paulínia quanto a certidão do Incra são posteriores a esta data e não indicam o período a partir do qual o imóvel foi incorporado ao perímetro urbano. Por outro lado, é importante ressaltar que o lançamento baseouse em declaração apresentada pelo próprio Contribuinte, tendo a autoridade fiscal se limitado a excluir área de produção agrícola inexistente. Portanto, foi a própria Contribuinte que declarou o imóvel como localizado na área agrícola. Isto é, a matéria não é objeto do lançamento. Embora se admita a possibilidade da revisão do lançamento em razão de questão que não foi objeto da autuação, tal revisão deve se dar mediante prova conclusiva, e no caso, tal prova não foi apresentada. Nestas condições, não há como rever o lançamento. Quanto à alegação de confisco da multa de ofício imposto, tratase de Manifestação que busca alcançar a validade da norma que prevê a incidência da penalidade, sua constitucionalidade. Mas, conforme jurisprudência reiterada deste Conselho, consolidada, inclusive, em súmula, falece competência aos órgãos julgadores administrativos para apreciarem argüições de inconstitucionalidade de norma, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, como o próprio contribuinte reconhece a inexistência da área de produção agrícola declarada, deve ser mantida a glosa, e não tenho mais nada a rever na autuação, deve ser mantida integralmente a exigência. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.720004/201079 Acórdão n.º 2201002.070 S2C2T1 Fl. 4 5 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13771.000999/2007-92
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO NÃO RECONHECIDA.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso provido
Numero da decisão: 2802-002.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora .
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 14/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO NÃO RECONHECIDA. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora . (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 14/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 00 09 99 /2 00 7- 92 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003, em razão da omissão de rendimentos de pessoa jurídica e deduções indevidas com dependentes e despesas médicas, nos valores de RS 30.000,00, RS 2.544,00 e RS 3.285,02. respectivamente, conforme enquadramento legal e descrição dos fatos às fls. 4/5. Discordando da exigência fiscal (fls.1/2) o interessado, segundo relatório de primeira instância, em síntese. alega que tem direito às deduções glosadas e, em decorrência de moléstia grave (alienação mental), os rendimentos recebidos a título de aposentadoria, pensão ou reforma são isentos do imposto de renda.Para provar o alegado, junta aos autos os documentos de fls. 12/37. A impugnação foi julgada parcialmente procedente, em síntese: Quanto a omissão de rendimentos: que foi comprovada aposentadoria apenas dos rendimentos pagos pelo INSS, fls. 16/17. Em relação aos valores objeto da infração de omissão de rendimentos, denotase que documentação alguma foi trazida para demonstrar que são oriundos de aposentadoria ou pensão.Todavia, ainda assim a isenção pretendida não encontra amparo legal para deferimento, haja vista que a patologia diagnosticada por meio de laudo oficial do INSS doença mental, CID 10 F32.3 e F29 não está incluída na relação das moléstias graves para fins de isenção do imposto de renda, como mostra o conteúdo do inciso XXXIII do art. 39 do mesmo diploma legal antes mencionado. A doença mencionada no parágrafo anterior pode causar Alienação Mental. Neste caso, por figurar na relação das moléstias graves do dispositivo legal antes colacionado, a Alienação Mental poderia conferir direito à isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, desde que expressamente comprovada e especificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial, contudo, esta situação não veio demonstrada nos presentes autos. Quanto a glosa de dependentes e despesas médicas: Os documentos de fls. 13/14 e 37 comprovam que assiste razão ao impugnante no sentido de restabelecer as despesas glosadas pela autoridade lançadora – Dependentes e Despesas Médicas , nos valores de R$ 2.544,00 e R$ 3.285,02, conforme prescrevem em os arts. 77 e 80 do Decreto n° 3.000/1999. O contribuinte teve ciência da decisão no dia 14/06/2011 e apresentou recurso voluntário em 13/07/2011 , com os seguintes argumentos: “o valor então recebido como suplementação após invalidez lhe fora pago pela VALIA (Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social) não cuidara de informar à Receita Federal o Valor dos pagamentos suplementares após invalidez, agora comprovados com os contracheques de pagamentos (doc's anexos), fazendo supor à Receita Federal que aqueles valores pudessem ter sido oriundos de outra fonte de pagamento. Pois bem, só resta á Receita Federal reconhecer que a patologia existente no impugnante lhe isenta de contribuição de Imposto de Renda das parcelas que recebe a titulo de auxilio aposentadoria e a sua complementação, pois esta, sendo acessória acompanha o principal. Cumpre salientar que o impugnante desde 19 de agosto de 2002, conforme comprovada por laudo médico do INSS já é portador de alienação Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13771.000999/200792 Acórdão n.º 2802002.400 S2TE02 Fl. 89 3 mental, ainda que em novo laudo médico pericial apresentado em setembro de 2007, indique ser o mesmo portador de doença mental CID 10 F 32,3 + F 29, que como declarado pela própria Previdência Social Oficial isenta o impugnante de contribuinte de Imposto de Renda desde 19 de agosto de 2002. Ora, da ta v ên ia , a espécie em comento (doença mental) foi entendida pela Receita Federal, em interpretada na espécie filigrana gramatical, pois, portador de doença mental e alienação mental, ao fim significa a mesma coisa por isso que alienado mental que estava desde 19 de agosto de 2002, o quadro era e é irreversível, sendo que o novo CID apenas potencializa o agravamento da doença. ...” É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A matéria ora em litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O contribuinte afirma tratarse de rendimentos de aposentadoria e que é portador de moléstia grave. Ocorre que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de reconhecer a isenção de tais rendimentos, em razão dos seguintes fatos: Em relação aos valores objeto da infração de omissão de rendimentos, denotase que documentação alguma foi trazida para demonstrar que são oriundos de aposentadoria ou pensão.Todavia, ainda assim a isenção pretendida não encontra amparo legal para deferimento, haja vista que a patologia diagnosticada por meio de laudo oficial do INSS doença mental, CID 10 F32.3 e F29 não está incluída na relação das moléstias graves para fins de isenção do imposto de renda, como mostra o conteúdo do inciso XXXIII do art. 39 do mesmo diploma legal antes mencionado. A doença mencionada no parágrafo anterior pode causar Alienação Mental. Neste caso, por figurar na relação das moléstias graves do dispositivo legal antes colacionado, a Alienação Mental poderia conferir direito à isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, desde que expressamente comprovada e especificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial, contudo, esta situação não veio demonstrada nos presentes autos. O artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Vejamos. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004). [...] Ocorre que, para o fim de obter a isenção do imposto sobre a renda, a doença grave deve ser comprovada nos moldes exigidos pelo artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1995. Esse dispositivo estipula uma formalidade incontornável para a comprovação da moléstia grave: ela deve constar de Laudo Médico Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município, no qual deve ser especificado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O mencionado dispositivo está, a seguir, transcrito: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. [...] O recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, Ofício expedido pela Agência da Previdência Social de Vitória, que o Sr. Vicente de Paulo dos Santos, é portador de Alienação Mental desde 19.08.2002. Os Comprovantes de fls 90/96 comprovam que os rendimentos auferidos pelo recorrente, são provenientes de aposentadoria. Assim, entendo cumprido os requisitos legais para o recorrente usufruir da isenção do imposto de renda com fundamento no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988. Assim, DOU PROVIMENTO AO RECURSO voluntário. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13771.000999/200792 Acórdão n.º 2802002.400 S2TE02 Fl. 90 5 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10880.943528/2008-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 43 52 8/ 20 08 -2 6 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 29/07/2004 o PER/DCOMP eletrônico n° 21244.22471.290704.1.3.048301, visando utilizar direito creditório fundado em pagamento indevido ou a maior de IRPJ, onde consta: a) débito compensado a.1) IRPJ (código de receita 2089) Período de apuração: 2º Trim. / 2004; vencimento: 30/07/2004 principal: R$ 2.670,04; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 2.670,04. a.2) CSLL (código de receita 2372) Período de apuração: 2º Trim. / 2004; vencimento: 30/07/2004 principal: R$ 309,05; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 309,05. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: Valor Original do Crédito Inicial: R$ 10.836,63; Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 6.525,53; Crédito Atualizado: R$ 10.257,48; Total dos débitos desta DCOMP: R$ 2.979,09; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 4 3 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 1.895,22; Saldo do Crédito Original: R$ 4.630,31. A DERAT/SP emitiu Despacho Decisório (fl. 01), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 6.525,53. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 03/11/2008, manifestação de inconformidade (fls. 11 e 12), alegando, em síntese, o seguinte: a) que é empresa optante pelo Lucro Presumido e possui como atividade a construção civil; b) que de janeiro de 1999 a junho de 2003 recolheu a titulo de IRPJ o equivalente a 15% sobre a base de cálculo de 32% sobre o faturamento bruto, inclusive sobre as receitas em que houve emprego de materiais; c) que conforme o ADN Cosit n° 6 de 1997, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% quando houver emprego de materiais; d) que com base nessa legislação foram retificadas todas as DCTFs compreendidas no período do 1° trimestre de 1999 ao 2° trimestre de 2003 para corrigir o valor dos débitos de IRPJ, onde foram considerados base de cálculo de 32% nos casos em que houve a prestação de serviço com emprego de materiais. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo DRJ/SP I manteve a negativa em relação à referida declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O voto do relator que orientou o acórdão (acima transcrito) apresenta o seguinte fundamento: “A interessada alega que efetuou pagamento a maior ao aplicar o percentual de 32% sobre a receita bruta para a apuração da base de cálculo do lucro presumido, sendo que para o caso em que diz se enquadrar (atividade de prestação de serviço de construção civil com emprego de materiais) o percentual a ser utilizado é de 8%. Dessa forma, a controvérsia fica restrita A existência ou não do direito creditório da interessada. Quanto a esta questão, a pleiteante nada apresentou para comprovar a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado para a compensação dos débitos informados em DCOMP. Para qualquer reconhecimento de direito credit6rio, a requerente deverá fazer prova inequívoca da existência e veracidade do direito creditório (artigo 170 do CTN) sem a qual nada pode ser deferido de oficio pela autoridade fiscal. Nenhuma documentação foi apresentada para comprovar que naquele período a interessada prestou serviço de construção civil com emprego de materiais. Tal circunstância deve ser comprovada por meio dos contratos de execução dos serviços juntamente com a escrita contábil. Dessa forma, por não haver comprovação da veracidade das alegações da interessada quanto A existência de direito creditório (falta de liquidez e certeza), fica mantido o Despacho Decisório proferido nos presentes autos.” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/07/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/08/2010 (fls. 40 a 45). Alega em seu recurso: que tem como atividade a execução de obras de construção civil, CNAE 4120400, sendo optante pela apuração do imposto de renda da pessoa jurídica pelo lucro presumido; Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 6 5 que é incontroverso que o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade (ADN Cosit nº 6, de 1997); que se equivocou no cálculo da apuração de seu imposto de renda de pessoa jurídica pelo lucro presumido no período de apuração trimestral encerrado em 31 de março de 2001; que aplicou 32% sobre o total da receita bruta para apurar o imposto de renda pessoa jurídica pelo lucro presumido, no referido período de apuração, sem considerá1a se decorrente de emprego unicamente de mãodeobra ou se houve emprego de materiais; que, assim, apurou o imposto de renda a maior do que era o devido, como se pode verificar no demonstrativo contido no recurso, onde nas notas fiscais/fatura de serviços com emprego de materiais, o percentual de presunção do lucro foi de 32%, quando o certo seria de 8% (a Recorrente apresenta planilhas para demonstrar como seria a apuração correta do imposto); que houve recolhimento a título de imposto de renda pessoa jurídica de R$ 10.836,63, quando o correto é de R$ 4.311,10, de modo que tem o direito de crédito desta diferença, em razão do recolhimento a maior de imposto de renda pessoa jurídico do período de apuração encerrado em 31/03/2001, de R$ 6.525,53; que logo após a constatação de seu equívoco na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, acima mencionado, providenciou as retificações das DCTF's dos respectivos períodos de apuração, conforme comprovantes anexos (Doc. 003); que os materiais utilizados na prestação de serviços, no período de apuração encerrado em 31/03/2001, relativo ao 1º trimestre de 2001, foram deduzidos para apuração do imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN), sendo que os lançamentos correspondentes foram homologados pela Secretaria de Finanças da Prefeitura do Município de São Paulo; que comprova a existência de seu direito creditório com cópias dos seguintes documentos: 1) Notas Fiscais Fatura de Serviços (NFFS) emitidas no período de janeiro, fevereiro e março de 2001 e respectivas notas fiscais de compra de materiais anexadas (Docs. 004 a 013), 2) Folhas 001, 015 e 016 do Livro de registro de notas fiscais fatura de serviço modelo 53 da Prefeitura do Município de São Paulo, escrituradas com as notas fiscais fatura de serviços do item 1. 3) Folhas 001 a 015 do Livro Diário de número 04, onde estão os lançamentos das aquisições de materiais empregados na prestação de serviços 4) Folhas 001, 047, 048 e 049 do Livro Razão de número 03, referentes a conta de Materiais. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 7 6 5) Folhas 001 a 014 do Livro de Entradas de Mercadorias modelo 1A de número 04, da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo onde estão escrituradas as notas fiscais de compras de materiais empregados na prestação de serviços.. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 21244.22471.290704.1.3.048301, com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de IRPJ, no valor original de R$ 6.525,53, com débito de mesma natureza e de CSLL, referente ao 1º Trimestre de 2003. A DERAT de São Paulo não homologou a compensação efetuada pela contribuinte alegando que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Resta comprovado que a Recorrente atua no ramo da construção civil. Aduz que auferiu no referido período receitas no montante de R$ 169.935,00, R$ 49.600,00 correspondendo a serviços com emprego exclusivo de mão de obra (Notas Fiscais nº 90, 95, e 98) e R$ 160.858,00 decorrentes de serviços com emprego de materiais (Notas Fiscais nº 91, 92 93, 94, 96, 97 e 99). Informa também que aplicou indiscriminadamente o coeficiente de 32% para a apuração do lucro presumido, quando o correto seria aplicar o coeficiente de 8% no caso dos serviços com emprego de materiais, conforme estabelecido no ADN Cosit nº 6, de 1997. Nestes termos, o débito correto de IRPJ seria de R$ 4.311,10, e não R$ 10.836,63 (valor pago), o que caracterizaria o pagamento a maior no valor de R$ 6.525,53, que é a origem do crédito utilizado no PER/DCOMP sob exame. A primeira negativa ao pleito da Contribuinte se deu pelo despacho decisório da Delegacia de origem (fls. 2), com o fundamento de que o mencionado pagamento de R$ 10.836,63 tinha sido integralmente utilizado para a quitação de débito informado pela Contribuinte, não restando crédito disponível para a pretendida compensação. Na manifestação de inconformidade, a Contribuinte informou que retificou a DCTF para corrigir as informações nos sistemas da Receita Federal. Contudo, a Delegacia de Julgamento, ao examinar essa manifestação, registrou que nenhuma documentação havia sido apresentada para comprovar que naquele período a interessada prestou serviço de construção civil com emprego de materiais, e que tal circunstância deveria ser comprovada por meio dos contratos de execução dos serviços juntamente com a escrita contábil. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 9 8 Foi mantida, portanto, a negativa em relação à compensação, e a Contribuinte ingressou com o recurso voluntário sob exame. Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP, que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. Além de ter enviado a DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ referente ao 1º trimestre de 2001. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 10 9 decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que nenhuma documentação foi apresentada para comprovar que no período em questão a interessada prestou serviço de construção civil com emprego de materiais, e que tal circunstância deveria ser comprovada por meio dos contratos de execução dos serviços juntamente com a escrita contábil. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao seu recurso voluntário cópias de notas fiscais por ela emitidas; de notas fiscais referentes a compras de materiais; do Livro que contém a demonstração do Imposto sobre Serviços; do Livro Diário, “onde estão os lançamentos das aquisições de materiais empregados na prestação de serviços”; do Livro Razão, referente à conta de Materiais; e do Livro Registro de Entradas, “onde estão escrituradas as notas fiscais de compras de materiais empregados na prestação de serviços”. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 11 10 Como mencionado pela Recorrente, o ADN Cosit nº 6/1997 tratava do coeficiente de presunção de lucro para a atividade de construção por empreitada, distinguindo duas situações: quando houvesse emprego de materiais, em qualquer quantidade; e quando houvesse emprego unicamente de mãodeobra, sem o emprego de materiais. O entendimento manifestado neste Ato Declaratório Normativo foi superado pelas disposições contidas no art. 1º, §§ 7º e 9º, c/c art. 32 da IN SRF 480/2004 (com as alterações da IN SRF 539/2005). Tais dispositivos passaram a admitir a aplicação do menor coeficiente apenas para a contratação por empreitada de construção civil que fosse realizada na modalidade total, em que o empreiteiro forneça todos os materiais indispensáveis à sua execução, e que tais materiais sejam incorporados à obra, não sendo considerados como materiais incorporados à obra os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. Mas os fatos em questão ocorreram no 1º trimestre de 2001, antes da citada mudança legislativa, e devem, portanto, ser tratados sob a ótica do ADN Cosit nº 6/1997. Os elementos apresentados pela Recorrente denotam que houve prestação de serviços na área de construção civil com emprego de materiais por ela fornecidos. As notas fiscais relativas às compras feitas pela Recorrente neste período demonstram a aquisição de vários materiais normalmente aplicados em obras de construção civil, como areia, brita, cimento, concreto, ferro para construção, bloco, tijolo, tinta, etc. No recurso voluntário, a Contribuinte discrimina as notas fiscais cuja receita deveria ser submetida aos coeficientes de 32% ou de 8%. Contudo, ainda não é possível concluir qual é efetivamente o montante da receita que decorreu da prestação de serviços na área de construção civil com fornecimento de materiais. O julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP, para que, mediante o exame dos documentos já mencionados acima, da DIPJ (ainda não juntada aos autos), dos contratos firmados pela Recorrente com seus clientes (ou de informações obtidas junto a estes), e de outros documentos que sejam considerados relevantes para o deslinde da questão, a referida unidade de origem verifique e esclareça: a) o valor da receita bruta do período em questão; b) a parcela desta receita que decorre da prestação de serviços na área de construção civil com fornecimento de materiais; e c) o valor do IRPJ efetivamente devido em relação ao 1º trimestre de 2001; d) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.943528/200826 Resolução nº 1802000.260 S1TE02 Fl. 12 11 Concluída a diligência fiscal, a DERAT/SP deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Isto posto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DERAT/SP atenda a essas solicitações e, posteriormente, retorne os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 240DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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