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Numero do processo: 13609.720840/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO
Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente contradição entre o decidido nos votos condutores e a parte dispositiva da ementa.
Embargos Acolhidos em Parte
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-004.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos para retificar o dispositivo do voto e ratificar o resultado do acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente contradição entre o decidido nos votos condutores e a parte dispositiva da ementa. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos para retificar o dispositivo do voto e ratificar o resultado do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente contradição entre o decidido nos votos condutores e a parte dispositiva da ementa. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos para retificar o dispositivo do voto e ratificar o resultado do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 08 40 /2 01 2- 37 Fl. 6923DF CARF MF 2 Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302003.078 que, negou provimento aos Recursos Voluntários e de Ofício nos termos da ementa abaixo sintetizada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO. CUMULATIVIDADE. ARBITRAMENTO. LUCRO REAL. Arbitrado o lucro, apurase as Contribuições do PIS e a COFINS pela norma do inciso II, do artigo 8º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. MULTA QUALIFICADA. AUSENCIA DE PROVA DE ELEMENTOS QUALIFICADORES. Constatado por meio do relatório fiscal que as saídas de mercadorias estavam acobertadas pela emissão de nota fiscal, e, os dados apurados foram com base na contabilidade, inexistem elementos a qualificar situação a justificar aplicação da multa qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA. A solidariedade deve ser atribuída nos casos que o interesse comum esteja evidenciado e vinculado a pessoa beneficiária pela conduta, ações, objetivos, atos e fatos geradores de tributo, no caso concreto nenhum destes elementos relacionam direto com as demais empresas do grupo econômico. Negado Provimentos aos Recursos Voluntários e de Ofício. Segundo a Embargante há contradição e erro material no julgado nos seguintes termos: a) contradição entre os dispositivos do acórdão embargado e do voto condutor, na medida em que o primeiro indica o desprovimento do recurso, enquanto o segundo aponta o provimento parcial do recurso; e b) contradição em relação aos fundamentos utilizados pelo relator com as provas dos autos, para afastar o agravamento da multa. Em 14 de fevereiro de 2017, foi proferido o despacho de fls. 6.9186.921 no sentido de admitir parcialmente os Embargos de Declaração para seja dirimida a contradição indicada no item "a" anteriormente citado. É o relatório. Voto Fl. 6924DF CARF MF Processo nº 13609.720840/201237 Acórdão n.º 3302004.762 S3C3T2 Fl. 3 3 Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Conforme noticiado anteriormente, os Embargos de Declaração foram admitidos para sanar a contradição existente entre os dispositivos do acórdão embargado e do voto condutor, na medida em que a Embargante alega que o primeiro (parte dispositiva) indica o desprovimento do recurso, enquanto o segundo (voto contudor) aponta o provimento parcial do recurso. O demonstrativo abaixo resume a contradição apontada pela Embargante, senão vejamos: Parte Dispositiva Voto Condutor Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário. DA MULTA QUALIFICADA. (...) Inexistindo, a meu sentir, elementos caracterizadores a autorizar a multa qualificada, motivo pelo qual acolho o pleito da Recorrente para afastála, e, determinar aplicação da multa de ofício de 75%. De fato há contradição entre a parte dispositiva do acórdão embargado e os termos do voto condutor relativo a matéria envolvendo o agravamento da multa, merecendo, assim, serem acolhidos os Embargos de Declaração para sanar a referida contradição. Para dirimir a contradição contida no v. acórdão embargado, mister se faz esclarecer algumas questões concernentes à aplicação da multa qualificada, senão vejamos. Inicialmente, verificase que a imposição de multa qualificada se deu nos termos do §1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, considerando a existência de conduta dolosa apurada pela fiscalização, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O Termo de Verificação Fiscal (fls.4.3814.502), traça o histórico das operações realizadas pelas empresas envolvidas para demonstrar as irregularidades praticadas pelos contribuintes e justificar a imposição de multa qualificada, dentre os quais destacase: Partindo da produção, poderíamos traçar uma sequência das operações que realizam para a transferência de seus recursos financeiros: Fl. 6925DF CARF MF 4 Ocorre a produção de refrigerantes ou sucos na BH Refrigerantes; Os recursos para a compra dos insumos para a produção desses produtos são originários de contas correntes da On Time Factoring; Esses produtos são revendidos a prazo para Unibev empresa do grupo; Da venda é emitido um título de crédito que é negociado com a On Time Factoring, porém, apenas a titularidade do título é transferida, não há o pagamento da On Time para a BH Refrigerantes. Sustenta o contribuinte que o valor dos títulos negociados permanece na conta bancária da On Time para suprir as despesas e custos do contribuinte BH Refrigerantes; A contabilidade das operações na BH Refrigerantes (dados obtidos dos arquivos digitais) é feita de forma que não é possível identificar quais os seus valores estão em poder da On Time Factoring; A contabilidade das operações na On Time Factoring é feita de forma que não é possível identificar quais os valores da BH Refrigerantes estão em seu poder; A Unibev vende a prazo as compras que fez da BH Refrigerantes. Supostamente negocia os títulos de crédito com a On Time Factoring que também não lhe faz o pagamento, apenas aceita o título; A On Time por sua vez recebe os valores dos títulos devidos pelos clientes a Unibev. Logicamente a Unibev não liquida os títulos emitidos pela BH Refrigerantes. As contabilizações escriturais se encarregam de fazer a suposta baixa. A emissão desses títulos é apenas para dar um caráter formal à negociação com a On Time Factoring; Não é possível detectar os recursos financeiros de cada empresa. Na contabilidade da On Time os valores estão consolidados em contas sintéticas e não se sabe o que é de quem; Assim o círculo vicioso vai se processando a e a simulação de negócios vai transferindo a propriedade de recursos. Já no voto embargado, o relator originário, primeiramente, por motivos não relacionados à existência de dolo, fraude, simulação, mas sim, por entender inexistir irregularidade na emissão de notas fiscais com a denominação "mercadorias com bonificação", afastou a imposição de multa qualificada com base nos seguintes fundamentos: Como resta evidente da leitura dos autos, as saídas de mercadorias do estabelecimento da Recorrente foram, segundo afirmação da fiscalização acompanhada de notas fiscais, mesmo que essas eram emitidas cuja operação se qualificava como sendo “bonificação” sem incidência dos tributos devidos, especialmente, o PIS e a COFINS. Relata o Fisco que paralelamente à diminuição da base de cálculo do IRPJ e CSLL, o contribuinte buscava a se isentar do PIS e da COFINS por meio de emissões de notas fiscais de saídas com os CFOP 5910 e 6910, “Remessa em Bonificações”, afirma a ainda: “... pois acredita que por não se enquadrarem no conceito de receitas, estariam às contribuições acima isentas de sua aferição sob o rótulo dessas operações fiscais...” O contribuinte, segundo se vê dos autos, emitia os documentos fiscais obrigatórios, cabia a Fazenda Pública, sujeito ativo, fiscalizála. Fl. 6926DF CARF MF Processo nº 13609.720840/201237 Acórdão n.º 3302004.762 S3C3T2 Fl. 4 5 Também é verdade que a fiscalização extraiu os dados necessários a apuração das contribuições nos livros fiscais, assim como, obteve todas as informações necessárias por meio dos arquivos digitais, sacando desses os dados das notas fiscais, e, não lançou nenhuma dúvida quanto à idoneidade dos documentos fiscais examinados ou índice de subterfúgio capaz de caracterizar situação a autorizar o lançamento da multa qualificada no que pertine ao PIS e a COFINS. Do exame dos autos não se vislumbra elementos caracterizadores dessa atitude, diferentemente do raciocínio do Fisco traçado na apuração do IRPJ e CSLL, tanto é verdade que dedicou o item 9 do “Termo de Verificação Fiscal” ao caso das contribuições aqui tratadas, distinguindo que a questão dessas contribuições não se relacionava aos fatos de omissão de receitas cometidas pela empresa fiscalizada que determinaram o arbitramento pelo método do Lucro Arbitrado. Segundo a própria fiscalização o arbitramento não constitui penalidade, mas forma de tributação do lucro, e, o arbitramento foi em virtude da inexistência do livro diário, ausente esse livro, não se admite a opção do lucro real. Inexistindo, a meu sentir, elementos caracterizadores a autorizar a multa qualificada, motivo pelo qual acolho o pleito da Recorrente para afastála, e, determinar aplicação da multa de ofício de 75%. Por outro lado, o relator originário manteve a sujeição passiva dos contribuintes por entender caracterizado o intuito de fraude nas operações sob análise, principalmente em relação ao fato das notas fiscais terem sido emitidas de forma irregular, configurando fraude ao erário, senão vejamos: Há demonstração clara de que essas empresa participa do grupo e participam efetivamente do desenho concretizado para fraudar. A conduta contraria a legislação tributária está cuidar de pagamento de cada um dos sócios, bem como, da empresa Belo Horizonte, se tivesse logrado êxito em demonstrar que as operações de venda de crédito era o meio utilizado para abastecer o seu caixa, refazendo seu fluxo financeiro, utilizado o sistema bancário para o depósito das quantias recebidas da factoring, revestia como sendo operação normal e de praxe de mercado. (...) Restou evidente nos autos que toda a conduta foi no sentido dar saída das mercadorias rotulando a transação de “mercadorias de bonificação” afastandoas desse modo do campo de incidência, resultando em pagamento a menor das contribuições sociais devidas, consequentemente, beneficiandose diretamente por meio do lucro obtido, aumentando o patrimônio pessoal. Pois bem. Considerando que a multa qualificada referese a ocorrência de fraude, dolo e simulação e, tal fato restou devidamente comprovado nos autos, através de fartos elementos probatórios (vide TVF) e, afirmado pelo julgador originário do voto embargado, entendo que a multa qualificada deve ser mantida pelos fundamentos inicialmente lançados. Neste cenário, entendo correto o resultado constante na parte dispositiva do acórdão embargado que, negou provimento aos recursos de oficio e voluntário. Fl. 6927DF CARF MF 6 Diante do exposto, acolho parcialmente os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo do voto e ratificar o resultado do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 6928DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.005240/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO IPI.
O crédito presumido do IPI tem natureza de incentivo fiscal às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS, isto é, considerando-se a necessidade de desoneração da cadeia de distribuição e comercialização e em vista da natureza cumulativa das contribuições. Por conseguinte, não devem compor a base de cálculo das contribuições.
Numero da decisão: 3201-003.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 216 1 215 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.005240/200313 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.087 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria PIS Recorrente DAIBY S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. O crédito presumido do IPI tem natureza de incentivo fiscal às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS, isto é, considerandose a necessidade de desoneração da cadeia de distribuição e comercialização e em vista da natureza cumulativa das contribuições. Por conseguinte, não devem compor a base de cálculo das contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 52 40 /2 00 3- 13 Fl. 216DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 129 em face de decisão de primeira instância administrativa da DRJ/RS de fls. 122 que decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade do contribuinte, restando o crédito de Pis e Cofins do regime não cumulativo não reconhecidos em razão da subtração do total de créditos, pela inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo das contribuições, de ofício, que a fiscalização entendeu como débitos de Pis e Cofins, conforme exposto no exposto no Relatório Fiscal de fls. 98 e Despacho Decisório de fls 103. Como de costume nesta Turma de Julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância para a apreciação dos fatos e trâmite dos autos: "Trata o presente processo dos Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo—exportação do período 01/01/2003 a 31/03/2003, de cujo saldo a contribuinte pretende ser ressarcida conforme Pedidos de Ressarcimento e/ou Declarações de Compensação apresentados. 2. Efetivada ação fiscal conforme Relatório, constatou a fiscalização que a interessada não incluía entre as receitas da base de cálculo do PIS não cumulativo as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMs a terceiros. Esta prática, no entanto, não repercutiu na pretensão da contribuinte já que a mesma impetrou Mandado de Segurança visando não incluir na base de cálculos das contribuições tais receitas. Desta forma, foi lavrado auto de infração constituindo os créditos tributários referentes à contribuição social incidente sobre as receitas de transferência de ICMS a terceiros no período de 12/2002 a 12/2004, com exigibilidade suspensa. 3. Outra irregularidade apontada foi a de que o crédito Presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de Cofins incidentes sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados ao mercado externo não foi considerado para fins de apuração da base de cálculo do PIS não cumulativo. Foi então calculado corretamente o valor do PIS — não cumulativo sobre tais receitas, acarretando a diminuição do valor do crédito, resultando em ressarcimento/compensação em valor menor do que o pleiteado, conforme consta do Despacho Decisório da DRF em Novo Hamburgo. 4. Tempestivamente a interessada apresentou manifestação de inconformidade, reclamando da inclusão na base de cálculo do valor da transferência para terceiros do ICMS. Também manifestouse contrária à inclusão da receita do ressarcimento do IPI, alegando que a legislação permite ao contribuinte o ressarcimento do PIS/COFINS através de crédito Presumido de IPI sobre aquisições no mercado interno de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos exportados ou destinados à empresa comercial exportadora. O benefício foi criado para incrementar a exportação, tornando mais atraente no mercado externo o produto brasileiro, já que neutralizaria o efeito cumulativo do Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11065.005240/200313 Acórdão n.º 3201003.087 S3C2T1 Fl. 217 3 PIS e da Cofins. Considera que o valor ressarcido na forma de crédito do IPI assemelhase à verdadeira recuperação de custos e não espécie de receita. Entende que a Lei n° 9.363, de 1996, pretendeu a não inclusão na base de cálculo das contribuições dos valores tidos como recuperação de custos, transcrevendo a exposição de motivos do projeto da Medida Provisória que posteriormente foi convertida na Lei n° 9.363. Argumenta que, mesmo se entendido como receita, seria proveniente de exportação, e como tal, desonerada de tributação. Considera que o inciso I, § 2° do artigo 149 da Constituição Federal introduzido pela Emenda Constitucional n° 33, de 11 de dezembro de 2001, teria sido explícito neste aspecto. Pleiteia reforma do Despacho Decisório para o fim de reconhecer o direito ao ressarcimento integral dos valores pleiteados." A Ementa desse Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada da seguinte forma: "Assunto:Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração:01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa: BASE DE CÁLCULO PIS/ COFINS— NÃO CUMULATIVO O crédito presumido do IPI, uma vez abrangido pelo conceito de receita, e não tendo sido expressamente contemplado pelas hipóteses de exclusão e isenção, compõe a base de cálculo da contribuição (Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2° e 3°; Lei n° 9.715, de 1998, art. 8°, I; Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 14; Instrução Normativa SRF n° 146, de 2002). Solicitação Indeferida." Após o protocolo do Recurso Voluntário os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. Dado seguimento ao Recurso interposto, foi dado provimento no julgamento, conforme Acórdão de fls. 01, que foi publicado e julgado com matéria diferente da submetida à julgamento, com a seguinte Ementa: "Assunto:Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração:01/01/2003 a 31/03/2003 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." Logo, o julgamento não condizia com a lide apresentada à Turma de Julgamento, motivo pelo qual foi Embargado pela Fazenda Nacional e, ao ser novamente Fl. 218DF CARF MF 4 apreciado pela Turma de julgamento em fls. 202, decidiuse por anular o Acórdão que havia dado provimento ao Recurso Voluntário, conforme Ementa transcrita a seguir: "Assunto:Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração:01/01/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO Constatado, através do exame de embargos declaratórios, a ocorrência de contradição no voto condutor do acórdão embargado e a matéria objeto do recurso interposto, anulase o julgado anterior, para novo julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator." Os autos retornaram para novo julgamento, foram distribuídos e pautados em acordo com o Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Sem confundir com trâmite destes autos e visto que a lide deve ser julgada novamente, é importante registrar que, nesta Turma de julgamento, existe precedente sobre a mesma matéria, conforme Acórdão de n.º 3201002.449, de 24 de Janeiro de 2017, voto escrito pela nobre Conselheira Relatora Ana Clarissa Mazuko dos Santos Araújo. Naquela oportunidade, a relatora, com voto vencedor, apresentou as seguintes razões de decidir: "Sobre o crédito presumido do IPI, a pretensão da Recorrente baseiase em dois fundamentos distintos e independentes, quais sejam: a)o estorno do crédito presumido do IPI, feito pela recorrente no mês de dezembro de 2003 referese ao custo dos "insumos" utilizados em produtos em fabricação ou acabados, mas que não foram vendidos no curso daquele ano calendário, observandose fielmente as determinações do art. 7° da Instrução Normativa SRF n. 313/03; b) a contribuição ao PIS não incide sobre o crédito presumido do IPI, uma vez que esse incentivo fiscal não possui a natureza jurídica de receita, Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11065.005240/200313 Acórdão n.º 3201003.087 S3C2T1 Fl. 218 5 estando, dessa forma, fora do campo de incidência da contribuição social; Destarte, o crédito presumido do IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS e COFINS, instituído pela Lei nº 9.363/96, que dispôs que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. O crédito presumido do IPI, portanto, tem natureza de incentivo fiscal às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS, isto é, considerandose a necessidade de desoneração da cadeia de distribuição e comercialização e em vista da natureza cumulativa das contribuições, o legislador concebeu a técnica, para a eliminação da cumulatividade residual. "Receita" é conceito qualificado pela sua origem, decorrente de atividade empresarial, não podendo ser considerado qualquer ingresso como tal. Nesse sentido, a afirmação é corroborada pelos fundamentos do Acórdão nº 9303002.618, que ora se transcreve: Receita não é todo e qualquer ingresso que a empresa tem. Assim, por exemplo, não se cogita que a integralização de capital social seja tributada pela COFINS, mesmo sendo um ingresso de valor para a empresa. Receita surge como decorrência direta da atividade fim desenvolvida pela empresa e, ainda, ter vinculação com o resultado desta atividade. Assim, voltase a afirmar, não é qualquer ingresso que constitui uma receita. Nessa linha de raciocínio, a interessada destaca em suas contrarrazões: “ crédito de IPI ressarcido pela União, não é considerado uma receita. Os créditos de PIS e COFINS (requeridos via ressarcimento) não são considerados uma receita (§10°, do art. 3°, da Lei n° 10.833/03). Porquê então, os créditos presumidos de ICMS (subvenções do PROBAHIA e FUNDOPEM) haverão de ser? Será que o beneficio outorgado pela União possui natureza jurídica distinta daqueles que são outorgados pelos Estados membros?” E mais, citando o eminente ex Conselheiro José Minatel, que assim se posiciona sobre o conceito de Receita: "...é ingresso qualificado pela sua origem, caracterizando a entrada definitiva de recursos que, ao mesmo tempo, remunera e é proveniente do exercício da atividade empresarial.(...) Se o Fl. 220DF CARF MF 6 objetivo é cotejar o conceito que impingimos para receita,confrontandoo com a natureza dos ingressos recebidos com a chancela de subvenção governamental, essa distinção de tratamento afigurasenos irrelevante: bastanos o indicativo da origem, ou seja, ingresso qualificado como beneficio governamental e, pronto, estará à margem da regra de incidência das contribuições cuja base de cálculo é a receita auferida, no sentido de proveniente do exercício da atividade empresarial.(...) as subvenções governamentais não se qualificam no conceito isolado de receita, porque não decorrente de esforço ou do exercício da atividade empresarial.(.)"(Minatel, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita. MP Ed. SP. 2005. pág. 101/240). De se observar, a partir desta definição, a receita ainda traz consigo a característica de ser o produto que vem de fora do patrimônio empresarial, mas que é derivado de dentro, por decorrer de atos, operações ou atividades da empresa, ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, e de que resulte algum benefício direto para a pessoa que o remunera por isso. E, nesse sentido, é pacífica a jurisprudência do STJ, que afirma que o crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, "não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômico financeiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS." (EDcl no REsp 1342534 / RS). Portanto, não incide COFINS e PIS tanto sobre o crédito presumido do IPI, até por uma coesão sistêmica, em face da incoerência de se dar um incentivo fiscal para desonerar a cadeia produtiva dessas contribuições, para, depois, excluir esses mesmos créditos na base de cálculo dessas contribuições." Diante do precedente exposto, é importante reconhecer que o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/COFINS previsto na Lei 9.363/96, em uma visão breve e prática, tem o objetivo e fim social de ressarcir as contribuições da cadeia nacional industrial exportadora para que não seja exportado valor do tributo, com a consequente desoneração da cadeia produtiva e fortalecimento da competitividade da indústria nacional no mercado internacional. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF reforçou este entendimento em janeiro deste ano, conforme Acórdão de n.º 9303004.617, publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCLUSÃO. Não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, por não ter natureza jurídica de receita, tendo em vista tratarse de benefício Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11065.005240/200313 Acórdão n.º 3201003.087 S3C2T1 Fl. 219 7 fiscal concedido às empresas exportadoras de bens nacionais para ressarcimento do PIS e da COFINS pago na aquisição de insumos empregados na industrialização das mercadorias." Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, uma vez que o crédito presumido de IPI não compõe a base de cálculo de Pis e Cofins. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.001324/2004-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.324
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 13 24 /2 00 4- 69 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11065.001324/200469 Acórdão n.º 9303005.324 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.600, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11065.001324/200469 Acórdão n.º 9303005.324 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11065.001324/200469 Acórdão n.º 9303005.324 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11065.001324/200469 Acórdão n.º 9303005.324 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 412DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910045/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.580
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente AMCOR PACKAGING DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 45 /2 01 1- 82 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13819.910045/201182 Acórdão n.º 3302004.580 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02051.214. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13819.910045/201182 Acórdão n.º 3302004.580 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13819.910045/201182 Acórdão n.º 3302004.580 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13819.910045/201182 Acórdão n.º 3302004.580 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13819.910045/201182 Acórdão n.º 3302004.580 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13819.910045/201182 Acórdão n.º 3302004.580 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002264/2003-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano calendário: 2000
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO.
Comprovado nos autos que o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples fez remissão aos dispositivos legais vigentes e à situação fática que ensejaram a sua emissão, afasta-se a alegação de falta de motivação do ato administrativo.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCEDIMENTO FISCAL.
Não há que se falar em exercício da ampla defesa e do contraditório na fase procedimental quando a fiscalização apura os fatos e ilícitos tributários, instaurando-se o litigioso, que obriga a observância dos referidos princípios constitucionais, somente após a apresentação da defesa do contribuinte em
resposta ao ato administrativo praticado de ofício.
SIMPLES. OPÇÃO. IMPEDIMENTO LEGAL.
Vedada a opção pelo Simples pela pessoa jurídica que realize operações relativas a prestação de serviço de locação de mão de obra.
SIMPLES. VEDAÇÃO DA ATIVIDADE. EFEITOS DA EXCLUSÃO.
A exclusão do Simples por causa de atividade vedada pela norma jurídica produz efeito ex tunc em vista do contribuinte ter optado por regime de tributação diferenciado que sempre lhe foi vedado por imposição legal, semelhantemente ao contribuinte que opta indevidamente pelo lucro presumido, quando está obrigado ao lucro real. Trata-se de regimes de apuração de tributos e opções regidas pelas normas tributárias que devem ser observadas rigidamente. A opção indevida não gera direito adquirido, nem
pode ser tratada como ato jurídico perfeito, mas, sim, gera sanções tributárias.
Numero da decisão: 1801-000.357
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente, para, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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FALTA DE MOTIVAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. Comprovado nos autos que o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples fez remissão aos dispositivos legais vigentes e à situação fática que ensejaram a sua emissão, afasta-se a alegação de falta de motivação do ato administrativo. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCEDIMENTO FISCAL. Não há que se falar em exercício da ampla defesa e do contraditório na fase procedimental quando a fiscalização apura os fatos e ilícitos tributários, instaurando-se o litigioso, que obriga a observância dos referidos princípios constitucionais, somente após a apresentação da defesa do contribuinte em resposta ao ato administrativo praticado de ofício. SIMPLES. OPÇÃO. IMPEDIMENTO LEGAL. Vedada a opção pelo Simples pela pessoa jurídica que realize operações relativas a prestação de serviço de locação de mão-de-obra. SIMPLES. VEDAÇÃO DA ATIVIDADE. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A exclusão do Simples por causa de atividade vedada pela norma jurídica produz efeito ex tunc em vista do contribuinte ter optado por regime de tributação diferenciado que sempre lhe foi vedado por imposição legal, semelhantemente ao contribuinte que opta indevidamente pelo lucro presumido, quando está obrigado ao lucro real. Trata-se de regimes de apuração de tributos e opções regidas pelas normas tributárias que devem ser observadas rigidamente. A opção indevida não gera direito adquirido, nem pode ser tratada como ato jurídico perfeito, mas, sim, gera sanções tributárias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente, para, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Presidente e Relatora EDITADO EM: 16/11/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente de exclusão do Simples de empresa que optou pelo sistema de tributação, simplificado, diferenciado e favorecido indevidamente, por exercer atividade legalmente vedada, conforme Ato Declaratório Executivo nº 45/03 – fls. 21. O procedimento fiscal de exclusão teve início com a representação fiscal feita à seção de fiscalização da Gerência Executiva do INSS, fls. 01 a 05, em vista da constatação fiscal na empresa de que esta: a) presta serviços quase exclusivamente à firma individual KATHIA CILENE REICHEL KOFFKE, nas mesmas dependências e realizando as atividades fins da empresa contratante, ou seja, serviços de contabilidade e outros relacionados; b) a empresa ora excluída foi criada com o intuito de locar mão de obra para a empresa KATHIA; c) possuem o mesmo endereço como sede; d) a ETIKA tem como objeto social prestação de serviços de digitação e processamento de dados, enquanto a KATHIA a exploração do ramo de contabilidade e auditoria; e) a identificação do estabelecimento evidencia serem a mesma as duas empresas, na realidade, escritório de contabilidade: “ETIKA CONTABILIDADE”; f) não há separação física nas dependências das empresas que funcionam conjuntamente; g) as despesas administrativas são suportadas pela firma individual “KÁTHIA”; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.002264/2003-13 Acórdão n.º 1801-00.357 S1-TE01 Fl. 72 3 h) a titular da firma individual detém 50% das cotas da empresa “ETIKA”, exercendo a gerência desta em conjunto com os outros sócios; i) a receita da prestação de serviços de contabilidade é desenvolvida pela empresa ETIKA que fatura contra a firma individual “KATHIA” apenas o valor suficiente a cobrir as despesas com a folha de funcionários e tributos, enquanto a “KATHIA” fatura os serviços prestados aos diversos clientes do escritório contábil; j) a firma individual “KATHIA” não possui empregados; A sócia Káthia Cilene Reichel Koffke é técnica em contabilidade. Conclui, na representação fiscal, que a empresa ETIKA executa serviços profissionais de contabilidade e faz locação destes serviços à firma individual “KATHIA”. Em conseqüência aos fatos relatados, a autoridade a quo exarou o Ato Declaratório Executivo DRF/Blumenau/SC nº 45/03, excluindo a empresa do Simples, desde a data de sua opção efetuada de forma indevida – fls. 21. A empresa apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 26 a 30, argumentando que apenas presta serviços de processamento de dados e digitação, atividades estas não vedadas pela Lei nº 9.317/96 e não loca mão de obra à outra empresa, a quem, todavia, se subordina hierarquicamente e por causa doa redução dos custos situa-se no mesmo endereço. Entre outras alegações, discorre sobre a natureza de incentivo fiscal do Simples e o fato de que não subsistirá, gerando desemprego, se for excluída do sistema favorecido de tributação. Argumenta ainda que não pode ser excluída sumariamente antes de encerrado o processo administrativo fiscal, o que acarreta cerceamento de defesa, que a exclusão pelo mero fato de duas empresas ocuparem o mesmo espaço físico fere os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva, e mais o princípio da legalidade, visto que a empresa só presta serviços de digitação e processamento de dados. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 03-22.523/07 indeferindo a defesa da contribuinte, fls. 38 a 40. Irresignada, a empresa apresenta, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 43 a 65, argumentando, em suma: 1) a empresa à época dos fatos tinha como objetivo social o serviço de digitação e processamento de dados; a partir de 01/07/2007 alterou o contrato social para a prestação somente de serviços de digitação; 2) em 26/07/07 protocolizou pedido de inclusão no Simples Nacional e foi- lhe negado – a recorrente atribui à negativa deste pedido o Acórdão que ora combate; 3) a seguir esclarece que em 01/04/2008 recebeu notícia do deferimento de sua inclusão no Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/07; 4) contesta, então, o Ato Declaratório que excluiu-a do Simples Federal; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 5) protesta pela nulidade da decisão administrativa de exclusão (proferida na Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão do Simples) por ausência de fundamentação legal, porque não veiculou a motivação do indeferimento, com fulcro no artigo 50 da Lei nº 9.784/99; 6) ataca o Ato Declaratório Executivo de exclusão pela mesma razão; cita acórdão do Conselho de Contribuintes a respeito desta matéria; 7) a exclusão sumária do Simples é causa de nulidade do ato de exclusão, pois impediu a recorrente de apresentar defesa prévia; 8) o ato danoso e lesivo praticado pelo fisco ofende os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; cita doutrina sobre estes princípios constitucionais; cita acórdão do extinto Tribunal Federal de Recursos sobre o duplo grau de jurisdição; do Superior Tribunal de Justiça sobre cancelamento de benefício previdenciário sem prévio procedimento administrativo e acórdão do Tribunal Federal de Recursos sobre matéria aduaneira; 9) alega que no presente caso não se instaurou um processo regular; 10) reitera sobre a falta de motivação explícita no Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples, invocando os artigos 50 e 53 da Lei do processo federal, nº 9.784/99; 11) cita ementa de acórdãos na qual: a) empresa que vendia suprimentos de informática e prestava serviços de digitação foi mantida no Simples; b) outra que prestava serviços de revisão gramatical, redação, digitação, tradução, diagramação etc quando estas atividades não exijam formação profissional específica; 12) diz que a fiscalização não demonstrou de forma cabal que a recorrente infringiu a legislação ou que não preenche os requisitos; cita ementa de acórdão; 13) impossibilidade dos efeitos retroativos do ato administrativo de exclusão, pois por omissão a Secretaria da receita Federal admitiu a inclusão da empresa no Simples; ofensa ao princípio da irretroatividade da norma jurídica tributária – arts. 06 do CTN e 150, III, da CF, c/c o art. 5º, XXXVI, igualmente da CF; cita doutrina e o Pacto de San Jose da Costa Rica. Instrui o presente recurso com cópias de peças do processo administrativo nº 13971.003724/2007-54 que versam sobre o pedido de inclusão da empresa no Simples Nacional e atos conseqüentes. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. Matéria Prejudicial – Simples Nacional – não conhecimento Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.002264/2003-13 Acórdão n.º 1801-00.357 S1-TE01 Fl. 73 5 De plano, cumpre esclarecer que a matéria do presente processo é a exclusão da empresa recorrente do Simples Federal, instituído pela Lei nº 9.317/96, formalizada pelo ADE nº 45/07, não se podendo confundir com o pedido de inclusão da empresa no Simples Nacional, regime instituído pela Lei Complementar nº 123/06 (processo administrativo nº 13971.003724/2007-54). Destarte, as argumentações da recorrente que transcorreram por esta matéria – Simples Nacional – não serão conhecidas neste voto por não serem objeto do litígio formalizado neste processo administrativo fiscal. Das Preliminares – a) nulidade do Ato de Exclusão Em princípio cumpre esclarecer à recorrente que a norma processual que rege os processos administrativos fiscais é o Decreto nº 70.235/72 (PAF), enquanto a Lei nº 9.784/99, que versa sobre os processos administrativos em geral, é apenas subsidiária nos casos de omissões naquele diploma legal. Apesar da matéria invocada em sede preliminar – nulidade do Ato Declaratório Executivo – não ter sido apresentada na manifestação de inconformidade, considero matéria de ordem pública, pois a motivação do ato administrativo, entre outros atributos, é de natureza constitucional, princípio que infere-se do caput do artigo 37da Carta Magna: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (grifos não pertencem ao original) Conheço desta questão, por conseguinte, não aplicando o artigo 17 do PAF ao presente caso – preclusão, restrição que costumo interpretar de forma temperada em vista das nulidades absolutas e matérias de ordem pública. Tratando do tema, a recorrente argumenta que o ato administrativo de exclusão não foi motivado e escorou-se em norma complementar administrativa. O ADE de fls. 21 assim foi redigido, transcrevendo-o na íntegra, por relevante: “O DELEGADO SUBSTITUTO DA RECEITA FEDERAL EM BLUMENAU/SC, usando de suas atribuições e de acordo com o que consta no artigo 14, Inciso I da Lei 9317, de 05 de dezembro de 1996 e no artigo 23, inciso I da IN SRF 355, de 29 de agosto de 2003, resolve: Art. 1º - Excluir, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, a pessoa juridica Etika Prestadora de Serviços Ltda (CNPJ - 04.071.794/0001-35) por se enquadrar nos art. 20° inciso XI alínea "e" e art. 23° inciso IV da IN 355/2003, abaixo transcritos: Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: (...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 XI - que realize operações relativas a: (...) e) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de obra; Art. 23. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) IV - constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; Art. 2º - A exclusão de que trata este Ato Declaratório produz efeitos retroativos a 28 de setembro de 2000, nos termos do inciso V, do art. 24 da IN SRF 355/2003, podendo ser apresentada manifestação de inconformidade no prazo de 30 dias a partir da ciência do contribuinte, conforme determina o art. 15 do Decreto 70.235/72, assim, assegurado o contraditório e a ampla defesa.” Analisa-se, primeiro, se o ato feriu o princípio da legalidade, consoante debatido pela recorrente. O ato expressamente cita o artigo 14, inciso I, da Lei nº 9.317/96, que instituiu e versa sobre o Simples Federal: Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Diz o inciso II do artigo 13 da referida Lei, e transcrevo apenas a alínea ‘a’, por suficiente: Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-á: I – [...] II - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Por sua vez, o dispositivo citado tem a seguinte redação: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XII - que realize operações relativas a: [...] f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra; (grifos não pertencem ao original) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.002264/2003-13 Acórdão n.º 1801-00.357 S1-TE01 Fl. 74 7 Concordo que a autoridade administrativa a quo foi infeliz em reportar-se ao que literalmente diz a Lei, através da transcrição dos dispositivos legais da Instrução Normativa que simplesmente esmiúça e reprisa a referida norma. Mas, destaco, a infração detectada e causa, fundamental, da exclusão da recorrente do Simples foi explicitamente enfrentada no Ato Declaratório em questão, o qual respaldou-se no artigo 14, inciso I, da Lei nº 9.317/96, dispositivo que se auto reporta aos demais. Entendo, por isso, que embora a ênfase (transcrição da norma) dada pelo ato tenha sido sobre a norma complementar, o ADE não deixou de estar fundamentado na norma legal. Se não houvesse a transcrição (que é um plus do ato) da IN SRF nº 355/03, mas a mera citação do artigo 14, I, da Lei nº 9.317/96 e a explicação que a empresa não pode optar pelo Simples porque realiza operações relativas à locação de mão-de-obra (expressão inclusive negritada no ADE), a recorrente sequer teria alegado o vício de forma. Afasto, portanto, a argumentação de que o ADE feriu o princípio da legalidade e não restou devidamente motivado. Somado a este fato, volto à defesa inicial apresentada pela recorrente. Naquela está fartamente comprovado que a recorrente teve plena ciência da representação fiscal que comunicou os diversos fatos que imputaram a conclusão de que a empresa loca, efetivamente, mão de obra à firma individual “KHATIA”. Cumpre salientar, por oportuno, que o ADE não precisa citar todos os fatos expostos pela fiscalização para excluir a empresa do Simples, bastando a constatação de uma das causas excludentes. No caso, a causa excludente e motivação do ato foi, inequivocamente, locação de mão de obra, atividade vedada pela legislação do Simples Federal e vigente à época dos fatos. Da Preliminar – b) cerceamento de defesa durante o procedimento de apuração dos fatos A recorrente contesta veemente o fato de somente poder exercer os direitos constitucionais inerentes à ampla defesa e contraditório após a emissão do Ato Declaratório ter sido emitido e cientificada da exclusão. A exclusão do Simples, no que respeita aos aspectos processuais é regida pelo PAF (Decreto nº 70.235/72) – assim determina o § 3º do artigo 15 da Lei nº 9.317/96: § 3o A exclusão de ofício dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) No processo administrativo fiscal, somente a impugnação, ou manifestação de inconformidade, no caso, instaura o litígio administrativo. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Assim estabelece o Decreto nº 70.235/72, em seu artigo 14: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. No decorrer da apuração dos fatos que culminam na constatação pela autoridade fiscal dos ilícitos tributários cometidos que ensejam autuação ou outras medidas administrativas coercitivas, não há contraditório nem o exercício da ampla defesa, pois são fases inquisitórias, cujos procedimentos são realizados ex officio, sem necessidade da colaboração do contribuinte. Daí que somente após a constituição do novo status do contribuinte e da sua ciência é que o litígio se instaura e o contraditório e a ampla defesa podem ser exercidos, como a recorrente está fazendo por meio deste processo administrativo, inclusive sujeitando a lide ao duplo grau de jurisdição. Afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Do Mérito – a) falta de comprovação pela fiscalização dos fatos alegados A recorrente, limita-se, no que respeita ao mérito da lide a alegar e reiterar que o fato de duas empresas ocuparem o mesmo espaço físico não é razão para que seja considerado que uma loca mão de obra para a outra ou que sejam a mesma empresa. Mas, a fiscalização na verdade não se limitou a este fato. Houve outros de igual relevância que somados nos levam à evidente conclusão de que é realmente uma empresa de contabilidade só. Simplesmente não foram confrontados por ausência de contra argumentação. Cito os mais importantes, acima relatados no início deste aresto, mas não todos: a) a identificação do escritório usando o nome fantasia ETIKA CONTABILIDADE; b) a firma individual KHATIA, que seria o escritório contábil, não possuir qualquer empregado registrado; c) todas as despesas administrativas serem suportadas pela KHATIA; d) a gerência de ambas as pessoas jurídicas ser exercida pela proprietária da firma individual e sócia com 50% da ETIKA; e) a referida sócia majoritária, sra. Kathia, é técnica em contabilidade. Desta forma, a minha convicção se forma, em face do que dos autos consta, que a empresa ETIKA efetivamente possui um quadro de empregados a serviço da firma individual de sua sócia majoritária, estando vedada a optar pelo Simples Federal. Do Mérito – b) dos efeitos retroativos do ADE Quanto aos efeitos retroativos do ADE, no presente caso, a tese que defendo e adoto é que ao se tratar de atividade vedada para a opção do Simples, não há que se falar na Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.002264/2003-13 Acórdão n.º 1801-00.357 S1-TE01 Fl. 75 9 norma admitir ou não a retroatividade, ou irretroatividade tributária, pois o contribuinte vedado a escolher este regime de apuração de tributo nunca pode fazê-lo, pelo que os efeitos do ato só podem ser ex tunc. Nem pode ser diferente. É exatamente a mesma situação de um contribuinte optar pelo lucro presumido indevidamente, quando a norma tributária veda esta opção e o obriga a apurar os tributos pelo lucro real. Não se pode olvidar que o Simples é um regime de tributação favorecido e simplificado ao par dos demais regimes, não diferenciados, do lucro real, presumido ou arbitrado. Assim, se o contribuinte está vedado a optar pelo Simples, os seus atos nunca poderão ser convalidados, semelhante àquele que está vedado ao lucro presumido, repriso. Não é porque a fiscalização só iniciou-se e constatou que o contribuinte optava pelo regime que lhe era vedado anos após (dentro do prazo decadencial) que as situações anômalas devem ser convalidadas ou constituem ato jurídico perfeito. O raciocínio é absurdo, pelo que se assim fosse, não existiriam fiscalizações nem autuações. Exatamente nisto é que consiste a atividade estatal de fiscalização dos atos dos contribuintes. Em auditar seus procedimentos para verificar se coadunam às normas tributárias vigentes e impor-lhes a sanção necessária no caso negativo. A vedação da atividade não retira o contribuinte da possibilidade de optar pela constatação de um fato superveniente, como é o caso de extrapolar a receita bruta. Ela o impede de usufruir sempre do regime diferenciado. Se a infração cometida é outra, por exemplo, extrapolar a receita bruta permitida, este fato será a razão da exclusão futura da empresa. Pode um dia, não pode mais. O efeito é nitidamente ex nunc (desde agora). Decididamente, não é o caso das vedações legais em razão das atividades que a norma estabelece como proibitivas, cujo efeito do ADE é tipicamente ex tunc (desde então). Similar é o efeito das declarações de inconstitucionalidade da Corte Suprema. O que um dia nasce inconstitucional, nunca pode tornar-se constitucional. Saliento que o Simples Nacional foi instituído por outra norma – Lei Complementar nº 123/07 - não se aplicando as mudanças de opção a este novo regime ao Simples Federal, extinto. Demais tópicos Com relação às ementas e julgados colacionados pela recorrente, em vista do acima discorrido, não se aplicam ao presente caso, nem foram adotados neste voto, lembrando que não constituem norma complementar, nem foram entendimentos sumulados por este órgão colegiado de instância superior. E sobre as contestações de ilegalidade ou inconstitucionalidade das normas tributárias vigentes, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não pode se pronunciar sobre a matéria, por ser privativa da Suprema Corte. Esta assunto já está sumulado, dado as reiteradas e pacíficas decisões administrativas: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Voto em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13706.001341/2007-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 2004
MULTA DE MORA. TUTELA ANTECIPADA.
Para os efeitos da legislação tributária, a medida liminar e a tutela antecipada são instrumentos hábeis e idôneos para suspender a exigibilidade do crédito tributário, bem como para afastar a aplicação da multa de mora desde a concessão da referida medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 1801-000.352
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: CSL- auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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TUTELA ANTECIPADA. Para os efeitos da legislação tributária, a medida liminar e a tutela antecipada são instrumentos hábeis e idôneos para suspender a exigibilidade do crédito tributário, bem como para afastar a aplicação da multa de mora desde a concessão da referida medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1084DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 27/42, com a exigência do crédito tributário no valor de R$594.446,10, a título de multa de mora isolada referente aos débitos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) calculada sobre a base estimada, código de arrecadação nº 2484, referente aos fatos geradores de janeiro a setembro de 2003, informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 88/106. Restou esclarecido que os débitos foram pagos em 17/11/2005, ou seja, após o vencimento em 2003, acrescido da incidência de juros de mora, porém sem a aplicação da multa de mora. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 160 do Código Tributário Nacional (CTN), art. 43 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como parágrafo único do art. 9º da lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Inconformada com a exigência fiscal, da qual teve ciência em 04/04/2007, fls. 45 e 63/67, a Recorrente apresentou a impugnação em 04/05/2007, fls. 01/07. Argumenta que ajuizou a Ação Ordinária nº 99.0017611-1 junto à Seção Judiciário do Rio de Janeiro da Justiça Federal para o reconhecimento do direito creditório de IPI decorrente de créditos escriturais nas aquisições de insumos imunes, isentos, não tributados ou à alíquota zero para fins de compensação com dos débitos, dentre outros, de IRPJ calculado sobre a base estimada referente aos fatos geradores de janeiro a setembro de 2003 o obteve provimento jurisdicional em primeira instância. Alega que à época da extinção das obrigações tributárias estava amparada por tutela antecipada seguida de provimento jurisdicional favorável em primeira instância. Tendo em vista a posterior reforma da decisão em sede recursal acrescenta que retificou as informações prestadas à RFB e efetuou o recolhimento em 2005 do tributo devido com incidência de juros de mora, no trintídio da publicação do Acórdão proferido na Apelação nº 2000.02.01.069832-9. Ampara-se no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, para defender a tese de que não tem cabimento a aplicação da multa de mora. Elabora um demonstrativo com o escopo de evidenciar sua alegação de que não é devida a aplicação da multa de mora. Interpreta a legislação de regência da matéria e menciona jurisprudência em seu benefício. Conclui Por todo o exposto, a Impugnante requer que V.Sa. julgue procedente a presente Impugnação, sendo-lhe acatada e reconhecida que, no mérito, sejam acolhidas as razões ora aduzidas, cancelando-se o crédito tributário decorrente do Auto de Infração lavrado, com a conseqüente determinação do arquivamento do feito, para que não produza quaisquer efeitos, tendo em vista a inocorrência do fato gerador da obrigação tributária no caso em análise. A Impugnante protesta por todos os meios de prova admitidos, em especial pela produção de prova documental complementar, inclusive, em V.Sa. entendendo necessário, a conversão do julgamento da presente em diligência fiscal, para que seja apurada a veracidade dos fatos ora apontados. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA DRJ/RJOI/RJ nº 12-24.753, de 25/06/2009, fls. 162/173: “Lançamento Procedente”. Fl. 1085DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13706.001341/2007-81 Acórdão n.º 1801-00.352 S1-TE01 Fl. 237 3 Restou esclarecido que: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 DILIGÊNCIAS. PRESCINDIBILIDADE. Se prescindíveis ao julgamento do feito, a autoridade julgadora não determinará a realização de diligências. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2003 IRPJ. MULTA DE MORA.EXIGÊNCIA LEGAL. Devem ser acrescidos de multa de mora os débitos tributários não pagos nos prazos previstos na legislação. Notificada em 17/07/2009, fl. 182, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18/08/2009, fls. 185/202, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando todos os argumentos constantes na peça impugnatória. Diz que há possibilidade jurídica proceder à compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos, interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. Conclui Diante do exposto, requer seja dado provimento ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO para que o auto de infração seja julgado improcedente em razão (i) do direito de a RECORRENTE efetivar as compensações antes do trânsito em julgados da decisão judicial que reconheceu o seu direito ao crédito; e (ii) da improcedência da exigência do pagamento de multa de mora, tendo em vista que o crédito tributário encontrava-se extinto em razão da apresentação das declarações de compensação. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1086DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art.18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ademais, no exercício da função pública, a autoridade administrativa, de forma vinculada e obrigatória, lavrou o Auto de Infração, fls. 27/42, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Assim, seu pleito deve ser indeferido. A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que o ajuizamento de ação judicial com concessão de tutela antecipada interrompe a incidência da multa de mora. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] Art.6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. §1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I -pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II -compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. §2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 1087DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13706.001341/2007-81 Acórdão n.º 1801-00.352 S1-TE01 Fl. 238 5 §3º O prazo a que se refere o inciso I do §1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. [...] Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...] Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Por seu turno, o Código Tributário Nacional (CTN) determina: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I - moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 1088DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. O tributo pago no vencimento estipulado na legislação específica com base na receita bruta pela pessoa jurídica que opta pela apuração mensal da base de cálculo do imposto pela estimativa e determinação do lucro real em 31 de dezembro pode ser compensado com o tributo devido a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, assegurada a alternativa de requerer a restituição. No presente caso, o pagamento do tributo a título de antecipação foi efetuado depois do vencimento sem o acréscimo da multa do mora. A multa de mora tem natureza jurídica de penalidade aplicada por descumprimento da obrigação tributária principal dentro do prazo previsto na legislação. Excepcionalmente, o sujeito passivo pode recolher o tributo devido acrescido da incidência de juros de mora no trintídio a contar da data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, desde que até então estivesse amparado por medida liminar. A medida liminar e a tutela antecipada são instrumentos de defesa do jurisdicionado contra a demora do processo. A medida liminar em ação ordinária é uma providência acautelatória de possíveis danos, concedida a critério juiz, no caso de restar demonstrado fundamento relevante e se verificado do provimento favorável resultar a ineficácia da ordem judicial, nos termos do art. 804 do Código de Processo Civil (CPC). Por sua vez, a tutela antecipada é o reconhecimento do direito material de forma antecipada, por força da verossimilhança e da prova inequívoca, conforme art. 273 do CPC. Para os efeitos da legislação tributária, ambos os institutos são instrumentos hábeis e idôneos para suspender a exigibilidade do crédito tributário, bem como para afastar a aplicação da multa de mora desde a concessão da referida medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo. Assim, entre os institutos há fungibilidade procedimental. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 14/10/2010): Nº Recurso 240873 -Número do Processo 13808.004711/00-19 - Turma 2ª Câmara Contribuinte CONSTRUTORA ROMEU CHAP CHAP LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade-Data da Sessão 02/12/2008 Relator(a) Antonio Zomer Nº Acórdão 202-19499 -Tributo / Matéria Cofins - ação fiscal (todas) Decisão Fl. 1089DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13706.001341/2007-81 Acórdão n.º 1801-00.352 S1-TE01 Fl. 239 7 Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/1996 a 31/08/1997 MULTA DE MORA. LEI Nº 9.430/96, ART. 63, § 2º. DÉBITOS VENCIDOS ANTES DA CONCESSÃO DA LIMINAR OU TUTELA ANTECIPADA. INCIDÊNCIA. A tutela antecipada não tem o condão de impedir a incidência da multa de mora sobre os débitos tributários vencidos antes de sua concessão, só alcançando as multas que viriam a incidir sobre os débitos vincendos, decorrentes de fatos geradores ocorridos posteriormente, produzindo efeito até 30 dias da publicação da decisão judicial que vier a revogá-la. A suspensão é válida para pagamento integral do débito no referido prazo, sem o que a multa de mora passa a ser devida sobre todos os débitos vencidos e não pagos no seu devido tempo. Recurso negado. [...] Nº Recurso 238247 -Número do Processo 10880.018741/98-38 - Turma 3ª Câmara Contribuinte D L LUBRIFICANTES LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade-Data da Sessão 04/11/2008 Relator(a) Antonio Zomer Nº Acórdão 203-13489 -Tributo / Matéria Cofins - ação fiscal (todas) Decisão I) Por maioria de votos, afastou-se a decadência. Vencido o Conselheiro Mauro Wasilewski (Suplente), que reconhecia a decadência da Cofins para parte dos períodos autuados; e II) no mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/1992 a 31/12/1992, 31/03/1993 a 30/11/1993, 31/01/1994 a 28/02/1994, 30/04/1994 a 31/08/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada a omissão do Acórdão quanto à análise de matéria, equivocadamente tida pela Câmara como não impugnada, é de se acolher os embargos de declaração para re- ratificar a decisão então prolatada. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. LEVANTADA DE OFÍCIO. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. Embora a matéria já tivesse sido enfrentada por esta Terceira Câmara, foi a ela devolvida em face dos embargos de declaração acolhidos parcialmente, e considerados decaídos os lançamentos correspondentes aos períodos de apuração anteriores aos cinco anos contados da ciência do lançamento, em face da edição da Súmula Vinculante nº 08, do STF, que considerou inconstitucional o artigo 45, I, da Lei nº 8.212, de 1991. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. AÇÃO JUDICIAL EM QUE NÃO SE OBTEVE PROVIMENTO EM FASE ALGUMA. ARTIGO 62 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NÃO CABIMENTO. Em Fl. 1090DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 nenhuma das fases processuais da ação judicial impetrada pela autuada obteve ela medida liminar ou tutela antecipada de sorte a poder se valer da regra insculpida no artigo 62 da Lei nº 9.430, de 1996. Embargos Acolhidos em Parte com Re- ratificação do Acórdão. A Recorrente obteve tutela antecipada do provimento jurisdicional na Ação Ordinária nº 99.0017611-1 ajuizada junto à Seção Judiciário do Rio de Janeiro da Justiça Federal para o reconhecimento do direito creditório de IPI decorrente de créditos escriturais nas aquisições, fls. 227/230: AÇÃO ORDINÁRIA N° 99.0017611-1 AUTORES : PETROFLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A E OUTRAS RÉ : UNIÃO FEDERAL JUIZ : ALFREDO FRANÇA NETO [...] Posto isto, CONCEDO A ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA, na forma requerida, para que se abstenha a UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional), por qualquer de seus agentes e autoridades pública, de eventual e precipitada execução fiscal das parcelas que serão compensadas, no curso desta lide, de créditos de IPI, assim com a imposição de penalidades por realizar essa compensação, a inscrição indevida em "Cadastro de Inadimplentes", ou recusar a obtenção de certidões negativas em relação às parcelas compensadas dos créditos do IPI com parcelas vincendas desse 'ou demais tributos e contribuições independentes de ser da mesma espécie. A Recorrente obteve provimento jurisdicional em primeira instância, fl. 108, nos seguintes termos: Condeno, ainda, a UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) na obrigação de aceitar a compensação de tais créditos com o próprio IPI incidente em operações subseqüentes, das respectivas autoras, bem como com quaisquer outros tributos administrados ou cobrados pela Receita Federal, nos termos da Lei no 9.430/96, art.74, da Medida Provisória no 1.788, art. 77 e da Instrução Normativa SRF no 21/97, abstendo-se a UNIÃO FEDERAL, por qualquer de seus agentes e autoridades públicas, de eventual ou precipitada execução fiscal das parcelas que serão compensadas, do crédito do IPI, assim como a imposição de penalidades por realizar a compensação, inclusive a inscrição no CADIN - Cadastro de Inadimplentes, ou recusar a obtenção de certidões negativas de débitos fiscais em relação as parcelas compensadas dos créditos do IPI, com parcelas vincendas desses ou de demais tributos e contribuições administradas ou cobradas pela Receita Federal, independentes de ser da mesma espécie. Está registrado no Acórdão da Apelação Cível nº 2000.02.01.069832-9 do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, fls. 139/150: Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas: Fl. 1091DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13706.001341/2007-81 Acórdão n.º 1801-00.352 S1-TE01 Fl. 240 9 Decide a Quarta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2' Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso da parte autora e dar ao da UNIÃO FEDERAL / FAZENDA NACIONAL e à remessa necessária, nos termos do relatório e voto constantes dos autos, que ficam fazendo parte • integrante do presente julgado. Consta no andamento da Apelação Cível nº 2000.02.01.069832-9 do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, fls. 129/137: PROCESSO N° 2000.02.01.069832-9 IV - APELACAO CIVEL ( AC /254301) AUTUADO EM 29.11.2000 PROC. ORIGINÁRIO N° 9900176111 JUSTIÇA FEDERAL RIO DE JANEIRO VARA: 30CI PROC. ORIGINÁRIO N° 200051010086776 JUSTIÇA FEDERAL RIO DE JANEIRO VARA: 30CI APTE : PETROFLEX INDUSTRIA E COMERCIO S/A E OUTROS ADV : ANA MARIA FERREIRA NEGREIRO E OUTROS APDO : OS MESMOS ADV RELATOR : DES.FED.JUL1ETA LID1A LUNZ - 4A.TURMA ESPECIALIZADA Todas as Partes LOCALIZAÇÃO : GABINETE DA DRA. LANA MARIA FONTES REGUEIRA -4° ANDAR [...] Em 18/10/2005 - 15:00 PUBLICADO NO DIARIO DA JUSTICA O ACORDA NO DJU AS FLS 90/100 18.10.2005 RELATOR DES.FED. JULIETA LIDIA LUNZ Verifica-se que no presente caso está registrado que houve a concessão de tutela antecipada, fls. 227/230 e assim o ajuizamento de ação judicial interrompe a incidência da multa de mora até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo. Cabe a aplicação do disposto no § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, para fins de afastar a aplicação da multa de mora em decorrência do pagamento do débito após o vencimento, pois, há permissivo legal para que a multa de mora seja excluída. Tendo em vista a posterior reforma da decisão judicial de primeira instância, fl. 108, em sede recursal, a Recorrente efetuou o recolhimento em 17/11/2005, fls. 31/39, do tributo devido com incidência de juros de mora, ou seja, no trintídio da publicação do Acórdão em 18/10/2005, fls. 129/137, proferido na Apelação nº 2000.02.01.069832-9. Neste sentido não está correta a exigência do presente crédito tributário. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1092DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Fl. 1093DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10510.720657/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo contradição ou lapsos manifestos estes devem ser sanados.
MULTA QUALIFICADA - OMISSÕES REITERADAS E RELEVANTES
Condutas omissivas também estão sujeitas à imposição de multa qualificada, mas o caráter volitivo deve ser caracterizado pela reiteração e relevância das omissões. Uma conduta relevante, mas única, pode decorrer de um mero erro; uma conduta reiterada, mas pouco significativa, pode revelar culta, mas não o dolo necessário para a majoração punitiva.
Numero da decisão: 1401-001.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para suprir a contradição entre o resultado da ata e os fundamentos do voto, fazendo prevalecer o resultado de ata e assim retificar os fundamentos e considerar na parte dispositiva o cancelamento da multa qualificada. vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Abel Nunes de Oliveira Neto que acolhiam, sem efeitos infringentes, apenas para suprir a contradição, mas mantendo os fundamento para qualificação da multa. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo contradição ou lapsos manifestos estes devem ser sanados. MULTA QUALIFICADA - OMISSÕES REITERADAS E RELEVANTES Condutas omissivas também estão sujeitas à imposição de multa qualificada, mas o caráter volitivo deve ser caracterizado pela reiteração e relevância das omissões. Uma conduta relevante, mas única, pode decorrer de um mero erro; uma conduta reiterada, mas pouco significativa, pode revelar culta, mas não o dolo necessário para a majoração punitiva.
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Havendo contradição ou lapsos manifestos estes devem ser sanados. MULTA QUALIFICADA OMISSÕES REITERADAS E RELEVANTES Condutas omissivas também estão sujeitas à imposição de multa qualificada, mas o caráter volitivo deve ser caracterizado pela reiteração e relevância das omissões. Uma conduta relevante, mas única, pode decorrer de um mero erro; uma conduta reiterada, mas pouco significativa, pode revelar culta, mas não o dolo necessário para a majoração punitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para suprir a contradição entre o resultado da ata e os fundamentos do voto, fazendo prevalecer o resultado de ata e assim retificar os fundamentos e considerar na parte dispositiva o cancelamento da multa qualificada. vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Abel Nunes de Oliveira Neto que acolhiam, sem efeitos infringentes, apenas para suprir a contradição, mas mantendo os fundamento para qualificação da multa. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 06 57 /2 01 2- 32 Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 10510.720657/201232 Acórdão n.º 1401001.864 S1C4T1 Fl. 532 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10510.720657/201232 Acórdão n.º 1401001.864 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela FAZENDA NACIONAL na decisão proferida no Acórdão n° 1401001.546, que restou assim ementado e decidido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Descabe a alegação de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais e o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, tendo como base de cálculo a receita omitida, quando a escrituração contábil a que estiver obrigada a Contribuinte não for apresentada mesmo que tenha sido intimada para tal. SIMPLES. IRPJ/CSLL. EXCLUSÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO. Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real, bem assim a escrituração financeira (livro caixa) considerada imprestável implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em uma conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, é obrigatória a aplicação da multa qualificada, nos termos da Lei. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 10510.720657/201232 Acórdão n.º 1401001.864 S1C4T1 Fl. 534 4 estatutos. Porém, é preciso que se demonstre que esses agentes efetivamente praticaram algum ato doloso, o que não aconteceu no caso concreto. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de 150% (cento e cinqüen6ta por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu arrazoado, alega contradição do Acórdão embargado, nos seguintes termos: O dispositivo do acórdão ora embargado está assim redigido: “Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de 150% (cento e cinqüen6ta por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Ante a leitura da parte dispositiva, depreendese que o colegiado teria dado parcial provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício. Entretanto, esta decisão não é a mesma expressa no voto condutor, conforme se confere no trecho a seguir, dele extraído: “Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: (...) Nestes termos, como nos autos está devidamente evidenciado que o contribuinte, ao longo de vários anos, omitia receitas de forma contínua e reiterada, não se pode chegar a outra conclusão que não seja a de que o que houve, concretamente, foi conduta tendente a manter ao largo da tributação o montante dos seus ganhos auferidos. (...) Dessa forma, a prática de omitir receitas por vários anos de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso.” Enquanto o dispositivo da decisão expressa a conclusão pelo provimento parcial do recurso para desqualificar a multa, o voto condutor expressa seu entendimento pela manutenção da qualificação da penalidade, de forma a negar provimento ao recurso voluntário.” Verificase, portanto, descompasso entre a decisão e sua fundamentação. É o relatório. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 10510.720657/201232 Acórdão n.º 1401001.864 S1C4T1 Fl. 535 5 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os embargos são tempestivos. Quanto ao vício apontado, assiste razão à embargante quanto ao atendimento dos demais requisitos de admissibilidade, dado a necessidade sanar a contradição apontada entre o fundamento do acórdão e o resultado de julgamento constante em ata. É que o fundamento do voto do relator, bem assim a sua parte dispositiva e ementa apontam para a manutenção da qualificação da multa de ofício, mas o dispositivo do acórdão ora embargado está assim redigido: “Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de 150% (cento e cinqüen6ta por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Eis abaixo a ementa e a fundamentação do voto condutor: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em uma conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, é obrigatória a aplicação da multa qualificada, nos termos da Lei. Voto condutor: O alvo aqui da multa qualificada são apenas as receitas omitidas referentes à parte das notas fiscais não informadas nas DASN e não questionadas na Impugnação, relativas aos períodos de apuração: 07/2007 a 12/2007, 01/2008 de 12/2008 e 01/2009 e 12/2009 (fls. 353 a 987) omissão direta, bem assim aquelas originadas a partir da presunção legal do art. 42 da Lei n. 9.430/96. Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, adiante reproduzido: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." Nestes termos, como nos autos está devidamente evidenciado que o contribuinte, ao longo de vários anos, omitia receitas de forma contínua e reiterada, não se pode chegar a outra conclusão que não seja a de que o que houve, concretamente, foi conduta tendente a manter ao largo da tributação o montante dos seus ganhos auferidos. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 10510.720657/201232 Acórdão n.º 1401001.864 S1C4T1 Fl. 536 6 Nesse contexto de utilizar contas bancárias destinadas à movimentação dos recursos da empresa e mantidas à margem da contabilidade, em movimento superior aos valores de faturamento declarados ao fisco, de forma reiterada, durante todo o período compreendido entre 2007 a 2009, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil, ou esquecimento, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei n° 4.502/64. Em relação à "prática reiterada" de omissão de receitas constituir condição suficiente para a caracterização do evidente intuito de fraude, pauto o meu sistema de referência em cima da impossibilidade epistemológica (limites do conhecimento) de se caracterizar o evidente "intuito" de fraude nos termos postos por alguns julgados. Parto do princípio de que não se deve nunca interpretar uma lei quando o resultado dessa exegese leve a absurdos tais como o de imaginar que o dolo ou "o evidente intuito de fraude" devam ser extraídos da mente do sujeito passivo e não das circunstâncias fáticas que permeiam todo o contexto onde a prática aconteceu. É o elemento objetivo que se deve procurar e daí, a partir dele, valendose do raciocínio lógico e probabilístico, extrair aquilo que o impregna: o elemento subjetivo (dolo). Nesse contexto, afasto a alegação de que o caso concreto se enquadraria na súmula n° 25 do CARF, uma vez que não se trata de mera presunção legal de omissão de receitas, como já se disse a prática é reiterada, mudando a natureza da omissão, mesmo que os valores omitidos não sejam significantes. Dessa forma, a prática de omitir receitas por vários anos de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o "evidente intuito de fraude". Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica "erros" de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (grifos nossos) Como se vê, tratase de uma clara contradição que precisa ser sanada entre o registro do resultado do Acórdão embargado, tanto na folha de rosto quanto na ata e os fundamentos/ementa e parte dispositiva do voto vencedor. Revisado o meu voto, não vejo motivo para ter decidido de forma diferente diante dos fatos, inclusive porque enfrentei a solicitação do contribuinte de enquadramento na Súmula CARF nº 25, porém não descarto a possibilidade de ter sido vencido e não ter sido registrado o resultado correto em termos de designação do voto vencedor, ou mesmo, ter sido convencido durante os debates a mudar o voto e não têlo feito quando da formalização, uma vez que os valores envolvidos são relativamente baixos. De toda sorte, a minha proposta é de manter os fundamentos e conclusão do voto tal qual foi formalizado e submetêlos à aprovação do colegiado. Portanto, ACOLHO os embargos para considerar na parte dispositiva a manutenção da multa qualificada, e retificar a ata nesse aspecto. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 10510.720657/201232 Acórdão n.º 1401001.864 S1C4T1 Fl. 537 7 Voto Vencedor Houve época em que o Conselho dava provimento a todos recursos que combatiam as multas qualificadas calcadas em omissões. Sempre me posicionei contra esse entendimento. Afinal, o § 1º, art. 44, da Lei nº 9.430/96, qualifica a multa nas hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, os quais prevêem não só as condutas comissivas (ações), mas também as omissivas. Abaixo, transcrevo, a título exemplificativo, a ementa do acórdão nº 1201 00138, de 30/06/2009, em que assim me posicionei: MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Omitir diversas contas bancárias, em todos os períodos, só leva a uma conclusão: houve o querer de "não fazer" e com a clara motivação de se evadir. O que determina a majoração da multa não é o tipo de comportamento, mas sim o seu aspecto volitivo, o querer realizar um ilícito, ainda que por meio omissivo. Uma vez caracterizada a vontade delitiva do agente, a sua conduta deve ser apenada com mais intensidade. Evidentemente, tal vontade é mais fácil de ser provada nas práticas ativas que nas passivas, mas isso não determina que esteja necessariamente presente nas primeiras, nem ausente nas segundas. Tenho para mim que uma omissão, para caracterizar de forma inequívoca (a dúvida deve militar a favor do sujeito passivo caso de multas por força do 112 do CTN) o aspecto volitivo deve ser relevante e reiterada. Devem ser atendidos os dois critérios conjuntamente. Uma omissão relevante, mas única, pode advir de um erro. Já omissões reiteradas, mas pouco significativas, podem até caracterizar a culpa com significativa segurança, mas não o dolo, que é essencial para a majoração punitiva. E é justamente essa última hipótese que nos deparamos no presente feito. Notese que o voto condutor se impressionou com a reiteração da conduta, mas não com a sua dimensão. Ao avaliarmos as omissões, estas decorreram quase integralmente de prova indireta, por meio de depósitos de origem não comprovadas e sua magnitude não é elevada em relação aos montante declarados. A título exemplificativo, os valores mais representativos são relativos ao quarto trimestre de 2009. Neste período, foram declarados cerca de R$ 143 mil e omitidos R$ 37 mil, ou seja, algo em torno de 25% e caracterizado por presunção. É plausível que essa omissão decorra apenas de um descontrole, razão suficiente para descaracterizar o dolo. Pelo exposto, voto por desqualificar a multa; no mais, acompanho o voto do ilustre conselheiro relator. (assinado digitalmente) Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 10510.720657/201232 Acórdão n.º 1401001.864 S1C4T1 Fl. 538 8 Fl. 1575DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.007338/2005-38
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO EM DCTF/PAGO. RECEITAS NÃO DECLARADAS. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. Apuradas, através de procedimento de oficio, diferenças de valores devidos da Contribuição Social sobre o Lucro, que não haviam sido declaradas ou confessadas/pagas pela contribuinte é procedente o lançamento fiscal, com a aplicação da multa de oficio e juros de mora. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO, INCLUSIVE PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Indefere-se o pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-001.436
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelso Kichel
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DOS SANTOS DISTRIBUIDORA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO EM DCTF/PAGO. RECEITAS NÃO DECLARADAS. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. Apuradas, através de procedimento de oficio, diferenças de valores devidos da Contribuição Social sobre o Lucro, que não haviam sido declaradas ou confessadas/pagas pela contribuinte é procedente o lançamento fiscal, com a aplicação da multa de oficio e juros de mora. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO, INCLUSIVE PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Indeferese o pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 73 38 /2 00 5- 38 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 453 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 454 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 423/429 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (fls. 404/418) que julgou a impugnação procedente em parte, quanto ao auto de infração da CSLL dos anoscalendário 2002 e 2003. Quanto aos fatos, consta: que, em 01/07/2005, a fiscalização da DRF/Recife lavrou auto de infração para exigência de diferença da CSLL dos anoscalendário 2002 e 2003, imputando a seguinte infração (fl. 02/10), in verbis: (...) 001 CSLL DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO CSLL RECEITAS NÃO DECLARADAS (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, diferenças essas apuradas em Planilhas de Apuração da CSLL Lucro Presumido e Papéis de Fiscalização para os anoscalendário 2002 e 2003, tudo devidamente descrito em Termo de Verificação Fiscal em anexo que faz parte integrante desse Auto de Infração. (...) Enquadramento legal: Art. 77, inciso III, do DecretoLei n° 5.844/43; 149 da Lei n° 5.172/66; art. 20 e §§, da Lei n° 7.689/88; Arts. 19 e 20, da Lei n° 9.249/95; Art. 60 da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições; Medidas Provisórias 1.991/00, 2.037/00 e 2.113/00 e suas reedições que confirmam a MP 1.858/99; Art.37 da Lei 10.637/2002. (...) Ainda, consta do Termo de Verificação Fiscal (fl. 21), o qual é parte integrante do auto de infração, em relação à infração imputada, in verbis: (...) Auto de Infração CSLL 001 DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO— RECEITAS NÃO DECLARADAS (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 455 4 Essa infração decorreu da verificação em planilhas de apuração da CSLL — Lucro Presumido, que houve diferenças entre o valor declarado da contribuição em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários federais, e os valores escriturados em livros contábeis — Razão, ou seja, foram declarados valores menores do imposto do que os apurados de acordo com os livros Razão, para os anos calendário 2002 e 2003, como pode ser verificado em Planilhas de cálculo em anexo dos papéis de fiscalização. (...) O valor tributável dessa infração (diferença tributável) para os respectivos períodos trimestrais autuados desses anoscalendário (31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003 e 30/06/2003), valor do principal da CSLL, juros de mora e multa de ofício de 75% estão demonstrados no auto de infração dessa exação fiscal (fls. 02/10) e do Termo de Verificação Fiscal e anexos (fls. 12/31). O crédito tributário do auto de infração da CSLL dos anoscalendário 2002 e 2003 perfaz o montante de R$ 74.879,28, assim especificado – demonstrativo anexo ao Auto de Infração (fl.09): Auto de Infração CSLL Principal diferença (R$) Juros de Mora (calculados até 30/06/2005) Multa de Ofício de 75% TOTAL (R$) 1º Trim/2002 10.581,89 6.027,44 7.936,41 2º Trim/2002 59,70 31,44 44,77 3º Trim/2002 14.783,70 7.127,21 11.087,77 4º Trim/2002 7.801,06 3.351,32 5.850,79 1º Trim/2003 23,02 8,62 17,26 2º Trim/2003 71,11 22,44 53,33 Total 33.320,48 16.568,47 24.990,33 74.879,28 A contribuinte tomou ciência, pessoalmente, do auto de infração em 15/07/2005, por intermédio do seu representante legal (fl. 03) e do Termo do Encerramento do procedimento de fiscalização (fl. 10). Em 12/08/2005, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 288/295), cujas razões, em breve síntese, são as seguintes: que, antes da autuação, optou pelo parcelamento — PAES; que o lançamento fiscal de ofício deve ser declarado improcedente, pela não consideração da opção pelo parcelamento, cuja consolidação da dívida ocorreu em 25/04/2003, conforme extrato (fls. 316/321); que, preliminarmente, o auto de infração é nulo por cerceamento do direito de defesa, pela citação de diversos dispositivos que não guardam relação com a exigência; que o fato imputado não está corretamente tipificado; que a citação de muitos dispositivos é o mesmo que não mencionálos, concorrendo para cercear o amplo direito de defesa; que, diante da incorreta tipificação legal, o auto de infração deve ser declarado nulo; que, para efeito de apuração da diferença de CSLL dos anoscalendário 2002 e 2003, o fisco não levou em consideração os valores informados nas respectivas DIPJ Fl. 455DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 456 5 (que continham valores maiores da CSLL), mas sim os valores declarados nas DCTF (que continham valores menores da CSLL); que os valores dos recolhimentos da CSLL desses anos, também, diferem dos valores dos recolhimentos encontrados, citados, pelo fisco; que a multa é indevida, por ser confiscatória; que é ilegal a cobrança de tributo com aplicação de juros SELIC. que in dúbio pro réu: que o fisco na dúvida, diversamente, interpreta a norma contra a contribuinte, afrontando o art. 112 do CTN. A DRJ/Recife, em face das razões aduzidas pela recorrente, julgou a impugnação procedente em parte, corrigindo o lançamento fiscal em relação ao 4º Trimestre/2002, pois o valor do principal da CSLL confessado na DCTF, desse período de apuração, foi de R$ 83.730,06 e não R$ 75.928,99 como havia consignado a fiscalização. Por conseguinte, o crédito tributário da CSLL do 4º Trimestre/2002 restou integralmente cancelado (exonerado). As demais alegações da contribuinte foram rejeitadas, com base no voto condutor do Acórdão. A propósito, transcrevo, a seguir, a ementa e a parte dispositiva desse acórdão da DRJ/Recife (fl. 404), in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. Apurados, através de procedimento de oficio, valores devidos da Contribuição Social sobre o Lucro, que não haviam sido declarados ou confessados pela contribuinte é procedente a autuação, com a aplicação da multa de oficio. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) INCONSTITUCIONALIDADE. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Impugnação Procedente em Parte Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 457 6 Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, mantendo em parte o crédito tributário exigido nos termos do relatório, voto e conclusão que passam a integrar o presente julgado. (...) Ciente desse decisum em 16/03/2003 (fl. 422), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/04/2010 (fls. 423/429), juntando ainda os documentos de fls. 430/448, cujas razões, em síntese, são as seguintes: da improcedência dos valores de suposas diferenças de CSLL: que a recorrente teria informado no 2º e 3º trimestres de 2002 os mesmos valores de R$ 43.126,98 e R$ 18.735,48 apurados pela fiscalização; que, por conseguinte, tais valores também devem ser excluídos da exigência fiscal, para esses períodos de apuração; que devem ser excluídos do lançamento os débitos incluídos no PAES; da impossibilidade de aplicação da multa de ofício de 75%, por ser empresa de pequeno porte; que a função da penalidade pecuniária é corrigir e não destruir o patrimônio da contribuinte, e muito menos ser utilizada para provocar dano irreparável; que a multa aplicada é confiscatória; que mesmo que fosse devida a multa de ofício, apenas para argumentar, não poderia ser superior a 20%; in dúbio pro contribuinte: que, no mínimo, paira dúvida quanto à interpretação da norma jurídica. E, neste caso, é de se aplicar o princípio da dúvida benigna em favor da contribuinte, constante do art. 112 do CTN. Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu provimento ao recurso. Ademais, protestou e requereu, genericamente, todos os meios de provas, inclusive a perícia e diligência. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 458 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração da CSLL, anoscalendário 2002 e 2003, lavrado em procedimento de verificação obrigatória (batimento de dados entre DCTF e DIPJ). Nesses anoscalendário, a recorrente apurou a CSLL com base no lucro presumido. Foram objeto do auto de infração da CSLL os seguintes períodos de apuração trimestrais: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003 e 30/06/2003. Em relação ao período de apuração 30/06/2003, a decisão a quo exonerou, integralmente, a diferença de crédito tributário lançada de ofício, pelas razões já menciondas no relatório. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, em relação ao crédito tributário mantido dos demais períodos de apuração citados anteriormente, pugnando pela reforma da decisão a quo, pelas seguintes razões: a) que, em relação aos 2º e 3º Trimestres/2002, os valores da CSLL apurados pelo fisco já haviam sido informados na DIPJ 2003, anocalendário 2002; que, entretanto, o fisco lançou a diferença dessa exação fiscal não com base na respectiva DIPJ, mas sim levando em conta a DCTF, desses períodos de apuração, que continha valores informados a menor; que, por conseguinte, as diferenças de valores informados na DIPJ (que suplantaram os valores das DCTF) devem ser excluídos do auto de infração, para esses trimestres citados; b) que, quanto aos demais trimestres dos anoscalendário 2002 e 2003, devem ser excluídos do auto de infração os débitos incluídos no PAES; b) que a multa de ofício de 75% é confiscatória. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio. DIFERENÇAS DA CSLL DOS 2º E 3º TRIMESTRES DO ANO CALENDÁRIO 2002 O fisco lançou as diferenças de CSLL para os citados períodos de apuração confrontando a escrituração contábil (livro Razão), DIPJ e as DCTF. De plano, convém ressaltar que a DIPJ não é instrumento de confissão de dívida. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 459 8 Logo, as diferenças de valores da CSLL informados na DIPJ (não confessados em DCTF e não pagos antes da ciência do Termo de Início do procedimento de fiscalização) ou as diferenças encontradas no livro Razão (não confessadas em DCTF e não recolhidas antes da ciência do início do procedimento de fiscalização), por não estarem ainda constituídos, foram objeto de auto de infração para exigência do principal dessa exação fiscal, respectivos juros de mora e multa de ofício. Quanto aos 2º e 3º Trimestres/2002 questionados, a contribuinte informou ao fisco: PA CSLL DIPJ CSLL – DCTF 2º Trimestre/2002 43.067,27 43.067,27 3º Trimestre/2003 18.735,48 3.951,77 Ainda, embora inexistente diferença de CSLL entre os valores informados na DIPJ e na DCTF quanto ao 2º Trimestre/2002, mas, quando analisada a escrituração contábil (livro Razão) e DCTF, houve diferença apurada que a contribuinte deixará de informar na DIPJ e na DCTF Por conseguinte, quanto aos 2º e 3º Trimestres do anocalendário 2002, o fisco lançou, de ofício, via auto de infração as seguintes diferenças de CSLL: PA CSLL apurada com base na Escrituração Contábil (Livro Razão) CSLL confessada na DCTF Diferença de CSLL lançada de ofício 2º Trimestre/2002 43.126,98 43.067,27 59,71 3º Trimestre/2003 18.735,48 3.951,77 14.783,71 Conforme demonstrado, diversamente do alegado pela recorrente, foram lançadas de ofício apenas as diferenças de CSLL não confessadas em DCTF. Valores informados na DIPJ ou não declarados em DIPJ (não confessados em DCTF e não pagos antes da ciência do Termo de Início de Fiscalização), como já explicitado, não configuram confissão de dívida. Por isso, as diferenças de valores apurados de CSLL (resultado da confrontação da escrituração contábil livro Razão e a DCTF) estão sendo exigidas por auto de infração, com respectivos acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora respectivos). Destarte, não há ajustes a fazer na decisão recorrida. DEMAIS TRIMESTRES DOS ANOSCALENDÁRIO 2002 E 2003. LANÇAMENTO DE DIFERENÇAS DA CSLL Nesta instância recursal, a recorrente, nas razões do recurso, alegou que a fiscalização não teria excluído, das diferenças de CSLL lançadas de ofício dos anos anos calendário 2002 e 2003, os valores confessados no PAES. A alegação da recorrente não merece prosperar. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 460 9 Diversamente do alegado, consta dos autos que os débitos da CSLL incluídos, confessados, no Parcelamento Especial – PAES são aqueles que já haviam sido confessados em DCTF. Ora, os débitos da CSLL objeto do auto de infração em tela são, justamente, as diferenças não confessadas em DCTF e não quitadas (ou seja, as diferenças apuradas do confronto entre a escrituração contábil e as DCTF). Logo, a alegação da recorrente não tem fundamento algum. Ainda nesse passo, como razão de decidir, transcrevo os fundamentos do voto vencedor da decisão recorrida, por ser pertinente (fl. 416), in verbis: (...) A Impugnante alegou a improcedência da autuação por não considerar a sua opção pelo parcelamento, tendo consolidado a dívida em 25/04/2003. Tal alegação, no entanto, não pode ser acatada. Ao se analisar o Demonstrativo dos Débitos Consolidados da CSLL (Extrato da Dívida PAES), anexada pela própria contribuinte (fls. 321), em confronto com os valores da CSLL declarados na DCTF, verificase que os valores do parcelamento são os mesmos declarados na DCTF, os quais já foram considerados pela autoridade fiscal para encontrar os valores das diferenças da CSLL não recolhidas, (...) Fica demonstrado, portanto, que a autoridade fiscal procedeu corretamente também neste aspecto. Não havendo dúvidas quanto aos valores de CSLL lançados, não há que se cogitar a aplicação do art. 112 do CTN. (...) Deve ser mantida, portanto, a decisão recorrida. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. QUESTIONAMENTO EM RELAÇÃO À SUA CONSTITUCIONALIDADE A recorrente alegou da impossibilidade de aplicação da multa de ofício de 75%, por ser empresa de pequeno porte; que a função da penalidade pecuniária é corrigir conduta e não destruir o patrimônio da contribuinte, e muito menos ser utilizada para provocar dano irreparável; que a multa aplicada é confiscatória; que mesmo que fosse devida, apenas para argumentar, não poderia ser superior a 20%. Não se pode confundir multa punitiva em procedimento de ofício (fiscalização repressiva) com a multa moratória de aplicação restrita nos pagamentos espontâneos de débitos vencidos. No procedimento de ofício (atividade repressiva da fiscalização), a multa de ofício cominada no art. 44 da Lei nº 9.430/96 varia de 75% (valor mínimo) a 225% (valor máximo). Fl. 460DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 461 10 Logo, débitos de exações fiscais apurados na escrituração contábil não confessados em DCTF (não constituídos) e não pagos antes da ciência do Termo de Início de Fiscalização ficam sujeitos à exigência via auto de infração (atividade repressiva do fisco), com multa punitiva (repressiva) e juros de mora. No caso, como não restou configurada conduta fraudulenta da contribuinte, foi aplicada a multa de ofício mínima de 75% pela fala de pagamento da CSLL (débito apurado que não estava confessado em DCTF e não estava pago antes da ciência do Termo de Início de Fiscalização). Já, multa moratória de até 20% incide no pagamento espontâneo des débitos vencidos. Não se aplica ao caso, pois a contribuinte perdeu a espontaneidade, para efeito de exclusão da responsabilidade por infração tributária, a partir da ciência do Termo de Início de Fiscalização. Em relação à alegação de que a multa de ofício de 75% seria desproporcional, confiscatória e que, por issso, seria inconstitucional, não conheço, no mérito, dessa matéria, pela falta de competência dos órgãos de julgamento administrativo. A argüição de inconstitucionalidade é questão ou matéria afeta ao Poder Judiciário, não sendo cabível sua agitação na esfera administrativa, pela falta de competência dos órgãos administrativos de julgamento para conhecêla, no mérito. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar ou deixar de aplicar a legislação vigente que tem presunção de legalidade, legitimidade e constitucionalidade. No âmbito deste Conselho Administrativo, essa falta de competência para conhecer da argüição de inconstitucionalidade está sumulada, sendo matéria pacífica, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por conseguinte, deve ser mantida a multa de ofício. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO, INCLUSIVE PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA A recorrente, gericamente, prostestou pela produção de todas as provas admitidas em direito, mormente prova documental. Indefiro, de plano, tal pedido, por ser desnecessário para a resolução da lide, pois todas as provas da infração já constam dos autos. Além disso, o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia foi formulado em desacordo com art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. A jurisprudência deste CARF, também, rejeita o pedido genérico de produção de provas, cabendo citar alguns precedentes: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 19647.007338/200538 Acórdão n.º 1802001.436 S1TE02 Fl. 462 11 PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. INDEFERIMENTO. Indeferese o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72.(Acórdão nº 280100.982, sessão de 24/09/2010, Relator Antonio de Pádua Athayde Magalhães). PEDIDO DE PERÍCIA. É de ser indeferido o pedido de perícia feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. (Acórdão nº 140200.415, sessão de 28/01/2011, Relator Antônio José Praga de Souza). PEDIDO DE PERÍCIAS Rejeitase o pedido de perícias quando desnecessárias, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento e quando versar sobre matéria de direito. (Acórdão 10246.345, sessão de 16/04/2004). Por tudo que foi exposto, a decisão recorrida não merece reparo. Portanto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 462DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 12448.720901/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. VALOR DO CRÉDITO HOMOLOGADO. PROCEDÊNCIA.
Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração opostos para correção de erro material na formalização do acórdão, quando confirmada tal falha. O resultado do julgamento constante do acórdão deve ser retificado de forma a corresponder ao que efetivamente debatia-se e restou decidido em votação.
Numero da decisão: 1402-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para correção do erro material na formalização do acórdão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ERRO MATERIAL. VALOR DO CRÉDITO HOMOLOGADO. PROCEDÊNCIA. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração opostos para correção de erro material na formalização do acórdão, quando confirmada tal falha. O resultado do julgamento constante do acórdão deve ser retificado de forma a corresponder ao que efetivamente debatiase e restou decidido em votação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para correção do erro material na formalização do acórdão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 09 01 /2 01 3- 74 Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 12448.720901/201374 Acórdão n.º 1402002.617 S1C4T2 Fl. 331 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 12448.720901/201374 Acórdão n.º 1402002.617 S1C4T2 Fl. 332 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela DIORT/RJ (fls. 1128), em face do v. Acórdão nº 1402002.405, proferido por esta C. 2ª Turma Ordinária, de relatoria deste mesmo Relator (fls. 957 a 979), o qual deu total provimento ao Recurso Voluntário (fls. 576 a 838) da Interessada. Os presentes Declaratórios foram objeto de r. Despacho de Admissibilidade, subscrito pelo I. Presidente dessa Turma Ordinária, Leonardo de Andrade Couto (fls. 1131 a 1133), cujo completo e preciso relatório passo a reproduzir, evitandose desnecessária duplicidade: Tratase de exame de admissibilidade dos embargos inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro RJ, órgão da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão embargado. Em síntese, afirma a embargante que a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1402 002.405, incorreu em inexatidão material devido a lapso manifesto quanto ao valor do direito creditório reconhecido ao sujeito passivo, conforme trechos de seus embargos a seguir reproduzidos: O Acórdão 1402002.405 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls.957/979), deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologou as compensações declaradas, que no presente caso referese ao PER Eletrônico nº 14821.80068.011210.1.6.023667 e DCOMPS relacionadas (fls. 1125). Verificamos que o crédito pleiteado pelo contribuinte, referente ao saldo negativo de imposto de renda do A/C 2005 EX.2006, no PER nº 14821.80068.011210.1.6.023667, corresponde ao valor de R$ 17.037.522,54, porém, o Acórdão informa, em seu parágrafo final, crédito reconhecido e pleiteado no valor de R$ 51.283.368,39 (fls.979). Sendo assim, acreditando ter havido um equívoco na informação do valor do crédito no Acórdão, atualizamos o processo informando o crédito restante a ser reconhecido, no valor de 12.875.477,97 (fls. 126/127). Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 12448.720901/201374 Acórdão n.º 1402002.617 S1C4T2 Fl. 333 4 Informese que, em atenção a manifestação contrária a Compensação de Ofício informada pelo Comunicado 50/2014 e a Compensação de Ofício 071080000000039/2017, citadas no Acórdão, efetuamos o cancelamento destas. Face ao exposto, para que não pairem dúvidas quanto a decisão, proponho retorno do processo a 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para manifestação quanto ao valor do crédito reconhecido. Posteriormente, retornese o presente processo a DIORT/EQCOMPDRFI, para prosseguimento. (...) Sobre os embargos inominados o art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, assim estabelece: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. (...) Pois bem, pelo exame do acórdão recorrido é possível verificar que o embargante logrou êxito em demonstrar sua alegação de inexatidão material devido a lapso manifesto. De fato, conforme indicado no Relatório contido no acórdão embargado, o saldo negativo do IRPJ do ano de 2005, objeto da controvérsia examinada nos autos, totalizava R$ 17.037.522,54, senão vejamos (efl. 959): Tratase de Recurso Voluntário (fls. 576 a 838) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (fls. 518 a 532) que manteve a não homologação parcial de PER/DCOMPs, entendendo não ser a ora Recorrente detentora do todo o direito creditório expresso naquele pedido e declarações, rejeitando integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 275 a 507). Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 12448.720901/201374 Acórdão n.º 1402002.617 S1C4T2 Fl. 334 5 Doravante, reproduzo parte do preciso e completo relatório elaborado pela DRJ de Ribeirão Preto/SP, quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada: Tratam os autos de Declarações de Compensação transmitidas pela contribuinte em epígrafe, por meio das quais ela pretendeu compensar os débitos informados nas Dcomp abaixo discriminadas, indicando como direito creditório o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2005, no valor total de R$ 17.037.522,54: (g.n.) (...) Por outro lado, o valor de R$ 51.283.368,39, que constou na conclusão do acórdão recorrido como sendo o valor do saldo negativo do IRPJ do ano de 2005 (efl. 979), em verdade refere se à parte controversa da soma das exclusões informada na DIPJ/2006, conforme trecho do mesmo Relatório a seguir transcrito (efl. 968): Todavia, considerando que o Termo de Solução Amigável de Controvérsia não foi assinado pelas partes, não se tem provas sobre qual o valor da multa contratual nem o momento em que foram exigidas pela CBEE. Ademais, o valor indicado no aludido termo (R$ 1.489.308,66) em nada se aproxima do valor total das deduções em discussão (R$ 51.283.368,39 = 93% de R$ 55.143.406,87). (g.n.) (...) Tendo em vista todo o exposto, e nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, ADMITO os presentes embargos inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro RJ, submetendoos à apreciação da Turma. Encaminhese para relatoria. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 12448.720901/201374 Acórdão n.º 1402002.617 S1C4T2 Fl. 335 6 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como já analisado no r. Despacho a quo, os Embargos Declaratórios são tempestivos e devem ser conhecidos. É claríssima a presença de erro material no redação do v. Acórdão nº 1402 002.405 (fls. 957 a 979), conforme apontado pelo N. Auditor da DIORT/RJ. Cabe aqui apenas frisar que, tratandose apenas de pleito para correção de erro material, oposto pela Unidade Local de Fiscalização, os presentes Declaratórios não possuem efeitos infringentes, sendo dispensável a abertura de vista ao Contribuinte ou à Fazenda Nacional. O erro se materializa na seguinte parte do dispositivo do v. Acórdão mencionado: Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o crédito pleiteado no valor de R$ 51.283.368,39, referente a saldo negativo de IRPJ percebido no anocalendário de 2005, homologandose o PER e as DCOMPs em questão, até o limite desse montante. (destacamos) De fato, este Conselheiro, quando da redação do voto acima colacionado, acabou por cambiar, por mero equívoco, o valor das exclusões efetuadas pelo Contribuinte (R$ 51.283.368,39 referente as multas contratuais, que foram a matéria de fato central do julgamento meritório jurídico) com o valor efetivamente utilizado como crédito no PER nº 14821.80068.011210.1.6.023667 e DCOMPs relacionadas (R$ 17.037.522,54 ainda que possua origem em tais exclusões). Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 12448.720901/201374 Acórdão n.º 1402002.617 S1C4T2 Fl. 336 7 Posto isso e diante das confirmações trazidas pela própria Embargante (telas de fls 1125 e 1127), fica claro que o valor remanescente sob julgamento naquele Recurso Voluntário, após o reconhecimento parcial do crédito pelo r. Despacho Decisório e pela DRJ a quo, é, na verdade, de R$ 12.875.477,97. Desse modo, fazse imperiosa a reforma pleiteada pela Embargante, para sanar o erro material e permitir a execução devida, livre de dúvidas e defeitos, da homologação de crédito confirmada por este E. CARF. Diante do exposto, conheço e acolho os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, retificando o v. Acórdão n º 1402002.405 para que em sua parte dispositiva, onde consta os termos no valor de R$ 51.283.368,39, passe a constar no valor de R$ 12.875.477,97, restando a seguinte redação completa de tal parágrafo: "Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o crédito pleiteado no valor de R$ 12.875.477,97, referente a saldo negativo de IRPJ percebido no anocalendário de 2005, homologandose o PER e as DCOMPs em questão, até o limite desse montante" (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1164DF CARF MF
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Numero do processo: 15215.720042/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário por perda de objeto quando o crédito tributário a que se refere foi objeto de pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1402-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para anular o Acórdão 1801-002.145, reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e não conhecê-lo por perda de objeto, tendo em vista pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário por perda de objeto quando o crédito tributário a que se refere foi objeto de pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para anular o Acórdão 1801002.145, reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e não conhecêlo por perda de objeto, tendo em vista pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 00 42 /2 01 1- 83 Fl. 1258DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 1a. Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. De acordo com o relatório produzido pela auditoria fiscal a empresa em referência adotou o Simples Nacional como forma de recolher os tributos federais, para o período de janeiro a outubro de 2008 e, na DASN, apontou receitas auferidas nos meses de janeiro a maio de 2008, nos seguintes valores: Nos demais meses, de junho, julho, agosto, setembro e outubro não declarou receitas auferidas. Para os meses de novembro e dezembro de 2008 adotou o Lucro Real. Mas a DIPJ e a correspondente DCTF do período em referência foram entregues sem qualquer valor declarado (zeradas). Atendendo intimação, apresentou sua escrituração contábil e fiscal do período de outubro/2008 a dezembro/2009, deixando de entregar a escrituração do período anterior – janeiro/2007 a setembro/2008. Na escrituração apresentada teriam sido registradas receitas de vendas em novembro/2008, no valor de R$ 139.676,21 e, em dezembro, de R$ 284.507,22. Teria informado não possuir Livro Caixa ou Diário para o período de janeiro/2007 a setembro/2008, mas que teria retificado a DACON. Declarou, ainda, possuir contascorrentes junto a instituições financeiras, fornecendo os extratos solicitados pela auditoria. De posse dos extratos a fiscalização elaborou demonstrativo contendo créditos de valor superior a R$ 1.000,00, encaminhando a relação, via intimação, para que a contribuinte comprovasse a origem dos valores. Apurouse, após denuncia recebida, que o POSTO VARGEM ALEGRE LTDA., havia sido adquirido pelos sócios da FRANCO E CAMPOS LTDA., mediante a interposição de sócios fictos – “laranjas” – EBENEZER DA SILVA MARQUES e SILAS LUCINDO GONÇALVES. O primeiro teria sido localizado trabalhando como frentista do posto e o segundo, trabalhando no escritório de FRANCO E CAMPOS. O sócio da FRANCO E CAMPOS LTDA., CRISPIM ELIAS CAMPOS NETO, que como pagamento pela compra do posto houve a entrega de cheques prédatados da FRANCO E CAMPOS, alguns resgatados em dinheiro, na data prevista para o pagamento. Também teriam sido efetuadas transferências bancárias para a conta do vendedor e que os recursos para tal compra teriam origem na FRANCO E CAMPOS. O vendedor do posto, OTAVIO RODRIGUES DA COSTA afirmou que o valor da venda foi estipulado em R$ 361.250,00, mas que também teria recebido a quantia de R$ 134.000,00 por conta do estoque de mercadorias. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 15215.720042/201183 Acórdão n.º 1402002.608 S1C4T2 Fl. 1.259 3 Depois de analisar os extratos bancários junto ao contribuinte e junto a instituições financeiras, foi identificada parte das pessoas físicas e jurídicas que creditaram valores nas contas da FRANCO E CAMPOS. Intimadas, várias dessas pessoas físicas e jurídicas informaram não possuir mais os documentos que comprovariam as operações efetuadas com a fiscalizada. Concluiu, assim, a auditoria, que a maior parte desses recursos foi utilizada para pagamento de mercadorias não declaradas e vendidas sem emissão de nota fiscal. Tais recursos teriam sido utilizados na compra do posto de gasolina. Contudo, instada, pelos termos de intimação n ºs 3,4,5 e 6 a comprovar o restante do valor depositado de R$ 2.323.323,51, não identificado pela auditoria, quedouse inerte a empresa. Dessa forma, esse valor foi considerado como omissão de receitas presumida em créditos bancários. Com fulcro nas disposições do art. 29, incisos V, VIII, IX e § 1o. da Lei Complementar n º 123, de 2006, foi editado ato de exclusão da empresa do Simples Nacional A empresa foi, então, intimada a optar pelo lucro presumido ou real para o período em que foi excluída do Simples Nacional, desde que apresentasse escrita contábil apta a permitir a determinação do lucro real ou presumido. Como não se manifestou no prazo concedido, foi promovido o arbitramento dos lucros. Para cálculo do lucro arbitrado os depósitos bancários não comprovados foram considerados como receita conhecida A multa de ofício foi qualificada, pelo evidente intuito de fraude. Defendeuse a empresa apresentando a impugnação de efls. 1.154/1.170. As razões de defesa foram assim resumidas no relatório do acórdão proferido pela Turma Julgadora de 1a. Instância: Não houve o respeito dos efeitos dos Atos Declaratórios mencionados, pois retroagiram atingindo períodos anteriores a sua edição, tal ato fere o princípio da irretroatividade da Lei (art. 5º , XXXIV e XL, da Constituição Federal de 1988). Portanto não há dúvidas quanto à impossibilidade da lei retroagir. Ademais, não foram consideradas as despesas para a apuração do lucro. Tais vícios tornam o ato administrativo incompleto em seus requisitos, tornando nulos os referidos autos. Ainda mais. A exclusão tal como realizada, fere a legislação do SIMPLES tanto na inadequação do ato utilizado como dos efeitos retroativos da exclusão. A IN n° 104 de 24/08/1998 permitiu a adoção pelas empresas do regime de caixa no reconhecimento das vendas de bens e serviços. [...] Assim é que para se efetivar o ARBITRAMENTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS a fiscalização deveria utilizar "as regras do SIMPLES, sendo inadmissível a utilização do arbitramento do lucro. Que se tolere a repetição, mas há necessidade da consideração de despesas para a apuração da renda tributável e que o autuante não considerou. É flagrante a ilegalidade da cobrança dos juros de mora baseados na taxa SELIC, pois sua aplicação constituise em inconstitucionalidade para fins tributários, eis que é ilegal a cobrança de taxa superior a 12% ao ano, caracterizando verdadeiro anatocismo, pois o CTN só autoriza juros no limite de 1% ao mês. Em relação à multa de ofício, vêse novamente um verdadeiro confisco, pois sua aplicação percentual de 75% é inconstitucional, caracterizando um verdadeiro confisco. Fl. 1260DF CARF MF 4 Finalmente, em relação à contribuição social sobre o lucro liquido, há que se ater que esta contribuição incide sobre o lucro e que não foram deduzidas as despesas para apuração deste lucro. A Turma Julgadora de 1ª Instância, ao apreciar o litígio, consignou que a empresa não havia apresentado manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão do Simples, tornando, assim, definitiva a exclusão do sistema. O arbitramento dos lucros foi justificado diante da ausência de escrituração na forma da lei, assim como os acréscimos legais aos tributos exigidos. Ao final, a impugnação foi considerada improcedente. Cientificada da decisão, em 09/07/2012 (AR efl. 1.184), apresentou a interessada, em 15/08/2012, recurso voluntário, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação. A 1ª Turma Especial desta 1ª Seção prolatou o Acórdão 1801002.145 através do qual entendeu pelo não conhecimento do recurso por ter sido apresentado intempestivamente. Inconformado, o sujeito passivo apresento pedido de reconsideração no qual aduz que o recurso voluntário foi tempestivo. A petição foi recebida como embargos de declaração ao qual foi dado seguimento para reconhecer a tempestividade do recurso e determinar que seja apreciado, com a ressalva de que o sujeito passivo teria apresentado pedido de desistência abrangendo o crédito tributário tratado nos autos. É o relatório. Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 15215.720042/201183 Acórdão n.º 1402002.608 S1C4T2 Fl. 1.260 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator A antiga 1ª Turma Especial desta 1ª Seção prolatou o Acórdão 1801002.145 através do qual entendeu pelo não conhecimento do recurso voluntário por ter sido apresentado intempestivamente. Inconformado, o sujeito passivo apresento pedido de reconsideração no qual aduz que o recurso voluntário foi tempestivo. A petição foi recebida como embargos de declaração e apreciado pela Presidência da 3ª Câmara da 1ª Seção, que deu razão ao peticionante e reconheceu a tempestividade do recurso voluntário. De imediato, cabe a anulação do Acórdão 1801002.145 que manifestouse pela intempestividade da peça recursal. Em tese, caberia também a apreciação do mérito do recurso. Entretanto, a recorrente apresentou pedido de desistência abrangendo o crédito tributário de que trata o presente processo. Sendo assim, não cabe a apreciação do mérito do recuso por perda de objeto. Do exposto, voto por acolher os embargos de declaração para anular o Acórdão 1801002.145, reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e não conhecêlo por perda de objeto, tendo em vista pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1262DF CARF MF
score : 1.0
