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Numero do processo: 10283.720851/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
MULTA DE OFÍCIO. ABUSIVIDADE. CONFISCO.
As alegações de que a multa de ofício ofende o art. 150, IV, da CF, por ser abusiva, extorsiva, expropriatória e confiscatória, não podem ser conhecidas pelo CARF, que não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária , conforme Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1301-002.275
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que davam provimento parcial para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ABUSIVIDADE. CONFISCO. As alegações de que a multa de ofício ofende o art. 150, IV, da CF, por ser abusiva, extorsiva, expropriatória e confiscatória, não podem ser conhecidas pelo CARF, que não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária , conforme Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que davam provimento parcial para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 08 51 /2 01 0- 87 Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301002.275 S1C3T1 Fl. 1.278 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório O presente recurso voluntário está restrito à parte da decisão de primeira instância que considerou procedente a aplicação da multa de ofício de 75%, a incidência de juros de mora calculados com base na variação da taxa Selic e os juros de mora sobre a multa de ofício. Esclareçase que este processo já esteve em pauta na sessão do dia 10/09/2013, para julgamento dos recursos voluntário e de ofício contra acórdão da DRJ que julgou parcialmente procedente a impugnação contra as exigências de diferenças de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2006, além da multa de ofício e dos juros de mora incidentes sobre tais diferenças. De acordo com a descrição dos fatos nos aludidos lançamentos tributários, o contribuinte não adicionou a parcela dos custos de bens adquiridos no exterior, de pessoa vinculada, que excedera o preço parâmetro de transferência. Na primeira instância, afastouse da base de cálculo do lançamento de ofício o ajuste do preço de transferência promovido pela Fiscalização, que utilizou o método PRL60 em substituição ao método CPL, empregado pelo contribuinte. Já na segunda instância, negouse provimento ao recurso de ofício, ao mesmo tempo em que se proveu o recurso voluntário do contribuinte, ao fundamento de que a IN SRF nº 243/2002 malfere o princípio da legalidade. Cientificada do resultado do julgamento dos recursos mencionados, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial contra a decisão de segunda instância, na parte em que se proveu o recurso voluntário com base na afirmação de que a IN SRF nº 243/2002 viola a lei de regência. Em sessão do dia 03/05/2016, a 1ª Turma da CSRF prolatou o acórdão nº 9101002.321, que proveu o recurso especial da PFN, assentandose a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301002.275 S1C3T1 Fl. 1.279 3 Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.” Dessa feita, em decorrência do acórdão supracitado, desceram os autos à presente instância para julgamento das questões remanescentes, referentes à multa de ofício, os juros de mora calculados com base na taxa Selic e aos juros incidentes sobre a multa de ofício. Conforme relatório da decisão de segunda instância, à fl. 782 [numeração eletrônica], o recurso voluntário, em síntese, desafia a decisão de primeira instância com base nos seguintes argumentos, quanto às questões remanescentes: “Da multa e dos juros 9. A multa de 75% é abusiva, extorsiva, expropriatória e confiscatória, na forma do art. 150, IV, da CF, na medida que não houve fraude, sonegação, dolo ou máfé por parte da recorrente, ultrapassando os limites da razoabilidade e proporcionalidade; 10. A jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, por inconstitucionalidade, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários: Nesse sentido o REsp 215881/PR e o REsp 450422/PR; 11. A cobrança dos juros de mora sobre a multa aplicada é ilegal, eis que a Lei n° 9.250/95, que instituiu a taxa SELIC como parâmetro de correção de débitos tributários, somente é aplicável ao valor principal, ou seja, aos tributos e contribuições, e que o artigo 43 da Lei n° 9.430/96 somente autorizou a aplicação dos juros de mora sobre a multa quando esta é lançada isoladamente. Nesse sentido o Acórdão n° 10195.469, de 24/0412006; Da juntada de novos documentos e pedido de diligência 12. Por fim, protesta pela juntada posterior de novos documentos e realização de diligência.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 02/06/2011, à fl. 554 [numeração eletrônica] Recurso voluntário com entrada na repartição preparadora no dia 01/07/2011, à fl. 558 [numeração eletrônica] É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, relator. O presente recurso reúne os requisitos de recorribilidade. De conheço. Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301002.275 S1C3T1 Fl. 1.280 4 Primeiramente, a multa de ofício, contra a qual se insurge o recorrente ao argumento de inconstitucionalidade (porque seria “abusiva, extorsiva, expropriatória e confiscatória, na forma do art. 150, IV, da CF”) Já se sedimentou, em sede de jurisdição administrativofiscal, que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). A segunda questão diz respeito aos juros de mora, hostilizados pelo recorrente também sob a alegação de inconstitucionalidade, uma vez que a predita taxa não teria sido criada para fins tributários. Nesse ponto, cabe trazer à colação a Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por fim, a questão relativa à incidência dos juros de mora sobre a multa aplicada mediante lançamento de ofício, em razão do descumprimento da norma tributária que fixou a determinação do valor do tributo ora exigido. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à previsão legal que veda a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301002.275 S1C3T1 Fl. 1.281 5 "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, sou da opinião de que a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1 º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301002.275 S1C3T1 Fl. 1.282 6 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301002.275 S1C3T1 Fl. 1.283 7 De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301002.275 S1C3T1 Fl. 1.284 8 O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para que se descortine o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Tal deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, manifesto que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, saliento que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301002.275 S1C3T1 Fl. 1.285 9 “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Diante de todo o exposto, proponho que seja negado provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1285DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.721635/2010-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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REQUISITOS Recorrente A PELÚCIO COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 16 35 /2 01 0- 12 Fl. 223DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso especial apresentado pelo sujeito passivo contra decisão que lhe negou o acréscimo de juros calculados com base na taxa selic a título de "atualização monetária por não ter restado demonstrada a ocorrência de resistência injustificada por parte da Administração tributária, considerada necessária nos termos da remansosa jurisprudência do STJ. A ementa da decisão combatida, quanto ao ponto, afirma: RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizamse como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados. Recurso Voluntário negado. O seu relatório pontua: A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 01, com o deferimento integral do saldo credor requerido, entretanto, não houve a homologação integral das compensações declaradas. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Valor do credito demonstrado: R$ 34.934,77 Valor do credito reconhecido: R$ 34.934,77 O recurso especial reconhece ser essa a jurisprudência do STJ, mas traz paradigmas que admitem o direito postulado por equiparar o ressarcimento de saldo credor de IPI à figura da restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, fazendo incidir o art. 39 da Lei 9.250. Ambos os paradigmas colacionados são anteriores à introdução do art. 62A no Regimento Interno deste Conselho e, também, às decisões do STJ que firmaram a jurisprudência aplicada pela Câmara recorrida. Contrarrazões apontam a necessidade de manutenção do julgado por seus próprios fundamentos. É o Relatório. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 9303005.115 CSRFT3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi apresentado tempestivamente, porém, não pode ser admitido porquanto não adequadamente comprovada a divergência interpretativa. Com efeito, embora o apelo do sujeito passivo inicie reconhecendo a jurisprudência oriunda do STJ, que exige a ocorrência de "oposição constante de ato estatal", traz para comprovar a divergência acórdãos prolatados em 2003 e 2005. Como se sabe, desde a edição do Regimento Interno baixado pela Portaria MF nº 256, em 2010, estão os membros deste Conselho obrigados à mera reprodução, em suas decisões, daquilo que tenha sido decidido pelo STJ em julgamentos submetidos ao rito do art. 543C do CPC. É o conteúdo do art. 62A: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Também é sabido, esse comando encontrase repetido no art. 62 do atual RICARF. Não por outro motivo, não se acolhe mais a incidência da Selic quando não demonstrada a ocorrência da tal oposição estatal, limitandose a divergência hoje à sua adequada caracterização. Com efeito, a Fazenda Nacional ainda teima em pretender restringir a aplicação do entendimento do STJ a casos exatamente iguais àquele em que prolatado o acórdão mencionado pelo dr. Barbieri. Os colegiados, entretanto, o vêm estendendo a todos aqueles em que uma dada decisão administrativa tenha negado alguma parcela postulada e essa parcela venha a ser, posteriormente, reconhecida, mesmo quando não se trate de aquisições a pessoas físicas e cooperativas objeto da IN discutida naquele julgado do STJ, e mesmo que nenhuma IN ou ato normativo outro haja. Mas isso é o máximo que se pode fazer, sem desrespeitar o artigo regimental, sendo impossível estendêlo a casos, como o atual, em que não houve qualquer parcela glosada pelo fisco a não ser a própria "atualização monetária pela Selic" já constante no pedido original. Não sendo mais possível a mera aplicação da tese defendida nos paradigmas apresentados e não tendo o recurso especial demonstrado em que teria consistido "a indevida oposição estatal", voto por não conhecer do seu recurso. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 225DF CARF MF 4 Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000766/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
Existindo decisão judicial não transitada em julgado decorrente de ação movida por empresa adquirente de produção de produtor rural pessoa física (segurado contribuinte individual ou segurado especial) suspendendo a obrigação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil deve proceder ao lançamento do crédito para prevenir a decadência, em nome da empresa adquirente de produção rural.
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO PARTE ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA.
É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES INADEQUADAS. IMPESSOALIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há previsão legal para que as decisões tomadas no processo administrativo sejam declaradas nulas, quando o julgador utiliza expressão inadequada para se referir à tese apresentada pelo sujeito passivo, a menos que reste comprovado nos autos a ocorrência de atropelo ao princípio da impessoalidade.
PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO.
Comprovados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pelo contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4
Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.
Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS.
A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva.
Numero da decisão: 2401-004.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. Por maioria, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa aplicada. Vencidos o relator e a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa que acolhiam a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Andréa Viana Arrais Egypto, que afastavam a responsabilidade solidária. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. Por maioria, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa aplicada. Vencidos o relator e a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa que acolhiam a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Andréa Viana Arrais Egypto, que afastavam a responsabilidade solidária. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Existindo decisão judicial não transitada em julgado decorrente de ação movida por empresa adquirente de produção de produtor rural pessoa física (segurado contribuinte individual ou segurado especial) suspendendo a obrigação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil deve proceder ao lançamento do crédito para prevenir a decadência, em nome da empresa adquirente de produção rural. NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO PARTE ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES INADEQUADAS. IMPESSOALIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal para que as decisões tomadas no processo administrativo sejam declaradas nulas, quando o julgador utiliza expressão inadequada para se referir à tese apresentada pelo sujeito passivo, a menos que reste comprovado nos autos a ocorrência de atropelo ao princípio da impessoalidade. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. Comprovados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pelo contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Existindo decisão judicial não transitada em julgado decorrente de ação movida por empresa adquirente de produção de produtor rural pessoa física (segurado contribuinte individual ou segurado especial) suspendendo a obrigação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil deve proceder ao lançamento do crédito para prevenir a decadência, em nome da empresa adquirente de produção rural. NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO PARTE ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 07 66 /2 00 7- 67 Fl. 692DF CARF MF 2 AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES INADEQUADAS. IMPESSOALIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal para que as decisões tomadas no processo administrativo sejam declaradas nulas, quando o julgador utiliza expressão inadequada para se referir à tese apresentada pelo sujeito passivo, a menos que reste comprovado nos autos a ocorrência de atropelo ao princípio da impessoalidade. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. Comprovados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pelo contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 693 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. Por maioria, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa aplicada. Vencidos o relator e a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa que acolhiam a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Andréa Viana Arrais Egypto, que afastavam a responsabilidade solidária. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Relatório JBS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Araçatuba, Decisão nº 21.421.0/125/2006, às efls. 454/473, que julgou procedente o lançamento fiscal lavrado em 16/12/2013, referente às contribuições sociais devidas ao INSS pelos empregadores produtores rurais pessoas físicas, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, nas quais a empresa adquirente fica subrogada e responsável, em relação ao período de 01/2002 a 07/2005, conforme Relatório Fiscal, às efls. 239/251 e demais peças que instruem o processo, consubstanciados na seguinte NFLD: 1) NFLD n° 35.865.8659 referente as contribuições do produtor rural pessoa física devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 25 da Lei n°8.212/91, com redação dada pela Lei n° 10.256 de 09/07/2001, na qual a empresa adquirente pessoa jurídica fica sub rogada, face o que dispõe o art.30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° Fl. 694DF CARF MF 4 9.528/97. Informa a fiscalização, que o lançamento foi efetuado mediante aferição indireta, pelos motivos e na forma descrita nos itens 6 a 8 do Relatório Fiscal subitem "DA APURAÇÃO POR AFERIÇÃO INDIRETA" (fls. 238). O lançamento em questão trata da exigência das contribuições previdenciárias, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR. Os fatos geradores contemplados na NFLD foram as aquisições de produtos rurais (gado para abate) de produtores rurais pessoas físicas pela empresa autuada, a qual estava obrigada ao recolhimento das contribuições decorrentes, por força da subrogação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Face a não apresentação das Notas Fiscais de Entrada (em meio papel), bem como dos Livros Diários e Razão, o auditor não teve como comprovar se houve ou não descontos das contribuições dos produtores. Tendose verificado a posteriori que a empresa lançava mão do artifício de "calçar" as notas fiscais, fato que pode ser constatado mediante a solicitação dos documentos “Acerto de Compra de Gado” e das vias das notas fiscais entregues aos produtores. Foi caracterizado grupo econômico de fato formado pela notificada e pela empresa Agropecuária Friboi Ltda, afirmando o fisco que ambas pertencem a grupo empresarial, comandado pela “Família Mendonça Batista”. Noticiase ainda que a fiscalizada impetrou o Mandado de Segurança – MS n° 2001.61.00.0000509 na 18.ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de liminar, requerendo a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da obrigação prevista nos incisos II e IV do art. 30 da n.º 8.212/1991 e art. 25, § 4. , da Lei n. 8.870/1994. Continuando relatase que em 30/01/2001 foi deferida liminar para suspender a exigibilidade conforme pedido do autor e, em 16/12/2004, o Judiciário determinou à impetrante que procedesse ao depósito judicial de todos os valores que reteve e que viesse a reter dos produtores rurais a titulo de "Funrural", não repassados ao INSS, sob pena de revogação da liminar. Diante desses fatos, o fisco ressaltou que a constituição do crédito estaria se dando para prevenir a decadência, ficando a cobrança com a exigibilidade suspensa até decisão final no referido MS, quando então seriam lavradas as cabíveis representações fiscais para fins penais. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 482/518, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, requer preliminarmente o sobrestamento do presente processo administrativo em virtude da vigência de causa suspensiva da exigibilidade do tributo, conforme expressamente reconhecido pela fiscalização e pelo órgão julgador de primeira instância administrativa e, conseqüentemente, a renovação de prazo para apresentar recurso administrativo em caso de reforma da sentença judicial concedida em favor da recorrente. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 694 5 Ainda preliminarmente, pugna pelo processamento e o conhecimento do presente recurso administrativo, independentemente de depósito prévio, ou ao menos mediante o arrolamento de bens nos termos do Decreto 70.235/72. Insurgese quanto o lançamento efetuado por meio de arbitramento, pois a aferição é medida extrema e apenas se justifica quanto a contabilidade da empresa for absolutamente inconsistente, devendo ser decretado nulo o lançamento. Também preliminarmente, afirma ser insubsistente a NFLD em questão, em razão de fatos apontados pela própria Fiscalização, eis que, há centenas de discussões judiciais sobre a matéria, seja por parte da recorrente, ou por parte de seus Fornecedores. Especificamente em relação a contribuinte, conforme já mencionado pela Fiscalização, fora ajuizado Mandado de Segurança, que tramita na 22° Vara Federal de São Paulo, processo número 2001.61.00.000050 9 já anotado pelo Sr Fiscal. Ocorre que naquele processo, contestase toda a exação referente ao novo funrural, ou seja, atacase a Lei, e a liminar suspendeu a exigência da referida contribuição, com ataque na via obliqua da constitucionalidade da exação. Desta sorte, os efeitos da lei estão suspensos para a contribuinte, não havendo que se falar em autuação. Continuando nas preliminares, pugna pela anulação do lançamento por falta de discriminação dos fatos e se há créditos a serem lançados que se promova novo lançamento, com a discriminação exata dos fatos, sob pena de ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Quanto a última preliminar, aduz pela incapacidade do agente fiscal, tendo em vista que a empresa Friboi Ltda (JBS atualmente) possui sua sede social em São Paulo Capital, e a fiscalização ocorreu na cidade de Andradina, ou seja, se deu em local indevido, uma vez que é na matriz, que a empresa centraliza a sua documentação fiscal hábil a demonstrar a regularidade de seus procedimentos. Já em relação ao mérito, alega ser inconstitucional e ilegal a cobrança da contribuição para o "funrural", devendo ser julgado improcedente o lançamento. Assevera quanto a atitude do julgador de primeira instância, demonstrando absoluta pessoalidade do mesmo ao adjetivar de "totalmente ridícula" a alegação da contribuinte. Em outros momentos o julgador expressa opinião pessoal no sentido de desmoralizar a defesa do contribuinte, utilizando, por exemplo, a expressão "Francamente!!!", que adicionada de vários pontos de exclamação exprimem a absoluta parcialidade do fiscal, que conduz as alegações à esfera pessoal, violando o disposto no art. 3° da Lei 9.784/99. Explicita que a cobrança não se aplica à ora recorrente por ser ela uma empresa exportadora, sendo grande parte de sua receita, cerca de 60%, oriunda de exportação, sobre a qual não incidem as contribuições sociais, conforme dispõe o artigo 149, § 2°, inciso I, da CF. Desta forma, deveria ter o ilustre fiscal segregado as receitas, de forma a considerar as aquisições que foram destinadas a exportação, não o fazendo, deve ser o lançamento considerado improcedente. Afirma que o tributo deve ser exigido primeiramente do seu sujeito passivo principal e não somente do responsável tributário. Fl. 696DF CARF MF 6 Aduz não haver demonstração por parte do fisco de qualquer vinculo ao fato gerador da respectiva obrigação tributária que justifique a existência de solidariedade entre as empresas FRIBOI LTDA e AGROPECUÁRIA FRIBOI LTDA. Acrescenta não haver coresponsabilidade dos sócios das empresas Friboi Ltda e Agropecuária, visto que não há prova de que os referidos sócios praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, conforme art. 135 do CTN. Esclarece esta efetuando o depósito judicial no dia do vencimento do tributo, de acordo com a determinação do MM. Juízo da 22a Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, no Mandado de Segurança Processo n° 2001.61.00.0000509, não havendo que se falar em aplicação de juros e multa para a correção do suposto débito. Opõese à quanto a cobrança de juros com base na Taxa Selic por falta de fundamentação legal, bem como do caráter confiscatório da multa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Igualmente, os coresponsáveis (Wesley Mendonça Batista, Vanessa Mendonça Batista, José Batista Sobrinho e Flora Mendonça Batista), apresentaram Recursos Voluntários, de efls. 524/558 e 573/608, basicamente repisando os argumentos de fato e de direito acima descritas, reforçando especialmente a insubsistência da atribuição de responsabilidade àqueles. Não houve apresentação de contrarrazões. Consta despacho da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, às efls. 682, informando que a causa determinante do sobrestamento do processo administrativo já não mais subsistia desde 26/06/2012, data da publicação do Acórdão do TRF 3ª Região que, ao julgar apelação interposta pela União no bojo do MS n° 2001.61.00.0000509, acolheu a preliminar de ilegitimidade da empresa impetrante e reformou a sentença de primeiro grau extinguindo o feito sem resolução de mérito. O Tribunal entendeu que apenas os produtores rurais teriam legitimidade para postular em juízo a inexigibilidade da contribuição prevista nos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, uma vez que são estes quem sofrem a repercussão jurídica do tributo, sendo o adquirente mero responsável pela retenção e recolhimento das contribuições aos cofres públicos. Acerca dos depósitos judiciais, o despacho chama atenção que foram localizados depósitos relativos aos períodos de 11/2004 a 10/2008, ou seja, como a presente NFLD corresponde a 01/2002 a 07/2005, possui depósitos compatíveis os períodos de 11/2004 a 07/2005, mesmo assim em valor inferior ao lançado pelo fisco. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 695 7 ILEGITIMIDADE PASSIVA Os autos revelam que o sujeito passivo impetrou o MS n° 2001.61.00.0000509, suscitando a inconstitucionalidade das contribuições previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, ou seja, as contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a recorrente teria a obrigação de reter e recolher. Em 30/01/2001 foi deferida liminar para suspender a exigibilidade conforme pedido do autor, provimento este que foi confirmado na sentença de mérito proferida em 15/08/2005. Essa decisão, todavia, foi reformada, em 21/12/2012, pelo TRF 3ª Região, que extinguiu o processo sem julgamento de mérito. Desta decisão houve recursos ao STJ e STF. Das peças processuais, depreendese que a discussão judicial recaiu apenas sobre inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias, haja vista que a contribuição destinada ao SENAR, à alíquota de 0,2%, não foi incluída no pedido do impetrante, tampouco foi questionada no recurso administrativo. Na data da lavratura o sujeito passivo detinha decisão que lhe desobrigava da retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias dos produtores rurais de quem adquiriu bovinos para abate, todavia, embora alegue no recurso, não logrou comprovar que os próprios produtores também estivessem acobertados por determinação judicial impedindo a retenção. Há no recurso, item 4.4 menção a decisões judiciais supostamente obtidas por seus fornecedores, mas não cuidou a recorrente de indicar expressamente quais dos seus fornecedores estariam albergados pelas referidas sentenças. Assim, para a apreciação da questão da alegada ilegitimidade passiva da recorrente, partirei do pressuposto que apenas esta estava amparada por provimento judicial afastando a subrogação da obrigação de recolher às contribuições em destaque. Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque a empresa adquirente, por sentença judicial, encontrase desobrigada de reter e recolher as contribuições previdenciárias ora lançadas, até porque o Judiciário em decisão definitiva de mérito e não simplesmente em sede de liminar decidiu não existir relação jurídica que a obrigasse a recorrente neste sentido. Logo, não se pode cogitar em débito desta perante a Seguridade Social, pois, repitase, em seu caso, com a concessão do provimento judicial, as obrigações tributárias correspondentes voltaram a ser de responsabilidade dos efetivos contribuintes, as pessoas físicas produtores rurais. Dessa forma, merece guarida a pretensão da contribuinte, consoante restou muito bem explicitado no voto, vencedor por unanimidade, do Acórdão n° 2401003.121, o qual me filio, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, exarado pela antiga composição desta Turma nos autos do processo n° 19515.004410/201038, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: " Alega o sujeito passivo que a constituição do crédito fere o devido processo legal, uma vez que a empresa era detentora de medida judicial reconhecendo a Fl. 698DF CARF MF 8 inexigibilidade das exações. Assim, cabível a declaração de nulidade dos AI. Após o pedido de vista do Ilustre Conselheiro Igor Araújo Soares e de seu brilhante arrazoado, uma questão veio a tona, a qual precede até a análise meritória da contenda: a ilegitimidade passiva. No presente caso, em desfavor da recorrente foram lançadas contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida de pessoas físicas, tendo a recorrente sido autuada na qualidade de subrogada na obrigação de recolher as contribuições.. A referida matéria por várias vezes já fora objeto de julgamento por esta Eg. Turma, que atenta ao disposto no art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, vem aplicando aos casos a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE 363.852. Sobre o assunto confirase os seguintes precedentes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004. SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de sub rogado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 ERROS MATERIAIS NA LAVRATURA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO ADMINISTRADO OU LESÃO AO INTERESSE PÚBLICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há de se declarar a nulidade de procedimento fiscal em razão de erros materiais que não provoquem prejuízo ao contribuinte ou lesão ao interesse público. MPF. PRORROGAÇÃO. COMANDO NO SISTEMA INFORMATIZADO.DISPONIBILIZAÇÃO PELA INTERNET. Com a edição do Decreto n. 6.104/2007 e da Portaria RFB n. 4.066/2007 abriuse a possibilidade da Administração Tributária efetuar a prorrogação do MPF mediante simples comando no Fl. 699DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 696 9 sistema informatizado, podendo o contribuinte visualizar a prorrogação mediante consulta na internet. Recurso Voluntário Provido.(Acórdão 240101.968, sessão de 22/08/2011, Rel. Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo) Todavia, no presente caso, a recorrente muito antes mesmo de ter sido iniciado o procedimento fiscal objeto de análise, impetrou ação judicial (MS 2009.61.00.0127600), levando ao crivo do judiciária a discussão acerca da exigibilidade da exação em comento. O referido Mandado de Segurança fora impetrado, ainda, no ano de 2009, tendo sido proferida sentença de mérito favorável ao contribuinte em 05 de fevereiro de 2010, cuja parte dispositiva foi a seguinte: "(...) Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE 0 PEDIDO E CONCEDO A SEGURANÇA, para o fim de declarar a inexistência de relação jurídica tributária que tenha por objeto a incidência da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, bem como para declarar o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos nos últimos 5 (cinco) anos que antecederam , a impetração do presente mandado de segurança, após o trânsito em julgado da decisão e observando os índices de correção acima especificados. (...)"(grifei) Assim, de fato, nos termos da Súmula n. 01 do CARF emerge dos autos a concomitância reconhecida quando proferido o v. acórdão de primeira instância. Entretanto, da análise do recurso voluntário, verificase que dele constam outras matérias passíveis de conhecimento por esta Turma e que não estão afetas ao Poder Judiciário, motivo pelo qual há como avançar no julgamento. Como acima mencionado, nos termos dos artigos 25 e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, as contribuições previdenciárias dos produtores rurais pessoas físicas, incidentes sobre a comercialização da produção rural, por substituição tributária, têm a obrigação de retenção e recolhimento transferida ao adquirente daqueles produtos, o que daria melhores condições à administração tributária de levar a efeito a tributação. No entanto, a partir da decisão judicial obtida pela contribuinte, desobrigandoa da retenção e, por conseguinte, do recolhimento dessas contribuições, as obrigações tributárias concernentes aos tributos sob análise, retornaram às pessoas físicas, contribuinte, não mais cabendo à empresa o dever de as reter e recolher. Fl. 700DF CARF MF 10 Ressaltese que a sentença que lhe foi favorável foi proferida em 05 de fevereiro de 2010 e a ação fiscal consolidada em 18/12/2010, ou seja, em data na qual a sentença proferida já garantia ao recorrente os efeitos de sua desobrigação em efetuar a retenção e recolhimento, sobretudo, aplicando, in casu, a declaração de inconstitucionalidade, a época, também já declarada pelo Supremo. Desta feita, a empresa adquirente, por sentença judicial, encontrase desobrigada de reter e recolher as contribuições previdenciárias ora lançadas, até porque o Judiciário em decisão definitiva de mérito e não simplesmente em sede de liminar decidiu não existir relação jurídica que a obrigasse a recorrente neste sentido. Logo, não se pode cogitar em débito desta perante a Seguridade Social, pois, repitase, em seu caso, com a concessão do provimento judicial, as obrigações tributárias correspondentes voltaram a ser de responsabilidade dos efetivos contribuintes, as pessoas físicas — produtores rurais. Neste sentido esta Eg. Turma já analisou caso idêntico, quando encaminhou o julgamento exatamente no mesmo sentido que ora proponho, acórdão 240100.673, de Relatoria do Em. Conselheiro Marcelo Freitas: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS. NULIDADE INOCORRÊNCIA Não se caracteriza aferição indireta da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, quando os valores lançados são extraídos diretamente das notas fiscais de entrada PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS. DECISÃO JUDICIAL SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Havendo decisão judicial afastando a substituição tributária prevista nos artigos 25 e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, concernente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais com pessoas físicas, cuja retenção e recolhimento foram subrogadas à empresa adquirente, não se pode cogitar em lançamento exigindo tais tributos, uma vez que as obrigações tributárias voltam a ser de responsabilidade dos produtores rurais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.(grifei) No julgamento supra, citouse outro precedente semelhante, no qual a exigência da tributação também fora rechaçada por este Eg. Conselho, todavia, agora, pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara, em voto da Em. relatora Ana Maria Bandeira. O caso tratado em referido julgamento, foi da Retenção de 11%, inserida no artigo 31 da Lei n° 8.212/91 (na redação da Lei n° 9.711/98), incidente sobre a contratação de serviços prestados Fl. 701DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 697 11 mediante cessão de mãodeobra, oportunidade na qual esta Câmara também afastou a responsabilidade/obrigação do tomador de serviços em relação à aludida retenção, na forma que a norma exige, quando a tomadora e/ou a prestadora de serviços obtém decisão judicial concedendo o direito de não submeterse aos ditames daquele dispositivo legal. É o que se infere do voto da Ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira, nos autos do Processo n° 17546.000578/200786, Recurso n° 159.118, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA — EMPRESAS CONTRATADAS POR CESSÃO DE MÃODEOBRA— RETENÇÃO 11% IMPEDIMENTO— SENTENÇA JUDICIAL A notificada ao absterse de efetuar a retenção prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91 na redação alterada pela Lei n° 9.711/98 cumpriu determinação judicial, da qual não poderia furtarse. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." A propósito, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil já sedimentou esse entendimento, quando tratou da questão na Solução de Consulta n. 01, de 15/01/2013, de cuja conclusão pode ser extraído o mesmo entendimento: “Conclusão 19. Concluise que: a) Existindo medida liminar que impeça a empresa adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural adquirida, a RFB deve proceder ao lançamento do débito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em nome do produtor rural pessoa física ou segurado especial; b) Cassada a medida liminar, e sendo favorável ao fisco a decisão: b.1) na hipótese do item a, deverá ser feita a cobrança do crédito tributário lançado, observada, com relação à multa de mora o disposto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996; b.2) não tendo sido efetuado o lançamento para prevenir a decadência, o produtor rural pessoa física ou o segurado especial ficam obrigados ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da sua produção rural, considerandose a data de vencimento originária para o recolhimento da contribuição subrogada, observado o disposto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, no que se refere à multa de mora; b.3) não havendo pagamento no prazo previsto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, deverá ser efetuado o lançamento de ofício nos termos do art. 33, §7º, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 44 da lei nº 9.430, de 1996.” Patente, então, a ilegitimidade passiva nos lançamentos em questão. (...)" Fl. 702DF CARF MF 12 Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a legitimidade passiva da recorrente quanto as contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a recorrente teria a obrigação de reter e recolher. CONCOMITÂNCIA Como restei vencido no item anterior, passo a analise das demais alegações. A ação judicial proposta trata da inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a recorrente teria a obrigação de reter e recolher. Sobre esses aspectos, trazidos também no recurso, desvinculo de lançar pronunciamento, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nessa toada, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Acrescento ainda que não há permissivo legal para que se tranque o curso do processo administrativo fiscal ante a existência de discussão judicial da matéria. Inexiste no ordenamento pátrio norma prevendo tal restrição. Observese que em relação ao presente feito havia determinação do Judiciário nesse sentido, todavia, esse efeito foi revogado, conforme mencionado no relatório deste voto. PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tanto a recorrente, quanto os coresponsáveis, pugnam pela anulação do lançamento por falta de discriminação dos fatos e havendo créditos a serem lançados que se promova novo lançamento, com a discriminação exata dos fatos, sob pena de ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Conforme o relato do fisco, para identificar as aquisições de gado de pessoas físicas foram analisados documentos fornecidos pela empresa e pelos seus fornecedores de gado. Os produtores rurais e as operações envolvidas foram claramente identificados em planilhas acostadas a notificação, inexistindo dificuldade para que o sujeito passivo pudesse manifestarse especificamente sobre quaisquer dos dados demonstrados pelo fisco. Assim, o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que disciplinam a constituição do crédito tributário. Vejamos o que diz o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido Fl. 703DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 698 13 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. Percebo que o fisco indicou os elementos examinados para chegar a conclusão ora debatida. Nesse sentido, vejo que a lavratura e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. O caminho trilhado para fixação da base de cálculo também foi suficientemente esclarecido no relatório fiscal e os valores envolvidos encontramse discriminados no Relatórios de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura dos Discriminativos Analíticos do Débitos – DAD. Bem como, consta os relatórios com a discriminação, período e base legal para constituição dos créditos previdenciários. Quantas a demais alegações suscitadas pela contribuinte neste aspecto, estas não tem o condão de macular o lançamento. Assim, não há o que se falar em nulidade do ato administrativo de lançamento se inexistiu prejuízo explícito ou aparente para o administrado. Nesse sentido, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa, afasto essa preliminar. PRELIMINAR DA INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL Aduz pela incapacidade do agente fiscal, tendo em vista que a empresa Friboi Ltda (JBS atualmente) possui sua sede social em São Paulo Capital, e a fiscalização ocorreu na cidade de Andradina, ou seja, se deu em local indevido, uma vez que é na matriz, que a empresa centraliza a sua documentação fiscal hábil a demonstrar a regularidade de seus procedimentos. O artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6o, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Fl. 704DF CARF MF 14 Não existe na legislação que rege a atuação da RFB qualquer limitação territorial na competência dos auditores fiscais para autuação em ações fiscais e tampouco norma que determine que a instauração da ação fiscal deve ser realizada na unidade mais próxima da sede da empresa. Sendo o Auditor Fiscal a autoridade competente para a prática do ato de lançamento em âmbito nacional, constituía requisito para o exercício de sua atividade que o agente estivesse devidamente amparado por ordem específica, representado pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Assim dispunha o artigo 2. do Decreto nº 3.724/01: Art. 2.º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. In casu, vislumbro a existência de Mandado de Procedimento fiscal devidamente assinado digitalmente por autoridade competente, com a devida indicação da portaria que delegou a competência para tanto. Diante do exposto, afasto o pleito das recorrentes. PRELIMINAR DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE Assevera quanto a atitude do julgador de primeira instância, demonstrando absoluta pessoalidade do mesmo ao adjetivar de "totalmente ridícula" a alegação da contribuinte. Em outros momentos o julgador expressa opinião pessoal no sentido de desmoralizar a defesa do contribuinte, utilizando, por exemplo, a expressão "Francamente!!!", que adicionada de vários pontos de exclamação exprimem a absoluta parcialidade do fiscal, que conduz as alegações à esfera pessoal, violando o disposto no art. 3° da Lei 9.784/99. De fato, o termo utilizado pelo julgador da SRP não me parece o mais adequado. A palavra “ridícula”, que no vernáculo significa “digna de riso”, não se mostra a mais apropriada para emprego em uma decisão administrativa, mas, em absoluto, pode ser tomada como causa de nulidade do ato. A lei n. 9.874/1999 que regula o processo no âmbito da Administração Pública Federal, prevê como um dos direitos do administrado ser tratado com respeito pelos servidores (inciso I do art. 3°), mas não chega a impor a sanção de nulidade aos atos administrativos que contenham expressões inadequadas. Os fatos narrados pelo sujeito passivo, a meu ver, não comprovam que a Autoridade Julgadora se desviou da sua finalidade de verificar a compatibilidade do lançamento com a legislação de regência. Inexiste nos autos qualquer evidência de que a decisão da SRP tenha sido perpetrada para satisfazer um capricho pessoal do servidor julgador ou mesmo no intuito de perseguir o administrado. Neste aspecto, não merece guarida o pedido das recorrentes. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 699 15 MÉRITO IMUNIDADE Explicita que a cobrança não se aplica à ora recorrente por ser ela uma empresa exportadora, sendo grande parte de sua receita, cerca de 60%, oriunda de exportação, sobre a qual não incidem as contribuições sociais, conforme dispõe o artigo 149, § 2°, inciso I, da CF. Desta forma, deveria ter o ilustre fiscal segregado as receitas, de forma a considerar as aquisições que foram destinadas a exportação, não o fazendo, deve ser o lançamento considerado improcedente. Sem razão a recorrente! Não tem plausibilidade a alegação de que, sendo a autuada empresa exportadora, estaria a recorrente imune ao recolhimento dos tributos lançados. As contribuições discutidas não são contribuições da empresa, mas de seus fornecedores, pessoas físicas, atuando a notificada como mera repassadora das contribuições retidas. Assim, de fato, foge à razoabilidade o argumento recursal que invoca uma situação pessoal da empresa fiscalizada para afastar a cobrança de tributos, cujo ônus financeiro não é por ela suportado. GRUPO ECONÔMICO Aduz não haver demonstração por parte do fisco de qualquer vinculo ao fato gerador da respectiva obrigação tributária que justifique a existência de solidariedade entre as empresas FRIBOI LTDA e AGROPECUÁRIA FRIBOI LTDA, invocando o artigo 128 para afastar a solidariedade pela satisfação do crédito. Mais uma vez não assiste razão a recorrente, afora o entendimento pessoal sobre a matéria, in casu, peço vênia para transcrever excerto do Acórdão n° 2401003.823 da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, exarado pela antiga composição desta Turma nos autos do processo n° 14479.000767/200710, análogo a este, e adotálos como razões de decidir, por muito bem analisar as alegações suscitadas pela autuada e documentos acostados aos autos, in verbis: "(...) Não é cabível esta tese, haja vista que o dispositivo citado não trata de responsabilidade solidária, mas se refere à substituição tributária. Vale a pena reproduzilo: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação". A norma do CTN que possibilita a aplicação da responsabilidade solidária é o art. 124, assim reproduzido: Fl. 706DF CARF MF 16 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Pois bem, o fisco está atribuindo a responsabilidade solidária à Agropecuária Friboi Ltda com base no inciso II acima, haja vista que restou demonstrada no item 14 do relatório fiscal a existência de grupo econômico da qual fazem parte as duas empresa colocadas no polo passivo da NFLD e, conforme a Lei n.º 8.212/1991, as empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelas obrigações para com a Seguridade Social, como se pode ver: Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Há, portanto, respaldo jurídico para atribuição da referida solidariedade. Quanto à jurisprudência colacionada, entendo que não pode ser aplicada ao caso sob apreciação. É que o fisco demonstrou que a interligação entre as empresas vai além da existência de mero grupo econômico, com empresas com comando distinto e autonomia de gestão. Foram apresentadas provas de similitude do quadro social; atividades complementares, confusão patrimonial; identidade na marca, que inclusive é de propriedade da Agropecuária Friboi; transferências de ativos, mediante contratos de mútuo e comando único. Para mim estes elementos são mais do que suficientes para demonstrar a ocorrência de grupo econômico e justificar a atribuição da responsabilidade solidária.(...)" Essas são as razões de decidir da antiga composição desta Colenda Turma, as quais estão muito bem fundamentadas, motivo pelo qual, após análise minuciosa da demanda, compartilho das conclusões acima esposadas. DA MULTA Esclarece esta efetuando o depósito judicial no dia do vencimento do tributo, de acordo com a determinação do MM. Juízo da 22a Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, no Mandado de Segurança Processo n° 2001.61.00.0000509, não havendo que se falar em aplicação de juros e multa para a correção do suposto débito. Observandose a superveniência da Lei n.º 11.941/2009, que, dentre outras alterações, dispôs que aos lançamentos relativos às contribuições sociais seria aplicado o disposto no art. 44 da Lei n.º 9.430/19962, devese, em respeito ao disposto na alínea “c” do inciso II do art 106 do CTN3, lançar mão da legislação mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 700 17 Nesse diapasão, a aplicação retroativa da norma superveniente nos conduz a declarar improcedente a aplicação da multa sobre as contribuições previdenciárias, posto que, passandose a aplicar a multa da Lei n. º 9.430/1996, também deverseá observar o comando do seu art. 63, que veda a aplicação da multa de ofício aos créditos lançados para prevenir a decadência. Esse entendimento inclusive é objeto de Súmula do CARF: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Registre, mais uma vez, que não estou tratando acerca das contribuições destinadas ao SENAR, pois não foram matéria de recurso. Quanto aos juros não há o que se falar em sua exclusão. Até porque o art. 63 da Lei n.º 9.430/1996 não prevê a exclusão dos mesmos na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. E de fato, não poderia ser de outra forma, haja vista que os juros nada mais representam de que uma compensação à Fazenda pelo pagamento fora do prazo, não possuindo caráter de punição. TAXA SELIC Opõese à quanto a cobrança de juros com base na Taxa Selic por falta de fundamentação legal, bem como do caráter confiscatório da multa. Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Por sua vez, de conformidade com o artigo 35, inciso I, da Lei 8.212/91, vigente à época, as contribuições previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Fl. 708DF CARF MF 18 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: [...]” Nesse sentido, devida à contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 e, bem assim, da multa moratória, nos termos do artigo 35 do mesmo Diploma Legal. Além do que a aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, improcedente é o pedido. CORESPONSÁVEIS Acrescenta não haver coresponsabilidade dos sócios das empresas Friboi Ltda e Agropecuária, visto que não há prova de que os referidos sócios praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, conforme art. 135 do CTN. Sem razão a recorrente!! Isto porque, a matéria objeto de julgamento nesta assentada referese à procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual crédito tributário definitivamente constituído, após decisão administrativa transitada em julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade. A questão suscitada pela contribuinte poderá ser objeto de apreciação em outras oportunidades, por exemplo, na execução fiscal, obedecidas as normas procedimentais deste processo, não merecendo aqui fazer maiores considerações relativas a responsabilidade pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora recorrente. Ademais, na hipótese contemplada nestes autos, além de não se responsabilizar diretamente, ainda, qualquer outra pessoa pela falta do recolhimento das contribuições ora lançadas, consoante se infere do anexo “RELATÓRIO DE VÍNCULOS”, inexiste atribuição da sujeição passiva pelo crédito tributário em discussão àquelas pessoas, uma vez que o lançamento fora efetuado contra a empresa e não contra eles. Conforme se verifica da autuação, são os sócios, tão somente coresponsáveis pelos créditos constituídos, não se cogitando na ilegalidade de tal procedimento por encontrar respaldo na legislação de regência, como restou claro na decisão de primeira instância, devendo ser mantido o feito na forma ali decidida. Aliás, a jurisprudência deste Colegiado, consagrada pela Súmula CARF n° 88, é por demais enfática ao afirmar que a simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos CORESP não implica em responsabilidade pessoal – sujeição passiva – de tais pessoas físicas, não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, como segue: Fl. 709DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 701 19 “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Neste sentido, inexiste razão para maiores disceptações a respeito da matéria, mormente em razão das Súmulas do CARF vincularem seus julgadores, não prosperando, portanto, a pretensão da contribuinte. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, no mérito, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL declarar a ilegitimidade passiva da autuada, além de excluir a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias funrural, nos termos e fundamentos exposados. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à ilegitimidade passiva da Recorrente. Ora, em que pese as contribuições em comento serem devidas pelos produtores rurais dos quais foi adquirida a produção, nos termos do que dispõe o art. 25 da Lei 8.212/91, o art. 30, inciso IV, do mesmo diploma legal, estabelecia (e ainda estabelece) a obrigação da empresa, por subrogação, pela arrecadação e recolhimento dessas contribuições. É fato, todavia, que a Recorrente ingressou com ação judicial para questionar tal exação, porém, em nenhum momento foi apresentado à fiscalização alguma determinação judicial que impedisse o lançamento. Vejamos o que dispõe o Relatório Fiscal, fls. 239 a 251, a respeito: 19. A notificada impetrou Mandado de SegurançaMS sob n° 2001.61.00.0000509, na Justiça Federal — 18° Vara Federal de Fl. 710DF CARF MF 20 São Paulo, com pedido de liminar, requerendo a suspensão da exigibilidade da cobrança da contribuição exigível nos termos previstos no artigo 30, ll e IV da Lei n° 8.212/91, com a redação das Leis n°s 8.540/92 e 9.528/97 e artigo 25, parágrafo 4°, da Lei n° 8.870/94. Em 31/01/2001 foi deferida a liminar a fim de suspender a exigibilidade da contribuição social denominada "Novo Funrural". Em decisão datada de 16/11/2004, exarada no mesmo MS o Juiz Federal Titular da 22a Vara Civil José Henrique Prescendo, determinou à impetrante que procedesse ao depósito judicial de todos os valores que reteve e que vier a reter dos produtores rurais a titulo de "Funrural", não repassados ao INSS, sob pena de revogação da liminar. Já em 30/05/2005 foi proferida nos autos a sentença nos seguintes termos: Posto isto, CONCEDO A SEGURANÇA, para declarar que a impetrante não está sujeita à retenção e ao recolhimento da contribuição denominada NOVO FUNRURAL, de que trata a Lei 8540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei 8212/91, em relação às aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea "a" do inciso V da Lei 8212/91, devendo a autoridade impetrada absterse de exigir esta retenção e os respectivos recolhimentos, exceto em relação às aquisições efetuadas junto a produtores rurais pessoa física considerados como segurados especiais, especificados no inciso VII também do artigo 12 da Lei 8212/91, não objeto de discussão neste auto. 20. Desse modo, lavramos o presente débito com os fins de resguardar de ele não seja fulminado pela decadência, devendo a sua cobrança ficar com a exigibilidade suspensa até decisão final. Como se vê, a fiscalização teve ciência do Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, desobrigandoa de efetuar a retenção e o recolhimento e consignou em seu Relatório Fiscal que a lavratura do presente lançamento foi realizada com vistas a proteger o crédito contra a decadência e, ainda, que a sua exigibilidade ficaria suspensa até a decisão final no âmbito judicial, conforme determinado na segurança concedida (vide transcrição acima). Convém destacar, porém, que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na via judicial, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte, visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição de crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. Eis que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, estando prevista na legislação a subrogação da obrigação pela retenção e recolhimento das contribuições em comento e não havendo decisão judicial definitiva dispensando tal obrigação, correto o lançamento para prevenir a decadência, na forma como procedido. Nesse sentido é a Solução de Consulta Interna nº 1 da Coordenação Geral de Tributação (Cosit), de 17/1/17: Fl. 711DF CARF MF Processo nº 14479.000766/200767 Acórdão n.º 2401004.778 S2C4T1 Fl. 702 21 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. Existindo decisão judicial não transitada em julgado decorrente de ação movida por empresa adquirente de produção de produtor rural pessoa física (segurado contribuinte individual ou segurado especial) suspendendo a obrigação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil deve proceder ao lançamento do crédito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em nome da empresa adquirente de produção rural. (Grifo nosso) Diante desse quadro, não há que se falar em ilegitimidade passiva. Conclusão Isso posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir apenas a multa aplicada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 712DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.000033/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IMPOSTO TEMPESTIVAMENTE PAGO. FALTA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE.
Incabível a aplicação de penalidade por lançamento de ofício em relação a tributo pago dentro do prazo legal, ainda que não tenha sido esse montante declarado.
Numero da decisão: 2201-003.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 23/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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FALTA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. Incabível a aplicação de penalidade por lançamento de ofício em relação a tributo pago dentro do prazo legal, ainda que não tenha sido esse montante declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 23/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 33 /2 00 8- 01 Fl. 1013DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls 989) apresentado em face do Acórdão nº 1731.706, da 7ª Turma da DRJ/SPOII (fls 968), que negou provimento à impugnação parcial apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração pelo qual se exigiu dele imposto de renda sobre rendimentos omitidos da atividade rural nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Tendo tomado ciência do auto de infração em 29/01/2008 (fls 439), o contribuinte efetuou o recolhimento do imposto, da multa e dos juros de mora relativos aos exercícios 2004 e 2005 (DARF a fls 895 e 896, valores lançados a fls 27/29). Em relação ao valor exigido com referência ao exercício 2003, totalizando R$ 22.309,15 (fl 25), o contribuinte efetuou o recolhimento em 26/02/2008 da importância de R$ 3.533,87 (fls 893/894) e, em relação ao saldo remanescente, alega que, embora tenha entregue sua Declaração de IRPF/2003 com valores zerados (fls 855), efetuou em 30/04/2003 o pagamento do imposto que considerou devido no valor de R$ 18.775,28 (fl 892). Em vista disso, pleiteou a declaração de que a exigência desse valor seria insubsistente, assim como a multa aplicada sobre ele de 150%. Cientificado da decisão que negou provimento ao seu apelo em 20/05/2009 (fls 988), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário a este Conselho em 17/06/2009 (fls 989), alegando, em síntese, que: o valor exigido em relação ao anocalendário 2002 já foi integralmente pago pelo contribuinte, R$ 18.775,28 em 30/04/2003 (fls 892) e R$ 3.533,87 em 26/02/3008 (fls 893/894); a ausência dos valores na declaração de 2003 não trouxe prejuízo ao fisco já que foi realizado o pagamento; não houve dolo, fraude ou simulação. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora A controvérsia submetida à análise deste Conselho restringese a definir os efeitos sobre o lançamento fiscal dos valores que foram pagos pelo contribuinte a título de IRPF dentro do prazo legal, contudo sem que tenha havido a declaração dos correspondentes rendimentos tributáveis. Penso que deve ser aplicada à hipótese em questão o que prescreve o seguinte dispositivo do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 15956.000033/200801 Acórdão n.º 2201003.699 S2C2T1 Fl. 1.009 3 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Pela literalidade do dispositivo, o lançamento por homologação caracterizase pelo dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e operase pela homologação realizada por esta. Neste caso, os atos anteriores à homologação devem ser considerados na apuração do saldo devido, na imposição da penalidade ou sua graduação. O pagamento realizado pelo sujeito passivo, no caso, não apenas implica confissão do valor devido, mas também extingue o crédito tributário sob condição de sua ulterior homologação pela autoridade fiscal. Devese atentar ainda para o que estabelece a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, base legal para a imputação da penalidade aplicada: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Se, com base nesse dispositivo, a existência de declaração realizada pelo contribuinte desacompanhada do pagamento do tributo confessado já constitui obstáculo suficiente à aplicação de penalidade, com mais razão deve ser atribuído o mesmo efeito ao pagamento do tributo desacompanhado da declaração. Fl. 1015DF CARF MF 4 Com base no exposto, entendo que não apenas a autoridade fiscal deveria ter aproveitado de ofício o pagamento espontaneamente realizado pelo contribuinte dentro do prazo legal, como esse pagamento constituía obstáculo para aplicação de qualquer penalidade por lançamento de ofício. Há que se mencionar, ainda, o seguinte precedente proferido pela Primeira Seção de julgamento deste CARF no Acórdão nº 1201001.235, na sessão de 9 de dezembro de 2015, Relator o Conselheiro Marcelo Cuba Netto: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Incabível a lavratura de auto de infração para exigência de tributos não declarados e pagos em atraso, mas antes de cientificado o sujeito passivo do início da ação fiscal. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe integral provimento. (assinado digitalmente) Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 1016DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002465/2005-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CONTRIBUINTE QUE NÃO ENTREGA TODA A DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. POSSIBILIDADE. O suporte para a expedição de Requisição de Movimentação Financeiras às entidades bancárias, em vista do disposto no artigo 6º da citada Lei Complementar nº 105/2001, é a desídia ou mesmo a impossibilidade fática de o contribuinte fazê-lo, o que redunda na indispensabilidade do exame dos documentos solicitados. Ou seja, alguma ilegalidade haveria nas ditas requisições ou se autoridade administrativa dispusesse desses documentos por outro meio, ou se não fossem de todo indispensáveis ao deslinde da materialidade tributável do período auditado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA SE MANIFESTAR SOBRE O APONTADO SALDO CREDOR DE CAIXA. NÃO OCORRÊNCIA. A ciência do auto de infração marca o início do contencioso administrativo de sorte, que a ausência de intimação anterior para se manifestar sobre a materialidade da autuação não importa em cerceamento de defesa, que no caso, foi oportunizado à recorrente no âmbito do presente processo administrativo, no qual pôde produzir as provas e argumentações que entendeu necessárias. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Não logrando o impugnante reverter a constatação fiscal de saldo credor de caixa, resta configurada a presunção legal de omissão de receita.
Numero da decisão: 1802-000.697
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CONTRIBUINTE QUE NÃO ENTREGA TODA A DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. POSSIBILIDADE. O suporte para a expedição de Requisição de Movimentação Financeiras às entidades bancárias, em vista do disposto no artigo 6º da citada Lei Complementar nº 105/2001, é a desídia ou mesmo a impossibilidade fática de o contribuinte fazêlo, o que redunda na indispensabilidade do exame dos documentos solicitados. Ou seja, alguma ilegalidade haveria nas ditas requisições ou se autoridade administrativa dispusesse desses documentos por outro meio, ou se não fossem de todo indispensáveis ao deslinde da materialidade tributável do período auditado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA SE MANIFESTAR SOBRE O APONTADO SALDO CREDOR DE CAIXA. NÃO OCORRÊNCIA. A ciência do auto de infração marca o início do contencioso administrativo de sorte, que a ausência de intimação anterior para se manifestar sobre a materialidade da autuação não importa em cerceamento de defesa, que no caso, foi oportunizado à recorrente no âmbito do presente processo administrativo, no qual pôde produzir as provas e argumentações que entendeu necessárias. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Não logrando o impugnante reverter a constatação fiscal de saldo credor de caixa, resta configurada a presunção legal de omissão de receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 671DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Alfredo Henrique Rebello Brandão. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ de Campinas/SP. O processo em análise se relaciona aos autos de infração atrelados ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos pertinentes (fls. 347 – 370), lavrados diante das irregularidades constatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 372 – 376) cujo teor segue abaixo sintetizado. Tratase de ação fiscal levada a efeito perante a recorrente com o propósito de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no anocalendário 2000 (fls. 1 3). Assentouse na fiscalização, que a recorrente tem como atividade a prestação de serviços de assistência médica, cirúrgica e hospitalar. (fls. 40 56) e nessa condição adotou como sistemática de tributação a do Lucro Real, com apuração anual, conforme DIPJ de folhas 5 a 39. Verificase ainda, que Mediante Termo de Início de Fiscalização foram apresentados livros de sua escrituração contábil (Livro Diário nº 12, relativo ao ano calendário 2000 e livros Razão, LALUR e Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, extratos bancários (fls. 11 57). Na sequência, foilhe exigida a apresentação dos extratos bancários e atendida de maneira parcial. Sendo considerado imprescindível o exame destes documentos no curso da ação fiscal, foram emitidas Requisições Informações sobre Movimentação Financeira e encaminhadas aos bancos Bradesco, Itaú e HSBC nos termos da Lei Complementar n° 105/01, e do Decreto n°3.724/01, afim de obter os referidos extratos (fls. 63 a 180). Assentou a Fiscalização que da análise destes elementos, foi verificado que uma grande quantidade de cheques emitidos pela recorrente foi contabilizada de maneira a creditar a respectiva conta de Bancos (Baú e HSBC Bamerindus), mas debitando a conta Caixa, sendo então encaminhado Termo de Intimação Fiscal, a fim de que fosse identificada a efetiva destinação dos cheques relacionados em seu anexo. (fls. 194 199). Fl. 672DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 13839.002465/200515 Acórdão n.º 180200.697 S1TE02 Fl. 2 3 Em resposta (fls. 205 238) a recorrente apresentou relação com os beneficiários dos cheques constantes da intimação fiscal. Com exceção de dois dos cheques (n. 205681 em 05/04/2000 no valor de R$ 25.535,01, e nº. 349700 em 18/08/2000 no valor de R$ 46.423,69). Nessa toada, foi verificado que para todos os demais, os recursos não permaneceram no Caixa da empresa e que a contabilidade da recorrente não revela, nas respectivas datas de lançamento dos cheques, pagamento de obrigações que reflitam a informação prestada na resposta. Ou seja, a contabilidade apenas faria demonstrar que os recursos provenientes dos cheques emitidos permaneceram no Caixa, motivo pelo qual, concluiu a Fiscalização que vários dos cheques emitidos tiveram como destinatário os próprios sócios da recorrente Sr. Armando Hashimoto e a Sra. Rosana Argenton, vindo a comprovar mais uma vez que os recursos não compuseram o Caixa. (fls. 205 238). Feitas essas constatações, procedeuse à glosa dos valores indevidamente contabilizados a débito da conta Caixa, e em sua recomposição, chegouse ao saldo credor de Caixa em algumas datas (fls. 338 341). Assentouse ainda que estes lançamentos foram escriturados com o propósito de se evitar que a contabilidade da recorrente revelasse o estouro de caixa, ou seja, o caixa passasse a apresentar saldo credor, motivo que redunda na presunção legal de omissão de receitas estabelecida no artigo 281, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), lavrandose os aludidos autos de infração. Ciente da autuação, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 421 – 436), acompanhada dos documentos de folhas 437 a 552, resumindo os fatos já relatados e formulando preliminar, na qual pugna pela nulidade da exigência fiscal, afirmando para tanto ter sido formalizada em nome da Receita Federal do Brasil, quando deveria ter sido em nome da Secretaria da Receita Federal, porquanto a Medida Provisória n° 258, de 21 de julho de 2005, que instituiu a Receita Federal do Brasil havia perdido sua eficácia ao tempo do lançamento. Na sequência dos seus argumentos, defendeu a ilegalidade do procedimento fiscal sob a alegação de inobservância do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001 bem como da forma e dos requisitos contidos nos artigos 2° e 3° do Decreto n° 3.724/2001, afirmando nesse sentido que o auditor fiscal solicitou fossem emitidas, pelo Delegado da Receita Federal de Jundiaí/SP, Requisições de Movimentação Financeira e encaminhadas aos bancos Bradesco, Itaú e HSBC, por considerar imprescindível o exame, tendo ocorrido, no entanto, que a imprescindibilidade não estaria configurada, porquanto a recorrente não se enquadraria em nenhuma das hipóteses preconizadas pelo Decreto referido. Afirmou no mais, que não houve a subsunção do fato à norma sendo vedada a requisição, o uso e o acesso à movimentação financeira da recorrente. Afirmando que no caso concreto a colheita da prova (movimentação financeira) se deu de forma ilegal/ilícita, argumentando ainda, que para o caso em tela, o que se observa da análise do Termo de Início de Fiscalização e demais procedimentos é que o agente do fisco não procedeu da forma preconizada nos comandos legais, visto que partiuse do pressuposto de que a recorrente estaria inserta em alguma daquelas condições, sem, entretanto, declinar qual seria. Sustentou ainda, que não foram observadas as condições e hipóteses da LC n° 105, de 2001 e do Decreto n°3.724, de 2001 e ainda em sede preliminar, arguiu a ocorrência de cerceamento de defesa, sustentando que em momento algum da fiscalização fora intimada a se pronunciar sobre a apuração de saldo credor de caixa, caracterizandose o cerceamento de Fl. 673DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 defesa por se tratar de presunção “juris tantum”, motivo suficiente para ensejar a declaração de insubsistência da exigência tributária imposta e o cancelamento do auto de infração. Quanto ao mérito da autuação, argumentou a recorrente que no ano calendário 1995, firmou contrato com a Prefeitura Municipal de Campo Limpo Paulista/SP para gestão dos serviços de saúde, obrigandose à prestação de serviços médicos, por meio de terceirização, para funcionamento de Unidades e Serviços de Saúde que menciona. Em razão de tal contrato, asseverou a recorrente que prestava serviços quase que exclusivamente para a Prefeitura Municipal de Campo Limpo Paulista, não obstante prestou serviços ordinários, de pequena monta, a algumas empresas da área de convênios ou cooperativas médicas e, esporadicamente, para a Prefeitura Municipal de Pindamonhangaba/SP e Prefeitura Municipal de Guarujá/SP. Nessa ordem das argumentações, afirmou a recorrente que o faturamento para o setor público atingiu o percentual de 98,24%, o que denota a impossibilidade de ocorrência de prestação de serviço sem o correspondente documentário fiscal, já que as Prefeituras jamais pagariam por serviços desacompanhados da documentação hábil e idônea, fato que entende tornar impossível a ocorrência de omissão no registro de receita. Diante desse argumento, reportouse à planilha de folha 431, objetivando demonstrar que 98,24% de seu faturamento total de R$ 5.041.633,06 seria decorrente de prestação de serviços às Prefeituras e ao restante à Unimed (0,56%); Sobam (0,94%) e outros clientes (0,27%), argumentando que nesta situação de prestação serviço com exclusividade às Prefeituras, seria impossível ocorrer faturamento à margem da escrita. Feito isso, questionou a ocorrência do indigitado saldo credor de caixa, porquanto impossibilitada de prestar serviços e receber sem emissão de documentário fiscal, abordando erros que teriam sido cometidos pelo auditor fiscal ao elaborar o demonstrativo que redundou na apuração do saldo credor de caixa e, também, erros contábeis verificados agora, após análise mais detalhada dos livros razão analítico e diário, elaborados pelo escritório de contabilidade, o que não teria sido detectado quando do fechamento do balanço e do preenchimento da DIPJ. Com essas premissas estabelecidas, alegou que da conta caixa constam valores elevados, referentes a depósitos bancários feitos pela Prefeitura de Campo Limpo Paulista, para pagamento por serviços prestados, os quais deveriam ter sido creditados à conta de clientes e não à conta caixa, afirmando que a empresa no momento da emissão da nota fiscal de prestação de serviços não debitou a conta caixa em contrapartida à conta de receita (prestação de serviços), não poderia quando do recebimento via depósito do cliente (Prefeitura Municipal de Campo Limpo Paulista) ter dado baixa desse direito a crédito de caixa, mas sim a crédito da conta duplicatas a receber (cliente), pois esta havia sido debitada quando da emissão da nota fiscal de prestação de serviços. Após essas considerações, a recorrente relacionou valores dos depósitos feitos no Banco Itaú pela Prefeitura de Campo Limpo Paulista, cuja contabilização se deu a crédito da conta CAIXA, quando o correto seria a crédito da conta DUPLICATAS A RECEBER, alegando que devem ser considerados no "Demonstrativo da Apuração do Saldo Credor de Caixa" elaborado pela fiscalização, já que esta não pode se conter simplesmente às informações que lhe interessa, a análise do caixa deve ser global. Nessa linha, seguiu argumentando tratarse de erro material cometido na contabilização dos recebimentos perante a Prefeitura, em virtude de a contabilidade ter sido Fl. 674DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 13839.002465/200515 Acórdão n.º 180200.697 S1TE02 Fl. 3 5 feita por um escritório terceirizado e continua sendo feita até hoje e que nos fechamentos dos balanços as contas não são minuciosamente conciliadas, com o rigor verificado nas grandes companhias, pelo que, reconhece a existência de erro, mas afirma que o auditor fiscal ao analisar a conta Caixa, para fazer os expurgos dos cheques nele debitados e, a seu ver sem a contrapartida de créditos pelos pagamentos das obrigações, deveria também ter visto outra vertente, que são os valores nele creditados de forma impertinente. Alegou ainda, que apenas os depósitos contabilizados equivocadamente a crédito da conta caixa, quase que por si só seriam suficientes para reverter o saldo credor de caixa apurado pela Fiscalização, desfazendo em consequência a presunção “juris tantum”, prevista no artigo 281, I, do RIR/99. Seguindo suas razões de Impugnação, apontou como equivocado o entendimento da Fiscalização no que tange ao fato de terse expurgado indevidamente da conta caixa diversos cheques utilizados para pagamento de gêneros alimentícios e dos serviços prestados por terceiros na gestão do restaurante do hospital. Neste tópico, alegou que ainda no curso da ação fiscal, em resposta à intimação protocolizada em 29/08/2005, teria esclarecido que os cheques emitidos em favor da Nutriplus Refeições Industriais Ltda., se deram a título de adiantamento para aquisição dos gêneros alimentícios utilizados para o preparo das refeições servidas no Hospital, cujas notas fiscais de compras dos alimentos eram emitidas diretamente em nome da Serviçal pelos fornecedores dos alimentos. Quanto à parte do adiantamento que cabia à Nutriplus, como taxa de administração do restaurante, esclareceu que foram emitidas notas fiscais por esta, ou pela empresa do grupo denominada Algarve & Alimentos do Brasil Lida, esclarecendose que todas estas despesas, numa quantidade grande de notas fiscais, foram contabilizadas na conta 33004 3 3174740000 (material gasto no consumo de gêneros alimentícios) conforme livro razão analítico, sendo a contrapartida a crédito da conta caixa. Afirmou a recorrente que a despeito disso o auditor fiscal expurgou da conta caixa diversos cheques destinados à Nutriplus ou à Algarves analisando a conta de despesas n° 330043 3174140000 (material gasto no consumo de gêneros alimentícios), na qual foram alegados todos os gastos com gêneros alimentícios para suprir o restaurante, se perceberia que a somatória de despesas de cada mês quase coincidiria com a importância dada em adiantamento à Nutriplus e que pequenas diferenças eram ajustadas em prestação de contas posteriores. Nessa toada, sustentou que as despesas com o restaurante tiveram como contrapartida o lançamento a crédito da conta caixa, sendo claro que os cheques dados à Nutriplus e à Algarve não poderiam ter sido expurgados do caixa, pelo fato de ter havido a saída quando da contabilização das despesas. Concluiu, portanto, não persistir o saldo credor de caixa, e pelo contrário o caixa apresentaria saldo positivo, refletindo com fidelidade a realidade dos fatos, porquanto jamais foi omitida qualquer receita. Apresentou planilha objetivando demonstrar a reversão do considerado saldo credor em saldo devedor, tomando por base o maior saldo credor apurado em 29/12/2000. Quanto à infração por pagamento a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa, argumentou a recorrente que não teve no curso da ação fiscal, possibilidade de manifestarse a respeito, portanto, não saberia sequer que tipo de infração lhe Fl. 675DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 6 era imputada e a descrição do fato feita pelo auditor fiscal na folha 3 do Termo de Verificação Fiscal, seria tão sucinta que não permitiria dá para se saber a natureza da irregularidade. A despeito disso, esclareceu que os cheques listados pelo auditor fiscal foram utilizados para pagamento de compromissos da empresa, sendo, por exemplo, o de n° 548784 de 01/12/2000, do HSBC, para pagamento de distribuição de lucro ao sócio, Sr. Armando Hashimoto, requerendo ao fim o cancelamento da autuação. O lançamento foi julgado procedente pela 4ª Turma da DRJ de Campinas/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 556 a 567, indeferindose de início o pedido de perícia, porquanto não se teria preenchido os requisitos mínimos dispostos na legislação de regência, assentandose tratarse de prova documental que a própria recorrente poderia trazer aos autos. Consignouse também que o encerramento da eficácia da Medida Provisória que criou a Receita Federal do Brasil não afeta o lançamento formalizado por servidor competente já que tal competência é do auditor fiscal quer na qualidade de integrante da Secretaria da Receita Federal ou da Receita Federal do Brasil. No que toca ao argumento de cerceamento ao direito de defesa, registrou a decisão recorrida que não haveria falar em ofensa ao principio constitucional referido enquanto não instaurado o litígio, que espécie, inaugurouse com a Impugnação, considerandose de outra banda, válidas as provas consistentes em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial eis que se achava presente uma das hipóteses previstas no artigo 33 da Lei n° 9.430/96, sendo, portanto, regular a requisição de movimentação financeira, nos termos do Decreto n°3.724, de 2001. Quanto ao apontado saldo credor de caixa, entendeu a decisão recorrida que a contribuinte não logrou reverter a constatação fiscal, restando configurada a presunção legal de omissão de receita, estendendose o entendimento aos lançamentos reflexos. Ciente da decisão desfavorável (fl. 575) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 576 – 602) reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Voto Fl. 676DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 13839.002465/200515 Acórdão n.º 180200.697 S1TE02 Fl. 4 7 Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A autuação em apreço se relaciona à constatação fiscal de saldo credor de caixa, implicando na presunção legal de omissão de receitas nos moldes da legislação de regência. Em vista das alegações preliminares da recorrente, consistentes em apontar supostas nulidades e vícios formais que macularam o feito, importa num primeiro momento perquirir se o feito em análise achase apto para irradiar seus efeitos ou se pelo contrário, encontrase acoimado ao ponto de implicar no reconhecimento da nulidade dos autos de infração. Alega a recorrente que as provas nas quais se baseou a autuação foram obtidas ao arrepio do princípio da legalidade, trazendo consigo a pecha de nulidade. Atendendo ao mister acima proposto, conveniente investigar se de fato houve afronta à Lei Complementar 105/2001, ao se apresentar às instituições Financeiras as conhecidas Requisições de Movimentação Financeiras. Registro que a Fiscalização oportunizou à recorrente juntar os documentos solicitados, dentre os quais se achavam os extratos bancários da época auditada, e que a expedição das aventadas RMF’s se deu em vista da não satisfação integral, por parte da contribuinte, do que lhe fora solicitado. Precisamente sobre essa premissa repousa a inviabilidade de acatarse a preliminar suscitada pela recorrente e reconhecerse a nulidade das provas que estribaram as conclusões do Fisco (extratos bancários). Com efeito, o aspecto teleológico que repousa na interpretação do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, é viabilizar instrumentos que, assegurando o inafastável sigilo das operações, permita ao ente tributante exercer seu poder fiscalizatório. Ou seja, o suporte para a expedição de Requisição de Movimentação Financeiras às entidades bancárias, em vista do disposto no artigo 6º da citada Lei Complementar nº 105/2001, é a desídia ou mesmo a impossibilidade fática de o contribuinte fazêlo, o que redunda na indispensabilidade do exame dos documentos solicitados. Ou seja, alguma ilegalidade haveria nas ditas requisições ou se autoridade administrativa dispusesse desses documentos por outro meio, ou se não fossem de todo indispensáveis ao deslinde da materialidade tributável do período auditado. Nenhuma das hipóteses se afigura no caso concreto, de sorte que me parece de todo irrelevante se essa conjuntura foi materializada em relatório circunstanciado ou se decorre da natureza da própria atividade fiscalizadora do ente tributante, havendo indispensabilidade do exame dos tais documentos, tornase viável a expedição das RMF’s. Sob essa contextura é que se desenvolveu a linha de precedentes desse Colegiado Administrativo, sendo de rigor declinar que se prescinde de autorização judicial e não caracteriza ilegalidade a obtenção de informações financeiras a partir de requisição feita na forma prevista na legislação, mediante Requisição de Movimentação Financeira motivada pela Fl. 677DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 8 indispensabilidade do exame, representada pelo não atendimento a intimação para exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, e para o fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, motivo pelo qual rejeito a preliminar formulada. No que toca ao argumento de ter havido cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, porquanto não lhe fora oportunizado, antes da lavratura do auto de infração, manifestarse acerca do verificado saldo credor de caixa, por igual turno deve ser rejeitado. Pelo que me é dado observar dos autos, à recorrente foi oportunizado apresentar todos os documentos e arrazoados que entendeu pertinente, tanto o é que insurgiuse contra o auto de infração por meio de tempestiva impugnação e sobrevindo decisão desfavorável igualmente a objetou perante esse Conselho. Ademais, é matéria das sedimentadas nesse Conselho que a ciência do auto de infração é a fase inaugural do contencioso administrativo, esse por seu turno, informado pelo princípio da verdade material, de sorte que como nenhuma prova feita pela recorrente foi indeferida, ou qualquer arrazoado seu desentranhado, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Quanto ao mérito, sem prejuízo do que afirmou a recorrente, dando conta que pela natureza dos serviços prestados a órgãos do Poder Público não teria meios de constituir saldo credor de caixa, entendo que a constatação fiscal, para ser infirmada, reclama cabedal de provas mais robusto do que a mera impossibilidade de omitir receitas, mormente porque a dita conclusão é oriunda de uma presunção legal contida no artigo 281, inciso I, do RIR/99, sendo que as constatações do Fisco deram conta de que receitas que não estariam escrituradas e nem declaradas, representariam valor adicional, e, portanto, tem razão a decisão recorrida ao asseverar que para afastar a presunção legal, seria necessário comprovar que a conta Caixa da recorrente, não apresentou saldo credor, a exemplo do argumento empreendido no sentido de que teria contabilizado erroneamente depósitos de clientes a crédito da conta caixa, asseverando ainda, que ao receber depósitos da Prefeitura de Campo Limpo Paulista em suas contas bancárias, teria debitado a conta Bancos, mas creditado a conta Caixa, em vez de creditar a conta Duplicatas a Receber. Com efeito, analisando o dito argumento, comungo do entendimento da decisão recorrida ao afirmar que pelos critérios contábeis básicos, quando da prestação dos serviços, o contribuinte deveria debitar a conta Caixa, de natureza devedora, se o pagamento por tais serviços ocorresse à vista, ou, se o pagamento fosse a prazo, debitar Duplicatas a Receber, representativa do direito relativo ao serviço prestado, creditando em contrapartida a conta Serviços Prestados, e, pelo Princípio da Realização da Receita, deveria, também, reconhecer a receita, isto é, creditar a conta de Resultado com a prestação dos serviços. Em vista do que alega a recorrente, constatase que muito embora mencione que lançou equivocadamente os valores na conta caixa, por seu turno, não apresenta a contabilização da conta Bancos, Conta Movimento (Itaú), na qual estariam as contrapartidas dos créditos levados a registro na conta Caixa ainda que por equívoco, ou seja, a prova que deveria ser feita para afastar o saldo credor de caixa. Nesse contexto, também não há nos autos cópias dos cheques e dos recibos de depósitos feitos no Banco Itaú S/A., nos valores relacionados na defesa, que comprovem que os depósitos foram efetuados pela Prefeitura de Campo Limpo Paulista. Fl. 678DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 13839.002465/200515 Acórdão n.º 180200.697 S1TE02 Fl. 5 9 Quanto à Certidão da indigitada Prefeitura no sentido de que não restou saldo a pagar em 31/12/2000, de fato não é capaz, por si só, de afastar a constatação fiscal que ensejou a exigência, e os argumentos da recorrente de que os cheques contabilizados a débito da Conta Caixa, que foram excluídos pela fiscalização e não teriam passado pela câmara de compensação, porquanto sacados na boca do caixa e que por isso, deveriam ter permanecido no caixa, importa esclarecer que cumpria à recorrente, comprovar a contabilização desses pagamentos a terceiros. Ora, se houve o ingresso no Caixa para pagar terceiros, então deveria haver, após o ingresso no caixa, a saída desse mesmo caixa em contrapartida de conta de obrigação do passivo, provas essas que não foram feitas. Feitos esses esclarecimentos, na toada do que entendeu a decisão recorrida, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário mantendose a exigência fiscal. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 679DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
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Numero do processo: 10280.901511/2012-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.732
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado.
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CONCEITO DE INSUMO. DCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 11 /2 01 2- 47 Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10280.901511/201247 Acórdão n.º 9303004.732 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.658, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: (...) ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10280.901511/201247 Acórdão n.º 9303004.732 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.731, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.731): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10280.901511/201247 Acórdão n.º 9303004.732 CSRFT3 Fl. 5 4 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10280.901511/201247 Acórdão n.º 9303004.732 CSRFT3 Fl. 6 5 Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 561DF CARF MF
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Numero do processo: 16306.000046/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva. Relatório. Os fatos iniciais do processo estão sintetizados no relatório da decisão de primeira instância (fls. 1.022 a 1.028): Trata o presente processo de PERDCOMPs, por meio dos quais a contribuinte pretendeu solicitar a compensação do valor relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica pago a maior no decorrer do anocalendário de 2003, para emprego nas compensações com tributos próprios. O seu pedido foi indeferido, conforme se constata do Despacho Decisório de fls. 109/125, cujas razões de indeferimento são as seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 04 6/ 20 07 -1 7 Fl. 5467DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 3 2 O valor informado na linha 17 (IR Mensal Pago por Estimativa) da Ficha 12A — Cálculo do IR sobre o Lucro Real foi objeto de glosa no tocante ao IRRF e aos valores compensados por intermédio dos PERDCOMPs não homologados entregues anteriormente ao advento do art. 17 da Lei n° 10.833 de 29 de dezembro de 2003, que passou a considerar a declaração de compensação como meio constitutivo de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente confessados. O IRRF foi glosado em razão do não oferecimento: das receitas correspondentes relativas as operações SWAP; e, parcialmente, das receitas de Juros sobre Capital Próprio. Na apuração do Lucro Real verificouse a dedução de valor relativo a despesa com Juros sobre Capital Próprio superior ao comprovado na linha 06A/35. As receitas relativas às operações SWAP e o valor de despesa com Juros sobre Capital Próprio superior ao comprovado foram acrescidos à base de cálculo do IRPJ devido, tendo o IRRF sobre operações SWAP (20%) sido considerado (linha 13) na apuração do IRPJ a pagar, em razão dessa adição, tendo resultado IRPJ a pagar no montante de R$ 22.243.731,30, positivo. A empresa tomou ciência do indeferimento em 18/02/2009 (fl. 126 verso), sendo que foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 163/173), encaminhada pelo Órgão Preparador, conforme despacho de fl. 997. As alegações trazidas à colação são as abaixo resumidas: Após examinar os pedidos supra, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo deixou de homologar as compensações aos seguintes fundamentos: • a Requerente não ofereceu à tributação os ganhos auferidos no mercado de renda variável (swap); logo, somente pode ser considerado o imposto retido na fonte decorrente de aplicações de renda fixa; • apesar de constar na DIPJ 2004 o recebimento de JCP no valor de R$ 2.027.832,68, o sistema SIEF informou uma receita no montante de R$ 2.627.661,70; portanto, tendo em vista que a Requerente declarou apenas 77,17% do que deveria, faz jus à restituição do imposto retido na mesma proporção, isto é R$ 304.164,61 (77,17% de R$ 394.148,78). • as estimativas dos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, junho e julho de 2003 foram compensadas com créditos de períodos anteriores; entretanto, referidos pedidos de compensação não foram homologados; • a Requerente declarou uma despesa de R$ 1.100.000.000,00 a título de JCP, mas não preencheu a Ficha 50A Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titular na DIPJ 2004; assim, de forma indireta, mediante as retenções de IR, concluiuse que o real valor de tal despesa foi de R$ 1.052.140.385,53; e • ao refazerse a apuração do IRPJ, computando a receita de swap não declarada, bem como a diferença entre a despesa de JCP informada em DIPJ e a efetivamente incorrida, temse uma base de cálculo da Fl. 5468DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 4 3 ordem de R$ 669.410.317,55 e, conseqüentemente, o valor do tributo devido seria de R$ 167.328.579,38; no entanto, as receitas de swap não declaradas sofrem retenção de 20%, isto é, R$ 63.245.643,51, montante este que deve ser subtraído do IRPJ devido, perfazendo um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 104.082.935,87. Ora, no anocalendário de 2003, a Requerente recolheu R$ 233.392.239,18 a título de estimativa de IRPJ e sofreu retenções no valor de R$ 1.609.556,84 e R$ 1.174.651,81 (órgãos públicos). Tendo apurado IRPJ no valor de R$ 65.365.210,09, restoulhe um saldo credor de R$ 170.811.237, 34. No anocalendário de 2003, a Requerente sofreu retenções de imposto de renda no total de R$ 95.014.124,65, sendo RS 93.763.797,31 retidos por instituições financeiras, R$ 75.675,53 pela Embratel e R$ 1.174.103,59 por órgãos públicos. Tais retenções podem ser facilmente comprovadas pelos informes de rendimentos emitidos por instituições financeiras (doc. n° 06) e pela Embratel (doc. n° 07), bem como pelo relatório de retenções de órgãos públicos (doc. n° 08). Ainda, tais valores estão de acordo com o IRRF informado na DIPJ 2004, vez que R$ 92.229.916,00 foram deduzidos das antecipações mensais (cf. Ficha 11, doc. n° 09), e R$ 1.609.556,84 e R$ 1.174.651,81 foram deduzidos do imposto de renda sobre o lucro real a pagar ao final do anocalendário (cf. Ficha 12A, linhas 13 e 14, doc. nº 09), conforme se observa na tabela abaixo: [...] Segundo o Fisco, o valor dos JCP recebidos pela Requerente no ano calendário de 2003 e declarados em DIPJ diverge daquele informado no Sistema SIEF. Tendo em vista que a Requerente declarou em DIPJ apenas 77,17% do efetivamente recebido de acordo com o Sistema SIEF faria jus à restituição do IRRF na mesma proporção, isto é, R$ 304.164, 61 (77,17% de R$ 394.148, 78). Ocorre que a Requerente não recuperou o imposto retido sobre os juros recebidos e tampouco computou tal montante na apuração do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2003. Destarte, não procede o despacho decisório ao afirmar que o total das retenções de imposto de renda sofridas pela Requerente seria R$ 29.253.243,10 incluído o imposto retido sobre os juros recebidos e não R$ 95.014.124, 65, conforme declarado em DIPJ e sobejamente demonstrado. Subtraindose do total do imposto retido (R$ 95.014.124, 65) o IRRF utilizado no pagamento das estimativas mensais (R$ 92.229.916, 00) que, ao final do anocalendário, deverá ser considerado imposto de renda mensal pago por estimativa e subtraído do saldo de IRPJ, como explicado acima temse um saldo de IRRF de RS 2.784.208,65. A Requerente recolheu ainda R$ 141.162.323,17 a título de estimativa mensal de IRPJ, sendo que R$ 49.772.190, 91 foram pagos por meio de Fl. 5469DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 5 4 DARF e R$ 91.390.132,26 foram compensados com créditos de períodos anteriores, conforme consta das DCTFs relativas ao ano calendário de 2003 (doc. n ° 10). Os recolhimentos feitos por meio de DARF são incontroversos, vez que a própria Receita Federal os reconhece (p. 9 do despacho decisório, doc. nº 03). Com relação aos R$ 91.390.132,26, compensados com créditos de períodos anteriores, por sua vez, aduz o Fisco que as compensações não foram homologadas, razão pela qual tais valores não podem ser computados na apuração do saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2003. Ocorre que as referidas estimativas foram regularmente compensadas com créditos de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2001 e 2002, como demonstram o Processo Administrativo n° 11610.0069011200302 e os pedidos de compensação de números 41537.59384.14080.31302.7212, 31833.84671.28080.31302.4129 e 19578.01638.30090.31302.4670. Apesar de o crédito discutido nos autos Processo Administrativo n° 11610.0069011200302 não ter sido integralmente homologado pela Receita Federal, apresentouse manifestação de inconformidade e, posteriormente, recurso voluntário, sendo que o referido processo pende de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, como comprovam os documentos em anexo (doc. n° 11). • Contra o despacho decisório que não homologou os pedidos de compensação n° 41537.59384.14080.31302.7212, 31833.84671.28080.31302.4129 e 19578.01638.30090.31302.4670 (Processo Administrativo n° 13807.003.1361200470), ao seu turno, foi apresentada a correspondente manifestação de inconformidade, ainda não analisada pelo Fisco (doc. n°12). Nesse quadro, caso seja reconhecida, nos autos dos Processos Administrativos n° 11610.0069011200302 e 13807.0031361200470, a totalidade do direito creditício, a conseqüência lógica será o cômputo dos valores relativos às estimativas de janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, julho e agosto de 2003 na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano em questão. De outro lado, na remota hipótese de o crédito discutido nos referidos processos administrativos não ser homologado, a sua cobrança será feita nos referidos autos e, igualmente, o valor deverá ser computado na apuração do saldo negativo. Isto é, qualquer que seja a decisão proferida nos referidos processos administrativos que, frisese, ainda pendem de análise as estimativas de janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, julho agosto de 2003 comporão o saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2003, que totalizará R$ 141.162.323,17. Tal montante, somado aos R$ 92.229.916,00 correspondentes ao imposto de renda retido na fonte deduzido das estimativas dos meses de Fl. 5470DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 6 5 janeiro, fevereiro, março, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003 (cf. Ficha 11 da DIPJ 2004, doc. nº 09), perfaz R$ 233.392.239,17. Questiona, ainda, o Fisco, a base de cálculo apurada pela Requerente, sustentando que as receitas decorrentes de operações de swap não foram levadas à tributação, bem como que se deduziram, do imposto de renda devido ao final do anocalendário, JCP em valor superior ao efetivamente distribuído. Diante disso, a base de cálculo do IRPJ no anocalendário de 2003 seria de R$ 669.410.317, 55, e não de R$ 272.811.922, 60, conforme registrado na DIPJ (Ficha 9A, doc. n° 09). Os rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda variável (swap), de acordo com o manual de preenchimento da DIPJ, devem ser informados na Linha 21 "Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, exceto DayTrade ", da Ficha 6A. No entanto, a Requerente declarou tais ganhos na Linha 24 "Outras Receitas Financeiras", junto com os rendimentos de operações financeiras de renda fixa, juros incidentes sobre impostos a recuperar e demais receitas financeiras. Ora, tratase de mero erro de preenchimento, que não causou qualquer dano à Administração e tampouco alterou a base de cálculo do IRPJ. Com relação às deduções de Juros sobre o Capital Próprio, afirma o Fisco que a Requerente deixou de declarar na Ficha 50A "Rendimentos de Dirigentes; Sócios ou Titular" da DIPJ 2004 os valores dos juros pagos, bem como os dados de seus beneficiários. Diante da ausência de tais informações, a autoridade fiscal buscou de forma indireta estabelecer, por meio do imposto retido na fonte, os reais valores da despesa com juros incorrida pela Requerente. Assim, tendo em vista que a Requerente declarou em DCTF o recolhimento de R$ 113.820.077,79 a título de imposto de renda retido na fonte sobre distribuição de JCP a residentes no exterior (código de receita 9453) e que este valor representa 15% dos juros distribuídos, concluiu o Fisco que o montante efetivamente remetido a sócios no exterior seria de R$ 758.800.518,60. A Requerente declarou em DIRF retenção de imposto de renda no valor de R$ 43.983.680,92, incidentes sobre R$ 293.339.866,93 distribuídos a título de Juros sobre o Capital Próprio (código de receita 5706). Nesses termos, segundo a autoridade fiscal, a Requerente poderia deduzir da base de cálculo do imposto de renda R$ 1.052.140.385, 53 (R$ 758.800.518, 60 + R$ 293.339.866,93) e não R$ 1.100.000.000, 00, como informado em DIPJ (Linha 35, Ficha 6A, doc. nº 09). Tal raciocínio, no entanto, está equivocado. Não se pode partir do imposto de renda retido para se chegar ao valor dos juros distribuídos, pois é a despesa que gera e retenção, e não o inverso. Mormente porque muitos beneficiários são imunes ou isentos, como prova o Fl. 5471DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 7 6 documento anexo (doc. n° 13), razão pela qual nem todos os juros distribuídos são efetivamente tributados. Ainda que não houvesse beneficiários imunes ou isentos o que se admite apenas para fins de argumentação a ausência de tributação poderia até ensejar autuação, mas, em hipótese alguma, invalidaria os Juros sobre o Capital Próprio distribuídos ou impediria a sua dedução. Ademais, a despesa de R$ 1.100.000.000, 00 com juros no ano calendário de 2003 pode ser facilmente comprovada pelos documentos contábeis da Requerente, como demonstra o seu Livro Razão (doc. nº 14). Com relação ao não preenchimento da Ficha 50A da DIPJ 2004, cumpre rememorar que em tal campo devem ser informados os dados dos dirigentes, sócios ou titulares beneficiados com a distribuição de lucros pela sociedade. Entretanto, a Requerente possui ações pulverizadas na Bolsa de Valores, o que impossibilita a correta indicação de seus beneficiários. A ausência de informações na Ficha 50A da DIPJ 2004 – assim como ocorre com a declaração na Linha 26 e não na Linha 21 da Ficha 6A dos rendimentos oriundos de operações de swap constitui mero erro material, que não elide a regularidade do documento fiscal e tampouco causa qualquer dano ao Erário. É cediço que o procedimento administrativo de análise da compensação fiscal não deve ficar adstrito à verdade formal, mas, ao contrário, deve buscar a verdade material, utilizandose de todos os meios possíveis para a elucidação da realidade dos fatos. É o que ensina JOSÉ SANTOS CARVALHO FILHO: "Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. (…) Apenas como exemplo prático, vejase a matéria de prova. No processo judicial, é às partes que compete a produção das provas que respaldem suas legações. O juiz apenas as aprecia como meio de chegar a seu convencimento. No processo administrativo, porém, o próprio administrador vai à busca de documentos, comparece à locais, inspeciona bens, colhe depoimentos, e ao final adota realmente todas as providências que possa conduzilo a uma conclusão baseada na verdade material ou real. É esse o exato sentido do princípio da verdade material." Corrobora o entendimento de que mero erro no preenchimento de documentos fiscais não altera a situação fática o Egrégio Conselho de Contribuintes, in verbis: "IRF — DÉBITOS JÁ EXTINTOS Deve ser cancelado o crédito tributário em relação aos débitos já extintos pelo pagamento ou por compensação. IRF RECOLHIMENTOS TEMPESTIVOS DCTF – INFORMAÇÕES EQUIVOCADAS A ocorrência de erro no preenchimento da DCTF, relativamente a tributo recolhido a seu devido tempo, não autoriza a exigência de multa de oficio isolada e de Fl. 5472DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 8 7 juros moratórios. Recurso de ofício negado" (6° Câmara, Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso nº 150.856, Acórdão nº 106 16078, grifamos) "ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Devidamente comprovada a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, que ensejou o lançamento de contribuição indevida, consoante prova acostada aos autos com o recurso voluntário, deve ser excluído do lançamento o valor indevido, em respeito ao princípio da verdade material. Recurso provido" (1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Recurso n° 139.579, Acórdão nº 120180934, grifamos) Portanto, demonstrada a regularidade da base de cálculo de IRPJ apurada pela Requerente no anocalendário de 2003 e o valor do imposto de renda sobre o lucro real devido ao final do anocalendário (R$ 68.178.980,65), bem como as retenções sofridas no período (R$ 2.784.208,65) e as estimativas mensais recolhidas (R$ 233.392.239,17), conseqüência lógica será a apuração de saldo negativo no valor de R$ 170.811.23 7, 74. É ver: [...] A manifestação de inconformidade foi considerada improcedente, não sendo reconhecido o direito creditório Tal decisão está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ • Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito oferecido a compensação deve estar revestido de liquidez e certeza, conforme prevê a legislação de regência. IRRF. IRPJ. COMPENSAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS. Não comprovado o direito a compensação do IRRF por meio da apresentação de informes de rendimentos, prevalecem os valores apurados pela autoridade administrativa. IRRF. SWAP. OFERECIMENTO DAS RECEITAS. A receita ou rendimento relativo ao IRRF deve ser oferecido à tributação na respectiva DIPJ, para fins da dedução do imposto retido no cálculo do IRPJ. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. Não podem ser consideradas as compensações não revestidas dos atributos de liquidez e certeza. GLOSA DE DESPESAS. JUROS COM CAPITAL PRÓPRIO. Fl. 5473DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 9 8 Recalculase a glosa da despesa com juros sobre capital próprio em razão de comprovação parcial por parte da manifestante, não restando, todavia, direito creditório a ser reconhecido. Em Recurso Voluntário (fls. 1.041 a 1.059), a contribuinte alegou: Quanto às estimativas compensadas: No anocalendário 2003, a Recorrente recolheu R$ 141.162.323,17 a título de estimativa mensal de IRPJ, sendo que R$ 49.772.190,91 foram pagos por meio de DARF e R$ 91.390.132,26 foram compensados com créditos de períodos anteriores, conforme consta das DCTFs relativas ao anocalendário de 2003 (doc. n.° 10, da manifestação de inconformidade) ... […] ... caso seja reconhecida, nos autos dos Processos Administrativos n° 11610.0069011200302 e 13807.003.1361200470, a totalidade do direito creditício, a conseqüência lógica será o cômputo dos valores relativos às estimativas de janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, julho e agosto de 2003 na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano em questão. Ressaltese que, ainda que as estimativas que compuseram o saldo negativo de 2003 não tenham as suas compensações homologadas pela Receita Federal, tais estimativas deverão compor o saldo negativo, por impossibilidade de exigência por duas vezes do mesmo débito: a primeira na não homologação da compensação da estimativa de IRPJ (culminando na inscrição do débito em dívida ativa e execução fiscal); e a segunda na redução do crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2003. Esse, inclusive, é o entendimento consolidado no âmbito da Receita Federal do Brasil mediante Solução de Consulta Interna nº 18, de 13 de outubro de 2006, à qual deve observância a autoridade fiscal (doc. 02 ). [...] Destarte, são regulares as estimativas mensais recolhidas, por meio de DARF (R$ 49.772.190,91), e compensadas, com crédito de períodos anteriores (R$ 91.390.132,26), pela Recorrente, no anocalendário 2003, no valor total de R$ 141.162.323,17. […] Relativamente ao IRRF: No anocalendário de 2003, a Recorrente sofreu retenções de imposto de renda no total de R$ 95.014.124,65, sendo R$ 93.763.797,31 retidos por instituições financeiras, R$ 75.675,53 pela Embratel e R$ 1.174.103,59 por órgãos públicos. […] Tais retenções podem ser facilmente comprovadas pelos informes de rendimentos emitidos por instituições financeiras e pela Embratel, bem como pelo relatório de retenções de órgãos públicos extraídos dos controles contábeis da Recorrente, tais como os Livros Diário e Razão (docs. nºs 06, 07 e 08, da manifestacão de inconformidade). Contudo, o acórdão recorrido reafirma a validade da DIRF como única base para indicação dos corretos valores para o IRRF, quer quanto às retenções realizadas pelos órgãos públicos, quer quanto às retenções realizadas pelas instituições privadas em Fl. 5474DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 10 9 razão de aplicações financeiras, recebimento de pagamentos pela prestação de serviços ou recebimento de juros sobre o capital próprio. Concluiu, mediante verificações simplórias, ser o IRRF disponível para compensação da ordem de R$ 92.588.870,78 e não de R$ 95.014.124,65, como informado em DIPJ. Isto porque nem todos os documentos juntados à manifestação de inconformidade (doc. nº 06 da manifestação de inconformidade), foram considerados aptos a comprovar as retenções por instituições financeiras. Considerou a DRJ em São Paulo, neste ponto, que apenas os informes de rendimentos seriam aptos a comprovar as retenções sofridas. […] Assim, o Fisco refez a apuração das retenções efetuadas por instituições financeiras com base somente nos informes e concluiu que o montante efetivamente retido é de R$ 83.804338,32. Ora, é inconteste a validade dos recibos de resgates e as demonstrações de liquidação, que destacam expressamente o imposto retido na operação, indevidamente desconsiderados pela Autoridade Fiscal. Tais documentos espelham a existência das aplicações financeiras mantidas junto às instituições financeiras, bem como as datas dos resgates e o IRRF incidente sobre a operação. Deixam clara ainda a modalidade de aplicação financeira, dando informações inequívocas quanto às fontes retentoras. A nomenclatura do documento estampada ao lado da razão social da instituição financeira não modifica sua força probatória. Que tome o Fisco como "declaração de rendimentos e IRRF", "informe de rendimentos", ou outro termo de sua preferência. O que se pode extrair do arcabouço probatório juntado pela Recorrente é a existência de aplicações financeiras, data do resgate e valor do IRRF incidente sobre a operação, declarações essas emitidas pelas instituições financeiras depositárias dos recursos financeiros. Como princípio basilar da atividade fiscalizatória, o substrato extraído é a existência de IRRF não computado pela autoridade fazendária e que deverá engrossar as antecipações da Recorrente formadoras do saldo negativo. [...] Dos R$ 1.174.103,59 retidos por órgãos públicos a título de imposto de renda, por sua vez, somente R$ 1.042.873,58 foram considerados pelo Fisco no acórdão recorrido, ao argumento único de que a planilha juntada aos autos não foi acompanhada de documentação que respaldasse os valores lançados. Neste ponto, cumpre salientar que os órgãos públicos utilizam unicamente do sistema SIAFI programa de gerenciamento de contas da administração para pagamento dos fornecedores aos órgãos públicos. No momento imediato da inscrição de ordem de pagamento, o referido sistema já computa os valores retidos de tributos diversos, recebendo a Recorrente o valor líquido da operação. Não terminam aí os deveres instrumentais dos funcionários públicos na manipulação dos pagamentos aos particulares. Tais retenções deverão constar obrigatoriamente em DIRF, sob os códigos de receita próprios nos números 6147 e 6190. […] Para a melhor solução do caso, facilmente a RFB acessaria o sistema SIAFI e identificaria os pagamentos ocorridos para a Recorrente, bem como as informações sobre tributos retidos na fonte. Porém, deixa a cargo do contribuinte apresentar as referidas informações. Fato é que o SIAFI é de uso exclusivo dos entes públicos, constituindo um non sense a imposição de ato ao contribuinte visando à apresentação de Fl. 5475DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 11 10 dados em poder do Fisco, aos quais o contribuinte sequer tem acesso. Assim, sem que a autoridade traga aos autos fatos e provas robustas da inexistência do IRRF informado pela Recorrente em sua DIPJ, devem ser considerados os valores de IRRFórgãos públicos descritos na contabilidade desta, in casu R$ 95.014.124,65. Conforme ressaltado em manifestação de inconformidade, tais valores estão de acordo, ainda, com o IRRF informado na DIPJ 2004, vez que R$ 92.229.916,00 foram deduzidos das antecipações mensais (cf. Ficha 11, doc. n.° 09, da defesa), e R$ 1.609.556,84 e R$ 1.174.651,81 foram deduzidos do imposto de renda sobre o lucro real a pagar ao final do anocalendário (cf. Ficha 12A, linhas 13 e 14, doc. n.° 09, da defesa), como se observa na tabela abaixo: [...] Quanto às receitas de Swap: ... na manifestação de inconformidade, demonstrou a Recorrente que declarou, erroneamente, tais receitas na Linha 24 — "Outras Receitas Financeiras", junto com os rendimentos de operações financeiras de renda fixa, juros incidentes sobre impostos a recuperar e demais receitas financeiras. Nesse contexto, o acórdão recorrido afirma que "seria aceito, em tese, o alegado erro de preenchimento da DIPJ", desde que a Recorrente apresentasse documentos que possibilitassem a verificação da efetiva tributação. Vista que o princípio da verdade material autoriza a juntada de novos documentos a qualquer tempo, a Recorrente colaciona as folhas do razão analítico, contendo todas as receitas financeiras auferidas em 2003, inclusive as de swap (doc n° 03), bem como as memórias de cálculo da apropriação das receitas financeiras auferidas em 2003 – doc nº 04), de forma a comprovar a tributação dos rendimentos de swap auferidos no anocalendário 2003. Para melhor visualização dos lançamentos contábeis, colacionamos os dados refletidos na DIPJ 2004 da Recorrente, em confronto com a documentação ora juntada. Ab initio, segue segmento da DIPJ: [Ficha 06A da DIPJ/2004] Por sua vez, a linha 24 da Ficha 06A (Demonstração do Resultado do Exercício) é formada pelos seguintes valores: TTEL DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO SOC (COMPARATIVO) PERÍODOS: Dezembro a Dezembro de 2003 e Novembro Descrição Acumul. Ano 41921119 JUROS OUTROS 146.088.218,92 41921121 JUROS EMPRESAS ASSOCIADAS 353.299,84 41921122 JUROS OUTRAS EMPRESAS 962,13 41921123 JURO IMP COMP/RECUP 11.695.687,27 41921190 JUROS DE OUTRAS ORIGENS 46.470.850,14 41921211 JUROS EMPRESAS ASSOCIADAS 9.238.655,25 41921218 JURO VL VINC Trr TES 583.497,63 41921219 JUROS OUTROS 27.054,09 41921222 JUROS OUTRAS EMPRESAS 6.858.250,78 41922000 DESCONTOS OBTIDOS 626.278,14 41923000 BONIFICACOES E PREMIOS 16.727.129,59 41924110 COMISSÕES EMPRESAS 320.277,67 41925100 CURTO PRAZO 332.067.002,09 Fl. 5476DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 12 11 Vêse que a rubrica "CURTO PRAZO" representa os rendimentos obtidos em contratos de swap. Os resgates nas citadas operações, sujeitas a ajustes de posições, consolidaram registros positivos para a Recorrente na ordem de R$ 3.873.026.010,06. Ao contrário, determinou perdas na ordem de R$ 3.531.004.371,67, que compensadas com os ganhos representam receitas no valor exato de R$ 332.067.002,09, valores estes inseridos na alínea outras receitas financeiras. […] No que tange aos Juros sobre o Capital Próprio: Nos presente autos, o Fisco rejeitou parte da despesa de JCP em razão de incompatibilidade entre a DIPJ e a DIRF. Em fase de manifestação de inconformidade, a Recorrente salientou que as divergências argüidas pela fiscalização entre os documentos fiscais não autorizam a glosa da despesa, visto que aquelas se justificam pela impossibilidade de inclusão na DIRF de dados relativos aos beneficiários não residentes, conforme se depreende do § 80 do art. 17 da IN n° 03/2001, in verbis: […] Além disso, por não sofrerem a incidência do imposto na fonte, não constam na DIRF os rendimentos pagos aos acionistas imunes/isentos que atestaram tal condição ao Banco Real, instituição financeira responsável pela carteira de ações da Recorrente à época e pela intermediação do pagamento de JCP. Por essas razões, os valores constantes da DIRF não representam a integralidade dos pagamentos feitos a título de JCP. [...] Aduzidos os motivos legais e válidos para afastar a referida glosa parcial da despesa de JCP, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento trouxe nova fundamentação para tentar embasála, em que pese a inovação nos fundamentos constituir nulidade por vício material insanável. Concluiu a autoridade de julgamento pela necessidade de individualização dos acionistas da empresa, nos termos do art. 9º da Lei n° 9.249195, para fins de dedução da despesa com juros sobre o capital próprio pagos. Ora, a individualização dos acionistas da Recorrente é impossível, pois as suas ações estão pulverizadas na bolsa, e o controle das transações cabe tãosomente ao banco custodiante. No entanto, isso não retira o caráter de despesa dos juros distribuídos no ano calendário 2003, cujo valor pode ser facilmente comprovada pelos documentos contábeis da Recorrente como demonstra o seu Livro Razão, doc. n° 14, da manifestação de inconformidade e doc nº 05, do presente recurso, bem como pela publicação no Diário Oficial Empresarial (doc nº 06). A publicidade dos atos de pagamento de JCP, bem como as informações contidas em declaração da custodiante, conduzem a uma irrefragável conclusão: regularidade da despesa de JCP. Ainda segundo o Fisco, haveria uma diferença entre o valor registrado como despesa de JCP pela empresa (R$ 1.100.000.000,00) e o efetivamente pago pelo Banco Real (R$ 1.099.982.081,72). Fl. 5477DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 13 12 Diante disso, glosouse a diferença entre o declarado em DIPJ e o informado pelo Banco Real (R$ 17.918,28), alterando, assim, a base de cálculo do IRPJ. Ora, a diferença apontada pelo Fisco, da ordem de R$ 17.918,28, é irrisória e sequer traria efeitos contrários ao crédito pleiteado pela Recorrente. Fato é que não há dúvidas quanto à despesa de JCP de R$ 1.099.982.081,72, tomandose como base as informações do banco custodiante. Ao final, requer sejam homologadas as compensações declaradas. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1.642 a 1.659, em que aduz: Conforme se percebe, ..., não há como desvincular o instituto da compensação à indispensável comprovação da liquidez e certeza do crédito tributário, ônus esse a cargo do contribuinte. […] Quanto ao Imposto Retido na Fonte: O fato é que, a esse respeito, os documentos trazidos pela contribuinte não lograram comprovar o direito alegado, visto não atenderem às exigências legais. Conforme se sabe, o documento exigido pela legislação para fins de comprovação do IRRF é o informe de rendimentos, segundo se deflui da simples leitura do art. 55 da Lei n.° 7.450/85, in verbis: […] Por sua vez, o valor das retenções por órgão público considerado pela autoridade administrativa foi de R$ 1.042.873,58. Muito embora a recorrente apresente uma planilha, alegando que o total de imposto de renda retido teria atingido o montante de R$ 1.174.103,59, não trouxe comprovação documental idônea a respaldar dita diferença, inviabilizandose a dedução nos moldes pleiteados. Relativamente às receitas de Swap: Fixadas as premissas conceituais básicas, cabe ressaltar, quanto a esse ponto, que, ao passo que a Receita alega que os valores dos rendimentos relativos às operações de swap não teriam sido oferecidos à tributação, a recorrente assevera a ocorrência de mero erro de preenchimento da DIPJ, obtemperando que tais valores teriam sido declarados na linha 24 "Outras Receitas Financeiras", em vez de o terem sido na linha 21 "Ganhos auferidos no Mercado de Renda Variável, exceto Daytrade". Ocorre que, para que fosse reconhecido o suposto erro de preenchimento, sem prejuízos à comprovação da tributação, conforme estatui a autoridade julgadora de primeira instância, a contribuinte, a quem cabe o ônus da prova, deveria ter apresentado, "além da composição da linha da DIPJ em que foi informada a receita, em linhas gerais: memórias de cálculo da apropriação das receitas, individualizadas por aplicação/rendimento e/ou por banco, das quais constem a data da aplicação, resgate e as regras da aplicação (bases de cálculo, juros, correção, tipo de IRRF), ou documentos equivalentes emitidos pelos bancos ou pessoas jurídicas retentoras; comprovação da escrituração, com totalizações, por período de apuração; comprovação da inclusão das receitas na apuração do lucro líquido e na DIPJ; e demais documentos que dêem suporte à contabilização" (decisão da DRJ/SP1 fl. 1022). Fl. 5478DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 14 13 No que tange às compensações não homologadas: ... a Solução de Consulta Interna n° 3, de 08 de janeiro de 2004, da COSIT, esclareceu, da mesma maneira, que somente as declarações de compensação entregues à Secretaria da Receita Federal a partir de 31/10/2003 (data de publicação da MP nº 135, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003) constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Relativamente aos Juros sobre o Capital Próprio: A fiscalização glosou parcialmente as despesas com juros sobre o capital próprio, no valor de R$ 47.859.614,47, partindo, para tanto, do Imposto de Renda Retido na fonte informado em DCTF no código 9453 (Juros sobre o Capital próprio Residentes no Exterior R$ 758.910.000,00) e informados em DIRF no código 5706 (Juros sobre o Capital próprio R$ 293.339.866,93). Muito embora a contribuinte se insurja contra a glosa, o fato é que o documento de fls. 955/956, por ela trazido aos autos, apenas informa, de maneira global, a composição dos valores do cálculo de juros sobre o capital próprio que teriam sido objeto de distribuição pela empresa no anocalendário em questão, malferindo o art. 9°, da Lei n.° 9.249/95, o qual exige indicação individualizada, que, inclusive, permita a análise da regularidade de eventuais isenções. Ausente tal exigência legal, que não se constitui em mera formalidade, mas verdadeiro fator constitutivo do direito alegado, cai por terra a argumentação da contribuinte, posto que carente de fomento jurídico. Ao final, requer sejam acolhidas as contrarrazões e negado provimento ao Recurso Voluntário. Em petição protocolada em 22 de junho de 2015 (fls. 1.666 a 1.672), a Recorrente: aduz que decorrido o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, não pode o Fisco proceder à “reapuração do crédito de saldo negativo de período já decaído” como ocorreu por meio do Despacho Decisório; apresenta, oportunamente, por se referir a fato ou direito superveniente, a relação individualizada dos acionistas que receberam JCP no anocalendário 2003; requer seja reconhecido o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 no valor de R$ 170.811.237,74 e a homologação das declarações de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Fl. 5479DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 15 14 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. A Recorrente apurou um valor de R$ 170.811.237,74 de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica no anocalendário 2003, que utilizou nas Dcomps que deram origem ao presente processo. Naquele ano, o IRPJ apurado foi de R$ 65.365.210,09. As estimativas totalizaram R$ 233.392.239,17 assim compostas: R$ 49.772.190,01 pagos (Darf), R$ 92.229.916,00 deduzidos (IRRF) e R$ 91.390.132,26 compensados com créditos de períodos anteriores. Foram deduzidos (IRRF), ainda, R$ 1.174.651,81, decorrente de retenções por órgãos públicos, e mais R$ 1.609.556,84, diretamente na ficha 12A, linhas 13 e 14, da DIPJ/2004. Especificamente quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF entidades privadas e órgãos públicos), a Recorrente deduziu um total de R$ 95.014.124,65 conforme discriminado acima. Conforme consta no Despacho Decisório, foram confirmadas (Dirf) as retenções num total de R$ 92.588.870,78. Ocorre que parte do Imposto de Renda Retido na Fonte, R$ 63.245.643,51, não foi considerado para fins de dedução em face do não oferecimento à tributação das receitas correspondentes, relativas às operações de swap (R$ 348.738.780,48). Não foi considerado, também, o valor correspondente a parte das retenções relativas à receita de Juros sobre Capital Próprio. Do valor total retido, R$ 394.148,78, apenas a parcela de R$ 304.164,61 (77,17%) foi deferida, uma vez ter sido oferecida à tributação apenas parte, no mesmo percentual, da receita correspondente. Dessa forma, as deduções de IRRF, confirmadas e consideradas para fins de dedução, no total (estimativas e IRPJ devido ao final do período), foram no valor de R$ 29.253.243,10. As estimativas compensadas não foram aceitas uma vez que as Dcomps, não homologadas, têm data de protocolo anterior à edição da Lei nº 10.833/2003 que, por meio do seu artigo 17, deu nova redação ao § 6º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, estabelecendo, a partir daí, que a declaração de compensação é instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Também, para fins de apuração do IRPJ no anocalendário em questão, foram glosadas parte das despesas de Juros sobre o Capital Próprio, considerandose somente R$ 1.052.140.385,53 e não os R$ 1.100.000.000,00 declarados. Esse valor menor foi obtido em face da Dirf apresentada pela Recorrente, considerandose o recolhimento de R$ 113.820.077,79 sob o código 9453 – IRRF JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO RESIDENTES NO EXTERIOR, o que representa pagamento de R$ 758.800.518,60 para sócios no exterior e mais R$ 293.339.866,93 pagos para outros 1.967.872 beneficiários. Fl. 5480DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 16 15 Efetuada nova apuração, não incluídas as estimativas não homologadas e considerandose as glosas de retenções e de despesas, assim como as receitas omitidas, chegou se a um valor positivo de IRPJ a pagar. Na decisão de primeira instância o valor das despesas de JCP foi alterado em face de, na informação fornecida pelo Banco Real que operacionalizou esses pagamentos, existirem acionistas isentos sem contudo haver a comprovação de quem seriam essas pessoas jurídicas individualizadamente, com a razão de cada isenção, e haver, ainda, "acionistas não identificados", cujo CPF/CNPJ demonstrouse inválido. Essas despesas incomprovadas, a primeira, relativa a acionistas isentos, é de R$ 23.472.125,41, e a segunda, relativa a acionistas não identificados, é igual a R$ 24.163.559,71. Nessa decisão foi identificada, ainda, uma diferença de R$ 17.918,28 entre o valor lançado como despesa pela empresa na apuração do lucro líquido (R$ 1.100.000.000,00) e o valor efetivamente pago por meio do Banco Real (R$ 1.099.982.081,72) que não poderia ter sido levada a resultado, pois não foi paga ou creditada. Os três valores somados (R$ 23.472.125,41 + R$ 24.163.559,71 + R$ 17.918,28) resultam em R$ 47.653.603,40, menor que a glosa efetuada no Despacho Decisório, mas determinando, ainda, um saldo positivo de imposto a pagar no anocalendário 2003. Estimativas compensadas. A Recorrente alega que, caso seja reconhecida, nos autos dos Processos Administrativos n° 11610.006901/200302 e nº 13807.003136/200470, a totalidade do direito creditício, a conseqüência lógica será o cômputo dos valores relativos às estimativas de janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, julho e agosto de 2003 na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano em questão. Ainda, mesmo que as estimativas que foram computadas para a apuração do saldo negativo de 2003 não tenham as suas compensações homologadas, elas deverão compor o saldo negativo, por impossibilidade de exigência por duas vezes do mesmo débito: a primeira na não homologação da compensação da estimativa de IRPJ, com a respectiva cobrança, e a segunda na redução do crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2003. Argumenta que esse é o entendimento consolidado no âmbito da Receita Federal do Brasil, conforme Solução de Consulta Interna nº 18, de 13 de outubro de 2006. Retenções de Imposto de Renda. Relativamente ao IRRF, aduz a Recorrente que as retenções podem ser facilmente comprovadas pelos informes de rendimentos emitidos por instituições financeiras e pela Embratel, bem como pelo relatório de retenções de órgãos públicos extraídos dos controles contábeis da Recorrente, tais como os Livros Diário e Razão (docs. nºs 06, 07 e 08, da manifestação de inconformidade). Ainda, que a Dirf não pode ser tomada como única base para a correção quanto às retenções realizadas, quer por órgãos públicos, quer pelas instituições privadas. Fl. 5481DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 17 16 Também, que os recibos de resgates e as demonstrações de liquidação são documentos hábeis e idôneos a comprovar as retenções, pois espelham a existência das aplicações financeiras mantidas junto às instituições financeiras, bem como as datas dos resgates e o IRRF incidente sobre a operação, podendo tomar o fisco tais documentos pelo nome de sua preferência. Argumenta a Recorrente que dos R$ 1.174.103,59 retidos por órgãos públicos a título de IRRF, somente R$ 1.042.873,58 foram considerados para fins de dedução, sob o argumento de que a planilha juntada aos autos não estava acompanhada de documentação que respaldasse os valores lançados. Todavia, bastava à RFB acessar o sistema SIAFI para a comprovação dos referidos valores, mesmo que não constassem em Dirf. Em que pese a recorrente não ter juntado todos os documentos pertinentes, tendose em vista os indícios de provas carreados aos autos e em homenagem ao princípio da verdade material, estes poderão ser ainda apresentados, havendo também a possibilidade de consulta a sistemas informatizados específicos, tendo em vista a confirmação das retenções efetuadas, quer pelos órgãos públicos, quer pelas entidades privadas. Swap. Conforme se vê no Despacho Decisório, parte do Imposto de Renda Retido na Fonte não foi considerado para fins de dedução em face do não oferecimento à tributação das receitas correspondentes relativas às operações de swap. Na decisão de primeira instância esse entendimento foi mantido. No Recurso Voluntário, é alegado que, em decorrência do princípio da verdade material, está autorizada a juntada de novos documentos a qualquer tempo, tendo sido carreadas aos autos folhas do Razão Analítico que, segundo a Recorrente, contêm todas as receitas financeiras auferidas em 2003, inclusive as de swap (doc. n° 03 fls. 1.085 a 1.627), bem como as memórias de cálculo da apropriação das receitas financeiras auferidas em 2003 (doc. nº 04), de forma a comprovar a tributação dos rendimentos de swap auferidos no ano calendário 2003. Também que, para melhor visualização dos lançamentos contábeis, estão colacionados os dados refletidos na DIPJ 2004, em confronto com a documentação juntada (fls. 1.055 e 1.056). Segue a Ficha 06A da DIPJ/2004 e a composição da linha 24 da Ficha 06A (Demonstração do Resultado do Exercício). Segundo a Recorrente, uma das rubricas (41925100 CURTO PRAZO), no valor de R$ 332.067.002,09, representa os rendimentos obtidos em contratos de swap. Explica que os resgates nas citadas operações, sujeitas a ajustes de posições, consolidaram registros positivos na ordem de R$ 3.873.026.010,06 e, ao contrário, foram determinadas perdas na ordem de R$ 3.531.004.371,67. Estas últimas, compensadas com os ganhos, resultam “no valor exato de R$ 332.067.002,09” (sic) inserido na alínea “Outras Receitas Financeiras”. Necessário, também, seja confirmada o total das receitas financeiras oferecidas à tributação, assim como, dentre estas, as obtidas em contratos de swap. Juros sobre o Capital Próprio. Fl. 5482DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 18 17 Foi rejeitada, de início, parte da despesa de JCP em razão de incompatibilidade entre a DIPJ e a DIRF. Na manifestação de inconformidade, a Recorrente salientou que as divergências entre essas declarações não autorizam a glosa da despesa, uma vez que há a impossibilidade de inclusão na DIRF de dados relativos aos beneficiários não residentes (IN n° 03/2001, artigo 17, § 8º). Além disso, os valores constantes da DIRF não representam a integralidade dos pagamentos feitos a título de JCP. Não constam ali os rendimentos pagos aos acionistas imunes/isentos, conforme comprovação feita junto ao Banco Real, instituição financeira responsável pela carteira de ações da Recorrente à época e pela intermediação do pagamento de JCP. No Recurso Voluntário foi aduzido que, na decisão de primeira instância, houve inovação para o embasamento da glosa das despesas de JCP, o que se constitui em nulidade por vício material insanável. Concluiuse ali que haveria a necessidade de individualização dos acionistas da empresa, nos termos do art. 9º da Lei n° 9.249195, para fins de dedução da despesa com juros sobre o capital próprio pagos. Argumentou a Recorrente que a individualização dos acionistas é impossível, pois as suas ações estão pulverizadas na bolsa, e o controle das transações cabe tãosomente ao banco custodiante, mas que esse fato não retira o caráter de despesa dos juros distribuídos no anocalendário 2003, cujo valor pode ser facilmente comprovado pelos documentos contábeis como demonstra o seu Livro Razão, doc. n° 14, da manifestação de inconformidade e doc. nº 05 do presente recurso (fls. 1.631 1 1.633), bem como pela publicação no Diário Oficial Empresarial (doc. nº 06 fls. 1.635 e 1.636). Argumentou ainda que a diferença entre o valor registrado como despesa de JCP pela empresa (R$ 1.100.000.000,00) e o efetivamente pago pelo Banco Real (R$ 1.099.982.081,72) é irrisória, não trazendo efeitos contrários ao crédito pleiteado pela Recorrente. Em petição protocolada em 22 de junho de 2015, a Recorrente apresenta a relação individualizada dos acionistas que receberam JCP no anocalendário 2003. No que tange a esse ponto, também há a necessidade de confirmação quanto ao correto valor das despesas relativas a JCP. Pedido superveniente. Na mesma petição protocolada em 22 de junho de 2015, a Recorrente aduz que decorrido o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, não pode o Fisco proceder à “reapuração do crédito de saldo negativo de período já decaído” como ocorreu por meio do Despacho Decisório. Fl. 5483DF CARF MF Processo nº 16306.000046/200717 Resolução nº 1201000.256 S1C2T1 Fl. 19 18 Conclusão. Em face de todo o exposto, voto no sentido da conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem proceda à verificação quanto: a) à totalidade do Imposto de Renda Retido na Fonte por órgãos públicos no anocalendário 2003, comparando os dados coletados pelo acesso ao sistema SIAFI com os fornecidos pela Recorrente; b) às receitas financeiras obtidas pela Recorrente em 2003, com base nos documentos anexados ao Recurso Voluntário, de forma a determinar se as receitas de swap auferidas no anocalendário 2003 foram oferecidas à tributação e, em caso positivo, o valor total destas. As mencionadas "folhas do razão analítico receitas financeiras auferidas em 2003, inclusive as de swap doc n° 03", encontramse às fls. 1.085 a 1.627. As "memórias de cálculo da apropriação das receitas financeiras auferidas em 2003 – doc nº 04" foram juntadas em "CD" ao processo físico (fl. 1.629); c) ao correto valor das despesas de JCP em 2003, pela análise dos documentos contábeis da Recorrente (Livro Razão, doc. n° 14 da manifestação de inconformidade e doc. nº 05 do recurso fls. 1.631 a 1.633) e publicação no Diário Oficial Empresarial, doc. nº 06 (fls. 1.635 e 1.636), assim como pela relação individualizada dos acionistas que receberam JCP no anocalendário 2003 fornecida junto com a petição de 22 de junho de 2015, considerando também para fins dessa averiguação, os valores recebidos pelos contribuintes isentos/imunes (verificando a identificação individualizada e a prova do direito à isenção/imunidade), e ainda, dentre os relacionados, os que constavam com a inscrição inválida junto ao CPF/CNPJ no correspondente anocalendário. Para fins desta diligência, a Recorrente e outras pessoas físicas e jurídicas que tenham relação com os fatos deste processo poderão ser intimadas a fornecer os dados necessários e os documentos comprobatórios, que não constem dos presentes autos, inclusive em meio digital, a critério da autoridade de fiscalização. As conclusões deverão constar de termo circunstanciado elaborado pela fiscalização, em que será efetuada a apuração do IRPJ para o período conforme novos dados que porventura forem objeto de comprovação durante os trabalhos de diligência, intimandose a Recorrente para que, querendo, se manifeste num prazo de trinta dias. Decorrido esse prazo, com ou sem a manifestação da Recorrente, os autos devem retornar para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 5484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904097/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 97 /2 01 4- 08 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10875.904097/201408 Acórdão n.º 1301002.467 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10875.904097/201408 Acórdão n.º 1301002.467 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10875.904097/201408 Acórdão n.º 1301002.467 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10875.904097/201408 Acórdão n.º 1301002.467 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10875.904097/201408 Acórdão n.º 1301002.467 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907207/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2010
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.241
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 07 /2 01 2- 24 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907207/201224 Acórdão n.º 3302004.241 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.844. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907207/201224 Acórdão n.º 3302004.241 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907207/201224 Acórdão n.º 3302004.241 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907207/201224 Acórdão n.º 3302004.241 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907207/201224 Acórdão n.º 3302004.241 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907207/201224 Acórdão n.º 3302004.241 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901115/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 15 /2 01 3- 15 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901115/201315 Acórdão n.º 1302002.269 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901115/201315 Acórdão n.º 1302002.269 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901115/201315 Acórdão n.º 1302002.269 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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