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6880079 #
Numero do processo: 10580.727455/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS. OMISSÃO. Constatada a omissão apontada pelos embargos, deve-se promover sua imediata correção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS COMPENSATÓRIOS. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis
Numero da decisão: 2201-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 18/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO

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2201­003.754  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de julho de 2017  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍCISA  Embargante  SIVILENE SAO PEDRO FIGUEIREDO LUCENA BICALHO  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2005, 2006, 2007  EMBARGOS. OMISSÃO.  Constatada  a  omissão  apontada  pelos  embargos,  deve­se  promover  sua  imediata correção.  RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS COMPENSATÓRIOS.  São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza,  inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por  atraso de pagamento,  exceto  aqueles  correspondentes  a  rendimentos  isentos  ou não tributáveis      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  e não acolher os embargos de declaração.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator.  EDITADO EM: 18/07/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 55 /2 00 9- 92 Fl. 307DF CARF MF     2 da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do Amaral  Azeredo,  Daniel Melo Mendes  Bezerra,  Rodrigo  Monteiro Loureiro Amorim.  Relatório  Trata o presente de Auto de Infração pelo qual a Autoridade Fiscal constituiu  crédito  tributário  relativo ao  Imposto  sobre  a Renda da Pessoa Física,  IRPF, por  ter apurado  infrações  à  legislação  tributária  nos  anos  calendários  de  2004  a  2006,  exercícios  de  2005  a  2007.  Em  síntese,  lançamento  decorre  da  constatação  de  que  o  sujeito  passivo  classificou  indevidamente  como  Rendimentos  Isentos  e  Não  Tributáveis  os  rendimentos  auferidos  do Ministério  Público  do  Estado  da  Bahia  a  título  de  "Valores  Indenizatórios  de  URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora.  Tais  rendimentos decorrem de diferenças de  remuneração ocorridas quando  da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor ­ URV em 1994, reconhecidas e  pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na  Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003.  Com a apresentação de Recurso Voluntário em razão do inconformismo com  a Decisão de 1ª Instância, que manteve integralmente a exigência, o mérito do lançamento foi  objeto  do  Acórdão  2101­002.443,  da  1ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária  da  Segunda  Seção  de  Julgamento deste Conselho, de 20 de março de 2014, fl. 239/244.  Ciente da Decisão do Colegiado em 13 de junho de 2014, fl. 282, o contribuinte  apresentou, tempestivamente, os Embargos de fl. 255.  Sustenta  a  embargante  a  omissão  do  Acórdão  de  2ª  Instância,  que,  supostamente, não teria tratado dos seguintes temas:  ­  Falta  de  legitimidade  da  União  para  cobrar  imposto  de  renda  que  pertence, por determinação constitucional, ao Estado;  ­ Quebra do Princípio Constitucional da Isonomia;  ­ Não incidência do Imposto de Renda sobre juros de mora.  No Despacho de fl. 293 a 295, houve análise da admissibilidade dos Embargos  interpostos,  os  quais  foram  admitidos,  exclusivamente  por  conta  da  conclusão  de  que  o  Acórdão Recorrido não tratou da não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora  recebidos incidentes sobre os valores recebidos acumuladamente e que integraram o montante  considerado omitido.  E o relatório necessário  Voto             Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator  Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10580.727455/2009­92  Acórdão n.º 2201­003.754  S2­C2T1  Fl. 308          3 Inicialmente,  expresso  minha  concordância  com  os  pressupostos  de  admissibilidade contidos no despacho de fls. 293/295, razão pela qual limito a presente análise  à omissão reconhecida.  No  Recurso  Voluntário  apresentado,  fl.  143/230,  o  tema  que  teria  sido  omitido pelo Acórdão embargado consta de fl. 224, cujas razões passo a analisar:  DOS  JUROS  DE  MORA  E  DA  CORREÇÃO  NO  CÁLCULO  DA  DIFERENÇA DE URV.  Neste  tópico,  embora  a  peça  recursal  apresente  alguma  impropriedade  por  misturar  seus  argumentos com os do  tema  tratado anteriormente  (EXCLUSÃO DA MULTA  DE  MULTA  DE  OFÍCIO  E  DOS  JUROS  DE  MORA  CONSTANTES  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO), fica evidente que a insurgência do contribuinte decorre do seu entendimento de  que  os  valores  recebidos  que  correspondam  a  juros  e  a  atualização  monetária  sobre  as  diferenças  da  conversão  da  URV  não  deveriam  sofrer  tributação,  em  razão  de  sua  natureza  indenizatória, não constituindo acréscimo patrimonial.  Embora não  seja propriamente objeto dos Embargos  ora  sob análise,  temos  que a multa de ofício já foi afastada sob amparo da Súmula CARF nº 73, para a qual o erro no  preenchimento  da  declaração  de  ajuste  do  imposto  de  renda,  causado  por  informações  erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.   Já em relação ao juros de mora incidente sobre o crédito lançado, trata­se de  exigência de natureza meramente  compensatória, prevista no art. 63 da Lei 9.430/66. Com a  ressalva de que tal acréscimo legal incide tanto para corrigir os débitos de contribuintes quanto  os eventuais indébitos destes, exatamente com os mesmos índices (Selic acumulada até o mês  anterior ao pagamento mais 1% no mês do pagamento).  Embora oficial, o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora  não configura norma complementar de que trata o art. 100 da lei 5.172/66 (CTN). Da mesma  forma,  não  tem  tal  natureza  a Lei Complementar  do Estado  da Bahia  nº  20/2006,  tampouco  precisaria  ser declarada  sua  inconstitucionalidade,  seja por  se  tratar de  ato originário de  ente  incompetente  pra  legislar  sobre  Imposto  sobre  a  Renda,  seja  por  não  ter,  efetivamente,  classificado o rendimento como isento, mas apenas fixando sua denominação de indenização, o  que  se  mostra  irrelevante,  já  que,  nos  termos  do  §1º  do  art.  43  da  mesma  Lei  5.172/66,  a  incidência do  imposto  independe da denominação da  receita ou do  rendimento. Desta  forma  não há que se falar em aplicação do § único do art. 100 do CTN.  No que se  refere à  tributação dos  juros e correção monetária que  incidiram  sobre  as  diferenças  da  conversão  da  URV  e  os  argumentos  recursais  de  que  não  deveriam  sofrer  tributação,  em  razão  de  sua  natureza  indenizatória,  não  constituindo  acréscimo  patrimonial, estes sim objeto da omissão a ser tratada pela presente análise, não assiste razão ao  recorrente.  Nos  termos  do  art.  144  do  CTN,  o  lançamento  reporta­se  à  data  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  e  rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente modificada ou revogada.  A decisão de 1ª Instância assim se pronunciou, fl. 136:  Fl. 309DF CARF MF     4 O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os  juros  moratórios,  quanto  quaisquer  outras  indenizações  por  atraso  de  pagamento,  estão  sujeitos  à  tributação,  a menos  que  correspondam  a  rendimentos  isentos  ou  não  tributáveis,  conforme abaixo transcrito:  Art. 55. São também tributáveis  (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26,  Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.  24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ...  XIV­  os  juros  compensatórios  ou  moratórios  de  qualquer  natureza,  inclusive  os  que  resultarem  de  sentença,  e  quaisquer  outras  indenizações  por  atraso  de  pagamento,  exceto  aqueles  correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;  Portanto,  no  caso  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  imposto  incidirá no mês do  recebimento,  sobre o  total  dos  rendimentos,  inclusive  juros  e  atualização  monetária. Afinal como visto acima, os juros compensatórios ou moratórios seguem a sorte dos  rendimentos que lhe deram causa. De modo que sendo estes tributáveis, aqueles terão a mesma  natureza, tudo nos termos do inciso XIV do art. 55 do RIR/99.  Conclusão:  Desta  forma,  considerando  as  razões  e  fundamentos  legais  acima  expostos,  voto por conhecer e não acolher os embargos interpostos pelo contribuinte.   Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator                                Fl. 310DF CARF MF

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6918509 #
Numero do processo: 10952.000217/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. DIAT. INAPLICABILIDADE. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóvel rural, caso o alienante não tenha apresentado o Diat relativamente ao ano de alienação, considera-se como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação.
Numero da decisão: 2201-003.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI

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2201­003.817  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de agosto de 2017  Matéria  IRPF ­ Ganho de Capital  Recorrente  ADEILTON NERI SALES LOPES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2004  ALIENAÇÃO.  IMÓVEL RURAL. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO.  DIAT. INAPLICABILIDADE.  Na  apuração  do  ganho  de  capital  decorrente  da  alienação  de  imóvel  rural,  caso  o  alienante  não  tenha  apresentado  o  Diat  relativamente  ao  ano  de  alienação,  considera­se  como  custo  e  como  valor  de  alienação  o  valor  constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora.    EDITADO EM: 31/08/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 2. 00 02 17 /2 00 9- 61 Fl. 134DF CARF MF     2   Relatório  Trata­se de recurso voluntário (fls. 118/120) apresentado em face do Acórdão  nº 15­32.030, da 5º Turma da DRJ/SDR (fls. 105/114), que negou provimento à  impugnação  apresentada pelo  sujeito passivo  (fls. 87/92) ao  auto de  infração  (fls. 2/8) pelo qual  se exige  dele  crédito  tributário  consolidado  de  R$  84.276,49,  relativo  a  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa Física ­ IRPF incidente sobre ganho de capital obtido na alienação de imóvel rural.  De acordo com o Termo de Verificação Fiscal  (fls. 9/16),  através de dados  extraídos da Escritura Pública de Compra e Venda lavrada no Tabelionato de Notas e Protestos  da  Comarca  de  Itapevi­BA  sob  o  número  de  Ordem  3.088,  Livro  065,  fls.  38/40,  ter­se­ia  apurado a alienação, pelo contribuinte, de três imóveis contíguos que, a partir dessa escritura,  passariam a ser identificados como Fazenda Barracão.  De  acordo  com  esse  registro,  a  alienação  foi  realizada  pelo  valor  de  R$  240.232,80.  Em  sua  declaração  de  imposto  de  renda  (DAA2005),  o  contribuinte  teria  informado o  lucro apurado na alienação desse bem, R$ 226.232,80, como rendimento  isento,  por considerá­lo de pequeno valor ou único  imóvel. Por outro  lado, na declaração de bens  e  direitos da mesma DAA, teria informado o bem pelo valor de R$ 150.000,00.  A  fiscalização  informa  que  os  imóveis  alienados  foram  identificados  pelo  contribuinte  como  Fazenda  Esperança  e  Fazenda  Boa  Sorte.  A  primeira  seria  composta  por  duas áreas, uma titulada de 20 ha e outra não titulada de 86,07 ha, e teriam sido adquiridas pelo  valor de R$ 1.500,00. A autoridade fiscal não teria tido acesso aos documentos de aquisição da  segunda  (Fazenda  Boa  Sorte),  mas  teria  utilizado  os  dados  consignados  na  escritura  de  alienação.  O somatório da área das duas fazendas seria de 130,07 ha e a área alienada  seria de 103,35 ha, de forma que teria remanescido em propriedade do contribuinte fiscalizado  a área de 26,70 ha da primeira fazenda.  O  autuante  transcreve  artigos  da  Lei  nº  6.015,  de  1973,  para  justificar  sua  interpretação de que a cada imóvel corresponde uma matrícula no registro geral de imóveis. No  caso tratado neste processo, pelas escrituras de aquisição e alienação, haveria três áreas de terra  compondo dois imóveis distintos, registrados em matrículas autônomas.  Pela pluralidade de imóveis, não haveria que se falar em alienação do único  imóvel.   Essa conclusão seria também reforçada pela existência de área remanescente,  situação que se enquadraria no caso enfrentado pela pergunta nº 612, do Manual Perguntas e  Respostas do Ano­calendário 2008.  A data de aquisição seria 14/08/2003 e a de alienação 08/07/2004.  Para  a  apuração  do  custo  de  aquisição  e  de  alienação,  a  autoridade  fiscal  adotou os valores constantes das respectivas escrituras de compra e venda, o que foi justificado  Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10952.000217/2009­61  Acórdão n.º 2201­003.817  S2­C2T1  Fl. 135          3 no fato de o contribuinte ter apresentado a DIAT do ano de aquisição (fls. 58/61), mas não a do  ano de alienação (fls. 62/65), que foi entregue pela empresa que adquiriu os imóveis.  Para  a  Fazenda  Esperança,  o  custo  de  aquisição  de  R$  1.500,00  foi  distribuído  entre  a  área  total,  segregando­se  a  parcela  que  permaneceu  em  propriedade  do  contribuinte.  Para a Fazenda Boa Sorte foi adotado o valor total do custo de aquisição de  R$ 2.500,00.  Para o valor de alienação, foi estabelecida a proporção entre os imóveis que  compuseram a venda, de acordo com a área de cada um.  Com isso, foi apurado um ganho de capital  total de R$ 236.610,49, ao qual  foi aplicada a alíquota de 15% para apuração do valor devido, mais multa de 75% e juros de  mora.  A  impugnação  ao  lançamento  (fls.  87/92)  foi  julgada  improcedente  pelo  Acórdão nº 15­32.030, da 5ª Turma da DRJ/SDR (fls. 105/114).  Ciente  dessa  decisão  em  14/09/2015  (fls.  116/117),  o  sujeito  passivo  apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 13/10 do mesmo ano (fls. 118/120).  Em suas razões de recorrer, alega, em síntese, que:  ­ A autuação não deveria existir porque a situação se enquadra na isenção de  imóvel de valor inferior a R$ 440.000,00;  ­ Não houve outra  alienação nos  cinco anos  anteriores  à  alienação que  deu  origem ao lançamento;  ­ O recorrente é pessoa humilde que trabalha com agricultura familiar;  ­ Houve a unificação das duas áreas rurais em uma só matrícula denominada  Fazenda Barracão;  ­ O auto é  insubsistente porque menciona no item 4.2 a Fazenda Boa Vista,  que não tem qualquer pertinência com o negócio realizado;  ­ O recorrente, pessoa "da roça", que sobrevive da cria de animais bovinos e  da  agricultura de  subsistência,  procedeu à  alienação de  apenas duas partes de  suas pequenas  áreas rurais, que são equivalentes a sítios rurais;  ­ Os fatos narrados estariam abarcados pelo espírito das normas isentivas;  ­ A decisão de piso não especificou qual o uso ou  finalidade conferidos  ao  imóvel que justificaria afastar o direito à isenção;  ­ O imóvel alienado consistia em um condomínio de fato, pois se tratava de  áreas contíguas que o recorrente tratou de unificar na matrícula;  Fl. 136DF CARF MF     4 ­ O ITR demonstra a limitação da propriedade, o que a enquadra na natureza  de agricultura familiar, que seria isenta do tributo aqui cobrado;  ­ A área que remanesceu com o contribuinte é inferior aos 30 ha previstos na  Lei nº 9.393, de 1996, art. 2º.  Com  base  nesses  argumentos,  entende  ter  demonstrado  a  existência  de  preliminar  que  tornaria  insubsistente  o  lançamento  e,  no  mérito,  a  sua  total  improcedência,  razões pelas quais ele deve ser cancelado.  É o que havia para ser relatado.    Voto             Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora  O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e  dele conheço.  Preliminar ­ nulidade  Entre os argumentos de defesa,  identifico uma preliminar de nulidade ao se  afirmar que o auto é insubsistente por mencionar no item 4.2 a Fazenda Boa Vista, que não tem  qualquer pertinência com o negócio realizado.  O regime das nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal  federal  está disciplinado pelos artigos que são a seguir  transcrito,  retirados do Decreto nº 70.235, de  1972:   Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10952.000217/2009­61  Acórdão n.º 2201­003.817  S2­C2T1  Fl. 136          5  Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente  para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.  Daí  se  extrai  que  será nulo o  ato praticado por  autoridade  incompetente ou  aquele proferido com preterição do direito de defesa. Neste caso, não se  tratando de questão  atinente  à  competência  da  autoridade  fiscal,  caberia  ao  recorrente  demonstrar  o  prejuízo  causado ao seu amplo direito de defesa.  Não me parece que tenha logrado êxito neste sentido, sendo o vício apontado  mais  adequadamente  classificado  como  uma  incorreção  que  não  teve  aptidão  para  causar  qualquer prejuízo ao fiscalizado.  Nego provimento quanto à preliminar de nulidade.  Mérito  Segundo afirma o recorrente, a autuação não deveria existir porque a situação  se  enquadra  na  isenção  de  imóvel  de  valor  inferior  a  R$  440.000,00  e  não  houve  outra  alienação nos cinco anos anteriores à operação que deu origem ao lançamento.  Com  esses  argumentos,  busca  que  a  situação  descrita  seja  enquadrada  no  seguinte dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR1999 (Decreto nº 3.000, de 26  de março de 1999):  Art. 122. Está isento do imposto o ganho de capital auferido na  alienação:  (...)  II ­ do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação  seja  de  até  quatrocentos  e  quarenta  mil  reais,  desde  que  não  tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco  anos.  (...)  §  4º  O  limite  a  que  se  refere  o  inciso  II  será  considerado  em  relação:  I ­ à parte de cada condômino, no caso de bens em condomínio;  II  ­  ao  imóvel  havido  em  comunhão,  no  caso  de  sociedade  conjugal.  É intuitivo afirmar que, ao alienar o único imóvel que possua, seu titular resta  sem a propriedade de qualquer imóvel. Ou seja, a alienação do único imóvel deve conduzir à  situação em que o patrimônio de seu titular passe a não contar com qualquer imóvel.   Por outro lado, compulsando­se a Lei nº 6.015, de 1973, que dispõe sobre os  registros públicos, pode­se destacar os seguintes dispositivos:  Art.  176  ­  O  Livro  nº  2  ­  Registro  Geral  ­  será  destinado,  à  matrícula  dos  imóveis  e  ao  registro  ou  averbação  dos  atos  relacionados no art. 167 e não atribuídos ao Livro nº 3.  Fl. 138DF CARF MF     6 §  1º  A  escrituração  do  Livro  nº  2  obedecerá  às  seguintes  normas:  I  ­  cada  imóvel  terá  matrícula  própria,  que  será  aberta  por  ocasião do primeiro registro a ser feito na vigência desta Lei;  (...)  §  3o  Nos  casos  de  desmembramento,  parcelamento  ou  remembramento  de  imóveis  rurais,  a  identificação  prevista  na  alínea a do  item 3 do  inciso  II  do § 1o  será obtida a partir de  memorial descritivo, assinado por profissional habilitado e com  a  devida  Anotação  de  Responsabilidade  Técnica  –  ART,  contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos  imóveis  rurais,  geo­referenciadas  ao  Sistema  Geodésico  Brasileiro  e  com precisão posicional  a  ser  fixada  pelo  INCRA,  garantida  a  isenção  de  custos  financeiros  aos  proprietários  de  imóveis  rurais  cuja  somatória  da  área  não  exceda  a  quatro  módulos fiscais.  (...)  Art.  227  ­  Todo  imóvel  objeto  de  título  a  ser  registrado  deve  estar matriculado no Livro nº 2  ­ Registro Geral  ­ obedecido o  disposto no art. 176.  Art.  228  ­  A  matrícula  será  efetuada  por  ocasião  do  primeiro  registro  a  ser  lançado  na  vigência  desta  Lei,  mediante  os  elementos constantes do título apresentado e do registro anterior  nele mencionado.  (...)  Art. 233 ­ A matrícula será cancelada:  I ­ por decisão judicial;   II  ­  quando  em  virtude  de  alienação  parciais,  o  imóvel  for  inteiramente transferido a outros proprietários;   III ­ pela fusão, nos termos do artigo seguinte.   Art. 234 ­ Quando dois ou mais  imóveis contíguos pertencentes  ao  mesmo  proprietário,  constarem  de  matrículas  autônomas,  pode  ele  requerer  a  fusão  destas  em  uma  só,  de  novo  número,  encerrando­se as primitivas.  Pela  literalidade  dos  dispositivos  transcritos,  é  possível  afirmar  que  cada  matrícula identifica um imóvel (art. 176, § 1º, I). Logo, se há mais de uma matrícula, há mais  de um imóvel.   Isso  não  impede  que  um  imóvel  seja  desmembrado  e  dê  origem  a mais  de  uma matrícula, quando passaria a existir mais de um imóvel.  No sentido inverso, os imóveis podem ser remembrados ou fusionados dando  origem a um único imóvel, ao qual corresponderá uma única matrícula.  Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10952.000217/2009­61  Acórdão n.º 2201­003.817  S2­C2T1  Fl. 137          7 As  seguintes  perguntas  extraídas  do  manual  de  perguntas  e  respostas  publicado  anualmente  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  na  rede  mundial  de  computadores orientam­se pela racionalidade estabelecida nesses artigos:  UNIFICAÇÃO DE TERRENOS CONTÍGUOS  638 — Contribuinte possuía dois terrenos contíguos, promoveu a  unificação e sobre eles construiu uma residência, passando a ser  proprietário desse único  imóvel. Po de usufruir da exclusão do  ganho de capital na alienação do único imóvel?   Sim. O art. 23 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, faz  referência à alienação do único imóvel que o titular possua (no  mês da alienação). Conforme o disposto no art. 111, inciso I, do  Código  Tributário Nacional  (CTN),  e  caso  não  tenha  ocorrido  alienação a qualquer título nos últimos 5 anos de outro imóvel, e  considerando  que  a  unificação  de  imóveis  não  caracteriza  alienação, é cabível a exclusão do ganho de capital no caso de  alienação, como um único imóvel e em um único instrumento, de  imóvel  resultante de unificação anterior de outros que o  titular  possuía,  devidamente  averbada  em  cartório  de  registro  de  imóveis (art. 234 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973 ­  Lei dos Registros Públicos). Este entendimento também é válido  para a terra nua de imóveis rurais.  ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL  639 — Contribuinte,  proprietário de um único  imóvel,  que não  alienou  nenhum  imóvel  nos  últimos  5  anos,  aliena  uma  parte  desse  imóvel,  permanecendo  na  propriedade  da  área  remanescente.  Tal  contribuinte  tem  direito  nessa  operação  à  isenção de alienação de único imóvel?  Não. Nesse caso, o contribuinte não alienou todo o imóvel, mas  parte, permanecendo, na data, como proprietário de imóvel. Não  faz jus, portanto, à isenção.  (http://idg.receita.fazenda.gov.br/interface/cidadao/irpf/2017/per guntao/pir­pf­2017­perguntas­e­respostas­versao­1­1­ 03032017.pdf)  Na  hipótese  em  questão,  o  contribuinte  adquiriu  três  áreas  de  terras  que  estavam registradas em duas matrículas diversas. Possuía, portanto, mais de um imóvel.   Ainda  que  tenha  havido  a  unificação  das  duas  áreas  rurais  em  uma  só  matrícula  denominada  Fazenda  Barracão,  fato  é  que  essa  unificação  não  compreendeu  a  totalidade  dos  imóveis  existentes.  Tanto  é  assim  que,  após  a  alienação  realizada,  restou  em  propriedade do  alienante  parte  do  imóvel  original  e  isso  só  seria possível  pela  realização  de  desmembramento.  Por  outro  lado,  o  recorrente  alega  que  se  tratava  de  "condomínio  de  fato",  caracterização que, por si mesma, não afetaria as conclusões aqui evidenciadas. Em que pese  isso, não parece que seja esse o caso,  já que o condomínio se caracteriza pela existências de  "domínios" concorrentes sobre o mesmo bem, ou seja, mais de uma pessoa com propriedade  Fl. 140DF CARF MF     8 sobre  um  mesmo  bem,  e  a  situação  refletida  nesse  processo  é  de  mais  de  um  bem  na  propriedade de um único indivíduo.  Em sendo assim, não é possível  afirmar que o  contribuinte  alienou o único  imóvel que possuía, de forma que é inaplicável a ele a isenção regulamentada pelo art. 122, II,  do RIR/1999.  O fato de o recorrente ser pessoa humilde e de que suas propriedades sejam  classificadas como pequenos sítios  são argumentos que podem  inspirar simpatia no  julgador,  mas não lhe conferem amparo para dar ao texto legal, em especial ao de natureza isentiva, uma  aplicação que fuja dos limites impostos pela investigação sintática.  É  isso  o  que  determina  o  art.  111,  II,  do  Código  Tributário  Nacional,  comando que impede o intérprete e aplicador do direito de invocar critérios como "o espírito da  norma"  para  dar  ao  texto  legal  um  sentido  mais  amplo  do  que  aquele  que  decorre  de  sua  literalidade.  Também não aproveitam ao contribuinte alegações que invoquem a aplicação  da imunidade e isenção regulados pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.393, de 1996, uma vez que o  âmbito de aplicação destes benefícios está restrito ao Imposto sobre a Propriedade Territorial  Rural ­ ITR. Assim, as exceções à tributação estabelecidas nesses dispositivos dizem respeito  apenas a esse tributo, não gerando qualquer reflexo sobre o imposto de renda.  Com  efeito,  nesta  lei,  o  imposto  de  renda  sofre  influência  apenas  do  que  determina o seguinte artigo:  Valores para Apuração de Ganho de Capital  Art.  19.  A  partir  do  dia  1º  de  janeiro  de  1997,  para  fins  de  apuração  de  ganho  de  capital,  nos  termos  da  legislação  do  imposto  de  renda,  considera­se  custo  de  aquisição  e  valor  da  venda  do  imóvel  rural  o  VTN  declarado,  na  forma  do  art.  8º,  observado  o  disposto  no  art.  14,  respectivamente,  nos  anos  da  ocorrência de sua aquisição e de sua alienação.  Parágrafo  único.  Na  apuração  de  ganho  de  capital  correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a  que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o  valor  constante  da  escritura  pública,  observado  o  disposto  no  art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995.  Esta regra foi assim regulamentada pela  Instrução Normativa SRF nº 84, de  2001:  Imóvel rural  Art.  9o  Na  apuração  do  ganho  de  capital  de  imóvel  rural  é  considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua.  § 1o Considera­se  valor da  terra nua  (VTN) o  valor do  imóvel  rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados  os  custos  das  benfeitorias  (construções,  instalações  e  melhoramentos),  das  culturas  permanentes  e  temporárias,  das  árvores  e  florestas  plantadas  e  das  pastagens  cultivadas  ou  melhoradas.  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10952.000217/2009­61  Acórdão n.º 2201­003.817  S2­C2T1  Fl. 138          9 § 2o Os custos a que se refere o § 1o, quando não tiverem sido  deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da  atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração  de ganho de capital.  Art. 10. Tratando­se de imóvel rural adquirido a partir de 1997,  considera­se custo de aquisição o valor da terra nua declarado  pelo  alienante,  no  Documento  de  Informação  e  Apuração  do  Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da  aquisição,  observado  o  disposto  nos  arts.  8o  e  14  da  Lei  No  9.393, de 1996.  § 1o No caso de o contribuinte adquirir:  I ­ e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de  capital é  igual à diferença entre o valor de alienação e o custo  de aquisição;  II  ­  o  imóvel  rural  antes  da  entrega  do  Diat  e  aliená­lo,  no  mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por  se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor.  § 2o Caso não  tenha sido apresentado o Diat relativamente ao  ano  de  aquisição  ou  de  alienação,  ou  a  ambos,  considera­se  como  custo  e  como  valor  de  alienação  o  valor  constante  nos  respectivos documentos de aquisição e de alienação.  §  3o  O  disposto  no  §  2o  aplica­se  também  no  caso  de  contribuinte  sujeito  à  apresentação  apenas  do  Documento  de  Informação e Atualização Cadastral (Diac).  O  caso  concreto  tratado  neste  processo  se  enquadra  na  descrição  do  §  2º  acima  transcrito,  já  que  o  contribuinte  alienou  o  bem  antes  da  entrega  da DIAT  do  ano  de  alienação,  situação  em  que  a  apuração  do  ganho  de  capital  deve  ser  feita  com  base  nos  documentos de aquisição e de alienação.  É  de  se  registrar  que  esses  documentos  foram  elaborados  a  partir  de  informações levadas a registro pelas partes do negócio e merecem fé pública.  A despeito disso, não houve qualquer esforço do contribuinte em demonstrar  que os valores ali declarados não correspondem à realidade do negócio entabulado.  Questiona  também  o  sujeito  passivo  o  fato  de  a  decisão  de  piso  não  ter  especificado  qual  o  uso  ou  finalidade  conferidos  ao  imóvel  justificariam  afastar  o  direito  à  isenção. Com esse argumento, parece contestar o seguinte trecho da decisão recorrida:  Além  disso,  o  uso  ou  a  finalidade  conferidos  ao  imóvel  pelo  impugnante,  antes  da  alienação,  não  afastam  a  incidência  da  norma que tributa o ganho de capital decorrente, não estando tal  circunstância  elencada entre as hipóteses de não  incidência ou  exclusão estabelecidas na lei tributária federal (Lei nº 7.713, de  1988, art. 22, parágrafo único, Decreto nº 3.000, de 26/03/1999,  arts. 120 a 122).  Fl. 142DF CARF MF     10 Não  identifico  qualquer  impropriedade  nesse  excerto,  já  que  ele  apenas  evidencia que invocar a natureza da atividade desenvolvida na propriedade não traz benefício  ao contribuinte, já que a isenção pleiteada não tem qualquer relação com esse critério.  Por tudo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado.  Conclusão  Com base no exposto, voto por conhecer do  recurso voluntário apresentado  para, rejeitando a preliminar de nulidade, no mérito, negar­lhe provimento.  Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora                                Fl. 143DF CARF MF

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Numero do processo: 15983.720335/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 PRELIMINAR. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia, provas documentais e testemunhais não caracterizam cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA DE SERVIÇOS CONTÁBEIS. REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADOS E A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. Empresa optante do Simples Nacional, que presta serviços contábeis, está obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e a contribuintes individuais, na forma e no prazo estabelecidos na lei vigente à época dos fatos geradores. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O dispositivo que tratava da contribuição previdenciária sobre valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho foi julgado inconstitucional pelo Plenário do supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, deve-se atribuir efeitos retroativos à legislação tributária que comine penalidade menos severa.
Numero da decisão: 2201-003.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 20/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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2201­003.716  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  4 de julho de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  J.A. SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008  PRELIMINAR.  PROVA  PERICIAL.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INDEFERIMENTO.  O  indeferimento  do  pedido  de  realização  de  perícia,  provas  documentais  e  testemunhais  não  caracterizam  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  demonstrada  a  desnecessidade  de  produção  de  novas  provas  para  formar  a  convicção do aplicador.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  SIMPLES  NACIONAL.  EMPRESA  DE  SERVIÇOS  CONTÁBEIS.  REMUNERAÇÃO  A  SEGURADOS  EMPREGADOS  E  A  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL.  OBRIGAÇÃO DA EMPRESA.  Empresa  optante  do  Simples  Nacional,  que  presta  serviços  contábeis,  está  obrigada  ao  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  patronais  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  aos  segurados  empregados  e  a  contribuintes individuais, na forma e no prazo estabelecidos na lei vigente à  época dos fatos geradores.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PAGAMENTO  POR  SERVIÇOS  PRESTADOS  POR  COOPERATIVA  DE  TRABALHO.  INCONSTITUCIONALIDADE  RECONHECIDA  EM  SEDE  DE  REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.  O dispositivo que tratava da contribuição previdenciária sobre valores pagos  por  serviços  prestados  por  cooperativa  de  trabalho  foi  julgado  inconstitucional pelo Plenário do supremo Tribunal Federal, com repercussão  geral reconhecida.  PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.   Tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado,  deve­se  atribuir  efeitos  retroativos à legislação tributária que comine penalidade menos severa.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 03 35 /2 01 1- 60 Fl. 555DF CARF MF     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar arguída e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do  voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora.  EDITADO EM: 20/07/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou  improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo.  Nesta oportunidade, utilizo­me  trechos do  relatório produzido em assentada  anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos  seguintes:  Consoante Relatório Fiscal de fls. 27 a 38, o presente processo  contempla  créditos  relativos  às  contribuições  previdenciárias/sociais  e  ao  descumprimento  de  obrigação  acessória, apurados no período de 07/2007 a 12/2008.  Acrescenta esse relatório que:  i)  serviram de base para o  lançamento as  remunerações pagas  aos segurados empregados e contribuintes individuais e valores  pagos  por  serviços  prestados  por  cooperativa  de  trabalho  (UNIMED);  ii) foram lavrados os seguintes Autos de Infração:  • nº 37.331.9029  Em face das contribuições empresarial (20 % incidente sobre as  remunerações  dos  empregados  e  contribuintes  individuais  e  15  %  sobre  o  valor  dos  serviços  da  cooperativa  UNIMED)  e  das  destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão  do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos  Fl. 556DF CARF MF Processo nº 15983.720335/2011­60  Acórdão n.º 2201­003.716  S2­C2T1  Fl. 3          3 riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT (1 % incidente sobre as  remunerações dos empregados);  Valor, consolidado em 26/09/2011, importa em R$ 195.987,15  (cento e noventa e cinco mil, novecentos e oitenta e sete reais e  quinze centavos); já incluídos aí os juros e as multas de mora e  de ofício incidentes sobre o débito originário.  • nº 37.331.9002  Pelo descumprimento de obrigação acessória, prevista no inciso  IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, nas competências  de 09/2008 a 11/2008;  Aplicada a multa  no  valor  de R$ 9.146,58  (nove mil,  cento  e  quarenta  e  eis  reais  e  cinquenta  e  oito  centavos),  em  conformidade com o § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991.  • nº 37.331.9010  Pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso  IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, nas competências  de 09/2008 a 11/2008;  Aplicada  a  multa  no  valor  de  R$  457,32  (quatrocentos  e  cinquenta e sete reais e trinta e dois centavos), em conformidade  com  o  §  6º  do  art.  32  da  Lei  nº  8.212/1991,  por  inexistir  agravante.  iii) a situação verificada constitui, em tese, crime de Sonegação  de  Contribuição  Previdenciária,  de  acordo  com  o  art.  337A,  inciso  I,  do  Código  Penal,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  9.983/2000,  razão pela qual  será emitida Representação Fiscal  para Fins Penais.  iv) em razão do advento da Medida Provisória – MP nº 449, de  04/12/2008,  que  alterou  o  valor  da  multa,  efetuou­se  a  comparação desta com a vigente à época da ocorrência dos fatos  tributários,  o  que  culminou  na  aplicação  da  multa  vigente  à  época  em  face  das  competências  de  09/2008  a  11/2008,  e,  inclusive,  no  que  se  refere  ao  descumprimento  da  obrigação  acessória,  e  aplicou­se  a  multa  de  ofício  (MP  nº  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009)  para  as  competências  de  07/2007 a 08/2008, em cumprimento do art. 106, inciso II, alínea  “c”, do CTN (princípio da retroatividade mais benigna).  Consta, ainda, do relatório fiscal que:  6.2.  (...),  conforme  Primeira  Alteração  Contratual,  ...  em  31/05/2007  (Anexo  IV),  o  objeto  social  passou  a  ser  a  exploração  do  ramo  de  atividade  de  prestação  de  serviços  de  reparação  e  manutenção  de  equipamentos  de  informática.  A  Segunda alteração Contratual, de 30/05/2007 (sic), ... tem como  objeto social prestação de serviços de reparação e manutenção  de  serviços  de  informática  e  serviços  na  gestão  empresarial,  escrituração  e  digitação. Na  Terceira  alteração Contratual,  de  Fl. 557DF CARF MF     4 11/02/2009, ... o objeto social volta a ser a prestação de serviços  complementares na gestão empresarial, escrituração e digitação  e preparação de documentos e serviços de apoio administrativo.  De acordo com Notas Fiscais de Serviços 139 a 157 (Anexo VII),  (...), a empresa só prestou serviço à empresa Adição Contábil e  Auditores  Independentes  S/S  Ltda.,  ...  Conforme  GFIP  ...  de  07/2007  a  13/2008  a Adição Contábil  operou  com  apenas  três  funcionários  (Anexo  VIII),  ...  Enquanto  que  a  J.  A.  Serviços  Empresariais Ltda. – ME, empresa optante do Simples Nacional  que  não  precisava  recolher  a  parte  patronal  (Anexo  I),  funcionava  com  os  empregados  que  vieram  a  ser  da  Adição  Contábil,  o  que  se  verifica  na GFIP 05/2009 da  J. A.  Serviços  Empresariais  Ltda.  (Anexo  IX),  em  que  os  funcionários  foram  transferidos para sua única cliente a Adição Contábil, conforme  GFIP 06/2009, ... A partir de 06/2009, a empresa J. A. Serviços  Empresariais  Ltda.  –  ME  encontra­se  praticamente  sem  funcionários  (Anexo  XI),  ou  seja,  prestou  serviços  com  empregados  do  ramo  de  Contabilidade,  em  período  que  os  escritórios de contabilidade recolhiam também a quota patronal  sobre  a  folha  de  pagamento  de  salários.  Embora  o  seu  objeto  social  permitisse,  a  J.  A.  Serviços  Empresariais  Ltda.  não  empregou nenhum profissional na área da informática, ...  8.  Cumpre  esclarecer,  que  intimada  a  J.  A.  Serviços  Empresariais  Ltda.  –  ME,  ...  a  apresentar  o  Contrato  ...  celebrado entre a J. A. e a Adição Contábil, a mesma esclareceu  através de declaração,  ..., que o contrato  foi verbal e  tinha por  objeto  a  manutenção  de  equipamentos  de  informática  sem  fornecimentos  de  peças,  preparação  de  documentos  para  remessa aos clientes, preparação e organização dos documentos  para  arquivamento,  arquivamento  em  pastas  suspensas,  digitação, preenchimento de  formulário e apoio administrativo.  Para fins de reunir elementos de prova foi expedido o Mandado  de  Procedimento  Fiscal  de  Diligência  ...,  na  empresa  Adição  Contábil  &  Auditores  Independentes  SS  Ltda.  Intimada  ...  a  mesma apresentou os Livros Caixa, anos calendários de 2007 e  2008...  Intimada a empresa a apresentar os recibos de serviços  executados  por  Rodrigo  Braga  e  os  documentos  relativos  às  aquisições de peças, ..., a empresa não apresentou os recibos ...  e  alegou que  os  recibos  de  aquisições  de  peças  de  informática  foram  extraviados,  ...  Assim  sendo,  a  empresa  não  comprovou  através  de  contabilidade,  registrada  á  época  dos  fatos,  nem  documentalmente  a  inequívoca  convicção  da  efetiva  prestação  de serviços de manutenção de equipamentos de informática, pela  J. A. Serviços Empresariais Ltda. ME, para a Adição Contábil &  Auditores Independentes SS Ltda. Ou seja, só atuou no ramo de  contabilidade.  (...)  11. Diante do exposto ... a empresa J. A. Serviços Empresariais  Ltda.  ME,  apesar  de  optante  do  Simples  Nacional,  tem  que  recolher  a  parte  patronal,  uma  vez  que  prestou  serviços  de  atividades de contabilidade, ...  12.  Esclarecemos  que  em  todo  o  período  fiscalizado  o  valor  integral  da  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  (Levantamentos  FP,  CI  e  CT)  foi  Fl. 558DF CARF MF Processo nº 15983.720335/2011­60  Acórdão n.º 2201­003.716  S2­C2T1  Fl. 4          5 considerado  como  não  declarado,  pois,  ...  a  autuada  informou  indevidamente ... que se tratava de empresa optante do Simples...  A  informação  indevida  implica  alteração  dos  valores  das  contribuições devidas,  tendo em vista que as empresas optantes  pelo  Simples  devem  proceder  tão  somente  ao  recolhimento  da  contribuição  descontada  dos  segurados,  pois  tem  as  contribuições patronais substituídas.  (...)  14.  A  origem  das  contribuições  devidas  é  proveniente  de  importâncias constantes das Folhas de Pagamentos e .  (...)  20.  As  guias  de  recolhimentos  apresentadas  à  fiscalização  ...  foram consideradas após consulta.  Notificado  destes  Autos  no  dia  30092011  (fls.  4),  o  sujeito  passivo  impugnou­os  em  31102011,  na  forma  do  expediente  juntado  às  fls.  404  a  416,  por meio  do  qual  alega,  em  síntese,  que:  não  poderia  ter  sido  autuada  com  fundamento  nos  parágrafos 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991(...).  É o relatório.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP)  julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa:   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008  INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEI VIGENTE. REVOGAÇÃO.  O  lançamento  reporta­se à data da ocorrência do  fato gerador  da  obrigação  e  rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente modificada ou revogada.  SIMPLES NACIONAL. EMPRESA DE SERVIÇOS CONTÁBEIS.  REMUNERAÇÃO  A  SEGURADOS  EMPREGADO  E  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL.  PAGAMENTO  POR  SERVIÇOS  PRESTADOS  POR  COOPERATIVA  DE  TRABALHO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA.  Empresa  optante  do  Simples  Nacional,  que  presta  serviços  contábeis,  está  obrigada  ao  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias patronais  incidentes sobre a remuneração paga  aos segurados empregado e contribuinte individual, e incidentes  sobre o valor dos serviços prestados por cooperativa, na forma e  no prazo estabelecidos em lei.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  NÃO  RECOLHIMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.  Fl. 559DF CARF MF     6 Sobre  as  contribuições  previdenciárias  não  recolhidas  incidem  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora e/ou de ofício.  MULTA.  ALTERAÇÃO  LEGISLATIVA.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  A  lei  nova  aplica­se  a  fato  pretérito  quando  lhe  comine  penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo  de sua prática.  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.  INCORREÇÕES. AUTO DE  INFRAÇÃO.  A GFIP entregue, na rede bancária, com informações incorretas  ou omissas está sujeita ao auto de infração.  PERÍCIA.  PRESCINDÍVEL.  AUTORIDADE  JULGADORA.  INDEFERIMENTO.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  indeferirá  a  perícia que considerar prescindível.  DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO.  Os  documentos  devem  ser  apresentados  na  impugnação,  sob  pena de preclusão.  SUSTENTAÇÃO  ORAL.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO.  INDEFERIMENTO.  No  existe,  no  âmbito  administrativo  de  primeira  instância,  a  previsão de defesa oral. Pedido nesse sentido é indeferido.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Posteriormente,  foi  interposto  recurso  voluntário,  no  qual  o  contribuinte  reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação e dispôs os seguintes argumentos:  a)  houve  cerceamento  do  direito  de  defesa,  tendo  em  vista  o  indeferimento  do  pedido  de  produção  de  prova  testemunhal  e  pericial;  b) no que se referem aos DEBCADs 37.331.900­2 e 37.331.901­ 0,  a  decisão  não  foi  acertada  quanto  à  aplicação  da multa  de  100% e não de 75%;  c)  houve  retroatividade  na  lei  no  tempo  com  a  aplicação  da  sanção com base no parágrafo IV do artigo 32 da Lei 8.212/91,  pois o mencionado inciso foi acrescido pela Lei 11.941/2009 e os  fatos ocorreram nos anos de 2007/2008;  d) foi aplicada sanção com base nos parágrafos 5º e 6º do artigo  32 e artigo 34 da Lei 8.212/91 que foram revogados pela medida  provisória n.º 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009;  e) a decisão de primeira instância conformou, equivocadamente,  sem  nenhuma  prova,  que  a  recorrente  exerceu  atividade  de  contabilidade  e  não  àquela  constante  do  contrato  social  e  a  Fl. 560DF CARF MF Processo nº 15983.720335/2011­60  Acórdão n.º 2201­003.716  S2­C2T1  Fl. 5          7 efetivamente  exercida,  confirmando  o  auto  de  infração  que  considera  as  remunerações  dos  segurados  contribuintes  individuais,  empregados  e  faturas da UNIMED não declarados  na GFIP, aplicando multa;  f)  a  auditora  fiscal  foi  contraditórias  nas  informações  do  relatório,  pois  autuou  a  recorrente  por  não  ter  declarado  as  remunerações  dos  empregados  e  contribuintes  individuais,  porém, ao mesmo tempo, afirma que os erros contidos na GFIP  não interferem no fato gerador da contribuição previdenciária;  g)  afirma  que  as  GFIPs  foram  entregues  corretamente  e  tempestivamente com todas as informações necessárias;  h) a recorrente ingressou com recurso administrativo, sob o n.º  10845.002097/2007­91, obtendo êxito,  conforme acórdão de n.º  05­32.364,  1ª  Turma  da  DRJ/CPS,  em  que  foi  reconhecido  o  direito de optar pelo SIMPLES;  i) no período  fiscalizado, a recorrente  tinha como objeto social  manutenção  de  equipamentos  de  informática  sem  fornecimento  de peças. Preparação de documentos para remessa aos clientes;  preparação e organização dos documentos para arquivamento;  arquivamento  dos  documentos  em  pastas  suspensas;  digitação,  preenchimento de formulários e apoio administrativo;  j)  os  sócios,  à  época,  não  eram  contadores,  mas  apenas  empresários;  k)  inaplicabilidade  da  multa  de  ofício,  considerando  que,  por  estar  enquadrada no  simples,  entregou GFIP de  acordo  com o  estabelecido em Lei e recolheu as contribuições retidas;  l) não houve dolo ou má­fé da recorrente;  m)  pleiteia  provar  o  alegado por  todos  os meios  de provas  em  direito  admitidas,  especialmente  testemunhal,  pericial,  documental e juntada de novos documentos.  É o relatório.    Voto             Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz  Conheço  do  recurso,  pois  se  encontra  tempestivo  e  com  condições  de  admissibilidade.  1. Da preliminar de cerceamento do direito de defesa  A  recorrente  alega  que  houve  cerceamento  do  direito  de  defesa,  tendo  em  vista o indeferimento do pedido de produção de prova testemunhal e pericial.  Fl. 561DF CARF MF     8 Apesar  dos  argumentos  colacionados  pela  defesa,  não  se  vislumbra  a  existência de cerceamento do direito de defesa, pois foi devidamente instaurado o contraditório  e a ampla defesa, de modo que a fiscalizada teve a possibilidade de se defender e apresentar as  provas  aptas  a  demonstrar  fatos  extintivos  ou modificativos  do  direito  da Fazenda Nacional  quanto ao tributo em questão.  Ao  julgador  cabe  avaliar  a  necessidade  de  conversão  em  diligência  para  a  produção de provas que se fizerem necessárias ao seu convencimento.   O  art.  18  do  Decreto  70.235/72  dispõe  que  a  realização  de  diligências  ou  perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, conforme abaixo transcrito:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.   Portanto, o julgador é livre na apreciação e na solicitação de provas, de modo  que  não  assiste  razão  a  recorrente  sob  esse  aspecto,  pois  as  provas  constantes  dos  autos  são  suficientes para a análise da controvérsia.  2. Do mérito  2.1. Da obrigatoriedade de recolhimento das contribuições previdenciárias de que trata o  art. 22 da Lei nº 8.212/1991  Conforme  narrado,  os  presentes  autos  são  consequência  do  desenquadramento  do  Código  de  Descrição  da  Atividade  Econômica  Principal  (CNAE)  da  atividade de preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo não  especificado  anteriormente  (CNAE  da  atividade  econômica  principal  82.19­9­99)  para  a  atividade de contabilidade (CNAE 69.20­6­01).  Assim  a  empresa  recorrente,  apesar  de  ser  optante  pelo  Simples  Nacional,  tem  a  obrigação  de  recolher  a  parte  patronal,  considerando  a  prestação  de  serviços  de  contabilidade, conforme itens 6 a 10 do Relatório Fiscal de fls. 27 e seguintes (fls. 3 e seguintes  do  arquivo  digital  denominado Documentos Comprobatórios  25  a  109),  no  período  autuado  (07/2007 a 12/2008).  Durante  a  ação  fiscal,  constatou  a  fiscalização  que  a  J.A  prestou  serviços  somente à Adição Contábil; não houve comprovação da prestação de serviços de reparação e  de manutenção  de  equipamentos  de  informática  e  a  J.A.  não  contratou  empregado para  essa  área; em diligência à tomadora de serviços, não se apurou que a autuada tenha prestado outro  serviço, conforme item 8 do relato fiscal abaixo transcrito:  8.  Cumpre  esclarecer,  que  intimada  a  J.  A.  Serviços  Empresariais  Ltda.  –  ME,  (...)  a  apresentar  o  Contrato  (...)  celebrado entre a J. A. e a Adição Contábil, a mesma esclareceu  através de declaração, (...), que o contrato foi verbal e tinha por  objeto  a  manutenção  de  equipamentos  de  informática  sem  fornecimentos  de  peças,  preparação  de  documentos  para  remessa aos clientes, preparação e organização dos documentos  para  arquivamento,  arquivamento  em  pastas  suspensas,  digitação, preenchimento de  formulário e apoio administrativo.  Para fins de reunir elementos de prova foi expedido o Mandado  Fl. 562DF CARF MF Processo nº 15983.720335/2011­60  Acórdão n.º 2201­003.716  S2­C2T1  Fl. 6          9 de Procedimento Fiscal de Diligência (...), na empresa Adição  Contábil  &  Auditores  Independentes  SS  Ltda.  ...  Intimada  a  empresa  a  apresentar  os  recibos  de  serviços  executados  por  Rodrigo Braga e os documentos relativos às aquisições de peças,  (...), a empresa não apresentou os recibos  (...) e alegou que os  recibos de aquisições de peças de informática foram extraviados,  (...)  As  contribuições  exigidas,  de  que  trata  o  art.  22  da  Lei  nº  8.212/1991,  incidentes  sobre  remunerações  pagas  a  segurados  e  sobre  valores  pagos  a  cooperativa  por  escritório  de  serviços  contábeis  não  foram  contempladas  pelo  Simples  Nacional,  conforme  dispõe o  inciso V, do § 5º, do art. 18  (na  redação vigente à época) da Lei Complementar nº  123/2006, como segue:  Art. 18. (...) § 5º (...)  V  as  atividades  de  prestação  de  serviços  previstas  nos  incisos  XIX a XXVIII do  §  1º  do  art.  17  desta  Lei  Complementar  serão  tributadas  na  forma do Anexo V desta Lei Complementar, hipótese em que não  estará  incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no  inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo  ela  ser  recolhida segundo a  legislação prevista para os demais  contribuintes  ou  responsáveis;  (Redação  dada  pela  Lei  Complementar nº 127, de 2007)  Desse  modo,  escritório  de  serviço  contábil,  ainda  que  optante  do  Simples  Nacional está obrigado ao recolhimento das contribuições previdenciárias de que trata o art. 22  da Lei nº 8.212/1991.  Como  bem  destacou  a  decisão  recorrida,  o  relatório  fiscal  e  seus  anexos,  correspondentes  aos Autos  de  Infração  em  questão,  foram  suficientemente  claros  e  precisos  quantos aos fatos tributários que os representam – que constituem nas remunerações pagas aos  segurados empregados e contribuintes  individuais e valores pagos por  serviços prestados por  cooperativa  de  trabalho,  informados/declarados  nas  GFIP  –,  e  quanto  às  contribuições,  aos  valores e períodos a que se referem.  Portanto, a decisão vergastada não merece reparo, nesse ponto.  2.2. Da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho  Compulsando­se  os  autos,  observa­se  que  serviram  de  base  para  o  lançamento  as  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  e  valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho (UNIMED).  Acerca do tema, o art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação conferida  pela Lei 9.876/99, assim tratava:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6  IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  Fl. 563DF CARF MF     10 prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho.  (Incluído  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).(Execução  suspensa pela Resolução nº 10, de 2016).  Entretanto,  tal  dispositivo  foi  julgado  inconstitucional,  por  unanimidade  de  votos  pelo  Plenário  do  supremo  Tribunal  Federal,  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário  n.º  595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.  Consoante  o  artigo  62,  §  2º,  do  Regimento  Interno  do  CARF  (RICARF),  aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do  STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543­B e 543­C do CPC devem ser reproduzidas pelos  Conselheiros do CARF, no julgamento dos recursos.  Assim,  deve  ser  excluído  do  lançamento  o  levantamento  relativo  às  cooperativas, inclusive sua repercussão nas obrigações acessórias.  2.3. Das obrigações acessórias  No  que  concerne  às  obrigações  acessórias,  foi  lavrado  o  DEBCAD  37.331.900­2 ­ CFL 68 (apresentar a empresa o documento que se refere o art. 32, inciso IV,  da  Lei  n.º  8.212/91,  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições previdenciárias) e o DEBCAD 37.331.901­0 ­ CFL 69 (apresentar a empresa o  documento  a  que  se  refere  o  art.  32,  inciso  IV,  da Lei  8.212/91,  com  informações  inexatas,  incompletas  ou  omissas,  em  relação  aos  dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuições previdenciárias).  Aduz a recorrente que os parágrafos 5º e 6º do artigo 32 e o artigo 34, ambos  da  Lei  8212/91  forma  revogados  pela  medida  provisória  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/2009.  Acerca da matéria, cumpre esclarecer que os artigos da Lei 8.212/91, com as  alterações da Lei 9.528/97, que  tratavam das penalidades por descumprimento de obrigações  principais e acessórias tinham a seguinte redação:  Art. 32. A empresa é também obrigada a:  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS.        (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   4º  A  não  apresentação  do  documento  previsto  no  inciso  IV,  independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o  infrator à pena administrativa  correspondente a multa  variável  equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no  art.  92,  em  função  do  número  de  segurados,  conforme  quadro  abaixo:   §  5º  A  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena  administrativa  correspondente  à  multa  de  cem  por  cento  do  valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos  valores  previstos  no  parágrafo  anterior.               (Parágrafo  acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).                (Revogado  Fl. 564DF CARF MF Processo nº 15983.720335/2011­60  Acórdão n.º 2201­003.716  S2­C2T1  Fl. 7          11 pela Medida Provisória nº 449, de 2008)               (Revogado pela  Lei nº 11.941, de 2009)  § 6º A apresentação do documento  com erro de preenchimento  nos  dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores  sujeitará  o  infrator  à  pena  administrativa  de  cinco  por  cento  do  valor  mínimo  previsto  no  art.  92,  por  campo  com  informações  inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos  no  §  4º.               (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).               (Revogado  pela Medida Provisória  nº  449,  de  2008)         (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)  Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril  de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos:   II  ­  para pagamento de créditos  incluídos  em notificação  fiscal  de lançamento:  a)  doze  por  cento,  em  até  quinze  dias  do  recebimento  da  notificação;  b)  quinze  por  cento,  após  o  15º  dia  do  recebimento  da  notificação;  c)  vinte  por  cento,  após  apresentação  de  recurso  desde  que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS;  d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa;  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da  notificação;               (Redação dada pela Lei  nº  9.876,  de  1999).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação;        (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social  ­ CRPS;               (Redação dada pela Lei  nº 9.876,  de  1999).  d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa;  O presente caso refere­se ao descumprimento das duas obrigações: principal  e acessória.  Fl. 565DF CARF MF     12 O  entendimento  adotado  por  esse Conselho  é  no  sentido  de  que,  embora  a  antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei 8212/91 não contivessem a expressão lançamento de  ofício, as penalidades aplicadas tinham natureza de multas de ofício.  Faz­se,  portanto,  relevante  a  aplicação  da  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte, consoante o disposto no art. 106, inciso II, do CTN.  Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as  multas  anteriormente  previstas  e  aquelas  estabelecidas  pela  Lei  11.941/2009,  a  fim  de  se  aplicar a retroatividade benigna.  A legislação atual traz os seguintes contornos:  Art. 32. A empresa é também obrigada a:  IV  –  declarar  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  ao  Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço –  FGTS,  na  forma,  prazo  e  condições  estabelecidos  por  esses  órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e  valores  devidos  da  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  interesse  do  INSS  ou  do Conselho Curador  do  FGTS;                 (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)       (Vide Lei nº 13.097, de 2015)    Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que  trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas:       (Incluído pela Lei nº 11.941, de  2009).           (Vide Lei nº 13.097, de 2015)            (Vide Lei nº  13.097, de 2015)  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e               (Incluído pela Lei  nº 11.941, de 2009).  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:         (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009).  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e         (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.   Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  Fl. 566DF CARF MF Processo nº 15983.720335/2011­60  Acórdão n.º 2201­003.716  S2­C2T1  Fl. 8          13 legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art.  44  da  Lei  no 9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.        (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004)   (Redação dada  pela Lei nº 11.488, de 2007)   I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)  Observa­se  que,  com  o  advento  da  Lei  n.º  11.941/2009,  o  lançamento  de  ofício  envolvendo  a  exigência  de  contribuições  previdenciárias,  bem  como  a  verificação  de  falta  de  declaração  do  respectivo  fato  gerador  em GFIP  sujeita  o  contribuinte  a  uma  única  multa no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença da contribuição, previsão contida  no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96.  A  interpretação sistemática da  legislação  tributária não admite a  instituição,  em  um  mesmo  ordenamento  jurídico,  de  duas  penalidades  para  a  mesma  conduta,  o  que  autoriza  a  interpretação  no  sentido  de  que  as  penalidades  previstas  no  art.  32­A  não  são  aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada  com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente  tipificada no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96.  Diante  desse  contexto,  as  exigências  em  questão  devem  pautar­se  no  comando  contido  no  art.  106,  inciso  II,  alínea  "c",  do  Código  Tributário  Nacional,  o  órgão  responsável pelo cumprimento deverá recalcular o valor da penalidade a fim de verificar qual  critério seria mais benéfico ao contribuinte, a saber a soma das multas vigentes à época do fato  gerador ou a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44, da Lei 9.430/96.  Assim, determino o  recálculo da multa  aplicada,  consoante o  art.  476­A da  Instrução Normativa RFB n.º 971, de 13 de novembro de 2009.  2.4. Dos pedidos de produção de provas  Quanto aos pedidos finais da recorrente sobre apresentação de novas provas  (periciais, testemunhais e documentais), aplico o mesmo entendimento exposto no item 1 desse  voto, no qual restou consignado o posicionamento no sentido da discricionariedade do julgador  para a apreciação e solicitação de provas.  Dessa  forma,  tendo  em  vista  que  os  presentes  autos  estão  suficientemente  instruídos para seu deslinde, considero prescindível a apresentação de novas provas.  Fl. 567DF CARF MF     14 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito,  dar­lhe parcial provimento para:  a)  determinar  o  recálculo  da  multa  aplicada,  conforme  o  disposto no art. 476­A da Instrução Normativa RFB n.º 971, de  13 de novembro de 2009;  b)  excluir  do  lançamento  o  levantamento  relativo  às  cooperativas,  inclusive  sua  repercussão  nas  obrigações  acessórias.  (assinado digitalmente)  Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora                                Fl. 568DF CARF MF

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Numero do processo: 10640.002174/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, I, DO CTN.STJ. RESP 973.733/SC. RECURSOS REPETITIVOS. RICARF, ART. 62, § 1º, II, “B”. Não tendo ocorrido antecipação de pagamento, conta-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado (CTN, Art. 17, I), conforme restou decidido pelo E. STJ no julgamento do REsp 973.733/SC, sob o rito do artigo 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/76). Conforme determina o artigo 62, § 1º, II, “b”, do RICARF (Port. MF nº 343/15), ao membro do conselho é vedado afastar a aplicação de lei ou deixar de observá-la diante de arguição de inconstitucionalidade, exceto quando diante de hipótese que fundamente crédito tributário objeto de decisão definitiva do STF ou STJ em sede de julgamento realizado na sistemática dos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. No caso dos autos, com lançamento na modalidade de arbitramento, para os fatos geradores do IRRF ocorridos em 2005 e 2006, o lançamento poderia ter sido realizado em 2006 e 2007, respectivamente, tendo como marcos iniciais do prazo decadencial, 01/01/2006 e 01/01/2007, e como prazos finais, 31/12/2010 e 31/12/2011. No caso dos autos, a notificação se deu em 10/08/2010, período em que ainda não havia expirado o prazo decadencial. INCONSTITUCIONALIDADE. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EXTRATOS BANCÁRIOS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. STF. RE 601.314/SP. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF, ART. 62, § 1º, II, “B”. O artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, conforme decisão terminativa de mérito transitada em julgado proferida pelo E. STF em sede de repercussão geral (CPC, Art. 1.036) no RE 601.314/SP, Sessão de 24/02/2016. Conforme determina o artigo 62, § 1º, II, “b”, do RICARF (Port. MF nº 343/15), ao membro do conselho é vedado afastar a aplicação de lei ou deixar de observá-la diante de arguição de inconstitucionalidade, exceto quando diante de hipótese que fundamente crédito tributário objeto de decisão definitiva do STF ou STJ em sede de julgamento realizado na sistemática dos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. LEI 8.981/95, ART. 61. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Sujeição passiva solidária artigo 124, I do CTN. Fato Gerador Tributável. Interesse comum Existência. Caracterização. Uma vez que os fatos alegados pelo fisco se amoldam ao tipo previsto no artigo 124 do CTN, há que se sustentar a caracterização de sujeição passiva solidária de terceiros, dados seus interesses comuns na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Neste contexto, a fiscalização é competente para identificar o sujeito passivo da obrigação, cujo conceito abrange os responsáveis solidários. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO E FRAUDE. CABIMENTO. A conduta fraudulenta do contribuinte a que se referem os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, acarreta a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2.089          1 2.088  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10640.002174/2010­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.742  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de julho de 2017  Matéria  solidariedade passiva  Recorrente  DETONI E ZAMBELLI DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2005, 2006  DECADÊNCIA.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO.  APLICAÇÃO  DO  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.STJ.  RESP  973.733/SC.  RECURSOS  REPETITIVOS. RICARF, ART. 62, § 1º, II, “B”.  Não tendo ocorrido antecipação de pagamento, conta­se o prazo decadencial  a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter  sido  realizado  (CTN, Art.  17,  I),  conforme  restou  decidido  pelo E.  STJ  no  julgamento  do REsp 973.733/SC,  sob  o  rito  do  artigo  543­C do Código  de  Processo Civil (Lei nº 5.869/76).  Conforme  determina  o  artigo  62,  §  1º,  II,  “b”,  do  RICARF  (Port.  MF  nº  343/15), ao membro do conselho é vedado afastar a aplicação de lei ou deixar  de  observá­la  diante  de  arguição  de  inconstitucionalidade,  exceto  quando  diante  de  hipótese  que  fundamente  crédito  tributário  objeto  de  decisão  definitiva do STF ou STJ em sede de julgamento realizado na sistemática dos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041  da Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, na forma disciplinada  pela Administração Tributária.  No caso dos autos, com lançamento na modalidade de arbitramento, para os  fatos geradores do IRRF ocorridos em 2005 e 2006, o lançamento poderia ter     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 21 74 /2 01 0- 13 Fl. 2147DF CARF MF     2 sido realizado em 2006 e 2007, respectivamente, tendo como marcos iniciais  do  prazo  decadencial,  01/01/2006  e  01/01/2007,  e  como  prazos  finais,  31/12/2010  e  31/12/2011.  No  caso  dos  autos,  a  notificação  se  deu  em  10/08/2010, período em que ainda não havia expirado o prazo decadencial.  INCONSTITUCIONALIDADE. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EXTRATOS  BANCÁRIOS.  FORNECIMENTO  À  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  LEGALIDADE  DO  LANÇAMENTO.  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  STF.  RE 601.314/SP. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF, ART. 62, § 1º, II, “B”.  O  artigo  6º  da Lei Complementar  nº  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário,  pois  realiza  a  igualdade  em  relação  aos  cidadãos,  por  meio  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  estabelece  requisitos  objetivos  e  o  translado  do  dever  de  sigilo  da  esfera  bancária  para  a  fiscal,  conforme decisão terminativa de mérito transitada em julgado proferida pelo  E. STF em sede de repercussão geral (CPC, Art. 1.036) no RE 601.314/SP,  Sessão de 24/02/2016.  Conforme  determina  o  artigo  62,  §  1º,  II,  “b”,  do  RICARF  (Port.  MF  nº  343/15), ao membro do conselho é vedado afastar a aplicação de lei ou deixar  de  observá­la  diante  de  arguição  de  inconstitucionalidade,  exceto  quando  diante  de  hipótese  que  fundamente  crédito  tributário  objeto  de  decisão  definitiva do STF ou STJ em sede de julgamento realizado na sistemática dos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041  da Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, na forma disciplinada  pela Administração Tributária.  PAGAMENTO  SEM  CAUSA  OU  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.  LEGALIDADE  DO LANÇAMENTO. LEI 8.981/95, ART. 61.  Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte,  à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos  efetuados  ou  os  recursos  entregues  pela  pessoa  jurídica  a  terceiros  quando  não comprovada a operação ou a causa a que se referem.  Sujeição  passiva  solidária  artigo  124,  I  do  CTN.  Fato  Gerador  Tributável.  Interesse comum Existência. Caracterização.  Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.090          3 Uma  vez  que  os  fatos  alegados  pelo  fisco  se  amoldam  ao  tipo  previsto  no  artigo 124 do CTN, há que se sustentar a caracterização de sujeição passiva  solidária  de  terceiros,  dados  seus  interesses  comuns  na  situação  que  constituiu o fato gerador da obrigação principal.  Neste contexto, a fiscalização é competente para identificar o sujeito passivo  da obrigação, cujo conceito abrange os responsáveis solidários.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  OCORRÊNCIA  DE  DOLO  E  FRAUDE. CABIMENTO.  A conduta fraudulenta do contribuinte a que se referem os artigos 71, 72 e 73,  da Lei nº 4.502/1964, acarreta a qualificação da multa de ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.    assinado digitalmente  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   assinado digitalmente  Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator.    EDITADO EM: 31/07/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  1­  Trata­se  de  Recursos  Voluntários  (fls.  726/766  e  776/816)  interpostos  pelos  sujeitos  passivos  solidários Maurício Detoni  e Marcelo Detoni  contra decisão  da DRJ­ Juiz  de  Fora  (fls.  701/716)  que  julgou  improcedentes  suas  Impugnações  (fls.  610/646  e  656/692) e manteve o crédito tributário lançado pelo Auto de  Infração (fls. 04/62), relativo à  Fl. 2149DF CARF MF     4 movimentação financeira incompatível com a receita declarada da pessoa jurídica autuada nos  anos­calendário 2005 e 2006, que  em procedimento  fiscalização apurou  imposto no valor de  R$ 1.575.189,77, com multa de ofício qualificada no percentual de 150% (R$ 2.362.784,34); e  juros de mora de R$ 803.695,24, no valor total de R$ 4.741.669,35.    2  ­ Conforme  consta  do Relatório  Fiscal  (fls.  47/62),  no  ano­calendário  de  2005, a empresa autuada movimentou em suas contas bancárias o valor de R$ 27.785.109,28 e,  em 2006, o volume de R$ 11.159,438,80.     3 ­ O lançamento é fundamentado na seguinte infração: Falta de recolhimento  de IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada (RIR/99, Art. 674, §1°),  em  razão  da  qual  foram  lavrados  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  em  desfavor  de  Marcelo Benoti e Maurício Detoni  (fls. 579 e 580), os quais apresentaram Impugnações com  identidade de conteúdo e forma, cujos principais termos foram relatados no reporte do julgador  de piso, que por sucinto e claro, descrevo adiante:    “II ­ DO DIREITO  II.1 ­ DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ART. 124 DO CTN  [..] para que ocorra a responsabilização nos termos do inciso I do art. 124  do CTN, é necessária a existência de "interesse comum", que decorra de uma  situação  jurídica, ou seja, não é um interesse meramente de fato, e sim um  interesse  jurídico  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal.  [..]  a  desconsideração  de  atos  ou  negócios  jurídicos  (in  casu,  a  saída  dos  Srs. Marcelo  Detoni  e Mauricio  Detoni  do  quadro  societário  da  empresa,  devidamente  registrada)  pela Autoridade Fiscal  não  pode  ser  realizada  de  forma  discricionária,  como  de  fato  ocorreu  na  presente  fiscalização  para  justificar um absurdo "interesse comum".  [..] mesmo após a edição da Lei Complementar n° 10412001, que incluiu o  comando contido no parágrafo único no art. 116 do CTN, a desconsideração  e atos ou negócios jurídicos não pode ser efetivada pelo Fisco, em razão da  ausência de legislação ordinária que estabelece as regras para a "atividade  " de desconsideração por parte da Autoridade Fiscal [...].  [..]  caso  restasse  efetivamente  comprovado  que  os  Srs.  Marcelo  Detoni  e  Maurício  Detoni  são  sócios  de  fato  da  empresa  fiscalizada,  a  sua  Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.091          5 responsabilização deveria  respeitar o art. 135 do CTN e não o art. 124 do  mesmo código [...].  II. 2 ­ DA DECADÊNCIA  [..] as competências de janeiro a julho de 2005 foram atingidas pelo instituto  da  decadência,  tal  como  previsto  no  artigo  15°  §4°  do  Código  Tributário  Nacional.  II.3  ­  DA  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  Os  lançamentos  [..]  tiveram  por  base,  exclusivamente,  a  movimentação  bancária  da  empresa  autuada,  obtida  por  esta  autoridade  fiscal  sem  a  intervenção do Poder Judiciário, o que denota flagrante afronta ao princípio  da reserva legal.  [..] se aceitasse por absurdo que  fosse a possibilidade da autoridade  fiscal  ser investida dos poderes de jurisdição inerentes aos magistrados, através da  Lei Complementar n° 105/2001, ainda assim seria inconstitucional a quebra  do  sigilo  bancário  da  impugnaste,  por  exclusiva  ordem  do  funcionário  do  Poder  Executivo,  mediante  o  simples  envio  para  instituição  financeira  de  documento  denominado  [..]  RMF,  quando  o  art.  4º,  §  7°,  do  Decreto  n°  3.724/2001  não  exige  que  a  RMF  apresente  entre  os  seus  requisitos  obrigatórios a fundamentação que trata o art. 93, LX, da CF188.  II.4  ­  DO  INDEVIDO  LANÇAMENTO  DE  IMPOSTO  DE  RENDA  COM  BASE EXCLUSIVAMENTE EM EXTRATOS BANCÁRIOS  [..]  ao  enumerar  os  depósitos  do  tipo  "DP BLQ"  na  apuração  da  base  de  cálculo  dos  tributos  lançados  (presumida  ou  não),  a  Autoridade  Coatora  agiu  de  forma  totalmente  equivocada,  pois,  realizou  o  lançamento  sobre  supostos depósitos que sequer possuem confirmação, ou seja, sobre créditos  não confirmados.  [...]  como  a  Autoridade  Fiscal  não  verificou  se  as  transferências  foram  realizadas  entre as  contas da  empresa autuada, não  se pode considerar as  mesmas  como  base  de  cálculo  de  tributação,  pois,  desse  modo,  estaria  cobrando a tributação duas vezes sobre a mesma base de cálculo.  11.5 ­ DA MULTA CONFISCATÓRIA  [..] é ilegal e inconstitucional afixação de multa à alíquota de 150% [...].”  Fl. 2151DF CARF MF     6   4  ­  A  decisão  da  DRJ­Juiz  de  Fora  (fls.  374/387)  julgou  improcedente  as  Impugnações dos sujeitos passivos solidários, conforme assim ementada:    “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2005, 2006  INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.  A autoridade administrativa não possui competência material para apreciar  inconstitucional  idade  ou  ilegalidade  de  lei  ou  ato  normativo  do  poder  público, cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário.  DECADÊNCIA.  Para  fins  de  cômputo  do  prazo  de  decadência,  não  tendo  havido  qualquer  pagamento e, caracterizado o dolo, aplica­se, na espécie, a regra do inciso I  do art. 173 do CTN, não importando se houve ou não declaração, contando­ se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetuado.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  Uma  vez  que  os  fatos  alegados  pelo  fisco  se  amoldam  ao  tipo  previsto  no  artigo 124 do CTN, há que se sustentar a caracterização de sujeição passiva  solidária  de  terceiros,  dados  seus  interesses  comuns  na  situação  que  constituiu o fato gerador da obrigação principal.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF  Ano­calendário: 2005, 2006  HIPÓTESE  CLÁSSICA  DO  ANTECEDENTE  DE  NORMA  DISPOSITIVA.  SUJEIÇÃO AO SEU CONSEQUENTE.  Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de  trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a  beneficiário não identificado. Tal incidência aplica­se ainda aos pagamentos  efetuados  ou  aos  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a  sua causa.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido”  Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.092          7   5  ­ Cientificados da decisão de piso  (fls. 724/725),  irresignados, os  sujeitos  passivos solidários interpuseram Recursos Voluntários (fls. 726/766 e 776/816), nos seguintes  termos:  a.  “(...) resta claro que os Srs. Marcelo Detoni e Mauricio Detoni não podem ser  responsabilizados  pelo  Auto  de  Infração  ora  recorrido,  uma  vez  que  não  restou  comprovado de forma inequívoca o "interesse comum" na situação que constitua o fato  gerador  da  obrigação  principal,  ou  seja,  não  houve  comprovação  efetiva  de  que  os  mesmos são sócios de fato da empresa atuada. (...) a Autoridade responsabilizou­lhes  indevidamente  com  base  no  art  124  do  CTN  (regra  geral),  quando  deveria  ter  respeitado a regra especial existente para sócios, qual seja, o art 135 do CTN.”  b.  Já  não  se  encontravam  no  quadro  societário  da  empresa  atuada  no  período  fiscalizado,  fato  este  desconsiderado  pela  autoridade  fiscal  que  tentou  enquadrá­los  como sócios e, desse modo, responsabilizá­los pela obrigação constituída;  c.  Operou­se  a decadência,  com base no  artigo 150, § 4º,  do CTN, para os  fatos  geradores ocorridos em data anterior a 5 (cinco) anos do lançamento;  d.  É ilegal a quebra de sigilo bancário sem ordem judicial prévia;  e.  É  ilegal  o  lançamento  de  IRRF  efetuado  pela  autoridade  fiscal  com  base  exclusivamente em informações bancárias;  f.  Inocorreu  situação  que  justificasse  a  qualificação  da multa  de  ofício  aplicada,  que tem natureza confiscatória.  6  ­  Posteriormente,  os  Recorrentes  apresentaram Memoriais  (fls.  827/834),  reiterando cada um dos temas acima elencados, nos seguintes termos:  a.  “Para  que  ocorra  a  responsabilização  nos  termos  do  inciso  I  do  art.  124  do  CTN,  é  necessária  a  existência  de  "interesse  comum,  que  decorra  de  uma  situação  jurídica, ou seja, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico na  situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.”;  Fl. 2153DF CARF MF     8 b.  Além  do  interesse  comum,  a  caracterização  da  responsabilidade  tributária  disposta no artigo 124, I, do CTN depende da prova inequívoca de que os Recorrentes  teriam  interesse  comum  na  situação  que  constituía  o  fato  gerador,  e  não  em  meras  suspeitas, conforme é o caso doa autos;  c.  “(...) a Autoridade Fiscal não apresentou uma prova inequívoca, ao contrário,  apresentou  uma  alegação  totalmente  incompleta,  duvidosa,  sem  nenhum  rastro  de  certeza. E o pior,  tal Autoridade possuía  total­condição de  efetuar uma análise mais  aprofundada, mais detalhada, só que a mesma optou por presumir prematuramente um  fato que, na verdade, não corresponde com a realidade dos fatos (...)”;  d.  Reafirmaram  não  serem  sócios  da  autuada  no  período  fiscalizado,  fato  este  desconsiderado  pela  autoridade  fiscal  que  tentou  enquadrá­los  como  sócios  e,  desse  modo,  responsabilizá­los  pela  obrigação  constituída,  conduta  entendida  como  discricionária;  e.  Se  os  Recorrentes  forem  considerados  como  sócios  da  empresa  autuada,  para  que  sejam  responsabilizados  pela  dívida  tributária,  sua  conduta  deve  se  adequar  aos  requisitos  elencados  no  artigo  135  do  CTN,  pois  essa  é  a  regra  para  os  sócios,  não  podendo ser enquadrados na regra geral do artigo 124, do CTN;  f.  Reiteraram os demais argumentos apresentados nas razões recursais.  7 ­ Pautado em sessão de 11/05/2017 os recorrentes impetraram mandado de  segurança perante a Justiça Federal tendo por objeto o bônus de produtividade da MP 765/16,  em que  foi  concedida  liminar para  retirada  de  pauta  do  processo. Cassada  a medida  liminar  através de Agravo em decisão do Presidente do TRF da 1ª Região, estes autos foram pautados  para essa sessão de Julho de 2017. É o relatório do essencial.    Voto             Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso    8  ­  Os  recursos  compulsados  estão  previstos  no  artigo  33  do  Decreto  nº  70.235/72 ­ que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal ­, são tempestivos, se encontram  Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.093          9 devidamente fundamentados e foram interpostos por quem detém legitimidade para recorrer e  possui interesse em reformar a decisão da DRJ. Portanto, deles conheço, passando ao exame do  mérito.    Preliminares    Decadência    9  ­ Nas  suas  razões  recursais,  alegam os Recorrentes,  embasados  no  artigo  150, § 4º, do CTN, ter ocorrido a decadência de parte do crédito tributário lançado, relacionada  aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a  julho de 2005, pois foram cientificados  do  lançamento através do auto de  infração recebido por eles em 10/08/2010 e,  assim, estaria  decaído o direito do fisco exigir tributo antes dessa data.  10  ­  De  início,  cumpre  esclarecer  sobre  a  existência  de  dois  momentos  legalmente distintos considerados como termo a quo para a contagem da decadência do direito  de o fisco constituir o crédito tributário.  11 ­ O primeiro momento, regido pelo artigo 150, § 4°, do CTN, dispõe que o  dies a quo para contagem da decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário deve  ser considerado a data em que foi  recolhido de forma parcial e antecipada o  tributo sujeito a  lançamento por homologação, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  12 ­ O outro momento, amparado pelo artigo 173,  I, do CTN, dispõe que o  dies a quo para contagem da decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário deve  ser  considerado  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  de  ofício  poderia ter sido realizado, o que ocorreu no caso dos autos.  13­  A  jurisprudência  definitiva  do  STJ  sobre  essa  matéria,  definida  em  julgamento  sob  o  rito  do  artigo  543­C  do  antigo  CPC  (“recursos  repetitivos”),  ratifica  o  entendimento acima esposado, decidindo que, na hipótese de ausência de pagamento de tributo  sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para lançamento do crédito segue a  regra  do  artigo  173,  I,  do  CTN.  Entretanto,  no  caso  de  pagamento  antecipado  do  tributo,  Fl. 2155DF CARF MF     10 mesmo  que  a menor,  e  não  sendo  constatado  dolo  ou  fraude,  a  regra  legal  aplicável  para  decadência é aquela prescrita no artigo 150, § 4º, do CTN. Vejamos:    “PROCESSUAL  CIVIL. RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO  SUJEITO A  LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos  em que a  lei não prevê  o pagamento antecipado da exação ou quando, a  despeito da previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem a  constatação de dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura  a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao  lançamento de ofício, ou nos casos dos  tributos sujeitos ao  lançamento por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210).  3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege­se  pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.094          11 ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do  Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial  decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199).  5.  In  casu,  consoante  assente na  origem:  (i)  cuida­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação;  (ii)  a  obrigação  ex  lege  de  pagamento  antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de  janeiro  de  1991  a  dezembro  de  1994;  e  (iii)  a  constituição  dos  créditos  tributários respectivos deu­se em 26.03.2001.  6. Destarte, revelam­se caducos os créditos tributários executados, tendo em  vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse  o lançamento de ofício substitutivo.  7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­ C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos nossos)    14­  No  mesmo  sentido,  o  E.  STJ  vem  confirmando  seu  entendimento,  conforme julgados abaixo:    “TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MENOR.  TERMO A QUO. FATO GERADOR.  INCIDÊNCIA DO ART.  150,  §  4º,  DO  CTN.  NECESSIDADE  DE  ANÁLISE  DO  CONJUNTO  FÁTICO­ PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ.  (...)  2. O STJ possui jurisprudência no sentido de que, na hipótese de ausência  de  pagamento  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  Fl. 2157DF CARF MF     12 decadencial  para  lançamento  do  crédito  segue  a  regra  do  art.  173,  I,  do  CTN. Entretanto, no caso de pagamento antecipado, mesmo que a menor, e  não havendo dolo ou fraude, a regra legal aplicável para decadência é a do  art. 150, § 4º, do CTN, o que ocorreu no caso dos autos segundo o acórdão  recorrido.  (...)  (REsp  1.650.765/PE.  Segunda  Turma.  Min.  Rel.  Herman  Benjamin.  Julgamento: 28/03/2017. Publicação: DJe 18/04/2017)” (grifei)    “TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO EM RECURSO  ESPECIAL.  APROVEITAMENTO DE CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  E  PAGAMENTO  A  MENOR.  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULAS  282  E  356  DO  STF.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  FRAUDE,  DOLO  OU  SIMULAÇÃO.  DECADÊNCIA.  TERMO  A  QUO.  FATO  GERADOR.  INCIDÊNCIA  DO  ART.  150,  §  4º,  DO  CTN.  NECESSIDADE  DE  ANÁLISE  DO  CONJUNTO  FÁTICO­PROBATÓRIO.  SÚMULA 7/STJ.  (...)  2.  Nos  casos  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  não  declarados  e  não  pagos,  o  prazo  decadencial  conta­se  nos  moldes  determinados pelo art. 173, I, do CTN, impossível, assim, a sua acumulação  com  o  prazo  determinado  no  art.  150,  §  4º,  do  CTN.  Contudo,  uma  vez  efetuado o pagamento parcial antecipado pelo contribuinte, inclusive quando  da  realização  aproveitamento  de  créditos,  a  decadência  do  direito  de  constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4º, do CTN, salvo os  casos de dolo, fraude ou simulação.  (...)  (AgRg  no  AREsp  706556.  Segunda  Turma.  Min.  Rel.  Diva  Malerbi  (Des.  Convocada TRF3). Julgamento: 19/04/2016. Publicação: DJe 27/04/2016)”  (grifei)    15­  Assim,  segundo  o  entendimento  definitivo  do  STJ  sobre  a  matéria,  alicerçado na legislação competente, para que o dies a quo da contagem do prazo decadencial  Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.095          13 que tem o fisco para constituir o crédito tributário seja aquele disposto no artigo 150, § 4º, do  CTN, devem ser observadas  as  seguintes  condições:  i)  pagamento  antecipado;  ii) pagamento  parcial; iii) tributo sujeito a lançamento por homologação; e iv) inocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  16 ­ Posto isso, aplico o entendimento acima esposado ao caso.    17 ­ Compulsando os autos, entendo não merecerem prosperar as alegações  dos Recorrentes,  pois  verifico  não  ter  sido  juntado  qualquer  documento  ou  comprovante  de  arrecadação de tributo. Outrossim, reporta o trabalho fiscal haver dolo dos Recorrentes e fraude  na  gestão  da  empresa  autuada,  decorrente  da  sua  atuação  indireta,  posto  terem  sido  considerados  “sócios  de  fato”  da  empresa,  situação  esta  encoberta  pela  figura  de  terceiros,  conhecidos  no  jargão  popular  como  "testa­de­ferro"  ou  "laranjas",  conforme  conclusão  do  Termo de Verificação Fiscal, “Item 5.3 ­ Conclusão” (fls. 58). Ainda, o “Item 6 “ do aludido  termo reportou a ocorrência de Crime Contra a Ordem Tributada por parte dos Recorrentes (fls.  59).  18  ­  Portanto,  em  razão  desses motivos,  entendo  que,  neste  caso,  deve  ser  aplicada a regra de decadência disposta no artigo 173, I, do CTN, que determina como dies a  quo para contagem do prazo decadencial de o fisco cobrar o crédito tributário, o primeiro dia  do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado.  19 ­ A partir disso, constato que, para os fatos geradores do IRRF ocorridos  em 2005 e 2006, o  lançamento poderia  ter  sido  realizado em 2006  e 2007,  respectivamente,  tendo  como marcos  iniciais  do  prazo  decadencial,  01/01/2006  e  01/01/2007,  e  como  prazos  finais, 31/12/2010 e 31/12/2011.  20 ­ Assim, como a notificação se deu em 10/08/2010 (fls. 607/608), período  em que ainda não havia expirado o prazo decadencial, entendo que não ocorreu a decadência.  Portanto, neste ponto, nego provimento aos recursos.    Quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial  Fl. 2159DF CARF MF     14 21 ­ Não merece prosperar a alegação dos Recorrentes quanto à  ilegalidade  do  lançamento  fundamentado  em  extratos  bancários,  relação  de  cheques  (fls.  63/70  e  931/1.141) e cópias destes obtidos pela fiscalização junto às entidades bancárias, haja visto a  permissão a ela conferida pela decisão definitiva de mérito transitada em julgado proferida pelo  E. STF no julgamento do RE 601.314/SP, decidido sob o rito do artigo 1.036 do Novo Código  de  Processo  Civil  (CPC),  publicada  no  DJE  em  16/09/2016,  com  certidão  de  trânsito  em  julgado  datada  de  11/10/2016,  cuja  ementa  e Acórdão  transcrevo  abaixo,  em  obediência  ao  artigo 62, § 2º do RICARF (Port. MF nº 343/15):    “RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR  IMPOSTOS.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  DA  RECEITA  FEDERAL  ÀS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  ART.  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  105/01.  MECANISMOS  FISCALIZATÓRIOS.  APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA  CPMF. PRINCÍPIO DA  IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA.  LEI 10.174/01.  1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito  ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo  cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à  luz  da  finalidade  precípua  da  tributação  de  realizar  a  igualdade  em  seu  duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo.  2. Do ponto de vista da autonomia  individual, o sigilo bancário é uma das  expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e  informações  bancárias  livres  de  ingerências  ou  ofensas,  qualificadas  como  arbitrárias  ou  ilegais,  de  quem  quer  que  seja,  inclusive  do  Estado  ou  da  própria instituição financeira.  3. Entende­se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo  por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva  do  contribuinte,  por  sua  vez  vinculado  a  um  Estado  soberano  comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo.  4.  Verifica­se  que  o  Poder  Legislativo  não  desbordou  dos  parâmetros  constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem  jurídica,  na  medida  em  que  estabeleceu  requisitos  objetivos  para  a  Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.096          15 requisição  de  informação  pela  Administração  Tributária  às  instituições  financeiras,  assim  como  manteve  o  sigilo  dos  dados  a  respeito  das  transações  financeiras  do  contribuinte,  observando­se  um  translado  do  dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.  5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a  aplicação do princípio da irretroatividade das leis  tributárias, uma vez que  aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria  da  Receita  Federal,  o  que  evidencia  o  caráter  instrumental  da  norma  em  questão.  Aplica­se,  portanto,  o  artigo  144,  §1º,  do  Código  Tributário  Nacional.  6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da  repercussão  geral:  “O  art.  6º  da Lei Complementar  105/01  não  ofende  o  direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos,  por  meio  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  estabelece  requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para  a fiscal”.  7. Fixação de  tese em relação ao  item “b” do Tema 225 da sistemática da  repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da  irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da  norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a  que se nega provimento.” (grifei)    “ACÓRDÃO  Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo  Tribunal  Federal,  em  Sessão  Plenária,  sob  a  Presidência  do  Ministro  RICARDO LEWANDOWSKI, na conformidade da ata de julgamento e das  notas  taquigráficas,  por  maioria  e  nos  termos  do  voto  do  Relator,  apreciando o  tema 225 da repercussão geral, em conhecer do recurso e a  este  negar  provimento,  vencidos  os  Ministros  Marco  Aurélio  e  Celso  de  Mello.  Por  maioria,  o  Tribunal  fixou,  quanto  ao  item  “a”  do  tema  em  questão,  a  seguinte  tese:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos  cidadãos,  por  meio  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  Fl. 2161DF CARF MF     16 estabelece  requisitos  objetivos  e  o  translado  do  dever  de  sigilo  da  esfera  bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não  atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo  em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do  CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello.  Brasília, 24 de fevereiro de 2016.  Ministro EDSON FACHIN  Relator” (grifei)  22 ­ Como visto, pela leitura da decisão terminativa de mérito transitada em  julgado proferida pelo E. STF acima transcrita, se percebe que o órgão pautou­se no dever do  cidadão em pagar tributo; dever de cunho constituinte no que se refere à comunidade política, à  luz da finalidade inerente à tributação, a de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, ou  seja, respeitar a autonomia individual, mas preservando o autogoverno coletivo.  23 ­ Neste contexto, devo aplicar ao caso em análise o quanto restou decidido  pelo STF no julgamento acima colacionado, pelo dever de cumprimento ao artigo 62, §1º,  II,  “b”,  do Regimento  Interno  deste C. Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais  (CARF)  ­  RICARF (Port. MF nº 343/15) – abaixo transcrito:     “Art.  62.  Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei  ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional, lei ou ato normativo:  (...)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  (...)  b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal  de  Justiça, em sede de  julgamento  realizado nos  termos dos arts.  543­B  e  543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administração  Tributária;  (Redação  dada  pela  Portaria  MF  nº  152,  de  2016)  (...)  Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.097          17 §  2º  As  decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional,  na sistemática dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts.  1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, deverão  ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito  do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)” (grifei)    24 ­ Pelo exposto, neste ponto, nego provimento aos recursos.  Mérito    IRRF ­ Pagamentos Sem Causa e/ou a Beneficiários Não Identificados  25  ­  O  lançamento  contestado  é  fundamentado  na  exigência  de  IRRF  incidente  sobre Pagamentos Sem Causa e/ou a Beneficiários Não Identificados,  nos  termos  do  artigo 61, da Lei nº 8.981/95 e artigo 674 do RIR/99 (Dec. nº 3.000/99), a saber:  “Lei nº 8.981/95  Art.  61.  Fica  sujeito  à  incidência  do  Imposto  de  Renda  exclusivamente  na  fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas  pessoas  jurídicas a beneficiário não  identificado,  ressalvado o disposto  em  normas especiais.  §  1º  A  incidência  prevista  no  caput  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  ou  aos  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a  sua  causa,  bem  como  à  hipótese  de  que  trata  o §  2º,  do  art.  74  da  Lei  nº  8.383, de 1991.  § 2º Considera­se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento  da referida importância.  § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento  bruto  sobre  o  qual  recairá  o  imposto.”    “RIR/99 (Decreto nº 3.000/99)  Pagamento a Beneficiário não Identificado  Fl. 2163DF CARF MF     18 Art. 674.  Está  sujeito  à  incidência  do  imposto,  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas  jurídicas  a  beneficiário  não  identificado,  ressalvado o  disposto  em normas  especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61).  § 1º A  incidência  prevista  neste  artigo  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  ou  aos  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a  sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º).  § 2º Considera­se  vencido  o  imposto  no  dia  do  pagamento  da  referida  importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º).  § 3º O  rendimento  será  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de  1995, art. 61, § 3º).”  26  ­ Da  leitura dos  dispositivos  legais  acima,  se percebe que  são  sujeitos  à  incidência do IRRF, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela  pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem.  27  ­  No  caso,  pela  leitura  das  razões  de  mérito  dos  Recorrentes,  mais  especificamente  do  item  “II.4  ­  Do  Indevido  Lançamento  de  Imposto  de  Renda  com  Base  Exclusivamente em Extratos Bancários”  (fls. 760/761),  estes  aduzem que a autoridade  fiscal  agiu de forma coercitiva e equivocada ao efetuar o lançamento com base em supostos depósitos  que  não  possuem  confirmação,  vale  dizer,  sobre  créditos  não  confirmados,  que  denotam  inexatidão  quantitativa,  não  podendo,  dessa  maneira,  serem  considerados  como  base  para  tributação.  28  ­  Em  suas  palavras:  “(...)  ao  analisar  a  relação  de  "DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA"  ­  documento  integrante  do  auto  de  infração  recorrido  ­,  pode­se  verificar  que  a  maioria  dos  depósitos  considerados  pela  Autoridade Fiscal contém em seu histórico/classificação a seguinte descrição: "DP BLQ". Tal  sigla  significa "DEPÓSITO BLOQUEADO", e é utilizado pelas  instituições  financeiras para  os  depósitos  realizados  em  caixas  automáticos  ou  efetuados  com  cheques,  ou  seja,  para  valores que precisam de confirmação posterior.”  29  ­  Alegou  ainda  que:  “(...)  quando  um  depósito  é  realizado  em  caixas  automáticos  ou  com  cheques,  apesar  de  constar  imediatamente  na  conta  da  pessoa  beneficiária o  referido depósito de  fornia positiva  (creditamento),  a operação é  classificada  Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.098          19 como "DP BLQ"  ­ DEPÓSITO BLOQUEADO e  somente  se  transformará em efetivo  crédito  após a confirmação do valor depositado (confirmação dos valores constantes no envelope) ou  após a compensação positiva do cheque.”  30 ­ Percebe­se, pelo teor das alegações, serem estas genéricas, desprovidas  de cunho técnico capaz de ilidir as  imputações feitas pelo trabalho fiscal, que culminaram na  lavra do auto de infração, cujo relatório fiscal assim concluiu:  “A  Planilha  Empresas  ligadas  a  Mauricio  e  Marcelo  Detoni  foi  confeccionada a partir de dados constantes nos sistemas da RFB. Nela estão  relacionadas as empresas em que Mauricio e Marcelo Detoni participam ou  participaram do quadro societário.  Nesta planilha pode ser observada a grande rotatividade na composição do  quadro societário das empresas, evidenciando, s.m.j, dentre outros motivos,  uma forma de se beneficiar do Regime de Tributação do Simples.  Creio que ficou claramente comprovado que os sócios da Detoni e Zambeli,  relacionados nos itens "a" a "d" acima, não tinham capacidade financeira  para aquisição de quotas da empresa e que mantinham estreita relação de  subordinação profissional com os Detoni.  Nos  trabalhos  desenvolvidos  pela Delegacia  da Receita Federal  em Nova  Iguaçu,  conforme  relatado  no  item  2  deste  relatório,  agregado  aos  fatos  descritos neste  tópico,  ficou  claramente  evidenciado que,  s.m.j., Mauricio  Detoni  e  Marcelo  Detoni  são  os  sócios  de  fato  da  empresa  Detoni  e  Zambelli Distribuidora de Carnes Ltda, situação esta encoberta pela figura  de  terceiros,  conhecidos  no  jargão  popular  como  "testa­de­ferro"  ou  "laranias".  Portanto,  tendo  restado  caracterizada  a  sujeição  passiva  solidária  nos  termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional),  na  autuação  efetuada  na  empresa  Detoni  e  Zambeli  Distribuidora  de  Carnes  Ltda,  constarão  MAURÍCIO  DETONI  (CPF  014.217.507­24)  e  MARCELO DETONI (011.191.807­32) como sujeitos passivos solidários.    6) CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA  Fl. 2165DF CARF MF     20 O  contribuinte  apresentou  para  a  RFB  declaração  de  Inatividade  para  o  ano­calendário  de  2005  e,  no  entanto,  declarou  para  a  Secretaria  de  Fazenda  do  Estado  de Minas  Gerais,  saídas  no  valor  de  R$13.908.981,39  (fls.460  a  486),  registrando  ainda  uma  movimentação  financeira  de  R$27.785.109,28.        O  contribuinte  está  omisso  no  ano­calendário  de  2006  e,  no  entanto,  declarou para a Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais,  saídas  no  valor  de  R$385.922,40  (fls.483  a  484),  registrando  ainda  uma  movimentação financeira de R$11.159.438,80.  Em consulta aos sistemas da RFB, verificamos que a empresa BIGPLASTIC  EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA, CNPJ 05.812.876/0001­56, declarou em  no  exercício  de 2007  (ano­calendário  de 2006),  saídas  de produtos  de  sua  fabricação  para  o  destinatário  DETONI  E  ZAMBELI  no  valor  de  R$39.548,15, evidenciando que a empresa adquiriu embalagens e, portanto,  estava em atividade neste ano.  A  fiscalizada  alterou  seu  domicilio  fiscal  para  Nova  Iguaçu  no  ano­ calendário de 2006, conforme descrito no  item 2 deste relatório. As provas  coletadas  durante  a  ação  fiscal  iniciada  pela Delegacia Federal  do Brasil  em  Nova Iguaçu, levaram à convicção de que a DETONI E ZAMBELLI, apenas  efetuou uma alteração de endereço no papel e que nunca esteve fisicamente  naquela cidade.  Omitir  informação,  ou  prestar  declaração  falsa  às  autoridades  tributárias  configuram Crime Contra a Ordem Tributária, definido pelo artigo 1° da Lei  n° 8.137/1990.”  Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.099          21 31  ­ Outrossim,  compulsando  os  autos,  se  percebe  que  os  Recorrentes  não  trouxeram aos autos documentação hábil que desnaturasse o quanto apurado no trabalho fiscal.  De fato, vê­se  que  a  defesa  foi  embasada  apenas  em  alegações,  desacompanhadas  de  provas  que  pudessem  confrontar  a  apuração  fiscal  ou  comprovar  o real beneficiário ou  a verdadeira  causa  dos  pagamentos  consubstanciados  nos  cheques  de  sua  emissão  (fls.  107/479)  e,  por  conseguinte,  não  logrou  êxito  em  rebater  as  circunstâncias  apontadas  pela  fiscalização  que  resultaram no lançamento.  32  ­  Assim,  entendo  que  os  valores  considerados  pela  fiscalização  para  apuração do crédito tributário condizem com o quanto disposto na legislação acima informada,  razão pela qual voto por negar provimento aos recursos.     Solidariedade Passiva Tributária (CTN, Art. 124, I)  33 ­ Os Recorrentes alegam, nas suas razões de recurso, que para que ocorra  a responsabilização nos termos do inciso I do artigo 124 do CTN, é necessária a existência de  "interesse  comum,  que  decorra  de  uma  situação  jurídica”,  ou  seja,  não  é  um  interesse  meramente  de  fato,  e  sim  um  interesse  jurídico  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação principal.  34  ­  Aduzem  que,  além  do  interesse  comum,  a  caracterização  da  responsabilidade tributária do mencionado artigo depende da prova inequívoca de que os eles  teriam interesse comum na situação que constituía o  fato gerador, e não em meras suspeitas,  conforme entendem ser o caso das apurações feitas no trabalho fiscal.  35 ­ Afirmam que a Autoridade Fiscal não apresentou uma prova inequívoca,  mas sim mera alegação totalmente incompleta, duvidosa, sem nenhum rastro de certeza, e que  esta possuía total­condição de efetuar uma análise mais aprofundada e detalhada dos fatos que  imputa a eles, só que a mesma optou por presumir prematuramente um fato que, na verdade,  não correspondeu com a realidade, entendendo ser esta uma conduta discricionária.  36 ­ Declaram ainda que, se forem considerados sócios da empresa autuada,  para  que  sejam  responsabilizados  pela  dívida  tributária,  sua  conduta  deve  se  adequar  aos  Fl. 2167DF CARF MF     22 requisitos elencados no artigo 135 do CTN, pois essa é a regra para os sócios, não podendo ser  enquadrados na regra geral do artigo 124 do CTN.  37 ­ Inicialmente, cumpre frisar que, quanto à “responsabilidade de terceiro”,  há  duas  normas  jurídicas  específicas,  a  saber:  i)  a  “responsabilidade  solidária”,  prevista  no  artigo  124  do  CTN,  relativa  ao  fato  gerador,  com  condutas  e  agentes  próprios;  e  ii)  a  “responsabilidade de  terceiros”,  prevista no  artigo 135 do CTN, que  respondem pelo  crédito  tributário não por terem praticado o fato gerador da obrigação tributária, mas sim por condutas  próprias que importem em violação de direito.   38  ­ Na  responsabilidade  solidária,  a  defesa  e o  recurso  abrangem  tanto  as  questões relacionadas ao mérito da autuação como os fatos que caracterizam a solidariedade.  39 ­ Nos casos de responsabilidade de terceiro, a defesa deste se relaciona às  infrações que lhes são imputadas (ação ou omissão contrária à lei).  40 ­ Feitos estes esclarecimentos, passo à análise dos fatos.  41 ­ Encontra­se nos autos rico conjunto probatório, a ver o Relatório Fiscal e  os documentos que o alicerçaram, os quais entendo terem comprovado o nexo causal entre as  condutas  e  o  tipo  legal  previsto  no  artigo  124  do  CTN,  de  sorte  que  restaram  bastantes  caracterizadas as sujeições passivas solidárias atermadas, conforme análise adiante.  42  ­  De  plano,  mister  considerar  as  constatações  fiscais  de  movimentação  financeira incompatível com a receita declarada pela empresa autuada.  43 ­ Conforme apurado no “Item 6” do relatório fiscal (fls. 59/60), em 2005 a  empresa  autuada  apresentou Declaração  de  Inatividade  para  a  RFB,  porém,  declarou  para  a  Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais “saídas” no valor de R$ 13.908.981,39, bem  como registrou uma movimentação financeira da ordem de R$ 27.785.109,28.  44  ­  Já  em  2006,  a  empresa  continuou  omissa, mas  informou  à  SEFA/MG  “saídas”  no  montante  de  R$  385.922,40,  com  movimentação  financeira  registrada  de  R$  11.159.438,80.  45  ­  O mesmo  item  do  relatório  apurou  que,  em  consulta  aos  sistemas  da  RFB,  foi  constatado  que  a  empresa  BIGPLASTIC  EMBALAGENS  PLÁSTICAS  LTDA,  CNPJ 05.812.876/0001­56, declarou em no exercício de 2007 (ano­calendário de 2006), saídas  de  produtos  de  sua  fabricação  para  o  destinatário  DETONI  E  ZAMBELI,  no  valor  de  R$  Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.100          23 39.548,15,  evidenciando,  assim,  que  a  empresa  adquiriu  embalagens,  levando  à  conclusão,  portanto, que estava em atividade neste ano.  46­ Vencido  este  passo,  transcrevo  a  seguir  as  situações  fáticas  verificadas  por  ocasião  da  ação  fiscal  empreendida,  circunstanciadas  tanto  naquele  relatório,  quanto  na  Representação Fiscal tratada às fls. 48/51 (PAF nº 15563.000241/2009­05), comprobatórias do  inconteste  conluio  estabelecido  entre  a  empresa  autuada  e  os  sujeitos  passivos  solidários,  visando, com verdadeiro ânimo de propósito, a fraudar o fisco federal, e que foram eleitas pelo  julgador  de  piso  para  a  formação  da  sua  convicção,  as  quais,  per  relacionem,  faço  minhas  razões de decidir. Transcrevo:  i.“A contribuinte alterou o endereço de sua sede (situada à Av. Francisco Valadares, n°  1.300, bairro Vila Ideal, Juiz de Fora­MG), para a Rua André Ricardo, n° 27­A, bairro  Barão do Amapá, Nova Iguaçu­RJ, conforme sua 12' alteração contratual (Anexo);  ii.Frustradas  as  várias  tentativas  de  localização  da  contribuinte  naquele  domicílio  tributário eleito por ela (Nova Iguaçu), concluiu­se, com razão e com base na análise  no  contrato  social  e  nas  6'  a  loa  alterações  contratuais  obtidas  junto  à  JUCERJA  (processo apenso), que a efetiva localização da contribuinte não era nessa cidade até a  data da 12" alteração contratual, pela qual os sujeitos passivos solidários foram sócios  da  contribuinte  até  06/08/2003  (data  do  registro  da  9'  alteração  contratual  na  JUCEMG ­ Anexo);  iii.Dados  os  fortes  indícios  da  efetiva  localização  do  verdadeiro  domicílio  fiscal  da  contribuinte, foi ele alterado de ofício para Juiz de Fora, em razão de que:  iv.­ fotos impressas tiradas pelo fisco em razão de seu novo comparecimento à Rua André  Ricardo  n°  27,  bairro  Barão  do  Amapá,  Nova  Iguaçu­RJ  (Anexo),  dão  conta  da  inexistência da contribuinte naquele  local, além do que o domicílio naquela cidade é  residencial;  v.­ a proprietária do imóvel ­ Andréa Cristina Valger Trindade – declarou ao fisco que  esse  esteve  em  seu  poder  para  uso  residencial  desde  26/10/1988,  sendo  para  uso  próprio até 01/2009;  Fl. 2169DF CARF MF     24 vi.­ à Av. Francisco Valadares, n° 1.300, bairro Vila Ideal, Juiz de Fora, há outras duas  sociedades  empresárias,  cujos  responsáveis  e/ou  sócios  são  os  sujeitos  passivos  solidários, antigos sócios da contribuinte;  vii.­  desde  29/09/2000,  a  sede  da  FRIPAI  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  LTDA.,  que  possui o mesmo objeto e apresentar sócios em comum com os da contribuinte, também  é  à  Av.  Francisco  Valadares  n°  1.300,  bairro  Vila  Ideal,  Juiz  de  Fora,  dando  forte  ensejo a que seja utilizada a mesma instalação, clientes e fornecedores da contribuinte,  conforme se verá na declinação das interpostas pessoas adiante.  viii.O Ato Declaratório Executivo  n°  36/2009 de  comunicação de  alteração de ofício  de  domicílio fiscal (Anexo) e sobre o qual não foi dispensada linha passiva sequer sobre  possível revogação de ante solicitação administrativa nos termos da IN/RFB 748/2007,  ou medida de segurança judicial, teve as seguintes motivações:  ix.I ­ [...] o contribuinte acima mencionado procedeu à alteração o cSal perante o CNPJ  com mudança de domicílio fiscal do Município de Juiz de Fora para este Município de  Nova Iguaçu.  x.II ­ Em diligência efetuada junto ao endereço eleito pelo contribuinte, constatou­se que  este  efetivamente  jamais  nele  operou,  caracterizando  assim  ocorrência  de  vício,  conforme  ficou  demonstrado  no  bojo  do  processo  administrativo  n°  15563.00024112009­05, motivo  esse  suficiente para  ser  declarada a  nulidade  do  ato  praticado perante o CNPJ, referente à alteração de seu domicilio [...J.  xi.Da análise da documentação do Bradesco e do HSBC, recebida em razão das emissões  das RMF, constatou­se o que segue:  xii.­ o Bradesco informou que a referida conta não foi movimentada por procuração e que  a agência onde a conta corrente foi movimentada em 2005 era em Juiz de Fora;  xiii.­ o HSBC informou (Anexo) que o Sr. Marco Antonio Lopes Vieira (administrador da  contribuinte no período de 24/07/2003 a 20/01/2004 ­ 9 a alteração contratual) tinha  poderes de procuração, cuja movimentação bancária também era em Juiz de Fora;  xiv.Nas fichas cadastrais do HSBC (Anexo) consta, dentre outros, que os sujeitos passivos  solidários  figuram  como  diretores  da  contribuinte,  detendo,  cada  um  deles,  50%  de  participação, além do que são avalistas da contribuinte;  Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.101          25 xv.Lavrado  Termo  de  Intimação  Fiscal  para  comprovação  dos  valores  creditados  nas  contas correntes, encaminhado ao sócio Antonio Ferreira da Silva, houve retorno da  correspondência, por ser desconhecido o local, motivo pelo qual foi feita por edital;  xvi.Os  sujeitos passivos  solidários  foram  intimados,  no  endereço de que  trata o  idêntico  domicílio tributário por eles eleito ­ Av. Getúlio de Moura, 1701, apt°. 601, Centro, RJ  —  fls. 384 e 419, conforme Anexo) a esclarecerem suas  ligações com a contribuinte,  sem  que  tal  objeto  tenha  sido  atendido,  ainda  que  determinada  pessoa  as  tenha  recebido em 30/10/2008;  xvii.Novas  intimações  foram  feitas  àqueles  sujeitos  passivos,  encaminhadas  para  os  endereços das pessoas jurídicas em que ambos eram responsáveis (Anexo), os quais as  responderam  (Anexo),  por  meio  de  procurações  conferidas  a  Nunes  Amaral  Advogados,  tendo sido  informado que eles não participavam do quadro societário da  contribuinte desde 24/07/2003, consoante a 9' alteração contratual;  xviii.Enquanto Marcelo Detoni  e Maurício Detoni  declaram  seus  domicílios  tributários  à  Rua Cautiero Franco, n° 205 e Rua Júlio Geraldo Loures, n° 01, bairro Granville, em  Juiz de Fora, respectivamente  (a ver os endereços informados naquelas procurações)  seus cadastros na base CPF são  idênticos, à Av. Getúlio de Moura, 1701, apt°. 601,  Centro,  Nilópolis­RJ.  Some­se  a  isso  que  referidas  procurações  tiveram  firmas  reconhecidas pelo 4° Ofício de Notas de Juiz de Fora;  xix.Marcelo Detoni alterou seu domicílio  tributário eleito à Av. Francisco Valadares, n°  1.300, em Juiz de Fora, para Nilópolis em 18/07/2005 (Anexo);  xx.Nas DIRPF  (Anexo) dos  sócios  Jaime José D'Ávila  e Antonio Ferreira da Silva,  que  ingressaram  no  quadro  societário  da  contribuinte  em  16/08/2004  (11'  alteração  contratual — Anexo ­ sendo Jaime o administrador), não há declaração das cotas da  contribuinte,  enquanto os valores declarados denotam  falta de capacidade  financeira  para a integralização das cotas subscritas.  xxi.Jaime José D'Avila, administrador da contribuinte, possui vínculo empregatício com a  sociedade  empresária  FRIPAI  (Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais  ­  CNIS  ­  Anexo ­ sem informações de transferência/rescisão de contrato de trabalho), na qual os  sujeitos  passivos  solidários  integram  seu  quadro  societário,  cuja  sede  consta  como  Fl. 2171DF CARF MF     26 sendo no mesmo endereço da contribuinte em Juiz de Fora (Av. Francisco Valadares,  n° 1.300).  xxii.Em  sua  DIRPF/2007  simplificada  (Anexo)  Jaime  declara  rendimentos  recebidos  da  FRIPAI,  no  valor  de  R$  5.368,00,  enquanto  o  extrato  de  fl.  262  espelha  que  aquele  fonte pagadora  informa que  tais  rendimentos são de  trabalho assalariado  (código de  receita  0561),  a  ratificar  o  vínculo  empregatício  mesmo  no  período  objeto  do  lançamento;  xxiii.Antonio  Ferreira  da  Silva  integrou  o  quadro  societário  da  FRIPAI  no  período  de  24/09/1999  a  18/04/2002  (Anexo).  Conforme  o  extrato  do  CNIS  (Anexo)  ele  foi  admitido  na  FRIPAI  em  18/09/2001,  sem  informações  de  transferência/rescisão  de  contrato  de  trabalho,  a  evidenciar  que  ele  mantinha  vínculo  empregatício  com  a  FRIPAI quando do ingresso no quadro societário da contribuinte.  xxiv.Aquele Antonio, além de  ter  integrado o quadro societário da FRIPAI no período de  24/09/1999  a  11/10/2001,  também  foi  integrante  da  DISTRIBOI  CARNES  E  DERIVADOS LTDA no período de 06/03/2003 a 06/08/2003, em franca evidência da  prática da utilização de empregados das sociedades empresárias das quais os sujeitos  passivos integravam seus quadros.  xxv.Mudando  o  que  deve  ser mudado,  aplica­se  a  Antonio  Ferreira  da  Silva  as mesmas  considerações feitas em relação ao Jaime, relativamente à DIRPF/2007 e aos valores  declarados de rendimentos recebidos com vínculo empregatício junto à FRIPAI;  xxvi.Marco Antonio Lopes Vieira, que ingressou no quadro societário da contribuinte como  administrador  em  24/07/2003  (9  a  alteração  contratual),  cedeu  e  transferiu  a  totalidade de suas cotas para Alcemir Rodrigues Pedro em 20/01/2004.  xxvii.Este, segundo a loa alteração contratual (Anexo) passou a exercer a administração da  contribuinte até 16/08/2004 (lla alteração contratual) quando cedeu e transferiu suas  cotas para Jaime José D'Ávila.  xxviii.Conforme o extrato ao CNIS, Marco Antonio Lopes Vieira foi admitido diversas vezes  na  FRIPAI;  a  primeira,  datada  em  18/09/2000,  com  vínculo  empregatício,  foi  rescindida  em  04/07/2004.  Portanto,  referido  senhor  mantinha  vínculo  empregatício  com  a  FRIPAI  no  mesmo  período  de  sua  integração  no  quadro  societário  da  contribuinte, com plenos poderes de administração.  Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.102          27 xxix.E a recorrente sistemática conduta dolosa, ao propósito de fraudar o fisco, evidencia­ se mais uma vez pelo fato de que o domicílio tributário eleito por Marco Antonio Lopes  Pereira é  idêntico ao da FRIPAI (Av. Francisco Valadares, n° 1.300, Vila Ideal, Juiz  de Fora), a exemplo da utilização de empregados daquelas sociedades empresárias das  quais os sujeitos passivos solidários figuraram como sócios.  xxx.À semelhança das demais pessoas declinadas nesse voto, na DIRPF/2004 simplificada  daquele senhor também não foram declaradas as cotas que teriam sido adquiridas da  contribuinte, além de não ter sido demonstrada ali capacidade financeira para adquiri­ las.”  47 ­ Como se pôde constatar da leitura dos procedimentos que compuseram o  trabalho fiscal, resta clara a caracterização da responsabilidade solidária dos Recorrentes.  48  ­  Outrossim,  entendo  necessária  uma  análise  complementar  quanto  aos  fatos ocorridos. Vejamos.  49 ­ Pela análise do extrato de Confronto de Sociedade emitido pela JUCEMG  (fls.  510/511),  bem  como  das  versões  do  contrato  social  da  empresa,  acostados  aos  autos,  se  verifica que a sociedade foi constituída em 01/04/1990 (fls. 512/513), tendo como sócios Almir  Ribeiro Viana; Antônio Carlos Viana Zambelli e Márcio Gomes Viana. Ao longo do tempo, os  Recorrentes  integraram  seu  quadro  societário,  vindo  a  se  desligarem  em  2009,  restando  atualmente  os  sócios  Jaime  José  Dávila e Antônio Ferreira da Silva  (fls.  514/516),  que  pela  investigação feita no relatório fiscal (fls. 47/62), baseada nas suas declarações de ajuste anuais  e  endereços  residenciais  (“residências humildes”),  se  constata  não  possuírem  patrimônio  declarado compatível com aquele que seria esperado de sócios de empresa que movimentou em  suas contas bancárias vultuosas quantias no período fiscalizado, ou seja, de R$ 27.785.109,28  em 2005 e R$ 11.159,438,80 em 2006.  49  ­  Tal  fato  é  corroborado  pela  apuração  levada  a  termo  às  fls.  53,  no  relatório,  que  reporta  que  o  sócio  Jaime  José  Dávila declarou  como  ocupação  laboral  a  atividade de “abatedor em matadouro”,  tendo declarado ao fisco  ter recebido rendimentos de  R$  15.020,00  e  R$  5.368,00  nos  anos­calendário  fiscalizados  (2005  e  2006).  Já  o  sócio  Antônio Ferreira da Silva declarou como profissão a mesma informada pelo Sr. Jaime,  tendo  obtido rendimentos de R$ 12.050,00 e R$ 5.250,00 no período acima mencionado.  Fl. 2173DF CARF MF     28 50 ­ Outrossim, entendo que as constantes alterações de endereço da empresa  caracterizam  intuito  de  dificultar  eventual  ação  fiscal,  caracterizando  esquiva  a  eventual  indesejável atendimento a procedimentos de natureza fiscalizadora.  51 ­ Ademais, se constata pela análise do Extrato de Informações Financeiras  acostado  às  fls.  918/930  que  os  Recorrentes  são  avalistas  das  contas  bancárias  da  empresa  autuada  (fls.  928),  que  diante  da  falta  de  aval  dos  mesmos,  não  seria  movimentada.  Neste  ponto, é de se notar, inclusive, para as “Notas” registradas no referido extrato, às fls. 919, que  informam o quanto segue:    “CIDADE  DE  JUIZ  DE  FORA/MG  E  REGIAO  DA  ZONA  DA  MATA,  POSSUI MONOPÓLIO; NÃO TENDO CONCORRENTE. ATUALMENTE, O  CLIENTE DETÉM 100% DO MERCADO CONSUMIDOR NO ATACADO E  VAREJO,  SENDO  SEUS  PRINCIPAIS  CLIENTES  AÇOUGUES,  SUPERMERCADOS, MERCADOS E RESTAURANTES, SUAS FONTES DE  RECEITAS SÃO: VENDA E REVENDA DE CARNE BOVINA COM OSSO,  VENDA DE SUB PRODUTOS COMO MIUDOS, CARNE SEM OSSO, SEBO  CARNE  PARA  FINS  INDUSTRIAIS  E  VENDA  E  REVENDA  DE  COURO  BOVINO, ALEM DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO ABATE DE SUÍNOS,  SENDO  O  UNICO MATADOURO  DA  CIDADE  E  REGIÃO,  MANTÉM  A  MAIOR  PAR­TE  DE  SUA MOV.  CONOSCO.  OS  SEUS  NEGÓCIOS  SAO  TRANSACIONADOS ATRAVÉS DO HSBC. O CLIENTE PRODUZ AINDA  UMA  QUALIDADE  DE  CARNE  DENOMINADA  CHARQUE,  DETALHES  NO RELATORIO DE VISITAS.”    “CLIENTE  POSSUI  ÓTIMA  CAPACIDADE  DE  PAGAMENTO,  SEUS  DEPOSITOS  SAO  REGULARES  E  PULVERIZADOS,  ALÉM  DE  TER  OTIMA  CONDICAO  ECONÔMICO­FINANCEIRA  E  CADASTRAL  (EMPRESA E SÓCIOS). POSSUI OTIMA EXPERIÊNCIA CREDITÍCIA EM  TODAS  AS  OPERACOES  DE  CRÉDITO  QUE  EFETUAMOS  (COMO  DESCONTO  DE  CHEQUES.  POSSUÍMOS  INTERESSE  COMERCIAL  NA  EMPRESA,  POIS  CONSIDERANDO  SEUS  SÓCIOS,  FAMILIARES,  FORNECEDORES  E  CLIENTES.  TEMOS  DIVERSAS  C/CS  CONTAS  PESSOAS FÍSICAS E C/C DE PJ TODAS INDICADAS PELOS SÓCIOS DA  Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.103          29 EMPRESA,  COM  LIMITES  DE  CRÉDITO  E  ALGUMAS  COM  INVESTIMENTOS.”    52 ­ Pela leitura das notas relativas aos Recorrentes, constantes do extrato de  informações bancário acima aludido, se constata que estes, sobretudo, controlam e exercem, na  região  onde  atuam,  o  monopólio  da  atividade  econômica  que  exercem  e,  por  isso,  entendo  restar demonstrado o “interesse” dos Recorrentes.    53 ­ Outrossim a informação prestada pelos próprios recorrentes às fls. 1.233  (Marcelo  Detoni)  1.277  (Maurício  Detoni)  quando  perguntado  pela  fiscalização  acerca  de  esclarecimentos quanto a ser avalista do sujeito passivo assim respondeu:    54 ­ Os recorrentes não negam a condição de avalistas de tais contas, logo, há  prova  suficiente  de  que  há  interesse  comum  em  relação  ao  fato  gerador  do  referido  tributo  lançado que é o IRRF.    55  ­  Além  disso,  o “item  5.3”  do  Relatório  Fiscal  (fls.  58)  concluiu  que  os  Recorrentes são os sócios “de fato” da Detoni e Zambelli Distribuidora de Carnes Ltda., situação  esta encoberta pela figura de terceiros ("testa­de­ferro" ou "laranjas"), os Srs. Jaime e Antônio.    Fl. 2175DF CARF MF     30 56  ­  Ademais,  entendo  que  eventual  prova  direta  da  solidariedade  seria  compensada  pelo  conjunto  probatório  encartado  aos  autos,  em  especial  a  circunstância  da  empresa autuada não estar operando, aliada às efetivas e reiteradas condutas dolosas, além da  indissociável  omissão  de  receitas  apurada,  fatos  suficientes  para  caracterizar  a  solidariedade  dos Recorrentes.    57­ Pelo exposto, em razão de todas as situações fáticas apontadas, outro não  é,  senão,  o  entendimento  da  comprovação  da  solidariedade  passiva  e  das  responsabilidades  tributárias  em  face  de MARCELO DETONI  e MAURÍCIO DETONI,  com  fulcro  no  artigo  124, I, do CTN.  58 ­ Assim, entendo terem sido tipificados na espécie os elementos subjetivos  da hipótese a que alude o mencionado artigo, tal como considerado pelo fisco.  59  ­  Esclarecida  a  questão  relativa  à  responsabilidade  solidária  dos  Recorrentes, passo adiante a descaracterizar a responsabilidade de terceiros no caso.  60 ­ Por derradeiro, entendo que não se pode considerar o deslocamento da  responsabilidade dos Recorrentes para o quanto  disposto no  artigo 135 do CTN,  como estes  sugerem, até porque o fisco não desconsiderou o ato/negócio jurídico de suas saídas do quadro  societário da empresa, senão vejamos.  61  ­  Não  se  pode  confundir  solidariedade  tributária  (Art.  124,  I,  CTN)  e  responsabilidade  de  terceiros  (Art.  135,  CTN).  São  figuras  jurídicas  distintas  e  como  tais  decorrem de situações fáticas distintas.  62 ­ Neste ponto, passo a transcrever trechos de decisão proferida pela C. 2ª  TO da 4ª Câmara da primeira Sessão de Julgamento deste C. CARF, ao julgar processo relativo  aos mesmos ora Recorrentes, que integro a este julgado como razão de decidir per relationem,  na forma abaixo:  “(...) A solidariedade  tributária  insere­se na Seção II do no Capítulo IV do  Livro  II  do  Código  Tributário,  que  trata  do  sujeito  passivo.  A  responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e  de fato, está disciplinada na Seção III do Capitulo V, do Livro II, do CTN.  Necessário  distinguir  sujeito  passivo  de  responsável  tributário.  O  sujeito  passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único  Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.104          31 I)  ou  o  responsável,  quando  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  em  lei.  Em  relação  à  distinção  entre  contribuinte  e  responsável  atenhamo­nos  às  normas  contidas  no  parágrafo único do artigo 121, “in verbis”:  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­se:  I ­ contribuinte,  quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o  respectivo fato gerador;  II ­ responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua  obrigação decorra de disposição expressa de lei.  A  solidariedade,  que  não  se  confunde  com  responsabilidade  de  terceiros,  decorre das  situações previstas no artigo 124,  I  e  II, do CTN,  sendo que o  interesse  comum de que  trata  o  inciso  I  não  se  confunde  com as  situações  contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário.  As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da  solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  (devedor  originário  art.  121,  I).  Ex.  IPTU  entre coproprietários;  Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir  responsabilidade  solidária  a  pessoas  que  não  revestem  a  condição  de  contribuintes,  mas  por  estarem  vinculadas  ao  fato  gerador  praticado  pelo  contribuinte  podem  vir  a  ser  chamadas  a  responderem  pelo  crédito  tributário, como ocorre, por exemplo, na  importação por conta e ordem de  terceiros  (o  artigo  32  do  Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  com  a  redação  atribuída  pelo  artigo  77  da  MP  nº  2.15835,  de  2001),  ou  nos  casos  de  retenção de imposto de renda na fonte.  O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico,  mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um  mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas  este  interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária,  visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  como  Fl. 2177DF CARF MF     32 ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e  ITR.  A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada  a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da  obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa  disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no  artigo 32 do Decreto­Lei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº  2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006).  A  situação  prevista  no  artigo  124,  I,  não  pode  ser  confundida  com  as  situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo  135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao  contribuinte,  aquele  que  pratica  o  fato  gerador  (art.  121,  I)  e  outra  em  relação  ao  terceiro  que  não  participa  da  relação  jurídica  tributária,  mas  que,  por  violação  de  determinados  deveres,  pode  vir  a  ser  chamado  a  responder pela obrigação).  (RE 562.726/PR,  j. 03/11/2010,  sob a  forma do  artigo 543­B do CPC).  (...)  Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsáve lnão por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, ma spor praticar ato que caracteriza infração descrita em lei.  (...)  Nos  casos  em  que  a  empresa  não  pratica  as  atividades  constantes  de  seu  objeto  social,  possuindo  apenas  existência  formal,  ainda  que  sirva  para  emissão de documento fiscal, a tributação deve recair em relação àquele que  efetivamente praticou o ato jurídico­tributário.  Não  é  o  registro  formal,  mas  sim  a  efetiva  existência  no  mundo  real  que  identifica a ocorrência de situação sobre a qual incide a norma tributária.  (...)  Quando  a  pessoa  jurídica  materialmente  existente,  ou  por  assim  dizer,  dotada de estrutura necessária para exercer as atividades a que se propõe,  as  executa  em  conjunto  com  outra  pessoa,  natural  ou  jurídica,  tem­se  caracterizada  a  situação  descrita  no  artigo  124,  I,  do  CTN,  isto  é,  a  solidariedade decorrente de interesse comum a situação que constitua o fato  gerador.  Nestas  situações  todos  são  solidárias  e  qualquer  um  pode  vir  a  responder pela integralidade do débito tributário.  Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.105          33 Para efeitos de delimitação da solidariedade, nos casos em que se têm mais  de um contribuinte envolvido, necessário que se verifique quais os atos que  estão  vinculados  à  situação  que  constitua  o  fato  gerador.  Por  exemplo,  se  dois  prestadores  de  serviços  vencerem  uma  licitação  para  desenvolverem  determinados  programas  de  informática  ou  para,  mediante  parceria,  construírem uma ponte, por evidente que a solidariedade há de ficar limitada  aos  tributos  relacionados  à  receita  ou  ao  lucro  decorrente  dos  serviços  advindos  do  desenvolvimento  dos  programas  de  informática  ou  da  construção  da  ponte.  Não  é  possível  estender  a  responsabilidade  a  outros  atos  que  não  estejam  vinculados  àqueles  efetivamente  praticados  em  conjunto pelas partes. Quanto ao comércio aplica­se a mesma regra. Isto é,  aquele  que  se  associou,  por  exemplo,  para  importar  e  comercializar  determinada  mercadoria  não  pode  vir  a  ser  chamado  a  responder  pelos  tributos  em  relação  a  outras  transações  que  o  contribuinte  a  quem  se  associou vier a realizar com terceiros. Pensar de forma diversa seria atribuir  responsabilidade  solidária  em  relação  a  fato  jurídico  ou  conduta  não  praticada por aquele a quem se imputa dita responsabilidade.  Com as considerações acima relacionadas passo a analisar a  situação dos  autos  onde  a  autoridade  fiscal  atribuiu  a  condição  de  solidários  aos  recorrentes não pelo fato destes serem sócios de fato ou de direito, mas sim  por realizarem o comércio, junto com a empresa autuada. (CARF. Ac. 1402­ 001.571. Primeira  Sessão  de  Julgamento.  4ª Câmara.  2ª  Turma Ordinária.  Rel. Cons. Moises Giacomelli Nunes da Silva. Sessão de 12/02/2014)    63 ­ Assim, é de se concluir, por definitivo, a responsabilidade solidária dos  Recorrentes, em detrimento da responsabilidade de terceiros.  64  ­  Dessa  forma,  voto  por  negar  provimento  aos  recursos  e  manter  as  solidariedades passivas.    Multa de Ofício Qualificada  Fl. 2179DF CARF MF     34 65  ­  Em  suas  razões,  por  derradeiro,  os  Recorrentes  alegam  que  inocorreu  situação  que  justificasse  a  qualificação  da  multa  de  ofício  aplicada,  que  tem  natureza  confiscatória.  66  ­  Entendo,  no  entanto,  que  o  produto  apurado  pelo  relatório  fiscal  não  homologa a alegação dos Recorrentes, senão vejamos.  67  ­  Pela  leitura  das  apurações  noticiadas  no  relatório  fiscal,  este  concluiu,  em resumo, que os Recorrentes agiram de forma dolosa com a finalidade exclusiva de ocultar e  retardar  o  conhecimento,  pelo  fisco,  de  fato  gerador  de  obrigação  tributária,  havendo  se  utilizado  de  meios  fraudulentos  com  a  finalidade  de  alcançarem  este  objetivo,  inclusive  se  valendo de interpostas pessoas e endereços fiscais precários.  68  ­  A  conduta  fraudulenta  dos  Recorrentes,  na  forma  como  apurada  no  trabalho fiscal, ao meu entender, se adequa àquela disposta no artigo 72 da Lei nº 4.502/64, o  que proporciona  à autoridade  fiscal,  na vigência  do  seu  trabalho, qualificar  a multa  aplicada  nos casos de lançamento de ofício, de forma a duplicar sua imposição, na forma do artigo 44, §  1º, da Lei nº 9.430/96. Abaixo, transcrevo os dispositivos citados:  “Lei nº 4.502/64  Art.  72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total ou parcialmente, a ocorrência do  fato gerador da obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  impôsto  devido  a  evitar  ou  diferir o seu pagamento.”    “Lei nº 9.430/96  Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas:  I ­ de  setenta  e  cinco  por  cento,  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem  o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração  inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;  II ­ cento  e  cinquenta  por  cento,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude,  definido nos arts.  71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,  Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10640.002174/2010­13  Acórdão n.º 2201­003.742  S2­C2T1  Fl. 2.106          35 independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  § 1o O percentual de multa de que  trata o  inciso  I do caput será duplicado  nos  casos  previstos  nos arts.  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.”  69 ­ Pela análise do farto conjunto probatório em desfavor dos Recorrentes,  vejo  que  estes  não  trouxeram  aos  autos  provas  ou  alegações  técnicas  consistentes  que  desconstituíssem  a  conduta  fraudulenta apontada pelo fisco. Apenas alegou afronta  à  Constituição, por se tratar de multa confiscatória.  70 ­ Quanto à essa alegação, não pode ser apreciada nos  termos da Súmula  CARF  nº  2,  que  preconiza:  "O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”  71  ­ Portanto,  tendo o  trabalho  fiscal  apurado conduta  fraudulenta  e dolosa  dos Recorrentes com a finalidade exclusiva de ocultar e retardar o conhecimento, pelo fisco, de  fato gerador de obrigação tributária, entendo cabível a qualificação da multa de ofício aplicada  pelo lançamento fiscal.  72 ­ Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso.    Conclusão  73 ­ Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO  AOS RECURSOS.  assinado digitalmente  Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator                Fl. 2181DF CARF MF     36               Fl. 2182DF CARF MF

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6884085 #
Numero do processo: 11020.003336/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI

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2201­000.283  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  05 de julho de 2017  Assunto  COMPENSAÇÃO ­ IRRF ­ COOPERATIVAS  Recorrente  UNIMED NORDESTE RS SOCIEDADE COOP DE SERV MEDICOS  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, na forma do voto da relatora.    (assinado digitalmente)   Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente  (assinado digitalmente)   Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  O  processo  tem  origem  em  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição  ­  Declaração  de  Compensação  ­  PER/DComp  apresentado  pela  recorrente  (fls  1),  em  que  indicava como crédito passível de  compensação  o  Imposto  sobre  a Renda Retido na Fonte  ­  IRRF de cooperativas referente ao mês de outubro de 2003 e totalizando R$ 80.775,79.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 03 33 6/ 20 08 -7 8 Fl. 6936DF CARF MF Processo nº 11020.003336/2008­78  Resolução nº  2201­000.283  S2­C2T1  Fl. 6.937          2 A Delegacia  da  Receita  Federal  de  Caxias  do  Sul  solicitou  uma  demanda  ao  Serviço  Federal  de  Processamento  de  Dados  ­  Serpro,  que  resultou  na  listagem  "Apuração  mensal de IRRF declarados nas DIRFs das fontes pagadoras em que conste como beneficiário  o CNPJ 87.827.689/0001­00, individualizado por cód. de retenção, no ano­calendário de 2003"  (fls 58). Com base nisso, elaborou o resumo que se encontra na fl 92, totalizando por mês e por  código os valores declarados pelas fontes pagadoras.  Para o mês de outubro  foi  identificado o valor de R$ 31.247,78 para o código  1708 e R$ 32.962,78 para o código 3280.  Com  base  nisso,  foi  exarado  o Despacho Decisório  nº  460,  da DRF/CXL  (fls  93), homologando a compensação no limite do somatório desses valores R$ 64.210,56.  Cientificado dessa decisão  (fl  124),  o  contribuinte apresentou  sua  impugnação  (fls  125)  que  resultou,  inicialmente,  na  conversão  do  julgamento  em diligência,  determinada  pela  5ª  Turma  da  DRJ/POA,  através  do  Despacho  nº  8  (fls  210),  para  que  a  Delegacia  de  origem  intimasse  a  reclamante  a  apresentar  os  comprovantes  de  retenção  emitidos  em  seu  nome  pelas  fontes  pagadoras  dos  rendimentos  e,  a  partir  deles,  elaborasse  relatório  circunstanciado acerca do montante de crédito comprovado.  A partir  dos  documentos  fornecidos  pela  interessada  a  fiscalização  elaborou  o  demonstrativo de fl 232, reconhecendo como comprovados para o mês de outubro de 2003 os  seguintes valores: R$ 21.098,49 no código 3280 e R$ 16.501,74 no código 1708.  Em relação ao  resultado da diligência,  a empresa se manifestou argumentando  que ela não havia atingido seu fim, já que teria se limitado aos valores já obtidos através das  DIRFs, deixando de fora as demais retenções que foram informadas pela empresa (fls 238).  A 5ª Turma da DRJ/POA exarou o Acórdão 10­26.348, de 15 de julho de 2010  (fls 240), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que caberia à  empresa comprovar o IRRF para que pudesse utilizá­lo.  A ciência dessa decisão ocorreu em 06/08/2010 (fl 248) e o recurso voluntário  foi apresentado tempestivamente em 01/09/2010 (fls 249).  Em suas razões de recorrer, alega que as faturas apresentadas à fiscalização são  suficientes para comprovar seu direito ao crédito e protesta pela realização de nova perícia.  Chegando  a  este  Conselho,  a  1ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária  desta  Seção  entendeu por bem converter novamente o julgamento em diligência (Resolução 2102­000.075,  de 10 de julho de 2012 ­ fls 262), para que:  (...) a autoridade fiscal apure o IRRF a partir das faturas emitidas pelo  recorrente,  inclusive,  se  for o caso, compulsando a contabilização do  fiscalizado e intimando as fontes pagadoras, superando a mera análise  a partir dos comprovantes de rendimentos ou das DIRfs".  Em resposta a essa solicitação, foi elaborada a informação de fls 6257, datada de  15  de  julho  de  2013,  na  qual  se  alega  deficiência  nas  informações  prestadas  pela  empresa  interessada e são apresentadas as seguintes conclusões:  Fl. 6937DF CARF MF Processo nº 11020.003336/2008­78  Resolução nº  2201­000.283  S2­C2T1  Fl. 6.938          3 · Em  análise  das  faturas,  por  amostragem,  percebe­se  que  a  competência a que se referem não são compatíveis com a data  de  emissão  e/ou  vencimento.  Por  ex:  a  data  de  emissão  da  fatura é anterior à data da competência.  · O  contribuinte  utiliza­se  do  IRRF,  muitas  vezes,  em  competência posterior à apurada e, por isso,  torna impossível  fazer  o  batimento  das  informações  do  contribuinte(faturas)  com o período de apuração  informado no PER/DCOMP. Por  ex: de acordo com a contabilidade, foi lançado na conta”IRRF  a  compensar Lei  8541/92”,  no  dia  01/03/2003 o  valor  de R$  70.705,75. Se o lançamento foi efetuado no 1º dia do mês, por  óbvio  referese  a  fatos  geradores  do mês  anterior  (fevereiro).  Entretanto,  no  PER/DCOMP  nº  10667.19317.140803.1.3.057920  o  contribuinte  informa  que  essa  retenção  refere­se  ao  mês  de  abril.  E  assim,  sucessivamente  para  todos  os  meses.  O  demonstrativo  dos  lançamentos  efetuados  nesta  conta  contábil  entregue  pelo  próprio contribuinte  e o  razão da conta contábil,  extraída do  Contágil,  comprovam  o  erro  descrito.  Além  disso,  fica  fácil  perceber  este  “deslocamento”  do  período  de  apuração  na  planilha  entregue  pelo  contribuinte,  na  qual  os  valores  declarados  em  DIRF  estão  “deslocados”  em  um  mês  em  relação  ao  valor  que  o  contribuinte  entende  correto  naquele mês.  · A conclusão do item anterior é corroborada pelo fato de que o  total  das  divergências  apontadas  pelo  contribuinte  nas  duas  planilhas entregues corresponde exatamente ao valor deferido  pela  DRF  para  cada  mês  analisado,  com  base  na DIRF.  Ou  seja,  as  fontes  pagadoras declararam  em DIRF num mês  e  o  contribuinte considerou a retenção no mês seguinte.   Após a elaboração dessa informação fiscal, em 26 de agosto de 2013, a empresa  interessada  peticiona  (fls  6260)  apresentando  a  documentação  complementar,  que  inclui  a  planilha de fls 6268, na qual lista por CNPJ retenções relativas ao mês de outubro de 2003, e a  documentação que comprovaria essa retenção.  Pelo  despacho  de  fl  6927  o  processo  foi  encaminhado  a  este  CARF  sem  qualquer manifestação da Autoridade Fiscal quanto aos documentos que foram juntados pela  interessada.  De  volta  a  este  Conselho,  o  processo  foi  distribuído  a  esta  Conselheira  em  sessão pública.  É o que havia para ser relatado.  Voto  Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora   Conforme foi ressaltado no relatório, a informação fiscal de fls 6257 mostrou­se  inconclusiva sob alegação de dificuldade na apuração das informações.  Fl. 6938DF CARF MF Processo nº 11020.003336/2008­78  Resolução nº  2201­000.283  S2­C2T1  Fl. 6.939          4 Após essa manifestação, houve a juntada de novos documentos que não foram  analisados pela fiscalização.  Em análise a essa documentação, selecionei por amostragem os seguintes itens:  ITEM  CONTRATANTE  CNPJ  IRRF  12  25970  00.808.377/0001­71  1.134,1  85  1181  88.626.080/0001­36  1.014.04  133  50140  90.608.712/0001­80  1.141,01  Comparando esses itens com a Dcomp apresentada, vê­se que correspondem às  informações  23,  242  e  408,  ou  seja,  integram  o  montante  sobre  o  qual  foi  solicitada  a  compensação.  Por  outro  lado,  confrontando­os  com  as  planilhas  "Apuração mensal  de  IRRF  declarados  nas  DIRFs  das  fontes  pagadoras  em  que  conste  como  beneficiário  o  CNPJ  87.827.689/0001­00, individualizado por cód. de retenção, no ano­calendário de 2003" (fls 58),  não consegui identificar uma correspondência para nenhum desses itens.  Em  uma  análise  sumária,  pode­se  concluir  que  nenhuma  dessas  retenções  foi  considerada nos créditos homologados pela DRF.  Com esses  elementos,  verifica­se haver alguma verossimilhança nas  alegações  da contribuinte, contudo, tendo em vista o volume de informações e o fato de que a Autoridade  Fiscal  não  analisou  os  documentos  juntados  pela  recorrente  a  partir  da  fl  6260,  entendo  prudente converter novamente o  julgamento em diligência para que haja essa manifestação e  seja por fim dado cumprimento ao que foi determinado pela Resolução 2102­000.075, de 10 de  julho de 2012, no seguinte sentido:  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  apure  o  IRRF  a  partir  das  faturas emitidas pelo recorrente, inclusive, se for o caso, compulsando  a  contabilização  do  fiscalizado  e  intimando  as  fontes  pagadoras,  superando a mera  análise  a  partir  dos  comprovantes  de  rendimentos  ou das DIRFs.  A  autoridade  que  presidir  a  diligência  acima deve  produzir  relatório  circunstanciado  de  suas  conclusões,  dando  ciência  ao  contribuinte,  para,  querendo,  ofertar  razões  adicionais,  no  prazo  de  20  dias.  Superado  tal  prazo,  com  ou  sem  as  razões  adicionais  do  recorrente,  devolver  os  autos  a  este  Colegiado  para  prosseguimento  do  julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora   Fl. 6939DF CARF MF

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6911229 #
Numero do processo: 10875.722997/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 30/09/2012 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas. DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmá-lo alegações de cunho genérico. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. O auxílio-alimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALE-TRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao vale-transporte. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI

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2201­003.811  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de agosto de 2017  Matéria  Contribuições Previdenciárias  Recorrente  PRV COMERCIO DE PECAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/2009 a 30/09/2012  INTIMAÇÃO.  VIA  POSTAL.  DOMICÍLIO  TRIBUTÁRIO.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  É  válida  a  intimação  feita por  via  postal  no  domicílio  tributário  eleito pelo  sujeito  passivo,  sendo  este  aquele  fornecido  por  ele,  para  fins  cadastrais,  à  administração tributária.  CONTRADITÓRIO  E  AMPLA  DEFESA.  OFENSA.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Não  devem  prosperar  as  alegações  de  ofensa  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa  quando  destituídas  de  qualquer  comprovação,  em  especial  quando  a  documentação dos autos é incompatível com elas.  DECISÃO.  FALTA  DE  FUNDAMENTAÇÃO.  NULIDADE.  INEXISTÊNCIA.  Considera­se  fundamentada  a  decisão  que  contém  elementos  de  fato  e  de  direito  suficientes  para  suportar  as  conclusões  apresentadas,  não  estando  o  julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o  que foi decidido.  A  omissão  no  julgado  deve  ser  apontada  objetivamente,  não  servindo  para  infirmá­lo alegações de cunho genérico.  AUDITOR­FISCAL  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL.  COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO.   O Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a  quem  compete  privativamente  constituir  o  crédito  tributário  por  meio  do  lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como  elaborar  e proferir  decisões ou delas participar  em processo  administrativo­ fiscal.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 29 97 /2 01 4- 21 Fl. 12683DF CARF MF     2 MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  O MPF  é  instrumento  interno  de  planejamento  e  controle  das  atividades  e  procedimentos fiscais de forma que eventuais  irregularidades no seu trâmite  ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.  O  MPF  é  expedido  em  face  do  sujeito  passivo  fiscalizado,  não  havendo  previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários.  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE,  DOLO OU SIMULAÇÃO.   Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o  prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o tributo poderia ter sido lançado.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.  Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas  pessoas  físicas  apontadas  como  responsáveis,  bem  como  o  seu  interesse  jurídico  comum  na  situação  que  gerou  o  fato  gerador,  estão  presentes  os  requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado.  AUXÍLIO­ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA.  O auxílio­alimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  VALE­TRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF.  A contribuição social previdenciária não  incide  sobre valores pagos a  título  de vale­transporte, mesmo que em pecúnia.  MULTA  QUALIFICADA.  INTERPOSIÇÃO  DE  PESSOAS.  SONEGAÇÃO. CABIMENTO.   É  cabível  a  qualificação  da  multa  no  caso  de  fraude  e  sonegação,  caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle  de  pagamento  de  remunerações  "por  fora",  de  modo  a  se  furtar  ao  cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais.  PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.   A  perícia  é  reservada  à  elucidação  de  pontos  duvidosos  que  exijam  esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo­se a  questão  controversa  à  apresentação  de  prova  documental,  torna­se  prescindível,  para  solução  do  litígio,  a  realização  de  perícia  visando  tão  somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a  regularidade  de sua escrituração e de sua conduta.  ARGÜIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE  DA  LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 12684DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.684          3 Acordam os membros do colegiado,   por unanimidade de votos, em rejeitar  as  preliminares  arguídas  e,  no mérito,  em dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  excluir do lançamento os valores correspondentes ao vale­transporte.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora.    EDITADO EM: 25/08/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  Trata­se da  análise de  recursos voluntários apresentados pelo contribuinte e  responsáveis solidários em face do Acórdão nº 08­34.106, da 6ª Turma da DRJ/FOR que negou  provimento às impugnações formalizadas aos seguintes autos de infração:  ­ AI Debcad nº 51.073.219­4, relativo à contribuição patronal no período de  03/2009  a  09/2012  e  que  totalizava,  à  época  da  constituição  do  crédito  tributário,  R$  738.477,18;  ­ AI Debcad nº 51.073.220­8, relativo às contribuições destinadas a terceiros  no período de 03/2009 a 09/2012 e que totalizava, à época da constituição do crédito tributário,  R$ 196.417,77.  Nesta  ocasião,  utilizo­me  do  relatório  preparado  pela  decisão  de  piso,  destacando uma  correção  efetuada  no  item 1,  em  que,  erroneamente,  é  nominada  a  empresa  Fort Lub e que na transcrição efetuada é substituída pela designação correta da pessoa jurídica  fiscalizada e autuada, PRV Comércio de Peças Ltda.:  1 Relatório Fiscal  Consta no Relatório Fiscal que:  1.  A  empresa  PRV  Comércio  de  Peças  Ltda.  é  uma  loja  de  revenda  de  autopeças, integrante da REDE PRESIDENTE de autopeças.  2. O relatório utiliza­se de elementos coligidos nos processos administrativos  fiscais  nº  11020.723699/2012­18  e  nº  15586.720329/2011­95,  bem  como  no  Inquérito Policial nº 256/2008­DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força  Fl. 12685DF CARF MF     4 de requisição do Ministério Público Federal e que  tramita da Delegacia da Polícia  Federal de Maringá/PR. Tal inquérito encontra­se distribuído para o Juízo Federal da  3ª Vara Criminal de Curitiba/PR, sob o nº 2008.70.009427­5/PR.  3. No âmbito do inquérito policial, foram providenciados dois pedidos  dequebra  de  sigilo  de dados  e/ou  telefônico,  em  cujas  decisões  o  Juízo  fez  constar  que  todos  osdados  e  informações  obtidos  no  inquérito  fossem  compartilhados  com  a  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB.  Foi  também  determinada a quebra do sigilo fiscal, tributário e patrimonial de 110 pessoas  físicas  e  jurídicas  relacionadas  à  REDE  PRESIDENTE,  dentre  os  quais  os  integrantes  da  família  Tolardo.  Em  cumprimento  às  decisões  judiciais,  a  Polícia  Federal  franqueou  o  acesso  da  RFB  aos  dados  coletados  nas  investigações do inquérito.  4.  As  investigações  da  Polícia  Federal  em  conjunto  com  a  RFB  culminaram  na  deflagração  da  Operação  Laranja  Mecânica,  realizada  em  17/10/2012, com o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão.  Todo o material foi disponibilizado à RFB.  5. As provas apontam para a existência de um grande empreendimento  comercial,  no  ramo  de  autopeças  (atacado  e  varejo),  denominado  REDE  PRESIDENTE,  com  lojas  em  várias  unidades  da  federação  e  que,  embora  formalmente constituída por diversas empresas, a quase totalidade em nome  de laranjas,  trata­se, na verdade, de um único empreendimento,  iniciado por  Samuel  Tolardo,  já  falecido,  e  transmitido  aos  seus  herdeiros  e  atuais  proprietários, sua esposa, Íris da Silva Tolardo, e os filhos, Robson Marcelo  Tolardo,  Rogério Márcio  Tolardo,  Samuel  Tolardo  Júnior  e  Jeane  Cristine  Tolardo Dalle Ore.  6.  Os  mandados  de  busca  e  apreensão  tiveram  por  alvo  vários  endereços,  dentre  eles  endereços  da  família  Tolardo,  bunkers  onde  se  encontravam  armazenados  documentos,  endereços  de  laranjas  e  endereços  das empresas que funcionavam como filiais do empreendimento.  7.  Além  dos  arquivos  com  os  documentos  apreendidos,  a  Polícia  Federal disponibilizou à RFB os laudos de perícia criminal relativos à mídia  apreendida.  DA ORIGEM (IMPORTADORA TOLARDO E REAL IGUAÇU)  8.  Na  base  de  dados  da  RFB  foi  identificada  a  empresa  Importadora  Tolardo  Ltda.  (CNPJ  79.112.637/0001­20),  que  tinha  como  sócios  Samuel  Tolardo  e  seu  irmão  Hélio  Tolardo.  Essa  empresa  tinha  como  atividade  a  exploração do comércio de compra, venda e importação de peças e acessórios  para autos em geral, bem como representações por conta própria e foi aberta  em 1962.  9. Em setembro/1983, a Importadora Tolardo Ltda. foi incorporada pela  empresa  Real  Iguaçu  Auto  Peças  Ltda.  (CNPJ  77.597.318/0001­26),  doravante mencionada simplesmente como Real Iguaçu. Essa empresa era da  família Tolardo. No Bunker localizado na Rua Rui Barbosa, em Maringá/PR,  foi encontrada a quarta  alteração contratual da Real  Iguaçu, de 10/11/1994,  onde  consta  que  até  essa  data  os  sócios  eram  José  Dario  Tolardo  e Maria  Silene Tolardo, marido e esposa.  Fl. 12686DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.685          5 10.  Foi  encontrado,  ainda,  no  bunker,  dentre  vários  arquivos  relacionados  à  REDE  PRESIDENTE,  um  pendrive  com  um  arquivo  intitulado “TCC – Final Corrigido”, que se trata de um trabalho de conclusão  de curso, elaborado por uma das funcionárias do esquema, Mirian Coutinho  de  Lima  Lepetit,  que  se  constitui  em  uma  avaliação  de  desempenho  como  perspectiva  de  melhoria  pessoal  e  organizacional  em  uma  empresa  de  autopeças de na cidade de Maringá. Resta claro no trabalho que essa empresa  era a REDE PRESIDENTE, tendo sido mencionada que a empresa surgiu em  1962, composta por  três sócios,  filhos de imigrantes  italianos, chamados no  trabalho de S, D e H, iniciais dos irmãos Tolardo.  11. De acordo com a  alteração  contratual da Real  Iguaçu,  constata­se  que até 1994, a empresa tinha a razão social de Tolardo Auto Peças.  12. Em 11/09/1991, faleceu um dos irmãos, Hélio Tolardo. Também na  década de 90, a empresa Real Iguaçu, na época denominada de Tolardo Auto  Peças, sofreu diversas autuações fiscais, o que parece ter motivado os novos  rumos  da  empresa.  A  partir  de  então,  iniciou­se  a  empreitada  ilícita  do  esquema fraudulento denominado REDE PRESIDENTE.  13. Em 1994,  a Real  Iguaçu  altera  seu  endereço  de Maringá/PR para  Santo  André/SP  e,  em  novembro/1994,  interpõe  sócios  laranjas  em  seu  quadro societário. Em 1995, passa à condição de inativa.  14.  A  estratégia  da  empresa  de  mudança  para  Santo  André/SP  e  inserção  de  sócios  laranjas  parece  funcionar,  já  que,  após  a  inscrição  na  Dívida Ativa dos débitos tributários, a execução fiscal teve que ser ajuizada  em Santo André/SP, onde a empresa não existia de fato. A Real Iguaçu resta  inativa desde 1995, abandonada pela família Tolardo em face de suas dívidas  fiscais.  DO SURGIMENTO DA RPT E REDE PRESIDENTE  15.  Na  segunda metade  da  década  de  90,  com  a  autuação  fiscal  e  o  consequente abandono da Real Iguaçu, ocorre a cisão dos irmãos Tolardo.  16. O mencionado trabalho de conclusão do curso de Mirian Coutinho  de Lima Lepetit confirma a separação dos irmãos Tolardo.  17.  Samuel  Tolardo  (“S”)  e  José  Dario  Tolardo  (“D”)  continuaram  trabalhando  no  mesmo  ramo,  porém  de  forma  separada.  O  primeiro  ficou  com  a  REDE  PRESIDENTE,  alvo  da  presente  ação  fiscal,  e  José  Dario  Tolardo  com  a  rede  de  distribuição  de  autopeças  denominada  Vespor  Automotive.  18. Nessa época, Samuel Tolardo adquire uma outra empresa do ramo  de  autopeças,  a  FORAMEC,  criando  a  partir  dessa  “cria”  a  empresa  RPT  Distribuidora de Auto Peças Ltda., doravante mencionada apenas como RPT.  O nome de fantasia PRESIDENTE passa a ser utilizado pelas lojas de Samuel  Tolardo. A sigla RPT remete às iniciais de REDE  PRESIDENTE.  Fl. 12687DF CARF MF     6 19. O  trabalho  de Mirian Coutinho  de  Lima  Lepetit  confirma  que  os  filhos de Samuel Tolardo o sucederam na empreitada e que Rogério Márcio  Tolardo  (chamado  de  “M”)  tem  a  maior  participação  no  negócio.  Consta  também o número de lojas da rede e os estados onde estão localizadas.  20. A RPT  tinha endereço  inicial em Tatuapé, São Paulo/SP. Mudou­ se, em 06/04/2000, para Guarulhos/SP. Em 21/06/2002, mudou­se para o Rio  de  Janeiro/RJ.  Sempre  teve  filiais  espalhadas  pelo  país,  várias  delas  com  nome de fantasia “Distribuidora Presidente”.  21. As provas indicam que foram utilizados laranjas como sócios dessa  empresa, além de constar laranja também no quadro societário da Mansfield  Finance, por sua vez, sócia da RPT.  DA REDE PRESIDENTE  22.  Apesar  de  a  empresa  RPT  ser  mencionada  pela  denominação  de  REDE  PRESIDENTE,  ela  é  apenas  uma  das  tantas  empresas  formalmente  constituídas em nome de laranjas, mas que, em verdade, compõem um único  empreendimento  empresarial/comercial,  que  se  passa  a  citar  por  REDE  PRESIDENTE.  23. Diversas empresas foram constituídas, inclusive diversas factorings  que serviam de elo financeiro para o esquema, centralizando recebimentos e  pagamentos.  A  maioria  dessas  factorings  foram  abandonadas  nos  anos  de  2007  e  2008,  provavelmente  por  ter  sofrido  fiscalização  da  RFB.  Outras  empresas  passaram  a  desempenhar  essa  função  financeira,  muitas  sem  ter  sequer  existência  física.  Algumas  empresas  serviam  exclusivamente  para  centralizar  as  compras  e  distribui­las  para  as  lojas.  Várias  outras  foram  constituídas para abrigar as diversas lojas de vendas de autopeças espalhadas  pelo  país.  Entre  elas,  uma  coisa  em  comum:  todas  com  laranjas  em  seus  quadros societários.  24. Há  outras  empresas,  estas  em  nome  dos  verdadeiros mentores  do  esquema,  porém  utilizadas  com  a  função  de  amealhar  o  patrimônio,  principalmente imóveis, obtido de forma fraudulenta.  25.  O  logotipo  da  REDE  PRESIDENTE  identificado  no  sítio  da  internet  é  o mesmo  utilizado  em  vários  endereços  físicos  de  lojas  da  rede  espalhadas pelo território nacional.  26.  Os  colaboradores/funcionários  do  esquema  se  referem  a  ele  ora  como  REDE  PRESIDENTE,  ora  como  DISTRIBUIDORA  PRESIDENTE,  ora  simplesmente como PRESIDENTE. As  lojas onde estão distribuídos  os  diversos CNPJ são chamadas de filiais.  27.  O  esquema  REDE  PRESIDENTE  comprava  peças  junto  aos  fornecedores  e  as  reembalava  em  caixas  com  a  marca  Napa  Parts.  Foi  encontrado em computador apreendido, um arquivo contendo o planejamento  estratégico de marketing dessa marca. O texto final do documento vincula a  marca Napa Parts à REDE PRESIDENTE. O logotipo da Napa Parts aparece  em  muitas  lojas  da  REDE  PRESIDENTE  ao  lado  do  logotipo  da  REDE  PRESIDENTE.  Fl. 12688DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.686          7 28. Dentre os documentos encontrados, destacam­se os de controle das  filiais,  que  as  identificavam  com  um  número  seguido  do  nome  da  cidade,  relacionando  também  o  CNPJ  utilizado  pela  filial,  o  endereço,  a  inscrição  estadual,  telefone,  e­mail  e  o  gerente.  Foram  encontrados  nos  bunkers  do  esquema  carimbos  e  relatórios  contendo,  inclusive,  as  empresas  já  inativas,  sendo identificadas mais de 80 (oitenta) empresas.  29. Dentre os diversos documentos de  controle,  no bunker  situado na  Rua  das  Camélias,  foi  encontrada  a  relação  de  funcionários,  emitida  em  08/10/2012,  que  os  lista  porfilial.  No  endereço  residencial  de Vânia Maria  Lenarduzzi, foi encontrado documento que discrimina o salário 1 (registrado)  dos  funcionários  e o  salário 2  (popular  “por  fora”). Este último documento  tem 727 nomes, distribuídos em 42 filiais, apenas as que têm ou tinham uma  existência física.  30. Em outro documento encontrado, há um relatório bem mais enxuto  das filiais, com razão social, CNPJ e sócios, constando 84 (oitenta e quatro)  empresas do esquema REDE PRESIDENTE.  31. No  endereço  residencial  de  Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore,  foi  encontrado  um  parecer  emitido  em  fevereiro/2011  pela  empresa  Pactum  Advocacia  Empresarial,  onde  consta  um  “mapeamento  fiscal”  dirigido  à  REDE  PRESIDENTE.  Foi  registrado  que  a  REDE  PRESIDENTE  atua  principalmente no mercado atacadista de autopeças e conta com uma rede de  distribuição de amplitude nacional, estruturada a partir de diversas empresas  distintas, com regimes tributários distintos.  Há  outros  documentos  colhidos  que  revelam  a  existência  da  REDE  PRESIDENTE, todos anexados ao processo.  LARANJAS UTILIZADOS PELO ESQUEMA  32. Os laranjas utilizados pelo esquema são funcionários, terceiros sem  vínculo  efetivo  com a REDE,  que  recebiam pela  utilização  de  seu  nome,  e  pessoas que sequer sabiam da utilização dos seus nomes.  33. A par dos elementos apresentados no decorrer do relatório, devem  ser salientadas as diligências efetuadas em procedimento  fiscal  realizado na  DRF  Caxias  do  Sul/RS  junto  à  empresa  NTE  da  REDE  PRESIDENTE.  Foram  feitas diligências  junto às  sócias  laranjas, Sra. Silvia Vilhalba  e Sra.  Petrona Ledesma Aliende, pessoas extremamente humildes, que confirmaram  não serem sócias de nenhuma empresa.  DOS SERVIÇOS EXECUTADOS POR FÁBIO NOVAES  34.  Na  residência  de  Fábio  Novaes  Moreira,  que  presta  serviços  contábeis  por  meio  do  escritório  de  contabilidade  Transcontec,  foram  encontrados documentos que comprovam a utilização dos nomes e dados de  pessoas físicas, inclusive paraguaios, para o preenchimento de documentos de  identidade  falsos,  com  o  fim  de  utilizá­los  como  laranjas  nas  empresas  do  esquema. Fábio Novaes Moreira enviava as Declarações Anuais de Ajuste de  Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – DIRFP relativas a essas pessoas.  Fl. 12689DF CARF MF     8 35.  No  endereço  de  Fábio  Novaes  Moreira,  foram  encontrados  documentos pessoais paraguaios e brasileiros. Várias carteiras de identidade  tinham provas e características evidentes de falsificação. Havia documentos  distintos com a mesma foto, além de incompatibilidade de algumas fotos com  as  idades  registradas nos documentos. A necessidade da  falsificação das CI  deveu­se  ao  fato  de  que  passou  a  ser  necessária  a  certificação  digital  para  várias  operações  junto  à  Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil,  para  cuja  emissão  há  necessidade  de  comparecimento  da  pessoa.  Tal  necessidade  gerou,  inclusive,  o  pedido  de  aumento  por  parte  das  pessoas  que  emprestavam  seu  nome,  pois  agora  deveriam  comparecer  no  órgão  certificador,  segundo  comprova  troca  de mensagens  entre  Robson Marcelo  Tolardo e Daniel de Oliveira Junior.  36. Como exemplo das falsificações, destaca­se a identidade de Juarez  Mielke,  que  já  havia  falecido  da  data  da  expedição  do  RG.  Foram  encontradas  duas  versões  para  a  identidade  de  Maria  Aparecida  Ribeiro  e  duas  para  Cláudio  Afonso  Miranda.  Além  da  versão  original  da  CI  de  Cleonice  da  Silva  Mielke  encontrada  na  residência  de  Fábio  Novaes,  foi  encontrada outra versão no seu escritório. A foto dessa carteira falsificada é a  mesma de outra em nome de Elidia Mendes Santos.  DA VINCULAÇÃO DE IPS UTILIZADOS PARA A TRANSMISSÃO DE DIRPF  37. Foram identificados quatro endereços IP (quatro computadores) de  onde  foram  enviadas  as  DIRPF  do  exercício  2010  da  família  Tolardo,  de  Milton  Assis  de  Oliveira,  procurador  da  Mansfield  Ltda.  (sócia  da  RPT,  empresa da REDE PRESIDENTE), de Luiz Tavares da Silva e de Francisco  Tomaz Neto, estes dois últimos sócios  laranjas da empresa Gama Factoring  Ltda.  Nas  mesmas  datas  e  em  horários  muito  próximos,  esses  mesmos  computadores  foram  utilizados  para  transmissão  das  DIRPF  do  exercício  2010  de  vários  outros  contribuintes,  dos  quais  103  são  laranjas  da  REDE  PRESIDENTE.  38. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi  localizado  relatório  intitulado “Relação das Declarações do  IRPF 2010”, com controle  das  DIRPF  2010  de  mais  de  200  pessoas  físicas,  dentre  elas  as  103  antes  referidas.  DOS LARANJAS PARA REGISTRO DE VEÍCULOS  39.  Inúmeros  veículos  da  REDE  PRESIDENTE  eram  registrados  em  nome de laranjas. Havia controles dos veículos, que eram distribuídos entre  as filiais (empresas do esquema) e as pessoas usadas como proprietárias eram  pagas, sendo algumas funcionários das empresas.  CARTÓRIO COSTA  40.  Havia  necessidade  de  autenticações  cartorárias,  reconhecendo  a  autenticidade  das  assinaturas  dos  laranjas.  Praticamente  100%  (cem  por  cento) das autenticações de reconhecimento de firma nos diversos contratos  sociais das empresas e em outros documentos, como procurações, eram feitas  no Cartório Costa ou Cartório Iguatemi­PR, que são o mesmo cartório.  41. Os  nomes  para  feitura  de  documentos  e  reconhecimento  de  firma  eram passados ao cartório, alguns verdadeiros e outros não. Há conversas nas  Fl. 12690DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.687          9 quais se constata que o cartão de autógrafos era enviado para preenchimento  fora  do  cartório,  o  que  não  é  um  procedimento  normal,  já  que  deveria  ser  confeccionado  no  tabelionato.  Vários  dos  laranjas  com  assinaturas  autenticadas  viviam  em  cidades  muito  longe  dali,  como  Ponta  Porã/MS,  e  sequer  tinham  conhecimento  de  que  constavam  em  quadro  societário  de  alguma empresa.  42. Em outra conversa interceptada, constata­se que havia autenticações  por semelhança e “verdadeiras” e não era necessário o comparecimento dos  laranjas  para  que  as  autenticações  fossem  feitas.  Mesmo  as  assinaturas  verdadeiras  não  eram  feitas  de  forma  presencial  no  cartório,  em  desobediência  à  lei.  Os  cartões  eram  enviados  para  preenchimento  fora  do  cartório.  EMPRESAS DIVERSAS DA REDE PRESIDENTE  43. No Relatório  de Filiais  tratado  no  tópico  “REDE PRESIDENTE”  foram verificadas 56  filiais,  carimbos de 80  estabelecimentos  e na pasta  de  empresas  (ativas  e  inativas)  foram  identificadas  112  empresas.  Na  busca,  junto  às  empresas,  de  pessoas  físicas  que  tiveram  suas DIRPF  transmitidas  pela REDE PRESIDENTE, constataram­se 60 empresas, a maioria do ramo  de  autopeças,  todas  vinculadas  à  rede.  Seguem  alguns  procedimentos  que  levaram à identificação dessas empresas.  DEINF/SP  44.  Em  2008,  a  Delegacia  Especial  das  Instituições  Financeiras  –  DEINF/SP promoveu verificações fiscais na Gama Factoring, quando foram  identificados pagamentos efetuados por ela a fabricantes de autopeças. Essas  empresas  foram  intimadas  e,  de  forma  uníssona,  responderam  que  os  pagamentos  tinham  origem  em  vendas  efetuadas  a  empresas  da  REDE  PRESIDENTE.  45. Todos os contratos sociais das empresas citadas pelas compradoras  foram encontrados no bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, o que  comprova a sua vinculação com a REDE PRESIDENTE.  DRF EM VITÓRIA/ES  46. A empresa Comercial Presidente de Auto Peças Ltda. foi objeto de  fiscalização  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  DRF  em  Vitória/ES,  tendo  sido  lavrado  o Auto  de  Infração  que  compõe  o  processo  administrativo  15586.720329/2011­95.  Os  seus  fornecedores  foram  intimados  a  apresentar  notas  fiscais  e  comprovantes  de  pagamentos,  tendo  sido constatado que os pagamentos foram feitos por outras empresas, quase  todas de factoring.  47. As empresas que efetuaram os pagamentos no ano se 2007  foram  intimadas, via Correios, a justificar e comprovar os motivos que as levaram a  efetuar tais pagamentos. As únicas três empresas que receberam a intimação  (Dumas Factoring, PSE Com. de Peças e Uberpeças Dist Auto Peças) não a  Fl. 12691DF CARF MF     10 atenderam. Em regra, as factoring não foram localizadas pelos Correios, pois  não precisavam existir fisicamente.  48.  Todas  as  empresas  que  efetuaram  os  pagamentos  estavam  constituídas em nome de laranjas. Com exceção da Duma Factoring e da PSE  Com  de  Peças,  todas  estão  na  relação  daquelas  cujos  sócios  tiveram  suas  DIRPF/2010  transmitidas  pelos mesmos  computadores  que  transmitiram  as  declarações da família Tolardo e de outras duas pessoas vinculadas à REDE  PRESIDENTE.  Os  sócios  laranjas  dessas  empresas  estão  relacionados  na  Relação  de  Declarações  do  IRPF  2010  encontrada  no  bunker  da  Rua  Rui  Barbosa, 1027, Maringá/PR .  49. Deve ser destacado que, no ano de 2007, a regra era a utilização de  factorings  para  efetuar  os  pagamentos,  porém  a  partir  dos  anos  de  2008  e  2009,  em  razão  das  investigações  da  DEINF/SP,  a  REDE  PRESIDENTE  abandonou suas factorings, passando a utilizar outras empresas.  INVESTIGAÇÕES POLICIAIS – NAPA PARTS, AMAZON AUTO PEÇAS E SENSUS  PEÇAS P VEÍCULOS  50. Em 02/04/2008,  por  solicitação  da Procuradoria  da República  em  Curitiba/PR, a Delegacia da Polícia Federal ­ DPF de Maringá/PR instaurou o  inquérito  de  número  256/2008­DPF/MGA/PR,  tendo  sido  solicitadas  diligências para localizar as seguintes empresas e seus sócios: Amazon Auto  Peças Ltda., Fabiro Factoring Ltda. e Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda.  51.  No  endereço  cadastral  da  Napa  Parts  Dist  de  Auto  Peças  Ltda.,  havia uma empresa denominada “Presidente Distribuidora”, a qual, segundo  informações  de  um  comerciante  vizinho,  possuía  uma  marca  de  peças  chamada  “Napa”.  Suas  sócias  não  foram  encontradas  nos  seus  endereços  cadastrais.  52. A Amazon Auto Peças,  supostamente  sediada  no Amapá,  não  foi  localizada, tampouco seus sócios.  53. A DPF  investigou  e  obteve  o  verdadeiro  endereço  de  alguns  dos  sócios,  sendo  possível  a  oitiva  de  três  deles,  todos  pessoas  humildes,  desenvolvendo as atividades de diarista (faxineira), auxiliar de serviços gerais  e  trabalhador  de  serraria.  Todos  disseram  sequer  conhecer  as  empresas  investigadas. Uma outra sócia não foi localizada, mas foi obtida a informação  de que teria sido presa em 2006.  54. Todos os documentos  juntados  ao  feito  têm  firma  reconhecida no  Cartório  Costa,  localizado  no  distrito  de  Iguatemi,  Maringá/PR,  mesmo  algumas empresas tendo domicílio em estados distantes da Federação, como  Rio de Janeiro e Amapá.  55. Em diligência efetuada em Maringá/PR, que resultou na Informação  nº  098/2010,  foi  constatado  por  entrevistas  com  funcionários  que  saíam  do  local  e  com  um  funcionário  de  estabelecimento  próximo  que  a Napa  Parts  seria  do  “pessoal  da Distribuidora  Presidente”  e  que  o  seu  dono  seria  uma  pessoa de nome Marcelo Tolardo.  56. Em consulta aos bancos de dados disponíveis, a autoridade policial  descobriu  que  Marcelo  Tolardo  seria  o  então  empresário  Robson  Marcelo  Fl. 12692DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.688          11 Tolardo,  filho  de  Samuel  Tolardo  e  irmão  mais  velho  de  Rogério  Márcio  Tolardo, que faziam parte do quadro societário da RPT Distribuidora de Auto  Peças Ltda. – Distribuidora Presidente.  57.  Havia,  ainda,  uma  empresa  denominada  Napa  Distribuidora  de  Auto  Peças  Ltda.,  sediada  em Guarulhos/SP,  que  utilizou  essa  razão  social  até  julho/2000.  Após  esse  mês,  essa  empresa  passou  a  utilizar  o  nome  de  Presidente Peças Ltda. Em  julho/2003, a  razão social passa a ser Presidente  Peças para Veículos Automotores Ltda. e, finalmente, em junho/2005, passa  a ser Sensus Peças para Veículos Automotores Ltda.  PROCEDIMENTO CAXIAS DO SUL/RS  58. A DRF Caxias do Sul/RS realizou procedimento de fiscalização na  empresa  NTE  Auto  Peças  Ltda.,  cuja  razão  social  até  dezembro/2008  era  Alba Auto Peças Ltda. Foram efetuadas diligências junto a dois fornecedores,  Cinpal  Companhia  Industrial  de  Peças  para  Automóveis  e  Tenneco  Automotive Brasil Ltda, para que esclarecessem o motivo das transferências  efetuadas  para  elas  pela  NTE.  Ambas  apresentaram  farta  documentação,  a  qual,  em  linhas  gerais,  evidencia  que  as  transferências  feitas  pela  NTE  consistiam em pagamento parcial de vendas a outras empresas.  DILIGÊNCIAS DA AUTAL FISCALIZAÇÃO  59. A fiscalização verificou que o maior volume de compras da REDE  PRESIDENTE  era  efetuado  por  meio  das  empresas  PRS  e  PSE  e  intimou  mais de 40 fornecedores para prestar esclarecimentos.  60. Modine do Brasil Sistemas Térmicos Ltda. informou que o contato  da empresa PRS seria o Sr. Bene, que representa  também as empresas RPT  Distr Auto Peças e PRV Comercio Atac de Peças Aut Ltda.  61.  Indústria  e  Comércio  de  Auto  Peças  Rei  Ltda.  respondeu  que  o  comprador  da  empresa  PRS  seria  o  Sr.  Adailton  Hilário  da  Silva,  que  representava  também  a  Comercial  Presidente  de  Auto  Peças  Ltda.,  Distribuidora  Pinheirão  Peças  Automotivas  Ltda.  e  a  Retífica  Presidente  Prudente Peças p/ Veíc Ltda.  62.  Jofund  S/A  informou  que  o  contato  em  2008  na  PRS  era  o  Sr.  Adailton  Hilário  da  Silva,  também  responsável  pela  empresa  Comercial  Presidente  de  Autopeças  Ltda.  Com  relação  ao  período  de  2009  a  2012,  informou que ele era, ainda, o responsável pelas compras das empresas RPT  Distribuidora de Auto Peças, Alba Autopeças Ltda., APE Auto Peças Ltda.,  PSE Comercial de Peças para Veículos Ltda., PRE Comércio e Distribuição  de Auto Peças Ltda., PRV Comércio Atacado de Peças Automotivas Ltda. e  KRE Comércio de Peças Ltda.  63. Cerâmica e Velas de Ignição NGK do Brasil Ltda. informou que o  contato na PRS  seria Edenilson Ferreira de Oliveira,  encontrado no mesmo  endereço do responsável por compras da RPT e da PRTS de Maringá/PR.  Fl. 12693DF CARF MF     12 64.  A  empresa  Meritor  do  Brasil  informou  que  o  atual  contato  comercial/financeiro da PRV trata e assunto comercial/financeiro relacionado  à PRS, porém desconhece a exata relação jurídica entre essas empresas.  65.  RHO  Interruptores  Automotivos  Ltda.  informou  que  de  2008  até  13/12/2012, o contato era o Sr. Estevão. A partir de 2013, o contato passou a  ser  Nélio  Jonei  Gonçalves  de  Oliveira,  Alex  Brito  e  Karen  Rocha.  Foi  apresentada lista de 16 empresas, todas pertencentes à REDE PRESIDENTE.  66.  Da mesma  forma,  as  13  empresas  citadas  por  Susin  Francescutti  Metalúrgica Ltda. compõem a REDE PRESIDENTE. O contato da empresa  RPS seria Francisca Dias ou o Sr. Edenilson.  67. A Max Gear  informou que os  contatos  eram Karen Rocha,  Johny  Vieira  e  Edenilson.  As  empresas  listadas,  com  40  estabelecimentos  de  28  CNPJ  raiz,  são  todas  da  REDE  PRESIDENTE.  A  Max  Gear  apresentou  planilha  referente  ao  período  2008  a  2010,  com  os  pagamentos  recebidos  pelas vendas, identificando a empresa de acordo com o extrato bancário, onde  se  constata  que  as  vendas  feitas  para  a  PRS  foram  pagas  mediante  transferências  bancárias  de  outras  13  empresas,  todas  da  REDE  PRESIDENTE.  68.  Affinia  Automotiva  Ltda.  também  apresentou  planilha  com  a  identificação  das  vendas  efetuadas  para  a  PRS  no  ano  de  2008.  A  identificação  das  empresas  “pagadoras”  foi  feita  apenas  pelo  nome,  provavelmente o nome que aparece no extrato bancário, todas da  REDE PRESIDENTE.  69.  Mann  Hummel  Brasil  Ltda.  disse  que  o  contato  da  PRS  era  Edenilso Ferreira de Oliveira  e  apresentou  rol  de  empresas  relacionadas  ao  representante, todas da  REDE PRESIDENTE.  70. A relação das empresas apresentada pela fornecedora TMD Triction  do Brasil S/A intitulada “6. empresas do Grupo Presidente” também contém  várias  empresas  representadas  pela  mesma  pessoa  da  PRS,  todas  elas  da  REDE PRESIDENTE. São 42 estabelecimentos, com 23 CNPJ raiz.  71.  Vários  outros  fornecedores  apresentaram  respostas  praticamente  nos mesmos termos, citando os mesmos contados e apresentando as mesmas  empresas pertencentes à REDE PRESIDENTE.  72.  Destaca­se  que  a  fiscalização  identificou  70  “empresas”  do  esquema que tiveram algum tipo de atividade no período de 2008 a 2012.  RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE – FAMÍLIA TOLARDO  73. Conforme já dito, a REDE PRESIDENTE teve origem na empresa  Real Iguaçu (ou Tolardo Auto Peças), dos irmãos Tolardo (Samuel Tolardo e  José Dario Tolardo), sediada em Maringá/PR. Na década de 90 essa empresa  sofreu diversas autuações fiscais e sua sede foi mudada para o estado de São  Paulo,  após  o  que  foram  interpostos  laranjas  no  seu  quadro  societário.  Em  1995,  a  Real  Iguaçu,  com  pesadas  dívidas  fiscais,  passou  à  condição  de  inativa  e  foi  abandonada  pela  família  Tolardo.  Samuel  Tolardo  adquiriu  a  Fl. 12694DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.689          13 Foramec e a partir dela criou a RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda., com o  nome de fantasia “PRESIDENTE”. Fizeram parte do quadro societário dessa  empresa  Samuel  Tolardo  e  Rogério  Márcio  Tolardo,  seu  filho.  Robson  Marcelo Tolardo, outro  filho de Samuel Tolardo,  teve vínculo empregatício  de maio/2002 a maio/2010.  74.  No  final  de  1999,  a  família  Tolardo  passou  a  incluir  laranjas  no  quadro societário da RPT.  75.  Destaca­se  como  prova  desse  fato,  conversa  telefônica  de  05/05/2012 gravada pela Polícia Federal entre  Íris da Silva Tolardo, esposa  do  falecido  Samuel  Tolardo,  e  sua  amiga  Leda  (ou  Ieda).  Íris  da  Silva  Tolardo  comenta  sobre  a  atitude  de  uma  funcionária  do  esquema,  Odete  Cardoso Berti, que supostamente  teria preterido um de seus  filhos, Rogério  Márcio Tolardo, na administração do esquema, ao dizer que o “patrão” seria  apenas Robson Marcelo Tolardo. Ela diz ainda que, ao menosprezar o  filho  Márcio  (Rogério  Márcio  Tolardo)  em  favor  de  Robson  Marcelo  Tolardo,  Odete estaria menosprezando não apenas ele, mas também os demais, Jeane  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore  e  Samuel  Tolardo  Júnior.  Isso  porque  todos  seriam “sócios” da REDE PRESIDENTE.   76. Forte elemento de comprovação da participação da família Tolardo  no  esquema  é  o  arquivo  “ACERTOS CELO MAR  JR ALTERADOS.xls”,  encontrado no pendrive de Odete  e no pendrive de Samuel Tolardo  Júnior.  Esse  arquivo  controla  os  débitos  e  créditos  entre  os  irmãos  Tolardo  e  os  rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE desde 30/11/2007  até  31/05/2011.  Foram  encontrados  no  HD  apreendido  na  residência  de  Samuel Tolardo Júnior os extratos de conta de cartão de crédito AMEX dos  meses de abril/2008 e  fevereiro/2009 a maio/2009, cujos valores constavam  na planilha. Essa  conta AMEX está  em nome de Robson Marcelo Tolardo,  mas  contém  detalhamento  de  valores  de  despesas  dos  demais  irmãos,  bem  como da mãe Íris da Silva Tolardo.  77. Segundo a mencionada planilha, em todo o período de 30/11/2007  até  31/05/2011  cada  irmão  tinha  direito  a  um  “crédito  mensal”  de  R$  100.000,00  (cem  mil  reais).  Durante  o  período,  o  irmão  Rogério  Márcio  Tolardo  recebeu  valores,  normalmente  em  cheques  de  terceiros,  bem  superiores,  o  que  gerava  uma dívida,  ou  saldo  devedor,  como o  excerto  de  30/11/2010,  no  valor  de  R$  647.887,53  (seiscentos  e  quarenta  e  sete  mil,  oitocentos e oitenta e sete reais e cinquenta e três centavos). Essa dívida não  era paga e os outros irmãos passavam a ter um crédito adicional no período  seguinte,  a  fim  de  se  equipararem  a  Rogério.  Na  prática,  no  período  mencionado, cada um dos 4 irmãos recebeu crédito superior a R$.200.000,00  (duzentos mil reais) mensais. Esses valores foram confirmados no programa  CAIXA  encontrado  em  computador  apreendido  na  residência  de  Lais  de  Oliveira Wochner  e  Ronaldo  Paixão Wochner  e  comprovam  o  vínculo  da  família com a REDE PRESIDENTE,  PROGRAMA CAIXA  Fl. 12695DF CARF MF     14 78.  O  Programa  Caixa  e  todo  o  banco  de  dados  alimentado  por  ele  foram  encontrados  na  residência  de  Lais  de  Oliveira Wochner,  importante  operadora  do  esquema,  e  Ronaldo  Paixão  Wochner,  colaborador  como  programador  no  Departamento  de  Informática  da  filial  23.  O  programa  provavelmente  foi  desenvolvido  por  este  último.  Conforme  informado  no  Relatório Circunstanciado nº 176/2014 da Polícia Federal e Ofício 2348, de  24/09/2014,  o  programa  e  o  banco  de  dados  foram  disponibilizados  à  fiscalização.  79. O programa consiste em uma espécie de contabilidade e controlava  os  recursos  físicos  (não  bancários)  de  todo  o  esquema  da  REDE  PRESIDENTE,  controlando  o  seu  fluxo  financeiro,  com  as  remessas  de  valores das empresas (ou “filiais”) e a destinação dos recursos em espécie. A  fiscalização  extraiu  vários  relatórios  desse  programa,  estando  todas  as  extrações validadas pelo Laudo 300/2014 e seu  anexo de arquivos  juntados  ao presente processo.  80.  Constavam  no  banco  de  dados  várias  “contas”  representativas  de  custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc., bem como vários “centros  de custos”, tais como os relativos a cada uma das “filiais”. Dentre os centros  de custo destaca­se o “020 – DIRETORES”. Entre as subcontas, sobressaem  aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrando­se  o centro de custos “20­DIRETORES” e aplicando­se outro filtro relativos às  subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles.  81. Como exemplo, os lançamentos do mês de janeiro/2009 relativos a  Robson  Marcelo  Tolardo  (Subconta  Celo)  totalizaram  R$  51.249,75  (cinquenta  e  um  mil,  duzentos  e  quarenta  e  nove  reais  e  setenta  e  cinco  centavos),  correspondente a despesas pessoais como escola do  filho,  salário  do  caseiro,  contas  de  telefone  de  casa,  viagens  aéreas,  etc.  Esse  valor  coincide  com  o  valor  da  planilha  “ACERTOS  CELO  MAR  JR  JI  ALTERADOS.xls”  encontrada  nos  pendrives  de  Odete  e  Samuel  Tolardo  Júnior. Essa  coincidência  de  valores  entre  a mencionada base  de dados  e  a  planilha  ocorre  para  os  outros  valores  também.  Algumas  despesas  eram  rateadas entre os irmãos, como o aluguel de um salão de festas e uma conta  de luz.  SAMUEL TOLARDO  82.  Já  foi  relatado  o  surgimento  da  REDE  PRESIDENTE,  acrescentando­se neste tópico mais informações sobre o mentor e responsável  pelo  esquema,  Samuel  Tolardo,  falecido  em  2007.  Samuel  Tolardo  era  bastante conhecido no ramo de autopeças no Paraná, mais especificamente na  cidade de Maringá.  83. Nas DIRPF do período 2001 a 2007 o endereço de Samuel Tolardo  foi  informado  como  sendo  no  estado  de  São  Paulo,  entretanto  dado  o  seu  costume  de  informar/declarar  dados  não  verdadeiros  para  dificultar  a  fiscalização, nada mais profícuo do que a alteração do seu endereço. Rápida  pesquisa na internet já demonstra que a cidade onde verdadeiramente residia  era  Maringá/PR,  chegando  ele  a  ser  vítima  de  um  sequestro  no  norte  do  Paraná.  Fl. 12696DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.690          15 84. Em notícia do jornal eletrônico “Odiario.com”, de Maringá, vê­se o  relato de sua morte, tendo ocorrido um acidente quando dirigia a sua Pajero  pela  Avenida  Parigot  de  Souza.  Cita­se  que  era  empresário  do  ramo  de  autopeças, conhecido por ser vítima de sequestro no Vale do Ivaí em 1999.  85.  Na  fiscalização  da  NTE  Auto  Peças  Ltda.  –  EPP,  foram  obtidas  cópias de cheques emitidos em 2006 por essa empresa, que tinha na época a  razão  social  Alba  Auto  Peças  Ltda.,  com  assinaturas  falsas  de  sua  sócia  laranja,  Silvia  Vilhalba.  Esses  cheques  tinham  que  ser  confirmados  pelo  titular da conta, em face das quantias elevadas. No Relatório Fiscal emitido  naquele  procedimento  (Processo  11020.723699/2012­18)  consta  que  foi  encontrado  o  nome  de  Samuel  Tolardo  na  parte  superior  dos  cheques  e  o  banco HSBC esquivou­se de esclarecer esse fato. A ex­funcionária do banco  responsável  pelas  operações  disse  que  era  procedimento  comum  entrar  em  contato  com  as  pessoas  autorizadas  pelas  empresas,  no  caso  de  dúvidas  quanto à liberação dos pagamentos.  86.  Outro  elemento  que  vincula  Samuel  Tolardo  à  REDE  PRESIDENTE  é  o  trecho  da  denúncia  feita  em  2006  à  Polícia  Civil  (Delegacia  de  Defraudações)  por  um  ex  funcionário  da  RPT,  Ivanilto  Mascena dos Anjos.  87.  No  cumprimento  dos  Mandados  de  Busca  e  Apreensão  foram  encontradas  várias  procurações  em  benefício  de  Samuel  Tolardo  e  relacionadas a empresas do esquema REDE PRESIDENTE.  ÍRIS DA SILVA TOLARDO  88.  Íris  da  Silva  Tolardo  é  a  matriarca  da  família  Tolardo,  viúva  de  Samuel Tolardo. Embora não aparente  ter poder decisório no esquema,  tem  pleno  conhecimento  das  atividades  e  de  seu  caráter  ilícito,  além  de  ser  beneficiada  por  todo  o  patrimônio  e  rendimentos  obtidos  da  atividade.  Aparece  também  como  administradora/responsável  por  uma  empresa  registrada em nome dos  seus  filhos, bem como procuradora ou  caucionante  de aluguel de empresas do esquema.  89.  No  Programa  Caixa  utilizado  pela  REDE  PRESIDENTE,  na  Subconta  Íris foram identificados diversos pagamentos de despesas pessoais  como  TV  a  cabo,  plano  de  saúde,  água,  telefone,  consertos,  etc.,  além  de  vultosos pagamentos com o histórico “RETIRADAS”. As vultosas  retiradas  denotam a posição de Íris da Silva Tolardo como coproprietária do esquema.  ROBSON MARCELO TOLARDO  90. Após  o  falecimento  do  pai, Robson Marcelo Tolardo  tornou­se  o  principal comandante da REDE PRESIDENTE.  91. Há várias provas do envolvimento e da posição de Robson Marcelo  Tolardo  no  esquema,  como  a  resposta  a  uma  intimação  de  uma  das  fornecedoras  da  RPS,  que  o  menciona  como  proprietário  da  empresa,  conversas por e­mail, escutas telefônicas, procuração das empresas e laranjas,  procuração  de  seu  pai  para  efetuar  a  compra  de  uma  das  empresas,  Fl. 12697DF CARF MF     16 depoimento de seu  tio à Polícia Federal,  entrevistas com funcionários e  ex­ funcionários.  92.  Um  elemento  que  comprova  a  participação  de  Robson  Marcelo  Tolardo,  bem  como  de  seus  irmãos,  no  esquema  é  o  arquivo  “ACERTOS  CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” encontrado nos pendrives de Odete e  de  Samuel  Tolardo  Júnior.  O  programa  CAIXA  confirma  os  pagamentos  verificados  nesse  arquivo.  A  REDE  PRESIDENTE  pagava  todo  tipo  de  despesas pessoais de Robson Marcelo Tolardo. As vultosas quantias mensais  denotam a posição de coproprietário do esquema,  tratando­se de verdadeiro  prólabore.  JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE  93. O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o  programa  CAIXA  também  comprovam  a  participação  de  Jeane  Cristine  Tolardo Dalle Ore, filha mais nova de Samuel Tolardo. As despesas pessoais  dela  eram  custeadas  pela  REDE  PRESIDENTE  e  ela  realizava  retiradas  vultosas, o que denota sua condição de coproprietário do esquema.  94.  Jeane  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore  tinha  participação  ativa  no  esquema,  sobretudo  como  administradora  do  grupo  adquirido  (Emprepar),  conforme  demonstram  as  ligações  telefônicas  interceptadas  pela  Polícia  Federal.  Há,  inclusive,  ligações  entre  ela  e  sua mãe  e  entre  esta  e  Robson  Marcelo Tolardo, as quais demonstram que a filha do ex­dono da Embrepar  ensinou Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore sobre os  procedimentos do negócio adquirido.  95. Além de administrar a Embrepar, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore  tinha  diversas  procurações  de  sócios  laranjas  para  gerir  os  negócios,  era  proprietária de diversos  imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além  de  ser  fiadora  de  contratos  de  locação  de  outros  também  utilizados  pelo  esquema.  ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO  96. O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o  programa  CAIXA  também  comprovam  a  participação  de  Rogério  Márcio  Tolardo, da mesma  forma que  seus  irmãos. Ele  teve envolvimento  ativo na  REDE PRESIDENTE desde cedo, constando como sócio da RPT juntamente  com seu pai.  97.  Foram  encontradas  várias  procurações  outorgadas  pelos  laranjas,  para  que  Rogério  Marcelo  Tolardo  administrasse  empresas  do  esquema.  Além  disso,  ele  é  proprietário  de  seis  imóveis  utilizados  pela  REDE  PRESIDENTE  e  aparece  nas  conversas  telefônicas  como  administrador  do  esquema.  SAMUEL TOLARDO JÚNIOR  98. Da mesma  forma  que  seus  irmãos,  o  arquivo  “ACERTOS CELO  MAR  JR  JI  ALTERADOS.xls  e  o  programa  CAIXA  comprovam  a  participação de Samuel Tolardo Júnior no esquema, no papel de sócios.  Fl. 12698DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.691          17 99.  No  seu  apartamento  foram  encontrados  vários  documentos  do  esquema,  que  comprovam  a  sua  participação  desde  1996.  É  dele  a  propriedade de vários imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além de  lhe terem sido outorgadas procurações para administração das empresas. É de  se destacar,  ainda, as  escutas  telefônicas nas quais  foi mencionado diversas  vezes como integrante do esquema.  DA SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  100.  Conforme  visto  e  demonstrado  exaustivamente  no  Relatório  Fiscal, o acesso ao Sistema CAIXA pela Polícia Federal possibilitou que se  verificasse os pagamentos efetuados pelo esquema, bem como a identificação  das filiais. Essa identificação das filiais ou empresas envolvidas também pôde  ser apurada nas planilhas de vendas encontradas no computador de Daniel de  Oliveira  Júnior e pelos diversos  controles  encontrados no  cumprimento dos  Mandados de Busca e Apreensão.  101.  Depois  do  confronto  das  verbas  verificadas  com  as  folhas  de  pagamento e GFIP das várias empresas da REDE PRESIDENTE, a Auditoria  constatou  que  tais  documentos  não  traziam  a  maioria  das  verbas,  ou  seja,  houve sonegação de contribuições previdenciárias. O grupo estava pagando,  por exemplo, salários, vale­transporte, vale­alimentação, aluguéis, comissões,  gratificações, etc.  sem considerá­los para  fins de  incidência de contribuição  previdenciária.  102. Para apurar o total de contribuição previdenciária sonegada, foram  excluídas  do  Extrato  da  Conta  Caixa  todas  as  verbas  que  não  possuíam  natureza  salarial,  tendo  sido  constatado  valores  pagos  a  empregados  das  seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE:  a. PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.;  b. A P E Auto Peças Ltda.;  c. IME Peças para Veículos Ltda. – ME;  d. PRV Comércio de Peças Ltda. – ME;  e. Daniel de Oliveira Júnior;  f. PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.;  g. PRS Peças para Veículos Ltda.;  h. Fort Lub Produtos Automotivos Eireli – ME;  i. RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda.  103. Os  valores  pagos  a  empregados  foram  comparados  com  aqueles  declarados em GFIP e a diferença foi considerada para apuração da base de  cálculo das contribuições previdenciárias sonegadas.  Fl. 12699DF CARF MF     18 104.  Foram  apurados  valores  pagos  a  pessoas  físicas  por  serviços  prestados  como  motoboys  das  seguintes  empresas  do  GRUPO  PRESIDENTE:  a. PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.;  b. A P E Auto Peças Ltda.;  c. IME Peças para Veículos Ltda. – ME;  d. PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.;  e. PRS Peças para Veículos Ltda.;  f. RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda.;  105.  Foram  apurados  valores  pagos  a  diretores  membros  da  família  Tolardo por meio da empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda.  106. Com  relação aos valores pagos  aos motoboys e aos membros da  família  Tolardo,  não  houve  deduções,  pois  não  havia  declaração  de  tais  valores em GFIP. Apesar de ter sido declarado em GFIP pró­labore pagos aos  sócios laranjas, não houve nenhuma declaração em GFIP dos valores pagos à  família Tolardo e discriminados no “Extrato de Conta Bancária”.  DA EMPRESA PRV  107.  A  empresa  PRV  Comércio  de  Peças  Ltda.  ­  ME  é  uma  das  empresas  da  REDE  PRESIDENTE  de  autopeças  e  assim  como  as  outras,  encontra­se constituída em nome de laranjas. O seu domicílio fiscal seria na  cidade  de  Guarulhos/SP,  contudo,  conforme  relato  anterior,  a  sede  administrativa de todo o esquema fica, na verdade, na cidade de Maringá/PR.  Poucos meses  após  a  sua  criação,  seu  endereço  foi  alterado  para  o mesmo  endereço da RPT e da A P E, ambas empresas do esquema.  108.  Em  diversos  locais  onde  foram  cumpridos  os  mandados  de  procedimento fiscal foram encontrados documentos que vinculam a PRV ao  esquema,  inclusive  no  endereço  da  sua  sede.  Ela  consta  também  nos  relatórios de controle das filiais.  DO MODUS OPERANDI  109.  A  sistemática  do  GRUPO  PRESIDENTE  para  sonegar  as  contribuições  previdenciárias  consistia  em  pagar  em  dinheiro  ou  depositar  nas  contas  correntes  de  seus  empregados  verbas  de  cunho  salarial  sem  considerá­las  na  apuração  desses  tributos.  Determinadas  verbas  (aluguel,  vale­transporte,  auxílio­alimentação,  pagamento  a  motoboys,  retiradas  de  diretores)  eram  sonegadas  completamente.  Outras  (salário,  gratificação,  comissão, rescisão, férias, 13º), eram sonegadas em parte.  110. Em uma auditoria ordinária seria quase impossível a identificação  desses  valores,  tendo  a  apuração  sido  possibilitada  pela  execução  dos  Mandados de Busca e Apreensão decorrentes da Operação Laranja Mecânica,  quando a fiscalização pôde acessar o “Caixa 2”.  Fl. 12700DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.692          19 111.  Os Mandados  de  Busca  e  Apreensão  tiveram  como  alvo  vários  endereços,  destacando­se o bunker da Rua das Camélias,  690, Maringá/PR,  uma  residência  de  alvenaria,  sem  identificação  alguma.  Esse  lugar  foi  identificado  nas  investigações  policiais,  principalmente  por  escutas  telefônicas,  quando  se  apurou  que  lá  funcionaria  o  controle  de  Recursos  Humanos  do  esquema.  Foi  em  um  HD  apreendido  nesse  endereço  que  se  encontrou o programa CAIXA.  112. Além  do  pagamento  de  verbas  a  empregados  registrados,  foram  detectados  pagamentos  de  salário  a  empregados  sem  registro.  Os  salários  desses  empregados  e  verbas  como  férias  eram  objeto  de  recibos  comuns.  Foram  encontrados  também  comprovantes  de  depósitos  nas  contas  dos  empregados em valores bem superiores àqueles declarados.  DO VALE­TRANSPORTE PAGO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO  113. A jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais é unânime em  considerar o caráter salarial dos valores de vale­transporte pagos em pecúnia,  pois consiste em violação ao disposto no art. 5º do Decreto nº 95.247/1987,  pelo qual é vedado ao empregados substituí­lo por antecipação em dinheiro  ou  qualquer  outra  forma  de  pagamento.  Assim,  deve  integrar  a  base  de  cálculo das contribuições previdenciárias.  114.  Também  se  defendeu  a  tese  de  que  o  vale  transporte  pago  em  dinheiro e de forma contínua passa a integrar a remuneração do empregado,  incidindo  a  contribuição  previdenciária  com  base  no  art.  201,  §  11,  da  Constituição Federal.  DO  AUXÍLIO­ALIMENTAÇÃO  PAGO  EM  DESCONFORMIDADE  COM  A  LEGISLAÇÃO  115. O auxílio­alimentação tem natureza salarial quando a empresa não  está incluída no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, nos termos  da Lei nº 6.321/1976, conforme art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/1991 e art. 3º da  lei  nº  6.321/1976.  Assim,  os  valores  pagos  em  dinheiro  apurados  foram  considerados  pela  fiscalização  como  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  DA MULTA DE OFÍCIO  116.  São  utilizadas  pessoas  físicas  “laranjas”  na  constituição  de  empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a  fiscalizada. São usados expedientes escusos, como a falsificação de diversos  documentos  e assinaturas. Essa  conduta visa  a modificar uma  característica  essencial do fato gerador da obrigação, o real sujeito passivo, enquadrando­se  a  situação  no  conceito  de  fraude  previsto  no  art.  72  da  Lei  nº  4.502/1964.  Igualmente,  enquadra­se no  conceito de  sonegação dado pelo  art.  71,  II,  da  mesma  lei,  vez  que  se  constitui  em  ação  dolosa  tendente  a  impedir  o  conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a  obrigação tributária ou o crédito tributário.  Fl. 12701DF CARF MF     20 117. Os pagamentos “por fora” efetuados aos empregados, descobertos  graças  aos  Mandados  de  Busca  e  Apreensão,  consistem  em  omissão  de  parcela relevante da remuneração, incorrendo o contribuinte nos conceitos de  fraude  (ação  tendente  a  impedir  a  ocorrência  do  fato  gerador  ou modificar  suas características) e sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da  autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador,  reduzindo o montante do tributo devido).  118. Ambas as condutas evidenciam claramente o dolo do contribuinte,  impondo a aplicação da multa de ofício qualificada em percentual de 150%  (cento  e  cinquenta  por  cento)  prevista  no  art.  44  e  seu  §1º  da  Lei  nº  9.430/1996.  DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  119. Em face da comprovação inequívoca de que os reais proprietários  e  administradores  da  fiscalizada  são  os  integrantes  da  família Tolardo,  eles  são  nomeados  sujeitos  passivos  solidários  mediante  lavratura  de  Termo  de  Sujeição Passiva Solidária, com base no art. 124, I, e art. 135, III, do Código  Tributário Nacional – CTN.  120.  Como  foi  fartamente  comprovado  que  os  integrantes  da  família  Tolardo  são os verdadeiros proprietários  e beneficiários do  esquema REDE  PRESIDENTE,  resta  inequívoco  que  têm  interesse  comum  nos  negócios  desse esquema, do qual faz parte a empresa alvo do lançamento. Além disso,  o art. 135 do CTN impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes  ou representantes do empreendimento. A responsabilidade pessoal decorre de  atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, exatamente o caso  da  família  Tolardo,  que  se  utiliza  de  meios  fraudulentos,  tais  como  interposição de  laranjas em sua empresas, ou a  larga prática de vendas sem  nota fiscal, à margem da escrituração ou de declaração.  121.  Dessa  forma,  lavram­se  os  competentes  Termos  de  Sujeição  Passiva Solidária em desfavor dos reais sócios proprietários do esquema: Sra.  Íris  da  Silva  Tolardo,  Sr.  Robson  Marcelo  Tolardo,  Sr.  Rogério  Márcio  Tolardo, Sr. Samuel Tolardo Júnior e Sra. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore.  2 Impugnação da PRV  A  empresa  PRV  Comércio  de  Peças  Ltda.  – ME  foi  cientificada  em  12/12/2014,  conforme Aviso  de Recebimento  – AR  juntado  aos  autos.  Em  07/01/2015, apresentou impugnação, alegando, em síntese:  1. A empresa  teve  lavrado contra si auto de  infração em um processo  inquisitivo sem que lhe fosse dado conhecimento dos fatos e dos documentos  que levaram à abusiva exigência tributária.  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL  2. O Mandado de Procedimento Fiscal iniciou­se em 27/02/2014, com  o  fim de ser efetuada  fiscalização em relação ao  Imposto  sobre a Renda de  Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL  para  o  período  09/2010  a  09/2012,  com  prazo  de  encerramento  até  27/06/2014.  Houve,  entretanto,  alteração  e  prorrogação  do  Mandado  de  Procedimento Fiscal sem a devida e necessária cientificação da impugnante.  Fl. 12702DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.693          21 A  prorrogação  ocorreu  até  24/10/2014,  não  tendo  sido  o  Auto  de  Infração  lavrado nesse prazo. O período de 26/03/2009 a 31/12/2010 sequer faz parte  da fiscalização constante no MPF no tocante às contribuições previdenciárias.  3. A alteração do objeto  e prorrogação  sem a devida  comunicação ao  contribuinte  causa  a  nulidade  do  procedimento,  por  afronta  ao  princípio  da  legalidade  em  face  do  descumprimento  ao Decreto  nº  7.574/2011,  além  de  ferir o direito de defesa e ao devido processo legal do contribuinte. O art. 11  da  Portaria  RFB  nº  3.014/2011,  combinado  com  –  c/c  o  Decreto  nº  7.574/2011, prevê prazo de validade para o mandado de procedimento fiscal.  O Decreto nº 7.574/2011, art. 33, §3º, dispõe que a prorrogação do mandado  de  procedimento  fiscal  deve  ser  cientificada  ao  sujeito  passivo  dentro  do  prazo anterior.  CERCEAMENTO DE DEFESA  4.  Houve  a  desconsideração  de  uma  série  de  documentos  comprobatórios  de  todas  as  operações  realizadas  pela  impugnante,  sem  ter  sido indicada a base legal para tanto e sem a especificação dos motivos pelos  quais os documentos não foram aceitos.  5. Destaca o cerceamento de defesa, uma vez que foi  requerido prazo  para apresentação de documentos, que não foi concedido pelo Auditor Fiscal,  pois tais documentos dependiam de terceiros, como instituições financeiras e  Delegacia da Polícia Federal, que indevidamente os reteve. Sem prazo hábil  para se defender, a impugnante teve cerceado seu direito.  6. Os documentos não foram devolvidos e deveriam ter acompanhado a  peça do Auto de Infração, para que a impugnante tivesse assegurado o amplo  direito  de  defesa  e  contraditório.  Lavrado  o  Auto  de  Infração,  os  livros  e  documentos devem ser devolvidos ao contribuinte, por meio de lavratura de  termo,  no  prazo  estabelecido  para  defesa.  Ademais,  não  foram  disponibilizados ao impugnante os documentos referidos no Relatório Fiscal,  embora  tenha  sido  requerido  no  prazo  para  impugnação.  Os  processos  administrativos  fiscais  11020.723699/2012­18  e  15586.720329/2011­95  e  o  Inquérito Policial 256/2008 da Delegacia da Polícia Federal de Maringá não  foram disponibilizados à empresa, não havendo como se defender.  ILEGITIMIDADE PASSIVA DA IMPUGNANTE E PROVA NULA  7.  O  processo  administrativo  foi  instaurado  com  a  utilização  dos  elementos  coligidos  nos  processos  administrativos  fiscais  11020.723699/2012­18  e  15586.720329/2011­  95  e  no  Inquérito  Policial  256/2008 da Delegacia da Polícia Federal de Maringá,  entretanto mostra­se  nulo o direcionamento administrativo contra a  impugnante, como se  sujeito  passivo solidário fosse, por ausência de prova que o justifique, notadamente  perante a ausência de qualquer demonstração de vínculo entre a impugnante e  a empresa autuada naqueles autos.  8. A afirmação de que o sócio da impugnante seria laranja e faz parte  de um grande esquema não é verdadeira e baseia­se em meras presunções. A  conclusão  a  que  chegaram  os  Auditores  Fiscais  decorreu  do  inquérito  Fl. 12703DF CARF MF     22 policial, que é um procedimento policial administrativo, de cunho meramente  investigativo  e  inquisitivo,  sem  contraditório  e  ampla  defesa,  pois  a  impugnante,  na  pessoa  de  seu  sócio,  sequer  foi  ouvida  pela  autoridade  policial. Não é admissível a prova emprestada, pois a sua produção ocorreu  no âmbito do inquérito policial, sem ser observado o contraditório e a ampla  defesa.  DESOBEDIÊNCIA A REQUISITOS PARA O LANÇAMENTO  9. Não  pertine  à  fiscalização  a  atribuição  aos  sócios  da  qualidade  de  laranjas  e  não  lhe  compete  considerar  a  existência  de  um  suposto  “Grupo  Rede  Presidente”.  A  autoridade  fiscal  sustenta  indício  de  fraude  e  utiliza  elementos que não traduzem essa informação, como trechos de depoimentos  os quais a empresa impugna, pois não foi obtida autorização judicial válida,  sendo períodos posteriores ou anteriores à autorização, o que gera nulidade,  conforme precedente do Supremo Tribunal Federal – STF.  10.  Além  disso,  os  diálogos  não  demonstram  qualquer  liame  da  empresa  impugnante,  utilizando­se  o  Auditor  Fiscal  de  presunção.  O  lançamento foi calcado em convencimento não baseado nas provas dos autos,  tendo a autoridade fiscal  insistido em lavrar o Auto de Infração mesmo não  tendo  a  certeza  dos  fatos.  A  Auditoria  preferiu  interpretar  os  dados  como  atentatórios à Administração Pública, mesmo que incorretamente, a deixar de  proceder ao lançamento.  IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO PARA O LANÇAMENTO  11.  A  fiscalização  autuou  a  empresa  unicamente  por  presunção,  sem  demonstrar claramente os indícios que o levaram a fazer essa grave opção. A  presunção,  entretanto,  não  se  aplica  a  esmo,  tampouco  cabe  no  lançamento  tributário  a  tese  de  que  os  atos  administrativos  gozam  de  presunção  de  validade.  12. O art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 exige a anexação de todos os  documentos  pertinentes  à  análise  fiscal  e  a  desobediência  a  ele  implica  em  nulidade  do Auto  de  Infração,  por  constituir  transgressão  à  lei  e  por  gerar  cerceamento no direito de defesa do contribuinte.  13. Segundo o Código de Processo Civil – CPC, art. 333, cabe ao Fisco  provar o fato constitutivo do seu direito, cabendo ao contribuinte provar fatos  impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autos. Violadas as regras  que regem o ônus da prova, a nulidade deve ser declarada de pronto, pois está  caracterizado  vício  insanável.  Ademais,  o  art.  112  do  CTN  prevê  que,  em  caso de dúvida, a lei tributária que define infrações deve ser interpretada de  maneira mais favorável ao contribuinte.  14. “A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide  com  as  diretrizes  do  processo  de  criação  das  presunções  legais,  pois  a  experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois  fatos  não  havia  nexo  causal,  vale  dizer,  constatou­se  não  haver  liame  absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido”.  INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS INFORMADORES  Fl. 12704DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.694          23 15.  O  Auto  de  Infração  não  observou  os  princípios  e  regras  constitucionais: direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo  legal,  princípio  da  legalidade,  princípio  da  imparcialidade  decorrente  do  princípio da isonomia, princípio do informalismo, princípio da verdade real e  princípio da publicidade.  INEXISTÊNCIA DE PROVA MATERIAL  16.  Há,  no  caso,  total  ausência  de  provas  de  qualquer  atribuição  da  responsabilidade imputada à impugnante, a qual decorre de mera presunção.  Não é lícito a autoridade fiscal presumir a má­fé da impugnante, o que exige  provas.  17. Violadas as regras que regem o ônus da prova, a nulidade deve ser  declarada de pronto, pois está caracterizado vício insanável.  UTILIZAÇÃO DE ELEMENTOS COLIGIDOS DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS  NÃO  TRANSITADOS  EM  JULGADO  E  DE  INQUÉRITO  POLICIAL  AINDA  NÃO  FINALIZADO  18.  Toda  a  fundamentação  utilizada  para  a  constituição  do  crédito  tributário,  com  aplicação  de  multa  qualificada  e  lavratura  de  termos  de  sujeição  passiva  solidária,  foi  pautada  em  processos  administrativos  não  transitados  em  julgado  e  em  inquérito  policial  ainda  não  finalizado.  Esses  processos administrativos não foram julgados até o momento e muito menos  o inquérito policial foi concluído.   19.  Se  as movimentações  financeiras  e  bancárias  constituem­se  como  marco inicial da investigação, eles não podem ser erigidos a fato indiciário na  construção  da  aludida  presunção  legal,  ou  seja,  não  podem  sustentar  uma  presunção  legal,  pois,  além  da  ausência  de  correlação  natural  exigida  na  instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência do  encargo probatório para o contribuinte.  DA APRECIAÇÃO DAS PROVAS E DOS LIMITES DO “LIVRE CONVENCIMENTO”  DA AUTORIDADE JULGADORA  20. A autoridade fiscal tece conclusões ilógicas, que não correspondem  à real interpretação dos documentos juntados e nem aos fatos, exacerbando o  livre  convencimento  da  autoridade  julgadora  previsto  em  lei,  para  imputar  uma conduta ilícita à impugnante.  21.  Apesar  de  o  Decreto  nº  70.235/1972,  nos  termos  do  seu  art.  29,  permitir à autoridade fiscal a formação da sua livre convicção, essa formação  tem limitadores constitucionais. A interpretação desse dispositivo deve ser a  de que a Constituição e a lei impõem um convencimento racional e motivado  à  luz  dos  autos.  A  racionalidade  é  necessária,  não  podendo  os  auditores  fiscais  valorar  as  provas  de  forma  passional,  mesmo  porque  a  atividade  administrativa é regida pelo princípio da impessoalidade.  22.  O  convencimento  da  autoridade  julgadora  deve  se  basear  por  elementos  concretos  vindos  exclusivamente  dos  autos,  pois  o  emprego  de  outros  transgride  as  garantias  constitucionais  do  contraditório  e  do  devido  Fl. 12705DF CARF MF     24 processo  legal,  sendo  fator  de  insegurança  para  as  partes.  A  autoridade  julgadora tem o dever de motivar a sua decisão e, em certos casos, o valor da  prova é dimensionado pela lei e não por ela.  IMPOSSIBILIDADE  DE  O  AUDITOR  CONSIDERAR  COMO  “LARANJAS”  OS  INTEGRANTES DA SOCIEDADE IMPUGNANTE  23. O  registro  de  constituição  societária  da  impugnante  é  plenamente  válido  e  produz  seus  efeitos,  nos  termos  da  Lei  nº  8.934/1994,  que  dispõe  sobre  o  registro  público  de  empresas  mercantis.  A  Junta  Comercial  que  registrou os atos de constituição da  impugnante e posteriores alterações dos  atos societários, dentro das suas atribuições legais e institucionais, já analisou  os requisitos necessários e a exatidão dos dados trazidos a arquivamento. Os  registros estão em conformidade com as normas legais e não existe qualquer  indício  de  falsidade  ou  de  simulação,  pois  retratam  um  negócio  jurídico  comprovadamente satisfeito em todos os seus contornos. Assim, não cabe a  afirmação de que a impugnante foi constituída em nome de laranjas.  24.  Para  que  o  Auditor  Fiscal  descaracterizasse  os  contratos  deve  observar  o  parágrafo  único  do  art.  116  do  CTN,  o  qual  exige  que  sejam  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em  lei  ordinária.  Não  foram estabelecidos esses  limites,  tanto que o  lançamento foi  realizado sem  qualquer  fundamento  para  a  desconsideração,  o  que  torna  nulo  o  ato  procedido.  25. Houve abuso de direito por não haver previsão  legal conferindo à  fiscalização  autoridade  para  ultrapassar  o  limite  da  estrita  legalidade,  buscando  elementos  para  afirmar  ou  não  a  validade  jurídica  das  operações.  Ademais,  para  desconsiderar  a  personalidade  jurídica,  é  necessária  autorização judicial, especialmente diante do conteúdo do art. 50 do Código  Civil  Brasileiro.  Somente  o  Juiz  de  Direito  pode  estabelecer  a  desconsideração  da  personalidade  jurídica,  devendo,  assim,  ser  decretada  a  nulidade do Auto de Infração.  FALTA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO  26.  A  autoridade  fazendária  tipificou  as  exigências  em  dispositivos  genéricos,  não  especificando  quais  dispositivos  embasam  a  motivação  do  lançamento  tributário,  o  que  contraria  o  art.  11,  III,  do  Decreto  nº  70.235/1972 e o art. 142 do CTN.  27. Se a empresa não pode apresentar os livros por estarem sob análise  de outra autoridade, não pode ser punida. Da mesma forma, não pode haver  lançamento  se  a autoridade  fiscal  informa que houve  sonegação  fiscal, mas  não aponta precisamente de onde  retirou os valores que alega  como  receita  omitida.  28. “A descrição dos fatos e o respectivo enquadramento da penalidade  cabível,  onde  haveria  que  adequar,  apossibilidade  (sic)  de  exigência  do  imposto  de  renda  para  que  pudesse  incidir  a  multa,  há  que  apresentar­se  com clareza e perfeitamente consoante com a legislação vigente, sob pena a  acarretar nulidade ... Assim percebe­se que, a autoridade fiscal, não tipificou  a  disposição  legal  para  a  exigência  de  imposto  de  renda,  acarretando  a  nulidade do ato”.  Fl. 12706DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.695          25 AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS  29.  O  lançamento  fiscal  baseou­se  exclusivamente  em  documentos  unilaterais apreendidos em nome de terceiros, que o Auditor Fiscal presumiu  se  referirem à  impugnante. Não houve a expedição de nenhum mandado de  busca e apreensão para o seu endereço, portanto nenhum documento seu foi  apreendido. Assim, a apreensão de discos  rígidos e computadores  foi  ilegal  em relação a ela e os documentos apreendidos não podem ser usados como  provas em processo judicial ou administrativo.  30.  A  Polícia  Federal  aproveitou  um mandado  de  busca  e  apreensão  destinado  a  outros  endereços  para  vasculhar  pessoas  físicas  e  jurídicas  não  contempladas pelo documento.  31. Dessa forma, impõe­se reconhecer a nulidade das provas coligidas  que embasaram o lançamento tributário, sob pena de se permitir prova ilícita  no bojo dos autos.  ILICITUDE DAS PROVAS UTILIZADAS  32.  As  provas  utilizadas  no  processo  administrativo,  decorrentes  de  mandados  de  busca  e  apreensão  são  ilícitas,  já  que  determinados  por  autoridade judicial incompetente para análise da matéria.  33.  O  inquérito  policial  teve  origem  em  compartilhamento  de  dados  entre  o  COAF,  Receita  Federal  e  Ministério  Público,  sem  qualquer  autorização judicial. “Além disso, o juízo que decretou a busca e apreensão,  no  momento  em  que  houve  a  instauração  dos  procedimentos,  nenhum  dos  crimes  investigados  eram  crimes  antecedentes  do  delito  de  lavagem  de  dinheiro.  Portanto,  a  vara  de  lavagem  de  dinheiro  não  tinha  competência  para processar o feito”.  34.  Ainda  que  fossem  emanadas  de  juiz  competente,  houve  extrapolação  dos  limites  da  ordem  judicial  pela  autoridade  fiscal,  que  se  baseou  em  elementos  de  provas  colhidas  em  computadores  particulares  de  terceiros, para os quais não foram expedidos mandados de busca e apreensão  específicos. Não houve,  em relação a esses  terceiros,  autorização específica  de quebra de sigilo de mensagens eletrônicas e arquivos digitais, o que causa  a nulidade das provas.  35.  Além  de  ter  havido  violação  ao  seu  direito  de  privacidade  e  ao  sigilo  das  comunicações  telefônicas,  as  conversas  desses  terceiros  não  guardam  qualquer  relação  com  a  autuação  e  fiscalização,  não  tendo  sido  sequer mencionada a empresa impugnante.  36.  O  sigilo  bancário  só  pode  ser  quebrado  mediante  autorização  judicial nas hipóteses de conduta delituosa configurada, nunca por arbítrio do  agente fiscal.  37.  Não  foram  observados  os  requisitos  para  a  quebra  do  sigilo  dos  terceiros,  não  sendo  as  provas  fundadas  em  elementos  concretos,  sérios  e  idôneos, sendo nula a decisão que não se ampara em fatos e fundamentos de  pleno direito, especialmente quando o juiz era incompetente.  Fl. 12707DF CARF MF     26 38. O acusado deve ter ciência da prova na primeira oportunidade após  a  sua  realização,  não  se  podendo  cogitar  de  prova  não  sujeita  ao  contraditório.  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  39.  Em  razão  da  arguição  das  nulidades  demonstradas,  a  impugnante  requer  a  realização  das  diligências  necessárias  pela Delegacia  de origem,  a  fim de que seja atestada a ausência de qualquer irregularidade fiscal cometida  pela impugnante, bem como a inexistência de qualquer ato que implique na  constituição do crédito tributário.  DO INQUÉRITO POLICIAL REALIZADO PELA POLÍCIA FEDERAL  40. Quanto aos trabalhos fiscais realizados com base exclusivamente no  Inquérito  Policial  Federal,  era  necessária  averiguação  da  fiscalização,  não  podendo  servir  de  prova  para  o  lançamento  tributário.  “Na  verdade,  as  autoridades fiscais o (sic) colacionaram excertos do Inquérito Policial (que  ainda não  foi  finalizado) na  tentativa de impressionar os  julgadores, sendo  que estas questões sequer foram objeto de julgamento judicial, sendo que as  provas coligidas são nulas de pleno direito”.  PREJUDICIAL AO MÉRITO – NECESSIDADE DE SUSPENSÃO  41. Em face das diversas nulidades arguidas, principalmente pelo  fato  de não ter sido informado de onde se retirou os valores apurados como receita  omitida  e  considerando­se  os  princípios  da  presunção  de  inocência  e  da  segurança  jurídica,  uma  vez  que  o  lançamento  baseou­se  unicamente  em  inquérito policial não concluído e em processos administrativos que estão em  análise, ou seja, com exigibilidade suspensa, impõe­se suspender a tramitação  do presente processo administrativo. “A jurisprudência valida a suspensão do  auto  de  infração  enquanto  perdurar  medida  judicial  decisiva  a  perfeita  exigência  do  crédito  tributário”.  A  continuidade  da  exigência  fiscal  dependerá  do  julgamento  dos  processos  administrativos  e  da  conclusão  do  inquérito policial.  42.  O  Código  de  Processo  Civil,  em  seu  art.  13,  determina  que,  verificada  irregularidade  na  representação  do  contribuinte  no  processo,  a  autoridade  julgadora  deve  suspender  o  processo,  determinando  prazo  razoável  para  ser  sanado o  defeito. Em  face  do  disposto  no  art.  265,  IV,  o  julgamento do processo deve ser sobrestado até que o processo principal seja  apreciado. O mesmo art. 265, no seu inciso III, determina que se suspende o  processo quando a sentença de mérito dependa do julgamento de outra causa  ou  da  declaração  de  existência  da  relação  jurídica  que  constitua  o  objeto  principal de outro processo pendente.  43.  Assim,  a  decisão  deve  ser  pela  suspensão  do  julgamento  até  supressão da causa impeditiva à continuidade da exigência fiscal.  44.  Há  necessidade  de  o  processo  administrativo  fiscal  aguardar  o  julgamento pelo Supremo Tribunal Federal sobre a quebra do sigilo bancário  diretamente pela autoridade administrativa, realizada pelo Auditor Fiscal sem  qualquer justificação ou fundamentação, já que a Lei Complementar nº105 é  objeto  de  5  (cinco)  Ações  Diretas  de  Inconstitucionalidade  –  ADIN,  toda  apensadas à ADI 2390, ainda pendente de julgamento.  Fl. 12708DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.696          27 45. Se o processo prosseguir haverá a nulidade das exigências  fiscais,  pois  realizado  com  base  em  leis  objeto  de  ações  questionando  a  sua  inconstitucionalidade.  46. A Portaria MF nº 103/2002  já previu que,  no  caso de  julgamento  pelo  STF,  os  órgãos  administrativos  julgadores  devem  automaticamente  adotar  o  seu  entendimento  jurisprudencial.  Devem  ser  aguardados  os  julgamentos,  a  fim de que  as decisões  administrativas não  sejam proferidas  em confronto com o entendimento dessa corte.  47.  Assim,  a  impugnante  requer  a  suspensão  do  prosseguimento  do  processo  administrativo  fiscal,  até  a  supressão  da  causa  impeditiva  à  continuidade da exigência fiscal, objeto de análise pelo STF.  AUSÊNCIA DE SOLIDARIEDADE – EMPRESAS AUTÔNOMAS  48.  A  RFB  tenta  imputar,  indevidamente,  às  diversas  empresas  e  pessoas físicas mencionadas no Auto de Infração a responsabilidade tributária  por  transferência,  na  graduação  de  solidariedade  passiva,  a  qual  somente  ocorre quando duas ou mais pessoas são obrigadas por lei perante o Fisco.  49. O fato de os sócios de algumas das empresas indicadas no Relatório  Fiscal terem sido funcionários da empresa pertencente ao falecido Sr. Samuel  Tolardo  Júnior  Tolardo  não  é  suficiente  para  a  responsabilização  de  70  empresas  e  seus  respectivos  sócios  e  de  toda  a  família  Tolardo,  indicados  equivocadamente  como  sócios  de  fato.  Tampouco  pode  ser  incluída  sem  prova a impugnante, empresa totalmente autônoma e com atividade própria.  50. Não existe previsão legal expressa que albergue a responsabilização  efetuada.  A  lei  não  estabelece  que  familiares  ou  qualquer  sócio  eventualmente de fato devam ser responsáveis por solidariedade.  51.  O  legislador  não  pode  estabelecer  confusão  entre  os  patrimônios  das  pessoas  físicas  e  jurídicas,  desconsiderando  a  personalidade  jurídica  e  descaracterizando  as  sociedades  limitadas,  implicando  em  irrazoabilidade  e  afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição Federal.  52. O enquadramento no art. 124, I, do CTN não pode prosperar, uma  vez  que  as  empresas  são  absolutamente  autônomas,  com  sócios  distintos,  localizadas em bairros,  cidades e estados distintos,  sem qualquer  identidade  em  seu  quadro  social  e  objeto  social,  com  quadro  de  funcionários  próprio.  Não se trata sequer de grupo econômico, pois possuem administração própria  e  descentralizada  e  não  realizavam  conjuntamente  a  situação  configuradora  do fato jurídico tributário.  53. Ademais, o simples fato de as empresas se apresentarem como um  grupo  empresarial  para  o  mercado  não  é  suficiente  para  caracterizar  a  solidariedade  por  grupo  econômico,  devendo  haver  a  comprovação  de  existência  de  unidade  jurídica  de  controle  ou  planificação  de  atividade  de  forma que seja interligada a utilização da mão de obra, o que não se verifica  no caso.  Fl. 12709DF CARF MF     28 54.  Não  configura  interesse  comum  na  situação  que  constitui  o  fato  gerador “o fato de serem pertencentes a uma mesma família, até porque cada  qual possui seus rendimentos e atividades próprios”.  55. As  empresas  possuem CNAE distintos,  não  havendo  que  se  falar  em interesse comum entre elas. Não há que se falar em interesse jurídico das  empresas  e  pessoas  físicas  incluídas  indevidamente  como  responsáveis  tributárias, para cuja configuração é relevante a participação na realização do  lucro  e  não  “mera  participação  nos  resultados  realizados  pelo  lucro  ou  interesse de ordem econômica, moral, social ou familiar. No caso, as pessoas  não têm qualquer vinculação com o fato típico.  56.  A  responsabilidade  solidária  prevista  no  art.  124,  I,  do  CTN  se  realiza  quando  todos  os  devedores  tenham  realizado  conjuntamente  o  fato  gerador,  o  que  não  se  vislumbra  no  processo. No  caso,  os  “sócios  de  fato”  não  praticaram  o  fato  gerador  em  conjunto  com  a  empresa.  Não  há  vinculação da impugnante com os fatos geradores das demais empresas.  57. Não foi concebido um único ato, por exemplo, em que a Sra. Íris da  Silva Tolardo ou o Sr. Samuel Tolardo Júnior realizou o fato tributário, sendo  temerário, excessivo e ilegal a sua responsabilização. Afirmar que a Sra. Íris  da Silva Tolardo sabia de tudo não é suficiente para que lhe seja imputada a  responsabilidade solidária, mormente quando ela é absolutamente estranha à  empresa.  58.  A  impugnante  desconhece  a  formação  do  alegado  grupo  econômico, sendo seus sócios seus únicos administradores.  59.  O  simples  fato  de  algumas  sociedades  pertencerem  a  um  grupo  econômico não acarreta a  responsabilidade  tributária prevista no art. 124,  I,  do  CTN,  ficando  a  Fazenda  Pública  impedida  de  imputar  ao  grupo  a  corresponsabilidade,  já que  o  interesse  em  comum era  apenas  econômico  e  não jurídico.  60.  O  Auditor  Fiscal  extrapolou  os  limites  da  sua  competência  funcional  prevista  na  Lei  nº  10.593/2002  ao  desconsiderar  a  personalidade  jurídica  da  empresa  e  atribuir  responsabilidade  objetiva  e  solidária  à  impugnante, sem indicar concretamente os motivos.  61. Não cabe a imputação pelo art. 135 do CTN, pois  foi efetuada de  forma  objetiva,  sem  provar  que  esteja  relacionada  à  empresa  autuada  ou  tenha praticado ato com excesso de poderes ou infração de lei.  62.  A  responsabilização  efetuada  pelo  Auditor  Fiscal  escapa  de  sua  competência, pois, além de não estar prevista em lei, compete exclusivamente  ao Procurador da Fazenda Nacional, na esfera judicial. Assim, o ato é nulo,  por incompetência, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972.  PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA  63.  O  prazo  decadencial  está  previsto  no  art.  173,  I,  do  CTN.  A  extinção do crédito tributário pela decadência está previsto no art. 156, V, do  CTN,  que  estipula  ser de  cinco  anos  o  prazo  para  o  lançamento  do  crédito  tributário.  Fl. 12710DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.697          29 64. O lançamento dos tributos deveria ser feito por homologação, o que  não  ocorreu.  Assim,  a  Fazenda  não  constituiu  devidamente  o  crédito  tributário em relação à impugnante, já que não foi realizado o lançamento e a  respectiva  cientificação. O direito de  a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário, portanto, decaiu.  65.  Não  acatada  a  decadência,  requer  seja  acatada  a  prescrição  dos  créditos tributários.  INCONSISTÊNCIA DO ARBITRAMENTO  66.  A  simples  ausência  de  identificação  da  efetiva  movimentação  financeira  e  bancária  da  empresa  não  enseja  o  arbitramento  do  lucro.  A  documentação fiscal e contábil foi apresentada e na falta de comprovação de  fraude,  rasuras  ou  inconsistências,  o  arbitramento  foi  totalmente  descabido,  no caso.  OMISSÃO DE RECEITAS: INEXISTÊNCIA  67.  Não  houve  omissão  de  receitas.  Os  documentos  utilizados  não  foram  apreendidos  com  a  impugnante.A  Auditoria  se  baseou  em  meras  presunções  e praticou bis  in  idem ao utilizar a mesma base de  cálculo para  todas as empresas.  IRPJ  68. A exigência do  IRPJ não procede, por se  fundamentar em valores  creditados em planilhas unilaterais, não havendo a certeza da sua titularidade,  e  em  meros  orçamentos.  Não  houve  aquisição  de  renda,  pois  não  houve  acréscimo patrimonial.  CSLL,  PIS,  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA:  TRIBUTAÇÃO REFLEXA INDEVIDA  69.  Sendo  inexigível  o  Imposto  sobre  a  Renda,  também  não  são  exigíveis os seus reflexos:CSLL, PIS, COFINS, contribuição previdenciária e  penalidades, pois tiveram como base de incidência a indevida constituição de  omissão de receitas.  70.  Não  foram  expostas  as  fundamentações  para  a  exigência  da  COFINS,  do  PIS,  CSLL  e  penalidades.  Da  mesma  forma,  não  foram  indicados os motivos da cobrança da contribuição previdenciária patronal.  PIS E COFINS  71. A exigência do PIS e da COFINS se dá apenas sobre o faturamento,  devendo ser excluídos os valores repassados a terceiros e o valor do ICMS  NÃO  DEDUÇÃO  DE  RECOLHIMENTOS  E  DESCONSIDERAÇÃO  DA NÃO CUMULATIVIDADE  72.  Não  foram  consideradas  na  composição  da  base  de  cálculo  as  deduções e a não cumulativadade prevista em lei.  Fl. 12711DF CARF MF     30 MULTA  73. A  simples  apuração de omissão de  receita ou de  rendimentos não  autoriza  a  qualificação  da multa  de  ofício  ou  de  rendimentos. A presunção  legal  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  também  não  autoriza  a  qualificação  da  multa.  Ademais,  a  impugnante  não  pode  responder  pela  empresa  e  sequer  tinha  conhecimento  do mandado  de  procedimento  fiscal,  não  podendo  ser­lhe  infringido  ato  praticado  por  outrem,  o  que  ofende  os  princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.  74.  Assim,  a  multa  deve  ser  excluída,  mesmo  porque  não  se  pode  aplicar dupla penalidade: uma pelo arbitramento dos lucros e outra pela não  entrega dos documentos, pois ambas decorrem do mesmo fato.  75. Não foi comprovado o intuito de fraude.  76.  A  multa  tem  caráter  confiscatório  e  fere  os  princípios  da  razoabilidade  e  da  capacidade  contributiva,  pois  hodiernamente  se  admite  pena em valor não superior a 2%, conforme Lei nº 9.298/1996. A proibição  constitucional de confisco se estende às multas, não se restringindo somente  aos tributos. A Administração não pode locupletar­se em face dessa cobrança  excessiva. O Tribunal Pleno do STF já entendeu que são abusivas as multas  moratórias que superam os 100%. No caso, aplicou­se duplamente a multa de  150%. O Min. Celso de Mello, em decisão monocrática no RE 754.554/GO  reconhecer ser confiscatória multa de 25%.  77. Não há  prova  de que  foi  concedido  prazo  razoável  à  contribuinte  para apresentar os documentos, “até porque a Impugnante não foi intimada de  nada disso”.  78. Dessa forma, a multa deve ser excluída ou, eventualmente, reduzida  para,  no  máximo,  10%  (dez  por  cento).  Caso  não  sejam  acatados  esses  pedidos, pede que a multa seja reduzida de 150% para 75%.  79.  A  impugnante  não  praticou  nenhuma  fraude  ou  omissão  dolosa  durante o processo  fiscalizatório. Não houve fraude, nem sonegação, pois a  empresa  entregou  todos  os  documentos  solicitados,  informando,  inclusive,  que  os  demais  estavam  em  poder  da  Polícia  Federal.  Ademais,  o  CARF  decidiu  que,  havendo o  arbitramento,  que  já  é  uma penalidade,  não  cabe  o  agravamento da multa.  TAXA SELIC  80.  É  ilegal  a  aplicação  da  Taxa  SELIC  não  deve  ser  aplicada  para  correção  de  créditos  tributários.  Essa  taxa  tem  caráter  estritamente  remuneratório  e  embute  os  juros  e  a  correção  monetária,  sendo  elevada  e  onerosa para o  contribuinte. Ademais,  não  foi  estipulada  em  lei,  havendo a  sua  estipulação  pelo  Banco  Central  contraria  o  art.  161,  §1º,  do  Código  Tributário Nacional, que exige a instituição da taxa de juros por lei ordinária.  81.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  pacificou  entendimento  de  que  a  aplicação da Taxa SELIC é ilegal e inconstitucional.  82.  Não  há  previsão  legal  para  a  cobrança  de  juros  de mora  sobre  a  multa  de  ofício.  Nesse  sentido  já  se  manifestaram  o  CARF  e  o  Superior  Fl. 12712DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.698          31 Tribunal de Justiça. Assim, a impugnante pleiteia seu afastamento do Auto de  Infração.  83. Além disso, os juros somente poderão incidir depois de decorrido o  trâmite  procedimental  administrativo,  a partir  da  intimação  para pagamento  depois do julgamento, caso seja mantida a condenação.  PROVAS E IMPUGNAÇÃO  84. Deve  haver  igualdade  entre  a  contribuinte  e  a Receita Federal  do  Brasil no processo. Enquanto esta última teve mais de dois anos para analisar  os documentos, a impugnante teve que se contentar com 30 dias, ainda sem  acesso  ao  conteúdo  dos  autos,  por  problemas  técnicos  da  própria  Receita  Federal.  85.  As  provas  são  nulas  porque  os  Auditores  Fiscais  consideraram  provas ilícitas para justificar a caracterização de grupo econômico e arbitrar o  faturamento,  obtidas  em  locais  que  sequer  possuem  relação  com  a  impugnante.  86. Caso não seja considerada a nulidade de tais provas, a impugnante  requer a realização de perícia e colheita de depoimentos, cujos quesitos e rol  serão apresentados quando ela tiver acesso ao conteúdo integral do processo.  A  contribuinte  está  impossibilitada  de  elaborar  quesitos  sem  conhecimento  prévio e amplo da acusação e da documentação em poder do Fisco, sob pena  de violação ao devido processo legal.  87. Os quesitos da perícia são: “quais provas foram utilizadas que não  foi dado à (sic) conhecer para (sic) a Impugnante? Quais os valores utilizados  e  se  foram  os  mesmos  documentos  utilizados  para  as  empresas?  Houve  diligência no endereço da  Impugnante? Quais documentos foram presos em  posse  da  Impugnante?  Porque  (sic)  não  foi  considerada  a  contabilidade  regular  da  empresa?  Após  o  fornecimento  e  acesso  integral  aos  autos,  reserva­se no (sic) direito de apresentar quesitos suplementares”.  88. Nomeia seu assistente técnico, requerendo a sua intimação do dia e  hora do início dos trabalhos periciais no endereço que apresenta.  REQUERIMENTOS FINAIS  89. Pede que sejam reconhecidas as nulidades apontadas e, no mérito,  seja julgada improcedente a exigência fiscal, sendo reconhecida a ausência de  responsabilidade.  90.  Requer  a  produção  de  provas  pericial  e  oral  e  a  juntada  de  documentos  em  ulterior  fase,  em  razão  do  exíguo  prazo  que  lhe  foi  concedido, bem como que seja intimada das decisões, reservando­se o direito  de complementar a defesa após  ter acesso ao conteúdo  integral do processo  administrativo fiscal.  3 Ciência de Robson Marcelo Tolardo  Fl. 12713DF CARF MF     32 Robson  Marcelo  Tolardo  foi  intimado  no  seu  endereço  em  São  Paulo/SP em 11/12/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado aos  autos.  A  correspondência  enviada  para  o  endereço  em  Maringá/PR  foi  devolvida,  tendo  sido  registrado  pelos Correios  como motivo  “Mudou­se  –  Casa Vazia”.  Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos:  ­ Edital Eletrônico emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal  do  Brasil  de  Pessoas  Físicas  em  São  Paulo/SP,  com  data  de  publicação  15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014;  ­ Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Maringá/PR,  com  data  de  publicação  15/12/2014  e  data  de  ciência  em  30/12/2014.  4 Impugnação de Rogério Márcio Tolardo  Rogério Márcio Tolardo foi intimado em seu endereço de Curitiba/PR  em  10/12/2014  e  em  seu  endereço  no  Rio  de  Janeiro/RJ  em  12/12/2014,  conforme  Avisos  de  Recebimento  juntados  aos  autos.  Em  07/01/2015,  apresentou impugnação, alegando, em resumo que:  TEMPESTIVIDADE  1. A impugnação é tempestiva, pois o impugnante tomou conhecimento  do Auto de Infração por terceiros, não tendo acontecido a intimação pessoal.  AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL  2.  De  acordo  com  o  Decreto  nº  7.574/2011,  art.  33,  qualquer  procedimento  de  apuração  de  créditos  tributário  impõe  a  necessidade  de  cientificação  prévia  do  sujeito  passivo,  entretanto  o  impugnante  não  foi  cientificado da existência de processo de  fiscalização em andamento  contra  si,  tampouco  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  da  empresa  autuada e da sua responsabilização solidária.  3.  A  Portaria  RFB  nº  3.014/2011,  art.  4º  e  art.  7º,  II,  exige  que  seja  emitido  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  que  contenha  os  dados  identificadores do sujeito passivo e que haja a ciência deste.  4.  Uma  vez  que  não  houve  a  ciência  do  impugnante  da  ação  fiscal,  houve cerceamento do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, não lhe  sendo garantido o devido processo legal.  5. Em ofensa ao art. 296 do Código Tributário Nacional, não houve a  lavratura do termo de início do procedimento em nome do impugnante, o que  impossibilitou a sua defesa.  6. O  impugnante sequer  faz parte da pessoa  jurídica autuada, que  tem  personalidade  jurídica  própria  e  distinta,  e  só  tomou  conhecimento  do  procedimento de fiscalização por meio do recebimento do Termo de Sujeição  Passiva Solidária encaminhado por via postal quando da lavratura do Auto de  Infração. Não havendo a cientificação, a sujeição passiva solidária baseou­se  em presunções.  Fl. 12714DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.699          33 7. Assim, deve ser  reconhecida a nulidade do processo administrativo  fiscal.  NULIDADE DA INTIMAÇÃO REALIZADA PELOS CORREIOS  8. Segundo o Decreto nº 70.235/1972, art. 23, a intimação pessoal é a  regra  e  somente  sendo  ela  infrutífera,  podem  ser  procedidas  as  demais  formas. Essa regra é repetida pelo Decreto nº 7.574/2011, art. 10, I.  9. Além disso, segundo os mesmos decretos, a intimação por via postal  deve  ser  endereçada  ao  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo. No  caso,  contudo,  a  correspondência  foi  enviada  a  outros  endereços  diferentes  daquele constante na DIRPF do impugnante, o que gera a sua nulidade.  10.  Não  comprovada  a  ciência  inequívoca  do  impugnante,  deve  ser  reconhecida a nulidade da intimação por falta de observância da lei, devendo  ser  determinada  a  sua  realização  ou  deve  ser  ela  considerada  efetivada  quando  da  disponibilização  do  processo  administrativo  fiscal  ao  sujeito  passivo.  CERCEAMENTO DE DEFESA  11.  Houve  a  desconsideração  de  personalidade  jurídica  e  a  responsabilização do impugnante por meio de um termo de sujeição passiva  tributária, sem qualquer  fundamentação ou elementos de convicção para tal,  além de não ter ele participado do processo administrativo fiscal. Imputações  dessa natureza não podem se basear em meras ilações e presunções, portanto  deveriam ter sido enviados ao sujeito passivo cópias de todos os documentos  utilizados pela Auditoria Fiscal, o que não ocorreu.  12. O impugnante compareceu à Unidade da Receita Federal do Brasil  onde possui domicílio fiscal e entregou mídias para gravação, porém não lhe  foi fornecido o conteúdo integral do processo administrativo.  13.  Dessa  forma,  diante  do  cerceamento  de  defesa  do  impugnante  e  conforme art. 12, II, do Decreto nº 70.235/1972, é nulo o processo.  ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL  14.  O  Auditor  Fiscal  extrapolou  os  limites  de  sua  competência  funcional  prevista  na Lei  nº  10.593/2002,  ao  desconsiderar  a  personalidade  jurídica  da  empresa  e  atribuir  responsabilidade  objetiva  e  solidária  ao  impugnante  sem  indicar  concretamente  os  motivos,  notadamente  porque  o  impugnante não é sócio da autuada e não exerce qualquer função dentro dela,  não estando relacionado ao fato gerador do tributo lançado.  15. A responsabilidade  invocada para o  impugnante balizou­se no art.  124, I, do CTN, sem ser indicado seu interesse ou relação com a situação que  constituiu o fato gerador. E com respeito ao art. 135, III, do mesmo código,  não  foi  provado pelo Auditor Fiscal que o  impugnante  esteja  relacionado à  empresa  autuada  como  diretor,  gerente  ou  representante  e,  nessa  condição,  tenha praticado qualquer ato com excesso de poder ou infração de lei.  Fl. 12715DF CARF MF     34 ILICITUDE DAS PROVAS UTILIZADAS  16. Não há prova do envolvimento do impugnante. A utilização de um  pendrive com um trabalho de conclusão de curso de terceiro como base para  a  transplantação  da  responsabilidade  para  o  impugnante  é  presunção.  A  utilização de dados sigilosos, inclusive de terceiros, com a quebra de sigilos  fiscais,  de  dados  de  informática  e  utilização  de  planilhas  unilaterais,  que  sequer foram fornecidas à parte, constitui uso de provas ilícitas.  AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO IMPUGNANTE – IMPOSSIBILIDADE DE  IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE A TERCEIRO  17.  Não  foi  provado  que  o  impugnante  recebia  recursos  da  pessoa  jurídica autuada. A Auditoria sequer conseguiu provas de que o impugnante  participou  da  administração  da  sociedade,  como  e­mail  ou  mensagem,  ordens, autorizações ou qualquer outro ato.  18. O impugnante tem outras atividades, sendo sócio de uma empresa  que  comercializa  equipamentos  eletrônicos,  além  de  prestar  serviços  na  mesma área, tudo devidamente declarado em seu Imposto sobre a Renda. “O  simples fato de ser filho de Samuel Tolardo não implica em dizer que todas  as  autopeças  que  sofreram  autuação  fiscal  são  de  responsabilidade  de  seu  falecido  pai”.  Mesmo  que  ficasse  configurada  a  responsabilidade  de  seu  genitor,  esse  fato  não  é  suficiente  para  a  transferência  da  responsabilidade  efetuada.  19. O impugnante nunca teve procuração da empresa ou de seus sócios  para administrá­la. As procurações mencionadas dizem respeito a outros fatos  e  outras  pessoas.  Não  há  comprovação  de  atos  praticados  por  ele  que  pudessem gerar débitos.  20.  Não  há  vinculação  do  impugnante  com  os  fatos  geradores,  tampouco o interesse comum previsto no art. 124 do CTN. Seria necessária a  sua  participação  efetiva  no  fato  gerador  do  tributo,  conjuntamente  com  os  outros sujeitos passivos.  21.  O  art.  134  do  CTN  dispõe  que  a  responsabilidade  de  terceiros  somente ocorre nos  casos de  impossibilidade de  exigência do  cumprimento  da obrigação pelo contribuinte.  22. Tampouco o  impugnante  se  enquadra no  art.  135 do CTN. Não é  sócio  da  empresa,  não  a  administra  e  ela  continua  ativa  e  sujeita  à  exigibilidade  da  autuação  fiscal.  Ademais,  se  não  há  responsabilidade  do  sócio  gerente  pelo  simples  inadimplemento  do  tributo,  não  pode  haver  a  responsabilização objetiva do impugnante.  23.  Os  atos  praticados  foram  descaracterizados  pela  Auditoria  sem  cumprimento do  art.  116, parágrafo único do CTN.  Inexiste  lei  ordinária e,  conseqüentemente, a previsão dos procedimentos para a desconsideração de  atos  e  fatos  jurídicos,  como  fez  a  fiscalização.  Além  disso,  para  a  desconsideração da personalidade  jurídica, é necessária autorização  judicial,  não tendo o Auditor Fiscal poderes para tal.  INEXISTÊNCIA DE PROVA DE BENEFÍCIO PELO IMPUGNANTE  Fl. 12716DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.700          35 24.  A  responsabilização  do  impugnante  foi  pautada  em  documentos  unilaterais  elaborados  por  terceiros,  sem  qualquer  identificação  do  Impugnante, tendo havido mera presunção.  AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGADOS, AVULSOS, AUTÔNOMOS ETC.  25.  O Auditor  Fiscal  não  nominou  no  seu  relatório  os  empregados  a  quem  a  empresa  teria  efetuado  os  pagamentos,  tampouco  a  forma  e  as  condições do pagamento. Baseou­se em documentos apócrifos, unilaterais e  inservíveis  como  prova.  Em  consequência,  a Notificação  é  improcedente  e  nula.  Foi  infringido  o  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/1972  e  o  direito  da  impugnante à ampla defesa.  INCONSTITUCIONALIDADE –  IMPOSSIBILIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DE  CÁLCULO  26. A redação original do art. 195,  I, da Constituição Federal somente  se referia à folha de salários, sendo inconstitucional a redação original da Lei  nº  8.212/1991 que  fazia  incidir  a  contribuição  sobre  quaisquer  rendimentos  pagos ao trabalhador. Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/1998,  o art. 195, I, da Constituição foi alterado para albergar quaisquer rendimentos  do trabalho pagos à pessoa física. Assim, é flagrante a inconstitucionalidade  da exigência da contribuição sobre a remuneração até 1999.  27. Mesmo após a Emenda Constitucional nº 20/1998, sobre as verbas  com caráter indenizatório não incidem as contribuições previdenciárias, uma  vez que não constituem retribuição pelo trabalho, mas sim objetivam reparar  uma  perda,  repondo  o  patrimônio  do  ofendido.  São  elas:  adicionais  de  periculosidade, insalubridade, noturno, abono de férias, horas extraordinárias,  gorjetas,  prêmios,  abonos,  ajudas  de  custo,  diárias  de  viagens  e  outras.  Da  mesma forma, verbas não habituais não podem ser tributadas.  28. Assim, devem ser excluídas da base de cálculo lançada os valores  que não são salário strictu sensu, com novos cálculos dos valores devidos.  INEXIGÊNCIA DO SALÁRIO­EDUCAÇÃO ­ INCONSTITUCIONALIDADE  29.  A  contribuição  denominada  Salário­Educação  não  é  contribuição  para  a  Seguridade  Social  e  não  se  enquadra  no  art.  240  da  Constituição  Federal. Dessa forma, o art. 1º da Medida Provisória nº 1.565­1/97 e o art. 15  da Lei nº 9.424/1996 são  inconstitucionais por elegerem a  folha de salários  como  base  de  cálculo  dessa  contribuição,  pois  tal  verba  somente  pode  ser  base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social.  INEXIGÊNCIA DO INCRA – EMPRESA DE PREVIDÊNCIA URBANA  30. O  INCRA não é exigível,  pois  a  empresa  autuada é urbana  e não  exerce atividade rural. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça.  31.  Mesmo  que  a  empresa  fosse  contribuinte  do  INCRA,  o  STF  equiparou  tal  contribuição  àquelas  das  entidades  de  promoção  profissional,  “juridicizada  pelo  art.  21,  §2º,  da  Carta  de  1969”.  Essa  espécie  de  contribuição foi prevista na Constituição de 1988, no seu art. 149. Não tem,  Fl. 12717DF CARF MF     36 pois,  natureza  de  contribuição  para  a  Seguridade  Social.  De  acordo  com  a  Constituição de 1988,  a  folha de  salários  somente pode ser base de  cálculo  das  contribuições  para  a  Seguridade  Social  e  de  formação  profissional  vinculada ao sistema sindical (art. 240).  32.  O  art.  62  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias  –  ADCT,  que  determinou  a  criação  do  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Rural  –  SENAR,  não  fez  alusão  às  contribuições,  como  fez  o  art.  240  da  Constituição  Federal.  Assim,  houve  a  revogação  da  lei  anterior  relativa  ao  INCRA,  por  incompatível  com  a  existência  do  SENAR,  não  havendo  a  recepção pela Constituição de 1988.  INEXIGÊNCIA DO SAT – NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR  33. Quanto ao SAT, apesar de seu nomen juris  indicar que se trata de  uma contribuição complementar ou adicional à contribuição prevista no art.  22,  I, da Lei nº 8.212/1991, é na verdade mais um tributo  incidente sobre a  mesma  base  de  cálculo.  Assim,  é  totalmente  inconstitucional,  pois  os  arts.  195,  §4º,  e  154,  I,  da  Constituição  Federal  dispõem  que  a  criação  desse  tributo somente poderia ocorrer por lei complementar.  34. Sob outro aspecto, o SAT é inconstitucional porque sua alíquota é  definida por ato exclusivo do Poder Executivo, o qual definiu, por meio dos  Decretos  números  612/1992  e  2.173/1997  sua  base  de  cálculo  e  alíquotas.  Esse é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e do STJ.  ILEGALIDADE DA COBRANÇA SOBRE VERBAS  35. Devem ser excluídas, por falta de previsão legal, todas as verbas de  caráter indenizatório, tais como: valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias  de afastamento do empregado doente ou acidentado; aviso prévio indenizado  e a projeção dele decorrente de um avo de décimo terceiro salário; o adicional  de  1/3  (um  terço)  de  férias,  o  abono  de  férias,  férias  indenizadas,  salário­ maternidade, vale­transporte, valores recebidos a título de ganhos eventuais,  os abonos expressamente desvinculados do salário e o auxílio­alimentação.  36.  Já  está  pacificado  no  STJ  o  entendimento  de  que  não  incide  contribuição previdenciária sobre o auxílio doença pago pelo empregador nos  primeiros  15  (quinze)  dias  da  licença,  por  constituir  verba  decorrente  de  inatividade, que não possui natureza salarial.  37.  O  art.  28,  §9º,  “e”,  “7”,  da  Lei  nº  8.212/1991  exclui  da  base  de  cálculo da contribuição previdenciária os valores recebidos a título de ganhos  eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.  38.  O  Pleno  do  egrégio  STF,  ao  julgar  o  Recurso  Extraordinário  478.410/SP em 10/03/2010, pacificou entendimento de que, mesmo quando  pago  em pecúnia,  não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  vale­transporte.  39. No próprio Relatório Fiscal consta que a empresa forneceu auxílio­ alimentação in natura a seus empregados. O STJ já se manifestou no sentido  de  que  o  pagamento  in  natura  do  auxílio­alimentação,  ou  seja,  quando  a  própria  alimentação  é  fornecida  pela  empresa,  não  sofre  incidência  da  contribuição  previdenciária,  por  não  constituir  verba  de  natureza  salarial,  Fl. 12718DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.701          37 esteja  ou  não  o  empregador  inscrito  no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador – PAT.  40. A União desistiu das ações que discutem o fornecimento  in natura  do auxílio­alimentação, bem como do valor pago a título de vale­transporte e  seguro de vida. A Advocacia­Geral da União – AGU e a Procuradoria Geral  da  Fazenda  Nacional  –  PGFN  publicaram  orientações  para  que  os  procuradores  não  recorram  mais  nessas  situações.  Há  especificamente  o  Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011 sobre o auxílio­alimentação.  INEXIGÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  AO  SISTEMA  “S”­  AUSÊNCIA  DE  VINCULAÇÃO DA ARRECADAÇÃO  41. As contribuições destinadas ao SESC, SENAC, SESI e SENAI são  tributos vinculados, devendo haver uma contraprestação ao contribuinte por  parte  da  entidade  arrecadadora,  o  que  não  ocorre  no  caso  das  empresas  de  prestação  de  serviços.  As  entidades  beneficiadas  com  a  contribuição  são  aquelas  destinadas  aos  comerciários,  sendo  o  objetivo  a melhoria  das  suas  condições de trabalho e a promoção de cursos de qualificação.  42.  Os  demais  argumentos  do  impugnante  são  idênticos  àqueles  expostos na impugnação da empressa, com exceção dos quesitos da perícia,  não elaborados pelo impugnante.  REQUERIMENTOS FINAIS  43. Pede que sejam reconhecidas as nulidades apontadas e, no mérito,  seja julgada improcedente a exigência fiscal, sendo reconhecida a ausência de  responsabilidade.  44.  Requer  a  produção  de  provas  pericial  e  oral  e  a  juntada  de  documentos  em  ulterior  fase,  em  razão  do  exíguo  prazo  que  lhe  foi  concedido, bem como que seja intimada das decisões, reservando­se o direito  de complementar a defesa após  ter acesso ao conteúdo  integral do processo  administrativo fiscal.  5 Impugnação de Íris da Silva Tolardo  Íris da Silva Tolardo foi intimada em seu endereço de Maringá/PR em  10/12/2014 e  em seu  endereço em São Paulo/SP na mesma data,  conforme  Avisos  de  Recebimento  juntados  aos  autos.  Em  07/01/2015,  apresentou  impugnação  na  qual,  em  essência,  repete  as  alegações  relatadas  quando  da  descrição  da  impugnação  de  Rogério  Márcio  Tolardo.  Os  requerimentos  finais também são idênticos.  6 Impugnação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore  Jeane  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore  foi  intimada  em  seu  endereço  de  Curitiba/PR em 10/12/2014. A correspondência enviada para o seu endereço  em  São  Caetano  do  Sul/SP  foi  devolvida  com  o  motivo  “Desconhecido”.  Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos:  Fl. 12719DF CARF MF     38 ­ Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Maringá/PR,  com  data  de  publicação  15/12/2014  e  data  de  ciência  em  30/12/2014;  ­ Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Santo André/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em  30/12/2014.  Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações  dos  demais  membros  da  família  Tolardo.  Os  requerimentos  finais  também  são idênticos.  7 Impugnação de Samuel Tolardo Júnior  Samuel  Tolardo  Júnior  foi  intimado  pelos  Correios,  com  AR,  em  17/12/2014, no mesmo endereço declarado por ele nas suas DIRPF do ano­ calendário  2013,  exercício  2014,  e  ano­calendário  2014,  exercício  2015,  situado no Rio de Janeiro/RJ. Foi intimado também em Curitiba/PR, também  pelos Correios com AR, em 16/12/2014.  Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações  dos  demais  membros  da  família  Tolardo.  Os  requerimentos  finais  também  são idênticos.    É o relatório.  A decisão de 1ª instância administrativa restou consubstanciada em Acórdão  que recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/2009 a 30/09/2012  CONTRIBUIÇÕES  PARA  A  SEGURIDADE  SOCIAL.  DECADÊNCIA. DOLO E FRAUDE.  Para  fins  do  cômputo  do  prazo  de  decadência,  tendo  ocorrido dolo e  frade, aplica­se a regra do art. 173,  I, do  CTN,  contando­se  o  prazo  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO.  AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.  A impugnação deve vir acompanhada de prova documental  que ratifique as alegações apresentadas.  Não deve ser deferida a oitiva de testemunhas, quando não  foi  especificado na  impugnação o  fato  que  seria  provado,  bem como sequer foi apresentado o rol.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE.  PRINCÍPIOS  DO  CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.  Fl. 12720DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.702          39 Não há violação dos princípios do contraditório e da ampla  defesa  se  os  fatos  e  a  fundamentação  legal  foram  minuciosamente  descritos  nos  relatórios  que  compõem  o  Auto  de  Infração  e  o  contribuinte  e  os  responsáveis  solidários  foram  devidamente  intimados,  tendo­lhes  sido  concedido  o  prazo  legal  para  defesa  e  oportunizada  a  consulta aos autos do processo.   MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  MPF.  CIÊNCIA.  TERMOS  EMITIDOS  PELA  FISCALIZAÇÃO.  VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL.  O Mandado de Procedimento Fiscal  ­ MPF é  instrumento  interno  de  planejamento  e  controle  das  atividades  e  procedimentos fiscais efetuados pela Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil.  Mesmo  se  houver  equívocos  na  formalização  do  MPF,  tendo  sido  emitidos  os  termos  previstos no art.  196 do Código Tributário Nacional  e no  art.  8º  do Decreto  nº  70.235/1972 nos moldes  legais,  não  há que se falar em nulidade do procedimento fiscal.  SOLIDARIEDADE.  FRAUDE  E  DOLO.  USO  DE  LARANJAS.  EMPREENDIMENTO  ÚNICO  FORMALMENTE  MASCARADO  COMO  VÁRIAS  EMPRESAS PRETENSAMENTE INDEPENDENTES.  Comprovado  que  houve  fraude  e  dolo  na  ocultação  dos  verdadeiros  sócios  administradores  de  empreendimento  único,  apenas  formalmente  constituído  por  várias  empresas,  com  o  uso  de  laranjas,  há  infração  à  lei  e  ao  contrato  social,  respondendo  os  verdadeiros  sócios  como  responsáveis  solidários  pelo  crédito  tributário  previdenciário, por previsão do CTN, art. 135, III. Se essas  pessoas  participarem  dos  atos  que  originaram  os  fatos  geradores,  também  há  enquadramento  no  art.  124,  I,  do  mesmo código.  UTILIZAÇÃO DE PROVAS COLHIDAS EM  INQUÉRITO  POLICIAL  E  EM  PROCESSOS  ADMINISTRATIVOS  FISCAIS.  A  utilização,  como  base  para  o  lançamento  de  crédito  tributário,  de  provas  colhidas  em  inquérito  policial  e  processo  administrativo  fiscal  diverso  não  é  proibida,  desde que sejam submetidas ao rito processual previsto em  lei,  com a  abertura  de  prazo  para  defesa  e  possibilitação  do exercício do direito ao contraditório.  Não há ilegalidade na quebra de sigilo fiscal, bancário e de  comunicações autorizada pelo Poder Judiciário.  Fl. 12721DF CARF MF     40 INTIMAÇÃO  POR  VIA  POSTAL  COM  AVISO  DE  RECEBIMENTO. EDITAL.  A  intimação  pessoal  não  tem  precedência  sobre  a  intimação  por  via  postal,  com  aviso  de  recebimento,  efetuada  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  sujeito  passivo.  Sendo improfícua essa intimação, é válida a intimação por  edital.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  DISCUSSÃO  NO  ÂMBITO ADMINISTRATIVO.  A Administração deve abster­se de reconhecer ou declarar  a  inconstitucionalidade  e,  sobretudo,  de  aplicar  tal  reconhecimento  ou  declaração  nos  casos  em  concreto,  de  leis, dispositivos  legais e atos normativos que não  tenham  sido  assim  expressamente  declarados  pelos  órgãos  jurisdicionais e políticos competentes.  APLICAÇÃO  DAS  DECISÕES  DO  STF  E  STJ  NOS  ACÓRDÃOS  DE  JULGAMENTO  ADMINISTRATIVO  DE  PRIMEIRA INSTÂNCIA.  A tese exarada em decisão definitiva do STJ ou do STF, na  forma dos arts. 543­B (rito de repercussão geral) ou 543­C  (rito  dos  recursos  repetitivos),  deve  ser  reproduzida  pelo  órgão  julgador  da  primeira  instância  administrativa  apenas na hipótese da comunicação da Procuradoria Geral  da Fazenda Nacional  ­ PGFN de que, com base na Lei nº  10.522/2002,  não  mais  contestará  ou  recorrerá  sobre  a  matéria.  CONTRIBUIÇÕES  DESTINADAS  A  TERCEIROS.  SALÁRIO­EDUCAÇÃO. CONTRIBUINTE.  A Lei nº 9.424/1996 não excepciona nenhuma empresa da  obrigatoriedade  do  recolhimento  do  Salário­Educação,  motivo  pelo  qual  o  art.  2º  do  Decreto  nº  6.003/2006,  estabelece  que  são  contribuintes  de  tal  contribuição  as  empresas  em  geral  e  as  entidades  públicas  e  privadas  vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social.  CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. INCRA.  EMPRESAS URBANAS.  A  contribuição  destinada  ao  INCRA  tem  natureza  de  contribuição  de  intervenção  no  domínio  econômico  e  é  devida  pelos  empregadores  em  geral,  inclusive  por  empresas urbanas.  GILRAT.  ALÍQUOTA  CONFORME  ATIVIDADE  PREPONDERANTE DA EMPRESA.  Para apuração da contribuição prevista no art.  22,  II,  da  Lei nº 8.212/1991 (GILRAT), o enquadramento da empresa  Fl. 12722DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.703          41 no  correspondente  grau  de  risco  para  fins  de  apuração a  alíquota  é  objetivo,  dependendo  do  tipo  de  atividade  preponderantemente exercida pela empresa, de acordo com  as  atividades  especificadas  no  anexo  ao  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/1999.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  BASE  DE  CÁLCULO.  Tendo  a  Auditoria  identificado  os  montantes  que  compuseram  as  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  inclusive  identificando  cada  segurado  empregado,  não  basta  alegar  de  forma  genérica  que  há  verbas  que  não  sofrem  incidência  dessas  contribuições,  devendo ser apresentadas provas.  CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SESC E  SENAC.  São  devidas  as  contribuições  destinadas  ao  SESC  e  ao  SENAC pelas empresas que exercem atividades comerciais.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  SONEGAÇÃO.  MULTA  QUALIFICADA.  Restando  configurada a  sonegação definida  no art.  71  da  Lei nº 4.502/1964, a multa de ofício prevista no art. 44, I,  da  Lei  nº  9.430/1996  deve  ser  aplicada  em  dobro,  nos  termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996.  Segundo nota que consta no e­processo, a empresa fiscalizada apresentou seu  recurso  voluntário  inicialmente  em  07/08/2015  (fls.  12.240/12.334)  antes  que  o  AR  com  a  intimação nº 477, de 2015, retornasse. Como já havia sido enviada outra intimação (nº 561, de  2015), que foi recebida em 10 de agosto de 2015 (fl. 12.341), a empresa apresentou dentro do  prazo de 30 dias (04/09/2015) novo recurso voluntário (fls. 12.562/12.656).  Em relação aos sujeitos passivos solidários, o processo registra os seguintes  atos quanto à intimação da decisão de 1ª instância: Rogério Márcio Tolardo, foi intimado por  AR em 08/07/2015 (fl. 12.140); Samuel Tolardo Junior foi  intimado  também em 08/07/2015  por AR (fl. 12.137); Jeanne Cristine Tolardo Dalle Ore teve o AR devolvido (fl. 12.144) e foi  intimada por edital eletrônico com data de ciência em 07/08/2015 (12.147); Robson Marcelo  Tolardo  foi  intimado  por  edital  eletrônico  com  ciência  em  14/08/2015  (fl.  12.149)  após  a  devolução  do  AR  (fls.  12.148  e  12.150);  Iris  da  Silva  Tolardo  foi  intimada  por  AR  em  07/07/2015 (fl. 12.134).  Apresentaram  tempestivamente  seu  recurso  voluntário  em  07/08/2015:  Jeanne  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore  (fls.  12.344/12.413);  Samuel  Tolardo  Junior  (fls.  12.488/12.557); Rogério Márcio Tolardo (fls. 12.167/12.237).  Fl. 12723DF CARF MF     42 A Sra. Iris da Silva Tolardo protocolou seu recurso voluntário na mesma data  (fls.  12.417/12.483),  contudo,  considerando  que  sua  intimação  ocorreu  em  07/07/2015,  a  apresentação foi intempestiva.  Não foi localizado recurso por parte do Sr. Robson Marcelo Tolardo.  Em suas razões de recorrer, a empresa PRV Comércio de Peças Ltda. ­ ME,  aduz, em síntese, que:  1. O acórdão de 1ª instância não apreciou a impugnação da recorrente, já que  ao relatar os fatos do processo a identificou como "Fort Lub"; além disso a empresa não teria  tido acesso aos documentos e resultados de escuta telefônica;  2. Nulidade da autuação por ofensa ao contraditório e à ampla defesa, já que  não teria obtido cópia dos documentos que justificariam a autuação;  3.  Nulidade  da  decisão  recorrida  por  não  ter  analisado  todas  as  questões  invocadas pela defesa;  4.  Nulidade  da  decisão  recorrida  por  ter  sido  proferida  por  autoridade  incompetente: a decisão foi proferida por auditor­fiscal e não por Delegado da Receita Federal,  o que ofenderia o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 25, "a";  5. Nulidade por prorrogação  indevida do Mandado de Procedimento Fiscal,  em razão de não ter sido a recorrente cientificada da prorrogação e alteração do MPF;  6. Nulidade por  cerceamento  ao direito de defesa,  já que não  lhe  teria  sido  deferido prazo para entregar documentos;   7. Nulidade  por  ilegitimidade  passiva  do  recorrente  e  prova  nula,  pois  não  haveria prova que demonstrasse a existência de vínculo dele com a empresa em face da qual foi  iniciada a investigação e as provas do inquérito não passaram pelo crivo do contraditório;  8.  Nulidade  por  ausência  de  observância  de  requisitos  no  processo  administrativo  fiscal  para  o  lançamento:  a  autoridade  fiscal  formou  seu  convencimento  sem  base nas provas do processo;  9.  Nulidade  por  impossibilidade  de  presunção  para  o  lançamento:  o  lançamento  foi  feito  com base  em presunção e  ao  lançamento  tributário não  se  aplica a  tese  segundo a qual os atos administrativos gozam de presunção de validade;  10.  Nulidade  por  inobservância  dos  princípios  informadores:  contraditório,  ampla defesa, devido processo legal, legalidade, isonomia e imparcialidade;  11. Nulidade por  inexistência de prova material: diante da  total ausência de  provas  para  a  atribuição  de  responsabilidade  à  imputada,  sua  responsabilidade  decorre  de  presunção;  12.  Nulidade  por  utilização  de  elementos  coligidos  de  processo  administrativo não transitado em julgado e de inquérito policial ainda não finalizado;  13. Nulidade em função do desrespeito aos limites do livre convencimento do  julgador;  Fl. 12724DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.704          43 14. Nulidade pela  impossibilidade do auditor considerar como "laranjas" os  integrantes da sociedade recorrente;  15. Nulidade  por  falta  de motivação  e  fundamentação,  já  que  a  autoridade  fiscal  teria  tipificado  as  exigências  em  dispositivos  genéricos,  sem  especificar  quais  artigos  motivaram a lavratura do auto de infração;  16.  Nulidade  por  ausência  de  autorização  judicial  para  utilização  dos  documentos;  17.  Nulidade  por  utilização  de  provas  ilícitas,  já  que  a  ordem  de  busca  e  apreensão foi emanada por autoridade incompetente;  18. Pede que em face das nulidades acima relatadas o processo seja devolvido  à  Delegacia  de  origem  para  as  diligências  necessárias  a  fim  de  atestar  ausência  de  irregularidades cometidas pela recorrente;  19. O inquérito policial não estava finalizado, por isso as provas não podem  ser utilizadas;  20. Como prejudicial de mérito: necessidade de aguardar o encerramento do  inquérito policial e de processos administrativos pendentes;  21.  Como  prejudicial  de  mérito:  a  necessidade  de  aguardar  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  acerca  da  possibilidade  de  quebra  do  sigilo  bancário  diretamente por autoridade administrativa;  22.  No  mérito:  ausência  de  solidariedade  por  se  tratar  de  empresas  autônomos,  com  sócios  distintos,  com  quadro  de  funcionários  próprios  e  estabelecidas  em  localidades diferentes;  23. O crédito tributário já estava extinto pela decadência ou pela prescrição;  24. Inconsistência do arbitramento: aqui a recorrente menciona a inexistência  de prova de faturamento e arbitramento do lucro;  25. Inexistência de omissão de receita;  26.  A  exigência  é  improcedente  por  ausência  da  relação  de  empregados,  avulsos e autônomos, o que prejudica o direito de defesa do recorrente;  27.  Inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo  prevista  constitucionalmente,  que  se  limita  aos  salários  e  não  quaisquer  rendimentos  pagos  à  pessoa  física como prevê a Lei nº 8.212, de 1991;  28. Inconstitucionalidade do salário­educação;  29. Inexigência da contribuição ao INCRA por empresa urbana;  30. Inexigência do SAT por necessitar de lei complementar;  Fl. 12725DF CARF MF     44 31.  Ilegalidade  da  cobrança  da  contribuição  previdenciária  sobre  verbas  de  caráter indenizatório;  32.  Inexigência  da  contribuição  previdenciária  sobre  auxílio­alimentação  fornecido in natura por empresa não cadastrada no PAT;  33. Inexigência de contribuição ao sistema "S" por ausência de vinculação da  arrecadação;  34. Exclusão ou redução da multa por aplicação dos enunciados nº 14 e 25 da  Súmula de jurisprudência do CARF, por ausência de comprovação do intuito de fraude e pela  aplicação do princípio de não­confisco;  35.  Redução  da  multa  de  ofício  para  10%  pela  aplicação  da  proibição  constitucional de confisco por tributos ou multas punitivas;  36. Redução da multa de ofício para 75% por ausência de fraude ou omissão  dolosa;  37. Redução da penalidade por "bis in idem";  38. Inaplicabilidade da taxa Selic;  39. Pede a realização de perícia e a colheita de depoimentos.  Rogério Márcio Tolardo, por sua vez, inicia seu recurso invocando a nulidade  da intimação da decisão de primeira instância, já que esta não teria sido realizado no endereço  que indicou em sua impugnação.  No mais, seu recurso apresenta, em sua maioria, os mesmos argumentos de  defesa  da  empresa  autuada,  tanto  na  identificação  dos  itens  como  em  sua  redação.  Por  economia processual,  serão  listados  abaixo apenas os  argumentos que  foram acrescidos pelo  sujeito passivo solidário:  1. Nulidade por ausência de intimação pessoal;  2. Nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal, em razão de  não ter sido o recorrente cientificado da existência de processo de fiscalização contra si;  3. Nulidade por  ilegitimidade passiva do  recorrente, pois não haveria prova  que demonstrasse a existência de vínculo dele com a empresa autuada;  4.  Nulidade  por  ilegitimidade  do  auditor­fiscal,  que  teria  extrapolado  os  limites de sua competência  funcional ao desconsiderar a personalidade  jurídica da empresa e  atribuir responsabilidade objetiva e solidária ao recorrente sem indicar os motivos para tanto;  5.  No  mérito,  ausência  de  responsabilidade  do  recorrente,  por  ser  pessoa  estranha ao quadro societário da empresa autuada e por não haver prova de seu vínculo com ela  e com o fato gerador do tributo;  6. Ausência de  responsabilidade do  recorrente por  inexistência de prova do  seu benefício;   Os  recursos voluntários de Samuel Tolardo Junior e  Jeane Cristine Tolardo  Dalle Ore apresentam as mesmas razões de recorrer.  Fl. 12726DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.705          45 É o que havia para ser relatado.    Voto             Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora   Os  recursos  apresentados  por  PRV  Comércio  de  Peças  Ltda.  ME  (fls.  12.240/12.334  e  12.562/12.656);  Jeane  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore  (fls.  12.344/12.413);  Samuel  Tolardo  Junior  (fls.  12.488/12.557)  e  Rogério  Márcio  Tolardo  (fls.  12.167/12.237)  preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço.  Análise do Recurso Voluntário de PRV Comércio de Peças Ltda. ME  Item  1.  Ausência  de  análise  da  impugnação  e  negativa  de  acesso  aos  documentos e escuta telefônica  Segundo  a  recorrente,  o  acórdão  de  1ª  instância  não  apreciou  sua  impugnação, já que, ao relatar os fatos do processo, a identificou como "Fort Lub".  É  verdade  que  a  decisão  de  piso  cometeu  essa  impropriedade,  o  que  é  compreensível já que várias autuações fiscais foram lavradas no contexto da mesma operação e  nelas a autoridade fiscal fez uso do mesmo relatório, alterando itens específicos para adequá­lo  à realidade de cada empresa autuada. Portanto, é aceitável o expediente utilizado pela DRJ, que  também é adotado pelos recorrentes, já que se utilizam do mesmo texto de impugnação neste  processo e nos lavrados contra outras pessoas jurídicas.  Além disso,  não  se vislumbra qualquer prejuízo  à  recorrente,  já que  a DRJ  enfrentou efetivamente os argumentos apresentados, tendo identificado corretamente a empresa  autuada nos demais itens do Acórdão, conforme evidencia o seguinte excerto:  DA EMPRESA PRV  107. A empresa PRV Comércio de Peças Ltda. ­ ME é uma  as empresas da REDE PRESIDENTE de autopeças e assim  como  as  outras,  encontra­se  constituída  em  nome  de  laranjas.  O  seu  domicílio  fiscal  seria  na  cidade  de  Guarulhos/SP,  contudo,  conforme  relato  anterior,  a  sede  administrativa  de  todo  o  esquema  fica,  na  verdade,  na  cidade de Maringá/PR. Poucos meses após a sua criação,  seu endereço foi alterado para o mesmo endereço da RPT e  da A P E, ambas empresas do esquema.  108.  Em  diversos  locais  onde  foram  cumpridos  os  mandados  de  procedimento  fiscal  foram  encontrados  documentos que vinculam a PRV ao esquema, inclusive no  endereço da sua sede. Ela consta também nos relatórios de  controle das filiais.  Fl. 12727DF CARF MF     46 Assim  como  não  foi  demonstrada  a  existência  de  prejuízo  na  decisão  recorrida,  também  não  há  qualquer  comprovação  de  que  a  empresa  tenha  requisitado  documentos que instruíam o processo e de que eles não foram fornecidos.   Na  dialética  das  provas,  caberia  à  recorrente  demonstrar  o  quanto  alegado,  ônus de que não se desincumbiu.  Pelo  contrário,  a  fls.  11.900/11.904  há  pedido  de  cópia  do  processo  com  "Termo de ciência, vista e entrega de cópia de processo digital" na qual se declara ciência de  cópia integral do processo, dos documentos de fls. 01 a 11.633.  Em razão do exposto, rejeito a primeira preliminar de nulidade.  Item  2.  Nulidade  da  autuação  por  ofensa  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa, já que não teria obtido cópia dos documentos que justificariam a autuação  Neste tópico a recorrente volta a alegar que não teve acesso a documentos e,  mais uma vez, não apresenta qualquer comprovação do que é alegado.  Ademais, a  fls. 11.900/11.904 há pedido de cópia do processo com "Termo  de  ciência,  vista  e  entrega  de  cópia  de processo  digital"  na  qual  se  declara  ciência  de  cópia  integral do processo, dos documentos de fls. 01 a 11.633.  Por falta de comprovação de que houve negativa ao acesso aos documentos  do  processo,  bem como  pela  existência  de  indício  de que  houve efetivamente  acesso  a  eles,  rejeito a segunda preliminar de nulidade.  Item  3.  Nulidade  da  decisão  recorrida  por  não  ter  analisado  todas  as  questões invocadas pela defesa  A recorrente alega que a decisão de piso foi simplista e não analisou todas as  questões invocadas, o que conduziria à sua nulidade.  Quanto a esse aspecto, entendo que, embora a decisão deva ser fundamentada  e levar em consideração os argumentos apresentados pelos impugnantes, pois isso consiste em  uma  das  faces  do  contraditório  (poder  de  influência),  não  há  obrigatoriedade  de  análise  de  todos os argumentos de defesa.  Com efeito, de acordo com o art. 489 do Código de Processo Civil  (Lei nº  13.105, de 2015):  Art. 489. São elementos essenciais da sentença:  I ­ o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação  do  caso,  com a  suma do  pedido  e  da  contestação,  e  o  registro  das principais ocorrências havidas no andamento do processo;  II ­ os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e  de direito;  III ­ o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais  que as partes lhe submeterem.  Fl. 12728DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.706          47 § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial,  seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:  (...)  IV  ­  não  enfrentar  todos  os  argumentos  deduzidos  no  processo  capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;  (...)  Isso significa que a omissão que vicia a decisão é aquela relativa a ponto que  poderia  alterar  a  decisão  tomada.  Nesse  sentido,  destaco  o  seguinte  precedentes  do  STF  (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA):  “[...]  EMENTA:  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  ADMINISTRATIVO.  CONCURSO  PÚBLICO.  CONTRATAÇÃO  PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME.  PRETERIÇÃO  CARACTERIZADA.  EXPECTATIVA  DE  DIREITO  CONVOLADA  EM  DIREITO  SUBJETIVO  À  NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.  EFEITOS  INFRINGENTES.  IMPOSSIBILIDADE.  DESPROVIMENTO.  1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes,  tornam  inviável a revisão em sede de embargos de declaração,  em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC.  2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um,  os  argumentos  trazidos  pela  parte,  desde  que  os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para  embasar a decisão.  (g.n.)  3.  A  revisão  do  julgado,  com  manifesto  caráter  infringente,  revela­se  inadmissível,  em  sede  de  embargos.  (Precedentes:  AI  n.799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma,  DJe  de  8/9/2011;  e  RE  n.  591.260AgRED,  Relator  o  Ministro  Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de  declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB.  DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN.  LUIZ FUX).  No mesmo  sentido,  é  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  Recurso  Especial  nº  1.532.206  ­  RJ  (2015/0105289­5)  relator  o  Ministro  Marco  Aurélio  Bellizze:  Ademais, não se exige do julgador examinar uma a uma as teses  suscitadas  pelo  recorrente,  tampouco  a  transcrição  de  fundamentos  adotados per  relationem à  sentença,  na  esteira  de  precedentes desta Corte Superior  (AgRg no AgRg no AREsp n.  630.003/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma,  DJe  19/5/2015;  HC  n.  103.158/RS,  Rel.  Min.  Nefi  Cordeiro,  Fl. 12729DF CARF MF     48 Sexta Turma, DJe 8/6/2015; HC n. 315.106/SP, Rel. Min. Maria  Thereza  de  Assis  Moura,  Sexta  Turma,  DJe  11/3/2015;  entre  outros).  Na hipótese em questão, deve­se considerar ainda o fato de que a alegação de  nulidade  da  decisão  foi  efetuada  de  forma  genérica,  sem  demonstrar  a  efetiva  omissão  e  o  prejuízo sofrido. Em contraponto, analisando­se a decisão recorrida, vertida em um Acórdão de  74  páginas  com  o  enfrentamento  consciencioso  de  questões  que  foram  repetidas  na  fase  recursal, não é possível identificar o vício que lhe é impingido.  Rejeito a terceira preliminar de nulidade.  Item  4.  Nulidade  da  decisão  recorrida  por  ter  sido  proferida  por  autoridade incompetente  Alega­se  também  nulidade  da  decisão  recorrida  por  ter  sido  proferida  por  autoridade incompetente, auditor­fiscal e não Delegado da Receita Federal, o que ofenderia o  Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 25, "a".  Ocorre que o  art.  64 da Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, deu nova  redação  a  esse  artigo  25,  alterando  o  funcionamento  das  Delegacias  da  Receita  Federal  de  Julgamento, pela instituição do julgamento colegiado:  Art. 64. O art. 25 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972,  com  a  redação  dada  pela  Lei  no  8.748,  de  9  de  dezembro  de  1993, passa a vigorar com a seguinte redação:  "Art. 25. O  julgamento do processo de exigência de  tributos ou  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal  compete:  I  ­  em primeira  instância, às Delegacias da Receita Federal de  Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada  da Secretaria da Receita Federal;  ................................................................  §  5o  O  Ministro  de  Estado  da  Fazenda  expedirá  os  atos  necessários  à  adequação  do  julgamento  à  forma  referida  no  inciso I do caput." (NR)  A  regulamentação  desse  julgamento  colegiado  em  1ª  instância  dá­se  atualmente pela Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, de onde se extrai:  Art.  2º  As  DRJ  são  constituídas  por  Turmas  Ordinárias  e  Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco)  julgadores,  podendo  funcionar  com  até  7  (sete)  julgadores,  titulares ou pro tempore.  §  1º  As  Turmas  Ordinárias  podem  ter  até  2  (duas)  Turmas  Especiais a elas vinculadas, que serão instaladas pelo Secretário  da  Receita  Federal  do  Brasil  no  ato  de  designação  dos  respectivos  julgadores  e  terão  a  mesma  competência  para  julgamento atribuída às Turmas Ordinárias a que se vinculam.  §  2º  As  Turmas  Ordinárias  são  dirigidas  por  um  presidente  nomeado  entre  os  julgadores,  sendo  uma  delas  presidida  pelo  Fl. 12730DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.707          49 Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento,  que  também exerce a função de julgador.  §  3º  As  Turmas  Especiais  possuem  caráter  temporário,  são  integradas  por  julgadores  pro  tempore  e  dirigidas  pelo  Presidente da Turma Ordinária a que se vincula.  §  4º A  nomeação de Presidentes  de Turmas  e  a  designação de  julgadores,  titulares  ou  pro  tempore,  são  de  competência  do  Secretário da Receita Federal do Brasil.  Art. 3º O julgador deve ser ocupante do cargo de Auditor­Fiscal  da Receita  Federal  do Brasil  (AFRFB),  preferencialmente  com  experiência na área de tributação e julgamento ou habilitado em  concurso público nessa área de especialização. (grifou­se)  Logo, improcedente a alegação de incompetência da autoridade que prolatou  a decisão recorrida.  Rejeito a quarta preliminar de nulidade  Item  5.  Nulidade  por  prorrogação  indevida  do  Mandado  de  Procedimento Fiscal   Segundo  a  recorrente,  o  MPF  iniciou­se  em  27/02/2014  com  o  fim  de  fiscalizar o IRPJ e CSLL nos períodos de 09/2010 a 09/2012, com prazo de encerramento em  27/06/2014. Contudo,  teria  sido prorrogado e alterado sem a devida ciência da  fiscalizada, o  que causaria nulidade da autuação.  Esse  argumento  é  superado pela  leitura do Termo de  Início da Ação Fiscal  que está à fl. 10.810/10.811 e do AR de fl. 10.812 do processo eletrônico.   Utilizando­se dos dados  fornecidos por esse TIAF no  sítio da Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  na  rede  mundial  de  computadores,  identifica­se  o  Termo  de  Distribuição  de  Procedimento  Fiscal  nº  08.111.00­2014­00840­3,  em  face  da  empresa  PRV  Comércio  de  Peças  Ltda.,  tendo  como  objeto  contribuições  do  empregador  e  para  outras  entidades e fundos, no período de 03/2009 a 09/2012.   O prazo para encerramento do procedimento seria 23 de janeiro de 2015 e o  Termo  de  Encerramento  da  Ação  Fiscal  foi  lavrado  em  03  de  dezembro  de  2014  (fls.  10.947/10/948).  A  despeito  disso,  deve  ser  registrada  a  reiterada  jurisprudência  deste  colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301­004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael  Vieira dos Santos,  de  acordo  com o  qual  eventuais  deficiências  do MPF,  se  existissem,  não  maculariam o lançamento:  3.  Ademais,  o Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  instrumento  interno  de  planejamento  e  controle  das  atividades  e  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal.   4.  Consiste  em  uma  ordem  administrativa,  emanada  de  dirigentes  as  unidades  da  Receita  Federal  para  que  seus  Fl. 12731DF CARF MF     50 auditores  executem  as  atividades  fiscais,  tendente  a  verificar  o  cumprimento  das  obrigações  tributárias  por  parte  do  sujeito  passivo.  Sendo,  portanto,  ato  praticado  por  autoridade  competente  (Coordenador,  Superintendente,  Delegado  ou  Inspetor,  conforme  o  caso)  e  dirigido  ao  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  (AFRF),  eventuais  irregularidades  verificadas  no  seu  trâmite,  ou mesmo  na  sua  emissão,  não  tem  condão  de  invalidar  o  auto  de  infração decorrente  do  procedimento  fiscal  relacionado.   5.  A  necessidade  de  cientificar  o  contribuinte  da  existência  do  MPF  prende­se  tão  somente  a  questões  relacionadas  a  sua  segurança  contra  pseudo­ações  fiscais  que  poderiam  ocorrer.  Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas  que  julgar  pertinentes  para  sua  segurança  durante  o  procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado  o MPF correspondente.  Por essas razões, rejeito a quinta preliminar de nulidade argüida.  Item 6. Nulidade por cerceamento ao direito de defesa  Aqui a recorrente afirma que não lhe teria sido deferido prazo para entregar  documentos,  contudo  não  comprova  documentalmente  o  quanto  alegado.  Ademais,  dada  a  jurisprudência  desse  CARF  que,  em  respeito  à  busca  pela  verdade  material,  tem  conhecido  argumentos  e  documentos  apresentados  mesmo  após  o  protocolo  do  recurso  voluntário,  se  houvesse real interesse da empresa em apresentar documentos ela já o teria feito.  Ademais, a  fls. 11.900/11.904 há pedido de cópia do processo com "Termo  de  ciência,  vista  e  entrega  de  cópia  de processo  digital"  na  qual  se  declara  ciência  de  cópia  integral do processo, dos documentos de fls. 01 a 11.633.  Rejeito a sexta preliminar de nulidade.  Item 7. Nulidade por ilegitimidade passiva do recorrente e prova nula  Neste item há dois argumentos diversos: primeiro afirma­se que não haveria  prova que demonstrasse a existência de vínculo da recorrente com a empresa em face da qual  foi iniciada a investigação; em segundo, alega­se que as provas do inquérito não passaram pelo  crivo do contraditório.  O  primeiro  argumento  poderia  se  admitido  como  preliminar  caso  houvesse  um  flagrante  equívoco  na  vinculação  da  empresa  com  os  fatos  que  deram  origem  aos  procedimentos  investigatórios,  o  que  não  é  o  caso. Como  essa  linha  de  argumentação  exige  uma análise mais aprofundada da matéria, ela deve ser  tratada como mérito, o que será  feito  mais adiante.  Em relação ao segundo argumento, de que as provas utilizadas não passaram  pelo crivo do contraditório, é necessário inicialmente lembrar a independência das esferas civil  e penal, disciplinada pelos seguintes dispositivos legais:  Código Civil:   Art.  935.  A  responsabilidade  civil  é  independente  da  criminal,  não  se  podendo questionar mais  sobre  a  existência do  fato,  ou  Fl. 12732DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.708          51 sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem  decididas no juízo criminal.   Código de Processo Penal:   Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal , a  ação  civil  poderá  ser  proposta  quando  não  tiver  sido,  categoricamente,  reconhecida  a  inexistência  material  do  fato  .  (grifos nossos)   Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil :  I  ­  o  despacho  de  arquivamento  do  inquérito  ou  das  peças  de  informação;   II ­ a decisão que julgar extinta a punibilidade;   Com efeito, conforme menciona a recorrente de forma reiterada, o inquérito  policial consiste em procedimento inquisitório e preparatório, que tem por objetivo a colheita  de  elementos  sobre  a  autoria  e  a  materialidade  da  conduta  criminosa.  Segundo  a  lição  de  Renato Brasileiro de Lima:  Diferencia­se  o  inquérito  policial  da  instrução  processual  por  esse motivo: enquanto a investigação criminal tem por objetivo a  obtenção  de  dados  informativos  para  que  o  órgão  acusatório  examine a viabilidade da propositura da ação penal, a instrução  em  Juízo  tem  como  escopo  colher  provas  para  demonstrar  a  legitimidade  da  pretensão  punitiva  ou  do  direito  de  defesa.  (Curso de Processo Penal Niterói; RJ, Impetus, 2013, p. 73)  Assim, durante o inquérito seriam colhidos apenas elementos de informação,  o  que  os  diferencia  das  provas  que  são  produzidas  no  curso  do  processo  judicial,  com  as  garantias do contraditório e da ampla defesa.  Ocorre que, dada a independência das instâncias anteriormente mencionada,  esses  elementos  de  convicção  serão  livremente  analisados  na  esfera  civil,  com  as  conseqüências que lhe são próprias.  Assim como o inquérito policial, o procedimento fiscal também tem natureza  inquisitória e preparatória, sendo o contraditório e a ampla defesa realizados na fase processual  que, no âmbito da administração tributária  federal, dá­se pelo Processo Administrativo Fiscal  regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972.  Como conseqüência, o contraditório e a ampla defesa em face dos elementos  de convicção coligidos durante a fase investigatória estão sendo franqueados aos recorrentes no  processo  ora  em  análise,  onde  não  se  logrou  demonstrar  a  existência  de  qualquer  vício  que  pudesse maculá­lo.  Rejeito as preliminares de nulidade identificadas neste item.  Item 8. Nulidade por ausência de observância de requisitos no processo  administrativo fiscal para o lançamento  Aqui  ataca­se  o  procedimento  da  autoridade  fiscal  que  teria  formado  seu  convencimento sem base nas provas do processo.  Fl. 12733DF CARF MF     52 Entendo  que  essa  questão  exige  uma  análise mais  aprofundada  das  provas  existentes, razão pela qual a matéria é atinente ao mérito e não à preliminar.  Rejeito a preliminar identificada como item 8.  Item 9. Nulidade por impossibilidade de presunção para o lançamento   Segundo  os  argumentos  de  defesa,  o  lançamento  teria  sido  realizado  com  base em presunção, pois não haveria provas no processo, e o lançamento tributário não gozaria  de presunção de validade.  Ao  afirmar  que  o  lançamento  foi  feito  com  base  em  presunção  e  não  em  provas, a recorrente está reiterando argumentos já tratados nos itens anteriores, em especial o  identificado como item 8. Como já foi afirmado, a valoração das provas ou indícios utilizados  serão tratados como matéria de mérito.  Quanto  ao  segundo  aspecto,  que  trata  da  presunção  de  legitimidade  do  lançamento, deve­se reconhecer que há alguma procedência nas alegações da recorrente. Tanto  é  assim  que  a  legitimidade  do  lançamento  pode  ser  discutida  no  âmbito  do  PAF,  em  que  a  impugnação  apresentada  instaura  uma  crise  de  certeza  que  passará  pelo  crivo  de  duas  instâncias de julgamento.  Neste  caso,  os  elementos  trazidos  pela  fiscalização  serão  sopesados  com  aqueles carreados pelos impugnantes/recorrentes tal como se dá no processo em questão.  Como não me parece que  as  vias  de  impugnação  tenham  sido  negadas  aos  recorrentes, bem como que estes tenham logrado demonstrar que a fiscalização tenha sonegado  informações ou provas, o argumento se torna meramente retórico.   Rejeito as preliminares identificadas como item 9.  Item  10.  Nulidade  por  inobservância  dos  princípios  informadores:  contraditório, ampla defesa, devido processo legal, legalidade, isonomia e imparcialidade  Neste ponto do recurso a interessada menciona uma série de princípios que,  de  fato,  devem  orientar  a  atividade  administrativa,  contudo  não  demonstra  como  eles  não  teriam sido observados.   Mais uma vez, rejeito a preliminar argüida.  Item 11. Nulidade por inexistência de prova material  Alega a empresa  fiscalizada  a  total  ausência de provas para a  atribuição de  responsabilidade  à  ela,  o  que  conduzira  à  conclusão  de que  sua  responsabilidade  decorre  de  presunção da autoridade fiscal.  Mais uma vez,  esse  argumento  remete  à valoração das provas  carreadas  ao  processo, o que será feito na análise do mérito.  Rejeito também essa preliminar.  Item  12.  Nulidade  por  utilização  de  elementos  coligidos  de  processo  administrativo não transitado em julgado e de inquérito policial ainda não finalizado  Fl. 12734DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.709          53 Este argumento se confunde com o que foi tratado no segundo tópico (prova  nula) do item 7, razão pela qual se remete à sua leitura.  Rejeito igualmente essa preliminar de nulidade.  Item  13.  Nulidade  em  função  do  desrespeito  aos  limites  do  livre  convencimento do julgador  Sob  esse  tópico  a  defesa  questiona  as  conclusões  a  que  chegou  a  turma  julgadora de 1ª instância a partir dos elementos de convencimento existentes no processo.  Mais uma vez entendo que se trata de questão atinente à valoração das provas  do processo, matéria a ser tratada no mérito.  Preliminar de nulidade rejeitada.  Item  14.  Nulidade  pela  impossibilidade  do  auditor  considerar  como  "laranjas" os integrantes da sociedade recorrente  Aduz  a  recorrente  que  seus  atos  constitutivos  são  plenamente  válidos  no  ordenamento jurídico e produzem efeitos. Para sua descaracterização seria necessário observar  procedimentos  que  ainda  não  tem  previsão  legal:  a  regulamentação  do  art.  116,  parágrafo  único, do CTN.  Nesse caso, a desconsideração da personalidade jurídica levada a efeito pela  autoridade fiscal só seria possível através de autorização judicial.  Sem razão a recorrente.  De  acordo  com  o  art.  142  do  CTN,  compete  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo  caso, propor a aplicação da penalidade cabível.  Sujeito passivo, por outro lado, é aquele que tem relação pessoal e direta com  a  situação  que  constitui  o  fato  gerador  (contribuinte)  e  aquele  cuja  obrigação  decorre  de  lei  (responsável).   Portanto, cumpre à autoridade fiscal identificar o efetivo sujeito passivo, seja  ele  contribuinte  ou  responsável  e,  para  tanto,  não  está  adstrito  ao  aspecto  formal  dos  atos  e  negócios jurídicos.  Com  efeito,  na  linha  de  argumentação  utilizada,  a  recorrente  pretende  seja  reconhecida a prevalência da forma em relação à substância econômica ou empresarial. Porém,  tal  enfoque não é mais  aceitável,  conforme é possível observar das  lições de Marco Aurélio  Greco em artigo no qual critica o  formalismo no Direito Tributário e  faz escorço histórico  a  respeito de como o tema do planejamento tributário foi e vem sendo tratado na doutrina e na  jurisprudência administrativa:  Fl. 12735DF CARF MF     54 "(...),  a  liberdade  absoluta  do  contribuinte  levou  a  uma  infinidade de estruturas negociais e  reestruturações  societárias  que,  com  propriedade,  foram  consideradas  meramente  "de  papel".  A  prevalência  da  forma  levou,  da  perspectiva  da  legalidade,  à  veiculação  de  praticamente  quaisquer  conteúdos  desde que através de lei em sentido formal; e da perspectiva da  liberdade  de  auto­organização  ao  surgimento  de  "montagens  jurídicas"  sem  qualquer  substância  econômica,  empresarial  ou  extra­tributária."  (  Cf.  GRECO,  Marco  Aurélio.  Crise  do  formalismo no Direito Tributário brasileiro. Revista da PGFN.  Ano I, Número ,I, 2011, p. 14)    Os  conceitos  de  abuso  de  forma  e  de  direito  são  amplamente  debatidos  no  mundo jurídico, conforme doutrina a seguir:   "...negócios  jurídicos  que  não  tenham  nenhuma  causa  real  distinguível,  a  não  ser  sua  finalidade  tributária,  terão  sido  realizados  em  desacordo  com  o  perfil  objetivo  do  negócio  e,  como  tal,  assumem um  caráter  abusivo."  ( Cf. HUCK, Hermes  Marcelo.  Evasão  e  elisão.  Rotas  nacionais  e  internacionais  do  planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 153).  Na hipótese  em  questão,  tratando­se  de  contribuições  previdenciárias,  deve  ser  considerado  ainda  o  que  determina  a  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho  nos  seguintes  dispositivos:  Art.  2º  ­  Considera­se  empregador  a  empresa,  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  da  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.  (...)  Art. 3º ­ Considera­se empregado toda pessoa física que prestar  serviços  de  natureza  não  eventual  a  empregador,  sob  a  dependência deste e mediante salário.  (...)  Art. 9º  ­ Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o  objetivo  de  desvirtuar,  impedir  ou  fraudar  a  aplicação  dos  preceitos contidos na presente Consolidação.  Esses comandos permitem à autoridade responsável superar atos formais que  tenham  por  objetivo,  entre  outros,  impedir  o  conhecimento  do  real  empregador,  sendo  este  aquele que efetivamente assume os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a  prestação dos serviços.  Essa possibilidade não se confunde e não é excludente com aquela decorrente  do art. 50 do Código Civil, com procedimento estabelecido no art. 133 do Código de Processo  Civil.  Portanto,  quanto  à  possibilidade  de  a  autoridade­fiscal  desconsiderar  os  elementos  formais  de  constituição  de  empresa  e  de  vínculo  de  emprego  para  fins  de  identificação  do  real  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  também  rejeito  a  preliminar  de  nulidade apresentada.  Item 15. Nulidade por falta de motivação e fundamentação   Fl. 12736DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.710          55 Segundo  a  recorrente,  a  autoridade  fiscal  teria  tipificado  as  exigências  em  dispositivos genéricos, sem especificar quais artigos motivaram a lavratura do auto de infração,  o que caracterizaria falta de fundamentação para o ato.  Ao contrário do que se alega, entretanto, o auto de infração, através de seus  vários elementos  integrantes,  identifica não apenas os dispositivos  legais aplicáveis à espécie  (Relatório Fundamentos Legais do Débito ­ fls. 10.930/10.931 e 10.945/10.946), como faz uma  exaustiva descrição dos  fatos que ensejaram a  responsabilidade de  todos os  sujeitos passivos  (documentos intitulados Relatório Previdência PRV G Parte A, Relatório Previdência PRV G  Parte B e Anexo Relatório PRV Guarulhos ­ fls. 10.993/11.529).   Portanto, não identifico a alegada ausência de motivação/fundamentação no  lançamento. Rejeito a preliminar.  Item 16. Nulidade  por  ausência  de  autorização  judicial  para  utilização  dos documentos  Neste  item  a  recorrente  alega  que  nenhum  documento  foi  obtido  em  seu  endereço, logo a apreensão de documentos e discos rígidos seria ilegal em relação à ela.  Considerando­se que parte significativa dos endereços onde foram realizadas  as buscas e apreensões não identificavam qualquer pessoa jurídica e que a autoridade judicial  faz referência em suas decisões a uma rede de empresas em nome de laranjas, vê­se que não  faz  sentido os  argumentos  apresentados neste  tópico,  já que o objetivo das  investigações  era  exatamente identificar os componentes da rede.  Na verdade, não é possível  identificar, nos termos em que as decisões estão  vertidas,  qualquer  delimitação  quanto  ao  escopo  das  buscas  no  sentido  pretendido  pela  recorrente.  Preliminar de nulidade rejeitada.  17. Nulidade por utilização de provas ilícitas  Neste  tópico  a  recorrente  afirma  que  a  ordem  de  busca  e  apreensão  foi  emanada por autoridade incompetente.  As provas utilizadas para o lançamento em questão foram obtidas através de  decisões  judiciais  (fls.  633/645)  em  relação  às  quais  não  se  demonstrou  qualquer  irregularidade. Embora a recorrente alegue a incompetência do juízo que determinou a busca e  apreensão,  a  quebra  dos  sigilos  e  o  compartilhamentos  das  informações,  não  demonstra  que  esse fato tenha sido assentado em decisão judicial, único meio capaz de infirmar a presunção  de  legitimidade  que  carrega  uma  decisão  judicial.  Portanto,  em  relação  à  competência  da  autoridade judicial, não há que se falar em provas ilícitas.  Rejeito também esta preliminar de nulidade.  18. Pedido de diligência   Fl. 12737DF CARF MF     56 Em face das nulidades acima relatadas pede a recorrente que o processo seja  devolvido à Delegacia de origem para as diligências necessárias a fim de atestar ausência de  irregularidades cometidas pela recorrente.  Tendo sido afastadas todas as preliminares argüidas, não se vislumbra razão  para a realização de qualquer diligência.  19. Impossibilidade de autuação com base em inquérito policial   Alega­se  que  o  trabalho  fiscal  não  pode  ser  realizado  com  base  exclusivamente em inquérito policial.   Quanto a esse aspecto, remete­se para a leitura do item 7 onde já foi tratada a  independência  das  instâncias  civil  e  criminal,  bem  como  sobre  o  caráter  inquisitório  do  procedimento de fiscalização.  Preliminar rejeitada.  20.  Como  prejudicial  de  mérito:  necessidade  de  aguardar  o  encerramento do inquérito policial e de processos administrativos pendentes  Este  tópico  também  se  confunde  com  o  que  foi  tratado  no  item  7,  a  cuja  leitura se remete.   Quanto aos processos administrativos pendentes, parece que a recorrente está  se  referindo  aos  processos  fiscais.  Nesse  caso,  seria  necessário  demonstrar  relação  de  prejudicialidade  entre  esse  processo  e  outros  pendentes  de  apreciação,  ônus  de  que  não  se  desincumbiu a recorrente.   Com  efeito,  analisando­se  a  matéria  em  tese  e  considerando­se  que  neste  processo há lançamento de contribuições previdenciárias do empregador e para terceiros não é  possível vislumbrar hipótese em que fosse necessário aguardar o julgamento de outro processo  administrativo.  Rejeito esta prejudicial de mérito.  21. Como prejudicial  de mérito:  a  necessidade  de  aguardar  decisão  do  Supremo Tribunal Federal ­ STF   Também  como  prejudicial  de  mérito,  alega­se  a  necessidade  e  aguardar  decisão  do  STF  acerca  da  possibilidade  de  quebra  do  sigilo  bancário  diretamente  por  autoridade administrativa.  Como essa matéria já foi solucionada de forma favorável à Fazenda Nacional  e considerando­se ainda a inexistência de previsão regimental neste sentido, rejeita­se também  esta prejudicial de mérito.  Mérito  22. Ausência de solidariedade por se tratar de empresas autônomos, com  sócios  distintos,  com  quadro  de  funcionários  próprios  e  estabelecidas  em  localidades  diferentes  Fl. 12738DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.711          57 Ao  alegar  a  inexistência  de  solidariedade  e  a  autonomia  das  empresas,  a  recorrente busca negar a existência da Rede Presidente.  Quanto a esse aspecto, utilizo­me dos argumentos expendidos pela decisão de  piso, de onde transcrevo:   As  provas  carreadas  aos  autos  pela  Auditoria  demonstram  de  forma contundente a existência de um esquema que consistia na  criação de empresas que funcionavam, na realidade, como filiais  de um empreendimento único.  Como  exemplo  das  provas  relatadas,  foi  constatado  que  um  mesmo  endereço  físico  corresponde  a  endereços  cadastrais  de  três  filiais  do  esquema,  apenas  formalmente  constituídas  como  empresas:  RPT  (CNPJ  62.622.881/0017­05),  APE  (CNPJ  06.987.857/0003­95) e matriz da PRV (CNPJ 09.521.678/0001­ 94). No local, há um grande depósito sem identificação, utilizado  como centro de distribuição pelo esquema.  Em um dos bunkers do esquema, localizado na Rua Rui Barbosa,  1.027, em Maringá/PR, havia um arquivo metálico com gavetas  identificadas por “empresas ativas” e “empresas  inativas”. No  interior,  dezenas  de  pastas  com  documentação  das  diversas  empresasutilizadas  pela  REDE  PRESIDENTE.  Na  gaveta  das  “empresas  inativas”  foram encontradas 52 pastas de  empresas  utilizadas e já abandonadas. Na das “empresas ativas”, mais de  60 pastas de empresas.  A  utilização  de  laranjas  foi  exaustivamente  comprovada,  sendo  destacados  nos  parágrafos  seguintes  algumas  das  evidências  relatadas.  Sobressaem­se  os  casos  onde  as  pessoas  usadas  sequer tinham conhecimento da situação, o que evidencia o dolo  e,  pior,  fraude  praticada  não  só  contra  o  Fisco,  mas  também  contra  pessoas  humildes,  que  estão  sendo  procuradas  por  dívidas das empresas do esquema.  Foi  localizada  em  um  dos  bunkers  do  esquema  uma  denúncia  feita em 2006, por um ex funcionário da RPT, Ivanilto Mascena  dos  Santos Viana  à Polícia Civil  (Delegacia  de Defraudações)  do Rio de Janeiro. Na denúncia, Samuel Tolardo aparece como o  verdadeiro proprietário da RPT. Geraldo Richter, sócio laranja,  aparece  como  pedreiro  da  REDE  PRESIDENTE.  Apesar  de  figurar como proprietário, Geraldo comentou certa vez “que isto  era  coisa  do  velho”.  Foi  dito  também  que  o  uso  de  nomes  de  funcionários  como  sócios  de  diversas  empresas  vinculadas  à  REDE  PRESIDENTE  era  fato  corriqueiro  e  muito  comentado  nos corredores da empresa.  A  denúncia  foi  motivada  por  o  ex  funcionário  ter  sido  usado  como  laranja,  ou  estar  sendo  “preparado”  para  tal.  Nessa  condição, suas Declarações de Imposto sobre a Renda de Pessoa  Física  –  DIRPF  dos  anos­calendário  2004  e  2005  foram  transmitidas  pela  REDE.  Com  seu  desligamento  do  quadro  de  pessoal, o Sr. Ivanildo fez a denúncia.  Fl. 12739DF CARF MF     58 O Parecer Técnico 0123/2012, elaborado por Ezenil Consultoria  e Assessoria Empresarial a pedido da PRTS, uma das empresas  do esquema, alertou sobre a possibilidade de o Fisco incluir os  reais proprietários nos polos passivos das autuações, nos casos  em  que  fosse  constatado  fraude  nos  atos  constitutivos  ou  contratos  sociais,  independentemente  do  laranja  ter  ciência  da  situação.  A  prática  de  utilização  de  laranjas  é  confirmada  por  Antônio  Prudente  Ferreira,  caseiro  da  família  Tolardo  há  mais  de  14  anos.  Na  época  do  Mandado  de  Busca  e  Apreensão,  ele  trabalhava  na  casa  de  Íris  da  Silva  Tolardo  e  declarou  em  depoimento  à  Polícia  Federal  que,  a  pedido  do  Sr.  Samuel  Tolardo,  já  falecido,  é  sócio  de  uma  empresa  cujo  nome  não  recorda.  Acrescentou  que  antes  era  pedreiro  e  que  nunca  trabalhou para nenhuma empresa.  Em escuta  telefônica efetuada em 08/08/2012 e autorizada pelo  Poder Judiciário, Robson Marcelo Tolardo conversa com Nilson  Roberto  da  Silva  acerca  de  nomes  que  deveriam  constar  no  contrato  social  de  nova  empresa  a  ser  constituída.  Em  outro  áudio, Aparecido Antônio de Lima (Cido) conversa com Liderci  Luriko Nagabe de Oliveira sobre valores pagos a laranjas.  No  bunker  da  Rua  Rui  Barbosa,  1027,  Maringá/PR,  foi  encontrada  troca de mensagens eletrônicas entre Alice Teixeira  Barroco  e  Liderci  Luriko  Nagabe  de  Oliveira,  operadora  do  esquema,  sobre  futura  utilização  de  uma  nova  empresa,  constituída no nome da funcionária Alice, mera laranja.  No computador de Daniel de Oliveira Junior,  foi encontrado e­ mail de 25/01/2011, onde ele repassa a Robson Marcelo Tolardo  uma mensagem eletrônica  recebida da  funcionária do  esquema  Lais  Fernanda  Oliveira  Wochner,  utilizada  como  laranja  na  empresa  Administradora  Confiança.  Na  mensagem,  Daniel  de  Oliveira  Junior  sugere  a  troca  de  nome  porque  é  complicado  ficar  levando  talão  de  cheques  e  outros  documentos  para  Lais  Fernanda Oliveira Wochner  assinar.  Lais  reclama por  estarem  falsificando  a  sua  assinatura  em  documentos  da  empresa,  ressaltando  que  é  bastante  acessível  e  que  não  era  preciso  “chegar  a  esse  ponto”.  A  funcionária  acrescenta  que  não  vai  atrapalhar o trabalho deles, mas quer saber sobre o andamento  dos negócios para não ter problemas em decorrência do uso do  seu nome.  Mais grave, foi a constatação da falsificação de documentos de  identidade de pessoas  físicas humildes utilizadas como laranjas  no  esquema  fraudulento.  Cópias  digitalizadas  das  identidades  falsificadas  de  laranjas  foram  encontradas  em  um  arquivo  na  pasta de downloads do HD apreendido na residência de Robson  Marcelo  Tolardo,  em  Maringá/PR,  principal  comandante  e  administrador do esquema.  Foram  encontradas  correspondências  e  documentos  que  comprovam  ter  Fábio  Novaes,  contador,  enviado  para  Robson  Marcelo  Tolardo  um  relatório  com  os  18  nomes  de  laranjas  cujas DIRPF  havia  transmitido,  cobrando R$  500,00  por  cada  um. Na REDE PRESIDENTE essa  listagem  foi  criticada,  tendo  Fl. 12740DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.712          59 sido  descartados  2  nomes.  Os  16  utilizados  pelo  esquema  constaram em listagem digitada pela rede sob o título “Relatório  de Serviço de Declaração do IRPF/2012”. Essa lista, juntamente  com  informações  sobre  a  conta  para  depósito  e  a  relação  manuscrita  original,  foram  reenviadas  a  Fábio  Novaes  via  SEDEX.  Foram encontradas várias carteiras de  identidade no escritório  de  Fábio  Novaes  com  provas  e  características  evidentes  de  falsificação.  Para  Miguel  Barbosa,  utilizado  na  empresa  SOS  Distribuidora de Peças Automotivas Ltda. – ME, há três versões  de identidades, com diferentes fotos e assinaturas. A foto de uma  dessas carteiras foi utilizada na Carteira de Identidade  ­ CI de  outros  dois  laranjas  fabricados:  Nelson  Ferreira  Castro  e  Euclides  da  Cunha.  Nelson  Ferreira  de  Castro  já  faleceu,  conforme Certidão de Óbito encontrada no mesmo local.  No  cumprimento  do  Mandado  de  Busca  e  Apreensão,  foram  localizados vários controles dos veículos utilizados por laranjas  do  esquema e  listas  com autuações de  trânsito desses  veículos.  Em multas anexas ao documento de controle havia  fotos de um  veículo  Fiat  Uno  Mille  com  logotipo  da  PRV,  empresa  do  esquema REDE PRESIDENTE.  Em  um  dos  endereços  investigados,  foi  encontrado  o  arquivo  “Cópia de Carros_Presidente.xls”, com uma lista de veículos da  REDE  PRESIDENTE  alocados  à  filial  Guarulhos/SP,  onde  constam  42  veículos  com  a  placa  de  identificação  e  o  “proprietário”, na verdade, o laranja.  Cada “filial” da REDE PRESIDENTE recebia o documento do  veículo e o responsável assinava uma cópia que era devolvida à  “central”  em  Maringá/PR.  Eram  veículos  diversos,  como  motocicletas,  automóveis,  caminhonetes,  caminhões,  semi­ reboques,  dentre  outros.  As  cópias  do  CRLV  do  ano  de  2012  ultrapassavam 180 veículos.  Os 150 veículos do exercício 2011 eram registrados no nome de  59  pessoas  diferentes.  Apenas  8  desses  veículos  estavam  registrados  em  nome  de  pessoas  jurídicas  da  REDE  PRESIDENTE (RPT e FEMAMAR). Havia,  também, um veículo  registrado  no  nome  do  principal  comandante  do  esquema,  Sr.  Robson Marcelo Tolardo. Os demais veículos  eram registrados  em  nome  de  laranjas  da  REDE  PRESIDENTE,  muitas  deles  funcionários da rede.  O terceiro grupo de documentos consistia em originais de cerca  de  200  Certificado  de  Registro  de  Veículo  –  CRV,  documento  utilizado  para  eventual  transferência.  Havia,  ainda,  outros  controles de veículos, dentre eles um pelo último dígito da placa,  contendo  informações  como  placa,  renavam  e  o  nome  do  laranja.  Foi  interceptada  conversa  telefônica  entre  Robson  Marcelo  Tolardo e uma das laranjas com veículo registrado em seu nome,  a qual pede que não seja cortada a verba de R$ 500,00 que lhe  Fl. 12741DF CARF MF     60 era paga, alegando que não diria a ninguém que seu nome era  usado e que precisava pagar a UNIMED.  Quanto  às  autenticações  fraudulentas  em  cartório,  tem­se  a  sócia laranja Silvia Vilhalba, utilizada na empresa NTE, alvo de  fiscalização  pela  DRF  Caxias  do  Sul/RS,  o  que  resultou  no  processo administrativo 11020.723699/2012­18. O real endereço  da  sócia  era  Ponta  Porã,  fronteira  com  o  Paraguai,  onde  trabalhava como doméstica. Ela relatou que jamais fora sócia de  qualquer empresa e que não conhecia a outra sócia da empresa  em questão.  Mesmo residindo em Ponta Porã, ela supostamente assinava as  respostas  dadas  à  fiscalização  e  suas  assinaturas  eram  autenticadas pelo Cartório Costa ou Cartório Iguatemi.  122. Foram apreendidas 21 fichas de controle de serviços, todas  em nome da REDE PRESIDENTE, pelas quais se constatou 587  autenticações e 128 reconhecimentos de firma em um único mês,  agosto/2012.  Segundo  planilha  EXCEL  que  estava  em  computador  apreendido,  no  mês  de  julho/2008,  foram  327  autenticações e 108 reconhecimentos de firma.  Deve  também  ser  salientada  a  investigação  desenvolvida  pela  Delegacia  Especial  das  Instituições  Financeiras  –  DEINF/SP  iniciada na Gama Factoring, uma das empresas do esquema. As  empresas  que  lhe  fizeram  pagamentos  foram  intimadas  e  responderam  que  tinham  origem  em  vendas  efetuadas  por  empresas da REDE PRESIDENTE.  A  Saol  Participações  Ltda.  negou  qualquer  operação  com  a  Gama Factoring, esclarecendo que os numerários recebidos por  meio  dessa  empresa  referem­se  a  pagamentos  efetuados  pelo  cliente  Rede  Presidente  Ltda.  A  fabricante  de  autopeças  THIP  Industrial  S/A,  empresa  quotista  da  Saol  Participações  Ltda.,  bem  como  o  contador  desta  última,  reafirmaram  a  transação  comercial  com  a  REDE  PRESIDENTE  e  informaram  que  atualmente o grupo, seu cliente há alguns anos,  tem utilizado o  CNPJ da Retífica Presidente.  A  fornecedora  de  autopeças  NGK  do  Brasil  Ltda.  apresentou  relação de “clientes que compõem o Grupo Presidente de Auto  Peças”,  onde  constam  várias  das  empresas  identificadas  como  sendo do esquema.  Outra  prova  contundente  da  existência  do  esquema  e  da  foma  como  era  operacionalizado  é  o  conteúdo  do  Programa  Caixa,  disponibilizado à fiscalização pela Polícia Federal.  Esses  fatos  são  apenas  uma  parte  dos  inúmeros  que  foram  incluídos no  relato da Auditoria  e que comprovam a existência  do  esquema  fraudulento. Não  se  trata,  pois,  de  uma presunção  calcada em um mero trabalho de conclusão de curso, como quis  fazer parecer um dos  impugnantes. O  trabalho de conclusão de  curso desenvolvido por uma das funcionárias do esquema é um  indício  que  deve  ser  analisado  em  conjunto  com  outros  numerosos indícios e provas que compõem o processo, levando à  inevitável  conclusão  de  que  há  um  esquema  para  livrar  o  empreendimento da cobrança dos tributos que deixa de recolher.  Fl. 12742DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.713          61 Além da sonegação dos tributos pelo encobrimento da existência  dos  fatos  geradores,  quando  o  Fisco  consegue  apurar  tributo  devido  por  elas,  não  há  de  quem  cobrar,  pois  os  verdadeiros  proprietários se esquivam usando sócios laranjas e simplemente  abandonam as empresas e suas dívidas.  Embora  a  empresa  autuada  não  apareça  nos  diálogos  monitorados, estes em conjunto com as demais provas, mormente  as  listas  das  empresas  encontrada  em  diversos  documentos  apreendidos e a conexão encontrada entre a autuada e a família  Tolardo e demais empresas  e  fornecedores, evidencia de  forma  inequívoca  que  ela  pertence  à  REDE  PRESIDENTE.  Se  a  comprovação do envolvimento da empresa autuada foi apurado  em documentos apreendidos em endereços diversos do seu, isso  não  invalida  de  forma  alguma  as  provas,  principalmente  no  caso,  onde  ela  faz  parte  de  um  empreendimento  maior.  O  que  importa é que a prova seja  legítima e que a empresa  tenha seu  direito de defesa garantido, o que ocorre, no caso.  Diante do conjunto probatório apresentado e do Relatório Fiscal  minucioso, argumentar que os Auditores Fiscais se basearam em  mera  presunção  é  totalmente  descabido.  Não  foram,  pois,  violadas as regras que regem o ônus da prova.  Diante  de  tais  elementos  é  totalmente  descabida  a  alegação  de  que  o  lançamento e as  imputações realizadas são fruto de presunções ou de ilações direcionadas. O  que  a  autoridade  fiscal  trouxe  aos  autos  não  são meros  indícios, mas  provas  irrefutáveis  da  existência de fato da Rede Presidente e de seus reais proprietários.  A  despeito  disso,  cumpre  ressaltar  que,  ainda  que  se  pudesse  chamar  os  elementos  de  convicção  aqui  carreados  de  "meros  indícios",  os  indícios  também  tem  força  probatório conforme revela o seguinte trecho do voto do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, no  Acórdão nº 1401­001.726:  Prova Indiciária  É  sabido  que  a  evidência  que  se  infere  a  partir  de  um  único  ou  poucos  indícios  deve  ser  aceita  com  a  devida  cautela,  pois,  o  indício  é  apenas  o  ponto  inicial  para  o  aprofundamento das investigações.  Os  indícios  assim  como  as  presunções  são  também  considerados  como  provas  no  Direito  tanto  se  vistos  de  forma  objetiva,  constituindo­se  no  conjunto  de  meios  ou  elementos  destinados  a  demonstrar  a  existência  ou  inexistência  dos  fatos  alegados,  quanto  subjetivamente  falando, meio  pelo  qual  o  julgado  normalmente  se  utiliza  para formar convicção a respeito da existência ou não de  um determinado fato ou situação.  Os  indícios  para  ter  força  probante  precisam  possuir  2(duas) características importantes: Precisão ou economia  (conduzem a  poucas  hipóteses  ou  apontam para  poucas  causas)  e  convergência  (quando  se  encaixa  com  outro  indício, conduzindo a uma mesma conclusão).  Fl. 12743DF CARF MF     62 Tendo estabelecido a existência da Rede Presidente, o vínculo da empresa  PRV Comércio de Peças Ltda. Me está calcado nos elementos que são assim descritos pelo  Anexo do Relatório Fiscal de fls. 11.327/11.529:  Empresa  4  )  PRV  COMERCIO  DE  PEÇAS  LTDA  (CNPJ  09.521.678/0001­94)  50. Outra  empresa  do  esquema REDE PRESIDENTE  é  a  PRV  COMÉRCIO  DE  PEÇAS  AUTOMOTIVAS  LTDA,  doravante  denominada apenas por PRV, criada em abril de 2008.  51.  Inicialmente  a  empresa  foi  criada  em  nome  do  casal  ROSANA  CRISTINA  DE  OLIVEIRA  MANOEL  (CPF  016.893.089­74)  e MARCOS MANOEL  (CPF  168.293.858­14),  ambos, obviamente, laranjas22. Mais tarde (MAR/2013), segundo  sistema  CNPJ,  ROSANA  CRISTINA  DE  OLIVEIRA  MANOEL  retira­se da sociedade, ficando suas quotas em tesouraria.  52. Note­se que no procedimento realizado pela DRF Caxias do  Sul/RS23,  o  fornecedor  TENNECO  cita  a  PRV  como  empresa  relacionada à REDE PRESIDENTE, no pólo “compradora”.  53. O faturamento da PRV declarado à RFB, juntamente com a  movimentação financeira dos últimos anos foram os seguintes:  Ano Receita Declarada Movimentaçãom Financ  2009 R$ 2.703599,19 R$ 1.976.848,60  2010 R$ 9.821.130,50 R$ 10.763.146,19  2011 R$ 18.903.758,89 R$ 18.112.215,31  2012 R$ 27.932.271,40 R$ 13.217.172,06  54. Seu endereço inicial foi em São Paulo/SP, sendo alterado já  em DEZ/2008, para o município de GUARULHOS/SP  (Estrada  da  Água  Chata,  1615.  Poucos  meses  depois  o  nº  foi  alterado  para 1447). Note­se que este é o mesmo endereço de uma filial  da RPT  (CNPJ  62.622.881/0017­05)  e  também  da APE  (CNPJ  06.987.857/0003­95),  ambas  empresas  do  esquema  REDE  PRESIDENTE.  Inclusive,  neste  endereço,  foi  efetuado  MBA  (GRU39 – fls 1.692 a 1.703).  55.  Também  foram  vários  os  documentos  ligados  à  PRV  encontrados nos diversos locais do MBA. Dentre outros:  a) cópias dos documentos (Carteira de Identidade e cartão CPF)  dos  sócios  da  empresa  (Rosana  e  Marcos),  juntamente  com  o  contrato  social  e  1ª,  2ª  e  3ª  alterações  societárias  da  PRV  (MGA18­8.3 – fls 4.468 a 4.485);  b)  Contrato  de  Acesso  às  Informações  e  Serviços  Bancários,  entre  Banco  BRADESCO  e  a  empresa  PRV  COMERCIO  DE  PEÇAS LTDA (MGA08­2.4 – fls 2.301 a 2.308);  c) Documentos de fornecimentos feitos pela CINDUMEL, à PRT  e à PRV (GRU38.1.1 – fls 1.348 a 1.440);  d) Troca de e­mail, datado de 05/10/2012, entre funcionários da  REDE  PRESIDENTE,  onde  Valquiria  Fl. 12744DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.714          63 (valquiria.comprassp@gmail.com),  solicita  à  Helena  (helenamga1@gmail.com)  que  esta  última  envie  cheque  para  pagamento da CINDUMEL referente compras feitas pela RPT e  PRV (GRU38.1.2 – fls 1.441 a 1.448).  e)  Diversos  pedidos  de  fornecimento  de  auto  peças  (a  fornecedores diversos), em nome da PRV (GRU39.9.1 – fls 1.706  a 1.775);  f)  Diversos  documentos  de  cobrança  de  títulos,  tendo  como  cedente a PRV, e sacado o cliente AUTO PEÇAS RIALAN LTDA  (GRU39.11.1 – fls 1.776 a 1.975);  g)  Notas  fiscais  de  vendas  da  FORT  LUB  PROD.  AUTOM.  LTDA  (empresa  da  REDE  PRESIDENTE24)  para  PRV  COMÉRCIO  DE  PEÇAS  LTDA  (GRU39­11.6  –  fls  1.987  a  1.997);  h) Orçamento de XIS DESIGN COMUNICAÇÃO VISUAL,  feito  para  a  PRV,  datado  de  04/05/2012,  cujo  faturamento  foi  efetuado em nome da SOS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS (outra  empresa  da  REDE  PRESIDENTE25)  (GRU40­3.9  –  fls  2.074  a  2.077);  i) Vários recibos de entrega da RAIS do ano base 2010 de várias  empresas  da REDE PRESIDENTE,  entre  elas  a PRV  (MGA18­ 150 – fls 5.303 a 5.367);  j) Cópia autenticada da 3ª alteração contratual da empresa PRV  COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, datada de 22/12/2009 (MGA19­ 13.92 – fls 6.808 a 6.815);  k)  Contrato  de  locação  de  imóvel  comercial  na  Estrada  Àgua  Chata nº 1447­Guarulhos/SP de Robson Marcelo Tolardo para a  PRV  ,  de  01/10/2009  a  30/09/2011  (MGA19­13.133  –  6.911  a  6.912);  l) Carimbo da PRV (MGA18.103 – fls 5.111 a 5.115).  56. Enfim, da mesma forma que em relação à RPT, à PRS, ou à  PRTS,  também em  relação  à PRV  foram  vários  os  documentos  localizados nos diversos  locais de cumprimento dos MBAs, dos  quais selecionou­se a pequena amostra acima, apenas para fins  de vinculação da PRV com a REDE PRESIDENTE.  57.  Destaca­se  também  a  presença  da  PRV  nos  documentos  controle das filiais (MGA19­19.214 e MGA19­19.215 – fls 8.481  a  8.532),  encontrados  no “bunker” da  rua Rui Barbosa,  1027,  em Maringá/PR, que identifica as diversas empresas (filiais) da  REDE  PRESIDENTE.  A  PRV  está  identificada,  nestes  documentos,  como  “filial  59  –  Água  Chata”,  tendo  como  Gerente Zaquel.  A  reforçar  esses  elementos,  no  Relatório  Previdenciário  Parte  B  (fls.  11.185/11.326), vê­se que entre os vários HD encontrados, descobriu­se o programa CAIXA,  onde se  lançavam  todos os pagamentos efetuados pelas empresas do Grupo. Os  lançamentos  Fl. 12745DF CARF MF     64 realizados a título de contribuições previdenciárias consideraram os valores encontrados nesse  programa em confronto com os declarados em GFIP.  No  que  diz  respeito  à  recorrente,  a  fiscalização  apresenta  como  exemplo  (item 675 do Relatório) as remunerações de Daniela Silva, empregada da PRV e declarada em  suas GFIP de 11/2011 a 09/2012 e para a qual foram encontrados comprovantes de depósitos  (item 676 do Relatório).  Desse  mesmo  relatório  extrai­se  a  menção  aos  documentos  de  fls.  10.064/10.070 que trariam pagamentos por fora para empregados de várias empresas, entre elas  a aqui autuada (itens 681/682).  A  todos  esses  elementos  de  prova,  a  recorrente  não  opõe  nada  mais  que  argumentos  retóricos,  pois  não  apresenta  um  único  documento  a  comprovar  sua  alegada  "autonomia" em relação à Rede Presidente ou a capacidade de seus titulares formais.  Também  não  apresenta  qualquer  elemento  de  fato  que  pudesse  infirmar  as  conclusões a que chegaram a autoridade lançadora e a turma julgadora.  Com base no exposto, rejeito os argumentos com os quais a recorrente busca  demonstrar  a  ausência  de  solidariedade  com  base  na  suposta  autonomia  das  empresas  envolvidas.  Item 23. O  crédito  tributário  já  estava  extinto pela decadência  ou pela  prescrição  Os  fatos  geradores  lançados  são  do  período  compreendido  entre  03/2009  e  09/2012. A ciência do lançamento ocorreu em datas diversas de dezembro de 2014.  Neste  caso,  há  nos  autos  robustas  provas  da  ocorrência  de  conduta  dolosa,  fraudulenta e simulada, o que implica a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173,  I, do CTN, de forma que o início do prazo se dará no primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 1º de janeiro de 2010.   Sendo de cinco anos o prazo, o termo final seria em 31 de dezembro de 2014.  Logo, improcedente a alegação de decadência.  O prazo prescricional, por outro lado, terá sua contagem iniciada apenas com  o  encerramento  deste  PAF,  não  sendo  possível  se  falar  em  prescrição  durante  o  seu  curso,  conforme estabelece o seguinte enunciado:   Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no  processo administrativo fiscal.  Nego provimento ao recurso quanto às alegações de decadência e prescrição.  Item 24. Inconsistência do arbitramento  Neste  item a  recorrente menciona  a  inexistência de prova de  faturamento  e  arbitramento  do  lucro, matéria  que não  será objeto  de  análise por  sua  impertinência  com os  fatos geradores lançados, que tem por base remunerações pagas a empregados.  Item 25. Inexistência de omissão de receita  Fl. 12746DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.715          65 Este  item  não  será  objeto  de  análise  por  sua  impertinência  com  os  fatos  geradores lançados, que tem por base remunerações pagas a empregados.  Item  26.  A  exigência  é  improcedente  por  ausência  da  relação  de  empregados, avulsos e autônomos  A  recorrente  alega  que  a  ausência  da  relação  de  empregados,  avulsos  e  autônomos prejudicaria sua defesa e implicaria nulidade do auto de infração.  Ocorre  que  a  comprovação  da  existência  dos  pagamentos  a  esse  título  foi  feita a partir de extrato da conta caixa que registrava a atividade de todas as "filiais" do grupo,  bem como de comprovantes de depósitos encontrados nos Bunkers mantidos por ele. Cabia às  empresas  e, por decorrência,  aos  responsáveis por ela,  ter  realizado o adequado controle dos  beneficiários dos pagamentos e informado esses dados ao poder público.  Com efeito, é o que determina o Decreto nº 3.048, de 1999:  Art. 225. A empresa é também obrigada a:  I ­ preparar  folha  de  pagamento  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  devendo  manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e  recibos de pagamentos;  II ­ lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o  montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições da empresa e os totais recolhidos;  III ­ prestar  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  e  à  Secretaria da Receita Federal  todas as  informações cadastrais,  financeiras  e  contábeis  de  interesse  dos mesmos,  na  forma por  eles  estabelecida,  bem  como  os  esclarecimentos  necessários  à  fiscalização;  (...)  Afastada  qualquer  alegação  pertinente  à  ausência  de  vínculo  e  de  responsabilidade  da  recorrente  com  os  atos  realizados  pelas  empresas  integrantes  da  Rede  Presidente, se não houve cumprimento de suas obrigações legais, não pode agora invocar esse  fato  em  seu  benefício.  Com  efeito,  essa  conclusão  é  decorrência  de  aplicação  da  máxima  moralizante do venire contra factum proprio, cuja inteligência perpassa a aplicação de todas as  regras do direito.  Tanto isso é verdade, que a legislação previdenciária autoriza a fiscalização a  utilizar  o  expediente  da  aferição  indireta  quando  ficar  comprovada  a  irregularidade  no  cumprimento de suas obrigações:  Lei nº 8.212, de 1991  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  Fl. 12747DF CARF MF     66 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de  substituição e das devidas a outras entidades e fundos.  (...)  § 6º Se,  no  exame da  escrituração contábil  e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  Nesse sentido é a jurisprudência deste Colegiado conforme revela o Acórdão  2404­005.672, cuja ementa é abaixo transcrita:  CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À  SEGURIDADE  SOCIAL.  NÃO  APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO  COMPROBATÓRIA  ACERCA DOS  SEGURADOS  PRESTADORES DE  SERVIÇOS.  AFERIÇÃO  INDIRETA.  POSSIBILIDADE.  COOPERATIVAS.  EQUIPARAÇÃO  A  EMPRESAS.  CONTRATADA  PARA  A  PRESTAÇÃO  DOS  SERVIÇOS.  PERMISSÃO  CONCEDIDA  À  COOPERATIVA.  1.  Devidamente  intimada,  a  contribuinte  não  apresentou  os  documentos  que  permitissem  identificar  (a)  os  segurados  empregados;  (b)  os  segurados  contribuintes  individuais  eleitos  para  os  cargos  de  direção  e  administração;  (c)  os  segurados  contribuintes  individuais  não  associados;  etc.  2.  A  contribuinte  foi  intimada  sete  vezes,  mas  não  prestou  os  devidos esclarecimentos,  tampouco apresentou a documentação  comprobatória  dos  fatos  relacionados  à  tributação.  3.  A  Lei  8.212/1991  e  o  Decreto  3.048/1999  prevêem  o  lançamento por aferição indireta.  Apesar  do  que  foi  dito  acima,  deve  ser  ressaltado  que  no  extrato  da  conta  caixa,  anexado  a  fls.  10.368/10.782,  no  histórico  da  planilha  há  a  identificação  dos  beneficiários dos pagamentos, o que revela a impertinência do que foi alegado neste item.  Nego  provimento  também  quanto  a  esse  tópico  do  recurso.    Item 27. Inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo prevista  constitucionalmente  28. Inconstitucionalidade do salário­educação  A  alegação  de  inconstitucionalidade  da  norma  tributária  não  pode  ser  conhecida no âmbito deste Colegiado, conforme preceitua o seguinte enunciado da Súmula de  jurisprudência do CARF:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Portanto,  as  alegações  de  inconstitucionalidade  da  base  de  cálculo  estabelecida na Lei nº 8.212, de 1991, e do salário­educação não podem ser conhecidas.  Item 29. Inexigência da contribuição ao INCRA por empresa urbana  Fl. 12748DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.716          67 A alegação de  inexigência da contribuição ao  INCRA também está calcada  na inconstitucionalidade das normas de regência, o que implicaria a aplicação do enunciado da  Súmula acima transcrito.  Em que pese a incidência desse enunciado, que seria suficiente para afastar as  pretensões dos  recorrentes,  adoto  também como  razões de decidir o  trecho abaixo  transcrito,  retirado do Acórdão 2401­004.218, do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi:  Portanto,  no  foro  administrativo,  não  merece  prosperar  a  argumentação  da  recorrente  quanto  à  inconstitucionalidade  da  contribuição ao INCRA.  Quanto aos aspectos da  legalidade,  temos que a investigação a  respeito da natureza  jurídica da contribuição para o  INCRA já  foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que  hoje  os  tribunais  superiores  pacificaram  entendimento  no  sentido  de  que  consubstancia  contribuição  de  intervenção  no  domínio econômico:  VIGÊNCIA  DA CONTRIBUIÇÃO AO  INCRA.  NATUREZA  DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº  7.787/89  e  8.212/91.  DESTINAÇÃO  DIVERSA.  EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO.  I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do  STF,  firmou  entendimento  no  sentido  de  que não  existe  qualquer  óbice  para  a  cobrança  da  contribuição  destinada  ao  INCRA  também  das  empresas  urbanas.  Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel.  Min.  HUMBERTO  MARTINS,  DJ  de  31/08/06  e  EDcl  no  REsp  nº  780.280/MA,  Rel.  Min.  JOSÉ  DELGADO,  DJ  25/05/06.  II  Este  Superior  Tribunal  de  Justiça,  após  diversos  pronunciamentos, com base em ampla discussão,  reviu a  jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que  a  contribuição  destinada  ao  INCRA  não  foi  extinta,  nem  com  a  Lei  nº  7.787/89,  nem pela  Lei  nº  8.212/91,  ainda estando em vigor.  III  Tal  entendimento  foi  exarado  com  o  julgamento  proferido  pela  Colenda  Primeira  Seção,  nos  EREsp  nº  770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de  27/09/2006.  Naquele  julgado,  restou  definido  que  a  contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de  intervenção  no  domínio  econômico,  destinada  aos  programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas  atividades  complementares.  Assim,  a  supressão  da  exação  para  o  FUNRURAL  pela  Lei  nº  7.787/89  e  a  unificação  do  sistema  de  previdência  através  da  Lei  nº  8.212/91  não  provocaram  qualquer  alteração  na  parcela  destinada ao INCRA.  Fl. 12749DF CARF MF     68 IV Agravo  regimental  improvido.  (STJ; AgRg no AgRg no  REsp  894345  /  SP;  Rel. Min.  FRANCISCO  FALCÃO;  T1  PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331)  (destaques nossos)  Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min.  Eliana  Calmon  sublinhou  os  traços  fundamentais  da  espécie  tributária  em  exame,  rememorando  magnífico  trabalho  doutrinário  contido na  tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias  Bicalho  Camargo,  em  curso  de  doutorado  da  Faculdade  de  Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia  para transcrevê­lo.  “As  contribuições  interventivas  têm  como  principal  traço  característico  a  finalidade  eleita  e  explicitada  na  consequência da norma de incidência tributária. (...)  Assim,  para  a  perfeita  compreensão  da  norma  de  incidência  tributária  das  contribuições  de  intervenção  sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que  se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos  atos  interventivos,  há  de  se  prever  uma  circunstância  intermediária  a  vincular  a  hipótese  de  incidência  e  a  consequência tributária, sem a qual não há de se falar da  existência de norma de incidência válida.  Assim, nas contribuições de  intervenção sobre o domínio  econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência,  os  dois  núcleos  da  hipótese  de  incidência:  o  "fato  do  contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos  interventivos implementados pela União.  (...)  Assim,  no  caso  específico  das  contribuições  para  o  INCRA,  elas  somente  se mostram válidas  na medida  em  que  o  INCRA,  efetivamente,  promove  desapropriações  para  fins de  reforma agrária  (circunstância  intermediária),  visando alterar a estrutura  fundiária anacrônica brasileira,  conforme minudentemente  visto  no  capítulo  3,  aplicando­ se,  assim,  os  recursos  arrecadados  na  consecução  dos  objetivos  constitucionalmente  previstos:  função  social  da  propriedade e diminuição das desigualdades regionais.  Saliente­se, por relevante, que as contribuições devidas ao  INCRA,  muito  embora  não  beneficiem  diretamente  o  sujeito  ativo  da  exação  (empresas  urbanas  e  algumas  agroindustriais),  beneficiam  toda  a  sociedade,  por  ter  a  sua  arrecadação  destinada  a  custear  programas  de  colonização  e  reforma  agrária,  fomentam  a  atividade  no  campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só  do  meio  rural),  tendo  em  vista  a  redução  das  desigualdades e a fixação do homem na terra.  Não há que se falar da existência de uma referibilidade  direta,  que  procura  condicionar  o  pagamento  das  contribuições  às  pessoas  que  estejam  vinculadas  Fl. 12750DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.717          69 diretamente a determinadas atividades e que venham a  ser beneficiárias da arrecadação.  Ora,  o  princípio  da  referibilidade  direta,  como  defendido por vários autores, simplesmente não existe  no  ordenamento  jurídico  pátrio,  especialmente  no  que  se  refere  às  contribuições  de  intervenção  no  domínio  econômico. Trata­se de mera criação teórica e doutrinária,  sem respaldo no texto da Constituição Federal.  (...)  Com  efeito,  a  exação  em  tela  é  destinada  a  fomentar  atividade agropecuária, promovendo a  fixação do homem  no  campo  e  reduzindo  as  desigualdades  na  distribuição  fundiária.  Consequentemente, reduz­se o êxodo rural e grande parte  dos problemas urbanos dele decorrentes.  Não  pode  ser  negado que  a  política  nacional  de  reforma  agrária  é  instrumento  de  intervenção  no  domínio  econômico,  uma  vez  que  objetiva  a  erradicação  da  miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº  4.504/64 Estatuto da Terra.  Dessa  forma,  a  referibilidade  das  contribuições  devidas  ao  INCRA  é  indireta,  beneficiando,  de  forma  mediata,  o  sujeito  passivo  submetido  a  essa  responsabilidade”.  (destaques nossos)  Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da  definição  de  sua  natureza  jurídica,  o  STJ  afastou  todas  as  argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade  da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no  “benefício  direto”,  de  sorte  a  se  considerar  que  as  empresas  urbanas  não  seriam  contribuintes  da  contribuição  ao  INCRA.  Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar  ainda  a  orientação  do  STF  destacada  no  AI  761.127AgR,  Rel.  Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010).  É  verdade  que  ainda  encontra­se  pendente  de  análise  pela  Suprema  Corte  a  recepção  da  contribuição  ao  INCRA  no  período  posterior  ao  advento  da  Emenda  Constitucional  n°  33/2001,  que  alterou  o  artigo  149  da  Constituição  Federal  (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel  Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012).  Todavia,  mesmo  neste  aspecto  particular,  a  chance  de  reconhecimento  da  inconstitucionalidade parece  remota,  pois  a  interpretação  restritiva que  se pretende atribuir ao § 2º,  inciso  II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149,  não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF  já  fixou  a  constitucionalidade  da  contribuição  devida  ao  Fl. 12751DF CARF MF     70 SEBRAE,  qualificada  como  contribuição  de  intervenção  no  domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e  da  contribuição  criada  pela  LC  nº  110/2001,  qualificada  com  contribuição  social  geral  (ADIN  2.556,  Relator  Min.  Moreira  Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas,  já sob a égide da EC nº 33/2001.  Sendo  assim,  deve  ser  mantida  a  exigência  relativamente  às  contribuições ao INCRA.  Logo, improcedentes as alegações quanto à inexigência das contribuições ao  INCRA.  30. Inexigência do SAT por necessidade de lei complementar  Conforme foi afirmado acima, a alegação de inconstitucionalidade da norma  tributária não pode ser conhecida no âmbito deste Colegiado, conforme preceitua o enunciado  nº 2 da Súmula de jurisprudência do CARF.  Portanto,  as  alegações de  inconstitucionalidade  do SAT por  necessidade  de  lei complementar não pode ser conhecida.  31. Ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre verbas  de caráter indenizatório  Em  relação  a  essa  alegação,  adoto,  sem  embargo,  o  seguinte  excerto  da  decisão de piso:  A  impugnante  faz  referência  a  diversas  verbas,  dizendo  não  haver  previsão  legal  para  a  sua  cobrança.  Não  carreia  aos  autos,  contudo,  nenhum  elemento  probatório ou cálculo quantificando esses valores, o que contraria o art. 15 e o art.  16. III, do Decreto nº 70.235/1972.   O  abono  de  férias,  as  férias  indenizadas,  os  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário  não  compõem  a  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, §9º, “d”, “e.6”, “e.7”, da Lei nº  8.212/1991.  Trata­se  de  verbas  que  a  norma  legal  excetua,  excluindo  da  base  de  cálculo  dessas  contribuições. A  impugnante  apenas  alega,  de  forma  genérica,  que  essas importâncias não deveriam ter sido lançadas, sem comprovar que a Auditoria  as lançou.   Deve ser relembrado, ainda, que, sendo a atividade administrativa plenamente  vinculada  e  sendo  a  tributação  regida  pelo  princípio  da  legalidade,  não  pode  a  autoridade administrativa deixar de  lançar contribuição prevista em  lei em face de  jurisprudência  do  Poder  Judiciário,  ainda  que  proveniente  das  cortes  superiores,  a  não ser quando ocorrerem as exceções dantes explicitadas.   A defendente alega que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ  pacificou  o  entendimento  de  que  a  verba  recebida  pelo  empregado  a  título  de  auxílio­doença  nos  primeiros  15  (quinze)  dias  de  afastamento  tem  caráter  previdenciário,  não  tendo,  pois,  natureza  salarial.  Dessa  forma,  não  incidiria  contribuição previdenciária sobre esse montante. Não colaciona aos autos, todavia,  nenhuma prova de que dentre os valores lançados se encontra tal verba. Na verdade,  no  caso,  seria  estranho  que  houvesse  esse  tipo  de  verba,  uma  vez  que  os  valores  lançados não constaram nas folhas de pagamento da empresa.   Além disso, mesmo que houvesse prova de que tais valores compõem a base  de  cálculo  lançada,  consta  expressamente  na Lei  nº  8.213/1991,  art.  43,  §2º,  que,  Fl. 12752DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.718          71 durante  os  primeiros  quinze  dias  de  afastamento  da  atividade  por  motivo  de  invalidez,  cabe  à  empresa pagar  ao  segurado  empregado o  salário. Da mesma  forma, no art. 60, §3º, da mesma lei, consta que nesse período, incumbe à empresa  pagar ao segurado empregado o seu salário integral. Segundo o art. 59 do mesmo  diploma legal, o auxílio­doença somente é pago a partir do décimo sexto dia após o  afastamento. Depreende­se do texto legal que a verba paga ao segurado empregado  nos  15  (quinze)  primeiros  dias  consecutivos  ao  do  afastamento  da  atividade  por  doença  não  é  auxílio­doença,  já  que  esse  benefício  somente  é  devido  a  contar  do  décimo sexto dia. Além disso, a lei foi clara ao considerar salário o valor pago nos  15 (quinze) primeiros dias.   No que diz respeito ao terço constitucional de férias, a  interpretação acatada  pelo Regulamento da Previdência Social – RPS, no seu art. 214, §4º, é a de que essa  verba integra o salário de contribuição. Esse entendimento se coaduna com a tese de  que  a  remuneração  que  compõe  o  salário  de  contribuição  é,  na  verdade,  um  complexo de verbas recebidas não somente em virtude da prestação do serviço em  si, mas também daquelas recebidas em virtude do contrato de trabalho.   Além  de  haver  disposição  regulamentar  expressa,  a  vigente  Instrução  Normativa RFB nº 971/2009 dispõe:   Art.  57.  As  bases  de  cálculo  das  contribuições  sociais  previdenciárias  da  empresa e do equiparado são as seguintes:   ...   § 8º A remuneração adicional de férias, de que trata o inciso XVII do art. 7º  da Constituição  Federal,  integra  a  base  de  cálculo,  no mês  a  que  ela  se  referir,  mesmo quando paga antecipadamente na forma da legislação trabalhista.   Quanto  à  jurisprudência  dos  nossos  tribunais  judiciais,  apesar  de  a  jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ se inclinar pela não incidência  da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias e a matéria ter  sido  submetida  ao  rito  previsto  no Código  de Processo Civil,  art.  543­C  (recursos  repetitivos)  juntamente  com  aviso  prévio  indenizado  e  valor  pago  nos  primeiros  quinze  dias  antes  do  auxílio­doença,  no  julgamento  do  Recurso  Especial  1230957/RS, não houve ainda decisão sobre o assunto, estando os autos conclusos  em razão de pedido de vista desde 17/06/2013. Mais importante, a não vinculação da  RFB a esse entendimento resta evidente em face da existência da Nota PGFN/CRJ  nº  640/2014,  que  expressamente  determina  que  os  procuradores  devem  continuar  contestando e recorrendo das decisões emanadas do Poder Judiciário.   Vale salientar, ainda, que a incidência de contribuição previdenciária sobre o  terço constitucional de férias está submetida ao julgamento pelo Supremo Tribunal  Federal  –  STF  por  meio  do  RE  593068/SC  pelo  rito  estabelecido  no  Código  de  Processo  Civil,  art.  543­B  (Repercussão  Geral),  porém  não  há  ainda  decisão  definitiva  sobre  esses  temas,  tendo  sido  o  processo  concluso  ao  relator  em  01/08/2013. Além disso, o acórdão recorrido  trata da contribuição para o Plano de  Previdência do Servidor Público, e não da contribuição relativa ao Regime Geral de  Previdência Social.   Quanto  ao  salário­maternidade,  em momento  algum a Auditoria  citou verba  recebida a esse título em seu relatório, mesmo porque, como já se viu, o lançamento  trata de verbas não declaradas que não constam nas folhas de pagamento, as quais  foram  pagas  mediante  ardil  para  escondê­las.  Sendo  o  salário­maternidade  um  benefício  pago  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  –  INSS,  não  cabe  a  Fl. 12753DF CARF MF     72 alegação  da  impugnante,  não  estando  entre  os  pagamentos  verificados.  Ademais,  mesmo  que  estivesse,  o  salário­maternidade  é  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  conforme  expressamente  determinado  pelo  art.  28,  §2º,  da  Lei  nº  8.212/1991.  Com  efeito,  compulsando­se  a  planilha  de  fls.  10.368/10.782,  vê­se  que  os  pagamentos  são  identificados  por  rubricas  genéricas  como  "Comissões  nao  Lanc.  no  Re",  "Salários/Ordenados",  "Ferias  e  1/3  Ferias",  não  sendo  possível  identificar  de  modo  individualizado o valor de cada verba.  Neste  caso,  caberia  à  recorrente  fazer  prova  do  pagamento  de  parcelas  que  não compõem o salário de contribuição, para que esses valores pudessem ser excluídos da base  de cálculo tributável.  Em razão do exposto, nego provimento  ao  recurso com relação às  supostas  parcelas de caráter indenizatório.  32. Inexigência da contribuição previdenciária sobre auxílio­alimentação  fornecido in natura por empresa não cadastrada no PAT  Na planilha de fls. 10.368/10.782 estão listados os valores considerados pela  fiscalização para fins de lançamento no levantamento PF ­ Remunerações Pagas a Empregado,  de onde foram posteriormente excluídas as importâncias já declaradas em GFIP.  Para os CNPJ 09.521.678/0001­94 (Filial 059 Agua Chat) há efetivamente a  identificação de valores pagos a título de "Alimentação Copa e Cozinh.   Quanto ao auxílio alimentação, há jurisprudência recente da Câmara Superior  de Recursos Fiscais no seguinte sentido:  AUXÍLIO  ALIMENTAÇÃO.  IN  NATURA.  AUSÊNCIA  DE  INSCRIÇÃO  NO  PAT.  PARECER  PGFN/CRJ/Nº2117/2011.  NÃO INCIDÊNCIA.  Com  a  edição  do  parecer PGFN n  2117/2011,  a Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  reconheceu  ser  aplicável  a  jurisprudência  já  consolidada  do  STJ,  no  sentido  de  que  não  incidem  contribuições  previdenciárias  sobre  valores  de  alimentação  in  natura  concedidas  pelos  empregadores  a  seus  empregados.  (Acórdão  9202­005.193  de  relatoria  do  Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos)  Da fundamentação desse Acórdão extrai­se que:  Entendo  que  o  lançamento  ora  sob  enfoque,  se  enquadra  na  exclusão  prevista  no  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2.117/2011  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  aprovado  pelo  Senhor  Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato  Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no  dito Parecer se coaduna apenas com a  fornecida  in natura, ou  seja,  sob  a  forma  de  utilidades.  Transcrevo  abaixo,  o  referido  parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade.  ATO  DECLARATÓRIO Nº  03  /2011  A  PROCURADORA­ GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência  legal que  lhe  foi conferida, nos  termos do  inciso  II do art.  19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do  Fl. 12754DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.719          73 Decreto  nº  2.346,  de  10  de  outubro  de  1997,  tendo  em  vista  a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2117  /2011,  desta  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  pelo  Senhor  Ministro  de  Estado  da  Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no  DOU  de  24.11.2011,  DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação  de  contestação  e  de  interposição  de  recursos,  bem  como  a  desistência  dos  já  interpostos,  desde  que  inexista  outro  fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter  a  declaração  de  que  sobre  o  pagamento  in  natura  do  auxílio­alimentação  não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária.  JURISPRUDÊNCIA:  Resp  nº  1.119.787SP  (DJe  13/05/2010),  Resp  nº  922.781/RS  (DJe  18/11/2008),  EREsp  nº  476.194/PR  (DJ  01.08.2005),  Resp  nº  719.714/PR  (DJ  24/04/2006),  Resp  nº  333.001/RS  (DJ  17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007).  Brasília, 20 de dezembro de 2011.  ADRIANA  QUEIROZ  DE  CARVALHO  Procuradora­Geral  da Fazenda Nacional  Portanto,  com  a  edição  do  parecer  PGFN2117/2011,  a  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  reconheceu  ser  aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de  que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de  alimentação  in  natura  concedidas  pelos  empregadores  a  seus  empregados.  Daí decorre que a exceção à regra geral de tributação está adstrita ao auxílio­ alimentação pago  in natura,  o que não  corresponde à  situação dos  autos,  onde o pagamento  ocorreu em moeda corrente.  Ao  contrário  do  que  afirmam  os  recorrentes,  o  relatório  fiscal  evidencia,  inclusive  com cópia de  depósitos  realizados nas  contas dos  empregados  (itens 685  e 686 do  relatório  fiscal),  aquilo  que  já  era  sugerido  pela  conta  caixa:  que  o  auxílio­alimentação  foi  prestado em pecúnia e não in natura.  Neste  caso,  os  valores  assim  despendidos  devem  ser  incluídos  na  base  de  cálculo dos contribuições previdenciárias, razão pela qual nego provimento ao recurso no que  diz respeito ao auxílio­alimentação.  Por  outro  lado,  foram  realizados  também  pagamentos  a  título  de  vale­ transporte e o relatório fiscal faz várias menções a eles. Para esta rubrica a solução é diferente,  pois constitui matéria que já foi sumulada por este Colegiado, conforme evidencia o seguinte  enunciado:  Súmula CARF  nº  89:  A  contribuição  social  previdenciária  não  incide  sobre  valores  pagos  a  título  de  vale­transporte,  mesmo  que em pecúnia.  Fl. 12755DF CARF MF     74 De  acordo  com  o  art.  72  do  Regimento  Interno  deste  órgão  colegiado,  as  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstancias  em  súmula  de  observância  obrigatória pelos seus membros.  Por  outro  lado,  o  art.  45  do  mesmo  regimento  determina  que  perderá  o  mandato o conselheiro que deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno  da CSRF.  Em  razão  de  aplicação  do  enunciado  acima  transcrito  da  Súmula  de  Jurisprudência  deste  CARF,  faz­se  necessário  dar  provimento  ao  recurso  apresentado  pelos  responsáveis  solidários  para  excluir  da  base  de  cálculo  tributável  os  valores  relativos  a  vale  transporte.  Item  33  ­  Inexigência  de  contribuição  ao  sistema  "S"  por  ausência  de  vinculação da arrecadação  Aqui  também  a  recorrente  busca  negar  validade  às  normas  em  vigor  com  argumentos  de  inconstitucionalidade,  análise  que  esbarra  no  enunciado  nº  2  da  Súmula  de  jurisprudência do CARF.   A despeito disso, adoto também como razões de decidir o seguinte excerto da  decisão recorrida:  As contribuições lançadas foram aquelas destinadas ao SESC e  ao SENAC e a empresa é uma loja de revenda de autopeças e se  ajusta  ao Código Nacional  de Atividades Econômicas  – CNAE  4530­7­01, correspondente a “Comércio por atacado de peças e  acessórios  novos  para  veículos  automotores”.  Esse  CNAE  foi  informado  pela  própria  empresa  em  suas  GFIP  e  se  coaduna  com as atividades por ela desenvolvidas.  Assim,  a  alegação  da  impugnante  é  totalmente  descabida  e  dissociada dos fatos aqui sob julgamento.  Vale ressaltar, ainda, que mesmo que ela fosse uma prestadora  de serviços, caberia a cobrança de tais contribuições. Conforme  entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do  Resp 1255433, efetivado no rito previsto no Código de Processo  Civil  – CPC, art.  543­C  (Recursos Repetitivos),  são devidas as  contribuições para o SESC e SENAC pelas empresas prestadoras  de serviços. Segue a ementa dessa decisão:  TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART.  535,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284/STF.  Recurso  Especial  representativo  de  controvérsia  (art.  543­C,  do  CPC).  CONTRIBUIÇÃO  AO  SESC  E  SENAC.  EMPRESAS  PRESTADORAS  DE  SERVIÇOS  EDUCACIONAIS. INCIDÊNCIA.  1.  Não  merece  conhecimento  o  recurso  especial  que  aponta  violação  ao  art.  535,  do  CPC,  sem,  na  própria  peça,  individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão  ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como  sua  relevância  para  a  solução  da  controvérsia  apresentada  nos  autos.  Incidência  da  Súmula  n.  284/STF:  "É  inadmissível  o  recurso  extraordinário,  quando  a  deficiência  na  sua  Fl. 12756DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.720          75 fundamentação  não  permitir  a  exata  compreensão  da  controvérsia".  2.  As  empresas  prestadoras  de  serviço  são  aquelas  enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao  plano sindical da Confederação Nacional do Comércio ­ CNC  e,  portanto,  estão  sujeitas  às  contribuições  destinadas  ao  SESC  e  SENAC.  Precedentes:  REsp.  n.  431.347/SC,  Primeira  Seção, Rel. Min Luiz  Fux,  julgado  em  23.10.2002;  e AgRgRD  no  REsp  846.686/RS,  Segunda  Turma,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell Marques, julgado em 16.9.2010. (GRIFEI)  3. O entendimento se aplica às empresas prestadoras de serviços  educacionais, muito  embora  integrem  a Confederação Nacional  de Educação e Cultura, consoante os seguintes precedentes: Pela  Primeira  Turma:  EDcl  no  REsp.  1.044.459/PR;  AgRg  no  Ag  882.956/MG;  REsp.  887.238/PR;  REsp.  699.057/SE;  Pela  Segunda Turma: AgRg no Ag 1.347.220/SP; AgRgRD no REsp.  846.686/RS; REsp. 886.018/PR; AgRg no REsp. 1.041.574 PR;  REsp.  1.049.228/PE;  AgRg  no  REsp.  713.653/PR;  REsp.  928.818/PE.  4. A  lógica  em que assentados  os precedentes  é  a de que  os  empregados das empresas prestadoras de serviços não podem  ser excluídos dos benefícios sociais das entidades em questão  (SESC  e  SENAC)  quando  inexistente  entidade  específica  a  amparar  a  categoria  profissional  a  que  pertencem. Na  falta  de  entidade  específica  que  forneça  os  mesmos  benefícios  sociais e para a qual sejam vertidas contribuições de mesma  natureza  e,  em  se  tratando  de  empresa  prestadora  de  serviços, há que se fazer o enquadramento correspondente à  Confederação  Nacional  do  Comércio  ­  CNC,  ainda  que  submetida  a  atividade  respectiva  a  outra  Confederação,  incidindo  as  contribuições  ao  SESC  e  SENAC  que  se  encarregarão  de  fornecer  os  benefícios  sociais  correspondentes. (GRIFEI)  5.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543­C, do CPC, e  da Resolução STJ n. 8/2008.  Argumentos rejeitados.  Itens 34, 35, 36 e 37 ­ Multa exclusão ou redução  Em relação à multa aplicada, a  recorrente  inicia por afirmar que não houve  comprovação do  intuito de  fraude. Em seguida,  requer  sua redução a 10% pela  aplicação do  princípio constitucional do não confisco e, invocando o princípio da eventualidade, requer sua  redução para 75% por ausência de fraude ou omissão dolosa e acaba por alegar a existência de  "bis in idem".  A multa aplicada tem previsão legal no art. 44, I c/c § 1º da Lei nº 9.430, de  1996,  e  a  validade  dessa  norma  não  foi  afastada  por  qualquer  decisão  da  corte  que  poderia  fazer  um  juízo  de  sua  inadequação  com  eficácia  erga  omnes.  Portanto,  a  lei  permanece  em  Fl. 12757DF CARF MF     76 vigor  e  deve  ser  respeitada  pelos  julgadores  administrativos,  conforme  foi  reiteradamente  assentado neste voto.  Por  outro  lado,  o  processo  em  análise  contém  provas  indiscutíveis  do  comportamento  artificioso  dos  sujeitos  passivos  identificados,  com  a  criação  de  pessoas  jurídicas constituídas por "laranjas", para o que  foram falsificados documentos e assinaturas,  incluindo Declarações de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.  Em razão disso, deve­se concordar com a autoridade fiscal quando atribui aos  sujeitos passivos a prática de condutas condizentes com a sonegação e a fraude, até porque as  exigências  fiscais evidenciam que as obrigações tributárias não foram cumpridas e seus fatos  geradores foram ocultados pelas práticas adotadas.  No mais,  embora  se  faça menção  ao  "bis  in  idem",  não  é  demonstrada  sua  ocorrência, de forma que essa alegação é por demais genérica para ser enfrentada.  Nego  provimento  ao  recurso  quanto  à  exclusão  ou  redução  da  multa  de  ofício.  38. Inaplicabilidade da taxa Selic  Essa  matéria  também  se  encontra  pacificada  no  âmbito  deste  colegiado,  conforme demonstra o seguinte enunciado:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Alegações rejeitadas.  39. Realização de perícia e a colheita de depoimentos  Em relação ao pedido de perícia, a recorrente protesta pela sua realização mas  não apresenta nenhum argumento que evidencie a necessidade dela.  A  perícia  é meio  de  prova  a  ser manejada  quando  houver  insuficiência  de  informações no processo de modo a impossibilitar sua perfeita compreensão pelo julgador, mas  não se presta a suprir omissões do sujeito passivo em comprovar o direito alegado.  Não vejo neste processo nenhuma lacuna ou inconsistência que gere dúvida  passível de ser esclarecida através de perícia.   Nego provimento ao pedido de realização de perícia.  Alegações dos sujeitos passivos solidários  Como foi  ressaltado no  relatório, há uma grande  identidade  entre o  recurso  apresentado pela empresa autuada e pelos sujeitos passivos solidários. Uma vez que a maioria  das  questões  já  foram  tratadas  na  análise  do  recurso  de  autoria  da  PRV,  por  economia  processual, neste tópico serão enfrentados apenas os pontos residuais.  Item 1. Preliminar de nulidade por ausência de intimação pessoal  Fl. 12758DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.721          77 Os recorrentes alegam nulidade da intimação da decisão recorrida porque esta  não respeitou as indicações de endereço feitas nas impugnação.  O  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  regulamenta  a  intimação  no  âmbito  do  Processo Administrativo Fiscal no seguinte dispositivo:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo;  III ­ por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:  a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou  b)  registro  em  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito passivo.  §  1o  Quando  resultar  improfícuo  um  dos  meios  previstos  no  caput  deste  artigo  ou  quando  o  sujeito  passivo  tiver  sua  inscrição  declarada  inapta  perante  o  cadastro  fiscal,  a  intimação poderá ser feita por edital publicado:   I ­ no endereço da administração tributária na internet;   II  ­  em  dependência,  franqueada  ao  público,  do  órgão  encarregado da intimação; ou   III ­ uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.   § 2° Considera­se feita a intimação:  I  ­  na  data  da  ciência  do  intimado  ou  da  declaração  de  quem  fizer a intimação, se pessoal;  II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  expedição da intimação; III ­ se por meio eletrônico:   a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante  de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;   b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  se  ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou   c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado  pelo sujeito passivo;   IV ­ 15  (quinze) dias após a publicação do edital,  se este  for o  meio utilizado.   Fl. 12759DF CARF MF     78 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste  artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.  § 4o Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo:   I  ­  o  endereço postal por  ele  fornecido, para  fins  cadastrais,  à  administração tributária; e   II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.   § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será  implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e  a administração tributária informar­lhe­á as normas e condições  de sua utilização e manutenção.   § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas  em ato da administração tributária.   §  7o  Os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  serão  intimados  pessoalmente  das  decisões  do Conselho  de Contribuintes  e  da  Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda  na  sessão das  respectivas câmaras  subseqüente à  formalização  do acórdão.  § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido  intimados pessoalmente em até 40  (quarenta) dias contados da  formalização  do  acórdão  do Conselho  de Contribuintes  ou  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  do  Ministério  da  Fazenda,  os  respectivos  autos  serão  remetidos  e  entregues,  mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para  fins de intimação.  § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados  intimados  pessoalmente  das  decisões  do  Conselho  de  Contribuintes  e  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  do  Ministério  da Fazenda,  com  o  término  do  prazo  de 30  (trinta)  dias  contados  da  data  em  que  os  respectivos  autos  forem  entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (grifou­ se)  Conforme  se  extrai  da  literalidade  do  artigo  transcrito  a  intimação  por  via  postal será feita no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e este domicílio é o endereço  fornecido por ele para fins cadastrais.  Portanto,  não  há  qualquer  indicação  de  que  o  endereço  informado  na  identificação da impugnação possa servir como domicílio para fins de intimação.  Aliás,  verificando­se  as  impugnações  apresentadas,  vê­se  que  sequer  existe  pedido para que esse endereço seja considerado e os sujeitos passivos alegam expressamente  nulidade da intimação do auto de infração por não ter sido observado o endereço constante da  DIRPF (item 3.5 da impugnação).  Rejeito a preliminar argüida.  Item  2.  Preliminar  de  Nulidade  por  ausência  de  Mandado  de  Procedimento Fiscal  Fl. 12760DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.722          79 Argumentam os recorrentes que o lançamento seria nulo por não terem sido  cientificados da existência de processo de fiscalização contra eles.  Como já foi anteriormente registrado, é entendimento deste colegiado que o  MPF  constitui  instrumento  de  controle  interno  da  ação  fiscal,  de  forma  que  eventuais  deficiências do MPF não maculariam o lançamento.  Na hipótese em questão, no Termo de Início da Ação Fiscal (fl. 10.810) há a  identificação do mandado de procedimento fiscal instaurado em face da empresa fiscalizada e  do código de acesso para verificação de sua autenticidade.  Pelos documentos de fls. 10.813/10.876 os sujeitos passivos solidários foram  cientificados do termo de início da ação fiscal em face de algumas empresas e dos Termos de  Intimação  Fiscal  em  relação  a  outras,  estando  a  empresa  fiscalizada  entre  elas.  Portanto,  é  improcedente a alegação de desconhecimento da ação fiscal.  Cumpre  ressaltar  que  não  há,  nas  normas  que  regulamentam  esse  procedimento,  previsão  de  que  seja  emitido  MPF  específico  para  os  sujeitos  passivos  solidários.  Nesse  sentido,  extrai­se  do  Acórdão  nº  2202­003.852,  de  relatoria  da  Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio:  NULIDADE  DA  IMPUTAÇÃO  DE  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  SEM  A  EMISSÃO  DE  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ESPECÍFICO.  Improcedente  a  alegação  de  que  a  imputação  de  responsabilidade  solidária  demandaria  a  emissão  de  um  Mandado de Procedimento Fiscal específico para esse fim, uma  vez  que  a  apuração  de  atos  que  conduzem  à  responsabilidade  fiscal  dos  sócios  só  será  detectada  com  o  desenvolvimento  do  trabalho  fiscal.    Dessa forma, em relação ao MPF, não vejo qualquer mácula no procedimento  adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento.  Rejeito a nulidade argüida.  Item 3. Nulidade por ausência de intimação pessoal   Esta questão já se encontra superada em função do enunciado nº 9 da Súmula  de jurisprudência deste CARF:  Súmula  CARF  nº  9:  É  válida  a  ciência  da  notificação  por  via  postal  realizada  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência,  ainda que este não seja o representante legal do destinatário.  Nulidade rejeitada.  Item 4. Nulidade por ilegitimidade da atuação do Auditor­Fiscal  Fl. 12761DF CARF MF     80 Sob esse tópico, alegam os recorrentes que o Auditor­Fiscal teria extrapolado  os limites de sua competência funcional ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e  atribuir responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes sem indicar os motivos para tanto.  Asseveram que:  A responsabilização capitulada pelo Auditor Fiscal,  entretanto,  escapa  de  sua  competência,  pois  além  de  não  estar  prevista  expressamente  na  lei  de  regência  de  sua  atividade,  compete  exclusivamente  ao Procurador  da Fazenda Nacional,  na  esfera  judicial, fazê­lo e desde que presentes os requisitos.  Mais uma vez, não lhes assiste razão.  Com  efeito,  de  acordo  com  o  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  (Lei  nº  5.172, de 25 de outubro de 1966):  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Portanto, o lançamento fiscal é o momento adequado para a identificação do  sujeito passivo da obrigação tributária e, segundo o mesmo código:  Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei. (grifou­se)  Por outro lado, a Lei nº 10.593, de 2002, não deixa margem à dúvida sobre  quem é a autoridade administrativa de que trata o CTN:  Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor­Fiscal  da Receita Federal do Brasil:   I ­ no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal  do Brasil e em caráter privativo:   a)  constituir,  mediante  lançamento,  o  crédito  tributário  e  de  contribuições;   b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo  administrativo­fiscal,  bem  como  em  processos  de  consulta,  Fl. 12762DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.723          81 restituição  ou  compensação  de  tributos  e  contribuições  e  de  reconhecimento de benefícios fiscais;   c)  executar  procedimentos  de  fiscalização,  praticando  os  atos  definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com  o  controle  aduaneiro,  apreensão  de  mercadorias,  livros,  documentos, materiais, equipamentos e assemelhados;   d)  examinar  a  contabilidade  de  sociedades  empresariais,  empresários,  órgãos,  entidades,  fundos  e  demais  contribuintes,  não  se  lhes aplicando as  restrições previstas nos arts. 1.190 a  1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do  mesmo diploma legal;   e)  proceder  à  orientação  do  sujeito  passivo  no  tocante  à  interpretação da legislação tributária;   f)  supervisionar  as  demais  atividades  de  orientação  ao  contribuinte;  (...)  Cumpre registrar, ainda, que o STJ, no âmbito do REsp 1110925/SP, julgado  sob  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  em  Acórdão  de  lavra  do  Ministro  Teori  Albino  Zavaski, assentou que:  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO FISCAL  SÓCIO­GERENTE CUJO  NOME  CONSTA  DA  CDA.  PRESUNÇÃO  DE  RESPONSABILIDADE.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA  ARGUIDA  EM EXCEÇÃO DE PRÉ­EXECUTIVIDADE.  INVIABILIDADE.  PRECEDENTES.  1.  A  exceção  de  pré­executividade  é  cabível  quando  atendidos  simultaneamente dois  requisitos,  um de ordem material  e outro  de  ordem  formal,  ou  seja:  (a)  é  indispensável  que  a  matéria  invocada  seja  suscetível  de  conhecimento  de  ofício pelo  juiz;  e  (b)  é  indispensável  que  a  decisão  possa  ser  tomada  sem  necessidade de dilação probatória.  2. Conforme assentado em precedentes da Seção, inclusive sob o  regime  do  art.  543­C  do  CPC  (REsp  1104900,  Min.  Denise  Arruda,  sessão  de  25.03.09),  não  cabe  exceção  de  pré­ executividade  em  execução  fiscal  promovida  contra  sócio  que  figura como responsável na Certidão de Dívida Ativa ­ CDA. É  que  a  presunção  de  legitimidade  assegurada  à  CDA  impõe  ao  executado que figura no título executivo o ônus de demonstrar a  inexistência  de  sua  responsabilidade  tributária,  demonstração  essa  que,  por  demandar  prova,  deve  ser  promovida  no  âmbito  dos embargos à execução.  3. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art.  543­C do CPC.  Essa  decisão  evidencia  que  a  atribuição  de  responsabilidade  tributária  é  questão  afeta  ao  procedimento  administrativo  que  dá  origem  à  CDA.  Ou  seja,  precede  a  instauração da execução fiscal.  Fl. 12763DF CARF MF     82 Embora  seja  possível  o  redirecionamento  da  execução  a  pessoas  que  não  constem nesse título ou, ainda, que seja realizada a desconsideração da personalidade jurídica  de  que  trata  o  novo  Código  de  Processo  Civil,  esses  procedimentos  se  tornam  necessários  quando  não  foi  efetuada  a  atribuição  da  responsabilidade  no  processo  de  sua  formação  (da  CDA).  Ou  seja,  esses  procedimentos  tem  caráter  residual  e  não  têm  o  condão  de  excluir  a  competência da autoridade fiscal,  lastreada no Código Tributário Nacional, norma com força  de Lei Complementar.  Rejeito também esta preliminar de nulidade.   Item 5. Nulidade por ilegitimidade passiva do recorrente   Item 6. Ausência de responsabilidade dos recorrentes, por serem pessoas  estranhas ao quadro societário da empresa autuada e por não haver prova de seu vínculo  com ela e com o fato gerador do tributo  Item 7. Ausência de  responsabilidade do recorrente por  inexistência de  prova do seu benefício  Argumentam  os  recorrentes  que  não  haveria  prova  que  demonstrasse  a  existência  de  vínculo  deles  com  a  empresa  autuada,  o  que  poderia  conduzir  à  nulidade  por  ilegitimidade passiva ou, ao menos, ausência de responsabilidade deles.  Uma vez que não se trata de uma situação de evidente erro na identificação  do sujeito passivo, esta matéria deve ser tratada como mérito e, para tanto, sirvo­me do que foi  levantado pela decisão de piso, de onde se transcreve o que segue:  8. Da Responsabilidade dos Envolvidos   A  solidariedade  dos  integrantes  da  família  Tolardo  não  se  baseou  em  presunções, mas em provas irrefutáveis de que eles administravam a sociedade,  conforme  se  verá  adiante.  A  solidariedade  foi  aplicada  não  porque  eles  são  sócios de  fato do empreendimento, mas porque agiram com  infração à  lei e ao  contrato  social  das empresas  (CTN, art.  135,  III),  a  começar pela utilização de  sócios laranjas, com o  intuito evidente de escaparem de uma possível cobrança  dos tributos devidos e sonegados.   Quanto ao art. 124, I, do CTN, está presente, no caso, o interesse jurídico,  não por as pessoas  físicas  serem da mesma  família, mas por  terem participado  ativamente,  ainda  que  de  forma  oculta,  da  administração  das  empresas  e,  por  consequência, dos fatos geradores que originaram os Autos de Infração.   A  própria  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional,  no  já  mencionado  Parecer  PGFN/CRJ/CAT  55/2009,  entendeu  que  a  responsabilidade  do  administrador  pode  ser  declarada  quando  da  lavratura  do  auto  de  infração  que  formalizar  o  lançamento  do  crédito  tributário  em  face  da  pessoa  jurídica  contribuinte,  como  também  pode  ser  declarado  em  auto  de  infração  e  em  momento  distintos,  independentemente  de  ter  o  ato  ilícito  sido  praticado  no  momento  da ocorrência do  fato  jurídico  tributário que deu  origem à obrigação  tributária principal. A responsabilidade de cada administrador pode ser declarada  ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos. Não há ilegalidade alguma  na  imputação  da  responsabilidade  pelos  Auditores  Fiscais,  os  quais  eram  competentes para  efetuar  tal  ato  no momento  em que  apuraram os  fatos que o  fundamentava.   Fl. 12764DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.724          83 Diante  da  constatação  da  existência  da  REDE  PRESIDENTE  e  de  sua  administração  pela  família  Tolardo,  a  ausência  da  vinculação  formal  de  seus  membros  à  empresa  não  os  exime  da  responsabilização,  diante  do  seu  envolvimento de fato na administração de todo o empreendimento.   Constavam  no  banco  de  dados  utilizado  pelo  Programa  Caixa  várias  “contas”  representativas  de  custos,  despesas,  pagamentos,  recebimentos,  etc.,  bem  como  vários  “centros  de  custos”,  tais  como  os  relativos  a  cada  uma  das  “filiais”. Dentre os centros de custo destaca­se o “020 – DIRETORES”. Entre as  subcontas,  sobressaem  aquelas  inerentes  a  cada  um  dos  integrantes  da  família  Tolardo. Filtrando­se o centro de custos “20­DIRETORES” e aplicando­se outro  filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada  um deles.  Ademais,  a planilha “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls”,  encontrada  nos pendrives de Odete,  operadora  do  esquema,  e  Samuel  Tolardo  Júnior, corroboram os valores encontrados na base de dados do Programa Caixa,  comprovando a distribuição de valores entre os componentes da família Tolardo.  Especificamente em relação aos recorrentes, tem­se o que segue:  8.2. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore   Há  robustas  provas  de  que  Jeane  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore  participava  ativamente do esquema, especialmente como administradora do grupo de empresas  adquirido, Embrepar.  Foram,  inclusive,  interceptadas  pela Polícia Federal  ligações  telefônicas  entre  ela  e  sua  mãe  e  entre  esta  e  Robson Marcelo  Tolardo,  as  quais  demonstram que a filha do ex­dono da Embrepar ensinou a Samuel Tolardo Júnior e  Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore os procedimentos do negócio adquirido.   Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi sócia da Administradora Confiança.  Foram localizadas várias procurações dos sócios laranjas para ela: outorgada por  Geraldo  Richter  com  poderes  para  vender  ou  incorporar  as  quotas  da  REDE  PRESIDENTE  (07/11/2002);  outorgada  pela  RPT  (representada  por  Geraldo  Richter)  para  representação  perante  bancos  (07/11/2002);  outorgada  pela  RPT  com poderes amplos e gerais (07/11/2002), outorgada pela RPT para representá­ la em bancos com poderes amplos, gerais e  ilimitados (12/11/2003); outorgada  pela RPT com poderes amplos, gerais e ilimitados (12/11/2003); outorgada pela  Nobre Participações Ltda.  (representada pela  sócia  laranja Mirian Coutinho de  Lima para ela e seu irmão, Samuel Tolardo Júnior, conferindo poderes amplos e  gerais (25/08/2004)  Para  que  Daniel  de  Oliveira  Junior,  funcionário  do  esquema,  locasse  um  imóvel em Maringá/PR, foi necessário um fiador, papel exercido por Jeane Cristine  Tolardo Dalle Ore e seu marido.   Outro  imóvel  cuja  locação  teve  Jeane  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore  como  fiadora foi o do bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR (aluguel do período  10/03/2011  a  09/03/2014)  cuja  locatária  era  Ana  Maria  Gimenez  de  Souza  é  importante operadora do esquema.   Há,  ainda,  o  contrato  de  locação  de  um  barracão  comercial  em  Bauru/SP,  usado pela REDE PRESIDENTE, Filial 18. O contrato tem como locatária Fernanda  Cristina de Lima dos Santos, usada como laranja na RPFL Auto Peças Ltda., e como  fiadora Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore.   Fl. 12765DF CARF MF     84 Além disso, existem imóveis de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle  Ore  que  são  usados  pela  REDE  PRESIDENTE:  galpão  situado  em  Londrina/PR  locado à REDE PRESIDENTE – Filial 14 ­ e imóvel utilizado pelo esquema no Rio  de  Janeiro/RJ;  imóvel  comercial  em  Petrolina/PE,  com  galpões  de  estocagem,  avaliado  por  laudos  em  R$.750.000,00  (setecentos  e  cinquenta  mil  reais)  e  R$  650.000,00  (seiscentos  e  cinquenta  mil  reais).  O  primeiro  laudo  aponta  como  solicitante  e  ocupante  do  imóvel  a  empresa Napa  Parts  Dist  de Auto  Peças  Ltda.  Distribuidora de Auto Peças e como proprietária Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore.   Outro  imóvel  de  propriedade  de  Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore  utilizado  pela REDE PRESIDENTE localiza­se em Imperatriz/MA, no endereço cadastral da  IME Peças para Veículos Ltda. – ME. Foi encontrado laudo de avaliação datado de  23/03/2011,  no  qual  ela  consta  como  proprietária  e  Liderci  Luriko  Nagabe  de  Oliveira como solicitante. O  imóvel  foi avaliado em R$ 1.350.000,00 (um milhão,  trezentos e cinquenta mil reais).   O imóvel utilizado pela REDE PRESIDENTE em Feira de Santana/BA (Filial  74)  também  era  de  propriedade  de  Jeane  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore,  conforme  laudos de avaliações realizadas em novembro/2011. As fotos que constam no laudo  mostram que na fachada havia a  logomarca da REDE PRESIDENTE. Esse imóvel  foi avaliado em R$.1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) por um laudo e  em R$ 1.516.000,00 (um milhão, quinhentos e dezesseis reais) por outro.   Também  era  de  propriedade  de  Jeane  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore  o  imóvel  utilizado pelo esquema em Piracicaba/SP (Filial 75), conforme laudos de avaliação  feitos em 2011. O imóvel foi avaliado em R$ 1.524.705,05 (um milhão, quinhentos  e vinte e quatro mil,  setecentos e cinco  reais e cinco centavos) e R$ 1.450.000,00  (um milhão,  quatrocentos  e  cinquenta  mil  reais).  Foi  encontrado  o  registro  desse  imóvel.   Constam também como de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore 3  (três)  lotes de terrenos contíguos em Fos do Iguaçu/PR, cujo barracão ali  instalado  serve de extensão para a PRE Comércio  e Distribuição de Peças Ltda.  (Filial  44),  conforme certidão de escritura pública de compra e venda. A compra desse imóvel  foi feita por procuração, justamente por Robson Marcelo Tolardo.   O  imóvel  usado  pela  REDE  PRESIDENTE  em  Londrina/PR  (Filial  14)  também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, conforme contrato  de locação de 02/01/2007.  Há, ainda, o imóvel registrado no me da filha de Jeane Cristine Tolardo Dalle  Ore,  a  menor  Julia  Tolardo  Dalle  Ore,  usado  em  Porto  Alegre/RS  pela  REDE  PRESIDENTE (Filial 60).   Todos  esses  imóveis,  com  exceção  dos  de  Foz  do  Iguaçu/PR  e  Imperatriz/MA,  foram  transferidos  à  empresa  Zenith  Administradora  de  Bens  e  Participações Ltda.,  a  título de integralização do capital. Essa é uma das empresas  criadas  para  administrar  os  bens  da  família  Tolardo,  tendo  como  sócia  a  própria  Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore  e  suas  filhas,  Isabela Tolardo Dalle Ore  e  Julia  Tolardo Dalle Ore.   Os imóveis eram controlados pela REDE PRESIDENTE, segundo constatado  em  planilha  encontrada  por  ocasião  do  cumprimento  do  Mandado  de  Busca  e  Apreensão.  Nessa  planilha  foi,  ainda,  identificado  um  imóvel  denominado  “C.MOURÃO”, para o qual encontrou­se um laudo de avaliação de 28/08/2012 para  imóvel  situado  em Campo Mourão/PR,  com  valor  estimado  de R$.440.000,00,  de  propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Quanto ao imóvel identificado na  planilha  como  “SPINHAIS”,  foram  localizados  os  registros  dos  imóveis  de  matrículas 19.136, 19.139, 19.140, 19.141, 19.142 e 19.143 no Registro de Imóveis  Fl. 12766DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.725          85 de  São  José  dos  Pinhais/PR,  adquiridos  por  Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore  em  25/08/1997.   8.3. Rogério Márcio Tolardo   Foram relatadas várias provas da atuação de Rogério Márcio Tolardo, como:   a. Procuração de 10/10/1996 da então Foramec Auto Peças Ltda. (atual RPT),  representada  por  ele  e  por  seu  irmão  Samuel  Tolardo  Júnior,  constituindo  um  procurador para representar a empresa perante repartições públicas;   b. Procuração outorgada a ele por Adanice Gonçalves de Jesus, conferindo­lhe  poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 03/04/20000;   c.  Procuração  outorgada  a  ele  pela  empresa  Rede  Presidente  Ltda.,  conferindo­lhe amplos, gerais e ilimitados poderes, datada de 03/04/2000;   d.  Procuração  outorgada  a  ele  em  07/101/2002  por  Geral  Richter  (então  laranja da RPT), conferindo­lhe amplos e gerais poderes para vender ou incorporar  as  quotas  da  RPT  ou  assinar  quaisquer  contratos  de  compra  e  venda,  inclusive  alterações contratuais;   e.  Procuração  datada  de  07/11/2002,  por  meio  da  qual  a  Rede  Presidente,  representada  por  Geraldo  Richter,  concede­lhe  amplos  e  gerais  poderes  para  representar  a  empresa  perante  quaisquer  estabelecimentos  bancários,  públicos  ou  privados do país;   f.  Procuração  de  07/11/2002,  outorgada  a  ele  pela  Rede  Presidente,  representada  por  Geral  Richter,  conferindo­lhe  amplos  e  gerais  poderes  para  constituir advogados, com todos os poderes inerentes.   Na  época  do  cumprimento  dos  Mandados  de  Busca  e  Apreensão,  Rogério  Márcio  Tolardo  residia  em  Curitiba/PR,  onde  é  sócio  de  uma  loja  de  aparelhos  eletrônicos  para  uso  doméstico,  W2X  –  Comércio  e  Serviços  de  Equipamentos.  Apesar  de  essa  empresa  aparentemente  não  ter  relação  com  o  esquema  REDE  PRESIDENTE,  no  período  de  abril/2005  a  janeiro/2010,  era  seu  sócio  Francisnei  Paulo  Ferrarini, mero  funcionário  do  esquema.  Fracisnei  também  foi  usado  como  laranja da FEMAMAR Repres. Comerciais Ltda., empresa da REDE PRESIDENTE,  que fica no mesmo endereço de uma das filiais da RPT.   Em depoimento prestado à Polícia Federal em 17/10/2012, Francisnei afirma  que figurou como sócio da W2X a pedido de Rogério Márcio Tolardo, porém jamais  exerceu  qualquer  atividade  nessa  empresa,  gerida  exclusivamente  por  Rogério.  Note­se  que  Fransicnei  diz  que  aceitou  a  proposta  porque  tinha  uma  relação  de  amizade ou seria alguém de confiança de Rogério Márcio Tolardo, o que, por óbvio,  decorreu da atuação e posição deste último na REDE PRESIDENTE.   A participação de Rogério Márcio Tolardo fica mais clara diante dos imóveis  de sua propriedade controlados pela planilha já mencionada, onde se constata ser ele  proprietário de 6 (seis) imóveis:   a.  Um  galpão  em  Guarulhos/SP,  pertencente  também  a  Samuel  Tolardo  Júnior.  Foi  localizado  um contrato  de  locação  de  1º/01/2010,  constando ambos  os  irmãos  como  locadores  e  a RPT  como  locatária. No  bunker  da Rua Rui Barbosa,  1027, Maringá/PR, foi encontrada uma avaliação do imóvel de maio/2011, no valor  de R$ 25.758.128,00 (vinte e cinco milhões, setecentos e cinquenta e oito mil, cento  e vinte e oito  reais). Apesar de o valor para  locação do  imóvel  ser R$.257.581,28  Fl. 12767DF CARF MF     86 (duzentos  e  cinquenta  e  sete  mil,  quinhentos  e  oitenta  e  um  reais  e  vinte  e  oito  centavos),  os  irmãos  o  locam  por  R$  20.000,00  (vinte  mil  reais).  Em  dezembro/2009, esse imóvel  foi dado em caução como garantia de um contrato de  locação não residencial celebrado pela Fort Lub Produtos Automotivos Ltda.;   b.  Dois  terrenos  contíguos  onde  está  construído  um  barracão  usado  pela  REDE PRESIDENTE em Foz do Iguaçu (empresa PRE, Filial 44);   c.  Um  terreno  localizado  em  Maringá/PR,  área  muito  bem  localizada  pertencente ao esquema;   d.  Imóvel  localizado  em  Cabuy,  Presidente  Prudente/SP,  onde  funciona  a  Filial 38. No contrato de locação encontrado, datado de 1º/01/2010, a locatária é a  empresa Rolcar Auto Peças, do esquema REDE PRESIDENTE;   e. Imóvel  localizado em Uberlândia/MG (Filial 64). Foi encontrada cópia da  matrícula do imóvel.   Posteriormente, esses imóveis foram dados como integralização de capital de  uma  das  empresas  do  esquema,  Magno  Administradora  de  Bens  e  Participações  Ltda.  O  capital,  que  era  de  R$  5.000,00  (cinco  mil  reais)  passou  para  R$  1.039.765,00 (um milhão, trinta e nove mil, setecentos e sessenta e cinco reais).   Outro indicativo da posição de Rogério Márcio Tolardo é dado em conversa  telefônica entre sua mãe e Leda ou Hieda, que o compara a Robson Marcelo Tolardo  e  comenta que Rogério  também é  sócio. Em outras duas gravações efetuadas pela  Polícia Federal,  constata­se a existência de repasses ou pagamentos mensais que a  família Tolardo fazia ao sócio Rogério Márcio Tolardo.   8.4. Samuel Tolardo Júnior   No  apartamento  de  Samuel  Tolardo  Júnior  em  Curitiba/PR,  foram  encontrados  vários  documentos  relativos  ao  esquema.  Ele  participa  há  bastante  tempo,  como  comprova  a  procuração  da  RPT,  então  Foramec  Auto  Peças  Ltda.,  datada  de  10/10/1996.  Nessa  procuração,  ao  lado  de  seu  irmão  Rogério  Márcio  Tolardo,  ele consta como  sócio da empresa que, praticamente,  inaugurou a REDE  PRESIDENTE.   Ademais, Samuel Tolardo Júnior  (ou Júnior)  foi  diversas vezes mencionado  na escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, como, por exemplo, em conversa  de 22/05/2012 entre sua mãe e sua irmã, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, na qual  fica clara a sua participação na empresa recém adquirida do Grupo Embrepar. Em  outra  interceptação  telefônica,  do dia 1º/08/2012,  entre  ele  e Ana Maria Gimenez,  resta  evidente  o  seu  envolvimento  na  análise  de  questões  operacionais,  como  transferências dentre filiais e estoque negativo.   Um  imóvel  onde  se  localizava  um  dos  bunkers  da  REDE  PRESIDENTE  estava  registrado  no me  de Daniel  de  Oliveira  Júnior,  constando  uma  procuração  desse operador do esquema para a  família Tolardo,  inclusive para Samuel Tolardo  Júnior,  datada  de  22/06/2009,  concedendo  poderes  para  vender,  ceder,  prometer,  transferir ou de qualquer forma alienar esse imóvel. O endereço de Samuel Tolardo  Júnior que consta nessa procuração é, na verdade, o endereço de uma filial da REDE  PRESIDENTE, Filial 27, no Rio de Janeiro, apesar de constar nas suas DIRPF desde  2003 como sendo seu endereço residencial.   Há outra procuração, outorgada por Genésio Bueno,  laranja da A.P.E. Auto  Peças  Ltda.  (dezembro/2004  a  setembro/2013),  conferindo­lhe  amplos,  gerais  e  ilimitados poderes. Idêntica procuração foi também concedida pela própria empresa,  na época denominada A Presidente Auto Peças Ltda.   Fl. 12768DF CARF MF Processo nº 10875.722997/2014­21  Acórdão n.º 2201­003.811  S2­C2T1  Fl. 12.726          87 Foi  encontrado  contrato  de  execução  de  construção  por  empreitada  global  entre  Samuel  Tolardo  Júnior  e  Antonio  Picoli  Sobrinho,  de  05/05/1992,  para  construção de barracão comercial em Curitiba/PR, provavelmente o mesmo imóvel  da matrícula 51.835. Junto à cópia do registro da matrícula foi achado um recibo, no  qual consta que o imóvel foi adquirido por Samuel Tolardo Júnior em 24/05/2005.  Trata­se de um barracão comercial utilizado pela Filial 23 da REDE PRESIDENTE.  Foram  encontradas  duas  avaliações  do  imóvel,  uma  delas  solicitada  por  Samuel  Tolardo Júnior.   Outro imóvel adquirido por Samuel Tolardo Júnior é um barracão comercial  em Cascavel/PR. Foram encontrados vários documentos  referentes à obra, datados  de final de 2011 e ano de 2012. A maioria dos e­mails tratando de assuntos da obra  são  assinados  por  Nilson  Roberto  da  Silva,  funcionário  da  REDE  PRESIDENTE  desde 09/06/2003.   Há, ainda o imóvel de Guarulhos/SP, adquirido por Samuel Tolardo Júnior e  Rogério  Márcio  Tolardo,  conforme  escritura  pública  de  venda  e  compra  de  28/06/2001. Também foi constatado serem de propriedade de Samuel Tolardo Júnior  um apartamento em Curitiba/PR; um salão comercial em Londrina locado a Rogério  José de Alencar e um terreno em Londrina.   Desses  imóveis,  ao  menos  três  deles  (um  em  Curitiba/PR,  o  terreno  de  Londrina/PR e o de Cascavel/PR) foram transferidos em abril/2012 para a empresa  Urbanos  Administradora  de  Bens  e  Participações  Ltda.  como  integralização  de  capital  por  parte  de  Samuel  Tolardo  Júnior.  O  capital  da  empresa  passou  de  R$  5.000,00  (cinco  mil  reais)  para  R$.563.280,00  (quinhentos  e  sessenta  e  três  mil,  duzentos e oitenta reais). O outro sócio fica apenas com R$ 1,00 (um real).  Os  elementos  coligidos  pelo  Acórdão  recorrido  são  suficientes  para  demonstrar  a  posição  ocupada  pelos membros  da  família Tolardo  como  reais  proprietários  e  administradores da Rede Presidente.  Além  disso,  são  suficientes  para  afastar  a  alegação  de  ausência  de  responsabilidade do  recorrente por  inexistência de prova do seu benefício. Com efeito, basta  lembrar que há comprovação de pagamentos de despesas pessoais feitos pela Rede Presidente,  bem  como  de  que  os  integrantes  da  família  faziam  retiradas  de  valores  próximos  a  R$  100.000,00  (cem mil  reais)  mensais  cada,  chegando,  em  alguns  períodos,  a  R$  200.000,00  (duzentos mil  reais)  cada  ­  documentos de  fls.  9751/9754 e  itens 418 a 433 do Relatório de  Atividade Fiscal.  Com base no  exposto,  afasto  as  alegações de  ausência de prova do vínculo  dos  responsáveis  solidários  com os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias,  bem  como de  ausência de prova do seu benefício.  Conclusões  Com  base  em  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  os  recursos  voluntários  apresentados  por  PRV  Comércio  de  Peças  Ltda.  ME,  Jeanne  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore,  Samuel Tolardo Júnior e Rogério Márcio Tolardo, para, rejeitadas as preliminares, no mérito,  dar­lhes parcial provimento para excluir da base de cálculo tributável os valores pagos a título  de vale­transporte.  (assinado digitalmente)  Fl. 12769DF CARF MF     88 Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora                                Fl. 12770DF CARF MF

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6976233 #
Numero do processo: 10935.722426/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.266
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2.293          1 2.292  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.722426/2012­72  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2201­000.266  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  06 de junho de 2017  Assunto  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  GRUPO DE ABATE HALAL S/S LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)   Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.  Relatório  O  presente  processo  trata  de  Autos  de  Infração  referente  às  contribuições  previdenciárias devidas à Seguridade Social,  lavrados em virtude da exclusão do contribuinte  do  Regime  Especial  Unificado  de  Arrecadação  de  Tributos  e  Contribuições  devidos  pelas  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  Simples  Nacional,  instituído  pela  Lei  Complementar 123/2007.   A exclusão em questão se deu em virtude da emissão do Termo de Exclusão nº  006/2012,  contido  em  fl.  1822,  que  foi  objeto  do  contencioso  administrativo  instaurado  nos  autos do processo 10935.722.496/2012­21.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .7 22 42 6/ 20 12 -7 2 Fl. 2293DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.722426/2012­72  Resolução nº  2201­000.266  S2­C2T1  Fl. 2.294          2 Do procedimento fiscal, resultaram os seguintes DEBCADs:   ­ 51.003.302­4 – relativo à contribuição patronal, inclusive aquela destinada ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), apurada no período de 01/2009  a 12/2011, no montante consolidado de R$ 3.204.102,39, controlado no presente processo;  ­ Debcad nº 51.003.304­0 – relativa à contribuição destinada a terceiros, apurada  no  período  de  01/2009  a  12/2011,  no  montante  de  R$  850.161,31,  controlado  no  presente  processo;  ­ 37.388.494­0 – relativo à contribuição patronal, inclusive aquela destinada ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), apurada no período de 08/2007  a  12/2008,  no  montante  consolidado  de  R$  606.303,84,  controlado  no  processo  10935.722425/2012­28;  ­ Debcad nº 37.388.495­8 – relativa à contribuição destinada a terceiros, apurada  no  período  de  08/2007  a  12/2008,  no  montante  de  R$  132.605,07,  controlado  no  processo  10935.722425/2012­28.  Inconformado  com  os  lançamentos,  o  contribuinte  formalizou  impugnação  administrativa em ambos os processos, as quais foram julgadas improcedentes pela Autoridade  Julgadora de 1ª Instância.  Ciente  dos  Acórdãos  da  DRJ,  ainda  inconformado,  o  contribuinte  formalizou  Recursos Voluntários, também em ambos os processos em que, dentre outras questões, requer a  suspensão do presente julgamento até que se torne definitiva a discussão objeto do processo em  que se discute a procedência sua exclusão do Simples Nacional, 10935.722496/2012­21.  Submetido o presente ao Colegiado de 2ª Instância, a 1ª Turma Ordinária da 3ª  Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento  resolveu  converter o  presente  em diligência. Contudo,  o  objeto da diligência não foi acostado aos autos, já que o Redator designado não teve acesso aos  registros elaborados pelo então Conselheiro Relator.  É o relatório necessário.  Voto   Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator  Por  ser  tempestivo  e  por  preencher  as  demais  condições  de  admissibilidade,  conheço do Recurso Voluntário.  Como bem evidente no relatório acima, a autuação ora em discussão decorre da  exclusão  do  contribuinte  do  Regime  Especial  Unificado  de  Arrecadação  de  Tributos  e  Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte ­ Simples Nacional,  instituído pela Lei Complementar 123/2007.  Não mais abrigado pelas benesses legais para as micro e pequenas empresas, o  contribuinte  estaria  sujeito,  a  partir  do  período  em  que  se  processarem  os  efeitos  de  sua  Fl. 2294DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.722426/2012­72  Resolução nº  2201­000.266  S2­C2T1  Fl. 2.295          3 exclusão, às normas de  tributação aplicáveis às demais pessoas  jurídicas,  tudo nos  termos do  art. 32 da Lei Complementar nº 123/2007.  Ocorre  que  os  motivos  que  levaram  à  exclusão  do  requerente  de  tal  regime  diferenciado de tributação estão em discussão nos autos do processo 10935.722496/2012­21, o  qual  aguarda  julgamento  em  2ª  Instância  no  âmbito  deste  Conselho,  sendo  matéria  de  competência da 1ª Seção de Julgamento.  Caso  o  pleito  do  contribuinte  relativo  à  exclusão  regime  simplificado  seja  julgado  procedente,  sua  opção  pelo  Simples  Nacional  será  restabelecida  para  o  período  de  apuração  e  discussão,  não  havendo  que  se  falar  em  cobrança  de  tributos  apurados  sob  sistemática de tributação diversa.  Por outro lado, o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal contido em fl.  1883  evidencia  que,  além  dos  dois DEBCAD  controlados  no  presente  processo,  outros  dois  resultaram  do  mesmo  procedimento  fiscal,  os  quais  estão  sob  o  controle  do  processo  nº  10935.722425/2012­28, que aguarda distribuição neste CARF.  Dispõe  o  art.  6º  do Anexo  II  do Regimento  Interno  do CARF,  aprovado  pela  Portaria MF nº 343/2015:  Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados  observando­se a seguinte disciplina:   §1º Os processos podem ser vinculados por:   I  ­  conexão,  constatada  entre  processos  que  tratam  de  exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos  passivos;   II  ­  decorrência,  constatada  a  partir  de  processos  formalizados  em  razão  de  procedimento  fiscal  anterior  ou  de  atos  do  sujeito  passivo  acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem  outras matérias autônomas; e (...)  §  3º  A  distribuição  poderá  ser  requerida  pelas  partes  ou  pelo  conselheiro que 26 entender estar prevento, e a decisão será proferida  por  despacho  do Presidente  da Câmara ou  da  Seção  de  Julgamento,  conforme a localização do processo. (...)   § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem  localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter  o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o  sobrestamento  do  julgamento  do  processo  na  Câmara,  de  forma  a  aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal.  Desta  forma, no  caso  em questão, há duas espécies de vínculo processual, um  por  conexão  e  outro  por  decorrência.  Portanto,  considerando  oportuno  o  julgamento  do  presente  apenas  quando  as  conclusões  sobre  a  procedência  ou  não  do  procedimento  de  exclusão  se  tornarem  definitivas,  voto  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  determinar:  Fl. 2295DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.722426/2012­72  Resolução nº  2201­000.266  S2­C2T1  Fl. 2.296          4 ­  a  juntada  do  presente,  na  condição  de  processo  principal,  por  conexão,  ao  processo  nº  10935.722425/2012­28,  já  que  os  créditos  controlados  por  ambos  decorrem  do  mesmo procedimento fiscal;  ­  a  vinculação  nos  sistemas  do  presente  processo  ao  de  número  10935.722496/2012­21 e o sobrestamento do julgamento no âmbito da própria Câmara, até que  haja decisão definitiva em 2ª instância relativa à exclusão do Simples Nacional.  Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator  Fl. 2296DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO em 23/06/2017 14:49:00. Documento autenticado digitalmente por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO em 23/06/2017. Documento assinado digitalmente por: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA em 23/06/2017 e CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO em 23/06/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 11/10/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.1017.14211.3KS2 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: C0D0F7D66E6A204E4CFD993F735E1DE804DD0CBBA2D280E23CAAF9DDB39CD16F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10935.722426/2012-72. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 10730.006143/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. APROVEITAMENTO DO IMPOSTO PAGO. EMBARGOS APRESENTADOS PELA DELEGACIA DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta caracterizada a omissão do acórdão embargado, quando a matéria que se pretende devolver para análise foi estabelecida como incontroversa pela autoridade fazendária no recurso que deu origem à decisão combatida, recurso esse que estabeleceu os limites da questão a ser enfrentada pela turma julgadora.
Numero da decisão: 2201-003.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 26/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 8.359          1 8.358  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10730.006143/2006­38  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2201­003.908  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de setembro de 2017  Matéria  IRPF  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  OSCAR JOSÉ DE CASTRO LACERDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  LANÇAMENTO.  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA.  ESPONTANEIDADE.  INEXISTÊNCIA.  APROVEITAMENTO  DO  IMPOSTO  PAGO.  EMBARGOS  APRESENTADOS  PELA  DELEGACIA  DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.  Não resta caracterizada a omissão do acórdão embargado, quando a matéria  que  se  pretende  devolver  para  análise  foi  estabelecida  como  incontroversa  pela autoridade fazendária no  recurso que deu origem à decisão combatida,  recurso esse que estabeleceu os limites da questão a ser enfrentada pela turma  julgadora.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por unanimidade de votos, em conhecer  e rejeitar os embargos interpostos.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora.    EDITADO EM: 26/09/2017     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 61 43 /2 00 6- 38 Fl. 8359DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração  (fls.  8345/8348)  apresentados  pela  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201­003.639 (fls. 8340/8343)  desta  1ª  Turma  Ordinária,  que  analisou  embargos  apresentados  pela  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Uberaba  ­ MG ao Acórdão 2201­002.524 (fls 8308/8319), pelo qual  foi  negado provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte em face de decisão que  manteve auto de infração relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF calculado  sobre depósitos bancários de origem não comprovada.   Embora  o  Acórdão  do  Recurso  Voluntário  tenha  negado  provimento  ao  recurso apresentado pelo contribuinte, consignou em seu penúltimo parágrafo:  Por fim,o contribuinte argui que confessou e parcelou parte dos  débitos  discutidos  no  presente  processo,  devendo  lhe  ser  assegurado,  no  momento  da  execução,  a  compensação  dos  valores  pagos  no  processo  nº  10650.001366/2006­07.  Entretanto, isso não é questão de mérito, cabendo a unidade da  RFB  responsável  pela  cobrança,  por  demanda  do  interessado,  verificar  se  de  fato  existe  os  citados  pagamento  e,  caso  exista,  adotar os procedimentos para a compensação.  A  esta  decisão  foram  apresentados  embargos,  nos  quais  se  afirmou  que  os  valores  parcelados  no  processo  nº  10650.001366/2006­07  e  já  extintos  pela  sua  quitação  referir­se­iam  a  imposto  apurado  sobre  o  ganho  de  capital  obtido  na  alienação  de  bens  e  direitos  constante na declaração  retificadora de  ajuste do  exercício 2004,  apresentada após o  início  do  procedimento  fiscal.  Por  outro  lado,  os  valores  que  teriam  sido  mantidos  neste  processo adviriam da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem  não  comprovada,  o  que  configuraria  um  fato  gerador  diferente  do  fato  gerador  do  imposto  sobre o ganho de capital declarado e parcelado.  A partir dessas considerações aduziu a autoridade embargante:  A questão que se coloca e que ficou omisso no acórdão é se os  valores  oriundos  de  ganho  de  capital  explicam  a  origem  dos  recursos que serviu de base para a autuação. Ao apresentar as  declarações  retificadoras,  o  contribuinte  pretendeu  explicar  parte das origens dos recursos nas alienação de bens e direitos,  tendo  recolhido  o  imposto  sobre  o  ganho  de  capital  na  alienação, parcelados através do processo 10650.001366/2006­ 07. O acórdão recorrido da DRJ RJO II quando discorreu sobre  a  comprovação  de  origens  dos  créditos  com  a  entrega  de  declarações retificadoras, fls. 1.192 1.195, especificamente na fl.  1.194, em seu penúltimo parágrafo, descreveu que "a autuação  se deu por omissão de rendimentos recebidos caracterizada por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  e  nem  que  fossem validados pela fiscalização, os valores oriundos de ganho  Fl. 8360DF CARF MF Processo nº 10730.006143/2006­38  Acórdão n.º 2201­003.908  S2­C2T1  Fl. 8.360          3 de  capital  informados  nas  Declarações  Retificadoras  fariam  prova hábil e idônea da origem dos valores os depósitos/créditos  aqui considerados como base de cálculo".  Os embargos foram admitidos pelo Despacho de fls 8330/8331, que entendeu  tratar­se de lapso manifesto, uma vez que tratar­se­ia de dificuldade na execução da cobrança.  Segundo esse documento:  De  fato,  o  acórdão  não  se  debruçou  sobre  isso.  Apesar  de  a  decisão  embargada  negar  o  recurso  voluntário  e  o  voto  expressar  que  a  questão  de  compensação  não  seria  objeto  de  mérito  e  que  caberia  à  unidade  da  RFB  responsável  pela  cobrança  verificar  a  existência  dos  citados  pagamentos  e  a  adoção  dos  procedimentos  de  compensação,  não  foram  abordadas  no  julgamento  quaisquer  questões  em  relação  à  alteração  efetuada  na  declaração  retificadora  e  se  essa  alteração  sobreporia,  de  alguma  forma,  os  valores  lançados,  o  que  pode  prejudicar  o  entendimento  do  agente  preparador  no  momento da execução da referida cobrança.  Ao analisar esses embargos, o Acórdão nº 2201­003.639 concluiu que:  Portanto, entendo que, quando a decisão recorrida mencionou a  realização  de  compensação  do  imposto  pago  no  âmbito  do  processo nº 10650.001366/2006­07, ela não estava justificando a  origem  de  parte  dos  recursos  movimentados,  o  que  afetaria  a  base  de  cálculo  considerada,  mas  sim  determinando  que,  do  imposto devido neste processo, seja abatido por compensação o  imposto efetivamente pago no processo de parcelamento.  A ementa dessa decisão está assim redigida:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  LANÇAMENTO.  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA.  ESPONTANEIDADE.  INEXISTÊNCIA.  APROVEITAMENTO  DO IMPOSTO PAGO.  Não se presta a comprovar a origem dos valores movimentados  em conta bancária o ganho de capital declarado em retificação  de  declaração  apresentada  no  curso  da  ação  fiscal  e  desacompanhada de qualquer documentação que comprove sua  veracidade,  contudo,  se  o  contribuinte  efetivamente  paga  o  imposto assim declarado, esse valor deve ser compensado com o  exigido  no  encerramento  da  ação  fiscal,  sob  pena  de  enriquecimento sem causa do Estado.  Essa  decisão  foi  objeto  de  embargos  pela  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional, com base nos seguintes argumentos:  Pois  bem.  A  partir  do  trecho  supratranscrito  observa­se  que  o  Colegiado  resolveu  abater  o  montante  pago  no  âmbito  do  Fl. 8361DF CARF MF     4 processo nº 10650.001366/2006­07 do valor devido no presente  processo.   Entretanto, não restou clara a co­relação existente entre os dois  processos  citados  que  autorizariam  a  compensação  na  forma  determinada.   Conforme bem registrou a DRJ,  tratando­se de  fatos geradores  diversos,  não  haveria  que  se  falar,  s.m.j.,  em  possibilidade  de  aproveitamento,  no  presente  feito,  de  pagamentos  relativos  a  fatos geradores não exigidos neste auto de infração.   Por  outro  lado,  caso  se  tratem  dos  mesmos  fatos  geradores,  restará inviável a dupla exigência do mesmo crédito tributário.   Registre­se que, a partir da análise do processo de parcelamento  nº  10650.001366/2006­07,  consultado  por  esta  procuradora  através  do  sistema  e­processo,  não  foi  possível  extrair,  com  segurança,  a  vinculação  entre  o  citado  processo  e  o  presente  feito.   Nesse  contexto,  e  considerando  a  vultuosidade  dos  valores  cobrados neste lançamento,  faz­se mister que a Turma explicite  seu  entendimento  para  esclarecer  se  existe  uma  relação  de  continência  entre  os  fatos geradores  do  IRPF que  ensejaram o  processo  de  parcelamento  nº  10650.001366/2006­07  e  os  fatos  geradores  que  originaram  o  crédito  tributário  exigido  no  presente auto de infração, apontando as razões que levaram ao  seu convencimento.  Do despacho que admitiu os embargos apresentados (fls. 8351/8353), por sua  vez, destaca­se:  Do  exposto,  verifica­se  que  a  compensação  foi  aceita  pelo  Colegiado, em razão da informação prestada pelo Contribuinte  de  que  confessou  e  parcelou  parte  dos  débitos  discutidos  no  presente  processo;  entretanto,  constata­se  que  o  acórdão  embargado  não  explicitou  as  razões  e  os  fatos  que  levaram  o  Colegiado a determinar a compensação entre os fatos geradores  desses  autos  e  os  valores  constantes  do  processo  nº  10650.001366/2006­07.  É o que havia para ser relatado.   Voto             Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora  Conforme  foi  evidenciado  no  relatório,  tanto  os  embargos  apresentados  quanto  o  despacho  que  os  admitiu  entendem que  não  está  clara  a  correlação  entre  o  crédito  tributário  exigido  neste  processo  e  aquele  que  foi  parcelado  no  processo  nº  10650.001366/2006­07.  Não  concordo  com  um  ou  outro,  isso  porque,  nos  embargos  que  foram  analisados  pelo  acórdão  ora  combatido,  foram  prestadas  as  seguintes  informações  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberaba ­ MG (fls. 8327/8328):  Fl. 8362DF CARF MF Processo nº 10730.006143/2006­38  Acórdão n.º 2201­003.908  S2­C2T1  Fl. 8.361          5  Não  nos  ficou  claro  o  penúltimo  parágrafo  do  voto,  fl.  8.318,  que discorre sobre a compensação, no momento da execução, os  valores  pagos  no  processo  de  parcelamento  nº  10650.001366/2006­07. Os valores parcelados e já extintos pela  quitação deste parcelamento  referem­se a  imposto apurado de  ganho de capital na alienação de bens e direitos (código 4600)  constante  na  declaração  retificadora  de  ajuste  do  exercício  2004,  ano  calendário  2003,  apresentada  após  início  do  procedimento  fiscal,  cuja  cópia  pode  ser  vista  nas  fls.  1.102  a  1.109.  Por  outro  lado,  os  valores  lançados  e  mantidos  neste  processo  advém  da  omissão  de  rendimento  caracterizada  por  depósitos  bancários  sem  comprovação  de  origem,  imposto  apurado com o código de receita 2904, configurando assim fato  gerador  diferente  do  fato  gerador  do  imposto  sobre  ganho  de  capital declarado e parcelado.  A questão que se coloca e que ficou omisso no acórdão é se os  valores  oriundos  de  ganho  de  capital  explicam  a  origem  dos  recursos que serviu de base para a autuação. Ao apresentar as  declarações  retificadoras,  o  contribuinte  pretendeu  explicar  parte das origens dos recursos na alienação de bens e direitos,  tendo  recolhido  o  imposto  sobre  de  ganhos  de  capital  na  alienação, parcelados através do processo 10650.001366/2006­ 07. O acórdão recorrido da DRJ RJO II quando discorreu sobre  a  comprovação  de  origens  dos  créditos  com  a  entrega  de  declarações retificadoras, fls. 1.192 a 1.195, especificamente na  fl.  1.194,  em  seu  penúltimo  parágrafo,  descreveu  que  “a  autuação  se  deu  por  omissão  de  rendimentos  recebidos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  e  nem  que  fossem  validados  pela  fiscalização,  os  valores oriundos de ganho de capital informados nas   Declarações  Retificadoras  fariam  prova  hábil  e  idônea  da  origem  dos  valores  dos  depósitos/créditos  aqui  considerados  como base de cálculo”. (grifou­se)  A  correlação  está  perfeitamente  explicitada  pelo  texto  dos  embargos  apresentados, que delimitaram a matéria a ser analisada no Acórdão.  Apesar disso, do acórdão recorrido, copia­se o que segue:  Na  declaração  retificadora  do  exercício  2004/ano­calendário  2003  (fls  1102)  o  contribuinte  declara  R$  4.667.032,12  de  rendimentos sujeitos à tributação exclusiva tributáveis à alíquota  de 15% como ganho de capital. Mas não junta a documentação  hábil e idônea a comprovar a veracidade dessa informação.  Do Termo de Verificação Fiscal, por outro lado:  Com relação ao ano­calendário de 2003, o contribuinte informa  alienações  de  imóveis,  o  pró­labore  recebido  da  Platina  Cosméticos Ltda e os rendimentos isentos e não­tributáveis, que  já  foram  considerados  no  Demonstrativo  de  Variação  Patrimonial,  porém  não  vincula  esses  valores  aos  depósitos  efetuados  nas  suas  contas  correntes.  Apenas  comprova  os  Fl. 8363DF CARF MF     6 depósitos de R$ 20.000,00, em 07/01/2003, e de R$ 9.453,33, em  23/01/2003, na sua conta 102405.1 do Banco do Brasil, com dois  cheques  do  Banco  SUDAMERIS  de  sua  própria  emissão,  conforme fls. 1010 a 1015.  Então,  no  ano­calendário  de  2003,  o  contribuinte  não  comprovou  os  depósitos  bancários  no  valor  total  de  R$  4.894.185,09, conforme planilha às fls. 15.  Portanto,  ao  apresentar  a  declaração  retificadora,  o  contribuinte  confessou  resultado positivo em operações que estariam sujeitas a apuração de ganho de capital, tributado  a 15%, com o que evitaria a tributação como depósitos bancários de origem não comprovada,  cujos valores se submeteriam à tabela progressiva, sendo por isso mais gravoso.   Os  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  somaram  R$  4.894.185,09 e os valores de ganho de capital inseridos pelo fiscalizado na retificadora foram  de aproximadamente R$ 4.600.000,00.  De acordo com a autoridade  fazendária  (DRF/Uberaba),  no processo nº  10650.001366/2006­07  foram  parcelados  os  créditos  tributários  gerados  pela  Declaração  Retificadora apresentada pelo  sujeito passivo após o  início do procedimento  fiscal e que não  foram acatados pela fiscalização. Ainda segundo informa essa autoridade, que tem fé pública,  "o  contribuinte  pretendeu  explicar  parte  das  origens  dos  recursos  na  alienação  de  bens  e  direitos, tendo recolhido o imposto sobre de ganhos de capital na alienação, parcelados através  do processo 10650.001366/2006­07".  Se  os  fatos  geradores  declarados  nessa  retificadora  fossem  acatados  pela  fiscalização,  ela  deveria  excluir  dos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  o  valor  correspondente, o que não fez.  Com  efeito,  essa  é  a  jurisprudência  consolidada  neste  colegiado,  conforme  evidencia a ementa do Acórdão nº 9202­005.251, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos  Fiscais, de relatoria da Conselheira Patrícia da Silva:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Ano­calendário:1998  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  CARACTERIZADA  POR  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA  RENDIMENTOS  CONFESSADOS  NAS  DECLARAÇÕES  DE  AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  IMPOSTO  LANÇADO POSSIBILIDADE.  Uma  vez  que  se  pode  presumir  relação  entre  os  rendimentos  tributáveis  declarados  e  os  créditos  bancários  caracterizados  como rendimentos omitidos, deve­se fazer a competente exclusão  da  base  de  cálculo  do  imposto  lançado  dos  rendimentos  tributáveis  constantes  da  declaração  de  ajuste  anual  do  contribuinte.  Oportuno  também transcrever  trecho do Acórdão nº 10617.117, de lavra do  Conselheiro  Giovanni  Christian  Nunes  Campos,  utilizado  como  fundamento  pelo  Acórdão  acima mencionado da CSRF:  Fl. 8364DF CARF MF Processo nº 10730.006143/2006­38  Acórdão n.º 2201­003.908  S2­C2T1  Fl. 8.362          7 Antes  de  tudo,  deve­se  ter  em  mente  que  o  art.  42  da  Lei  n°9.430/96  criou  uma  presunção  de  omissão  de  rendimentos  a  partir dos depósitos de origem não comprovada.  Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os  créditos  na  conta  bancária  serão  objeto  de  uma  análise  individualizada, porém já excepcionando duas situações em que  os  valores  não  poderiam  ser  considerados,  especificamente  quando  houver  transferências  entre  contas  da  própria  pessoa  física, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser  criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo  de determinado teto.  Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou  rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada  cum  grano  salis.  Ora,  não  parece  plausível  defender  que  os  rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas  contas  bancárias  do  recorrente.  Assim,  por  exemplo,  na  experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes,  tem­se observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os  rendimentos  declarados  do  total  de  depósitos  bancários  de  origem não comprovada. Como exemplo,  veja­se o processo n°  10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de  11/09/2008,  relator  o  Conselheiro  Giovanni  Christian  Nunes  Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231)  O Acórdão  ora  combatido  apresentou  as  justificativas  pelas  quais  os  fatos  geradores  confessados  pelo  sujeito  passivo  em  sua  declaração  retificadora  não  poderiam  ser  acatados pela fiscalização e, em conseqüência, servir como origem para os depósitos bancários:  Com  efeito,  pela  petição  de  fls  986,  vê­se  que  o  contribuinte  atribui  esse  ganho  à  "Alienação  Quotas  Layff  Kosmetic"  no  valor de R$ 4.665.000,00, mas, diferente do que ocorre com os  anos­calendário  2001  e  2002  em  que  traz  alteração  contratual  referente à alienação das quotas (itens 4.4 e 4.7 dos Documentos  Comprobatórios),  em  relação  ao  ano­calendário  2003  o  único  documento listado é a própria declaração retificadora.  Com  base  nisso,  entendo  que  as  informações  que  foram  acrescidas  a  essa  declaração  retificadora  não  são  suficientes  para  comprovar  qualquer  origem  para  os  recursos  movimentados  na  conta  bancária  do  contribuinte,  posto  que  desacompanhadas de qualquer elemento de prova.  Em  que  pese  isso,  com  base  nessa  declaração  o  contribuinte  teria  pedido  parcelamento  do  imposto  resultante  dessa  retificação e o teria pago. Neste caso, não permitir a utilização  do  imposto  efetivamente  pago  pelo  contribuinte,  ainda  que  sob  rubrica  indevida,  para  abatimento  do  que  está  sendo  agora  exigido, implicaria enriquecimento sem causa do Estado. E não  se deve esquecer que o pedido de parcelamento foi acatado.  Portanto, entendo que, quando a decisão recorrida mencionou a  realização  de  compensação  do  imposto  pago  no  âmbito  do  processo nº 10650.001366/2006­07, ela não estava justificando a  Fl. 8365DF CARF MF     8 origem  de  parte  dos  recursos  movimentados,  o  que  afetaria  a  base  de  cálculo  considerada,  mas  sim  determinando  que,  do  imposto devido neste processo, seja abatido por compensação o  imposto efetivamente pago no processo de parcelamento.  Se  o  imposto  pago  no  âmbito  do  processo  nº  10650.001366/2006­07  tem  origem na declaração  retificadora apresentada pelo  sujeito passivo  (informação prestada pela  DRF/Uberaba),  se  os  fatos  geradores  acrescidos  a  essa  retificadora  não  foram  reconhecidos  como idôneos por não haver prova da realização dos negócios jurídicos que lhe deram origem  e,  por  isso,  os valores  assim declarados não  foram excluídos da base de  cálculo  relativa aos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada:  os  pagamentos  realizados  no  âmbito  do  parcelamento são indevidos. E o juízo a respeito da existência ou não dos fatos geradores que  deram origem a esses pagamentos foi realizado no âmbito deste processo.  A  autoridade  embargante  afirma  não  ter  identificado  correlação  entre  os  valores parcelados no processo nº 10650.001366/2006­07 e o que se discute no processo ora  em análise.  Quanto  a  isso,  além  de  relembrar  que  a  correlação  foi  estabelecida  como  pressuposto  para  análise  dos  embargos  originais  apresentados  pela  DRF/Uberaba,  sugiro  o  confronto  entre o documento DIPAR  ­ Discriminação de Débitos  a Parcelar,  do processo de  parcelamento, e os valores apurados a título de ganho de capital na fl. 1108 deste processo, que  corresponde à declaração retificadora do ano­calendário 2003.  De  fato,  na  declaração  retificadora  há  a  apuração  dos  seguintes  valores  de  imposto,  código  de  recolhimento  4600,  nos  fatos  geradores  que  correspondem aos meses  de  janeiro a dezembro de 2003:    No discriminativo de débitos a parcelar, por outro lado:  Fl. 8366DF CARF MF Processo nº 10730.006143/2006­38  Acórdão n.º 2201­003.908  S2­C2T1  Fl. 8.363          9   Portanto,  parece  indiscutível  que  os  valores  parcelados  no  processo  nº  10650.001366/2006­07  decorrem  da DIRPF2004  retificadora  e,  como  já  se  afirmou  amiúde,  essa  foi  a  informação  prestada  pela  DRF/Uberaba,  autoridade  pública,  ao  apresentar  os  embargos originais,  em  recurso que estabeleceu os pressupostos e os  limites da análise a  ser  efetuada no Acórdão nº 2201­003.639.   Essa  delimitação  resta  clara  no  despacho  que  admitiu  os  embargos  apresentados pela DRF/Uberada:  ...não  foram  abordadas  no  julgamento  quaisquer  questões  em  relação  à  alteração  efetuada  na  declaração  retificadora  e  se  essa  alteração  sobreporia,  de  alguma  forma,  os  valores  lançados,  o  que  pode  prejudicar  o  entendimento  do  agente  preparador no momento da execução da referida cobrança.  Correndo o  risco  de  ser  repetitiva,  se  os  fatos  geradores  que  deram origem  aos  tributos  parcelados  no  processo  nº  10650.001366/2006­07  fossem  considerados  idôneos  pela fiscalização, esta teria que excluir os valores correspondentes da base de cálculo relativa  aos depósitos bancários de origem não comprovada. Essa redução da base de cálculo afetaria  diretamente o crédito tributário discutido neste processo (10730.006143/2006­38), que tem por  origem esses depósitos. Portanto, esses fatos geradores são excludentes, não sendo possível sua  coexistência,  ou  houve  ganho  de  capital  a  ser  tributado,  ou  houve  depósitos  bancários  sem  origem comprovada.  Conclusão   Em vista do exposto, voto por conhecer e rejeitar os embargos apresentados.  (assinado digitalmente)  Fl. 8367DF CARF MF     10 Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora                                Fl. 8368DF CARF MF

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6911220 #
Numero do processo: 10835.721908/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CORRESPONDÊNCIA COM O INFORME DE RENDIMENTOS E COM A DIRF DA FONTE PAGADORA. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 2201-003.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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2201­003.843  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de agosto de 2017  Matéria  IRPF  Recorrente  MARGARIDA MARIA DA CRUZ MAIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2008  COMPENSAÇÃO.  IMPOSTO  DE  RENDA  RETIDO  NA  FONTE.  CORRESPONDÊNCIA COM O  INFORME DE RENDIMENTOS E COM  A DIRF DA FONTE PAGADORA.  O  imposto  retido  na  fonte  somente  poderá  ser  deduzido  na  declaração  de  rendimentos  se o  contribuinte possuir  comprovante de  retenção  emitido  em  seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora.  EDITADO EM: 25/08/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 19 08 /2 01 2- 33 Fl. 140DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou  improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo.  Nesta oportunidade, utilizo­me  trechos do  relatório produzido em assentada  anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos  seguintes:  Contra  a  contribuinte  acima  identificada,  foi  lavrada  a  notificação  de  lançamento  de  fls.  97  a  98,  relativa  ao  imposto  sobre a  renda das pessoas  físicas do ano­calendário 2008, que  constatou a seguinte infração:  ­ compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no  valor  de  R$  5.622,31,  referente  à  fonte  pagadora  Caixa  Econômica  Federal.  Consta  ainda  da  descrição  dos  fatos:  “Foram  pagos  à  Sra.  Margarida  e  Sra.  Laurinda,  a  título  de  aluguéis:  rendimentos  brutos  no  total  de  R$  138.265,17;  IRRFonte  total  R$  24.851,12  e Desps.  com Condomínio  (total)  R$  40.889,44.  Posto  que  cabe  a  cada  contribuinte  50%  dos  rendimentos, apuramos:  Rend. Bruto (50%) R$ 69.132,59; IRRFonte (50%) R$ 12.425,56.  Condomínio  (50%)  R$  20.444,72  e  Rend.  Líquido  Tributável  (50%) R$ 48.687,86.”  Tal  notificação  é  resultante  da  apreciação  de  Solicitação  de  Retificação  de  Lançamento  apresentada  pela  contribuinte  (fl.  25),  em  face  da  notificação  original  de  fls.  27  a  28,  que  foi  deferida parcialmente (fl. 96).  Cientificada  do  lançamento  em  21/11/2012  (fl.  101),  a  interessada  apresentou  a  impugnação  de  fls.  02  e  05/08,  em  06/12/2012, por intermédio de procurador (procuração a fl. 03) ,  alegando que:  ­  em  todos  os  exercícios,  a  receita  informada  na  declaração  confere com os valores informados nos informes de rendimentos  da Sra. Margarida e Laurinda, bem como o IR retido na fonte;  ­  conforme  cópia  da  matrícula  e  contrato  de  locação,  os  rendimentos de alugueis correspondem a 50% para cada uma;  ­  em  relação  às  despesas  do  condomínio,  que  foram  incluídas  pela Caixa Econômica Federal  junto com a receita de aluguéis  no informe de rendimentos, os valores são diferentes, isto porque  como o  prédio  é usufruto de  ambas  (Margarida  e Laurinda),  e  não  há  um  condomínio  pessoa  jurídica,  os  valores  foram  reembolsados  de  acordo  com  que  efetuou  os  pagamentos  das  despesas;  ­  como dona Margarida é quem arcava com a maior parte das  despesas,  o  reembolso  do  valor  das  despesas  com  condomínio  para  ela  foi  maior,  basta  ver  no  exercício  2009  que  o  valor  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10835.721908/2012­33  Acórdão n.º 2201­003.843  S2­C2T1  Fl. 3          3 recebido para dona Margarida foi de R$ 89.577,33 e para dona  Laurinda R$ 48.687,84;  ­  os  valores  declarados  por  cada  uma  das  declarantes  estão  corretos de acordo com os extratos fornecidos pela C.E.F;  ­  a  impugnante  reconheceu  que  houve  um  ajuste  dos  rendimentos,  no  valor  de  R$  5.902,98,  como  apurado  no  demonstrativo  de  apuração  de  imposto  devido.  Contudo,  impugna a glosa de imposto pago, no valor de R$ 5.622,31;  ­  como  já  dito,  os  informes  de  rendimentos  fornecidos  pela  C.E.F., apontam que a dona Margarida teve o rendimento bruto  de  R$  89.577,33  e  o  imposto  retido  na  fonte  de  R$  18.047,87  enquanto  o  da  dona  Laurinda  teve  o  rendimento  bruto  de  R$  48.687,84 e o imposto de renda retido na fonte de R$ 6.803,25,  tendo estes valores sido lançados em suas declarações;  ­  a  C.E.F.  emitiu  informes  de  rendimentos  em  separado  (individuais), de acordo com os valores recebidos dos aluguéis,  que é de 50% para cada uma, mas o reembolso das despesas do  condomínio,  no  caso  dona  Margarida  é  quem  pagava  as  despesas maiores do condomínio e por isso o total recebido por  ela foi maior do que de sua mãe;  ­ a C.E.F. cometeu um erro, pois ela não deveria ter retido o IR  sobre  o  reembolso  das  despesas  de  condomínio,  mas  sim,  somente do valor dos alugueis recebidos;  ­  não  é possível  admitir  o  feito  pelo Sr. Fiscal  autuante,  que  é  somar os valores da retenção de ambas e dividir ao meio, pois aí  ocorreu uma injustiça devido aos fatos narrado;  ­  não  há  uma explicação  razoável para  o  imposto  ser  glosado,  principalmente  se  os  valores  brutos  recebidos  por  cada  uma  foram  diferentes,  e  pago  a  cada  uma  o  valor  que  arcou  individualmente.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP)  julgou improcedente a impugnação, com as seguintes considerações:   Quanto  ao  fato  de  os  informes  de  rendimentos  espelharem  valores  diferentes  dos  apurados  pela  fiscalização,  cumpre  esclarecer  que  à  fonte  pagadora  cabe  efetuar  a  retenção  e  recolhimento  do  imposto  de  renda  na  fonte,  podendo  ser  penalizada  por  informação  incorreta  prestada,  mas  isso  não  elide  a  responsabilidade  da  contribuinte  pelas  informações  prestadas em sua declaração de IRPF.  A  interessada,  como  contribuinte  direto,  conforme definição  de  contribuinte e responsável dada pelo artigo 121 do CTN, cumpre  oferecer  à  tributação  na  declaração  anual  o  total  dos  rendimentos  recebidos  e  compensar  o  IRRF  correspondente,  independentemente  de  informação  da  fonte  pagadora  e,  portanto,  a  responsabilidade  pelas  informações  prestadas  na  Fl. 142DF CARF MF     4 declaração  de  rendimentos  da  pessoa  física  é  do  próprio  declarante.  Quanto  ao  não  aproveitamento  do  IRRF  por  parte  da  Sra.  Laurinda,  caberia  ter  sido  providenciada  por  ela  uma  declaração  de  ajuste  anual  retificadora,  majorando  a  compensação do IRRF que a ela cabia.  Isto  posto,  voto  no  sentido  de  considerar  improcedente  a  impugnação, mantendo o crédito tributário exigido.  Posteriormente,  dentro  do  lapso  temporal  legal,  foi  interposto  recurso  voluntário,  no  qual  o  contribuinte  dispôs,  em  síntese,  que  a  recorrente  compensou,  em  sua  declaração, o valor retido de R$ 18.047,87 e a condômino Laurinda declarou corretamente, na  sua declaração, o valor recebido de R$ 6.803,25.  Além  disso,  salientou  a  recorrente  que  os  rendimentos  dos  alugueres  são  metade para cada uma, contudo, ficou demasiadamente comprovado nos autos, que as despesas  de condomínio foram custeadas pela recorrente, por isso que o rendimento bruto da recorrente  é de R$ 89.577,33 e o da condômino Laurinda de R$ 53.427,39,, correspondendo justamente  essa diferença de rendimento ao reembolso das despesas do condomínio.  É o relatório.    Voto             Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz  Conheço  do  recurso,  pois  se  encontra  tempestivo  e  com  condições  de  admissibilidade.  Conforme narrado,  foi  lavrada  a notificação de  lançamento de  fls.  97  a  98,  relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano­calendário 2008, que constatou a  seguinte infração:  ­ compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no  valor  de  R$  5.622,31,  referente  à  fonte  pagadora  Caixa  Econômica  Federal.  Consta  ainda  da  descrição  dos  fatos:  “Foram  pagos  à  Sra.  Margarida  e  Sra.  Laurinda,  a  título  de  aluguéis:  rendimentos  brutos  no  total  de  R$  138.265,17;  IRRFonte  total  R$  24.851,12  e Desps.  com Condomínio  (total)  R$  40.889,44.  Posto  que  cabe  a  cada  contribuinte  50%  dos  rendimentos, apuramos:  Rend. Bruto (50%) R$ 69.132,59; IRRFonte (50%) R$ 12.425,56.  Condomínio  (50%)  R$  20.444,72  e  Rend.  Líquido  Tributável  (50%) R$ 48.687,86.”  Dispõe a decisão recorrida da seguinte forma:  Nos casos de aluguéis pagos por pessoa  jurídica a mais de um  locador,  é  dever  da  fonte  pagadora  (locatário)  efetuar  a  retenção na fonte aplicando a tabela mensal em relação ao valor  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10835.721908/2012­33  Acórdão n.º 2201­003.843  S2­C2T1  Fl. 4          5 pago, apresentar DIRF  individualizada e fornecer comprovante  de rendimentos que couber a cada um e o IRRF correspondente.  O art. 15 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), assim regulamenta a  questão  de  rendimentos  decorrentes  de  bens  possuídos  em  condomínio:  Quanto  ao  ônus  de  manutenção  de  imóvel  possuído  em  condomínio, o art. 1.315 do Código Civil Brasileiro é cristalino  e não deixa quaisquer dúvidas a respeito da matéria:  Art. 1.315. O condômino é obrigado, na proporção de sua parte,  a  concorrer  para  as  despesas  de  conservação  ou  divisão  da  coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita.  Parágrafo  único.  Presumem­se  iguais  as  partes  ideais  dos  condôminos.  “Art.  15  Os  rendimentos  decorrentes  de  bens  possuídos  em  condomínio  serão  tributados  proporcionalmente  à  parcela  que  cada condômino detiver.  Parágrafo  único.  Os  bens  em  condomínio  deverão  ser  mencionados nas respectivas declarações de bens, relativamente  à parte que couber a cada condômino (Decreto­Lei nº 5.844, de  1943, art. 66)  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  a  declaração  da  contribuinte  foi  feita de acordo com o Informe da Caixa Econômica. fls 45, sendo que a DIRF, fls. 121, retrata  os mesmos valores. Portanto, correta a compensação realizada pela recorrente.  Nota­se que a diferença apontada pela fiscalização decorre do entendimento  de que os valores dos  alugueres deveriam constar, na proporção de 50%, das declarações da  recorrente e de sua condômina.  Contudo,  comprova­se  nos  autos  que  as  retenções  ocorreram  em  valores  distintos, tendo em vista o pagamento das despesas de condomínio pela recorrente.  Ao  meu  ver,  o  equívoco  teve  como  causa  o  Informe  e  a  DIRF,  provavelmente,  incorretos  elaborados  pela  fonte  pagadora,  tendo  em  vista  que  os  valores  relativos ao condomínio não deveriam ter constado da retenção, conforme se extrai dos artigos  631 e 632 do regulamento do Decreto 3.000/1999:   Art.  631.  Estão  sujeitos  à  incidência  do  imposto  na  fonte,  calculado na  forma do art.  620, os  rendimentos decorrentes de  aluguéis  ou  royalties  pagos  por  pessoas  jurídicas  a  pessoas  físicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso II).  Aluguel de Imóveis  Art.  632. Não  integrarão a  base de  cálculo  para  incidência  do  imposto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 1989,  art. 14):  I ­ o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o  bem que produzir o rendimento;  Fl. 144DF CARF MF     6 II ­ o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado;  III ­ as despesas para cobrança ou recebimento do rendimento;  IV ­ as despesas de condomínio.  Ao  tratar da  compensação  referente  ao  Imposto  de Renda Retido na Fonte,  assim dispõe o art. 87, inciso IV, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto  n.º 3.000, de 26/03/1999, aplicável ao lançamento em questão:  “Art.  87.  Do  imposto  apurado  na  forma  do  artigo  anterior,  poderão ser deduzidos (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 12):  I (...)  IV  –  o  imposto  retido  na  fonte ou  o  pago,  inclusive a  título  de  recolhimento  complementar,  correspondente  aos  rendimentos  incluídos na base de cálculo;  (...)  § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na  declaração  de  rendimentos  se  o  contribuinte  possuir  comprovante  de  retenção  emitido  em  seu  nome  pela  fonte  pagadora  dos  rendimentos,  ressalvado  o  disposto  nos  arts.  7º,  §§1º e 2º, e 8º, § 1º  (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985,  art. 55).  Assim,  apesar  do  provável  erro  da  fonte  pagadora  quanto  da  realização  da  retenção do valor relativo às despesas com o condomínio, houve, comprovadamente, a retenção  do valor, consoante declarado pela recorrente (R$ 18.047,87 ­ retenção na fonte).  Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar­ lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora                                  Fl. 145DF CARF MF

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6899632 #
Numero do processo: 10166.725263/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS POR AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas por amostragem as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade fiscal que os contratos apresentavam um padrão. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. LANÇAMENTO. DEVER DE OBSERVAR O TETO DA CONTRIBUIÇÃO. Quando possível verificar a relação das pessoas enquadradas como segurados-empregados que receberam valores através das pessoas jurídicas interpostas e o valor mensal recebido por cada uma, deve-se calcular a contribuição a cargo dos segurados com base na tabela de contribuição para o empregado vigente à época dos fatos (relação das alíquotas por faixa de remuneração), além de observar o teto da contribuição devida por cada segurado. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. RECOLHIMENTO POR PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. APROVEITAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE. As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, “a”, do RPS. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, “g”, do RPS. Uma vez mantido o lançamento da obrigação principal (contribuições dos segurados), é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS. A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91) Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de “custo dos serviços vendidos” e “fornecedores nacionais”. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE PRESTAR À RECEITA FEDERAL AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, CONTÁBEIS E FINANCEIRAS DE INTERESSE DA MESMA. A contribuinte deve atender a intimação para apresentar os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Receita Federal, ou para prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização. Ao não atender à intimação da autoridade fiscal e deixar de apresentar a documentação solicitada, nem ao menos apresentar os motivos pelo seu não cumprimento, resta tipificada a condição que autoriza a lavratura da multa, mormente quando os documentos solicitados se revelam importantes para a apuração fiscal.
Numero da decisão: 2201-003.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Após votações sucessivas restaram vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, e José Alfredo Duarte Filho que davam provimento em maior extensão. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM

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2201­003.717  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de julho de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA ­ CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO  DE TRABALHO  Recorrente  CAST INFORMATICA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL.  CARACTERIZAÇÃO  DE  VÍNCULO.  APRESENTAÇÃO  DOS  ELEMENTOS  PROBATÓRIOS  POR  AMOSTRAGEM.  AUSÊNCIA  DE  NULIDADE  Não  deve  ser  aceita  como  causa  de  nulidade  a  alegação  de  que  o  fisco  descreveu  em  seu  relato  apenas  por  amostragem  as  situações  que  seriam  suficientes  à  conclusão  de  ocorrência  dos  fatos  geradores,  principalmente  quando  deixa  claro  a  autoridade  fiscal  que  os  contratos  apresentavam  um  padrão.  CONTRATAÇÃO DE  PESSOA  FÍSICA  POR  INTERPOSTA EMPRESA.  OCORRÊNCIA  DOS  ELEMENTOS  CARACTERIZADORES  DA  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  EXIGÊNCIA  DAS  CONTRIBUIÇÕES  SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO.  O  fisco,  ao  constatar  a  ocorrência  da  relação  empregatícia,  dissimulada  em  contratação  de  pessoa  jurídica,  deve  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado.  SERVIÇOS  INTELECTUAIS.  PRESENÇA  DA  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  CARACTERIZAÇÃO  COMO  SEGURADO  EMPREGADO.  FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129  DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE.  Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível  ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego,  caracterizar  como  empregado  aquele  trabalhador  que  presta  serviço  intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 52 63 /2 01 4- 08 Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.795          2 CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DOS  SEGURADOS.  LANÇAMENTO.  DEVER  DE  OBSERVAR  O  TETO  DA  CONTRIBUIÇÃO.  Quando  possível  verificar  a  relação  das  pessoas  enquadradas  como  segurados­empregados  que  receberam  valores  através  das  pessoas  jurídicas  interpostas  e  o  valor  mensal  recebido  por  cada  uma,  deve­se  calcular  a  contribuição a cargo dos segurados com base na tabela de contribuição para o  empregado  vigente  à  época  dos  fatos  (relação  das  alíquotas  por  faixa  de  remuneração),  além  de  observar  o  teto  da  contribuição  devida  por  cada  segurado.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DOS  SEGURADOS.  RECOLHIMENTO  POR  PESSOA  JURÍDICA  INTERPOSTA.  APROVEITAMENTO.  CARACTERIZAÇÃO  DE  VÍNCULO.  POSSIBILIDADE.  As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos  seus  sócios,  cujas  contratações  foram  reclassificadas  como  relação  de  emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração.  MULTAS  PELO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  FOLHA  DE  PAGAMENTO  EM  DESACORDO  COM  OS  PADRÕES  ESTABELECIDOS PELA RFB.  Deixar  a  empresa  de  preparar  folha(s)  de  pagamento(s)  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  de  acordo  com  os  padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei  previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, “a”, do RPS.  Constatado  que  parte  dos  pagamentos  efetuados  a  empregados  não  foi  incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa.  MULTAS  PELO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  NÃO  ARRECADAR  CONTRIBUIÇÃO  DE  SEGURADO  CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.  Deixar  a  empresa  de  arrecadar  contribuição  previdenciária  de  segurado  contribuinte  individual,  mediante  desconto  de  sua  remuneração,  constitui  infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, “g”,  do RPS.  Uma  vez  mantido  o  lançamento  da  obrigação  principal  (contribuições  dos  segurados), é de rigor a manutenção da multa.  MULTAS  PELO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  NÃO  LANÇAR,  MENSALMENTE,  EM  TÍTULOS  PRÓPRIOS  DA  CONTABILIDADE,  DE  FORMA  DISCRIMINADA,  FATOS  GERADORES,  QUANTIAS  DESCONTADAS,  CONTRIBUIÇÕES  E  RECOLHIMENTOS.  A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma  discriminada  e  em  títulos  próprios,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como  os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91)  Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.796          3 Autoriza  a  lavratura da multa o  fato de o  contribuinte  contabilizar diversos  valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta  de “custo dos serviços vendidos” e “fornecedores nacionais”.  MULTAS  PELO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  DEIXAR  DE  PRESTAR  À  RECEITA  FEDERAL  AS  INFORMAÇÕES  CADASTRAIS,  CONTÁBEIS  E  FINANCEIRAS  DE  INTERESSE  DA  MESMA.  A contribuinte deve atender a  intimação para apresentar os documentos que  contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da  Receita Federal, ou para prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização.  Ao  não  atender  à  intimação  da  autoridade  fiscal  e  deixar  de  apresentar  a  documentação solicitada, nem ao menos apresentar os motivos pelo seu não  cumprimento,  resta  tipificada  a  condição  que  autoriza  a  lavratura da multa,  mormente quando os documentos  solicitados  se  revelam  importantes para a  apuração fiscal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  as  preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos  do  voto  do  Relator.  Após  votações  sucessivas  restaram  vencidos  os  Conselheiros  Carlos  Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz,  e José Alfredo Duarte Filho que davam  provimento em maior extensão.    Assinado digitalmente  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   Assinado digitalmente  Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim ­ Relator.    EDITADO EM: 09/08/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Ana  Cecília  Lustosa  da  Cruz,  Daniel  Melo  Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado),  Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim    Relatório  Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.797          4 Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  de  fls.  1.684/1.712  interposto  contra  a  Decisão da DRJ em Florianópolis/SC, de fls. 1.640/1.678, que julgou procedente o lançamento  de  contribuições  previdenciárias  e  multas  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  originários dos seguintes Autos de Infração:  · DEBCAD  51.038.427­7:  Contribuição  previdenciária  patronal/empresa, referente à diferença de aplicação do multiplicador  FAP  sobre  a  alíquota  RAT,  no  valor  total  de  R$  732.671,50  (já  inclusos  juros  de  mora  até  o  mês  da  lavratura  e  a  correspondente  multa de ofício no percentual de 75%), relativo ao período de 03/2010  a 13/2010 (fls. 03/13);  · DEBCAD  51.038.428­5:  Contribuições  previdenciárias  a  cargo  da  empresa (parte patronal e SAT/RAT), pela constatação de pagamento  de  empregados  mediante  PJ,  no  valor  total  de  R$  7.521.373,91  (já  inclusos  juros  de  mora  até  o  mês  da  lavratura  e  a  correspondente  multa de ofício no percentual de 75%), relativo ao período de 01/2010  a 12/2010 (fls. 14/19);  · DEBCAD  51.038.429­3:  Contribuições  de  segurados  (empregados),  cuja  arrecadação  e  recolhimento  é  de  responsabilidade  do  Contribuinte, pela constatação de pagamento de empregados mediante  PJ, no valor total de R$ 2.760.107,84 (já inclusos juros de mora até o  mês da lavratura e a correspondente multa de ofício no percentual de  75%), relativo ao período de 01/2010 a 12/2010 (fls. 20/25);  · DEBCAD  51.038.430­7:  Contribuições  devidas  a  outras  entidades/Fundos  (Terceiros),  pela  constatação  de  pagamento  de  empregados  mediante  PJ,  no  valor  total  de  R$  2.001.078,20  (já  inclusos  juros  de  mora  até  o  mês  da  lavratura  e  a  correspondente  multa de ofício no percentual de 75%), relativo ao período de 01/2010  a 12/2010 (fls. 26/31);  · DEBCAD  51.038.431­5:  CFL  30  –  descumprimento  de  obrigação  acessória.  Deixar  de  preparar  folhas  de  pagamento  de  acordo  com  padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade  Social, no valor de R$ 1.812,87 (fl. 32);  · DEBCAD  51.038.432­3:  CFL  34  –  descumprimento  de  obrigação  acessória.  Deixar  de  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  da  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  das  contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições  da empresa e os totais recolhidos, no valor de R$ 18.128,43 (fl. 33);  · DEBCAD  51.038.433­1:  CLF  35  –  descumprimento  de  obrigação  acessória. Deixar de apresentar a Secretaria da Receita Federal todas  as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização, no valor  de R$ 18.128,43 (fl. 34); e  Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.798          5 · DEBCAD  51.038.434­0:  CLF  59  –  descumprimento  de  obrigação  acessória. Deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações,  as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a  seu serviço e/ou dos segurados contribuintes individuais, no valor de  R$ 1.812,87 (fl. 35).  Todos  os  autos  de  infração  foram  lavrados  em  21/08/2014,  com ciência  da  RECORRENTE em 27/08/2014.  De  acordo  com  o Relatório  Fiscal  das  Infrações  (fls.  36/62),  as  obrigações  principais  objeto  dos  DEBCADs  51.038.428­5,  51.038.429­3  e  51.038.430­7  decorrem  da  constatação  de  que  houve  a  prestação  de  serviços  à  RECORRENTE  por  segurados  pessoas  físicas por intermédio de pessoa jurídica, o que caracterizou a relação empregatícia de fato com  os  segurados  contratados  (sócios  das  pessoas  jurídicas),  cuja  remuneração  recebida  foi  considerada como de natureza salarial. Por sua vez, o DEBCAD 51.038.427­7 decorre da não  utilização da alíquota RAT ajustada pelo multiplicador FAP.  Em 25/09/2014, a RECORRENTE apresentou Impugnações específicas para  cada  DEBCAD  (conforme  abaixo  detalhado).  Quando  do  julgamento  do  caso,  a  DRJ  de  origem,  às  fls.  1.640/1.678,  julgou  procedente  o  lançamento.  Tal  decisão  contém  o  seguinte  relatório, que adoto, por sua clareza e precisão:  “Consoante  o  Relatório  Fiscal  (REFISC),  os  fatos  geradores  apurados no procedimento fiscal são os seguintes:  A  –  Prestação  de  Serviços  por  segurado  pessoa  física  por  intermédio de pessoa jurídica.  A partir do  exame da contabilidade da  empresa, a  fiscalização  verificou  a  contratação  de  diversas  empresas  prestadoras  de  serviços de  informática pela CAST  INFORMÁTICA S/A no ano  de 2010.  Destarte,  conforme  relatado  pela  autoridade  lançadora  (itens  14­50 do REFISC), durante a ação fiscal que originou a presente  autuação,  apurou­se,  por meio  dos  procedimentos  de  auditoria  fiscal e com supedâneo nas provas e constatações relacionados  no Relatório Fiscal, documentos e esclarecimentos apresentados  pelo contribuinte,  escrituração contábil,  contratos de prestação  de  serviços  firmados  entre  a  CAST  e  os  “prestadores  de  serviços”  e  folha  de  pagamento  no  padrão  MANAD,  que  a  Autuada,  objetivando  reduzir  a  contribuição  previdenciária  patronal,  ao  SAT  e  para  as  Terceiras  entidades,  passou  a  contratar  parte  de  seus  empregados  através  da  prática  da  “pejotização”  –  transmutação  da  pessoa  natural  em  pessoa  jurídica.  O reconhecimento contábil de tais contratações deu­se por meio  do  registro  na  conta  CUSTO  DOS  SERVIÇOS  VENDIDOS,  CÓD.  41101001,  do  grupo  Despesa,  e  na  conta  FORNECEDORES  NACIONAIS,  CÓD.  21201001  do  grupo  Passivo.  Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.799          6 As  atividades  contratadas,  consoante  análise  fiscal,  possuíam  relação inequívoca com o objeto social da contratante.  As empresas prestadoras de serviço, com o respectivo objeto do  contrato, encontram­se arroladas no anexo V.  A  fiscalização  indica  que  tal  prática  configura­se  como  simulação,  pois  a  empresa  procurou  afastar  o  ato  real  (utilização  de  segurados  empregados)  com  o  emprego  de  roupagem diversa (contratação de pessoa jurídica),  impondo­se  a aplicação do inciso VII do art. 149 do CTN.  O  lançamento  dos  valores  referentes  a  essa  rubrica  foram  identificados pelo código de levantamento – PF. No que tange as  contribuições dos segurados empregados, foi calculada mediante  a aplicação da alíquota média de 8% (oito por cento).  B – DIFERENÇA DE APLICAÇÃO DO MULTIPLICADOR FAP  SOBRE A ALÍQUOTA RAT  De  acordo  com  o  REFISC,  itens  51­61,  a  empresa  CAST  Informática S/A apresentou ao Ministério da Previdência Social  – MPS, em 11/01/2010, Contestação Administrativa (Processo nº  44000.001963/201­11) em que apresentou impugnação ao Fator  Acidentário de Prevenção ­ FAP a ela atribuído para o ano de  2010,  no  valor  de  1,7143.  Consta  que  o  pedido  inicial  foi  rejeitado  e  considerado  improcedente,  conforme  decisão  exarada  em  25/03/2010  pelo  Departamento  de  Políticas  de  Saúde  e  Segurança  Ocupacional­DPSO,  da  Secretaria  de  Políticas  de  Previdência  Social­SPS  do  MPS.  A  CAST  apresentou  recurso  à  decisão  de  primeira  instância  em  11/02/2010,  que  entretanto  foi  mantida  em  sua  totalidade,  conforme  Decisão  Terminativa  proferida  em  2º  Instância  pela  SPS, datada de 05/09/2011.  Observando tal decisão, a fiscalização verificou que no período  de 01/2010 a 02/2010, a empresa CAST declarou em GFIP para  todos  os  seus  estabelecimentos  a  alíquota  RAT  ajustada  pelo  FAP no valor de 1,71%. Todavia, nas demais competências (03 a  12/2010,  inclusive  décimo  terceiro  salário,  competência  13/2010), o valor declarado e recolhido relativo à alíquota RAT  ajustada  foi  de  1%,  ensejando  o  lançamento  das  divergências  apuradas,  conforme  Anexo  X  e  IX,  no  código  de  levantamento  DR.  AUTOS  DE  INFRAÇÃO  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  1. AI DEBCAD nº 51.038.427­7 (FL 38): Autuação por infração  ao disposto no art. 32, I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  e art. 225, I e §9º do Regulamento da Previdência Social ­ RPS,  aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, pois a empresa  deixou  de  preparar  folha  de  pagamento  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados  de  acordo  com  os  padrões  e  normas  estabelecidos  pela  RFB.  Consta que a empresa não  incluiu em folha de pagamento, nas  Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.800          7 competências 01/2010 a 12/2010, as verbas referentes a valores  pagos a pessoas físicas decorrentes de contratação de interposta  pessoa jurídica, conforme descrito nos itens 15 a 45 do REFISC.  A multa aplicada para a infração (R$ 1.812,87) está prevista nos  arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, e no Regulamento  da Previdência  Social  (RPS),  aprovado  pelo Decreto  n°  3.048,  de 06/05/1999, art. 283,  inc I, alínea "a" e art. 373, atualizada  pela Portaria  Interministerial MPS/MF nº 19, de 10 de  janeiro  de 2014 ­ DOU de 13/01/2014.  2. AI DEBCAD nº  51.038.432­3:  lavrado  por  descumprimento  ao  disposto  no  art.  32,  II,  da  Lei  n°  8.212  ,  de  24/07/1991,  combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do RPS, por deixar a  empresa  de  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as  contribuições da empresa e os totais recolhidos.  De  acordo  com  o  REFISC,  a  CAST  INFORMÁTICA  S/A  contabilizou, no período de 01/2010 a 12/2010, o pagamento das  verbas referentes à remuneração paga, devida ou creditada aos  segurados  empregados  contratados  por  intermédio  de  pessoa  jurídica  interposta  (itens  15  a  50  deste  relatório)  na  conta  CUSTO  DOS  SERVIÇOS  VENDIDOS,  CÓD.  41101001,  do  grupo  Despesa,  e  na  conta  FORNECEDORES  NACIONAIS,  CÓD.  21201001  do  grupo  Passivo.  A  forma  de  contabilização  utilizada  pela  empresa  para  consignar  tais  lançamentos  não  refletiu  a  realidade  dos  fatos  apurados  pela  fiscalização,  impedindo  a  discriminação  clara  dos  valores  pagos,  em  cada  competência,  dos  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária.  Foi  aplicada  a multa  prevista  para  a  infração  (R$  18.128,43),  disposta no art. 92 da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art.  283,  inciso  II,  alínea  “a”,  do  RPS,  atualizada  pela  Portaria  Interministerial MPS/MF nº 19, de 10 de janeiro de 2014 ­ DOU  de 13/01/2014.  3. AI DEBCAD nº  51.038.433­1:  lavrado  por  descumprimento  ao  disposto  no  art.  32,  inciso  III  e  §11,  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/1991,  combinado  com  o  art.  225,  inciso  III,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, tendo em vista que a empresa  autuada  deixou  de  prestar  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil­  RFB  todas  as  informações  cadastrais,  financeiras  e  contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida,  bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.  Consta  que,  intimada,  a  Autuada  deixou  de  apresentar  à  fiscalização  todos  os  Contratos  de  Prestação  de  Serviço  firmados  com  as  pessoas  jurídicas  interpostas.  Conforme  relatado  nos  itens  15  a  50  do  REFISC,  deixaram  de  ser  apresentados os contratos firmados pela CAST com as empresas  arroladas no Termo de Intimação Fiscal nº 04, de 27/03/2014.  Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.801          8 Foi  aplicada  a multa  prevista  no  art.  92  da  Lei  nº  8.212/1991  (R$ 18.128,43), combinado com o art. 283, inciso II, alínea “b”,  do  RPS,  atualizada  pela  Portaria  Interministerial  MPS/MF  nº  19, de 10 de janeiro de 2014 ­ DOU de 13/01/2014.  4.  AI  DEBCAD  nº  51.038.434­0:  lavrado  por  infração  ao  disposto no art. 30,  inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212, de 24  de julho de 1991 e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput"  ,  e  art.  216,  I,  "a"  do  RPS.  Consta  que  a  Autuada  deixou  de  arrecadar,  mediante  desconto  das  remunerações,  as  contribuições  dos  segurados  empregados  incidentes  sobre  os  valores  pagos  pela  prestação  de  serviços  realizada  por  intermédio  de  pessoas  jurídicas  interpostas  contratadas,  conforme itens 15 a 50 do REFISC.  Foi aplicada a multa prevista no art. 92 da Lei n  º 8.212/1991  (R$ 1.812,87), combinado com o art. 283,  inciso I, alínea g, do  RPS.  Elementos de prova  Consoante  item  99  do  REFISC,  serviram  de  prova  documental  para  os  lançamentos  fiscais  os  seguintes  elementos  e  documentos:  • Estatuto Social e Atas de Assembleias ( AGO e AGE);  • GFIP;  •  Registros  de  folha  de  pagamento  e  de  contabilidade  apresentados em formato de arquivos digitais, no layout definido  pelo  Manual  Normativo  de  Arquivos  Digitais  –  MANAD,  instituído pela  Instrução Normativa MPS/SRP nº. 12/2006, com  base na Lei n. 10.666, de 08/05/2003;  • Registros contábeis referentes à Escrituração Contábil Digital  transmitida  pela  empresa  ao  Sistema  Público  de  Escrituração  Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro  de  2007(SPED  Contábil),  utilizados  na  forma  da  Instrução  Normativa RFB n. 787/2007, para o ano de 2009.  • Declarações firmadas pela empresa CAST INFORMÁTICA S/A  visando prestar esclarecimentos necessários à fiscalização;  •  Notas  fiscais  de  prestação  de  serviço  emitidas  por  pessoas  jurídicas interpostas;  •  Contratos  de  Prestação  de  serviço  firmados  entre  a  CAST  INFORMÁTICA S/A e pessoas jurídicas interpostas;  • Consulta  aos  sistemas  informatizados  da RFB  para  obtenção  de dados referentes à GFIP, recolhimentos, cadastro de pessoas  jurídicas, cadastro de pessoas físicas e DIRF.  •  Processo  Trabalhista  n.  1275­80.2010.5.10.001/TRT  10ª  Região – 17ª Vara – Brasília­DF;  Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.802          9 •  Processo  Trabalhista  n.  164­36.  2011.5.10.0014/TRT  10ª  Região – 14ª Vara – Brasília­DF;  • Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta n. 30/2010  assinado  pela  CAST  INFORMÁTICA  S/A  Junto  ao  Ministério  Público do Trabalho ­MPDFT – 10ª Região.  • Recurso Administrativo no. 44000.001963/201­11 apresentado  pela  CAST  INFORMÁTICA  S/A  ao  Ministério  da  Previdência  Social – MPS, em 11/01/2010, em que apresentou impugnação o  Fator Acidentário de Prevenção – FAP.  DA IMPUGNAÇÃO  Cientificado  pessoalmente  das  Autuações  em  27/08/2014,  a  Autuada  CAST  INFORMÁTICA  S.A.  apresentou  impugnações  aos Autos de Infração,  instruídas com atos constitutivos e atas,  nas quais, após breve relato dos fatos, apresenta os motivos para  a improcedência dos lançamentos, as quais encontram­se abaixo  transcritas, em síntese:  1.  AI  DEBCAD  Nº  51.038.429­3  (impugnação  de  fls.  1074­ 1093)  AI DEBCAD nº 51.038.430­7 (impugnação de fls. 1485­1504)  AI DEBCAD nº 51.038.428­5 (impugnação de fls. 1561­1580)  Expõe que as autuações  em referência devem ser  revistas,  com  base nas seguintes alegações:  a)  Ilegalidade  da  desconsideração  dos  contratos  com  pessoas  jurídicas  Relata  quanto  as  dificuldades  de  contratação  de  mão  de  obra  especializada  para  atender  a  demanda  do  mercado  de  Tecnologia  de  Informação  (TI);  que  contrata  empregados  para  atender  sua  demanda  freqüente  e  que  busca  profissionais  autônomos  ou  empresas  no  mercado  para  atender  à  demanda  especializada, mas que não se trata de contratação de “mão de  obra terceirizada”, mas sim de “serviços especializados”.  Alega  que  em  face  do  ordenamento  jurídico,  cabe  ao  Poder  Judiciário,  exclusivamente,  a  desconsideração  do  negócio  jurídico simulado (arts. 168 do Código Civil).  Além desse dispositivo, cita o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005,  que  estabeleceu  que  os  serviços  de  caráter  personalíssimo,  prestados por sociedades nos estritos ditames legais, não podem  ser descaracterizados para fins previdenciários e tributários.  Que  a  exegese  do  dispositivo  legal  em  comento  implica  nas  seguintes considerações: (i) validade da opção pela constituição  de  uma  pessoa  mesmo  quando  os  serviços  a  serem  prestados  tenham  caráter  pessoal;  (ii)  a  desconsideração  é  matéria  exclusiva  afeta  ao  Poder  Judiciário,  nos  termos  do  art.  50  do  Código Civil de 2002 (reserva de jurisdição).  Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.803          10 Aduz  que  as  empresas  dos  prestadores  de  serviços,  ora  desconsideradas  para  efeitos  tributários,  foram  devidamente  constituídas, obedecendo todos os trâmites legais.  Que não houve regulamentação do parágrafo único do art. 116  do CTN, a fim de justificar a competência do Auditor Fiscal.  Cita que a Constituição Federal está alicerçada no princípio da  Livre  Iniciativa,  noticiando  a  existência  de  projeto  de  lei  objetivando  tratar  da  regularização  da  “cadeia  produtiva  do  setor de T.I” (Projeto de Lei nº 4.330, de 2004).  b) Da Imprestabilidade do conjunto probatório  Contesta  a  premissa  da  fiscalização  para  o  lançamento,  de  suposta terceirização ilícita de “atividade fim”, o que, por si só,  não é considerado ilegal.  Contesta  o  procedimento  de  amostragem  adotado  pela  fiscalização,  que  analisou  alguns  casos,  sem  o  necessário  aprofundamento,  e,  a  partir  disso,  caracterizou  como  empregados  da  CAST  todas  as  pessoas  jurídicas  que  lhe  prestaram serviços no período auditado.  Não  há  que  se  falar  em  irregularidade  na  contratação  entre  pessoas  jurídicas  do  mesmo  ramo.  Cita  como  exemplo  os  contratos firmado entre a CAST e a Microsoft e também entre a  CAST e IBM, sendo as Microsoft e IBM empresas mundialmente  famosas,  que  tem  o  mesmo  objeto  da  CAST.  Questiona  se  a  fiscalização,  diante  dessas  contratações,  pode  insistir  que  a  CAST burlou a legislação ao contratar referidas empresas para  fugir das suas obrigações previdenciárias, negociando com elas  sua atividade fim.  Com  relação  as  reclamatórias  trabalhistas  em  que  houve  o  reconhecimento  de  relação  de  emprego,  diz  que  eventuais  decisões  judiciais  em  casos  concretos  não  podem determinar  a  natureza  da  relação  contratual  havida  entre  a  impugnante  e  todos os seus prestadores de serviços. Além disso, há decisões na  Justiça do Trabalho que infirmam a tese de existência de relação  de  emprego,  citando  as  reclamatórias  de  José  Luis  Tadeu  Paganini  (processo nº 01199201000302001 – TRT 2ª Região) e  de  Áureo  Augusto  Freitas  (Processo  nº  01967­36­ 2011.5.10.0020), sendo que com relação a esse último, o Auditor  Fiscal  utilizou  de  exemplo  constante  nos  documentos  probatórios,  de  empresa devidamente  contratada, que,  como  se  infere  da  decisão  judicial,  não  possui  qualquer  vínculo  empregatício com a CAST, fato reconhecido em devido processo  legal na Justiça Trabalhista. Defende que tal exemplo contamina  todo  o  Auto  de  Infração,  pois  o  Auditor­Fiscal  não  pode  pretender  reconhecer  vínculo  trabalhista,  sem  qualquer  verificação  pormenorizada,  se  o  juízo  trabalhista,  competente  para tal, reconheceu em sentença a inexistência do vínculo.  Argumenta, ainda, que se fossem consideradas tais condenações,  certamente já ocorreu o recolhimento das verbas previdenciárias  Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.804          11 e  outros  reflexos,  e  ao  pretender  cobrar  novamente  a  exação,  incorreria a autoridade lançadora no fenômeno do bis in idem.  No que respeita a empresa Rocha e Duarte, cujos sócios são os  mesmos  da  impugnante,  a  presunção  lançada  pela  autoridade  fiscal sequer se sustenta pelos seus próprios termos, porque se a  empresa  contrata  seus  próprios  sócios  para  desempenhar  as  mesmas atribuições  realizadas na  empresa  impugnante,  não há  que  se  falar de  redução da carga  tributária, mas ao  contrário,  porque já houve o recolhimento na CAST da contribuição sobre  o  pro  labore,  importando  em  aumento  da  carga  tributária,  considerando­se os recolhimentos dos tributos incidentes sobre a  prestação de serviços.  O  fato  de  alguns  sócios  das  empresas  contratadas  serem  funcionários da impugnante não impede a prestação do serviços  por meio  de  pessoa  jurídica,  especialmente  quando os  serviços  tem natureza eminentemente intelectual. Que há a subordinação  em  relação  ao  regime  de  relação  de  emprego,  o  que  não  desfigura  a  outra  relação  na  condição  de  sócio  da  pessoa  jurídica  contratada  pela  impugnante,  ainda  que  se  revele  o  caráter  de  pessoalidade  na  execução  dos  serviços,  conforme  autoriza o art. 129 da Lei nº 11.196/2005.  Com  relação  ao  local  de  trabalho,  aduz  que  a  localidade  da  prestação  de  serviços  não  está  relacionada  à  subordinação,  e  que exemplo disso são os contratos de alocação de mão de obra,  quando a CAST aloca seus profissionais nos estabelecimentos de  cliente,  que,  no  entanto,  continuam  com  o  vinculo  de  subordinação com a impugnante.  No  que  tange  ao  fato  dos  contratos  possuírem  características  idênticas,  diz  que  os  contratos  “modelos”  e  de  “adesão”  são  utilizados  amplamente  pelas  empresas,  defendendo  que  essa  modalidade  de  contratação  é  legal,  inclusive  prevista  nos  arts.  423 e 424 do CCB.  Cita que tais contratos muitas vezes são registrados em cartório  e o  fato de utilizar um modelo não  significa burla a  legislação  trabalhista e tributária.  Defende que a fiscalização não pode se ater a mera amostragem,  devendo  analisar  juridicamente  todos  os  fatos  apontados.  Que  no  âmbito  do  Ministério  do  Trabalho  e  Emprego,  competente  para  identificar  as  relações  de  trabalho,  o  Precedente  Administrativo  nº  56  do  MTE,  ao  normatizar  a  ação  de  seus  Auditores Fiscais,  ordena que  essa  verificação deve se dar  sob  todos os aspectos e fatos.  Assevera que dois absurdos invalidam o AI, primeiramente, não  restou  demonstrado  no  procedimento  fiscal  que  havia  subordinação  no  serviço  terceirizado,  não  sendo  possível  configurar  a  relação  de  emprego,  e,  em  segundo  lugar,  o  lançamento se utilizou de amostragem para presumir que todas  as diversas contratações foram ilegais.  Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.805          12 Discorre quanto a necessidade de avaliação  individualizada de  cada caso, com a respectiva demonstração e prova.  Afirma  que  o  Auditor  Fiscal  não  constatou  que  as  empresas  citadas  na  Fiscalização  foram  constituídas  com  erro,  dolo  ou  coação. Assim, como não há qualquer declaração nesse sentido,  concluiu­se  que  todas  as  empresas  investigadas  foram  constituídas  de  forma  regular,  sem  qualquer  vício  de  consentimento,  firmando,  por  conseqüência,  negócios  jurídicos  perfeitos.  Que no caso em concreto não há que se  falar em terceirização  ilícita  de  “atividade­fim”  ou  em  relação  de  emprego  no  caso  concreto, pois a impugnante utilizou­se de empresas constituídas  regularmente  e  que  já  praticaram  suas  obrigações  previdenciárias.  Em  homenagem  ao  princípio  da  eventualidade,  aponta  outro  absurdo  ocorrido  pela  fiscalização.  Destaca,  do  anexo  III  do  Auto de Infração (Totalização Pagamentos Efetuados) elementos  que comprovam que não houve análise real dos fatos colhidos na  ação fiscal. Diz que os exemplos demonstram a variação de mais  de  80%  do  valor  do  pagamento  entre  um  período  e  outro,  questionando por que existiriam pagamentos tão diferentes para  uma suposta mesma pessoa, se realmente se trata de pagamento  de salário disfarçado.  Acrescenta que a atividade  fiscal é ato vinculado e que como a  Autuação foi procedida com base em Enunciado do TST, restou  ferido  o  princípio  da  legalidade,  porquanto  a  referida  Súmula  não  criou  norma,  mas  trouxe  um  instrumento  para  facilitar  a  análise  de  casos  de  terceirização  ilícita  por  parte  da  Justiça  Trabalhista.  Destarte,  diz  que  no  caso  em  concreto  esse  elemento  não  tem  grande valia, porque os “terceirizados” são  todos profissionais  autônomos  ou  vinculados  à  outras  empresas,  altamente  especializados,  e  nunca  estiveram  vinculados  à  impugnante  mediante  a  presença  simultânea  de  todos  os  pressupostos  da  relação de emprego.  Requer, ao final, o provimento da impugnação e a anulação do  Auto de Infração. Protesta provar o alegado por todos os meios  de prova admitidos pelo direito, especialmente a documental.  2.  AI  DEBCAD  nº  51.038.427­7  (impugnação  de  fls.  1150­ 1153)  No  que  tange à  divergência  da alíquota  de RAT,  ajustada  pelo  FAP,  argumenta  que,  inconformada  com  o  percentual  alcançado,  apresentou  competente  Contestação  Administrativa,  fulcro no art. 202­B do Decreto nº 3.048, de 1999, alterado pelo  Decreto nº 7.126, de 03 de agosto de 2010, e, nos termos do §3º  do mesmo artigo, foi atribuído efeito suspensivo a esse processo.  Assim, a alíquota a maior pretendida pela fiscalização não pode  ser aplicada até a decisão final do processo administrativo.  Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.806          13 Justifica,  nesses  termos,  que  aplicou  o  FAP  até  fevereiro  de  2010,  porque  o  Decreto  nº  7.126/2010  entrou  em  vigor  em  março,  e  o  contribuinte  optou  por  aguardar  o  processo  administrativo se findar para aplicar eventual nova alíquota.  Requer, ao final, o provimento da impugnação e a anulação do  Auto de Infração. Protesta provar o alegado por todos os meios  de prova admitidos pelo direito, especialmente a documental.  3.  AUTOS  DE  INFRAÇÃO  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA  AI DEBCAD nº 51.038.434­0 (impugnação de fls. 1181­1200).  AI DEBCAD nº 51.038.433­1 (impugnação de fls. 1257­1276).  AI DEBCAD nº 51.038.132­3 (impugnação de fls. 1333­1352).  AI DEBCAD nº 51.038.431­5 (impugnação de fls. 1409­1428).  Nas impugnações aos Autos de Infração por descumprimento de  obrigação  acessória,  acima  relacionados,  o  contribuinte  apresenta as mesmas  razões pertinentes ao descumprimento da  obrigação  tributária  principal,  transcritas  no  item  1,  aduzindo  que  prevalecendo  a  decisão  de  anulação  do  principal,  as  obrigações acessórias não mais subsistirão.”  Conforme já exposto, a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. O  acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010  CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO.  É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado,  a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante  remuneração,  nos  termos  do  art.  12,  inciso  I,  alínea  "a"  da  Lei  n°  8.212,  de  24  de  julho  de  1991  e  alterações  posteriores.  COMPETÊNCIA  DO  AUDITOR­FISCAL  PARA  ENQUADRAR  O SEGURADO COMO EMPREGADO.  Constatado  pela  fiscalização  que  o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I  do  caput  do  art.  9º  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, deverá desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como  segurado  empregado.  TRABALHO INTELECTUAL. RELAÇÃO DE EMPREGO.  Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.807          14 O  trabalho  intelectual  não  é  incompatível  com  a  relação  de  emprego, se enquadrando como típico empregado o prestador de  serviços intelectuais, que, mesmo tendo relativo controle do seu  trabalho  ou  com  conhecimento  para  prestá­lo  de  modo  auto  suficiente, esteja inserido na cadeia produtiva de seu tomador.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010  PROVAS. JUNTADA POSTERIOR.  O  prazo  para  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte  dispõe  para  impugnar  o  lançamento,  salvo  se  comprovada  alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos  após esse prazo.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    DO RECURSO VOLUNTÁRIO  A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 13/01/2015,  conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 1.680, apresentou o recurso voluntário de  fls. 1.684/1.712 em 12/02/2015.  Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação.  Este  recurso  voluntário  compôs  lote  sorteado  para  este  relator  em  Sessão  Pública.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  legais,  razões por que dele conheço.    PRELIMINARES  Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.808          15 Desconsideração  da  personalidade  jurídica  como  prerrogativa  exclusiva  do  Poder  Judiciário e inexistência da Lei Ordinária exigida pelo art. 116, parágrafo único, do CTN  A  RECORRENTE  afirma  que  a  autoridade  fiscal  seria  incompetente  para  reconhecer  eventual  relação  de  emprego  entre  ela  e  os  sócios  das  pessoas  jurídicas  por  ela  contratadas.  Acerca  da  argumentação  da  RECORRENTE,  de  que  somente  o  Poder  Judiciário pode desconsiderar a personalidade jurídica, é preciso esclarecer que, no caso, não  houve  tal  desconsideração,  mas  sim  uma  análise  da  situação  fática  envolvendo  a  relação  empregatícia entre a RECORRENTE e os profissionais sócios das empresas contratadas para  prestar serviços.  Conforme  adiante  demonstrado,  por  preencher  os  requisitos  da  relação  de  emprego,  a  autoridade  fiscal  exerceu  a  sua  prerrogativa  de  afastar  a  eficácia  do  contrato  dissimulado de prestação de serviços e enquadrar os profissionais (sócios das pessoas jurídicas)  como  segurados  empregados.  Como  consequência  lógica  da  caracterização  da  relação  de  emprego,  houve  a  exigência  das  contribuições  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  aos  segurados empregados.  Portanto,  ao  contrário  do  que  defende  a  RECORRENTE,  não  houve  a  desconsideração de qualquer pessoa jurídica envolvida, mas sim a constatação de uma relação  empregatícia  envolvendo  a  RECORRENTE  e  o  sócio/titular  de  pessoa  jurídica  por  ela  contratada. Sendo assim, não houve invasão de competência exclusiva do Poder Judiciário.  Ademais,  não há que se  falar  em  regulamentação do art.  116 do CTN para  que a autoridade  lançadora efetue  lançamento sobre atos considerados dissimulados. É que a  permissão  legal que a autoridade fiscal  tem para  realizar  lançamento sobre atos dissimulados  decorre  da  combinação  do  art.  116,  parágrafo  único,  com  o  art.  149,  VII,  ambos  do  CTN,  abaixo transcritos:  Art.  116.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  considera­se  ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:  I ­ tratando­se de situação de fato, desde o momento em que o se  verifiquem  as  circunstâncias  materiais  necessárias  a  que  produza os efeitos que normalmente lhe são próprios;  II  ­  tratando­se  de  situação  jurídica,  desde  o momento  em  que  esteja  definitivamente  constituída,  nos  termos  de  direito  aplicável.  Parágrafo  único.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em lei ordinária.    Art.  149.  O  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade administrativa nos seguintes casos:  Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.809          16 (...)  VII ­ quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em  benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;  A autoridade  fiscal apresentou no Relatório Fiscal diversos argumentos que  convergem  para  a  constatação  de  que  houve  a  contratação  de  pessoas  físicas  por  interposta  empresa  e  demonstrou  a  existência  dos  elementos  caracterizadores  da  relação  de  emprego.  Assim, constatou a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa  jurídica.  Portanto,  não  merece  prosperar  a  alegação  de  nulidade  apresentada  pela  RECORRENTE, pois perfeitamente possível a realização de lançamento de atos dissimulados,  com base no art. 116 c/c o art. 149, VII, do CTN.    Lançamento por amostragem.  A  RECORRENTE  alega  que  o  lançamento  não  deveria  prevalecer  pois  realizado  “por  amostragem”  em  relação  ao  universo  de  contrato  de  prestação  de  serviços  firmados pela RECORRENTE. Argumenta, em sua defesa, que não foram analisados todos os  contratos e que, portanto, não merecia prosperar o lançamento com base em presunção.  No entanto, a despeito das alegações da RECORRENTE, não entendo que o  lançamento  foi  realizado  por  amostragem.  É  que,  apesar  da  RECORRENTE  não  ter  apresentado  todos  os  contratos  solicitados,  a  autoridade  fiscal  analisou,  mediante  outras  documentações  e  informações  obtidas  nos  bancos  de dados  da Receita Federal  do Brasil,  as  características  dos  pagamentos  e  os  detalhes  sobre  as  empresas  contratadas  pela  RECORRENTE.  Mediante  a  análise  da  contabilidade  da  RECORRENTE,  por  exemplo,  constatou  a  totalidade  dos  pagamentos  efetuados  às  empresas  contratadas  e  os  dados  destas.  Munida de tais dados, a autoridade fiscal realizou pesquisa sobre as empresas nos sistemas da  Receita  Federal  e,  a  partir  do  cruzamento  de  diversas  informações  (como  DIRFs,  GFIPs,  quantidade  de  empregados,  sócios  com  vínculo  empregatício  com  a  RECORRENTE,  notas  fiscais,  etc.),  concluiu  pela  existência  de  relação  de  emprego  entre  os  denominados  “fornecedores” e a RECORRENTE.  Peguemos  o  caso  da  empresa  denominada  A.S.A  CONSULTORIA  EM  INFORMATICA  LTDA  –  ME  (CNPJ  08.464.221/0001­22),  por  exemplo.  Não  consta  nos  autos contrato social nem notas fiscais que a RECORRENTE tenha apresentado em relação a  tal  pessoa  jurídica.  No  entanto,  em  pesquisa  nos  sistemas  cadastrais,  a  autoridade  fiscal  constatou que a sócia da referida empresa é (Adriana Rodrigues Carneiro) é pessoa que detinha  vínculo empregatício com a RECORRENTE durante o período fiscalizado. Igual pesquisa fez  em  relação  às  demais  empresas  e  concluiu  que  os  sócios/titulares  de  grande  parte  delas  (em  torno  de  70)  tinham  alguma  relação  empregatícia  com  a RECORRENTE  durante  o  período  fiscalizado. Assim, elaborou a planilha de fls. 94/95 para demonstrar tal constatação.  Também  em  pesquisa  nos  sistemas,  a  autoridade  fiscal  constatou  que  boa  parte  das  empresas  apenas  declaravam  em GFIP  a movimentação  referente  aos  rendimentos  Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.810          17 auferidos em decorrência do contrato com a RECORRENTE. Ou seja, não havia outras fontes  de renda de tais empresas (fls. 96/115)  Ademais,  em  consulta  aos  DIRFs,  grande  maioria  das  empresas  possuem  apenas a RECORRENTE como fonte pagadora (fls. 534/761).  Todas essas informações foram extraídas de outras fontes, e não unicamente  do contrato de prestação de serviços.   Conforme  jurisprudência  do  CARF,  a  suposta  amostragem  apontada  pela  RECORRENTE não  enseja  nulidade  do  lançamento  quando  a  autoridade  fiscal  apresenta  as  situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL.  CARACTERIZAÇÃO  DE  VÍNCULO.  FALTA  DE  JUNTADA  PELO  FISCO DE  PROVA.  APRESENTAÇÃO DOS  ELEMENTOS  PROBATÓRIOS  POR  AMOSTRAGEM.  AUSÊNCIA DE NULIDADE  Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o  fisco  descreveu  em  seu  relato  apenas  por  amostragem  as  situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos  fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade  fiscal que os contratos apresentavam um padrão.  (...)  (Acórdão  nº  9202004.641;  2ª  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais; julgado em 23/11/2016)  Portanto, entendo que não há que se  falar em amostragem no presente caso  em  que  a  fiscalização  elaborou  prova  robusta  de  que  sócios  das  PJs  contratadas  agiam  conforme o modus operandi da RECORRENTE.    MÉRITO  Dos fatos constatados pela fiscalização  Conforme  relatado,  a  partir  do  exame  da  contabilidade  da  empresa,  precisamente  na  conta  CUSTO  DOS  SERVIÇOS  VENDIDOS,  CÓD.  41101001,  do  grupo  Despesa,  e na  conta FORNECEDORES NACIONAIS, CÓD. 21201001 do grupo Passivo,  a  fiscalização verificou a contratação de diversas empresas prestadoras de serviços por parte da  RECORRENTE no período fiscalizado.  Posteriormente,  quando  da  análise  da  documentação  apresentada  pela  RECORRENTE (Notas Fiscais emitidas pelos prestadores de serviço e respectivos contratos de  prestação de serviço firmados com essas empresas), a autoridade fiscal constatou a utilização  de pessoas jurídicas interpostas visando a contratação e utilização de mão de obra de segurados  Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.811          18 empregados pessoas físicas, em caráter não eventual, mediante contraprestação e em regime de  subordinação.  Houve  ainda  remuneração,  no  mesmo  período,  a  contribuinte  individual  da  empresa por intermédio de pessoa jurídica interposta.  No  Relatório  Fiscal  (fls.  36/62),  consta  que  a  fiscalização  verificou  a  contratação,  pela  RECORRENTE,  nos  moldes  acima  descritos,  de  169  (cento  e  sessenta  e  nove) prestadores de serviço, conforme listagem constante no Anexo I do relatório (fls. 63/65),  ao passo que a RECORRENTE apresentou Contratos de Prestação de Serviço firmados com 81  (oitenta e uma) das empresas identificadas.  Assim,  a  fiscalização  realizou  o  levantamento  individual  das  contribuições  previdenciárias  incidentes sobre as verbas pagas, por entender que houve a caracterização do  contrato de trabalho entre os sócios/titulares das empresas (relação às fls. 66/67 – Anexo II do  Relatório Fiscal), os quais teriam sido contratados mediante contrato de prestação de serviços  firmados  através  de  PJs.  A  totalização  dos  pagamentos  efetuados  foi  discriminada  por  lançamento  constante  da  contabilidade  da  RECORRENTE  em  nome  de  cada  empresa  contratada (Anexos III e IV do Relatório – fls. 68/92)  A  RECORRENTE  se  defende  sob  o  argumento,  em  síntese,  de  que  as  empresas  contratadas  foram  devidamente  constituídas  nos  termos  da  lei  e  que  não  poderia  prevalecer o lançamento realizado com base em amostragem. Ademais, levanta diversas razões  pelas  quais  entende  ser  imprestável  o  conjunto  probatório  utilizado  fiscalização.  Com  isso,  alega que a autoridade lançadora não cumpriu o seu ônus de provar suas alegações.  Afirma,  também,  que  os  serviços  de  caráter  personalíssimo,  prestados  por  sociedades  nos  estritos  ditames  legais,  não  podem  ser  descaracterizados  para  fins  previdenciários e tributários, nos termos do o art. 129 da Lei nº 11.196/2005.  Ademais, sustenta a RECORRENTE que a fiscalização não tem competência  para  declarar  a  relação  empregatícia,  pois  somente  a  Poder  Judiciário  pode  fazê­lo.  Neste  ponto, apresenta decisões favoráveis da justiça do trabalho em que foram rejeitados os vínculos  empregatícios pleiteados pelos reclamantes em face da RECORRENTE, de modo que, no seu  entendimento, os profissionais não podem ser considerados seus empregados.    Da  prerrogativa  do  auditor  fiscal  de  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento como segurado empregado.   Sobre  o  tema,  necessário  esclarecer que,  para  o  direito,  o  que  vale  não  é  a  nomenclatura  dada  ao  negócio  jurídico,  ou  até  mesmo  a  formalidade  que  o  reveste.  O  que  importa mesmo é a situação fática que envolve a realidade de determinado negócio jurídico, ou  seja, a sua finalidade.  Sendo  assim,  ao  verificar  que  a  contratação  de  pessoa  jurídica  possui,  na  realidade,  as  características  de  uma  relação  empregatícia,  a  autoridade  fiscal  possui  a  prerrogativa  de  afastar  a  eficácia  do  contrato  de  prestação  de  serviços  e  enquadrar  os  profissionais  (sócios das pessoas  jurídicas e  titulares das  firmas  individuais) como segurados  empregados.  Tal  possibilidade  decorre  da  competência  atribuída  ao  fiscal  para  arrecadar,  fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Neste sentido, transcrevo o art.  229, § 2º, do Decreto nº 3.048/99 (RPS/99):  Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.812          19 Art.  229.  O  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  é  o  órgão  competente para:  (...)  § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas  no  inciso  I  do  caput  do  art.  9º,  deverá  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como segurado empregado.  O art. 9º,  I, do RPS/99 (cuja matriz  legal é o art. 12,  I, da Lei nº 8.212/91)  possui, em sua alínea “a” a seguinte redação:  Art.  9º  São  segurados  obrigatórios  da  previdência  social  as  seguintes pessoas físicas:  I ­ como empregado:  a)  aquele  que  presta  serviço  de  natureza  urbana  ou  rural  a  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;  A  possibilidade  da  autoridade  lançadora  poder  desconsiderar  determinado  negócio  jurídico  dissimulado,  ante  a  constatação  da  ocorrência  da  relação  empregatícia,  decorre  do  princípio  da  primazia  da  realidade,  que  consiste  em  atribuir  maior  relevância  a  realização dos fatos do que os contratos formais.  Ao  verificar  a  ocorrência  da  relação  empregatícia,  é  dever  da  autoridade  fiscal  exigir  as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  remuneração  paga  a  segurado  empregado, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o parágrafo único do art.  142 do CTN:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Portanto,  não  merece  prosperar  o  argumento  da  RECORRENTE  de  que  somente o Poder Judiciário teria competência para declarar a relação empregatícia, pois, como  visto, a autoridade fiscal tem autonomia para desconsiderar atos dissimulados com a finalidade  de enquadrar o trabalhador como segurado empregado para fins de exigência das contribuições  devidas.  Reitere­se  que,  quando  for  constatada  tal  caracterização  da  relação  de  emprego,  a  autoridade fiscal tem o dever de exigir os créditos previdenciários.  Neste sentido, válido citar julgado recente da CSRF:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.813          20 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL.  CARACTERIZAÇÃO  DE  VÍNCULO.  FALTA  DE  JUNTADA  PELO  FISCO DE  PROVA.  APRESENTAÇÃO DOS  ELEMENTOS  PROBATÓRIOS  POR  AMOSTRAGEM.  AUSÊNCIA DE NULIDADE  Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o  fisco  descreveu  em  seu  relato  apenas  por  amostragem  as  situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos  fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade  fiscal que os contratos apresentavam um padrão.  CONTRATAÇÃO  DE  PESSOA  FÍSICA  POR  INTERPOSTA  EMPRESA.  OCORRÊNCIA  DOS  ELEMENTOS  CARACTERIZADORES  DA  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  EXIGÊNCIA  DAS  CONTRIBUIÇÕES  SOBRE  REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO.  O  fisco,  ao  constatar  a  ocorrência  da  relação  empregatícia,  dissimulada  em  contratação  de  pessoa  jurídica,  deve  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  exigir  as  contribuições  sociais sobre remuneração de segurado empregado.  (...)  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  DOS  SEGURADOS  RECOLHIDA POR PESSOA  JURÍDICA.  APROVEITAMENTO.  CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE.  As  contribuições  previdenciárias  paga  pelas  pessoas  jurídicas  em  relação  aos  seus  sócios,  cujas  contratações  foram  reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas  aos valores lançados no auto de infração.  (Acórdão  nº  9202­004.641;  2ª  Turma  da  CSRF;  Sessão  de  23/11/2016)  Também  pelos  motivos  acima  entendo  que  a  improcedência  de  eventual  reclamação  trabalhista  interposta  em  face da RECORRENTE não  tem o  condão de  afastar o  vínculo constatado pela autoridade fiscal para efeitos previdenciários, pois aqui o objeto é uma  relação  da  RECORRENTE  com  a  UNIÃO,  regida  por  normas  de  direito  público,  que  não  podem ser modificadas, afastadas ou alteradas pela vontade das partes.    Caracterização  de  contrato  de  trabalho. Lançamento  das  contribuições  previdenciárias  sobre  remuneração  paga  a  segurado  empregado.  DEBCADs  51.038.428­5  (patronal),  51.038.430­7 (terceiros) e 51.038.429­3 (segurados).  Sobre  as  características  da  relação  de  emprego,  o  art.  3º  da  CLT  dispõe  o  seguinte:  Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.814          21 Art. 3º ­ Considera­se empregado toda pessoa física que prestar  serviços  de  natureza  não  eventual  a  empregador,  sob  a  dependência deste e mediante salário.  De  acordo  com  os  ensinamentos  de  Alice  Monteiro  de  Barros  (Curso  de  Direito do Trabalho, 8. Ed, São Paulo: LTr, 2012, p. 185), o contrato de trabalho é o acordo  expresso ou tácito por meio do qual o empregado se compromete a executar, pessoalmente, em  favor  do  empregador  um  serviço  de  natureza  não  eventual, mediante  salário  e  subordinação  jurídica. A mesma autora afirma que a nota típica dos contratos de trabalho é a subordinação  jurídica, pois é ele que irá distinguir este tipo de contrato dos demais que lhe são afins.  Nas palavras de Maurício Godinho Delgado (Curso de Direito do Trabalho,  11. ed. São Paulo: LTr, 2012, p. 295/296), o elemento “subordinação” interpreta­se sob a ótica  essencialmente  objetiva,  devendo  considerar  que  “a  intenção  da  lei  é  se  referir  à  ideia  de  subordinação quando utiliza o verbete dependência na definição celetista de empregado. Para  o  consistente  operador  jurídico  onde  a  CLT  escreve  ...  sob  a  dependência  deste  deve­se  interpretar ‘mediante subordinação’”.  Assim, com base na legislação, foram estabelecidos quatro requisitos para a  constatação  da  relação  de  emprego,  os  quais  devem  necessariamente  estar  presentes  nos  contratos: não eventualidade, pessoalidade, onerosidade e subordinação.  Presentes  esses  quatro  requisitos,  tem­se  a  existência  de  uma  relação  empregatícia com todos os direitos e deveres dela decorrentes.   No presente caso, consta no Relatório Fiscal (fls. 36/62) os diversos motivos  que  ensejaram  o  lançamento  do  crédito  tributário  objeto  do  presente  processo,  os  quais  reproduzo abaixo:  “22.  Os  serviços  contratados  junto  a  tais  empresas  possuem  relação  inequívoca  com  o  objeto  social  da  contratante  CAST  INFORMATICA,  evidenciando  a  utilização  de  mão  de  obra  especializada,  através  das  empresas  prestadoras  interpostas,  para  execução  de  serviços  diretamente  associados  à  sua  atividade­fim.  (...)  24. As atividades contratadas junto às empresas prestadoras de  serviço,  de  acordo  com  as  cláusulas  contratuais  pactuadas,  envolvem  em  seu  escopo  geral  o  fornecimento  de  serviços  na  área de informática, todos fazendo parte do próprio objeto social  da contratante. (...) A identificação das empresas prestadoras de  serviço com o respectivo objeto contratado encontra­se no Anexo  V deste relatório. [fl. 93]  (...)  27. O caráter proibitivo desse  tipo de  terceirização de  serviços  [da atividade­fim] já foi reconhecido pelo Tribunal Superior do  Trabalho­TST, conforme itens I e III da Súmula (sic) n. 331, que  preceituam:  (...)  Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.815          22 29. Apesar  de  indicar nos  contratos  firmados  a  inexistência  de  vínculo empregatício com a contratante em função dos serviços  prestados  pelas  contratadas,  a  contratante  CAST  exige  expressamente  que  as  contratadas,  na  pessoa  de  seus  sócios  (claúsula  1),  prestem  o  serviço  de  maneira  a  observar  suas  normas procedimentais de atuação. A determinação do local de  trabalho também é de exclusiva determinação da CAST (cláusula  2),  com  reembolso  de  gastos  eventuais  havidos  hospedagem,  locomoção e alimentação. [contratos às fls. 177/533]  30. Os  pagamentos,  de  acordo  com o  estipulado  na cláusula 9  dos  Contratos,  deveriam  ser  efetuados  na  forma  de  depósito  bancário  na  conta  corrente  dos  próprios  sócios  pessoas  físicas  prestadores do serviço.  31. O condicionamento da atuação das supostas empresas com a  imposição  de  cláusulas  que  evidenciam  tanto  a  subordinação  hierárquica dos prestadores de serviço quanto sua dependência  econômica  e  técnica  evidencia  a  existência  de  características  inerentes a uma relação de emprego. Destarte, resta claro que os  prestadores  de  serviço  contratados  não  poderiam  trabalhar  de  acordo com suas preferências ou  sua vontade, nem seguir  seus  métodos  próprios  de  trabalho,  mas  sim  acatar  a  orientação  técnica exclusiva do empregador, devendo seguir  seus padrões,  normas, prazos e demais exigências.  (...)  33. Soma­se a isso a constatação de que os sócios das empresas  contratadas  possuíam  vínculo  como  empregados  da  empresa  CAST no período de 01/2010 a 12/2010, alguns com demissão no  decorrer  do  ano,  nos  setores  de  Gerência,  Coordenação  e  Diretoria da empresa, numa clara prática de burla aos encargos  trabalhistas  e  previdenciários.  As  informações  constantes  do  Anexo  VI  deste  relatório  demonstram  o  afirmado.  [fls.  94/95.]  Pode­se  verificar  inclusive,  neste  Anexo,  que  o  próprio  presidente  da CAST  INFORMATICA S/A,  sr.  José Calazans  da  Rocha,  foi  remunerado  mediante  a  contratação  de  sua  pessoa  jurídica,  ROCHA  E  DUARTE  CONSULTORES  ASSOCIADOS  LTDA – EPP, CNPJ 07.311.738/0001­19.   (...)  37.  (...)  Todas  as  empresas  contratadas  apresentaram  GFIP  somente  nos  meses  em  que  houve  faturamento  advindo  do  contrato  de  prestação  de  serviço  firmado  com  a  CAST,  tendo  como  único  segurado  informado  o  próprio  sócio;  houve  ainda  apresentação  de  GFIP  SEM  MOVIMENTO  por  algumas  empresas no período de contratação com a CAST. O Anexo VII  do  Relatório  Fiscal  contém  as  informações  aqui  citadas,  mensalmente, por empresa contratada. [fls. 96/115]  (...)  39.  O  comportamento  errático  das  supostas  pessoas  jurídicas  prestadores  de  serviço  quanto  ao  cumprimento  da  legislação  Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.816          23 tributária  federal  também  pôde  ser  constatado  pelas  consultas  efetuadas  pela  fiscalização  em Declarações  do  Imposto  Retido  na Fonte­DIRF. Quando houve a  informação, a empresa CAST  INFORMATICA SA  figura  como principal  fonte pagadora para  as  empresas  prestadoras  de  serviço  no  período  fiscalizado.  Somente  de  maneira  pontual,  porém  com  valores  menores  em  comparação  ao  obtido  junto  à  CAST,  verificou­se  receita  declarada  advinda  outra  fonte  pagadora.  Telas  de  consulta  à  DIRF  que  embasam  essa  afirmação  seguem  anexas  a  este  Relatório Fiscal, em formato digital. [fls. 534/761]  (...)  42.  Outro  ponto  a  ser  destacado  é  a  utilização  de  endereços  iguais como domicílio tributário pelas das empresas prestadoras  de serviço, conforme pesquisa efetuada nos dados cadastrais das  mesmas  junto  à  RFB.  O  Anexo  VII  deste  Relatório  Fiscal  demonstra  a  coincidência  de  endereço  das  prestadoras  de  serviço, sendo que em alguns casos mais de 20 (vinte) empresas  estão  localizadas  na  mesma  sala  comercial.  [fls.  116  –  Anexo  VIII]  43.Cabe registrar, ainda, o reconhecimento por parte da Justiça  do Trabalho das práticas fraudulentas adotadas pela CAST para  a contratação e remuneração de empregados, conforme decisões  exaradas nos exemplos abaixo: [cita dois acórdãos]  44.  Por  fim,  houve  o  reconhecimento,  por  parte  da  própria  empresa,  da  existência  de  contratações  irregulares  de  seus  empregados, haja vista a lavratura, em 20/05/2010, do Termo de  Compromisso  de  Ajustamento  de  Conduta  n.  30/2010  junto  ao  Ministério Público do Trabalho  ­MPDFT – 10a. Região  (cópia  em  anexo)  [fls.  1.027/1.032]  em  que  a  CAST  INFORMÁTICA  S/A,  em  sua  cláusula  1a.,  se  compromete  a  “abster­se  de  contratar trabalhadores por interposta pessoa, física ou jurídica,  inclusive cooperativas, para execução de serviços ligados à sua  atividade­fim”.  No  caso  concreto,  entendo  que  um  dos  indícios  da  não  eventualidade  na  prestação de serviços ficou evidenciada pela emissão de notas fiscais em sequência numérica,  até em ordem cronológica em alguns casos. Consta no Anexo III do Relatório Fiscal (fls. 68/  91)  o  histórico  de  notas  fiscais  relativos  aos  serviços  prestados  pelas  PJs  contratadas  pela  RECORRENTE e que serviram de base para a  apuração do crédito  tributário, ordenadas por  data de lançamento contábil.   Analisando  tal  documento,  percebe­se  uma  sequência  no  número  das  notas  emitidas por cada empresa contratada, o que denota o fato de que a empresa apenas emite nota  em relação aos serviços contratados pela RECORRENTE.  Cito alguns exemplos:  · NCN  TECNOLOGIA:  07  notas  emitidas  em  relação  a  serviços  prestados à RECORRENTE (numeração de 01 a 07);  Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.817          24 · ZEFERINO  E  CASADO  CONSULTORES:  20  notas  emitidas  em  relação  a  serviços  prestados  à  RECORRENTE  (numeração  de  92  a  115, exceto as de nºs 96, 97, 112 e 113);  · KELVE RAFAEL ALVES  INFORMATICA:  11  notas  emitidas  em  relação  a  serviços  prestados  à  RECORRENTE  (numeração  de  14  a  27, exceto as de nºs 15, 17 e 26);  · DTPS  INFORMATICA  LTDA:  11  notas  em  emitidas  em  relação  a  serviços  prestados  à  RECORRENTE  (numeração  de  102  a  115,  exceto as de nºs 104, 105 e 114);  · JV DESENVOLVIMENTO: 06 notas emitidas em relação a serviços  prestados à RECORRENTE (numeração de 41 a 48, exceto as de nºs  43 e 46);  · PANSERA SOLUCOES EM TECNOLOGIA: 11 notas emitidas em  relação  a  serviços  prestados  à  RECORRENTE  (numeração  de  90  a  102, exceto as de nºs 92 e 100);  · WEB  CASTRO  INFORMATICA:  11  notas  emitidas  em  relação  a  serviços  prestados  à  RECORRENTE  (numeração  de  104  a  117,  exceto as de nºs 105, 111 e 115);  · INSIGNIA  CONSULTORIA  EM  INFORMATICA:  09  notas  emitidas  em  relação  a  serviços  prestados  à  RECORRENTE  (numeração de 57 a 66, exceto a de nº 59);  · SORAYA ARAUJO  INFORMATICA LTDA: 12 notas emitidas em  relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 103 a  118, exceto as de nºs 104, 106 e 115);  · CLN  INFORMATICA  LTDA:  11  notas  emitidas  em  relação  a  serviços  prestados  à  RECORRENTE  (numeração  de  131  a  144,  exceto as de nºs 133, 141, 142);  A relação da sequência numérica das notas fiscais emitidas pelos prestadores  de  serviços  ao  longo  do  período  fiscalizado  é  uma  clara  evidência  da  não  eventualidade  do  serviço prestado pelas PJs contratadas.  Ademais, mediante informações obtidas junto ao banco de dados da Receita  Federal, a fiscalização analisou as Declarações do Imposto Retido na Fonte­DIRF em relação  às  empresas  contratadas  (fls.  534/761). Nos  casos  em  que  houve  a  apresentação  da  referida  DIRF,  é  possível  constatar  que  boa  parte  das  empresas  contratadas  possuem  apenas  a  RECORRENTE  como  fonte  pagadora.  A  autoridade  fiscal  pontua  que  “a  empresa  CAST  INFORMATICA SA  figura  como principal  fonte  pagadora  para  as  empresas  prestadoras  de  serviço no período fiscalizado. Somente de maneira pontual, porém com valores menores em  comparação  ao  obtido  junto  à  CAST,  verificou­se  receita  declarada  advinda  outra  fonte  pagadora”.  Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.818          25 Da leitura do Relatório Fiscal, percebe­se que o requisito da pessoalidade se  encontra presente em todos os contratos de prestação de serviços analisados, na medida em que  tais  empresas  foram  contratadas  visando  o  seu  sócio  identificado  em  cada  contrato.  Esta  situação  fica evidente através da clausula 1 de  todos os contratos,  em que a RECORRENTE  exige expressamente que as contratadas, na pessoa de seus sócios, prestem o serviço, devendo  estes  apresentarem­se  “em  nome  da  CONTRATANTE  junto  ao  CLIENTE,  observando  as  normas procedimentais da CONTRATANTE”. Ou seja, os referidos contratos de prestação de  serviço buscavam a atuação do sócio e não da empresa contratada.  Ademais, nos  termos da cláusula 9 dos Contratos, os pagamentos deveriam  ser efetuados na forma de depósito bancário na conta corrente dos próprios sócios das empresas  prestadoras de serviço.  No  Anexo  VI  do  Relatório  Fiscal  (fls.  96/115)  consta  relação  de  todas  as  GFIPs mensalmente enviadas pelas  empresas contratadas no período  fiscalizado. Excetuando  algumas  PJs  que  apresentaram  GFIP  sem movimento,  todas  as  GFIPs  apresentadas  tiveram  como  único  segurado  informado  o  próprio  sócio.  A  ausência  de  empregados  nas  empresas  prestadoras de serviços é mais um indício que converge para a pessoalidade entre o seu sócio e  a RECORRENTE.  A onerosidade se revela ante o pagamento acertado da remuneração prevista  nos  contratos.  Ou  seja,  a  prestação  do  serviço  não  se  deu  de  forma  gratuita.  Conforme  já  exposto, na cláusula 9 dos Contratos (fls. 177/533) há previsão de que os pagamentos deveriam  ser  efetuados  na  forma  de  depósito  bancário  na  conta  corrente  dos  próprios  sócios  pessoas  físicas prestadores do serviço.  Ao  tratar  de  conceito  e  caracterização  da  subordinação  na  relação  empregatícia, Maurício Godinho Delgado  leciona  o  seguinte  (Curso  de Direito  do Trabalho,  11. ed. São Paulo: LTr, 2012, p. 295):  “A subordinação corresponde ao polo antitético e combinado do  poder de direção existente no  contexto da  relação de  emprego.  Consiste,  assim,  na  situação  jurídica  derivada  do  contrato  de  trabalho,  pela  qual  o  empregado  compromete­se  a  acolher  o  poder  de  direção  empresarial  no  modo  de  realização  de  sua  prestação de serviços. Traduz­se, em suma, na ‘situação em que  se encontra o trabalhador, decorrente da limitação contratual da  autonomia  de  sua  vontade,  para  o  fim  de  transferir  ao  empregador  o  poder  de  direção  sobre  a  atividade  que  desempenhará’  Como  se  percebe,  no  Direito  do  Trabalho  a  subordinação  é  encarada  sob  o  prisma  objetivo:  ela  atua  sobre  o  modo  de  realização da prestação e não sobre a pessoa do trabalhador.”  Ora, de acordo com as lições acima, a subordinação fica evidenciada quando  o  modo  de  realizar  a  prestação  dos  serviços  não  decorre  da  autonomia  da  vontade  do  empregado, mas sim da orientação proveniente do empregador, que detém o poder de direção  sobre a atividade que o empregado desempenhará.  No  caso,  a  subordinação,  no  meu  entendimento,  pode  ser  verificada  por  diversos fatores. Há subordinação na medida em que os contratos fazem previsão de que: (i) o  Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.819          26 sócio  da  contratada  deve  observar  as  normas  procedimentais  da  RECORRENTE  no  desenvolver dos trabalhos;  (ii) os serviços serão prestados nos escritórios da RECORRENTE  ou em local que esta designar;  (iii) há previsão de multa por  falta  injustificada da contratada  nos  locais  da  prestação  de  serviço  (1/30  do  valor  do  contrato  por  dia  não  trabalhado);  (iv)  desconto  proporcional  do  valor  pactuado  quando  da  não  prestação  dos  serviços  nos  dias  designados  pela  RECORRENTE,  etc.  Colaciona  abaixo  os  trechos  extraídos  do  contrato  de  prestação de serviços:  “A  CONTRATADA,  na  pessoa  de  seu  sócio  (a)  acima  identificado  (a),  deverá  apresentar­se  em  nome  da  CONTRATANTE  junto  ao  CLIENTE,  observando  as  normas  procedimentais da CONTRATANTE no que tange aos relatórios  e procedimentos diversos, determinações técnicas e comerciais.”  “Os  serviços  objeto  deste  contrato,  a  critério  da  CONTRATANTE  e  mediante  acordo  prévio  com  a  CONTRATADA,  poderão  ser  prestados  em  qualquer  dos  escritórios  da  CONTRATANTE,  ou  em  local  que  a  mesma  designar.”  “Pela  inexecução  das  obrigações  da  CONTRATADA,  principalmente pela  falta injustificada de seus profissionais nos  locais  de  prestação  de  serviço,  arcará  esta  com multa  de  1/30  por dia não trabalhado sobre o valor do presente pacto.”  “O  valor  ora  avençado  está  condicionado  à  prestação  de  serviços nos dias designados pela CONTRATANTE. A ausência  da CONTRATADA ao serviço acarretará o respectivo desconto,  proporcionalmente  ao  valor  mensal,  relativos  aos  dias  sem  a  prestação dos serviços.”  A RECORRENTE,  como  forma de  prestar  sua  atividade­fim,  disponibiliza,  aos  seus  clientes,  os  sócios  das  pessoas  jurídicas  contratadas  a  fim  de  que  esses  prestem  os  serviços  de  análise  e/ou  programação  para  o  desenvolvimento/manutenção/suporte  de  softwares/sistemas computadorizados, ao cliente indicado pela RECORRENTE, ou até para a  ela própria.  Ou  seja,  a  RECORRENTE  determina  o  local  de  trabalho,  quem  deve  ir  prestar  o  serviço,  o  dever  do  prestador  dos  serviços  de  se  identificar  em  nome  da  RECORRENTE  e  de  observar  as  normas  procedimentais  por  ela  adotadas.  Diante  de  tais  constatações, entendo que a RECORRENTE não buscou contratar os serviços de uma empresa,  mas  sim  os  serviços  de  verdadeiro  empregado,  ante  a  pessoalidade,  subordinação  e  não  eventualidade manifestas na operação. Os sócios das PJs contratadas agiam conforme o modus  operandi da RECORRENTE.  Outro  aspecto  relevante  levantado  pela  fiscalização  é  o  de  que  “todas  as  empresas  contratadas  apresentaram  GFIP  somente  nos  meses  em  que  houve  faturamento  advindo do contrato de prestação de serviço firmado com a CAST” (fls. 96/115), o que atesta a  dependência econômica da PJ contratada em relação à RECORRENTE.  Não menos importante é o fato de que alguns sócios das PJs contratadas eram  empregados  da  RECORRENTE  à  época  da  vigência  dos  contratos.  A  fiscalização  elaborou  Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.820          27 planilha de fls. 94/95 (anexo VI do Relatório Fiscal) a fim de demonstrar os sócios das PJs que  possuíam vínculo empregatício com a RECORRENTE no período fiscalizado (mais de 70).  A RECORRENTE afirma não enxergar problemas no fato de um empregado  seu  lhe  prestar  serviço  paralelo  através  da  pessoa  jurídica  dele.  No  entanto,  não  vejo  como  distinguir  o  momento  em  que  ele  está  atuando  como  empregado,  daquele  em  que  ele  está  atuando  como  prestador  de  serviço.  Ora,  é  evidente  que  alguém  que  possua  vínculo  empregatício  com  a  empresa  irá  sempre  agir  com  subordinação  perante  a  direção.  Assim,  entendo que é impossível realizar esta pretensão da RECORRENTE.  Portanto,  entendo  haver  evidente  subordinação  entre  os  sócios  das  prestadoras  de  serviço  e  a RECORRENTE,  pois,  pelo  conjunto  probatório  apresentado,  fica  nítido que a RECORRENTE detém o poder de direção sobre o modo de realização da atividade  desempenhada pelo contratado.  Por  tudo  exposto,  entendo  que,  ao  contrário  do  que  defende  a  RECORRENTE,  a  autoridade  lançadora  demonstrou  e  fundamentou  as  suas  razões  para  caracterizar a relação de emprego existente com os sócios/titulares das empresas contratadas,  devendo ser mantido o lançamento das Contribuições previdenciárias a cargo da empresa (parte  patronal  e  SAT/RAT),  das  Contribuições  devidas  a  Terceiros  e  das  Contribuições  dos  segurados (empregados), objetos dos DEBCADs 51.038.428­5, 51.038.430­7 e 51.038.429­3,  respectivamente.  No que diz respeito às contribuições de segurados (empregados – DEBCAD  51.038.429­3),  importante  analisar  a  questão  do  possível  recolhimento  efetuado  pela  pessoa  jurídica interposta, conforme adiante detalhado.    DEBCAD 51.038.429­3. Contribuições de segurados (empregados). Da correta apuração  do  tributo. Do Bis  in  idem  alegado  em  relação  às  contribuições  (patronal  e  segurados)  comprovadamente recolhidas  Conforme  Discriminativo  do  débito  de  fls.  21/23,  a  autoridade  lançadora  apurou o crédito de contribuições a cargo dos segurados pela aplicação da alíquota de 8% sobre  a  totalidade  do  salário­contribuição  mensalmente  pago  às  pessoas  jurídicas  interpostas.  Contudo, não verifiquei nenhuma análise acerca da aplicação da tabela de contribuição para o  empregado  (relação  das  alíquotas  por  faixa  de  remuneração)  nem  da  observância  ao  teto  da  contribuição devida por cada segurado.  Ora,  conforme as planilhas  elaboradas pela própria  fiscalização  (Anexos  II,  III  e  IV  do  Relatório  Fiscal  –  fls.  66/92),  é  perfeitamente  possível  verificar  a  relação  das  pessoas  que  receberam  valores  através  das  PJs  interpostas  e  quanto  cada  uma  recebeu  mensalmente.  Deste  modo,  entendo  que  é  plenamente  possível  calcular  qual  alíquota  aplicável bem como se foi atingido o teto da contribuição mensal devida por cada sócio/titular  da PJ interposta prestadora de serviço à RECORRENTE.  Também não  se  deve  olvidar  que  alguns  desses  sócios  das  PJs  contratadas  possuíam  vínculo  empregatício  com  a  RECORRENTE  no  período  fiscalizado,  conforme  Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.821          28 verificado  pela  própria  autoridade  lançadora  (Anexo  VI  do  Relatório  Fiscal  –  fls.  94/95).  Portanto, deve­se fazer o cruzamento da folha de pagamento da RECORRENTE para saber a  remuneração  mensal  paga  a  cada  sócio  de  interposta  PJ  (na  qualidade  empregado  da  RECORRENTE) pois, havendo remuneração, certamente houve a retenção e o recolhimento da  contribuição mensal a cargo do segurado.  Ademais,  CSRF  já  decidiu  que  as  contribuições  previdenciárias  paga  pelas  pessoas  jurídicas  em  relação  aos  seus  sócios,  cujas  contratações  foram  reclassificadas  como  relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores  lançados no auto de  infração. Válido  transcrever novamente o trecho da ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  (...)  CONTRATAÇÃO  DE  PESSOA  FÍSICA  POR  INTERPOSTA  EMPRESA.  OCORRÊNCIA  DOS  ELEMENTOS  CARACTERIZADORES  DA  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO  PAGA A SEGURADO EMPREGADO.  O  fisco,  ao  constatar  a  ocorrência  da  relação  empregatícia,  dissimulada  em  contratação  de  pessoa  jurídica,  deve  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  exigir  as  contribuições  sociais sobre remuneração de segurado empregado.  (...)  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  DOS  SEGURADOS  RECOLHIDA  POR  PESSOA  JURÍDICA.  APROVEITAMENTO.  CARACTERIZAÇÃO  DE  VÍNCULO.  POSSIBILIDADE.  As  contribuições  previdenciárias  paga  pelas  pessoas  jurídicas  em  relação  aos  seus  sócios,  cujas  contratações  foram  reclassificadas  como  relação  de  emprego,  deverão  ser  deduzidas aos valores lançados no auto de infração.  (Acórdão  nº  9202­004.641;  2ª  Turma  da  CSRF;  Sessão  de  23/11/2016)  Assim,  entendo  ser  legítimo  o  abatimento  das  contribuições  sociais  pagas  pelas  pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços  contratadas  pela  RECORRENTE,  cujos  sócios/titulares  foram,  no  presente  lançamento,  enquadrados  como  segurados  empregados  da  RECORRENTE.   Desta  forma,  somente  as  contribuições  previdenciárias  comprovadamente  pagas pelas pessoas  jurídicas em relação ao seu  respectivo sócio  (que prestou serviço para a  RECORRENTE)  deverão  ser  deduzidas  dos  valores  lançados  no  presente  auto  de  infração.  Referidos valores constam das GFIPs apresentadas pelas PJs  interpostas, conforme anexo VI  do Relatório Fiscal – fls. 96/115.  Sendo assim, o procedimento correto a ser adotado é:  Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.822          29 (i)  Verificar a remuneração recebida mensalmente por cada sócio/titular de  pessoa jurídica prestadora de serviço contratada pela RECORRENTE;  (ii)  Calcular  a  contribuição  a  cargo do  segurado devida,  conforme alíquota  correspondente  ao  rendimento  do  sócio  da  PJ  cuja  contratação  foi  reclassificada como relação de emprego;  (iii) Respeitar o valor máximo (teto mensal) da contribuição devida;  (iv) Nos  casos  em  que  o  sócio  da  interposta PJ  tenha  relação  empregatícia  com  a  RECORRENTE  (Anexo  VI  do  Relatório  Fiscal  –  fls.  94/95),  abater  eventual  recolhimento  da  contribuição  a  cargo  do  segurado  comprovadamente  realizado  por  cada  um  deles  na  condição  de  empregado da RECORRENTE; e  (v)  Deduzir  as  contribuições  previdenciárias  comprovadamente  recolhidas  pelas  pessoas  jurídicas  interpostas  em  relação  aos  seus  sócios,  cujas  contratações  foram reclassificadas como relação de emprego  (anexo VI  do Relatório Fiscal – fls. 96/115).    Da aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005   Por  fim,  a  RECORRENTE  pleiteia  a  aplicação  do  art.  129  da  Lei  11.196/2005 que, segundo entende,  teria determinado que as pessoas  jurídicas prestadoras de  serviços sejam tratadas como tais pelo fisco. É a redação do dispositivo:  Art.  129.  Para  fins  fiscais  e  previdenciários,  a  prestação  de  serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística  ou  cultural,  em  caráter  personalíssimo  ou  não,  com  ou  sem  a  designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da  sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se  sujeita  tão­somente  à  legislação  aplicável  às  pessoas  jurídicas,  sem  prejuízo  da  observância  do  disposto  no  art.  50  da  Lei  no  10.406, de 10 de janeiro de 2002 ­ Código Civil.  Entendo  que  o  dispositivo  do  art.  129  da  Lei  nº  11.196/2005  não  tem  o  condão de afastar a atuação das autoridades fiscais quando comprove a ocorrência da relação  de emprego no bojo de contrato firmado entre pessoas jurídicas.  Sobre  o  tema,  peço  vênia  para  transcrever  trecho  do  voto  proferido  pela  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão nº 9202­004.641 da 2ª Turma  da CSRF:  Todavia, verificando­se presentes os elementos caracterizadores  da relação de emprego (conforme descrito no item anterior) não  há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005,  mas do art. 9.º da CLT, in verbis:  Art.  9º  Serão  nulos  de  pleno  direito  os  atos  praticados  com  o  objetivo  de  desvirtuar,  impedir  ou  fraudar  a  aplicação  dos  preceitos contidos na presente Consolidação.  Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.823          30 Ou seja, se a Auditoria observa que a execução de um contrato,  formalmente  firmado entre pessoas jurídicas, na verdade busca  desvirtuar uma relação de emprego, esse negócio jurídico há de  ser  afastado  de  modo  que  se  preservem  os  direitos  dos  empregados consagrados pela Carta Magna. (...)  Observe­se  que  tal  procedimento  não  implica  em  desconsideração  da  personalidade  jurídica  da  empresa,  que  permanece  incólume,  mas  apenas  de  caracterização  do  liame  empregatício,  privilegiando  a  realidade  verificada  durante  o  procedimento fiscal, em detrimento da aparência  formal de que  se revestem determinados contratos.  Um  argumento  que  nos  parece  muito  válido  para  chancelar  a  caracterização de segurado empregado nesses casos diz respeito  às  considerações  lançadas  para  vetar  o  parágrafo  único  do  mencionado artigo, que fora assim redigido:  Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica quando  configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a  pessoa  jurídica  contratante,  em  virtude  de  sentença  judicial  definitiva decorrente de reclamação trabalhista.  São ponderações, conforme veremos, que chamam atenção para  a  necessidade  de  se  preservar  a  competência  da  fiscalização  para lançar os tributos correspondentes sempre que verificada a  existência  de  trabalho  prestado  mediante  relação  de  emprego  travestido de avenca entre empresas. Eis os termos lançados nas  razões  do  veto  do  parágrafo  único  do  art.  129  da  Lei  n.  11.196/2005:  “Razões do  veto O parágrafo único do dispositivo  em comento  ressalva  da  regra  estabelecida  no  caput  a  hipótese  de  ficar  configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a  pessoa  jurídica  contratante,  em  virtude  de  sentença  judicial  definitiva  decorrente  de  reclamação  trabalhista. Entretanto,  as  legislações  tributária  e  previdenciária,  para  incidirem sobre  o  fato  gerador  cominado  em  lei,  independem  da  existência  de  relação trabalhista entre o tomador do serviço e o prestador do  serviço.  Ademais,  a  condicionante  da  ocorrência  do  fato  gerador à existência de sentença judicial  trabalhista definitiva  não atende ao princípio da razoabilidade.”  Ademais, entendo que, caso se tratasse uma verdadeira prestação de serviço  intelectual,  o  que  importaria  seria  o  resultado  final,  ou  seja,  a  manutenção  concluída,  o  software desenvolvido, etc. Ao exigir­se que a pessoa física do sócio da PJ contratada esteja à  disposição da RECORRENTE, pode­se concluir pela existência da subordinação, conforme já  exposto.  Com essas considerações, entendo que não devem prosperar as alegações da  RECORRENTE acerca da aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 ao presente caso, haja  vista a comprovação, pela autoridade fiscal, da ocorrência da relação de emprego.    Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.824          31 Contribuição  previdenciária  referente  à  diferença  de  aplicação  do  multiplicador  FAP  sobre a alíquota RAT. DEBCAD 51.038.427­7.   No  que  diz  respeito  ao  lançamento  objeto  do  DEBCAD  51.038.427­7  (Contribuição  previdenciária  patronal/empresa,  referente  à  diferença  de  aplicação  do  multiplicador FAP sobre a alíquota RAT), entendo que não merecem prosperar as alegações da  RECORRENTE.  É que, conforme relatado, referido lançamento teve por base a constatação de  que a RECORRENTE não computou o Fator Acidentário Previdenciário – FAP a ela atribuído  para o cálculo final da alíquota do tributo RAT (SAT) devido.  Conforme Relatório Fiscal, para o ano de 2010, o Ministério da Previdência  Social  atribuiu  à  RECORRENTE  o  FAP  no  valor  de  1,7143.  Ocorre  que,  no  período  fiscalizado, a RECORRENTE declarou em GFIP a alíquota RAT ajustada pelo FAP no valor  de 1,71% somente nas competências 01 e 02/2010. Verificou que deixou de fazer tal ajuste nas  demais  competências  (03/2010  a  12/2010)  em  razão  de  impugnação  e  posterior  recurso  administrativo apresentados perante o MPS, em 11/01/2010 e 25/03/2010, respectivamente (fls.  1.033/1.038 e 1.051/1.060), em que impugnou o FAP a ela atribuído.  No  entanto,  conforme Decisão  Terminativa  proferida  em  2ª.  Instância  pela  Secretaria  de  Políticas  de  Previdência  Social  –  SPS,  datada  de  05/09/2011,  o  pedido  da  RECORRENTE foi rejeitado (fls. 1.061/1.071).  Em  seu  recurso  voluntário,  alega  que  apresentou  competente  Contestação  Administrativa, fulcro no art. 202­B do Decreto nº 3.048, de 1999 (...) e, nos termos do §3º do  mesmo artigo, foi atribuído efeito suspensivo a esse processo”. Neste sentido, argumentou que  o  ajuste  da  alíquota  do  RAT  “não  pode  ser  aplicada  até  a  decisão  final  do  processo  administrativo”.  Contudo,  conforme  já  exposto  pela  autoridade  fiscal,  referido  processo  administrativo em que a RECORRENTE discutiu o multiplicador FAP a ela atribuído findou  em 05/09/2011, com a Decisão Terminativa proferida em 2ª Instância pela SPS.  Sendo  assim,  deveria  a  RECORRENTE  ter  efetuado  o  ajuste  da  alíquota  RAT devida no  período  em que  o  processo  administrativo  relativo  ao FAP  tramitou  perante  MPS. Portanto, correto o lançamento da diferença de valores devidos em cada competência de  03/2010 a 12/2010 (diferença de alíquota de 0,7143%).    Das multas isoladas pelo descumprimento de obrigação acessória  As  quatro  multas  lavradas  em  desfavor  da  RECORRENTE,  pelo  descumprimento de obrigações acessórias, foram as seguintes:  1.  DEBCAD  51.038.431­5  (CFL  30),  lavrado  em  razão  da  não  preparação  da  folha  de  pagamento  de  acordo  com  os  padrões  e  normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, no valor de R$  1.812,87, nos termos do art. 283, I, “a”, do RPS (fl. 32);  Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.825          32 2.  DEBCAD  51.038.432­3  (CFL  34),  lavrado  em  razão  da  não  contabilização,  em  título  próprio  de  sua  contabilidade,  de  fatos  geradores  da  Previdência  Social,  no  valor  de  R$  18.128,43,  nos  termos do art. 283, II, “a”, do RPS (fl. 33);  3.  DEBCAD 51.038.433­1  (CFL 35),  lavrado em razão da empresa  ter  deixado  de  prestar  à  RFB  informações  cadastrais,  contábeis  e  financeiras de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, no  valor  de R$  18.128,43,  nos  termos  do  art.  283,  II,  “b”,  do RPS  (fl.  34); e  4.  DEBCAD 51.038.434­0  (CFL 59),  lavrado em razão da empresa  ter  deixado  de  efetuar  os  descontos  das  contribuições  devidas  pelos  segurados, no valor de R$ 1.812,87, nos termos do art. 283, I, “g”, do  RPS (fl. 35).  Todas elas possuem relação com os Autos de Infração de Obrigação Principal  relativos  às  contribuições  da  empresa/RAT  e  dos  segurados  (DEBCADs  nº  51.038.428­5  e  51.038.429­3, respectivamente).  Tendo  em  vista  a  procedência  do  lançamento  das  obrigações  principais,  entendo ser de rigor a manutenção das mencionadas multas.  A multa do DEBCAD 51.038.432­3 (CFL 34) deve ser mantida pois, como  amplamente demonstrado, a RECORRENTE deixou de contabilizar, em título próprio de sua  contabilidade, diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados. A  autoridade fiscal constatou o registro contábil dos valores na conta CUSTO DOS SERVIÇOS  VENDIDOS,  CÓD.  41101001,  do  grupo  Despesa,  e  na  conta  FORNECEDORES  NACIONAIS, CÓD. 21201001 do grupo Passivo, o que autoriza a lavratura da multa.  A multa do DEBCAD 51.038.434­0 (CFL 59) deve também ser mantida pois,  uma vez mantido parcialmente o lançamento da obrigação principal do DEBCAD 51.038.429­ 3  (contribuições  segurados),  é de  rigor a manutenção da multa por  ter a  empresa deixado de  efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados.  Também deve ser mantida a multa do DEBCAD 51.038.431­5 (CFL 30) pois,  ao enquadrar como segurados empregados da RECORRENTE os sócios/titulares das pessoas  jurídicas prestadoras de serviços contratadas, é consequência lógica que parte dos pagamentos  efetuados a empregados deixou de ser incluída nas folhas de pagamento.  Por  sua  vez,  a multa  objeto  do DEBCAD 51.038.433­1  (CFL  35)  deve  ser  mantida  pois,  mesmo  após  intimação  (por  meio  do  TIF  número  04  –  fls.  145/149),  a  RECORRENTE deixou de apresentar à fiscalização todos os Contratos de Prestação de Serviço  firmados com as pessoas jurídicas interpostas. Conforme já exposto, dos 169 (cento e sessenta  e nove) prestadores de serviços identificados pela fiscalização, conforme listagem constante no  Anexo  I  do  relatório  (fls.  63/65),  a  RECORRENTE  apresentou  Contratos  de  Prestação  de  Serviço firmados com 81 (oitenta e uma) deles.  Importante esclarecer que todas as multas isoladas foram lavradas com base  nos valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 19/2014.  Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10166.725263/2014­08  Acórdão n.º 2201­003.717  S2­C2T1  Fl. 1.826          33   CONCLUSÃO  Por  todo  o  acima  exposto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  Recurso Voluntário, apenas para que, em relação ao DEBCAD 51.038.429­3 (contribuição dos  segurados), seja observado o teto da contribuição a cargo do segurado devida por cada pessoa  enquadrada  como  segurado  empregado  da  RECORRENTE,  bem  como  para  deduzir  dos  valores  lançados  no  presente  auto  de  infração  as  contribuições  previdenciárias  comprovadamente pagas, nos seguintes termos:  (a) Nos  casos  em  que  o  sócio  da  interposta  PJ  tenha  relação  empregatícia  com  a  RECORRENTE  (Anexo  VI  do  Relatório  Fiscal  –  fls.  94/95),  abater  eventual  recolhimento  da  contribuição  a  cargo  do  segurado  comprovadamente  realizado  por  cada  um  deles  na  condição  de  empregado da RECORRENTE; e  (b) Deduzir  as  contribuições  previdenciárias  (patronal  e  segurados)  comprovadamente  recolhidas  pelas  pessoas  jurídicas  interpostas  em  relação  aos  seus  sócios,  cujas  contratações  foram  reclassificadas  como  relação de emprego (anexo VI do Relatório Fiscal – fls. 96/115).    Assinado digitalmente  Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim ­ Relator                                  Fl. 1826DF CARF MF

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