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Numero do processo: 10580.727455/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS. OMISSÃO.
Constatada a omissão apontada pelos embargos, deve-se promover sua imediata correção.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS COMPENSATÓRIOS.
São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis
Numero da decisão: 2201-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS. OMISSÃO. Constatada a omissão apontada pelos embargos, deve-se promover sua imediata correção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS COMPENSATÓRIOS. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 18/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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OMISSÃO. Constatada a omissão apontada pelos embargos, devese promover sua imediata correção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS COMPENSATÓRIOS. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 18/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 55 /2 00 9- 92 Fl. 307DF CARF MF 2 da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Auto de Infração pelo qual a Autoridade Fiscal constituiu crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, IRPF, por ter apurado infrações à legislação tributária nos anos calendários de 2004 a 2006, exercícios de 2005 a 2007. Em síntese, lançamento decorre da constatação de que o sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Com a apresentação de Recurso Voluntário em razão do inconformismo com a Decisão de 1ª Instância, que manteve integralmente a exigência, o mérito do lançamento foi objeto do Acórdão 2101002.443, da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, de 20 de março de 2014, fl. 239/244. Ciente da Decisão do Colegiado em 13 de junho de 2014, fl. 282, o contribuinte apresentou, tempestivamente, os Embargos de fl. 255. Sustenta a embargante a omissão do Acórdão de 2ª Instância, que, supostamente, não teria tratado dos seguintes temas: Falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; Quebra do Princípio Constitucional da Isonomia; Não incidência do Imposto de Renda sobre juros de mora. No Despacho de fl. 293 a 295, houve análise da admissibilidade dos Embargos interpostos, os quais foram admitidos, exclusivamente por conta da conclusão de que o Acórdão Recorrido não tratou da não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora recebidos incidentes sobre os valores recebidos acumuladamente e que integraram o montante considerado omitido. E o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10580.727455/200992 Acórdão n.º 2201003.754 S2C2T1 Fl. 308 3 Inicialmente, expresso minha concordância com os pressupostos de admissibilidade contidos no despacho de fls. 293/295, razão pela qual limito a presente análise à omissão reconhecida. No Recurso Voluntário apresentado, fl. 143/230, o tema que teria sido omitido pelo Acórdão embargado consta de fl. 224, cujas razões passo a analisar: DOS JUROS DE MORA E DA CORREÇÃO NO CÁLCULO DA DIFERENÇA DE URV. Neste tópico, embora a peça recursal apresente alguma impropriedade por misturar seus argumentos com os do tema tratado anteriormente (EXCLUSÃO DA MULTA DE MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA CONSTANTES DO AUTO DE INFRAÇÃO), fica evidente que a insurgência do contribuinte decorre do seu entendimento de que os valores recebidos que correspondam a juros e a atualização monetária sobre as diferenças da conversão da URV não deveriam sofrer tributação, em razão de sua natureza indenizatória, não constituindo acréscimo patrimonial. Embora não seja propriamente objeto dos Embargos ora sob análise, temos que a multa de ofício já foi afastada sob amparo da Súmula CARF nº 73, para a qual o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Já em relação ao juros de mora incidente sobre o crédito lançado, tratase de exigência de natureza meramente compensatória, prevista no art. 63 da Lei 9.430/66. Com a ressalva de que tal acréscimo legal incide tanto para corrigir os débitos de contribuintes quanto os eventuais indébitos destes, exatamente com os mesmos índices (Selic acumulada até o mês anterior ao pagamento mais 1% no mês do pagamento). Embora oficial, o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora não configura norma complementar de que trata o art. 100 da lei 5.172/66 (CTN). Da mesma forma, não tem tal natureza a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2006, tampouco precisaria ser declarada sua inconstitucionalidade, seja por se tratar de ato originário de ente incompetente pra legislar sobre Imposto sobre a Renda, seja por não ter, efetivamente, classificado o rendimento como isento, mas apenas fixando sua denominação de indenização, o que se mostra irrelevante, já que, nos termos do §1º do art. 43 da mesma Lei 5.172/66, a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento. Desta forma não há que se falar em aplicação do § único do art. 100 do CTN. No que se refere à tributação dos juros e correção monetária que incidiram sobre as diferenças da conversão da URV e os argumentos recursais de que não deveriam sofrer tributação, em razão de sua natureza indenizatória, não constituindo acréscimo patrimonial, estes sim objeto da omissão a ser tratada pela presente análise, não assiste razão ao recorrente. Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. A decisão de 1ª Instância assim se pronunciou, fl. 136: Fl. 309DF CARF MF 4 O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis, conforme abaixo transcrito: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Portanto, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. Afinal como visto acima, os juros compensatórios ou moratórios seguem a sorte dos rendimentos que lhe deram causa. De modo que sendo estes tributáveis, aqueles terão a mesma natureza, tudo nos termos do inciso XIV do art. 55 do RIR/99. Conclusão: Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer e não acolher os embargos interpostos pelo contribuinte. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10952.000217/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. DIAT. INAPLICABILIDADE.
Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóvel rural, caso o alienante não tenha apresentado o Diat relativamente ao ano de alienação, considera-se como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação.
Numero da decisão: 2201-003.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 31/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. DIAT. INAPLICABILIDADE. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóvel rural, caso o alienante não tenha apresentado o Diat relativamente ao ano de alienação, considera-se como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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IMÓVEL RURAL. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. DIAT. INAPLICABILIDADE. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóvel rural, caso o alienante não tenha apresentado o Diat relativamente ao ano de alienação, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 2. 00 02 17 /2 00 9- 61 Fl. 134DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 118/120) apresentado em face do Acórdão nº 1532.030, da 5º Turma da DRJ/SDR (fls. 105/114), que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo (fls. 87/92) ao auto de infração (fls. 2/8) pelo qual se exige dele crédito tributário consolidado de R$ 84.276,49, relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital obtido na alienação de imóvel rural. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 9/16), através de dados extraídos da Escritura Pública de Compra e Venda lavrada no Tabelionato de Notas e Protestos da Comarca de ItapeviBA sob o número de Ordem 3.088, Livro 065, fls. 38/40, terseia apurado a alienação, pelo contribuinte, de três imóveis contíguos que, a partir dessa escritura, passariam a ser identificados como Fazenda Barracão. De acordo com esse registro, a alienação foi realizada pelo valor de R$ 240.232,80. Em sua declaração de imposto de renda (DAA2005), o contribuinte teria informado o lucro apurado na alienação desse bem, R$ 226.232,80, como rendimento isento, por considerálo de pequeno valor ou único imóvel. Por outro lado, na declaração de bens e direitos da mesma DAA, teria informado o bem pelo valor de R$ 150.000,00. A fiscalização informa que os imóveis alienados foram identificados pelo contribuinte como Fazenda Esperança e Fazenda Boa Sorte. A primeira seria composta por duas áreas, uma titulada de 20 ha e outra não titulada de 86,07 ha, e teriam sido adquiridas pelo valor de R$ 1.500,00. A autoridade fiscal não teria tido acesso aos documentos de aquisição da segunda (Fazenda Boa Sorte), mas teria utilizado os dados consignados na escritura de alienação. O somatório da área das duas fazendas seria de 130,07 ha e a área alienada seria de 103,35 ha, de forma que teria remanescido em propriedade do contribuinte fiscalizado a área de 26,70 ha da primeira fazenda. O autuante transcreve artigos da Lei nº 6.015, de 1973, para justificar sua interpretação de que a cada imóvel corresponde uma matrícula no registro geral de imóveis. No caso tratado neste processo, pelas escrituras de aquisição e alienação, haveria três áreas de terra compondo dois imóveis distintos, registrados em matrículas autônomas. Pela pluralidade de imóveis, não haveria que se falar em alienação do único imóvel. Essa conclusão seria também reforçada pela existência de área remanescente, situação que se enquadraria no caso enfrentado pela pergunta nº 612, do Manual Perguntas e Respostas do Anocalendário 2008. A data de aquisição seria 14/08/2003 e a de alienação 08/07/2004. Para a apuração do custo de aquisição e de alienação, a autoridade fiscal adotou os valores constantes das respectivas escrituras de compra e venda, o que foi justificado Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10952.000217/200961 Acórdão n.º 2201003.817 S2C2T1 Fl. 135 3 no fato de o contribuinte ter apresentado a DIAT do ano de aquisição (fls. 58/61), mas não a do ano de alienação (fls. 62/65), que foi entregue pela empresa que adquiriu os imóveis. Para a Fazenda Esperança, o custo de aquisição de R$ 1.500,00 foi distribuído entre a área total, segregandose a parcela que permaneceu em propriedade do contribuinte. Para a Fazenda Boa Sorte foi adotado o valor total do custo de aquisição de R$ 2.500,00. Para o valor de alienação, foi estabelecida a proporção entre os imóveis que compuseram a venda, de acordo com a área de cada um. Com isso, foi apurado um ganho de capital total de R$ 236.610,49, ao qual foi aplicada a alíquota de 15% para apuração do valor devido, mais multa de 75% e juros de mora. A impugnação ao lançamento (fls. 87/92) foi julgada improcedente pelo Acórdão nº 1532.030, da 5ª Turma da DRJ/SDR (fls. 105/114). Ciente dessa decisão em 14/09/2015 (fls. 116/117), o sujeito passivo apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 13/10 do mesmo ano (fls. 118/120). Em suas razões de recorrer, alega, em síntese, que: A autuação não deveria existir porque a situação se enquadra na isenção de imóvel de valor inferior a R$ 440.000,00; Não houve outra alienação nos cinco anos anteriores à alienação que deu origem ao lançamento; O recorrente é pessoa humilde que trabalha com agricultura familiar; Houve a unificação das duas áreas rurais em uma só matrícula denominada Fazenda Barracão; O auto é insubsistente porque menciona no item 4.2 a Fazenda Boa Vista, que não tem qualquer pertinência com o negócio realizado; O recorrente, pessoa "da roça", que sobrevive da cria de animais bovinos e da agricultura de subsistência, procedeu à alienação de apenas duas partes de suas pequenas áreas rurais, que são equivalentes a sítios rurais; Os fatos narrados estariam abarcados pelo espírito das normas isentivas; A decisão de piso não especificou qual o uso ou finalidade conferidos ao imóvel que justificaria afastar o direito à isenção; O imóvel alienado consistia em um condomínio de fato, pois se tratava de áreas contíguas que o recorrente tratou de unificar na matrícula; Fl. 136DF CARF MF 4 O ITR demonstra a limitação da propriedade, o que a enquadra na natureza de agricultura familiar, que seria isenta do tributo aqui cobrado; A área que remanesceu com o contribuinte é inferior aos 30 ha previstos na Lei nº 9.393, de 1996, art. 2º. Com base nesses argumentos, entende ter demonstrado a existência de preliminar que tornaria insubsistente o lançamento e, no mérito, a sua total improcedência, razões pelas quais ele deve ser cancelado. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar nulidade Entre os argumentos de defesa, identifico uma preliminar de nulidade ao se afirmar que o auto é insubsistente por mencionar no item 4.2 a Fazenda Boa Vista, que não tem qualquer pertinência com o negócio realizado. O regime das nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal federal está disciplinado pelos artigos que são a seguir transcrito, retirados do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10952.000217/200961 Acórdão n.º 2201003.817 S2C2T1 Fl. 136 5 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Daí se extrai que será nulo o ato praticado por autoridade incompetente ou aquele proferido com preterição do direito de defesa. Neste caso, não se tratando de questão atinente à competência da autoridade fiscal, caberia ao recorrente demonstrar o prejuízo causado ao seu amplo direito de defesa. Não me parece que tenha logrado êxito neste sentido, sendo o vício apontado mais adequadamente classificado como uma incorreção que não teve aptidão para causar qualquer prejuízo ao fiscalizado. Nego provimento quanto à preliminar de nulidade. Mérito Segundo afirma o recorrente, a autuação não deveria existir porque a situação se enquadra na isenção de imóvel de valor inferior a R$ 440.000,00 e não houve outra alienação nos cinco anos anteriores à operação que deu origem ao lançamento. Com esses argumentos, busca que a situação descrita seja enquadrada no seguinte dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda RIR1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): Art. 122. Está isento do imposto o ganho de capital auferido na alienação: (...) II do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até quatrocentos e quarenta mil reais, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos. (...) § 4º O limite a que se refere o inciso II será considerado em relação: I à parte de cada condômino, no caso de bens em condomínio; II ao imóvel havido em comunhão, no caso de sociedade conjugal. É intuitivo afirmar que, ao alienar o único imóvel que possua, seu titular resta sem a propriedade de qualquer imóvel. Ou seja, a alienação do único imóvel deve conduzir à situação em que o patrimônio de seu titular passe a não contar com qualquer imóvel. Por outro lado, compulsandose a Lei nº 6.015, de 1973, que dispõe sobre os registros públicos, podese destacar os seguintes dispositivos: Art. 176 O Livro nº 2 Registro Geral será destinado, à matrícula dos imóveis e ao registro ou averbação dos atos relacionados no art. 167 e não atribuídos ao Livro nº 3. Fl. 138DF CARF MF 6 § 1º A escrituração do Livro nº 2 obedecerá às seguintes normas: I cada imóvel terá matrícula própria, que será aberta por ocasião do primeiro registro a ser feito na vigência desta Lei; (...) § 3o Nos casos de desmembramento, parcelamento ou remembramento de imóveis rurais, a identificação prevista na alínea a do item 3 do inciso II do § 1o será obtida a partir de memorial descritivo, assinado por profissional habilitado e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais, georeferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro e com precisão posicional a ser fixada pelo INCRA, garantida a isenção de custos financeiros aos proprietários de imóveis rurais cuja somatória da área não exceda a quatro módulos fiscais. (...) Art. 227 Todo imóvel objeto de título a ser registrado deve estar matriculado no Livro nº 2 Registro Geral obedecido o disposto no art. 176. Art. 228 A matrícula será efetuada por ocasião do primeiro registro a ser lançado na vigência desta Lei, mediante os elementos constantes do título apresentado e do registro anterior nele mencionado. (...) Art. 233 A matrícula será cancelada: I por decisão judicial; II quando em virtude de alienação parciais, o imóvel for inteiramente transferido a outros proprietários; III pela fusão, nos termos do artigo seguinte. Art. 234 Quando dois ou mais imóveis contíguos pertencentes ao mesmo proprietário, constarem de matrículas autônomas, pode ele requerer a fusão destas em uma só, de novo número, encerrandose as primitivas. Pela literalidade dos dispositivos transcritos, é possível afirmar que cada matrícula identifica um imóvel (art. 176, § 1º, I). Logo, se há mais de uma matrícula, há mais de um imóvel. Isso não impede que um imóvel seja desmembrado e dê origem a mais de uma matrícula, quando passaria a existir mais de um imóvel. No sentido inverso, os imóveis podem ser remembrados ou fusionados dando origem a um único imóvel, ao qual corresponderá uma única matrícula. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10952.000217/200961 Acórdão n.º 2201003.817 S2C2T1 Fl. 137 7 As seguintes perguntas extraídas do manual de perguntas e respostas publicado anualmente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil na rede mundial de computadores orientamse pela racionalidade estabelecida nesses artigos: UNIFICAÇÃO DE TERRENOS CONTÍGUOS 638 — Contribuinte possuía dois terrenos contíguos, promoveu a unificação e sobre eles construiu uma residência, passando a ser proprietário desse único imóvel. Po de usufruir da exclusão do ganho de capital na alienação do único imóvel? Sim. O art. 23 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, faz referência à alienação do único imóvel que o titular possua (no mês da alienação). Conforme o disposto no art. 111, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), e caso não tenha ocorrido alienação a qualquer título nos últimos 5 anos de outro imóvel, e considerando que a unificação de imóveis não caracteriza alienação, é cabível a exclusão do ganho de capital no caso de alienação, como um único imóvel e em um único instrumento, de imóvel resultante de unificação anterior de outros que o titular possuía, devidamente averbada em cartório de registro de imóveis (art. 234 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973 Lei dos Registros Públicos). Este entendimento também é válido para a terra nua de imóveis rurais. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL 639 — Contribuinte, proprietário de um único imóvel, que não alienou nenhum imóvel nos últimos 5 anos, aliena uma parte desse imóvel, permanecendo na propriedade da área remanescente. Tal contribuinte tem direito nessa operação à isenção de alienação de único imóvel? Não. Nesse caso, o contribuinte não alienou todo o imóvel, mas parte, permanecendo, na data, como proprietário de imóvel. Não faz jus, portanto, à isenção. (http://idg.receita.fazenda.gov.br/interface/cidadao/irpf/2017/per guntao/pirpf2017perguntaserespostasversao11 03032017.pdf) Na hipótese em questão, o contribuinte adquiriu três áreas de terras que estavam registradas em duas matrículas diversas. Possuía, portanto, mais de um imóvel. Ainda que tenha havido a unificação das duas áreas rurais em uma só matrícula denominada Fazenda Barracão, fato é que essa unificação não compreendeu a totalidade dos imóveis existentes. Tanto é assim que, após a alienação realizada, restou em propriedade do alienante parte do imóvel original e isso só seria possível pela realização de desmembramento. Por outro lado, o recorrente alega que se tratava de "condomínio de fato", caracterização que, por si mesma, não afetaria as conclusões aqui evidenciadas. Em que pese isso, não parece que seja esse o caso, já que o condomínio se caracteriza pela existências de "domínios" concorrentes sobre o mesmo bem, ou seja, mais de uma pessoa com propriedade Fl. 140DF CARF MF 8 sobre um mesmo bem, e a situação refletida nesse processo é de mais de um bem na propriedade de um único indivíduo. Em sendo assim, não é possível afirmar que o contribuinte alienou o único imóvel que possuía, de forma que é inaplicável a ele a isenção regulamentada pelo art. 122, II, do RIR/1999. O fato de o recorrente ser pessoa humilde e de que suas propriedades sejam classificadas como pequenos sítios são argumentos que podem inspirar simpatia no julgador, mas não lhe conferem amparo para dar ao texto legal, em especial ao de natureza isentiva, uma aplicação que fuja dos limites impostos pela investigação sintática. É isso o que determina o art. 111, II, do Código Tributário Nacional, comando que impede o intérprete e aplicador do direito de invocar critérios como "o espírito da norma" para dar ao texto legal um sentido mais amplo do que aquele que decorre de sua literalidade. Também não aproveitam ao contribuinte alegações que invoquem a aplicação da imunidade e isenção regulados pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.393, de 1996, uma vez que o âmbito de aplicação destes benefícios está restrito ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. Assim, as exceções à tributação estabelecidas nesses dispositivos dizem respeito apenas a esse tributo, não gerando qualquer reflexo sobre o imposto de renda. Com efeito, nesta lei, o imposto de renda sofre influência apenas do que determina o seguinte artigo: Valores para Apuração de Ganho de Capital Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Esta regra foi assim regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001: Imóvel rural Art. 9o Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. § 1o Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10952.000217/200961 Acórdão n.º 2201003.817 S2C2T1 Fl. 138 9 § 2o Os custos a que se refere o § 1o, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. § 1o No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2o Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3o O disposto no § 2o aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). O caso concreto tratado neste processo se enquadra na descrição do § 2º acima transcrito, já que o contribuinte alienou o bem antes da entrega da DIAT do ano de alienação, situação em que a apuração do ganho de capital deve ser feita com base nos documentos de aquisição e de alienação. É de se registrar que esses documentos foram elaborados a partir de informações levadas a registro pelas partes do negócio e merecem fé pública. A despeito disso, não houve qualquer esforço do contribuinte em demonstrar que os valores ali declarados não correspondem à realidade do negócio entabulado. Questiona também o sujeito passivo o fato de a decisão de piso não ter especificado qual o uso ou finalidade conferidos ao imóvel justificariam afastar o direito à isenção. Com esse argumento, parece contestar o seguinte trecho da decisão recorrida: Além disso, o uso ou a finalidade conferidos ao imóvel pelo impugnante, antes da alienação, não afastam a incidência da norma que tributa o ganho de capital decorrente, não estando tal circunstância elencada entre as hipóteses de não incidência ou exclusão estabelecidas na lei tributária federal (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, parágrafo único, Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, arts. 120 a 122). Fl. 142DF CARF MF 10 Não identifico qualquer impropriedade nesse excerto, já que ele apenas evidencia que invocar a natureza da atividade desenvolvida na propriedade não traz benefício ao contribuinte, já que a isenção pleiteada não tem qualquer relação com esse critério. Por tudo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitando a preliminar de nulidade, no mérito, negarlhe provimento. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720335/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
PRELIMINAR. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de realização de perícia, provas documentais e testemunhais não caracterizam cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA DE SERVIÇOS CONTÁBEIS. REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADOS E A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA.
Empresa optante do Simples Nacional, que presta serviços contábeis, está obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e a contribuintes individuais, na forma e no prazo estabelecidos na lei vigente à época dos fatos geradores.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O dispositivo que tratava da contribuição previdenciária sobre valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho foi julgado inconstitucional pelo Plenário do supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida.
PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, deve-se atribuir efeitos retroativos à legislação tributária que comine penalidade menos severa.
Numero da decisão: 2201-003.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 20/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 PRELIMINAR. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia, provas documentais e testemunhais não caracterizam cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA DE SERVIÇOS CONTÁBEIS. REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADOS E A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. Empresa optante do Simples Nacional, que presta serviços contábeis, está obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e a contribuintes individuais, na forma e no prazo estabelecidos na lei vigente à época dos fatos geradores. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O dispositivo que tratava da contribuição previdenciária sobre valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho foi julgado inconstitucional pelo Plenário do supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, deve-se atribuir efeitos retroativos à legislação tributária que comine penalidade menos severa.
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SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 PRELIMINAR. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia, provas documentais e testemunhais não caracterizam cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA DE SERVIÇOS CONTÁBEIS. REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADOS E A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. Empresa optante do Simples Nacional, que presta serviços contábeis, está obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e a contribuintes individuais, na forma e no prazo estabelecidos na lei vigente à época dos fatos geradores. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O dispositivo que tratava da contribuição previdenciária sobre valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho foi julgado inconstitucional pelo Plenário do supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, devese atribuir efeitos retroativos à legislação tributária que comine penalidade menos severa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 03 35 /2 01 1- 60 Fl. 555DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 20/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Consoante Relatório Fiscal de fls. 27 a 38, o presente processo contempla créditos relativos às contribuições previdenciárias/sociais e ao descumprimento de obrigação acessória, apurados no período de 07/2007 a 12/2008. Acrescenta esse relatório que: i) serviram de base para o lançamento as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais e valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho (UNIMED); ii) foram lavrados os seguintes Autos de Infração: • nº 37.331.9029 Em face das contribuições empresarial (20 % incidente sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais e 15 % sobre o valor dos serviços da cooperativa UNIMED) e das destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos Fl. 556DF CARF MF Processo nº 15983.720335/201160 Acórdão n.º 2201003.716 S2C2T1 Fl. 3 3 riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT (1 % incidente sobre as remunerações dos empregados); Valor, consolidado em 26/09/2011, importa em R$ 195.987,15 (cento e noventa e cinco mil, novecentos e oitenta e sete reais e quinze centavos); já incluídos aí os juros e as multas de mora e de ofício incidentes sobre o débito originário. • nº 37.331.9002 Pelo descumprimento de obrigação acessória, prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, nas competências de 09/2008 a 11/2008; Aplicada a multa no valor de R$ 9.146,58 (nove mil, cento e quarenta e eis reais e cinquenta e oito centavos), em conformidade com o § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. • nº 37.331.9010 Pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, nas competências de 09/2008 a 11/2008; Aplicada a multa no valor de R$ 457,32 (quatrocentos e cinquenta e sete reais e trinta e dois centavos), em conformidade com o § 6º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, por inexistir agravante. iii) a situação verificada constitui, em tese, crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, de acordo com o art. 337A, inciso I, do Código Penal, na redação dada pela Lei nº 9.983/2000, razão pela qual será emitida Representação Fiscal para Fins Penais. iv) em razão do advento da Medida Provisória – MP nº 449, de 04/12/2008, que alterou o valor da multa, efetuouse a comparação desta com a vigente à época da ocorrência dos fatos tributários, o que culminou na aplicação da multa vigente à época em face das competências de 09/2008 a 11/2008, e, inclusive, no que se refere ao descumprimento da obrigação acessória, e aplicouse a multa de ofício (MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009) para as competências de 07/2007 a 08/2008, em cumprimento do art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN (princípio da retroatividade mais benigna). Consta, ainda, do relatório fiscal que: 6.2. (...), conforme Primeira Alteração Contratual, ... em 31/05/2007 (Anexo IV), o objeto social passou a ser a exploração do ramo de atividade de prestação de serviços de reparação e manutenção de equipamentos de informática. A Segunda alteração Contratual, de 30/05/2007 (sic), ... tem como objeto social prestação de serviços de reparação e manutenção de serviços de informática e serviços na gestão empresarial, escrituração e digitação. Na Terceira alteração Contratual, de Fl. 557DF CARF MF 4 11/02/2009, ... o objeto social volta a ser a prestação de serviços complementares na gestão empresarial, escrituração e digitação e preparação de documentos e serviços de apoio administrativo. De acordo com Notas Fiscais de Serviços 139 a 157 (Anexo VII), (...), a empresa só prestou serviço à empresa Adição Contábil e Auditores Independentes S/S Ltda., ... Conforme GFIP ... de 07/2007 a 13/2008 a Adição Contábil operou com apenas três funcionários (Anexo VIII), ... Enquanto que a J. A. Serviços Empresariais Ltda. – ME, empresa optante do Simples Nacional que não precisava recolher a parte patronal (Anexo I), funcionava com os empregados que vieram a ser da Adição Contábil, o que se verifica na GFIP 05/2009 da J. A. Serviços Empresariais Ltda. (Anexo IX), em que os funcionários foram transferidos para sua única cliente a Adição Contábil, conforme GFIP 06/2009, ... A partir de 06/2009, a empresa J. A. Serviços Empresariais Ltda. – ME encontrase praticamente sem funcionários (Anexo XI), ou seja, prestou serviços com empregados do ramo de Contabilidade, em período que os escritórios de contabilidade recolhiam também a quota patronal sobre a folha de pagamento de salários. Embora o seu objeto social permitisse, a J. A. Serviços Empresariais Ltda. não empregou nenhum profissional na área da informática, ... 8. Cumpre esclarecer, que intimada a J. A. Serviços Empresariais Ltda. – ME, ... a apresentar o Contrato ... celebrado entre a J. A. e a Adição Contábil, a mesma esclareceu através de declaração, ..., que o contrato foi verbal e tinha por objeto a manutenção de equipamentos de informática sem fornecimentos de peças, preparação de documentos para remessa aos clientes, preparação e organização dos documentos para arquivamento, arquivamento em pastas suspensas, digitação, preenchimento de formulário e apoio administrativo. Para fins de reunir elementos de prova foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência ..., na empresa Adição Contábil & Auditores Independentes SS Ltda. Intimada ... a mesma apresentou os Livros Caixa, anos calendários de 2007 e 2008... Intimada a empresa a apresentar os recibos de serviços executados por Rodrigo Braga e os documentos relativos às aquisições de peças, ..., a empresa não apresentou os recibos ... e alegou que os recibos de aquisições de peças de informática foram extraviados, ... Assim sendo, a empresa não comprovou através de contabilidade, registrada á época dos fatos, nem documentalmente a inequívoca convicção da efetiva prestação de serviços de manutenção de equipamentos de informática, pela J. A. Serviços Empresariais Ltda. ME, para a Adição Contábil & Auditores Independentes SS Ltda. Ou seja, só atuou no ramo de contabilidade. (...) 11. Diante do exposto ... a empresa J. A. Serviços Empresariais Ltda. ME, apesar de optante do Simples Nacional, tem que recolher a parte patronal, uma vez que prestou serviços de atividades de contabilidade, ... 12. Esclarecemos que em todo o período fiscalizado o valor integral da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais (Levantamentos FP, CI e CT) foi Fl. 558DF CARF MF Processo nº 15983.720335/201160 Acórdão n.º 2201003.716 S2C2T1 Fl. 4 5 considerado como não declarado, pois, ... a autuada informou indevidamente ... que se tratava de empresa optante do Simples... A informação indevida implica alteração dos valores das contribuições devidas, tendo em vista que as empresas optantes pelo Simples devem proceder tão somente ao recolhimento da contribuição descontada dos segurados, pois tem as contribuições patronais substituídas. (...) 14. A origem das contribuições devidas é proveniente de importâncias constantes das Folhas de Pagamentos e . (...) 20. As guias de recolhimentos apresentadas à fiscalização ... foram consideradas após consulta. Notificado destes Autos no dia 30092011 (fls. 4), o sujeito passivo impugnouos em 31102011, na forma do expediente juntado às fls. 404 a 416, por meio do qual alega, em síntese, que: não poderia ter sido autuada com fundamento nos parágrafos 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991(...). É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEI VIGENTE. REVOGAÇÃO. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA DE SERVIÇOS CONTÁBEIS. REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. Empresa optante do Simples Nacional, que presta serviços contábeis, está obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregado e contribuinte individual, e incidentes sobre o valor dos serviços prestados por cooperativa, na forma e no prazo estabelecidos em lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO RECOLHIMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Fl. 559DF CARF MF 6 Sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora e/ou de ofício. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei nova aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. INCORREÇÕES. AUTO DE INFRAÇÃO. A GFIP entregue, na rede bancária, com informações incorretas ou omissas está sujeita ao auto de infração. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. AUTORIDADE JULGADORA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá a perícia que considerar prescindível. DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO. Os documentos devem ser apresentados na impugnação, sob pena de preclusão. SUSTENTAÇÃO ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. INDEFERIMENTO. No existe, no âmbito administrativo de primeira instância, a previsão de defesa oral. Pedido nesse sentido é indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação e dispôs os seguintes argumentos: a) houve cerceamento do direito de defesa, tendo em vista o indeferimento do pedido de produção de prova testemunhal e pericial; b) no que se referem aos DEBCADs 37.331.9002 e 37.331.901 0, a decisão não foi acertada quanto à aplicação da multa de 100% e não de 75%; c) houve retroatividade na lei no tempo com a aplicação da sanção com base no parágrafo IV do artigo 32 da Lei 8.212/91, pois o mencionado inciso foi acrescido pela Lei 11.941/2009 e os fatos ocorreram nos anos de 2007/2008; d) foi aplicada sanção com base nos parágrafos 5º e 6º do artigo 32 e artigo 34 da Lei 8.212/91 que foram revogados pela medida provisória n.º 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009; e) a decisão de primeira instância conformou, equivocadamente, sem nenhuma prova, que a recorrente exerceu atividade de contabilidade e não àquela constante do contrato social e a Fl. 560DF CARF MF Processo nº 15983.720335/201160 Acórdão n.º 2201003.716 S2C2T1 Fl. 5 7 efetivamente exercida, confirmando o auto de infração que considera as remunerações dos segurados contribuintes individuais, empregados e faturas da UNIMED não declarados na GFIP, aplicando multa; f) a auditora fiscal foi contraditórias nas informações do relatório, pois autuou a recorrente por não ter declarado as remunerações dos empregados e contribuintes individuais, porém, ao mesmo tempo, afirma que os erros contidos na GFIP não interferem no fato gerador da contribuição previdenciária; g) afirma que as GFIPs foram entregues corretamente e tempestivamente com todas as informações necessárias; h) a recorrente ingressou com recurso administrativo, sob o n.º 10845.002097/200791, obtendo êxito, conforme acórdão de n.º 0532.364, 1ª Turma da DRJ/CPS, em que foi reconhecido o direito de optar pelo SIMPLES; i) no período fiscalizado, a recorrente tinha como objeto social manutenção de equipamentos de informática sem fornecimento de peças. Preparação de documentos para remessa aos clientes; preparação e organização dos documentos para arquivamento; arquivamento dos documentos em pastas suspensas; digitação, preenchimento de formulários e apoio administrativo; j) os sócios, à época, não eram contadores, mas apenas empresários; k) inaplicabilidade da multa de ofício, considerando que, por estar enquadrada no simples, entregou GFIP de acordo com o estabelecido em Lei e recolheu as contribuições retidas; l) não houve dolo ou máfé da recorrente; m) pleiteia provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas, especialmente testemunhal, pericial, documental e juntada de novos documentos. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da preliminar de cerceamento do direito de defesa A recorrente alega que houve cerceamento do direito de defesa, tendo em vista o indeferimento do pedido de produção de prova testemunhal e pericial. Fl. 561DF CARF MF 8 Apesar dos argumentos colacionados pela defesa, não se vislumbra a existência de cerceamento do direito de defesa, pois foi devidamente instaurado o contraditório e a ampla defesa, de modo que a fiscalizada teve a possibilidade de se defender e apresentar as provas aptas a demonstrar fatos extintivos ou modificativos do direito da Fazenda Nacional quanto ao tributo em questão. Ao julgador cabe avaliar a necessidade de conversão em diligência para a produção de provas que se fizerem necessárias ao seu convencimento. O art. 18 do Decreto 70.235/72 dispõe que a realização de diligências ou perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, conforme abaixo transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Portanto, o julgador é livre na apreciação e na solicitação de provas, de modo que não assiste razão a recorrente sob esse aspecto, pois as provas constantes dos autos são suficientes para a análise da controvérsia. 2. Do mérito 2.1. Da obrigatoriedade de recolhimento das contribuições previdenciárias de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212/1991 Conforme narrado, os presentes autos são consequência do desenquadramento do Código de Descrição da Atividade Econômica Principal (CNAE) da atividade de preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo não especificado anteriormente (CNAE da atividade econômica principal 82.19999) para a atividade de contabilidade (CNAE 69.20601). Assim a empresa recorrente, apesar de ser optante pelo Simples Nacional, tem a obrigação de recolher a parte patronal, considerando a prestação de serviços de contabilidade, conforme itens 6 a 10 do Relatório Fiscal de fls. 27 e seguintes (fls. 3 e seguintes do arquivo digital denominado Documentos Comprobatórios 25 a 109), no período autuado (07/2007 a 12/2008). Durante a ação fiscal, constatou a fiscalização que a J.A prestou serviços somente à Adição Contábil; não houve comprovação da prestação de serviços de reparação e de manutenção de equipamentos de informática e a J.A. não contratou empregado para essa área; em diligência à tomadora de serviços, não se apurou que a autuada tenha prestado outro serviço, conforme item 8 do relato fiscal abaixo transcrito: 8. Cumpre esclarecer, que intimada a J. A. Serviços Empresariais Ltda. – ME, (...) a apresentar o Contrato (...) celebrado entre a J. A. e a Adição Contábil, a mesma esclareceu através de declaração, (...), que o contrato foi verbal e tinha por objeto a manutenção de equipamentos de informática sem fornecimentos de peças, preparação de documentos para remessa aos clientes, preparação e organização dos documentos para arquivamento, arquivamento em pastas suspensas, digitação, preenchimento de formulário e apoio administrativo. Para fins de reunir elementos de prova foi expedido o Mandado Fl. 562DF CARF MF Processo nº 15983.720335/201160 Acórdão n.º 2201003.716 S2C2T1 Fl. 6 9 de Procedimento Fiscal de Diligência (...), na empresa Adição Contábil & Auditores Independentes SS Ltda. ... Intimada a empresa a apresentar os recibos de serviços executados por Rodrigo Braga e os documentos relativos às aquisições de peças, (...), a empresa não apresentou os recibos (...) e alegou que os recibos de aquisições de peças de informática foram extraviados, (...) As contribuições exigidas, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212/1991, incidentes sobre remunerações pagas a segurados e sobre valores pagos a cooperativa por escritório de serviços contábeis não foram contempladas pelo Simples Nacional, conforme dispõe o inciso V, do § 5º, do art. 18 (na redação vigente à época) da Lei Complementar nº 123/2006, como segue: Art. 18. (...) § 5º (...) V as atividades de prestação de serviços previstas nos incisos XIX a XXVIII do § 1º do art. 17 desta Lei Complementar serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis; (Redação dada pela Lei Complementar nº 127, de 2007) Desse modo, escritório de serviço contábil, ainda que optante do Simples Nacional está obrigado ao recolhimento das contribuições previdenciárias de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Como bem destacou a decisão recorrida, o relatório fiscal e seus anexos, correspondentes aos Autos de Infração em questão, foram suficientemente claros e precisos quantos aos fatos tributários que os representam – que constituem nas remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais e valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho, informados/declarados nas GFIP –, e quanto às contribuições, aos valores e períodos a que se referem. Portanto, a decisão vergastada não merece reparo, nesse ponto. 2.2. Da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho Compulsandose os autos, observase que serviram de base para o lançamento as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais e valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho (UNIMED). Acerca do tema, o art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação conferida pela Lei 9.876/99, assim tratava: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são Fl. 563DF CARF MF 10 prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).(Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016). Entretanto, tal dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos pelo Plenário do supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n.º 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Consoante o artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC devem ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, no julgamento dos recursos. Assim, deve ser excluído do lançamento o levantamento relativo às cooperativas, inclusive sua repercussão nas obrigações acessórias. 2.3. Das obrigações acessórias No que concerne às obrigações acessórias, foi lavrado o DEBCAD 37.331.9002 CFL 68 (apresentar a empresa o documento que se refere o art. 32, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias) e o DEBCAD 37.331.9010 CFL 69 (apresentar a empresa o documento a que se refere o art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias). Aduz a recorrente que os parágrafos 5º e 6º do artigo 32 e o artigo 34, ambos da Lei 8212/91 forma revogados pela medida provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Acerca da matéria, cumpre esclarecer que os artigos da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 9.528/97, que tratavam das penalidades por descumprimento de obrigações principais e acessórias tinham a seguinte redação: Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado Fl. 564DF CARF MF Processo nº 15983.720335/201160 Acórdão n.º 2201003.716 S2C2T1 Fl. 7 11 pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; O presente caso referese ao descumprimento das duas obrigações: principal e acessória. Fl. 565DF CARF MF 12 O entendimento adotado por esse Conselho é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei 8212/91 não contivessem a expressão lançamento de ofício, as penalidades aplicadas tinham natureza de multas de ofício. Fazse, portanto, relevante a aplicação da legislação mais benéfica ao contribuinte, consoante o disposto no art. 106, inciso II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei 11.941/2009, a fim de se aplicar a retroatividade benigna. A legislação atual traz os seguintes contornos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em Fl. 566DF CARF MF Processo nº 15983.720335/201160 Acórdão n.º 2201003.716 S2C2T1 Fl. 8 13 legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Observase que, com o advento da Lei n.º 11.941/2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP sujeita o contribuinte a uma única multa no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença da contribuição, previsão contida no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. A interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96. Diante desse contexto, as exigências em questão devem pautarse no comando contido no art. 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, o órgão responsável pelo cumprimento deverá recalcular o valor da penalidade a fim de verificar qual critério seria mais benéfico ao contribuinte, a saber a soma das multas vigentes à época do fato gerador ou a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44, da Lei 9.430/96. Assim, determino o recálculo da multa aplicada, consoante o art. 476A da Instrução Normativa RFB n.º 971, de 13 de novembro de 2009. 2.4. Dos pedidos de produção de provas Quanto aos pedidos finais da recorrente sobre apresentação de novas provas (periciais, testemunhais e documentais), aplico o mesmo entendimento exposto no item 1 desse voto, no qual restou consignado o posicionamento no sentido da discricionariedade do julgador para a apreciação e solicitação de provas. Dessa forma, tendo em vista que os presentes autos estão suficientemente instruídos para seu deslinde, considero prescindível a apresentação de novas provas. Fl. 567DF CARF MF 14 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento para: a) determinar o recálculo da multa aplicada, conforme o disposto no art. 476A da Instrução Normativa RFB n.º 971, de 13 de novembro de 2009; b) excluir do lançamento o levantamento relativo às cooperativas, inclusive sua repercussão nas obrigações acessórias. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 568DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002174/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, I, DO CTN.STJ. RESP 973.733/SC. RECURSOS REPETITIVOS. RICARF, ART. 62, § 1º, II, B.
Não tendo ocorrido antecipação de pagamento, conta-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado (CTN, Art. 17, I), conforme restou decidido pelo E. STJ no julgamento do REsp 973.733/SC, sob o rito do artigo 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/76).
Conforme determina o artigo 62, § 1º, II, b, do RICARF (Port. MF nº 343/15), ao membro do conselho é vedado afastar a aplicação de lei ou deixar de observá-la diante de arguição de inconstitucionalidade, exceto quando diante de hipótese que fundamente crédito tributário objeto de decisão definitiva do STF ou STJ em sede de julgamento realizado na sistemática dos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
No caso dos autos, com lançamento na modalidade de arbitramento, para os fatos geradores do IRRF ocorridos em 2005 e 2006, o lançamento poderia ter sido realizado em 2006 e 2007, respectivamente, tendo como marcos iniciais do prazo decadencial, 01/01/2006 e 01/01/2007, e como prazos finais, 31/12/2010 e 31/12/2011. No caso dos autos, a notificação se deu em 10/08/2010, período em que ainda não havia expirado o prazo decadencial.
INCONSTITUCIONALIDADE. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EXTRATOS BANCÁRIOS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. STF. RE 601.314/SP. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF, ART. 62, § 1º, II, B.
O artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, conforme decisão terminativa de mérito transitada em julgado proferida pelo E. STF em sede de repercussão geral (CPC, Art. 1.036) no RE 601.314/SP, Sessão de 24/02/2016.
Conforme determina o artigo 62, § 1º, II, b, do RICARF (Port. MF nº 343/15), ao membro do conselho é vedado afastar a aplicação de lei ou deixar de observá-la diante de arguição de inconstitucionalidade, exceto quando diante de hipótese que fundamente crédito tributário objeto de decisão definitiva do STF ou STJ em sede de julgamento realizado na sistemática dos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. LEI 8.981/95, ART. 61.
Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem.
Sujeição passiva solidária artigo 124, I do CTN. Fato Gerador Tributável. Interesse comum Existência. Caracterização.
Uma vez que os fatos alegados pelo fisco se amoldam ao tipo previsto no artigo 124 do CTN, há que se sustentar a caracterização de sujeição passiva solidária de terceiros, dados seus interesses comuns na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal.
Neste contexto, a fiscalização é competente para identificar o sujeito passivo da obrigação, cujo conceito abrange os responsáveis solidários.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO E FRAUDE. CABIMENTO.
A conduta fraudulenta do contribuinte a que se referem os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, acarreta a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 31/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, I, DO CTN.STJ. RESP 973.733/SC. RECURSOS REPETITIVOS. RICARF, ART. 62, § 1º, II, “B”. Não tendo ocorrido antecipação de pagamento, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado (CTN, Art. 17, I), conforme restou decidido pelo E. STJ no julgamento do REsp 973.733/SC, sob o rito do artigo 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/76). Conforme determina o artigo 62, § 1º, II, “b”, do RICARF (Port. MF nº 343/15), ao membro do conselho é vedado afastar a aplicação de lei ou deixar de observála diante de arguição de inconstitucionalidade, exceto quando diante de hipótese que fundamente crédito tributário objeto de decisão definitiva do STF ou STJ em sede de julgamento realizado na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. No caso dos autos, com lançamento na modalidade de arbitramento, para os fatos geradores do IRRF ocorridos em 2005 e 2006, o lançamento poderia ter AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 21 74 /2 01 0- 13 Fl. 2147DF CARF MF 2 sido realizado em 2006 e 2007, respectivamente, tendo como marcos iniciais do prazo decadencial, 01/01/2006 e 01/01/2007, e como prazos finais, 31/12/2010 e 31/12/2011. No caso dos autos, a notificação se deu em 10/08/2010, período em que ainda não havia expirado o prazo decadencial. INCONSTITUCIONALIDADE. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EXTRATOS BANCÁRIOS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. STF. RE 601.314/SP. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF, ART. 62, § 1º, II, “B”. O artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, conforme decisão terminativa de mérito transitada em julgado proferida pelo E. STF em sede de repercussão geral (CPC, Art. 1.036) no RE 601.314/SP, Sessão de 24/02/2016. Conforme determina o artigo 62, § 1º, II, “b”, do RICARF (Port. MF nº 343/15), ao membro do conselho é vedado afastar a aplicação de lei ou deixar de observála diante de arguição de inconstitucionalidade, exceto quando diante de hipótese que fundamente crédito tributário objeto de decisão definitiva do STF ou STJ em sede de julgamento realizado na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. LEI 8.981/95, ART. 61. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Sujeição passiva solidária artigo 124, I do CTN. Fato Gerador Tributável. Interesse comum Existência. Caracterização. Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.090 3 Uma vez que os fatos alegados pelo fisco se amoldam ao tipo previsto no artigo 124 do CTN, há que se sustentar a caracterização de sujeição passiva solidária de terceiros, dados seus interesses comuns na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Neste contexto, a fiscalização é competente para identificar o sujeito passivo da obrigação, cujo conceito abrange os responsáveis solidários. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO E FRAUDE. CABIMENTO. A conduta fraudulenta do contribuinte a que se referem os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, acarreta a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recursos Voluntários (fls. 726/766 e 776/816) interpostos pelos sujeitos passivos solidários Maurício Detoni e Marcelo Detoni contra decisão da DRJ Juiz de Fora (fls. 701/716) que julgou improcedentes suas Impugnações (fls. 610/646 e 656/692) e manteve o crédito tributário lançado pelo Auto de Infração (fls. 04/62), relativo à Fl. 2149DF CARF MF 4 movimentação financeira incompatível com a receita declarada da pessoa jurídica autuada nos anoscalendário 2005 e 2006, que em procedimento fiscalização apurou imposto no valor de R$ 1.575.189,77, com multa de ofício qualificada no percentual de 150% (R$ 2.362.784,34); e juros de mora de R$ 803.695,24, no valor total de R$ 4.741.669,35. 2 Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 47/62), no anocalendário de 2005, a empresa autuada movimentou em suas contas bancárias o valor de R$ 27.785.109,28 e, em 2006, o volume de R$ 11.159,438,80. 3 O lançamento é fundamentado na seguinte infração: Falta de recolhimento de IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada (RIR/99, Art. 674, §1°), em razão da qual foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em desfavor de Marcelo Benoti e Maurício Detoni (fls. 579 e 580), os quais apresentaram Impugnações com identidade de conteúdo e forma, cujos principais termos foram relatados no reporte do julgador de piso, que por sucinto e claro, descrevo adiante: “II DO DIREITO II.1 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ART. 124 DO CTN [..] para que ocorra a responsabilização nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, é necessária a existência de "interesse comum", que decorra de uma situação jurídica, ou seja, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. [..] a desconsideração de atos ou negócios jurídicos (in casu, a saída dos Srs. Marcelo Detoni e Mauricio Detoni do quadro societário da empresa, devidamente registrada) pela Autoridade Fiscal não pode ser realizada de forma discricionária, como de fato ocorreu na presente fiscalização para justificar um absurdo "interesse comum". [..] mesmo após a edição da Lei Complementar n° 10412001, que incluiu o comando contido no parágrafo único no art. 116 do CTN, a desconsideração e atos ou negócios jurídicos não pode ser efetivada pelo Fisco, em razão da ausência de legislação ordinária que estabelece as regras para a "atividade " de desconsideração por parte da Autoridade Fiscal [...]. [..] caso restasse efetivamente comprovado que os Srs. Marcelo Detoni e Maurício Detoni são sócios de fato da empresa fiscalizada, a sua Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.091 5 responsabilização deveria respeitar o art. 135 do CTN e não o art. 124 do mesmo código [...]. II. 2 DA DECADÊNCIA [..] as competências de janeiro a julho de 2005 foram atingidas pelo instituto da decadência, tal como previsto no artigo 15° §4° do Código Tributário Nacional. II.3 DA INCONSTITUCIONALIDADE DA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO Os lançamentos [..] tiveram por base, exclusivamente, a movimentação bancária da empresa autuada, obtida por esta autoridade fiscal sem a intervenção do Poder Judiciário, o que denota flagrante afronta ao princípio da reserva legal. [..] se aceitasse por absurdo que fosse a possibilidade da autoridade fiscal ser investida dos poderes de jurisdição inerentes aos magistrados, através da Lei Complementar n° 105/2001, ainda assim seria inconstitucional a quebra do sigilo bancário da impugnaste, por exclusiva ordem do funcionário do Poder Executivo, mediante o simples envio para instituição financeira de documento denominado [..] RMF, quando o art. 4º, § 7°, do Decreto n° 3.724/2001 não exige que a RMF apresente entre os seus requisitos obrigatórios a fundamentação que trata o art. 93, LX, da CF188. II.4 DO INDEVIDO LANÇAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA COM BASE EXCLUSIVAMENTE EM EXTRATOS BANCÁRIOS [..] ao enumerar os depósitos do tipo "DP BLQ" na apuração da base de cálculo dos tributos lançados (presumida ou não), a Autoridade Coatora agiu de forma totalmente equivocada, pois, realizou o lançamento sobre supostos depósitos que sequer possuem confirmação, ou seja, sobre créditos não confirmados. [...] como a Autoridade Fiscal não verificou se as transferências foram realizadas entre as contas da empresa autuada, não se pode considerar as mesmas como base de cálculo de tributação, pois, desse modo, estaria cobrando a tributação duas vezes sobre a mesma base de cálculo. 11.5 DA MULTA CONFISCATÓRIA [..] é ilegal e inconstitucional afixação de multa à alíquota de 150% [...].” Fl. 2151DF CARF MF 6 4 A decisão da DRJJuiz de Fora (fls. 374/387) julgou improcedente as Impugnações dos sujeitos passivos solidários, conforme assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência material para apreciar inconstitucional idade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário. DECADÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento e, caracterizado o dolo, aplicase, na espécie, a regra do inciso I do art. 173 do CTN, não importando se houve ou não declaração, contando se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Uma vez que os fatos alegados pelo fisco se amoldam ao tipo previsto no artigo 124 do CTN, há que se sustentar a caracterização de sujeição passiva solidária de terceiros, dados seus interesses comuns na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2005, 2006 HIPÓTESE CLÁSSICA DO ANTECEDENTE DE NORMA DISPOSITIVA. SUJEIÇÃO AO SEU CONSEQUENTE. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado. Tal incidência aplicase ainda aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.092 7 5 Cientificados da decisão de piso (fls. 724/725), irresignados, os sujeitos passivos solidários interpuseram Recursos Voluntários (fls. 726/766 e 776/816), nos seguintes termos: a. “(...) resta claro que os Srs. Marcelo Detoni e Mauricio Detoni não podem ser responsabilizados pelo Auto de Infração ora recorrido, uma vez que não restou comprovado de forma inequívoca o "interesse comum" na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, não houve comprovação efetiva de que os mesmos são sócios de fato da empresa atuada. (...) a Autoridade responsabilizoulhes indevidamente com base no art 124 do CTN (regra geral), quando deveria ter respeitado a regra especial existente para sócios, qual seja, o art 135 do CTN.” b. Já não se encontravam no quadro societário da empresa atuada no período fiscalizado, fato este desconsiderado pela autoridade fiscal que tentou enquadrálos como sócios e, desse modo, responsabilizálos pela obrigação constituída; c. Operouse a decadência, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, para os fatos geradores ocorridos em data anterior a 5 (cinco) anos do lançamento; d. É ilegal a quebra de sigilo bancário sem ordem judicial prévia; e. É ilegal o lançamento de IRRF efetuado pela autoridade fiscal com base exclusivamente em informações bancárias; f. Inocorreu situação que justificasse a qualificação da multa de ofício aplicada, que tem natureza confiscatória. 6 Posteriormente, os Recorrentes apresentaram Memoriais (fls. 827/834), reiterando cada um dos temas acima elencados, nos seguintes termos: a. “Para que ocorra a responsabilização nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, é necessária a existência de "interesse comum, que decorra de uma situação jurídica, ou seja, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.”; Fl. 2153DF CARF MF 8 b. Além do interesse comum, a caracterização da responsabilidade tributária disposta no artigo 124, I, do CTN depende da prova inequívoca de que os Recorrentes teriam interesse comum na situação que constituía o fato gerador, e não em meras suspeitas, conforme é o caso doa autos; c. “(...) a Autoridade Fiscal não apresentou uma prova inequívoca, ao contrário, apresentou uma alegação totalmente incompleta, duvidosa, sem nenhum rastro de certeza. E o pior, tal Autoridade possuía totalcondição de efetuar uma análise mais aprofundada, mais detalhada, só que a mesma optou por presumir prematuramente um fato que, na verdade, não corresponde com a realidade dos fatos (...)”; d. Reafirmaram não serem sócios da autuada no período fiscalizado, fato este desconsiderado pela autoridade fiscal que tentou enquadrálos como sócios e, desse modo, responsabilizálos pela obrigação constituída, conduta entendida como discricionária; e. Se os Recorrentes forem considerados como sócios da empresa autuada, para que sejam responsabilizados pela dívida tributária, sua conduta deve se adequar aos requisitos elencados no artigo 135 do CTN, pois essa é a regra para os sócios, não podendo ser enquadrados na regra geral do artigo 124, do CTN; f. Reiteraram os demais argumentos apresentados nas razões recursais. 7 Pautado em sessão de 11/05/2017 os recorrentes impetraram mandado de segurança perante a Justiça Federal tendo por objeto o bônus de produtividade da MP 765/16, em que foi concedida liminar para retirada de pauta do processo. Cassada a medida liminar através de Agravo em decisão do Presidente do TRF da 1ª Região, estes autos foram pautados para essa sessão de Julho de 2017. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso 8 Os recursos compulsados estão previstos no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal , são tempestivos, se encontram Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.093 9 devidamente fundamentados e foram interpostos por quem detém legitimidade para recorrer e possui interesse em reformar a decisão da DRJ. Portanto, deles conheço, passando ao exame do mérito. Preliminares Decadência 9 Nas suas razões recursais, alegam os Recorrentes, embasados no artigo 150, § 4º, do CTN, ter ocorrido a decadência de parte do crédito tributário lançado, relacionada aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a julho de 2005, pois foram cientificados do lançamento através do auto de infração recebido por eles em 10/08/2010 e, assim, estaria decaído o direito do fisco exigir tributo antes dessa data. 10 De início, cumpre esclarecer sobre a existência de dois momentos legalmente distintos considerados como termo a quo para a contagem da decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário. 11 O primeiro momento, regido pelo artigo 150, § 4°, do CTN, dispõe que o dies a quo para contagem da decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário deve ser considerado a data em que foi recolhido de forma parcial e antecipada o tributo sujeito a lançamento por homologação, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 12 O outro momento, amparado pelo artigo 173, I, do CTN, dispõe que o dies a quo para contagem da decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário deve ser considerado o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado, o que ocorreu no caso dos autos. 13 A jurisprudência definitiva do STJ sobre essa matéria, definida em julgamento sob o rito do artigo 543C do antigo CPC (“recursos repetitivos”), ratifica o entendimento acima esposado, decidindo que, na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para lançamento do crédito segue a regra do artigo 173, I, do CTN. Entretanto, no caso de pagamento antecipado do tributo, Fl. 2155DF CARF MF 10 mesmo que a menor, e não sendo constatado dolo ou fraude, a regra legal aplicável para decadência é aquela prescrita no artigo 150, § 4º, do CTN. Vejamos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.094 11 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos nossos) 14 No mesmo sentido, o E. STJ vem confirmando seu entendimento, conforme julgados abaixo: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MENOR. TERMO A QUO. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. (...) 2. O STJ possui jurisprudência no sentido de que, na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo Fl. 2157DF CARF MF 12 decadencial para lançamento do crédito segue a regra do art. 173, I, do CTN. Entretanto, no caso de pagamento antecipado, mesmo que a menor, e não havendo dolo ou fraude, a regra legal aplicável para decadência é a do art. 150, § 4º, do CTN, o que ocorreu no caso dos autos segundo o acórdão recorrido. (...) (REsp 1.650.765/PE. Segunda Turma. Min. Rel. Herman Benjamin. Julgamento: 28/03/2017. Publicação: DJe 18/04/2017)” (grifei) “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E PAGAMENTO A MENOR. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO A QUO. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. (...) 2. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação não declarados e não pagos, o prazo decadencial contase nos moldes determinados pelo art. 173, I, do CTN, impossível, assim, a sua acumulação com o prazo determinado no art. 150, § 4º, do CTN. Contudo, uma vez efetuado o pagamento parcial antecipado pelo contribuinte, inclusive quando da realização aproveitamento de créditos, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4º, do CTN, salvo os casos de dolo, fraude ou simulação. (...) (AgRg no AREsp 706556. Segunda Turma. Min. Rel. Diva Malerbi (Des. Convocada TRF3). Julgamento: 19/04/2016. Publicação: DJe 27/04/2016)” (grifei) 15 Assim, segundo o entendimento definitivo do STJ sobre a matéria, alicerçado na legislação competente, para que o dies a quo da contagem do prazo decadencial Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.095 13 que tem o fisco para constituir o crédito tributário seja aquele disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, devem ser observadas as seguintes condições: i) pagamento antecipado; ii) pagamento parcial; iii) tributo sujeito a lançamento por homologação; e iv) inocorrência de dolo, fraude ou simulação. 16 Posto isso, aplico o entendimento acima esposado ao caso. 17 Compulsando os autos, entendo não merecerem prosperar as alegações dos Recorrentes, pois verifico não ter sido juntado qualquer documento ou comprovante de arrecadação de tributo. Outrossim, reporta o trabalho fiscal haver dolo dos Recorrentes e fraude na gestão da empresa autuada, decorrente da sua atuação indireta, posto terem sido considerados “sócios de fato” da empresa, situação esta encoberta pela figura de terceiros, conhecidos no jargão popular como "testadeferro" ou "laranjas", conforme conclusão do Termo de Verificação Fiscal, “Item 5.3 Conclusão” (fls. 58). Ainda, o “Item 6 “ do aludido termo reportou a ocorrência de Crime Contra a Ordem Tributada por parte dos Recorrentes (fls. 59). 18 Portanto, em razão desses motivos, entendo que, neste caso, deve ser aplicada a regra de decadência disposta no artigo 173, I, do CTN, que determina como dies a quo para contagem do prazo decadencial de o fisco cobrar o crédito tributário, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado. 19 A partir disso, constato que, para os fatos geradores do IRRF ocorridos em 2005 e 2006, o lançamento poderia ter sido realizado em 2006 e 2007, respectivamente, tendo como marcos iniciais do prazo decadencial, 01/01/2006 e 01/01/2007, e como prazos finais, 31/12/2010 e 31/12/2011. 20 Assim, como a notificação se deu em 10/08/2010 (fls. 607/608), período em que ainda não havia expirado o prazo decadencial, entendo que não ocorreu a decadência. Portanto, neste ponto, nego provimento aos recursos. Quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial Fl. 2159DF CARF MF 14 21 Não merece prosperar a alegação dos Recorrentes quanto à ilegalidade do lançamento fundamentado em extratos bancários, relação de cheques (fls. 63/70 e 931/1.141) e cópias destes obtidos pela fiscalização junto às entidades bancárias, haja visto a permissão a ela conferida pela decisão definitiva de mérito transitada em julgado proferida pelo E. STF no julgamento do RE 601.314/SP, decidido sob o rito do artigo 1.036 do Novo Código de Processo Civil (CPC), publicada no DJE em 16/09/2016, com certidão de trânsito em julgado datada de 11/10/2016, cuja ementa e Acórdão transcrevo abaixo, em obediência ao artigo 62, § 2º do RICARF (Port. MF nº 343/15): “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.096 15 requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (grifei) “ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, em conhecer do recurso e a este negar provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como Fl. 2161DF CARF MF 16 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Brasília, 24 de fevereiro de 2016. Ministro EDSON FACHIN Relator” (grifei) 22 Como visto, pela leitura da decisão terminativa de mérito transitada em julgado proferida pelo E. STF acima transcrita, se percebe que o órgão pautouse no dever do cidadão em pagar tributo; dever de cunho constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade inerente à tributação, a de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, ou seja, respeitar a autonomia individual, mas preservando o autogoverno coletivo. 23 Neste contexto, devo aplicar ao caso em análise o quanto restou decidido pelo STF no julgamento acima colacionado, pelo dever de cumprimento ao artigo 62, §1º, II, “b”, do Regimento Interno deste C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) RICARF (Port. MF nº 343/15) – abaixo transcrito: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.097 17 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)” (grifei) 24 Pelo exposto, neste ponto, nego provimento aos recursos. Mérito IRRF Pagamentos Sem Causa e/ou a Beneficiários Não Identificados 25 O lançamento contestado é fundamentado na exigência de IRRF incidente sobre Pagamentos Sem Causa e/ou a Beneficiários Não Identificados, nos termos do artigo 61, da Lei nº 8.981/95 e artigo 674 do RIR/99 (Dec. nº 3.000/99), a saber: “Lei nº 8.981/95 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” “RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) Pagamento a Beneficiário não Identificado Fl. 2163DF CARF MF 18 Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).” 26 Da leitura dos dispositivos legais acima, se percebe que são sujeitos à incidência do IRRF, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. 27 No caso, pela leitura das razões de mérito dos Recorrentes, mais especificamente do item “II.4 Do Indevido Lançamento de Imposto de Renda com Base Exclusivamente em Extratos Bancários” (fls. 760/761), estes aduzem que a autoridade fiscal agiu de forma coercitiva e equivocada ao efetuar o lançamento com base em supostos depósitos que não possuem confirmação, vale dizer, sobre créditos não confirmados, que denotam inexatidão quantitativa, não podendo, dessa maneira, serem considerados como base para tributação. 28 Em suas palavras: “(...) ao analisar a relação de "DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA" documento integrante do auto de infração recorrido , podese verificar que a maioria dos depósitos considerados pela Autoridade Fiscal contém em seu histórico/classificação a seguinte descrição: "DP BLQ". Tal sigla significa "DEPÓSITO BLOQUEADO", e é utilizado pelas instituições financeiras para os depósitos realizados em caixas automáticos ou efetuados com cheques, ou seja, para valores que precisam de confirmação posterior.” 29 Alegou ainda que: “(...) quando um depósito é realizado em caixas automáticos ou com cheques, apesar de constar imediatamente na conta da pessoa beneficiária o referido depósito de fornia positiva (creditamento), a operação é classificada Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.098 19 como "DP BLQ" DEPÓSITO BLOQUEADO e somente se transformará em efetivo crédito após a confirmação do valor depositado (confirmação dos valores constantes no envelope) ou após a compensação positiva do cheque.” 30 Percebese, pelo teor das alegações, serem estas genéricas, desprovidas de cunho técnico capaz de ilidir as imputações feitas pelo trabalho fiscal, que culminaram na lavra do auto de infração, cujo relatório fiscal assim concluiu: “A Planilha Empresas ligadas a Mauricio e Marcelo Detoni foi confeccionada a partir de dados constantes nos sistemas da RFB. Nela estão relacionadas as empresas em que Mauricio e Marcelo Detoni participam ou participaram do quadro societário. Nesta planilha pode ser observada a grande rotatividade na composição do quadro societário das empresas, evidenciando, s.m.j, dentre outros motivos, uma forma de se beneficiar do Regime de Tributação do Simples. Creio que ficou claramente comprovado que os sócios da Detoni e Zambeli, relacionados nos itens "a" a "d" acima, não tinham capacidade financeira para aquisição de quotas da empresa e que mantinham estreita relação de subordinação profissional com os Detoni. Nos trabalhos desenvolvidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu, conforme relatado no item 2 deste relatório, agregado aos fatos descritos neste tópico, ficou claramente evidenciado que, s.m.j., Mauricio Detoni e Marcelo Detoni são os sócios de fato da empresa Detoni e Zambelli Distribuidora de Carnes Ltda, situação esta encoberta pela figura de terceiros, conhecidos no jargão popular como "testadeferro" ou "laranias". Portanto, tendo restado caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), na autuação efetuada na empresa Detoni e Zambeli Distribuidora de Carnes Ltda, constarão MAURÍCIO DETONI (CPF 014.217.50724) e MARCELO DETONI (011.191.80732) como sujeitos passivos solidários. 6) CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA Fl. 2165DF CARF MF 20 O contribuinte apresentou para a RFB declaração de Inatividade para o anocalendário de 2005 e, no entanto, declarou para a Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais, saídas no valor de R$13.908.981,39 (fls.460 a 486), registrando ainda uma movimentação financeira de R$27.785.109,28. O contribuinte está omisso no anocalendário de 2006 e, no entanto, declarou para a Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais, saídas no valor de R$385.922,40 (fls.483 a 484), registrando ainda uma movimentação financeira de R$11.159.438,80. Em consulta aos sistemas da RFB, verificamos que a empresa BIGPLASTIC EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA, CNPJ 05.812.876/000156, declarou em no exercício de 2007 (anocalendário de 2006), saídas de produtos de sua fabricação para o destinatário DETONI E ZAMBELI no valor de R$39.548,15, evidenciando que a empresa adquiriu embalagens e, portanto, estava em atividade neste ano. A fiscalizada alterou seu domicilio fiscal para Nova Iguaçu no ano calendário de 2006, conforme descrito no item 2 deste relatório. As provas coletadas durante a ação fiscal iniciada pela Delegacia Federal do Brasil em Nova Iguaçu, levaram à convicção de que a DETONI E ZAMBELLI, apenas efetuou uma alteração de endereço no papel e que nunca esteve fisicamente naquela cidade. Omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades tributárias configuram Crime Contra a Ordem Tributária, definido pelo artigo 1° da Lei n° 8.137/1990.” Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.099 21 31 Outrossim, compulsando os autos, se percebe que os Recorrentes não trouxeram aos autos documentação hábil que desnaturasse o quanto apurado no trabalho fiscal. De fato, vêse que a defesa foi embasada apenas em alegações, desacompanhadas de provas que pudessem confrontar a apuração fiscal ou comprovar o real beneficiário ou a verdadeira causa dos pagamentos consubstanciados nos cheques de sua emissão (fls. 107/479) e, por conseguinte, não logrou êxito em rebater as circunstâncias apontadas pela fiscalização que resultaram no lançamento. 32 Assim, entendo que os valores considerados pela fiscalização para apuração do crédito tributário condizem com o quanto disposto na legislação acima informada, razão pela qual voto por negar provimento aos recursos. Solidariedade Passiva Tributária (CTN, Art. 124, I) 33 Os Recorrentes alegam, nas suas razões de recurso, que para que ocorra a responsabilização nos termos do inciso I do artigo 124 do CTN, é necessária a existência de "interesse comum, que decorra de uma situação jurídica”, ou seja, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 34 Aduzem que, além do interesse comum, a caracterização da responsabilidade tributária do mencionado artigo depende da prova inequívoca de que os eles teriam interesse comum na situação que constituía o fato gerador, e não em meras suspeitas, conforme entendem ser o caso das apurações feitas no trabalho fiscal. 35 Afirmam que a Autoridade Fiscal não apresentou uma prova inequívoca, mas sim mera alegação totalmente incompleta, duvidosa, sem nenhum rastro de certeza, e que esta possuía totalcondição de efetuar uma análise mais aprofundada e detalhada dos fatos que imputa a eles, só que a mesma optou por presumir prematuramente um fato que, na verdade, não correspondeu com a realidade, entendendo ser esta uma conduta discricionária. 36 Declaram ainda que, se forem considerados sócios da empresa autuada, para que sejam responsabilizados pela dívida tributária, sua conduta deve se adequar aos Fl. 2167DF CARF MF 22 requisitos elencados no artigo 135 do CTN, pois essa é a regra para os sócios, não podendo ser enquadrados na regra geral do artigo 124 do CTN. 37 Inicialmente, cumpre frisar que, quanto à “responsabilidade de terceiro”, há duas normas jurídicas específicas, a saber: i) a “responsabilidade solidária”, prevista no artigo 124 do CTN, relativa ao fato gerador, com condutas e agentes próprios; e ii) a “responsabilidade de terceiros”, prevista no artigo 135 do CTN, que respondem pelo crédito tributário não por terem praticado o fato gerador da obrigação tributária, mas sim por condutas próprias que importem em violação de direito. 38 Na responsabilidade solidária, a defesa e o recurso abrangem tanto as questões relacionadas ao mérito da autuação como os fatos que caracterizam a solidariedade. 39 Nos casos de responsabilidade de terceiro, a defesa deste se relaciona às infrações que lhes são imputadas (ação ou omissão contrária à lei). 40 Feitos estes esclarecimentos, passo à análise dos fatos. 41 Encontrase nos autos rico conjunto probatório, a ver o Relatório Fiscal e os documentos que o alicerçaram, os quais entendo terem comprovado o nexo causal entre as condutas e o tipo legal previsto no artigo 124 do CTN, de sorte que restaram bastantes caracterizadas as sujeições passivas solidárias atermadas, conforme análise adiante. 42 De plano, mister considerar as constatações fiscais de movimentação financeira incompatível com a receita declarada pela empresa autuada. 43 Conforme apurado no “Item 6” do relatório fiscal (fls. 59/60), em 2005 a empresa autuada apresentou Declaração de Inatividade para a RFB, porém, declarou para a Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais “saídas” no valor de R$ 13.908.981,39, bem como registrou uma movimentação financeira da ordem de R$ 27.785.109,28. 44 Já em 2006, a empresa continuou omissa, mas informou à SEFA/MG “saídas” no montante de R$ 385.922,40, com movimentação financeira registrada de R$ 11.159.438,80. 45 O mesmo item do relatório apurou que, em consulta aos sistemas da RFB, foi constatado que a empresa BIGPLASTIC EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA, CNPJ 05.812.876/000156, declarou em no exercício de 2007 (anocalendário de 2006), saídas de produtos de sua fabricação para o destinatário DETONI E ZAMBELI, no valor de R$ Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.100 23 39.548,15, evidenciando, assim, que a empresa adquiriu embalagens, levando à conclusão, portanto, que estava em atividade neste ano. 46 Vencido este passo, transcrevo a seguir as situações fáticas verificadas por ocasião da ação fiscal empreendida, circunstanciadas tanto naquele relatório, quanto na Representação Fiscal tratada às fls. 48/51 (PAF nº 15563.000241/200905), comprobatórias do inconteste conluio estabelecido entre a empresa autuada e os sujeitos passivos solidários, visando, com verdadeiro ânimo de propósito, a fraudar o fisco federal, e que foram eleitas pelo julgador de piso para a formação da sua convicção, as quais, per relacionem, faço minhas razões de decidir. Transcrevo: i.“A contribuinte alterou o endereço de sua sede (situada à Av. Francisco Valadares, n° 1.300, bairro Vila Ideal, Juiz de ForaMG), para a Rua André Ricardo, n° 27A, bairro Barão do Amapá, Nova IguaçuRJ, conforme sua 12' alteração contratual (Anexo); ii.Frustradas as várias tentativas de localização da contribuinte naquele domicílio tributário eleito por ela (Nova Iguaçu), concluiuse, com razão e com base na análise no contrato social e nas 6' a loa alterações contratuais obtidas junto à JUCERJA (processo apenso), que a efetiva localização da contribuinte não era nessa cidade até a data da 12" alteração contratual, pela qual os sujeitos passivos solidários foram sócios da contribuinte até 06/08/2003 (data do registro da 9' alteração contratual na JUCEMG Anexo); iii.Dados os fortes indícios da efetiva localização do verdadeiro domicílio fiscal da contribuinte, foi ele alterado de ofício para Juiz de Fora, em razão de que: iv. fotos impressas tiradas pelo fisco em razão de seu novo comparecimento à Rua André Ricardo n° 27, bairro Barão do Amapá, Nova IguaçuRJ (Anexo), dão conta da inexistência da contribuinte naquele local, além do que o domicílio naquela cidade é residencial; v. a proprietária do imóvel Andréa Cristina Valger Trindade – declarou ao fisco que esse esteve em seu poder para uso residencial desde 26/10/1988, sendo para uso próprio até 01/2009; Fl. 2169DF CARF MF 24 vi. à Av. Francisco Valadares, n° 1.300, bairro Vila Ideal, Juiz de Fora, há outras duas sociedades empresárias, cujos responsáveis e/ou sócios são os sujeitos passivos solidários, antigos sócios da contribuinte; vii. desde 29/09/2000, a sede da FRIPAI DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA., que possui o mesmo objeto e apresentar sócios em comum com os da contribuinte, também é à Av. Francisco Valadares n° 1.300, bairro Vila Ideal, Juiz de Fora, dando forte ensejo a que seja utilizada a mesma instalação, clientes e fornecedores da contribuinte, conforme se verá na declinação das interpostas pessoas adiante. viii.O Ato Declaratório Executivo n° 36/2009 de comunicação de alteração de ofício de domicílio fiscal (Anexo) e sobre o qual não foi dispensada linha passiva sequer sobre possível revogação de ante solicitação administrativa nos termos da IN/RFB 748/2007, ou medida de segurança judicial, teve as seguintes motivações: ix.I [...] o contribuinte acima mencionado procedeu à alteração o cSal perante o CNPJ com mudança de domicílio fiscal do Município de Juiz de Fora para este Município de Nova Iguaçu. x.II Em diligência efetuada junto ao endereço eleito pelo contribuinte, constatouse que este efetivamente jamais nele operou, caracterizando assim ocorrência de vício, conforme ficou demonstrado no bojo do processo administrativo n° 15563.0002411200905, motivo esse suficiente para ser declarada a nulidade do ato praticado perante o CNPJ, referente à alteração de seu domicilio [...J. xi.Da análise da documentação do Bradesco e do HSBC, recebida em razão das emissões das RMF, constatouse o que segue: xii. o Bradesco informou que a referida conta não foi movimentada por procuração e que a agência onde a conta corrente foi movimentada em 2005 era em Juiz de Fora; xiii. o HSBC informou (Anexo) que o Sr. Marco Antonio Lopes Vieira (administrador da contribuinte no período de 24/07/2003 a 20/01/2004 9 a alteração contratual) tinha poderes de procuração, cuja movimentação bancária também era em Juiz de Fora; xiv.Nas fichas cadastrais do HSBC (Anexo) consta, dentre outros, que os sujeitos passivos solidários figuram como diretores da contribuinte, detendo, cada um deles, 50% de participação, além do que são avalistas da contribuinte; Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.101 25 xv.Lavrado Termo de Intimação Fiscal para comprovação dos valores creditados nas contas correntes, encaminhado ao sócio Antonio Ferreira da Silva, houve retorno da correspondência, por ser desconhecido o local, motivo pelo qual foi feita por edital; xvi.Os sujeitos passivos solidários foram intimados, no endereço de que trata o idêntico domicílio tributário por eles eleito Av. Getúlio de Moura, 1701, apt°. 601, Centro, RJ — fls. 384 e 419, conforme Anexo) a esclarecerem suas ligações com a contribuinte, sem que tal objeto tenha sido atendido, ainda que determinada pessoa as tenha recebido em 30/10/2008; xvii.Novas intimações foram feitas àqueles sujeitos passivos, encaminhadas para os endereços das pessoas jurídicas em que ambos eram responsáveis (Anexo), os quais as responderam (Anexo), por meio de procurações conferidas a Nunes Amaral Advogados, tendo sido informado que eles não participavam do quadro societário da contribuinte desde 24/07/2003, consoante a 9' alteração contratual; xviii.Enquanto Marcelo Detoni e Maurício Detoni declaram seus domicílios tributários à Rua Cautiero Franco, n° 205 e Rua Júlio Geraldo Loures, n° 01, bairro Granville, em Juiz de Fora, respectivamente (a ver os endereços informados naquelas procurações) seus cadastros na base CPF são idênticos, à Av. Getúlio de Moura, 1701, apt°. 601, Centro, NilópolisRJ. Somese a isso que referidas procurações tiveram firmas reconhecidas pelo 4° Ofício de Notas de Juiz de Fora; xix.Marcelo Detoni alterou seu domicílio tributário eleito à Av. Francisco Valadares, n° 1.300, em Juiz de Fora, para Nilópolis em 18/07/2005 (Anexo); xx.Nas DIRPF (Anexo) dos sócios Jaime José D'Ávila e Antonio Ferreira da Silva, que ingressaram no quadro societário da contribuinte em 16/08/2004 (11' alteração contratual — Anexo sendo Jaime o administrador), não há declaração das cotas da contribuinte, enquanto os valores declarados denotam falta de capacidade financeira para a integralização das cotas subscritas. xxi.Jaime José D'Avila, administrador da contribuinte, possui vínculo empregatício com a sociedade empresária FRIPAI (Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS Anexo sem informações de transferência/rescisão de contrato de trabalho), na qual os sujeitos passivos solidários integram seu quadro societário, cuja sede consta como Fl. 2171DF CARF MF 26 sendo no mesmo endereço da contribuinte em Juiz de Fora (Av. Francisco Valadares, n° 1.300). xxii.Em sua DIRPF/2007 simplificada (Anexo) Jaime declara rendimentos recebidos da FRIPAI, no valor de R$ 5.368,00, enquanto o extrato de fl. 262 espelha que aquele fonte pagadora informa que tais rendimentos são de trabalho assalariado (código de receita 0561), a ratificar o vínculo empregatício mesmo no período objeto do lançamento; xxiii.Antonio Ferreira da Silva integrou o quadro societário da FRIPAI no período de 24/09/1999 a 18/04/2002 (Anexo). Conforme o extrato do CNIS (Anexo) ele foi admitido na FRIPAI em 18/09/2001, sem informações de transferência/rescisão de contrato de trabalho, a evidenciar que ele mantinha vínculo empregatício com a FRIPAI quando do ingresso no quadro societário da contribuinte. xxiv.Aquele Antonio, além de ter integrado o quadro societário da FRIPAI no período de 24/09/1999 a 11/10/2001, também foi integrante da DISTRIBOI CARNES E DERIVADOS LTDA no período de 06/03/2003 a 06/08/2003, em franca evidência da prática da utilização de empregados das sociedades empresárias das quais os sujeitos passivos integravam seus quadros. xxv.Mudando o que deve ser mudado, aplicase a Antonio Ferreira da Silva as mesmas considerações feitas em relação ao Jaime, relativamente à DIRPF/2007 e aos valores declarados de rendimentos recebidos com vínculo empregatício junto à FRIPAI; xxvi.Marco Antonio Lopes Vieira, que ingressou no quadro societário da contribuinte como administrador em 24/07/2003 (9 a alteração contratual), cedeu e transferiu a totalidade de suas cotas para Alcemir Rodrigues Pedro em 20/01/2004. xxvii.Este, segundo a loa alteração contratual (Anexo) passou a exercer a administração da contribuinte até 16/08/2004 (lla alteração contratual) quando cedeu e transferiu suas cotas para Jaime José D'Ávila. xxviii.Conforme o extrato ao CNIS, Marco Antonio Lopes Vieira foi admitido diversas vezes na FRIPAI; a primeira, datada em 18/09/2000, com vínculo empregatício, foi rescindida em 04/07/2004. Portanto, referido senhor mantinha vínculo empregatício com a FRIPAI no mesmo período de sua integração no quadro societário da contribuinte, com plenos poderes de administração. Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.102 27 xxix.E a recorrente sistemática conduta dolosa, ao propósito de fraudar o fisco, evidencia se mais uma vez pelo fato de que o domicílio tributário eleito por Marco Antonio Lopes Pereira é idêntico ao da FRIPAI (Av. Francisco Valadares, n° 1.300, Vila Ideal, Juiz de Fora), a exemplo da utilização de empregados daquelas sociedades empresárias das quais os sujeitos passivos solidários figuraram como sócios. xxx.À semelhança das demais pessoas declinadas nesse voto, na DIRPF/2004 simplificada daquele senhor também não foram declaradas as cotas que teriam sido adquiridas da contribuinte, além de não ter sido demonstrada ali capacidade financeira para adquiri las.” 47 Como se pôde constatar da leitura dos procedimentos que compuseram o trabalho fiscal, resta clara a caracterização da responsabilidade solidária dos Recorrentes. 48 Outrossim, entendo necessária uma análise complementar quanto aos fatos ocorridos. Vejamos. 49 Pela análise do extrato de Confronto de Sociedade emitido pela JUCEMG (fls. 510/511), bem como das versões do contrato social da empresa, acostados aos autos, se verifica que a sociedade foi constituída em 01/04/1990 (fls. 512/513), tendo como sócios Almir Ribeiro Viana; Antônio Carlos Viana Zambelli e Márcio Gomes Viana. Ao longo do tempo, os Recorrentes integraram seu quadro societário, vindo a se desligarem em 2009, restando atualmente os sócios Jaime José Dávila e Antônio Ferreira da Silva (fls. 514/516), que pela investigação feita no relatório fiscal (fls. 47/62), baseada nas suas declarações de ajuste anuais e endereços residenciais (“residências humildes”), se constata não possuírem patrimônio declarado compatível com aquele que seria esperado de sócios de empresa que movimentou em suas contas bancárias vultuosas quantias no período fiscalizado, ou seja, de R$ 27.785.109,28 em 2005 e R$ 11.159,438,80 em 2006. 49 Tal fato é corroborado pela apuração levada a termo às fls. 53, no relatório, que reporta que o sócio Jaime José Dávila declarou como ocupação laboral a atividade de “abatedor em matadouro”, tendo declarado ao fisco ter recebido rendimentos de R$ 15.020,00 e R$ 5.368,00 nos anoscalendário fiscalizados (2005 e 2006). Já o sócio Antônio Ferreira da Silva declarou como profissão a mesma informada pelo Sr. Jaime, tendo obtido rendimentos de R$ 12.050,00 e R$ 5.250,00 no período acima mencionado. Fl. 2173DF CARF MF 28 50 Outrossim, entendo que as constantes alterações de endereço da empresa caracterizam intuito de dificultar eventual ação fiscal, caracterizando esquiva a eventual indesejável atendimento a procedimentos de natureza fiscalizadora. 51 Ademais, se constata pela análise do Extrato de Informações Financeiras acostado às fls. 918/930 que os Recorrentes são avalistas das contas bancárias da empresa autuada (fls. 928), que diante da falta de aval dos mesmos, não seria movimentada. Neste ponto, é de se notar, inclusive, para as “Notas” registradas no referido extrato, às fls. 919, que informam o quanto segue: “CIDADE DE JUIZ DE FORA/MG E REGIAO DA ZONA DA MATA, POSSUI MONOPÓLIO; NÃO TENDO CONCORRENTE. ATUALMENTE, O CLIENTE DETÉM 100% DO MERCADO CONSUMIDOR NO ATACADO E VAREJO, SENDO SEUS PRINCIPAIS CLIENTES AÇOUGUES, SUPERMERCADOS, MERCADOS E RESTAURANTES, SUAS FONTES DE RECEITAS SÃO: VENDA E REVENDA DE CARNE BOVINA COM OSSO, VENDA DE SUB PRODUTOS COMO MIUDOS, CARNE SEM OSSO, SEBO CARNE PARA FINS INDUSTRIAIS E VENDA E REVENDA DE COURO BOVINO, ALEM DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO ABATE DE SUÍNOS, SENDO O UNICO MATADOURO DA CIDADE E REGIÃO, MANTÉM A MAIOR PARTE DE SUA MOV. CONOSCO. OS SEUS NEGÓCIOS SAO TRANSACIONADOS ATRAVÉS DO HSBC. O CLIENTE PRODUZ AINDA UMA QUALIDADE DE CARNE DENOMINADA CHARQUE, DETALHES NO RELATORIO DE VISITAS.” “CLIENTE POSSUI ÓTIMA CAPACIDADE DE PAGAMENTO, SEUS DEPOSITOS SAO REGULARES E PULVERIZADOS, ALÉM DE TER OTIMA CONDICAO ECONÔMICOFINANCEIRA E CADASTRAL (EMPRESA E SÓCIOS). POSSUI OTIMA EXPERIÊNCIA CREDITÍCIA EM TODAS AS OPERACOES DE CRÉDITO QUE EFETUAMOS (COMO DESCONTO DE CHEQUES. POSSUÍMOS INTERESSE COMERCIAL NA EMPRESA, POIS CONSIDERANDO SEUS SÓCIOS, FAMILIARES, FORNECEDORES E CLIENTES. TEMOS DIVERSAS C/CS CONTAS PESSOAS FÍSICAS E C/C DE PJ TODAS INDICADAS PELOS SÓCIOS DA Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.103 29 EMPRESA, COM LIMITES DE CRÉDITO E ALGUMAS COM INVESTIMENTOS.” 52 Pela leitura das notas relativas aos Recorrentes, constantes do extrato de informações bancário acima aludido, se constata que estes, sobretudo, controlam e exercem, na região onde atuam, o monopólio da atividade econômica que exercem e, por isso, entendo restar demonstrado o “interesse” dos Recorrentes. 53 Outrossim a informação prestada pelos próprios recorrentes às fls. 1.233 (Marcelo Detoni) 1.277 (Maurício Detoni) quando perguntado pela fiscalização acerca de esclarecimentos quanto a ser avalista do sujeito passivo assim respondeu: 54 Os recorrentes não negam a condição de avalistas de tais contas, logo, há prova suficiente de que há interesse comum em relação ao fato gerador do referido tributo lançado que é o IRRF. 55 Além disso, o “item 5.3” do Relatório Fiscal (fls. 58) concluiu que os Recorrentes são os sócios “de fato” da Detoni e Zambelli Distribuidora de Carnes Ltda., situação esta encoberta pela figura de terceiros ("testadeferro" ou "laranjas"), os Srs. Jaime e Antônio. Fl. 2175DF CARF MF 30 56 Ademais, entendo que eventual prova direta da solidariedade seria compensada pelo conjunto probatório encartado aos autos, em especial a circunstância da empresa autuada não estar operando, aliada às efetivas e reiteradas condutas dolosas, além da indissociável omissão de receitas apurada, fatos suficientes para caracterizar a solidariedade dos Recorrentes. 57 Pelo exposto, em razão de todas as situações fáticas apontadas, outro não é, senão, o entendimento da comprovação da solidariedade passiva e das responsabilidades tributárias em face de MARCELO DETONI e MAURÍCIO DETONI, com fulcro no artigo 124, I, do CTN. 58 Assim, entendo terem sido tipificados na espécie os elementos subjetivos da hipótese a que alude o mencionado artigo, tal como considerado pelo fisco. 59 Esclarecida a questão relativa à responsabilidade solidária dos Recorrentes, passo adiante a descaracterizar a responsabilidade de terceiros no caso. 60 Por derradeiro, entendo que não se pode considerar o deslocamento da responsabilidade dos Recorrentes para o quanto disposto no artigo 135 do CTN, como estes sugerem, até porque o fisco não desconsiderou o ato/negócio jurídico de suas saídas do quadro societário da empresa, senão vejamos. 61 Não se pode confundir solidariedade tributária (Art. 124, I, CTN) e responsabilidade de terceiros (Art. 135, CTN). São figuras jurídicas distintas e como tais decorrem de situações fáticas distintas. 62 Neste ponto, passo a transcrever trechos de decisão proferida pela C. 2ª TO da 4ª Câmara da primeira Sessão de Julgamento deste C. CARF, ao julgar processo relativo aos mesmos ora Recorrentes, que integro a este julgado como razão de decidir per relationem, na forma abaixo: “(...) A solidariedade tributária inserese na Seção II do no Capítulo IV do Livro II do Código Tributário, que trata do sujeito passivo. A responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e de fato, está disciplinada na Seção III do Capitulo V, do Livro II, do CTN. Necessário distinguir sujeito passivo de responsável tributário. O sujeito passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.104 31 I) ou o responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Em relação à distinção entre contribuinte e responsável atenhamonos às normas contidas no parágrafo único do artigo 121, “in verbis”: Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como Fl. 2177DF CARF MF 32 ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR. A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação). (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). (...) Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsáve lnão por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, ma spor praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. (...) Nos casos em que a empresa não pratica as atividades constantes de seu objeto social, possuindo apenas existência formal, ainda que sirva para emissão de documento fiscal, a tributação deve recair em relação àquele que efetivamente praticou o ato jurídicotributário. Não é o registro formal, mas sim a efetiva existência no mundo real que identifica a ocorrência de situação sobre a qual incide a norma tributária. (...) Quando a pessoa jurídica materialmente existente, ou por assim dizer, dotada de estrutura necessária para exercer as atividades a que se propõe, as executa em conjunto com outra pessoa, natural ou jurídica, temse caracterizada a situação descrita no artigo 124, I, do CTN, isto é, a solidariedade decorrente de interesse comum a situação que constitua o fato gerador. Nestas situações todos são solidárias e qualquer um pode vir a responder pela integralidade do débito tributário. Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.105 33 Para efeitos de delimitação da solidariedade, nos casos em que se têm mais de um contribuinte envolvido, necessário que se verifique quais os atos que estão vinculados à situação que constitua o fato gerador. Por exemplo, se dois prestadores de serviços vencerem uma licitação para desenvolverem determinados programas de informática ou para, mediante parceria, construírem uma ponte, por evidente que a solidariedade há de ficar limitada aos tributos relacionados à receita ou ao lucro decorrente dos serviços advindos do desenvolvimento dos programas de informática ou da construção da ponte. Não é possível estender a responsabilidade a outros atos que não estejam vinculados àqueles efetivamente praticados em conjunto pelas partes. Quanto ao comércio aplicase a mesma regra. Isto é, aquele que se associou, por exemplo, para importar e comercializar determinada mercadoria não pode vir a ser chamado a responder pelos tributos em relação a outras transações que o contribuinte a quem se associou vier a realizar com terceiros. Pensar de forma diversa seria atribuir responsabilidade solidária em relação a fato jurídico ou conduta não praticada por aquele a quem se imputa dita responsabilidade. Com as considerações acima relacionadas passo a analisar a situação dos autos onde a autoridade fiscal atribuiu a condição de solidários aos recorrentes não pelo fato destes serem sócios de fato ou de direito, mas sim por realizarem o comércio, junto com a empresa autuada. (CARF. Ac. 1402 001.571. Primeira Sessão de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Rel. Cons. Moises Giacomelli Nunes da Silva. Sessão de 12/02/2014) 63 Assim, é de se concluir, por definitivo, a responsabilidade solidária dos Recorrentes, em detrimento da responsabilidade de terceiros. 64 Dessa forma, voto por negar provimento aos recursos e manter as solidariedades passivas. Multa de Ofício Qualificada Fl. 2179DF CARF MF 34 65 Em suas razões, por derradeiro, os Recorrentes alegam que inocorreu situação que justificasse a qualificação da multa de ofício aplicada, que tem natureza confiscatória. 66 Entendo, no entanto, que o produto apurado pelo relatório fiscal não homologa a alegação dos Recorrentes, senão vejamos. 67 Pela leitura das apurações noticiadas no relatório fiscal, este concluiu, em resumo, que os Recorrentes agiram de forma dolosa com a finalidade exclusiva de ocultar e retardar o conhecimento, pelo fisco, de fato gerador de obrigação tributária, havendo se utilizado de meios fraudulentos com a finalidade de alcançarem este objetivo, inclusive se valendo de interpostas pessoas e endereços fiscais precários. 68 A conduta fraudulenta dos Recorrentes, na forma como apurada no trabalho fiscal, ao meu entender, se adequa àquela disposta no artigo 72 da Lei nº 4.502/64, o que proporciona à autoridade fiscal, na vigência do seu trabalho, qualificar a multa aplicada nos casos de lançamento de ofício, de forma a duplicar sua imposição, na forma do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Abaixo, transcrevo os dispositivos citados: “Lei nº 4.502/64 Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” “Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10640.002174/201013 Acórdão n.º 2201003.742 S2C2T1 Fl. 2.106 35 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” 69 Pela análise do farto conjunto probatório em desfavor dos Recorrentes, vejo que estes não trouxeram aos autos provas ou alegações técnicas consistentes que desconstituíssem a conduta fraudulenta apontada pelo fisco. Apenas alegou afronta à Constituição, por se tratar de multa confiscatória. 70 Quanto à essa alegação, não pode ser apreciada nos termos da Súmula CARF nº 2, que preconiza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 71 Portanto, tendo o trabalho fiscal apurado conduta fraudulenta e dolosa dos Recorrentes com a finalidade exclusiva de ocultar e retardar o conhecimento, pelo fisco, de fato gerador de obrigação tributária, entendo cabível a qualificação da multa de ofício aplicada pelo lançamento fiscal. 72 Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso. Conclusão 73 Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AOS RECURSOS. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 2181DF CARF MF 36 Fl. 2182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003336/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O processo tem origem em Pedido de Ressarcimento ou Restituição Declaração de Compensação PER/DComp apresentado pela recorrente (fls 1), em que indicava como crédito passível de compensação o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF de cooperativas referente ao mês de outubro de 2003 e totalizando R$ 80.775,79. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 03 33 6/ 20 08 -7 8 Fl. 6936DF CARF MF Processo nº 11020.003336/200878 Resolução nº 2201000.283 S2C2T1 Fl. 6.937 2 A Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul solicitou uma demanda ao Serviço Federal de Processamento de Dados Serpro, que resultou na listagem "Apuração mensal de IRRF declarados nas DIRFs das fontes pagadoras em que conste como beneficiário o CNPJ 87.827.689/000100, individualizado por cód. de retenção, no anocalendário de 2003" (fls 58). Com base nisso, elaborou o resumo que se encontra na fl 92, totalizando por mês e por código os valores declarados pelas fontes pagadoras. Para o mês de outubro foi identificado o valor de R$ 31.247,78 para o código 1708 e R$ 32.962,78 para o código 3280. Com base nisso, foi exarado o Despacho Decisório nº 460, da DRF/CXL (fls 93), homologando a compensação no limite do somatório desses valores R$ 64.210,56. Cientificado dessa decisão (fl 124), o contribuinte apresentou sua impugnação (fls 125) que resultou, inicialmente, na conversão do julgamento em diligência, determinada pela 5ª Turma da DRJ/POA, através do Despacho nº 8 (fls 210), para que a Delegacia de origem intimasse a reclamante a apresentar os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras dos rendimentos e, a partir deles, elaborasse relatório circunstanciado acerca do montante de crédito comprovado. A partir dos documentos fornecidos pela interessada a fiscalização elaborou o demonstrativo de fl 232, reconhecendo como comprovados para o mês de outubro de 2003 os seguintes valores: R$ 21.098,49 no código 3280 e R$ 16.501,74 no código 1708. Em relação ao resultado da diligência, a empresa se manifestou argumentando que ela não havia atingido seu fim, já que teria se limitado aos valores já obtidos através das DIRFs, deixando de fora as demais retenções que foram informadas pela empresa (fls 238). A 5ª Turma da DRJ/POA exarou o Acórdão 1026.348, de 15 de julho de 2010 (fls 240), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que caberia à empresa comprovar o IRRF para que pudesse utilizálo. A ciência dessa decisão ocorreu em 06/08/2010 (fl 248) e o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente em 01/09/2010 (fls 249). Em suas razões de recorrer, alega que as faturas apresentadas à fiscalização são suficientes para comprovar seu direito ao crédito e protesta pela realização de nova perícia. Chegando a este Conselho, a 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta Seção entendeu por bem converter novamente o julgamento em diligência (Resolução 2102000.075, de 10 de julho de 2012 fls 262), para que: (...) a autoridade fiscal apure o IRRF a partir das faturas emitidas pelo recorrente, inclusive, se for o caso, compulsando a contabilização do fiscalizado e intimando as fontes pagadoras, superando a mera análise a partir dos comprovantes de rendimentos ou das DIRfs". Em resposta a essa solicitação, foi elaborada a informação de fls 6257, datada de 15 de julho de 2013, na qual se alega deficiência nas informações prestadas pela empresa interessada e são apresentadas as seguintes conclusões: Fl. 6937DF CARF MF Processo nº 11020.003336/200878 Resolução nº 2201000.283 S2C2T1 Fl. 6.938 3 · Em análise das faturas, por amostragem, percebese que a competência a que se referem não são compatíveis com a data de emissão e/ou vencimento. Por ex: a data de emissão da fatura é anterior à data da competência. · O contribuinte utilizase do IRRF, muitas vezes, em competência posterior à apurada e, por isso, torna impossível fazer o batimento das informações do contribuinte(faturas) com o período de apuração informado no PER/DCOMP. Por ex: de acordo com a contabilidade, foi lançado na conta”IRRF a compensar Lei 8541/92”, no dia 01/03/2003 o valor de R$ 70.705,75. Se o lançamento foi efetuado no 1º dia do mês, por óbvio referese a fatos geradores do mês anterior (fevereiro). Entretanto, no PER/DCOMP nº 10667.19317.140803.1.3.057920 o contribuinte informa que essa retenção referese ao mês de abril. E assim, sucessivamente para todos os meses. O demonstrativo dos lançamentos efetuados nesta conta contábil entregue pelo próprio contribuinte e o razão da conta contábil, extraída do Contágil, comprovam o erro descrito. Além disso, fica fácil perceber este “deslocamento” do período de apuração na planilha entregue pelo contribuinte, na qual os valores declarados em DIRF estão “deslocados” em um mês em relação ao valor que o contribuinte entende correto naquele mês. · A conclusão do item anterior é corroborada pelo fato de que o total das divergências apontadas pelo contribuinte nas duas planilhas entregues corresponde exatamente ao valor deferido pela DRF para cada mês analisado, com base na DIRF. Ou seja, as fontes pagadoras declararam em DIRF num mês e o contribuinte considerou a retenção no mês seguinte. Após a elaboração dessa informação fiscal, em 26 de agosto de 2013, a empresa interessada peticiona (fls 6260) apresentando a documentação complementar, que inclui a planilha de fls 6268, na qual lista por CNPJ retenções relativas ao mês de outubro de 2003, e a documentação que comprovaria essa retenção. Pelo despacho de fl 6927 o processo foi encaminhado a este CARF sem qualquer manifestação da Autoridade Fiscal quanto aos documentos que foram juntados pela interessada. De volta a este Conselho, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme foi ressaltado no relatório, a informação fiscal de fls 6257 mostrouse inconclusiva sob alegação de dificuldade na apuração das informações. Fl. 6938DF CARF MF Processo nº 11020.003336/200878 Resolução nº 2201000.283 S2C2T1 Fl. 6.939 4 Após essa manifestação, houve a juntada de novos documentos que não foram analisados pela fiscalização. Em análise a essa documentação, selecionei por amostragem os seguintes itens: ITEM CONTRATANTE CNPJ IRRF 12 25970 00.808.377/000171 1.134,1 85 1181 88.626.080/000136 1.014.04 133 50140 90.608.712/000180 1.141,01 Comparando esses itens com a Dcomp apresentada, vêse que correspondem às informações 23, 242 e 408, ou seja, integram o montante sobre o qual foi solicitada a compensação. Por outro lado, confrontandoos com as planilhas "Apuração mensal de IRRF declarados nas DIRFs das fontes pagadoras em que conste como beneficiário o CNPJ 87.827.689/000100, individualizado por cód. de retenção, no anocalendário de 2003" (fls 58), não consegui identificar uma correspondência para nenhum desses itens. Em uma análise sumária, podese concluir que nenhuma dessas retenções foi considerada nos créditos homologados pela DRF. Com esses elementos, verificase haver alguma verossimilhança nas alegações da contribuinte, contudo, tendo em vista o volume de informações e o fato de que a Autoridade Fiscal não analisou os documentos juntados pela recorrente a partir da fl 6260, entendo prudente converter novamente o julgamento em diligência para que haja essa manifestação e seja por fim dado cumprimento ao que foi determinado pela Resolução 2102000.075, de 10 de julho de 2012, no seguinte sentido: Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal apure o IRRF a partir das faturas emitidas pelo recorrente, inclusive, se for o caso, compulsando a contabilização do fiscalizado e intimando as fontes pagadoras, superando a mera análise a partir dos comprovantes de rendimentos ou das DIRFs. A autoridade que presidir a diligência acima deve produzir relatório circunstanciado de suas conclusões, dando ciência ao contribuinte, para, querendo, ofertar razões adicionais, no prazo de 20 dias. Superado tal prazo, com ou sem as razões adicionais do recorrente, devolver os autos a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 6939DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.722997/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 30/09/2012
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária.
CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas.
DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido.
A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmá-lo alegações de cunho genérico.
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE,
DOLO OU SIMULAÇÃO.
Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA.
O auxílio-alimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias.
VALE-TRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO.
É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao vale-transporte.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 30/09/2012 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas. DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmá-lo alegações de cunho genérico. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. O auxílio-alimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALE-TRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas. DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Considerase fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmálo alegações de cunho genérico. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 29 97 /2 01 4- 21 Fl. 12683DF CARF MF 2 MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. O auxílioalimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALETRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindose a questão controversa à apresentação de prova documental, tornase prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 12684DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.684 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao valetransporte. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase da análise de recursos voluntários apresentados pelo contribuinte e responsáveis solidários em face do Acórdão nº 0834.106, da 6ª Turma da DRJ/FOR que negou provimento às impugnações formalizadas aos seguintes autos de infração: AI Debcad nº 51.073.2194, relativo à contribuição patronal no período de 03/2009 a 09/2012 e que totalizava, à época da constituição do crédito tributário, R$ 738.477,18; AI Debcad nº 51.073.2208, relativo às contribuições destinadas a terceiros no período de 03/2009 a 09/2012 e que totalizava, à época da constituição do crédito tributário, R$ 196.417,77. Nesta ocasião, utilizome do relatório preparado pela decisão de piso, destacando uma correção efetuada no item 1, em que, erroneamente, é nominada a empresa Fort Lub e que na transcrição efetuada é substituída pela designação correta da pessoa jurídica fiscalizada e autuada, PRV Comércio de Peças Ltda.: 1 Relatório Fiscal Consta no Relatório Fiscal que: 1. A empresa PRV Comércio de Peças Ltda. é uma loja de revenda de autopeças, integrante da REDE PRESIDENTE de autopeças. 2. O relatório utilizase de elementos coligidos nos processos administrativos fiscais nº 11020.723699/201218 e nº 15586.720329/201195, bem como no Inquérito Policial nº 256/2008DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força Fl. 12685DF CARF MF 4 de requisição do Ministério Público Federal e que tramita da Delegacia da Polícia Federal de Maringá/PR. Tal inquérito encontrase distribuído para o Juízo Federal da 3ª Vara Criminal de Curitiba/PR, sob o nº 2008.70.0094275/PR. 3. No âmbito do inquérito policial, foram providenciados dois pedidos dequebra de sigilo de dados e/ou telefônico, em cujas decisões o Juízo fez constar que todos osdados e informações obtidos no inquérito fossem compartilhados com a Receita Federal do Brasil – RFB. Foi também determinada a quebra do sigilo fiscal, tributário e patrimonial de 110 pessoas físicas e jurídicas relacionadas à REDE PRESIDENTE, dentre os quais os integrantes da família Tolardo. Em cumprimento às decisões judiciais, a Polícia Federal franqueou o acesso da RFB aos dados coletados nas investigações do inquérito. 4. As investigações da Polícia Federal em conjunto com a RFB culminaram na deflagração da Operação Laranja Mecânica, realizada em 17/10/2012, com o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão. Todo o material foi disponibilizado à RFB. 5. As provas apontam para a existência de um grande empreendimento comercial, no ramo de autopeças (atacado e varejo), denominado REDE PRESIDENTE, com lojas em várias unidades da federação e que, embora formalmente constituída por diversas empresas, a quase totalidade em nome de laranjas, tratase, na verdade, de um único empreendimento, iniciado por Samuel Tolardo, já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, sua esposa, Íris da Silva Tolardo, e os filhos, Robson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. 6. Os mandados de busca e apreensão tiveram por alvo vários endereços, dentre eles endereços da família Tolardo, bunkers onde se encontravam armazenados documentos, endereços de laranjas e endereços das empresas que funcionavam como filiais do empreendimento. 7. Além dos arquivos com os documentos apreendidos, a Polícia Federal disponibilizou à RFB os laudos de perícia criminal relativos à mídia apreendida. DA ORIGEM (IMPORTADORA TOLARDO E REAL IGUAÇU) 8. Na base de dados da RFB foi identificada a empresa Importadora Tolardo Ltda. (CNPJ 79.112.637/000120), que tinha como sócios Samuel Tolardo e seu irmão Hélio Tolardo. Essa empresa tinha como atividade a exploração do comércio de compra, venda e importação de peças e acessórios para autos em geral, bem como representações por conta própria e foi aberta em 1962. 9. Em setembro/1983, a Importadora Tolardo Ltda. foi incorporada pela empresa Real Iguaçu Auto Peças Ltda. (CNPJ 77.597.318/000126), doravante mencionada simplesmente como Real Iguaçu. Essa empresa era da família Tolardo. No Bunker localizado na Rua Rui Barbosa, em Maringá/PR, foi encontrada a quarta alteração contratual da Real Iguaçu, de 10/11/1994, onde consta que até essa data os sócios eram José Dario Tolardo e Maria Silene Tolardo, marido e esposa. Fl. 12686DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.685 5 10. Foi encontrado, ainda, no bunker, dentre vários arquivos relacionados à REDE PRESIDENTE, um pendrive com um arquivo intitulado “TCC – Final Corrigido”, que se trata de um trabalho de conclusão de curso, elaborado por uma das funcionárias do esquema, Mirian Coutinho de Lima Lepetit, que se constitui em uma avaliação de desempenho como perspectiva de melhoria pessoal e organizacional em uma empresa de autopeças de na cidade de Maringá. Resta claro no trabalho que essa empresa era a REDE PRESIDENTE, tendo sido mencionada que a empresa surgiu em 1962, composta por três sócios, filhos de imigrantes italianos, chamados no trabalho de S, D e H, iniciais dos irmãos Tolardo. 11. De acordo com a alteração contratual da Real Iguaçu, constatase que até 1994, a empresa tinha a razão social de Tolardo Auto Peças. 12. Em 11/09/1991, faleceu um dos irmãos, Hélio Tolardo. Também na década de 90, a empresa Real Iguaçu, na época denominada de Tolardo Auto Peças, sofreu diversas autuações fiscais, o que parece ter motivado os novos rumos da empresa. A partir de então, iniciouse a empreitada ilícita do esquema fraudulento denominado REDE PRESIDENTE. 13. Em 1994, a Real Iguaçu altera seu endereço de Maringá/PR para Santo André/SP e, em novembro/1994, interpõe sócios laranjas em seu quadro societário. Em 1995, passa à condição de inativa. 14. A estratégia da empresa de mudança para Santo André/SP e inserção de sócios laranjas parece funcionar, já que, após a inscrição na Dívida Ativa dos débitos tributários, a execução fiscal teve que ser ajuizada em Santo André/SP, onde a empresa não existia de fato. A Real Iguaçu resta inativa desde 1995, abandonada pela família Tolardo em face de suas dívidas fiscais. DO SURGIMENTO DA RPT E REDE PRESIDENTE 15. Na segunda metade da década de 90, com a autuação fiscal e o consequente abandono da Real Iguaçu, ocorre a cisão dos irmãos Tolardo. 16. O mencionado trabalho de conclusão do curso de Mirian Coutinho de Lima Lepetit confirma a separação dos irmãos Tolardo. 17. Samuel Tolardo (“S”) e José Dario Tolardo (“D”) continuaram trabalhando no mesmo ramo, porém de forma separada. O primeiro ficou com a REDE PRESIDENTE, alvo da presente ação fiscal, e José Dario Tolardo com a rede de distribuição de autopeças denominada Vespor Automotive. 18. Nessa época, Samuel Tolardo adquire uma outra empresa do ramo de autopeças, a FORAMEC, criando a partir dessa “cria” a empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda., doravante mencionada apenas como RPT. O nome de fantasia PRESIDENTE passa a ser utilizado pelas lojas de Samuel Tolardo. A sigla RPT remete às iniciais de REDE PRESIDENTE. Fl. 12687DF CARF MF 6 19. O trabalho de Mirian Coutinho de Lima Lepetit confirma que os filhos de Samuel Tolardo o sucederam na empreitada e que Rogério Márcio Tolardo (chamado de “M”) tem a maior participação no negócio. Consta também o número de lojas da rede e os estados onde estão localizadas. 20. A RPT tinha endereço inicial em Tatuapé, São Paulo/SP. Mudou se, em 06/04/2000, para Guarulhos/SP. Em 21/06/2002, mudouse para o Rio de Janeiro/RJ. Sempre teve filiais espalhadas pelo país, várias delas com nome de fantasia “Distribuidora Presidente”. 21. As provas indicam que foram utilizados laranjas como sócios dessa empresa, além de constar laranja também no quadro societário da Mansfield Finance, por sua vez, sócia da RPT. DA REDE PRESIDENTE 22. Apesar de a empresa RPT ser mencionada pela denominação de REDE PRESIDENTE, ela é apenas uma das tantas empresas formalmente constituídas em nome de laranjas, mas que, em verdade, compõem um único empreendimento empresarial/comercial, que se passa a citar por REDE PRESIDENTE. 23. Diversas empresas foram constituídas, inclusive diversas factorings que serviam de elo financeiro para o esquema, centralizando recebimentos e pagamentos. A maioria dessas factorings foram abandonadas nos anos de 2007 e 2008, provavelmente por ter sofrido fiscalização da RFB. Outras empresas passaram a desempenhar essa função financeira, muitas sem ter sequer existência física. Algumas empresas serviam exclusivamente para centralizar as compras e distribuilas para as lojas. Várias outras foram constituídas para abrigar as diversas lojas de vendas de autopeças espalhadas pelo país. Entre elas, uma coisa em comum: todas com laranjas em seus quadros societários. 24. Há outras empresas, estas em nome dos verdadeiros mentores do esquema, porém utilizadas com a função de amealhar o patrimônio, principalmente imóveis, obtido de forma fraudulenta. 25. O logotipo da REDE PRESIDENTE identificado no sítio da internet é o mesmo utilizado em vários endereços físicos de lojas da rede espalhadas pelo território nacional. 26. Os colaboradores/funcionários do esquema se referem a ele ora como REDE PRESIDENTE, ora como DISTRIBUIDORA PRESIDENTE, ora simplesmente como PRESIDENTE. As lojas onde estão distribuídos os diversos CNPJ são chamadas de filiais. 27. O esquema REDE PRESIDENTE comprava peças junto aos fornecedores e as reembalava em caixas com a marca Napa Parts. Foi encontrado em computador apreendido, um arquivo contendo o planejamento estratégico de marketing dessa marca. O texto final do documento vincula a marca Napa Parts à REDE PRESIDENTE. O logotipo da Napa Parts aparece em muitas lojas da REDE PRESIDENTE ao lado do logotipo da REDE PRESIDENTE. Fl. 12688DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.686 7 28. Dentre os documentos encontrados, destacamse os de controle das filiais, que as identificavam com um número seguido do nome da cidade, relacionando também o CNPJ utilizado pela filial, o endereço, a inscrição estadual, telefone, email e o gerente. Foram encontrados nos bunkers do esquema carimbos e relatórios contendo, inclusive, as empresas já inativas, sendo identificadas mais de 80 (oitenta) empresas. 29. Dentre os diversos documentos de controle, no bunker situado na Rua das Camélias, foi encontrada a relação de funcionários, emitida em 08/10/2012, que os lista porfilial. No endereço residencial de Vânia Maria Lenarduzzi, foi encontrado documento que discrimina o salário 1 (registrado) dos funcionários e o salário 2 (popular “por fora”). Este último documento tem 727 nomes, distribuídos em 42 filiais, apenas as que têm ou tinham uma existência física. 30. Em outro documento encontrado, há um relatório bem mais enxuto das filiais, com razão social, CNPJ e sócios, constando 84 (oitenta e quatro) empresas do esquema REDE PRESIDENTE. 31. No endereço residencial de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, foi encontrado um parecer emitido em fevereiro/2011 pela empresa Pactum Advocacia Empresarial, onde consta um “mapeamento fiscal” dirigido à REDE PRESIDENTE. Foi registrado que a REDE PRESIDENTE atua principalmente no mercado atacadista de autopeças e conta com uma rede de distribuição de amplitude nacional, estruturada a partir de diversas empresas distintas, com regimes tributários distintos. Há outros documentos colhidos que revelam a existência da REDE PRESIDENTE, todos anexados ao processo. LARANJAS UTILIZADOS PELO ESQUEMA 32. Os laranjas utilizados pelo esquema são funcionários, terceiros sem vínculo efetivo com a REDE, que recebiam pela utilização de seu nome, e pessoas que sequer sabiam da utilização dos seus nomes. 33. A par dos elementos apresentados no decorrer do relatório, devem ser salientadas as diligências efetuadas em procedimento fiscal realizado na DRF Caxias do Sul/RS junto à empresa NTE da REDE PRESIDENTE. Foram feitas diligências junto às sócias laranjas, Sra. Silvia Vilhalba e Sra. Petrona Ledesma Aliende, pessoas extremamente humildes, que confirmaram não serem sócias de nenhuma empresa. DOS SERVIÇOS EXECUTADOS POR FÁBIO NOVAES 34. Na residência de Fábio Novaes Moreira, que presta serviços contábeis por meio do escritório de contabilidade Transcontec, foram encontrados documentos que comprovam a utilização dos nomes e dados de pessoas físicas, inclusive paraguaios, para o preenchimento de documentos de identidade falsos, com o fim de utilizálos como laranjas nas empresas do esquema. Fábio Novaes Moreira enviava as Declarações Anuais de Ajuste de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – DIRFP relativas a essas pessoas. Fl. 12689DF CARF MF 8 35. No endereço de Fábio Novaes Moreira, foram encontrados documentos pessoais paraguaios e brasileiros. Várias carteiras de identidade tinham provas e características evidentes de falsificação. Havia documentos distintos com a mesma foto, além de incompatibilidade de algumas fotos com as idades registradas nos documentos. A necessidade da falsificação das CI deveuse ao fato de que passou a ser necessária a certificação digital para várias operações junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para cuja emissão há necessidade de comparecimento da pessoa. Tal necessidade gerou, inclusive, o pedido de aumento por parte das pessoas que emprestavam seu nome, pois agora deveriam comparecer no órgão certificador, segundo comprova troca de mensagens entre Robson Marcelo Tolardo e Daniel de Oliveira Junior. 36. Como exemplo das falsificações, destacase a identidade de Juarez Mielke, que já havia falecido da data da expedição do RG. Foram encontradas duas versões para a identidade de Maria Aparecida Ribeiro e duas para Cláudio Afonso Miranda. Além da versão original da CI de Cleonice da Silva Mielke encontrada na residência de Fábio Novaes, foi encontrada outra versão no seu escritório. A foto dessa carteira falsificada é a mesma de outra em nome de Elidia Mendes Santos. DA VINCULAÇÃO DE IPS UTILIZADOS PARA A TRANSMISSÃO DE DIRPF 37. Foram identificados quatro endereços IP (quatro computadores) de onde foram enviadas as DIRPF do exercício 2010 da família Tolardo, de Milton Assis de Oliveira, procurador da Mansfield Ltda. (sócia da RPT, empresa da REDE PRESIDENTE), de Luiz Tavares da Silva e de Francisco Tomaz Neto, estes dois últimos sócios laranjas da empresa Gama Factoring Ltda. Nas mesmas datas e em horários muito próximos, esses mesmos computadores foram utilizados para transmissão das DIRPF do exercício 2010 de vários outros contribuintes, dos quais 103 são laranjas da REDE PRESIDENTE. 38. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi localizado relatório intitulado “Relação das Declarações do IRPF 2010”, com controle das DIRPF 2010 de mais de 200 pessoas físicas, dentre elas as 103 antes referidas. DOS LARANJAS PARA REGISTRO DE VEÍCULOS 39. Inúmeros veículos da REDE PRESIDENTE eram registrados em nome de laranjas. Havia controles dos veículos, que eram distribuídos entre as filiais (empresas do esquema) e as pessoas usadas como proprietárias eram pagas, sendo algumas funcionários das empresas. CARTÓRIO COSTA 40. Havia necessidade de autenticações cartorárias, reconhecendo a autenticidade das assinaturas dos laranjas. Praticamente 100% (cem por cento) das autenticações de reconhecimento de firma nos diversos contratos sociais das empresas e em outros documentos, como procurações, eram feitas no Cartório Costa ou Cartório IguatemiPR, que são o mesmo cartório. 41. Os nomes para feitura de documentos e reconhecimento de firma eram passados ao cartório, alguns verdadeiros e outros não. Há conversas nas Fl. 12690DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.687 9 quais se constata que o cartão de autógrafos era enviado para preenchimento fora do cartório, o que não é um procedimento normal, já que deveria ser confeccionado no tabelionato. Vários dos laranjas com assinaturas autenticadas viviam em cidades muito longe dali, como Ponta Porã/MS, e sequer tinham conhecimento de que constavam em quadro societário de alguma empresa. 42. Em outra conversa interceptada, constatase que havia autenticações por semelhança e “verdadeiras” e não era necessário o comparecimento dos laranjas para que as autenticações fossem feitas. Mesmo as assinaturas verdadeiras não eram feitas de forma presencial no cartório, em desobediência à lei. Os cartões eram enviados para preenchimento fora do cartório. EMPRESAS DIVERSAS DA REDE PRESIDENTE 43. No Relatório de Filiais tratado no tópico “REDE PRESIDENTE” foram verificadas 56 filiais, carimbos de 80 estabelecimentos e na pasta de empresas (ativas e inativas) foram identificadas 112 empresas. Na busca, junto às empresas, de pessoas físicas que tiveram suas DIRPF transmitidas pela REDE PRESIDENTE, constataramse 60 empresas, a maioria do ramo de autopeças, todas vinculadas à rede. Seguem alguns procedimentos que levaram à identificação dessas empresas. DEINF/SP 44. Em 2008, a Delegacia Especial das Instituições Financeiras – DEINF/SP promoveu verificações fiscais na Gama Factoring, quando foram identificados pagamentos efetuados por ela a fabricantes de autopeças. Essas empresas foram intimadas e, de forma uníssona, responderam que os pagamentos tinham origem em vendas efetuadas a empresas da REDE PRESIDENTE. 45. Todos os contratos sociais das empresas citadas pelas compradoras foram encontrados no bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, o que comprova a sua vinculação com a REDE PRESIDENTE. DRF EM VITÓRIA/ES 46. A empresa Comercial Presidente de Auto Peças Ltda. foi objeto de fiscalização pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF em Vitória/ES, tendo sido lavrado o Auto de Infração que compõe o processo administrativo 15586.720329/201195. Os seus fornecedores foram intimados a apresentar notas fiscais e comprovantes de pagamentos, tendo sido constatado que os pagamentos foram feitos por outras empresas, quase todas de factoring. 47. As empresas que efetuaram os pagamentos no ano se 2007 foram intimadas, via Correios, a justificar e comprovar os motivos que as levaram a efetuar tais pagamentos. As únicas três empresas que receberam a intimação (Dumas Factoring, PSE Com. de Peças e Uberpeças Dist Auto Peças) não a Fl. 12691DF CARF MF 10 atenderam. Em regra, as factoring não foram localizadas pelos Correios, pois não precisavam existir fisicamente. 48. Todas as empresas que efetuaram os pagamentos estavam constituídas em nome de laranjas. Com exceção da Duma Factoring e da PSE Com de Peças, todas estão na relação daquelas cujos sócios tiveram suas DIRPF/2010 transmitidas pelos mesmos computadores que transmitiram as declarações da família Tolardo e de outras duas pessoas vinculadas à REDE PRESIDENTE. Os sócios laranjas dessas empresas estão relacionados na Relação de Declarações do IRPF 2010 encontrada no bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR . 49. Deve ser destacado que, no ano de 2007, a regra era a utilização de factorings para efetuar os pagamentos, porém a partir dos anos de 2008 e 2009, em razão das investigações da DEINF/SP, a REDE PRESIDENTE abandonou suas factorings, passando a utilizar outras empresas. INVESTIGAÇÕES POLICIAIS – NAPA PARTS, AMAZON AUTO PEÇAS E SENSUS PEÇAS P VEÍCULOS 50. Em 02/04/2008, por solicitação da Procuradoria da República em Curitiba/PR, a Delegacia da Polícia Federal DPF de Maringá/PR instaurou o inquérito de número 256/2008DPF/MGA/PR, tendo sido solicitadas diligências para localizar as seguintes empresas e seus sócios: Amazon Auto Peças Ltda., Fabiro Factoring Ltda. e Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda. 51. No endereço cadastral da Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda., havia uma empresa denominada “Presidente Distribuidora”, a qual, segundo informações de um comerciante vizinho, possuía uma marca de peças chamada “Napa”. Suas sócias não foram encontradas nos seus endereços cadastrais. 52. A Amazon Auto Peças, supostamente sediada no Amapá, não foi localizada, tampouco seus sócios. 53. A DPF investigou e obteve o verdadeiro endereço de alguns dos sócios, sendo possível a oitiva de três deles, todos pessoas humildes, desenvolvendo as atividades de diarista (faxineira), auxiliar de serviços gerais e trabalhador de serraria. Todos disseram sequer conhecer as empresas investigadas. Uma outra sócia não foi localizada, mas foi obtida a informação de que teria sido presa em 2006. 54. Todos os documentos juntados ao feito têm firma reconhecida no Cartório Costa, localizado no distrito de Iguatemi, Maringá/PR, mesmo algumas empresas tendo domicílio em estados distantes da Federação, como Rio de Janeiro e Amapá. 55. Em diligência efetuada em Maringá/PR, que resultou na Informação nº 098/2010, foi constatado por entrevistas com funcionários que saíam do local e com um funcionário de estabelecimento próximo que a Napa Parts seria do “pessoal da Distribuidora Presidente” e que o seu dono seria uma pessoa de nome Marcelo Tolardo. 56. Em consulta aos bancos de dados disponíveis, a autoridade policial descobriu que Marcelo Tolardo seria o então empresário Robson Marcelo Fl. 12692DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.688 11 Tolardo, filho de Samuel Tolardo e irmão mais velho de Rogério Márcio Tolardo, que faziam parte do quadro societário da RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. – Distribuidora Presidente. 57. Havia, ainda, uma empresa denominada Napa Distribuidora de Auto Peças Ltda., sediada em Guarulhos/SP, que utilizou essa razão social até julho/2000. Após esse mês, essa empresa passou a utilizar o nome de Presidente Peças Ltda. Em julho/2003, a razão social passa a ser Presidente Peças para Veículos Automotores Ltda. e, finalmente, em junho/2005, passa a ser Sensus Peças para Veículos Automotores Ltda. PROCEDIMENTO CAXIAS DO SUL/RS 58. A DRF Caxias do Sul/RS realizou procedimento de fiscalização na empresa NTE Auto Peças Ltda., cuja razão social até dezembro/2008 era Alba Auto Peças Ltda. Foram efetuadas diligências junto a dois fornecedores, Cinpal Companhia Industrial de Peças para Automóveis e Tenneco Automotive Brasil Ltda, para que esclarecessem o motivo das transferências efetuadas para elas pela NTE. Ambas apresentaram farta documentação, a qual, em linhas gerais, evidencia que as transferências feitas pela NTE consistiam em pagamento parcial de vendas a outras empresas. DILIGÊNCIAS DA AUTAL FISCALIZAÇÃO 59. A fiscalização verificou que o maior volume de compras da REDE PRESIDENTE era efetuado por meio das empresas PRS e PSE e intimou mais de 40 fornecedores para prestar esclarecimentos. 60. Modine do Brasil Sistemas Térmicos Ltda. informou que o contato da empresa PRS seria o Sr. Bene, que representa também as empresas RPT Distr Auto Peças e PRV Comercio Atac de Peças Aut Ltda. 61. Indústria e Comércio de Auto Peças Rei Ltda. respondeu que o comprador da empresa PRS seria o Sr. Adailton Hilário da Silva, que representava também a Comercial Presidente de Auto Peças Ltda., Distribuidora Pinheirão Peças Automotivas Ltda. e a Retífica Presidente Prudente Peças p/ Veíc Ltda. 62. Jofund S/A informou que o contato em 2008 na PRS era o Sr. Adailton Hilário da Silva, também responsável pela empresa Comercial Presidente de Autopeças Ltda. Com relação ao período de 2009 a 2012, informou que ele era, ainda, o responsável pelas compras das empresas RPT Distribuidora de Auto Peças, Alba Autopeças Ltda., APE Auto Peças Ltda., PSE Comercial de Peças para Veículos Ltda., PRE Comércio e Distribuição de Auto Peças Ltda., PRV Comércio Atacado de Peças Automotivas Ltda. e KRE Comércio de Peças Ltda. 63. Cerâmica e Velas de Ignição NGK do Brasil Ltda. informou que o contato na PRS seria Edenilson Ferreira de Oliveira, encontrado no mesmo endereço do responsável por compras da RPT e da PRTS de Maringá/PR. Fl. 12693DF CARF MF 12 64. A empresa Meritor do Brasil informou que o atual contato comercial/financeiro da PRV trata e assunto comercial/financeiro relacionado à PRS, porém desconhece a exata relação jurídica entre essas empresas. 65. RHO Interruptores Automotivos Ltda. informou que de 2008 até 13/12/2012, o contato era o Sr. Estevão. A partir de 2013, o contato passou a ser Nélio Jonei Gonçalves de Oliveira, Alex Brito e Karen Rocha. Foi apresentada lista de 16 empresas, todas pertencentes à REDE PRESIDENTE. 66. Da mesma forma, as 13 empresas citadas por Susin Francescutti Metalúrgica Ltda. compõem a REDE PRESIDENTE. O contato da empresa RPS seria Francisca Dias ou o Sr. Edenilson. 67. A Max Gear informou que os contatos eram Karen Rocha, Johny Vieira e Edenilson. As empresas listadas, com 40 estabelecimentos de 28 CNPJ raiz, são todas da REDE PRESIDENTE. A Max Gear apresentou planilha referente ao período 2008 a 2010, com os pagamentos recebidos pelas vendas, identificando a empresa de acordo com o extrato bancário, onde se constata que as vendas feitas para a PRS foram pagas mediante transferências bancárias de outras 13 empresas, todas da REDE PRESIDENTE. 68. Affinia Automotiva Ltda. também apresentou planilha com a identificação das vendas efetuadas para a PRS no ano de 2008. A identificação das empresas “pagadoras” foi feita apenas pelo nome, provavelmente o nome que aparece no extrato bancário, todas da REDE PRESIDENTE. 69. Mann Hummel Brasil Ltda. disse que o contato da PRS era Edenilso Ferreira de Oliveira e apresentou rol de empresas relacionadas ao representante, todas da REDE PRESIDENTE. 70. A relação das empresas apresentada pela fornecedora TMD Triction do Brasil S/A intitulada “6. empresas do Grupo Presidente” também contém várias empresas representadas pela mesma pessoa da PRS, todas elas da REDE PRESIDENTE. São 42 estabelecimentos, com 23 CNPJ raiz. 71. Vários outros fornecedores apresentaram respostas praticamente nos mesmos termos, citando os mesmos contados e apresentando as mesmas empresas pertencentes à REDE PRESIDENTE. 72. Destacase que a fiscalização identificou 70 “empresas” do esquema que tiveram algum tipo de atividade no período de 2008 a 2012. RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE – FAMÍLIA TOLARDO 73. Conforme já dito, a REDE PRESIDENTE teve origem na empresa Real Iguaçu (ou Tolardo Auto Peças), dos irmãos Tolardo (Samuel Tolardo e José Dario Tolardo), sediada em Maringá/PR. Na década de 90 essa empresa sofreu diversas autuações fiscais e sua sede foi mudada para o estado de São Paulo, após o que foram interpostos laranjas no seu quadro societário. Em 1995, a Real Iguaçu, com pesadas dívidas fiscais, passou à condição de inativa e foi abandonada pela família Tolardo. Samuel Tolardo adquiriu a Fl. 12694DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.689 13 Foramec e a partir dela criou a RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda., com o nome de fantasia “PRESIDENTE”. Fizeram parte do quadro societário dessa empresa Samuel Tolardo e Rogério Márcio Tolardo, seu filho. Robson Marcelo Tolardo, outro filho de Samuel Tolardo, teve vínculo empregatício de maio/2002 a maio/2010. 74. No final de 1999, a família Tolardo passou a incluir laranjas no quadro societário da RPT. 75. Destacase como prova desse fato, conversa telefônica de 05/05/2012 gravada pela Polícia Federal entre Íris da Silva Tolardo, esposa do falecido Samuel Tolardo, e sua amiga Leda (ou Ieda). Íris da Silva Tolardo comenta sobre a atitude de uma funcionária do esquema, Odete Cardoso Berti, que supostamente teria preterido um de seus filhos, Rogério Márcio Tolardo, na administração do esquema, ao dizer que o “patrão” seria apenas Robson Marcelo Tolardo. Ela diz ainda que, ao menosprezar o filho Márcio (Rogério Márcio Tolardo) em favor de Robson Marcelo Tolardo, Odete estaria menosprezando não apenas ele, mas também os demais, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e Samuel Tolardo Júnior. Isso porque todos seriam “sócios” da REDE PRESIDENTE. 76. Forte elemento de comprovação da participação da família Tolardo no esquema é o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR ALTERADOS.xls”, encontrado no pendrive de Odete e no pendrive de Samuel Tolardo Júnior. Esse arquivo controla os débitos e créditos entre os irmãos Tolardo e os rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE desde 30/11/2007 até 31/05/2011. Foram encontrados no HD apreendido na residência de Samuel Tolardo Júnior os extratos de conta de cartão de crédito AMEX dos meses de abril/2008 e fevereiro/2009 a maio/2009, cujos valores constavam na planilha. Essa conta AMEX está em nome de Robson Marcelo Tolardo, mas contém detalhamento de valores de despesas dos demais irmãos, bem como da mãe Íris da Silva Tolardo. 77. Segundo a mencionada planilha, em todo o período de 30/11/2007 até 31/05/2011 cada irmão tinha direito a um “crédito mensal” de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Durante o período, o irmão Rogério Márcio Tolardo recebeu valores, normalmente em cheques de terceiros, bem superiores, o que gerava uma dívida, ou saldo devedor, como o excerto de 30/11/2010, no valor de R$ 647.887,53 (seiscentos e quarenta e sete mil, oitocentos e oitenta e sete reais e cinquenta e três centavos). Essa dívida não era paga e os outros irmãos passavam a ter um crédito adicional no período seguinte, a fim de se equipararem a Rogério. Na prática, no período mencionado, cada um dos 4 irmãos recebeu crédito superior a R$.200.000,00 (duzentos mil reais) mensais. Esses valores foram confirmados no programa CAIXA encontrado em computador apreendido na residência de Lais de Oliveira Wochner e Ronaldo Paixão Wochner e comprovam o vínculo da família com a REDE PRESIDENTE, PROGRAMA CAIXA Fl. 12695DF CARF MF 14 78. O Programa Caixa e todo o banco de dados alimentado por ele foram encontrados na residência de Lais de Oliveira Wochner, importante operadora do esquema, e Ronaldo Paixão Wochner, colaborador como programador no Departamento de Informática da filial 23. O programa provavelmente foi desenvolvido por este último. Conforme informado no Relatório Circunstanciado nº 176/2014 da Polícia Federal e Ofício 2348, de 24/09/2014, o programa e o banco de dados foram disponibilizados à fiscalização. 79. O programa consiste em uma espécie de contabilidade e controlava os recursos físicos (não bancários) de todo o esquema da REDE PRESIDENTE, controlando o seu fluxo financeiro, com as remessas de valores das empresas (ou “filiais”) e a destinação dos recursos em espécie. A fiscalização extraiu vários relatórios desse programa, estando todas as extrações validadas pelo Laudo 300/2014 e seu anexo de arquivos juntados ao presente processo. 80. Constavam no banco de dados várias “contas” representativas de custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc., bem como vários “centros de custos”, tais como os relativos a cada uma das “filiais”. Dentre os centros de custo destacase o “020 – DIRETORES”. Entre as subcontas, sobressaem aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrandose o centro de custos “20DIRETORES” e aplicandose outro filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles. 81. Como exemplo, os lançamentos do mês de janeiro/2009 relativos a Robson Marcelo Tolardo (Subconta Celo) totalizaram R$ 51.249,75 (cinquenta e um mil, duzentos e quarenta e nove reais e setenta e cinco centavos), correspondente a despesas pessoais como escola do filho, salário do caseiro, contas de telefone de casa, viagens aéreas, etc. Esse valor coincide com o valor da planilha “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” encontrada nos pendrives de Odete e Samuel Tolardo Júnior. Essa coincidência de valores entre a mencionada base de dados e a planilha ocorre para os outros valores também. Algumas despesas eram rateadas entre os irmãos, como o aluguel de um salão de festas e uma conta de luz. SAMUEL TOLARDO 82. Já foi relatado o surgimento da REDE PRESIDENTE, acrescentandose neste tópico mais informações sobre o mentor e responsável pelo esquema, Samuel Tolardo, falecido em 2007. Samuel Tolardo era bastante conhecido no ramo de autopeças no Paraná, mais especificamente na cidade de Maringá. 83. Nas DIRPF do período 2001 a 2007 o endereço de Samuel Tolardo foi informado como sendo no estado de São Paulo, entretanto dado o seu costume de informar/declarar dados não verdadeiros para dificultar a fiscalização, nada mais profícuo do que a alteração do seu endereço. Rápida pesquisa na internet já demonstra que a cidade onde verdadeiramente residia era Maringá/PR, chegando ele a ser vítima de um sequestro no norte do Paraná. Fl. 12696DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.690 15 84. Em notícia do jornal eletrônico “Odiario.com”, de Maringá, vêse o relato de sua morte, tendo ocorrido um acidente quando dirigia a sua Pajero pela Avenida Parigot de Souza. Citase que era empresário do ramo de autopeças, conhecido por ser vítima de sequestro no Vale do Ivaí em 1999. 85. Na fiscalização da NTE Auto Peças Ltda. – EPP, foram obtidas cópias de cheques emitidos em 2006 por essa empresa, que tinha na época a razão social Alba Auto Peças Ltda., com assinaturas falsas de sua sócia laranja, Silvia Vilhalba. Esses cheques tinham que ser confirmados pelo titular da conta, em face das quantias elevadas. No Relatório Fiscal emitido naquele procedimento (Processo 11020.723699/201218) consta que foi encontrado o nome de Samuel Tolardo na parte superior dos cheques e o banco HSBC esquivouse de esclarecer esse fato. A exfuncionária do banco responsável pelas operações disse que era procedimento comum entrar em contato com as pessoas autorizadas pelas empresas, no caso de dúvidas quanto à liberação dos pagamentos. 86. Outro elemento que vincula Samuel Tolardo à REDE PRESIDENTE é o trecho da denúncia feita em 2006 à Polícia Civil (Delegacia de Defraudações) por um ex funcionário da RPT, Ivanilto Mascena dos Anjos. 87. No cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão foram encontradas várias procurações em benefício de Samuel Tolardo e relacionadas a empresas do esquema REDE PRESIDENTE. ÍRIS DA SILVA TOLARDO 88. Íris da Silva Tolardo é a matriarca da família Tolardo, viúva de Samuel Tolardo. Embora não aparente ter poder decisório no esquema, tem pleno conhecimento das atividades e de seu caráter ilícito, além de ser beneficiada por todo o patrimônio e rendimentos obtidos da atividade. Aparece também como administradora/responsável por uma empresa registrada em nome dos seus filhos, bem como procuradora ou caucionante de aluguel de empresas do esquema. 89. No Programa Caixa utilizado pela REDE PRESIDENTE, na Subconta Íris foram identificados diversos pagamentos de despesas pessoais como TV a cabo, plano de saúde, água, telefone, consertos, etc., além de vultosos pagamentos com o histórico “RETIRADAS”. As vultosas retiradas denotam a posição de Íris da Silva Tolardo como coproprietária do esquema. ROBSON MARCELO TOLARDO 90. Após o falecimento do pai, Robson Marcelo Tolardo tornouse o principal comandante da REDE PRESIDENTE. 91. Há várias provas do envolvimento e da posição de Robson Marcelo Tolardo no esquema, como a resposta a uma intimação de uma das fornecedoras da RPS, que o menciona como proprietário da empresa, conversas por email, escutas telefônicas, procuração das empresas e laranjas, procuração de seu pai para efetuar a compra de uma das empresas, Fl. 12697DF CARF MF 16 depoimento de seu tio à Polícia Federal, entrevistas com funcionários e ex funcionários. 92. Um elemento que comprova a participação de Robson Marcelo Tolardo, bem como de seus irmãos, no esquema é o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” encontrado nos pendrives de Odete e de Samuel Tolardo Júnior. O programa CAIXA confirma os pagamentos verificados nesse arquivo. A REDE PRESIDENTE pagava todo tipo de despesas pessoais de Robson Marcelo Tolardo. As vultosas quantias mensais denotam a posição de coproprietário do esquema, tratandose de verdadeiro prólabore. JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE 93. O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o programa CAIXA também comprovam a participação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, filha mais nova de Samuel Tolardo. As despesas pessoais dela eram custeadas pela REDE PRESIDENTE e ela realizava retiradas vultosas, o que denota sua condição de coproprietário do esquema. 94. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore tinha participação ativa no esquema, sobretudo como administradora do grupo adquirido (Emprepar), conforme demonstram as ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal. Há, inclusive, ligações entre ela e sua mãe e entre esta e Robson Marcelo Tolardo, as quais demonstram que a filha do exdono da Embrepar ensinou Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore sobre os procedimentos do negócio adquirido. 95. Além de administrar a Embrepar, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore tinha diversas procurações de sócios laranjas para gerir os negócios, era proprietária de diversos imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além de ser fiadora de contratos de locação de outros também utilizados pelo esquema. ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO 96. O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o programa CAIXA também comprovam a participação de Rogério Márcio Tolardo, da mesma forma que seus irmãos. Ele teve envolvimento ativo na REDE PRESIDENTE desde cedo, constando como sócio da RPT juntamente com seu pai. 97. Foram encontradas várias procurações outorgadas pelos laranjas, para que Rogério Marcelo Tolardo administrasse empresas do esquema. Além disso, ele é proprietário de seis imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE e aparece nas conversas telefônicas como administrador do esquema. SAMUEL TOLARDO JÚNIOR 98. Da mesma forma que seus irmãos, o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls e o programa CAIXA comprovam a participação de Samuel Tolardo Júnior no esquema, no papel de sócios. Fl. 12698DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.691 17 99. No seu apartamento foram encontrados vários documentos do esquema, que comprovam a sua participação desde 1996. É dele a propriedade de vários imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além de lhe terem sido outorgadas procurações para administração das empresas. É de se destacar, ainda, as escutas telefônicas nas quais foi mencionado diversas vezes como integrante do esquema. DA SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS 100. Conforme visto e demonstrado exaustivamente no Relatório Fiscal, o acesso ao Sistema CAIXA pela Polícia Federal possibilitou que se verificasse os pagamentos efetuados pelo esquema, bem como a identificação das filiais. Essa identificação das filiais ou empresas envolvidas também pôde ser apurada nas planilhas de vendas encontradas no computador de Daniel de Oliveira Júnior e pelos diversos controles encontrados no cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão. 101. Depois do confronto das verbas verificadas com as folhas de pagamento e GFIP das várias empresas da REDE PRESIDENTE, a Auditoria constatou que tais documentos não traziam a maioria das verbas, ou seja, houve sonegação de contribuições previdenciárias. O grupo estava pagando, por exemplo, salários, valetransporte, valealimentação, aluguéis, comissões, gratificações, etc. sem considerálos para fins de incidência de contribuição previdenciária. 102. Para apurar o total de contribuição previdenciária sonegada, foram excluídas do Extrato da Conta Caixa todas as verbas que não possuíam natureza salarial, tendo sido constatado valores pagos a empregados das seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE: a. PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.; b. A P E Auto Peças Ltda.; c. IME Peças para Veículos Ltda. – ME; d. PRV Comércio de Peças Ltda. – ME; e. Daniel de Oliveira Júnior; f. PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.; g. PRS Peças para Veículos Ltda.; h. Fort Lub Produtos Automotivos Eireli – ME; i. RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. 103. Os valores pagos a empregados foram comparados com aqueles declarados em GFIP e a diferença foi considerada para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias sonegadas. Fl. 12699DF CARF MF 18 104. Foram apurados valores pagos a pessoas físicas por serviços prestados como motoboys das seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE: a. PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.; b. A P E Auto Peças Ltda.; c. IME Peças para Veículos Ltda. – ME; d. PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.; e. PRS Peças para Veículos Ltda.; f. RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda.; 105. Foram apurados valores pagos a diretores membros da família Tolardo por meio da empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. 106. Com relação aos valores pagos aos motoboys e aos membros da família Tolardo, não houve deduções, pois não havia declaração de tais valores em GFIP. Apesar de ter sido declarado em GFIP prólabore pagos aos sócios laranjas, não houve nenhuma declaração em GFIP dos valores pagos à família Tolardo e discriminados no “Extrato de Conta Bancária”. DA EMPRESA PRV 107. A empresa PRV Comércio de Peças Ltda. ME é uma das empresas da REDE PRESIDENTE de autopeças e assim como as outras, encontrase constituída em nome de laranjas. O seu domicílio fiscal seria na cidade de Guarulhos/SP, contudo, conforme relato anterior, a sede administrativa de todo o esquema fica, na verdade, na cidade de Maringá/PR. Poucos meses após a sua criação, seu endereço foi alterado para o mesmo endereço da RPT e da A P E, ambas empresas do esquema. 108. Em diversos locais onde foram cumpridos os mandados de procedimento fiscal foram encontrados documentos que vinculam a PRV ao esquema, inclusive no endereço da sua sede. Ela consta também nos relatórios de controle das filiais. DO MODUS OPERANDI 109. A sistemática do GRUPO PRESIDENTE para sonegar as contribuições previdenciárias consistia em pagar em dinheiro ou depositar nas contas correntes de seus empregados verbas de cunho salarial sem considerálas na apuração desses tributos. Determinadas verbas (aluguel, valetransporte, auxílioalimentação, pagamento a motoboys, retiradas de diretores) eram sonegadas completamente. Outras (salário, gratificação, comissão, rescisão, férias, 13º), eram sonegadas em parte. 110. Em uma auditoria ordinária seria quase impossível a identificação desses valores, tendo a apuração sido possibilitada pela execução dos Mandados de Busca e Apreensão decorrentes da Operação Laranja Mecânica, quando a fiscalização pôde acessar o “Caixa 2”. Fl. 12700DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.692 19 111. Os Mandados de Busca e Apreensão tiveram como alvo vários endereços, destacandose o bunker da Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, uma residência de alvenaria, sem identificação alguma. Esse lugar foi identificado nas investigações policiais, principalmente por escutas telefônicas, quando se apurou que lá funcionaria o controle de Recursos Humanos do esquema. Foi em um HD apreendido nesse endereço que se encontrou o programa CAIXA. 112. Além do pagamento de verbas a empregados registrados, foram detectados pagamentos de salário a empregados sem registro. Os salários desses empregados e verbas como férias eram objeto de recibos comuns. Foram encontrados também comprovantes de depósitos nas contas dos empregados em valores bem superiores àqueles declarados. DO VALETRANSPORTE PAGO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO 113. A jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais é unânime em considerar o caráter salarial dos valores de valetransporte pagos em pecúnia, pois consiste em violação ao disposto no art. 5º do Decreto nº 95.247/1987, pelo qual é vedado ao empregados substituílo por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento. Assim, deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 114. Também se defendeu a tese de que o vale transporte pago em dinheiro e de forma contínua passa a integrar a remuneração do empregado, incidindo a contribuição previdenciária com base no art. 201, § 11, da Constituição Federal. DO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO 115. O auxílioalimentação tem natureza salarial quando a empresa não está incluída no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, nos termos da Lei nº 6.321/1976, conforme art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/1991 e art. 3º da lei nº 6.321/1976. Assim, os valores pagos em dinheiro apurados foram considerados pela fiscalização como base de cálculo das contribuições previdenciárias. DA MULTA DE OFÍCIO 116. São utilizadas pessoas físicas “laranjas” na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a fiscalizada. São usados expedientes escusos, como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Essa conduta visa a modificar uma característica essencial do fato gerador da obrigação, o real sujeito passivo, enquadrandose a situação no conceito de fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Igualmente, enquadrase no conceito de sonegação dado pelo art. 71, II, da mesma lei, vez que se constitui em ação dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. Fl. 12701DF CARF MF 20 117. Os pagamentos “por fora” efetuados aos empregados, descobertos graças aos Mandados de Busca e Apreensão, consistem em omissão de parcela relevante da remuneração, incorrendo o contribuinte nos conceitos de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características) e sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do tributo devido). 118. Ambas as condutas evidenciam claramente o dolo do contribuinte, impondo a aplicação da multa de ofício qualificada em percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no art. 44 e seu §1º da Lei nº 9.430/1996. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 119. Em face da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada são os integrantes da família Tolardo, eles são nomeados sujeitos passivos solidários mediante lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, com base no art. 124, I, e art. 135, III, do Código Tributário Nacional – CTN. 120. Como foi fartamente comprovado que os integrantes da família Tolardo são os verdadeiros proprietários e beneficiários do esquema REDE PRESIDENTE, resta inequívoco que têm interesse comum nos negócios desse esquema, do qual faz parte a empresa alvo do lançamento. Além disso, o art. 135 do CTN impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes ou representantes do empreendimento. A responsabilidade pessoal decorre de atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, exatamente o caso da família Tolardo, que se utiliza de meios fraudulentos, tais como interposição de laranjas em sua empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, à margem da escrituração ou de declaração. 121. Dessa forma, lavramse os competentes Termos de Sujeição Passiva Solidária em desfavor dos reais sócios proprietários do esquema: Sra. Íris da Silva Tolardo, Sr. Robson Marcelo Tolardo, Sr. Rogério Márcio Tolardo, Sr. Samuel Tolardo Júnior e Sra. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. 2 Impugnação da PRV A empresa PRV Comércio de Peças Ltda. – ME foi cientificada em 12/12/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação, alegando, em síntese: 1. A empresa teve lavrado contra si auto de infração em um processo inquisitivo sem que lhe fosse dado conhecimento dos fatos e dos documentos que levaram à abusiva exigência tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL 2. O Mandado de Procedimento Fiscal iniciouse em 27/02/2014, com o fim de ser efetuada fiscalização em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL para o período 09/2010 a 09/2012, com prazo de encerramento até 27/06/2014. Houve, entretanto, alteração e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal sem a devida e necessária cientificação da impugnante. Fl. 12702DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.693 21 A prorrogação ocorreu até 24/10/2014, não tendo sido o Auto de Infração lavrado nesse prazo. O período de 26/03/2009 a 31/12/2010 sequer faz parte da fiscalização constante no MPF no tocante às contribuições previdenciárias. 3. A alteração do objeto e prorrogação sem a devida comunicação ao contribuinte causa a nulidade do procedimento, por afronta ao princípio da legalidade em face do descumprimento ao Decreto nº 7.574/2011, além de ferir o direito de defesa e ao devido processo legal do contribuinte. O art. 11 da Portaria RFB nº 3.014/2011, combinado com – c/c o Decreto nº 7.574/2011, prevê prazo de validade para o mandado de procedimento fiscal. O Decreto nº 7.574/2011, art. 33, §3º, dispõe que a prorrogação do mandado de procedimento fiscal deve ser cientificada ao sujeito passivo dentro do prazo anterior. CERCEAMENTO DE DEFESA 4. Houve a desconsideração de uma série de documentos comprobatórios de todas as operações realizadas pela impugnante, sem ter sido indicada a base legal para tanto e sem a especificação dos motivos pelos quais os documentos não foram aceitos. 5. Destaca o cerceamento de defesa, uma vez que foi requerido prazo para apresentação de documentos, que não foi concedido pelo Auditor Fiscal, pois tais documentos dependiam de terceiros, como instituições financeiras e Delegacia da Polícia Federal, que indevidamente os reteve. Sem prazo hábil para se defender, a impugnante teve cerceado seu direito. 6. Os documentos não foram devolvidos e deveriam ter acompanhado a peça do Auto de Infração, para que a impugnante tivesse assegurado o amplo direito de defesa e contraditório. Lavrado o Auto de Infração, os livros e documentos devem ser devolvidos ao contribuinte, por meio de lavratura de termo, no prazo estabelecido para defesa. Ademais, não foram disponibilizados ao impugnante os documentos referidos no Relatório Fiscal, embora tenha sido requerido no prazo para impugnação. Os processos administrativos fiscais 11020.723699/201218 e 15586.720329/201195 e o Inquérito Policial 256/2008 da Delegacia da Polícia Federal de Maringá não foram disponibilizados à empresa, não havendo como se defender. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA IMPUGNANTE E PROVA NULA 7. O processo administrativo foi instaurado com a utilização dos elementos coligidos nos processos administrativos fiscais 11020.723699/201218 e 15586.720329/2011 95 e no Inquérito Policial 256/2008 da Delegacia da Polícia Federal de Maringá, entretanto mostrase nulo o direcionamento administrativo contra a impugnante, como se sujeito passivo solidário fosse, por ausência de prova que o justifique, notadamente perante a ausência de qualquer demonstração de vínculo entre a impugnante e a empresa autuada naqueles autos. 8. A afirmação de que o sócio da impugnante seria laranja e faz parte de um grande esquema não é verdadeira e baseiase em meras presunções. A conclusão a que chegaram os Auditores Fiscais decorreu do inquérito Fl. 12703DF CARF MF 22 policial, que é um procedimento policial administrativo, de cunho meramente investigativo e inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa, pois a impugnante, na pessoa de seu sócio, sequer foi ouvida pela autoridade policial. Não é admissível a prova emprestada, pois a sua produção ocorreu no âmbito do inquérito policial, sem ser observado o contraditório e a ampla defesa. DESOBEDIÊNCIA A REQUISITOS PARA O LANÇAMENTO 9. Não pertine à fiscalização a atribuição aos sócios da qualidade de laranjas e não lhe compete considerar a existência de um suposto “Grupo Rede Presidente”. A autoridade fiscal sustenta indício de fraude e utiliza elementos que não traduzem essa informação, como trechos de depoimentos os quais a empresa impugna, pois não foi obtida autorização judicial válida, sendo períodos posteriores ou anteriores à autorização, o que gera nulidade, conforme precedente do Supremo Tribunal Federal – STF. 10. Além disso, os diálogos não demonstram qualquer liame da empresa impugnante, utilizandose o Auditor Fiscal de presunção. O lançamento foi calcado em convencimento não baseado nas provas dos autos, tendo a autoridade fiscal insistido em lavrar o Auto de Infração mesmo não tendo a certeza dos fatos. A Auditoria preferiu interpretar os dados como atentatórios à Administração Pública, mesmo que incorretamente, a deixar de proceder ao lançamento. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO PARA O LANÇAMENTO 11. A fiscalização autuou a empresa unicamente por presunção, sem demonstrar claramente os indícios que o levaram a fazer essa grave opção. A presunção, entretanto, não se aplica a esmo, tampouco cabe no lançamento tributário a tese de que os atos administrativos gozam de presunção de validade. 12. O art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 exige a anexação de todos os documentos pertinentes à análise fiscal e a desobediência a ele implica em nulidade do Auto de Infração, por constituir transgressão à lei e por gerar cerceamento no direito de defesa do contribuinte. 13. Segundo o Código de Processo Civil – CPC, art. 333, cabe ao Fisco provar o fato constitutivo do seu direito, cabendo ao contribuinte provar fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autos. Violadas as regras que regem o ônus da prova, a nulidade deve ser declarada de pronto, pois está caracterizado vício insanável. Ademais, o art. 112 do CTN prevê que, em caso de dúvida, a lei tributária que define infrações deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte. 14. “A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido”. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS INFORMADORES Fl. 12704DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.694 23 15. O Auto de Infração não observou os princípios e regras constitucionais: direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal, princípio da legalidade, princípio da imparcialidade decorrente do princípio da isonomia, princípio do informalismo, princípio da verdade real e princípio da publicidade. INEXISTÊNCIA DE PROVA MATERIAL 16. Há, no caso, total ausência de provas de qualquer atribuição da responsabilidade imputada à impugnante, a qual decorre de mera presunção. Não é lícito a autoridade fiscal presumir a máfé da impugnante, o que exige provas. 17. Violadas as regras que regem o ônus da prova, a nulidade deve ser declarada de pronto, pois está caracterizado vício insanável. UTILIZAÇÃO DE ELEMENTOS COLIGIDOS DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS NÃO TRANSITADOS EM JULGADO E DE INQUÉRITO POLICIAL AINDA NÃO FINALIZADO 18. Toda a fundamentação utilizada para a constituição do crédito tributário, com aplicação de multa qualificada e lavratura de termos de sujeição passiva solidária, foi pautada em processos administrativos não transitados em julgado e em inquérito policial ainda não finalizado. Esses processos administrativos não foram julgados até o momento e muito menos o inquérito policial foi concluído. 19. Se as movimentações financeiras e bancárias constituemse como marco inicial da investigação, eles não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da aludida presunção legal, ou seja, não podem sustentar uma presunção legal, pois, além da ausência de correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência do encargo probatório para o contribuinte. DA APRECIAÇÃO DAS PROVAS E DOS LIMITES DO “LIVRE CONVENCIMENTO” DA AUTORIDADE JULGADORA 20. A autoridade fiscal tece conclusões ilógicas, que não correspondem à real interpretação dos documentos juntados e nem aos fatos, exacerbando o livre convencimento da autoridade julgadora previsto em lei, para imputar uma conduta ilícita à impugnante. 21. Apesar de o Decreto nº 70.235/1972, nos termos do seu art. 29, permitir à autoridade fiscal a formação da sua livre convicção, essa formação tem limitadores constitucionais. A interpretação desse dispositivo deve ser a de que a Constituição e a lei impõem um convencimento racional e motivado à luz dos autos. A racionalidade é necessária, não podendo os auditores fiscais valorar as provas de forma passional, mesmo porque a atividade administrativa é regida pelo princípio da impessoalidade. 22. O convencimento da autoridade julgadora deve se basear por elementos concretos vindos exclusivamente dos autos, pois o emprego de outros transgride as garantias constitucionais do contraditório e do devido Fl. 12705DF CARF MF 24 processo legal, sendo fator de insegurança para as partes. A autoridade julgadora tem o dever de motivar a sua decisão e, em certos casos, o valor da prova é dimensionado pela lei e não por ela. IMPOSSIBILIDADE DE O AUDITOR CONSIDERAR COMO “LARANJAS” OS INTEGRANTES DA SOCIEDADE IMPUGNANTE 23. O registro de constituição societária da impugnante é plenamente válido e produz seus efeitos, nos termos da Lei nº 8.934/1994, que dispõe sobre o registro público de empresas mercantis. A Junta Comercial que registrou os atos de constituição da impugnante e posteriores alterações dos atos societários, dentro das suas atribuições legais e institucionais, já analisou os requisitos necessários e a exatidão dos dados trazidos a arquivamento. Os registros estão em conformidade com as normas legais e não existe qualquer indício de falsidade ou de simulação, pois retratam um negócio jurídico comprovadamente satisfeito em todos os seus contornos. Assim, não cabe a afirmação de que a impugnante foi constituída em nome de laranjas. 24. Para que o Auditor Fiscal descaracterizasse os contratos deve observar o parágrafo único do art. 116 do CTN, o qual exige que sejam observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Não foram estabelecidos esses limites, tanto que o lançamento foi realizado sem qualquer fundamento para a desconsideração, o que torna nulo o ato procedido. 25. Houve abuso de direito por não haver previsão legal conferindo à fiscalização autoridade para ultrapassar o limite da estrita legalidade, buscando elementos para afirmar ou não a validade jurídica das operações. Ademais, para desconsiderar a personalidade jurídica, é necessária autorização judicial, especialmente diante do conteúdo do art. 50 do Código Civil Brasileiro. Somente o Juiz de Direito pode estabelecer a desconsideração da personalidade jurídica, devendo, assim, ser decretada a nulidade do Auto de Infração. FALTA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO 26. A autoridade fazendária tipificou as exigências em dispositivos genéricos, não especificando quais dispositivos embasam a motivação do lançamento tributário, o que contraria o art. 11, III, do Decreto nº 70.235/1972 e o art. 142 do CTN. 27. Se a empresa não pode apresentar os livros por estarem sob análise de outra autoridade, não pode ser punida. Da mesma forma, não pode haver lançamento se a autoridade fiscal informa que houve sonegação fiscal, mas não aponta precisamente de onde retirou os valores que alega como receita omitida. 28. “A descrição dos fatos e o respectivo enquadramento da penalidade cabível, onde haveria que adequar, apossibilidade (sic) de exigência do imposto de renda para que pudesse incidir a multa, há que apresentarse com clareza e perfeitamente consoante com a legislação vigente, sob pena a acarretar nulidade ... Assim percebese que, a autoridade fiscal, não tipificou a disposição legal para a exigência de imposto de renda, acarretando a nulidade do ato”. Fl. 12706DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.695 25 AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS 29. O lançamento fiscal baseouse exclusivamente em documentos unilaterais apreendidos em nome de terceiros, que o Auditor Fiscal presumiu se referirem à impugnante. Não houve a expedição de nenhum mandado de busca e apreensão para o seu endereço, portanto nenhum documento seu foi apreendido. Assim, a apreensão de discos rígidos e computadores foi ilegal em relação a ela e os documentos apreendidos não podem ser usados como provas em processo judicial ou administrativo. 30. A Polícia Federal aproveitou um mandado de busca e apreensão destinado a outros endereços para vasculhar pessoas físicas e jurídicas não contempladas pelo documento. 31. Dessa forma, impõese reconhecer a nulidade das provas coligidas que embasaram o lançamento tributário, sob pena de se permitir prova ilícita no bojo dos autos. ILICITUDE DAS PROVAS UTILIZADAS 32. As provas utilizadas no processo administrativo, decorrentes de mandados de busca e apreensão são ilícitas, já que determinados por autoridade judicial incompetente para análise da matéria. 33. O inquérito policial teve origem em compartilhamento de dados entre o COAF, Receita Federal e Ministério Público, sem qualquer autorização judicial. “Além disso, o juízo que decretou a busca e apreensão, no momento em que houve a instauração dos procedimentos, nenhum dos crimes investigados eram crimes antecedentes do delito de lavagem de dinheiro. Portanto, a vara de lavagem de dinheiro não tinha competência para processar o feito”. 34. Ainda que fossem emanadas de juiz competente, houve extrapolação dos limites da ordem judicial pela autoridade fiscal, que se baseou em elementos de provas colhidas em computadores particulares de terceiros, para os quais não foram expedidos mandados de busca e apreensão específicos. Não houve, em relação a esses terceiros, autorização específica de quebra de sigilo de mensagens eletrônicas e arquivos digitais, o que causa a nulidade das provas. 35. Além de ter havido violação ao seu direito de privacidade e ao sigilo das comunicações telefônicas, as conversas desses terceiros não guardam qualquer relação com a autuação e fiscalização, não tendo sido sequer mencionada a empresa impugnante. 36. O sigilo bancário só pode ser quebrado mediante autorização judicial nas hipóteses de conduta delituosa configurada, nunca por arbítrio do agente fiscal. 37. Não foram observados os requisitos para a quebra do sigilo dos terceiros, não sendo as provas fundadas em elementos concretos, sérios e idôneos, sendo nula a decisão que não se ampara em fatos e fundamentos de pleno direito, especialmente quando o juiz era incompetente. Fl. 12707DF CARF MF 26 38. O acusado deve ter ciência da prova na primeira oportunidade após a sua realização, não se podendo cogitar de prova não sujeita ao contraditório. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA 39. Em razão da arguição das nulidades demonstradas, a impugnante requer a realização das diligências necessárias pela Delegacia de origem, a fim de que seja atestada a ausência de qualquer irregularidade fiscal cometida pela impugnante, bem como a inexistência de qualquer ato que implique na constituição do crédito tributário. DO INQUÉRITO POLICIAL REALIZADO PELA POLÍCIA FEDERAL 40. Quanto aos trabalhos fiscais realizados com base exclusivamente no Inquérito Policial Federal, era necessária averiguação da fiscalização, não podendo servir de prova para o lançamento tributário. “Na verdade, as autoridades fiscais o (sic) colacionaram excertos do Inquérito Policial (que ainda não foi finalizado) na tentativa de impressionar os julgadores, sendo que estas questões sequer foram objeto de julgamento judicial, sendo que as provas coligidas são nulas de pleno direito”. PREJUDICIAL AO MÉRITO – NECESSIDADE DE SUSPENSÃO 41. Em face das diversas nulidades arguidas, principalmente pelo fato de não ter sido informado de onde se retirou os valores apurados como receita omitida e considerandose os princípios da presunção de inocência e da segurança jurídica, uma vez que o lançamento baseouse unicamente em inquérito policial não concluído e em processos administrativos que estão em análise, ou seja, com exigibilidade suspensa, impõese suspender a tramitação do presente processo administrativo. “A jurisprudência valida a suspensão do auto de infração enquanto perdurar medida judicial decisiva a perfeita exigência do crédito tributário”. A continuidade da exigência fiscal dependerá do julgamento dos processos administrativos e da conclusão do inquérito policial. 42. O Código de Processo Civil, em seu art. 13, determina que, verificada irregularidade na representação do contribuinte no processo, a autoridade julgadora deve suspender o processo, determinando prazo razoável para ser sanado o defeito. Em face do disposto no art. 265, IV, o julgamento do processo deve ser sobrestado até que o processo principal seja apreciado. O mesmo art. 265, no seu inciso III, determina que se suspende o processo quando a sentença de mérito dependa do julgamento de outra causa ou da declaração de existência da relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente. 43. Assim, a decisão deve ser pela suspensão do julgamento até supressão da causa impeditiva à continuidade da exigência fiscal. 44. Há necessidade de o processo administrativo fiscal aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal sobre a quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, realizada pelo Auditor Fiscal sem qualquer justificação ou fundamentação, já que a Lei Complementar nº105 é objeto de 5 (cinco) Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADIN, toda apensadas à ADI 2390, ainda pendente de julgamento. Fl. 12708DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.696 27 45. Se o processo prosseguir haverá a nulidade das exigências fiscais, pois realizado com base em leis objeto de ações questionando a sua inconstitucionalidade. 46. A Portaria MF nº 103/2002 já previu que, no caso de julgamento pelo STF, os órgãos administrativos julgadores devem automaticamente adotar o seu entendimento jurisprudencial. Devem ser aguardados os julgamentos, a fim de que as decisões administrativas não sejam proferidas em confronto com o entendimento dessa corte. 47. Assim, a impugnante requer a suspensão do prosseguimento do processo administrativo fiscal, até a supressão da causa impeditiva à continuidade da exigência fiscal, objeto de análise pelo STF. AUSÊNCIA DE SOLIDARIEDADE – EMPRESAS AUTÔNOMAS 48. A RFB tenta imputar, indevidamente, às diversas empresas e pessoas físicas mencionadas no Auto de Infração a responsabilidade tributária por transferência, na graduação de solidariedade passiva, a qual somente ocorre quando duas ou mais pessoas são obrigadas por lei perante o Fisco. 49. O fato de os sócios de algumas das empresas indicadas no Relatório Fiscal terem sido funcionários da empresa pertencente ao falecido Sr. Samuel Tolardo Júnior Tolardo não é suficiente para a responsabilização de 70 empresas e seus respectivos sócios e de toda a família Tolardo, indicados equivocadamente como sócios de fato. Tampouco pode ser incluída sem prova a impugnante, empresa totalmente autônoma e com atividade própria. 50. Não existe previsão legal expressa que albergue a responsabilização efetuada. A lei não estabelece que familiares ou qualquer sócio eventualmente de fato devam ser responsáveis por solidariedade. 51. O legislador não pode estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas físicas e jurídicas, desconsiderando a personalidade jurídica e descaracterizando as sociedades limitadas, implicando em irrazoabilidade e afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição Federal. 52. O enquadramento no art. 124, I, do CTN não pode prosperar, uma vez que as empresas são absolutamente autônomas, com sócios distintos, localizadas em bairros, cidades e estados distintos, sem qualquer identidade em seu quadro social e objeto social, com quadro de funcionários próprio. Não se trata sequer de grupo econômico, pois possuem administração própria e descentralizada e não realizavam conjuntamente a situação configuradora do fato jurídico tributário. 53. Ademais, o simples fato de as empresas se apresentarem como um grupo empresarial para o mercado não é suficiente para caracterizar a solidariedade por grupo econômico, devendo haver a comprovação de existência de unidade jurídica de controle ou planificação de atividade de forma que seja interligada a utilização da mão de obra, o que não se verifica no caso. Fl. 12709DF CARF MF 28 54. Não configura interesse comum na situação que constitui o fato gerador “o fato de serem pertencentes a uma mesma família, até porque cada qual possui seus rendimentos e atividades próprios”. 55. As empresas possuem CNAE distintos, não havendo que se falar em interesse comum entre elas. Não há que se falar em interesse jurídico das empresas e pessoas físicas incluídas indevidamente como responsáveis tributárias, para cuja configuração é relevante a participação na realização do lucro e não “mera participação nos resultados realizados pelo lucro ou interesse de ordem econômica, moral, social ou familiar. No caso, as pessoas não têm qualquer vinculação com o fato típico. 56. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN se realiza quando todos os devedores tenham realizado conjuntamente o fato gerador, o que não se vislumbra no processo. No caso, os “sócios de fato” não praticaram o fato gerador em conjunto com a empresa. Não há vinculação da impugnante com os fatos geradores das demais empresas. 57. Não foi concebido um único ato, por exemplo, em que a Sra. Íris da Silva Tolardo ou o Sr. Samuel Tolardo Júnior realizou o fato tributário, sendo temerário, excessivo e ilegal a sua responsabilização. Afirmar que a Sra. Íris da Silva Tolardo sabia de tudo não é suficiente para que lhe seja imputada a responsabilidade solidária, mormente quando ela é absolutamente estranha à empresa. 58. A impugnante desconhece a formação do alegado grupo econômico, sendo seus sócios seus únicos administradores. 59. O simples fato de algumas sociedades pertencerem a um grupo econômico não acarreta a responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, do CTN, ficando a Fazenda Pública impedida de imputar ao grupo a corresponsabilidade, já que o interesse em comum era apenas econômico e não jurídico. 60. O Auditor Fiscal extrapolou os limites da sua competência funcional prevista na Lei nº 10.593/2002 ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária à impugnante, sem indicar concretamente os motivos. 61. Não cabe a imputação pelo art. 135 do CTN, pois foi efetuada de forma objetiva, sem provar que esteja relacionada à empresa autuada ou tenha praticado ato com excesso de poderes ou infração de lei. 62. A responsabilização efetuada pelo Auditor Fiscal escapa de sua competência, pois, além de não estar prevista em lei, compete exclusivamente ao Procurador da Fazenda Nacional, na esfera judicial. Assim, o ato é nulo, por incompetência, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 63. O prazo decadencial está previsto no art. 173, I, do CTN. A extinção do crédito tributário pela decadência está previsto no art. 156, V, do CTN, que estipula ser de cinco anos o prazo para o lançamento do crédito tributário. Fl. 12710DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.697 29 64. O lançamento dos tributos deveria ser feito por homologação, o que não ocorreu. Assim, a Fazenda não constituiu devidamente o crédito tributário em relação à impugnante, já que não foi realizado o lançamento e a respectiva cientificação. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, portanto, decaiu. 65. Não acatada a decadência, requer seja acatada a prescrição dos créditos tributários. INCONSISTÊNCIA DO ARBITRAMENTO 66. A simples ausência de identificação da efetiva movimentação financeira e bancária da empresa não enseja o arbitramento do lucro. A documentação fiscal e contábil foi apresentada e na falta de comprovação de fraude, rasuras ou inconsistências, o arbitramento foi totalmente descabido, no caso. OMISSÃO DE RECEITAS: INEXISTÊNCIA 67. Não houve omissão de receitas. Os documentos utilizados não foram apreendidos com a impugnante.A Auditoria se baseou em meras presunções e praticou bis in idem ao utilizar a mesma base de cálculo para todas as empresas. IRPJ 68. A exigência do IRPJ não procede, por se fundamentar em valores creditados em planilhas unilaterais, não havendo a certeza da sua titularidade, e em meros orçamentos. Não houve aquisição de renda, pois não houve acréscimo patrimonial. CSLL, PIS, COFINS E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA: TRIBUTAÇÃO REFLEXA INDEVIDA 69. Sendo inexigível o Imposto sobre a Renda, também não são exigíveis os seus reflexos:CSLL, PIS, COFINS, contribuição previdenciária e penalidades, pois tiveram como base de incidência a indevida constituição de omissão de receitas. 70. Não foram expostas as fundamentações para a exigência da COFINS, do PIS, CSLL e penalidades. Da mesma forma, não foram indicados os motivos da cobrança da contribuição previdenciária patronal. PIS E COFINS 71. A exigência do PIS e da COFINS se dá apenas sobre o faturamento, devendo ser excluídos os valores repassados a terceiros e o valor do ICMS NÃO DEDUÇÃO DE RECOLHIMENTOS E DESCONSIDERAÇÃO DA NÃO CUMULATIVIDADE 72. Não foram consideradas na composição da base de cálculo as deduções e a não cumulativadade prevista em lei. Fl. 12711DF CARF MF 30 MULTA 73. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos não autoriza a qualificação da multa de ofício ou de rendimentos. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos também não autoriza a qualificação da multa. Ademais, a impugnante não pode responder pela empresa e sequer tinha conhecimento do mandado de procedimento fiscal, não podendo serlhe infringido ato praticado por outrem, o que ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 74. Assim, a multa deve ser excluída, mesmo porque não se pode aplicar dupla penalidade: uma pelo arbitramento dos lucros e outra pela não entrega dos documentos, pois ambas decorrem do mesmo fato. 75. Não foi comprovado o intuito de fraude. 76. A multa tem caráter confiscatório e fere os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva, pois hodiernamente se admite pena em valor não superior a 2%, conforme Lei nº 9.298/1996. A proibição constitucional de confisco se estende às multas, não se restringindo somente aos tributos. A Administração não pode locupletarse em face dessa cobrança excessiva. O Tribunal Pleno do STF já entendeu que são abusivas as multas moratórias que superam os 100%. No caso, aplicouse duplamente a multa de 150%. O Min. Celso de Mello, em decisão monocrática no RE 754.554/GO reconhecer ser confiscatória multa de 25%. 77. Não há prova de que foi concedido prazo razoável à contribuinte para apresentar os documentos, “até porque a Impugnante não foi intimada de nada disso”. 78. Dessa forma, a multa deve ser excluída ou, eventualmente, reduzida para, no máximo, 10% (dez por cento). Caso não sejam acatados esses pedidos, pede que a multa seja reduzida de 150% para 75%. 79. A impugnante não praticou nenhuma fraude ou omissão dolosa durante o processo fiscalizatório. Não houve fraude, nem sonegação, pois a empresa entregou todos os documentos solicitados, informando, inclusive, que os demais estavam em poder da Polícia Federal. Ademais, o CARF decidiu que, havendo o arbitramento, que já é uma penalidade, não cabe o agravamento da multa. TAXA SELIC 80. É ilegal a aplicação da Taxa SELIC não deve ser aplicada para correção de créditos tributários. Essa taxa tem caráter estritamente remuneratório e embute os juros e a correção monetária, sendo elevada e onerosa para o contribuinte. Ademais, não foi estipulada em lei, havendo a sua estipulação pelo Banco Central contraria o art. 161, §1º, do Código Tributário Nacional, que exige a instituição da taxa de juros por lei ordinária. 81. O Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento de que a aplicação da Taxa SELIC é ilegal e inconstitucional. 82. Não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Nesse sentido já se manifestaram o CARF e o Superior Fl. 12712DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.698 31 Tribunal de Justiça. Assim, a impugnante pleiteia seu afastamento do Auto de Infração. 83. Além disso, os juros somente poderão incidir depois de decorrido o trâmite procedimental administrativo, a partir da intimação para pagamento depois do julgamento, caso seja mantida a condenação. PROVAS E IMPUGNAÇÃO 84. Deve haver igualdade entre a contribuinte e a Receita Federal do Brasil no processo. Enquanto esta última teve mais de dois anos para analisar os documentos, a impugnante teve que se contentar com 30 dias, ainda sem acesso ao conteúdo dos autos, por problemas técnicos da própria Receita Federal. 85. As provas são nulas porque os Auditores Fiscais consideraram provas ilícitas para justificar a caracterização de grupo econômico e arbitrar o faturamento, obtidas em locais que sequer possuem relação com a impugnante. 86. Caso não seja considerada a nulidade de tais provas, a impugnante requer a realização de perícia e colheita de depoimentos, cujos quesitos e rol serão apresentados quando ela tiver acesso ao conteúdo integral do processo. A contribuinte está impossibilitada de elaborar quesitos sem conhecimento prévio e amplo da acusação e da documentação em poder do Fisco, sob pena de violação ao devido processo legal. 87. Os quesitos da perícia são: “quais provas foram utilizadas que não foi dado à (sic) conhecer para (sic) a Impugnante? Quais os valores utilizados e se foram os mesmos documentos utilizados para as empresas? Houve diligência no endereço da Impugnante? Quais documentos foram presos em posse da Impugnante? Porque (sic) não foi considerada a contabilidade regular da empresa? Após o fornecimento e acesso integral aos autos, reservase no (sic) direito de apresentar quesitos suplementares”. 88. Nomeia seu assistente técnico, requerendo a sua intimação do dia e hora do início dos trabalhos periciais no endereço que apresenta. REQUERIMENTOS FINAIS 89. Pede que sejam reconhecidas as nulidades apontadas e, no mérito, seja julgada improcedente a exigência fiscal, sendo reconhecida a ausência de responsabilidade. 90. Requer a produção de provas pericial e oral e a juntada de documentos em ulterior fase, em razão do exíguo prazo que lhe foi concedido, bem como que seja intimada das decisões, reservandose o direito de complementar a defesa após ter acesso ao conteúdo integral do processo administrativo fiscal. 3 Ciência de Robson Marcelo Tolardo Fl. 12713DF CARF MF 32 Robson Marcelo Tolardo foi intimado no seu endereço em São Paulo/SP em 11/12/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado aos autos. A correspondência enviada para o endereço em Maringá/PR foi devolvida, tendo sido registrado pelos Correios como motivo “Mudouse – Casa Vazia”. Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Edital Eletrônico emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. 4 Impugnação de Rogério Márcio Tolardo Rogério Márcio Tolardo foi intimado em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014 e em seu endereço no Rio de Janeiro/RJ em 12/12/2014, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação, alegando, em resumo que: TEMPESTIVIDADE 1. A impugnação é tempestiva, pois o impugnante tomou conhecimento do Auto de Infração por terceiros, não tendo acontecido a intimação pessoal. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL 2. De acordo com o Decreto nº 7.574/2011, art. 33, qualquer procedimento de apuração de créditos tributário impõe a necessidade de cientificação prévia do sujeito passivo, entretanto o impugnante não foi cientificado da existência de processo de fiscalização em andamento contra si, tampouco da desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada e da sua responsabilização solidária. 3. A Portaria RFB nº 3.014/2011, art. 4º e art. 7º, II, exige que seja emitido Mandado de Procedimento Fiscal que contenha os dados identificadores do sujeito passivo e que haja a ciência deste. 4. Uma vez que não houve a ciência do impugnante da ação fiscal, houve cerceamento do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, não lhe sendo garantido o devido processo legal. 5. Em ofensa ao art. 296 do Código Tributário Nacional, não houve a lavratura do termo de início do procedimento em nome do impugnante, o que impossibilitou a sua defesa. 6. O impugnante sequer faz parte da pessoa jurídica autuada, que tem personalidade jurídica própria e distinta, e só tomou conhecimento do procedimento de fiscalização por meio do recebimento do Termo de Sujeição Passiva Solidária encaminhado por via postal quando da lavratura do Auto de Infração. Não havendo a cientificação, a sujeição passiva solidária baseouse em presunções. Fl. 12714DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.699 33 7. Assim, deve ser reconhecida a nulidade do processo administrativo fiscal. NULIDADE DA INTIMAÇÃO REALIZADA PELOS CORREIOS 8. Segundo o Decreto nº 70.235/1972, art. 23, a intimação pessoal é a regra e somente sendo ela infrutífera, podem ser procedidas as demais formas. Essa regra é repetida pelo Decreto nº 7.574/2011, art. 10, I. 9. Além disso, segundo os mesmos decretos, a intimação por via postal deve ser endereçada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. No caso, contudo, a correspondência foi enviada a outros endereços diferentes daquele constante na DIRPF do impugnante, o que gera a sua nulidade. 10. Não comprovada a ciência inequívoca do impugnante, deve ser reconhecida a nulidade da intimação por falta de observância da lei, devendo ser determinada a sua realização ou deve ser ela considerada efetivada quando da disponibilização do processo administrativo fiscal ao sujeito passivo. CERCEAMENTO DE DEFESA 11. Houve a desconsideração de personalidade jurídica e a responsabilização do impugnante por meio de um termo de sujeição passiva tributária, sem qualquer fundamentação ou elementos de convicção para tal, além de não ter ele participado do processo administrativo fiscal. Imputações dessa natureza não podem se basear em meras ilações e presunções, portanto deveriam ter sido enviados ao sujeito passivo cópias de todos os documentos utilizados pela Auditoria Fiscal, o que não ocorreu. 12. O impugnante compareceu à Unidade da Receita Federal do Brasil onde possui domicílio fiscal e entregou mídias para gravação, porém não lhe foi fornecido o conteúdo integral do processo administrativo. 13. Dessa forma, diante do cerceamento de defesa do impugnante e conforme art. 12, II, do Decreto nº 70.235/1972, é nulo o processo. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL 14. O Auditor Fiscal extrapolou os limites de sua competência funcional prevista na Lei nº 10.593/2002, ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária ao impugnante sem indicar concretamente os motivos, notadamente porque o impugnante não é sócio da autuada e não exerce qualquer função dentro dela, não estando relacionado ao fato gerador do tributo lançado. 15. A responsabilidade invocada para o impugnante balizouse no art. 124, I, do CTN, sem ser indicado seu interesse ou relação com a situação que constituiu o fato gerador. E com respeito ao art. 135, III, do mesmo código, não foi provado pelo Auditor Fiscal que o impugnante esteja relacionado à empresa autuada como diretor, gerente ou representante e, nessa condição, tenha praticado qualquer ato com excesso de poder ou infração de lei. Fl. 12715DF CARF MF 34 ILICITUDE DAS PROVAS UTILIZADAS 16. Não há prova do envolvimento do impugnante. A utilização de um pendrive com um trabalho de conclusão de curso de terceiro como base para a transplantação da responsabilidade para o impugnante é presunção. A utilização de dados sigilosos, inclusive de terceiros, com a quebra de sigilos fiscais, de dados de informática e utilização de planilhas unilaterais, que sequer foram fornecidas à parte, constitui uso de provas ilícitas. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO IMPUGNANTE – IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE A TERCEIRO 17. Não foi provado que o impugnante recebia recursos da pessoa jurídica autuada. A Auditoria sequer conseguiu provas de que o impugnante participou da administração da sociedade, como email ou mensagem, ordens, autorizações ou qualquer outro ato. 18. O impugnante tem outras atividades, sendo sócio de uma empresa que comercializa equipamentos eletrônicos, além de prestar serviços na mesma área, tudo devidamente declarado em seu Imposto sobre a Renda. “O simples fato de ser filho de Samuel Tolardo não implica em dizer que todas as autopeças que sofreram autuação fiscal são de responsabilidade de seu falecido pai”. Mesmo que ficasse configurada a responsabilidade de seu genitor, esse fato não é suficiente para a transferência da responsabilidade efetuada. 19. O impugnante nunca teve procuração da empresa ou de seus sócios para administrála. As procurações mencionadas dizem respeito a outros fatos e outras pessoas. Não há comprovação de atos praticados por ele que pudessem gerar débitos. 20. Não há vinculação do impugnante com os fatos geradores, tampouco o interesse comum previsto no art. 124 do CTN. Seria necessária a sua participação efetiva no fato gerador do tributo, conjuntamente com os outros sujeitos passivos. 21. O art. 134 do CTN dispõe que a responsabilidade de terceiros somente ocorre nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação pelo contribuinte. 22. Tampouco o impugnante se enquadra no art. 135 do CTN. Não é sócio da empresa, não a administra e ela continua ativa e sujeita à exigibilidade da autuação fiscal. Ademais, se não há responsabilidade do sócio gerente pelo simples inadimplemento do tributo, não pode haver a responsabilização objetiva do impugnante. 23. Os atos praticados foram descaracterizados pela Auditoria sem cumprimento do art. 116, parágrafo único do CTN. Inexiste lei ordinária e, conseqüentemente, a previsão dos procedimentos para a desconsideração de atos e fatos jurídicos, como fez a fiscalização. Além disso, para a desconsideração da personalidade jurídica, é necessária autorização judicial, não tendo o Auditor Fiscal poderes para tal. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE BENEFÍCIO PELO IMPUGNANTE Fl. 12716DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.700 35 24. A responsabilização do impugnante foi pautada em documentos unilaterais elaborados por terceiros, sem qualquer identificação do Impugnante, tendo havido mera presunção. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGADOS, AVULSOS, AUTÔNOMOS ETC. 25. O Auditor Fiscal não nominou no seu relatório os empregados a quem a empresa teria efetuado os pagamentos, tampouco a forma e as condições do pagamento. Baseouse em documentos apócrifos, unilaterais e inservíveis como prova. Em consequência, a Notificação é improcedente e nula. Foi infringido o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e o direito da impugnante à ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE – IMPOSSIBILIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 26. A redação original do art. 195, I, da Constituição Federal somente se referia à folha de salários, sendo inconstitucional a redação original da Lei nº 8.212/1991 que fazia incidir a contribuição sobre quaisquer rendimentos pagos ao trabalhador. Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/1998, o art. 195, I, da Constituição foi alterado para albergar quaisquer rendimentos do trabalho pagos à pessoa física. Assim, é flagrante a inconstitucionalidade da exigência da contribuição sobre a remuneração até 1999. 27. Mesmo após a Emenda Constitucional nº 20/1998, sobre as verbas com caráter indenizatório não incidem as contribuições previdenciárias, uma vez que não constituem retribuição pelo trabalho, mas sim objetivam reparar uma perda, repondo o patrimônio do ofendido. São elas: adicionais de periculosidade, insalubridade, noturno, abono de férias, horas extraordinárias, gorjetas, prêmios, abonos, ajudas de custo, diárias de viagens e outras. Da mesma forma, verbas não habituais não podem ser tributadas. 28. Assim, devem ser excluídas da base de cálculo lançada os valores que não são salário strictu sensu, com novos cálculos dos valores devidos. INEXIGÊNCIA DO SALÁRIOEDUCAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE 29. A contribuição denominada SalárioEducação não é contribuição para a Seguridade Social e não se enquadra no art. 240 da Constituição Federal. Dessa forma, o art. 1º da Medida Provisória nº 1.5651/97 e o art. 15 da Lei nº 9.424/1996 são inconstitucionais por elegerem a folha de salários como base de cálculo dessa contribuição, pois tal verba somente pode ser base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social. INEXIGÊNCIA DO INCRA – EMPRESA DE PREVIDÊNCIA URBANA 30. O INCRA não é exigível, pois a empresa autuada é urbana e não exerce atividade rural. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. 31. Mesmo que a empresa fosse contribuinte do INCRA, o STF equiparou tal contribuição àquelas das entidades de promoção profissional, “juridicizada pelo art. 21, §2º, da Carta de 1969”. Essa espécie de contribuição foi prevista na Constituição de 1988, no seu art. 149. Não tem, Fl. 12717DF CARF MF 36 pois, natureza de contribuição para a Seguridade Social. De acordo com a Constituição de 1988, a folha de salários somente pode ser base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e de formação profissional vinculada ao sistema sindical (art. 240). 32. O art. 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que determinou a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, não fez alusão às contribuições, como fez o art. 240 da Constituição Federal. Assim, houve a revogação da lei anterior relativa ao INCRA, por incompatível com a existência do SENAR, não havendo a recepção pela Constituição de 1988. INEXIGÊNCIA DO SAT – NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR 33. Quanto ao SAT, apesar de seu nomen juris indicar que se trata de uma contribuição complementar ou adicional à contribuição prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212/1991, é na verdade mais um tributo incidente sobre a mesma base de cálculo. Assim, é totalmente inconstitucional, pois os arts. 195, §4º, e 154, I, da Constituição Federal dispõem que a criação desse tributo somente poderia ocorrer por lei complementar. 34. Sob outro aspecto, o SAT é inconstitucional porque sua alíquota é definida por ato exclusivo do Poder Executivo, o qual definiu, por meio dos Decretos números 612/1992 e 2.173/1997 sua base de cálculo e alíquotas. Esse é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e do STJ. ILEGALIDADE DA COBRANÇA SOBRE VERBAS 35. Devem ser excluídas, por falta de previsão legal, todas as verbas de caráter indenizatório, tais como: valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado; aviso prévio indenizado e a projeção dele decorrente de um avo de décimo terceiro salário; o adicional de 1/3 (um terço) de férias, o abono de férias, férias indenizadas, salário maternidade, valetransporte, valores recebidos a título de ganhos eventuais, os abonos expressamente desvinculados do salário e o auxílioalimentação. 36. Já está pacificado no STJ o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre o auxílio doença pago pelo empregador nos primeiros 15 (quinze) dias da licença, por constituir verba decorrente de inatividade, que não possui natureza salarial. 37. O art. 28, §9º, “e”, “7”, da Lei nº 8.212/1991 exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores recebidos a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. 38. O Pleno do egrégio STF, ao julgar o Recurso Extraordinário 478.410/SP em 10/03/2010, pacificou entendimento de que, mesmo quando pago em pecúnia, não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte. 39. No próprio Relatório Fiscal consta que a empresa forneceu auxílio alimentação in natura a seus empregados. O STJ já se manifestou no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, Fl. 12718DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.701 37 esteja ou não o empregador inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. 40. A União desistiu das ações que discutem o fornecimento in natura do auxílioalimentação, bem como do valor pago a título de valetransporte e seguro de vida. A AdvocaciaGeral da União – AGU e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN publicaram orientações para que os procuradores não recorram mais nessas situações. Há especificamente o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011 sobre o auxílioalimentação. INEXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO SISTEMA “S” AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO DA ARRECADAÇÃO 41. As contribuições destinadas ao SESC, SENAC, SESI e SENAI são tributos vinculados, devendo haver uma contraprestação ao contribuinte por parte da entidade arrecadadora, o que não ocorre no caso das empresas de prestação de serviços. As entidades beneficiadas com a contribuição são aquelas destinadas aos comerciários, sendo o objetivo a melhoria das suas condições de trabalho e a promoção de cursos de qualificação. 42. Os demais argumentos do impugnante são idênticos àqueles expostos na impugnação da empressa, com exceção dos quesitos da perícia, não elaborados pelo impugnante. REQUERIMENTOS FINAIS 43. Pede que sejam reconhecidas as nulidades apontadas e, no mérito, seja julgada improcedente a exigência fiscal, sendo reconhecida a ausência de responsabilidade. 44. Requer a produção de provas pericial e oral e a juntada de documentos em ulterior fase, em razão do exíguo prazo que lhe foi concedido, bem como que seja intimada das decisões, reservandose o direito de complementar a defesa após ter acesso ao conteúdo integral do processo administrativo fiscal. 5 Impugnação de Íris da Silva Tolardo Íris da Silva Tolardo foi intimada em seu endereço de Maringá/PR em 10/12/2014 e em seu endereço em São Paulo/SP na mesma data, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação na qual, em essência, repete as alegações relatadas quando da descrição da impugnação de Rogério Márcio Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. 6 Impugnação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi intimada em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014. A correspondência enviada para o seu endereço em São Caetano do Sul/SP foi devolvida com o motivo “Desconhecido”. Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Fl. 12719DF CARF MF 38 Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações dos demais membros da família Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. 7 Impugnação de Samuel Tolardo Júnior Samuel Tolardo Júnior foi intimado pelos Correios, com AR, em 17/12/2014, no mesmo endereço declarado por ele nas suas DIRPF do ano calendário 2013, exercício 2014, e anocalendário 2014, exercício 2015, situado no Rio de Janeiro/RJ. Foi intimado também em Curitiba/PR, também pelos Correios com AR, em 16/12/2014. Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações dos demais membros da família Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. É o relatório. A decisão de 1ª instância administrativa restou consubstanciada em Acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 30/09/2012 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. DOLO E FRAUDE. Para fins do cômputo do prazo de decadência, tendo ocorrido dolo e frade, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. A impugnação deve vir acompanhada de prova documental que ratifique as alegações apresentadas. Não deve ser deferida a oitiva de testemunhas, quando não foi especificado na impugnação o fato que seria provado, bem como sequer foi apresentado o rol. PRELIMINAR DE NULIDADE. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Fl. 12720DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.702 39 Não há violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa se os fatos e a fundamentação legal foram minuciosamente descritos nos relatórios que compõem o Auto de Infração e o contribuinte e os responsáveis solidários foram devidamente intimados, tendolhes sido concedido o prazo legal para defesa e oportunizada a consulta aos autos do processo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CIÊNCIA. TERMOS EMITIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Mesmo se houver equívocos na formalização do MPF, tendo sido emitidos os termos previstos no art. 196 do Código Tributário Nacional e no art. 8º do Decreto nº 70.235/1972 nos moldes legais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. SOLIDARIEDADE. FRAUDE E DOLO. USO DE LARANJAS. EMPREENDIMENTO ÚNICO FORMALMENTE MASCARADO COMO VÁRIAS EMPRESAS PRETENSAMENTE INDEPENDENTES. Comprovado que houve fraude e dolo na ocultação dos verdadeiros sócios administradores de empreendimento único, apenas formalmente constituído por várias empresas, com o uso de laranjas, há infração à lei e ao contrato social, respondendo os verdadeiros sócios como responsáveis solidários pelo crédito tributário previdenciário, por previsão do CTN, art. 135, III. Se essas pessoas participarem dos atos que originaram os fatos geradores, também há enquadramento no art. 124, I, do mesmo código. UTILIZAÇÃO DE PROVAS COLHIDAS EM INQUÉRITO POLICIAL E EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS FISCAIS. A utilização, como base para o lançamento de crédito tributário, de provas colhidas em inquérito policial e processo administrativo fiscal diverso não é proibida, desde que sejam submetidas ao rito processual previsto em lei, com a abertura de prazo para defesa e possibilitação do exercício do direito ao contraditório. Não há ilegalidade na quebra de sigilo fiscal, bancário e de comunicações autorizada pelo Poder Judiciário. Fl. 12721DF CARF MF 40 INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. EDITAL. A intimação pessoal não tem precedência sobre a intimação por via postal, com aviso de recebimento, efetuada no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Sendo improfícua essa intimação, é válida a intimação por edital. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STF E STJ NOS ACÓRDÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A tese exarada em decisão definitiva do STJ ou do STF, na forma dos arts. 543B (rito de repercussão geral) ou 543C (rito dos recursos repetitivos), deve ser reproduzida pelo órgão julgador da primeira instância administrativa apenas na hipótese da comunicação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN de que, com base na Lei nº 10.522/2002, não mais contestará ou recorrerá sobre a matéria. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONTRIBUINTE. A Lei nº 9.424/1996 não excepciona nenhuma empresa da obrigatoriedade do recolhimento do SalárioEducação, motivo pelo qual o art. 2º do Decreto nº 6.003/2006, estabelece que são contribuintes de tal contribuição as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. INCRA. EMPRESAS URBANAS. A contribuição destinada ao INCRA tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico e é devida pelos empregadores em geral, inclusive por empresas urbanas. GILRAT. ALÍQUOTA CONFORME ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. Para apuração da contribuição prevista no art. 22, II, da Lei nº 8.212/1991 (GILRAT), o enquadramento da empresa Fl. 12722DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.703 41 no correspondente grau de risco para fins de apuração a alíquota é objetivo, dependendo do tipo de atividade preponderantemente exercida pela empresa, de acordo com as atividades especificadas no anexo ao Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Tendo a Auditoria identificado os montantes que compuseram as bases de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive identificando cada segurado empregado, não basta alegar de forma genérica que há verbas que não sofrem incidência dessas contribuições, devendo ser apresentadas provas. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SESC E SENAC. São devidas as contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC pelas empresas que exercem atividades comerciais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Restando configurada a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 deve ser aplicada em dobro, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Segundo nota que consta no eprocesso, a empresa fiscalizada apresentou seu recurso voluntário inicialmente em 07/08/2015 (fls. 12.240/12.334) antes que o AR com a intimação nº 477, de 2015, retornasse. Como já havia sido enviada outra intimação (nº 561, de 2015), que foi recebida em 10 de agosto de 2015 (fl. 12.341), a empresa apresentou dentro do prazo de 30 dias (04/09/2015) novo recurso voluntário (fls. 12.562/12.656). Em relação aos sujeitos passivos solidários, o processo registra os seguintes atos quanto à intimação da decisão de 1ª instância: Rogério Márcio Tolardo, foi intimado por AR em 08/07/2015 (fl. 12.140); Samuel Tolardo Junior foi intimado também em 08/07/2015 por AR (fl. 12.137); Jeanne Cristine Tolardo Dalle Ore teve o AR devolvido (fl. 12.144) e foi intimada por edital eletrônico com data de ciência em 07/08/2015 (12.147); Robson Marcelo Tolardo foi intimado por edital eletrônico com ciência em 14/08/2015 (fl. 12.149) após a devolução do AR (fls. 12.148 e 12.150); Iris da Silva Tolardo foi intimada por AR em 07/07/2015 (fl. 12.134). Apresentaram tempestivamente seu recurso voluntário em 07/08/2015: Jeanne Cristine Tolardo Dalle Ore (fls. 12.344/12.413); Samuel Tolardo Junior (fls. 12.488/12.557); Rogério Márcio Tolardo (fls. 12.167/12.237). Fl. 12723DF CARF MF 42 A Sra. Iris da Silva Tolardo protocolou seu recurso voluntário na mesma data (fls. 12.417/12.483), contudo, considerando que sua intimação ocorreu em 07/07/2015, a apresentação foi intempestiva. Não foi localizado recurso por parte do Sr. Robson Marcelo Tolardo. Em suas razões de recorrer, a empresa PRV Comércio de Peças Ltda. ME, aduz, em síntese, que: 1. O acórdão de 1ª instância não apreciou a impugnação da recorrente, já que ao relatar os fatos do processo a identificou como "Fort Lub"; além disso a empresa não teria tido acesso aos documentos e resultados de escuta telefônica; 2. Nulidade da autuação por ofensa ao contraditório e à ampla defesa, já que não teria obtido cópia dos documentos que justificariam a autuação; 3. Nulidade da decisão recorrida por não ter analisado todas as questões invocadas pela defesa; 4. Nulidade da decisão recorrida por ter sido proferida por autoridade incompetente: a decisão foi proferida por auditorfiscal e não por Delegado da Receita Federal, o que ofenderia o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 25, "a"; 5. Nulidade por prorrogação indevida do Mandado de Procedimento Fiscal, em razão de não ter sido a recorrente cientificada da prorrogação e alteração do MPF; 6. Nulidade por cerceamento ao direito de defesa, já que não lhe teria sido deferido prazo para entregar documentos; 7. Nulidade por ilegitimidade passiva do recorrente e prova nula, pois não haveria prova que demonstrasse a existência de vínculo dele com a empresa em face da qual foi iniciada a investigação e as provas do inquérito não passaram pelo crivo do contraditório; 8. Nulidade por ausência de observância de requisitos no processo administrativo fiscal para o lançamento: a autoridade fiscal formou seu convencimento sem base nas provas do processo; 9. Nulidade por impossibilidade de presunção para o lançamento: o lançamento foi feito com base em presunção e ao lançamento tributário não se aplica a tese segundo a qual os atos administrativos gozam de presunção de validade; 10. Nulidade por inobservância dos princípios informadores: contraditório, ampla defesa, devido processo legal, legalidade, isonomia e imparcialidade; 11. Nulidade por inexistência de prova material: diante da total ausência de provas para a atribuição de responsabilidade à imputada, sua responsabilidade decorre de presunção; 12. Nulidade por utilização de elementos coligidos de processo administrativo não transitado em julgado e de inquérito policial ainda não finalizado; 13. Nulidade em função do desrespeito aos limites do livre convencimento do julgador; Fl. 12724DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.704 43 14. Nulidade pela impossibilidade do auditor considerar como "laranjas" os integrantes da sociedade recorrente; 15. Nulidade por falta de motivação e fundamentação, já que a autoridade fiscal teria tipificado as exigências em dispositivos genéricos, sem especificar quais artigos motivaram a lavratura do auto de infração; 16. Nulidade por ausência de autorização judicial para utilização dos documentos; 17. Nulidade por utilização de provas ilícitas, já que a ordem de busca e apreensão foi emanada por autoridade incompetente; 18. Pede que em face das nulidades acima relatadas o processo seja devolvido à Delegacia de origem para as diligências necessárias a fim de atestar ausência de irregularidades cometidas pela recorrente; 19. O inquérito policial não estava finalizado, por isso as provas não podem ser utilizadas; 20. Como prejudicial de mérito: necessidade de aguardar o encerramento do inquérito policial e de processos administrativos pendentes; 21. Como prejudicial de mérito: a necessidade de aguardar decisão do Supremo Tribunal Federal STF acerca da possibilidade de quebra do sigilo bancário diretamente por autoridade administrativa; 22. No mérito: ausência de solidariedade por se tratar de empresas autônomos, com sócios distintos, com quadro de funcionários próprios e estabelecidas em localidades diferentes; 23. O crédito tributário já estava extinto pela decadência ou pela prescrição; 24. Inconsistência do arbitramento: aqui a recorrente menciona a inexistência de prova de faturamento e arbitramento do lucro; 25. Inexistência de omissão de receita; 26. A exigência é improcedente por ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos, o que prejudica o direito de defesa do recorrente; 27. Inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo prevista constitucionalmente, que se limita aos salários e não quaisquer rendimentos pagos à pessoa física como prevê a Lei nº 8.212, de 1991; 28. Inconstitucionalidade do salárioeducação; 29. Inexigência da contribuição ao INCRA por empresa urbana; 30. Inexigência do SAT por necessitar de lei complementar; Fl. 12725DF CARF MF 44 31. Ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório; 32. Inexigência da contribuição previdenciária sobre auxílioalimentação fornecido in natura por empresa não cadastrada no PAT; 33. Inexigência de contribuição ao sistema "S" por ausência de vinculação da arrecadação; 34. Exclusão ou redução da multa por aplicação dos enunciados nº 14 e 25 da Súmula de jurisprudência do CARF, por ausência de comprovação do intuito de fraude e pela aplicação do princípio de nãoconfisco; 35. Redução da multa de ofício para 10% pela aplicação da proibição constitucional de confisco por tributos ou multas punitivas; 36. Redução da multa de ofício para 75% por ausência de fraude ou omissão dolosa; 37. Redução da penalidade por "bis in idem"; 38. Inaplicabilidade da taxa Selic; 39. Pede a realização de perícia e a colheita de depoimentos. Rogério Márcio Tolardo, por sua vez, inicia seu recurso invocando a nulidade da intimação da decisão de primeira instância, já que esta não teria sido realizado no endereço que indicou em sua impugnação. No mais, seu recurso apresenta, em sua maioria, os mesmos argumentos de defesa da empresa autuada, tanto na identificação dos itens como em sua redação. Por economia processual, serão listados abaixo apenas os argumentos que foram acrescidos pelo sujeito passivo solidário: 1. Nulidade por ausência de intimação pessoal; 2. Nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal, em razão de não ter sido o recorrente cientificado da existência de processo de fiscalização contra si; 3. Nulidade por ilegitimidade passiva do recorrente, pois não haveria prova que demonstrasse a existência de vínculo dele com a empresa autuada; 4. Nulidade por ilegitimidade do auditorfiscal, que teria extrapolado os limites de sua competência funcional ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária ao recorrente sem indicar os motivos para tanto; 5. No mérito, ausência de responsabilidade do recorrente, por ser pessoa estranha ao quadro societário da empresa autuada e por não haver prova de seu vínculo com ela e com o fato gerador do tributo; 6. Ausência de responsabilidade do recorrente por inexistência de prova do seu benefício; Os recursos voluntários de Samuel Tolardo Junior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore apresentam as mesmas razões de recorrer. Fl. 12726DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.705 45 É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os recursos apresentados por PRV Comércio de Peças Ltda. ME (fls. 12.240/12.334 e 12.562/12.656); Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (fls. 12.344/12.413); Samuel Tolardo Junior (fls. 12.488/12.557) e Rogério Márcio Tolardo (fls. 12.167/12.237) preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Análise do Recurso Voluntário de PRV Comércio de Peças Ltda. ME Item 1. Ausência de análise da impugnação e negativa de acesso aos documentos e escuta telefônica Segundo a recorrente, o acórdão de 1ª instância não apreciou sua impugnação, já que, ao relatar os fatos do processo, a identificou como "Fort Lub". É verdade que a decisão de piso cometeu essa impropriedade, o que é compreensível já que várias autuações fiscais foram lavradas no contexto da mesma operação e nelas a autoridade fiscal fez uso do mesmo relatório, alterando itens específicos para adequálo à realidade de cada empresa autuada. Portanto, é aceitável o expediente utilizado pela DRJ, que também é adotado pelos recorrentes, já que se utilizam do mesmo texto de impugnação neste processo e nos lavrados contra outras pessoas jurídicas. Além disso, não se vislumbra qualquer prejuízo à recorrente, já que a DRJ enfrentou efetivamente os argumentos apresentados, tendo identificado corretamente a empresa autuada nos demais itens do Acórdão, conforme evidencia o seguinte excerto: DA EMPRESA PRV 107. A empresa PRV Comércio de Peças Ltda. ME é uma as empresas da REDE PRESIDENTE de autopeças e assim como as outras, encontrase constituída em nome de laranjas. O seu domicílio fiscal seria na cidade de Guarulhos/SP, contudo, conforme relato anterior, a sede administrativa de todo o esquema fica, na verdade, na cidade de Maringá/PR. Poucos meses após a sua criação, seu endereço foi alterado para o mesmo endereço da RPT e da A P E, ambas empresas do esquema. 108. Em diversos locais onde foram cumpridos os mandados de procedimento fiscal foram encontrados documentos que vinculam a PRV ao esquema, inclusive no endereço da sua sede. Ela consta também nos relatórios de controle das filiais. Fl. 12727DF CARF MF 46 Assim como não foi demonstrada a existência de prejuízo na decisão recorrida, também não há qualquer comprovação de que a empresa tenha requisitado documentos que instruíam o processo e de que eles não foram fornecidos. Na dialética das provas, caberia à recorrente demonstrar o quanto alegado, ônus de que não se desincumbiu. Pelo contrário, a fls. 11.900/11.904 há pedido de cópia do processo com "Termo de ciência, vista e entrega de cópia de processo digital" na qual se declara ciência de cópia integral do processo, dos documentos de fls. 01 a 11.633. Em razão do exposto, rejeito a primeira preliminar de nulidade. Item 2. Nulidade da autuação por ofensa ao contraditório e à ampla defesa, já que não teria obtido cópia dos documentos que justificariam a autuação Neste tópico a recorrente volta a alegar que não teve acesso a documentos e, mais uma vez, não apresenta qualquer comprovação do que é alegado. Ademais, a fls. 11.900/11.904 há pedido de cópia do processo com "Termo de ciência, vista e entrega de cópia de processo digital" na qual se declara ciência de cópia integral do processo, dos documentos de fls. 01 a 11.633. Por falta de comprovação de que houve negativa ao acesso aos documentos do processo, bem como pela existência de indício de que houve efetivamente acesso a eles, rejeito a segunda preliminar de nulidade. Item 3. Nulidade da decisão recorrida por não ter analisado todas as questões invocadas pela defesa A recorrente alega que a decisão de piso foi simplista e não analisou todas as questões invocadas, o que conduziria à sua nulidade. Quanto a esse aspecto, entendo que, embora a decisão deva ser fundamentada e levar em consideração os argumentos apresentados pelos impugnantes, pois isso consiste em uma das faces do contraditório (poder de influência), não há obrigatoriedade de análise de todos os argumentos de defesa. Com efeito, de acordo com o art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. Fl. 12728DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.706 47 § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (...) Isso significa que a omissão que vicia a decisão é aquela relativa a ponto que poderia alterar a decisão tomada. Nesse sentido, destaco o seguinte precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA): “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n.799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). No mesmo sentido, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.532.206 RJ (2015/01052895) relator o Ministro Marco Aurélio Bellizze: Ademais, não se exige do julgador examinar uma a uma as teses suscitadas pelo recorrente, tampouco a transcrição de fundamentos adotados per relationem à sentença, na esteira de precedentes desta Corte Superior (AgRg no AgRg no AREsp n. 630.003/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 19/5/2015; HC n. 103.158/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Fl. 12729DF CARF MF 48 Sexta Turma, DJe 8/6/2015; HC n. 315.106/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 11/3/2015; entre outros). Na hipótese em questão, devese considerar ainda o fato de que a alegação de nulidade da decisão foi efetuada de forma genérica, sem demonstrar a efetiva omissão e o prejuízo sofrido. Em contraponto, analisandose a decisão recorrida, vertida em um Acórdão de 74 páginas com o enfrentamento consciencioso de questões que foram repetidas na fase recursal, não é possível identificar o vício que lhe é impingido. Rejeito a terceira preliminar de nulidade. Item 4. Nulidade da decisão recorrida por ter sido proferida por autoridade incompetente Alegase também nulidade da decisão recorrida por ter sido proferida por autoridade incompetente, auditorfiscal e não Delegado da Receita Federal, o que ofenderia o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 25, "a". Ocorre que o art. 64 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, deu nova redação a esse artigo 25, alterando o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, pela instituição do julgamento colegiado: Art. 64. O art. 25 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; ................................................................ § 5o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá os atos necessários à adequação do julgamento à forma referida no inciso I do caput." (NR) A regulamentação desse julgamento colegiado em 1ª instância dáse atualmente pela Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, de onde se extrai: Art. 2º As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore. § 1º As Turmas Ordinárias podem ter até 2 (duas) Turmas Especiais a elas vinculadas, que serão instaladas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil no ato de designação dos respectivos julgadores e terão a mesma competência para julgamento atribuída às Turmas Ordinárias a que se vinculam. § 2º As Turmas Ordinárias são dirigidas por um presidente nomeado entre os julgadores, sendo uma delas presidida pelo Fl. 12730DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.707 49 Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que também exerce a função de julgador. § 3º As Turmas Especiais possuem caráter temporário, são integradas por julgadores pro tempore e dirigidas pelo Presidente da Turma Ordinária a que se vincula. § 4º A nomeação de Presidentes de Turmas e a designação de julgadores, titulares ou pro tempore, são de competência do Secretário da Receita Federal do Brasil. Art. 3º O julgador deve ser ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), preferencialmente com experiência na área de tributação e julgamento ou habilitado em concurso público nessa área de especialização. (grifouse) Logo, improcedente a alegação de incompetência da autoridade que prolatou a decisão recorrida. Rejeito a quarta preliminar de nulidade Item 5. Nulidade por prorrogação indevida do Mandado de Procedimento Fiscal Segundo a recorrente, o MPF iniciouse em 27/02/2014 com o fim de fiscalizar o IRPJ e CSLL nos períodos de 09/2010 a 09/2012, com prazo de encerramento em 27/06/2014. Contudo, teria sido prorrogado e alterado sem a devida ciência da fiscalizada, o que causaria nulidade da autuação. Esse argumento é superado pela leitura do Termo de Início da Ação Fiscal que está à fl. 10.810/10.811 e do AR de fl. 10.812 do processo eletrônico. Utilizandose dos dados fornecidos por esse TIAF no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na rede mundial de computadores, identificase o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 08.111.002014008403, em face da empresa PRV Comércio de Peças Ltda., tendo como objeto contribuições do empregador e para outras entidades e fundos, no período de 03/2009 a 09/2012. O prazo para encerramento do procedimento seria 23 de janeiro de 2015 e o Termo de Encerramento da Ação Fiscal foi lavrado em 03 de dezembro de 2014 (fls. 10.947/10/948). A despeito disso, deve ser registrada a reiterada jurisprudência deste colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, de acordo com o qual eventuais deficiências do MPF, se existissem, não maculariam o lançamento: 3. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 4. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes as unidades da Receita Federal para que seus Fl. 12731DF CARF MF 50 auditores executem as atividades fiscais, tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, ato praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não tem condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. 5. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Por essas razões, rejeito a quinta preliminar de nulidade argüida. Item 6. Nulidade por cerceamento ao direito de defesa Aqui a recorrente afirma que não lhe teria sido deferido prazo para entregar documentos, contudo não comprova documentalmente o quanto alegado. Ademais, dada a jurisprudência desse CARF que, em respeito à busca pela verdade material, tem conhecido argumentos e documentos apresentados mesmo após o protocolo do recurso voluntário, se houvesse real interesse da empresa em apresentar documentos ela já o teria feito. Ademais, a fls. 11.900/11.904 há pedido de cópia do processo com "Termo de ciência, vista e entrega de cópia de processo digital" na qual se declara ciência de cópia integral do processo, dos documentos de fls. 01 a 11.633. Rejeito a sexta preliminar de nulidade. Item 7. Nulidade por ilegitimidade passiva do recorrente e prova nula Neste item há dois argumentos diversos: primeiro afirmase que não haveria prova que demonstrasse a existência de vínculo da recorrente com a empresa em face da qual foi iniciada a investigação; em segundo, alegase que as provas do inquérito não passaram pelo crivo do contraditório. O primeiro argumento poderia se admitido como preliminar caso houvesse um flagrante equívoco na vinculação da empresa com os fatos que deram origem aos procedimentos investigatórios, o que não é o caso. Como essa linha de argumentação exige uma análise mais aprofundada da matéria, ela deve ser tratada como mérito, o que será feito mais adiante. Em relação ao segundo argumento, de que as provas utilizadas não passaram pelo crivo do contraditório, é necessário inicialmente lembrar a independência das esferas civil e penal, disciplinada pelos seguintes dispositivos legais: Código Civil: Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou Fl. 12732DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.708 51 sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. Código de Processo Penal: Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal , a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato . (grifos nossos) Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil : I o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação; II a decisão que julgar extinta a punibilidade; Com efeito, conforme menciona a recorrente de forma reiterada, o inquérito policial consiste em procedimento inquisitório e preparatório, que tem por objetivo a colheita de elementos sobre a autoria e a materialidade da conduta criminosa. Segundo a lição de Renato Brasileiro de Lima: Diferenciase o inquérito policial da instrução processual por esse motivo: enquanto a investigação criminal tem por objetivo a obtenção de dados informativos para que o órgão acusatório examine a viabilidade da propositura da ação penal, a instrução em Juízo tem como escopo colher provas para demonstrar a legitimidade da pretensão punitiva ou do direito de defesa. (Curso de Processo Penal Niterói; RJ, Impetus, 2013, p. 73) Assim, durante o inquérito seriam colhidos apenas elementos de informação, o que os diferencia das provas que são produzidas no curso do processo judicial, com as garantias do contraditório e da ampla defesa. Ocorre que, dada a independência das instâncias anteriormente mencionada, esses elementos de convicção serão livremente analisados na esfera civil, com as conseqüências que lhe são próprias. Assim como o inquérito policial, o procedimento fiscal também tem natureza inquisitória e preparatória, sendo o contraditório e a ampla defesa realizados na fase processual que, no âmbito da administração tributária federal, dáse pelo Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Como conseqüência, o contraditório e a ampla defesa em face dos elementos de convicção coligidos durante a fase investigatória estão sendo franqueados aos recorrentes no processo ora em análise, onde não se logrou demonstrar a existência de qualquer vício que pudesse maculálo. Rejeito as preliminares de nulidade identificadas neste item. Item 8. Nulidade por ausência de observância de requisitos no processo administrativo fiscal para o lançamento Aqui atacase o procedimento da autoridade fiscal que teria formado seu convencimento sem base nas provas do processo. Fl. 12733DF CARF MF 52 Entendo que essa questão exige uma análise mais aprofundada das provas existentes, razão pela qual a matéria é atinente ao mérito e não à preliminar. Rejeito a preliminar identificada como item 8. Item 9. Nulidade por impossibilidade de presunção para o lançamento Segundo os argumentos de defesa, o lançamento teria sido realizado com base em presunção, pois não haveria provas no processo, e o lançamento tributário não gozaria de presunção de validade. Ao afirmar que o lançamento foi feito com base em presunção e não em provas, a recorrente está reiterando argumentos já tratados nos itens anteriores, em especial o identificado como item 8. Como já foi afirmado, a valoração das provas ou indícios utilizados serão tratados como matéria de mérito. Quanto ao segundo aspecto, que trata da presunção de legitimidade do lançamento, devese reconhecer que há alguma procedência nas alegações da recorrente. Tanto é assim que a legitimidade do lançamento pode ser discutida no âmbito do PAF, em que a impugnação apresentada instaura uma crise de certeza que passará pelo crivo de duas instâncias de julgamento. Neste caso, os elementos trazidos pela fiscalização serão sopesados com aqueles carreados pelos impugnantes/recorrentes tal como se dá no processo em questão. Como não me parece que as vias de impugnação tenham sido negadas aos recorrentes, bem como que estes tenham logrado demonstrar que a fiscalização tenha sonegado informações ou provas, o argumento se torna meramente retórico. Rejeito as preliminares identificadas como item 9. Item 10. Nulidade por inobservância dos princípios informadores: contraditório, ampla defesa, devido processo legal, legalidade, isonomia e imparcialidade Neste ponto do recurso a interessada menciona uma série de princípios que, de fato, devem orientar a atividade administrativa, contudo não demonstra como eles não teriam sido observados. Mais uma vez, rejeito a preliminar argüida. Item 11. Nulidade por inexistência de prova material Alega a empresa fiscalizada a total ausência de provas para a atribuição de responsabilidade à ela, o que conduzira à conclusão de que sua responsabilidade decorre de presunção da autoridade fiscal. Mais uma vez, esse argumento remete à valoração das provas carreadas ao processo, o que será feito na análise do mérito. Rejeito também essa preliminar. Item 12. Nulidade por utilização de elementos coligidos de processo administrativo não transitado em julgado e de inquérito policial ainda não finalizado Fl. 12734DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.709 53 Este argumento se confunde com o que foi tratado no segundo tópico (prova nula) do item 7, razão pela qual se remete à sua leitura. Rejeito igualmente essa preliminar de nulidade. Item 13. Nulidade em função do desrespeito aos limites do livre convencimento do julgador Sob esse tópico a defesa questiona as conclusões a que chegou a turma julgadora de 1ª instância a partir dos elementos de convencimento existentes no processo. Mais uma vez entendo que se trata de questão atinente à valoração das provas do processo, matéria a ser tratada no mérito. Preliminar de nulidade rejeitada. Item 14. Nulidade pela impossibilidade do auditor considerar como "laranjas" os integrantes da sociedade recorrente Aduz a recorrente que seus atos constitutivos são plenamente válidos no ordenamento jurídico e produzem efeitos. Para sua descaracterização seria necessário observar procedimentos que ainda não tem previsão legal: a regulamentação do art. 116, parágrafo único, do CTN. Nesse caso, a desconsideração da personalidade jurídica levada a efeito pela autoridade fiscal só seria possível através de autorização judicial. Sem razão a recorrente. De acordo com o art. 142 do CTN, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Sujeito passivo, por outro lado, é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador (contribuinte) e aquele cuja obrigação decorre de lei (responsável). Portanto, cumpre à autoridade fiscal identificar o efetivo sujeito passivo, seja ele contribuinte ou responsável e, para tanto, não está adstrito ao aspecto formal dos atos e negócios jurídicos. Com efeito, na linha de argumentação utilizada, a recorrente pretende seja reconhecida a prevalência da forma em relação à substância econômica ou empresarial. Porém, tal enfoque não é mais aceitável, conforme é possível observar das lições de Marco Aurélio Greco em artigo no qual critica o formalismo no Direito Tributário e faz escorço histórico a respeito de como o tema do planejamento tributário foi e vem sendo tratado na doutrina e na jurisprudência administrativa: Fl. 12735DF CARF MF 54 "(...), a liberdade absoluta do contribuinte levou a uma infinidade de estruturas negociais e reestruturações societárias que, com propriedade, foram consideradas meramente "de papel". A prevalência da forma levou, da perspectiva da legalidade, à veiculação de praticamente quaisquer conteúdos desde que através de lei em sentido formal; e da perspectiva da liberdade de autoorganização ao surgimento de "montagens jurídicas" sem qualquer substância econômica, empresarial ou extratributária." ( Cf. GRECO, Marco Aurélio. Crise do formalismo no Direito Tributário brasileiro. Revista da PGFN. Ano I, Número ,I, 2011, p. 14) Os conceitos de abuso de forma e de direito são amplamente debatidos no mundo jurídico, conforme doutrina a seguir: "...negócios jurídicos que não tenham nenhuma causa real distinguível, a não ser sua finalidade tributária, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo." ( Cf. HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão. Rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 153). Na hipótese em questão, tratandose de contribuições previdenciárias, deve ser considerado ainda o que determina a Consolidação das Leis do Trabalho nos seguintes dispositivos: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. (...) Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Esses comandos permitem à autoridade responsável superar atos formais que tenham por objetivo, entre outros, impedir o conhecimento do real empregador, sendo este aquele que efetivamente assume os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação dos serviços. Essa possibilidade não se confunde e não é excludente com aquela decorrente do art. 50 do Código Civil, com procedimento estabelecido no art. 133 do Código de Processo Civil. Portanto, quanto à possibilidade de a autoridadefiscal desconsiderar os elementos formais de constituição de empresa e de vínculo de emprego para fins de identificação do real sujeito passivo da obrigação tributária, também rejeito a preliminar de nulidade apresentada. Item 15. Nulidade por falta de motivação e fundamentação Fl. 12736DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.710 55 Segundo a recorrente, a autoridade fiscal teria tipificado as exigências em dispositivos genéricos, sem especificar quais artigos motivaram a lavratura do auto de infração, o que caracterizaria falta de fundamentação para o ato. Ao contrário do que se alega, entretanto, o auto de infração, através de seus vários elementos integrantes, identifica não apenas os dispositivos legais aplicáveis à espécie (Relatório Fundamentos Legais do Débito fls. 10.930/10.931 e 10.945/10.946), como faz uma exaustiva descrição dos fatos que ensejaram a responsabilidade de todos os sujeitos passivos (documentos intitulados Relatório Previdência PRV G Parte A, Relatório Previdência PRV G Parte B e Anexo Relatório PRV Guarulhos fls. 10.993/11.529). Portanto, não identifico a alegada ausência de motivação/fundamentação no lançamento. Rejeito a preliminar. Item 16. Nulidade por ausência de autorização judicial para utilização dos documentos Neste item a recorrente alega que nenhum documento foi obtido em seu endereço, logo a apreensão de documentos e discos rígidos seria ilegal em relação à ela. Considerandose que parte significativa dos endereços onde foram realizadas as buscas e apreensões não identificavam qualquer pessoa jurídica e que a autoridade judicial faz referência em suas decisões a uma rede de empresas em nome de laranjas, vêse que não faz sentido os argumentos apresentados neste tópico, já que o objetivo das investigações era exatamente identificar os componentes da rede. Na verdade, não é possível identificar, nos termos em que as decisões estão vertidas, qualquer delimitação quanto ao escopo das buscas no sentido pretendido pela recorrente. Preliminar de nulidade rejeitada. 17. Nulidade por utilização de provas ilícitas Neste tópico a recorrente afirma que a ordem de busca e apreensão foi emanada por autoridade incompetente. As provas utilizadas para o lançamento em questão foram obtidas através de decisões judiciais (fls. 633/645) em relação às quais não se demonstrou qualquer irregularidade. Embora a recorrente alegue a incompetência do juízo que determinou a busca e apreensão, a quebra dos sigilos e o compartilhamentos das informações, não demonstra que esse fato tenha sido assentado em decisão judicial, único meio capaz de infirmar a presunção de legitimidade que carrega uma decisão judicial. Portanto, em relação à competência da autoridade judicial, não há que se falar em provas ilícitas. Rejeito também esta preliminar de nulidade. 18. Pedido de diligência Fl. 12737DF CARF MF 56 Em face das nulidades acima relatadas pede a recorrente que o processo seja devolvido à Delegacia de origem para as diligências necessárias a fim de atestar ausência de irregularidades cometidas pela recorrente. Tendo sido afastadas todas as preliminares argüidas, não se vislumbra razão para a realização de qualquer diligência. 19. Impossibilidade de autuação com base em inquérito policial Alegase que o trabalho fiscal não pode ser realizado com base exclusivamente em inquérito policial. Quanto a esse aspecto, remetese para a leitura do item 7 onde já foi tratada a independência das instâncias civil e criminal, bem como sobre o caráter inquisitório do procedimento de fiscalização. Preliminar rejeitada. 20. Como prejudicial de mérito: necessidade de aguardar o encerramento do inquérito policial e de processos administrativos pendentes Este tópico também se confunde com o que foi tratado no item 7, a cuja leitura se remete. Quanto aos processos administrativos pendentes, parece que a recorrente está se referindo aos processos fiscais. Nesse caso, seria necessário demonstrar relação de prejudicialidade entre esse processo e outros pendentes de apreciação, ônus de que não se desincumbiu a recorrente. Com efeito, analisandose a matéria em tese e considerandose que neste processo há lançamento de contribuições previdenciárias do empregador e para terceiros não é possível vislumbrar hipótese em que fosse necessário aguardar o julgamento de outro processo administrativo. Rejeito esta prejudicial de mérito. 21. Como prejudicial de mérito: a necessidade de aguardar decisão do Supremo Tribunal Federal STF Também como prejudicial de mérito, alegase a necessidade e aguardar decisão do STF acerca da possibilidade de quebra do sigilo bancário diretamente por autoridade administrativa. Como essa matéria já foi solucionada de forma favorável à Fazenda Nacional e considerandose ainda a inexistência de previsão regimental neste sentido, rejeitase também esta prejudicial de mérito. Mérito 22. Ausência de solidariedade por se tratar de empresas autônomos, com sócios distintos, com quadro de funcionários próprios e estabelecidas em localidades diferentes Fl. 12738DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.711 57 Ao alegar a inexistência de solidariedade e a autonomia das empresas, a recorrente busca negar a existência da Rede Presidente. Quanto a esse aspecto, utilizome dos argumentos expendidos pela decisão de piso, de onde transcrevo: As provas carreadas aos autos pela Auditoria demonstram de forma contundente a existência de um esquema que consistia na criação de empresas que funcionavam, na realidade, como filiais de um empreendimento único. Como exemplo das provas relatadas, foi constatado que um mesmo endereço físico corresponde a endereços cadastrais de três filiais do esquema, apenas formalmente constituídas como empresas: RPT (CNPJ 62.622.881/001705), APE (CNPJ 06.987.857/000395) e matriz da PRV (CNPJ 09.521.678/0001 94). No local, há um grande depósito sem identificação, utilizado como centro de distribuição pelo esquema. Em um dos bunkers do esquema, localizado na Rua Rui Barbosa, 1.027, em Maringá/PR, havia um arquivo metálico com gavetas identificadas por “empresas ativas” e “empresas inativas”. No interior, dezenas de pastas com documentação das diversas empresasutilizadas pela REDE PRESIDENTE. Na gaveta das “empresas inativas” foram encontradas 52 pastas de empresas utilizadas e já abandonadas. Na das “empresas ativas”, mais de 60 pastas de empresas. A utilização de laranjas foi exaustivamente comprovada, sendo destacados nos parágrafos seguintes algumas das evidências relatadas. Sobressaemse os casos onde as pessoas usadas sequer tinham conhecimento da situação, o que evidencia o dolo e, pior, fraude praticada não só contra o Fisco, mas também contra pessoas humildes, que estão sendo procuradas por dívidas das empresas do esquema. Foi localizada em um dos bunkers do esquema uma denúncia feita em 2006, por um ex funcionário da RPT, Ivanilto Mascena dos Santos Viana à Polícia Civil (Delegacia de Defraudações) do Rio de Janeiro. Na denúncia, Samuel Tolardo aparece como o verdadeiro proprietário da RPT. Geraldo Richter, sócio laranja, aparece como pedreiro da REDE PRESIDENTE. Apesar de figurar como proprietário, Geraldo comentou certa vez “que isto era coisa do velho”. Foi dito também que o uso de nomes de funcionários como sócios de diversas empresas vinculadas à REDE PRESIDENTE era fato corriqueiro e muito comentado nos corredores da empresa. A denúncia foi motivada por o ex funcionário ter sido usado como laranja, ou estar sendo “preparado” para tal. Nessa condição, suas Declarações de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – DIRPF dos anoscalendário 2004 e 2005 foram transmitidas pela REDE. Com seu desligamento do quadro de pessoal, o Sr. Ivanildo fez a denúncia. Fl. 12739DF CARF MF 58 O Parecer Técnico 0123/2012, elaborado por Ezenil Consultoria e Assessoria Empresarial a pedido da PRTS, uma das empresas do esquema, alertou sobre a possibilidade de o Fisco incluir os reais proprietários nos polos passivos das autuações, nos casos em que fosse constatado fraude nos atos constitutivos ou contratos sociais, independentemente do laranja ter ciência da situação. A prática de utilização de laranjas é confirmada por Antônio Prudente Ferreira, caseiro da família Tolardo há mais de 14 anos. Na época do Mandado de Busca e Apreensão, ele trabalhava na casa de Íris da Silva Tolardo e declarou em depoimento à Polícia Federal que, a pedido do Sr. Samuel Tolardo, já falecido, é sócio de uma empresa cujo nome não recorda. Acrescentou que antes era pedreiro e que nunca trabalhou para nenhuma empresa. Em escuta telefônica efetuada em 08/08/2012 e autorizada pelo Poder Judiciário, Robson Marcelo Tolardo conversa com Nilson Roberto da Silva acerca de nomes que deveriam constar no contrato social de nova empresa a ser constituída. Em outro áudio, Aparecido Antônio de Lima (Cido) conversa com Liderci Luriko Nagabe de Oliveira sobre valores pagos a laranjas. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi encontrada troca de mensagens eletrônicas entre Alice Teixeira Barroco e Liderci Luriko Nagabe de Oliveira, operadora do esquema, sobre futura utilização de uma nova empresa, constituída no nome da funcionária Alice, mera laranja. No computador de Daniel de Oliveira Junior, foi encontrado e mail de 25/01/2011, onde ele repassa a Robson Marcelo Tolardo uma mensagem eletrônica recebida da funcionária do esquema Lais Fernanda Oliveira Wochner, utilizada como laranja na empresa Administradora Confiança. Na mensagem, Daniel de Oliveira Junior sugere a troca de nome porque é complicado ficar levando talão de cheques e outros documentos para Lais Fernanda Oliveira Wochner assinar. Lais reclama por estarem falsificando a sua assinatura em documentos da empresa, ressaltando que é bastante acessível e que não era preciso “chegar a esse ponto”. A funcionária acrescenta que não vai atrapalhar o trabalho deles, mas quer saber sobre o andamento dos negócios para não ter problemas em decorrência do uso do seu nome. Mais grave, foi a constatação da falsificação de documentos de identidade de pessoas físicas humildes utilizadas como laranjas no esquema fraudulento. Cópias digitalizadas das identidades falsificadas de laranjas foram encontradas em um arquivo na pasta de downloads do HD apreendido na residência de Robson Marcelo Tolardo, em Maringá/PR, principal comandante e administrador do esquema. Foram encontradas correspondências e documentos que comprovam ter Fábio Novaes, contador, enviado para Robson Marcelo Tolardo um relatório com os 18 nomes de laranjas cujas DIRPF havia transmitido, cobrando R$ 500,00 por cada um. Na REDE PRESIDENTE essa listagem foi criticada, tendo Fl. 12740DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.712 59 sido descartados 2 nomes. Os 16 utilizados pelo esquema constaram em listagem digitada pela rede sob o título “Relatório de Serviço de Declaração do IRPF/2012”. Essa lista, juntamente com informações sobre a conta para depósito e a relação manuscrita original, foram reenviadas a Fábio Novaes via SEDEX. Foram encontradas várias carteiras de identidade no escritório de Fábio Novaes com provas e características evidentes de falsificação. Para Miguel Barbosa, utilizado na empresa SOS Distribuidora de Peças Automotivas Ltda. – ME, há três versões de identidades, com diferentes fotos e assinaturas. A foto de uma dessas carteiras foi utilizada na Carteira de Identidade CI de outros dois laranjas fabricados: Nelson Ferreira Castro e Euclides da Cunha. Nelson Ferreira de Castro já faleceu, conforme Certidão de Óbito encontrada no mesmo local. No cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão, foram localizados vários controles dos veículos utilizados por laranjas do esquema e listas com autuações de trânsito desses veículos. Em multas anexas ao documento de controle havia fotos de um veículo Fiat Uno Mille com logotipo da PRV, empresa do esquema REDE PRESIDENTE. Em um dos endereços investigados, foi encontrado o arquivo “Cópia de Carros_Presidente.xls”, com uma lista de veículos da REDE PRESIDENTE alocados à filial Guarulhos/SP, onde constam 42 veículos com a placa de identificação e o “proprietário”, na verdade, o laranja. Cada “filial” da REDE PRESIDENTE recebia o documento do veículo e o responsável assinava uma cópia que era devolvida à “central” em Maringá/PR. Eram veículos diversos, como motocicletas, automóveis, caminhonetes, caminhões, semi reboques, dentre outros. As cópias do CRLV do ano de 2012 ultrapassavam 180 veículos. Os 150 veículos do exercício 2011 eram registrados no nome de 59 pessoas diferentes. Apenas 8 desses veículos estavam registrados em nome de pessoas jurídicas da REDE PRESIDENTE (RPT e FEMAMAR). Havia, também, um veículo registrado no nome do principal comandante do esquema, Sr. Robson Marcelo Tolardo. Os demais veículos eram registrados em nome de laranjas da REDE PRESIDENTE, muitas deles funcionários da rede. O terceiro grupo de documentos consistia em originais de cerca de 200 Certificado de Registro de Veículo – CRV, documento utilizado para eventual transferência. Havia, ainda, outros controles de veículos, dentre eles um pelo último dígito da placa, contendo informações como placa, renavam e o nome do laranja. Foi interceptada conversa telefônica entre Robson Marcelo Tolardo e uma das laranjas com veículo registrado em seu nome, a qual pede que não seja cortada a verba de R$ 500,00 que lhe Fl. 12741DF CARF MF 60 era paga, alegando que não diria a ninguém que seu nome era usado e que precisava pagar a UNIMED. Quanto às autenticações fraudulentas em cartório, temse a sócia laranja Silvia Vilhalba, utilizada na empresa NTE, alvo de fiscalização pela DRF Caxias do Sul/RS, o que resultou no processo administrativo 11020.723699/201218. O real endereço da sócia era Ponta Porã, fronteira com o Paraguai, onde trabalhava como doméstica. Ela relatou que jamais fora sócia de qualquer empresa e que não conhecia a outra sócia da empresa em questão. Mesmo residindo em Ponta Porã, ela supostamente assinava as respostas dadas à fiscalização e suas assinaturas eram autenticadas pelo Cartório Costa ou Cartório Iguatemi. 122. Foram apreendidas 21 fichas de controle de serviços, todas em nome da REDE PRESIDENTE, pelas quais se constatou 587 autenticações e 128 reconhecimentos de firma em um único mês, agosto/2012. Segundo planilha EXCEL que estava em computador apreendido, no mês de julho/2008, foram 327 autenticações e 108 reconhecimentos de firma. Deve também ser salientada a investigação desenvolvida pela Delegacia Especial das Instituições Financeiras – DEINF/SP iniciada na Gama Factoring, uma das empresas do esquema. As empresas que lhe fizeram pagamentos foram intimadas e responderam que tinham origem em vendas efetuadas por empresas da REDE PRESIDENTE. A Saol Participações Ltda. negou qualquer operação com a Gama Factoring, esclarecendo que os numerários recebidos por meio dessa empresa referemse a pagamentos efetuados pelo cliente Rede Presidente Ltda. A fabricante de autopeças THIP Industrial S/A, empresa quotista da Saol Participações Ltda., bem como o contador desta última, reafirmaram a transação comercial com a REDE PRESIDENTE e informaram que atualmente o grupo, seu cliente há alguns anos, tem utilizado o CNPJ da Retífica Presidente. A fornecedora de autopeças NGK do Brasil Ltda. apresentou relação de “clientes que compõem o Grupo Presidente de Auto Peças”, onde constam várias das empresas identificadas como sendo do esquema. Outra prova contundente da existência do esquema e da foma como era operacionalizado é o conteúdo do Programa Caixa, disponibilizado à fiscalização pela Polícia Federal. Esses fatos são apenas uma parte dos inúmeros que foram incluídos no relato da Auditoria e que comprovam a existência do esquema fraudulento. Não se trata, pois, de uma presunção calcada em um mero trabalho de conclusão de curso, como quis fazer parecer um dos impugnantes. O trabalho de conclusão de curso desenvolvido por uma das funcionárias do esquema é um indício que deve ser analisado em conjunto com outros numerosos indícios e provas que compõem o processo, levando à inevitável conclusão de que há um esquema para livrar o empreendimento da cobrança dos tributos que deixa de recolher. Fl. 12742DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.713 61 Além da sonegação dos tributos pelo encobrimento da existência dos fatos geradores, quando o Fisco consegue apurar tributo devido por elas, não há de quem cobrar, pois os verdadeiros proprietários se esquivam usando sócios laranjas e simplemente abandonam as empresas e suas dívidas. Embora a empresa autuada não apareça nos diálogos monitorados, estes em conjunto com as demais provas, mormente as listas das empresas encontrada em diversos documentos apreendidos e a conexão encontrada entre a autuada e a família Tolardo e demais empresas e fornecedores, evidencia de forma inequívoca que ela pertence à REDE PRESIDENTE. Se a comprovação do envolvimento da empresa autuada foi apurado em documentos apreendidos em endereços diversos do seu, isso não invalida de forma alguma as provas, principalmente no caso, onde ela faz parte de um empreendimento maior. O que importa é que a prova seja legítima e que a empresa tenha seu direito de defesa garantido, o que ocorre, no caso. Diante do conjunto probatório apresentado e do Relatório Fiscal minucioso, argumentar que os Auditores Fiscais se basearam em mera presunção é totalmente descabido. Não foram, pois, violadas as regras que regem o ônus da prova. Diante de tais elementos é totalmente descabida a alegação de que o lançamento e as imputações realizadas são fruto de presunções ou de ilações direcionadas. O que a autoridade fiscal trouxe aos autos não são meros indícios, mas provas irrefutáveis da existência de fato da Rede Presidente e de seus reais proprietários. A despeito disso, cumpre ressaltar que, ainda que se pudesse chamar os elementos de convicção aqui carreados de "meros indícios", os indícios também tem força probatório conforme revela o seguinte trecho do voto do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, no Acórdão nº 1401001.726: Prova Indiciária É sabido que a evidência que se infere a partir de um único ou poucos indícios deve ser aceita com a devida cautela, pois, o indício é apenas o ponto inicial para o aprofundamento das investigações. Os indícios assim como as presunções são também considerados como provas no Direito tanto se vistos de forma objetiva, constituindose no conjunto de meios ou elementos destinados a demonstrar a existência ou inexistência dos fatos alegados, quanto subjetivamente falando, meio pelo qual o julgado normalmente se utiliza para formar convicção a respeito da existência ou não de um determinado fato ou situação. Os indícios para ter força probante precisam possuir 2(duas) características importantes: Precisão ou economia (conduzem a poucas hipóteses ou apontam para poucas causas) e convergência (quando se encaixa com outro indício, conduzindo a uma mesma conclusão). Fl. 12743DF CARF MF 62 Tendo estabelecido a existência da Rede Presidente, o vínculo da empresa PRV Comércio de Peças Ltda. Me está calcado nos elementos que são assim descritos pelo Anexo do Relatório Fiscal de fls. 11.327/11.529: Empresa 4 ) PRV COMERCIO DE PEÇAS LTDA (CNPJ 09.521.678/000194) 50. Outra empresa do esquema REDE PRESIDENTE é a PRV COMÉRCIO DE PEÇAS AUTOMOTIVAS LTDA, doravante denominada apenas por PRV, criada em abril de 2008. 51. Inicialmente a empresa foi criada em nome do casal ROSANA CRISTINA DE OLIVEIRA MANOEL (CPF 016.893.08974) e MARCOS MANOEL (CPF 168.293.85814), ambos, obviamente, laranjas22. Mais tarde (MAR/2013), segundo sistema CNPJ, ROSANA CRISTINA DE OLIVEIRA MANOEL retirase da sociedade, ficando suas quotas em tesouraria. 52. Notese que no procedimento realizado pela DRF Caxias do Sul/RS23, o fornecedor TENNECO cita a PRV como empresa relacionada à REDE PRESIDENTE, no pólo “compradora”. 53. O faturamento da PRV declarado à RFB, juntamente com a movimentação financeira dos últimos anos foram os seguintes: Ano Receita Declarada Movimentaçãom Financ 2009 R$ 2.703599,19 R$ 1.976.848,60 2010 R$ 9.821.130,50 R$ 10.763.146,19 2011 R$ 18.903.758,89 R$ 18.112.215,31 2012 R$ 27.932.271,40 R$ 13.217.172,06 54. Seu endereço inicial foi em São Paulo/SP, sendo alterado já em DEZ/2008, para o município de GUARULHOS/SP (Estrada da Água Chata, 1615. Poucos meses depois o nº foi alterado para 1447). Notese que este é o mesmo endereço de uma filial da RPT (CNPJ 62.622.881/001705) e também da APE (CNPJ 06.987.857/000395), ambas empresas do esquema REDE PRESIDENTE. Inclusive, neste endereço, foi efetuado MBA (GRU39 – fls 1.692 a 1.703). 55. Também foram vários os documentos ligados à PRV encontrados nos diversos locais do MBA. Dentre outros: a) cópias dos documentos (Carteira de Identidade e cartão CPF) dos sócios da empresa (Rosana e Marcos), juntamente com o contrato social e 1ª, 2ª e 3ª alterações societárias da PRV (MGA188.3 – fls 4.468 a 4.485); b) Contrato de Acesso às Informações e Serviços Bancários, entre Banco BRADESCO e a empresa PRV COMERCIO DE PEÇAS LTDA (MGA082.4 – fls 2.301 a 2.308); c) Documentos de fornecimentos feitos pela CINDUMEL, à PRT e à PRV (GRU38.1.1 – fls 1.348 a 1.440); d) Troca de email, datado de 05/10/2012, entre funcionários da REDE PRESIDENTE, onde Valquiria Fl. 12744DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.714 63 (valquiria.comprassp@gmail.com), solicita à Helena (helenamga1@gmail.com) que esta última envie cheque para pagamento da CINDUMEL referente compras feitas pela RPT e PRV (GRU38.1.2 – fls 1.441 a 1.448). e) Diversos pedidos de fornecimento de auto peças (a fornecedores diversos), em nome da PRV (GRU39.9.1 – fls 1.706 a 1.775); f) Diversos documentos de cobrança de títulos, tendo como cedente a PRV, e sacado o cliente AUTO PEÇAS RIALAN LTDA (GRU39.11.1 – fls 1.776 a 1.975); g) Notas fiscais de vendas da FORT LUB PROD. AUTOM. LTDA (empresa da REDE PRESIDENTE24) para PRV COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA (GRU3911.6 – fls 1.987 a 1.997); h) Orçamento de XIS DESIGN COMUNICAÇÃO VISUAL, feito para a PRV, datado de 04/05/2012, cujo faturamento foi efetuado em nome da SOS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS (outra empresa da REDE PRESIDENTE25) (GRU403.9 – fls 2.074 a 2.077); i) Vários recibos de entrega da RAIS do ano base 2010 de várias empresas da REDE PRESIDENTE, entre elas a PRV (MGA18 150 – fls 5.303 a 5.367); j) Cópia autenticada da 3ª alteração contratual da empresa PRV COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, datada de 22/12/2009 (MGA19 13.92 – fls 6.808 a 6.815); k) Contrato de locação de imóvel comercial na Estrada Àgua Chata nº 1447Guarulhos/SP de Robson Marcelo Tolardo para a PRV , de 01/10/2009 a 30/09/2011 (MGA1913.133 – 6.911 a 6.912); l) Carimbo da PRV (MGA18.103 – fls 5.111 a 5.115). 56. Enfim, da mesma forma que em relação à RPT, à PRS, ou à PRTS, também em relação à PRV foram vários os documentos localizados nos diversos locais de cumprimento dos MBAs, dos quais selecionouse a pequena amostra acima, apenas para fins de vinculação da PRV com a REDE PRESIDENTE. 57. Destacase também a presença da PRV nos documentos controle das filiais (MGA1919.214 e MGA1919.215 – fls 8.481 a 8.532), encontrados no “bunker” da rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, que identifica as diversas empresas (filiais) da REDE PRESIDENTE. A PRV está identificada, nestes documentos, como “filial 59 – Água Chata”, tendo como Gerente Zaquel. A reforçar esses elementos, no Relatório Previdenciário Parte B (fls. 11.185/11.326), vêse que entre os vários HD encontrados, descobriuse o programa CAIXA, onde se lançavam todos os pagamentos efetuados pelas empresas do Grupo. Os lançamentos Fl. 12745DF CARF MF 64 realizados a título de contribuições previdenciárias consideraram os valores encontrados nesse programa em confronto com os declarados em GFIP. No que diz respeito à recorrente, a fiscalização apresenta como exemplo (item 675 do Relatório) as remunerações de Daniela Silva, empregada da PRV e declarada em suas GFIP de 11/2011 a 09/2012 e para a qual foram encontrados comprovantes de depósitos (item 676 do Relatório). Desse mesmo relatório extraise a menção aos documentos de fls. 10.064/10.070 que trariam pagamentos por fora para empregados de várias empresas, entre elas a aqui autuada (itens 681/682). A todos esses elementos de prova, a recorrente não opõe nada mais que argumentos retóricos, pois não apresenta um único documento a comprovar sua alegada "autonomia" em relação à Rede Presidente ou a capacidade de seus titulares formais. Também não apresenta qualquer elemento de fato que pudesse infirmar as conclusões a que chegaram a autoridade lançadora e a turma julgadora. Com base no exposto, rejeito os argumentos com os quais a recorrente busca demonstrar a ausência de solidariedade com base na suposta autonomia das empresas envolvidas. Item 23. O crédito tributário já estava extinto pela decadência ou pela prescrição Os fatos geradores lançados são do período compreendido entre 03/2009 e 09/2012. A ciência do lançamento ocorreu em datas diversas de dezembro de 2014. Neste caso, há nos autos robustas provas da ocorrência de conduta dolosa, fraudulenta e simulada, o que implica a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173, I, do CTN, de forma que o início do prazo se dará no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 1º de janeiro de 2010. Sendo de cinco anos o prazo, o termo final seria em 31 de dezembro de 2014. Logo, improcedente a alegação de decadência. O prazo prescricional, por outro lado, terá sua contagem iniciada apenas com o encerramento deste PAF, não sendo possível se falar em prescrição durante o seu curso, conforme estabelece o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Nego provimento ao recurso quanto às alegações de decadência e prescrição. Item 24. Inconsistência do arbitramento Neste item a recorrente menciona a inexistência de prova de faturamento e arbitramento do lucro, matéria que não será objeto de análise por sua impertinência com os fatos geradores lançados, que tem por base remunerações pagas a empregados. Item 25. Inexistência de omissão de receita Fl. 12746DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.715 65 Este item não será objeto de análise por sua impertinência com os fatos geradores lançados, que tem por base remunerações pagas a empregados. Item 26. A exigência é improcedente por ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos A recorrente alega que a ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos prejudicaria sua defesa e implicaria nulidade do auto de infração. Ocorre que a comprovação da existência dos pagamentos a esse título foi feita a partir de extrato da conta caixa que registrava a atividade de todas as "filiais" do grupo, bem como de comprovantes de depósitos encontrados nos Bunkers mantidos por ele. Cabia às empresas e, por decorrência, aos responsáveis por ela, ter realizado o adequado controle dos beneficiários dos pagamentos e informado esses dados ao poder público. Com efeito, é o que determina o Decreto nº 3.048, de 1999: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Afastada qualquer alegação pertinente à ausência de vínculo e de responsabilidade da recorrente com os atos realizados pelas empresas integrantes da Rede Presidente, se não houve cumprimento de suas obrigações legais, não pode agora invocar esse fato em seu benefício. Com efeito, essa conclusão é decorrência de aplicação da máxima moralizante do venire contra factum proprio, cuja inteligência perpassa a aplicação de todas as regras do direito. Tanto isso é verdade, que a legislação previdenciária autoriza a fiscalização a utilizar o expediente da aferição indireta quando ficar comprovada a irregularidade no cumprimento de suas obrigações: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 12747DF CARF MF 66 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Nesse sentido é a jurisprudência deste Colegiado conforme revela o Acórdão 2404005.672, cuja ementa é abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA. 1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. 2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação. 3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta. Apesar do que foi dito acima, deve ser ressaltado que no extrato da conta caixa, anexado a fls. 10.368/10.782, no histórico da planilha há a identificação dos beneficiários dos pagamentos, o que revela a impertinência do que foi alegado neste item. Nego provimento também quanto a esse tópico do recurso. Item 27. Inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo prevista constitucionalmente 28. Inconstitucionalidade do salárioeducação A alegação de inconstitucionalidade da norma tributária não pode ser conhecida no âmbito deste Colegiado, conforme preceitua o seguinte enunciado da Súmula de jurisprudência do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, as alegações de inconstitucionalidade da base de cálculo estabelecida na Lei nº 8.212, de 1991, e do salárioeducação não podem ser conhecidas. Item 29. Inexigência da contribuição ao INCRA por empresa urbana Fl. 12748DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.716 67 A alegação de inexigência da contribuição ao INCRA também está calcada na inconstitucionalidade das normas de regência, o que implicaria a aplicação do enunciado da Súmula acima transcrito. Em que pese a incidência desse enunciado, que seria suficiente para afastar as pretensões dos recorrentes, adoto também como razões de decidir o trecho abaixo transcrito, retirado do Acórdão 2401004.218, do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi: Portanto, no foro administrativo, não merece prosperar a argumentação da recorrente quanto à inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA. Quanto aos aspectos da legalidade, temos que a investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. Fl. 12749DF CARF MF 68 IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicando se, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas Fl. 12750DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.717 69 diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao Fl. 12751DF CARF MF 70 SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA. Logo, improcedentes as alegações quanto à inexigência das contribuições ao INCRA. 30. Inexigência do SAT por necessidade de lei complementar Conforme foi afirmado acima, a alegação de inconstitucionalidade da norma tributária não pode ser conhecida no âmbito deste Colegiado, conforme preceitua o enunciado nº 2 da Súmula de jurisprudência do CARF. Portanto, as alegações de inconstitucionalidade do SAT por necessidade de lei complementar não pode ser conhecida. 31. Ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório Em relação a essa alegação, adoto, sem embargo, o seguinte excerto da decisão de piso: A impugnante faz referência a diversas verbas, dizendo não haver previsão legal para a sua cobrança. Não carreia aos autos, contudo, nenhum elemento probatório ou cálculo quantificando esses valores, o que contraria o art. 15 e o art. 16. III, do Decreto nº 70.235/1972. O abono de férias, as férias indenizadas, os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, §9º, “d”, “e.6”, “e.7”, da Lei nº 8.212/1991. Tratase de verbas que a norma legal excetua, excluindo da base de cálculo dessas contribuições. A impugnante apenas alega, de forma genérica, que essas importâncias não deveriam ter sido lançadas, sem comprovar que a Auditoria as lançou. Deve ser relembrado, ainda, que, sendo a atividade administrativa plenamente vinculada e sendo a tributação regida pelo princípio da legalidade, não pode a autoridade administrativa deixar de lançar contribuição prevista em lei em face de jurisprudência do Poder Judiciário, ainda que proveniente das cortes superiores, a não ser quando ocorrerem as exceções dantes explicitadas. A defendente alega que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ pacificou o entendimento de que a verba recebida pelo empregado a título de auxíliodoença nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento tem caráter previdenciário, não tendo, pois, natureza salarial. Dessa forma, não incidiria contribuição previdenciária sobre esse montante. Não colaciona aos autos, todavia, nenhuma prova de que dentre os valores lançados se encontra tal verba. Na verdade, no caso, seria estranho que houvesse esse tipo de verba, uma vez que os valores lançados não constaram nas folhas de pagamento da empresa. Além disso, mesmo que houvesse prova de que tais valores compõem a base de cálculo lançada, consta expressamente na Lei nº 8.213/1991, art. 43, §2º, que, Fl. 12752DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.718 71 durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, cabe à empresa pagar ao segurado empregado o salário. Da mesma forma, no art. 60, §3º, da mesma lei, consta que nesse período, incumbe à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. Segundo o art. 59 do mesmo diploma legal, o auxíliodoença somente é pago a partir do décimo sexto dia após o afastamento. Depreendese do texto legal que a verba paga ao segurado empregado nos 15 (quinze) primeiros dias consecutivos ao do afastamento da atividade por doença não é auxíliodoença, já que esse benefício somente é devido a contar do décimo sexto dia. Além disso, a lei foi clara ao considerar salário o valor pago nos 15 (quinze) primeiros dias. No que diz respeito ao terço constitucional de férias, a interpretação acatada pelo Regulamento da Previdência Social – RPS, no seu art. 214, §4º, é a de que essa verba integra o salário de contribuição. Esse entendimento se coaduna com a tese de que a remuneração que compõe o salário de contribuição é, na verdade, um complexo de verbas recebidas não somente em virtude da prestação do serviço em si, mas também daquelas recebidas em virtude do contrato de trabalho. Além de haver disposição regulamentar expressa, a vigente Instrução Normativa RFB nº 971/2009 dispõe: Art. 57. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes: ... § 8º A remuneração adicional de férias, de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal, integra a base de cálculo, no mês a que ela se referir, mesmo quando paga antecipadamente na forma da legislação trabalhista. Quanto à jurisprudência dos nossos tribunais judiciais, apesar de a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ se inclinar pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias e a matéria ter sido submetida ao rito previsto no Código de Processo Civil, art. 543C (recursos repetitivos) juntamente com aviso prévio indenizado e valor pago nos primeiros quinze dias antes do auxíliodoença, no julgamento do Recurso Especial 1230957/RS, não houve ainda decisão sobre o assunto, estando os autos conclusos em razão de pedido de vista desde 17/06/2013. Mais importante, a não vinculação da RFB a esse entendimento resta evidente em face da existência da Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, que expressamente determina que os procuradores devem continuar contestando e recorrendo das decisões emanadas do Poder Judiciário. Vale salientar, ainda, que a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias está submetida ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal – STF por meio do RE 593068/SC pelo rito estabelecido no Código de Processo Civil, art. 543B (Repercussão Geral), porém não há ainda decisão definitiva sobre esses temas, tendo sido o processo concluso ao relator em 01/08/2013. Além disso, o acórdão recorrido trata da contribuição para o Plano de Previdência do Servidor Público, e não da contribuição relativa ao Regime Geral de Previdência Social. Quanto ao saláriomaternidade, em momento algum a Auditoria citou verba recebida a esse título em seu relatório, mesmo porque, como já se viu, o lançamento trata de verbas não declaradas que não constam nas folhas de pagamento, as quais foram pagas mediante ardil para escondêlas. Sendo o saláriomaternidade um benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, não cabe a Fl. 12753DF CARF MF 72 alegação da impugnante, não estando entre os pagamentos verificados. Ademais, mesmo que estivesse, o saláriomaternidade é base de cálculo da contribuição previdenciária conforme expressamente determinado pelo art. 28, §2º, da Lei nº 8.212/1991. Com efeito, compulsandose a planilha de fls. 10.368/10.782, vêse que os pagamentos são identificados por rubricas genéricas como "Comissões nao Lanc. no Re", "Salários/Ordenados", "Ferias e 1/3 Ferias", não sendo possível identificar de modo individualizado o valor de cada verba. Neste caso, caberia à recorrente fazer prova do pagamento de parcelas que não compõem o salário de contribuição, para que esses valores pudessem ser excluídos da base de cálculo tributável. Em razão do exposto, nego provimento ao recurso com relação às supostas parcelas de caráter indenizatório. 32. Inexigência da contribuição previdenciária sobre auxílioalimentação fornecido in natura por empresa não cadastrada no PAT Na planilha de fls. 10.368/10.782 estão listados os valores considerados pela fiscalização para fins de lançamento no levantamento PF Remunerações Pagas a Empregado, de onde foram posteriormente excluídas as importâncias já declaradas em GFIP. Para os CNPJ 09.521.678/000194 (Filial 059 Agua Chat) há efetivamente a identificação de valores pagos a título de "Alimentação Copa e Cozinh. Quanto ao auxílio alimentação, há jurisprudência recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais no seguinte sentido: AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com a edição do parecer PGFN n 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. (Acórdão 9202005.193 de relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos) Da fundamentação desse Acórdão extraise que: Entendo que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna apenas com a fornecida in natura, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Fl. 12754DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.719 73 Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Portanto, com a edição do parecer PGFN2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. Daí decorre que a exceção à regra geral de tributação está adstrita ao auxílio alimentação pago in natura, o que não corresponde à situação dos autos, onde o pagamento ocorreu em moeda corrente. Ao contrário do que afirmam os recorrentes, o relatório fiscal evidencia, inclusive com cópia de depósitos realizados nas contas dos empregados (itens 685 e 686 do relatório fiscal), aquilo que já era sugerido pela conta caixa: que o auxílioalimentação foi prestado em pecúnia e não in natura. Neste caso, os valores assim despendidos devem ser incluídos na base de cálculo dos contribuições previdenciárias, razão pela qual nego provimento ao recurso no que diz respeito ao auxílioalimentação. Por outro lado, foram realizados também pagamentos a título de vale transporte e o relatório fiscal faz várias menções a eles. Para esta rubrica a solução é diferente, pois constitui matéria que já foi sumulada por este Colegiado, conforme evidencia o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Fl. 12755DF CARF MF 74 De acordo com o art. 72 do Regimento Interno deste órgão colegiado, as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstancias em súmula de observância obrigatória pelos seus membros. Por outro lado, o art. 45 do mesmo regimento determina que perderá o mandato o conselheiro que deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF. Em razão de aplicação do enunciado acima transcrito da Súmula de Jurisprudência deste CARF, fazse necessário dar provimento ao recurso apresentado pelos responsáveis solidários para excluir da base de cálculo tributável os valores relativos a vale transporte. Item 33 Inexigência de contribuição ao sistema "S" por ausência de vinculação da arrecadação Aqui também a recorrente busca negar validade às normas em vigor com argumentos de inconstitucionalidade, análise que esbarra no enunciado nº 2 da Súmula de jurisprudência do CARF. A despeito disso, adoto também como razões de decidir o seguinte excerto da decisão recorrida: As contribuições lançadas foram aquelas destinadas ao SESC e ao SENAC e a empresa é uma loja de revenda de autopeças e se ajusta ao Código Nacional de Atividades Econômicas – CNAE 4530701, correspondente a “Comércio por atacado de peças e acessórios novos para veículos automotores”. Esse CNAE foi informado pela própria empresa em suas GFIP e se coaduna com as atividades por ela desenvolvidas. Assim, a alegação da impugnante é totalmente descabida e dissociada dos fatos aqui sob julgamento. Vale ressaltar, ainda, que mesmo que ela fosse uma prestadora de serviços, caberia a cobrança de tais contribuições. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 1255433, efetivado no rito previsto no Código de Processo Civil – CPC, art. 543C (Recursos Repetitivos), são devidas as contribuições para o SESC e SENAC pelas empresas prestadoras de serviços. Segue a ementa dessa decisão: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, do CPC). CONTRIBUIÇÃO AO SESC E SENAC. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. INCIDÊNCIA. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua Fl. 12756DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.720 75 fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. As empresas prestadoras de serviço são aquelas enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio CNC e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao SESC e SENAC. Precedentes: REsp. n. 431.347/SC, Primeira Seção, Rel. Min Luiz Fux, julgado em 23.10.2002; e AgRgRD no REsp 846.686/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.9.2010. (GRIFEI) 3. O entendimento se aplica às empresas prestadoras de serviços educacionais, muito embora integrem a Confederação Nacional de Educação e Cultura, consoante os seguintes precedentes: Pela Primeira Turma: EDcl no REsp. 1.044.459/PR; AgRg no Ag 882.956/MG; REsp. 887.238/PR; REsp. 699.057/SE; Pela Segunda Turma: AgRg no Ag 1.347.220/SP; AgRgRD no REsp. 846.686/RS; REsp. 886.018/PR; AgRg no REsp. 1.041.574 PR; REsp. 1.049.228/PE; AgRg no REsp. 713.653/PR; REsp. 928.818/PE. 4. A lógica em que assentados os precedentes é a de que os empregados das empresas prestadoras de serviços não podem ser excluídos dos benefícios sociais das entidades em questão (SESC e SENAC) quando inexistente entidade específica a amparar a categoria profissional a que pertencem. Na falta de entidade específica que forneça os mesmos benefícios sociais e para a qual sejam vertidas contribuições de mesma natureza e, em se tratando de empresa prestadora de serviços, há que se fazer o enquadramento correspondente à Confederação Nacional do Comércio CNC, ainda que submetida a atividade respectiva a outra Confederação, incidindo as contribuições ao SESC e SENAC que se encarregarão de fornecer os benefícios sociais correspondentes. (GRIFEI) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. Argumentos rejeitados. Itens 34, 35, 36 e 37 Multa exclusão ou redução Em relação à multa aplicada, a recorrente inicia por afirmar que não houve comprovação do intuito de fraude. Em seguida, requer sua redução a 10% pela aplicação do princípio constitucional do não confisco e, invocando o princípio da eventualidade, requer sua redução para 75% por ausência de fraude ou omissão dolosa e acaba por alegar a existência de "bis in idem". A multa aplicada tem previsão legal no art. 44, I c/c § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, e a validade dessa norma não foi afastada por qualquer decisão da corte que poderia fazer um juízo de sua inadequação com eficácia erga omnes. Portanto, a lei permanece em Fl. 12757DF CARF MF 76 vigor e deve ser respeitada pelos julgadores administrativos, conforme foi reiteradamente assentado neste voto. Por outro lado, o processo em análise contém provas indiscutíveis do comportamento artificioso dos sujeitos passivos identificados, com a criação de pessoas jurídicas constituídas por "laranjas", para o que foram falsificados documentos e assinaturas, incluindo Declarações de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em razão disso, devese concordar com a autoridade fiscal quando atribui aos sujeitos passivos a prática de condutas condizentes com a sonegação e a fraude, até porque as exigências fiscais evidenciam que as obrigações tributárias não foram cumpridas e seus fatos geradores foram ocultados pelas práticas adotadas. No mais, embora se faça menção ao "bis in idem", não é demonstrada sua ocorrência, de forma que essa alegação é por demais genérica para ser enfrentada. Nego provimento ao recurso quanto à exclusão ou redução da multa de ofício. 38. Inaplicabilidade da taxa Selic Essa matéria também se encontra pacificada no âmbito deste colegiado, conforme demonstra o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Alegações rejeitadas. 39. Realização de perícia e a colheita de depoimentos Em relação ao pedido de perícia, a recorrente protesta pela sua realização mas não apresenta nenhum argumento que evidencie a necessidade dela. A perícia é meio de prova a ser manejada quando houver insuficiência de informações no processo de modo a impossibilitar sua perfeita compreensão pelo julgador, mas não se presta a suprir omissões do sujeito passivo em comprovar o direito alegado. Não vejo neste processo nenhuma lacuna ou inconsistência que gere dúvida passível de ser esclarecida através de perícia. Nego provimento ao pedido de realização de perícia. Alegações dos sujeitos passivos solidários Como foi ressaltado no relatório, há uma grande identidade entre o recurso apresentado pela empresa autuada e pelos sujeitos passivos solidários. Uma vez que a maioria das questões já foram tratadas na análise do recurso de autoria da PRV, por economia processual, neste tópico serão enfrentados apenas os pontos residuais. Item 1. Preliminar de nulidade por ausência de intimação pessoal Fl. 12758DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.721 77 Os recorrentes alegam nulidade da intimação da decisão recorrida porque esta não respeitou as indicações de endereço feitas nas impugnação. O Decreto nº 70.235, de 1972, regulamenta a intimação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal no seguinte dispositivo: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Fl. 12759DF CARF MF 78 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (grifou se) Conforme se extrai da literalidade do artigo transcrito a intimação por via postal será feita no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e este domicílio é o endereço fornecido por ele para fins cadastrais. Portanto, não há qualquer indicação de que o endereço informado na identificação da impugnação possa servir como domicílio para fins de intimação. Aliás, verificandose as impugnações apresentadas, vêse que sequer existe pedido para que esse endereço seja considerado e os sujeitos passivos alegam expressamente nulidade da intimação do auto de infração por não ter sido observado o endereço constante da DIRPF (item 3.5 da impugnação). Rejeito a preliminar argüida. Item 2. Preliminar de Nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 12760DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.722 79 Argumentam os recorrentes que o lançamento seria nulo por não terem sido cientificados da existência de processo de fiscalização contra eles. Como já foi anteriormente registrado, é entendimento deste colegiado que o MPF constitui instrumento de controle interno da ação fiscal, de forma que eventuais deficiências do MPF não maculariam o lançamento. Na hipótese em questão, no Termo de Início da Ação Fiscal (fl. 10.810) há a identificação do mandado de procedimento fiscal instaurado em face da empresa fiscalizada e do código de acesso para verificação de sua autenticidade. Pelos documentos de fls. 10.813/10.876 os sujeitos passivos solidários foram cientificados do termo de início da ação fiscal em face de algumas empresas e dos Termos de Intimação Fiscal em relação a outras, estando a empresa fiscalizada entre elas. Portanto, é improcedente a alegação de desconhecimento da ação fiscal. Cumpre ressaltar que não há, nas normas que regulamentam esse procedimento, previsão de que seja emitido MPF específico para os sujeitos passivos solidários. Nesse sentido, extraise do Acórdão nº 2202003.852, de relatoria da Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio: NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA SEM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ESPECÍFICO. Improcedente a alegação de que a imputação de responsabilidade solidária demandaria a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal específico para esse fim, uma vez que a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal. Dessa forma, em relação ao MPF, não vejo qualquer mácula no procedimento adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento. Rejeito a nulidade argüida. Item 3. Nulidade por ausência de intimação pessoal Esta questão já se encontra superada em função do enunciado nº 9 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nulidade rejeitada. Item 4. Nulidade por ilegitimidade da atuação do AuditorFiscal Fl. 12761DF CARF MF 80 Sob esse tópico, alegam os recorrentes que o AuditorFiscal teria extrapolado os limites de sua competência funcional ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes sem indicar os motivos para tanto. Asseveram que: A responsabilização capitulada pelo Auditor Fiscal, entretanto, escapa de sua competência, pois além de não estar prevista expressamente na lei de regência de sua atividade, compete exclusivamente ao Procurador da Fazenda Nacional, na esfera judicial, fazêlo e desde que presentes os requisitos. Mais uma vez, não lhes assiste razão. Com efeito, de acordo com o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, o lançamento fiscal é o momento adequado para a identificação do sujeito passivo da obrigação tributária e, segundo o mesmo código: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifouse) Por outro lado, a Lei nº 10.593, de 2002, não deixa margem à dúvida sobre quem é a autoridade administrativa de que trata o CTN: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, Fl. 12762DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.723 81 restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (...) Cumpre registrar, ainda, que o STJ, no âmbito do REsp 1110925/SP, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, em Acórdão de lavra do Ministro Teori Albino Zavaski, assentou que: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL SÓCIOGERENTE CUJO NOME CONSTA DA CDA. PRESUNÇÃO DE RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA ARGUIDA EM EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. INVIABILIDADE. PRECEDENTES. 1. A exceção de préexecutividade é cabível quando atendidos simultaneamente dois requisitos, um de ordem material e outro de ordem formal, ou seja: (a) é indispensável que a matéria invocada seja suscetível de conhecimento de ofício pelo juiz; e (b) é indispensável que a decisão possa ser tomada sem necessidade de dilação probatória. 2. Conforme assentado em precedentes da Seção, inclusive sob o regime do art. 543C do CPC (REsp 1104900, Min. Denise Arruda, sessão de 25.03.09), não cabe exceção de pré executividade em execução fiscal promovida contra sócio que figura como responsável na Certidão de Dívida Ativa CDA. É que a presunção de legitimidade assegurada à CDA impõe ao executado que figura no título executivo o ônus de demonstrar a inexistência de sua responsabilidade tributária, demonstração essa que, por demandar prova, deve ser promovida no âmbito dos embargos à execução. 3. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Essa decisão evidencia que a atribuição de responsabilidade tributária é questão afeta ao procedimento administrativo que dá origem à CDA. Ou seja, precede a instauração da execução fiscal. Fl. 12763DF CARF MF 82 Embora seja possível o redirecionamento da execução a pessoas que não constem nesse título ou, ainda, que seja realizada a desconsideração da personalidade jurídica de que trata o novo Código de Processo Civil, esses procedimentos se tornam necessários quando não foi efetuada a atribuição da responsabilidade no processo de sua formação (da CDA). Ou seja, esses procedimentos tem caráter residual e não têm o condão de excluir a competência da autoridade fiscal, lastreada no Código Tributário Nacional, norma com força de Lei Complementar. Rejeito também esta preliminar de nulidade. Item 5. Nulidade por ilegitimidade passiva do recorrente Item 6. Ausência de responsabilidade dos recorrentes, por serem pessoas estranhas ao quadro societário da empresa autuada e por não haver prova de seu vínculo com ela e com o fato gerador do tributo Item 7. Ausência de responsabilidade do recorrente por inexistência de prova do seu benefício Argumentam os recorrentes que não haveria prova que demonstrasse a existência de vínculo deles com a empresa autuada, o que poderia conduzir à nulidade por ilegitimidade passiva ou, ao menos, ausência de responsabilidade deles. Uma vez que não se trata de uma situação de evidente erro na identificação do sujeito passivo, esta matéria deve ser tratada como mérito e, para tanto, sirvome do que foi levantado pela decisão de piso, de onde se transcreve o que segue: 8. Da Responsabilidade dos Envolvidos A solidariedade dos integrantes da família Tolardo não se baseou em presunções, mas em provas irrefutáveis de que eles administravam a sociedade, conforme se verá adiante. A solidariedade foi aplicada não porque eles são sócios de fato do empreendimento, mas porque agiram com infração à lei e ao contrato social das empresas (CTN, art. 135, III), a começar pela utilização de sócios laranjas, com o intuito evidente de escaparem de uma possível cobrança dos tributos devidos e sonegados. Quanto ao art. 124, I, do CTN, está presente, no caso, o interesse jurídico, não por as pessoas físicas serem da mesma família, mas por terem participado ativamente, ainda que de forma oculta, da administração das empresas e, por consequência, dos fatos geradores que originaram os Autos de Infração. A própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no já mencionado Parecer PGFN/CRJ/CAT 55/2009, entendeu que a responsabilidade do administrador pode ser declarada quando da lavratura do auto de infração que formalizar o lançamento do crédito tributário em face da pessoa jurídica contribuinte, como também pode ser declarado em auto de infração e em momento distintos, independentemente de ter o ato ilícito sido praticado no momento da ocorrência do fato jurídico tributário que deu origem à obrigação tributária principal. A responsabilidade de cada administrador pode ser declarada ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos. Não há ilegalidade alguma na imputação da responsabilidade pelos Auditores Fiscais, os quais eram competentes para efetuar tal ato no momento em que apuraram os fatos que o fundamentava. Fl. 12764DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.724 83 Diante da constatação da existência da REDE PRESIDENTE e de sua administração pela família Tolardo, a ausência da vinculação formal de seus membros à empresa não os exime da responsabilização, diante do seu envolvimento de fato na administração de todo o empreendimento. Constavam no banco de dados utilizado pelo Programa Caixa várias “contas” representativas de custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc., bem como vários “centros de custos”, tais como os relativos a cada uma das “filiais”. Dentre os centros de custo destacase o “020 – DIRETORES”. Entre as subcontas, sobressaem aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrandose o centro de custos “20DIRETORES” e aplicandose outro filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles. Ademais, a planilha “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls”, encontrada nos pendrives de Odete, operadora do esquema, e Samuel Tolardo Júnior, corroboram os valores encontrados na base de dados do Programa Caixa, comprovando a distribuição de valores entre os componentes da família Tolardo. Especificamente em relação aos recorrentes, temse o que segue: 8.2. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Há robustas provas de que Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore participava ativamente do esquema, especialmente como administradora do grupo de empresas adquirido, Embrepar. Foram, inclusive, interceptadas pela Polícia Federal ligações telefônicas entre ela e sua mãe e entre esta e Robson Marcelo Tolardo, as quais demonstram que a filha do exdono da Embrepar ensinou a Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore os procedimentos do negócio adquirido. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi sócia da Administradora Confiança. Foram localizadas várias procurações dos sócios laranjas para ela: outorgada por Geraldo Richter com poderes para vender ou incorporar as quotas da REDE PRESIDENTE (07/11/2002); outorgada pela RPT (representada por Geraldo Richter) para representação perante bancos (07/11/2002); outorgada pela RPT com poderes amplos e gerais (07/11/2002), outorgada pela RPT para representá la em bancos com poderes amplos, gerais e ilimitados (12/11/2003); outorgada pela RPT com poderes amplos, gerais e ilimitados (12/11/2003); outorgada pela Nobre Participações Ltda. (representada pela sócia laranja Mirian Coutinho de Lima para ela e seu irmão, Samuel Tolardo Júnior, conferindo poderes amplos e gerais (25/08/2004) Para que Daniel de Oliveira Junior, funcionário do esquema, locasse um imóvel em Maringá/PR, foi necessário um fiador, papel exercido por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e seu marido. Outro imóvel cuja locação teve Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore como fiadora foi o do bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR (aluguel do período 10/03/2011 a 09/03/2014) cuja locatária era Ana Maria Gimenez de Souza é importante operadora do esquema. Há, ainda, o contrato de locação de um barracão comercial em Bauru/SP, usado pela REDE PRESIDENTE, Filial 18. O contrato tem como locatária Fernanda Cristina de Lima dos Santos, usada como laranja na RPFL Auto Peças Ltda., e como fiadora Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Fl. 12765DF CARF MF 84 Além disso, existem imóveis de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore que são usados pela REDE PRESIDENTE: galpão situado em Londrina/PR locado à REDE PRESIDENTE – Filial 14 e imóvel utilizado pelo esquema no Rio de Janeiro/RJ; imóvel comercial em Petrolina/PE, com galpões de estocagem, avaliado por laudos em R$.750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais) e R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais). O primeiro laudo aponta como solicitante e ocupante do imóvel a empresa Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda. Distribuidora de Auto Peças e como proprietária Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Outro imóvel de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore utilizado pela REDE PRESIDENTE localizase em Imperatriz/MA, no endereço cadastral da IME Peças para Veículos Ltda. – ME. Foi encontrado laudo de avaliação datado de 23/03/2011, no qual ela consta como proprietária e Liderci Luriko Nagabe de Oliveira como solicitante. O imóvel foi avaliado em R$ 1.350.000,00 (um milhão, trezentos e cinquenta mil reais). O imóvel utilizado pela REDE PRESIDENTE em Feira de Santana/BA (Filial 74) também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, conforme laudos de avaliações realizadas em novembro/2011. As fotos que constam no laudo mostram que na fachada havia a logomarca da REDE PRESIDENTE. Esse imóvel foi avaliado em R$.1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) por um laudo e em R$ 1.516.000,00 (um milhão, quinhentos e dezesseis reais) por outro. Também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore o imóvel utilizado pelo esquema em Piracicaba/SP (Filial 75), conforme laudos de avaliação feitos em 2011. O imóvel foi avaliado em R$ 1.524.705,05 (um milhão, quinhentos e vinte e quatro mil, setecentos e cinco reais e cinco centavos) e R$ 1.450.000,00 (um milhão, quatrocentos e cinquenta mil reais). Foi encontrado o registro desse imóvel. Constam também como de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore 3 (três) lotes de terrenos contíguos em Fos do Iguaçu/PR, cujo barracão ali instalado serve de extensão para a PRE Comércio e Distribuição de Peças Ltda. (Filial 44), conforme certidão de escritura pública de compra e venda. A compra desse imóvel foi feita por procuração, justamente por Robson Marcelo Tolardo. O imóvel usado pela REDE PRESIDENTE em Londrina/PR (Filial 14) também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, conforme contrato de locação de 02/01/2007. Há, ainda, o imóvel registrado no me da filha de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, a menor Julia Tolardo Dalle Ore, usado em Porto Alegre/RS pela REDE PRESIDENTE (Filial 60). Todos esses imóveis, com exceção dos de Foz do Iguaçu/PR e Imperatriz/MA, foram transferidos à empresa Zenith Administradora de Bens e Participações Ltda., a título de integralização do capital. Essa é uma das empresas criadas para administrar os bens da família Tolardo, tendo como sócia a própria Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e suas filhas, Isabela Tolardo Dalle Ore e Julia Tolardo Dalle Ore. Os imóveis eram controlados pela REDE PRESIDENTE, segundo constatado em planilha encontrada por ocasião do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão. Nessa planilha foi, ainda, identificado um imóvel denominado “C.MOURÃO”, para o qual encontrouse um laudo de avaliação de 28/08/2012 para imóvel situado em Campo Mourão/PR, com valor estimado de R$.440.000,00, de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Quanto ao imóvel identificado na planilha como “SPINHAIS”, foram localizados os registros dos imóveis de matrículas 19.136, 19.139, 19.140, 19.141, 19.142 e 19.143 no Registro de Imóveis Fl. 12766DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.725 85 de São José dos Pinhais/PR, adquiridos por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore em 25/08/1997. 8.3. Rogério Márcio Tolardo Foram relatadas várias provas da atuação de Rogério Márcio Tolardo, como: a. Procuração de 10/10/1996 da então Foramec Auto Peças Ltda. (atual RPT), representada por ele e por seu irmão Samuel Tolardo Júnior, constituindo um procurador para representar a empresa perante repartições públicas; b. Procuração outorgada a ele por Adanice Gonçalves de Jesus, conferindolhe poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 03/04/20000; c. Procuração outorgada a ele pela empresa Rede Presidente Ltda., conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes, datada de 03/04/2000; d. Procuração outorgada a ele em 07/101/2002 por Geral Richter (então laranja da RPT), conferindolhe amplos e gerais poderes para vender ou incorporar as quotas da RPT ou assinar quaisquer contratos de compra e venda, inclusive alterações contratuais; e. Procuração datada de 07/11/2002, por meio da qual a Rede Presidente, representada por Geraldo Richter, concedelhe amplos e gerais poderes para representar a empresa perante quaisquer estabelecimentos bancários, públicos ou privados do país; f. Procuração de 07/11/2002, outorgada a ele pela Rede Presidente, representada por Geral Richter, conferindolhe amplos e gerais poderes para constituir advogados, com todos os poderes inerentes. Na época do cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão, Rogério Márcio Tolardo residia em Curitiba/PR, onde é sócio de uma loja de aparelhos eletrônicos para uso doméstico, W2X – Comércio e Serviços de Equipamentos. Apesar de essa empresa aparentemente não ter relação com o esquema REDE PRESIDENTE, no período de abril/2005 a janeiro/2010, era seu sócio Francisnei Paulo Ferrarini, mero funcionário do esquema. Fracisnei também foi usado como laranja da FEMAMAR Repres. Comerciais Ltda., empresa da REDE PRESIDENTE, que fica no mesmo endereço de uma das filiais da RPT. Em depoimento prestado à Polícia Federal em 17/10/2012, Francisnei afirma que figurou como sócio da W2X a pedido de Rogério Márcio Tolardo, porém jamais exerceu qualquer atividade nessa empresa, gerida exclusivamente por Rogério. Notese que Fransicnei diz que aceitou a proposta porque tinha uma relação de amizade ou seria alguém de confiança de Rogério Márcio Tolardo, o que, por óbvio, decorreu da atuação e posição deste último na REDE PRESIDENTE. A participação de Rogério Márcio Tolardo fica mais clara diante dos imóveis de sua propriedade controlados pela planilha já mencionada, onde se constata ser ele proprietário de 6 (seis) imóveis: a. Um galpão em Guarulhos/SP, pertencente também a Samuel Tolardo Júnior. Foi localizado um contrato de locação de 1º/01/2010, constando ambos os irmãos como locadores e a RPT como locatária. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi encontrada uma avaliação do imóvel de maio/2011, no valor de R$ 25.758.128,00 (vinte e cinco milhões, setecentos e cinquenta e oito mil, cento e vinte e oito reais). Apesar de o valor para locação do imóvel ser R$.257.581,28 Fl. 12767DF CARF MF 86 (duzentos e cinquenta e sete mil, quinhentos e oitenta e um reais e vinte e oito centavos), os irmãos o locam por R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Em dezembro/2009, esse imóvel foi dado em caução como garantia de um contrato de locação não residencial celebrado pela Fort Lub Produtos Automotivos Ltda.; b. Dois terrenos contíguos onde está construído um barracão usado pela REDE PRESIDENTE em Foz do Iguaçu (empresa PRE, Filial 44); c. Um terreno localizado em Maringá/PR, área muito bem localizada pertencente ao esquema; d. Imóvel localizado em Cabuy, Presidente Prudente/SP, onde funciona a Filial 38. No contrato de locação encontrado, datado de 1º/01/2010, a locatária é a empresa Rolcar Auto Peças, do esquema REDE PRESIDENTE; e. Imóvel localizado em Uberlândia/MG (Filial 64). Foi encontrada cópia da matrícula do imóvel. Posteriormente, esses imóveis foram dados como integralização de capital de uma das empresas do esquema, Magno Administradora de Bens e Participações Ltda. O capital, que era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) passou para R$ 1.039.765,00 (um milhão, trinta e nove mil, setecentos e sessenta e cinco reais). Outro indicativo da posição de Rogério Márcio Tolardo é dado em conversa telefônica entre sua mãe e Leda ou Hieda, que o compara a Robson Marcelo Tolardo e comenta que Rogério também é sócio. Em outras duas gravações efetuadas pela Polícia Federal, constatase a existência de repasses ou pagamentos mensais que a família Tolardo fazia ao sócio Rogério Márcio Tolardo. 8.4. Samuel Tolardo Júnior No apartamento de Samuel Tolardo Júnior em Curitiba/PR, foram encontrados vários documentos relativos ao esquema. Ele participa há bastante tempo, como comprova a procuração da RPT, então Foramec Auto Peças Ltda., datada de 10/10/1996. Nessa procuração, ao lado de seu irmão Rogério Márcio Tolardo, ele consta como sócio da empresa que, praticamente, inaugurou a REDE PRESIDENTE. Ademais, Samuel Tolardo Júnior (ou Júnior) foi diversas vezes mencionado na escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, como, por exemplo, em conversa de 22/05/2012 entre sua mãe e sua irmã, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, na qual fica clara a sua participação na empresa recém adquirida do Grupo Embrepar. Em outra interceptação telefônica, do dia 1º/08/2012, entre ele e Ana Maria Gimenez, resta evidente o seu envolvimento na análise de questões operacionais, como transferências dentre filiais e estoque negativo. Um imóvel onde se localizava um dos bunkers da REDE PRESIDENTE estava registrado no me de Daniel de Oliveira Júnior, constando uma procuração desse operador do esquema para a família Tolardo, inclusive para Samuel Tolardo Júnior, datada de 22/06/2009, concedendo poderes para vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar esse imóvel. O endereço de Samuel Tolardo Júnior que consta nessa procuração é, na verdade, o endereço de uma filial da REDE PRESIDENTE, Filial 27, no Rio de Janeiro, apesar de constar nas suas DIRPF desde 2003 como sendo seu endereço residencial. Há outra procuração, outorgada por Genésio Bueno, laranja da A.P.E. Auto Peças Ltda. (dezembro/2004 a setembro/2013), conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes. Idêntica procuração foi também concedida pela própria empresa, na época denominada A Presidente Auto Peças Ltda. Fl. 12768DF CARF MF Processo nº 10875.722997/201421 Acórdão n.º 2201003.811 S2C2T1 Fl. 12.726 87 Foi encontrado contrato de execução de construção por empreitada global entre Samuel Tolardo Júnior e Antonio Picoli Sobrinho, de 05/05/1992, para construção de barracão comercial em Curitiba/PR, provavelmente o mesmo imóvel da matrícula 51.835. Junto à cópia do registro da matrícula foi achado um recibo, no qual consta que o imóvel foi adquirido por Samuel Tolardo Júnior em 24/05/2005. Tratase de um barracão comercial utilizado pela Filial 23 da REDE PRESIDENTE. Foram encontradas duas avaliações do imóvel, uma delas solicitada por Samuel Tolardo Júnior. Outro imóvel adquirido por Samuel Tolardo Júnior é um barracão comercial em Cascavel/PR. Foram encontrados vários documentos referentes à obra, datados de final de 2011 e ano de 2012. A maioria dos emails tratando de assuntos da obra são assinados por Nilson Roberto da Silva, funcionário da REDE PRESIDENTE desde 09/06/2003. Há, ainda o imóvel de Guarulhos/SP, adquirido por Samuel Tolardo Júnior e Rogério Márcio Tolardo, conforme escritura pública de venda e compra de 28/06/2001. Também foi constatado serem de propriedade de Samuel Tolardo Júnior um apartamento em Curitiba/PR; um salão comercial em Londrina locado a Rogério José de Alencar e um terreno em Londrina. Desses imóveis, ao menos três deles (um em Curitiba/PR, o terreno de Londrina/PR e o de Cascavel/PR) foram transferidos em abril/2012 para a empresa Urbanos Administradora de Bens e Participações Ltda. como integralização de capital por parte de Samuel Tolardo Júnior. O capital da empresa passou de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para R$.563.280,00 (quinhentos e sessenta e três mil, duzentos e oitenta reais). O outro sócio fica apenas com R$ 1,00 (um real). Os elementos coligidos pelo Acórdão recorrido são suficientes para demonstrar a posição ocupada pelos membros da família Tolardo como reais proprietários e administradores da Rede Presidente. Além disso, são suficientes para afastar a alegação de ausência de responsabilidade do recorrente por inexistência de prova do seu benefício. Com efeito, basta lembrar que há comprovação de pagamentos de despesas pessoais feitos pela Rede Presidente, bem como de que os integrantes da família faziam retiradas de valores próximos a R$ 100.000,00 (cem mil reais) mensais cada, chegando, em alguns períodos, a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) cada documentos de fls. 9751/9754 e itens 418 a 433 do Relatório de Atividade Fiscal. Com base no exposto, afasto as alegações de ausência de prova do vínculo dos responsáveis solidários com os fatos geradores das obrigações tributárias, bem como de ausência de prova do seu benefício. Conclusões Com base em todo o exposto, voto por conhecer os recursos voluntários apresentados por PRV Comércio de Peças Ltda. ME, Jeanne Cristine Tolardo Dalle Ore, Samuel Tolardo Júnior e Rogério Márcio Tolardo, para, rejeitadas as preliminares, no mérito, darlhes parcial provimento para excluir da base de cálculo tributável os valores pagos a título de valetransporte. (assinado digitalmente) Fl. 12769DF CARF MF 88 Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 12770DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.722426/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.266
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Autos de Infração referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, lavrados em virtude da exclusão do contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar 123/2007. A exclusão em questão se deu em virtude da emissão do Termo de Exclusão nº 006/2012, contido em fl. 1822, que foi objeto do contencioso administrativo instaurado nos autos do processo 10935.722.496/201221. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .7 22 42 6/ 20 12 -7 2 Fl. 2293DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.722426/201272 Resolução nº 2201000.266 S2C2T1 Fl. 2.294 2 Do procedimento fiscal, resultaram os seguintes DEBCADs: 51.003.3024 – relativo à contribuição patronal, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), apurada no período de 01/2009 a 12/2011, no montante consolidado de R$ 3.204.102,39, controlado no presente processo; Debcad nº 51.003.3040 – relativa à contribuição destinada a terceiros, apurada no período de 01/2009 a 12/2011, no montante de R$ 850.161,31, controlado no presente processo; 37.388.4940 – relativo à contribuição patronal, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), apurada no período de 08/2007 a 12/2008, no montante consolidado de R$ 606.303,84, controlado no processo 10935.722425/201228; Debcad nº 37.388.4958 – relativa à contribuição destinada a terceiros, apurada no período de 08/2007 a 12/2008, no montante de R$ 132.605,07, controlado no processo 10935.722425/201228. Inconformado com os lançamentos, o contribuinte formalizou impugnação administrativa em ambos os processos, as quais foram julgadas improcedentes pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância. Ciente dos Acórdãos da DRJ, ainda inconformado, o contribuinte formalizou Recursos Voluntários, também em ambos os processos em que, dentre outras questões, requer a suspensão do presente julgamento até que se torne definitiva a discussão objeto do processo em que se discute a procedência sua exclusão do Simples Nacional, 10935.722496/201221. Submetido o presente ao Colegiado de 2ª Instância, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento resolveu converter o presente em diligência. Contudo, o objeto da diligência não foi acostado aos autos, já que o Redator designado não teve acesso aos registros elaborados pelo então Conselheiro Relator. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Como bem evidente no relatório acima, a autuação ora em discussão decorre da exclusão do contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar 123/2007. Não mais abrigado pelas benesses legais para as micro e pequenas empresas, o contribuinte estaria sujeito, a partir do período em que se processarem os efeitos de sua Fl. 2294DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.722426/201272 Resolução nº 2201000.266 S2C2T1 Fl. 2.295 3 exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, tudo nos termos do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2007. Ocorre que os motivos que levaram à exclusão do requerente de tal regime diferenciado de tributação estão em discussão nos autos do processo 10935.722496/201221, o qual aguarda julgamento em 2ª Instância no âmbito deste Conselho, sendo matéria de competência da 1ª Seção de Julgamento. Caso o pleito do contribuinte relativo à exclusão regime simplificado seja julgado procedente, sua opção pelo Simples Nacional será restabelecida para o período de apuração e discussão, não havendo que se falar em cobrança de tributos apurados sob sistemática de tributação diversa. Por outro lado, o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal contido em fl. 1883 evidencia que, além dos dois DEBCAD controlados no presente processo, outros dois resultaram do mesmo procedimento fiscal, os quais estão sob o controle do processo nº 10935.722425/201228, que aguarda distribuição neste CARF. Dispõe o art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e (...) § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que 26 entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Desta forma, no caso em questão, há duas espécies de vínculo processual, um por conexão e outro por decorrência. Portanto, considerando oportuno o julgamento do presente apenas quando as conclusões sobre a procedência ou não do procedimento de exclusão se tornarem definitivas, voto pela conversão do julgamento em diligência para determinar: Fl. 2295DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.722426/201272 Resolução nº 2201000.266 S2C2T1 Fl. 2.296 4 a juntada do presente, na condição de processo principal, por conexão, ao processo nº 10935.722425/201228, já que os créditos controlados por ambos decorrem do mesmo procedimento fiscal; a vinculação nos sistemas do presente processo ao de número 10935.722496/201221 e o sobrestamento do julgamento no âmbito da própria Câmara, até que haja decisão definitiva em 2ª instância relativa à exclusão do Simples Nacional. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 2296DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO em 23/06/2017 14:49:00. Documento autenticado digitalmente por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO em 23/06/2017. Documento assinado digitalmente por: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA em 23/06/2017 e CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO em 23/06/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 11/10/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.1017.14211.3KS2 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: C0D0F7D66E6A204E4CFD993F735E1DE804DD0CBBA2D280E23CAAF9DDB39CD16F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10935.722426/2012-72. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10730.006143/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. APROVEITAMENTO DO IMPOSTO PAGO. EMBARGOS APRESENTADOS PELA DELEGACIA DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não resta caracterizada a omissão do acórdão embargado, quando a matéria que se pretende devolver para análise foi estabelecida como incontroversa pela autoridade fazendária no recurso que deu origem à decisão combatida, recurso esse que estabeleceu os limites da questão a ser enfrentada pela turma julgadora.
Numero da decisão: 2201-003.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 26/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. APROVEITAMENTO DO IMPOSTO PAGO. EMBARGOS APRESENTADOS PELA DELEGACIA DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta caracterizada a omissão do acórdão embargado, quando a matéria que se pretende devolver para análise foi estabelecida como incontroversa pela autoridade fazendária no recurso que deu origem à decisão combatida, recurso esse que estabeleceu os limites da questão a ser enfrentada pela turma julgadora.
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LANÇAMENTO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. APROVEITAMENTO DO IMPOSTO PAGO. EMBARGOS APRESENTADOS PELA DELEGACIA DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta caracterizada a omissão do acórdão embargado, quando a matéria que se pretende devolver para análise foi estabelecida como incontroversa pela autoridade fazendária no recurso que deu origem à decisão combatida, recurso esse que estabeleceu os limites da questão a ser enfrentada pela turma julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 26/09/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 61 43 /2 00 6- 38 Fl. 8359DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 8345/8348) apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201003.639 (fls. 8340/8343) desta 1ª Turma Ordinária, que analisou embargos apresentados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberaba MG ao Acórdão 2201002.524 (fls 8308/8319), pelo qual foi negado provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte em face de decisão que manteve auto de infração relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF calculado sobre depósitos bancários de origem não comprovada. Embora o Acórdão do Recurso Voluntário tenha negado provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte, consignou em seu penúltimo parágrafo: Por fim,o contribuinte argui que confessou e parcelou parte dos débitos discutidos no presente processo, devendo lhe ser assegurado, no momento da execução, a compensação dos valores pagos no processo nº 10650.001366/200607. Entretanto, isso não é questão de mérito, cabendo a unidade da RFB responsável pela cobrança, por demanda do interessado, verificar se de fato existe os citados pagamento e, caso exista, adotar os procedimentos para a compensação. A esta decisão foram apresentados embargos, nos quais se afirmou que os valores parcelados no processo nº 10650.001366/200607 e já extintos pela sua quitação referirseiam a imposto apurado sobre o ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos constante na declaração retificadora de ajuste do exercício 2004, apresentada após o início do procedimento fiscal. Por outro lado, os valores que teriam sido mantidos neste processo adviriam da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, o que configuraria um fato gerador diferente do fato gerador do imposto sobre o ganho de capital declarado e parcelado. A partir dessas considerações aduziu a autoridade embargante: A questão que se coloca e que ficou omisso no acórdão é se os valores oriundos de ganho de capital explicam a origem dos recursos que serviu de base para a autuação. Ao apresentar as declarações retificadoras, o contribuinte pretendeu explicar parte das origens dos recursos nas alienação de bens e direitos, tendo recolhido o imposto sobre o ganho de capital na alienação, parcelados através do processo 10650.001366/2006 07. O acórdão recorrido da DRJ RJO II quando discorreu sobre a comprovação de origens dos créditos com a entrega de declarações retificadoras, fls. 1.192 1.195, especificamente na fl. 1.194, em seu penúltimo parágrafo, descreveu que "a autuação se deu por omissão de rendimentos recebidos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e nem que fossem validados pela fiscalização, os valores oriundos de ganho Fl. 8360DF CARF MF Processo nº 10730.006143/200638 Acórdão n.º 2201003.908 S2C2T1 Fl. 8.360 3 de capital informados nas Declarações Retificadoras fariam prova hábil e idônea da origem dos valores os depósitos/créditos aqui considerados como base de cálculo". Os embargos foram admitidos pelo Despacho de fls 8330/8331, que entendeu tratarse de lapso manifesto, uma vez que tratarseia de dificuldade na execução da cobrança. Segundo esse documento: De fato, o acórdão não se debruçou sobre isso. Apesar de a decisão embargada negar o recurso voluntário e o voto expressar que a questão de compensação não seria objeto de mérito e que caberia à unidade da RFB responsável pela cobrança verificar a existência dos citados pagamentos e a adoção dos procedimentos de compensação, não foram abordadas no julgamento quaisquer questões em relação à alteração efetuada na declaração retificadora e se essa alteração sobreporia, de alguma forma, os valores lançados, o que pode prejudicar o entendimento do agente preparador no momento da execução da referida cobrança. Ao analisar esses embargos, o Acórdão nº 2201003.639 concluiu que: Portanto, entendo que, quando a decisão recorrida mencionou a realização de compensação do imposto pago no âmbito do processo nº 10650.001366/200607, ela não estava justificando a origem de parte dos recursos movimentados, o que afetaria a base de cálculo considerada, mas sim determinando que, do imposto devido neste processo, seja abatido por compensação o imposto efetivamente pago no processo de parcelamento. A ementa dessa decisão está assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. APROVEITAMENTO DO IMPOSTO PAGO. Não se presta a comprovar a origem dos valores movimentados em conta bancária o ganho de capital declarado em retificação de declaração apresentada no curso da ação fiscal e desacompanhada de qualquer documentação que comprove sua veracidade, contudo, se o contribuinte efetivamente paga o imposto assim declarado, esse valor deve ser compensado com o exigido no encerramento da ação fiscal, sob pena de enriquecimento sem causa do Estado. Essa decisão foi objeto de embargos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, com base nos seguintes argumentos: Pois bem. A partir do trecho supratranscrito observase que o Colegiado resolveu abater o montante pago no âmbito do Fl. 8361DF CARF MF 4 processo nº 10650.001366/200607 do valor devido no presente processo. Entretanto, não restou clara a corelação existente entre os dois processos citados que autorizariam a compensação na forma determinada. Conforme bem registrou a DRJ, tratandose de fatos geradores diversos, não haveria que se falar, s.m.j., em possibilidade de aproveitamento, no presente feito, de pagamentos relativos a fatos geradores não exigidos neste auto de infração. Por outro lado, caso se tratem dos mesmos fatos geradores, restará inviável a dupla exigência do mesmo crédito tributário. Registrese que, a partir da análise do processo de parcelamento nº 10650.001366/200607, consultado por esta procuradora através do sistema eprocesso, não foi possível extrair, com segurança, a vinculação entre o citado processo e o presente feito. Nesse contexto, e considerando a vultuosidade dos valores cobrados neste lançamento, fazse mister que a Turma explicite seu entendimento para esclarecer se existe uma relação de continência entre os fatos geradores do IRPF que ensejaram o processo de parcelamento nº 10650.001366/200607 e os fatos geradores que originaram o crédito tributário exigido no presente auto de infração, apontando as razões que levaram ao seu convencimento. Do despacho que admitiu os embargos apresentados (fls. 8351/8353), por sua vez, destacase: Do exposto, verificase que a compensação foi aceita pelo Colegiado, em razão da informação prestada pelo Contribuinte de que confessou e parcelou parte dos débitos discutidos no presente processo; entretanto, constatase que o acórdão embargado não explicitou as razões e os fatos que levaram o Colegiado a determinar a compensação entre os fatos geradores desses autos e os valores constantes do processo nº 10650.001366/200607. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme foi evidenciado no relatório, tanto os embargos apresentados quanto o despacho que os admitiu entendem que não está clara a correlação entre o crédito tributário exigido neste processo e aquele que foi parcelado no processo nº 10650.001366/200607. Não concordo com um ou outro, isso porque, nos embargos que foram analisados pelo acórdão ora combatido, foram prestadas as seguintes informações pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberaba MG (fls. 8327/8328): Fl. 8362DF CARF MF Processo nº 10730.006143/200638 Acórdão n.º 2201003.908 S2C2T1 Fl. 8.361 5 Não nos ficou claro o penúltimo parágrafo do voto, fl. 8.318, que discorre sobre a compensação, no momento da execução, os valores pagos no processo de parcelamento nº 10650.001366/200607. Os valores parcelados e já extintos pela quitação deste parcelamento referemse a imposto apurado de ganho de capital na alienação de bens e direitos (código 4600) constante na declaração retificadora de ajuste do exercício 2004, ano calendário 2003, apresentada após início do procedimento fiscal, cuja cópia pode ser vista nas fls. 1.102 a 1.109. Por outro lado, os valores lançados e mantidos neste processo advém da omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, imposto apurado com o código de receita 2904, configurando assim fato gerador diferente do fato gerador do imposto sobre ganho de capital declarado e parcelado. A questão que se coloca e que ficou omisso no acórdão é se os valores oriundos de ganho de capital explicam a origem dos recursos que serviu de base para a autuação. Ao apresentar as declarações retificadoras, o contribuinte pretendeu explicar parte das origens dos recursos na alienação de bens e direitos, tendo recolhido o imposto sobre de ganhos de capital na alienação, parcelados através do processo 10650.001366/2006 07. O acórdão recorrido da DRJ RJO II quando discorreu sobre a comprovação de origens dos créditos com a entrega de declarações retificadoras, fls. 1.192 a 1.195, especificamente na fl. 1.194, em seu penúltimo parágrafo, descreveu que “a autuação se deu por omissão de rendimentos recebidos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e nem que fossem validados pela fiscalização, os valores oriundos de ganho de capital informados nas Declarações Retificadoras fariam prova hábil e idônea da origem dos valores dos depósitos/créditos aqui considerados como base de cálculo”. (grifouse) A correlação está perfeitamente explicitada pelo texto dos embargos apresentados, que delimitaram a matéria a ser analisada no Acórdão. Apesar disso, do acórdão recorrido, copiase o que segue: Na declaração retificadora do exercício 2004/anocalendário 2003 (fls 1102) o contribuinte declara R$ 4.667.032,12 de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva tributáveis à alíquota de 15% como ganho de capital. Mas não junta a documentação hábil e idônea a comprovar a veracidade dessa informação. Do Termo de Verificação Fiscal, por outro lado: Com relação ao anocalendário de 2003, o contribuinte informa alienações de imóveis, o prólabore recebido da Platina Cosméticos Ltda e os rendimentos isentos e nãotributáveis, que já foram considerados no Demonstrativo de Variação Patrimonial, porém não vincula esses valores aos depósitos efetuados nas suas contas correntes. Apenas comprova os Fl. 8363DF CARF MF 6 depósitos de R$ 20.000,00, em 07/01/2003, e de R$ 9.453,33, em 23/01/2003, na sua conta 102405.1 do Banco do Brasil, com dois cheques do Banco SUDAMERIS de sua própria emissão, conforme fls. 1010 a 1015. Então, no anocalendário de 2003, o contribuinte não comprovou os depósitos bancários no valor total de R$ 4.894.185,09, conforme planilha às fls. 15. Portanto, ao apresentar a declaração retificadora, o contribuinte confessou resultado positivo em operações que estariam sujeitas a apuração de ganho de capital, tributado a 15%, com o que evitaria a tributação como depósitos bancários de origem não comprovada, cujos valores se submeteriam à tabela progressiva, sendo por isso mais gravoso. Os depósitos bancários de origem não comprovada somaram R$ 4.894.185,09 e os valores de ganho de capital inseridos pelo fiscalizado na retificadora foram de aproximadamente R$ 4.600.000,00. De acordo com a autoridade fazendária (DRF/Uberaba), no processo nº 10650.001366/200607 foram parcelados os créditos tributários gerados pela Declaração Retificadora apresentada pelo sujeito passivo após o início do procedimento fiscal e que não foram acatados pela fiscalização. Ainda segundo informa essa autoridade, que tem fé pública, "o contribuinte pretendeu explicar parte das origens dos recursos na alienação de bens e direitos, tendo recolhido o imposto sobre de ganhos de capital na alienação, parcelados através do processo 10650.001366/200607". Se os fatos geradores declarados nessa retificadora fossem acatados pela fiscalização, ela deveria excluir dos depósitos bancários de origem não comprovada o valor correspondente, o que não fez. Com efeito, essa é a jurisprudência consolidada neste colegiado, conforme evidencia a ementa do Acórdão nº 9202005.251, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria da Conselheira Patrícia da Silva: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte. Oportuno também transcrever trecho do Acórdão nº 10617.117, de lavra do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, utilizado como fundamento pelo Acórdão acima mencionado da CSRF: Fl. 8364DF CARF MF Processo nº 10730.006143/200638 Acórdão n.º 2201003.908 S2C2T1 Fl. 8.362 7 Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n°9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa física, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231) O Acórdão ora combatido apresentou as justificativas pelas quais os fatos geradores confessados pelo sujeito passivo em sua declaração retificadora não poderiam ser acatados pela fiscalização e, em conseqüência, servir como origem para os depósitos bancários: Com efeito, pela petição de fls 986, vêse que o contribuinte atribui esse ganho à "Alienação Quotas Layff Kosmetic" no valor de R$ 4.665.000,00, mas, diferente do que ocorre com os anoscalendário 2001 e 2002 em que traz alteração contratual referente à alienação das quotas (itens 4.4 e 4.7 dos Documentos Comprobatórios), em relação ao anocalendário 2003 o único documento listado é a própria declaração retificadora. Com base nisso, entendo que as informações que foram acrescidas a essa declaração retificadora não são suficientes para comprovar qualquer origem para os recursos movimentados na conta bancária do contribuinte, posto que desacompanhadas de qualquer elemento de prova. Em que pese isso, com base nessa declaração o contribuinte teria pedido parcelamento do imposto resultante dessa retificação e o teria pago. Neste caso, não permitir a utilização do imposto efetivamente pago pelo contribuinte, ainda que sob rubrica indevida, para abatimento do que está sendo agora exigido, implicaria enriquecimento sem causa do Estado. E não se deve esquecer que o pedido de parcelamento foi acatado. Portanto, entendo que, quando a decisão recorrida mencionou a realização de compensação do imposto pago no âmbito do processo nº 10650.001366/200607, ela não estava justificando a Fl. 8365DF CARF MF 8 origem de parte dos recursos movimentados, o que afetaria a base de cálculo considerada, mas sim determinando que, do imposto devido neste processo, seja abatido por compensação o imposto efetivamente pago no processo de parcelamento. Se o imposto pago no âmbito do processo nº 10650.001366/200607 tem origem na declaração retificadora apresentada pelo sujeito passivo (informação prestada pela DRF/Uberaba), se os fatos geradores acrescidos a essa retificadora não foram reconhecidos como idôneos por não haver prova da realização dos negócios jurídicos que lhe deram origem e, por isso, os valores assim declarados não foram excluídos da base de cálculo relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada: os pagamentos realizados no âmbito do parcelamento são indevidos. E o juízo a respeito da existência ou não dos fatos geradores que deram origem a esses pagamentos foi realizado no âmbito deste processo. A autoridade embargante afirma não ter identificado correlação entre os valores parcelados no processo nº 10650.001366/200607 e o que se discute no processo ora em análise. Quanto a isso, além de relembrar que a correlação foi estabelecida como pressuposto para análise dos embargos originais apresentados pela DRF/Uberaba, sugiro o confronto entre o documento DIPAR Discriminação de Débitos a Parcelar, do processo de parcelamento, e os valores apurados a título de ganho de capital na fl. 1108 deste processo, que corresponde à declaração retificadora do anocalendário 2003. De fato, na declaração retificadora há a apuração dos seguintes valores de imposto, código de recolhimento 4600, nos fatos geradores que correspondem aos meses de janeiro a dezembro de 2003: No discriminativo de débitos a parcelar, por outro lado: Fl. 8366DF CARF MF Processo nº 10730.006143/200638 Acórdão n.º 2201003.908 S2C2T1 Fl. 8.363 9 Portanto, parece indiscutível que os valores parcelados no processo nº 10650.001366/200607 decorrem da DIRPF2004 retificadora e, como já se afirmou amiúde, essa foi a informação prestada pela DRF/Uberaba, autoridade pública, ao apresentar os embargos originais, em recurso que estabeleceu os pressupostos e os limites da análise a ser efetuada no Acórdão nº 2201003.639. Essa delimitação resta clara no despacho que admitiu os embargos apresentados pela DRF/Uberada: ...não foram abordadas no julgamento quaisquer questões em relação à alteração efetuada na declaração retificadora e se essa alteração sobreporia, de alguma forma, os valores lançados, o que pode prejudicar o entendimento do agente preparador no momento da execução da referida cobrança. Correndo o risco de ser repetitiva, se os fatos geradores que deram origem aos tributos parcelados no processo nº 10650.001366/200607 fossem considerados idôneos pela fiscalização, esta teria que excluir os valores correspondentes da base de cálculo relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada. Essa redução da base de cálculo afetaria diretamente o crédito tributário discutido neste processo (10730.006143/200638), que tem por origem esses depósitos. Portanto, esses fatos geradores são excludentes, não sendo possível sua coexistência, ou houve ganho de capital a ser tributado, ou houve depósitos bancários sem origem comprovada. Conclusão Em vista do exposto, voto por conhecer e rejeitar os embargos apresentados. (assinado digitalmente) Fl. 8367DF CARF MF 10 Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 8368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721908/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CORRESPONDÊNCIA COM O INFORME DE RENDIMENTOS E COM A DIRF DA FONTE PAGADORA.
O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 2201-003.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CORRESPONDÊNCIA COM O INFORME DE RENDIMENTOS E COM A DIRF DA FONTE PAGADORA. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CORRESPONDÊNCIA COM O INFORME DE RENDIMENTOS E COM A DIRF DA FONTE PAGADORA. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 19 08 /2 01 2- 33 Fl. 140DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 97 a 98, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2008, que constatou a seguinte infração: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 5.622,31, referente à fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Consta ainda da descrição dos fatos: “Foram pagos à Sra. Margarida e Sra. Laurinda, a título de aluguéis: rendimentos brutos no total de R$ 138.265,17; IRRFonte total R$ 24.851,12 e Desps. com Condomínio (total) R$ 40.889,44. Posto que cabe a cada contribuinte 50% dos rendimentos, apuramos: Rend. Bruto (50%) R$ 69.132,59; IRRFonte (50%) R$ 12.425,56. Condomínio (50%) R$ 20.444,72 e Rend. Líquido Tributável (50%) R$ 48.687,86.” Tal notificação é resultante da apreciação de Solicitação de Retificação de Lançamento apresentada pela contribuinte (fl. 25), em face da notificação original de fls. 27 a 28, que foi deferida parcialmente (fl. 96). Cientificada do lançamento em 21/11/2012 (fl. 101), a interessada apresentou a impugnação de fls. 02 e 05/08, em 06/12/2012, por intermédio de procurador (procuração a fl. 03) , alegando que: em todos os exercícios, a receita informada na declaração confere com os valores informados nos informes de rendimentos da Sra. Margarida e Laurinda, bem como o IR retido na fonte; conforme cópia da matrícula e contrato de locação, os rendimentos de alugueis correspondem a 50% para cada uma; em relação às despesas do condomínio, que foram incluídas pela Caixa Econômica Federal junto com a receita de aluguéis no informe de rendimentos, os valores são diferentes, isto porque como o prédio é usufruto de ambas (Margarida e Laurinda), e não há um condomínio pessoa jurídica, os valores foram reembolsados de acordo com que efetuou os pagamentos das despesas; como dona Margarida é quem arcava com a maior parte das despesas, o reembolso do valor das despesas com condomínio para ela foi maior, basta ver no exercício 2009 que o valor Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10835.721908/201233 Acórdão n.º 2201003.843 S2C2T1 Fl. 3 3 recebido para dona Margarida foi de R$ 89.577,33 e para dona Laurinda R$ 48.687,84; os valores declarados por cada uma das declarantes estão corretos de acordo com os extratos fornecidos pela C.E.F; a impugnante reconheceu que houve um ajuste dos rendimentos, no valor de R$ 5.902,98, como apurado no demonstrativo de apuração de imposto devido. Contudo, impugna a glosa de imposto pago, no valor de R$ 5.622,31; como já dito, os informes de rendimentos fornecidos pela C.E.F., apontam que a dona Margarida teve o rendimento bruto de R$ 89.577,33 e o imposto retido na fonte de R$ 18.047,87 enquanto o da dona Laurinda teve o rendimento bruto de R$ 48.687,84 e o imposto de renda retido na fonte de R$ 6.803,25, tendo estes valores sido lançados em suas declarações; a C.E.F. emitiu informes de rendimentos em separado (individuais), de acordo com os valores recebidos dos aluguéis, que é de 50% para cada uma, mas o reembolso das despesas do condomínio, no caso dona Margarida é quem pagava as despesas maiores do condomínio e por isso o total recebido por ela foi maior do que de sua mãe; a C.E.F. cometeu um erro, pois ela não deveria ter retido o IR sobre o reembolso das despesas de condomínio, mas sim, somente do valor dos alugueis recebidos; não é possível admitir o feito pelo Sr. Fiscal autuante, que é somar os valores da retenção de ambas e dividir ao meio, pois aí ocorreu uma injustiça devido aos fatos narrado; não há uma explicação razoável para o imposto ser glosado, principalmente se os valores brutos recebidos por cada uma foram diferentes, e pago a cada uma o valor que arcou individualmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, com as seguintes considerações: Quanto ao fato de os informes de rendimentos espelharem valores diferentes dos apurados pela fiscalização, cumpre esclarecer que à fonte pagadora cabe efetuar a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, podendo ser penalizada por informação incorreta prestada, mas isso não elide a responsabilidade da contribuinte pelas informações prestadas em sua declaração de IRPF. A interessada, como contribuinte direto, conforme definição de contribuinte e responsável dada pelo artigo 121 do CTN, cumpre oferecer à tributação na declaração anual o total dos rendimentos recebidos e compensar o IRRF correspondente, independentemente de informação da fonte pagadora e, portanto, a responsabilidade pelas informações prestadas na Fl. 142DF CARF MF 4 declaração de rendimentos da pessoa física é do próprio declarante. Quanto ao não aproveitamento do IRRF por parte da Sra. Laurinda, caberia ter sido providenciada por ela uma declaração de ajuste anual retificadora, majorando a compensação do IRRF que a ela cabia. Isto posto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte dispôs, em síntese, que a recorrente compensou, em sua declaração, o valor retido de R$ 18.047,87 e a condômino Laurinda declarou corretamente, na sua declaração, o valor recebido de R$ 6.803,25. Além disso, salientou a recorrente que os rendimentos dos alugueres são metade para cada uma, contudo, ficou demasiadamente comprovado nos autos, que as despesas de condomínio foram custeadas pela recorrente, por isso que o rendimento bruto da recorrente é de R$ 89.577,33 e o da condômino Laurinda de R$ 53.427,39,, correspondendo justamente essa diferença de rendimento ao reembolso das despesas do condomínio. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 97 a 98, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2008, que constatou a seguinte infração: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 5.622,31, referente à fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Consta ainda da descrição dos fatos: “Foram pagos à Sra. Margarida e Sra. Laurinda, a título de aluguéis: rendimentos brutos no total de R$ 138.265,17; IRRFonte total R$ 24.851,12 e Desps. com Condomínio (total) R$ 40.889,44. Posto que cabe a cada contribuinte 50% dos rendimentos, apuramos: Rend. Bruto (50%) R$ 69.132,59; IRRFonte (50%) R$ 12.425,56. Condomínio (50%) R$ 20.444,72 e Rend. Líquido Tributável (50%) R$ 48.687,86.” Dispõe a decisão recorrida da seguinte forma: Nos casos de aluguéis pagos por pessoa jurídica a mais de um locador, é dever da fonte pagadora (locatário) efetuar a retenção na fonte aplicando a tabela mensal em relação ao valor Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10835.721908/201233 Acórdão n.º 2201003.843 S2C2T1 Fl. 4 5 pago, apresentar DIRF individualizada e fornecer comprovante de rendimentos que couber a cada um e o IRRF correspondente. O art. 15 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), assim regulamenta a questão de rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio: Quanto ao ônus de manutenção de imóvel possuído em condomínio, o art. 1.315 do Código Civil Brasileiro é cristalino e não deixa quaisquer dúvidas a respeito da matéria: Art. 1.315. O condômino é obrigado, na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita. Parágrafo único. Presumemse iguais as partes ideais dos condôminos. “Art. 15 Os rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio serão tributados proporcionalmente à parcela que cada condômino detiver. Parágrafo único. Os bens em condomínio deverão ser mencionados nas respectivas declarações de bens, relativamente à parte que couber a cada condômino (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66) Compulsandose os autos, verificase que a declaração da contribuinte foi feita de acordo com o Informe da Caixa Econômica. fls 45, sendo que a DIRF, fls. 121, retrata os mesmos valores. Portanto, correta a compensação realizada pela recorrente. Notase que a diferença apontada pela fiscalização decorre do entendimento de que os valores dos alugueres deveriam constar, na proporção de 50%, das declarações da recorrente e de sua condômina. Contudo, comprovase nos autos que as retenções ocorreram em valores distintos, tendo em vista o pagamento das despesas de condomínio pela recorrente. Ao meu ver, o equívoco teve como causa o Informe e a DIRF, provavelmente, incorretos elaborados pela fonte pagadora, tendo em vista que os valores relativos ao condomínio não deveriam ter constado da retenção, conforme se extrai dos artigos 631 e 632 do regulamento do Decreto 3.000/1999: Art. 631. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou royalties pagos por pessoas jurídicas a pessoas físicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso II). Aluguel de Imóveis Art. 632. Não integrarão a base de cálculo para incidência do imposto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; Fl. 144DF CARF MF 6 II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Ao tratar da compensação referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte, assim dispõe o art. 87, inciso IV, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999, aplicável ao lançamento em questão: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 12): I (...) IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Assim, apesar do provável erro da fonte pagadora quanto da realização da retenção do valor relativo às despesas com o condomínio, houve, comprovadamente, a retenção do valor, consoante declarado pela recorrente (R$ 18.047,87 retenção na fonte). Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725263/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS POR AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE NULIDADE
Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas por amostragem as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade fiscal que os contratos apresentavam um padrão.
CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO.
O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado.
SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE.
Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. LANÇAMENTO. DEVER DE OBSERVAR O TETO DA CONTRIBUIÇÃO.
Quando possível verificar a relação das pessoas enquadradas como segurados-empregados que receberam valores através das pessoas jurídicas interpostas e o valor mensal recebido por cada uma, deve-se calcular a contribuição a cargo dos segurados com base na tabela de contribuição para o empregado vigente à época dos fatos (relação das alíquotas por faixa de remuneração), além de observar o teto da contribuição devida por cada segurado.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. RECOLHIMENTO POR PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. APROVEITAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE.
As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB.
Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, a, do RPS.
Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, g, do RPS.
Uma vez mantido o lançamento da obrigação principal (contribuições dos segurados), é de rigor a manutenção da multa.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS.
A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91)
Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de custo dos serviços vendidos e fornecedores nacionais.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE PRESTAR À RECEITA FEDERAL AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, CONTÁBEIS E FINANCEIRAS DE INTERESSE DA MESMA.
A contribuinte deve atender a intimação para apresentar os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Receita Federal, ou para prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização.
Ao não atender à intimação da autoridade fiscal e deixar de apresentar a documentação solicitada, nem ao menos apresentar os motivos pelo seu não cumprimento, resta tipificada a condição que autoriza a lavratura da multa, mormente quando os documentos solicitados se revelam importantes para a apuração fiscal.
Numero da decisão: 2201-003.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Após votações sucessivas restaram vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, e José Alfredo Duarte Filho que davam provimento em maior extensão.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS POR AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas por amostragem as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade fiscal que os contratos apresentavam um padrão. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. LANÇAMENTO. DEVER DE OBSERVAR O TETO DA CONTRIBUIÇÃO. Quando possível verificar a relação das pessoas enquadradas como segurados-empregados que receberam valores através das pessoas jurídicas interpostas e o valor mensal recebido por cada uma, deve-se calcular a contribuição a cargo dos segurados com base na tabela de contribuição para o empregado vigente à época dos fatos (relação das alíquotas por faixa de remuneração), além de observar o teto da contribuição devida por cada segurado. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. RECOLHIMENTO POR PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. APROVEITAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE. As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, a, do RPS. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, g, do RPS. Uma vez mantido o lançamento da obrigação principal (contribuições dos segurados), é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS. A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91) Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de custo dos serviços vendidos e fornecedores nacionais. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE PRESTAR À RECEITA FEDERAL AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, CONTÁBEIS E FINANCEIRAS DE INTERESSE DA MESMA. A contribuinte deve atender a intimação para apresentar os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Receita Federal, ou para prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização. Ao não atender à intimação da autoridade fiscal e deixar de apresentar a documentação solicitada, nem ao menos apresentar os motivos pelo seu não cumprimento, resta tipificada a condição que autoriza a lavratura da multa, mormente quando os documentos solicitados se revelam importantes para a apuração fiscal.
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CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS POR AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas por amostragem as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade fiscal que os contratos apresentavam um padrão. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 52 63 /2 01 4- 08 Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.795 2 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. LANÇAMENTO. DEVER DE OBSERVAR O TETO DA CONTRIBUIÇÃO. Quando possível verificar a relação das pessoas enquadradas como seguradosempregados que receberam valores através das pessoas jurídicas interpostas e o valor mensal recebido por cada uma, devese calcular a contribuição a cargo dos segurados com base na tabela de contribuição para o empregado vigente à época dos fatos (relação das alíquotas por faixa de remuneração), além de observar o teto da contribuição devida por cada segurado. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. RECOLHIMENTO POR PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. APROVEITAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE. As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, “a”, do RPS. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, “g”, do RPS. Uma vez mantido o lançamento da obrigação principal (contribuições dos segurados), é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS. A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91) Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.796 3 Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de “custo dos serviços vendidos” e “fornecedores nacionais”. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE PRESTAR À RECEITA FEDERAL AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, CONTÁBEIS E FINANCEIRAS DE INTERESSE DA MESMA. A contribuinte deve atender a intimação para apresentar os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Receita Federal, ou para prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização. Ao não atender à intimação da autoridade fiscal e deixar de apresentar a documentação solicitada, nem ao menos apresentar os motivos pelo seu não cumprimento, resta tipificada a condição que autoriza a lavratura da multa, mormente quando os documentos solicitados se revelam importantes para a apuração fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Após votações sucessivas restaram vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, e José Alfredo Duarte Filho que davam provimento em maior extensão. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.797 4 Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1.684/1.712 interposto contra a Decisão da DRJ em Florianópolis/SC, de fls. 1.640/1.678, que julgou procedente o lançamento de contribuições previdenciárias e multas por descumprimento de obrigações acessórias, originários dos seguintes Autos de Infração: · DEBCAD 51.038.4277: Contribuição previdenciária patronal/empresa, referente à diferença de aplicação do multiplicador FAP sobre a alíquota RAT, no valor total de R$ 732.671,50 (já inclusos juros de mora até o mês da lavratura e a correspondente multa de ofício no percentual de 75%), relativo ao período de 03/2010 a 13/2010 (fls. 03/13); · DEBCAD 51.038.4285: Contribuições previdenciárias a cargo da empresa (parte patronal e SAT/RAT), pela constatação de pagamento de empregados mediante PJ, no valor total de R$ 7.521.373,91 (já inclusos juros de mora até o mês da lavratura e a correspondente multa de ofício no percentual de 75%), relativo ao período de 01/2010 a 12/2010 (fls. 14/19); · DEBCAD 51.038.4293: Contribuições de segurados (empregados), cuja arrecadação e recolhimento é de responsabilidade do Contribuinte, pela constatação de pagamento de empregados mediante PJ, no valor total de R$ 2.760.107,84 (já inclusos juros de mora até o mês da lavratura e a correspondente multa de ofício no percentual de 75%), relativo ao período de 01/2010 a 12/2010 (fls. 20/25); · DEBCAD 51.038.4307: Contribuições devidas a outras entidades/Fundos (Terceiros), pela constatação de pagamento de empregados mediante PJ, no valor total de R$ 2.001.078,20 (já inclusos juros de mora até o mês da lavratura e a correspondente multa de ofício no percentual de 75%), relativo ao período de 01/2010 a 12/2010 (fls. 26/31); · DEBCAD 51.038.4315: CFL 30 – descumprimento de obrigação acessória. Deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, no valor de R$ 1.812,87 (fl. 32); · DEBCAD 51.038.4323: CFL 34 – descumprimento de obrigação acessória. Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, no valor de R$ 18.128,43 (fl. 33); · DEBCAD 51.038.4331: CLF 35 – descumprimento de obrigação acessória. Deixar de apresentar a Secretaria da Receita Federal todas as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização, no valor de R$ 18.128,43 (fl. 34); e Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.798 5 · DEBCAD 51.038.4340: CLF 59 – descumprimento de obrigação acessória. Deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço e/ou dos segurados contribuintes individuais, no valor de R$ 1.812,87 (fl. 35). Todos os autos de infração foram lavrados em 21/08/2014, com ciência da RECORRENTE em 27/08/2014. De acordo com o Relatório Fiscal das Infrações (fls. 36/62), as obrigações principais objeto dos DEBCADs 51.038.4285, 51.038.4293 e 51.038.4307 decorrem da constatação de que houve a prestação de serviços à RECORRENTE por segurados pessoas físicas por intermédio de pessoa jurídica, o que caracterizou a relação empregatícia de fato com os segurados contratados (sócios das pessoas jurídicas), cuja remuneração recebida foi considerada como de natureza salarial. Por sua vez, o DEBCAD 51.038.4277 decorre da não utilização da alíquota RAT ajustada pelo multiplicador FAP. Em 25/09/2014, a RECORRENTE apresentou Impugnações específicas para cada DEBCAD (conforme abaixo detalhado). Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 1.640/1.678, julgou procedente o lançamento. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: “Consoante o Relatório Fiscal (REFISC), os fatos geradores apurados no procedimento fiscal são os seguintes: A – Prestação de Serviços por segurado pessoa física por intermédio de pessoa jurídica. A partir do exame da contabilidade da empresa, a fiscalização verificou a contratação de diversas empresas prestadoras de serviços de informática pela CAST INFORMÁTICA S/A no ano de 2010. Destarte, conforme relatado pela autoridade lançadora (itens 1450 do REFISC), durante a ação fiscal que originou a presente autuação, apurouse, por meio dos procedimentos de auditoria fiscal e com supedâneo nas provas e constatações relacionados no Relatório Fiscal, documentos e esclarecimentos apresentados pelo contribuinte, escrituração contábil, contratos de prestação de serviços firmados entre a CAST e os “prestadores de serviços” e folha de pagamento no padrão MANAD, que a Autuada, objetivando reduzir a contribuição previdenciária patronal, ao SAT e para as Terceiras entidades, passou a contratar parte de seus empregados através da prática da “pejotização” – transmutação da pessoa natural em pessoa jurídica. O reconhecimento contábil de tais contratações deuse por meio do registro na conta CUSTO DOS SERVIÇOS VENDIDOS, CÓD. 41101001, do grupo Despesa, e na conta FORNECEDORES NACIONAIS, CÓD. 21201001 do grupo Passivo. Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.799 6 As atividades contratadas, consoante análise fiscal, possuíam relação inequívoca com o objeto social da contratante. As empresas prestadoras de serviço, com o respectivo objeto do contrato, encontramse arroladas no anexo V. A fiscalização indica que tal prática configurase como simulação, pois a empresa procurou afastar o ato real (utilização de segurados empregados) com o emprego de roupagem diversa (contratação de pessoa jurídica), impondose a aplicação do inciso VII do art. 149 do CTN. O lançamento dos valores referentes a essa rubrica foram identificados pelo código de levantamento – PF. No que tange as contribuições dos segurados empregados, foi calculada mediante a aplicação da alíquota média de 8% (oito por cento). B – DIFERENÇA DE APLICAÇÃO DO MULTIPLICADOR FAP SOBRE A ALÍQUOTA RAT De acordo com o REFISC, itens 5161, a empresa CAST Informática S/A apresentou ao Ministério da Previdência Social – MPS, em 11/01/2010, Contestação Administrativa (Processo nº 44000.001963/20111) em que apresentou impugnação ao Fator Acidentário de Prevenção FAP a ela atribuído para o ano de 2010, no valor de 1,7143. Consta que o pedido inicial foi rejeitado e considerado improcedente, conforme decisão exarada em 25/03/2010 pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança OcupacionalDPSO, da Secretaria de Políticas de Previdência SocialSPS do MPS. A CAST apresentou recurso à decisão de primeira instância em 11/02/2010, que entretanto foi mantida em sua totalidade, conforme Decisão Terminativa proferida em 2º Instância pela SPS, datada de 05/09/2011. Observando tal decisão, a fiscalização verificou que no período de 01/2010 a 02/2010, a empresa CAST declarou em GFIP para todos os seus estabelecimentos a alíquota RAT ajustada pelo FAP no valor de 1,71%. Todavia, nas demais competências (03 a 12/2010, inclusive décimo terceiro salário, competência 13/2010), o valor declarado e recolhido relativo à alíquota RAT ajustada foi de 1%, ensejando o lançamento das divergências apuradas, conforme Anexo X e IX, no código de levantamento DR. AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. 1. AI DEBCAD nº 51.038.4277 (FL 38): Autuação por infração ao disposto no art. 32, I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e art. 225, I e §9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, pois a empresa deixou de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Consta que a empresa não incluiu em folha de pagamento, nas Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.800 7 competências 01/2010 a 12/2010, as verbas referentes a valores pagos a pessoas físicas decorrentes de contratação de interposta pessoa jurídica, conforme descrito nos itens 15 a 45 do REFISC. A multa aplicada para a infração (R$ 1.812,87) está prevista nos arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, e no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc I, alínea "a" e art. 373, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 19, de 10 de janeiro de 2014 DOU de 13/01/2014. 2. AI DEBCAD nº 51.038.4323: lavrado por descumprimento ao disposto no art. 32, II, da Lei n° 8.212 , de 24/07/1991, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do RPS, por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. De acordo com o REFISC, a CAST INFORMÁTICA S/A contabilizou, no período de 01/2010 a 12/2010, o pagamento das verbas referentes à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados contratados por intermédio de pessoa jurídica interposta (itens 15 a 50 deste relatório) na conta CUSTO DOS SERVIÇOS VENDIDOS, CÓD. 41101001, do grupo Despesa, e na conta FORNECEDORES NACIONAIS, CÓD. 21201001 do grupo Passivo. A forma de contabilização utilizada pela empresa para consignar tais lançamentos não refletiu a realidade dos fatos apurados pela fiscalização, impedindo a discriminação clara dos valores pagos, em cada competência, dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Foi aplicada a multa prevista para a infração (R$ 18.128,43), disposta no art. 92 da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 283, inciso II, alínea “a”, do RPS, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 19, de 10 de janeiro de 2014 DOU de 13/01/2014. 3. AI DEBCAD nº 51.038.4331: lavrado por descumprimento ao disposto no art. 32, inciso III e §11, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, tendo em vista que a empresa autuada deixou de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Consta que, intimada, a Autuada deixou de apresentar à fiscalização todos os Contratos de Prestação de Serviço firmados com as pessoas jurídicas interpostas. Conforme relatado nos itens 15 a 50 do REFISC, deixaram de ser apresentados os contratos firmados pela CAST com as empresas arroladas no Termo de Intimação Fiscal nº 04, de 27/03/2014. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.801 8 Foi aplicada a multa prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/1991 (R$ 18.128,43), combinado com o art. 283, inciso II, alínea “b”, do RPS, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 19, de 10 de janeiro de 2014 DOU de 13/01/2014. 4. AI DEBCAD nº 51.038.4340: lavrado por infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" , e art. 216, I, "a" do RPS. Consta que a Autuada deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados incidentes sobre os valores pagos pela prestação de serviços realizada por intermédio de pessoas jurídicas interpostas contratadas, conforme itens 15 a 50 do REFISC. Foi aplicada a multa prevista no art. 92 da Lei n º 8.212/1991 (R$ 1.812,87), combinado com o art. 283, inciso I, alínea g, do RPS. Elementos de prova Consoante item 99 do REFISC, serviram de prova documental para os lançamentos fiscais os seguintes elementos e documentos: • Estatuto Social e Atas de Assembleias ( AGO e AGE); • GFIP; • Registros de folha de pagamento e de contabilidade apresentados em formato de arquivos digitais, no layout definido pelo Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD, instituído pela Instrução Normativa MPS/SRP nº. 12/2006, com base na Lei n. 10.666, de 08/05/2003; • Registros contábeis referentes à Escrituração Contábil Digital transmitida pela empresa ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007(SPED Contábil), utilizados na forma da Instrução Normativa RFB n. 787/2007, para o ano de 2009. • Declarações firmadas pela empresa CAST INFORMÁTICA S/A visando prestar esclarecimentos necessários à fiscalização; • Notas fiscais de prestação de serviço emitidas por pessoas jurídicas interpostas; • Contratos de Prestação de serviço firmados entre a CAST INFORMÁTICA S/A e pessoas jurídicas interpostas; • Consulta aos sistemas informatizados da RFB para obtenção de dados referentes à GFIP, recolhimentos, cadastro de pessoas jurídicas, cadastro de pessoas físicas e DIRF. • Processo Trabalhista n. 127580.2010.5.10.001/TRT 10ª Região – 17ª Vara – BrasíliaDF; Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.802 9 • Processo Trabalhista n. 16436. 2011.5.10.0014/TRT 10ª Região – 14ª Vara – BrasíliaDF; • Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta n. 30/2010 assinado pela CAST INFORMÁTICA S/A Junto ao Ministério Público do Trabalho MPDFT – 10ª Região. • Recurso Administrativo no. 44000.001963/20111 apresentado pela CAST INFORMÁTICA S/A ao Ministério da Previdência Social – MPS, em 11/01/2010, em que apresentou impugnação o Fator Acidentário de Prevenção – FAP. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente das Autuações em 27/08/2014, a Autuada CAST INFORMÁTICA S.A. apresentou impugnações aos Autos de Infração, instruídas com atos constitutivos e atas, nas quais, após breve relato dos fatos, apresenta os motivos para a improcedência dos lançamentos, as quais encontramse abaixo transcritas, em síntese: 1. AI DEBCAD Nº 51.038.4293 (impugnação de fls. 1074 1093) AI DEBCAD nº 51.038.4307 (impugnação de fls. 14851504) AI DEBCAD nº 51.038.4285 (impugnação de fls. 15611580) Expõe que as autuações em referência devem ser revistas, com base nas seguintes alegações: a) Ilegalidade da desconsideração dos contratos com pessoas jurídicas Relata quanto as dificuldades de contratação de mão de obra especializada para atender a demanda do mercado de Tecnologia de Informação (TI); que contrata empregados para atender sua demanda freqüente e que busca profissionais autônomos ou empresas no mercado para atender à demanda especializada, mas que não se trata de contratação de “mão de obra terceirizada”, mas sim de “serviços especializados”. Alega que em face do ordenamento jurídico, cabe ao Poder Judiciário, exclusivamente, a desconsideração do negócio jurídico simulado (arts. 168 do Código Civil). Além desse dispositivo, cita o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, que estabeleceu que os serviços de caráter personalíssimo, prestados por sociedades nos estritos ditames legais, não podem ser descaracterizados para fins previdenciários e tributários. Que a exegese do dispositivo legal em comento implica nas seguintes considerações: (i) validade da opção pela constituição de uma pessoa mesmo quando os serviços a serem prestados tenham caráter pessoal; (ii) a desconsideração é matéria exclusiva afeta ao Poder Judiciário, nos termos do art. 50 do Código Civil de 2002 (reserva de jurisdição). Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.803 10 Aduz que as empresas dos prestadores de serviços, ora desconsideradas para efeitos tributários, foram devidamente constituídas, obedecendo todos os trâmites legais. Que não houve regulamentação do parágrafo único do art. 116 do CTN, a fim de justificar a competência do Auditor Fiscal. Cita que a Constituição Federal está alicerçada no princípio da Livre Iniciativa, noticiando a existência de projeto de lei objetivando tratar da regularização da “cadeia produtiva do setor de T.I” (Projeto de Lei nº 4.330, de 2004). b) Da Imprestabilidade do conjunto probatório Contesta a premissa da fiscalização para o lançamento, de suposta terceirização ilícita de “atividade fim”, o que, por si só, não é considerado ilegal. Contesta o procedimento de amostragem adotado pela fiscalização, que analisou alguns casos, sem o necessário aprofundamento, e, a partir disso, caracterizou como empregados da CAST todas as pessoas jurídicas que lhe prestaram serviços no período auditado. Não há que se falar em irregularidade na contratação entre pessoas jurídicas do mesmo ramo. Cita como exemplo os contratos firmado entre a CAST e a Microsoft e também entre a CAST e IBM, sendo as Microsoft e IBM empresas mundialmente famosas, que tem o mesmo objeto da CAST. Questiona se a fiscalização, diante dessas contratações, pode insistir que a CAST burlou a legislação ao contratar referidas empresas para fugir das suas obrigações previdenciárias, negociando com elas sua atividade fim. Com relação as reclamatórias trabalhistas em que houve o reconhecimento de relação de emprego, diz que eventuais decisões judiciais em casos concretos não podem determinar a natureza da relação contratual havida entre a impugnante e todos os seus prestadores de serviços. Além disso, há decisões na Justiça do Trabalho que infirmam a tese de existência de relação de emprego, citando as reclamatórias de José Luis Tadeu Paganini (processo nº 01199201000302001 – TRT 2ª Região) e de Áureo Augusto Freitas (Processo nº 0196736 2011.5.10.0020), sendo que com relação a esse último, o Auditor Fiscal utilizou de exemplo constante nos documentos probatórios, de empresa devidamente contratada, que, como se infere da decisão judicial, não possui qualquer vínculo empregatício com a CAST, fato reconhecido em devido processo legal na Justiça Trabalhista. Defende que tal exemplo contamina todo o Auto de Infração, pois o AuditorFiscal não pode pretender reconhecer vínculo trabalhista, sem qualquer verificação pormenorizada, se o juízo trabalhista, competente para tal, reconheceu em sentença a inexistência do vínculo. Argumenta, ainda, que se fossem consideradas tais condenações, certamente já ocorreu o recolhimento das verbas previdenciárias Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.804 11 e outros reflexos, e ao pretender cobrar novamente a exação, incorreria a autoridade lançadora no fenômeno do bis in idem. No que respeita a empresa Rocha e Duarte, cujos sócios são os mesmos da impugnante, a presunção lançada pela autoridade fiscal sequer se sustenta pelos seus próprios termos, porque se a empresa contrata seus próprios sócios para desempenhar as mesmas atribuições realizadas na empresa impugnante, não há que se falar de redução da carga tributária, mas ao contrário, porque já houve o recolhimento na CAST da contribuição sobre o pro labore, importando em aumento da carga tributária, considerandose os recolhimentos dos tributos incidentes sobre a prestação de serviços. O fato de alguns sócios das empresas contratadas serem funcionários da impugnante não impede a prestação do serviços por meio de pessoa jurídica, especialmente quando os serviços tem natureza eminentemente intelectual. Que há a subordinação em relação ao regime de relação de emprego, o que não desfigura a outra relação na condição de sócio da pessoa jurídica contratada pela impugnante, ainda que se revele o caráter de pessoalidade na execução dos serviços, conforme autoriza o art. 129 da Lei nº 11.196/2005. Com relação ao local de trabalho, aduz que a localidade da prestação de serviços não está relacionada à subordinação, e que exemplo disso são os contratos de alocação de mão de obra, quando a CAST aloca seus profissionais nos estabelecimentos de cliente, que, no entanto, continuam com o vinculo de subordinação com a impugnante. No que tange ao fato dos contratos possuírem características idênticas, diz que os contratos “modelos” e de “adesão” são utilizados amplamente pelas empresas, defendendo que essa modalidade de contratação é legal, inclusive prevista nos arts. 423 e 424 do CCB. Cita que tais contratos muitas vezes são registrados em cartório e o fato de utilizar um modelo não significa burla a legislação trabalhista e tributária. Defende que a fiscalização não pode se ater a mera amostragem, devendo analisar juridicamente todos os fatos apontados. Que no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego, competente para identificar as relações de trabalho, o Precedente Administrativo nº 56 do MTE, ao normatizar a ação de seus Auditores Fiscais, ordena que essa verificação deve se dar sob todos os aspectos e fatos. Assevera que dois absurdos invalidam o AI, primeiramente, não restou demonstrado no procedimento fiscal que havia subordinação no serviço terceirizado, não sendo possível configurar a relação de emprego, e, em segundo lugar, o lançamento se utilizou de amostragem para presumir que todas as diversas contratações foram ilegais. Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.805 12 Discorre quanto a necessidade de avaliação individualizada de cada caso, com a respectiva demonstração e prova. Afirma que o Auditor Fiscal não constatou que as empresas citadas na Fiscalização foram constituídas com erro, dolo ou coação. Assim, como não há qualquer declaração nesse sentido, concluiuse que todas as empresas investigadas foram constituídas de forma regular, sem qualquer vício de consentimento, firmando, por conseqüência, negócios jurídicos perfeitos. Que no caso em concreto não há que se falar em terceirização ilícita de “atividadefim” ou em relação de emprego no caso concreto, pois a impugnante utilizouse de empresas constituídas regularmente e que já praticaram suas obrigações previdenciárias. Em homenagem ao princípio da eventualidade, aponta outro absurdo ocorrido pela fiscalização. Destaca, do anexo III do Auto de Infração (Totalização Pagamentos Efetuados) elementos que comprovam que não houve análise real dos fatos colhidos na ação fiscal. Diz que os exemplos demonstram a variação de mais de 80% do valor do pagamento entre um período e outro, questionando por que existiriam pagamentos tão diferentes para uma suposta mesma pessoa, se realmente se trata de pagamento de salário disfarçado. Acrescenta que a atividade fiscal é ato vinculado e que como a Autuação foi procedida com base em Enunciado do TST, restou ferido o princípio da legalidade, porquanto a referida Súmula não criou norma, mas trouxe um instrumento para facilitar a análise de casos de terceirização ilícita por parte da Justiça Trabalhista. Destarte, diz que no caso em concreto esse elemento não tem grande valia, porque os “terceirizados” são todos profissionais autônomos ou vinculados à outras empresas, altamente especializados, e nunca estiveram vinculados à impugnante mediante a presença simultânea de todos os pressupostos da relação de emprego. Requer, ao final, o provimento da impugnação e a anulação do Auto de Infração. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos pelo direito, especialmente a documental. 2. AI DEBCAD nº 51.038.4277 (impugnação de fls. 1150 1153) No que tange à divergência da alíquota de RAT, ajustada pelo FAP, argumenta que, inconformada com o percentual alcançado, apresentou competente Contestação Administrativa, fulcro no art. 202B do Decreto nº 3.048, de 1999, alterado pelo Decreto nº 7.126, de 03 de agosto de 2010, e, nos termos do §3º do mesmo artigo, foi atribuído efeito suspensivo a esse processo. Assim, a alíquota a maior pretendida pela fiscalização não pode ser aplicada até a decisão final do processo administrativo. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.806 13 Justifica, nesses termos, que aplicou o FAP até fevereiro de 2010, porque o Decreto nº 7.126/2010 entrou em vigor em março, e o contribuinte optou por aguardar o processo administrativo se findar para aplicar eventual nova alíquota. Requer, ao final, o provimento da impugnação e a anulação do Auto de Infração. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos pelo direito, especialmente a documental. 3. AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA AI DEBCAD nº 51.038.4340 (impugnação de fls. 11811200). AI DEBCAD nº 51.038.4331 (impugnação de fls. 12571276). AI DEBCAD nº 51.038.1323 (impugnação de fls. 13331352). AI DEBCAD nº 51.038.4315 (impugnação de fls. 14091428). Nas impugnações aos Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória, acima relacionados, o contribuinte apresenta as mesmas razões pertinentes ao descumprimento da obrigação tributária principal, transcritas no item 1, aduzindo que prevalecendo a decisão de anulação do principal, as obrigações acessórias não mais subsistirão.” Conforme já exposto, a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, nos termos do art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL PARA ENQUADRAR O SEGURADO COMO EMPREGADO. Constatado pela fiscalização que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. TRABALHO INTELECTUAL. RELAÇÃO DE EMPREGO. Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.807 14 O trabalho intelectual não é incompatível com a relação de emprego, se enquadrando como típico empregado o prestador de serviços intelectuais, que, mesmo tendo relativo controle do seu trabalho ou com conhecimento para prestálo de modo auto suficiente, esteja inserido na cadeia produtiva de seu tomador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 13/01/2015, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 1.680, apresentou o recurso voluntário de fls. 1.684/1.712 em 12/02/2015. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINARES Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.808 15 Desconsideração da personalidade jurídica como prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário e inexistência da Lei Ordinária exigida pelo art. 116, parágrafo único, do CTN A RECORRENTE afirma que a autoridade fiscal seria incompetente para reconhecer eventual relação de emprego entre ela e os sócios das pessoas jurídicas por ela contratadas. Acerca da argumentação da RECORRENTE, de que somente o Poder Judiciário pode desconsiderar a personalidade jurídica, é preciso esclarecer que, no caso, não houve tal desconsideração, mas sim uma análise da situação fática envolvendo a relação empregatícia entre a RECORRENTE e os profissionais sócios das empresas contratadas para prestar serviços. Conforme adiante demonstrado, por preencher os requisitos da relação de emprego, a autoridade fiscal exerceu a sua prerrogativa de afastar a eficácia do contrato dissimulado de prestação de serviços e enquadrar os profissionais (sócios das pessoas jurídicas) como segurados empregados. Como consequência lógica da caracterização da relação de emprego, houve a exigência das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. Portanto, ao contrário do que defende a RECORRENTE, não houve a desconsideração de qualquer pessoa jurídica envolvida, mas sim a constatação de uma relação empregatícia envolvendo a RECORRENTE e o sócio/titular de pessoa jurídica por ela contratada. Sendo assim, não houve invasão de competência exclusiva do Poder Judiciário. Ademais, não há que se falar em regulamentação do art. 116 do CTN para que a autoridade lançadora efetue lançamento sobre atos considerados dissimulados. É que a permissão legal que a autoridade fiscal tem para realizar lançamento sobre atos dissimulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com o art. 149, VII, ambos do CTN, abaixo transcritos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.809 16 (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; A autoridade fiscal apresentou no Relatório Fiscal diversos argumentos que convergem para a constatação de que houve a contratação de pessoas físicas por interposta empresa e demonstrou a existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego. Assim, constatou a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica. Portanto, não merece prosperar a alegação de nulidade apresentada pela RECORRENTE, pois perfeitamente possível a realização de lançamento de atos dissimulados, com base no art. 116 c/c o art. 149, VII, do CTN. Lançamento por amostragem. A RECORRENTE alega que o lançamento não deveria prevalecer pois realizado “por amostragem” em relação ao universo de contrato de prestação de serviços firmados pela RECORRENTE. Argumenta, em sua defesa, que não foram analisados todos os contratos e que, portanto, não merecia prosperar o lançamento com base em presunção. No entanto, a despeito das alegações da RECORRENTE, não entendo que o lançamento foi realizado por amostragem. É que, apesar da RECORRENTE não ter apresentado todos os contratos solicitados, a autoridade fiscal analisou, mediante outras documentações e informações obtidas nos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, as características dos pagamentos e os detalhes sobre as empresas contratadas pela RECORRENTE. Mediante a análise da contabilidade da RECORRENTE, por exemplo, constatou a totalidade dos pagamentos efetuados às empresas contratadas e os dados destas. Munida de tais dados, a autoridade fiscal realizou pesquisa sobre as empresas nos sistemas da Receita Federal e, a partir do cruzamento de diversas informações (como DIRFs, GFIPs, quantidade de empregados, sócios com vínculo empregatício com a RECORRENTE, notas fiscais, etc.), concluiu pela existência de relação de emprego entre os denominados “fornecedores” e a RECORRENTE. Peguemos o caso da empresa denominada A.S.A CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA – ME (CNPJ 08.464.221/000122), por exemplo. Não consta nos autos contrato social nem notas fiscais que a RECORRENTE tenha apresentado em relação a tal pessoa jurídica. No entanto, em pesquisa nos sistemas cadastrais, a autoridade fiscal constatou que a sócia da referida empresa é (Adriana Rodrigues Carneiro) é pessoa que detinha vínculo empregatício com a RECORRENTE durante o período fiscalizado. Igual pesquisa fez em relação às demais empresas e concluiu que os sócios/titulares de grande parte delas (em torno de 70) tinham alguma relação empregatícia com a RECORRENTE durante o período fiscalizado. Assim, elaborou a planilha de fls. 94/95 para demonstrar tal constatação. Também em pesquisa nos sistemas, a autoridade fiscal constatou que boa parte das empresas apenas declaravam em GFIP a movimentação referente aos rendimentos Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.810 17 auferidos em decorrência do contrato com a RECORRENTE. Ou seja, não havia outras fontes de renda de tais empresas (fls. 96/115) Ademais, em consulta aos DIRFs, grande maioria das empresas possuem apenas a RECORRENTE como fonte pagadora (fls. 534/761). Todas essas informações foram extraídas de outras fontes, e não unicamente do contrato de prestação de serviços. Conforme jurisprudência do CARF, a suposta amostragem apontada pela RECORRENTE não enseja nulidade do lançamento quando a autoridade fiscal apresenta as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. FALTA DE JUNTADA PELO FISCO DE PROVA. APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS POR AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas por amostragem as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade fiscal que os contratos apresentavam um padrão. (...) (Acórdão nº 9202004.641; 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais; julgado em 23/11/2016) Portanto, entendo que não há que se falar em amostragem no presente caso em que a fiscalização elaborou prova robusta de que sócios das PJs contratadas agiam conforme o modus operandi da RECORRENTE. MÉRITO Dos fatos constatados pela fiscalização Conforme relatado, a partir do exame da contabilidade da empresa, precisamente na conta CUSTO DOS SERVIÇOS VENDIDOS, CÓD. 41101001, do grupo Despesa, e na conta FORNECEDORES NACIONAIS, CÓD. 21201001 do grupo Passivo, a fiscalização verificou a contratação de diversas empresas prestadoras de serviços por parte da RECORRENTE no período fiscalizado. Posteriormente, quando da análise da documentação apresentada pela RECORRENTE (Notas Fiscais emitidas pelos prestadores de serviço e respectivos contratos de prestação de serviço firmados com essas empresas), a autoridade fiscal constatou a utilização de pessoas jurídicas interpostas visando a contratação e utilização de mão de obra de segurados Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.811 18 empregados pessoas físicas, em caráter não eventual, mediante contraprestação e em regime de subordinação. Houve ainda remuneração, no mesmo período, a contribuinte individual da empresa por intermédio de pessoa jurídica interposta. No Relatório Fiscal (fls. 36/62), consta que a fiscalização verificou a contratação, pela RECORRENTE, nos moldes acima descritos, de 169 (cento e sessenta e nove) prestadores de serviço, conforme listagem constante no Anexo I do relatório (fls. 63/65), ao passo que a RECORRENTE apresentou Contratos de Prestação de Serviço firmados com 81 (oitenta e uma) das empresas identificadas. Assim, a fiscalização realizou o levantamento individual das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas, por entender que houve a caracterização do contrato de trabalho entre os sócios/titulares das empresas (relação às fls. 66/67 – Anexo II do Relatório Fiscal), os quais teriam sido contratados mediante contrato de prestação de serviços firmados através de PJs. A totalização dos pagamentos efetuados foi discriminada por lançamento constante da contabilidade da RECORRENTE em nome de cada empresa contratada (Anexos III e IV do Relatório – fls. 68/92) A RECORRENTE se defende sob o argumento, em síntese, de que as empresas contratadas foram devidamente constituídas nos termos da lei e que não poderia prevalecer o lançamento realizado com base em amostragem. Ademais, levanta diversas razões pelas quais entende ser imprestável o conjunto probatório utilizado fiscalização. Com isso, alega que a autoridade lançadora não cumpriu o seu ônus de provar suas alegações. Afirma, também, que os serviços de caráter personalíssimo, prestados por sociedades nos estritos ditames legais, não podem ser descaracterizados para fins previdenciários e tributários, nos termos do o art. 129 da Lei nº 11.196/2005. Ademais, sustenta a RECORRENTE que a fiscalização não tem competência para declarar a relação empregatícia, pois somente a Poder Judiciário pode fazêlo. Neste ponto, apresenta decisões favoráveis da justiça do trabalho em que foram rejeitados os vínculos empregatícios pleiteados pelos reclamantes em face da RECORRENTE, de modo que, no seu entendimento, os profissionais não podem ser considerados seus empregados. Da prerrogativa do auditor fiscal de desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Sobre o tema, necessário esclarecer que, para o direito, o que vale não é a nomenclatura dada ao negócio jurídico, ou até mesmo a formalidade que o reveste. O que importa mesmo é a situação fática que envolve a realidade de determinado negócio jurídico, ou seja, a sua finalidade. Sendo assim, ao verificar que a contratação de pessoa jurídica possui, na realidade, as características de uma relação empregatícia, a autoridade fiscal possui a prerrogativa de afastar a eficácia do contrato de prestação de serviços e enquadrar os profissionais (sócios das pessoas jurídicas e titulares das firmas individuais) como segurados empregados. Tal possibilidade decorre da competência atribuída ao fiscal para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Neste sentido, transcrevo o art. 229, § 2º, do Decreto nº 3.048/99 (RPS/99): Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.812 19 Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. O art. 9º, I, do RPS/99 (cuja matriz legal é o art. 12, I, da Lei nº 8.212/91) possui, em sua alínea “a” a seguinte redação: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A possibilidade da autoridade lançadora poder desconsiderar determinado negócio jurídico dissimulado, ante a constatação da ocorrência da relação empregatícia, decorre do princípio da primazia da realidade, que consiste em atribuir maior relevância a realização dos fatos do que os contratos formais. Ao verificar a ocorrência da relação empregatícia, é dever da autoridade fiscal exigir as contribuições previdenciárias incidentes sobre remuneração paga a segurado empregado, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o parágrafo único do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, não merece prosperar o argumento da RECORRENTE de que somente o Poder Judiciário teria competência para declarar a relação empregatícia, pois, como visto, a autoridade fiscal tem autonomia para desconsiderar atos dissimulados com a finalidade de enquadrar o trabalhador como segurado empregado para fins de exigência das contribuições devidas. Reiterese que, quando for constatada tal caracterização da relação de emprego, a autoridade fiscal tem o dever de exigir os créditos previdenciários. Neste sentido, válido citar julgado recente da CSRF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.813 20 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. FALTA DE JUNTADA PELO FISCO DE PROVA. APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS POR AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas por amostragem as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade fiscal que os contratos apresentavam um padrão. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. (...) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS RECOLHIDA POR PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE. As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração. (Acórdão nº 9202004.641; 2ª Turma da CSRF; Sessão de 23/11/2016) Também pelos motivos acima entendo que a improcedência de eventual reclamação trabalhista interposta em face da RECORRENTE não tem o condão de afastar o vínculo constatado pela autoridade fiscal para efeitos previdenciários, pois aqui o objeto é uma relação da RECORRENTE com a UNIÃO, regida por normas de direito público, que não podem ser modificadas, afastadas ou alteradas pela vontade das partes. Caracterização de contrato de trabalho. Lançamento das contribuições previdenciárias sobre remuneração paga a segurado empregado. DEBCADs 51.038.4285 (patronal), 51.038.4307 (terceiros) e 51.038.4293 (segurados). Sobre as características da relação de emprego, o art. 3º da CLT dispõe o seguinte: Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.814 21 Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. De acordo com os ensinamentos de Alice Monteiro de Barros (Curso de Direito do Trabalho, 8. Ed, São Paulo: LTr, 2012, p. 185), o contrato de trabalho é o acordo expresso ou tácito por meio do qual o empregado se compromete a executar, pessoalmente, em favor do empregador um serviço de natureza não eventual, mediante salário e subordinação jurídica. A mesma autora afirma que a nota típica dos contratos de trabalho é a subordinação jurídica, pois é ele que irá distinguir este tipo de contrato dos demais que lhe são afins. Nas palavras de Maurício Godinho Delgado (Curso de Direito do Trabalho, 11. ed. São Paulo: LTr, 2012, p. 295/296), o elemento “subordinação” interpretase sob a ótica essencialmente objetiva, devendo considerar que “a intenção da lei é se referir à ideia de subordinação quando utiliza o verbete dependência na definição celetista de empregado. Para o consistente operador jurídico onde a CLT escreve ... sob a dependência deste devese interpretar ‘mediante subordinação’”. Assim, com base na legislação, foram estabelecidos quatro requisitos para a constatação da relação de emprego, os quais devem necessariamente estar presentes nos contratos: não eventualidade, pessoalidade, onerosidade e subordinação. Presentes esses quatro requisitos, temse a existência de uma relação empregatícia com todos os direitos e deveres dela decorrentes. No presente caso, consta no Relatório Fiscal (fls. 36/62) os diversos motivos que ensejaram o lançamento do crédito tributário objeto do presente processo, os quais reproduzo abaixo: “22. Os serviços contratados junto a tais empresas possuem relação inequívoca com o objeto social da contratante CAST INFORMATICA, evidenciando a utilização de mão de obra especializada, através das empresas prestadoras interpostas, para execução de serviços diretamente associados à sua atividadefim. (...) 24. As atividades contratadas junto às empresas prestadoras de serviço, de acordo com as cláusulas contratuais pactuadas, envolvem em seu escopo geral o fornecimento de serviços na área de informática, todos fazendo parte do próprio objeto social da contratante. (...) A identificação das empresas prestadoras de serviço com o respectivo objeto contratado encontrase no Anexo V deste relatório. [fl. 93] (...) 27. O caráter proibitivo desse tipo de terceirização de serviços [da atividadefim] já foi reconhecido pelo Tribunal Superior do TrabalhoTST, conforme itens I e III da Súmula (sic) n. 331, que preceituam: (...) Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.815 22 29. Apesar de indicar nos contratos firmados a inexistência de vínculo empregatício com a contratante em função dos serviços prestados pelas contratadas, a contratante CAST exige expressamente que as contratadas, na pessoa de seus sócios (claúsula 1), prestem o serviço de maneira a observar suas normas procedimentais de atuação. A determinação do local de trabalho também é de exclusiva determinação da CAST (cláusula 2), com reembolso de gastos eventuais havidos hospedagem, locomoção e alimentação. [contratos às fls. 177/533] 30. Os pagamentos, de acordo com o estipulado na cláusula 9 dos Contratos, deveriam ser efetuados na forma de depósito bancário na conta corrente dos próprios sócios pessoas físicas prestadores do serviço. 31. O condicionamento da atuação das supostas empresas com a imposição de cláusulas que evidenciam tanto a subordinação hierárquica dos prestadores de serviço quanto sua dependência econômica e técnica evidencia a existência de características inerentes a uma relação de emprego. Destarte, resta claro que os prestadores de serviço contratados não poderiam trabalhar de acordo com suas preferências ou sua vontade, nem seguir seus métodos próprios de trabalho, mas sim acatar a orientação técnica exclusiva do empregador, devendo seguir seus padrões, normas, prazos e demais exigências. (...) 33. Somase a isso a constatação de que os sócios das empresas contratadas possuíam vínculo como empregados da empresa CAST no período de 01/2010 a 12/2010, alguns com demissão no decorrer do ano, nos setores de Gerência, Coordenação e Diretoria da empresa, numa clara prática de burla aos encargos trabalhistas e previdenciários. As informações constantes do Anexo VI deste relatório demonstram o afirmado. [fls. 94/95.] Podese verificar inclusive, neste Anexo, que o próprio presidente da CAST INFORMATICA S/A, sr. José Calazans da Rocha, foi remunerado mediante a contratação de sua pessoa jurídica, ROCHA E DUARTE CONSULTORES ASSOCIADOS LTDA – EPP, CNPJ 07.311.738/000119. (...) 37. (...) Todas as empresas contratadas apresentaram GFIP somente nos meses em que houve faturamento advindo do contrato de prestação de serviço firmado com a CAST, tendo como único segurado informado o próprio sócio; houve ainda apresentação de GFIP SEM MOVIMENTO por algumas empresas no período de contratação com a CAST. O Anexo VII do Relatório Fiscal contém as informações aqui citadas, mensalmente, por empresa contratada. [fls. 96/115] (...) 39. O comportamento errático das supostas pessoas jurídicas prestadores de serviço quanto ao cumprimento da legislação Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.816 23 tributária federal também pôde ser constatado pelas consultas efetuadas pela fiscalização em Declarações do Imposto Retido na FonteDIRF. Quando houve a informação, a empresa CAST INFORMATICA SA figura como principal fonte pagadora para as empresas prestadoras de serviço no período fiscalizado. Somente de maneira pontual, porém com valores menores em comparação ao obtido junto à CAST, verificouse receita declarada advinda outra fonte pagadora. Telas de consulta à DIRF que embasam essa afirmação seguem anexas a este Relatório Fiscal, em formato digital. [fls. 534/761] (...) 42. Outro ponto a ser destacado é a utilização de endereços iguais como domicílio tributário pelas das empresas prestadoras de serviço, conforme pesquisa efetuada nos dados cadastrais das mesmas junto à RFB. O Anexo VII deste Relatório Fiscal demonstra a coincidência de endereço das prestadoras de serviço, sendo que em alguns casos mais de 20 (vinte) empresas estão localizadas na mesma sala comercial. [fls. 116 – Anexo VIII] 43.Cabe registrar, ainda, o reconhecimento por parte da Justiça do Trabalho das práticas fraudulentas adotadas pela CAST para a contratação e remuneração de empregados, conforme decisões exaradas nos exemplos abaixo: [cita dois acórdãos] 44. Por fim, houve o reconhecimento, por parte da própria empresa, da existência de contratações irregulares de seus empregados, haja vista a lavratura, em 20/05/2010, do Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta n. 30/2010 junto ao Ministério Público do Trabalho MPDFT – 10a. Região (cópia em anexo) [fls. 1.027/1.032] em que a CAST INFORMÁTICA S/A, em sua cláusula 1a., se compromete a “absterse de contratar trabalhadores por interposta pessoa, física ou jurídica, inclusive cooperativas, para execução de serviços ligados à sua atividadefim”. No caso concreto, entendo que um dos indícios da não eventualidade na prestação de serviços ficou evidenciada pela emissão de notas fiscais em sequência numérica, até em ordem cronológica em alguns casos. Consta no Anexo III do Relatório Fiscal (fls. 68/ 91) o histórico de notas fiscais relativos aos serviços prestados pelas PJs contratadas pela RECORRENTE e que serviram de base para a apuração do crédito tributário, ordenadas por data de lançamento contábil. Analisando tal documento, percebese uma sequência no número das notas emitidas por cada empresa contratada, o que denota o fato de que a empresa apenas emite nota em relação aos serviços contratados pela RECORRENTE. Cito alguns exemplos: · NCN TECNOLOGIA: 07 notas emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 01 a 07); Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.817 24 · ZEFERINO E CASADO CONSULTORES: 20 notas emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 92 a 115, exceto as de nºs 96, 97, 112 e 113); · KELVE RAFAEL ALVES INFORMATICA: 11 notas emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 14 a 27, exceto as de nºs 15, 17 e 26); · DTPS INFORMATICA LTDA: 11 notas em emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 102 a 115, exceto as de nºs 104, 105 e 114); · JV DESENVOLVIMENTO: 06 notas emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 41 a 48, exceto as de nºs 43 e 46); · PANSERA SOLUCOES EM TECNOLOGIA: 11 notas emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 90 a 102, exceto as de nºs 92 e 100); · WEB CASTRO INFORMATICA: 11 notas emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 104 a 117, exceto as de nºs 105, 111 e 115); · INSIGNIA CONSULTORIA EM INFORMATICA: 09 notas emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 57 a 66, exceto a de nº 59); · SORAYA ARAUJO INFORMATICA LTDA: 12 notas emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 103 a 118, exceto as de nºs 104, 106 e 115); · CLN INFORMATICA LTDA: 11 notas emitidas em relação a serviços prestados à RECORRENTE (numeração de 131 a 144, exceto as de nºs 133, 141, 142); A relação da sequência numérica das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços ao longo do período fiscalizado é uma clara evidência da não eventualidade do serviço prestado pelas PJs contratadas. Ademais, mediante informações obtidas junto ao banco de dados da Receita Federal, a fiscalização analisou as Declarações do Imposto Retido na FonteDIRF em relação às empresas contratadas (fls. 534/761). Nos casos em que houve a apresentação da referida DIRF, é possível constatar que boa parte das empresas contratadas possuem apenas a RECORRENTE como fonte pagadora. A autoridade fiscal pontua que “a empresa CAST INFORMATICA SA figura como principal fonte pagadora para as empresas prestadoras de serviço no período fiscalizado. Somente de maneira pontual, porém com valores menores em comparação ao obtido junto à CAST, verificouse receita declarada advinda outra fonte pagadora”. Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.818 25 Da leitura do Relatório Fiscal, percebese que o requisito da pessoalidade se encontra presente em todos os contratos de prestação de serviços analisados, na medida em que tais empresas foram contratadas visando o seu sócio identificado em cada contrato. Esta situação fica evidente através da clausula 1 de todos os contratos, em que a RECORRENTE exige expressamente que as contratadas, na pessoa de seus sócios, prestem o serviço, devendo estes apresentaremse “em nome da CONTRATANTE junto ao CLIENTE, observando as normas procedimentais da CONTRATANTE”. Ou seja, os referidos contratos de prestação de serviço buscavam a atuação do sócio e não da empresa contratada. Ademais, nos termos da cláusula 9 dos Contratos, os pagamentos deveriam ser efetuados na forma de depósito bancário na conta corrente dos próprios sócios das empresas prestadoras de serviço. No Anexo VI do Relatório Fiscal (fls. 96/115) consta relação de todas as GFIPs mensalmente enviadas pelas empresas contratadas no período fiscalizado. Excetuando algumas PJs que apresentaram GFIP sem movimento, todas as GFIPs apresentadas tiveram como único segurado informado o próprio sócio. A ausência de empregados nas empresas prestadoras de serviços é mais um indício que converge para a pessoalidade entre o seu sócio e a RECORRENTE. A onerosidade se revela ante o pagamento acertado da remuneração prevista nos contratos. Ou seja, a prestação do serviço não se deu de forma gratuita. Conforme já exposto, na cláusula 9 dos Contratos (fls. 177/533) há previsão de que os pagamentos deveriam ser efetuados na forma de depósito bancário na conta corrente dos próprios sócios pessoas físicas prestadores do serviço. Ao tratar de conceito e caracterização da subordinação na relação empregatícia, Maurício Godinho Delgado leciona o seguinte (Curso de Direito do Trabalho, 11. ed. São Paulo: LTr, 2012, p. 295): “A subordinação corresponde ao polo antitético e combinado do poder de direção existente no contexto da relação de emprego. Consiste, assim, na situação jurídica derivada do contrato de trabalho, pela qual o empregado comprometese a acolher o poder de direção empresarial no modo de realização de sua prestação de serviços. Traduzse, em suma, na ‘situação em que se encontra o trabalhador, decorrente da limitação contratual da autonomia de sua vontade, para o fim de transferir ao empregador o poder de direção sobre a atividade que desempenhará’ Como se percebe, no Direito do Trabalho a subordinação é encarada sob o prisma objetivo: ela atua sobre o modo de realização da prestação e não sobre a pessoa do trabalhador.” Ora, de acordo com as lições acima, a subordinação fica evidenciada quando o modo de realizar a prestação dos serviços não decorre da autonomia da vontade do empregado, mas sim da orientação proveniente do empregador, que detém o poder de direção sobre a atividade que o empregado desempenhará. No caso, a subordinação, no meu entendimento, pode ser verificada por diversos fatores. Há subordinação na medida em que os contratos fazem previsão de que: (i) o Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.819 26 sócio da contratada deve observar as normas procedimentais da RECORRENTE no desenvolver dos trabalhos; (ii) os serviços serão prestados nos escritórios da RECORRENTE ou em local que esta designar; (iii) há previsão de multa por falta injustificada da contratada nos locais da prestação de serviço (1/30 do valor do contrato por dia não trabalhado); (iv) desconto proporcional do valor pactuado quando da não prestação dos serviços nos dias designados pela RECORRENTE, etc. Colaciona abaixo os trechos extraídos do contrato de prestação de serviços: “A CONTRATADA, na pessoa de seu sócio (a) acima identificado (a), deverá apresentarse em nome da CONTRATANTE junto ao CLIENTE, observando as normas procedimentais da CONTRATANTE no que tange aos relatórios e procedimentos diversos, determinações técnicas e comerciais.” “Os serviços objeto deste contrato, a critério da CONTRATANTE e mediante acordo prévio com a CONTRATADA, poderão ser prestados em qualquer dos escritórios da CONTRATANTE, ou em local que a mesma designar.” “Pela inexecução das obrigações da CONTRATADA, principalmente pela falta injustificada de seus profissionais nos locais de prestação de serviço, arcará esta com multa de 1/30 por dia não trabalhado sobre o valor do presente pacto.” “O valor ora avençado está condicionado à prestação de serviços nos dias designados pela CONTRATANTE. A ausência da CONTRATADA ao serviço acarretará o respectivo desconto, proporcionalmente ao valor mensal, relativos aos dias sem a prestação dos serviços.” A RECORRENTE, como forma de prestar sua atividadefim, disponibiliza, aos seus clientes, os sócios das pessoas jurídicas contratadas a fim de que esses prestem os serviços de análise e/ou programação para o desenvolvimento/manutenção/suporte de softwares/sistemas computadorizados, ao cliente indicado pela RECORRENTE, ou até para a ela própria. Ou seja, a RECORRENTE determina o local de trabalho, quem deve ir prestar o serviço, o dever do prestador dos serviços de se identificar em nome da RECORRENTE e de observar as normas procedimentais por ela adotadas. Diante de tais constatações, entendo que a RECORRENTE não buscou contratar os serviços de uma empresa, mas sim os serviços de verdadeiro empregado, ante a pessoalidade, subordinação e não eventualidade manifestas na operação. Os sócios das PJs contratadas agiam conforme o modus operandi da RECORRENTE. Outro aspecto relevante levantado pela fiscalização é o de que “todas as empresas contratadas apresentaram GFIP somente nos meses em que houve faturamento advindo do contrato de prestação de serviço firmado com a CAST” (fls. 96/115), o que atesta a dependência econômica da PJ contratada em relação à RECORRENTE. Não menos importante é o fato de que alguns sócios das PJs contratadas eram empregados da RECORRENTE à época da vigência dos contratos. A fiscalização elaborou Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.820 27 planilha de fls. 94/95 (anexo VI do Relatório Fiscal) a fim de demonstrar os sócios das PJs que possuíam vínculo empregatício com a RECORRENTE no período fiscalizado (mais de 70). A RECORRENTE afirma não enxergar problemas no fato de um empregado seu lhe prestar serviço paralelo através da pessoa jurídica dele. No entanto, não vejo como distinguir o momento em que ele está atuando como empregado, daquele em que ele está atuando como prestador de serviço. Ora, é evidente que alguém que possua vínculo empregatício com a empresa irá sempre agir com subordinação perante a direção. Assim, entendo que é impossível realizar esta pretensão da RECORRENTE. Portanto, entendo haver evidente subordinação entre os sócios das prestadoras de serviço e a RECORRENTE, pois, pelo conjunto probatório apresentado, fica nítido que a RECORRENTE detém o poder de direção sobre o modo de realização da atividade desempenhada pelo contratado. Por tudo exposto, entendo que, ao contrário do que defende a RECORRENTE, a autoridade lançadora demonstrou e fundamentou as suas razões para caracterizar a relação de emprego existente com os sócios/titulares das empresas contratadas, devendo ser mantido o lançamento das Contribuições previdenciárias a cargo da empresa (parte patronal e SAT/RAT), das Contribuições devidas a Terceiros e das Contribuições dos segurados (empregados), objetos dos DEBCADs 51.038.4285, 51.038.4307 e 51.038.4293, respectivamente. No que diz respeito às contribuições de segurados (empregados – DEBCAD 51.038.4293), importante analisar a questão do possível recolhimento efetuado pela pessoa jurídica interposta, conforme adiante detalhado. DEBCAD 51.038.4293. Contribuições de segurados (empregados). Da correta apuração do tributo. Do Bis in idem alegado em relação às contribuições (patronal e segurados) comprovadamente recolhidas Conforme Discriminativo do débito de fls. 21/23, a autoridade lançadora apurou o crédito de contribuições a cargo dos segurados pela aplicação da alíquota de 8% sobre a totalidade do saláriocontribuição mensalmente pago às pessoas jurídicas interpostas. Contudo, não verifiquei nenhuma análise acerca da aplicação da tabela de contribuição para o empregado (relação das alíquotas por faixa de remuneração) nem da observância ao teto da contribuição devida por cada segurado. Ora, conforme as planilhas elaboradas pela própria fiscalização (Anexos II, III e IV do Relatório Fiscal – fls. 66/92), é perfeitamente possível verificar a relação das pessoas que receberam valores através das PJs interpostas e quanto cada uma recebeu mensalmente. Deste modo, entendo que é plenamente possível calcular qual alíquota aplicável bem como se foi atingido o teto da contribuição mensal devida por cada sócio/titular da PJ interposta prestadora de serviço à RECORRENTE. Também não se deve olvidar que alguns desses sócios das PJs contratadas possuíam vínculo empregatício com a RECORRENTE no período fiscalizado, conforme Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.821 28 verificado pela própria autoridade lançadora (Anexo VI do Relatório Fiscal – fls. 94/95). Portanto, devese fazer o cruzamento da folha de pagamento da RECORRENTE para saber a remuneração mensal paga a cada sócio de interposta PJ (na qualidade empregado da RECORRENTE) pois, havendo remuneração, certamente houve a retenção e o recolhimento da contribuição mensal a cargo do segurado. Ademais, CSRF já decidiu que as contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração. Válido transcrever novamente o trecho da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 (...) CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. (...) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS RECOLHIDA POR PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE. As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração. (Acórdão nº 9202004.641; 2ª Turma da CSRF; Sessão de 23/11/2016) Assim, entendo ser legítimo o abatimento das contribuições sociais pagas pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços contratadas pela RECORRENTE, cujos sócios/titulares foram, no presente lançamento, enquadrados como segurados empregados da RECORRENTE. Desta forma, somente as contribuições previdenciárias comprovadamente pagas pelas pessoas jurídicas em relação ao seu respectivo sócio (que prestou serviço para a RECORRENTE) deverão ser deduzidas dos valores lançados no presente auto de infração. Referidos valores constam das GFIPs apresentadas pelas PJs interpostas, conforme anexo VI do Relatório Fiscal – fls. 96/115. Sendo assim, o procedimento correto a ser adotado é: Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.822 29 (i) Verificar a remuneração recebida mensalmente por cada sócio/titular de pessoa jurídica prestadora de serviço contratada pela RECORRENTE; (ii) Calcular a contribuição a cargo do segurado devida, conforme alíquota correspondente ao rendimento do sócio da PJ cuja contratação foi reclassificada como relação de emprego; (iii) Respeitar o valor máximo (teto mensal) da contribuição devida; (iv) Nos casos em que o sócio da interposta PJ tenha relação empregatícia com a RECORRENTE (Anexo VI do Relatório Fiscal – fls. 94/95), abater eventual recolhimento da contribuição a cargo do segurado comprovadamente realizado por cada um deles na condição de empregado da RECORRENTE; e (v) Deduzir as contribuições previdenciárias comprovadamente recolhidas pelas pessoas jurídicas interpostas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego (anexo VI do Relatório Fiscal – fls. 96/115). Da aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005 Por fim, a RECORRENTE pleiteia a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005 que, segundo entende, teria determinado que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços sejam tratadas como tais pelo fisco. É a redação do dispositivo: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Entendo que o dispositivo do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 não tem o condão de afastar a atuação das autoridades fiscais quando comprove a ocorrência da relação de emprego no bojo de contrato firmado entre pessoas jurídicas. Sobre o tema, peço vênia para transcrever trecho do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão nº 9202004.641 da 2ª Turma da CSRF: Todavia, verificandose presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego (conforme descrito no item anterior) não há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, mas do art. 9.º da CLT, in verbis: Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.823 30 Ou seja, se a Auditoria observa que a execução de um contrato, formalmente firmado entre pessoas jurídicas, na verdade busca desvirtuar uma relação de emprego, esse negócio jurídico há de ser afastado de modo que se preservem os direitos dos empregados consagrados pela Carta Magna. (...) Observese que tal procedimento não implica em desconsideração da personalidade jurídica da empresa, que permanece incólume, mas apenas de caracterização do liame empregatício, privilegiando a realidade verificada durante o procedimento fiscal, em detrimento da aparência formal de que se revestem determinados contratos. Um argumento que nos parece muito válido para chancelar a caracterização de segurado empregado nesses casos diz respeito às considerações lançadas para vetar o parágrafo único do mencionado artigo, que fora assim redigido: Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica quando configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. São ponderações, conforme veremos, que chamam atenção para a necessidade de se preservar a competência da fiscalização para lançar os tributos correspondentes sempre que verificada a existência de trabalho prestado mediante relação de emprego travestido de avenca entre empresas. Eis os termos lançados nas razões do veto do parágrafo único do art. 129 da Lei n. 11.196/2005: “Razões do veto O parágrafo único do dispositivo em comento ressalva da regra estabelecida no caput a hipótese de ficar configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Entretanto, as legislações tributária e previdenciária, para incidirem sobre o fato gerador cominado em lei, independem da existência de relação trabalhista entre o tomador do serviço e o prestador do serviço. Ademais, a condicionante da ocorrência do fato gerador à existência de sentença judicial trabalhista definitiva não atende ao princípio da razoabilidade.” Ademais, entendo que, caso se tratasse uma verdadeira prestação de serviço intelectual, o que importaria seria o resultado final, ou seja, a manutenção concluída, o software desenvolvido, etc. Ao exigirse que a pessoa física do sócio da PJ contratada esteja à disposição da RECORRENTE, podese concluir pela existência da subordinação, conforme já exposto. Com essas considerações, entendo que não devem prosperar as alegações da RECORRENTE acerca da aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 ao presente caso, haja vista a comprovação, pela autoridade fiscal, da ocorrência da relação de emprego. Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.824 31 Contribuição previdenciária referente à diferença de aplicação do multiplicador FAP sobre a alíquota RAT. DEBCAD 51.038.4277. No que diz respeito ao lançamento objeto do DEBCAD 51.038.4277 (Contribuição previdenciária patronal/empresa, referente à diferença de aplicação do multiplicador FAP sobre a alíquota RAT), entendo que não merecem prosperar as alegações da RECORRENTE. É que, conforme relatado, referido lançamento teve por base a constatação de que a RECORRENTE não computou o Fator Acidentário Previdenciário – FAP a ela atribuído para o cálculo final da alíquota do tributo RAT (SAT) devido. Conforme Relatório Fiscal, para o ano de 2010, o Ministério da Previdência Social atribuiu à RECORRENTE o FAP no valor de 1,7143. Ocorre que, no período fiscalizado, a RECORRENTE declarou em GFIP a alíquota RAT ajustada pelo FAP no valor de 1,71% somente nas competências 01 e 02/2010. Verificou que deixou de fazer tal ajuste nas demais competências (03/2010 a 12/2010) em razão de impugnação e posterior recurso administrativo apresentados perante o MPS, em 11/01/2010 e 25/03/2010, respectivamente (fls. 1.033/1.038 e 1.051/1.060), em que impugnou o FAP a ela atribuído. No entanto, conforme Decisão Terminativa proferida em 2ª. Instância pela Secretaria de Políticas de Previdência Social – SPS, datada de 05/09/2011, o pedido da RECORRENTE foi rejeitado (fls. 1.061/1.071). Em seu recurso voluntário, alega que apresentou competente Contestação Administrativa, fulcro no art. 202B do Decreto nº 3.048, de 1999 (...) e, nos termos do §3º do mesmo artigo, foi atribuído efeito suspensivo a esse processo”. Neste sentido, argumentou que o ajuste da alíquota do RAT “não pode ser aplicada até a decisão final do processo administrativo”. Contudo, conforme já exposto pela autoridade fiscal, referido processo administrativo em que a RECORRENTE discutiu o multiplicador FAP a ela atribuído findou em 05/09/2011, com a Decisão Terminativa proferida em 2ª Instância pela SPS. Sendo assim, deveria a RECORRENTE ter efetuado o ajuste da alíquota RAT devida no período em que o processo administrativo relativo ao FAP tramitou perante MPS. Portanto, correto o lançamento da diferença de valores devidos em cada competência de 03/2010 a 12/2010 (diferença de alíquota de 0,7143%). Das multas isoladas pelo descumprimento de obrigação acessória As quatro multas lavradas em desfavor da RECORRENTE, pelo descumprimento de obrigações acessórias, foram as seguintes: 1. DEBCAD 51.038.4315 (CFL 30), lavrado em razão da não preparação da folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, no valor de R$ 1.812,87, nos termos do art. 283, I, “a”, do RPS (fl. 32); Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.825 32 2. DEBCAD 51.038.4323 (CFL 34), lavrado em razão da não contabilização, em título próprio de sua contabilidade, de fatos geradores da Previdência Social, no valor de R$ 18.128,43, nos termos do art. 283, II, “a”, do RPS (fl. 33); 3. DEBCAD 51.038.4331 (CFL 35), lavrado em razão da empresa ter deixado de prestar à RFB informações cadastrais, contábeis e financeiras de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, no valor de R$ 18.128,43, nos termos do art. 283, II, “b”, do RPS (fl. 34); e 4. DEBCAD 51.038.4340 (CFL 59), lavrado em razão da empresa ter deixado de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados, no valor de R$ 1.812,87, nos termos do art. 283, I, “g”, do RPS (fl. 35). Todas elas possuem relação com os Autos de Infração de Obrigação Principal relativos às contribuições da empresa/RAT e dos segurados (DEBCADs nº 51.038.4285 e 51.038.4293, respectivamente). Tendo em vista a procedência do lançamento das obrigações principais, entendo ser de rigor a manutenção das mencionadas multas. A multa do DEBCAD 51.038.4323 (CFL 34) deve ser mantida pois, como amplamente demonstrado, a RECORRENTE deixou de contabilizar, em título próprio de sua contabilidade, diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados. A autoridade fiscal constatou o registro contábil dos valores na conta CUSTO DOS SERVIÇOS VENDIDOS, CÓD. 41101001, do grupo Despesa, e na conta FORNECEDORES NACIONAIS, CÓD. 21201001 do grupo Passivo, o que autoriza a lavratura da multa. A multa do DEBCAD 51.038.4340 (CFL 59) deve também ser mantida pois, uma vez mantido parcialmente o lançamento da obrigação principal do DEBCAD 51.038.429 3 (contribuições segurados), é de rigor a manutenção da multa por ter a empresa deixado de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados. Também deve ser mantida a multa do DEBCAD 51.038.4315 (CFL 30) pois, ao enquadrar como segurados empregados da RECORRENTE os sócios/titulares das pessoas jurídicas prestadoras de serviços contratadas, é consequência lógica que parte dos pagamentos efetuados a empregados deixou de ser incluída nas folhas de pagamento. Por sua vez, a multa objeto do DEBCAD 51.038.4331 (CFL 35) deve ser mantida pois, mesmo após intimação (por meio do TIF número 04 – fls. 145/149), a RECORRENTE deixou de apresentar à fiscalização todos os Contratos de Prestação de Serviço firmados com as pessoas jurídicas interpostas. Conforme já exposto, dos 169 (cento e sessenta e nove) prestadores de serviços identificados pela fiscalização, conforme listagem constante no Anexo I do relatório (fls. 63/65), a RECORRENTE apresentou Contratos de Prestação de Serviço firmados com 81 (oitenta e uma) deles. Importante esclarecer que todas as multas isoladas foram lavradas com base nos valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 19/2014. Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10166.725263/201408 Acórdão n.º 2201003.717 S2C2T1 Fl. 1.826 33 CONCLUSÃO Por todo o acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, apenas para que, em relação ao DEBCAD 51.038.4293 (contribuição dos segurados), seja observado o teto da contribuição a cargo do segurado devida por cada pessoa enquadrada como segurado empregado da RECORRENTE, bem como para deduzir dos valores lançados no presente auto de infração as contribuições previdenciárias comprovadamente pagas, nos seguintes termos: (a) Nos casos em que o sócio da interposta PJ tenha relação empregatícia com a RECORRENTE (Anexo VI do Relatório Fiscal – fls. 94/95), abater eventual recolhimento da contribuição a cargo do segurado comprovadamente realizado por cada um deles na condição de empregado da RECORRENTE; e (b) Deduzir as contribuições previdenciárias (patronal e segurados) comprovadamente recolhidas pelas pessoas jurídicas interpostas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego (anexo VI do Relatório Fiscal – fls. 96/115). Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1826DF CARF MF
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