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Numero do processo: 10380.002863/2007-22
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da intimação da decisão de primeira instância, (Delegacia Regional de Julgamento) nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. O Recurso intempestivo impede que dele se conheça.
Numero da decisão: 1802-002.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leao, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da intimação da decisão de primeira instância, (Delegacia Regional de Julgamento) nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. O Recurso intempestivo impede que dele se conheça.
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INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da intimação da decisão de primeira instância, (Delegacia Regional de Julgamento) nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. O Recurso intempestivo impede que dele se conheça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leao, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 28 63 /2 00 7- 22 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração exigindo a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) nos anos calendário de 2004 e 2005, perfazendo crédito tributário no montante de R$ 11.793,60. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 4a Turma da DRJ/FOR, através do Acórdão n° 08 23.217, constante às efls. 152/153: Trata o presente processo de auto de infração realizado para exigir multa isolada, no valor total de R$ 11.793,60, em virtude do não recolhimento de estimativas de CSLL devidas nos anos 2004 e 2005 (fl. 5). O auto de infração traz a seguinte descrição dos fatos: O contribuinte não recolheu integralmente a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, motivo pelo qual lançamos a presente multa, apurada conforme demonstrativos e demais documentos em anexo. Cientificado do presente auto de infração em 13/04/2007 (fl. 100), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 103/181, em 11/05/2007. Em sua peça de defesa, o impugnante, em resumo, alega que: a) sempre se sujeitou ao regime de apuração e recolhimento do IRPJ e da CSLL sob a forma de lucro presumido; b) nos exercícios fiscais de 2004 e 2005, quando do primeiro recolhimento de tais exações, o contador da empresa equivocou se no preenchimento dos respectivos DARF's, fazendo constar como códigos do IRPJ (5993) e da CSLL (2484), e não IRPJ (2089) e CSLL (2372), referentes ao regime do lucro presumido; c) a partir desse momento os demais recolhimentos foram todos efetuados sob códigos que não representavam a real situação tributária da empresa, vez que toda a apuração e consectários recolhimentos estavam sendo feitos com base nos dispositivos legais que tratam do lucro presumido; d) tal equívoco, consubstanciado num mero erro formal de preenchimento dos DARFs, não tem o condão de sacrificar o impugnante, fazendoo recolher tributos além do que realmente é devidos; e) a memória de cálculo do IRPJ e CSLL do período em análise serve para demonstrar a real opção de tributação do impugnante (Doc. 04); f) o fato de o impugnante ter declarado em DCTF os valores devidos por estimativa não tem o condão de eternizar a opção do regime de apuração e recolhimento do IRPJ e CSLL, uma vez Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.002863/200722 Acórdão n.º 1802002.034 S1TE02 Fl. 181 3 que, preenchidos de forma equivocada os DARFs, estes somente seriam aceitos pelo programa que processa a DCTF sob a forma de lucro real; g) acaso o impugnante fosse realmente tributado sobre o lucro real, os recolhimentos da Contribuição para o PIS por ela efetuados estariam todos equivocados, vez que se deram a uma alíquota de 0,65% (cumulativo) e não de 1,65% (não cumulativo); h) a vultosa multa sancionatória aplicada ao impugnante desatende a preceitos jurídicos dos mais valiosos do sistema normativo do País; i) se é certo que os agentes autuantes simplesmente indicam o dispositivo legal que determina a multa em percentual tão elevado, correto e assaz relevante é sustentar que os mesmos desconhecem e menosprezam a existência do Principio da Não Confiscatoriedade da Multa Fiscal, que é principio jurídico extraível do Texto Constitucional (art. 150, IV); j) a autuação em tablado vai de encontro a mais um postulado basilar, encampado no Texto Magno, qual seja o Principio da Proporcionalidade e/ou Razoabilidade da atividade administrativa; Por fim, requer que seja reconhecida a procedência de sua impugnação. Juntou documentos. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela total improcedência da Impugnação do contribuinte, conforme sintetiza a seguinte Ementa (efls 151): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 APURAÇÃO. PAGAMENTO. ERRO DE FATO. INEXISTÊNCIA. A compatibilidade entre a intenção do agente e o ato imputado como falho, demonstrada pela conduta que antecedeu o ato, refuta a possibilidade de erro de fato. O exercício da opção pelo regime do lucro real anual, efetuado nos termos da lei, afasta a possibilidade de apuração do tributo com base no lucro presumido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Intimado da decisão em 09/05/2012, conforme AR constante às efls 161 e inconformado com a manutenção da exigência, apresentou Recurso Voluntário em 13/06/2012 às efls 163/169, em apertada síntese pedindo pela extinção do débito fiscal arrolado pelos autos. É o relato do essencial. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.002863/200722 Acórdão n.º 1802002.034 S1TE02 Fl. 182 5 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é intempestivo, de forma que não preenche os requisitos de admissibilidade. A recorrente foi intimada da decisão que julgou improcedente sua Impugnação em 09/05/2012, (quartafeira) conforme o Aviso de Recebimento (AR) constante às efls 161, apresentando o seu Recurso Voluntário junto à repartição somente em 13/06/2012, (quartafeira) conforme protocolo constante na primeira folha do referido Recurso, às efls. 163. Ora, o prazo fatal para apresentação do recurso se deu em 08/06/2012 (sexta feira), conforme dita o art. 33 do Decreto n° 70.235/72, a saber, 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão singular. Sem preliminares consideradas válidas e nem nulidades presentes na forma do art. 59 do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.901544/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 44 /2 01 2- 11 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901544/201211 Acórdão n.º 3802002.789 S3TE02 Fl. 93 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901544/201211 Acórdão n.º 3802002.789 S3TE02 Fl. 94 5 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 44023.000017/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 1998
NORMAS GERAIS. NULIDADE. HIPÓTESES. LEGISLAÇÃO.
O Decreto 70.235/1972 determina que são nulos: a) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e b) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
No presente caso, a acusação referente ao II, Art. 55 da Lei 8.212/1991 é clara, não indo de encontro a nenhuma das hipóteses de nulidade determinadas na legislação, motivo da analise do mérito da questão.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. CANCELAMENTO. ISENÇÃO.
A Lei 8.212/1991 determina que fica isenta das contribuições de que tratam seus Arts. 22 e 23 a entidade beneficente de assistência social que atenda aos requisitos cumulativamente expostos em seu Art. 55.
No mesmo artigo, a Lei expressa que o Fisco cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto no artigo.
Como, na ótica do Fisco, verificou-se o descumprimento dos requisitos para o benefício fiscal, foi proposto o cancelamento da isenção.
NORMAS GERAIS. COMPETÊNCIAS. CONCESSÃO DE CERTIFICADO. OBTENÇÃO, MANUTENÇÃO, CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. LEGISLAÇÕES DISTINTAS.
A Lei 8.472/1999 é a legislação que determina que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) é o órgão competente para emissão de decisões sobre deferimento ou indeferimento dos pedidos de concessão ou renovação do Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, relacionando os requisitos para tanto.
A Lei 8.212/1991 é a legislação que determina os requisitos para a obtenção da isenção das contribuições de que tratam seus Arts. 22 e 23, relacionando os requisitos para tanto em seu Art. 55.
Conseqüentemente, o desrespeito às determinações constantes da Lei 8.472/1999 fundamentam o indeferimento ou a cassação Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, após o devido processo legal.
No presente caso, requisitos constantes da Lei 8.472/1999 serviram para fundamentar o pleito do Fisco para cancelamento da isenção, o que não é possível, pois os mesmo serviriam, em tese, para a cassação do certificado, somente, e o órgão competente para a emissão da decisão é o CNAS.
NORMAS GERAIS. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUMENTOS NA DEFESA. ANÁLISE. PRAZO.
Não há nulidade na emissão da decisão de primeira instância, pois todos os argumentos constantes da impugnação foram devidamente analisados e decididos.
Os prazos para apresentações de defesa e recurso são os determinados na legislação, não existindo cerceamento de defesa pelas suas observações.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. REQUISITOS. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI. 8.212/1991. OBSERVÂNCIA.
A Constituição Federal (CF/1988) determina, § 7º, Art. 195, que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
O Código Tributário Nacional (CTN), em seus Arts. 9º e 14º, referem-se a imunidade tributária quanto a impostos, espécie do gênero tributo, assim como as contribuições.
Conseqüentemente, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas na Lei 8.212/19991.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. PROMOÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BENEFICENTE. COMPROVAÇÃO.
Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes.
No presente caso, o próprio Fisco atesta que a recorrente promoveu assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes.
Assim, como não há - na legislação que lista os requisitos para a isenção (8.212/1991) - quantidade, valor, porcentagens definidas, há razão no recurso da recorrente, pois está demonstrada a promoção determinada na legislação.
Portanto - sem prejuízo de verificação do cumprimento dos requisitos para o deferimento ou a manutenção do CEBAS, pelo órgão competente, o CNAS - não há razão no argumento do Fisco sobre o descumprimento do requisito determinado no inciso III, do Art. 55 da Lei 8.212/1991.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. COMPROVAÇÃO.
Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto de vantagens ou benefícios a qualquer título.
Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado.
No presente caso, há a demonstração de vantagem (privilégio) concedido a diretor, correto motivo para o cancelamento da isenção.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. RESULTADO OPERACIONAL. APLICAÇÃO INTEGRAL. OBJETO INSTITUCIONAL.
Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que Aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão competente, relatório circunstanciado de suas atividades.
No presente caso, valores foram destinado a entidade, diminuindo seu resultado operacional, correto motivo para o cancelamento da isenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em analisar o mérito da questão no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao III, Art. 55 da Lei 8.212/1991, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pela nulidade dessa acusação; b) em dar provimento ao recurso, na questão de mérito, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao III, Art. 55 da Lei 8.212/1991, pelas razões do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso, devido a esse e outros argumentos; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao III, Art. 55 da Lei 8.212/1991, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso; b) em negar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à contratação de empresa de diretor ligada à área de oncologia, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão. Os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva acompanharam a votação por suas conclusões, pois votaram em negar provimento ao recurso, neste ponto, por entenderem ser sempre vedada a contratação de empresa de diretor; c) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à contratação de empresa de diretor ligada à área de oftalmologia, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso, neste ponto, por entenderem ser sempre vedada a contratação de empresa de empresa de diretor; d) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à contratação de empresa de diretor ligada à área de oftalmologia, pela motivação de ausência de demonstração de vantagem, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso pela utilização do Princípio da Razoabilidade; e) em negar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à doação de materiais e verbas a entidades, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; f) em negar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à doação de verba à CONIB, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento pela ausência de controle da destinação por parte da recorrente das verbas doadas para todas as entidades; g) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à doação de materiais, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento pela ausência de controle da destinação por parte da recorrente dos materiais doados; h) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido ao pagamento de residência a idoso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento nesta questão; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido aos motivos presentes nas fls. 026 a 031, da Informação Fiscal, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, no que tange, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à cessão de salas, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace. OAB: 182.632/SP.
Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Como, na ótica do Fisco, verificou-se o descumprimento dos requisitos para o benefício fiscal, foi proposto o cancelamento da isenção. NORMAS GERAIS. COMPETÊNCIAS. CONCESSÃO DE CERTIFICADO. OBTENÇÃO, MANUTENÇÃO, CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. LEGISLAÇÕES DISTINTAS. A Lei 8.472/1999 é a legislação que determina que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) é o órgão competente para emissão de decisões sobre deferimento ou indeferimento dos pedidos de concessão ou renovação do Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, relacionando os requisitos para tanto. A Lei 8.212/1991 é a legislação que determina os requisitos para a obtenção da isenção das contribuições de que tratam seus Arts. 22 e 23, relacionando os requisitos para tanto em seu Art. 55. Conseqüentemente, o desrespeito às determinações constantes da Lei 8.472/1999 fundamentam o indeferimento ou a cassação Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, após o devido processo legal. No presente caso, requisitos constantes da Lei 8.472/1999 serviram para fundamentar o pleito do Fisco para cancelamento da isenção, o que não é possível, pois os mesmo serviriam, em tese, para a cassação do certificado, somente, e o órgão competente para a emissão da decisão é o CNAS. NORMAS GERAIS. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUMENTOS NA DEFESA. ANÁLISE. PRAZO. Não há nulidade na emissão da decisão de primeira instância, pois todos os argumentos constantes da impugnação foram devidamente analisados e decididos. Os prazos para apresentações de defesa e recurso são os determinados na legislação, não existindo cerceamento de defesa pelas suas observações. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. REQUISITOS. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI. 8.212/1991. OBSERVÂNCIA. A Constituição Federal (CF/1988) determina, § 7º, Art. 195, que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. O Código Tributário Nacional (CTN), em seus Arts. 9º e 14º, referem-se a imunidade tributária quanto a impostos, espécie do gênero tributo, assim como as contribuições. Conseqüentemente, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas na Lei 8.212/19991. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. PROMOÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BENEFICENTE. COMPROVAÇÃO. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes. No presente caso, o próprio Fisco atesta que a recorrente promoveu assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes. Assim, como não há - na legislação que lista os requisitos para a isenção (8.212/1991) - quantidade, valor, porcentagens definidas, há razão no recurso da recorrente, pois está demonstrada a promoção determinada na legislação. Portanto - sem prejuízo de verificação do cumprimento dos requisitos para o deferimento ou a manutenção do CEBAS, pelo órgão competente, o CNAS - não há razão no argumento do Fisco sobre o descumprimento do requisito determinado no inciso III, do Art. 55 da Lei 8.212/1991. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. COMPROVAÇÃO. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto de vantagens ou benefícios a qualquer título. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado. No presente caso, há a demonstração de vantagem (privilégio) concedido a diretor, correto motivo para o cancelamento da isenção. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. RESULTADO OPERACIONAL. APLICAÇÃO INTEGRAL. OBJETO INSTITUCIONAL. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que Aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão competente, relatório circunstanciado de suas atividades. No presente caso, valores foram destinado a entidade, diminuindo seu resultado operacional, correto motivo para o cancelamento da isenção. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. HIPÓTESES. LEGISLAÇÃO. O Decreto 70.235/1972 determina que são nulos: a) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e b) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No presente caso, a acusação referente ao II, Art. 55 da Lei 8.212/1991 é clara, não indo de encontro a nenhuma das hipóteses de nulidade determinadas na legislação, motivo da analise do mérito da questão. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. CANCELAMENTO. ISENÇÃO. A Lei 8.212/1991 determina que fica isenta das contribuições de que tratam seus Arts. 22 e 23 a entidade beneficente de assistência social que atenda aos requisitos cumulativamente expostos em seu Art. 55. No mesmo artigo, a Lei expressa que o Fisco cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto no artigo. Como, na ótica do Fisco, verificouse o descumprimento dos requisitos para o benefício fiscal, foi proposto o cancelamento da isenção. NORMAS GERAIS. COMPETÊNCIAS. CONCESSÃO DE CERTIFICADO. OBTENÇÃO, MANUTENÇÃO, CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. LEGISLAÇÕES DISTINTAS. A Lei 8.472/1999 é a legislação que determina que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) é o órgão competente para emissão de decisões sobre deferimento ou indeferimento dos pedidos de concessão ou renovação do Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, relacionando os requisitos para tanto. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 02 3. 00 00 17 /2 00 7- 59 Fl. 4524DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 A Lei 8.212/1991 é a legislação que determina os requisitos para a obtenção da isenção das contribuições de que tratam seus Arts. 22 e 23, relacionando os requisitos para tanto em seu Art. 55. Conseqüentemente, o desrespeito às determinações constantes da Lei 8.472/1999 fundamentam o indeferimento ou a cassação Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, após o devido processo legal. No presente caso, requisitos constantes da Lei 8.472/1999 serviram para fundamentar o pleito do Fisco para cancelamento da isenção, o que não é possível, pois os mesmo serviriam, em tese, para a cassação do certificado, somente, e o órgão competente para a emissão da decisão é o CNAS. NORMAS GERAIS. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUMENTOS NA DEFESA. ANÁLISE. PRAZO. Não há nulidade na emissão da decisão de primeira instância, pois todos os argumentos constantes da impugnação foram devidamente analisados e decididos. Os prazos para apresentações de defesa e recurso são os determinados na legislação, não existindo cerceamento de defesa pelas suas observações. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. REQUISITOS. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI. 8.212/1991. OBSERVÂNCIA. A Constituição Federal (CF/1988) determina, § 7º, Art. 195, que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. O Código Tributário Nacional (CTN), em seus Arts. 9º e 14º, referemse a imunidade tributária quanto a impostos, espécie do gênero tributo, assim como as contribuições. Conseqüentemente, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas na Lei 8.212/19991. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. PROMOÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BENEFICENTE. COMPROVAÇÃO. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes. No presente caso, o próprio Fisco atesta que a recorrente promoveu assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes. Assim, como não há na legislação que lista os requisitos para a isenção (8.212/1991) quantidade, valor, porcentagens definidas, há razão no recurso da recorrente, pois está demonstrada a promoção determinada na legislação. Portanto sem prejuízo de verificação do cumprimento dos requisitos para o deferimento ou a manutenção do CEBAS, pelo órgão competente, o CNAS não há razão no argumento do Fisco sobre o descumprimento do requisito determinado no inciso III, do Art. 55 da Lei 8.212/1991. Fl. 4525DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 3 3 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. COMPROVAÇÃO. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto de vantagens ou benefícios a qualquer título. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado. No presente caso, há a demonstração de vantagem (privilégio) concedido a diretor, correto motivo para o cancelamento da isenção. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. RESULTADO OPERACIONAL. APLICAÇÃO INTEGRAL. OBJETO INSTITUCIONAL. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que Aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão competente, relatório circunstanciado de suas atividades. No presente caso, valores foram destinado a entidade, diminuindo seu resultado operacional, correto motivo para o cancelamento da isenção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em analisar o mérito da questão no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao III, Art. 55 da Lei 8.212/1991, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pela nulidade dessa acusação; b) em dar provimento ao recurso, na questão de mérito, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao III, Art. 55 da Lei 8.212/1991, pelas razões do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso, devido a esse e outros argumentos; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao III, Art. 55 da Lei 8.212/1991, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso; b) em negar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à contratação de empresa de diretor ligada à área de oncologia, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão. Os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva acompanharam a votação por suas conclusões, pois votaram em negar provimento ao recurso, neste ponto, por entenderem ser sempre vedada a contratação de empresa de diretor; c) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à contratação de empresa de diretor ligada à área de oftalmologia, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso, neste ponto, por entenderem ser sempre vedada a Fl. 4526DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 contratação de empresa de empresa de diretor; d) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à contratação de empresa de diretor ligada à área de oftalmologia, pela motivação de ausência de demonstração de vantagem, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso pela utilização do Princípio da Razoabilidade; e) em negar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à doação de materiais e verbas a entidades, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; f) em negar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à doação de verba à CONIB, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento pela ausência de controle da destinação por parte da recorrente das verbas doadas para todas as entidades; g) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à doação de materiais, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento pela ausência de controle da destinação por parte da recorrente dos materiais doados; h) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido ao pagamento de residência a idoso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento nesta questão; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao V, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido aos motivos presentes nas fls. 026 a 031, da Informação Fiscal, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, no que tange, no que tange ao determinado na acusação fiscal referente ao IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991, devido à cessão de salas, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace. OAB: 182.632/SP. Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Fl. 4527DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 4 5 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo – Oeste / SP, fls. 0442, que julgou procedente Informação Fiscal (IF) e determinou a emissão de ato cancelatório da isenção (ACI) da quota patronal previdenciária concedida à recorrente, cancelandoa a partir de 1º de janeiro de 1996, em virtude do descumprimento, pela interessada, dos requisitos previstos nos incisos III, IV e V, todos do Art. 55, da Lei 8.212/91. Lei 8.212/1991: "Art.55 Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (...) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. " Os motivos do cancelamento da isenção estão claramente expostos na IF, fls. 002 a 039, e expostos no relatório da decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Tratase de Informação Fiscal na qual a Autoridade Fiscal sugere o cancelamento da isenção das contribuições sociais da entidade em epígrafe, alegando em síntese: 1.1. que durante a realização da auditoria fiscal foi constatado que a Entidade não cumpre os requisitos previstos nos incisos III, IV e V, do art. 55, da Lei 8.212/91; 1.2. que para os anos 1996 e 1997, a Entidade não apresentou à Fiscalização os documentos para a comprovação do público alvo da eventual aplicação de recursos em assistência social, entretanto, foi constatado que mesmo considerando a totalidade dos gastos mencionados pela própria entidade, ainda assim, o valor da isenção usufruída é maior do que os gastos em assistência social, conforme concluiu a auditoria externa da Arthur Andersen S/C; Fl. 4528DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 1.3. que os valores atribuídos pela interessada para compor o percentual de assistência social ficaram superestimados em todos os anos analisados e não podem ser aceitos, na sua totalidade, por não refletirem a realidade, mas apenas uma estimativa baseada em uma tabela de preços destinada à classe alta da sociedade brasileira; 1.4. que a renda familiar de aproximadamente setenta por cento dos beneficiários atendidos na área de assistência à saúde, é superior a três salários mínimos e, em muitos casos são indivíduos de classe média, proprietários de imóveis, carros, planos de saúde, aplicações financeiras etc, não podendo ser considerados como o público alvo da assistência social; 1.5. que vários procedimentos médicos, como por exemplo, circuncisões, não podem ser considerados como necessidades básicas e classificadas como assistência social; 1.6. que a Entidade computa como aplicação em assistência social, valores de créditos que não consegue receber de seus clientes, após esgotados todos os recursos extrajudiciais de cobrança, que deveriam ser lançados como devedores duvidosos na sua contabilidade; 1.7. que a Entidade não possui sistema contábil de custos, o que dificulta a perfeita compreensão de sua escrituração contábil; 1.8. que os valores não reembolsados pela Prefeitura Municipal de São Paulo, referentes ao contrato para o desenvolvimento de trabalho de atendimento domiciliar pelos agentes comunitários de Saúde da Família, não podem ser considerados como gastos em assistência social prestada a pessoas carentes; 1.9. que os recursos destinados a palestras e seminários ministrados em parceria com órgãos públicos, cujo destinatário é o próprio Governo e outras entidades, que não são o público alvo da assistência social; 1.10. que a assistência médica, considerada com aplicação em assistência social, não pode ser considerada como tal, tendo em vista que não é prestada pelo Hospital Albert Einstein mas sim por alguns hospitais conveniados com o plano de saúde da empresa Gama Saúde Mede Ltda, que por sua vez possui convênio com a SBIBHAE; 1.11. que as atividades junto à comunidade de Paraisópolis são prestadas por meio de uma unidade, cuja constituição está irregular documentalmente (Posto de Saúde), e se resumem em prestações de serviços médicos e outros projetos que são terceirizados ou patrocinados por terceiros (outras entidades, bancos privados e empresas), além de servir de campo de treinamento, estágio e aperfeiçoamento; 1.12. que estes serviços prestados à referida comunidade são executados, em grande parte, por voluntários e são mantidos e patrocinados por doadores, portanto, sem relevante repercussão financeira para a entidade, razão pela qual não podem ser considerados, na sua totalidade, como aplicação em assistência social; Fl. 4529DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 5 7 1.13. que os gastos com o Residencial Israelita Albert Einstein também não podem ser considerados com aplicação em assistência social, na forma definida pela LOAS, tendo em vista que não se destinam ao atendimento de pessoas carentes; 1.14. que as doações de verbas, materiais e equipamento hospitalares para órgãos públicos e outras entidades e, ainda, as cessões de créditos realizadas pela entidade, não caracterizam aplicação em assistência social, além de configurar desvio de finalidade; 1.15. que as aplicações em vários outros projetos, como às referentes ao Instituto de Ensino e Pesquisa, Educação Superior, Cursos de Aperfeiçoamento em Saúde, Atualização e Educação Continuada, também não se destinam ao público alvo da LOAS; 1.16. que a valoração dos procedimentos pré e pósoperatórios realizados em pacientes internados para transplantes, não cobertos pelo convênio com o SUS, é feita com base em tabela de preços própria, cujos valores são muito superiores aos da tabela do SUS ou da AMB, razão pela qual o montante para compor o percentual de assistência social ficou superestimado em todos os anos analisados; 1.17. que os atendimentos realizados pelo Hospital Albert Einstein em convênio com o SUS são muito inferiores ao percentual de 60% previsto na legislação de assistência social; 1.18. que outras atividades indicadas nos relatórios de atividades para compor a assistência social não podem ser assim considerados, pois, ainda que se tratem de serviços filantrópicos, não se enquadram nos preceitos da LOAS; 1.19. que grande parte dos valores descritos nos relatórios de atividade apresentados pela entidade, não encontram suporte fático em seus registros contábeis, demonstrando que a entidade ou não contabilizou corretamente os fatos contábeis sobre a assistência social, ou não os evidenciou de forma segregada nas suas receitas e despesas, ou, ainda, os números informados nos relatórios de atividade são inverídicos, o que caracteriza, em qualquer hipótese, descumprimento das normas estabelecida pela Resolução n° 785, de 28/07/95, do Conselho Federal de Contabilidade; 1.20. que, de acordo com a legislação, somente podem ser computados como gastos assistenciais os valores efetivamente despendidos ou suportados pela entidade com o atendimento aos pacientes não pagantes pela prestação de serviços médico hospitalares por estar presente a condição de carência e do atendimento a necessidade básica, além de parte do custo com o Departamento de Voluntariado, já que estes atendem tanto carentes como pagantes, razão pela qual os valores aplicados pela Entidade em assistência social são bem inferiores aos da isenção usufruída; Fl. 4530DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 1.21. que a Entidade possui espaços adequados à prestação de serviços de saúde, equipados com os móveis, utensílios, equipamentos e objetos, os quais cede a título oneroso para profissionais médicos e clínicas pertencentes ao Corpo Clínico, mediante "INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE CESSÃO DE ESPAÇO DESTINADO A CONSULTÓRIO", tentando descaracterizar a relação de emprego; 1.22. que pelo "modus operandi" pactuado pela Entidade, estes artifícios favorecem, em tese, tanto a Entidade quanto aos médicos, inclusive diretores estatutários, na sonegação de impostos federais e contribuições, ou seja, vislumbrase a conivência da Entidade com os médicos para que toda a riqueza gerada em favor destes no âmbito do Hospital seja imune à tributação; 1.23. que a Entidade não aplica integralmente o resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, pois parte de seus recursos materiais e humanos são destinados a favorecer os cessionários, profissionais médicos componentes de seu Corpo Clínico e diretores estatutários, na sonegação de impostos e contribuições sociais, configurando, assim infração ao inciso V, do artigo 55, da Lei n° 8.212/1991; 1.24. que entre os cessionários e profissionais que utilizam a infraestrutura do hospital na forma acima descrita encontram se também alguns de seus diretores estatutários, que atuam na área da saúde e contribuem decisivamente para o sucesso do empreendimento sem nada receber diretamente do nosocomio e sem nada pagar, enquadramse perfeitamente como os "DIRETORES" vedados de receber vantagens ou benefícios a qualquer título, conforme o inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91, pois se enriquecem mediante o proveito de toda a infraestrutura da entidade; 1.25. que se a entidade dispõe de tantos recursos para distribuir para outras entidades e órgãos públicos e se dá ao luxo de permitir que médicos cadastrados utilizem toda a sua infra estrutura sem nada pagar, e ainda consegue alugar suas salas para consultórios a preços módicos, fica evidente que ela não necessita dos benefícios provenientes da isenção, e que os utiliza para prestar assistência a quem não precisa, no caso, aos médicos do Corpo Clínico Aberto, aos seus diretores e outras entidades públicas ou privadas. DO PEDIDO FISCAL 2. Pelos motivos acima expostos, ou seja, em virtude da Entidade ter deixado de cumprir o disposto nos incisos III, IV e V do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, requisitos essenciais para o gozo do benefício fiscal, a Fiscalização solicita o CANCELAMENTO da isenção, mediante emissão de ATO CANCELATÓRIO a partir de 01 de janeiro de 1996, com suporte no artigo 53 da Lei n° 9.784 de 29/01/1999 e na Súmula n° 473 do Supremo Tribunal Federal.” Pelo descrito acima, em síntese, os motivos do Fisco são: Fl. 4531DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 6 9 1. Seria necessário que o valor das gratuidades efetivamente concedidas ao público alvo da LOAS se desse em valor igual ou superior ao da isenção usufruída e que esse público estivesse incluído no rol das pessoas realmente hipossuficientes, fls. 026 (descumprimento do requisito constante no III, Art 55, da Lei 8212/1991); 2. Empresas são contratadas como forma de encobrir a remuneração de diretores e de diretores estatutários que laboram dentro do Hospital e contribuem decisivamente sem nada receber e sem nada pagar, enquadramse, portanto, como “diretores”, vedados de receber vantagens ou benefícios a qualquer título, fls. 036 e 037; (descumprimento do requisito constante no IV, Art 55, da Lei 8212/1991); 3. A entidade não aplica integralmente o resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, pois parte de seus recursos materiais e humanos são destinados a favorecer os cessionários, profissionais médicos componentes de seu corpo clínico e diretores estatutários na sonegação de impostos e contribuições sociais, fls. 031 (descumprimento do requisito constante no V, Art 55, da Lei 8212/1991); 4. Recursos provenientes de isenção usufruída que deveriam ser aplicados no atendimento de pessoas carentes são doados para outras entidades e órgãos públicos, fls. 038 (descumprimento do requisito constante no V, Art 55, da Lei 8212/1991) Em 09/11/2006 foi dada ciência à recorrente da IF, fls. 0039. Contra a IF, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0405 a 0420, acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que: “3.1. que ainda que a Instituição tenha obtido receita superior, não houve redução no valor gasto em filantropia e que o relevante é apenas a aplicação das receitas e não o seu volume; 3.2. que todos os documentos solicitados pela Fiscalização foram devidamente apresentados, sendo que o balanço da Instituição nos períodos de 96/97 foi objeto de análise do CNAS; 3.3. que a filantropia pode ser direcionada a pessoas que desfrutam de condições de vida satisfatórias, tendo em vista que o seu conceito deve ser interpretado de forma ampla; 3.4. que a alegação da Fiscalização, de que há atendimento preferencial à comunidade judaica é inverídica e absurda, pois o atendimento é indiscriminado, havendo parcerias governamentais que visam a universalidade da prestação; Fl. 4532DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 3.5. que os créditos cedidos às instituições detentoras do CEBAS são meios legítimos de prover a atividade social e filantrópica, assim, como os valores lançados pela Comissão Social de processos encaminhados pelo jurídico, ainda que de acordo com valores fixados por meio de tabela própria; 3.6. que a Instituição realiza diversas atividades, em uma única entidade civil, e todos os serviços prestados têm suas despesas alocadas em conta única, tendo em vista que possui CNPJ único, razão pela qual as despesas da mantenedora nada mais são do que despesas da manutenção destes serviços, tipicamente assistenciais, devendo ser incluídos no cálculo da gratuidade; 3.7. que as despesas de depreciação e com manutenção de equipamentos devem ser consideradas no cálculo da gratuidade na medida em que a manutenção do patrimônio é essencial para o alcance da finalidade assistencial da entidade. 3.8. que nos programas em parceria com o Governo visase a capacitação de profissionais pertencentes a órgãos públicos que atuam na prática assistencial da população; 3.9. que em relação ao pagamento de prêmio de seguro UNIBES, LAR, PEDIATRIA PARAISÓPOLIS, apenas são lançados o valor do prêmio e o número de atendimento e se a sinistralidade aumenta é porque o número de atendimento se elevou; 3.10. que a documentação da filial que atende a Comunidade Paraisópolis está sendo regularizada; que os voluntários auxiliam na estrutura administrativa e não na efetiva prestação de serviços; que os valores recebidos como doações foram considerados para a obtenção dos 20%; que os documentos relacionados pela Fiscalização não dizem respeito ao número de profissionais e a folha de pagamento é centralizada na matriz e que os alunos da escola estagiam em hospitais públicos e unidades básicas de saúde; 3.11. que em relação ao Residencial Israelita Albert Einstein cabe salientar que a Instituição regularmente efetua reforços de caixa para auxiliar nas despesas operacionais; que, de fato, após a incorporação, apenas um imóvel foi doado à Instituição; que a diferença entre o valor de custo de cada residente e o que ele efetivamente paga, não é lançado em filantropia e que a participação do voluntariado não é profissional. 3.12. que as doações a outras entidades, de verbas, materiais e equipamentos médicos, foram realizadas pelo valor de mercado depreciado em 40%, sendo que o Decreto n° 2.536/98 não exige que a aplicação em gratuidade seja feita diretamente pela Entidade; 3.13. que a instituição não lança o FIES na filantropia, entretanto no relatório do INSS essa informação é solicitada e, portanto, fornecida; 3.14. que os cursos de aperfeiçoamento em saúde são destinados a profissionais indicados pela própria Secretaria da Saúde; Fl. 4533DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 7 11 3.15. que o convênio da Instituição com o SUS contempla apenas transplantes, razão pela qual os valores referentes aos atendimentos pré operatório são lançados como não pagantes e que o atendimento pelo SUS corresponde a 96,47% do atendimento e não apenas 60%; 3.16. que os médicos encaminham pacientes ao Hospital e que a Instituição não explora atividade de locação imobiliária; que a existência de corpo clínico aberto não exclui a universalidade do uso das instalações pelos profissionais de saúde; não há relação de subordinação entre o corpo clínico e o hospital e tampouco, sonegação de impostos, pois a Instituição é imune; 3.17. que não há remuneração e concessão de vantagens e benefícios ao diretores da Instituição, tendo em vista que os contratos são efetuados com pessoas jurídicas e por eles administradas; 3.18. que o exíguo prazo fornecido para que a Instituição apresentasse sua defesa e juntasse as provas de suas alegações não permitiu que fosse devidamente observado o princípio constitucional da ampla defesa; DO PEDIDO 4. A Instituição solicita a dilação de prazo por 60 (sessenta) dias para apresentar complementação de sua defesa e juntar aos autos as provas que possui, para comprovar a sua condição de Entidade Beneficente de Assistência Social. É o relatório.” A Delegacia analisou a IF e a impugnação, julgando procedente a IF, emitindo o respectivo Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais, fl. 0442 a 0463. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0476 a 0537, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. O INSS é incompetente para cancelar a imunidade; 2. Os requisitos para a obtenção do certificado somente podem ser fiscalizados e qualificados pelo CNAS, não cabendo ao INSS imiscuirse sem competência legal para tanto; 3. Destaca que esse é o posicionamento oficial, expresso no Parecer/CJ/nº 2272/2000, aprovado pelo Ministro de Estado da Previdência Social; 4. Portanto a decisão deve ser anulada; 5. A decisão deve ser anulada, pois não enfrentou todos os argumentos da recorrente, em sua impugnação, cerceando sua defesa; 6. O prazo para apresentação deveria ter sido ampliado pela autoridade administrativa, pois, por ser reduzido, afronta o direito à ampla defesa; Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 7. A decisão de primeira instância não enfrentou todas as alegações constantes da impugnação, cerceando o direito de defesa da recorrente, pois não indicou as razões de fato e de direito que teriam levado à desconsideração dos argumentos e provas trazidos pela recorrente; 8. No mérito, o julgador inicia afirmando que a Recorrente deixou de cumprir o requisito previsto no III, do artigo 55, da Lei 8212/91, ou seja, "deixou de promover a assistência social, nos termos definidos pela LOAS, conforme alegado pela Fiscalização; 9. No presente caso tratase de um caso de imunidade e não de isenção; 10. Somente lei complementar pode determinar as exigências a serem cumpridas para a imunidade tratada na Constituição Federal (CF/88); 11. A Lei Complementar que se refere é o Código Tributário Nacional (CTN), em disposição expressa no Art. 14; 12. Portanto, apenas e se comprovado descumprimento dos requisitos previstos no art. 14, do Código Tributário Nacional, poderseia levar à eventual suspensão do benefício constitucional em tela; 13. A definição de assistência social utilizada pelo Fisco é restrita; 14. A gratuidade na prestação dos serviços assistenciais não é requisito essencial para o desfrute da imunidade; 15. A prestação de assistência gratuita a pessoas que, apesar de não enquadradas no conceito de hipossuficientes utilizado pela fiscalização, não possuam condições de acesso aos tratamentos prestados, apenas reforçam o caráter de entidade de assistência social; 16. O julgador, ao referirse aos balanços de 1996 e 1997, afirma, em contraposição ao sustentado pela Recorrente, que a análise feita pelo CNAS "não foi tão criteriosa assim, haja vista que a própria empresa de auditoria externa Arthur Andersen S/C concluiu em suas notas explicativas, item 9, pela não aplicação dos percentuais mínimos legais de receita bruta em atividades assistenciais"; 17. Em primeiro lugar, cabe notar que não é da competência do INSS e de seu órgão julgador afirmar, ainda mais de forma vaga e sem fundamentação, que a análise dos documentos levada a efeito pelo CNAS, entidade legitimada para a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), não foi criteriosa; 18. O Fisco alega que vários procedimentos são praticados em relação a pessoas que não se incluem no conceito de carentes, à realização de circuncisões e ao lançamento de créditos incobráveis como assistência social, concluindo que denotam as práticas da instituição (que descumprem o inciso III, do art. 55 da Lei 8212/91) e que não haveria a possibilidade de nenhuma prova elidir tal situação, desconsiderando, dessa forma as alegações de cerceamento de defesa; Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 8 13 19. Há cerceamento de defesa, devido a exposição genérica de procedimentos a pessoas que não se incluem no conceito de carentes; 20. Não há clareza nem precisão na acusação; 21. A decisão reitera a afirmação constante da informação fiscal, no sentido de que restou verificada prática discriminatória pela Recorrente, asseverando que o Residencial Albert Einstein, por palavras da própria entidade, é destinado a idosos da comunidade judaica; 22. A instituição não pratica discriminação alguma, pois, para tanto, a fiscalização deveria provar a negativa de atendimento a não judeus; 23. As doações c auxílios são direcionados a várias instituições, como afirma o próprio trabalho fiscal, variando apenas o objeto (para uns dinheiro, para outros materiais diversos), sendo descabida a afirmação de que só para entidades ligadas á comunidade judaica os recursos seriam em dinheiro; 24. Uma das mais públicas, notórias e elogiadas atuações da Recorrente ocorre junto à Comunidade de Paraisópolis e não nos consta que este seja um reduto predominantemente judaico; 25. Por fim, tal fato não pode ser utilizado como fundamento para suspensão da imunidade, por não ter qualquer respaldo jurídico ou mesmo de senso comum; 26. As despesas com o programa saúde da família não podem ser utilizadas para suspensão da imunidade da recorrente, pois não podem ser glosadas e mesmo que fossem representam um percentual ínfimo com despesas da filantropia; 27. Não há relação entre a regularidade do imóvel onde são prestados serviços assistenciais com os requisitos para obtenção da imunidade; 28. Os valores dos serviços são elevados devido os custos serem elevados; 29. Não é real a afirmação de que grande parte do trabalho assistencial se dá por voluntários; 30. O Programa Einstein na Comunidade de Paraisópolis, em seus 2 principais serviços (Ambulatório Médico e Centro de Promoção e Atenção à Saúde) conta com o trabalho profissional de 117 funcionários; 31. A definição de carência, para fins de assistência social, não pode ser interpretada de forma restritiva; 32. A entidade beneficente não pode distribuir lucros ou patrimônio aos seus diretores; 33. As doações feitas a outras instituições com fins semelhantes aos da recorrente devem ser consideradas como assistência social; Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 34. As despesas com depreciação dos recursos utilizados para assistência social devem integrar o cálculo da gratuidade; 35. A glosa de diversas doações feitas pela Entidade também não pode ser levada a cabo, sob a justificativa de não serem destinadas a assistência social; 36. Todas as entidades destinatárias das doações identificadas pelo trabalho fiscal estão direta e intrinsecamente ligadas à prestação de serviços na área da saúde, notadamente as atividades relacionadas com a assistência social, uma vez que ausente nas mesmas o caráter da finalidade da obtenção de lucro; 37. Destarte, ainda que refujam ao conceito baseado na interpretação literal da legislação aplicável, na medida em que devemos sempre privilegiar a contextualização dos dispositivos legais (interpretação sistemática), fica clara a adequação da prática da Recorrente aos fins da legislação assistencial; 38. Segundo a decisão recorrida, não poderia a Recorrente valerse de créditos de recebimento duvidoso para transferir a outras entidades beneficentes, como se tal cessão configurasse efetiva doação suscetível de consideração para os efeitos colimados por ela, cedente; 39. Vale consignar que as beneficiárias das cessões foram, sem exceção, entidades beneficentes portadoras do CEBAS, o que por si só gera a presunção de que as cessões efetuadas a título gratuito sempre visaram ao alcance de metas reconhecidas como de assistência social; 40. A preparação e aperfeiçoamento de profissionais da área de saúde, mormente quando ligados ao poder público, para que possam atuar na assistência social, podem e devem ser enquadrados nesse conceito; 41. Segundo a decisão, a entidade deveria ter comprovado percentual de atendimentos, decorrentes de convênio firmado com o Sistema Único de Saúde SUS, igual ou superior a sessenta por cento do total de sua capacidade instalada; 42. Tal requisito foi já afastado pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS); 43. É inverídica a afirmação de que a recorrente favoreceu diretores, mediante cessão ou locação de espaços para consultórios em suas dependências; 44. Ademais, os dignos agentes não fizeram a avaliação dos espaços, não trouxeram engenheiros habilitados a tal pesquisa, não se valeram dos métodos de renda e comparativo, cingindose a traduzir a sua impressão pessoal, sua opinião, revelando uma subjetividade que não se concilia com a finalidade de seu relevante trabalho; 45. Os valores pagos pelos diretores por espaços na recorrente são superiores aos valores de mercado, não havendo portanto qualquer benefício; Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 9 15 46. Não se configura remuneração a diretores o pagamento por serviços prestados diversos da atuação de diretor; 47. Não há fundamento na acusação de distribuição de lucros ou receitas em favor de seus diretores e terceiros; 48. A manutenção de imóvel a idoso com problemas de saúde reforça seu caráter de instituição de assistência social; 49. Com efeito, os itens 204 a 211 da informação fiscal tratam da doação de dinheiro e materiais diversos a outras entidades, qualificando tal prática como desvio de finalidade na aplicação de verba; 50. Ora, as entidades donatárias, relacionadas na informação fiscal são entidades beneficentes de assistência social e filantrópicas; 51. O perfil de suas atividades nos últimos anos está anexado ao presente recurso; 52. Como já dito anteriormente, a assistência pode ser feita direta ou indiretamente e fornecer meios para que outras entidades com os mesmos fins possam prestar os serviços, sem qualquer ônus para estas, estando perfeitamente enquadrado no conceito de assistência social preconizado no presente recurso; 53. Por todos os motivos solicita a reforma da decisão. Posteriormente, a Delegacia emitiu contrarazões, onde, em síntese, solicita a manutenção da decisão proferida e envia o processo ao Conselho, para análise e decisão, fls. 02165. Na análise dos autos, a Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, do CARF, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização informasse: 1. Quais foram todas as entidades préselecionadas que receberam a cessão de créditos?; e 2. Quais foram todas as entidades e todos órgãos públicos que receberam verbas em dinheiro. A solicitação foi necessária, pois o Fisco informa que essas doações infringiram o V, Art. 55, da Lei 8.212/1991 (“aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades”). A Fiscalização elaborou Informação Fiscal (IF), fls. 02551, em que, após diligências, afirma, em síntese, que: 1. Foram realizadas diligências nas entidades que receberam recurso da recorrente; Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 16 2. Os valores referentes às doações efetuadas não puderam ser totalmente comprovados, pois os registros contábeis não possuem a devida identificação de seus destinatários; 3. Os estatutos das entidades que receberam doações qualificam as entidades como sem fins lucrativos; 4. Sobre o estatuto da recorrente é imperioso destacar que “doações de verbas, materiais e equipamentos médico hospitalares não figuram dentre as suas finalidades institucionais, elencadas no art. 3º”; 5. Na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) da recorrente não há a alocação das doações citadas em despesas operacionais; 6. Está plenamente configurada o descumprimento da determinação expressa no V, do Art. 55 da Lei 8.212/1991; 7. Há várias doações de recursos, em bens, inclusive dinheiro, em créditos, em aluguel de imóvel; 8. Cita as entidades e os valores; 9. Inexiste contraprestação de contas vinculada a estas doações, assim é impossível conhecer se tais valores doados foram efetivamente aplicados em assistência social para o públicoalvo da LOAS Lei Orgânica da Assistência Social, ou não; 10. Durante toda a ação fiscal foi solicitada a referida prestação de contas pelas entidades beneficiadas e até esta data não haviam sido apresentadas, sendonos informado que tal prestação não foi feita por não competirlhes a fiscalização de verbas doadas; 11. No nosso entender, recursos provenientes da isenção usufruída que deveriam ser aplicados no atendimento de pessoas carentes que são o públicoalvo da LOAS são doados para outras entidades e órgãos públicos, sem o devido acompanhamento para se saber se estão sendo efetivamente cumpridas as finalidades da doação; 12. A doação de verbas e equipamentos para outras pessoas jurídicas, além de configurar desvio de finalidade na aplicação da isenção usufruída, caracteriza infração ao inciso V do artigo 55 da Lei n° 8.212/91; 13. Há contrato de locação de imóvel e todas suas despesas para o sr. David Zanfirescu; Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 10 17 14. Quando indagada sobre esta situação a representante da Entidade informou que se trata de um idoso mantido pela entidade; 15. Ora, se a entidade possui um Residencial para idosos porque não mantêlo neste residencial?; 16. Constatase a utilização de recursos da SBIBHAE para fins que não os previstos em seu Estatuto, caracterizando se esta despesa como desvio de finalidade, o que fere o inciso V do art. 55 da Lei 8212 de 1991; 17. Acredita o Fisco que a nãosolicitação de informações relativas aos incisos III e IV se deva ao fato de estarem os senhores conselheiros absolutamente satisfeitos com o material fornecido pela Informação Fiscal, pois nela sobejam elementos para a convicção; 18. Informam, ainda, que há no Poder Judiciário ações contra a recorrente (Ação Civil Pública e Ação Popular); 19. Constam na Receita Federal do Brasil vultosos créditos tributários a serem cobrados, dependentes desse processo; e 20. Em vista de todo exposto, afirmam que está provada a procedência do ato cancelatório. Devidamente intimada, a recorrente apresentou suas razões, fls. 02585, argumentando, em síntese, que: 1. O relatório de diligência fiscal comprova a improcedência do ato cancelatório da "isenção" tributária (leiase imunidade) de que desfruta a interessada há décadas, pois está comprovado que a interessada cumpriu o disposto do art. 55, V, da lei n.° 8.212/91, bem como os demais requisitos legais; 2. Preliminarmente, cabe destacar que o Fisco não cumpriu a determinação do CARF, em toda sua amplitude; 3. Portanto, antes mesmo de iniciar sua manifestação, a interessada requer ao Fisco que analise as doações que entendeu equivocadas, certificando tanto a efetividade das mesmas, como quais foram as entidades que as receberam, e ainda analise se as entidades aplicaram seus recursos e resultados na manutenção e no desenvolvimento de suas atividades institucionais, à vista dos estatutos sociais e das DREs juntados aos autos; Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 18 4. Sem prejuízo, entende a interessada que o relatório de diligência fiscal é equivocado, como buscará demonstrar; 5. Para o Fisco , importa em violação do art. 55, V, da Lei n.° 8.212/91, a prática de doações a outras entidades ou órgãos públicos; 6. O Fisco e o CARF devem ter bom senso e razoabilidade na apreciação do feito, pois a entidade é idônea e é responsável por salvas milhares de vidas; 7. Como consta de voto proferido no extinto CRPS, “o Princípio da Razoabilidade é a imposição da utilização do bom senso das autoridades administrativas ao apreciar os fatos, e bem assim a legislação de regência, evitando causar sérios prejuízos aos administrados, a pretexto de insignificantes 'irregularidades' num contexto infinitamente maior”; 8. Não há ilicitude em doar recursos a outras entidades beneficentes; 9. A realização de doações por parte da interessada a outras entidades beneficentes significa aplicação do seu resultado operacional no desenvolvimento de suas atividades institucionais; 10. É público e notório que muitas entidades dependem exclusivamente de doações para se manterem; 11. Aliás, esse é o caso de praticamente todas as entidades que receberam as doações da interessada; 12. Muitas delas pediram doações à interessada para custear as suas despesas operacionais mais básicas, como pagamento de salários; 13. Também não pode o Fisco exigir da interessada que fiscalize a aplicação dos recursos doados; 14. Este, aliás, foi o argumento determinante para que o Fisco desconsiderasse as doações, como consta da fl. 2.559; 15. A recorrente acosta aos autos parecer técnico contábil, o qual atesta a absoluta efetividade e regularidade fiscal contábil das doações realizadas, e também que a interessada aplica seus resultados na manutenção e no desenvolvimento de suas atividades; 16. Segundo consta da diligência fiscal, somente receberam doações as seguintes pessoas jurídicas: 16.1 União Brasileira Fundação Dorina Nowill para Cegos (CNPJ n.° 60.507.100/000130); Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 11 19 16.2 União Brasileirolsraelita do Bem Estar Social – UNIBES (CNPJ n.° 60.978.723/000191); 16.3 Confederação Israelita do Brasil CONIB (CNPJ n.° 43.336.833/0001 30); 16.4 Associação Brasileira de Talassemia – ABRASTA (CNPJ n.° 50.711.845/000163); 16.5 Fundação Faculdade de Medicina (CNPJ n.° 56.577.059/000100); e 16.6 Sociedade Religiosa e Beneficente Israelita Lar dos Velhos (CNPJ n.° 60.922.549/000165). 17. Os estatutos sociais e as DREs das referidas entidades, e também os documentos anexos (doc. 04). comprovam que elas estão direta e intrinsecamente ligadas à prestação de serviços na área de saúde, são beneficentes e não possuem fins lucrativos; 18. A recorrente traça comentários e presta informações sobre as entidades citadas; 19. As considerações antecedentes autorizam a incontestável conclusão de que as doações realizadas pela interessada foram feitas a entidades beneficentes idôneas, que realizam importantíssimos trabalhos sociais junto a pessoas necessitadas; 20. Entende a interessada que foram esses os esclarecimentos requeridos pelo CARF ao converter o feito em diligência; 21. A documentação acostada aos autos por forca da diligência fiscal comprova que a interessada e as entidades donatárias aplicaram os seus recursos e resultados integralmente na manutenção e no desenvolvimento de suas atividades, além de não remunerarem de nenhuma forma seus dirigentes; 22. Sobre a suposta remuneração de dirigentes a recorrente alega que o Fisco não produziu prova alguma de que a remuneração ocorreu; 23. As entidades são reconhecidas como beneficentes pelo CNAS e pelos Conselhos Estadual e Municipal; 24. Ficou mais que comprovado que as doações foram feitas a entidades beneficentes legalmente constituídas com observância de todas as normas aplicáveis à espécie, que, como o próprio Fisco asseverou, tem usualmente suas receitas constituídas de doações; Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 20 25. Para afastar qualquer dúvida a respeito da legitimidade das doações feitas através de cessões de crédito a receber de pacientes inadimplentes, a interessada, através do parecer técnico contábil (doc. 03), junta a documentação que dá suporte aos lançamentos dos valores de R$ 2.572.000,00 (dois milhões, quinhentos e setenta e dois mil reais) e de R$ 3.045.000,00 (três milhões e quarenta e cinco mil reais), além do que indica quais foram as entidades beneficentes que receberam os recursos; 26. Por fim, devem ser tecidas algumas considerações sobre as supostas ações judiciais que estariam em trâmite em desfavor da entidade; 27. A ação mencionada no relatório discute, com fundamentos no mínimo midiáticos, os CEBAS emitidos a favor da interessada; 28. Portanto, como o próprio Fisco anotou no seu relatório, a ação não discute a mesma matéria objeto do presente feito, o que dispensa maiores considerações; 29. O Fisco só fez essa anotação para, no campo das entrelinhas, colocar mais uma vez em dúvida a credibilidade da interessada, e de forma maldosa, com nítido intuído de condenação antecipada; e 30. Ante o exposto, em síntese, solicita o provimento de seu recurso. A recorrente, aditando sua manifestação, anexou informação, fls. 02835, sobre doações efetuadas às entidades citadas e adiciona doações em materiais, equipamentos, medicamentos ao Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, à Prefeitura Municipal de Juquitiba, colocandose à inteira disposição para novos esclarecimentos. Novamente, a recorrente, aditando sua manifestação, anexa informação, fls. 02876 a 04142, com parecer técnico contábil complementar, sobre doações efetuadas. A Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) emite despacho e sugere o envio do processo ao CARF, fls. 04144. A Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) emite novo despacho e questiona os procedimentos determinados pela Lei 12.101/2009, entre eles que: 1. O CARF deveria se abster de qualquer pronunciamento sobre o processo em tela, na medida em que julgar processos atinentes á isenção previdenciária (cancelamento e indeferimento) deixou de ser competência do CARF, com a mudança imposta ´pela Lei 12.101/09; 2. Pretendemos, enfim, com o histórico a seguir sintetizado, inviabilizar qualquer dúvida de que o cancelamento da isenção previdenciária da Recorrente constitui fato Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 12 21 pretérito e, no âmbito administrativo, matéria processualmente preclusa; 3. Conclui, ratificando a convicção de que não há como questionar o cancelamento da isenção ocorrido à época do fato gerador, se o próprio CARF não o revogou, na ocasião em que lhe era facultada tal prerrogativa, o Ato Cancelatório n° 05/2006 persiste e fundamenta, insofismavelmente, os lançamentos de débitos já feitos. Devidamente intimado, a recorrente apresentou suas considerações, fls. 04219, argumentando, em síntese, que: 1. As doações foram regulares; 2. Os pareceres técnicos e suas conclusões confirmam a regularidade citada; 3. A Lei 8212/1991 não veda a realização de doações; 4. As doações realizadas sempre atenderam a prática de atos beneficentes; 5. A auferição de lucro pela recorrente é procedimento lícito; 6. A fiscalização comportouse como adversária; 7. A tese de que a decisão de primeira instância, agora, com a mudança na legislação, é definitiva é tão absurda que não merece comentários; 8. Por todos os motivos, requer o provimento de seu recurso. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 4544DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 22 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Possuindo todos os requisitos exigidos pela legislação, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Cabe destacar, que, em nossa análise, não encontramos razão para decidir pela nulidade das acusações, pois as mesmas não se configuram com as hipóteses previstas na legislação para tanto. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ainda quanto às preliminares, o primeiro questionamento da recorrente é de que a fiscalização do INSS é incompetente para cancelar a imunidade. Com todo respeito, não é essa a determinação que consta da legislação. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. Como determinado acima, o INSS, na época dos fatos geradores, possuía a competência legal para cancelar a isenção discutida, não possuindo razão o argumento. A recorrente alega, também, que os requisitos para a obtenção do certificado somente podem ser fiscalizados e qualificados pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), não cabendo ao INSS imiscuirse sem competência legal para tanto. Esse é um ponto que concordamos com a recorrente, pela redação da determinação legal que define a questão, que vigorava na época dos fatos. Fl. 4545DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 13 23 Lei 8.472/1993: Art. 18. Compete ao Conselho Nacional de Assistência Social: ... III observado o disposto em regulamento, estabelecer procedimentos para concessão de registro e certificado de entidade beneficente de assistência social às instituições privadas prestadoras de serviços e assessoramento de assistência social que prestem serviços relacionados com seus objetivos institucionais; IV conceder registro e certificado de entidade beneficente de assistência social. Decreto 2.536/1998: Art . 7º Compete ao CNAS julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social, observando as disposições deste Decreto e de legislação específica, bem como cancelar, a qualquer tempo, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, se verificado o descumprimento das condições e dos requisitos estabelecidos nos arts. 2º e 3º. Decreto 3.048/1999: Art. 210. O Instituto Nacional do Seguro Social, a Secretaria de Estado de Assistência Social e o Conselho Nacional de Assistência Social manterão intercâmbio de informações, observados os seguintes procedimentos: I o Conselho Nacional de Assistência Social comunicará mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria de Estado de Assistência Social as decisões sobre deferimento ou indeferimento dos pedidos de concessão ou renovação do Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos; Como está claro, a competência para a decisão sobre o cancelamento, deferimento ou indeferimento dos pedidos de concessão e renovação do Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos era do CNAS, que simplesmente comunicava ao INSS suas decisões. A recorrente, devido à competência do CNAS, solicita que a decisão deve ser anulada. Pelo que verificamos esse não é motivo para nulidade do processo, pois não afetou o direito de defesa da recorrente e não afetará a decisão sobre a observância, ou não, das determinações constantes do Art. 55 da Lei 8.212/1991, motivo de não decidirmos sobre a nulidade da decisão, como solicitado. Fl. 4546DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 24 Entraremos com mais profundidade nessa questão no mérito, momento de análise dos motivos que levaram ao cancelamento da isenção, por, segundo o Fisco, afronta às determinações da Lei 8.212/1991. Em outro ponto, ainda nas preliminares, a recorrente afirma que a decisão deve ser anulada, pois não enfrentou todos os argumentos da recorrente, em sua impugnação, cerceando sua defesa. Para a recorrente o cerceamento de defesa ficou patente na decisão sobre o pleito de dilação de prazo para apresentação de defesa, sob o singelo argumento de que não foi demonstrada a existência de nenhum motivo relevante para justificar o pedido. Não concordamos com o argumento da recorrente, pois, de forma singela, ou não, o argumento foi analisado e decidido e, além do mais, os prazos para interposição de impugnações e recurso são definidos não pelo Fisco, mas pela legislação, que os determina. Esclarecemos aa recorrente que a atividade do Fisco deve ser totalmente vinculada à legislação, não podendo o agente fiscal agir com discricionariedade, sob pena de responsabilidade funcional, portanto, não há razão no argumento. Alega também a recorrente que a decisão de primeira instância não enfrentou todas as alegações constates da impugnação, cerceando o direito de defesa da recorrente, pois não indicou as razões de fato e de direito que teriam levado à desconsideração dos argumentos e provas trazidos pela recorrente. Ocorre que na análise do recurso sobre a questão dessa nulidade requerida, fls. 0483 a 0486, não encontramos demonstração de qual ponto não foi enfrentado pela decisão. Para que o argumento da recorrente fosse válido haveria a necessidade, obrigatoriedade, de que fosse demonstrado o argumento que não foi enfrentado, pois sem essa demonstração não há como dar razão aa recorrente. Ressaltamos que, de ofício, verificamos se todos os argumentos presentes na defesa foram enfrentados e chegamos à conclusão que todos foram analisados e decididos. Portanto, não há razão nessa alegação da recorrente. Por fim, a recorrente afirma que no presente caso tratase de um caso de imunidade e não de isenção e que somente lei complementar pode determinar as exigências a serem cumpridas para a imunidade tratada na Constituição Federal (CF/88), sendo esta Lei o Código Tributário Nacional (CTN), em disposição expressa no Art. 14. Portanto, apenas o comprovado descumprimento dos requisitos previstos no art. 14, do Código Tributário Nacional, poderseia levar à eventual suspensão do benefício constitucional em tela. Não compactuamos com o argumento da recorrente. Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 14 25 Esclarecemos à recorrente que o Art. 14, do CTN, regula os requisitos disposto no art. 150 da CF/88, que trata na verdade a isenção o de impostos, enquanto que o art. 55 da lei 8212, regula a isenção de contribuições prevista no art. 195, da CF/88. CTN: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... IV – cobrar imposto sobre: ... c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; ... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II – aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Assim, como está cristalino na redação do CTN acima, o Art. 14 regula, somente, a isenção de impostos, não sendo aplicável, portanto, a outra espécie de tributo, às contribuições, cerne do processo em questão. Não há, também , como argumentar que a disposição do CTN pode ser aplicada ao gênero tributo, pois o § 7º, do Art. 150, da CF/88, reconhece a distinção entre as espécies tributárias, impostos e contribuições. Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 26 CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... § 7º A lei poderá atribuir a recorrente de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de impostos ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. O benefício isentivo quanto às contribuições para a Seguridade Social está determinado no §7º, Art.195, da CF/1988, que prevê para o usufruto do benefício o atendimento de requisitos previstos em Lei, no caso a Lei 8.212/1991. CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Destarte, para finalizar esse tópico, para fazerem jus ao benefício previsto no § 7°, Art. 195, da CF/88, a recorrente deve, ou deveria, cumprir os requisitos estabelecidos no art 55, da Lei 8.212/91, como defendido pelo Fisco. Por todo o exposto, rejeito todas as preliminares suscitadas pela recorrente, nos termos do voto, e passo ao exame do mérito da questão. MÉRITO Quanto ao mérito, antes de mais nada, devemos registrar, para foco, a acusação fiscal. Para o Fisco, o benefício fiscal deve ser cancelado por descumprimento de três requisitos para seu usufruto, determinados no Art. 55, da Lei 8.212/1991., fls. 006 do RF. Fl. 4549DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 15 27 Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Portanto, resta claro que a pessoa jurídica, para usufruir do benefício fiscal, deve atender cumulativamente todos os requisitos determinados na legislação e, no presente caso, para o Fisco, a recorrente não atendeu os requisitos previstos nos incisos III, IV e V. Cabe destacar que analisaremos a questão com respeito ao devido processo legal, Princípio basilar do Estado Democrático de Direito. O direito ao devido processo legal vem consagrado pela Constituição Federal no art. 5º., LIV e LV, ao estabelecer que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal e ao garantir a qualquer acusado em processo judicial ou administrativo o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Conseqüentemente, o devido processo legal pressupõe uma imputação acusatória certa e determinada, permitindo que o réu, conhecendo perfeita e detalhadamente a acusação que se lhe pesa, possa exercitar a sua defesa plena. Assim, seguiremos e verificaremos sem alteração ou inovação as acusações fiscais, pois cabe ao Fisco a fase de acusação e cabe ao julgador a análise dessa acusação. Analisaremos, portanto, cada um dos requisitos, segundo a acusação fiscal. Fl. 4550DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 28 III PROMOVER a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes, fls. 007 a 0026. No RF, fls. 002 a 039, o Fisco elenca as ações e omissões que, segundo ele, demonstraram o descumprimento do inciso III, do Art. 55 da Lei 8212/1991, nos itens 16 a 128, fls. 007 a 026. A recorrente vem, desde sua impugnação, questionando essa acusação fiscal, pois, para ele, o Fisco estaria adentrando em critérios para a concessão do certificado, análise fora da sua competência, que seria, somente, a verificação dos requisitos do Art. 55, da Lei 8.212/1991. Não vamos tecer maiores considerações sobre o tema, pois, nas preliminares, já decidimos – com base na legislação citada que cabe ao Fisco a verificação dos requisitos previstos no Art. 55, da Lei 8.212/1991 e cabe ao CNAS a decisão para cassação, deferimento ou indeferimento sobre o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Pois bem, na leitura dos itens citados acima, que, como já dissemos, demonstrariam o descumprimento do determinado no III, Art. 55 da Lei 8.212/1991, encontramos várias acusações sobre procedimentos adotados e custos considerados como assistência social que não deveriam ocorrer, como: 1. Valores resultantes da isenção maiores de que os valores gastos com assistência social; 2. Preços registrados de serviços que compõem o cálculo de gratuidade muito maiores do que os praticados no mercado; 3. Custo com atendimento a pessoas físicas que possuem, reconhecidamente, alto padrão social; 4. Discriminação no atendimento, com privilégio a certa comunidade religiosa; 5. Custos administrativos considerados como assistência social; 6. Valores não reembolsados por Prefeitura; 7. Parcerias com Governo; 8. Atendimentos em outros hospitais, por convênio com a empresa Porto Seguro; 9. Trabalho realizado por corpo de voluntários (gratuito ou arcado por doações); 10. Custos integrais de serviços realizados em parceria com grandes empresas; 11. Treinamento em comunidades carentes; Fl. 4551DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 16 29 12. Custos com criação de unidade de forma irregular documentalmente junto à comunidade carente, cujos serviços médicos e grande parte de projetos são terceirizados ou patrocinados por terceiros, além de servir de campo de treinamento, estágio e aperfeiçoamento; 13. Custo com lar de idosos alguns pagantes de altos valores ou doadores de imóveis que direciona seu atendimento, em sua gigantesca maioria, a camada exclusiva da população; 14. Doações de verbas, materiais e equipamentos; 15. Cessão de créditos a receber; 16. Custos com instituto de pesquisa; 17. Custos com curso de educação superior e aperfeiçoamento em saúde; 18. Investimentos em ativo imobilizado. Por fim, após a descrição minuciosa dos fatos acima, o Fisco conclui: “26. Desta forma, consideramos prejudicada a análise dos números apresentados pela Entidade para comprovação do atendimento ao disposto no inciso III e sua parte final, do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Resumo do Quadro I 1998 1999 2000 2001 Gratuidades apresentadas pela entidade nos Relatórios de Atividades 39.776.828,44 53.092.642,68 40.940.156,61 51.984.474,37 ISENÇÃO USUFRUÍDA declarada nos R.A. 20.122.820,72 28.678.832,84 33.211.579,86 36.685.928,69 Total de gratuidades considerado Pela Junta Fiscal 800.842,36 943.499,83 2.041.407,00 814.693,21 Total de qratuidades desconsideradas Pela Junta Fiscal 38.975.986,08 52.149.142,85 38.898.749,61 51.169.781,16 Resumo do Quadro I 2002 2003 2004 2005 Gratuidades apresentadas pela entidade nos Relatórios de Atividades 78.364.000,00 93.584.000,00 121.395.000,00 181.472.000,00 ISENÇÃO USUFRUÍDA declarada nos R.A. 60.977.560,00 60.594.190,00 55.416.889,00 142.870.554,00 Fl. 4552DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 30 Total de gratuidades considerado Pela Junta Fiscal 10.932.000,00 12.855.000,00 13.935.000,00 6.389.000,00 Total de qratuidades desconsideradas Pela Junta Fiscal 67.432.000,00 80.729.000,00 107.460.000,00 175.083.000,00 CONCLUSÃO SOBRE O CUMPRIMENTO DO REQUISITO PREVISTO NO INCISO III DA LEI N° 8.212/91 127. Por todo o exposto, podemos concluir que, de acordo com a legislação, somente podem ser computados como gastos assistenciais os valores efetivamente despendidos ou suportados pela entidade com o atendimento aos pacientes não pagantes pela prestação de serviços médicohospitalares por estar presente a condição de carência e do atendimento a necessidade básica, além de parte do custo com o Departamento de Voluntariado, já que estes atendem tanto carentes como pagantes. Assim, os valores aplicados em assistência social são bem inferiores aos da isenção usufruída. 128. Para que a entidade comprovasse o atendimento ao previsto no inciso III do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, seria absolutamente necessário que o valor das gratuidades efetivamente concedidas ao público alvo da LOAS se desse em valor igual ou superior ao da isenção usufruída, e que esse público estivesse incluído no rol das pessoas realmente hipossuficientes, as quais a Constituição Federal e a legislação correlata entendem ser os verdadeiros destinatários da Política Nacional da Assistência Social. Ocorre que – com todo respeito ao trabalho desenvolvido pela fiscalização – não encontramos coincidência na conclusão acima com o que determina o inciso III, do Art. 55 da Lei 8.212/1991. Art. 55. ... ... III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Pelo contrário, com a tabela confeccionada pelo Fisco, fls 026, fica comprovado que a recorrente “promoveu” a assistência social, pelos valores registrados nos campos correspondentes a”Total de gratuidades considerado Pela Junta Fiscal”. Destaquese que a determinação legal não fixa valores, porcentagens, limites, regras, apenas determina que a entidade promova a assistência social e isso, pelo próprio relato do Fisco, é feito. Fl. 4553DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 17 31 Essas acusações poderiam, em tese, demonstrar o descumprimento das determinações expressas para a concessão ou manutenção do CEBAS, mas como já analisamos, pelo que foi verificado nas determinações legais, quem é competente para cassar ou indeferir o CEBAS era, na época dos fatos, o CNAS, inclusive motivado por acusações do Fisco. Portanto sem prejuízo de verificação do cumprimento dos requisitos para o deferimento ou a manutenção do CEBAS, pelo órgão competente, o CNAS – não há razão no argumento do Fisco sobre o descumprimento do requisito determinado no inciso III, do Art. 55 da Lei 8.212/1991. V – APLICAR INTEGRALMENTE o eventual RESULTADO OPERACIONAL na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades, fls. 026 a 031. Neste ponto do RF a fiscalização embasa seu ponto de vista, a favor do cancelamento da isenção, pelo descumprimento do requisito previsto no inciso V, do Art. 55, da Lei 8.212/1991, conforme sua conclusão, fls. 031: “162. A conclusão que chegamos com isso é que a Entidade não aplica integralmente o resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, pois parte de seus recursos materiais e humanos são destinados a favorecer os cessionários, profissionais médicos componentes de seu Corpo Clínico e diretores estatutários na sonegação de impostos e contribuições sociais, configurando, assim infração ao inciso V, do artigo 55, da Lei n° 8.212/1991.” O Fisco chega à conclusão de que “recursos materiais e humanos são destinados a favorecer os cessionários, profissionais médicos componentes de seu Corpo Clínico e diretores estatutários na sonegação de impostos e contribuições sociais”, devido, em síntese: 1. Equipamentos de alta tecnologia são importados pela recorrente, com isenção tributária, mas atendem, servem, aos médicos e diretores, que alugam espaços no hospital; 2. Equipes de manutenção do hospital são colocados à disposição dos médicos que alugam espaços no hospital; 3. Há subordinação na relação entre médicos e a recorrente, caracterizando os profissionais como segurados empregados e não contribuintes individuais; Fl. 4554DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 32 4. Criouse uma roupagem para encobrir o vínculo entre o hospital e os médicos que fazem parte do seu Corpo Clínico, de forma que o paciente, ao invés de pagar o hospital e este repassar ao seu profissional, efetua dois pagamentos em separado, um para o hospital e outro ao médico, portanto, hospital e médicos realizam negócio para prejudicar interesses de terceiro (governo e previdência social); 5. Os médicos cadastrados no Corpo Clínico e os diretores nada pagam pela utilização de toda a infra estrutura do Hospital para os procedimentos cirúrgicos e ambulatoriais; e 6. Há simulação na relação com o corpo clínico aberto, pois os mesmo deveriam ser segurados empregados da recorrente. Novamente, com todo respeito ao trabalho fiscal, apesar da série de graves denúncias elencadas, não há relação dos fatos com o requisito determinado no V, Art. 55 da Lei 8.212/1991 de “aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais”. Aplicar integralmente seu eventual resultado operacional significa dizer que o resultado operacional (diferença positiva entre receitas e despesas operacionais), quando ocorrer, deve ser aplicado de forma total na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, não podendo ser diminuído ou distribuído, objetivos estes que estão definidos no estatuto social da entidade. Destacamos, os fatos descritos, em tese, são gravíssimos e devem, caso comprovados, gerar sérias conseqüências, mas nem por isso eles possuem relação com aplicação integral de resultado operacional. Pelo exposto, não há razão no argumento do Fisco. Antes de adentrarmos no próximo tópico de análise, cabe ressaltar disposição do Decreto 70.235/1972, referente ao descrito sobre importação de equipamentos: “Art. 12. O servidor que verificar a ocorrência de infração à legislação tributária federal e não for competente para formalizar a exigência, comunicará o fato, em representação circunstanciada, a seu chefe imediato, que adotará as providências necessárias.” Fl. 4555DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 18 33 IV NÃO PERCEBER SEUS DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES, REMUNERAÇÃO E NÃO USUFRUAM VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A QUALQUER TÍTULO, fls. 031 a 037. Nesse tópico o Fisco informa que vários diretores estatutários possuem contratos de cessão de espaço e/ou utilizam a infra estrutura do hospital, relacionando os diretores, fls. 031. Informa, também o Fisco que, apesar de devidamente solicitados, poucos contratos com os diretores foram apresentados, pois, segundo a recorrente, a maioria desses contratos eram verbais, sob alegação de que os contratos ainda não tinham sido confeccionados, fls. 032. Primeiramente, o Fisco cita cessões de espaços no Hospital de forma gratuita, para diretores. Na análise das provas juntadas pelo Fisco não encontramos prova alguma dessa alegação, como também não encontramos a demonstração clara do privilégio obtido pelos diretores. Assim, quanto á cessão de espaço, não há como dar razão ao arguemtno do Fisco. Entre os fatos descritos pelo Fisco, que teriam beneficiados diretores, há a contratação de empresas desses diretores para atuar no hospital, fls. 032. O Fisco cita duas empresas, que atuam em oncologia e oftalmologia. Na empresa que atua em oncologia o Fisco verificou que: 1. No contrato firmado entre a recorrente e a empresa do diretor estatutário citado, fls. 0311, fica evidente a remuneração, vantagem, benefício do diretor da entidade através de sua empresa; 2. A empresa do diretor é contratada pela recorrente para prestar serviços na área de oncologia, com os serviços sendo realizados tanto nas instalações do Hospital quanto em suas unidades avançadas ou na própria sede da empresa; 3. O corpo de empregados do hospital fica submetido às escalas e às determinações da empresa do diretor; 4. Os medicamentos e materiais serão adquiridos e fornecidos pelas duas partes; 5. As contas dos pacientes particulares e os que disponham de cobertura de despesas através de fontes Fl. 4556DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 34 pagadoras atendidas pela recorrente serão cobradas pela recorrente; 6. A empresa do diretor fará as cobranças de pacientes que mantenham convênios de assistência médica que ela atenda e que não sejam atendidos pelo hospital; 7. Em caso da empresa do diretor sofrer glosa determinada pela fonte pagadora caberá ao hospital (recorrente em questão) as providências para o recebimento futuro; 8. Portanto, o que há é espécie de fusão entre a empresa e o hospital para a prestação de serviços da especialidade do diretor em questão (oncologia); 9. Vale salientar que o hospital se responsabiliza até pelo esforço de recebimento de cobranças da empresa do diretor que não sejam pagas de imediato; 10. Na clausula 8ª do Instrumento Particular de Prestação Recíproca de Serviços que trata da remuneração e do encontro de contas é que se constata o absurdo de tal instrumento; 11. O hospital repassará a empresa do diretor, no caso de pacientes atendidos nas instalações do hospital, com planos de saúde conveniados com o hospital, 25% (vinte e cinco por cento) do total do faturamento dos tratamentos quimioterápicos e dos medicamentos anti neoplásicos; 12. Já no caso de pacientes atendidos nas instalações do Hospital, com planos de saúde conveniados com a empresa do diretor, a empresa do diretor realizará o faturamento para as fontes pagadoras e repassará 75% (setenta e cinco por cento) para o hospital a título de ressarcimento de medicação e materiais utilizados; 13. Para os pacientes atendidos na sede da empresa do diretor, com planos de saúde conveniados exclusivamente com o hospital, este realizará o faturamento e repassará 75% (setenta e cinco por cento) para a empresa do diretor a título de pagamento da utilização de suas dependências e da supervisão técnica; 14. Portanto, há pelo menos duas irregularidades, a primeira é uma tentativa de burlar os planos de saúde utilizandose de uma manobra para que o paciente sendo conveniado com o hospital ou com a empresa do diretor seja atendido pelo plano independente das instalações que utilizar; Fl. 4557DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 19 35 15. A segunda irregularidade é a troca de benefícios não equilibrada já que todos pacientes que forem atendidos pelo hospital terão seu faturamento dividido entre o hospital e a empresa do diretor, não ocorrendo o contrário; 16. A empresa do diretor só dividirá com o hospital os pacientes atendidos em sua sede e que sejam portadores de plano de saúde conveniado com o hospital e não conveniados com a empresa; 17. Portanto, encontrouse uma forma de viabilizar o atendimento a estes pacientes na empresa do diretor quando eles deveriam ser atendidos pelo hospital, caracterizando, assim, favorecimento a empresa do diretor; 18. O Fisco relata os valores, na casa de milhões de reais, que são gerados por esse contrato; Para verificar a acusação fiscal , analisamos o contrato citado, fls. 0311. Destaquese, preliminarmente, pois importante, para respeito à Sumula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o presente contrato foi firmado em 23/08/2001, fls. 0318, com vigência de trinta meses. Portanto, como a IF foi lavrada em 2006, fls. 002 e 039, os fatos não foram afetados pela decadência qüinqüenal determinada pelo STF, na Súmula citada, expressa no CTN. Na análise do contrato encontramos os seguintes termos: “Pelo presente instrumento particular, em que são partes, de um lado a SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, representada como previsto em seu Estatuto Social e doravante designada apenas pela sigla HIAE, e, de outro, a C... , situada à Avenida E..., CNPJ: ..., isenta de Inscrição Estadual, representada como determinado em seu contrato social, adiante tratada apenas pela sigla C..., fica certa e ajustada a relação jurídica de prestação mútua de serviços, que será regida pelo direito vigente e aplicável e pelas seguintes cláusulas e condições. (fls. 0311). ... V Há vários anos, profissionais da C...vêm prestando seus serviços médicos a pacientes internados no HIAE, razão pela qual têm pleno conhecimento das suas instalações, dos seus serviços de enfermagem e da infraestrutura de apoio. ... Fl. 4558DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 36 VIII Entendem as partes que a união de seus esforços para a realização de serviços conjuntos, mediante prestações recíprocas, bem como busca de novos contratos com fontes pagadoras, que BENEFICIARÃO AMBAS AS PARTES, será útil à racionalização desses serviços e beneficiará os pacientes, o que atende aos propósitos previstos em seus respectivos documentos constitutivos. ... 1. OBJETO DO CONTRATO É objeto do contrato, enquanto prestação de serviços: a) Por parte da C..., a prestação de serviços na área de oncologia, participando da negociação com os fornecedores cadastrados de medicamentos e a supervisão da administração de quimioterapia anti neoplásica aos pacientes oncológicos, mantendo presente sem nenhuma interrupção temporal um médico oncologista para supervisão durante o horário de funcionamento do ambulatório Oncologia. ... b) por parte do HIAE, a prestação dos serviços hospitalares com o pessoal, o equipamento, materiais, medicamentos e a infra estrutura apropriada, atendendo às instruções técnicas de comum acordo entre as partes. ... 8ª DA REMUNERAÇÃO E DO ENCONTRO DE CONTAS As partes REMUNERARÃO, uma à outra, da seguinte forma: 1) Pacientes atendidos no HIAE e Unidades Avançadas: a) Pacientes com planos de saúde conveniados com HIAE – a1) Do total do faturamento dos tratamentos quimioterápicos ambulatoriais 75% caberá ao HIAE e 25% à C...; a2) Do total do faturamento do item "medicamentos antineoplásicos", conforme relação anexa, utilizados em pacientes internados nas unidades do HIAE, 75% caberá ao HIAE e 25% e b) Pacientes ambulatoriais com planos de saúde conveniados com a C... A C...realiza o faturamento destes serviços para as C...; fontes pagadoras e deste valor a C...repassa para o HIAE 75% a título de ressarcimento de medicação e materiais utilizados. ... 2) Pacientes atendidos na sede da C.... a) Pacientes com planos de saúde conveniados com a C...– O valor da receita destes atendimentos NÃO é objeto deste contrato; b) Pacientes com planos de saúde conveniados exclusivamente com o HIAE O HIAE realiza o faturamento destes serviços para as fontes pagadoras e deste valor o HIAE repassa para a Fl. 4559DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 20 37 C...75% a título de pagamento da utilização de suas dependências e da supervisão técnica. Mensalmente, ou seja até o dia 20 do mês subseqüente aos serviços prestados, as partes farão a aferição das receitas da unidade e efetuarão a partilha dos resultados na conformidade do ajustado nesta cláusula. Pelos termos do contrato acima, fica claríssimo que as partes, como consignado no próprio contrato, realizam negócio em busca de beneficiar ambas as partes. Portanto, é um negócio que busca, como tantos outros, benefícios e lucros para as partes envolvidas. Ponto de destaque, claro no contrato, é que pacientes da recorrente, quando atendidos nas instalações do diretor, por planos de saúde ligados exclusivamente à empresa do diretor, não remuneram a recorrente. Já os pacientes da recorrente, quando atendidos nas instalações da recorrente, por planos de saúde ligados exclusivamente aa recorrente, remuneram o diretor. Repetimos o que consta da legislação e é a acusação fiscal nesse tópico. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, REMUNERAÇÃO E NÃO USUFRUAM VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A QUALQUER TÍTULO; Portanto, pela determinação da legislação, os diretores, conselheiros, sócios instituidores ou benfeitores da entidade beneficente de assistência social, para a entidade usufruir da isenção, não podem perceber, auferir: 1. Remuneração; 2. Vantagens; e 3. Benefícios a qualquer título. A legislação, portanto, não veda contratos entre empresas e as entidades beneficentes, para parceria e terceirização de serviços, o que a legislação determina é que não pode haver benefícios ou vantagens para o diretor, conselheiro, sócio, instituidor ou benfeitor. Fl. 4560DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 38 Em nosso entender, nesse caso, a vantagem, o benefício à empresa do diretor está claramente demonstrada, pois não há ressarcimento aa recorrente quando este encaminha seus pacientes para serem atendidos pela empresa do diretor. Já o contrário ocorre. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado e, em nosso entender, esse privilégio no contrato está demonstrado. Portanto, caso a entidade desejasse manter sua isenção, ela poderia realizar negócio com empresa que possui como sócio um de seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, mas não poderia conceder vantagens ou benefícios, como demonstrado pelo Fisco e presente nos contratos.. Por fim, não há ilegalidade alguma na parceira, contrato, o que há é o claro benefício a uma empresa de um diretor, o que configura motivo relevante para o cancelamento da isenção, pelo que determina a legislação. Assim, há razão no argumento do Fisco nesta questão. Já na empresa que atua em oftalmologia, fls. 035, o Fisco verificou, em síntese, que: 1. A empresa do diretor presta serviços ao hospital para atendimento de empregados de empresa que contratou hospital; e 2. A empresa do diretor é responsável pelo atendimento oftalmológico em área de checkup. Destaquese, preliminarmente, pois importante, para respeito à Sumula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal (STF), que há notas fiscais de pagamentos a empresa do diretor a partir do ano de 2005, fls. 0343 em diante. Portanto, como a IF foi lavrada em 2006, fls. 039, os fatos não foram afetados pela decadência qüinqüenal determinada pelo STF, na Súmula citada, expressa no CTN. Já neste ponto, analisando de forma total as informações do Fisco, fls. 035 a 037, não encontramos demonstração cabal do Fisco de que ocorreram vantagens ou benefícios. Há, até, item que busca demonstrar, talvez, uma remuneração, mas não de forma taxativa, mas sim de forma duvidosa: 194. A utilização genérica da expressão "Serviços Médicos Prestados" não se faz suficiente para comprovar especificamente os serviços que realmente foram prestados. Assim não pode ser excluída a hipótese de ser este um artifício para encobrir a remuneração d diretor em questão. Foi solicitado então esclarecimentos a entidade conforme TIAD anexo. 195. A entidade informou que o HIAE celebrou um contrato com a empresa Rhodia Brasil Ltda. para a realização de exames, inclusive oftalmológicos, (contrato não anexado por tratar de assuntos confidenciais da empresa) e que o diretor C. L. L. foi o médico escolhido para realizar estes exames em função do seu Fl. 4561DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 21 39 horário no consultório ser compatível aos horários escolhidos pela contratante. Examinandose o contrato entre esta empresa e o HIAE não se encontra nenhuma menção ao horário em que as consultas oftalmológicas deveriam ser realizadas, portanto, em tese, podese considerar que foram concedidas VANTAGENS ao diretor em questão.” Com todo respeito ao excelente trabalho do Fisco, não entendemos o motivo da ausência de horário em contrato ser considerado um benefício, uma vantagem. Acusações fiscais não podem ser caracterizadas “em tese”, devem possuir certeza absoluta. Em respeito ao devido processo legal. Por essa razão, nesse ponto, não ficou demonstrado o descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. Em outro argumento da fiscalização para a configuração de vantagens ou benefícios a diretores, item 0199 o Fisco informa, ao final, que a empresa não conseguiu provar a “não remuneração” ao seu diretor, em contrato para a realização de checkups. Novamente, com todo respeito, quem tem que provar a remuneração, o benefício, a vantagem é a fiscalização e não a recorrente. Por essa razão, nesse ponto, não ficou demonstrado o descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. Por fim, a fiscalização argumenta que “é de se estranhar e refutar que empresas de diretores sejam contratadas para prestarem serviços que, em principio, deveriam ser prestados pelo Corpo Clínico Aberto” (item 0201). E conclui: “202. Em tese, podese afirmar que estas empresas são contratadas como forma de encobrir a remuneração dos diretores da SBIBHAE o que fere o inciso IV do art. 55 da Lei 8212 de 1991.” Novamente, com todo respeito à fiscalização, a acusação fiscal, não pode concluir “em tese”. Na atividade do Fisco ou o descumprimento da legislação ocorreu, ou não, sem espaço algum para qualquer subjetividade. Por essa razão, nesse ponto, não ficou demonstrado o descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. Fl. 4562DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 40 Assim, vantagens, benefícios somente ficaram demonstrados na contratação com empresa de diretor que atua na área de oncologia, o que acarreta a demonstração descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. V – APLICAR INTEGRALMENTE o eventual RESULTADO OPERACIONAL na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades, fls. 037 a 038. Neste ponto a acusação fiscal é fundamentada pelo motivo de que a entidade efetua doações de verbas em dinheiro e materiais para diversas entidades privadas e órgãos públicos, conforme termos de doação, inclusive de bens gravados como componentes de seu patrimônio, fls. 0169 a 0197 e 0355. Antes de mais nada, cabe decidir se doações de materiais para prestações de serviços á saúde configurariam violação à legislação: Lei 8.212/1991: "Art.55 Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. " Em nosso entender, as doações de materiais a entidades de saúde, como as descritas, que atuam no atendimento á população em geral estão em consonância com os objetivos da entidade, citadas abaixo, em seu estatuto (auxiliar à população) e não se configuram em “desvios” de seu resultado. Assim, não há razão no argumento do Fisco, neste ponto. As doações, em dinheiro, segundo o Fisco, estão registradas na contabilidade da recorrente, nas contas referentes a “DESPESAS GERAIS – FILANTROPIA” e nas seguintes suas subcontas: 1. 453201/UNIBES UNIÃO BRAS. BEM ESTAR SOCIAL 2. 453202/FEDERACAO ISRAELITA DO ESTADO DE SP; Fl. 4563DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 22 41 3. 453203/LAR DOS VELHOS "GOLDA MEIR"; 4. 453207/OBRAS ASSISTENCIAIS SOCI; 5. 453209/DOACÃO DE MATERIAIS E MEDICAMENTOS; e 6. 453210/CONIB. Para exemplificar, o Fisco informa que nessas contas constam lançamentos principalmente para a Congregação Israelita Paulista, Federação Israelita do Estado de SP e Confederação Israelita do Brasil, cujo histórico, em alguns casos é: "Doação que será destinada e revertida em ações sociais". Como exemplo cita algumas doações referentes a centenas de milhares de reais para essas entidades, fls. 037. Informa o Fisco, também, que não há nenhuma contraprestação de contas vinculada a estas doações, tornandose impossível verificar se tais valores doados foram aplicados em assistência social. Por fim, o Fisco informa que como resposta à solicitação de informações sobre ações das entidades que receberam recursos a recorrente informou que essa ação não lhe competia. Termina o Fisco concluindo esse tópico com a afirmação de que “a doação de verbas e equipamentos para outras pessoas jurídicas, além de configurar desvio de finalidade na aplicação da isenção usufruída, caracteriza infração ao inciso V do artigo 55 da Lei n° 8.212/91”. Para esclarecermos dúvidas sobre a questão, convertemos o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco informasse quais foram todas as entidades e todos órgãos públicos que receberam verbas em dinheiro. O Fisco respondeu à diligência, informando, nos pontos que nos parecem esclarecedores, que: 1. Foram realizadas diligências nas entidades que receberam recurso da recorrente; 2. Os valores referentes às doações efetuadas não puderam ser totalmente comprovados, pois os registros contábeis não possuem a devida identificação de seus destinatários; 3. Os estatutos das entidades que receberam doações qualificam as entidades como sem fins lucrativos; 4. Sobre o estatuto da recorrente é imperioso destacar que “doações de verbas, materiais e equipamentos Fl. 4564DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 42 médicohospitalares não figuram dentre as finalidades institucionais elencadas no art. 3º”; 5. Na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) da recorrente não há a alocação das doações citadas em despesas operacionais; 6. Inexiste contraprestação de contas vinculada a estas doações, assim é impossível conhecer se tais valores doados foram efetivamente aplicados em assistência social para o públicoalvo da LOAS Lei Orgânica da Assistência Social ou não; e 7. Durante toda a ação fiscal foi solicitada a referida prestação de contas pelas entidades beneficiadas e até esta data não haviam sido apresentadas, sendonos informado que tal prestação não foi feita por não competirlhes a fiscalização de verbas doadas. A recorrente, devidamente intimada, apresentou suas contrarrazões, informando, em síntese, nas partes que nos interessa para a solução da questão, que: 1. Par o Fisco , importa em violação do art. 55, V, da Lei n.° 8.212/91, abaixo transcrito, a prática de doações a outras entidades ou órgãos públicos; 2. O Fisco e o CARF devem ter bom senso e razoabilidade na apreciação do feito, pois a entidade é idônea e é responsável por salvas milhares de vidas; 3. Não há ilicitude em doar recursos a outras entidades beneficentes; 4. A realização de doações por parte da interessada a outras entidades beneficentes significa aplicação do seu resultado operacional no desenvolvimento de suas atividades institucionais; 5. É público e notório que muitas entidades dependem exclusivamente de doações para se manterem; 6. Aliás, esse é o caso de praticamente todas as entidades que receberam as doações da interessada e muitas delas pediram doações à interessada para custear as suas despesas operacionais mais básicas, como pagamento de salários; 7. Também não pode o Fisco exigir da interessada que fiscalize a aplicação dos recursos doados; 8. A recorrente acosta aos autos parecer técnico contábil, o qual atesta a absoluta efetividade e regularidade Fl. 4565DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 23 43 fiscalcontábil das doações realizadas, e também que a interessada aplica seus resultados na manutenção e no desenvolvimento de suas atividades; 9. Segundo consta da diligência fiscal, somente receberam doações seis pessoas jurídicas: 9.1 União Brasileira Fundação Dorina Nowill para Cegos (CNPJ n.° 60.507.100/000130); 9.2 União Brasileirolsraelita do Bem Estar Social – UNIBES (CNPJ n.° 60.978.723/000191); 9.3 Confederação Israelita do Brasil CONIB (CNPJ n.° 43.336.833/000130); 9.4 Associação Brasileira de Talassemia – ABRASTA (CNPJ n.° 50.711.845/000163); 9.5 Fundação Faculdade de Medicina (CNPJ n.° 56.577.059/000100); e 9.6 Sociedade Religiosa e Beneficente Israelita Lar dos Velhos (CNPJ n.° 60.922.549/000165). 10 Os estatutos sociais e as DREs das referidas entidades, e também os documentos anexos (doc. 04). comprovam que elas estão direta e intrinsecamente ligadas à prestação de serviços na área de saúde, são beneficentes e não possuem fins lucrativos; 11 As considerações antecedentes autorizam a incontestável conclusão de que as doações realizadas pela interessada foram feitas a entidades beneficentes idôneas, que realizam importantíssimos trabalhos sociais junto a pessoas necessitadas; 12 As entidades são reconhecidas como beneficentes pelo CNAS e pelos Conselhos Estadual e Municipal; 13 Ficou mais que comprovado que as doações foram feitas a entidades beneficentes legalmente constituídas com observância de todas as normas aplicáveis à espécie, que, como o próprio Fisco asseverou, tem usualmente suas receitas constituídas de doações; e Fl. 4566DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 44 14 Para afastar qualquer dúvida a respeito da legitimidade das doações feitas através de cessões de crédito a receber de pacientes inadimplentes, a interessada, através do parecer técnico contábil (doc. 03), junta a documentação que dá suporte aos lançamentos dos valores de R$ 2.572.000,00 (dois milhões, quinhentos e setenta e dois mil reais) e de R$ 3.045.000,00 (três milhões e quarenta e cinco mil reais), além do que indica quais foram as entidades beneficentes que receberam os recursos. Primeiramente, informamos à recorrente que concordamos com as seguintes alegações apresentadas: 1. Não há ilicitude em doar recursos a outras entidades beneficentes; e 2. As entidades beneficentes citadas são idôneas. Portanto, assim como nos casos de prestação de serviços para e pelo hospital por empresa pertencentes a diretores do próprio hospital, não estamos em nossa análise julgando a licitude, a conveniência, a oportunidade, a necessidade, a importância das entidades citadas, pois estamos, como determina a legislação, somente verificando se o resultado operacional da entidade foi aplicado na manutenção e desenvolvimento de SEUS objetivos institucionais, conforme determina o V, do Art. 55 da Lei 8.212/1991, na época dos fatos. Como já destacamos acima cabe esmiuçar alguns pontos da determinação legal. Aplicar integralmente seu eventual resultado operacional significa dizer que o resultado operacional (diferença positiva entre receitas e despesas operacionais), quando ocorrer, deve ser aplicado de forma total na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, não podendo ser diminuído ou distribuído, objetivos estes que estão definidos no estatuto social da entidade. Receitas e despesas operacionais, componentes que influenciam diretamente o resultado operacional, são, em síntese, transações vinculadas à exploração do objeto da organização. Portanto, a definição do que é operacional cabe ao estatuto da entidade, que define, em síntese, qual é o ramo de exploração do objeto da recorrente. No estatuto social da recorrente consta: “Art. 1º SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN" é associação de caráter beneficente, social, científico e cultural, sem fins lucrativos, com sede e foro na Capital do Estado de São Paulo e fundada aos vinte (20) dias do mês de setembro de 1955 (um mil novecentos e cinqüenta e cinco). Sua duração é de perenidade, Fl. 4567DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 24 45 sem limite temporal, dissolvendose só por lei ou nos termos deste estatuto. Art. 2º A Sociedade tem por missão promover o desenvolvimento da atividade social nos campos da assistência médicohospitalar, do ensino e da pesquisa, em nível de excelência, observados os direitos humanos à luz dos valores universais. Parágrafo Único As instituições da Sociedade visarão, dentro de sua capacidade e dos limites estabelecidos pela legislação, ao atendimento beneficente a carentes, respeitados os direitos e garantias individuais fundamentais previstos na Constituição da República, buscando influir positivamente sobre a saúde da população. Art. 3º Para atender às finalidades antes enunciadas, a Sociedade desenvolverá as seguintes atividades: a. a instituição, a manutenção e o desenvolvimento do Hospital Israelita Albert Einstein, do Instituto de Ensino e Pesquisa e de atividades correlatas; b. o apoio à assistência e ao amparo a idosos; c. a instituição de cursos profissionalizantes na área da saúde, nos níveis técnico, superior, de pósgraduação e de aperfeiçoamento; d. a instituição de sistemas de apoio à pesquisa e ao ensino; e. o estabelecimento de convênios e intercâmbios com universidades e outras instituições para atividades assistenciais, de pesquisa e de ensino, do país ou do exterior; f. a importação e a distribuição de tecnologia, produtos e equipamentos em geral, relacionados às suas Fl. 4568DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 46 finalidades, podendo, para tanto, firmar acordos ou associarse a pessoas físicas e jurídicas, de direito público e de direito privado, inclusive para a simples comercialização de produtos e serviços; g. a concessão de bolsas de estudo e a prática de atos beneficentes compatíveis com as suas finalidades; h. atendimento às exigências determinadas pelo Estado, em sentido amplo, na forma da lei, para o desenvolvimento do serviço social e hospitalar; i. a concessão de licença a terceiros para uso de patentes e outros privilégios obtidos pela Sociedade; j. a atuação como terceira prestadora de serviços relacionados à sua finalidade, a título oneroso ou gratuito; k. instituição de prêmios científicos e culturais; l. a promoção do voluntariado. Parágrafo Único Todas as instituições que façam parte ou vierem a ser criadas pela Sociedade terão sempre, em sua denormnação o nome Albert Einstein. Em um primeiro momento, podemos, assim como o Fisco, chegar à conclusão de que a entidade não deveria realizar doações, pois não há previsão expressa dessa ação em seus objetivos institucionais. Ocorre que consta do estatuto acima, no Parágrafo único, art. 2º, a determinação de que a organização, por suas instituições, visará buscar influir positivamente sobre a saúde da população, pelas ações expressas no art. 3º (atendimento, pesquisa, formação, etc). Fl. 4569DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 25 47 Assim, doações efetuadas às entidades que tenham objetivos semelhantes aos da recorrente devem ser consideradas como aplicação do resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Nesse sentido, analisaremos cada doação. União Brasileira Fundação Dorina Nowill para Cegos (CNPJ n.° 60.507.100/000130). 1. Possuía, na época dos fatos, o CEBAS; e 2. Constam em seu estatuto, fls. 02228, objetivos semelhantes aos da recorrente, como, por exemplo, a participação ativa em ações voltadas à prevenção da cegueira. Portanto, o Estado reconhece a entidade como de assistência social e seus objetivos, expressos no estatuto, coadunamse com os objetivos, expressos no estatuto da recorrente, razão em conceituar a doação oferecida como operacional, não havendo motivo, por essa doação, para cancelar a isenção da recorrente. Associação Brasileira de Talassemia – ABRASTA (CNPJ n.° 50.711.845/000163); 1. Possuía, na época dos fatos, o CEBAS; e 2. Constam em seu estatuto, fls. 02426, objetivos semelhantes aos da recorrente, como, por exemplo, prestar serviços médicos aos telassêmicos. Portanto, o Estado reconhece a entidade como de assistência social e seus objetivos, expressos no estatuto, coadunamse com os objetivos, expressos no estatuto da recorrente, razão em conceituar a doação oferecida como operacional, não havendo motivo, por essa doação, para cancelar a isenção da recorrente. Fundação Faculdade de Medicina (CNPJ n.° 56.577.059/000100) 1. Possuía, na época dos fatos, o CEBAS; e 2. Constam em seu estatuto, fls. 02250, objetivos semelhantes aos da recorrente, como, por exemplo, colaborar com pessoas e entidades interessadas no desenvolvimento das ciências médicas. Fl. 4570DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 48 Portanto, o Estado reconhece a entidade como de assistência social e seus objetivos, expressos no estatuto, coadunamse com os objetivos, expressos no estatuto da recorrente, razão em conceituar a doação oferecida como operacional, não havendo motivo, por essa doação, para cancelar a isenção da recorrente. Sociedade Religiosa e Beneficente Israelita Lar dos Velhos (CNPJ n.° 60.922.549/000165). 1. Possuía, na época dos fatos, o CEBAS; e 2. Constam em seu estatuto objetivos semelhantes aos da recorrente, como, por exemplo, auxiliar idosos. Portanto, o Estado reconhece a entidade como de assistência social e seus objetivos, expressos no estatuto, coadunamse com os objetivos, expressos no estatuto da recorrente, razão em conceituar a doação oferecida como operacional, não havendo motivo, por essa doação, para cancelar a isenção da recorrente. União Brasileirolsraelita do Bem Estar Social – UNIBES (CNPJ n.° 60.978.723/000191). 1. Possuía, na época dos fatos, o CEBAS; e 2. Constam em seu estatuto objetivos semelhantes aos da recorrente, como, por exemplo, prestar serviços sociais e auxiliar idosos. Portanto, o Estado reconhece a entidade como de assistência social e seus objetivos, expressos no estatuto, coadunamse com os objetivos, expressos no estatuto da recorrente, razão em conceituar a doação oferecida como operacional, não havendo motivo, por essa doação, para cancelar a isenção da recorrente. Confederação Israelita do Brasil – CONIB (CNPJ n.° 43.336.833/000130). Destaquese, preliminarmente, pois importante, para respeito à Sumula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal (STF), que as doações à esta entidade foram efetuadas no período entre 2000 a 2005, fls. 02556. Portanto, como a IF foi lavrada em 2006, fls. 039, os fatos não foram afetados pela decadência qüinqüenal determinada pelo STF, na Súmula citada, expressa no CTN. Na análise da entidade e da doação, verificamos, em síntese, que: 1. Não possuía, na época dos fatos, o CEBAS; e Fl. 4571DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 26 49 2. Constam em seu estatuto fls. 02367, como informa a recorrente em sua manifestação, fls. 02601, item 048 objetivos diferentes aos da recorrente, conforme transcrição abaixo: “Art. 1º A CONFEDERAÇÃO ISRAELITA DO BRASIL é o órgão de r e p r e s e n t a ç ã o e coordenação da comunidade israelita do B r a s i l , na forma deste estatuto: ... FINALIDADES Art . 9º A CONIB, no desenvolvimento de suas atividades não fará distinção alguma de raça, cor, sexo, trabalho, credo religioso e convicções políticas. Art. 10º. A CONIB tem por objetivos, respeitada a autonomia peculiar às entidades que a compõem: a ) exercer a representação da comunidade israelita brasileira em qualquer assunto de seu interesse; b) fomentar o cultivo do civismo brasileiro, das tradições judaicas e da compreensão mútua entre pessoas e credos; c) agir contra quaisquer manifestações discriminatórias de caráter étnico ou religioso e, em particular, contra o anti semitismo; d) divulgar a cultura judaica, bem como estimular o intercâmbio entre Brasil e Israel, em todas as áreas de interesse comum; e) patrocinar atividades beneficentes, sociais, religiosas e educacionais de caráter geral da comunidade israelita do Brasil, através das Federações locais; f) planejar e coordenar a atividade conjunta das entidades que a constituem; g) colaborar com associações congêneres, públicas ou provadas, em tudo o que for de interesse comum, bem como filiarse a entidade cujo objetivo não colida com este Estatuto, nem com o interesse nacional; h) estimular a criação de Federações ou Centros Comunitários e estabelecer Delegações da CONIB, onde se faça necessário, na forma do presente estatuto; i) patrocinar, coordenar, fiscalizar, inclusive em colaboração com as filiadas, quando for o caso,, Fundos, Assistências, para atender aos objetivos da entidade e possibilitar sua efetivação. 3. O Estatuto sofreu alteração, mas ainda constam objetivos diferentes aos da recorrente, conforme transcrição abaixo: “Art. 2° As finalidades da CONIB são: Fl. 4572DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 50 (i) representar e coordenar politicamente as ações da comunidade judaica brasileira. (ü) agir contra manifestações de caráter discriminatório, especialmente contra o racismo e o antisemitismo; (iü) estimular a compreensão e a tolerância; (iv) divulgar a cultura judaica e as realizações da comunidade judaica brasileira; (v) patrocinar atividades beneficentes, sociais, religiosas e educacionais da comunidade judaica brasileira, por meio de suas filiadas; (vi) planejar e coordenar as atividades das filiadas; (vii) estimular a criação de Federações, Associações e Centros Comunitários; (viii) estimular e incrementar o intercâmbio entre Brasil e Israel, em todas as áreas de interesse comum;” (fls. 02378) Cabe, também, destacar a descrição que a entidade – conib presta à Sociedade, presente em seu site (http://www.conib.org.br/sobreaconib.ASP): “Conib Fundada em 1948, a Conib Confederação Israelita do Brasil é o órgão de representação e coordenação política da comunidade judaica brasileira, cuja população é estimada em 120 mil pessoas. São filiadas à instituição comunidades organizadas em catorze unidades da federação. A Conib é uma associação sem fins lucrativos, atuando com base em princípios como paz, democracia, combate à intolerância e ao terrorismo, justiça social e diálogo interreligioso. A entidade enfatiza seu caráter apartidário e de representação dos mais diferentes setores da comunidade judaica brasileira, independentemente de sua vertente religiosa ou política. Nestas mais de seis décadas, a Conib vem desempenhando, sobretudo, o papel de um canal de diálogo entre a comunidade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no nível federal. Empenhase também no estreitamento dos laços com diversos organismos da sociedade civil brasileira. A Conib estimula e dá suporte a ações nos campos social, político, cultural e educacional, reforçando o sentido comunitário e a identidade judaicobrasileira. Apóia o Estado de Israel, o movimento sionista e o diálogo pela paz no Oriente Médio. Posicionase na linha de frente do combate ao antissemitismo e à intolerância de todos os matizes.” Fl. 4573DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 27 51 Preliminarmente, devese, aqui, ressaltar a importância da comunidade judaica, por sua brilhante jornada na história da humanidade, sempre dignificando, honrando e dando exemplos de heroísmo, dignidade, caráter, Fé. Em nosso entender, a CONIB é representante, como citado acima, dessa heróica e digna comunidade, em atividades políticas e associativas. Após esse esclarecimento, cabe ressaltar que o Estado, na época dos fatos, não reconhecia a entidade como de assistência social e seus objetivos, expressos em seu estatuto e em sua descrição em sua página da internet, não se coadunam com os objetivos expressos no estatuto da recorrente, razão de decidir que a doação efetuada não se concretiza como operacional, diminuindo seu resultado, que deveria, como determina a legislação, para usufruto do benefício fiscal, ser destinado, exclusivamente, para a manutenção e desenvolvimento de SEUS objetivos institucionais. Ressaltese que a CONIB era uma entidade – na data de ocorrência dos fatos – habilitada no CNAS. Ocorre que habilitação e certificação são qualificações distintas. Somente o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social configura o reconhecimento do Poder Público Federal de que a instituição é Entidade Beneficente de Assistência Social, um dos requisitos para o usufruto da isenção (Art. 55, Lei 8.212/191). Portanto, no nosso entender e por nossa construção, somente, repetimos, o reconhecimento do Poder Público Federal de que a instituição é Entidade Beneficente de Assistência Social, com o devido certificado, seria um dos itens que prestaria para a comprovação de aplicação em seu resultado operacional. Aliás, ressaltese, que a própria recorrente, desde sua defesa, alega que as doações seriam corretas, por serem feitas a entidades certificadas, o que não é o caso, como analisamos. Assim, pelo motivo acima, há razão para o cancelamento da isenção. Esclarecemos à recorrente, também, que os pareceres contábeis anexados pela recorrente não chegam, em suas conclusões, a definição de que as doações possuem relação com suas finalidades, conforme transcrito abaixo: “V. CONCLUSÃO A análise dos demonstrativos apresentados, permite chegar as seguintes conclusões: • O sistema de operacional da contabilidade e o plano de contas do SBIBHAE é atual e adequado ao porte da instituição; • Todas as doações apresentadas por amostragem estão revestidas das formalidades exigidas pela prática contábil e Fl. 4574DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 52 foram contabilizadas, sendo claro que os valores "saíram" das contas da instituição; • Conforme os registros apresentados da Demonstração das Origens e Aplicação de Recursos, os fundos obtidos nas operações da instituição, foram aplicados integralmente na própria instituição.” (fls. 02711) Concordamos, integralmente, com a conclusão do parecer: 1. O sistema é adequado; 2. Todas as doações foram contabilizadas (tanto que o Fisco as identificou); e 3. Os Fundos obtidos foram aplicados na instituição, mas depois de serem reduzidos por doação que não poderia ocorrer, para que fosse mantido o benefício fiscal. A recorrente ainda elaborou outro parecer, que, novamente, não chega, em suas conclusões, a definição de que as doações possuem relação com suas finalidades, conforme transcrito abaixo: “III. CONCLUSÃO Através dos quadros apresentados, com a distinção de cada processo de DOAÇÃO temse que: Todos os processos de DOAÇÃO encontravamse devida e formalmente iniciados, com as solicitações de donatários qualificados (instituições / órgãos públicos), em pleno atendimento às exigências legais. Os materiais/medicamentos/equipamentos e demais bens que pertenciam ao patrimônio da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein tiveram as suas baixas autorizadas e procedidas nas suas respectivas contas. Os materiais/medicamentos/equipamentos adquiridos para atendimentos de solicitações de donatários potenciais tiveram, nos casos pertinentes, as suas aquisições submetidas a processos de cotação de preços com fornecedores externos e as compras realizadas fizeramse acompanhar das respectivas Notas Fiscais de origem, adicionando qualidade ao conjunto documental relacionado à DOAÇÃO. Portanto, verificase que as transações realizadas, em conformidade com os dispositivos dos Termos de Doação, foram suportadas por documentos que reúnem as formalidades intrínsecas e extrínsecas essenciais à sua contabilização.” (fls. 02899). Novamente, concordamos com a conclusão do parecer, mas essas conclusões não afirmam que a doação efetuada está contida nas transações operacionais da recorrente. Fl. 4575DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 28 53 CASO DAVID ZANFIRESCU: O Fisco ainda cita como desrespeito ao V, do Art. 55 da Lei 8.212/1991, a ação da recorrente em arcar com hospedagem e despesas de David Zanfirescu, idoso. Pelas poucas informações prestadas pelo Fisco, não há como definir se a despesa descumpriu o determinado na legislação, pois o Fisco alega que se a entidade possui um Residencial para idosos porque não mantêlo neste residencial? Essa questão é o cerne do problema, que deveria ter sido mais aprofundada para fundamentar a acusação, pois, por exemplo, se a recorrente está prestando apoio a um idoso essa ação estará dentro de seus objetivos institucionais, como já demonstramos, razão para não ser motivo para o cancelamento da isenção. Portanto, como não há maiores esclarecimentos sobre a questão, essa razão não pode ser motivo para o cancelamento da isenção. Por fim, há duas questões que devem ser esclarecidas. A primeira é que o Fisco cita ações populares, vultosos valores e se rebela contra determinações contidas em Lei e Decreto. Nesse sentido informamos que: 1. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), em todas as fases, do lançamento à execução, devese buscar a verificação sobre a certeza da exigência tributária, não devendo seu resultado ser influenciado por valor do crédito, pois a imparcialidade e a obediência às determinações legais são o norte para as decisões; 2. Em nossa competência legal estamos analisando e decidindo o presente processo, na esfera administrativa, e ações populares, caso haja, devem ser tratadas por quem possui competência para tanto, com respeito a todos os Princípios do Estado Democrático de Direito; e 3. Não cabe a servidores públicos questionar determinações de Leis e Decretos, pois esses – até sua modificação – devem ser seguidos e respeitados por todos. A segunda é que a recorrente apresenta fatos, argumentos, ações populares que demonstrariam, em seu entender, desvios de finalidade praticados pelo corpo fiscal que a atendeu. Fl. 4576DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 54 Informamos à recorrente, assim como informamos ao Fisco, que estamos analisando o descumprimento de obrigações legais relativas à concessão de isenção e créditos tributários, pois o CARF não possui competência expressas em seu Regimento Interno (Portaria MF 256/2009) – para tal verificação. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, devido, em síntese, a prática vedada pela legislação de obtenção de vantagem, benefício, por diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, e desvio por doações de vultosas quantias em dinheiro – de parcelas que deveriam ser aplicadas na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da recorrente, como determina a legislação, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 4577DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 29 55 Declaração de Voto Conselheira(o) Bernadete de Oliveira Barros, Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, em relação ao descumprimento do inciso III, do art. 55, da Lei 8.212/91, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por dar provimento ao recurso nessa questão, argumentando que não há razão no argumento do Fisco sobre o descumprimento do requisito determinado no inciso III, do Art. 55 da Lei 8.212/1991. Entende que as acusações do fisco poderiam, em tese, demonstrar o descumprimento das determinações expressas para a concessão ou manutenção do CEBAS, e quem é competente para cassar ou indeferir o CEBAS era, na época dos fatos, o CNAS, inclusive motivado por acusações do Fisco. Concorda com a recorrente quanto ao argumento de que, da leitura do Decreto 2.536/98, constatase que é competência do CNAS julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social e cancelar o Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos CEAS. Contudo, observase que, em nenhum artigo do mencionado Decreto, há a determinação expressa de que a competência para julgar se uma entidade promove a assistência social beneficente é exclusiva do CNAS. Por outro lado, a Lei 8.212/91 elenca, no art. 55, os requisitos para concessão de isenção, e entre eles, além de ser portadora do CEAS emitido pelo CNAS (inciso II), o legislador registrou a necessidade de a entidade promover a assistência social beneficente. Ora, se o legislador entendesse que o INSS, hoje a RFB, não tem competência para julgar se uma entidade promove a assistência social beneficente, não teria incluído tal exigência no art. 55, sendo suficiente o cumprimento dos requisitos restantes. Porém, a inclusão do disposto no inciso III no referido dispositivo legal vem reforçar a condição para que a entidade faça jus ao benefício da isenção previdenciária, qual seja, promover a assistência social. A Procuradoria do Ministério da Previdência Social já se pronunciou sobre a matéria, conforme Parecer 2.416/2001: 16. Importante ressaltar que o reconhecimento de que a entidade é de assistência social beneficente é apenas um dos requisitos, mas com certeza, o mais importante, para obter o benefício da isenção. Tanto é assim que entre os requisitos do art. 55, a necessidade de promover a assistência social é exigida duas vezes e de forma distinta. A primeira, quando elenca o registro e o certificado de entidade de fins filantrópicos como documentos indispensáveis para a obtenção da isenção. Como é sabido, Fl. 4578DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 56 embora a isenção deva ser pedida ao INSS, quem registra e certifica que a entidade é beneficente de assistência social é o Conselho Nacional de Assistência Social, órgão colegiado integrante da estrutura do Ministério da Previdência e Assistência Social, distinto da autarquia previdenciária. 19. Uma entidade, para obter o benefício da isenção deve comprovar perante o CNAS e perante o INSS que promove a assistência social, mas em ambos os casos, o conceitos e os objetivos da assistência social devem ser buscados na legislação pertinente. Portanto, ao contrário do que entende a recorrente, a Autarquia Previdenciária possuía, sim, à época, competência para julgar se a entidade promove a assistência social beneficente. Esse também é o entendimento fixado pela Procuradoria do MPS, conforme Parecer 3.093/2003, que deixa claro que o CEAS, antigo CEBAS, constitui tãosomente um dos requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei 8.212/91 para a concessão da isenção das contribuições previdenciárias, e concluindo que a verificação do cumprimento das demais exigências fixadas no referido artigo é da competência do INSS (RFB). Relativamente à incompetência jurídica da fiscalização previdenciária, hoje da RFB, para analisar e julgar programas, projetos, ações de assistência social e gratuidades, é oportuno transcrever o § 8º, art. 206, do Decreto: § 8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: I se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; Esse também é o entendimento fixado pelo Parecer nº 3.133/2003 da Consultoria Jurídica do INSS, cujo trecho transcrevemos a seguir: (...) 5 Observase da norma vigorante que o INSS é a entidade competente para a concessão da isenção das contribuições para a seguridade social. A lei atribuiu a esta autarquia previdenciária a incumbência de receber os requerimentos de concessão/renovação da isenção das contribuições previdenciárias, do que decorre, logicamente, o dever de averiguar o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91.(g.n) 6 Também afigurase derivação lógica da supracitada incumbência legal o poderdever do INSS fiscalizar o Fl. 4579DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 30 57 cumprimento constante das exigências definidas no art. 55 da Lei nº 8.212/91, procedendo ao cancelamento da isenção sempre que constatar o inobservância dos requisitos fixados neste dispositivo legal. Convém frisar que o cancelamento da isenção deverá observar o princípio do contraditório e da ampla defesa. 7 Sobre o tema foi aprovado pelo Sr. Ministro da Previdência Social o Parecer nº 2.272, de 28 de agosto de 2000, no qual restou assentada a competência do INSS para verificar o cumprimento do disposto no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e para cancelar a isenção das entidades que deixarem de atender os requisitos previstos no citado dispositivo de lei. (grifei) Portanto, ao contrário do que entende a recorrente, a fiscalização previdenciária, hoje da Receita Federal do Brasil, possui, sim, competência para julgar se a entidade cumpre os requisitos necessários à manutenção da isenção, entre eles o de promover a assistência social, podendo, conseqüentemente, analisar e emitir considerações a respeito do tema. A auditoria realizada nos documentos da entidade demonstrou que a SBIBHAE não promove a assistência social beneficente nos moldes preconizados pela Constituição Federal. A fiscalização constatou que os destinatários dos serviços prestados pela recorrente não se enquadram na categoria dos que necessitam da assistência social, pois a renda familiar de quase 70% dos beneficiários atendidos na área de saúde é superior a 3 salários mínimos, sendo, em muitos casos, pessoas de classe média, proprietários de imóveis, planos de saúde etc. Verificase que alguns procedimentos que a entidade computa como sendo aplicação em assistência social não poderiam ser assim classificados, como, por exemplo, circuncisões, que não consiste em uma necessidade básica dos hipossuficientes, e valores de créditos que não consegue receber de seus clientes. Entre os procedimentos adotados pela recorrente, apontados pela fiscalização, consta a prática de a entidade considerar, como aplicação em assistência social, doações de verbas, materiais e equipamentos para órgãos públicos e outras entidades, aplicações em projetos de pesquisa, cursos de aperfeiçoamento, gastos com o Residencial Israelita, entre outros, e cujos destinatários não são o público alvo da assistência social. Ou seja, a entidade, de forma equivocada, considera tais procedimentos como sendo de assistência social. No entanto, a Consultoria Jurídica do MPS, nos Pareceres 1.609/98, 2.414/2001 e 3.083/2003, definiu a assistência social como “aquela atividade que provê os mínimos sociais com o objetivo de garantir e atender às necessidades básicas do cidadão” e que “deverá ser prestada a quem dela necessitar, ou seja, ao cidadão socialmente excluído que se encontra em situação de necessidade premente”. Também os Pareceres 2.901/2002, 3.090/2003, 3.138/2003 e 3.296/2004, reforçam o entendimento exposto acima. Fl. 4580DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 58 Sobre a matéria, é oportuno transcrever o artigo publicado pelo professor CELSO BARROSO LEITE: “...a assistência social tem por objetivo atender as necessidades das pessoas que carecem dela. Convém insistir neste ponto: a necessidade de assistência, individual ou social, é inerente à sua natureza. Uma entidade que ofereça, por exemplo, programas culturais gratuitos de alto nível dá as pessoas que não dispõe de recursos para pagar por eles uma oportunidade valiosa, benéfica, e de alguma maneira filantrópica. Entretanto, isso não corresponde a uma necessidade básica, vital dessas pessoas, que decerto apreciam programas culturais de bom nível, mas poderiam viver sem eles. Ainda, por outras palavras: tratase de algo mais e não de um mínimo; e em última análise é essa a diferença entre filantropia e assistência social.” Dessa forma, como a entidade não desenvolve atividade voltada a garantir o atendimento das necessidades básicas dos hipossuficientes, não se pode afirmar que ela promova a assistência social beneficente. Portanto, a recorrente não comprovou que cumpriu o requisito contido no inciso III, do art. 55, da Lei 8.212/91. A fiscalização demonstrou que a entidade não pratica a assistência social nos moldes preconizados pelo art. 203 da Constituição Federal e art. 1º da Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS (Lei 8.742/93). Restou evidenciado na Informação Fiscal que a SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA HOSPITAL ALBERT EINSTEIN considera como gratuidade o não pagamento de despesas e consultas por pacientes, sendo que atribui a essas consultas não pagas valores muito superiores ao cobrado pelo SUS ou mesmo pela UNIMED, pois possui uma tabela própria, destinada à classe alta da sociedade brasileira. A entidade lançou, também, como assistência social, despesas com pessoal, materiais, imóveis e programas em parceria com o governo, destinados a efetuar a capacitação de funcionários dos órgãos do Governo Entretanto, verificase que o atendimento às pessoas carentes não é o foco central desses cursos, e sim a necessidade de colocar em prática os conceitos teóricos relacionados aos diversos cursos por ela ministrados. Tal procedimento contraria os Pareceres MPS/CJ nº 3612/05, 3616/05, 3618/05, e nº 3620/05, pois tais gastos não poderiam compor a conta de gratuidade. Conforme Parecer 2.995/2003, “não são considerados como gratuidade as atividades que não se destinam a suprir uma necessidade vital do cidadão, bem como os serviços prestados por estudantes como atividades curriculares”. Transcrevo, a seguir, como reforço ao exposto acima, trecho do Parecer MPS 3612/05: “... mostrase óbvio que os valores passíveis de qualificação como aplicação em gratuidade ... devem observar diretamente os objetivos da Constituição Federal e da Lei 8.742/93, isto é, Fl. 4581DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 31 59 atender à finalidade atribuída pelo ordenamento jurídico à assistência social, relacionada intrinsecamente à carência econômica de seus beneficiários.” “Por conseguinte, certos valores apresentados pela entidade na rubrica “despesas filantrópicas” como aplicação em gratuidade não parecem obedecer a tais preceitos, citandose como exemplo as despesas relativas a “cursos/encontros/simp. e semin.”, “festas, promoções e passeios”, “impressos” e “livros, jornais e boletins””. Dessa forma, o quadro apresentado pela recorrente para demonstrar que, de acordo com seus cálculos, concedeu gratuidades em valores bem superiores à isenção usufruída não retrata a realidade, pois, conforme visto, foram incluídas despesas ou custos que não poderiam compor o montante gasto com assistência social, por não se tratar de aplicação em gratuidade. Mesmo os atendimentos prestados no posto de saúde instalado junto à comunidade de Paraisópolis não poderiam ser computados no cálculo da gratuidade, já que os atendimentos ofertados não constituem sacrifício econômico por parte da entidade, uma vez que são prestados, em grande parte, por voluntários. Vale esclarecer que tal assertiva não significa que se minimiza ou se ignora o esforço praticado pelas pessoas envolvidas, e sim que o esforço e o sacrifício na prestação dos serviços não são da recorrente e sim dos voluntários e pessoas envolvidas. A entidade alega mas não comprova que pratica a assistência social. Não há, nos autos, elementos que demonstrem os gastos efetivos em ações, serviços e atividades que atendam diretamente as necessidades básicas das pessoas necessitadas, já que os serviços ofertados não se destinam a suprir uma necessidade básica do cidadão. Dessa forma, entendo que restou configurado o descumprimento do inciso III, do artigo 55, da Lei 8.212/91 e a autoridade fiscal, ao elaborar a Informação Fiscal que culminou no Ato Cancelatório, agiu em consonância com os ditames legais. Nesse sentido, nego provimento ao recurso da recorrente. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Fl. 4582DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 60 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações sobre alguns aspectos relacionados ao processo em análise. Antes de enfrentar as discussões fáticas e jurídicas do mérito do caso, passamos a justificar nosso entendimento sobre o enquadramento do cerceamento de defesa como questão de ordem pública cognoscível de ofício pelo julgador. Ordem Pública é referida na doutrina como conceito indeterminado, uma vez constatado que “pode ser verificada sobre diferentes enfoques, em distintas disciplinas jurídicas”.1 Ricardo de Carvalho Aprigliano2 encontrou alguns elementos comuns na doutrina e na jurisprudência que podem nos ajudar a identificar as questões de ordem púbica: (i) os valores que informam a norma, de interesse da coletividade, que se revelam particularmente sensíveis, de repercussão acima e além do mero interesse das partes desta mesma relação, seja por razões de ordem social, ética econômica ou cultural, e (ii) o fato de cuidarem de relações jurídicas indisponíveis, ressalvada a expressão meramente econômica de tais direitos, que são sempre disponíveis, elementos que, somados, compõem o espectro do 'interesse público' Para Fábio Ramazzini Bechara, a ordem pública é a “expressão da situação de tranqüilidade e normalidade que o Estado assegura – ou deve assegurar – às instituições e a todos os membros da sociedade, consoante as normas jurídicas legalmente estabelecidas”. 3 O mesmo autor4 assevera que, a característica de conceito indeterminado que acomete a ordem pública passa a exigir um esforço maior do aplicador da lei para que o resultado da interpretação gere um resultado mais próximo da realidade contextualizada. Vejamos nas palavras dos autos: A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao 1 Cf. APRIGLIANO, Ricardo de Carvalho. Ordem pública e processo – o tratamento das questões de ordem pública no direito processual civil. São Paulo, Atlas, 2011, p. 5. 2 Cf. APRIGLIANO, Ricardo de Carvalho. Ordem pública e processo – o tratamento das questões de ordem pública no direito processual civil. São Paulo, Atlas, 2011, p. 301. 3 Cf. BECHARA, Fábio Ramazzini. Prisão Cautelar. São Paulo: Malheiros, 2005, 97100. 4 Cf. BECHARA, Fábio Ramazzini. Prisão Cautelar. São Paulo: Malheiros, 2005, 97100. Fl. 4583DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 32 61 mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. Apesar da dificuldade de conceituação do que seja ordem pública, a doutrina e a jurisprudência, entretanto convergem quanto às características típicas que se costuma conferir à questões de ordem pública de direito processual: (i) a possibilidade de exame de ofício, (ii) a ausência de preclusão da matéria e (iii) a possibilidade de seu exame em qualquer tempo ou grau de jurisdição.5 Os Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) realizando os esforços interpretativos a que se referiu Fábio Ramazzini Bechara6 têm decidido quais questões podem ser consideradas de ordem pública no âmbito do processo administrativo fiscal, sem contudo adotar uma definição, partindo, portanto, para uma especificação casuística. No que concerne ao cerceamento de defesa, temos Acórdãos deste CARF admitindo o conhecimento de ofício de nulidades dessa ordem. Vejamos: Acórdão 1102000.832 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 23/08/2001 (...)PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não tendo sido comprovada a apresentação de anexo juntamente com a impugnação, e tendo o acórdão recorrido apreciado a decadência, por considerála matéria de ordem pública, ainda que não impugnada, com discriminação dos valores de crédito tributário que foram exonerados e dos mantidos, rejeitase a preliminar de cerceamento do direito de defesa, por inexistência de qualquer vício. Acórdão 2202001.797 Ementa (...). NULIDADE DE LANÇAMENTO ANTERIOR POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NATUREZA DE VÍCIO MATERIAL. Constatado que houve cancelamento de Auto de Infração lavrado anteriormente, sob os fundamentos de ausência de descrição minuciosa dos fatos tidos como infracionais e de insuficiência na capitulação legal da matéria tributável, os quais impediam ou dificultavam o exercício, por parte do contribuinte, do contraditório e da ampla defesa, deve ser reconhecida a natureza jurídica de nulidade por vício 5 Cf. APRIGLIANO, Ricardo de Carvalho. Ordem pública e processo – o tratamento das questões de ordem pública no direito processual civil. São Paulo, Atlas, 2011, p. 7. 6 Cf. BECHARA, Fábio Ramazzini. Prisão Cautelar. São Paulo: Malheiros, 2005, 97100. Fl. 4584DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 62 material, ainda que tenha sido consignado na decisão anterior se tratar de vício formal, em homenagem e aplicação do Princípio da Legalidade que orienta o Direito Público. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ANÁLISE DE OFÍCIO. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do Código Tributário Nacional, cabendo a sua análise de ofício por se tratar de matéria de Ordem Pública. Acórdão 20601017 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIOS INDIRETOS NULIDADE ARGÜIDA DE OFÍCIO INCABÍVEL POR NÃO TRATAR DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Entendo que só podem ser argüidas de ofício nulidade de ordem pública, como é o caso de cerceamento de defesa, falta de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, ou mesmo o caso da Decadência, que extingue o direito do fisco de efetuar o lançamento. (...). Recurso Voluntário Negado. Portanto, havendo nulidade que cause cerceamento de defesa, é lícito seu conhecimento de ofício. A seguir veremos em qual medida aplicaremos tal noção de ordem, pública. Passamos agora a enfrentar o mérito do caso. A fiscalização propôs o cancelamento da isenção/imunidade da recorrente a partir de 1º de janeiro de 1996, em virtude do descumprimento, pela interessada, dos requisitos previstos nos incisos III, IV e V, todos do Art. 55, da Lei 8.212/91. Transcrevemos os dispositivos citados: Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Fl. 4585DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 33 63 O Relator, após resumir os fatos envolvidos no processo, afastou as preliminares e iniciou suas considerações para cada um dos incisos do art. 55 citados pela fiscalização. Quanto às preliminares nada temos a acrescentar ao anotado pelo Relator. Em relação ao mérito, o Relator enfrentou as acusações para cada um dos incisos do art. 55 da Lei 8.212/91. Em relação ao inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91, a fiscalização concluiu o que segue: CONCLUSÃO SOBRE O CUMPRIMENTO DO REQUISITO PREVISTO NO INCISO III DA LEI N° 8.212/91 127. Por todo o exposto, podemos concluir que, de acordo com a legislação, somente podem ser computados como gastos assistenciais os valores efetivamente despendidos ou suportados pela entidade com o atendimento aos pacientes não pagantes pela prestação de serviços médicohospitalares por estar presente a condição de carência e do atendimento a necessidade básica, além de parte do custo com o Departamento de Voluntariado, já que estes atendem tanto carentes como pagantes. Assim, os valores aplicados em assistência social são bem inferiores aos da isenção usufruída. 128. Para que a entidade comprovasse o atendimento ao previsto no inciso III do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, seria absolutamente necessário que o valor das gratuidades efetivamente concedidas ao públicoalvo da LOAS se desse em valor igual ou superior ao da isenção usufruída, e que esse público estivesse incluído no rol das pessoas realmente hipossuficientes, as quais a Constituição Federal e a legislação correlata entendem ser os verdadeiros destinatários da Política Nacional da Assistência Social. (destaques nossos) Do texto destacado da acusação fiscal, podemos concluir que a autoridade fiscal concentrou sua análise na comparação entre as gratuidades concedidas ao público alvo da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e o valor do benefício fiscal usufruído. Como a comparação resultou desfavorável, ou seja, a recorrente teria obtido benefício com a isenção em valor superior às gratuidades, então a fiscalização concluiu que houve desobediência do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91. O Relator afastou tal conclusão, ao observar o seguinte: (...)fica comprovado que a recorrente promoveu a assistência social, pelos valores registrados nos campos correspondentes a”Total de gratuidades considerado Pela Junta Fiscal”. Destaquese que a determinação legal não fixa valores, porcentagens, limites, regras, apenas determina que a entidade Fl. 4586DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 64 promova a assistência social e isso, pelo próprio relato do Fisco, é feito. Essas acusações poderiam, em tese, demonstrar o descumprimento das determinações expressas para a concessão ou manutenção do CEBAS, mas como já analisamos, pelo que foi verificado nas determinações legais, quem é competente para cassar ou indeferir o CEBAS era, na época dos fatos, o CNAS. O Relator, portanto, não afastou a possibilidade de a fiscalização investigar se a entidade cumpriu o requisito do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91, mas destacou que a Lei não teria fixado critérios para tanto. Como a autoridade fiscal apontou que a ora recorrente teria dispendido alguns valores no que poderia ser considerado assistência social, então concluiu o Relator que o requisito legal estaria atendido. Com a devida vênia, não concordamos com o Relator. Se adotássemos esse raciocínio seríamos obrigados a concluir que houve atendimento ao requisito legal ainda que a entidade empregasse uma parcela ínfima de suas rendas em assistência social. Se a lei tributária não traz uma expressa definição de critérios para que seja analisada a efetiva promoção de assistência social beneficente, o aplicador da lei pode, e deve, buscar tais critérios em outros dispositivos da legislação específica sobre assistência social, valendose do permissivo do art. 108 do Código Tributário Nacional (CTN). Nessa toada, perfeitamente legal a busca de definições na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e em sua regulamentação para que a autoridade fiscal exerça seu mister de verificar o cumprimento dos requisitos para desfrute do benefício fiscal em comento. A propósito, não partilhamos do entendimento de que a fiscalização das contribuições previdenciárias não poderia investigar o que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) já teria feito por conta da concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS). A lei tributária Lei 8.212/91 definiu os requisitos que deveriam ser seguidos pelas entidades para que possam desfrutar da isenção/imunidade no art. 55 e entre os requistos possuir o CEAS está .previsto no inciso II. Porém, há outros requisitos que devem ser obedecidos e que a fiscalização, seguindo o art. 142 do CTN, deve estar atenta. Evidente que a existência ou não do CEAS deve ser tomada pela fiscalização tributária, não podendo esta pretender invalidar o certificado. Mas pode, e deve, indagar sobre os demais requisitos legais, ainda que utilizando critérios que coincidam em parte com o que é considerado pelo CNAS na concessão do CEAS. Nesse sentido, o conteúdo do Parecer 2.272/00 que transcrevemos: PARECER/CJ Nº 2.272/00 15. Em síntese, os requisitos para obtenção do certificado de entidade de fins filantrópicos, estão elencados nos arts. 2º e 3º do Decreto nº 2.536, de 1998, e são analisados exclusivamente pelo CNAS, para fins de concessão, renovação ou cancelamento do documento. Esse documento é indispensável para obtenção da isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, cujos requisitos são analisados pelo INSS. Uma vez apresentados os documentos de Reconhecimento de Utilidade Pública Federal e Estadual ou Municipal, Certificado e Registro de Entidade de Fins Filantrópicos expedidos pelas autoridades competentes e dentro do prazo de validade, a análise do INSS restringirseá Fl. 4587DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 34 65 aos outros requisitos da lei. Caso detecte falhas no certificado que digam respeito à inobservância do decreto que o regulamenta, deve provocar o CNAS, e só após a manifestação desse órgão, se cancelado o documento, pode proceder ao cancelamento da isenção. (destaques nossos) Nessa altura é importante ressaltar que na investigação sobre a efetiva promoção de assistência social beneficente, a autoridade fiscal não está livre para adotar quaisquer critérios, mas deve buscar na legislação sobre assistência social os critérios que a interessada já conhece e sabe que deve respeitar para manutenção de seu CEAS junto ao CNAS. Assim agindo, a fiscalização tributária assegura a segurança jurídica da interessada, pois em nada a surpreende quanto aos critérios que adota. Nessa hipótese, a entidade sabe exatamente quais os critérios a legislação sobre assistência social a exige e certamente, se agir diligentemente como se espera, estará pronta para mostrar que cumpre tais exigências. No caso em destaque, temos que o art 2º do estatuto da recorrente, fls. 431/443, assim a define: Art.2 A Sociedade tem por missão promover o desenvolvimento da atividade social nos campos da assistência médicohospitalar ,do ensino e da pesquisa, em nível de excelência, observados os direitos humanos à luz dos valores universais. Logo, a entidade recorrente atua primordialmente no campo da assistência médica, mas realiza atividades ligadas ao ensino e pesquisa. Para tais entidades qual é o requisito que a regulamentação da LOAS exige para que fique evidenciada a promoção da assistência social beneficente? Tomaremos as regulamentações a partir de 11/2000 até 11/2006, considerando os efeitos da decadência e a data da informação fiscal que deu início ao processo Nesse período, a LOAS foi regulamentada pelo Decreto 2.536/1998, com várias alterações promovidas por outros decretos. A fiscalização, embora não tenha explicitamente apontado o dispositivo da legislação, aplicou a parte final do art. 3º, inciso VI do Decreto 2.536/98, ou seja, exigiu que as gratuidades não sejam inferiores ao benefício usufruído. Vejamos o dispositivo naquilo que se relaciona ao caso: Redação original vigente até 07/08/2002 Art . 3º Faz jus ao Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos a entidade beneficente de assistência social que demonstre, nos três anos imediatamente anteriores ao requerimento, cumulativamente: (...) VI aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, Fl. 4588DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 66 acrescida da receita decorrente de aplicações financeira, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída;(destaque nosso) (...) § 4º O disposto no inciso VI não se aplica à entidade da área de saúde, a qual, em substituição àquele requisito, deverá comprovar, anualmente, percentual de atendimentos decorrentes de convênio firmado com o Sistema Único de Saúde SUS igual ou superior a sessenta por cento de total de sua capacidade instalada. Redação vigente até 08/08/2002 a 07/08/2006 § 4º A instituição de saúde deverá, em substituição ao requisito do inciso VI, ofertar a prestação de todos os seus serviços ao SUS no percentual mínimo de sessenta por cento, e comprovar, anualmente, o mesmo percentual em internações realizadas, medida por pacientedia, ou ser definido pelo Ministério da Saúde como hospital estratégico, a partir de critérios estabelecidos na forma de decreto específico.(Redação dada pelo Decreto nº 4.327, de 8.8.2002) Redação a partir de 08/08/2006 § 4o A instituição de saúde deverá, em substituição ao requisito do inciso VI, ofertar a prestação de todos os seus serviços ao SUS no percentual mínimo de sessenta por cento, e comprovar, anualmente, o mesmo percentual em internações realizadas, medida por pacientedia. (Redação dada pelo Decreto nº 5.895, de 8.8.2006) (...) § 17. A instituição de saúde poderá, alternativamente, para dar cumprimento ao requisito previsto no inciso VI do caput deste artigo ou no § 4o, realizar projetos de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS, estabelecendo convênio com a União, por intermédio do Ministério da Saúde, nas seguintes áreas de atuação: (Incluído pelo Decreto nº 5.895, de 8.8.2006) I estudos de avaliação e incorporação de tecnologias; II capacitação de recursos humanos; III pesquisas de interesse público em saúde; IV desenvolvimento de técnicas e operação de gestão em serviços de saúde. § 18. O Ministério da Saúde definirá, em portaria, os requisitos técnicos essenciais para o reconhecimento de excelência Fl. 4589DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 35 67 referente a cada uma das áreas de atuação previstas no § 17. (Incluído pelo Decreto nº 5.895, de 8.8.2006) § 19. O recurso despendido pela entidade de saúde no projeto de apoio não poderá ser inferior ao valor da isenção das contribuições sociais usufruída. (Incluído pelo Decreto nº 5.895, de 8.8.2006) § 20. O projeto de apoio será aprovado pelo Ministério da Saúde, ouvidas as instâncias do SUS, segundo procedimento a ser definido em portaria ministerial. (Incluído pelo Decreto nº 5.895, de 8.8.2006) § 21. As instituições de saúde que venham a se beneficiar da condição prevista no § 17 poderão complementar as atividades de apoio com a prestação de serviços ambulatoriais e hospitalares, não remunerados, ao SUS, mediante pacto com o gestor local do SUS, observadas as seguintes condições: (Incluído pelo Decreto nº 5.895, de 8.8.2006) I o valor previsto no caput não poderá ultrapassar trinta por cento do valor usufruído com a isenção das contribuições sociais; II a instituição de saúde deverá apresentar, ao gestor local do SUS, plano de trabalho com previsão de atendimento e detalhamento de custos, os quais não poderão exceder o valor efetivamente despendido pela instituição; III a demonstração dos custos a que se refere o inciso II poderá ser exigida mediante apresentação dos comprovantes necessários; IV as instituições conveniadas deverão informar a produção nos Sistemas de Informação Hospitalar e Ambulatorial SIA e SIH/SUS, com observação de não geração de créditos. § 22. A participação de instituições de saúde em projetos de apoio previstos no § 17 não poderá ocorrer em prejuízo de atividades assistenciais prestadas ao SUS. (Incluído pelo Decreto nº 5.895, de 8.8.2006) § 23. O conteúdo e o valor das atividades desenvolvidas em cada projeto de apoio ao desenvolvimento institucional e de prestação de serviços ao SUS deverão ser objeto de relatórios semestrais, os quais serão encaminhados à área do Ministério da Saúde vinculada ao projeto de apoio e de prestação de serviços e ao CNAS, para fiscalização, sem prejuízo das atribuições dos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária. (Incluído pelo Decreto nº 5.895, de 8.8.2006) § 24. O CNAS, com o apoio dos Ministérios da Saúde e da Previdência Social, avaliará a correspondência entre o valor da isenção e o valor dos recursos despendidos pela instituição de saúde, com base na análise do custo contábil de cada projeto, considerando os valores de investimento e os componentes Fl. 4590DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 68 diretos e indiretos do referido custo. (Incluído pelo Decreto nº 5.895, de 8.8.2006) Ainda relacionado ao caso, não podemos desconsiderar os efeitos dos Decretos 4.237/2002, bem como existem os Decretos 4.481/20, 4.581/2003 e Portaria do Ministério da Saúde 2.256/2002: Decreto 4.237/2002 de 08/08/2002 Art. 1º A instituição de saúde que, nos anos de 1998 a 2001, não tenha, exclusivamente, atingido o percentual de que trata o § 4º do art. 3º do Decreto no 2.536, de 6 de abril de 1998, poderá ter seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS concedido ou renovado, desde que tenha nesse período cumprido o requisito de aplicação em gratuidade de que trata o inciso VI do art. 3º do citado Decreto no 2.536, de 1998. Parágrafo único. A decisão de indeferimento de pedido de concessão ou de renovação do CEAS, fundamentada exclusivamente na inobservância do disposto no § 4o do art. 3o do Decreto no 2.536, de 1998, poderá ser revista pelo Conselho Nacional de Assistência Social, desde que a instituição de saúde cumpra a condição estabelecida no caput e requeira a revisão no prazo de sessenta dias a contar da publicação deste Decreto. Art. 2º O art. 3º do Decreto no 2.536, de 1998, passa a vigorar com a seguinte alteração: (Revogado pelo Decreto nº 7.237, de 2010). "Art. 3o § 4º A instituição de saúde deverá, em substituição ao requisito do inciso VI, ofertar a prestação de todos os seus serviços ao SUS no percentual mínimo de sessenta por cento, e comprovar, anualmente, o mesmo percentual em internações realizadas, medida por pacientedia, ou ser definido pelo Ministério da Saúde como hospital estratégico, a partir de critérios estabelecidos na forma de decreto específico. § 5º O atendimento no percentual mínimo de que trata o § 4º pode ser individualizado por estabelecimento ou pelo conjunto de estabelecimentos de saúde da instituição. § 6º A declaração de hospital estratégico não é extensiva aos demais estabelecimentos da instituição. Decreto 4.481/2002 de 22/11/2002 Art. 1o São definidos como hospitais estratégicos, no âmbito do Sistema Único de Saúde SUS, aqueles que preencham, pelo menos, uma das condições abaixo relacionadas: I ser hospitalgeral que preste serviços ao SUS em todas as áreas assistenciais de que disponha e que comprove, anualmente, a prestação de serviços ao SUS, medida por pacientedia, no percentual mínimo de trinta por cento, nos sistemas de alta complexidade que integrem pelo Fl. 4591DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 36 69 menos quatro grupos constantes do art. 2o deste Decreto, sendo um deles, obrigatoriamente, de realização de transplantes de órgãos; II ser hospitalgeral que disponha de pelo menos dois programas de ensino na área da saúde em nível de pósgraduação, reconhecidos pelo Ministério da Educação, desenvolva atividades de pesquisa na área da saúde, e que comprove, anualmente, a prestação de serviços ao SUS, medida por pacientedia, no percentual mínimo de trinta por cento, nos sistemas de alta complexidade que integrem pelo menos três grupos constantes do art. 2o deste Decreto; III ser hospital especializado que disponha de pelo menos um programa de ensino na área da saúde em nível de pósgraduação, reconhecido pelo Ministério da Educação, desenvolva atividades de pesquisa na área da saúde, e que comprove, anualmente, a prestação de serviços ao SUS em alta complexidade, medida por pacientedia, no percentual mínimo de trinta por cento no sistema da sua especialidade; IV ser hospitalgeral ou especializado que preste serviço ao SUS em todas as áreas assistenciais de que disponha, medido por pacientedia, no percentual mínimo de trinta por cento, e que comprove o enquadramento no Sistema Estadual de Referência Hospitalar para Atendimento à Urgência e Emergência ou Gestação de Alto Risco; Decreto 4.588/2003 de 07/02/20003 Art. 1o Fica revogado o Decreto no 4.481, de 22 de novembro de 2002. Portaria 2256/2002 do Ministério da Saúde de 10/12/ 2002 Art. 1º Declarar como Hospital Estratégico, em conformidade com os critérios de enquadramento estabelecidos pelo Decreto nº 4.481, de 22 de novembro de 2002, os hospitais relacionados no Anexo desta Portaria. § 1º A declaração de que trata o caput deste Artigo tem validade por 01 (um) ano, a contar da data da publicação desta Portaria; Feito o registro da legislação relacionada, voltamos para o caso concreto. Como dissemos, a fiscalização usou como critério para verificar o cumprimento do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91 a parte final do inciso VI do art. 3º do Decreto 2.536/1998, mas parecenos que não é esse o critério exclusivo que deve ser aplicado ao caso. De acordo com o que vimos acima, as entidades de saúde devem seguir critérios distintos das demais entidades beneficentes. Até 07/08/2002, as entidades de saúde deveriam comprovar que usavam para o SUS no mínimo 60% de sua capacidade instalada. Porém tal critério foi mitigado, para os anos de 1998 a 2001, com o critério exigido para as demais entidades inciso VI do Decreto 2.536/1998 por força do art. 1º do Decreto 4.237/2002. Logo de 11/2000 até 12/2001 a recorrente poderia cumprir o inciso VI (20% de gratuidades e gratuidades superiores ao valor Fl. 4592DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 70 do benefício fiscal) ou o §4º do art. 3º do Decreto 2.536/1998 (60% de atendimentos ao SUS). De 01/01/2002 a 07/07/2002 deveria cumprir somente o §4º do mesmo artigo. A partir de 08/08/2002 deveria cumprir o §4º do mesmo artigo com as alterações impostas pelo Decreto 4.237/2002, ou seja, deveria atender ao percentual mínimo de 60% tanto em relação à sua capacidade instalada como em relação ao número de pacientesdia, ou, alternativamente, deveria ser considerada hospital estratégico. Ocorre que, de fato, a recorrente foi declarada Hospital Estratégico pela Portaria 2.256 de 10 de dezembro de 2002 com validade por um ano, conforme §1º do art. 1º daquela norma infralegal. Embora o Decreto 4.481/2002 tenha sido revogado pelo Decreto 4.588 de 07/02/2003, quanto aos requisitos exigidos para um hospital estratégico, a recorrente assim foi declarada. Ou seja, de 10/12/2002 a 09/12/2003 foi reconhecida como hospital estratégico, não se submetendo, portanto, nem ao inciso VI nem as exigências da parte inicial do §4º do Decreto 2.536/1998. Numa interpretação mais restritiva, pelo menos de 10/12/2002 a 06/02/2003 a recorrente foi considerada Hospital Estratégico. Porém, na informação fiscal datada de 09/11/2006, fls. 39, nada é falado sobre tais fatos e a condição de Hospital Estratégico que a recorrente ostentou. Além da multiplicidade de normas relativas às entidades de saúde, a fiscalização deveria ter considerado que a recorrente não atua somente na área de saúde, tendo atuação em educação e pesquisa. No art. 4º do estatuto da entidade são listadas quatro instituições: a) o Hospital Israelita Albert Einstein; b) o Instituto Albert Einstein de Ensino e Pesquisa; c) o Instituto Albert Einstein de Ação Social; d) o Instituto Albert Einstein de Consultoria e Gestão Isso mostra que a recorrente não atua exclusivamente na área de saúde, o que nos leva a concluir que a promoção da assistência social deve ser averiguada em relação a cada uma das instituições na medida de sua participação nas aplicações de recursos. Tal sistemática já foi apontada pela Consultoria Jurídica do órgão previdenciário no Parecer 1.524/98: PARECER/CJ Nº 1.524/98 REFERÊNCIA : Processo nº 28990.14893/94 INTERESSADO : Fundação Educacional Dom André Arcoverde. ASSUNTO : Recurso ordinário contra Resolução do CNAS EMENTA: DIREITO ASSISTENCIAL CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS ENTIDADE EDUCACIONAL APLICAÇÃO EM GRATUIDADE. A faculdade de utilização do percentual de 60% (sessenta por cento) sobre os atendimentos decorrentes de convênios com o Sistema Único de Saúde SUS, em substituição ao percentual de 20% (vinte por cento) da receita bruta proveniente da venda de serviços e de bens não integrantes do ativo imobilizado, é de aplicação e utilização exclusiva pelas entidades da área de saúde. 2. Tratandose de entidade que possui unidades em diversos campos do conhecimento deverá demonstrar o Fl. 4593DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 37 71 cumprimento de ambos os requisitos, respectiva e simultaneamente, para os estabelecimento da área da saúde e para as que não o forem, conforme o caso, para fazer jus ao certificado de entidade de fins filantrópicos. (destaques nossos) Observamos que no caso que suscitou o Parecer 1.524/98, a entidade era, primordialmente, entidade educativa de natureza filantrópica, mas mantinha Faculdade de Medicina e pretendeu a aplicação do requisito de 60% de atendimento do SUS para o seu caso. O caso dos autos parecenos o inverso, ou seja, a atividade principal da recorrente é a atividade médica, porém existe atuação na área de educação, o que não afasta a necessidade de serem aplicados os critérios separadamente para cada área de atuação. Em resumo podemos anotar o seguinte: · os critérios a serem seguidos para uma entidade na área de saúde são, em regra, diferentes daqueles das entidades em geral; · a recorrente atuava não somente na área de saúde, mas também, em alguma medida na área de educação, mas a fiscalização não fez a aplicação separada de critérios; · há um plexo de normas infralegais aplicáveis à averiguação da efetiva promoção da assistência social no período de 11/2000 a 11/2006 que alteram significativamente os critérios aplicáveis, porém tais normas não foram observadas pela fiscalização; · a recorrente, de 10/12/2002 até 09/12/2003, ou, na hipótese mais conservadora, de 10/12/2002 a 06/02/2003 foi considerada, na área de saúde, hospital estratégico, o que influi na definição dos critérios a serem seguidos por esta, mas isto não foi considerado pela fiscalização. Diante de tais constatações estamos convencidos que a averiguação feita pela autoridade fiscal em relação ao cumprimento do requisto para desfrute da isenção/imunidade constante do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91 baseouse em critérios não coincidentes com aqueles previstos pela legislação de regência, em outras palavras, baseouse em critérios não coincidentes com aqueles que a entidade interessada sabia que deveria seguir, o que faz emergir o vício material de nulidade dessa parte do procedimento. Importante ressaltar que nessa altura seria despiciendo tecer comentários sobre a obediência ou não por parte da recorrente dos critérios previstos na legislação e que apontamos acima, pois a ausência da correta fundamentação legal não permitiu que a interessada dirigisse seu esforço de defesa na demonstração que teria cumprido os requisitos legais. Como a fiscalização foi enfática em apontar que a entidade teria descumprido um requisito que corresponde à parte final do inciso VI do art. 3 º do Decreto 2.536/1998, toda a discussão dos autos assim foi conduzida. É certo que existem documentos que tratam de atendimento no SUS e a fiscalização fez referência ao não cumprimento do atendimento de Fl. 4594DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 72 60% ao SUS, porém a conclusão destacada pela fiscalização apontou como fundamento o nível de gratuidades, o que levou a recorrente a defenderse de acusação relacionada ao nível de gratuidades e não daquela relacionada a percentuais de atendimentos ao SUS tomando por base sua capacidade instalada ou número de leitos. A recorrente chega a citar na sua impugnação que atende pelo SUS procedimentos complexos que atingem 96,47% dos atendimentos. e não apenas 60%, porém não discute o conceito de capacidade instalada ou aponta quantos leitos eram disponibilizados ao SUS. Não tendo a acusação fiscal destacado tal ponto, a defesa da recorrente não se debruçou no respectivo esclarecimento. Se nesse momento levássemos em conta os critérios adequados combinado com a situação fática da recorrente estaríamos cerceando o direito à ampla defesa e ao contraditório, em ofensa ao art. 5º, inciso LV da Constituição Federal (CF). Para reforçar nossa conclusão apresentamos algumas considerações sobre a qualificação do vício em casos de nulidade. Sendo ato administrativo, por força do CTN – lei materialmente complementar , o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;” d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. Tomando o conteúdo de tal dispositivo, podemos identificar os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Os vícios de forma, a seu turno, consistem “na omissão ou na observância incompleta ou Fl. 4595DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 38 73 irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato”. Diversamente, os vícios quanto ao motivo são verificados quando “a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem acolhido tal entendimento: Acórdão nº 10249047 do Processo 13709002025200110 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VÍCIO MATERIAL A falta da adequada descrição da matéria tributária, com o consequente enquadramento legal das infrações apuradas torna nulo o ato administrativo de lançamento e, em consequência, insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Preliminar acolhida. Portanto, fora de dúvidas que o vício no caso em questão, envolvendo, falta de adequada motivação, deve ser qualificado como material. Concluímos, portanto, por conhecer de ofício a discussão sobre os critérios para averiguação do cumprimento do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91, por se tratar de questão de ordem pública nos moldes anteriormente explanados, concluindo pela nulidade por vício material na parte do procedimento fundada no inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91. Vencido na questão da nulidade, votamos, por obrigação regimental, pelo provimento do Recurso nesta questão para que prevaleça a legalidade. O inciso IV do art. 55 da Lei 8.212/91 O inciso IV do art. 55 da Lei 8.212/91 assim dispõe: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, REMUNERAÇÃO E NÃO USUFRUAM VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A QUALQUER TÍTULO; Fl. 4596DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 74 A fiscalização apontou alguns fatos que representariam ofensa ao inciso IV do art. 55 da Lei 8.212/91: · cessão de salas para diretores; · serviços contratados junto a empresas pertencentes aos diretores; No caso da cessão de salas para diretores, o argumento da recorrente é de que a fiscalização não realizou um levantamento adequado para concluir que os espaços eram cedidos com preços abaixo do mercado. De fato, há provas de que, em alguns casos, havia um pagamento pelo espaço, conforme consta do item 138 da acusação fiscal. Concordamos com a recorrente quanto à necessidade de a fiscalização trazer aos autos elementos que demonstrem que o valor pago pela cessão de salas era inferior ao mercado de modo a consubstanciar vantagem para os profissionaisdirigentes nesse aspecto. Portanto, afastamos esses fatos como descumprimento do inciso IV do art. 55 da Lei 8.212/91. No tocante aos serviços contratados junto a empresas pertencentes aos diretores, a fiscalização apurou que para as empresas CPO Oncologia e MS Oncologia, cujo sócio era o Diretor da entidade até 2005, Dr. A.K., foram pagos R$ 6.190.533,75 no período de 2001 a 2004. Para as empresas do diretor C.L.L, médico oftalmologista, foram apontados pagamentos, entre 2001 a 2005, de R$ 65.056,55. Em relação a esses fatos assim concluiu o Relator: Portanto, conforme já detalhamos acima, há obtenção de vantagem pelo diretor, pois empresa em que ele figura como sócio foi contratada para prestar serviços pelo e para o hospital, com a devida remuneração, obtendo, assim, pelo seu lucro, a vantagem vedada pela legislação, motivo da manutenção do cancelamento da isenção. A recorrente apresentou Memoriais que suscitam a existência de Parecer e Solução de Consulta com teor semelhante ao caso e que amparariam a tese de que diretores poderiam receber valores da entidade. No entanto, observamos que situação dos autos não se identifica com o que foi discutido no Parecer 639/1996 ou na Solução de Consulta 183/2012, ambas citadas pela recorrente, pois naqueles casos ficou ressalvada a possibilidade de um diretor exercer sua profissão na mesma entidade em que é dirigente e por esta prestação de serviços ser remunerado. O Parecer 639/1996, em especial, traz como fundamento para suas conclusões a liberdade constitucional de profissão. Nesse sentido, partilhamos das conclusões do referido Parecer de modo a concordar que um dirigente de uma entidade beneficente possa exercer sua profissão na mesma entidade e por isso ser remunerado, sem que surja óbice, por conta disso, ao desfrute do benefício fiscal. Ocorre que o caso dos autos diz respeito também a benefícios e vantagens que os dirigentes teriam recebido oriundos de empresas das quais eram sócios e que prestavam serviços para a recorrente por meio de outros profissionais. Fácil notar que não estamos lidando com remuneração originada da atuação em nome da liberdade de profissão e sim com benefícios ou vantagens originadas da atividade empresarial da qual o dirigente recebe lucro. Estamos tratando de vantagens ou benefícios concretamente, lucro e não de remuneração em virtude de exercício de profissão. Dessa forma considerado, concordamos com o Conselheiro Relator quando este conclui que houve benefício ou vantagem para os diretores que eram sócios de empresas que prestaram serviços para a entidade. Os Fl. 4597DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 39 75 trechos dos contratos citados pelo Relator mostram a existência de lucro para as empresas que beneficiam seus sócios por meio do aumento do valor de sua participação na empresa, ainda que o lucro não seja distribuído. Portanto, estamos convencidos de que a recorrente incorreu em ofensa ao inciso IV do art. 55 da Lei 8.212/91 no período em questão quando contratou empresas para lhe prestarem serviços que tinham entre seus sócios alguns de seus diretores. O inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91 A fiscalização, sobre a questão das doações feitas pela recorrente que teriam violado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, anotou o seguinte: 208. Ocorre que inexiste uma contraprestação de contas vinculada a estas doações. Assim, é impossível conhecer se tais valores doados foram efetivamente aplicados em assistência social para o públicoalvo da LOAS Lei Orgânica da Assistência Social ou não. 209. Durante toda a ação fiscal foi solicitada da Entidade a referida prestação de contas pelas entidades beneficiadas e até esta data não haviam sido apresentadas, sendonos informado que tal prestação não foi feita por não competirlhes a fiscalização de verbas doadas. 210. No nosso entender, recursos provenientes da isenção usufruída que deveriam ser aplicados no atendimento de pessoas carentes que são o público alvo da LOAS, são doados para outras entidades e órgãos públicos, sem o devido acompanhamento para se saber se estão sendo efetivamente cumpridas as finalidades da doação. 211. A doação de verbas e equipamentos para outras pessoas jurídicas, além de configurar desvio de finalidade na aplicação da isenção usufruída, caracteriza infração ao inciso V do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. O Relator , por sua vez, admitiu a ocorrência de doações desde que as entidades donatárias tivessem objetivo similar aos da recorrente. Vejamos o trecho do voto: Portanto, na nossa interpretação, às entidades que tenham objetivos semelhantes aos da recorrente devem ser consideradas como aplicação do resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. A recorrente alegou que em relação às doações apresentou Parecer Técnico, fls. 2887/2900, que teria esclarecido a regularidade desta. Porém, o citado documento somente lista as doações, informando o valor, a existência de Termo de Doação, a espécie da doação e Fl. 4598DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 76 faz alguns comentários. Nada há naquele documento que possa colaborar para esclarecer a relação das doações com os objetivos institucionais da recorrente. Para concluirmos se as doações obedecem ao requisito do inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91 devemos relembrar a finalidade da entidade conforme consta em seu estatuto: Art.2 A Sociedade tem por missão promover o desenvolvimento da atividade social nos campos da assistência médicohospitalar ,do ensino e da pesquisa, em nível de excelência, observados os direitos humanos à luz dos valores universais. Oportuna a reprodução do inciso V do art. 55 d Lei 8.212/91: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Da leitura do dispositivo, constatamos que o requisito legal exige a aplicação integral do resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais e acrescenta a obrigação de apresentar anualmente relatório circunstanciado de suas atividades ao órgão fiscalizador. Ou seja, todas as entidades que pretendem desfrutar da isenção/imunidade tem conhecimento que devem manter documentação detalhada sobre como vem empregando seu resultado operacional no desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Portanto, se fizer doações deve exigir documentos da donatária que demonstrem que os recursos doados foram empregados para realizar atividades relacionadas com seus objetivos institucionais, pois, por determinação legal, deverá apresentar "relatório circunstanciado de suas atividades". Sendo entidade que atua primordialmente na área de saúde, as doações feitas a entidades beneficentes tendo por objeto materiais e equipamentos relacionados a assistência médicohospitalar são facilmente identificáveis como relacionadas à realização de seus objetivos institucionais, bastando a existência de um termo de doação com o detalhamento dos materiais. Porém na medida em que a recorrente fez diversas doações em dinheiro, mas não exigiu qualquer documentação das donatárias que comprovassem como os recursos seriam empregados, passou a não ter como demonstrar que está empregando " o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais", como determina o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91. O argumento de que o fisco tinha que demonstrar como os recursos foram empregados não subsiste diante da expressa previsão da obrigação de apresentar relatórios circunstanciados de suas atividades. Acrescentamos que a entidade tinha conhecimento que não podia distribuir resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob nenhuma forma ou pretexto, pois o conteúdo do inciso VII do art. 3º do Decreto 2.536/98 assim o prescrevia, repetindo o conteúdo do art. 14, inciso I do CTN. Mesmo as doações em equipamentos para entidades beneficentes da área de saúde poderiam representar óbice para a manutenção do certificado de entidade beneficente junto ao CNAS. É certo que aqui não Fl. 4599DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 40 77 analisamos a validade do CEAS, mas esse registro que fazemos ajuda a demonstrar a negligência da recorrente com os requisitos para desfrutar da isenção/imunidade, mesmo aqueles advindos do CTN. Em resumo, concluímos que a recorrente violou o requisito para desfrute da isenção/imunidade, previsto no inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, quando realizou as doações em moeda sistematizadas no Parecer de fls. 2889/2898 e, em relação a estas, não manteve documentação comprobatória de que os recursos teriam sido aplicados "integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais". Ainda sobre a violação ao inciso V, a fiscalização apontou ação da recorrente em arcar com hospedagem e despesas de D.Z., idoso. Concordamos com o Relator no sentido de que não há como concluir que tal despesa não seja aplicação em seus objetivos institucionais, pois pelo que foi descrito, o tratamento ao referido idoso pode representar assistência médicohospitalar. Caso a fiscalização tivesse diligenciado para verificar que o beneficiário dispunha de total condições de saúde, nossa conclusão poderia ser outra, mas não existe informações nos autos suficientes para afastarmos a presunção que o idoso recebia assistência médicohospitalar. Como as entidades médicas não estão submetidas, exclusivamente, ao critério da gratuidade, irrelevante a indagação da situação financeira do idoso. A desigualdade de tratamento em relação a outros idosos atendidos pela entidade em Residencial para Idosos, embora flagrante e não justificada, não consubstancia motivação amparada pela legislação para consideramos que por conta disso houve ofensa ao inciso V da Lei 8.212/91. Pelo exposto, portanto, nosso voto pode ser assim sintetizado: · a averiguação feita pela autoridade fiscal em relação ao cumprimento do requisto para desfrute da isenção/imunidade constante do inciso III do art. 55 da Lei 8.21'2/91 baseouse em critérios não coincidentes com aqueles previstos pela legislação de regência, em outras palavras, baseouse em critérios não coincidentes com aqueles que a entidade interessada sabia que deveria seguir, o que faz emergir o vício material de nulidade dessa parte do procedimento. O conhecimento de tal vício deuse em virtude de consubstanciar cerceamento de defesa que está entre as questões de ordem pública cognoscíveis de ofício pelo julgador. Vencidos, votamos pelo provimento Recurso nessa parte. · a fiscalização deveria ter juntado aos autos elementos que demonstrassem que o valor pago pela cessão de salas era inferior ao mercado de modo a consubstanciar vantagem para os profissionais dirigentes nesse aspecto. Portanto, afastamos esses fatos como descumprimento do inciso IV do art. 55 da Lei 8.212/91; · a recorrente incorreu em ofensa ao inciso IV do art. 55 da Lei 8.212/91 no período em questão quando contratou empresas para lhe prestarem serviços que tinham entre seus sócios alguns de seus diretores; Fl. 4600DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 78 · a recorrente violou o requisito para desfrute da isenção/imunidade, previsto no inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, quando realizou as doações em moeda sistematizadas no Parecer de fls. 2889/2898 e, em relação a estas, não manteve documentação comprobatória de que os recursos teriam sido aplicados "integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais". · não há como concluir, com as provas dos autos, que as despesas com o Sr. D.Z. não representem aplicação nos objetivos institucionais da recorrente, o que afasta tal motivação de ofensa ao inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 4601DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 41 79 Declaração de Voto Conselheira(o) Manoel Coelho Arruda Junior, Não obstante os argumentos dispostos no voto prolatado pelo i. Relator, peço vênia para apresentar declaração de voto. Conforme consta do relatório fiscal e do voto do Conselheiro relator, o contribuinte teve o seu benefício fiscal cancelado por descumprimento de três requisitos (fls. 6): “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Omissis III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades.” Pois bem. No que toca à regra estabelecida no inciso III o douto relator deixou claro o seu posicionamento contrário às razões trazidas pelo Fisco: “Ocorre que – com todo respeito ao trabalho desenvolvido pela fiscalização – não encontramos coincidência na conclusão acima com o que determina o inciso III, do art. 55 da Lei 8.212/1991. Art. 55. ... ... III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Pelo contrário, com a tabela confeccionada pelo Fisco, fls 026, fica comprovado que a recorrente promoveu a assistência social, pelos valores registrados nos campos correspondentes a”Total de gratuidades considerado Pela Junta Fiscal”. Fl. 4602DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 80 Destaquese que a determinação legal não fixa valores, porcentagens, limites, regras, apenas determina que a entidade promova a assistência social e isso, pelo próprio relato do Fisco, é feito. Essas acusações poderiam, em tese, demonstrar o descumprimento das determinações expressas para a concessão ou manutenção do CEBAS, mas como já analisamos, pelo que foi verificado nas determinações legais, quem é competente para cassar ou indeferir o CEBAS era, na época dos fatos, o CNAS. Portanto sem prejuízo de verificação do cumprimento dos requisitos para o deferimento ou a manutenção do CEBAS, pelo órgão competente, o CNAS – não há razão no argumento do Fisco sobre o descumprimento do requisito determinado no inciso III, do Art. 55 da Lei 8.212/1991. No ponto em questão, meu posicionamento se alinha ao do relator. Basta dizer que a argumentação trazida pelo auditor fiscal para desqualificar a entidade não demonstra efetivamente o descumprimento das determinações expressas na legislação para a concessão do benefício. Algumas servem até mesmo para comprovar a prestação do serviço assistencial, como é o caso, por exemplo, da manutenção de trabalho realizado por corpo docente de voluntários junto à Paraisópolis, atendimento de beneficiários em outros hospitais com convênio com a empresa Porto Seguro, treinamento em comunidades carente, custos com lar de idosos, doações de verbas, materiais e equipamentos. Outras atividades estão dentro das finalidades Estatutárias da entidade, como é o caso da realização de parcerias com o Governo ou são típicas de qualquer empresa do ramo hospitalar que assume riscos na prestação dos seus serviços, como é o caso dos valores não reembolsados pela Prefeitura, cessão de créditos a receber, custos com a criação de unidade cujos serviços médicos e parte dos projetos foram terceirizados, bem como o investimento em ativo imobilizado. Vale ressaltar que o que importa não é somente a forma como são prestados os serviços de atendimento à população, mas se eles efetivamente estão sendo prestados e devidamente quantificados pela recorrente. Dentro desse critério, não consigo adentrar no mérito quanto à realização de parcerias com outras entidades, empresas ou mesmo pessoas físicas voluntárias que contribuem para o fim estatuário da entidade. O que a lei previdenciária estabeleceu foi que entidade deve promover a assistência social beneficente a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes (art. 55, inciso III, da Lei 8.212/91). Aliás é bom que diga, porque importante para a presente demanda, que norma previdenciária não definiu o que seja “pessoas carentes”´para efeito de aplicação do art. 55, de maneira que não cabe ao julgador estabelecer tais critérios. É evidente que normas sociais esparsas chegaram a trazer alguma definição, mesmo que em valores erráticos, conforme a época e o fim a que se destinam, mas o padrão remuneratório pode não corresponder ao estado de necessidade do beneficiário da dos serviços prestados pelo Hospital em questão. O Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social, chegou a tratar da matéria, contudo o dispositivo foi revogado: Art. 206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (omissis) Fl. 4603DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 42 81 § 2º Considerase pessoa carente a que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção, nem têla provida por sua família, bem como ser destinatária da Política Nacional de Assistência Social, aprovada pelo Conselho Nacional de Assistência Social. (...) A Lei 1.060/50, que estabelece normas para a concessão de assistência judiciária aos necessitados, adotou a necessidade de avaliação da situação econômica ao estabelecer que “considerase necessitado, para os fins legais, todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo do sustento próprio ou da família”. E o benefício é concedido mediante “simples afirmação, na própria petição inicial, de que não está em condições de pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo próprio ou de sua família”. Além do mais, os atendimentos a não pagantes eram analisados pela chamada “Comissão Social”, de maneira que havia de certa forma uma avaliação desses procedimentos adotando por base a situação econômica dos interessados. Por outro lado, chama a minha atenção o fato de que cerca de 50% dos assistidos, no mínimo, eram de origem judaica, o que dá a entender que havia um direcionamento assistencial ou mesmo diferenciação de tratamento aos cidadãos beneficiados pelo atendimento médico, o que é vedado pela nossa Constituição Federal (art. 3º, IV; art. 5º, inciso I) Mesmo assim, a acusação fiscal, neste ponto, não se aprofundou em investigar melhor as causas, trazendo documentação comprobatória insuficiente para explicitar tal questão, de modo que entendo não haver óbice algum ao benefício fiscal. Enfim, há de se destacar que as afirmações do fisco quanto ao descumprimento do artigo 55, inciso III da Lei 8.212/91, não encontram guarida no arcabouço legal, não cabendo ao agente fiscal elaborar critérios não estabelecidos na norma, muito menos valorar ações dispendidas pelo beneficiário sem critérios razoáveis, sob pena de ferir o princípio da legalidade, já que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art. 5º, II da CF). O princípio da legalidade aparece simultaneamente como um limite e como uma garantia, considerando que estabelece: a) limite para a atuação do Poder Público, pois este só poderá operar dentro dos ditames legais; b) garantia para os administrados, pois somente cumprirão as exigências do Estado caso estejam previstas na lei. Passo agora à análise no que diz respeito ao inciso IV, do art. 55 da Lei 8.212/91, “não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título”. No ponto específico, consta do voto do douto relator as seguintes informações: Nesse tópico o Fisco informa que vários diretores estatutários possuem contratos de cessão de espaço e/ou utilizam a infra estrutura do hospital, relacionando os diretores, fls. 031. Fl. 4604DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 82 Informa, também o Fisco que, apesar de devidamente solicitados, poucos contratos com os diretores foram apresentados, pois, segundo o sujeito passivo, a maioria desses contratos eram verbais, sob alegação de que os contratos ainda não tinham sido confeccionados, fls. 032. Entre os fatos descritos pelo Fisco, que teriam beneficiados diretores, há a contratação de empresas desses diretores para atuar no hospital, fls. 032. O Fisco cita duas empresas, que atuam em oncologia e oftalmologia. Na empresa que atua em oncologia o Fisco verificou que: 1. No contrato firmado entre o sujeito passivo e a empresa do diretor estatutário citado, fls. 0311, fica evidente a remuneração, vantagem, benefício do diretor da entidade através de sua empresa; 2. A empresa do diretor é contratada pela recorrente para prestar serviços na área de oncologia a serem realizados tanto nas instalações do Hospital quanto em suas unidades avançadas ou na própria sede; 3. O corpo de empregados do hospital fica submetido às escalas e às determinações da empresa do diretor; 4. Os medicamentos e materiais serão adquiridos e fornecidos tanto pelas duas partes; 5. As contas dos pacientes particulares e os que disponham de cobertura de despesas através de fontes pagadoras atendidas pela recorrente serão cobradas pela recorrente; 6. A empresa do diretor fará as cobranças de pacientes que mantenham convênios de assistência médica que ela atenda e que não sejam atendidos pelo hospital; 7. Em caso da empresa do diretor sofrer glosa determinada pela fonte pagadora caberá ao hospital (sujeito passivo em questão) as providências para o recebimento futuro; 8. Portanto, o que há é espécie de fusão entre a empresa e o hospital para a prestação de serviços da especialidade do diretor em questão (oncologia); 9. Vale salientar que o hospital se responsabiliza até pelo esforço de recebimento de cobranças da empresa do diretor que não sejam pagas de imediato; 10. Na clausula 8ª do Instrumento Particular de Prestação Recíproca de Serviços que trata da remuneração e do encontro de contas é que se constata o absurdo de tal instrumento; 11. O hospital repassará a empresa do diretor no caso de pacientes atendidos nas instalações do hospital com planos de saúde conveniados com o hospital 25% (vinte e cinco por cento) do total do faturamento dos tratamentos quimioterápicos e dos medicamentos anti neoplásicos; Fl. 4605DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 43 83 12. Já no caso de pacientes atendidos nas instalações do Hospital com planos de saúde conveniados com a empresa do diretor, a empresa do diretor realizará o faturamento para as fontes pagadoras e repassará 75% (setenta e cinco por cento) para o hospital a título de ressarcimento de medicação e materiais utilizados; 13. Para os pacientes atendidos na sede da empresa do diretor com planos de saúde conveniados exclusivamente com o hospital este realizará o faturamento e repassará 75% (setenta e cinco por cento) para a empresa do diretor a título de pagamento da utilização de suas dependências e da supervisão técnica; 14. Portanto, há pelo menos duas irregularidades, a primeira é uma tentativa de burlar os planos de saúde utilizandose de uma manobra para que o paciente sendo conveniado com o hospital ou com a empresa do diretor seja atendido pelo plano independente das instalações que utilizar; 15. A segunda irregularidade é a troca de benefícios não equilibrada já que todos pacientes que forem atendidos pelo hospital terão seu faturamento dividido entre o hospital e a empresa do diretor, não ocorrendo o contrário; 16. A empresa do diretor só dividirá com o hospital os pacientes atendidos em sua sede e que sejam portadores de plano de saúde conveniado com o hospital e não conveniados com a empresa; 17. Portanto, encontrouse uma forma de viabilizar o atendimento a estes pacientes na empresa do diretor quando eles deveriam ser atendidos pelo hospital, caracterizando, assim, favorecimento a empresa do diretor; 18. O Fisco relata os valores, na casa de milhões de reais, que são gerados por esse contrato; Vale destacar a conclusão do fisco, que foi a seguinte: 202. Em tese, podese afirmar que estas empresas são contratadas como forma de encobrir a remuneração dos diretores da SBIBHAE o que fere o inciso IV do art. 55 da Lei 8212 de 1991. 203. Concluise também que os diretores estatutários que laboram dentro do Hospital Albert Einstein e contribuem decisivamente para o sucesso do empreendimento sem nada receber diretamente do nosocômio e sem nada pagar se enquadram perfeitamente como os "DIRETORES" vedados de receber vantagens ou benefícios a qualquer título, conforme o inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91, pois se enriquecem mediante o proveito de toda a infraestrutura. (fls. 036/037) Fl. 4606DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 84 Iniciarei a minha análise pela acusação fiscal no sentido de que haveria a prática de beneficio a diretores da entidade, considerando a contratação pela recorrente de empresas que atuam em oncologia e oftalmologia, desses mesmos diretores, para atuar no hospital (fls. 032), conduta que se acomodaria à regra proibitiva do inciso IV da norma previdenciária (não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título). No meu sentir não se deve confundir a remuneração profissional recebida pela prestação de serviços técnicos em suas especialidades com aquela eventualmente recebida pelos Diretores da entidade beneficente pelo desempenho das funções que lhe são estatutariamente atribuídas. A primeira hipótese entendo permitida e não enseja a descaracterização da isenção. A segunda é vedada pela norma previdenciária. Nesse sentido cotejamos arestos da 3ª Turma do Egrégio TRF da 1ª Região, como demonstrativo da jurisprudência: APELAÇÃO CÍVEL Nº 93.01.256126MG RELATOR: O EXMO. SR. JUIZ TOURINHO NETO EMENTA: PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE FILANTRÓPICA. CONTRIBUIÇÃO. ISENÇÃO. DECRETO Nº 1.118, DE 1º.07.1962. 1 Exige a lei que os diretores e não o dirigente da entidade mantida não percebam remuneração, a fim de que seja, cumpridos outros requisitos, considerada filantrópica. 2 Se o diretor da entidade mantida, nessa qualidade, percebe remuneração, ainda que integre a direção da entidade mantenedora, não descaracteriza a sociedade como filantrópica. 3 Apelação provida. No âmbito administrativo a matéria chegou a ser objeto de parecer da Consultoria Jurídica do então Ministério da Previdência e Assistência Social e a conclusão foi no sentido de que o pagamento de remuneração a outras atividades exercidas pelos dirigentes que não sejam as inerentes ao cargo diretivo estatutário não enseja o cancelamento da "isenção" prevista no §7º, art. 195: Do exposto, ressaltase a possibilidade de pagamento de remuneração a outras atividades exercidas pelos dirigentes que não sejam as inerentes ao cargo diretivo integrante da estrutura estatutária, sem que configure hipótese ensejadora de cancelamento ou não concessão da "isenção" prevista no §7º, art. 195 da Constituição Federal e regulamentada no inciso IV do art. 55 da Lei de Custeio vigente (Lei 8.212/91). Parecer/MPAS/CJ nº 639, DOU de 01 de setembro de 1996. Ainda na esfera administrativa, o Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria da Receita Federal, publicou a Solução de Consulta 183 de 17, de setembro de 2012, de 17 de setembro de 2012, afirmando a possibilidade de remuneração de médicos diretores, desde que exerça ou lecione a medicina na instituição que dirige, sem, contudo, ser remunerado pelo exercício de atividade de direção: Fl. 4607DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 44023.000017/200759 Acórdão n.º 2301003.847 S2C3T1 Fl. 44 85 IMUNIDADE. ISENÇÃO. EBAS. ADMINISTRAÇÃO. São imunes a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços e à CSLL, bem como isentas de contribuição previdenciária patronal, de CSLL, de Cofins e pagam a Contribuição para o PIS/Pasep sobre folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social (Ebas) cujos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores não percebem remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos. P. ex., pode um diretor receber salário de professor ou de médico, caso lecione ou exerça a medicina na instituição que dirige. Todavia, não pode ser remunerado pelo exercício de atividades de direção, gerência ou administração da entidade, na medida em que elas são de competência de outros membros de diretoria, ou por eles delegadas. Assim, caso quisesse o auditor fiscal comprovar que efetivamente se estaria desvirtuando o preceito legal com a obtenção de alguma vantagem pelos ocupantes de cargos diretivos teria buscado demonstrar que os respectivos diretores estariam recebendo remuneração de forma distinta daquelas permitidas aos profissionais que exercem a mesma função em seus consultórios e que porventura exercem algum cargo de direção na instituição, o que, na minha ótica, não ocorreu. É dizer: seja qual for a atividade filantrópica desenvolvida pela entidade não se pode confundir as atividades do dirigente com as de médico autônomo, prestador de serviços a terceiros. Embaraçar as duas atividades, praticamente vedando o Diretor de exercer a sua profissão de médico ou outra qualquer, é o mesmo que violar o princípio constitucional da liberdade da profissão: é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer art. 5º, inciso XIII – CF/88. No meu sentir, a vedação trazida pela norma diz respeito à remuneração por atribuições próprias dos cargos da estrutura diretiva da entidade e não às atividades profissionais desempenhadas mesmo que cumulativamente nas funções exercidas no desempenho profissional. É o que ocorre com os chefes de Departamento, Coordenadores de Ensino, Reitor, PróReitores, entre outros. Dito isso, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 4608DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 14/04/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 35011.003088/2006-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA FORMALIZAÇÃO/EDIÇÃO DO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. SIMPLES CORREÇÃO.
Restando comprovado o erro material na formalização/edição do Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração exclusivamente para suprir o defeito apontado, com emissão de novo decisum nos termos do artigo o artigo 67 do Decreto n° 7.574/2011, que regulamentou o artigo 32 do Decreto n° 70.235/72, rerratificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda.
Embargos acolhidos parcialmente.
Numero da decisão: 9202-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, exclusivamente para sanear o erro material suscitado pela contribuinte no Acórdão Embargado, nº 9202-002.786, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA FORMALIZAÇÃO/EDIÇÃO DO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. SIMPLES CORREÇÃO. Restando comprovado o erro material na formalização/edição do Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração exclusivamente para suprir o defeito apontado, com emissão de novo decisum nos termos do artigo o artigo 67 do Decreto n° 7.574/2011, que regulamentou o artigo 32 do Decreto n° 70.235/72, rerratificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. Embargos acolhidos parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, exclusivamente para sanear o erro material suscitado pela contribuinte no Acórdão Embargado, nº 9202002.786, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 30 88 /2 00 6- 71 Fl. 4457DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório CONSTRUTORA SOMA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, em 13/09/2006, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, apurada por aferição indireta, com espeque no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, em relação ao período de 01/2001 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 404/407, e demais documentos que instruem o processo. De conformidade com o Relatório Fiscal, o crédito tributário exigido fora apurado por aferição indireta, nos termos do artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, uma vez que a contabilidade da contribuinte não se apresentava na forma exigida pela legislação previdenciária, deixando de espelhar a realidade da movimentação das remunerações dos segurados empregados. Mais a mais, a notificada não apresentou os livros e documentos contábeis de 2001 e 2002 (em parte). Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 5a Turma da DRJ em Belém/PA, Acórdão nº 01 9.709/2007, às fls. 721/727, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2a Turma Ordinária da 3ª Câmara, em 28/07/2011, por unanimidade de votos, achou por bem CONHECER EM PARTE E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2302001.204, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 4458DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 35011.003088/200671 Acórdão n.º 9202003.015 CSRFT2 Fl. 3.888 3 Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.” Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 1.637/1.1652, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial do recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas. De início, suscita que a análise de alegações e/ou provas novas no âmbito do processo administrativo fiscal encontrase escorada em 03 (três) vertentes distintas. A primeira corrente, corroborada pelo Acórdão n° 20181.000, rechaça o conhecimento de documentos novos após a impugnação. Por outro lado, a segunda corrente, admite a apresentação de novas razões de direito e provas novas, excepcionalmente, conquanto que se apresentem argumentos Fl. 4459DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 4 suplementares à impugnação e antes da decisão de primeira instância, encontrando guarida nos Acórdãos n°s 10322.583 e 30334.308. Finalmente, a terceira corrente, possibilita a apresentação de documentos a qualquer tempo em observância aos princípios da instrumentalidade processual e da verdade material, entendimento que a contribuinte se apega nesta oportunidade, com o fito de fazer prevalecer sua tese e comprovar a divergência arguida, adotando como paradigmas os Acórdãos n°s 10809.622 e CSRF/0304.981. Sustenta que o Acórdão recorrido adotou o entendimento contemplado na primeira corrente, no sentido de que a apresentação de provas somente poderá ocorrer em sede da defesa inaugural, salvo nos casos previstos na legislação de regência, ao contrário do que restou assentado nos decisórios paradigmas retromencionados, o quais aceitam a produção de provas em qualquer fase processual administrativa. Em defesa de sua pretensão, contrapõese à exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente quanto ao arbitramento utilizado na constituição do crédito tributário, repisando os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, no sentido de que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável ou ausência de apresentação de documentos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte sempre colocou a disposição a contabilidade demonstrando sua regularidade. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pela notificada, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Relativamente ao conhecimento de provas novas ofertadas após a interposição da impugnação, reitera o entendimento esposado nos Acórdãos paradigmas de que devem ser submetidas à análise da autoridade julgadora, sobretudo em observância aos princípios da instrumentalidade processual e verdade material, mormente quando se estiver diante de lançamento contemplando crédito tributário apurado por aferição indireta, invertendose o ônus da prova. A corroborar seu entendimento, traz à colação doutrina pátria e jurisprudência judicial ressaltando a possibilidade de conhecimento de provas e alegações novas no processo administrativo fiscal, em detrimento à preclusão processual. Infere que o pedido de diligência formulado na impugnação e no recurso voluntário se justifica pelo simples fato da impossibilidade material de se juntar centenas de milhares de documentos comprobatórios, os quais, em verdade, iriam atravancar os trabalhos fiscais, assim como, a logística dos órgãos preparatórios, razão pela qual impõese determinar o conhecimento das argumentações e provas ofertadas em sede de recurso voluntário, ao contrário do que restou assentado no Acórdão recorrido. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da Fl. 4460DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 35011.003088/200671 Acórdão n.º 9202003.015 CSRFT2 Fl. 3.889 5 mesma matéria, mais precisão o Acórdão n° 10809.622, conforme Despacho n° 2300 510/2012, às fls. 3.852/3.853. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 3.856/3.864, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão guerreado, em defesa de sua manutenção. Incluído na pauta de 06/08/2013, a Colenda 2a Turma da CSRF, por maioria de votos, achou por bem não conhecer do Recurso da Contribuinte, o fazendo sob o manto das razões inscritas no Acórdão nº 9202002.786, com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Período de Apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA CONTEMPLANDO FATOS DIVERSOS DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa matéria diversa da adotada no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6o do dispositivo regimental supra. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.” Ainda inconformada, a Contribuinte opôs Embargos de Declaração, às fls. 3.874/3.881, fundamentado no artigo 64, I, c/c artigo 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, pugnando pela reforma do Acórdão embargado, em virtude das contradições e omissões a seguir apontadas. De início, suscita a possibilidade de atribuição de efeitos infringentes aos Embargos de Declaração opostos nos autos de processo administrativo fiscal, mormente quando a nódoa contamina de tal forma o julgado que seu acolhimento implica na alteração do conteúdo deste na correição da omissão e/ou contradição incorrida pelo julgador, sobretudo em face da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, na linha que o próprio CARF já vem reconhecendo. Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do procedimento fiscal, sustenta ter havido erro material na ementa do Acórdão guerreada, uma vez constar no tópico Assunto a matéria Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, o que representa Fl. 4461DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 6 evidente contradição com a demanda posta nos autos concernente às contribuições previdenciárias, impondo seja retificado o assunto para que este expresse verdadeiramente a matéria em comento. Traz à colação estudo a propósito da definição de paradigma, contemplando a sua origem, com base em transcrições doutrinárias, concluindo que em momento algum o julgador embargado logrou determinar o que significa tal palavra, caracterizando omissão no julgado. Acrescenta que não restou explicitado no decisum recorrido qual teria sido a modalidade de análise dos acórdãos confrontados, apesar de ter insinuado que se trata de exame objetivo da divergência suscitada. Opõese ao entendimento levado a efeito no decisório combatido, aduzindo para tanto que a análise das divergências jurisprudenciais e a sua admissibilidade não se fixa em encontrar acórdãoparadigma idêntico na norma aplicável e nos fatos ocorridos. Alega, ainda, ter ocorrido contradição entre o fundamento do voto e sua conclusão, tendo em vista que o próprio relator inseriu no bojo do decisum que há uma eterna discussão a propósito da preclusão processual em confrontação com o princípio da verdade material, o que implica dizer que existe divergência entre julgados contemplando a matéria em debate. Por derradeiro, pretende sejam os Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes, objetivando sanear as omissões e contradições apontadas, de maneira a analisar o recurso especial da contribuinte, nos termos encimados. Submetido a exame preliminar dos pressupostos para conhecimento dos Embargos opostos pela Contribuinte, constatamos que, de fato, ocorrera erro material na formalização/edição do Acórdão, nos termos do Despacho de fls. 3.883/3.886, razão pela qual propusemos o conhecimento parcial de aludida peça recursal, somente para fins de correção de referido equívoco, com a inclusão em nova pauta de julgamento, o que fora acolhido pelo ilustre Presidente do Colegiado. É o Relatório. Fl. 4462DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 35011.003088/200671 Acórdão n.º 9202003.015 CSRFT2 Fl. 3.890 7 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator DOS EMBARGOS Presentes os pressupostos de admissibilidade, por ser tempestivo e comprovado o erro apontado pela Embargante, acolho os Embargos de Declaração, pelas razões de fato e de direito a seguir esposadas. Como muito bem asseverado pela contribuinte, da simples leitura dos autos constatase ter havido equívoco/erro na formalização/edição do Acórdão, por constar como Assunto a matéria Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, o que, de fato, não coaduna com a questão posta nos autos, onde se analisa contribuições previdenciárias, consoante se positiva da respectiva Ementa abaixo transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Período de Apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA CONTEMPLANDO FATOS DIVERSOS DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa matéria diversa da adotada no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6o do dispositivo regimental supra. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.” Mostrase evidente, portanto, o erro apontado pela Embargante, ao constar do tópico Assunto o tema Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR enquanto o correto seria Contribuições Sociais Previdenciárias. Por sua vez, o artigo 67 do Decreto n° 7.574/2011, que regulamentou o artigo 32 do Decreto n° 70.235/72, determina que os erros materiais constantes da decisão exarada em processo administrativo fiscal deverão ser corrigidos mediante a prolação de um novo acórdão, senão vejamos: Fl. 4463DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 8 “Art. 67. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão (Decreto no 70.235, de 1972, art. 32).” Na esteira do dispositivo legal retro, impõese acolher os Embargos de Declaração com a exclusiva finalidade de sanear o erro/equívoco material incorrido em sua formalização, mais precisamente no tópico “Assunto” da Ementa. Partindo dessas premissas, é de se corrigir o tópico Assunto da Ementa, de maneira a constar como matéria contemplada nos autos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER EM PARTE OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, exclusivamente para sanear o erro material suscitado pela contribuinte no Acórdão Embargado, nº 9202002.786, rerratificando, porém, o resultado do julgamento pretérito em relação às demais alegações da contribuinte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 4464DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES
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Numero do processo: 10240.720344/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62-A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade Presidente (assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .7 20 34 4/ 20 10 -4 0 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.720344/201040 Resolução nº 1302000.235 S1C3T2 Fl. 10 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto por NORMADE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA., já qualificada nos presentes autos, em face do acórdão nº 0124.719, proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte, em 11 de abril de 2012 que, ao apreciar sua Impugnação, negou provimento. Trata o processo de autos de infração de IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social (fls. 01/122), referentes ao exercício de 2008, do ano calendário 2007, cujas infrações apuradas são as seguintes: a) Depósitos Bancários Não Escriturados de Origem não Comprovadas: b) Insuficiência de Recolhimento (janeiro/2007 a junho/2007): Consta no Termo de Verificação (fls. 102/122), em síntese: a) no dia 01/07/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal N° 002, sendo recebido pela empresa em 14/07/2010 por via postal, onde foi solicitado ao contribuinte a identificação e comprovação da origem dos recursos lançados a crédito nas contas correntes citadas nas 13 (treze) páginas componentes do anexo deste Termo. A comprovação da origem desses recursos deveria se dar por escrito, no prazo de 20 (vinte) dias, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, demonstrando a relação biunívoca entre tais documentos e os lançamentos efetuados em suas contas correntes, cuja escrituração não foi localizada nos Livros Diário e Razão apresentados pelo contribuinte. A ciência deste Termo deuse em 14/07/2010, conforme AR dos Correios.” “Levandose em consideração que o contribuinte não apresentou, até a presente data, os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal N° 002, não comprovando, portanto, a origem dos recursos lançados a crédito nas contas correntes, citadas nas 13 (treze) páginas componentes do anexo do referido Termo de Intimação, foi lavrado o Auto de Infração, relativo ao ano de 2007”. b) “Cabe informar que dos valores de depósitos/créditos em contas correntes enviados ao contribuinte para a comprovação da origem dos recursos utilizados nas respectivas operações, constantes do Termo de Intimação Fiscal N° 002, foram excluídos os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica (Art. 42, §3°, Lei n° 9.430/96) e também os referentes a resgates de aplicações financeiras, empréstimos bancários, estornos, e demais créditos de origem identificada. Os valores referentes a estornos de lançamento e devolução de cheques depositados, foram, também, excluídos quando da elaboração da tabela anexa a este Termo, sendo que estes valores são base para o lançamento deste Auto de Infração”. c) “Quanto aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/07/2007, com a revogação da Lei n° 9.317/96 e a instituição do Regime Unificado de Arrecadação de Tributos Fl. 692DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.720344/201040 Resolução nº 1302000.235 S1C3T2 Fl. 11 3 e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL através da Lei complementar n° 123/06 e, levandose em conta que a empresa fiscalizada não foi incluída no Simples Nacional, não fez opção por outro regime de tributação e apresentou a escrituração solicitada durante este procedimento fiscal, este lançamento darse á de acordo com os critérios estabelecidos pelo Lucro Real.” A contribuinte apresentou a peça impugnatória de fls. 306/312, em 30/09/2010, onde alega, em resumo, que: a) a empresa foi optante do SIMPLES NACIONAL no período 01/07/2007 a 31/12/2009, conforme se verifica no documento 001 ora acostado, SIMPLES NACIONAL CONSULTA DE OPTANTES, emitido no sitio eletrônico da RFB; b) há de se ressaltar de que a ocorrência de depósitos em conta corrente, por si só, não são suficientes para provar que tenha auferido receita; c) contesta se o lançamento do imposto através do AI em virtude da prática da empresa em efetuar a venda da mercadoria preço FOB Rondônia, todavia, fazendo adiantamentos ou até mesmo pagamento total dos fretes para ser, posteriormente reembolsado pelo adquirente; d) não foram considerados, como valores devidamente comprovados nos termos do Art. 42 da Lei 9430/96, pela autoridade fiscalizadora os valores declarados pela autuada no período fiscalizado, ocasionando um aumento do valor supostamente devido, tanto pelo lançamento em duplicidade de parte da receita, bem como com aplicação de alíquotas superiores, uma vez que essas são progressivas, os seja, a fiscal autuante somou a receita bruta mensal declarada mais os depósitos bancários aplicando o percentual superior em virtude do aumento da receita bruta acumulada. Ao apreciar a matéria, a 2ª Turma da DRJ/BEL, acolheu parcialmente os argumentos de defesa, concedendolhe provimento parcial por meio do Acórdão 0124.719, de 11 de abril de 2012, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2007 EMENTA Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Recorre se de ofício para o egrégio Carf, tendose em vista que foi ultrapassado o limite imposto pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ciente da decisão de primeiro grau em 25/06/2012 (fls. 629), a Contribuinte interpôs o recurso voluntário em 25/07/2012 (fls. 632), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) que é forço concluir que, para que o princípio do contraditório, da ampla defesa e da motivação sejam respeitados, é necessário que a fiscalização descreva de forma pormenorizada os fatos em que ela se baseia e indique Fl. 693DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.720344/201040 Resolução nº 1302000.235 S1C3T2 Fl. 12 4 os dispositivos legais aplicáveis a tais fatos. No caso sob análise, o fisco claramente desrespeitou os princípios, bem como o Decreto 70.235/72, uma vez que não descreveu de forma devida os fatos ocorridos; b) que a recorrente apresentou à autoridade fiscal, no curso da fiscalização, inúmeros documentos que embasavam e que, de fato, embasam a movimentação apontada. Contudo, a autoridade fiscal simplesmente desconsiderou os documentos apresentados, sem revelar as razões pelas quais tais documentos apresentados, não seriam hábeis a dar suporte à movimentação praticada pela recorrente. Houve violação do art. 142 do CTN, uma vez que o Fisco deixou de cumprir a sua função fiscalizadora, sem aprofundar os seus exames e revelalos ao contribuinte; c) não bastasse a violação consubstanciada na desconsideração dos documentos apresentados por ocasião da prova, conforme já declinado, que torna patente o cerceamento do direito de defesa da recorrente, a autoridade fiscal prosseguiu em sua tentativa equivocada de deslocar o ônus da prova, aplicando ao caso concreto, de forma fria e sem levar em conta o contexto existente, normas que implicam na inversão, como as presunções relativas à omissão de receitas; d) que os agentes fiscais optaram por simplesmente desconsiderar os documentos apresentados pela recorrente, não se tratando, portanto, de hipótese de impossibilidade ou dificuldade na apuração dos fatos. O fisco tinha e reuniu elementos e condições reais suficientes para perquirir e alcançar a verdade material. A existência dos documentos apresentados durante a fiscalização obrigava a autoridade fiscal a examinalos e não à imposição de tributos em face da recorrente com base em normas presuntivas; e) verificase que, inclusive nos casos de presunção legal, seria necessário, para a correta consecução da atividade administrativa de lançamento, que houve fortes apontamentos de que o fato gerador efetivamente ocorreu, de forma que a mera alegação de que as operações da recorrente não estariam comprovadas, sem considerar outras importantes evidências no caso concreto, não seria suficiente para dar suporte à aplicação das regras presuntivas de omissão de receitas; f) que o sigilo bancário é a regra, sendo a prestação de informações autorizada em hipóteses legais expressas, como não deixa dúvidas o art. 10 da LC 105/2001; g) que, juridicamente válida é somente a utilização de informações bancárias recebidas, conservadas e utilizadas no limite autorizado em lei, mais precisamente na própria Lei Complementar 105/2001, não podendo a RFB por autoridade própria, acessar os dados bancários dos contribuintes. Esse é o entendimento do STF, exarado na decisão do Plenário do Supremo, no julgamento do RE 389.808; h) que o vício no procedimento fiscal reside na forma e no conteúdo das informações prestadas no curso da investigação fiscal realizada. A Fl. 694DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.720344/201040 Resolução nº 1302000.235 S1C3T2 Fl. 13 5 ilegalidade apontada vicia o procedimento fiscal, tornando nula a autuação fiscal dele decorrente, vez que, violadora expressa do art. 10 da LC 105/2001. É o relatório. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.720344/201040 Resolução nº 1302000.235 S1C3T2 Fl. 14 6 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A infração apurada pelo Fisco foi a omissão de receitas, quantificadas mediante depósitos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem. Entre outras razões recursais, o sujeito passivo argúi a inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, fundamento legal mediante o qual a fiscalização teve acesso, administrativamente, à movimentação bancária da pessoa jurídica fiscalizada. No âmbito administrativo, releva observar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, que transcrevo abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Posteriormente, diante da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no parágrafo 1º, acima, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, da qual destaco: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: Fl. 696DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.720344/201040 Resolução nº 1302000.235 S1C3T2 Fl. 15 7 I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessao de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Pois bem. A matéria da qual trata este processo administrativo se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 601314, com a decisão que segue1: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Embora reconhecida pela Suprema Corte a repercussão geral (CPC, art. 543A), não encontro menção, no referido Recurso Extraordinário, ao sobrestamento de recursos previsto no art. 543B do Código. Não obstante, em diversas outras decisões se encontram referências inequívocas ao sobrestamento de recursos versando sobre essa matéria. Confirase, a título exemplificativo, o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 7147572: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações 1 RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski. 2 DJe nº 217, divulgado em 14/11/2011. Decisão Monocrática. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.720344/201040 Resolução nº 1302000.235 S1C3T2 Fl. 16 8 bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator No mesmo sentido, decisão monocrática no RE 3543933: REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). DECISÃO: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos – a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Os temas serão submetidos à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. O Plenário da Corte, ao apreciar a questão de ordem nos autos do RE 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 04.09.2008, decidiu estender a aplicabilidade do instituto da repercussão aos recursos interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03.03.11, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Tenho por certo, assim: que o presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; 3 DJe nº 195, divulgado em 10/10/2011. Relator Min. Luiz Fux. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.720344/201040 Resolução nº 1302000.235 S1C3T2 Fl. 17 9 que ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; e que recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Considero, pois, plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito. Por todo o exposto, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 699DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10680.722247/2010-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2009
AUTO ENQUADRAMENTO COMO ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. AUSÊNCIA DO CEBAS. REQUISITOS LEGAIS DA IMUNIDADE/ISENÇÃO JAMAIS ATENDIDOS OU CUMPRIDOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA NECESSIDADE DE CORREÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO PATAMAR DA MULTA, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para aplicar no período de 01/2006 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66, a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 - A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à comparação da multa.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2009 AUTO ENQUADRAMENTO COMO ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. AUSÊNCIA DO CEBAS. REQUISITOS LEGAIS DA IMUNIDADE/ISENÇÃO JAMAIS ATENDIDOS OU CUMPRIDOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA NECESSIDADE DE CORREÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO PATAMAR DA MULTA, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para aplicar no período de 01/2006 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66, a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à comparação da multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 22 47 /2 01 0- 11 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 383 2 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 384 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.270.7254, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores considerados empregados, bem como das remunerações/retribuições/honorários dos segurados contribuintes individuais, que prestaram serviços à recorrente, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 43 a 51, com período de apuração de 01/2006 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 40 e 41. O Auto de Infração é composto pelos levantamentos denominados FP FOLHA DE PAGAMENTO, período de 01/2006 a 11/2008; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO, período de 02/2006 a 03/2008 e FP2 – FOLHA DE PAGAMENTO, período de 12/2008 a 12/2008, conforme Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 12. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/07/2010, Folha de Rosto do Auto de Infração, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição, as fls. 83, recebida, em 25/08/2010, com razões de defesa, as fls.84 a 150, acompanhada dos documentos, de fls. 151 a 305. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 306 e 307. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0230.799 7ª, Turma DRJ/BHE, em 08/02/2011, fls. 308 a 320. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 02/03/2011, AR, de fls. 324. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 325, recebido, em 31/03/2011, conforme carimbo de recepção, com razões recursais, as fls. 326 a 372, acompanhado dos documentos, de fls. 373 a 375. Mérito. · que a recorrente pugna pela aplicação da regra do artigo 195, § 7º c/c o artigo 14 do CTN, aplicação da imunidade; · que a interpretação da norma deve atender aos seus fins sociais e aos valores que esta visa garantir, cita Maria Helena Diniz; · que a norma a prever os requisitos da imunidade é a Lei Complementar, pois cuidase de limitação ao poder de tributar, cita Fl. 386DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 385 4 Aliomar Baleeiro, sendo esta o CTN, cita Mizabel Abreu M. Derzi, entre outros; · que em razão das atividades da recorrente de exercer atividades beneficentes de assistência social, o que é atestado pelos órgãos controladores da política de assistência social, a recorrente não tem que recolher contribuição social previdenciária patronal, até porque amparada pelo artigo 195, § 7º, da CF/88 c/c o artigo 14, do CTN; · que por estar adstrito ao princípio da legalidade a Administração Pública deve aplicar ao caso o artigo 195, § 7º, da CF c/c o artigo 14, uma vez que se cuida de imunidade; · que o dispositivo do artigo 195, § 7º, no que tange a imunidade não traz nenhuma condicionante, mas tão somente a observação do requisitos em lei, ou seja, artigo 14, do CTN, não dependendo a fruição do benefício de autorização ou reconhecimento pelo poder público, cita decisão do STF e Roque Antônio Carrazza, bem como o TJMG, e, ainda, o STJ, o TJDFT, devendo a Administração Pública com base na moralidade administrativa, do artigo 37, caput, da CF/88 afastar as interpretações formalistas, desprovidas de valoração e do fins da norma antes de promover o lançamento, cita Carmem Lúcia Antunes Rocha, pois a moralidade exige proporcionalidade entre meios e fins; · que a recorrente não concorda com sua equiparação a empresa, uma vez que o Código Civil tratou das pessoas jurídicas de forma diferente e com acerto, estando a sociedade empresa no artigo 44 e objetivando fins econômicos ou lucrativos e as fundações como a recorrente no artigo 62, com fins religiosos, morais, culturais e de assistência, exercendo a recorrente múnus público; · que deve ser aplicado ao caso o artigo 112, do CTN, pois na dúvida a interpretação mais favorável é a que se aplica ao acusado, pois demonstrando aos fatos a condição de entidade beneficente de assistência social esta é imune de impostos e contribuições sociais; · que no PAF existe a previsão da observância do contraditório e ampla defesa, conforme artigo 2º, inciso X, da Lei 9.784/99, tendo a recorrente alegado vastos argumentos e fundamentos em contraposição ao lançamento, porém nem todos foram analisados pela autoridade julgadora a quo, sendo isso direito da recorrente, elenca a recorrente ao seu sentir situações determinadas em lei, não devendo a decisão prescindir da adequada motivação, citando o artigo 31, do Decreto 70.235/72 e 458, do CPC, cita Marcos Neder e Tereza Lopes, bem como a CSRF, entende a recorrente que a decisão de primeiro grau é nula por falta de motivação, volta a citar vários juristas e decisões dos antigos CC’s; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 386 5 · que para corroborar os argumentos da recorrente resgata e traz os pontos não apreciados pela decisão a quo: a) imunidade tributária e sua aplicação no caso da recorrente; b) busca da verdade material ou real; c) falsidade ideológica e sonegação de contribuição previdenciária; d) dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade norteadores das decisões administrativas; e) da prevalência do interesse público; f) incongruências na apuração do crédito tributário · Dos pedidos – requer a recorrente: a) regular recebimento, conhecimento, com acolhimento ao final; b) cancelamento do Acórdão a quo; c) cancelamento do crédito tributário e seus acréscimos e d) arquivamento do PAF. Foram juntados por apensação a estes autos os processos PAF’s Nº 10680.722249/201000; 10680.722250/201026 e 10680.722251/2010 71 conforme, fls. 376; 377 e 378. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 379. Os autos subiram ao CARF, fls. 379. É o Relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 387 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. A imunidade/isenção do artigo 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil/88 era regulamentada pelo artigo 55, da Lei 8.212/91 e não pelo artigo 14, da Lei 5.172/66 em razão do critério da especialidade, bem como a alínea “c”, do inciso IV, do artigo 9º, da Lei 5.172/66 se aplica a impostos e não as contribuições sociais previdenciárias. A polêmica sobre a constitucionalidade ou não do artigo 55, da Lei 8.212/91 é irrelevante no âmbito administrativo, pois se a lei era existente, vigente e eficaz é de observação obrigatória pelos agentes da administração. Aliás, o citado dispositivo nunca foi declarado inconstitucional e o próprio Supremo Tribunal Federal – STF reconheceu a validade da norma, ainda, que de forma reticente, observe o arresto. EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a "lei" para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei" sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, "c", da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: .... II regular as Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 388 7 limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta. (ADI 2028 MC, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 11/11/1999, DJ 16062000 PP 00030 EMENT VOL0199501 PP00113) (destaque meu). Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 389 8 Ademais, em nosso sistema jurídico a regra é de que os projetos de veículos introdutores de norma que passaram pelo processo legislativo e alcançaram aprovação, promulgação e sanção são presumivelmente constitucionais, até prova em contrário, o que no presente caso não existe em relação ao artigo 55, da Lei 8.212/91. Além do que dito, acima as contribuições previdenciárias foram excluídas da Ordem Tributária pela EC 0877 à EC 0169 (Constituição Federal de 1969) e assim mesmo readquirindo tal caráter com a CRFB/88 da conjugação do artigo 195, § 7º com o artigo 150, § 6°, só lei especifica poderia estipular esta limitação e tal lei só pode ser a Lei 8.212/91 e não a Lei 5.172/66, pois não atende ao critério constitucional exigido, sobre a perda da natureza tributária da contribuição social previdenciária o Supremo Tribunal Federal – STF, conforme abaixo transcrito já firmou posição. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 390 9 Aliás, no que se refere a imunidade/isenção nunca é demais lembrar que a entidade recorrente nunca, jamais em tempo algum foi detentora da condição de entidade beneficente pelo simples fato de que ela não possuía todos os requisitos exigidos em lei. Tal situação é patente da leitura da certidão, de fls. 171, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – Conselho Nacional de Assistência Social – MDS/CNAS, uma vez que tal documento deixa claro que a entidade recorrente não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, seja na vigência do Artigo 55, da Lei 8.212/91, na vigência da MP 446/2008 ou da Lei 12.101/2009. A inexistência da certificação viabilizada pelo CEBAS por si só é situação que impossibilita a fruição do benefício constitucional pela requerente, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, veja, a transcrição, no presente caso não se cuida de renovação, mas simplesmente a inexistência da certificação, o que implica em jamais terem sido as exigências legais atendidas. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 391 10 EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA CB/88. INOCORRÊNCIA. 1. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social às contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições da isenção tributária das entidades filantrópicas, a exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. 4. A exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e 195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese em que a recorrente não cumpriu os requisitos legais de renovação do certificado. Recurso não provido. (RMS 27093, EROS GRAU, STF.)(o destaque é meu). No que tange a interpretação da norma tributária esta deve ser literal nos termos dos artigos 195, §7º c/c o 150, § 6º, ambos, da CRFB/88 c/c os artigos 108, § 2° c/c o artigo 111, da Lei 5.172/66, não se conformando com este sistema a interpretação dos institutos da legislação de natureza civil, este é o pensamento do Pretório do Excelso, observe a decisão. EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência movimentações financeiras não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (RE 566259, RICARDO LEWANDOWSKI, STF.) (os destaques são meus). O fato de a recorrente exercer atividade de beneficência não lhe atribuía anteriormente e, ainda, hoje, não lhe atribui de forma automática a imunidade/isenção da cota patronal da contribuição previdenciária, pois para fazer jus a tal benefício a entidade deve atender várias exigências legais. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 392 11 A Administração Pública deve aplicar a norma que rege a matéria que esta sendo ventilada e na situação posta e como definido anteriormente esta não é o artigo 14 c/c o artigo 9º, ambos, da Lei 5.172/66, pelas várias razões já expostas. A observação dos requisitos de lei para a obtenção da imunidade/isenção já são condições suficientes a serem observadas, respeitadas e comprovadas para possibilitar a fruição do benefício legal. O parágrafo 1º, do artigo 55, da Lei 8.212/91 até sua revogação trazia exigência expressa de que a isenção, como diz a lei, deveria ser requerida ao INSS, obviamente apresentandose todos os documentos que demonstrassem o preenchimento dos requisitos legais. Não há interpretação formalista, mas apenas esta havendo respeito as determinações legais que devem ser observadas, aplicadas, respeitadas e cumpridas pelos agentes públicos e nada mais. A entidade recorrente tem o direito de discordar de tudo que lhe entender adequado, mas sua discordância não implica em acatamento de suas argumentações e teses. A I. julgadora de primeiro grau em momento algum pretendeu mudar a finalidade institucional da entidade. Aquela, apenas, asseverou que para fins das contribuições sociais previdenciárias, nos termos do artigo 15 e seu parágrafo único, da Lei 8.212/91 todos os tomadores de serviços – empregadores ou não, independentemente, de sua natureza jurídica são considerados empresas, no que tange a contribuição social previdenciária, ou seja, devem contribuir nos termos do artigo 195, I, “a”, “b” e “c”, da CRFB/88 e nada mais. A interpretação que a entidade pretende obter do artigo 112, da Lei 5.172/66, não se aplica ao caso em tela e o motivo é muito simples, tal artigo se reporta as infrações ou penalidades e nos termos do artigo 3º, da Lei 5.172/66 infrações e penalidades não são tributos e no presente lançamento se está exigindo tributo não adimplido espontaneamente pela entidade recorrente. Ainda, que assim não fosse, a aplicação pretendida pela recorrente, também, não pode ocorrer, pois não há dúvidas no lançamento quanto a ausência do direito a imunidade/isenção a situação esta expressamente demonstrada pelo agente lançador. No que tange a alegação de aplicação da lei 9.784/99 ao PAF equivocase a recorrente tal dispositivo não se aplica a este procedimento, uma vez que ele possui regramento próprio, assim diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ, observese a transcrição. EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA Fl. 394DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 393 12 PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 394 13 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). Todavia, isso não implica que os princípios reguladores do processo não serão respeitados de forma alguma, pois isso é determinação constitucional, mas apenas e tão somente que o devido processo legal, com a ampla defesa e contraditório nesta seara tem outro regramento e é dentro desse regramento que aqueles devem ocorrer e se desenvolver. A simples observação do acórdão vergastado não deixa dúvidas, de que este atende ao que determinado na legislação e suscitado pela recorrente. A decisão está composta por todas as suas partes integrantes identificação, ementa, decisão, ordem de intimação, relatório, voto, conclusão, assim não se aplica ao acórdão recorrido a decisões citadas, haja vista que a decisões paradigmas não se conformam com a decisão a quo. Aliás, podese observar que todas as matérias dito como não tratadas no acórdão foram expressamente citadas e rejeitadas pela decisão de primeiro grau, tais como imunidade, fls. 315 a 318; verdade real, fls. 318; falsidade ideológica e sonegação de contribuição previdenciária, fls. 320; dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade norteadores das decisões administrativas, fls. 318; da prevalência do interesse público, fls. 318 e finalmente incongruências na apuração do crédito tributário, fls. 319. Podese concluir que todos os temas que a entidade impugnante diz que não foram tratados em verdade o foram e de forma clara e objetiva, sendo que os argumentos da recorrente foram afastados pelo julgador de primeiro grau, estando a decisão devidamente fundamenta e esclarecida. No presente acórdão a questão da imunidade foi amplamente discutida e esclarecida de forma objetiva e simples que a recorrente não faz jus a tal benefício, uma vez que não preenche os requisitos legais. A verdade material este mais que demonstrada, desde a ação fiscal, pois esta se verifica dentro do conjunto probatório e da realidade encontrada e tratada e a entidade recorrente não pode ser considerada beneficente, pois como exaustivamente demonstrado não preenche os requisitos legais. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 395 14 A questão da falsidade ideológica e sonegação não é questão que se submeta a competência desta instância julgadora, súmula 28, do CARF. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. A questão da proporcionalidade e razoabilidade das decisões administrativas em matéria tributária ficam demonstradas quando estas atendem em primeiro lugar os princípios constitucionais do artigo 37, caput, da CRFB/88, pois desse mandamento a administração não pode se desviar, haja vista que não se pode abraçar tese jusfilosófica em detrimento do ordenamento jurídico posto. O prevalência do interesse público está atendido quando todos que se encontram na mesma situação fática, ou seja, tomam serviços de terceiros, independentemente, da forma jurídica de vinculação, ficam sujeitos à tributação determinada por lei. As alegadas incongruências no lançamento não existem, podese verificar das folhas de pagamento anexadas por amostragem, fls. 53 e 63, que as bases de cálculo são as que estão definidas pelo agente lançador no Relatório de Lançamentos – RL, fls. 13 a 18, e no Discriminativo de Débito – DD, 04 a 12, relativamente, as competências 06/2006 e 12/2008, o que o julgador de primeiro grau já esclareceu, inclusive citando o item 12, do REFISC que descrimina os documentos utilizados para compor a base de cálculo, que vão além das GFIP’s, pois utilizadas as folhas de pagamento, GPS, GFIP e contabilidade, basta ler o item. Todavia, entendo que aplicação da multa de ofício em substituição a de mora não está dentro das determinações legais para o caso, senão vejase. O presente crédito foi constituído, em 23/07/2010, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2006 a 11/2008, bem como de 12/2008 a 12/2008. Desta forma, para o período de 01/2006 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. No que tange a competência 12/2008, a multa a aplicar é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da MP 449/2009, pois esta já se encontrava em vigor. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722247/201011 Acórdão n.º 2803003.090 S2TE03 Fl. 396 15 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, não havendo razão para atender os pleitos desta, mas de ofício determino a retificação da multa como esclarecido. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, para aplicar no período de 01/2006 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66, a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10920.000944/2007-33
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS.
A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 09 44 /2 00 7- 33 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10920.000944/200733 Acórdão n.º 2801003.512 S2TE01 Fl. 81 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 5.778,33, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, exercício 2004, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 18.357,50. Informa a Autoridade Lançadora, à fl. 8, que na apuração do imposto devido foi compensado o imposto retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 476,32. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/4, acompanhada dos documentos de fls. 5/21, alegando, em síntese, que mesmo admitindo a omissão apontada, este fato, por si só, não geraria imposto a pagar, uma vez que o valor recebido não é tributável, porquanto acometida de neoplasia maligna, encontrandose isenta do imposto de renda, nos termos do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. A impugnação foi julgada improcedente, sob o fundamento de que o laudo apresentado não foi emitido por serviço médico oficial, além de não conter os requisitos essenciais à comprovação do direito pretendido. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/04/2011 (fl. 33), a Interessada interpôs, em 26/05/2011, o recurso de fl. 34/36, acompanhado dos documentos de fls. 37/65. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Ao contrário do que alega o julgador de primeiro grau, o Laudo Pericial da Junta Médica e Termo de Exame emitido pela junta médica do DETRANSC são documentos válidos e legais para provar que é acometida de neoplasia maligna, sendo certo que tal órgão é tido também como serviço médico estadual. Tais documentos já foram reconhecidos e admitidos como prova de que a Recorrente é portadora de neoplasia maligna, conforme decisão contida no Acórdão 0720.063, da 5ª Turma da DRJ/FNS, proferido em 28/05/2010 (fls. 39/42). Tendo sido acometida por neoplasias malignas, como bem reconheceu o referido acórdão, encontrase isenta de imposto de renda, em face do disposto no art. 6º da Lei nº 7.713/1988. O julgamento foi convertido em diligência por intermédio da Resolução nº 2801000.174, de 22/11/2012 (fls. 69/72), para que a Recorrente fosse intimada a apresentar prova inequívoca de que os valores recebidos se referem a rendimentos de aposentadoria. A Interessada foi intimada em 04/08/2013 (fl. 77), mas não houve qualquer manifestação de sua parte. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10920.000944/200733 Acórdão n.º 2801003.512 S2TE01 Fl. 82 3 A intributabilidade dos proventos de aposentadoria do portador de moléstia grave encontra previsão no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, impõe, ainda, como condição para a isenção do imposto de renda de que trata o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, a emissão de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos seguintes termos: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para gozo do benefício fiscal, portanto, fazse necessário que o beneficiário preencha os requisitos legais exigidos, quais sejam: (a) o reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1998, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. No caso concreto, entendo que o documento apresentado pela Recorrente, intitulado “Laudo de Avaliação – Deficiência Física e/ou Visual” (fl. 17), expedido pelo Departamento de Trânsito do Estado de Santa Catarina, reveste a roupagem de “laudo pericial emitido por serviço médico oficial”, muito embora tenha sido emitido com a finalidade de fruição da isenção prevista no inciso IV do art. 1º da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 (isenção de IPI na aquisição de automóvel por pessoa portadora de deficiência física). Observo, porém, que não há nos autos nenhum elemento que comprove que os rendimentos auferidos pela Recorrente são provenientes de aposentadoria ou reforma. Mesmo após a conversão do julgamento em diligência, quando foi intimada a apresentar prova da natureza do rendimento, a Interessada quedouse inerte, não se desincumbindo de seu ônus probatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10920.000944/200733 Acórdão n.º 2801003.512 S2TE01 Fl. 83 4 De conseguinte, não faz jus à concessão do benefício fiscal destinado aos portadores de moléstia grave, que reclama o atendimento, cumulativo, dos dois requisitos acima mencionados. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904493/2012-53
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 93 /2 01 2- 53 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904493/201253 Acórdão n.º 3803004.843 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904493/201253 Acórdão n.º 3803004.843 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904493/201253 Acórdão n.º 3803004.843 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720405/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO.
Não se conhece do recurso voluntário apresentado intempestivamente, caracterizando-se a perempção.
Numero da decisão: 1402-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso voluntário apresentado intempestivamente, caracterizandose a perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 04 05 /2 01 2- 36 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Tratase de autos de infração para cobrança do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no valor total de R$ 10.492.870,17, aí incluídos juros de mora e multa de ofício aplicada no percentual de 75%. A autuação foi originada da apuração de omissão de receitas decorrente de depósitos detectados em conta bancária mantida na Caixa Econômica Federal, Agência 2183, Conta 28139, e Banco Itaú, Agência 0366, Conta 312015, consoante extratos bancários apresentados à Fiscalização, em que o Sujeito Passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas mencionadas contas. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou impugnação requerendo, em apertada síntese, que fosse declarada a nulidade do Auto de Infração, em razão de ausência de dados do Chefe do AFRFB, bem ainda pela falta de juntada de documentos que teriam servido de fundamento para o Auto e, ao final, pela ausência de aplicação dos princípios administrativos tributários da vinculação e legalidade, pedindo ainda que fosse acolhido o argumento de que os valores efetivamente emprestados entre o Autuado e a Empresa CENTRAL DE SERVIÇOS DOS EMPRESÁRIOS S/C LTDA. teria sido regular e lídimo, restando como valor R$ 3.371.441,60 líquidos, vez que o Autuado teria apresentado toda a documentação fiscal passível de demonstrar que haveriam existido as transferências entre as contas das duas Empresas bem como os repasses realizados para as Tomadoras de Serviços. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE, prolatou o Acórdão 0825.054 (sessão de 08/03/2013) considerando improcedente a impugnação e mantendo o lançamento em sua integralidade. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.720405/201236 Acórdão n.º 1402001.600 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Na peça recursal, o representante legal da interessada sustenta que a ciência da decisão recorrida deuse em 04/04/2013 e, portanto, o termo final do prazo recursal seria em 06/05/2013. Como o recurso foi interposto nessa mesma data, estaria caracterizada a tempestividade. Pelo exame dos autos verificase que não foi bem assim. O AR indicativo da ciência (fl. 595) foi recepcionado em 03/04/2013. Na contagem do prazo recursal, o termo final seria 03/05/2013. Assim o recurso foi INTEMPESTIVO. Tal informação foi devidamente confirmada pelo despacho de encaminhamento (fl. 635) prolatado pela Unidade Local. Do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário em função de ter sido apresentado intempestivamente . LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 639DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19515.001247/2003-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PRÉVIO. APLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62-A DO RICARF.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543-C do CPC. Aplicabilidade do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a prova nos autos da existência de pagamento foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. A apuração de estimativa a pagar, extinta com a utilização de imposto de renda retido na fonte, conforme autorização legal, deve ser considerada como pagamento prévio, para fins de aplicação do art. 150, § 4º, para a contagem do prazo decadencial.
Numero da decisão: 1302-001.294
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PRÉVIO. APLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62-A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543-C do CPC. Aplicabilidade do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a prova nos autos da existência de pagamento foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. A apuração de estimativa a pagar, extinta com a utilização de imposto de renda retido na fonte, conforme autorização legal, deve ser considerada como pagamento prévio, para fins de aplicação do art. 150, § 4º, para a contagem do prazo decadencial.
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CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PRÉVIO. APLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a prova nos autos da existência de pagamento foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. A apuração de estimativa a pagar, extinta com a utilização de imposto de renda retido na fonte, conforme autorização legal, deve ser considerada como pagamento prévio, para fins de aplicação do art. 150, § 4º, para a contagem do prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 47 /2 00 3- 22 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001247/200322 Acórdão n.º 1302001.294 S1C3T2 Fl. 378 2 Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório INDÚSTRIAS KLABIN S/A (sucessora por incorporação de CELUCAT S/A), já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 13.536, de 15/04/2005, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foi lavrado o auto de infração às fls. 173/176, formalizando lançamento de IRPJ, no montante de R$ 8.445.293,51, relativo ao anocalendário de 1997, incluindo juros de mora calculados até 31/03/2003 e multa de ofício de 75%. Consoante descrição dos fatos, a contribuinte é acusada de haver efetuado compensação de prejuízos fiscais sem respeitar o limite de 30% do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões, estabelecido pelo art. 15 e parágrafo único da Lei n°. 9.065, de 1995. Intimada da exigência em 09/04/2003 (fl. 177), a contribuinte apresentou em 08/05/2003 a petição impugnativa acostada às fls. 182 e seguintes, contrapondose ao feito com os argumentos a seguir sumariados. Preliminarmente, invocando a regra do art. 150, § 4°., do CTN, a impugnante alega que o lançamento contestado somente poderia ter sido efetuado até 31/12/2002, de modo que, tendo sido o auto de infração cientificado em 09/04/2003, o crédito tributário está extinto por decadência, na forma do art. 156, inciso V, da mesma legislação codificada. Observa que não se aplica ao caso do IRPJ, sujeito ao lançamento por homologação, o disposto no art. 173 do CTN, eis que tal dispositivo cuida dos tributos cujo lançamento se dá por declaração ou de oficio. Em defesa de sua tese, cita entendimentos externados em ementas de acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes. Relativamente à matéria tributária, a autuada reputa inconstitucional o dispositivo legal limitador da compensação de prejuízos fiscais em trinta por cento, alegando que o mandamento viola princípios insculpidos na Lei Maior, tais como a anterioridade e o direito adquirido, além de instituir autêntico empréstimo Fl. 378DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001247/200322 Acórdão n.º 1302001.294 S1C3T2 Fl. 379 3 compulsório sem edição de lei complementar, distorcendo, ainda, o conceito de renda estabelecido pelo art. 43 do CTN. Menciona, em reforço ao discurso impunativo, posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais. A 2ª Turma da DRJ em Brasília/DF analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 13.536, de 15/04/2005 (fls. 242/246), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O prazo decadencial efetuar o lançamento de oficio, na hipótese prevista no art. 149, V, do CTN, regulase pelo disposto no art. 173 da mesma legislação codificada. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Os órgãos julgadores administrativos não são detentores de competência para apreciar argüições de pretensa inconstitucionalidade ou ilegalidade dos diplomas legais. Ciente da decisão de primeira instância em 25/08/2006, conforme Aviso de Recebimento à fl. 250, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/09/2006 conforme carimbo de recepção à folha 257. No recurso interposto (fls. 259/277), a interessada reitera seus argumentos acerca da decadência (aplicação do art. 150, § 4º, do CTN) e da inconstitucionalidade e ilegalidade das limitações à compensação de prejuízos fiscais. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Como preliminar de mérito, deve ser apreciada a alegação da recorrente de que teria ocorrido a decadência do direito da Fazenda de constituir créditos tributários por fatos geradores do IRPJ ocorridos no anocalendário 2007. Por sua ótica, seria aplicável ao caso o art. 150, § 4º, do CTN, e não o art. 173, inciso I do mesmo código, conforme entendimento da Autoridade Julgadora em primeira instância. A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001247/200322 Acórdão n.º 1302001.294 S1C3T2 Fl. 380 4 tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001247/200322 Acórdão n.º 1302001.294 S1C3T2 Fl. 381 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De se ver, portanto, de que forma essa decisão deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das novéis disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. No caso concreto, tratase de tributo (IRPJ) para o qual a lei claramente estipula o dever de antecipar a exação. Compulsando os autos, encontro às fls. 13 e segs. cópia Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001247/200322 Acórdão n.º 1302001.294 S1C3T2 Fl. 382 6 da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIRPJ) referente ao ano calendário 1997. A ficha 08 (fl. 22), de fato, não registra imposto a pagar (linha 18 zerada), conforme ressaltou a Autoridade Julgadora em primeira instância. No entanto, não comungo do entendimento de que isso signifique que não tenha havido pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. A meu ver, isso significa, tão somente, que não foi apurado imposto a pagar no ajuste, em 31/12/1997. A linha 17 da Ficha 08 (fl. 22) indica o pagamento de imposto de renda mensal por estimativa no montante de R$276.881,10. Esse valor corresponde à estimativa do mês de dezembro/1997 (Ficha 09, fl. 34), e foi quitado com a utilização de imposto de renda retido na fonte, como facultado ao contribuinte pela legislação. Tenho, assim, que a contribuinte cumpriu as determinações legais de apurar as estimativas mensais e, ao se deparar com valor a pagar no mês de dezembro, extinguiu o débito de forma autorizada em lei, a saber, mediante o uso de imposto de renda retido por suas fontes pagadoras, tudo sem o prévio exame da Autoridade Administrativa. A seguir, por ocasião do ajuste anual, levou o valor das estimativas pagas para abater o imposto devido, do que resultou ausência de valor a recolher. A situação, a meu ver, se amolda com perfeição ao descrito no art. 150, § 4º, do CTN. Não é demais insistir que o imposto de renda retido na fonte nada mais é do que uma modalidade de antecipação do imposto que virá, eventualmente, a ser devido pelo próprio contribuinte que sofre a retenção, e que é ele quem sofre o ônus financeiro. Pagamento, pois. Nos termos da decisão do STJ que deve ser reproduzida por este Colegiado, tenho que a circunstância verificada quanto à existência de pagamento é suficiente para fazer com que o regramento aplicável à contagem do prazo decadencial seja aquele do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, o dies a quo deve ser considerado como a data da ocorrência do fato gerador. Para a apuração anual do IRPJ no anocalendário 1997, o termo inicial para contagem do prazo quinquenal é, então, o último dia do período de apuração anual, a saber, 31/12/1997. Desde que a ciência do lançamento se deu em 09/04/2003 (fl. 236), constato que o lançamento foi integralmente alcançado pela decadência e a exação correspondente deve ser afastada. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário com o cancelamento integral do lançamento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 382DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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