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Numero do processo: 10730.904924/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 49 24 /2 01 2- 38 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10730.904924/201238 Acórdão n.º 3302005.658 S3C3T2 Fl. 181 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela DRJ/BHE, em sessão de 10 de novembro de 2014, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AnoCalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 22.03.2012, DCOMP objetivando compensar suposto crédito de COFINS relativo ao mês de julho de 2011, com débito da mesma contribuição do mês de fevereiro de 2012. (fls. 20 a 25) Sobreveio, em 05.12.2012, despacho decisório noticiando que foi localizado o pagamento indicado na declaração de compensação, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Cientificada do conteúdo do despacho decisório em 17.12.2012, a contribuinte protocolou, em 16.01.2013, requerimento para que fosse "reconsiderada a retificação de DCTF referente ao mês de julho de 2011" com número de recibo nº 13.85.13.14.2464, transmitida em 14.01.2013. Tal requerimento foi recepcionado como manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ/BHE, sob o fundamento de que caberia ao contribuinte demonstrar qual o erro no valor por ele declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB, sob pena de se manter o indeferimento. Aduziu ainda a DRJ/BHE que a DACON transmitida antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior, bem como que a retificação de DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte de outros elementos de prova, não se presta para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em 03.07.2014 o contribuinte tomou conhecimento do acórdão recorrido, por meio de correspondência com AR, protocolando recurso voluntário em 01.08.2014, onde alega, em síntese: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10730.904924/201238 Acórdão n.º 3302005.658 S3C3T2 Fl. 182 3 a) embora tenha cometido erro no preenchimento da DACON e apresentado DCTF retificadora após a intimação da RFB, apurou e registrou contabilmente, créditos de COFINS sobre insumos, no valor de R$54.740,83; b) na apuração da COFINS não cumulativa referente ao mês de julho de 2011, por erro material, os créditos contabilizados não foram aproveitados, incorrendo em pagamento a maior equivalente a R$54.740,83 (fl. 62); c) que em diversos julgados, uma vez comprovada a existência do crédito, a verdade material prevalece sobre o formalismo, reconhecendose o direito ao crédito pleiteado. Anexou cópias: I) da DCTF retificadora; II) Razão Contábil da Conta 1.1.2.02.00035 CREDITO COFINS SOBRE INSUMOS do período de julho de 2011; III) da PER/DCOMP; IV) do acórdão recorrido; V) da 12ª alteração contratual; VI) dos documentos do representante legal; VII) do DARF recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a analisálo. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e do ônus probatório. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10730.904924/201238 Acórdão n.º 3302005.658 S3C3T2 Fl. 183 4 não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em estudo, até a interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte não apresentou qualquer documento que ao menos indicasse que o valor da COFINS relativa mês de julho de 2011 era inferior ao que fora efetivamente recolhido, o que ocasionou o não reconhecimento de seu direito creditório pela DRJ. O art. 373 do CPC/2015 dispõe, com efeito, que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. No mesmo sentido dispõe o §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, ao estabelecer que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, ou, neste caso, junto a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Excepcionalmente, em homenagem ao princípio da verdade material, tem se admitido a juntada de provas documentais em momentos posteriores à manifestação de inconformidade. Ocorre que o único documento distinto das declarações transmitidas ao fisco e dos documentos de identificação e qualificação trazido aos autos foi a cópia do livro razão da conta 1.1.2.02.00035 CREDITO COFINS SOBRE INSUMOS, não sendo possível atestar, Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10730.904924/201238 Acórdão n.º 3302005.658 S3C3T2 Fl. 184 5 com base no razão anexado, que os valores registrados foram calculados sobre gastos que satisfazem a condição de insumos dos serviços prestados pela recorrente. Não foi apresentado qualquer documento que comprove qual a receita auferida no mês de julho de 2011 com cada atividade da empresa, e nem mesmo que os supostos créditos registrados na conta contábil 1.1.2.02.00035 CREDITO COFINS SOBRE INSUMOS são provenientes de insumos dos serviços prestados do mesmo período. Para tanto, poderiam ter sido apresentados, por exemplo, cópias das folhas do livro razão que confirmem o valor das receitas auferidas com cada atividade desenvolvida pela empresa, bem como das contas relativas aos insumos de cada atividade. Ademais, dado o diminuto volume de registros, poderiam ter sido juntadas cópias das notas fiscais/faturas e contratos relativos aos custos sobre os quais se registrou contabilmente o crédito pretendido. Assim, tendo em vista que os documentos trazidos aos autos não se mostram suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar, não há como reconhecer o direito creditório declarado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 184DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722448/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA.
A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.)
NULIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL.
1. A fase litigiosa se instaura com a impugnação.
2. Às instâncias julgadoras compete o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas.
3. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar tão somente recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua.
4. Preclusão consumativa é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, precluindo o direito de fazê-lo posteriormente.
GILRAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUTO-ENQUADRAMENTO. CONTRIBUIÇÕES.
1. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é variável em função do grau de risco da atividade preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividade Econômica, constante do Anexo V do RPS. O enquadramento nos graus de risco obedece, no caso, ao Anexo V do RPS alterado pelo Decreto nº 6.957, de 2009.
2. É de responsabilidade da contribuinte realizar o enquadramento na atividade preponderante, entendida como aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. São devidas as contribuições de acordo com a atividade preponderante declarada pela empresa em GFIP.
Numero da decisão: 2301-005.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias preclusas, rejeitar as preliminares, denegar o pedido de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente). Ausentes os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) NULIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. 1. A fase litigiosa se instaura com a impugnação. 2. Às instâncias julgadoras compete o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas. 3. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar tão somente recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua. 4. Preclusão consumativa é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, precluindo o direito de fazê-lo posteriormente. GILRAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUTO-ENQUADRAMENTO. CONTRIBUIÇÕES. 1. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é variável em função do grau de risco da atividade preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividade Econômica, constante do Anexo V do RPS. O enquadramento nos graus de risco obedece, no caso, ao Anexo V do RPS alterado pelo Decreto nº 6.957, de 2009. 2. É de responsabilidade da contribuinte realizar o enquadramento na atividade preponderante, entendida como aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. São devidas as contribuições de acordo com a atividade preponderante declarada pela empresa em GFIP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias preclusas, rejeitar as preliminares, denegar o pedido de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente). Ausentes os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2059; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722448/201490 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.452 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PROVIDER SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) NULIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. 1. A fase litigiosa se instaura com a impugnação. 2. Às instâncias julgadoras compete o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas. 3. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar tão somente recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua. 4. Preclusão consumativa é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, precluindo o direito de fazêlo posteriormente. GILRAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUTO ENQUADRAMENTO. CONTRIBUIÇÕES. 1. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é variável em função do grau de risco da atividade preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividade Econômica, constante do Anexo V do RPS. O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 24 48 /2 01 4- 90 Fl. 963DF CARF MF 2 enquadramento nos graus de risco obedece, no caso, ao Anexo V do RPS alterado pelo Decreto nº 6.957, de 2009. 2. É de responsabilidade da contribuinte realizar o enquadramento na atividade preponderante, entendida como aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. São devidas as contribuições de acordo com a atividade preponderante declarada pela empresa em GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias preclusas, rejeitar as preliminares, denegar o pedido de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente). Ausentes os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório Primeiramente, consigno que originalmente o lançamento veiculado pelo Auto de Infração Debcad 37.120.7037 e sua contestação estavam sendo realizadas nos autos do processo nº 10480.721429/201012. Com a adesão ao parcelamento da Lei 11.941, de 2009 e consequente desistência parcial da discussão administrativa, o Debcad 37.120.7037 foi cindido, nele restando somente os créditos tributários confessados/parcelados, correspondentes aos períodos de apuração anteriores a 11/2008; os créditos tributários relativos aos períodos de apuração posteriores, no caso concreto a partir de 13/2008 (vide planilha das efls. 03 a 05) foram alocados ao Auto de Infração Debcad 43.995.6234, criado após o desmembramento automático do 37.120.7037, em razão do aludido parcelamento; o Auto de Infração Debcad 43.995.6234 foi vinculado ao presente processo 10480.722448/201490, sendo objeto deste acórdão. Passo a relatálo. Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1136.216, exarado pela 7ª Turma da DRJ em Recife (efls. 885 a 892). O lançamento formalizado no Auto de Infração Debcad 37.120.7037 constituiu Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (Gilrat) (art. 22, II, da Lei 8.212, de 1991), nos períodos de apuração de 06/2007 a 13/2009. De acordo com o relatório fiscal (efl. 71 a 78), foi constatado que as empresas da autuada compreendem "teleatendimento" e "telemarketing", exercidas preponderantemente na matriz (/0001) e na filial (/0005), resultando serem essas as atividades Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10480.722448/201490 Acórdão n.º 2301005.452 S2C3T1 Fl. 3 3 preponderantes, nos termos do art. 202, §3°, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999 (RPS). O enquadramento dos segurados no Código Brasileiro de Ocupações (CBO) está demonstrado no Anexo VIII (efls. 674 a 745), para a matriz, e no anexo IX (efls. 746 a 742) para a filial. A consolidação do número de segurados está demonstrado no anexo VII (e fls. 667 a 673). O Anexo V do Decreto 6.042, de 2007, fixa a alíquota da Gilrat em 3% para as atividades de teleatendimento e telemarketing. A autuada, no entanto, declara em Gfip a alíquota de 2%; intimada a esclarecer as divergências observadas nas Gfip ou corrigilas, apenas corrigiu as bases de cálculo, mantendo inalterada a alíquota em 2%. Na impugnação foi alegado, em síntese (efls. 793 a 809): 1. a tempestividade da impugnação; 2. a nulidade do auto de infração, por estar viciado por erros de direito insanáveis, quais sejam: 2.1. a fiscalização considerou, além dos empregados vinculados à matriz, os do estabelecimento filial que, por ser inscrito no CNPJ, tem personalidade jurídica própria para fins de apuração e recolhimento da contribuição para o Gilrat, conforme dispõe o art. 127, II, do CTN, e reconhecido pela jurisprudência do STJ (Súmula 351); 2.2. a fiscalização considerou cada profissão classificada na CBO como se fosse uma atividade econômica exercida por defendente, em vez de primeiro identificar as atividades econômicas exercidas, para depois quantificar os empregados utilizados na execução de cada uma delas, e finalmente apurar a atividade preponderante; o auditor adotou a classificação dos empregados na CBO como parâmetro exclusivo para determinar a atividade principal do contribuinte; 2.3. o auto de infração é nulo porque a autoridade lançadora incorreu em dois erros de direito cuja correção demanda o refazimento do lançamento, providência vedada às instancias administrativas de julgamento; 3. inexistência do débito lançado – violação ao conceito jurídico de cessão de mãodeobra: 3.1. a atividade preponderante não é a prestação de serviços de telemarketing/teleatendimento, tributada à alíquota de 3%, mas sim a cessão de mãodeobra, tributada à alíquota de 2% à época dos fatos geradores; 3.2. a fiscalização desconsiderou a imensa maioria dos empregados efetivamente vinculados à atividade de cessão de mãode obra, apenas porque tais trabalhadores exercem profissões e funções distintas e estão registrados em diferentes CBO; 3.3. a autoridade fiscal não poderia ter levado em consideração, exclusivamente, a classificação da ocupação profissional dos empregados da defendente no CBO; a fiscalização deveria ter verificado se as atividades efetivamente desempenhadas enquadramse, ou não, no conceito jurídico de cessão de mãodeobra, estabelecido, para fins previdenciários, no art. 143 da IN SRP 3, de 2005, vigente à época dos fatos geradores; 3.4. 55% do total de empregados estavam vinculados à atividade de cessão de mãodeobra, 37% à atividade de telemarketing/teleatendimento; 3.5. as amostras dos contratos acostadas (doc. 04) comprovam que a imensa maioria das atividades amoldase ao conceito de cessão de mãodeobra; 3.6. a defesa não está instruída com a totalidade dos contratos porque entende ser necessário o seu exame por meio de prova pericial; 3.7. a legislação aplicável aos fatos geradores (Anexo V do RPS, com redação dada pelo Decreto 6.042, de 2007) previa alíquota de 2% para toda e qualquer cessão de mãodeobra, indistintamente, sem estabelecer qualquer tributação diferenciada em razão da profissão, da função, ou da classificação dos trabalhadores cedidos na CBO; flagrante, portanto, a ilegalidade cometida pela fiscalização; Fl. 965DF CARF MF 4 4. solicitou prova pericial para aferir sua atividade/empresa preponderante, indicando assistente técnico e formulando quesitos. Em 28/07/2011, formalizou a desistência parcial da impugnação, apenas quanto aos créditos tributários relativos ao período de 06/2007 a 10/2008, remanescendo a controvérsia no tocante aos créditos tributários dos períodos de apuração 11/2008 a 13/2009 (e fls. 869 a 870). A impugnação foi julgada improcedente, tendo o acórdão recebido as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 SAT/RAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUTO ENQUADRAMENTO. CONTRIBUIÇÕES. É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, entendida como aquela que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Assim, são devidas as contribuições de acordo com a atividade preponderante declarada pela empresa em GFIP. SAT/RAT. ATIVIDADES. CESSÃO DE MÃODEOBRA. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o RPS, a cessão de mãodeobra não é considerada uma atividade para fins de apuração do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, caracterizandose como uma forma de prestação dos serviços. Assim, devese demonstrar a atividade a que efetivamente estão vinculados os obreiros para a verificação do correspondente grau de risco. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Diligências e perícias não são meios próprios para a comprovação de fatos que possam ser conhecidos mediante mera apresentação de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte. A ciência dessa decisão ocorreu em 29/03/2012 (efl. 897). Em 05/04/2012, os autos do processo originário, nº 10480.721429/201012, foram encaminhados ao setor de parcelamento para procedimentos cabíveis em razão da já citada adesão parcial ao parcelamento instituído pela Lei 11.941, de 2009 (efl. 894); após uma série de procedimentos administrativos, o Debcad 37.120.7037 foi cindido, nele restando somente os créditos tributários confessados/parcelados, correspondentes aos períodos de Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10480.722448/201490 Acórdão n.º 2301005.452 S2C3T1 Fl. 4 5 apuração anteriores a 11/2008, o controle do parcelamento se dá nos autos do processo nº 10480.721429/201012 (Debcad 37.120.7037); Os créditos tributários relativos aos períodos de apuração posteriores, no caso concreto a partir de 13/2008 (vide planilha das efls. 03 a 05), que continuaram objeto de contestação pela autuada, foram alocados ao Auto de Infração Debcad 43.995.6234, criado após o desmembramento automático do 37.120.7037, em razão do aludido parcelamento; o Auto de Infração Debcad 43.995.6234 foi vinculado ao presente processo 10480.722448/201490, sendo objeto deste acórdão. Transcrevo, nesse sentido, o despacho constante da efl. 957 do processo originário, nº 10480.721429/201012: Em atendimento à resolução da fls. 948951, presto os seguintes esclarecimentos: 1) Debcad 37.120.7037 totalmente incluso no parcelamento da lei 11.941/09, conforme despacho da fl. 954955; 2) Debcad 43.995.6234 criado após desmembramento automático do 37.120.7037 e composto apenas pelas competências não contempladas pela lei 11.941/09; 3) Processo Comprot 10480.722448/201490 cadastrado e atribuído ao debcad 43.995.6234; 4) Apensação do processo 10480.722448/201490 a este processo; 5) Processo 10480.725146/201210 referese ao recurso voluntário da parcela do debcad não contemplada pela lei 11.941/09, mas que na época não havia sido desmembrada, uma vez que o desmembramento se deu automaticamente no dia 30/11/2013. Em vista disso, retorno ao CARF sugerindo que este processo (10480.721429/201012) seja movimentado ao Setor de Parcelamento Previdenciário, e que seja dado prosseguimento ao julgamento do recurso voluntário no processo 10480.722448/201490. Em 27/04/2012, foi apresentado recurso voluntário (efls. 912 a 927), referindo a desistência da discussão das créditos tributários vinculados aos períodos de 06/2007 a 10/2008, por têlos inserido no programa de parcelamento criado pela Lei 11.941/09, sem, todavia, reconhecer o suposto débito tributário restante; ademais foi alegado, em síntese: (a) a nulidade do auto de infração e do respectivo procedimento de fiscalização, pois estariam eivados dos seguintes vícios formais graves, sendo impossível seu refazimento em instância administrativa de julgamento: (a.1) para apuração da base de cálculo foi utilizada a folha de salários da filial localizada em Caruaru, sendo exigido de um estabelecimento tributos em tese devidos por outro; (a.2) para apuração de sua atividade econômica preponderante não poderia ser considerada a atividade da filial; (a.3) o auditor fiscal vinculado à DRF em Recife é incompetente para fiscalizar a filial, situada em Caruaru; Fl. 967DF CARF MF 6 (b) a nulidade do acórdão recorrido, por ter indeferido o pedido de prova pericial solicitada na impugnação, carreando em cerceamento de defesa, contraditório, devido processo administrativo e verdade material; (c) sua atividade preponderante não é o telemarketing/teleatendimento, mas cessão de mão de obra, gênero de atividade econômica cujas duas espécies, "locação de mão deobra" e a "seleção e agenciamento de mãodeobra", expressamente previstas nos itens 78108/00 e 78205/00 do Anexo V do Decreto 3.048, de 1999, e, à época da fiscalização, eram tributadas à alíquota de 2%; de mais a mais, a "cessão de mãodeobra" é atividade econômica normatizada e conceituada pela legislação vigente durante o período contemplado pela fiscalização, precisamente, pelo art. 143 da IN SRP 03, de 2005; a decisão recorrida também equivocouse quando entendeu que a Recorrente reconheceu que a sua atividade preponderante seria o telemarketing, quando se auto enquadrou no CNAE, pois, como esclarece a própria legislação, esse auto enquadramento não é vinculante para o Fisco Federal, jungido pelo princípio da verdade material e, portanto, obrigado a prestigiar a substancia em detrimento da forma. Os pedidos consistiram em : (a) preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração impugnado e do respectivo procedimento de fiscalização, posto viciados de vícios formais graves, cujo refazimento é vedado em instância administrativa de julgamento; (b) acaso ultrapassada a preliminar acima, que seja reconhecida a nulidade do acórdão a quo, haja vista o cerceamento de defesa a imposto à Recorrente, mediante o indevido indeferimento de prova pericial essencial à resolução da controvérsia fática; (c) não sendo acolhida a nulidade do acórdão, no mérito, que sejam reconhecidos os equívocos incorridos pela fiscalização na apuração dos valores lançados, para julgar o lançamento totalmente improcedente. Pugna pela produção de todas as provas admissíveis em procedimento administrativo, principalmente, pela realização de perícia técnica e juntada posterior de documentos. Em 19/02/2013, pela Resolução 2301000.358, solicitouse esclarecimentos sobre a matéria que continua em julgamento (efl. 948 a 951), cuja resposta já foi relatada. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO PEDIDO DE PERÍCIA No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no art. 18 Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10480.722448/201490 Acórdão n.º 2301005.452 S2C3T1 Fl. 5 7 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Além do mais, descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e/ou comprovação está a cargo do sujeito passivo. No presente caso, não há questão de fato a ser elucidada, estando em questão tão somente o enquadramento de suas atividades empresariais (empresas) como telemarketing/teleatendimento ou cessão de mão de obra, para fins de definição da alíquota Gilrat a ser aplicada. Assim, entendo desnecessária a perícia no presente caso. DAS NULIDADES A recorrente sustenta: (a) a nulidade do auto de infração e do respectivo procedimento de fiscalização, uma vez que: (a.1) para apuração da base de cálculo foi utilizada a folha de salários da filial localizada em Caruaru, sendo exigido de um estabelecimento tributos em tese devidos por outro; (a.2) para apuração de sua atividade econômica preponderante não poderia ser considerada a atividade da filial; (a.3) o auditor fiscal vinculado à DRF em Recife é incompetente para fiscalizar a filial, situada em Caruaru; (b) a nulidade do acórdão recorrido, por ter indeferido o pedido de prova pericial solicitada na impugnação, carreando em cerceamento de defesa, contraditório, devido processo administrativo e verdade material. No que tange aos itens (a.1) a nulidade do auto de infração e do respectivo procedimento de fiscalização, uma vez que para apuração da base de cálculo foi utilizada a folha de salários da filial localizada em Caruaru, sendo exigido de um estabelecimento tributos em tese devidos por outro e (a.3) o auditor fiscal vinculado à DRF em Recife é incompetente para fiscalizar a filial, situada em Caruaru, tais matérias não foram ventiladas na impugnação; desse modo, não podem ser conhecidas por este Carf, uma vez que deixou de ser atacada na impugnação, a qual estabelece o limite objetivo da lide. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Não questionada a matéria na fase própria, ocorre a preclusão consumativa, ou seja, a extinção da faculdade de praticar o ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Nesse sentido há vários precedentes no Carf, dentre os quais invoco o Acórdão 9202004.291, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa é: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Fl. 969DF CARF MF 8 Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A fase litigiosa se instaura com a impugnação. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997. Preclusão nada mais é do que a perda do direito de agir nos autos em face da perda da oportunidade, conferida por certo prazo. Tendo sido acatada a preclusão não há mais o que ser apreciado acerca da multa por não tratarse de matéria de ordem pública. No mesmo sentido os Acórdãos 9202005.673 e 9202002.859. Ademais, ressalvado o exame da nulidade do acórdão recorrido, o Carf não possui competência originária, mas tão somente recursal, o que reforça impossibilidade do conhecimento da matéria neste momento processual. Verifiquese o teor do disposto no art. 1º do Anexo II do Regimento Interno deste Carf, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma prevista nos arts. 2º a 4º da Seção I. (Grifouse.) Mesmo que as matérias fossem conhecidas, não se configuraria qualquer nulidade: da matéria (a.1) a nulidade do auto de infração e do respectivo procedimento de fiscalização, uma vez que para apuração da base de cálculo foi utilizada a folha de salários da filial localizada em Caruaru, sendo exigido de um estabelecimento tributos em tese devidos por outro, porque não se subsume às hipóteses legais de nulidade (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972), como será visto a seguir; da matéria; no mérito, não há erro de sujeição passiva, uma vez que o fisco considerou a matriz como estabelecimento centralizador, como permitido, à época dos fatos, pela Instrução Normativa MPS/SRP 3, de 2005, arts. 745 e 745; (a.3) o auditor fiscal vinculado à DRF em Recife é incompetente para fiscalizar a filial, situada em Caruaru, porque há previsão expressa no § 2º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972 da validade do lançamento realizado por servidor de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10480.722448/201490 Acórdão n.º 2301005.452 S2C3T1 Fl. 6 9 § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No respeitante à matéria (a.2) a nulidade do auto de infração e do respectivo procedimento de fiscalização, uma vez que para apuração de sua atividade econômica preponderante não poderia ser considerada a atividade da filial, não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, o procedimento de apuração da empresa (atividade empresarial) preponderante é matéria de mérito, não sendo caso de nulidade. Fl. 971DF CARF MF 10 No atinente ao item (b) a nulidade do acórdão recorrido, no qual restou indeferido o pedido de prova pericial solicitada na impugnação, carreando em cerceamento de defesa, contraditório, devido processo administrativo e verdade material, também não ocorre a nulidade. A perícia, conforme já restou analisado em meu voto, é desnecessária no presente caso, não ocorrendo cerceamento do direito de defesa em seu indeferimento. A realização de perícias e diligências não é um direito subjetivo do impugnante, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso, pretendiase a reanálise de documentos pertencentes ao sujeito passivo e que já houveram sido objeto de verificação pela fiscalização. Corretamente decidiu a decisão recorrida ao afirmar que “caberia à impugnante comparar os seus documentos com as planilhas elaboradas pela fiscalização e demonstrar, concretamente, a existência de alguma inconsistência no lançamento, sendo desnecessária perícia para este fim”. As demais situações apontadas – pretensas afrontas contraditório, devido processo administrativo e verdade material – não configuram causas de nulidade no processo administrativo fiscal por expressa disposição legal, como visto. Ressalto que o contraditório e procedimento administrativo estão sendo rigorosamente observados, os quais, conjuntamente com a ampla defesa, se concretizam no próprio processo administrativo fiscal, no qual a contribuinte pode apresentar alegações, provas, jurisprudência, e receber decisão motivada de provimento ou desprovimento. A questão a ser resolvida é jurídica – enquadramento das empresas desenvolvidas, e não de fato; assim, não há falar em ferimento do princípio da verdade material, o qual também pode ser exercido neste processo administrativo. DA CONTRIBUIÇÃO GILRAT DA ATIVIDADE PREPONDERANTE A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (contribuição Gilrat ou apenas Gilrat), antigamente denominada Seguro de Acidente do Trabalho (Sat), é uma das contribuições previdenciárias incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso. Suas alíquotas são de variam de 1%, 2% ou 3%, respectivamente para contribuinte cuja empresa (atividade) preponderante tenha risco de acidentes do trabalho considerado leve, moderado ou grave. A relação das atividades preponderantes e correspondentes graus de riscos, com base no permissivo outorgado pelo § 3º do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, é dado pelo Anexo V do RPS, na época dos fatos com a redação dada pelo Decreto 6.042, de 2007. De Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10480.722448/201490 Acórdão n.º 2301005.452 S2C3T1 Fl. 7 11 acordo com o § 3º do art. 202 do RPS, considerase preponderante a atividade que ocupa, na sociedade, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. O objeto social constante do contrato social da recorrente abrange diversas empresas, incluindo telemarketing; teleatendimento; cessão de mãodeobra de trabalhadores temporários para pessoas jurídicas de direito público e privado e fornecimento de mãodeobra (efl. 91): CLÁUSULA SEGUNDA OBJETO SOCIAL O objeto social é a prestação de serviços, abrangendo as atividades de fornecimento de mãodeobra; terceirização de serviços; telemarketing; teleatendimento; serviços de intermediação de venda de produtos por telefone, inclusive de venda de assinaturas de revistas por telefone; serviços de. informática; coleta de dados; digitação; telefonia; telecomunicações; consultoria organizacional; treinamento de pessoal; locação de equipamentos; desenvolvimento de sistema; administração, treinamento e cessão de mãodeobra de trabalhadores temporários para pessoas jurídicas de direito público e privado. No levantamento fiscal realizado tanto na matriz (efls. 674 a 745) quanto na filial (efls.745 a 762), verificouse que, em ambas, o maior número de segurados empregados atua nas atividades de "teleatendimento" e "telemarketing", sendo essa a sua atividade preponderante, nos termos do art. 202, §3°, do RPS (consolidação do número de segurados no anexo VII, efls. 667 a 673). Tal enquadramento é concordante com o declarado pela recorrente no cadastro do CNPJ e nas GFIP entregues antes do início da ação fiscal (efls. 538 a 653),nas quais declarou, em todas as competências, tanto para a matriz quanto para a filial, o Código Nacional de Atividades Econômicas (Cnae) 82202/00, correspondente a "atividades de teleatendimento". Idêntica declaração foi realizada nas Gfip entregues após o início da inspeção (efls. 218 a 537). Assim, está correta de decisão recorrida quando afirma que não se está realizando qualquer correção no autoenquadramento na atividade preponderante feito pela recorrente, mas apenas o Fisco está confirmando o enquadramento e exigindo as correspondentes contribuições não recolhidas”. Para confirmar a correção do enquadramento feito pela contribuinte, o Fisco apenas apurou a quantidade de empregados, em cada estabelecimento, que está enquadrado na CBO compatível com a atividade econômica de telemarketing/teleatendimento. Ademais, conforme relatado, a contribuinte parcelou o crédito tributário constituídos no levantamento fiscal em todos os períodos admitidos legalmente, o que também implica no reconhecimento do acerto fiscal. Fl. 973DF CARF MF 12 Por outro lado, também está correta a decisão recorrida ao referir que cessão de mão de obra não é atividade, mas modalidade de prestação de serviços, uma vez que, por definição legal, é “a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. (Lei 8.212, de 1991, art. 31, § 3º, com a redação dada pela Lei 9.711, de 1998). (O sentido da palavra “empresa” na definição legal não é a do direito empresarial – “atividade empresarial”, mas a dada pelo seu art. 15, I: “firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional.”) Desse modo, vêse a impossibilidade de se atribuir previamente qualquer grau de risco para a cessão de mão de obra, visto que não se sabe a atividade que está sendo desenvolvida pelos trabalhadores. Essa situação é facilmente observável nos contatos de prestação de serviços juntados pela recorrente em sua impugnação, nos quais as atividades se relacionam respectivamente com as atividades de “mão de obra especializada em eletricidade com conhecimentos de operação sobre linhas de baixa, média e alta tensão e demais áreas afins” (efl. 851) “atividades de auxílio às tarefas de comissionamento de concertadores” (efl. 857). Da mesma forma, de acordo com o Cnae, as atividade de “locação de mão de obra" e a "seleção e agenciamento de mão de obra", citadas pela recorrente, são meras atividades administrativas, não se confundindo com a prestação de serviço, de atividade diversas, através da cessão de mão de obra. Hierarquia Seção: N ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES Divisão: 78 SELEÇÃO, AGENCIAMENTO E LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA Grupo: 782 LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA Classe: 78205 LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA Subclasse: 78205/00 LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA Hierarquia Seção: N ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES Divisão: 78 SELEÇÃO, AGENCIAMENTO E LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA Grupo: 781 SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA Classe: 78108 SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA Subclasse: 78108/00 SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃO DE OBRA Assim, não seria crível que dos milhares de funcionários da recorrente, mais de cinquenta por cento estivessem alocados à atividade administrativa de seleção, agenciamento e locação de mão de obra, como pretende indicar na tabela da efl. 849. Em conclusão, uma vez que todas as provas dos autos apontam para a correção do lançamento, não há falar em violação do dever de imparcialidade da Administração. Conclusão Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10480.722448/201490 Acórdão n.º 2301005.452 S2C3T1 Fl. 8 13 Pelo exposto, voto, portanto, por NÃO CONHECER das matérias preclusas, REJEITAR AS PRELIMINARES, DENEGAR o pedido de perícia, e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 975DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660300/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.704
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 00 /2 01 2- 80 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660300/201280 Acórdão n.º 3401004.704 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660300/201280 Acórdão n.º 3401004.704 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660300/201280 Acórdão n.º 3401004.704 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660300/201280 Acórdão n.º 3401004.704 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660300/201280 Acórdão n.º 3401004.704 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660300/201280 Acórdão n.º 3401004.704 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914222/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.276
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 22 /2 01 2- 11 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914222/201211 Acórdão n.º 3401004.276 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 1278.381, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914222/201211 Acórdão n.º 3401004.276 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914222/201211 Acórdão n.º 3401004.276 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914222/201211 Acórdão n.º 3401004.276 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.002222/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 22 22 /2 00 5- 18 Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 10909.002222/200518 Acórdão n.º 3302005.565 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.752, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, apresentadas pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (apurada no regime nãocumulativo), relativos ao segundo trimestre de 2005. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRF/ITJ n.° 212/2008, às folhas 1974 a 1978, e Despacho Decisório, à folha 1979), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 1982 a 2000, na qual explicita seu modus operandi e destaca o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento j á pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 10909.002222/200518 Acórdão n.º 3302005.565 S3C3T2 Fl. 4 3 residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas específicas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também ofato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de coméfciò exterior", inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Compensação não Homologada Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 10909.002222/200518 Acórdão n.º 3302005.565 S3C3T2 Fl. 5 4 sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.071, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 2691 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 10909.002222/200518 Acórdão n.º 3302005.565 S3C3T2 Fl. 6 5 2) Inexiste saldo credor de crédito da Cofins vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 43/44 (R$ 100.186,17 – crédito de abril), fls. 81/82 (R$ 60.759,97 – crédito de maio) e fls. 117/118 (R$ 82.988,97 – crédito de junho) protocoladas em 29/07/2005. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 10909.002222/200518 Acórdão n.º 3302005.565 S3C3T2 Fl. 7 6 parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 10909.002222/200518 Acórdão n.º 3302005.565 S3C3T2 Fl. 8 7 (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 10909.002222/200518 Acórdão n.º 3302005.565 S3C3T2 Fl. 9 8 A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 10909.002222/200518 Acórdão n.º 3302005.565 S3C3T2 Fl. 10 9 A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 10909.002222/200518 Acórdão n.º 3302005.565 S3C3T2 Fl. 11 10 A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 2809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912237/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.263
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 37 /2 01 2- 44 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912237/201244 Acórdão n.º 3401004.263 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0265.610, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912237/201244 Acórdão n.º 3401004.263 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912237/201244 Acórdão n.º 3401004.263 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912237/201244 Acórdão n.º 3401004.263 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.908789/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO EM PARTE.
I - A manifestação de inconformidade instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa. II - A competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limita-se ao julgamento de recursos de ofício e voluntário contra decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II). III - Não se conhece de recurso volutário que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não submetidos à primeira instância administrativa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO EM PARTE. I A manifestação de inconformidade instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa. II A competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase ao julgamento de recursos de ofício e voluntário contra decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II). III Não se conhece de recurso volutário que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não submetidos à primeira instância administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 87 89 /2 01 1- 07 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13839.908789/201107 Acórdão n.º 2401005.636 S2C4T1 Fl. 182 2 princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 8.432,54, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 31/05/2006) veiculado na PER/DCOMP 00130.91344.310308.1.3.043561, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 18/10/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 11/11/2011 alegando, em síntese: a) Após a ciência do Despacho Decisório, retificou a DCTF de modo a restar esclarecido e suprido o equívoco que levou à não homologação. b) O débito de IRRF em comento se originou do pagamento de Service Agreement a Matriz da Recorrente na Alemanha, em maio de 2006, da quantia de EUR 118.000. O montante do imposto devido, ao tempo dos fatos, foi calculado de maneira equivocada, resultando no recolhimento a maior deste, conforme se vislumbra da seguinte planilha: Origem do Imposto Invoice 887476 de 17/05/2006 Valor EUR 118.000,00 Cálculo realizado (valor recolhido DARF): EUR 118.000,00 / 0,85 = EUR 138.823,53 X 15% IRRF = EUR 20.823,52 x 2,9740 = R$ 61.929,18 Cálculo correto (valor do imposto devido): EUR 118.000,00 x 15%= EUR 17.700,00 x 2,9740 = R$ 52.639,84 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13839.908789/201107 Acórdão n.º 2401005.636 S2C4T1 Fl. 183 3 Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O interessado reafirma a pertinência do crédito declarado na PER/DCOMP supracitada, assentando que a entidade incorreu em erro de preenchimento do montante do débito supracitado, confessado na DCTF retificadora atinente ao mês de maio/2006. b) O contribuinte, após sucessivas retificações anteriores, efetiva redução extemporânea do débito confessado na DCTF de maio/2006, agora, promovendo nova alteração da declaração após a data de ciência do despacho decisório. c) Nada obstante as alusões que cogitam demonstrar a inconsistência das conclusões expressas no despacho decisório, compete elucidar que tal iniciativa, por si só, não permite corroborar à pretensão demandada na manifestação de inconformidade, porquanto a insuficiência da dilação probatória necessária à aferição do cumprimento dos pressupostos de existência e validade do crédito postulado e oportuna exibição de sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. d) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). e) O apoio de defesa pautado em meras alegações não tem a força de Verdade Material em sede dos ritos e formalidades disciplinados para o Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 15 e 16, III e § 4°). A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 25/06/2014, o contribuinte interpôs em 24/06/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13839.908789/201107 Acórdão n.º 2401005.636 S2C4T1 Fl. 184 4 a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. b) O débito de IRRF em comento se originou do pagamento de Service Agreement a Matriz da Recorrente na Alemanha, em maio de 2006, da quantia de EUR 118.000. O montante do imposto devido, ao tempo dos fatos, foi calculado de maneira equivocada, resultando no recolhimento a maior deste, conforme se vislumbra da seguinte planilha: Origem do Imposto Invoice 887476 de 17/05/2006 Valor EUR 118.000,00 Cálculo realizado (valor recolhido DARF): EUR 118.000,00 / 0,85 = EUR 138.823,53 X 15% IRRF = EUR 20.823,52 x 2,9740 = R$ 61.929,18 Cálculo correto (valor do imposto devido): EUR 118.000,00 x 15%= EUR 17.700,00 x 2,9740 = R$ 52.639,84 c) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. d) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro A manifestação de inconformidade alegou a existência de erro na apuração da base de cálculo em razão do emprego indevido de divisor sobre a base de cálculo e apresentou documentos tendentes a demonstar a ocorrência do fato gerador e a delimitação correta da base de cálculo (invoice/Service Agreement for 2006 de 17/05/2006, fls. 81). O recurso reitera os argumentos (uso indevido de divisor ensejou o indébito) e inova ao acrescentar que o indébito decorreria da inocência do fato gerador, apresentando documentação (Contarto de Licença com Averbação no INPI vigente a partir de data posterior ao período de apuração; fls. 146/172). A manifestação de inconformidade instaura (Lei n° 9.430, art. 74, §11; e Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa e a competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13839.908789/201107 Acórdão n.º 2401005.636 S2C4T1 Fl. 185 5 ao julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II), logo não há como se conhecer de recurso que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e não submetidos à primeira instância administrativa. Assim, operouse a preclusão consumativa e a apreciação por esse Conselho da matéria não deliberada pela DRJ ensejaria ofensa aos dispositivos legais citados em evidente supressão de instância1 e violação do princípio da congruência2. O entendimento aqui esposado alinhase à iterativa, notória e atual jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada. (Processo n° 13942.720005/201478, Acórdão nº 1002000.193 – Turma Extraordinária / 2ª Turma / 1ª Seção de Julgamento, Sessão de 10 de maio de 2018) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. (Processo n° 10410.721335/201239, Acórdão nº 2301005.165 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/ 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 4 de outubro de 2017) MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e nem daquelas que, mesmo relacionadas à lide tributária, não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. (Processo n° 14485.000203/200871, 1 Lei n° 5.869, de 1973, art. 515; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 1.013. 2 Lei n° 5.869, de 1973, arts. 128, 183, 294 e 460; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15, 141, 223, 329 e 492. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13839.908789/201107 Acórdão n.º 2401005.636 S2C4T1 Fl. 186 6 Acórdão nº 2402006.121 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/ 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 4 de abril de 2018) Diante disso, tomo conhecimento em parte do recurso, a excluir o argumento de o indébito decorrer da inocorrência do fato gerador. Assim, a seguir, passo a analisar a documentação tendente a comprovar a existência de erro na apuração da base de cálculo em razão do emprego indevido de divisor sobre a base de cálculo. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13839.908789/201107 Acórdão n.º 2401005.636 S2C4T1 Fl. 187 7 O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II3). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. 3 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13839.908789/201107 Acórdão n.º 2401005.636 S2C4T1 Fl. 188 8 Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)4, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)5. Em 4 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13839.908789/201107 Acórdão n.º 2401005.636 S2C4T1 Fl. 189 9 homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)6 ou, após a decisão de primeira instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)7, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 6 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 7 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13839.908789/201107 Acórdão n.º 2401005.636 S2C4T1 Fl. 190 10 Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos são extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O único Contrato de Licença apresentado foi elaborado aparentemente em vernáculo e em inglês. Sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato. O invoice de 17/05/2006 (fl. 81) também está preenchido em língua estrangeira e, além disso, dele não se extrai conexão segura acerca de quais Contratos de Licença, Certificados de Registro INPI e Contratos de Câmbio estariam envolvidos. Logo, não há como estabelecer relação com o Contrato de Licença e Certificado de Averbação apresentados os quais conforme reconhece a própria recorrente teriam validade de cinco anos a contar de 27/12/2007. Não foi carreado aos autos Contrato de Câmbio. Destaquese ainda que, como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 31/05/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos a razão para o emprego ou não de um divisor. Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.720419/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA
Os elementos e os motivos da autuação encontram-se claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Preliminar afastada.
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES PAGOS A PESSOAL INSERIDO NO REGIME PRÓPRIO. NÃO OCORRÊNCIA
Caberia ao contribuinte apontar e provar nos autos a condição de servidor efetivo e/ou aposentado de cada um dos trabalhadores relacionados pela fiscalização nos citados anexos do Relatório de Fiscalização, o que não foi feito no presente caso.
Quanto aos pagamentos efetuados por ocasião da exoneração de cargos comissionados, não há na defesa contestação expressa do referido ponto, trazendo o contribuinte apenas argumentos gerais da sua insurgência.
NÃO CONFISCO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE
A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
Numero da decisão: 2401-005.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Os elementos e os motivos da autuação encontram-se claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Preliminar afastada. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES PAGOS A PESSOAL INSERIDO NO REGIME PRÓPRIO. NÃO OCORRÊNCIA Caberia ao contribuinte apontar e provar nos autos a condição de servidor efetivo e/ou aposentado de cada um dos trabalhadores relacionados pela fiscalização nos citados anexos do Relatório de Fiscalização, o que não foi feito no presente caso. Quanto aos pagamentos efetuados por ocasião da exoneração de cargos comissionados, não há na defesa contestação expressa do referido ponto, trazendo o contribuinte apenas argumentos gerais da sua insurgência. NÃO CONFISCO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Os elementos e os motivos da autuação encontramse claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Preliminar afastada. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES PAGOS A PESSOAL INSERIDO NO REGIME PRÓPRIO. NÃO OCORRÊNCIA Caberia ao contribuinte apontar e provar nos autos a condição de servidor efetivo e/ou aposentado de cada um dos trabalhadores relacionados pela fiscalização nos citados anexos do Relatório de Fiscalização, o que não foi feito no presente caso. Quanto aos pagamentos efetuados por ocasião da exoneração de cargos comissionados, não há na defesa contestação expressa do referido ponto, trazendo o contribuinte apenas argumentos gerais da sua insurgência. NÃO CONFISCO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 19 /2 01 3- 12 Fl. 2812DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, decidiu NEGAR provimento à impugnação mantendo o crédito tributário, no valor de R$ 534.058,35, acrescido de juros e multa, conforme ementa do Acórdão nº 1259.889 (fls. 2360/2365): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. A gratificação paga ao segurado do RGPS é remuneração que compõe a base de cálculo para incidência da contribuição previdenciária. RPPS. VINCULAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Fl. 2813DF CARF MF Processo nº 10073.720419/201312 Acórdão n.º 2401005.606 S2C4T1 Fl. 3 3 Incumbe ao contribuinte comprovar a vinculação do segurado ao RPPS, a fim de afastar a incidência de contribuição para o regime geral. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 51.034.9170, lavrado em 01/04/2013, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços ao Recorrente, apuradas no confronto das folhas de pagamentos com as GFIP do período de 01 a 12/2009 (fls. 06/17); De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 18/22): 1. O presente processo teve por objeto: a. O lançamento das contribuições incidentes sobre as gratificações pagas aos engenheiros, através das rubricas 100, 954 e 899 da folha de pagamentos, não incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária, nem declaradas em GFIP; b. O lançamento dos pagamentos realizados aos segurados ocupantes de cargos comissionados no momento da exoneração, extraídos das folhas de pagamentos do contribuinte; 2. Foram elaboradas planilhas demonstrativas das bases de cálculo extraídas das folhas de pagamentos, as quais foram lançadas através dos levantamentos GE – Gratificação dos Engenheiros e CC – Cargo em Comissão; 3. Sobre as bases de cálculo apuradas incidiram as alíquotas de 20%, e 2%, a cargo da empresa, destinada ao financiamento da seguridade social e aos benefícios concedidos em razão do GILRAT, conforme discriminado nos relatórios RL e DD, integrantes do Auto de Infração; 4. Foi aplicada multa de ofício de 75%, consoante a alteração introduzida pela MP nº 449/08, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, de 27/05/2009, portanto, aplicável ao período de 01 a 12/2009; 5. Devido ao não lançamento em GFIP e ao não recolhimento em época própria das contribuições devidas à Seguridade Social, será formalizada uma Representação Fiscal para Fins Penais. Em 02/04/2013 a Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração lavrado (fl. 06) e, em 02/05/2013, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 1613 a 1624, instruída com os documentos de fls. 1625 a 2355. Fl. 2814DF CARF MF 4 Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/RJ1 para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1259.889, em 24/09/2013 a 12ª Turma, resolveu NEGAR provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário, no valor de R$ 534.058,35. Em 12/11/2013 a Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 2367) e, em 11/12/2013, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 2369 a 2384, instruída com os documentos de folhas 2385 a 2809, onde faz um breve relato dos fatos para, em seguida argumentar sobre: 1. A necessidade de anulação do lançamento do Auto de Infração (fls. 2372/2377); 2. A violação ao Princípio do NãoConfisco na fixação da multa e juros de mora (fls. 2377/2381); 3. A necessidade de produção de prova pericial (fls. 2381/2382) Conclui seu RV requerendo que o provimento com a consequente anulação do lançamento do Auto de Infração e o deferimento da produção de prova documental suplementar superveniente e prova pericialcontábil. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade do Lançamento O Recorrente se insurge contra o lançamento e pleiteia a sua nulidade por entender que não consta a informação expressa de todos os dispositivos legais aplicados para o cálculo dos juros de mora e multa de ofício. Consoante se verifica dos presentes autos, o Auto de Infração foi devidamente acompanhado do Discriminativo do Débito, Fundamentos Legais, Relatório de Lançamentos, descrição dos fatos, enquadramento legal, e toda a documentação em que se lastreou, inclusive as intimações para o contribuinte justificar e apresentar documentos relacionados à apuração do tributo devido. Com efeito, todos os elementos e os motivos da autuação encontramse claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário, inclusive a aplicação da multa e juros. Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 10073.720419/201312 Acórdão n.º 2401005.606 S2C4T1 Fl. 4 5 Nesse diapasão, não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Assim, afasto a preliminar suscitada. Mérito A Recorrente se insurge contra o lançamento efetuado aduzindo que a fiscalização incluiu indevidamente os valores da gratificação paga aos engenheiros e arquitetos submetidos ao Regime Próprio de Previdência Social RPPS. Requer a exclusão do montante devido os valores pagos aos servidores estatutários. Pois bem. É cediço que em face da ocorrência do fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). No presente caso, a fiscalização procedeu à constituição do crédito tributário relativo às contribuições devidas sobre as gratificações dos engenheiros e sobre os pagamentos de rescisões dos ocupantes de cargos em comissão. De acordo com Relatório de Lançamentos RL e o Discriminativo do Débito – DD, a exigência fiscal foi calculada com a aplicação do percentual de 20% (vinte por cento), bem como o percentual de 2% (dois por cento) para a contribuição destinada ao GILRAT. A afirmação de que ocorreu lançamento de contribuição à alíquota de 100% não encontra respaldo na análise dos presentes autos. O Recorrente alega que ocorreu inclusão na base de cálculo de gratificações pagas aos servidores vinculados ao RPPS, no entanto não trouxe ao processo administrativo quaisquer documentos ou esclarecimentos capazes de demonstrar quais servidores estariam vinculados ao regime próprio de previdência. Faz a juntada de relatórios e documentos que não se revestem como meios de prova a respaldar suas alegações, a teor do que dispõe o artigo 16, III, do Decreto nº 70.235/72, na medida em que sequer especificam as rubricas pagas aos comissionados estatutários e não estatutários. Caberia ao contribuinte apontar e provar nos autos a condição de servidor efetivo e/ou aposentado de cada um dos trabalhadores relacionados pela fiscalização nos citados anexos do Relatório de Fiscalização, o que não foi feito no presente caso. Quanto aos pagamentos efetuados por ocasião da exoneração de cargos comissionados, não há na defesa contestação expressa do referido ponto, trazendo o contribuinte apenas argumentos gerais da sua insurgência. Fl. 2816DF CARF MF 6 Dessa forma, deve ser mantido o lançamento, posto que realizado em sintonia com a legislação em vigor, e de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN. Do Princípio do não confisco da razoabilidade e da proporcionalidade Assevera na peça recursal que a multa e os juros de mora aplicados ultrapassam os limites da razoabilidade, da proporcionalidade, configurando um confisco por ser exorbitante e ilegítima. No entanto, tendo em vista que o lançamento configura uma atividade vinculada e obrigatória, configura dever da Autoridade Lançadora constituir o crédito tributário com a aplicação das penalidades estabelecidas em Lei. Destaquese ainda que a aplicação da multa e juros de mora encontra adequada previsão nos dispositivos da legislação tributária explicitada nos fundamentos legais do auto de infração. A multa de ofício tem supedâneo no dispositivo estabelecido pelo artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, sendo devida. Ademais, a Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não merece prosperar os argumentos apresentados pelo contribuinte. Pedido de perícia Postula ainda o Recorrente pela efetivação de perícia, requerendo a reforma da decisão de primeira instância que entendeu prescindível a sua realização. Cumpre nesse ponto destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, o Relatório Fiscal e seus anexos detalham os critérios utilizados pela fiscalização na forma de apuração do crédito tributário, o que, na visão do julgador, já seriam suficientes para a formação da convicção. Ademais, o Decreto 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece que a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. No mesmo sentido, entendo ser prescindível a produção de prova pericial suscitada pela parte. Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 10073.720419/201312 Acórdão n.º 2401005.606 S2C4T1 Fl. 5 7 Em face de todo o exposto, não merece reforma a decisão exarada pela Delegacia de Julgamento, razão pela qual mantenho o lançamento nos termos em que lavrado. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, rejeito a preliminar apontada e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2818DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.009473/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
COMPETÊNCIA AUTUAÇÃO - DELEGACIA ONDE TEM DOMICÍLIO O CONTRIBUINTE
É competente para promover autuação a Delegacia da Receita Federal em que o contribuinte tiver domicílio. Comprovado, pela fiscalização, que a mudança de domicílio não foi devidamente registrada nos órgãos competentes, não há que se falar em nulidade da autuação, por ausência de competência da Delegacia que promoveu a autuação fiscal.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS.
O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovadas condutas e omissões dolosas dos representantes do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação.
DOS JUROS SOBRE A MULTA.
Nos termos da jurisprudência reiterada deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na constituição de ofício do crédito tributário, é cabível a incidência de juros sobre as multas aplicadas ao contribuinte.
Numero da decisão: 1302-002.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários dos recorrentes Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena, quanto à imputação de responsabilidade solidária, com base no art. 124, inc. I do CTN, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator) e Gustavo Guimarães da Fonseca; por unanimidade de votos em negar provimento aos recursos voluntários quanto à infração de omissão de receitas, multa qualificada e incidência de juros sobre a multa; e, quanto ao recurso de ofício, 1 - por unanimidade, em negar provimento quanto à decadência; 2 - por maioria de votos, em negar provimento quanto aos responsáveis solidários Indulac - Indústria de Produtos Lácteos Ltda., Laço Assessoria e Representações Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda. e Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Rogério Aparecido Gil; e, 3- por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Alexandre Henrique Cardoso Naves. Designado para redigir o voto vencedor, no recurso voluntário dos responsáveis solidários, o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Comprovado, pela fiscalização, que a mudança de domicílio não foi devidamente registrada nos órgãos competentes, não há que se falar em nulidade da autuação, por ausência de competência da Delegacia que promoveu a autuação fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos. MULTA QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 94 73 /2 00 9- 15 Fl. 7468DF CARF MF 2 Comprovadas condutas e omissões dolosas dos representantes do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação. DOS JUROS SOBRE A MULTA. Nos termos da jurisprudência reiterada deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na constituição de ofício do crédito tributário, é cabível a incidência de juros sobre as multas aplicadas ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários dos recorrentes Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena, quanto à imputação de responsabilidade solidária, com base no art. 124, inc. I do CTN, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator) e Gustavo Guimarães da Fonseca; por unanimidade de votos em negar provimento aos recursos voluntários quanto à infração de omissão de receitas, multa qualificada e incidência de juros sobre a multa; e, quanto ao recurso de ofício, 1 por unanimidade, em negar provimento quanto à decadência; 2 por maioria de votos, em negar provimento quanto aos responsáveis solidários Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda., Laço Assessoria e Representações Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda. e Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Rogério Aparecido Gil; e, 3 por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Alexandre Henrique Cardoso Naves. Designado para redigir o voto vencedor, no recurso voluntário dos responsáveis solidários, o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte principal Nutricon Alimentos Ltda e dos coobrigados indicados pela fiscalização, quais sejam Carlos Fl. 7469DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.469 3 Otávio Stein Pena; Claudio Fernando Stein Pena; Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda.; Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda.; Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., Nova Ponte Serviços Gerais Ltda e Alexandre Henrique Cardoso Naves. No Auto de Infração, pela sistemática do lucro arbitrado, foram constituídos créditos tributários relativos ao IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, relativos aos anos calendários de 2003 e 2004. O acórdão proferido pela DRJ de Belo Horizonte resumiu de forma bastante didática a constatação fiscal. Por isso, pedese venia para transcrevêlo: O Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, de fls. 01, informa o valor total de R$ 24.529.102,92. O auto de infração referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, de fls. 02 a 10, registra que o lançamento se deu por arbitramento tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Às folhas 11 a 36 encontramse os autos de infração referentes à Contribuição Social s/Lucro Líquido, Contribuição para o Pis, e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, por lançamento decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 37 a 61, registra que 1. a empresa transferiu sua sede para São Paulo sem dar conhecimento à DRF/BH, unidade jurisdicionante original; 2. depois de tentativas frustradas de localização da autuada e sócios, foi declarada inaptidão da fiscalizada, nos termos do processo 10680.002278/200829 e Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 14, publicado no DOU de 16/05/08 (anexo XII, FLS. 105/110); 3. diante da recusa de se apresentar os extratos bancários, tais informações foram solicitados às instituições bancárias, constatandose que os cheques de valores expressivos eram nominais à fiscalizada e sacados diretamente no caixa; 4. foram apresentados contratos de concessão de créditos por parte dos bancos à Nutricom, tendo como avalistas os Srs. Carlos e Cláudio Stein Pena; 5. a empresa Nutricom foi premeditadamente constituída de forma fraudulenta utilizandose de interposição de pessoas no quadro societário; 6. os srs.Cláudio Fernando Stein Pena, Carlos Otávio Stein Pena e as demais empresas de seu grupo, principalmente, Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda., Laço Assessoria e Representações Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda. e Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, verdadeiros donos do negócio que se operou sob a razão social da empresa Nutricom, foram os beneficiários e controladores conscientes dos resultados alcançados. Fl. 7470DF CARF MF 4 7. apesar de intimada, a fiscalizada não apresentou qualquer informação objetiva, sendo que em 2003 e 2004, como optante pelo Simples, entregou DSPJ com valores totalmente zerados; 8. a impossibilidade de obter os assentados da azienda, a despeito das intimações regulamente efetivadas, e a comprovada incapacidade de apresentar registros confiáveis e passíveis da necessária verificação, determinaram o arbitramento; 9. para fins de determinação do lucro arbitrado, foi considerada como receita bruta conhecida os valores mensais dos depósitos/créditos bancários cuja origem dos recursos não foi comprovada pelo contribuinte; 10. aplicou a multa qualificada, por ter a fiscalizada se valido de interposta pessoa com a finalidade de acobertar a realização de suas operações e as condições pessoais de seus verdadeiros sócios, suscetíveis de afetar a obrigação principal e o crédito tributário correspondente, de forma premeditada desde a sua constituição e de forma reiterada pelo registro das alterações contratuais seguintes. Após a intimação dos contribuintes, foram apresentadas três impugnações distintas, cujos argumentos foram assim resumidos no acórdão recorrido: São apresentadas três peças de defesa, a seguir mencionadas na ordem que se apresentam nos autos. II.I DEFESA DOS SRS. CARLOS OTÁVIO STEIN PENA e CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA, INDULAC – IND. DE PROD LÁCTEOS LTDA, LAÇO ASSESSORIA E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA. e SPASSO EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA. Volume 1 – fls. 120/138 1. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte não tem jurisdição sobre o contribuinte, que transferiu sua sede para São Paulo. Com este argumento entende que “os autos de infração lavrados pela DRF/BH devem ser declarados nulos por vício de competência.” 2. Eles não são, nem nunca foram, sócios da empresa em comento. 3 . A principal razão para a fiscalização responsabilizar os impugnantes foi o fato de os sócios constantes do quadro societário da Nutricom não possuírem renda declarada compatível com a grande movimentação financeira ocorrida nas contas da empresa 4. Em várias declarações e documentos colhidos, o Sr. Alexandre Naves é apontado como proprietário e administrador da Nutricom. 5. Os impugnantes eram representantes comerciais e detinham assuntos negociais com a Nutricom. Nunca foram gestores ou sócios dela. 6. Analisando o volume de transações comerciais entre a fiscalizada e os impugnantes, não se revelam estranhos ou Fl. 7471DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.470 5 inadequados os avais concedidos pelos irmãos Stein Pena à Nutricom. 7. O artigo 124, I, do CTN não enseja a responsabilização solidária de supostos sócios de fato. erro no enquadramento legal da exigência. 8. O parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar nº 104/01’ não foi regulamentado. 9. Houve cerceamento do direito de defesa pois o prazo de 5 (cinco) dias caracterizase como ilegal, posto que, segundo o artigo 844 do RIR/99 este prazo deveria ser de 20 (vinte) dias. 10. Como os impugnantes não foram considerados os efetivos titulares das contas bancárias mantidas pela Nutricom, mas meros sócios de fato, não se configura, em relação a eles, a presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei 9.430/96. 11. O prazo decadencial de cinco anos contase não do primeiro dia do exercício seguinte ao da entrega da declaração, mas “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado(artigo 173, I do CTN 12. Não cabe multa qualificada nos caso de lançamento ancorado em presunção. 13. Não pode haver incidência de juros sobre a multa de ofício II.II – DEFESA DO SR. ALEXANDRE HENRIQUE NAVES Volume 1 – fls. 141 a 198 1. Solicita efeito suspensivo nos termos do caput do Art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 2. Cita os processos 10680.002278/200829 quando se declarou a inaptidão da Nutricom Alimentos Ltda, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 14, de15 de maio de 2008 e 15504.007218/200938 que trata de “alterações no registro da referida sociedade mantido junto ao CNPJ”, o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE º 062/2009, de 08 de abril de 2009 que excluiu a empresa Nutricom do SIMPLES e o processo 15504.009812/200963 referente à Representação Fiscal para Fins Penais. 3. Admitindo, como fez a r. Autoridade fiscal, que a sociedade fiscalizada, desde a sua constituição, tem como reais proprietários e administradores, os Srs. Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena devese admitir, por conseqüência, como conclusão óbvia, que o IMPUGNANTE, enquanto esteve na sociedade, exerceu função meramente formal, já que apenas formal [foi) era a sua condição de sócio e, por esta razão, nunca esteve presente às atividades desenvolvidas pela sociedade ou praticadas em seu nome que Fl. 7472DF CARF MF 6 culminaram na ocorrência dos fatos geradores dos tributos e demais débitos contraídos pela NUTRICOM. 4. Não bastasse a ilegalidade da instauração do PAF. n.° 15504.007218/200938, a Fazenda Pública Federal somente providenciou a comunicação ao IMPUGNANTE dos atos e decisões nele praticados e proferidas após consumadas as alterações no registro da sociedade autuada mantido junto ao CNPJ/MF. [vide § 4°, fl. 10 do TVF] [fl. 46 do PAF. n.° 15504.009473/200915]. A anulação sumária é um atentado à ordem "juridica. O contraditório diferido é absolutamente condenável. 5. O impugnante se retirou da sociedade autuada em 12.12.2001. 6. A sociedade autuada, ao contrário do que restou afirmado no TVF, não foi constituída de forma fraudenta. Este nunca foi o propósito do IMPUGNANTE. 7. Do caráter injurioso das expressões (testadeferro) utilizadas pela r. autoridade administrativa. Riscadura. Imperativo legal. 8. Apesar de não ser o responsável pelo crédito fiscal o IMPUGNANTE, em respeito ao Princípio da Eventualidade, contesta a atuação fiscal, não representando tal atitude, repita se, aceitação da sujeição passiva tributária. 9. Sigilo Bancário. Afastamento pela autoridade administrativa. Ilegalidade e Inconstitucionalidade. 10. A Administração não comprovou os meios, métodos e a forma pela qual encontrou a "suposta receita" lançada no sobredito Auto de Infração, pelo que nulo é o lançamento. 11. A apuração da COFINS e do PIS tomando por base os valores mensais dos depósitos/créditos bancários não se sustenta, não se sustentando, por conseqüência, a base de cálculo identificada nos §§ 8° e 9° da fl. 23 do TVF [fl. 59 do PAF. n.°15504.009473/2009 15) 12. Da Multa aplicada e a afronta ao Principio do NãoConfisco 13.. Do Principio da Razoabilidade 14.O Processo de Representação Fiscal — PAF. n.° 15504.00981212009 63 deve ser suspenso e permanecer nesta condição enquanto não constituído definitivamente o crédito tributário supostamente apurado. 15..Deve ser concedido e assegurado ao impugnante todos os meios necessários à sua defesa em respeito aos Princípios da ampla defesa e do contraditório. 16. Requer a realização de perícia técnica. II.III – DA DEFESA DE NOVA PONTE SERVIÇOS GERAIS LTDA. Volume II – fls. 228 a 237 Fl. 7473DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.471 7 1. A Impugnante não teve nenhuma participação nos acontecimentos relatados pela Receita Federal. 2. Ora, se o Termo de Constatação foi a base de tudo e ele nem sequer cita a Nova Ponte Serviços Gerais Ltda., como se pode atribuir responsabilidade a ela? . 3. Percebese que a Impugnante está sendo responsabilizada porque os filhos do sócio Fábio e irmãos da sócia Karin teriam atuado em nome de terceiros. 4. A ‘intima” relação da Impugnante com a Nutricom se resume a uma única nota fiscal de R$30.000,00. 5. No ano de 2004, a impugnante não teve nenhuma relação com a Nutricom. 6. Tendo em vista que a Impugnante foi acusada de ser sócia de fato da Nutricom, a afirmação está baseada em qual prova? Qual foi o indicio que levou a essa conclusão. Nenhum. Cumpre ressaltar que o primeiro acórdão proferido pela DRJ (fl. 402 a 423, Volume II), foi anulado por decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que identificados vícios insanáveis naquela decisão. Desta forma, foi proferido novo acórdão pela DRJ de Belo Horizonte, que, dando parcial provimento às Impugnações, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Fl. 7474DF CARF MF 8 Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. Devem ser excluídos do pólo passivo da obrigação tributária resultante do crédito tributário lançado as pessoas físicas ou jurídicas, quando ausente a demonstração da atuação vinculada à prática do fato jurídico tributário, ou a possibilidade de eles se beneficiarem de seus resultados, quando a acusação se limita ao disposto no art. 124 do CTN. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência de ação dolosa, mediante a utilização de interpostas pessoas no quadro societário, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). MULTA QUALIFICADA. PREVISÃO LEGAL A qualificação da multa de ofício, quando constatado utilização de interpostas pessoas, tem previsão expressa no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 PRAZO DECADENCIAL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, segundo a qual a contagem do prazo decadencial iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, bem como pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação. PRAZOS Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo será de cinco dias úteis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE DE LANÇAMENTO Fl. 7475DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.472 9 Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado à contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O princípio de vedação ao confisco aplicase aos tributos. O afastamento da aplicação de lei, fundado em razão de alegada inconstitucionalidade, somente pode ser aplicado pelos órgãos julgadores administrativos nas hipóteses do art. 77 da Lei nº 9.430, de 1996. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO As Delegacias de Julgamento possuem competência para examinar tão somente as matérias que a legislação lhes atribui. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se pode apreciar matéria trazida pelo interessado, alheia ao processo sob exame, ainda que possa ter sido objeto em outro processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando esta providência revelase prescindível para instrução e julgamento do processo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, ao ser regularmente intimado deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o Fl. 7476DF CARF MF 10 procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal. Todos os coobrigados foram devidamente intimados da decisão proferida pela DRJ. A contribuinte principal Nutricom por se encontrar baixada, por inaptidão, foi intimada, via edital, na pessoal do seu sócio (fl. 7371), mas não apresentou Recurso Voluntário. Os coobrigados, Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena, apresentaram Recurso Voluntário em conjunto, no qual, em síntese, após tecerem comentários sobre a autuação e sobre a decisão proferida pela DRJ, alegam (i) a incompetência da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte para lavrar a autuação, (ii) o erro do agente fiscal ao eleger os sujeitos passivos da obrigação tributário; (iii) o erro no enquadramento legal da responsabilidade (artigo 124, I do CTN); (iv) que houve, ao arrepio da legislação, a desconsideração da personalidade jurídica da entidade; (v) a impossibilidade de presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários; (vi) a ausência de requisitos para qualificação da multa; (vii) a impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. Assim, ao final, pedem a reforma do acórdão recorrido, para que restem julgados como procedentes os pedidos, sendo cancelado, na integralidade, o Auto de Infração combatido. Como houve a exoneração de parte do crédito tributário, o acórdão recorrido foi objeto de Recurso de Ofício pelo presidente da turma da DRJ de Belo Horizonte, que assim se pronunciou: Tendo em vista o afastamento do vínculo de responsabilidade tributária dos contribuintes indicados e da desoneração de parte do crédito tributário, submetase à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, os Recorrentes Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena tiveram ciência do acórdão recorrido, via AR (fls. 7360 a 7363), no dia 06/05/2016, apresentando o Recurso Voluntário em 24/05/2016 (comprovante fl. 7373). Ou seja, o Recurso foi apresentado dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado, e, por cumprir os pressupostos para o manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 7477DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.473 11 DA PRELIMINAR. COMPETÊNCIA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE PARA LAVRAR A AUTUAÇÃO COMBATIDA. Em tópico preliminar, os Recorrentes alegam que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte já sabia que a empresa Nutricon Alimentos Ltda. não tinha mais domicílio na capital mineira quando da lavratura do Auto de Infração. Desta forma, invocando o artigo 203 do Regimento Interno da RFB, vigente à época do lançamento, alegam que aquela Delegacia não teria competência para lavrar a autuação, uma vez que esta competência seria da DRF em São Paulo, onde, supostamente, seria o domicílio fiscal do contribuinte. Por isso, alegam a nulidade do Auto de Infração lavrado por DRF incompetente. Não assiste razão aos Recorrentes. Em que pese o contribuinte alegar ter mudado o endereço de sua sede de Belo Horizonte para São Paulo antes da lavratura do Auto de Infração, o que se depreende dos autos é que, se essa mudança ocorreu, ela foi feita ao arrepio do que impõe a legislação neste tipo de procedimento. O que se verifica dos autos é que a empresa Nutricon, de fato, alterou seu domicílio, mas se olvidou de comunicar essa mudança à Receita Federal do Brasil, nos termos exigidos pelo artigo 213 do Regulamento de Imposto de Renda, que tem a seguinte redação: Art.213.Quando o contribuinte transferir, de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município, a sede de seu estabelecimento, fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias. §1ºAs comunicações de transferência de domicílio poderão ser entregues em mãos ou remetidas em carta registrada pelo correio. §2ºA repartição é obrigada a dar recibo da entrega desses documentos, o qual exonera o contribuinte de penalidade. §3ºAs repartições fiscais transmitirão, umas às outras, as comunicações que lhes interessarem De pronto, não há nos autos nenhuma comprovação de que os procedimentos acima foram realizados e, data venia, caberia ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos exigidos pela legislação neste sentido. Por outro lado, não se pode perder de vista que, como se depreende do Termo de Verificação Fiscal (fls. 37 e seguintes), quando do início da fiscalização, se encontravam registradas junto à RFB duas alterações contratuais do contribuinte, em que se podia constar que sua sede era em Belo Horizonte (MG). Contudo, só depois de diligenciar junto à Junta Comercial do Estado de Minas Gerais é que a fiscalização verificou que havia alteração contratual posterior, com a mudança de endereço para o Estado de São Paulo da empresa Nutricon. E, para surpresa da fiscalização, quando se tentou intimar aquela empresa em endereço localizado no Estado de São Paulo, o resultado foi de que, no endereço indicado nas Fl. 7478DF CARF MF 12 alterações contratuais posteriores, a empresa foi declarada como desconhecida. Ou seja, é patente, por todo o conjunto probatório acostados aos autos, que a empresa, de diversas formas, tentou se esconder da fiscalização e, agora, em defesa, os responsáveis tributários tentam argumentar que a autuação é nula, porque feita por Delegacia da Receita Federal do Brasil supostamente incompetente para tanto. Contudo, admitir a preliminar levantada é dar validade a atos praticados à margem do que determina a legislação e, em última análise, privilegiar a própria torpeza do contribuinte, que se "esconde" de forma reiterada da fiscalização e depois alega que a DRF em que tinha domicílio (e assim o declarou) não tinha competência para autuála. São precisas as colocações do acórdão recorrido neste sentido. Confirase: O domicílio tributário da Nutricom é da jurisdição da DRF Belo Horizonte, ainda que a empresa tenha utilizado subterfúgios para, repitase, não ser localizada por qualquer autoridade tributária, em completa desobediência à legislação. O inusitado do argumento de que declaração de nulidade caberia à DRF São Paulo repousa exatamente na clandestinidade que a empresa pretendia. A empresa procura se esconder do fisco e atribui ao fisco a responsabilidade de encontrála. Quando o fisco a encontra, argumenta: mas não era você que eu queria que me encontrasse. Não se pode perder de vista que houve esforço da fiscalização em tentar encontrar a empresa Nutricon em todos os endereços a que teve acesso. Entretanto, todas as diligências foram infrutíferas, levandose à conclusão que o contribuinte não respeitou a legislação que determina a atualização, junto à Receita Federal do Brasil, do seu endereço cadastral. Portanto, neste ponto, REJEITO a preliminar de nulidade da autuação, por ser a DRF de Belo Horizonte competente para fiscalizar e, eventualmente, autuar a empresa Nutricon Alimentos Ltda, já que restou demonstrado e comprovado que a empresa não promoveu a correta e fiel alteração do seu domicílio fiscal junto aos órgãos competentes. DA ELEIÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. ARTIGO 124, I DO CTN. Em tópicos específicos (que serão aqui analisado em conjunto, digase), os Recorrentes alegam que houve erro por parte do agente que promoveu a autuação, na medida em que houve a imputação da responsabilidade solidária dos supostos sócios de fato da Nutricon Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Assim, após tecerem comentários acerca das provas constantes nos autos, que, supostamente, demonstrariam que não havia qualquer relação deles, Recorrentes, com a empresa Nutricon (citam depoimentos de pessoas que, de alguma forma, tinham um relacionamento com a empresa) alegam que "os irmãos Stein Pena são sócios apenas de suas próprias empresas, as quais possuíam apenas relações comerciais com a Nutricon (contrato de compra e venda de mercadorias, de armazenamento, de representação comercial, etc.)" Na sequência, afirmam que, pelas ilações a que chegou a fiscalização, não foi comprovada qualquer vinculação pessoal e direta dos Recorrente no fato gerador dos tributos exigidos da Nutricon, a autorizar a imputação da responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN. Afirmam, assim, que incorreu em equívoco a fiscalização, uma vez que, na pior das hipóteses deveria ter fundamentado a responsabilidade com base no artigo 135 do CTN, mas não o fez. Fl. 7479DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.474 13 Pois bem. Como se depreende do TVF, ao imputar a responsabilidade dos Recorrentes pelo pagamento dos créditos tributários constituídos no Auto de Infração, a fiscalização assim se pronuncia, in verbis: Diante das declarações colhidas durante este trabalho, depreendese que ninguém conheceu Estanislau Ribeiro como sócio da empresa Nutricom, nem tiveram conhecimento de qualquer envolvimento ou participação dele nas atividades comerciais, administrativas ou financeiras da empresa. O próprio Estanislau Ribeiro afirmou desconhecer que houvesse participado ou assinado qualquer documento de alteração contratual e até mesmo o ato constitutivo da Nutricom. Declarou também que jamais abriu ou movimentou contas bancárias ou assinou cheques em seu nome ou da empresa. Por outro lado, o Sr. Alexandre Naves confirma a constituição da Nutricom e afirma ter sido responsável por sua administração até dez/01, data de sua saída formal do quadro societário da empresa. Entretanto, em várias declarações e documentos colhidos, o sr. Alexandre Naves é apontado como proprietário e administrador da Nutricom, mesmo após essa data. Em sua declaração a esta Fiscalização, o sr Alexandre Naves confessa ter atuado como, o que caracterizamos, sendo "testa de ferro" de Carlos e Claudio Stein Pena. Relembrando, o Sr. Alexandre Naves declarou que constituiu a empresa Nutricom a pedido e sob orientações dos proprietários da Indulac e para tal, receberia uma comissão sobre os negócios efetuados. Nunca foi o beneficiário dos lucros auferidos pela empresa. Que as atividades comerciais eram realizadas pelas empresas dos irmãos Stein Pena. E as transações financeiras não eram feitas na Nutricom e nem com a sua participação. (...) Evidenciado que os sócios Askan Corp. e antes dela o sr. Estanislau Ribeiro tratamse de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, quem seriam os interessados e beneficiários da existência e operação da Nutricom? O outro sócio, Sr. Alexandre Naves, declarou que sua atuação na Nutricom ocorreu sempre sob orientação dos irmãos Stein Pena. O fato é que, comprovadamente, Carlos e Claudio Stein Pena foram responsáveis pelas compras, armazenagem e vendas realizadas em nome da Nutricom, atuando de forma decisiva no funcionamento da empresa. Ficou demonstrado que o envolvimento de Claudio e Carlos Stein Pena extrapolava a esfera comercial. Envolvia também atividades de gestão administrativa como se verificou, por exemplo, com a locação de imóveis, como também suporte financeiro, já que os mesmos constam como garantidores (avalistas ou fiadores) de todas as operações de crédito encontradas junto aos bancos nos quais a Nutricom possuía conta corrente. Fl. 7480DF CARF MF 14 Releva aduzir que as declarações de bens e rendimentos do sr. Alexandre Naves demonstram que seu patrimônio bem como sua movimentação financeira não refletem a enorme movimentação da empresa no biênio fiscalizado, indicando ter sido ele realmente um mero 'testa de ferro' para em conjunto com os sócios de direito que lhe sucederam na empresa, pessoas interpostas, dar aparência legal ao negócio. Por outro lado, os srs. Claudio e Carlos Stein Pena são detentores de condições patrimoniais e financeiras com todo o lastro para suportála através de um ativo grupo de empresas do qual são sócios e/ou administradores, além de considerável experiência no ramo de comércio atacadista de alimentos onde atuam há alguns anos Como se observa do trecho transcrito acima, toda a acusação fiscal parte da premissa de que os Recorrentes utilizaramse de interpostas pessoas para a constituição da Nutricon, sendo estes, os Recorrentes, os verdadeiros sócios de fato da entidade e, por isso, deveriam responder de forma solidária pelo pagamento dos créditos tributários constituídos no Auto de Infração. Com base nessa premissa, a responsabilidade tributária é fundamentada no artigo 124, inciso I do CTN. O artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; A leitura deste dispositivo, leva o intérprete à conclusão de que o "interesse comum" está atrelado ao fato gerador da obrigação tributária. Assim, para ser responsável solidária pelos créditos tributários, a pessoa (seja ela física ou jurídica) tem que ter tido participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. Ou seja, a expressão "interesse comum" se dirige às pessoas que, de alguma forma, participaram do fato (critério material) descrito no antecedente da regra matriz. Esse entendimento já foi exarado por este colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejase: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2011 ALIENAÇÃO. PESSOA FÍSICA. SÓCIO, SIMULAÇÃO. As transformações societárias realizadas pelas sócias da autuada e que foram o foco da presente autuação, visaram desmembrar parte do acervo operacional da Autuada (incluído o atribuído pela sócia que permaneceu), para ser vendida a outra empresa, pela pessoa física do sócio; o processo de transferência para a pessoa física do sócio envolveu o valor contábil do acervo e a venda pela pessoa física se deu pelo valor de mercado, incidindo a tributação à alíquota de 15% , caracterizando que as operações foram simuladas, dado que o objetivo foi a venda de parte do acervo pela pessoa jurídica. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 7481DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.475 15 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. IR RECOLHIDO. DEDUÇÃO. Procede o pleito da autuada e da pessoa física que efetuou os recolhimentos, de que os valores de Imposto de Renda recolhidos pela pessoa física, em relação à mesma transação autuada na pessoa jurídica, sejam deduzidos dos valores de IRPJ exigidos da autuação, antes da aplicação da multa de ofício e dos juros de mora, uma vez que aquela operação foi descaracterizada, porém o imposto foi recolhido espontaneamente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. VOTO DE QUALIDADE. ART. 112, CTN. Descabe aplicação do art. 112 do CTN, no caso de empate de votação no CARF. (Acórdão nº 1201001.778 Processo nº 16561.720079/201568 Sessão de 21/06/2017) (destacouse) O Superior Tribunal de Justiça também tem entendimento fixado neste sentido, como se observa do julgado, cuja ementa segue citada abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. SUJEIÇÃO PASSIVA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (HARADA, Kiyoshi. 'Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato Fl. 7482DF CARF MF 16 gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009). 2. "Para se concluir sobre a alegada solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento para fins de tributação do ISS, seria necessária a reapreciação do contexto fáticoprobatório, providência inadmissível em sede de recurso especial, consoante a Súmula 7/STJ" (AgRg no AREsp 94.238/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 16/10/2012). No mesmo sentido: AgRg no Ag 1.415.293/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/09/2012. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 27/03/2015) (destacouse) Assim, na imputação de responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN, é dever do agente que promove a autuação comprovar que os eventuais responsáveis, de alguma forma, tenham "interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal". Neste sentido, entendese, com Andréa M. Darzé, que as hipóteses que autorizam a imputação de responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN, são bem restritas. Confirase os ensinamentos daquela professora: "Em estreita síntese, entendemos que o artigo 124, I do CTN, serve como fundamento para imputação de obrigação solidária apenas nos casos em que, i. consistindo o suporte factual do tributo em situação jurídica, exista mais de uma pessoa realizando a sua materialidade, como ocorre, por exemplo, na incidência do IPTU ou do IPVA, em que dois ou mais sujeitos são proprietários do mesmo imóvel ou veículo automotor, respectivamente; ii. nos casos em que o suporte de fato da tributação configura negócio bilateral, caracterizado pela presença de sujeitos em posições adversas e, por isso mesmo, com o objetivos diferentes, a solidariedade poderá instalarse apenas entre as pessoas que integrarem o mesmo polo da relação e tãosomente se estiverem efetivamente praticando o verbo tomado pelo legislador como critério material do gravame. É o que se verifica, por exemplo, 'no ITBI, quando dois ou mais são compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador". (DARZÉ, Andréa M. Responsabilidade Tributária: solidariedade e subsidiariedade. São Paulo: Noeses, 2010. pág. 239) No presente caso, todas as provas produzidas nos autos são no sentido de que os Recorrentes participavam da sociedade (mesmo que de forma oculta) e que tinham gerência sobre os negócios praticados, ou seja, que eram sócios de fato da sociedade. Fl. 7483DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.476 17 Primeiramente, no depoimento do "sócio" da Nutricon, Sr. Alexandre Naves, este "confessa ter atuado como, o que caracterizamos, sendo "testa de ferro" de Carlos e Claudio Stein Pena." Aliado a isso, a fiscalização demonstrou que os Recorrentes, apesar de não terem qualquer participação na sociedade, figuravam como avalistas em contratos bancários de concessão de créditos firmados pela Nutricom. Este fato foi muito bem analisado pelo acórdão proferido pela DRJ, que assim se pronunciou: De plano, cumpre destacar que a principal razão para a fiscalização responsabilizar os impugnantes não foi o fato de os sócios constantes do quadro societário da Nutricom não possuírem renda declarada, conforme assinalam os impugnantes. É verdade que os sócios formais não apresentam qualquer condição econômica/financeira para suportarem o empreendimento, principalmente o Sr. Estanilau Pereira. Sem sombra de dúvida este senhor foi ludibriado e teve seu nome utilizado para acobertar operações da Nutricom. A principal razão para a fiscalização responsabilizar os impugnantes foi exatamente a constatação de um emaranhado e sofisticado esquema com o objetivo de fugir às responsabilidades empresariais. Têm razão os impugnantes: não existe procuração outorgando a qualquer um deles poderes para agir em nome da Nutricom. De fato, este expediente temse revelado comprometedor . Da mesma forma, temse evitado depósito diretamente em contas Pbancárias. O expediente agora usual é o desconto de significativas quantias diretamente no caixa, em dinheiro. Aparentemente, dinheiro vivo não deixa rastro. Engano. Por mais perfeito que se pretenda ser, algum sinal aparece. E, no caso presente, o sinal foi reforçado pela própria impugnação. Nos cartões de assinatura do Banco Rural, Agência Contagem, fls. 31/32, do Anexo X, aparece o nome do Sr. Estanilau Raimundo Ribeiro, com duas assinaturas: uma completa e a outra, uma rubrica. Esta rubrica aparece em todos os contratos e em todos os cheques descontados no caixa, recebidos em dinheiro. Nos contratos de concessão de crédito, fls. 33 a 41, Anexo VIII, aparecem como avalistas os srs. Cláudio e Carlos Stein Pena, assinando após o que seria a assinatura do sr. Estanilau. Operações idênticas são realizadas junto ao Banco SOFISA, Agência São Paulo, fls. 100 a 133, do Anexo VIII. Total das operações de crédito: R$3.860.000,00 (três milhões e oitocentos e sessenta mil reais). Este fato, somado com as demais comprovações da fiscalização nos autos, não levam à outra conclusão, senão a de que os Recorrentes eram sócios de fato da sociedade, e contribuíram, de alguma forma, para o nascimento da obrigação tributária, ao arrepio da legislação. Essa, inclusive, é a conclusão da fiscalização, quando, no Termo de Verificação fiscal (fls. 55), afirma, textualmente, que "provada a utilização de interpostas Fl. 7484DF CARF MF 18 pessoas para fraudar o recolhimento de tributos federais, deve a responsabilidade tributaria por tal ilícito recair sobre as pessoas físicas dos administradores e sócios de fato da pessoa jurídica fiscalizada" (destacouse). Contudo, com esses apontamentos, questionase: qual seria o interesse comum dos Recorrente a ensejar a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN? Data venia, a fiscalização não comprava tal interesse. Se os Recorrente eram de fato sócios e geriam, de alguma forma, a sociedade, ao ponto até de se responsabilizarem pessoalmente pelo pagamento de eventuais empréstimos bancários, a sua responsabilidade tributária deveria ser atribuída com base no artigo 135 do CTN e nunca com base no artigo 124, inciso I do mesmo Código, uma vez que faltam, ao presente caso, os elementos necessários para caracterização do "interesse comum" a que faz alusão aquele dispositivo do Código Tributário Nacional. Desta forma. entendese que o enquadramento legal da responsabilidade artigo 124, inciso I do CTN não é correto, o que enseja, necessariamente, o afastamento da imputação da responsabilidade, uma vez que não é autorizado ao julgador administrativo retificar ("consertar") o lançamento de ofício, que é ato vinculado e de competência exclusiva do agente fiscal. Desta forma, neste ponto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, para afastar a imputação de responsabilidade tributária dos sócios Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena, que foi feito, tãosomente, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional. DA POSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE RECEITAS COM BASE NOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO RESTOU COMPROVADA. Os Recorrentes alegam ainda que (i) em flagrante desrespeito ao direito de defesa, não lhes foi concedido tempo hábil para comprovar a origem dos depósitos bancários, na medida em que a intimação determinava a apresentação de resposta no prazo de 05 dias e (ii), pelo fato de não serem titulares das contas da Nutricon, não seria possível a imputação de presunção de omissão de receitas aos responsáveis. Quanto ao primeiro ponto, os Recorrentes alegam que a intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários deveria ter concedido, no mínimo, 20 dias para apresentação dos documentos, que, supostamente, comprovariam a origem dos depósitos. Contudo, consta dos autos que houve um pedido de prorrogação de prazo deferido pela fiscalização e, mesmo assim, dentro do prazo concedido, os Recorrentes "optaram" em requerer nova prorrogação, sem que houvesse a apresentação de qualquer documentos. Ademais, no prazo da impugnação, que, digase, é de 30 dias, os Recorrentes poderiam ter apresentado provas para afastar a presunção de omissão de receitas, mas não o fizeram. Já com relação ao segundo ponto, no Recurso Voluntário apresentado, os Recorrentes alegam que o dispositivo do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 só autoriza a presunção de omissão de receitas em face do titular das contas e nunca aos responsáveis. Neste ponto, importante destacar que a Lei nº 9.430/96 presume que a existência de depósito bancários, sem que haja a comprovação da origem dos recursos por parte do contribuinte, pode ser considerada como omissão de receita pela fiscalização. É o que determina, expressamente, o artigo 42 da citada lei. Vejase: Fl. 7485DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.477 19 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A adequação deste dispositivo aos comandos da Constituição Federal de 1988, notadamente aos princípios que balizam e limitam o poder de tributar dos entes competentes para instituir e cobrar tributos, dentre eles o da Capacidade Contributiva, é questionável. Tanto que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em 2015, a repercussão geral da discussão nos autos do RE 855.649, nos termos da ementa a seguir transcrita: IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855.649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Contudo, não havendo, até o presente momento, nenhuma declaração de inconstitucionalidade, tampouco a suspensão liminar da eficácia do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aplicálo, desde que estejam presentes os requisitos para se imputar a presunção de renda, com base nos valores creditados em conta de depósito ou investimento do contribuinte. Ressaltese, ainda, que, pela leitura do dispositivo legal transcrito, podese observar que não há uma presunção absoluta na caracterização de omissão de receita pelo simples crédito de valores nas contas do contribuinte. Pelo contrário: a presunção é relativa, na medida em que o contribuinte, após ser intimado para tanto, pode demonstrar através de documentação hábil e idônea a origem e o lastro dos recursos identificados e que transitaram em contas correntes e de investimentos mantidos junto às instituições financeiras. Entretanto, não fazendo prova cabal da origem daqueles recursos, é dever da fiscalização caracterizar a omissão de receita e, se for o caso, lavrar a autuação, constituindo, assim, o crédito tributário em desfavor do contribuinte. Por outro lado, no que tange especificamente ao IRPJ, também devese deixar claro que, uma vez caracterizada a omissão das receitas, não há que se falar em necessidade de comprovação, por parte do fisco, do acréscimo patrimonial a ensejar a incidência do referido tributo. Neste sentido, já se pronunciou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 7486DF CARF MF 20 Exercícios: 2004 e 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.Com a edição da Lei n° 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos o lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO. ESPÉCIES DISTINTAS.A disposição legal acerca da omissão de rendimentos, em face de valores creditados em conta sem a comprovação de suas origens, prescinde para a sua aplicação de que haja a ocorrência de acréscimo patrimonial, mormente o fato de a interessada consistirse em pessoa jurídica, quando a ausência de escrituração e dos documentos que a amparam enseja o arbitramento do lucro, com base na receita tida por omitida. MULTA DE OFICIO.Na ausência de descrição dos fatos que ensejaram a qualificação da multa de 150%, deve a mesma ser reduzida ao percentual de 75%.LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS.Os lançamentos reflexos, uma vez que nada específico a esses foi contraditado, seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ).Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Número do Processo 12963.000069/200719 Contribuinte MANHATTAN FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/11/2010 Relator(a) Paulo Jakson da Silva Lucas Nº Acórdão 1301000.446) Este entendimento é, inclusive, o objeto da súmula 26 do CARF, não podendo ser interpretado de outra forma por este colegiado administrativo. Confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fixadas essas premissas, será legítimo a autuação pela fiscalização com base nos valores creditados em conta corrente ou de investimento do contribuinte, desde que reste comprovado (i) os valores que circularam nas contas de depósito ou de investimentos do contribuinte e (ii) que seja dada oportunidade a este de demonstrar a origem dos recursos e que estes não são, efetivamente, renda tributável ou que já foram levados à tributação. No presente caso, não há maiores dúvidas no que se refere aos valores que circularam nas contas da empresa Nutricom e que foi dada a oportunidade para o contribuinte se manifestar sobre os créditos identificados nas contas. Sendo comprovada a omissão de receitas pelo sujeito passivo principal e, ainda, sendo caracterizada a responsabilidade tributária (acima analisada), não há reparos a se fazer na autuação que impôs aos sujeito passivo e ao responsável a obrigação pelo pagamento do crédito tributário. Falar que esta imputação só poderia ser dada ao titular da conta, é jogar por terra todas as hipóteses de responsabilidade tributária definidas pelo legislador. Fl. 7487DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.478 21 Assim, com relação a este ponto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. DA MULTA QUALIFICADA. Em tópico específico, os Recorrentes se insurgem quanto à aplicação da multa qualificada, requerendo, ao final, o provimento do Recurso Voluntário, para que reste afastada a aplicação dessa penalidade. Neste sentido, alegam que "há uma inequívoca incompatibilidade lógica entre a presunção de omissão de receita/rendimentos prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e a imposição de multa qualificada". Apesar de os Recorrentes alegarem de forma temerária que o acórdão concorda com a tese apresentada, o que se depreende da decisão recorrida não é isto. Vejase trecho do acórdão proferido pela DRJ: No entanto, no caso que ora se nos apresenta, decididamente não foi a simples omissão que fundamentou a qualificação da multa. A qualificação decorreu da constatação da utilização de interpostas pessoas, conforme exaustivamente demonstrado nos autos e objeto de análise no tópico pertinente, de forma que os verdadeiros sócios não viessem a ser responsabilizados. Por oportuno, registrese que a regular intimação para que se comprovasse a origem dos depósitos, conforme relação de fls. 62 a 92. Não havendo manifestação, a fiscalização considerou estes valores como receita para efeitos de arbitramento do lucro, posto que a empresa não possui escrituração na forma da lei. E a leitura detida do TVF não deixa dúvidas quanto a real motivação para qualificação da multa. Confirase as conclusões do agente fiscal: Provouse, com os documentos e depoimentos apresentados, ter a fiscalizada se valido de interposta pessoa com a finalidade de acobertar a realização de suas operações e as condições pessoais de seus verdadeiros sócios, suscetíveis de afetar a obrigação principal e o crédito tributário correspondente, de forma premeditada desde a sua constituição e de forma reiterada pelo registro das alterações contratuais seguintes — arts. 7111 e 72 da Lei n° 4.502/64 (Acórdão CC 10709.027/2007). A Nutricom, em seu cadastro como locatária de imóvel, apresentou cópia de abertura e encerramento do Livro Diário, Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados, todos com movimentação econômica e tributária relativa ao ano calendário de 2001, registrado na Junta Comercial e autenticados pelo 10 Oficio de Notas (Anexo XII, fls. 132/135), além de ter movimentado em contas bancárias valores na ordem de R$3.700.000,00. No entanto, entregou à RFB declaração de Inativa. No biênio fiscalizado, 2003 e 2004, movimentou grande quantidade de mercadorias e recursos financeiros na ordem de R$105.000.000,00. Contudo, entregou A. RFB declaração do SIMPLES (DSPJ) sem nenhuma operação ou valores, jamais a retificou e omitiuse no ano seguinte. A prática de ocultar do Fl. 7488DF CARF MF 22 fisco a ocorrência do fato gerador mediante a apresentação de Declarações inveridicas, qual seja, sem o registro de qualquer movimentação, aliada à constatação de atividade durante o período fiscalizado, constitui fato que evidencia intuito de fraude e sonegação arts. 711 e 72 da Lei n° 4.502/64 (Acórdão CC 10809.758/2008 e Acórdão CC 10708.922/2007). A atitude da fiscalizada com a entrega de declarações inveridicas, seu desaparecimento e encerramento irregular das atividades, a ocultação dos sócios pela utilização de pessoas interpostas nos contratos social, comerciais e bancários e a relevância dos valores mantidos em contas bancárias à margem da contabilidade, demonstraram por si só, a vontade reiterada dos responsáveis pela empresa em impedir totalmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza e circunstâncias materiais. Restou ainda configurado o ajuste doloso entre pessoas naturais e jurídicas, visando a sonegação e fraude verificadas e demonstradas no curso desta ação fiscal art. 73 da Lei n° 4.502/64. Devese esclarecer que, como já pacificado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a simples omissão de receitas não é suficiente para se fundamentar a qualificação da multa. Há, inclusive, súmula neste sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, para a qualificação da multa, cabe ao agente autuante comprovar a prática, pelo contribuinte, das condutas descritas na legislação, o que, no presente caso, restou demonstrado pelo trecho do TVF citado acima. Como se observa, a omissão de receitas se deu pela conduta reiterada do contribuinte, que fraudou as demonstrações contábeis, entregou declarações zeradas, utilizou se de interpostas pessoas. Como sabido, o parágrafo 1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, determina a aplicação da penalidade em dobro quando constatada a prática de alguma das condutas previstas no artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Citase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de Fl. 7489DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.479 23 outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez, os dispositivos da Lei nº 4.502/64 que autorizam a qualificação da multa são os seguintes: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72 Repisese: consta dos autos a comprovação de condutas dolosas praticadas de acordo com os dispositivos acima transcritos. Neste ponto, portanto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. DOS JUROS SOBRE A MULTA. Em tópico específico, os Recorrentes alegam que não se deve incidir juros sobre as multas aplicadas de ofício pela fiscalização. Contudo, este colegiado e boa parte das Turmas deste Conselho vem, cada vez mais, fixando o entendimento de que a exigência de juros sobre a multa de ofício é licita. Neste sentido, são inúmeras as decisões, conforme se extrai das ementas abaixo reproduzidas: JUROS SOBRE MULTA. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic (Acórdão: 1301002.233 Número do Processo: 16561.720184/201335 Data de Publicação: 22/06/2017). JUROS SOBRE MULTA. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a Fl. 7490DF CARF MF 24 determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic (Acórdão: 1301002.278 Número do Processo: 10830.016637/200945 Data de Publicação: 20/06/2017). Diante disto, NEGO provimento ao recurso voluntário neste ponto. DO RECURSO DE OFÍCIO. Como o crédito exonerado supera o limite de alçada de R$2.500.000,00 fixado na Portaria MF nº 63/2017, dele deve se conhecer. Como se depreende do acórdão recorrido, houve procedência da "impugnação apresentada por Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda, Indulac – Indústria de Produtos Lácteos Ltda, . Nova Ponte Serviços Gerais Ltda e Alexandre Henrique Cardoso Naves para afastar a indicação como responsáveis solidários" Ainda, entendeuse pela parcial procedência à "impugnação apresentada referente ao crédito tributário; excluindose a exigência atinente aos períodos do ano calendário de 2003". Não há reparos a se fazer na decisão recorrida. E, invocando o § 3, do artigo 57 do RICARF, adoto os fundamentos constantes acórdão, que são abaixo transcritos, in verbis: II – DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Ao tratar da questão da decadência, os impugnantes entendem que o prazo decadencial é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) e não cinco anos após o primeiro dia do exercício seguinte à data da entrega da declaração como registra a fiscalização. No presente caso, se faz necessário ressaltar, que o art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional excepciona de sua contagem os casos em que se constatarem procedimentos dolosos, fraudulentos ou de simulação. Nestes casos não se observará a contagem do prazo a partir do fato gerador. No caso dos autos, foi atribuída ao contribuinte a prática de procedimento doloso, conforme se verifica no Termo de Constatação Fiscal, impedindo a aplicação da contagem do prazo decadencial pelo art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional. Assim, por entender que foram empregados artifícios para ocultar a verdadeira participação societária e a decisiva atuação gerencial dos Srs. Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena, com interesse direto na situação caracterizadora do fato gerador, há de se aplicar a regra preconizada no artigo 173, I, do CTN, como defendem os impugnantes, na qual o prazo para a contagem da decadência, para a constituição do crédito tributário, passa a ser a do exercício seguinte a que poderia ser feita. Fl. 7491DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.480 25 O auto de infração referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e CSLL registra os períodos de 03/2003 06/2003 09/2003 12/2003 03/2004 e 06/2004 Os autos de infração referentes à Contribuição para o Pis, e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, indicam a ocorrência dos fatos geradores em ao final de cada mês do respectivo ano calendário. Considerando a contagem do prazo prescricional segundo a regra do Artigo 173, I, seu término, 5 anos após, só poderia ensejar a ocorrência do lançamento até a data de 31/12/2008 conforme a seguir indicado: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e CSLL: períodos de 03/2003 06/2003 09/2003 Contribuição para o Pis e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social: janeiro a novembro de 2003. Como a ciência dos autos de infração somente se realizou em 26/06/2009, entendo que há decadência do direito de constituir o crédito tributário para os períodos de 2003, conforme indicado, restando válido e exigível o crédito para os demais períodos. III.II. Da indicação de responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Para que se tenha a exata compreensão dos fundamentos da fiscalização, transcrevemse as partes do Termo de Verificação Fiscal que menciona as pessoas jurídicas indicadas como responsáveis solidárias. “II PROCEDIMENTOS INICIAIS DE FISCALIZAÇÃO II.1 — A EMPRESA NUTRICOM ALIMENTOS LTDA. A pessoa jurídica, NUTRICOM ALIMENTOS LTDA., encontravase ativa com declarações entregues A RFB referentes aos anos calendário de 2001 (formulário de Inativa), 2002 e 2003 (ambos formulário do Simples). Nunca entregou DCTF e passou a omissa na entrega de DIPJ nos anos seguintes. Foi excluída do Simples em 30/06/07. Conforme contrato social e alterações obtidos na JUCEMG (Anexo XII, fls.020/044), a empresa foi constituída em 01/12/00 com o objeto de representação comercial por conta própria e de terceiros de gêneros alimentícios em geral, e sede A Rua Gabriel Capistrano, 68 — Santa Maria em Contagem/MG. Seu quadro societário inicial era composto por Alexandre Henrique Cardoso Naves (99%) e Estanislau Raimundo Ribeiro (1%), sendo que a administração e representação legal da sociedade seria exercida única e exclusivamente pelo sócio Alexandre Naves. Em 20/08/01 a sede foi transferida para a Rua Professor Otilio Macedo, 236 — Pilar em Belo Horizonte/MG. Em 12/12/01 ocorreu a 2ª alteração contratual e última informada à RFB. Fl. 7492DF CARF MF 26 Nela, Alexandre Naves transferiu a totalidade de suas cotas à própria empresa. Estanislau Ribeiro, com apenas 1% do capital, tornouse o administrador e responsável legal pela Nutricom. (...) No dia seguinte, em 13/12/01, com a 3ª alteração contratual, ocorreu aumento do capital social de R$30.000,00 para R$600.000,00, integralizado totalmente em moeda corrente pela própria empresa. O único sócio, Estanislau Ribeiro, teve sua participação proporcionalmente reduzida a apenas 0,1% das cotas. O objeto social foi alterado em 15/02/02 para: comércio atacadista de gêneros alimentícios;beneficiamento, empacotamento e comércio de cereais, sementes e grãos; fabricação e comércio de ração animal; confecção de cestas básicas e uma série de outras atividades. Com a 5ª' alteração contratual, em 10/11/03, foi criada uma filial A. Rua da Consolação, 368 12º andar — Consolação, em São Paulo/SP. Foi acrescida, ao já extenso objeto social, a atividade de comércio atacadista de materiais de construção. A totalidade das cotas em nome da empresa foi transferida a Estanislau Ribeiro que agora, detentor de 100% do capital, comprometeuse a recompor o quadro social. Em 04/03/04, com a 6ª e última alteração contratual conhecida, a sede foi transferida para a Av. Senador Queirós, 279 sala 52 — Bairro da Luz em São Paulo/SP e no antigo endereço, foi criada a filial que "assumirá todas as operações da Matriz". Foi admitida como quotista a empresa uruguaia Askany Corp. Financial & Trading S/A, sediada à Calle Continuacion Echevarriarza, 3535 Torre B apto 1205, em Montevideu. (...) Todos esses documentos, assim como vários comprovantes de pagamento de condomínio da Nutricom, foram enviados via fax n°32969599 da Laço Assessoria. A própria notificação de devolução da sala 705 da Nutricom e das salas 401 e 402 da Nutrilinea, foi assinada por Lessandra. 0 contrato de locação foi desfeito em 10/02/04 (Anexo XII, fls. 111/157). A sra. Lessandra Santos Souza, CPF:037.477.17667, sob intimação, declarou a esta Fiscalização que desde 1996 trabalha no mesmo grupo de empresas, as quais são administradas pelos irmãos Carlos e Claudio Stein Pena. Afirmou que o único sócio das empresas Nutrilinea e Nutricom que conheceu foi o Sr. Alexandre Naves. Confirmou sua assinatura na carta de rescisão do contrato, mas disse não se lembrar porque o fez (Anexo XII, fls. 158/161). Com efeito, conforme a RAIS, a sra. Lessandra Santos teve vinculo empregatício com a Spasso Armazéns Gerais Ltda. de 01/08/96 a 31/05/97, com a Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda. de 01/08/98 a 16/03/99, e de 01/06/00 a 30/06/05, e com a TC LogTransportes de Cargas e Fl. 7493DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.481 27 Logística LtdaEPP, a partir de 01/01/06. Todas, empresas de propriedade dos irmãos Stein Pena. O Sr. Fernando Ferreira Marçal, CPF:130.141.37634, declarou a esta Fiscalização que trabalha como corretor de negócios em geral. "Como corretor de milho, fazia negócios para o grupo Spasso, razão pela qual meu nome aparece como contato da Nutrillnea e Nutricon". E que "Não tive contato direto com tais empresas, tudo era através do grupo Spasso". Declara ainda que "Assinei os contratos de locação das empresas Nutrilinea e Nutricom por solicitação de meu amigo dr. Saturnino, o qual solicitou de mim tal favor por amizade dele com o Sr. Alexandre a quem não conheço tanto" (Anexo XII, fls. 162/164). Em resposta a intimação enviada, compareceu o sr. Saturnino Pinheiro Neto, CPF:477.009.39691, quando foram tomadas as seguintes declarações: O sr. Saturnino Pinheiro prestou serviço a Laço Assessoria e outras empresas dos irmãos Carlos e Cláudio Stein Pena. Os três, juntamente com sr. Alexandre Naves, são antigos conhecidos e naturais de Monte Carmelo/MG. Não conheceu o Sr. Estanislau Ribeiro pessoalmente. Quem lidava com a Laço em nome da Nutricom era o sr. Alexandre. Confirma que assinou como fiador do contrato de locação em decorrência de sua amizade, desde a infância, com o sócio sr. Alexandre. Em declaração posterior, informou que Fernando Ferreira Marçal trabalhava como corretor de grãos para a Laço Assessoria, e que Adilson Antonio Bragança ainda trabalha na área comercial do grupo Spasso (Anexo XII, fls. 165/169). A sra. Rosana Machado Pinheiro e Silva, CPF:554.306.35634, esposa de Saturnino Pinheiro,também sob intimação, declarou que trabalhou na Spasso Empreendimentos entre 1999 e 2007 e também prestou serviços as outras empresas do grupo. (...) E afirmou que o sr Alexandre freqüentava assiduamente o escritório da Spasso à. Av. Barão Homem de Melo. Esclareceu que assinou o contrato de locação, como fiadora, em decorrência de sua amizade com o sr. Alexandre Naves. Afirmou ainda que Adilson Antonio Bragança trabalhava e ainda trabalha no grupo Spasso (Anexo XII, fls. 170/173). Outro fato importante é a existência de documentos das esposas dos irmãos Stein Pena e de Alexandre Naves no cadastro de locação da Nutricom, já que formalmente não faziam parte empresa. Esses fatos por si só bastam para comprovar que a administração do escritório clandestino da Nutricom era feita pelo escritório da Laço Assessoria que, alias, funcionava no mesmo prédio. Fl. 7494DF CARF MF 28 Em pesquisa ao Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS, encontramos Karla Aparecida Silva, CPF:059.118.796 54, como única empregada registrada da Nutricom. Intimada, a sra. Karla Silva, confirmou ter trabalhado na Nutricom como faturista, no período de 01/02/03 a 03/09/03. (...) E que, durante esse período, a Nutricom manteve grande relação comercial com a empresa Indulac e seu proprietário, Carlos Otávio Stein Pena. II.2 – Os sócios Estanislau Raimundo Ribeiro: RG M 1.744.979 SSP/MG, CPF:246.933.67672, é domiciliado A. Av. Pedroso de Moraes, 631 ap. 96 — Pinheiro em São Paulo/SP. Tal endereço é um local comercial onde, o sr. Estanislau Ribeiro não pode ser encontrado e nem mesmo é conhecido pelo sindico do edificio. Omisso na entrega das DIRPF desde 2005, encontra se com CPF Suspenso e não apresenta movimentação financeira nos últimos cinco anos (Anexo XIII, fls.002/028). Alexandre Henrique Cardoso Naves: O sr. Alexandre Naves informou ainda que durante algum tempo, após sua retirada das empresas, "as vezes uma funcionária da Laço Assessoria e Representação de nome Alessandra me pedia para assinar documentos da Nutrilinea/Nutricom". Constituiu a empresa Nutricom a pedido e sob orientações dos proprietários da Indulac — Indústria de Produtos Lácteos Ltda., no caso Carlos e Cláudio Stein Pena. Para tal, receberia uma comissão sobre os negócios efetuados em nome da Nutricom. As compras e vendas de mercadorias em nome da Nutricom eram realizadas pelas empresas dos irmãos Stein Pena. As compras eram, principalmente, através da Indulac; As transações financeiras, tanto pagamentos quanto recebimentos não eram feitos na Nutricom e nem com a sua participação. Askanv Corp. Financial & Trading S/A: empresa estrangeira uruguaia, domiciliada A. Calle Constinuacion Echevarriarza, 3535, Torre B apto 1205 em Montevidéu. Encontrase cadastrada junto RFB sob o CNPJ:05.386.142/0001 52, e representada pela procuradora Sônia Maria Campos Rios, CPF:312.617.28653. Anteriormente era representada por Hélvio Alves Pereira, CPF:143.714.64653 (Anexo XIII, fls. 152/156). IV CIRCULARIZACAO DE FORNECEDORES E CLIENTES Foram solicitadas informações sobre as transações comerciais e especificamente, sobre o local de entrega ou recebimento; forma de pagamento e a identificação do responsável pela Nutricom durante as negociações. A seguir relacionamos resumidamente as respostas recebidas: 1. L.Ferenczi Indústria e Comércio Ltda. recebeu seus pagamentos diretamente da Nutricom por via bancária (TED). Fl. 7495DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.482 29 Remeteu mercadorias diretamente ao cliente da Nutricom — Centro de Obtenção da Marinha no Rio de Janeiro. Manteve seus contatos comerciais com Sr. Admilson/Adilson tel (031) 32475223, 32475203 e 91095887 (Anexo I, fls. 002/025); 2. Cooperativa Taquarense de Laticínios Ltda. recebeu seus pagamentos diretamente da Nutricom por via bancária (TED). Remeteu mercadorias à Nutricom — R. Prof. Otilio Macedo, 326 — Pilar em BH/MG. Manteve contatos comerciais por telefone sem identificação da contraparte (Anexo I, fls. 026/047); 3. Tangara Importadora e Exportadora S/A recebeu seus pagamentos diretamente da Nutricom por via bancária (TED). Remeteu, na maioria das vezes, mercadorias à Nutricom — R. Prof. Otilio Macedo, 326 — Pilar em BET/MG. Tendo ocorrido também remessas diretamente a clientes da Nutricom. Manteve contatos comerciais por telefone sem identificação da contraparte (Anexo I fls. 048/197) 4.;SBDE — Sociedade Brasileira de Embalagens e Descartáveis Ltda. recebeu seus pagamentos por cobrança bancária (boletas de cobrança). Remeteu mercadorias ora a Nutricom — R. Prof. Otilio Macedo, 326 — Pilar em BH/MG, ora a Indulac Ind. Prod Lácteos Ltda. a R. Flor de Seda, 185 —Contagem/MG. Manteve contatos comerciais com pessoa identificada apenas como Guilherme (Anexo II, fls. 002/127); 5. Companhia Lorenz recebeu seus pagamentos por cobrança bancária (boletas de cobrança). Remeteu mercadorias A. R. Flor de Seda, 185 — Contagem/MG endereço da Indulac Ind. Prod Lácteos Ltda. Esclarece que seus contatos comerciais foram intermediados por representantes locais, não sendo possível identificar o responsável nas negociações por parte da Nutricom (Anexo I, fls. 128/155); 6. Corn Products Brasil Ingredientes Industriais Ltda. recebeu e efetuou pagamentos por via bancária (TED e transferências). O fornecimento de mercadorias pela Nutricom foi, em sua totalidade, remetido a partir das empresas Nova Ponte Serviços Gerais Ltda., CNPJ:01.053.102/000138 em Nova Ponte/MG e Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., CNPJ:01.457.287/0002 27 em Uberaba/MG. Já as mercadorias vendidas à Nutricom foram entregues a empresa Indulac Ind. Prod Lácteos a R. Flor de Seda, 185 — Contagem/MG. Declara que seus contatos comerciais foram intermediados por Adilson Antônio Bragança e Claudio Fernando Stein Pena (Anexo III, fls. 002/249 e Anexo IV, fls. 002/216); 7. Açúcar Guarani S/A recebeu seus pagamentos por cobrança bancária (boletas de cobrança). As mercadorias vendidas à Nutricom foram entregues à Indulac Ind. Prod Lácteos Ltda. à R. Fl. 7496DF CARF MF 30 Flor de Seda, 185 — Contagem/MG. Não identificou os contatos comerciais (Anexo V, fls. 002/151 e Anexo VI, fls. 002/350);); 8. Copersucar recebeu seus pagamentos por via bancária (TED e um depósito em cheque). As mercadorias vendidas á. Nutricom foram entregues por sua ordem, a R. Coronel Gabriel Capistrano, 68 em Contagem/MG. Como contatos comerciais, informa apenas o nome dos sócios constantes em seu cadastro (Anexo VII, fls. 002/030); 9. Comando do Exército — adquiriu mercadorias via sistema de pregão, efetuando os pagamentos por transferência bancária. O contrato de fornecimento entre a Nutricom e a Unidade do Exército foi assinado por Saturnino Pinheiro Neto. Em algumas notas fiscais consta que a mercadoria foi adquirida de outra empresa e remetida diretamente ao destinatário (Anexo VII, fls. 031/183), tais como: Depósito de Subsistência de Santa Maria/RS — por Odebrecht Comércio e Indústria de Café Ltda., CNPJ:78.597.150/000100 em Londrina/PR; 17ª Base Logística em Porto Velho/RO por Nova Ponte Serviços Gerais Ltda., CNPJ:01.053.102/000138 em Nova Ponte/MG; Máquina de Arroz Londrina Ltda., CNPJ:84.718.741/000100 em JiParand/RO; Copersucar, CNPJ:61.149.589/006705 em Limeira/SP; Crista Indústria e Comércio Ltda., CNPJ:00.653.118/000119 em Indaiatuba/SP. 3º Batalão de Suprimentos em Nova Santa Rita/RS por Odebrecht Comércio e Indústria de Café Ltda., CNPJ:78.597.150/000100 em Londrina/PR; Os demais fornecedores (Joao F Camargo Indústria de Embalagens Ltda.; Avinor — Avicultura e Pecuária do Nordeste Ltda.; Porto Feliz S/A. e Cooperativa Sul Rio Grandense de Laticínios Ltda.) não puderam ser encontrados (Anexo VII, fls. 184/186);. O endereço da empresa, conforme bem constatado em 2004 pelo fisco mineiro e por esta Fiscalização, não comportava comercialização de toda a mercadoria vendida. Assim, era utilizado meramente como domicilio tributário para a impressão e emissão de notas fiscais, o que foi corroborado pelas declarações da faturista sra. Karla Silva e do sócio sr. Alexandre Naves. Como efetivamente pode ser verificado pelos documentos fiscais e ordens/pedidos de compra apresentadas por alguns clientes e fornecedores, as vendas efetuadas em nome da Nutricom eram remetidas a partir das empresas Nova Ponte Serviços Gerais (em Nova Ponte/MG) e Spasso Empreendimentos e Serviços (em Uberaba/MG). Já as mercadorias compradas em nome da Nutricom eram entregues à empresa Indulac Indústria de Produtos Lácteos (em Contagem/MG). Todas essas empresas, bem como os contatos comerciais identificados estão vinculados à Laço Assessoria e aos irmãos Stein Pena. Fl. 7497DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.483 31 Assim, podemos novamente perceber o envolvimento de empresas que se diferenciam apenas pela Razão Social, mas confundem seus sócios e exsócios, fiadores, avalistas e até empregados no desempenho de funções que deveriam ocorrer distintamente se de fato fossem empresas distintas, muitas das vezes até concorrentes entre si. VI Os responsáveis pelo crédito tributário Relembrando, o Sr. Alexandre Naves declarou que constituiu a empresa Nutricom a pedido e sob orientações dos proprietários da Indulac e para tal, receberia uma comissão sobre os negócios efetuados. Evidenciado que os sócios Askan Corp. e antes dela o sr. Estanislau Ribeiro tratamse de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, quem seriam os interessados e beneficiários da existência e operação da Nutricom? O outro sócio, Sr. Alexandre Naves, declarou que sua atuação na Nutricom ocorreu sempre sob orientação dos irmãos Stein Pena. Por outro lado, os srs. Claudio e Carlos Stein Pena são detentores de condições patrimoniais e financeiras com todo o lastro para suportála através de um ativo grupo de empresas do qual são sócios e/ou administradores, além de considerável experiência no ramo de comércio atacadista de alimentos onde atuam há alguns anos. Conforme informado à RFB (Anexo XVI, fls. 004/037), os irmãos Stein Pena são, atualmente, proprietários e responsáveis formais pelas seguintes empresas: Indulac — Indústria de Produtos Lácteos Ltda., CNPJ:00.792.095/000123, à Rua Flor de Seda, 185 — Campina Verde em Contagem/MG; Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda., CNPJ:02.595.332/000191, A. Av. Barão Homem de Melo 4386, salas 301 a 309 Estoril, em Belo Horizonte/MG; Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., CNPJ:01.457.287/000146, a Av. Barão Homem de Melo 4386, sala 503 Estoril, em Belo Horizonte/ MG e Filiais (depósitos) em Uberaba, Sacramento, Uberlândia, Ibid, e Contagem; Espaço Industrial, Comercial e Distribuição Ltda., CNPJ:02.006.037/000152, a R. Gardênia, 320 — Chácaras Boa Vista em Contagem/MG; Spasso Armazéns Gerais Ltda., CNPJ:70.978.390/000154, à Rua B 305, 347 e 385 – Bairro Chácaras Boa Vista, em Contagem/MG, Espan — Comércio de Produtos Nutricionais Ltda., CNPJ:06.310.525/000100, a R. Francisco Gama, 451 — Centro em Aramina/SP; Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, à Rod. MG 190 s/n, KM 72— C,Zona Rural em Nova Ponte/MG, e Filial (depósito) em Santa Juliana/MG. É sociedade de Fabio Mundim Pena, CPF: 043.719.50663, e Fl. 7498DF CARF MF 32 Karin Stein Pena, CPF: 666.965.42604, respectivamente, pai e irmã de Cláudio e Carlos Stein Pena. Assim, a documentação e demais informações apuradas por esta Fiscalização comprovam que o grupo empresarial capitaneado pelos irmãos Stein Pena tinha evidente interesse na exploração dos negócios desenvolvidos em nome da fiscalizada. Comprovam também que essas pessoas operavam comercialmente e financeiramente, sob o nome da Nutricom, constituída, desde sua origem, em nome de terceiros de reduzida capacidade financeira. As pessoas citadas efetivamente operacionalizaram as atividades da Nutricom, detendo total poder sobre ela, uma vez que seus sócios formais não se encontravam presentes a essas atividades. Portanto, conforme ficou inequivocamente evidenciado nesta descrição dos fatos, podese concluir com clareza que a empresa Nutricom Alimentos Ltda., na realidade tem como proprietários de fato os srs. Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena, estando fortemente interligada As demais empresas de seu grupo, principalmente, Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda.; Laço Assessoria e Representações Ltda.; Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda. e Nova Ponte Serviços Gerais Ltda. Pois todos tiveram participação direta e incontestável dos atos negociais e de gerenciamento que são inerentes aos efetivos titulares das pessoas jurídicas. Negociaram e receberam valores em contas bancárias, representaram comercialmente perante clientes e fornecedores, administraram e gerenciaram os recursos logísticos, assumindo riscos financeiros em contratos de empréstimos bancários, tudo em nome da empresa Nutricom. E por fim, usufruiram os lucros desses negócios. Os irmãos Stein Pena conjugavam os negócios das diversas empresas componentes do grupo, numa comunhão de interesses e de bens dessas empresas e seus sócios para a consecução das atividades comerciais. Atividades essas que culminaram na ocorrência dos fatos geradores de tributos e demais débitos contraídos em nome da Nutricom. Mas, valendose de interpostas pessoas, e sem atender as formalidades legais de registro de contrato, por meio de simulação e fraude, pretendiam fugir às responsabilidades advindas da atividade empresarial conforme definidas em lei. Ora, existe sociedade, na definição do art. 981 do novo Código Civil Brasileiro, quando duas ou mais pessoas combinam a conjugação de seus esforços ou recursos, para obtenção de um fim comum. O prof. De Plácido e Silva, em sua obra "Vocabulário Jurídico" (10' edição, forense, vol. IV, pags 253 e 257), assim as caracteriza: (...) Verificase no presente caso, que o órgão da pessoa jurídica, ou seja, o conjunto de pessoas naturais que exprime a sua vontade, não agiu dentro das formas que preconizam as normas tributárias. Fl. 7499DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.484 33 Utilizaram pessoa jurídica diversa com o intuito de obtenção de lucros à margem da incidência tributária. A montagem de contrato social na qual terceiros se passam por sócios da empresa não altera a responsabilidade de fato pelos tributos gerados pela atividade comercial daqueles que tenham interesse econômico na situação que constituía o fato gerador e sejam propulsores e beneficiários destas atividades. O débito tributário não pode ser objeto de evasão ou redução, mediante o abuso de formas jurídicas de Direito Privado. O Direito Tributário deve levar em conta sobretudo, a realidade econômica, superando quaisquer desvios formais nocivos ao interesse público. Ha que se perquirir a relação econômica subjacente, oculta sob o manto da forma jurídica, a substância em detrimento da forma. Uma vez que os beneficiários de tal atipicidade visavam com o manejo da forma jurídica, pagar a menor ou mesmo como se viu, não pagar os tributos devidos, passaram a ter, pessoal e diretamente, vinculo com a situação que constitui o respectivo fato gerador da obrigação tributária. Portanto, aplicaselhes o mandamento contido no CTN: "Art. 124. São solidariamente obrigados: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal." Provada a utilização de interpostas pessoas para fraudar o recolhimento de tributos federais, deve a responsabilidade tributaria por tal ilícito recair sobre as pessoas físicas dos administradores e sócios de fato da pessoa jurídica fiscalizada. Desta forma, foram lavrados, em 05/05/09, os Termos de Sujeição Passiva Solidária que, acompanhados do Termo de Constatação de mesma data, sintetizou todo o apurado até o momento, dando ciência de todos os fatos aos contribuintes a seguir (Anexo XIV, fls. 038/077), nas respectivas datas: a) Carlos Otávio Stein Pena, CPF 474.292.08649, AR em 08/05/09; b) Claudio Fernando Stein Pena, CPF 542.976.48687, AR em 11/05/09; c) Indulac — Indústria de Produtos Lácteos Ltda., CNPJ:00.792.095/000123, AR em 08/05/09; d) Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda., CNPJ:02.595.332/000191, AR em 08/05/09; e) Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., CNPJ:01.457.287/000146, AR em 08/05/09; f) Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, AR em 12/05/09; Fl. 7500DF CARF MF 34 As empresas intimadas foram relacionadas como sujeitos passivos solidários por justamente, numa relação de aparência comercial, terem se beneficiado do poder de decisão e gerenciamento dos recursos de sua suposta cliente. Poder este que deixou como saldo um enorme passivo tributário a descoberto em nome da fiscalizada. VI.1 — DAS RESPOSTAS APRESENTADAS Transcorrido o prazo inicial, o mesmo foi dilatado a pedido dos intimados para que em uma nova resposta, abordassem todos os itens solicitados na intimação. Contudo, nenhum fato objetivo foi acrescentado. Os srs. Carlos Otávio e Cláudio Fernando Stein Pena, suas empresas representadas em conjunto e Fabio Mundim Pena, representante da Nova Ponte Serviços Gerais Ltda. esclareceram que a relação mantida com a Nutricom "era meramente comercial". Alegam nunca terem participado de "decisões administrativas, fiscais ou contábeis da empresa Nutricom". Portanto, não poderiam atender à solicitação de documentos e informações a respeito da fiscalizada. A titulo de comprovação, anexam cópia de nota fiscal de prestação de serviços e respectivo recebimento (Anexo XIV, fls. 078/108),. Ressaltamos que nada foi aludido, pelos intimados, referente aos sócios da Nutricom que, afirmaram em mais de uma oportunidade, jamais terem operacionalização a empresa ou a tiveram sob sua administração. Ora, com quem então seriam mantidas essas ditas relações comerciais. As empresas intimadas foram relacionadas como sujeitos passivos solidários por justamente, numa relação de aparência comercial, terem se beneficiado do poder de decisão e gerenciamento dos recursos de sua suposta cliente. Poder este que deixou como saldo um enorme passivo tributário a descoberto em nome da fiscalizada. VII — DO CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL Conforme amplamente demonstrando no presente relatório, ficou provado que a empresa Nutricom foi premeditadamente constituída de forma fraudulenta utilizandose de interposição de pessoas no quadro societário. (...) Os srs. Cláudio Fernando Stein Pena, Carlos Otávio Stein Pena e as demais empresas de seu grupo, principalmente, Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda., Laço Assessoria e Representações Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda. e Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, verdadeiros donos do negócio que se operou sob a razão social da empresa Nutricom, foram os beneficiários e controladores conscientes dos resultados alcançados. Pela análise de tudo quanto a fiscalização produziu, não me parece correta a responsabilidade imposta às pessoas jurídicas nomeadas sob o argumento de que teriam interesse comum na situação que constituía o fato gerador Fl. 7501DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.485 35 da obrigação principal. Todas as empresas foram constituídas, até prova em contrário, de acordo com a lei, sendo autônomas e independentes. Não há prova de que estas empresas tivessem interesse comum ou que se tenham beneficiado da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal de que se cuida o presente processo. O argumento de que o conjunto formaria uma sociedade de fato, por si só, não se sustenta, ainda que, com exceção da Nova Ponte Serviços Gerais Ltda., pertençam aos irmãos Stein Pena. Seria necessário comprovar a participação e o efetivo interesse comum, o que, no meu entendimento, não se evidencia nos autos. O fato de se ter realizado negócios com a Nutricom é claramente insuficiente para imputar lhes qualquer responsabilidade, posto que não constam dos autos que os seus sócios tenham exercido atividades de gerência da Nutricom, que tenham participado de qualquer operação da Nutricom ou que tenham recebido qualquer beneficio decorrentes das operações da Nutricom. Desta forma, concluo pela procedência da impugnação para que se afaste a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas acima indicadas. III.III. Da indicação de responsabilidade solidária do Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves O impugnante se contrapõe à sua indicação como responsável solidário nos tópicos II.II. Da Responsabilidade Tributária, e seus subtópicos, e III.V. Do princípio da Razoabilidade. Para deslinde deste tema, fazse também necessário a transcrição das partes do Termo de Verificação Fiscal que se reportam ao Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves. “II PROCEDIMENTOS INICIAIS DE FISCALIZAÇÃO II.1 — A EMPRESA NUTRICOM ALIMENTOS LTDA. A pessoa jurídica, NUTRICOM ALIMENTOS LTDA., encontravase Ativa com declarações entregues A RFB referentes aos anos calendário de 2001 (formulário de Inativa), 2002 e 2003 (ambos formulário do Simples). Nunca entregou DCTF e passou a omissa na entrega de DIPJ nos anos seguintes. Foi excluída do Simples em 30/06/07. Conforme contrato social e alterações obtidos na JUCEMG (Anexo XII, fls.020/044), a empresa foi constituída em 01/12/00 com o objeto de representação comercial por conta própria e de terceiros de gêneros alimentícios em geral, e sede A Rua Gabriel Capistrano, 68 — Santa Maria em Contagem/MG. Seu quadro societário inicial era composto por Alexandre Henrique Cardoso Naves (99%) e Estanislau Raimundo Ribeiro (1%), sendo que a administração e representação legal da sociedade seria exercida única e exclusivamente pelo sócio Alexandre Naves. Em Fl. 7502DF CARF MF 36 20/08/01 a sede foi transferida para a Rua Professor Otilio Macedo, 236 — Pilar em Belo Horizonte/MG. Em 12/12/01 ocorreu a 2a alteração contratual e última informada à RFB. Nela, Alexandre Naves transferiu a totalidade de suas cotas à própria empresa. Estanislau Ribeiro, com apenas 1% do capital, tornouse o administrador e responsável legal pela Nutricom. (...) A imobiliária Imop Corretora e Administradora de Imóveis Ltda. CNPJ:25.692.997/000119, administradora do imóvel A. Rua Professor Otilio Macedo, 236, foi intimada a prestar informações sobre a locação ocorrida. Apresentou o registro do imóvel em nome de Cláudio Penna de Alvarenga Leite, CPF:370.045.90763. Contrato de locação do período de 05/09/01 a 05/09/02, assinado em 30/07/01 por Alexandre Naves como representante da Nutricom e sua esposa Fabiana Cunha Cardoso Naves como testemunha. Rescisão contratual e devolução do imóvel com data de 22/01/04, assinada por Estanislau Ribeiro. Apresentou ainda Termo de Intimação do Fisco Estadual solicitando informações ao qual declara:"Inicialmente todo o contato foi feito com o sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves, único presente na negociação." ... Não conhecemos o Sr. Estanislau, que nunca esteve em nosso escritório. Posteriormente, tudo sempre foi feito através de uma secretária." (Anexo XII, fls. 089/104). Em outra ação fiscal, ficou comprovada a utilização desse mesmo imóvel, pela empresa Nutrilinea Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ:04.628.638/000122, desde sua constituição em 02/08/01 até 18/01/02. Mesma época em que também foram seus sócios Alexandre Naves e sua esposa Fabiana Naves (Anexo XIII, fls. 117/119). Ou seja, nesse período ambas as empresas estariam funcionando no mesmo endereço. (...) Verificamos também que a Nutricom havia locado uma sala em endereço não informado à RFB,nem à Junta Comercial. (...) Outros documentos foram anexados ao cadastro da Nutricom junto à imobiliária: Certidão de Casamento de Saturnino e Rosana Pinheiro; Declaração de Rendimentos pagos pela Nutrilinea a Alexandre Naves, elaborada pelo contador Wainer Teófilo Alves e cópia das carteiras de identidade de Alexandre Naves, de Lúcia Helena Mundinho Pena com a anotação "esposa de Carlos Otávio Stein Pena" e de Neila Pinheiro Stein Pena com a anotação "esposa de Cláudio Fernando Stein Pena" A própria notificação de devolução da sala 705 da Nutricom e das salas 401 e 402 da Nutrilinea, foi assinada por Lessandra. 0 contrato de locação foi desfeito em 10/02/04 (Anexo XII, fls. 111/157). Fl. 7503DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.486 37 A sra. Lessandra Santos Souza, CPF:037.477.17667, sob intimação, declarou a esta Fiscalização que desde 1996 trabalha no mesmo grupo de empresas, as quais são administradas pelos irmãos Carlos e Claudio Stein Pena. Afirmou que o único sócio das empresas Nutrilinea e Nutricom que conheceu foi o Sr. Alexandre Naves O Sr. Fernando Ferreira Marçal, CPF:130.141.37634, declarou a esta Fiscalização que trabalha como corretor de negócios em geral. (...) Declara ainda que "Assinei os contratos de locação das empresas Nutrilinea e Nutricom por solicitação de meu amigo dr. Saturnino, o qual solicitou de mim tal favor por amizade dele com o Sr. Alexandre a quem não conheço tanto" (Anexo XII, fls.162/164). Em resposta a intimação enviada, compareceu o sr. Saturnino Pinheiro Neto, CPF:477.009.39691, quando foram tomadas as seguintes declarações: O sr. Saturnino Pinheiro prestou serviço a Laço Assessoria e outras empresas dos irmãos Carlos e Claudio Stein Pena. Os três, juntamente com sr. Alexandre Naves, são antigos conhecidos e naturais de Monte Carmelo/MG. Não conheceu o Sr. Estanislau Ribeiro pessoalmente. Quem lidava com a Laço em nome da Nutricom era o sr. Alexandre. Confirma que assinou como fiador do contrato de locação em decorrência de sua amizade, desde a infância, com o sócio sr. Alexandre. Em declaração posterior, informou que Fernando Ferreira Marçal trabalhava como corretor de grãos para a Laço Assessoria, e que Adilson Antonio Bragança ainda trabalha na área comercial do grupo Spasso (Anexo XII, fls. 165/169). A sra. Rosana Machado Pinheiro e Silva, CPF:554.306.35634, esposa de Saturnino Pinheiro,também sob intimação, declarou que trabalhou na Spasso Empreendimentos entre 1999 e 2007 e também prestou serviços as outras empresas do grupo. Confirmou que o sr Alexandre Naves e os irmãos Stein Pena são antigos conhecidos de Monte Carmelo/MG e que Claudio Stein Pena é casado com a irmã de seu marido, Saturnino Pinheiro. Disse não se lembrar das empresas Nutrilinea, Nutricom, nem do sr. Estanislau Ribeiro. E afirmou que o sr Alexandre freqüentava assiduamente o escritório da Spasso A. Av. Barão Homem de Melo. Esclareceu que assinou o contrato de locação, como fiadora, em decorrência de sua amizade com o sr. Alexandre Naves. Afirmou ainda que Adilson Antonio Bragança trabalhava e ainda trabalha no grupo Spasso (Anexo XII, fls. 170/173). Com relação aos documentos apresentados há que ser considerar que os fiadores do sr. Estanislau confirmam que não o conheceram. Saturnino Pinheiro, sua esposa Rosana Pinheiro e Fernando Marçal foram empregados nas empresas do irmãos Stein Pena. E esses, por sua vez são conhecidos antigos e conterrâneos de Alexandre Naves. Tudo isso consta de declarações firmadas pelas próprias pessoas nominadas. Outro fato importante é a existência de documentos das esposas dos irmãos Stein Pena e de Alexandre Naves no cadastro de locação Fl. 7504DF CARF MF 38 da Nutricom, já que formalmente não faziam parte empresa. Esses fatos por si só bastam para comprovar que a administração do escritório clandestino da Nutricom era feita pelo escritório da Laço Assessoria que, alias, funcionava no mesmo prédio. Em pesquisa ao Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS, encontramos Karla Aparecida Silva, CPF:059.118.796 54, como única empregada registrada da Nutricom. Intimada, a sra. Karla Silva, confirmou ter trabalhado na Nutricom como faturista, no período de 01/02/03 a 03/09/03. Declarou ter sido contratada pelo sr. Alexandre Naves, responsável pela empresa. (...) Nesse ponto também podemos constatar a permanência de Alexandre Naves nos negócios da Nutricom, em detrimento de Estanislau Ribeiro, cuja única participação talvez fosse a aposição de sua assinatura em documentos da empresa. A transferência da participação do sr. Alexandre Naves a. própria Nutricom (em 12/12/01), tornase ainda mais intrigante pois, a empresa, imediatamente após (em 13/12/01), aumentou seu capital social em R$570.000,00 integralizados em dinheiro. Tal capacidade financeira demonstra tratarse de uma empresa bastante rentável, cujas cotas haveriam de ser, consequentemente, de grande valor numa venda. No entanto, tal fato foi totalmente desacreditado pelo sr. Alexandre Naves em seu depoimento, no qual inclusive, lança suspeitas sobre a origem do dinheiro utilizado na integralização II.2 OS SOCIOS Estanislau Raimundo Ribeiro: RG M 1.744.979 SSP/MG, CPF:246.933.67672, é domiciliado A. Av. Pedroso de Moraes, 631 ap. 96 — Pinheiro em São Paulo/SP. Tal endereço é um local comercial onde, o sr. Estanislau Ribeiro não pode ser encontrado e nem mesmo é conhecido pelo sindico do edificio. Omisso na entrega das DIRPF desde 2005, encontra se com CPF Suspenso e não apresenta movimentação financeira nos últimos cinco anos (Anexo XIII, fls.002/028). Alexandre Henrique Cardoso Naves: CREA/MG 42.1951D, CPF:467.479.406 44, é domiciliado Rua Coronel Antônio Garcia de Paiva, 77 Bloco D apto. 502 —Sao Bento em Belo Horizonte/MG. Foi incluído como sócio da Naves Engenharia Ltda., CNPJ:22.577.258/000198, em 02/12/04, de quem recebe rendimentos e dividendos desde 2005. A empresa é sediada no mesmo endereço residencial. Recebeu também rendimentos da empresa Vértice Automação e Informática Ltda., CNPJ:71.166.474/000156 em 2001 e da Demais Alimentos Ltda., CNPJ:05.840.572/000100, em 2004 e 2005. A Vértice Automação entrega declaração como Inativa desde 2004. Da Demais Alimentos foi sócio, juntamente com sua esposa Fabiana Cunha Cardoso, desde a constituição, em 18/07/93 até 08/04/05. Ocasal, conforme já mencionado, também foi sócio da empresa Nutrilinea Produtos Alimentícios desde sua constituição em 20/08/01 até 29/08/02 (Anexo XIII, fls. 085/121). Fl. 7505DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.487 39 Em outro processo de fiscalização, foram tomadas declarações do Sr. Alexandre Naves. Repassando essas declarações concatenamos que, o sr. Alexandre que já era proprietário da Demais Alimentos desde ju1/93 e dedicavase ao comércio de café, constituiu a Nutricom em dez/00 "para comercializar derivados de leite em pó" e logo após a Nutrilinea em ago/01 "com o objetivo de produzir tomates secos". Retirouse da Nutricom em dez/01 deixando suas cotas em nome da própria empresa. Nesse período, a Nutricom apresentou movimentação financeira em torno de R$3.700.000,00. Não tendo dado certo o negócio com a Nutrilinea, vendeua a terceiros desconhecidos, com a intermediação do contador Wainer Teófilo, em ago/02, ano em que a Nutrilinea movimentou R$41.000.000,00. Retirou se da Demais Alimentos, em abr/05, para dedicarse à engenharia (Anexo XIII, fls. 126/132). Indagase qual o objetivo de já possuindo uma empresa em funcionamento, constituir outras de atividades congêneres. Quais vantagens adviriam que justificasse os custos e o trabalho de abrir e manter empresas semelhantes funcionando simultaneamente. Mas, principalmente, o Sr. Alexandre justifica sua saída das empresas Nutricom e Nutrilinea ao insucesso dos negócios. Contudo, a movimentação financeira apresentada no mesmo período de sua saída indica o oposto. O sr. Alexandre Naves informou ainda que durante algum tempo, após sua retirada das empresas,"as vezes uma funcionária da Lap Assessoria e Representação de nome Alessandra me pedia para assinar documentos da Nutrilinea/Nutricom". Chamado a esclarecer as informações apuradas até o momento, o Sr. Alexandre Naves confirmou as declarações já citadas em outro processo de fiscalização, autorizando que as mesmas fossem anexadas á declaração atual e acrescentou, em resumo, que (Anexo XIII, fls. 122/125): Constituiu a empresa Nutricom a pedido e sob orientações dos proprietários da IndulacIndústria de Produtos Lácteos Ltda., no caso Carlos e Claudio Stein Pena. Para tal, receberia uma comissão sobre os negócios efetuados em nome da Nutricom. Nunca foi o beneficiário dos lucros auferidos pela empresa; O sr. Estanislau Ribeiro foilhe apresentado pelo contador Wainer Teófilo apenas para compor o quadro societário da Nutricom. Também por orientação dos irmãos Stein Pena, Wainer Teófilo ficou responsável pela documentação e contabilidade da empresa, bem como era ele quem providenciava a assinatura do sr. Estanislau Ribeiro quando necessária; As compras e vendas de mercadorias em nome da Nutricom eram realizadas pelas empresas dos irmãos Stein Pena. As compras eram, principalmente, através da Indulac; Fl. 7506DF CARF MF 40 As transações financeiras, tanto pagamentos quanto recebimentos não eram feitos na Nutricom e nem com a sua participação. O contador Wainer Teófilo Alves (Anexo XIII, fls. 132/152), CPF:683.955.406 63 CRC/MG 059.473, foi testemunha na constituição e em várias alterações contratuais da Nutricom e da Nutrilinea, juntamente com a empregada de seu escritório de contabilidade sra. Loide Dias França de Oliveira, CPF:709.301.47667. Conforme declarações do sr. Estanislau Ribeiro, foi também o responsável pela sua apresentação ao sr. Alexandre Naves. O Sr. Wainer Teófilo não pode ser encontrado para contribuir no esclarecimento dos fatos. Entretanto, consta de relatórios fiscais da SEF/MG que o referido contador é responsável pela constituição de diversas empresas na Regido Metropolitana de Belo Horizonte com o fim de obter AIDF's e utilizar estes documentos fiscais para esquentar e vender créditos de ICMS a outros contribuintes (Memo/DF/BH 1/302/2005 de 11/08/2005). Segundo verificações junto a SEF/MG, o contador é responsável pela escrita fiscal de 36 empresas, com a inscrição já cancelada pelo fisco estadual.É também responsável por movimentação financeira bastante superior aos rendimentos declarados. Askanv Corp. Financial & Trading S/A: empresa estrangeira uruguaia, domiciliada A. Calle Constinuacion Echevarriarza, 3535, Torre B apto 1205 em Montevidéu. Encontrase cadastrada junto RFB sob o CNPJ:05.386.142/0001 52, e representada pela procuradora Sônia Maria Campos Rios, CPF:312.617.28653. Anteriormente era representada por Hélvio Alves Pereira, CPF:143.714.64653 (Anexo XIII, fls. 152/156). (...) Conforme demonstrado, com os eventos de transferência da empresa Nutricom, de Alexandre Naves para Estanislau Ribeiro e deste para Askany Corp. pretendeuse na verdade a transferência da responsabilidade pelas dividas existentes e das que inevitavelmente seriam constituídas. A principio, dado que a empresa Askany Corp. não revela possuir atividade operacional e, muito menos, capacidade patrimonial para suportar as dividas da Nutricom, isso tornaria improfícuo qualquer esforço de cobrança de créditos tributários levantados. III — DA NULIDADE DAS ALTERAÇÕES CONTRATUAIS E EXCLUSÃO DO SIMPLES (...) Assim, temos que as alterações na constituição do quadro societário da Nutricom nunca retrataram a realidade dos fatos e intenções envolvidos. Restou apenas a confirmação do Sr. Alexandre Naves que a empresa foi constituída por ele e que funcionou inicialmente A Rua Gabriel Capistrano, 68Santa Maria em Contagem/MG e posteriormente, com a P alteração contratual, A Rua Professor Otilio Macedo, 236 — Pilar em Belo Horizonte/MG. Fl. 7507DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.488 41 Desse modo, coube a esta Fiscalização dar inicio a procedimento administrativo para anular os efeitos, no cadastro CNPJ da RFB, das alterações contratuais registradas na Junta Comercial em nome da Nutricom. Admitindose apenas a constituição e a 1ª alteração contratual, por serem os únicos documentos a manterem alguma expressão da verdade dos fatos e corroborados pelas declarações dos envolvidos. Sendo descartadas as transferências de cotas ocorridas do Sr. Alexandre Naves para a própria empresa (2ª Alteração Contratual), desta para o sr. Estanislau Ribeiro (5ª Alteração Contratual) e posteriormente para Askany Corp., bem como a mudança de endereço da sede para São Paulo (6ª Alteração Contratual). Com base na INRFB no 748/07, arts. 27 e 30, inciso II, tal fato foi representado a DRF/BHE/Seort/Eqcad através do processo n°15504.007218/200938, para correção do cadastro CNPJ mantendo o sr. Alexandre Naves como único sócio da empresa Nutricom Alimentos Ltda. e por não ser localizada em nenhum dos endereços declarados à RFB, eleger de oficio como domicilio fiscal da empresa, o de seu sócio à Rua Coronel Antônio Garcia de Paiva, 77 Bloco D apto. 502 —Sao Bento em Belo Horizonte/MG (Anexo XIII, fls. 185/190). Com as alterações promovidas no cadastro CNPJ da Nutricom, todo o ocorrido, desde o inicio desta fiscalização, foi descrito no Termo de Constatação de 05/05/09, para que sob intimação, o sr. Alexandre Naves se pronunciasse a respeito. No mesmo ato, foi solicitada a retificação das declarações de rendimentos, limitadas aos montantes de receita declarados nas DSPJ entregues, agora sob as normas de tributação aplicáveis à empresa, indicando de forma expressa a opção feita, bem como a apresentar a escrituração contábil elaborada de acordo com as Leis Comerciais e Fiscais. Cientificado via postal em 08/05/09, o sr. Alexandre Naves não apresentou contrarazões ou novos fatos, nem respondeu os demais itens solicitados (Anexo XIV, fls. 056/077). IV CIRCULARIZAÇÃO DE FORNECEDORES E CLIENTES Foram solicitadas informações sobre as transações comerciais e especificamente, sobre o local de entrega ou recebimento; forma de pagamento e a identificação do responsável pela Nutricom durante as negociações. A seguir relacionamos resumidamente as respostas recebidas: (...) O endereço da empresa, conforme bem constatado em 2004 pelo fisco mineiro e por esta Fiscalização, não comportava comercialização de toda a mercadoria vendida. Assim, era utilizado meramente como domicilio tributário para a impressão e emissão de notas fiscais, o que foi corroborado pelas declarações da faturista sra. Karla Silva e do sócio sr. Alexandre Naves. Fl. 7508DF CARF MF 42 V.1 — DA ANÁLISE DO EXTRATO BANCÁRIO Em 05/05/09, lavramos o Termo de Intimação Fiscal com vistas à comprovação através de documentação hábil e idônea, coincidente em valores e datas, da origem dos valores constantes da referida planilha creditados/depositados nas contas bancárias citadas neste relatório. Em 08/05/09 foi dada ciência por via postal, do referido Termo, ao Sr. Alexandre Naves na qualidade de sócio administrador e responsável perante a RFB pela fiscalizada (Anexo XIV, fls.056/077). (...) Transcorrido o prazo para atendimento, não houve manifestação objetiva por parte do contribuinte regularmente intimado. (...) Em 20/05/09, de acordo com o disposto no art. 7° do Decreto n° 3.724/01, e art. 9° da Portaria RFB n° 180/01, procedemos a destruição das informações contidas em meio magnético, recebidas em decorrência das Requisições de Movimentação Financeira expedidas. Foi dada ciência por via postal, do referido Termo de Destruição, ao Sr. Alexandre Naves na qualidade de sócio administrador e responsável perante a RFB pela fiscalizada (Anexo XIV, fls. 002/003). VI OS RESPONSÁVEIS PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Diante das declarações colhidas durante este trabalho, depreendese que ninguém conheceu Estanislau Ribeiro como sócio da empresa Nutricom, nem tiveram conhecimento de qualquer envolvimento ou participação dele nas atividades comerciais, administrativas ou financeiras da empresa. O próprio Estanislau Ribeiro afirmou desconhecer que houvesse participado ou assinado qualquer documento de alteração contratual e até mesmo o ato constitutivo da Nutricom. Declarou também que jamais abriu ou movimentou contas bancárias ou assinou cheques em seu nome ou da empresa. Por outro lado, o Sr. Alexandre Naves confirma a constituição da Nutricom e afirma ter sido responsável por sua administração até dez/01, data de sua saída formal do quadro societário da empresa. Entretanto, em várias declarações e documentos colhidos, o sr. Alexandre Naves é apontado como proprietário e administrador da Nutricom, mesmo após essa data. Em sua declaração a esta Fiscalização, o sr Alexandre Naves confessa ter atuado como, o que caracterizamos, sendo "testa de ferro" de Carlos e Claudio Stein Pena. Relembrando, o Sr. Alexandre Naves declarou que constituiu a empresa Nutricom a pedido e sob orientações dos proprietários da Indulac e para tal, receberia uma comissão sobre os negócios efetuados. Nunca foi o beneficiário dos lucros auferidos pela empresa. Que as atividades comerciais eram realizadas pelas empresas dos irmãos Stein Pena. E as transações financeiras não eram feitas na Nutricom e nem com a sua participação. (...) Fl. 7509DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.489 43 Evidenciado que os sócios Askan Corp. e antes dela o sr. Estanislau Ribeiro tratamse de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, quem seriam os interessados e beneficiários da existência e operação da Nutricom? O outro sócio, Sr. Alexandre Naves, declarou que sua atuação na Nutricom ocorreu sempre sob orientação dos irmãos Stein Pena. 0 fato é que, comprovadamente, Carlos e Claudio Stein Pena foram responsáveis pelas compras, armazenagem e vendas realizadas em nome da Nutricom, atuando de forma decisiva no funcionamento da empresa. Ficou demonstrado que o envolvimento de Claudio e Carlos Stein Pena extrapolava a esfera comercial. Envolvia também atividades de gestão administrativa como se verificou, por exemplo, com a locação de imóveis, como também suporte financeiro, já que os mesmos constam como garantidores (avalistas ou fiadores) de todas as operações de crédito encontradas junto aos bancos nos quais a Nutricom possuía conta corrente. Releva aduzir que as declarações de bens e rendimentos do sr. Alexandre Naves demonstram que seu patrimônio bem como sua movimentação financeira não refletem a enorme movimentação da empresa no biênio fiscalizado, indicando ter sido ele realmente um mero 'testa de ferro' para em conjunto com os sócios de direito que lhe sucederam na empresa, pessoas interpostas, dar aparência legal ao negócio. O exame das peças produzidas pela fiscalização, ao meu ver, não se revelam suficientes para que se mantenha a indicação do Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves como responsável solidário. Não há prova do interesse comum do impugnante ou que se tenha beneficiado da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal de que se cuida o presente processo. Há de se observar que no último parágrafo, a fiscalização enumera fatos que demonstram a improcedência da indicação, inclusive registrando textualmente: indicando ter sido ele realmente um mero 'testa de ferro' para em conjunto com os sócios de direito que lhe sucederam na empresa, pessoas interpostas, dar aparência legal ao negócio. Ora, se o papel do Sr. Alexandre era para dar aparência legal ao negócio, se o seu patrimônio não tem origem nos negócios da empresa e se os Srs. Carlos e Cláudio Stein Pena eram os verdadeiros donos e gestores, não há razão plausível para que figure como responsável solidário. Enfim, ainda que o impugnante apresente alguns argumentos e interpretações inadequados, destacandose a alegada ofensa ao Princípio da Razoabilidade (tópico III.V), que não se materializa nos autos, concluo pelo Fl. 7510DF CARF MF 44 afastamento da indicação da responsabilidade solidária do Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por REJEITAR a preliminar e no mérito: DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar a responsabilidade tributária imputada com base no artigo 124, inciso I do CTN aos Recorrentes Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena. NEGAR PROVIMENTO aos demais pontos do Recurso Voluntário NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Peço vênia para divergir do voto do relator relativo ao Recurso Voluntário, em relação à atribuição de responsabilidade aos sócios Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena. Os fundamentos para isso são trazidos pelo próprio relator, quando reconhece que: "A leitura deste dispositivo, leva o intérprete à conclusão de que o "interesse comum" está atrelado ao fato gerador da obrigação tributária. Assim, para ser responsável solidária pelos créditos tributários, a pessoa (seja ela física ou jurídica) tem que ter tido participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. Ou seja, a expressão "interesse comum" se dirige às pessoas que, de alguma forma, participaram do fato (critério material) descrito no antecedente da regra matriz. (...) No presente caso, todas as provas produzidas nos autos são no sentido de que os Recorrentes participavam da sociedade (mesmo que de forma oculta) e que tinham gerência sobre os negócios praticados, ou seja, que eram sócios de fato da sociedade. (...) Este fato, somado com as demais comprovações da fiscalização nos autos, não levam à outra conclusão, senão a de que os Recorrentes eram sócios de fato da sociedade, e contribuíram, de alguma forma, para o nascimento da obrigação tributária, ao arrepio da legislação." Fl. 7511DF CARF MF Processo nº 15504.009473/200915 Acórdão n.º 1302002.914 S1C3T2 Fl. 7.490 45 O ponto de divergência se instala, apenas, em relação ao que configuraria o interesse comum, para fim de incidência da solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do CTN. In verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;" O relator adota posição mais restritiva, conforme transcrição doutrinária constante de seu voto, razão pela qual entendeu não comprovado, no caso, o interesse comum dos srs. Carlos e Cláudio Stein Pena de modo a aplicar a referida norma. Contudo, os elementos de prova reunidos nos autos atestam que: (i) a Recorrente foi constituída em nome de terceiros, por determinação dos srs. Carlos e Cláudio Stein Pena; (ii) as compras e vendas de mercadorias em nome da Recorrente eram realizadas pelas empresas dos irmãos Stein Pena, a exemplo da Indulac, Nova Ponte e Spasso; (iii) as transações financeiras, tanto pagamentos quanto recebimentos, da Recorrente eram realizadas por meio das citadas pessoas jurídicas e com a participação dos irmãos Stein Pena, que figuraram também como avalistas e responsáveis perante instituições financeiras. Como conclui a autoridade fiscal: "O fato é que, comprovadamente, Carlos e Claudio Stein Pena foram responsáveis pelas compras, armazenagem e vendas realizadas em nome da Nutricom, atuando de forma decisiva no funcionamento da empresa. Ficou demonstrado que o envolvimento de Claudio e Carlos Stein Pena extrapolava a esfera comercial. Envolvia também atividades de gestão administrativa como se verificou, por exemplo, com a locação de imóveis, como também suporte financeiro, já que os mesmos constam como garantidores (avalistas ou fiadores) de todas as operações de crédito encontradas junto aos bancos nos quais a Nutricom possuía conta corrente (...) Portanto, conforme ficou inequivocamente evidenciado nesta descrição dos fatos, podese concluir com clareza que a empresa Nutricom Alimentos Ltda., na realidade tem como proprietários de fato os srs. Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena, estando fortemente interligada As demais empresas de seu grupo, principalmente, Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda.; Laço Assessoria e Representações Ltda.; Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda. e Nova Ponte Serviços Gerais Ltda. Pois todos tiveram participação direta e incontestável dos atos negociais e de gerenciamento que são inerentes aos efetivos titulares das pessoas jurídicas. Negociaram e receberam valores em contas bancárias, representaram comercialmente perante Fl. 7512DF CARF MF 46 clientes e fornecedores, administraram e gerenciaram os recursos logísticos, assumindo riscos financeiros em contratos de empréstimos bancários, tudo em nome da empresa Nutricom. E por fim, usufruiram os lucros desses negócios. Os irmãos Stein Pena conjugavam os negócios das diversas empresas componentes do grupo, numa comunhão de interesses e de bens dessas empresas e seus sócios para a consecução das atividades comerciais. Atividades essas que culminaram na ocorrência dos fatos geradores de tributos e demais débitos contraídos em nome da Nutricom. Mas, valendose de interpostas pessoas, e sem atender As formalidades legais de registro de contrato, por meio de simulação e fraude, pretendiam fugir As responsabilidades advindas da atividade empresarial conforme definidas em lei." Toda a descrição, portanto, no meu entendimento, faz incidir a responsabilidade solidária de que trata o art. 124, inciso I, do CTN, uma vez que comprovado que os srs. Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena, não apenas eram sócios de fato da Nutricom, mas tiveram interesse e participaram ativamente das situações que configuraram os fatos geradores que ensejaram o lançamento tributário sob análise. Deste modo, neste ponto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a responsabilidade solidária das referidas pessoas físicas. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 7513DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.001150/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS.
A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais emitidas e escrituradas pelo contribuinte e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal em declaração simplificadora, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS. A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais emitidas e escrituradas pelo contribuinte e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal em declaração simplificadora, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 11 50 /2 01 0- 10 Fl. 532DF CARF MF 2 Eva Maria Los Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 123/154) que exigem tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, referentes ao anocalendário de 2006, em razão da apuração de omissão de receitas. De acordo com o descritivo da infração: [...] O contribuinte, prestador de serviços, é tributado pelo SIMPLES no ano de 2006. Apuramos a receita de serviços do respectivo ano, com base nas notas fiscais emitidas pelo mesmo. A diferença entre a receita apurada e receita declarada pelo contribuinte representa a base de cálculo do lançamento efetuado por meio deste auto de infração. A empresa apresentou defesa tempestiva (fls. 166/170). Alega, em resumo, que: a) No início a fiscalização estava autorizada apenas a fiscalizar o ano calendário 2007, conforme expressa o MPF inicial; b) Não há o que discutir sobre a apuração levantada no anocalendário de 2006. O Auto de Infração, portanto, é nulo, uma vez que não foi notificada a Empresa em acerca da mudança do período fiscalizado; c) Fiscalizar período ou tributo não designado ou não autorizado pelos seus superiores, mediante o MPF Mandado de Procedimento Fiscal, configura abuso do poder e desrespeito ao Artigo 145 da Constituição Federal de 1988. Em Sessão de 05 de Agosto de 2015, a 8a Turma de Julgamento da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou a defesa integralmente improcedente por meio de Acórdão de fls. 514/517, que restou assim ementado: Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13502.001150/201010 Acórdão n.º 1201002.324 S1C2T1 Fl. 3 3 NULIDADE DO LANÇAMENTO. FISCALIZAÇÃO DE PERÍODO NÃO INCLUÍDO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, sem preterição do direito de defesa do contribuinte, e com observância das regras previstas na Portaria RFB nº 11.371/2007. Em face dessa decisão o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 524/526), por meio do qual reitera os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. A impugnação e o recurso voluntário não fazem qualquer menção a argumentos de mérito contrários à caracterização de omissão de receita apurada com base nas notas fiscais emitidas e escrituradas pelo próprio contribuinte. A única alegação invocada diz respeito à nulidade da autuação em razão da fiscalização supostamente ter auditado período não contemplado em Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Razão, porém, não lhe assiste. Conforme registrou a decisão de piso: Fl. 534DF CARF MF 4 Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13502.001150/201010 Acórdão n.º 1201002.324 S1C2T1 Fl. 4 5 Como se nota, e ao contrário do quanto afirma a Recorrente, o anocalendário de 2006 foi objeto da fiscalização amparado por meio de MPF próprio. Ademais, convém ressaltar que, do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, conforme prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito. Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Fl. 536DF CARF MF 6 Como determinado nesse dispositivo legal, os lançamentos têm como motivação a caracterização de omissão de receita na sistemática de tributação do Simples, caracterizada pela diferença entre a receita bruta identificada a partir das notas fiscais e aquela informada ao fisco federal em declaração simplificada. Ora, a divergência entre o valor da receita bruta apurada com base nas notas fiscais constitui fonte direta de omissão de receitas, não havendo qualquer vício no procedimento ou caminho percorrido pela fiscalização. Nesse contexto, e considerando que o contribuinte não apresentou nenhum documento ou comentário tendente a justificar as divergências apuradas, correto o lançamento de ofício dos tributos que deixaram de ser pagos sobre as receitas omitidas com os acréscimos legais. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 537DF CARF MF
score : 1.0
