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Numero do processo: 10983.901702/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 17 02 /2 00 9- 96 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10983.901702/200996 Acórdão n.º 1402002.927 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2003, anocalendário de 2002, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10983.901702/200996 Acórdão n.º 1402002.927 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10983.901702/200996 Acórdão n.º 1402002.927 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10983.901702/200996 Acórdão n.º 1402002.927 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001443/2011-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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O CARF não é competente para julgar a constitucionalidade normas legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 14 43 /2 01 1- 33 Fl. 160DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0127.497, da 2ª Turma da DRJ/BEL, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, e dela tomo conhecimento. A questão em foco pautase no reconhecimento, ou não, da possibilidade de ingresso na sistemática de tributação em apreço em razão do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 12,uma vez que a situação da interessada junto ao Portal do Simples Nacional na internet é de que existiam situações impeditivas, assim descritas: “ Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa Fundamentação legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V.” Lista de Débitos 1)Débito: 394801245 2)Débito: 394801253 Por oportuno, reproduzimos abaixo o diploma legal ao norte mencionado: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Grifei) [...........................................................]” Ora, conforme fls. 12, a empresa foi impedida de ingressar no Simples Nacional em decorrência de débitos de natureza previdenciária cuja exigibilidade não estava suspensa, como ao norte se discrimina. Ocorre que, conforme despacho de fl. 124, que abaixo se reproduz, assim se manifesta a Delegacia de origem: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10280.001443/201133 Acórdão n.º 1001000.272 S1C0T1 Fl. 3 3 “O contribuinte alega que os débitos que geraram o Termo de Indeferimento, estão pagos, conforme comprovantes às fls. 13/19. Entretanto, conforme consulta aos sistemas da previdência, OS débitos encontramse em cobrança pela PGFN (fls. 121/122).” O artigo 7º da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) nº 04, de 30 de maio de 2007, com a redação vigente à época dos fatos ora discutidos assim dispunha: Resolução nº 04/2007 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009)” (...) Desta forma, ficou demonstrado que a empresa está impedida de ingressar no Simples Nacional em virtude de não haver solucionado tempestivamente as pendências que a impediram de ingressar nessa Sistemática. Resta proferir o voto para julgar a manifestação de inconformidade improcedente. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A Recorrente alega a inconstitucionalidade da LC 123/2006, arti 17, inciso V (acima transcrito) por ofensa à Constituição Federal. A este respeito, releva ressaltar, que este Egrégio CARF não tem competência para julgar a constitucionalidade de norma legal. O assunto, inclusive, já foi objeto de súmula, a de número 2, conforme a seguir: Fl. 162DF CARF MF 4 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Adicionalmente, alega: A própria recorrente, em seu recurso, admite o recolhimento do débito em atraso (07/03/2012),, após o término do prazo legal (31/01/2011), conforme bem explicitado no Acórdão da DRJ. Portanto, não assiste razão à recorrente. Recurso Voluntário negado, sem crédito em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.002577/2008-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 25 77 /2 00 8- 08 Fl. 109DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. Considerase não impugnada a matéria com a qual o contribuinte concorda ou que não tenha sido expressamente contestada. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação por documentos hábeis é de se manter a glosa das despesas médicas declaradas, sobretudo quando houver necessidade de elementos adicionais para a formação da convicção de sua ocorrência, além dos recibos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do acórdão de impugnação destacamos as seguintes passagens: Tendo sido apresentados nesta fase de julgamento, os recibos relativos aos profissionais Vivian Gomes Vigneron, fisioterapeuta, no valor de R$ 4.000,00, Ayres Barbosa, cirurgião dentista, no valor de R$ 16.980,00, e Ana Maria de S H Carvalho, fisioterapeuta, no valor de R$ 10.000,00, não foram suficientes para formação da convicção do julgador sobre a regularidade da dedução pleiteada, pelo que retornaram os autos em diligência fiscal, à vista do fato de serem os valores das despesas médicas informadas exageradas em relação aos rendimentos declarados e os recibos serem únicos, por seu total, levandose em conta ainda o disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, o qual determina que “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, onde se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10725.002577/200808 Acórdão n.º 2001000.154 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 111DF CARF MF 4 Voto Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10725.002577/200808 Acórdão n.º 2001000.154 S2C0T1 Fl. 4 5 Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos não comprovam despesas médicas. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Fl. 113DF CARF MF 6 Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10725.002577/200808 Acórdão n.º 2001000.154 S2C0T1 Fl. 5 7 “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 115DF CARF MF 8 Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010284/2006-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO .
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fernanda Melo Leal, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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Numero do processo: 10855.900002/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Deve-se manter o Despacho Decisório recorrido e mantido na primeira instância administrativa, quando não se apresenta elemento de prova ou de direito capaz de modificá-lo, mesmo após procedimento de diligência desencadeado por este colegiado.
Numero da decisão: 1402-002.924
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que votou por dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Deve-se manter o Despacho Decisório recorrido e mantido na primeira instância administrativa, quando não se apresenta elemento de prova ou de direito capaz de modificá-lo, mesmo após procedimento de diligência desencadeado por este colegiado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Devese manter o Despacho Decisório recorrido e mantido na primeira instância administrativa, quando não se apresenta elemento de prova ou de direito capaz de modificálo, mesmo após procedimento de diligência desencadeado por este colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 02 /2 00 9- 40 Fl. 306DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 307 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Preliminarmente, ressaltase que o presente processo está retornando de uma diligência suscitada pelo presente colegiado, ao qual o relator de então não mais integra a presente turma. Do Despacho Decisório: O presente processo tem por objeto pedidos de compensações transmitidos entre os anos de 2004 e 2005, referente a um crédito de R$ 112.765,70 (valor original) de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999, que não foram reconhecidos na sua integralidade, conforme despacho decisório a efl. 07. Na análise do despacho decisório nº 815454866, emitido em 09/01/2009 (efls. 08 e 09), não foram homologadas as compensações, tendo em vista que o crédito pleiteado pela recorrente era Imposto de Renda Retido na Fonte código 6800 já havia sido integralmente compensado sem processo, na contabilidade, com débito da recorrente referente ao código 3426, cujo período de apuração é a 1ª semana de junho/2001. Cabe ressaltar que quando da emissão do despacho decisório, a recorrente tinha a razão social de SCHINCARIOL PARTICIPACOES E REPRESENTACOES S.A.. Da manifestação de inconformidade: Inconformada com o teor do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Cientificada do referido Despacho em 20/01/2009 (fl. 10), apresentou a interessada, em 17/02/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 11/20, juntamente com os documentos de fl. 21/80, por meio da qual alega, em síntese, que: . A autoridade fiscal indeferiu o pedido de compensação tendo em vista que a interessada teria utilizado crédito referente ao IRPJ anobase 1999 para compensar outros débitos que não os escritos nas PER/DCOMP objeto dos autos; Fl. 308DF CARF MF 4 . O débito que a autoridade fiscal faz referência seria o decorrente do Imposto de Renda Retido na Fonte, devido no 2º trimestre/2001, declarado em DIPJ, no valor de R$ 154.295,55; . Tal entendimento é equivocado, pois a requerente utilizou se de crédito decorrente de saldo credor do IRRF incidentes sobre aplicações financeiras dos anoscalendário 1993, 1995 e 1996 e IRPJ incidente sobre o lucro do anocalendário 1995 para compensar o referido débito; . Deste modo, infundado o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o crédito objeto da compensação teria sido utilizado anteriormente; . Discorre sobre a sistemática de compensação por ela utilizada nos PER/DCOMP objeto dos autos; . Afirma que a sistemática de compensação correspondeu a indicação do crédito global do IRPJ/exercício 2000, ou seja, a quantia de R$ 112.765,70, ocorrendo a dedução do débito sobre o montante do crédito atualizado; . Verificase que a interessada não infringiu os artigos 6º e 75 da Lei 9.430/1996 e 5º da IN SRF 600/2005, constantes do enquadramento do indeferimento do pedido de compensação, quando utilizou parcela do crédito do tributo (IRPJ/Exercício 2000) para compensar débito; . Assim, o indeferimento do pedido de compensação não se sustenta. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão recorrida é a seguinte: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Devese manter o Despacho Decisório recorrido, quando não se apresenta elemento de prova ou de direito capaz de modificálo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: Não foram juntados aos autos pela interessada, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, momento propício para contraditar, cópias de livros e documentos de sua escrituração fiscal/contábil que demonstrassem a Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 308 5 existência dos créditos por ela alegados e, ainda, que os mesmos foram de fato utilizados na compensação do débito de IRRF cód. receita 3426 período de apuração 1ª sem. junho/2001. Esclareçase que não é suficiente à prova pretendida a simples apresentação de cópias das DIPJ 1993 (fl. 39), DIPJ 1996 (fl. 40) e DIPJ 1997 (fl. 41). Salientese, por oportuno, que consta na DCTF ND 00001.002.001/50696746 relativa ao 2º trimestre / 2001 entregue pela própria interessada em 15/08/2001 (fl. 87/89 e fl. 38) que parte do débito de IRRF foi objeto de compensação "sem processo" com crédito de "IRPJ Saldo Negativo Período Anterior", sendo, portanto, seu o ônus de comprovar que houve equívoco no preenchimento da mesma. Do exposto, uma vez que o crédito pleiteado foi integralmente utilizado em compensação anterior, fato este não elidido pela interessada, não remanesceu crédito a ser aproveitado nas DCOMP objeto dos autos. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos, aos quais transcrevo abaixo: (...) A recorrente, conforme comprovase através das DIPJ's dos anosbase 1993, 1995 e 1996 sofreu a retenção de Imposto de Renda sobre aplicações financeiras e, no ano de 1995, recolheu IRPJ a maior que o devido (fls. 39, 40 e 41). De operação aritmética, decorre dai um saldo credor de R$154.284,55 (cento e cinqüenta e quatro mil, duzentos e oitenta e quatro reais e cinqüenta e cinco centavos) [R$14,02 + R$32,78 + R$91.156,40 +R$63.081,35], o qual foi utilizado para compensar débitos de IRPJ do 2° trimestre de 2001. O crédito do IRRF, anocalendário 1993, pode ser comprovado através da DIPJ vide fls. 39. Os créditos do IRRF e do IRPJ, anocalendário 1995, podem ser comprovados através da DIPJ vide fls. 40. O crédito do IRRF, anocalendário 1996, pode ser comprovado através da DIPJ vide fls. 41. Esse saldo — o de R$ 154.284,55 — foi ignorado pela fiscalização e pelo v. Julgado recorrido, pelo que há de ser conhecido e provido o presente recurso voluntário. Frisese, ao contrário do que constou do v. Julgado recorrido, a prova contumaz do crédito do IRRF e do IRPJ — Fl. 310DF CARF MF 6 ano calendário 1993, 1995 e 1996 — encontrase às fls. 39/41. Logo, não procede a anulação contida no v. Julgado recorrido no sentido de que a interessada não apresentou qualquer documento que comprove os créditos dos anos calendário de 1993, 1995 e 1996. Isso porque tal documento encontrase às fls. 39/41. Através de referido crédito houve a compensação do débito de IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa, apurado na 1ª semana de junho de 2001, o qual totalizou o crédito a que a autoridade fiscal declara como devido, correspondente a quantia de R$154.284,55 (cento e cinqüenta e quatro mil, duzentos e oitenta e quatro reais e cinqüenta e cinco centavos). Ou seja, o valor que a autoridade fiscal reconhecia como débito, o que motivou o indeferimento dos pedidos de compensação acima indicados, foi compensado com crédito originário dos anoscalendário 1993, 1995 e 1996 Logo, ao contrário do que entendeu o v. Acórdão recorrido, não existia o pretenso débito de R$154.295,55, falso pressuposto com que partiu o fisco tão somente para não homologar todas as DCOMP cuja homologação se pretende. Esse fato, de per si, já o suficiente para conhecer e prover o presente recurso para o fim de homologar todas as DCOMP's objeto da presente. E não é só. (...) Mesmo que indevida fosse a compensação realizada contabilmente no ano de 2001, teria decaído ao fisco o direito de lançar o pretenso e suposto débito que resultou nos R$154.295,55. E isso é lógico, ao realizar essa operação contábil, a Recorrente apresentou, perante a Receita Federal, a correlata DCTF. e isso,frisese, no ano de 2001. Assim, tendo a Recorrente apresentado a correlata DCTF no ano de 2001 e constituído o crédito/débito no ano de 2001 com o lançamento pelo contribuinte via DCTF (como, aliás, prova as fls. 87/89), é evidente que transcorreu o lapso temporal para lançamento e cobrança de R$154.295,55, posto que a compensação contábil teria ocorrido em 2001. Aliás, a entrega da DCTF é reconhecida no v. Acórdão, ou seja, o v. Acórdão reconheceu que os R$154.295,55 foi objeto de compensação efetuada via DCTF, verbis: "Salientese, por oportuno, que consta na DCTF ND 00001.002.001/50696746 relativa ao 2° trimestre / 2001 entregue pela própria interessada em 15/08/2001 (fl.87/89 e fl. 38)(...)". Com efeito, considerando que a compensação utilizando o saldo credor, originário dos anoscalendário 1993, 1995 e Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 309 7 1996, foi realizada no anocalendário 2001, mesmo que a compensação de débitos fosse indevida, o que se diz por cautela, transcorreuse o lapso prescricional para o lançamento e cobrança do débito. (...) No caso sub judice, a constituição dos créditos/débitos na contabilidade e informação ao fisco via DCTF ocorreu no ano de 2001 informação esta que foi à época devidamente reconhecida pelo fisco, como prova o próprio acórdão, expresso ao reconhecer a entrega da DCTF, está acobertada pelo manto da prescrição e, via de conseqüência, extinto o suposto crédito tributário a teor do inc. V do art. 156 do CTN. Logo, temse que o fisco jamais poderia utilizarse, tardiamente e após o decurso de 5 anos, de suposta quantia a "titulo de débito de R$154.295,55" como sucedâneo, escolhido a gosto e ao caso, para não compensar as DCOMP's em foco (frisese: em evidente ressurreição de débito há muito extinto nos moldes do inc. V do art. 156 do CTN). Assim é que, constituída a compensação contábil via DCTF no período entre 2001 — como reconhece o fisco no v. Acórdão sobre a entrega da DCTF — a inércia pela não cobrança no período de 5 anos subseqüentes impõe a páde cal sobre qualquer pretensão do Fisco, sendo descabido imputar TARDIAMENTE tal suposto débito extinto pela prescrição (art. V do art. 156 do CTN), no valor de R$154.295,55, às DCOMP's apresentadas para homologação, DCOMP's essas que merecem homologação por não haver qualquer suposto débito de R$154.295,55. (...) Estando comprovada a inexistência do débito de R$154.295,55, seja pela compensação com os créditos de 1993, 1995 e 1996 (cujo crédito está provado), seja pela prescrição nos moldes do inc. V do art. 156 do CTN, passase agora a analisar a compensação questionada nestes autos. No anocalendário de 1999, a recorrente apurou Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 112.765,70. 0 crédito decorrente do saldo negativo do IRPJ ano calendário 1999, foi utilizado para a compensação de tributos por meio das PER/DCOMP's não homologadas pelo despacho decisório, ora hostilizado, quais sejam: (...) Reconhecido pela autoridade fiscal o crédito, no entanto, os débitos declarados através das PER/DCOMP's acima não foram compensados, sob a alegação de existência de débito Fl. 312DF CARF MF 8 anterior, que, como já dito, além de inexistir, estava extinto conforme inc. V do art. 156 do CTN. Nem se diga, por sua vez, como pretende o fisco, que eventual R$ 154.295,55 teria sido fruto de compensação de oficio, posto que tal seria aniquilar e desprezar a compensação contábil anteriormente efetuada. Mais ainda: seria ressuscitar um crédito sepultado pela força do inc. V do art. 156 do CTN vez que, uma vez constituído via DCTF, o fisco remanesceu inerte, não fazendo qualquer cobrança. Quer o fisco, nesse ensejo, fazer uma compensação 'de oficio' por meio de uma ressurreição de débitos extintos, o que é vedado. Nem se diga que suposto crédito pretérito poderia ser utilizado pelo fisco por meio de compensação de oficio, até porque o §7° do art. 34 da IN 900/2008 é expresso em dispor que "os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação", sic., g.n. E a Recorrente não indicou nenhum débito de R$154.295,55, via Declaração de Compensação, quanto menos tal débito que inexistia e extinto estava. E não é só, o que se diz por cautela e amor ao debate, caberia a Recorrente o direito a manifestarse sobre "compensação de oficio", pois com o reconhecimento de um debito o contribuinte tem a faculdade de optar por outros meios para resolução do débito. Ao tratar da compensação de oficio a Instrução Normativa n° 600, de 28/12/2005, estabelece o prazo de 15 dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela Receita Federal do Brasil, para o sujeito passivo se manifestar quanto a eventual compensação de débitos, fato que não ocorreu no caso sub judice. Supondose que o débito objeto da compensação de oficio, no importe de R$154.295,55 (cento e cinqüenta e quatro mil, duzentos e noventa e cinco reais e cinquenta e cinco centavos), fosse devido, caberia a peticionária o direito de manifestarse sobre à compensação. (...) Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da nãohomologação do pedido de compensação, requer se dignem Eméritos Julgadores em julgar procedente o presente recurso para, reformandose o v. Acórdão n° 1232.985 da 1ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), homologar integralmente todas as compensações realizadas constantes das PERDCOMP (...), pelo reconhecimento do crédito do anocalendário de 1999 no valor de R$ 112.765,70. Da solicitação de diligência e seu retorno Este colegiado, em sessão ocorrida em 04 de agosto de 2011, solicitou uma diligência, através da Resolução 1402.00.076. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 310 9 Nesta resolução, expõe os seguintes elementos e argumentos: (...) É certo que a contribuinte possuía SNRIRPJ (acumulado) suficiente para essa compensação. Todavia, não consta na DCTF de qual período seria tal SNRIRPJ. Também não consta nos anexos aos Despachos Decisório (fls. 5 e seguintes) planilha analítica demonstrando o aproveitamento do SNRIRPJ (acumulado) do contribuinte período a período. De igual forma, tal qual asseverado na decisão recorrida, o recorrente também não apresentou “cópias de livros e documentos de sua escrituração fiscal/contábil que demonstrassem a existência dos créditos.” O artigo 29 do PAF estabelece que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (...) O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve, no prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a existência do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente. ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal proceda verificação na contabilidade da recorrente, bem com nos registros da Receita Federal, para apurar a forma de utilização do Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ da contribuinte nos anos de 1993, 1995 e 1999, visando apurar o valor efetivamente disponível para compensação no 2o. Trimestre de 2001 e no 1o. Trimestre de 2004. Ao final dos trabalhos, o Auditor Fiscal responsável pela diligência deverá elaborar relatório consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestese nos autos no prazo de 30 (trinta) dias. Em informação prestada a efls. 289 e segs., a autoridade fiscal apresenta relatório do apurado em atendimento à diligência solicitada. Desta, extraise os seguintes elementos e argumentos: Através da Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0565/2012 – RCM o interessado foi intimado a apresentar documentação contábil que comprove a existência e utilização em compensação do Saldo Negativo de 93, 95 e 96, bem como planilha com clara explanação da utilização destes créditos de saldo negativo, contendo todos os débitos que foram quitados a partir da utilização desses créditos (fl 151). Fl. 314DF CARF MF 10 O interessado juntou planilhas de IRRF a compensar, bem como cópias do Livro Diário do período de 01 a 12/93, 11 e 12/95, 05 a 12/96 (fls 154 a 221). Juntou também cópia do Diário Geral com lançamento a crédito de Imposto de Renda a compensar de R$ 154.284,55 oriundo de IRRF (fl 226). A documentação apresentada não foi suficiente para atendimento da diligência solicitada e enviamos a Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0223/2017, para apresentação de Relatório anual discriminando todos os débitos compensados com o Saldo Negativo de IRPJ apurado nos anoscalendário 1993, 1995 e 1996, bem como para informar a utilização do Saldo restante constante da planilha IRRF A COMPENSAR 1300008 / IRPJ 1996 (fl 160 do processo). Inicialmente se faz necessário esclarecer quanto à diferença entre IRRF s/ aplicações financeiras e a apuração do Saldo Credor de IRPJ Saldo Negativo IRPJ , em vista de impropriedade na escrituração apresentada. Não existe Imposto de Renda Retido na Fonte a compensar, mas sim previsão legal para a dedução da totalidade das retenções na fonte efetuadas ao longo de determinado anocalendário para o cálculo do Imposto de renda a pagar no encerramento do exercício. Só a partir do encerramento do exercício ocorre a apuração do Saldo Negativo IRPJ e a partir daí devem ser considerados os acréscimos legais. Em atendimento à Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0223/2017 o interessado alega que não apresentou relatório discriminando a utilização dos Saldos Negativos de 1993, 1995 e 1996 pois “...naquele momento o sistema de compensações da RFB era diferente do que temos nos dias atuais.Um primeiro diferencial é que na escrita contábil e tão pouco na DCTF entregue mensalmente, não constava especificamente qual a origem do crédito que se estava utilizando para a compensação...”. Entendemos que tal alegação não merece prosperar já que até setembro/2002 havia a possibilidade do contribuinte efetuar a compensação na própria contabilidade, de tributos da mesma espécie, entretanto tal compensação precisava ser registrada em sua escrita fiscal. Não há como se compensar crédito apurado sem qualquer tipo de controle quanto à sua utilização. Também não estamos convencidos quanto à alegação de que o saldo restante de IRPJ relativo ao anocalendário 1996 no montante de R$ 90.505,48 permanece escriturado na contabilidade aguardando decisão definitiva no âmbito da ação ordinária de restituição nº 2004.61.10.0032194, já que tal ação judicial se refere a Saldo Negativo AC 97, o qual foi indeferido no âmbito administrativo através do processo administrativo 13876.000437/200347. De todo o exposto entendemos que não foram apresentados novos elementos nem documentação comprobatória quanto à existência de crédito efetivamente disponível dos SN 1993, Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 311 11 1995 e 1996, para compensação no 2º Trimestre de 2001 e no 1º Trimestre de 2004. Tomando ciência do relatório imediatamente supracitado, a recorrente apresentou manifestação pertinente. Desta, extraise os seguintes elementos e argumentos: (...) Fazse necessário esclarecer que a fundamentação utilizada pela RFB para não homologar as declarações de compensação acima descritas não foi acompanhada de prova alguma. A não homologação foi baseada em uma suposição, o que é vedado pelo Código Tributário Nacional. A contribuinte, por sua vez, juntou aos autos documentos capazes de comprovar a existência do crédito (saldo negativo de IRPJ — anocalendário 1999), além de comprovar que a "compensação anterior" mencionada pelo fisco foi realizada com créditos oriundos dos anoscalendários de 1993, 1995 e 1996. A comprovação da existência dos créditos dos anos calendários 1993, 1995 e 1996 foi realizada através da juntada de DIPJ (fls. 42/43, 45/48), planilha com a explanação da utilização dos créditos de 1993, 1995 e 1996 (fls. 154/161), Livro Diário de 1993, 1995 e 1996 (fls. 170/213), balanço de 1996 (fls. 214/220), Livro Diário de 2001 (fls. 222/227), planilha com a relação das compensações realizadas com o crédito de 1999 (fls. 284/287), planilha com a relação das compensações realizadas com os créditos de 1993, 1995 e 1996 (fl. 288), além do esclarecimento detalhado das compensações apresentadas ao fisco quando da diligência (fls. 262/266). Através dos documentos acima relacionados, é possível verificar que a contribuinte fez uso de todos os meios possíveis para comprovar que a compensação realizada em 2001 utilizou créditos dos anoscalendários de 1993, 1995 e 1996. Vale destacar ainda, que se o fisco possuía alguma dúvida quanto à existência dos créditos oriundos dos anos calendários 1993, 1995 e 1996, que pudesse macular a compensação do débito de IRRF do 2° trimestre de 2001, deveria têlo questionado dentro do prazo de 5 (cinco) anos da apresentação da DCTF/2001, conforme prevê o inciso V do artigo 156 do CTN. E no restante da manifestação, repisa os argumentos apresentados na sua peça recursal. É o relatório. Fl. 316DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Conforme previamente relatado, o objeto do presente processo é a não homologação de DCOMPs. Segundo o Despacho Decisório, o crédito apontado em tais DCOMPs já teria sido utilizado anteriormente pela recorrente para compensar outro débito de IRRF referente a junho/2001. A recorrente alega que já se utilizou de saldos negativos de recolhimento de IRPJ dos anoscalendário de 1993 a 1996 para quitar o aludido débito de 2001, invocado pelo Despacho Decisório para não homologar as DCOMPs. E ademais, tal débito aludido já estaria extinto nos termos do art. 156 do CTN, posto que a compensação foi declarada em DCTF. O cerne do litígio aqui é que a autoridade fiscal entende que o saldo negativo de IRPJ de 1999 já foi utilizado naquela compensação anterior, ocorrida via DCTF, no anocalendário de 2001. Por seu turno, a recorrente alega que nesta compensação se valeu de saldo negativo acumulado de 1993, 1995 e 1996. Na DCTF apresentada pela recorrente, relativa ao 2º trimestre de 2001, fls. 37 e 38, em que informa a compensação, consta, genericamente, "origem do crédito: IRPJ Saldo Negativo de Período Anterior". Aqui, não consta qual o período deste saldo negativo de IRPJ. Igualmente, tanto na peça impugnatória, quanto na peça recursal, a recorrente não apresentou cópias de livros e documentos de sua escrituração fiscal/contábil que deslindem e segmentem de qual período se refere tal saldo negativo. Isto exposto quando da primeira análise deste colegiado, em 2011, o processo foi baixado em diligência para verificação probatória do alegado pela recorrente. Da primeira intimação fiscal da Diligência Na primeira intimação fiscal em atendimento à solicitação de diligência (efl. 151), a autoridade fiscal solicitou os seguintes itens: 1) documentação contábil que comprove a existência e utilização em compensação dos créditos referentes a saldo negativo desse período (93, 95 e 96); 2) termos de Abertura e Encerramento desses Livros Contábeis; Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 312 13 3) planilha, devidamente assinadas pelo representante legal da empresa (com firma reconhecida), com clara explanação da utilização desses créditos de saldo negativo na compensação, contendo todos os débitos que foram quitados a partir da utilização desses créditos. Em sua resposta, os elementos apresentados pela recorrente foram os seguintes (efls. 151 e segs.), correspondendo com os itens acima: 1) apresentou planilhas com atualização de valores (efls. 154 a 161), cujo título é "IRRF a compensar 130008", e aproveitamento destes valores ao longo dos anos; 2) cópias de partes do Diário Geral, com respectivos termos de abertura e encerramento (efls. 170 a 227). Da segunda intimação fiscal da Diligência Não satisfeito com o recebido, constando isso em nova intimação, nos seguintes termos: A documentação apresentada em atendimento à Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0565/2012 não foi suficiente para subsidiar a análise do crédito pleiteado, conforme diligência determinada através da Resolução nº 140200.076 do CARF, solicitou o seguinte: 1) Relatório anual discriminando todos os débitos compensados com o Saldo Negativo de IRPJ apurado nos anos calendário 199 3, 1995 e 1 99 6. Deve constar em tal relatório as compensações efetuadas na própria contabilidade. 2) Informar a utilização do Saldo restante constante da planilha IRRF A COMPENSAR 1300008 / IRPJ 1996 juntada pelo interessado em atendimento da Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0565/2012 (fl 160 do processo) 3) Comprovantes de Retenção na Fonte em nome da Schincariol Participações e Representações Ltda, efetuadas pelas fontes pagadoras nos anos calendário 1993, 1995 e 1996. Em sua resposta (efls 262 a 266), a recorrente apresenta os seguintes elementos e argumentos, correspondentes a cada item: 1) relatório anual de compensações dos anoscalendário 1993, 1995 e 1996, informa a peticionária que naquele momento o sistema de compensações da RF13 era diferente do que temos nos dias atuais. Um primeiro diferencial é que na escrita contábil e tão pouco na DCTF entregue mensalmente, não constava especificamente qual a origem do crédito que se estava utilizando para a compensação, (...). Após, apresenta um demonstrativo de como compensou o valor referente a R$ 154.284,55 (referente a 1ª semana de junho/2001 código 3426), remetendo ao cálculo da planilha apresentada no item 1 da primeira intimação da diligência suscitada pelo CARF. Igualmente, apresenta uma remissão de como foram contabilizados tais valores na compensação de 2001; 2) Com relação ao questionamento do item 2, qual seja, informar a utilização do saldo de IRPJ de 1996 (fls. 160 do processo) no valor de R$ 90.505,48, Fl. 318DF CARF MF 14 esclarece a requerente que em Julho/2002 providenciou a compensação deste crédito com débito de IRPJ de Janeiro e Fevereiro/2002 no valor de R$ 15.576,25 e R$ 10.843,90 respectivamente. O saldo restante permanece escriturado na contabilidade da requerente aguardando decisão definitiva da ação ordinária de restituição nº 2004.61.10.0032194 em tramite perante a 3ª Vara Federal de Sorocaba. Referida ação atualmente encontrase aguardando julgamento de apelação da requerente. 3) Já no que tange ao item 3, o qual requer a apresentação dos comprovantes de retenção na fonte em nome da requerente efetuados pelas fontes pagadoras nos anos de 1993, 1995 e 1996, informa a requerente que em decorrência destes períodos não serem objeto de qualquer questionamento pelo Fisco e ainda pelo lapso de tempo transcorrido entre a retenção e a intimação em comento, estes documentos não foram localizados, deixando assim de serem entregues. Vale destacar que nos termos do art. 195, §único do CTN o lapso temporal de prescrição e inclusive de decadência já decorreu, aliás, já se passaram mais de 24 anos do exercício de 1993, por exemplo! Apresenta algumas planilhas geradas por si própria para corroborar com alguns pontos a seguir, mas nada substancial em relação ao enfoque tomado. Da informação fiscal referente à diligência executada Nas efls. 289 a 291, a autoridade fiscal executora da diligência conclui que o apresentado não o convenceu quanto ao alegado pela recorrente, como já exposto na parte do relatório do presente acórdão. Inicialmente, o alegado para não apresentar o relatório discriminando a utilização dos Saldos Negativos de 1993, 1995 e 1996 que naquela época o sistema de compensações da RFB era diferente não deveria prosperar, já que até setembro/2002, havia a possibilidade do contribuinte efetuar compensação na própria contabilidade, de tributos da mesma espécie, devendo tal situação ser registrada na sua escrita fiscal. Contudo, no presente caso, não houve um controle devido deste crédito apurado e compensado. Igualmente, parte dos argumentos da recorrente de que o saldo restante de IRPJ relativo ao anocalendário de 1996, no montante de R$ 90.505,48, estaria escriturando aguardando decisão definitiva em discussão judicial no processo 2004.61.10.0032194, quando tal ação judicial se refere a saldo negativo referente ao anocalendário 1997, que foi indeferido no âmbito administrativo através do processo 13876.000437/200347. E conclui que não foram apresentados novos elementos nem documentação comprobatória quanto à existência de crédito efetivamente disponível dos saldos negativos de IRPJ de 1993, 1995 e 1996, para compensação no 2º trimestre de 2001 e no 1º trimestre de 2004. Posteriormente, a recorrente repisa argumentos apresentados na sua peça recursal em manifestação a respeito desta informação Da questão probatória envolvida Verificandose todos os elementos até o momento exposto, e o que é muito comum nestas análises de direito creditório de PER/DCOMP, acaba se resumindo ao enfrentamento de uma questão probatória do alegado pela recorrente e contestado pela autoridade fiscal. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 313 15 No caso concreto, desde a sua peça impugnatória, a recorrente entende que o que apresenta basta para demonstrar o seu direito. Cabe uma análise destes elementos. Na peça impugnatória, para demonstrar o alegado pela autoridade fiscal para não homologar sua DCOMP, apresenta DIPJ 1993 (efl. 44), DIPJ 1996 (e fls. 40/41) e DIPJ 2000 (efls. 47/48). Contudo, tais informações não evidenciam o alegado pelo recorrente, ao qual vou ao encontro do decidido no v. acórdão recorrido, de que não . Em nova oportunidade de apresentar de novos elementos na sua peça recursal, para tentar demonstrar cabalmente o alegado, a recorrente não agrega nenhum documento que afaste a dúvida da situação contestada pela autoridade fiscal. Apenas repisa os argumentos da sua peça impugnatória, e diz entender que bastaria o apresentado na sua impugnação. Foca na sua peça recursal argumentos de que a motivação da não homologação não procede, contestando de forma veemente a questão do crédito já ter sido utilizado em outro débito anteriormente. E concentra seu raciocínio e esforços argumentativos sem trazer nenhum comprovação cabal do devido crédito, tanto em relação à situação arguida no despacho decisório. Mais ainda insiste que bastaria o que consta na DIPJ para comprovar o alegado, acabando discutindo questões do débito da 1ª semana de junho de 2001, e respectiva decadência do mesmo. Contudo, em nenhum momento foi cerne da questão tanto no despacho decisório quanto no v. acórdão recorrido. Ali se discutia se o crédito usado para compensar valores de 2004 e 2005 já foram utilizados anteriormente ou não. Acertadamente houve a baixa em diligência por este colegiado então, dando mais um benefício a recorrente de aportar documentação cabal do alegado através de diligência, e igual reanálise da situação pela autoridade fiscal. Nas respostas ao diligenciado pela autoridade fiscal, a recorrente apresenta, primeiramente, planilhas de correção de valor que entende ter o direito, e cópias do diário geral, de valores contabilizados aos quais não há como discernir como houve o aproveitamento de tais valores. Nada mais apõe, o que se esperaria, e como foi intimado, qual seja um memorial de cálculo de aproveitamento dos seus saldos negativos ao longo dos anos em discussão. Novamente intimada na diligência pela autoridade fiscal, ressaltando se que o apresentado não fora suficiente para o deslinde das dúvidas, e enfatizando o que se esperaria do contribuinte um memorial dos débitos compensados com o saldo negativo de IRPJ apurado nos anoscalendário de 1993, 1995 e 1996, bem como, comprovantes das retenções de IRRF sofridas que dariam o direito pleiteado. Em sua resposta, a esta segunda intimação fiscal da diligência, a recorrente repisa argumentos, sem demonstrar o solicitado. Os argumentos até poderiam ser verdadeiros, mas não suporte documental para corroborarem o arguido. O que apresenta são demonstrativos criados para atender a intimação fiscal nada que demonstre serem controles da época devida, e muito menos algum documento que possa ser checado com terceiros, como um comprovante de retenção, ou algo do gênero. Fl. 320DF CARF MF 16 Com o devido cuidado e zelo ao crédito contra a Fazenda Pública, ao qual deve ser líquido e certo, a autoridade fiscal em retorno de diligência, na sua informação, conclui, após analisar todo o apresentado, que não houve novos elementos. para elucidar o direito creditório pleiteado pela recorrente. Cientificada desta informação da autoridade fiscal, a recorrente praticamente repisa argumentos, atacando a decisão de não homologação, o acusando de uma presunção. Contudo, nada apresenta para demonstrar o contrário. Na sua resposta à segunda intimação fiscal, quando da diligência decidida por este colegiado, a recorrente se insurge quando, do item 3, a apresentar comprovantes de retenção na fonte de 1993, 1995 e 1996, dizendo que já se trata de período não mais questionável pelo fisco, e que os documentos não foram localizados. Em certa parte, o débito de 2001, e respectivo crédito de 1993, 1995 e 1996 não é o cerne do presente processo, mas o crédito do presente está sendo questionado pela autoridade fiscal por indicar já ter sido utilizado anteriormente. E nisso atacado, deveria envidar todos os esforços para demonstrar, o que não ocorreu. Ao ter um direito creditório de saldo negativo de IRPJ ocorrido em 1999, e só utilizálo em 2004 e 2005, quando neste ínterim houve outros saldos negativos de IRPJ utilizados para compensar outros débitos, nada mais do que no devido direito da autoridade fiscal solicitar maiores esclarecimentos destas compensações e os documentos que deram suporte, bem como a transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Aqui, cabe comentar que o art. 264 do RIR/1999, que preceitua o seguinte: Art. 264 A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 314 17 conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Ou seja, há o preceito que a recorrente é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, enquanto não prescrito eventual ação que lhe seja atinente, o que é o presente caso, pois não elucidou nem o devido aproveitamento do saldo negativo de 1999 em 2004/2005, e nem a dúvida da autoridade fiscal de já ter sido utilizado anteriormente. O direito creditório pleiteado pela recorrente deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa, e, para tanto, ela pode e deve, no prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a existência do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente. Em face do exposto, voto para que seja NEGADO provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003388/2007-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
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Multa por atraso na entrega da DCTF Recorrente MASTRA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 33 88 /2 00 7- 69 Fl. 94DF CARF MF 2 Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vicepresidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 69 à 89) interposto contra o Acórdão n° 1422.841, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 59 à 66), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. A multa pelo atraso na entrega de declaração será exigida sempre, independentemente de prévia intimação para que o sujeito passivo entregue a declaração original. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que O contribuinte o faça espontaneamente. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. PERÍCIA. REQUISITOS. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10865.003388/200769 Acórdão n.º 1002000.010 S1C0T2 Fl. 7 3 Considerase não formulado O pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. IMPUGNAÇÃO. ONUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Por representar acurácia no resumo dos fatos apresentados em sede de impugnação, peço vênia para transcrever os pedidos formulados no Recurso Voluntário, à fl.89: De todo o exposto, a Recorrente aguarda confiante seja o presente recurso administrativo conhecido e provido por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para o fim de se reformar integralmente a r. decisão recorrida, declarado nulo o Auto de Infração; i) por falta de intimação prévia da Recorrente para prestar esclarecimentos ou quitar o suposto débito, nos termos do art. 7°, da Lei n° 10.426/O2 e; ii) pela impossibilidade de se fundamentar o lançamento em informações eletrônicas da Receita Federal, inclusive pela ausência de provas, na medida em que não foi acompanhado de qualquer evidência da ocorrência da infração apontada; ou então, no mérito; iii) seja julgado improcedente o Auto de Infração, pela ausência de infração diante da impossibilidade de transmissão da declaração no prazo, por falta de certificado digital, ou ainda; iv) reconhecendose a ocorrência da denúncia espontânea caracterizada pe entrega da DCTF, antes de qualquer intimação fiscal o a ausência de prejuízo ao Erário, afastandose a multa aplicada, por ser medida de JUSTIÇA! Conforme exposto no relatório do Acórdão da DRJ, os pedidos supramencionados arvoraramse nos seguintes argumentos, os quais foram reiterados em sede de Recurso Voluntário: · Nulidade do auto de infração pela falta de prévia intimação da impugnante para esclarecimentos, conforme regra do art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002; · Impossibilidade de se fundamentar o lançamento tão somente em informações eletrônicas da Receita Federal, pois o auto foi lavrado sem que qualquer auditorfiscal tenha ido até a impugnante para verificar a efetiva ocorrência da infração apontada, ou qualquer outra causa que tivesse impossibilitado o cumprimento da obrigação acessória; · No mérito, impossibilidade de transmissão da DCTF por ausência de certificação digital, requisito essencial para a entrega, conforme § 2° do art. 7° da Instrução Normativa (IN) SRF n° 695, de 2006, pois só quando tratou de efetuar a transmissão de todas as suas declarações fiscais conseguiu a liberação de seu certificado digital no começo do ano de 2006, quando tratou de efetuar a transmissão de todas as suas declarações fiscais sem que houvesse intenção de lesar o Fisco, Fl. 96DF CARF MF 4 mas somente a impossibilidade de cumprimento da obrigação acessória; · Descaracterizada a intenção de fraude à fiscalização, resta descaracterizado o critério material de conduta ilícita para aplicação da multa punitiva; · Impossibilidade de aplicação da multa por ocorrência de denúncia espontânea, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 138, pois a declaração foi entregue antes de qualquer intimação de início de ação fiscal; · Ausência de prejuízo ao Erário, capaz de incidir a imputação de penalidade, uma vez que apresentou a declaração, ainda que a destempo. Solicitou seja declarado nulo o auto de infração, pelas duas causas apontadas, ou, no mérito, seja ele julgado improcedente. Protestou pela juntada de novos documentos, não colacionados em função da exigüidade do tempo, bem como pela produção de outras provas, como perícia, oficios, declarações, constatações e diligências, em atendimento ao princípio da verdade material. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. 1. Das Preliminares Alega a Recorrente que há nulidade no Auto de Infração, em virtude da ausência de prévia intimação para fins de esclarecimentos. Para tanto, sustenta com base no art. 7°, da Lei n° 10.426/02 e aponta cerceamento de defesa. Em seguida, aduz à impossibilidade de se fundamentar o lançamento com base apenas em informações eletrônicas, disponíveis pela Receita Federal do Brasil RFB. O fundamento de sua alegação reside no fato do Auto de Infração ter sido lavrado sem qualquer presença física de auditorfiscal, apta a comprovar in loco o descumprimento da obrigação acessória. Não vejo razão de acolher as Preliminares suscitadas. Conforme destacado no Acórdão da DRJ, não se faz necessária a intimação prévia quando a autoridade autuante já dispõe de todos os elementos para efetuar o lançamento tributário. Aliás, destaco que tal aspecto decorre do próprio registro das informações prestadas pela Recorrente junto ao sistema online da Receita Federal, na forma do 142 do CTN, e do art. art. 929, §7°, do RIR. A entrega da DCTF por intermédio da rede mundial de computadores serve, justamente, para agilizar o acesso às informações necessárias à atividade fiscalizatória. Em verdade, caso a autoridade administrativa deixasse de efetuar o lançamento nessas circunstâncias, estaria infringindo a Lei. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10865.003388/200769 Acórdão n.º 1002000.010 S1C0T2 Fl. 8 5 Destaco que o afastamento da suposta ilegalidade do lançamento de ofício, realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, resta pacificado nos termos de enunciado sumular 46 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. 2. Da ausência do Certificado Digital Quanto ao mérito, sustenta a Recorrente que o envio de sua DCTF foi obstado pela ausência de certificação digital, conforme requer o art. 7°, § 2°, da IN SRF n° 695, de 2006. Sustenta, ainda, que apenas logrou em conseguila em 2006, o que demonstra sua boafé e ausência de intuito de lesar o Fisco. Sem embargo, a Contribuinte não fez qualquer prova de tal aspecto no decorrer do Processo Administrativo Fiscal, razão pela qual descumpre os preceitos do art. 16, III, do Dec. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Assim, ante a ausência de provas, tornase impossível acatar a alegação da Recorrente. 3. Da multa incidente em virtude do atraso na entrega da DCTF Sustenta a Recorrente que a entrega da DCTF, embora a destempo, enseja a incidência do art. 138 do CTN. Advoga, portanto, que a penalidade imposta seria afastada pelo instituto da denúncia espontânea. Ademais, entende que não caberia a multa, haja vista sua suposta ilegalidade. Não vejo como acolher esses argumentos. A própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Nessa toada, resta inafastável o argumento exarado no Acórdão da DRJ (fl. 65): O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária. A entrega da declaração de rendimentos constitui obrigação acessória prevista no CTN, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. (...) Dessa forma, com fulcro no retrocitado art. 113, tomase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação Fl. 98DF CARF MF 6 acessória de apresentação da declaração, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração. De arremate, vale dizer que o assunto encontrase sumulado no enunciado 49 do CARF, cuja redação segue: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, o argumento de prejuízo ao erário se esvai quando se analisa a multa tributária sob o aspecto objetivo. Isso porque, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. 4. CONCLUSÃO Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.903127/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002
Numero da decisão: 1402-000.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO Recorrente COMPANHIA DE SANEAMENTO DO PARANA SANEPAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO INTEGRAL. Comprovado nos autos que parte do direito creditório alegado é insubsistente, correta a decisão que deferiu apenas parcialmente a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.903127/200643 Acórdão n.º 140200.863 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.903127/200643 Acórdão n.º 140200.863 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório COMPANHIA DE SANEAMENTO DO PARANÁ SANEPAR, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fl. 795, proferido pelo chefe do Seort da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, pelo qual foi homologada parcialmente a compensação informada pelo interessado. O direito creditório pleiteado é o saldo negativo de IRPJ apurado em 31.12.2002, informado na DIPJ como sendo de R$4.763.263,59. A unidade de origem reconheceu apenas em parte esse saldo negativo, tendo em vista que fora lavrado um auto de infração contra o interessado, decorrente de glosa de compensação indevida de prejuízo fiscal no ano de 2002. Esse lançamento de ofício foi formalizado sob o processo nº 10980.011332/200681, que se encontrava pendente de julgamento. O valor do IRPJ (principal) exigido de ofício foi deduzido pela unidade de origem do saldo de IRPJ negativo apurado em 31.12.2002. Em 26.3.2008, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 797) e, em 25.4.2008, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 799 a 801, pela qual argumenta que já apresentara impugnação contra o lançamento de ofício do qual resultou a redução do direito creditório pleiteado. Juntou à sua defesa os mesmos documentos já apresentados na referida impugnação e pede o cancelamento do crédito tributário lançado de ofício, para que se restabeleça o montante de IRPJ negativo originalmente apurado em 31.12.2002. A decisão recorrida está assim ementada: INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO INTEGRAL. Comprovado nos autos que parte do direito creditório alegado é insubsistente, correta a decisão que deferiu apenas parcialmente a compensação pleiteada. Compensação não Homologada No voto conduto do aludido acórdão extraise os seguintes fundamentos: A parcela do direito creditório indeferido pela unidade de origem corresponde exatamente ao IRPJ apurado em procedimento de ofício, no bojo do processo nº 10980.011332/200681, motivado por glosa de compensação indevida de prejuízo fiscal. Assim, o interessado juntou à sua manifestação de inconformidade os mesmos documentos carreados pela impugnação apresentada contra a exigência de ofício e que já foi analisada por esta 1ª Turma da DRJ/CTA. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.903127/200643 Acórdão n.º 140200.863 S1C4T2 Fl. 0 4 Como se depreende das fls. 188 a 190 daqueles autos, foi julgada procedente a glosa da compensação do prejuízo fiscal, embora daquele lançamento não resultasse cobrança, uma vez que o imposto apurado fora extinto com parte do saldo de IRPJ negativo existente em 31.12.2002 (Acórdão 0620.273, de 11.12.2008, 1ª Turma DRJ/Curitiba). Essa parcela do saldo negativo de IRPJ utilizada para quitar o imposto resultante da glosa da compensação indevida deve ser deduzida do direito creditório pleiteado, caso contrário haveria uma indevida duplicidade da utilização desse direito creditório. Assim, deve ser mantida a decisão proferida pela unidade de origem. Em conclusão, voto por indeferir a solicitação do interessado. Cientificada da aludida decisão em 29/12/2008 (fl. 855), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/01/2009 (fl. 856 e seguintes), no qual ratifica as alegações da peça impugnatória quanto a incorreção do lançamento de que trata o processo 10980.011332/200681. Os autos foram enviados a este Conselho e sorteados ao presente relator que mediante despacho de 30/6/2011 propugnou: Tratase de recurso voluntário interposto no presente processo, relativo a Declarações de Compensação de fls. 01/43. A primeira, de fls. 01, cujo crédito também serviu para outros pedidos de compensação, foi transmitidas 27/05/2003. Pretende a interessada compensar débitos informados em DCTF saldo negativo de IRPJ, apurado em 31/12/2002, no valor de R$ 4.763.263,59. Conforme despacho de fl. 789/795, datado de 18/03/2008, e cientificado em 26/03/2008 (fl. 797), a autoridade fiscal reconheceu apenas em parte esse saldo negativo, tendo em vista que fora lavrado um auto de infração contra a requerente, em virtude da glosa de compensação indevida de prejuízo fiscal no ano de 2002, cujo lançamento de oficio restou formalizado através do processo n° 10980.011332/200681 (fls. 423/433). O valor do IRPJ (principal) exigido de oficio foi deduzido pela unidade de origem do saldo de IRPJ negativo apurado em 31/12/2002. Ocorre que o aludido processo conexo, de nº 10980.011332/200681, relativo a glosa de despesas, está em tramitação no CARF, conforme tela abaixo ilustrada: (...) Se restabelecidas as despesas, de forma total ou parcial, que resultaram na redução da base de cálculo do saldo negativo do imposto de renda, haverá influência no presente julgado. Assim, o resultado do julgamento do processo nº 10980.011332/200681 se constitui em prejudicial ao julgamento deste feito. Diante do exposto, propugno seja solicitada a distribuição do citado processo nº 10980.011332/200681 a este Relator, por conexão, para julgamento em conjunto com o presente. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.903127/200643 Acórdão n.º 140200.863 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. O litígio desde processo é decorrente do auto de infração em julgamento no aludido PAF 10980.011332/200681. Tratase da não homologação de compensações em face da redução do direito creditório do contribuinte, relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 2002, mediante auto de infração de que trata o processo 10980.011332/200681. Se fosse acolhido o recurso interposto no processo nº 10980.011332/200681 o resultado seria pela procedência do recurso aqui examinado. Se fosse negado provimento ao recurso daquele processo, por consequência, o julgado aqui segue o mesmo caminho. Ocorre que ao examinar o recurso do processo nº 10980.011332/200681, cujo auto de infração resultou na redução do crédito aqui postulado, este colegiado não conheceu do recurso por intempestivo. Desta forma, sendo mantida a infração que resultou na redução do crédito utilizado para compensação, negase provimento a este recurso. Diante do exposto voto por negar provimento. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722177/2015-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO
No caso de desistência de recurso voluntário pela empresa contribuinte, em virtude de adesão a programa de parcelamento de débitos tributários, deve-se manter a exoneração da devedora solidária, quando não houver nos autos demonstração de tal responsabilidade.
Numero da decisão: 1302-002.576
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, que foi substituído pelo Conselheiro suplente Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO No caso de desistência de recurso voluntário pela empresa contribuinte, em virtude de adesão a programa de parcelamento de débitos tributários, deve-se manter a exoneração da devedora solidária, quando não houver nos autos demonstração de tal responsabilidade.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, que foi substituído pelo Conselheiro suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Leonam Rocha de Medeiros.
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EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO No caso de desistência de recurso voluntário pela empresa contribuinte, em virtude de adesão a programa de parcelamento de débitos tributários, devese manter a exoneração da devedora solidária, quando não houver nos autos demonstração de tal responsabilidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, que foi substituído pelo Conselheiro suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 21 77 /2 01 5- 60 Fl. 4296DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Acórdão n.º 1302002.576 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos face ao Acórdão nº 0653.598 de 26 de novembro de 2015, da 2ª Turma da DRJ de Curitiba PR que, por maioria de votos, não acolheu as preliminares de nulidade dos autos de infração; reconheceu a decadência dos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores do ano calendário 2008 e julgou a impugnação procedente em parte, reduzindo as exigências para R$4.991.469,41 de IRPJ, R$1.810.231,61 de CSLL e respectivos multas de ofício de 150% e juros de mora; reduzir as multas isoladas de IRPJ para R$3.844.945,26 e de CSLL para R$1.361.894,49; não acolher a preliminar de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária e considerar procedentes os de Baxter Holding BV, CNPJ 09.249.344/000103; Laerte Farina, CPF 007.938.27892; Pablo German Toledo, CPF n° 232.747.26877; Maurício Azevedo Alcântara, CPF 040.509.76897; Francisco Carlos Piccolo, CPF 032.244.27884, e improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária de Gabriela Spinardi, CPF 157.707.14840. A autuação devese à glosa de deduções fiscais de amortização de ágio, (i) da recorrente, na qualidade de sujeito passivo (contribuinte); (ii) e da BHBV, na qualidade de sujeito passivo por responsabilidade solidária, com base no art. 124, inc. I, do CTN; e (iii) os seus exadministradores e procuradores, na qualidade de sujeitos passivos por responsabilidade pessoal, com base no art. 135, inc. III, do CTN, das diferenças de IRPJ e CSLL supostamente devidas, acrescidas de multa de ofício qualificada, em percentual de 150%, e Juros Selic, além da exigência concomitante de multa isolada, por suposta falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. O acórdão da DRJ recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013 AUTO DE INFRAÇÃO, TERMOS DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. SIMULAÇÃO. Se identificado que o contribuinte utilizou a simulação e abuso de forma ou de direito, é possível desconsiderar o ato jurídico, se devidamente demonstrado nos autos que os atos negociais se deram em oposição á norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributaria. FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na Fl. 4297DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Acórdão n.º 1302002.576 S1C3T2 Fl. 4 3 contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento ocasionou a redução do tributo devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendario: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 ÁGIO INTERNO. NÃO HOUVE PAGAMENTO NA AQUISIÇÃO. EMPRESAS SOB MESMA CONTROLADORA. ÁGIO NA INCORPORADA REFERENTE À PRÓPRIA INCORPORADORA. Caracterizase como "ágio interno", cuja dedutibilidade é inaceitável, o caso em que a Autuada incorporou sua controladora, a qual havia contabilizado ágio resultante do aumento de capital efetuado peia respectiva controladora, mediante a transferência de quotas da Autuada, sendo que todas as envolvidas são empresas detidas pela mesma controladora c não houve pagamento na aquisição, pela incorporada, da participação no capital da Autuada. EMPRESA VEÍCULO. CRIAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO. EXTINÇÃO. Caracterizase como "empresa veículo", a empresa que funcionou como mera intermediária na criação do ágio, tendo sido posteriormente incorporada e extinta, restando a Autuada/incorporadora, com o ágio (interno), que passou, indevidamente, a amortizar e deduzir na apuração do Lucro Real PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MÊS DEZEMBRO. O imposto mensal apurado por estimativa relativo ao mês de dezembro, deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente, não se confundindo com o valor do imposto da apuração anual, cujo prazo de recolhimento é último dia do mês de março do anocalendário subsequente. ESTIMATIVAS MENSAIS, DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. É aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que o contribuinte, optante peio regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, tenha apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no anocalendário correspondente. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM COM A MULTA DE OFÍCIO. Após o encerramento do período de apuração, é devida multa isolada pelo não recolhimento de parcelas mensais de estimativas no curso do referido período; a aplicação conjunta de multa de oficio no mesmo lançamento tributário, referente a tributo e contribuição devidos ao final do período, não tem o condão de excluir a multa isolada sobre as parcelas mensais de estimativas não recolhidas, haja vista trataremse de infrações distintas, possuidoras de tipificação lega! específicas a cada uma delas. MULTA ISOLADA. ERRO MATERIAL. Deve ser corrigido o valor resultante de erro material na apuração. Fl. 4298DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Acórdão n.º 1302002.576 S1C3T2 Fl. 5 4 VALOR DA MULTA ISOLADA SUPERIOR AO IRPJ E CSLL APURAÇÃO ANUAL. A afirmativa não é verdadeira, porém não haveria restrição legal para tanto. DECORRÊNCIA CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, o decidido em relação ao processo principal (IRPJ) aplicase, no que couber, à CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. DOLO. SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de simulação e dolo, aplicase o art. 173, í do CTN, na contagem do prazo decadencial, iniciandose a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. DOLO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A simulação tem ínsita no seu conceito a fraude, que se subsume à definição contida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964, e à ação dolosa tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, é aplicável a multa qualificada MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF N° 105. Se a autuação da multa isolada foi com base no art. 44, § Io, IV da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, que c/c o art. 106, II "c" do CTN, que reduziu o percentual da multa de 75% para 50%, não se aplica a Súmula Carf n° 105, a qual se refere à multa isolada de 75% com fundamento no art. 44 § 1º, IV da Lei n° 9.430, de 1996. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de oficio é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM. A pessoa jurídica controladora das empresas envolvidas na criação do ágio interno é responsável pelas decisões relativas às operações que caracterizaram a simulação a qual resultou em subtração de tributos devidos; assim, é pertinente a eleição dessa pessoa como responsável tributária, nos termos do art. 124,1 do CTN. SIMULAÇÃO. FRAUDE. ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Cabe a responsabilização tributária solidária, com base no art. 135, III do CTN, dos administradores das empresas que realizaram operações de simulação, o que caracteriza a prática de fraude. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REPRESENTANTE. Fl. 4299DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Acórdão n.º 1302002.576 S1C3T2 Fl. 6 5 A assinatura de ata de alteração de contrato social, como representante legal de empresa em conjunto com o administrador, e assinaturas como testemunha em diversas alterações contratuais das empresas não são elementos suficientes para caracterizar a responsabilidade desta pessoa física pelas decisões que levaram à autuação fiscal e caracterização de simulação e fraude. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." A DRJ concluiu pela improcedência da preliminar de nulidade, em razão de: a) o lançamento não ter sido fundamentado no art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN, pendente de regulamentação, sendo permitida a desconsideração dos atos jurídicos, nos casos de caracterização de simulação; b) o lançamento explicitou os dispositivos legais em que se fundamenta; c) não terem sido apontados com exatidão e de forma individualizada os atos praticados pelas pessoas físicas que ensejariam a responsabilização solidária, a DRJ entendeu inaplicável. Segundo a decisão ora recorrida, somente devem ser declarados nulos os atos ou termos lavrados por pessoa incompetente. "A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode correr em uma fase posterior à lavratura do auto de infração" Em relação à decadência, a decisão ora recorrida concluiu que "descabe arguir decadência relativamente à data de criação de ágio ou da data da operação de incorporação''. Haja vista que considerou caracterizada a simulação e o dolo. De outro lado, a DRJ, por maioria de votos, acolheu a decadência, tanto em relação ao principal, quanto no que tange à multa de ofício e isolada, exclusivamente em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2008. No mérito, a decisão da DRJ concluiu que não haviam sido preenchidos os requisitos para a amortização do ágio, inclusive em razão de a Baxter Investimentos Ltda. (Immuno) ter funcionado como "empresa veículo". Em relação à multa isolada aplicada cumulativamente com a multa de ofício proporcional, a DRJ entendeu que a penalidade fundada no art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, deve ser mantida, pois "vinculamse as infrações de natureza distinta". Ainda quanto à multa isolada, a DRJ concluiu que o valor da penalidade aplicada não é superior aos montantes apurados ao final do exercício e, em relação às multas isoladas aplicadas no período de dezembro de cada ano, entende que a legislação "diferencia a estimativa relativamente ao mês de dezembro, da apuração anual do imposto, no regime escolhido pelo contribuinte, que foi o do Lucro Real Anual, com estimativas mensais" e que "o não recolhimento da estimativa mensal relativa ao mês de dezembro de cada ano, (...) se subsume à aplicação da sanção multa isolada". Fl. 4300DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Acórdão n.º 1302002.576 S1C3T2 Fl. 7 6 Em relação aos erros de apuração da multa isolada, a DRJ acolheu parte das alegações das recorrentes, reduzindo o valor das exigências. No tocante à alegação de ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício, considerou que esta "é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN". Em relação à responsabilização solidária, citou documentos em que teriam sido concedidos poderes às pessoas físicas apontadas como responsáveis solidários, mantendo, ainda, a responsabilização da pessoa jurídica Baxter Holding BV, pelo fato de ser acionista da recorrente, excluindo da exigência apenas a Sra. Gabriela Spinanrdi, por reconhecer que esta sequer foi administradora da empresa autuada. Face à não interposição pela DRJ de Recurso de Ofício, à vista da exoneração do crédito tributário, em relação à devedora Gabriela Spinardi, houve a conversão do julgamento em diligência. Conforme Despacho de fl. 4290, abaixo transcrito, a DRJ interpôs o Recurso de Ofício: PROCESSO N°: 13896.722177/201560 CONTRIBUINTE: BAXTER HOSPITALAR LTDA CNPJ: 49.351.786/000180 Trata o processo de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, relativos aos anos calendários 2008. 2009. 2010. 2011, 2012 e 2013. bem como Termos de Sujeição Passiva Solidária contra Baxter Holding BV (CNPJ 09.249.344/000103), Laerte Farina (CPF 007.938.27892), Pablo German Toledo (CPF n° 232.747.26877), Mauricio Azevedo Alcântara (CPF 040.509.76897). Francisco Carlos Piccolo (CPF 032.244.27884) e Gabriela Spinardi (CPF 157.707.14840). A impugnação foi julgada em primeira instância, por esta 2a Turma da DRJ/Curitiba, que, em 26/11/2015, proferiu o acórdão n° 0653.598, reduzindo parcialmente as exigências. A responsabilidade tributária de Gabriela Spinardi foi afastada, e as das demais pessoas foram mantidas. O CARF proferiu Resolução, em 25/07/2017, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a DRJ interponha o competente recurso de ofício quanto ao responsável solidário exonerado. Em vista do exposto, interpõese o Recurso de Ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em conformidade com o art. 34,1, do Decreto n.° 70.235/1972. Encaminhese o processo ao CARF para prosseguimento do julgamento em segunda ínstância. Curitiba, 19 de outubro de 2017. Roberto Massao Chinen Presidente da 2ª Turma da DRJ .'Curitiba Fl. 4301DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Acórdão n.º 1302002.576 S1C3T2 Fl. 8 7 Posteriormente, em 14/11/2017 (fl. 4295), a Recorrente apresentou pedido de desistência total, por adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), conforme abaixo fixado: Não houve apreciação pelo Carf a respeito do pedido de desistência. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Em relação ao Recurso Voluntário, face ao referido pedido de "desistência total", para adesão da Recorrente ao PERT, deixo de conhecer do recurso. Com relação ao Recurso de Ofício, é preciso avaliar qual o efeito jurídico deve produzir o pedido de "desistência total", no que diz respeito à exoneração havida pela DRJ, consubstanciada no afastamento da responsabilidade solidária de Gabriela Spinardi. O Regimento Internos do Carf (RICARF), art. 78, § 3º do Anexo II, prevê que o pedido de desistência em questão, implica renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, abaixo transcrito. Todavia, no caso, o pedido de "desistência total" foi apresentado pela contribuinte. Nada se manifestação a respeito a devedora solidária. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1o A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2o O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Fl. 4302DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Acórdão n.º 1302002.576 S1C3T2 Fl. 9 8 § 3o No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Assim, em que pese o pedido de "desistência total", na hipótese de não pagamento por parte da contribuinte, poderia subsistir a responsabilidade dos devedores solidários. Nesse sentido, cabe apreciar as razões da DRJ e, assim, conhecer do Recurso de Ofício. Em relação à responsabilidade solidária, a DRJ citou os documentos por meio dos quais se concluiu pela responsabilidade solidária das pessoas físicas apontadas, incluindo, inclusive, a responsabilização da pessoa jurídica Baxter Holding BV, pelo fato de ser acionista da recorrente. Ao final, excluiu da exigência apenas a Gabriela Spinanrdi, por reconhecer que, ainda que houvesse procuração a ela outorgada, certificouse que esta não atuava como administradora da empresa autuada. Assim, analisandose os documentos e informações colhidas pela fiscalização e examinadas pela DRJ, verificase que, realmente, não há nos autos demonstração de responsabilidade solidária de Gabriela Spinardi. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 4303DF CARF MF
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Numero do processo: 10467.720529/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. GLOSA. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. IMPROCEDÊNCIA.
Insubsistente o lançamento em face da glosa de despesas com amortização de ágio quando comprovado pelo sujeito passivo o atendimento aos pressupostos legais para sua dedutibilidade.
IRPJ/CSLL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. CANCELAMENTO PARCIAL DE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA.
Tendo sido canceladas parcialmente as glosas de custos e despesas em efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõe-se o restabelecimento parcial dos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa e seu aproveitamento para a compensação objeto da glosa.
IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agrega-se a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1302-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa de amortização de ágio, vencido os Conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Lizandro Rodrigues de Sousa; e, para cancelar a multa isolada sobre as estimativas da CSLL dos anos 2006 e 2007 (integral) e 2008 (parcial), vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias que davam provimento integral nesta parte; por unanimidade de votos, em cancelar parcialmente a glosa de compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativa da CSLL do ano 2008, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo solicitou a apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. GLOSA. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. IMPROCEDÊNCIA. Insubsistente o lançamento em face da glosa de despesas com amortização de ágio quando comprovado pelo sujeito passivo o atendimento aos pressupostos legais para sua dedutibilidade. IRPJ/CSLL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. CANCELAMENTO PARCIAL DE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA. Tendo sido canceladas parcialmente as glosas de custos e despesas em efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõe-se o restabelecimento parcial dos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa e seu aproveitamento para a compensação objeto da glosa. IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agrega-se a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 80; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.523 1 1.522 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10467.720529/201181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.548 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrente ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. GLOSA. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. IMPROCEDÊNCIA. Insubsistente o lançamento em face da glosa de despesas com amortização de ágio quando comprovado pelo sujeito passivo o atendimento aos pressupostos legais para sua dedutibilidade. IRPJ/CSLL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. CANCELAMENTO PARCIAL DE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA. Tendo sido canceladas parcialmente as glosas de custos e despesas em efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõese o restabelecimento parcial dos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa e seu aproveitamento para a compensação objeto da glosa. IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 05 29 /2 01 1- 81 Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.524 2 Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa de amortização de ágio, vencido os Conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Lizandro Rodrigues de Sousa; e, para cancelar a multa isolada sobre as estimativas da CSLL dos anos 2006 e 2007 (integral) e 2008 (parcial), vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias que davam provimento integral nesta parte; por unanimidade de votos, em cancelar parcialmente a glosa de compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativa da CSLL do ano 2008, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.525 3 Relatório ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A, já qualificada nos autos interpõe recurso voluntário em face do Acórdão nº 1136.570, de 09 de abril de 2012, proferido pelas 4ª Turma da DRJREcifePE, que julgou improcedente a impugnação de lançamento, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DO ÁGIO PELA INCORPORADORA. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, não permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja vista que não se extinguiu o investimento anteriormente realizado. O ágio pago com fundamento em expectativa futura de lucro pode ser amortizado pela investidora quando ela absorve o patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão desta última, a teor do disposto no inciso III do art. 386 do RIR, de 1999. Também a investida pode amortizar o referido ágio quando absorver o patrimônio da investidora (incorporação às avessas), a teor do inciso II do § 6º do mesmo artigo. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento, ou o recolhimento a menor do tributo, sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. É cabível a aplicação da multa exigida em face do nãorecolhimento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referente ao IRPJ devido e não pago ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DO ÁGIO PELA INCORPORADORA. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, não permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja vista que não se extinguiu o investimento anteriormente realizado. O ágio pago com fundamento em expectativa futura de lucro pode ser amortizado pela investidora quando ela absorve o patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão desta última, a teor do disposto no inciso III do art. 386 do RIR, de 1999. Também a investida pode amortizar o referido ágio quando Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.526 4 absorver o patrimônio da investidora (incorporação às avessas), a teor do inciso II do § 6º do mesmo artigo. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento, ou o recolhimento a menor do tributo, sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. É cabível a aplicação da multa exigida em face do nãorecolhimento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referente ao IRPJ devido e não pago ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os lançamentos efetuados referemse ao IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, decorrentes das seguintes infrações: 1 Adições não computadas na apuração do lucro real: Despesa indedutível com amortização de ágio” (anoscalendário de 2006, 2007 e 2008); 2 Saldo insuficiente. compensação indevida de prejuízo operacional/base de cálculo negativa com resultado da atividade geral” (anocalendário de 2008); 3 Multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ/CSLL sobre base de cálculo estimada (anoscalendário de 2006, 2007 e 2008). A infração principal apontada pela autoridade fiscal referese a despesas indedutíveis com amortização de ágio que teriam sido geradas em operações societárias realizadas internamente ao grupo econômico ao qual se encontra sob controle a empresa interessada. Extraise do Termo de Verificação Fiscal (efls. 41/82), o seguinte detalhamento das operações realizadas até o início do aproveitamento do ágio pela interessada, verbis: [...] 1.1.2.5. Estrutura em 2000 39. No início do ano de 2000, o GRUPO ENERGISA fechou acordo com a empresa americana ALLIANT ENERGY, com vistas na participação da mesma em diversas empresas do GRUPO. 40. Dando prosseguimento ao processo de aquisições de distribuidoras de energia, o GRUPO ENERGISA adquiriu a SAELPA (Atual ENERGISA PARAÍBA), seguindo as etapas já adotadas na aquisição da CELB e ENERGIPE, a saber: a) Constituição das empresas de propósito específico (empresas veículo) PBPARTSE 1 e PBPARTSE 2, em 31/10/2000, com capital social de R$ 1.000,00; b) Aquisição de 74,30% do capital social da SAELPA, através da PBPART SE 2, em 30/11/2000, com pagamento de ágio no valor de R$ 289.623 mil; Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.527 5 c) Incorporação da PBPARTSE 2 pela SAELPA, em 28/12/2006 evento societário com o qual entendeu possibilitar que as despesas de amortização do ágio pago na aquisição da SAELPA passassem a ser aproveitadas pela própria empresa adquirida, como despesas dedutível do IRPJ e CSLL. 41. Diferentemente do “esquema de reorganizações” adotado quando da compra da ENERGIPE pelo GRUPO, onde todo o processo foi executado em pouco mais de seis meses; as incorporações das empresas veículo que formalizaram as aquisições da ENERGISA BORBOREMA (CELB) e da ENERGISA PARAÍBA (SAELPA) só ocorreram no final do ano de 2006, após autorização da ANEEL, em processo administrativo iniciado em 2004, para cumprimento das exigências da Lei nr. 10.848/2004. 42. O principal motivo para a “falta de interesse” do GRUPO ENERGISA em concluir o processo de reorganização societária foi apresentado à ANEEL em 21/03/2005, na solicitação de prorrogação do prazo para segregação de atividades, justificada através da “complexa situação atual que envolve os principais acionistas da CFLCL e as conseqüências societárias que a segregação acarretará”. 43. De fato, notícias de desentendimentos entre o GRUPO ENERGISA e a ALLIANT remontam pelo menos desde 2003, exteriorizadas pela “Reclamação por Quebra de Acordo” proposta pela ALLIANT junto à Corte de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional, que inclusive resultou na condenação do GRUPO ENERGISA. [...] 44. Esta estrutura permaneceu até o ano de 2006, enquanto a ALLIANT ainda mantinha participação nas empresas do GRUPO ENERGISA. 1.1.2.6. Estrutura em 2006 45. Já sem a participação da ALLIANT nas empresas do GRUPO ENERGISA, foram aprovadas as incorporações da PBPART pela CELB e da PBPARTSE 2 pela SAELPA, passando a ENERGIPE a deter o controle acionário das empresas. 46. Em evento subseqüente, em 30/12/2006, a ENERGIPE reduz o seu capital social e transfere as ações da CELB e da SAELPA aos seus acionistas (a ENERGISA S/A), tornandose a ENERGISA os seus controladores diretos. 47. A operação de incorporação reversa da PBPARTSE 2 pela SAELPA resultou na constituição de um ativo diferido amortizável no valor de R$ 294.047.563,47, equivalente ao montante do ágio pago pelo GRUPO na aquisição das ações, constante na contabilidade da PBPARTSE 2 na data da sua incorporação, em contrapartida de um passivo (ou conta redutora do ativo) titulado como Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido, no valor de R$ 194.071.391,89, e de um Patrimônio Líquido, na conta de Reserva Especial de Ágio, correspondente a diferença entre o ágio e a provisão constituída de R$ 99.976.171,58. 48. Assim procedendo, o GRUPO ENERGISA alcança o objetivo inicialmente previsto de obter o benefício fiscal previsto no artigo art. 386 do RIR/99, passando a reduzir (indevidamente) a sua carga fiscal do IRPJ e CSLL dos exercícios futuros com as despesas de amortização do ágio. Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.528 6 49. Do exposto, demonstrase que a seqüência de “reestruturações societárias” procedida deságua na transferência para a ENERGISA PARAÍBA do ágio com que o GRUPO ENERGISA adquiriu o seu investimento nela, sem que, com isso, desaparecesse qualquer empresa do GRUPO, ou mesmo a empresa investida, ou o investimento; isso posto, engendrandose o artifício jurídico de se utilizar de uma empresa de propósito específico (a PBPARTSE 2) que entra no processo apenas para a formalização da aquisição, registro do ágio e posterior incorporação pela investida. 50. Ou seja, ao final do enredo, não houve qualquer modificação na estrutura societária do GRUPOENERGISA (tudo está como era antes); apenas que a empresa adquirida ENERGISA PARAÍBA “restou” com o seu Ativo e Patrimônio Líquido majorados do valor do saldo do ágio pago pelo GRUPO na sua aquisição; passando a deduzir (indevidamente) dos seus resultados tributáveis do IRPJ e CSLL a despesa de amortização de ágio. [...] 51. De todo o exposto, fica evidente que a “reorganização societária” promovida pelo GRUPO ENERGISA objetivou unicamente o aproveitamento do benefício fiscal da dedutibilidade da amortização do ágio na redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Objetivo esse que se encontra explícito nos diversos documentos produzidos que buscaram justificar o processo de “reestruturação” (vide: Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras publicadas pelas empresas envolvidas, referentes aos períodos dos atos praticados e seguintes). [...] Com relação a infração relativa à compensação indevida por saldo insuficiente de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, o TVF descreve, verbis: 2. SALDO INSUFICIENTE DE PREJUÍZOS FISCAIS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES PARA COMPENSAÇÃO 2.1. DOS FATOS IDENTIFICADOS 99. As infrações aqui tributadas alteram os resultados fiscais dos períodos de apuração abrangidos pela fiscalização (anos calendário de 2006 a 2008), acarretando aumento do lucro real antes da compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores. 100. O sistema de controle interno da RFB SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Cálculo Negativa da CSLL), para controlar os saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa dos contribuintes é alimentado com as informações das DIPJ apresentadas e pelos ajustes de revisão de declaração ou fiscalização efetuados em procedimentos de ofício. E, nos seus demonstrativos de: “Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais” e “Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais”61, dos anos de 2006, 2007 e 2008, demonstra a seguinte situação quanto ao saldo de prejuízos fiscais da fiscalizada: Ano Saldo Inicial de Prejuízos Fiscais a Compensar conf. sistema SAPLI da RFB Prejuízo Fiscal Compensado pelo contribuinte no período Conforme informado na DIPJ Compensação Indevida ou a maior 2006 R$ 14.156.552,04 R$ 43.468.130,91 R$ 29.311.578,87 Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.529 7 2007 R$ 0,00 R$ 37.511.528,59 R$ 37.511.528,59 2008 R$ 0,00 R$ 32.129.064,17 R$ 32.129.064,17 101. As diferenças relativas aos anos de 2006 e 2007 foram objeto de tributação através de procedimentos de revisão interna (malhas fiscais), já formalizados pelos processos 14751.002674/200826 e 14751.002618/200972, respectivamente. 102.Por isso, em 16/05/2011, intimamos a empresa a justificar as divergências apuradas na utilização de saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, no anocalendário de 2008, através do Termo de Intimação Fiscal 009. 103.Em 02/06/2011, a fiscalizada vem atender nossa solicitação, apresentando as seguintes justificativas: [...] 104. De fato, o processo 14751.000142/200510 foi formalizado em decorrência de ação fiscal no contribuinte, resultando na lavratura dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, em relação aos anos de 2000 e 2001, através dos quais foram alterados os resultados tributáveis no período e conseqüentemente modificação dos saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, tendo em vista as glosas de despesas efetuadas no procedimento fiscal supracitado. 105. Em sua resposta, a auditada requer a suspensão do procedimento de homologação da compensação efetuada em 2008 até o julgamento final do processo administrativo que deu origem à redução do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL nos anos de 2000 e 2001. 106. Tal pedido não poderá ser atendido, pois a decisão de primeira instância do processo acima referido em nada alterou o saldo de prejuízos fiscais anteriores, passíveis de compensação no anocalendário de 2008. 107. Assim é que, a compensação efetuada pela ENERGISA PARAÍBA no ano calendário de 2008, no valor de R$ 32.129.064,17, é indevida por inexistência de saldo. [...] 3. SALDO INSUFICIENTE DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES PARA COMPENSAÇÃO 3.1. DOS FATOS IDENTIFICADOS 110. Da mesma forma que com relação ao IRPJ, as infrações aqui mencionadas alteram os resultados fiscais dos períodos de apuração abrangidos pela fiscalização (anos calendário de 2006 a 2008), com relação à base de cálculo da CSLL. 111. O sistema de controle interno da RFB – SAPLI, nos seus “Demonstrativos da Base de Cálculo Negativa da CSLL”67 e “Histórico da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”, dos anos de 2006, 2007 e 2008, demonstra a seguinte situação quanto ao saldo de base de cálculo negativa da CSLL da fiscalizada: Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.530 8 Ano Saldo Inicial de Base de Cálculo Negativa da CSLL a Compensar Conf. Sistema SAPLI Base de Cálculo Negativa Compensada pelo contribuinte no período Conf. Informado na DIPJ Compensação Indevida ou a maior 2006 R$ 0,00 R$ 43.060.859,18 R$ 43.060.859,18 2007 R$ 0,00 R$ 37.438.720,76 R$ 37.438.720,59 2008 R$ 0,00 R$ 26.296.435,30 R$ 26.296.435,30 112. As diferenças relativas aos anos de 2006 e 2007 foram objeto de tributação através de procedimentos de revisão interna (malhas fiscais), formalizados através dos processos fiscais 14751.002674/200826 e 14751.002618/200972, respectivamente. 113. Como conseqüência, restou que a compensação efetuada pela ENERGISA PARAÍBA no ano calendário de 2008, no valor de R$ 26.296.435,30, tornouse indevida por inexistência de saldo. A multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ/CSLL sobre base de cálculo estimada, lançada, decorre diretamente da infração relativa a glosa de despesas com amortização de ágio. Cientificada em 14/06/2012 (AR efls. 1289), a recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 1290/1389), em 16/07/2012, no qual refutas os fundamentos da decisão recorrida e traz as seguintes alegações: a) que o GRUPO ENERGISA em um primeiro momento decidiu investir na aquisição de ações da Recorrente, tendo, para tanto, criado sociedades de propósito específico, que tiveram duração de mais de 6 anos. Posteriormente, quando as razões econômicas para a manutenção dessa estrutura não mais existiam, bem como a legislação impôs a necessidade de desverticalização das atividades desenvolvidas pelo GRUPO ENERGISA, houve a incorporação das sociedades de propósito específico; b) que a aquisição da SAELPA foi realizada diretamente pela PBPART SE 2, criada antes do leilão, sendo certo que, quando da incorporação da SAELPA (investida) pela PBPART SE 2 (investidora), houve a amortização do ágio pago nessa aquisição, não tendo havido qualquer transferência do referido ágio para uma terceira pessoa jurídica; c) que a decisão recorrida buscou manter a glosa das despesas com a amortização do ágio em questão, sem, contudo, demonstrar o que teria sido descumprido em relação ao disposto no artigo 386, do RIR/99, desconsiderando os argumentos e documentos apresentados na impugnação, e insistindo na alegação de que o GRUPO ENERGISA teria praticado uma série de "reestruturações societárias" sem qualquer motivação econômica, com o artifício da criação de empresa, sem qualquer propósito negocial, para mais adiante ser incorporada pela sua controlada, a fim de criar o benefício fiscal em questão (dedutibilidade da despesa de amortização do ágio). d) que o caso em análise não se trata de uma "reestruturação societária" do GRUPO ENERGISA, que culminou na dedutibilidade do ágio pago na aquisição pela PBPART SE 2 de ações da Recorrente, então denominada SAELPA Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba, como sustenta a atuação e o acórdão recorrido; e) que, com a absorção do patrimônio da investidora (PBPART SE 2) pela investida (SAELPA), o ágio registrado contabilmente por aquela primeira (PBPART SE 2) foi Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.531 9 transferido, por sucessão, para esta última e com base nos art. 385 e 386 do RIR/1999 a investida passou a amortizar em sua escrituração contábil e, consequentemente, a deduzir na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o ágio que fora pago na aquisição de suas próprias ações; f) que, não houve qualquer questionamento acerca do atendimento de todos os requisitos para aplicação dos artigos 385 e 386, ambos do RIR/99, conforme amplamente demonstrado na impugnação apresentada, quais sejam: (i) aquisição de investimento; (ii) efetivo pagamento do ágio, ao Estado da Paraíba, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da Recorrente; e (iii) ocorrência de incorporação envolvendo a sociedade investida e a investidora; g) que o contexto histórico e econômico em que se inserem as operações realizadas pelo GRUPO ENERGISA, demonstram que tais operações não levaram à criação de um benefício fiscal, mas sim ao aproveitamento de tal benefício criado pelo legislador ordinário justamente para incentivar o processo de desestatização, implementado por meio do Programa Nacional de Desestatização, instituído pela Lei n° 8.031/90, a qual foi posteriormente revogada pela Lei n° 9.491/97, que passou a dispor sobre os procedimentos relativos a tal Programa; h) que o parágrafo primeiro do referido artigo 4º da Lei nº 9.491/97, estabelecia que, a fim de implementar a modalidade operacional escolhida, poderia haver operações societárias, bem como a criação de subsidiárias integrais; i) que a respeito da desestatização das concessionárias de serviço público de distribuição de energia elétrica não houve a edição de um decreto específico, ficando essas empresas submetidas às regras implementadas no PND e às normas previstas na Lei n° 8.987/95, que permitiam que o vencedor do leilão adquirisse o investimento nas empresas privatizadas por meio de uma empresa subsidiária integral (ou empresa veículo) com o propósito específico de atuação como holding; j) que por meio dos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, que regulamentam a amortização do ágio. o legislador ordinário buscou incentivar diretamente os investidores do processo de privatização a aumentar as suas ofertas no momento da participação nos leilões das empresas que seriam desestatizadas; k) que se o próprio Governo, a fim de incentivar o processo de desestatização, previa a possibilidade de realização de operações com a utilização de empresas veículo, assim como incentivou reestruturações societárias com o objetivo de garantir o aproveitamento do ágio pago na aquisição de ações das empresas privatizadas, as operações realizadas nesse contexto devem ser consideradas plenamente válidas e admissíveis e não ilícitas, como mencionado na decisão recorrida; l) que não há qualquer abusividade ou ilicitude na conduta da recorrente, como alegado na decisão recorrida, na medida em que tal conduta foi induzida pela própria lei fiscal; m) que, assim, tendo havido a aquisição, por meio de sociedade de propósito específico, no caso a PBPART SE 2, de participação societária com o pagamento de ágio ao Governo do Estado da Paraíba, em razão da perspectiva de rentabilidade futura da empresa investida (SAELPA), ora recorrente, qualquer empresa investidora teria direito ao registro Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.532 10 contábil desse ágio e, tendo havido a posterior incorporação do patrimônio da Investidora (PBPART, SE 2) pela Investida (SAELPA), a despesa com a amortização desse ágio é dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo do CSLL, uma vez que restou atendido o disposto nos artigos 385 e 386, do RIR/99. n) que não foi a realização de uma suposta reestruturação societária do GRUPO ENERGISA que levou ao aproveitamento do benefício fiscal da dedutibilidade da despesa de amortização do ágio, mas sim a aplicação da norma fiscal o) que, em resumo, não houve a criação de uma despesa dedutível de amortização do ágio, mas simplesmente a aplicação da legislação que expressamente permite tal dedutibilidade. p) que o GRUPO ENERGISA possuía diversas razões para efetivar a sua participação na Recorrente por meio da PBPART SE 2 (sociedade de propósito específico), cuja existência não era e nem foi efêmera (durou 6 anos), possuindo claros propósitos negociais, diversos de qualquer benefício fiscal e que havia outras diversas razões que justificaram a incorporação da PBPART SE 2 pela recorrente. q) que a PBPART SE 2 não foi constituída como uma empresa veículo, mas sim como uma empresa de propósito específico, dentro de um modelo de organização empresarial, para realização de um objetivo específico, qual seja, a aquisição de investimento em empresa de energia elétrica, objeto de leilão público. r) que as sociedades de propósito específico são sociedades revestidas de personalidade jurídica, nas quais a responsabilidade de seus sócios estaria limitada ao capital nela investido, de modo que servem como barreira, isolando potenciais riscos. s) que a aquisição de um investimento por meio da adoção dessa estrutura (criação de uma SPE) tem como vantagem isolar o risco financeiro da atividade desenvolvida pela empresa investida, permitindo um perfeito isolamento das outras atividades comerciais dos acionistas controladores e um acesso direto e menos complicado aos ativos e recebíveis do empreendimento pelos agentes financiadores, nos casos de inadimplência. t) que a utilização de sociedade de propósito específico é uma técnica societária de limitação de responsabilidades amplamente utilizada, que tem como objetivo proteger o patrimônio social das empresas, sejam elas sociedades limitadas ou anônimas. u) que a SPE é, uma sociedade comumente utilizada em grandes projetos, com ou sem a participação estatal, como, por exemplo, em casos de recuperação judicial de empresas e de Parcerias Público Privadas ("PPP") que inclusive, a própria Lei n° 11.079/2004, que trata das PPPs, prevê, em seu artigo 9°, que, antes da celebração do contrato, deverá ser constituída uma SPE, incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria. v) que GRUPO ENERGISA, interessado no processo de privatizações, que envolveu o setor de energia elétrica, buscou adotar uma estrutura eficiente para atingir o seu objetivo, que era sair vencedor ern leilões públicos para aquisição de ações de empresas de distribuição de energia elétrica, como o da (SAELPA), ora recorrente. x) que a constituição da PBPART SE 2, como SPE, era vantajosa já que ao utilizar outra sociedade para a aquisição do investimento na SAELPA, a ENERGIPE Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.533 11 (controladora da PBPART SE 2) pretendeu não expor todo seu patrimônio ao risco desse investimento, limitando seu risco ao capital investido, mas também para permitir a obtenção de financiamentos diretamente por essa empresa. z) que por meio da SPE, além de não haver o registro de novas dívidas no passivo da ENERGIPE, poderiam ser celebrados acordos com novos investidores exclusivamente para participação em um projeto específico de aquisição de ações de uma determinada companhia distribuidora de energia elétrica, de modo que não houvesse envolvimento desse investidor nos demais negócios desenvolvidos pelo GRUPO. aa) que isso se verificou no caso concreto, na medida em que uma parcela significativa dos recursos financeiros obtidos.pelo GRUPO ENERGISA decorreu da participação direta da ALLIANT na PBPART SE 1 (empresa que detinha o controle da PBPART SE 2, conforme organograma anteriormente exposto), por meio da integralização e subscrição de ações daquela empresa (doc. 11 da impugnação Ata da Assembléia Geral Extraordinária da PBPART SE 1, realizada em 31.01.2001). bb) que a participação da ALLIANT na PBPART SE 1 pode ser confirmada também pelo acordo de acionista celebrado com a ENERGIPE, em 31 de janeiro de 2001. Nesse acordo de acionistas, considerando que, em 30 de novembro de 2000, a PBPART SE 2 foi declarada a licitante vencedora no leilão público das ações da Recorrente, restou definido a política geral a ser adotada pela PBPART SE 1 e os princípios gerais que deveriam nortear a conduta dos seus negócios (doc. 3 da impugnação), já considerando a participação direta da ALLIANT na PBPART SE 1. cc) que ao investir uma parcela dos seus recursos diretamente na PBPART SE 1, a ALLIANT estava deixando de investir no GRUPO ENERGISA como um todo, restringindo os seus riscos ao propósito específico da SPE, qual seja, o investimento na ora Recorrente, não havendo o envolvimento dessa parcela de recursos investida nos demais negócios e atividades do GRUPO. dd) que o investimento da ALLIANT diretamente na PBPART SE 1, que detinha o controle da PBPART SE 2, para aquisição das ações da Recorrente, confirma o propósito negocial existente para constituição da referida SPE. ee) que, com vistas a obtenção de recursos, a constituição da SPE permitiria ao GRUPO ENERGISA, se fosse necessária, a captação de financiamentos junto a instituições financeiras de forma mais ágil e descomplicada, uma vez que esses agentes financiadores teriam acesso direto e menos complicado aos ativos e recebíveis do empreendimento desenvolvido pela SPE. ff) que, como regra para fins de licitação, o participante deve comprovar a sua regularidade jurídica, fiscal e previdenciária, através de certidões negativas. Como se sabe, em uma empresa operacional, que já desenvolve atividades há um certo tempo, como era o caso da ENERGIPE, existia o risco potencial de que não fosse possível obter certidões negativas de tributos, em especial do INSS, em tempo hábil para a habilitação no leilão. gg) que em uma situação competitiva como eram os leilões de privatização, a possibilidade de não ser habilitado em decorrência de problemas na comprovação da regularidade fiscal era inadmissível. Desta forma, a utilização de uma sociedade nova, sem vícios, nem empregados, facilitava a obtenção da prova de sua regularidade fiscal e. afastava Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.534 12 definitivamente o fantasma da inabilitação ao processo de privatização, garantindo o cumprimento das regras estabelecidas no Edital do Leilão, no caso o Edital PMCG n° 002/98 (doc. 10 da impugnação). hh) que a criação da PBPART SE 2 não visava a sua imediata extinção, já que o fim almejado pelo GRUPO ENERGISA era efetivamente de um investimento de longo prazo em uma empresa distribuidora de energia elétrica, no caso a Recorrente, o que se atesta na prática, uma vez que, após a aquisição das ações pela PBPART SE 2, esta empresa passou a gerir a Recorrente, tendo como objetivo a manutenção desse investimento, que perdurou por 6 (seis) anos ii) que, portanto, não se pode dizer que o GRUPO ENERGISA utilizou o artifício jurídico de criação de empresa efêmera, sem qualquer propósito negocial. jj) que o GRUPO ENERGISA manteve, por meio da PBPART SE 2, durante 6 (seis) anos o investimento por ela detido na recorrente e que sua intenção, inclusive, era a manutenção dessa estrutura de investimento por muito mais tempo. kk) que, todavia, em 15 de março de 2004, foi editada a Lei n° 10.848 (conversão da Medida Provisória nº 144, de 11 de dezembro de 2003), que promoveu uma significativa alteração no parágrafo 5º , do artigo 4º da Lei n° 9.074/95, impondo a segregação das atividades exercidas pelas concessionárias de serviço público de distribuição de energia elétrica, assim como a vedação de participarem em outras sociedades de forma direta ou indireta. ll) que nessa época, o GRUPO ENERGISA possuía na sua estrutura as empresas Companhia Força e Luz CataguazesLeopoldina ("CFLCL") e ENERGIPE, que eram sociedades diretamente afetadas pela referida legislação, sendo a elas imposto o processo de segregação de atividades no âmbito do setor de energia elétrica. mm) que em razão disso e visando o cumprimento da legislação acima citada, a Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira ("SFF") da Agência Nacional de Energia Elétrica ("ANEEL") expediu o Ofício Circular n° 1078/2004 SFF/ANEEL, de 5 de julho de 2004, no qual solicitou às distribuidoras de energia elétrica uma agenda de providências para andamento e conclusão dos processos de segregação de suas atividades, cronograma esse a ser apresentado a ANEEL até 15 de agosto de 2004. nn) que em resposta a esse Ofício, que era objeto do processo da ANEEL n° 48500.002818/0431, a CFLCL e a ENERGIPE solicitaram à ANEEL uma prorrogação do prazo para efetivação da segregação de suas atividades, conforme determinado pela Lei n° 10.848/2004, por dezoito meses, esclarecendo a "complexa situação atual que envolve os principais acionistas da CFLCL e as conseqüências societárias que a segregação acarretará". oo) que desde 2003, o GRUPO ENERGISA e a ALLIANT iniciaram um processo de desentendimentos, exteriorizado pela Reclamação por Quebra de Acordo, proposta pela ALLIANT em 19.01.2004, junto à Corte de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional, conforme, inclusive, reconhecido pela fiscalização às fls. 12 do Relatório de Auditoria Fiscal e, paralelamente, foi travado um intenso conflito perante a Justiça Brasileira, que importou no ajuizamento de diversas ações judiciais. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.535 13 pp) que a Reclamação perante a Corte de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional, acabou resultando em decisão proferida por aquele Órgão, da qual a CFLCL tomou conhecimento em 26.09.2005. qq) a CFLCL e a ENERGIPE foram comunicadas de que a empresa SOBRAPAR SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORGANIZAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTD A. e seu controlador, ANTÔNIO JOSÉ DE ALMEIDA CARNEIRO ("Compradores"), realizaram oferta à Alliant Energy International Inc. e Alliant Energy Resources Inc. para aquisição de 100% das quotas representativas do capital social da ALLIANT, que detinha as seguintes participações nas subsidiárias da CFLCL, empresa do GRUPO ENERGISA: a. 45,6% no capital social da ENERGISA; b. 49,9% do capital social da PBPART SE 1 ; e c. 50,0% do capital social da USINA TERMELÉTRICA DE JUIZ DE FORA S/A. rr) que foilhes informado que os Compradores não teriam interesse em dar seguimento às controvérsias iniciadas pela ALLIANT em face dos acionistas controladores do GRUPO ENERGISA e suas subsidiárias, buscando extinguir, de forma definitiva, as ações judiciais existentes, efetuando comunicação aos devidos Órgãos, conforme consta em Fato Relevante divulgado pela empresa ENERGIPE em 19 de janeiro de 2006 (doc. 13 da impugnação). ss) que diferente do alegado pela fiscalização, não havia qualquer desinteresse em concluir o seu processo de reorganização societária por parte do GRUPO ENERGISA, em razão de disputas societárias, até porque esse processo não dependia do seu interesse/vontade, mas sim de imposição legal. tt) que encerrada a disputa societária, com a saída da ALLIANT, o GRUPO ENERGISA se viu em um cenário capaz de implementar o processo de desverticalização de suas atividades imposto pela Lei n° 10.864/2004, o qual estava sendo discutido perante a ANEEL nos autos do processo administrativo n° 48500.002818/0413. uu) em 12 de junho de 2006, mediante a Carta n° 10.1/40, foi solicitada à ANEEL anuência para a reestruturação societária da ENERGIPE, no âmbito do processo de desverticalização das participações por ela detidas, e para descruzamento acionário das participações por ela detidas, por meio de sociedades de propósito específico, nas distribuidoras Companhia Energética da Borborema CELB (atualmente denominada Energisa Borborema) e Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba SAELPA (atualmente denominada Energisa Paraíba). vv) que A ENERGIPE, então, solicitou a análise prioritária da fase de descruzamento acionário das participações detidas na SAELPA, ora Recorrente, e na CELB, como estágio preparatório para os demais atos, que permitiriam a completa desverticalização da CFLCL.e de suas controladas, cuja finalização do processo estava prevista para dezembro de 2006. xx) que nesse momento, a reestruturação proposta contemplava os seguintes passos: Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.536 14 (i) incorporação pela CELB da sua atual controladora direta, PBPART Ltda., e pela SAELPA (ora Recorrente), da sua atual controlada direta, PBPART SE 2; e (ii) transferência para a holding ENERGISA S/A dos investimentos da ENERGIPE na CELB e na SAELPA (ora Recorrente), mediante redução equivalente do capital da ENERGIPE, ficando o controle societário direto das concessionárias detido pela holding. zz) Uma das medidas iniciais proposta, foi a incorporação da empresa PBPART SE 2 pela Recorrente. Nesse momento, como não havia mais os desentendimentos entre o GRUPO ENERGISA e a ALLIANT, tendo havido a transferência do seu investimento, não havia impedimento para essa incorporação que permitiria a reestruturação societária do GRUPO como um todo. aaa) que, considerando que a SAELPA e a CELB possuíam concessão federal para exploração das atividades de distribuição de energia elétrica, apesar de se tratarem de empresas investidas, o mais natural e prático nesse caso, era a incorporação por elas de suas investidoras, pois a incorporação no sentido inverso seria demasiadamente burocrática, já que demandaria uma série de autorizações vinculadas às concessões federais que as Investidas (SAELPA e CELB) já possuíam. bbb) que após a autorização da ANEEL, a Recorrente procedeu à incorporação de sua controladora PBPART SE 2, conforme Ata da Assembleia Geral Extraordinária datada de 28 de dezembro de 2006, sendo certo que no Protocolo e Justificação da Operação de Incorporação da PBPART SE 2 Ltda. pela SAELPA, anexo à referida Ata (doc. 8 da impugnação), constou exatamente a informação acerca do propósito negocial dessa incorporação, que visava a simplificação da estrutura do GRUPO ENERGISA, consubstanciandose em uma das etapas do plano de desverticalização exigido nos termos da Lei n° 10.848/2004. ccc) que todos os fatos. acima narrados encontramse devidamente relatados no Relatório elaborado nos autos do processo administrativo n° 485000.002818/0431, que corre perante a ANEEL e do qual a fiscalização teve pleno conhecimento (doe. 15 da impugnação). ddd) que diante da alteração do cenário legislativo relacionado às empresas de distribuição de energia elétrica, o GRUPO ENERGISA não mais poderia manter a estrutura societária até então adotada. eee) que somente a partir de 2004 é que se iniciou, de fato, um processo de reestruturação societária do GRUPO ENERGISA, que decorreu não da vontade de seus acionistas, nem de qualquer intenção de aproveitamento de benefício fiscal, mas sim em decorrência exclusiva de imposição legal, sendo o GRUPO ENERGISA pressionado pela ANEEL para o cumprimento de todos os prazos para desverticalização de suas atividades, conforme imposto pela Lei n° 10.864/2004. fff) que ainda que não houvesse interesse direto para a SAELPA, ora Recorrente, ou obrigatoriedade imposta pelas referidas Leis, na incorporação da PBPART SE 2, essa medida se fazia necessária/obrigatória dentro de um contexto estrutural do GRUPO ENERGISA. Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.537 15 ggg) que resta evidente que o GRUPO ENERGISA tinha claros propósitos negociais, conforme previsto nos atos formalizados, absolutamente diversos do aproveitamento do beneficio fiscal da dedutibilidade da despesa de amortização do ágio em questão, pára extinção da PBPART SE 2 por incorporação pela recorrente. hhh) que diante da imposição dessa reestruturação societária, o GRUPO ENERGISA a realizou nos termos em que aprovada pela ANEEL e pelo CADE, o que demonstra a inexistência de qualquer impedimento na adoção de uma forma que importe em aproveitamento de benefício fiscal. iii) que não há que se falar em abuso de direito; pelo contrário, no presente caso, foram praticados os atos que efetivamente refletiram a vontade querida pelas partes: aquisição das ações da SAELPA indiretamente pela ENERGIPE, por meio da PBPART SE 2, por questões societárias e econômicas, bem como para o melhor aproveitamento do benefício fiscal relacionado ao ágio pago na aquisição das referidas ações. jjj) que diante de todos esses propósitos que levaram a adoção dessa estrutura, não há mal algum na intenção de aproveitamento do benefício fiscal referente à dedutibilidade da despesa com a amortização do ágio efetivamente pago, com fundamento na perspectiva de rentabilidade futura, na aquisição de ações da SAELPA, pois nada mais natural que uma empresa que estava participando desse processo das privatizações quisesse se beneficiar de redução da carga tributária, conforme permitido em Lei. kkk) que as operações realizadas foram submetidas ao órgão regulador, no caso a Agência Nacional de Energia Elétrica ("ANEEL"), tendo sido por ela validadas e os atos relacionados às operações analisadas no presente processo foram devidamente registrados e muitos deles contaram com a participação dos órgãos competentes, sendo devidamente registrados na Junta Comercial, e respeitaram os termos do Edital de Privatização da SAELPA, bem como o Contrato de Compra e Venda de Ações celebrado com o Governo do Estado da Paraíba. lll ) que admitir que tivesse havido um ato ilícito seria o mesmo que dizer que diversos órgãos competentes estariam envolvidos nessa ilicitude, inclusive, o Governo do Estado da Paraíba; mmm) que não resta a menor dúvida de que, no caso ora analisado, as operações societárias, de capitalização da PBPART SE 2 pela ENERGIPE, a aquisição de ações da SAELPA pela PBPART SE 2 e a sua posterior incorporação pela investida, "foram aquelas declaradas e realizadas de acordo com a legislação que regula estes tipos de operações, e os fins e os meios foram aqueles também expressados nos (...) e nos documentos societários", não restando caracterizado qualquer abuso de direito ou ilicitude. nnn) que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais citadas na decisão recorrida, para tentar justificar o seu posicionamento, não se aplicam ao presente caso, já que os elementos utilizados nessas decisões para caracterizar o planejamento fiscal abusivo não estão presentes nas operações realizadas pelo GRUPO ENERGISA. ooo) que a suposta compensação indevida de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário de 2008 se deu não apenas em decorrência da infração 1 do auto de infração ora impugnado, mas também das infrações (glosa de despesas) . Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.538 16 relativas aos anoscalendário de 2000 e .2001, que originaram o lançamento objeto do processo administrativo n° 14751.000142/200510. ppp) que, apesar de a decisão recorrida não ter mencionado a relação da infração referente ao processo administrativo n° 14751.000142/200510 com a infração 2 do presente processo, não resta qualquer dúvida de que a suposta insuficiência dos referidos saldos apurada pela fiscalização somente restará concretizada após decisão definitiva confirmando todas as infrações que a fundamentaram, suportando, assim, os ajustes nos resultados fiscais dos períodos envolvidos, o que, conforme mencionado, ainda não se verificou. qqq) que as infrações alegadas simplesmente não ocorreram, seja no processo administrativo n°14751.000142/200510 ou no presente processo, não há que se falar em compensação indevida de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL decorrentes de tal fato. rrr) que o auto de infração objeto do processo administrativo n° 14751.000142/200510 ainda está sendo discutido administrativamente, sendo certo que, apesar de ter sido proferida decisão de primeira instância desfavorável aos seus interesses, foi tempestivamente interposto recurso voluntário (doe. 16 da impugnação), tendo sido o julgamento de tal recurso convertido em diligência, conforme determinado pela 2ª Turma, da 3ª Câmara, deste Egrégio Conselho, em 14.03.2012, para que a DRJ reexamine a documentação apresentada pelo contribuinte nos autos daquele processo. sss) que restando comprovada a conexão da infração 2 do auto de infração em questão com a infração 1 do referido lançamento e com a infração apurada nos autos do processo administrativo n° 14751.000142/200510, deve ser, ao menos, sobrestado o julgamento desse item da autuação fiscal até que seja proferida decisão definitiva sobre a infração que o fundamentou. ttt) que em decorrência das infrações 1 e 2 apuradas no lançamento em questão (indevida dedutibilidade de despesas com a amortização de ágio e compensação indevida de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL), bem como das infrações apuradas no lançamento formalizado nos autos dos processos administrativos n°s 14751.002674/2008 26 e 14751.002618/200972, a fiscalização considerou que não foram realizados pagamentos de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, nos anoscalendário de 2006 a 2008, pretendendo a exigência de multa isolada. uuu) que em sua impugnação, a Recorrente demonstrou que o crédito tributário de IRPJ e de CSLL decorrente das infrações 1 e 2, para os anoscalendário de 2006 a 2008, bem como decorrente das infrações apuradas nos autos dos processos administrativos n°s 14751.002674/200826 e 14751.002618/200972, já estava sendo exigido devidamente acrescido da multa de oficio correspondente a 75% do tributo devido, com fundamento no inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96. Ou seja, a Recorrente já havia sido apenada com multa de oficio de 75% sobre o IRPJ e a CSLL devidos em relação às referidas infrações. vvv) que, deste modo, a imposição da multa isolada em razão dos efeitos dessas infrações na reapuração das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2006 a 2008, unicamente em razão do suposto não recolhimento mensal por estimativa, importaria em duplicidade de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o não recolhimento de valores devidos a título de IRPJ e de CSLL em razão da dedutibilidade das Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.539 17 despesas de amortização do ágio em questão, verificandose de forma cristalina o tão temido e repudiado bis in idem. xxx) que apesar de a Lei n° 9.430/96 prever a aplicação da multa isolada de 50% pelo não pagamento ou pagamento a menor do IRPJ e da CSLL apurados mensalmente por estimativa, não autoriza a sua exigência de forma cumulativa com a multa de ofício de 75%. zzz) que a multa isolada, de acordo com a sua previsão legal, deve ser aplicada nos casos em que o próprio contribuinte apura, por estimativa, determinado valor a ser recolhido a título de IRPJ e de CSLL, mas não promove o devido recolhimento do valor apurado por omissão, mas no caso de lançamento de ofício em face de eventual infração apurada pelo Fisco, este deve promover o lançamento dos tributos devidos, acrescidos da multa de ofício e juros moratórios, porám, não há mais o cabimento da multa isolada, sob pena de dupla penalização pela mesma infração. aaaa) que a imposição tanto da multa de ofício quanto da multa isolada advém do não pagamento do IRPJ e da CSLL decorrentes das infrações 1 e 2 objeto do auto de infração ora questionado, bem como decorrentes das infrações apuradas nos autos dos processos administrativos n°s 14751.002674/200826 e 14751.002618/200972. Ou seja, ambas as multas tem origem nos mesmos fatos, nas mesmas infrações. bbbb) que não houve qualquer ausência no recolhimento das estimativas apuradas por omissão da Recorrente, ao passo que, esta apurou o valor de IRPJ e de CSLL devidos e efetuou seus respectivos recolhimentos. Tão somente após as glosas decorrentes do procedimento fiscal, que importou em alterações nas DIPJs transmitidas pela Recorrente, é que se verificou a suposta ausência dos recolhimentos das estimativas mensais em questão. cccc) que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu pela impossibilidade da imposição cumulativa das multas de ofício e isolada. ddd) que, apenas para fins de argumentação, possa ser admitida a procedência da multa isolada aplicada em duplicidade, deve ser observado que, sendo essa multa decorrente das infrações 1 e 2 apuradas no auto de infração ora questionado, bem como da infração objeto de tributação nos lançamentos formalizados nos autos dos processos administrativos nº 14751.002674/200826 e 14751.002618/200972, somente será devida em caso de decisão definitiva acerca da manutenção dessas infrações. eeee) que os créditos tributários decorrentes das infrações que fundamentaram as infrações 2 e 3 do presente processo encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional, não havendo qualquer decisão definitiva que confirme a liquidez e certeza dessas infrações. ffff) que é indevida a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, caso mantidas as infrações, por ausência de previsão legal. Ao final, requer que seja reformada a decisão recorrida e que seja julgado integralmente improcedente o lançamento tributário. Trazido o recurso a julgamento em 11 de junho de 2013, este colegiado resolveu, por meio a Resolução nº 1302000.238, decidiu sobrestar o julgamento deste Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.540 18 processo até o deslinde do Processo nº 14751.000142/200510 para evitar o conflito entre as decisões. Tendo o Processo nº 14751.000142/200510 sido distribuído, por sorteio, a este relator, para analisar o recurso voluntário da interessada naquele processo, o presente feito foi redistribuído para minha relatoria em face da conexão entre ambos. Por meio da Resolução nº 1302000.452, na sessão de 05 de outubro de 2016, resolveu este colegiado determinar a vinculação deste processo ao PA. 14751.000142/200510 e o sobrestamento do julgamento do processo nesta 3ª Câmara, para aguardar a conclusão das diligências determinadas naquele processo. Concluídas as diligências determinadas no PA. 14751.000142/200510 e devolvidas à 3ª Câmara, este processo retornou a este relator, junto com aquele, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.541 19 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. São três as matérias em discussão nos presentes autos: 1 Adições não computadas na apuração do lucro real: Despesa indedutível com amortização de ágio” (anoscalendário de 2006, 2007 e 2008); 2 Saldo insuficiente. compensação indevida de prejuízo operacional/base de cálculo negativa com resultado da atividade geral” (anocalendário de 2008); 3 Multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ/CSLL sobre base de cálculo estimada (anoscalendário de 2006, 2007 e 2008). Aprecio inicialmente a questão relacionada à glosa de amortização de ágio. 1 Adições não computadas na apuração do lucro real: Despesa indedutível com amortização de ágio” (anoscalendário de 2006, 2007 e 2008) A autoridade fiscal efetuou a glosa de amortização de ágio verificada na aquisição da empresa de energia SAELPA por meio do leilão de privatização do Estado da Paraíba, no ano de 2000, utilizandose de uma empresa de propósito específico (PBPARTSE2). A amortização fiscal do referido ágio começou a ser feita a partir do anocalendário 2006, quando houve a incorporação reversa da empresa PBPARTSE2 pela SAELPA. A fiscalização aponta falta de propósito negocial nas operações realizadas e a utilização de uma empresa veículo (de propósito específico) que teria sido realizada com o único objetivo do aproveitamento fiscal do ágio, conforme se extrai das conclusões do TVF, verbis: 49. Do exposto, demonstrase que a seqüência de “reestruturações societárias” procedida deságua na transferência para a ENERGISA PARAÍBA do ágio com que o GRUPO ENERGISA adquiriu o seu investimento nela, sem que, com isso, desaparecesse qualquer empresa do GRUPO, ou mesmo a empresa investida, ou o investimento; isso posto, engendrandose o artifício jurídico de se utilizar de uma empresa de propósito específico (a PBPARTSE 2) que entra no processo apenas para a formalização da aquisição, registro do ágio e posterior incorporação pela investida. 50. Ou seja, ao final do enredo, não houve qualquer modificação na estrutura societária do GRUPOENERGISA (tudo está como era antes); apenas que a empresa adquirida ENERGISA PARAÍBA “restou” com o seu Ativo e Patrimônio Líquido majorados do valor do saldo do ágio pago pelo GRUPO na sua aquisição; passando a deduzir (indevidamente) dos seus resultados tributáveis do IRPJ e CSLL a despesa de amortização de ágio. Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.542 20 [...] 51. De todo o exposto, fica evidente que a “reorganização societária” promovida pelo GRUPO ENERGISA objetivou unicamente o aproveitamento do benefício fiscal da dedutibilidade da amortização do ágio na redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Objetivo esse que se encontra explícito nos diversos documentos produzidos que buscaram justificar o processo de “reestruturação” (vide: Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras publicadas pelas empresas envolvidas, referentes aos períodos dos atos praticados e seguintes). De outra parte, a recorrente alega, em síntese, a legalidade de toda a operação e o atendimento aos requisitos legais para a dedutibilidade do ágio previstos nos arts. 385 e 386 do RIR/1999, em especial: a efetiva aquisição do investimento, mediante pagamento à parte não relacionada (Estado da Paraíba); fundamentação econômica baseada na expectativa de rentabilidade futura do investimento; e a incorporação envolvendo a sociedade investida e a investidora. Defende a estrutura societária utilizada, aduzindo que o próprio governo federal, no âmbito do processo de privatização em meados da década de 1990, induziu, por meio de lei, a utilização de subsidiárias integrais com o propósito específico de atuação como holding, com vistas a aquisição das empresas privatizadas. Ressalta o interesse na manutenção de estrutura societária separada da empresa controladora para a aquisição do investimento, de forma a facilitar o processo de aquisição e isolar eventuais riscos do negócio. E, ainda, a existência de uma terceira empresa envolvida na aquisição (ALLIANT), por meio do investimento realizado por esta na empresa PBPARTSE 1 (empresa que detinha o controle da PBPART SE 2). Por fim aponta que a empresa PBPART SE 2, controlada pelo grupo Energisa, manteve o investimento por cerca de seis anos, e que a alteração da estrutura societária se deu, principalmente, em decorrência do processo de desverticalização do setor elétrico, uma vez que, em 15 de março de 2004, foi editada a Lei n° 10.848 (conversão da Medida Provisória nº 144, de 11 de dezembro de 2003), que promoveu uma significativa alteração no parágrafo 5º , do artigo 4º da Lei n° 9.074/95 e impôs a segregação das atividades exercidas pelas concessionárias de serviço público de distribuição de energia elétrica, assim como a vedação de participarem em outras sociedades de forma direta ou indireta. As discussões sobre a dedutibilidade do ágio, em face da aquisição de investimentos, lastreados na rentabilidade futura da empresa adquirida, têm sido intensas no âmbito deste tribunal administrativo, sedimentando algumas teses e, por certo, a convicção dos julgadores que dela tem participado. Assim, pouco há a inovar, a esta altura, em termos de embasamento teórico, quanto ao alcance das disposições legais atinentes ao tema, de modo que, preambularmente, trago como embasamento de meus posicionamentos quanto à matéria, os conceitos que proferi no voto condutor do Acórdão nº 1302001.950, os quais peço vênia aos meus pares para reproduzir, como segue: Considerações sobre a amortização do ágio Antes de adentrar o mérito da exigência fiscal, entendo ser necessário tecer algumas considerações acerca da questão da amortização do ágio em face de Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.543 21 reorganizações societárias, que vem sendo largamente utilizado e discutido enquanto mecanismo de planejamento tributário das empresas. Tal discussão é bastante tormentosa, o que se revela na própria jurisprudência administrativa, e não está imune a algum grau de subjetividade por parte dos intérpretes e aplicadores do direito. Da liberdade de autoorganização do contribuinte A primeira questão a ser analisada referese à liberdade de autoorganização do contribuinte, tida como absoluta pelos intérpretes e doutrinadores liberais, que defendem que “o Fisco só pode cobrar (tributos) mediante tipicidade fechada e legalidade estrita” enquanto que o contribuinte pode fazer tudo que não está restringido pela lei. Desta visão decorre o entendimento de que atendidos os aspectos puramente formais dos atos e operações do contribuinte, independente de seu conteúdo real, nenhuma objeção pode ser feita pelo Fisco. Tal visão desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Não há dúvidas de que o contribuinte tem ampla liberdade de autoorganizar se, inclusive no sentido de adotar as opções negociais que lhe propiciem a menor carga tributária possível. Esta liberdade de autoorganização, no entanto, não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa, etc. Tampouco se aplica às hipóteses de simulação, fraude à lei e abuso de direito. Um dos poucos doutrinadores a tratar do tema sem o viés estritamente liberal, Marco Aurélio Greco leciona que “não há dúvida de que o contribuinte tem o direito encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício desse direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, fraude à lei” 1. Nesse sentido, observa que “a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco, quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal” 2. A observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal na interpretação e aplicação da lei tributária, especialmente quando se trata do Imposto de Renda, revelase de todo pertinente, não podendo tais princípios serem subjugados ou simplesmente esquecidos em face do direito de autoorganização do sujeito passivo. “A eficácia do princípio da capacidade contributiva está em assegurar que todas as manifestações daquela aptidão sejam efetivamente atingidas pelo tributo” 3. E, “na medida em que a lei qualificou uma determinada manifestação de capacidade contributiva como pressuposto de incidência de um 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228 2 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p. 211 3 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.209. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.544 22 tributo, só haverá isonomia tributária se todos aqueles que se encontrarem na mesma condição tiverem de suportar a mesma carga fiscal. Se, apesar de existirem idênticas manifestações de capacidade contributiva, um contribuinte puder se furtar ao imposto (ainda que licitamente), esta atitude estará comprometendo a igualdade, que tem dignidade e relevância até mesmo maiores que a proteção à propriedade (CF, artigo 5º)” 4. Desta feita, não há que se falar em liberdade de autoorganização quando o ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido, pois “a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir uma redução do tributo)”. 5 Se o contribuinte que pratica atos, abusando do direito de autoorganização, não pode ter reconhecido os efeitos tributários os quais buscou beneficiarse, aquele que simula a prática de atos com vistas unicamente a redução de tributos menos ainda pode usufruir do benefício fiscal almejado. Primeira conclusão: a liberdade de autoorganização do contribuinte perante o Fisco e a sociedade não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa e não se coaduna com as práticas de simulação, abuso de direito ou fraude à lei. Os fundamentos da existência ágio e das condições para sua amortização. A questão do ágio com fundamento econômico na rentabilidade futura da empresa investida, ganhou relevância em meados da década de 1990 no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, com a edição da Lei nº 9.532, de 1997, mais especificamente dos seus artigos com base nos artigos 7º, inciso III, e 8º6. Antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o ágio na aquisição de investimento somente tinha efeitos fiscais na tributação do ganho ou perda de capital quando de sua alienação (DL nº 1.598/77, art. 33), sendo sua amortização fiscalmente neutra (era adicionada no LALUR). Muitos doutrinadores e estudiosos do direito enxergam os dispositivos da Lei nº 9.532/97 como um incentivo fiscal às privatizações, visando a aumentar a participação nos leilões de privatização de estatais. Em sentido contrário, Luiz Eduardo Shoueri enxerga a norma como uma restrição “da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição 4 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.210. 5 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p.246 6 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto lei n.º 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.545 23 de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que fossem acarretados efeitos econômicotributários que o justificassem” 7 Qualquer que fosse o objetivo, é certo que o legislador baseouse em um motivo econômico da maior relevância quando tratou da possibilidade fiscal de dedução do ágio pago na aquisição de investimentos, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, na Lei nº 9.532/1997. Independente da premissa ou pressuposto para a instituição da previsão legal de dedução do ágio, verificase que a lei não cuidou de restringir o seu alcance apenas para as operações de aquisições de participações visando o programa nacional de desestatização, de sorte que é correta a sua extensão a toda e qualquer operação de aquisição de investimentos, inclusive naquelas ocorridas entre particulares, desde que seja equivalente às da previsão legal. Assim é que, em uma operação de aquisição de investimentos entre duas empresas independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses, havendo o pagamento de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura e, cumpridos os requisitos legais, o Fisco não pode opor qualquer óbice à sua amortização. Por outro lado, a lei não ampara as reorganizações societárias em que não existe uma efetiva aquisição de investimentos; quando há uma mera simulação de negócios societários visando unicamente a criar um ágio artificial para reduzir a carga tributária do contribuinte. São os casos em que ainda que formalmente regulares, os negócios societários não tem substância ou existência real. As principais características desses arranjos societários artificiais são: reorganização societária dentro de um grupo de empresa sob controle comum: a aquisição ou criação de empresas sem atividade econômica real (empresas veículos); subscrição de capital na empresa veículo, integralizada com quotas ou ações da empresa operacional do grupo (ou outra holding intermediária), avaliadas “a valor de mercado” com base na expectativa de rentabilidade futura; ausência de pagamento efetivo (não há qualquer dispêndio ou sacrifício patrimonial); inexistência de outra finalidade nas operações, que não a geração/aproveitamento do ágio, ou preponderância desta última; operações formais realizadas em curto espaço de tempo; incorporação reversa da investidora pela investida, que passa a adotar a razão social ou marca daquela; o controle societário da empresa operacional (direto ou indireto) resulta inalterado ao final da reorganização societária. Nem todas as variáveis acima elencadas deverão estar presentes, ao mesmo tempo, para se constatar a geração artificial de um ágio na operação societária. No exame das operações societárias visando a aferir a efetividade da existência do ágio há que se levar em consideração, fundamentalmente: a existência de motivação econômica para a operação; a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação; a existência de efetivo pagamento (dispêndio ou sacrifício patrimonial); modificação da participação no controle (direto ou indireto) da empresa operacional após a reorganização. 7 SCHOUERI, Luis Eduardo. ÁGIO EM REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS (ASPECTOS TRIBTÁRIOS). São Paulo: Dialétic, 2012, p. 67. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.546 24 Ainda deve ser observado que a lei exige que o contribuinte demonstre documentalmente os fundamentos do ágio pago, valendose os interessados, geralmente, de laudos técnicos de empresas especializadas que avaliam o investimento a preço de mercado. Quanto a esse aspecto destaquei, ao proferir o voto vencedor no Acórdão nº 1302001.108, que é praticamente inviável o desafio do Fisco contraporse aos "laudos" de avaliação elaborados pela empresas de consultoria contratadas pelo próprio contribuinte que engendra tais reorganizações societárias intragrupo. Além da natural precariedade e incerteza quanto à "expectativa de rentabilidade futura" estimada, agregamse à projeções dados empíricos e subjetividades não passíveis de serem questionados. O único mecanismo de aferição do valor real do negócio em uma operação de aquisição de investimento por uma sociedade em outra, é o efetivo pagamento pelo preço fixado. Neste caso, o ágio surge límpido, bastando comparar o valor efetivamente pago com o valor patrimonial da investida na data do negócio. De se observar que na avaliação do investimento a valor de mercado pode estar embutido no ágio pago o preço atualizado de outros bens ou intangíveis e não apenas a rentabilidade futura da investida, mas para o Fisco desqualificar o laudo, se o mesmo atribuir o fundamento de rentabilidade futura ao total do ágio pago, necessitará de outros elementos concretos, como documentos contendo outras avaliações realizadas pelos próprios envolvidos na operação apontando noutro sentido. O ágio sob a perspectiva do reconhecimento contábil Por fim, examino a questão do ágio sob a perspectiva de sua apuração e reconhecimento na contabilidade. Essa discussão ganha sua relevância em face do argumento utilizado quando se discute a questão do ágio no âmbito das operações societárias no sentido de que o regime contábil dado ao instituto seria diferente daquele previsto na legislação tributária. Tal entendimento deriva do fato do legislador ter disciplinado o instituto no âmbito de uma lei que tratava Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. E esta, de fato, disciplinou a matéria por meio do art. 20 do DL. 1598/778. 8 Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.547 25 Com a devida vênia, ainda que a legislação tributária tenha regulado procedimentos contábeis no seu bojo, até pela falta de maior detalhamento pela lei societária, não autoriza a conclusão de que existam dois tipos de ágios para um mesmo fato econômico: um jurídicotributário e outro contábil. Em que pese a contabilidade e direito tributário tenham seus campos próprios de conhecimento e ciência, é inegável a interseção entre ambos no âmbito das relações jurídicotributárias. Não se deve olvidar que o lucro tributável é definido pela legislação do Imposto de Renda a partir do lucro líquido apurado na escrituração comercial, tendo o próprio DecretoLei nº1.598/77, no inc. X do seu art. 67, estabelecido expressamente que o lucro líquido do exercício deverá ser apurado, a partir do primeiro exercício social iniciado após 31 de dezembro de 1977, com observância das disposições da Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976. Desta forma, as normas contábeis exaradas pelas entidades responsáveis pela normatização e regulamentação da contabilidade não são elementos estranhos à aplicação da legislação tributária, pelo contrário, fazem parte do arcabouço de mensuração do resultado tributável obtido pelas sociedades empresariais. E aí provavelmente resida um dos pontos nodais nesta discussão, concernente ao reconhecimento do ágio sob a perspectiva de sua apuração contábil. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999) dispõe extensamente sobre o registro e amortização do ágio na contabilidade da pessoa jurídica, in verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.548 26 III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.549 27 II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Como se vê, tanto o registro da ocorrência do ágio quanto os de sua amortização, de acordo com a legislação tributária devem ser feitos na contabilidade do sujeito passivo, que por sua vez deve seguir as normas de escrituração da legislação comercial. Ora, o art. 20 do DL. 1598/77 define a existência de ágio ou deságio como sendo a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Deste conceito emanam duas grandezas a serem determinadas com vistas à apuração da existência de ágio (ou deságio). A primeira é o custo de aquisição e a segunda é o valor do patrimônio líquido. Quanto a este último não há dúvidas de que se trata do valor patrimonial da empresa investida na data do investimento. Quanto à primeira é que surgem controvérsias quando se trata de operações societárias realizadas internamente num grupo econômico: qual é o custo de aquisição? O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da resolução 750/939, que dispõe sobre os princípios fundamentais da contabilidade, ao tratar do registro dos componentes patrimoniais assim estabelecia no seu art 7º: Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. 9 Essa redação foi Alterada pela Resolução CFC nº 1282/2010, por conta do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.550 28 Parágrafo único – Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; [...] (grifo nosso) Fundada nesses princípios a Comissão de Valores Mobiliários, por meio do Ofício Circular CVM/SNC/SEP no 01/2007 condenou o reconhecimento do chamado ágio interno, ou seja, gerado dentro do mesmo grupo de empresas sob controle comum, in verbis: "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial supera o valor patrimonial desse investimento. E mais prego ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim não há do ponto de vista econômico geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substancia econômica e da indispensável Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.551 29 independência entre as partes para que seja passível de registro. mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Os grifos constam do original). Resta evidente a convergência Ofício Circular CVM/SNC/SEP no 01/2007 com o princípio emanado do CFC quando se trata da definição do custo de aquisição de um componente patrimonial. Não obstante, respeitáveis vozes têm se insurgido contra a invocação desta norma da CVM para fins de interpretação da lei tributária, alegando que a mesma não teria o condão de modificar os conceitos legais do ágio ou mesmo ser utilizada na interpretação da legislação tributária, pois abrigaria conceitos de caráter meramente econômicos ou contábeis. Com a devida vênia aos que assim pensam, entendo que a nota da CVM apenas proclama o óbvio, seja em termos jurídicos, contábeis ou econômicos, deixando nua a falta de substância das operações societárias realizadas com o intuito de gerar ágios artificialmente, unicamente com vistas à redução da carga tributária, situação não amparada pela lei, conforme já examinamos. Ora, se não se concebe a ocorrência de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios, como se justificaria a existência de um ágio nestes casos? Afinal, qual a finalidade da lei tributária (do imposto de renda, em especial), senão estabelecer a carga tributária conforme a capacidade econômica do contribuinte? No voto que restou vencido, no Acórdão nº 110100.708, a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, cita o exame do conceito de ágio pela doutrina contábil, in verbis: [...] “[...]o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, elaborado pela referida FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), e citado pela Fiscalização nos termos de sua edição de 2008, afirma o mesmo entendimento no âmbito doutrinário, expondo com clareza o conceito contábil de ágio nos termos a seguir transcritos: 11.7.1 — Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Vejase, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de unia empresa já existente, pode surgir esse problema. O conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.552 30 duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e, o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta (..) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio a) GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na database da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, referencialmente na mesma database da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATABASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, As vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A database da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens patrimoniais.() 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Destigio (...) c) ÁGIO FOR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta especifica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Destigio a) CONTABILIZAÇÃO I Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio.O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.553 31 lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(..) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (..). [..] (destaques cfe original) Como se observa, tanto as normas contábeis quanto a doutrina são convergentes em não reconhecer a existência de ágio quando não há negociação, ainda que indireta, com terceiros e efetivo pagamento pelas participações subscritas. A utilização dos princípios contábeis para dar uma resposta satisfatória ao desafio de mensuração do resultado das pessoas jurídicas, foi bem observado por Schoueri, que aborda a solução encontrada pelo legislador pátrio para a questão da dedutibilidade do ágio, in verbis: “Conforme já referido, pelo princípio contábil do confronto das despesas com as receitas (o matching principle), as despesas que sejam diretamente relacionadas a receitas de determinado período devem ser com estas confrontadas, a fim de que não sejam geradas quaisquer distorções. Não seria razoável que se contabilizasse uma receita sem que a despesa que a originou fosse a essa contraposta; caso contrário, se verificariam valores absolutamente fictícios, com resultados negativos no período em que se contabilizasse a despesa e positivos no período que se escriturasse a receita, quando, em verdade, esses valores contrapostos acarretariam um resultado global neutro. Segundo explana Sérgio de Iudcibus, os princípios dão as grandes linhas filosóficas da resposta contábil aos desafios do sistema de informação da Contabilidade, operando num cenário complexo, no nível dos postulados, formando, pois, o núcleo da doutrina contábil. Muito além de influenciar as ciências contábeis, é de se notar que os princípios influenciam todos os demais âmbitos de estudo dotado de cientificidade, dentre esses o Direito. Um princípio que fornece respostas satisfatórias a uma ciência pode perfeitamente oferecer respostas também satisfatória a outros âmbitos científicos. E ocorreu justamente isso em matéria de amortização de ágio. Além de fornecer resposta aos desafios contábeis, o princípio do confronto das despesas com as receitas também foi utilizado pelo legislador para fornecer respostas satisfatórias aos desafios fiscais de amortização do ágio. Foi de rara felicidade a introdução desse princípio, de natureza primordialmente contábil, na apuração do lucro real das pessoas jurídicas nacionais, por parte do Poder Executivo quando formulou o tratamento do ágio na incorporação que atualmente observamos em nosso ordenamento jurídico. Entendeuse que o momento de dedutibilidade fiscal dó ágio deveria estar estritamente vinculado ao momento em que as receitas que acarretaram o seu pagamento fossem auferidas, isto é, o momento em que o ágio fosse considerado realizado. Ora, qual o motivo de se ter pago um montante superior ao valor do patrimônio líquido de uma pessoa jurídica para adquirila? A expectativa de auferir resultados positivos futuros em decorrência desse ágio pago é a resposta. Se Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.554 32 os resultados positivos futuros tiveram sua origem em dispêndio com ágio ocorrido no passado, nada mais correto que registrar esse ágio em ativo para que apenas seja considerado em conta de resultado quando os referidos resultados positivos futuros foram auferidos. Eis onde o legislador acertou ao edificar a regulamentação do ágio ora em vigor.” 10 (grifos nosso) Muito feliz a observação de Schoueri de que o legislador buscou na ciência contábil a solução para a questão da amortização do ágio. E o fez tanto com relação à adoção do princípio do confronto entre despesas e receitas como também ao já citado princípio do registro pelo valor original, resultante do consenso com os agentes externos ou da imposição destes, pois ambos se complementam neste caso. Senão, como se pode falar em dispêndio com ágio pago numa transação que não envolve terceiros? Como se admitir a dedução de um dispêndio que não existiu sobre uma receita que dele não decorreu? Seria absolutamente contraditório aceitar um princípio e negar o outro. As conclusões de Luis Eduardo Schoueri11, acerca da previsão legal de dedutibilidade do ágio formado com base na expectativa de rentabilidade futura, reforçam meu entendimento nesse sentido: “Já na hipótese do dispêndio antes contabilizado como ágio concernente a rentabilidade futura, o auferimento de lucros tributáveis na empresa A é per se suficiente para traduzir a realização do dispêndio com o ágio antes incorrido, que deverá ser realizado para compensar os resultados positivos, à medida em que forem ocorrendo. Daí o porque de após a incorporação o ágio passar a ser ativo intangível, amortizável, uma vez que apenas a partir desse momento os lucros passam a ser tributados na investidora, pois antes disso no máximo haverá receita de equivalência patrimonial, não tributável. Dessa forma, para que se possa considerar os lucros auferidos pela Empresa B como real resultado global positivo na Empresa A, fazse essencial primeiramente baixar o valor originalmente pago a título de ágio contra esses lucros. Isso porque os lucros passarão a ser tributados na Empresa A, e se não forem baixados os dispêndios anteriormente efetuados, contra as receitas que o fundamentaram, procederseá a tributação de uma não renda. Essa é a lógica que informa o art. 7º da Lei nº 9.532/1997: a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio, deverá lançar o valor correspondente ao ágio cujo fundamento seja o de rentabilidade futura da coligada ou controlada incorporada no ativo intangível. Nos termos do art. 7º da Lei nº 9.532/1997, a amortização do ativo diferido, oriundo do ágio fundamentado em rentabilidade futura poderá ocorrer à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração, o que corresponde a um período mínimo de amortização de cinco anos. Ou seja: após a incorporação, a cada mês será lançada uma parcela de 1/60 do valor originariamente pago a título de ágio, a título de despesa de amortização do ativo diferido surgido com a incorporação. Essa amortização não é qualquer favor ou benefício, já que o legislador pressupõe que, com a incorporação, o empreendimento lucrativo passe a compro o resultado da incorporadora. 10 SCHOUERI, Luis Eduardo. op cit, p. 71 e 72 11 SCHOUERI, Luis Eduardo. Op cit, p. 79 e 80 Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.555 33 Terá, pois, a incorporadora mensalmente, dois efeitos: um valor, lançado a despesa, relativo à amortização do ativo diferido correspondente ao que, antes da incorporação era ágio; e um ganho correspondente a lucratividade do empreendimento incorporado. E por que não se trata de benefício? Exatamente porque a incorporadora pagou aquele ágio. Ou seja: não há como falar em renda se o suposto ganho não corresponde a qualquer riqueza nova. É verdade que o empreendimento é lucrativo; o contribuinte (incorporadora), entretanto, não tem qualquer ganho, até que recupere o ágio que pagou. “ (destaques nossos) Ora se é lógico não haver a tributação do resultado antes de deduzido o ágio efetivamente pago em face da expectativa de lucratividade futura, da mesma forma não faz sentido deduzir do lucro, como despesa, um valor que não foi efetivamente despendido. O lucro, neste último caso, é o mesmo que a empresa já teria antes da suposta reorganização societária e não ocorreu nenhum dispêndio que justifique a sua redução. Observese ainda que, quando se fala em ágio pago, não se está discutindo a possibilidade do pagamento de uma subscrição ser feita por outros meios que não o pagamento em dinheiro, tais como a dação em pagamento de bens ou direitos. Não há dúvidas de que o pagamento de uma subscrição possa ser feito sob diversas formas ou meios, como a dação em pagamento de bens ou direitos, p.ex. A questão que se coloca é que para que se admita a existência do pagamento de ágio é que haja um efetivo sacrifício patrimonial por parte da adquirente. Não caracteriza qualquer desembolso a mera transferência escritural das ações registrados pela investidora em seu patrimônio (indevidamente reavaliados) para o da investida. Mormente, se, ato contínuo, é feita a reversão do investimento, mediante a incorporação reversa, apenas para cumprir um requisito legal, sem qualquer modificação do seu controle direto ou indireto, seja quantitativa, seja qualitativamente. A ausência de um efetivo pagamento (sacrifício patrimonial) por parte da investidora pelas participações subscritas em operações com empresas controladas revela a falta de substância econômica das operações o que impede o seu registro e reconhecimento contábil, pois não há efetiva modificação da situação patrimonial. Ora, como já visto, os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio na subscrição de investimentos é um fato econômico captado pela ciência contábil e regulado pela lei tributária com substrato nos princípios contábeis. É nessa perspectiva que a orientação normativa da CVM e demais normas contábeis devem ser vistas. Não como fonte normativa tributária, mas como elementos para a adequada interpretação da lei quanto aos efeitos do fato econômico (ágio) por ela regulado, pois os seus fundamentos foram buscados na ciência contábil. Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.556 34 Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, observadas disposições legais específicas em contrário, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. Pelo exposto, entendo que, também sob o ponto de vista de apuração dos resultados segundo os princípios e as normas contábeis, só pode ser aceita a dedutibilidade de ágio, com base nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, quando este puder ser reconhecido segundo as normas contábeis, uma vez que os referidos dispositivos remetem ao ágio apurado nos temos do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1997, que por sua vez deve ser reconhecido contabilmente conforme com as normas da escrituração comercial estabelecidas pela Lei nº 6.404, de 1976. Uma vez estabelecidos os conceitos relativos à possibilidade de dedução do ágio, passo a examinar o caso concreto. Para tanto, destaco o ponto abaixo, constante das observações acima reproduzidas, verbis: No exame das operações societárias visando a aferir a efetividade da existência do ágio há que se levar em consideração, fundamentalmente: a existência de motivação econômica para a operação; a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação; a existência de efetivo pagamento (dispêndio ou sacrifício patrimonial); modificação da participação no controle (direto ou indireto) da empresa operacional após a reorganização. Ainda deve ser observado que a lei exige que o contribuinte demonstre documentalmente os fundamentos do ágio pago, valendose os interessados, geralmente, de laudos técnicos de empresas especializadas que avaliam o investimento a preço de mercado. Ora, examinando as operações realizadas pela contribuinte, ora recorrente, verificase que é indiscutível: a) a existência de motivação econômica para a operação, qual seja a aquisição da empresa investida, no bojo do processo público de privatização; b) a independência das partes na formação do preço pago pela participação, uma vez apurado no leilão público promovido pelo Governo do Estado da Paraíba; c) a existência de efetivo pagamento pela participação adquirida, conforme devidamente descrito e comprovado nos autos, e d) modificação do controle direto ou indireto da empresa adquirida: que deixou de pertencer ao Estado da Paraíba e passou a ser controlada pelo grupo ENERGISA. Notese que todos estes elementos devem ser analisados quando da aquisição do investimento e em relação às partes que formalizam o negócio. Não se discute nos autos a comprovação do fundamento econômico do ágio pago. A fiscalização aponta para a utilização de uma empresa de passagem (veículo) criada especificamente para a aquisição do investimento, com vistas a possibilitar o futuro aproveitamento do ágio. Aponta também que 85% dos recursos utilizados no pagamento da aquisição da SAELPA teve origem na ENERGIPE (controladora da PBPART SE 2), sendo tais recursos disponibilizados pela ENERGISA S/A (holding do grupo) a título de futuro aumento de capital. Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.557 35 A recorrente alega que a utilização da empresa de propósito específico não só era a mais adequada ao formato de aquisição da participação na Saelpa, como também era induzida pela própria legislação que estabeleceu os procedimentos de privatização no Programa Nacional de Desestatização PND. Com efeito, o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.491/97, estabelecia: Art. 4º As desestatizações serão executadas mediante as seguintes modalidades operacionais: I alienação de participação societária, inclusive de controle acionário, preferencialmente mediante a pulverização de ações; II abertura de capital; III aumento de capital, com renúncia ou cessão, total ou parcial, de direitos de subscrição; IV alienação, arrendamento, locação, comodato ou cessão de bens e instalações; V dissolução de sociedades ou desativação parcial de seus empreendimentos, com a conseqüente alienação de seus ativos; VI concessão, permissão ou autorização de serviços públicos. VII aforamento, remição de foro, permuta, cessão, concessão de direito real de uso resolúvel e alienação mediante venda de bens imóveis de domínio da União. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16135, de 2001) § 1º A transformação, a incorporação, a fusão ou a cisão de sociedades e a criação de subsidiárias integrais poderão ser utilizadas a fim de viabilizar a implementação da modalidade operacional escolhida. (grifei) Me parece que o disposto no parágrafo primeiro acima transcrito é dirigido aos entes estatais detentores dos investimentos a serem privatizados e não aos adquirentes propriamente ditos. Não obstante, penso que a forma de aquisição estruturada pela interessada para a realização do investimento não encontra óbice legal e se insere no espaço de liberdade que a empresa tem para autoorganizarse, inclusive no sentido de adotar as opções negociais que lhe propiciem a menor carga tributária possível. Notese que havia disposição legal autorizando a amortização do ágio pago na aquisição dos investimentos quando estes restassem incorporados pela empresa adquirente, inclusive mediante incorporação reversa. É o que dispunha o § 6º do art. 386 do RIR (com base no art. 8º da Lei nº 9.532/1997), verbis: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.558 36 segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I [...] II [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV [...] [...] § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). (grifei) É evidente que a aquisição do investimento por meio de uma subsidiária integral facilitaria a posterior incorporação com a empresa adquirida com vistas ao aproveitamento fiscal do ágio pago previsto na lei. E não existia nenhum óbice a tal utilização. Ao contrário, havia uma autorização implícita na lei. Me parece que diante da estrutura do grupo, que já detinha outras empresas geradoras ou distribuidoras de energia, aliada à participação indireta de outra empresa (ALLIANT) como investidora na aquisição da SAELPA, também se apresenta como uma justificativa razoável para a forma utilizada no negócio (aquisição por uma empresa de propósito específico). Por fim, me parece relevante que a incorporação reversa da investidora (PBPART SE 2) pela SAELPA e, posteriormente, desta pela Energisa, somente veio a ocorrer cerca de seis anos após a aquisição do investimento e já na contexto do processo de desverticalização do setor energético, mediante o qual foi determinada a segregação das atividades exercidas pelas concessionárias de serviço público de distribuição de energia elétrica, assim como a vedação de participarem em outras sociedades de forma direta ou indireta. A recorrente alega e a própria fiscalização relata que tal reestruturação foi retardada em quase dois anos tendo em vista a existência de um litígio entre o Grupo ENERGISA e a empresa ALLIANT e que, somente após o acordo entre as partes foi possível Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.559 37 viabilizar a reestruturação societária do grupo com vistas ao descruzamento das participações societárias. Diante do quadro acima exposto, entendo que era legítima a amortização do ágio levada a efeito pela recorrente, devendo ser cancelada a exigência nesta parte. Tendo em vista trataremse de exigências reflexas do IRPJ, devem ser canceladas na mesma proporção as exigência de CSLL e de multa isolada calculadas sobre as mesmas glosas. 2 Saldo insuficiente. Compensação indevida de prejuízo operacional/base de cálculo negativa com resultado da atividade geral (anocalendário de 2008) O lançamento decorrente desta infração, consiste na glosa de compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e de bases de cálculo negativas de CSLL, no anocalendário de 2008, em face da constatação de saldo insuficiente, tendo em vista as glosas efetuadas por meio do lançamento formalizado no processo administrativo nº 14751.000142/200510. A recorrente alega a interdependência e a insubsistência das glosas efetuadas por meio do lançamento formalizado no processo administrativo nº 14751.000142/200510, do qual decorre o presente lançamento. O recurso contra o lançamento decorrente glosas efetuadas naquele processo foram objeto de julgamento nesta sessão, por meio do Acórdão nº 1302002.547, por meio do qual este colegiado acordou em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo. Assim, impõese a aplicação das conclusões daquele julgado ao presente caso, pelo que passo a transcrever os fundamentos quanto às matérias discutidas e decididas naqueles autos que passam, também, a se constituir em razões de decidir do presente julgado, verbis: A recorrente apresenta uma preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF estaria expirado no momento da lavratura da autuação. Alega que o MPF tinha prazo de validade até 21 de julho de 2004 e que o agente público encarregado e cumprilo deveria encerrar a fiscalização até aquela data ou, no caso de prorrogação dar ciência formal da continuidade dos trabalhos ao contribuinte, nos termos das normas regulamentadoras do instrumento. A questão já foi enfrentada e rejeitada pelo colegiado quando do conhecimento do recurso, na sessão de 15/03/2012, quando proferida a Resolução nº 1302000.15, verbis: [ . . . ] Com efeito, o Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Portaria SRF n.º 1.265, de 22/11/1999, sofreu diversas alterações ao longo dos anos, sendo que na data do encerramento da ação fiscal vigia a Portaria SRF n.º 6.087, de 21/11/2005. Este instrumento consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.560 38 O MPF constituise, assim, em instrumento de controle da administração tributária e em garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se de fato o AuditorFiscal da Receita Federal – AFRF que o esteja fiscalizando, se encontra no exercício legal de suas funções. Enquanto instrumento de controle, o MPF se presta a possibilitar à Secretaria da Receita Federal acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos AFRF, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização empreendida está sendo realizada adequadamente, de acordo com os critérios definidos por Lei e pela Administração. Se, no curso de seus trabalhos, o AFRF percebe, em face das peculiaridades do caso concreto, que não será possível concluir os trabalhos no tempo inicialmente previsto, deve solicitar a sua prorrogação aos superiores hierárquicos responsáveis pela emissão do mandado. Em relação aos prazos de validade e da extinção do MPF, dispunha a Portaria n.º 6.087/2005, verbis: [...] Do acima exposto, inferese que a prorrogação do prazo do MPF pode se feita tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de trinta dias. Porém, essa prorrogação deve ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação esta disponível na Internet, a qual pode ser consultada pelo sujeito passivo, dispensando completamente a ciência. Dispunha, ainda, a referida portaria que auditorfiscal responsável pelo procedimento fiscal forneceria ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet. Não obstante, eventual descumprimento da determinação contida no § 3º do art. 13 da referida portaria, uma vez descumprido, não traz qualquer consequência no âmbito do procedimento fiscal instaurado. Com efeito, a referida norma prevê os casos de extinção do MPF, em seu art. 15, verbis: [...] Como se vê, ainda que tivesse expirado o prazo de validade do MPF este não teria o condão de http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 nulificar os atos praticados, devendo a autoridade responsável pela sua emissão determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento. No caso dos autos, não identifiquei, de fato, nenhum ato por parte da autoridade fiscal dando ciência ao contribuinte quanto a prorrogação do MPF, tendo o procedimento fiscal prosseguido e sido encerrado apenas em 28/12/2005. Como instrumento de controle interno da administração, é possível inferir de plano que sua continuidade tenha se dado de forma regular, uma vez que a autoridade fiscal responsável pelo procedimento não foi substituída, revelandose que não incorreu a hipótese prevista no inc. II do art. 15 e no parágrafo único do art. 16 da portaria referida acima Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.561 39 De outra parte, nenhum prejuízo adveio ao contribuinte em face do descumprimento do disposto no § 3º do art. 13 da Portaria SRF nº 6.087/2005, posto que as informações sobre as prorrogações permaneceram disponíveis para consulta da interessada no site da Receita Federal na internet, nos termos do § 1º do mesmo dispositivo. Assim, se o contribuinte tinha dúvidas quanto à continuidade da ação fiscal poderia ter consultado o site da RFB na internet, utilizandose do código fornecido na instauração do procedimento fiscal, conforme ciência (efls. 41). Em consulta por mim realizada em 01/11/2018 ao sítio da RFB na internet12, utilizando o código de acesso, é possível verificar que o referido MPF foi objeto de sucessivas prorrogações, sendo a última com prazo final em 10/11/2006. De qualquer sorte, me alinho à jurisprudência majoritária deste Conselho que entende que o MPF é mero instrumento de controle interno da administração tributária, de sorte que, eventuais irregularidades na sua emissão ou prorrogação não enseja qualquer nulidade ao processo fiscal, posto que a constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa competente, por meio do lançamento, é atividade vinculada e obrigatória que decorre do CTN e da lei de regência, conforme tive oportunidade de me manifestar no Acórdão nº 1301 001.814, de 05/03/2015, sintetizado seguinte na ementa : NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o s eu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. Nesse mesmo sentido, é firme a jurisprudência deste conselho, conforme se extrai das ementas a seguir reproduzidas: [...] Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. Passo ao exame das matérias de mérito. A apreciação das matérias se dará na ordem trazida pela recorrente no seu recurso voluntário. A) Do anocalendário 2000: Da glosa da variação monetária do parcelamento de ICMS de R$10.359.592,48. (subitem 5.4.1 do RTF) 12 http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.562 40 A imputação fiscal é de contabilização indevida de correção monetária sobre débitos de ICMS objeto de parcelamento junto à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba. Alega que a fiscalização, conforme transcrito no próprio Relatório de Trabalho Fiscal, a Recebedoria de Rendas da Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGPDI (FGV). E que, apesar da clareza da resposta do Fisco paraibano, que confirmou a aplicação de atualização monetária desde janeiro de 2000 sobre os débitos vencidos e não pagos naquele ano, o r. auditor fiscal concluiu ter a Recorrente contabilizado, "sem amparo legal, atualização monetária dos débitos de ICMS no anocalendário de 2000". Aduz que o Acórdão da Delegacia de Julgamento, ao tratar deste item do Auto de Infração, manteve a autuação sob o argumento de que a Recorrente não teria "nenhuma prova, que não por ela mesma produzida, de que, sobre seus débitos de ICMS sobre os quais versa o lançamento incidiram (sic) atualização monetária (juros e multa). Contesta, afirmando que as regras legais atinentes à possibilidade de dedução da variação monetária correspondente à Obrigações tributárias vigentes em 2000 encontramse consubstanciadas no entendimento contido no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 52. Informa que, no caso em tela, em 15/7/2000, um parcelamento com o Estado da Paraíba, relativamente a Débito Fiscal de ICMS em 36 (trinta e seis) parcelas mensais e sucessivas, acrescidas de mora, juro e correção monetária, quando couber, atualizado pela UFIR ou outro critério adotado pela DEFIN para correção de tributos. Deste parcelamento, 3 (três) parcelas foram pagas em 2000, sem correção, uma vez que não houve variação da UFIR naquele ano. O saldo devedor em 2000, contudo, foi corrigido conforme determinação da Portaria GSF n° 002, de 05.01.2001, do Secretário das Finanças, publicada no DOE PB de 06.01.2001, a qual instituiu a aplicação do IGPDI em substituição da extinta UFIR a partir de janeiro de 2000, para débitos não pagos naquele ano. Assim, contabilizou em 2000 o valor das atualizações monetárias incidentes sobre o saldo devedor, de acordo com a variação do IGPDI contida na Tabela acima referida, de forma a dar cumprimento ao princípio da competência, reconhecendo que tal despesa, apesar de ainda não desembolsada, foi incorrida naquele ano. Analisando os documentos e informações trazidos pela fiscalização e os apresentados pela recorrente, entendo que assiste razão a esta última. Com efeito, a autoridade fiscal solicitou informações à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba acerca da incidência de correção monetária sobre os débitos fiscais vencidos no ano de 2000. Em sua resposta esta informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGPDI (FGV). Cita o Relatório Fiscal (efls. 152), verbis: Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.563 41 [...] Os débitos da contribuinte, vencidos até fevereiro de 2000, foram objeto de parcelamento, tendo esta pago três parcelas em 2000 que não sofreram correção. Com efeito, a Secretaria de Finanças da Paraíba, em face da extinção da UFIR no ano 2000, disciplinou a atualização monetária dos débitos fiscais não recolhidos no prazo legal por meio da Portaria GSF nº 002, de 05/01/2001, nos seguintes termos: [...] O contribuinte apresentou a memória de cálculos da atualização monetária do saldo do parcelamento do ICMS (efls. 4333), efetuadas em 30/11/2000 e 31/12/2000, com base no índice acumulado do IGPDI no ano 2000, contabilizada nos moldes transcritos no Relatório de Trabalho Fiscal RTF (efls. 155) Entendo que se equivocou a autoridade fiscal ao glosar os valores de correção monetária contabilizada sobre o saldo do parcelamento, segundo o regime de competência, conforme dispõe o Ato Declaratório COSIT nº 52/1994, citado no RTF. Em que pese a portaria estadual que regulamentou a aplicação do IGPDI somente tenha sido publicada apenas no início de 2001, aplicase aos débitos vencidos e não recolhidos até aquela data. Os débitos consolidados no parcelamento realizado junto à SEFINPB, referemse a fatos geradores ocorridos até o mês de fevereiro/2000, conforme planilhas anexadas (efls. 4325/4330). Embora estivessem com a exigibilidade suspensa em face do parcelamento formalizado, referemse a débitos vencidos e não recolhidos no prazo, nos termos da portaria referida. Assim, observado o regime de competência, está correto o reconhecimento pela recorrente da correção monetária incorrida no ano 2000, no índice fixado pela legislação estadual, sobre o saldo de parcelamento existente até 31/12/2000. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso nesta parte, para exonerar a exigência relativa a glosa descrita no subitem 5.1.4 do RTF, efetuada no montante de R$10.359.592,48. Da glosa de custos Diferença entre os valores provisionados e adicionados no AnoCalendário de 2000 (R$ 4.813.022,08) subitem 5.1.2.5 do RTF Com relação a esta infração, a recorrente se refere à constatação feita pela autoridade fiscal de que vários títulos a receber da Recorrente teriam sido provisionados no anocalendário de 2000 e adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real daquele mesmo exercício fiscal. E que, de um total de 294.731 títulos totalizando R$ 28.766.429,00 a parcela de 120.123 títulos teriam sido provisionados por um valor X e adicionados ao lucro líquido por um valor inferior, X Y. Essa diferença de valor, Y, totalizaria R$ 4.813.022,08, e seria um custo/despesa indedutível, o que ensejaria sua cobrança de ofício. Alega que, ao contrário do afirmado pelo auditor, não há qualquer diferença entre o valor dos 294.731 títulos provisionados por R$ 28.766.429,00 e o valor pelo qual esses mesmos títulos foram lançados ao lucro líquido na apuração do lucro real. Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.564 42 Sustenta que é inconteste que os citados títulos foram provisionados, contabilmente, no anocalendário de 2000 por R$ 28.766.429,00 e que "toda a celeuma decorre do equívoco do auditor, ao indicar que tais títulos teriam sido computados no lucro líquido para apuração do lucro real por valor inferior ao provisionado". Afirma ter demonstrado exatamente o contrário, ou seja, que o valor computado no lucro líquido para apuração do lucro real foi exatamente igual ao valor provisionado (R$ 28.766.429,00) a Recorrente apresenta cópia da fls. 25 do LALUR do exercício de 2000 (doc.07), juntamente com a pág.06 da DIPJ do mesmo exercício (doc.08), ambas contendo o mesmo valor provisionado, (no caso da DIPJ, o valor compõe o lançamento de linha 3. Despesas operacionais Parcelas Não Dedutíveis), então adicionado na apuração do lucro real razão pela qual a autuação não tem amparo e foi equivocada. Examinando a descrição feita pela autoridade fiscal (efls. 92) e os documentos acostados aos autos, entendo que não assiste razão à recorrente. As provas trazidas pela recorrente não infirmam a acusação fiscal de que o valor considerado como provisão indedutível a ser adicionado ao Lalur pela interessada, foi reduzido em relação a uma parte dos títulos que haviam sido provisionados por um valor superior ao considerado na adição ao resultado. A afirmação da recorrente de que os valores levados à adição ao Lalur (R$ 28.766.429,00) corresponderiam exatamente aos valores contabilizados e informados na DIPJ carece de comprovação. Verificase que a provisão total ao final do anocalendário 2000 correspondia a R$ 81.839.140,61, sendo que a provisão em dezembro de 1999 era de R$ 15.147.243,57, conforme demonstrado pela recorrente às fls. 29 de sua impugnação (efls. 4622) : Provisões até dez/99 15.147.243,57 Provisões em 2000 38.324.719,04 Provisões em 2000 28.766.429,00 Provisões em 2000 (399.251,00) Saldo PDD 31/12/2000 81.839.140 61 Ora, como se vê além do valor de R$ 28.766.429,00 foram provisionados mais R$ 38.324.719,04 e estornados R$ 399.251,00. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 92) a autoridade responsável pela fiscalização procedeu a uma auditagem de 294.731 registros que corresponderiam os títulos representativos das provisões não dedutíveis e constatou diferenças entre os valores adicionados ao lucro líquido e os provisionados no ano de 2000 em 120.123 registros, que totalizaram R$ 4.813.022,08, conforme relatórios parciais impressos (efls. 3737/3426). Com efeito, as apurações da fiscalização foram realizadas com base nos registros fornecidos pela própria recorrente e que corresponderiam aos títulos cuja provisão seria indedutível, sendo inescapável a conclusão de que parte desses títulos foram provisionados por um valor X, no entanto ao proceder à adição ao resultado a interessada efetuoua por um valor menor (XY), conforme descrito no Relatório Fiscal. Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.565 43 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário nesta parte. Da glosa de Custos Provisões constituídas em 2000 e repetidas em 2001 Diferença de provisão 2000/2001. (R$ 13.452.296,34). Subitem 5.1.2.7 do RTF A recorrente aponta que o auditor constatou 904.370 registros com os mesmos número de matricula e data de vencimento, que totalizavam R$ 58.121.067,24 (2000) e R$ 44.673.929,56 (2001) e que a diferença encontrada em 2000 ("X") e 2001 ("X Y"), seria de R$ 13.452.296,34 e representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada no ano calendário de 2000. Afirma que, a partir dessa presunção, concluiu o auditor que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. Observa que, "curiosamente, o auditor realizou outro lançamento tributário sob o mesmo fundamento, no valor de R$ 7.896.751,95, com base na diferença entre o valor total da provisão para créditos de liquidação duvidosa de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66". Destaca que os valores tomados por base para o lançamento ora recorrido, R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001, eram parcelas integrantes da provisão para créditos de liquidação duvidosa ("PDD") de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66), respectivamente. O auditor efetuou lançamentos distintos, um para a parte e outro para o todo (doc.09 e 10 fls.09 e 10 do Lalur e pag.6 da DIPJ 2002). Afirma a recorrente que a DRJ ao tratar deste item manteve a autuação sob o fundamento de que não teriam sido apresentadas provas documentais, ignorando os argumentos aduzidos, sobretudo o da verdade material. Alega a existência de claro bis in idem configurado pela duplicidade de autuações com base no mesmo fato, uma vez que, pela diferença entre a PDD de 2000 e 2001, o auditor já efetuou o lançamento constante do item 5.5 do Relatório Fiscal defendido no presente Recurso. Assim, não poderia, com base na diferença entre parciais que compõem o saldo das referidas provisões, efetuar novo lançamento, em adição ao já existente. Sustenta que, não bastasse a ocorrência do bis in idem, tratase de autuação baseada pura e simplesmente em presunções ilegais: de que o valor provisionado em 2001 seria o correto, e não o de 2000 e, que a diferença entre o valor dos títulos nos dois anos foi deduzida na apuração do lucro real de 2000. Aponta que se a administração tributária pudesse, a seu bel prazer, cobrar tributos com base em meras suposições, o contribuinte ficaria à mercê das interpretações da autoridade fiscal. Presunção não é base de cálculo de imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo fiscal. Alega que ao comparar registros com o mesmo número de matricula e a mesma data de vencimento, na database dezembro/2000 e dezembro/2001, o auditor confundiu registros de sistema com títulos representativos de dívida. Os registros de sistema representam o total do débito de um determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica. Uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.566 44 Observa que qualquer desses consumidores pode pagar uma fatura de energia elétrica de uma unidade de consumo e deixar de pagar a de outra. Com isso, o valor do registro, de um ano para o outro pode reduzir normalmente, sem que tenha havido qualquer erro por parte da Recorrente. Alega que a fiscalização não demonstrou que a contabilização de 2000 foi excessiva, nem tampouco ter resultado cm qualquer benefício fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção de ilegalidade, teria se furtado de perquirir a verdade dos fatos. Em conseqüência, requer que seja reconhecido o bis idem e a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento, devendo ser anulada a autuação de tais valores. Analisando os elementos dos autos, entendo que não tem razão a recorrente neste ponto. A constatação fiscal, explicitada no subitem 5.1.2.7 do RTF, tomou por base os próprios elementos apresentados pela interessada e ao analisar os arquivos apresentados constatou que em 904.370 registros com o mesmo número de matrícula e a mesma data de vencimento, apurou uma divergência nos valores informados em cada ano (R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001), evidenciando uma provisão indevida de R$ 13.452.296,34, conforme demonstrativos de efls. 3667/3736. Ora, a recorrente alega que a fiscalização efetuou o lançamento por presunção ao entender que os valores corretos seriam aqueles apurados com base no levantamento de 2001 e não no realizado no ano 2000, mas ela própria informa ter procedido a ajustes no valor das contas em 2001 que se encontravam em provisão no ano 2000, no montante de R$ 12.851.228,33, conforme resposta (efls. 2387/2394) ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal (efls. 2366/2386). A recorrente alega que as contas podem ser reduzidas mediante pagamentos parciais efetuados pelos consumidores que poderiam ensejar a redução dos valores provisionados anteriormente sem que isto se caracterize como qualquer erro, mas não traz qualquer comprovação nesse sentido. Alega também que o auditor confundiu registros de sistema com títulos representativos de dívida; que os registros de sistema representam o total do débito de um determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica, como uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. Apesar da alegação a recorrente não apresenta comprovações concretas. Ademais, examinando os relatórios de efls. 3667/3736, percebese claramente que o que ocorreu de fato foram ajuste nos valores provisionados, muitos deles na casa de centavos ou de poucos Reais, mas que ao serem totalizados representam uma expressiva diferença nos montantes provisionados. Também entendo que não existe o alegado bis in idem com relação à infração apurada no subitem 5.5 do RTF, pois a redução do valor das provisões do ano 2000 já havia sido em grande parte considerada pela própria recorrente no cálculo da provisão feita no ano de 2001 e são distintos os fundamentos das exigência em questão. Com relação à exigência contida naquela infração (subitem 5.5) os argumentos da recorrente serão examinados no ponto próprio deste voto. Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.567 45 Assim, entendo que restou comprovada pela fiscalização o excesso de provisão realizado no ano de 2000, com relação aos mesmos clientes e respectivos débitos, não tendo a recorrente se desincumbido de comprovar suas alegações. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto. B) Do anocalendário 2001: Provisão para Crédito Liquidação Duvidosa. Consumidores com medidas judiciais.(R$7.936.588,47). Subitem 5.1.3.3 do RTF No relatório de trabalho fiscal, o auditor fiscal constatou a indedutibilidade da provisão do valor, correspondente às contas de energia elétrica de clientes que ingressaram na Justiça questionando os reajustes tarifários de 1986. A contribuinte alega que a DRJ deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado provas documentais correspondentes. Sustenta que durante o ano de 2001, diversas faturas de clientes que ingressaram na justiça questionando os reajustes tarifários de 1986 foram emitidas, em cumprimento a decisões judiciais, por 80% do valor integral e que, por um equívoco contábil da recorrente, os 20% restantes foram levados a tributação como faturamento e, pendentes no Contas a Receber, foram objeto de provisão pela Recorrente conforme parâmetros para constituição de provisão para Devedores Duvidosos. Alega que em razão do equívoco cometido quando da emissão de faturamento de receita em 80% (oitenta por cento) e 20% de provisão de devedores duvidosos, houve o devido estorno no LALUR, de forma que não afetou o lucro líquido do exercício. Observa que tal equívoco ocorreu em virtude da Recorrente não ter cumprido, de imediato, a determinação de redução das ações judiciais. Assevera que, uma vez que a empresa constatou que aqueles valores de PDD não podiam ser lançados na rubrica de contas a receber, buscou o seu devido estorno, não acarretando qualquer prejuízo ao erário público. Conclui que acatar o entendimento do fiscal seria praticar o estorno de um lançamento irregular. A Recorrente anexa relatório de todos os consumidores com débitos oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, os quais foram objeto de estorno. Ainda como meio de prova do alegado, a Recorrente anexou cópia da CE n°. 016/2001DFIN, pela qual a Saelpa solicita à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% (vinte por cento) desses faturamentos, bem como Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pelo auditor em seu relatório para comprovar que essas contas continuavam pendentes até 31/12/2001. A fiscalização, com base nos elementos obtidos junto a alguma clientes da fiscalizada, concluiu que a Saelpa não emitiu as notas fiscais/contas de energia elétrica complementar referente ao aumento do valor da energia questionado judicialmente. A recorrente, no entanto, apresentou em sua impugnação cópia de diversas faturas que corresponderiam ao valor complementar questionado judicialmente, com relação às empresas diligenciadas pela fiscalização (efls. 4344/4529), sendo que em diversas delas consta textualmente que se trata de "valor correspondente a 20% da Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.568 46 fatura original conforme processo judicial nº .. da 1ª Vara da Fazenda Pública". Outras, no entanto, referemse a "ICMS calculado por fora conforme processo nº... da 4ª Vara da Fazenda Pública" e, ainda "correspondente a 25,79% do valor da fatura original conforme processo nº ... da 9ª Vara Civel da Capital". Cotejando, por amostragem, verificase a coincidência dos valores das notas fiscais com os débitos constantes da relação "Consumidores com Débitos Oriundos de redução de Tarifa" (efls. 4815/4880), como p. ex. em relação ao contribuinte Cia de Bebidas Antartica PB (efls. 4344/4355). Não obstante, não trouxe aos autos a comprovação da contabilização da respectiva receita e do alegado estorno realizado posteriormente. Em face da tais elementos, este colegiado determinou a realização de diligência como vistas a apresentação por parte da recorrente da comprovação da contabilização da respectiva receita, para que fosse intimada a: a) apresentar comprovação da contabilização como receita dos valores relativos aos valores questionados judicialmente pelos clientes/consumidores (com débitos oriundos de redução de tarifa) conforme relatório anexado, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, indicando a respectiva nota fiscal emitida; b) apresentar comprovação de que os valores objeto da provisão referida integrava o saldo de contas a receber em 31/12/2001; c) apresentar comprovação de que os valores foram devidamente estornados em períodos de apuração subsequentes. A recorrente apresentou, à autoridade fiscal diligenciante, cópias de planilhas, parciais de livro Razão e Diário (fls. 7602 a 7741), mediante os quais procura demonstrar e justificar de constituição da provisão, e estornos que teriam sido realizados na conta contábil 112.61 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa PCLD, entre os meses de dezembro de 2001 a dezembro de 2016. A autoridade fiscal aponta no seu Relatório de Diligências que: • A ENERGISA não apresentou documentação hábil e idônea comprobatória que contabilizou as receitas questionadas judicialmente pelos consumidores no período de 06/09/1994 a 10/04/2001 (período da data de vencimento dos tílulos relacionados na planilha JUDICIAL), não apresentando qualquer livro contábil que comprove tais operações; • Consta no razão da conta contábil 112.61 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa PCLD, na subconta 0001 – Energia Elétrica Vendida, no mês de dezembro de 2001, dois lançamentos em 31/12/2001: um a débito, no valor de R$ 83.207.728,75 e com histórico: lançamento reversão pcld, anulando o saldo inicial em 01/12/2001; e outro a crédito, no valor de R$ 73.942.388,66 e com histórico: provisão constituída, sem comprovar nem detalhar quais os títulos que foram revertidos e os provisionados; • Constatase nos meses de outubro/2002; abril, julho e setembro/2003; julho/2004; janeiro, abril, novembro e dezembro/2005; novembro/2007 e abril/2009 a existência de dois lançamentos, um a débito, revertendo o inicial da Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.569 47 conta no mês, e outro a crédito, pela provisão para créditos de liquidação duvidosa constituída, sem comprovar nem detalhar quais os títulos que foram revertidos e os provisionados; Mais adiante conclui quanto a este ponto da diligência que: 1) Em relação ao item a.1 (infração descrita no subitem 5.1.3.3. Judicial do Relatório de Trabalho Fiscal): a) A ENERGISA foi intimada a apresentar comprovação da contabilização como receita dos valores relativos aos valores questionados judicialmente pelos clientes/consumidores (com débitos oriundos de redução de tarifa) conforme relatório anexado, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, indicando a respectiva nota fiscal emitida. A ENERGISA não comprovou o solicitado. b) A ENERGISA foi intimada a apresentar comprovação de que os valores objeto da provisão referida integrava o saldo de contas a receber em 31/12/2001. A ENERGISA não comprovou o solicitado. c) Apresentar comprovação de que os valores foram devidamente estornados em períodos de apuração subsequentes. A ENERGISA não comprovou o solicitado. Com efeito, entendo que a recorrente não apresentou elementos solicitado na diligência, que demonstrassem que efetivamente contabilizou as receitas que teriam tido seu valor questionado judicialmente e que justificariam sua exclusão no ano de 2001, por meio da provisão (PDD). Limitouse a apresentar planilhas que embasariam os lançamentos efetuados em sua escrita contábil, porém sem se desincumbir de demonstrar seu vínculo com as receitas objeto de questionamento judicial. O relatório da consultoria tributária trazido aos autos pela recorrente (fls. 7871/7911), também não trazem novos elementos visando tal comprovação, limitandose, em síntese, a reiterar a correção dos procedimentos da recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento quanto ao ponto Da Glosa de Custos Faturamento Complementar(R$ 10.434.423,05.). Subitem 5.3.1.2 do RTF Este item referese à contabilização de faturas de compra de energia elétrica, pela Recorrente, junto à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF, no ano de 2001. Tratase, de fato, da nota fiscal n° 5342, emitida pela CHESF, no valor de R$ 10.908.181,17 R$ 473.758,12 (ajuste), em vista dos depósitos/créditos bancários feitos pela ENERGISA (Saelpa), referente ao faturamento complementar relativo ao fornecimento de energia do ano de 2001. Sustenta o auditor que tais valores não poderiam ser considerados como custo, mas sim como um ativo circulante ou recuperável a longo prazo. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.570 48 A recorrente alega que tal entendimento equivocado decorreu da escusável falta de conhecimento técnico acerca do funcionamento e da regulação do setor elétrico brasileiro, vigentes à época. Por esse desconhecimento, o fiscal acabou confundindo o objeto da autuação (faturamento de energia comprada) com a Recomposição Tarifária Extraordinária RTE. Sustenta que a DRJ não analisou os argumentos da recorrente, atendose simplesmente a transcrever na íntegra o Parecer COSIT n° 26. o r. julgador manteve a linha de pensamento equivocada do r. auditor fiscal, vinculando o pagamento da nota fiscal n° 5342 da CHESF à sobretarifa objeto do Parecer COSIT n° 26/2002, quando na verdade, esse dois fatos não guardariam entre si qualquer relação. Relata que possuía contrato de fornecimento com a CHESF celebrado em 25 de janeiro de 2000 (doc.16) que no Anexo I apresenta as quantidades contratadas e as tarifas do contrato inicial. O montante de energia contratado para 2001, com a CHESF, correspondeu a 396 MW médios. Tais montantes mensais foram registrados no MAE considerando o disposto no Parágrafo Primeiro da Cláusula 11 do Contrato. Apresenta a tabela Ia (doc. 17), que contém os montantes mensais contratados e adquiridos em 2001, bem como teriam sido os correspondentes faturamentos, caso não houvesse sido decretado o racionamento de energia. Para cada mês, as tarifas e os faturamentos foram obtidos conforme Cláusula 14 do contrato inicial. Alega que, em função do racionamento de energia na região nordeste, no ano de 2001, a CHESF havia faturado apenas 80% do valor contratado para o ano, enquanto que a SAELPA havia consumido um volume de energia equivalente a 93,638% do contrato inicial, Dessa diferença originouse um débito de compra de energia da Energisa (Saelpa) para com a CHESF. Observa que, até então, havia efetuado o registro contábil das operações de comercialização, realizadas com base em estimativas elaboradas pela sua própria administração, observando os princípios fundamentais da contabilidade. Assim, em dezembro de 2001, registrou o valor de R$ 11.096.782,02 para fins de efeitos contábeis, tendo em vista a definição, à época, dos redutores pelos órgãos competentes. Posteriormente, com a determinação em definitivo do Fator de Redução, foram efetuados os devidos ajustes, nos valores de R$ 473.758,12 e R$ 188.600,85 (receitas levadas à tributação no exercício de 2002 vide Diário doc. XX anexo), resultando no valor líquido de R$ 10.434.423,05. Sustenta que a perda de receita da Recorrente em virtude do racionamento de 2001, a ser compensada de forma diferida pela RTE, não se confunde com o valor pago à CHESF pela energia consumida naquele ano. Conclui que deve ser levado em consideração o Princípio da Competência do exercício, bem como a emissão da fatura complementar, que se deu em dezembro de 2001 e que se essa despesa operacional foi confirmada com o valor apurado pela Chesf na competência de 2001. Passo a analisar os elementos dos autos. De acordo com a informação obtida pela fiscalização junto à CHESF, por meio do Termo de Intimação (efls. 2580/2582), esta diferença, faturada em dezembro de 2001, decorre sim do Acordo Geral do Setor Elétrico, firmado em dezembro de 2001 e corresponde à diferença entre os montantes faturados e os montantes contratuais, em face das reduções ocorridas em decorrência do racionamento, no período de junho a novembro de 2001, conforme Termo Aditivo Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.571 49 nº 01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre a SAELPA e a CHESF (efls. 2583/2588). O Anexo 16 (fls. 419/420 ou efls. 263/264) acostado à resposta ao Termo de Intimação de 18/09/2003 (docs. fls. 222/240 ou efls. 7130/7148)13, revela que este faturamento decorreu do Acordo Geral do Setor Elétrico estabelecido pela Medida Provisória nº14 e demais regulamentações dos agentes reguladores. Segundo o referido documento, que consiste na Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis para os exercícios findos em 31/12/2001 e 2000 da recorrente, esta informava: [...] Em 11 de março de 2002, a SAELPA encaminhou à Aneel os cálculos da recomposição tarifária, os quais estão sujeitos à homologação pelo órgão regulador. Para que a SAELPA tenha direito a essa compensação, renunciou a qualquer pleito, judicial ou extrajudicial, relativo a fatos e normas concementes ao Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica e à recomposição tarifária extraordinária, bem como aderiu aos acordos firmados entre os agentes do setor elétrico, conforme previsto pela Medida Provisória n° 14 e pelas Resoluções n°91, da GCE, e n° 31, da Aneel. b) R$26.956 referentes à energia disponibilizada pelos geradores livres, os quais dispunham de geração não comprometida em contratos. Essa energia foi denominada 'energia livre'. Nesse montante incluem R$984 relativos ao Pis e Cofins. O valor referente à energia livre foi contabilizado como despesa operacional com base em comunicado aos agentes, divulgado em 13 de março de 2002 pela Asmae (órgão operador do MAE), no montante de R$25.972, líquido do Pis e Cofins. Esse valor será repassado aos geradores. Eventuais decisões das autoridades reguladoras do setor de energia elétrica, quanto à recomposição tarifária extraordinária, bem como o montante relacionado à energia livre, poderão resultar em ajustes relevantes nos valores registrados pela SAELPA. Os valores definitivos a serem divulgados deverão ser validados pela Aneel, conforme previsto em sua resolução n° 72, de 07 de fevereiro de 2002. Como parte do acordo relativo à recomposição tarifária, a SAELPA irá pagar à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco CHESF o valor integral do contrato inicial de fornecimento de energia elétrica, reduzidos pelo fator 0,9759, estabelecido pela Aneel. Esses valores montam, em 31 de dezembro de 2001, em R$13.122. A soma desse valor e da energia livre, mencionada anteriormente, que totaliza R$39.094, foi registrada no resultado do exercício, na rubrica Energia Elétrica 13 A sequência de numeração de folhas no eprocesso (efls.) ficou prejudicada por falha na anexação do volume II do processo físico, que resultou fora da ordem. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.572 50 Comprada para Revenda e compõe o saldo da conta Fornecedores no Passivo Circulante e do Exigível a Longo Prazo. [...] De acordo com o RTF (efls. 140) a recorrente procedeu a adição no Lalur do valor de R$ 25.972 mil referentes à energia disponibilizada pelos geradores livres, mas não adicionou o valor relativo ao valor da diferença faturada pela CHESF, verbis: A SAELPA contabilizou em 31112/2001, a titulo de custo ressarcimento gerador, na 615.03.3.5.4.1 Operações com Energia Elétrica, na subconta 4105 Passivo Regulatório, o montante de R$ 25.972.598,52, levandoa na apuração do resultado do exercido. Da análise da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, da DIPJ 2002, fls. 185, e das folhas 10 e 24 do LALUR, fls. 296 e 310, constatase que a SAELPA adicionou o valor acima citado na apuração do lucro real, com o histórico: valores provisionados do PERECE Consulta 11618.004276/200203 Parecer Cosit 026 de 26/09/2002. Tratase, sem dúvida de questão complexa, envolvendo um momento de crise no setor elétrico, que acabou gerando situações atípicas do ponto de vista das operações e resultados das companhias geradoras e distribuidoras e que demandou a intervenção do Poder Público de modo a assegurar a sustentabilidade econômica do sistema elétrico brasileiro. O alcance de cada situação deve ser analisado dentro deste contexto, portanto. Penso que a transposição das conclusões do Parecer Cosit nº 26/2002 para o presente caso merece ponderações. O referido parecer trata do reconhecimento da receita que seria gerada pela Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, previstas nas MPs. 21985/2001 (art. 28) e 14/2001 (art. 4º), trazendo o entendimento de que tais receitas somente devem ser reconhecidas para fins de incidência dos tributos federais, quando de sua efetiva realização (cobrança dos percentuais nas faturas dos consumidores que seriam realizadas a partir do ano de 2002), atendendo ao Princípio da Competência. A decisão recorrida entende que o custo da energia, ora em discussão, também deveria ser atrelado ao reconhecimento da receita decorrente da RTE, em respeito ao citado Princípio da Competência, pois seria uma energia adquirida, mas não consumida no ano de 2001, que seria, portanto, um custo do ano de 2002. Depois de muito analisar e pesquisar sobre as regulamentações ocorridas naquele episódio da crise energética de 2001, cheguei a conclusão de que tal custo se refere ao ano de 2001, tal como reconhecido pela recorrente. Explico. Não resta dúvida que, tal diferença ora em debate está diretamente relacionada ao racionamento de energia do ano de 2001 e tem implicação na Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, previstas nas MPs. 21985/2001 e 14/2001. Pelo que se depreende dos documentos trazidos aos autos, em especial os esclarecimentos prestados pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF (fls. 2580/2581), do Contrato de Compra e venda de Energia entre CHESF e Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.573 51 SAELPA (atual Energisa) fls. 4883/4922 e respectivo Termo Aditivo nº 01 (fls. 4973/4980), dos avisos de faturamento provisório expedidos pela CHESF (fls. 4947/4960) e das disposições contidas na Resolução Aneel nº 31, de 24 de janeiro de 2002 (fls. 4962/4971), a diferença cobrada pela CHESF referente ao faturamento de junho a novembro e 2001, corresponde efetivamente ao custo da energia contratada e fornecida por aquela geradora à recorrente no período referido e que não fora faturado anteriormente, tendo em vista a orientação setorial de que, em face do racionamento, o faturamento deveria corresponder a 80% do valor contratado, até que se definisse o percentual definitivo de redução, que restou fixado em 3%. Nos esclarecimentos prestados pela CHESF (fls. 2580/2581), ante a intimação da fiscalização, restou consignado, verbis: Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, de 22/04/2005, apresentamos, a seguir, as justificativas solicitadas: Em função do Racionamento de Energia Elétrica, ocorrido no período de junho de 2001 a fevereiro de 2002, houve uma redução no Consumo de Energia da ordem de 20% que afetou o equilíbrio econômico financeiro do contrato de suprimento entre SAELPA e CHESF. Houve negociações envolvendo todos os agentes do Setor Elétrico que culminou num acordo conhecido como: "Acordo Geral do Setor Elétrico", firmado em dezembro de 2001, onde foi estabelecido que durante o período de racionamento, o faturamento dos contratos iniciais deveriam ser reduzidos, com relação aos montantes contratados, em um percentual, ainda por ser definitivamente estabelecido, entre 2% e 3%. A CHESF, no período de junho a novembro de 2001, faturou contra a SAELPA com redução de 20% dos montantes contratados. Em 31/12/2001 a CHESF emitiu a fatura 5324, correspondendo a 97% dos montantes contratuais no mês de dezembro e a fatura complementar 5342, em questão, correspondendo a 17% dos montantes contratados no período de junho a novembro de 2001. Outrossim, informamos que, o embasamento legal encontrase disposto no Termo Aditivo N° 01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre SAELPA e CHESF em 04 de junho de 2002, cuja cópia anexamos juntamente com a Resolução ANEEL N° 31, de 24 de janeiro de 2002, citada na cláusula 6°, item a) que trata do fator de redução do período de junho a dezembro de 2001. (grifei) Na cláusula 6ª do Termo Aditivo, ficou estabelecido, verbis: Cláusula 6º A Cláusula 11 dos Contratos Iniciais das distribuidoras localizadas nas áreas alcançadas pelo PERCEE passa a vigorar acrescida do seguinte parágrafo terceiro: Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.574 52 "Parágrafo Terceiro. As quantidade de energia e demanda vendidas sob este CONTRATO no período de vicia do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica PERCEE serão reduzidas com aplicação do seguinte fator de redução: a) para o período de junho a dezembro de 2001. o previsto no art. 5º da Resolução da ANEEL nº 31, de 2002: e b) para os meses de janeiro e fevereiro de 2002, o previsto no art. 3º da Resolução da GCE nº 133, de 6 de junho de 2002 e, de acordo com a disciplina estabelecida pela ANEEL." A Resolução Aneel nº 31, por sua vez traz a seguinte disposição em seu art. 5º, verbis: Art. 5º As concessionárias distribuidoras alcançadas pela recomposição tarifária extraordinária deverão pagar às geradoras, durante o período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às concessionárias distribuidoras, de acordo com o seguinte fator de redução: onde: I Frd corresponde ao fator de redução a ser aplicado aos valores dos contratos iniciais e equivalentes; II CEag corresponde ao consumo esperado agregado calculado na forma do inciso II do § 4º do art. 4º; III CIi corresponde à definição constante do inciso III do § 4º do art. 4º; e IV FPi corresponde à definição constante do inciso IV do § 4º do art. 4º. 14 14 Art. 4º § 4º [...] III CIi corresponde aos montantes de energia contratados pela concessionária de distribuição de energia elétrica e homologados pela ANEEL nos termos do art. 10 da Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998 (contratos iniciais e contratos celebrados antes da edição do Decreto nº 2.655, de 2 de julho de 1998, que produzam efeito equivalente ao dos contratos iniciais), quotaspartes de Itaipu determinadas anualmente pela ANEEL, energia assegurada ou associada da geração própria e contratos bilaterais das concessionárias de distribuição, já registrados no MAE ou Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.575 53 Entendo que, diante do Acordo Geral do Setor Elétrico, que restou formalizado entre a recorrente e a CHESF, por meio do Aditivo nº 1 ao Contrato de Compra e Venda de Energia, a interessada se comprometeu a pagar 97% do valor correspondente ao montante de energia contratado para o período de janeiro a dezembro de 2001, independentemente da redução efetiva verificada no fornecimento da energia em face do racionamento realizado naquele período. Em contrapartida, como parte do Acordo Geral do Setor Elétrico, teria direito à cobrança, a partir de 2002, da Recomposição Tarifária Extraordinária, para se ressarcir dos custos que se revelaram desproporcionais à receita obtida naquele período, nos termos dispostos nos arts. 2º e 4º da MP. 14/2001, verbis: [...] Pelo que deduzo do quadro fático e normativo acima delineado, a recorrente incorreu efetivamente em custos maiores na aquisição de energia no período de junho a dezembro de 2001 em face do acordo setorial para a compensação de perdas entre os diversos agentes do setor elétrico (geradoras e distribuidoras). Este custo se refere à energia comercializada no próprio ano de 2001. Diante do acordo firmado a interessada passou a ter direito à uma recomposição tarifária extraordinária a ser cobrada sobre a energia vendida a seus consumidores a partir de 2002. Por óbvio os custos correspondentes a esta receita são os mesmos da receita normal comercializada, ou seja, os custos da energia adquirida e comercializada no próprio ano de 2002, pois é sobre esta energia vendida que seria aplicada a tarifa extraordinária. Assim, entendo que o reconhecimento desta parcela de custo no ano calendário 2001 pela interessada, não entra em contradição com o entendimento emanado do Parecer Cosit nº 26/2002, quando este tratou do reconhecimento das receita oriundas da Recomposição Tarifária Extraordinária RTE. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso quanto a este ponto. Das Diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (R$ 2.871.961,74). Subitem 5.3.1.1 do RTF De acordo com o RTF, a fiscalização solicitou informações à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF e, com base na resposta obtida, entendeu que havia divergências entre os valores escriturados pela SAELPA e os valores constantes da emissão das notas fiscais da Chesf, relativas a essas contas. O Auditor Fiscal, então, glosou os valores estornados da nota fiscal n° 5324 em R$ 2.098.505,44, bem como a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33. Da mesma forma, glosou o estorno da nota fiscal n° 5342, no valor de R$ 473.758,12, e a diferença entre o valor contabilizado e o constante daquela nota, no valor de R$ 188.600,85, totalizando a glosa de R$ 2.871.961,74, como despesa/custo indedutível para a apuração do lucro real no ano calendário de 2001. na ANEEL até novembro de 2001, que tiveram os volumes mensais dos contratos iniciais reduzidos em 2001 em relação ao mesmo mês de 2000, até o limite da referida redução, conforme verificação pela ANEEL; IV FPi corresponde ao fator que reflete as perdas de energia elétrica das concessionárias distribuidoras ocorridas na comercialização desse produto, calculado, por concessionária distribuidora, pela média de doze meses de junho de 2000 a maio de 2001. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.576 54 A DRJ, por sua vez, entendeu que somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea. A recorrente alega que os procedimentos tiveram suporte na época pelo seu órgão regulador, bem como pelas disposições do Setor Elétrico, a saber ANEEL, ABRAGE, GCE, através de expedição de resoluções. Ademais, todos os lançamentos contábeis tiveram suporte no que determina os contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, a legislação vigente no período de racionamento e os fatores econômicos efetivos. Sustenta que em dezembro de 2001, o governo e as empresas de energia elétrica firmaram o Acordo Geral do Setor Elétrico com as concessionárias distribuidoras e as geradoras de energia elétrica, com o intuito de garantir o equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos existentes e a recomposição de receitas relativas ao período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica (Racionamento / "Programa Emergencial"). Que este acordo abrangia (i) as perdas de margem incorridas pelas distribuidoras e geradoras no período de vigência do citado Programa Emergencial, (ii) os custos adicionais da Parcela A . para o período de 1/01/2001 a 25/10/2001, (iii) a parcela dos custos com a compra de energia no âmbito do Mercado Atacadista de Energia (MAE), denominada "energia livre", realizadas até dezembro de 2002 e (iv) a substituição do direito contratual previsto no Anexo V dos Contratos Iniciais (compra e venda de energia). Assim, as distribuidoras alcançadas por essa recomposição tarifária extraordinária teriam que pagar às geradoras, durante o Programa Emergencial, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às distribuidoras. Essa redução foi definida em 2,341%. A recorrente alega que demonstra através do Extrato contábil (doc.22 anexo 09 da impugnação) que efetuou a contabilização em dezembro de 2001 dos valores relativos à diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, bem como o valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com os demonstrativos de cálculos efetuados à época (doc 23 anexo 10 da impugnação). Afirma que, com base na informação detida no momento do lançamento contábil (antes da definição final do fator de redução), efetuou os cálculos utilizando o Fator de Redução 2,1%. Sustenta que efetuou a contabilização na conta contábil 615.03.3.5.41 subconta 4101 dos valores de energia comprados da CHESF em montantes de: (i) R$12.084.922,43 energia comprada de dezembro de 2001, e (ii) R$11.096.782,02 valor complementar de valores de energia comprada de abril a dez de 2001. Diz que os documentos hábeis e idôneos que serviram de base para os registros contábeis dos valores de R$ 11.096.782,02 e R$ 12.084.922,43 foram apresentados pela Recorrente no momento da fiscalização, tendo sido, no entanto, desconsiderados pelo Fiscal, que desprezou a correção de tais valores contabilizados com fator de redução (2,1%), relativo ao período de abril a dezembro de 2001. Sustenta que o lançamento de R$ 11.096.782,02 referese ao somatório encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1% sobre o valor do contrato inicial de compra e venda de energia elétrica do período de abril a novembro de Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.577 55 2001 e que o lançamento de R$ 12.084.922,43 é o valor contrato inicial de compra e venda de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, já aplicado o fator de redução de 2,1 %. Refere que num segundo momento, após a celebração do Acordo Geral do Setor Elétrico, utilizou o fator de redução de 2,341% para o cálculo da diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, e de 20% sobre o valor da compra de energia elétrica (contrato inicial) para o mês de dezembro de 2001, apurandose os valores de R$13.122.235,30 em vez de R$11.096.782,02 e de R$9.875.319,66 em vez de R$12.084.922,43, respectivamente. Assim, a diferença apontada para a nota fiscal da Chesf n° 005324, no valor de R$ 2.209.602,77, referese ao valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela Chesf, com o redutor de 20% (vinte por cento). Com relação à diferença citada na nota fiscal n° 005342, no valor de R$ 662.358,97, a mesma referese à subtração do valor registrado pela SAELPA, e o valor efetivamente devido após o ajuste. Afirma que o valor contábil registrado em dezembro de 2001 pela SAELPA (R$ 11.096.782,02) foi assim calculado em função de que também se desconhecia o ajuste da fatura complementar, o que se deu apenas em meados de 2002. Alega que as diferenças de R$ 2.209.602,77 e de R$ 662.358,97, acima esclarecidas e que totalizam R$ 2.871.961,74, foram levadas à tributação no exercício fiscal de 2002, quando houve a definitiva indicação do valor devido pelo MAE, o que se comprovaria com o lançamento contido no Diário (doc. XX anexo). Por ocasião da Resolução nº 1302000.451, eu havia me manifestado, preliminarmente, no sentido de que tais valores efetivamente não deveriam ter sido reconhecidos como custos ou despesas do ano de 2001 e que, quando muito, se comprovada a efetivação do estorno no anocalendário 2002, "poderia caracterizar a ocorrência de postergação de pagamento do imposto por inobservância do regime de competência, nos termos do art. 273 do RIR/1999, mas exigiria também a comprovação de que a recorrente apurou e recolheu os tributos devidos no ano em que se deu tal reconhecimento15, o que também não restou comprovado nos autos". Daí a conversão em diligências para que a interessada fosse intimada a: I) apresentar comprovação do estorno, no ano de 2002, das diferenças de despesas com Compra de Energia da CHESF, no valor de R$ 2.871.961,74, mediante cópias dos registros contábeis nos livros Diário e Razão (partida e contrapartida, devidamente identificadas no plano de contas) III) apresentar comprovação de que tais valores foram efetivamente tributados naquele ano, ou seja, que a 15 PN. CST. 02/1996: [...] 9. Por outro lado, nos casos em que, nos períodosbase subseqüentes ao de início do prazo da postergação até o de término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da comtribuição social sobre o lucro líquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o imposto e contribuição social apurados no períodobase inicial, com os respectivos encargos legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar ganhos anteriores. Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.578 56 interessada apurou e recolheu os tributos lançados (IRPJ e CSLL) sobre o resultado anual de 2002, mediante juntada de cópias de Demonstração de Resultado, Lalur, DIPJ e DCTF, relativos aos tributos apurados em 31/12/2002. Na resposta à diligência, a interessada limitouse à reprisar as alegações recursais e propugnar pelo reconhecimento da legalidade e correção do valor contabilizado, especialmente em face da aplicação dos princípios contábeis da Competência e do Conservadorismo, diante da situação fática ocorrida em decorrência do Acordo Geral do Setor Elétrico. O relatório da consultoria tributária trazido aos autos pela recorrente (fls. 7871/7911), apenas busca explicar mais uma vez o reconhecimento contábil efetuado pela recorrente, validandoos, segundo o entendimento ali manifestado, com base nos princípios contábeis da Competência e da Oportunidade. Revendo os elementos dos autos, penso que as conclusões preliminares trazidas na Resolução nº 1302000.451 merecem alguns reparos. Com efeito, o relato das alegações trazidas pela recorrente confirmam, ao menos parcialmente, o entendimento da fiscalização de que tais valores não poderiam compor o custo da energia comprada no ano de 2001. Desde logo a fiscalização constatou diferenças entre os valores lançados pela interessada como custo e as notas fiscais (nº 005324 e 005342) emitidas pela CHESF, apontando, respectivamente os valores de R$ 111.097,33 e R$ 188.600,85, que a própria recorrente confirma como incorretos, uma vez que procedeu aos lançamento com base em estimativas feitas antes da emissão das notas fiscais, o que ocorreu ainda em 2001. Portanto, a glosa desses valores é inquestionável. Não se justifica a alegação da recorrente de que desconhecia os valores efetivamente devidos, pois as notas fiscais nº 005324 e 005342 foram emitidas pela CHESF em 31/12/2001 (fls. 2566/2572). Assim, certamente tais diferenças foram indevidamente registrada no custo do ano de 2001. Com relação à diferença de R$ 2.098.505,44, relativa à Nota Fiscal nº 005324, verificase pelo RTF que a interessada procedeu à liquidação da fatura, com o referido desconto aplicado, por meio de depósitos/créditos bancários em 15/01/2002 e 05/02/2002.. O mesmo ocorreu com relação ao valor de R$ 473.758,12, estornado pela CHESF relativo à NF. nº 005342, relativo ao ajuste feito em face do Acordo Geral do Setor Elétrico, que de acordo com o RTF foram quitadas em março e setembro de 2002. Com relação a estes valores, considerando o entendimento anteriormente manifestado neste voto quanto aos valores suplementares faturados pela CHESF em dezembro de 2001 com base no Acordo Geral do Setor Elétrico, entendo que se os estornos ocorridos decorreram de novas orientações emanadas dos órgãos regulares em 2002, não havia, naquele momento como a interessada fazer tal reconhecimento em sua escrituração. Como registrado acima, a empresa CHESF emitiu as duas notas fiscais em 31/12/2001 e os ajustes nos valores só ocorreram no decorrer do ano de 2002. Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.579 57 Assim, tais valores deveriam ter sido registrados naquele anocalendário e, portanto, afetariam apenas o resultado daquele exercício. Não é razoável admitir o reconhecimento de tal fato de forma retroativa na contabilidade e no resultado apurado em 2001 pela recorrente. Desta feita, ainda que não tenha sido aportado aos autos a comprovação contábil de que tais estornos foram efetivamente realizados pela recorrente no ano calendário 2002, tais lançamentos não podem impactar o resultado do ano calendário 2001. Assim, entendo que resta indevida apenas a contabilização como custo dos valores de R$ 111.097,33 e R$ 188.600,85, registrados à maior pela recorrente com base em estimativas feitas antes da emissão das notas fiscais. Neste caso sim, uma vez indevidamente registrados nos custos contabilizados em dezembro de 2001, tais valores deveriam ter sido adicionados ao resultado apurado em 2001 pela recorrente, em observância ao regime de competência, nos termos do § 4º do art. 6ºdo DecretoLei nº1.598/1977.16 Ante a falta de comprovação de que estes valores foram efetivamente estornados em 2002 e devidamente oferecidos à tributação, o que poderia caracterizar, como já mencionado, mera postergação de pagamento do imposto, o lançamento desta infração deve ser mantido nesta parte. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso quanto a esta matéria, para exonerar da base da exigência o montante de R$ 2.572.263,56, por corresponderem a custos efetivamente incorridos no ano de 2001. Da Glosa de Custos Provisionamento da Compra de Energia no Mercado Atacadista no AnoCalendário de 2001 R$ 70.342.053,18. Subitem 5.2 do RTF Este item do auto de infração referese a contabilização, em 31/12/2001, da energia comprada no Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAF no valor de R$ 70.342.053,18. No julgamento de primeira instância, a DRJ reconheceu um equívoco no valor lançado pela fiscalização, reduzindo o valor glosado para R$ 70.270.656,92. A recorrente alega que a autoridade fiscal confundiu o custo da energia consumida no ano 2001 com a RTE, aplicando indevidamente o diferimento previsto no Parecer COSIT n° 26/2002, sendo equivocada a conclusão do auditor, de que teria a SAELPA, indevidamente, deixado "de adicionar na apuração do lucro real a importância de R$ 70.342.053,18, por ser tal custo/despesa indedutível. A autoridade julgadora de primeiro grau, segundo a recorrente,descuidou de analisar os argumentos da então impugnante, atendose simplesmente a aplicar o Parecer COSIT n° 26, de 26 de setembro de 2002 , além de ter negado pedido de diligência requerido que teria esclarecido definitivamente a celeuma. 16 Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. [...] § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.580 58 Alega que os lançamentos do Livro Diário n° 127, contidos nas fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos, apesar de terem sido denominados "PROVISÃO COMPRA MAE", não são provisões, pois retratam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001. Aqueles valores, que totalizam R$ 70.342.053,18, representam o custo da energia comprada pela Recorrente no MAE a cada mês de 2001, a fim de atender seu mercado consumidor. Explica que o suprimento de energia da Saelpa em 2001 era proveniente de seu Contrato Inicial com a geradora Chesf, (doe. 16 Contrato da CHESF), complementado por Contratos Iniciais de compra das concessionárias de distribuição Companhia Energética do Ceará, Companhia Energética de Pernambuco e Companhia Energética do Rio Grande do Norte. Informa que, em 17 de abril de 2001, antes que se falasse em racionamento de energia elétrica, a Energisa celebrou contratos bilaterais de venda de energia para a Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina e empresa Energética de Sergipe S.A. Como conseqüência do racionamento de energia elétrica, foi celebrado o Acordo Geral do Setor Elétrico, do qual constou a instituição da Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, assim como a obrigatoriedade de celebração, por cada distribuidora, de um "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" com as geradoras. Destaquese que o "Acordo de Compra de Sobras Liquidas Contratuais" não tem absolutamente nenhuma vinculação com a RTE. Enquanto esta visava, como explicado, o restabelecimento do equilíbrio econômico financeiro dos contratos de concessão, mediante a reposição de perdas das distribuidoras, o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" tinha por objetivo redistribuir as eventuais sobras de energia das distribuidoras para as geradoras, como forma de incentivo ao setor de geração. Assim, a Recorrente celebrou o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais", que considerava como equivalentes apenas os contratos iniciais firmados entre a distribuidora e as geradoras de energia. Assim, os contratos bilaterais de venda de energia celebrados com a CFLCL e a ENERGIPE não foram considerados para o cálculo das sobras, pois, com base no disposto no inciso III do § 5o do art. 2° da Resolução GCE n° 091, de 21/12/01, não foram considerados como equivalentes aos contratos iniciais. Informa que esse entendimento foi ratificado por meio do item I do Despacho ANEEL n° 288, de 16/05/02, anexo, que não relacionou tais contratos como equivalentes aos iniciais. Como conseqüência, acabou a recorrente sendo obrigada a comprar no Mercado Atacadista de Energia a quantidade de energia necessária para honrar os contratos bilaterais. Aduz que o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais resultou em exposição ("compra" de energia no mercado de Curto prazo do MAE) da Recorrente correspondente aos montantes vendidos a CFLCL e Energipe, registrados no MAE. Esta exposição foi valorada ao preço da energia no mercado de curto prazo (na ocasião denominado PMAE) no submercado Nordeste, que correspondeu a R$ 684/MWh de Io de junho até a 21 de setembro e R$ 562,15/MWh de 22 de setembro até 31 de dezembro de 2001 (valores constantes do site da CCEE,entidade que sucedeu o MAE). Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.581 59 Assim, teria sido obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a comprar no MAE no ano de 2001, para ter lastro para cumprir seus contratos bilaterais de venda de energia. Informa que os agentes do Setor Elétrico, solicitaram do MAE O posicionamento sobre essas contas, a fim de formalizar os lançamentos contábeis do exercício e que apenas ocorreu em 28 de fevereiro de 2002, quando houve a divulgação aos Agentes do Demonstrativo provisório e aproximado, de natureza meramente informativa contendo os melhores números para se proceder ao registro contábilfinanceiro, formalizado mediante a CIAS 0347/2002, com a denominação de Provisionamento 2001 e Formulação Algébrica referente ao Acordo de Racionamento . Explica que os números que constam no demonstrativo divulgado no Comunicado citado acima, registram os valores disponíveis às distribuidoras e geradoras, resultado das compras e vendas de energia no MAE. Os valores constantes da coluna "Montante Financeiro Mensal (R$) representam os créditos e débitos decorrentes das sobras ou déficits de energia em cada mês (que resultam do balanço entre oferta e consumo), valoradas ao PMAE (Preço MAE). Afirma que o valor de R$ 70.342.053,18, resulta dos valores devedores mensais relativos à Recorrente, apurados pelo MAE, constantes da coluna Montante Financeiro Mensal (R$) do anexo Resultados do Provisionamento 2001, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como Ajuste MAE compra jan a ago/00. Conclui que, restou demonstrado que: (i) Provisionamento foi a denominação utilizada pelo MAE quando informou o valor devido pela Recorrente pela energia adquirida no mercado de curto prazo nos meses de 2001. O fato de constarem da escrituração contábil lançamentos com indicação desse nome não transforma tais lançamentos em provisões. Pelo contrário, o fato de tais lançamentos representarem despesas incorridas no ano de 2001, não custos futuros, é suficiente para afastar qualquer entendimento naquele sentido, sendo certo não se tratar de provisão, mas sim de despesa operacional; (ii) O auditor confundiu o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais com a RTE, quando a única ligação entre esses dois fatos é o momento histórico. Como demonstrado, a despesa de R$ 70.342.053,18 decorreu da obrigatoriedade de aquisição de energia no mercado de curto prazo pela Energisa, para honrar as vendas de energia efetuadas, não tendo qualquer vinculação com a sobre tarifa criada para os exercícios subseqüentes com a finalidade de reequilibrar econômica e financeiramente seu contrato de concessão pela perda de receita em 2001 (RTE). Frisese, o valor pago a título de energia comprada no MAE foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação e, por conseguinte, dedutível. Vale repetir a mesma observação já feita neste recurso voluntário: o fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.582 60 recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a suprir seus contratos bilaterais deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE ! Destaca que, com base no Princípio do Conservadorismo, e de posse dos números apresentados em planilha do MAE, que indicou a compra naquele mercado, lançou tal despesa como custo dedutível na apuração do lucro real, para o exercício de 2001, em virtude da observância do princípio da competência e em função da planilha informativa apresentada pelo MAE , tendo seguido a determinação do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, no item 6.3.16, que trata da Comercialização de Energia Elétrica no Âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE. Ao final solicitou a realização de diligências com pedidos de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Após a realização das diligência solicitadas junto à CCEE, ANEEL e à própria contribuinte, a autoridade fiscal reafirmou suas conclusões quanto à natureza de provisões dos valores lançados como custos pela interessada, tendo em vista o estorno de R$ 40.113.000,00 relativo ao contrato junto à CFLCL e que a interessada não teria comprovado o pagamento dos valores relativos ao fornecimento junto ao MAE relativo ao contrato com a Energipe, defendendo a sua indedutibilidade no resultado de 2001, conforme expresso no final do Relatório de Diligência Fiscal (e fls. 7042/7058): Pelo exposto fica claro que; • A Energisa já demonstra que não comprou energia ao MAE pelo contrato Saelpa/CFLCL no período de racionamento, no montante de R$ 40.113.000,00; • A Energisa não conseguiu comprovar que comprou e pagou a importância ao MAE, principalmente referente ao contrato Saelpa/Energipe. Pelo exposto fica evidente que a contabilização das Provisões no montante de R$ 70.342.053,18 tem que ser adicionada na apuração do lucro real, tal qual efetuado no auto de infração, por ser indedutível para o imposto de renda e pela não comprovação através de documentação hábil e idônea, tal qual procedido no lançamento tributário com base nos arts. 6°, § 2°, 7°, 13, § 1°, do Decretolei nº1.598/77; art. 2° da Lei nº 2.354/54, e art. 45, §2°, da Lei nº 4.506/64. Intimada do relatório fiscal a recorrente reafirma que o entendimento fiscal está equivocado. Afirma em conclusão que o fato do valor de R$ 40.113.000,00, relativos à aquisição de energia junto ao MAE, que visava ao cumprimento do contrato com a CFLCL, tenha sido estornado em 30/06/2002 (conforme cópias do Livro Razão que anexa), por força do novo entendimento trazido no Despacho ANEEL nº 288, de Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.583 61 16/05/2002, que veio reconhecer o contrato firmado para fornecimento de energia à CFLCL como equivalente (para fins de cálculo de apuração das sobras líquidas), não invalida o reconhecimento do custo em 31/12/2001, pois esta era a situação reconhecida pelos órgãos setoriais naquele momento. Com relação ao pagamento da energia adquirida junto ao MAE relacionada ao contrato da Energipe, tida como não comprovada pela fiscalização, explica e demonstra por meio de lançamentos contábeis que o valor resultou quitado mediante a compensação entre créditos que possuía junto ao próprio MAE (atual CCEE). Passo a analisar a exigência do Fisco, à luz dos elementos carreados aos autos até o momento. Tratase de questão bastante complexa pois tratase de operações realizadas no âmbito do setor elétrico envolvendo múltiplos agentes público e privados num contexto de crise no setor elétrico em face de necessidade de racionamento de energia que levou à realização de um grande acordo setorial para reconhecimento e compensação de perdas no sistema. Analisando os elementos trazidos pela recorrente, entendo que esta conseguiu demonstrar e comprovar por documentos hábeis (contratos e notas fiscais) a venda de energia às empresas CFLCL e Energipe ao longo de 2001, o que aliás a própria fiscalização não contesta. A discussão prendese ao custo da energia adquirida para tal fim. A fiscalização afirma que, ao contrário do que afirma a interessada, "a Energisa (atual denominação da SAELPA) sempre possuiu sobras nos meses em questão de modo que não teria recorrido ao MAE para adquirir energia adicional para atender os contratos de venda de energia firmados com a CFLCL e a ENERGIPE, isto é, a energia vendida foi a adquirida da CHESF, onde o custo já está contabilizado". A recorrente alega que, quando firmou contrato de venda para as empresas CFLCL e Energipe em abril de 20012, tinha, de fato, sobras líquidas que adviriam do contrato com a CHESF, mas que em face do racionamento de energia elétrica o Governo Federal, por seus órgão reguladores do setor, determinou que as "sobras líquidas contratuais" deveriam ser repassadas aos Geradores neste período de racionamento, o que resultou em "exposição" (necessidade de compra de energia no Mercado de Curto Prazo do MAE) da SAELPA correspondente aos montantes vendidos para a ENERGIPE e a CFLCL registrados no então MAE, para atender ao contrato com os seus demais clientes/consumidores, uma vez que pelo Acordo de Compra de Sobras Líquidas (efls. 4630/4636), esta venda de energia não foi computada, em face do disposto no inciso III do § 5° do art. 2° da Resolução GCE n° 91, de 21.12.2001 (efls. 6799 a 6808). A recorrente demonstra que o valor da energia comprada no Mercado de Curto Prazo, no MAE, corresponde ao volume de energia vendida (em Mkw), para ENERGIPE e CFLCL, multiplicado pelo preço MAE (PMAE) vigente nos respectivos meses. A partir deste preço de compra recompondo o valor de R$70.342.053,18, fornecido pelo MAE. De fato, os valores apresentados pela recorrente são coerentes com os informados no Comunicado aos Agentes Provisionamento de 2001, feitos pelo MAE (efls. 6818/6827) e que foram utilizados como fonte para os lançamentos dos custos que resultaram glosados pela fiscalização. Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.584 62 A recorrente reconhece que houve, posteriormente, a reconsideração por parte da ANEEL, por meio do Despacho ANEEL nº 288, de 16/05/2002 (efls. 6840/6841), que reconheceu que o contrato celebrado entre a SAELPA e a CFLCL como equivalente para efeito do cálculo da apuração das sobras líquidas, levando ao estorno realizado em 30/06/2002, do valor de R$ 40.113.000,00. O montante de energia mencionada nos meses de junho a dezembro de 2001 considerado no anexo do referido despacho corresponde exatamente à quantidade de energia vendida pela interessada à CFLCL. A recorrente alega que tal reconhecimento, ocorrido em maio de 2002, e estornado em junho daquele ano, não desnatura o custo reconhecido em 31/12/2001. Penso que tem razão a recorrente. Em 31/12/2001, a interessada reconheceu um custo de compra de energia junto ao MAE que seria associado à venda de energia para as empresas Energipe e CFLCL, com base nos dados disponíveis fornecidos pelo órgão MAE (espécie de câmara de compensação) que controlava o saldo de compra e venda de energia entre as distribuidoras e geradoras, com base nas normas e decisões expedidas pelo agente regulador (ANEEL). Não há como discordar da alegação da recorrente de que, embora o MAE tenha denominado de provisão (e ela própria assim denominou na sua contabilidade), tratase de custo efetivamente incorrido no ano de 2001. O fato de, posteriormente, a ANEEL ter vindo a reconhecer que os valores do contrato de venda para a CFLCL deveriam compor o ajuste do saldo das sobras líquidas, configura, no máximo, a característica de recuperação de custos, com o consequente cancelamento do débito junto ao MAE (atual CCEE). No que concerne ao argumento da fiscalização, com relação às aquisições para o fornecimento do contrato da Energipe, de que não estaria comprovado o efetivo pagamento, penso que, ao contrário, a recorrente demonstrou que o saldo foi pago mediante o encontro de contas no âmbito da CCEE. Além disso, salvo se houvesse dúvida que quanto à existência das compras de energia junto ao MAE, o que não ocorre, o registro do custo deve se dar pelo regime de competência, sendo irrelevante neste momento a comprovação do pagamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário quanto a este item da autuação. Exclusões no Lalur Indevidas (R$ 7.896.751,95). Subitem 5.5 do RTF Este item do RTF trata da glosa de exclusão no Lalur relativo à reversão de provisões no ano de 2001, por falta de comprovação dos valores que foram revertidos em face do recebimento dos títulos. A recorrente traz diversas considerações sobre as apurações feitas pela fiscalização com relação às diferenças apuradas entre os valores provisionados em 31/12/2000 e 31/12/2001, objeto da infração discutida no subitem 5.1.2.7 do RTF, e acusa o Fisco de ter efetuado o lançamento por mera presunção de que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.585 63 Alega que a DRJ ao tratar deste item, deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado as provas documentais correspondentes. Alega que as provisões comparadas pelo fiscal não serviram para reduzir o lucro tributável, logo, o que a fiscalização fez foi glosar a diferença entre provisões de dois exercícios subseqüentes, por pura presunção, que não pode ser tomada como base de cálculo do imposto. Alega que não existe uma relação especifica para o reconhecimento das adições e exclusões, cabendo ao contribuinte adequar as situações legais e que, em regra, as exclusões permitem o diferimento das receitas ou a sua não tributação. Assim, também são consideradas como "Outras Exclusões" a Reversão de Provisões, consideradas indedutíveis (art. 13 da Lei n° 9.249/96) na sua constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade. Sustenta que quando do fechamento do exercício de 2001, efetuou a comparação dos valores das Provisões de Devedores Duvidosos constituída até dezembro de 2001 vis à vis aquela de dezembro de 2000, tendo apurado uma reversão de provisão da ordem de R$7.896.751,95. Tal reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida no exercício de 2001 que envolveu contas baixadas, novas contas que foram incluídas na provisão, como também correção de contas de energia elétrica. Analisando a argumentação trazida pelo contribuinte durante a ação fiscal e na fase litigiosa, verifico que o mesmo apresenta uma explicação numérica para o valor apurado e excluído do Lalur a título de reversão de provisões anteriormente constituídas, mas em momento algum, seja durante a ação fiscal, seja no recurso apresentou os elementos de comprovação de quais foram os créditos anteriormente provisionados e adicionados ao lucro real do ano anterior que teriam sido revertidos para justificar a sua exclusão no lucro real de 2001 no montante de R$ 7.896,751,95. Assim, à míngua de apresentação de elementos que respaldem a exclusão efetuada no Lalur, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a este ponto. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o lançamento: a) integralmente, quanto à: a.1) glosa de variação monetária do parcelamento de ICMS de R$10.359.592,48. (subitem 5.4.1 do RTF anocalendário: 2000); a.2) glosa de custos referente ao faturamento complementar de R$ 10.434.423,05. (Subitem 5.3.1.2 do RTF anocalendário: 2001); a.3) glosa de custos referente ao provisionamento da compra de energia no Mercado Atacadista, no valor de R$ 70.270.656,92. (Subitem 5.2 do RTF Ano Calendário de 2001); e b) parcialmente, quanto à glosa de diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (Subitem 5.3.1.1 do RTF AnoCalendário de 2001), para exonerar da base da exigência o montante de R$ 2.572.263,56. Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.586 64 Os montantes de prejuízos fiscais e bases de cálculo restabelecidas em face do presente julgamento estão demonstradas nas tabelas abaixo: Os montantes de prejuízos fiscais e bases de cálculo restabelecidas em face do presente julgamento estão demonstradas nas tabelas abaixo: Redução Prejuízo Fiscal Ano 2000 Ano 2001 Total Restab. Prejuízo Apurado/Glosado 31.635.515,65 97.169.506,63 128.805.022,28 () Glosas canceladas: Variações Monetárias passivas 10.359.592,48 Custos energia 10.434.423,05 Custos energia 2.572.263,56 Custos energia 70.342.053,18 () Total de Glosas Canceladas 10.359.592,48 83.348.739,79 Total da Glosa de Prejuízo mantida 21.275.923,17 13.820.766,84 35.096.690,01 Saldo de Prejuízo Recomposto 10.359.592,48 83.348.739,79 93.708.332,27 Redução BC Negativa CSLL Ano 2000 Ano 2001 Total Restab. BCN Apurada/Glosada 26.881.253,65 97.563.055,69 124.444.309,34 () Glosas canceladas: Variações Monetárias passivas 10.359.592,48 Custos energia 10.434.423,05 Custos energia 2.572.263,56 Custos energia 70.342.053,18 () Total de Glosas Canceladas 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2000 31/12/2001 Prej. Acum. Anos Ant. 79.430.603,83 89.790.196,31 Compensação no ano Saldo ao Final do Ano 79.430.603,83 89.790.196,31 Prejuizo Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo Recomposto 89.790.196,31 173.138.936,10 Saldos Bases Negativas 31/12/2000 31/12/2001 BCN Acum. Anos Ant. 59.569.037,76 69.928.630,24 Compensação no ano Saldo ao Final do Ano 59.569.037,76 69.928.630,24 BCN Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo BCN Recomposto 69.928.630,24 153.277.370,03 Das glosas de custos e despesas efetuadas no processo acima referido decorreram glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, nos anoscalendário 2005 e 2006, formalizadas em autos de infração por meio do Processo Administrativo Fiscal nº 14751.002674/200826, e do ano de 2007, formalizada por meio do Processo Administrativo Fiscal nº 14751.002618/200972. Nesta mesma sessão de julgamento este colegiado, por meio do Acórdão nº 1302002.547, reconheceu os efeitos da decisão do Processo Administrativo Fiscal nº 14751.002674/200826 naqueles processos, com o consequente aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases de cálculo efetivamente recompostas naqueles períodos. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.587 65 O Acórdão nº 1302002.546 proferido no âmbito do PAF nº 14751.002618/200972, traz o detalhamento do aproveitamento dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas no PAF nº 14751.002674/200826 (anos 2005 e 2006) e no bojo dele próprio (ano 2007), conforme se extrai do voto condutor, verbis: [...] Das glosas de custos e despesas efetuadas no processo acima referido decorreram glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, nos anoscalendário 2005 e 2006, formalizadas em autos de infração por meio do processo administrativo fiscal nº 14751.002674/200826. Nesta mesma sessão de julgamento este colegiado reconheceu os efeitos da decisão naquele, com o consequente aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases de cálculo efetivamente recompostas naqueles períodos, conforme se extrai dos excertos dos voto naquele processo, verbis: [...] Em face das glosas de custos e despesas efetuadas por meio do Processo Administrativo nº 14751.000142/200510, a fiscalização apurou que o contribuinte, no anocalendário 2006, efetuou a compensação de prejuízos no montante de R$ 43.468.130,91, enquanto que o Sapli apontava um saldo disponível de R$ 14.156.552,04, efetuando, assim a glosa de compensações de prejuízos fiscais no montante de R$ 29.311,578,87. Do mesmo modo, com relação ao Saldo Negativo de CSLL, o contribuinte efetuou, no anocalendário 2005 a compensação de R$ 29.362.254,06, mas o Sapli apresentava saldo de apenas R$ 23.045.438,21, tendo a fiscalização efetuado a glosa no montante de 6.316.815,85. Ainda com relação à CSLL, a contribuinte efetuou a compensação de bases negativas, no anocalendário 2006, em sua DIPJ no montante de R$ 43.060,859,18, e segundo o Sapli não existia qualquer saldo a compensar naquele momento. Assim, a fiscalização efetuou a glosa integral da compensação de base negativa da CSLL no ano de 2006, no montante de R$ 43.060,859,18. Diante da recomposição parcial dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas apurada em face do cancelamento parcial das glosas de despesas efetuadas por meio do Processo Administrativo nº 14751.000142/200510, conforme decidido no Acórdão nº 1302002.547, impõese reconhecer tal efeito no presente lançamento. Conforme demonstrado nas tabelas abaixo, com a recomposição do saldo de prejuízos, em face do parcial acolhimento do recurso no PA acima referido, e, considerando os saldos utilizados pela contribuinte no período de 2002 a 2006, as glosas de compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas levadas a efeitos nestes autos não pode subsistir: Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2006 Prej. Acum. Anos Ant. 79.430.603,83 89.790.196,31 173.138.936,10 161.613.248,14 155.776.367,05 137.583.307,15 107.864.884,31 Compensação no ano 11.525.687,96 5.836.881,09 18.193.059,90 29.718.422,84 43.468.130,91 Saldo ao Final do Ano 79.430.603,83 89.790.196,31 161.613.248,14 155.776.367,05 137.583.307,15 107.864.884,31 64.396.753,40 Prejuizo Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo Recomposto 89.790.196,31 173.138.936,10 161.613.248,14 155.776.367,05 137.583.307,15 107.864.884,31 64.396.753,40 Saldos Bases Negativas 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2006 BCN Acum. Anos Ant. 59.569.037,76 69.928.630,24 153.277.370,03 141.877.169,88 134.735.061,24 116.753.770,48 87.391.516,42 Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.588 66 Compensação no ano 11.400.200,15 7.142.108,64 17.981.290,76 29.362.254,06 43.060.859,18 Saldo ao Final do Ano 59.569.037,76 69.928.630,24 141.877.169,88 134.735.061,24 116.753.770,48 87.391.516,42 44.330.657,24 BCN Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo BCN Recomposto 69.928.630,24 153.277.370,03 141.877.169,88 134.735.061,24 116.753.770,48 87.391.516,42 44.330.657,24 Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Com efeito, observase que após o aproveitamento de parte do saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas recompostos, nos anoscalendário 2005 e 2006, remanesce um saldo de prejuízos fiscais de R$ 64.936.753,40 e de base de cálculo negativa da CSLL de R$ 44.330.657,24 em 31/12/2006. Desta feita, considerando que o valor das glosas efetuadas no anocalendário 2007 é inferior ao saldo disponível (recomposto) em 31/12/2006, mesmo após a compensação das glosas efetuadas por meio do PA nº 14751.002674/200826, o presente lançamento deve ser cancelado, conforme demonstrado nas tabelas abaixo: Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2007 Prej. Acum. Anos Ant. 64.396.753,40 Compensação no ano 39.853.024,78 Saldo ao Final do Ano 24.543.728,62 Prejuizo Restab. 2000/2001 Saldo Recomposto 24.543.728,62 Saldos Bases Negativas 31/12/2007 BCN Acum. Anos Ant. 44.330.657,24 Compensação no ano 39.780.216,95 Saldo ao Final do Ano 4.550.440,29 BCN Restab. 2000/2001 Saldo BCN Recomposto 4.550.440,29 Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Após o aproveitamento de parte do saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas recompostos, nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, remanesce um saldo de prejuízos fiscais de R$ 24.543.728,62 e de base de cálculo negativa da CSLL de R$ 4.550.440,29 em 31/12/2007. Desta feita, considerando que o valor das glosas efetuadas no anocalendário 2008 é superior ao saldo disponível (recomposto) em 31/12/2007, após as compensações das glosas efetuadas por meio dos PAF's. nº 14751.002674/200826 e nº 14751.002618/200972, os lançamentos das glosas de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases de cálculo negativas (CSLL) do ano de 2008 devem ser parcialmente cancelados, conforme demonstrado nas tabelas abaixo: Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2007 31/12/2008 Prej. Acum. Anos Ant. 64.396.753,40 24.543.728,62 Compensação no ano 39.853.024,78 32.129.064,17 Saldo ao Final do Ano 24.543.728,62 7.585.335,55 Prejuizo Restab. 2000/2001 Saldo Recomposto 24.543.728,62 Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.589 67 Saldos Bases Negativas 31/12/2007 31/12/2008 BCN Acum. Anos Ant. 44.330.657,24 4.550.440,29 Compensação no ano 39.780.216,95 26.296.435,30 Saldo ao Final do Ano 4.550.440,29 21.745.995,01 BCN Restab. 2000/2001 Saldo BCN Recomposto 4.550.440,29 Ante ao exposto, voto pelo cancelamento parcial das glosas de prejuízos fiscais (IRPJ), no montante de R$ 24.543.728,62, e das bases de cálculo negativas (CSLL), no montante de R$ 4.550.440,29, do ano de 2008, remanescendo as exigência dos tributos, quanto ao IRPJ, sobre a base de R$ 7.585.335,55 e, quanto à CSLL, sobre a base de R$ 21.745.995,01. 3 Multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ/CSLL sobre base de cálculo estimada (anoscalendário de 2006, 2007 e 2008). O lançamento de multa isolada decorre diretamente da glosa de despesas com amortização do ágio e da glosa de compensação de prejuízos fiscais acima do saldo existente. Os ajustes efetuados pela autoridade fiscal estão demonstrados nas planilhas às fls. 489/500 (IRPJ) e às fls. 501/512 (CSLL). A recorrente alega que tais multas seriam indevidas quando exigidas em conjunto com a multa de ofício exigida sobre a diferença no saldo de imposto/contribuição anual apurado, sob pena de penalização em duplicidade. Não assiste razão à recorrente. Inexiste qualquer conflito legal para aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo em conjunto com a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas. Desde logo afasto a aplicação da súmula CARF nº 10517, aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2006 porquanto o lançamento da multa isolada a partir do anocalendário 2007 tem amparo no Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007 (fls. 5). Com efeito, o alcance da referida súmula é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. O enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art.44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007. Na mesma data, foi publicada no DOU (edição extra) e entrou em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/200718. Foram 17 Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 18 Lei nº 11488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.590 68 alterados o percentual aplicável (de 75% para 50%) e também a base de incidência da multa (antes, a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, após, o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado). Assim, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2007, os Conselheiros podem votar de acordo com seu livre convencimento sobre a matéria. Com efeito, a lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, mesmo se apurado prejuízo ao final do exercício. Entendeu o legislador que tal infração (falta de recolhimento da estimativa) não deve ser ignorada. Com vistas à proteção da arrecadação tributária e prestigiando os contribuintes que em situação equivalente efetuaram os recolhimentos devidos por antecipação, houve por bem o legislador estabelecer uma penalidade para aquela infração, que não se confunde de modo algum com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento do saldo de tributo apurado no final do exercício. Assim, se, além das estimativas mensais que deixaram de ser recolhidas, a fiscalização constata que também o saldo de imposto anual devido em face da apuração do resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõese a cobrança das diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o saldo de tributo devido. Ora, é princípio basilar de hermenêutica que "a lei não contém palavras inúteis". Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou muito claro que a penalidade isolada não se confunde e não pode se fundir com a multa de I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” (NR) Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.591 69 ofício eventualmente devida pelo saldo de tributo devido no ano. Interpretação nesse sentido implica em negar validade ao citado dispositivo. A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com suas obrigações e observa um dos princípios essenciais da atividade econômica, previsto na Constituição Federal de 1988: o princípio da livre concorrência (vide Art. 170, inc IV, Art. 146A e Art. 173, § 4°). Ao impor ao infrator a penalidade isolada a lei visa desestimular comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram com suas obrigações sacrificam parte de seus fluxos de caixa para contribuir com a coisa pública, muitas vezes tendo que recorrer ao pagamento de juros a terceiros, o infrator (que deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu "Caixa" e se coloca em situação vantajosa economicamente perante os seus concorrentes. É cediço os efeitos que a sonegação tem sobre o equilíbrio concorrencial. Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento por estimativa ferirseia, além da legalidade, o princípio da isonomia. Rejeito, também, o argumento, que tem sido reiteradamente utilizado pelos que defendem a impossibilidade de coexistência das duas penalidades, quanto a possibilidade de estarmos diante da ocorrência de um "bis in idem": aplicação da multa isolada e da multa de ofício sobre um mesmo fato. Não vejo como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a aplicação das penalidades. A lei é cristalina ao estabelecer cada uma das hipóteses em que as penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização. Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na estimativa mensal ocorre durante o anocalendário de sua apuração, a infração pelo não recolhimento do tributo anual devido só pode ocorrer depois de encerrado o período de apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. O percentual da multa isolada que antes coincidia com o mesmo percentual da multa de ofício também era comumente utilizado para justificar o alegado "bis in idem!". Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei n° 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea "c" do CTN. Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos em cada caso. Por fim, a definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, inc.V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a penalidade aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que é vedado no âmbito deste colegiado. Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.592 70 Se a lei não prevê a possibilidade de aplicação de uma penalidade em detrimento da outra não cabe ao intérprete afastála ou modular sua aplicação. Assim, rejeito a alegação que haveria um bis in idem na pena. Não obstante, tendo em vista que, conforme relatado anteriormente, foram canceladas integralmente as exigências decorrentes da glosa de despesas com amortização do ágio e da glosa de compensação de prejuízos fiscais acima do saldo existente, por meio das decisões proferidas nos PAF's. nº 14751.002674/200826 e nº 14751.002618/200972 e nestes mesmo autos, ficam também extintas as bases de cálculo das multas isoladas apuradas nos anoscalendário 2006 e 2007, uma vez que todas decorreram dos ajustes feitos pela fiscalização em face de tais glosas. Com relação à exigência de multas isoladas relativas ao anocalendário de 2006, observase, ainda, que, se remanescesse qualquer exigência, seria cabível a aplicação da Súmula CARF nº 105, já referida. Com relação à multas isoladas do IRPJ aplicadas sobre os períodos mensais do ano 2008, tendo em vista o cancelamento integral das glosas de despesas com amortização de ágio e do cancelamento parcial das glosas de compensação de prejuízos fiscais, as bases de cálculo do IRPJ mensal devido devem ser recalculadas para excluir integralmente a glosa das despesas com ágio que foram a ela acrescidas, bem como o cálculo do prejuízo fiscal mensal a compensar, observado o limite de R$ 24.543.728,62, existente em 31/12/2007, apurado após a recomposição do saldo em decorrência das decisões deste colegiado nos respectivos PAF's, anteriormente referidas. No que tange à multa isolada de estimativas da CSLL, apuradas nos períodos mensais do ano 2008, devem ser recalculadas as bases mensais da referida contribuição, para excluir integralmente a glosa das despesas com ágio que foram a ela acrescidas, bem como o cálculo da base de cálculo negativa a compensar, observado o limite de R$ 4.550.440,29, existente em 31/12/2007, apurado após a recomposição do saldo em decorrência das decisões deste colegiado nos respectivos PAF's, anteriormente referidas. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso neste ponto, para cancelar integralmente as multas isoladas de estimativas do IRPJ e CSLL dos anos calendário 2006 e 2007 e parcialmente às exigidas com relação aos períodos mensais de 2008, nos termos retro examinados. 4 Da incidência de Juros sobre a Multa de Ofício. Por fim, impõese examinar o argumento da recorrente no que concerne à ilegalidade da incidência de juros de mora à taxa de juros Selic sobre a multa. Dispõe o art. 161 do CTN que o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que se a lei não dispuser de modo diverso os juros são calculado à taxa de 1% ao mês. Ocorre que o legislador estabeleceu no art. 61 da Lei n° 9.430/1996 que, a partir de janeiro de 1997, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa SELIC quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.593 71 Não resta dúvida que os débitos a que se refere a Lei n° 9.430/1996 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Por sua vez, o art. 113, em seu parágrafo primeiro define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ora, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Assim é que o art. 142 do CTN determina que a autoridade competente constitua o crédito tributário, calculando o montante do tributo e a penalidade aplicável. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida juntamente com o tributo devido. Assim, uma vez constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC. A jurisprudência das turmas desta câmara e da própria CSRF é majoritária a favor da incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício: Acórdão n° 1301000.111, de 04/12/2012: JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão n° 1302000.959, de 07/08/2012: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. Acórdão n° 910100.539, de 11/03/2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar esta alegação. CONCLUSÃO Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.594 72 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar integralmente as exigências relativas aos anoscalendário 2006 e 2007 e parcialmente as exigências relativas ao anocalendário 2008, mantendose apenas parcialmente, quanto a este período, as glosas de compensação de prejuízos e de bases de cálculo negativas de IRPJ e CSLL, e as exigências de multa isolada de IRPJ e CSLL sobre as estimativas mensais, nos termos proferidos neste voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.595 73 Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Apesar do fundamentado voto do Relator, entendo que a amortização da despesa com o ágio realizada pelo sujeito passivo, nos anoscalendários de 2006 a 2008, não pode ser acatada. Inicialmente, cabe verificar o teor dos arts. 385 e 386 do RIR/1999, que disciplinam a amortização da despesa realizada pelo sujeito passivo: "Art.385.O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): Ivalor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e IIágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. §1ºO valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §1º). §2ºO lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §2º): Ivalor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; IIvalor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; IIIfundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3ºO lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §3º). Art.386.A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): Ideverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.596 74 IIdeverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; IIIpoderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IVdeverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1ºO valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2ºSe o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): Io ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; IIo deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3ºO valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): Iserá considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; IIpoderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4ºNa hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5ºO valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.597 75 registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6ºO disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): Io investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; IIa empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7ºSem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11)." (Destacouse) Como reconhecido em diversos momentos nos autos, a criação e capitalização das pessoas jurídicas PBPART SE 1 e PBPART SE 2 teve por objetivo a aquisição da participação societária na Recorrente, então denominada Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (SAELPA). Fica evidente, desde logo, portanto, que a decisão de adquirir a referida participação societária e a expectativa sobre a rentabilidade futura da SAELPA jamais foram da PBPART SE 2, mas daqueles que realizaram a sua criação e capitalização. Como se lê no Recurso Voluntário, a aquisição da Recorrente foi decisão do grupo ENERGISA, contando, ainda, com investimento da ALLIANT, por meio da aquisição de ações da PBPART SE 1. Destaco trechos do próprio Recurso Voluntário, no qual tal fato fica evidente: "29. O GRUPO ENERGISA, então, interessado em participar dos leilões públicos para aquisição de ações de empresas de distribuição de energia elétrica, buscou adotar uma estrutura. eficiente para atingir o seu objetivo, que era sair vencedor em tais leilões. Tal estrutura também teria como objetivo permitir a obtenção de recursos de terceiros, seja por meio da admissão de novos sócios/investidores, seja pela obtenção de financiamentos. 30. Assim, em 30.10.2000, foram criadas as empresas PBPART SE 1 e PBPART SE 2, conforme contratos de constituição (does. 4 e 5 da impugnação), as quais tinham por objetivo justamente a atuação na indústria de energia elétrica, passando a estrutura do GRUPO ENERGISA a ser a seguinte: (...) 34. Nesse momento, a ALLIANT adquiriu ações da PBPART SE 1, mediante aumento de capital, no valor de aproximadamente R$ 78 milhões, recursos esses que, em conjunto com aportes realizados pelo GRUPO ENERGISA, foram utilizados para o pagamento do preço do leilão. Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.598 76 35. Após a aquisição dessas ações, o GRUPO ENERGISA, por meio da PBPART SE 2 passou a gerir a Recorrente, tendo como objetivo a manutenção desse investimento, conforme estrutura abaixo:" Neste contexto, a PBPART SE 2 era mero instrumento de realização da transação. Jamais a PBPART SE 2 foi a investidora, aquela que, efetivamente, acreditou na maisvalia do investimento, que realizou os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido e que desembolsou, de fato, os recursos necessários à aquisição. Tal fato foi destacado pela autoridade fiscal, no Relatório Fiscal de fls. 41 a 82: "24. Ainda, tendo em vista a anormalidade da operação e evidente estranheza causada pelo fato de uma empresa com um mês de existência e R$ 1.000,00 de capital ter conseguido comprar uma distribuidora de energia elétrica para um estado da federação pelo preço de R$ 362.980.971,09, para ser paga em 3 (três) parcelas; solicitamos outros documentos comprobatórios da origem dos recursos utilizados pela PBPARTSE 2 nos pagamentos das parcelas, através dos Termos de Intimação Fiscal 008 e 010. (...) 25. O quadro abaixo resume as origens dos recursos utilizados nesses pagamentos: Origem dos Recursos Valor Pago (R$) % Lançamento Contábil (Origem dos Recursos) ENERGIPE 328.434.156,75 85,33 Adiantamento futuro aumento capital SAELPA 24.277.539,38 6,31 Empréstimo coligada/controladora CFLCL 21.530.629,41 5,59 Empréstimo coligada/controladora PBPART 10.011.810,00 2,60 Amortização de Empréstimo CELB 641.552,80 0,17 Empréstimo coligada/controladora 26. Ou seja, mais de 85% dos recursos utilizados no pagamento da aquisição da SAELPA teve origem na ENERGIPE, sendo tais recursos disponibilizados pela ENERGISA S/A à título de futuro aumento de capital. (...) Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.599 77 28. Assim é que, as análises dos comprovantes dos pagamentos juntamente com outras informações obtidas (inclusive nas notas explicativas às demonstrações financeiras DFP publicadas no sítio da CVM, na internet), demonstram que os pagamentos e transferências bancárias para a quitação da aquisição da SAELPA foram efetuados através de contas mantidas em agências bancárias localizadas no município de CATAGUASES, com recursos das empresas do GRUPO ENERGISA, preponderantemente disponibilizados pela ENERGISA S/A, através de “adiantamentos para futuro aumento de capital”, inicialmente para sua controlada ENERGIPE, que, por sua vez, repassava tais recursos à PBPARTSE 1 e PBPARTSE 2, também através de “adiantamentos para futuro aumento de capital”. 29. Outrossim, é importante registrar que, até mesmo as garantias para a aquisição da SAELPA não foram prestadas pela sua adquirente formal (a PBPARTSE 2), mas sim pela empresa CFLCL (do GRUPO ENERGISA que à época detinha o controle acionário da ENERGISA S/A. e que, posteriormente foi incorporada por essa), através da caução de 14.854.300 (quatorze milhões, oitocentos e cinqüenta e quatro mil e trezentas) ações ordinárias da ENERGISA S.A. " Assim, o fato de a Recorrente incorporar a PBPART SE 2 jamais se amolda à previsão legal para a amortização do ágio pago na sua aquisição, posto que ausente em tal operação as investidoras, que são as destinatárias da norma legal. Mais uma vez, é o próprio Recorrente quem deixa claro o quão distante a operação em pauta está da hipótese legal: "39. Em resumo, o que se verificou foi que o GRUPO ENERGISA em um primeiro momento decidiu investir na aquisição de ações da Recorrente, tendo, para tanto, criado sociedades de propósito específico, que tiveram duração de mais de 6 anos. Posteriormente, quando as razões econômicas para a manutenção dessa estrutura não mais existiam, bem como a legislação impôs a necessidade de desverticalização das atividades desenvolvidas pelo GRUPO ENERGISA, houve a incorporação das sociedades de propósito específico." (Destacouse) Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A amortização operada pela Recorrente não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.600 78 A operação, portanto, não passa sequer na primeira verificação necessária para referendar a amortização do ágio, de modo que, tal fato, por si só, respalda a manutenção da exigência fiscal. Caso analisemos a amortização do ágio sob a ótica de despesa, podemos concluir que, in casu, houve a odiosa construção artificial do suporte fático de modo a conferir a aparência de uma operação abrangida pelo dispositivo legal que permite a amortização do ágio pago. Tal fato já se evidencia pela artificialidade da empresa PBPART SE 2. Criada, abaixo de uma outra pessoa jurídica também criada apenas para a aquisição de investimentos (PBPART SE 1). O TVF descreve deste modo a artificialidade da operação: "49. Do exposto, demonstrase que a seqüência de “reestruturações societárias” procedida deságua na transferência para a ENERGISA PARAÍBA do ágio com que o GRUPO ENERGISA adquiriu o seu investimento nela, sem que, com isso, desaparecesse qualquer empresa do GRUPO, ou mesmo a empresa investida, ou o investimento; isso posto, engendrandose o artifício jurídico de se utilizar de uma empresa de propósito específico (a PBPARTSE 2) que entra no processo apenas para a formalização da aquisição, registro do ágio e posterior incorporação pela investida. 50. Ou seja, ao final do enredo, não houve qualquer modificação na estrutura societária do GRUPO ENERGISA (tudo está como era antes); apenas que a empresa adquirida ENERGISA PARAÍBA “restou” com o seu Ativo e Patrimônio Líquido majorados do valor do saldo do ágio pago pelo GRUPO na sua aquisição; passando a deduzir (indevidamente) dos seus resultados tributáveis do IRPJ e CSLL a despesa de amortização de ágio." Fica patente a utilização de empresa sem nenhuma substância, com o propósito deliberado de fabricar uma despesa com repercussão na base tributável. É sabido que a utilização do teste do "propósito negocial" (importado do direito estadunidense, pelo qual não devem produzir efeitos contra o Fisco os negócios jurídicos que tenham por finalidade única a obtenção da economia do tributo) ou a rejeição à ausência de motivação extratributária enfrentam fortes críticas por parte de doutrinadores e Conselheiros deste CARF. De fato, a utilização de tais elementos deve ser realizada com extrema cautela, já que, no meu entender, o que deve ser combatido não é o planejamento tributário empreendido por meio de operação realizada sem propósito negocial ou sem motivação extratributária (o que pode ser plenamente lícito, vide o prosaico exemplo da escolha de um casal entre apresentar a declaração de rendimentos em conjunto ou em separado), mas aquele realizado por meio da dissociação entre a vontade expressa formalmente nos atos praticados e a real motivação para a sua prática. Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.601 79 Ricardo Lobo Torres (Planejamento Tributário: elisão abusiva e evasão fiscal. 2ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013) faz importante síntese acerca dos parâmetros de aproximação que podem ser utilizados nos casos de planejamento tributário: "O problema da elisão fiscal está intimamente ligado ao das posições teóricas fundamentais em torno da interpretação do direito tributário. O positivismo normativista e conceptualista defende, com base na autonomia da vontade, a possibilidade ilimitada de planejamento fiscal. A elisão, partindo de instrumentos válidos, seria sempre lícita. Essa posição foi defendida com veemência por Sampaio Dória. O positivismo sociológico e historicista, com a sua consideração econômica do fato gerador, chega à conclusão oposta, defende a ilicitude generalizada da elisão, que representaria abuso da forma jurídica escolhida pelo contribuinte para revestir juridicamente o seu negócio jurídico ou a sua empresa. Amilcar de Araújo Falcão representou moderadamente essa orientação. A jurisprudência dos valores e o póspositivismo aceitam o planejamento fiscal como forma de economizar imposto, desde que não haja 'abuso de direito'. Só a elisão abusiva ou o planejamento inconsistente se tornam ilícitos. (...) O combate ao abuso do direito consiste, sobretudo, na busca de superação do posicionamento formalista e conceptualista, com o cuidado para não cair no exagero oposto do substancialismo, do historicismo ou do causalismo economicista. No direito tributário vivese, a partir dos anos 1990, na incessante procura do equilíbrio entre forma e substância, que só poderá ser obtido evitandose o abuso das formas ('Missbrauch von Gestaltungsmöglichkeiten Formen' dos alemães)." Da mesma obra, extraise ainda a seguinte passagem atribuída ao tributarista italiano Victor Uckman: "Enquanto no direito privado a 'rationale' da teoria do abuso consiste em proteger os direitos de outros indivíduos, no setor fiscal se utiliza o princípio para proteger os interesses do Estado frente à liberdade do contribuinte de utilizar as formas jurídicas que eleja para desenvolver as suas atividades produtoras de renda." O que deve ser combatido, portanto, é o uso da liberdade negocial própria das pessoas jurídicas, para construir situações artificiais apenas e tãosomente visando à economia tributária, posto que contrária à boafé característica da moderna interpretação do Direito. O fato é que, independentemente de a opção pela aquisição por meio da utilização da "empresaveículo" ser uma opção válida do Grupo ENERGISA, sob a ótica Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 10467.720529/201181 Acórdão n.º 1302002.548 S1C3T2 Fl. 1.602 80 econômica e empresarial, não pode, como já dito, ser utilizada como subterfúgio para conferir a aparência de uma operação abrangida pelo dispositivo legal que permite a amortização do ágio pago. O atendimento a requisitos legais nos ramos civil e empresarial não tem repercussão na esfera tributária. As supostas razões extrafiscais da Recorrente (que, inclusive, foram detalhadamente refutadas pela autoridade fiscal) não se sustentam frente ao desfecho da operação, que foi a incorporação da PBPART SE 2 pela Energisa (com a contestada amortização do ágio), distante do efetivo negócio ocorrido, a aquisição da Energisa pelo Grupo ENERGISA e pela ALLIANT. Jamais há como se reconhecer, portanto, que a despesa de amortização do ágio criado em tais circunstâncias é usual, normal e necessária à atividade da Recorrente, de modo a ser admitida como redutora da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por mais essa razão, portanto, deve ser negado provimento ao Recurso quanto à amortização do ágio e mantido o lançamento. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1602DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.004637/2002-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001
Ementa:
COFINS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, REFERENTE A RECEITAS FINANCEIRAS E O ICMS INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO DA REFERIDA CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO CANCELADO.
O reconhecimento de inconstitucionalidade de lei pelo CARF encontra óbice na Súmula 2 do CARF.
Lançamento tributário que apontou quais foram as rubricas objeto da glosa não viola o artigo 142 do CTN.
Receitas financeiras não compõem a base de cálculo da COFINS, nos termos da decisão do STF nos autos do RE 390.840/MG.
A parcela do ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS, de acordo com a decisão de mérito proferida pelo STF, em sede de repercussão geral, nos autos do RE 574.706/PR.
Numero da decisão: 3401-004.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, exclusivamente no que se refere a receitas contabilizadas como financeiras, impugnadas pela recorrente; e (b) por maioria de votos, para excluir da base de cálculo o valor correspondente ao ICMS, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Marcos Roberto da Silva e Rosaldo Trevisan. Em votação preliminar, sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo, foi rejeitada a proposta de sobrestamento, suscitada pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes e acompanhada pelo Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROSALDO TREVISAN Presidente.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cassio Schappo, Marcos Roberto das Silva e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, exclusivamente no que se refere a receitas contabilizadas como financeiras, impugnadas pela recorrente; e (b) por maioria de votos, para excluir da base de cálculo o valor correspondente ao ICMS, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Marcos Roberto da Silva e Rosaldo Trevisan. Em votação preliminar, sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo, foi rejeitada a proposta de sobrestamento, suscitada pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes e acompanhada pelo Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROSALDO TREVISAN Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cassio Schappo, Marcos Roberto das Silva e Renato Vieira de Ávila.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, REFERENTE A RECEITAS FINANCEIRAS E O ICMS INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO DA REFERIDA CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO CANCELADO. O reconhecimento de inconstitucionalidade de lei pelo CARF encontra óbice na Súmula 2 do CARF. Lançamento tributário que apontou quais foram as rubricas objeto da glosa não viola o artigo 142 do CTN. Receitas financeiras não compõem a base de cálculo da COFINS, nos termos da decisão do STF nos autos do RE 390.840/MG. A parcela do ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS, de acordo com a decisão de mérito proferida pelo STF, em sede de repercussão geral, nos autos do RE 574.706/PR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, exclusivamente no que se refere a receitas contabilizadas como financeiras, impugnadas pela recorrente; e (b) por maioria de votos, para excluir da base de cálculo o valor correspondente ao ICMS, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Marcos Roberto da Silva e Rosaldo Trevisan. Em votação preliminar, sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo, foi rejeitada a proposta de sobrestamento, suscitada pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes e acompanhada pelo Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 46 37 /2 00 2- 15 Fl. 448DF CARF MF 2 ROSALDO TREVISAN – Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cassio Schappo, Marcos Roberto das Silva e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de recurso voluntário, cujo nascedouro se deu por meio de lançamento de ofício por falta /insuficiência de recolhimento da COFINS, do período de fevereiro de 1999 a janeiro de 2000 a Recorrente entregou DCTFs sob intimação, perdendo a espontaneidade e de abril de 2000 a dezembro de 2001 não incluiu receitas na base de cálculo da Contribuição , acrescentose multa de ofício de 75% (fls. 162170). Às fls. 174197, a Contribuinte apresentou impugnação, tecendo as seguintes considerações: 1) Em preliminar: cerceamento de defesa, pois no caso concreto não fora cumprido o artigo 142 do CTN; o ferimento aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, havendo necessidade de identificação da matéria tributável, vez que não se trouxe maiores explicações sobre o embasamento legal, prejudicando a defesa do contribuinte. 2) No mérito: defendeu que o ICMS e as receitas financeiras não compõem o faturamento, de acordo com o art. 2o, da LC 70/91, citando doutrina e jurisprudência. 2.1) Que a multa de ofício de 75% tem caráter confiscatório, violando o artigo 150, IV, da Constituição Federal. 2.2) Que os juros de mora contrariam os artigos 146, III, "b" e 192, § 3°, ambos da CF/88, pois a Taxa SELIC tem caráter anatocista e ser superior a 12% ao ano, e ainda, por desobedecer o artigo 161, do CTN, o qual determina que os juros sejam cobrados no percentual de 1% a.m. 2.3) Não devem incidir juros sobre a multa de ofício e sobre a correção monetária, por caracterziar "sobresanção". Às fls. 235248, sobreveio decisão da DRJ de POA/RS, na qual, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de cerceamento de votos, por não se aplicar ao caso concreto, e no mérito, julgou procedente o lançamento, cuja ementa possui o seguinte teor: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Coííns Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA E NULIDADE Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11065.004637/200215 Acórdão n.º 3401004.378 S3C4T1 Fl. 449 3 INOCORRÊNCIA Não ocorre nulidade ou cerceamento de defesa quando o lançamento obedece a legislação que rege o lançamento fiscal e o contribuinte tem conhecimento da infração imputada, exercendo plenamente seu direito de defesa. COFINS FALTA DE RECOLHIMENTO EXIGÊNCIA Comprovada a falta de recolhimento da COFINS , esta deve ser exigida de acordo com a legislação de regência, a qual somente aceita a exclusão da base de cálculo das situações jurídicas/econômicas expressamente elencadas. INCONSTITUCIONALIDADE INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO A arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa porque c prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente A intimação do referido acórdão se deu por edital (fl. 253), em razão do AR informar a Contribuinte havia se mudado, porém, à fl. 257, a DRF de POA/RS constatou que a Recorrente havia alterado o endereço, propondo nova tentativa de intimação no novo endereço, evitando alegações de cerceamento de defesa, o que fora acatado, vindo a Contribuinte a dar ciência da intimação, via AR, em 27/09/2004 (fl. 259). O recurso voluntário fora interposto tempestivamente, em 27/10/2004 (fl. 264), alegando a Contribuinte: 1) A obrigatoriedade da Administração reconhecer vício de inconstitucionallidade, a doutrina entende que não é prerrogativa do Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade de lei, tendo igualmente os demais poderes, autoridade e obrigação para se manifestar a respeito. Além disso, com base no artigo 5o, LIV da CF/88, cabe ao julgador administrativo analisar todas as questões postas, inclusive aquelas que se referem a inconstitucionalidades e ilegalidades de dispositivos normativos, devendo ser anulada a decisão recorrida. Disse que nenhum dos seus relevantes argumentos sequer foram analisados pela DRJ, especialmente quanto à afronta do lançamento ao artigo 142 do CTN. 2) Reiterou a tese da inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão da receita financeira e do ICMS na base de cálculo da COFINS, entendendo que são rubricas estranhas ao conceito de faturamento. Entende que nas vendas de mercadorias a prazo, são embutidos no preço dos produtos, valores correspondentes aos juros de mercado que estes não representam faturamento, mas sim receita financeira. Advoga que os valores referentes a parcela do ICMS jamais poderão compor a base de cálculo da COFINS, vez que o ICMS não integra o seu faturamento. Fl. 450DF CARF MF 4 3) Arguiu a inconstitucionalidade da fixação de juros pela Taxa SELIC, pois a questão dos juros, estando intimamente ligada ao crédito, não pode ser tratada por lei ordinária como o foi a Taxa SELIC , mas por lei complementar. Além disso, o artigo 161 do CTN, limita a aplicação dos juros a 1% a.m. Citou jurisprudência corroborando sua arguição (REsp. 251.881/PR e Súmula 121, do STF). 4) Defendeu que o lançamento ofendeu o artigo 142 do CTN, posto que a matéria tributável não restou devidamente individualizada, tornando impossível a defesa da Recorrente. 5) Que há o caráter confiscatório da multa aplicada (75%), violando o artigo 150, IV da CF/88. Requereu ao final, a reforma da decisão recorrida, para o fim de que seja cancelada totalmente a exigência fiscal. Às fls. 293294, acostou arrolamento de bem imóvel, protocolizado, dia 28/10/2004. À unanimidade de votos, o recurso não fora conhecido por este CARF, face à ausência de arrolamento (fl. 297). À fl. 354 a Contribuinte interpôs recurso especial, defendendo que o oferecimento do arrolamento de bens um dia após a interposição do recurso em nada obsta o pleno conhecimento deste, vez que o § 2°, do artigo 33 do Decreto 70.235/72 não faz exigência seja no mesmo momento da interposição, o que é repetido pela IN/SRF 26/2001, entendendo que o arrolamento pode ser feito até o momento anterior ao exame de admissibilidade. Disse que o Decreto 4.523/2002, que trata do arrolamento de bens para a interposição de recurso voluntário também não impõe momento específico para a apresentação de bens arrolados. Na fl. 365, consta o despacho 203271, o qual negou seguimento ao recurso especial, tendo em vista que não fora comprovada a divergência. A Recorrente à fl. 380, protocolizou requerimento de "declaração da nulidade do r. acórdão", frente à intempestividade do arrolamento de bens, conforme ADI/RFB 16/2007, sobreveio decisão deste Tribunal (fls. 385386), entendendo irreformável a decisão, vez que a decretação de nulidade é voltada para as unidades da RFB e não para o CARF. Às fls. 415420 foi juntada ação de conhecimento, com pedido de tutela antecipada, requerendo fosse o recurso voluntário admitido e julgado, pois o STF, na ADI 1976/DF, o Tribunal Pleno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 33, § 2° do Decreto 70.235/72. Comprovou às fls. 423424 que obtive sentença favorável e que a Procuradoria da Fazenda Nacional abdicou que interpor apelação, por força da Súmula Vinculante 21 do STF e do Parecer PGFN/CRJ 891/2010 (fl. 414). Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11065.004637/200215 Acórdão n.º 3401004.378 S3C4T1 Fl. 450 5 Consta à fl. 431, proposta PGFN de cancelamento de inscrição de dívida ativa do débito cobrado em execução fiscal, referente ao recurso voluntário, cuja ordem fora dada na fl. 433, remetendose o processo para este Tribunal para o seu julgamento (fl. 446). É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, relator O recurso voluntário é tempestivo e como se viu do relatório, bem como preenche os requisitos formais de admissibilidade diante de decisão judicial transitada em julgado sobre a inconstitucionalidade da desnecessidade de arrolamento de bens como requisito de admissibilidade de recurso voluntário, portanto, dele tomo conhecimento. A questão se restringe na autuação fiscal, por ter a Recorrente, na qual glosou duas rubricas que a Recorrente não havia incluído na base de cálculo da COFINS, quais sejam: (II) receitas financeiras advindas de vendas a prazo e (II) a parcela do ICMS. Por outro, depois da tramitação do presente PAF, em sede de recurso voluntário, a Contribuinte, em resumo, defende: 1) A obrigatoriedade da Administração reconhecer vício de inconstitucionallidade, pois não é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade de lei. Disse que nenhum dos seus relevantes argumentos sequer foram analisados pela DRJ, especialmente quanto à afronta do lançamento ao artigo 142 do CTN. 2) A inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão da receita financeira e do ICMS na base de cálculo da COFINS, entendendo que são rubricas estranhas ao conceito de faturamento. 3) A inconstitucionalidade dos juros da Taxa SELIC, pois a questão dos juros, estando intimamente ligada ao crédito, não pode ser tratada por lei ordinária como o foi a Taxa SELIC , mas por lei complementar. Além disso, o artigo 161 do CTN, limita a aplicação dos juros a 1% a.m. 4) O lançamento ofendeu o artigo 142 do CTN, posto que a matéria tributável não restou devidamente individualizada, tornando impossível a defesa da Recorrente. 5) Que confisco da multa aplicada (75%), violando o artigo 150, IV da CF/88. Fl. 452DF CARF MF 6 Quanto ao primeiro argumento, entendese que, embora haja Parecer PGFN/CRF 439/96; entendimento jurisprudencial (STJ, REsp. 23.1211/GO, DJU 8/11/93; STF, RMS 8.372/CE); doutrina (RDDT 13/99; RDDT 25/72; Repertório IOB de Jurisprudência, 2a Quinzena de Maio de 2000, nr. 10/2000, Caderno 1, p. 256); todos objetivamente no sentido de que o Poder Executivo deve negar execução a ato normativo que lhe pareça inconstitucional, o fato é que, atualmente o artigo 26A, do Decreto 70.235/72, veda o afastamento de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, o que é seguido por sedimentada jurisprudência deste Tribunal, e que, aliás, redundou na Súmula 2, deste CARF, de modo que se segue esta orientação. Quanto ao segundo assunto arguido, já que fora subdividido em 2 (dois), assim o será a motivação, principiandose pela inclusão ou exclusão das receitas financeiras na base de cálculo (BC) da COFINS, e depois, quanto ao inclusão ou não do ICMS na BC da aludida Contribuição. Assim, quanto à inclusão das receitas financeiras na BC da COFINS sabese que tanto o STF (RE 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG) como o STJ entenderam ser inadmissível tal inclusão, dizendo, conclusivamente que apenas o faturamento, assim entendido como sendo o resultado da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza (art. 2o, LC 70/91), não estando em tal conceito as ditas receitas financeiras. Destacase que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3o, § 1 o, da Lei n o 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE n o 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1o.9.2006; REs n o 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871)”(grifo nosso) Em razão da repercussão geral ter sido julgada no mérito, vincula o julgamento administrativo no âmbito do CARF, conforme previsão regimental específica (art. 62, § 2o, “b”, do atual RICARF). Vincula ainda a própria RFB (o que inclui as DRJ), conforme art. 19 da Lei no 10.522/2002, e alterações posteriores: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (...) Fl. 453DF CARF MF Processo nº 11065.004637/200215 Acórdão n.º 3401004.378 S3C4T1 Fl. 451 7 II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (...) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput.” (grifo nosso) Aqui, ocorre a exceção da aplicação da Súmula 2 deste Tribunal: “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, razão pela qual, há de ser cancelado o lançamento, exclusivamente quanto às receitas contabilizadas como receitas financeiras. Receitas de vendas e de prestação de serviços, por exemplo, não são excluídas do lançamento, repetese, apenas e tão somente as contabilizadas como receitas financeiras, impugnadas pela Recorrente, uma vez que não impugnadas. Quanto ao segundo assunto: exclusão do ICMS na BC da COFINS, como se sabe, o mérito do assunto foi decidido em regime de repercussão geral, nos autos do RE 574.706, vindo o plenário do STF fixar a tese de que o ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS, vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Tóffoli e Gilmar Mendes. Demais disso, a Solução de Consulta RFB 6.012/2017, vinculada à Solução de Consulta COSIT 137/2017 traduzem que não há solução definitiva do mérito, não gerando, a priori, uma vinculação para este E. Conselho, embora a notoriedade da decisão da Suprema Corte, seja por meio de transmissão ao vivo do julgamento pela TV Justiça, em notícia Fl. 454DF CARF MF 8 publicada em seu sítio, bem assim, em diversos jornais e sítios jurídico contábeis. Aliás, de bom alvitre mencionar que no aludido RE fora reconhecida a sua repercussão geral, sendo que o § 5º do art. 1.035 da Lei nº 13.105/2015 (CPC/2015), determina expressamente que, reconhecida a repercussão geral, deverá ser determinada a "suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional", não havendo distinção entre processos administrativos e judiciais, embora não haja notícia de que a Ministra Relatora tenha determinado expressamente a suspensão. Acrescentase a isto, como bem esclareceu o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, em seu esmerado voto nos autos do processo 10880.903037/201229: Destacase, ademais, que o Recurso Extraordinário nº 574.706 teve a sua repercussão geral reconhecida e que o § 5º do art. 1.035 da Lei nº 13.105/2015 é expresso ao determinar que, uma vez reconhecida a repercussão geral, deverá ser determinada a "suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional": ao dispor sobre "processos", não fez o legislador distinção entre processos administrativos e judiciais. Milita em desfavor da aplicação de tal dispositivo o fato de que, no presente caso, não haver notícia de que a Ministra Relatora tenha determinado expressamente a suspensão. No entanto, em 23/02/2017, caso em tudo semelhante ao presente foi decidido no sentido da suspensão do processo administrativo que tramita neste Conselho: no curso do Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, de Relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, procedeuse à suspensão dos processos que tramitam neste Conselho acerca de matéria idêntica, decidida de maneira favorável à contribuinte pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em decisão pendente de publicação: "A Fundação Armando Álvares Penteado, admitida no processo como interessada, requer a comunicação, mediante ofício, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF acerca da suspensão dos processos que versem a mesma matéria do extraordinário. (...). Relata a ausência de implementação da medida no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vinculado ao Ministério da Fazenda, responsável pelo exame dos recursos contra atos formalizados no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Afirma que a recusa do Órgão decorre da falta de previsão regimental a respaldar a suspensão dos processos. Ressalta a iminência de julgamento, no CARF, de processo administrativo relevante para a entidade. Noticia a expedição de ofício, pela Secretaria Judiciária, a todos os tribunais do território nacional, não tendo havido comunicação aos órgãos administrativos. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 11065.004637/200215 Acórdão n.º 3401004.378 S3C4T1 Fl. 452 9 (...) Em se tratando de processo sob repercussão geral, surgem conseqüências danosas. Uma vez admitida, dáse o fenômeno do sobrestamento de processos que, nos diversos Tribunais do País, versem a mesma matéria, sendo que hoje há previsão no sentido do implemento da providência requerida § 5º do artigo 1.035 do Código de Processo Civil. (...) A entrega da prestação jurisdicional deve ocorrer conciliandose celeridade e conteúdo. Daí a necessidade de atentarse para o estágio atual dos trabalhos do Plenário. Dificilmente conseguese julgar, fora processos constantes em listas, mais de uma demanda, o que projeta no tempo, em demasia, o desfecho de inúmeros conflitos de interesse. No caso, temse quatro votos proferidos no sentido da inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Enquanto isso, o Poder Público continua aplicandoo, gerando dificuldades de toda ordem para entidades beneficentes. (...) Implemento a medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991" (seleção e grifos nossos). Assim, em 07/03/2017 foi expedido o Ofício nº 594/R endereçado ao Presidente deste Conselho com cópia da decisão do Ministro Marco Aurélio Mello que suspendeu os processos administrativos que tratam da matéria. O mesmo Conselheiro, em conjunto com o também conselheiro Diego Diniz Ribeiro, publicaram no dia 03/05/2017, artigo no sítio Jota, link (https://jota.info/artigos/carfdevesuspenderprocessosdo icmsnabasedacofins03052017), sob o título CARF deve suspender processos de ICMS na base de cálculo da Cofins? E com o subtítulo Não se pode relegar ao esquecimento, como se inexistente, aquilo que sabemos e conhecemos. No mencionado e aplicado artigo, seus autores chamam a atenção para vários aspetos interessantes, alguns deles citados alhures, mas também sob o enfoque dos artigos 9261 e 9272, ambos do CPC/2015, destacandose os seguintes trechos: Referida valorização – ainda que aparente – de um modelo de stare decisis é renovada com base no CPC/2015, em especial 1 “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” 2 “Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I – as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II – os enunciados de súmula vinculante; III – os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV – os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V – a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados.” Fl. 456DF CARF MF 10 com o disposto no seu art. 926 [3], norma que oferece importantes vetores para a busca de uma verdadeira valorização dos precedentes. Não obstante, o art. 927 do citado Codex [4] densifica tais valores, na medida em que prescreve os tipos formais de decisão aptos a veicular um precedente de caráter vinculante. Logo, o que se observa é que a decisão proferida no âmbito do RE 574.706, por apresentar um caráter transubjetivo e proximamente vinculante, deve ser seguida, exatamente como previsto no caput do citado art. 927 do CPC. Buscase, com isso, salvaguardar a unidade material das decisões de caráter judicativo e, consequentemente, o tratamento igualitário entre jurisdicionados que se encontrem em situações análogas e, por fim, uma segurança jurídica de índole substancial. Prosseguem os conselheiros mencionando a possibilidade de aplicação supletiva e subsidiária do CPC/20153 ao processo administrativo fiscal, cujo pensamento se comunga, merecendo realce: Não obstante, mesmo que se empregue a função integrativa de uma norma subsidiária em um sentido clássico, ainda sim a solução aqui proposta (sobrestamento do processo administrativo tributário) seria a única resposta cabível para o caso em tela. E isso porque, ao se analisar as disposições legais que tratam do processo administrativo tributário (Decreto 70.235 e Lei 9.784/99), é impossível encontrar qualquer disposição normativa que trate do problema aqui enfrentado, qual seja, o que fazer com processo administrativo que apresente recurso com causa de pedir autônoma e cujo teor está pendente de julgamento no âmbito judicial, em sede de processo com caráter transindividual. Não havendo disposições legais nas leis que tratam o processo administrativo tributário, deve ser aplicado de forma subsidiária o CPC. (grifo dos Autores). Diante desse cenário, o mais prudente é suspender o presente feito até que haja a publicação do acórdão proferido pelo STF, sendo esta a proposta que trago ao Colegiado Caso este não seja este consenso, passase à análise do mérito. Como se viu, a questão fora resolvida no mérito, pelo plenário do STF, em sede de repercussão geral que a parcela do ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, razão pela qual, não há se fazer maiores digressões sobre o assunto, afinal, por meio da Suprema Corte coube e cabe o último veredicto, vindo tal decisão a ser seguida pelos demais órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública. Temse, apenas, um hiato, um compasso de espera, todavia, os efeitos jurídico e prático são sabidos de todos: o ICMS não compõe a BC do PIS e da COFINS, se repete. 3 “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 457DF CARF MF Processo nº 11065.004637/200215 Acórdão n.º 3401004.378 S3C4T1 Fl. 453 11 Utilizase os argumentos quanto à suspensão do processo, citados acima, também para a questão de mérito, pois se entende aplicáveis neste particular, mormente quanto aos artigos 926 e 927, III, ambos do CPC/2015. Com vênia aos que entendem de modo diverso registrandose o posicionamento desta Turma, nos autos do processo 19515.003057/200692, acórdão 3401003.437, votação por maioria, de relatoria do conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida , entendese que a notoriedade do julgamento do citado RE deve ser colocado em prática, emprestando flexibilidade a um rigor, cujo desiderato já se sabe. Adiciono aos argumentos até aqui expendidos, 2 (dois) outros. O primeiro, no tocante à obediência da Administração Pública aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, segurança jurídica e interesse público, conforme preceitua o artigo 2o, da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. O segundo, quanto à sucumbência que suportará a Fazenda Nacional no presente caso, sim, posto que, ao se julgar o caso concreto em desfavor da Recorrente, o débito será inscrito em dívida ativa, não sendo pago, a mesma Fazenda Pública o cobrará por meio de ação de execução fiscal. Se a ContribuinteRecorrente se opõe ao lançamento desde 2002 nesta via administrativa, de se ter que, diante de uma decisão do STF em sede de repercussão geral, provavelmente questionará esta glosa em sede judicial. Perante o Poder Judiciário, obterá sucesso e a Fazenda Nacional será sucumbente, e mais, com disciplina diferente do CPC/73, vez que o artigo 85, do CPC/2015 é muito mais criterioso, conforme se percebe de partes destacadas de seu texto: Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. § 2o Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurálo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos: I o grau de zelo do profissional; II o lugar de prestação do serviço; III a natureza e a importância da causa; IV o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. Fl. 458DF CARF MF 12 § 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais: I mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) saláriosmínimos; II mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) saláriosmínimos até 2.000 (dois mil) salários mínimos; III mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) saláriosmínimos até 20.000 (vinte mil) salários mínimos; IV mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos até 100.000 (cem mil) saláriosmínimos; V mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) saláriosmínimos. § 4o Em qualquer das hipóteses do § 3o: I os percentuais previstos nos incisos I a V devem ser aplicados desde logo, quando for líquida a sentença; II não sendo líquida a sentença, a definição do percentual, nos termos previstos nos incisos I a V, somente ocorrerá quando liquidado o julgado; III não havendo condenação principal ou não sendo possível mensurar o proveito econômico obtido, a condenação em honorários darseá sobre o valor atualizado da causa; IV será considerado o saláriomínimo vigente quando prolatada sentença líquida ou o que estiver em vigor na data da decisão de liquidação. Neste contexto, entendese que esta glosa deve ser cancelada. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, exclusivamente em relação as receitas contabilizadas como receitas financeiras André Henrique Lemos Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11065.004637/200215 Acórdão n.º 3401004.378 S3C4T1 Fl. 454 13 Fl. 460DF CARF MF
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