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Numero do processo: 10980.725732/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, tendo que os valores recebidos com destaque para o FPE, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) devem integrar a base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Conselheiro Daniel Mariz Gudiño votou pelas conclusões.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, tendo que os valores recebidos com destaque para o FPE, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) devem integrar a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Conselheiro Daniel Mariz Gudiño votou pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 32 /2 01 1- 34 Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, ente federativo municipal, foi lavrado o auto de infração de fls. 03/09, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 22.754.720,00 de contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep, além de multa de ofício de 75% e encargos legais. A autuação, ocorreu devido à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o Pasep relativa aos períodos de apuração de janeiro/2007 a dezembro/2008, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 04/05), demonstrativo de apuração (fls. 06/07) e demonstrativo de multa e juros de mora (fls. 08/09); os dispositivos relativos à base legal do lançamento encontramse descritos às fls. 05 (principal) e 08/09 (multa e juros de mora). O termo de verificação fiscal de fls. 10/17, detalha os procedimentos adotados pela fiscalização na presente autuação. Cientificada em 04/11/2011 (fls. 03 e 17), a interessada, em 30/11/2011, apresentou a impugnação de fls. 2258/2291, firmada por procurador (mandato de fls. 2292/2293), e instruída com os documentos de fls. 2292/2382, que é a seguir resumida. No item “II Da Real Natureza Jurídica do Pasep”, após transcrever dispositivos relativos ao Pasep (art. 2º da Lei Complementar nº 08, de 1970; art. 239 da Constituição Federal de 1988; arts. 2º, III e 8º, III, da Lei nº 9.715, de 1998), argumenta que o PASEP teve sua natureza/finalidade desvirtuada pela atual Constituição Federal, uma vez que teria determinado que o produto de sua arrecadação fosse direcionado ao financiamento do programa do segurodesemprego, agregando que “o Município de Curitiba desde 1988, estatuiu como seu regime jurídico único o estatutário e não o celetista, assim, seus servidores não possuem direito aos benefícios do segurodesemprego. Assim, a Constituição Federal de 1988, despiu o PASEP de qualquer vinculação com o sujeito passivo Município, pois a aplicação do produto de sua arrecadação simplesmente serve ao financiamento de direito social que não detém nenhum vínculo direto com o sujeito passivo e do qual não fazem jus os servidores públicos municipais.”; disso, também, além de fazer referência à doutrina, conclui que Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.450 3 o Pasep tem natureza jurídica de imposto, pelo que estaria desobrigada de seu recolhimento em face do art. 150, VI, “a” da Constituição Federal de 1988, o que tornaria indevida a exigência fiscal. Transcrevendo o art. 195, caput e § 1º, da Constituição Federal de 1988, diz que essa norma disporia que cada pessoa jurídica de direito público interno fará constar em seu orçamento as receitas destinadas à seguridade social, e que tais valores não integrariam o orçamento da União, concluindo que tal prescrição constitucional impediria a União de exigir o Pasep; finaliza esse tema dizendo: “Assim se revela mais uma vez a inconsistência dos lançamentos impugnados, pois além de norma constitucional atribuindo imunidade, existe outra (art. 195, § 1º) que impede a União de buscar recursos nos cofres públicos municipais para o financiamento da seguridade social, na qual está inserido o programa de segurodesemprego.”. Já, no item “III – Do Conceito de Receitas”, sustenta que o presente lançamento não merece prosperar posto que teria tributado valores que não se enquadrariam no conceito de ‘receita corrente’; na seqüência, transcrevendo trechos de obras de doutrinadores, que diz refletirem “o que financeiramente corresponde a uma receita”, afirma que essas considerações da doutrina não teriam sido albergadas pela Lei nº 4.320, de 1964, a que os municípios estão obrigados a seguir na contabilização de suas receitas, transferências e despesas, uma vez que a referida lei utiliza um conceito lato de receita, considerando como tal toda e qualquer entrada de dinheiro aos cofres públicos, que nem sempre representa uma receita, mas sim um mero ingresso ou a obtenção de um empréstimo; no seguimento, diz que o fisco, ao realizar os lançamentos impugnados, teria alterado o conceito financeiro de receita pública contido na precitada lei (nº 4.320/1964), sendo que tal conceito deve obrigatoriamente ser levado em conta, nos termos do art. 110 do CTN; conclui, assim, que os lançamentos estão incorretos, já que nas bases de cálculo teriam sido incluídas “receitas correntes, que na realidade são meros ingressos nos cofres municipais, que revelam simples movimentações de dinheiro, o Município de Curitiba recebe a receita, mas a repassa, por razões de direito, a um terceiro, ou seja, não há aumento de patrimônio.”. Na sequência, referindose a repasses de receitas, a interessada fala de diversos fundos a ela vinculados, conforme a seguir se resume: (a) ‘Fundo Especial da Procuradoria Geral do Município de Curitiba’: diz que as receitas que compõem tal fundo decorreriam de verbas honorárias devidas aos membros de sua Procuradoria Geral, sobre o que diz: “(...) as receitas decorrentes de verbas honorárias não ingressam de forma definitiva no patrimônio do Município. Pelo contrário. Compete a este apenas repassálas ao Fundo Especial da Procuradoria Geral do Município de Curitiba, criado pela Lei nº 11.313/04. Tal fundo gerencia a repartição da verba sucumbencial entre os Procuradores, dividindoa igualitariamente entre os integrantes da carreira. (...) Como apenas as receitas correntes somadas às transferências correntes e de capital compõem a base de cálculo do tributo impugnado, não há que se falar em incidência do PASEP sobre verbas honorárias, que são repassadas aos Procuradores.”; Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 (b) ‘Fundo de Urbanização de Curitiba’: transcreve o art. 2º da Lei Municipal nº 4.369, de 1972, que arrola os recursos que o constituem, após o que diz que nem todos os recursos que compõem tal fundo podem ser enquadrados no conceito financeiro de receita, citando como exemplo a arrecadação oriunda da tarifa cobrada dos usuários do transporte coletivo urbano, cujos valores apenas transitariam pelos cofres do município, já que seriam repassados às empresas privadas que prestam o referido serviço de transporte; arremata esse tópico dizendo: “há apenas um ingresso de dinheiro nos cofres municipais e não uma receita propriamente dita, pois não há acréscimo ao patrimônio municipal. Tal receita não poderia sofrer tributação do PASEP.”; (c) ‘Fundo Municipal de Habitação’: transcreve o art. 2º da Lei nº 7.412, de 1999, que dispõe sobre os recursos que o compõem, e afirma que do conteúdo desse dispositivo verificarseia que a maioria desses recursos não se prestariam a servir de base de cálculo do PASEP; dá como exemplo o inciso IX do referido artigo, que determina que são recursos do Fundo as rendas provenientes da aplicação de seus próprios recursos, sendo que tais receitas, apesar de contabilizadas como receita corrente patrimonial (em razão da Lei nº 4.320/1964), não se enquadrariam no conceito de ‘receitas correntes’, pois constituiriam ‘receitas de capital’, não fazendo parte da base de cálculo do Pasep; diz que também os incisos II e V não poderiam ser tributados, uma vez que não corresponderiam a receitas propriamente ditas, já que não acrescem o patrimônio municipal, uma vez que decorrem de substituição de um bem por um valor em pecúnia, no caso das unidades vendidas aos mutuários e os excessos de terrenos, pelo dinheiro dado em pagamento por tais bens; informa, ainda, que o “Fundo de Habitação de Curitiba”, em 01/07/2008, foi substituído pelo “Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social”; (d) ‘Fundo de Abastecimento Alimentar de Curitiba’: inicialmente, transcreve o art. 3º da Lei Municipal nº 7.462, de 1990, que trata das receitas que constituirão o fundo em questão; a seguir, afirma que tal fundo tem como principal recurso resultados de aplicações financeiras, que, como antes mencionara, apesar de serem contabilizados como receita corrente patrimonial, na verdade seriam receitas de capital; diz, ainda, que da leitura do dispositivo transcrito perceberiase que existem recursos que não se enquadram no conceito de receitas correntes, e, assim, não poderiam sofrer a incidência do Pasep; (e) ‘Fundo Municipal do Meio Ambiente’: transcreve o art. 39 da Lei Municipal nº 7.833, de 1991, que trata da criação do referido fundo, bem como das receitas que o constituem, depois do que faz a seguinte assertiva: “verificase que entre seus recursos, nem todos podem ser enquadrados no conceito de receitas correntes.”; (f) ‘Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico’: reproduz o art. 4º da Lei nº 11.558, de 2005, que dispõe sobre as receitas que compõem o referido fundo, emitindo, no seguimento, o seguinte comentário: “cumpre destacar que este fundo ainda não foi regulamentado, dessa forma não recebeu nenhum recurso, o que demonstra a inconsistência do lançamento combatido, uma vez que sequer foi averiguada a regulamentação do Fundo e a existência de receitas.”; (g) ‘Fundo Municipal de Prevenção às Drogas’: transcreve o art. 9º da Lei nº 11.100, de 2004, que indica quais são os recursos desse fundo, após o que Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.451 5 afirma: “Para verificar a viabilidade da incidência do Pasep sobre os recursos acima mencionados, não basta a mera análise contábil realizada pelo agente fiscal federal, pois conforme acima destacado, nem todas as receitas classificadas como correntes no contabilidade são efetivas levando em conta o direito financeiro. Muitas delas escapam, assim, a incidência do Pasep.”; (h) ‘Fundo Municipal de Defesa Civil’: copia o texto do art. 18 da Lei nº 11.645, de 2005, que diz da receitas que constituem tal fundo, e, a seguir, diz: “igualmente possui receitas que não se prestam à base de cálculo do Pasep.”; (i) ‘Fundo de Recuperação de Calçadas’: reproduz o art. 14 da Lei Municipal nº 11.596, de 2005, que determina quais são os recursos de tal fundo, comentando, a seguir, que tal fundo também não teria sido regulamentado, pelo que não teria recebido recurso algum, o que demonstraria “a inconsistência do lançamento combatido, uma vez que sequer foi averiguada a regulamentação do fundo e a existência de receitas.”; (j) ‘Fundo Municipal do Trabalho’: traz o texto do art. 10 da Lei nº 12.192, de 2007, que dispõe sobre as receitas que constituem o referido fundo, afirmando, no seguimento, que: “a tributação do Pasep não pode alcançar todos os recursos que o compõem, pois nem todos são abrangidos pelo conceito de receita.”; (k) ‘Fundo Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional’: transcreve o art. 9º da Lei nº 11.832, de 2006, que trata das receitas que compõem esse fundo, depois do que comenta: “assim, como em todos os fundos tributados pelo Pasep no lançamento combatido, também no Fundo de Segurança Alimentar e Nutricional, existem recursos que devem ser obrigatoriamente excluídos da base de cálculo, visto que não se enquadram no conceito de receita, ou estão incluídos no conceito de transferências sobre as quais não poderia incidir o tributo impugnado.”; (l) ‘Fundo Municipal de Saúde’: reproduz o art. 8º da Lei Municipal nº 7.631, de 1991, que dispõem sobre os recursos que integram tal fundo, e, na seqüência, argumenta: “Para verificar a viabilidade da incidência do Pasep sobre os recursos acima mencionados, não basta a mera análise contábil realizada pelo Agente Fiscal Federal, pois conforme acima destacado, nem todas as receitas classificadas como correntes no contabilidade são efetivas receitas levando em conta o direito financeiro. Muitas delas escapam, assim, a incidência do Pasep. O Fundo Municipal de Saúde possui como seu principal recurso repasses governamentais do Estado e da União. Estes recursos, meramente transitam pelos cofres municipais, pois servem para financiar as ações e serviços de saúde realizados pelo Sistema Único de Saúde – SUS. Conforme diretrizes da Lei nº 8.080/1990, o Município de Curitiba somente realiza a auditoria dos procedimentos realizados pelo SUS, se aprovado sua realização o pagamento pelo serviço de saúde é realizado, sendo o faturamento do recebimento emitido contra o próprio SUS e não contra o Município. Assim, o Município de Curitiba, é mero agente gestor da receita que vem da União e dos Estados, passa pelo Fundo Municipal de Saúde e é integralmente repassado aos hospitais. Enquadrar tal recurso como receita é forçosamente desvirtuar o conceito financeiro acima aludido, confrontando diretamente o artigo 110 do Código Tributário Municipal.”. Por sua vez, no título “IV Da Impossibilidade de Incidência do Pasep sobre as Transferências Constitucionais – Fundo de Participação do Município”, sustenta que o Pasep não pode incidir sobre valores oriundos de Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 transferências constitucionais da União e dos Estados aos Municípios, e que permitir tal incidência significaria dizer que uma lei ordinária estaria acima da Constituição Federal, pois retiraria parte do percentual das transferências que o constituinte determinou; assim, entende que a legislação infraconstitucional que previu tal incidência teria ofendido o texto constitucional, sobre o que transcreve texto obtido da Revista Dialética de Direito Tributário, e complementa: “da simples leitura da Constituição Federal, verificase que as normas constitucionais pertinentes à repartição de receitas, são inconciliáveis com a impossibilidade de dedução dos recursos destinados ao FUNDEB, estando eivado de vício, também neste ponto, o lançamento realizado.”. No item “V – Do Caráter Confiscatório da Multa Aplicada”, tece considerações acerca de alegada inconstitucionalidade na aplicação da multa de ofício de 75%, posto que tal exigência caracterizaria confisco (art. 150, IV da Constituição Federal de 1988), citando, a propósito, julgados do STF (ADI 551, julgado em 24/10/2002, e RE 582461 RG, julgado em 22/10/2009); diz, também, que a cobrança de tal multa feriria os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade; reclama, ainda, que a possibilidade da redução do valor da multa cobrada, no caso de pagamento ou parcelamento sem discussão, desestimularia o direito de petição, o que feriria o direito do contraditório e ampla defesa, além de violar o princípio da igualdade, em prol da voracidade de arrecadar da União. Pede, ao final desse item, “a exclusão da multa moratória, em razão do seu caráter notoriamente confiscatório.”. A seguir, no tópico “VI – Da Equidade”, diz que por ser o tributo lançado ‘altamente controvertido’, uma vez que teria natureza jurídica de imposto, a utilização do conceito legal de receita, previsto na Lei nº 4.320, de 1964, confrontaria o que dispõe o art. 110 do CTN, visto que desvirtuaria o seu conceito financeiro, e que a cobrança da multa de 75% e dos juros de mora onerariam em demasia o tesouro municipal, e também fazendo referência à doutrina, pede pela aplicação ao caso da regra jurídica da equidade. Ao final, faz o seguinte pedido: “Diante do exposto, requer seja acolhido o pleito formulado na presente impugnação: (1) reconhecendo a imunidade do Município de Curitiba, em razão da natureza jurídica de imposto que possui o Pasep; (2) não sendo este o entendimento requer sejam excluídos dos lançamentos todos os valores que não se enquadram no conceito jurídicofinanceiro de receita; (3) que pelas razões acima manejadas seja permitida a dedução da base de cálculo dos valores destinados ao FUNDEB; (4) a exclusão da multa moratória em razão de seu caráter nitidamente confiscatório, aplicandose desde logo a equidade.”. À fl. 2383, despacho da DRF/Curitiba atestando a tempestividade da impugnação apresentada. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CTA no 0636.004, de 21/03/2012, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PA, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.452 7 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. FALTA DE RECOLHIMENTO. SUJEITO PASSIVO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada, em auditoria fiscal, a falta de recolhimento da contribuição ao Pasep, cabível a sua constituição de ofício em nome do sujeito passivo da obrigação tributária. FUNDEB.PASEP. BASE DE CÁLCULO. Os Municípios ao receberem da União valores relativos as transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para o FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o Pasep, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas na legislação pertinente. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Correta a exigência da multa de ofício, posto que feitas com amparo em expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O julgamento foi no sentido de considerar totalmente procedente o lançamento. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de auto de infração, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 22.754.720,00 de contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep, além de multa de ofício de 75% e encargos legais. Ressaltese, de pronto, que não se exige a multa de mora, como argui a recorrente. A autuação é decorrente da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o Pasep relativa aos períodos de apuração de janeiro/2007 a dezembro/2008, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, demonstrativo de apuração e demonstrativo de multa e juros de mora. Bem como o termo de verificação fiscal que dispõe sobre os procedimentos adotados pela fiscalização na presente autuação. A recorrente argumenta que é indevida a exigência da contribuição ao Pasep, a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, apresentando, quanto a isso, uma série de razões no sentido de que tais contribuições teriam a natureza jurídica de imposto, pelo que estaria albergada pelo instituto da imunidade (art. 150, IV da CF/1988); entende, também, que no art. 195, § 1º, da CF/1988, haveria impedimento da União “em buscar recursos nos cofres públicos municipais para o financiamento da seguridade social”. A pretensão da recorrente implica negar efeito aos dispositivos legais que dão suporte ao lançamento da contribuição ao Pasep, sendo que os mesmos estavam e ainda estão em pleno vigor. Nesse contexto, cumpre registrar que – a despeito da argumentação tecida em contrário pela mesma – a apreciação, no entanto, limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da validade das normas jurídicas que fundamentam o auto de infração, tais como a apreciação da verdadeira natureza jurídica da contribuição ao Pasep; assim, não podem ser analisadas as alegações que pretendam levar ao exame da suposta invalidade do art. 1º da Lei Complementar n.º 08, de 1970, e dos arts. 2º, III, 7º e 8º, III, da Lei 9.715, de 1998, na redação vigente para os períodos de apuração em questão. Quanto ao controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988, sendo, assim, defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegada invalidade da lei que fundamenta a exigência de tributo, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, já tem súmula neste sentido: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Não há como afastar a incidência do Pasep, sob o argumento de que seria inválida a base legal que dá suporte ao lançamento. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre a contribuição ao Pasep ser constitucional. Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.453 9 A seguir, ementas de alguns julgados: “AI 480721 AgR / PR AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Relator(a): Min. EROS GRAU Data do Julgamento: 10/10/2006 Órgão Julgador: Segunda Turma Publicação: DJ 24112006 Parte(s): AGTE.(S): MUNICÍPIO DE MEDIANEIRA AGDO.(A/S): UNIÃO EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO CONVERTIDO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PASEP. PRECEDENTES. PASEP. Exigibilidade da contribuição pelas unidades da federação, pois a Constituição de 1988 retirou o caráter facultativo, bem assim a necessidade de legislação específica, para a adesão dos entes estatais ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.” (Grifouse) “Pet 2500 QO / PR – QUESTÃO DE ORDEM NA PETIÇÃO Relator(a): Min. NELSON JOBIM Julgamento: 03/06/2003 Órgão Julgador: Segunda Turma Publicação: DJ 29082003 Parte(s) REQTE.: MUNICÍPIO DE BARRA DO JACARÉ REQDA.: UNIÃO EMENTA: PASEP MUNICÍPIOS LC nº 08/70 OBRIGATORIEDADE. A contribuição ao PASEP não é facultativa, mas obrigação legal imposta a todos os entes políticos da federação. Precedente do STF (ACO 471). Questão de ordem que assim se resolve: 1) cassar a liminar deferida; 2) julgar extinto o processo.”. (Grifouse) Em relação aos Fundos Municipais, a recorrente alega que teriam sido tributados ‘ingressos’ que não se enquadrariam no conceito de ‘receita corrente’, uma vez que não seriam entradas definitivas de dinheiro e bens em seus cofres. Censura a Lei nº 4.320, de 1964, quanto à definição do que sejam “receitas correntes”, que diz ser muito ampla, obrigandoa a contabilizar nessa rubrica valores que nem sempre se caracterizariam como receita; diz, ainda, que o lançamento não levou em conta o conceito econômicofinanceiro de ‘receita pública’ contido na precitada Lei nº 4.320, de 1964, Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 o que tornaria a tributação ilegal, já que tal alteração de conceito desobedeceria o art. 110 do CTN. O art. 110 do CTN referido dispõe: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Segundo Luciano Amaro , o art. 110 citado acima, é preceito dirigido ao legislador e não ao intérprete jurídico. É matéria tipicamente de definição de competência tributária. Explicita que o legislador não pode expandir o campo de competência tributária que lhe foi atribuído, mediante o artifício de ampliar a definição, o conteúdo ou o alcance de institutos de direito privado. Enfim, a menção ao art. 110 do CTN é indevida, já que os conceitos em referência não dizem respeito ao Direito Privado, mas fazem parte de lei relativa ao Direito Financeiro, que é parte do Direito Público. Pois bem, a base de cálculo da contribuição ao PASEP é a Lei nº 9.715, de 1998, in verbis: “Art. 2º A Contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” (Grifouse) Destarte, a base de cálculo da contribuição dos Municípios é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Transcrevese trecho do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, onde a auditoria fiscal obteve os valores das bases de cálculo: Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.454 11 “ (...) INTIMAÇÃO FISCAL E ANÁLISE DE DOCUMENTOS 3. A fiscalização foi iniciada em 02/06/2011, com a lavratura do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, intimando o contribuinte a apresentar, dentre outros documentos, os arquivos magnéticos de contabilidade e as planilhas de cálculo das contribuições ao PASEP, indicando as contas de Receitas que compuseram a base de cálculo, bem como os valores deduzidos e as retenções do tributo sofridas, tendo em vista que as entidades públicas estão dispensadas de declarar as contribuições ao PASEP em DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, conforme Instruções Normativas IN/SRF 590, de 22/12/2005, IN/RFB 940, de 19/05/2009, e IN/RFB 1.015, de 05/03/2010. 4. No Termo de Intimação Fiscal TIF nº 2, em 21/07/2011, foram solicitadas informações referentes às entidades, fundos e demais órgãos que compuseram o orçamento do MUNICÍPIO DE CURITIBA nos anos de 2007 e 2008. A relação de tais entidades e órgãos, anexada ao TIF 2, foi declarada pelo contribuinte à STN – Secretaria do Tesouro Nacional, na “Pesquisa de Identificação da Administração Indireta”, parte integrante do documento “Quadro de Dados Contábeis Consolidados Municipais”, disponibilizado na página da internet da STN: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/ estados_municipios/sistn.asp>. 4.1. Na resposta ao Termo de Intimação, o MUNICÍPIO DE CURITIBA apresentou em 01/09/2011 a discriminação das entidades vinculadas que têm personalidade jurídica própria e também dos órgãos e fundos que apenas possuem natureza contábil. Apresentou, ainda, os números do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como as leis de criação dos referidos fundos e entidades, comprovando sua natureza jurídica (Anexo I). Entregou nesta data, também, os balanços orçamentários mensais dos Fundos, contendo suas receitas (Anexo II), as quais não estavam incluídas na contabilidade da prefeitura apresentada inicialmente à fiscalização, em 21/06/2011. 4.2. As entidades, vinculadas ao MUNICÍPIO DE CURITIBA, que possuem natureza jurídica própria são: Entidades CNPJ Lei Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba 76.582.337/000116 Lei 2.660/65 Instituto de Previdência Assist. Serv. Município de Curitiba 76.608.736/000109 Lei 1.762/59 Instituto Municipal de Administração Pública 78.802.394/000199 Dec. 1.487/64 Instituto Municipal de Turismo 07.505.809/000114 Lei 11.408/05 Fundação Cultural de Curitiba 75.123.125/000108 Lei 4.545/73 Fundação de Ação Social 76.568.930/000108 Lei 8.155/93 Instituto Curitiba de Informática 02.576.670/000186 Decreto 375/98 Instituto Curitiba de Arte e Cultura 05.503.775/000101 Decreto 1.107/03 Instituto Curitiba de Saúde 03.518.900/000113 Lei 1.762/59 Urbanização de Curitiba S/A 75.076.836/000179 Lei 2.295/63 Companhia de Habitação Popular de CuritibaCOHAB 76.495.696/000136 Lei 2.545/65 Companhia de Desenvolvimento de Curitiba Curitiba S/A 76.493.899/000193 Lei 11.403/05 Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A 09.324.976/000194 Lei 12.439/07 Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 4.3. Os fundos vinculados ao MUNICÍPIO DE CURITIBA, sem personalidade jurídica própria, e que possuem natureza meramente contábil, são: Fundos CNPJ Lei Fundo de Urbanização de Curitiba 76.417.005/002200 Lei 4.369/72, Lei 7.556/90 e Lei 12.597/08 Fundo Municipal de Habitação 76.417.005/002634 Lei 7.412/90 Fundo de Abastecimento Alimentar de Curitiba 76.417.005/001743 Lei 7.462/90 Fundo Municipal de Saúde 13.792.329/000184 Lei 7.631/91 Fundo Municipal do Meio Ambiente 13.791.287/000167 Lei 7.833/91 Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico 76.417.005/000186 Lei 11.558/05 Fundo Especial Procuradoria Geral do Município de Curitiba 76.417.005/000186 e 13.792.401/000173 (Próprio) Lei 11.313/04 Fundo Municipal de Prevenção às Drogas 13.790.676/000178 Lei 11.100/04 Fundo Municipal de Defesa Civil 76.417.005/000348 Lei 11.645/05 Fundo de Recuperação de Calçadas 13.791.337/000106 Lei 11.596/05 Fundo Municipal do Trabalho 76.417.005/002049 Lei 12.192/07 Fundo Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional 76.417.005/002553 Lei 11.832/06 4.4. Os demais fundos não são vinculados diretamente ao MUNICÍPIO DE CURITIBA, mas compõem as receitas de outras entidades (fundações e institutos) com personalidade jurídica própria. Assim, não integraram a base de cálculo deste lançamento fiscal as receitas dos fundos: Fundo Municipal para a Criança e o Adolescente, Fundo Municipal de Apoio ao Deficiente, Fundo Municipal de Assistência Social, Fundo Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa por serem vinculados à Fundação de Ação Social, entidade com personalidade jurídica própria, CNPJ 76.568.930/000108. Tampouco foram consideradas as receitas do Fundo Municipal da Cultura, vinculado à Fundação Cultural de Curitiba, CNPJ 75.123.125/000108 e do Fundo Municipal Provisional de Previdência, vinculado ao Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Município de Curitiba, CNPJ 76.608.736/000109. BASE DE CÁLCULO DO PASEP 5. O MUNICÍPIO DE CURITIBA tem como Base de Cálculo da contribuição ao PASEP o valor mensal da soma das receitas correntes arrecadadas, das transferências correntes e de capital recebidas, conforme previsto no art. 2°, inciso III , e no art. 8°, inciso III, ambos da Lei 9.715, de 25/11/1998. Podem ser deduzidos desta base de cálculo os valores transferidos a outras entidades públicas, conforme art. 7º do mesmo dispositivo legal. 5.1. A Portaria Interministerial MF/MPOG n° 163, de 04/0 5/2001, dispõe sobre normas gerais de consolidação das Contas Públicas no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios e regulamenta a utilização de uma mesma classificação orçamentária de receitas e despesas públicas para estas entidades. Desta forma, a contabilidade dos entes públicos deve seguir o mesmo padrão e numeração para suas contas contábeis, conforme disposto no referido ato normativo. 5.2. A base de cálculo mensal do PASEP dáse, então, pela soma aritmética das seguintes contas: Código Descrição 100000000000 RECEITAS CORRENTES 240000000000 TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.455 13 Os valores lançados na conta 170000000000 – TRANSFERÊNCIAS CORRENTES, definida pela lei como base de cálculo da Contribuição ao PASEP, estão incluídos na soma da conta de RECEITAS CORRENTES. 5.3. As deduções permitidas pela lei são lançadas nos grupos de contas de despesa de Transferências a Outras Entidades Públicas: Código Descrição 3.3.20.0000 TRANSFERÊNCIAS À UNIÃO 3.3.30.0000 TRANSFERÊNCIAS A ESTADOS E DF 3.3.40.0000 TRANSFERÊNCIAS A MUNICÍPIOS 4.4.20.0000 TRANSFERÊNCIAS À UNIÃO 4.4.30.0000 TRANSFERÊNCIAS A ESTADOS E DF 4.4.40.0000 TRANSFERÊNCIAS A MUNICÍPIOS 6. Portanto, a base de cálculo da contribuição ao PASEP foi obtida somandose os valores das contabilidades do órgão executivo Prefeitura e dos demais Fundos vinculados ao MUNICÍPIO DE CURITIBA, elencados no item 4.3., de acordo com a planilha consolidada a seguir (valores em R$): Período de Apuração Receitas Correntes (A) Transfer. De Capital (B) Transf. a Outras entidades públicas (C) BASE CALCULO (D) =(A+BC) jan/07 188.184.385,29 188.184.385,29 fev/07 367.706.372,32 277.000,00 367.983.372,32 mar/07 217.526.448,95 137.000,00 217.663.448,95 abr/07 255.406.126,09 392.400,00 255.798.526,09 mai/07 235.302.236,90 21.839,69 235.280.397,21 jun/07 226.068.803,88 226.068.803,88 jul/07 218.970.450,29 237.453,45 219.207.903,74 ago/07 321.162.718,88 68.980,00 80.607,70 321.151.091,18 set/07 284.301.426,70 31.750,59 284.269.676,11 out/07 250.224.491,09 1.119.514,29 13,58 251.343.991,80 nov/07 227.362.580,79 227.362.580,79 dez/07 251.504.730,48 5.042.620,89 128.834,54 256.418.516,83 jan/08 221.899.455,65 903,67 221.898.551,98 fev/08 375.417.078,71 487.500,00 84.269,62 375.820.309,09 mar/08 262.557.340,45 744.238,85 263.301.579,30 abr/08 285.980.049,17 13.468.597,77 299.448.646,94 mai/08 236.330.113,06 158.448,00 236.488.561,06 jun/08 297.821.077,23 5.183.822,18 303.004.899,41 jul/08 267.462.465,65 3.870.474,25 271.332.939,90 ago/08 281.694.257,15 9.897.205,29 291.591.462,44 set/08 247.279.453,08 662.443,17 247.941.896,25 out/08 279.411.628,52 747.640,57 365.071,26 279.794.197,83 nov/08 258.995.068,68 2.233.213,52 280.865,85 260.947.416,35 dez/08 287.117.512,96 3.635.975,52 374.503,31 290.378.985,17 As planilhas individuais dos Balanços Orçamentários do órgão Prefeitura e de cada Fundo, as quais compuseram a base de cálculo da contribuição ao PASEP acima demonstrada, estão no anexo II deste Termo.” Ou seja, a fiscalização considerou como receitas da interessada não só os valores escriturados diretamente em seu nome, conforme demonstrativos denominados ‘Arrecadação da Receita Diária’ de fls. 229/426 (anocalendário 2007) e 895/1134 (ano calendário 2008), como também aqueles valores escriturados em nome dos fundos discriminados no item 4.3 do precitado termo de verificação fiscal, pois os mesmos fazem parte Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 da estrutura da própria recorrente, já que não possuem personalidade jurídica própria, tendo natureza meramente contábil, consoante os demonstrativos ‘Arrecadação da Receita Semestral’ de fls. 427/894 (anocalendário 2007) e 1135/1854 (anocalendário 2008). Com todos demonstrativos analisados, percebese que os valores considerados pelo fisco correspondem às previsões dos dispositivos da Lei nº 9.715, de 1998. Foram computados os valores escriturados pela própria recorrente a título de receitas correntes arrecadadas, e de transferências correntes e de capital recebidas. Logo, descabidas as alegações de que a composição de tais bases foi realizada de forma inadequada, já que realizada a partir de peças fornecidas pela recorrente e aceitas pelo fisco, abarcando os períodos de apuração. Para o Fundo Municipal de Defesa Civil, o Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico, o Fundo Municipal de Prevenção às Drogas, o Fundo Municipal do Trabalho, o Fundo de Recuperação de Calçadas e o Fundo Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, os precitados demonstrativos registram zero reais como valores de base de cálculo. A Lei nº 9.715, de 1998, faz uso dos conceitos do que sejam ‘receita corrente’, ‘transferência corrente’ e ‘transferência de capital’ contidos na Lei nº 4.320, de 1964 (estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.), sendo de se destacar que a alegação da recorrente quanto à impropriedade da Lei nº 4.320, de 1964, por suposta amplidão ao conceituar ‘receita corrente’, não pode ser analisada no âmbito administrativo, já comentado a despeito. Já com respeito às menções específicas feitas pela recorrente relativas aos Fundos arrolados no item 4.3 do Termo de Verificação Fiscal, quais sejam: (a) Fundo de Urbanização de Curitiba; (b) Fundo Municipal de Habitação; (c) Fundo de Abastecimento Alimentar de Curitiba; (d) Fundo Municipal de Saúde; (e) Fundo Municipal de Meio Ambiente; (f) Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico; (g) Fundo Especial Procuradoria Geral do Município de Curitiba; (h) Fundo Municipal de Prevenção às Drogas; (i) Fundo Municipal de Defesa Civil; (j) Fundo de Recuperação de Calçadas; (k) Fundo Municipal de Trabalho; e (l) Fundo Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, temse que considerar que: a apuração da contribuição acontece na entidade que aplica o recurso, exonerando aquela que o arrecadou e transferiu, evitando a incidência em duplicidade do tributo. Ou melhor, a exclusão somente é permitida quando um contribuinte do PASEP transfere recursos a outro contribuinte, de forma que os recursos transferidos irão integrar a base de cálculo da entidade que recebeu a transferência. Ou seja, na presente autuação, consta que os referidos fundos não têm personalidade jurídica própria, mas apenas uma distinção meramente contábil, pelo que os valores contidos na previsão da Lei nº 9.715/1998 (receitas correntes, transferências correntes e transferências de capital recebidas), escriturados para tais fundos, pertencem, na verdade, à recorrente. Passando à discussão da inclusão ou não do FUNDEB na base de cálculo do Pasep. Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.456 15 O FUNDEB Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, que sucedeu ao FUNDEF, foi instituído pela Lei n.º 11.494, de 20 de junho de 2007, sendo que se extrai da referida lei que se trata de mero fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, que é gerido pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. O art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, somente podem ser excluídos da base de cálculo dessa contribuição as transferências efetuadas a outras entidades públicas. O FUNDEB não é considerado entidade pública, portanto, os valores que, eventualmente, forem repassados a esse fundo não devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida pelo Município. A CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB (COSIT) emitiu a Solução de Divergência n.º 02 Cosit, de 10 de fevereiro de 2009,cuja ementa dispõe: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Base de cálculo de Município. As receitas financeiras auferidas por Município, em decorrência da remuneração de depósitos bancários, de aplicações de disponibilidade em operações de mercado e de outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes, integram suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, base de cálculo mensal, para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1%. Os valores de suas receitas próprias repassados/alocados, para o FUNDEF/FUNDEB, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta e amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ao receberem da União valores relativos as transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas no art.7o da Lei nº 9.715, de 1998. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão excluir de suas respectivas bases de cálculos mensais da Contribuição para o PIS/Pasep, os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB, somente quando ficar comprovado que houve a retenção da Contribuição para o PIS/Pasep, na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional STN, na forma disposta no § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 8, de 1970: e Lei nº 9.715, de 1998, (art. 2º, inciso III, e § 6º e arts. 7º e 8º).” (Grifouse) Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Segundo esta solução de divergência, somente se ficasse comprovada a retenção da contribuição para o PIS/Pasep na fonte, à alíquota de 1% incidente sobre o total dos valores transferidos por meio da STN, poderiam ter sido excluídos os valores recebidos para o FUNDEF/FUNDEB. Tal comprovação, no caso, não ocorreu. Correta, pois, a exigência contida no auto de infração. Quanto à alegação de haver inconstitucionalidade na previsão legal da incidência do Pasep sobre as transferências correntes recebidas pelos municípios, como seria o caso do FUNDEB, já comentado anteriormente, também. Por derradeiro, quanto à exigência de multa de ofício, cumpre ressaltar que foram constituídas,as previstas na legislação descrita nos autos de infração, relativa a incidência do percentual de 75% sobre as parcelas do Pasep. O enquadramento legal da multa de ofício referida, que se encontra descrito no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora é o art. 44, I da Lei n.º 9.430, de 1996, modificado pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, a seguir reproduzido: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)” Dessa forma, por estar de acordo com a legislação, considerase adequado o percentual de 75% aplicado ao caso em análise. Da mesma forma, deixo de apreciar a questão acerca de confronto aos princípios constitucionais sobre a multa de ofício. Transcrevo a ementa do decidido no acórdão de n° 3202000.352, de 10/08/2011, processo de n° 10950.003991/200943 de São Tomé Prefeitura, de relatoria do Conselheiro Paulo Sérgio Celani, com o mesmo teor deste: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, de sorte que os valores recebidos com destaque para o FUNDEF/FUNDEB devem integrar a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado. Em assim sendo, não merece reparo decisão a quo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.457 17 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10880.033916/99-36
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 30/11/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
Numero da decisão: 9900-000.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/11/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 39 16 /9 9- 36 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 114 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 03 05.463, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o fundamento de que o prazo prescricional da pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial começou a correr com a edição da MP n˚ 1.110/95, por meio da qual a Fazenda Nacional teria reconhecida a inconstitucionalidade da exação. Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para firmar posição, agora, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifou se). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.033916/9936 Acórdão n.º 9900000.494 CSRFPL Fl. 134 3 entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 127, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões (vide doc. a fls. 132). Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Por essa razão conheço do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, pois resta presente o dissídio jurisprudencial. Por força do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, reproduzo o que fora decidido no REsp nº 1.110.578/SP, representativo de controvérsia julgado pela sistemática do art. 543 do CPC, cuja ementa a seguir transcrevo: REsp 1110578 /SP RECURSO ESPECIAL 2009/00083134 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 12/05/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 21/05/2010RT vol. 900 p. 204 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp.732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel.Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008."[grifo nosso] Do julgado acima transcrito, de plano já se conclui que o acórdão recorrido merece reforma, pois, como ali decidido, "declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício". Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois a posição adotada no item 1 do acórdão acima transcrito referese unicamente aos lançamentos de ofício. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.033916/9936 Acórdão n.º 9900000.494 CSRFPL Fl. 135 5 REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 03/12/1999, aplicase a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador, razão pela qual entendo atingido pela prescrição apenas a pretensão à restituição de valor pago a título de Finsocial relativo ao fato gerador de 11/1989, e concluo ser tempestivo o pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores a partir de 12/1989. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, para acolher a preliminar de prescrição da pretensão à restituição de valor pago a título de Finsocial relativo ao fato gerador de 11/1989, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito do pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores a partir de 12/1989. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.033916/9936 Acórdão n.º 9900000.494 CSRFPL Fl. 136 7 Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 11020.722512/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007
PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS SALDOS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR.
A compensação de prejuízo fiscal que tenha sido utilizado em lançamento de ofício anterior sujeita-se a glosa, mormente quando a exigência fiscal originária foi julgada procedente na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1402-001.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS SALDOS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR. A compensação de prejuízo fiscal que tenha sido utilizado em lançamento de ofício anterior sujeitase a glosa, mormente quando a exigência fiscal originária foi julgada procedente na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 25 12 /2 01 1- 70 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 599 2 Relatório Rio Grande Energia S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “I DA AUTUAÇÃO FISCAL Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado auto de infração de imposto sobre a renda da pessoa jurídica – IRPJ (fls. 345 a 350), referentes aos fatos geradores apurados em 31/12/2006 e 31/12/2007, pelos quais exigese o crédito tributário no valor total de R$ 40.966.050,63, inclusos os consectários legais até 30/06/2011. A infração está assim descrita no auto de infração do IRPJ: 001 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. Nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, a contribuinte informou compensação de prejuízo fiscal, entretanto, no sistema de acompanhamento do prejuízo, lucro inflacionário e base de cálculo negativa da CSLL (sistema SAPLI) da RFB não havia, nos citados períodos, saldo de prejuízo fiscal a ser compensado. Vide Relatório de Atividade Fiscal em anexo. Valores tributados: R$ 44.718.940,67 em 31/12/2006 e R$ 30.886.712,05 em 31/12/2007. Enquadramento legal: arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. No relatório de atividade fiscal produzido (fls. 352 a 356), consta que as inconsistências apuradas nas compensações dos prejuízos fiscais em 2006 e 2007 são decorrentes da emissão do auto de infração constante do processo administrativo fiscal (PAF) nº 11080.009008/200447, o qual alterou os resultados declarados pela autuada nos anoscalendário de 1999 a 2003, que extinguiu a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais que a contribuinte possuía até aquele momento. Relativamente ao auto de infração do processo nº 11080.009008/200447, informa o autuante que ele foi julgado procedente tanto pela DRJ/POA (Acórdão nº 5.331/2005) como pelo Conselho de Contribuintes/MF (Acórdão nº 10195.786 – fl. 342). Esclarece ainda que o contribuinte apresentou embargos de declaração, que foram rejeitados de plano através do Despacho nº 247 do Presidente da 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes, e que, atualmente, o processo em questão encontrase no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na situação – “Em tramitação” (fls. 340/341). Fl. 599DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 600 3 O autuante informa ainda que emitiu o presente auto de infração tendo em vista a proximidade do termo final do prazo decadencial para efetuar o lançamento referente ao anocalendário de 2006. A multa de ofício aplicada foi no percentual de 75%, tendo como enquadramento legal o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Também foram lançados juros de mora com base nos arts. 61, 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. II DA IMPUGNAÇÃO Cientificada da exigência do crédito tributário em 11/07/2011 (fl. 351), a autuada, por meio de representante legal, apresenta, em 10/08/2011, a impugnação de fls. 363 a 392, com documentos de fls. 393 a 527, argüindo, em síntese: que a impugnação é tempestiva e deve ser integralmente apreciada, nas preliminares e no mérito; que o presente auto de infração tem por objeto a mesma matéria que está sendo discutida no PAF n° 11080.009008/200447, no qual pende julgamento de recurso especial interposto pela impugnante; por isso, solicita sobrestamento da decisão deste processo; que naquele processo discutese o crédito tributário de IRPJ e de CSLL, relativos ao período compreendido entre 1999 e 2003, e oriundo da glosa de diversas despesas, especialmente amortização de ágio, e da adição como receita dos valores da atualização SELIC na conta CVA; que neste processo discutese o montante de prejuízo fiscal utilizado pela requerente em 2006 e 2007, sendo que esse montante é fruto da dedução das despesas de amortização do ágio e da exclusão dos valores registrados na conta CVA, que foram objeto de questionamento naquele processo administrativo; dessa forma, considerando a semelhança da matéria debatida, entende a impugnante que se faz imprescindível a suspensão do presente processo até que seja definitivamente julgado o PAF n° 11080.009008/200447; que caso assim não se entenda deve ser cancelada a presente autuação, já que a glosa de despesa de amortização de ágio e a adição como receita dos valores da atualização SELIC na conta CVA, efetuadas no auto de infração originário do PAF n° 11080.009008/200447, são absolutamente improcedentes; que no momento da incorporação da DOC 3 e durante todo o período de amortização do ágio vigia a Lei nº 9.532/97, determinando que o prazo mínimo para amortização com base na expectativa de rentabilidade futura é de 5 (cinco) anos e máximo de 10 (dez) anos; portanto, a amortização efetuada pela impugnante, no prazo de dez anos, e abalizada por carta emitida pela Ernst & Young, está em perfeita conformidade com a legislação fiscal; que as regulamentações infralegais da CVM jamais podem se sobrepor à lei fiscal, específica e hierarquicamente superior, se considerados exclusivamente os efeitos fiscais dessa amortização, ou seja, para fins de apuração do lucro real da impugnante; que mesmo que se considerasse aplicável a Instrução CVM nº 247/96 (o que não é correto), ainda assim o procedimento adotado pela impugnante estava correto, já que, na data em que houve a incorporação, não havia qualquer disposição relacionada à amortização do ágio no prazo da concessão. Esse dispositivo foi Fl. 600DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 601 4 inserido posteriormente à incorporação, pela Instrução CVM nº 285/98, sendo, portanto inaplicável ao presente caso; que a alteração inserida pela Instrução CVM nº 285/98 aplicase apenas ao ágio apurado na aquisição do direito de concessão, totalmente diferente do presente caso, que se tratou de ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura de uma sociedade; portanto, por qualquer prisma que se analise a questão, a única conclusão a que se chega é que o procedimento aplicado pela impugnante para amortizar o ágio foi o mais correto; que os valores da atualização da conta CVA pela taxa SELIC, não podem ser submetidos à tributação antes da aprovação da nova tarifa pela ANEEL, já que tal atualização reflete um mero controle de custos que a impugnante está obrigada a efetuar, para servir de parâmetro a eventual aumento da tarifa no ano posterior; e, dessa forma, a receita relacionada a tais valores somente é efetivamente auferida após a aprovação da nova tarifa pela ANEEL e com o consumo da energia elétrica pelos consumidores, o que somente pode ocorrer no ano posterior. Antes disso, há mera expectativa de direito, que não gera disponibilidade jurídica ou econômica da renda e, portanto, não pode ser considerada receita para a empresa; que tem como comprovada a exatidão dos procedimentos adotados na apuração dos seus resultados entre 1999 e 2003, de modo que o saldo de prejuízo fiscal utilizado para compensação em 2006 e 2007 encontra pleno fundamento nos fatos e no direito aplicável. Ao final, quer o acolhimento integral da presente impugnação, com o objetivo de cancelar o auto de infração em tela, bem como as penalidades aplicadas, com o consequente arquivamento do processo administrativo. Protesta também pela posterior juntada de documentos ou realização de provas eventualmente pertinentes. Pede deferimento. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 10 35.067 (fls. 529536) de 25/10/2011, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS SALDOS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR. A compensação de prejuízo fiscal que tenha sido utilizado em lançamento de ofício anterior sujeitase a glosa, mormente quando a exigência fiscal foi julgada procedente na primeira instância administrativa.” Fl. 601DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 602 5 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 09/11/2011 (A.R. de fl. 539) a interessada interpôs recurso voluntário em 08/12/2011 (fls. 541592) onde repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 603 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da Preliminar de suspensão do julgamento do presente processo De plano, há de se refutar o pleito de suspensão do presente feito até o julgamento do processo administrativo nº 11080.009008/200447. Isso porque o aludido processo já foi julgado na esfera administrativa, conforme despacho nº 111000.027, de 15/03/2012, da Primeira Câmara, Primeira Sessão de Julgamento deste Conselho, que negou seguimento ao recurso especial apresentado pela Interessada (fls. 1.459 a 1.469 daquele PAF). Ressaltese que, conforme art. 71, §3°, do Anexo II do RICARF, tal decisão é definitiva na esfera administrativa. Assim sendo, deverá o presente processo ter prosseguimento normal. Das questões relativas ao PAF nº 11080.009008/200447 Ponderase, inicialmente, que o litígio relativo ao PAF n° 11080.009008/200447, oriundo da glosa de diversas despesas, especialmente amortização de ágio, e da adição como receita dos valores da atualização SELIC na conta CVA, do período compreendido entre 1999 e 2003, já foi objeto de análise e julgamento tanto pela DRJ (Acórdão DRJ/POA nº 5.331, de 03/03/2005) quanto nesta instância administrativa (Acórdão nº 10195.786 – Sessão de 18/10/2006). O resultado em ambas as instâncias foi unânime pela manutenção do lançamento conforme levantado pela Fiscalização. Vejamse as ementas dos referidos acórdãos: Acórdão DRJ/POA nº 5.331, de 03/03/2005: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 Ementa: ATUALIZAÇÃO DE ATIVOS COM BASE NA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. A atualização de despesas antecipadas, pela taxa SELIC, consiste em aumento de ativos, sem correspondente aumento de passivos e, assim, tem a natureza de receita financeira. Tal receita é tributável independentemente de sua classificação contábil, não havendo na legislação fiscal qualquer disposição que determine sua exclusão do lucro contábil, para apuração do lucro real. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 604 7 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS, FUNDAMENTADO EM CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. AMORTIZAÇÃO NO PRAZO DA CONCESSÃO. A amortização de ágio na aquisição de investimentos, fundamentado em concessão de serviço público, deve ser efetuada no prazo da citada concessão. DEPRECIAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. AUMENTO DE VIDA ÚTIL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. O valor contabilizado como despesa de depreciação do ativo permanente, quando baseado em laudo de avaliação do respectivo ativo, deve ser considerado para fins de apuração do lucro real, com a adição – prevista na legislação tributária – da realização da reserva de reavaliação. Ao contrário, não há qualquer previsão na legislação tributária de exclusão de qualquer parcela do valor contabilizado como depreciação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 Ementa: NULIDADES. Não há o que se falar em nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente e sem cerceamento do direito de defesa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 Ementa: DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. Não tendo transcorrido o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, não há o que se falar em decadência do direito de lançar o tributo. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade de leis que instituam multas e juros de mora, gozando tais atos de presunção de constitucionalidade. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 Ementa: DIPJ. RETIFICAÇÃO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEFICÁCIA. O início da ação fiscal, em relação ao tributo e ao período e em data anterior ao pedido, resulta na sua desconsideração para fins de constituição do crédito tributário via auto de infração. Lançamento Procedente Acórdão CC nº 10195.786 – Sessão de 18/10/2006 (fl. 342): DECADÊNCIA – PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL – IRPJ – CSL – No caso de opção pela apuração anual da base de cálculo, a contagem do prazo decadencial iniciase a partir de primeiro de janeiro do ano subseqüente. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 605 8 NULIDADE – PERFEITA IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO – Não existe nulidade se resta comprovado que não houve prejuízo ao direito de defesa da contribuinte. AJUSTE À CONTA DE DESPESAS ANTECIPADAS – CORREÇÃO DO CUSTO PELA TAXA SELIC – A alteração dos gastos antecipados pelas concessionárias de energia elétrica, mediante ajuste pela taxa Selic, importa acréscimo patrimonial, na medida em que não representa um contra valor de registro permutativo em caixa ou outro ativo correspondente. DEPRECIAÇÕES – AJUSTES EXTRACONTÁBEIS – IMPOSSIBILIDADE – O limite máximo de registro contábil das depreciações representa uma faculdade ao contribuinte, que pode dimensionar tal valor mensal para menos. Incabíveis ajustes extracontábeis no LALUR, bem como retificações após o início da ação fiscal. CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA – AQUISIÇÃO COM ÁGIO E POSTERIOR INCORPORAÇÃO DA CONTROLADORA PELA CONTROLADA – REGRAS DE AMORTIZAÇÃO PELO PRAZO DE CONCESSÃO – A regra fiscal de dedução da amortização do ágio deriva das regras da legislação comercial de amortização, somente sendo possíveis ajustes no LALUR se a amortização foi inferior a cinco anos (Lei 9.430/96, artigos 7º e 8º). Para a amortização de ágio em face de rentabilidade futura por conta de contrato de concessão, aplicáveis as normas estabelecidas pela Instrução CVM 247/96, alterada pela Instrução CVM 285/98, isto é, a amortização contábil e os decorrentes efeitos fiscais operamse pelo prazo da concessão. Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de decadência e de nulidade suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Dessa forma, forçoso concluir que a controvérsia levantada pela Interessada em seu Recurso Voluntário já foi apreciada no PAF nº 11080.009008/200447, não sendo conhecida no presente processo. Da glosa da compensação dos prejuízo fiscais Depreendese dos autos que as inconsistências constatadas na compensação de prejuízos fiscais em 31/12/2006 e 31/12/2007 são decorrentes da emissão do auto de infração constante do PAF nº 11080.009008/200447, o qual alterou os resultados declarados pela pessoa jurídica nos anoscalendário de 1999 a 2003. Nessa esteira, conforme já disposto acima, tanto o Acórdão DRJ/POA nº 5.331/2005 quanto o Acórdão do Conselho de Contribuintes (atual CARF) nº 10195.786 mantiveram a autuação objeto do PAF n° 11080.009008/200447. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 606 9 Assim, há que se ter por procedentes as alterações nos resultados da pessoa jurídica dos anoscalendário de 1999 a 2003, que extinguiram a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais que a Interessada possuía até aquele momento (fls. 446/450). Uma vez extintos os saldos de prejuízos fiscais dos períodos anteriores (1999 a 2003), passíveis de utilização pela autuada em suas DIPJs, considerase procedente a glosa da compensação dos prejuízos fiscais em 31/12/2006 e 31/12/2007, conforme lançado no presente processo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de indeferir a preliminar de suspensão do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendose o crédito tributário conforme constituído. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15374.001431/2001-10
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2000
SEMESTRALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS LEI nº 2.445/86 e 2.449/86. INDÉBITOS. SÚMULA CARF Nº 15.
A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Apurado os indébitos com observância dos termos da Súmula CARF nº 15.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-001.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar os débitos apontados no auto de infração até o limite dos indébitos, se existentes, observado o critério da semestralidade da base de cálculo, nos termos da Súmula CARF nº 15, com os débitos do período de apuração de 01.11.1998 a 31.12.2000.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2000 SEMESTRALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS LEI nº 2.445/86 e 2.449/86. INDÉBITOS. SÚMULA CARF Nº 15. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Apurado os indébitos com observância dos termos da Súmula CARF nº 15. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar os débitos apontados no auto de infração até o limite dos indébitos, se existentes, observado o critério da semestralidade da base de cálculo, nos termos da Súmula CARF nº 15, com os débitos do período de apuração de 01.11.1998 a 31.12.2000. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 4 1 3 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001431/200110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 34033.001.769 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria PIS Recorrente PALÁCIO DA FERRAMENTA E MÁQUINAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2000 SEMESTRALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS LEI nº 2.445/86 e 2.449/86. INDÉBITOS. SÚMULA CARF Nº 15. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Apurado os indébitos com observância dos termos da Súmula CARF nº 15. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar os débitos apontados no auto de infração até o limite dos indébitos, se existentes, observado o critério da semestralidade da base de cálculo, nos termos da Súmula CARF nº 15, com os débitos do período de apuração de 01.11.1998 a 31.12.2000. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 14 31 /2 00 1- 10 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que manteve o lançamento relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente ao período de apuração de novembro de 1998 a dezembro de 2000. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 23) a autoridade lançadora registra que: a) o contribuinte ajuizou a Ação Ordinária n° 95.00114810 julgada procedente para desobrigar o recolhimento do PIS com base nos Decretosleis 2.445 e 2.449 de 1988. No item quatro (4) da sentença foi determinado que a União deverá fiscalizar a regularidade da compensação efetuada na forma autorizada por aquele Juízo. Confirmada a sentença, o contribuinte passou a compensar as contribuições; b) no demonstrativo elaborado às fls. 24 a 26 restou calculado o PIS devido com base na LC 07/70 e legislações posteriores, inclusive Parecer PGFN/CAT 437/98, aprovado pelo Ministro da Fazenda, no período de 01/90 a 12/94, resultando em insuficiência de recolhimento no montante de 42.346,56 UFIR, em virtude de não ter sido considerado no cálculo por parte do contribuinte as datas de recolhimento e conversões estabelecidas na LC 17/93, Lei 7.691/88, Lei 7.799/88, Lei 8.019/90, Lei 8.218/91, Lei 8.383/91, Lei 8.981/95 e Lei 9.715/98; c) não havendo impedimento judicial para a verificação das compensações, e, constatado que as mesmas foram indevidas, lavrouse o Auto de Infração, abrangendo o período de 11/98 a 12/2000, visto que, os períodos anteriores já tinham sido objeto de fiscalização. O crédito que se pretende utilizar em compensação dos débitos são provenientes de pagamento a maior para o Programa de Integração Social – PIS cuja base de cálculo foi introduzida pela sistemática prevista pelos Decretoslei números 2.445 e 2449, ambos de 1988 que modificaram a regra instituída pela Lei Complementar número 7/70, que até o advento dos mencionados diplomas legais a base de cálculo era o faturamento do sexto mês anterior a ocorrência do fato gerador. Sustentase no voto da decisão recorrida que o lançamento teve origem na constatação, pela autoridade fiscalizadora, de compensação indevida efetuada pela contribuinte, em decorrência da inexistência de crédito de PIS no período de apuração de janeiro de 1990 a dezembro de 1994. Por meio da Resolução nº 20400.542, o julgamento foi convertido em diligência e os autos baixado a origem para que fossem verificado se os pagamentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449 de 1995 foram suficientes para compensar com os períodos lançados, considerando a base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês anterior, conforme a interpretação e aplicação do artigo 6º , parágrafo único, da LC 7/70. Intimado para tomar conhecimento do resultado da diligência a Interessada se manteve silente. É o relatório. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.001431/200110 Acórdão n.º 34033.001.769 S3C4T3 Fl. 5 3 Voto Tratase de recurso tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. A matéria trazida no recurso interposto consiste na apuração do indébito em razão de pagamentos indevidos ou a maior da contribuição para o Programa de Integração Social, com observância das regras estipuladas pela Lei Complementar número (7) sete de 1970. Como é de sabença os referidos decretos foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, o Senado Federal fez promulgar a Resolução n° 49/95, suspendendo, assim, a eficácia dos referidos Decretoslei. De modo que, o PIS seria devido, única e exclusivamente, na forma da Lei Complementar 7/70. Com razão a recorrente quando afirma o seu direito de rever o que pagou a maior, ressalvando a possibilidade, da aplicação da norma contida na LC 7/70, que define a base de cálculo o faturamento do sexto mês que configura a sistemática da semestralidade. Essa matéria encontra pacificada no CARF por meio da Súmula 15. “Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetári”. Assim, comprovado o recolhimento no período, impõe a Administração Fazendária apurar o crédito tributário em conformidade do que dispõe a Lei Complementar nº 07/70, observando a regra da semestralidade. O demonstrativo elaborado em fls. 24 a 26 não reflete o escorreito cálculo, em que pese afirmar que o mesmo tenha sido elaborado com base na Lei complementar 07/70, basta célere exame para constatar que não corresponde ao faturamento do sexto mês anterior a ocorrência do fato gerador (fl.24), de modo que, deixou de observar os ditames da norma orientadora, motivo pelo qual apurou resultado negativo em desfavor do contribuinte, a verdade encontra estampada pela memória de cálculo anotada pela fiscalização: “... foi calculado o PIS devido com base na LC 07/70 e legislações posteriores, inclusive Parecer PGFN/CAT 437/98, aprovado pelo Ministro da Fazenda, no período de 01/90 a 12/94, resultando em insuficiência de recolhimento no montante de 42.346,56 UFIR, em virtude de não ter sido considerado no cálculo por parte do contribuinte as datas de recolhimento e conversões estabelecidas na LC 17/93, Lei 7.691/88, Lei 7.799/88, Lei 8.019/90, Lei 8.218/91, Lei 8.383/91, Lei 8.981/95 e Lei 9.715/98”. Motivo pelo qual o julgamento foi convertido em diligência para apurar corretamente. No entanto, os demonstrativos elaborados pela fiscalização é bastante confuso e não demonstra de modo escoreito os cálculos, ao contrário das planilhas elaboradas pela Interessada, fls. 267/268. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O documento demonstra o ano, cálculo mensal do sexto mês, o valor a maior, o cálculo aplicação da alíquota de 0,75, e abrange o período até dezembro de 1995. Adoto como certo os cálculos de fls. 267/268, que aponta o montante de R$ 284.482,62 (duzentos e oitenta e quatro mil, quatrocentos e oitenta e dois reais e sessenta e dois centavos), como correto. Dito isso, concluo o voto no sentido de conhecer do recurso e dar provimento parcial para cancelar os débitos apontados no auto de infração até o limite do indébito do demonstrativo de fls. 26/268, apurado pela sistemática da semestralidade, isso é, o faturamento do sexto mês anterior a ocorrência do fato gerador com observância da Súmula CARF nº 15 com os débitos do período de apuração 01.11.1998 a 31.12.2000. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 367DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905174/2010-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 74 /2 01 0- 49 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de abril de 2003, no valor de R$ 394,19. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 63/69). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 05/03/2012 (fls. 72). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 75/78, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.905174/201049 Acórdão n.º 3802001.351 S3TE02 Fl. 82 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de abril de 2003 (regime cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, não alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (abril de 2003). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de abril de 2003, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, não é legítima. Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 26A da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10680.940863/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
Ementa:
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Constatado que os elementos que impossibilitaram o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado encontram-se adequadamente descritos no ato combatido, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão deles, exerceu de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do despacho decisório.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DISTINÇÃO.
Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, em especial as impeditivas do direito de a autoridade administrativa competente aferir o atendimento de condição expressa pela lei.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. FUNDAMENTOS PARA VEDAÇÃO. CONTESTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não merece prosperar a tese de defesa que, deixando de combater os fundamentos do ato recorrido que serviram de suporte para a não aceitação da dedução do imposto pago no exterior, concentra suas alegações na sustentação do direito à sua pretensão, matéria em relação a qual não houve questionamento na instância a quo.
IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITAS QUE INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO.
Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO.
Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 1301-001.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que os elementos que impossibilitaram o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado encontram-se adequadamente descritos no ato combatido, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão deles, exerceu de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DISTINÇÃO. Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, em especial as impeditivas do direito de a autoridade administrativa competente aferir o atendimento de condição expressa pela lei. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. FUNDAMENTOS PARA VEDAÇÃO. CONTESTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não merece prosperar a tese de defesa que, deixando de combater os fundamentos do ato recorrido que serviram de suporte para a não aceitação da dedução do imposto pago no exterior, concentra suas alegações na sustentação do direito à sua pretensão, matéria em relação a qual não houve questionamento na instância a quo. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITAS QUE INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que os elementos que impossibilitaram o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado encontramse adequadamente descritos no ato combatido, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão deles, exerceu de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DISTINÇÃO. Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, em especial as impeditivas do direito de a autoridade administrativa competente aferir o atendimento de condição expressa pela lei. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. FUNDAMENTOS PARA VEDAÇÃO. CONTESTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não merece prosperar a tese de defesa que, deixando de combater os fundamentos do ato recorrido que serviram de suporte para a não aceitação da dedução do imposto pago no exterior, concentra suas alegações na sustentação do direito à sua pretensão, matéria em relação a qual não houve questionamento na instância a quo. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITAS QUE INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 94 08 63 /2 00 9- 18 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 272 2 contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 273 3 Relatório ARCELORMITAL SISTEMAS S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal também em Belo Horizonte. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2003. O Despacho Decisório de fls. 43 indica indeferimento da compensação pleiteada, vez que, analisados os elementos formadores do crédito apontado no PER/DCOMP, não restou apurado saldo negativo no anocalendário de 2003. Transcrevo, abaixo, as informações contidas no documento de fls. 43. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRED. IR EXTERIOR RET.FONTE PAG. ESTIM.COMP. SOMA PARC CRED PER/DCOMP 2.701.621,11 198.917,00 825.929,81 368.688,61 4.095.156,53 CONFIRMADAS 0,00 179.992,06 825.929,81 68.777,87 1.074.699,74 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 402.857,98 Valor na DIPJ: R$ 402.857,98 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 4.095.156,53 IRPJ devido: R$ 3.692.298,55 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Apreciando Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte decidiu, por meio do acórdão nº. 0227.994, de 04 de agosto de 2010, indeferir os pedidos ali veiculados. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 274 4 O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Ciente da Decisão de primeira instância em 28 de setembro de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 127, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25 de outubro de 2010, conforme registro de recepção de folha 129, por meio do qual sustenta: que “o art. 142 do CTN descreve a competência das autoridades dos Fiscos, não se satisfazendo com as simplórias operações e conclusões consubstanciadas nos tais despachos decisórios eletrônicos, uma vez que estes, pelo menos nos moldes do despacho ora discutido, não substituem a inteligência fiscal e não permitem uma cognição integral dos fatos pertinentes ao objeto da exigência tributária”; que “algumas Delegacias de Julgamento vêm reconhecendo que o cruzamento eletrônico de dados no sentido de liberar os valores pleiteados pode ser um meio auxiliar, mas nunca determinante da imediata recusa do crédito informado pelo contribuinte”; que, nos termos do art. 65 da IN/RFB nº 900, de 2008, a própria Receita Federal reconhece a necessidade de se realizar uma verificação efetiva do crédito pleiteado; que o seu o direito de defesa foi cerceado, ensejando, assim, a nulidade do despacho decisório, conforme expresso pelo inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72; que é pacifico por este Conselho julgador que o lançamento do IRPJ, a partir da Lei 8.383/1991, passou a se amoldar na sistemática de lançamento por homologação, seguindo a regra do artigo 150, § 4° do CTN; que transcorridos mais de cinco anos do fato gerador da obrigação tributária, ou da geração do saldo negativo, tal como se verifica no caso vertente, sem que a autoridade fiscal tenha contestado a regularidade das apurações por ela declaradas, considera se homologada ainda que tacitamente; que a Fiscalização somente poderia questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário; que a contagem do prazo pelo envio da DCOMP não é adequada, seja porque não há sentido na renovação de um prazo de natureza decadencial, seja porque no confronto da lei ordinária com a lei complementar, por força do art. 146 da Constituição Federal, prevalece esta última; que o montante de R$ 2.701.621,11, referente a Imposto de Renda pago no exterior, decorre de serviços prestados à Acindar Indústria Argentina de Aceros S.A., que retém o valor de Imposto de Renda na fonte devido pela ArcelorMittal Sistemas, em razão da renda auferida por esta; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 275 5 que o Imposto de Renda devido no Brasil decorrente da prestação de serviços no exterior gira em torno de R$ 3.178.305,33 e o valor retido pela fonte na Argentina está inserido dentro deste montante; que o valor retido pela fonte pagadora na Argentina foi declarado na DIPJ (ficha 12) como Imposto de Renda Mensal pago por estimativa; que, com o objetivo de impedir a dupla tributação, os acordos internacionais atribuem o poder de tributar a renda ao Estado em cujo território os rendimentos foram produzidos (critério da fonte produtora) ou em cujo território foi obtida a disponibilidade econômica ou jurídica (critério da fonte pagadora), de acordo com a natureza do rendimento considerado, sendo que a classificação desse rendimento deve ser realizada segundo a lei interna do Estado que aplica o tratado, pois, solução diversa implicaria verdadeira introdução de legislação estrangeira no ordenamento jurídico pátrio; que foi promulgada a convenção entre Brasil e Argentina, através do Decreto n° 87.976, de 22/12/1982, aplicado ao imposto de renda, e, de acordo com o artigo 23 do referido Tratado, os rendimentos pagos à empresa brasileira e que tiverem sido tributados na Argentina, poderão ser deduzidos do imposto de renda pago no Brasil (cita, ainda, o art. 395 do RIR/99 e o art. 16 da IN SRF nº 208, de 2002); que, se não houve declaração da retenção em DIRF da fonte pagadora, se esta não indicou o débito em DCTF ou não efetuou o recolhimento efetivo da importância, isso não pode ser oposto à ela, visto que cumpriu todos os requisitos legais para utilização do crédito, não podendo, sequer, ser responsabilizada por tais fatos; que, no presente caso, a Receita Federal entendeu ter havido a retenção do IRRF, mas com uma suposta falta de recolhimento; que, se houve a declaração dos valores nas DIRF's apresentadas pelas fontes pagadoras, é porque houve a retenção, hipótese em que a própria Receita Federal tem entendimento consolidado de que ao contribuinte cabe oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido (Parecer Normativo COSIT nº 01/2002); que admitir que só as compensações homologadas podem compor o crédito é o mesmo que negar ao contribuinte o direito de compensar imediatamente o saldo negativo composto por elas; que aceitar o procedimento do despacho decisório é rasgar o devido processo legal, pois a lei estabelece um modus operandi para cobrança de compensações não homologadas, não podendo, de um lado, não homologar a compensação e cobrar o débito então compensado e, ao mesmo tempo, reduzir o crédito tributário originário desta quitação, pois, agindo dessa forma, o fisco estaria cobrando duas vezes a mesma coisa; que o agente fiscal designado para investigar a apuração do contribuinte no que pertine ao IRPJ está impedido de desconsiderar a compensação promovida para a extinção das estimativas; que, ao que parece, o montante de R$ 299.910,74, declarados na compensação como sendo estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, não foi reconhecido pela Fiscalização; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 276 6 que uma das justificativas para a não homologação da compensação das estimativas referenciadas no item anterior está na suposta insuficiência de crédito de saldo negativo de períodos anteriores, informados na PER/DCOMP 0140.90179.260803.1.3.026942 para compensar débitos de IRPJ de março e maio de 2003; que, não obstante ter demonstrado que todos os valores estão corretos, não havendo motivos para suposta insuficiência de crédito, se tais compensações detinham algum problema, aqui devem ser reconhecidas, sob pena de cobrança em duplicidade; que, como exposto anteriormente, é vedado ao Fisco realizar nova apuração dos saldos negativos de períodos anteriores ao ano de 2003. A Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara, por meio da Resolução nº 1302000.112, de 18 de outubro de 2011, decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse juntada ao presente a decisão administrativa definitiva proferida no processo administrativo nº 10680.904418/200633. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, por meio do despacho de fls. 270, esclareceu que, conforme documentos de fls. 266/267, a contribuinte desistiu do recurso relativo ao processo nº 10680.904418/200633, para fins de inclusão dos débitos correspondentes no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. É o Relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 277 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A controvérsia a ser enfrentada no presente processo diz respeito ao não reconhecimento do crédito indicado para fins de compensação tributária. Conforme Despacho Decisório de fls. 43, apreciados os seus elementos formadores, não restou apurado saldo negativo no anocalendário de 2003, pois: a) o imposto de renda pago no exterior (R$ 2.701.621,11) não foi confirmado; b) o imposto de renda retido na fonte foi reduzido de R$ 198.917,00 para R$ 179.992,06; e c) as estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores foram reduzidas de R$ 368.688,61 para R$ 68.777,87. Na Declaração de Informações relativa ao anocalendário de 2003 (DIPJ/2004), a contribuinte informou: IMPOSTO DEVIDO (INCLUSIVE ADICIONAL) R$ 3.692.298,55 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR R$ 285.121,54 IMPOSTO NA FONTE R$ 117.736,44 ESTIMATIVA R$ 3.692.298,55 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR R$ 402.857,98 Analiso, pois, as alegações trazidas em sede de recurso voluntário. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Sustenta a Recorrente que os tais “despacho decisórios eletrônicos” não substituem a inteligência fiscal e não permitem uma cognição integral dos fatos pertinentes ao objeto da exigência tributária. Alega que o seu direito de defesa foi cerceado, eis que não foram declinados os motivos que levaram a autoridade administrativa a desconsiderar o seu crédito. Não merece acolhida a preliminar argüida. Ainda que se possa identificar, em algumas situações, a ocorrência de impropriedades na denominada emissão “eletrônica” de despachos decisórios, penso que, no caso vertente, não existe mácula capaz de contaminar de nulidade o feito administrativo. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 278 8 Com efeito, além de preencher todos os requisitos formais exigidos pela legislação de regência, o Despacho Decisório traz, no quadro relativo à FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL, descrição detalhada da análise empreendida, apontando, de forma clara, os elementos formadores do crédito pleiteado que foram declarados e os que foram confirmados. Tal consideração, ressaltese, é confirmada pela própria defesa apresentada pela Recorrente, que descreve sem qualquer dificuldade as glosas refletidas no ato decisório. Afasto, pois, a preliminar argüida. PRECLUSÃO DO DIREITO DO FISCO EM REAPURAR AS BASES DE CÁLCULO DE IRPJ DE 2004 Sustenta a Recorrente que, tal qual a homologação tácita do pagamento antecipado do crédito tributário, os resultados registrados em sua declaração tornamse imutáveis com o decurso do prazo decadencial para lançamento do tributo. Cuidam os autos de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, em que, com o intuito de verificar o cumprimento de condição estabelecida pela lei, foram efetuadas verificações no sentido de aferir a liquidez e certeza do crédito indicado para o encontro de contas. A análise da legislação que disciplina o instituto da compensação no âmbito tributário conduz a conclusões que demonstram de forma inequívoca que não se pode aplicar, como pretende a Recorrente, as normas relativas à constituição do crédito tributário ao instituto da compensação, senão vejamos: 1. o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a matéria, estabeleceu (art. 170, caput): a) que compete à lei autorizar a compensação; b) que a lei pode atribuir à autoridade administrativa poderes para estipular condições e garantias para que a compensação seja deferida; c) que a compensação de débitos do contribuinte envolve, necessariamente, créditos líquidos e certos desse mesmo sujeito passivo contra a Fazenda Pública; 2. a Receita Federal está autorizada pela lei a expedir instruções necessárias à efetivação da compensação (Lei nº 8.383/91, art. 66, parágrafo 4º); 3. a compensação submetese a procedimento homologatório, ainda que pela via tácita (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 2º e 5º); 4. o procedimento de homologação da compensação se submete a prazo, e o início de sua contagem se dá a partir do momento em que a compensação é requerida nos termos e condições estabelecidos pela lei (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 5º); 5. a não homologação da compensação pleiteada faculta ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade e eventual recurso, nos exatos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 9º, 10 e 11); 6. a manifestação de inconformidade e o recurso eventualmente apresentados suspendem a exigibilidade do débito tido como indevidamente compensado nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 11, in fine); Fl. 211DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 279 9 A legislação referenciada deixa fora de dúvida de que à COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA são aplicadas normas especiais no que tange à competência para a apreciação dos pedidos correspondentes, à necessária homologação dos citados pedidos, ao prazo para a efetivação da homologação e ao rito processual aplicável à matéria. Aceitar a tese esposada pela Recorrente significaria, em última análise, afastar, por desnecessária, a norma estampada no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, vez que ao procedimento homologatório, segundo tal entendimento, deveria ser aplicada a regra do parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Obviamente, tal entendimento não encontra ressonância na legislação de regência, eis que, como já disse, o instituto da compensação é regido por um conjunto próprio de normas, e, no que diz respeito a prazo para homologação, a regra não pode ser outra senão a prevista no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Recepcionada sob outra ótica, poderseia afirmar que o entendimento sob apreciação não afastaria, necessariamente, a aplicação do prazo previsto no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que este seria aplicável à homologação da compensação e o previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN deveria ser observado na aferição da liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas. A meu ver, tal raciocínio revelase, da mesma forma, absolutamente equivocado, eis que não se pode admitir homologação de compensação sem que a certeza e liquidez dos créditos sejam aferidas, pois, do contrário, estarseá deixando de observar requisito imposto pela norma de regência (caput do art. 170 do Código Tributário Nacional). Em síntese: a homologação da compensação pleiteada pelo contribuinte está representada, em essência, pela verificação da certeza e liquidez dos créditos indicados no pedido. Rejeito, assim, os argumentos da Recorrente no tocante ao presente item. COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR Argumenta a Recorrente que, de acordo com o art. 23 da Convenção entre o Brasil e a Argentina (Decreto nº 87.976, de 1982), os rendimentos pagos à empresa brasileira e que tiverem sido tributados na Argentina poderão ser deduzidos do imposto de renda pago no Brasil. Faz referência, ainda, as disposições do art. 395 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99) e do parágrafo 1º do art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 208, de 2002. Por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, a contribuinte carreou aos autos documentos denominados SI.CO.RE. – Sistema de Control de Retenciones (fls. 83/95), que, para ela, confirmam o pagamento do imposto no exterior. A autoridade julgadora de primeira instância, ao decidir pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, o fez com base nos seguintes argumentos: i) atendidos os requisitos previstos na legislação de regência, o imposto de renda pago no exterior é dedutível do imposto de renda apurado no Brasil, contudo, tal dedução está limitada ao imposto apurado no Brasil, inexistindo qualquer hipótese de restituição (e consequentemente compensação), no Brasil, de imposto pago no exterior; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 280 10 ii) ainda que os documentos apresentados pela contribuinte comprovassem a retenção do imposto no exterior (o que não seria o caso), estes jamais poderiam dar origem ao saldo negativo utilizado na DCOMP em litígio, sendo, na melhor das hipóteses, passível de ser deduzido do imposto de renda apurado no período; iii) os documentos apresentados pela contribuinte não atendem ao determinado no § 2° do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995 (reconhecimento pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira do documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior); e iv) não foram apresentados documentos comprobatórios do oferecimento das receitas correspondentes à tributação. Destaco que em relação a tais argumentos a contribuinte não trouxe, na sua peça de recurso, qualquer alegação. Limitouse a sustentar a possibilidade de aproveitamento do imposto pago no exterior, juntando, como elemento adicional ao que foi por ela aportado por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, um Balanço Patrimonial do Grupo Arcelor Brasil e uma Demonstração do Resultado do Exercício, sem qualquer assinatura e sem indicação da correspondente fonte contábil. Não identifico, pois, na peça recursal, esforço argumentativo de qualquer natureza capaz de remover os óbices apontados na decisão recorrida, que, a meu ver, encontram ressonância na legislação de regência. De fato, a contribuinte, além de não trazer ao processo documentação comprobatória do pagamento no exterior na forma exigida pela legislação, não reuniu elementos capazes de demonstrar a efetiva prestação direta dos serviços; a tributação das supostas receitas; e o atendimento, para fins de compensação do imposto pago no exterior, ao limite estabelecido pela legislação. Sou, pois, pela manutenção da glosa do imposto pago no exterior. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE Alega a Recorrente que, se não houve declaração da retenção em DIRF da fonte pagadora, se esta não indicou o débito em DCTF ou não efetuou o recolhimento da importância, isso não pode ser oposto à ela, pois cumpriu todos os requisitos legais para utilização do crédito e não pode sequer ser responsabilizada. Diz que, no caso, a Receita Federal entendeu ter havido a retenção do imposto, mas com uma suposta falta de recolhimento. Adita que, se houve a declaração dos valores nas DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, é porque houve a retenção. Equivocase a Recorrente quando afirma que, aqui, tratase de imposto cuja retenção restou comprovada, mas não o seu recolhimento. Como bem destacou a decisão recorrida, “O contribuinte informou um IRRF no importe de R$ 198.917,00. A DRF confirmou a retenção no importe de R$ 179.992,06, considerando as informações extraídas das DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras.” (GRIFEI) Vêse, pois, que as retenções devidamente comprovadas por meio de DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras foram consideradas. O imposto glosado resulta exatamente da diferença entre o que foi declarado e os que tiveram sua retenção comprovada. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 281 11 O próprio fragmento da decisão de primeira instância reproduzido na peça de defesa confirma o equívoco da Recorrente, senão vejamos: “Em síntese, não comprovada a retenção do imposto e o oferecimento das receitas correspondentes a tributação, não há como validar o IRF pleiteado pelo contribuinte.” Nesse diapasão, o que se extrai dos autos é que a autoridade administrativa competente, a partir da ausência da apresentação, por parte da contribuinte, dos comprovantes de retenção exigidos pela lei (art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985), tomou por base, para fins de determinação do montante passível de restituição, informações prestadas pelas fontes pagadoras. Podese dizer, inclusive, que, ao agir dessa forma, colaborou a Administração no sentido de buscar a verdade dos fatos, vez que, se ela tivesse feito uma leitura estreita da norma de regência acima referenciada, simplesmente indeferiria o pleito da Recorrente, pois, tratandose de aproveitamento de imposto pago por antecipação, a exigência legal é dirigida no sentido de que o contribuinte apresente os comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras. Portanto, a parcela de imposto tido como retido na fonte que não foi admitida pela autoridade administrativa está representada por valores para os quais inexiste comprovação da efetiva retenção, motivo pelo qual a glosa deve ser mantida. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES Argumenta a Recorrente que admitir que só as compensações homologadas podem compor o crédito é o mesmo que negar ao contribuinte o direito de compensar imediatamente o saldo negativo composto por elas. Diz que, aceitar o procedimento do despacho decisório, é rasgar o devido processo legal, pois a lei estabelece um modus operandi para cobrança de compensações não homologadas, não podendo, de um lado, não homologar a compensação e cobrar o débito então compensado e, ao mesmo tempo, reduzir o crédito tributário originário desta quitação (para ela, agindo dessa forma, o Fisco estaria cobrando duas vezes a mesma coisa). Com a devida permissão, não merece acolhimento a argumentação expendida pela ora Recorrente. À evidência, nada impede que o contribuinte pleiteie compensação indicando crédito em que, na sua formação, foram utilizados valores que, por sua vez, foram objeto de compensação com créditos relativos a períodos anteriores. Resta óbvio, entretanto, que a autoridade administrativa, ao apreciar o pedido de compensação, deve debruçarse sobre todos os elementos que formam o crédito apontado para o encontro de contas. O ideal, inclusive, é que, na hipótese da existência de débitos compensados que constituem parcela do crédito indicado para compensação, a análise seja feita de forma conjunta. A providência acima descrita representa tão simplesmente o cumprimento de condição estampada na norma autorizadora do procedimento, qual seja, a prevista no caput do art. 170 do Código Tributário Nacional, que impõe que os créditos cuja compensação a lei pode autorizar devem ser líquidos e certos. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10680.940863/200918 Acórdão n.º 1301001.102 S1C3T1 Fl. 282 12 No caso vertente, a contribuinte indicou crédito (saldo negativo do ano calendário de 2003) em que, na sua formação, foram consideradas estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. O montante glosado (R$ 299.910,74), derivou da constatação da não homologação da compensação pleiteada (estimativas com saldo negativo de períodos anteriores). Dando efetividade ao entendimento de que, no caso em que o crédito apontado para o encontro de contas é formado por valores que também foram objeto de compensação, o julgamento, se não for realizado de forma conjunta, deve levar em conta a eventual decisão administrativa final acerca da referida compensação, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse juntada ao presente a decisão administrativa definitiva proferida no processo administrativo nº 10680.904418/200633, feito que tratou da compensação das estimativas questionadas no presente processo. Conforme despacho de fls. 270, a Recorrente desistiu de discutir administrativamente a homologação parcial objeto do citado processo administrativo nº 10680.904418/200633 (fls. 267/268), aderindo ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. O parcelamento de débito, muito embora represente forma (indireta) de extinção do crédito tributário, não confere ao crédito que dele possa decorrer a liquidez e certeza exigidas pela lei autorizadora da compensação tributária. Aqui, não se trata de duplicidade de exigência, como quer crer a Recorrente, mas, sim, de observância de critério eleito pela lei (liquidez e certeza do crédito), impeditivo de que se possa promover a compensação por meio de valores que não foram extintos ou, como é o caso, cuja extinção se supõe iniciada mas não foi concluída. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10314.001670/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO INEXISTENTE.
Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3101-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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CONTRADIÇÃO INEXISTENTE. Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 19/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 16 70 /2 00 8- 29 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Reportome ao relato de fls. 579 e seguintes, adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou no acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007 REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias (DecretoLei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142). IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NORMA PROCEDIMENTAL. Quando a mercadoria é descrita de forma semelhante, pelo mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumilas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que esse deve balizarse segundo a norma procedimental de regência. Por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007. LAUDOS TÉCNICOS. Os laudos que serviram de base para a auditoriafiscal proceder à reclassificação fiscal cingemse a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificálas, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores dos autos de infração, pois não induzem à nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias importadas pela recorrente. SOLUÇÕES DE CONSULTA E JURISPRUDÊNCIA. Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, Fl. 656DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.296 S3C1T1 Fl. 3 3 função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes. PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS. Os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal; para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos. MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Uma vez que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações. Em 18/10/2012, foram opostos embargos declaratórios, fls. 628 e seguintes, tempestivos, pela supramencionada embargante, alegando haver contradição no acórdão que merece ser sanado. A contradição adviria de que o relator teria asseverado que o laudo técnico é fundamental para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados, e ao final fundamentou a multa de controle aduaneiro na incorreta classificação fiscal das mercadorias. O pedido é para que seja cancelada a multa do controle administrativo das importações, com esteio no ADN COSIT nº 12/97, e que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos patronos da causa. Ato seguido, são encaminhados os embargos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É o Relatório. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merecem ser apreciados. Impõese registrar, in limine, que o fundamento para a manutenção da multa do controle administrativo das importações não é apenas a classificação fiscal incorreta, e sim a conjugação disso com a descrição falha das mercadorias, sem todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, como se pode ver do Anexo III do auto de infração, fls. 321 e seguintes, o que impossibilita a aplicação do ADN COSIT nº 12/97 ao caso destes autos. E mais, a contradição apontada não existe também porque é de total coerência afirmar que o laudo técnico é necessários para dizer a função dos componentes adicionados às vitaminas, para fins de obtenção da classificação fiscal correta; e num segundo momento dizer que a classificação fiscal foi dificultada porque a descrição das mercadorias não continha todos os componentes adicionados às vitaminas. Ultimando, o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos patronos da causa também não merece acolhimento, uma vez que na legislação que rege o processo administrativo fiscal as intimações devem ser feitas no domicílio tributário do sujeito passivo. Nessa moldura, voto por DESPROVER os embargos declaratórios. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 658DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.296 S3C1T1 Fl. 4 5 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10580.728727/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO- Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 87 27 /2 00 9- 71 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra o contribuinte acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração de empregados, contribuição a cargo da empresa e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 47 a 58, as contribuições ora lançadas incidem sobre os valores das bolsas de estudos concedidas aos filhos dos segurados empregados e dirigentes da empresa. Ainda de acordo com o relatório, as bases de cálculo foram obtidas através da relação nominal dos alunos que recebiam bolsas e estão anexadas nas planilhas de fls. 59/62. Inconformada com a decisão de fls. 171/180, a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese; Que bolsa de estudos paga aos dependentes dos trabalhadores não representa ganho econômico ao empregado e, ainda que assim o fosse, não seriam eles habituais, o que impede a concretização da regra matriz de incidência tributária; Defende que os valores lançados não representam ganhos financeiros para os empregados, mas, sim, para o Estado, a quem a Constituição Federal impôs o dever de prover ensino infantil e fundamental a todos os cidadãos; Afirma que a Consolidação das Leis do Trabalho CLT dispõe expressamente que a educação concedida sob a forma de matrícula, mensalidade, material didático , em estabelecimento próprio ou de terceiro, não deve ser considerada como salário. É o que se depreende da leitura do já citado artigo 458 da CLT, segundo o qual não será considerada como salário a seguinte utilidade concedidas pelo empregador: (...) "educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático". Que a isenção prevista no artigo 28, §9°, "t" da Lei 8.212/91 abarca também os supostos ganhos obtidos com bolsas de estudo concedidas a dependentes dos empregados das pessoas jurídicas. No que se refere à interpretação literal das normas isentivas, impendese esclarecer o real significado da expressão "interpretase literalmente" contida no artigo 111 do CTN. Interpretar uma norma de forma literal não significa restringir a interpretação, mas sim interpretar com liberdade sem violar o comando da norma, de forma capaz de garantir a finalidade à qual a norma se propõe dentro do ordenamento jurídico em que foi e em que se encontra inserida. Entende que o artigo 28, § 9º da Lei no 8.212/91, retira da prestação educacional concedida pelo empregador qualquer natureza salarial e, levando em consideração a natureza assistencial da prestação de ensino concedida pela Recorrente, no lugar do Estado, não há como se caracterizar a educação dos dependentes de professores e empregados como salário indireto, mesmo porque a utilidade concedida não objetivou remunerálos, efetivamente, pois o valor da bolsa não é deduzido do salário. Cita doutrina e jurisprudência para defender este entendimento. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728727/200971 Acórdão n.º 2401002.523 S2C4T1 Fl. 228 3 Requer o acolhimento do recurso para reformar a decisão de primeira instância ante patente não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estudos concedidas aos dependentes dos empregados, por não representarem ganhos, não serem habituais e por estarem abarcadas pela isenção prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8212/91. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que, em regra geral, as bolsas de estudo fornecidas pelas empresas aos dependentes de seus empregados e dirigentes, não sofrem incidência de contribuição previdenciária. Porém, esta não é uma regra absoluta, devese atentar a cada caso concreto antes de se chegar a esta conclusão. Pelo que se depreende da planilha de fls 59/62 todas as bolsas de estudo que foram oferecidas aos filhos e dependentes dos empregados. Conforme se depreende do art.214,.§ 9º, inciso XIX: §9º Não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) XIXo valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Do mencionado artigo temos que as verbas que não sofrem incidência de contribuições são aquelas relativas aos valores pagos à título de bolsas, somente aos empregados e dirigentes, não sendo extensivas aos dependentes destes. Sobre este assunto, o Superior Tribunal de Justiça, em vários julgados entendeu pela não incidência de contribuições previdenciárias tão somente no que tange aos valores pagos aos empregados, sem mencionar os dependentes, senão vejamos: RECURSO ESPECIAL Nº 784.887 SC (2005/01618537) RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : MANOEL FELIPE REGO BRANDAO E OUTROS RECORRIDO : COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CAMPOS NOVOS LTDA COPERCAMPOS ADVOGADO : ADEMAR SILVA DOS SANTOS E OUTRO EMENTA TRIBUTÁRIO. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas aos empregados não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária (REsp 231.739/SC, Min. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728727/200971 Acórdão n.º 2401002.523 S2C4T1 Fl. 229 5 João Otávio de Noronha, 2ª Turma, DJ 12.09.2005; REsp 676.627/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ 09.05.2005, REsp 324178/PR, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 2. Recurso especial a que se nega provimento E ainda; RECURSO ESPECIAL Nº 676.627 PR (2004/01092736) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : CIMENTO RIO BRANCO S/A ADVOGADO : JOSÉ CARLOS BUSATTO E OUTRO RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : ADILSON LUIZ BOHATCZUK E OUTROS EMENTA PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VERBAS CREDITADAS A TÍTULO DE AUXÍLIO EDUCAÇÃO E AUXÍLIO MATRIMÔNIO. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, o auxílioeducação é pago pela empresa em forma de reembolso das mensalidades da faculdade, cursos de línguas e outros do gênero, destinados ao aperfeiçoamento dos seus empregados. Precedentes: REsp 324178/PR, 1ª T., Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª T., Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª T., Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002. 3. O auxílio matrimônio, fornecido uma única vez ao empregado, por ocasião de suas primeiras núpcias, não integra o saláriode contribuição, porquanto ausente a habitualidade do seu pagamento. 4. Recurso Especial provido. Desta forma, ainda que a recorrente apele para o caráter social do fato gerador em comento, a legislação e a jurisprudência não tem corroborado com tal entendimento. Logo, temos que a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de bolsa de estudo, devem cumprir outros requisitos, em especial, o de ser expressamente desvinculado do salário e concedido ao empregado ou dirigente. Ao realizar o pagamento das referidas bolsas, a recorrente não observou o preceito legal de que tais verbas deveriam ser pagas aos empregados e dirigentes, para o Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 aprimoramento, capacitação e qualificação dos profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não aos dependentes destes. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10580.728730/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
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Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO- Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 87 30 /2 00 9- 95 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra o contribuinte acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração de empregados, destinadas a Terceiros (Salário Educação, SEBRAE, INCRA e SESC). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 40 a 485, as contribuições ora lançadas incidem sobre os valores das bolsas de estudos concedidas aos filhos dos segurados empregados e dirigentes da empresa. Ainda de acordo com o relatório, as bases de cálculo foram obtidas através da relação nominal dos alunos que recebiam bolsas e estão anexadas nas planilhas de fls. 49/52. Inconformada com a decisão de fls. 155/165, a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese; Que bolsa de estudos paga aos dependentes dos trabalhadores não representa ganho econômico ao empregado e, ainda que assim o fosse, não seriam eles habituais, o que impede a concretização da regra matriz de incidência tributária; Defende que os valores lançados não representam ganhos financeiros para os empregados, mas, sim, para o Estado, a quem a Constituição Federal impôs o dever de prover ensino infantil e fundamental a todos os cidadãos; Afirma que a Consolidação das Leis do Trabalho CLT dispõe expressamente que a educação concedida sob a forma de matrícula, mensalidade, material didático , em estabelecimento próprio ou de terceiro, não deve ser considerada como salário. É o que se depreende da leitura do já citado artigo 458 da CLT, segundo o qual não será considerada como salário a seguinte utilidade concedidas pelo empregador: (...) "educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático". Que a isenção prevista no artigo 28, §9°, "t" da Lei 8.212/91 abarca também os supostos ganhos obtidos com bolsas de estudo concedidas a dependentes dos empregados das pessoas jurídicas. No que se refere à interpretação literal das normas isentivas, impendese esclarecer o real significado da expressão "interpretase literalmente" contida no artigo 111 do CTN. Interpretar uma norma de forma literal não significa restringir a interpretação, mas sim interpretar com liberdade sem violar o comando da norma, de forma capaz de garantir a finalidade à qual a norma se propõe dentro do ordenamento jurídico em que foi e em que se encontra inserida. Entende que o artigo 28, § 9º da Lei no 8.212/91, retira da prestação educacional concedida pelo empregador qualquer natureza salarial e, levando em consideração a natureza assistencial da prestação de ensino concedida pela Recorrente, no lugar do Estado, não há como se caracterizar a educação dos dependentes de professores e empregados como salário indireto, mesmo porque a utilidade concedida não objetivou remunerálos, efetivamente, pois o valor da bolsa não é deduzido do salário. Cita doutrina e jurisprudência para defender este entendimento. Requer o acolhimento do recurso para reformar a decisão de primeira instância ante patente não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas de Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728730/200995 Acórdão n.º 2401002.525 S2C4T1 Fl. 211 3 estudos concedidas aos dependentes dos empregados, por não representarem ganhos, não serem habituais e por estarem abarcadas pela isenção prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8212/91. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que, em regra geral, as bolsas de estudo fornecidas pelas empresas aos dependentes de seus empregados e dirigentes, não sofrem incidência de contribuição previdenciária. Porém, esta não é uma regra absoluta, devese atentar a cada caso concreto antes de se chegar a esta conclusão. Pelo que se depreende da planilha de fls 49/52 todas as bolsas de estudo que compõem o lançamento, foram oferecidas aos filhos e dependentes dos empregados. Conforme se depreende do art.214,.§ 9º, inciso XIX: §9º Não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) XIXo valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Do mencionado artigo temos que as verbas que não sofrem incidência de contribuições são aquelas relativas aos valores pagos à título de bolsas, somente aos empregados e dirigentes, não sendo extensivas aos dependentes destes. Sobre este assunto, o Superior Tribunal de Justiça, em vários julgados entendeu pela não incidência de contribuições previdenciárias tão somente no que tange aos valores pagos aos empregados, sem mencionar os dependentes, senão vejamos: RECURSO ESPECIAL Nº 784.887 SC (2005/01618537) RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : MANOEL FELIPE REGO BRANDAO E OUTROS RECORRIDO : COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CAMPOS NOVOS LTDA COPERCAMPOS ADVOGADO : ADEMAR SILVA DOS SANTOS E OUTRO EMENTA TRIBUTÁRIO. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas aos empregados não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária (REsp 231.739/SC, Min. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728730/200995 Acórdão n.º 2401002.525 S2C4T1 Fl. 212 5 João Otávio de Noronha, 2ª Turma, DJ 12.09.2005; REsp 676.627/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ 09.05.2005, REsp 324178/PR, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 2. Recurso especial a que se nega provimento E ainda; RECURSO ESPECIAL Nº 676.627 PR (2004/01092736) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : CIMENTO RIO BRANCO S/A ADVOGADO : JOSÉ CARLOS BUSATTO E OUTRO RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : ADILSON LUIZ BOHATCZUK E OUTROS EMENTA PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VERBAS CREDITADAS A TÍTULO DE AUXÍLIO EDUCAÇÃO E AUXÍLIO MATRIMÔNIO. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, o auxílioeducação é pago pela empresa em forma de reembolso das mensalidades da faculdade, cursos de línguas e outros do gênero, destinados ao aperfeiçoamento dos seus empregados. Precedentes: REsp 324178/PR, 1ª T., Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª T., Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª T., Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002. 3. O auxílio matrimônio, fornecido uma única vez ao empregado, por ocasião de suas primeiras núpcias, não integra o saláriode contribuição, porquanto ausente a habitualidade do seu pagamento. 4. Recurso Especial provido. Desta forma, ainda que a recorrente apele para o caráter social do fato gerador em comento, a legislação e a jurisprudência não tem corroborado com tal entendimento. Logo, temos que a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de bolsa de estudo, devem cumprir outros requisitos, em especial, o de ser expressamente desvinculado do salário e concedido ao empregado ou dirigente. Ao realizar o pagamento das referidas bolsas, a recorrente não observou o preceito legal de que tais verbas deveriam ser pagas aos empregados e dirigentes, para o Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 aprimoramento, capacitação e qualificação dos profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não aos dependentes destes. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13890.000119/95-91
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
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O. Efr C MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N. o 13.841-000.087/87-07 JAN 24 de agosto 88 202-01.951 Sessão de de 19 ACORDAO NY Recurso 79.730 Recorrente COMCAFEX-COMERCIO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA. Recorrida DRF EM CAMPINAS-SP PIS/PIS17KRIRANENTO - Omissão de receita operacional e omissão de faturamento, sendo tributada pelo PIS- recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por COMCAFEX-COMERCIO E EXPORTAÇÃO DE CAF LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de agosto de 1988 /line JOSE !. ..S D . FONSECA - PRESIDENTE E RELATOR (O:2 — OLEG . RIO Li .DOS ANJOS - PROCURAEOR-REPRESENTANTE DA FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO DE 2 5 NOV 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OSVAL- DO TANCREDO DE OLIVEIRA, MARIA HELENA JAIME, ELIO ROTHE, ERNESTO FRE DERICO ROLLER (Suplente), ALDE DA COSTA SANTOS JUNIOR,JOSE LOPES FERNANDES e SEBASTIÃO BORGES TAQUARY.44 CZ MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.°13.841-000.087/87-07 Recurso 11.°: 79.730 Acordao 11.0: 202-01.951 Recorrente: COMCAFEX-COMERCIO E EXPORTAÇÃO DE CAFE RELATÓRIO Autuada pela fiscalização, no tocante "à Contribuição pa- ra o Programa de Integração Social - PIS-FATURAMENTO, em decorrência da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pela omissão de receitas operacionais, o contribuinte, em epígrafe, apresentou, tem- pestivamente, sua impugnação. Alega que o presente auto g decorrente do processo-ma- triz de n 9 13.841-000.084/87, - 19, mantendo,para este, todos os ar-- gumentos esposados naquela p ec;a. original. A autoridade de primeira instância julgou procedente a ação fiscal ,considerando: - que a atividade administrativa do lançamento é vincula da e obrigatOria, sob pena de res p onsabilidade funcional, consoante o parãgrafo único do art. 142 do CTN; - que o processo n 9 13,841,000.084/87-19, originado de ação fiscal na autuada, relativo ao Imposto de Renda - Pessoa Jurldi ca, foi julgado procedente nesta instância, conforme decisão de n9 479/87 (fls. 07/08); - que a omissão de receitas,caracterizada pela existên- cia na escrituração de saldos credores de caixa, apurada na fiscali- zação do Imposto de Renda, configura-se como omissão de faturamento, para fins de apuração da contribuição do PIS-FATURAMENTO; 10'4 Segue- 2- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n 9 13.841-000,087/87-07 AcOrdão n 9 202-01.951 - que a respeito,dispOem o artigo 3 9 da Lei Complementar n 9 7/70 e a Resolução Bacen n 9 174/71; - tudo mais que do processo consta. Tempestivamente, recorre a este Colegiado, informandoque se trata de um processo baseado em uma autuação referente ao Imposto de Renda-Pessoa Jurídica, julgado procedente pela autoridade de pri- meira instância, porém recorrido ao Primeiro Conselho de Contribuin- tes. Anexa cõpia do Recurso dirigida àquele Conselho. A seguir, transcreve-se parte do voto do Relator no urro- cesso-matriz, no primeiro Conselho de Contribuintes, que sintetizaos argumentos do contribuinte e a contra-argumentação do julgador. "Em seu recurso, a empresa assevera que os recursos supridos foram obtidos mediante empr g stimos bancários to nados diretamente pelos sõcios junto ã rede bancária. — Em tese, o fato alegado pela requerente, se veiftla- deiro, poderia obstar a validade da exigôncia fiscal. En tretanto, para que fosse elidida a presunção legal ense- jada pela existência de suprimentos de caixa sem provada origem e da efetiva entrega dos recursos, necessário se- ria a apresentação de provas do alegado. Como g cediço, alegar e não provar g não alegar. Assim, a contribuinte pecou por não apresentar pro- vas do que foi por ela afirmado, não obstante tenha tidd vãrias oportunidades para fazê-lo. 7k parte incumbe fazer prova de suas alegações. Não se olvide que, em casos como o que trata o pre- sente processo, a lei estabelece presunçao a favor da Fa zenda, no sentido de que há omissão de receitas quando -o- contribuinte, instado a tanto, não conseguir demonStxar a origem e efetiva entrega de numerários supridos ( att. 181 do RIR/80)". o relatõrio, /1% segue- . , 3- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n 9 13.841-000,087/87-07 Accirdão n 9 202-01.951 VOTO DO CONSELHEIRO-REATOR JOS g ALVES DA FONSECA Trata-se de Processo de tributação reflexa que já foi examinado pelo 1 2 Conselho de Contribuintes. Embora aquele julga- mento seja usado subsidiariamente para ajudar a formar juizo para a decisão neste processo de PIS, não há como divergir daquela decisão, uma vez que o contribuinte não rapresentou provas capazes de compro var aquilo que havia afirmado em seu recurso. Face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das SessEes, em 24 de agosto de 1988 JOSg ALVES DA FONSECA
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