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Numero do processo: 13866.000093/2005-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ADUBOS E DEFENSIVOS AGRÍCOLAS. POSSIBILIDADE.
As despesas com a compra de adubos e defensivos agrícolas geram direito ao crédito de PIS, em face da imprescindibilidade para o processo produtivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator ad hoc, em face da aposentadoria da relatora original. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), que negavam provimento.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO - Relatora.
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Redator ad hoc.
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ADUBOS E DEFENSIVOS AGRÍCOLAS. POSSIBILIDADE. As despesas com a compra de adubos e defensivos agrícolas geram direito ao crédito de PIS, em face da imprescindibilidade para o processo produtivo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator ad hoc, em face da aposentadoria da relatora original. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), que negavam provimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Relatora. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES – Redator ad hoc. EDITADO EM: 28/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 00 93 /2 00 5- 57 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instancia: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), à fl. 1, cujo crédito provém do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não cumulativa, referente aos meses de setembro e outubro de 2003, no valor de R$ 142.105,64. A DRF/São José do Rio Preto, por meio do despacho decisório de fls. 129/133, homologou parcialmente a compensação, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 130.329,03. A homologação parcial da compensação foi devido, em parte, à glosa de valores de créditos da contribuição, relativos adubos e defensivos agrícolas, que a autoridade a quo entendeu que seriam insumos que não exerceriam ação diretamente sobre o produto em elaboração, o que contraria o disposto nas Instruções Normativas (IN) SRF nos 358, de 2003, e 404, de 2004. Também foi glosada parte dos créditos do estoque de abertura, referente ao mês, relativa aos itens “fertilizantes e defensivos” e “safra fundada – cultivo”, por não se enquadrarem na definição de insumo nem darem direito a créditos no regime não cumulativo. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 142 a 156, alegando, em resumo, que a decisão combatida teria como fulcro a legislação aplicável ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no caso o PN CST no 65, de 1979, no entanto ela possui uma solução de consulta em seu nome onde ficou consignado que o conceito de insumo para as contribuições sociais é completamente diverso daquele previsto para o IPI, conforme trecho que transcreve. Assim, a presente glosa padeceria de ilegalidade, porquanto vai de encontro à solução de consulta, que seria de cumprimento obrigatório sobre o caso consultado. Argumenta ainda que os adubos e fertilizantes são insumos indispensáveis para a fabricação do açúcar e, conforme seu entendimento, para dar direito ao crédito bastaria demonstrar que o produto é insumo, sendo desnecessário que integre ou tenha contato físico com o produto final, pois esse conceito seria do IPI, transcrevendo parte de solução de consulta, dirigida a empresas agropecuárias, que teria entendimento nesse sentido. Conclui assim, que não seria lógico que os produtores de cana deaçúcar tenham o direito de deduzir esses créditos e não Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13866.000093/200557 Acórdão n.º 3201000.854 S3C2T1 Fl. 274 3 assegurar às empresas agroindustriais o mesmo direito, trazendo ainda outra solução de consulta que lhe daria guarida. Por fim, requer a realização de perícia para se comprovar o direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ver respondidos à fl.154. Como a contribuinte apresentou novo demonstrativo das compensações, a fls. 165 a 168, onde demonstra nova distribuição dos débitos devido a erros contidos nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e DComp anteriormente apresentadas, o despacho decisório foi revisto de ofício, conforme decisão de fls. 189 a 194, onde foi mantida a glosa, excluída do valor do crédito a parcela descontada da contribuição do mês e refeitas as alocações dos débitos compensados. Ciente do novo despacho, a contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade, fls. 208 a 218, onde, em resumo, alega que, como foi glosado um valor maior do crédito, tratarseia de revisão de lançamento tributário com objetivo de aumentar o crédito tributário. Argumenta que não houve fato novo, pois a fiscalização procedeu à nova glosa dos créditos do PIS sobre o mesmo fato, mas utilizando novos critérios jurídicos com o claro propósito de majorar tributos. Assim, tratase de erro de direito e sua revisão contraria súmula e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), os quais transcreve. Argúi que, após a homologação da compensação, não pode a autoridade administrativa rever seu ato para aumentar o crédito tributário, pois se trata de um lançamento de ofício, assim somente se houvesse um fato novo que não foi objeto do lançamento este poderia ser modificado, conforme previsão do art. 149, VIII, do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, requer a desconstituição do pretenso crédito tributário uma vez que a compensação já havia sido homologada, após análise dos mesmos fatos, com acolhimento de um crédito de maior valor. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu o pedido da contribuinte, conforme Decisão DRJ/RPO n.º 32.080, de 13/01/2011, assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito ao crédito do PIS, no regime de incidência nãocumulativa, se aplicados diretamente no bem produzido e consumidos/alterados Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 no processo produtivo e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Possível a revisão de ofício de despacho decisório de homologação de compensação desde que anterior ao decurso do prazo de homologação tácita da compensação. Manifestação de inconformidade improcedente. Intimado o contribuinte da decisão, apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese no recurso voluntário o direito ao crédito de PIS sobre a compra de adubos e defensivos agrícolas. Inicialmente, deixo de analisar as preliminares levantadas, em face da previsão constante no §3º do art. 59 do PAF. Uma análise fria da letra da lei quanto à não cumulatividade do PIS e da COFINS nos permite amplas discussões sobre o real alcance do direito ao creditamento daquelas parcelas na sistemática não cumulativa. Alguns entendem que o conceito de insumo deva ser equiparada às despesas necessárias (operacionais) utilizadas para fins de Imposto de Renda; outros, deve ser somente aqueles bens consumidos no processo produtivo, como o IPI, com ênfase para o Parecer Normativo CST nº 65 de 1979. Entretanto, a jurisprudência e a doutrina estão caminhando para um meio termo, qual seja, utilizando o conceito de insumos frente ao grau de dependência que as despesas em questão guardam com o processo produtivo da Recorrente, a fim de avaliar se a glosa mantida pela decisão recorrida deve prosperar. Em outras palavras, as glosas deverão ser revistas sempre que a seguinte pergunta for respondida negativamente: o serviço poderia ser prestado sem que essa despesa fosse incorrida? Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13866.000093/200557 Acórdão n.º 3201000.854 S3C2T1 Fl. 275 5 Se o grau de dependência é tão grande que a ausência dessa despesa inviabiliza a própria prestação de serviços, tal despesa seguramente deve ensejar o direito ao crédito, ainda que o critério adotado pela autoridade julgadora não seja plenamente atendido. Assim, não há como afastar a imprescindibilidade das compras de adubo e defensivos agrícolas, utilizados justamente para permitir que a cana de açúcar possa crescer e ser colhida. Desta feita, o direito ao crédito deve ser deferido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para confirmar o direito ao crédito nas compras de adubo e defensivos agrícolas, prejudicados aos demais argumentos. Sala de sessões, 25 de janeiro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721760/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2009
DIFERENÇAS APURADAS EM RELAÇÃO AOS VALORES APONTADOS EM DIRF E PAGOS E/OU DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO EM FACE DA FONTE PAGADORA.
Conforme entendimento consolidado pelo CARF, os valores apontados em DIRF pela fonte pagadora são considerados como prova da retenção de parte dos rendimentos pagos às pessoas físicas, cabendo ao contribuinte trazer prova no sentido da inviabilidade da utilização do referido documento.
No presente caso, havendo diferenças entre os valores retidos (apontados em DIRF) e aqueles repassados ao Fisco e/ou declarados em DCTF, é possível a lavratura do auto de infração, cobrando-se do contribuinte a diferença entre os valores retidos e recolhidos.
COMPENSAÇÃO EX OFFICIO ENTRE OS VALORES PAGOS A MAIOR QUANTO A DETERMINADAS COMPETÊNCIAS (SALDO CREDOR) E OS DÉBITOS RESULTANTES DA DIFERENÇA ENTRE O VALOR DA DIRF E AQUELES DECLARADOS EM DCTF E/OU PAGOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Entende-se descabido o pedido de diligência requerido pelo contribuinte no sentido de aferir eventuais saldos credores (pagamentos a maior e/ou declarações em DCTF a maior) e compensá-los com os débitos apontados em competências distintas, na medida em que não compete ao órgão julgador e, igualmente, à autoridade lançadora, considerar de ofício os valores recolhidos a maior em competências distintas com saldos devedores de outras competências. Referido pleito, assim, deve ser feito pela via própria, com a apresentação de PER/DCOMP à autoridade lançadora.
Eventual compensação realizada ex officio pela fiscalização deve ser mantida, apenas, em virtude da impossibilidade das autoridades julgadoras de refazer o auto de infração.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2101-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2009 DIFERENÇAS APURADAS EM RELAÇÃO AOS VALORES APONTADOS EM DIRF E PAGOS E/OU DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO EM FACE DA FONTE PAGADORA. Conforme entendimento consolidado pelo CARF, os valores apontados em DIRF pela fonte pagadora são considerados como prova da retenção de parte dos rendimentos pagos às pessoas físicas, cabendo ao contribuinte trazer prova no sentido da inviabilidade da utilização do referido documento. No presente caso, havendo diferenças entre os valores retidos (apontados em DIRF) e aqueles repassados ao Fisco e/ou declarados em DCTF, é possível a lavratura do auto de infração, cobrando-se do contribuinte a diferença entre os valores retidos e recolhidos. COMPENSAÇÃO EX OFFICIO ENTRE OS VALORES PAGOS A MAIOR QUANTO A DETERMINADAS COMPETÊNCIAS (SALDO CREDOR) E OS DÉBITOS RESULTANTES DA DIFERENÇA ENTRE O VALOR DA DIRF E AQUELES DECLARADOS EM DCTF E/OU PAGOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Entende-se descabido o pedido de diligência requerido pelo contribuinte no sentido de aferir eventuais saldos credores (pagamentos a maior e/ou declarações em DCTF a maior) e compensá-los com os débitos apontados em competências distintas, na medida em que não compete ao órgão julgador e, igualmente, à autoridade lançadora, considerar de ofício os valores recolhidos a maior em competências distintas com saldos devedores de outras competências. Referido pleito, assim, deve ser feito pela via própria, com a apresentação de PER/DCOMP à autoridade lançadora. Eventual compensação realizada ex officio pela fiscalização deve ser mantida, apenas, em virtude da impossibilidade das autoridades julgadoras de refazer o auto de infração. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009 DIFERENÇAS APURADAS EM RELAÇÃO AOS VALORES APONTADOS EM DIRF E PAGOS E/OU DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO EM FACE DA FONTE PAGADORA. Conforme entendimento consolidado pelo CARF, os valores apontados em DIRF pela fonte pagadora são considerados como prova da retenção de parte dos rendimentos pagos às pessoas físicas, cabendo ao contribuinte trazer prova no sentido da inviabilidade da utilização do referido documento. No presente caso, havendo diferenças entre os valores retidos (apontados em DIRF) e aqueles repassados ao Fisco e/ou declarados em DCTF, é possível a lavratura do auto de infração, cobrandose do contribuinte a diferença entre os valores retidos e recolhidos. COMPENSAÇÃO EX OFFICIO ENTRE OS VALORES PAGOS A MAIOR QUANTO A DETERMINADAS COMPETÊNCIAS (SALDO CREDOR) E OS DÉBITOS RESULTANTES DA DIFERENÇA ENTRE O VALOR DA DIRF E AQUELES DECLARADOS EM DCTF E/OU PAGOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Entendese descabido o pedido de diligência requerido pelo contribuinte no sentido de aferir eventuais saldos credores (pagamentos a maior e/ou declarações em DCTF a maior) e compensálos com os débitos apontados em competências distintas, na medida em que não compete ao órgão julgador e, igualmente, à autoridade lançadora, considerar de ofício os valores recolhidos a maior em competências distintas com saldos devedores de outras competências. Referido pleito, assim, deve ser feito pela via própria, com a apresentação de PER/DCOMP à autoridade lançadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 17 60 /2 01 1- 82 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721760/201182 Acórdão n.º 2101002.001 S2C1T1 Fl. 116 2 Eventual compensação realizada ex officio pela fiscalização deve ser mantida, apenas, em virtude da impossibilidade das autoridades julgadoras de refazer o auto de infração. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 109/111) interposto em 13 de outubro de 2011 contra o acórdão de fls. 100/103, do qual a Recorrente teve ciência em 13 de setembro de 2011 (fl. 108), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 75/78, lavrado em 06 de abril de 2011, em decorrência de falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre trabalho assalariado e sobre aluguéis e royalties pagos a pessoa física, verificadas no anocalendário de 2008. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano Calendário: 2008 VALORES PAGOS/COMPENSADOS/CONFESSADOS A MAIOR EM DETERMINADO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO INFORMAL COM INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS EM PERÍODOS POSTERIORES. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721760/201182 Acórdão n.º 2101002.001 S2C1T1 Fl. 117 3 O servidor fiscal carece de competência para, em constatando pagamento/compensação/confissão a maior de débito em determinado período, compensar informalmente o saldo acumulado respectivo com valores devidos em competências posteriores e lançar somente a diferença. Ademais, eventual valor confessado a maior em DCTF não materializa, de imediato, indébito suscetível de compensação, antes do efetivo recolhimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 100). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário no qual reiterou os argumentos apresentados na impugnação, requerendo, ainda, o retorno dos autos à origem para nova diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em relação a este ponto, necessário se faz esclarecer que o valor reconhecido pela DRJ e exonerado do auto de infração é inferior ao valor de alçada para recurso de ofício, razão pela qual a referida matéria não merece ser conhecida pelo CARF. No tocante ao mérito, verificase que a questão cinge à divergência entre os valores apontados em DIRF e aqueles repassados ao Fisco, seja por meio do pagamento de DARF, seja, ainda, por apresentação de PER/DCOMP pela fonte pagadora, resultando em valores sobressalentes de IRRF nos códigos 0561 (rendimentos pagos em virtude de trabalho assalariado) e 3208 (rendimentos decorrentes do pagamento de royalties a pessoa física). Compulsandose os autos do presente processo administrativo, noto, inicialmente, haver uma divergência entre os valores apontados em DIRF pela fonte pagadora, aqueles declarados em DCTF e, em alguns casos, também em relação ao montante recolhido ao Fisco. As divergências, tal como apontadas nas planilhas de fls. 90 e 91, por ora apontam um saldo devedor por parte da Recorrente, deixando de repassar à União valores retidos por ocasião do pagamento às pessoas físicas, bem como por vezes apontam um saldo credor do agente pagador (pagamentos feitos a maior, se comparados com aqueles apontados em DIRF, ou mesmo em relação aos montantes declarados em DCTF). Pois bem. Entendo que há duas discussões precípuas que devem ser esclarecidas, de maneira a permitir uma correta análise da questão sub judice. Em primeiro lugar, entendo pertinente aferir qual a consequência da apontada divergência entre os montantes declarados em DIRF e aqueles apontados em DCTF. Mais Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721760/201182 Acórdão n.º 2101002.001 S2C1T1 Fl. 118 4 precisamente, importante frisar em que casos poderia o Fisco, com base nos valores apontados, lavrar o auto de infração em face da Recorrente. Quanto a este aspecto curial, oportuno lembrar que, conforme entendimento manifestado pelo STJ em precedente julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, em acórdão da lavra do então Ministro do STJ, ora ministro do STF, Teori Albino Zavascki, a entrega de DCTF, bem como de qualquer outra declaração por parte do contribuinte ao Fisco, constitui confissão de dívida, capaz de permitir a imediata inscrição dos valores em Dívida Ativa. Confirase: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” (REsp 962379/RS, Primeira Seção, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Em outras palavras, nas hipóteses em que, nos termos das planilhas de fls. 90/91, cujos valores não foram contestados pelo contribuinte, haja declaração a maior de débitos em DCTF, não caberia qualquer auto de infração em face do contribuinte, na medida em que tais valores, ainda que não fossem integralmente recolhidos, deveriam ser objeto de inscrição em dívida ativa, nos termos do art. 2º do DecretoLei n.º 2.124/84 c/c art. 16 da Lei n.º 9.779/99, bem como analisados à luz do art. 10, §1º, da IN 786/07, vigente à época dos fatos ora contestados. Por esta razão, entendo como correto o procedimento da fiscalização, na medida em que os meses cujos débitos foram declarados a maior em DCTF, ainda que o respectivo montante não tivesse sido recolhido integralmente, não foram objeto do auto de infração, como ocorreu em relação às seguintes competências: 1) em relação ao código 0561 01/2008, 02/2008, 04/2008, 08/2008, 09/2008, 11/2008; em relação ao código 3208 – 01/2008, 02/2008, 05/2008, 08/2008, 09/2008, 11/2008. Em relação a este aspecto, portanto, entendo correto o entendimento da fiscalização, ao deixar de cobrar eventuais saldos devedores resultantes da diferença entre os valores apontados em DCTF e aqueles efetivamente pagos, considerandose os PER/DCOMPs apresentados e os DARFs emitidos. No entanto, em relação às diferenças entre os valores apontados em DIRF e aqueles declarados em DCTF, entendo não ter andado bem o douto agente fiscal. De fato, compulsandose os valores apontados nas planilhas de fls. 90/91, verifico que a autoridade Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721760/201182 Acórdão n.º 2101002.001 S2C1T1 Fl. 119 5 lançadora houve por bem admitir a compensação, ex officio, de valores pagos a maior em determinadas competências mensais, em comparação com aqueles declarados em DIRF e efetivamente retidos dos pagamentos realizados às pessoas físicas. Ora, em que pese ao procedimento admitido pelo Ilmo. agente fiscal, a legislação tributária não admite a compensação, ex officio, de eventuais recolhimentos feitos a maior pelos contribuintes com saldos devedores de outras competências. Referidos valores a maior, portanto, se verificados, devem ser objeto de pedido expresso de compensação por parte do contribuinte, ou mesmo agente pagador, na hipótese dos autos. No entanto, considerandose que não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais refazer o auto de infração, nele incluindo valores não mensurados e cobrados pela Delegacia da Receita Federal competente, entendo por bem manter o procedimento realizado pela fiscalização, no sentido de admitir como moeda de pagamento, saldos credores verificados em outras competências. Ressaltese, no entanto, que referido procedimento deverá ser mantido, apenas, em relação às competências em que o agente fiscal houve por bem proceder ao referido cálculo, não se estendendo, como pretende o contribuinte, às demais competências, ainda que não tenha havido manutenção de critério por parte do agente fiscal. Assim é que, em relação às competências de 03/2008, 07/2008 e 10/2008, relativas ao código 0561, bem como 04/2008, referente ao código 3208, nas quais a fiscalização houve por bem apurar saldo devedor, no auto de infração combatido, verificarseá a legalidade dos valores cobrados do contribuinte, aferindose, para tanto, a efetiva comprovação da existência de diferenças entre os valores retidos e apontados em DIRF e aqueles efetivamente pagos e/ou declarados em DCTF. No que atine a este aspecto da análise ora procedida, devese ressaltar que este CARF já sedimentou o entendimento de que os valores apontados em DIRF e não recolhidos ao Fisco, e/ou não objeto de declaração na competente DCTF mensal, constituem prova suficiente da retenção efetuada pela pessoa jurídica, cabendo ao contribuinte demonstrar a existência de eventual erro material na elaboração do referido documento, resultante na ausência de retenção efetiva dos valores apontados no referido documento. A este respeito, entendo oportuno colacionar o seguinte precedente, in verbis: “RETENÇÃO NA FONTE. MEIO DE PROVA. A comprovação das retenções prescinde de outro meio de prova quando o próprio sujeito passivo apresentou DIRF informando os valores retidos. DCTF. ESPONTANEIDADE. Não constitui confissão espontânea a apresentação de DCTF após deflagrada a ação fiscal, prevalecendo o lançamento de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não são detentores de competência para apreciar argüição de inconstitucionalidade. Ademais a matéria encontrase sumulada por este Colegiado. Súmulas n° 2 e 4. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721760/201182 Acórdão n.º 2101002.001 S2C1T1 Fl. 120 6 MULTA AGRAVADA. Incabível a aplicação da multa agravada pois não houve motivo para tal penalidade, tampouco atitude que tenha atrapalhada a realização do trabalho fiscal. Recurso parcialmente provido.” (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara, Acórdão n.º 340100.013, relatora Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza, sessão de 04/03/2009) Assim, no que atine aos valores questionados no presente auto de infração, objeto de recurso voluntário por parte do Recorrente, entendo não haver fundamento para a irresignação do contribuinte. Com efeito, analisandose, um a um, os valores cobrados pela fiscalização em relação às referidas competências, verifico que, em relação à competência de 03/2008 (código 0561), a diferença apontada pela fiscalização entre os valores apontados em DIRF (R$ 208.641,15) e aqueles declarados em DCTF e pagos (R$ 193.678,18) resultou em saldo devedor no montante de R$ 14.962,97, em relação ao qual o Ilmo. Sr. auditor fiscal houve por bem admitir a compensação ex officio, resultando em um saldo devedor no valor de R$ 2.332,42. Quanto à referida competência, pois, não há o que reformar do auto de infração, na medida em que, inclusive, o contribuinte restou beneficiado pelo procedimento do Fisco, admitindo como moeda os valores a maior pagos em relação às competências precedentes. No tocante à competência de 07/2008 (código 0561), o mesmo entendimento se aplica, na medida em que a diferença entre o valor declarado em DIRF (R$ 293.455,71) e o montante apurado em DCTF e pago (R$ 270.115,75) resultou em uma diferença passível de autuação, no montante de R$ 23.339,96, dos quais também apenas foram cobrados do contribuinte R$ 22.699,19. Quanto à competência de 10/2008 (código 0561), a questão é um pouco distinta. Nesse sentido, muito embora tenha o contribuinte declarado em DCTF o valor de R$ 308.900,09, apenas foram repassados ao Fisco R$ 5.894,90. Entretanto, como referida diferença constitui confissão de dívida, agiu bem a fiscalização ao não inserir no auto de infração a respectiva importância, na medida em que passível de inscrição, diretamente, em Dívida Ativa. Ainda assim, contudo, houve diferença entre o valor apurado em DIRF (R$ 458.629,49) e aquele declarado em DCTF (R$ 308.900,09), o que gerou uma diferença exigível pela via do lançamento de ofício no valor de R$ 149.729,40, dos quais foram inseridos no auto de infração e cobrados, efetivamente, apenas R$ 128.359,91, resultando a compensação de ofício dos débitos com os créditos acumulados de períodos anteriores, valor este que deve ser mantido, igualmente. Por fim, no que atine à competência de 04/2008 (código 3208), o entendimento se repete. Nesse esteio, verificandose uma diferença no valor de R$ 2.080,93 entre os valores apontados em DIRF (R$ 9.427,86) e declarados em DCTF e pagos (R$ 7.346,93), referido montante seria passível de autuação de forma integral. Como se viu, na medida em que o Fisco procedeu, ex officio, à compensação dos débitos com eventuais saldos credores, entendo cabível a cobrança efetuada, no montante total de R$ 1.738,23. Com fundamento nos aspectos ora analisados, tendo em vista que os valores apontados no auto de infração, notadamente em relação às competências cobradas, são Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721760/201182 Acórdão n.º 2101002.001 S2C1T1 Fl. 121 7 inclusive inferiores àqueles que poderiam ter sido objeto de cobrança, não fosse a compensação realizada ex officio, entendo absolutamente descabidas as alegações do contribuinte, razão pela qual igualmente descabida a diligência requerida, no sentido de determinar a baixa dos autos para a realização de nova compensação entre os valores recolhidos a maior e as competências que deixaram de ser recolhidas. Ressalto, uma vez mais, que eventual apuração de saldo credor em favor do contribuinte deverá ser objeto de pedido de compensação/restituição específico, sendo descabida a referida diligência ex officio, por parte da fiscalização e, principalmente, por parte destes órgãos judicantes (DRJ e CARF). Eis os motivos pelo qual voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 36266.005667/2004-67
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992
Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a extinção do crédito pela homologação tácita (art. 150, parágrafo 4º do CTN). Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi,Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a extinção do crédito pela homologação tácita (art. 150, parágrafo 4º do CTN). Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi,Adriana Sato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 56 67 /2 00 4- 67 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36266.005667/200467 Acórdão n.º 2302002.046 S2C3T2 Fl. 369 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 18/12/2002, de contribuições previdenciárias, correspondentes à parte dos segurados, parte patronal e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas a prestadores de serviço pessoa física, caracterizados na ação fiscal como empregados, no período de 01/1992 a 12/1992. Após a apresentação da defesa, o processo baixou em diligência (fl.196), para pronunciamento da autoridade fiscal notificante acerca das alegações trazidas. Em resposta às fls.206/207, a fiscalização mantém o lançamento no seu valor total, pois solicitou documentos acerca de reclamações trabalhistas movidas pelos segurados, mas a recorrente não os apresentou.Juntou documentos às fls. 198 a 204. DecisãoNotificação de fls. 209/216, julgou o lançamento procedente. Inconformada a recorrente interpôs recurso e a DRP apresentou as contra razões. Submetido a julgamento, a decisão foi pela nulidade da decisãonotificação, por falta de ciência da informação fiscal de fls. 206/207, ao notificado. Cientificado o recorrente interpôs manifestação de fls. 263/268, dizendo que apresentou as decisões transitadas na justiça referente aos processos de Edson de Oliveira Gonçalves e Wedmilson da Silva Monteiro, as quais foram favoráveis à recorrente. Que com relação a Jonas Alves da Silva, o processo continua em andamento. Que a fiscalização não prova que a Sra. Vilma de Souza foi contratada como auxiliar de escritório, invertendo o ônus da prova para a recorrente, o que não é válido. Foi proferida Reforma de DecisãoNotificação, fls. 277/295, para retirar do lançamento os valores referentes ao Processo Trabalhista n,º 2045/92 em nome de Wedmilson da Silva Monteiro, no qual não foi reconhecido o vínculo empregatício. Da decisão reformada a recorrente interpôs recurso argüindo: a) a decadência qüinqüenal frente à inaplicabilidade do artigo 45v da Lei n.º 8.212/91, por ilegalidade e inconstitucionalidade; que não há elemento real que caracterize o vínculo; b) que não aceita a inversão do ônus da prova, pois quem alega deve provar c) que a prova negativa é prática rechaçada no nosso sistema jurídico; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 d) que não há caracterização de vinculo e que o Poder Judiciário quando provocado se manifestou pela inexistência do vínculo empregatício no caso dos processos já citados. Requer o cancelamento da NFLD. A DRP não deu seguimento ao recurso por intempestivo. Cientificado o recorrente se manifestou às fls. 333/335, dizendo da tempestividade da peça recursal, eis que recebeu a decisãonotificação por Aviso de Recebimento – AR em 22/12/2006, sextafeira, sendo que a contagem do prazo somente se iniciou em 26/12/2006, terçafeira, já que dia 25/12/2006, segundafeira foi feriado natalino, expirando o prazo, portanto em 24/01/2007, quando efetivamente o recurso foi interposto. A DRP apresentou as contrarazões confirmando que o recurso foi interposto tempestivamente. Resolução da 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, de 08/05/2008, fls. 350/354, converteu o julgamento em diligência, devido a falta de comprovação nos autos da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, com ciência pelo contribuinte, quando da lavratura da notificação Após o cumprimento da diligência, fls.363, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36266.005667/200467 Acórdão n.º 2302002.046 S2C3T2 Fl. 370 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A notificação referese ao período de 01/1992 a 12/1992 e foi lavrada em 18/12/2002, com ciência pelo sujeito passivo em 23/12/2002, fls. 42. A recorrente argúi a decadência qüinqüenal e, com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, se pode observar pelo DAD – Discriminativo Analítico do Débito, fls. 02/05 que houveram recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, devendo ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36266.005667/200467 Acórdão n.º 2302002.046 S2C3T2 Fl. 371 7 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 374DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000041/00-01
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 14/2/2000, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 14/2/1990.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 14/2/2000, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 14/2/1990. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 00 41 /0 0- 01 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0305.994 da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 209 a 213) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em 14/02/2000, repetição de FINSOCIAL referente a fatos geradores ocorridos de 01/10/1990 a 31/03/1992. A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls. 217 a 229), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Para comprovar a divergência, indicou, como paradigma, o Acórdão CSRF/0400.810, da 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13887.000041/0001 Acórdão n.º 9900000.819 CSRFPL Fl. 6 3 extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 231 e 232, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões (fls. 250 a 260), onde pugna pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 14/02/2000. Fatos Geradores: de 01/10/1990 a 31/03/1992. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 14/02/2000, estava apto a pleitear a restituição de tributos com fatos geradores ocorridos após 14/02/1990. Dessa forma, como o pleito se refere a fatos geradores ocorridos de 01/10/1990 a 31/03/1992, o direito não estava fulminado pelo transcurso do prazo fatal. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13887.000041/0001 Acórdão n.º 9900000.819 CSRFPL Fl. 7 5 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11516.002553/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2004
EXCESSO DE RECEITA BRUTA. OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.
Será excluída de oficio do Simples Federal a Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP), a partir do primeiro dia do ano-calendário subseqüente, a empresa que ultrapassar o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema.
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. REQUISITOS FORMAIS.
MOTIVAÇÃO.
Não há que se falar em nulidade do ADE que cita o dispositivo legal infringido e demais informações necessárias à ampla defesa por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 1401-000.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2004 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Será excluída de oficio do Simples Federal a Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP), a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, a empresa que ultrapassar o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. REQUISITOS FORMAIS. MOTIVAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do ADE que cita o dispositivo legal infringido e demais informações necessárias à ampla defesa por parte do contribuinte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 25 53 /2 00 6- 15 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/12/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11516.002553/200615 Acórdão n.º 1401000.660 S1C4T1 Fl. 179 2 Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Tratase de recurso voluntário manejado pelo contribuinte, por bem retratar a situação ora analisada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Tratase da exclusão da interessada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, por intermédio do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 85, de 29 de agosto de 2006 (fl. 103). Segundo consta dos autos, a exclusão deuse em virtude de a empresa ter excedido, no anocalendário de 2003, o limite da receita bruta legalmente estabelecido. Os efeitos da exclusão, a teor do que dispõe o inciso V do art. 15, do mesmo diploma legal citado acima e alterações posteriores, retroagem a 01/01/2004. Consta da Representação Fiscal — Exclusão do Simples, fls. 01 e 02 e Termos de Verificação Fiscal e Encerramento de Fiscalização, fls. 93 a 101, que, em auditoria fiscal levada a efeito na empresa acima identificada, verificouse nos assentos fiscais que no mês de março de 2003 a empresa não declarou receita escriturada, e, nas competências 01/2003 a 12/2003, deixou de escriturar receitas originadas da exploração da atividade de bar e restaurante junto ao complexo turístico Jurer8 Beach Village. Diante da realidade, o auditorfiscal, em síntese, informa que a empresa auferiu, no ano calendário 2003, receita bruta em montante superior ao estabelecido para enquadramento no SIMPLES, configurando hipótese de exclusão desse sistema simplificado. Foram juntados aos autos, is fls. 09 a 90, documentos para instruir o processo. Cientificada da exclusão, documento de fl. 108, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 109 a 114), alegando, em breve síntese, o que segue: (a) preliminarmente, a nulidade do ato declaratório por vicio formal, uma vez que a fundamentação legal para a exclusão da impugnante do Simples faz menção a legislação não mais vigente, qual seja a Medida Provisória n° 252, de 15/06/2005, cuja vigência encerrouse em 14/10/2005, e, ainda, porque não Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/12/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11516.002553/200615 Acórdão n.º 1401000.660 S1C4T1 Fl. 180 3 consta no ato declaratório, de forma evidente, o motivo que levou a exclusão, caracterizando a falta de motivação; (b) diz que as diferenças apontadas pela autoridade lançadora na ação fiscal correspondem aos valores repassados a titulo de café da manhã pelo empreendimento conhecido por Complexo Turístico Jurer8 Beach Village, mas que não lucra com tais recebimentos, sendo que todo o fornecimento de produtos feito pela impugnante para o referido estabelecimento não pode ser considerado como receita, pois recebe apenas o valor necessário para cobrir seus custos operacionais. Tal ocorre como contrapartida à utilização do imóvel e A captação de clientes feita pelo hotel dentro do qual a impugnante exerce suas atividades. Esse valor é incluído na diária do hotel e nessa ocasião é por ele tributado integralmente, sendo que posteriormente ocorre o repasse desses valores para a impugnante. Entende que tributar novamente os mesmos valores implica a incidência de dupla tributação. Diz que esse valor não é tributável, motivo pelo qual deixou de registrar tais valores na escrituração contábil; (c) na eventualidade de se manter o ato declaratório executivo que determinou a exclusão do Simples, o mesmo deve ficar adstrito ao ano de 2004, porque no decorrer do exercício de 2004, a impugnante readquiriu condições para voltar ao seu enquadramento no Simples, pois seu faturamento não ultrapassou a receita permitida pelo regime simplificado de apuração, conforme se infere da Declaração de Imposto de Renda em anexo, requerendo, desde já, a sua reinclusão. A vista do exposto, requer a declaração de nulidade do ADE, ou, caso assim não se decida, a sua improcedência. Mantida a exclusão, requer sua reinclusão no Simples a partir de 1° de janeiro de 2005. Analisando a questão o órgão julgador a quo entendeu por julgar improcedente a manifestação, nos seguintes termos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Será excluída de oficio do Simples Federal a Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP), a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, a empresa que ultrapassar o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. REQUISITOS FORMAIS. MOTIVAÇÃO. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/12/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11516.002553/200615 Acórdão n.º 1401000.660 S1C4T1 Fl. 181 4 Não há que se falar em nulidade do ADE que cita o dispositivo legal infringido e demais informações necessárias à ampla defesa por parte do contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Irresignado em face de tal julgamento, interpôs a Recorrente o recurso voluntário, reiterando os argumentos já expostos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro No que toca à preliminar de nulidade, carece de razão o Recorrente, haja vista que o Ato Declaratório que a excluiu do Simples encontrase devidamente motivado e fundamentado quanto A legislação aplicável. Como se vê do ADE, fl. 103, o Delegado da Receita Federal do Brasil, no uso das atribuições legais e com fundamento nos arts. 9 0 ao 16 da Lei n° 9.317, de 1996, declarou a exclusão do Simples do contribuinte. Outrossim, o fundamento para a exclusão encontrase no art. 1° do mesmo ato, qual seja, o inciso Ido art. 14 da Lei n° 9.317, de 1996. No que pertine ao art. 32 da Medida Provisória n° 252, de 29 de dezembro de 2005, citado no ADE, o mesma alterou o art. 15 da Lei n° 9.317, de 2006, que trata dos efeitos da exclusão. De fato, referida medida provisória teve seu prazo de vigência encerrado no dia 13 de outubro de 2005 (Ato declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional n° 38, de 2005), todavia, o fato de ter sido citada no ADE não enseja sua nulidade, uma vez que, no art. 2° desse ato administrativo (ADE), que fixou a data dos efeitos da exclusão, foi citado textualmente o fundamento legal em vigor na data de sua expedição, qual seja, o inciso IV do art. 15° da Lei n°9.317, de 1996. Portanto, o fato de ter sido arrolado no ADE uma legislação alteradora que já se encontrava revogada não causou qualquer prejuízo ao sujeito passivo, vez que, no mesmo Acerca da alegada ausência de motivação, vêse que no enfrentamento das questões na manifestação de inconformidade ora analisada, denota a interessada que ato, encontrase arrolada a legislação especifica, em vigor, que trata dos efeitos da exclusão. Acerca da alegada ausência de motivação, vêse que no enfrentamento das questões na manifestação de inconformidade ora analisada, denota a interessada que compreendeu perfeitamente a descrição dos fatos que ensejaram o procedimento fiscal em tela, da qual foi cientificada de todos os seus atos. Concluise, portanto, que o mesmo não padece de qualquer vicio formal, logo, não merece nenhum reparo. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/12/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11516.002553/200615 Acórdão n.º 1401000.660 S1C4T1 Fl. 182 5 No mérito, inicialmente, convém ressaltar que as diligências externas levadas a efeito pela fiscalização, denominada técnica de circularização, tratase de uma técnica de auditoria, eficiente no combate A. evasão fiscal, em que o auditor deve se dirigir a fornecedores e clientes que transacionam com o contribuinte sob ação fiscal, para o cruzamento de dados e informações. Escorreito, portanto, o presente feito fiscal. Conforme consta no Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 85, de 29 de agosto de 2006, a pessoa jurídica em tela foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, em virtude de a mesma ter incorrido na hipótese de exclusão, prevista no inciso I, art. 14 da Lei n° 9.317, de 1996. A Representação Fiscal — Exclusão do Simples, fl. 01 e 02, demonstra, mensalmente, o montante da receita omitida, evidenciando que a empresa auferiu, no ano calendário 2003, receita bruta em montante superior ao estabelecido para enquadramento no Simples. Isto porque, no caso em comento, conforme Representação Administrativa e detalhamento do Termos de Verificação Fiscal e Encerramento de Fiscalização (fls. 93 a101), os livros contábeis, além de outras evidencias colhidas em várias diligências, levadas a efeito pela autoridade fiscal, mostram de forma contundente que a manifestante, a fim de manter o seu faturamento dentro de limite legal previsto pela sistemática Simples, no anocalendário 2003, deixou de contabilizar transações efetivamente ocorridas, bem como deixou de declarar receita escriturada, em flagrante desrespeito a legislação de regência. As receitas não escrituradas se referem a notas fiscais emitidas referentes a operações junto administradora do Complexo Turístico Jurerê Beach Village, confirmadas pela própria interessada, em resposta à diligência da fiscalização, como demonstram os documentos de fls. 47/68. Tratandose de receita, as mesmas devem ser devidamente escrituradas e oferecidas b. tributação, sendo inócua a alegação do contribuinte no sentido de que, no seu entendimento, tais receitas não são tributáveis. Assim sendo, em que pese os argumentos da Recorrente, restou comprovado que no ano calendário 2003, o faturamento bruto da empresa foi de R$ 2.985.704,92, portanto, superior ao limite legal, tendo a fiscalização comprovado material e inequivocadamente a infração. Portanto, a circunstância material que deu origem à exclusão está inequivocamente demonstrada na referida representação fiscal. Dessa forma, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/12/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11516.002553/200615 Acórdão n.º 1401000.660 S1C4T1 Fl. 183 6 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/12/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 14751.001629/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva
AUTUAÇÃO - LAVRATURA - LOCAL DE OCORRÊNCIA - FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO - POSSIBILIDADE
Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento
INCONSTITUCIONALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva AUTUAÇÃO - LAVRATURA - LOCAL DE OCORRÊNCIA - FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO - POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte
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O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva AUTUAÇÃO LAVRATURA LOCAL DE OCORRÊNCIA FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 16 29 /2 00 9- 35 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.001629/200935 Acórdão n.º 2402003.158 S2C4T2 Fl. 153 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como a contribuição do contribuinte individual, cuja arrecadação e recolhimento passou a ser responsabilidade da empresa após a vigência da Lei nº 10.666/2003. Também foram glosados os valores pagos a título de salário família, em razão da empresa não haver apresentado a documentação relativa ao pagamento do benefício. Segundo do Relatório Fiscal (fls. 45/52), os fatos geradores das contribuições lançadas são as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, sócios da empresa. As remunerações dos segurados empregados foram apuradas nas folhas de pagamento, sendo que parte delas não é reconhecida como base de incidência de contribuições previdências, pagas a título de cesta básica, adicional noturno, ajuda de custo, prêmio e comissão. A autuada deixou de apresentar os livros contábeis e a documentação exigida pela legislação previdenciária para concessão e manutenção do salário família pago aos seguradosempregados, razão pela qual sofreu autuação por descumprimento da obrigação acessória. Diante da falta de apresentação do contabilidade (livros Diário/Razao ou livro Caixa e Registro de Inventário) e da ausência de informação relativa às remunerações pagas ao sócios tanto nas folhas de pagamento como na GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, as remunerações dos contribuintes individuais (dois sócios de empresa) foram apuradas por arbitramento tomando por base a maior remuneração mensal paga a um empregado da notificada. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou as multas aplicadas tanto no caso de descumprimento de obrigações acessórias como principais, a auditoria fiscal, sob o argumento de apurar a situação mais benéfica ao sujeito passivo com base no disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, efetuou o cálculo da multa pela legislação anterior e pela legislação superveniente, a fim de verificar a melhor situação para o contribuinte. Para tanto, efetuou a soma da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar os fatos geradores em GFIP, prevista no art. 32, inciso IV e §§ 3º e 5º, Lei n° 8.212/1991, com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 e comparou o resultado com a multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I, que passou a ser aplicada por força do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pelo art. 26 da Lei nº 11.941/2009. No caso, restou mais favorável ao sujeito passivo a multa de oficio. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A autuada teve ciência do lançamento em 30/06/2009 e apresentou defesa (fls. 71/80) onde alega, em síntese, que a auditoria fiscal efetuou lançamento de diferencia entre o valor apurado e o recolhido, porém, não considerou as retenções discriminadas nas notas fiscais de serviços. Argumenta que a doutrina especializada é taxativa quanto à obrigatoriedade da lavratura do auto de infração no local do estabelecimento fiscalizado; considerandose ineficaz e inválida a peça básica do procedimento administrativo fiscal, "in casu", o auto de infração, quando lavrado na própria repartição fiscal, como ocorreu. Pela razão acima, entende que a autuação deve ser declarada nula. Alega que indício e presunção não podem caracterizar o crédito tributário e que a multa aplicada seria confiscatória. Pelo Acórdão nº 1133.867 (fls. 98/104) a 7ª Turma da DRJ/Recife considerou a autuação procedente mantendo o crédito em sua integralidade. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo, onde inova nas alegações de que a intimação por carta só seria possível ante a recusa de recebimento por parte do contribuinte, razão pela qual a intimação seria nula e a irregularidade insanável. Inova, também, com o argumento de ofensa ao princípio do contraditório em virtude da auditoria fiscal não haver intimado o contribuinte para esclarecimentos antes de efetuar o lançamento e que a utilização da taxa de juros SELIC seria inconstitucional. Somente em sede recursal, a autuada vem alegar que a inidoneidade dos fornecedores dos bens não pode redundar em glosas de créditos na escrita fiscal dos adquirentes dos bens, se estes ignoram a situação e que o agente fiscal autuou a empresa baseado em uma suposição de fraude e conluio que culminou com a escrituração de créditos ditos inexistentes, simplesmente porque o fornecedor de mercadoria não estava localizado no estabelecimento informado ao fisco. Quanto à multa mantém a alegação de que esta teria um caráter confiscatório e solicita que haja determinação de que a multa aplicada se limite a 20% do crédito principal, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o artigo 61, § 2º da Lei nº 9.430/96, c/c o art. 106, inciso III, do CTN. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.001629/200935 Acórdão n.º 2402003.158 S2C4T2 Fl. 154 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Inicialmente cumpre dizer que a recorrente apresentou argumentações de forma inovadora em sede recursal. Asseverese que, tais alegações não foram apresentadas na defesa e, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” Assim, as seguintes alegações não serão conhecidas em razão da preclusão: · Nulidade por irregularidade insanável em razão da ocorrência de intimação por carta, situação que só seria possível ante a recusa de recebimento por parte do contribuinte. · Ofensa ao princípio do contraditório em virtude da auditoria fiscal não haver intimado o contribuinte para esclarecimentos antes de efetuar o lançamento. · Que a utilização da taxa de juros SELIC seria inconstitucional. · Que a inidoneidade dos fornecedores dos bens não pode redundar em glosas de créditos na escrita fiscal dos adquirentes dos bens, se estes ignoram a situação e que o agente fiscal autuou a empresa baseado em uma suposição de fraude e conluio que culminou com a escrituração de créditos ditos inexistentes, simplesmente porque o fornecedor de mercadoria não estava localizado no estabelecimento informado ao fisco. · Que a multa aplicada se limite a 20% do crédito principal, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o artigo 61, § 2º da Lei nº 9.430/96, c/c o art. 106, inciso III, do CTN. A recorrente apresentou como argumento que levaria à nulidade, o fato da lavratura do auto de infração não ter se dado das dependências da autuada. Tal alegação não merece melhor sorte. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Não há qualquer obrigatoriedade em que os trabalhos de auditoria fiscal ou a lavratura da autuação ocorram no estabelecimento do sujeito passivo. Asseverese que esta matéria é, inclusive, objeto de súmula emitida pelo CARF, especificamente, a Súmula nº 06, aprovada pela Portaria CARF nº 49/2010, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 07/12/2010, in verbis: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Ademais, o Decreto nº 70.235/1972, estabelece as formas de intimação do sujeito passivo, situação em que se efetiva o lançamento, conforme art. 23 e incisos, abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo A recorrente também alega que não foram consideradas as retenções prévias que teria sofrido em razão de sua atividade. Conforme informado no Relatório Fiscal, as retenções existentes foram devidamente aproveitadas no lançamento. Apesar de alegar o contrário, a recorrente não traz nenhum documento que demonstre a existência de qualquer guia de retenção que não tivesse sido aproveitada pela auditoria fiscal, restando claro o caráter protelatório da alegação. Por fim, a recorrente alega que a multa aplicada seria confiscatória o que afrontaria princípios constitucionais. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.001629/200935 Acórdão n.º 2402003.158 S2C4T2 Fl. 155 7 Cumpre dizer que a multa aplicada obedeceu a legislação vigente e não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico sob o argumento de que este seria inconstitucional. A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 07/12/2010, por meio da Portaria CARF nº 49, in verbis: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, quanto à multa aplicada é necessário tecer algumas considerações. Em razão das alterações introduzidas na Lei nº 8.212/1991 pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a qual estabeleceu a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 e considerando o inciso II, do art. 106 do Código Tributário Nacional que estabelece a possibilidade de retroatividade da lei no caso sistemática mais benéfica ao contribuinte, foi efetuado cálculo comparativo para definição da multa a ser aplicada. Para tanto, a auditoria fiscal considerou os valores correspondente à multa de mora mais a multa acessória calculadas de acordo com a Legislação vigente à época dos fatos geradores e comparouas com a multa de ofício prevista na legislação atual. Entendo que o procedimento utilizado pela auditoria fiscal ao considerar multas de naturezas diversas (de mora, por descumprimento de obrigação acessória e de ofício) não encontra respaldo no arcabouço jurídico existente. À época dos fatos geradores, vigia a o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação abaixo: Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Como se vê da leitura do dispositivo, a multa prevista tinha natureza moratória e era devida inclusive no caso no recolhimento espontâneo por parte do contribuinte. Além da multa de mora, a Lei nº 8.212/1991 previa a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias, dentre as quais a omissão de fatos geradores em GFIP. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.001629/200935 Acórdão n.º 2402003.158 S2C4T2 Fl. 156 9 A Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, além de alterar a redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, revogou todos os seus incisos e parágrafos e incluiu na mesma lei o art. 35A, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os dispositivos da Lei 9.430/1996, por sua vez dispõe o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A Lei nº 9.430/1996 traz disposições a respeito do lançamento de tributos e contribuições cuja arrecadação era da então Secretaria da Receita Federal, atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o lançamento das contribuições objeto desta autuação obedeciam as disposições de lei específica, no caso, a Lei nº 8.212/1991. Depreendese das alterações trazidas pela MP 449/2008, a instituição da multa de ofício, situação inexistente anteriormente. A auditoria fiscal ao fazer as comparações entre multa de mora mais multa por descumprimento de obrigação acessória e multa de ofício de 75% busca amparo no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN que trata das possibilidades de retroação da lei. Tal artigo dispõe os seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (g.n.) A meu ver o dispositivo em questão não se aplica ao caso, uma vez que a multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 tem natureza diversa da multa de ofício prevista na legislação atual. Assim, entendo que devese cumprir o que dispõe o artigo 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, não há que se falar em aplicação de multa de oficio para fatos geradores ocorridos em períodos anteriores à edição da Medida Provisória 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Aplicase, sim, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação anterior às alterações trazidas pela citada Medida Provisória. Dessa forma, entendo que para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.001629/200935 Acórdão n.º 2402003.158 S2C4T2 Fl. 157 11 artigo 35, inciso II, da Lei nº 8.212/1991) e não a multa de ofício fixada no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Há que se ressaltar que a multa de mora, no decorrer do contencioso administrativo era escalonada podendo chegar a 100%, no caso de execução fiscal. Assim, em obediência ao princípio da razoabilidade, entendo que a multa deve ser aplicada observandose o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, porém, não deve ultrapassar o percentual de 75% que correspondente à multa de ofício prevista na legislação atual Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que a multa seja aplicada de acordo com o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores limitada a 75%. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13984.720196/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Só podem ser excluídas da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico, declaradas mediante ato de órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso para fim de supressão ou exploração da vegetação. Caso não haja essa declaração o valor não poderá ser excluído
Numero da decisão: 2202-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Só podem ser excluídas da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico, declaradas mediante ato de órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso para fim de supressão ou exploração da vegetação. Caso não haja essa declaração o valor não poderá ser excluído Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 01 96 /2 01 0- 58 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13984.720196/201058 Acórdão n.º 2202002.040 S2C2T2 Fl. 132 3 Relatório Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 04, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 94.987,89, relativo ao imóvel rural denominado Passa Dois, com área de 947,9 ha., NIRF 2.588.6754, localizado no município de Santa Cecília/SC. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou as áreas isentas declaradas a título de preservação permanente e de interesse ecológico; que, apesar da não apresentação do ADA, constatouse nos sistemas da RFB a entrega do ADA em 17/09/1998, onde constou informação de 7,3 ha. de preservação permanente e 189,4 ha. de reserva legal, o qual foi aceito posto que a entrega anual do ADA passou a ser exigida apenas a partir do exercício 2007, e, assim, restou parcialmente comprovada a área de preservação permanente declarada; que a contribuinte não apresentou ato específico do órgão competente federal ou estadual declarando área do imóvel como de interesse ecológico, imprestável para atividade rural; e que, quanto ao laudo de avaliação apresentado, observouse que a metodologia utilizada não está prevista dentre os métodos especificados na NBR 14.653 da ABNT, item 8, assim como não há especificação dos dados colhidos no mercado, que se resumem a relatos de proprietários vizinhos e a opinião do próprio avaliador, tornando o laudo inaceitável por não se enquadrar em nenhum grau de fundamentação, conforme itens 9.2.3.1, 9.2.3.3 e 9.2.3.5, e, diante disso, o VTN foi arbitrado nos moldes do art. 14 da Lei n° 9.393/96, considerando as informações do Sistema de Preços de Terras da Receita Federal para o município de localização do imóvel no exercício 2005, sendo adotado o VTN/ha. de R$ 1.653,00 referente a terras de campo ou reflorestamento. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 05 a 34. Cientificada do lançamento, por via postal, em 18/10/2010 (fls. 35), a interessada apresentou a impugnação de fls. 38 a 41, em 16/11/2010, acompanhada dos documentos de fls. 42 a 51, onde argumentou, em suma, o que segue: • A empresa originouse em 23/06/2005, com a cisão parcial da empresa denominada Indústrias Zipperer S/A, quando o imóvel passou a pertencer a contribuinte; anteriormente, em 30/08/1979, a empresa Ziprinho Agroflorestal Ltda, registrou na matrícula da propriedade, 189,4 ha. de reserva legal, e, em 20/08/1996, a Indústrias Zipperer S/A voltou a incorporar o imóvel através da fusão das empresas; • A averbação da reserva legal teve sua denominação errônea, entretanto, o intuito de preservar foi cumprido, já que a quantidade indicada no registro é a correta; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 • Em 03/04/1991, a então proprietária Ziprinho Agro Florestal Ltda registrou Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta a Manejar com extensão de 461,8 há., correspondendo 48, 71% da área de utilização limitada, podendo nela ser feita exploração racional sob Regime de Manejo Sustentado, desde que autorizado pelo Ibama; tal compromisso é cumprido pela interessada; • O Ibama reconheceu através da Portaria n° 37N, de 03/04/1992, em seu art. 2o , a Lista Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, assim como o Decreto n° 750, dispõe sobre o corte, a exploração e a supressão de vegetação da Mata Atlântica e, conforme Mapas de Vegetação do Brasil e de Biomas, lançados pelo IBGE, o Bioma Mata Atlântica ocupa inteiramente o Estado de Santa Catarina, portanto, concluise que se está diante de uma área de interesse ecológico; • Foi protocolado ADA junto ao Ibama, em 17/09/1998, que foi retificado em 09/09/2004, indicando 86,3 ha. de preservação permanente, 189,4 ha. de reserva legal, 379,5 ha. de interesse ecológico e 283,2 ha. de área com reflorestamento; • Procedendo de maneira contrária à manutenção e recuperação do meio ambiente isentando as áreas preservadas, consoante legislação do ITR, o lançamento está penalizando a interessada, que preserva uma área que poderia ser produtiva, aumentando o ITR e aplicando multa de oficio; • Requer que sejam aceitos o ADA retificador do Exercício de 1997, pois na data não era exigida a entrega anual, o Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta a Manejar, o Oficio n° 003/05 DITEC/IBAMA/SC, que comprova a área de utilização limitada e a obrigação contida no Termo de Compromisso; por fim, requer a revisão do lançamento e o cancelamento da multa de ofício, levando em consideração as novas informações e os documentos anexados, bem como o fato de nunca ter deixado de apresentar os mesmos quando solicitados, e também suas obrigações acessórias (DITR) no prazo. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade por dar provimento parcial a impugnação através do acórdão DRJ/CGE n° 0427.410, de 13 de fevereiro de 2012, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área específica do imóvel assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Impõese restabelecer a área de preservação permanente declarada, diante da comprovação de que essa foi informada em ADA entregue ao Ibama antes do fato gerador do Exercício tratado. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13984.720196/201058 Acórdão n.º 2202002.040 S2C2T2 Fl. 133 5 VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, não impugnado pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos encontram amparo em lei. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de lançamento tributário de ITR, exercício 2005, derivado de glosa de exclusão de área de interesse ecológico uma que o Recorrente não teria comprovado que a mesma havia sido declarada pelo órgão competente a sua restrição. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, assim determina em seu artigo 10: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c)comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13984.720196/201058 Acórdão n.º 2202002.040 S2C2T2 Fl. 134 7 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Nos termos de referida norma legal, o contribuinte poderá excluir da base de cálculo do ITR, a área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas, desde que o mesmo seja declarada pelo órgão competente federal ou estadual. No caso em concreto devemos verificar se isso ocorreu. Ao analisarmos os documentos, apresentado pelo contribuinte não há nos autos qualquer documento que comprove o reconhecimento dessa área por órgão competente federal ou estadual. Entendo que a declaração do IBAMA atestando que existe plano de manejo não é suficiente para atestar que a área é de interesse ecológio, diante disso não merece reparos a decisão da DRJ. Desta forma, entendo não assiste razão a Recorrente. Neste sentido conheço do recurso e no mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 35239.002834/2005-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
FALTA DE INCLUSÃO NO POLO PASSIVO DO LANÇAMENTO DE TODOS OS DEVEDORES SOLIDÁRIOS. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO FEITO.
Nos lançamentos em que se inclui no polo passivo, em razão de vínculo de solidariedade, mais de um devedor, a falta de intimação, para quaisquer deles, dos atos de constituição do crédito, acarreta em nulidade do lançamento por vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de voto,anular o lançamento por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que anulava o lançamento por vício formal.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de voto,anular o lançamento por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que anulava o lançamento por vício formal. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO FEITO. Nos lançamentos em que se inclui no polo passivo, em razão de vínculo de solidariedade, mais de um devedor, a falta de intimação, para quaisquer deles, dos atos de constituição do crédito, acarreta em nulidade do lançamento por vício material. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de voto,anular o lançamento por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que anulava o lançamento por vício formal. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 23 9. 00 28 34 /2 00 5- 63 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35239.002834/200563 Acórdão n.º 2401002.726 S2C4T1 Fl. 766 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.490.2610, lavrada contra o sujeito passivo acima, na condição de responsável solidária, para exigência da contribuição dos empregados e patronais para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados que laboraram para empresas contratadas para a realização de obras de construção civil de propriedade da Notificada. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 14/21, a ação fiscal que deu ensejo a lavratura foi determinada em razão de mandado de busca e apreensão exarado pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Afirmase que as bases de cálculo foram obtidas indiretamente do valor das notas fiscais, faturas e recibos emitidos pelas empresas prestadoras e que a Notificada não apresentou os elementos necessários à elisão da responsabilidade solidária. O Fisco apresentou a fundamentação legal para responsabilização da contratante, bem como as normas que regem o procedimento do aferição indireta. Foi acostada planilha onde consta as notas fiscais utilizadas na apuração das contribuições com respectivos prestadores de serviço, valores, datas de emissão e salário de contribuição aferido. Cientificada do lançamento em 10/09/2009, a Notificada ofertou impugnação, fls. 75/102. Em primeira instância, decidiuse pela procedência do lançamento, todavia, com a apresentação de novos documentos anexados ao recurso interposto ao Conselho de Recursos da Previdência Social, o órgão recorrido decidiu retificar a NFLD para apropriar guias de recolhimentos ignoradas na apuração inicial e reduzir o valor da base de cálculo, pelo fato da empresa haver comprovado a utilização de material em alguns contratos. Apresentadas as contrarazões, o processo sobe a esse Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que presentes o requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do feito Numa primeira leitura dos autos, salta aos olhos vício que compromete o lançamento, o qual diz respeito a não inclusão no polo passivo da NFLD das empresas prestadoras de serviço, as quais são as contribuintes do tributo apurado. A conduta levada a efeito pelo agente lançador de deixar de intimar todas as empresas responsáveis solidárias dos termos do lançamento, malfere o princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CF, in verbis: “Art. 5º. [...] LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” A corroborar este entendimento a Lei nº 9.784/1999, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28, assim preceitua: “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. (...) Art. 28. Devem ser objeto de intimações os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Esse é o pensamento dominante da jurisprudência administrativa, como se pode extrair dos julgados abaixo colacionados: “[...]Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 31/01/1999 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS INOCORRÊNCIA NULIDADE. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 dias para apresentar defesa. Para que todos os Fl. 768DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35239.002834/200563 Acórdão n.º 2401002.726 S2C4T1 Fl. 767 5 solidários possam exercer o direito de defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. Com o objetivo de preservar o sigilo fiscal dos sujeitos passivos não é possível o encaminhamento de notificação que contenha lançamentos de contribuições de diversos prestadores num mesmo documento. Processo Anulado.” (6.ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes– Processo n° 12045.000329/200718, Acórdão n° 20601.693–Sessão de 03/12/2008 – Relatora: Ana Maria Bandeira) .............................................................................................. “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS INOCORRÊNCIA NULIDADE. Em respeito ao contraditório e à ampla defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. Com o objetivo de preservar o sigilo fiscal, não é possível o encaminhamento de notificação que contenha lançamentos de contribuições de diversos prestadores em um mesmo documento. Processo Anulado.” (6a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes – Processo n° 37172.001398/200552, Acórdão n° 20601.361– Sessão de 07/10/2008 – Relatora:Bernadete de Oliveira Barros) Observese que duas são as causas a se determinar a nulidade do lançamento em que é cientificado apenas o tomador de serviços como responsável solidário, deixandose de dar ciência aos prestadores de serviço, contribuintes dos tributos lançados. A primeira diz respeito ao atropelo ao devido processo legal, pela falta de intimação dos atos processuais a todos os interessados. A segunda mácula diz respeito à impossibilidade, sob pena de solapar o direito ao sigilo fiscal, de se incluir no mesmo lançamento as diversas empresas prestadoras de serviço. Verificase que o vício recai sobre um dos requisitos presentes no art. 142 do CTN, qual seja o falha na identificação do sujeito passivo, o que leva a considerar que o vício apontado é de natureza material. Conclusão Voto por anular o lançamento por vício material. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 769DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000160/2002-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2001
CRÉDITO FUNDADO EM SUPOSTA INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
É pressuposto da compensação tributária que os créditos a serem utilizados sejam líquidos e certos, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Portanto, não havendo o reconhecimento da existência do crédito em âmbito administrativo ou judicial, nem a declaração do STF acerca da inconstitucionalidade de uma norma a justificar a existência de indébitos, a compensação tributária não é uma opção válida para o contribuinte.
Numero da decisão: 3201-001.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 14/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Ausente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2001 CRÉDITO FUNDADO EM SUPOSTA INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É pressuposto da compensação tributária que os créditos a serem utilizados sejam líquidos e certos, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Portanto, não havendo o reconhecimento da existência do crédito em âmbito administrativo ou judicial, nem a declaração do STF acerca da inconstitucionalidade de uma norma a justificar a existência de indébitos, a compensação tributária não é uma opção válida para o contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 14/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Ausente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
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MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. LEI 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. O STF já declarou a constitucionalidade do art. 8º da Lei nº 9.718 de 1998, que majorou a alíquota da COFINS de 2% para 3%. A decisão proferida no RE nº 527.602 foi acolhida no julgamento do RE nº 601.236, que, por sua vez, foi o resultado da conversão do AI nº 715.423 QO, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema. Assim, os membros do CARF não podem divergir dessa orientação jurisprudencial por força do art. 62 do Anexo II do seu regimento interno. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2001 CRÉDITO FUNDADO EM SUPOSTA INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É pressuposto da compensação tributária que os créditos a serem utilizados sejam líquidos e certos, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. 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EDITADO EM: 14/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Ausente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente de pedido de restituição de supostos pagamentos indevidos ou a maior da Contribuição para a Seguridade Social — Cofins, relativos aos períodos de apuração fev/1999 a nov/2001, no valor de R$ 106.564,39 conforme planilha de fls. 146. Alega que os créditos decorrem de pagamento indevido, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da aliquota da COFINS, de 2% para 3%, através da Lei n° 9.718, de 1998. Posteriormente, o interessado juntou cartas de complementação ao pedido inicial, adicionando créditos dos períodos de apuração dez/2001 a fev/2003 (fls. 150), ago/2003 a out/2003 (fls. 194) e nov/2003 a jan/2004 (fls. 198). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, através do despacho de fls. 213, considerou os pedido de complementação créditos da compensação como não formulados por falta de previsão legal. O interessado foi cientificado deste despacho em 30/06/2004, fls. 215 e não se manifestou a respeito. A despeito da ciência do despacho, o interessado apresentou em 11/02/2005, fls. 230, outro pedido de complementação de crédito para compensação, referente aos períodos de apuração maio a dez/2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, através do Despacho Decisório de fls. 258/262: a) Considerou não formulado o Pedido de Restituição efetuado através do requerimento de fls. 230, pois em desacordo com o disposto no parágrafo único do art. 55 da IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; b) Não apreciou os Pedidos de Compensação integrantes dos processos anexos ao presente processo e as PER/DCOMP entregues no ano de 2003, uma vez já decorrido o transcurso de prazo de 5 anos para a homologação da compensação, previsto no § 2° do art. 29 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13876.000160/200271 Acórdão n.º 3201001.087 S3C2T1 Fl. 425 3 c) Alegou a incompetência da autoridade administrativa para manifestarse quanto a inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis e, por conseqüência, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas nas PER/DCOMP entregues a partir do ano de 2004. Cientificado da decisão em 21/01/2009, fls. 267, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 268/287, alegando, em breve síntese, que é cabível a apreciação, pela autoridade administrativa, a apreciação da invocação de princípios constitucionais, com base no disposto no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988 — CF88, que assegura aos litigantes o direito do contraditório e da ampla defesa. No mérito, sustenta a inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na parte que alterou a alíquota então vigente da Cofins, de 2% para 3%, alegando que somente uma lei complementar poderia alterar a LC 70, de 1991, que instituiu a Cofins. Ao final, contesta a decisão da DRF que considerou não formulado o pedido de restituição apresentado ás fls. 230, alegando o direito constitucional de petição, previsto no art. 5°, XXXIV, "a". Requer a reforma da decisão, reconhecendo o seu direito creditório e homologando as compensações declaradas. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 06/06/2011, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme Acórdão n° 1434.014 (fls.317/323): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULAÇÃO. A partir da edição da Lei n° 9.430, de 1996, os pedidos de restituição devem obedecer o disposto nas normas editadas pela Receita Federal do Brasil, no caso, a IN SRF n° 210, de 30/09/2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2001 ALÍQUOTA. A partir da publicação da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, a alíquota da COFINS é de 3% (três por cento), por força do disposto no art. 2° da referida lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal, em 06/09/2011 (fl. 362), tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/09/2011 (fls. 366/480), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua impugnação . Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Como se extrai do relatório, o pedido de restituição está fundado em tese que advoga pela inconstitucionalidade da majoração de alíquota da Cofins por lei ordinária, mais especificamente a Lei nº 9.718 de 1988. Convém ressaltar que esse tema teve a repercussão geral reconhecida no julgamento da Questão de Ordem suscitada no Agravo de Instrumento nº 715.423/RS cuja ementa transcrevese abaixo: QUESTÕES DE ORDEM. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONVERSÃO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO (CPC, ART. 544, PARÁGRAFOS 3º E 4º). MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DA COFINS DE 2 PARA 3 POR CENTO. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 8º DA LEI 9.718/99. RELEVÂNCIA ECONÔMICA, SOCIAL E JURÍDICA DA CONTROVÉRSIA. RECONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL DA QUESTIO DEDUZIDA NO APELO EXTREMO INTERPOSTO. PROCEDIMENTOS DE IMPLANTAÇÃO DO REGIME DA REPERCUSSÃO GERAL. PLENA APLICABILIDADE DOS MECANISMOS PREVISTOS NOS PARÁGRAFOS 1º E 3º DO ART. 543B, DO CPC, AOS RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS (E AOS AGRAVOS DE INSTRUMENTOS A ELES VINCULADOS) QUE DISCUTAM QUESTÃO DOTADA DE REPERCUSSÃO GERAL JÁ FORMALMENTE PROCLAMADA, MAS QUE TENHAM SIDO INTERPOSTOS CONTRA ACÓRDÃOS PUBLICADOS EM DATA ANTERIOR A 3 DE MAIO DE 2007. AUTORIZAÇÃO CONCEDIDA ÀS INSTÂNCIAS A QUO DE ADOÇÃO, QUANTO AOS RECURSOS ACIMA ESPECIFICADOS, DOS PROCEDIMENTOS DE SOBRESTAMENTO, RETRATAÇÃO E DECLARAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE CONTIDOS NO ART. 543B, DO CPC. 1. Mostramse atendidos todos os pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto à formal e expressa defesa pela repercussão geral da matéria submetida a esta Corte Suprema. Da mesma forma, o instrumento formado traz consigo todos os subsídios necessários ao perfeito exame do mérito da controvérsia. Conveniência da conversão dos autos em recurso extraordinário. 2. A constitucionalidade do art. 8º da Lei Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13876.000160/200271 Acórdão n.º 3201001.087 S3C2T1 Fl. 426 5 9.718/99 (majoração da alíquota da COFINS de 2 para 3 por cento) assunto de indiscutível relevância econômica, social e jurídica será, em breve, apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, em razão da afetação ao Plenário, pela 2ª Turma, do julgamento do RE 527.602AgR. 3. Primeira questão de ordem resolvida, com a conversão do agravo de instrumento em recurso extraordinário e o reconhecimento, pelo Plenário, da repercussão geral da matéria nele discutida. 4. Reconhecida, pelo Supremo Tribunal Federal, a relevância de determinada controvérsia constitucional, aplicamse igualmente aos recursos extraordinários anteriores à adoção da sistemática da repercussão geral os mecanismos previstos nos parágrafos 1º e 3º do art. 543B, do CPC. Expressa ressalva, nessa hipótese, quanto à inaplicabilidade do teor do parágrafo 2º desse mesmo artigo (previsão legal da automática inadmissão de recursos), por não ser possível exigir a presença de requisitos de admissibilidade implantados em momento posterior à interposição do recurso. 5. Segunda questão de ordem resolvida no sentido de autorizar os tribunais, turmas recursais e turmas de uniformização a adotarem, quanto aos recursos extraordinários interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 03.05.2007 (e aos seus respectivos agravos de instrumento), os mecanismos de sobrestamento, retratação e declaração de prejudicialidade previstos no art. 543B, do Código de Processo Civil. (AI 715423 QO, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 11/06/2008, DJe167 DIVULG 04092008 PUBLIC 05092008 EMENT VOL0233106 PP01351 ) O referido agravo foi convertido no Recurso Extraordinário nº 601.236, que, por sua vez, foi julgado da seguinte forma: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que entendeu ser constitucional a majoração da alíquota da COFINS prevista no art. 8º da Lei 9.718/98. Nas razões recursais, alegase violação aos arts. 5º, caput, 150, II, e 194, parágrafo único, V, da Constituição Federal. 2. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral da matéria no AI 715.423QO, de minha relatoria, DJe 05.09.2008. Posteriormente, no julgamento do RE 527.602, red. para o acórdão Min. Marco Aurélio, este Tribunal declarou a constitucionalidade do citado artigo 8º da Lei 9.718/98, o qual majorou a alíquota da COFINS de 2% para 3%. O acórdão recorrido não divergiu desse entendimento. 3. Ante o exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 22 de setembro de 2009. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Com efeito, a repercussão geral em tela já foi julgada no mérito, tendo o Supremo Tribunal Federal declarado a constitucionalidade do art. 8º da Lei nº 9.718 de 1998, que majorou a alíquota da COFINS de 2% para 3%. Considerando o disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, temse que não é possível dar provimento ao presente recurso, pois os créditos alegados pela Recorrente decorrem da premissa equivocada de que a majoração de alíquota promovida pela Lei nº 9.718 de 1998 seria inconstitucional. Não tendo a Recorrente ajuizado ação sobre o tema com decisão favorável transitada em julgado, não há como excepcionar a aplicação da regra regimental do CARF. É pressuposto da compensação tributária que os créditos a serem utilizados sejam líquidos e certos, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Não havendo o reconhecimento da existência do crédito em âmbito administrativo ou judicial, nem a declaração do STF acerca da inconstitucionalidade de uma norma a justificar a existência de indébitos, a compensação tributária não é uma opção válida para o contribuinte. Isto posto, devese negar provimento ao recurso voluntário, ratificar a decisão recorrida, pelas conclusões, e manter o crédito tributário integralmente. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13964.000287/95-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 202-01997
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Ifsa_ -..:„. __ Robriç• • cet..,.:; _ :CL,',:i:_ a t0,::(W, -- -- ._. :14W, iSttt? MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.. 10.875-001.077/87-78 JAN_ 14 de setembr e 19 88Sessão de ACORDÃO N.° 202-01.997 Recurso nf 80.012 Recorrente FERRAMENTARIA DE PRECISÃO TRÊS "M" LTDA. Recorridd DRF :::M GUARULHOS-SP FINSOCIAL - Omissão de receitas , confessada em par- te pela autuada, embora com pedido de diligjància, sem objetivar a matéria a ser examinada Redução da base de calculo da contribuição. Recurso a que se nega provi/In/Tb°. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- cim:a) ilaerposto por FERRAMENTARIA DE PRECISÃO TRÊS "M" LTDA. . ACORDAM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao rea curso. Sala das Sessaes,em 14 de setembro de 1988 JG e ALVES NA FN,EC5 - PRESIDENTE , n ' 4/SVA.00 i ',DO/ , I OLI ' .E :à 'ELATOR 1/4 i . 10010r tr. olEC RIO :--. - ' A14 :)0 S ANU O S - PROCURADOR-REPRESENTAITIE DA FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO e 15 DEZ 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA JAIME, ELIO ROTHE, ERNESTO FREDERICO ROLLER (Sublente), ALDE DA COSTA SANTOS J3NIOR, JOSÉ LOPES FERNANDES e SEBASTIXO BORGES TA- (-MARY. fie er .E.=30;01 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.. 10.875-001.077/87-78 koturo 80•012 Acorda° 'IS: 202-01.997 Recorrente: FERRAMENTARIA DE PRECISÃO TRÊS "M" LTDA. RELATÓRIO O Auto de Infração de fls. descreve no seu verso a ocorrencia que lhe deu ensejo, conforme transerevoa seguir. "DESCRIÇÃO DOS TATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL: Em decorrencia do Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Juridica, lavrado nesta data, contra o contribuinte identificado no anverso, ficou caracteri- zado que dentre as infraçOes anotadas, houve também "O missão de Receita", no valor de Cr$ 15.708.669,58, teil" do em vista a não comprovação de valores inseridos .n5 Passivo Circulante. Diante do exposto, a empresa autuada fica sujeita ao pagamento dó , calculado sobre a parcela considerada como "Receita Omitida", acrecido dos encargos legais, cujos c glculos detalhados, seguem anexos, e que passam a fazer parte integrante do pre- sente Auto de Infração. ENQUADRAMENTO LEGAL: ContribuiQao: Art. 1 9 , § 1 9 , DL n 9 1940/82, item I-"a", da Port. ME 119/82, arts. 2), 3), I, 14, 16, 36, e 85 do Regula- mento da Contribuição para o Fundo de Investimento Soci. ai FINSOCIAL (RECOFIS), aprovado pelo Decreto 92.698 de 21.05.86. Juros de Mora: Art. 2 9 , do DL n 9 1.736/79, c/c art. 1), II, do DL n 9 2.049/83, e art. 114 do RECOEIS/86. -segue - \\kj\ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.875-001.077/87-78 2AcOrdão n9 02-01.997 Muita de Mora: Jã capitulada no anverso. Correção Monetgria: Are. 59, Ei 1, do DL, n9 1.704/79, com a redação da- da pelo art. 23 do DL n 9 1.967/82." Impugnando tempestivamente a exigencia,.reporta-se a au- tuada ã origem do presente auto de infração, que e o processo relati- vo ao imponto de renda: - que o auto em questão foi originariamente calcado _np Balanço Geral, do qual se pediu retificação de Declaração de Renda: - que houve erros de escrituração, os quais se agravaram com a retificação do Balanço Geral e da Declaração de Rendimentos: - que tais erros não podem ser debitados a conta dos 56- cios da requerente em fraudar a Fazenda; que os mesmos tiveram a "in- Felicidade de contratar serviçOs de profissionais"que não se houveram eumcompeti:ncia. - que, em face de haver o Fisco constatado um paivo fictício superior ao prõprio faturamento da empresa, mandou proceder a uma audaoria em sua contabilidade, o que se acha em execução, ain- da não concluído, mas agraga que "embora tentando de formar persisten te", não se conseguiu descobrir como o agente fiscal chegou as suas conclusOes, pois não houve qualquer detalhamento das diferenças apura das e nem mesmo uma anelise mais profunda do movimento comercial da empresa". Pede, por isso a realização de uma diligencia fiscal,ou perícia, ''para que a verdade seja de fato apurada". A guisa de contestação, diz o autor do feito que o pre- sente depende da solução que for dada ao processo-matriz, por : isso 4 que opina por que se aguarde o julgamento do referido processo, ame- 1\1 xando c5pia da informação que prestou no mesmo. . segue- 3- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.875-001.077/87-:-78 Acjrdão n9 202-01.997 A decisão recorrida, fundada no fato de que a autuação referente ao Imposto de Renda foi julgada procedente, declara ir,udi- m-nfe mdnLida dita exigencia no processo presente, por tratar-se de "proeosno reflexo". Recurso tempestivo a este Conselho, protestando prelimi narmente pela não determinação da diligencia solicitada na impugna- ção, porque o Fisco, antes de fazer com que prevaleça o auto de 'in- fração, deve esgotar todas as medidas possiveis para apurar a verda- de. Reitera que os elementos colhidos pelo agente fiScal não conferem com a realidade de sua contabilidade, mesmo com os er- ros jã denunciados. Diz que não instrui o pedido com documentos porque o que esta em jogo e toda a sua escrita contãbil, por isso que reitera o pedido de diligência. e o relat6rio VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OSVALDO DWEDO DE OLIVEIRA Entendo que, no presente caso, a recorrente, alem de confessar, como fez na impugnação, parte de sua falta, pelos erros cometidos, no que diz respeito ã diligencia solicitada não o faz em termos objetivos, declarando apenas que ã toda a sua contabilidade que estã em jogo. Por essas razaes, nego provimento ao recurso. Sala as Sessaes,eh 14 / de setembro de 1988 / • OS ALDO TANCREDO DE OLIVEI"
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