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Numero do processo: 12963.000112/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/2005
NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No caso dos autos, está demonstrado o recolhimento parcial do tributo, motivo da aplicação da regra decadencial do Art. 150 do CTN e da conseqüente negativa de provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Rodolfo Gregório de Paiva Silva, OAB/SP nº 296.930, advogado do contribuinte.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No caso dos autos, está demonstrado o recolhimento parcial do tributo, motivo da aplicação da regra decadencial do Art. 150 do CTN e da conseqüente negativa de provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Rodolfo Gregório de Paiva Silva, OAB/SP nº 296.930, advogado do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 01 12 /2 00 7- 46 Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12963.000112/200746 Acórdão n.º 9202003.424 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 01430, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 01419, que deu provimento parcial a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/2005 SALÁRIO INDIRETO PREVIDÊNCIA PRIVADA DESCUMPRIMENTO DA LEI NATUREZA DE BÔNUS/PRÊMIO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A não extensão de PLANO DE PREVIDÊNCIA a totalidade de empregados exclui a isenção descrita no art. 28, §9° da Lei 8212/91. ART. 28, §9°, "P" INCONSTITUCIONALIDADE – NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. RECURSOS DE OFÍCIO NEGADO E VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 06/2002. Vencidos os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Ewan Teles Aguiar, que votaram por declarar a decadência até a competência 11/2001. II) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Costa e Ewan Teles Aguiar, que votaram por dar provimento ao recurso. III) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designado para redigir o voto quanto à decadência o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Esclarecendo, o recurso em questão trata de qual regra decadencial, expressa no CTN, deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que há decisões divergentes sobre a questão e que não há pagamento antecipado, na rubrica lançada, motivo da aplicação da regra decadencial determinada no Art. 173 do CTN, e não da disposta no Art. 150 do mesmo diploma legal. Por despacho, fls. 01436, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 01452, alegando que o recurso não deve ser conhecido e, caso seja, deve ser negado. Para registro, o sujeito passivo apresntou recurso especial da parte eu lhe foi desfavorável, que foi negado seguimento em sua totalidade, conforme as regras regimentais. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12963.000112/200746 Acórdão n.º 9202003.424 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12963.000112/200746 Acórdão n.º 9202003.424 CSRFT2 Fl. 5 7 Cabe destacar que na análise dos autos encontramos informação sobre valores recolhidos no período que importa para a definição da regra, fls. 0227. Portanto, como há recolhimentos, deve ser aplicada ao caso a regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11474.000066/2007-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
NORMAS GERAIS. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no Código Tributário Nacional (CTN) a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, a própria fiscalização, na lavratura do lançamento, informa que existiram recolhimentos parciais, motivo da utilização da regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN e da, conseqüente, negativa de provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
(OTACÍLIO DANTAS CARTAXO)
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no Código Tributário Nacional (CTN) a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, a própria fiscalização, na lavratura do lançamento, informa que existiram recolhimentos parciais, motivo da utilização da regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN e da, conseqüente, negativa de provimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) (OTACÍLIO DANTAS CARTAXO) Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
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DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no Código Tributário Nacional (CTN) a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, a própria fiscalização, na lavratura do lançamento, informa que existiram recolhimentos parciais, motivo da utilização da regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN e da, conseqüente, negativa de provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 47 4. 00 00 66 /2 00 7- 24 Fl. 911DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) (OTACÍLIO DANTAS CARTAXO) Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11474.000066/200724 Acórdão n.º 9202003.335 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade, fls. 0549, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0534, que decidiu dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÓES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 90, da Lei n° 8.212/91, o qual deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n cs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência; II) por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até 11/2001, vencidas as conselheiras Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por declarar a decadência das contribuições incidentes sobre salário indireto somente até 11/2000; e III) no mérito, em negar provimento ao recurso. Apresentará Declaração de Voto o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). André Luiz Maxim° Fogaça, OAB/SC n° Fl. 913DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 13298. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre a regra decadencial expressa no CTN, que deve ser aplicada. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que deve a decisão contrariou a legislação (CTN), que deve ser aplicada ao caso a regra decadencial expressa no Art. 173 do CTN, pois não há recolhimentos parciais consignados e solicita, por fim, o acolhimento e o proviemtno de seu recurso. Por despacho, fls. 0558, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0568, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida, por seus fundamentos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11474.000066/200724 Acórdão n.º 9202003.335 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e contrariedade à Lei, em tese, demonstrada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual regra decadencial, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento nas rubricas lançadas. Para o acórdão recorrido devese aplicar a regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 915DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 916DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11474.000066/200724 Acórdão n.º 9202003.335 CSRFT2 Fl. 5 7 em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Antes de decidir sobre qual regra decadencial utilizar, cabe deixar claro que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter Fl. 917DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Cabe destacar, que na análise dos autos encontramos, para o período que importa à resolução da lide, fls 0267 e 0268, e também no registro no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), fls. 0330, informação que o Fisco verificou recolhimentos efetuados. Portanto, claro está que existiram recolhimentos a homologar e que qualquer recolhimento está contido no termo remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, motivo da negativa de provimento ao recurso. CONCLUSÃO: Pelo motivo exposto, nego provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 918DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10880.902517/2006-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.902517/200624 Recurso nº 0.000.01Voluntário Resolução nº 1802000.581 – 2ª Turma Especial Data 25 de novembro de 2014 Assunto PER/DCOMP Recorrente KATUN BRASIL COMERCIO DE SUPRIMENTOS PECAS E EQUIPAMENTOS LTDA. (ATUAL DENOMINAÇÃO DE PNA BRASIL COMÉRCIO DE SUPRIMENTOS, PEÇAS E EQUIPAMENTOS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório. Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.170) que a seguir transcrevo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 51 7/ 20 06 -2 4 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.902517/200624 Resolução nº 1802000.581 S1TE02 Fl. 3 2 Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face de não homologação da Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 01 a 05 no valor de R$383.146,76. Nesta declaração a contribuinte aponta como origem do crédito pagamento a maior que o devido de IRPJ — Demais PJ obrigadas ao Lucro Real Ajuste (Código de Receita 2430) recolhido em 31/03/2003 no montante de R$1.542.149,06, referente ao período de apuração 31/12/2002. 2. A autoridade administrativa não homologou a compensação declarada porque o DARF discriminado teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP (quadro 3 de fl. 06). De acordo com este mesmo quadro, o pagamento no valor de R$1.585.791,87 foi utilizado para quitar débito no mesmo valor de código 2430 referente ao período de apuração 31/12/2002. 3. Cientificada em 30/07/2008 (fl. 08) do despacho decisório de fl. 06, a contribuinte, irresignada, apresentou em 25/08/2008 (fl. 11), representada por administrador (fls. 18 a 31) a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 18, instruída com os documentos de fls. 20 a 165, na qual alega em síntese que: 3.1. o despacho decisório, não fornece qualquer informação clara e precisa a respeito da suposta "inexistência do crédito", nem discrimina os supostos valores dos débitos da requerente, é nulo por falta de motivação, requisito necessário para a validade do ato administrativo, e elemento que afasta o cerceamento do direito de defesa; 3.2. em processo eletrônico, é dever da autoridade intimar o contribuinte para fazer a prova, que não pôde ser apresentada eletronicamente, sob pena de ofensa às cláusulas pétreas constitucionais do devido processo legal e da garantia à ampla defesa e ao contraditório (artigo 50, incisos LIV e LV, da Constituição Federal); 3.3. apesar de ter apurado em 31/12/2002 o complemento do valor anual do IRPJ no importe de R$1.542.149,06 (código DARF 2430), que foi recolhido em 31/03/2003 (cópia do DARF à fl. 33), na entrega da DIPJ, exercício 2003, apurou IRPJ a pagar no montante de R$1.129.574,34 (linha 18 da ficha 12 A A fl. 46); e 3.4. assim, diante da clareza e precisão dos fatos e documentos apresentados, não há como subsistir o despacho decisório, devendo ser homologadas as compensações declaradas, restando ainda um saldo credor a favor da manifestante no montante de R$29.427,96. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1626.034, de 14 de julho de 2010 (fls.169/172), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2003 PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.902517/200624 Resolução nº 1802000.581 S1TE02 Fl. 4 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Inexistindo nos autos comprovação que houve pagamento a maior que o devido, descabe homologar a declaração de compensação. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 20/8/2010 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 16/9/2010 (fls.174/187). As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer: 55a. Seja acolhida a preliminar arguida pela Recorrente, a fim de que seja considerado nulo o despacho decisório proferido pelo Sr.Auditor Fiscal, se não pela afronta ao principio da motivação, por ter, a referida decisão, ferido os princípios do contraditório e da ampla defesa. 55b. Em não sendo acolhida a aludida preliminar, o que se admite apenas por amor ao debate, requer seja o presente Recurso Voluntário conhecido e provido, a fim de que: a) Seja reconhecido o crédito tributário da Recorrente, no valor de R$ 412.574,74 (quatrocentos e doze mil, quinhentos e setenta e quatro reais e setenta e quatro centavos); b) Sejam homologadas as compensações declaradas pela Recorrente, a saber: a) IRPJ (estimativa), código 2362, período de apuração 01/07/2003, vencimento 29/08/2003, no valor de R$ 110.045,21 (cento e dez mil, quarenta e cinco reais e vinte e um centavos); b) CSLL (estimativa), código 2484, período de apuração 01/07/2003, vencimento 29/08/2003, no valor de R$ 60.625,08 (sessenta mil, seiscentos e vinte e cinco reais e oito centavos); c) e IPI (estimativa), código 1097, período de apuração 11/07/2003, vencimento 29/08/2003, no valor de R$ 212.476,47 (duzentos e doze mil, quatrocentos e setenta e seis reais e quarenta e sete centavos); c) Seja, consequentemente, reconhecida a extinção dos débitos citados acima, os quais, somados, totalizam a importância de R$ 383.146,76 (trezentos e oitenta e três mil, cento e quarenta e seis reais e setenta e seis centavos), bem como de seus encargos assessórios discriminados no despacho decisório; d) Caso seja constatada a ocorrência de equivoco por parte da Recorrente, seja ela autorizada a realizar a retificação da DCTF, a fim de que conste, tanto na DCTF quanto na DIPJ, o valor da complementação do IRPJ do anocalendário 2002 devido era de R$ 1.129.574,34 (um milhão, cento e vinte e nove mil, quinhentos e setenta e quatro reais e trinta e quatro centavos). É o relatório. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.902517/200624 Resolução nº 1802000.581 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 06760.79480.090903.1.7.040086, retificador (fls.01/05), transmitida em 09/09/2003, por meio do qual o contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ, CSLL e IPI, com crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, no valor de R$ 412.574,74 decorrente do DARF (código de receita: 2430, Período de Apuração: 30/12/2002, Data de Arrecadação: 31/03/2003, Valor: R$ 1.542.149,06). A Recorrente alega que a existência do pagamento a maior de IRPJ, código 2430, é constatada pela verificação do valor informado na DIPJ/2003 apresentada pela empresa em confronto com o DARF pago em 31/03/2002, referente ao período de apuração de 31/12/2002, no valor original de R$ 1.542.149,06, visto que para tal período de apuração, o valor do IRPJ devido é de R$ 1.129.574,34 (fl.46). Mediante o despacho de fl. 06, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil – Derat /São Paulo identificou o pagamento no valor de R$ 1.585.791,87 para quitação de débito do IRPJ, do período de apuração de 30/12/2002, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada desde a manifestação de inconformidade (fls. 11/18), alega, em síntese, que sua Declaração de Informações DIPJ demonstra o crédito. Consta da decisão de primeira instância que pesquisa no sistema SIEF DCTF de fl. 41 confirma que o débito de IRPJ Demais PJ obrigadas Lucro Real Ajuste (Código de Receita 2430) com fato gerador em 31/12/2002 é de R$1.542.149,06, o que demonstra que não há pagamento a maior como afirma a manifestante. Na fase recursal a Recorrente requer a retificação da DCTF, a fim de que conste, tanto na DCTF quanto na DIPJ, que o valor do IRPJ do anocalendário 2002 devido era de R$ 1.129.574,34. Do teor da IN SRF 45 de 1998, os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL seriam objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e Declaração de Rendimentos. Do despacho decisório da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil – Derat/São Paulo/SP (fl.06) não consta qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ relativa ao ano calendário de 2002 para que se verifique o real saldo a pagar do IRPJ em 31/12/2002. A recorrente juntou aos autos cópia da DIPJ/2003 na qual consta à fl.46, o saldo do IRPJ a pagar no valor de R$ 1.129.574,34 referente ao ano calendário de 2002. Portanto, confrontandose o valor apurado demonstrado na DIPJ/2003, fl.46, com o valor recolhido por meio de DARF, temse aparentemente o direito da Recorrente ao crédito do recolhimento a maior de IRPJ no valor de R$ 412.574,72. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.902517/200624 Resolução nº 1802000.581 S1TE02 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto no sentido de que sejam os autos encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil Derat São Paulo/SP, para confrontar a DIPJ/2003 com a escrituração contábil/fiscal, documentação que lhe deu lastro e informar qual o saldo a pagar do IRPJ a pagar relativo ao ano calendário de 2002 para que se possa confirmar ou não o direito creditório alegado. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000007/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. NÃO CONFIGURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A TERCEIRO
Não configuradas as hipóteses do artigo 124 do CTN, não é possível atribuir a responsabilidade solidária a terceiro que não possui interesse comum com o fato tributável.
Não se admite a extensão do arbitramento do lucro do sujeito passivo principal ao terceiro, uma vez que realizado com base em movimentações financeiras individualizadas. Exclusão do responsável solidário.
Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ. Sujeito passivo principal
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta correte mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO DE LUCRO.
Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantém-se a multa por infração qualificada.
MULTA AGRAVADA.
O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio somente se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1202-001.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente Rosa S/A e em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário do Recorrente Petro-Garças para excluir, tão somente, o agravamento da multa de ofício por não ter havido embaraço à fiscalização, mantido o lançamento nos demais aspectos, tal como constante da r. decisão recorrida.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Ricardo Diefenthaler (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. NÃO CONFIGURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A TERCEIRO Não configuradas as hipóteses do artigo 124 do CTN, não é possível atribuir a responsabilidade solidária a terceiro que não possui interesse comum com o fato tributável. Não se admite a extensão do arbitramento do lucro do sujeito passivo principal ao terceiro, uma vez que realizado com base em movimentações financeiras individualizadas. Exclusão do responsável solidário. Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ. Sujeito passivo principal DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta correte mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DE LUCRO. Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantém-se a multa por infração qualificada. MULTA AGRAVADA. O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio somente se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
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ARTIGO 124, I DO CTN. NÃO CONFIGURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A TERCEIRO Não configuradas as hipóteses do artigo 124 do CTN, não é possível atribuir a responsabilidade solidária a terceiro que não possui interesse comum com o fato tributável. Não se admite a extensão do arbitramento do lucro do sujeito passivo principal ao terceiro, uma vez que realizado com base em movimentações financeiras individualizadas. Exclusão do responsável solidário. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ. Sujeito passivo principal DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta correte mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DE LUCRO. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. MULTA AGRAVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 00 07 /2 01 0- 84 Fl. 3395DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.396 2 O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio somente se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente Rosa S/A e em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário do Recorrente PetroGarças para excluir, tão somente, o agravamento da multa de ofício por não ter havido embaraço à fiscalização, mantido o lançamento nos demais aspectos, tal como constante da r. decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Ricardo Diefenthaler (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados em face de PetroGarças Distribuidora de Petróleo Ltda. e Rosa S/A Indústria e Comércio de Produtos Agrícolas para o lançamento e cobrança de créditos tributários a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. O valor total dos créditos tributários pretendidos é de R$ 34.268.655,99, já inclusos juros e multa agravada de 150%. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 226/238, foram lavrados os Autos de Infração em questão mediante arbitramento do lucro das Recorrentes. Isso porque as Recorrentes foram intimadas em diversas ocasiões para apresentação de documentos que comprovassem o cumprimento das obrigações tributárias do IRPJ, no ano calendário de 2005, em razão da incompatibilidade entre omissão na entrega da DIPJ e a constatação de elevada movimentação financeira (dados da CPFM) no valor de R$ 168.619.821,66 (fls. 226). Fl. 3396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.397 3 As intimações não foram entregues às Recorrentes, uma vez que os envelopes com as intimações foram devolvidos pelo Correio diante da alteração do endereço. Diante da impossibilidade de intimação das Recorrentes, foi realizada intimação por edital para que as Recorrentes apresentassem os documentos solicitados pela fiscalização. O objetivo principal da fiscalização era verificar se realmente ocorreram as atividades de distribuição de combustíveis ou se o sujeito passivo acobertou atividades de terceiros, uma vez que não comprovou sua capacidade operacional para operar a atividade de distribuição de combustível, sem ao menos indicar a localização da realização da atividade. Foram fiscalizados remetentes e beneficiários, bem como foram solicitadas informações às instituições financeiras, diante do não atendimento à fiscalização. A maioria das operações ocorreu com usinas e destilarias de álcool, bem como junto às empresas transportadoras identificadas em notas fiscais das destilarias, sem a indicação do local do descargo. Finalizada toda a fiscalização, verificouse que as Recorrentes não efetuaram os pagamentos dos tributos devidos, bem como que os registros como distribuidores foram cancelados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP em 2009 (fls. 160), tendo como fundamento a falta de apresentação das comprovações exigidas para o funcionamento, diante da não localização do estabelecimento. Foi determinada a responsabilidade solidária entre as Recorrentes, no que tange à distribuição de receitas de revendas de combustíveis, nos termos do artigo 124, I do CTN. Constatou a fiscalização que, no caso concreto, as aplicações de recursos são maiores que os recursos declarados, sendo presumível que as Recorrentes teriam recebidos recursos que foram omitidos, como se comprovam de depósitos bancários realizados sem origem da comprovação. Diante dessas conclusões, foram lavrados os mencionados Autos de Infração. Em face da Recorrente PetroGarças foram atribuídas as práticas de (i) omissão de receita decorrente da existência de depósitos bancários sem origem comprovada; (ii) sonegação, por entender a fiscalização que a Recorrente agiu e omitiu com dolo para impedir ou retardar a análise de informações; e (iii) ocultação de receitas não declaradas na revenda de combustíveis. Intimadas, a Recorrente PetroGarças apresentou Impugnação (fls. 285/294) sob os seguintes fundamentos, em síntese: (i) A Recorrente teria prestado as informações solicitadas pela fiscalização; (ii) A fiscalização deixou de se manifestar sobre as informações prestadas pela Recorrente; (iii) O movimento financeiro não representa lucro ou renda de qualquer pessoa jurídica ou física, uma vez que, pela conta corrente podem ter passados diversos valores sem ter ocorrido apropriação; (iv) A movimentação financeira não é base de cálculo para o recolhimento do imposto; e Fl. 3397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.398 4 (v) O caráter confiscatório da multa e a necessidade de aplicação do princípio da razoabilidade. A Recorrente Rosa S/A Indústria e Comércio de Produtos Agrícolas também apresentou Impugnação (fls. 244/249), sob os seguintes argumentos, em síntese: (i) O Termo de Verificação Fiscal foi lavrado em face de PetroGarças Distribuidora de Petróleo Ltda., tendo sido realizado arbitramento com base nas movimentações financeiras da referida empresa; (ii) Foi atribuída responsabilidade solidária à Recorrente Rosa S/A com fundamento no artigo 124, I do CTN, quando há, portanto, interesse comum entre os responsáveis solidários na situação que constitui fato gerador da obrigação principal; (iii) Não seria possível admitir a responsabilidade solidária entre as pessoas jurídicas, uma vez que não há vinculo societário entre elas, mesmo que atuantes no mesmo segmento comercial; (iv) Não seria possível vincular o arbitramento de lucros e receitas do sujeito passivo principal e do responsável solidário por atribuição com base nas informações de pessoa jurídica distinta; (v) Os objetos sociais das suas pessoas jurídicas são diversos: a PetroGarças atua como distribuidora de combustível para o comércio varejista em geral; a Rosa S/A atua na produção de álcool combustível, manufaturando matériaprima (canadeaçúcar) ou industrializando para terceiros, mediante a transformação em álcool combustível; (vi) Os interesses das duas partes não convergem, o que impossibilita a aplicação da solidariedade do artigo 124 do CTN; (vii) Se a obrigação acessória era da PetroGarças e esta não apresentou e escriturou seus livros fiscais, a sua inércia e efeitos não podem ser transferidos para terceiros, no caso, a responsável solidária; (viii) Violação ao princípio da razoabilidade considerando a multa agravada de 150%; e (ix) Foram apresentadas notas fiscais por amostragem, juntamente com a impugnação que comprovam a existência de fato gerador diverso do atribuído à PetroGarças. Submetida à apreciação pela DRJCampo Grande/MS, foi proferido acórdão (fls. 325/334) que manteve o lançamento do crédito tributário nos seguintes termos: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005 ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INVIOLABILIDADE DE DADOS. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE. POSSIBILIDADE. SIGILO FISCAL. Não cabe, no âmbito do processo administrativo, o controle de constitucionalidade de leis. Ademais, considerando que não existem direitos absolutos, é possível, respeitado o critério da proporcionalidade, que alguns direitos cedam em favor de outros igualmente tutelados pelo ordenamento jurídico. Quanto aos dados relativos à Fl. 3398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.399 5 movimentação financeira, antes protegidos pelo sigilo bancário, passam agora a ficar sob o sigilo fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. ORIGEM NÃO ESCLARECIDA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção ‘juris tantum’ de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, não comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. PROVEITO PARA TODOS OS QUE PARTICIPARAM DO FATO. Existe interesse comum, dando ensejo à solidariedade tributária passiva, quando a situação que se constitui como fato gerador do tributo proporciona ganho ou vantagem para aqueles que realizaram o fato. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. ORIGEM NÃO ESCLARECIDA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção ‘juris tantum’ de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, não comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. ORIGEM NÃO ESCLARECIDA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção ‘juris tantum’ de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, não comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. ORIGEM NÃO ESCLARECIDA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção ‘juris tantum’ de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, não comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Regularmente Intimadas (fls. 351/352), as Recorrentes apresentaram Recursos Voluntários (fls. 353/363 e 367/371). A Recorrente PetroGarça repetiu os argumentos constantes da sua Impugnação, reiterando que a utilização de informações de movimentações financeiras viola o Fl. 3399DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.400 6 princípio constitucional da inviolabilidade de dados e o sigilo bancário fiscal (artigo 5º, X e XII da CF). A Recorrente Rosa S/A também interpôs Recurso Voluntário, sob o fundamento de que (i) o arbitramento dos créditos tributários foi realizado com base na movimentação financeira do devedor principal PetroGarças; (ii) não se aplicam as disposições do artigo 124, inciso I do CTN; (iii) impossibilidade de vinculação a terceiro do arbitramento imposto a uma pessoa jurídica; (iv) não comprovação da participação da Recorrente Rosa S/A nos fatos geradores que acarretaram no lançamento do crédito em nome do devedor principal; e (v) as notas fiscais apresentadas pela Rosa S/A demonstram que a relação com o devedor principal tinha caráter mercantil para o fornecimento de álcool. É o Relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Os Recursos Voluntários são tempestivos (AR – fls. 351) e preenchem os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, deles tomo conhecimento e passo à análise de suas razões. Primeiramente, cumpre analisar a questão da solidariedade atribuída ao Recorrente Rosa S/A com fundamento no artigo 124, inciso I do CTN. O referido artigo dispõe, in verbis: “Art. 124. São solidariamente responsáveis: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. II – As pessoas expressamente designadas por lei” O conceito de “solidariedade” pode ser definido quando “na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigação à dívida toda”, tal como definição do artigo 896, caput do Código Civil. Dessa forma, “o credor tem direito a exigir e receber de um ou alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum” (artigo 904, caput do Código Civil). Todavia, diante do quanto consta nos autos, entendo que deve ser mantida a responsabilidade solidária da Recorrente Rosa S/A, como muito bem delimitado pela DRJ (fls. 332/336): 1.1 “SUJEIÇÃO PASSIVA DE ROSA S.A. — INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS 2 Agrícolas A segunda impugnante, Rosa S.A., limitouse a pleitear sua exclusão do polo passivo, alegando ser parte ilegítima na relação jurídica de direito material, não tendo praticado o fato gerador da obrigação tributária, nem podendo responder por atos cometidos pela primeira impugnante, PetroGarças. Fl. 3400DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.401 7 A infração apurada pela Fiscalização consistiu em omissão de receitas, sendo que parte dessa omissão foi lançada com base na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/1996 (extratos bancários) e a outra parte, com fulcro nas notas fiscais emitidas por PetroGarças. É apenas em relação a esta alma que Rosa S.A. figura como devedora solidária. Os créditos constituídos pelos lançamentos podem ser resumidos no quadro abaixo: (...) A sujeição passiva de Rosa S.A. restringese aos lançamentos que, tendo por base as notas fiscais emitidas por PetroGarças, perfazem o total de R$ 2.324.163,38. E em relação a esta parte que, a juizo da Fiscalização, se materializou a hipótese de solidariedade tributária, tendo em vista que, da análise dos documentos obtidos, extraise a conclusão de que ambas, PetroGarças e Rosa S.A., operaram em conjunto, tanto no recebimento de combustíveis das destilarias e usinas, quanto na distribuição do produto aos postos de abastecimento, emergindo dessa atuação conjunta o interesse comum, previsto no inciso I do art. 124 do CTN, que se constitui como causa da solidariedade tributária. Não é tarefa das mais fáceis delimitar o sentido e o alcance da expressão interesse comum, utilizada no art. 124, inciso I, do CTN, uma vez que se trata de conceito jurídico indeterminado e que, por essa razão, há de ser examinado caso a caso, a vista das circunstâncias fáticas da situação em exame. Aliás, não é por outra razão que os doutrinadores, em geral, quando cuidam do tema, se abstêm de definir interesse comum, limitandose a fornecer exemplos de situações nas quais ele estaria presente. Os casos normalmente lembrados são o da propriedade em condomínio, em relação aos proprietários; o da sociedade de fato (despersonalizada), em relação aos sócios; o da importação de determinado produto estrangeiro feita por duas ou mais pessoas em conjunto, em relação aos importadores. Assim, malgrado não haja definição do que vem a ser interesse comum, em todos os exemplos citados, percebese a presença de um mesmo elemento, que pode ser adotado como diretriz para a verificação do interesse comum. Tratase do proveito, ganho ou vantagem extraída da situação que configura fato gerador da obrigação tributária. Nesse sentido, a solidariedade seria decorrência do ganho comum obtido por todos os envolvidos na realização do fato. Esse entendimento, que é sustentado, entre outros, pelo Procurador da Fazenda Nacional, Gilberto Etchaluz Vilela (A Responsabilidade Tributária. Livraria do Advogado, 2001, pp.52 a 59), está em consonância com a posição defendida por Paulo de Barros Carvalho, quando afirma: A diretriz do interesse comum dos participantes na realização do evento, sobre ser vaga, não é roteiro seguro para a indicação do nexo que se estabelece entre os devedores da prestação tributária. Basta imaginar que tanto o prestador quanto o tomador do serviço, em se tratando de ISSQN, estão interessados na concretização Fl. 3401DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.402 8 da ocorrência, mesmo porque, não fora assim, e o acontecimento não se daria. Todavia, nem por isso, ousaríamos proclamar o absurdó de que ambos seriam devedores solidários. Da mesma forma no ICMS, no IPI e em muitas outras exações do nosso sistema. Sucede que em nenhuma daquelas situações cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que mostra a precariedade do caminho apontado pelo inciso I do art. 124. 0 critério será aplicável unicamente em circunstâncias em que não haja bilateralidade no seio do evento tributado, como, por exemplo, no caso do IPTU, quando duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Havendo, porém, interesses contrapostos, objetivos antagônicos no núcleo da ocorrência que recebeu a percussão da norma tributária, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber a carga tributária." (Direito Tributário. Fundamentos Jurídicos da Incidência. Saraiva, 1998, p. 155) O exame dos documentos trazidos aos autos e dos elementos probatórios reunidos pela Fiscalização bem demonstra a existência, no caso em tela, do interesse comum, que se traduz no ganho oriundo de operações realizados em conjunto pelas duas impugnantes, PetroGarças e Rosa S.A. A Fiscalização identificou, a partir do exame dos extratos das contas bancárias de PetroGarças, depositantes e beneficiários das quantias que transitaram pelas referidas contas. Tais pessoas (clientes e fornecedores) foram intimadas a prestar esclarecimentos, com o objetivo de verificar se efetivamente ocorreram operações de distribuição de combustíveis, ou se PetroGarças se prestou tãosomente a acobertar atividades de terceiros, já que não comprovara ter capacidade operacional para desempenhar a aludida atividade. O atendimento as intimações pelas diversas empresas trouxe aos autos copiosa documentação que evidenciou a atuação conjunta de PetroGarças e Rosa S.A., tanto no recebimento do álcool das usinas e destilarias, quanto na distribuição aos postos revendedores. O Anexo III deste processo contém várias notas fiscais relativas a aquisição de combustíveis por PetroGarças, constando da maioria delas a anotação de que a entrega do produto seria realizada no estabelecimento de Rosa S.A. Assim ocorreu em relação ás vendas efetuadas por Nardini Agropecuária Ltda., que emitiu os documentos de fls. 508 a 571 do Anexo III, no qual consta observação naquele sentido. Mesma observação contêm os documentos emitidos por Edi Moreira da Silva, sócio de PetroGarças (Anexo III, fls. 577 a 578). Situação idêntica se constata nos documentos emitidos por Santa Cruz S.A. — Açúcar e Alcool (fls. 582 a 590, 593 a 599, 602 e 603,606 a 613, 616 a 627, 630 a Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.403 9 639, 642 a 648, 651 a 661, 664 a 672, 675 a 680, 683 a 694, 697 a 710, 713 a 728, 732 a 799 e 802 a 823, todas do Anexo III); e por Usina Bazan S/A (fls. 883 a 899, 901 a 912, 917, 920 a 927, 930 e 933 a 938, do Anexo III). Anotação de mesmo conteúdo se acha nos documentos emitidos por Sociedade Corretora de Alcool Ltda. — SCA, que intermediou vendas realizadas por Usina da Barra S/A — Açúcar e Álcool (fls. 989, 993, 995, 998, 1003, 1005, 1007, 1009, 1011, 1012,1013, 1022 e 1028, do Anexo III). Teve o mesmo destino o produto cuja venda foi intermediada por Unido Corretora SPC (fl. 1108, do Anexo III); bem como os produtos fornecidos por Viralcool Açúcar Ltda (fls. 1118 a 1127 do Anexo III). No Anexo IV consta (fls. 18) um documento emitido por Transportadora Transouza Ltda., no qual se afirma ter sido realizado o transporte de álcool combustível destinado a PetroGarças, sendo que o produto teria sido entregue no estabelecimento de Rosa S.A. (fls. 18 a 25) Quanto as vendas realizadas por PetroGarças, de acordo com os documentos fiscais por ela mesma emitidos, o combustível sairia do estabelecimento da segunda impugnante, Rosa S.A. (documentos constantes do Anexo II). 0 fato de os produtos adquiridos por PetroGarças serem sistematicamente entregues no estabelecimento de Rosa S.A.; e de os produtos vendidos pela primeira saírem quase sempre do estabelecimento da segunda insinua a atuação conjunta apontada pela Fiscalização. Existem ainda outros elementos indicando fortemente no sentido da atuação conjunta. No contrato de fls. 587 a 593 do Anexo II, Edi Moreira da Silva, sócio de Petro Garças, figura, juntamente com a empresa Moriah Agropecuária e Incorporadora Ltda., empresa da qual ele também era sócio, como garante das obrigações assumidas por Rosa S.A. Em outro contrato (fls. 608 a 623 do Anexo II) é Rosa S.A. quem assume a posição de garantidor das obrigações assumidas por PetroGarças. No contrato de fls. 679 a 684 do Anexo II, fica evidenciada a ligação das duas empresas, porquanto o pagamento pela venda dos produtos especificados no contrato seria efetuado mediante depósito na conta bancária de Rosa S.A. Esses fatos revelam uma ligação entre a primeira e a segunda impugnantes que estava muito além de uma simples relação comercial. Nesse sentido, é contundente o conteúdo do documento de fls. 503 a 504 do Anexo II, emitido por Guaraiti Auto Posto Ltda., no qual esta empresa se refere a Edi Moreira da Silva como sendo o proprietário de ambas as empresas, PetroGarças e Rosa S.A, o que leva a crer Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.404 10 que, embora formalmente Edi Moreira da Silva não tivesse ligação com Rosa S.A., na prática se apresentava e agia como seu proprietário. Finalmente, é importante lembrar que PetroGarças teve sua inscrição no CNPJ declarada inapta por inexistência de fato da empresa, com efeitos a partir de janeiro de 2005 (fl. 325). Essa medida s6 é adotada quando o estabelecimento da empresa não é encontrado e quando as atividades econômicas não são efetivamente desenvolvidas. PetroGarças não apresentara as declarações exigidas pela legislação tributária federal, nem pagara os respectivos tributos. Essa circunstancia, dada a ligação existente entre PetroGarças e Rosa S.A., não poderia ter sido ignorada pela segunda. Todos esses fatos indicam que as operações praticadas pela segunda impugnante foram encampadas pela primeira, deixando assim evidenciado o interesse comum que enseja a solidariedade tributária prevista no art. 124, inciso I, do CTN.” O mesmo deve ser aplicável à Recorrente PetroGarças. Como constou do relatório, o objetivo principal da fiscalização era verificar se realmente ocorreram as atividades de distribuição de combustíveis, ou se o sujeito passivo principal teria acobertado atividades de terceiros, uma vez que não comprovou sua capacidade operacional para operar a atividade de distribuição de combustível, sem nem ao menos indicar a localização da realização da atividade. Constatou a fiscalização que, no caso concreto, as aplicações de recursos eram maiores que os recursos declarados, sendo presumível que o sujeito passivo principal teria recebido recursos que foram omitidos, como comprovaram os depósitos bancários realizados, sem identificação de origem. A suspeita da fiscalização originouse de informações de movimentações financeiras decorrentes dos valores pagos a título de CPMF, incidente, na época, sobre essas movimentações. O volume de movimentações acarretou na retenção de CPMF que não era condizente com os valores declarados. A Recorrente já havia sido fiscalizada anteriormente, sendo que o crédito tributário decorrente da primeira fiscalização já se encontrava sob análise da Procuradoria da Fazenda Nacional para viabilizar a cobrança executiva referente a outro período. Alega a Recorrente que a fiscalização deixou de analisar os documentos apresentados. Os documentos solicitados pela fiscalização, em especial os de movimentação financeira, não foram apresentados pela Recorrente. Em dado momento (04/12/2009 – consoante fls. 227) a Recorrente chegou a alegar, por meio de seu sócio Edi Moreira da Silva, que deixou de apresentar os extratos bancários porque a instituição financeira cobrava elevada taxa para a emissão de tais documentos e que se dispunha ao cumprimento das demais exigências. Fl. 3404DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.405 11 Os extratos bancários consistem em documentos essenciais para verificar se existiram valores não declarados pela Recorrente. Se não declarados ou com o intuito de omitir tais informações, logicamente que estes valores não foram contabilizados e, desta forma, não foram incluídos nos valores declarados ao Fisco Federal. Alega a Recorrente que sua movimentação bancária não poderia servir como base para a tributação imputada por arbitramento ou como base para o recolhimento do Imposto de Renda. Esta alegação está incorreta sob o ponto de vista que argumenta a Recorrente de que não poderia ser tributada se não houve acréscimo patrimonial. O arbitramento, no caso de comprovação de sonegação fiscal e omissão de receitas, objetiva exatamente a cobrança dos valores não declarados pelo contribuinte, sobre os quais há incidência de tributação. Como esclarece HIROMI HIGUSHI, “o artigo 538 do RIR/99 dispõe que o arbitramento do lucro não exclui a aplicação das penalidades cabíveis. Isso significa que o arbitramento do lucro é uma forma ou regime de tributação, não constituindo em penalidade. Com isso, se a iniciativa do arbitramento for do Fisco, sobre o imposto de renda devido será aplicada a multa de ofício de 75% ou 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96”. (in Imposto de Renda das Empresas, IR Publicações Ltda., 2014, 39ª edição, página 118). O arbitramento realizado pela fiscalização não é do imposto de renda, ou dos demais tributos objeto dos lançamentos. O arbitramento é do lucro, e não do imposto a pagar, com base nas movimentações financeiras que a Recorrente tentou omitir, por sua vez inicialmente verificado a partir da CPMF incidente sobre tais movimentações que destacou a discrepância com os valores declarados e recolhidos a título de obrigação tributária. Como bem destacado na r. decisão recorrida, o procedimento de fiscalização está amparado na Lei Complementar nº 105/2001 e nas Leis nºs 9.311/96 e 9.430/96. O arbitramento decorre de ato, ou melhor, de omissão do contribuinte, sob algum aspecto. No caso, na omissão quanto à apresentação de documentos que comprovem sua movimentação contábil e justifiquem a discrepância entre esta e os valores recolhidos ao Fisco Federal. O sigilo bancário é uma garantia tutelada pelo ordenamento jurídico, mas também não é absoluta. E só não é absoluta se considerada a hipótese flagrante de tentativa de sonegação, tal como ocorreu no caso concreto. A quebra do sigilo bancário automaticamente acarreta no surgimento do sigilo fiscal, nos termos do artigo 198 do CTN. Portanto, ao contrário do que alega a contribuinte, a legislação tributária mantém a proteção do contribuinte, evitando que terceiros além da relação tributária (Fisco X contribuinte) tenham acessos a estas informações sigilosas. Verificada a possibilidade de fraude, é dever da Autoridade Fiscal a análise de toda a movimentação financeira, mesmo que mediante a quebra do sigilo bancário, de forma justificada, até mesmo porque o lançamento é uma atividade vinculada, nos termos também do artigo 37 da Constituição Federal. Neste caso, quando a Autoridade Fiscal obteve de forma unilateral os extratos bancários o fez nos termos do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001. Vejamos: Fl. 3405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.406 12 “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária”. Portanto, considerando os indícios de omissão de rendimentos, agiu de forma acertada a Autoridade Fiscal ao proceder a quebra do sigilo bancário da empresa. Segue em sentido análogo o entendimento do CARF: “Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Preliminar rejeitada. Recurso negado”. (CARF, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária; Acórdão nº 2202002.600, Processo Administrativo nº 10120.007660/200874). Não comprovada a origem dos recursos financeiros, tem a autoridade fiscal o dever e o poder de considerar os valores depositados como sendo receitas tributáveis e omitidas. Dessa forma, poderá efetuar os devidos lançamentos dos tributos correspondentes com base no arbitramento do lucro. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal que rege a Administração Pública (Princípio da Legalidade – artigo 37 da CF). Assim, é obrigação dos contribuintes comprovar, por documentação hábil e idônea, que os depósitos e as movimentações financeiras não configuraram real omissão de receita. Em resumo, por meio do artigo 42 da Lei 9.430/96, resta estabelecida a presunção legal de omissão de rendimento que, por si só, autoriza o lançamento do imposto e tributos correspondentes. Face a manifesta presunção o ônus da prova se inverte devendo ser então do contribuinte, que o fará por documentação hábil e idônea. Fl. 3406DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.407 13 Este é o posicionamento deste Tribunal Administrativo. Vejamos: “Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ÔNUS DA PROVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). (...) Recurso Voluntário Provido em Parte”. (CARF; 2ª Turma Especial; Acórdão nº 2802002.853, Processo Administrativo nº 18471.001921/200521). Dessa forma, deve ser mantida a r. decisão recorrida no que concerne ao reconhecimento da omissão de receita e mantido o arbitramento do lucro que serviu de base de cálculo para os lançamentos objeto da autuação fiscal. Com relação às multas aplicadas, passo a tecer as seguintes considerações. Foram aplicadas duas multas de ofício, (i) a primeira pelo embaraço à fiscalização, e (ii) a segunda, pela configuração de omissão de receita. No caso da primeira multa, foi mantido o montante de 75%. Com relação à segunda multa, por configuração de omissão de receita, a multa de ofício foi aplicada em 150%. Alegou a Recorrente que o percentual total das multas configura violação ao princípio da vedação ao confisco. Entretanto, este argumento está equivocado, em parte. A fixação da multa de ofício agravada em 150% decorre da penalidade aplicada à contribuinte pela prática de ato doloso, com culpa ou mediante prática de atos fraudulentos, situações essas configuradas no presente caso diante da comprovação da omissão de receita, prática de ato doloso. A Súmula nº 34 deste CARF determina, in verbis, que “Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas”. Ou seja, a multa qualificada decorrente da configuração da omissão de receita deve ser mantida, tal como aplicada pela D. Autoridade Fiscal. Tais atitudes, somadas ainda ao não atendimento de fiscalização, configuram a fraude prevista no artigo 72, da Lei 4.502/64 e, por consequência, em crime contra a ordem tributária, nos termos do artigo 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. O mesmo não ocorre com relação à multa de 75% aumentada nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado para intimação e apresentação de documentos. Isso porque não é possível agravar a multa de ofício sob o fundamento de que ocorreu embaraço à fiscalização quando se tratar de hipótese em que o lucro foi arbitrado pela autoridade fiscal, tal como no caso concreto, pois seria uma tripla penalidade, uma vez já Fl. 3407DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14098.000007/201084 Acórdão n.º 1202001.203 S1C2T2 Fl. 3.408 14 imposto o arbitramento e a qualificação (150%) da multa, destoandose do princípio da razoabilidade que rege as atividades da Administração Fazendária. Sendo assim, com relação ao agravamento da multa de ofício pelo embaraço à fiscalização, entendo pela sua impossibilidade. Tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente Rosa S/A e no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário do Recorrente PetroGarças para excluir, tãosomente, o agravamento da multa de ofício por não ter havido o embaraço à fiscalização, mantido o lançamento nos demais aspectos, tal como constante da r. decisão recorrida. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 3408DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901938/2009-54
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1801-002.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 19 38 /2 00 9- 54 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.901938/200954 Acórdão n.º 1801002.207 S1TE01 Fl. 125 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.. Relatório ABOLIÇÃO CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1239.205 (fl. 50), pela DRJ Rio de Janeiro I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 14094.56013.300306.1.3.047415 (fl. 12), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 6: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que afirma existir equívoco na decisão atacada, uma vez que o crédito apontado tem origem em pagamento a maior e não em estimativa a ser aproveitada no saldo negativo. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dando a seguinte ementa à sua decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO A falta de comprovação do crédito implica no não reconhecimento do direito credit6rio e conseqüentemente a não homologação da compensação. Cientificado dessa decisão em 10/05/2013, por meio de remessa postal (fl. 62), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 65), em 07/06/2013 (fl. 63), em que alega que o único fundamento da decisão recorrida é a impossibilidade de compensação de crédito originado em pagamento de estimativa e que tal fundamento contraria a ordem jurídica. É o relatório Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.901938/200954 Acórdão n.º 1801002.207 S1TE01 Fl. 126 3 Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual extinguiu débito de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2006, apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ referente a janeiro de 2006. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual da contribuição. A decisão da DRJ manteve a decisão de não homologação baseada em dois fundamentos. No seu primeiro fundamento, a decisão recorrida afirma que o indébito teria surgido em razão de DCTF retificadora e, nesse caso, é exigido do contribuinte que demonstre o erro que deu ensejo à referida retificação, o que não teria ocorrido na espécie. Todavia, verificase que a DCTF retificadora apontada foi apresentada em 31/03/2006 (fl. 8), um dia após a apresentação da DCOMP em análise (30/03/2006) e muito antes da ciência do despacho decisório de não homologação, dada em 02/04/2009. Neste caso, a DCTF tem presunção de legitimidade na mesma medida da DCTF original, em razão do §1º do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.100, de 2010: § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Assim, não assiste razão à decisão recorrida ao afastar a compensação com esse fundamento. No seu segundo fundamento, a decisão recorrida faz coro com a decisão da DRF por não homologar a compensação em razão de seu crédito ter origem em pagamento a maior de estimativa, o que seria defeso. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.901938/200954 Acórdão n.º 1801002.207 S1TE01 Fl. 127 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10611.720363/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 07/04/2009 a 07/07/2010
INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DE IMPORTAÇÕES. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO.
Mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento, nos termos do artigo 169, inciso I, alínea b do Decreto lei nº 37, de 1966, não se sujeitam à multa administrativa ao controle das importações quando corretas as descrições nas DIs, de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de 1997.
CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. MULTA. APLICABILIDADE.
A incorreção da classificação da mercadoria, em código da NCM indicado pelo importador, enseja a aplicação da multa proporcional de 1% do valor aduaneiro da mercadoria.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.297
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Francisco Carlos Rosas Giardini, OAB/DF nº. 41.765.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MULTILASER INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 07/04/2009 a 07/07/2010 INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DE IMPORTAÇÕES. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. Mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento, nos termos do artigo 169, inciso I, alínea “b” do Decreto lei nº 37, de 1966, não se sujeitam à multa administrativa ao controle das importações quando corretas as descrições nas DIs, de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de 1997. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. MULTA. APLICABILIDADE. A incorreção da classificação da mercadoria, em código da NCM indicado pelo importador, enseja a aplicação da multa proporcional de 1% do valor aduaneiro da mercadoria. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Francisco Carlos Rosas Giardini, OAB/DF nº. 41.765. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 03 63 /2 01 1- 91 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 778 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação. Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (fls. 609 e seguintes) , in verbis: Tratase de Auto de Infração (fls. 01 a 27 do processo digital) lavrado por Auditora da IRF Belo Horizonte MG, em razão da classificação incorreta da mercadoria importada através de Declarações de Importação (DI) registradas nessa Inspetoria, relacionadas às fls. 21 a 23 e objeto dos Demonstrativos de fls. 01 a 11 e 12 a 19 dos autos digitais. A autoridade lançadora afirmou que a mercadoria foi descrita, nas respectivas DI, nos campos “Descrição detalhada da mercadoria” como “Amplificadores elétricos de áudio freqüência...” (fls. 82 e 83), quando se tratava de caixas acústicas com altofalantes (um altofalante por caixa). O código da NCM/TEC utilizado pelo importador para a classificação dos Altofalantes foi: 8518.40.00 “Amplificadores elétricos de audiofreqüência”. A autoridade lançadora manteve a Posição 8518, mas alterou a Subposição de primeiro nível para 8518.2 “Altofalantes, mesmo montados nos seus receptáculos”, desdobrandoa na Subposição de segundo nível 8518.21.00 “Altofalante único montado no seu receptáculo” Apesar das alíquotas dos tributos incidentes sobre as mercadorias dos códigos 8518.40.00 (adotado pelo importador) e 8518.21.00 (indicado pela fiscalização) serem as mesmas, o importador, segundo a autoridade lançadora, pretendia não ser atingido pelas disposições da Resolução Camex nº 66, de 2007, que estabeleceram a aplicação de direito antidumping definitivo, no valor de US$ 2,35 por quilograma, para os bens classificados nos códigos NCM 8518.21.00 e 8518.22.00 (o código 8518.40.00, adotado pelo sujeito passivo não se sujeitava a essa exigência). Discorre, a autoridade lançadora, sobre a classificação fiscal dos bens, dizendo que o importador, durante o período de abril de 2009 a julho de 2010 classificou os altofalantes no código NCM 8518.40.00, como amplificadores elétricos de audiofrequência, mas que, na verdade, os bens se caracterizavam como caixas acústicas com altofalantes onde, apenas em uma delas, havia também um amplificador. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 779 3 Além disso, a partir de 07.02.20081, o licenciamento não automático passou a ser exigido especificamente para os bens abrangidos pelo destaque tarifário 001 Produtos sujeitos a direitos antidumping, abrangidos pelos códigos NCM 8518.21.00 e 8518.22.00 (Resolução Camex nº 66/2007). Em razão da classificação incorreta dos bens importados e por sua falta de licenciamento quando da sua reclassificação tarifária, considerando que na sua descrição, nos documentos de importação, faltaram os elementos necessários à sua perfeita identificação e correta classificação, foi lavrado o AI de fls. 01 a 27 para a cobrança de: a) multa por infração ao controle administrativo das importações, no percentual de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, no montante de R$ 1.144.432,02 (um milhão, cento e quarenta e quatro mil, quatrocentos e trinta e dois reais e dois centavos), de acordo com o artigo 169, inciso I, alínea “b”, e § 2º, inciso I, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003; e b) multa por classificação incorreta da mercadoria na NCM, no montante de R$ 39.386,44 (trinta e nove mil, trezentos e oitenta e seis reais e quarenta e quatro centavos), ao amparo do artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003. Totalizou o crédito tributário o valor de R$ 1.183.818,46 (um milhão, cento e oitenta e três mil, oitocentos e dezoito reais e quarenta e seis centavos) (fl.20). Ao Auto de Infração, além dos Demonstrativos de Apuração do Crédito Tributário e do Termo de Encerramento, foram anexados: Relatório de Ação Fiscal, às fls. 31 a 88, além dos extratos dos documentos referentes às importações dos produtos. Há que ressaltar que há dois Autos de Infração (AI), lavrados pela fiscalização da mesma Inspetoria (IRFBHE), contra a mesma empresa, tratando ambos de altofalantes, porém com infrações diferentes, a saber: 1) AI objeto do presente processo, nº 10611.720363/201191, do qual constam as mesmas DI que fazem parte do outro processo; o presente lançamento versa sobre a reclassificação dos produtos importados para a cobrança de multa administrativa ao controle das importações, no percentual de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias (falta de licenciamento), e multa de 1% sobre o valor aduaneiro dos bens (classificação incorreta). 2) AI objeto do processo nº 10611.720432/201167, do qual constam as mesmas DI abrangidas pelo processo anterior, que cobrem a importação de bens incorretamente classificados, segundo a autoridade lançadora, que os reclassificou; mas, além dessas DI, também constam outras, nas quais os mesmos bens foram corretamente classificados pelo importador; esse segundo AI foi lavrado para a cobrança dos direitos antidumping incidente sobre a totalidade dos bens mencionados, acrescidos da multa de ofício de 75%. DA IMPUGNAÇÃO Intimado, o sujeito passivo apresentou tempestivamente a sua impugnação, recebida pela IRF BHE em 14.05.2011, às fls. 387 a 433 do processo digital, argumentando, em resumo2: 1. Revisão da classificação fiscal. Impossibilidade Fl. 781DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 780 4 Depois de efetuado o desembaraço aduaneiro, não pode a administração proceder a revisão da classificação fiscal do bem, porque o seu desembaraço corresponde à sua efetiva entrega ao importador, e é o último ato do despacho aduaneiro, donde se conclui que o processo aduaneiro se deu com exatidão e cumprimento de todas as exigências previstas na legislação que rege a matéria. Portanto, a exigência de multas, em decorrência de suposto equívoco na classificação fiscal das mercadorias importadas, em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, configura “mudança de critério jurídico adotado pelo fisco”, o que contraria o artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN) e vem sendo rechaçado pela doutrina e pela jurisprudência nacionais (transcreve súmula 227/TRF, às fls.423/424 e ementas do STJ, à fl.425 a 427). 2. Licenciamento e classificação fiscal Os bens importados foram corretamente classificados no código NCM 8518.40.00 e devidamente amparados pelo licenciamento do órgão competente (apresenta os extratos do licenciamento às fl. 392 e 393 dos autos digitais). 2.1 Licenciamento Acrescenta que “....se viu obrigada a indicar outro código de classificação fiscal dos produtos (NCM 8518.21.00) pois, do contrário, se indicasse a classificação correta (NCM 8518.40.00), estaria impossibilitada de fazêlo, mas nem por isso deixou de registrar que se estava a tratar de “amplificador elétrico de áudio freqüência montado, conjunto composto por seis caixas de som” (último parágrafo da fl.393). Transcreve o artigo 706 do Regulamento Aduaneiro, à fl. 394; ementa de Delegacia de Julgamento da RFB, à fl. 395; e o artigo 112, inciso I, do CTN (a lei que define infrações e comina penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, na hipótese de dúvida quanto à capitulação legal do fato), à fl.396. Afirma que não lhe pode ser atribuída a prática de infração administrativa ao controle das importações, porque o ADN Cosit nº 12/97 prevê que a mercadoria com erro de classificação, mas descrita corretamente, fica excluída de multa administrativa (transcreve o ato à fl. 397; cita parecer de Hely Lopes Meirelles, à fl. 398; e ementas de DRJ, às fls. 398 a 400). Acrescenta, ainda, que a própria autoridade lançadora reconheceu que “... tratase na verdade de caixas acústicas com altofalantes, onde, em uma delas, há também um amplificador...”, corroborando, portanto, a descrição adotada pelo importador: “amplificadores elétricos de áudio freqüência com altofalantes em um mesmo equipamento...”, contendo todos os elementos necessários à identificação do produto (ADN Cosit nº 12/97). 2.2 Classificação fiscal Se comprovada a classificação fiscal do produto no código adotado pelo importador, 8518.40.00, não há que se cogitar na aplicação de qualquer uma das multas objeto da autuação. Alega que as mercadorias devem ser classificadas na Seção XVI da TEC, no Capítulo 85, na Posição 8518 (ponto pacífico). Descreve os equipamentos importados como: caixas de som formadas por um amplificador elétrico de audiofrequência e por altofalantes, com duas funções: amplificar o som e reproduzilo, caracterizandoos com aparelhos Fl. 782DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 781 5 com funções múltiplas (diferentes, alternativas ou complementares), nos termos da Nota 3 da Seção XVI do Sistema Harmonizado (SH), base da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que dispõe que, nessa hipótese, o aparelho se classifica de acordo com a função principal que caracteriza o conjunto. A função principal é o cerne da questão, e a fiscalização entendeu, “....sem contar com nenhum elemento técnico confiável...” que a função mais importante é a de altofalante, razão de ter indicado o código NCM 8518,21.00 para a classificação do produto. As NESH, ao tratarem dos aparelhos elétricos de amplificação de som, da Posição 8518, afirmam: “A presente posição compreende também os aparelhos de amplificação de som que se compõem de microfones, amplificadores de audiofrequência e de altofalantes....” É de se concluir que aos altofalantes, por vezes, são incorporados amplificadores, e os amplificadores também podem ser compostos por alto falantes (transcreve considerações da defesa técnica elaborada pela Dalston Consultoria, às fls. 412). Ainda citando o estudo encomendado à Dalston Consultoria pergunta: o que produzem essas caixas acústicas com amplificador? E responde: uma maior intensidade de som de melhor qualidade, donde conclui que a função desejada pelo adquirente da mercadoria é a capacidade de gerar som em determinada intensidade e qualidade (fl.414). Menciona, ainda, outro laudo técnico, encomendado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), o qual concluiu, no primeiro teste: “Detecção da Capacidade do Amplificador”, no primeiro ensaio: “...foi observado ganho de amplificação em todos os dispositivos de prova, de acordo com as especificações do fabricante...”; no segundo ensaio: “....foi detectado o áudio neste ensaio, indicando que as caixas de som dos dispositivos de prova funcionam sem o amplificador, porém com potência sonora inferior...”; e no terceiro ensaio: “...e desconectando eletricamente o circuito de amplificação, foi observada a não existência de som nas caixas de som do conjunto dos dispositivos de prova.”(fls.415/416). No segundo teste: “Qualidade do Som”, foi verificado que: quando da utilização do dispositivo de prova completo, “...a qualidade de som, demonstrada pela maior quantidade de faixas de freqüência observadas no analisador de espectro, é superior” (fl.417). O defendente pretende provar que o amplificador exerce papel fundamental no funcionamento do produto, razão de sua classificação fiscal no código por ele adotado. Afirma, ainda que, na hipótese das duas funções do equipamento se revelarem igualmente importantes, não sendo possível determinar a principal, aplicarseia a Regra Geral Interpretativa 3c): Posição situada em último lugar na ordem numérica, o que levaria o bem a se classificar na Subposição por ele adotada: 8518.40.00. 3. Ausência de prejuízo. Afastamento das penalidades O suposto equívoco na classificação fiscal dos bens nenhum prejuízo acarretou à arrecadação federal, uma vez que as alíquotas dos tributos, incidentes sobre os bens abrangidos por ambos os códigos, são as mesmas. Quanto ao direito antidumping, ressalta que, a despeito de a importação das Fl. 783DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 782 6 mercadorias enquadradas na Subposição 8518.21.00 (código adotado pela fiscalização) estarem, em regra, sujeitas ao seu pagamento, os produtos importados estariam, em qualquer hipótese, excluídos do campo de incidência dessa regra impositiva, porque o artigo 2º da Resolução Camex nº 66/2007, dela exclui os altofalantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, para notebooks, para uso em equipamentos de segurança e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Portanto, ainda que se classificassem como altofalantes, seriam destinados a áudio e vídeo, e estariam fora do alcança do direito antidumping. 4. Perícia Requer a realização de perícia, na forma do artigo 16, inciso IV, e artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, para tal apresentando os motivos, indicando assistente técnico e formulando os quesitos a serem respondidos, às fls. 432 e 433. Por todo o exposto, requer o acolhimento da impugnação e o julgamento improcedente da autuação fiscal e, subsidiariamente, a conversão do feito em diligência para a elaboração do estudo técnico solicitado. A ementa do acórdão da DRJ (fls 607 e seguintes) é a seguinte: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 07/04/2009 a 07/07/2010 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de2006, e atualizações posteriores. Altofalante montado em seu receptáculo, em diversos modelos, tamanhos e potências, próprio para uso em máquina de processamento de dados, apresentandose um único altofalante por receptáculo, classificase no código 8518.21.00 da NCM/TEC vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Infração ao Controle Administrativo das Importações. Multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Mercadoria importada ao desamparo de licenciamento, nos termos do artigo 169, inciso I, alínea “b” e § 2º, inciso I, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, c/c artigos 550, 706, inciso I, alínea “a”, e 707 do Decreto nº 6.759, de 2009, sujeitase à multa administrativa ao controle das importações, quando foi incorreta a sua descrição, com a falta de elementos necessários à sua identificação e correta classificação tarifária na NCM/TEC, de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de 1997. Classificação incorreta de mercadoria. Multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro. A incorreção da classificação da mercadoria, em código da NCM/TEC indicado pelo importador, evidenciouse, cabendo, portanto, a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%), de acordo com o artigo 84, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 783 7 inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003, e Decreto nº 6.759, de 2009. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Revisão Aduaneira. O reexame da classificação fiscal utilizada pelo importador, e a decorrente reclassificação dos produtos importados em código da NCM/TEC diverso daquele informado nas declarações não caracteriza alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, no exercício do lançamento, para os efeitos do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/04/2009 a 07/07/2010 Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre os produtos, uma vez que não foi esse o motivo da autuação, e, sim, a sua incorreta classificação fiscal na NCM/TEC, ao amparo das RGI do SH nºs 1 e 6. Além do mais, os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente apresentou recurso voluntário, reafirmando as alegações trazidas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O lançamento no presente PAF engloba a multa por infração ao controle administrativo das importações em razão de mercadoria importada ao desamparo de licenciamento (LI), bem como multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro por classificação incorreta de mercadoria. Em relação à multa pela falta de LI, verifico que, à época da lavratura do auto de infração, os produtos importados pela Recorrente estavam sujeitos a licenciamento não automático, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito do Relatório de Ação Fiscal (fls. 81/82): Conforme já concluído neste relatório classificação correta a ser adotada para o produto seria a NCM 8518.21.00, sujeita a licenciamento não automático para o destaque 001, que se refere a produtos sujeitos a direito Fl. 785DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 784 8 antidumping (Resolução Camex 66∕07), conforme podemos verificar no Tratamento Administrativo do Siscomex (documento anexado a este relatório). Como já descrito anteriormente não resta dúvidas quanto à classificação fiscal do bem, assim como o fato de serem os mesmos sujeitos ao direito antidumping instituído pela Resolução Camex 66/2007. Desta forma concluise que os produtos em comento estavam sujeitos ao licenciamento não automático à época de suas importações. A decisão recorrida traz as seguintes imagens das mercadorias: Fl. 786DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 785 9 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 786 10 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 787 11 Assim está descrita a questão da classificação na decisão a quo: As Subposições de primeiro nível da NCM/2007 utilizadas pelo importador para a classificação das mercadorias no presente processo foram: 8518.40.00 “Amplificadores elétricos de audiofreqüência”, sem desdobramentos internacionais (em Subposição de segundo nível) ou regionais (em Item e Subitem); e. 8518.2 “Altofalantes, mesmo montados nos seus receptáculos”, desdobrada em Subposição de segundo nível, 8518.21.00 “Altofalante único montado no seu receptáculo”, sem desdobramentos regionais. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 788 12 A autoridade lançadora, por sua vez, considerou correto o segundo código por ele utilizado, 8518.21.00, e somente alterou o primeiro código 8518.40.00 para: 8518.2 “Altofalantes, mesmo montados nos seus receptáculos”, desdobrada em Subposição de segundo nível, 8518.21.00 “Altofalante único montado no seu receptáculo”, sem desdobramentos regionais. E essa foi exatamente a razão do lançamento da multa administrativa ao controle das importações e da multa de classificação incorreta, objeto do AI que faz parte do outro processo, nº 10611.720363/200191, de interesse da empresa, que tratou exclusivamente dos produtos classificados, segundo a autoridade lançadora, incorretamente na NCM. Então, como se pode observar neste processo, o próprio contribuinte classificou parte dos produtos que importa na Subposição proposta pela autoridade lançadora, 8518.21.00. Inclusive, foi bem observado pela fiscalização, no Relatório Fiscal, que, fora do período abrangido pela fiscalização, os mesmo bens, e mais alguns modelos, com variações em suas dimensões, quantidade de altofalantes, potência, etc, foram importados pela empresa e classificados corretamente, com inclusão no destaque 001 produtos sujeitos aos direitos antidumping e consequente exigência de licenciamento não automático (fl.93, subitem 5.2), ou seja, com o pagamento dos direitos antidumping. Transcrevo abaixo as NESH da posição 8518: “A presente posição compreende os microfones, os altofalantes, os fones de ouvido (auscultadores) e os amplificadores elétricos de audiofreqüência de quaisquer tipos, apresentados isoladamente, sem considerarse o uso particular para o qual alguns deles são concebidos (microfones e fones de ouvido (auscultadores) para aparelhos telefônicos e altofalantes para aparelhos de rádio, por exemplo). Classificamse também aqui os aparelhos elétricos de amplificação do som. A MICROFONES E SEUS SUPORTES (...) B ALTOFALANTES, MESMO MONTADOS NOS SEUS RECEPTÁCULOS Os altofalantes têm uma função inversa à dos microfones. São aparelhos que reproduzem o som por transformações dos impulsos ou oscilações elétricos em vibrações mecânicas e as difundem comunicando essas vibrações à massa do ar ambiente. Distinguemse especialmente: 1) Os altofalantes eletromagnéticos ou eletrodinâmicos. Os primeiros caracterizamse por ser fixa a bobina percorrida pelos impulsos elétricos de baixa freqüência, enquanto que nos segundos ela é móvel. Os altofalantes eletromagnéticos possuem uma lâmina ou uma placa de ferro doce colocada entre os polos de um ímã permanente, cujas peças polares são equipadas de bobinas aonde chegam os impulsos elétricos a transformar em som; as variações provocadas pelos impulsos elétricos no campo do ímã fazem vibrar a placa que ataca o ar, quer diretamente, quer por intermédio de um diafragma. Os altofalantes eletrodinâmicos são constituídos essencialmente de uma bobina cujo enrolamento recebe os impulsos elétricos e é móvel no Fl. 790DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 789 13 campo de um eletroímã (altofalantes de excitação), ou de um ímã permanente (altofalantes de ímã permanente). A bobina é solidária a um diafragma. 2) Os altofalantes piezoelétricos, que se baseiam na propriedade que possuem certos cristais naturais ou artificiais de vibrar na própria massa quando submetidos a impulsos elétricos; uma das matérias conhecidas que tem esta propriedade é o quartzo ou cristal de rocha; estes aparelhos denominamse, geralmente, “altofalantes a cristal”. 3) Os altofalantes eletrostáticos (também denominados “altofalantes de condensadores”), que utilizam as reações eletrostáticas entre duas placas (ou eletrodos), das quais uma serve de diafragma. Às vezes, aos altofalantes incorporamse transformadores de adaptação e amplificadores. Geralmente, os sinais elétricos de entrada recebidos pelos altofalante são transmitidos numa forma analógica mesmo se,às vezes, o sinal de entrada seja digital. (parágrafo alterado em 30/09/2012 – IN RFB 1.072/2010) Neste caso, os altofalantes integram conversores digitalanalógicos e amplificadores, sendo as vibrações mecânicas comunicadas ao ar. Conforme o uso a que se destinam, os altofalantes podem ser montados em caixilhos ou armações de formas variadas, geralmente com características acústicas podendo mesmo consistir em móveis. Estes conjuntos classificamse aqui desde que a função principal que os caracteriza seja a de altofalante. Quanto aos caixilhos ou armações apresentados isoladamente, classificam se também nesta posição desde que sejam reconhecíveis como principalmente concebidos para montagem de altofalantes, exceto o caso dos móveis, na acepção do Capítulo 94, que possam ser preparados para, além do seu uso normal, receber um altofalante. Esta posição compreende os altofalantes concebidos para serem conectados a uma máquina automática para processamento de dados, quando apresentados isoladamente. (...) D. AMPLIFICADORES ELÉTRICOS DE AUDIOFREQÜÊNCIA Os amplificadores desta espécie utilizamse para amplificação de sinais elétricos emitidos nas freqüências perceptíveis pelo ouvido humano. O funcionamento da maior parte destes aparelhos baseiase em “transistores” ou em circuitos integrados, mas alguns utilizam ainda válvulas termoiônicas. A corrente de alta tensão é geralmente fornecida por um bloco de alimentação incorporado, alimentado pela rede pública, ou, no caso particular dos amplificadores portáteis, por uma bateria de acumuladores ou ainda por pilhas elétricas. Nos amplificadores elétricos de audiofreqüência, os sinais de entrada podem ser provenientes de um microfone, de um fonocaptor, de um leitor de fita magnética, de um aparelho de rádio, de um leitor de trilhas sonoras cinematográficas, ou de qualquer outra fonte de sinais elétricos de audiofreqüência. Em geral, o amplificador alimenta um altofalante, mas nem sempre é assim. Os préamplificadores conectamse a um outro amplificador ou incorporamse a ele. Os amplificadores de audiofreqüência podem ser equipados de um dispositivo regulador de volume para controlar a amplificação e possuem Fl. 791DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 790 14 freqüentemente dispositivos reguladores (grave, agudo, etc.) que permitem fazer variar a resposta de freqüência do amplificador. (grifamos) Como mencionado na decisão recorrida: Como fica claro nas explicações das NESH, os altofalantes têm função própria, diferente da dos amplificadores. Os altofalantes são aparelhos que reproduzem o som por transformações dos impulsos ou oscilações elétricos em vibrações mecânicas e as difundem comunicando essas vibrações à massa do ar ambiente. Reproduzir e difundir o som são funções próprias dos altofalantes, enquanto amplificar os sinais elétricos é a função específica dos amplificadores. Como explicam as NESH, os amplificadores podem ou NÃO alimentar altofalantes (ou ser a eles incorporados) e, se isso acontecer, as duas funções serão complementares, ou seja, o altofalante reproduzirá e difundirá as vibrações e o amplificador as aumentará, mas a função de cada um permanecerá intacta e própria, jamais se confundido com a função do outro equipamento. Foi por essa razão que o SH alocou os aparelhos em Subposições diferentes. Podese afirmar que isolados, cada aparelho segue a sua Subposição, e juntos, formando um conjunto, sem dúvida alguma, classificarseiam em altofalantes, porque, nesse caso, sim, aplicarseia a Nota 3 da Seção XVI, porquanto as funções seriam complementares, mas a função principal seria a de reproduzir e difundir o som e nunca a de apenas ampliálo. Vejamos o que diz a Nota 3 da Seção XVI: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Este Conselho também já exarou entendimento no mesmo sentido nos acórdãos 30130501, de 2002; 30329914, de 2001; e 30130.501, de 2001. No mesmo sentido também é a Solução de Consulta 13/2009 e 45/2008 (6ª RF), 01/2001 (5ª RF) e 75/2002 (7ª RF). Vêse, portanto, que a classificação adotada pela fiscalização está correta. Analisando, por outro lado, o simulador constante do sitio da RFB na internet em 30/07/2014, constato que os bens constantes da posição 8518.21.00 utilizada pela fiscalização continuam sujeitos a licenciamento, motivo pelo qual dever não se pode aplicar o princípio da retroatividade benigna e afastar a penalidade. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 791 15 Noto, no entanto, que as descrições das mercadorias constantes das DIs permite sua identificação e enquadramento tarifário, senão vejamos: CAIXA DE SOM 127V 3W RMS CONJUNTO COMPOSTO POR DUAS CAIXAS DE SOM (TC00036ML) – CÓDIGO MULTILASER: SP00020SA CÓDIGO FORNECEDOR: KB8860M+OP3300+ SP016 AMPLIFICADOR ELÉTRICO DE AUDIOFREQÜÊNCIA MONTADO, CONJUNTO COMPOSTO POR DUAS CAIXAS DE SOM PARA COMPUTADOR E NOTEBOOK, PRETO, COM CONXEÃO USB 1 WATT RMS. MARCA MULTILASER CÓDIGO MULTILASER: SP054 CÓDIGO FORNECEDOR: SP2562127V ALTO FALANTE PARA COMPUTADOR E NOTEBOOK CONJUNTO COMPOSTO POR DUAS CAIXAS DE SOM COM PINO P2 127 VOLTS 1 WATT RMS BRANCO. MARCA MULTILASER. CÓDIGO MULTILASER: SP049 CÓDIGO FORNECEDOR: MSP301 CAIXA DE SOM COM AMPLIFICADOR DE AUDIO FREQUENCIA, CONJUNTO COMPOSTO POR 3 CAIXAS DE SOM, SENDO DUAS ESTÉREO E UMA MONO (SUBWOOFER) PARA COMPUTADORES E NOTEBOOK / TOCADORES DE MÚSICA PRETO COM CONEXÃO USB, MARCA MULTILASER32 WATTS RMS – CODIGO MULTILASE R: SP018 CODIGO FORNECEDOR: AK2110 CAIXA DE SOM COM AMPLIFICADOR DE AUDIO FREQUENCIA, CONJUNTO COMPOSTO POR 2 CAIXAS DE SOM PARA COMPUTADOR E NOTEBOOK COM CONXEÃO USB 1 WATT RMS PRETO. MARCA MULTILASER CÓDIGO MULTILASER: SP050 CÓDIGO FORNECEDOR: MSP301 CAIXA DE SOM COM AMPLIFICADOR DE AUDIO FREQUENCIA, CONJUNTO COMPOSTO POR 2 CAIXAS DE SOM PARA COMPUTADOR E NOTEBOOK COM ALIMENTAÇÃO 127 VOLTS 3 WATT RMS PRETO. MARCA MULTILASER CÓDIGO MULTILASER: SP010 / SPS010 CÓDIGO FORNECEDOR: OGS138A CAIXA DE SOM COM AMPLIFICADOR INTEGRADO PARA COMPUTADOR 2.1 CANAIS 127 VOLTS, CONJUNTO COMPOSTO POR 3 CAIXAS DE SOM SENDO 2 CAIXAS ESTÉREO E 1 SUBWOOFER, PRODUTO LICENSIADO HOTWHEELS MARCA MULTILASER CÓDIGO MULTILASER: SP025 CÓDIGO FORNECEDOR: LK 30 52 AMPLIFICADOR ELÉTRICO DE ÁUDIO FREQÜÊNCIA MONTADO, CONJUNTO COMPOSTO POR DUAS CAIXAS DE SOM PARA Fl. 793DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 792 16 COMPUTADOR E NOTEBOOK PRETO COM CONXEÃO USB 1 WATT RMS. MARCA MULTILASER CÓDIGO MULTILASER: SP053 CÓDIGO FORNECEDOR: SP2532U CAIXA DE SOM COM AMPLIFICADOR PARA COMPUTADORES E NOTEBOOK 3 WATTS RMS COM CONEXÃO 127 VOLTS CONJUNTO COMPOSTO POR DUAS CAIXAS ESTÉREO,COR PRETO E MARCA MULTILASER CÓDIGO MULTILASER: SP010 CÓDIGO FORNECEDOR: OGS138A Entendo, portanto, ser cabível a adoção no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/1997 para afastar a penalidade em voga, já que os produtos foram corretamente descritos pela Recorrente nas DIs, verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os ele mentos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Em relação à multa por erro na classificação fiscal, adoto o entendimento já exarado desta Turma no acórdão 3202000.484 de relatoria da ilustre Presidente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, conforme trecho a seguir reproduzido: No tocante à manutenção da exigência fiscal pertinente à multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria, por erro na classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo, temse que a imposição dessa penalidade decorre de texto literal de lei, mais precisamente, do disposto no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, o qual assim dispõe: "Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720363/201191 Acórdão n.º 3202001.297 S3C2T2 Fl. 793 17 § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis." As condições para aplicação dessa multa são objetivas, não figurando, portanto, no campo discricionário da autoridade administrativa decidir por sua aplicação ou não. Ao contrário, presentes as hipóteses tipificadas na lei, o agente do fisco está vinculado e obrigado a infligir a sanção cominada, sob pena de responsabilidade funcional e, também, da seara penal. In casu, a reclamante, de fato, praticou a conduta proibida pela norma, qual seja, proceder à classificação fiscal incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul; por conseguinte, tornouse paciente da sanção cominada: multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria. Reconheço, no entanto, a tendência do Poder Judiciário em afastar a aplicação deste tipo de multa quando a descrição da mercadoria estiver correta e existir boafé do contribuinte (vide REsp 653.263/PR, relatora Ministra Denise Arruda, REsp 728.999/PR, relator Ministro Luiz Fux, e REsp 267.546/MG, relator Ministro João Otávio Noronha), mas tenho que me ater às disposições legais acerca do tema por questões regimentais. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, mantendo apenas o lançamento relativo à multa por erro na classificação fiscal. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 795DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10880.934554/2009-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS.
Não configurada qualquer omissão, contradição ou obscuridade, devem ser rejeitados os embargos por falta de atendimento dos seus pressupostos.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-003.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinatura digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinatura digital)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 301 1 300 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.934554/200944 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3403003.473 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2014 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante ARCELORMITTAL TUBARAO COMERCIAL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. Não configurada qualquer omissão, contradição ou obscuridade, devem ser rejeitados os embargos por falta de atendimento dos seus pressupostos. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3403002.276, de 29 de janeiro de 2014 (fls. 204/216), cujo entendimento é sintetizado na seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 45 54 /2 00 9- 44 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 15/06/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Recurso negado. O contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 223/231) alegando, em síntese, que embora o acórdão embargado tenha entendido que quando o contribuinte retifica a DCTF após o recebimento do DDE, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o indébito, que “já havia apresentado no seu Recurso Voluntário documentos contábeis capazes de comprovar o seu crédito, ou ao menos, suscitar dúvida quanto à sua existência” (fl. 227). Alega o embargante que “o órgão julgador, em que pese parecer entender pela possibilidade de analisar os documentos juntados, uma vez que em nenhum momento falou em preclusão, ao mesmo tempo demonstra não ter analisado efetivamente qualquer documento – o acórdão afirma terem sido juntadas somente planilhas e cópias parciais de documentos... neste último ponto reside a contradição e omissão que aqui se alega”. Argumenta que em caso idêntico ao presente, no qual foram juntadas provas semelhantes apenas divergindo o período de apuração, a 2ª Turma da 3ª Câmara desta mesma 3ª Seção teria decidido pela realização de diligência. Detalha, então, que o balancete demonstraria a origem das receitas que compõem a base de cálculo, e que foram deduzidos apenas os créditos de aquisição de insumos e os créditos por depreciação de ativo imobilizado, disto resultando o indébito. Enfim, alega que trouxe aos autos toda a documentação necessária para a comprovação da efetiva existência do crédito, sendo contraditório o acórdão pelo fato de ao mesmo tempo em que parece permitir a juntada posterior dos documentos, não os analisa efetivamente, mas nega provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Os embargos foram protocolados por meio de expedição postal nos Correios, em 14/08/2014 (fl. 223), dentro do prazo de 5 (cinco) dias contados da notificação, ocorrida em 11/08/2014, por meio de Termo de Abertura de Documentos. Por ser tempestivo, conheço dos embargos. O contribuinte alega que o acórdão teria incorrido em omissão ou contradição por ter supostamente deixado de apreciar de forma concreta os documentos comprobatórios do indébito que foram juntados com o recurso voluntário, nada obstante o mesmo acórdão tenha concluindo pela possibilidade de tal análise. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.934554/200944 Acórdão n.º 3403003.473 S3C4T3 Fl. 302 3 Ocorre que o acórdão embargado foi claro ao entender que “No presente processo, percebese, pela manifestação de inconformidade, que a empresa compreende a motivação da autuação, e informa cometeu erro no preenchimento da DCTF, que foi retificada posteriormente ao despacho decisório. Contudo, não ampara a retificação em nenhum documento fiscal ou contábil: somente apresenta a DCTF original e a retificada. E em sede de recurso voluntário, agregam somente planilhas e cópias parciais de documentos, que continuam a não alicerçar o direito creditório, nem semeiam dúvida no julgador a demandar diligência (que não se presta a suprir deficiência probatória, seja da postulante ou do fisco). Estáse, assim, diante de carência probatória exatamente da parte que tem o ônus de provar seu direito creditório: a postulante” (grifo editado). Com efeito, prevaleceu o referido entendimento, ficando vencido este relator, que entendia pela necessidade de diligência, ficando claro, pois, que não existe omissão quanto ao tema, como também não existe contradição. O que ocorreu, como fica claro do voto vencedor, da lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, é que prevaleceu o entendimento de que os documentos apresentados não são suficientes para concluir pela existência de recolhimento em valor maior que o devido, nem poderia autorizar a conversão do julgamento em diligência. Entendeu o acórdão embargado que a apresentação da DACON retificada não serve de prova do indébito, e que além disso apenas foram apresentadas as cópias do livro fiscal que demonstram a composição da base de cálculo, mas não foi produzida a prova que daria suporte às hipóteses de creditamento alegadas, de maneira que não houve comprovação da contribuição efetivamente devida. Não há, pois, qualquer omissão ou contradição a serem sanadas. Voto por rejeitar os embargos. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000357/2006-42
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PESSOA JURÍDICA NÃO OPTANTE DO SIMPLES. FORMA DE TRIBUTAÇÃO.
O Sujeito passivo que teve indeferido seu pedido de inclusão no regime: tributário do SIMPLES, com efeito retroativo a da de sua constituição, submete-se às normas gerais de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
TRIBUTAÇÃO REFLEXAS. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1803-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PESSOA JURÍDICA NÃO OPTANTE DO SIMPLES. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O Sujeito passivo que teve indeferido seu pedido de inclusão no regime: tributário do SIMPLES, com efeito retroativo a da de sua constituição, submete-se às normas gerais de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES TRIBUTAÇÃO REFLEXAS. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
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FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O Sujeito passivo que teve indeferido seu pedido de inclusão no regime: tributário do SIMPLES, com efeito retroativo a da de sua constituição, submetese às normas gerais de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES TRIBUTAÇÃO REFLEXAS. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 03 57 /2 00 6- 42 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte VIGBENS RECURSOS HUMANOS E LOGISTICA contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Fortaleza, que manteve na sua integridade o Auto de Infração em tela. Para melhor retratar os fatos, socorrome do relatório utilizado na decisão recorrida: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e reflexos (fls. 03/24), para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados no valor total R$ 231.558,73, inclusive encargos legais, conforme Demonstrativo Consolidado de Crédito Tributário do Processo (fl. 02). A infração constatada pela fiscalização decorreu da falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, cujos dados foram obtidos por meio da escrituração contábil/fiscal da contribuinte, verificados os lançamentos efetuados nos livros Caixa e de Registro de Prestação de Serviços referentes ao anocalendário de 2002 e em face das informações na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, exercício 2003, apresentada pela contribuinte. Inconformada com as exigências das quais tomou ciência pessoal em 31/10/2006 (fls. 05, 11, 18 e 23), a contribuinte apresentou impugnação em 30/11/2006 (fls. 163/168), fundamentando sua defesa nos argumentos abaixo elencados: a empresa desde o ano de 1998 vem se comportando como optante do regime tributário SIMPLES, tendo entregue suas declarações de Imposto de Renda sob essa modalidade, bem como pelas manifestações inequívocas da contribuinte que entraram no mundo jurídico por meio dos processos administrativos n° 10845.000175/200471, que tem por objetivo o enquadramento da empresa no SIMPLES de forma retroativa ao ano de 1998, e atualmente se encontra em julgamento na 4° Turma da DRJ/SPOI, e n° 10845.205082/200279, que tem por finalidade a cobrança do crédito tributário, cujo lançamento do SIMPLES, no anocalendário de 2000, dívida que foi integralmente quitada; é cediço, tanto na doutrina abalizada, como na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, na forma do art. 151 do Código Tributário Nacional — CTN; Fl. 499DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15983.000357/200642 Acórdão n.º 1803002.480 S1TE03 Fl. 3 3 a contribuinte desafiou as instâncias administrativas buscando sua adesão ao SIMPLES e se a decisão lhe for favorável, nulo será esse auto de infração, uma vez que o regime tributário escolhido pela contribuinte foi o SIMPLES e não o Lucro Presumido; corroborando essa tese, afirma que a própria Administração Tributária tacitamente homologou os lançamentos efetuados pela contribuinte em relação aos exercícios de 1999, 2000 e 2001, haja vista que os mesmos foram inscritos em Dívida Ativa da União, posteriormente ajuizados no fórum e quitados de forma parcelada pela impugnante; ressalta a contribuinte que no anocalendário de 2002, exercício de 2003, entregou de forma equivocada a sua declaração de IRPJ sob a modalidade do Lucro Presumido, haja vista que o contador da empresa foi induzido a erro, pois o sistema informatizado da Receita Federal na WEB — Internet não aceita declarações de IRPJ das empresas não formalizadas neste regime, como é o caso da empresa impugnante que está buscando o seu direito por meio do processo 10845.000175/200471, que se encontra em julgamento na DRJ/SPOI; não houve prática de ilícito fiscal, que a ordem jurídica comina multa fiscal. O que existe é uma dicotomia sobre qual o regime tributário da empresa impugnante, se SIMPLES ou Lucro Presumido ou Lucro Real e esse incidente está sendo julgado pela DRJ/SPOI, de modo que o presente auto de infração não pode prosperar, a uma porque a matéria de fundo está em julgamento, a duas porque o regime tributário escolhido pela impugnante foi o SIMPLES e não outro como quer fazer crer a Autoridade Tributária. Diante do exposto, requer a impugnante a procedência total da impugnação e o conseqüente cancelamento do auto de infração, haja vista que o mesmo está dissociado da realidade material, haja vista que o regime tributário da impugnante é o SIMPLEs e não o Lucro Presumido. Requer, ainda, a juntada de novos documentos para que a verdade real dos fatos possa ser esclarecida. A impugnação foi considerada improcedente, sob o argumento que “o Sujeito passivo que teve indeferido seu pedido de inclusão no regime: tributário do SIMPLES, com efeito retroativo á da de sua constituição, submetese às normas gerais de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando, basicamente, os mesmos argumentos da Impugnação Sem mais, é o relatório. Voto Fl. 500DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 Conselheiro Arthur José André Neto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Basicamente, o contribuinte teve lavrado contra si Auto de Infração cobrando diferenças de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Tais inconsistências, encontradas no cotejamento entre a escrituração do contribuinte e sua DIPJ, decorreram da diferença entre o recolhido pelo contribuinte, como se estivesse sob o Regime do SIMPLES, e a apuração regular dos referidos tributos. Isso porque o contribuinte discutia sua permanência no regime do SIMPLES em outro processo, de número 10845.000175/200471. Ocorre que, quando da autuação, verificouse que a inscrição no SIMPLES não estava ativa. A procedência desse auto, portanto, dependia intimamente do processo nº 10845.000175/20047. Isso porque,caso se decidisse que o contribuinte não poderia estar no SIMPLES, o presente auto deveria ser considerado procedente. Por outro lado se se concluísse que o recorrente faria jus à inscrição no SIMPLES, este auto deveria ser considerado insubsistente. Não foi, entretanto, o que ocorreu. No processo número 10845.000175/2004 71,foi mantida a exclusão do contribuinte do SIMPLES. Vale dizer que o referido processo já foi julgado por este CARF e encontrase arquivado, não cabendo, portanto, recurso. O processo foi assim ementado: ASSUNTO: Exclusão do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Mieroempresas e das Empresas de Pequeno Porte Anocalendário: de 1998 As pessoas jurídicas que exerçam atividades vedadas não podem permanecer no SIMPLES. Ainda que as atividades propriamente ditas pudessem ser consideradas como não vedadas, a não demonstração inequívoca da intenção de optar pelo SIMPLES (consoante o ADI n" 16/2002) não pode ensejar a inclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ao Recurso Voluntário. Portanto, uma vez que o contribuinte não fez jus à inscrição no SIMPLES, auto deve prevalecer. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao presente Recurso a fim de manter o Auto de Infração atacado. Arthur José André Neto Relator Fl. 501DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15983.000357/200642 Acórdão n.º 1803002.480 S1TE03 Fl. 4 5 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900136/2010-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL.
Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência.
Numero da decisão: 3802-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL. Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.900136/201012 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802001.908 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL. Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 01 36 /2 01 0- 12 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTES S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.724, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade, mantendo, contudo, o saldo credor de R$ 47.791,30, relativo ao 2º trimestre de 2003. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, PER nº 08719.88401.300407.1.1.013315, relativo ao saldo credor de IPI do 2º trimestre de 2003, no montante de R$ 47.791,30, calculado nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/199. Ao ressarcimento vinculouse a Declaração Eletrônica de Compensação, DCOMP nº 42120.87510.261007.1.7.012505, para compensar débitos do PIS não cumulativo de R$ 42.655,69, com vencimento em 14/01/2005 (vide PER/DECOMP DESPACHO DECISÓRIO – DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO. à fl. 07). A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório fls. 03, com o indeferimento do saldo credor requerido e, consequentemente, a não homologação da compensação declarada. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 47.791,30 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER/DCOMP. Diante do exposto: INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DECOMP: 08719.88401.300407.1.1.013315 [...] Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte, representado por seu procurador (fl. 14), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 09/13, para alegar que: Fl. 426DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900136/201012 Acórdão n.º 3802001.908 S3TE02 Fl. 112 3 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 É o relatório”. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 SALDO CREDOR. CONSUMO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO. Quando o saldo credor requerido pelo contribuinte para a realização de compensação é consumido por débitos de períodos subsequentes, não há como legitimálo, ainda que inicialmente existente o saldo credor requerido. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900136/201012 Acórdão n.º 3802001.908 S3TE02 Fl. 113 5 É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. A decadência é questão prejudicial do exame do mérito. Aduz a Recorrente: (...) Em primeiro lugar, o presente processo não é de revisão de lançamento, mas sim processo de análise de pedido de ressarcimento. Assim, não se verifica decadência, uma vez que o contribuinte, por si só, entendeu haver valores a restituir em decorrência da apuração do IPI, exercendo esse direito perante o fisco mediante Pedido de Ressarcimento. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 A partir do momento em que o contribuinte pediu restituição, este exerceu seu direito de crédito, de modo que à Receita Federal compete, a partir da data em que recebeu o pedido – e, portanto, incorreu em mora –, apreciar o pleito e sobre ele decidir. Vale, a propósito, relembrar que o art. 168 do Código Tributário Nacional, traz inclusive o prazo para que o contribuinte exerça seu direito de crédito – o que afasta o conceito de decadência. De todo modo, percebese que a Receita não possui prazo para responder o pedido de restituição, que por sua natureza difere da declaração de compensação – que importa em quitação mútua com débitos próprios do sujeito passivo. Por isso mesmo o contribuinte possui liberdade para pleitear o indébito diretamente em juízo, ou mesmo, caso eventual resposta negativa ultrapasse os cinco anos necessários para o indébito judicial, o CTN abre prazo para uma ação específica destinada à anulação da decisão administrativa, precisamente para evitar prejuízos ao particular. Não por outra razão o art. 74 da lei 9.340/96 se refere, em seus parágrafos segundo e quinto, somente à homologação tácita da compensação. A restituição não está abrangida pela norma, e a homologação tácita claramente não pode ser objeto de analogia entre os ritos. Desse modo, não acolho o pleito da Recorrente pela “impossibilidade da Receita em questionar sua regularidade”. Quanto ao mérito da questão, como bem indicado pela decisão recorrida, a restituição esbarra em um óbice inicial. Isso porque o pedido de restituição apresentado pelo sujeito passivo, decorre de recomposição da base de cálculo do IPI, em virtude de modificação na classificação fiscal de certos produtos objeto de suas atividades. No entanto, a decisão recorrida expõe uma situação peculiar ao caso: em virtude da classificação fiscal adotada pelo Recorrente, foi lavrado auto de infração que exige diferença do imposto. Aduz o voto vencedor do Acórdão: Não obstante a conclusão, após os acertos procedidos pela Relatora — já considerado o resultado do julgamento do Auto de Infração [Ac. n° 0937.507, pela procedência do lançamento] — pela legitimidade de parte do saldo credor pleiteado, não há como reconhecer o direito ao seu ressarcimento/compensação neste processo, conforme a seguir explicitado. É que a própria Receita Federal do Brasil já estabeleceu a impossibilidade de aproveitamento de créditos vinculados a processo judicial ou administrativo com exigência de crédito tributário do IPI, em discussão na esfera administrativa, e não definitivamente julgado, tendo explicitado tal vedação no art. 19 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, mantido integralmente pela Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 20, e pela IN SRF nº 900/2008, art. 25. Vejamos: "Art. 19. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. " Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900136/201012 Acórdão n.º 3802001.908 S3TE02 Fl. 114 7 Ora, se presente a autuação não pode ser ressarcido crédito algum, ainda que da apuração escritural resulte saldo de crédito legítimo, não obstante o lançamento de ofício. É o que diz o mencionado artigo, que não faz restrição a qualquer parcela do saldo credor, que no seu todo é o objeto do ressarcimento. Não se pode ressarcir parte alguma desse saldo credor requerido pelo interessado [...]. Correto o raciocínio desenvolvido pelo juízo a quo. E a rigor, isso não foi combatido pelo Recorrente, o que confirma a correlação entre o lançamento e o crédito objeto do presente pedido de restituição. Diante disso, resta prejudicada a análise do argumento apresentado pelo sujeito passivo quanto à classificação fiscal, dado que esta é a matéria de fundo do lançamento tributário em que se discute o procedimento adotado. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.911322/2012-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/10/2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 13 22 /2 01 2- 14 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 92 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.911322/201214 Acórdão n.º 3802003.773 S3TE02 Fl. 118 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 89), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 92). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.911322/201214 Acórdão n.º 3802003.773 S3TE02 Fl. 119 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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