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Numero do processo: 10925.000014/2009-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção julgar tema referente a lançamentos decorrentes de exclusão do SIMPLES.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 3201-000.713
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, declinar a competência para a 1ª Seção.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção julgar tema referente a lançamentos decorrentes de exclusão do SIMPLES. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, declinar a competência para a 1 Seção. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 1 a 21, relativo ao 3º e 4º trimestres do ano calendário de 2007, que se prestaram a exigir a Contribuição para o PIS, no valor de 498,18 (fl. 2), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 1.307,03 (fl. 2). A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme descrição dos fatos de fl. 4 e Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls. 9/21, o presente processo decorre de exclusão do Simples Nacional (processo 10925.002252/200861), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como, que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o PIS relativo a falta de recolhimento/declaração. Juntamente com o presente procedimento, também foi constituído processo de exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizado sob os números 10925.002073/200823 e 10925.002252/200861, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IPI e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000011/200968, 10925.000012/200911, 10925.000013/200957, 10925.000015/200946, 10925.000016/200991, 10925.000017/200935, 10925.000018/200980, 10925.000019/200924, 10925.000020/200959, 10925.000021/200901, 10925.000022/200948, 10925.000023/200992, 10925.000024/200937, 10925.000025/200981, 10925.000026/200926, 10925.000027/200971, 10925.000028/200915, 10925.000029/200960, 10925.000031/200939. Conforme relatório fiscal a empresa em epígrafe faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. O pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda, desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda ME e KF Montagens Industriais Ltda ME. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000014/200900 Acórdão n.º 3201000.713 S3C2T1 Fl. 3.51 3 Os sócios da J.S. e KF possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa KF Montagens Industriais Ltda ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann. A empresa J.S. Máquinas Ltda, na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos anos 2005, 2006 e 2007, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004, situação esta, juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fls. 17/18. Em relação à contabilidade das empresas, constatouse a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. A empresa também efetuou pagamentos “extrafolha” aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos “a prazo”, considerando tais operações como se fossem realizadas “a vista”, ferindo o princípio da competência. “Esses fatos também levam à conclusão de que o ‘Grupo’ é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil.” Do Tributo Apurado Para apuração do PIS devido, foi ajustada a receita bruta mensal para aproveitar os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados através do Simples, conforme planilhas de fl. 20. Da Aplicação da Multa Qualificada de 150% Aplicou multa qualificada, por entender caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, pela análise dos fatos relatados até aqui e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 4 simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Cientificada do lançamento em 28/01/2009, através de ciência pessoal da procuradora administradora, Silvana Marques Schazmann, conforme auto de infração, a interessada, por seu advogado e procurador, ingressou, em 11/02/2008, com peça impugnatória de fls. 26/49 e documentação anexa de fls.50/74, sendo esta referente à cópia alteração contrato social e CNPJ , cópias documentação pessoal Elita Schmidtz Schazmann , cópia contrato de empreitada , copia contrato de serviço de vigilância eletrônica , cópias certidão de alvará de funcionamento, alvará sanitário da Prefeitura de Joaçaba , cópia consulta ementa de acórdão Conselho de Contribuintes , cópia petição mandado de segurança, respectiva procuração, consulta processo Comprot, termos de intimação fiscal, protocolo Justiça Federal, petições judiciais, petições administrativas de cancelamento de intimações, cópia documentação pessoal advogado , alegando, em suma: Preâmbulo Que foi excluída do regime simplificado de tributação, motivo do lançamento dos tributos correspondentes com base no regime de tributação normal. Foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, entretanto, apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo estes validade. 1 Da Exclusão do Simples Dos Fatos Que o grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comercial e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e, com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. A empresa Idugel “é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a KF Montagens e JS Máquinas)”. “JS: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); KF: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, JS e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000014/200900 Acórdão n.º 3201000.713 S3C2T1 Fl. 4.51 5 A legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas pelas empresas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente para afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. Delimitação Temporal da Exclusão. Ilegalidade do Ato Manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008. Do Cerceamento ao Direito de Defesa Entende que o presente processo fere os princípios da ampla defesa e contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente, bem como acerca dos sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Da Incompatibilidade das Excludentes. São incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a partir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, como leva a crer na fundamentação. “Ou seja, ou elas existem e daí há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mãodeobra no relacionamento, ou inexiste a empresa JS, por vício de formação, que, repitase não é o caso em tela.” Entende, desta forma, caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da requerente, na forma do art. 59 do Decreto 70.235/72. Prazo para Anular Constituição Empresarial. Decadência. A empresa JS é constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20.02.1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade em uma década. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 6 O art. 45, parágrafo único, do Código Civil prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas. Portanto, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo se considerado o prazo do diploma civil anterior. Prova de Fato. Efeitos. Ilegalidade na Retroatividade. As situações fáticas apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há como se alterar posteriormente. O CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fático probatória. Tributação Retroativa com Efeito Confiscatório A cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos benefícios e incentivos fiscais positivados na Lei nº 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. A Autoridade é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Impossibilidade de Aplicação de Sanção Administrativa ao Contribuinte Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000014/200900 Acórdão n.º 3201000.713 S3C2T1 Fl. 5.51 7 Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, a exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Falta de Amparo Legal à Autuação Fiscal A atuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. Inexistência de Locação de Mão de Obra. No conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. “Portanto, apesar do serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso Idugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante.” Assim, não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Inexistência de Interpostas Pessoas. Sócios Verdadeiros. Não há qualquer demonstração de não serem as sócias Elita e Cláudia as verdadeiras titulares da sociedade, como são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 8 O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Falta de Amparo Legal à Exclusão do Simples “Não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo que se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação.” Prova. Período Incompatível. A autoridade fiscal utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de 01/01/03 a 30/06/07 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, sendo inservíveis para tal. Endereço. Imóvel Dividido. O local utilizado pelas empresas JS e IDUGEL, apesar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente, conforme pode ser verificado em planta anexa, instalação de alarmes distintos e ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades. Faturamento. Legalidade. KnowHow. A empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projetos, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a “pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil”. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa JS. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Daí o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, “em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional”. “Também há casos que as empresas IDUGEL e JS fornecem mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a JS pelo fornecimento de acessórios”. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Contabilidade. Regularidade. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000014/200900 Acórdão n.º 3201000.713 S3C2T1 Fl. 6.51 9 A existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da JS perante a IDUGEL. Assim, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos.De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão. Jurisprudência Acerca do Caso. Apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Considerações Finais Que a manutenção da interpretação dada pelo agente fiscal inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. 2 – Cerceamento de Defesa Argumenta o cerceamento de defesa pois a intimações fiscais foram objetos de impugnações administrativas não decididas, bem como por conter no relatório fiscal menção de diversas intimações para apresentação de documentos, sem o esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. 3 – Nulidade do Processo Administrativo Entende que o lançamento foi fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá ser efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa. Manifesta que o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, motivo que requer a nulidade do processo por falta de cumprimento de exigência legal. 4 – Inexistência de Fraude Entende não caracterizada a fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias, como por exemplo, ausência de declarações ao fisco ou declaração a menor de tributo, opção de regime tributário, etc. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 10 Ainda, que é necessário a demonstração pelo fisco que o ato foi realizado com evidente intuito de fraude, situação não realizada, inclusive pela ausência da hipótese legal do artigo 149, VII, do CTN. 5 – In Dubio Pro Reo O Auto de Infração decorre de interpretação do agente fiscal de haver fraude no planejamento tributário adotado pela impugnante, entretanto os elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas disposições do art. 112 do CTN que aplica o brocardo in dubio pro reo. 6 – Da Ilegalidade da Aferição Indireta (Lucro Presumido) A aferição indireta é medida extrema, disponível somente quando totalmente imprestáveis ou inexistentes os lançamentos contábeis, ou ainda, pela recusa no fornecimento da documentação exigida pela autoridade fiscal, situação não verificada no caso presente. “A empresa autora conta com lançamentos contábeis regulares, dotados dos respectivos documentos, os quais foram colocados inteiramente à disposição da autoridade Fiscal.” “Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o arbitramento da verba previdenciária”. Conclui que “há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos tributos com base no lucro real”. 6.1 – Idoneidade da Contabilidade Alega que toda receita e toda despesa está devidamente lançada na contabilidade da impugnante, discorrendo que até valores não lançados em GEFIP´s foram localizados nos lançamentos contábeis, devendo assim ser utilizada a contabilidade da impugnante para apuração dos tributos e considerados os créditos dos tributos, na forma da legislação em vigor. 7 – Nulidade do Auto de Infração. Desconsideração do Valor Recolhido. Entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo que requer sua nulidade, bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica. 8 Pedido. Diante de todo exposto requer ser julgada totalmente procedente a presente impugnação, reconhecendo as nulidades argüidas e no mérito, reconhecida a improcedência do auto de infração em epígrafe. Requer a produção de todos os meios de provas admitidos por lei, em especial a oitiva de testemunhas, bem como a apresentação de documentos durante a fase de instrução. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000014/200900 Acórdão n.º 3201000.713 S3C2T1 Fl. 7.51 11 Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RPO nº 25.363, de 23/07/2009, fls. 82/104: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. IMPUGNAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de documentos, pois a prova documental será apresentada na impugnação. Impugnação Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 107 e interpõe recurso voluntário de fls. 108/148. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 12 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O presente processo discute o lançamento de PIS em face da exclusão da recorrente do SIMPLES, que tomou o n.º 10.925.002073/200823 e 10925.002252/200861. Entendo que a competência para julgamento é da agora 1º Seção do Conselho de Contribuintes, já que a presente discussão não se enquadra nas hipóteses previstas no atual Regimento Interno, conforme Portaria n.º 256/2009: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Como entendo que no presente caso a competência é da 1º Sessão do Conselho de Contribuintes, devem os autos ser para lá remetidos para julgamento, já que não vislumbro possibilidade de análise por esta Seção da discussão em debate. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer dos recursos e endereçálos à competente 1º Sessão do Conselho de Contribuintes para julgamento. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000014/200900 Acórdão n.º 3201000.713 S3C2T1 Fl. 8.51 13 Sala das Sessões, em 02/06/2011junho de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 13984.900118/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. INCOMPETÊNCIA. ART. 65, RICARF.
Nos termos do art. 65§ 1º, V do RICARF, apenas o Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil da unidade administrativa do contribuinte possui competência para interposição de embargos de declaração, cuja peça deverá indicar a necessária obscuridade, omissão ou contradição.
Numero da decisão: 1801-002.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, por interposto por autoridade incompetente, e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-001.746, proferido em sessão de 06 de novembro de 2013, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. INCOMPETÊNCIA. ART. 65, RICARF. Nos termos do art. 65§ 1º, V do RICARF, apenas o Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil da unidade administrativa do contribuinte possui competência para interposição de embargos de declaração, cuja peça deverá indicar a necessária obscuridade, omissão ou contradição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, por interposto por autoridade incompetente, e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801001.746, proferido em sessão de 06 de novembro de 2013, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 18 /2 00 8- 11 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Relatório Tratase da PER/DCOMP n. 16131.76352.160104.1.3.040294 (efls. 11/17) que não foi homologada pela Secretaria da Receita Federal por meio do Despacho Decisório de efl. 05, que fundamentou: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 02/04), onde requereu o cancelamento da citada PER/DCOMP em função de têla apresentado indevidamente, uma vez que optou pelo Simples Federal, tendo quitado valores devidos no referido regime mediante pagamento do DARF informado como crédito na PER/DCOMP em análise. Outrossim, também em função de ter optado pelo Simples Federal, os débitos lá informados não eram devidos. A DRJFlorianópolis/SC julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (efls. 29/32). Na decisão restou consignada a impossibilidade de atender ao pleito da contribuinte, uma vez que o art. 62 da IN SRF n. 600/2005 – vigente na data do requerimento de cancelamento da DCOMP, o qual dispõe sobre tal cancelamento – impede o deferimento do pedido após proferida decisão administrativa acerca da compensação. Outrossim, não houve homologação da referida DCOMP porque na data de sua apresentação (16/01/2004) a contribuinte não poderia utilizar o pagamento do DARF como se indevido fosse, haja vista estar pendente decisão do CARF sobre sua exclusão do Simples Federal. Intimada em 08/11/11 (efl. 35), a empresa interpôs Recurso Voluntário (e fls. 37/40), onde alega que jamais foi excluída do Simples Federal, inexistindo, portanto, os débitos relativos ao regime das empresas em geral informados na DCOMP. Por esta razão, requereu o cancelamento da DCOMP e dos débitos lá informados. Juntou o Despacho Decisório n. 030/2009 – DRF/LAG (efls. 43/45). Posteriormente, foi proferido acórdão por esta 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 59/67), o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no valor original de R$1.426,39 efetuado em 10.05.2002, para fins de homologação da compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido. (efl. 67) Não obstante, após o retorno dos autos à delegacia de origem, esta se manifestou (efl. 75) afirmando a impossibilidade de homologar a compensação no SIEF PROCESSOS, pois não existiria saldo e/ou valor reservado no pagamento para o valor do crédito deferido. Ressaltou ainda que o voto prolatado não corresponderia ao pedido do interessado, que requereu apenas o cancelamento da DCOMP. Deste modo, requereu a revisão do acórdão. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 13984.900118/200811 Acórdão n.º 1801002.310 S1TE01 Fl. 78 3 Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Trata o presente processo de Embargos de Declaração (efl. 75) interpostos pelo Chefe do Núcleo de Arrecadação e Cobrança (NURAC) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages/SC (DRF/Lages) contra o Acórdão nº 1801001.746, exarado em 06 de novembro de 2013, por esta 1ª Turma Especial da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 59/67). A decisão recorrida deu provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no valor original de R$1.426,39 efetuado em 10.05.2002, para fins de homologação da compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido. Os embargos de declaração contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis nas situações previstas no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Os presentes embargos não foram interpostos pelo Delegado da DRF/Lages, mas por servidor a ele subordinado. Como não há, na peça recursal ou mesmo nos autos, qualquer indicação de delegação de competência, entendo que os embargos devem ser rejeitados por ilegitimidade do embargante. Mesmo que não houvesse a referida ilegitimidade, o supracitado dispositivo regulamentar prevê a interposição de embargos apenas nas situações em que o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 4 O recorrente opõemse ao referido acórdão nos seguintes termos: Faço menção ao Acórdão 1801001.746 – 1ª Turma Especial, sessão de 06/11/2013, proferido nos autos em epígrafe para informar que não foi possível homologar a compensação no sistema SIEF PROCESSOS pois não existe saldo e/ou valor reservado no pagamento para o valor do crédito deferido. Observamos que, apesar de totalmente favorável ao contribuinte, o voto prolatado não corresponde ao pedido do interessado que requereu CANCELAMENTO da PER/DCOMP apresentada e não reconhecimento de direito creditório. Ante o exposto, encaminhamos o presente processo, para, s.m.j., revisão do Acórdão. Assim, o embargante não indica a necessária obscuridade, omissão ou contradição. Como se vê, o fundamento aduzido pelo recorrente é a inexistência de valor reservado no pagamento para o valor do crédito deferido, tendo ressaltado que o contribuinte não pleiteou crédito, mas requereu o cancelamento da PER/DCOMP. Portanto, a causa de pedir também não autoriza a interposição dos embargos. Outrossim, a título do esclarecimento ao autor do despacho de efl. 75, cumpre observar que o objeto da lide já foi apreciado, devendo a execução se dar nos exatos termos do acórdão. Portanto, os débitos indicados na PER/DCOMP (efls. 11/17) devem ser extintos no sistema com indicação do número do presente processo. Pelo exposto, voto por rejeitar os Embargos de Declaração, posto que interpostos por autoridade incompetente, e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801001.746, proferido em sessão de 06 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 80DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES
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Numero do processo: 13896.002619/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Conselheiros JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Ricardo Anderle (Suplente Convocado).
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 19 /2 01 0- 43 Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Conselheiros JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Ricardo Anderle (Suplente Convocado). Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JOAQUIM TADEU DE SOUZA CAMPOS PESSARELLO, foi autuado a recolher o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) anos calendários 2005 e 2006, por meio do qual se exige o crédito tributário no valor total de R$ 2,450,036,85 (dois milhões, quatrocentos e cinquenta mil, trinta e seis reais e oitenta e cinco centavos), composto da seguinte forma (valores em Reais): Imposto R$ 819.054,13 Juros de mora (cale. até 29/10/2010) R$402.401,53 Multa proporcional R$1.228.581,19 O crédito tributário constituído decorreu da constatação de irregularidades assim descritas no referido auto: 01GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL OMISSÃO DE GANHOS OPERAÇÕES COMUNS Omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em operações na Bolsa de Valores, conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, que faz parte integrante deste auto de Infração. " 02 GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL OPERAÇÕES "DAY TRADE OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS OPERAÇÕES "DAY TRADE" Omissão de ganhos liquidas no mercado de renda variável obtidos em operações "daytrade" na Bolsa de Valores, conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, que faz parte integrante deste auto de Infração. " . 03 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA "Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, que faz parte integrante deste auto de Infração. " Os enquadramentos legais e os valores tributáveis relativos a cada infração encontramse descritos no corpo do auto de infração, assim como as respectivas multas de oficio aplícadas Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, que faz parte integrante deste auto de Infração, o auditor fiscal responsável pelo procedimento dá conta dos atos que foram praticados durante a ação fiscal e dos fatos que originaram a autuação. A ciência do auto de infração foi dada por via postal na data de 17/11/2010 (fl.960) . Em 17/12/2010, o interessado apresentou a impugnação de fls.966/981, na qual, após proceder ao relato dos fatos, aduz, em síntese, o que se segue: I PRELIMINARES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Argúi a nulidade do lançamento por estar este lastreado em provas obtidas de forma declarada ilegal pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Referese a entendimento exposto por aquele tribunal em julgamento de recurso extraordinário interposto por pessoa jurídica sobre a constitucionalidade da quebra de sigilo bancário pelo Fisco sem autorização judicial. NEGATIVA DE ACESSO AO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Alega cerceamento ao direito de defesa pela não concessão, pela fiscalização, do acesso ao exame do procedimento fiscal, além de negativa de dilação de prazo para apresentação de documentos relativos a mais de 740 lançamentos. Entende que o contribuinte tem direito de saber e examinar as razões pelas quais está sendo fiscalizado, bem como os documentos utilizados para embasar o procedimento. Contudo, tal acesso lhe foi negado sob a alegação de que o procedimento era de caráter sigiloso, o que considera incabível, visto que o sigilo se opera perante terceiros, não entre o Fisco e o próprio contribuinte. Assevera que o pedido de prazo suplementar deveuse à dificuldade de obtenção dos extratos bancários, que se encontravam nos autos da fiscalização e a atitude do auditor implicou a impossibilidade de fazer a sua defesa de forma correta. Acrescenta, por fim, que solicitou cópia integral do procedimento administrativo e que a sua entrega estava prevista para 28 de janeiro de 2010, o que impediu a sua defesa de forma correta. NEGATIVA DE CONCESSÃO DE PRAZO Reclama novamente do prazo concedido pela fiscalização para apresentação dos documentos 20 dias prorrogados por mais cinco ressaltando a ocorrência de feriados no período. Sustenta que as alegações para a não concessão de prazo maior constantes no Termo de Intimação Fiscal n° 1 são, no mínimo, contraditórias, uma vez que desconsideram que houve formação de contas bancárias erradas, além do fato de que teve que procurar documentos arquivados há mais de cinco anos, sendo que não possuía contabilidade por ser pessoa fisica e os empréstimos, na maioria das vezes, era acertado verbalmente. DA DATA CORRETA DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 4 5 DECADÊNCIA DOS ATOS ANTERIORES Defende a nulidade do Temo de Início da Ação Fiscal cientificado por meio de Edital, questionando esse tipo de intimação e os motivos que levaram a fiscalização a fazer uso dele. Requer que o início da fiscalização seja considerado efetivado em 04 de outubro de 2010, reconhecendose a decadência dos períodos anteriores a cinco anos dessa data. DAS INFORMAÇÕES EQUIVOCADAS Arrola erros nas informações prestadas pelo autuante para identificar as contas bancárias objeto de investigação, afirmando que, a despeito deles, informou os dados corretos de suas contas, o que mostra a lisura de seus procedimentos e a inexistência de máfé. Aponta, assim, mais um fundamento para a redução da multa imposta pela fiscalização. Menciona, ainda, que retificou o seu endereço no site da Receita Federal e, por intermédio de seu contador, deu ciência ao Auditor Fiscal por email, fato que foi omitido pela autoridade fiscal. DOS FATOS Alega que, em virtude de sua atividades anteriores, desempenhadas em bancos comerciais, estabeleceu relacionamentos com algumas empresas, passando a efetuar empréstimos a taxas inferiores às das instituições bancárias, salientando que o procedimento é lícito, uma vez que não houve oferta pública. As operações, segundo afirma, tiveram início em 2000/2001, quando foram celebrados contratos de mútuo, e em alguns casos sequer contrato havia e consistiam em troca de cheques. Assim, o mutuário recebia cheques de terceiros e descontava junto ao ora impugnante, mediante a cobrança de correção monetária e juros 'de 0,5% ao mês, conforme permitido por lei. Os títulos recebidos eram depositados pelo contribuinte em sua conta corrente, sendo que muitos deles eram devolvidos e reapresentados. Os que fossem devolvidos novamente eram enviados ao tomador e substituídos. ' Prossegue, afirmando que os contratos que lastrearam essas operações são datados de 2001 a 2004 e a atividade era rotativa, isto é, quando o amigo tivesse necessidade de caixa, trocava uma determinada quantia que era representada por diversos cheques que eram depositados em datas diferentes. Assim, requer a reabertura da fiscalização para que possa atender ao governo nela foi pedido, sob pena de cerceamento do direito de defesa. DA NECESSIDADE DE NOVAS DILIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO SOB PENA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Requer diligências fiscais para possibilitar a demonstração de que a origem dos depósitos efetuados são devoluções de valores remetidos pelo contribuinte, uma vez que para tanto faz se Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 necessária a identificação de cada cheque, acesso que não lhe é permitido, mas que pode ser facultado ao auditor fiscal. QUANTO À ALEGADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Neste tópico faz referências a diversos lançamentos, os quais, visando objetividade, serão relatados por ocasião do voto. DA APRESENTAÇÃO DE NOVOS COMPROVANTE E ESCLARECIMENTOS Afirma que inobstante a lavratura do auto de infração e imposição de multa, continuará a exercer seu direito de defesa e apresentar, sempre que possível, os documentos que comprovam a inexistência de receita não declarada, para que não seja condenado ao pagamento de valor que não é devido. Discorre sobre a verdade material e protesta pela apresentação de novos documentos e esclarecimentos de pontos já tratados anteriormente, aludindo, ainda, a imperfeições nas Declarações de Ajuste Anual. DA NECESSIDADE DE NOVAS DILIGÊNCIAS Protesta pela realização de diligências para comprovar a lisura de seus procedimentos. DA EXCLUSÃO DAS MULTAS PELA CONSIDERAÇÃO DOS VALORES COMO RECEITA Entende que uma vez demonstrado que os valores não se trataram de receita e que não houve aumento patrimonial, necessária se faz a exclusão da tributação e das multas impostas, como se ganho de pessoa física fosse. DA ALÍQUOTA APLICÁVEL Entende que restando demonstrado que o ganho auferido decorre de empréstimo, a alíquota aplicável é de 15,00% sobre o ganho e não de 27,5% que entende aplicarse a ganhos de assalariado ou autônomos. QUANTO AOS GANHOS EM RENDA VARIÁVEL Acata a apuração dos ganhos em renda variável, mas requer sejam examinados os fatos ocorridos quando já decorrido o prazo decadencial e ainda, que a multa seja desonerada do agravamento, uma vez que não houve dolo, mas desconhecimento ao se classificarem tais rendimentos como sujeitos à tributação exclusiva na fonte. DO DESCABIMENTO DA MULTA EM SEU PERCENTUAL MÁXIMO Contesta o percentual da multa aplicada, asseverando que não criou embaraços à fiscalização, não tendo atendido à intimação para comprovar a origem dos depósitos pela exigüidade do prazo concedido. Pela mesma razão, os ganhos em bolsa não foram justificados. Transcreve parcialmente o artigo 44 da Lei 9.430/1996, bem como os artigos 70, 71, 72 e 73 da Lei 4502/1964 para concluir que, pela leitura dos textos legais, a multa aplicável ao seu caso seria re tri:a ao percentual de 50%. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 5 7 De qualquer forma, entende que a duplicação é indevida, uma vez que esta vinculase ao dolo, o que não se evidenciou no seu caso. DO PEDIDO Pelo exposto, aguarda que seja dado provimento ao presente apelo para: a. Decretar a nulidade do lançamento, conforme preliminares, ou b.Estabelecer a data de início da fiscalização no dia 4 de outubro de 2010; c. Restabelecer o prazo para que o Contribuinte possa obter documentos comprobatórios do acima alegado; d.Oficiar os bancos ou acessar os bancos de dados da SRF para obter o destino dos cheques devolvidos; e. Considerar os valores acima expostos que demonstram ter inexistido acréscimo patrimonial; f. Diminuir os percentuais das multas para o mínimo previsto em lei; g.Excluir desde já, da fiscalização, os valores acima apontados. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FíSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 PRELIMINARES. NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. SIGILO BANCÁRIO. Inocorre quebra de sigilo bancário quando os agentes fiscais, com fins públicos, acessam os dados protegidos por esse instituto, ficando salvaguardada a inviolabilidade dessas informações, pela observância do sigilo fiscal. Os efeitos de acórdão proferido pelo STF, desprovido de repercussão geral, limitamse ao caso concreto, não vinculando a Administração Pública Federal. PRELIMINAR. DECADÊNCIA.Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. DATA. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Tendo o contribuinte informado domicílio tributário inexato, é válida a intimação feita por Edital para dar conhecimento do início da fiscalização, uma vez que inexistente o endereço, restam inviáveis a intimação por via postal e pessoal. NOVAS PROVAS A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do auto de infração e conter os argumentos e provas de que dispuser o contribuinte, precluindo o direito de apresentação de provas em outro momento, a menos que reste comprovada circunstância prevista em lei para tal. DILIGÊNCIAS. INDEFERIMENTO. Compete ao sujeito passivo a produção de provas para elidir presunção regularmente estabelecida de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não' comprovada, não podendo as autoridades julgadoras substituílo nessa incumbência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Na tributação por depósitos bancários a apuração de omissão de rendimentos prevê que os créditos sejam analisados individualmente. Assim, a comprovação de origem de recursos deve ser individualizada, com coincidência de datas e valores entre os depósitos e os fatos alegados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Na tributação erigida sobre depósitos bancários os cheques devolvidos devem ser excluídos para fins de determinação da matéria tributável. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.MULTA QUALIFICADA. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados caracterizadores do intuito de fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzi Ias. Ausentes tais elementos, reduzse a multa para o percentual de 75%. RENDA VARIÁVEL. MULTA QUALIFICADA. Presentes nos autos evidências de dolo na omissão de ganhos em renda variável, cabível é a imputação da multa qualificada sobre a infração apurada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A autoridade de primeira instância excluiu do lançamento por estar demonstrado o valor de R$ 229.689,79, bem como desqualificou a multa de oficio no itens relacionados aos depósitos bancários Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 7 11 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Decadência No tocante ao ano calendário de 2005, para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos verifica se que ocorreu em 17/11/2010. Na apreciação da decadência, no caso concreto, ainda que se considerase que não caiba a qualificação da multa, não há como considerar o lançamento decadente. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que não foi identificado o recolhimento de qualquer tributo no ano calendário 2005. Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 8 13 homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 9 15 de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso o período mais antigo lançado referese a janeiro de 2005, não há que se falar em decadência, independente de a qualificação da multa for mantida ou não. Recordese, por pertinente, que não foi identificado qualquer recolhimento de imposto relativo a pessoa física no ano calendário de 2005, tal como se constata do demonstrativo de fls. 965 do eprocesso. Isto posto, rejeitase portanto a preliminar de decadência. Do Pedido de Diligência Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora conforme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. Particularmente no caso de lançamento por depósitos bancários onde o ônus da prova é do recorrente. Por último, respeitando opiniões divergentes, indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 10 17 Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos De acordo com a autoridade julgadora de primeira instância as provas apresentadas não respaldam o lançamento. Tal como se nota do trecho a seguir extraído da fl.1045. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 11 19 É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por indeferir o pedido de pericia, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002619/201043 Acórdão n.º 2202002.828 S2C2T2 Fl. 12 21 Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15586.001915/2010-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MPF - PRORROGAÇÃO - CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL - AUSÊNCIA DE NULIDADE.
A partir da análise do instrumento do MPF disponibilizado no sítio da RFB, bem como nos elementos disponíveis nos autos, tem-se que tanto a emissão quanto as prorrogações do MPF e as Intimações Fiscais demonstram a continuidade do procedimento fiscal, de forma a não ocorrer a nulidade por interrupção do procedimento fiscal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - NÃO APRECIAÇÃO PELO CARF
A Súmula nº 28 do CARF, expressamente estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de controvérsias referentes à Representação Fiscal para Fins Penais.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.946
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no Mérito, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MPF - PRORROGAÇÃO - CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL - AUSÊNCIA DE NULIDADE. A partir da análise do instrumento do MPF disponibilizado no sítio da RFB, bem como nos elementos disponíveis nos autos, tem-se que tanto a emissão quanto as prorrogações do MPF e as Intimações Fiscais demonstram a continuidade do procedimento fiscal, de forma a não ocorrer a nulidade por interrupção do procedimento fiscal. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - NÃO APRECIAÇÃO PELO CARF A Súmula nº 28 do CARF, expressamente estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de controvérsias referentes à Representação Fiscal para Fins Penais. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 155 1 154 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001915/201056 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.946 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente V & M INDUSTRIAL EXPORTADORA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MPF PRORROGAÇÃO CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL AUSÊNCIA DE NULIDADE. A partir da análise do instrumento do MPF disponibilizado no sítio da RFB, bem como nos elementos disponíveis nos autos, temse que tanto a emissão quanto as prorrogações do MPF e as Intimações Fiscais demonstram a continuidade do procedimento fiscal, de forma a não ocorrer a nulidade por interrupção do procedimento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 19 15 /2 01 0- 56 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS NÃO APRECIAÇÃO PELO CARF A Súmula nº 28 do CARF, expressamente estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de controvérsias referentes à Representação Fiscal para Fins Penais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 156 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no Mérito, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – V & M INDUSTRIAL EXPORTADORA S.A. contra Acórdão nº 1237.872 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ I , que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº. 37.234.8890, com valor de R$ 14.317,90. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores. Conforme o Relatório Fiscal da infração, às fls. 14, aponta as informações declaradas incorretamente em GFIP/SEFIP: 2.1. Observamos as seguintes situações que geraram GFIP com valor menor que o devido: 2.1.1 Nas competências 01/2006, 02/2006, 05/2006, e 13/2007, houve omissão de segurado empregado PLANILHA VII, ou seja, informação indevida do salário de contribuição e conseqüentemente do desconto de segurado; 2.1.2. Para as competências 01/2007 a 05/2007, verificouse pagamento da rubrica BONUS cod 189, a dois diretores, sem que tenha sido informada em GFIP, gerando informação, a menor, do salário de contribuição PLANILHA I. 2.1.3. Para as competências 05/2007 a 08/2007, não foi informada, na GFIP da Filial 000572, a alíquota RAT PLANILHA III. Houve a elaboração do quadro comparativo de multas que resultou na multa aplicada na competência 13/2007, conforme o Relatório Fiscal da Infração: 2.2. Tendo em vista as alterações introduzidas na Lei 8.212/91 pela MP no 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/0512009 e considerando o principio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), foi comparada a multa Imposta pela legislação vigente .à época da ocorrência do fato gerador com a imposta pela legislação superveniente, aplicandose a mais benéfica, conforme PLANILHA intitulada Saris Comparação de Multa. 2.2.1. Desta forma, para as competências 01/2006, 02/2006, 05/2006, 01/2007 a 08/2007 a multa mais benéfica, ou menos severa, foi da LEGISLAÇÃO ATUAL Art. 35A da Lei 8.212/91, Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 157 5 incluído pela Lei 11.941/2009, que determina a aplicação do disposto no art. 44 da Lei 9.430/96, ou seja, 75% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas e não declaradas, incluída no Auto de Infração da obrigação tributária principal. 2.2.2. Para a competência 13/2007, a menos severa foi a calculada pela LEGISLAÇÃO ANTERIOR, prevista na Lei 8.212/91, art 32, inciso IV e g§ 20, 30 e 50 , acrescentado pela Lei n° 9.528/97 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada. 2.3. Portanto, o presente AUTO DE INFRAÇÃO corresponde ao valor da multa calculada para a competência 13/2007, conforme esclarecimentos prestados nos subitem 2.2.1 e 2.2.2 acima. A Recorrente teve ciência do AIOA em 21.12.2010, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14, é 12/2007. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 3.1. "0 procedimento fiscal foi supostamente permeado pela Portaria da Secretaria da Receita Federal n° 11.371/2007", sendo que o mesmo não foi concluído dentro do prazo assinalado no Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, "tendo ocorrido, para tanto, outras prorrogações, sem, contudo, a intimação para ciência do contribuinte"; 3.2. "Como válvula de escape, os agentes fiscais continuaram a ação fiscal supostamente subsidiada pela emissão de mandados de procedimentos fiscais complementares, cuja validade de cada um destes atos administrativos específicos (MPFF) era de 60 (sessenta) dias"; 3.3. A ação fiscal foi ilegalmente prorrogada sem a emissão do MPF Complementar, o qual deveria ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal, pelo que se mostra nulo o procedimento fiscalizatório; 3.4. Não houve qualquer ato legal de prorrogação da ação fiscal, muito menos intimação da empresa. Fezse apenas constar do rodapé do documento as "supostas" novas datas de validade para o MPF original, sem se atentar para as formalidades necessárias A validade de tais atos; 3.5. "A legislação infraconstitucional permite a prorrogação dos trabalhos, todavia a mesma deve ser feita formalmente, com Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 a devida motivação (elemento do ato administrativo) e com inequívoca ciência do contribuinte"; 3.6. Ainda que se admitisse a validade da ação fiscal sem os mandados complementares, restaria arbitraria a pretensão fiscal em razão da falta de motivação especifica para a prorrogação dos trabalhos, o que fere os incisos VII e VIII do art. 2° da Lei 9.784/99; 3.7. Houve desrespeito ao principio do devido processo legal, uma ez que, no curso da ação fiscal, a empresa não foi intimada para prestar as informações necessárias A contraposição dos argumentos da fiscalização, o que enseja a nulidade do auto de infração; 3.8. A imposição da multa de oficio de 75% viola o principio do não confisco (art. 1501V da CF188); 3.9. A aplicação da taxa SELIC, de natureza remuneratória, viola os artigos 161, § 1 0, do CTN, e 192, § 3°, da CF/88; 3.10. A Representação Fiscal para Fins Penais somente deve ser encaminhada ao Ministério Público Federal após o lançamento definitivo do crédito tributário, o que se da com o exaurimento da discussão do lançamento na esfera administrativa, conforme Súmula Vinculante n°24 do STF. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1237.872 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ I , conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 21/12/2010 MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. INTIMAÇÃO PARA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A EXPIRAÇÃO DO PRAZO INICIAL. CIENTIFICAÇÃO TÁCITA DE CONTINUIDADE DA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DE MENÇÃO EXPRESSA. A intimação, após a expiração do prazo inicial do MPF, exigindo a exibição de documentos por parte da empresa submetida a procedimento fiscal, demonstra tacitamente a continuidade dos trabalhos, sendo desnecessário que do ato conste menção expressa à prorrogação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, nos termos do inteiro teor desta decisão, em negar provimento à impugnação do sujeito passivo, mantendo o crédito tributário exigido, no valor de R$ 14.317,90, a ser acrescido de juros. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 158 7 Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 126, da Lei 8.213/91, e art. 305, §1°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com redação dada pelo Decreto 4.729/03, ambos combinados com o art. 29, da Lei 11.457/07, e art. 5°, §1°, da Portaria MF n° 147/07. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e requerendo: (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito art. 151, III, CTN; (ii) Da irregularidade na prorrogação do MPF; 0 procedimento fiscal foi supostamente permeado pela Portaria da Secretaria da Receita Federal n°11.371/2007", sendo que o mesmo não foi concluído dentro do prazo assinalado no Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, "tendo ocorrido, para tanto outras prorrogações, sem, contudo, a intimação para ciência do contribuinte; Como válvula de escape, os agentes fiscais continuaram a ação fiscal supostamente subsidiada pela emissão de mandados de procedimentos fiscais complementares, cuja validade de cada um destes atos administrativos específicos (MPFF) era de 60 (sessenta) dias A ação fiscal foi ilegalmente prorrogada sem a emissão do MPF Complementar, o qual deveria ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal, pelo que se mostra nulo o procedimento fiscalizatório; Não houve qualquer ato legal de prorrogação da ação fiscal, muito menos intimação da empresa. Fezse apenas constar do rodapé do documento as "supostas" novas datas de validade para o MPF original, sem se atentar para as formalidades necessárias validade de tais atos; (iii) Da violação ao devido processo legal A empresa não foi intimada para prestar as informações necessárias à contraposição dos argumentos da fiscalização, o que enseja a nulidade do auto de infração; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (iv) Exacerbação na aplicação da multa A imposição da multa de oficio de 75% viola o principio do não confisco (art. 150 IV da CF/88); (v) Inaplicabilidade da Taxa SELIC (vi) Impossibilidade de formalização de representação Fiscal para Fins Penais Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 159 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito art. 151, III, CTN; Analisemos. O art. 151, II, CTN dispõe que suspende a exigibilidade do crédito tributário os recursos: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo Portanto, em função da impetração do Recurso Voluntário, a exigibilidade do crédito encontrase suspensa. (A) Das alegações acerca de inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – V & M INDUSTRIAL EXPORTADORA S.A. contra Acórdão nº 1237.872 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ I , que julgou Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 160 11 procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº. 37.234.8890, com valor de R$ 14.317,90. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 161 13 devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (ii) Da irregularidade na prorrogação do MPF; 0 procedimento fiscal foi supostamente permeado pela Portaria da Secretaria da Receita Federal n°11.371/2007", sendo que o mesmo não foi concluído dentro do prazo assinalado no Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, "tendo ocorrido, para tanto outras prorrogações, sem, contudo, a intimação para ciência do contribuinte; Como válvula de escape, os agentes fiscais continuaram a ação fiscal supostamente subsidiada pela emissão de mandados de procedimentos fiscais complementares, cuja validade de cada um destes atos administrativos específicos (MPFF) era de 60 (sessenta) dias A ação fiscal foi ilegalmente prorrogada sem a emissão do MPF Complementar, o qual deveria ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal, pelo que se mostra nulo o procedimento fiscalizatório; Não houve qualquer ato legal de prorrogação da ação fiscal, muito menos intimação da empresa. Fezse apenas constar do rodapé do documento as "supostas" novas datas de validade para o MPF original, sem se atentar para as formalidades necessárias validade de tais atos; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 162 15 Analisemos. A Portaria RFB 11.371/2007 que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, trata do Mandado de Procedimento Fiscal MPF: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (...) Art. 9ºAs alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. (...) Art. 11.Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Art. 14. O MPF se extingue: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Em consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil em 11.02.2015, (http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp), na opção Consulta Procedimento Fiscal, utilizandose as informações do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, às fls. 66, como o código de acesso 18648689 ao MPF e o CNPJ do contribuinte, 35.969.294/000149, temse presente o demonstrativo de prorrogações do MPF: Conforme o já observado pela decisão de primeira instância, às fls. 113, com base no MPF disponível acima, bem como dos elementos disponíveis nos autos, temse que tanto a emissão quanto as prorrogações do MPF e as Intimações Fiscais demonstram a continuidade do procedimento fiscal: 11. Conforme consulta ao sitio da Receita Federal do Brasil, verificase que o MPF foi emitido em 26/04/2010, com validade inicial até 24/08/2010 e prorrogações até 23/10/2010, 22/12/2010 e 20/02/2011. Examinando os autos, verificase que o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal data de 21/06/2010 (fls. 66/67); os Termos de Intimação Fiscal n° 1 e 2, datam, respectivamente, de 25/08/2010 e 03/11/2010 (fls. 68/69); e, por fim, o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal data de 21/12/2010 (fls. 70/71). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 163 17 12. Como se pode perceber, o prazo inicial do MPF foi devidamente prorrogado por meio eletrônico. A empresa, durante o procedimento fiscal, após a prorrogação do prazo, foi intimada por duas vezes a apresentar documentos à fiscalização, o que demonstrou, ainda que tacitamente, a continuidade do procedimento fiscal. Além disso, em ambos os Termos de Intimação Fiscal (fls. 68/69) consta expressamente consignada a seguinte informação: "0 sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal utilizando o aplicativo Consulta Mandado de Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, www.receita.fazenda.gov.br, onde deverão ser informados o número do CNPJ ou CPF, conforme o caso, e o código de acesso constante neste termo." Ainda, em relação ao argumento de necessidade de motivação na prorrogação do MPF, nos termos do art. 12, Portaria RFB 11.371/2007 a prorrogação do MPF não precisa ser motivada, sendo que a prorrogação do prazo do MPF poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização. De outro lado, os MPF prorrogados estão colacionados no Demonstrativo de Prorrogação do MPF, conforme verificado acima, congruente com a Portaria RFB 11.371/2007, não prevalecendo então o argumento da Recorrente pela necessidade de MPF Complementares. Portanto, se verifica que houve a continuidade válida do procedimento fiscal por meio do Demonstrativo de prorrogações do MPF, com base nos arts. 4o, 9o, 11, 12, 13 e 14 da Portaria RFB 11.371/2007. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Da violação ao devido processo legal A empresa não foi intimada para prestar as informações necessárias à contraposição dos argumentos da fiscalização, o que enseja a nulidade do auto de infração; Analisemos. Embora a Recorrente argumente que não foi intimada para prestar informações necessárias à contraposição dos argumentos da Fiscalização, tal não pode prosperar porque o procedimento fiscal atendeu aos requisitos normativos. O art. 14, Decreto 70.235/1972, dispõe que a fase de Impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento na qual se fazem presentes as garantias constitucionais processuais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa que regem o processo administrativo fiscal. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Decreto 70.235/1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Ademais, conforme o discutido no tópico (B) acima, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) Exacerbação na aplicação da multa A imposição da multa de oficio de 75% viola o principio do não confisco (art. 150 IV da CF/88); Analisemos. Observase de plano que não houve a aplicação da multa de ofício (75%), conforme se depreende do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14. Em relação aos acréscimos legais, o Relatório Fiscal mostra que houve a elaboração de quadro comparativo de multas que resultou na multa aplicada na competência 13/2007, conforme o Relatório Fiscal da Infração: 2.2. Tendo em vista as alterações introduzidas na Lei 8.212/91 pela MP no 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/0512009 e considerando o principio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), foi comparada a multa Imposta pela legislação vigente .à época da ocorrência do fato gerador com a imposta pela legislação superveniente, aplicandose a mais benéfica, conforme PLANILHA intitulada Saris Comparação de Multa. 2.2.1. Desta forma, para as competências 01/2006, 02/2006, 05/2006, 01/2007 a 08/2007 a multa mais benéfica, ou menos severa, foi da LEGISLAÇÃO ATUAL Art. 35A da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009, que determina a aplicação do disposto no art. 44 da Lei 9.430/96, ou seja, 75% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas e não declaradas, incluída no Auto de Infração da obrigação tributária principal. 2.2.2. Para a competência 13/2007, a menos severa foi a calculada pela LEGISLAÇÃO ANTERIOR, prevista na Lei 8.212/91, art 32, inciso IV e g§ 20, 30 e 50 , acrescentado pela Lei n° 9.528/97 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada. 2.3. Portanto, o presente AUTO DE INFRAÇÃO corresponde ao valor da multa calculada para a competência 13/2007, conforme esclarecimentos prestados nos subitem 2.2.1 e 2.2.2 acima. A questão de fundo se reflete no cálculo da multa, daí ser necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 164 19 Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.234.8890, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. (v) Inaplicabilidade da Taxa SELIC Analisemos. Insurgese a Recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Em sentido contrário, o tema está pacificado no âmbito do CARF. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) Impossibilidade de formalização de representação Fiscal para Fins Penais Analisemos. A Recorrente argumenta pela impossibilidade da formalização da Representação Para Fins Penais RFFP. Em sentido contrário, o tema está pacificado no âmbito do CARF. Neste sentido, a Súmula nº 28 do CARF, expressamente estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de controvérsias referentes à RFFP: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 2403002.946 S2C4T3 Fl. 165 21 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para, no Mérito, determinar o recálculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16561.720151/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CONTRATO DE PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DA PARTICIPAÇÃO RECEBIDA EM PERMUTA. IN SRF 108/77. INAPLICÁVEL.
As disposições da IN 107/88 versam apenas sobre permuta de unidades imobiliárias (edificações e terrenos), logo, inaplicável em caso de permuta de participações societárias. Por essa razão e à míngua de outra norma nesse sentido aplicável na espécie, não há falar que a participação societária recebida deva ser contabilizada pelo valor participação societária dada em permuta.
CONTRATO DE PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DA PARTICIPAÇÃO RECEBIDA EM PERMUTA. FALTA DE LAUDO. DESÁGIO INEXISTENTE.
Carece de demonstração o registro de deságio no custo de aquisição de participação societária recebida em permuta, conforme dispunha o §3º do art. 20 do DL 1598/77, vigente à época.
PERMUTA. GANHO DE CAPITAL. EXISTENTE
A conclusão pela existência de ganho de capital na permuta decorre unicamente da diferença a maior entre o valor patrimonial da participação societária recebida e o valor da participação societária dada em permuta.
SIMULAÇÃO. INEXISTENTE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. INDEVIDA.
Deve ser afastada a qualificação da multa de ofício, uma vez não demonstrada a existência de simulação de permuta, para dissimulação de compra e venda.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo que negavam provimento.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CONTRATO DE PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DA PARTICIPAÇÃO RECEBIDA EM PERMUTA. IN SRF 108/77. INAPLICÁVEL. As disposições da IN 107/88 versam apenas sobre permuta de unidades imobiliárias (edificações e terrenos), logo, inaplicável em caso de permuta de participações societárias. Por essa razão e à míngua de outra norma nesse sentido aplicável na espécie, não há falar que a participação societária recebida deva ser contabilizada pelo valor participação societária dada em permuta. CONTRATO DE PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DA PARTICIPAÇÃO RECEBIDA EM PERMUTA. FALTA DE LAUDO. DESÁGIO INEXISTENTE. Carece de demonstração o registro de deságio no custo de aquisição de participação societária recebida em permuta, conforme dispunha o §3º do art. 20 do DL 1598/77, vigente à época. PERMUTA. GANHO DE CAPITAL. EXISTENTE A conclusão pela existência de ganho de capital na permuta decorre unicamente da diferença a maior entre o valor patrimonial da participação societária recebida e o valor da participação societária dada em permuta. SIMULAÇÃO. INEXISTENTE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. INDEVIDA. Deve ser afastada a qualificação da multa de ofício, uma vez não demonstrada a existência de simulação de permuta, para dissimulação de compra e venda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
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VALOR DA PARTICIPAÇÃO RECEBIDA EM PERMUTA. IN SRF 108/77. INAPLICÁVEL. As disposições da IN 107/88 versam apenas sobre permuta de unidades imobiliárias (edificações e terrenos), logo, inaplicável em caso de permuta de participações societárias. Por essa razão e à míngua de outra norma nesse sentido aplicável na espécie, não há falar que a participação societária recebida deva ser contabilizada pelo valor participação societária dada em permuta. CONTRATO DE PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DA PARTICIPAÇÃO RECEBIDA EM PERMUTA. FALTA DE LAUDO. DESÁGIO INEXISTENTE. Carece de demonstração o registro de deságio no custo de aquisição de participação societária recebida em permuta, conforme dispunha o §3º do art. 20 do DL 1598/77, vigente à época. PERMUTA. GANHO DE CAPITAL. EXISTENTE A conclusão pela existência de ganho de capital na permuta decorre unicamente da diferença a maior entre o valor patrimonial da participação societária recebida e o valor da participação societária dada em permuta. SIMULAÇÃO. INEXISTENTE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. INDEVIDA. Deve ser afastada a qualificação da multa de ofício, uma vez não demonstrada a existência de simulação de permuta, para dissimulação de compra e venda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 51 /2 01 2- 12 Fl. 3034DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo que negavam provimento. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso de ofício, interposto em face do Acórdão nº 0356.866 da 2ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CONTRATO DE PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. REQUALIFICAÇÃO PARA COMPRA E VENDA. SIMULAÇÃO. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Descabida a descaracterização do contrato de permuta de participação societária sob o fundamento de que o negócio jurídico envolveria cerca de 90% de pagamento em dinheiro, uma vez comprovado que o montante correspondente a esse percentual foi indevidamente considerado torna, pois não foi pago à impugnante, mas entregue à construtora, a fim de que esta pudesse terminar a fábrica que era o objeto último da permuta. Também não se desnatura o contrato de permuta se um dos bens ainda não existe e/ou se a parte que o deseja adquirir na permuta de participações societárias estipular condições e características desse bem, inclusive quanto ao seu valor, a serem cumpridas pela outra parte, mormente quando a própria Fiscalização reconhece o interesse negocial nas operações realizadas. A impugnante atribuiu para o novo investimento, que recebeu na permuta, o valor de custo do investimento que detinha antes, entregue no mesmo ato, e a seguir procedeu à sua avaliação pelo método da equivalência patrimonial, o que fez aflorar o deságio. Fl. 3035DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.035 3 A equivalência patrimonial é baseada no valor contábil do patrimônio líquido da investida, que não é real valor econômico ou de mercado nem ganho efetivo, motivo pelo qual a maisvalia que decorre desse método de avaliação é denominada deságio e não integra o lucro tributável (artigos 20, 25 e 33 do Decretolei nº 1.598/77). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Vale a transcrição dos seguintes excertos do voto condutor do acórdão recorrido: “Não obstante, no presente caso, a despeito do árduo trabalho fiscal, não vislumbro, diante dos fatos narrados, a existência de planejamento tributário ilícito, ou seja aquele que visa exclusivamente a economia tributária. Vale ressaltar que a FIBRIA e a IPH, após a segregação dos ativos, bens e direitos nas respectivas empresas, fizeram a troca das quotas representativas do capital da Chamflora e da LA sem torna financeira De fato, não houve pagamento em dinheiro pela IPH à impugnante, mas o aporte de dinheiro na Chamflora, cujo montante foi imediatamente entregue por esta à PEI, construtora da fábrica. Esta era uma das obrigações precedentes necessárias à realização da permuta, ou seja, para que o negócio jurídico pudesse ser considerado perfeito e acabado. Conforme esclareceu a autuada, esta não recebeu torna, pois o que recebeu, em permuta do investimento na LA (onde estava a fábrica integrada de celulose e papéis de impressão, em Luís Antônio), foi a participação societária na Chamflora, que estava construindo a fábrica de celulose em Três Lagoas, no imóvel que já lhe pertencia, além de nele existirem florestas de eucaliptos, áreas de plantio e outros bens. Aliás, o não pagamento de torna está expressamente previsto na cláusula 2.03 do aludido contrato. Os agentes fiscais, por sua vez, embora sustentem categoricamente que a operação de permuta é na verdade uma operação de compra e venda Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 disfarçada, não chegaram a afirmar que o aludido montante de R$ 2,4 bilhões tivesse, de alguma forma, aportado na FIBRIA, nova denominação social da VCP. Não obstante, consignaram os autuantes, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 2.608), que no dia 30/09/2009 a VCP passou a ser controladora da PEI. Sobre esse registro, vale destacar o esclarecimento da contribuinte em sua peça de impugnação (fl. 2.717): “(...) Há mera menção ao fato, de modo tal que não aparenta ter sido considerado tão relevante quanto outros aos quais o TVF dedicou mais espaço e muitas considerações. De qualquer modo, cabe o esclarecimento de que a Pei era sociedade de propósito específico, constituída no Brasil com a finalidade única de construir a fábrica de Três Lagoas. Deste modo, ao término da construção ela perdeu totalmente o seu objetivo e sua razão de existir, tendo seus controladores resolvido encerrála. Em seu patrimônio restavam valores mínimos de contas a receber e a pagar, que praticamente se anulavam, e um caixa de aproximadamente R$ 450.000,00. Além disso, a Pei pleiteava em juízo a recuperação de valores que entendia terem sido pagos a maior a título de PIS e COFINS, em montante aproximado de cinqu enta milhões de reais. Assim, entre fechar a pessoa jurídica e ficar apenas com aquele caixa, os controladores da Pei negociaram com a impugnante a alienação das respectivas quotas pelo valor de um milhão e meio de reais, o que interessou à impugnante mormente pela expectativa de vitória na ação judicial.. Tratase, portanto, de fato bem futuro à permuta e sem relação com ela ou com as respectivas condições. Juntase cópia da petição inicial da ação, a qual ainda se mantém pendente (doc. 25).” Portanto, duas conclusões já podem ser obtidas, de plano. A primeira é a de que a doutrina jurídica utilizada pela Fiscalização, segundo a qual ocorre a perda da natureza jurídica de permuta quando haja torna de dinheiro em valor mais elevado do que o do bem dado em troca do outro recebido, não se aplica ao presente caso, em que não houve o pagamento de torna. .................................................................................. De se ressaltar, também, que não se desnatura o contrato de permuta se um dos bens ainda não existe e/ou se a parte que o deseja adquirir na Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.036 5 permuta estipular condições e características desse bem, inclusive quanto ao seu valor, a serem cumpridas pela outra parte. Com efeito, no campo das incorporações imobiliárias é comum a entrega de terreno onde será edificado o imóvel em troca de futuras unidades a serem construídas por empresa construtora. A administração tributária, inclusive, por meio da Instrução Normativa SRF nº 107, de 1988, expediu orientações para a apuração do ganho de capital em situações como essa. Portanto, o fato de a fábrica de celulose somente se tornar operacional cerca de 3 (três) anos depois da celebração do contrato de permuta não tem o condão de descaracterizálo. De todo modo, cabe relembrar que o presente caso não trata propriamente de permuta de bens, mas de troca das quotas representativas do capital da Chamflora e da LA, sem torna financeira, com base em laudos de avaliação. A segunda conclusão é a de que não se sustenta uma das premissas utilizadas pela Fiscalização para tipificar o dolo e a fraude, a saber: “A fiscalizada e a contraparte (grupo IP) tinham plena consciência de que não se tratava de permuta, mas quiseram mostrar aos agentes externos, em especial ao Fisco, que era aquela a operação que estava sendo realizada. Confirmando isso, basta não só citar, como novamente transcrever a Cláusula 2.03 do contrato pactuado entre a fiscalizada e a IPH, em 19/06/2006: (...)” Ora, com a devida vênia, como já demonstrado, não houve pagamento de torna, o que está, inclusive, em perfeita sintonia com a já referida cláusula 2.03 do aludido contrato. Pois bem. Asseveraram também os agentes fiscais que a reorganização societária, para ser legítima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil. No presente caso, afirmaram os autuantes que as operações realizadas não podem legitimar consequências tributárias, pois são procedimentos legais apenas no seu aspecto formal, mas ilícitas na medida em que objetivaram unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita a fiscalizada. Nesse sentido, prosseguem os auditoresfiscais, num lapso de tempo relativamente curto, a fiscalizada produziu diversos documentos e Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 realizou as aludidas operações societárias, com a finalidade de encobrir a operação de compra e venda. Dentre essas operações, destacaram os autuantes: (1) o fato de a Chamflora ter alterado seu objeto social pouco antes da permuta, para poder passar a fabricar celulose; (2) o fato de a impugnante ter feito anúncios de fato relevante mencionando ao púbico investidor estar permutando sua fábrica com outra fábrica; (3) o fato de ter sido obtida a anuência do CADE; entre outros. Ocorre que os esclarecimentos prestados pela autuada não podem ser simplesmente ignorados, pois se coadunam com o contrato efetivamente celebrado, que, por sua vez, se inseria na estratégia empresarial da impugnante, de alienar sua fábrica situada no município de Luiz Antônio, no Estado de São Paulo, para se concentrar no mercado de celulose. Aliás, lembrese, os próprios agentes fiscais, no mencionado Termo de Verificação Fiscal, parágrafo 129, reconhecem que havia um interesse negocial nas operações realizadas pela fiscalizada. Nesse contexto, se apresentam como verossímeis os esclarecimentos da impugnante de que: (1) a alteração do objeto social da Chamflora “foi providência necessária ao intento das partes: a IPH de ter uma fábrica de papel (que estava na LA), e a impugnante de sair da fabricação de papel e ficar na de celulose (que passou a estar na Chamflora); ademais, tal medida da IPH na Chamflora era obrigação precedente ao fechamento do contrato de permuta, mas estava em paralelo a outras medidas que já vinham de bem antes, para transformar esta empresa em manufatureira de celulose.”; (2) o anúncio de fato relevante “era obrigação legal da impugnante, por sua condição de companhia aberta, e seria impossível a ela anunciar o negócio que estava para se realizar a não ser em conformidade com a sua natureza jurídica e as cláusulas do respectivo contrato”; e (3) a anuência do CADE “foi uma imposição da legislação de controle do domínio econômico, que teria sido necessária em qualquer caso de aquisição da fábrica, mesmo que se tratasse de aquisição por compra e venda”. Quanto às demais operações societárias que chamaram a atenção dos auditores fiscais, na medida em que encobririam a operação de compra e venda, vale repisar os esclarecimentos da impugnante de que a oportunidade concretizouse através de um contrato de permuta datado de 19/09/2006, o qual foi sujeito à cláusulas de condições suspensivas e cumprimento de obrigações precedentes. Assim: 1) pelo lado da impugnante, seria necessário segregar a fábrica de Luís Antônio numa pessoa jurídica que detivesse esse ativo, o único que interessava para a IPH; para isto, os ativos representativos da referida fábrica foram transferidos para a LA, para o fim específico de que o investimento nesta fosse permutado com a IPH; 2) pelo lado da IPH, aportou ela na Chamflora tudo que seria essencial a poder entregar a fábrica que interessava para a impugnante, ou seja, o projeto da mesma com a terraplanagem em andamento, licenças já obtidas, o Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.037 7 contrato de construção com a PEI devidamente pago, além de que na Chamflora já existiam os imóveis do negócio e plantações de eucalipto suficientes para suprir a fábrica, o termo de acordo com o Governo do Estado que a IPH vinha tratando desde novembro de 2004; 3) pelo lado de cada uma das permutantes, tratandose de negócio de grande vulto e submetido à grande complexidade, e ainda sendo a impugnante ma companhia aberta, havia necessidade do cumprimento de outras condições e obrigações precedentes, exaustivamente listadas no contrato. Portanto, uma vez cumpridas todas as condições suspensivas e demais obrigações precedentes, deuse o fechamento definitivo da permuta no dia 01/02/2007, através de documento denominado "Memorando de Fechamento", o qual confirmou que ambas as partes entendiam estar implementadas as condições que subordinavam a eficácia do contrato, fazendo ressalvas e renúncias cabíveis, além de outras avenças importantes, e realizaram a permuta da LA pela Chamflora mediante alteração dos respectivos contratos sociais. Nesse contexto, também se apresentam como verossímeis esses esclarecimentos da impugnante. Em outra linha de raciocínio, argumentaram as autoridades fiscais que mesmo que o aludido contrato fosse de permuta, haveria a incidência do IRPJ e da CSLL porque o bem recebido foi participação societária de valor superior ao da participação dada. Nesse tema, com a devida vênia, não assiste razão aos autuantes. Primeiro porque não descaracteriza a permuta, se as partes levarem em conta que os bens a permutar têm ou devam ter valores equivalentes, ou próximos da equivalência. Isso porque quando as permutantes são pessoas jurídicas, inclusive de capital aberto, seus administradores têm que prestar contas dos seus atos, e não podem trocar coisa de maior valor por outra de menor valor, a menos que haja um interesse específico no bem que será recebido, apesar de ter valor econômico inferior ao do bem dado. No caso sob exame, justifica a impugnante, a desigualdade de valores das participações societárias permutadas, em razão da existência de intangíveis que nem sempre têm evidência contábil, como a localização física da fábrica, a tecnologia nova empregada na sua construção, a sua capacidade de produção, entre outros. ................................................................................. Por sua vez, a peça de impugnação, subscrita pelo i. Professor Ricardo Mariz de Oliveira, a quem peço vênia para me reportar, como fundamento para a presente decisão, bem demonstra o equívoco do raciocínio fiscal. Fl. 3040DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 No caso concreto, a impugnante atribuiu para o investimento na Chamflora, que recebeu na permuta, o valor de custo do investimento que tinha na LA, entregue no mesmo ato, e a seguir procedeu à sua avaliação pelo método da equivalência patrimonial, como lhe era obrigatório, aí aparecendo o deságio. Em decorrência das diretrizes legais adiante mencionadas, se o bem recebido em permuta tiver valor maior no mercado, em relação ao bem que foi dado em permuta, àquele deve ser atribuído o custo deste, porque este foi o único custo incorrido pelo permutante. Para o permutante que recebeu bem de maior valor há um acréscimo patrimonial meramente potencial, possível de ser obtido efetivamente apenas se, e quando, o bem recebido em permuta for alienado por preço maior do que o custo, pois a incidência tributária pressupõe ganho real e realizado, não no sentido de recebido financeiramente, mas de ganho efetivamente auferido. No caso sob exame, a equivalência patrimonial é baseada no valor contábil do patrimônio líquido da investida (Chamflora), que não é real valor econômico ou de mercado nem ganho efetivo, motivo pelo qual a maisvalia que decorre desse método de avaliação é denominada "deságio" e não integra o lucro tributável, conforme normas legais adiante referidas. De se ressaltar que a realização da renda confundese com a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de provento de qualquer natureza, pois essa aquisição marca o instante a partir do qual há efetivo acréscimo patrimonial e o imposto pode ser exigido. No referido método de avaliação do investimento, que é compulsório nos casos determinados pela lei, o deságio surge quando o custo de aquisição é inferior ao valor do investimento avaliado com base no valor patrimonial contábil do mesmo, apurado com base no patrimônio líquido contábil da pessoa jurídica à qual o investimento se refere. Tratase, pois, de um ganho de capital teórico, que no momento da aquisição do investimento é meramente potencial, mas não tributável de imediato, o qual fica segregado fiscalmente para ser considerado, e tributado (no caso de ganho), apenas quando da alienação ou baixa do investimento, momento em que o deságio entra como elemento redutor do custo contábil de aquisição para apuração de ganho ou perda de capital. Assim, no caso dos autos, a impugnante, por estar obrigada a adotar o método da equivalência patrimonial, reconheceu o deságio na aquisição do investimento na Chamflora, mas não o ofereceu à tributação, exatamente como determina a lei, em decorrência do princípio da realização da renda. ................................................................................................................... .\ Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.038 9 Portanto, in casu, afigurase descabida a apuração de ganho de capital na alienação, ainda que por permuta de investimentos, uma vez ausente o pressuposto básico para tal apuração, qual seja o recebimento de valor superior ao custo do investimento, pois, no caso, por determinação legal, a operação foi efetuada com base em laudos de avaliação. ................................................................................................................... .. Por fim, cabe consignar que também não procede a conclusão fiscal de que a fiscalizada, “com o conhecimento e participação da IPH, agiu dolosamente, de forma que ambas as partes fossem beneficiadas tributariamente: (i) uma, com a falta de recolhimento do ganho de capital; (ii) a outra, com a amortização de ágio gerado na operação, a partir do anocalendário de 2007.” Com efeito, como bem destacou a impugnante, nem a autuada nem a IPH precisariam forjar um contrato de permuta, pois de contrato de compra e venda também adviria o ágio, passível de futura amortização se atendidos os pressupostos do art. 7o da Lei nº 9.532/97. Nessa conformidade, no presente caso, com a devida vênia, entendo que não se confirmou a acusação fiscal de que os atos formalmente praticados, analisados pelo seu conjunto, demonstrariam terem as partes o objetivo único de se livrar de uma tributação específica, e que seus substratos seriam alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não corresponderiam a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio. Deixo de examinar os demais argumentos apresentados pela impugnante, restando prejudicado também o exame das razões de defesa específicas suscitadas quanto à acusação de simulação, à exigência de multa de ofício qualificada, às incorreções na fundamentação legal dos autos de infração e à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.” A Fazenda Nacional apresentou razões ao recurso de ofício (doc. a fls. 2901), no qual alega as seguintes razões para provimento do recurso de ofício: “Em apertada síntese, a Fiscalização entende que a operação importou ganho tributável ao autuado no valor de R$ 1,85 bilhão uma vez que: (i) o negócio estabelecido entre as partes não corresponde a uma permuta, mas sim a uma compra e venda, haja vista que existiu pagamento de preço em dinheiro, o qual ocorreu por meio do patrimônio líquido da CHAMFLORA, e que era formado por um aporte financeiro de R$ 2,5 bilhões realizado pela IPH; (ii) e, ainda que se considere a operação como uma permuta sem torna, houve inequívoco acréscimo patrimonial disponível a ser tributado. Por outro lado, o contribuinte (cujo entendimento fora compartilhado pela decisão recorrida), defende que o negócio firmado foi uma Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 inequívoca operação de permuta sem torna de participações societárias, e que não houve qualquer pagamento de preço em dinheiro. Por esse motivo, sustenta que não há que se falar em acréscimo patrimonial passível de tributação. “Data maxima venia” ao entendimento exposto pelo contribuinte e pela DRJ em Brasília, o lançamento em debate não merece ser cancelado. Tal como será demonstrado a seguir, irretocável fora a conclusão fiscal de que o autuado auferiu ganho tributável com a operação. Primeiro, porque houve inegável pagamento de preço em dinheiro e que correspondeu a maior parte da contraprestação recebida pelo autuado. Segundo, porque ainda que se considere a operação como uma permuta sem torna, o autuado auferiu efetivo e imediato acréscimo patrimonial. a) Da existência de pagamento de preço em dinheiro (valor recebido pelo contribuinte). Caracterização da operação como uma compra e venda. O primeiro ponto de divergência envolve a existência ou não de pagamento em dinheiro. Como já adiantado, a Fiscalização entende que o pagamento existiu uma vez que o patrimônio líquido da CHAMFLORA era formado por um aporte financeiro de R$ 2,5 bilhões (o que correspondia a mais de 80% do PL da empresa – R$ 2,85 bilhões). O fiscalizado, contudo, defende que não houve tal pagamento haja vista que os recursos eram destinados à construção de uma fábrica de celulose de propriedade da CHAMFLORA. Portanto, segundo ele, a VONTORANTIM CELULOSE E PAPEL S/A (VCP – antiga denominação do contribuinte) nunca teve disponibilidade desse dinheiro. A fim de analisar a existência ou não de pagamento, deve‑se voltar a atenção aos fatos, mormente ao contrato que estabeleceu as condições da “permuta” e segundo as quais o negócio realmente se concretizou. Da leitura do contrato firmado entre a VCP e a IPH, vê‑se inicialmente que é estabelecida uma permuta sem torna. Tal aspecto é mencionado expressamente pelas cláusulas 2.02 e 2.03. De acordo com a cláusula 2.02, a VCP assumiu o compromisso de entregar a IPH a totalidade das quotas da LA CELULOSE, e a IPH, em troca, entregar a totalidade das quotas da CHAMFLORA. A cláusula 2.03 determina expressamente que não haveria pagamento de qualquer contraprestação pelas partes. No entanto, ao prosseguir na leitura do contrato, nota‑se que, dentre as condições para o fechamento do negócio, a IPH assumiu a seguinte obrigação: transferir US$ 1,15 bilhões para a CHAMFLORA a fim de que essa empresa, em seu nome, mas por ordem da VCP, promovesse todas as tratativas necessárias à construção de uma nova fábrica de celulose. Tal obrigação se encontra prevista na cláusula 6.11: CLÁUSULA 6.11. Construção da Fábrica do Projeto da Chamflora. (a) de acordo com os termos deste Contrato e dos planos e contratos Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.039 11 existentes para a construção da Fábrica do Projeto no terreno de propriedade da Chamflora, a partir da assinatura deste Contrato até a Data de Fechamento, a Chamflora deverá, mediante a solicitação escrita da VCP: (i) iniciar a negociação para a construção da Fábrica do Projeto, inclusive realizar pedidos com os fornecedores dos equipamentos necessários, e celebrar os contratos adequados e realizar pagamentos adiantados; (ii) adquirir e negociar a aquisição de terrenos adicionais; (iii) transferir qualquer parte dos fundos da Chamflora relativos à construção da Fábrica do Projeto para um terceiro escolhido pela VCP, para ser responsável pelos serviços de engenharia, consecução, construção e administração da Fábrica do Projeto. (b) Considerando os custos estimados relativos à construção da Fábrica do Projeto, a Chamflora deverá celebrar contratos, e adquirir de terceiros não relacionados a esta ativos, direitos, serviços, terrenos e outros ativos relativos à Fábrica do Projeto, no valor de US$ 1.150.000.000,00 (um bilhão e cento e cinquenta milhões dólares norte‑americanos), a serem cedidos pela IP ou sua Afiliada, dentro de 60 (sessenta) dias a partir da presente data, desde que a data para a concessão de fundos seja determinada e informada à VCP, por escrito, dentro de 10 (dez) dias da data deste instrumento. (grifo nosso) A aludida “Fábrica de Projeto” é assim definida pela cláusula 1.01: “Fábrica do Projeto” significa uma fábrica de celulose a ser construída na região da cidade de Três Lagoas, no estado do Mato Grosso do Sul, com capacidade anual de aproximadamente 1.00.000 de toneladas, em conformidade com o projeto existente, bem como quaisquer ativos e direitos futuros previstos em contratos relacionados a sua construção. Dessa forma, compulsando o contrato, conclui‑se que a IPH não assumiu apenas o compromisso de entregar a VCP as quotas da CHAMFLORA, mas também de realizar um aporte financeiro nessa empresa no valor de R$ 1,15 bilhão, valor este que seria utilizado pela CHAMFLORA, mas por ordem da VCP, para a construção de uma fábrica de celulose, a qual ao final, com a “permuta”, passaria a ser detida de forma indireta pela VCP. E, da forma como estava previsto no contrato, a IPH adimpliu sua obrigação. Após a assinatura do contrato no dia 19/09/2006, a IPH realizou nos dias 13 e 28 de novembro de 2006 dois aportes na CHAMFLORA no valor total de RS$ 2,5 bilhões, correspondente à época ao montante de US$ 1,15 bilhão (ou seja, dentro do prazo de 60 dias da assinatura do contrato). Ato contínuo, em dezembro de 2006, a CHAMFLORA, por ordem da VCP, firmou um contrato de entrega de fábrica de celulose no valor de R$ 2,5 bilhões com a empresa POYRY Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS S.A. (PEI), a qual, vale repetir, foi escolhida pela VCP. Por fim, no dia 01/02/2007, com o fechamento do contrato, a IPH transfere a VCP a CHAMFLORA, a qual, dentre os seus ativos, detém o direito de receber a referida fábrica de celulose assim como todos os demais ativos necessários ao seu funcionamento (tal como determinava a cláusula 6.11). Diante, portanto, da “permuta” estabelecida pelo contrato e a sua efetiva forma de concretização, vê‑se o seguinte aspecto: não obstante o texto do acordo prever que haveria uma permuta sem torna, uma das partes se comprometeu com a outra a entregar uma participação societária já existente, e mais um aporte de recursos que seriam utilizados por ordem e em benefício dessa outra parte. Em outras palavras, a IPH assumiu a obrigação de entregar a VCP a CHAMFLORA assim como lhe disponibilizar US$ 1,15 bilhão. Em que pese esse montante não ter sido entregue de forma direta a VCP, tal valor foi completamente disponibilizado pela IPH para ser usado da forma como a VCP pretendesse. A única peculiaridade que envolve tal pagamento é que a sua destinação se encontrava prevista no contrato. A total disponibilidade dos recursos pela VCP resta evidente quando, da leitura da cláusula 6.11, se vê que todos os atos referentes a futura fábrica, e que envolviam a utilização dos US$ 1,15 bilhão, dependiam de solicitação escrita da VCP. Esta empresa, inclusive, escolheu a empresa (PEI) que seria responsável pelos serviços de construção da fábrica. Destarte, ao contrário do que defende o contribuinte e entendeu a decisão de primeira instância, houve sim pagamento em dinheiro a VCP. A IPH, além de entregar a CHAMFLORA em troca da LA CELULOSE, desembolsou e disponibilizou a VCP a quantia de US$ 1,15 bilhão. E, em razão da diferença entre o montante que foi entregue em dinheiro (R$ 2,5 bilhões) e o valor de patrimônio líquido da CHAMFLORA à época da negociação (R$ 300 milhões), vê‑se que a conclusão fiscal não merece qualquer reparo: de fato, se está diante de uma nítida operação de compra e venda. Em troca da transferência da LA CELULOSE, a principal obrigação assumida pela IPH perante a VCP foi o pagamento de US$ 1,15 bilhão. Valor este que foi desembolsado pela IPH e disponibilizado a VCP para seu próprio proveito. Na realidade, tomando por base o fato de que, quando da aquisição da LA CELULOSE, a IPH a adquiriu com supedâneo em um laudo de rentabilidade futura, o qual apurou que a empresa valia R$ 3,32 bilhões (item 93 do TVF), vê‑se claramente a operação de compra e venda realizada. Não obstante o laudo ter apurado um valor maior, as partes resolveram negociar a LA CELULOSE pelo montante de R$ 2,85 bilhões. Nesse diapasão, a fim de formar o preço devido, a IPH resolveu dar em pagamento a CHAMFLORA, cujo valor contábil era de R$ 300 milhões, e mais um aporte de recursos no valor de R$ 2,5 bilhões. Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.040 13 Não há, dessa forma, como afastar a conclusão fiscal apenas pelo fato de que a VCP não recebeu em seus cofres os recursos desembolsados pela IPH. A ausência do recebimento físico do preço não afasta, por sua vez, o fato de que o valor de US$ 1,15 bilhão foi utilizado pela VCP a fim de iniciar a construção de uma fábrica de celulose que lhe pertenceria (ainda que de forma indireta). A forma de pagamento do preço escolhida pelas partes é exatamente igual caso a VCP recebesse diretamente os recursos e, em seguida, aumentasse o capital de uma controlada para a construção de uma fábrica de celulose em seu nome. Como já adiantado alhures, a única diferença é que, no caso concreto, a destinação do pagamento em dinheiro foi prevista em contrato antes do seu recebimento. Sendo assim, a simples mudança do caminho normal dos recursos não pode ser hábil a descaracterizar a sua circulação. Apesar de as partes terem acordado que o valor de US$ 1,15 bilhão seria entregue como um ativo da CHAMFLORA, esse aspecto não anula os fatos de que a IPH desembolsou esse montante, disponibilizou‑o a VCP, e que a VCP o utilizou para seu benefício próprio. Vale ressaltar, por último, que o principal aspecto que atesta o pagamento de preço em dinheiro é justamente a possibilidade de precificação da aludida “Fábrica do Projeto”. É o fato de que a IPH não assumiu o compromisso de entregar um bem a VCP, mas sim de entregar uma determinada quantia em dinheiro (preço). Diferente seria, por exemplo, se a IPH tivesse se obrigado a construir a fábrica e depois entrega‑la a VCP. Nesse caso, estar‑se‑ia diante da entrega de um bem futuro. Contudo, no caso em apreço, o valor de US$ 1,15 bilhão não fora utilizado pela IPH, mas sim pela VCP. A IPH apenas desembolsou os recursos. A sua destinação foi realizada por ordem da VCP. Portanto, pela exposição dos fatos, demonstra‑se de forma cabal a existência de pagamento de preço em decorrência do contrato firmado entre a VCP e a IPH. Como resultado do negócio realizado, a VCP passou a dispor de R$ R$ 2,5 bilhões em dinheiro, montante este que foi utilizado por esta empresa para a construção de uma fábrica a ser detida por uma de suas controladas. E, tendo em vista que tal pagamento em dinheiro corresponde a mais de 80% daquilo que foi entregue pela IPH a VCP em troca da LA CELULOSE, tem‑se que sequer se está diante de uma permuta com torna, mas sim de uma inequívoca operação de compra e venda, por meio da qual a VCP alienou a LA CELULOSE pelo valor de R$ 2,85 bilhões, e cujo custo de aquisição era de R$ 1 bilhão. Dessa forma, a VCP auferiu um inequívoco ganho de capital tributável de aproximadamente RS$ 1,85 bilhão. b) Da “tributalidade” da permuta de participações societárias. Da impossibilidade de uma participação societária assumir o valor contábil de outra. Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Subsidiariamente, caso se entenda que não houve pagamento de preço, e que, portanto, é verídica a conclusão de que a operação foi uma permuta sem torna, o que se admite apenas para fins de debate, demonstrar‑se‑á no presente tópico que, em face de determinados aspectos contábeis, não é possível a permuta de participações societárias ser uma operação patrimonial e tributariamente neutra, da forma como ocorre, por exemplo, com a permuta de unidades imobiliárias. Preliminarmente, destaca‑se que tanto o contribuinte como a decisão recorrida partem de uma premissa teórica equivocada, segundo a qual todas as operações de permuta seriam tributariamente neutras. Essa premissa não é correta por inúmeras razões, dentre elas vale destacar: (i) a permuta nada mais é que duas operações de compra e venda, onde, todavia, não há qualquer pagamento em dinheiro, mas sim duas dações em pagamento; (ii) quando uma operação de permuta envolve bens de valores distintos, a troca necessariamente leva ao surgimento de um ganho e de uma perda; (iii) havendo acréscimo patrimonial e resultado (no caso não operacional), há fato gerador para o Imposto de Renda e para a CSLL; (iv) e não há qualquer norma tributária que isente de maneira ampla as operações permutas, pelo contrário, apenas dispositivos que regulam situações específicas (permuta de unidades imobiliárias e Programa Nacional de Desestatização). Sendo assim, sem se alongar muito sobre este ponto, demonstra‑se que, salvo exceções legais, a tributação de uma operação de permuta é devida e legal. Com base na “tributalidade” da permuta acima destacada, a manutenção do lançamento em debate já seria devida, haja vista que, tendo a VCP e a IPH permutado participações societárias por valores patrimoniais distintos, o ganho patrimonial auferido pela VCP no valor de R$ 1,85 bilhão (assim como a correspondente perda da IPH) é latente. No entanto, vale ser demonstrado na presente peça que, mesmo partindo da premissa teórica levantada pelo contribuinte (ausência de variação patrimonial nas permutas de bens de valores distintos sem torna), a “permuta” realizada entre as partes proporcionou efetivo e imediato aumento no patrimônio da VCP. Como se sabe, segundo o Método da Equivalência Patrimonial (MEP), os investimentos relevantes de uma pessoa jurídica devem ser reconhecidos pelo valor de seus patrimônios líquidos. E, de acordo com a teoria contábil, o patrimônio líquido corresponde ao valor líquido de uma empresa, pois decorre da diferença entre os seus ativos e passivos. Outrossim, o patrimônio líquido também traduz a parcela da empresa que é devida aos seus sócios ou acionistas. Por exemplo, no caso de uma liquidação de uma sociedade, os sócios terão direito a receber o valor do seu patrimônio líquido. Dessa maneira, com supedâneo no regime de competência, o MEP determina que a controladora deve reconhecer em seus assentos contábeis a parcela do patrimônio da controlada que desde já lhe pertence, não obstante a independência patrimonial entre si. Dessa forma, com base no MEP, cuja aplicação, vale ressaltar, não repousa qualquer tipo de questionamento de validade ou eficácia, Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.041 15 deve‑se refletir a seguinte possibilidade que nos é proposta diante de uma operação de permuta de participações societárias tal como foi realizada entre a IPH e a VCP, e a forma como esse negócio foi reconhecido contabilmente pelas partes: em razão de uma operação de permuta de participações societárias por valores contábeis distintos, o MEP admite que uma empresa seja reconhecida pelo valor contábil da outra, tal como ocorre em uma permuta de unidades imobiliárias? É possível uma controladora registrar o valor de patrimônio líquido de sua nova controlada pelo valor do patrimônio líquido da sua antiga, da mesma forma que uma pessoa física pode reconhecer em sua declaração um apartamento recém adquirido de R$ 500 mil pelo valor do seu antigo, que era R$ 100 mil? Por certo que as respostas a essas perguntas só podem ser negativas. De acordo com as regras do MEP, a participação societária adquirida por uma pessoa jurídica, ainda que por meio de uma permuta sem torna, necessariamente deve ser reconhecida com base no seu valor de patrimônio líquido. Ou seja, imperiosamente, a pessoa jurídica deve passar a reconhecer seu novo investimento com base no novo valor do patrimônio que desde já lhe pertence, e não com base no patrimônio líquido do investimento do qual se desfez. Por exemplo, no caso em apreço, não obstante o entendimento do contribuinte e da decisão recorrida sobre a invariável neutralidade fiscal das operações de permuta, não há como negar que, em face do negócio realizado, a VCP trocou o patrimônio líquido de uma empresa de R$ 1 bilhão (LA CELULOSE) por outro de outra empresa no valor de R$ 2,85 bilhões (CHAMFLORA). Portanto, comparando os patrimônios líquidos das empresas trocadas, vê‑se que a VCP auferiu um imediato aumento patrimonial, corresponde ao valor do patrimônio líquido da controlada que passou a deter, e que de forma precisa pode ser quantificado em R$ 1,85 bilhão (R$ 2,85 bilhões – R$ 1 bilhão). Desta feita, com escopo no MEP, o qual é previsto no artigo 248 da Lei nº 6.404/1976 e no artigo 67 do Decreto‑Lei nº 1.598/1977, mesmo em face de uma permuta de participações societárias por valores contábeis distintos, não há como as partes do negócio reconhecerem uma empresa pelo valor contábil da outra (tal como ocorre em uma permuta de unidades imobiliárias), tornando a operação patrimonial e tributariamente neutra. Mesmo em uma permuta sem torna, sem contraprestação em dinheiro, necessariamente cada empresa permanecerá sendo reconhecida pela sua mais nova controladora com base no seu valor de patrimônio líquido; em outras palavras, com base no valor contábil que desde a sua aquisição já pertence ao sua nova proprietária. Portanto, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, em uma permuta de participações societárias por valores contábeis distintos sem torna, não se está diante de uma variação patrimonial meramente potencial, tal como ocorre em uma permuta de unidades imobiliárias, Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 onde a variação do patrimônio somente poderá ser aferida com a eventual alienação do bem adquirido. No caso de uma permuta de participações societárias por seus valores contábeis, em face da necessária aplicação do MEP, as partes experimentam uma imediata e efetiva consequência patrimonial decorrente da variação dos valores dos patrimônios líquidos relativos às empresas que foram trocadas. Por essa razão, uma permuta de participações societárias por valores contábeis distintos sempre proporcionará um ganho de um lado e uma perda de outro. Diante da constatação ora exposta, conclui‑se que, em razão da necessária aplicação do MEP, e da inafastável variação patrimonial proporcionada pela diferença entre os patrimônios líquidos dos investimentos permutados, não há como as partes de uma permuta de participações societárias realizarem a baixa de seus investimentos antigos com base no seu custo de aquisição inicial, não apurando, assim, qualquer ganho ou perda. Isso porque os novos investimentos recebidos nunca poderão ser registrados pelo valor dos seus antecessores. De fato, a baixa de um investimento deve sempre proporcionar a apuração do resultado da realização desse bem ou direito. E, esse resultado, que será não operacional no caso de um bem ou direito do ativo imobilizado, será apurado pela diferença entre o valor contábil do bem ou direito e o valor obtido com a sua baixa. Sendo assim, se o valor obtido com a baixa for maior que o custo contábil, haverá um ganho a ser tributado. Caso contrário, se valor obtido for menor, haverá uma perda. Portanto, por imposição do MEP, sendo o valor obtido com a baixa do investimento permutado o valor do novo investimento recebido, não há como uma permuta de participações societárias por valores contábeis gerar ágio e deságio para as partes, mas tão somente ganho e perda. O surgimento de ágio e deságio só seria possível caso as empresas permutantes pudessem reconhecer seus novos investimentos com base no valor contábil dos seus antigos, e assim a realização dos investimentos permutados poderia ocorrer com base em seu custo contábil, ou seja, o resultado da sua realização seria nulo. Todavia, como o MEP impede tal possibilidade, as figuras contábeis do ágio e deságio dão lugar para as caso as participações societárias sejam trocadas por montante diverso dos seus respectivos valores de patrimônio líquido. Por exemplo, caso as partes estabeleçam um determinado valor para a negociação. Nessa hipótese, como o valor de realização das empresas cedidas será necessariamente diverso do valor de patrimônio líquido das empresas recebidas, poderá, além do ganho ou perda decorrente da realização, haver ágio ou deságio, a depender se o valor estipulado da negociação foi maior, menor ou situado entre os valores dos patrimônios líquidos das empresas trocadas. Vale destacar, por oportuno, que a tese ora defendida equipara a permuta de participações societárias por valores contábeis a duas operações simultâneas de dação em pagamento, onde cada uma das partes, em troca do bem que recebe, dá em pagamento outro bem (o Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.042 17 qual deve ser realizado em face da sua baixa). Diferente, portanto, das situações onde há a aquisição de participação societária mediante o pagamento em dinheiro, pois, em face da ausência de necessidade de realização da baixa de dinheiro (por motivos óbvios), o custo de aquisição do investimento sempre corresponderá ao montante despendido. Ademais, também não se está aqui defendendo que somente as aquisições mediante pagamento em dinheiro dão ensejo ao surgimento de ágio ou deságio. Não. O que aqui se demonstra é a correta forma como o investimento que está sendo transferido deve ser realizado em razão da sua baixa e, por outro lado, do recebimento de um novo investimento pelo investidor. Dessa forma, demonstra‑se que a realização apurada pela VCP ao baixar seu investimento na LA CELULOSE foi incorretamente pautada no valor de R$ 1 bilhão. Isso porque o valor obtido pela VCP com a baixa da LA CELULOSE foi de R$ 2,85 bilhões e não R$ 1 bilhão. Tanto foi R$ 2,85 bilhões, que a VCP reconheceu de forma indevida deságio na operação a fim de ajustar sua pretensão contábil. Contudo, o registro do contribuinte é incoerente porque, uma vez aplicando o MEP, não há como a VCP reconhecer que recebeu em troca da LA CELULOSE a CHAMFLORA pelo valor de R$ 1 bilhão. Não há como registrar o custo de aquisição da CHAMFLORA por R$ 1 bilhão. Necessariamente, ela teria que registrar tal investimento com base no patrimônio líquido do investimento adquirido, que era de R$ 2,85 bilhões. E, sendo obrigado a reconhecer que recebeu R$ 2,85 bilhões com a baixa da LA CELULOSE, não há justificativa para o registro do deságio, haja vista que o custo de aquisição da CHAMFLORA não foi mais de R$ 1 bilhão, mas sim de R$ 2,85 bilhões, haja vista a realização da baixa da LA CELULOSE que necessariamente proporciona um ganho tributável no valor de R$ 1,85 bilhão. Na realidade, evidencia‑se que o contribuinte procura obter apenas as melhores consequências possíveis, posto que, ao deixar de apurar ganho na baixa da LA CELULOSE pelo valor da CHAMFLORA, e registrar um deságio, ele simultaneamente: (i) Defende que realizou uma permuta sem efeitos patrimoniais, mas reconhece em seus assentos contábeis seu novo investimento por valor maior que o seu antigo, ou seja, aufere efetivo aumento patrimonial. (ii) Como tal aumento patrimonial se encontra travestido pela figura do deságio, não o submete à tributação. Dessa forma, procura‑se demonstrar que o deságio reconhecido pela VCP ao adquirir a CHAMFLORA é totalmente indevido em termos contábeis. O custo de aquisição da CHAMFLORA no qual se pautou o deságio foi incorretamente apurado pela VCP. Isso porque a baixa da LA CELULOSE não poderia ocorrer por R$ 1 bilhão, mas sim por R$ 2,85 bilhões. E, partindo de um custo de aquisição de R$ 2,85 bilhões, Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 não há que se falar em deságio a ser reconhecido, mas sim de um ganho imediatamente tributável. De acordo com as premissas contábeis aplicáveis, a VCP, quando da baixa no investimento na LA CELULOSE, deveria ter considerado a sua realização por R$ 2,85 bilhões, haja vista que este fora o valor do novo investimento adquirido (CHAMFLORA), e apurado um ganho de capital no valor de R$ 1,85 bilhão. Por outro lado, a IPH, quando da baixa no investimento na CHAMFLORA, deveria ter realizado a CHAMFLORA pelo valor de R$ 1 bilhão, haja vista que este fora o valor do novo investimento adquirido (LA CELULOSE), e apurado uma perda de capital também no valor de R$ 1,85 bilhão. Caso a VCP tivesse desembolsado a quantia de R$ 1 bilhão para a aquisição da CHAMFLORA, correto seria o deságio registrado no valor de R$ 1,85 bilhão. Contudo, como a CHAMFLORA fora adquirida contra a baixa do investimento que a VCP detinha na LA CELULOSE, o custo de aquisição da CHAMFLORA não será o valor contábil da LA CELULOSE, mas sim o resultado de sua baixa, o qual, por seu turno, será apurado com base no valor da CHAMFLORA. Destarte, pode‑se dizer que a principal controvérsia sobre o presente aspecto envolve o valor das participações societárias obtidas pelas partes com a suposta operação de “permuta”. Enquanto a Fiscalização apurou que a VCP deve registrar a CHAMFLORA por R$ 2,85 bilhões, o contribuinte entende que tal registro deve ser por R$ 1 bilhão, haja vista que esse era o valor da LA CELULOSE, a qual foi dada em troca. No entanto, o raciocínio do contribuinte apresenta uma incoerência, pois, como visto, se ele reconhece o patrimônio líquido da CHAMFLORA pelo valor de R$ 2,85 bilhões, tal empresa não foi registrada pelo valor contábil da LA CELULOSE (R$ 1 bilhão). Ou seja, vê‑se que, embora o contribuinte alegue que registrou a CHAMFLORA pelo valor contábil da LA CELULOSE, da leitura do seu balanço à época se nota que ele acabou por “ativar” a CHAMFLORA por um valor maior do que a participação dada em permuta. Ora, pela lógica de “intributalidade” levantada pelo contribuinte, a permuta de unidades imobiliárias, por exemplo, é tributariamente neutra porque os contribuintes não enfrentam qualquer variação patrimonial, uma vez que as unidades trocadas são registradas pelo valor de suas anteriores. No entanto, no caso da permuta ora em análise, apesar de defender a aplicação da mesma regra, pelos seus próprios registros contábeis o contribuinte demonstra que não reconheceu seu novo investimento pelo valor contábil do outro. Portanto, uma situação não pode ser utilizada como paradigma da outra. Vale destacar, outrossim, que, ao contrário do que defende o contribuinte, o artigo 431 do RIR/99 não reconhece a neutralidade tributária de permutas de participações societárias. Isso porque, como pode ser aferido de sua simples leitura, tal dispositivo trata da permuta de participações societárias por créditos contra a União. Em suma, tal Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.043 19 norma não afasta o MEP nas operações de permuta de participações societárias. Na realidade, o artigo 65 da Lei nº 8.383/1991 se preocupa com a não tributação do possível ganho de capital a ser aferido pelas partes que adquirissem as participações leiloadas mediante a entrega de créditos contra a União. Caso tal norma isentiva não existisse, os adquirentes que utilizassem os referidos créditos teriam que tributar o ganho decorrente da diferença entre o valor contábil dos créditos e o valor das ações ou quotas recebidas a valor de mercado. Tal como aqui defendido, não fosse o artigo 431 do RIR/99, os contribuintes que nele se encaixassem teriam que realizar os créditos contra a aquisição de um novo investimento pelo valor da operação. Contudo, em razão dessa norma expressa, foi autorizada a baixa dos créditos não pelo valor das ações ou quotas recebidas, mas sim pelo seu valor contábil. Destarte, demonstra‑se que, ainda que se considere que a operação realização entre a VCP e a IPH se traduziu em uma operação de permuta sem torna, e que essa espécie contratual é tributariamente neutra, mesmo assim tal negócio proporcionou a VCP um efetivo aumento patrimonial passível de tributação. Como visto, a tributação é cabível em razão da aplicação do MEP, o qual obriga que as pessoas jurídicas reconheçam seus investimentos pelo valor do seu patrimônio líquido. Diversamente do que ocorre nos casos de permuta de unidades imobiliárias, na troca de participações societárias não há como as partes afastarem os efeitos patrimoniais. .......................................................................................... No que se refere à qualificação da multa de ofício, tal exasperação deve ser mantida haja vista o evidente intuito doloso das partes envolvidas na operação auditada em tentar amortizar o ágio decorrente da aquisição da LA CELULOSE e, simultaneamente, não tributar o correspondente ganho de capital. Em suma, pelos atos praticados, e da forma como eles foram orquestrados, resta evidente o intuito do contribuinte em ludibriar o Fisco ao aparentar não existir o fato gerador do IRPJ e da CSLL. Para tanto, dissimulou uma operação de compra e venda em uma operação de permuta, a qual, segundo o contribuinte, importou a troca de participações societárias por valor contábil. E, para deixar ainda mais latente o conluio entre as partes, elas dissimularam o pagamento em dinheiro, que correspondia a mais de 80% do valor da operação, como se fosse o valor do patrimônio líquido de umas das empresas que seriam trocadas. Para tanto, a parte adquirente fez o aporte de recursos pouco antes do fechamento do negócio, e as partes pactuaram a destinação dos recursos, por ordem da alienante, no próprio contrato. Destarte, por todo o que já fora relatado, não há como aceitar tamanha manipulação da verdade pelos sujeitos envolvidos. Tendo sido apurado que a operação realizada se traduz em uma compra e venda, a permuta Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 declarada não pode ser oposta contra o Fisco e o ganho de capital dela decorrente deve ser tributado. Por fim, valem ser repetidas as seguintes passagens do Termo de Verificação Fiscal: 150. A fiscalizada, se, de fato, não quisesse esconder a operação de alienação, poderia simplesmente ter negociado a transferência dos ativos diretamente com a IPH, recebendo como pagamento os ativos da Chamflora mais a importância de R$ 2,455 bilhões. 151. Contudo, a fiscalizada, para escapar da tributação do IRPJ e da CSLL, incidente sobre o ganho de capital, e permitir que a IP, controlada da IPH, pudesse amortizar o ágio da operação, se valeu de pseudo‑contrato de permuta, que encobria a verdadeira operação, qual seja, alienação de participação societária. ‑‑‑ omissis ‑‑‑ 156. A fiscalizada, com o conhecimento e participação da IPH, agiu dolosamente, de forma que ambas as partes fossem beneficiadas tributariamente: (i) uma, com a falta de recolhimento do ganho de capital; (ii) a outra, com a amortização de ágio gerado na operação, a partir do ano‑calendário de 2007. (grifo nosso) Antes do sorteio deste processo para minha relatoria, a recorrida apresentou petições para que se procedesse a juntada de razões recursais, consubstanciadas em pareceres jurídicos, sendo que, em despacho fundamentado a fls. 3025, o Presidente da 1ª Sejul tomou tais petições como memoriais e determinou a sua juntada aos autos. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. A decisão recorrida exonerou a contribuinte de créditos tributários acima do limite de alçada, razão pela qual conheço do recurso de ofício. A questão posta em julgamento deve ser dividida em dois pontos: a) primeiro, saber se houve ganho de capital tributável na permuta de participações societárias de valores diferentes; b) segundo, se a conduta da recorrente visou dissumular uma operação de compra e venda em operação de permuta. DO GANHO DE CAPITAL NA PERMUTA Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.044 21 A decisão recorrida partiu da seguinte premissa: “No caso concreto, a impugnante atribuiu para o investimento na Chamflora, que recebeu na permuta, o valor de custo do investimento que tinha na LA, entregue no mesmo ato, e a seguir procedeu à sua avaliação pelo método da equivalência patrimonial, como lhe era obrigatório, aí aparecendo o deságio.”. A primeira, questão que aflora de tal premissa é saber qual a norma que autorizou a recorrente a contabilizar o investimento recebido (Chamflora) pelo valor que estava contabilizado o investimento em LA? O julgador de primeira instância tomou como verdade o parecer do patrono sem qualquer crítica ou referência à legislação em vigor. Simplesmente, repete acriticamente, sem fundamentar esse ponto. Vale, então, ressaltar que tal regime tributário só tem amparo na ilegal IN SRF 107/88. Todavia, ainda que legal fosse a IN SRF 107/88, verificase instantaneamente que ela só se aplica em caso de permuta de unidade imobiliárias (casa, terrenos, apartamentos), se não vejamos como dispõe o seguinte dipositivo: “1.1 – Para fins desta Instrução Normativa, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um dos contratantes, o pagamento de parcela complementar em dinheiro, aqui denominada ‘torna’.”. Como se vê, restringiuse o conceito próprio de permuta, para fins da IN 107/88, apenas para aquelas cujos objetos fossem unidades imobiliárias. Ademais, estamos diante de permuta realizada entre pessoas jurídicas, logo, há que se analisar o item 2 da Seção II da IN 107/88, o qual está intitulado como “Permuta entre Pessoas Jurídicas”. Do item 2, reforçase ainda mais a conclusão de que ela só se aplica em caso de permuta de unidades imobiliárias, se não vejamos como dispõe alguns dos seus dispositivos: “2. Permuta Entre Pessoas Jurídicas: 2.1 – Na permuta entre pessoas jurídicas, tendo por objeto unidades imobiliárias prontas, serão observadas as normas constantes das divisões do presente subitem...”. Notese que todas as demais disposições acerca de permuta entre pessoas jurídicas estão no subitens do item 2.1, ou seja, todas as disposições da IN 107/88 versam apenas sobre permuta de unidades imobiliárias (edificações e terrenos). Logo, inaplicável a IN 107/88 em caso de permuta de ações entre pessoas jurídicas. Da mesma forma, inaplicável, em caso de permuta de ações, o art. 121, II, do RIR/99, in verbis: “Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): (...) Fl. 3054DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 II a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias.” Em parecer juntado aos autos, a recorrida cita o art. 65 na Lei nº 8.383, de 30/12/91, o qual assim versa: “Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. § 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação: § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título.” Ora, tratase de norma específica aplicável apenas aos casos abrangidos pelo Programa Nacional de Desestatização, razão pela qual seria absurdo transformar uma norma específica em norma geral de tributação. Todas essas normas que dispensam a tributação do ganho de capital em caso de permuta sem torna são normas excepcionais, pois a regra é a tributação sempre que houver diferença entre os valores dos bens entregues e recebidos. A melhor exegese nos diz que normas excepcionais são interpretadas estritamente, razão pela qual não há que se falar em intepretação extensiva de tais normas para fazêlas alcançar a situação em tela – permuta entre PJs de direito privado de participações em outras PJs de direito privado. Assim, a premissa do I. Julgador de primeira instância é desprovida de qualquer base legal, pois não havia como a recorrida contabilizar o investimento recebido (Chamflora) pelo valor do investimento dado em permuta (LA), logo, não havia deságio, mas um ganho de capital na alienação do investimento dado em permuta. Por outro lado, notese que, se permuto, sem qualquer torna, um bem “A”, no valor de R$ 10 (dez), por um bem “B”, no valor R$ 100 (cem), duas conclusões são possíveis: Fl. 3055DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.045 23 primeira, que o bem “A” foi alienado pelo valor de R$ 100,00, logo, houve um ganho no montante de R$ 90,00; ou segunda, o bem “A” foi alienado pelo valor de R$ 10,00, logo, o bem “B” foi alienado com uma perda de R$ 90,00. Ora, o Fisco diz que o investimento em LA (contabilizado por 1 bilhão) foi alienado por 2,85 bilhões (valor do investimento recebido), logo, houve um ganho de capital no montante de 1,85 bilhões. A outra interpretação dos fatos poderia levar a conclusão de que o investimento em LA foi alienado pelo seu valor contabilizado (R$ 1,004 bilhão) e que o investimento em Chamflora (no valor de R$ 2,85 bilhões) foi adquirido com deságio de 1,85 bilhões. Ocorre, porém, que o reconhecimento contábil do deságio careceria de demonstração, conforme dispunha o §3º do art. 20 do DL 1598/77, vigente à época. Todavia, não há essa demonstração nos autos e, por isso, a decisão recorrida, partindo da premissa falsa (utilização do regime tributário da IN 107/88), para concluir pela existência do deságio, não esclarece qual o fundamento do deságio que entende ter existido. Qual então a norma aplicável ao caso? O art. 418 do RIR/99, conforme citado pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2625), peça integrante ao auto de infração. A base legal de tal dispositivo regulamentar é o art. 31 do DecretoLei nº 1.598/77, o qual assim dispõe: “Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. (...) § 3º O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (§ 1º), diminuído da provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real.”. Uma vez afastado o tratamento da permuta estabelecido na IN 107/88 ao presente caso, temos que observar a operação de alienação do investimento em LA como qualquer outra alienação. Ora, alienação é gênero do qual compra e venda, doação, permuta etc. são espécies. Logo, observase do dispositivo acima transcrito, que o custo será o valor contabilizado do investimento em LA (R$ 1.004.999.278,39), logo, tendo a recorrente recebido em permuta o investimento em Chamflora, contabilizado por R$ 2.850.838.707,48, resultou em um ganho de capital no montante de R$ 1.845.839.429,09. Alerto que o TVF deixou muito claro que, ainda que a qualificação dos atos pelo contribuinte estivessem correta, havia ganho de capital tributável, se não vejamos o seguinte excerto: 103. Por outro lado, não se deve deixar de anotar que mesmo se não fosse caso dessa requalificação do negócio jurídico, ainda assim dever Fl. 3056DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 24 seia apurar o ganho de capital e os tributos devidos, pois o ordenamento jurídico tributário não permite conclusão diversa sobre operação qualificada como permuta. Assim, as razões acima exposta estão em consonância com os fundamentos do lançamentos sub examine, ou seja, a requalificação dos atos praticados (de permuta para compra e venda) não é conditio sine qua non para a manutenção dos autos, pois, como bem salientado no TVF, ainda que permuta fosse, havia ganho de capital a ser tributado. Diante do acima sustentado, fica prejudicada a análise da questão relativa à sujeição da CSLL ao art. 7º da Lei 9532/97. DA MULTA QUALIFICADA Diz o TVF (fls. 2628) que: 127. Como se viu, por meio de operações societárias anteriormente descritas, a fiscalizada, juntamente com o grupo International Paper (IP), tentou ocultar a ocorrência ‘do fato gerador do IRPJ e da CSLL, em operação de alienação de participação societária camuflada’ de permuta. 128. Da análise dos fatos e documentos trazidos aos autos, denotase que cada etapa planejada visou esconder do Fisco a verdadeira natureza da operação, qual seja, a de compra e venda de participação societária. 129. Não se nega, digase de passagem, que havia um interesse negocial nas operações realizadas pela fiscalizada, que pretendia como estratégia empresarial alienar sua fábrica situada no município de Luiz Antônio, estado de São Paulo, para se concentrar no mercado de celulose. Isso não se questiona. 130. O cerne da questão, a justificar a qualificação da multa de ofício, reside no modo pelo qual referida “estratégia empresarial” foi implementada visando, além da concretização de um negócio, a indevida economia de tributos, que foi levada a efeito por meio da produção de documentos que falsearam a verdade, na medida em neles fez constar que a operação seria de permuta, quando, em verdade, tratavase de alienação de participação societária. 131. A fiscalizada e a contraparte (grupo IP) tinham plena consciência de que não se tratava de permuta, mas quiseram mostrar aos agentes externos, em especial ao Fisco, que era aquela operação que estava sendo realizada. Confirmando isso, basta não só citar, como novamente transcrever a Cláusula 2.03 do contrato pactuado entre a fiscalizada e a IPH, em 19/06/2006: Fl. 3057DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.046 25 Cláusula 2.03. Inexistência de contraprestação. As partes concordam que a permuta de Quotas prevista na Cláusula 2.02 acima ocorrerá sem o pagamento de qualquer contraprestação de uma parte à outra. 132. No trecho acima transcrito, fica evidente a consciente intenção em ludibriar o Fisco. Ora, como restou provado, não só houve pagamento de contraprestação em dinheiro, como foi em elevada monta (cerca de R$ 2,5 bilhões de reais). Esse elevado montante representava mais de 89% do capital social da Chamflora, sociedade cujas quotas foram alienadas. 133. Com finanlidade de encobrir a operação de compra e venda, a fiscalizada, num lapso de tempo relativamente curto, produziu diversos documentos e realizaou algumas operações societárias. Vejamos. 134. Inicialmente, celebrou, em 19/09/2006, contrato de “permuta”com a IPH, no qual foram delineados os passos a serem cumpridos por ambas as contratantes, especialmente no tocante à reorganização societária para a transferência de ativos. 135. No dia 24/10//2006, a fiscalizada tornouse sócia de uma sociedade inativa, constituída em 10/03/2006, então denominada Piapara Participações, com capital social de R$ 1.000,00 e objeto social o “apoio, palnejamento, assessoramenteo de empresas em geral, intermediação, estudos, participações, dentre outros”. 136. Ainda em 24/10/2006, a fiscalizada promove as seguintes alterações na sociedade recém adquirida: 9i) modifica a denominação social para La Celulose Ltda; (ii) muda o endereço do município de São Paulo/SP para o de Luís Antônio/SP; (iii) altera o objeto social para aindústria e comércio no atacado e varejo de celulose, papel e papelão; e promove mudança no quadro de sócios e administradores. 137. Em 010/01/2007, cerca de 10 semanas depois de ter sido adquirida, a La Celulose tem seu capital social aumentado de R$ 1.000,00 para R$ 925.829.981,00, integralizado pela conferência de dezenas de veículos e de bens imóveis, avaliados pelo valor patrimonial líquido, com base em Balanços Patrimonial levantado em 31/12/2006. Referidos bens são integrantes do complexo fabril do município de Luiz Antônio, que posteriormente foi alienado para o o grupo IP. 138. No dia 29/01/2007, a fiscalizada subscreve R$ 70.3000.000,00 de aumento de capital na La Celulose, integralizados em 31/01/2007. O capital social da inestida passa para R$ 996.129.981,00. 139. Em 01.02.2007, a fiscalizada cede e transfere a totalidade das quotas da La Celulose para a IPH. No dia seguinte, em 02/02/2007, a IPH transfere a participação recém adquirida para sua controlada no Brasil, a International Paper Ltda. (IP). No dia 01/05/2005, a La celulose é incorporada pela sua controlada, a IP. Fl. 3058DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 26 140. Paralelamente aos fatos acima descritos, diveross outros atos societários ocorreram em relação à Chamflora, cujos ativos, ao fim e ao cabo, foram transferidos para a afiscalizada. 141. No dia 01/09/2006, ou seja, no mesmo mês em qu foi celebrado o dito contrato de permuta de ativos, a Chamflora inclui em seu objeto social atividade de fabricação e comercialização de celulose. A IPH detinha o controle indireto da Chamflora, por meio de suas controladas no País. 142. Em 14/09/2006, a IPH passa a deter, diretamente, 47% da participação na Chamflora, mas continua com o controle indireto, somadas as participações detidas por suas investidas no Brasil. 143. No dia 10/11/2006, a IPH passa a deter o controle da Chamflora com 100% de participação e, 3 dias depois, em 13/11/2006, o capital social de sua controlada passa de R$ 305 milhões para R$ 2,455 bilhões. 144. Poucos dias depois, em 28/11/2006, a IPH subscreve mais R$ 339,7 milhões da Chamflora e integraliza, em dinheiro, o total de R$ 2,490 bilhões. Nesse momento, o capital social da Chamflora passa para R$ 2,795 bilhões. 145. Em 01/02/2007, já com o capital social inflado, a IPH cede e transfere a participação da Chamflora para a fiscalizada. Importa relembrar que nessa mesma data a fiscalizada transferiu a participação da La Celulose para a IPH. Essa foi a dita permuta, que, na verdade, foi uma efetiva compra e venda encoberta. 146. Como se depreende, a operação deflagrada em 19/09/2006, com a celebração de um pseudo contrato de permuta entre a fiscalizada e a IPH, teve seu desfecho em 01/02/2007, cerca de 4 meses depois. 147. O que fica claro, e sobre isso não há o que se quesionar, é que houve uma alienação de participação societária, em relação à qual parte (a menor) do pagamento foi efetuado também com participação societária. A fiscalizada alienou para a IPH ativos, constituídos pelo seu parque fabril situado no município de Luiz Antônio, avaliados patrimonialmente pelo valor de R$ 926 milhões, e recebeu como pagamento outro ativos da Chamflora, no valor patrimonial líquido de R$ 396 milhões, mais a importância em dinheiro equivalentes a R$ 2,455 bilhões. 148. E tudo isso foi planejado para que transparecesse aos agentes externos que se tratava tãosomente de permuta de ativos, sem nenhum pagmento em dinheiro. 149. Ora, se as operações forem visualizadas como um todo, fica fácil perceber que houve uma compra e venda de participação societária. 150. A fiscalizada, se, de fato não quisesse esconder a operação de alienação, poderia simplesmente ter negociado a transferência dos Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720151/201212 Acórdão n.º 1302001.660 S1C3T2 Fl. 3.047 27 ativos diretamente com a IPH, recebendo como pagamento os ativos da Chamflora mais a importância de R$ 2,455 bilhões. ................................................................................................................. 157. O procediemnto adotado pela fiscalizada está compreendido na hipótese de fraude descrita no art.igo 72 da Lei 4.502/64, que tem a seguinte diccção: (..)” Inicialmente, registro o notável trabalho da Fiscalização, consubstanciado no TVF em tela. Não obstante, entendo que não está configurada a fraude prevista no art. 72 da Lei 4.502/64, pelas razões que passo a expor. Inicialmente, ressalto que, mesmo sem se referir expressamente, quando o TVF sustenta que houve uma “alienação de participação societária camuflada’ de permuta”, ele está qualificando a conduta como simulada, ou seja, simulouse uma permuta, para dissimular uma compra e venda. Ora, nessas hipóteses de simulação, entendo que o máximo que o infrator consegue é retardar ou impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fiscal, pois o ato simulado serve para esconder a relação jurídica subjacente ao fato gerador da obrigação tributária, mas nunca para impedir a sua ocorrência. Assim, se restasse demonstrada que a permuta foi simulada, estarseia diante de sonegação, prevista no art. 71 da Lei 4.502/64. É verdade, que, somente por isso, não seria o bastante para desqualificação da multa de ofício. Da mesma forma, não concordo com o autuante quando sustenta que “A fiscalizada, se, de fato não quisesse esconder a operação de alienação, poderia simplesmente ter negociado a transferência dos ativos diretamente com a IPH, recebendo como pagamento os ativos da Chamflora mais a importância de R$ 2,455 bilhões”. Ora, se assim fosse feita a operação de transferência de ativos, não seria gerado ágio amortizável no grupo IP. Diante de dois caminhos: alienar os estabelecimentos ou constituir controladas com o estabelecimento e alienar as participações societárias, preferiram os contratantes percorrer o segundo caminho, o que é lícito. Seria absurdo sustentar que, diante de dois caminhos lícitos, estivesse o contribuinte obrigado a percorrer o mais oneroso do ponto de vista tributário. Notese, que, no caso em tela, se, após criação das empresas com os ativos a serem alienados, houvesse o aumento de capital pela respectiva adquirente com pagamento de ágio e a posterior saída do respectivo alienante, recebendo o seu investimento inflado pela sua participação na reserva de ágio, estaríamos diante de duas operações casasepara. As empresas fugiram de tal enquadramento, quando, após criarem as empresas com os ativos a serem transferidos, simplesmente permutaram as participações. A opção de fazer uma permuta, até mesmo por tudo quanto antes sustentado na primeira parte do voto, não teve esse condão de esconder a matéria tributável como em uma operação casasepara, já que, ainda que permuta fosse, havia ganho de capital a ser tributado. Somese a isso que o próprio autuante reconhece que houve uma alienação de participação societária, em relação à qual parte (a menor) do pagamento foi efetuado também com participação societária. Ele está se referindo ao PL da Chamflora antes do aporte feito pela IPH, o que não era um valor desprezível, ou seja, era um PL no montante de R$ 396 milhões. Essa situação é totalmente diferente da que enfrentamos no Acórdão 1302001.080, Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 28 em que a empresa permutada tinha como o único ativo uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00, o que deixava claro a dissimulação da compra e venda. Surge, então, um outro ponto importante, qual seja, o aporte de 2,455 bilhões de reais feitos pela IPH na Chamflora, antes da permuta das participações, foi imediatamente entregue por esta à PEI, para a construção da fábrica de celulose em Três Lagoas, no imóvel que já pertencia a Chamflora. Posteriomente, a IPH transfere a participação em CHAMFLORA à recorrida, a qual, dentre os seus ativos, detém o direito de receber a referida fábrica de celulose assim como todos os demais ativos necessários ao seu funcionamento. Entendo equivocado, quando o autuante desqualifica essa operação, para sustentar que houve pagamento em dinheiro de R$ 2,455 bilhões da IPH à recorrida (Fibria, antes VCP). Ora, isso já se desmente pelo fato de que não há, nos autos, qualquer prova de que a aludida fábrica não foi entregue à Chamflora. Ademais, quanto ao fato de que a recorrida passou a controlar a PEI (construtora da fábrica), isso ficou devidamente esclarecido no voto condutor da decisão recorrida, in verbis: “Além disso, a Pei pleiteava em juízo a recuperação de valores que entendia terem sido pagos a maior a título de PIS e COFINS, em montante aproximado de cinqu enta milhões de reais. Assim, entre fechar a pessoa jurídica e ficar apenas com aquele caixa, os controladores da Pei negociaram com a impugnante a alienação das respectivas quotas pelo valor de um milhão e meio de reais, o que interessou à impugnante mormente pela expectativa de vitória na ação judicial.”. Por essas razões, voto por desqualificar a multa de ofício. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício, para manter os lançamentos do IRPJ e CSLL, mas reduzir o percentual de multa de ofício de 150% para 75%. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000766/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa no prazo de 30 (trinta) dias a contar da intimação desta decisão. Não se conhece do Recurso apresentado depois deste prazo por ser intempestivo.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa no prazo de 30 (trinta) dias a contar da intimação desta decisão. Não se conhece do Recurso apresentado depois deste prazo por ser intempestivo. Recurso Voluntário não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa no prazo de 30 (trinta) dias a contar da intimação desta decisão. Não se conhece do Recurso apresentado depois deste prazo por ser intempestivo. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 07 66 /2 00 8- 01 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000766/200801 Acórdão n.º 2401003.851 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por União Taquaritinga Veículos e Peças Ltda. (“União Taquaritinga”), em relação à cobrança de crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração DEBCAD de nº 37.148.0264, decorrente de multa por ter a empresa deixado apresentar informações e documentos solicitados pela fiscalização, cuja ciência foi obtida em 30/12/2008 (fl. 05). Às fls. 15/17 constam o relatório fiscal da infração e aplicação da multa. Assevera o autuante: 1 – Intimada formalmente para a apresentação de documentos através de TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos), copia em anexo, a empresa não apresentou os seguintes documentos: 1.1 – Livro Diário de 01/2008 1.2 – Livro Razão de 01/2008; 1.3 – Livro de Registro de Empregados; 1.4 – GFIP de 01/2003 a 01/2008; 2 – Assim sendo, ficou caracterizada a infração ao dispositivo legal previsto na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2º e 3º, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. (...) 1 – A infração ora tipificada tem multa prevista na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea “j” e art. 373. Às fls. 156/203 a autuada apresentou Impugnação ao lançamento, alegando em síntese: 1. A ocorrência de abuso de autoridade e arbitrariedade realizada contra si, ao exigir a apresentação de documentos e livros fiscais não obrigatórios, inclusive de outras pessoas jurídicas que não a Impugnante, tendo o lançamento sido efetuado com base em ilações e conjecturas, sendo nulo de pleno direito; Fl. 799DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 2. Ilegitimidade passiva, tendo em vista que grande parte da autuação se deve a supostas relações jurídico tributárias relacionadas a funcionários vinculados a outras pessoas jurídicas autônomas, que não a impugnante (tomadora de serviços destas); 3. Incompetência do fiscal para fiscalizar a filial da impugnante localizada em Monte AltoSP; 4. Que a não apresentação de documentos se deveu principalmente à ocorrência de sinistros no estabelecimento da autuada, o que não foi considerado pela fiscalização; 5. Erro formal na identificação numérica dos autos de infração no relatório fiscal, cerceando sua possibilidade de defesa, sendo portanto, nula a autuação; 6. A ocorrência de utilização de provas obtidas ilicitamente pelo agente fiscal, em desrespeito a diversas garantias constitucionalmente dispostas no art. 5º da CF, como a vedação de utilização de provas ilícitas, sigilo fiscal, bancário, e de documentos pessoais, entre outros; 7. Da impropriedade de todos os levantamentos (lançamentos) realizados pelo fiscal, apresentando justificativas para cada item lançado; 8. Que a presente autuação fere o princípio constitucional da vedação ao confisco; 9. Da utilização indevida da Taxa SELIC como índice de atualização monetária; 10. Pugnou pela total improcedência do presente lançamento, tendo em vista que as contribuições, quando devidas, foram recolhidas pelas empresas nas quais os funcionários estavam devidamente registrados, conforme demonstrado. À fl. 330 o contribuinte requereu a juntada da documentação solicitada junto às instituições financeiras, complementando as já apresentadas junto à peça impugnatória. Em julgamento de primeira instância, a 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP proferiu o acórdão 1424.283, fls. 701/713, abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 30/12/2008 Debcad: 37.148.0264 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Consiste em infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, Fl. 800DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000766/200801 Acórdão n.º 2401003.851 S2C4T1 Fl. 4 5 que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Lançamento procedente. Intimada do resultado de julgamento em 12/08/2009 (fl. 717), a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 719/779), aduzindo os mesmos argumentos de sua impugnação. À fl. 785 foi encaminhado o presente recurso para apreciação por este CARF. É o relatório. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com o transcurso do prazo para interposição de Recurso Voluntário. Como se sabe, o contribuinte dispõe do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão desfavorável proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para apresentar Recurso Voluntário dirigido a este Conselho. No presente caso, verificase que a Recorrente foi devidamente intimada do acórdão de nº 1424.283, fls. 701/713, prolatado pela 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, em 12 de Agosto de 2009, conforme cópia do AR juntado à fl. 717 dos autos, bem como tela de fl. 783. Deste modo, a Recorrente deveria ter interposto seu Recurso Voluntário até o dia 11 de setembro de 2009. No entanto, realizou este protocolo via postal apenas em 14 de setembro de 2009, depois de decorrido, portanto, o prazo preclusivo disposto no art. 33 do Decreto 70.235/72. A data da postagem (protocolo do Recurso Voluntário), 14/09/2009, pode ser comprovada pelo carimbo aposto no documento que acompanhou a peça recursal (fl. 781), bem como na certidão de fl. 785 dos autos. CONCLUSÃO Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por ser intempestivo. Carolina Wanderley Landim. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000504/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2006
LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APROPRIAÇÃO INCORRETA DE PAGAMENTOS. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS INDEVIDOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. NULIDADE DA NFLD. NECESSIDADE DE NOVO LANÇAMENTO.
A utilização de créditos em favor do contribuinte para quitação de débitos por ele não reconhecidos, verificada a existência de outros declarados em GFIP, acarreta na necessidade de ser refeito o lançamento para a correta apropriação dos créditos, sob pena de cerceamento de defesa, já que os débitos considerados quitados pela fiscalização não poderão mais ser objeto de questionamento na seara administrativa (art. 59, II do Decreto 70.235/72).
É nulo o lançamento quando a fiscalização considera indevidamente em favor do contribuinte créditos reconhecido em decisão judicial que foi reformada por outra decisão transitada em julgado antes da lavratura do auto de infração, nos termos do art. 145, III c/c o art. 149, VIII do CTN, do art. 53 da Lei
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2006 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APROPRIAÇÃO INCORRETA DE PAGAMENTOS. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS INDEVIDOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. NULIDADE DA NFLD. NECESSIDADE DE NOVO LANÇAMENTO. A utilização de créditos em favor do contribuinte para quitação de débitos por ele não reconhecidos, verificada a existência de outros declarados em GFIP, acarreta na necessidade de ser refeito o lançamento para a correta apropriação dos créditos, sob pena de cerceamento de defesa, já que os débitos considerados quitados pela fiscalização não poderão mais ser objeto de questionamento na seara administrativa (art. 59, II do Decreto 70.235/72). É nulo o lançamento quando a fiscalização considera indevidamente em favor do contribuinte créditos reconhecido em decisão judicial que foi reformada por outra decisão transitada em julgado antes da lavratura do auto de infração, nos termos do art. 145, III c/c o art. 149, VIII do CTN, do art. 53 da Lei Recurso de Ofício Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2170; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000504/200799 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2302002.719 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2013 Matéria Contribuição Previdenciária Sobre a Folha de Salários e Valores Pagos a Cooperativas Recorrente BSM ENGENHARIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2006 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APROPRIAÇÃO INCORRETA DE PAGAMENTOS. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS INDEVIDOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. NULIDADE DA NFLD. NECESSIDADE DE NOVO LANÇAMENTO. A utilização de créditos em favor do contribuinte para quitação de débitos por ele não reconhecidos, verificada a existência de outros declarados em GFIP, acarreta na necessidade de ser refeito o lançamento para a correta apropriação dos créditos, sob pena de cerceamento de defesa, já que os débitos considerados quitados pela fiscalização não poderão mais ser objeto de questionamento na seara administrativa (art. 59, II do Decreto 70.235/72). É nulo o lançamento quando a fiscalização considera indevidamente em favor do contribuinte créditos reconhecido em decisão judicial que foi reformada por outra decisão transitada em julgado antes da lavratura do auto de infração, nos termos do art. 145, III c/c o art. 149, VIII do CTN, do art. 53 da Lei Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 05 04 /2 00 7- 99 Fl. 4291DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrado em 13/11/2006, em desfavor da BSM Engenharia S/A, decorrente do não recolhimento de contribuições previdenciárias, parte patronal, RAT e Terceiros, tendo como base os valores apurados em folhas de pagamentos e declarados em GFIP, bem como os valores pagos a contribuintes individuais e a cooperativas de trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 286/327), dos valores totais devidos pela empresa foram deduzidos todos os créditos da empresa ((GPS, LDC, Retenções destacadas em notas fiscais e os valores compensados através de autorização judicial). Apresentada defesa pelo contribuinte, foi verificado no acórdão recorrido que o lançamento fiscal possui vícios insanáveis, declarandoo nulo, pelos seguintes fundamentos: I) No Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, o auditor informa que quando da alocação dos créditos do sujeito passivo foi imputado grau de prioridade maior aos levantamentos não declarados em GFIP, em detrimento dos levantamentos declarados em GFIP, de modo que zerou os débitos não expressamente reconhecidos pela empresa, procedimento contrário ao que deveria ter sido observado pelo órgão lançador. Não sendo possível a alteração do lançamento pelo órgão a quo diante da limitação do sistema informatizado, deve ser realizado novo lançamento para a correta apropriação de crédito pelo sujeito passivo. II) Também se verificou outra incorreção no RADA, uma vez que foram considerados indevidamente créditos nas competências de 05 a 07/2002, eis que a decisão judicial que autorizava a sua utilização já havia sido reformada quando da lavratura do auto de infração por decisão judicial transitada em julgado. Tal correção somente seria possível através da lavratura de nova NFLD em que se abstenha de lançar como crédito os valores compensados indevidamente. Dessa decisão houve o recurso de ofício a esta Segunda Seção. A Corte Administrativa converteu o julgamento em diligência, para que o contribuinte fosse intimado do Acórdão de fls. 1.669/1.677. Fl. 4292DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11330.000504/200799 Acórdão n.º 2302002.719 S2C3T2 Fl. 3 3 Devidamente intimado, o contribuinte deixou de se manifestar sobre a decisão em exame. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo hipótese de cabimento do Recurso de Ofício, passo ao seu exame. Da nulidade do lançamento I) Incorreta apropriação de créditos do contribuinte O Relatório Fiscal, às fls. 321, informa que “os levantamentos de débitos referentes aos salários indiretos (in natura) foram incluídos nesse levantamento, porque no fechamento do débito eles ficaram com valores nulos, ou seja, os créditos de GPS, referentes aos valores recolhidos pela empresas foram suficientes para quitar tais levantamentos (débitos) com valores nulos (GPS apropriadas suficientes para quitálos): ALU Aluguel de Empregados, DES Descaracterização de Autônomos, FAC Pagamento de Faculdade, LUC Gratificação Participação Lucros, PRI Previdência Privada. Ocorre que, conforme destacado na decisão recorrida, a utilização dos créditos para quitar valores não declarados em GFIP e não reconhecidos expressamente pelo contribuinte terminaram por impedir o lançamento desses valores e impossibilitar o contribuinte de questionálos. Essa medida, além de ser contrária ao procedimento indicado por norma procedimental, acarreta cerceamento de defesa do contribuinte, que fica impossibilitado de discutir, ao menos na seara administrativa, a incorreção da inclusão dos valores como base de cálculo de contribuição previdenciária. Sendo nulo o lançamento tributário (art. 59, II do Decreto 70.235/72) e não sendo possível a correção na apropriação de créditos pela Fiscalização neste momento, é necessária a realização de novo lançamento em que se promova a quitação dos débitos reconhecidos pelo contribuinte, o que deverá ser providenciado pela Autoridade Fiscal. II – Consideração de créditos indevidos em favor do contribuinte Fl. 4293DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 No Relatório Fiscal foi informado que “também foi deduzido do crédito constituído as compensações autorizadas pela justiça através do Mandado de Segurança processo nº 2000.51.01.0301894” (fls. 287). Contudo, como bem destacado na decisão da qual se recorre de ofício, quando da lavratura da NFLD sob exame, a decisão que garantia referida compensação já havia sido reformada por sentença. A compensação nas competências 05 e 07/2002 decorreu de decisão judicial do TRF da 2ª Região, proferida em 15/05/2002, que determinou o ressarcimento de valores indevidamente recolhidos a título de contribuição incidente sobre os valores pagos aos administradores e autônomos, cujos fatos geradores ocorreram no período de setembro/1989. Contra tal decisão o INSS interpôs Recurso Especial, que foi provido monocraticamente pelo Relator, o Ministro Luiz Fux, em decisão publicada em 15/04/2005. Interpostos Embargos de Declaração pela BSM Engenharia, foi mantida a decisão monocrática, que transitou em julgado em 27/06/2005. A NFLD em questão foi emitida em 13/11/2006, posteriormente, portanto, ao trânsito em julgado da decisão que afastou o direito do contribuinte à compensação, de forma que não poderia ter a fiscalização utilizado tais valores para deduzir do crédito constituído contra o contribuinte. Assim, devem esses créditos ser excluídos, não podendo se perder de vista, contudo, que tal operação implicará aumento no valor do débito lançado, o que não pode ser realizado nesta oportunidade, sem a lavratura de nova NFLD. A hipótese enquadrase, portanto, na previsão contida no art. 145, III, c/c o art. 149, VIII do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: (...); III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...); VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Sendo a revisão dos atos administrativos medida prevista também na Lei do Processo Administrativo Federal, no seu art. 53, bem como na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, deve ser anulada a NFLD em questão para que outro lançamento seja realizado, sem a utilização dos créditos que foram compensados indevidamente pelo contribuinte. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida de ofício, ou seja, anulando a NFLD sob exame. Fl. 4294DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11330.000504/200799 Acórdão n.º 2302002.719 S2C3T2 Fl. 4 5 É como voto. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 4295DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721790/2011-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SISTEMA SIMPLES. ADE. EXCLUSÃO. EFEITOS.
Os efeitos do Ato Declaratório Executivo - ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional.
Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhê-las como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.146
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SISTEMA SIMPLES. ADE. EXCLUSÃO. EFEITOS. 1. Os efeitos do Ato Declaratório Executivo ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional. 2. Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 17 90 /2 01 1- 01 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721790/201101 Acórdão n.º 2803004.146 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721790/201101 Acórdão n.º 2803004.146 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e sobre prólabore. No batimento GFIP e GPS identificouse que o contribuinte fazia os recolhimentos como sendo optante pelo regimento tributário do Simples. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de novembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato de exclusão. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721790/201101 Acórdão n.º 2803004.146 S2TE03 Fl. 5 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente foi notificada em 28 de novembro de 2011, do conteúdo dos autos de infração de nº 37.266.6019, 37.266.6027 e 37.266.6035, os quais, em função de sua exclusão do Simples Nacional e Federal, efetuaram fiscalização no período de janeiro de 2007 a outubro de 2010. Do lançamento a recorrente apresentou as devidas impugnações, as quais foram objeto de julgamento pela DRJ de Campo Grande – MS. Em que pesem os motivos que nortearam a decisão proferida a mesma não pode remanescer, devendo ser cancelado o auto de infração. O auto de infração foi gerado pelo fato de o contribuinte ter sido excluído do programa Simples. Embora tal situação esteja em discussão no processo próprio (10920.721793/201137 – Simples Nacional e 10920.721792/201192 – Simples Federal), foi igualmente trazida à discussão nestes autos, eis que legadas umbilicalmente as situações. A decisão que se recorre igualmente entende pela exclusão da empresa do simples, por entender que a mesma promove locação de mãodeobra. Porém, não há como subsistir tal decisão. Quando da lavratura do ato declaratório de exclusão, a fiscalização também já havia se apoiado no disposto no Parecer Cosit nº 69/1999. Por todos os motivos expostos, vêse que deve ser revista a decisão que sugeriu a exclusão da Impugnante do simples, eis que não ocorre sua atividade tratase de contrato de prestação de serviço, e não de locação de mãodeobra. Outra ilegalidade que a Receita Federal vem procedendo é em relação aos efeitos retroativos da exclusão. O auto de infração ora combatido originouse do processo de exclusão da empresa do Simples, processo de exclusão este que encontrase em fase de discussão administrativa. O presente auto de infração depende exclusivamente da decisão quanto à validade da exclusão do Simples. Decidindose tal exclusão de forma favorável à Recorrente, cairão por terra os lançamentos efetuados. A decisão da qual se recorre, não reconheceu o direito de se compensar os valores lançados com aqueles já recolhidos dentro da sistemática do Simples. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721790/201101 Acórdão n.º 2803004.146 S2TE03 Fl. 6 5 Diante do exposto, requerse a reforma da decisão proferida pela DRJ, cancelandose assim o AI lavrado. Caso não seja este o entendimento, que se determine a suspensão deste processo até que se decida os processos que tratam da exclusão do Simples, o que esta sendo tratado em processos específicos; caso mantida a exclusão da empresa, requer sejam considerados os valores já recolhidos pela recorrente junto ao Simples, para fins de compensação com os valores ora lançados, bem como que referida compensação surta seus efeitos nos valores lançados a título de multa e juros. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721790/201101 Acórdão n.º 2803004.146 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de processo administrativo fiscal decorrente da exclusão do contribuinte do Sistema Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo – ADE nº 209, de 10/11/2011, da DRF/Joinville/SC. Com a exclusão, operouse o efeito retroativo a partir de 1º de julho de 2007, conforme dispõe o inciso II do artigo 31 da Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Em razão do ADE já referido, foram lançadas, nestes autos, as diferenças de alíquotas, pois a empresa passou a contribuir como aquelas não optantes. Em relação à exclusão propriamente dita, a empresa se defende do ato em outro processo administrativo que, na segunda instância, tramitará na primeira seção do CARF. O fato de haver outro processo administrativo além do que ora se discute não significa que aquele imporá efeito suspensivo relativamente a este. Os processos tramitam separados e um não depende do outro. No ponto, sem razão o contribuinte. Portanto, não há que se cogitar de invalidade do lançamento que originou este processo. Está bem evidenciado que a autoridade lançadora observou regiamente os mandamentos relativos à sua atividade e constituiu o crédito tributário em estrita observância às regras contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Os efeitos do Ato Declaratório Executivo – ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional. Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão. De mais a mais, é também vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. Destarte, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721790/201101 Acórdão n.º 2803004.146 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 13629.002984/2010-16
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008
AUXÍLIO - ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA, POIS INCLUÍDO EM FOLHA DE PAGAMENTO. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI MUNICIPAL, QUE EM NADA ALTERA A COMPETÊNCIA FEDERAL EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA/PREVIDENCIÁRIA JUNTO AO RGPS. DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS PARA PROVA DE PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES JÁ CONSIDERADOS E UTILIZADOS QUANDO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE QUE VERBAS TRIBUTADAS POSSUÍAM CARÁTER INDENIZATÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. VALORES PAGOS EM RAZÃO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente MUNICÍPIO DE IPATINGA PREFEITURA MUNICIPAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA, POIS INCLUÍDO EM FOLHA DE PAGAMENTO. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI MUNICIPAL, QUE EM NADA ALTERA A COMPETÊNCIA FEDERAL EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA/PREVIDENCIÁRIA JUNTO AO RGPS. DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS PARA PROVA DE PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES JÁ CONSIDERADOS E UTILIZADOS QUANDO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE QUE VERBAS TRIBUTADAS POSSUÍAM CARÁTER INDENIZATÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. VALORES PAGOS EM RAZÃO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 29 84 /2 01 0- 16 Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 648 2 Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 649 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.290.5340, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores das categorias de empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços a municipalidade, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 61 a 64, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 53 a 54. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 13/12/2010, AR, de fls. 58. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 105 a 131, recebida, em 06/01/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 132 a 272. O contribuinte apresentou novas petições, em 07/01/2011 e 10/01/2014, fls. 136 a 200; 202 a 400; 403 a 618 . A defesa foi considerada tempestiva, fls. 621. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0231.994 7ª, Turma DRJ/BHE, em 19/04/2011, fls. 622 a 630. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 12/05/2011, AR, de fls. 632. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 633 a 640, recebido, em 10/06/2011, conforme carimbo de recepção, as fls. 633, acompanhado dos documentos, de fls. 641 e 642. Mérito. · que se está exigindo contribuição no levantamento FN sobre bolsa estágio e vale alimentação, porém nos termos da Lei 6.494/77 e jurisprudência do TRF2 não há incidência de contribuição sobre bolsa estágio, sendo que o vale refeição tem nítida natureza indenizatória, pois só é concedido no dia trabalhado e no valor de uma refeição, cita jurisprudência do TFR1, não se incorporando a remuneração tais vantagens cita Hely L. Meirelles; · que o valealimentação foi criado pela Lei Municipal 2.301/07, caracterizandoo como verba indenizatória, sendo que a Lei 10.887/04, também, exclui o auxílioalimentação da incidência de contribuição previdenciária, a lei municipal apenas acompanhou o legislador federal, não podendo o fisco tratar servidores municipais de Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 650 4 forma diversa dos federais, pois a CF estabelece a isonomia tributária, princípio da uniformidade geográfica, não discriminação da tributação da renda, vedação da isenção heteronômica, não discriminação em razão da procedência ou destino, estabelecendo a CF a uniformidade dos tributos federais em todo o território nacional, proibindo distinção ou preferência; · que os valores cobrados nos levantamentos AS e AS1 são relativos a pagamentos efetuados a contratados da saúde e não decorrem de rescisão contratual, nesse caso ocorreu um equivoco da municipalidade que efetuou o recolhimento na competência da prestação dos serviços e não da liquidação da nota de empenho como determinava a IN 03/2005, tendo ocorrido recolhimento antecipado não houve prejuízo ao fisco, devendo a atuação ser cancelada nesse ponto; · que nos levantamentos DC e DC1 estão sendo exigidas contribuições sobre verbas de caráter nitidamente indenizatórias, pois ajuda de custos pagas aos servidores em razão de treinamentos ou viagens a serviço, sendo a ajuda de custo paga de forma esporádica, não integra a base de cálculo da contribuição, conforme jurisprudência do STJ, a municipalidade requer a cancelamento da atuação; · que no que diz respeito ao levantamento SC e SC1 o fisco está exigindo contribuição sobre pagamentos a pessoas físicas, segundo notas de empenho, a recorrente anexou aos autos documentos que comprovam o recolhimento das contribuições documento nº 02, assim comprovado o recolhimento pede o cancelamento da exigência; · Do pedido; requerimento e esperança: a) que o acórdão a quo seja reformado; b) que a notificação seja julgado improcedente; A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 644. Os autos subiram ao CARF, fls. 644. É o Relatório. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 651 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cumpre informar que o Acórdão do órgão julgador a quo afirma conforme passagens abaixo transcritas, que: a) todos os documentos juntados aos autos antes do citado julgamento foram analisados; b) que a recorrente não trouxe ao autos documentos que comprove a condição de estagiários de seus trabalhadores. Quanto ao pedido de dilação do prazo de defesa por trinta dias, para juntada de documentos, registrase que todos os documentos juntados nos autos foram analisados e que não cabe A autoridade julgadora deferir pela juntada posterior de provas, pois as mesmas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, a não ser que o contribuinte demonstrasse a ocorrência de alguma das situações previstas no artigo 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, o que não foi feito até a presente data. (grifei). Considerando, portanto, que não foi juntado nos autos a documentação que comprove a condição de supostos estagiários incluídos no lançamento, não há como acolher os argumentos aduzidos pelo contribuinte. (destaquei). A questão das bolsas de estudo foi desmistificada no acórdão de primeiro grau e a municipalidade não faz prova das alegações apresentadas na impugnação, pois nada juntou para comprovar o que disse e fez, no recurso alegou sem comprovação, não havendo razão para a mudança no rumo decisório. No diz respeito ao auxílio alimentação no campo da competência concorrente inciso XII, do art. 24, da CRFB/88 está instituída a de Estados Membros, Distrito Federal e Municípios para organizarem os seus próprios regimes de previdência social, ou seja, os chamados RPPS, e, ainda, assim, tal competência não é absoluta e se subordina a lei de normas gerais da União sobre a matéria é isso que diz o Supremo Tribunal Federal – STF. "A matéria da disposição discutida é previdenciária e, por sua natureza, comporta norma geral de âmbito nacional de validade, que à União se facultava editar, sem prejuízo da legislação estadual suplementar ou plena, na falta de lei federal (CF/1988, arts. 24, XII, e 40, § 2º): se já o podia ter feito a lei federal, com base nos preceitos recordados do texto constitucional originário, obviamente não afeta ou, menos ainda, tende a abolir a autonomia dos Estadosmembros que assim agora tenha prescrito diretamente a norma constitucional sobrevinda." (ADI 2.024, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 352007, Plenário, DJ de 2262007.) No mesmo sentido: RE 356.328 Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 652 6 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 1º22011, Primeira Turma, DJE de 2522011; RE 597.032AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1592009, Segunda Turma, DJE de 9102009. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. LEI N. 9.717/1998. A AUTONOMIA MUNICIPAL PARA ORGANIZAÇÃO DO REGIME DE PREVIDÊNCIA DE SEUS SERVIDORES NÃO É IRRESTRITA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. (RE 356328 AgR, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 01/02/2011, DJe038 DIVULG 24022011 PUBLIC 25022011 EMENT VOL02471 01 PP00085) EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI N. 9.717/98. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ENTES FEDERADOS. INOCORRÊNCIA. Esta Corte já decidiu que: (i) a Constituição do Brasil não confere às entidades da federação autonomia irrestrita para organizar o regime previdenciário de seus servidores; (ii) por se tratar de tema tributário, a matéria discutida nestes autos pode ser disciplinada por norma geral, editada pela União, sem prejuízo da legislação estadual, suplementar ou plena, na ausência de lei federal [ADI n. 2.024, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 1º.12.00]. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 597032 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 15/09/2009, DJe191 DIVULG 08102009 PUBLIC 09102009 EMENT VOL0237707 PP01456. Evidente, pois que se os entes federados devem subordinar seus RPPS às normas gerais instituídas e estabelecidas pela União, o Regime Geral de Previdência Social – RGPS representado e operacionalizado pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS constituído e organizado, exclusivamente, pela União Federal no exercício de sua competência constitucional, não sofre ingerências ou interferências das leis dos demais entes federados estatais. Como bem disse o Excelso Pretório nas decisões acima transcritas a matéria é de índole tributária, pois cuida da arrecadação do sistema e nesse caso a União Federal estabelece as normas gerais, sendo que no âmbito do RGPS a competência é plena da União artigos 149, caput, c/c o 195 e 201, todos da CRFB/88. Assim sendo, a lei municipal não tem o condão de alterar o regime tributário instituído pela União Federal, uma vez que esse visa financiar o RGPS e muito menos pode estabelecer a natureza jurídica do tributo, pois essa é dada pelo artigo 4º, da Lei 5.172/66, não havendo nota nos autos de que a municipalidade tenha RPPS e que tais servidores seriam vinculados a ele. Aliás, o inciso I, do artigo 15, da Lei 8.212/91 considera os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional como empresas para os fins da lei de custeio. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 653 7 Todavia, a norma de tributação está estabelecida no §11, do artigo 201, da CRFB/88, a seguir transcrito, o que, também, consta do artigo 28, I, da Lei 8.212/91, decorrendo tal do simples fato de que esse servidor por ordem constitucional está inserido no RGPS. Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Foi esclarecido alhures que a lei municipal não tem o condão de alterar a tributação federal, o regime de previdência a cargo da União, bem como que a competência municipal suplementar em matéria concorrente, encontra limite no exercício da competência plena da União e relativamente a instituição, organização e administração do seu RPPS e não se irradia para o RGPS instituído, organizado e administrado pelo União, ainda, que por intermédio de autarquia e o judiciário federal não pensa diferente, observese as decisões transcritas. TRIBUTÁRIO. SERVIDOR DE MUNICÍPIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE PRIMEIROS QUINZE DIAS DO AUXÍLIODOENÇA E/OU AUXÍLIO DOENÇA ACIDENTÁRIO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. AUXÍLIOTRANSPORTE. TERÇO DE FÉRIAS. FÉRIAS INDENIZADAS. AUXÍLIOS NATALIDADE E FUNERAL. DIÁRIAS NÃO EXCEDENTES A 50% DA REMUNERAÇÃO. ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA. SALÁRIO MATERNIDADE. FÉRIAS USUFRUÍDAS. NATUREZA INDENIZATÓRIA DAS VERBAS. INCIDÊNCIA SOBRE HORAS EXTRAS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO E VALORES PERCEBIDOS PELO SERVIDOR EM FUNÇÃO DE EXERCÍCIO DE FUNÇÃO COMISSIONADA OU DE CARGO EM COMISSÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DAS VERBAS. COMPENSAÇÃO. LEI 11.457/2007. NECESSIDADE DE OBSERVAR O ART. 170A, CTN. 1. Ação que visa afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos aos empregados a título de auxíliodoença acidentário e auxílio doença, nos primeiros quinze dias, adicional de 1/3 de férias, auxílioalimentação em pecúnia, valetransporte ainda que pago em pecúnia, avisoprévio indenizado, abono de férias, férias indenizadas, férias gozadas, auxílionatalidade e funeral, adicional de transferência, salário maternidade, gratificações dos servidores efetivos que exerçam cargos ou funções comissionadas, diária em valor não superior a 50% da remuneração mensal e horas extras, bem como a compensação dos valores indevidos nos últimos cinco anos. 2. Não incide contribuição previdenciária patronal sobre os 15 primeiros dias de auxíliodoença e auxíliodoença acidentário; sobre o aviso Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 654 8 prévio indenizado e sobre o auxíliotransporte, porque são verbas de natureza indenizatória o que impossibilita a realização da hipótese de incidência prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91. 3. Também não incide contribuição previdenciária sobre: o abono constitucional de 1/3 de férias; férias não gozadas (indenizadas); auxílios natalidade e funeral; diárias, em valor não superior a 50% da remuneração mensal e adicional de transferência, em face da natureza indenizatória dessas verbas. 4. Quanto ao saláriomaternidade e as férias em face do novo entendimento do STJ, é de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre tais verbas. (RESP 1.322.945 DF). 5. Em relação aos servidores públicos municipais, existe a sujeição ao Regime Geral da Previdência, devendo ser reconhecida a incidência da contribuição social sobre os valores pagos a título de funções ou cargos comissionados, em consonância com o art. 22, I, II, da Lei nº 8.212/91. 6. Incide a contribuição previdenciária sobre horasextras e auxílio alimentação, em face da natureza remuneratória dessas verbas. Precedentes dos Tribunais. 7. Ajuizada a ação na 13.06.2012, é de ser observada a LC 118/2005, quanto à prescrição quinquenal, e a Lei 11.457/07, que, em seu art. 26, parágrafo único, determina a inaplicabilidade do art. 74, da Lei 9.430/96, às contribuições previdenciárias, restringindo a compensação apenas com tributos da mesma espécie. 8. Compensação tributária após o trânsito em julgado, nos termos do art. 170A, observadas as limitações impostas pelo art. 11 da Lei 8.212/91 c/c art. 26 da Lei 11.457/07. 9. Apelação da União (Fazenda Nacional), remessa oficial e ao recurso adesivo parcialmente providos.(APELREEX 00046278920124058200, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Quarta Turma, DJE Data::23/01/2014 Página::316.) AUTUAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DO CTN. CONTRIBUIÇÃO AO SAT: CONSTITUCIONALIDADE. SERVIDORES DO MUNICÍPIO OCUPANTES EXCLUSIVAMENTE DE CARGOS EM COMISSÃO. PERÍODO ANTERIOR E POSTERIOR À EC Nº 20/98. CONTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADORES: INCIDÊNCIA SOBRE O TOTAL DA REMUNERAÇÃO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO: NECESSIDADE DE PAGAMENTO “IN NATURA”. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. 1. Os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 (lei ordinária) não podem se sobrepor às normas estabelecidas pelo CTN, considerado este como lei complementar, no tocante às normas que regem a decadência e a prescrição. 2. Precedentes. 3. O prazo decadencial para a cobrança dos créditos da seguridade social é, portanto, de cinco anos, na forma do art. 173 do CTN. 4. A análise do prazo prescricional a ser utilizado para as contribuições previdenciárias leva em consideração a evolução no entendimento jurisprudencial sobre sua natureza – se tributária ou não tributária. Nesse ponto, temse que o posicionamento dominante, mormente no STF, era o de sua natureza tributária (prazo de cinco anos – CTN), o que se modificou com as Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 655 9 alterações promovidas na Constituição pela EC nº 8/77 (prazo de trinta anos – art. 144 da Lei nº 3.807/60, c/c art. 2º da Lei nº 6.830/80). Posteriormente, com o advento da Constituição de 1988, sua natureza voltou a ser tributária; a partir de então, portanto, o prazo voltou a ser qüinqüenal. 5. O prazo de decadência, contudo, jamais deixou de ser de cinco anos, independentemente do período em análise. 6. No caso do art. 150, §4o, do CTN, desde que ocorra o pagamento e não haja a homologação expressa, ultrapasso o lapso temporal de cinco anos, já se encontra decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário do contribuinte. Não há que se falar, pois, que esse seria o termo inicial da prescrição: em primeiro lugar, porque no caso em tela não se está a tratar de prescrição, mas sim de decadência; além disso, se precluso está o direito de constituição do crédito, nada há a cobrar, razão pela qual nem se cogita falar em prescrição. 7. Por outro lado, temse que, in casu, a incidência não é da hipótese do art. 150, §4o, do CTN, mas sim de seu art. 173, pois não houve o pagamento antecipado pelo contribuinte. 8. Quanto ao SAT, a Lei n. 8.212/91 definiu todos os elementos do tipo tributário (fato gerador, alíquota, base de cálculo e sujeitos ativo e passivo da obrigação), não havendo mácula aos princípios da legalidade e tipicidade tributárias (art. 150, I, CF; e art. 97, CTN) o fato de o Poder Executivo definir, em regulamento, o conceito de "atividade preponderante da empresa" em função dos "graus de risco" (leve, médio e grave). Precedentes do STF e do STJ. 9. É possível que o Município seja sujeito passivo das contribuições à Previdência Social, pois o art. 15, I, da Lei nº 8.212/91 equipara à empresa, para fins previdenciários, os entes da Administração Direta. 10. A inclusão dos servidores municipais ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, que não pertençam a regime próprio de previdência social, decorre da interpretação do art. 13 da Lei nº 8.212/91. Precedentes. 11. A cobrança da contribuição previdenciária dos empregadores mesmo nos casos em que os empregados já contribuem sobre o limite máximo decorre da própria Lei nº 8.212/91, que estabelece que a contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, a qualquer título, conforme o art. 22, I, da referida lei. 12. Essa distinção de tratamento entre as contribuições devidas pelo empregado e as devidas pelo empregador se explica porque, no caso dos empregados, a contribuição que eles recolhem resulta em um benefício que é a eles diretamente destinado, razão pela qual Sacha Calmon identifica tais contribuições como sendo sinalagmáticas. Ao revés, no caso das contribuições dos empregadores, sua incidência tem origem no princípio da solidariedade, que rege a seguridade social (art. 195 da Constituição). Por essa razão, as contribuições dos empregadores não implicam um retorno em benefícios, mas sim significam a participação das empresas no custeio da seguridade social. 13. Em análise do art. 3o da Lei nº 6.321/76 e do art. 28, §9o, “c”, da Lei nº 8.212/91, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça veio a firmarse no sentido de que, independentemente de o empregador estar ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador, não Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 656 10 incide a contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação. Porém, atenta à expressa disposição das normas acima, essa mesma jurisprudência firma que a nãoincidência de contribuição é limitada ao pagamento in natura desse auxílio alimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a refeição aos seus empregados. 14. No caso dos autos, a própria Lei Municipal acima citada estabelece, de maneira expressa, que o auxílioalimentação será pago em pecúnia, o que afasta a aplicação do art. 28, §9o, “c”, da Lei nº 8.212/91, bem como do art. 3o da Lei nº 6.321/76. 15. A circunstância de a referida Lei Municipal dispor, em seu art. 2o, que a referida quantia não servirá de base para a incidência de contribuição previdenciária não modifica essa conclusão, pois, em matéria de competência concorrente, os Estados e Municípios devem observância às normas gerais editadas pela União, não podendo dispor em contrário a elas (art. 24 da Constituição). 16. O art. 28, §9o, “f”, da Lei nº 8.212/91, determina a exclusão do valetransporte do saláriodecontribuição, quando pago em conformidade com a legislação pertinente. 17. O art. 5o do Decreto nº 95.247/87 veda o pagamento de valetransporte em pecúnia, do que decorre que o pagamento assim realizado não pode ser entendido como de acordo com a legislação, para fins de incidência do art. 28, §9o, “f”, da Lei nº 8.212/91. 18. A jurisprudência do STJ também entende que não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos pelo empregador a título de valetransporte, quando há o desconto respectivo no salário do empregado, o que, contudo, não foi comprovado. 19. Apelações e remessa improvidas. AMS 200351160003476. Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES. TRF2. QUARTA TURMA ESPECIALIZADA. DJU Data::20/10/2008 Página::119 (fiz todos os destaques). A lei federal 10.887/2004 citada pela recorrente cuida exclusivamente do RPPS do servidores públicos da União Federal e não diz respeito ao RGPS que é gerido e administrado pelo INSS razão pela qual se aplica ao caso. Desta forma, não há violação a nenhum dos princípios constitucionais referidos, uma vez que não se aplicam ao caso ou quando se aplicam foram respeitados, basta observar. · Isonomia tributária: está sendo respeitada justamente, por se estar exigindo a contribuição em razão da remuneração de trabalhadores que se encontram em situação idêntica; · Uniformidade geográfica: o tributo da União está incidindo em todo o território nacional e o município faz parte desse território; · Não discriminação da tributação da renda: a renda comum originada da mesma causa está sofrendo a mesma incidência de tributação; Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 657 11 · Vedação da isenção heteronômica: não há que se falar e isenção diferenciada, pois a remuneração vinculada ao mesmo regime é tributável; · Não discriminação em razão da procedência ou destino: não se aplica a contribuição previdenciária, pois referese a bens e serviços que podem circular no território nacional; · Proibição de distinção ou preferência: não está havendo distinção ou preferência, apenas aplicação da determinação constitucional, que é pela tributação; Assim, o levantamento fustigado não merece reparo. Passando os levantamentos AS e AS1 o órgão julgador de primeiro grau analisou os documentos anexados aos autos e deixou claro que tais documentos foram analisados e considerados no curso do procedimento fiscal e que em nada esses alteram o lançamento a recorrente apenas reafirmou a assertiva, assim sendo não há o que alterar, transcrevo abaixo o que disse a DRJ. Em relação aos recolhimentos (documentos 01 e 02) apresentados pelo impugnante e juntados, As fls.151 a 618, para comprovar o pagamento dos valores cobrados pela fiscalização nos levantamentos AS e AS1: rescisão do contrato de trabalho na área de saúde e SC e SC1 pagamentos a pessoas físicas contratadas. Registrase que os referidos documentos, do período janeiro/2007 a dezembro/2007, já foram considerados, pois, são os mesmos já apresentados no curso do procedimento fiscal, consoante se vê no RDA — Relatório de Documentos Apresentados de fls.33 a 37. Em relação aos recolhimentos do período anterior a janeiro de 2007, não podem ser considerados, porque neste Auto de Infração não constam valores lançados relativos a período anterior a janeiro de 2007. Com relação ao levantamento DC e DC1 não fica comprovado que tais valores são indenizatórias, uma vez que na planilha, de fls. 87, elaborada pelo fisco por ocasião do procedimento fiscal consta que tais verbas são gratificações ou ajuda de custo, conforme descrição das notas de empenho. Porém, gratificações são ganhos decorrentes do exercício de atividade, tal como: a) membro da turma da junta de julgamento fiscal; b) secretária da JRF; c) representante da PMI na JARI. No que tange a ajuda de custo essa está vinculada a atividade de conselheiro tutelar ou pela participação na VI – Conferência Estadual de Direitos da Criança e Adolescente, todavia o artigo 28, §9º, da Lei 8.212/91 cuida da ajude de custo em dois momentos, na alínea “b” ou na alínea “g”, respectivamente, nesses dois momentos tal ajuda é dada ao aeronauta ou àquela trabalhador que muda de local de trabalho, ou seja, a suposta ajuda de custo paga pela municipalidade não se adequa as hipóteses de não incidência da lei. Reportandome ao levantamento SC e SC1 reitero o que foi dito relativamente ao levantamento AS e AS1, pois a argumentação da recorrente é idêntica e a Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 2803004.007 S2TE03 Fl. 658 12 documentação juntada aos autos foi analisada pela DRJ que asseverou, tratarse da documentação analisada no curso do procedimento fiscal e considerada no lançamento. Assim com esses esclarecimentos rejeito as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, não havendo razão para atender os pleitos desta. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento, tendo em vista a falta de lastro fático e jurídico das alegações da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.003974/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.367
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto S. Jr Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Rocha e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente FOTOPTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Rocha e Hélio Araújo. Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1624.412 da 4ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICA DE PESSOA JURIDICA INCORPORADA. RENTABILIDADE FUTURA. É indispensável, para a aceitaçao do relatório, a apresentaçao dos elementos que deram suporte a avaliação apresentada. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA DO MESMO GRUPO. CUSTO DE INTEGRALIZAÇAO DE CAPITAL. AGIO. RENTABILIDADE FUTURA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 97 4/ 20 07 -5 8 Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.367 S1C3T2 Fl. 1.472 2 Nao é aceita, para fins fiscais, a amortizaçao de ágio obtido com a integralização de capital através de crédito relativo a suprimento de numerário realizado entre empresas do mesmo grupo. Não há como reconhecer ágio com base em rentabilidade futura, por faltar, à luz da Teoria da Contabilidade, a necessária independência entre as partes envolvidas. AUTO REFLEXO CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. SALDO DE BASE NEGATIVA DA CSLL. Deve ser provada a existência de saldo de bases negativas de exercícios anteriores, através da apresentação do LALUR, para poder ser considerada na apuração da base tributável da CSLL. Mantido o lançamento realizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1624.412 em 31/05/2010 (AR a fls. 1438), interpôs, em 29/06/2010, recurso voluntário (doc. a fls. 1446 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que se tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão DRJ/SP1 n.° 1624.412, de 25 de fevereiro de 2010, proferido pela C. Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I, o qual julgou procedente o lançamento originado das retificações de oficio que o I. Fiscal autuante efetuou em sua Declaração de Imposto de Renda do anobase 2003/Exercicio 2004, glosando as amortizações de valores de ágio realizadas, por entender que tais valores não seriam dedutiveis; b) que a síntese da autuação descrita pelo Auditor Fiscal: “amortização indevida dos ágios contabilizados na incorporação de, (?) pela incorreta identificação da sua natureza e pela falta de comprovação dos fundamentos dos mesmos”; c) que foram os seguintes os pontos equivocados trazidos pelo I. Fiscal no Termo de Verificação Fiscal que integra o lançamento ora combatido: c.1) contabilizou como ágio em investimento pelas incorporações o valor de R$ 62.450.126,62 e o amortizou contabilmente levando a débito de despesas; c.2) que o Relatório de Avaliação Econômica da Incorporada Óticas Grande Visão Ltda. pretendeu efetuar a avaliação econômicofinanceira baseada na metodologia da Rentabilidade Futura com base em fluxos de caixa descontados, não informando os critérios utilizados para os cálculos, não havendo sequer o valor final da avaliação adotada para a incorporação, tampouco se concretizaram as previsões consideradas para a rentabilidade futura; c.3) o comprovante documental utilizado como fundamento para o cálculo da rentabilidade futura não espelhou fatos concretos que pudessem resultar na geração de lucros contra os quais se pudessem confrontar os recursos despendidos no pagamento do ágio; e c.4) os recursos despendidos no pagamento do ágio foram obtidos mediante cessão de créditos que a controladora da ora Recorrente (Companhia de Participações Alpha) Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.367 S1C3T2 Fl. 1.473 3 efetuoulhe, no montante de R$ 96.224.714,08, aduzindo, ainda, e mais uma vez de maneira completamente equivocada, que a controladora da Recorrente também era controladora da incorporada; c.5) concluiu o I. Fiscal que restou “caracterizada a ocorrência da apuração irregular do lucro real dos períodosbase 2002 a 2004, por infringência dos dispositivos legais ínsertos no parágrafo 2", alínea 'b ', do artigo 20 do DecretoLei 1598/77, c/c com parágrafo 3° do citado artigo, além dos dispositivos legais insertos no art. 7"e 8“da Lei 9532/97 alterado pela Lei 9718/98.”; d) que indignada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, a Impugnação cabível, oportunidade na qual esclareceu que o lançamento de oficio não merece prosperar haja vista que: d.1) o ágio efetivamente existiu (como afirmado pelo próprio I. Fiscal autuante); d.2) o ágio foi contabilizado quando do investimento realizado em 2001 pela Recorrente na sociedade Alta Vista Ltda.; d.3) o ágio tem por fundamento econômico a perspectiva de rentabilidade futura, que foi embasado em Relatório de Avaliação, em atendimento ao § 3° do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77; e d.4) tal ágio só passou a ser amortizado após a incorporação da referida sociedade Alta Vista Ltda., em 2002, e sempre respeitando a limitação temporal imposta pelo artigo 7° da Lei n.° 9.532/97, não havendo, portanto, que se falar em amortização indevida de ágio no caso em tela; d.5) subsidiariamente, requereu ainda o recálculo do valor exigido a título de CSLL, para que fosse levado em conta o saldo de base negativa existente no anobase 2003, respeitada a limitação percentual legal; e) que, ao analisar a referida Impugnação a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I houve por bem julgála improcedente, mantendo a integralidade do crédito tributário exigido; f) que a Recorrente não contabilizou o referido ágio em investimento (R$ 62.450.126,62) no momento das incorporações das sociedades Alta Vista Ltda. e Óticas Grande Visão Ltda. (fevereiro de 2002), pois este ágio foi contabilizado, nos estritos termos das leis vigentes, por ocasião da aquisição do investimento pela Recorrente na sociedade Alta Vista, em maio de 2001, mediante a subscrição de capital no valor de R$ 10.000.000,00; g) que, posteriormente, houve um novo aumento de capital por parte da Recorrente na sociedade Alta Vista, no valor de R$ 86.224.714,00 (p. 124 a 135 do Processo Administrativo), mas que não integra o valor do ágio em referência (R$ 62.450.126,62); h) que, assim, não houve contabilização de ágio algum quando/ das incorporações das sociedades em fevereiro de 2002, como equivocadamente entendeu o I. Fiscal autuante, pois o ágio já havia sido contabilizado em maio de 2001, por ocasião do investimento, pela Recorrente, na sociedade Alta Vista Ltda.; Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.367 S1C3T2 Fl. 1.474 4 i) que bastaria que o l. Auditor Fiscal analisasse: (i) o nome da conta do razão contábil n. 1300102 (Ágio em Investimento Alta Vista Ltda. p. 86 do Processo Administrativo) e (ii) a DIPJ referente ao ano calendário 2002 (p. 196 do Processo Administrativo), para constatar que o valor do ágio (R$ 62.450.126,62) já existia no ano calendário de 2001; j) que valor do referido ágio (R$ 62.450.126,62), que, repitase, foi contabilizado na Recorrente por ocasião do investimento de R$ 10.000.000,00 na sociedade Alta Vista Ltda., foi gerado neste mesmo momento (do investimento), mais precisamente em 17/05/2001; l) que o ágio objeto destes autos – do investimento realizado na pessoa juridica Alta Vista Ltda. foi devidamente contabilizado nos exatos termos do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77, não havendo qualquer irregularidade passível de ser reprimida e tampouco penalizada pelo Fisco; m) que o fundamento econômico do referido ágio foi a 'rentabilidade futura da sociedade Óticas Grande Visão Ltda., praticamente o único ativo da sociedade Alta Vista Ltda.. Referida rentabilidade futura está, nos termos do parágrafo 3° do artigo 20 do Decreto Lei n.° 1.598/77, devidamente demonstrada no Relatório de Avaliação Econômica Óticas Grande Visão (fls. 19 a 64 do Processo Administrativo) e arquivada na contabilidade da Recorrente; n) que o referido relatório trás, diferentemente do que afirma o I. Fiscal autuante, o valor da empresa pelo método de fluxos de caixa descontados em 30.04.2001 (data anterior ao investimento); valor este demonstrado às fls. 38 do Relatório/56 do Processo Administrativo; o) que tal ágio não foi amortizado pela Recorrente antes da incorporação da sociedade na qual havia investido (Alta Vista), tendo permanecido todo este tempo em sua contabilidade, como determina a legislação regente da matéria; p) que somente após a incorporação da sociedade Alta Vista Ltda., incorporada juntamente com a sua investida, Óticas Grande Visão Ltda., ocorridas em 1”/02/2002, que a Recorrente passou a amortizar tal valor referente ao ágio havido no investimento anteriormente efetuado; q) que as incorporações das sociedades Alta Vista e Óticas Grande Visão foram efetivadas com base nos valores contábeis das sociedades, ratificados por Laudo de Avaliação Contábil realizado pela empresa Asscont Assessoria Contábil e Auditoria S/C (fls. 09 a 13 do Processo Administrativo); r) que não tem sentido algum a observação do I. fiscal autuante em seu relatório quando afirmou que havia incongruência pelo fato da incorporação da sociedade Alta Vista ter sido feita pelo valor contábil e a incorporação da Óticas Grande Visão ter se dado por valor referente “à expectativa de rentabilidade futura”; s) que há uma clara confusão do I. Fiscal autuante e D. Turma Julgadora de Primeira Instância. Ambas as incorporações foram feitas por seus valores contábeis, conforme está inclusive prescrito no Protocolo e Justificação de Incorporação pela Fotóptica Ltda. das sociedades Alta Vista Ltda. e Óticas Grande Visão Ltda. (fls. 81 a 85 do Processo Administrativo); Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.367 S1C3T2 Fl. 1.475 5 t) que relatório contendo a análise sobre a rentabilidade futura da empresa Óticas Grande Visão Ltda. foi utilizado pela Recorrente, como já dito, para justificar o ágio pago por ocasião do primeiro investimento da Recorrente na sociedade Alta Vista Ltda., quase um ano antes das incorporações; u) que sendo a natureza econômica de referido ágio pautada em perspectiva de Rentabilidade Futura (alinea “b” do §2° do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77), os artigos 7° e 8° da Lei n.° 9.732/97, com as alterações introduzidas pela Lei n.° 9.718/98, permitem que a incorporadora passe a amortizar o ágio contabilizado por ocasião do investimento anteriormente realizado na incorporada; v) que contrariamente ao “apurado” no Auto de Infração ora combatido e, data máxima vénia. equivocadamente ratificado pela r. decisão a quo, referido Relatório de Avaliação Econômica é apto, idôneo e suficiente a demonstrar a avaliação econômico financeira feita pela Recorrente quando do investimento e consequ ente aquisição da sociedade Alta Vista, bem como para justificar que o ágio pago referiuse à expectativa de Rentabilidade Futura (alínea “b” do §2° do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77); x) que tal Relatório informa. sim. os critérios utilizados para os cálculos e o valor final da avaliação adotada para a incorporação; z) que inexistindo dúvidas da efetiva existência do ágio, se por algum motivo o I. Fiscal entendesse que seu fundamento econômico não era a perspectiva de Rentabilidade Futura, como afirma a Recorrente, a ele caberia, no minimo, apontar qual é, então, a natureza do ágio que ele mesmo reconheceu como existente, o que não ocorreu, demonstrando, mais uma vez, a fragilidade dos trabalhos que resultaram no lançamento ora combatido; aa) que a alegação de que os recursos despendidos no pagarnento do ágio foram obtidos mediante cessão de créditos que a controladora da Recorrente (Companhia de Participações Alpha) efetuoulhe, no montante de R$ 96.224.714,08, cumpre destacar que o I. Fiscal autuante analisou referida operação (o instrumento particular de cessão está às fls. 146 a 150 do Processo Administrativo), não encontrando qualquer irregularidade ou anormalidade, sendo que sua menção a tal fato, repitase, totalmente regular, não tem nada de relevante ao presente caso; ab) que o §3° do art. 20 do DL 1.598/77 não exige qualquer documentação especifica para o embasamento do ágio que tenha como fimdamento econômico a perspectiva de Rentabilidade Futura, determinando, apenas, que tal espécie de ágio deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração; ac) que embora tenha a Recorrente informado que o ágio pago na aquisição da pessoa jurídica Alta Vista Ltda. tem fundamento juridico em perspectiva de Rentabilidade Futura e, ainda, cumprido o requisito constante do §3° do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77, com a elaboração e manutenção em sua contabilidade de Relatório apto a embasar referido ágio, o I. Fiscal autuante e a r. decisão recorrida houveram por bem, de forma arbitrária, desconsiderar tais fatos e direitos e glosar as amortizações efetuadas pela Recorrente por “achar” que o respectivo ágio não está fundamentado na perspectiva de rentabilidade futura; ad) que tal avaliação não compete à Fiscalização, e sim ao contribuinte, sendo que as desconsiderações feitas pelo l. Fiscal para a lavratma do Auto de Infração são Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.367 S1C3T2 Fl. 1.476 6 completamente arbitrárias, imotivadas, ilegais e afrontam praticamente todos os princípios constitucionais previstos no artigo 37 da Carta Magna, os quais devem reger os atos da administração pública, sob pena de nulidade; ae) que nem se alegue, como feito pela r. Decisão recorrida, que tal norma não aplicarseia ao caso vertente em rezão de só ser possivel “caso a maisvalia tenha sido efetivamente paga por terceiros independentes”, pois tal argumento não possui base firme a lhe dar arrimo na legislação fiscal; af) que não bastassem todas as irregularidades supra apontadas, que demonstram não haver qualquer ilegalidade nas amortizações de ágio realizadas pela Recorrente, sendo, portanto, completamente indevida a exigência consubstanciada nesta autuação, temos, ainda, que mesmo que assim não o fosse o que se admite apenas por amor à argumentação, o Auto de Infração objeto destes autos ainda mereceria ser prontamente anulado, posto que viciado; ag) que conforrne se verifica do referido lançamento em confronto com os documentos anexados aos autos, certo é que este contém grave erro quanto à apuração do suposto valor devido a titulo da CSLL, na medida em que deixou de considerar a base negativa existente no respectivo ano, tributando, assim, base maior do que a correta; ah) considerando que o saldo de base negativa de CSLL só pode ser compensado com a base de cálculo positiva apurada até o limite de 30%, no caso dos autos, em existindo no anobase 2003 saldo negativo no valor de R$ 21.173.655,35 (confonne DIPJ anteriormente anexada aos autos), dúvida não há de que, caso mantido o lançamento, deste deverá ser exonerado o valor de R$ 57.762,26 a título de CSLL, já que sua correta apuração resulta no valor de R$ 134.778,65; ai) que o ágio objeto destes autos existiu, foi contabilizado quando do investimento realizado em 2001 na sociedade Alta Vista Ltda. sob O fundamento econômico de perspectiva de rentabilidade futura (embasado em Relatório de Avaliação, em atendimento ao § 3° do artigo 20 do Decreto Lei n.° 1.598/77), bem como que tal ágio só passou a ser amortizado após a incorporação da referida sociedade Alta Vista Ltda., em 2002, e sempre respeitando a limitação temporal imposta pelo artigo 7° da Lei n.° 9.532/97, certo é que não há o que se falar em amortização indevida de ágio no caso em tela, motivo pelo qual pede e espera a ora Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário. É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1141 e substabelecimento a fls. 1443, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, transcrevo o seguinte excerto do Termo de Verificação Fiscal (doc. a fls. 1092 e segs.): “Em 21/11/2007 a fiscalizada foi intimada a apresentar elementos comprobatórios dos critérios utilizados para elaboração do relatório de avaliação econômica da sociedade Óticas Grande Visão Ltda baseado Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.367 S1C3T2 Fl. 1.477 7 na projeção de rentabilidade futuras, tais como projeção do balanço patrimonial, projeção do fluxo de caixa descontado, análise de sensibilidade das variáveis de risco do fluxo de caixa, premissa utilizada para o cálculo da taxa de descontos e esclarecimento quanto à conclusão de ágio no montante de R$ 62.450.126,62, com prazo de 5 (cinco) dias. [sic] Segundo consta do Laudo de Avaliação da pessoa jurídica Alta Vista Ltda, efetuado por Asscont Assessoria Contábil e Auditoria S/C, o resultado do trabalho de avaliação contábil dos valores registrados na contabilidade, de acordo com os exames efetuados na companhia, diante da apresentação dos livros contábeis, fiscais e auxiliares previstos em lei, na data de 1° de fevereiro de 2002, confirmou os valores das contas contábeis que integram o patrimônio líquido da incorporada que corresponde a R$ 14.610.546,40 (quatorze milhões, seiscentos e dez mil, quinhentos e quarenta e seis reais, e quarenta centavos). O Relatório de Avaliação Econômica da incorporada Óticas Grande Visão Ltda, efetuada pela própria fiscalizada, pretendeu efetuar a avaliação econômicafinanceira de 100% das quotas baseada na metodologia da Rentabilidade Futura com base em fluxos de caixa descontados, não infomando os critérios utilizados para os cálculos das mesmas, nem tão pouco outros elementos solicitados por esta fiscalização, não havendo sequer o valor final da avaliaçao adotada para a incorporaçao, tampouco se concretizou as previsoes consideradas para a rentabilidade futura, pois, logo a partir do primeiro ano não houve apuração dos resultados esperados, isto é não houve apuração de lucros, conforme consta nos quadros referentes às Declarações de IRPJ.”. Por sua vez, a recorrente quando alega que as autoridades fiscais se equivocaram, pois afirma que o ágio em tela não foi contabilizado no momento das incorporações, mas por ocasião da aquisição do investimento pela Recorrente na sociedade Alta Vista, em maio de 2001, mediante a subscrição de capital no valor de R$ 10.000.000,00 e que bastaria que o l. Auditor Fiscal analisasse: (i) o nome da conta do razão contábil n. 1300102 (Ágio em Investimento Alta Vista Ltda. p. 86 do Processo Administrativo) e (ii) a DIPJ referente ao ano calendário 2002 (p. 196 do Processo Administrativo), para constatar que o valor do ágio (R$ 62.450.126,62) já existia no ano calendário de 2001. Ao se compulsar os autos, entretanto, não se encontra documentos comprobatórios da subscrição de capital alegada pela recorrente. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: a) a recorrente seja intimada a: a.1) comprovar, com documentos idôneos, a subscrição de capital, em maio de 2001, na Alta Vista S.A., no valor de R$ 10 milhões, com pagamento de ágio no montante de R$ 62.450.126,62, apresentando o laudo que o fundamentou o ágio; e Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.367 S1C3T2 Fl. 1.478 8 a.2) comprovar que houve o registro contábil da reserva de capital (ágio na subscrição) no mesmo valor, no patrimônio líquido da Alta Vista S.A. e justificar porque a DIPJ AC 2001 da Alta Vista S.A., a fls. 1026, não informa saldo nessa conta. b) a DEFIC/SP (0819000) informe qual o saldo de base negativa de CSLL existente à época: do fato gerador, da data em que o lançamento foi efetuado; e o saldo hoje existente. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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