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Numero do processo: 10746.904183/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 18 3/ 20 12 -1 6 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904183/201216 Resolução nº 3803000.557 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.832, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904183/201216 Resolução nº 3803000.557 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904183/201216 Resolução nº 3803000.557 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904183/201216 Resolução nº 3803000.557 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904183/201216 Resolução nº 3803000.557 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904183/201216 Resolução nº 3803000.557 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 195DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904183/201216 Resolução nº 3803000.557 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.005054/2002-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO- Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado
RELATÓRIO
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO- Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado RELATÓRIO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado RELATÓRIO Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário em decorrência da falta de recolhimento de Contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS) relativamente às competências de 01/97 a 12/98, sob o fundamento de que o contribuinte não atenderia a exigência disposta na legislação (artigo 55, II, da Lei 8.212/91) para beneficiarse da imunidade referida no artigo 195, §7º, da Constituição Federal, notadamente por não dispor de Certidão de Entidade de Fins filantrópicos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .0 05 05 4/ 20 02 -8 5 Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 13884.005054/200285 Resolução nº 1201000.136 S1C2T1 Fl. 1.419 2 Em sede de Recurso Especial, os membros da Segunda Turma da CSRF deste conselho, por meio do acórdão 203123.989, acordaram: “por maioria de votos, CONHECER do recurso especial do contribuinte, vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que não conhecia do recurso. Por maioria de votos, ANULAR a decisão de segunda instância, determinandose o encaminhamento dos autos à Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para apreciação do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” É o relatório. VOTO Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. A portaria MF 41/2009 que instala o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim dispõe no artigo 2º: “Art. 2 º Até a vigência de seu regimento interno, a ser expedido no prazo estabelecido no art. 44, §2 º da Medida Provisória n º 449/2008, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais adotará, no que couber, os regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial n º 147, de 28 de junho de 2007, e suas alterações posteriores, observadas as seguintes disposições: I A Primeira, Terceira, Quinta e Sétima Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes passam a ser denominadas, respectivamente, Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Câmaras da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e seus colegiados a constituir a Primeira Turma Ordinária de cada uma dessas câmaras; (...)” O acórdão da Câmara Superior que determinou o retorno dos autos, se deu nos seguintes termos: “ACORDAM os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso especial do contribuinte, vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que não conhecia do recurso. Por maioria de votos, ANULAR a decisão de segunda instância, determinandose o encaminhamento dos autos à Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para apreciação do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Assim, em vista do disposto no acórdão proferido pela CSRF, bem como o que dispõe o artigo 2º, inciso I, da portaria MF 41/2009, cabe a 1ª Câmara, da Primeira Seção deste Conselho, o julgamento do Recurso Voluntário. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 13884.005054/200285 Resolução nº 1201000.136 S1C2T1 Fl. 1.420 3 Diante do exposto, voto no sentido de encaminhar os autos para a 1ª Câmara, da 1ª Seção do CARF, nos termos da decisão da CSRF. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900373/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO
É ônus do contribuinte trazer elementos aos autos que possam comprovar o direito creditório não reconhecido pela fiscalização. Não havendo impugnação expressa com relação à matéria travada nos autos, deve o Recurso Voluntário ser julgado como improcedente. Simples afirmações de que o contribuinte não tem débitos perante a Receita Federal, não são suficientes para combater o despacho decisório que não homologou a compensação apresentada pelo próprio contribuinte
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte trazer elementos aos autos que possam comprovar o direito creditório não reconhecido pela fiscalização. Não havendo impugnação expressa com relação à matéria travada nos autos, deve o Recurso Voluntário ser julgado como improcedente. Simples afirmações de que o contribuinte não tem débitos perante a Receita Federal, não são suficientes para combater o despacho decisório que não homologou a compensação apresentada pelo próprio contribuinte Recurso Voluntário Negado
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DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte trazer elementos aos autos que possam comprovar o direito creditório não reconhecido pela fiscalização. Não havendo impugnação expressa com relação à matéria travada nos autos, deve o Recurso Voluntário ser julgado como improcedente. Simples afirmações de que o contribuinte não tem débitos perante a Receita Federal, não são suficientes para combater o despacho decisório que não homologou a compensação apresentada pelo próprio contribuinte Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 03 73 /2 00 9- 51 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Para descrever os fatos, transcrevo o bem assentado relatório constante no voto proferido pela Delegacia da Receita Federal de Florianópolis (SC): Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito próprio com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido via Darf. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC manifestouse pela não homologação da compensação declarada com base na constatação de que o Darf discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade alegando desconhecer a existência do PER/DCOMP e do Darf mencionados no Despacho Decisório. E Informa: que foi alvo de fiscalização, ocasião em que apresentou todos os documentos referentes ao ano de 2004 e 2005; que os únicos débitos de IRPJ e CSLL da empresa do período de 2004 estão parcelados. A fim de comprovar suas alegações junta os documentos às folhas 06 a 16. Pede o arquivamento do processo. Em decisão proferida, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, sob o argumento de que o débito indicado no pedido de compensação foi devidamente constituído pelo contribuinte em DCTF e que não houve comprovação do pagamento indevido, passível de compensação. Inconformado com a decisão exarada, o contribuinte, ora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos da Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada, alegando em síntese que não possui débitos em aberto perante a Receita Federal do Brasil e que não reconhece o PERDCOMP apresentado. Alega ainda que os únicos débitos que possui estão parcelados e que os pagamentos do parcelamento estão sendo adimplidos regularmente. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900373/200951 Acórdão n.º 3801002.839 S3TE01 Fl. 12 3 Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Transportadora E.A.E Ltda., apresentou pedido de compensação, que não foi homologado pela fiscalização, ante o argumento de que o crédito indicado no referido pedido não foi reconhecido. O crédito indicado seria um DARF, cujo pagamento foi indevido. Primeiramente, importante esclarecer que o Recorrente, seja na Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário ora analisado, em nenhum momento se manifestou acerca da existência do crédito não reconhecido pela fiscalização. Se ateve, tão somente, nas alegações de que não reconhece o pedido de compensação apresentado e que não tem débitos em aberto perante a Receita Federal do Brasil. Assim, com relação ao não reconhecimento do crédito tributário pela fiscalização e falta de impugnação/comprovação expressa por parte do Recorrente, aplicase o artigo 17, do Decreto 70.235/72, que tem a seguinte redação: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por outro lado, com relação à afirmação de que não reconhece o PERDCOMP enviado à Receita Federal do Brasil, é importante ressaltar que o Recorrente não trouxe aos autos nenhum documento ou prova de que, de fato, não apresentou o pedido de compensação em análise. Como se não bastasse, como bem colocado pelo relator da decisão recorrida, não se pode olvidar que o débito que se pretendia quitar com o pedido de compensação foi constituído pelo próprio Recorrente, através de DCTF. Cumpre esclarecer, ainda, que as alegações do Recorrente de que não possui débitos em aberto perante a Receita Federal do Brasil não são suficientes para a reforma da decisão que não homologou a compensação apresentada. Sabese que a compensação dos tributos federais é sujeita a posterior homologação por parte da Receita Federal. Assim, até que haja a análise do pedido do contribuinte, o débito “quitado” com o pedido de compensação não ficará em aberto. Só após o não reconhecimento do crédito ou de qualquer outro vício no que concerne ao pedido de compensação é que o contribuinte terá o “débito em aberto” perante a RFB. Desta forma, considerando que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou documentação capaz de demonstrar o erro na decisão que não homologou o seu pedido de compensação, conhecendo o Recurso Voluntário, a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.001406/2006-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Lucros Auferidos no Exterior. Taxa de Conversão
Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.158-35, de 2001.(Súmula CARF n º 94).
Tributação Reflexa. CSLL.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-002.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Lucros Auferidos no Exterior. Taxa de Conversão Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.158-35, de 2001.(Súmula CARF n º 94). Tributação Reflexa. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TAXA DE CONVERSÃO Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001.(Súmula CARF n º 94). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 06 /2 00 6- 61 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPOI que, por maioria de votos, manteve integralmente as exigências de IRPJ e de CSLL consubstanciadas nos autos. Contra a contribuinte em referência foram lavrados autos de infração impondo a cobrança de IRPJ e de CSLL cujo crédito tributário, no valor total, somou R$ 422.876,67, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta irregularidades apuradas no anocalendário 2002. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 319/329) a empresa apura seus resultados com base nas regras do lucro real anual e possui 100% das ações da empresa Soluna International Corp, localizada nas ilhas Bahamas (fls 252/verso). O valor do investimento da contribuinte na empresa Soluna International, de US $ 300.000,00 foi movimentado pela Soluna International em forma de contratos de mútuos, para sua empresa Lunasol International Ltd, também situada nas ilhas Bahamas, que geraram resultados positivos. Essa empresa Soluna International também possui investimentos na empresa Conexão Médica S/ A, situada no Brasil. A fiscalizada Soluna Participações impetrou Mandado de Segurança de n° 2003.61.00.0039411, distribuído à 14° Vara Cível Federal de São Paulo, requerendo proteção judicial contra a exigência de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o resultado da equivalência patrimonial. O processo administrativo fiscal de acompanhamento desse MS recebeu o n° 16327.002267/200340 (fls. 211 a 221). Ainda de acordo com o relato da autoridade fiscal o mandado de segurança teve liminar e sentença favoráveis à contribuinte mas, em apelação, a União Federal conseguiu obter, em 02/08/2006, decisão favorável ao Fisco proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3a. Região (fls. 225 a 230). Constatouse, ainda, que a empresa no exterior auferiu lucros no ano calendário de 2001 que foram adicionados ao lucro real da fiscalizada no anocalendário de 2002, mas calculados a taxa de câmbio para reais de 31/12/2001, ao invés de utilizar a taxa de conversão de 31/12/2002. A diferença entre os valores em reais decorrente das divergentes taxas de conversão, é objeto de tributação no presente processo. Assim, a 1a. Infração constante dos autos de infração de IRPJ e de CSLL diz respeito à tributação da variação cambial do valor do investimento mantido na controlada no exterior e tem por base tributável o valor de R$ 322.933,19 Ano Variação Cambial em Dólares americanos (US$) x Taxa de Câmbio – US$ Variação Cambial em Reais 2002 (300.000,00 – 11.586) x 3,53330 (300.000,00 x 2,3204) 322.933,10 É exigida, igualmente, tributação sobre o valor positivo da equivalência patrimonial apurada no anocalendário de 2002, uma vez que à época da autuação a empresa já não possuía proteção judicial contra essa tributação. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.001406/200661 Acórdão n.º 1801002.101 S1TE01 Fl. 3 3 Esta é a 2a. Infração constante dos autos de infração de IRPJ e de CSLL e diz respeito à exigência de tributação sobre o valor positivo da equivalência patrimonial. Como a auditoria não admitiu o cálculo da conversão dos lucros obtidos pela taxa do dólar do dia 31/12/2001, que foi a utilizada pela contribuinte, tributou a diferença resultante da aplicação da taxa do dólar do dia 31/12/2002 e tem por base tributável o valor de R$ 427.176,10: Ano Lucros em Dólares Americanos (US$) Taxa de Cambio – US$ – em 31/12/2001 Taxa de Cambio – US$ – em 31/12/2002 Resultado em Reais R$ 2001 352.194,00 2,32040 817.230,96 2002 3,53330 1.244.407,06 Diferença 427.176,10 A contribuinte apresentou impugnação tempestiva. (fls. 331/367). Situando as razões de defesa em preliminares observou que a matéria concernente à tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial havia sido submetida a apreciação do Poder Judiciário e que, por tal razão, não se poderia, na via administrativa, adentrar no mérito de tal questão, mas que, por haver outra matéria envolvida na autuação, aquela concernente à taxa de câmbio, deverseia cindir o processo administrativo para apreciação em separado da segunda infração. Salientou que a multa de ofício sobre a infração atinente ao resultado positivo da equivalência patrimonial somente pode ser exigida 30 dias após a sentença judicial definitiva que considerar devido o tributo. Adentrando ao mérito explicou que à época dos fatos vigorava a sistemática adotada pela Lei n° 9.532, de 1997, que determinava que os lucros gerados no exterior somente seriam tributados no Brasil quando efetivamente disponibilizados para a sociedade controladora brasileira. Desta forma, uma vez não internalizados os referidos lucros, não teria havido a incidência nem da CSLL e nem do IRPJ à época, frisando que na investida o lucro foi efetivamente apurado em 31 de dezembro de 2001 e refletido na Investidora, contabilmente, nesta mesma data. Ressaltou que em razão das alterações introduzidas pela MP 2.158/01, em 31/12/2002 disponibilizou fictamente em sua contabilidade fiscal o lucro apurado no balanço da sua controlada em 31/12/2001, fazendoo compor o seu lucro real e a base de cálculo da CSLL, efetuou a conversão do valor dos lucros em dólares para moeda nacional, obedecendo ao disposto no art. 25 da Lei no 9.249/1995 e que a Autuante teria usado de jogo de palavras para interpretar e aplicar a legislação competente da forma que configurasse a conduta adotada pela impugnante como ilícito tributário Afirmou que seu procedimento obedeceu o art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/01 e que essa MP não se refere em nenhum momento à taxa de câmbio a ser utilizada, evidenciando que a auditora fiscal confundiu conceitos diversos, quais sejam "apuração de lucros”e" disponibilização de lucros", sendo totalmente imprópria a utilização do art. 138 do Código Tributário Nacional, que somente deve ser utilizado quando não houver disposição expressa de lei em contrário. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Referiuse às orientações contidas no sítio da Receita Federal “Perguntas e Respostas” – que na questão 765, informaria que os lucros auferidos no exterior serão convertidos em reais pela taxa de câmbio para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros., argumentando ter se utilizado da taxa de câmbio da data em que controlada apurou o lucro em suas demonstrações financeiras, ou seja, a taxa do dia 31/12/2001 . Voltou novamente à alegação de não se poder exigir tributo discutido judicialmente e, em extenso arrazoado, afirma ser impossível a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial, concluindo que essa tributação não deve prosperar. Alegou que o próprio artigo 74 da MP n° 2.158/01 está sendo julgado no STF pela ADI n° 25881 e que, por esse motivo, seria necessária a suspensão da exigência ate julgamento final dessa ADI, pois uma eventual declaração de inconstitucional idade anularia todo o ato administrativo praticado. Por fim requereu, preliminarmente, que o auto de infração fosse cindido, separandose a parte "subjudice", retificandose o auto de infração expurgandose a multa de mora com reabertura de prazo para defesa. No mérito solicitou: o cancelamento do auto de infração, reconhecendose como correta a taxa de câmbio utilizada,; o sobrestamemto do auto de infração por suposta afronta ao art. 74 da MP n° 2.15835/01, frente à ADI em trâmite no STF; o sobrestamento o auto de infração no tocante ao assunto da equivalência patrimonial que se encontra ‘subjudice’; o cancelamento do auto de infração no que tange a essa tributação da equivalência patrimonial por ilegalidade da IN n° 213/2002 A Turma Julgadora de 1a. Instância, ao analisar as razões de defesa, não tomou conhecimento daquelas atinentes à violação dos princípios da legalidade e constitucionalidade, já que submetidas ao crivo do Poder Judiciário, aceitando conhecer da discussão apenas quanto a alegação que o Auditor Fiscal teria calculado com erro o tributo, utilizando data incorreta de taxa de conversão. No mérito consignou que sendo a variação cambial efeito das mudanças da taxa de câmbio no Brasil, ela não provocaria, por sua natureza, nenhuma alteração no patrimônio da investida no exterior e nem mesmo no percentual de participação no capital da investida. A valorização do ativo em moeda estrangeira da investidora em razão da variação da cotação da moeda nacional evidenciaria ganho cambial apenas no país para a investidora e não no exterior para a investida, não podendo ser confundido com o lucro obtido pela controlada no exterior. Corroboraria o entendimento de que as referidas variações cambiais não são tributáveis a manifestação do próprio Ministério da Fazenda por ocasião do veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão n° 30, de 2003. Assim, o lançamento fiscal no tocante à infração n º 1, a tributação da variação cambial do resultado positivo da equivalência patrimonial, que tem por base de cálculo o montante de R$ 322.933,19, foi cancelado. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.001406/200661 Acórdão n.º 1801002.101 S1TE01 Fl. 4 5 Afastou o pedido de exoneração da multa de ofício diante da existência de medida judicial assinalando que à época da lavratura dos autos de infração não havia provimento judicial impedindo o lançamento. Quanto a questão atinente à taxa de câmbio utilizada para conversão dos lucros auferidos no exterior e não disponibilizados antes de 31/12/2001, depois de analisar todos os dispositivos legais que regem a matéria, considerou correta aquela adotada pela auditoria fiscal e, nesse ponto, manteve as exigências. Notificada da decisão, em 24/03/2010 (AR fl. 476), apresentou a interessada, em 23/04/2010, recurso voluntário, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação, salientando que o STF está analisando a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica do relato, estáse a analisar a infração remanescente nos autos – infração n º 2 dos autos de infração que foi mantida pela Turma Julgadora de 1a. Instância e que se refere a questão da taxa de câmbio de conversão em reais, dos lucros obtidos em moeda estrangeira pela controlada da recorrente. Em verdade, os valores aqui apurados pelo agente fiscal são provenientes da alteração da data da conversão dos lucros da controlada da recorrente no exterior, pela taxa de câmbio de 31/12/2002, em substituição àquela vigente no momento do auferimento dos lucros pela controlada ou coligada estrangeira, no caso, 31/12/2001. O fato gerador da tributação em tela foi eleito pelo legislador, nos termos do artigo 74 da MP 215835/2001, para os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001, como sendo em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida antes desta data qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Por sua vez, o artigo 143 do CTN determina que "Salvo disposição de lei em contrário, quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento far seá sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação.". Desta forma, se nos termos do artigo 74 da MP 215835/2001 o fato gerador dos tributos em debate se dará em 31/12/2002, e o artigo 143 do CTN determina que a conversão da moeda estrangeira se dará na data do fato gerador, entenderseia que a data da conversão aplicada pelo agente fiscal no lançamento, qual seja, 31/12/2002, estaria correta. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Ocorre que, o artigo 143 do CTN somente seria aplicável ao caso se não existisse lei em contrário, o que no caso, não é verdade. O parágrafo 4o. do artigo 25 da Lei 9.249/95 determina que os lucros auferidos no exterior, seja por controladas ou coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, devem ser convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados na respectiva controlada ou coligada. Vejamos: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. ... § 4 º Os lucros a que se referem os §§ 2o. e 3o. serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Observese que a Lei n º 9.532/97 não tratou de revogar o disposto no parágrafo 4o. da Lei 9.249/95, pois a primeira não tratou do momento da conversão da moeda, de forma que a redação desta última se mantém vigente. Nesse sentido, a própria administração tributária reconheceu que a data da conversão da moeda relativa aos lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas ou coligadas, se dará no encerramento do ano, conforme dispôs o artigo 6° da IN SRF 213/2001. Tal assertiva constou, ainda como salientou a recorrente do “site” da Receita Federal, no item 757 do programa "Perguntas e Respostas": "757 Como deverão ser convertidos os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas? Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações .financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros." IN SRF 213/2001: Art. 6. As demonstrações financeiras das sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicilio. ... § 3o. A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, será efetuada tomandose por base a taxa de câmbio para a venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do pais onde estiver domiciliada a filial, sucursal, controlada ou coligada, na data do encerramento do período de Fl. 508DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.001406/200661 Acórdão n.º 1801002.101 S1TE01 Fl. 5 7 apuração relativo à demonstrações .financeiras em que tenham sido apurados os lucros dessa filial, sucursal, controlada ou coligada. Portanto, a conversão para moeda nacional dos lucros auferidos no exterior pelas coligadas deverá se dar pela taxa de câmbio da data do encerramento de cada período de apuração e não em 31/12/2002 como procedido pelo agente fiscal, ou seja, in casu, a taxa de câmbio correta é a do dia 31/12/2001, utilizada pela recorrente. Ressalto que esse entendimento é consentâneo neste órgão colegiado de julgamento, como se verifica da seguinte súmula de observância obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF n º 94. Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. Por tais fundamentos não deve subsistir a imputação. A solução aplicada ao lançamento do IRPJ deve ser estendida à CSLL em vista de que as regras que regem ambos os tributos, neste assunto, são as mesmas. Em virtude do mérito favorável à recorrente, não há necessidade de apreciar as demais razões de defesa. Com base em tais fundamentos voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 509DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720033/2013-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 25/05/2009 a 15/03/2012
INFRAÇÃO. INFORMAÇÃO INEXATA. MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INOCORRÊNCIA.
A multa aplica-se ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Para que a penalidade possa ser aplicada é necessário comprovar a omissão, inexatidão ou parcialidade da informação prestada, e mais, que a conduta tenha, objetivamente, prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3403-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 25/05/2009 a 15/03/2012 INFRAÇÃO. INFORMAÇÃO INEXATA. MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INOCORRÊNCIA. A multa aplica-se ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Para que a penalidade possa ser aplicada é necessário comprovar a omissão, inexatidão ou parcialidade da informação prestada, e mais, que a conduta tenha, objetivamente, prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1878; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 14 1 13 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11762.720033/201305 Recurso nº 18.092.014 Voluntário Acórdão nº 3403003.292 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria MULTA Recorrente NORSKAN OFFSHORE LIMITADA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 25/05/2009 a 15/03/2012 INFRAÇÃO. INFORMAÇÃO INEXATA. MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INOCORRÊNCIA. A multa aplicase ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Para que a penalidade possa ser aplicada é necessário comprovar a omissão, inexatidão ou parcialidade da informação prestada, e mais, que a conduta tenha, objetivamente, prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 33 /2 01 3- 05 Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuidase de Recurso de Ofício referente ao Acórdão nº 3731.350 1a Turma da DRJ/FNS, sessão de 22 de maio de 2013 decorrente do cancelamento do lançamento de multa no valor de R$ 13.920.387,08 (treze milhões e novecentos e vinte mil e trezentos e oitenta e sete reais e oito centavos), período de apuração 25/05/2009 a 15/03/20. Os fatos imputados ao contribuinte gerador da multa se referem à prestação de forma inexata informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro de que trata o inciso III, do artigo 711, do Decreto n° 6.759/09, relativo às DI’s relacionadas às fls. 167/168. Acusação resistida pela Impugnação de fls. 1164/1223, argumenta que importou embarcações classificadas sob a NCM 8906.90.00, regime de admissão temporária para utilização econômica com o objetivo de utilizálas para a prestação de serviço especializada, mencionando as DI’s. Alega que no momento do desembaraço aduaneiro das mercadorias constantes das DI’s efetuou o recolhimento dos tributos incidentes sobre a importação, os quais teriam sido calculados sobre o valor aduaneiro das embarcações, apurados em conformidade com as Normas do Acordo sobre a Implementação do artigo VIII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT 1994, conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira. Afirma a inexistência de irregularidade ou incorreções, fato esse comprovado pelo próprio procedimento fiscal que não exigiu qualquer tributo, por isso a penalidade aplicada não encontra consubstanciada em ocorrência capaz de gerar lá. Diz contraditório o motivo alegado pela fiscalização, quanto aplicação do primeiro método de valoração aduaneira que somente seria aplicável nas operações que implicam a compra e venda do bem. Disse que a contradição está relacionada com o fato de que as importações ocorreram mediante a aplicação do regime aduaneiro especial e admissão temporária para utilização econômica, com base em contratos que não acarretaram a transferência da propriedade dos bens, mas aplicação do primeiro método de valoração aduaneira retrata o valor dos bens para venda no país de origem, discorda do entendimento da fiscalização que afirmar que nos casos de importação sem fins comerciais deve prevalecer aplicação da regra do 6º método de valoração. Afirma tratarse de aplicação da regra do art. 76, parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, o valor aduaneiro a ser declarado pelo importador deve estar consoante às regras estabelecidas no Acordo Valoração Aduaneiras, bem como, a teor do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneira e Comércio, GATT 47. A decisão cancelou o crédito tributário ao argumento da ausência de comprovação da existência da infração cometida, para manter o lançamento faziase necessário a demonstração por parte da fiscalização comprovando a omissão, inexatidão ou parcialidade da informação prestada pelo contribuinte, demonstrando que a conduta tenha de fato prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado, como se vê da ementa do julgado: “INFRAÇÃO. INFORMAÇÃO INEXATA. MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INOCORRÊNCIA. A multa aplicase ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. “Para que a penalidade possa ser aplicada é necessário comprovar a omissão, inexatidão ou parcialidade da informação prestada, e mais, que a conduta tenha, objetivamente, prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado.” Transcrevese o relatório por espelhar bem a situação dos autos: Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11762.720033/201305 Acórdão n.º 3403003.292 S3C4T3 Fl. 15 3 “Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 13.920.387,08, referente a multa por prestação inexata de informação necessária ao controle aduaneiro. Depreendese da descrição dos fatos transcrita no auto de infração (fls. 10 a 167), que a interessada registrou declarações de importação (listadas às folhas 167 e 168), de embarcações, sob o regime aduaneiro especial de admissão temporária (para utilização econômica com pagamento proporcional de tributos), indicando nas respectivas adições que o valor aduaneiro da mercadoria foi estabelecido com base no 1° Método do Acordo de Valoração Aduaneira (fls. 998 a 1.033) "“ MÉTODO 1 ART. 1 DO ACORDO'". Ocorre que em razão de as mercadorias não terem sido objeto de compra pelo importador (admissão temporária com vistas a prestar serviços no País, sem cobertura cambial), e considerando o disposto na "Opinião Consultiva 1.1" (inserida na Instrução Normativa SRF n° 318/03), que trata do conceito de venda, a fiscalização concluiu que nos casos em apreço não pode ser utilizado o primeiro método. Entende a fiscalização que a utilização de método incorreto de valoração aduaneira implica, em tese, cálculo dos tributos aduaneiros sobre bases inexatas. Aduz ainda que ficou prejudicado também o controle qualitativo, com critérios específicos e cruzados, que se realiza quando do processamento e parametrização de uma declaração de importação. Após explicitar os fundamentos, descarta sucessivamente os demais métodos do Acordo de Valoração, para então, afirmar que a valoração deveria ter sido realizada, por ocasião do registro das declarações de importação, com base no 6° Método do Acordo (critérios de razoabilidade), e com o auxilio de perícia técnica. Em termos práticos, a fiscalização informa que não houve a lavratura de laudo de avaliação por perito técnico e que os dados de seguro das embarcações são impróprios para estabelecer qualquer base para a valoração aduaneira (e não refutaram o valor declarado). Conclui, afirmando que a aplicação do 6° método não apontou para valor diverso do utilizado, o que entende ser uma particularidade do caso em exame. Considerando que foi utilizado método incorreto de valoração aduaneira, a fiscalização entendeu estar tipificado o disposto no inciso III, do artigo 711, do Decreto n° 6.759/09, o importador ou beneficiário do regime aduaneiro prestou de foram inexata informação de natureza administrativotributária necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Cientificada, a interessada apresentou impugnação de folhas 1.164 a 1.186, anexando os documentos de folhas 1.187 a 1.369. Em síntese apresenta as seguintes alegações: Que, a autoridade fiscal não identificou qualquer irregularidade ou incorreção no valor aduaneiro informado e utilizado para o cálculo dos tributos; Que, o objetivo do Artigo VII do Acordo GATT não é o de limitar a aplicação do método da transação às operações de compra e venda, mas o de estabelecer o preço de venda como padrão para fins de valoração; Que, o artigo 20 do CTN evidencia que o preço de venda é apenas uma referência para a apuração do valor aduaneiro, não significando que apenas em uma compra e venda incide o imposto de importação (termo utilizado é alcançaria); Que, no caso de operações de outra natureza (que não de compra e venda) não se deve considerar o valor pago, mas aquele que seria devido em caso de venda do bem. Justamente o que foi realizado pela impugnante que indicou como valor aduaneiro o valor venal do bem considerando as circunstâncias da operação praticada; Que, o 1° método de valoração aduaneira (valor de transação) não se aplica somente a operações de compra e venda, mas a quaisquer operações. Quando a operação não for uma venda, o valor aduaneiro tomará como base o valor venal (o preço de venda do bem) nas circunstâncias da operação praticada, e não o efetivamente pago ou envolvido na operação; Que, para afastar a aplicação do método adotado a fiscalização deveria demonstrar que possui razões para não acreditar no valor informado pelo contribuinte, o que não foi o caso; Que, a adoção do método de valoração aduaneira não configura obrigação autônoma, mas caminho para o correto alcance do valor aduaneiro do bem e, como conseqüência, o recolhimento dos montantes devidos dos tributos. O valor aduaneiro informado pela fiscalização é exatamente aquele indicado pela impugnante, não houve diferença de tributos; Que, a indicação de método diverso daquele considerado correto pela fiscalização não representou qualquer prejuízo ao Fisco ou entrave ao exercício da atividade fiscalizatória; Que, nem o mais ingênuo interlocutor pode considerar factível que a fiscalização, ao analisar a documentação de importação, defina a natureza da operação com base no método de valoração indicado quando há campo próprio para tanto e a mercadoria é submetida a regime aduaneiro especial de admissão temporária; Que, a impugnante adotou procedimento já praticado em inúmeras operações de importação sob regime de admissão temporária, sendo certo que tal prática é amplamente disseminada pelos importadores e reconhecida pelas autoridades fiscais e aduaneiras, tratandose de prática reiterada da administração; Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11762.720033/201305 Acórdão n.º 3403003.292 S3C4T3 Fl. 16 5 Que, a penalidade aplicada não contempla a hipótese de erro na indicação do método de valoração, nem houve prejuízo ao controle aduaneiro apropriado; Que, o caso trata de infrações de caráter continuado, incidiria portanto, uma única multa. Há falta de razoabilidade e consistência; Requer seja a impugnação julgada procedente. “É o relatório” É o que tinha a relatar. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. O recurso apresentado atende os pressupostos necessários de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. O bem lançado voto da decisão recorrida não merece qualquer reparo. Abordou o tema com simplicidade se revelou didático, e, deu contornos jurídicos acertados a contenda. Não há como discordar dos fundamentos trazidos na decisão, se o debate concentrasse tãosó na aplicabilidade dos Métodos de Valoração Aduaneira, primeiro em conformidade com a Impugnante ou sexto como entende a Fiscalização, a questão se resolveria por si só, no entanto, a imputação é de que houve por parte do contribuinte informação inexata necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro de que trata o inciso III, do artigo 711, do Decreto n° 6.759/09. Examinando detalhadamente acusação a inexatidão de informação imputada concentra no Método de Valoração Aduaneira escolhido pelo contribuinte para pagar os tributos incidentes sobre a operação de importação de equipamentos (embarcações), não se vê uma linha sequer de que o valor indicado como base de cálculo não reflete o preço de mercado (venda) praticado no país de origem e tampouco aqui. Tenho que a informação inexata está vinculada diretamente ao bem, descrição do produto, valor, o importador e exportador. Poderia dizer que a fiscalização estaria com razão de que o sexto Método de Valoração é o que reflete a situação de fato por não tratar se de compra e venda de mercadoria. Acusação é da fiscalização, portanto, cabe a ela provar ocorrência de prejuízo alegado ao controle qualitativo decorrente da indicação incorreta do método de valoração aduaneira (critérios específicos e cruzados), não enxerguei objetivamente quais seriam os critérios específicos ou cruzados sofreram danos com o fato da contribuinte ter adotado o 1º Método de Valoração Aduaneira. Dizem os estudiosos do assunto, por tratarse de regime Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 aduaneiro especial, o controle e o acompanhamento fiscal se revelam mais intenso que aqueles aplicados no regime comum de importação. De todo discurso dos autos verificase que a Interessada cumpriu à risca sua obrigação, informou o valor aduaneiro, bem como, o método utilizado para consignar o valor. Inexistindo acusação contundente de que a Impugnante tivesse deixado ou prestado alguma informação obrigatória de modo deficiente em relação à valoração dos bens importados, no caso concreto as embarcações, não há de aceitar que prevaleça uma incriminação genérica, pois termo “deixar de prestar informação completa”, é espaçoso por isso mesmo deve o fiscal Autuante indicar com exatidão qual seria a deficiência da informação. No entanto, aplicação do primeiro Método de Valoração Aduaneira, como bem, defendeu a Impugnante, o objetivo da valoração aduaneira é exatamente o de evitar que, em razão de diferenças nos aspectos negociais, uma operação de comércio exterior possa obter vantagem competitiva relativamente a outra da mesma natureza ou local, em razão de submeter valor menor a tributação. Também há de concordarse que o objetivo da valoração aduaneira conforme dispõe o artigo VIII do Acordo GATT não é o de limitar a aplicação do método da transação as operações de compra e venda, sim o de estabelecer o preço de venda como padrão para fins de valoração. A razão de decidir coaduna com o mesmo raciocínio da Impugnante: “Em síntese, o referido Acordo estabelece que a base primeira para a valoração aduaneira é o "valor de transação", tal como dispõe o artigo 1° do Decreto: "O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8, Com freqüência, o 1° método de valoração aduaneira, ou seja, o valor de transação, é comprovado mediante a fatura comercial, documento que embasa a transação comercial e que registra o preço contratado entre o exportador e o importador. No entanto, no caso em análise, a fiscalização concluiu que as faturas apresentadas, por ocasião dos despachos aduaneiros com vistas a aplicar o regime aduaneiro especial, não podem ser aceitas em razão de as mercadorias em questão não serem objeto de uma operação de "compra e venda", mas sim de operação que se aproxima mais de um aluguel, empréstimo, etc., vez que tais mercadorias foram submetidas a regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica. “A conclusão em apreço decorre do disposto na Opinião Consultiva 1.1, inserida no Anexo Único da Instrução Normativa SRF n° 318/03, que em seu artigo 1° determinou”. Como bem ressaltou o Julgador de piso, embora a fiscalização tem como não correto aplicação do 6º Método do Acordo de Valoração Aduaneira, decidiu em adotar exatamente o mesmo valor informado pela interessada, isto é, aquele lastreado nas faturas. “Quanto ao valor aduaneiro propriamente dito, a própria fiscalização, embora discorde do método declarado, adota exatamente o mesmo valor declarado pela interessada (fl. 40):” Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11762.720033/201305 Acórdão n.º 3403003.292 S3C4T3 Fl. 17 7 “Assim, embora a fiscalização indique que no caso dos autos o correto é aplicar o 6° Método do Acordo de Valoração Aduaneira, acabou por adotar exatamente o mesmo valor informado pela interessada, isto é, aquele lastreado nas faturas pro forma”. Adoto como fundamento de decidir as mesmas razões constantes do voto: “Voto Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade do processo e conhecimento da impugnação procedese ao julgamento. A multa por prestar de forma inexata informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro está regulamentada no inciso III, do artigo 711, do Decreto n° 6.759/09: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, § 1o): III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, § 2o): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador) ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. (Grifos acrescidos) A presente autuação está fundamentada na tese de que, independentemente do valor aduaneiro informado na declaração de importação, a indicação correta do método utilizado para adoção do valor aduaneiro declarado é necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 No plano dos fatos, a interessada, a despeito de informar exatamente os mesmos valores aduaneiros indicados pela fiscalização, declarou ter utilizado o 1° Método de Valoração, enquanto que a fiscalização entende que o correto teria sido declarar o 6° Método de Valoração, já que não se está diante de operações de "compra e venda" de mercadorias. Desta forma são necessários alguns esclarecimentos. Preliminarmente, é importante relembrar o contexto em que está inserida a presente questão, isto é, a valoração aduaneira. O Decreto Legislativo n° 30/1994 aprovou e o Decreto n° 1.355/1994 promulgou a Ata Final que incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT1994, que contém o Acordo sobre Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT). Em síntese, o referido Acordo estabelece que a base primeira para a valoração aduaneira é o "valor de transação", tal como dispõe o artigo 1° do Decreto: "O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8, Com freqüência, o 1° método de valoração aduaneira, ou seja, o valor de transação, é comprovado mediante a fatura comercial, documento que embasa a transação comercial e que registra o preço contratado entre o exportador e o importador. No entanto, no caso em análise, a fiscalização concluiu que as faturas apresentadas, por ocasião dos despachos aduaneiros com vistas a aplicar o regime aduaneiro especial, não podem ser aceitas em razão de as mercadorias em questão não serem objeto de uma operação de "compra e venda", mas sim de operação que se aproxima mais de um aluguel, empréstimo, etc., vez que tais mercadorias foram submetidas a regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica. A conclusão em apreço decorre do disposto na Opinião Consultiva 1.1, inserida no Anexo Único da Instrução Normativa SRF n° 318/03, que em seu artigo 1° determinou: Art. 1 —Na apuração do valor aduaneiro serão observadas as Decisões 3.1, 4.1 e6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC); o parágrafo 8.3 das Questões e Interesses Relacionados à Implementação do Artigo VII do GATT de 1994, emanado da IV Conferência Ministerial da OMC; eai Notas Explicativas, Comentários, Opiniões Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA), constantes do Anexo a esta Instrução Normativa. ANEXO ÚNICO OPINIÃO CONSULTIVA 1.1 conceito de "venda" constante do Acordo O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: a) O Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT, doravante designado "Acordo", não contém a definição do termo "venda". O Artigo 1.1dispõe apenas sobre uma operação comercial específica, que satisfaça certas exigências e condições; Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11762.720033/201305 Acórdão n.º 3403003.292 S3C4T3 Fl. 18 9 Não obstante, em conformidade com a intenção básica do Acordo de que o valor de transação das mercadorias importadas deve ser usado, tanto quanto possível, para fins de valoração aduaneira, a uniformidade de interpretação e aplicação pode ser atingida tomando o termo "venda" no sentido mais amplo, para ser determinado somente segundo as disposições dos Artigos 1 e 8, considerados em conjunto; Entretanto, seria útil preparar uma lista de casos não suscetíveis de constituir vendas que satisfaçam as exigências e condições dos Artigos 1 e 8 tomados conjuntamente. Nesses casos, o método de valoração a ser usado deve obviamente ser determinado de acordo com a ordem de prioridade estabelecida no Acordo. A lista preparada em consonância com esta Opinião encontrase a seguir. Não é exaustiva e será acrescentada à luz da experiência. Lista de situações em que as mercadorias importadas não são consideradas como tendo sido objeto de uma venda. V. Mercadorias importadas sob contrato de aluguel ou de arrendamento mercantil. As transações que envolvem aluguel ou arrendamento mercantil, por sua própria natureza, não constituem vendas, mesmo que o contrato inclua cláusula de opção de compra das mercadorias. VI. Mercadorias fornecidas sob empréstimo, que permanecem na propriedade do remetente. As mercadorias, freqüentemente maquinaria, são às vezes emprestadas pelo proprietário ao cliente. Estas transações não constituem vendas. ...(Grifos acrescidos) No caso do regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica, a Instrução Normativa SRF n° 285/03, em seu artigo 12 estabelece que para fins de despacho aduaneiro deverá ser apresentada a fatura pro forma, quando for o caso: Art. 12. O despacho aduaneiro para admissão de bens no regime farseá com base: I em Declaração de Importação (Dl), para os bens destinados a utilização econômica no País, na forma do art. 6°; ou Parágrafo único. A Dl e DSI serão instruídas com os seguintes documentos: I conhecimento de carga ou documento equivalente; II fatura pro forma, quando for o caso; cópia do RCR deferido pela autoridade aduaneira, se for o caso; Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 TR correspondente ao valor dos impostos suspensos; e V documento comprobatório da garantia prestada, quando exigível. (Grifos acrescidos) Aos autos foram juntadas cópias dos documentos que instruíram as declarações de importação por ocasião da concessão do regime, onde se observa que os valores declarados estão lastreados nas faturas pro forma (fls. 889 a 997). Por sua vez a Instrução Normativa SRF n° 327/03, em seus artigos 34 a 37, dispõe especificamente sobre a questão da valoração aduaneira no âmbito dos regimes aduaneiros especiais: Art. 34. O valor aduaneiro de mercadoria admitida em regime aduaneiro especial, cuja importação não tenha como fundamento uma venda para exportação para o País, deverá ser declarado com base nos documentos da operação comercial, conformes à prática do tipo de negócio. § 1 oNa hipótese deste artigo a autoridade aduaneira poderá decidir pela adoção de procedimentos fiscais de valoração aduaneira na admissão das mercadorias no regime, visando à correta determinação dos valores tributários para fins de responsabilização do beneficiário, ou de exigência dos tributos devidos quando for o caso. § 2 o O disposto neste artigo aplicase também às admissões de mercadorias no regime de Entreposto Industrial da Zona Franca de Manaus, referido no art. 468 do Decreto n o_4. 543, de 26 de dezembro de 2002. Art. 35. Na hipótese de descumprimento das regras de permanência da mercadoria no regime ou no caso de despacho para consumo, a valoração da mercadoria para fins de exigência tributária não se limita pelo valor declarado por ocasião de sua admissão no regime. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a execução do termo de responsabilidade não prejudica a apuração e a exigência de eventual diferença de tributos, em decorrência da determinação do correto valor aduaneiro, que deverá ser objeto de lançamento. Art. 36. No caso de reimportação de mercadoria exportada temporariamente para conserto, reparo, restauração, beneficiamento ou transformação, somente será apurado, nos termos desta Instrução Normativa, o valor aduaneiro relativo aos materiais estrangeiros acaso empregados na execução desses serviços, bem como o valor de materiais, componentes, partes e elementos semelhantes, que tenham sido fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na mercadoria reimportada. Art. 37. A apuração do valor aduaneiro será realizada de conformidade com o estabelecido na norma específica, quando se tratar de despacho aduaneiro de bens, caracterizados como bagagem, trazidos por viajante procedente do exterior. (Grifos acrescidos) Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11762.720033/201305 Acórdão n.º 3403003.292 S3C4T3 Fl. 19 11 Como se depreende do comando normativo disposto no artigo 34 da Instrução Normativa SRF n° 327/03, quando a importação não tiver como fundamento uma venda para exportação para o País (caso dos autos), o valor aduaneiro deverá ser declarado com base nos documentos da operação comercial, conformes à prática do tipo de negócio. Conjugandose o fato de que a interessada apresentou faturas (pro forma) e que a Instrução Normativa SRF n° 285/03 previu (quando fosse o caso) a apresentação deste documento, parece ser razoável considerar que tal procedimento seja parte da prática deste tipo de negócio. Portanto, de pronto se afasta a possibilidade de, espontaneamente, a interessada ter a obrigação ou dever de adotar valor aduaneiro divergente daquele normalmente declarado "conformes à prática do tipo de negócio". Contudo, como bem definido no §1° do artigo 34 da Instrução Normativa SRF n° 327/03, a autoridade aduaneira poderá decidir pela adoção de procedimentos fiscais de valoração aduaneira na admissão das mercadorias no regime. Assim, se por ocasião da concessão do regime a autoridade concessora possuir motivos para desconsiderar o valor declarado (conformes à prática do tipo de negócio ou não), naquele momento poderá, então, decidir pela adoção de procedimentos fiscais de valoração aduaneira visando à correta determinação dos valores tributários para fins de responsabilização do beneficiário, ou de exigência dos tributos devidos quando for o caso. Ultrapassado o momento do despacho de concessão do regime, a norma, em seu artigo 35, prevê a hipótese de procedimento de valoração aduaneira apenas em duas circunstâncias: hipótese de descumprimento das regras de permanência da mercadoria no regime, ou; caso de despacho para consumo. No caso dos autos, a fiscalização em momento algum aduz que a interessada tenha descumprido qualquer uma das regras de permanência das mercadorias no regime. Também não há registro de que, após a concessão do regime, tenha sido descoberta qualquer fraude ou fato que não tenha sido declarado no momento oportuno. Quanto ao valor aduaneiro propriamente dito, a própria fiscalização, embora discorde do método declarado, adota exatamente o mesmo valor declarado pela interessada (fl. 40): A perícia técnica se assemelha à atividade que resultaria em um laudo de avaliação, inexistente para o caso, segundo o contribuinte. Os dados de seguro também não refutaram o valor declarado, e assim a aplicação do 6o método não apontou para valor diverso do utilizado. Tratase de particularidade do caso em exame, pois a utilização do método correto, o 6o, poderia ou não resulta na assunção do mesmo valor declarado. E certo é que Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 se resultasse em valor diverso, poderia ter havido recolhimento errôneo de tributos. (Grifos acrescidos) A alegada peculiaridade do caso (ausência de divergência no valor aduaneiro) citada pela fiscalização, não se restringiu a apenas uma declaração de importação, mas a todos os casos analisados na autuação, basta verificar as conclusões às folhas 40, 47, 55, 62, 69, 76, 84, 91, 98, 105, 113, 120, 127, 135, 142, 149, 156 e 164. Logo não se trata de peculiaridade, mas de regra geral. Assim, embora a fiscalização indique que no caso dos autos o correto é aplicar o 6° Método do Acordo de Valoração Aduaneira, acabou por adotar exatamente o mesmo valor informado pela interessada, isto é, aquele lastreado nas faturas pro forma. A ausência de Laudos ou o fato de o valor informado no seguro das embarcações não se prestar a ser utilizado como base para estabelecer o valor aduaneiro pelo 6° Método de Valoração, não são argumentos suficientes para que o valor aduaneiro não seja devidamente estabelecido com base neste mesmo método, como determinado na legislação de regência, se este for o caso. A adoção, como base do valor aduaneiro, do valor informado na fatura (pro forma no caso dos autos), configura, por excelência, a adoção do 1° Método do Acordo de Valoração Aduaneira, logo não seria razoável exigir que a interessada indicasse nas declarações de importação método diverso. Também não há como adotar a tese de que a correta indicação do método de valoração é tão ou mais importante que o próprio valor aduaneiro declarado. Os métodos de valoração aduaneira são ferramentas, instrumentos lógicos, para que se possa construir, de modo mais claro e justo o possível, o valor aduaneiro, elemento determinante para o cálculo dos tributos que incidem numa operação de importação. O erro na indicação do valor aduaneiro traz conseqüências ao controle aduaneiro e tributário, conseqüências estas devidamente regradas nas normas de regência sobre a matéria em específico. Embora alegue prejuízo ao controle qualitativo (critérios específicos e cruzados, que se realiza quando do processamento e parametrização de uma declaração), a fiscalização não indicou objetivamente quais seriam tais critérios "específicos" ou "cruzados". Ademais o caso dos autos trata de mercadorias e declarações de importação relacionadas a regime aduaneiro especial, cujo controle e acompanhamento fiscal seguem regras muito mais rigorosas que aqueles aplicados no regime comum de importação, seja em decorrência do controle documental, seja em decorrência da própria verificação física. Assim, o invocado prejuízo qualitativo decorrente da aventada indicação incorreta do método de valoração aduaneira deveria estar claramente descrito na autuação, o que não ocorreu na espécie. Feitas estas considerações, cumpre esclarecer que a presente infração, para restar tipificada, depende ou de omissão por parte da interessada ou de ação no sentido de prestar de forma Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11762.720033/201305 Acórdão n.º 3403003.292 S3C4T3 Fl. 20 13 inexata ou incompleta de informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Omissão não houve, vez que a interessada cumpriu com sua obrigação de informar o valor aduaneiro e o método utilizado por ela para consignar tal valor. Prestação de informação incompleta também não houve, vez que não foi apontado que a interessada tenha deixado de informar o todo de qualquer dado obrigatório relacionado à valoração das mercadorias em questão. Finalmente, a adoção de método diverso para valoração aduaneira, por parte da fiscalização, não se confunde com a obrigação, da interessada, de informar de forma exata o procedimento adotado pela fiscalizada para construção do valor aduaneiro informado. Neste aspecto, a informação foi prestada de forma exata, permitiu a aferição por parte da fiscalização tanto do valor declarado pela interessada quanto do método por ela adotado. Evidentemente, a fiscalização pode concordar ou discordar do método utilizado pela interessada, contudo a mera discordância não se encontra entre as hipóteses que dão ensejo à aplicação da multa em apreço. Assim, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, cancelando o crédito tributário exigido. É o voto.Sala de Sessões Florianópolis, 22 de maio de 2013.Emerson da Silva Cabral Relator (assinado digitalmente)”. Finalmente, a adoção de método diverso para valoração aduaneira, por parte da fiscalização, não se confunde com a obrigação, da interessada, de informar de forma exata o procedimento adotado pela fiscalizada para construção do valor aduaneiro informado. Neste aspecto, a informação foi prestada de forma exata, permitiu a aferição por parte da fiscalização tanto do valor declarado pela interessada quanto do método por ela adotado. Evidentemente, a fiscalização pode concordar ou discordar do método utilizado pela interessada, contudo a mera discordância não se encontra entre as hipóteses que dão ensejo à aplicação da multa em apreço. Diante do exposto, peço licença para tomar emprestado novamente a conclusão do voto, que não vislumbrou os mesmos motivos do lançamento, porque a informação foi prestada de forma exata, permitiu a aferição por parte da fiscalização, tanto do valor declarado pela interessada quanto do método por ela adotado, e, que a discordância entre os Métodos de Valoração Aduaneira adotados, pela fiscalização e a contribuinte, não se encontra entre as hipóteses que dão ensejo à aplicação da multa exigida. É apoiado nessas razões que conheço do recurso e nego provimento. Domingos de Sá Filho Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 14 Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10715.003251/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES Redator designado.
EDITADO EM: 29/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola CassianoKeramidas; e Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator designado. EDITADO EM: 29/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 32 51 /2 01 0- 23 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola CassianoKeramidas; e Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 0725.425 2ª Turma da DRJ/FNS, de 5 de agosto de 2011, que, por unanimidade de votos, decidiu por julgar procedente em parte a impugnação contra Auto de Infração de multas aduaneiras, mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 30.000,00. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 75.000,00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 11, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em março de 2007 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes as cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRA Ç;10 n° 0717700/00/000248/10", descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/2005, uma vez que o inciso II do artigo 39 da citada IN/SRF 28/1994 considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação as fls. 14 a 30, acompanhada dos documentos de fls. 31 a 42, para aduzir que (i) a multa aplicada não corresponde à infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa da impugnante; (ii) conforme a Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, os dados de embarque referentes às mercadorias embarcadas em 01.03.2007, 09.03.2007, 23.03.2007 e 30.03.2007, foram tempestivamente informados no Siscomex; (iii) que por razão de natureza econômica é inviável a manutenção de pessoal especializado para, tão somente, efetuar a inserção de dados no Siscomex relativamente aos embarques de mercadorias ocorridos nas sextasfeiras, sábados e domingos ou na véspera de feriado; (iv) a penalidade aplicação contraria aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, uma vez que seu valor não leva em consideração a quantidade de registros informados fora de tempo, além de ser Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.003251/201023 Acórdão n.º 3302002.460 S3C3T2 Fl. 11 3 muito superior ao valor da multa por embaraço fiscalização, que além de considerar o valor aduaneiro da mercadoria, somente é aplicável quando constatado o dolo especifico; (v) o diminuto lapso temporal verificado não trouxe qualquer prejuízo ao fisco; (vi) o artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame porque foram inseridas informações referentes as mercadorias no Siscomex, conforme determina a Receita Federal; (vii) o SiscomexExportação considera como novas as averbações retificadas por conta de divergência de informação, sendo que para fins de contagem do prazo o sistema informatizado levou em consideração somente o registro dos dados de embarque retificados, em prejuízo da transportadora aérea. Do exposto, requer a nulidade do auto de infração e, por conseguinte, a desconstituição do crédito lançado. Novamente a autuada comparece aos autos, às fls. 46 a 52, para, em apertada síntese, dar noticia de que "a Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu, em 13.12.2010, a Instrução Normativa n°1096 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no Siscomex os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque", e que "0 Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como infração aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados". Dessa forma, "não há dúvida quanto à aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração a inserção de dados no Siscomex realizada anteriormente ao prazo de 07 dias data de embarque". Do exposto, ‘requer seja declarada a nulidade absoluta do presente auto de infração, ou, alternativamente, caso assim não entenda, (.) requer sejam excluídos da presente cobrança as multas referentes aos embarques tempestivamente informados’. Observese, por fim, que ao presente processo foi juntado, por anexação, o processo 10715.001280/201131. É o relatório.” O Acórdão 0725.425 – 2ª Turma da DRJ/FNS, de 05 de agosto de 2011, decidiu a controvérsia administrativa nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 4 A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 0725.425 – 2ª Turma da DRJ/FNS, por meio da Intimação nº 123/2011, em 29/09/2011, conforme Aviso de Recebimento de efl. 78. Assim, devidamente cientificada, inconformada, recorre a contribuinte, em 28/10/2011, insistindo na mesma linha de argumentação esboçada na impugnação, acrescentando novas alegações, segundo os seguintes itens de defesa: I ‐ DOS FATOS E DA R. DECISÃO RECORRIDA; II ‐ DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA EM DEBATE E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS; III ‐ DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE PROVAS DA INFRAÇÃO IMPUTADA À RECORRENTE; IV ‐ DA NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA MULTA APLICADA AO VÔO AF/442 DO DIA 19/03/2006; V ‐ DA AUSÊNCIA DE PROVA DA INTEMPESTIVIDADE DO REGISTRO EFETUADO PELA RECORRENTE; VI ‐ PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE INDISPONIBILIDADES DO S1SCOMEX; VII ‐ RECONHECIMENTO POR PARTE DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL ACERCA DAS IMPOSSIBILIDADES DE ACESSO AO SISCOMEX CARGA ‐ IN RFB N° 835/2008; VIII ‐ INEXISTÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, DESONERAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES E VIOLAÇÃO À FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO; IX ‐ VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.003251/201023 Acórdão n.º 3302002.460 S3C3T2 Fl. 12 5 X ‐ DO PEDIDO Em razão de todo o exposto, a Recorrente requer que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o v. acórdão n° 0725.425, julgandose totalmente improcedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração juntado aos autos do processo administrativo n° 10715.003251/201023. Na forma regimental, o presente processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões que justificam o seu conhecimento. A lide, neste processo, restringese unicamente à multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, prevista na legislação aduaneira, em face de registros intempestivos no SISCOMEX. No entender do Fisco, a contribuinte não fez o registro dos dados de embarque dos despachos de exportação que realizou, no Sistema de Comércio Exterior — SISCOMEX, dentro do prazo legal de 2 (dois) dias, para a prática do ato, contado da data da realização do embarque, consoante o prazo fixado no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, com a redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 510/2005. Por conta disso, foi aplicada a multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei nº 10.833/2003. PRECLUSÃO DE ALEGAÇÕES EFETUADAS APENAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Como é sabido, o recurso voluntário dirigido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF deve ser interposto pelo sujeito passivo, no prazo de 30 dias, contra decisão das DRJ que não tenha acatado, parcial ou total, a impugnação ou que não tenha acolhido, total ou parcial, a manifestação de inconformidade (artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972 e artigos 1º e 7º do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). O recurso voluntário, desta forma, visa devolver ao tribunal administrativo o conhecimento de questões suscitadas e já discutidas no Processo Administrativo Fiscal. Portanto, é inadmissível a inovação em grau recursal, abordando tese não aventada por ocasião da impugnação e/ou manifestação de inconformidade, inovando na linha de defesa, na medida em que afronta o duplo grau de jurisdição e os princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Ou seja, não pode a contribuinte inovar na linha de defesa, suscitando em grau recursal questões que não foram objeto de litígio, haja vista que, in verbis: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 6 “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). É que, de acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. Da jurisprudência deste Conselho, colhese: "ITR/92 PRECLUSÃO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA 1 O contribuinte não pode inovar seu pedido na instancia ad quem. 2 Não pode a segunda instância conhecer e decidir matéria que não foi posta ao conhecimento da instância inferior. sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição e, com ele, o devido processo legal. Neste sentido, quanto ao prazo de vencimento do lançamento, rejeito e encargos moratórios, deve a autoridade julgadora monocrática sobre eles manifestarse, para então, se for o caso, retornarem os autos a este Colegiado. Recurso não conhecido" (2° Conselho, I a Câmara, RV n° 104.321, Processo n° 13847.000106/9268, Rel. Jorge Freire). "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A impugnação apresentada pelo sujeito passivo, entre outros requisitos, mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta (art. 16, Decreto n° 70.235/72), os quais serão julgados em Primeira Instancia Administrativa (arts. 27 e 28. Decreto n° 70.235/72). Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, ao Conselho de Contribuintes competente (art. 33, mesmo Diploma legal). O sujeito passivo não pode inovar em relação aos motivos de fato e de direito constantes da defesa recursal, tendo em vista os princípios da legalidade e do duplo grau de jurisdição. Argumentos não apresentados quando da impugnação são preclusos. RECURSO NEGADO." (3° Conselho, 2° Câmara, RV n° 130.573, Processo n° 10930.004537/20035Z Rel. Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, J. 11/11/2005). “RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO. É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratarse de matéria nova não submetida ao litígio. (2ª Seção AC 2201002.180 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, Processo nº 10970.720193/201166, Rel. Walter Reinaldo Falcão Lima) Conforme análise do conteúdo da impugnação da contribuinte e consoante registra o relatório da DRJ acima transcrito, a contribuinte impugnou a tempestividade unicamente quanto ao registro no SISCOMEX dos dados de embarque de mercadorias efetuadas no Vôo AF/443, embarques dos dias 01.03.2007, 09.03.2007, 23.03.2007 e Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.003251/201023 Acórdão n.º 3302002.460 S3C3T2 Fl. 13 7 30.03.2007, com base na Solução de Consulta 215, de 16.08.2004 e, em nenhum momento de sua impugnação questionou as provas dos autos. Desta forma, verificase estar preclusa a alegação abaixo mencionada que visa descaracterizar o valor probatório da planilha extraída do SISCOMEX quanto à intempestividade dos registros dos embarques, posto que tal alegação foi aduzida unicamente no recurso voluntário, não tendo sido submetida, portanto, à apreciação da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa: 1) a alegação contida no item “III DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE PROVAS DA INFRAÇÃO IMPUTADA À RECORRENTE”, na qual argúi que “tal planilha não possui valor probatório algum para fins de apuração da infração imputada à Recorrente” e que “Não tendo a fiscalização juntado os extratos de tela do Siscomex que comprovam efetivamente a infração cometida por parte da Recorrente, restam apenas alegações, carecedoras de comprovação. Assim, não havendo provas nos autos de que a Recorrente descumpriu qualquer prazo para a inserção de dados no sistema Siscomex, não há sequer a possibilidade desta se defender da aplicação da multa, restando inviabilizada a aplicação de qualquer punição à mesma pela inserção intempestiva de dados no SISCOMEX.”(grifos do original). Encontrase, também preclusa, por igual motivo, a alegação aduzida no item “IV ‐ DA NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA MULTA APLICADA AO VÔO AF/442 DO DIA 13/05/2006”, na qual visa caracterizar referido vôo como vôo de importação, aduzindo que, dessa forma, não se encontra o mesmo sujeito ao cumprimento da obrigação acessória contida no artigo 37 da IN SRF 28/94, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação. Sob esta questão, inclusive, a contribuinte, em sua impugnação, mais precisamente no item “V (c) Inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às exportações e violação à finalidade do ato administrativo”, informa exatamente em sentido oposto que “Todos os vôos de que trata o auto de infração ora impugnado são vôos de exportação. 0 regime tributário brasileiro desonera ampla e irrestritamente a exportação. Mesmo as receitas derivadas das exportações são imunes de contribuições sociais por determinação constitucional. Neste sentido, as obrigações acessórias relativas ao despacho de exportação existem para fins de controle de conferência e estatístico.” (grifei). Portanto, não havia litígio, posto que se trata de questão expressamente acolhida pela contribuinte em sua impugnação. Como se vê, é inadmissível inovar na postulação recursal para incluir novas alegações diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da impugnação do lançamento na instância a quo, salvo questões de ordem pública, se o julgador de 1ª instância administrativa não apreciou determinada matéria, posto que não foi a ela submetida, não compete ao Conselho apreciála, simplesmente porque haveria de ferir o princípio do duplo grau de jurisdição. Assim, deixase de apreciar as alegações recursais acima mencionadas. Passase à análise das alegações suscitadas na impugnação e apreciadas pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, sobre as quais ainda se insurge a contribuinte, sem, contudo, seguir integralmente a ordem posta no recurso voluntário, em face de se levar em conta o momento oportuno de apreciação de referidas alegações dentro do contexto do voto. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 8 No item “II DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA EM DEBATE E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS”, a recorrente destaca a evolução da legislação atinente à questão sob litígio, concluindo pela incorreção da tipificação dos fatos para suscitar a nulidade do auto de infração, alegando cerceamento do direito de defesa, cujos termos se transcreve a seguir, por ser oportuno: A recorrente tece a seguinte evolução da legislação: “0 DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, previa originariamente em seu art. 107, I, a aplicação de multa, no valor de Cr$ 200.000 (duzentos mil cruzeiros) a quem, por qualquer meio, realizasse o embaraço à ação fiscalizadora. Ultrapassados três anos da publicação do DecretoLei n° 37/66, foi editado o DecretoLei n° 751, de 1969, apenas atualizando o valor original da multa por embaraço à fiscalização, conforme transcrito abaixo: ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora’; Neste contexto, em 1994, quando vigente a redação acima transcrita do art. 107, I, do DecretoLei n° 37/66, foi editada e publicada a Instrução Normativa n° 28, de 27 de abril de 1994, que, pela primeira vez, criou uma obrigação ao transportador aéreo de informar no Siscomex os dados pertinentes às mercadorias por ele embarcadas ao exterior. Em sua redação original, a Instrução Normativa n° 28/94 determinava que o transportador deveria informar os dados de mercadoria imediatamente após o embarque ao exterior e que o descumprimento de tal obrigação constituiria embaraço à fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator à multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Assim, a penalidade, em seu conjunto, se consubstanciava da seguinte forma: "Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinente, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (...) Art. 44. 0 descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto Lei n° 37/66 com a redação do art. 5o do DecretoLei n° 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis." Após 09 anos de vigência da Instrução Normativa n° 28/94, foi publicada a Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003, que deu nova redação ao art. 107 do DecretoLei n° 37/66, incluindo novos incisos e criando novas penalidades Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.003251/201023 Acórdão n.º 3302002.460 S3C3T2 Fl. 14 9 relacionadas às infrações aduaneiras, conforme transcrito a seguir: ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado a intimação em procedimento fiscal; e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte aéreo internacional, inclusive à prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta ou ao agente de carga (...)’”. E, com base nessa evolução efetua a sua conclusão no seguinte sentido: “Notese que a redação do art. 44 da Instrução Normativa n° 28/94 não foi modificada com a edição da Medida Provisória n° 135/03, que alterou a redação do art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, ainda nos dias de hoje, o descumprimento da obrigação contida no art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94 permanece gerando a multa por embaraço à fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, IV, "c", do DecretoLei n° 37/66, por força do disposto no art. 44 da referida Instrução Normativa que se encontra em vigor. Porém, ainda que demonstrada cabalmente acima a evolução da legislação pertinente à matéria, o auto de infração que originou a presente cobrança foi lavrado descrevendo os fatos e tipificando, erroneamente, a conduta na forma a seguir reproduzida: (...); Diante de tal análise, concluise que o enquadramento do auto de infração trata de infração relacionada à falta de informação sobre carga transportada em veículo, prevista na alínea "e" daquele inciso, e não ao embaraço à fiscalização aduaneira, prevista na alínea "c". É imprescindível lembrar que o art. 44 da Instrução Normativa n° 28/94 determina expressamente que o descumprimento da obrigação prevista no art. 37 constitui embaraço à fiscalização aduaneira.”(grifos do original). Pois bem, da análise da evolução da legislação acima transcrita é de se concluir, diferentemente da conclusão da recorrente, pela correção do enquadramento legal atribuído pela fiscalização à infração apurada, qual seja, o art. 107. IV, alínea "e", do Decreto Lei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, no que se refere à seguinte infração: “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 10 Federal, aplicada à empresa de transporte aéreo internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga.” (grifei). Tal conclusão depreendese em função de que a nova redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03 ao art. 107. IV, do DecretoLei n° 37/66 trouxe, em sua alínea “e” tipificação específica de infração atinente ao fato descrito nos autos. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 1.096, de 13/12/2010, que alterou a IN SRF n° 28/1994, continuar fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como embaraço, demonstra desconformidade desta quanto a esta tipificação, mas isto de forma alguma significa que a redação da instrução normativa deva prevalecer sobre a redação legal. Foi exatamente neste sentido que concluiu o Acórdão nº 320200.341 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no Processo 10715.003346/200911, o qual foi colacionado pela ora recorrente, in verbis: “A Instrução Normativa SRF nº 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts.37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei no 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.’ O art. 107 do Decretolei nº 37/1966, na redação do art. 5º do Decretolei nº 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto nº 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro): “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1º da IN SRF nº 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: ‘Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.’ (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.003251/201023 Acórdão n.º 3302002.460 S3C3T2 Fl. 15 11 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: ‘Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: ‘Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado’. (...) ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44.’ No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37/1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, ‘e’, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, ‘c’.”(grifos do original). Cabe aqui ressalvar, nos mesmos termos contidos na decisão recorrida, que mesmo na hipótese de o enquadramento legal ter sido erroneamente indicado, o que não é o caso, conforme acima demonstrado, é pacifica a jurisprudência administrativa no sentido de que a existência de erro dessa natureza não tem a capacidade de inquinálo de nulidade, pois não prejudica a defesa da autuada, sendo suficiente a descrição correta do fato que motivou sua lavratura. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 12 Tanto é assim, que a contribuinte apresentou vasta impugnação demonstrando pleno entendimento da infração que lhe foi imputada, não tendo havido cerceamento do direito de defesa. Portanto, em vista do acima explicitado, não há que se falar improcedência do fundamento legal da autuação, rejeitandose, pois, a preliminar de nulidade. Assim esclarecido, ressaltase que não há que se falar em embaraço à fiscalização, sendo descabidas as alegações atinentes à questão de embaraço à fiscalização aduzidas no item “VIII INEXISTÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, DESONERAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES E VIOLAÇÃO À FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO”, haja vista que a infração devidamente aplicada nos autos foi a prevista no inciso IV, ‘e’, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966 que tem natureza objetiva, independendo, portanto, da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato praticado e uma vez consumada a infração, aplicável é a penalidade prevista em lei pelo descumprimento da obrigação acessória, em face à prestação intempestiva da informação sobre carga transportada. DAS ALEGAÇÕES QUANTO: À AUSÊNCIA DE PROVA DA INTEMPESTIVIDADE DO REGISTRO EFETUADO PELA RECORRENTE; À PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE INDISPONIBILIDADES DO SISCOMEX E AO RECONHECIMENTO POR PARTE DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL ACERCA DAS IMPOSSIBILIDADES DE ACESSO AO SISCOMEX CARGA IN RFB N° 835/2008 Referente à alegação aduzida na impugnação de que o atraso no registro das informações era decorrente de questões operacionais (i.e. falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa assim pronunciouse: “Quanto à impossibilidade de efetuar no prazo estipulado o registro de embarque por conta de falhas ocorridas no Siscomex, é dizer que referida assertiva é inócua na medida em que a autuada não demonstra a ocorrência de tal circunstância, ao contrário, procura transferir o ônus do alegado para o julgador administrativo, o que não é razoável, posto que em sede de julgamento não há como o julgador se pautar apenas em alegações desprovidas de elementos que a sustente, notadamente quando se tratar de matéria de fato. Ainda mais que as evidências conduzem para a conclusão de que a empresa autuada registrou intempestivamente os dados de embarque em apreço.” Assim é que, novamente, em fase de recurso, a contribuinte reforça seus argumentos de que o SISCOMEX não funciona de forma ininterrupta e que são constantes as falhas e erros do sistema, inclusive pelo o fato de que o SISCOMEX “registra, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a dos registros de dados efetuados pela Recorrente”, ressaltando que se faz necessário criar um mecanismo que assegure às companhias aéreas que estas somente serão multadas quando a não inclusão dos dados no sistema depender de ato exclusivamente seu. Visando comprovar o alegado, a recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, bem como junta ao presente processo administrativo alguns correios eletrônicos enviados pela Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.003251/201023 Acórdão n.º 3302002.460 S3C3T2 Fl. 16 13 Infraero às empresas aéreas, comunicando a indisponibilidade do sistema aduaneiro, neste caso, em razão de manutenção elétrica realizada no centro de dados da Regional São Paulo do SERPRO e, em item específico de seu recurso, transcreve trecho da Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008, que dispõe acerca das regras de contingência na utilização do Siscomex Carga, afirmando que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema. Também, para comprovar a alegação quanto à falha do SISCOMEX, no que se refere aos equívocos dos registros (Averbação da RFB x registro pela contribuinte) anexa parte do Auto de Infração contra ela lavrado no processo nº 10715.007805/200928, qual seja, a planilha apurada a partir do SISCOMEX, que embasou aquela autuação e a tela do sistema do Siscomex, referente aos registros efetuados quanto à mercadoria embarcada na data de 01/08/2005 e alterada em 27/07/2006, tendo sido essa última data a que embasou a multa naquele processo. Cita Soluções de Consulta. De fato, é inconteste que o Sistema de Comércio Exterior SISCOMEX é sistema que apresentou falhas no início de sua implantação e que há a possibilidade de ocorrências de indisponibilidades e/ou instabilidades do sistema. Como também é inconteste que a Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008 estabelece no §2º do seu art. 7º que “Para fins de baixa dos bloqueios por informação prestada após o prazo, nos termos do inciso III do caput, sem imposição de penalidades, a autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema.” E é lógico e razoável entender que se o referido sistema eletrônico de Comércio Exterior SISCOMEX apresenta falhas, não pode a contribuinte ser prejudicada. E, exatamente por esta razão, a referida instrução normativa determina que a autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema. As diversas notícias da Anvisa, bem como as mensagens de correios eletrônicos enviados pela Infraero às empresas aéreas, as quais foram trazidas pela recorrente, demonstram que os órgãos intervenientes comunicam aos interessados as interrupções e ou instabilidades do sistema. Portanto, para afastar a referida multa cabe à contribuinte demonstrar que no período abrangido pela fiscalização houve a ocorrência dessas indisponibilidade e/ou instabilidades do SISCOMEX, de modo a comprovar as suas alegações de que o atraso nos registros decorreu dessa falhas e não de sua vontade ou por desídia. Entretanto, as notícias da Anvisa, bem como o correio eletrônico da Infraero trazidos pela recorrente referemse à períodos outros que não o abrangido pela presente autuação. De outro lado, a tela do SISCOMEX denominada “CONSULTA HISTÓRICO DESPACHO” (efl.170) trazida pela recorrente para demonstrar que aquele sistema , na verdade, registra a data de averbação do embarque da carga, a qual é efetuada pela Receita, mas não a dos registros de dados efetuados pela Recorrente , ao contrário do aduzido, demonstra que o sistema relata todo o histórico dos registros, sejam eles efetuados pelos contribuintes ou pela RFB. Naquele processo mencionado pela recorrente (10715.007805/200928), deduzse ter havido apenas equívoco do autuante e não falhas do Sistema. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 14 Assim, meras alegações, desprovidas de provas que as ampare, não tem o condão de afastar o lançamento, devendose manter, quanto a esta questão, a decisão proferida no Acórdão ora recorrido. DA VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE Os princípios (da finalidade, da proporcionalidade, da razoabilidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. Portanto, neste item, nada há de ser alterado quanto às ponderações feitas pela i. Decisão recorrida, que se pronunciou nos seguintes termos: “Quanto às alegações de que a penalidade aplicada viola aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, é mister consignar que os julgadores das instâncias administrativas não têm competência para apreciar arguições dessa natureza. Porém, cabe acentuar que no Direito Administrativo brasileiro o principio da legalidade assume significado especial, pois ora traduzse numa expressão de direito, ora revelase elemento de garantia e segurança jurídicas, sendo que o denominado principio da autonomia da vontade não encontra acolhimento neste campo do Direito, na medida que os bens tutelados interessam a toda coletividade, cujo regramento da atuação dos agentes e órgãos públicos funciona como elemento garantidor daqueles que subsidiam e se servem da prestação dos serviços públicos. Razão pela qual o agente público não age em nome próprio, mas sim em nome do Estado, e sempre em cumprimento das finalidades legalmente estabelecidas para respectiva conduta. Nesse contexto, o principio da finalidade é aquele que imprime à autoridade administrativa o dever de praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. Nesse sentido, o agente público deve estrita obediência à lei (principio da legalidade) e tem como dever a satisfação dos interesses públicos (principio da finalidade). Por conseguinte, o agente público não pode utilizar meios ou instrumentos que fiquem aquém ou se coloquem além do que seja estritamente necessário para o fiel cumprimento da lei. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.003251/201023 Acórdão n.º 3302002.460 S3C3T2 Fl. 17 15 Portanto, pelo fato de a matéria examinada se encontrar plenamente disciplinada por atos legais regularmente inseridos no ordenamento jurídico, as instâncias administrativas, por caráter vinculado de atuação, são incompetentes para apreciar questões que se referem à ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das respectivas normas legais, uma vez que tal competência é atribuída privativamente ao Poder Judiciário (art. 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal). A tratar do assunto, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF/MF manifestouse no sentido de que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF no 2, publicada no DOU em 22.12.2009, p. 71, Seção I). Quanto à alegada boafé ou ausência de prejuízo ao Erário por conta da conduta da autuada, é suficiente reprisar que em matéria tributária a responsabilidade não tem a mesma natureza da responsabilidade penal, não havendo falar em modalidade culposa ou dolosa, conforme dispõe o parágrafo 2° do artigo 94 do Decretolei 37/1966 e o artigo 136 do CTN.” DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, e uma vez demonstrada a legitimidade do lançamento formalizado contra o sujeito passivo, voto para conhecer em parte do recurso voluntário, para indeferir a preliminar de nulidade e no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Voto Vencedor Conselheiro ALEXANDRE GOMES Conforme se depreende do relatório produzido pela eminente conselheira relatora, o presente processo trata de multa administrativa lavrada em função de a Recorrente ter prestado, dentro do prazo de dois dias, as informações a que está obrigada sobre os embarques internacionais efetuados junto ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Em que pese existirem diversos argumentos de defesa relacionados a improcedência da aplicação da multa regulamentar, verifico a existência de questão preliminar que pode, inclusive, ser reconhecida de oficio pelo julgador administrativo, qual seja, a ocorrência da denuncia espontânea no caso sob análise. Inicialmente, cumpre destacar o que determina o Código Tributário Nacional sobre o tema: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 189DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 16 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O Decreto nº 37/66 também tratou do assunto: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) A partir da interpretação dos dispositivos legais acima expostos, por muito tempo, a doutrina e a jurisprudência administrativa travaram verdadeira batalha a respeito do alcance do instituto da denuncia espontânea, e em especial desta em relação as multas de natureza administrativas. Parte da doutrina e da jurisprudência aliouse ao entendimento de que o disposto no art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37/66 contemplavam especialmente as multas de natureza tributaria, não alcançando, por conseqüência, as de natureza administrativas como por exemplo, as multas regulamentares relacionadas ao direito aduaneiro. Contudo, a partir da redação estabelecida na Lei nº 12.350/2010, o § 2º do art. 102 passou ter a seguinte orientação: § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. No presente caso, como bem destacado no relatório que acompanha o presente acórdão, a multa foi aplicada tão somente por conta da declaração de embarque fora do prazo regulamentar estipulado, ou seja, pela denuncia espontânea da infração por parte da Recorrente. Muito embora os atos praticados sejam anteriores a evolução legislativa supra citada, tratando de atos pendentes de julgamento aplicável do que determina o art. 106 do CTN, nos termos do a seguir exposto: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.003251/201023 Acórdão n.º 3302002.460 S3C3T2 Fl. 18 17 No âmbito deste órgão colegiado, cito o seguinte julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 29/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 3301001.691 – 3a Câmara / 1a Turma Ordinária. Relator: Jose Adão Vitorino de Morais. Data Julgamento: 30/01/2013) Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar a multa regulamentar aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Redator Designado. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 11080.722770/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. IDÊNTICA DISCUSSÃO.
Em atenção à Súmula nº 01 deste Primeiro Conselho, importa renúncia à discussão na esfera administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que verse sobre o mesmo objeto daquele.
Numero da decisão: 2102-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância entre o objeto do recurso administrativo e da ação judicial.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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CONCOMITÂNCIA. IDÊNTICA DISCUSSÃO. Em atenção à Súmula nº 01 deste Primeiro Conselho, importa renúncia à discussão na esfera administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que verse sobre o mesmo objeto daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância entre o objeto do recurso administrativo e da ação judicial. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 70 /2 00 9- 27 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 14/17, apurandose o valor do crédito tributário no importe de R$7.778,61 (sete mil, setecentos e setenta e oito reais e sessenta e um centavo), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, anocalendário 2007, correspondente à Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa Jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$47.733,29, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda. Inclusão de rendimentos de R$47.733,29 considerados isentos em razão de moléstia grave. No laudo médico consta como data do diagnóstico em 03.12.2007, portanto um mês de isenção para este exercício. Cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02/10, juntando documentos e laudo médico para comprovar ser portadora de moléstia grave, ressaltando ainda o seguinte: que a documentação acostada à Impugnação comprovaria que a Contribuinte seria portadora de moléstia grave degenerativa desde 2003, permanecendo até a presente data; que os fatos confirmariam o direito a isenção do IRPF à Contribuinte durante todo o período do ano calendário de 2007; que estaria equivocada a autoridade fiscal ao considerar que a isenção somente deveria ser considerada a partir da data do Laudo Especializado, sendo que o correto seria considerar a partir da manifestação da doença, e cita jurisprudências; que o fato gerador do imposto de renda abrangeria os atos e fatos transcorridos durante o anocalendário, sendo que com a constatação da doença, mesmo que tardiamente , conduziria a retroatividade da isenção ao primeiro dia do respectivo ano– calendário; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.722770/200927 Acórdão n.º 2102003.097 S2C1T2 Fl. 93 3 por fim, a Contribuinte postula pelo recebimento de sua Impugnação, com o consequente acolhimento de suas razões, para reconhecer o direito à isenção de rendimentos e a exoneração do sujeito passivo ao pagamento do imposto de renda suplementar, multa de ofício e juros de mora, e ainda a restituição do imposto no valor de R$6.369,69, corrigido pela taxa SELIC. Na análise de suas alegações, os integrantes da 8ª Turma da DRJ/POA decidiram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação e em manter o crédito tributário exigido, através da qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 ISENÇÃO POR DOENÇA GRAVE. INDEFERIMENTO. Não são isentos do imposto de renda os rendimentos correspondentes a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por pretenso portador de moléstia grave, não atestada por laudo médico pericial oficial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte teve ciência de tal decisão em 09.01.2012, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 53/58, em 25.01.2012, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda que: mesmo sendo portadora de moléstia grave desde 2003, a Contribuinte somente teria tido ciência do direito à isenção no ano de 2005, ano no qual foi encaminhado pedido junto a sua fonte pagadora; alega ainda que o parecer técnico emitido pelo Ministério do Exército, somente teria sido concluído após 2 anos, sendo finalizado em 17.12.2007, portanto, não correspondendo a realidade dos fatos, já que vem pleiteando desde 2005 pela isenção; destaca que estaria equivocada a autoridade fiscal em considerar que a isenção em questão iniciaria a partir da data do laudo especializado, quando na realidade, deve ser considerada a partir da manifestação da doença, ou seja, 2003, e cita jurisprudências; a Contribuinte informa que propôs ação judicial (proc. nº 2009.71.00.0352386) em trâmite perante a 2ª Vara Federal Tributária de Porto Alegre, para ter reconhecido o direito à isenção desde o acometimento da doença, ou seja, a partir do ano de 2003, conforme laudo fornecido pelo Ministério do Exército; reitera que a jurisprudência administrativa confirma o mesmo entendimento do judiciário e ainda ressalta que a isenção do imposto de renda, assim como o próprio fato gerador do tributo, abrangeria o período integral do anocalendário; por fim, a Contribuinte pleiteia o acolhimento de seu recurso, com o reconhecimento à isenção do IRPF, incluindose os rendimentos de pensão no valor total de R$47.733,29 como rendimentos isentos e não tributáveis, se exonerando de pagar imposto suplementar, multa de ofício e juros de mora, bem como requerendo a restituição do imposto no valor de R$6.369,69, corrigido pela taxa SELIC, e ainda que – caso não seja este o Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 entendimento do CARF , seja determinada a suspensão do processo administrativo e da cobrança até a decisão final do processo judicial nº 2009.71.00.0352386. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 09.01.2012, como atesta o AR de fls. 51. O Recurso Voluntário foi interposto em 25.01.2012 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da reclassificação de rendimentos declarados pela Recorrente como isentos, sendo que a fiscalização os considerou como tributáveis em razão da falta de comprovação da existência de moléstia grave a justificar a isenção em período anterior a dezembro de 2007. A Recorrente apresentou Impugnação por meio da qual alegou que já padecia de degeneração macular (cegueira) desde 2003, e que ainda que assim não fosse o laudo emitido em 2007 deveria retroagir ao início daquele ano. A decisão recorrida deixou de acolher a Impugnação ofertada, ao argumento de que o laudo da medicina especializada que constatou a existência da moléstia em questão (cegueira) está datado de dezembro de 2007 e não faz menção a qualquer outra data para o início da doença, razão pela qual a data ser tomada para tanto seria a data da elaboração do laudo. No Recurso Voluntário, o Recorrente reitera os argumentos de sua Impugnação e afirma que realmente padecia da moléstia em questão desde 2003, mas que somente teve ciência da possibilidade de isenção do Imposto de Renda em 2005, quando então deu inicio ao processo para o seu reconhecimento perante o Exército (sua fonte pagadora). O processo, porém, demorou dois anos para ser concluído, razão pela qual seu laudo final somente foi expedido em dezembro de 2007. Afirma que a demora na conclusão deste processo não pode lhe prejudicar. Por outro lado, a Recorrente traz também em seu recurso a seguinte notícia: Com efeito, através da leitura da inicial do referido processo judicial – acostada às fls. 76/88 percebese que a matéria discutida nos autos do processo judicial é Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.722770/200927 Acórdão n.º 2102003.097 S2C1T2 Fl. 94 5 idêntica aquela que aqui se discute (reconhecimento da possibilidade de isenção desde o ano de 2003). Assim, devese aplicar aqui o enunciado nº 1 da Sumula CARF, segundo o qual: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por isso, deve ser aplicado aqui o caput art. 72 do Regimento Interno deste Conselho, que assim determina: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Como a matéria lá discutida é idêntica ao objeto do presente processo administrativo, e não há outras questões a serem apreciadas, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 16151.000205/2006-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao Fisco, como regra geral, reunir os elementos de prova da ocorrência da infração à legislação tributária.
Numero da decisão: 1103-001.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, reunir os elementos de prova da ocorrência da infração à legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 02 05 /2 00 6- 03 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 1103001.019 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 187) contra o Acórdão nº 1622.018/2009, da 1ª Turma da DRJ/São Paulo ISP (fls. 172)1. O detalhado relatório da decisão recorrida apresenta a seguinte descrição dos fatos: "Trata o presente processo, formalizado em 22/03/2006, de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 07/08/2003, do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 485.886 (fl. 3), tendo por situação excludente o exercício de atividade econômica vedada (evento 306 do CNPJ), relacionada ao CNAEFiscal 9211802 (Atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos), com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002 e data de ocorrência em 27/08/1986 (a interessada optou pelo regime simplificado em 01/01/1997 – fl. 3). 2. A fundamentação legal foi amparada nos artigos 9º, inciso XIII, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3º, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001; artigos 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002. 3. Consignouse, ainda, no art. 2º do ADE em comento, que a exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 4. Cientificada do ADE em 26/08/2003 (fl. 4), inicialmente a interessada apresentou, em 10/09/2003, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS – fl. 1), com a alegação de que a atividade da empresa cingese a produção de vídeos de cunho institucional, para veiculação interna em empresas, atividade que, no seu entendimento não encontra óbice no regime simplificado, nos termos da matriz legal consignada no ato de exclusão. 5. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado em 13/02/2006, nos seguintes e exatos termos (fl. 1 verso): 'ADE Nº 485.886 (09) – EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação são incapazes de demonstrar que a CNAE informada no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica não corresponde à atividade mencionada nos estatutos sociais/exercida, atividade esta que indica vedação à opção pelo Simples.' 6. Cientificada do indeferimento em 17/02/2006 (fl. 2), a requerente, representada por procurador (fls. 72, 73 e 144), apresentou manifestação de inconformidade em 15/03/2006 (fl. 64), com razões às fls. 65 a 71 e anexos às fls. 72 a 139. (...)" 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 1103001.019 S1C1T3 Fl. 4 3 A turma de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade segundo a ementa adiante transcrita: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 PRODUTOR DE FILMES. Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que produzir filmes, por essa atividade estar equiparada à produção de espetáculos. INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA. Diversa da analogia, a interpretação analógica é técnica de interpretação permitida e autorizada no termo “assemelhados”, presente no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. EFEITOS DA EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. A pessoa jurídica que optou pelo SIMPLES até 27/07/2001, e foi excluída por atividade econômica vedada a partir de 2002, tem o efeito da exclusão retroagido para 01/01/2002, na hipótese de situação excludente ocorrida até 31/12/2001. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda." Cientificada da decisão por via postal em 1º/02/2010 (fls. 186), a contribuinte interpôs o recurso no dia 2 do mês seguinte (fls. 216). Afirmou ter como objeto social principal a produção de vídeos ou artística, conforme contrato social, atividades que não poderiam ser equiparadas a quaisquer das profissões regulamentadas relacionadas no art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996 nem tampouco às de propaganda e publicidade especificadas no item XII, "d", do mesmo artigo. A produção de vídeos e filmes seria sempre por ordem e orientação dos seus clientes que especificariam todas as diretrizes do filme encomendado, supostamente utilizados para divulgação apenas interna em treinamento ou motivação de pessoal. Não haveria desenvolvimento de qualquer trabalho de administração/marketing, propaganda, publicidade ou jornalismo. Essas atividades seriam executadas pelos seus próprios clientes ou por terceiros contratados para o "desenvolvimento do escopo e do planejamento do vídeo", cabendo a si unicamente a filmagem. Resumiu: "A interessada é mera obreira, executora de um vídeo que é criado, imaginado, bolado por administradores/marketing, ou publicitários ou jornalistas, de outras empresas, suas clientes ou terceiras por eles contratadas para tais serviços, os quais, estes sim, são vedados de inclusão dentro do SIMPLES." Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 1103001.019 S1C1T3 Fl. 5 4 Confirmou a informação contida na decisão contestada quanto à produção e realização de diversos projetos. No entanto, alegou que tal desdobramento da sua atividade seria recente e referente a período no qual não mais estaria no regime do Simples. Na sua visão, o julgador "deu à norma um caráter analógico", tendo em vista a ausência de menção expressa no art. 9º da Lei 9.317/1996 da atividade de produção de vídeos institucionais como impeditiva da opção pelo Simples. Bem ao contrário, ela teria sido aceita no regime e "até hoje muitas empresas do ramo permanecem no referido sistema." O único citério possível para se considerar uma atividade assemelhada à de profissional regulamentado seria o regramento geral dessa atividade paradigma. Se a própria norma reguladora dessa profissão paradigma não prevê a atividade cuja equiparação é feita pela Receita Federal, estarseia diante de exigência de tributo e obrigações acessórias sem base em lei, fundamentada unicamente na analogia, "em total repúdio ao princípio basilar de todo o sistema tributário nacional, o da legalidade". Por mais que seja admissível a definição pela Receita Federal das atividades assemelhadas para fins de vedação ao Simples, essa especificação estaria submetida à proibição do emprego da analogia para exigência de tributo contida no art. art. 108, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), bem como à norma que veda a alteração de conceitos de direito privado pelo legislador ordinário para fins de tributação, que seria o caso das "regras atinentes a quaisquer umas das profissões reglamentadas". Admitindo a correção "dessa alteração de entendimento" apenas para fins de argumentação, salientou que só poderia surtir efeitos para o futuro, segundo dispõe o art. 146 do CTN, nunca a partir de 1º/01/2002 como consignado no ato declaratório de exclusão. Houve alteração na denominação da recorrente, assim noticiada no aresto: "Efetuada consulta ao sistema CNPJ constatouse que a interessada estava registrada, até 29/09/2005, com a razão social Companhia de Vídeo Produção de Vídeo e Cinema Ltda (como registra o ADE acostado aos autos, as Notas Fiscais juntadas às fls. 20, 21 e 102 a 129, dentre outros documentos), tendoa modificado, com data de evento em 30/09/2005, para Novacia Marketing e Comunicação Ltda (fl. 146)." É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 1103001.019 S1C1T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Viuse no relatório que os autos tratam de exclusão do Simples mediante o ADE Derat/SPO nº 485.886/2003 (fls. 5), em razão de exercício de atividade econômica vedada (evento 306 do CNPJ) relacionada ao CNAEFiscal 9211802 (atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos), a partir de 01/01/2002. A recorrente sustentou ser a sua atividade enquadrável entre as autorizadas para opção pelo Simples além de se insurgir contra a utilização de analogia para exigência de tributo e a aplicação retroativa de norma legal. A consolidação do contrato social da recorrente datada de 27/10/1997 (claúsula segunda) indica como objeto social "prestação de serviços de produção de vídeos e filmes de quaisquer natureza, metragem, medida ou dimensão" (fls. 20, 107 e 109). A Turma recorrida considerou que a contribuinte prestava serviço assemelhado ao de "diretor ou produtor de espetáculos", relacionado entre os impeditivos ao regime do Simples pelo art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996: "Trazendo a questão ao ponto, é indiscutível que a prestação de serviços de diretor ou produtor de espetáculos impede a opção pelo Simples, haja vista estar textualmente listado na Lei criadora do regime simplificado. Nesta linha de raciocínio, vejase o que registra o dicionário Michaeles acerca do vocábulo “espetáculo”: 'espetáculo s. m. 1. Tudo o que atrai a vista ou prende a atenção. 2. Vista grandiosa ou notável. 3. Qualquer representação pública que impressiona ou é destinada a impressionar. 4. Representação teatral, cinematográfica, circense etc. 5. Exibição de trabalhos artísticos. 6. Objeto de escândalo ou desdém.'" As notas fiscais trazidas ao processo (fls. 25/26, 40/58 e 114/141) tratam de serviços de produção, montagem e edição de vídeos institucionais, gravação de palestras, atualização de "VT" institucionais, etc. As autorizações de fornecimento expedidas pelo Senai (fls. 59, 62 e 63) e o contrato de prestação de serviços firmado com o Unibanco (fls. 64) não detalham o serviço prestado. Há na cláusula primeira do contrato com o Unibanco referência a anexos intitulados "Pedido e Descrição dos Serviços". Contudo, nenhum deles consta dos autos. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 1103001.019 S1C1T3 Fl. 7 6 O conceito de "espetáculo" acima transcrito do voto condutor do acórdão contestado não condiz com a atividade descrita na documentação acostada, acima referida. Da definição, depreendese por espetáculo a representação cinematográfica produzida para o grande público, aberta, dirigida ao circuito comercial amplo ou mesmo apenas ao mais restrito, predominantemente artístico, mais intelectualizado, porém, mesmo assim, aberto ao público em geral. Tal obra não se confunde com a produção de vídeo institucional encomendado por cliente específico para seu uso interno, voltado unicamente para treinamento ou motivação do seu quadro de pessoal, sem o desenvolvimento de qualquer trabalho de administração/marketing, propaganda, publicidade ou jornalismo. Segundo o acórdão, a recorrente utilizaria profissionais especializados na coordenação das diversas etapas da produção de um filme. Assim concluiu com base em informação colhida no site da empresa2, adiante transcrita (fls. 178/171): "História A Novacia foi fundada em 1988 como Companhia de Vídeo – ou Cia de Vídeo, como ela acabou sendo mais conhecida. Com a experiência do uso da mídia áudio visual como ferramenta de informação, a produtora realizou diversos projetos e conquistou três Prêmios ABERJE. O interesse em aprender mais sobre e com o cliente, foi, aos poucos, conduzindo a Cia de Vídeo a atuar em outros campos. E assim fomos mudando, inclusive de nome. Como Novacia, começamos a planejar e organizar eventos, campanhas de comunicação e até desenvolvemos um sistema de medição de percepções internas, o Feedback 24/7. O que há de comum em tudo isso é justamente colocar o cliente no centro de tudo. Isso porque, amanhã, eles poderão ser outros, já que o mercado continua evoluindo e a Novacia também. Pessoas Somos cerca de 50 pessoas, com origens e formações variadas. Somos publicitários, jornalistas, relações públicas e RTVs, mas também somos administradores, economistas, secretárias, recepcionistas e copeiras. Na direção da empresa, somos Anderson Martins na direção de gravações, somos Fábio Betti no desenvolvimento de novos negócios e somos Julio de Oliveira na direção da criação e do atendimento." A recorrente confirmou a informação do site porém alegou que tal desdobramento da sua atividade seria recente e referente a período no qual não mais estaria no regime do Simples. A reforçar a afirmação, constatase que a recorrente apresentou declarações de rendimento pelo regime simplificado até o anocalendário 2004, passando a adotar o regime de tributação do lucro presumido a partir de 2005, segundo o extrato do sistema IRPJ da Receita Federal (fls. 157). A exclusão ex officio do Simples ocorreu com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2002. 2 www.novacia.com.br Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 1103001.019 S1C1T3 Fl. 8 7 Com efeito, a fiscalização não reuniu os elementos necessários para descaracterizar a opção da contribuinte, o que lhe caberia fazer. Como regra geral, incumbe ao fisco o ônus de provar a existência do fato gerador tributário. Atentese para o que determina o art. 9º do DecretoLei 1.598/19773, em especial o § 2º: “Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração.” Semelhante comando é encontrado no art. 79 do Decretolei 5.844/19434. Prescreve o dispositivo: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: (...) §1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. (...)” Bem se vê que compete à fiscalização descrever corretamente a infração e reunir todos os seus elementos comprobatórios. Nessa linha, é a lição de Paulo Celso Bonilha5: “Como bem salientou o saudoso e ilustre professor6, que se destacou de forma proeminente na literatura processual e tributária, a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à Administração uma “relevatio ab onere agendi” e não uma “relevatio ab onere probandi”, isto é, a presumida legitimidade do ato permite à Administração aparelhar e exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma executória, mas esse atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão.” Não é diferente a jurisprudência pacífica do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, exemplificada pelos seguintes acórdãos: 3 Correspondente aos art. 174 do RIR/80; art. 223 do RIR/94 e art. 276, 923, 924 e 925 do RIR/99. 4 Correspondente aos art. 678, §2º, do RIR/80; art. 894, §1º, do RIR/94 e art. 845, §1º, do RIR/99. 5 “Da Prova no Processo Administrativo Tributário”, São Paulo, Dialética, 2ª edição, 1997, pág.75. 6 O “saudoso e ilustre professor” a quem se refere Bonilha é Gian Antonio Micheli. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 1103001.019 S1C1T3 Fl. 9 8 “IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS ÔNUS DA PROVA Nos casos de lançamento por omissão de receitas, excetuandose as presunções legais, incumbe a Fazenda provar os pressupostos do fato gerador da obrigação e da constituição do crédito.”(Acórdão 10807.124/2002). “ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação.” (Acórdão 10320.594). “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, a prova da ocorrência do fato gerador tributário.” (Acórdão 10321.466). Conclusão Pelo exposto, tendo em vista a inexistência de elementos necessários à caracterização da infração, dou provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 15956.000091/2006-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
EDITADO EM: 30/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 91 /2 00 6- 65 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 30/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório JAIME CARNEIRO DE ALBUQUERQUE, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 13/09/2006 (AR fl. 228), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da apuração de Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com aplicação de multa qualificada, em relação aos anoscalendário 2001 a 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 03/21, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 6a Turma da DRJ em São Paulo/SP II, consubstanciada no Acórdão nº 1718.560/2007, às fls. 304/313, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª TO da 2a Câmara, em 30/07/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220100.358, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA – IRPF. Exercício: 2002, 2003, 2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INOCORRÊNCIA – Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal nem do lançamento dele decorrente. PAF CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto Fl. 433DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15956.000091/200665 Acórdão n.º 9202003.433 CSRFT2 Fl. 433 3 na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto n° 70.235, de 1972. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizase omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nestas operações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA – SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS INAPLICABILIDADE A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária à comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14, publicada no DOU em 26, 27 e 28/06/2006). Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 380/393, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 10323.588, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, assevera que as infrações apuradas decorrem de omissões repetidas, tratandose de típico caso de dolo reiterado caracterizado pela prática do mesmo ilícito por reiteradas vezes, no sentido de burlar o legítimo pagamento do imposto de renda, justificando, portanto, a aplicação da multa qualificada, na linha do decidido no Acórdão ora adotado como paradigma. Transcreve doutrina, legislação e jurisprudência contemplando a matéria, corroborando o entendimento de que a conduta reiterada de deixar de oferecer à tributação os rendimentos obtidos nos anoscalendário fiscalizados é capaz de ensejar a qualificação da multa aplicada. Contrapõese ao entendimento levado a efeito no Acórdão guerreado, inferindo inexistir qualquer mácula na majoração da multa qualificada imposta ao contribuinte, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, bem demonstrando a materialidade da conduta dolosa do sujeito passivo, representada pela conduta reiterada, sistemática, de omitir rendimentos reiteradamente, sobretudo significativos valores depositados em contas bancárias. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Defende que não se pode cogitar em aplicabilidade da Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo em vista não se tratar de simples omissão de rendimentos, ao contrário do que restou assentado no decisum atacado. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, conforme Despacho nº 220000.434/2011, às fls. 400/406. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, o contribuinte não ofereceu suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude da falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade, aplicando a multa qualificada inscrita no inciso II, do artigo 44, do mesmo Diploma Legal, em razão das seguintes constatações (Termo de Verificação da Infração – fls. 19/20), resumidamente: “6.3 São expressivos os valores dos rendimentos reincidentemente omitidos pelo fiscalizado, nos anos calendário de 2001 a 2003 (montante de R$ 1.315.947,07 – hum milhão, trezentos e quinze mil, novecentos e quarenta e sete reais, sete centavos), fato também ocorrido no anocalendário de 1999, cujo processo administrativo citado inicialmente neste Termo foi formalizado, em virtude da constatação de omissão de rendimentos, também oriunda de depósitos de origem não comprovada efetuados em dólares americanos em contas do fiscalizado no exterior (US$ 586.185,00 correspondente a R$ 728.027,57 setecentos e vinte e oito mil, vinte e sete reais, cinqüenta e sete centavos).” (grifamos) A Turma recorrida, ao analisar a demanda, entendeu por bem dar provimento parcial ao recurso voluntário somente para desqualificar a multa, nos termos do Acórdão recorrido, sintetizado no seguinte excerto: “[...] Notese que por intuito não se deve entender a reserva mental, mas intenção manifestada exteriormente por meio de Fl. 435DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15956.000091/200665 Acórdão n.º 9202003.433 CSRFT2 Fl. 434 5 ação. ou omissão. Quando, a partir da ação ou omissão se consegue caracterizar a pretensão do autor em alcançar tal ou qual resultado, no caso, reduzir o pagamento do imposto ou diferir seu pagamento, estáse diante do evidente intuito de fraude. Não basta a simples omissão de rendimentos, independentemente do valor dessa omissão. São casos típicos de evidente intuito de fraude a adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. situações onde é possível identificar uma ação dolosa específica. Ora, não é disso que aqui se trata. A razão apontada para a exasperação da multa foi a própria omissão dos rendimentos nas suas declarações, a que se atribui a intenção dolosa de fugir à tributação. Nesse sentido, o Primeiro Conselho de Contribuinte já expediu súmula segundo a qual "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo" (Súmula I o CC n° 14, publicada no DOU em 26, 27 em 28/06/2006). [...]” Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, suscitando divergência de julgados deste Colegiado e contrariedade à legislação de regência, tendo obtido êxito no conhecimento de sua peça recursal, razão pela qual passaremos a examinála, como segue. Destarte, pretende a recorrente a reforma da decisão atacada, a qual rechaçou a qualificação da multa, alegando, em síntese, que as infrações apuradas, praticadas de maneira consciente e intencionalmente dirigidas à redução da tributação incidente, estenderamse ao longo de três exercícios seguidos, em importâncias substanciosas, e, nessa condição, configuram omissões reiteradas, justificando, portanto, a aplicação da multa qualificada, na linha do decidido no Acórdão ora adotado como paradigma. Transcreve doutrina, legislação e jurisprudência contemplando a matéria, corroborando o entendimento de que a conduta reiterada de ocultar valores vultosos manifestamente com o intuito de dificultar a atuação fiscal e/ou reduzir o cálculo do tributo devido é capaz de ensejar a qualificação da multa aplicada, entendimento que não tem o condão de macular o decisório combatido, senão vejamos. Inicialmente, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Fl. 436DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade Fl. 437DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15956.000091/200665 Acórdão n.º 9202003.433 CSRFT2 Fl. 435 7 de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “ Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Na hipótese dos autos, inobstante o esforço do fiscal autuante, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos. Com efeito, como muito bem delineado no voto condutor do Acórdão recorrido, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pelo contribuinte tendente a sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150%, não se prestando à sua aplicabilidade a simples reiteração da conduta do autuado por 03 (três) anos consecutivos, ou mesmo o montante elevado da omissão, ao contrário do que pretende fazer crer a nobre Procuradoria. Destarte, consoante demonstrado no excerto do Termo de Verificação Fiscal acima transcrito, o fundamento fulcral da fiscalização ao aplicar a multa qualificada de 150% se fixa no volume de movimentação financeira não comprovada ao longo dos anos reiteradamente, bem acima dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Entrementes, este Egrégio Colegiado em recentes decisões vem afastando a qualificação da multa quando sua adoção repousa exclusivamente na simples conduta reiterada e/ou em razão do volume da movimentação bancária do contribuinte, sem que haja um aprofundamento na questão pela autoridade fiscal, senão vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas Fl. 438DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.” (Processo n° 12571.000050/200786 – Acórdão n° 920201.742 – 2ª Turma – Sessão de 27/09/2011 – Relator: Marcelo Oliveira) Como se observa, caberia à autoridade lançadora demonstrar de maneira pormenorizada suas razões no sentido de que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pelo autuado. No caso vertente, em que pese os argumentos da recorrente, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos, mesmo porque o fiscal autuante arrimou sua tese simplesmente na conduta reiterada e no volume movimentado nas contas bancárias do autuado, fundamentos insuficientes para a qualificação da multa, como acima delineado. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1a TO da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 439DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10480.722843/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2008
DESPESAS. GLOSA. REGIME DE COMPETÊNCIA.
As despesas comprovadas incorridas e não apropriadas ao resultado em períodos anteriores, podem ser deduzidas mesmo após o período de competência. Incumbiria ao Fisco demonstrar que o registro de despesas após o período de competência provocou postergação no pagamento de tributo ou a redução indevida do lucro real e, sendo o caso, efetuar o lançamento com observância das disposições do art. 273 do Regulamento. Não sendo essa a hipótese dos autos, é de se cancelar a exigência.
Numero da decisão: 1301-001.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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REGIME DE COMPETÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RAPIDÃO COMETA LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 DESPESAS. GLOSA. REGIME DE COMPETÊNCIA. As despesas comprovadas incorridas e não apropriadas ao resultado em períodos anteriores, podem ser deduzidas mesmo após o período de competência. Incumbiria ao Fisco demonstrar que o registro de despesas após o período de competência provocou postergação no pagamento de tributo ou a redução indevida do lucro real e, sendo o caso, efetuar o lançamento com observância das disposições do art. 273 do Regulamento. Não sendo essa a hipótese dos autos, é de se cancelar a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 28 43 /2 01 2- 19 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório O presente processo tem como objeto os autos de infração de fls 02/17, referentes a Imposto sobre a Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, por meio dos quais foram consubstanciadas as exigências de R$ 3.327.828,45 e R$ 1.152.935,66, respectivamente, multa de 75% e juros de mora. As autuações tiverem como fundamento a exclusão indevida, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de ajustes referentes a exercícios anteriores. Conforme fls 18/25, foi relatada conforme resumo seguinte: • A interessada, optante, no ano de 2008, pelo lucro real trimestral, informou em sua declaração de rendimentos , para o 4º trimestre do ano em questão, exclusões ao lucro real e à base de cálculo da CSLL no montante de R$ 31.624.179,24 (linha “outras exclusões”); • Intimada a esclarecer sobre a natureza da exclusão acima referida (fls 129), informou que tal valor corresponderia ao saldo devedor do parcelamento de que trata a lei 10.684/03 (PAES). Esclareceu ainda que os débitos parcelados tiveram como origem auto de infração e que não foram registrados na contabilidade (fls 142/144). A discriminação de valores então apresentada foi a seguinte: 1. R$ 14.663.967,71 referentes a débito de INSS; 2. R$ 20.026.286,23 referentes a débitos junto a RFB. • a fim de justificar a legalidade do procedimento adotado a interessada apresentou Parecer do escritório de advocacia “Damarest e Almeida” (fls 145); Diante dos fatos e informações acima mencionadas, concluiu a autoridade que, em respeito ao regime de competência, os ajustes realizados (relativos a períodos anteriores) deveriam ter sido considerados como despesas dos próprios anos a que se referem e, sendo o caso, deveriam constituir adição no cálculo das bases tributáveis destes períodos. Foi, portanto, realizada a glosa da exclusão às bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no valor de R$ 31.624.179,24, Cientificada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 228/238, na qual alega a seu favor que : • os ajustes realizados têm a seguinte composição: R$ 30.646.155,00 referemse a débitos parcelados e R$ 978.024,00 referemse a amortização antecipada de contrato; • os valores acima foram debitados à conta de PL e legitimamente excluídos do lucro real e da base de cálculo da CSLL; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10480.722843/201219 Acórdão n.º 1301001.629 S1C3T1 Fl. 12 3 • a Rapidão sempre auferiu lucros tributáveis de forma que se os ajustes tivessem sido computados conforme sua correta competência teria sido efetivamente menor o IR e a CSLL pagos em períodos anteriores; • os débitos parcelados foram objeto de auto de infração sem multa de ofício, já que a empresa estava amparada por ação judicial que suspendia a cobrança dos valores lançados; • conforme art 186, inciso I, da Lei das S.A os ajustes de exercícios anteriores devem ser lançados diretamente à conta de lucros ou prejuízos acumulados (PL), não afetando, desta forma, despesas e receitas do exercício; • nos termos do art 250, inciso I, do RIR/1999, na apuração do lucro real podem ser excluídos valores não computados na apuração do lucro líquido desde que haja autorização para tanto; • na ausência de dispositivo específico sobre a exclusão relativa a ajustes de períodos anteriores, aplicase a regra de dedutibilidade prevista no art 299 do RIR/1999; • no caso concreto, as despesas que deram origem ao ajuste realizado são necessárias à atividade empresarial. Representam, portanto, despesas dedutíveis; • a inobservância do regime de competência só ocasiona lançamento de ofício quando acarrete efetivo pagamento a menor de tributo. Corroboram tal entendimento o PN CST 57/79 e o PN Cosit 02/96. A DRJ/RIO DE JANEIRO I, decidiu a matéria exteriorizada por meio do Acórdão 1261.743, de 26/11/2013 (fls. 319), julgando a impugnação procedente, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2008 IRPJ E CSLL. REGIME DE COMPETÊNCIA. O desrespeito ao regime de competência somente configura fundamento para a constituição do crédito tributário quando dele decorra postergação de pagamento de tributo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Estando presentes os requisitos legais, conheço do recurso de ofício. Como se observa do voto condutor de primeira instância o valor do crédito exonerado supera o limite estabelecido pela Portaria/MF 03, de 03/01/2008, razão pela qual, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97, deve a decisão ser submetida à revisão necessária. Pelo que conheço do recurso de ofício interposto. Constatase, em primeiro lugar que a autoridade julgadora de primeira instância, apreciando a impugnação interposta, cancelou a autuação, sob os seguintes fundamentos: “Nos termos acima, a exclusão que foi objeto da glosa corresponderia a ajustes de exercícios anteriores, ajustes estes referentes a saldos devedores de parcelamento deferido. Não compuseram os fundamentos da autuação quaisquer considerações sobre possíveis incorreções no cálculo do montante da referida exclusão e nem sobre a sua dedutibilidade. O lançamento foi motivado, apenas, pelo desrespeito ao regime de competência. Segundo o autuante, os valores questionados deveriam ter sido considerados como despesas dos exercícios a que competiam e, sendo o caso, deveriam, também, ser adicionados às bases tributáveis do período. O primeiro ponto a esclarecer é o de que se foi considerado inadequado o regime de reconhecimento adotado, deveria ter sido esclarecido, afinal, qual o critério correto e, ainda, quais seriam os períodos a que , de fato, competiriam as deduções auditadas. Não constam dos autos tais esclarecimentos. Ainda que se supere tal omissão, o fato é que o desrespeito ao regime de competência só acarreta infração à legislação tributária quando dela decorra postergação de pagamento de tributos, que pode se configurar nas hipóteses de postergação de receitas ou de antecipação de despesas, mas não quando, conforme relato, se tem exclusão realizada em momento posterior ao da sua correta competência. Esta última hipótese somente poderia acarretar o lançamento tributário caso ficasse patente a manipulação, por parte da pessoa jurídica, dos valores a excluir, conforme haja ou não a apuração de prejuízos fiscais. Em que pese ser impossível assegurar que, no caso concreto, não houve a referida manipulação (já que o autuante não mencionou qual seria o período da correta apropriação das exclusões glosadas), parece que de fato não ocorreu, uma vez que, conforme alegou, em quase todos os trimestre, desde 2003, a interessada apurou lucro tributável. Relevante ressaltar que , nos termos do art 344 do RIR/1999, os tributos são dedutíveis na apuração do lucro real, conforme o regime de competência, e, ainda, segundo relato da autoridade autuante, a dedução em foco não havia alterado a tributação de períodos anteriores, já que havia sido registrada à débito de “lucro acumulados”. Tudo indica, portanto, que de fato tratase de valores dedutíveis, na Fl. 338DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10480.722843/201219 Acórdão n.º 1301001.629 S1C3T1 Fl. 13 5 apuração do lucro real, reconhecidos, porém, em momento posterior ao de sua correta competência. À vista de todo o exposto, considerando que, no caso concreto, a autoridade autuante não demonstrou a efetiva ocorrência de postergação de pagamento de tributos e nem a manipulação de despesas, conforme a apuração de lucro ou prejuízo, concluo pelo cancelamento da autuação.” Ao discutir a glosa de que trata este item, ficou evidenciado que os valores glosados corresponderia ao saldo devedor do parcelamento de que trata a lei 10.684/03 (PAES); R$ 30.646.155,00 referemse a débitos parcelados e R$ 978.024,00 a amortização antecipada de contrato; os valores acima foram debitados à conta de PL e legitimamente excluídos do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Tais valores apropriados ao resultado em exercícios posteriores, caracterizando assim a inobservância do regime de competência. Tal situação é disciplinada pelo art. 273 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), in verbis: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (Decreto Lei nº1.598, de 1977, art. 6º, §5º): I – a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II – a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e Decreto Lei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). O que ocorreu, no caso concreto, foi a apropriação de despesas em período posterior àquele em que incorridas, o que, salvo prova em contrário, não causa qualquer prejuízo à Fazenda Pública. Não há nos autos qualquer afirmação no sentido de que tais valores glosados não tenham sido incorridas ou comprovadas. Ao contrário, o único fundamento para negar sua dedutibilidade foi a inobservância do regime de competência. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Não tendo sido o lançamento feito de acordo com as disposições legais acima transcritas, nem constando dos autos qualquer tentativa de aprofundamento no sentido de provar a postergação no pagamento de imposto ou a redução indevida do lucro real, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. Do exposto, acompanho a decisão recorrida, pelo que NEGO Provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 340DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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